Prévia do material em texto
Módulo: 1 Funções do Auxiliar de Veterinário A profissão Auxiliar de Veterinário não é regulamentada no Brasil. A Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) do Ministério do Trabalho e Emprego reconhece a função de auxiliar de veterinário (5193-05) desde 2002 como área de ocupação profissional enquadrada dentro do grupo "trabalhadores de serviços veterinários, de higiene e estética de animais domésticos" (5193). A CBO é utilizada para fins de registro em CTPS (carteira de trabalho e previdência social) e outras providências, entretanto, não se confunde com o reconhecimento formal da profissão, que é realizado através Lei Federal. Conclui-se, portanto, que o cargo de auxiliar veterinário é uma área de ocupação, e não uma profissão propriamente dita. Deste modo, qualquer prática desses profissionais em áreas privativas e/ou peculiares à medicina veterinária caracteriza exercício ilegal da profissão, nos termos do artigo 47 da Lei de Contravenções Penais. É cada vez mais crescente o mercado de trabalho para os médicos veterinários, de todas as áreas. Neste contexto se destaca uma área em especial, a do chamado Mercado Pet, que é uma das áreas comerciais que mais crescem na atualidade. Sendo assim, a necessidade de mão de obra qualificada para o trabalho nos mais variados estabelecimentos veterinários também tem crescido bastante. É justamente nesse mercado crescente que o auxiliar de veterinária pode se enquadrar, ajudando em todas as seções e repartições dos pet shops, consultórios, clínicas ou hospitais veterinários, além de zoológicos e fazendas. Dentre as atividades que podem ser realizadas pelo auxiliar de veterinária, dentro da rotina clínica, estão: • Aferir temperatura • Observar condições físicas e neurológicas dos animais • Informar as condições de saúde dos animais ao veterinário • Auxiliar na coleta de materiais para a realização de exames • Controlar sinais vitais do animal, como temperatura, pulso, perfil capilar. • Ministrar medicamentos sob a supervisão do médico veterinário • Aplicar injeções • Fazer curativos • Alimentar os animais • Exercitar os animais • Higienizar o local de estada dos animais • Grosar e arrancar dentes de cavalos • Prestar primeiros socorros • Pesar o animal • Conter o animal • Auxiliar nos procedimentos de acesso intravenoso • Fazer a tricotomia de animais antes da cirurgia • Selecionar as caixas cirúrgicas • Preparar o material cirúrgico • Auxiliar no procedimento de internação/intubação do animal • Posicionar o animal na mesa de cirurgia • Fazer a antissepsia do animal • Transportar o animal dentro do estabelecimento • Recolher o material utilizado (instrumentos) • Separar materiais descartáveis • Separar o lixo hospitalar • Embalar o lixo hospitalar para descarte • Lavar os instrumentos cirúrgicos • Montar a caixa de cirurgia • Dobrar panos, aventais e uniforme. • Esterilizar materiais, instrumentos e o ambiente. Dentre as atividades que podem ser feitas pelo auxiliar de veterinária, no que diz respeito às outras áreas do pet shop, consultório, clínica e hospital estão: • Atender a clientes-proprietários dos animais • Buscar os animais • Conversar com os proprietários • Informar sobre normas e regulamentos do estabelecimento • Orientar sobre noções de saúde, higiene e alimentação. • Indicar o atendimento do animal pelo médico veterinário • Entregar o animal • Orientar sobre cuidados especiais para estética • Orientar sobre tipos e raças de animais para aquisição • Administrar o local de trabalho • Solicitar material e medicamentos • Repor material e medicamentos • Controlar óbitos • Embalar cadáveres • Encaminhar os cadáveres para necropsia ou para o aterro sanitário • Enviar materiais coletados para os laboratórios • Limpar e lubrificar equipamentos • Desinfetar equipamentos • Demonstrar competências pessoais • Demonstrar capacidade no trato com animais • Demonstrar paciência • Demonstrar autocontrole • Demonstrar bom humor • Demonstrar concentração • Demonstrar paciência • Avaliar riscos • Demonstrar senso estético • Administrar conflitos • Demonstrar conhecimento teórico Com o curso básico de Auxiliar de Veterinário e Pet Shop você aprenderá os conhecimentos fundamentais para atuar na área. Módulo: 2 Noções de Biossegurança Biossegurança é um conjunto de procedimentos, ações, técnicas, metodologias, equipamentos e dispositivos capazes de eliminar ou minimizar riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, que podem comprometer a saúde do homem, dos animais, do meio ambiente ou a qualidade dos trabalhos desenvolvidos. A responsabilidade do Médico Veterinário não é diferente da responsabilidade de qualquer outro profissional de saúde. A implantação de medidas de biossegurança na medicina veterinária visa realizar um diagnóstico dos possíveis riscos encontrados nos diferentes ambientes, apresentado as formas de reconhecê-los e evitá-los. Um programa de biossegurança torna-se eficiente, na prática diária, quando está embasado em documentos científicos, normativos e legislações pertinentes, visando à interdisciplinaridade, ações educativas e aplicação de conhecimentos que possam influenciar nos hábitos, comportamentos e sentimentos, no desenvolvimento das atividades. As principais estratégias para a redução das infecções adquiridas no ambiente de trabalho são a prevenção da exposição a materiais biológicos potencialmente infecciosos, bem como a proteção através da imunização. A combinação de procedimentos padrão, mudanças na prática de trabalho, uso dos diversos recursos tecnológicos e educação continuada são as melhores alternativas para reduzir exposições ocupacionais. Normas e procedimentos que facilitem pronta comunicação, avaliação, aconselhamento, tratamento e acompanhamento dos acidentes de trabalho com material biológico deve estar disponível para os profissionais de saúde. Essas normas devem estar de acordo com as exigências federais, estaduais e municipais. As mãos devem ser lavadas: - Antes e após atividades que eventualmente possam contaminá-las; - Ao início e término do turno de trabalho entre o atendimento a cada paciente; - Antes de calçar luvas e após a remoção das mesmas; - Quando as mãos forem contaminadas (manipulação de material biológico e/ou químico) em caso de acidente. LEMBRETES TÉCNICOS: 1. O uso de luvas não exclui a lavagem das mãos; 2. Mantenha as unhas tão curtas quanto possível e remova todos os adornos antes da lavagem das mãos; 3. Utilize técnicas que tratem todas as partes da mão igualmente; 4. Realize o procedimento de lavagem de mãos a cada atividade; 5. Lave as mãos em uma pia distinta daquela usada para a lavagem do instrumental. IMUNIZAÇÃO PREVENTIVA As imunizações reduzem o risco de infecção e, por consequência, protegem, não apenas a saúde dos componentes da equipe, mas também a de seus clientes e familiares. Todos os componentes da equipe devem ser vacinados contra hepatite B, tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a dupla adulto DT (difteria e tétano) e contra a raiva. ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO A exposição a material biológico (sangue ou outros líquidos orgânicos potencialmente contaminados) pode resultar em infecção por patógenos como o vírus da imunodeficiência humana e os vírus das hepatites B e C. Os acidentes ocorrem habitualmente através de ferimentos com agulhas, material ou instrumentos cortantes ou a partir do contato direto da mucosa ocular, nasal, oral e pele não íntegra com sangue ou materiais orgânicos contaminados. Podem ser, portanto potencialmente prevenidos. Exposição ocupacional a material biológico: Contato de mucosas e pele não íntegra ou acidente percutâneo com sangue ou qualquer outro material biológico potencialmente infectante (sêmen, secreção vaginal, nasal e saliva, líquor, líquido sinovial, peritoneal, pericárdico e amniótico). É muito importante preparar o ambiente antes de iniciar o atendimento. O planejamento evitará, por exemplo, o contato da mão enluvada com materiais e equipamentos. Determinadas superfícies,(Piometra, Metrite); - Afecções hepáticas (Insuficiência hepática); - Afecções endócrinas (doença das suprarrenais, diabetes mellitus, diabetes insipidus, hipertiroidismo); - Desequilíbrios eletrolíticos (hiper ou hipocalcemia; hiponatremia, hipocalemia) - Consequências do tratamento (corticoides, diuréticos, alguns antibióticos); - Excesso de sal nos alimentos. Módulo: 9 Castração de Cachorros e Gatos CASTRAÇÃO DE CACHORROS A castração de cachorro envolve uma série de mitos e crenças, mas, nos dias de hoje, esse procedimento é altamente recomendado pelos profissionais veterinários, já que traz muitos benefícios para os cães – e também para os seus donos. Impedindo a procriação, o processo é tido como um grande aliado para a diminuição do nível de abandono de animais. No entanto, as suas vantagens vão muito, além disso. Ajudando a controlar e até evitar, por completo, diversos comportamentos incômodos e até doenças que podem surgir no animal a castração de cachorro é indicada a partir de em média 5 a 6 meses, quando não atrapalhará mais o seu desenvolvimento, a castração de cachorro é indicada quando o cão atinge a sua maturidade sexual – o que ocorre por volta de um ano de vida. Cachorros mais velhos também podem ser castrados sem complicações, no entanto, benefícios como a diminuição da agressividade podem não ser notados quando o cão que passa pelo procedimento já tem uma idade mais avançada. Embora haja uma série de mitos que envolvem a castração de cães – incluindo a ideia de que o animal pode sofrer por não ter uma vida sexual ou que ele pode adquirir uma propensão maior a desenvolver doenças – a grande maioria deles são falsos, e o procedimento, na realidade, traz muito mais vantagens que desvantagens para o animal. Confira como é realizado o procedimento e quais são as precauções que devem ser tomadas para que ele ocorra sem problemas; e descubram quais são as principais vantagens que a castração de cachorros pode trazer para você e o seu pet. O procedimento da castração em cachorros Assim como em qualquer outro tipo de cirurgia em animais, uma consulta com um médico veterinário é fundamental para evitar problemas no processo de castração. Para garantir que tudo irá ocorrer da maneira mais tranquila possível, muitos profissionais do mundo animal realizam uma bateria de exames antes do procedimento, certificando-se de que a saúde do animal está em dia para uma cirurgia. Infecções, anemias, coagulação, e doenças diversas (incluindo complicações nos rins e no fígado) além da saúde do coração, fazem parte dos fatores a serem observados antes da castração; sendo que, em alguns casos como nos que o cão a ser operado possui problemas no coração ainda mais testes podem ser requeridos. Estes exames pré-cirúrgicos vão variar de necessidade de acordo com a idade e condição geral do animal. Consistindo na retirada dos testículos do macho evitando que ele produza espermatozoides e testosterona e, consequentemente, que possa reproduzir o processo de castração em cachorros recomenda que, no dia da cirurgia, o animal permaneça em jejum. Devidamente anestesiado, o cão tem a região a ser operada raspada e limpa, e um pequeno corte é feito pouco acima do seu escroto possibilitando que o cirurgião veterinário faça a retirada dos testículos do animal. Bastante rápida e simples, a cirurgia de castração permite que o animal já recupere a maior parte de suas atividades normais em cerca de 24 horas – no entanto, alguns cuidados específicos devem ser tomados durante o período pós-operatório, como: • Prestar atenção nos pontos da operação para verificar possíveis inchaços; • Uso de um colar elizabethano para impedir que o cão morda ou lamba a área da incisão; • Administração de medicamentos indicados pelo médico veterinário; • Restrição de atividades do cão como pular ou correr por cerca de dez dias após a cirurgia . Benefícios da castração em cachorros O grupo de vantagens que um animal tem com o procedimento da castração é grande, e promove uma qualidade de vida maior para o cão e para seus donos – que ficam livres de lidar com uma série de problemas e comportamentos incômodos. Obviamente, o conjunto de benefícios varia de um cachorro para outro, e a raça do animal em questão também deve ser levada em consideração – já que cada tipo de cão têm características e personalidades específicas. Enquanto as fêmeas que passam pelo procedimento correm riscos bem menores em relação a algumas doenças; os machos castrados mostram vantagens maiores no quesito comportamental. Muitos dos problemas não são excluídos por completo da vida do animal, no entanto, é possível notar diminuições consideráveis nos hábitos mostrados a seguir: • Montar nas pessoas • Agressividade • Urinar em local inapropriado • Demarcar território • Fugas • Desenvolvimento de tumores em testículo • Desenvolvimento de tumores de próstata Para que castrar as fêmeas? 1. Evitar acasalamentos indesejáveis, principalmente quando se tem um casal de animais de estimação. 2. Evitar câncer em glândulas mamárias na fase adulta. 3. Evitar piometra (grave infecção uterina) em fêmeas adultas. 4. Evitar episódios frequentes de "gravidez psicológica" e suas consequências como infecção das tetas. 5. Evitar cios. 6. Controle populacional, evitando o aumento do número de animais de rua. 7. Evitar a perpetuação de doenças geneticamente transmissíveis como epilepsia, displasia coxofemural, catarata juvenil, etc.. (em animais que tiveram o diagnóstico dessas e outras doenças transmissíveis aos descendentes). É errado o conceito de que a castração só deve ser feita em cadelas de rua. Se o proprietário não tem intenção de acasalar sua fêmea, seja ela de raça ou não, é desnecessário enfrentar cios a cada 6 meses, riscos de gravidez indesejável e, principalmente, de doenças como câncer de mama e piometra. A castração garante uma vida adulta bastante saudável para as fêmeas e bem mais tranquila para os donos. CASTRAÇÃO DE GATOS Embora muitos donos de pet costumassem responsabilizar o preço alto como motivo para evitar o procedimento, nos dias de hoje já é possível fazer a castração por valores relativamente acessíveis ou até de graça – por meio de Centros de Controle de Zoonoses espalhados pelo País. A castração de gatos é um tema amplamente abordado pelos que tem ou desejam ter um felino como parte da família, e pode trazer uma série de vantagens para os bichanos que vivem em espaços restritos; assim como para seus proprietários. Evitando crias indesejadas e a superpopulação de gatos – que contribui para o abandono de pets e a propagação de doenças comuns aos felinos – a realização de tal operação nestes animais ainda causa polêmica em função de mitos espalhados no mundo animal. Evitada por muitos proprietários que acreditam que o procedimento possa machucar seus pets, a castração de gatos (também conhecida como esterilização) consiste em um processo simples e prático que, quando realizado por um profissional competente, raramente traz qualquer tipo de consequência negativa. Chamada, tecnicamente, de orquiectomia quando feita nos felinos machos e de ovariosalpingo-histerectomia (OSH) nas fêmeas, a castração de gatos consiste na retirada dos testículos ou do útero e ovários do animal, impedindo a sua procriação e evitando um grande grupo de complicações e cuidados que devem ser tidos com os bichanos em épocas de acasalamento. Excluindo a necessidade do uso de anticoncepcionais para as fêmeas – medicamento que não apresenta níveis de segurança para a saúde dos animais – a castração se torna a melhor opção para quem deseja manter o bem-estar dos felinos e até prolongar a vida deles, já que o procedimento, além de acalmar os bichanos, diminui bastante os riscos de que os animais desenvolvam alguns tipos específicos de câncer, entre outras doenças. Como é feita a castração em gatos O primeiro passo para que a castração de gatos seja realizada de maneira correta e segura é procurar por um médico veterinário de confiança, que poderá esclarecer todas as dúvidas dos donos do pet em relaçãoao procedimento, seu preparo e o período de recuperação. Assim como no caso de cirurgias em humanos, é necessário que o animal que vai passar pelo procedimento fique longe de alimentos por 12 horas, e essa recomendação vale tanto para os machos quanto para as fêmeas. Realizada no felino sob uma anestesia geral, sendo a inalatória a mais indicada, a castração de felinos exige a conexão do animal a aparelhos de monitoramento, possibilitando a observação dos sinais vitais do paciente para que seja possível evitar uma série de complicações no procedimento. Anestesiado, monitorado e com parte dos pelos raspados na região a ser operada, o animal sofre uma pequena incisão - por onde são retirados útero e ovários ou testículos – fechada logo em seguida. Embora o procedimento seja rápido (durando cerca de 10 minutos), quando a castração é realizada nas fêmeas o tempo de operação tende a ser maior; já que a cirurgia é mais complicada quando comparada com a dos machos, mesmo sendo considerada rotineira e bastante simples pelos cirurgiões veterinários. Por ser um procedimento simples, se não houver complicações, em geral os animais são liberados no mesmo dia após a cirurgia, em caso de necessidade, o médico veterinário irá indicar a internação. O período pós-operatório da castração em gatos também requer alguns cuidados especiais e, em boa parte das vezes, é recomendado que o bichano faça o uso de um colar elizabetano ou uma roupa cirúrgica até que os pontos da cirurgia possam ser removidos; impedindo que o animal morda ou arranque-os antes do tempo certo. Além disso, é necessário que os proprietários do gato operado fiquem atentos para o surgimento de qualquer anormalidade no local onde foi feita a incisão no pet durante a cirurgia, certificando-se de que não haja inchaços, sangramentos ou secreções. Ao notar alguma dessas características no animal em recuperação, ele deve ser levado imediatamente para uma clínica veterinária, a fim de evitar complicações maiores. Manter um ambiente tranquilo e limpo para que o bichano operado possa relaxar durante a sua recuperação também é importante no período pós-operatório: que, na maior parte das vezes, dura cerca de duas semanas, até que o gato possa ter seus pontos retirados por um profissional. Quando castrar os felinos? A castração de gatos pode ser feita quando o animal ainda é bem novo, e quem tem certeza de não desejar ninhadas felinas deve seguir esta recomendação e realizar o procedimento no seu pet o quanto antes. Segundo a maioria dos profissionais, o período entre 6 e 8 meses de vida é considerado o ideal para a castração de felinos; no entanto, isso pode variar em função do desenvolvimento do corpo de machos e fêmeas e, portanto, somente um veterinário está apto a indicar a melhor hora de esterilizar o seu pet. Nos Estados Unidos há, inclusive, animais que são castrados com 3 meses de vida - mas esta não é uma prática recomendável, já que, neste período, o risco de complicações com anestesias é maior, e boa parte dos felinos ainda não conta com um sistema reprodutor totalmente desenvolvido e pronto para a castração. Embora muitos acreditem que seja necessário esperar que as fêmeas tenham seu primeiro cio para que seja realizado o procedimento, isso não passa de mito, e a castração feita antes desse período pode, ainda, contribuir para evitar problemas sérios – como tumores mamários - nas gatinhas. Problemas urinários e de aumento de peso podem ocorrer em função da castração dos gatos; no entanto, a operação traz muito mais benefícios para a vida dos pets e seus donos do que a opção por não fazer o procedimento; sendo que, como o acompanhamento de um profissional e uma dieta balanceada, até mesmo as complicações mais comuns desse tipo de cirurgia podem ser facilmente evitadas e solucionadas. As vantagens da castração de gatos As vantagens da castração de gatos vão muito além do controle populacional dos felinos e, para quem tem um bichano em casa e mora em um espaço restrito, o controle e a qualidade de vida se tornam fatores bem mais próximos da realidade. Além de evitar o acasalamento dos gatos e o nascimento de muitos novos filhotes, a esterilização também promove a extinção de praticamente todas as complicações que acompanham o período do cio, fazendo com que a calma e a tranquilidade de machos e fêmeas possa ser mantida sempre. Sem a ocorrência do cio, as gatas fêmeas poupam os ouvidos do bairro de seus miados para atrair machos, assim como todos os cantos da casa e as pernas de humanos ficam livres das