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PATOLOGIA GERAL VETERINÁRIA
PROF. PEDRO R. WERNER, MS, PhD
Janeiro de 1997
INTRODUÇÃO
A importância da patologia, principalmente da Patologia Geral, no
contexto de um curso médico como a Medicina Veterinária pode ser
comparado à importância da matemática na engenharia ou na física. Seu
estudo constitui-se, juntamente com a anatomia e a fisiologia, num dos tripés
básicos da Medicina Veterinária, sobre os quais o curso todo será estruturado.
Este texto, ao qual se convencionou chamar de "Apostila", inicialmente
foi criado para uso de estudantes no acompanhamento das aulas do Curso de
Medicina Veterinária. Evidentemente, este texto é também uma ótima fonte de
consulta para Médicos Veterinários que desejem revisar algum ponto de
Patologia Básica.
Contrariamente ao usual, na elaboração deste texto buscou-se dar
ênfase maior aos aspectos macroscópicos das lesões, deixando os aspectos
histológicos e citológicos em segundo plano, uma vez que somente raros
Médicos Veterinários empregarão diretamente a histopatologia ou citologia
como meio de diagnóstico. Enquanto existem laboratórios especializados para
os exames e diagnósticos histopatológicos, a execução das necropsias é
quase que sempre tarefa do médico veterinário de campo e, para isto, o
estudante deve receber treinamento especial. Necropsiar animais, fazer a
interpretação e o diagnóstico macroscópico de lesões e colher amostras para
exames complementares fazem parte das rotinas de trabalho de todos aqueles
profissionais que encaram a Medicina Veterinária com seriedade.
1. INTRODUÇÃO À PATOLOGIA ANIMAL
CONCEITOS E DEFINIÇÕES
Patologia é o estudo (logos) da doença (pathos). Como ciência, a
patologia preocupa-se com o estudo das alterações estruturais e funcionais
conseqüentes à injúria (agressão) às células, tecidos, órgãos e ao organismo
como um todo. Tradicionalmente a patologia é dividida em geral e especial.
Patologia geral- Estuda as alterações básicas e comuns a várias
células, tecidos e órgãos das várias espécies animais frente às várias doenças,
agrupadas didaticamente:
Degeneração e morte celulares
Distúrbios no crescimento e desenvolvimento das células
Distúrbios circulatórios
Inflamação e reparação
Neoplasia, etc.
Patologia especial- Estuda as alterações específicas de órgãos,
sistemas e aparelhos, utilizando os conhecimentos adquiridos na patologia
geral, principalmente no estudo das lesões e os mecanismos patogenéticos
básicos.
Na patologia estudam-se 4 aspectos fundamentais de uma doença:
1- Sua causa (agente etiológico)
2- A maneira e os mecanismos de seu desenvolvimento
(patogenia).
3- As alterações estruturais, ou morfológicas, induzidas nas
células, tecidos e órgãos.
4- As alterações funcionais conseqüentes às alterações
morfológicas (conseqüências clínicas).
Lesão- É a alteração conseqüente a uma doença e tanto pode ser
morfológica quanto bioquímica (este último conceito é discutido por alguns). Do
início do século passado até os anos 50, o estudo da patologia limitava-se às
conseqüências morfológicas das doenças. Hoje em dia os mecanismos
químicos, imunológicos e moleculares que, evidentemente, são os
responsáveis pelas alterações morfológicas formam a base da patologia
moderna. Da mesma maneira, o estudo da patogênese é um dos pontos
principais da patologia. Patogênese refere-se à seqüência de eventos na
resposta da célula e tecidos, ou de todo o organismo, ao estímulo, ou causa,
desde a primeira até a última manifestação da doença. Virtualmente todas as
formas de lesão iniciam-se com alterações moleculares em células, um
conceito já posto em prática no século passado por Rudolf Wirchow, que é
conhecido como "o pai da patologia moderna".
DESCRIÇÃO E INTERPRETAÇÃO DE LESÕES
Ao se deparar com uma suposta alteração, antes de tentar interpretá-la
devemos responder a 4 questões: É normal? É um artefato? É uma alteração
post-mortem? Ou é uma lesão (alteração patológica)?
Toda lesão (alteração patológica) deve ser descrita e interpretada. Na
descrição de uma lesão usaremos os seguintes parâmetros:
-Localização- Onde? (Em que lugar, no pulmão, por exemplo).
-Cor- Usar as cores básicas, ou as cores secundárias ou mesmo as
terciárias (azul esverdeado, vermelho arroxeado, por exemplo).
-Tamanho- Dar o tamanho em centímetros. Usar uma régua, ou marcar
a lâmina da faca de necropsia a cada 0.5 cm, para medir.
-Volume- Usar mililitros (ml) ou litros (l) para descrever.
-Peso- Usar o peso real (se possível) ou o aproximado.
-Forma- Usar formas facilmente identificáveis para comparar, como
esférico, ovóide, plano, nodular, fusiforme, discóide, etc.
-Consistência- A avaliação da consistência é importantíssima no
pulmão, mamas, fígado e órgãos parenquimatosos em geral, e para descrever
conteúdos (líquido, pastoso, gasoso, espumoso, semi-sólido, etc.). Compare:
Macio (lábios), firme (nariz), duro (testa).
-Número- Use números exatos de 01 a 10, ou 20. Além disso, informe
quantas dezenas, ou centenas, aproximadamente, é claro. Extensão- Indique a
porcentagem (%) do órgão afetada pelo processo em questão.
-Conteúdo- Indique o aspecto, a consistência e o volume.
-Odor- Como é impossível descrevê-lo, compare com algo conhecido.
Lembre-se que, muitas vezes, o odor auxilia no diagnóstico.
-Distribuição- Pode ser difusa (80 a 90%), focal, Multifocal, multifocal
difusa, ou extensa localizada. A figura a seguir exibe as possíveis formas de
distribuição de uma lesão no pulmão, por exemplo, uma pneumonia.
FIGURA 1- FORMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE UMA LESÃO NO PULMÃO
1.3. - A Importância do Diagnóstico
Todo Médico Veterinário deve ser, antes de tudo, um patologista. Seu
principal papel é diagnosticar, tratar, controlar ou prevenir doenças de animais.
O ponto principal neste exercício é o DIAGNOSTICO. A chave para o
diagnóstico é a habilidade de reconhecer lesões no animal, durante o exame
clínico ou durante a necropsia, e através deste reconhecimento chegar a
conclusões racionais para o exercício da medicina. Igualmente importante é o
estabelecimento de um PROGNOSTICO, que é uma previsão médica da
evolução de um processo mórbido.
1.4. Tipos de diagnóstico
O diagnóstico pode ser:
Morfológico: Nomeia-se a alteração morfológica. Ex.: Enterite granulomatosa.
Etiológico: o agente causador é citado. Ex.: Enterite granulomatosa por M.
paratuberculosis.
Definitivo: Nomeia-se a doença. Ex.: Doença de Johne.
Presuntivo: É o diagnóstico provável, que depende de confirmação posterior e
parte de uma suspeita.
1.5. Termos a serem revisados
Obs.: Como parte deste capítulo, rever o significado de cada um dos
seguintes termos:
-Necropsia e biópsia
-Lesão
-Doença
-Sinal e sintoma
-Patogenia, diagnóstico e prognóstico
-Rever todos os termos anatômicos que indicam posição em relação ao
corpo do animal, como cranial, dorsal, ventral, sagital, segmentar, longitudinal,
coronal, plantar, oral, aboral, etc., etc....
2. ETIOLOGIA
É o estudo das causas das doenças. Muitos empregam o termo,
erradamente, como sinônimo de causa, quando o correto seria agente ou fator
etiológico. O conhecimento da causa de uma doença é a base de um
diagnóstico e de um tratamento e prognóstico corretos.
As doenças devem-se a fatores predisponentes ou determinantes:
FATORES PREDISPONENTES
São aqueles que predispõem o organismo a determinadasdoenças. Esses
fatores podem ser genéticos e próprios do indivíduo (intrínsecos), ou adquiridos,
induzidos pelo meio ambiente (extrínsecos).
INTRÍNSECOS
Gênero, espécie e raça animais- Existem exemplos clássicos, como o fato de
que cães são mais suscetíveis do que outras espécies animais a certos tipos de
neoplasias, como o Mastocitoma, e entre os cães os da raça Boxer são os que mais
comumente as apresentam.
Família- Certas doenças são mais comuns em certas famílias, atingindo um
grande número de indivíduos com graus de parentesco entre si.
Idade- É verdade que a idade não mata ninguém. O indivíduo morre, isto sim,
de doenças que acompanham a velhice. Existem doenças que são próprias da velhice,
e doenças próprias da juventude. As neoplasias, em geral, atingem ou os indivíduos
jovens ou os indivíduos velhos, sendo bem mais incomum seu aparecimento nas
faixas etárias intermediárias. O mesmo é verdade para muitas outras doenças.
Sexo- Os tumores mamários, por exemplo, não pensem que é uma
exclusividade das fêmeas. Embora incomumente, eles ocorrem, sim, nos indivíduos do
sexo masculino. Outros são específicos de um dos sexos, como os tumores das
células de Sertoli nos machos, ou das células da granulosa nas fêmeas.
Cor- Os cavalos de pelagem Tordilha, que são negros quando jovens, e
brancos quando mais velhos, apresentam uma altíssima incidência de melanomas,
principalmente na região do períneo. Diz-se que 100% dos cavalos tordilhos
apresentariam melanomas caso fossem permitidos que vivessem o suficiente.
EXTRÍNSECOS
Nutrição- A má-nutrição, principalmente, predispõe o indivíduo a doenças.
Uma dieta hipoproteica induz a uma imunodeficiência relativa, que além de uma
doença, em si, faz com que o indivíduo adquirida uma série de doenças infecciosas.
(Lembre-se que a nutrição é um fator determinante de doenças, também).
Umidade e temperatura- Devido a fatores principalmente ligados ao "stress",
indivíduos sob condições adversas de umidade e temperatura apresentam incidência
maior de doenças. Esses fatores são muito importantes em grandes criações de
animais para abate, principalmente suínos e aves.
Caquexia- É a desnutrição extrema.
Drogas e substâncias imunossupressoras- A terapia com drogas
antineoplásicas ou corticosteróides induz a uma imunodeficiência.
FATORES DETERMINANTES
São aqueles que, diretamente, causam a doença:
NUTRIÇÃO
É um dos fatores muito importantes em Medicina Veterinária. Tanto pode ser
um fator predisponente quanto um fator determinante de doenças. Como um fator
determinante, os melhores exemplos são as deficiências em geral. Um exemplo
clássico: Excesso de fósforo na alimentação causando hiperplasia das paratireóides,
com todas as conseqüências que discutiremos futuramente.
CAUSAS MECÂNICAS
Produzem o trauma, ou lesão traumática, que é a lesão resultante de uma
força mecânica. Esse tipo de lesão é estudado na traumatologia. (Cuidado. Muita
gente chama de trauma a força que o produz). Outro emprego correto da palavra
trauma é para designar a lesão psicológica resultante de um estímulo muito forte, o
qual a mente não tem capacidade de superar. Neste caso dizemos trauma psíquico.
(Como é extremamente importante o reconhecimento e a correta descrição das
lesões observadas, faremos um pequeno parêntese aqui para estudar um pouco de
traumatologia, ou, mais especificamente, os tipos de traumas)
Contusão - É a lesão resultante do golpe contra um objeto não pontiagudo nem
cortante. Neste caso a pele permanece íntegra (devido à sua elasticidade) e a lesão
ocorre nos planos mais profundos, principalmente tecido subcutâneo e musculatura
subjacente. Na necropsia só é evidente após a remoção da pele, principalmente em
animais de pelagem espessa, como as ovelhas ou certas raças de cães, p.ex..
Abrasão - É a lesão resultante ao raspar-se uma região corporal contra uma
superfície abrasiva, ou áspera. É extremamente comum em animais atropelados, ou
animais pesados que, em decúbito, são arrastados num piso áspero.
Incisão - É a lesão provocada por um instrumento cortante. Pode ser acidental ou
cirúrgica e caracteriza-se pelos bordos regulares. Na sua avaliação e descrição é
extremamente importante que se avalie a sua localização, posição, dimensões e
profundidade (que planos ela atinge).
Laceração - É o ferimento provocado pelo arrancamento, ou pela distensão excessiva
de um determinado tecido ou região. Em certas situações pode receber o nome de
ruptura, como é o caso no períneo, durante o parto, ou no fígado. Caracteriza-se pelos
bordos irregulares e pelo aspecto grave.
Perfuração - É o ferimento produzido por um objeto fino e pontiagudo. Um ferimento
nessa situação pode ser penetrante (apenas penetra o tecido), perfurante (penetra e
atravessa uma determinada estrutura), ou transfixante (penetra e atravessa os dois
lados de uma estrutura: As duas paredes de um vaso, os dois lados do corpo, etc.).
Ruptura - É o rompimento de uma estrutura devido a um estiramento excessivo.
Ocorre em tendões, ligamentos, músculos, pele, etc.
Fratura - É a solução de continuidade de um osso ou cartilagem. (Alguns usam esse
termo para descrever a ruptura do fígado). Um tipo específico de fratura que merece
consideração é a fratura em galho verde, uma fratura incompleta típica dos ossos
descalcificados (durante a necropsia costuma-se isolar e fraturar uma costela para
avaliar o grau de calcificação do esqueleto). As fraturas espontâneas, não traumáticas,
são chamadas fraturas "patológicas", um termo mal empregado, mas de uso
consagrado: São aquelas fraturas resultantes de doenças metabólicas ou neoplasias
ósseas, os ossos fraturam sem causa aparente.
Luxação - É a desarticulação de dois ossos. A luxação incompleta é chamada
subluxação. Nem toda luxação é de origem traumática. Algumas doenças genéticas
resultam em subluxação, ou até luxação, como é o caso da displasia coxo-femoral em
cães. Diferenças na velocidade de crescimento de ossos paralelos, como o rádio e a
ulna, resultam em subluxação da articulação do cotovelo.
PRESSÃO LOCALIZADA
A pressão localizada provoca diminuição no aporte sangüíneo e, como
conseqüência, atrofia progressiva, ou mesmo morte das células da região. Um
exemplo são as úlceras de decúbito (áreas de necrose da pele sobre proeminências
ósseas conseqüentes ao decúbito prolongado).
OBSTRUÇÃO
É o bloqueio do fluxo do conteúdo de um órgão oco. A obstrução pode ser
extra-mural, (compressão) quando resultante de uma compressão externa ao órgão
tubular; mural (estenose), quando a fonte da obstrução localizar-se na parede do
órgão, e luminal (obturação), quando a fonte de obstrução localizar-se na própria luz
do órgão.
DESLOCAMENTOS (OU PARATOPIAS)
Um órgão pode deslocar-se de sua posição anatômica como resultado de uma
série de fatores, como trauma, pressão de órgãos vizinhos, etc. Esses deslocamentos
são classificados sob várias formas. A maioria dos deslocamentos recebe nomes
apropriados:
Torção - É a rotação de um órgão, ou parte dele, em torno do seu eixo longitudinal.
Exemplos: Torção do estômago, de um lobo hepático ou pulmonar, do útero, etc.
Vólvulo (ou volvo) - É a rotação de um órgão em torno do seu méson. No Vólvulo
intestinal, o mesentério sofre uma torção.
Intussuscepção - Ocorre quando uma parte do tubo digestivo invagina-se na parte
imediatamente posterior, como numa manga de camisa que, ao arregaçar-se, inverte-
se sobre ela mesma.
Hérnia - É a passagem de uma ou mais vísceras, ou parte delas, através de um
orifício natural ou não, de uma cavidade corporal para outra, natural ou neo-formada,
ou parao meio exterior. A nomenclatura de uma hérnia é feita tomando-se por base o
órgão herniado (conteúdo) (a palavra grega ou latina que o designa), somando-se a
ela o sufixo cele mais o nome do local onde ocorreu (anel herniário). Assim, uma
hérnia contendo parte do intestino e do útero, que ocorreu sobre o anel inguinal deve
chamar-se entero-histerocele inguinal. Uma hérnia na região umbilical que contenha
parte do epíplo é uma epiplocele umbilical.
ESTRANGULAMENTO
É o bloqueio do fluxo sanguíneo a uma região. Lembre-se que para que uma
área morra por falta de suprimento sangüíneo basta haver bloqueio completo da
drenagem venosa (se não há drenagem, chega um ponto em que não entra mais
sangue arterial e...). É a conseqüência mais comum dos deslocamentos de vísceras.
TEMPERATURA
Variações extremas de temperatura provocam lesão:
Hipertermia - Não confundir com a febre, que é uma resposta fisiológica. A
hipertermia ocorre quando o organismo não consegue manter a temperatura corporal
em função, ou seja, de uma geração interna de calor que exceda a capacidade de
dissipação para o exterior (atividade muscular, tetania), ou ganho de temperatura a
partir do meio externo (insolação). Acima de aproximadamente 42 C, cessa a atividade
enzimática, havendo, inclusive, desnaturação de enzimas.
Hipotermia - É muito mais comum do que se pensa. Animais recém-nascidos ainda
não têm uma boa capacidade de termorregulação e morrem se não forem aquecidos.
Ninhadas inteiras de leitões morrem assim. O mesmo ocorre com pintainhos. Animais
anestesiados, ou inconscientes, ou imobilizados sobre mesas metálicas,
principalmente se estiverem molhados, sofrem hipotermia, sendo muito comuns
temperaturas corporais de 35 C, onde cessa a atividade metabólica.
Queimaduras - É a desnaturação de proteínas como resultado da temperatura
elevada. Segundo a sua severidade, as queimaduras externas classificam-se em:
Primeiro grau- avermelhamento da pele. Segundo grau- destruição apenas da
camada superficial da pele, com a formação de vesículas. Terceiro grau- destruição
da pele, com comprometimento de estruturas mais profundas. Quarto grau-
Carbonização.
Congelamento - É praticamente inexistente no Brasil.
PRESSÃO ATMOSFÉRICA
É muito improvável a ocorrência de lesões conseqüentes à pressão
atmosférica em Medicina Veterinária. Em medicina humana existe a embolia gasosa
dos mergulhadores conseqüente a mudanças súbitas da pressão atmosférica durante
a ascensão de mergulhos profundos.
LUZ
A radiação luminosa, principalmente pela luz ultravioleta (UV) produz uma série
de alterações:
Queimadura solar- Exposição da pele não protegida ao sol durante um tempo
excessivo.
Dermatite solar- É o resultado da exposição repetida da pele não protegida a UV.
Comum no dorso do nariz ("collie nose"), nas orelhas dos gatos brancos.
Fotossensibilização- Neste caso, a pele que normalmente era resistente aos raios
UV torna-se sensível. Ocorre geralmente após a deposição na pele de um pigmento
"fotodinâmico", que será estudado em aulas futuras.
Neoplasias- A radiação UV é responsável por um grande número de neoplasias
cutâneas, principalmente em regiões de pele clara desprovidas de pelo, como na vulva
de bovinos, orelhas de gatos e ovelhas, nariz de cães, etc.
ELETRICIDADE
A passagem de corrente elétrica através do corpo provoca lesão de duas
maneiras diretas: Queimaduras, conseqüentes ao aumento de temperatura local, ou
distúrbios elétricos no coração, provocando parada cardíaca.
OUTROS AGENTES ETIOLÓGICOS
Outros fatores, como agentes químicos (tóxicos) e biológicos (parasitas,
fungos, bactérias e vírus) serão estudados no ponto de "Injúria e Adaptações
Celulares".
3. ANOMALIAS NO DESENVOLVIMENTO
GENERALIDADES
Este capítulo engloba a teratologia, que é o estudo das malformações
congênitas (teras = monstro que, por sua vez, vem de monstrare = mostrar,
exibir). O conceito de “normal” é interessante. Normal é o indivíduo que mais se
aproxima do padrão médio de sua espécie; é o indivíduo típico da espécie, ou
médio. Tudo que se desvia do normal é uma anomalia. Uma malformação,
por sua vez, é uma anomalia congênita mais severa do que aquele desvio
aceitável como normal.
CLASSIFICAÇÃO DAS MALFORMAÇÕES
Existem 2 (ou 3) grandes grupos:
Monstros (teras / terata) são Indivíduos profundamente modificados.
São aqueles portadores de monstruosidades.
Hemiterias - (hemiteras / hemiterata): são as deformações não muito
severas, e são bastante comuns. Muitas das hemiterias manifestam-se
somente muito após o desenvolvimento do indivíduo e são chamadas de
anomalias tardias.
CAUSAS DAS MALFORMAÇÕES
Várias substâncias (drogas) e vírus têm sido identificados como capazes
de provocar as malformações, mas, na grande maioria dos casos as causas
são desconhecidas. Pode ocorrer em qualquer fase do desenvolvimento, mas,
principalmente as mais severas ocorrem geralmente nas primeiras semanas
(embrião).
MALFORMAÇÕES CONGÊNITAS GENÉTICAS
Algumas alterações resultam de alteração do código genético e,
portanto, são possíveis de serem transmitidas à descendência do indivíduo.
Genes letais - Algumas malformações são tão severas que não
permitem a sobrevivência do embrião, que morre e é reabsorvido pelo útero.
Outras permitem a sobrevivência do indivíduo apenas enquanto no útero,
morrendo algum tempo após o nascimento. Por matarem o portador, esses
genes são chamados de “letais”. Por não serem transmitidos à descendência,
não têm importância econômica. Como exemplo pode-se citar a atresia da
flexura pélvica do cólon, em cavalos.
Genes não-letais- São mais importantes, pois a deformação pode ser
transmitida à descendência. Exemplos: criptorquidia, hérnias, defeitos
enzimáticos (neutropenia cíclica em cães Collie de cor cinza, porfirinemia em
bovinos, etc.), defeitos zootécnicos (indivíduos que não seguem o padrão da
raça).
MALFORMAÇÕES CONGÊNITAS ADQUIRIDAS
Resultam de causas externas. Por não alterarem o código genético do
indivíduo, não são hereditárias. Algumas causas dessas alterações são
conhecidas como:
Separação parcial dos envoltórios fetais, causando má-nutrição ou
má-oxigenação.
Pressão anormal sobre o feto.
Produtos químicos, ou princípios ativos de certas plantas, como o
Veratrum californicum (que produz severas deformações em ovelhas).
Deficiências nutricionais.
Infecções bacterianas e virais (Panleucopenia, BVD, etc.).
Observação - O "Free-Martin" é uma malformação adquirida e, evidentemente
não é hereditária. Conduto, a predisposição de gerar fetos gêmeos é. O “Free-
Martin” ocorre porque, na gestação gemelar em bovinos, em 95% dos casos
existe circulação comum (anastomoses) entre os dois fetos. Se os dois fetos
forem de sexos diferentes, como os hormônios masculinos aparecem mais
cedo, eles induzem no feto do sexo feminino um fenótipo masculino (hipoplasia
dos órgãos genitais, vagina curta e estreita, clitóris grande, etc.).
MONSTROS
São indivíduos profundamente modificados, ou grotescos. Podem ser
únicos (simples) ou duplos. Os monstros duplos são produtos de gestação
gemelar e podem apresentar-se separados ou unidos.
MONSTROS DUPLOS SEPARADOS
Geralmente são assimétricos. Um é freqüentemente normal, chamado
de autosita. O outro, deformado, (geralmente é menor) é chamado de
parasita. Como esses monstros geralmente não têm coração (a circulação é
garantida pelo autosita) recebem o nome de parasita (ou monstro) acardíaco.
Exemplos: Parasita acormo (ausência de tronco). Parasita amorfo ("amorfo
globoso").
MONSTROS DUPLOSUNIDOS
(A duplicação geralmente é simétrica.)
Duplicidade anterior: A união de congênita de dois indivíduos é
indicada pelo sufixo “pago” adicionado á palavra que indica a região de união.
Exemplos: Pigópago (unidos pela parte mais posterior do corpo, na região da
cauda). Isquiópago (unidos pela pelve, até o umbigo). Isquiotoracópago (unidos
desde a pelve até o tórax, podendo ser tetrabráquio, tribráquio, dibráquio;
tetrapus, tripus, dipus. Estes termos referem-se, respectivamente, aos
membros anteriores e posteriores).
Outra forma de nomenclatura é indicar a multiplicidade da parte em
questão, como dicéfalo (duas cabeças); diprosopo (duas faces, podendo ser,
tetra, tri, ou dioftalmo; tetra, tri, ou dioto; di ou monostomo), e etc.
Duplicidade posterior: Craniópago (unidos pelo crânio).
Cefalotoracópago (unidos pela cabeça e tórax). Dipigo (dupla pelve).
Duplicidade quase completa: Ocasionalmente o ponto de união entre
os dois indivíduos é muito pequeno, permitindo, em alguns casos, a separação
cirúrgica: Toracópagos (unidos apenas pelo tórax). Xifópago (união pequena,
não necessariamente na apófise xifóide)
ANOMALIAS DE MANIFESTAÇÃO TARDIA
São aquelas que só se manifestam com o desenvolvimento do indivíduo.
Não pertencem integralmente ao capítulo da Teratologia. Embora a causa seja
congênita, a manifestação da anomalia só ocorre mais tarde. Algumas são de
grande importância econômica. Muitas são hereditárias (genéticas) causadas
por genes não-letais. Alguns exemplos são muito importantes em medicina
veterinária:
Criptorquidia- Ocorre em qualquer espécie animal. Causado por um
gene recessivo autossômico. Quando a anomalia é unilateral o animal não é
estéril. O cruzamento de dois recessivos portadores produz uma descendência
na proporção (Mendell) de 1:2:1.
Hérnia inguino-escrotal - Muito importante economicamente em
suínos.
Hérnia umbilical - Nem todos os casos são hereditários. Contudo, na
dúvida, nenhum animal portador desta anomalia deve ser utilizado na
reprodução.
Obs. - Muitas anomalias, por não serem evidentes, passam
despercebidas, como certos defeitos enzimáticos (metabólicos) que provocam,
p. ex., as doenças de armazenamento, como a Manosidose, etc.
HEMITERIAS
Este capítulo trata do estudo das Hemiterias, deformações que, por não
serem tão severas, não são classificadas como monstruosidades. Suas causas
raramente são conhecidas. Geralmente ocorrem devido à morte ou lesão de
algumas células embrionais, ou devido a fatores que alterem seu
desenvolvimento normal, como infecções virais do embrião, certas drogas,
produtos tóxicos ou radiações administradas à gestante durante o primeiro
terço da gestação.
AGENESIA
É a ausência completa do órgão ou da parte considerada. Exemplos:
Acrania. Anencefalia. Anotia. Amelia. Anuria (anuro = sem cauda). Atresia
(Falta de abertura, ou de permeabilidade.
APLASIA
É o estágio subseqüente à agenesia. Encontra-se apenas um vestígio
do órgão (aplasia = falta de desenvolvimento). Contudo, muitas vezes, casos
de aplasia são classificados como agenesia. Assim, os mesmos exemplos
mencionados acima podem aplicar-se aqui. Quando a aplasia atinge apenas
uma porção de um órgão, recebe o nome de Aplasia segmentar (neste caso,
um segmento do órgão é reduzido a um cordão de aspecto fibroso, sem luz).
Exemplos: Aplasia segmentar do cólon, do útero, de túbulos seminíferos, etc.
Observação - O termo aplasia pode também aplicado para indicar a
tendência de um órgão em não se regenerar, ou formar novo tecido, como, por
exemplo, anemia aplástica (que neste caso é reversível) indicando que a
medula óssea não está se regenerando, tendo perdido sua capacidade de
formar novos elementos sangüíneos.
HIPOPLASIA
Crescimento, ou desenvolvimento incompleto do órgão que não atinge
seu tamanho normal. São alterações comuns e, às vezes, pouco perceptíveis.
Existem exemplos clássicos em Medicina Veterinária, e cujas causas são
perfeitamente conhecidas, como a hipoplasia do cerebelo em bovinos, causada
pela infecção da mãe pelo vírus da BVD, ou em gatos, causada pelo vírus da
panleucopenia. A irrigação inadequada, ou mesmo a inervação deficiente
podem causar hipoplasia da região dependente. Outras causas são genéticas e
os portadores podem transmitir a condição aos descendentes. Exemplos:
hipognatia (braquignatia); focomelia; microftalmia
FISSURAS NA LINHA MEDIANA
Ocorre fusão incompleta dos folhetos embrionários, com diversos graus
de severidade, ou extensão. Exemplos: craniosquise; palatosquise;
gnatosquise; raquisquise ("spina bífida", esquistorraquis); esquistocormo
(tórax); epispádia ou hipospádia.
FUSÃO DE ÓRGÃOS PARES
Órgãos que deveriam ser separados, apresentam-se unidos. Exemplos:
Rim arcuato, ou em ferradura. Ciclopia.
DESLOCAMENTO DE ÓRGÃOS
Na realidade, não é um verdadeiro "deslocamento", e sim um
desenvolvimento em local anômalo. São as ectopias congênitas.
Exemplos: Dextrocardia; "ectopia cordis cervicalis"; heterodoxia
(vísceras em posição anômala, mas simétrica; persistência do arco aórtico
direito ("ductus arteriosus").
DESLOCAMENTO DE TECIDOS
Ectopia, ou heterotopia, tissular, é a presença anormal de um tecido em
alguma região diversa da original. Aquele tecido ectópico é morfologicamente
e, às vezes, funcionalmente normal. São os coristomas.
Exemplos: teratomas congênitos; cistos dermóides na córnea e
conjuntiva;
cistos dentígeros no osso temporal (eqüinos); coristoma adrenal no ovário de
éguas;
coristoma pancreático no estômago, etc. (não confundir com os hamartomas,
que são a presença focal congênita de uma massa de tecido normal e em
excesso, num órgão, assemelhando-se a uma neoplasia.)
PERSISTÊNCIA DE ESTRUTURAS FETAIS
Certas estruturas, normalmente presentes apenas no feto, deixam de
desaparecer e persistem na vida pós-fetal.
Exemplos: "foramen ovale" (ducto de Botal) entre os átrios cardíacos.
Divertículo de Meckel. Persistência da lobulação fetal nos rins. Persistência dos
canais de Wolff ou de Müller no ovário ou testículo, respectivamente.
Persistência do úraco (permanece patente)
FUSÃO (OU AMBIGÜIDADE) DOS CARACTERES SEXUAIS
Presença de características anatômicas sexuais de ambos os sexos.
Exemplos: Hermafroditismo (verdadeiro). Pseudohermafroditismo. "Free-
martin”
DESENVOLVIMENTO EXCESSIVO
Certas partes são maiores em tamanho, ou em número. Quando maior
em tamanho, recebem o prefixo macro ___. Quando maior em número,
recebem o prefixo poli ____. Exemplos: Macroglossia. Macrocefalia.
Polidactilia. Politelia (importante em vacas leiteiras). Poliodontia, etc.
4. INJÚRIA (AGRESSÃO) À CELULA
(Conceitos, causas e mecanismos)
CONCEITOS
Homeostase- Estado de equilíbrio do organismo vivo em relação às suas várias
funções e limitações.
Adaptação- Novo estado de equilíbrio, diferente do normal, em resposta a estímulos
fisiológicos excessivos ou a certos estímulos patológicos. Exemplos: Hipertrofia do
coração no animal atleta ou no portador de uma insuficiência valvular; atrofia da
musculatura da perna após obstrução parcial da artéria femoral.
Injúria- Ocorre quando a capacidade adaptativa é excedida ou quando não exista uma
resposta adaptativa possível. Até certo ponto é reversível. Quando este é
ultrapassado, ocorre morte da célula. Exemplo: Se o suprimento sangüíneo do
músculo cardíaco é interrompido por 15 minutos ocorre injúria (angina pectoris); se o
fluxo for interrompido por mais de 20 minutos ocorre morte das células (infarto do
miocárdio).
CAUSAS DA INJÚRIA-
HIPÓXIA OU ANÓXIA
A mais comum. Pode ser classificada em:
Anóxiaestagnante: Devido à diminuição do fluxo sangüíneo. Exemplos:
Choque (colapso circulatório); insuficiência cardíaca.
Anóxia anóxica: Devido à diminuição do oxigênio disponível. Exemplo:
Insuficiência respiratória grave.
Anóxia anêmica: Devido à diminuição da capacidade de transporte de
oxigênio pelo sangue. Exemplo: Anemia.
AGENTES FÍSICOS
Agentes mecânicos (trauma); temperatura; pressão; radiação; eletricidade.
AGENTES QUÍMICOS
(conceitos)
Tóxico- Substância que altera ou destrói funções vitais. Sua ação depende
sempre da quantidade empregada.
Veneno- Substância que é tóxica mesmo em pequenas quantidades.
Toxina- Substância tóxica de natureza proteica produzida por organismos
vivos. Diferencia-se dos venenos químicos e dos alcalóides vegetais pelo seu alto
peso molecular e por suas propriedades antigênicas.
AGENTES INFECCIOSOS
Prions ("proteinaceous infective particles"); vírus; rickettsias; bactérias; fungos;
protozoários; metazoários.
REAÇÕES IMUNOLÓGICAS
Reação anafilática; doenças autoimunes.
DISTÚRBIOS GENÉTICOS
Malformações congênitas; defeitos metabólicos congênitos.
DISTÚRBIOS NUTRICIONAIS
Falta ou excesso de nutrientes. Exemplo: falta de Ca, ou excesso de P.
DEMANDA FISIOLÓGICA ALTERADA
Inatividade; aumento da demanda; gestação; lactação
MECANISMOS DA INJÚRIA CELULAR-
LOCAL DE AÇÃO
A célula pode sofrer danos em qualquer de 4 sistemas:
a- Manutenção da integridade das membranas celulares.
b- Respiração anaeróbia (fosforilação ativa e produção de ATP)
c- Síntese enzimática e de proteínas.
d- Preservação da integridade do genoma da célula.
Observações:
(1) Todos os sistemas são interdependentes e às vezes é difícil determinar o
ponto de ação inicial do agente causador da injúria.
(2) Alterações morfológicas reconhecíveis, especialmente à microscopia ótica
(M.O.), aparecem só muito depois de alterações irreversíveis terem ocorrido. Exemplo:
Apesar de que o miocárdio sofra danos irreversíveis após 20 a 30 minutos de privação
de oxigênio, o infarto só é reconhecível 10 a 12 horas mais tarde.
(3) Nem todos os agentes etiológicos têm seu local ou modo de ação
perfeitamente conhecidos. Alguns sim, como o cianeto, que bloqueia a citocromo
oxidase; o Clostridium perfringens, que produz fosfolipases que destroem a membrana
celular; ou a deficiência de Selênio, que induz uma deficiência de peroxidase
glutatiônica, o que permite uma peroxidação de membranas celulares em alguns
tecidos.
FORMAS DE INJÚRIA CELULAR
São 4 as formas mais comuns de injúria celular: Isquemia e hipóxia; injúria por
radicais livres; injúria por substâncias químicas e injúria causada por vírus.
ISQUEMIA E HIPÓXIA (ANÓXIA)
A deficiência de oxigênio age sobre a mitocôndria, produzindo diminuição na
síntese de ATP. A falta de ATP tem 4 conseqüências básicas:
Bloqueio da bomba de Na e K (tumefação celular)
Glicólise anaeróbica, diminuindo o pH da célula, com liberação de enzimas
lisossômicas e conseqüente autólise.
Deslocamento de ribossomos, diminuindo a síntese de proteínas e
conseqüente acúmulo intracelular de lipídios.
Lesão da membrana celular, com extravasamento de enzimas intracelulares
(CPK, LDH, GPT, etc.).
Destas, estudaremos agora apenas a tumefação celular. As 3 outras
conseqüências serão estudadas em capítulos posteriores.
TUMEFAÇÃO CELULAR AGUDA
É uma das mais precoces e comuns manifestações de injúria celular. Foi
chamada por Virchow de "tumefação turva", termo que ainda é empregado por
alguns patologistas (diz--se "turva" porque o tecido deixa de ser translúcido, tornando-
se opaco. Esse efeito é mais bem observado na córnea). É causada pelo acúmulo
intracelular de água devido a uma falha na "bomba" de Sódio e Potássio: O Na é
mantido extracelularmente e o K intracelularmente à custa de energia (ATP). A falta de
ATP faz com que o K saia da célula, e o Na entre, carregando consigo água, fazendo
com que a célula aumente de tamanho (tumefação, ou edema celular).
Aspecto macroscópico: Tumefação do órgão (perceptível pelo protraimento da
superfície de corte); aumento de peso; turgidez e palidez.
Aspecto microscópico: Aumento do volume das células (perceptível pelo
estreitamento da luz de túbulos no rim, e de sinusóides no fígado); obliteração de
estruturas intracelulares e vacuolação do citoplasma
DEGENERAÇÃO HIDRÓPICA ("ESPONGIOSE")
É um estágio mais avançado da tumefação celular. Ocorre principalmente em
epitélios (urinário, mucosas, pele), endotélios, alvéolos pulmonares e túbulos renais.
Representa o acúmulo intracelular de água em quantidades suficientes para serem
visíveis em M.O. Os vacúolos representam o retículo endoplásmico distendido pela
água.
Aspecto macroscópico- Aumento de volume. Quando os vacúolos coalescem,
aparecem as vesículas, como nas queimaduras, p. ex..
Aspecto microscópico- Vacuolação do citoplasma, geralmente em torno do núcleo
("degeneração balonosa").
Outras causas além da hipóxia causam esse tipo de degeneração: Infecção por
vírus, calor e produtos químicos, etc. Em Med. Vet. um exemplo clássico é a
sobrecarga do rumem por cabriolarão (milho moído). A fermentação produz excesso
de ácido lático que causa degeneração hidrópica da mucosa do rumem. As vesículas
formadas rompem-se, permitindo a entrada de bactérias, e a conseqüência é a
formação de abscessos múltiplos no fígado
INJÚRIA IRREVERSÍVEL
Quando se diz que uma célula sofreu injúria irreversível, a célula foi lesada de
tal maneira que não permite recuperação. A principal alteração é a lesão das
membranas dos lisossomos e o extravasamento de suas enzimas (DNAases,
RNAases, proteases, fosfatases, glucosidases e catepsinas) que causam a lise
(autólise) da célula. As alterações nucleares são proeminentes e características e
serão discutidas no capítulo que trata da Necrose.
Devido à lesão da membrana celular, há extravasamento, para o plasma, de
enzimas intracelulares próprias de cada tecido. Este fato é de muita importância
diagnostica, pois o tecido lesado poderá ser indicado pela dosagem dessas enzimas
no soro sangüíneo. A quantidade das enzimas extravasadas indica também a
gravidade do processo. Exemplos:
Fígado- Transaminase glutâmico-pirúvica (GTP); Trans. glutâmico-oxalacética
(GOT).
Coração- TGO; Trans. pirúvica (TP); Creatinina-Quinase (CK); Desidrogenase
Lática (DHL).
O ponto de "não-retorno" da injúria varia segundo o tecido, a espécie animal, o
estado nutricional do paciente e o seu estado hormonal. Exemplos:
O cérebro resiste apenas a 3 a 5 minutos de privação de oxigênio. O fígado
resiste a 2 horas, e o coração a 15 a 20 minutos.
INJÚRIA POR RADICAIS LIVRES
Os radicais livres têm um elétron único, não pareado na órbita externa. Eles
são extremamente reativos e instáveis, reagindo igualmente com compostos orgânicos
ou inorgânicos. Sua participação em reações produz novos radicais livres. Eles
ocorrem (são "iniciados") dentro das células após serem expostas a:
a- Energia radiante (raios X, UV)
b- Processos metabólicos oxidativos endógenos normais.
c- Metabolismo enzimático de compostos tóxicos exógenos.
Os radicais livres derivados do oxigênio são produzidos durante o metabolismo
daquele gás, e os principais são:
a- Superóxido- (O2 nascente)
b- Peróxido de hidrogênio (H2O2)
c- Íon oxidrila, ou hidroxila (OH+)
No organismo animal existem algumas enzimas encarregadas de destruir
esses radicais, que são a superóxido dismutase (O2 nascente ---> H2O2); a catalase (H2O2 ---> O2 + H2O) ea glutation peroxidase (OH- ---> 2 H2O + GSSG).
EXEMPLOS DE INJÚRIAS POR RADICAIS LIVRES:
Certas substâncias tóxicas
Inflamação
Irradiação ionizante - luz UV
Intoxicação por oxigênio e ozônio
Envelhecimento
Aterosclerose (?)
Carcinogênese (?)
(NOTA: A eliminação de micróbios pelos fagócitos também é feita por meio de
radicais livres)
INJÚRIA POR SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS
Substâncias químicas agem por duas formas:
a) Ou combinando-se diretamente e bloqueando campos chaves do
metabolismo celular. Exemplos: O Cloreto de mercúrio combina-se com grupos
sulfurados da membrana celular, aumentando a permeabilidade da mesma e inibindo
o transporte ATPase-dependente da mesma. O Cianeto é um asfixiante intracelular,
bloqueando uma enzima da cadeia respiratória da mitocôndria, a citocromo-oxidase.
b) O composto em si é biologicamente inativo, mas é convertido em
metabólitos que são tóxicos. Estes agem diretamente na célula como descrito acima,
ou então produzem radicais livres que são os responsáveis pela lesão. Exemplos: O
tetracloreto de carbono (CCl4) é tóxico devido à liberação de um radical ativo,
extremamente tóxico, pelas enzimas do sistema de oxidase de função mista (MFO)
que metabolizam o CCl4. (Este produto é utilizado nas lavagens a seco)
INJÚRIA POR VÍRUS
Vírus que causam alterações nas células são de dois tipos:
VÍRUS CITOLÍTICO/CITOPÁTICOS
Lesam a célula através de duas formas: (a) Efeito citopático direto, onde as
partículas virais replicando intracelularmente interferem com algum aspecto do
metabolismo celular, ou (b): Indução de uma resposta imunológica contra os antígenos
celulares alterados pelo vírus.
VÍRUS ONCOGÊNICOS
Estimulam a replicação celular e a formação de tumores. Um grande número
de vírus já demonstraram serem oncogênicos em animais, desde anfíbios até
primatas. (No homem ainda não foi demonstrada inequivocamente a oncogênese viral.
Existem apenas suspeitas de que algumas formas de neoplasia são causadas por
vírus.)
5. ACUMULAÇÕES INTRACELULARES
Sob certas condições, substâncias acumulam-se no núcleo ou no
citoplasma das células. Essas substâncias pertencem a 3 categorias:
Constituinte celular normal - Uma substância normal é produzida, mas a
velocidade do metabolismo é insuficiente para removê-la. Ex.: Lipídios,
proteínas, carboidratos.
Substância anormal - Produto de metabolismo anormal. Substância endógena
que se acumula por não poder ser metabolizada devido à falta de uma enzima
específica � Defeito genético congênito � Doença de "armazenamento".
Substância anormal exógena, impossível de ser metabolizada ou removida.
Ex.: carvão, asbestos, sílica, pigmentos de tatuagem. Como geralmente essa
substância tem cor, são chamadas genericamente "pigmentos exógenos".
Deve-se levar em conta, contudo, que a maioria dos pigmentos encontrados no
corpo são de origem endógena e seu acúmulo pode não ser patológico.
LIPÍDIOS (TRANSFORMAÇÃO GORDUROSA)
O acúmulo de lipídios em células que não os adipócitos é chamado de
"transformação gordurosa". O termo "degeneração gordurosa" é empregado
por muitos, mas erroneamente, uma vez que não se trata de uma degeneração
e sim um processo metabólico e, por isso, ele deve ser evitado. Ocorre em
todos os órgãos que metabolizam lipídios, ou que os utilizam como fonte de
energia. Ocorre no coração, rins, músculos e, sobretudo no fígado. Neste órgão
o fenômeno é mais estudado.
PATOGÊNESE
Embora um agente etiológico possa agir em mais de um local, existem 4
mecanismos básicos na patogênese da transformação gordurosa do fígado:
Excesso de ácidos graxos livres: dieta, lipólise excessiva (stress,
jejum, principalmente em animais grandes e obesos, com exigência metabólica
aumentada, como na gestação; obesidade em bovinos (síndrome da "vaca
gorda").
Excesso de esterificação de ácidos graxos para triglicerídeos:
álcool.
Deficiências de aminoácidos lipotrópicos (colina, metionina, lisina e
cistina).
Hipóxia
Substâncias e plantas tóxicas: hepatotoxinas, como a aflatoxina e os
alcalóides pirrolizidínicos (Senecio sp);
Deficiência proteínica ou calórica: inanição, diabetes, prenhez
gemelar na ovelha (etiologia?)
MORFOLOGIA
ASPECTO MACROSCÓPICO
Fígado aumentado, amarelado e friável (este quadro é característico!)
ASPECTO MICROSCÓPICO
Vacúolos, adipocitoidose, cistos gordurosos (conseqüentes à ruptura de
hepatócitos e à coalescência de vacúolos gordurosos)
DEMONSTRAÇÃO
Colorações especiais, como o Sudan IV ou o Oil Red O (coloração
laranja ou vermelho)
INFILTRAÇÃO (PARENQUIMATOSA) GORDUROSA.
A infiltração gordurosa refere-se ao acúmulo de adipócitos no estroma
de órgãos parenquimatosos. As células do estroma sofrem metaplasia
adipocítica. Este processo não tem nada a ver com a transformação gordurosa.
Ocorrem no coração, músculos esqueléticos, tendões, músculos, etc. Os
adipócitos separam, mas não danificam, a não ser por eventual atrofia por
compressão, as células parenquimatosas.
PROTEÍNA
O excesso de proteína intracelular (visível na M.O.) ocorre
principalmente em:
1- Epitélio dos túbulos contornados proximais renais durante as doenças
renais que provocam proteinúria. As células tubulares fazem reabsorção por
pinocitose e a proteína aparece como gotículas hialinas no citoplasma das
células epiteliais.
2. Células plasmáticas (plasmócitos) engajadas na produção ativa de
imunoglobulinas. Quando em excesso, os plasmócitos adquirem um aspecto
arredondado, com o citoplasma intensamente eosinofílico (corpúsculos de
Russel).
GLICOGÊNIO
O glicogênio acumula-se sempre que haja glicemia alta e prolongada, ou
um distúrbio no metabolismo da glicose ou glicogênio, como no diabetes ou na
glicogenose.
PIGMENTOS
Pigmentos são substâncias providas de cor própria que se localizam nos
tecidos. Podem ser exógenos ou endógenos.
PIGMENTOS EXÓGENOS
CARVÃO
É o mais comum dos pigmentos que, quando inalado produz a
antracose (é uma pneumoconiose - rever o termo). As partículas de carvão
são fagocitadas por macrófagos alveolares que, se não eliminados com o
muco, fixam-se no estroma pulmonar ou são transportados pelos linfáticos aos
L.N. traqueobronquiais. Outra forma em que o carvão é encontrado nos tecidos
é nas tatuagens, utilizadas para identificar animais (na face interna da coxa, em
cães; na orelha, em suínos; ou na parte interna do lábio inferior, em eqüinos).
Morfologia: Coloração cinza nos tecidos, ou nos pulmões e linfonodos
traqueobronquiais. Ao microscópio vêem-se grânulos negros nos macrófagos.
SÍLICA E ASBESTO
Não são pigmentos literalmente. Também induzem duas importantes
pneumoconioses. Nestas (silicose e asbestose, respectivamente) ocorre fibrose
grave dos pulmões ou então, como na última, neoplasia nas pleuras
(mesotelioma). A sílica só é possível ser visualizada utilizando-se luz
polarizada. O asbesto aparece como fibras alongadas, de cor pardacenta e em
forma de baqueta de tambor.
TATUAGENS
Da mesma maneira que com o carvão, outras substâncias são utilizadas
para fazer tatuagens. O carvão é empregado sob a forma da tinta da China, ou
Nanquim. O ferrocianeto férrico (azul da Prússia) dá cor azul. O sulfeto de Hg
(cinábrio) dá a cor vermelha.
PIGMENTOS ENDÓGENOS
Incluem-se aqui a lipofuscina, a melanina e certos pigmentos derivados
da hemoglobina.
LIPOFUSCINA
É o chamado "pigmento de uso". Representa o resultado de injúrias
antigas devidas a radicais livres ou peroxidação de lipídios. São os
"corpúsculos residuais" resultantes de fagolisossomos (lisossomo + vacúolo
fagocítico),ou vacúolos autofágicos. Esse pigmento pode ser observado no
fígado, coração, intestino e outros órgãos de pacientes velhos ou caquéticos. O
pigmento tem coloração marrom (fucus = marrom) e os órgãos que o
apresentam têm essa coloração ("atrofia marrom" do coração; "síndrome do
intestino marrom" em cães velhos). Microscopicamente, a lipofuscina aparece
como grânulos marrons no citoplasma das células. Nos miócitos localizam-se
nos pólos do núcleo.
A lipofuscina não produz danos nas células. Como é resultado da
peroxidação, a vitamina E retarda o processo (esta é a razão do emprego
generalizado desta vitamina nos medicamentos ditos rejuvenescedores ou
preventivos do envelhecimento precoce). Conseqüentemente, na deficiência da
vitamina E, ocorre aumento de lipofuscina nos tecidos. Em gatos e minks
(arminho) submetidos a uma dieta rica em peixe, ou óleo de peixe,
especialmente se rancificado, (excesso de ácidos graxos insaturados) e com
deficiência de vit. E, apresentam uma doença que se caracteriza por grande
quantidade desse pigmento, neste caso o ceróide ("yellow-fat disease";
esteatite).
MELANINA
É o pigmento responsável pela pigmentação da pele e anexos e das
mucosas. Na realidade é um pigmento marrom, embora "melas" signifique
negro. Pode depositar-se também em locais inusitados, como nas meninges e
na íntima de grandes vasos, como em certas raças de ovelhas ou de cães.
Neste caso, esses depósitos de melanina recebem o nome de melanose.
Patologicamente, a melanina ocorre nos melanomas, nevos e em casos de
acantose nigricans, entre outros. A ausência de melanina ocorre no albinismo
(deficiência de tirosinase, ou DOPA-oxidase) e no leucoderma).
(Rever os termos melanócitos, melanóforos e melanossomos)
DERIVADOS DA HEMOGLOBINA
Hemoglobina (Hb) é o pigmento responsável pelo transporte de oxigênio
pelos eritrócitos. Uma vez as hemácias rompidas, esse pigmento atinge o
plasma ou os tecidos (rever os termos hemoglobinemia e hemoglobinúria).
Hb oxidada (vermelho vivo) característica do sangue oxigenado, ou
arterial.
Hb reduzida (violeta, ou negra) presente no sangue venoso ou nas
hemorragias digestivas.
Carboxihemoglobina (vermelho vivo) presente na intoxicação por CO
(comparativamente a Hb tem 200 vezes mais afinidade pelo CO do que pelo
O2).
Metahemoglobina (cor chocolate) é o óxido de Hb (fora do eritrócito)
presente nos envenenamentos por nitritos, nitratos, cloratos, sulfatos,
cobre e alguns compostos orgânicos.
Sulfometahemoglobina (cor azul ou negra), sua presença é chamada
de pseudomelanose, uma alteração resultante da ação de gases sulfurosos,
liberados por bactérias saprófitas, sobre a Hb liberada de eritrócitos lisados.
Hematina ácida (cor negra) resulta da ação de ácidos sobre a Hb
liberada de eritrócitos lisados. Vários tipos de hematina ácida são encontrados:
hematina formalina- pigmento de formol resultante da ação do
ac + Hb
hematina hidroclórica- hemorragias gástricas (HCL + Hb).
pigmento da Fascíola (F. magna)- Trematoda do fígado de
ruminantes, que produz pigmento negro rico em hematina.
Hemossiderina e Bilirrubina
São dois dos mais importantes pigmentos de origem hemoglobínica, e
por isso serão discutidos com mais detalhes. Ambos resultam da destruição de
eritrócitos.
(Após esse período o eritrócito é destruído no SRE, ou SFM, liberando a Hb)
HEMOSSIDERINA
A hemossiderina é um pigmento marrom-dourado, granular ou cristalino.
É formada por micelas de ferritina (forma de armazenamento normal de Fe no
organismo animal) A hemossiderina torna-se aparente sempre que haja
excesso de Fe, local ou sistêmico. Sua presença acima das quantidades
esperadas em um determinado local chama-se hemossiderose, que nada
mais é que um grande número de macrófagos contendo hemossiderina
("hemossiderócitos" ou "siderócitos"). Essa alteração comumente está presente
em:
BAÇO- Indica excesso de lise de eritrócitos (A.I.E.; hematozoários;
transfusões, etc.).
CICLO VITAL DO ERITRÓCITO
(em dias)
CÃO 120
GATO 70
CAVALO 145
VACA 160
HOMEM 120±20
PULMÃO- Congestão pulmonar crônica (insuficiência esquerda do
coração).
HEMORRAGIAS ANTIGAS- O melhor exemplo de hemossiderose
localizada é a contusão (hematoma subcutâneo), cuja seqüência de alterações
de cores durante sua resolução reflete os pigmentos formados: Inicia-se com o
vermelho azulado dos eritrócitos e, a seguir, várias tonalidades de azul, à
medida que os eritrócitos desaparecem e os pigmentos hemoglobínicos se
instalam (azul amarelado ou esverdeado → marrom esverdeado → marrom):
biliverdina → bilirrubina→ hemossiderina.
A hemossiderose não é uma lesão em si, mas o resultado de uma lesão
antiga, e não causa dano às células vizinhas aos macrófagos contendo
hemossiderina.
HEMOCROMATOSE- É a deposição de ferro na pele de pacientes com cirrose
hepática ou lesão pancreática na diabetes melito.
Demonstração histológica do ferro (diferenciação de pigmentos):
Faz-se pela reação do azul da Prússia, que tanto pode ser empregado
na macroscopia quanto na microscopia:
Ferrocianeto de K (incolor) + íons Fe ⇒ ... ⇒ ferrocianeto férrico (azul, insolúvel)
Essa reação é empregada para diferenciar, por exemplo, hemossiderina
de melanina, ou de lipofuscina.
BILIRRUBINA
É o mais importante pigmento da bile. É formado a partir da
hemoglobina, mas não contém ferro. Sua formação e excreção ocorrem
através do fígado e são essenciais à vida. Em situações onde há excesso de
produção ou impossibilidade de excreção, a bilirrubina acumula-se nos tecidos,
dando-lhes uma coloração amarelada (icterícia). Esta pode ser observada em
todo o corpo, mas é mais evidente no próprio fígado e nos rins, devido à maior
concentração do pigmento nesses locais. Nos rins provoca uma degeneração,
a nefrose colêmica.
Icterícia
É o acúmulo de
bilirrubina (colestase)
nos tecidos (acima de
3mg/dl de soro).
Dependendo da causa,
pode ser pré-hepático ou
hepático (dependendo
se o tipo de bilirrubina
acumulada nos tecidos é
conjugada ou não).
Tipos de icterícia
A- Hemolítico: Qualquer agente que cause hemólise e que a quantidade
de bilirrubina liberada exceda a capacidade de conjugação e eliminação do
fígado. Há um excesso de bilirrubina não-conjugada (indireta p/ Van der Berg).
Exemplos:
Piroplasmose ou anaplasmose
Leptospirose
Anemia infecciosa eqüina (AIE)
Envenenamento por ricina ou saponina
Ofidismo
Hemorragias internas
Transfusão
Icterus neonatorum
B- Tóxico- Substâncias tóxicas atuando nos hepatócitos e impedindo o
metabolismo da bilirrubina.
C- Obstrutivo- Obstrução do fluxo normal da bile. Neste caso a bilirru-
bina (conjugada) não atinge o intestino.
Exemplos:
1-Tumefação dos hepatócitos como conseqüência de tóxicos.
2-Obstrução por parasitas (Fascíolas ou Ascaris)
3-Cirrose (⇒ contração ⇒obstrução)
4-Colangites
5-Cálculos
6-Neoplasias periductais
7-Duodenite (obstrução da papila duodenal)
NOTAS IMPORTANTES
1- A lesão hepática em herbívoros, além da icterícia (que é apenas um
sinal) provoca a deposição na pele de FILOERITRINA (um subproduto do
metabolismo da clorofila). A filoeritrina é uma potente substância fotodinâmica
(rever o termo) e provoca fotossensilibilização. Qualquer herbívoro com
colestase não hemolítica de alguns dias de duração, e que tenha ingerido
abundante "verde" e seja mantido no sol, apresentará as lesões de pele.
2- A porfirina é uma substância também originária da hemoglobina e
também provoca fotossensibilização em animais com defeito enzimáticocongênito (deficiência de uroporfirinogenio sintetase)
3- Certas plantas possuem um pigmento fotodinâmico próprio que induz
diretamente a fotossensibilização (não são metabolizados, depositando-se
diretamente na pele), como o trigo sarraceno, que possui o pigmento fagopirina
(de cor vermelho fluorescente).
4- Certos pigmentos de origem vegetal podem depositar-se nos tecidos,
mas sem conseqüências patológicas, como é o caso de derivados do caroteno
(carota = cenoura), alterando a cor dos tecidos. (É administrado às aves para
dar uma cor "saudável" ou de "caipira" aos frangos de corte e aos ovos)
6. MORTE CELULAR - NECROSE
A morte celular só pode ser reconhecida após a célula sofrer uma série
de alterações morfológicas denominadas necrose. Portanto, a definição de
necrose é “a soma das alterações morfológicas que ocorrem após a morte de
células num tecido ou órgão vivos”. Note que a necrose só torna-se evidente
algum tempo após a morte da célula. Os termos necrose e morte celular não
são sinônimos: Embora a necrose indique que um tecido está morto, um
tecido morto pode não exibir necrose
CAUSAS DA NECROSE
A necrose ocorre devido a dois processos simultâneos:
a- Digestão enzimática da célula (autólise ou heterólise)
b- Desnaturação (coagulação) de proteínas devido ao pH
ASPECTO MACROSCÓPICO
O reconhecimento macroscópico de uma área necrótica é mais difícil do
que possa parecer. Contudo, uma vez instalada, a necrose possui algumas
características morfológicas que auxiliam no diagnóstico:
a- Palidez- No fígado e no pulmão pode não estar presente devido à
dupla circulação desses órgãos
b- Perda de resistência - (Friável)
c- Zona de demarcação- Formada por um halo de hiperemia
circundando a região necrótica. É o mais seguro dos sinais da necrose, mas
demora de 2 a 3 dias para aparecer.
ASPECTO MICROSCÓPICO-
As alterações podem ser vistas no citoplasma ou no núcleo.
ALTERAÇÕES CITOPLASMÁTICAS-
a- Eosinofilia- As proteínas desnaturadas do citoplasma têm grande
afinidade pela eosina (corante histológico).
b- Maior densidade ótica- Devido à perda de glicogênio, a célula
parece mais densa.
c- Vacuolação do citoplasma- Devido à digestão das organelas e
acúmulo intracitoplasmático de água.
e- Calcificação- O Ca move-se para dentro da célula (calcificação
distrófica).
ALTERAÇÕES NUCLEARES
São mais fáceis de serem notadas e indicam, sem sombra de dúvida de
que a célula está morta (ver figura 6.1)
a- Picnose- Núcleo condensado numa massa escura, arredondada,
homogênea e menor que o núcleo normal.
b- Cariorrexe- Fragmentação do núcleo.
c- Cariólise- Dissolução da cromatina, deixando uma imagem
"fantasma" do núcleo.
e- Ausência do núcleo- O núcleo da célula desaparece após 2 dias.
FIGURA 6.1- Alterações nucleares que se observam
na necrose e que comprovam a morte do núcleo
NECROBIOSE E APOPTOSE
Necrobiose é a morte de células como parte do processo fisiológico
normal, como a morte e descamação da pele, da mucosa do endométrio e do
tubo digestivo.
Apoptose (caducidade) é sinônimo de necrobiose. O termo é mais
empregado para designar células mortas que ocasionalmente são encontradas
no interior de tecidos normais. Essas células aparecem como corpúsculos
arredondados intensamente eosinofílicos (Corpúsculos de Councilman).
TIPOS DE NECROSE
Dependendo do balanço entre autólise, coagulação de proteínas e
calcificação, a necrose pode apresentar-se de diferentes maneiras, os
chamados "tipos de necrose". Embora todos indiquem morte celular prévia,
podem indicar também a causa da morte daquelas células.
NECROSE DE COAGULAÇÃO (OU COAGULATIVA)
É a mais comum. Os núcleos geralmente desaparecem, mas a forma
celular é preservada permitindo reconhecer a arquitetura tecidual.
Posteriormente a área necrótica é liquefeita e removida por seqüestração. A
causa mais comum é a isquemia é ocorre em órgãos como o fígado, rim e
coração (infarto).
Um tipo especial de necrose de coagulação é a necrose de
Zenker, que ocorre no músculo estriado em certas situações especiais como
na deficiência de vitamina E ou de Selênio.
NECROSE DE LIQUEFAÇÃO (OU COLIQUATIVA)
Resulta de enzimas hidrolíticas potentes. É típica do SNC ("derrame") e
em abscessos e outros processos supurativos (atenção: não em aves) onde
ocorre associação de autólise, heterólise e enzimas bacterianas.
NECROSE DO TECIDO ADIPOSO (ESTEATONECROSE)
Ocorre devido à ação de lipases sobre triglicerídeos, liberando ácidos
graxos livres que se combinam com Ca, K, ou Na formando sabões
("saponificação") de aspecto granular e levemente basofílico ao microscópio.
Como causas, geralmente são as lesões do pâncreas, trauma em massas
adiposas ou, mais raramente, de forma espontânea no tecido adiposo intra-
abdominal de bovinos (causa: nutrição? isquemia?)
NECROSE DE CASEIFICAÇÃO
Ocorre uma combinação de necrose coagulativa e coliquativa. O tecido
necrótico tem aspecto pastoso, friável, branco-acinzentado (caseus = queijo) e
levemente granular. É típico da lesão tuberculosa (Mycobacterium
tuberculosis); da linfoadenite caseosa dos caprinos e ovinos (Corinebacterium
pseudotuberculosis) e dos abscessos em geral nas aves. (Lembrem-se
sempre: O pus nas aves não é líquido)
NECROSE GANGRENOSA (OU GANGRENA)
É a necrose (de qualquer tipo) seguida da invasão da área por bactérias
saprófitas (putrefação). Ocorre nos tecidos que têm contacto com o meio
exterior, como a pele, pulmões, intestinos e mamas. Existem dois tipos de
gangrena:
a- Gangrena seca- Há pequena invasão de bactérias devido à pouca
disponibilidade de umidade. É seca devido à drenagem fácil ou à evaporação.
Ocorre na pele ou nas extremidade.
b- Gangrena úmida- Ao contrário da seca, ha abundante exsudação de
líquido, produção de gás (bolhas), hemorragia, edema e cianose. É muito grave
e comumente fatal.
Causas mais comuns:
Intestino: estrangulamento
Pulmão: aspiração de material estranho
Mama: Infecção por Staphylococcus sp ou Streptococcus sp.
SEQÜESTRAÇÃO
Seqüestro é uma área necrótica separada do tecido sadio por uma zona
de inflamação (linha ou zona de demarcação) e que permanece como uma
massa compacta sendo liquefeita e absorvida a partir da periferia. Esse
processo de eliminação da área necrótica é a seqüestração. Ocorre após
infartos no rim, em fragmentos ósseos (esquírolas) após fraturas, ou em áreas
necróticas no pulmão e na massa muscular.
6.1. MORTE SOMÁTICA - ALTERAÇÕES "POST-MORTEM"
As alterações que ocorrem após a morte somática podem ser (e são!)
confundidas com lesões e dificultam a interpretação destas, seja mascarando-
as, ou seja, assemelhando-se a elas. Contudo, o ponto onde se considera um
indivíduo como "morto" é motivo de debate. Convencionou-se considerar-se a
morte do sistema nervoso central (SNC) como o ponto que define a morte,
porém, quando ocorre a morte do SNC, ainda existem outros tecidos no
organismo que continuam vivos por um tempo maior. Além disso, a velocidade
e a intensidade das alterações conseqüentes à morte variam entre os tecidos e
dependem de muitos fatores.
Fatores que influenciam a velocidade e a intensidade da ocorrência das
alterações "post-mortem".
a- Temperatura ambiente (diretamente proporcional)
b- Temperatura corporal (diretamente proporcional)
c- Tamanho corporal (diretamente proporcional, em função da
velocidade de perda de temperatura)
d- Isolamento térmico - pêlos, penas, gordura - (diretamente
proporcional, também em função da temperatura)
e- Estado nutricional (inversamente proporcional devido à maior
capacidadedas células de pacientes bem nutridos em gerar energia
intracelularmente - ATP)
f- Espécie animal (a velocidade de alterações "post-mortem" varia
segundo a espécie, em função de seu isolamento térmico, porte, flora intestinal
e temperatura corporal)
g- Órgão ou tecido considerado (é diretamente proporcional ao
metabolismo do tecido em questão. O sistema nervoso central é o mais rápido
e o tecido conjuntivo fibroso, de tendões p. ex., é o mais lento)
AUTÓLISE "POST-MORTEM"
Autólise é a autodigestão das células pelas enzimas contidas em suas
organelas (lisossomos) e que são liberadas como conseqüência da anóxia
difusa total que se segue à paralisação das funções cardiorrespiratórias ou da
supressão da irrigação sanguínea em uma região. É a mais importante das
alterações "post-mortem". Ocorre em qualquer tecido e assemelha-se à
necrose de coagulação.
A velocidade e o grau de autólise varia segundo a necessidade de O2
(metabolismo) de cada tecido (no osso, na pele e no tendão ocorre lentamente;
no SNC e na adrenal ocorre rapidamente). A refrigeração apenas retarda a
autólise por diminuir o ritmo metabólico do tecido. A fixação a impede.
FIXAÇÃO
Um fixador é qualquer substância química utilizada para preservar e
firmar (fixar) um tecido, permitindo seu exame posterior. O fixador mais
comumente utilizado é a solução de formalina a 10%.
Formalina é a solução aquosa do Aldeído fórmico (HCOH) a 37-40%.
A solução fixadora é obtida pela adição de 10 ml de formalina a 90 ml de água,
formando, portanto, uma solução de formalina a 10% (não de HCOH. Este, na
realidade, estará a 3,7-4,0%)
A formalina age pela remoção de moléculas de água ligadas às
moléculas orgânicas, principalmente proteínas e ácidos nucleicos. A solução de
formalina não é estável. Quando exposta ao oxigênio, decompõe-se em ácido
fórmico que é um péssimo fixador e reage com a hemoglobina liberada de
hemácias produzindo um pigmento que atrapalha a avaliação histológica. Essa
decomposição é evitada usando-se uma solução tamponada em pH neutro. É a
seguinte a fórmula para se fazer formalina tamponada:
Formalina (37-40%....................................... 100,0 ml
Fosfato de Na monobásico .............................. 4,0 g
Fosfato de Na dibásico .................................... 6,5 g
Água destilada ............................................. 900,0 ml
(Esta solução tem o pH neutro e mantém-se estável por um ano. Deve ser
descartada após esse tempo.)
OBS.: Para a fixação de cérebros (devem ser fixados inteiros) usa-se a
formalina a 20%.
Existem outros fixadores, como os de Carnoy, de Zenker, de Michell, de
Bouin, etc., que são utilizados em situações especiais, mas que não serão dis-
cutidos aqui.
"RIGOR MORTIS"
É o enrijecimento dos músculos causado pelo decréscimo dos níveis
intracelulares de ATP (o relaxamento dos músculos, após a contração, requer
energia).
Animais bem nutridos, com maior concentração intracelular de glicogênio
demoram mais a apresentá-lo devido à ressíntese de ATP. Assim, é mais
intenso e precoce em animais mal-nutridos ou cansados, e em músculos mais
ativos, como os da nuca e o miocárdio.
"ALGOR MORTIS"
É o esfriamento do cadáver (algor = frio). Sua velocidade varia segundo
a espécie, o tamanho ou o isolamento térmico do cadáver, a temperatura
ambiente, etc. Sua importância relaciona-se à instalação da autólise, que é
diretamente proporcional à temperatura corporal.
"LIVOR MORTIS"
É a palidez (livor = palidez) resultante da descida do sangue às regiões
inferiores do corpo. Esta alteração não é importante, a não ser que ela
depende da congestão hipostática, discutida a seguir.
CONGESTÃO HIPOSTÁTICA
É a concentração de sangue nos vasos das partes inferiores, devido à
gravidade (é uma conseqüência do "livor mortis", e vice-versa).
Freqüentemente é confundida com alterações patológicas, como a inflamação,
principalmente nos pulmões e na mama. (O acúmulo de sangue observado na
inflamação recebe o nome de hiperemia, e não de “congestão ativa” como
dizem muitos.)
OBS.: A compressão de vísceras associada à congestão hipostática
produz efeitos interessantes. O fígado, p.ex., pode mostrar a "impressão" das
costelas ou de alças intestinais vizinhas. Às vezes essa alteração é de grande
valor diagnóstico, como no caso da "linha de timpanismo" observada no
esôfago de ruminantes que morreram como conseqüência de timpanismo
agudo do rúmen.
COAGULAÇÃO DO SANGUE
O sangue coagula-se no interior de vasos e nas câmaras cardíacas
algum tempo após a morte. Esses coágulos devem ser diferenciados dos
trombos, que são coágulos que ocorreram antes da morte ("ante-mortem").
Dois tipos de coágulos podem ocorrer:
a- Coágulo cruórico- O mais comum, com coloração e aspecto de
geléia de amora, mais ou menos firme e não aderente, moldando exatamente a
cavidade que o contém.
b- Coágulo lardáceo (lardum = toucinho)- Têm o aspecto de gordura de
galinha. Ocorre devido à hemossedimentação acelerada resultante do
aumento da agregação eritrocitária, ou ao retardamento da coagulação. Os
cavalos, devido à formação mais comum de "rouleaux" de hemácias,
apresentam essa alteração mais freqüentemente que outras espécies.
ALTERAÇÕES NA COR DE ÓRGÃOS
a- Embebição por hemoglobina- Ocorre difusão para os tecidos da
hemoglobina liberada pela lise dos eritrócitos e manifesta-se pela cor rosa-
púrpura nos tecidos. É mais evidente nas paredes das grandes artérias e é
particularmente notável em fetos abortados.
b- Embebição por bile- Após a morte a vesícula biliar e o duodeno
perdem a capacidade de reter os pigmentos biliares, os quais se difundem nos
tecidos vizinhos, corando-os de marrom amarelado.
c- Pseudomelanose- A combinação de sulfeto de enxofre liberado por
bactérias de putrefação com o ferro da hemoglobina de eritrócitos lisados
produz o sulfeto férrico, de cor negro azulado. Dependendo da quantidade de
sulfeto férrico e outros pigmentos de origem hemática, podem ocorrer
coloração verde, cinza, púrpura ou negra. É observada mais comumente em
áreas relacionadas com alças intestinais, ou em áreas onde ocorreu
proliferação de bactérias saprófitas, como na gangrena.
DISTENSÃO, DESLOCAMENTO E RUPTURA DE VÍSCERAS
Devido ao acúmulo de ingesta, de gás e à manipulação do cadáver,
pode haver simulações de torções, vólvulos, invaginações e hérnias. Da
mesma maneira, vísceras podem romper-se após a morte.
Diferenciação entre deslocamentos "ante-mortem" e "post-
mortem":
Pela presença de alterações vasculares e circulatórias, bem como a
presença de fibrina e aderências nas de ocorrência "ante-mortem".
Diferenciação entre rupturas "ante-mortem" e "post-mortem":
Pela presença de hemorragia, de fibrina ou de peritonite nos casos
ocorridos "ante-mortem". Nestes casos também, o conteúdo extravazado da
víscera rompida estará espalhado por toda a cavidade.
PUTREFAÇÃO
A putrefação normalmente não é confundida com alterações patológicas,
a não ser em casos excepcionais, como nos casos de gangrena e nos de
infecções por bactérias anaeróbicas produtoras de gás, geralmente Clostridium
sp. Na putrefação, como nas doenças mencionadas, ocorre produção de gás
no interior s tecidos que se manifesta pela presença de pequenas bolhas
(enfizema). A ocorrência de enfizema de putrefação não é uniforme em todos
os tecidos, sendo mais comum no fígado, nos rins e nos pulmões. O enfizema
"ante-mortem" pode ocorrer também como conseqüência de outras causas
que não por infecção por bactérias produtoras de gás. As causas mais comuns
são as perfurações da traquéia, do tórax, ou de certos ferimentos cutâneos,
como na região próxima à virilha. (Nestesferimentos, a movimentação do
animal faz com que a pele atue como um fole, aspirando ar e impelindo-o para
o tecido subcutâneo.)
7. ADAPTAÇÕES CELULARES À INJÚRIA
Dependendo do tipo de estimulo ou de injúria, as células tentam adaptar-
se, sofrendo certas modificações morfológicas ou funcionais ("bioquímicas")
que as permitam sobreviver ou manter suas funções frente à nova situação.
ATROFIA
Refere-se à diminuição do tamanho de um órgão, ou de uma célula,
após ter atingido seu desenvolvimento normal. Pode atingir todo o órgão, ou
parte do mesmo, um pequeno grupo de células, ou mesmo apenas uma célula.
Ocorre sob duas formas:
Quantitativa - o número de células diminui
Qualitativa - o tamanho das células diminui
ASPECTO MACROSCÓPICO:
a- Cápsula enrugada.
b- Peso, ou tamanho menor - Pese ou meça o órgão. Para compensar a
variação de tamanho do animal, faça a relação entre o peso do órgão e o peso
corporal, ou o peso do cérebro, e utilize esse valor como medida de avaliação.
Órgãos pares podem ser comparados entre si.
ASPECTO MICROSCÓPICO:
a- diminuição do número ou diâmetro das células.
b- Ondulação da cápsula.
(Compare com áreas normais do mesmo órgão)
CARACTERÍSTICAS DE ALGUNS ÓRGÃOS:
Rim: Aumento do número de glomérulos visíveis em cada campo
microscópico. (Lembre-se que o rim do animal jovem também tem um número
aparentemente maior de corpúsculos renais)
Baço: Aparente aumento de trabéculas, da mesma maneira que no rim.
Músculo: Perda do sarcoplasma, restando sarcolema e endomísio, que
é similar ao tecido conjuntivo fibroso.
Fígado: Estreitamento dos cordões de hepatócitos.
CAUSAS DA ATROFIA
Inanição - Atinge quase todo o organismo, exceto ossos e o sistema
nervoso central. Durante a inanição, existe uma seqüência pré-determinada de
utilização das reservas do organismo, que se dá na seguinte ordem: Glicogênio
--> tecido adiposo -> músculos -> parênquima de glândulas. O diagnóstico da
inanição durante a necropsia é feito pela constatação de atrofia serosa da
gordura.
Irrigação sanguínea deficiente - Exemplo: Congestão passiva crônica
do fígado.
Inervação deficiente - É uma lesão clássica da musculatura após lesão
nervosa - Exemplo: Compressão ou secção de um nervo.
Desuso - Conseqüente à imobilização (tratamento de fraturas) ou, por
exemplo, numa glândula, à obstrução do ducto excretor.
Compressão - A compressão de uma região durante longos períodos
induz atrofia. Por exemplo, em tumores que se expandem lentamente, os
tecidos vizinhos atrofiam-se.
Distúrbios endócrinos - A atrofia que ocorre aqui é, na realidade,
conseqüente ao desuso. Na deficiência hormonal, as funções hormônio-
dependentes são paralisadas, daí o desuso. Exemplos: Atrofia da tireóide por
falta de TSH: atrofia da suprarrenal por falta de ACTH; atrofia (iatrogênica) da
suprarrenal por administração de corticosteróide.
INVOLUÇÃO
É a diminuição do tamanho de um órgão como resultado de um
processo fisiológico normal. Pode ser cíclica e ocorre após a cessação do
estímulo.
Exemplos: Involução do corpo lúteo; involução do útero; involução das
mamas.
HIPERTROFIA
É o aumento de um órgão, ou tecido, devido ao aumento do tamanho
(não do número) de suas células. Existe aumento de RNA, enquanto a
quantidade de DNA permanece estável. Sua principal e única causa é o
aumento da demanda funcional do órgão.
CLASSIFICAÇÃO DA HIPERTROFIA (SEGUNDO A CAUSA)
Compensatória, ou vicariante - Ocorre para compensar a falta de um
órgão par, por exemplo. O rim remanescente sempre se hipertrofia após
excisão do seu par.
Funcional - Aumento da massa muscular. A massa muscular de um
cavalos de corridas é muito maior do que a de um cavalo de montaria de
passeio.
Fisiológica - Útero, na gestação.
HIPERPLASIA
É o aumento de um órgão, ou tecido, devido ao aumento do número
(não do tamanho) de suas células. Neste caso, tanto o RNA quanto o DNA
estão aumentados. Macroscopicamente é difícil de ser diferenciado de
hipertrofia. Pode ser difusa, atingindo todo o órgão, como a tireóide em caso
de bócio, ou focal (ou nodular) que ocorre no baço, fígado, pâncreas, córtex da
suprarrenal, gl. mamária, etc., onde apenas áreas limitadas de um órgão ou
tecidos são atingidos.
BASES TEÓRICAS DA HIPERTROFIA E DA HIPERPLASIA
A capacidade, ou a definição se um órgão sofrerá hipertrofia ou
hiperplasia depende da capacidade ou não do seu parênquima em formar
novas unidades funcionais. Depende, portanto, se suas células são lábeis,
estáveis ou permanentes (esta classificação será vista com mais detalhes no
capítulo 10 - "Reparação"). Os tecidos constituídos por células estáveis são
incapazes de multiplicar e, conseqüentemente, não apresentam hiperplasia.
Caso sua demanda funcional seja aumentada, eles compensam através de
hipertrofia. Por outro lado, os tecidos cujas células sejam capazes de se
multiplicar, embora possam apresentar ambos os processos, geralmente
sofrem hiperplasia em resposta ao aumento da demanda.
O quadro a seguir representa as idades em que alguns tecidos perdem a
capacidade de se multiplicar. Os dados referem-se ao homem, mas podem se
adaptados aos animais.
Quadro 1- CAPACIDADE DE REGENERAÇÃO DOS TECIDOS
Tecido Idade
Neurônios
3-4 meses de gestação
músculo esquelético 5 m. gestação
músculo cardíaco 9 m. gestação
alvéolos pulmonares 8 a 9 m. idade
folículos Ovarianos 50 anos
hepatócitos, células da tireóide, cél.
endócrinas, cél. sanguíneas, etc.
mais de 90 anos de idade
METAPLASIA
É a transformação de um tecido maduro em outro da mesma linhagem
celular. É como se o tecido se transformasse em outro mais resistente a fim de
enfrentar uma agressão.
METAPLASIA EPITELIAL-
Ocorre nos epitélios. Exemplos: O epitélio cúbico dos brônquios, como
resultado de irritação crônica (fumaça) transforma-se em epitélio pavimentoso
(metaplasia pavimentosa, ou escamosa)
METAPLASIA MESENQUIMAL-
Ocorre no tecido conjuntivo. Muitas vezes é um processo fisiológico,
como na formação do tecido ósseo, ou na consolidação de uma fratura, onde o
tecido conjuntivo fibroso sofre metaplasia para tecido mixomatoso, a seguir
para cartilagem e, finalmente, para osso. Ocorre o mesmo em certas
neoplasias, como no tumor misto de mama em cadelas.
DISPLASIA
Dos crescimentos não neoplásicos, a displasia é o mais irregular, sendo
considerada sempre uma lesão pré-neoplásica. As células proliferam sem
uniformidade e o tecido perde sua arquitetura normal. Histologicamente nota-se
também uma perda das propriedades tintoriais normais. Contudo, ao contrário
da neoplasia, uma vez cessado o estímulo que a provocou, regride e
desaparece. a evolução de uma lesão como essa geralmente é a seguinte:
Displasia ⇒ carcinoma "in situ" ⇒ carcinoma
NEOPLASIA
O crescimento neoplásico é aquele que não cessa uma vez cessado o
estímulo que o provocou, continuando indefinidamente e não respondendo aos
mecanismos normais de limitação de crescimento impostos pelo organismo. Na
neoplasia as células perdem a diferenciação, isto é, tornam-se indiferenciadas.
Diferenciação é a propriedade das células serem diferentes das demais do
organismo, sendo características de um determinado tecido e
conseqüentemente, sendo capazes de exercer uma função. Ao tornarem-se
indiferenciadas, elas perdem a identificação com o tecido que deu origem à
neoplasia. Quanto mais indiferenciada, mais grave (maligna) é a neoplasia.
Anaplasia é o grau máximo de indiferenciação celular. Uma neoplasia com
células anaplásicas é sempre maligna.
A neoplasia, por ser muito importante, será estudadacom detalhes
como último ponto da disciplina de Patologia Geral
8. OUTRAS ALTERAÇÕES CO
CALCIFICAÇÃO
Calcificação é a deposição patológica de Ca nos tecidos. (A deposição
fisiológica de cálcio no osteóide é a ossificação)
As funções do Ca no organismo são múltiplas e muito importantes, como
sustentação do esqueleto, coagulação sanguí
contratilidade muscular e manutenção da permeabilidade da membrana celular.
Os níveis plasmáticos de cálcio (calcemia) normais são de 9 a 11 mg/dl.
A hipocalcemia severa (níveis inferiores a 7mg
hiperexcitabilidade neuromuscular) e a hipercalcemia induz calcificações. O
controle da calcemia é feito pela vitamina D (vide esquema) e pelos hormônios
PTH (paratireóide) e calcitonina (células "c" da tireóide). O PTH provoca
hipercalcemia retirando Ca dos
oposto.
METABOLISMO DA VITAM
A deposição de Ca nos tecidos moles ocorre em duas situações, que
dão origem a dois tipos de calcificação: Distrófica e metastática.
OUTRAS ALTERAÇÕES CONSEQÜENTES À INJÚRIA
Calcificação é a deposição patológica de Ca nos tecidos. (A deposição
fisiológica de cálcio no osteóide é a ossificação)
As funções do Ca no organismo são múltiplas e muito importantes, como
sustentação do esqueleto, coagulação sanguínea, transmissão neural,
contratilidade muscular e manutenção da permeabilidade da membrana celular.
Os níveis plasmáticos de cálcio (calcemia) normais são de 9 a 11 mg/dl.
A hipocalcemia severa (níveis inferiores a 7mg\dl) provoca tetania (disfunção e
perexcitabilidade neuromuscular) e a hipercalcemia induz calcificações. O
controle da calcemia é feito pela vitamina D (vide esquema) e pelos hormônios
PTH (paratireóide) e calcitonina (células "c" da tireóide). O PTH provoca
hipercalcemia retirando Ca dos ossos e a calcitonina tem o efeito exatamente
METABOLISMO DA VITAMINA D
A deposição de Ca nos tecidos moles ocorre em duas situações, que
dão origem a dois tipos de calcificação: Distrófica e metastática.
Calcificação é a deposição patológica de Ca nos tecidos. (A deposição
As funções do Ca no organismo são múltiplas e muito importantes, como
nea, transmissão neural,
contratilidade muscular e manutenção da permeabilidade da membrana celular.
Os níveis plasmáticos de cálcio (calcemia) normais são de 9 a 11 mg/dl.
dl) provoca tetania (disfunção e
perexcitabilidade neuromuscular) e a hipercalcemia induz calcificações. O
controle da calcemia é feito pela vitamina D (vide esquema) e pelos hormônios
PTH (paratireóide) e calcitonina (células "c" da tireóide). O PTH provoca
ossos e a calcitonina tem o efeito exatamente
A deposição de Ca nos tecidos moles ocorre em duas situações, que
CALCIFICAÇÃO DISTRÓFICA
É a deposição de Ca nos tecidos lesados e independe da calcemia.
Ocorre em qualquer tipo de necrose, na aterosclerose, em lesões valvulares
cardíacas, etc.
Aspecto macroscópico- Grânulos finos, brancos ou pardos, que soam
como areia ao serem cortados pela faca de necropsia.
Aspecto microscópico- Pode localizar-se Intra ou extracelularmente.
Aspecto, amorfo, granular e basofílico. Pode ossificar.
CALCIFICAÇÃO METASTÁTICA
Ocorre em tecidos sadios como resultado de uma hipercalcemia.
(Calcificações distróficas também tem sua intensidade aumentada na
eventualidade de hipercalcemia) Observa-se nos pulmões, rins, músculos e
paredes de artérias. A calcificação de artérias de pequeno e médio calibre é
clássica nos casos de lesão renal grave em cães.
Causas da hipercalcemia:
Hipervitaminose D - Provoca aumento da absorção de Ca no
intestino.
Plantas tóxicas - Solanum malacoxylon (o princípio ativo desta
planta é o 1,25 dihidroxicolecalciferol).
Hiperparatireoidismo (primário ou secundário renal ou
nutricional).
OBSERVAÇÃO- A única alteração morfológica importante provocada
pela deficiência de Ca na dieta é a osteoporose (osteopenia ou osteomalácia)
cuja conseqüência principal é a ocorrência de fraturas, espontâneas até. A
hipocalcemia só ocorre muito tardiamente nas deficiências dietética de Ca, pois
a normocalcemia é mantida ás custas das reservas ósseas de Ca. Quando
devido à dieta, a hipocalcemia só ocorrerá quando os níveis ósseos de cálcio
atingirem aproximadamente 20% do normal. (Portanto, não faça como muitos
veterinários que solicitam dosagem da calcemia para estimar a qualidade da
dieta dos animais. Quando ela aparecer, as fraturas espontâneo já estarão
ocorrendo). Por outro lado, em muitas situações poderá ocorrer hipocalcemia
sem que os níveis ósseos de Ca sejam afetados. Neste caso, a remoção do Ca
plasmático se dá em velocidade superior à capacidade do PTH em removê-lo
dos ossos. Nestas situações, a hipocalcemia não induz nenhuma alteração
morfológica. Funcionalmente, contudo, as conseqüências são devastadoras e
podem levar o animal à morte em poucas horas. A principal manifestação
clínica da hipocalcemia é a tetania (que ocorre sempre que a calcemia atinja
níveis iguais ou menores a 7 mg/dl).
Causas da hipocalcemia
Paratireoidectomia (experimentalmente ou no tratamento de
neoplasias)
Def. de Ca na dieta
Def. de vitamina D na dieta
Dietas muito ricas em gorduras - O Ca é fixado às gorduras
(saponificação) e ocorre esteatorréia.
Pancreatite aguda - Saponificação do tecido adiposo abdominal.
Hipocalcemia da lactação (Perinatal: Lentidão na resposta da
paratireóide; tardia: Espoliação das reservas ósseas de Ca + deficiência na
dieta)
HIALINA
Hialina é um termo descritivo histológico, muito útil e conveniente, mas
que pouco indica quanto à causa da injúria celular. esse termo aplica-se a
qualquer alteração intra ou extracelular que tenha aparência vítrea, homogênea
e eosinofílica (rosada).
HIALINA INTRACELULAR
Gotículas hialinas no epitélio tubular renal nas proteinúrias.
Corpúsculos de Russell (Plasmócitos alterados, com abundante
globulina na síntese de Ig).
Corpúsculos de inclusão virais.
Intracitoplasmáticos - cinomose, raiva, pox.
Intranucleares - Cinomose, herpesvírus
HIALINA EXTRACELULAR
Colágeno em velhas cicatrizes.
Íntima de arteríolas renais na hipertensão crônica e na diabetes.
Glomérulos renais na glomerulonefrite membranosa, de origem auto-
imune.
Folículos ovarianos atrésicos.
AMILÓIDE
Amiloidose é a deposição nos tecidos de amilóide e representa,
possivelmente, um distúrbio imunológico (será estudado mais profundamente
naquele capítulo). Amilóide é uma proteína de aspecto fibrilar (M.E.),
depositada extracelularmente após certas condições clínicas como doenças
infecciosas crônicas (Tb, osteomielite), doenças caquexiantes (neoplasias) ou
estimulação antigênica intensa e duradoura (animais utilizados na produção de
soro).
Origem do termo- R. Virchow (século passado) notou que a proteína
apresentava uma reação semelhante ao amido, ao ser tratada com solução de
iodo e ácido sulfúrico.
Demonstração (comprovação)- Vermelho Congo (+ luz polarizada);
reação do iodo.
9. INFLAMAÇÃO
CONCEITOS E GENERALIDADES
Inflamação é uma reação do tecido viável vascularizado a uma agressão
com a finalidade de destruir, diluir ou isolar o agente agressor. Começa com a
resposta vascular e termina com a reparação da lesão. Em suma, sua
finalidade é conter e reparar uma lesão.
Da mesma maneira que benéficos, esses processos podem ser
potencialmente perigosos quando escapam do controle normal do organismo
Quase todos os agentes que causam injúria celular induzem uma
resposta inflamatória. A inflamação é uma resposta básica do organismo vivo e
ocorre em qualquer tecido. A resposta inflamatória básica e a seqüência
dos eventos inflamatórios são essencialmente os mesmosindependentemente do tipo do agente causador e do tecido envolvido. A
duração e a intensidade da reação, bem como sua evolução sim, dependem do
tecido, do hospedeiro e do agente agressor.
A resposta inflamatória (a inflamação) é dividida em aguda e crônica
dependendo do tempo de duração e do tipo de reação observado. A inflamação
aguda é de duração relativamente curta, variando de poucos minutos a um ou
dois dias, e sua principal característica é a exsudação de líquido e proteínas
plasmáticas, além da emigração de leucócitos, principalmente neutrófilos. A
inflamação crônica é de duração maior, menos uniforme, e caracteriza-se pela
presença de linfócitos e macrófagos e pela proliferação de vasos sanguíneos
e tecido conjuntivo.
COMPONENTES DA REAÇÃO INFLAMATÓRIA
O local onde ocorre a reação inflamatória é o tecido conjuntivo
vascularizado (estroma), incluindo-se os vasos, plasma, células circulantes e
os constituintes celulares e extracelulares do tecido conjuntivo.
INFLAMAÇÃO AGUDA
A principal característica da inflamação aguda é a exsudação. Os sinais
locais que assinalam sua presença são o aumento da temperatura local,
aumento de volume, vermelhidão e a dor (calor, tumor, rubor et dolor... -
Celsus, século I), com perda de função da parte envolvida (... et functio lesa -
R.L.Virchow, 1821 - 1902)
Esses sinais são produzidos por alterações nos calibres dos vasos e no
fluxo sanguíneo, na permeabilidade vascular, e na exsudação de leucócitos.
Esses fenômenos ocorrem simultânea e interdependentemente.
Alterações no calibre dos vasos e no fluxo sanguíneo
a- Vasoconstrição: É fugaz e geralmente passa desapercebida.
Lesões leves - dura de 3 a 5 segundos
Lesões graves (queimaduras) - vários minutos
b- Vasodilatação: Ocorre devido ao relaxamento de arteríolas e de
esfíncteres pré-capilares (ocorre uma aparente proliferação de capilares,
como o que se observa na conjuntiva). É a hiperemia, o mais
significativo sinal clínico da inflamação.
c- Lentidão do fluxo sanguíneo: Provocado pela vasodilatação e perda
de fluido para o interstício. Como conseqüência ocorre estase e
hemoconcentração.
Alterações na permeabilidade vascular
Ocorre um aumento na permeabilidade do endotélio devido ao
aparecimento de espaços entre as células endoteliais. O endotélio é um epitélio
pavimentoso simples que permite a passagem limitada de água e de pequenas
moléculas. Existem 3 tipos de endotélio: o contínuo, onde não existe espaço
entre as células e que reveste todas as arteríolas e vênulas e a maior parte dos
capilares de todo o corpo; o fenestrado, característico do glomérulo renal e
dos órgãos endócrinos; e o descontínuo, existente no baço, fígado e medula
óssea.
O líquido que sai dos vasos pode ser de dois tipos:
a- Exsudato- É o líquido inflamatório que deixa o vaso em
conseqüência do aumento da permeabilidade. Tem alta concentração de
proteínas, contém células inflamatórias e, às vezes, hemácias, restos celulares,
e tem densidade igual ou superior a 1,020. Sua presença indica permeabilidade
vascular alterada.
b- Transudato- Não é de origem inflamatória. É um ultrafiltrado
do plasma e resulta do desequilíbrio hidrostático entre o sangue e o interstício.
Contém baixa concentração de proteínas (geralmente albumina) e densidade
igual ou levemente superior a 1,012.
Emigração de leucócitos
O acúmulo local de leucócitos, principalmente neutrófilos e monócitos, é
o mais importante evento da inflamação. Esses leucócitos fagocitam e
destroem bactérias, complexos imunitários e restos celulares; prolongam a
resposta inflamatória pela liberação de mediadores, enzimas e radicais tóxicos
e suas enzimas lisossômicas colaboram na resposta defensiva.
O processo de emigração leucocitária segue uma seqüência:
a- Marginação- Como resultado da lentidão da circulação, os elementos
figurados do sangue, principalmente os neutrófilos, deixam o centro do fluxo
circulatório e dirigem-se para a periferia, próximos à parede do vaso.
b- Adesão- Os neutrófilos aderem-se ao endotélio, num processo
conhecido como pavimentação.
c- Emigração e quimiotaxia- Emigração é o processo pelo qual os
leucócitos escapam dos vasos sanguíneos para o tecido perivascular. Eles o
fazem através de movimentos amebóides ativos. (Nota: Os eritrócitos também
podem escapar dos vasos pelos espaços entre as células endoteliais, mas, ao
contrário dos leucócitos, eles saem passivamente) O processo pelo qual um
elemento figurado do sangue escapa através do endotélio aparentemente
intacto chama-se diapedese. (No caso do eritrócito, teremos uma hemorragia
por diapedese). Quimiotaxia é a migração unidirecional de uma célula em
direção ao ponto de atração, que é o ponto quimiotáxico. A célula migra em
resposta a um gradiente químico do fator quimiotáxico. Os fatores
quimiotáxicos podem ser exógenos, como bactérias, corpos estranhos, etc., ou
endógenos, como o fator Complemento C5a, p. ex.
d- Fagocitose e degranulação- A fagocitose de partículas e a liberação
de enzimas lisossomais pelos leucócitos é a principal razão do acúmulo de
neutrófilos e macrófagos no foco inflamatório. A fagocitose inicia-se pelo
reconhecimento da partícula, o que ocorre somente após serem revestidas por
fatores séricos naturais, as opsoninas (opsoninação), seguida da ingestão da
partícula e sua posterior destruição intracelular.
A última fase do processo inflamatório agudo ocorre com a
liberação extracelular pelos leucócitos, das enzimas lisossomais, de
metabólitos, de prostaglandinas, leucotrienes, etc.. Esses produtos, além de
serem potentes mediadores inflamatórios, que amplificam e mantém a reação
inflamatória inicial, induzem a destruição tissular local (necrose de liquefação --
--> pus).
Nota: É o tipo do exsudato, segundo suas características físicas,
aspecto e população celular que caracteriza (dá o nome) à inflamação.
Mediadores químicos da inflamação
A reação inflamatória ocorre por intermédio de mediadores químicos
liberados no foco da lesão. Eles originam-se do plasma, de células sanguíneas
e dos tecidos injuriados. Existem dezenas (e a lista não para de crescer) de
substâncias que atuam como mediadores. Citaremos apenas três dos mais
importantes.
Histamina - É um dos mais importantes mediadores. Inicia as
respostas vasculares e as mantém por 30 a 60 minutos apenas (chamada de
"mediador rápido" da inflamação). A histamina é liberada dos grânulos dos
mastócitos, basófilos e plaquetas.
Serotonina - Ocorre nos mastócitos (de roedores) e nas
plaquetas. Seus efeitos são semelhantes aos da histamina, só que age apenas
nas vênulas.
Bradicinina - Origina-se da lise de células, principalmente
neutrófilos, e mantém a reação inflamatória após o efeito da histamina
(chamada de "mediador lento" da inflamação). Produz vasodilatação, contração
da musculatura lisa e dor.
Prostaglandinas - São hormônios de produção e ação locais,
derivados do ácido araquidônico. Têm muitas ações (mediar a resposta
inflamatória é apenas uma delas). Produz vasodilatação, dor e febre.
Evolução da inflamação aguda
Uma região inflamada (a reação) evolui para um de quatro destinos
possíveis:
1- Resolução completa- Há restauração não-complicada da
situação local ao normal, com pouca destruição tissular.
2- Reparação por cicatrização - Ocorre após destruição tissular
mais extensa que envolveu também o estroma do tecido; ou quando a lesão
ocorreu em tecidos que não se regeneram ou quando houve abundante
exsudação de fibrina.
3- Abscedimento (o verbo é absceder ou abceder) - Ocorre
particularmente em infecções por microorganismos piogênicos (Staphylococcus
sp,Streptococcus sp, Corynebacterium sp, etc.)
4- Cronificação - Pode tornar-se uma inflamação crônica.
INFLAMAÇÃO CRÔNICA
É a reação inflamatória de longa duração. Seus aspectos característicos
(diagnósticos) são: (1) Infiltração por células monomorfonucleares (linfócitos,
plasmócitos e macrófagos); (2) proliferação de fibroblastos e células endoteliais
(vasos sanguíneos neo-formados); (3) fibrose e (4) destruição de tecido.
Causas e mecanismos de ocorrência da inflamação crônica.
Uma inflamação crônica ocorre sob certas situações. Entre elas:
1- Como conseqüência de uma inflamação aguda, seja pela persistência
do estímulo inflamatório ou por alguma interferência no processo de reparação.
2- Ataques repetitivos de inflamação aguda (inflamação recorrente;
inflamação crônica ativa). Ex.: Pielonefrite.
3- Ocorrência insidiosa, sem uma fase aguda aparente, como na artrite
reumatóide, lupus, tuberculose, doença respiratória crônica. Esta forma de
inflamação crônica ocorre devido:
a- Infecção persistente por um organismo intracelular (Tb, lepra,
certos vírus) de baixa virulência, mas que desencadeiam reação
imunitária.
b- Exposição da célula a certas substâncias não degradáveis,
mas tóxicas para a célula (sílica, asbesto)
c- Reações imunitárias, principalmente autoimunes (artrite, lupus)
AS CÉLULAS INFLAMATÓRIAS
1- Neutrófilos
É um granulócito, chamado comumente de "polimorfonuclear". Algumas
espécies animais (aves, répteis, peixes, coelhos e cobaias) não possuem
neutrófilos, e sim heterófilos (às vezes chamados de pseudoeosinófilos).
Os neutrófilos originam-se da medula óssea e têm (no homem) uma vida
média no sangue de 6 horas. São incapazes de divisão e perdem-se do
organismo através do intestino, pulmões, pele e mucosas. São as primeiras
células inflamatórias a atingir o foco inflamatório.
Suas funções são: Fagocitose de pequenas partículas (micrófagos);
secreção de enzimas líticas (liquefação ----> pus); secreção de mediadores da
inflamação e secreção de fatores quimiotáxicos e de pirogênio.
A resposta do neutrófilo à demanda é de valia no diagnóstico e
prognóstico de uma infecção através da análise do leucograma, que é o
estudo dos leucócitos no sangue circulante (rever: leucocitose, leucopenia,
leucemia e desvio à esquerda).
2- Eosinófilo
Também é um granulócito. Suas funções não são muito claras, mas eles
estão sempre presentes quando há interação antígeno/anticorpo,
principalmente envolvendo IgE. Ocorre caracteristicamente na presença de
larvas de parasitas (helmintos) fazendo migração tissular ou sempre que
houver reação inflamatória com intenso prurido. Por razões desconhecidas,
invadem os espaços de Virchow-Robin no encéfalo de suínos intoxicados por
NaCl ou privados de água ("encefalite eosinofílica dos suínos").
3- Linfócito
Sua principal função é ligada ao sistema imunitário. Existem duas
populações, B e T. Os "B" diferenciam-se em plasmócitos e produzem
imunoglobulinas. Os "T" são ligados à imunidade celular. Os linfócitos são
típicos de inflamações crônicas e subagudas, ou nas infecções virais, e estão
sempre presentes nas inflamações do SNC (independentemente do tipo de
causa, os linfócitos sempre aparecem invadindo as meninges e os espaços de
Virchow-Robin nas meningoencefalites). Liberam linfocinas, que estimulam
monócitos e macrófagos (que, por sua vez, produzem monocinas que
estimulam as funções dos linfócitos.
4- Plasmócitos
Encontrados apenas nos tecidos. São responsáveis pela síntese de Ig e
originam-se de linfócitos B estimulados. São muito comuns nas inflamações do
trato reprodutivo feminino, no trato urinário e nos intestinos.
5- Fagócitos mononucleares
Monócitos e macrófagos pertencem ao sistema fagocitário mononuclear
(SFM), ou sistema retículo - endotelial (SRE), que é formado por células na
medula óssea, sangue periférico e tecidos, especializadas em fagocitose e
pinocitose. Originam-se (todas) de uma célula-tronco especializada da medula
óssea (passando por uma fase de monoblasto e, mais tarde, por uma de
promonócito - ver tabela na próxima página), migram e, nos tecidos, adquirem
propriedades específicas próprias.
Além de sua função na inflamação e na resposta imunitária, são os
principais responsáveis pela defesa contra bactérias e outros microorganismos
na corrente circulatória; fazem a remoção de material indesejável e resíduos do
plasma ou em órgãos, como hemácias, neutrófilos e plaquetas velhos ou outros
restos, proteicos ou não.
Macrófagos ativados têm o potencial de secretar uma ampla variedade
de produtos, cujo espectro de atividade biológica é fenomenal. Entre eles:
a- Proteases (colagenase e elastase)
b- Fatores quimiotáxicos para leucócitos
c- Prostaglandinas
d- Radicais livres de O2 (tóxicos)
e- Componentes do sistema complemento
f- Fatores da coagulação
g- Fatores de promoção de crescimento para fibroblastos e vasos
neoformados
h- Fatores de ativação de plaquetas e interferon
TABELA - Sistema fagocitário mononuclear (SFM ou SRE)
ORIGEM LOCALIZAÇÃO
_____________________________________________________________
Cél. tronco ⇒ Monoblasto ⇒
⇒ Promonócito..................................... Medula óssea
Monócito............................................................. Sangue
Macrófago........................................................... Tecidos:
Macrófagos inflamatórios
Fígado (cél. de Kupffer)
Pulmão (macrófagos alveolares)
Tec. conjuntivo (histiócitos)
Medula óssea (macrófagos)
Baço e Linfonodos (macrófagos)
Cavidades serosas (macrófagos
pleurais e peritoneais)
S.N.C. (micróglia)
Osso (osteoclastos)
Pele (Cél. de Langerhans ?)
Tec.linfóide (células
dendríticas?)
PADRÕES MORFOLÓGICOS DE REAÇÕES INFLAMATÓRIAS AGUDAS E
CRÔNICAS (CLASSIFICAÇÃO DOS EXSUDATOS)
A severidade da reação inflamatória, seu agente causador e o tipo de
tecido envolvido produzem variações no padrão básico da resposta infamatória,
alterando a natureza do exsudato. Vários tipos de exsudatos podem ser
formados, e é o tipo de exsudato que caracteriza a inflamação
(As 5 primeiro categorias que serão discutidas correspondem a
inflamações agudas)
1- Inflamação serosa (exsudato seroso)
Caracterizado pelo líquido seroso (parecido com o soro) originado ou do
plasma ou de secreção de células mesoteliais (cavidades corporais) e
constituído de fluido + albumina + globulina e raras células. Aparece no início
da maioria das inflamações agudas, e é típico das lesões não severas. A bolha
de uma queimadura, ou a picada de um inseto são exemplos típicos. O
exsudato seroso confunde-se com um transudato, do qual deve ser
diferenciado.
(Diferenciação macroscópica entre exsudato seroso e transudato
a- Aspectos físico, bioquímico e citológico.
b- Quando em vesículas (bolhas) é exsudato
c- Hiperemia em tecidos vizinhos, é exsudato)
2- Inflamação fibrinosa (exsudato fibrinoso)
Ocorre exsudação de grande quantidade de proteínas plasmáticas,
contendo fibrinogênio, que coagulam produzindo grandes massas de fibrina. É
típico de certas inflamações de cavidades corporais, como o pericárdio e
pleura.
MORFOLOGIA
A fibrina provoca uma cobertura sobre a superfície envolvida (como
manteiga espalhada sobre um pão), que pode ser lisa e brilhante ou opaca e
irregular. Quando essa camada é densa e resistente, recebe o nome de
pseudomembrana. Se, ao destacarmos essa pseudomembrana, ela deixa
uma superfície cruenta, sangrenta,receberá o nome de membrana diftérica
(clássico da difteria humana, causada pelo Corynebacterium diphteriae). Em
algumas ocasiões, a fibrina coagula no interior de órgãos ocos e é eliminada
para o exterior sob a forma de moldes de fibrina (brônquios de bovinos e
intestino de bovinos e eqüinos)
Histologicamente, a fibrina aparece como uma massa de filamentos
eosinofílicos entrelaçados ou, às vezes, como massas eosinofílicas
homogêneas
EVOLUÇÃO
O exsudato fibrinoso pode ser reabsorvido (resolução do exsudato) ou
pode ser transformado em tecido conjuntivo fibroso após ser invadido por
fibroblastos e brotos capilares (organização do exsudato). A organização de
uma pleurite, peritonite ou pericardite fibrinosa provoca aderências. Estas
impedem o funcionamento normal dos órgãos ou até provocam obstruções.
3- Inflamação supurativa ou purulenta (exsudato purulento)
Caracteriza-se pela presença de pus. Pus é o material líquido ou
pastoso (nas aves é caseoso) constituído de neutrófilos, restos celulares e
material liquefeito (necrose de liquefação). Certos microorganismos provocam
esse tipo de reação e, por isso, são chamados de piogênicos.
O termo supurativa é empregado para designar uma reação onde exista
abundância de pus. (Assim, quando se observa predominância de neutrófilos
na reação, emprega-se o termo purulenta. Se a quantidade de neutrófilos é
realmente grande, diz-se supurativa.)
Um abscesso é um exemplo de inflamação supurativa localizada
(coleção localizada de pus) e representa o acúmulo de neutrófilos num espaço
criado por necrose liquefativa, e que se expande por necrose dos tecidos
vizinhos. A presença de cápsula (tida por muitos como essencial para que se
denomine abscesso), só ocorre nos casos crônicos.
Denomina-se flegmão (inflamação flegmonosa) quando o pus
apresenta-se infiltrado nos tecidos, e não limitado a um espaço. Ocorre devido
à natureza do tecido, que não representa uma barreira à infiltração do
processo. Ocorre no tecido subcutâneo, nas mamas, nas bainhas tendinosas,
etc.
Um empiema é a coleção de pus em uma cavidade natural (tórax,
bolsas guturais, etc.)
4- Inflamação hemorrágica
Neste caso, no exsudato estão presentes muitos eritrócitos, que
chegaram lá por diapedese. Embora não participem da reação inflamatória, sua
presença indica uma alteração mais severa na permeabilidade vascular e,
conseqüentemente, uma inflamação mais severa.
Em Medicina Veterinária, várias doenças induzem (tipicamente)
exsudatos hemorrágicos, como a pasteurelose, parvovirose, gangrena
gasosa e carbúnculo
5- Inflamação catarral
Catarro é sinônimo de muco. Como este é produzido por membranas
mucosas, inflamação catarral ocorre apenas nelas. Neste caso, a produção de
muco pode ser comparada com a produção de lágrimas ou saliva, numa
tentativa de "lavar" a superfície, eliminando o agressor irritante. Entre as
causas mais comuns, estão as infecções virais; certos produtos químicos
moderadamente irritantes, como os gases do formol, ou o cloro em baixas
concentrações; alimentos irritantes e a inalação de poeiras, ou alérgenos.
Observações:
Alguns patologistas utilizam o termo "catarral" como sinônimo de
"inflamação não purulenta" do tubo digestivo.
O emprego da designação "inflamação catarral" está caindo em desuso
(o que já era tempo, pois o termo foi criado por Hipócrates, no século V antes
de Cristo)
Observação: As cinco categorias discutidas até aqui são reações
agudas. Numa mesma reação inflamatória pode haver combinação de dois ou
mais tipos de exsudatos, como p.ex. fibrino-purulenta, etc.
6- Inflamação linfocítica
Caracteriza-se por um exsudato rico em linfócitos e sua presença indica
reação crônica, exceto quando no SNC. A infiltração por linfócitos ocorre, por
exemplo, em:
a- Inflamações no SNC (sob qualquer estímulo)
b- Espaços-porta no fígado
c- Em mucosas, ocasionalmente
d- No rim, na leptospirose sub-aguda
e- No fígado, na salmonelose
Nota: Acúmulos de linfócitos e plasmócitos sempre indicam estímulo antigênico
local.
7- Inflamação proliferativa
É a reação crônica clássica, onde há proliferação de novo tecido,
geralmente tecido conjuntivo fibroso e novos vasos. Em alguns casos há
proliferação de tecido epitelial também.
Tecido de Granulação (não confundir com inflamação granulomatosa)
É uma intensa proliferação de tecido conjuntivo imaturo e vasos neoformados.
Ocorre quando há perda de tecido, ou quando haja uma extensa área a ser
reparada e, principalmente, quando o tecido a ser reparado não se regenera
facilmente. Nos ferimentos externos ocorre sempre e torna-se mais evidente
quando algum fator (geralmente infecção ou interferência mecânica como
lambedura constante) impeça a epitelização da superfície.
Macroscopicamente tem coloração rosada, de aspecto esponjoso (daí o nome
popular de "carne esponjosa". Em Inglês é "proud flesh"!), e levemente
granular, (daí o nome de tec. de granulação) assemelhando-se à casca de
laranja, sangrando com facilidade. Microscopicamente, é típica a orientação
dos fibroblastos paralelamente à superfície e os vasos neoformados orientados
perpendicularmente. Em muitos casos é um precursor de um quelóide (mas,
note bem, não é um quelóide, como muitos pensam)
8- Inflamação granulomatosa
Alguns agentes induzem um tipo distinto de inflamação crônica dita
granulomatosa (não confundir com tecido de granulação). Doenças
granulomatosas são aquelas que apresentam granulomas (Tb, lepra,
schistossomíase, algumas micoses profundas, etc.). Granulomas são coleções
focais pequenas (0,5 a 2,0 mm) de macrófagos modificados, chamados de
células epitelióides devido ao se aspecto, organizados em torno de um
agente agressor; linfócitos e, às vezes, células gigantes do tipo "corpo-
estranho" ou de "Langhans". Em alguns casos observam-se fibroblastos,
plasmócitos e neutrófilos também. A célula característica (sem ela não há
granuloma), contudo, é a célula epitelióide
Dois fatores devem estar presentes para ocorrer um granuloma:
a- A presença de um organismo de difícil destruição (como o
Mycobacterium) ou partículas (óleo mineral, polímeros, polissacarídeos,
complexos, etc.) e
b- a presença de imunidade celular (linfócitos "T") contra o agente
agressor.
Nota: 1- O granuloma da tuberculose é denominado "tubérculo" (daí o
nome da doença)
2- Granulomas são muito comuns em aves, da mesma maneira
que células gigantes, em torno de necrose de caseificação, em vez de
liquefação, nas inflamações purulentas (as aves não têm pus líquido, mas
caseoso).
10. REPARAÇÃO
INTRODUÇÃO
Reparação é o processo de cura de uma lesão e compreende a
substituição das células destruídas por outras viáveis. Essas células podem
originar-se tanto do parênquima quanto do estroma. Assim, a reparação de
uma lesão pode ocorrer de duas maneiras: Por regeneração (parênquima) ou
por cicatrização (proliferação de tecido conjuntivo do estroma).
REPARAÇÃO POR REGENERAÇÃO
A regeneração ocorre em todo o reino animal e vegetal. No reino animal,
em espécies de ordens inferiores ocorre regeneração completa. Em mamíferos,
essa regeneração ocorre a nível celular apenas, não ocorrendo regeneração
completa de órgãos ou partes do corpo.
Segundo sua capacidade regenerativa, as células são divididas em 3
grupos: Lábeis, estáveis e permanentes.
CÉLULAS LÁBEIS
São células que proliferam continuamente, repondo aquelas que são
continuamente perdidas.
São as células dos epitélios superficiais, da pele e mucosas, ductos de
glândulas, trato intestinal, útero, salpinge e do trato urinário, e nos tecidos
esplênico, linfóide e hematopoiético.CÉLULAS ESTÁVEIS
São células que se replicam muito lentamente, e apenas
ocasionalmente. Todavia, quando estimuladas podem dividir-se rapidamente
para reconstituir o tecido de origem.
Pertencem a esse grupo as células do parênquima de quase todos os
órgãos do corpo e as células mesenquimais (fibroblastos, osteócitos,
condrócitos, e as células do endotélio e do músculo liso.
O melhor exemplo de regeneração é o do fígado, que pode ter dois
terços removidos e regenerar-se completa e rapidamente. Contudo, para que
haja reconstituição da estrutura normal é necessário que o estroma do órgão
seja mantido intacto (a membrana basal é o mais importante). Veja o exemplo:
Exemplo:
Hepatite a vírus --> lesão apenas do parênquima --> reconstituição
completa.
Abscesso hepático --> lesão do parênquima e do estroma -->
cicatriz.
CÉLULAS PERMANENTES
Pertencem a esse grupo as células nervosas (neurônios), que não se
dividem na vida pós-natal, e as células musculares esqueléticas e cardíacas,
cuja regeneração é mínima, ou quase inexistente.
Os neurônios do SNC, uma vez destruídos estão perdidos para
sempre. Os neurônios do sistema nervoso periférico, contudo, são
passíveis de uma regeneração parcial: No caso de uma lesão no axônio, toda
sua parte distal degenera-se, da mesma maneira que a parte proximal até o
mais próximo nódulo de Ranvier (degeneração Walleriana) seguindo-se da
regeneração de um novo axônio a partir do coto proximal. Se a lesão for no
corpo celular, ou muito próximo a ele, toda a célula morre e não há
regeneração.
Células musculares esqueléticas e cardíacas exibem uma
capacidade de regeneração muito limitada sem nenhuma importância prática.
REPARAÇÃO POR TECIDO CONJUNTIVO FIBROSO (CICATRIZAÇÃO) - TECIDO DE
GRANULAÇÃO.
A cicatrização começa muito cedo após a lesão. Muitas vezes, apenas
24 horas após, fibroblastos e angioblastos iniciam proliferação para formar o
tecido de granulação. Esse tipo de tecido, que é característico da reparação
por cicatrização, já será notável 3 a 5 dias após a lesão inicial.
Macroscopicamente, aparece como uma superfície granular, rosada,
edematosa, exsudativa e muito frágil (facilmente hemorrágica).
Microscopicamente observa-se proliferação de fibroblastos e novos
vasos, com células inflamatórias, principalmente macrófagos (caso
contaminado, os neutrófilos são abundantes). A angiogênese dá-se por
brotamento a partir dos vasos existentes. As paredes dos vasos neoformados,
por serem imaturas, permitem a passagem de líquido e proteína (daí a
exsudação e o edema observados). Alguns fibroblastos adquirem
características de músculo liso (miofibroblastos) e fazem com que o ferimento
contraia-se progressivamente. O resultado final do processo é uma cicatriz,
que sempre será menor que a lesão original.
CICATRIZAÇÃO DE FERIMENTOS EXTERNOS
Duas formas de cicatrização são reconhecidas para os ferimentos
externos: Cicatrização por "primeira intenção" e por "segunda intenção".
CICATRIZAÇÃO POR "PRIMEIRA INTENÇÃO"
É a cicatrização sem complicações de, por exemplo, um ferimento
cirúrgico. Os bordos são aproximados (suturas) e a contaminação e a perda
de tecido são mínimas. O espaço incisional é pequeno, ou estreito, e é logo
preenchido por um coágulo contendo fibrina e células sanguíneas. Na
superfície o coágulo seca, formando a escara (ou crosta) que cobre e isola o
ferimento do meio exterior. A seguir, os seguintes eventos ocorrem:
24 horas após: Neutrófilos movem-se para o coágulo de fibrina. A
epiderme dos bordos incisados espessa-se (devido às mitoses) e um filme
monocelular de células epiteliais une os bordos sob a escara.
No 3º dia: Neutrófilos são substituídos por macrófagos e o espaço
incisional é invadido por tecido de granulação. Fibras colagenosas estão
presentes nos bordas da incisão, mas não os unem. A epitelioplastia continua,
espessando a cobertura epitelial inicial.
No 5º dia: O tecido de granulação e a neovascularização atingem o
máximo. Fibras colagenosas começam a interligar os bordos incisados. A
epiderme recupera sua espessura inicial.
Na segunda semana: O acúmulo de colágeno continua. As células
inflamatórias e a neovascularização desaparecem (os vasos neoformados são
obstruídos e eliminados).
Na quarta semana: Resta uma cicatriz de tecido conjuntivo fibroso,
sem inflamação, recoberta por epiderme intacta (os anexos cutâneos
destruídos na linha de incisão estão perdidos). A resistência do ferimento
aumenta progressivamente, mas atingirá valores próximos ao normal somente
alguns meses mais tarde.
CICATRIZAÇÃO POR "SEGUNDA INTENÇÃO"
Ocorre quando houve perda mais extensa de tecido (infarto, ulceração,
abscesso, ferimentos externos) e que resultam em lesões maiores que
precisam ser "preenchidas". A cicatrização por segunda intenção difere da por
primeira intenção em:
1- Como existe mais fibrina, restos celulares e exsudatos a serem
removidos, a reação inflamatória é muito mais intensa.
2- O tecido de granulação é muito mais abundante,
especialmente se a lesão for mais profunda, sem drenagem para o exterior ou
para uma cavidade corporal.
3- A mais clara diferença, contudo, é a
especialmente evidente nos ferim
Experimentalmente, um ferimento de 40 cm
para apenas 2 a 4 cm2
miofibroblastos presentes no tecido de granulação. Como conseqüência, a
cicatriz é sempre menor que o ferimento original.
DEFEITOS NA CICATRIZAÇÃO
Problemas na cicatrização de ferimentos externos não são muito
freqüentes. Os mais comuns são:
Tecido de granulação exuberante
entre os bordos da lesão
problema comum em ferimentos nos membros de cavalos e resulta de infecção
e trauma repetido. É facilmente corrigido por excisão ou cauterização.
Quelóide - É uma cicatriz exuberante
colágeno. Deve-se a fatores individuais e, geralmente, a excisão é seguida de
recidiva.
RESISTÊNCIA DO FERIMENTO
A resistência da cicatriz de uma lesão depende muito do local do
ferimento, de sua profundidade e da espécie animal em questão. Em ge
contudo, um ferimento de pele, cuidadosamente suturado, comporta
segundo o esquema:
Diagrama representando a resistência de um ferimento suturado em função do tempo
decorrido. Note que a resistência do ferimento, no início, depend
exclusivamente da sutura e que cai para apenas 10% quando os pontos são retirados.
Note também que quase nunca a resistência vai atingir os 100% originais.
A mais clara diferença, contudo, é a contração do ferimento
especialmente evidente nos ferimentos superficiais. (Por exemplo:
Experimentalmente, um ferimento de 40 cm2 na pele de um coelho é reduzido
após 6 semanas). Esse fenômeno é devido aos
presentes no tecido de granulação. Como conseqüência, a
sempre menor que o ferimento original.
Problemas na cicatrização de ferimentos externos não são muito
freqüentes. Os mais comuns são:
Tecido de granulação exuberante - O tecido de granulação protrude
entre os bordos da lesão e bloqueia a reepitelização da superfície. É um
problema comum em ferimentos nos membros de cavalos e resulta de infecção
e trauma repetido. É facilmente corrigido por excisão ou cauterização.
cicatriz exuberante, com quantidade excessi
se a fatores individuais e, geralmente, a excisão é seguida de
A resistência da cicatriz de uma lesão depende muito do local do
ferimento, de sua profundidade e da espécie animal em questão. Em ge
contudo, um ferimento de pele, cuidadosamente suturado, comporta
Diagrama representando a resistência de um ferimento suturado em função do tempo
decorrido. Note que a resistência do ferimento, no início, depende quase que
exclusivamenteda sutura e que cai para apenas 10% quando os pontos são retirados.
Note também que quase nunca a resistência vai atingir os 100% originais.
contração do ferimento. Isso é
entos superficiais. (Por exemplo:
na pele de um coelho é reduzido
após 6 semanas). Esse fenômeno é devido aos
presentes no tecido de granulação. Como conseqüência, a
Problemas na cicatrização de ferimentos externos não são muito
O tecido de granulação protrude
e bloqueia a reepitelização da superfície. É um
problema comum em ferimentos nos membros de cavalos e resulta de infecção
e trauma repetido. É facilmente corrigido por excisão ou cauterização.
, com quantidade excessiva de
se a fatores individuais e, geralmente, a excisão é seguida de
A resistência da cicatriz de uma lesão depende muito do local do
ferimento, de sua profundidade e da espécie animal em questão. Em geral,
contudo, um ferimento de pele, cuidadosamente suturado, comporta-se
Diagrama representando a resistência de um ferimento suturado em função do tempo
e quase que
exclusivamente da sutura e que cai para apenas 10% quando os pontos são retirados.
FATORES QUE INFLUENCIAM A REAÇÃO INFLAMATÓRIA E/OU REPARATIVA
FATORES SISTÊMICOS
Idade - Até hoje não se conseguiu provar experimentalmente que a
cicatrização processa-se mais lentamente no indivíduo idoso, apesar do
consenso em contrário.
Nutrição - A síntese do colágeno é inibida em animais desnutridos (dieta
hipoproteica). Uma dieta com teores altos de proteína acelera o processo de
recuperação da resistência do ferimento. Aparentemente a metionina e a
cistina são os dois a.a. mais importantes no processo de cicatrização. A
vitamina C é importante na síntese do colágeno. A deficiência de zinco
atrasa a cicatrização.
Distúrbios hematológicos - A granulocitopenia aumenta a
suscetibilidade a infecções bacterianas (que dificultam a cicatrização).
Coagulopatias permitem maior sangramento para o interior do ferimento, e o
sangue serve de substrato para o crescimento bacteriano.
Diabetes - Indivíduos diabéticos têm maior suscetibilidade a infecções
bacterianas devido à diminuição na quimiotaxia de neutrófilos e na fagocitose
Glicocorticóides - São antiinflamatórios. Aumentam a produção de um
tipo específico de proteínas, as lipocortinas, que inibem a fosfolipase A2 que,
por sua vez, inibe a liberação de ácido araquidônico pelas membranas
celulares e, conseqüentemente, a produção de prostaglandinas.
FATORES LOCAIS
Infecção - É um dos fatores mais importantes dentre aqueles que são
capazes de retardar a cicatrização.
Suprimento sanguíneo - A vascularização do foco inflamatório é
fundamental para que ocorra reparação. Problemas com a irrigação arterial ou
a drenagem venosa retardam a cicatrização.
Corpos estranhos - Fragmentos de madeira, vidro, ossos, etc. retardam
a cicatrização. (Lembre-se que o fio de sutura é um corpo estranho: Um ponto
de sutura apenas amplia em 10.000 vezes a invasividade de Staphylococcus
sp.)
Tipo de tecido - Quanto mais células lábeis e estáveis tiver o tecido
lesado, melhor e mais rápida será a reparação
11. DISTÚRBIOS HIDRO E HEMODINÂMICOS
HIPEREMIA
É o maior afluxo de sangue a uma região. É um processo ativo e é
sempre localizado (se generalizado seria fatal). A hiperemia ocorre como
resultado de:
a- Inflamação
b- Demanda funcional (atividade muscular, digestão, etc.)
c- Neurogênica (rubor facial, em pessoas - ainda não notado nada
similar em animais).
A hiperemia ocorre na microcirculação (capilares). Estes não são
inervados e não têm parede muscular. O maior ou menor afluxo de sangue aos
capilares ocorre devido à contração ou dilatação de arteríolas e dos esfíncteres
pré-capilares e os nas anastomoses artério-venosas.
CONGESTÃO VENOSA
Ocorre passivamente, como resultado da diminuição do escoamento
venoso devido a:
a- Hipostase - O sangue tende a acumular-se nas regiões mais baixas.
É um processo extremamente importante no pulmão em pacientes em decúbito
lateral prolongado.
b- Obstrução do fluxo venoso - Devidos a trombos, tumores,
compressão externa, etc.
c- Insuficiência cardíaca -
Coração direito: Congestão na grande circulação --> fígado em "noz-
moscada".
Coração esquerdo: Congestão na pequena circulação --> congestão e
edema pulmonar.
HEMORRAGIA
É a presença de eritrócitos fora dos vasos, e pode ocorrer tanto devido
à ruptura de um vaso quanto por diapedese. (Note bem: Para ser considerada
hemorragia, é necessário a presença dos eritrócitos fora dos vasos. Podem
estar presentes no tecido, fora do vaso, todos os elementos do sangue, mas se
hemácias não estiverem lá, não é hemorragia. O inverso é verdadeiro. Se
hemácias estiverem presentes, será considerado hemorragia mesmo que
nenhum outro elemento do sangue esteja presente)
A hemorragia devido a ruptura de vasos é simples de se entender. A
hemorragia por diapedese ocorre devido a um aumento nos espaços entre as
células endoteliais conseqüente a hipóxia e/ou inflamação + aumento na
pressão hidrostática.
Morfologia
A hemorragia pode ocorrer para o exterior, para o interior de cavidades
corporais ou para os tecidos. Quando localizada nos tecidos, o foco
hemorrágico pode assumir formas diferentes:
Petéquias - Hemorragias puntiformes, medindo até 1 ou 2 mm.
Equimoses - Focos hemorrágicos medindo até 2 ou 3 cm.
Sufusões - Áreas hemorrágicas extensas.
Hematomas - Coleção circunscrita de sangue e que faz saliência (...
oma) nos tecidos vizinhos.
Púrpura - Hemorragias petequiais e equimóticas generalizadas. Resulta
de uma coagulopatia (trombocitopenia). Em Medicina Veterinária é uma
conseqüência muito comum nos envenenamentos por raticidas cumarínicos.
Lembre-se, contudo, que os cumarínicos em cães, às vezes, provocam
hemorragias maciças e fatais no mediastino antes que a púrpura seja evidente.
Estes casos costumam ser confundidos com rupturas de aneurismas,
traumatismos torácicos, etc. (Nota - Em bovinos e eqüinos, observam-se
comumente hemorragias, de petéquias a sufusões, no epicárdio e endocárdio.
Na grande maioria das vezes não têm significado clínico, sendo resultado da
hipóxia.
As hemorragias cavitárias são denominadas segundo a cavidade que
contém o sangue. Exemplo: Hemotórax, hemoperitôneo, hemopericárdio, etc.
EDEMA
É o acúmulo de líquido no espaço intersticial ou nas cavidades
corporais. Pode ser:
Quanto a forma - Generalizado ou localizado
Quanto a origem - Inflamatório (exsudato) ou não-inflamatório
(transudato). (Nota: O edema inflamatório geralmente é localizado)
Revisão do equilíbrio hídrico n
"terceiro espaço", que é virtual, que são as
espaços eventualmente criados durante o trauma, por exemplo.
portanto, o acúmulo de excesso de líquido no espaço intersticial ou no
espaço representado pelas cavidades corporais.
As forças que controlam o fluxo de líquido
são:
a- Pressão Hidrostática (P. arterial e P. venosa)
c- Pressão osmótica e oncótica do plasma (PO)
d- Pressão osmótica e oncótica dos tecidos (PO)
e- Drenagem linfática
Causas do edema
a- Pressão osmótica e/ou oncótica
1- Hipoproteinemia: Há uma queda na PO do plasma, que reduz a
atração de líquido para o interior do vaso. Ex.: Verminose, enteropatias,
doenças renais.
2- Aumento da PO do tecido: Passagem de proteínas de alto peso
molecular do plasma para os tecidos. Ex.: Inflamação.
b- Pressão hidrostática
1- Insuficiência cardíaca (congestão pulmonar ou sistêmica)
2- Obstrução venosa (trombos, compressão externa)
3- Hipostase
Revisão do equilíbrio hídrico normal
O organismo animal é assim
constituído:Aproximadamente
60 % do seu volume é água e
40 % sólidos. A parte líquida
está contida em 3 "espaços",
ou "compartimentos": O
primeiro é o
intracelular, com 40% do
volume do corpo, e o segundo
é o espaço intersticial
20 % do volume do corpo. Este
espaço é representado pelo
plasma, com 5 % do volume
do corpo, e pelo
intersticial, com 15 % do
volume corporal. Existe um
"terceiro espaço", que é virtual, que são as cavidades corporais
paços eventualmente criados durante o trauma, por exemplo. Edema é,
portanto, o acúmulo de excesso de líquido no espaço intersticial ou no
representado pelas cavidades corporais.
As forças que controlam o fluxo de líquido entre os tecidos e os ca
Pressão Hidrostática (P. arterial e P. venosa)
Pressão osmótica e oncótica do plasma (PO)
Pressão osmótica e oncótica dos tecidos (PO)
Drenagem linfática
Pressão osmótica e/ou oncótica
: Há uma queda na PO do plasma, que reduz a
líquido para o interior do vaso. Ex.: Verminose, enteropatias,
Aumento da PO do tecido: Passagem de proteínas de alto peso
plasma para os tecidos. Ex.: Inflamação.
Insuficiência cardíaca (congestão pulmonar ou sistêmica)
Obstrução venosa (trombos, compressão externa)
O organismo animal é assim
constituído: Aproximadamente
60 % do seu volume é água e
40 % sólidos. A parte líquida
está contida em 3 "espaços",
ou "compartimentos": O
espaço
, com 40% do
volume do corpo, e o segundo
ço intersticial, com
20 % do volume do corpo. Este
espaço é representado pelo
, com 5 % do volume
do corpo, e pelo líquido
, com 15 % do
volume corporal. Existe um
cavidades corporais, ou os
Edema é,
portanto, o acúmulo de excesso de líquido no espaço intersticial ou no
entre os tecidos e os capilares
: Há uma queda na PO do plasma, que reduz a
líquido para o interior do vaso. Ex.: Verminose, enteropatias,
Aumento da PO do tecido: Passagem de proteínas de alto peso
c- Obstrução linfática
1- Linfoadenites
2- Metástases de neoplasias
3- Compressão
d- Alterações na permeabilidade vascular
1- Inflamação
2- Toxinas
3- Trauma
4- Anóxia
Diagnóstico do edema
a- Temperatura local menor
b- Impressão digital (permanece a marca do dedo após compressão
local)
c- Presença de líquido claro nos tecidos (aspecto gelatinoso, levemente
translúcido)
d- Histologicamente, há afastamento das células, com formação de
espaços claros, e dilatação dos linfáticos. Caso o conteúdo proteico
do líquido seja alto, haverá coloração rósea pela H&E.
Tipos especiais de edema
(Doenças onde o edema é a lesão característica)
1- Doença do edema - Ocorre em suínos, devida a uma endotoxina da
Escherichia coli.
2- Edema maligno - Acomete várias espécies animais. Causada pelo
Clostridium septicum
3- "Papeira" - É o edema da região ventral do pescoço e da mandíbula.
É o sinal clínico mais comum da hipoproteinemia. Em ovelhas e cabras, onde é
mais comum, é causada por infecção por Haemonchus contortus.
4- O edema nas cavidades corporais recebe uma nomenclatura especial,
como hidrocele (por compressão dos vasos espermáticos), hidrotórax,
hidroperitôneo ou ascite, hidropericárdio, etc.
Prognóstico do edema
O edema geralmente não apresenta ameaça à vida do paciente,
exceto no edema pulmonar e no edema cerebral.
a- Edema pulmonar - Observa-se muito comumente em
necropsias. Porém deve ser considerado significativo apenas nos casos em
que houveram sinais clínicos compatíveis com sua presença. O edema
pulmonar é geralmente fatal por impedir as trocas gasosas no pulmão.
Geralmente é conseqüência de insuficiência cardíaca, inflamação ou
choque. Inicia-se como intersticial e evolui para alveolar (quando torna-se
fatal). Morfologia: Pulmões distendidos, lisos e brilhantes, deixando fluir líquido
espumoso, claro ou rosado, dos bronquíolos, brônquios e traquéia. Quando
intersticial, observa-se distensão dos septos interlobulares (os lóbulos ficam
bem delimitados).
b- Edema cerebral - Resulta geralmente de trauma, anóxia ou
drogas anestésicas. Devido à inexpansibilidade da caixa craniana, há
compressão do encéfalo, perda da consciências, delírio ou coma, e morte.
Morfologia: Achatamento das circunvoluções e prolapso do vérmis do cerebelo
através do forame magno.
TROMBOSE
É a formação de coágulos dentro do sistema vascular em vida. Um
trombo pode ser formado pela simples coagulação do sangue em uma veia,
durante a estase venosa, ou pela agregação plaquetária em uma região de
lesão do endotélio. Esses dois tipos de trombos são chamados,
respectivamente, de "vermelho" e "branco".
O trombo "branco" forma-se pela aposição de plaquetas e elementos
figurados do sangue e adquire uma formação lamelar. Essas lamelas são as
"linhas de Zahn".
É necessário diferenciar um trombo de um coágulo (post-mortem). Este
é liso, brilhante, não aderido ao vaso e de estrutura uniforme. O trombo é
aderido à parede, friável, rugoso e, às vezes, tem estrutura lamelar. O ponto de
aderência do trombo é a sua "cabeça". Sua "cauda" é a parte livre na corrente
circulatória.
Causas do trombo
a- Estase venosa (varizes, decúbito prolongado, compressão)
b- Lesão do endotélio vascular (liberação de tromboplastina): Flebite;
traumatismo no vaso (injeção I.V.); endocardite (Streptococcus sp,
Erysipelothrix sp); lesão por Dirofilaria immitis; infarto do miocárdio.
c- Rugosidade no revestimento do vaso: lesões cicatriciais.
d- Turbulência do fluxo sanguíneo: Aneurismas, varizes, compressão
externa.
e- Alterações na composição do sangue: Aumento no número e na
adesividade das plaquetas (hipercoagulabilidade) conseqüentes a
procedimentos cirúrgicos extensos, parturição, trauma, neoplasia generalizada.
Nota: A forma mais comum de trombo no endocárdio é a endocardite
vegetativa (bacteriana).
Conseqüências da trombose
Um trombo pode provocar obstrução, causando isquemia e infarto, ou
sofrer recanalização (trombo dissecante) ou desprender-se, transformando-se
num êmbolo.
EMBOLIA
É a obstrução de um vaso por um êmbolo. Êmbolos materiais
originários de outras regiões do corpo, ou mesmo corpos estranhos, sendo
carregados pela corrente circulatória. A embolia pode ocorrer tanto nas
artérias, quanto nas veias ou nos vasos linfáticos. Nas artérias é comum a
embolia devido ao seu lume progressivamente menor. Nos linfáticos os
êmbolos sempre se localizam nos linfonodos. Nas veias ocorrem nos pontos de
redução de diâmetro como nos sistemas-porta.
Tipos de êmbolos
a- Êmbolos simples ou fibrinosos (tromboembolia)- São os trombos
destacados.
b- Êmbolos gordurosos - Fragmentos de medula óssea (acidentes
automobilísticos) ou lipídio conseqüente à ruptura de cistos lipídicos da
transformação gordurosa hepática severa.
c- Êmbolos gasosos - Geralmente ar, conseqüente à ruptura de
grandes veias (elas literalmente aspiram o ar). A embolia gasosa conseqüente
à descompressão (doença de "caisson") é de ocorrência improvável em
animais.
d- Êmbolos sépticos - Colônias de bactérias (Hemophylus somnus,
Actinobacillus equuli, Streptos e Staphilos).
e- Êmbolos parasitários - Dirofilaria immitis.
f- Êmbolos neoplásicos - Metástases.
g- êmbolos iatrogênicos - Fragmentos de agulhas hipodérmicas, pele,
pelos e medicamentos introduzidos nas veias.
ISQUEMIA
É a deficiência de sangue arterial numa região. Pode ser causada por
obstrução de uma artéria ou de uma veia. A isquemia total provoca morte. A
isquemia parcial, além de causar hipóxia, permite o desenvolvimento de
circulação colateral (revascularização).
INFARTE (ENFARTE, INFARTO, ENFARTO)
É a necrose de coagulaçãoconseqüente à isquemia. O processo é dito
"infartamento". Embora esta divisão seja bastante acadêmica, os infartos
podem ser "anêmicos" ou "hemorrágicos". No primeiro caso, a área infartada
permanece isquêmica e, no segundo caso, há invasão da área infartada por
sangue da vizinhança. Daí o aspecto, e o nome.
"Anêmico", ou "branco" é o infarto pálido. Característico de órgãos mais
sólidos como o coração ou rins. O infarto "hemorrágico" ou "vermelho" ocorre
em órgãos menos densos, como no baço, pulmões, fígado. No encéfalo ocorre
um tipo muito distinto: À isquemia segue necrose de liquefação, e o resultado é
o "derrame" (uma cavidade preenchida por líquido).
Nota- O reconhecimento de uma área infartada recentemente é muito
difícil de ser feito, pois a necrose demora para aparecer. Muitos casos, em
Medicina Veterinária, de infarto fatal do miocárdio não são diagnosticados à
mesa de necropsia devido à ausência de suspeita clínica. As únicas alterações
poderiam ser, por exemplo, sinais inespecíficos de choque (colapso
circulatório).
CHOQUE
Choque é um termo clínico que indica a síndrome caracterizada por
deficiência circulatória generalizada aguda e severa. A principal manifestação
clínica é a hipotensão, e a principal conseqüência é a hipóxia tissular
generalizada.
Classificação e causas do choque
Embora existam várias classificações quanto à causa dessa síndrome,
ela só ocorre como resultado direto de uma, ou da combinação de mais
de uma das seguintes situações:
a- Perda de volume sanguíneo
b- Aumento do leito vascular
c- Falha na bomba cardíaca
Qualquer uma das situações mencionadas produzem hipotensão e, se
não interrompida, a seguinte seqüência:
Volume sangüíneo insuficiente ����
deficiência da perfusão tissular ���� hipóxia
���� morte.
(Clinicamente, o choque pode ser classificado em hipovolêmico,
cardiogênico, neurogênico, séptico e anafilático.)
a- Choque devido a hipovolemia (choque hipovolêmico)
Neste caso ocorre perda de volume sanguíneo (hipovolemia
absoluta) devido a:
1- Hemorragia - interna ou externa
2- Perda de plasma - queimaduras, esmagamento
3- Perda de fluidos orgânicos - diarréias, vômitos, seqüestração
de fluidos (deslocamentos de vísceras, como torções, volvos, etc.)
b- Choque devido à vasodilatacão
Com o aumento da capacidade vascular, ocorre uma hipovolemia
relativa. A vasodilatação (da mesma maneira que a vasocontração) é um
mecanismo importante no controle da pressão arterial. Uma vasodilatação
severa pode levar a P.A. a zero. Ocorre em muitas situações, como durante
toxemia, septicemia, reações anafiláticas e estímulos nervosos.
Choque toxêmico (ou tóxico)- É provocado por toxinas liberadas por
tecidos lesados (gangrena, queimaduras extensas), venenos de animais
peçonhentos, toxinas bacterianas (endotoxina de E. coli), etc.
Choque séptico - Ocorre durante as septicemias (rever o termo),
geralmente por bactérias Gram-negativas.
Choque anafilático - É o colapso circulatório que acompanha a reação
antígeno-anticorpo. É causado pela liberação intravascular de histamina (dos
grânulos dos basófilos) causando vasodilatação severa.
Choque neurogênico - É pouco entendido. Ocorre em animais com
medo, dor ou trauma severos. Essas situações induzem um estado de choque
mediado pelo S.N.C..
Para comprovar a intermediação do S.N.C., demonstrou-se que a
prévia colocação de um torniquete para prevenir a perda de fluidos para a parte
lesada não evitava a ocorrência de colapso circulatório após o esmagamento
experimental ( � ) de um membro de um cão. Por outro lado, o
seccionamento prévio dos nervos regionais prevenia o choque, com ou sem o
torniquete.
O choque neurogênico é mais comum em animais selvagens, ou
naqueles muito nervosos ou medrosos, especialmente em tempo frio.
Uma outra forma de choque neurogênico é o que ocorre durante ou após
anestesia, quando há envolvimento da medula espinhal.
c- Choque cardiogênico - É o choque conseqüente a uma lesão severa
no coração ou à embolia pulmonar. Em Medicina Veterinária as lesões
degenerativas, de curso longo, são raras no coração. Por outro lado, embora
também incomuns, diagnosticam-se ocasionalmente infartos do miocárdio,
tamponamentos cardíacos ou rupturas valvulares. O tamponamento cardíaco é
muito óbvio durante a necropsia. A ruptura de válvulas cardíacas carece de um
exame minucioso para seu diagnóstico, mas também é obvia. O infarto do
miocárdio, contudo, sem uma história clínica muito boa e que permita suspeitá-
lo, é muito difícil de ser diagnosticado se for recente.
Alterações morfológicas (lesões) que acompanham o choque.
O diagnóstico "post-mortem" do choque nem sempre é fácil. Embora a
"causa mortis" deva-se sempre a lesões (nem sempre evidentes) no cérebro,
coração, pulmões e rins, outros órgãos também apresentam alterações
patológicas, como o fígado, trato gastrointestinal e adrenais, que auxiliam
naquele diagnóstico.
Lembrem-se sempre que a morte, nos casos de choque, deve-se à
hipóxia, e que as lesões observadas serão aquelas causadas por hipóxia, ou
que causam hipóxia. Lembrem-se, também, que devido ao desvio da circulação
do sangue para o cérebro e coração (reflexo normal de manutenção da vida)
durante o choque, e devido à variação da vulnerabilidade de diferentes órgãos
à hipóxia, alguns órgãos sofrem mais que os outros.
ALTERAÇÕES NO CÉREBRO
O cérebro sofre a chamada encefalopatia hipóxica. O cérebro é
extremamente dependente do metabolismo aeróbico: Apesar de representar
apenas cerca de 2 % do peso corporal, ele recebe 15 % do fluxo sangüíneo do
corpo e consome 20 % de todo oxigênio consumido pelo organismo. (A
hipoglicemia também produz lesões semelhantes no cérebro devido à falta de
substrato.) Os neurônios resistem a apenas 3 a 4 minutos de isquemia sem
sofrerem lesão irreversível. Independentemente da causa, qualquer hipóxia
severa do cérebro é seguida de hipotensão severa e parada cardíaca.
A observação das alterações que acompanham a encefalopatia hipóxica
dependem do tempo de sobrevivência do paciente após o dano ao cérebro.
Alterações macroscópicas raramente são observadas. Alterações
histológicas são observadas apenas se o paciente sobrevive por, no mínimo,
12 a 24 horas após a injúria. Essas alterações consistem de necrose de
neurônios isolados, que se apresentam "encolhidos", com picnose nuclear e
citoplasma densamente eosinofílico.
ALTERAÇÕES NO CORAÇÃO
Mesmo que o choque não seja de origem cardiogênica, o coração é
envolvido em todas as formas de choque. Três tipos de lesões ocorrem:
a- Hemorragias sub-endocárdicas e sub-epicárdicas
b- Necrose de fibras cardíacas isoladas ou, às vezes, de áreas mais
extensas.
c- Zonas (faixas) de contração em fibras isoladas, causadas por
hipercontração de fibras cardíacas ao morrer. Aparecem no exame histológico
como faixas largas escuras transversais em algumas fibras.
ALTERAÇÕES NOS PULMÕES
O pulmão alterado no choque é chamado comumente de "pulmão de
choque" ou "pulmão encharcado". A alteração patológica responsável por esse
aspecto é o edema, inicialmente intersticial e, a seguir, alveolar. Essas
alterações estão sempre presentes no choque, mas podem estar presentes em
muitas outras situações também. Quando devido ao choque, são mais severas
no choque séptico e no choque devido ao trauma severo. Quanto ao aspectos
macro e microscópicos, refira-se ao tópico "prognóstico do edema" neste
mesmo capítulo.
ALTERAÇÕES NOS RINS
O tipo de lesão a ser descrito aqui é muito característico do choque.
Trata-se da necrose tubular aguda (ou tubulorrexe). Para entender-se o
processo de sua ocorrênciasno choque é necessário rever-se a irrigação do
néfron. O túbulo renal é irrigado pela arteríola eferente (pelo sangue que deixou
o glomérulo). No caso de hipotensão (sempre presente no choque) ocorre
vasoconstrição pré-glomerular devido à liberação do complexo hormonal
renina/angiotensina, o que provoca isquemia glomerular e, conseqüentemente,
a necrose tubular.
MORFOLOGIA
Macro - Tumefação da cortical, com palidez, e às vezes estriações
(correspondentes aos túbulos isquêmicos). A medular é mais escura devido
aos cilindros de hemoglobina e células descamadas dos túbulos necróticos.
Micro - Tumefação do epitélio tubular, presença de cilindros granulosos,
obstrução dos túbulos por células descamadas (tubulorrexe) e às vezes,
cilindros pigmentados (hemoglobina).
Nota - Essas alterações não são uniformes, encontrando-se grupos de
néfrons afetados ao lado de outros absolutamente normais (isto se deve ao fato
de nem todas as unidades de um órgão estarem em atividade ao mesmo
tempo, variando assim sua suscetibilidade à agressão).
Alterações nas adrenais
As alterações nas adrenais são relacionadas ao stress. Há diminuição
da quantidade de lipídios na camada fascicular (as células tornam-se mais
densas, ou eosinofílicas) e ocorre necrose de células isoladas.
ALTERAÇÕES NO TRATO GASTROINTESTINAL
Ocorrem hemorragias focais superficiais (atingem apenas a mucosa)
devido à necrose das extremidades dos vilos intestinais. A necrose das
vilosidades ocorre devido à congestão e/ou a isquemia das mesmas. Como
resultado, há sangramento para a luz intestinal e o conteúdo é hemorrágico.
ALTERAÇÕES NO FÍGADO
Observa-se necrose da região centro-lobular dos lóbulos hepáticos de
vido à anóxia dos hepatócitos mais distantes dos espaços-porta. Casos de
longa duração podem apresentar transformação gordurosa centrolobular.
Macroscopicamente, apenas em casos mais severos observa-se aspecto de
noz-moscada no fígado.
COAGULAÇÃO INTRAVASCULAR DISSEMINADA (C.I.D.)
A C.I.D. é uma observação muito comum no choque, embora possa
estar presente em um grande número de outras alterações, como por exemplo,
complicações obstétricas, septicemia, neoplasias e trauma severo. Quando
ocorrendo por outras causas, ela pode induzir, ou agravar um estado de
choque.
A C.I.D. é um distúrbio trombo-hemorrágico (coagulopatia) agudo,
subagudo ou crônico que ocorre com uma complicação secundária de várias
outras doenças. Caracteriza-se pela ativação da seqüência que leva à
formação de microtrombos em toda a microcirculação do corpo. Como
conseqüência dessa coagulação disseminada, há consumo e depleção de
plaquetas, fibrina e fatores de coagulação. Por isso ela é chamada também
de "coagulopatia de consumo". Como ocorre também ativação dos
mecanismos de fibrinólise, é chamada também de "síndrome de defibrinação".
Os sinais clínicos são relacionados (1) à hipóxia tissular e aos infartos
causados por miríades de microtrombos ou (2) aos distúrbios hemorrágicos
conseqüentes à depleção dos fatores necessários para a hemostase.
No choque, a C.I.D. é precipitada pela lesão generalizada ao endotélio
vascular. Macroscopicamente observa-se púrpura (petéquias e equimoses
generalizadas, mais evidentes na pele clara, nas mucosas e no tecido
subcutâneo). Microscopicamente, além de pequenas hemorragias focais, no
encéfalo, observam-se microtrombos (em ordem decrescente de freqüência) no
encéfalo, coração, pulmões, rins, adrenais, baço e fígado.
12. DISTÚRBIOS IMUNOLÓGICOS
Os processos imunológicos, sem os quais a vida seria absolutamente
impossível, às vezes apresentam distúrbios que, em vez de proteger, ameaçam
a vida. Esses distúrbios serão estudados sob 4 categorias: (1) Reações de
hipersensibilidade; (2) doenças autoimunes; (3) imunodeficiências e (4)
amiloidose.
REAÇÕES DE HIPERSENSIBILIDADE
Hipersensibilidade tipo I (anafilaxia)
Anafilaxia é uma reação imunológica que se desenvolve rapidamente
(em minutos) após a exposição de um indivíduo previamente sensibilizado ao
antígeno específico.
Tipos de reação:
a- Sistêmica - Ocorre após introdução do antígeno na corrente
circulatória. Geralmente induz um colapso circulatório (choque) que pode ser
fatal.
b- Local - Depende do local de ação (entrada) do antígeno. Pode
ser uma reação cutânea, uma rinite ou conjuntivite ou uma gastroenterite
alérgicas.
Mecanismos de ocorrência
-
Reações do tipo I envolvem IgE. Estes anticorpos são formados em
resposta a um alérgeno (antígeno) e ligam-se preferencialmente a mastócitos
e basófilos. Essas células, quando em contacto com o antígeno específico,
degranulam-se, liberando seus mediadores químicos primários (histamina e
fatores quimiotáxicos para eosinófilos e neutrófilos) e mediadores secundários
(ácido araquidônico).
Hipersensibilidade tipo II
É a imunidade contra antígenos nas membranas celulares do próprio
indivíduo (antígenos intrínsecos ou exógenos adsorvidos pela célula). Exemplo:
Anemia auto-imune.
Hipersensibilidade tipo III
Provocada pela reação induzida pelos complexos antígeno/anticorpo
(complexos imune) que, ao se depositarem nos tecidos, ativam a liberação de
mediadores inflamatórios séricos (doença sistêmica do complexo imune).
A formação de complexos imune é um processo normal e ocorre
continuamente. Sob certas condições (?) esses complexos tornam-se
patogênicos. Exemplos: Lupus sistêmico, artrite reumatóide, reação de Arthus.
Hipersensibilidade tipo IV
Ocorre devido a presença de linfócitos tipo T (imunidade celular)
sensibilizados. Exemplos: Reação à tuberculina, histoincompatibilidade,
imunidade contra células tumorais ou células infectadas com vírus.
DOENÇAS AUTOIMUNES
Autoimunidade é a ração do organismo a antígenos de células do
próprio indivíduo. Em Medicina Veterinária não são muitas as doenças
autoimunes estudadas. Exemplos: Lupus, pênfigo, glomerulonefrite e as
anemias autoimunes. Estas têm uma etiopatogenia muito interessante que vale
a pena ser mencionada.
Anemia hemolítica auto-imune (AHAI) do potro
Ocorre após a sensibilização da égua contra o sangue do feto devido a
hemorragias placentárias focais. É rara em éguas primíparas, ocorrendo
sempre nos potros do 3º ou 4º partos. Estes são normais ao nascer, mas a
ingestão do colostro desencadeia uma crise hemolítica que ocorre de 8 a 120
horas após o parto. A anemia pode ser de leve (e não perceptível) a severa
(palidez, icterícia, hemoglobinúria e, até, morte).
AHAI do bezerro
É rara. Ocorre em vacas que sofreram imunização contra
babésia/anaplasma. Se o touro tiver o mesmo tipo sangüíneo do bovino doador
do sangue utilizado para a imunização, o bezerro poderá ter os mesmos
antígenos e, ao receber o colostro, desenvolverá a hemólise.
HAI dos leitões
Ocorre em leitões de porcas que receberam a vacina Cristal-Violeta
contra a peste suína (feita com sangue de porcos infectados com o vírus).
Também, da mesma maneira que na égua, podem ocorrer hemorragias
transplacentárias focais. Em qualquer caso, a hemólise ocorre ao ingerir o
colostro.
AHAI primária ou idiopática
Ocorre em cães e gatos e, muito menos freqüentemente, em vacas e
cavalos. Apesar de que possa ocorrer em qualquer raça ou idade, é mais
comum em fêmeas jovens.
IMUNODEFICIÊNCIAS
São várias as causas:
DOENÇAS INFECCIOSAS
Cinomose - Um dos locais primários de replicação do vírus é o tecido
linfóide. Como conseqüência, são comuns as infecções secundárias por
Bordetella bronchiseptica ou Toxoplasma gondii.
Parvovirose (em cães e gatos) - Tanto o tecido linfóidequanto a medula
óssea são infectados provocando linfopenia e leucopenia (principalmente
neutropenia).
DOENÇAS CONGÊNITAS
Imunodeficiência combinada (B e T) dos potros Árabes - É típica de
potros dessa raça. Como conseqüência, ocorrem infecções secundárias por
adenovírus, principalmente.
DEFICIÊNCIA DE COLOSTRO
Herbívoros (principalmente) que não recebem colostro são mais
suscetíveis a infecções sérias (que seriam banais em outros). Em potros que
não receberam colostro, são comuns as infecções por Shiguella
(Actinobacillus) equulii. As lesões nesses casos são típicas nos rins, onde
ocorrem embolias sépticas por colônias da bactéria, que evoluem para
abscedimento múltiplo e insuficiência renal aguda e fatal.
DROGAS IMUNOSSUPRESSORAS
Certos medicamentos podem causar deficiências imunológicas, como
nas terapias antineoplásicas ou por corticosteróides. Essas drogas geralmente
agem inibindo a reação inflamatória e a ação de granulócitos.
AMILOIDOSE
Amiloidose é a deposição de amilóide nos tecidos. Amilóide é uma
glicoproteína (de aspecto fibroso, na M.E.) que se deposita entre as células, na
membrana basal, de vários órgãos.
A amiloidose é incluída aqui por tratar-se de uma alteração relacionada
com o estímulo imunitário (outros autores a incluem no capítulo das
"degenerações").
O termo "amilóide" foi criado por R. Virchow, no século passado, para
designar uma substância observada ocasionalmente, geralmente no baço, de
pacientes portadores de doenças caquexiantes, como tuberculose,
osteomielite, neoplasias, etc.. Essa substância tem semelhança bioquímica
com o amido, reagindo positivamente ao teste do Iodo para o amido
(Substância testada + Lugol ���� marrom; + H2SO4 ���� azul).
Em Medicina Veterinária observa-se em animais que sofrem estímulo
imunológico intenso e prolongado, como nas doenças infecciosas crônicas, em
animais utilizados na produção de soro hiperimune, ou em portadores de
neoplasias com abundante necrose de tecido. Comumente não representa
perigo, a não ser quando atinja, por exemplo, o glomérulo renal, quando
provoca insuficiência renal e uremia.
13. NEOPLASIAS
CONCEITOS E NOMENCLATURA
Neoplasia, literalmente, significa "novo crescimento". O termo "tumor",
originalmente aplicado à inflamação e que significa aumento localizado de
volume, também é utilizado para designar neoplasia. "Câncer" também é
utilizado, mas quase que exclusivamente para as neoplasias malignas.
Contudo, a melhor definição para neoplasias é: Neoplasia é uma massa
anormal de tecido cujo crescimento excede e não é coordenado com o do
tecido normal e que persiste depois de cessado o estímulo que o provocou.
Esse tecido é autônomo e age como um parasita no organismo, uma vez que
compete com células normais por energia e substratos nutricionais (eles
crescem mesmo que o paciente esteja definhando).
Todos os tumores, benignos ou malignos, têm dois componentes: O
parênquima, que são as células neoplásicas em proliferação, e o estroma,
constituído por tecido conjuntivo de suporte e vasos sanguíneos. A
nomenclatura de um tumor é feita segundo seu parênquima. Os vasos
sanguíneo são responsáveis pela sobrevivência do tumor, enquanto o tecido
conjuntivo do estroma orienta o crescimento do parênquima. Quando o estroma
é pouco abundante o tumor é dito mole. Se no estroma houve abundante
proliferação de tecido conjuntivo fibroso (colágeno), diz-se que houve
desmoplasia. Estes tumores são consideravelmente mais firmes.
Embora nem todos os tumores benignos sejam perfeitamente inocentes
e nem todos os malignos sejam verdadeiros vilões, os termos benigno e
maligno referem-se ao seu comportamento clínico e refletem a ameaça
potencial à vida do paciente.
TUMORES BENIGNOS
O sufixo oma indica um tumor benigno. Tumores benignos originários do
mesênquima (aqueles originários de músculo, ossos, tendões, cartilagem,
vasos, e tecidos adiposo, linfóide e fibroso) são classificados
histogeneticamente, isto é, de acordo com o tipo celular do parênquima, p.ex.
lipoma, fibroma, osteoma, etc. Tumores de origem epitelial, por outro lado, são
classificados de várias maneiras: Alguns pelas suas células de origem e alguns
pela sua arquitetura e padrões microscópicos.
Adenoma, por exemplo, é um tumor benigno de origem epitelial cujas
células dispõem-se num padrão glandular; ou então que tenha tido origem
numa glândula, mesmo que suas células não reproduzam um padrão glandular.
(Assim, um tumor que tenha tido origem nos túbulos renais e cujas células
organizem-se na forma de pequenas glândulas será chamado de adenoma, da
mesma maneira que qualquer tumor, independentemente do seu padrão, que
se originasse da glândula adrenal). Se um tumor benigno de origem epitelial
apresenta projeções digitiformes (macroscópica ou microscopicamente visíveis)
ele será chamado de papiloma.
O tumor originado em uma glândula (mamária, p.ex.) que apresentar
uma grande cavidade revestida por células neoplásicas receberá o nome de
cistoadenoma. Se este tumor, dentro daquela cavidade, apresentar aquelas
projeções, receberá o nome de cistoadenoma papilar. Um pólipo é um tumor
que se projeta para o interior da luz de um órgão, apresentando uma base
estreita, ou um pedículo.
TUMORES MALIGNOS
A nomenclatura de tumores malignos essencialmente segue o mesmo
esquema da de tumores benignos, com pequenas modificações: Tumores
originários do mesênquima recebem o sufixo, ou o nome, sarcoma (ex.:
fibrossarcoma, osteossarcoma ou sarcoma osteogênico). Tumores malignos de
origem epitelial (de qualquer das três camadas germinais embrionárias)
recebem o sufixo, ou o nome, carcinoma. Assim, todos os tumores originários
de, por exemplo, da epiderme (ectoderma), dos túbulos renais (mesoderma),
ou do epitélio do trato digestivo (endoderma) são carcinomas.
TUMORES MISTOS
Na maioria dos neoplasmas, benignos ou malignos, as células
neoplásicas seguem a mesma linhagem e assemelham-se às células originais.
Em alguns casos, contudo, a mesma célula parenquimal pode dar origem a
duas linhagens distintas de células, criando os chamados tumores mistos cujo
melhor exemplo é o tumor misto mamário das cadelas, que pode ser benigno
ou maligno. As células desses tumores originam-se de apenas uma camada
germinal (neste caso, de células epiteliais e mioepiteliais da glândula mamária).
Estes tumores têm o componente epitelial espalhado no meio de um
estroma de aspecto mixomatoso que, na maioria das vezes contém "ilhas" de
cartilagem, ou mesmo osso. Modernamente, em patologia humana, esses
tumores têm sido chamados adenomas pleomórficos.
TERATOMAS
Teratomas são constituídos de células provenientes de mais de uma
camada germinal embrionária, usualmente das três, ao contrário dos tumores
mistos que se originam de apenas uma. Eles originam-se de células
totipotenciais e, portanto, são encontrados principalmente nas gônadas.
Nesses tumores ocorrem tecidos que podem ser identificados como
pele, músculo, tec. adiposo, dentes, etc. Um tipo muito comum desses tumores
é o teratoma dermóide cístico que ocorre no ovário de, principalmente, vacas.
EXCEÇÕES À REGRA
Apesar de existirem regras de nomenclatura bem definidas, em muitos
casos o tempo tem consagrado o emprego errôneo de algumas denominações.
Um exemplo clássico é o linfoma que, apesar de ser sempre maligno recebe
esse nome, em vez do correto linfossarcoma. O tumor hepatocelular é
denominado, por muitos, hepatoma. Da mesma maneira, o carcinoma de
melanócitos, o melanocarcinoma, é denominado muito mais comumente
melanoma, e o carcinoma de origem testicular é denominado seminoma.
Outras vezes empregam-setermos que fazem pensar em neoplasia para
designar alterações triviais: Coristoma (ou choristoma) indica a presença
ectópica de tecido normal, como o que ocorre no ovário de éguas onde,
comumente, encontram-se fragmentos de tecido adrenocortical sob a cápsula;
ou hamartoma, que indica a presença, em um órgão ou tecido, de uma massa
adicional e desorganizada de células normais e próprias da região ( um
distúrbio congênito, mas não neoplásico).
A nomenclatura correta das neoplasias é de extrema importância uma
vez que cada tumor tem implicações clínicas específicas.
CARACTERÍSTICAS DE NEOPLASIAS BENIGNAS E MALIGNAS
O diagnóstico morfológico de um tumor é uma previsão de seu
comportamento clínico futuro. Embora o diagnóstico seja subjetivo, existem
critérios de diferenciação entre tumores benignos e malignos que se baseiam
na avaliação do seu grau de diferenciação e anaplasia, da velocidade de
crescimento, da invasão local e da ocorrência de metástases.
Diferenciação e anaplasia
Diferenciação refere-se ao grau de semelhança entre as células
parenquimais do tumor e as células normais da mesma origem, tanto
morfológica quanto funcionalmente. (Cuidado: este termo costuma confundir os
veterinários). Um tumor benigno é, quase sempre, bem diferenciado. Tumores
malignos, ao contrário, variam de diferenciados a indiferenciados. A falta de
diferenciação chama-se anaplasia que, literalmente, significa
"desdiferenciação" [isto é, o novo tecido (neoplásico) perdeu sua semelhança
(diferenciação) com o tecido de origem]. Um tumor maligno indiferenciado é
chamado anaplásico.
A falta de diferenciação, ou a anaplasia, caracteriza-se por alterações
morfológicas e funcionais. As células, e seus núcleos apresentam
pleomorfismo (variação em forma e tamanho). Os núcleos são hipercromáticos
( contém abundante DNA e coram-se mais fortemente). Os núcleos são
desproporcionalmente grandes (a relação núcleo: citoplasma atinge até 1:1, em
vez do normal de 1:4 ou 1:6). Grandes nucléolos geralmente estão presentes
nos núcleos evidenciando a grande atividade das células
Tumores malignos geralmente apresentam grande número de mitoses,
que refletem a grande proliferação das células parenquimais. Contudo, uma
característica importante de anaplasia é a presença de mitoses aberrantes, ou
bizarras, que se apresentam tri, tetra ou multipolares. Uma outra característica
de anaplasia é a presença de células gigantes, que não devem ser confundidas
com células gigantes inflamatórias.
Os tumores mais diferenciados, e os benignos, são mais prováveis de
serem funcionais, isto é, executarem as mesmas funções das células de
origem, como produzirem hormônios. A medida que as células perdem sua
diferenciação, perdem também a função. Células muito anaplásicas podem,
inclusive, adquirir funções inesperadas como secretar hormônios não próprios
daquele tipo celular (um carcinoma broncogênico pode produzir hormônio
adrenocorticotrófico, ou um hormônio semelhante à insulina ou ao
paratormônio, por exemplo).
Velocidade de crescimento
Geralmente, um tumor benigno cresce lentamente e um tumor maligno
cresce rapidamente, sendo a velocidade de crescimento diretamente
proporcional ao seu grau de anaplasia. A velocidade de crescimento de um
tumor benigno, além de lento não é constante, e muitos são hormônio-
dependentes: O leiomioma uterino, por exemplo, cresce durante a gravidez e
atrofia-se após a menopausa.
Uma séria conseqüência clínica dos tumores malignos é a caquexia
induzida no paciente. De uma certa forma, o tumor compete com o paciente por
energia, com prejuízo deste. Ao contrário da maioria das células que em
condições normais produz energia por glicólise aeróbica, que rende uma
grande quantidade de ATP (38 moles), as células tumorais utilizam a glicólise
anaeróbica, que produz apenas 2 ATP.
Invasão local
Quase todos os tumores benignos crescem como uma massa coesa
expansiva que fica restrita ao seu local de origem não tendo capacidade de
infiltrar, invadir ou produzir metástases para outros locais. Como eles crescem
lentamente, ao seu redor forma-se uma camada de tecido conjuntivo (por
compressão do estroma vizinho) conhecida como cápsula. Certos tumores
benignos, contudo, não possuem cápsula, como o hemangioma.
Tumores malignos, ao contrário, crescem por infiltração, por invasão e
por destruição de tecidos vizinhos. Em geral eles não são bem delimitados,
mas naqueles de crescimento mais lento pode ocorrer uma estrutura
semelhante a uma cápsula. Contudo, o exame histológico revela que em
muitos pontos o parênquima do tumor invadiu e ultrapassou aquela "cápsula".
(Essa é a razão da necessidade de remover-se uma ampla margem em torno
de um tumor maligno durante a cirurgia.) Da mesma maneira eles invadem
vasos sanguíneos e linfáticos. A constatação da invasividade é o segundo
melhor critério (após a existência de metástases) para a decisão se um tumor é
ou não maligno.
Carcinoma "in situ" é um estágio inicial na evolução de um tumor que
apresenta características citológicas de malignidade, mas que ainda não
ultrapassou a membrana basal.
Existem diferenças na vulnerabilidade dos diferentes tecidos quanto à
invasão por neoplasias. O estroma de órgãos é o menos resistente, e a
cartilagem é o mais resistente (por possuir um fator anti-angiogênico).
Metástases
Metástases são implantes tumorais descontínuos do tumor primário. A
presença de metástase define inequivocamente um tumor como maligno, uma
vez que tumores benignos nunca as apresentam e, salvo honrosas exceções
(tumores das células gliais e da camada basal da epiderme), todos os malignos
sim.
A disseminação de tumores malignos (metástases) pode ocorrer por 3
maneiras: por implantação nas cavidades e superfícies corporais, por via
linfática e por via hematógena.
Implantação- É típica dos carcinomas quando invadem uma cavidade
como a peritoneal, pleural, pericardial, subaracnóidea ou articular. Os
carcinomas do ovário quase sempre fazem isso, com metástases na superfície
de vários órgãos abdominais.
Via linfática- É a forma mais comum de disseminação dos carcinomas
(mas a via hematógena também pode ser empregada). O padrão de
envolvimento de linfonodos segue as vias naturais de drenagem linfática da
área do tumor primário. Muitas células tumorais são destruídas nos linfonodos
devido a fatores imunológicos específicos.
(Atenção - O aumento de um linfonodo drenando um carcinoma pode ocorrer
devido:
a- metástase do tumor
b- hiperplasia folicular e
c- proliferação de linfócitos T paracorticais e histiocitose sinusal).
Via hematógena- Esta via é típica dos sarcomas (mas a via linfática
também pode ser ocorrer), e geralmente através das veias. As artérias são
utilizadas nas metástases de tumores secundários (metástases terciárias) do
pulmão.
ONCOGÊNESE E AGENTES CARCINOGÊNICOS
Certas espécies e raças animais são mais predispostas a
desenvolverem neoplasias. Essa predisposição às vezes deve-se a certas
características conhecidas do animal, como em bovinos da raça Hereford que
desenvolvem carcinomas da pálpebra inferior (despigmentação + luz UV) ou,
às vezes, devido a fatores desconhecidos, como em cães da raça Boxer que
são mais propensos a neoplasias em geral, quando comparado com cães de
outras raças.
Outro fator importante na oncogênese (oncos = tumor) é a idade. É por
demais conhecido o fato de que animais velhos apresentam mais neoplasias
que jovens.
Contudo, existem muitos agentes que induzem transformação
neoplásica nas células. Esses agentes (carcinógenos) podem ser
categorizados como 1)-substâncias químicas, 2)-radiação e 3)- vírus Qualquer
que seja o agente,ele afeta a função de um par de genes: (1) os proto-
oncogenes, precursores dos genes cancerígenos oncogenes, e (2) os genes
supressores, ou anti-oncogenes.
ONCOGÊNESE QUÍMICA
A história é interessante e clássica: A primeira notícia de que certas
substâncias eram cancerígenas foi feita por Sir Percival Pott ao perceber a alta
incidência de câncer na bolsa escrotal de limpadores de chaminés na Holanda.
(Como conseqüência, alguns anos mais tarde o Sindicato de Limpadores de
Chaminés decretou que seus membros deviam banhar-se diariamente!)
A oncogênese química envolve dois passos: iniciação e promoção. A
iniciação resulta da exposição da célula a um agente cancerígeno. Este agente
modifica a célula permanentemente. A neoplasia ocorre quando a célula for
exposta ao agente promotor, que pode acontecer muitos anos mais tarde. Os
agentes promotores não são cancerígenos per se, só atuam em células
"iniciadas" (contudo, existem agentes cancerígenos "completos" que iniciam e
desencadeiam a neoplasia).
Em medicina veterinária dois exemplos muito conhecidos são a
aflatoxina e os alcalóides da samambaia (P. aquilinum).
ONCOGÊNESE POR RADIAÇÃO
A radiação solar (luz ultravioleta) é a mais importante forma de radiação
que causa neoplasias em animais. A luz UV induz o carcinoma espinocelular, o
carcinoma de células basais e o melanocarcinoma da pele não protegida. São
comuns esses tumores na vulva e na pálpebra inferior de vacas e nas orelhas
de gatos brancos e de ovelhas.
ONCOGÊNESE VIRAL
Muitos vírus são oncogênicos. O vírus da papilomatose é o mais comum.
Acomete bovinos e cães, principalmente (são espécie-específicos). A leucose
bovina e ovina, a leucose aviária e a leucose felina são outros exemplos de
neoplasias causadas por vírus.
(ANEXO)
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS E CLÍNICAS DE
ALGUMAS NEOPLASIAS.
Sarcóide eqüino - Benigno. Causado por um vírus papova. Acomete
eqüinos e asininos (é o mais comum tumor dessas espécies). Assemelha-se a
um fibroma. Difícil tratamento, pois recidiva comumente. Usa-se criocirurgia
(vacinas?).
Lipoma - Qualquer espécie, mais comum em cães. Sempre animais
adultos. Pode atingir grandes dimensões. Aumenta quando o paciente engorda
e não diminui quando o paciente emagrece. Lipossarcomas são raros.
Histiocitoma - Só no cão. Questiona-se se é neoplásico, pois involui
espontaneamente.
Mastocitoma - Comum no cão, especialmente no Boxer, e no gato.
Recidiva comumente, e sempre mais maligno ainda. Mesmo os bem
diferenciados devem ser considerados como potencialmente malignos. A
excisão deve ser ampla. Facilmente diagnosticado por citologia, acessível a
qualquer clínica veterinária.
Papilomatose - Viral (papova). Comum em bovinos malnutridos, na pele
do pescoço e úbere. Em cães ocorre na cavidade oral e, em animais
imunodeprimidos, pode ser muito séria. Em bovinos, quando no esôfago e
rúmen, suspeita-se que pode evoluir para carcinoma.
Carcinoma espinocelular - Ocorre em qualquer espécie animal.
Ocorre mais em áreas de pele despigmentada (UV). Pode ocorrer no esôfago
também (samambaia?).
Carcinoma de células basais - É a neoplasia mais comum induzida
pela luz UV. Ocorre geralmente na cabeça e tronco, nas áreas mais expostas à
luz.
Tumor da glândulas circumanais - O tumor de células hepatóides é o
mais comum. Ocorre em cães e é muito comum.
Melanoma e melanocarcinoma - Quando ocorre na cavidade oral ou
nos dígitos de cães é quase sempre maligno. Extremamente comum nos
cavalos tordilhos, no períneo. Pode ocorrer sem a presença de melanina
(amelanótico).
Leiomioma - É o tumor da musculatura lisa. Ocorre mais comumente no
trato genital de fêmeas de qualquer espécie animal. Como quase sempre está
associado a abundante tecido conjuntivo fibroso, muitos são denominados
fibroleiomioma.
Rabdomioma - É a neoplasia da musculatura estriada. Em qualquer
espécie animal é raro. O rabdomiossarcoma é muito agressivo
Osteossarcoma - Ou sarcoma osteogênico. Comum em cães de raças
gigantes, na extremidade distal dos ossos longos.
Linfossarcoma - É um dos grupos de tumores mais comuns em animais
domésticos. Apesar de existirem vários tipos dentro da classificação citológica,
eles todos são, em geral, englobados como linfossarcomas. A divisão mais
comum deve ser deve ser feita entre os tipos espontâneo e infeccioso. O
primeiro é mais comum em animais jovens e ocorre por causas comuns a todas
as neoplasias. O tipo infeccioso é causado por vírus e acomete várias espécies
animais como os bovinos, ovinos, felinos e aves, onde recebe o nome de
leucose e é de grande importância econômica. Em aves, especificamente
galinhas, podem ocorrer a leucose e uma doença muito semelhante, a doença
de Marek.
Tumor etmoidal enzoótico - Acomete ovinos, na região do etmóide.
Provavelmente seja causado por um vírus, mas não se conseguiu isolá-lo
ainda. No Brasil é muito recente e, até agora, ocorreu somente em ovinos
importados.
Hematúria enzoótica - Está aqui sob este nome, e não de uma
neoplasia específica, devido a serem mais de uma as neoplasias que
produzem esse síndrome em bovinos. É provocada pela ingestão contínua e
prolongada de Samambaia (Pteridium aquilinum) e caracteriza-se clinicamente
por hematúria e, à necropsia, a lesão na bexiga, na maioria das vezes, é
surpreendentemente pequena. Histologicamente diagnosticam-se carcinomas e
adenocarcinomas.
(Existem suspeitas que as neoplasias do trato digestivo superior de bovinos
também sejam causados pela ingestão de samambaia).
Tumores testiculares nos cães - São os carcinomas dos túbulos
seminíferos, das células de Leydig e das células de Sertoli. Este último é o
mais comum e induz uma síndrome de feminização nos cães.
Tumor venéreo transmissível (TVT, T. de Sticker,) - É um dos tumores
mais interessantes na Medicina Veterinária. É transmitido de cão para cão
geralmente durante o ato sexual e localiza-se principalmente nos órgãos
genitais. A neoplasia é um clone de células que é implantado no hospedeiro.
Estudos cromossômicos indicam que essas células não são de origem canina.
Existem dezenas de outras neoplasias, e nenhuma menos importante
que as mencionadas aqui. Elas serão discutidas a medida que apareçam casos
de animais portadores durante as aulas práticas de necropsia.