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TRABALHO SOBRE CONTRATOS NOTA Disciplina: DIREITO CIVIL VI – Direito da Obrigações III (Contratos) Turma:6ª FASE Professor: Vanessa Maria Sens Reckelberg Data: 09/04/2019 Alunos: Bruna Rodrigues Alves Camila Girardi Indianara Córdova Juliana Veber Lorian Márcia Bindo Pachnowski Mariana Moraes Otávio Büthencourte Valdiney Signorelli CONTRATOS Um dos direitos mais amplos e protegidos é sem dúvida o direito à propriedade, que congrega as faculdades de usar, gozar/fruir, dispor e reivindicar a coisa. Mesmo sem a sua positivação nos primeiros códigos de que se tem notícia, o homem já exercia a autotutela para preservar o que considerava seu. Desde a época do surgimento das primeiras sociedades até os complexos contratos firmados atualmente, a instituição evoluiu, tornando-se um dos principais ramos de estudo do direito civil, responsável uma grossa porção dos processos que tramitam na justiça, no mundo todo. HISTÓRICO É muito difícil estimar quando realmente surgiu o contrato. Como mencionado na introdução, tanto a defesa da propriedade, quanto a negociação da posse e tradição da mesma, existem desde o tempo em que o homem se tornou um ser social. Porém a formalização do mesmo, a judicialização do contrato remonta ao direito romano, conforme Max (1999) nos traz: “Deve-se ao jurisconsulto GAIO o trabalho de sistematização das fontes das obrigações, desenvolvidas posteriormente nas Institutas de Justiniano, que seriam distribuídas em quatro categorias de causas eficientes: a) o contrato – compreendendo as convenções, as avenças firmadas entre duas partes; b) o quase contrato – tratava-se de situações jurídicas assemelhadas aos contratos, atos humanos lícitos equiparáveis aos contratos, como a gestão de negócios; c) o delito – consistente no ilícito dolosamente cometido, causador de prejuízo para outrem; d) o quase delito – consistente nos ilícitos em que o agente atuou culposamente, por meio de comportamento carregado de negligência, imprudência ou imperícia” Mas é errôneo achar que o direito contratual ou sua instituição nasceu em Roma, pois a Grécia já tinha seu sistema contratual estruturado, porém como nos principal fonte jurídica é romana, trazemos esta formalização, não necessariamente a primeira. Porém, para chegarmos no nível contratual que possuímos hoje, cada sociedade precisou contribuir com suas concepções de propriedade, de limite legal, entre outras. Ocidentalmente, o contrato como o vemos, tem indelével influencia capitalista, pelo interesse individual na coisa contratada, em detrimento de sua função social, aproximando-o do princípio do pacta sunt servanda, limitado porém pelo princípio da igualdade entre as partes. A massificação trazida pela revolução industrial, “simplificou” o contratar, reduzindo a igualdade dos contratantes, transformando uma das partes, a mais fraca, claro, em mero aderente à um simples formulário contratual, para o qual não cabe mais a discussão, apenas a expressa adesão. “Contratos de cartões de crédito, de fornecimento de água e luz, de telefonia fixa ou celular, de empréstimo, de seguro, de transporte aéreo, terrestre ou marítimo, de financiamento habitacional, de alienação fiduciária, de consórcio de leasing, de franquia, de locação em shopping center, de concessão de serviços públicos, de serviços via internet, de TV a cabo, enfim, as mais importantes figuras contratuais são pactuadas, hoje, sob a forma de contrato de adesão, modalidade contratual forjada no início do século XX, e cuja especial característica consistiria exatamente no fato de apenas uma das partes ditar o seu conteúdo, redigindo as suas cláusulas, impondo-se a outra, portanto, aceitar ou não a proposta que lhe fora apresentada.” (GACLIANO, 2017) Nascia o contrato por adesão. E à partir deste momento, a evolução da sociedade propulsionou a evolução dos contratos, ou do direito contratual propriamente dito, fazendo que houvesse distinção entre as formas de contratar, positivando o que é lícito e o que pode ser vício e ensejando uma série de peculiaridades no ato de contratar. DEFINIÇÕES DE CONTRATO Para que se possa realizar um estudo apropriado de contratos, é mister que se defina contrato, de que se