esfregadas constantes, típicas nesse período. No caso dos machos, a demarcação de território também desaparece, já que o apetite sexual que ocorre em felinos não castrados é evitado junto com os comportamentos característicos do animal que busca a procriação. As chances de que o gato se perca ou se machuque também ficam bem reduzidas após a castração, assim como os riscos do aparecimento de problemas sérios como o câncer mamário e infecções no útero de fêmeas, doenças que afetam as glândulas reprodutivas e complicações geniturinárias. A qualidade e o tempo de vida dos bichanos também podem crescer bastante com a realização da operação, já que a castração, além de deixar os pets mais calmos e livres do estresse, diminui bastante a necessidade deles de sair de casa e explorar novos lugares – o que contribui muito para evitar brigas com outros gatos (que transmitem doenças e zoonoses), atropelamentos, traumas, Para se ter uma ideia da diferença que faz a castração, um gato que costuma viver muito nas ruas tem uma expectativa de vida por volta de 5 anos; enquanto os felinos castrados (e que não costumam sair de casa) podem viver até cerca de 18 anos se cuidados de maneira adequada. Além de evitar problemas causados em função das interações que ocorrem nas ruas entre os animais, a castração também melhora o comportamento dos bichanos no lar, já que tanto fêmeas quanto machos tendem a cessar atitudes típicas de gatos não castrados, que incluem urinar e defecar em locais não apropriados, além dos sintomas que aparecem no período da reprodução. Módulo: 10 Administração de medicamentos Via de administração de medicamentos é o caminho pelo qual o fármaco é levado para o organismo para exercer o seu efeito. O processo de absorção é regulado pela solubilidade da forma farmacêutica, via de administração e determinadas propriedades físico-químicas da substancia medicamentosa. A administração de um medicamento pode ser feita através de várias vias mas, o sucesso de seu emprego depende da seleção cuidadosa da via de administração. PRINCIPAIS VIAS DE ADMINISTRAÇÃO Parenterais – administração por meio de injeções • Intradérmica subcutânea (SC) • Intramuscular (IM) • Endovenosa (EV) • Intra-articular • Menos comum: intra-arterial, intracardíaca, intraperitoneal Enteral – Aplicação do medicamento se dá no trato digestivo • Via oral (VO), sublingual e via retal. • Via oral (VO) Vantagens – segura e econômica; via mais conveniente em animais dóceis; baixo custo; não precisam ser estéreis; indolor; baixa incidência de reação adversa VIA PARENTERAL Subcutânea Vantagens: pouco dolorosa e permite aplicação de grandes quantidades em um só local Desvantagens: absorção lenta EX: vacinas, heparina, insulina Intramuscular (Glúteos) Vantagens: absorção rápida (entre 10 a 30 minutos), sendo adequada para administração de volumes moderados, de veículos aquosos, oleosos, suspensão ou preparação de depósitos. Desvantagens: pouco volume administrado; pode haver lesão muscular; dor e o aparecimento de lesões musculares EX: antibióticos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares Endovenosa (veia jugular, cefálica, safena lateral, femoral) Vantagens: efeito imediato, possibilidade de injetar substancias que são necrosantes por via SC e IM, administração de grandes volumes (em infusão lenta). Desvantagens: chega rapidamente ao sistema nervoso e coração, reações anafiláticas são mais rápidas, mais intensas e mais complicadas de serem revertidas. Riscos de embolia, infecções por contaminação,sendo imprópria para substancias oleosas ou insolúveis. EX: analgésicos, antibióticos Vias tópicas Aplicação se dá sobre a pele ou mucosas. E a deposição do princípio ativo, sobre a pele ou mucosas a fim de absorção direta. Os produtos para este fim apresentam-se em gel, pomadas, sprays ou colírios. Via Dérmica Vantagens: ação no próprio local Desvantagens: animais podem retirar o medicamento, existe a possibilidade de absorção digestiva EX: pomadas, sabonetes, cremes, ectoparasitas Via Epidural Injeção ou infusão de medicamento no espaço epidural (espaço localizado no meio da coluna vertebral). EX: Analgesias e anestesias Mucosa anal Administração de medicamentos através do reto, para que sejam absorvidas pelo plexo hemorroidal. EX: Supositório Inalatória A via inalatória pode ser utilizada normalmente quando o agente terapêutico é um gás, tendo, em medicina veterinária, utilização restrita à anestesia inalatória. EX: anestesias MEDICANDO OS OUVIDOS Geralmente, o medicamento para o ouvido é em líquido ou pomada. O animal deve ser posicionado com a cabeça ereta na posição horizontal, erguer a orelha (nos cães com orelhas caídas) e colocar a ponteira dentro do ouvido na posição vertical, apertando o tubo levemente para que preencha o conduto. Depois disso massageamos delicadamente a base da orelha para que o medicamento se distribua por todo o conduto. MEDICANDO OS OLHOS DE SEU ANIMAL Incline a cabeça de seu animal de forma que ele fique olhando para o teto. Cuidadosamente, puxe para baixo a pálpebra inferior do olho afetado e pingue ou coloque várias gotas do medicamento na bolsa que se formou. Em seguida, solte a pálpebra e deixe que seu animal pisque várias vezes. Isso fará com que o remédio se espalhe naturalmente por toda superfície do olho. MEDICAMENTOS VIA ORAL Administração do medicamento através da cavidade bucal. Sua principal finalidade é conduzir o medicamento ao estômago e intestino onde será absorvido e conduzido através da circulação sanguínea aos tecidos susceptíveis. Na forma líquida, podem ser utilizados em administração direta, na boca, ou através de seringas, na forma pura ou misturados a uma pequena quantidade de água ou outro líquido. Não se indica a adição à água de bebida do animal, pois não se consegue precisar a quantidade ingerida. Os comprimidos ou drágeas podem ser colocados diretamente no fundo da cavidade oral ou inseridos em alimentos sólidos como pedaços de pão ou "bolinhos" de carne, impedindo que o animal perceba a presença do medicamento. A grande limitação desta via de aplicação é o tempo de latência longo, entre 1 e 2 horas, com o efeito bastante variável entre os pacientes. Por outro lado, a principal vantagem baseia-se na maneira não-invasiva de tratar o animal, diminuindo, portanto, o estresse da contenção física prévia. Medicamentos líquidos ou diluídos Podem ser administrados na bochecha entre os molares ou sobre a língua. Uma seringa de plástico, sem a agulha pode ser usada para oferecer esse medicamento líquido. Para colocar sobre a língua, da mesma forma que os comprimidos, aperte os lábios do cão junto aos dentes, afastando o maxilar da mandíbula, abrindo levemente a boca. Insira a ponta da seringa na abertura inclinando levemente o queixo para cima ajudando-o a deglutir. O cão vai engolir automaticamente. Procure dar sempre uma pequena quantidade de líquido ou diluir as gotas em uma quantidade pequena de água. Módulo: 11 Curativos e bandagens As bandagens são utilizadas rotineiramente no pós-operatório de cirurgias musculares e debridamento de feridas. São usadas para prevenir contaminação, seromas e automutilação da ferida. Sua utilidade na prevenção de contaminação é de curta duração, raramente excedendo de 24 a 36 horas. Sob condições assépticas, as feridas cicatrizam satisfatoriamente sem bandagem. Porém, tal curativo é sempre recomendado tanto no pós-operatório como na presença de outro trauma. As bandagens são geralmente trocadas diariamente, dependendo da ocasião podem ser retiradas em três a quatro dias. Atualmente existem uma variedade grande de bandagens para utilização em cães. Os materiais essenciais estão sempre disponíveis com abundância, várias formas melhoradas têm tornado a aplicação das bandagens e curativos consideravelmente mais fácil para o clínico veterinário. Compressas As compressas são tecidos porosos fabricados em vários tamanhos, geralmente de algodão, porém também podem ser encontradas revestidas por celulose. As compressas usadas para enfaixamento devem ser estéreis. Gaze A gaze é um tecido fabricado e embalado com comprimento e largura variáveis. Tem servido como material básico para enfaixamento na medicina por muitos anos. Ela pode ser estéril ou autoclavada, assim como nas compressas deve ser usada estéril Existe também gazes elásticas sendo que algumas possuem um material expansível denominado Lycra, que as tornam flexíveis a ponto de suportarem pressão. A elasticidade é benéfica, mas em excesso pode causar constrição do membro. As gazes elásticas e materiais de bandagem tendem a se aderir em si próprios, portanto, a mínima fixação externa com fitas adesivas é necessária para manter firmemente o material no lugar. Devido à propriedade delas não aderirem à pele e pelos, não há desconforto na remoção das mesmas. Fitas adesivas A maioria das fitas adesivas disponíveis são porosas, o que permite o acesso de ar à gaze e livra a ferida dos efeitos deletérios da umidade. As fitas adesivas elásticas como a Elastikon estão disponíveis para permitir a aplicação de um grau moderado de pressão enquanto conserva as outras qualidades dos materiais adesivos. Stockinettes Os stockinettes são malhas tubulares de tecido disponíveis em 100 por cento de algodão ou mistura de algodão e poliéster. Podem ser aplicados previamente a aplicação de gesso ou dobrados e usados de forma estéril como coberturas para a pele no pós-operatório de intervenções cirúrgicas ortopédicas. Também podem ser utilizados no enfaixamento do corpo, cabeça e pescoço em situações diversas de pós-operatório. O algodão absorvente pode ser obtido em vários graus, com o de melhor qualidade sendo recomendado para curativos em geral. Nos graus inferiores os segmentos de algodão tendem a se separar e causar engrossamento sob a bandagem. O custo relativamente elevado torna seu uso inviável. Imobilização do animal Muitas cirurgias de fraturas em pequenos animais exigem no pós-operatório imediato uma imobilização, com o objetivo de manter em repouso o membro afetado. A imobilização apropriada pode ser conseguida pela fixação externa sob a forma de talas, tipoias, bandagem de Robert Jones ou aparelho de Schroeder-Thomas. Os cuidados posteriores são importantes para o sucesso da imobilização com a tala. O proprietário do animal deve sempre observar se os elementos da tala permanecem secos, limpos e se não estão gastando-se excessivamente. O exame diário pelo proprietário e a medicação adequada das áreas da pele que estão em contato com as extremidades da tala são essenciais. Os pés e coxins geralmente podem ser palpados pelo esparadrapo ou observados nas áreas expostas da imobilização com tala. Qualquer indicação de edema ou dor à palpação é um sinal determinante para um exame clínico. Deve ser orientado ao cliente, como cuidar das talas e moldes em casa. A bandagem de Robert Jones é o melhor enfaixamento no pós-operatório de fraturas de pequenos animais. Embora seja volumosa, ela tanto reduz como previne edema. Ela é indicada para todas as fraturas dos membros na porção distal à metade do úmero e fêmur. Talas de tração e coaptação podem ser aplicadas para proteção do membro após cirurgias ortopédicas. A escolha do material da tala depende da disponibilidade, do tamanho do animal e preferência pessoal. Dentre os materiais disponíveis para as talas estão os abaixadores de língua, as talas de metal, fibra de plástico, madeira simples ou compensada, etc. Os abaixadores de língua podem ser cortados em comprimento e largura para pequenos cães. Eles devem ser acolchoados e colocadosna superfície caudal do membro. As talas com abaixador de língua são úteis para fixação de fraturas das falanges, ossos metacarpianos e metatarsianos. O material plástico para talas pode ser moldado e facilmente cortado quando aquecido, mantendo a configuração desejada com o resfriamento. A tala deve cobrir uma área limitada do membro, de forma que seja possível a evaporação da umidade. A retenção excessiva de umidade dentro da bandagem e da tala de plástico pode resultar em escoriações acentuadas na pele de alguns pacientes. As talas de madeira não podem ser encurvadas ou facilmente quebráveis. Elas são usadas principalmente como imobilização temporária. A madeira compensada ou prancha fibrosa é abundantemente disponível em lojas especializadas em artefatos de madeira. A madeira deve ter uma espessura de 1/8 a 1/4 de polegada e pode ser marcada e cortada com uma serra, de acordo com o formato do membro do animal. As talas de madeira exigem acolchoamento abundante do membro e são eficientes principalmente para fraturas de tíbia. As talas de metal estão disponíveis no comércio em casas especializadas em material cirúrgico. Trata-se de uma tala de alumínio tubular, encontrada em diversos tamanhos, úteis para fraturas distais de rádio e ulna, deslocamentos de fraturas no carpo e fraturas dos ossos metacarpianos e metatarsianos. A tipoia de Ehmer é destinada a criar a flexão do membro posterior com rotação da cabeça do fêmur no acetábulo. Ela é útil na fixação pós-cirúrgica da luxação coxofemoral em cães e gatos. Quando apropriadamente aplicada, ela pode ser deixada no lugar por cinco a sete dias. A tipoia deve ser aplicada com pressão uniforme em todo membro. O flanco e os coxins devem ser examinados regularmente quanto à presença de inflamação na pele e edema. A tipoia para escápula é similar à tipoia para membro posterior, cujo principal objetivo é manter uma imobilização temporária em procedimentos pós-cirúrgicos. A tipoia deve ser aplicada com um mínimo de tensão, mas deve ser mantida firme à pele ou pelo para evitar rotação e perda de estabilidade. O aparelho de Schroeder-Thomas é uma tala para locomoção desenhado com um anel circundado a inserção do membro (inguinal ou peitoral) e hastes se projetando para a porção ventral do mesmo. Esses aparelhos podem ser usados para manter o repouso do membro no pós-operatório de quaisquer ossos a partir do úmero e fêmur até os metacarpianos e metatarsianos. Embora o aparelho de Schroeder-Thomas consista de um anel elíptico acolchoado e hastes anguladas que se unem distalmente, a forma exata do aparelho dependerá do osso fraturado. O anel elíptico deve se aproximar com exatidão ao tamanho do membro ao nível de inserção deste no corpo. Um anel excessivamente grande permitirá o deslizamento e acúmulo de sujidades, em contrapartida, um anel muito pequeno resultará em edema do membro. Uma haste de alumínio em forma de U é aplicada na extremidade distal do aparelho. Essa é acolchoada, esparadrapada e por fim uma malha tubular é colocada temporariamente por cima do aparelho. Bons cuidados são essenciais em todas as formas de imobilizações no pós-operatório dos cães e gatos. As imobilizações devem se manter limpas e secas, sempre que possível observar presença de edema e dor do animal e reexaminar os membros aproximadamente em sete a dez dias de pós-operatório e a partir daí periodicamente. A educação e orientação do proprietário e a oportunidade de retorno do animal a qualquer momento, são essenciais para um bom manejo das imobilizações. COMO FAZER UM CURATIVO Antes de iniciar a limpeza e desinfecção do local da ferida é importante realizar a raspagem dos pelos, seja através de um gilete, máquina de tosa ou tesoura. A retirada de pelos, promove uma área de mais fácil limpeza e evita e/ou reduz o acúmulo de sujidades, em especial sangue e secreções que são meio de proliferação de bactérias. Após a retirada dos pelos (tricotomia), inicia-se o curativo realizando a lavagem da ferida com solução fisiológica, sendo que para melhor limpeza, é indicado utilizar uma seringa com ou sem agulha ou furar a bisnaga de soro e jogar o líquido sobre a área sob pressão. Fazendo isso, é possível eliminar com maior facilidade as sujidades, terras e outros materiais que possam contaminar a ferida. Seguida da lavagem, dependendo do tipo de lesão, esta pode ser lavada com clorexidina, sabonete neutro ou outro dergemante, sendo necessário secar a ferida com gaze ou pano limpo, retirando todo o excesso de produto utilizado na lavagem juntamente com o soro. Para finalizar, realize a aplicação de pomada antibiótica para evitar a instalação de uma infecção secundária, assim aplique uma grande quantidade e cubra com gaze o ferimento, e enfaixe, e fixe com esparadrapo ou micropore. Este curativo faz com que o local lesionado permaneça protegido. Entretanto, o tipo de curativo varia de acordo com a área lesionada, ou seja, a fixação de faixas e outros materiais é diferente para região de membro em relação ao abdômen. O protocolo de tratamento de lesões varia de acordo com cada médico veterinário, e ainda de acordo com o tipo de ferida. É necessário utilizar colar de contenção para evitar que o animal retire o curativo e piore a lesão. Módulo: 12 Cicatrização de feridas em pequenos animais A abordagem no tratamento de feridas cutâneas é importante na medicina veterinária devido à alta frequência de atendimentos a animais acometidos por lesões de diferentes tipos e origens. A utilização de soluções antissépticas e antibióticos sobre a ferida é importante para a promoção da cicatrização e proteção da mesma contra infecções bacterianas. Diversos tratamentos demonstram eficácia na cicatrização, proporcionando estimulação do processo de cura e fechamento mais rápido da ferida através da redução do período de epitelização. A cicatrização de ferimentos começa imediatamente após uma lesão ou incisão e corresponde a uma combinação de eventos que restaura um tecido ferido ou o substitui por colágeno, com a finalidade restabelecer a homeostasia tecidual. Este processo é complexo e bem organizado, que envolve o trabalho coordenado de vários tipos celulares, incluindo os queratinócitos, fibroblastos, células endoteliais, macrófagos e plaquetas. A migração, infiltração, proliferação e diferenciação destas células causam uma resposta inflamatória, à qual é essencial à formação de novo tecido e leva ao fechamento da ferida. Neste processo especialmente, a proliferação dos fibroblastos e a sua migração exercem papel importante na formação do tecido de granulação e na cicatrização propriamente dita. As fases da cicatrização de feridas compreendem quatro fases: Fase inflamatória: caracterizada basicamente pela presença de células inflamatórias no tecido cicatricial; Fase de desbridamento: ocorre quase simultaneamente com a fase inflamatória. Nesta fase, forma-se um exsudato composto de leucócitos, tecidos mortos e fluidos da ferida; Fase reparativa: caracterizada pela invasão de fibroblastos, pelo elevado acúmulo de colágeno e pela migração e formação de estruturas endoteliais novas no interior da ferida; Fase de maturação: fase final da cicatrização das feridas, durante a qual as fibras de colágeno orientam-se paralelamente às linhas de estresse e tensão e se cruzam de modo a formar uma ligação transversal estável. CICATRIZAÇÃO - CÃES E GATOS Existem grandes diferenças microscópicas na anatomia cutânea de gatos quando comparados aos cães, resultando em diferenças significativas na cicatrização cutânea entre estas espécies. A pele íntegra de felinos apresenta menor perfusão que a pele canina. Nas feridas cicatrizadas por primeira intenção, a ferida dos gatos apresenta menor resistência à ruptura em comparação aos cães, permitindo a formulação da hipótese de uma redução significativa na produção de colágeno em gatos. Nas feridas cicatrizadas por segunda intenção são observadas diferenças quantitativas e qualitativas entre as cicatrizações de cães e gatos. Na fase inflamatória, a ferida em cães mostra-se maispatologias da bexiga, rins, aparelho reprodutor, baço, estômago, fígado, pâncreas, alças intestinais, glândulas adrenais, entre outros. É fundamental que o profissional que realiza o exame esteja devidamente preparado e capacitado para fazer a sua interpretação, levando sempre em consideração as variações anatômicas e estruturais relacionadas a raças e espécies diferentes. Indicações • Anorexia; • Aumento de volume abdominal; • Dor abdominal; • Emagrecimento progressivo; • Febre de origem desconhecida; • Histórico de vômito persistente; • Suspeita de tumores; • Pesquisa de corpo estranho; • Acompanhamento de pacientes renais; • Distúrbios hormonais; Diagnóstico e acompanhamento gestacional e avaliação fetal (batimento cardíaco e idade gestacional aproximada dos bebes). Seu uso, deve ser incluído na rotina de animais a partir de meia idade (acima de 7 anos) para um check-up de rotina. Mas pode ser solicitado nas situações descritas acima e em situações emergenciais como em todo tipo de trauma, atropelamento também é solicitado; pode ajudar a guiar coleta de líquidos corporais ou amostras de tecidos alterados (biópsias) para posterior analise citológica/histológica. Vantagens Não invasivo e indolor Preparo Tricotomia na área a ser realizado o exame. Se o animal a ser examinado estiver sentindo dor, torna-se necessário a utilização de sedativos leves. Em situações em que o animal apresenta-se agitado, o uso da focinheira é recomendado para que a equipe auxiliar, consiga controlar o animal ansioso sem o uso de qualquer tipo de medicação. O animal deve estar em jejum (8 horas), porque sem a presença de alimentos a visualização é melhor. Tomar um adstringente como o luftal, por exemplo, ajuda a diminuir os gases e tentar evitar que momentos antes do exame ele urine ajuda bastante. É muito importante que a bexiga esteja cheia ELETROCARDIOGRAMA O eletrocardiograma é um exame complementar que auxilia o veterinário no diagnóstico de cardiopatias que causam alterações dos músculos e nervos do coração de cães e gatos. Esse tipo de exame não necessita de nenhuma preparação, podendo ser realizado a qualquer momento. A única condição é que o animal esteja calmo, sem nenhuma agitação, pois isso pode interferir o resultado do exame. O paciente é devidamente acomodado em uma mesa com isolamento elétrico, em decúbito lateral direito (ou seja, de lado na mesa), em seguida, eletrodos responsáveis pela aferição da atividade elétrica do coração são colocados em pontos específicos da pele do animal. Não há necessidade de sedação, nem de tricotomia. Indicações • Diagnóstico exato e precoce de arritmias cardíacas e fibrilações ventriculares, bradicardia e taquicardia sinusal, foco migratório atrial, doença miocárdica e pericárdica, isquemia, extrassístoles; • Identificação de dilatação e hipertrofia das câmaras cardíacas; • Alterações de eletrólitos (especialmente cálcio e potássio); • Dispneia aguda (dificuldade respiratória); • Histórico de síncopes, fraqueza ou convulsões; • Cianose (pele e/ou mucosas com coloração azul-arroxeada); • Acompanhamento de tratamentos e terapias cardíacas; • Exame pré-operatório de procedimentos que necessitem de sedação ou anestesia geral, especialmente em cães mais idosos; • Monitoramento durante a anestesia inalatória; • Check-up de rotina em animais adultos e idosos Vantagens • É um exame de fácil execução e relativamente rápido; • Proporciona um diagnóstico mais completo e preciso da condição cardíaca do paciente animal; • A interpretação dos resultados é bastante rápida; • Custo de execução do eletrocardiograma é baixo; • Essencial no período pré-operatório. Utilizado na preparação cirúrgica do animal, diminuindo qualquer condição de riscos durante a anestesia geral; • Não exige nenhum tipo de preparação prévia (como ocorre com os exames de raio x e ultrassom), com o exame podendo ser feito a qualquer momento. • Não é necessário realizar a tricotomia (raspagem do pelo) nas áreas da pele onde os eletrodos seriam conectados, mas com o avanço da tecnologia equipamentos mais modernos eliminaram essa necessidade, conectando no animal eletrodos mais confortáveis; • Não é invasivo e é totalmente indolor. Limitações • Não é possível avaliar anatomia e a função cardíaca do animal, que são melhores avaliados através de um exame de raio x e de ecocardiograma. • Não é possível identificar sopro. ECOCARDIOGRAMA É um exame complementar cuja finalidade é mostrar ao médico veterinário imagens estáticas e em movimento do músculo e das válvulas do coração, diferentemente do eletrocardiograma que mostra gráficos que ao serem comparados com gráficos padrão, mostram a situação do músculo cardíaco do paciente. É um exame ultrassonográfico padrão, cujo objetivo é avaliar a saúde do coração. O dispositivo ecocardiográfico capta ondas sonoras que são emitidas por todas as partes do coração do paciente animal. Esses ecos são transformados em imagem que são exibidas em um monitor, permitindo ao médico veterinário analisar todas as características estruturais do coração do paciente. Indicações • Avaliação de pacientes com suspeita de alguma cardiopatia; • Identificação da causa de uma cardiomegalia (aumento do coração) detectada pelo eletrocardiograma ou radiografia; • Avaliação de pacientes com sons questionáveis à auscultação; • Identificação da progressão de enfermidades cardíacas e suas terapias; • Avaliação da função ventricular esquerda quantitativamente com mensurações recorrentes; • Identificação de efusões (derrames de líquido) pericárdicas, pleurais, massas pericárdicas e tumores cardíacos, e corpos estranhos perfurantes; • Observação do pulmão, massas mediastinais e hérnias diafragmáticas. Vantagens • Não é invasivo, não necessitando de nenhuma espécie de corte; • É indolor e não gera nenhum estresse, com o procedimento ecocardiográfico funcionando como uma massagem para cães e gatos; • Não necessita de nenhum tipo de sedação, com o exame sendo feito com o animal acordado; Nenhum preparo prévio por parte do tutor é necessário. A tricotomia da área do • tórax algumas vezes é necessária, mas é realizada pela equipe responsável pelo exame; • Mais eficiente que um exame de raio x tradicional, com resultados mais detalhados; • Não emite nenhum tipo de radiação, sendo um exame totalmente seguro para animais, tutores e equipe; Limitações Não há Preparo do paciente Tricotomia de uma pequena parte do pelo do animal para que o exame seja mais eficiente. Semelhante ao ultrassom abdominal e consiste em deixar o cão ou gato deitado de lado em uma mesa. Com o auxílio de um gel, o profissional veterinário procede com o exame, observando toda a estrutura cardíaca do pet que será reproduzida na tela do monitor acoplado ao equipamento ecocardiográfico. IMPORTANTE: Durante o período do exame, o cão ou o gato deverão ficar deitados de lado, permanecendo nesta posição até o final do exame. Isso pode piorar a falta de ar em alguns animais que já apresentem problemas cardíacos. Dessa forma, caso o animal não permita a contenção e fique muito dispneico (apresentando dificuldade para 46 respirar), o procedimento deverá ser paralisado, remarcando o exame após estabilização do pet. ENDOSCOPIA Considerado como melhor método de avaliação do trato gastrointestinal na Medicina Veterinária. É muito útil na clínica de pequenos animais, pois possibilita ao Veterinário, através de um método minimamente invasivo, examinar o trato gastrointestinal, vias aéreas altas e baixas, trato urinário, cavidade abdominal e torácica e articulações. Indicações • Diagnóstico e seguimento de tratamento de tumor de bexiga e uretra • Avaliação da anatomia uretral, prostática e vesical • Diagnóstico de patologias vesicais, podendo ser realizada biópsia endoscópica • Diagnóstico e avaliação de distúrbios do trato urinário • Auxílio na determinação da causa de dor ao urinar • Diagnóstico de infecções recorrentes da bexiga Preparo: Jejum alimentar e líquido de 4 horas. Necessário sedação do animal. TOMOGRAFIA A tomografia computadorizada está sendo utilizadacada vez com mais frequência, nos diagnósticos de pets de pequeno porte, fornecendo informações e resultados de alta qualidade e utilidade. Assim como nos exames de raio-x, a tomografia computadorizada em cães e gatos também pode fazer o uso de contrastes diversos para aumentar a visibilidade de determinadas estruturas que necessitem de uma investigação mais profunda, bem como praticar o seu estudo de forma dinâmica – ampliando a possibilidade de reconhecer disfunções de forma precoce e, com isso, tomar medidas que facilitem os processos de tratamento, principalmente o planejamento cirúrgico. Indicações • Pesquisa de metástases, principalmente pulmonares; • Determinar a origem de grandes massas tumorais abdominais e torácicas, bem como sua extensão e envolvimento de órgãos; • Planejamento cirúrgico de fraturas mais complexas; • Avaliação precisa de estruturas ósseas. Preparo Por precisar que o animal fique imóvel durante o procedimento, a tomografia computadorizada veterinária é realizada com a ajuda de sedativos ou anestesias. Assim sendo, este processo deve ser precedido de exames laboratoriais que viabilizem uma análise primária do estado de saúde do animal e da possibilidade de acidentes em função de medicamentos anestésicos, entre outros. Cabe ao profissional veterinário responsável pelo animal se certificar de requisitar tais exames (que incluem hemograma e perfil bioquímico completo) – além de ecocardiograma e eletrocardiograma, para investigar alguma patologia cardíaca. Além de tais averiguações primárias, para que o exame de TC seja realizado é necessário que o animal faça jejum completo – de comida e água – por pelo menos 8 horas antes do procedimento, sendo que o número de horas necessárias de jejum é equivalente ao peso do animal. Enquanto para cães e gatos até 10 quilos esse período é de 8 horas, os cães com até 40 quilos devem jejuar por 10 horas, e os que pesam mais de 40 quilos devem ficar 12 horas sem comer ou ingerir líquidos. Cuidados após o exame Animais com exames laboratoriais normais e que não tiveram intercorrências durante o exame, ficarão em observação até a liberação pelo anestesista. Orienta-se alimentação leve e repouso. Pacientes com alterações significativas nos exames laboratoriais e ou estejam em condição clinica grave e ou tenham tido intercorrências durante o exame, recomenda-se internação para observação e terapia de suporte. A internação tem que ser autorizada pelo proprietário do animal e veterinário responsável. Módulo: 15 Preparação da sala cirúrgica Centro cirúrgico – É um setor do hospital ou clínica veterinária onde são realizadas as intervenções cirúrgicas, realizadas por meio de uma equipe. Para garantir a segurança do animal, são realizadas técnicas estéreis contribuindo assim para o controle de infecções. Por ser um local restrito, o acesso ao público é limitado, ficando restrito a circulação dos profissionais que lá atuam. O auxiliar de veterinário é responsável pela montagem da sala cirúrgica, atividades durante o ato cirúrgico e após. Montagem da sala cirúrgica • Ler com atenção a marcação de cirurgia, observando a solicitação de materiais, medicamentos, equipamentos e outros itens essenciais ao ato cirúrgico; • Checar o nome do paciente, sua idade, horário de agendamento da cirurgia, equipe cirúrgica e anestesista responsável; • Verificar a limpeza dos pisos e paredes; • Prover a sala dos equipamentos solicitados; • Efetuar a limpeza e a desinfecção dos equipamentos e mobiliário necessários ao ato cirúrgico, conforme rotina estabelecida; • Testar o funcionamento de todos os equipamentos elétricos, assim como dos pontos de gás e dos aspiradores; • Verificar se o lavabo está em ordem e lavar as mãos; • Equipar a sala com todo o material necessário para o procedimento cirúrgico (material estéril, de pronto uso e não-estéril); • Providenciar as medicações necessárias para o procedimento anestésico-cirúrgico, assim como o material para a anestesia; • Verificar se os impressos a serem utilizados no decorrer da cirurgia estão em ordem e são suficientes; • Colocar o pacote de campos e aventais, as luvas e as caixas de instrumentais necessárias ao ato cirúrgico em local acessível; • Conferir os envelopes de fios de sutura necessários ao ato cirúrgico. Atendimento durante cirurgia • Levar o paciente na sala cirúrgica, conferindo seus dados pessoais e sua identificação, e ficar ao lado dele enquanto estiver consciente; • Verificar se a mesa de cirurgia está em condições de manter o paciente em posição apropriada para realização da cirurgia; • Verificar se o campo operatório está preparado e, caso não esteja adequado, refazer seu preparo; • Auxiliar o anestesista no que for necessário. • Auxiliar a equipe cirúrgica a se paramentar (vestir o avental, amarrar os cadarços e apresentar as luvas cirúrgicas); • Abrir o pacote de campo de mesa cirúrgica para oferecê-lo ao instrumentador; • Abrir a caixa de instrumental; • Ligar o foco central e focalizar o campo cirúrgico, caso o foco não possua canoplas adaptáveis estéreis; • Descobrir a área operatória e oferecer o material para antissepsia; • Zelar pela manutenção e ordem da sala cirúrgica, efetuando a desinfecção imediata todas as vezes em que houver extravasamento de sangue e fluidos corpóreos no piso ou nas paredes da sala cirúrgica, utilizando o desinfetante padronizado pelo setor; • Ficar atento à contagem das compressas cirúrgicas, informando à equipe cirúrgica qualquer diferença antes do fechamento da incisão; • Fazer anotações pertinentes, de acordo com as rotinas do Centro Cirúrgico, referentes aos materiais, medicamentos e equipamentos utilizados; • Anotar no relatório de enfermagem as intercorrências porventura ocorridas durante o ato anestésico-cirúrgico; • Auxiliar o médico no curativo da incisão cirúrgica, ao término da cirurgia, oferecendo as soluções antissépticas e os adesivos necessários. PARAMENTAÇÃO CIRÚRGICA É troca das vestes rotineiras por vestimentas adequadas antes do ato cirúrgico. Indicação: todas as pessoas envolvidas no trabalho do centro cirúrgico, principalmente dentro das salas de operação, devem usar roupas apropriadas. A importância da paramentação é proteger a área a ser operada da flora liberada pela equipe cirúrgica e esta da exposição às secreções dos pacientes. A troca de roupa (pelo pijama cirúrgico, gorro e propés) deverá ser feita no vestiário, que corresponde à zona de proteção do Centro Cirúrgico, sendo seguida da colocação do avental e das luvas estéreis após a escovação das mãos e entrada na sala cirúrgica, propriamente dita. As roupas estéreis são utilizadas para prevenir a contaminação do campo operatório mediante contato direto do corpo do cirurgião com o do paciente. Todas as pessoas que entram em campo operatório devem usar aventais e luvas estéreis. O avental recomendado é o tipo circular. Esse tipo de avental envolve o corpo do cirurgião, mantendo-o estéril anterior e posteriormente, e é atado pelo próprio usuário ou com a ajuda do auxiliar já paramentado. As luvas cirúrgicas, são a únicas adequadas para os procedimentos cirúrgicos, devendo obrigatoriamente ser estéreis, idealmente devem cobrir mãos e dedos, estendendo-se por sobre os punhos dos aventais, onde ficam aderidas devido à pressão elástica do punho da própria luva. Módulo: 16 Equipamentos usados na sala cirúrgica De acordo com a Resolução nº 1015 de 2012, o CFMV determina as seguintes obrigatoriedades à estrutura das clínicas veterinárias: 1. Mesa cirúrgica impermeável, com bordas e dispositivo de drenagem e de fácil higienização; 2. Equipamentos para anestesia inalatória, com ventiladores mecânicos; 3. Equipamentos para monitorização anestésica; 4. Sistema de iluminação emergencial própria; 5. Desfibrilador; 6. Foco cirúrgico; 7. Instrumental para cirurgia em qualidade e quantidade adequadas à rotina; 8. Bombas de infusão; 9. Aspirador cirúrgico; 10. Mesas auxiliares. Mesa cirúrgica – utilizada para acomodar o animal durante o procedimento cirúrgico. Equipamentos para anestesia inalatória, comque os pulmões não estão com bom funcionamento. Mucosa pálida significa que o animal pode estar com hemorragia interna. 4) Verifique o estado de hidratação. 5) Observe a boca: - note se há presença de sangue. - puxe a língua do animal (use um pedaço de gaze para não escorregar). Verifique se existe algum objeto obstruindo a garganta, como: brinquedo, pedaço de osso e outros. - observe se todos os dentes estão firmes e inteiros. 6) Analise os olhos do animal para saber se há lesão nas pálpebras ou perfurações no globo ocular. Se tiver uma pequena lanterna, note se as pupilas dele reagem à luz contraindo-se (reflexo pupilar). Toque nos cílios para verificar se há reação de piscar (reflexo palpebral). Se este último estiver ausente, o animal pode estar morto. 7) Avalie o focinho, observando se há líquidos, espuma ou sangue. 8) Apalpe o abdômen para verificar se ele está flácido, contraído demais e se há dor à palpação. 9) Verifique o restante do corpo para constatar possíveis ferimentos, cortes, fraturas ou inchaços. Após o exame geral, inicie o socorro pelo problema que comprometa a vida do animal: parada cardíaca, parada respiratória e hemorragias são os principais. CAIXA DE PRIMEIROS SOCORROS Material básico: - Compressas de gaze (2 a 4 embalagens) -proteção e limpeza do ferimento. - Rolos de atadura/faixa crepe (2 rolos de tamanho médio): para fixar curativos e talas. Pode ser usada para amordaçar o cão. - Esparadrapo micropore (1 rolo médio): para fixar a faixa crepe em curativos ou imobilizar as patas de gatos que arranham. - Tesoura pequena com ponta arredondada: para cortar pelos e faixa crepe. - Antisséptico (Líquido de Dakin, Água oxigenada 10 vol. ou Iodo Povidine): para desinfetar ferimentos, cortes e outras lesões da pele. - Soro fisiológico: para limpar ferimentos e queimaduras. - Pomada antibiótica: para evitar infecções em cortes e feridas. - Luvas (1 par): para proteger as mãos de quem irá socorrer o cão. - Seringa de 10 ml: para irrigar ferimentos com antissépticos e aspirar secreções. - Termômetro: para avaliar a temperatura retal. - Pinça: para remover espinhos e larvas da pele ou objetos estranhos da garganta. - Álcool antisséptico (1 frasco pequeno): para desinfetar as mãos de quem irá socorrer o animal e materiais metálicos (pinça e tesoura). - Focinheira de nylon (opcional): para evitar mordidas. - Lanterna pequena (opcional): para observar cavidades e avaliar o reflexo da pupila. ESTADO DE CHOQUE Significa um deficiente suprimento de sangue para os órgãos vitais, uma condição que pode ser fatal. Sintomas: - temperatura do corpo baixa, principalmente nas extremidades (patas e orelhas) - batimentos cardíacos acelerados - respiração acelerada - pode ou não haver perda da consciência - gengivas muito pálidas - pupilas dilatadas. O animal pode entrar em estado de choque em casos de hemorragia grave, atropelamento, envenenamento, choque elétrico intenso, desidratação severa, queimaduras graves e outras situações de emergência. Essa é uma condição muito grave e requer atendimento imediato. É importante realizar algumas manobras para minimizar as consequências do choque, a principal delas, a falta de suprimento sanguíneo no cérebro. Isso pode deixar sequelas neurológicas no animal. Por esse motivo, o animal em estado de choque deve ser encaminhado a uma clínica veterinária o mais depressa possível, para que receba o tratamento necessário. Você vai precisar de: Cobertor, gaze, termômetro e bolsa térmica aquecida. O que fazer: - Mantenha o animal deitado de lado. - Posicione a cabeça e região do tronco mais baixos do que a parte traseira do corpo. Isso garantirá que o sangue chegue ao cérebro e coração. - Aqueça o animal: enrole-o em um cobertor e coloque uma bolsa térmica ou garrafa com água quente próxima a ele, se for possível. Controle a temperatura com o termômetro. - Usando um pedaço de gaze, coloque a língua do cão para fora, de um dos lados da boca, para garantir que a respiração não seja obstruída. - Estanque qualquer hemorragia. -Transporte ou movimente o animal delicadamente para evitar traumatismos maiores e dores. Se possível, improvise uma maca com um cobertor ou toalha grande. - Procure auxílio veterinário o mais rápido possível. Para isso, tenha sempre à mão o telefone e endereço do hospital veterinário 24hs mais próximo de sua localidade, ou clínica veterinária bem equipada para atender emergências. PARADA CARDÍACA Durante a parada cardíaca, o coração cessa de bombear sangue para o restante do organismo. Ela pode ocorrer isoladamente ou acompanhada de parada respiratória. Quando ocorre: Em animais que receberam forte choque ao morder fios elétricos, após atropelamentos, quedas, afogamentos ou traumatismos graves. Cães e gatos cardíacos submetidos a estresse ou exercícios intensos podem sofrer parada cardíaca. Sinais: Colocando a mão sobre o lado esquerdo do peito do animal, não há evidência de batimentos cardíacos. O coração é o órgão responsável pela circulação do sangue que irá nutrir as células e promover a oxigenação dos tecidos. Quando ele para de exercer essa função, as consequências são graves. O local mais rapidamente afetado é o cérebro. Se o tecido cerebral permanecer mais do que dois minutos sem oxigênio, lesões irreversíveis nas células nervosas poderão ocorrer. A reanimação cardíaca deve ser feita imediatamente, assim que se for detectada a ausência dos batimentos do coração. Você vai precisar de: Nenhum equipamento. O que fazer: - mantenha o animal deitado do lado direto. - inicie a massagem no coração o mais depressa possível. Massagem cardíaca - Coloque as duas mãos sobre o coração do animal. - Faça pressão firme e rápida sobre a região e solte, como se estivesse bombeando. Você deve pressionar rápido e soltar, uma vez por segundo. - No caso de cães muito pequenos ou gatos, use as pontas dos dedos para pressionar o coração. - Massageie por 30 segundos (30 pressões) e observe se os batimentos cardíacos voltam. - Continue realizando esse procedimento a caminho do veterinário se o coração não voltar a bater. - Se você já realizou a massagem cardíaca por mais de 30 minutos, mas sem sucesso, dificilmente o animal sobreviverá. PARADA RESPIRATÓRIA Durante a parada respiratória, o pulmão deixa de realizar trocas gasosas. Não há inspiração nem expiração. Ela pode ocorrer isoladamente ou acompanhada de parada cardíaca. Você vai precisar de: Lenço ou qualquer pedaço de tecido fino. O que fazer: - Mantenha o animal deitado do lado direto. - observe se há alguma obstrução na garganta, causada por sangue ou objetos. No caso de líquidos, tente aspirar com uma seringa. Não tente tirar objetos da garganta. Pressione fortemente as costelas do animal para que o objeto seja expulso. - inicie a respiração artificial imediatamente. Respiração artificial: - Feche a boca do cão/gato e a mantenha fechada. - Cubra o focinho com um lenço ou pedaço de pano para evitar o contato direto com as narinas do animal. - Eleve a cabeça do cão/gato e encoste sua boca no focinho dele. Sopre para dentro das narinas até sentir que o peito do animal se eleva. - Em seguida, deite a cabeça dele e pressione as costelas delicadamente para que o ar saia. - Em 1 minuto, repita o procedimento de 8 a 10 vezes. Verifique se o animal volta a respirar. - Continue a respiração artificial, caso ele ainda não esteja respirando sozinho. HEMORRAGIAS É toda perda de sangue que o organismo pode sofrer, seja ela rápida (aguda) ou de forma lenta e gradativa (crônica), grave ou não. Dependendo da quantidade de sangue perdido poderá ocorrer anemia. O animal anêmico apresenta letargia, falta de disposição, diminuição ou perda de apetite, respiração acelerada e mucosas muito pálidas (gengivas e parte interna das pálpebras). No caso de perda de grande volume de sangue em pouco tempo, existe o risco de parada cardíaca. Isso acontece porque não há sangue sufi ciente dentro das câmaras do coração para esse órgão “bombear”. Hemorragia externa São fáceis de detectar, pois você visualiza a perda de sangue. Ela é provocadaespecialmente as de toque frequente (negatoscópio, recipientes de gaze, algodão, maçanetas, etc.) podem servir como reservatório de agentes infectantes, uma vez que daí, os microrganismos podem ser transferidos para nariz, boca, olhos ou outra parte do corpo muito facilmente. A infecção acidental de clientes ou pacientes ocorre principalmente ATRAVÉS DO CONTATO COM AS MÃOS ENLUVADAS DO PROFISSIONAL. CLASSIFICAÇÃO DOS AMBIENTES Áreas não críticas - são aquelas não ocupadas no atendimento dos clientes ou as quais estes não têm acesso. Essas áreas exigem limpeza constante com água e sabão com poder desinfetante. Áreas semicríticas - são aquelas vedadas às pessoas estranhas às atividades desenvolvidas. Ex: lavanderia, laboratórios, biotério, salas de raio-X. Estas, devido ao seu nível crítico, exigem limpeza e desinfecção um pouco mais eficiente que as áreas anteriores. CUIDADOS COM O INSTRUMENTAL E EQUIPAMENTOS As etapas para o reprocessamento do instrumental contaminado são as seguintes: Limpeza dos instrumentos Qualquer que seja o processo de esterilização ou descontaminação a ser submetido um determinado artigo, a primeira etapa a qual inclusive garantirá a eficácia do processo, é a limpeza. Limpeza constitui-se como sendo a remoção de qualquer sujidade de artigos e/ou superfícies, devendo ser realizada imediatamente antes da esterilização ou descontaminação, pois permite o contato adequado entre os artigos e os agentes químicos e físicos. Falhas nesse processo facilitam o crescimento de microrganismos e subsequente contaminação de objetos e superfícies ou infecção de quem os manipula. Durante a limpeza dos instrumentos, visando à redução de riscos ocupacionais, o uso de equipamento de proteção individual (EPI) é obrigatório: avental impermeável, luvas de limpeza, óculos de proteção, máscaras e botas. Imersão O objetivo desta etapa é a remoção da sujidade e resíduos orgânicos utilizando detergentes enzimáticos. Atualmente, os detergentes enzimáticos têm se destacado na limpeza dos instrumentos cirúrgicos. Essas enzimas podem identificar dissolver e digerir sujeiras específicas. A enzima amilase tem atividade sobre os carboidratos, à lípase sobre as gorduras, e a protease sobre as proteínas. Existem produtos que podem ter uma ou mais enzimas combinadas para alcançar esses objetivos. Após a diluição, deve-se deixar o instrumental totalmente imerso na solução por 03 minutos, depois enxaguar copiosamente com água, dispensando a limpeza mecânica. Enxágue O enxágue pode ser realizado de diferentes maneiras conforme a etapa da descontaminação, o tipo de tratamento do material e seu destino. 1. Para o enxágue após a limpeza, a água deve ser potável e corrente. 2. Para o enxágue após esterilização a frio com solução química, a água deve ser esterilizada. 3. Para o enxágue após descontaminação: a) A água deve ser potável e corrente se a desinfecção for com o objetivo de manuseio e uso seguro de material não crítico. b) A água deve ser esterilizada, se o material for de uso crítico. Secagem A secagem dos artigos visa evitar a interferência da umidade nos processos de empacotamento e posteriormente a formação de condensado de vapor que surge com a esterilização. A secagem pode ser feita em estufa de secagem regulada conforme o tipo de material; ao ar ambiente, em bandeja coberta e com a superfície forrada com pano estéril; e por um pano limpo e seco. Empacotamento Após a limpeza e secagem do instrumental, este deve ser acondicionado para posterior esterilização. O empacotamento deve observar o método de esterilização a ser empregado: Autoclave Em autoclave será aceito: - Papel de celulose alvejado e plástico de polipropileno. Apresenta- se como folha de papel ou envelope com diversas medidas. Deve ser isento de furos, rasgos ou orifícios e livre de manchas. Possui características gerais como porosidade: 65s (mínima) a 105s (máxima); gramatura: 60g/m2 para o papel e 54g/m2 para o filme plástico. A embalagem deve ser de uso único. Desinfecção Desinfecção é o processo que envolve o uso de agentes químicos em objetos inanimados como superfícies de trabalho, pisos ou equipamentos e que consiste na eliminação de microrganismos não formadores de esporos. Os agentes químicos mais indicados para a desinfecção de ambientes laboratoriais em medicina veterinária são: a) solução de hipoclorito de sódio a 1%; b) álcool etílico 70% para superfícies metálicas ou itens não autoclaváveis; ROTINA PARA PROCEDIMENTOS CLÍNICOS 1. Lavar as mãos; 2. Colocar gorro, máscara, óculos de proteção e avental e luvas de procedimento ou cirúrgicas conforme o tipo de procedimento; 3. Envolver as superfícies de toque frequente com coberturas descartáveis (usar luvas de procedimento); 4. Remover as luvas de procedimento; 5. Instrumentos esterilizados devem ser mantidos na embalagem ou em caixas fechadas até o momento do uso; 6. Colocar instrumentos estéreis na bandeja esterilizada (sem entrar em contato manual); 7. Atender ao paciente. Módulo: 3 Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) Como o próprio nome diz, são elementos de uso individual utilizados para proteger o profissional do contato com agentes biológicos, químicos e físicos no ambiente de trabalho. Servem, também, para evitar a contaminação do material em experimento ou em produção. Assim sendo, a utilização do EPI torna-se obrigatório durante todo atendimento/procedimento. Os equipamentos de proteção individuais e coletivos são considerados elementos de contenção primária ou barreiras primárias, portanto podem reduzir ou eliminar a exposição da equipe, de outras pessoas e do meio ambiente aos agentes potencialmente perigosos. LUVAS Devem ser utilizadas para prevenir a contaminação da pele, das mãos e antebraços com material biológico, durante a prestação de cuidados e na manipulação de instrumentos e superfícies. Deve ser usado um par de luvas exclusivo por usuário, descartando-o após o uso. O uso das luvas não elimina a necessidade de lavar as mãos. A higienização das mãos deve ser realizada antes e depois do uso das luvas, uma vez que estas podem apresentar pequenos defeitos, não aparentes ou serem rasgadas durante o uso, provocando contaminação das mãos durante a sua remoção. Além disso, os micro-organismos multiplicam-se rapidamente em ambientes úmidos. Importante: • Sempre verificar a integridade física das luvas antes de calçá-las; • Não lavar ou desinfetar luvas de procedimento ou cirúrgicas para reutilização. O processo de lavagem pode ocasionar dilatação dos poros e aumentar a permeabilidade da luva, além disso, agentes desinfetantes podem causar deterioração; • As luvas não devem ser utilizadas fora do local de trabalho (clínicas, consultórios, laboratórios e blocos cirúrgicos) a não ser para o transporte de materiais biológicos, químicos, estéreis ou de resíduos; • Nunca tocar objetos de uso comum ou que estão fora do campo de trabalho (caneta, fichas dos usuários, maçanetas, telefones) quando estiver de luvas e manuseando material biológico potencialmente contaminado ou substâncias químicas. • Retire as luvas imediatamente após o término do procedimento; • Não toque na parte externa das luvas ao removê-las; • As luvas não protegem de perfurações de agulhas, mas está comprovado que elas podem diminuir a penetração de sangue em até 50% de seu volume; • Atenção especial deve ser dada à possibilidade de desenvolvimento de reação de hipersensibilidade às luvas de látex. Neste caso, devem ser utilizadas as luvas de vinil. MÁSCARAS Indicado para a proteção das vias respiratórias e mucosa oral durante a realização de procedimentos com produtos químicos e em que haja possibilidade de respingos ou aspiração de agentes patógenos eventualmente presentes no sangue e outros fluidos corpóreos. A máscara deve ser escolhida de modo a permitir proteção adequada. Importante: • Nunca deixar a máscara pendurada no pescoço ou ouvido; • Descartar em recipiente apropriado, após o uso e sempre que estiver visivelmente contaminada ou úmida; • Não guardar em bolsos ou gavetas; • Evitar tocá-lapor cortes profundos, perfurações ou brigas entre animais. Hemorragias superficiais ocorrem quando pequenos vasos que irrigam a pele são rompidos e a perda de sangue é considerável, mas nunca fatal. Um exemplo é o sangramento causado por escoriação, pequeno corte ou outro ferimento na pele. Se um vaso sanguíneo for rompido (veia ou artéria), a hemorragia pode ser grave e deve ser estancada imediatamente. Os vasos atingidos mais facilmente localizam-se nas patas, cauda, orelhas e pescoço. Você vai precisar de: Compressas de gaze, faixa crepe, esparadrapo, antisséptico e pomada antibiótica. O que fazer: - Aplique um pano limpo ou compressas de gaze sobre o local e pressione por alguns minutos. Mantenha a pressão até o sangramento parar. - Coloque compressas de gaze sobre o ferimento e proteja com a faixa crepe, se o local permitir. Fixe com esparadrapo. Nunca deixe a lesão aberta para evitar o acesso de moscas ao ferimento. - Leve o animal ao veterinário para desinfecção e sutura do corte. Se isso não for possível imediatamente, limpe o ferimento com água oxigenada, líquido de Dakin ou iodo povidine. Aplique pomada antibiótica. - Se um vaso sanguíneo for atingido, o sangramento não irá parar facilmente. Mantenha a pressão sobre a região até chegar ao veterinário. - Nas patas e cauda, você pode aplicar um torniquete se o sangramento for severo. Com um pedaço de faixa crepe ou cadarço de sapato, amarre o membro um pouco acima da região do sangramento. Afrouxe a cada 5 minutos e depois volte a apertar. A hemorragia grave pode ser fatal, por isso, ela precisa ser interrompida o mais depressa possível e o volume de líquido perdido pelo organismo, reposto. Hemorragia interna Esse tipo de hemorragia é difícil de detectar, porque não podemos visualizar o sangue, nem ter certeza se há sangramento interno. Após a queda de um lugar muito alto, pancada no abdômen ou tórax, atropelamento ou outro acidente, o animal poderá perder sangue resultado do rompimento de um órgão ou vaso sanguíneo. Sinais: queda de temperatura, palidez nas mucosas (gengivas e parte interna das pálpebras) e fraqueza. Pode haver perda de consciência e dor abdominal. A temperatura dos cães e gatos varia de 38ºC a 39ºC. No caso de hipotermia (temperatura baixa), os valores serão inferiores a 37ºC. O aparecimento de sangue na urina, fezes ou vômito, não significa hemorragia interna. Quando ele aparece em pequenas quantidades ou com aspecto de rajadas, a causa da perda de sangue precisa ser investigada, mas não deve causar desespero. Grandes quantidades de sangue eliminadas pelas fezes e vômito podem ter como causa envenenamento por “chumbinho” (veneno para ratos) ou ingestão de iscas com vidro triturado, ambos usados criminosamente para matar animais. Você vai precisar de: Cobertor, termômetro e bolsa térmica aquecida. O que fazer: - Caso haja um acidente, atropelamento ou queda, meça a temperatura retal do animal com o termômetro. Repita a cada 30 minutos e observe se ela está caindo. - Se o animal estiver agressivo, coloque a focinheira ou faça uma mordaça com um pedaço de faixa crepe ou cadarço de sapato antes de qualquer procedimento. - Manipule o cão/gato com cuidado, evitando movimentos bruscos. - Se a temperatura estiver baixa (inferior a 37,5º C) ou começar a diminuir, enrole o animal num cobertor e coloque uma fonte de calor próxima a ele. Use bolsa térmica aquecida ou improvise enchendo uma garrafa com água quente. Mantenha o animal aquecido e encaminhe-o para o veterinário imediatamente. - Transporte-o na posição deitada, sempre com a cabeça mais baixa em relação ao corpo. FERIMENTOS E CORTES PROFUNDOS Podem ser causados por brigas, cacos de vidro, cercas de arame farpado e outros objetos cortantes. A pele é irrigada por pequenos vasos sanguíneos e as lesões causam sangramento considerável. Não se apavore com o sangue, ele pode ser controlado facilmente. Os cortes devem ser suturados em até seis horas após a lesão. Quando suturamos um corte exposto por muito tempo, é grande a chance de ocorrer infecção local. Por esse motivo, leve o animal ao veterinário assim que possível. Caso não seja viável chegar ao veterinário a tempo de fechar o ferimento com pontos, mantenha-o limpo e protegido. Moscas podem depositar ovos em feridas abertas e suas larvas irão se desenvolver dentro da pele. Se você estiver no campo (sítio ou fazenda) ou mesmo na cidade, e perceber insetos pousando no ferimento, use repelente de uso veterinário ao redor da ferida, duas vezes ao dia. Os cortes não suturados e ferimentos cujos pontos se romperam irão cicatrizar, porém, lentamente. A desvantagem da cicatrização sem pontos é que a cicatriz será maior e há risco considerável de miíase (larvas de moscas) no local. Os curativos deverão ser diários e a lesão protegida de moscas e sujeira. Você vai precisar de: Compressas de gaze, faixa crepe, esparadrapo, antisséptico, pomada antibiótica e tesoura. O que fazer: - Se houver hemorragia estanque-a pressionando o local com compressas de gaze ou pano limpo. Orelhas e patas costumam sangrar bastante e por longo tempo. - Certifique-se que nenhum vaso tenha sido atingido. Se houver muito sangramento e você não conseguir estancá-lo facilmente, alguma veia ou artéria foi lesada. - Após controlar o sangue, corte os pelos em volta do ferimento, se a pelagem for longa e o animal permitir. - Limpe bem o local com soro fisiológico. Em seguida, aplique antisséptico nas bordas e dentro do corte ou ferida. Seque o ferimento com gaze e aplique pomada antibiótica. - Proteja o corte das moscas cobrindo a lesão com gaze ou pano limpo. Esparadrapo direto na pele não é bem suportado pelos animais. Use faixa crepe para fixar a gaze. QUEIMADURAS As queimaduras são classificadas de acordo com a gravidade da lesão. São causadas por agentes térmicos (água ou superfícies quentes e fogo), químicos (ácidos e substâncias cáusticas) ou elétricos (corrente elétrica). Queimadura de 1º grau: lesão superficial que cicatriza, em média, após 10 dias. Queimadura 2º grau: lesão mais profunda que a anterior. Há perda dos pelos e formação de vesículas (bolhas). A pele cicatriza em 15 dias. Queimadura 3º grau: lesão grave na qual toda a espessura da pele é destruída. É um processo muito doloroso e de cicatrização lenta. Casos comuns de queimaduras: - Animais que comem comida caseira muito quente podem ter queimaduras de grau leve na boca e lábios. - Acidentes envolvendo água fervendo derramada sobre os animais resultam em queimaduras de 3º grau. - Animais que lambem ou ingerem substâncias cáusticas presentes em produtos de limpeza podem queimar a boca e esôfago. - Choques elétricos podem resultar em queimaduras na boca e língua. - Queimaduras de sol podem ocorrer em animais de pele e focinho despigmentados (róseos). Você vai precisar de: Soro fisiológico frio e pomada antibiótica. O que fazer: - Queimaduras de 1º e 2º graus devem ser tratadas com pomada antibiótica. - Não use produtos como creme dental sobre a área lesada. - Lave o local com soro fisiológico frio (ou água mineral) por alguns minutos e aplique uma camada espessa de pomada antibiótica. Reaplique o medicamento diariamente. - Não faça curativo fechado. Se for preciso, aplique uma compressa de gaze sobre a pomada para proteger a lesão. - Use colar de contenção para que o animal não lamba e remova a pomada da pele. - Se a queimadura for de 3º grau, todo o procedimento deve ser feito com o animal sedado. Aplique soro fisiológico gelado sobre a pele queimada e leve a vítima ao veterinário. A dor é muito intensa nesses casos. - Animais com queimaduras extensas podem entrar em estado de choque. Se mais de 50% do corpo for atingido, há risco de morte. - Caso ocorra queimadura solar, evite que o animal se exponha ao sol e proteja o local com filtro solar. Módulo: 20 Referências Bibliográficas BRASIL MINISTÉRIO DA SAÚDE. Manual de Diagnóstico Laboratorial da Raiva. Brasília, 2008. BRASIL MINISTÉRIO DA SAÚDE. Normas técnicas de profilaxia da raiva humana. Série A: Normas e manuais técnicos. Brasília, 2011.BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Higienização das mãos em serviços de saúde. Brasília: Anvisa, 2007. BRASIL. Ministério da Saúde. Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar. Processamento de artigos e superfícies em estabelecimentos de saúde. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 1994. 50 p. BRASIL. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE-CONAMA RESOLUÇÃO No 358, DE 29 DE ABRIL DE 2005 Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências. Disponível em http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/res35805.pdf. COUTO, N. et al. Medicina interna de pequenos animais. 3 a Ed. Editora Elsivier Ltda, 2006. FEITOSA, F. L. F. Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico. Disponível em: https://social.stoa.usp.br/articles/0031/7304/2_conten%C3%A7%C3%A3o_F%C3%ADsica_dos_Animais_Dom%C3%A9sticos.pdf GUERREIRO, M. et al. Bacteriologia especial: com interesse em saúde animal e saúde pública. Porto Alegre: Sulina, 1984. http://www.academia.edu/11577617/Aula_1_ectoparasita_c%C3%A3es_e_gatos https://www.bayerpet.com.br/caes/parasitaszoonoses/parasitas-intestinais/#o-parasita http://www.blogdocachorro.com.br/parto-da-cachorra/ http://www.caesegatos.com.br/giardia-em-caes/ http://caes.topartigos.com/sarna-sarcoptica-em-caes-sintomas-e-tratamento.html http://www.cachorrogato.com.br/cachorros/tomografiacomputadorizada/ Plataforma Preço Pontos Fortes Ideal para quem... Hotmart Grátis (comissão por venda) Grande alcance, área de membros integrada Quer vender e divulgar rápido Udemy Grátis (divisão de receita) Público ativo, visibilidade Quer atrair alunos da própria plataforma Kiwify Grátis (comissões) Simples, brasileiro, checkout integrado Iniciantes Eduzz Grátis (comissões) Funil de vendas integrado Vendas automatizadas Crie a área de membros e organize o conteúdo · Siga a sequência pedagógica definida no passo 2. · Coloque vídeos, apostilas, quizzes, fóruns se necessário. · Tenha uma aula grátis ou demo para atrair alunos. Monte uma estratégia de vendas · Página de vendas com: · Benefícios claros · Depoimentos (se tiver) · Garantia de satisfação · Use redes sociais, e-mail marketing e tráfego pago (Facebook Ads, Google Ads) Ofereça suporte e acompanhamento · Crie um grupo no WhatsApp, Telegram ou Discord · Responda dúvidas, ofereça atualizações, fidelize alunos Peça feedback e atualize o curso · Melhore com base nas opiniões · Atualize conteúdo conforme mudanças na área Aplicativo Função principal Preço OBS Studio Gravar tela + webcam Gratuito Canva Criar slides, PDFs, imagens Gratuito / Pago CapCut Edição de vídeo simples Gratuito Audacity Gravação e edição de áudio Gratuito Notion / Trello Planejamento e organização Gratuito Loom Gravações rápidas com webcam Gratuito / Pago Zoom / Google Meet Gravar aulas ao vivo ou tutoriais Gratuito Dicas para Economizar · Use plataformas com comissão por venda (Hotmart, Kiwify), assim você só paga quando vender. · Use ferramentas open source ou gratuitas. · Grave com smartphone (bons celulares têm excelente qualidade de vídeo). · Faça a edição você mesmo nos primeiros vídeos. “Auxiliar Veterinário 360° – Do Zero à Prática” 📝 Descrição pronta (pode usar e adaptar): Transforme seu amor pelos animais em profissão! Aprenda tudo o que você precisa para atuar como auxiliar de veterinário, mesmo sem experiência. Este curso 100% online inclui conteúdos em PDF, vídeos explicativos, conceitos práticos, rotina de clínicas, primeiros socorros, anatomia animal, biossegurança e muito mais! ✅ Acesso imediato ✅ Certificado de conclusão ✅ Suporte direto com tutores 🎨 ETAPA 2 – LOGO E IDENTIDADE VISUAL Você pode usar: · Canva (gratuito e fácil de usar) → https://www.canva.com Procure por: logo pet, logo clínica veterinária e personalize Se quiser, posso gerar uma logo inicial pra você com base no estilo que preferir (moderna, clássica, veterinária, pet, etc.). 💻 ETAPA 3 – HOSPEDAR NA PLATAFORMA 🔹 Melhor opção para você: Hotmart ou Kiwify Plataforma Por que usar? Hotmart Mais conhecida, milhares de afiliados, checkout seguro, app próprio Kiwify Simples, brasileiro, rápido de aprovar, fácil de configurar Ambas não cobram nada para começar. Elas retêm só uma parte (em média 9-10%) por venda. Você só paga quando vender. 📌 Sugestão: Comece pela Kiwify por ser mais direta e aprova cursos mais rápido. Se quiser, posso te dar o passo a passo completo de como subir o curso lá. 📢 ETAPA 4 – DIVULGAÇÃO Como você vai começar do zero, o ideal é usar: 🚀 Estratégias gratuitas · Criar um Instagram temático com dicas sobre pets + bastidores do curso · Grupos de Facebook sobre animais, veterinária e cursos · Criar um grupo no WhatsApp ou Telegram e oferecer um PDF gratuito (“5 coisas que todo Auxiliar Veterinário precisa saber”) em troca do contato 💬 Exemplo de chamada para redes sociais: 🐾 Quer trabalhar com animais e não sabe por onde começar? Com o nosso curso online Auxiliar de Veterinário, você aprende tudo que precisa para atuar na área! 👉 Acesse aqui e comece hoje! 🎁 BÔNUS (IDEIAS QUE AUMENTAM VENDAS) · Certificado (pode gerar pelo Canva, Certificaa, ou até dentro da Kiwify) · Grupo VIP de alunos · Aula extra com simulação de rotina na clínica Se quiser, posso te ajudar com: ✅ Página de vendas ✅ Criação da logo ✅ Upload do curso na Kiwify ✅ Roteiro de vídeo de apresentação Me diga com qual dessas partes você quer começar agora. Posso escrever o texto da página ou montar a logo primeiro, por exemplo. image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image10.jpeg image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg image14.jpeg image15.jpeg image16.jpeg image17.jpeg image18.jpeg image19.jpeg image20.jpeg image21.jpeg image22.jpeg image23.jpeg image24.jpeg image25.jpeg image26.jpeg image27.jpeg image28.jpeg image29.jpeg image30.jpeg image31.jpeg image32.jpeg image33.jpeg image34.jpeg image35.jpeg image36.jpeg image37.jpeg image38.jpeg image39.jpeg image40.jpeg image41.jpeg image42.jpeg image43.jpeg image44.jpeg image45.jpeg image1.jpeg image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg image5.jpegapós a sua colocação. ÓCULOS DE SEGURANÇA Usados em atividades que possam produzir respingos e/ou aerossóis, projeção de estilhaços pela quebra de materiais, bem como em procedimentos que utilizem fontes luminosas intensas e eletromagnéticas, que envolvam risco químico, físico ou biológico. Após utilização, lavar com água e sabão. No caso de trabalho com agentes biológicos, utilizar solução desinfetante - hipoclorito a 0,1%. O uso de solução alcoólica pode danificar os óculos. Importante: • Óculos comuns não oferecem proteção adequada; • Os protetores oculares devem ser fornecidos também aos clientes, pois alguns procedimentos constituem riscos de contaminação. JALECO O jaleco de algodão ou material sintético é um protetor da roupa e da pele que deve ser utilizado exclusivamente em ambiente trabalho, para prevenir a contaminação por exposição a agentes biológicos e químicos. O jaleco deve ter colarinho alto e mangas longas, podendo ser de algodão ou de material sintético. Deve ser transportado em sacos impermeáveis e lavado separadamente das roupas de uso pessoal. O jaleco de TNT oferece proteção, criando uma barreira contra contaminação cruzada, poluição ambiente e fluidos corpóreos, além de higienização em locais que necessitem de cuidados especiais. Descartável após cada uso. AVENTAL PLÁSTICO Utilizado para lavagem de material e no atendimento de animais de grande porte. Deve ser lavado com água e sabão e descontaminado através de fricção com solução de hipoclorito a 0,1% ou álcool etílico a 70%; são descartados quando apresentam qualquer evidência de deterioração. GORRO DESCARTÁVEL SANFONADO Proporciona uma barreira efetiva para o profissional e usuário. Protege contra respingos e aerossóis. Confeccionado em TNT. Os cabelos devem estar presos e o gorro cobrindo todo o cabelo e as orelhas. Para retirá-lo, puxe pela parte superior central, descartando-a em recipiente apropriado. CALÇADOS FECHADOS Sapato fechado tipo tênis - utilizados para proteção dos pés no ambiente de trabalho durante suas atividades. É obrigatória a sua utilização. IMUNIZAÇÃO As imunizações reduzem o risco de infecção e, por conseguinte, protegem, não apenas a saúde dos componentes da equipe, mas também a de seus clientes. O Médico Veterinário, Auxiliar de Veterinário e toda equipe que trabalha em estabelecimentos veterinários tem que estar imunizado no mínimo contra raiva e tétano. Tratamento profilático pré-exposição - raiva O tratamento profilático pré-exposição, realizado com vacinas, é indicado para grupos de alto risco de exposição ao vírus da raiva, dentre os quais ressaltamos: veterinários, vacinadores, laçadores e treinadores de cães; profissionais de laboratório que trabalham com o vírus da raiva; professores e alunos que trabalham com animais potencialmente infectados com o vírus da raiva; espeleólogos; tratadores de animais domésticos de interesse econômico (equídeos, bovídeos, caprinos, ovinos e suínos) potencialmente infectados com o vírus da raiva. Módulo: 4 Vacinas para cães e gatos VACINAS PARA CÃES A vacinação para cães é um dos cuidados mais importantes garantidos para os animais. Não só para manter os amiguinhos de quatro patas saudáveis, mas para garantir o bem-estar dos tutores, já que algumas doenças podem ser transmitidas entre os cachorros e as pessoas. A orientação básica sobre esse assunto é levar o cachorro ao veterinário. Essa é a primeira atitude responsável ao adotar um pet. Dessa forma, você pode acompanhar a tabela de vacinação para cães desde o início. Vacina polivalente: a primeira proteção do pet Enquanto os humanos, geralmente, dispõem de uma vacina para cada tipo de doença, com os pets, é diferente. No caso deles, existe a vacina polivalente, que previne mais de um vírus. Por isso, é comum ouvir os termos “V8” e “V10 para cachorro”, que indicam o número de doenças prevenidas pela injeção. A primeira etapa do calendário de vacinação para cães protege o animal contra 10 doenças diferentes. A administração é feita em três doses. A imunização só fica completa após a última aplicação. Nesse momento, é importante seguir as orientações do profissional veterinário e respeitar os intervalos entre uma dose e outra para garantir a eficácia. A primeira dose deve ser aplicada entre 6 e 8 semanas de vida do pet. Após um intervalo de 2 a 4 semanas, a segunda dose precisa ser administrada. Por fim, a terceira aplicação deve ocorrer quando o cachorro completar 16 semanas de vida. Quais doenças são prevenidas pela V10? Antes de qualquer coisa, não se esqueça de que a imunização só fica completa após a última dose. Então, evite que o cãozinho tenha contato com outros pets antes disso. Um reforço anual também é necessário para o seu amigo de quatro patas continuar protegido. Veja quais são as doenças prevenidas pela V10, abaixo. • Cinomose: essa infecção viral é muito contagiosa e altamente letal, pois acomete o sistema nervoso central, causando paralisia, convulsões e diversas sequelas no cachorro; • Hepatite infecciosa canina: transmitida por meio do contato com fluidos do animal infectado, como fezes, urina, saliva e secreção nasal. Afeta o fígado canino e pode levar ao óbito; • Parvovirose canina: altamente contagiosa, é transmitida pelo contato direto e indireto com fezes e outras secreções. Causa diarreia, que pode levar a quadros graves de desidratação, sendo especialmente perigosa para filhotes; • Coronavirose: também conhecida como gastroenterite contagiosa dos cães, causa diarreia que coloca o pet em risco; • Adenovirose: transmitida por vírus, é responsável por doenças respiratórias, como bronquite, com evolução para pneumonias. É a principal causa da hepatite infecciosa canina; • Parainfluenza canina: assim como a adenovirose, pode levar a problemas respiratórios com graves consequências e causar a traqueobronquite infecciosa canina; • Leptospirose: os principais sintomas são vômito, diarreia, hemorragia e dificuldade de respirar. Ao todo, a vacina polivalente protege o pet contra 2 (V8) ou 4 (V10) tipos de leptospirose. Vacina antirrábica: proteção para todos A raiva é uma das doenças que podem ser transmitidas de animais para humanos. É fatal na maioria dos casos, portanto, a vacina antirrábica é uma das principais do calendário de imunização. Quando os primeiros sinais surgem, não demora muito para a doença evoluir. Agressividade, alucinações e espasmos são alguns sintomas. O óbito pode ocorrer em apenas uma semana. Por meio de campanhas de vacinação para cães e conscientização sobre a raiva, a doença já foi praticamente erradicada no Brasil. Por isso, é tão importante continuar imunizando os pets. Dessa forma, é possível garantir que a contaminação seja rara. A imunização é feita com uma dose após a 12ª semana de vida do animal. Porém, para garantir a eficácia, é necessário vacinar o cachorro todo ano. Logo, é essencial ser responsável com o calendário de vacinação para cães. Outras vacinas recomendadas Além da vacina polivalente para cachorro e da antirrábica, outras são recomendadas para os peludos, como as que previnem a gripe canina, a giárdia e a leishmaniose. Nenhuma dessas é obrigatória, mas podem ser altamente recomendadas em alguns casos. Cachorros que convivem muito com outros cães e costumam frequentar hotéis, por exemplo, devem receber todas essas vacinas. Afinal, são doenças muito contagiosas. Já a vacina da leishmaniose deve ser administrada nos cachorros que vivem nos locais onde há maior risco de contaminação. Como a transmissão é feita por meio de alguns tipos de pernilongo, nem todo peludo fica exposto à doença. Calendário de vacinação canina É importante saber quando cada uma das vacinas deve ser administrada. Nesse sentido, é recomendado montar uma tabela de vacinação para cães, específica para o pet. Em geral, o calendário segue algumas datas. • Entre 6 e 8 semanas: primeira dose da vacina polivalente V8 ou V10; • A partir de 12 semanas: aplicação da vacina antirrábica; • A partir de 16 semanas: administração das demais vacinas (gripe canina, giárdia e leishmaniose).VACINAS PARA GATOS Assim como nós, os felinos também precisam ser vacinados, como uma forma de prevenção a diversas doenças. Porém, esse é um assunto que pode gerar muitas dúvidas, principalmente, quanto à periodicidade. Por isso, preparamos um texto completo sobre vacinas para gatos. Qual a importância das vacinas para gatos As vacinas para gato são responsáveis por produzir anticorpos – células de defesa – no organismo do felino, ou seja, são uma forma de prevenção contra diversas doenças, como a FELV (leucemia felina) e outras que são muito comuns entre os bichanos. E olha, a vacina não protege somente os gatinhos não, hein? Hoje, já sabemos que diversas enfermidades podem passar do pet para as pessoas e a vacinação garante também uma convivência saudável entre pets e humanos. Para saber qual a idade para vacinar gatos, é importante uma visita a um veterinário. Porém, é certo que esses imunizantes devem estar presentes na rotina desde o início da vida do pet, começando, geralmente, a partir dos 45 dias de vida do felino. As vacinas para gatos filhotes, por exemplo, irão protegê-los caso eles tenham contato com alguma patologia, não deixando que males se instalem no organismo ainda frágil do filhote. Mas, mesmo depois que o gato crescer, é importante que ele tome as doses de reforço anualmente, para continuar protegido contra as doenças. Tabela de vacinas para gatos O calendário de vacinas para gatos é diferente dos cachorros, por isso, é preciso estar atento. Uma visita ao veterinário irá sanar diversas dúvidas que rondam a cabeça dos tutores em relação a quais vacinas são importantes para o pet e ainda o calendário a ser seguido. Isso porque o protocolo vacinal dos gatos é feito de forma individual, levando em conta o histórico e estilo de vida do felino. Além disso, é muito importante a realização de exames de check-up e os testes para FIV e FELV. Existem 3 tipos de vacinas para os gatos: V3, V4 e V5. • Vacina V3 para gatos A vacina V3 felina (vacina tríplice – trivalente) protege o pet contra duas doenças respiratórias, rinotraqueíte felina e a calicivirose felina, além da panleucopenia felina (que pode causar danos ao sistema digestivo e sanguíneo). • Vacina v4 para gatos A vacina V4 felina (vacina quádrupla) irá trazer os mesmos benefícios da V3, além de proteger contra a clamidiose, que é uma doença infecciosa, que atinge os olhos dos animais e pode acometer os seres humanos. • Vacina v5 para gatos Já a vacina V5 felina (vacina quíntupla) é a mais completa: traz os mesmos benefícios da V4, e também protege contra a FELV (leucemia felina). Vacina de raiva para gatos Além das vacinas V3, V4 e V5, os gatos também precisam ser vacinados contra a raiva, já que essa doença pode levar o pet à morte, além de poder contaminar seres humanos. Além disso, é sempre importante lembrar que as vacinas devem ser anuais. Não basta vacinar seu amiguinho apenas quando filhote, pois a imunidade não é vitalícia. Para a proteção se estender, algumas vacinas devem ser reaplicadas e somente um médico veterinário poderá te orientar quanto a periodicidade. Módulo: 5 Contenção de Cães e Gatos A contenção mecânica tem como finalidade principal restringir, tanto quanto possível, a atividade física do animal, na tentativa de se realizar a avaliação do paciente e/ou a execução de outros procedimentos (curativos e administração de medicamentos). Para alguns proprietários, principalmente de pequenos animais e também para o examinador, é sempre um momento delicado dentro do contexto de inter-relacionamento "proprietário-veterinário", já que há uma certa relutância, por parte dos donos, no momento da imobilização desses animais para exame. No entanto, por mais dócil, meigo e inofensivo que seja ou pareça ser o seu paciente, a simples palpação, por exemplo, de uma determinada estrutura que possua um aumento de sensibilidade fará com que ele se defenda à manipulação não habitual, com mordeduras, coices, chifradas e/ou unhadas. Por isso, não se deve manipular um animal, mesmo que para a execução de procedimentos simples, sem que ele esteja adequadamente contido, o que resultará em maior segurança para o examinador, para auxiliá-lo e para o próprio animal, além de propiciar um exame satisfatório e tranquilo. Os principais objetivos da contenção de animais domésticos são: • Proteger o examinador, o auxiliar e o animal. • Facilitar o exame físico. • Evitar fugas e acidentes como fraturas. • Permitir procedimentos diversos (medicação injetável, curativos, cateterização, exames radiográficos, colheita de sangue, etc.). É importante proceder às manipulações físicas com calma, evitando-se movimentos bruscos ou violentos, os quais possam vir a alterar de maneira significativa os parâmetros vitais em virtude do estresse promovido, principalmente em animais mais arredios. A socialização com o paciente é um passo importante no momento da aproximação do mesmo, já que uma abordagem inadequada pode, muitas vezes, ser fatal, ou desencadear um comportamento não cooperativo por parte do animal, prejudicando, dessa forma, o estabelecimento do diagnóstico. Algumas tentativas de minorar os efeitos causados pelo examinador e pelo ambiente estranho ao animal devem ser realizadas antes da fase de contenção. A aproximação do mesmo pronunciando o seu nome ou dizendo um "oi" ou "alo", estalando os dedos, assobiando e fazendo carinhos e agrados (se o animal permitir), é interessante c deve ser tentada, deixando o animal mais relaxado e menos desconfiado com relação aos futuros procedimentos. Dê oportunidade ao paciente para conhecê-lo, também. Frequentemente, isso é possível durante a realização da anamnese quando se tem contato visual. Boas condições ambientais de exame (ambiente calmo, bem iluminado, sem muita interrupção por pessoas ou chamadas telefônicas) melhoram consideravelmente os dados obtidos pelo exame físico. A observação a essas regras facilitará a manipulação e propiciará um melhor relacionamento com o paciente. É conveniente estabelecer a natureza do local escolhido para a contenção, se será no chão ou na mesa, se será com aparelhos especiais (fixos ou móveis), lembrando que os pavimentos duros e escorregadios sujeitam os animais que caem a acidentes mais sérios e, por vezes, irreparáveis (fraturas de membros, coluna vertebral, trauma cranioencefálico, etc.). São recomendações gerais para a contenção física: • Evitar movimentos bruscos e precipitados. Seja tranquilo, firme e confiante! • Tentar ganhar a confiança do paciente: converse, chame o animal pelo nome, acaricie-o, brinque, ofereça guloseimas e/ou alimentos apetitosos, caso os tenha. • Iniciar com a contenção padrão mais simples para a espécie (em cães, por exemplo, usar mordaça; em equinos, cabresto) e, quando necessário, evoluir para métodos mais enérgicos e radicais (focinheiras, cachimbos, formigas, troncos de contenção). Antes de efetuar qualquer exame, o veterinário deve se informar com o proprietário ou com a pessoa encarregada sobre o temperamento do animal, se o mesmo é dócil e/ou falso, principalmente se o cão for de guarda ou de raças reconhecidamente agressivas, para que se possa escolher o melhor método de contenção a ser empregado para cada caso em questão. Na maioria das vezes, a contenção mecânica pode e deve ser auxiliada pelo proprietário, cabendo ao examinador à orientação correta de sua realização. Não é incomum a chegada de pacientes à clínica que, de tão agressivos, os próprios proprietários temem se aproximar, dificultando a realização de um exame físico adequado. Em tais situações, a utilização de focinheira, do cambão e/ou de contenção química é imprescindível. Felizmente, a contenção é bem aceita na grande maioria dos cães, em virtude da boa sujeição desses animais ao ser humano. Relembrando, deve-se, como abordagem inicial: falar em tom amistoso com o cão; passar a mão sobre o seu dorso, dando-lhe, posteriormente, as costas da mão para cheirar, o que ajudará a captar a sua confiança. Os animais de pequeno e médio porte são mais facilmentecontidos, mantendo-os sobre uma mesa de superfície não escorregadia, após a colocação da mordaça ou de uma focinheira, o que inibe o animal de querer fugir. Já, cães de raças grandes e/ou gigantes são mais bem imobilizados no chão. A imobilização manual do animal em posição quadrupedal com seu decúbito lateral facilitam a sequência do exame físico e a realização de vários outros procedimentos. MORDAÇA SIMPLES PARA CÃES Utilize um cordão de algodão ou tira de gaze resistente com aproximadamente 125 cm de comprimento, vale salientar que o procedimento destacado a seguir pode ser substituído por uma mordaça própria utilizada em consultórios. • Promova uma laçada de duplo nó com o dobro do diâmetro do focinho do animal antes de sua aproximação. • Coloque a laçada ao redor do focinho, posicionando o nó duplo acima deste. Aperte o nó e cruze as extremidades sob o queixo do cão. • Desloque as pontas da mordaça para que elas permaneçam atrás das orelhas e amarre-as com firmeza; caso contrário, o animal conseguirá tirá-la com as patas dos membros anteriores. Cuidado: Verificar se há dificuldade respiratória após a colocação da mordaça. Em caso afirmativo, ela deve ser prontamente retirada. Promova uma laçada de duplo nó com o dobro do diâmetro do focinho do animal. (B), desloque as pontas da mordaça para que elas permaneçam atrás das orelhas. Para realizar a contenção: • Coloque o braço sob o pescoço, prendendo moderadamente com o antebraço. • Passe o outro braço sob o abdome do animal, segurando o membro anterior que se encontra do mesmo lado de quem executa a contenção. Para realizar o derrubamento (animais de pequeno e médio porte): • Posicione os dois braços sobre o dorso do animal. • Leve-os em direção às regiões ventrais dos membros anterior e posterior (tarso e carpo), localizados próximos ao corpo de quem executa o derrubamento. • Puxe o animal de encontro ao corpo do executor e retire, ao mesmo tempo, o apoio dos membros que estavam presos com as duas mãos. Durante a queda, o animal deve ser amparado pelo corpo da pessoa executora, sob o risco de acidentes indesejáveis (fratura de costelas, queda da mesa de exame, etc.). • Com o animal posicionado em decúbito lateral, prenda os membros anteriores e posteriores com as mãos, colocando os dedos indicadores entre os respectivos membros. • Prenda a cabeça do animal com o antebraço mais próximo a ela, mantendo os membros posteriores estendidos. CONTENÇÃO DE GATOS A contenção de gatos é uma das tarefas mais difíceis, requer muitos cuidados como habilidade motora por parte do examinador ou do auxiliar. A contenção de gatos é bem mais complicada que a de cães por: a) Serem mais ágeis e se desvencilharem muito facilmente, principalmente quando a contenção for realizada por pessoa inabilitada; b) Serem animais relativamente pequenos, tornando a sua imobilização mais trabalhosa, o que pode ocasionar acidentes quando se utiliza força excessiva; c) Se defenderem com as unhas e os dentes; d) Por possuírem características territoriais, são mais sujeitos ao estresse causado pela mudança de ambiente. Os gatos devem ser mantidos com os seus proprietários (dentro de caixas de contenção ou de transporte) e retirados somente no momento da sua avaliação, já que um conhecimento prévio e demorado do local do exame pode deixá-los irritados ou mesmo agressivos, em virtude dos odores deixados no ambiente por outros animais, principalmente por cães. A interação veterinário-paciente não é tão fácil como a observada na grande maioria dos cães, mas pode-se tentar uma aproximação do animal como, por exemplo, coçando a sua cabeça, antes mesmo de realizar a contenção. O primeiro passo na contenção dos gatos é lembrar-se de fechar as janelas e portas do local de exame para se evitar evasão ou acidentes. O exame deve ser inicialmente tentado com o mínimo de imobilização, bastando, para tanto, a colocação de botinhas de esparadrapo após a colocação do animal na mesa. As unhas devem ser aparadas caso haja necessidade de um procedimento de maior duração. Se o animal estiver mantido dentro de caixas de papelão, madeira ou mesmo sacolas de pano, a retirada do animal deve ser feita por seu proprietário. No mercado há opções que garantem um procedimento clinico mais seguro com o gato, conforme imagem ao lado. Os gatos devem ser examinados, de preferência, sobre uma mesa. Os gatos mudam rapidamente de comportamento e, muitas vezes, a cooperação inicial é substituída por inquietação ou hostilidade. Nesses casos, a contenção manual do gato c recomendada, mantendo-se presa a cabeça do animal dentro da palma da mão do ajudante, os membros posteriores contidos e esticados. Após a colocação do animal em decúbito lateral, pode-se passar uma toalha de mão dobrada em volta do pescoço do gato, mantendo dois dedos entre a toalha e a pele do animal para se adequar a pressão exercida e evitar asfixia. Gatos muito agressivos ou assustados podem ser segurados pela pele que reveste a porção superior da região cervical, logo atrás das orelhas, o que o impedirá de virar a cabeça e morder a pessoa que realiza a contenção. Uma outra opção seria a junção de ambos os pavilhões auriculares, com os dedos polegar e indicador de uma das mãos. Essa manobra deixa-os imóveis, em virtude da grande sensibilidade que essas estruturas apresentam quando são fortemente comprimidas. Módulo: 6 Transporte de Cães e Gatos O transporte de cães e gatos em pet shops desempenha um papel crucial na vida dos animais de estimação e de seus tutores. Muitas vezes, é necessário levar os pets para receber cuidados veterinários, fazer tosas, banhos ou para realizar compras de produtos essenciais. Os pet shops têm a responsabilidade de oferecer um ambiente seguro e confortável para esses animais durante o transporte. Isso envolve o uso de gaiolas e caixas de transporte apropriadas, garantindo que os pets tenham espaço suficiente para se movimentar e respirem adequadamente. Além disso, os funcionários dos pet shops desempenham um papel fundamental na garantia do bem-estar dos animais durante o transporte. Eles devem ser treinados para manusear os pets com cuidado e carinho, minimizando o estresse e a ansiedade. Um transporte eficaz e cuidadoso em pet shops não apenas assegura o conforto dos animais, mas também contribui para criar uma experiência mais positiva para os tutores, que confiam na qualidade do atendimento e na segurança de seus queridos cães e gatos quando recorrem a esses estabelecimentos. O VEÍCULO Recomenda-se que: • O veículo esteja em perfeitas condições para utilização e corretamente higienizado; • O compartimento específico destinado ao transporte de animais (carroceria) seja fechado, com sistema de ventilação permanente para circulação de ar, proporcionando conforto e segurança, e seja adaptado para desembarque no local de alojamento dos animais recolhidos; • Em veículos sem sistema de controle de temperatura e ventilação interna, o recolhimento dos animais seja realizado somente nos períodos mais frescos do dia; • A altura do veículo seja compatível com a atividade, considerando-se aspectos ergonômicos, no embarque e desembarque dos animais; • O veículo exiba a identificação do órgão a que pertence (logotipo, nome); telefone e endereço empresa. MANEJO PARA O TRANSPORTE DE ANIMAIS Recomenda-se: • Transportar pequeno número de animais, não excedendo a capacidade prevista; • Evitar a permanência prolongada dos animais nos veículos; • Que os cães sejam transportados em caixas/gaiolas ou compartimentos individuais, de tamanho adequado ao porte, permitindo que possam realizar pequenos movimentos de acomodação no seu interior; • Que as gaiolas ou caixas de transporte possam ser removíveis e, durante o transporte, mantidas fixas no veículo; • Que os gatos sejam transportados apenas em gaiolas ou caixas de transporte, nunca soltos nos compartimentos específicos destinados ao transporte de animais dos veículos; • Que não sejam transportadas espécies diferentes na mesma viagem; • Que as mães sejam mantidas com as ninhadas; • Queanimais acidentados, com suspeita de doenças infectocontagiosas, feridos, idosos ou cegos sejam rapidamente encaminhados para a clínica veterinária. • Animais com suspeita de doença infectocontagiosa nunca devem ser transportados juntos com outros, para que não haja risco de troca de secreções contaminadas e com isso a contaminação dos demais animais. Gaiola de contenção: utilizada para administração de medicamentos injetáveis ou tratamento de ferimentos. Possui parede retrátil para restringir ao mínimo a movimentação do animal. Gaiola ou caixa de transporte: confeccionada em material leve, lavável, preferencialmente impermeável, resistente e com ventilação, sistema externo de fechamento seguro e alças para facilitar o transporte. Sendo utilizada para o alojamento temporário ou transporte do animal recolhido. O tamanho da caixa ou gaiola deve ser compatível com o do animal, de forma a permitir movimentos naturais e transporte confortável. Módulo: 7 Principais Doenças Caninas OS ENDOPARASITOS (VERMINOSES) Tratam-se, principalmente, de espirocercoses, causadas na espécie canina por Spirocerca lupi, um nematode presente na parede do esôfago ou, mais raramente, do estômago, por vezes até mesmo na parede da artéria aorta. Estes parasitas causam uma doença grave, presente essencialmente nos países tropicais, na África do Norte e na Europa meridional. Os cães infestam-se ingerindo os hospedeiros intermediários, ou seja, coleópteros, mas, principalmente, pequenos vertebrados. Os animais atingidos apresentam sintomas digestivos esofágicos (regurgitações, por vezes impossibilidade de deglutir) e gástricos (vômitos recorrentes, aumento da sede). Podem ser observadas dificuldades respiratórias quando o parasita se encontra na parede da aorta. O tratamento é muito difícil e baseia-se em anti-helmínticos sob forma injetável, como a ivermectina. Dada a diversidade de hospedeiros intermediários (vetores do parasita) responsáveis pela infestação do cão, é praticamente impossível considerar a possibilidade de qualquer profilaxia. Estes parasitas são estrôngilos, principalmente Ancylostoma caninum, nas regiões quentes e Ancylostoma braziliense, nos países tropicais. Afetam, principalmente, os animais que vivem em coletividade (fala-se, frequentemente, de anemia de cães de matilha), mas outros cães também podem ser infestados. As larvas dos estrôngilos do gênero Ancylostoma penetram através da pele ou são ingeridas pelos cachorros com o leite materno. A infestação desenvolve-se em várias fases, correspondentes às migrações das larvas no organismo. Inicia-se com uma fase cutânea, durante a qual surgem pequenas borbulhas no abdômen do cão, que desaparecem espontaneamente após cerca de dez dias. Os parasitas do intestino delgado incluem nematódeos da família dos Ascarídeos (Toxascaris leonina) e Toxocarídeos (Toxocara canis), sendo estes últimos transmissíveis aos seres humanos. Este parasita afeta principalmente os cães jovens até um ano de idade. A infestação é realizada pela ingestão de ovos embrionados, presentes na água ou nos alimentos, ou pela transmissão no útero da mãe aos seus filhos, ou através do leite materno quando este contém larvas. Os animais em más condições físicas gerais são mais receptivos, bem como aqueles que apresentam determinadas carências alimentares. Uma infestação maciça é responsável por sintomas gerais, tais como atraso no crescimento, emagrecimento, mortalidade significativa nos cachorros de 3 a 7 semanas de idade que foram maciçamente infestados antes do nascimento. Evidentemente, estes cachorros apresentam sintomas digestivos: diarreia alternada com períodos de prisão de ventre, vômitos levando à eliminação de parte dos parasitas, bem como um inchaço abdominal mais ou menos acentuado. Outras complicações podem surgir sob a forma de obstrução intestinal (por uma bola de vermes), ou até mesmo por uma perfuração intestinal que levará a uma hemorragia ou a uma peritonite. Além destes sintomas, os parasitas ingerem sangue e conteúdo intestinal, que contêm elementos essenciais ao crescimento do cachorro. O diagnóstico é geralmente fácil: o cachorro apresenta uma saúde geral debilitada, o seu abdômen está distendido e é possível encontrar parasitas nas fezes ou nos vômitos coprológico pode ajudar no diagnóstico. Há vários antiparasitários disponíveis, sendo os mais frequentes o pamoato de pirantel, o nitroscanato e a ivermectina. Os cestódeos também parasitam esta parte do tubo digestivo. Tratam-se de tênias, como o Dipylidium caninum, transmitido pela ingestão de pulgas. Este parasita atinge cães de todas as idades, provocando-lhes um prurido anal intenso. O cão esfrega a parte traseira no chão. Existem sintomas digestivos associados, como a eliminação de anéis de parasitas – com a forma de grãos de arroz – nas fezes, que podem ter um aspecto mais ou menos diarreico. As reinfestações são frequentes e favorecidas pelo fato dos ovos poderem colar-se aos pelos e serem assim ingeridos pelo cão. Os principais parasitas do intestino grosso, mais exatamente do ceco e do cólon, são nematódeos do gênero Trichuris. Os cães infestam-se pela ingestão dos ovos, presentes no meio ambiente, sendo que os adultos aparentemente são mais afetados. Quando existe uma infestação maciça, surgem sintomas como diarreia (que pode ser hemorrágica), anemia, emagrecimento, etc. OS ECTOPARASITOS As afecções parasitárias externas atingem, essencialmente, a pele e a pelagem. Elas podem causar eczemas, prurido ou queda de pelo acentuada. As pulgas São insetos desprovidos de asas, cujo corpo é achatado lateralmente. As pulgas do cão pertencem às espécies Ctenocephalides canis ou Ctenocephalides felis, dos quais somente os adultos são parasitas. Encontram-se principalmente nos lugares frequentados pelo cão: estima-se que, num determinado momento, apenas 10 % das pulgas estejam presentes na pelagem (o restante está no ambiente!). As pulgas são muito prolíferas: as fêmeas põem numerosos ovos (às vezes mil ou dois mil) em alguns meses. Como estes ovos não aderem à pelagem cai ao solo e acumula-se nos tapetes, no chão, etc. Os ovos eclodem, libertando larvas que sofrem metamorfoses, realizam mudas e transformam-se em ninfas. Depois, em condições favoráveis, o adulto formado sai do casulo e torna-se um parasita no cão, chamado hospedeiro definitivo. As pulgas causam várias patologias no cão. Em primeiro lugar, têm um papel patogênico direto, em geral pouco incomodativo, que se limita às comichões. No entanto, o cão pode desenvolver uma dermatite por hipersensibilidade às picadas de pulga (DAPP), que se traduz por um prurido intenso, levando à queda de pelo ou, até mesmo, feridas ao coçar, localizadas na parte superior do corpo (sobretudo na região lombar). Além da espoliação sanguínea, as pulgas são frequentemente responsáveis por alergias e também podem transmitir aos cães e aos gatos um verme achatado, muitas vezes visto nos carnívoros adultos. Os carrapatos Os carrapatos são ácaros de grandes dimensões (de 2 a 10 mm). Existe um grande dimorfismo sexual relacionado com o fato do abdômen das fêmeas ser fortemente dilatável, ao contrário do que acontece com os machos. O seu corpo, de cor vermelho acastanhado, é achatado, exceto depois de se alimentarem, quando se torna globuloso. São parasitas intermitentes, estritamente hematófagos, exceto alguns machos de algumas espécies que não se alimentam. Os carrapatos parasitos do cão são principalmente da espécie Rhipicephalus sanguineus. São muito específicas do cão, visto que procuram fixar-se neste hospedeiro (e apenas nele), em qualquer estado evolutivo (larva, ninfa ou adulto). O carrapato fixa-se à pele do cão, de preferência onde esta é mais fina. Então, introduz as suas peças bucais na pele e inocula uma saliva especial que se solidifica, formando uma área de fixação muito resistente. Assim, o carrapato pode alimentar-se de sangue, o que é facilitado pela injeção de uma saliva com propriedades anticoagulantes e vasodilatadoras. Esta refeição é parcial para as larvas e as ninfas,bem como para as fêmeas não fecundadas, mas torna-se muito significativa (até alguns mililitros) para as fêmeas fecundadas. Os carrapatos desempenham um papel patogênico direto importante, pela irritação que provoca a penetração do carrapato e a sua saliva. Depois do carrapato se desprender do hospedeiro, a pele do cão fica fragilizada. A lesão provocada pela fixação pode tornar-se um foco de penetração de bactérias, conduzindo a mais infecções. O repasto sanguíneo constitui uma espoliação sanguínea mais ou menos intensa para o cão, podendo causar uma anemia severa em caso de infestação maciça. Finalmente, a presença de carrapatos no cão pode provocar uma reação tóxica, tanto local quanto generalizada. Conhecem-se, por exemplo, paralisias por carrapatos na Austrália causadas pela espécie Ixodes holocyclus; sem tratamento, levam à morte por paralisia dos músculos respiratórios. A presença de carrapatos também tem influência sobre a imunidade do cão. Observa-se o aparecimento de uma imunidade adquirida. Os carrapatos também podem transmitir vários agentes causadores de doenças, seja através de uma fêmea à sua descendência, seja de um estado de desenvolvimento a outro, seja pela combinação dos dois. Os carrapatos são responsáveis pela transmissão de: • Babesia canis, agente da babesiose (também chamada piroplasmose) • Hepatozoon canis, responsável pela hepatozoonose • Ehrlichia canis, agente da erliquiose • Zoonoses, (doenças transmissíveis aos seres humanos) tais como a febre escaro-nodular da Ásia, da África e da Europa meridional, causada pela Rickettsia conori, e a febre maculosa, doença que ocorre no Brasil e estados como Minas Gerais e São Paulo, causado pela Rickettsia riquettsi. AS DOENÇAS DOS CÃES COMBATIDAS POR VACINAÇÃO Leptospiroses São doenças contagiosas devidas a bactérias do gênero Leptospira; envolvem diversas espécies e são transmissíveis ao ser humano. No cão, há dois grupos principais, chamados sorotipos: são denominados Leptospira icterohaemorragiae e Leptos piracanicola. Estas doenças ocorrem no mundo inteiro, em particular nas regiões úmidas e nos agrupamentos de cães. As leptospiroses manifestam-se sob diferentes formas clínicas, conforme o sorotipo envolvido. Em primeiro lugar, o cão pode apresentar uma gastroenterite hemorrágica, causada pelos sorotipos acima citados. Esta gastroenterite existe sob uma forma aguda: depois de cinco dias de incubação, o cão torna-se abatido, prostrado, anorético, com polidipsia (aumento da sede). Apresenta uma hipertermia significativa durante dois a três dias, ocorrendo depois uma hipotermia. A palpação abdominal é muito dolorosa. Em seguida, começa o período crítico, com uma duração de cinco a seis dias, durante o qual aparecem sinais digestivos (vômitos que se tornam sanguinolentos, diarreias hemorrágicas), bem como hemorragias nas mucosas e na pele, uma inflamação da mucosa bucal, que exala um odor fortemente desagradável, e uma insuficiência renal aguda (diminuição da quantidade de urina excretada, podendo esta estar manchada de sangue). Podem também surgir complicações nervosas, oculares, cardíacas e pulmonares. Instala-se, então, uma fase de coma que evolui para a morte. Esta gastroenterite também pode existir sob uma forma hiperaguda: a doença evolui para a morte em 48 horas, depois de um período de hipotermia acompanhado por vômitos e diarreia, antes do cão entrar em coma. Existe uma outra forma subaguda, com uma duração aproximada de duas semanas, que pode resultar na cura do cão após a fase de gastroenterite. Existe uma segunda forma, devida, neste caso, unicamente à Leptospira icterohaemorragiae, denominada de leptospirose ictérica. A incubação dura entre cinco a oito dias, depois o cão apresenta febre durante dois dias que é substituída, em seguida, por hipotermia, abatimento e dores abdominais. O cão torna-se anorético. Ocorre, então, a fase crítica, em que as mucosasassumem um tom vermelho alaranjado, característica da icterícia. A ela estão associados sintomas digestivos, diarreia e vómitos. Esta forma evolui para a morte em cinco a quinze dias. A terceira forma existente deve-se à Leptospira canicola. Trata-se da nefrite por leptospira. Esta doença pode evoluir conforme duas modalidades: rápida, com predominância de uma gastroenterite, ou lenta. Neste último caso, a doença só pode ser diagnosticada na sua fase terminal, a uremia (forte aumento do teor de ureia no sangue). O cão morre no final de uma fase de coma urêmico. Hepatite infecciosa canina O vírus responsável pela doença é denominado CAV 1: é um adenovírus canino do tipo 1. Pode resistir durante aproximadamente dez dias no meio ambiente, mas é destruído pelo calor e pelos raios ultravioletas. A doença pode existir numa forma hiperaguda, aguda ou subaguda. A contaminação pode ser obtida por simples contato entre um animal doente e um cão sadio ou por contacto indireto, por intermédio de objetos contaminados ou pelos alimentos. A cadela que amamenta também pode transmitir o vírus aos seus cachorros, desencadeando a forma hiperaguda da doença. O vírus