Prévia do material em texto
Universidade Federal do Tocantins Bacharelado em Ciência da Computação Terceira Prova de Física Teórica e Experimental I - 21/03/2019 1. Uma bandeja de 0,30 kg escorrega em uma superfície horizontal sem atrito presa a uma das extremidades de uma mola horizontal (k = 500 N/m) cuja outra extremidade é mantida fixa. A bandeja possui energia cinética de 10 J ao passar pela posição de equilíbrio (ponto em que a força elástica da mola é zero). (a) A que taxa a mola está realizando trabalho sobre a bandeja quando esta passa pela posição de equilíbrio? (b) A que taxa a mola está realizando trabalho sobre a bandeja quando a mola está comprimida de 0,10 m e a bandeja está se afastando da posição de equilíbrio? (a) Quando a bandeja passa pela posição de equilíbrio a força exercida pela mola é nula (F = −kx). A potência, taxa em que a mola realiza trabalho sobre a bandeja é P = Fv. Como F = 0, segue que P = 0. (b) Quando a mola está comprimida de 0,1 m a força exercida pela mola sobre a bandeja é F = −kx = −500 · 0,1 = −50 N. O trabalho realizado pela mola é W = − 12kx2 = −250 · (0,1)2 = −2,5 J, negativo porque a bandeja está se afastando da posição de equilíbrio. O teorema do trabalho energia cinética afirma que o trabalho realizado pela força elástica é igual à variação da energia cinética da bandeja: W = ∆K = Kf −Ki = 12mvf 2 −Ki vf 2 = 2(W +Ki) m vf = √ 2(W +Ki) m = √ 2(10 − 2,5) 0,3 = 7,1m/s A taxa com que a mola realiza trabalho então é P = Fv = −50 · 7,1 = −354 W. 2. Na Fig. 1, um bloco desliza em uma pista sem atrito até chegar a um trecho de comprimento L = 0,75 m, que começa a uma altura h = 2,0 m em uma rampa de ângulo θ = 30°. Nesse trecho, o coeficiente de atrito cinético é 0,40. O bloco passa pelo ponto A com uma velocidade de 8,0 m/s. Se o bloco pode chegar ao ponto B (onde o atrito acaba), qual é sua velocidade neste ponto? Se não pode, qual é a maior altura que ele atinge acima de A? Figura 1: Problema 2 A energia mecânica total inicial é aquela que o bloco tem no ponto A: EA = KA + UA onde UA é a energia potencial gravitacional no ponto A. A energia mecânica total no ponto B é, pela conservação da energia e considerando que o sistema está isolado, igual à energia no ponto A menos o que foi perdido com o atrito EB = EA −Eint. No ponto B a energia mecânica é: EB = KB + UB . Considerando o nível de referência na base da rampa (ponto A), vemos que UA = 0 e UB = mg(h+Lsenθ). A energia dissipada na forma de calor, supondo que foi percorrido todo o trecho de comprimento L e alcançado o ponto B é Eint = fcL. A força de atrito pode ser calculada: fc = µcN = µcmg cos θ Então EB = EA − Eint onde EB = KB + UB = 1 2mvB 2 +mg(h+ Lsenθ) Eint = µcmg cos θL EA = KA + UA − Eint = 12mvA2 − µcmg cos θL Se vB 2 < 0 podemos concluir que o bloco não alcança o ponto B, se for maior, então podemos calcular a velocidade nesse ponto: 1 2mvB 2 +mg(h+ Lsenθ) = 12mvA 2 − µcmg cos θL Simplificando a massa m e isolando vB 2 temos vB 2 = vA 2 − 2µcg cos θL− 2g(h+ Lsenθ) vB 2 = 8,02 − 2 · 0,4 · 9,81 · 0,75 · cos 30°− 2 · 9,81(2,0 + 0,75 · sen30°) = 12,4 Como o resultado é positivo, podemos concluir que o bloco ultrapassou o ponto B e tinha velocidade neste ponto vB = 3,52 m/s. 3. Na Fig. 2, um bloco inicialmente em repouso explode em dois pedaços, E e D, que deslizam em um piso em um trecho sem atrito e depois entram em regiões com atrito, onde acabam parando. O pedaço E, com massa de 2,0 kg, encontra um coeficiente de atrito cinético µE = 0,40 e chega ao repouso depois de percorrer uma distância dE = 0,15 m. O pedaço D encontra um coeficiente de atrito cinético µD = 0,50 e chega ao repouso depois de percorrer uma distância dD = 0,25 m. Qual era a massa do bloco? Figura 2: Problema 3 