tenha clareza de onde se esta estabelecendo um contrato, pois quando entramos em um ônibus coletivo e pagamos a passagem para chegarmos em determinado destino, acabamos de estabelecer um contrato, mesmo que totalmente informal. Em oposição ao caráter prático e jurisprudencial do common law, os conceitos são uma necessidade intrínseca ao sistema jurídico romano-germânico, devido à sua estruturação sistemática. Ter claro um conceito de contrato, portanto, é considerar a série de princípios e normas aplicáveis a ele subjacente a esse enquadramento teórico. Segundo o clássico conceito de Clóvis Bevilaqua (1934, p. 245), contrato é um “acordo de vontades para o fim de adquirir, resguardar, modificar ou extinguir direitos”. Ou, ainda, conforme Ulpiano, é o “mútuo consentimento de duas ou mais pessoas sobre o mesmo objeto” (apud MONTEIRO, 2007, p. 4). Já para Maria Helena Diniz ( 2008, p.30), “contrato é o acordo de duas ou mais vontades, na conformidade da ordem jurídica, destinado a estabelecer uma regulamentação de interesses entre as partes, com o escopo de adquirir, modificar ou extinguir relações jurídicas de natureza patrimonial” PRINCÍPIOS CONTRATUAIS Para que um contrato seja válido é necessário: acordo de vontades, agente capaz, objeto lícito, possível, determinado ou determinável e forma prescrita ou não defesa em lei. Incidem sobre os contratos três princípios básicos: a) Autonomia da vontade: significa a liberdade das partes de contratar, de escolher o tipo e o objeto do contrato e de dispor o conteúdo contratual de acordo com os interesses a serem auto-regulados. b) Supremacia da ordem pública: significa que a autonomia da vontade é relativa, sujeita à lei e aos princípios da moral e da ordem pública. c) Obrigatoriedade do contrato: significa que o contrato faz lei entre as partes.(pacta sunt servanda) Porém , o Código Civil nos traz um principio norteador dos contratos em seu artigo 422, que preceitua: "Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, osprincípios de probidade e boa-fé." Não há como imaginar um contrato sem o princípio da boa-fé. Querer cumprir o combinado. FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO Da mesma forma que constitucionalmente previsto para a propriedade, a "liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato" (art. 421, CC-02). Embora o contrato se refira, à priori, somente às partes pactuantes (relatividade subjetiva), também gera repercussões e deveres jurídicos para terceiros, além da própria sociedade, de forma difusa. É importante ressaltar, o que Orlando Gomes quando comentava a função social da propriedade, a autonomia do princípio da função social (lá da propriedade, aqui do contrato); pois não se constitui em simples limitação normativa, mas sim da própria razão de ser de todas as outras regras contratuais, que devem gravitar em torno de si, o que justifica a utilização das expressões "razão" e "limite" do já mencionado dispositivo legal. CONCLUSÃO O contrato substituiu a violência ajudando a sociedade a evoluir, e ao mesmo tempo, evoluiu com a mesma, passando a ser um dos principais temas de discussão jurídica atual. Desde o mais simples cidadão até as grandes multinacionais fazem uso de contratos no dia a dia, em diferentes graus de complexidade. Tornou-se impossível viver em sociedade sem este instrumento jurídico e a função que exerce. Portanto, se faz necessário conhecer e reconhecer os diferentes tipos de contratos que se apresentam nas diversas situações e estabelecer as reações contratuais baseadas nos princípios e na boa-fé, para assegurar o equilíbrio da vida em sociedade.BIBLIOGRAFIA BEVILAQUA, Clovis. Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado. 4. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1934. DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro. vol. 3. São Paulo: Saraiva, 2008 GAGLIANO, Pablo Stolze, Novo curso de direito civil, v. 4, tomo I : contratos, teoria geral / Pablo Stolze Gagliano, Rodolfo Pamplona Filho. – 13.ed. – São Paulo : Saraiva, 2017. GOMES,Orlando. Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2007. . MAX Kaser, Direito Privado Romano (Römisches Privatrecht), Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian,1999.