penetra principalmente por via digestiva ou acessoriamente por via aérea. Apenas o cão e a raposa são sensíveis a este vírus. Durante toda a doença, eles podem propagar o vírus no meio ambiente através do sangue e das excreções. A urina pode ser responsável pelo contágio durante vários meses após a cura. No organismo, o vírus multiplica-se primeiramente nas amídalas e em diversos gânglios, e depois pode ou não disseminar-se. O fato deste vírus poder permanecer localizado em certas regiões explica o grande número de formas não aparentes. A parvovirose A parvovirose é uma doença contagiosa, surgida nos Estados Unidos e na Austrália em 1978, e que atualmente existe no mundo inteiro. É causada por um vírus da família dos Parvoviridae, muito resistente no meio ambiente. As espécies sensíveis são exclusivamente os Canídeos. Em geral, esta doença traduz-se por uma gastroenterite hemorrágica. Depois de três ou quatro dias de incubação, começa a fase crítica. Durante esta fase, o cão está inicialmente prostrado e anorético. Surgem, então, vômitos que precedem, por pouco, o aparecimento da diarreia de aspecto hemorrágico. Depois de quatro a cinco dias de evolução, as fezes assumem um aspecto rosa-acinzentado, característico desta doença infecciosa. A evolução pode ser hiperaguda, na qual o cão se desidrata de forma muito significativa e morre em dois ou três dias, e aguda, com diminuição do volume sanguíneo, ocasionada pela diarreia e vômitos. Neste caso, as infecções bacterianas suplementares levam o animal à morte em cinco a seis dias. A mortalidade mais significativa que se observa é a dos cachorros de pouca idade com seis a doze semanas, ou seja, no momento em que a proteção conferida pelos anticorpos de origem materna desaparece. Existe também uma forma cardíaca, muito rara, que afeta exclusivamente os cachorros de 1 a 2 meses de idade que não receberam imunidade da sua mãe. Após um curto período de dificuldades respiratórias, a doença evolui geralmente para a morte. Os cachorros que sobrevivem conservam sequelas cardíacas. Finalmente, vários cães podem estar infectados sem apresentarem sintomas. O contágio de um cão a outro pode ser direto, por contato entre os dois animais, ou indireto, por intermédio dos objetos contaminados pelas fezes de um animal contaminado. A raiva Esta doença infecciosa, inoculável, é causada por um vírus da família dos Rhabdoviridae. Este vírus é sensível ao calor e desativado pela luz e pelos raios ultravioletas. É conservado pelo frio. O vírus rábico possui uma afinidade muito acentuada pelos tecidos nervosos. A sua virulência depende da glicoproteína G, molécula situada no vírus. Na maioria dos casos, este vírus é inoculado no cão quando ocorre um traumatismo (dentada, arranhão) e multiplica-se localmente. Depois de uma multiplicação no músculo, o vírus difunde-se por todo o organismo e penetra nos nervos. Os sintomas que se seguem à infecção pelo vírus são de origem nervosa, levando sempre àmorte do cão. Várias evoluções são possíveis após um contacto com o vírus. Pode-se observar uma contaminação sem sintomas ou até mesmo, em casos muito raros, uma infecção que se traduz por sintomas, mas tendo como resultado a cura, com ou sem sequelas e finalmente, em praticamente 100 % dos casos, uma infecção normal levando a uma evolução para a morte. Os animais perigosos são aqueles que se encontram na última fase da incubação, quando o vírus é eliminado pela saliva, bem como os animais que mostram sinais clínicos da doença. O contágio está essencialmente associado às mordeduras, mas nem todas elas são necessariamente contagiosas. A cinomose A cinomose atinge o cão em qualquer idade e a sensibilidade à infecção varia de um indivíduo a outro. Os cães contaminam-se na maioria dos casos de forma direta, sendo que o vírus é inalado e atravessa as vias respiratórias. Depois da penetração do vírus no organismo, este multiplica-se nas amídalas e nos brônquios, disseminando-se a seguir por todo o organismo em, aproximadamente, oito dias. A partir desse momento, existem três modalidades de evolução. Em metade dos cães, a resposta imunológica desenvolvida depois da infecção é suficiente e o vírus desaparece. Os animais curam-se após terem apresentado alguns sintomas relativamente discretos. Entretanto, outros animais têm uma imunidade deficiente e estes cães apresentam os sintomas característicos da doença. Finalmente, uma minoria parece curar-se, mas está sujeita a sintomas nervosos após um mês. A tosse dos canis Esta doença, designada de tosse dos canis ou traqueobronquite infecciosa, é uma afecção respiratória contagiosa, caracterizada por uma tosse que pode durar várias semanas. Esta síndrome deve-se à ação de um conjunto de microrganismos (bactérias e vírus). É encontrada, essencialmente, nos locais em que estão reunidos cães de diversas origens, mas, por vezes, também surge em animais isolados, como após uma exposição de cães, por exemplo. A principal bactéria responsável é a Bordetella bronchiseptica. Ela intervém com frequência em paralelo com uma infecção viral. O estado geral do cão não se encontra debilitado: depois de aproximadamente três dias de incubação, o animal apresenta tosse e um fluxo nasal de aspecto mais ou menos purulento. Vários vírus também podem ser responsáveis por uma parte dos sintomas. O vírus da Parainfluenza pode provocar uma ligeira inflamação da região rinofaríngea, bem como uma tosse de alguns dias. Este vírus é muito contagioso. A doença é transmitida aos cães presentes em redor. Finalmente, os Micoplasmas podem potencializar a ação dos outros microrganismos, sem, no entanto, serem responsáveis pelo aparecimento dos sintomas quando agem isoladamente. A giardíase A Giardíase é uma infecção causada por protozoários que acometem, principalmente, a porção superior do intestino delgado. É considerada uma zoonose, ou seja doença transmitida ao homem pelos animais. Os sintomas mais comuns da doença nos animais são fezes moles, odor fétido e algumas vezes diarreia acompanhada de dor abdominal, que pode ser intermitente e aguda e muitas vezes associada à desidratação. Outros sinais incluem vômito, cansaço, falta de apetite, perda de peso e anemia. O ser humano pode apresentar a mesma sintomatologia canina, ou seja: diarreias frequentes, vômitos, desidratação, fraqueza, dores abdominais, podendo evoluir para problemas mais graves quando não tratados. DIARREIAS POR ALIMENTAÇÃO A alimentação pode intervir a dois níveis num problema de diarreia: - pelo seu papel indutor, se estiver mal preparada. - pelo seu papel paliativo, se ajudar no tratamento da diarreia em causa. Desta forma, a alimentação pode desencadear uma diarreia quando: - a alimentação do cão é bruscamente alterada, de um dia para o outro, sem respeitar a necessária transição alimentar de uma semana; - a quantidade de alimento fornecida é excessiva, ultrapassando as capacidades de digestão do cão; - a alimentação contém em excesso glicídios pouco digeríveis, o que conduz a uma diarreia de odor azedo; acontece em determinados cães que não suportam o leite ou que já não estão adaptados a ele, ou quando o amido do arroz ou das massas está insuficientemente cozido. Os cães mais frágeis a este problema são as raças próximas dos cães selvagens (cães nórdicos, Pastores alemães); - a alimentação é rica em proteínas pouco digeríveis (carnes de má qualidade, tendões, aponeuroses, cereais crus, carnes muito cozinhadas) que, ao chegarem ao intestino grosso, vão "fermentar" e provocar a produção de diversas substâncias tóxicas, causadoras de diarreias de odor pútrido. No entanto, a alimentação pode igualmente ajudar a prevenir ou a tratar certas diarreias, desde que seja convenientemente utilizada. Assim, no caso de uma diarreia aguda, impõem-se as seguintes medidas: - dieta de líquidos de 24 horas (sem sólidos mas bastantes líquidos), de modo a prevenir qualquer desidratação e permitir o repouso do intestino; - fracionamento da alimentação (assim que cessa a dieta, o fornecimento de pequenas refeições permite um melhor funcionamento do sistema digestivo); - fornecimento de um alimento hiperdigerível de grande qualidade. Os casos de diarreias crônicas (com uma duração de várias semanas) são mais complicados de avaliar porque, conforme os casos, a adaptação da alimentação será diferente; uma diarreia que tem por origem o intestino delgado, requer uma alimentação hiperdigerível, enquanto que uma diarreia proveniente do intestino grosso necessitará de um maior suplemento de fibras celulósicas, para aproveitar os seus efeitos higiênicos. Na verdade, toda a arte do "nutricionista Médico Veterinário" revela-se no tratamento alimentar de uma diarreia crônica. Módulo: 8 Principais Doenças Felinas Leucose e imunodeficiência felina A leucemia felina e a imunodeficiência felina são duas doenças dos gatos domésticos provocadas por retrovírus – uma família de vírus especial (na qual se inclui o HIV, causador na SIDA nos seres humanos), que tem a capacidade de introduzir o seu material genético no das células do indivíduo infetado. Embora as duas doenças possam parecer semelhantes sob o ponto de vista clínico, os vírus e a forma como causam doença são distintos: - o vírus da leucemia felina (conhecido pela sigla FeLV) pertence ao subtipo oncornaviridae, assim chamado por a infeção favorecer o desenvolvimento de tumores. - o vírus da imunodeficiência felina (designado FIV) classifica-se no subtipo lentiviridae, porque a doença que provoca evolui de forma lenta. A transmissão de FeLV ocorre por mordedura e a limpeza mútua entre gatos. A partilha de pratos de comida e de caixas de areão também podem constituir formas de transmissão esporádicas. As crias duma gata infetada pelo FeLV podem contrair o vírus, quer durante a gestação, quer através do aleitamento. Já para FIV a forma de transmissão mais importante para esta doença é a mordedura. Também é possível a transmissão através da limpeza mútua, bem como da mãe infetada para as crias, mas são modos de transmissão menos frequente. Dada a forma de transmissão preferencial, a imunodeficiência felina é, tipicamente, uma doença de gatos machos, de meia-idade ou idosos, que têm acesso ao exterior. Os gatos infetados, quer pelo FIV, quer pelo FeLV, frequentemente não apresentam nenhuns sinais de doença durante meses, ou mesmo vários anos. No entanto, à medida que o sistema imunitário se deteriora pela ação do(s) retrovírus, começam a surgir períodos de doença recorrente, intervalados com períodos de aparente saúde. Os sinais de infeção podem corresponder a doença localizada em qualquer local do organismo. Pode observar-se: - falta de apetite, febre persistente, pelagem em mau estado; - perda de peso, lenta mas progressiva; - inflamação oral (gengivite, tonsilite, estomatite); - infeções crónicas ou recorrentes a nível da pele, bexiga e/ou trato respiratório superior; - diarreia persistente; - diversos processos oftalmológicos; - sintomatologia nervosa, que pode incluir o aparecimento de convulsões oualterações no comportamento; - anemia; - desenvolvimento de tumores, com destaque para o linfoma (mas não exclusivamente); - aborto e infertilidade, em gatas não castradas. Peritonite infecciosa felina Familiarmente designada por P.I.F, deve o seu nome a uma das formas que pode assumir: uma ascite, ou seja, a acumulação de líquido no abdômen. O agente causal pertence à família doscoronavírus. A P.I.F. constitui um problema real e bastante grave para os criadores, abrigos onde existe uma grande concentração de gatos, principalmente se entre estes também existirem crias. A P.I.F. surge em gatos de todas as idades, com especial incidência nos jovens (gatinhos e adultos até ao ano e meio). O vírus transmite-se principalmente por via oro-fecal: um gato sensível é contaminado pela boca (lambidelas, contactos com secreções ou fezes do animal doente). É provável que uma determinada proporção de gatos, uma vez contraído o vírus, se tornem portadores sãos e que, ocasionalmente, o excretem durante uma situação de stress, uma doença ou durante a reprodução. O vírus da P.I.F é muito resistente em meio exterior (diversas semanas). Gatos que desenvolvem a doença , podem apresentar inicialmente sintomas inespecíficos como perda de apetite, peso, depressão e pelos com qualidade ruim. PIF pode se apresentar de forma efusiva (úmida) e não efusiva (seca). A forma efusiva se caracteriza pela presença de acúmulo de fluido abdominal. Quando há presença de líquido o animal pode apresentar dificuldade respiratória. AFECÇÕES OCULARES E DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES As mais graves são causadas por 2 vírus e uma clamídia, dos quais, apenas os calicivirus conseguem resistir por mais de 48 horas no meio exterior (10 dias), apesar do meio ambiente ter pouca influência no contágio que se processa fundamentalmente gato a gato. Os sinais clínicos são geralmente designados pelo termo familiar e global "coriza". Os sintomas comuns são a febre, rapidamente seguida de conjuntivite, lacrimejamento, espirros que, por vezes, se complicam com secreções serosas a purulentas (secreções nasais abundantes) e tosse. Alguns sinais particulares permitem distinguir, ocasionalmente, os diferentes agentes mas as infecções mistas não são raras. O herpesvírus do tipo 1 É responsável pela rinotraqueite viral, caracterizada por espirros paroxísticos, descarga nasal e conjuntivite purulentas com úlceras na córnea e lesões na língua. O vírus é transmitido por contato direto e o período de incubação geralmente é curto. O herpesvírus tipo 1 (HVF -1) tem distribuição mundial. Sua transmissão ocorre através de secreções nasais e lacrimais, assim como pela saliva, especialmente na forma de aerossol, pelos animais doentes. O agente penetra por via nasal, oral ou conjuntival. A prevenção pode ser feita através da vacinação. Calicivirose Os sintomas da calicivirose, provocada por um calicivírus, são variáveis dependendo da estirpe e da resistência do animal. Nos casos menos graves, a doença limita-se ao aparecimento de úlceras na língua, no palato, nos lábios e sulco mediano do nariz. A dor que a acompanha, desencadeia a anorexia total: o animal deixa de se alimentar. É observável igualmente o corrimento ao nível dos olhos e do nariz. A transmissão ocorre principalmente através do espirro. Um gato doente que espirra elimina partículas virais pela sua secreção nasal sob a forma de aerossóis (microgotículas) que são inaladas por outro gato. Juntamente com a Rinotraqueíte causada pelo herpesvírus, formam o Complexo Respiratório Viral Felino, que por terem sinais que se confundem foram assim agrupados. A calicivirose também apresenta sua profilaxia através de vacinação. Asma felina O termo asma é utilizado para descrever os episódios reincidentes de tosse paroxística, respiração sibilante e dispneia. Esta síndrome evidencia muitas semelhanças clínicas com a asma humana. A origem da asma felina inclui, provavelmente, uma reação de hipersensibilidade à inalação de pneumoalergenos, que provoca a contração dos músculos lisos das vias respiratórias e uma inflamação das vias aéreas. Por vezes, a tosse é tão violenta que acaba por desencadear o vômito ou a rejeição de líquidos digestivos. Alguns episódios graves requerem um tratamento de urgência. Um gato em crise fica prostrado no solo, com os cotovelos afastados, o pescoço esticado, de boca aberta e língua de fora, evidenciando por vezes uma coloração azulada por efeito da cianose (oxigenação insuficiente). A afecção resulta de uma hiperatividade das vias respiratórias que se traduz pela contração dos músculos lisos (broncoespasmo) e uma inflamação por contacto com alérgenos aéreos. Os antibióticos revestem-se de fraca utilidade neste tipo de afecção respiratória visto que a origem não é infecciosa, exceto em caso de infecção secundária. Os anti-inflamatórios esteroides geralmente permitem controlar a crise e a melhorar o estado do doente. PARASITOSES E MICOSES EXTERNAS Ectoparasitas de Gatos Os ectoparasitas são uma causa comum de dermatopatias em gatos. As doenças parasitárias externas com maior frequência em felino são: Demodicose- é causada por 3 variedades distintas de ácaros Demodex ; Infestação por pulgas - podem levar a dermatite alérgica e ainda serem transmissoras do endoparasita Dipylidium caninum, agindo como hospedeiros intermediário, como já foi visto anteriormente; Ácaros - Notoedres cati (escabiose felina responsável por intenso prurido com crostas e pápulas, escoriações e até infecção bacteriana secundária, altamente contagiosa), e Otodectes cynotis (ácaro do ouvido, causando otite externa, e podendo levar a dermatite além do conduto auditivo, característica secreção escura seruminosa dentro do ouvido é encontrada nessa afecção, altamente contagiosa) e ainda o ácaro Cheyletiella blakei (queiletielose, que causa descamação na pele geralmente associada a prurido); Pediculose - o piolho do gato é de espécie específica (Felicola subrostrata), e é responsável por uma pelagem de má qualidade, com nós, prurido, ecoriações e pode haver dermatite alérgica e queda de pelo. Para que as doenças parasitárias externas sejam resolvidas o ambiente e o animal devem ser tratados com acompanhamento do Médico Veterinário. Hemobartonelose felina Hemobartonelose (haemobartonellosis, anemia infecciosa felina) é causada por uma ricketsia: Haemobartonella felis. É um parasita microscópico que invade as células vermelhas do sangue, causando sua destruição. Ele nem sempre produz doença, podendo o gato ser portador assintomático. Quando produz doença, se acopla a parede das hemácias de forma cíclica. levando aos sinais clínicos de apatia aumento dos linfonodos e baço, aumento da temperatura corpórea, anemia, depressão, perda de peso e anorexia. São transmitidas aos gatos através da picada de carrapatos e pulgas infectados com o microrganismo. Em muitos gatos a hemobartonelose ocorre após stress. O hematozoário é transmitido pela picada do carrapato ou pulga. Outros modos de transmissão são via placentária, da mãe para os filhotes, por mordidas e transfusão de sangue. Fases da Doenças: - Fase aguda: Esplenomegalia (aumento do baço) - Fase crônica: febre; hematúria (sangue na urina); mucosas descoradas pela anemia profunda; epistaxe (perda de sangue pelo nariz); perda de peso; redução do apetite; petéquias (pequenas hemorragias subcutâneas); podendo ocorrer hemorragia gastrintestinal (devido ao rompimento de pequenos vasos) e icterícia; histórico de infestação por carrapatos, pulgas. Cerca de 1/3 dos gatos não tratados morrem da infecção. Os animais se tornam portadores para o resto da vida, mesmo se recuperando da doença. Em casos de comprometimento do sistema imunológico, por causa viral, stress ou administração de corticosteróide, a doença retorna. Quando o gato está bebendo muita água A poliúria-polidipsia é um sintoma que se manifesta em inúmeras afecções, entre as quais: - Afecções renais (insuficiência renal crônica ou por vezes aguda, nefrite intersticial, pielonefrite, reações após a remoção da obstrução); - Afecções genitaisque os pulmões não estão com bom funcionamento. Mucosa pálida significa que o animal pode estar com hemorragia interna. 4) Verifique o estado de hidratação. 5) Observe a boca: - note se há presença de sangue. - puxe a língua do animal (use um pedaço de gaze para não escorregar). Verifique se existe algum objeto obstruindo a garganta, como: brinquedo, pedaço de osso e outros. - observe se todos os dentes estão firmes e inteiros. 6) Analise os olhos do animal para saber se há lesão nas pálpebras ou perfurações no globo ocular. Se tiver uma pequena lanterna, note se as pupilas dele reagem à luz contraindo-se (reflexo pupilar). Toque nos cílios para verificar se há reação de piscar (reflexo palpebral). Se este último estiver ausente, o animal pode estar morto. 7) Avalie o focinho, observando se há líquidos, espuma ou sangue. 8) Apalpe o abdômen para verificar se ele está flácido, contraído demais e se há dor à palpação. 9) Verifique o restante do corpo para constatar possíveis ferimentos, cortes, fraturas ou inchaços. Após o exame geral, inicie o socorro pelo problema que comprometa a vida do animal: parada cardíaca, parada respiratória e hemorragias são os principais. CAIXA DE PRIMEIROS SOCORROS Material básico: - Compressas de gaze (2 a 4 embalagens) -proteção e limpeza do ferimento. - Rolos de atadura/faixa crepe (2 rolos de tamanho médio): para fixar curativos e talas. Pode ser usada para amordaçar o cão. - Esparadrapo micropore (1 rolo médio): para fixar a faixa crepe em curativos ou imobilizar as patas de gatos que arranham. - Tesoura pequena com ponta arredondada: para cortar pelos e faixa crepe. - Antisséptico (Líquido de Dakin, Água oxigenada 10 vol. ou Iodo Povidine): para desinfetar ferimentos, cortes e outras lesões da pele. - Soro fisiológico: para limpar ferimentos e queimaduras. - Pomada antibiótica: para evitar infecções em cortes e feridas. - Luvas (1 par): para proteger as mãos de quem irá socorrer o cão. - Seringa de 10 ml: para irrigar ferimentos com antissépticos e aspirar secreções. - Termômetro: para avaliar a temperatura retal. - Pinça: para remover espinhos e larvas da pele ou objetos estranhos da garganta. - Álcool antisséptico (1 frasco pequeno): para desinfetar as mãos de quem irá socorrer o animal e materiais metálicos (pinça e tesoura). - Focinheira de nylon (opcional): para evitar mordidas. - Lanterna pequena (opcional): para observar cavidades e avaliar o reflexo da pupila. ESTADO DE CHOQUE Significa um deficiente suprimento de sangue para os órgãos vitais, uma condição que pode ser fatal. Sintomas: - temperatura do corpo baixa, principalmente nas extremidades (patas e orelhas) - batimentos cardíacos acelerados - respiração acelerada - pode ou não haver perda da consciência - gengivas muito pálidas - pupilas dilatadas. O animal pode entrar em estado de choque em casos de hemorragia grave, atropelamento, envenenamento, choque elétrico intenso, desidratação severa, queimaduras graves e outras situações de emergência. Essa é uma condição muito grave e requer atendimento imediato. É importante realizar algumas manobras para minimizar as consequências do choque, a principal delas, a falta de suprimento sanguíneo no cérebro. Isso pode deixar sequelas neurológicas no animal. Por esse motivo, o animal em estado de choque deve ser encaminhado a uma clínica veterinária o mais depressa possível, para que receba o tratamento necessário. Você vai precisar de: Cobertor, gaze, termômetro e bolsa térmica aquecida. O que fazer: - Mantenha o animal deitado de lado. - Posicione a cabeça e região do tronco mais baixos do que a parte traseira do corpo. Isso garantirá que o sangue chegue ao cérebro e coração. - Aqueça o animal: enrole-o em um cobertor e coloque uma bolsa térmica ou garrafa com água quente próxima a ele, se for possível. Controle a temperatura com o termômetro. - Usando um pedaço de gaze, coloque a língua do cão para fora, de um dos lados da boca, para garantir que a respiração não seja obstruída. - Estanque qualquer hemorragia. -Transporte ou movimente o animal delicadamente para evitar traumatismos maiores e dores. Se possível, improvise uma maca com um cobertor ou toalha grande. - Procure auxílio veterinário o mais rápido possível. Para isso, tenha sempre à mão o telefone e endereço do hospital veterinário 24hs mais próximo de sua localidade, ou clínica veterinária bem equipada para atender emergências. PARADA CARDÍACA Durante a parada cardíaca, o coração cessa de bombear sangue para o restante do organismo. Ela pode ocorrer isoladamente ou acompanhada de parada respiratória. Quando ocorre: Em animais que receberam forte choque ao morder fios elétricos, após atropelamentos, quedas, afogamentos ou traumatismos graves. Cães e gatos cardíacos submetidos a estresse ou exercícios intensos podem sofrer parada cardíaca. Sinais: Colocando a mão sobre o lado esquerdo do peito do animal, não há evidência de batimentos cardíacos. O coração é o órgão responsável pela circulação do sangue que irá nutrir as células e promover a oxigenação dos tecidos. Quando ele para de exercer essa função, as consequências são graves. O local mais rapidamente afetado é o cérebro. Se o tecido cerebral permanecer mais do que dois minutos sem oxigênio, lesões irreversíveis nas células nervosas poderão ocorrer. A reanimação cardíaca deve ser feita imediatamente, assim que se for detectada a ausência dos batimentos do coração. Você vai precisar de: Nenhum equipamento. O que fazer: - mantenha o animal deitado do lado direto. - inicie a massagem no coração o mais depressa possível. Massagem cardíaca - Coloque as duas mãos sobre o coração do animal. - Faça pressão firme e rápida sobre a região e solte, como se estivesse bombeando. Você deve pressionar rápido e soltar, uma vez por segundo. - No caso de cães muito pequenos ou gatos, use as pontas dos dedos para pressionar o coração. - Massageie por 30 segundos (30 pressões) e observe se os batimentos cardíacos voltam. - Continue realizando esse procedimento a caminho do veterinário se o coração não voltar a bater. - Se você já realizou a massagem cardíaca por mais de 30 minutos, mas sem sucesso, dificilmente o animal sobreviverá. PARADA RESPIRATÓRIA Durante a parada respiratória, o pulmão deixa de realizar trocas gasosas. Não há inspiração nem expiração. Ela pode ocorrer isoladamente ou acompanhada de parada cardíaca. Você vai precisar de: Lenço ou qualquer pedaço de tecido fino. O que fazer: - Mantenha o animal deitado do lado direto. - observe se há alguma obstrução na garganta, causada por sangue ou objetos. No caso de líquidos, tente aspirar com uma seringa. Não tente tirar objetos da garganta. Pressione fortemente as costelas do animal para que o objeto seja expulso. - inicie a respiração artificial imediatamente. Respiração artificial: - Feche a boca do cão/gato e a mantenha fechada. - Cubra o focinho com um lenço ou pedaço de pano para evitar o contato direto com as narinas do animal. - Eleve a cabeça do cão/gato e encoste sua boca no focinho dele. Sopre para dentro das narinas até sentir que o peito do animal se eleva. - Em seguida, deite a cabeça dele e pressione as costelas delicadamente para que o ar saia. - Em 1 minuto, repita o procedimento de 8 a 10 vezes. Verifique se o animal volta a respirar. - Continue a respiração artificial, caso ele ainda não esteja respirando sozinho. HEMORRAGIAS É toda perda de sangue que o organismo pode sofrer, seja ela rápida (aguda) ou de forma lenta e gradativa (crônica), grave ou não. Dependendo da quantidade de sangue perdido poderá ocorrer anemia. O animal anêmico apresenta letargia, falta de disposição, diminuição ou perda de apetite, respiração acelerada e mucosas muito pálidas (gengivas e parte interna das pálpebras). No caso de perda de grande volume de sangue em pouco tempo, existe o risco de parada cardíaca. Isso acontece porque não há sangue sufi ciente dentro das câmaras do coração para esse órgão “bombear”. Hemorragia externa São fáceis de detectar, pois você visualiza a perda de sangue. Ela é provocadapor cortes profundos, perfurações ou brigas entre animais. Hemorragias superficiais ocorrem quando pequenos vasos que irrigam a pele são rompidos e a perda de sangue é considerável, mas nunca fatal. Um exemplo é o sangramento causado por escoriação, pequeno corte ou outro ferimento na pele. Se um vaso sanguíneo for rompido (veia ou artéria), a hemorragia pode ser grave e deve ser estancada imediatamente. Os vasos atingidos mais facilmente localizam-se nas patas, cauda, orelhas e pescoço. Você vai precisar de: Compressas de gaze, faixa crepe, esparadrapo, antisséptico e pomada antibiótica. O que fazer: - Aplique um pano limpo ou compressas de gaze sobre o local e pressione por alguns minutos. Mantenha a pressão até o sangramento parar. - Coloque compressas de gaze sobre o ferimento e proteja com a faixa crepe, se o local permitir. Fixe com esparadrapo. Nunca deixe a lesão aberta para evitar o acesso de moscas ao ferimento. - Leve o animal ao veterinário para desinfecção e sutura do corte. Se isso não for possível imediatamente, limpe o ferimento com água oxigenada, líquido de Dakin ou iodo povidine. Aplique pomada antibiótica. - Se um vaso sanguíneo for atingido, o sangramento não irá parar facilmente. Mantenha a pressão sobre a região até chegar ao veterinário. - Nas patas e cauda, você pode aplicar um torniquete se o sangramento for severo. Com um pedaço de faixa crepe ou cadarço de sapato, amarre o membro um pouco acima da região do sangramento. Afrouxe a cada 5 minutos e depois volte a apertar. A hemorragia grave pode ser fatal, por isso, ela precisa ser interrompida o mais depressa possível e o volume de líquido perdido pelo organismo, reposto. Hemorragia interna Esse tipo de hemorragia é difícil de detectar, porque não podemos visualizar o sangue, nem ter certeza se há sangramento interno. Após a queda de um lugar muito alto, pancada no abdômen ou tórax, atropelamento ou outro acidente, o animal poderá perder sangue resultado do rompimento de um órgão ou vaso sanguíneo. Sinais: queda de temperatura, palidez nas mucosas (gengivas e parte interna das pálpebras) e fraqueza. Pode haver perda de consciência e dor abdominal. A temperatura dos cães e gatos varia de 38ºC a 39ºC. No caso de hipotermia (temperatura baixa), os valores serão inferiores a 37ºC. O aparecimento de sangue na urina, fezes ou vômito, não significa hemorragia interna. Quando ele aparece em pequenas quantidades ou com aspecto de rajadas, a causa da perda de sangue precisa ser investigada, mas não deve causar desespero. Grandes quantidades de sangue eliminadas pelas fezes e vômito podem ter como causa envenenamento por “chumbinho” (veneno para ratos) ou ingestão de iscas com vidro triturado, ambos usados criminosamente para matar animais. Você vai precisar de: Cobertor, termômetro e bolsa térmica aquecida. O que fazer: - Caso haja um acidente, atropelamento ou queda, meça a temperatura retal do animal com o termômetro. Repita a cada 30 minutos e observe se ela está caindo. - Se o animal estiver agressivo, coloque a focinheira ou faça uma mordaça com um pedaço de faixa crepe ou cadarço de sapato antes de qualquer procedimento. - Manipule o cão/gato com cuidado, evitando movimentos bruscos. - Se a temperatura estiver baixa (inferior a 37,5º C) ou começar a diminuir, enrole o animal num cobertor e coloque uma fonte de calor próxima a ele. Use bolsa térmica aquecida ou improvise enchendo uma garrafa com água quente. Mantenha o animal aquecido e encaminhe-o para o veterinário imediatamente. - Transporte-o na posição deitada, sempre com a cabeça mais baixa em relação ao corpo. FERIMENTOS E CORTES PROFUNDOS Podem ser causados por brigas, cacos de vidro, cercas de arame farpado e outros objetos cortantes. A pele é irrigada por pequenos vasos sanguíneos e as lesões causam sangramento considerável. Não se apavore com o sangue, ele pode ser controlado facilmente. Os cortes devem ser suturados em até seis horas após a lesão. Quando suturamos um corte exposto por muito tempo, é grande a chance de ocorrer infecção local. Por esse motivo, leve o animal ao veterinário assim que possível. Caso não seja viável chegar ao veterinário a tempo de fechar o ferimento com pontos, mantenha-o limpo e protegido. Moscas podem depositar ovos em feridas abertas e suas larvas irão se desenvolver dentro da pele. Se você estiver no campo (sítio ou fazenda) ou mesmo na cidade, e perceber insetos pousando no ferimento, use repelente de uso veterinário ao redor da ferida, duas vezes ao dia. Os cortes não suturados e ferimentos cujos pontos se romperam irão cicatrizar, porém, lentamente. A desvantagem da cicatrização sem pontos é que a cicatriz será maior e há risco considerável de miíase (larvas de moscas) no local. Os curativos deverão ser diários e a lesão protegida de moscas e sujeira. Você vai precisar de: Compressas de gaze, faixa crepe, esparadrapo, antisséptico, pomada antibiótica e tesoura. O que fazer: - Se houver hemorragia estanque-a pressionando o local com compressas de gaze ou pano limpo. Orelhas e patas costumam sangrar bastante e por longo tempo. - Certifique-se que nenhum vaso tenha sido atingido. Se houver muito sangramento e você não conseguir estancá-lo facilmente, alguma veia ou artéria foi lesada. - Após controlar o sangue, corte os pelos em volta do ferimento, se a pelagem for longa e o animal permitir. - Limpe bem o local com soro fisiológico. Em seguida, aplique antisséptico nas bordas e dentro do corte ou ferida. Seque o ferimento com gaze e aplique pomada antibiótica. - Proteja o corte das moscas cobrindo a lesão com gaze ou pano limpo. Esparadrapo direto na pele não é bem suportado pelos animais. Use faixa crepe para fixar a gaze. QUEIMADURAS As queimaduras são classificadas de acordo com a gravidade da lesão. São causadas por agentes térmicos (água ou superfícies quentes e fogo), químicos (ácidos e substâncias cáusticas) ou elétricos (corrente elétrica). Queimadura de 1º grau: lesão superficial que cicatriza, em média, após 10 dias. Queimadura 2º grau: lesão mais profunda que a anterior. Há perda dos pelos e formação de vesículas (bolhas). A pele cicatriza em 15 dias. Queimadura 3º grau: lesão grave na qual toda a espessura da pele é destruída. É um processo muito doloroso e de cicatrização lenta. Casos comuns de queimaduras: - Animais que comem comida caseira muito quente podem ter queimaduras de grau leve na boca e lábios. - Acidentes envolvendo água fervendo derramada sobre os animais resultam em queimaduras de 3º grau. - Animais que lambem ou ingerem substâncias cáusticas presentes em produtos de limpeza podem queimar a boca e esôfago. - Choques elétricos podem resultar em queimaduras na boca e língua. - Queimaduras de sol podem ocorrer em animais de pele e focinho despigmentados (róseos). Você vai precisar de: Soro fisiológico frio e pomada antibiótica. O que fazer: - Queimaduras de 1º e 2º graus devem ser tratadas com pomada antibiótica. - Não use produtos como creme dental sobre a área lesada. - Lave o local com soro fisiológico frio (ou água mineral) por alguns minutos e aplique uma camada espessa de pomada antibiótica. Reaplique o medicamento diariamente. - Não faça curativo fechado. Se for preciso, aplique uma compressa de gaze sobre a pomada para proteger a lesão. - Use colar de contenção para que o animal não lamba e remova a pomada da pele. - Se a queimadura for de 3º grau, todo o procedimento deve ser feito com o animal sedado. Aplique soro fisiológico gelado sobre a pele queimada e leve a vítima ao veterinário. A dor é muito intensa nesses casos. - Animais com queimaduras extensas podem entrar em estado de choque. Se mais de 50% do corpo for atingido, há risco de morte. - Caso ocorra queimadura solar, evite que o animal se exponha ao sol e proteja o local com filtro solar. Módulo: 20 Referências Bibliográficas BRASIL MINISTÉRIO DA SAÚDE. Manual de Diagnóstico Laboratorial da Raiva. Brasília, 2008. BRASIL MINISTÉRIO DA SAÚDE. Normas técnicas de profilaxia da raiva humana. Série A: Normas e manuais técnicos. Brasília, 2011.BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Higienização das mãos em serviços de saúde. Brasília: Anvisa, 2007. BRASIL. Ministério da Saúde. Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar. Processamento de artigos e superfícies em estabelecimentos de saúde. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 1994. 50 p. BRASIL. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE-CONAMA RESOLUÇÃO No 358, DE 29 DE ABRIL DE 2005 Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências. Disponível em http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/res35805.pdf. COUTO, N. et al. Medicina interna de pequenos animais. 3 a Ed. Editora Elsivier Ltda, 2006. FEITOSA, F. L. F. Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico. Disponível em: https://social.stoa.usp.br/articles/0031/7304/2_conten%C3%A7%C3%A3o_F%C3%ADsica_dos_Animais_Dom%C3%A9sticos.pdf GUERREIRO, M. et al. Bacteriologia especial: com interesse em saúde animal e saúde pública. Porto Alegre: Sulina, 1984. http://www.academia.edu/11577617/Aula_1_ectoparasita_c%C3%A3es_e_gatos https://www.bayerpet.com.br/caes/parasitaszoonoses/parasitas-intestinais/#o-parasita http://www.blogdocachorro.com.br/parto-da-cachorra/ http://www.caesegatos.com.br/giardia-em-caes/ http://caes.topartigos.com/sarna-sarcoptica-em-caes-sintomas-e-tratamento.html http://www.cachorrogato.com.br/cachorros/tomografiacomputadorizada/ Plataforma Preço Pontos Fortes Ideal para quem... Hotmart Grátis (comissão por venda) Grande alcance, área de membros integrada Quer vender e divulgar rápido Udemy Grátis (divisão de receita) Público ativo, visibilidade Quer atrair alunos da própria plataforma Kiwify Grátis (comissões) Simples, brasileiro, checkout integrado Iniciantes Eduzz Grátis (comissões) Funil de vendas integrado Vendas automatizadas Crie a área de membros e organize o conteúdo · Siga a sequência pedagógica definida no passo 2. · Coloque vídeos, apostilas, quizzes, fóruns se necessário. · Tenha uma aula grátis ou demo para atrair alunos. Monte uma estratégia de vendas · Página de vendas com: · Benefícios claros · Depoimentos (se tiver) · Garantia de satisfação · Use redes sociais, e-mail marketing e tráfego pago (Facebook Ads, Google Ads) Ofereça suporte e acompanhamento · Crie um grupo no WhatsApp, Telegram ou Discord · Responda dúvidas, ofereça atualizações, fidelize alunos Peça feedback e atualize o curso · Melhore com base nas opiniões · Atualize conteúdo conforme mudanças na área Aplicativo Função principal Preço OBS Studio Gravar tela + webcam Gratuito Canva Criar slides, PDFs, imagens Gratuito / Pago CapCut Edição de vídeo simples Gratuito Audacity Gravação e edição de áudio Gratuito Notion / Trello Planejamento e organização Gratuito Loom Gravações rápidas com webcam Gratuito / Pago Zoom / Google Meet Gravar aulas ao vivo ou tutoriais Gratuito Dicas para Economizar · Use plataformas com comissão por venda (Hotmart, Kiwify), assim você só paga quando vender. · Use ferramentas open source ou gratuitas. · Grave com smartphone (bons celulares têm excelente qualidade de vídeo). · Faça a edição você mesmo nos primeiros vídeos. “Auxiliar Veterinário 360° – Do Zero à Prática” 📝 Descrição pronta (pode usar e adaptar): Transforme seu amor pelos animais em profissão! Aprenda tudo o que você precisa para atuar como auxiliar de veterinário, mesmo sem experiência. Este curso 100% online inclui conteúdos em PDF, vídeos explicativos, conceitos práticos, rotina de clínicas, primeiros socorros, anatomia animal, biossegurança e muito mais! ✅ Acesso imediato ✅ Certificado de conclusão ✅ Suporte direto com tutores 🎨 ETAPA 2 – LOGO E IDENTIDADE VISUAL Você pode usar: · Canva (gratuito e fácil de usar) → https://www.canva.com Procure por: logo pet, logo clínica veterinária e personalize Se quiser, posso gerar uma logo inicial pra você com base no estilo que preferir (moderna, clássica, veterinária, pet, etc.). 💻 ETAPA 3 – HOSPEDAR NA PLATAFORMA 🔹 Melhor opção para você: Hotmart ou Kiwify Plataforma Por que usar? Hotmart Mais conhecida, milhares de afiliados, checkout seguro, app próprio Kiwify Simples, brasileiro, rápido de aprovar, fácil de configurar Ambas não cobram nada para começar. Elas retêm só uma parte (em média 9-10%) por venda. Você só paga quando vender. 📌 Sugestão: Comece pela Kiwify por ser mais direta e aprova cursos mais rápido. Se quiser, posso te dar o passo a passo completo de como subir o curso lá. 📢 ETAPA 4 – DIVULGAÇÃO Como você vai começar do zero, o ideal é usar: 🚀 Estratégias gratuitas · Criar um Instagram temático com dicas sobre pets + bastidores do curso · Grupos de Facebook sobre animais, veterinária e cursos · Criar um grupo no WhatsApp ou Telegram e oferecer um PDF gratuito (“5 coisas que todo Auxiliar Veterinário precisa saber”) em troca do contato 💬 Exemplo de chamada para redes sociais: 🐾 Quer trabalhar com animais e não sabe por onde começar? Com o nosso curso online Auxiliar de Veterinário, você aprende tudo que precisa para atuar na área! 👉 Acesse aqui e comece hoje! 🎁 BÔNUS (IDEIAS QUE AUMENTAM VENDAS) · Certificado (pode gerar pelo Canva, Certificaa, ou até dentro da Kiwify) · Grupo VIP de alunos · Aula extra com simulação de rotina na clínica Se quiser, posso te ajudar com: ✅ Página de vendas ✅ Criação da logo ✅ Upload do curso na Kiwify ✅ Roteiro de vídeo de apresentação Me diga com qual dessas partes você quer começar agora. Posso escrever o texto da página ou montar a logo primeiro, por exemplo. image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image10.jpeg image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg image14.jpeg image15.jpeg image16.jpeg image17.jpeg image18.jpeg image19.jpeg image20.jpeg image21.jpeg image22.jpeg image23.jpeg image24.jpeg image25.jpeg image26.jpeg image27.jpeg image28.jpeg image29.jpeg image30.jpeg image31.jpeg image32.jpeg image33.jpeg image34.jpeg image35.jpeg image36.jpeg image37.jpeg image38.jpeg image39.jpeg image40.jpeg image41.jpeg image42.jpeg image43.jpeg image44.jpeg image45.jpeg image1.jpeg image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg