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Ministério da Educação Universidade Aberta do Brasil Universidade Federal de Mato Grosso FAeCC - Faculdade de Administração e Ciências Contábeis Núcleo de Educação Aberta e a Distância Departamento de Administração Administração (Introdução e Teorias) - II Cuiabá - MT 2008 Continuando a Viagem... 5 Car@ Estudante, Estamos iniciando o nosso Fascículo II e, a partir deste momento, vamos estudar o comportamento humano nas organizações, começando por conhecer a ciência do comportamento e os precursores da abordagem comportamental. Ao decidir estudar Administração você imaginava que seria tão agradável conhecer cientificamente como se organizam as empresas? Saber quais as razões de existirem tantos modelos destinados a explicar e recomendar maneiras, para melhorar a produtividade e, como resultado, o lucro das empresas? Ainda há muito que aprender para se (trans)formar um competente Administrador@, e é por isso mesmo que estamos aqui, para, juntos, continuarmos a nossa viagem rumo ao conhecimento da Ciência da Administração. Como você está se sentindo estudando Administração? Certamente, a cada nova Unidade, você está ficando melhor, não é mesmo? SUMÁRIO UNIDADE 1 – ESCOLA COMPORTAMENTAL 1.1 Ciências do Comportamento ............................................................................... 11 1.2 Comportamento Humano nas Organizações .................................................... 12 1.3 Escola das Relações Humanas ............................................................................. 16 1.4 Motivação................................................................................................................ 19 1.5 Liderança ................................................................................................................ 26 UNIDADE 2 – PLANEJAMENTO E PROCESSO ADMINISTRATIVO 2.1 A Complexidade nas Organizações .................................................................... 35 2.2 Enfoque Sistêmico ................................................................................................. 36 2.3 Tecnologia da Informação .................................................................................... 44 2.4 Conseqüências da Informática na Administração ............................................ 48 2.5 Teoria da Contingência ......................................................................................... 50 2.6 Planejamento Estratégico ...................................................................................... 53 2.7 Administração Participativa ................................................................................ 64 UNIDADE 3 – ADMINISTRAÇÃO NO TERCEIRO MILÊNIO 3.1 Administração na Era Digital .............................................................................. 75 3.2. Aprimoramento de Processos ............................................................................. 77 3.3 Balanced Scorecard (BSC) ..................................................................................... 79 3.4 Gestão de competência, conhecimento e aprendizagem organizacional ...... 86 3.5 Responsabilidade sócio-ambiental ...................................................................... 92 3.6 Governança Corporativa .................................................................................... 100 REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS .......................................................................... 103 ESCOLA COMPORTAMENTAL Objetivos: esclarecer os fundamentos que explicam o processo de valorização do ser humano e das relações sociais nas organizações; descrever os princípios da Escola de Relações Humanas e da Abordagem Comportamental ou Behaviorista; relacionar e explicar as principais teorias motivacionais e a influência da liderança na motivação das pessoas no ambiente de trabalho. 11 1.1 Ciências do Comportamento O comportamento organizacional é o assunto do qual se ocupam diferentes ciências do comportamento. Suas raízes estão nas concepções pioneiras dos filósofos gregos, que estudaram assuntos fundamentais como as diferenças individuais, o conceito de ética, a qualidade como atributo humano, a tragédia, o conceito de felicidade entre muitos outros. Apresentamos a Figura 1, que mostra as ciências que se ocupam do comportamento organizacional: CIÊNCIA ESTUDOS FOCO Psicologia Aprendizagem; Personalidade; Liderança Motivação; Processo de tomar decisões Seleção de pessoal; Stress e qualidade de vida. Indivíduo Sociologia Dinâmica de grupo; Teoria das organizações; Poder; Conflito e Comportamento dos