Considerando inicialmente apenas o lado esquerdo. A energia mecânica inicial, após a explosão e antes de entrar na região com atrito, é apenas cinética Ei = Ki = 1 2mEvE 2 . Após entrar na região com atrito e parar a energia mecânica será Ef = 0. Mas como o sistema é isolado, a conservação da energia garante que Ef = Ei − Eint. A energia dissipada pelo atrito é Eint = µENEdE = µEmEgdE . Portanto: 1 2mEvE 2 = µEmEgdE vE = √ 2µEmEgdE mE vE = √ 2 · 0,40 · 9,81 · 0,15 = 1,08m/s O sentido de vE é para a esquerda. Para o lado direito a situação é semelhante: 1 2mDvD 2 = µDmDgdD vD = √ 2µDmDgdD mD vD = √ 2 · 0,50 · 9,81 · 0,25 = 1,57m/s O sentido de vD é para a direita. Como o momento linear se conserva, antes e depois da explosão, podemos afirmar que pi = pf . Mas como o bloco estava em repouso, pi = 0. Portanto pf = pE + pD = 0. 0 = pE + pD = mDvD +mEvE mDvD = −mEvE mD = −mEvE vD = −2,0 · (−1,08) 1,57 = 1,4 kg A massa total do bloco é m = mE +mD = 2,0 + 1,4 = 3,4 kg. 4. Suponha que uma mola não obedece à lei de Hooke. A força (em newtons) que a mola exerce quando está alongada de um comprimento x (em metros) tem módulo de 52,8x + 38,4x2 e o sentido oposto ao da força responsável pelo alongamento. (a) Calcule o trabalho necessário para alongar a mola de x = 0,500 m para x = 1,00 m. (b) Com uma extremidade da mola fixa, uma partícula de massa 2,17 kg é presa à outra extremidade quando a mola está alongada de x = 1,00 m. Se a partícula é liberada a partir do repouso, qual é a velocidade da partícula no instante em que o alongamento da mola é x = 0,500 m? (a) Em uma dimensão, o trabalho realizado pela força externa é: Wa = ∫ xf xi Fdx = ∫ 1,00 0,500 (52,8x+ 38,4x2)dx Wa = ( 52,8x2 2 + 38,4x3 3 )1,00 0,500 = 31 J (b) O trabalho realizado pela mola é: Ws = − ∫ xf xi Fdx = − ∫ 0,500 1,00 (52,8x+ 38,4x2)dx = ∫ 1,00 0,500 (52,8x+ 38,4x2)dx = Wa = 31 J O teorema do trabalho-energia cinética afirma que o trabalho realizado pela mola para a partícula ir do ponto inicial ao final é igual a variação da energia cinética da partícula. Então: w = ∆K = Kf −Ki = Kf = 12mvf 2 vf = √ 2Wa m = √ 2 · 31 2,17 = 5,34m/s 5. Na Fig. 3, o bloco 2 (com massa de 1,0 kg) está em repouso em uma superfície sem atrito e em contato com uma das extremidades de uma mola relaxada de constante elástica 200 N/m. A outra extremidade da mola está presa em uma parede. O bloco 1 (com massa de 2,0 kg), que se move a uma velocidade v1 = 4,0 m/s, colide com o bloco 2, e os dois blocos permanecem juntos. Qual é a compressão da mola no instante em que os blocos param momentaneamente? Figura 3: Problema 5 A energia mecânica � como não existe atrito, a superfície é plana, a mola é suposta ideal e o sistema é isolado � é a soma das energias cinética e potencial elástica. A lei da conservação da energia garante que a energia mecânica inicial é igual a energia mecânica final: ∆E = 0. Pela lei da conservação do momento linear, o momento antes da colisão entre os blocos é pi = m1v1, uma vez que o bloco 2 está em repouso. O momento final, após a colisão inelástica entre os blocos é pf = (m1 +m2)v. A velocidade v então pode ser calculada: pi = pf m1v1 = (m1 +m2)v v = m1 m1 +m2 v1 = 2,0 2,0 + 1,0 4,0 = 2,67m/s A energia mecânica inicial é a soma das energias cinética do bloco 1 + 2 e potencial elástica da mola. Como o bloco 2 está em repouso e a mola está relaxada, a energia mecânica inicial é devida apenas a energia cinética do bloco 1+2: Ei = K + Us = K = 1 2 (m1 +m2)v 2 = 3,0 · 2,672 2 = 10,7 J A energia mecânica final é apenas devida à energia potencial elástica na mola, uma vez que os blocos estão momentaneamente em repouso: Ef = K + Us = Us = 1 2kx 2 = 200x2 2 = 100x2 Pela conservação da energia: Ef = Ei 100x2 = 10,7 x = √ 10,7 100 x = 0,33m