Prévia do material em texto
1 UNIDADE 1 PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade você estará apto(a) a: • conhecer de que maneira a empresa é percebida como um sistema; • compreender as características do sistema organizacional de uma empresa; • aprender de que forma uma empresa pode ser vista como um sistema aberto e dinâmico; • compreender o que é um orçamento e quais são seus objetivos; • conhecer por que se deve realizar um orçamento e qual é a sua função para o administrador; • identificar qual a contribuição do orçamento para o trabalho do gestor da empresa; • conhecer os principais tipos de orçamentos existentes; • compreender a maneira como o orçamento exerce influência nos adminis- tradores da empresa quanto ao seu aspecto comportamental; • avaliar a importância da gestão para a implantação de um processo orça- mentário. Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um deles você encontrará atividades que o(a) ajudarão a consolidar o seu aprendizado. TÓPICO 1 – SISTEMA EMPRESA NO ORÇAMENTO EMPRESARIAL TÓPICO 2 – TIPOS DE ORÇAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES TÓPICO 3 – IMPLANTAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 SISTEMA EMPRESA NO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 1 INTRODUÇÃO Sistema empresa é a área onde estudamos orçamentos, para a identificação e compreensão das atividades e departamentos que interagem entre si. Para uma empresa ter um bom funcionamento, precisa que todos os seus departamentos estejam em franca harmonia e funcionamento. O sistema empresa esclarece esses mecanismos, considerando que além do seu ambiente interno, a empresa interage num ambiente externo, o qual deve adequar-se constantemente para manter-se no mercado. Por isso, para que o processo orçamentário seja elaborado de acordo com a realidade de mercado em que a empresa está inserida, é fundamental conhecermos a empresa como um sistema. Veremos isso no decorrer deste tópico. Vamos lá! 2 A EMPRESA COMO UM SISTEMA 2.1 CONCEITO DE EMPRESA Na sociedade atual, a maioria da população em idade produtiva tem ou teve algum tipo de envolvimento com alguma empresa, como funcionário, socioacionista, prestador de serviços, dentre outros vínculos. Mas, você sabe dizer o que é uma empresa? Podemos dizer que uma empresa é definida como uma união de esforços financeiros, físicos e intelectuais, com a finalidade de criar e, consequentemente, transacionar produtos e serviços no mercado interno e/ou externo, resultando na formação e circulação de capital que possa trazer benefícios econômicos e utilidade social. Em outras palavras, é uma entidade constituída juridicamente, ou não, que exerce atividade econômica de produção, transformação, comércio ou prestação de serviços, podendo ter fins lucrativos, filantrópicos ou sociais. UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 4 Conforme Padoveze (2009a, p. 13), “a empresa é um sistema em que há recursos introduzidos, que são processados, e há a saída de produtos ou serviços”. Na mesma linha de raciocínio, Figueiredo e Caggiano (2008, p. 8) mencionam que “a empresa é uma unidade produtora que visa criar riquezas, transacionando em dois mercados, um fornecedor, outro consumidor”. 2.2 CONCEITOS DE SISTEMA EMPRESA Para facilitar a compreensão do sistema organizacional de uma empresa deve haver, primeiramente, um reconhecimento do conjunto de departamentos que integram a organização, bem como das atividades desempenhadas pelos mesmos, haja vista que tais funções têm por finalidade propiciar a sustentabilidade da empresa no mercado. Antes de continuarmos, vamos conhecer o que é um sistema. Beer (1969, p. 25) define que “qualquer coisa que consiste em partes unidas entre si pode ser chamada de sistema, pode ser apontada como agregados de pedaços e peças [...]”. Para Bio (1985, p. 18), o sistema é “[...] um conjunto de elementos interdependentes, ou um todo organizado, ou partes que interagem formando um todo unitário e complexo”. Em uma empresa, sempre ouvimos dizer que as “coisas” no seu ambiente funcionam corretamente quando existe a harmonia das atividades relacionadas entre si. E como podemos identificar isso? Tomemos como exemplo um conjunto de funções relacionadas ao setor de projetos de uma empresa, onde os funcionários têm a função de elaborar o desenho de um determinado tipo de produto. A área de projetos, com base nas dimensões estruturadas, identificará os tipos de materiais necessários à produção desse produto. O setor de administração da produção necessita dessas informações para elaborar as planilhas de cálculo do tempo estimado da produção e saber quais os tipos de matérias que serão utilizados. Prosseguindo nessa cadeia de atividades, o departamento de compras realizará as cotações de preços e pesquisará os fornecedores com melhores preços, prazos e qualidade, para ter uma noção de quanto se gastaria na aquisição de insumos e matéria-prima necessários à fabricação do produto. Por sua vez, a área de custos apurará os valores necessários para a sua produção e identificará a margem de lucratividade ideal para manter a perenidade (a sobrevivência) da empresa no mercado. Para compreender essa interatividade na organização, Bertalanffy (1977, p. 53) salienta que “[...] é necessário estudar não somente as partes e processos isoladamente, mas também resolver os decisivos problemas encontrados na organização e na ordem que os unifica, resultante da interação dinâmica das partes [...]”. TÓPICO 1 | SISTEMA EMPRESA NO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 5 IMPORTANT E Então quer dizer que a empresa é “dividida” em partes e essas interagem entre si? Sim, cada departamento tem a incumbência de realizar uma atividade ou tarefa e o resultado é a interação de forma harmoniosa até chegar ao produto final. Por isso dizemos que a empresa é um sistema, ou seja, um sistema empresa. Para a empresa funcionar bem, ela precisa que todos os seus departamentos estejam em franca harmonia e funcionamento. Sem as informações de determinado departamento, o gestor de outro departamento poderá tomar decisões equivocadas. UNI A empresa precisa ser observada como um organismo vivo? Sim, um organismo que depende de diversos outros órgãos para o seu excelente funcionamento. Portanto, a empresa não é um sistema fechado, mas um sistema aberto em que implicam diversos fatores, como recursos financeiros, gestão de pessoas, de capital e de produção, além dos fatores econômicos e sociais. De modo geral, as empresas possuem as mesmas características de interatividade de funções, porque elas também fazem parte de um macrossistema que fornece seus serviços para um conjunto de empresas que agregam seus bens ao produto final. As empresas devem estar preparadas para se adequarem às constantes mudanças que acontecem no mercado, pois isso é fundamental para a sua manutenção e sobrevivência. Em outras palavras, ADEQUAR-SE E MELHORAR SEMPRE. ATENCAO UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 6 Kochanski (2000, p. 54) afirma que: Quando uma organização passa a oferecer valor agregado a seus produtos e/ou serviços, o mercado reage naturalmente, exigindo que as demais organizações também passem a oferecer valor agregado a seus produtos e serviços, levando-as a se tornarem mais competitivas. Em relação aos fatores macroeconômicos, Tung (1974, p. 29) demonstra que: Nenhuma empresa pode, hoje, permitir-se o luxo de ignorar os acontecimentos do mundo exterior. A interdependência das empresas entre si e destas com o Estado em particular, é patente. A sobrevivência dos negócios depende, em grande parte, do conhecimento, dos fatos atuais e da previsão dos acontecimentosfuturos, tanto no plano nacional, quanto no internacional. Respondendo aos estímulos do mercado, as empresas procuram se adequar à nova realidade econômica e, nas constantes reestruturações, buscam a competitividade. Cruz (1998) aborda que existem dois tipos de comportamentos: o operacional e o estratégico, por meio dos quais a empresa interage com o ambiente que o cerca e que se complementam entre si, dando um caráter holístico que toda organização deve ter. IMPORTANT E Devemos tomar cuidado e observar que, com esse mercado dinâmico, muitas empresas também poderão desaparecer. Contudo, apenas o cuidado não garante a sustentação da empresa no mercado. Podemos entender que não apenas os fatores internos, mas todas as atividades externas repercutem no funcionamento da empresa. Tung (1974, p. 29) afirma que: [...] em princípio é uma fase de constantes ajustes e reajustes, pois qualquer trabalho atual constitui apenas um teste para o futuro, cujo alvo é a meta do desenvolvimento global. O cenário financeiro- econômico nacional repercute sempre, direta ou indiretamente, sobre as atividades da empresa. Para entendermos como uma empresa transforma recursos materiais, humanos, financeiros, tecnológicos, dentre outros, em produtos e serviços que são destinados ao mercado, observemos a figura a seguir: TÓPICO 1 | SISTEMA EMPRESA NO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 7 FIGURA 1 – VISÃO SISTÊMICA DA EMPRESA Eficiência Continuidade Eficácia Resultado econômico Valores econômicos Valores econômicos Recursos de informação Recursos de tecnologia Recursos financeiros Recursos humanos Recursos materiais Produtos e serviços Comprometimento da missão Compras de recursos Estocagem de materiais Produção Serviços de apoio Manutenção Estocagem de produtos Finanças Transportes Entrega dos produtos Mercado Consumidor Mercado Fornecedor Acionistas, concorrentes, governo, sindicatos, etc. FONTE: Adaptado de: Catelli (1999, p. 39) Na figura anterior você pôde visualizar, de forma bastante simplificada, que a empresa é percebida como um sistema. Então quer dizer que a empresa pode ser vista de forma sistêmica? Sim. Naturalmente, diversos fatores externos à empresa, como o governo, as políticas econômicas, a relação entre fornecedores e clientes, podem frequentemente alterar a sua dinâmica. Isto significa que ao mesmo tempo em que a empresa precisa interagir no seu ambiente interno, também sofre a influência do ambiente externo, conforme podemos observar na figura a seguir: UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 8 FIGURA 2 − A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE INTERNO E EXTERNO NA EMPRESA (MACROSSISTEMA) Governo Mão de obra Concorrência Fornecedores Comunidade Consumidores Tecnologia Sindicato Sistema Financeiro Empresa FONTE: Disponível em: <http://www.juliobattisti.com.br/tutoriais/lucineiagomes//som001_clip_ image011.jpg>. Acesso em: 21 nov. 2011. As empresas recebem do mercado fornecedor os diversos tipos de matérias-primas e insumos que, nas atividades internas, serão processados, gerando novos produtos, que serão disponibilizados ao mercado consumidor. Todos esses fatores podem se constituir em oportunidades e ameaças à sobrevivência da empresa no mercado. Para garantir a sua continuidade, é necessário que a empresa mantenha sua capacidade de mudanças e adaptações aos diversos fatores que a influenciam tanto internamente quanto externamente. 2.3 CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA ORGANIZACIONAL DE UMA EMPRESA A partir das considerações do item anterior, entendemos que a união dos departamentos integrantes de uma empresa resulta em um sistema organizacional, dentro do qual existe uma ordem hierárquica a ser respeitada em decorrência do agrupamento humano integrante da organização. TÓPICO 1 | SISTEMA EMPRESA NO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 9 Para que o sistema empresa tenha um bom funcionamento, é dividido em vários subsistemas, que são os seguintes: a) institucional: também denominado de matriz, responsável pelos demais subsistemas, compreende a missão, assim como crenças e valores da organização; b) gestão: é o responsável pelo processo de tomada de decisões, pois abrange as atividades de planejamento, gerenciamento e mecanismo de controle interno; c) organização: é como a empresa está organizada, o tipo de estrutura empregada (vertical ou horizontal), o grau de autoridade e atribuição de responsabilidade. O objetivo é assegurar que todas as atividades da organização sejam desenvolvidas de forma ética, sendo influenciadas pelo subsistema institucional; d) social: abrange o quadro funcional da empresa, incluindo-se nessa esfera a cultura e demais características inerentes ao capital intelectual da organização. Guerreiro (1996, p. 171) destaca os seguintes fatores que envolvem este subsistema: “necessidades dos indivíduos; criatividade; objetivos individuais; motivação; liderança; treinamento etc.”; e) informação: tendo em vista a atual dinâmica dos mercados como um todo, este subsistema aparece com uma considerável importância, pois consiste no conjunto de dados necessários para uma melhor tomada de decisão dos gestores da empresa. Guerreiro (1996, p. 172) enfatiza que: [...] dentre as inúmeras atividades executadas no âmbito da empresa, existem aquelas que objetivam basicamente a manipulação de informações. Elas geram essas informações através da manipulação (processamento) de dados derivados da execução das diversas atividades necessárias ao desenvolvimento das funções empresariais básicas. Essas atividades se caracterizam por três aspectos básicos: recebimento de dados, processamento e geração de informações. Os dados gerados nesta categoria buscam um elevado grau de excelência, eliminando a criação de atividades desnecessárias, o que resulta em um melhor procedimento de gestão. f) físico-operacional: compreende as instalações físicas e equipamentos necessários para a realização das atividades inerentes à produção de bens e serviços desenvolvidos pela empresa. Nesse contexto ficam excluídos os funcionários, pois estão vinculados ao modus operandi do know-how. Como exemplos, citam-se os procedimentos de compras, produção, vendas, finanças, manutenção, entre outros. Veja agora a figura esquemática de uma empresa que inclui os subsistemas descritos até aqui: UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 10 FIGURA 3 – VISÃO SISTÊMICA DA EMPRESA, SUBSISTEMAS E EFICIÊNCIA FONTE: Adaptado de Padoveze (2009a) Um dos pontos fundamentais do funcionamento dos subsistemas com sinergia e eficácia é a existência de um objetivo a ser alcançado para onde convergem todas as ações. Veremos este assunto no próximo item. 2.4 MISSÃO DA EMPRESA A missão de cada empresa encontra-se ligada ao seu respectivo motivo básico de existência, notadamente correlacionado aos produtos e serviços oferecidos por ela junto ao mercado, visando à satisfação de seu público-alvo. O próprio conceito de sistema envolve a ideia [sic] de partes que interagem para alcançar um objetivo em comum. Assim, os diversos componentes do sistema empresa interagem, para que esta atinja seus objetivos. Por objetivo entende-se o alvo ou desígnio a que se quer atingir. São vários os objetivos de uma empresa, que poderiam ser classificados por hierarquia de importância e temporaneidade. O objetivo fundamental, isto é, o mais importante e permanente, é a sua missão. (MOSIMANN; ALVES; FISCH, 1993, p. 19). De acordo com Padoveze (2009a), a missão constitui o propósito da empresa e do seu negócio, portanto deve comunicar interna e externamente. Ela deve ser TÓPICO 1 | SISTEMA EMPRESA NO ORÇAMENTOEMPRESARIAL 11 escrita de forma objetiva e breve, compreendendo as atividades da empresa, o mercado de atuação, os produtos e serviços oferecidos, a sua diferenciação e o seu papel em relação a seus concorrentes e às principais conquistas que se quer atingir. Como exemplo, veja a transcrição da missão da empresa Petrobras: Atuar de forma segura e rentável, com responsabilidade social e ambiental, nos mercados nacional e internacional, fornecendo produtos e serviços adequados às necessidades dos clientes e contribuindo para o desenvolvimento do Brasil e dos países onde atua. FONTE: Disponível em: <http://www.petrobras.com.br/pt/quem- somos/estrategia-corporativa/>. Acesso em: 20 nov. 2011. Veja também a missão da empresa de cosméticos Avon: Nossa Missão - Ser líder global em beleza. - Ser a marca de escolha das mulheres. - Ser líder em vendas diretas. - Ser o melhor lugar para se trabalhar. - Ser a maior Fundação para as mulheres. - Ser a empresa mais admirada. FONTE: Disponível em: <http://www.avonculturadevida.com.br/premioavon/visao.html>. Acesso em: 20 nov. 2011. É importante que a missão seja definida com muita clareza, uma vez que para ela convergirá o sistema organizacional da empresa por meio dos seus subsistemas. Em algumas empresas, a missão não é explicitada. No momento em que a entidade opta por explicitar a sua respectiva missão, deve considerá-la como diretriz permanente, a fim de direcionar as finalidades socioeconômicas de tais instituições. Caso a missão seja evidenciada de maneira errônea, poderá ser desvirtuada de seus reais propósitos, não permitindo aos gestores o conhecimento das necessidades imediatas da empresa. Agora que você já sabe o que é um sistema organizacional e compreende a importância de uma empresa ter a missão definida claramente, podemos passar para o próximo assunto: os fatores que influenciam o desenvolvimento da empresa, como os financeiros, o mercado concorrente, a política econômica e social, entre outros. 2.5 A EMPRESA COMO SISTEMA ABERTO Em todos os setores empresariais, as empresas apresentam as concepções de um sistema aberto. Os fatores externos influenciam de forma relevante nas empresas, segundo Tung, que diz o seguinte: UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 12 No regime de livre comércio, o alvo da empresa é o maior lucro possível, conciliável com o seu crescimento a longo prazo e também com o bem-estar da coletividade, mediante o atendimento das suas necessidades. Para atingir esse objetivo, a tarefa da empresa seria a de determinar quais as necessidades ou desejos desta mesma coletividade, para depois organizar-se do ponto de vista da produção e da comercialização. Essa tarefa é contínua, pois as necessidades e os desejos dos homens sofrem alterações permanentes. Para que a empresa consiga maior lucro, cada setor de atividade deverá procurar aplicar métodos eficientes, a partir de uma análise acuradamente elaborada. (TUNG, 1974, p. 27). Então, o que acontece fora da empresa pode influenciar nas decisões tomadas pelos gestores de cada departamento dentro da empresa. Para reforçar essa concepção, Bio (1985, p. 18) ressalta que: Uma das implicações críticas dos conceitos de sistemas na Administração é justamente a concepção da empresa como um sistema aberto, pois tal visão ressalta que o ambiente em que vive a empresa é essencialmente dinâmico, fazendo com que um sistema organizacional, para sobreviver, tenha de responder eficazmente às pressões exercidas pelas mudanças contínuas e rápidas do ambiente. ESTUDOS FU TUROS Na Unidade 3 serão elaborados os orçamentos por várias áreas ou departamentos da empresa. No modelo que será estudado, você aprenderá que o orçamento da área de produção exerce influência sobre o orçamento de compras e o orçamento da área financeira deve prever quanto será necessário para manutenção da continuidade da empresa. Veremos isso na prática. É importante ressaltar que cada decisão tomada, inclusive por dirigentes políticos, pode afetar o andamento das empresas e implicar a necessidade de tomadas de decisões, mudando estratégias e ações já previstas. Por exemplo, se determinadas empresas exportam alguns tipos de produtos e na política econômica daquele país foi aplicada alguma lei protecionista referente a esses produtos, essas empresas deverão rever seus planos de expansão, pois assim não terão condições de buscar esses mercados. Por isso, é importante simular diversos cenários e analisar como a empresa reagiria a determinados acontecimentos no mercado. Isso pode prever diversos problemas futuros. Chiavenato (2000, p. 552) afirma que: [...] é perfeitamente aplicável à organização empresarial. A organização é um sistema criado pelo homem e mantém uma dinâmica interação com seu meio ambiente, sejam clientes, fornecedores, concorrentes, entidades sindicais, órgãos governamentais e outros agentes externos. TÓPICO 1 | SISTEMA EMPRESA NO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 13 As empresas que atuam no mercado nacional e internacional têm a necessidade de sempre estarem atualizadas e preparadas para as constantes e inevitáveis mudanças de mercado, que estão relacionadas à aspectos financeiros, políticos, econômicos e fatores macroeconômicos, entre muitos outros aspectos e fatores que influenciam diretamente no seu desenvolvimento. Enfim, pode-se afirmar que são as constantes mutações internas e externas das organizações, decorrentes do ambiente em que estão inseridas, o motivo que as levam à sobrevivência no mercado competitivo. A amplitude de acontecimentos nacionais e internacionais implica ações diretamente na empresa, o que a leva a realizar intercâmbios com o meio, por intermédio dos quais angaria pontos importantes necessários à viabilidade da entidade, capacidade reprodutiva e adaptativa, resultando em sua continuidade. O mercado mundial é dinâmico e, diante disso, Kochanski (2000, p. 54) afirma categoricamente que: “aquelas que ainda não se adequaram ou ainda não estão se adequando a este novo contexto mercadológico, irão sentir-se forçadas a adaptarem-se ou irão desaparecer do mercado rapidamente [...]”. Schein (1987 apud NAKAGAWA, 1994, p. 23-24) também estabelece a sua concepção de empresa a partir do sistema aberto da seguinte forma: a) a empresa deve ser concebida como um sistema aberto, o que significa que ela se encontra em constante interação com todos os seus ambientes, absorvendo matérias-primas, recursos humanos, energia e informações, transformando-se em produtos e serviços, que são exportados para esses ambientes; b) a empresa deve ser concebida como um sistema de múltiplas finalidades ou funções, que envolvem múltiplas interações entre ela e seus diversos ambientes. Muitas atividades dos subsistemas existentes na empresa não podem ser compreendidas sem que se considerem essas múltiplas interações e funções; c) a empresa é constituída de muitos subsistemas que estão em interação dinâmica uns com os outros. Em vez de se analisarem os fenômenos organizacionais em termos de comportamento individual, cada vez se torna mais importante analisar o comportamento desses subsistemas, que sejam considerados em termos de coalizões, grupos, funções ou de outros elementos conceituais; d) devido ao fato de que os subsistemas, em graus variáveis, são interdependentes, as modificações ocorridas em um sistema, provavelmente, afetam o comportamento dos outros subsistemas; e) a empresa existe dentro de um conjunto de ambientes, alguns maiores, outros menores do que ela. Os ambientes, de diversos modos, fazem exigências e oferecem restrições à empresa e a seus subsistemas. O funcionamento total da empresa não pode ser compreendido, portanto, semexplícita referência a essas exigências e restrições e a maneira como ela os enfrenta a curto, médio e longo prazos; UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 14 f) as numerosas vinculações entre empresa e seus ambientes tornam difícil especificar claramente seus limites. Brito (2003, p. 31) aborda que o relacionamento entre os cenários poderá implicar a continuidade da empresa, pois ele entende que “[...] o processo de montagem de cenários deve ser visto como processo evolutivo, no qual frequência e disciplina são muito importantes [...]”. ESTUDOS FU TUROS Na Unidade 2, no item 2.9, iremos estudar de que forma os cenários podem influenciar e até interagir nas atividades das empresas e, por conseguinte, afetar ou não a elaboração do processo orçamentário. 2.6 A EMPRESA COMO SISTEMA DINÂMICO Para entendermos o chamado “movimento sistêmico” que mantém a empresa em constante formação ou transformação, é importante estudar o que é empresa como um sistema dinâmico. A palavra “DINÂMICA” significa que todas as coisas se transformam com a influência de outros fatores ou mecanismos existentes. A empresa processa, executa e operacionaliza as suas atividades a partir do momento em que os gestores utilizam a força decisória para a tomada de decisões. Isso quer dizer que as coisas somente acontecem quando alguma pessoa do comando da empresa “FAZ ACONTECER”. Catelli (1999, p. 39) corrobora que “[...] a empresa se encontra permanentemente interagindo com seu ambiente. Como um sistema dinâmico, realiza uma atividade, ou um conjunto de atividades, que a mantém em constante mutação e requer que seja constantemente orientada ou reorientada para a sua finalidade principal”. ESTUDOS FU TUROS No Tópico 2 (desta unidade), no item 4 - Tipos de orçamento, faremos o estudo do Orçamento Flexível. Você poderá verificar, estudar e entender que o orçamento deve permitir os ajustes necessários para adequar-se à realidade de mercado. TÓPICO 1 | SISTEMA EMPRESA NO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 15 O sistema externo e interno de uma empresa pode ser identificado conforme a figura a seguir: FIGURA 4 – CONTEXTO DAS ATIVIDADES NO SISTEMA EMPRESA Fatores Externos: Mercado, Política Econômica, Globalização, Concorrência, Sazonalidade, dentre outros. Fatores Externos: Mercado, Política Econômica, Globalização, Concorrência, Sazonalidade, dentre outros. Retorno do produto ao distribuidor Produtos oferecidos ao Mercado Consumidor. Produto Acabado Insumos Processamento da produção Empresas de produção em escala Outros recursos: - Mão de obra - Energia - Água - Maquinários - Outros Indústrias contratantes de produtos ou serviços A B C D Resultado= Preço-meta (-) Custos (-) Despesas =Custo -Alvo =Resultado Econômico FONTE: O autor Observe a figura anterior. Para compreender, vamos utilizar o seguinte exemplo: uma empresa do ramo industrial, conforme o conceito de sistema empresa, está inserida na produção em escala. Essa empresa interage desde o recebimento dos pedidos até a entrega do produto final aos seus clientes. Ela adquire a matéria-prima que se encontra disponível no mercado e transforma essa mesma matéria-prima em outros produtos que retornarão ao mercado sob a forma de produto pronto ou acabado. A empresa exerce um papel fundamental no funcionamento da cadeia de relacionamentos. Já vimos anteriormente que existem diversos fatores externos, como o mercado, a política econômica, o governo, a concorrência e a sazonalidade. Esses fatores influenciam tanto as corporações contratantes de produtos ou serviços como as empresas de produção em escala. A primeira poderá fornecer UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 16 insumos para a segunda, que produz em escala somente se houver harmonia com os fatores externos. Qualquer anormalidade poderá colocar em risco as suas atividades e, como resultado, poderão faltar ou sobrar produtos no mercado. As grandes corporações industriais fornecem os insumos necessários para empresas de menor porte, que transformarão os insumos em produtos acabados ou prestarão serviços às grandes corporações. Em ambos os casos, essas empresas também necessitam de outros serviços, como energia elétrica, mão de obra, água, telefone, material de expediente, dentre outros, movimentando a economia. Ao encerrar a produção ou a prestação de determinado serviço, a empresa de menor porte retorna os produtos elaborados para o seu contratante de serviços (as grandes corporações) e, através da entrega, conclui-se o processo produtivo. As grandes corporações disponibilizam seus produtos ao mercado consumidor. Por sua vez, o mercado consumidor poderá ou não consumir esses produtos, dependendo dos estímulos provocados pelos fatores externos, como mercado, política econômica, governo, concorrência, sazonalidade, tendências da moda, dentre outros. Esse processo se transforma em um ciclo, portanto, para a continuidade dos empreendimentos, faz-se necessário que todos os segmentos empresariais estejam em consonância com os estímulos externos e internos, formando uma cadeia de relacionamentos. Se há consumo, há produção. O inverso poderá paralisar a economia. ATENCAO Para reforçarmos esse pensamento, também buscamos a contribuição de Chiavenato (2000, p. 553), que diz o seguinte: Como todos os sistemas sociais, as organizações são sistemas abertos, afetados por mudanças em seus ambientes, denominados variáveis externas. O ambiente não tem fronteiras e inclui variáveis desconhecidas e incontroladas. Por essa razão, as consequências dos sistemas sociais são probabilísticas e não determinísticas e o seu comportamento nunca é totalmente previsível. As organizações são complexas e respondem a muitas variáveis que não são totalmente previsíveis. TÓPICO 1 | SISTEMA EMPRESA NO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 17 IMPORTANT E As empresas existem de acordo com as respostas aos estímulos externos ou internos. De certa forma, podemos afirmar que as empresas estão inseridas em sistemas abertos, que trocam produtos e serviços no ambiente em que atuam e que formam um elo entre o próprio mercado fornecedor de insumos e o mercado consumidor. Podemos dizer que existe uma interface nesse mercado? Com certeza podemos afirmar isso. O que ocorre através da inter-relação entre um sistema e o ambiente em que está estruturado é chamado de interface. Essa interface propõe respostas aos estímulos do mercado onde a empresa está inserida, reconhecendo-se essas interações entre todos esses elementos. Para muitos estudiosos da economia, a empresa responde aos estímulos do mercado exterior. Esses estímulos estão relacionados com a sua produção (compra de insumos), controles internos, venda de produtos, contratação de mão de obra (aspectos sociais), dentre outras, com o objetivo da maximização dos seus resultados (em busca do lucro). Entende-se que a interação de sistemas é complexa e a busca para a harmonização dos seus elementos acontece de acordo com o estilo de administrar de cada empresa. 2.7 MODELO CONCEITUAL DE SISTEMA EMPRESA Vimos até agora que as empresas estão inseridas em um ambiente que podemos chamar de organismo vivo, pois todo o mercado, a produção, o consumo, as finanças, o planejamento, dentre outras coisas estão em constantes mutações. Para exemplificar o que vem a ser esse ambiente de inter-relações, apresentamos a figura a seguir como sendo um modelo conceitual de sistema empresa. UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 18 FIGURA 5 – VISÃO SISTÊMICA DA EMPRESA CONCORRENTES consumidores Grandes Corporações FUNÇÕES: COMERCIAL OPERACIONAL FINANÇAS Atividades Principais ComprarVender Estocar Movimentar Transportar Distribuir Resultado Econômico Fornecedores Mercadorias Transportes Dinheiro Informações Recursos Humanos Serviços Clientes Dinheiro Informação Recursos Humanos Serviços AMBIENTE PRÓXIMO FONTE: Adaptado de Coronado (2001, p. 69) O Resultado Econômico - em destaque na figura - é o resultado da interação dos fatores oriundos das entidades remotas (econômica, social, política, tecnológica, dentre outras) com as variáveis ambientais (ambientes onde se desenvolvem as entidades remotas, como compras, vendas, transportes, dentre outros). Esses interagem com o ambiente interno da empresa, que, de acordo com as principais funções e atividades (como produzir, vender, dentre outras), geram o resultado almejado. Esse RESULTADO ECONÔMICO pode ser o Lucro ou o Prejuízo. ATENCAO Qual a influência que a concorrência exerce no sistema empresa? A concorrência exerce um papel fundamental no sistema empresa, ela faz parte dos fatores externos da empresa que podem afetar o resultado econômico. De que forma? De diversas formas. As decisões que os gestores das empresas concorrentes tomam afetam positivamente ou negativamente. Se o gestor da empresa concorrente decidir baixar o preço e, por conseguinte, diminuir a qualidade dos seus produtos, corre o risco de afetar a manutenção da perenidade dos seus negócios no TÓPICO 1 | SISTEMA EMPRESA NO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 19 mercado. Contudo, se o gestor da empresa concorrente decidir melhorar a qualidade dos produtos sem elevar demais seus preços, isso poderá afetar a perenidade dos negócios das outras empresas do mesmo ramo de atividades. Portanto, uma empresa exerce, diretamente ou indiretamente, influência na outra. De certa maneira, o resultado econômico é alcançado com a utilização de todos esses recursos, que são transformados em produtos ou serviços oferecidos ao mercado, que remuneram as suas atividades. Por sua vez, os consumidores, em geral, são aqueles que se utilizam desses produtos ou serviços das empresas. Contudo, essa cadeia produtiva se encontra alicerçada em uma série de decisões tomadas pelos seus gestores. Coronado (2001, p. 97) explica que: Decisões dizem respeito à identificação de eventos futuros. Eventos, por sua vez, referem-se à classe de transações, por exemplo, um conjunto homogêneo de transações de vendas forma o evento vendas. Logo, um evento econômico representa um acontecimento que modifica a estrutura patrimonial da empresa. Ressalta-se que esses resultados são reflexos das movimentações financeiras geradas pelas decisões tomadas, pois, com a escassez dos recursos financeiros no mercado, é preciso tomar decisões convenientes para não comprometer os resultados da companhia. Essas decisões podem estar relacionadas ao tipo de recurso que a empresa necessita (a forma de financiamento), às habilidades desenvolvidas pelos profissionais e aos recursos tecnológicos disponíveis. Isso impacta nos resultados da empresa e essas decisões estão fundamentadas nas ferramentas dos ORÇAMENTOS, que são suficientemente capazes de fornecer informações para gerar os melhores resultados. UNI Lembre-se! Ferramentas de ORÇAMENTOS são suficientemente capazes de fornecer informações para gerar os melhores resultados. Já é possível compreender que as empresas podem ser determinadas como organismos vivos que interagem no ambiente social, econômico e outros. Esse dinamismo (ambiente dinâmico) é gerado pelo esforço da tomada de decisões dos seus gestores. Essas decisões podem afetar a continuidade (perenidade) dos negócios da empresa e, portanto, podem e devem ser determinadas com base nas ferramentas de orçamentos, que são elaborados a partir dos estímulos dos gestores em resposta ao mercado no seu ambiente de atuação. No próximo tópico estudaremos os orçamentos e suas aplicações. 20 Chegamos ao final do Tópico 1. Vamos fazer uma revisão do que estudamos até agora. ● Com a teoria dos sistemas pode-se entender que as empresas interagem como organismos vivos e sofrem a influência do ambiente interno e externo da empresa para a manutenção da sua sobrevivência. ● Na organização empresarial, os departamentos são dependentes entre si, na busca da realização dos seus objetivos. ● Diversos fatores externos à empresa, como o governo, as políticas econômicas, a relação entre fornecedores e clientes, podem frequentemente alterar a sua dinâmica. ● O sistema organizacional de uma empresa é dividido em vários subsistemas, que são: institucional, gestão, organização, social, informação e físico- operacional. ● A missão deve ser escrita de forma objetiva e breve, compreendendo as atividades da empresa, o mercado de atuação, os produtos e serviços oferecidos, a sua diferenciação e o seu papel em relação a seus concorrentes e as principais conquistas que se quer atingir. ● A empresa é uma organização compreendida como um sistema aberto, pois diversos fatores externos influenciam na tomada de decisões de seus gestores. ● A empresa é uma organização compreendida como um sistema dinâmico, pois realiza uma atividade, ou um conjunto de atividades, que a mantém em constante mutação e requer que seja constantemente orientada ou reorientada para a sua finalidade. RESUMO DO TÓPICO 1 21 1 Como se processam, na cadeia de atividades, as premissas que foram abordadas em teoria de sistemas? 2 Para que o sistema empresa tenha um bom funcionamento, é dividido em vários subsistemas. Um dos itens que abordam esse assunto está relacionado com a seguinte definição: “É o responsável pelo processo de tomada de decisões, pois abrange as atividades de planejamento, gerenciamento e mecanismo de controle interno”. Que item é esse? Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Institucional. b) ( ) Gestão. c) ( ) Organização. d) ( ) Social. 3 Conforme os conceitos e características do sistema empresa, explique o funcionamento da interatividade das funções. 4 Como funciona um sistema aberto para todos os setores empresariais? 5 No estudo da empresa como um sistema dinâmico, o que significa a palavra DINÂMICA? 6 No modelo conceitual de sistema empresa, a que as mudanças ou mutações estão condicionadas? 7 Explique o que são entidades remotas no modelo conceitual do sistema empresa. 8 Explique o que são variáveis ambientais no modelo conceitual do sistema empresa. 9 Explique o que é o ambiente interno da empresa no modelo conceitual do sistema empresa. 10 Explique o que significa resultado econômico. 11 Assinale a alternativa que corresponde a “resultado econômico”: a) ( ) É o resultado da interação dos fatores oriundos das entidades remotas (econômica, social, política, tecnológica, entre outras) com as variáveis ambientais (ambientes onde se desenvolvem as entidades remotas, como AUTOATIVIDADE 22 compras, vendas, transportes, entre outros) que interagem com o ambiente interno da empresa, que, de acordo com as principais funções e atividades (como produzir, vender, entre outras), geram o resultado almejado. b) ( ) É o “movimento sistêmico” que mantém a empresa em constante formação ou transformação. É importante estudar o que é empresa como um sistema dinâmico. c) ( ) Compreende as instalações físicas e equipamentos necessários para a realização das atividades inerentes à produção de bens e serviços desenvolvidos pela empresa. d) ( ) Compreende as mesmas características de interatividade de funções, porque elas também fazem parte de um macrossistema que fornece seus serviços para um conjunto de empresas que agregam seus bens ao produto final. 23 TÓPICO 2TIPOS DE ORÇAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Neste tópico estudaremos os conceitos de orçamentos, seus objetivos e os tipos existentes, dentre eles os orçamentos: estático, flexível, tendência e base zero. Também estudaremos o sistema de orçamentos, que se refere à integração das informações dos diversos departamentos, lembrando sempre que o sistema de orçamentos está em concordância com o sistema empresa. Quando tratamos de resultados financeiros, estamos cobrando esses resultados dos gestores, ou seja, a empresa deverá atingir os resultados da maneira mais eficaz possível. Desta forma, estudaremos o que refletem os orçamentos e os seus efeitos nas pessoas envolvidas no processo. 2 ASPECTOS CONCEITUAIS Nos tempos atuais, os empresários (os gestores) têm necessidade de planejar as ações e buscar o controle da empresa, e o processo orçamentário torna-se indispensável na administração de qualquer negócio. Com as mudanças na sociedade, o desenvolvimento tecnológico e do mercado, as empresas aumentaram a sua complexidade no desenvolvimento de suas atividades e tornou-se necessário aumentar o volume de informações com qualidade, para possibilitar aos gestores o controle do processo de produção e tomar decisões estratégicas, podendo prever o seu futuro. O processo orçamentário envolve a elaboração de planos detalhados de operações a serem cumpridas na empresa com o objetivo de lucro. Esses planos envolvem a previsão dos custos e despesas dentro da estrutura das políticas existentes, além de fixar padrões para a atuação dos gestores com responsabilidades no negócio. UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 24 UNI De que forma pode-se conceituar um orçamento? O orçamento pode ser conceituado como um planejamento de operações detalhado em todas as suas fases para um período futuro, buscando retratar formalmente as políticas, planos e metas estabelecidas pelos administradores, expressos em forma quantitativa. Portanto, orçar significa processar todos os dados constantes do sistema de informação e apresentá-los em forma de relatórios gerenciais, permitindo aos gestores terem uma visão do futuro da organização (de forma quantitativa) e poderem acompanhar de forma sistemática o cumprimento ou não do que foi orçado. Para Atkinson et al. (2000, p. 465), os orçamentos representam o seguinte: Um papel semelhante no planejamento e no controle para gerentes que estão dentro de unidades empresariais e que são parte central no projeto e na operação de sistema de contabilidade gerencial. [...] Os orçamentos nas empresas refletem as condições quantitativas de como alocar recursos financeiros para cada subunidade organizacional, com base em suas atividades e nos objetivos de curto prazo. [...] Assim, um orçamento é uma expressão quantitativa das entradas de dinheiro para determinar se um plano financeiro atingirá os objetivos organizacionais. Orçamentação é o processo de preparação dos orçamentos. Em síntese, o orçamento é o instrumento que descreve o plano geral das operações, orientado por objetivos e metas propostos pela alta cúpula diretiva da empresa para um determinado período. Também podemos entender que o orçamento é o método de planejamento e controle financeiro, vinculado aos planos operacionais e/ou de investimentos, com a finalidade de aperfeiçoar o rendimento de recursos físicos e monetários da empresa. Isto significa compreender de forma quantitativa o que “pode acontecer” com os recursos e resultados da empresa, em períodos futuros. UNI De certa forma, podemos tirar como conclusão que: Orçamento nada mais é do que colocar à frente aquilo que está acontecendo hoje, processando todos os dados constantes do sistema de informação contábil de hoje e introduzindo os dados previstos para o próximo período, de acordo com as ferramentas para projeção que os gestores utilizam. TÓPICO 2 | TIPOS DE ORÇAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES 25 O orçamento não deixa de ser uma pura repetição dos relatórios gerenciais atuais, só que com os dados previstos. Vejamos o que Lunkes (2003, p. 37) diz sobre o orçamento, seu desenvolvimento e importância nas empresas: - Na primeira fase predominou o orçamento empresarial, que teve como ênfase a projeção dos resultados e posterior controle. É um plano projetado para atender a um nível de atividade do próximo período. - A segunda fase privilegiou o orçamento contínuo, que tem como ênfase a revisão contínua, removendo-se os dados do mês recém- concluído e acrescentando-se dados orçados para o mesmo mês do ano seguinte. A aplicação desse método está se tornando bastante frequente nas empresas. - O passo seguinte foi o surgimento do orçamento de base zero (OBZ), com a projeção dos dados como se as operações estivessem começando da estaca zero e tivessem necessidade de justificar os gastos. No orçamento de base zero os gestores estimam e justificam os valores orçados como se a empresa estivesse iniciando suas operações. - A quarta etapa apresenta o orçamento flexível em destaque com a projeção dos dados das peças orçamentárias em vários níveis de atividade. O orçamento flexível é projetado para cobrir uma gama de atividades, portanto, pode ser usado para estimar custos em qualquer nível de atividade. - Posteriormente, surgiu o orçamento por atividades como uma extensão do custeio baseado em atividades, com projeção dos recursos nas atividades e o uso de direcionadores para estimar e controlar resultados. O orçamento por atividades usa a informação sobre os direcionadores no planejamento e no processo de avaliação. - Finalmente, o orçamento perpétuo, que prevê o uso dos recursos fundamentado na relação causa-efeito. - Pode-se ainda considerar outros métodos, como o orçamento padrão, orçamento de tendência e orçamento incremental. A importância do sistema orçamentário está basicamente no modo de conduzir de forma ordenada as ideias e progredir, passo a passo, nas ações. Salienta-se que o sistema orçamentário está ligado às constantes mudanças que ocorrem no mundo globalizado, especificamente na área tecnológica. Dentro deste contexto, é importante que as empresas planejem os seus objetivos e suas atividades sempre considerando a necessidade de se adaptar às novas realidades. No Brasil, o orçamento passou a ser foco de estudo a partir de 1940, mas apenas a partir de 1970 as empresas o adotaram com mais frequência em suas atividades. De modo geral, o processo orçamentário foi sendo adaptado às tendências das modernas teorias de gestão e atualmente deve apresentar as seguintes características: - projeta o futuro da empresa no seu mercado de atuação; - flexibiliza sua aplicação de modo a facilitar sua operacionalização e compreensão dos resultados; UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 26 - deve ter a participação direta dos responsáveis na sua elaboração, acompanhamento e análise; - precisa ter um grau de acerto aceitável dentro da realidade da empresa e do mercado; - é adaptado ao ciclo operacional, o que possibilita verificar o custo X benefício dos investimentos; - demonstra capacidade para apresentar com rapidez possíveis problemas na relação entre gastos e retornos financeiros; - permite o seu imediato ajuste operacional com encaminhamentos corretivos. A partir da década de 80, com o acentuado processo de globalização, as distâncias desapareceram e as fronteiras deixaram de ser um obstáculo para o mundo dos negócios. Isso permitiu que as empresas começassem a buscar matérias-primas e montar suas fábricas onde os custos são menores e com a possibilidade de oferecer seus produtos e serviços em qualquer parte do mundo. Como consequência,os padrões de consumo foram massificados e o capital financeiro passou a buscar uma melhor rentabilidade global. Contudo, a competição nunca foi tão acirrada. O mercado recebe constantemente novos produtos importados ou de concorrentes locais com preços mais baixos, e, com isso, a necessidade de maior produtividade e redução dos custos é cada vez maior. Figueiredo e Caggiano (2008) abordam que todo este processo impacta no contexto externo das relações contratuais das empresas e também no seu ambiente interno, criando a demanda por melhores práticas de gestão. Pode-se dizer que a empresa é uma instituição econômica que tem o objetivo de prover a sociedade dos produtos e serviços necessários ou desejados pelas pessoas de acordo com a sociedade onde elas vivem. No entanto, esses objetivos somente serão viabilizados se o lucro for alcançado. Assim, as atividades das empresas devem estar sintonizadas com as metas fixadas ao invés de serem realizadas de forma aleatória, isto é, necessitam ser planejadas e controladas. 3 OBJETIVOS DOS ORÇAMENTOS Os orçamentos possuem objetivos direcionados para o bom funcionamento das empresas. Para entendermos melhor o que significam esses objetivos e sua aplicabilidade, buscamos as citações de alguns autores. Segundo Padoveze (1997, p. 354), o objetivo do plano orçamentário: [...] não é apenas prever o que vai acontecer e seu posterior controle. Ponto básico e, entendemos, fundamental, é o processo de estabelecer e coordenar objetivos para todas as áreas da empresa, de forma tal que todos trabalhem sinergicamente em busca dos planos de lucros. [...] No estabelecimento de objetivos haverá o envolvimento de todos, numa gestão participativa, ao mesmo tempo em que se delegará responsabilidades. Com isso, será possível a etapa final, que é o controle do orçamento e a análise do desempenho e de suas variações. TÓPICO 2 | TIPOS DE ORÇAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES 27 Esse autor afirma que deve existir o envolvimento de todos os setores e todos os responsáveis de cada departamento, e as atividades deverão “estar alinhadas” de forma congruente. Warren, Reeve & Fess (2001, p. 179) abordam que “o orçamento envolve (1) o estabelecimento de metas específicas, (2) a execução de planos para atingir suas metas e (3) a comparação periódica dos resultados efetivos com as metas”. O orçamento é constituído de planos específicos em datas e unidades monetárias que visam atingir objetivos programados. É o plano financeiro para implantar a estratégia da empresa em determinado exercício e, portanto, é uma ferramenta básica de gestão que pode ser de curto prazo ou de longo prazo. O orçamento de curto prazo (geralmente um ano) é bastante detalhado e subdividido de acordo com as áreas da empresa. Sua função é quantificar os planos e estabelecer as metas operacionais que determinam o que fazer, quando fazer, como fazer e quais recursos utilizar. O orçamento de longo prazo orienta a realização dos objetivos estratégicos. Com o sistema orçamentário podem-se emitir diversos tipos de relatórios que contêm informações gerenciais importantes para a gestão de uma empresa, como os seguintes: - relatórios de análise de desempenho por áreas de responsabilidade; - relatórios de análise de resultados, como a margem de contribuição por produto; - relatórios de investimentos em imobilizado, que possibilitam a identificação do pay-back; - relatórios de performance econômica e financeira da empresa, como o ROAL - Retorno Operacional sobre os Ativos Líquidos -, que é o resultado gerado em relação aos investimentos dos ativos descontando-se os impostos recuperáveis conforme sua aquisição; - demonstrações financeiras, como o balanço patrimonial, a demonstração de resultado de exercício e a demonstração do fluxo de caixa projetado. Quando se trata de metas, na verdade estamos falando em estabelecê-las para o resultado da empresa de forma global, mas sempre buscando “conectar” as atividades de cada departamento, uma vez que cada setor da empresa também possui suas metas individuais a serem atingidas. UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 28 a) Planejamento O planejamento é um conjunto de metas estabelecidas de acordo com as ações individuais e coletivas. Segundo Figueiredo e Caggiano (2008), ele é definido como o processo de reflexão precedido da ação dirigido para a tomada de decisões com vistas no futuro. Para os autores, o processo de planejamento pode ser dividido em cinco etapas: 1 Estabelecer os objetivos da empresa. 2 Avaliar os possíveis cenários relacionando os fatores internos e externos que poderão afetar as operações da empresa. 3 Avaliar os recursos existentes para o uso eficiente (mão de obra, máquinas, investimentos, tecnologia, estoque, capital etc.). 4 Definir a estratégia para alcançar os objetivos estabelecidos. 5 Delinear um programa de ação e discriminar os recursos necessários. Em síntese, o processo de planejamento deve responder às seguintes perguntas: O que deve ser feito? Quando deve ser feito? Como deve ser feito? Quem deve fazê-lo? Para Sanvicente e Santos (1983), planejar é estabelecer com antecedência as ações a serem executadas para que sejam alcançados satisfatoriamente os objetivos porventura fixados para uma empresa e suas diversas unidades. O processo de planejamento pode ser dividido em três atividades: - Planejamento estratégico: avalia os riscos e oportunidades que o setor produtivo oferece e os pontos fortes e fracos da organização, com vistas a definir as diretrizes políticas, os objetivos e os princípios da empresa. IMPORTANT E Em gestão, podemos compreender as metas como uma função administrativa de planejamento, a execução dos planos e das ações, de acordo com o processo orçamentário, como uma função administrativa de direção, e a comparação dos resultados como uma função administrativa de controle. Em outras palavras, o orçamento envolve: PLANEJAMENTO DIREÇÃO CONTROLE. TÓPICO 2 | TIPOS DE ORÇAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES 29 - Planejamento programa: é um planejamento de longo prazo, normalmente de três a dez anos. - Planejamento orçamentário: é elaborado com um nível de detalhes superior às necessidades mais imediatas. Normalmente é o primeiro ano do planejamento de longo prazo, previsto e acompanhado mensalmente. O orçamento é uma ferramenta que demonstra uma ampla visão financeira da empresa e o seu acompanhamento possibilita identificar possíveis resultados fora do planejado. Nesse caso, providenciam-se os acertos necessários, evitando, assim, possíveis problemas futuros. b) Direção A direção pode ser compreendida como o “tomar cuidado” para que as ações individuais e grupais sejam coordenadas da melhor forma possível. E essa direção deve ser bem orientada através das reuniões dos comitês de avaliação. c) Controle O controle é um sistema de verificação do desempenho obtido com os objetivos traçados, de forma que ações corretivas possam ser implementadas. Sua existência é fundamental tanto para a execução de planejamento de curto como de longo prazo. Embora a maior ênfase esteja nas atividades de controle das operações de curto prazo, nas situações de planejamento de longo prazo ele permite verificar os avanços realizados e a necessidade de rever suas metas. Para Welsch (1983, p. 29), “controle é exercer continuamente um controle dinâmico, agressivo e flexível das operações, para assegurar conformidade realista com os planos e objetivos”. Desta forma, o controle tem a função de assegurar que as atividades sejam executadas em conformidade com os planos traçados. A figura a seguir demonstra a relação entre os elementos no processo de planejamentoe, posteriormente, o controle durante a sua execução. UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 30 FIGURA 6 – RELACIONAMENTO ENTRE OS ELEMENTOS NO PROCESSO DE PLANEJAMEN- TO DE UMA EMPRESA REALIZADO ORÇAMENTO CONTROLE DO ORÇAMENTO SISTEMA DE INFORMAÇÕES GERENCIAIS PLANOS DE MÉDIO E LONGO PRAZOS VISÃO, MISSÃO, OBJETIVOS, ESTRATÉGIAS E POLÍTICAS BASE DE DADOS DO DESEMPENHO PASSADO EXPECTATIVAS DOS INTERESSES INTERNOS EXPECTATIVAS DOS INTERESSES EXTERNOS AVALIAÇÃO: RISCOS, FORÇAS, OPORTUNIDADES E AMEAÇAS PLANO ESTRATÉGICO FONTE: Frezatti (2009, p. 15) O controle é uma fiscalização exercida sobre as atividades a fim de evitar que elas se desviem das normas e metas preestabelecidas. O ideal é fazer o controle à medida que as atividades vão se realizando, mas isso depende da implantação de um sistema de controle que envolve custos de implantação e operação. Para termos uma ideia sobre a necessidade dos controles das operações por meio dos processos orçamentários e dos cuidados com a qualidade e o tipo de controle ideal para exercer em uma empresa, vamos observar o que Semler (2002) descreve a partir da sua experiência sobre a emissão de relatórios, análise e decisões tomadas com base nas informações deles extraídos. Semler (2002, p. 73) narra sua experiência como administrador da empresa que herdou da família. Em 1982 fomos visitados pelo presidente de uma poderosa empresa, uma das maiores dos EUA, que ao cabo de uma visita pela fábrica folheou nossos sistemas de relatórios mensais e orçamento. Naquela época tínhamos os números no quinto dia útil do mês em pastinhas organizadíssimas. Se você quisesse saber quanto tinha sido o consumo de café na subseção de Usinagem Leve III, era só procurar na página 67, quadro 112.6. O homem ficou impressionadíssimo e disse que não esperava encontrar tanta eficiência numa empresa brasileira, que era muitas vezes maior que nós, que gostaria de ver este mesmo sistema instalado na empresa deles. A partir deste dia andávamos como pavões, declarando a quem quisesse ouvir que o nosso sistema de orçamento era estado-da-arte, que o presidente de um grande grupo norte-americano... Vocês com certeza conseguem imaginar a cena. Com o passar dos anos fomos percebendo que esses relatórios eram tão completos e sofisticados que aconteciam dois fenômenos: um, descobrimos que nossas despesas eram altas demais e nunca abaixavam porque tava lotado de neguinho na contabilidade que só fazia isto; dois, que tinha tanto número dentro da pasta que quase nenhum gerente lia – uma reunião para discutir um só departamento levava a tarde toda, e TÓPICO 2 | TIPOS DE ORÇAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES 31 ESTUDOS FU TUROS No item 2.5 do Tópico 2 (Unidade 3) deste Caderno de Estudos, faremos a análise das variações, com base em modelos de orçamentos e projeções orçamentárias. ninguém admitia que não tinha lido ou estudado os números (o que, por sinal, era humanamente impossível). Para encurtar uma longa história, o período em que menos soubemos o que realmente acontecia na empresa foi aquele. Alguns anos depois, essa poderosa empresa norte-americana, sofrendo graves dificuldades financeiras, foi perdendo participação no mercado e dinheiro, e atualmente está sendo dissolvida e vendida em pedaços. Moral da história: hoje temos um sistema simples, com poucas, mas relevantes informações, e somos capazes de agir sobre elas. Cortamos de quatrocentos para cinquenta centros de custo, decapitamos centenas de classificações contábeis, dezenas de linhas de demonstrativos, e agora está finalmente dando para enxergar a empresa. Poucos e grandes números, e disposição para agir sobre eles – o resto é estética. Observa-se que, para um bom controle, é essencial a emissão de relatórios de acompanhamento orçamentário e gerencial, mas de nada adianta que os mesmos sejam enormes e complexos, com muitas informações, a ponto de dificultar a sua interpretação e utilização dos dados na tomada de decisões. 4 TIPOS DE ORÇAMENTOS Existem diversos tipos de orçamento para serem utilizados, conforme a realidade da empresa e o seu campo de atuação. Dentre eles citam-se: orçamento estático, orçamento flexível, orçamento de tendências e orçamento base zero. a) Orçamento estático O orçamento estático é baseado a partir de um determinado volume de produção e vendas que a empresa deseja atingir. Se ocorrerem mudanças no ambiente do sistema empresa (analisado no Tópico 1 desta unidade), os orçamentos para um determinado período perdem sua validade, já que estarão “engessados” de acordo com o volume de produção e vendas que outrora fora definido. Segundo Padoveze (1997, p. 383), “caso a empresa, durante o período, considere que tais volumes não serão atingidos, parcela significativa das peças orçamentárias tende a perder valor para o processo de acompanhamento, controle e análise das variações”. UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 32 Se ocorrer qualquer incidente no mercado do mundo globalizado, como uma catástrofe natural, ou problemas na economia mundial ou em determinados países, isso poderá afetar de forma negativa os orçamentos estáticos. Mas, se ocorrerem fatores positivos na economia global ou de determinado país, isso também poderá afetar de forma negativa os orçamentos estáticos. Pois os mesmos não poderão ser alterados, a própria palavra já o define: ESTÁTICO IMÓVEL. O orçamento estático é mais apropriado para planos com metas a serem atingidas em curto prazo, como períodos bimestrais ou trimestrais, mais facilmente observadas em sazonalidade ou moda. Esse tipo de orçamento torna-se inviável para períodos de um ano ou mais, pois os ajustes tornam-se necessários e o estático não possui essa “flexibilidade”. b) Orçamento flexível Como o período do exercício social nas empresas é de 12 meses, muitas vezes a empresa precisa realizar ajustes no seu plano orçamentário para equilibrar seus objetivos e metas de resultados. Por isso, o orçamento não pode estar “engessado”. Vamos tomar como exemplo empresas do ramo eletrodoméstico, em que o governo, por um decreto, reduz a alíquota do IPI no mês de junho de um determinado ano. Desta forma, a redução da alíquota do IPI reduz o preço de venda do produto, o que leva ao possível aumento da procura no mercado. Desse modo, todas as previsões de vendas e de volume de produção precisam ser revistas para esse exercício social, pois será necessária maior aquisição de insumos, resultando no aumento de seus custos, além de outros custos e despesas que poderão ser necessários. O orçamento flexível pode ser ajustado de acordo com as necessidades da empresa e com as mudanças de mercado. Como a empresa é dividida em departamentos, ela possui níveis de atividades executadas por seus responsáveis. De acordo com Warren, Reeve e Fess (2001, p. 184-185), “pode-se pensar num orçamento flexível como uma série de orçamentos estáticos para diferentes níveis de atividades”. Esses níveis de atividades são níveis de processamento e requerem profundo conhecimento de custos, pois se ocorrerem mudanças no mercado que possam afetar o “turn- over” (rotatividade de funcionários) da empresa, isto afetará todas as peças orçamentárias de custos, envolvendo: salários, matéria-prima empregada para maior ou menor consumo, impostos ou encargos sociais de acordo com o volume a ser apurado em relação à nova realidade da empresa. Conforme Padoveze (1997, p. 383), “para tanto é necessário um profundo conhecimento dos padrões de comportamento dos custos”. Por conseguinte, essas mudanças afetarão tanto o planejamento do resultado da empresa como o planejamento dos seus recursos financeiros.TÓPICO 2 | TIPOS DE ORÇAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES 33 c) Orçamento de tendências O orçamento de tendências é uma prática orçamentária que utiliza dados passados para projetar o futuro, pois situações ocorridas no passado, decorrentes da estrutura organizacional já existente, servem de base para projetar situações futuras, uma vez que corre-se o risco de que tais situações possam acontecer novamente. Nesse aspecto é importante fazer uma média dos acontecimentos em um período de alguns exercícios sociais. Tal prática tem fornecido bons resultados em várias organizações empresariais. Mas, para haver sucesso neste tipo de planejamento orçamentário, deve-se levar em consideração que a realidade é muito dinâmica e que constantemente novos elementos surgem no processo, e que também devem ser previstos. Conforme Padoveze (1997, p. 383-384): Na execução do orçamento de tendências sempre existirão eventos passados de conhecimento da empresa, que não se repetirão e que, portanto, não serão reproduzidos no orçamento. Da mesma forma, existirão eventos futuros que não terão um passado onde se possa basear novas estimativas, que deverão ser orçadas de outra maneira. Muitas vezes, a empresa possui um mix padrão de produção e vendas. Por exemplo, a produção de barras de aço em determinadas bitolas torna-se um padrão e assim não há muitas mudanças no seu mix de produção. Para facilitar a elaboração do processo orçamentário, pode-se utilizar o orçamento de tendências, utilizando-se dados passados para projetar o futuro. d) Orçamento base zero O orçamento base zero (OBZ) é uma proposta conceitual que, apesar de ser muito pouco difundida entre os gestores das empresas, tem apresentado uma contribuição relevante para o processo orçamentário. A própria expressão base zero tem relação com a ideia de reavaliação de todos os programas e despesas propostos. Esse orçamento surgiu como uma contrapartida ao orçamento de tendências, pois, enquanto este se apoia em dados passados, o orçamento base zero parte de um novo estudo da empresa no mercado. Consiste em buscar novos elementos e nunca deve partir da observação dos dados passados. Serve como instrumento de questionamento das atividades existentes e de reflexão para a criação de outras mais eficazes, por isso é considerado também como uma metodologia gerencial para o planejamento e controle orçamentário. O OBZ muda a concepção de que o orçamento é igual ao já realizado, com alguns acréscimos e supressões. Mas, por quê? Porque, para alguns estudiosos do tema, eles podem conter ineficiências que o orçamento de tendências pode perpetuar. Padoveze (1997, p. 384) diz que: UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 34 Todas as atividades existentes na empresa têm uma razão de existir, e somente haverá a transformação de novos produtos e serviços se ocorrerem produção e vendas, por consequência, também as atividades administrativas de apoio e gerenciamento. Por esse motivo, o processo de acompanhamento das despesas define responsabilidades claras com base na avaliação do "Previsto x Realizado". Assim sendo, todos os desvios são tratados e analisados por meio de relatórios que visam mostrar com clareza as causas dos desvios e o desenvolvimento de um plano de ação para eliminá-los. Através desta prática, o orçamento da empresa passa a ser baseado em regras bem definidas, com intensa participação dos funcionários na redução de despesas. FIGURA 7 – REFERÊNCIA CONCEITUAL UTILIZADA PARA DESCREVER A ATIVIDADE DE UMA EMPRESA Atividades de apoio técnico Atividades de transformações Atividades de serviçoAtividades de preparação Atividades de apoio administrativo FONTE: Boisvert (1999, p. 63) A proposta do orçamento base zero está em rediscutir toda a empresa toda vez que se elabora o orçamento. Está em questionar cada gasto, buscando verificar a real necessidade. Resumindo, a questão fundamental permanente para o orçamento base zero é a seguinte: não é porque aconteceu que deverá acontecer. [...] Nesta linha de pensamento, cada atividade da empresa será rediscutida, não em função de valores maiores ou menores, mas na razão ou não de sua existência. A partir da existência da atividade, será realizado um estudo, partindo-se do zero, de quanto deveria ser o gasto para manutenção daquela atividade. Na figura a seguir observa-se o conjunto das principais atividades. TÓPICO 2 | TIPOS DE ORÇAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES 35 A desvantagem do OBZ é o seu processo trabalhoso. Exige-se um longo tempo de preparação em comparação com outros orçamentos tradicionais e pode envolver um processo burocrático bastante extenso, pois todas as atividades operacionais da empresa precisam ser repensadas e planejadas. É como se a empresa estivesse iniciando suas atividades a cada novo exercício social, o que não é viável para as empresas que possuem atividade contínua. Na maioria das empresas seu uso é pouco frequente, contudo pode ser aplicado a todas as empresas, públicas ou privadas, de qualquer porte. Esse tipo de orçamento pode ser útil na elaboração de projetos, ou seja, a cada projeto novo se realiza um orçamento a partir do zero. O orçamento base zero tem as seguintes características, conforme Lunkes (2010, p. 87): • analisar o custo-benefício de todos os projetos, processos e atividades, partindo de uma base ‘zero’; • focalizar objetivos e metas das unidades de negócio cujos recursos são consequência do caminho ou direção planejada; • assegurar a correta alocação de recursos com base no foco e nos fatores-chave do negócio; • aprovar o nível de gastos após a elaboração com base em critérios previamente definidos; • desenvolver forma participativa, com intensa comunicação entre as áreas; e • fornecer subsídios decisórios inteligentes para a gestão. Para o seu desenvolvimento, Lunkes (2010) propõe sete etapas básicas, que são: 1ª etapa: Definição das estratégias, objetivos e metas das unidades. 2ª etapa: Identificação dos pacotes de decisão. 3ª etapa: Definição da matriz de responsabilidade. 4ª etapa: Elaboração das PBZs, NBZs e VBZs. 5ª etapa: Priorização dos pacotes de decisão. 6ª etapa: Aplicação dos recursos. 7ª etapa: Acompanhamento do OBZ. Em uma análise mais específica, Coronado (2001) estabelece um modelo de identificação do resultado econômico (lucro), aplicando todas as ações necessárias em um processo de planejamento orçamentário. O resultado econômico da empresa está relacionado com todos os ambientes e atividades identificados na figura a seguir. O resultado operacional é alcançado conforme as atividades e os processos de produção em todos os ambientes onde estão relacionadas as empresas, tanto industriais como comerciais e de serviços. UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 36 As vantagens do orçamento base zero estão relacionadas com melhores planos e orçamentos, benefícios posteriores (obtidos durante o ano operacional) e desenvolvimento da equipe administrativa. Todavia, o OBZ não é muito comum nas empresas, pois demanda tempo de estudos e análises, e atualmente, com a escassez de recursos financeiros, torna-se dispendioso manter esse modelo orçamentário. FIGURA 8 – MODELO CONCEITUAL DA DECISÃO DE PREÇO E PLANEJAMENTO DE RESULTA- DO DA ÁREA DE VENDAS NO SETOR ATACADISTA/DISTRIBUIDOR FONTE: Coronado (2001, p. 119) TÓPICO 2 | TIPOS DE ORÇAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES 37 5 SISTEMA DE ORÇAMENTOS O sistema de orçamentos é o modelo de mensuração que avalia e demonstra, sob um formato contábil, as projeções de desempenhos econômicos e financeiros de uma empresa. Sua função é compilar as informações advindas de cada setor da empresa e apresentar os resultados da execução dos planosde ação que foram aprovados por cada gestor. Estudamos as relações dos fatores internos e externos no Tópico 1 desta unidade, e agora vamos demonstrar essa “conversa” entre cada departamento, na figura a seguir. FIGURA 9 – SISTEMAS DE INFORMAÇÕES GERENCIAIS FONTE: Adaptado de: Oliveira (1999, p. 248) Observe que o sistema de orçamentos relaciona todos os dados físicos relativos ao volume total de produção e vendas com os padrões das receitas, custos e despesas de cada área de responsabilidade, cada departamento. Após serem aprovados pela administração da empresa, juntamente com os respectivos planos de ação, são confiados aos responsáveis pela execução dos mesmos. UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 38 6 O QUE REFLETEM OS ORÇAMENTOS Como havíamos estudado no Tópico 1 desta unidade, os responsáveis de cada departamento precisam “conversar” entre si. E o que isso tem a ver com o que refletem os orçamentos? É uma pergunta pertinente. Os orçamentos refletem a necessidade da empresa – dos seus administradores - em comunicar aos seus gerentes ou responsáveis os planos de ação que devem ser executados de acordo com as políticas e diretrizes neles atribuídos. Deverão dar origem aos resultados projetados para avaliação e análise. Portanto, o que os orçamentos refletem são as políticas, que estão presentes nas seguintes áreas: • compras: busca no mercado a melhor relação de aquisição, tempo de entrega e preço; • estoques: melhora cada vez mais a política de inventários, reduzindo-os para atender da melhor forma possível o ponto de ressuprimento - que é o estoque mínimo que a empresa deve possuir sem afetar o custo financeiro da estocagem e do planejamento e controle de produção; • vendas: busca novas frentes de mercado. Uma das formas que as empresas encontraram para solucionar seus problemas de custos e despesas fixas é a diluição deles em um maior volume de produção, o que só pode ser atingido com o aumento do volume de vendas; • qualidade: produtos de qualidade possuem mercado garantido, pois qualidade é sinônimo de cliente satisfeito com sua durabilidade e garantia de conforto e bem-estar; • seleção e remuneração do pessoal: para atender à demanda de trabalho da empresa, a mesma precisa contratar os profissionais mais qualificados no mercado, e profissionais qualificados requerem uma melhor remuneração; por conseguinte, isso reflete na qualidade dos produtos; • contabilidade por área de responsabilidade: todos os resultados deverão ter sua transparência evidenciada em relatórios contábeis por áreas de responsabilidades, pois o sistema de informação gerencial facilita essa “conversa” entre cada departamento. Vimos isso na figura anterior. O orçamento irá refletir se o sistema de informações está adequadamente estruturado e capaz de mostrar aos gerentes os desvios que estão ocorrendo, merecendo ações corretivas ou não. 7 POR QUE PREVER? Até agora você estudou sobre sistema empresa, sua correlação entre os departamentos e como funciona um sistema orçamentário, com suas premissas para elaboração. TÓPICO 2 | TIPOS DE ORÇAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES 39 IMPORTANT E Quando elaboramos um orçamento, devemos levar em consideração que o principal objetivo da empresa é a venda, mas esta será efetivada somente se estiver precedida de um conjunto completo de previsões. A previsão orçamentária deve ser uma prática constante e necessária, mas a verdadeira previsão deve ser bem pensada, bem planejada, e apoiar-se em bases concretas, para que se possam medir todas as consequências. Até a década de 90 tinha-se a compreensão de que a aquisição de um bem do ativo imobilizado – máquinas e equipamentos – permitia o aumento da produção com a redução de pessoal, ou seja, produzir mais com menos pessoal empregado, sem haver a preocupação se o mercado seria capaz de absorver esse aumento de produção ou não. Aqui, encontramos um problema, que é identificar os custos do capital aplicado - a taxa de juros ou taxa de recuperação do capital -, demais gastos de funcionamento da máquina e se os mesmos não seriam superiores à receita futura advinda dessa produção excedente. Dessa forma, seria possível adquirir uma nova máquina, produzir e tentar vender os produtos? A palavra “tentar” coloca dúvida. Não é mais possível tentar algo, como no passado. Arriscar para dar certo? Na tentativa e erro? Entende-se que não, porque o custo de capital é muito elevado. Por que prever? A resposta está em evitar desperdícios desnecessários, pois não há mais como errar em um mundo competitivo como esse em que vivemos. ATENCAO 8 COMO PREVER? Existe no meio gerencial uma pergunta constante: Como prever? Podemos compreender com as seguintes respostas. Mas existem fatores que estão inseridos na cultura organizacional da empresa. Então vamos lá! UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 40 ESTUDOS FU TUROS O que estamos analisando corrobora com o que vamos estudar mais detalhadamente no item 2.2 - Princípios fundamentais do sistema de orçamentos, na Unidade 2. - É salutar que um planejamento orçamentário seja decomposto em períodos curtos, preferencialmente anuais ou semestrais. - A velocidade das informações e do mercado pode causar efeitos na elaboração das previsões orçamentárias. - As atividades da empresa – de cada departamento – deverão ser definidas, planejadas e harmonizadas. Perguntas frequentes, como: a) Quais são as bases da previsão? b) Quais são os limites orçamentários? Essas perguntas sobre como prever somente têm fundamento na definição dos produtos ou serviços nos quais a empresa possa garantir suas vendas. Garantia de Vendas CARRO-CHEFE O orçamento necessita de dados numéricos que reflitam a situação do mercado atual e permitam planejar o crescimento que a empresa pretende para o ano seguinte. No orçamento de vendas, por exemplo, a empresa faz as previsões de acordo com o mercado de atuação e com isto saberá os recursos necessários para atender à demanda da produção. Tung (1975, p. 88) diz que no planejamento de vendas “a empresa procura inteirar-se das suas próprias experiências, que poderão servir de indicação para maiores análises e investigações”. Para Sanvicente e Santos (1983, p. 53), “os critérios de detalhamento do orçamento de vendas são três: tempo, área geográfica e produto”. Em seguida, é importante que se faça uma previsão por produto e por período, levando em consideração o que o mercado pode absorver. Essa previsão comercial é fundamental para o sucesso do empreendimento e sua elaboração resulta da síntese de um conjunto de informações que são extraídas das seguintes áreas: a) Contabilidade: análise dos relatórios financeiros e de vendas (por períodos anteriores). TÓPICO 2 | TIPOS DE ORÇAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES 41 9 OS EFEITOS DO ORÇAMENTO NAS PESSOAS Quando se trata de aplicar os orçamentos para a sua execução, muitas vezes nos deparamos com situações que necessitam avaliações sob a ótica comportamental. Podem surgir erros no processo de elaboração e implantação dos orçamentos em níveis de supervisão. E quais seriam suas consequências? Para esta análise buscamos a contribuição de Figueiredo e Caggiano (1997), que abordam vários aspectos comportamentais que podem influenciar no processo decisório da gestão das empresas, os quais são os seguintes: ● Reação às pressões Geralmente os gestores buscam acompanhar e cumprir as propostas orçamentárias. Isso evita situações de manipulação ou escapes de resultados se estes não estão de acordo com os esperados no orçamento. Se as pressões orçamentárias forem excessivas por busca de resultados que não estão conseguindocumprir, pode ocorrer desconfiança, hostilidade e, eventualmente, baixa do nível de desempenho como reação aos controles orçamentários. Tipicamente, podemos dizer que os gestores podem, por consequência, “perder o foco do negócio”. Um dos problemas que podem gerar esse tipo de hostilidade é o controle dos custos, é uma causa comum de tensão entre os gestores, geralmente oriunda da pressão de “cortar custos”. ● Grande ênfase no curto prazo Muitas vezes nos deparamos com a frase: iniciarei um empreendimento hoje, para ganhar dinheiro amanhã. Grande engano. Um dos perigos que se depara na organização quando se avalia a efetividade dos gestores na busca dos melhores resultados é a ênfase na lucratividade de curto prazo. As medidas tomadas para melhorar a lucratividade de curto prazo podem prejudicar as expectativas de longo prazo da organização. b) Das estatísticas do departamento de vendas: principalmente da análise dos relatórios das vendas individuais ou em grupos de clientes, por períodos de entrega dos produtos. c) Do estudo dos mercados: uma expectativa realística só pode ser determinada se o mercado responder através da sua capacidade em absorver seus produtos. UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 42 Por quê? Porque existe a preocupação e a frustração do que vai acontecer em longo prazo se a empresa não atingir de imediato - curto prazo - os melhores resultados. O que pode ocorrer é a busca de aumento no lucro de curto prazo, utilizando medidas para diminuir os gastos, como a redução das despesas com pesquisa e desenvolvimento, ou não cumprir a previsão de gastos com os padrões adequados de manutenção, que poderão ser prejudiciais à empresa em longo prazo. Podemos assim chamar de “economia insensata”. Não se podem cortar recursos de pesquisas e desenvolvimento, colocando-se em risco a oferta de novidades da empresa no mercado. ● Má qualidade das decisões do executivo principal Se o executivo da empresa possuir excessiva confiabilidade no desempenho da empresa – em lucratividade – apenas por confiar nos relatórios orçamentários, pode também afetar a qualidade das decisões realizadas pelo mesmo. Desta forma, ele esquece que a empresa está inserida no sistema empresa, que estudamos no Tópico 1 desta unidade. Se a competência gerencial dos gestores se baseia somente na lucratividade de sua respectiva empresa, podem surgir daí erros sérios de julgamento. O gestor precisa conhecer o mercado. ● Má qualidade da comunicação Quando se adota o estilo de gestão autoritária de liderança, podem surgir atitudes negativas contra os objetivos da organização, levando à falsificação dos resultados orçamentários e à falta de boa vontade para transmitir informações. Por quê? A pressão psicológica e o estilo autoritário podem levar à elaboração de um orçamento de receitas de vendas com valores inferiores e ao aumento da previsão dos gastos. Se em ambos os casos ocorrer o inverso, poderão ocorrer premiações indevidas, pondo em risco a própria sobrevivência dos gestores. Quando um comportamento negativo prevalece numa organização que pratica o modelo de administração autoritária, pode acontecer que informações necessárias para a tomada de decisão não sejam transmitidas adequadamente aos gestores, ou que nem sejam transmitidas. A reação imediata dos superiores de primeira linha ou escalão pode ser a imposição de controles mais rígidos, o que apenas reforça as atitudes negativas por parte dos subordinados, levando-os a transmitir informações menos reais e úteis. É o popular “salve-se quem puder” ou “vou cuidar do meu emprego”. O progressivo endurecimento dos padrões administrativos pode resultar numa crescente deterioração do fluxo de informações, invalidando essas informações e tornando-as inviáveis para a tomada de decisões. Qualquer relutância por parte dos gestores em comunicar informações é um sério impedimento à eficiência com a qual as decisões de planejamento e controle precisam ser tomadas. TÓPICO 2 | TIPOS DE ORÇAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES 43 ● Departamentos excessivamente centrados em si mesmos Quando se elabora um orçamento por áreas de responsabilidades – os chamados centros de custos – pode ocorrer que a mensuração e a comparação do desempenho estejam concentradas totalmente no gestor, em seu próprio departamento. Esse tipo de tendência de centralização egoística obscurece a importância do relacionamento entre todos os departamentos, sendo que muitas vezes o gestor esquece que o resultado global da empresa é o resultado total de cada departamento individual. As questões interdepartamentais são muitas vezes ignoradas ou vistas de maneira rápida, com a finalidade de otimizar o resultado departamental. UNI Em outras palavras: - Desta área cuido eu, você cuida da sua área e “ponto final”. O resultado pode ser catastrófico. ● Limitação à iniciativa Existem aspectos do planejamento e do controle orçamentário que, quando implementados na organização, podem, muitas vezes, resultar na total supressão das oportunidades do exercício da iniciativa pessoal. O gestor acaba perdendo com isso a livre iniciativa de tomar atitudes, criar, liderar e ter motivação. Os orçamentos, muitas vezes, são camisas-de-força que desencorajam os gestores de se desviarem das previsões orçamentárias, mesmo quando fatores internos ou externos da empresa podem indicar que ações individuais podem e devem ser desenvolvidas, para melhorar os resultados da empresa. ● Desvios no orçamento O processo de se estabelecer metas orçamentárias pode ser chamado de processo de fazer julgamentos subjetivos (pessoais ou particulares) e, como resultado disso, as tendências ao surgimento de desvios são inevitáveis, de uma forma consciente ou inconsciente. Os gestores podem aumentar as expectativas das receitas e reduzir custos, quando estabelecem as metas orçamentárias, e assegurar que sejam mais facilmente atingidas. Desta forma, a introdução dos chamados “desvios UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 44 conscientes” é uma tentativa deliberada de assegurar que seu desempenho como gestor será mais bem avaliado. A utilização dos chamados “desvios” dentro das estimativas dos padrões orçamentários é um exemplo típico de resposta individual às pressões da organização. Exemplificando: se um vendedor estiver se sentindo ameaçado com a possibilidade de sofrer algum tipo de punição – por falta de promoção em cargos e salários ou redução das bonificações de vendas – como resultado de previsões exageradas de vendas, ele pode julgar necessário que é melhor para ele não fazer previsões otimistas das expectativas de vendas em sua área. Caso contrário, se o seu desempenho for avaliado em termos do “quanto ele consegue melhorar as metas orçamentárias”, a tendência será de fazer previsões pessimistas das vendas, para que melhores resultados sejam alcançados em relação ao previsto 10 VANTAGENS E LIMITAÇÕES DO ORÇAMENTO O orçamento auxilia na coordenação e sintonia das ações pertinentes às diferentes áreas de acordo com os objetivos da empresa. Neste sentido, as principais vantagens do sistema orçamentário, segundo Sanvicente e Santos (1983, p. 23-24), são as seguintes: a) A existência e a utilização do sistema exigem que sejam concretamente fixados objetivos e políticas para a empresa e suas unidades. Através da sistematização do processo de planejamento e controle, graças ao uso de orçamentos, isto introduz o hábito do exame prévio e cuidadoso de ‘todos’ os fatores antes da tomada de decisões importantes, além de obrigar a administração da empresa a dedicar atenção adequada e oportuna aos efeitos eventualmente causados pelo surgimento de novas condições externas.b) Por meio de uma integração de diversos orçamentos parciais num orçamento global (ou seja, para as operações de toda a empresa em dado período), este sistema de planejamento força todos os membros da administração a fazerem planos de acordo com os planos de outras unidades da empresa, aumentando o seu grau de participação na fixação de objetivos, mesmo que não sejam os mais altos objetivos da empresa, mas sim na medida do alcance de sua autoridade. c) Obriga os administradores a quantificarem e datarem as atividades pelas quais serão responsáveis, em lugar de se limitarem a compromissos com metas ou alvos vagos e imprecisos. d) Reduz o envolvimento dos altos administradores com as operações diárias, através da delegação de poderes e de autoridade que se refletem nos orçamentos das diferentes unidades operacionais. e) Identifica os pontos de eficiência ou ineficiência no desempenho das unidades da empresa e permite acompanhar em que termos está havendo progresso no sentido da consecução dos objetivos gerais e parciais da empresa. f) Finalmente, a preparação de um orçamento para toda a empresa tende a melhorar a utilização dos recursos a ela disponíveis, bem como ajustá-los às atividades consideradas prioritárias, para que sejam alcançados os seus objetivos. TÓPICO 2 | TIPOS DE ORÇAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES 45 FIGURA 10 – FLUXO DO ORÇAMENTO GLOBAL Orçamento de caixa Balanço Patrimonial Orçado Orçamento de Capital Orçamento Financeiro Orçamento Operacional Orçamento do Estoque Final Orçamento dos Custos de Materiais Diretos Orçamento dos Custos de Materiais Diretos Orçamento dos Custos de Materiais Diretos Orçamento de Vendas/Receitas Orçamento de Fabricação Orçamento do Custos dos Produtos Vendidos Demonstração de Resultado Orçado Orçamento das Despesas Pesquisa e Desenvolvimento Vendas e Marketing Distribuição Administração Outros FONTE: Nascimento; Reginato (2009, p. 158) Podemos observar a sistemática de um modelo de orçamento que pode ser adaptado a qualquer unidade de negócio, ressalvando-se o orçamento de fabricação, que não se aplica às empresas do ramo comercial e nem de prestação de serviços. O orçamento inicia-se com a previsão de vendas que está vinculada ao orçamento do estoque final, orçamento de fabricação e orçamento das despesas. Por sua vez, o orçamento de fabricação tem relação com o orçamento dos custos de materiais diretos e, por conseguinte, tem o seu reflexo no orçamento do custo dos produtos vendidos. Tudo isso está relacionado com o orçamento operacional da empresa, pois se devem prever, a partir das receitas de vendas, todos os gastos operacionais que a empresa possa ter de acordo com a demanda do mercado. Por final, existe o orçamento financeiro, que vai apresentar todo Todos os setores da empresa devem estar envolvidos na elaboração do orçamento, cabendo ao setor de orçamento orientar, fornecer e consolidar as informações fornecidas pelos outros departamentos, como demonstra a figura a seguir. UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO 46 o resultado da movimentação acima descrita e as informações são extraídas com o uso da demonstração de resultado orçada, do orçamento de capital, do balanço patrimonial orçado e do orçamento de caixa. Isto comprova a facilidade e sistematização das informações do orçamento. Todavia, os autores Sanvincente e Santos (1983, p. 24-25) também explicitam algumas limitações do processo orçamentário que precisam ser superadas, tais como: a) Os dados contidos no orçamento não passam de estimativas, estando assim sujeitos a erros maiores ou menores, segundo a sofisticação do processo de estimação e a própria incerteza inerente ao ramo de operações da empresa. Entretanto, se a finalidade é planejar, nada pode ser feito para eliminar inteiramente qualquer margem de erro. Afinal de contas, é melhor planejar com consciência do erro que possa estar sendo cometido do que simplesmente admitir o futuro como incerto e não fazer preparativos para enfrentá-lo. b) O custo do sistema. É claro que esta técnica não pode ser usada com a mesma intensidade e complexidade por empresas de todos os tamanhos, ou seja, nem todas as empresas contam com os recursos necessários para contratar pessoal especializado em supervisão de orçamentos e desviar tempo do pessoal de linha para planejar e elaborar orçamentos. [...] c) O uso de um sistema desta natureza ajusta-se melhor a uma dada filosofia e a um certo estilo de administração (com participação) que, talvez, não sejam aceitáveis em algumas empresas. Na empresa com administração de caráter excessivamente autoritário, não recomendamos o emprego desta técnica em suas ramificações de controle e responsabilidade. Planejar e controlar é sempre bom, em nossa opinião, mas, sem a correspondente delegação de autoridade e responsabilidade, o uso desta técnica acabará por transformar-se mais em um exercício dispendioso do que em uma forma de administrar mais racionalmente os recursos da empresa. 47 RESUMO DO TÓPICO 2 Chegamos ao final do Tópico 2. Vamos fazer uma revisão do que estudamos até agora? ● Os conceitos de orçamentos facilitam a compreensão do que é um orçamento e qual tipo de informação ele pode gerar. ● Deve-se planejar o orçamento, direcionar suas atividades e controlar o seu desempenho ou os seus resultados (Planejamento Direção Controle). ● O orçamento estático é baseado na elaboração a partir da determinação de um volume de produção e vendas a ser cumprido e não permite qualquer tipo de ajuste. ● O orçamento flexível permite ajustes que se façam necessários para acompanhar o desempenho e desenvolvimento da economia e do mercado. ● O orçamento de tendências é o tipo de orçamento que, ao ser elaborado, busca apoio em informações e dados do passado para prever o futuro. ● O orçamento base zero propõe romper com o passado e elaborar todo o processo orçamentário a partir de novos estudos da empresa. ● O sistema de orçamento apresenta de que forma os departamentos interagem entre si e alimentam o sistema de informações para a elaboração das peças orçamentárias. ● Por que prever? Essa é uma maneira de compreender que o orçamento serve para identificar se a aplicação realizada em determinado tipo de investimento seja realmente viável. ● Como prever? Essa é uma forma de melhor elaborar um orçamento, ou seja, identificando com qual tipo de produtos a empresa possa alcançar o melhor resultado, utilizando-se do “carro-chefe” das vendas. ● O efeito do orçamento nas pessoas permite identificar os aspectos comportamentais que podem influenciar os gerentes ou gestores e levar a empresa ao sucesso ou ao fracasso, dependendo do nível do efeito que o orçamento possa exercer. ● Os aspectos comportamentais que influenciam no processo decisório da gestão das empresas são: reação às pressões, grande ênfase no curto prazo, má qualidade das decisões do executivo principal, má qualidade da comunicação, departamentos excessivamente centrados em si mesmos, limitação à iniciativa, desvios no orçamento. 48 1 De que forma se pode conceituar um orçamento? 2 O que significa orçar? 3 Qual é o papel do planejamento na elaboração de um orçamento? 4 Qual é o papel da direção na elaboração de um orçamento? 5 Qual é o papel do controle na elaboração de um orçamento? 6 Com as suas próprias palavras, explique o que é o orçamento estático. 7 Com as suas próprias palavras, explique o que é o orçamento flexível. 8 Com as suas próprias palavras, explique o que é o orçamento de tendências. 9 Com as suas próprias palavras, explique o que é oorçamento base zero. 10 Que efeitos negativos podem causar quando os gestores enfatizam demasiadamente a lucratividade de curto prazo? 11 De acordo com a seguinte frase: Quando se elabora um orçamento por áreas de responsabilidades – os chamados centros de custos – pode ocorrer que a mensuração e a comparação do desempenho estejam concentradas totalmente no gestor, em seu próprio departamento. Sobre esse assunto, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Desvios no orçamento. b) ( ) Departamentos excessivamente centrados em si mesmos. c) ( ) Limitação à iniciativa. d) ( ) Má qualidade da comunicação. 12 Assinale a alternativa que corresponda com a seguinte frase: “A previsão comercial é fundamental para o sucesso do empreendimento e sua elaboração resulta da síntese de um conjunto de informações que são extraídas das seguintes áreas”: a) ( ) Setor de almoxarifado, das estatísticas do departamento de vendas, do estudo dos mercados. b) ( ) Contabilidade, das estatísticas do departamento de compras, do estudo da política nacional. c) ( ) Contabilidade, das estatísticas do departamento administrativo geral, do estudo dos mercados. d) ( ) Contabilidade, das estatísticas do departamento de vendas, do estudo dos mercados. AUTOATIVIDADE 49 TÓPICO 3 IMPLANTAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Nos Tópicos 1 e 2 desta unidade você estudou a empresa como um sistema, os principais tipos de orçamento e os principais aspectos que envolvem a elaboração e aplicação de um processo orçamentário. Neste tópico veremos que para a efetiva implantação de um processo orçamentário é necessário que o processo de gestão envolva planejamento, execução e controle, avaliação das áreas de suas responsabilidades e o envolvimento dos gestores com motivação e empreendedorismo. Vamos à busca deste conhecimento! 2 PLANO ORÇAMENTÁRIO Quando falamos em plano orçamentário, devemos estar atentos ao orçamento e ao processo de gestão como ferramenta para direcionamento das atividades da empresa. Os gestores também devem compreender a utilidade das ferramentas orçamentárias e implementá-las. A mudança da mentalidade para aceitar os princípios fundamentais da elaboração dos orçamentos e implementá-los possibilita aos gestores ter condições de criar cenários necessários para prever possíveis acontecimentos na empresa e adequar as ferramentas orçamentárias com essa realidade. 2.1 ORÇAMENTO E PROCESSO DE GESTÃO Quando tratamos de processo de gestão precisamos, primeiramente, definir o sistema empresa envolvido na elaboração e execução do orçamento empresarial. Sabemos que quanto menor for o porte da empresa, mais fácil será o acesso das informações por parte do administrador do negócio, a partir do profissional responsável pela elaboração do orçamento, pois a troca de informações praticamente acontece de forma instantânea. 50 UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO Em um processo de gestão, a avaliação das áreas de responsabilidades deve ser realizada em concordância com os objetivos da empresa, sendo que estes objetivos devem atender às premissas do mercado. Por exemplo, se a empresa atua no ramo têxtil, o objetivo desta empresa é o atendimento do mercado neste segmento. Padoveze (2005a, p. 22) afirma que “o processo de gestão tem por finalidade permitir à empresa alcançar resultados dentro de um conjunto coordenado de diretrizes, para atingir as metas e os objetivos explicitados na declaração da visão empresarial”. Feito isso, cada área tem sua participação e cada uma delas deve ser avaliada de acordo com suas funções. Por exemplo: • A área financeira deve ser avaliada diariamente para identificar se houve sobra ou falta de caixa, conforme as informações que foram geradas da movimentação do setor de contas a receber e a pagar. • O setor de contas a receber deve avaliar se as cobranças previstas ocorreram com coerência e avaliar os clientes inadimplentes. Isso é necessário, pois o setor financeiro necessita da previsão de cobrança para programar a entrada de recursos financeiros no caixa. • O setor de contas a pagar fornece as informações de previsão de pagamentos para o setor financeiro. Se ocorrerem distorções de informações, pode prejudicar o andamento das atividades do setor financeiro, pois as contas a pagar que não estão previstas ocasionam falta de recursos no caixa e, possivelmente, atrasos na sua liquidação. • O departamento de vendas deve ser avaliado de acordo com o Orçado x Realizado, pois, apesar da sinalização que o mercado oferece à empresa, uma previsão de vendas errônea coloca em risco a geração de receita e possivelmente a falta de caixa. Uma venda prevista e não realizada é um recurso financeiro que deixa de ser registrado no caixa. Imagine você fazendo a previsão de uma receita de recursos financeiros para a sua conta corrente pessoal. Você, com certeza, planejará onde investir esse dinheiro. Caso isso não ocorra, ficará frustrado, já que havia uma expectativa de obter um determinado resultado. Imagine esta situação acontecendo com uma empresa. Uma expectativa frustrada pode colocar em risco toda a credibilidade da empresa perante os subalternos e a sociedade. O gestor não acreditará com tanta facilidade nos resultados previstos de um próximo processo orçamentário, além de colocar em risco a credibilidade do trabalho do responsável na elaboração do orçamento. Mas o que se pode fazer para evitar esse tipo de expectativa frustrada? Existe uma maneira, que se chama processo decisório. É por meio do processo decisório que se tem a oportunidade de utilizar um modelo de gestão centralizado ou descentralizado. TÓPICO 3 | IMPLANTAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 51 O processo decisório centralizado determina que somente uma pessoa decida e encaminhe todas as atividades inerentes à elaboração do orçamento. Mas, ao centralizar esta competência para apenas uma pessoa, poderão existir dificuldades entre profissionais ou até mesmo setores, dificultando a obtenção de informações necessárias à elaboração do orçamento, uma vez que não terá o envolvimento de todos no processo. Em um processo decisório descentralizado acontece a delegação de responsabilidade e autoridade. Isso se chama ACCOUNTABILITY, amplamente estudado em Controladoria, que consiste na obrigação que têm as pessoas envolvidas no processo decisório e operacional de prestar contas dos resultados obtidos, em função das suas responsabilidades vinculadas às suas funções que decorrem da delegação de poder. Neste sentido, Nakagawa (1994, p. 19) diz que: [...] sempre que alguém (principal) delega parte de seu poder ou direitos a outrem (agente), este assume a responsabilidade de, em nome daquele, agir de maneira coerente com relação ao objeto da delegação e, periodicamente, até o final do mandato, prestar contas de seus desempenhos e resultados. A esta dupla responsabilidade, ou seja, agir de maneira coerente e prestar contas de desempenhos e resultados, dá-se o nome de accountability. As responsabilidades de cada funcionário da empresa são determinadas em todos os níveis da organização, desde o operacional até o estratégico, ao mesmo tempo em que são delegados poderes específicos e fornecidos os recursos necessários para o cumprimento das suas atribuições. Dentro dessa cadeia de accountability, a expectativa será sempre atingir a gestão eficiente e eficaz dos negócios da empresa. Todos os envolvidos estarão engajados na consecução dos objetivos e nas metas estabelecidas dentro de seu âmbito de autoridade e responsabilidade. Para os níveis de chefia da empresa, as responsabilidades de cada cargo estão normalmenteexplicitadas em descrições das atribuições do cargo, que delimitam claramente os níveis e limites de autoridade, com detalhamento dos resultados que a empresa espera obter. A prestação de contas dos resultados alcançados corresponde à obrigação derivada dessa delegação de autoridade, ou seja, cada parte envolvida no processo tem uma meta para atingir. A expectativa, neste nível de delegação de poder (autoridade), é que os gestores contratados sempre procurarão otimizar os interesses dos acionistas e investidores da empresa, além de buscar a sua satisfação pessoal e profissional. A responsabilidade (accountability), como se pode perceber, corresponde sempre à obrigação de executar algo e apresentar resultados que decorrem da autoridade delegada e somente são quitadas com a prestação de contas dos mesmos. 52 UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO A autoridade é a base fundamental da delegação de poder e a responsabilidade corresponde ao compromisso e obrigação que a pessoa envolvida deve ter com um desempenho eficiente e eficaz. Portanto, responsabilidade é a obrigação que o executor tem de realizar as atividades e prestar contas dos resultados obtidos. A autoridade pode ser delegada, mas a responsabilidade não, porque a responsabilidade dos resultados obtidos é, única e exclusivamente, atribuição das pessoas envolvidas na delegação de autoridade. Conforme Perez Júnior, Pestana e Franco (1995, p. 33-34), o conceito de autoridade e responsabilidade na gestão de negócios das empresas pode ser esclarecido utilizando uma cadeia de accountability, conforme exposto no quadro a seguir: QUADRO 1 – CADEIA DE ACCOUNTABILITY 1 Responsabilidade e Autoridade Agente Assume a Responsabilidade de Delega a Autoridade Acionista Majoritário Eleger o Conselho de Administração da entidade. Ao Conselho de Administração, para administrar o negócio e nomear a diretoria da entidade. Conselho de Administração Gerir o negócio e nomear a diretoria da entidade. À diretoria da entidade, para dirigir as atividades do negócio e contratar a gerência. Diretoria Dirigir o negócio e contratar a gerência. À gerência, para gerenciar o negócio e contratar supervisores e assistentes. Gerência Gerenciar as atividades do negócio e contratar supervisores e assistentes. Aos supervisores e assistentes, para executar as operações do negócio. 2 Prestação de Contas Agente Executa Reporta Supervisores e assistentes As atividades operacionais do negócio. À gerência, o resultado de suas atividades através de documentos e relatórios. Gerência O gerenciamento do negócio. À diretoria, o resultado de suas atividades através de relatórios gerenciais. Diretoria A direção do negócio. Ao Conselho de Administração, o resultado de suas atividades através das demonstrações contábeis e dos relatórios gerenciais. Conselho de Administração A administração do negócio. Aos acionistas majoritários e minoritários, o resultado de suas atividades através das demonstrações contábeis e do relatório da administração. FONTE: Perez Junior; Pestana; Franco (1995 p. 33-34) TÓPICO 3 | IMPLANTAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 53 O quadro anterior apresenta uma noção da delegação de autoridade e cobranças de responsabilidade. Crozatti (apud PADOVEZE, 2005a, p. 21) estabelece que: O modelo de gestão ideal deve ser estruturado considerando-se os seguintes aspectos: o processo de gestão do sistema empresa (planejamento, execução, controle); a avaliação das áreas de suas responsabilidades; o processo decisório (centralização ou descentralização); o comportamento dos gestores (motivação, empreendedores). Esse autor aborda sobre a importância do comportamento dos gestores e afirma que existem dois fatores importantes, que são a motivação e o empreendedorismo. A motivação tem relação com a satisfação pessoal e envolve diversos fatores, inclusive pessoais e familiares, durante a sua vida cotidiana. UNI A motivação deve estar sempre presente. O gestor deve estar motivado e não pode ser desmotivado por causa das pressões exercidas de seus superiores em busca de resultados. A inovação é a constante busca de novos valores profissionais e de resultados e está vinculada com o perfil empreendedor. No processo de gestão tem-se a necessidade de estar sempre inovando. UNI Ser um gestor empreendedor é administrar a empresa como se fosse sua. Como vimos até agora, ter motivação e ser empreendedor são qualidades importantes para o gestor que pretende alcançar o sucesso empresarial, ou mesmo em outras áreas de sua vida. 54 UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO É fundamental, no processo de gestão, que os profissionais envolvidos estejam motivados e que tenham o espírito empreendedor, para que a empresa alcance os resultados almejados. Conforme Padoveze (2005a, p. 22), o “modelo de gestão é produto do subsistema institucional e pode ser definido como o conjunto de normas e princípios que devem orientar os gestores na escolha das melhores alternativas para levar a empresa a cumprir sua missão com eficácia”. O processo de gestão tem relação com PLANEJAMENTO EXECUÇÃO CONTROLE. Assim, Padoveze (2005a, p. 22) afirma que: O processo de gestão não se limita ao planejamento; inicia-se a partir deste e incorpora todas as etapas da execução das atividades, bem como do controle da execução destas. O controle, por sua vez, não se limita a eventos passados, mas deve permitir controles antecedentes e posteriores aos eventos realizados. IMPORTANT E É possível perceber que PLANEJAMENTO EXECUÇÃO CONTROLE tem relação com Accountability. A delegação da autoridade e a responsabilidade de apresentar os melhores resultados contribuem na elaboração do modelo de gestão e na elaboração e implantação do orçamento empresarial. 2.2 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO SISTEMA DE ORÇAMENTOS A execução das ferramentas do orçamento empresarial compreende os princípios fundamentais do sistema de orçamentos. Como o processo orçamentário é formado por pessoas, cada membro envolvido responde por diversos estímulos e necessidades que o próprio mercado estabelece e a empresa (sistema empresa) deve se adequar. IMPORTANT E Atualmente, os resultados que a empresa obtém, interna ou externamente, estão relacionados com os estímulos provocados pelas constantes mudanças de mercado. TÓPICO 3 | IMPLANTAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 55 Segundo Nakagawa (1994), existem alguns princípios fundamentais que refletem os orçamentos e podem ser definidos da seguinte forma: a) Envolvimento dos gerentes: pressupondo que os gerentes venham a aderir à filosofia, crenças e valores da empresa, este princípio preconiza que os gerentes devam participar ativamente do processo de planejamento e controle da mesma. Pode-se observar que o gestor deve possuir espírito motivacional e perfil de empreendedor, conforme foi estudado no item 2.1 Orçamento e processo de gestão desta unidade. b) Adaptação organizacional: é importante a compatibilidade entre a estrutura organizacional e o processo de tomadas de decisões, buscando harmonizar as atividades entre os gestores de cada departamento. A estrutura organizacional deve ser suficientemente compatível com o estilo de tomada de decisões da empresa. As atividades de cada gestor devem fluir de forma satisfatória ao atendimento das necessidades da gestão dos negócios. c) Contabilidade por áreas de responsabilidades: os sistemas de informações gerenciais, contendo informações do orçado e do realizado, devem ser estruturados por áreas de responsabilidade. A elaboração e aprovação dos planos e o controle da execução dos mesmos devem ser atribuídos aosresponsáveis de cada área, correspondendo à adaptação organizacional. Quando estudamos sistema empresa, verificamos que cada departamento responde por suas ações, contribuindo para a geração do resultado global da empresa. A contabilidade por áreas de responsabilidade permite a cada gestor o acompanhamento dos resultados do seu setor como se fosse uma empresa. d) Orientação para objetivos: o sistema de orçamentos deve ser compreensível e objetivo, permitindo melhor entendimento dos seus usuários, e contribuir para que, na elaboração e aprovação dos planos de ação, as políticas e diretrizes sejam de acordo com os objetivos da empresa e que possam atingir os resultados de forma satisfatória. e) Comunicação integral: o sistema de orçamentos deve possuir uma linguagem de fácil compreensão, pois para verificar a efetiva comunicação das políticas e diretrizes, dos planos e objetivos da empresa em todos os níveis de gerência, é preciso compatibilizar o sistema de informações, o processo de tomada de decisões e a estrutura organizacional. Entre outras palavras, deve ser acessível a todos, pois a pessoa responsável por cada setor possui sua própria percepção e assimilação das informações. Se a linguagem for acessível, isto facilitará o atendimento das premissas do Accountability. f) Expectativas realísticas: as pessoas buscam desafios para o seu fortalecimento e engrandecimento, tanto pessoal quanto profissional. Portanto, para que os objetivos do sistema de orçamentos sejam motivadores, eles precisam ser desafiadores. Os padrões de produtividade, eficiência (fazer algo ou alguma coisa) e eficácia (fazer essa coisa com bons resultados) devem ser elevados, mas 56 UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO não impossíveis de serem alcançados. Devem ser estabelecidos com base em valores compatíveis com a realidade da empresa e de seu ambiente, de acordo com a capacidade do seu pessoal envolvido. E permitir também que as pessoas envolvidas possam se sentir úteis de modo que possam contribuir com novas ideias e perspectivas e não trabalhar de forma “engessada”. g) Oportunidade: Cada etapa do sistema de orçamentos deve possuir um tempo de início e fim de atividades. Nada é mais desastroso para a confiabilidade e a eficácia do sistema orçamentário do que o fato de os planos de ação ou relatórios de avaliação de desempenhos chegarem às mãos dos gestores somente após o início das atividades, ou muito tempo após seu término. É interessante para o gestor de negócios que ele tenha as informações para o processo de decisão no menor tempo possível. Com as constantes mudanças nos cenários de mercado, torna-se necessária uma maior agilidade na tomada de decisões. Assim, quanto mais rápido as informações forem geradas, melhor. h) Aplicação flexível: o sistema de orçamentos é um guia para ações de forma racional e sistematizada, mas não pode ser instrumento de dominação. O sistema deve permitir correções, ajustes, revisões de orçamentos, revisões de planos e de ações, enfim, ser flexível. Um orçamento que não permite flexibilização poderá inviabilizar o processo decisório. i) Reconhecimento dos esforços individuais e de grupos: os gerentes são contratados com a expectativa de serem empreendedores, tomadores de decisões, e para mantê-los sempre motivados é preciso reconhecer seus esforços individuais ou em grupos. Para isto é necessário que a empresa possua políticas e planos de incentivos adequados e claramente definidos, podendo ser por reconhecimento remuneratório ou por promoções. Para um profissional estar sempre motivado é importante o reconhecimento dos seus esforços, sendo que muitas vezes este reconhecimento está pautado em bônus ou incentivos financeiros. j) Acompanhamento: este princípio reforça o desenvolvimento dos gerentes, uma vez que as atividades em execução precisam ser mensuradas, avaliadas e controladas com vistas a três objetivos: (1) no caso de desempenho inferior, dar início a ações corretivas e de ajustes necessários, incluindo-se também o preparo e treinamento de pessoal; (2) no caso de desempenho favorável, reconhecê-lo e permitir a transferência do conhecimento aos gerentes de outras áreas, inclusive com promoção de políticas de premiação e vantagens com foco no negócio do empreendimento; e (3) aperfeiçoar o próprio processo de tomada de decisões, pois melhorias sempre serão possíveis se todos estiverem engajados e direcionados para o objetivo principal da empresa, com utilização das ferramentas orçamentárias. No acompanhamento de resultados, deve-se estar atento para que os mesmos sejam assimilados pelos gestores de forma a promover as melhorias necessárias. TÓPICO 3 | IMPLANTAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 57 2.3 CRIAÇÃO DE NOVAS MENTALIDADES Quando falamos em novas mentalidades, devemos estar focados na melhoria contínua dos processos, estando em consonância com a elaboração dos orçamentos. Ao se implantar um projeto desse nível, os gestores devem estar aptos a aceitar e por em prática as novas filosofias, novas mentalidades. Geralmente, nas empresas as atividades funcionam ao estilo top-down. Se as mudanças partem de cima, do topo da administração, os demais funcionários assimilam e acatam, mas não incorporam uma nova mentalidade. É fundamental ressaltar que não serão bem-sucedidas as mudanças propostas com as filosofias orçamentárias se não ocorrer a incorporação de uma nova cultura orçamentária. Sanvicente e Santos (1983, p. 28) afirmam que é necessário destacar a educação orçamentária, enfatizando o “[...] destaque à exigência de um processo simultâneo de educação orçamentária, ou de criação, dentro da empresa, de uma atitude apropriada ao aproveitamento das vantagens do sistema”. Então, o que se entende por educação orçamentária? Vamos buscar essa contribuição com os autores Sanvicente e Santos (1983, p. 28), que a definem da seguinte forma: Entendemos por educação orçamentária um programa de comunicação aos administradores já envolvidos ou que virão a se envolver com o uso do sistema orçamentário, de seus benefícios, tanto para a empresa quanto para o melhor desempenho de suas tarefas específicas na organização. A educação orçamentária está voltada para atender à necessidade de conscientização, principalmente dos gestores, na mesma linha de comando, ou seja, conscientizar primeiramente a diretoria, ou no caso, a gerência. É importante que isto aconteça, porque é a gerência que dá credibilidade à atuação dos demais gestores. De nada adiantaria implantar um orçamento que a diretoria não utiliza, nem o valida. É importante que a conscientização aconteça no nível dos gestores de escalões mais altos da empresa, como diretores ou gerentes, para depois envolver os demais cargos subordinados. Isso está em concordância com Accountability, que estudamos no item 2.1 deste tópico. ATENCAO 58 UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO Outro ponto importante a ser tratado neste tópico trata-se da busca de apoio dos entusiastas. Mas, por que isso? Porque esse grupo de profissionais está voltado para mentalidade mais aberta em assimilar e divulgar mudanças. E mesmo porque, quando os resultados são satisfatórios, há maior facilidade em divulgar e convencer os demais grupos de gestores que permanecem de forma cética à mudança cultural. [...] dois pontos táticos talvez sejam importantes para melhorar a disposição apresentada pelos administradores para usar o sistema orçamentário: (1) na sua implantação é aconselhável iniciar pelas áreas em que estejam concentrados os ‘entusiastas’, para que os resultados satisfatórios facilitem a aceitação pelas demais; (2) é interessante programar contatos diretos entre os administradoresde linha e o gerente de orçamentos, para que este compreenda melhor as realidades operacionais da empresa e não acabe projetando um sistema orçamentário que não condiga com a situação em que a empresa atua, além de poder cercear a liberdade de ação dos administradores; ou seja, a empresa acabará sendo ‘tão bem controlada’ que ficará afogada em relatórios, podendo até mesmo vir a perder oportunidades legítimas de lucro. (SANVICENTE; SANTOS, 1983, p. 28). Ainda de acordo com o autor, outra forma de melhorar o nível de comunicação interna na empresa é estabelecer formas de contato entre o responsável pela elaboração dos orçamentos e as diversas áreas da empresa. Isso facilita o desenvolvimento das atividades e minimiza os impactos negativos gerados por qualquer falta de acesso do gestor orçamentário às situações que tenham certa influência no processo das atividades. É fundamental que o responsável pelo processo da elaboração dos orçamentos tenha acesso a todas as áreas da empresa, e que conheça a realidade de mercado, pois isso pode afetar os resultados propostos no processo orçamentário. Estudamos esses fatores internos e externos que podem afetar os resultados da empresa no Tópico 1 - Sistema empresa desta unidade. ATENCAO 2.4 ADEQUAÇÃO DO SISTEMA DE ORÇAMENTOS À ESTRUTURA ORGANIZACIONAL Para o sistema de orçamentos alcançar o sucesso na empresa e ser reconhecido como uma ferramenta útil à gestão de negócios é importante que a empresa adote uma estrutura organizacional que seja de fácil visualização em um organograma. O organograma apresenta a estrutura das funções da empresa e possibilita identificar todos os envolvidos neste processo. TÓPICO 3 | IMPLANTAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 59 UNI O estudo do organograma é tema da área de controladoria. Sanvicente e Santos (1983, p. 28) afirmam que: Planejamento e controle, as atividades administrativas particularmente favorecidas pelo uso de um sistema orçamentário, pressupõem também a designação de níveis de autoridade e de responsabilidade pelas decisões, além de medidas necessárias para que sejam alcançados os objetivos da empresa. Estes níveis de autoridade e responsabilidade devem apresentar-se na estrutura organizacional de forma simples, objetiva e permitir a identificação de quais são as pessoas responsáveis em cada setor da empresa. Desta forma, torna- se mais acessível o contato com os profissionais, além de facilitar a comunicação interna. Conforme Sanvicente e Santos (1983, p. 29), “essa designação de autoridade e responsabilidade, qualquer que seja o critério adotado (produto, função ou região), é o que chamamos de estrutura organizacional da empresa”. Não importa qual o nível de implantação do sistema de orçamento, se este está sendo implantado por tipos de produtos ou por nível de mercados regionais, dentre outros. Mas o importante é poder identificar os responsáveis em cada segmento. Tais orçamentos devem indicar [...] o que deve ser feito, como e quando, para que sejam devidamente alcançados os objetivos de desempenho da empresa; também devem identificar indivíduos específicos que possam ser posteriormente responsabilizados ou que prestem contas de desempenhos efetivos considerados satisfatórios ou não. (SANVICENTE; SANTOS, 1983, p. 29). Esta é uma premissa importante no processo orçamentário: identificar o responsável de cada setor ou área envolvida, acompanhar o processo do seu desempenho e, por conseguinte, reconhecer esses responsáveis pelo bom desempenho ou cobrar melhorias nos resultados em momentos oportunos. Não podemos esquecer que toda a elaboração das peças orçamentárias tem por base a contabilidade como fonte dos dados. “A fonte de dados para o controle é a contabilidade [...]”. (SANVICENTE; SANTOS, 1983, p. 29). 60 UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO IMPORTANT E É a contabilidade que fornece os dados para a elaboração das fontes de informações no sistema orçamentário. É na estrutura organizacional (no organograma) que se identificam quem são os responsáveis por cada área/setor, para facilmente premiar ou cobrar melhores resultados. LEITURA COMPLEMENTAR A NOVA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL As impressoras 3D permitem que qualquer pessoa possa reproduzir o que quiser, de eletrodomésticos a carros, quando e na hora que desejar. Saiba como isso vai mudar radicalmente a produção e a forma de fazer negócios Saiba como funciona a impressora 3D Em Campinas, no interior de São Paulo, um grupo de cientistas brasileiros trabalha no desenvolvimento de uma impressora diferente. No lugar de cartuchos de tinta, a máquina utiliza células-tronco e, em vez de páginas e fotos, ela imprime órgãos humanos. Não se trata de um filme de ficção científica, mas sim de um trabalho em estágio avançado que é conduzido pelo Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), instituição ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceria com universidades americanas. A meta dos estudos é imprimir um rim. TÓPICO 3 | IMPLANTAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 61 Os cientistas envolvidos na empreitada são categóricos ao afirmar que a tecnologia usada no projeto já permite reproduzir artificialmente órgãos de seres humanos. No entanto, ainda será necessário esperar um bom tempo até que partes do nosso corpo reproduzidas por essas máquinas sejam usadas em pessoas. “Falta realizar uma série de testes antes de se produzir um órgão vivo”, afirma o cientista Jorge Vicente Lopes da Silva, chefe da divisão de tecnologias tridimensionais do CTI. “Deve demorar cerca de 30 anos para termos resultados práticos”, diz. Bem-vindo ao mundo da impressão 3D. A experiência do CTI é apenas uma amostra de um processo recente, que promete revolucionar o sistema de produção industrial como hoje conhecemos. Isso porque a mesma tecnologia testada na impressão de órgãos – e que ainda pode parecer algo que tem mais a ver com a ficção científica do que com o mundo real – já começa a ser adotada por empresas de todos os portes, em diferentes países, inclusive no Brasil, para fabricar produtos em plástico, metal e até titânio. Da mesma forma que uma impressora tradicional, esses equipamentos em terceira dimensão fazem reproduções a partir de um arquivo de computador. A diferença está no resultado. Impressora de órgãos: o cientista Jorge Vicente Lopes da Silva, do CTI, e uma prótese reproduzida A nova geração de aparelhos imprime objetos funcionais, iguais aos fabricados nas linhas de produção industriais e com praticamente os mesmos materiais. No fundo, é como ter uma fábrica particular, na sua casa ou na mesa do seu escritório. Em outras palavras: o avanço proporcionado pela tecnologia 3D deve representar para o século XXI um efeito transformador semelhante ao 62 UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO provocado pela Revolução Industrial do final do século XVIII, que tornou viável a fabricação em massa, criou a produção em escala que permitiu o barateamento do preço das mercadorias e transformou a economia capitalista. A diferença é que, agora, a nova tecnologia de produção trilha uma direção exatamente oposta. A manufatura em larga escala dá lugar aos produtos personalizados e exclusivos, feitos sob medida, ao gosto do freguês. O conceito em que a impressão 3D está baseada é o da manufatura “aditiva”, como se diz na linguagem técnica. Nela, os objetos são formados a partir da deposição de material em camadas, na quantidade necessária. É bem distinto do processo tradicional, chamado de “subtrativo”, no qual a fabricação se dá por meio do corte, da deformação ou do desgaste dos materiais. O novo método é mais eficiente no uso das matérias-primas e permite a produçãoem baixa escala, sem aumento de custos. Por isso, ele sempre foi a opção natural para a fabricação de protótipos. Mas a novidade agora é que essas “fábricas particulares” já não estão mais restritas à criação de modelos. Hoje, o consumidor comum pode comprar diversos produtos impressos, como luminárias e relógios de parede. E, no futuro, as prateleiras das lojas estarão forradas das mais diversas mercadorias impressas, desde peças para automóveis e eletrodomésticos até partes de aeronaves. À primeira vista, isso pode parecer um devaneio futurista, mas não é. Trata-se de uma revolução que já começou e avança rapidamente, como indica uma pesquisa feita pela consultoria americana Wohlers Associates. O estudo constata que cerca de 20% dos objetos feitos com impressoras 3D no mundo são produtos acabados, prontos para a comercialização, e não apenas protótipos. Preço acessível: o equipamento da Maker Bot custa US$ 1,3 mil. A empresa já vendeu cinco mil máquinas desde 2009, das quais 200 para o Brasil Até 2020, essa participação deve subir para 50%. Diante desse cenário, surge a pergunta: as impressoras 3D serão capazes de substituir o tradicional processo industrial? Ou seja, as empresas vão aposentar o processo de produção atual? TÓPICO 3 | IMPLANTAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 63 Não necessariamente. Ao que tudo indica, os dois modelos vão coexistir e serão adotados conforme demandas específicas das companhias e dos consumidores. É pouco provável, por exemplo, que uma montadora fabrique toda a sua linha de carros com impressoras 3D. Mas é perfeitamente possível imaginar que se possa desenvolver um veículo customizado, destinado a um público específico. Nesse sentido, o processo de impressão 3D cai como uma luva para atender com rapidez e custos menores à demanda por personalização do consumo. O aspecto fundamental a se observar é que essa inovação vai mudar as bases sobre a qual o sistema industrial se desenvolveu: tão ou mais importante que fabricar mercadorias será o desenvolvimento da ideia de um produto. Como exemplo, pense que um pequeno empreendedor, que hoje não tem condições financeiras de fabricar em larga escala uma linha de móveis, poderá criar e comercializar o arquivo de impressão de poltronas e sofás com design próprio. O consumidor, por sua vez, vai baixar esse programa pela internet, como hoje se faz com os downloads de música, e mandar imprimir o móvel. Se essa é uma situação que veremos daqui muito em breve, existem companhias que já entenderam o recado e estão dando um passo à frente da concorrência. A brasileira Itautec, fabricante de equipamentos de informática e caixas eletrônicos, controlada pelo grupo Itaúsa, vê um futuro de ouro para as impressoras 3D. A empresa passou a produzir nelas os terminais de 64 UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO autoatendimento que são enviados para os clientes homologarem. Assim, as partes plásticas dos caixas eletrônicos, como painel e carcaça, são feitas nos equipamentos de terceira dimensão e montadas posteriormente. O cliente, geralmente um banco, nem fica sabendo que o terminal que recebeu para aprovar é fruto de uma impressora 3D, tamanha a semelhança com as máquinas convencionais. “Antes, tínhamos de produzir um molde, mandar para a fábrica e esperar para ver se estava tudo certo”, diz Ronaldo Marques, gerente de desenvolvimento mecânico e design da Itautec. “Agora, o projetista, da mesa dele, manda a peça para a impressora e, em algumas horas, temos o produto nas mãos.” Com isso, processos que demoravam um ano para ser concluídos passaram a ser finalizados em questão de dois ou três meses. Os caixas eletrônicos da Itautec poderiam perfeitamente ser usados para o atendimento ao público. Só não o são porque, em larga escala, o sistema tradicional ainda é mais barato. O avanço da nova tecnologia está permitindo que peças cada vez mais sofisticadas e resistentes sejam produzidas em qualquer tipo de material, seja plástico, seja metal ou madeira. A GM, por exemplo, utiliza o 3D para fazer protótipos de peças mecânicas e partes da lataria dos veículos. “Seria possível utilizarmos nos carros que vão para o mercado peças totalmente impressas em 3D”, diz Dúlio Freitas, gerente da área de montagem de protótipos da GM. “Mas, por uma questão de escala, isso não é viável economicamente.” Uma das experiências mais avançadas até hoje na área automotiva foi feita no Canadá pela Kor Ecologic, empresa especializada em produtos ecológicos. A companhia desenvolveu um carro-conceito totalmente fabricado por impressoras 3D. Até os vidros do automóvel foram impressos. Batizado de Urbee, o veículo transporta duas pessoas e possui motor híbrido, que funciona com gasolina ou eletricidade. Ele chega a uma velocidade de 160 km/h e faz 88 quilômetros com um litro de combustível. O plano da Kor Ecologic é lançar o carro comercialmente até 2014. A indústria aeronáutica também está de olho na inovação 3D. A companhia europeia Eads, responsável pela fabricação dos aviões Airbus, utiliza atualmente essas novas impressoras de terceira dimensão na produção de protótipos de peças para suas aeronaves. Mas, no futuro, a expectativa é a de imprimir uma asa inteira de um avião nesses equipamentos. TÓPICO 3 | IMPLANTAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 65 O uso dos equipamentos, no caso desse setor da indústria, proporciona uma enorme economia. Isso porque, para produzir uma peça de titânio pelo sistema tradicional, a partir de um bloco sólido, há uma perda de até 90% do material bruto. Com a impressão 3D, o desperdício é zero. Um aspecto que deve encorajar empresas de todos os setores a pensar em projetos mais ambiciosos nesse campo é o fato de o valor unitário das impressoras 3D estar em queda. Dessa maneira, os aparelhos estão se tornando acessíveis a praticamente qualquer microempresa ou pessoa física. Uma versão para uso doméstico de uma impressora 3D da companhia americana Maker Bot Industries, por exemplo, custa menos de US$ 1,3 mil. Pesquisas: no Brasil, várias universidades desenvolvem estudos para aperfeiçoar e baratear as impressoras de terceira dimensão, criando diferentes aplicações para esses equipamentos Fundada em 2009, a empresa já comercializou aproximadamente cinco mil equipamentos do gênero, dos quais 200 no Brasil. “Queríamos uma impressora 3D, mas eram muito caras. Então, construímos a nossa”, diz o americano Bre Pettis, um dos fundadores da Maker Bot. “Agora, nosso objetivo é fazer com que todos possam ter uma.” As máquinas da Maker Bot são vendidas em kits para serem montados pelos compradores. O modelo de negócios adotado é semelhante ao utilizado nos softwares livres, como o sistema operacional Linux. A ideia é de que o desenvolvimento da impressora seja feito de forma colaborativa entre todos os usuários pela internet. Chegará um momento, segundo Pettis, em que as impressoras 3D estarão tão presentes na vida das pessoas que elas se tornarão comuns, assim como os aparelhos convencionais de hoje. “Vai ser interessante ver como a indústria reagirá ao fato de cada vez mais pessoas, em vez de comprar produtos, optarem por fazê- los em casa”, diz Pettis. O cenário descrito pelo executivo já existe e está disponível 66 UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO também para os brasileiros. Há empresas que prestam serviços de impressão 3D para o consumidor comum, num modelo semelhante ao das gráficas rápidas. Uma delas é a Shapeways, companhia criada nos EUA pela Philips, que fabrica objetos em diversos materiais, como o metal. O consumidor envia pela internet um arquivo digital com o desenho do objeto e determina as cores que devem ser utilizadas. Depois de pronta,a mercadoria é entregue pelo correio, inclusive no Brasil. Atualmente, a Shapeways imprime cerca de dez mil objetos por mês, como cubos mágicos, brincos, anéis e telefones. Outra empresa que realiza um serviço parecido é a americana Digital Forming, especializada na customização de celulares. Em parceria com operadoras de telecomunicações americanas, a Digital Forming vende carcaças de telefones personalizadas pelos consumidores. Como se vê, a revolução provocada pelas impressoras 3D já começa a transformar os negócios. Ainda é preciso, no entanto, avançar alguns passos para o sistema se popularizar de vez. Reduzir o preço é crucial nesse quesito. É sobre essa questão que diversos engenheiros e cientistas ao redor do mundo estão quebrando a cabeça neste momento. Um deles é o professor de engenharia Waldemir Lira, da Universidade Federal do ABC, em São Paulo. Ele está trabalhando no desenvolvimento de uma impressora que utiliza insumos mais baratos que o plástico ABS, material muito presente nas impressoras 3D, mas que pesa no bolso. “Não há quem domine por completo essa tecnologia atualmente”, afirma Lira. “Por isso, as possibilidades são enormes para qualquer inventor.” TÓPICO 3 | IMPLANTAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 67 Evolução: há dez anos, as máquinas eram grandes e custavam fortunas, o que restringia seu uso a grandes empresas O professor Alberto Alvares, coordenador do grupo de inovação em automação industrial da Universidade de Brasília, também acredita que há um vasto campo a explorar nessa área. Por isso, resolveu pesquisar funções que vão além da impressão. Alvares desenvolveu um scanner 3D a partir de um Kinect, videogame da Microsoft que utiliza sensores de movimento no lugar dos controles. Com o brinquedo, ele consegue digitalizar o rosto de uma pessoa, por exemplo, e imprimi-lo, em três dimensões, em qualquer impressora 3D. “Com US$ 700, é possível ter um equipamento que faz a captura de um objeto e o produz instantaneamente”, diz o pesquisador. 68 UNIDADE 1 | PROCESSO ORÇAMENTÁRIO E SUA IMPLANTAÇÃO Caixa eletrônico: a Itautec, de Ronaldo Marques, imprime terminais de autoatendimento que não devem nada aos modelos convencionais Ele compara o atual estágio dessa tecnologia aos primórdios da computação pessoal. “A revolução dos computadores também começou nas universidades, com gente montando sua própria máquina”, afirma. As iniciativas desenvolvidas pelo setor acadêmico, segundo Alvares, vão interferir diretamente no mercado a partir do momento em que uma grande empresa se interessar pela fabricação em larga escala desse tipo de equipamento. “É uma questão de tempo para isso ocorrer”, diz. Ele está certo. A HP, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, fez neste ano uma parceria com a Stratasys, fabricante americana de impressoras 3D, para vender essas máquinas com sua marca. Fernando Lewis, da Hp: "O que essa nova tecnologia possibilita é o desenvolvimento de artigos únicos, exclusivos para cada pessoa" Inicialmente, o produto, que custa US$ 17 mil, está sendo comercializado somente na Europa. “Esse valor certamente vai cair’, afirma Fernando Lewis, vice- presidente de imagem e impressão da HP. “Só não sei precisar em que velocidade esse processo vai acontecer.” Conhecer de perto os exemplos já aplicados na indústria e antecipar tendências é fundamental para entender como as relações de negócios serão modificadas por essa nova tecnologia. Não menos importante é perceber que a revolução deflagrada pelas impressoras 3D está inserida num contexto mais amplo, que é o da transição do mundo analógico para o digital. Uma das características mais marcantes desse período é a explosão de conteúdo e a valorização do indivíduo. Isso significa que, apesar de muitas empresas tentarem padronizar o consumo, as pessoas querem ser diferentes. “Todo mundo quer ser reconhecido por seus gostos pessoais”, afirma Lewis. “O que a impressão 3D possibilita é o desenvolvimento de artigos únicos, feitos exclusivamente para cada indivíduo.” TÓPICO 3 | IMPLANTAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 69 FONTE: CAETANO, Rodrigo. A nova revolução industrial. ISTO É DINHEIRO. Disponível em: <http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/60994_a+nova+revolucao+industrial>. Acesso em: 23 Jan. 2012. O objeto é criado no computador por meio de um software de engenharia.Para imprimir, basta apertar o botão correspondente, como no caso de um texto. A impressora recebe o arquivo e começa a construir o objeto, camada por camada. Caso seja necessário, a própria máquina constrói suportes para sustentar a peça. A impressora utiliza dois cartuchos, um (A) com plástico, geralmente ABS, e outro (B) com o material de suporte. O plástico é derretido a uma temperatura de 120° C e depositado em camadas com menos de 1 mm, até formar o objeto. Quando o objeto estiver pronto, basta retirá-lo da impressora. A B 70 RESUMO DO TÓPICO 3 Chegamos ao final do Tópico 3. Vamos fazer uma revisão do que estudamos até agora: ● Os objetivos da empresa deverão atender às premissas do mercado. ● Uma expectativa frustrada pode colocar em risco toda a credibilidade de uma empresa perante os subalternos e a sociedade. Para evitar esse tipo de expectativa frustrada, existe a ferramenta de processo decisório. ● O processo decisório centralizado tem como vantagem determinar que uma pessoa decida e encaminhe todas as atividades inerentes à elaboração do orçamento. ● Em um processo decisório descentralizado existe a vantagem da delegação de responsabilidade e autoridade. ● Accountability é a obrigação que as pessoas envolvidas no processo decisório e operacional têm de prestar contas dos resultados obtidos, em função das suas responsabilidades vinculadas às suas funções e que decorrem da delegação de poder. ● A motivação dos gestores é um fator importante para o sucesso do plano orçamentário. ● O processo de gestão tem relação com PLANEJAMENTO EXECUÇÃO CONTROLE. ● Os princípios fundamentais que refletem os orçamentos são: envolvimento dos gerentes, adaptação organizacional, contabilidade por áreas de responsabilidades, orientação para objetivos, comunicação integral, expectativas realísticas, oportunidade, aplicação flexível, reconhecimento dos esforços individuais e de grupos, e acompanhamento. ● A educação orçamentária está voltada para atender à necessidade de conscientizar os gestores na mesma linha de comando, principalmente a diretoria ou gerência. ● É fundamental que o responsável pelo processo de elaboração do orçamento tenha acesso a todas as atividades, assim como conhecer o mercado em que a empresa atua. ● A estrutura organizacional deve apresentar-se de forma clara e objetiva, facilitando a identificação das pessoas responsáveis por cada área da empresa. 71 1 Em um processo de gestão, como deve ser realizada a avaliação das áreas de responsabilidades? 2 Qual é o risco de uma expectativa frustrada? 3 Qual é a vantagem do processo decisório centralizado? 4 Qual é a vantagem do processo decisório descentralizado? 5 Defina o que é Accountability. 6 O que significa “orientação para objetivos”? 7 O que significa “reconhecimento de esforços individuais e de grupos”? 8 O que se entende por educação orçamentária? 9 O que é necessário para o sistema de orçamentos alcançar sucesso? 10 Como se comprova a importância do sistema de controle orçamentário na administração moderna? 11 Na sua opinião, quem faz os orçamentos? 12 Explique o que é uma situação imaginável. 13 Existem alguns princípios fundamentais que refletem os orçamentos, e um deles correspondeà: “estrutura organizacional deve ser suficientemente compatível com o estilo de tomada de decisões da empresa. As atividades de cada gestor devem fluir de forma satisfatória ao atendimento das necessidades da gestão dos negócios.” Sobre essa informação, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Adaptação organizacional. b) ( ) Contabilidade por áreas de responsabilidades. c) ( ) Orientação para objetivos. d) ( ) Comunicação integral. AUTOATIVIDADE