grandes grupos. Grupo; organização e sistema Psicologia social Dinâmica de grupo; Liderança; Processo de decisão em pequenos grupos e Mudanças de atitudes Grupo; organização e sistema Antropologia Cultura organizacional e Ambiente organizacional Grupo; organização e sistema Ciência Política Poder; Conflito; Política e Relações entre organizações e poderes Grupo; organização e sistema Figura 1 – Ciências que se ocupam do Comportamento Organizacional Fonte: Adaptado de MAXIMIANO (2006) Na Administração e nas organizações, cada ciência oferece uma contribuição especializada para cada um dos temas que interessam ao enfoque comportamental. Por exemplo, quando se estuda a liderança, pode-se usar a perspectiva da psicologia ou da sociologia. A psicologia estuda a liderança, do ponto de vista das motivações e habilidades do líder. A sociologia estuda a liderança, do ponto de vista do processo social. Você sabia que, hoje, essas questões clássicas transformaram-se nos estudos sistemáticos sobre personalidade, cultura organizacional, conflito, motivação e outros? 12 1.2 Comportamento Humano nas Organizações A abordagem comportamental, também denominada orgânica ou humanística, deu ênfase ao tratamento humanizado aos empregados, em vez de só focalizar seu desempenho ou produtividade (MEGGINSON et al 1998). A partir da década de 1940, o estudo sobre o comportamento humano nas organizações ganha destaque, com os estudos desenvolvidos por psicólogos. Com a crescente globalização e industrialização dos países, o fator humano torna-se chave para o desenvolvimento das empresas, que passam a exercer papel essencial para o desenvolvimento social. A Figura 2, a seguir, traz um resumo dos principais estudiosos que contribuíram para o surgimento desta abordagem: Cientistas Resultados das Pesquisas Oliver Sheldon (1894-1951) Apresentou a noção de que uma empresa tem alma. Ênfase da administração com responsabilidade social Elton Mayo (1880-1949) e F.J.Roethlisberger (1896-1974) Descobriram o “efeito Hawthorne”. A noção de “organização informal” dentro da organização formal. Ênfase na importância do elemento humano para aumentar a produtividade. Mary Parker Follet (1868-1933) Desenvolveu a “Lei da Situação” e o processo de “integração” na resolução de conflitos. Chester Barnard (1886-1961) Enfatizou as organizações como sistemas. Desenvolveu a teoria da aceitação da autoridade pelos subordinados. Salientou a importância da liderança. Figura 2 – Quadro demonstrativo dos principais estudiosos que contribuíram para o surgimento da abordagem comportamental. Fonte: Adaptado de MEGGINSONet al. (1998) Observe que, na ciência e na vida, há sempre os precursores das idéias e das ações implementadas. A seguir, apresentam-se os precursores da abordagem comportamental. 13 O processo de integração de Mary Parker Follet afirma que todos ganham, ao contrário da situação de perda-ganho, ou de um acordo diluído em que ninguém consegue o que deseja. Para Megginson et al (1998), é o método de resolução de conflito construtivo, pelo qual as pessoas envolvidas procuram caminhos para resolver suas diferenças de forma que cada um consiga o que deseja. A teoria da aceitação da autoridade de Chester Barnard afirma que os subordinados somente acatarão as ordens se as compreenderem e se puderem e quiserem aceitá-las. Para quem adota a perspectiva comportamental, o importante em uma organização é o sistema social. Para Maximiano (2006), sistemas sociais são formados por pessoas e suas necessidades, sentimentos e atitudes, bem como por seu comportamento como integrantes de grupos. Compreender o comportamento das pessoas nas organizações requer conhecer as características individuais e como se comportam coletivamente. Com relação às características individuais, podem ser considerados comportamentos, personalidades, atitudes, competências, habilidades, aptidões, inteligências, sentimentos e emoções. Quando a pessoa está diante de outras, como no ambiente de trabalho, passa a imprimir novos traços de seu comportamento. O comportamento coletivo abrange a dinâmica dos grupos, a cultura organizacional e o clima organizacional. a) Dinâmica dos grupos Os grupos são conjuntos de pessoas e podem ser classificados como informais e formais. O primeiro se forma de maneira espontânea e através das afinidades entre as pessoas. O segundo se estabelece por meio da organização e suas relações de acordo com cargos e hierarquias. Os grupos formais são deliberadamente formados pela administração e, quase sempre, aparecem no organograma. Você já observou que o sistema social tem mais influência sobre o desempenho da organização do que seu sistema técnico, formado pelas máquinas, métodos de trabalho, tecnologia, estrutura organizacional, normas e procedimentos? 14 Os grupos informais, que não fazem parte da organização formal, surgem da necessidade de interação social, amizade, comunicação e status dos empregados. Em grupos, sejam os formais ou informais, há uma necessidade de interação, a dinâmica de grupo é uma ação voltada para treinamento e integração entre as pessoas de um grupo. Os grupos informais nascem dentro dos grupos formais, devido à proximidade física, à semelhança social, à identidade de interesses e aos problemas similares que todos enfrentam. b) Cultura organizacional Schein, apoiando-se em Maximiano (2006,p.218), define cultura como: A experiência que o grupo adquire à medida que resolve seus problemas de adaptação externa e integração interna, e que funciona suficientemente bem para ser considerada válida. Portanto, essa experiência pode ser ensinada aos novos integrantes como forma correta de perceber, pensar e sentir-se em relação a esses problemas. Para Megginson et al (1998), a cultura organizacional pode ser definida como o conjunto de valores, crenças e padrões de comportamento que forma o núcleo de identidade de uma organização. Abrange normas informais de conduta, hábitos, crenças, valores, preconceitos, cerimônias, rituais e símbolos. c) Sentimentos e clima organizacional As percepções e os sentimentos em relação à realidade objetiva da organização podem ser classificados, em três grandes categorias: satisfação, insatisfação e indiferença. (MAXIMIANO, 2006) Todos os componentes da organização afetam percepções e sentimentos. 15 Quando os sentimentos se expressam, origina-se o clima organizacional. Em essência, esse clima é uma medida de como as pessoas se sentem em relação à organização e a seus administradores. Desde a década de 1980, os estudos sobre clima são voltados para o conceito de qualidade de vida no trabalho. Segundo o enfoque comportamental, a empresa deve ser vista como sistema social, formado primariamente por pessoas, sentimentos, interesses e motivações. Compreender o sistema social (ou organização formal) da empresa é um dos dois objetivos principais do enfoque comportamental na administração moderna. O outro objetivo é entender os mecanismos que individualizam e influenciam o comportamento das pessoas. Analisando o sistema social, vê-se que as pessoas nas organizações comportam- se como pessoas e não como peças de máquinas ou seres estritamente profissionais, de acordo com a visão de Taylor ou Weber. Eles apresentam sentimentos de amizade e hostilidade, cooperação e competição, formam grupos com seus colegas de trabalho e criam regras de convivência. Além disso, levam para dentro da empresa, praticamente, todos seus interesses como pessoas e membros de famílias ou grupos externos. Recomendamos que você leia o Saber Mais disponível na plataforma, para compreender a origem da preocupação com o bem-estar social. Mais uma vez você está de parabéns! Terminou de ler um item desta Unidade. Para que você realmente aprenda é necessário investir tempo e energia. Daí, que tal, antes, fazer um pequeno exercício físico. Então, você concorda que o Administrador precisa ocupar-se dos sentimentos também? Vale saber que, desde a localização física até os objetivos, passando pelos salários, refeitórios, condições de trabalho, limpeza, programas de incentivos, benefícios e integração com os colegas, tudo afeta a forma como as pessoas se sentem em relação à organização. 16 Pronto? Já espaireceu? Agora, mãos à obra! Responda... 1.3 Escola das Relações Humanas 1.3.1 Elton Mayo e a Experiência de Hawthorne Elton Mayo, cientista social, nas décadas de 1920 e de 1930, juntamente com seus colegas do Departamento de Pesquisa Industrial da Harvard Business School, desenvolveu uma pesquisa longa e complexa, na Western Electric Company, situada no bairro de Hawthorne, em Chicago. A pesquisa desenvolvida por Mayo, no período de 1927 a 1933, tinha por objetivo responder a uma pergunta: O resultado esperado dessa pesquisa tinha um sentido prático: O que Mayo estava testando era o efeito da iluminação na produção global, uma preocupação muito ao estilo de Taylor e outros integrantes da Escola Clássica. O resultado inicial, surpreendente, mostrou não haver relação entre as duas variáveis: produção e iluminação. O processo foi aprimorado, com a criação de um grupo de controle e um grupo de teste, de modo a garantir resultados mais fidedignos. Além disso, trabalharam com O de aprimorar o desempenho da organização e, evidentemente, aumentar o estoque de conhecimento existente. