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1ª PROVA DE SAÚDE PUBLICA CONTROLE DE ROEDORES Espécies de Roedores de Interesse Sanitário As espécies sinantrópicas comensais, Ratazana (Rattus norvegicus) Rato de telhado (Rattus rattus) Camundongo (Mus musculus) São particularmente importantes do ponto de vista sanitário, pois adaptaram-se melhor às condições ambientais criadas pelo homem, onde encontram água, abrigo e alimento para sobreviver. Aspectos da Biologia e Comportamento dos Roedores - Importância Econômica e Sanitária Hábito de roer O hábito de roer é necessário para desgastar seus dentes incisivos, que são de crescimento contínuo. Roem também para vencer obstáculos colocados em seu caminho, geralmente na busca de alimento ou de sítios de instalação da colônia, devido a esse hábito, estes animais podem também causar graves acidentes, devido aos danos que causam às estruturas, maquinários e materiais, podendo, por exemplo, penetrar em computadores, fios elétricos, cabos telefônicos e ocasionar curto circuitos e incêndios. Os roedores causam enormes prejuízos econômicos ao homem, inutilizando em torno de 4 a 8% da produção nacional de cereais, raízes e sementes. Os prejuízos causados pelo roedor aos alimentos de consumo humano e animal se dá pela ingestão e estragos em rações e farelos, bem como pela quebra parcial de grãos, através de roeduras. Nos campos, destroem as sementes recém-plantadas e atacam os cereais, tanto na espigagem como depois de colhidos e armazenados Desta forma, podem devastar culturas de arroz, trigo, milho, cacau e cana-de-açucar. Além dos prejuízos econômicos, os roedores causam prejuízos à saúde humana, pois são transmissores de uma série de doenças ao homem e a outros animais, participando da cadeia epidemiológica de pelo menos 30 zoonoses. Leptospirose, peste, tifo murino, hantaviroses, salmoneloses, febre da mordedura, triquinose, são algumas das principais doenças nas quais o roedor participa de forma direta ou indireta. Órgãos dos sentidos Visão: Enxergam mal, mas apresentam alta sensibilidade à luz, percebendo variações de claro e escuro. Olfato: é muito desenvolvida, mexendo continuamente o seu focinho e cheirando todo o ambiente, assim localizando determinado alimento preferido no meio de outras substâncias de menor interesse ou detectando odores atrativos ou repelentes. Paladar: apurado e sua memória para gostos permitem que detecte pequenas quantidades de substâncias tóxicas no alimento, uma vez experimentado tal sabor. Audição: A audição do rato é um de seus sentidos mais desenvolvidos, pois reage a qualquer barulho repentino e também ao ultra-som, ajudando a detectar e escapar do perigo com muita antecedência. Tato: é o sentido mais desenvolvido; suas vibrissas (bigodes) estão em contínuo movimento, em contato com o chão, muros ou objetos próprios, auxiliando a orientação do animal. Longos pêlos tácteis ou sensitivos espalhados por seu corpo, quando em contato com superfícies verticais, auxiliam, também, na sua orientação. Dinâmica Populacional Os roedores costumam viver em colônias ou agrupamentos, cujo número varia conforme as condições ambientais do território. Numa gestação de 19 a 22 dias, rato e camundongos podem parir de 5 a 12 filhotes para a ninhada. Aos três meses atingem a maturidade sexual e estão aptos para a reprodução. Doenças: Peste bulbônica Peste negra, doença pulmonar ou septicêmica, de caráter infectocontegiosa provocada pela bactéria Yersina pestis. Transmitida pela pulga infectada (Xenophisylla cheopis) que vive no rato. Esta peste teve um surto muito importante na idade média, causando a morte de quase 30% da população da Europa, no entanto, nos dias de hoje é bastante rara. Quando existe suspeita de peste negra é muito importante procurar ajuda médica o mais rápido possível, pois em pessoas que não fazem o tratamento em 48 horas as chances de cura são muito reduzidas. Sintomas: É o tipo mais conhecido de peste que causa sintomas como: Febre acima de 38º C; Arrepios constantes; Dor de cabeça muito intensa; Cansaço excessivo; Ínguas muito inchadas e doloridas. Geralmente, as ínguas ficam inflamadas junto do local da picada da pulga, mas se o tratamento não for iniciado, a infecção pode se espalhar pelo sistema linfático, afetando todo o corpo. Peste septicêmica A peste septicêmica acontece quando a bactéria da Peste se multiplica no sangue e, por isso, além de cansaço excessivo, febre e arrepios, também é comum o surgimento de outros sinais como dor abdominal forte e manchas roxas na pele, causadas pelo sangramento debaixo da pele. Além disso, alguns locais da pele podem ficar negros devido à morte dos tecidos, sendo que isso é mais comum no nariz e nos dedos dos pés e mãos. Peste pneumônica: Já este tipo da peste é acompanhado do desenvolvimento de uma pneumonia e, por isso, alguns sinais frequentes incluem: Dificuldade para respirar; Sensação de falta de ar; Dor no peito; Tosse constante que pode conter sangue. Transmissão: A transmissão da peste negra é feita na maioria dos casos através dos roedores, especialmente os ratos, mas normalmente a doença chega até aos humanos através das pulgas. Isso acontece porque, após causar a morte ao rato, a pulga geralmente migra para outros corpos para continuar se alimentando do sangue. Por esse motivo, a doença também pode surgir em outros animais picados, como gatos ou cachorros. Embora seja mais raro, a peste também pode passar de uma pessoa para outra, mas isso acontece especialmente nos casos de peste pneumônica, onde a bactéria pode ser transmitida pelas gotículas liberadas ao tossir ou espirrar. Outra possível forma de transmissão é o contato com sangue ou fluídos de outras pessoas ou animais infectados. Triquinosa Doença causada pelos parasitas nematoides do gênero Trichinella spiralis. A transmissão ocorre pela ingestão de carne de porco mal cozida. Dessa forma, caso a pessoa consuma carnes cruas ou mal cozidas de animais contaminados, pode ser infectado pela larva desse parasita que pode dirigir-se para vários locais do corpo e causar sintomas diversos, como dor muscular, diarreia ou cansaço excessivo, por exemplo. Sintomas: Os sintomas da triquinose variam de acordo com a carga parasitária, no entanto os primeiros sintomas surgem cerca de 2 dias após a ingestão da carne crua ou mal cozida e estão relacionadas ao sistema digestivo, podendo haver dor abdominal, diarreia, hemorragias e vômitos, por exemplo. Cerca de mais ou menos 1 semana após a infecção, principalmente se não houver tratamento, as larvas podem atingir a corrente sanguínea e chegar a outros sintomas, como por exemplo: Dor muscular; Febre persistente; Dor nos olhos e sensibilidade à luz; Inchaço do rosto, especialmente ao redor dos olhos; Cansaço excessivo; Dor de cabeça; Febre da mordedura do rato A infecção por Spirillum minus é adquirida pela mordedura de um rato ou, ocasionalmente, um camundongo. A lesão em geral cicatriza prontamente, mas a inflamação reincide no local após 4 a 28 dias (normalmente > 10 dias), acompanhada por febre recorrente e linfadenite regional. Um rash cutâneo róseo urticariforme se desenvolve, mas é menos proeminente que o rash cutâneo estreptobacilar. Sintomas sistêmicos em geral acompanham a febre, mas a artrite é rara. Em geral, em pacientes sem tratamento, ciclos de 2 a 4 dias de febre são recorrentes por 4 a 8 semanas, mas episódios febris raramente recorrem por > 1 ano. Leptospirose A leptospirose é uma doença fatal de grande importância, também conhecida como “doença da urina do rato”, que pode ser transmitida por roedores, bovinos, cães e outros animais. É uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Leptospira, que possui mais de 250 sorovares, agrupados em sorogrupos, ou seja, são bactérias divididas de acordo com suas características antigênicas. Essa doença, que atinge de forma grave os rins e o fígado, é uma zoonose e pode ser transmitida do animal para o homem. Transmissão: A transmissão pode ocorrer de formadireta ou indireta e normalmente o cão se contamina ao entrar em contato com o principal transmissor (rato) ou sua urina. Já o homem, na maior parte dos casos, cerca de 80%, se infecta pelo contato com água contaminada com leptospiras provenientes da urina de algum animal infectado (cão ou rato, por exemplo); ou diretamente pela manipulação de tecidos, ingestão de alimentos ou água contaminada. A Leptospira pode penetrar na pele íntegra quando imersa em água por longo tempo, principalmente durante o procedimento de limpeza de ambientes após as enchentes, pele com pequenas feridas ou mesmo nas mucosas. A inalação de aerossol contaminado também pode transmitir a doença. E tanto as espécies domésticas, como as silvestres são capazes de adquirir a infecção e se tornar portadoras, além de importantes fontes de transmissão, inclusive para o homem. Caracteristica da doença: A leptospirose é uma doença febril aguda e zoonótica causado pela bactéria patogênica do gênero leptospira de caráter sistêmico transmitido ao homem pelo contato direto ou indireto com a urina de animais infectados. 14 espécies patogênicas ( mais importante L.interrogans) Mais de 200 sorovares (sorotipos) Possuí um elevado grau de variação antigênica Alta capacidade de sobrevivência no meio ambiente (180 dias) Ampla variedade de animais susceptíveis Saúde pública: Doença endêmica e sazonal, com altas incidências de casos novos, além do alto custo hospitalar dos pacientes internados e alta letalidade dos casos mais graves. Fatores condicionantes da ocorrência da doença: Densidade populacional Contato com regiões alagadas Abundancia de diferentes espécies animais; Doença endêmica que aumenta o numero de caso em períodos de chuva Período de incubação: Varia de 1 - 30 dias (com média de 5 - 14 dias) Sintomas: As formas leves geralmente manifestam-se com cefaléia e mialgia; já as formas graves incluem icterícia, oligúria e manifestações hemorrágicas (Doença de Weil). A dor na panturrilha, considerada por muitos como sendo patognomônica para a doença, já foi observada também em pacientes acometidos pela dengue, especialmente crianças1 . Como pode cursar com manifestações hemorrágicas, é difícil estabelecer o diagnóstico diferencial com outras febres e patologias hemorrágicas. Febre Mialgia Vômitos Calafrios Anemia hemolítica - Icterícia Obs: Os animais infectados podem eliminar a leptospirose através da urina durante meses, anosou por toda vida; A susceptibilidade no homem é geral além disso, o homem e os animais pode e infectar mais de uma vez e adoecer caso o sorovar seja diferente. Medidas profiláticas: As medidas profiláticas da infecção pela leptospirose incluem: Evitar o contato da pele com água ou lama de enchentes; Proteger-se com o uso de luvas e botas ou sacos de plásticos duplos amarrados durante a limpeza de água ou lama de enchentes; Utilizar água filtrada, fervida ou tratada com água sanitária; Cuidar dos recipientes para armazenamento de água, embalagens de alimentos e utensílios domésticos; Cuidar bem dos alimentos, descartando os que entraram em contato com águas contaminadas; cozinhar e lavar bem todos os alimentos; Desinfetar as frutas e legumes com água sanitária; Manter os alimentos em locais protegidos de roedores; Limpar e desinfetar com água sanitária (hipoclorito de sódio 2,5%) as áreas domiciliares ou próximas a domicílios que estejam contaminadas com lama ou águas de enchentes; Acondicionar sempre o lixo em sacos plásticos e eliminá-lo em lugar adequado; jamais jogue Lixo nos córregos Hantavírus: * O Ebola brasileiro Hantavirose é uma doença cuja transmissão para o homem se dá em ambientes fechados pela inalação de aerossóis (partículas suspensas na poeira) provenientes das secreções e excretas dos reservatórios do vírus. Hantavirose é uma enfermidade aguda, bastante grave, de distribuição universal, provocada por diferentes sorotipos de Hantavirus eliminados nas fezes, urina e saliva de roedores silvestres. Ela é uma doença viral, transmitida principalmente por ratos silvestres que causa síndrome pulmonar em humanos (SPH). Atualmente registra se sua ocorrência em todo o país com incidência crescente – doença aguda. A hantavirose é uma doença de notificação compulsória e de investigação epidemiológica obrigatória. O objetivo é localizar os focos de transmissão dessa doença de distribuição universal, e implantar medidas de controle da zoonose e de tratamento das pessoas já infectadas. A hantavirose pode manifestar-se como uma doença febril, aguda e inespecífica ou sob formas mais graves como a febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR), prevalente na Europa e Ásia, e a síndrome pulmonar por hantavirose (HPS), com maior incidência nas Américas, onde o número de casos, muitos deles letais, tem aumentado nos últimos tempos. Sinais de presença (estima nível da infestação) Fezes / Trilhas / Roeduras / Ninhos / Manchas de gordura Tocas tivas: Área rural – tocas / Cidade – Galerias pluviais Responsáveis do controle A responsabilidade é de todos e de cada um; A responsabilidade básica no controle de roedores infestantes de uma propriedade, área livre ou edificada é do proprietário/ocupante. Más, se os ratos possam ocupar áreas comunitárias a responsabilidade se torna do setor público. Combate do roedores Manejo integrado Manejo Integrado é um termo abrangente que compreende um conjunto de ações voltadas à praga a ser combatida, como medidas preventivas associadas á medidas corretivas e de eliminação. Mas também sobre o meio ambiente que a cerca, praticadas de forma concomitante, permitindo a obtenção do efeito de controle ou até mesmo a erradicação. O manejo integrado, um conceito originalmente criado para combater pragas da lavoura, adaptou-se perfeitamente ao combate das pragas urbanas, incluindo os roedores sinantrópicos. A remoção ou limitação das fontes de alimentos disponíveis em seu território, por exemplo, é uma medida de manejo integrado. Diminuir ou mesmo suprimir-lhes as fontes de água, é outro fator controlador. Eliminar possíveis abrigos das espécies-alvo, pode criar dificuldades intransponíveis para alguns roedores. Em suma, toda e qualquer medida que lhes dificultem a vida pode, por si só, causar um impacto bastante forte nas populações de roedores. Se a esse manejo for adicionado uma forma de combate direto (métodos químicos e/ou físicos) buscando eliminar os roedores já existentes, a resultante será um controle mais prolongado, eventualmente até permanente do problema. O manejo integrado dos roedores pressupõe uma série sucessiva de cinco fases distintas: inspeção, identificação, medidas corretivas e preventivas (antiratização), desratização, avaliação e monitoramento. Inspeção Inicialmente a área problema deve ser examinada em busca de dados e informações sobre a situação, tais como: • o tipo de ambiente onde a infestação está ocorrendo (se área construída ou se área livre a céu aberto e sua extensão); • o que, naquele ambiente, estaria garantindo ou facilitando a instalação e livre proliferação dos roedores; • o tipo de utilização que é dado ao ambiente (forma e freqüência de uso, fins, horários de uso, etc); • busca de focos (concentração, dispersão). Medidas preventivas e corretivas (anti-ratização) É o conjunto de medidas preventivas e corretivas adotadas no meio ambiente que visam impedir e/ou dificultar a implantação e expansão de novas colônias de roedores. Examinado o ambiente e identificada a espécie, tem-se condições de apontar as razões da ocorrência daquela infestação: de onde vem, para onde está indo, por onde passa e circula, o que busca e de que se alimenta, onde estão suas ninheiras, etc. Com base nesses dados, pode-se apontar as medidas que, no conjunto, sejam capazes de interferir na instalação, sobrevivência e livre proliferação dos roedores infestantes naquela área. Algumas dessas medidas são corretivas do meio ambiente e visam a retirada de certas condições que estão facilitando a infestaçãodos roedores. Entre elas, por exemplo: Um manejo adequado do lixo com melhor acondicionamento, locais de deposição e transporte apropriados e protegidos dos roedores. O lixo doméstico deve ser acondicionado em latões tampados para que não sejam acessados por roedores. Se forem, no entanto, acondicionados em sacos plásticos, estes não devem ser deixados nas calçadas, ao nível do piso à espera do caminhão coletor; devem ser dispostos sobre anteparos apropriados que os mantenham longe do solo ou sobre o muro da residência, se este for de uma altura que permita ser recolhido manualmente pelo gari. A canalização de córregos a céu aberto é por si só uma medida que dificulta extraordinariamente a instalação de ratazanas nas barrancas de suas margens. Um outro conjunto de medidas, agora de caráter preventivo, poderá evitar a penetração ou a presença de roedores na área. Pode-se citar entre elas, a título de exemplo: • A construção de edificações à prova de roedores, ou seja, construir de forma tal que a penetração ativa dos roedores naquelas instalações torne-se praticamente impossível. Criação de barreiras físicas nas galerias subterrâneas de água, esgotos, águas pluviais ou de cabeamento. Aplicação de dispositivos unidirecionais no primeiro segmento de manilha conectada ao vaso sanitário, dispositivos esses que impedem o acesso dos roedores por essa via. Uso de ralos metálicos chumbados ao piso com grade permanente. Uso de fortes telas metálicas de 6 mm vedando os respiradouros (especialmente dos porões) e no bocal das calhas e condutos de águas de chuva. Evitar o acúmulo de entulhos, de materiais de construção ou inservíveis e outros materiais próximos às residências. Construção de lixeiras de alvenaria vedando o acesso dos roedores. Reflorestamento com espécies nativas ou reconhecidas como pertencentes àquele bioma, o que visa recompor o ecossistema antes perdido da região. Desratização A desratização é a utilização de processos capazes de produzir a eliminação física dos roedores infestantes. Esse objetivo pode ser atingido, especialmente quando a infestação for inicial ou de grau leve a moderado, por meio de processos mecânicos ou físicos como o emprego de ratoeiras, armadilhas e outros dispositivos de captura. O uso de aparelhos de ultra-som ou eletromagnéticos não é recomendável em larga escala em virtude de seu limitado potencial de ação e os custos de manutenção. As armadilhas colantes podem ser empregadas com relativo sucesso contra camundongos (Mus musculus) e outros não comensais de igual porte (Oligoryzomys, Akodon e Bolomys) mas sofrem restrições de caráter humanitário em virtude da lenta agonia a que o animal capturado é submetido. Outra forma de obter-se a eliminação dos roedores infestantes é por meio de processos químicos, onde são utilizadas substâncias denominadas genericamente de raticidas, embora fosse mais apropriado chamá-las de rodenticidas. Em todo o mundo, o grupo químico mais utilizado como raticida são os anticoagulantes por serem muito eficazes a baixo custo, além de possuírem razoáveis margens de segurança no uso e, acima de tudo, a existência de antídoto confiável. Tratados num capítulo à parte neste manual, os métodos de combate visam a diminuição rápida dos níveis de infestação encontrados numa área problema. Obs: Chumbinho não é raticida Avaliação e monitoramento: As reinspeções periódicas da área devem ser programadas e executadas por pessoal treinado, capaz de, a uma simples inspeção, identificar os clássicos sinais da presença de roedores: materiais roídos, trilhas, manchas de gordura, fezes, etc. O manejo integrado dos roedores é o método mais eficaz para atingir-se níveis de controle e até a erradicação de uma infestação murina, porque combate o roedor em três frentes ao mesmo tempo, por meio de medidas preventivas, de medidas corretivas do meio ambiente e da eliminação do roedor já instalado na área. Se mal empregado ou conduzido de forma inapropriada, o controle dos roedores pode desembocar em outra vertente, desta feita indesejável, que é o chamado “efeito bumerangue”, Técnicas de controle: Armadilhas: As armadilhas podem ser as que capturam roedores vivos (incruentas) e há também aquelas que produzem sua morte no ato de captura (cruentas). Dentre estas últimas, a mais difundida em todo o mundo é a popular ratoeira “quebra-costas” cujas origens remontam a épocas medievais. O ultra-som: Os roedores em geral estão capacitados a ouvir (e a produzir) sons de freqüência altíssima, entre 10 e 20.000 hertz; os homens não. Partindo desse princípio, surgiram os dispositivos ultra-sônicos para combate aos roedores sinantrópicos que, se empregados numa dada área infestada onde houvesse a presença também de pessoas, só afetariam os roedores. Estes, fortemente incomodados com os agudíssimos sons produzidos pelos dispositivos, buscariam outras áreas para estabelecer suas colônias, abandonando aquelas onde o ultra-som estaria sendo empregado. Os aparelhos eletromagnéticos: Constituídos basicamente por um solenóide (uma bobina que gira em torno de um ímã), esses dispositivos elétricos ao serem acionados, geram um campo de forças eletromagnéticas de dimensões limitadas no aparelho. Conectado a um cano de metal e este introduzido 3/4 de seu comprimento verticalmente no solo, o aparelho produz um campo eletromagnético concêntrico ao nível do piso e nas primeiras camadas do solo, capaz de provocar distúrbios variados no sistema nervoso central dos animais que adentrem a esse campo. Roedores (e qualquer outro animal), sob ação desse campo, sentirão tonturas, náuseas e mal-estar; dessa forma, serão afugentados daquela área. Novamente um aparelho destinado a afugentar os roedores e não para induzir sua eliminação. O controle biológico: Utiliza se predadores O controle químico (raticidas): O controle químico é praticado através de substâncias naturais ou sintéticas, capazes de provocar a morte dos roedores que as ingerirem. São chamadas genericamente de raticidas em nosso país, ainda que o termo correto devesse ser rodenticidas. Os raticidas podem ser divididos, quanto à rapidez de sua ação, em agudos (provocam a morte dentro das primeiras 24 horas após sua ingestão) e crônicos (a morte ocorre após as primeiras 24 horas de sua ingestão). Os raticidas agudos: Os raticidas agudos são tóxicos que atuam bloqueando o sistema nervoso central do animal afetado. São compostos inespecíficos e a maioria não possue antídoto; o tratamento de intoxicações acidentais, tanto no ser humano como em outros animais, era complicado ou sem sucesso. São bons exemplos desse grupo a estricnina, o arsênico, o antu (alfa-naftil-til-uréia), o sulfato de tálio, o fosfeto de zinco, o monofluoracetato de sódio (1.080) e a fluoracetamida (1.081). No Brasil, os raticidas agudos foram proibidos, o último deles em 1982, em virtude principalmente dos incontáveis acidentes fatais com humanos ocorridos em todo o território nacional. Os raticidas crônicos: Os raticidas crônicos foi desenvolvido, a partir da casca de uma árvore africana denominada cumaru (Haba tonka), um composto com ação anticoagulante ao qual denominaram warfarina, chamado no Brasil de cumafeno. Esse composto foi o primeiro de uma série de substâncias correlatas que acabaram constituindo o grupo dos hidroxicumarínicos e têm sido amplamente utilizados como rodenticidas com enorme sucesso. Um pouco mais tarde, foi sintetizado um segundo grupo de anticoagulantes, os derivados da indandiona (ou indandiônicos).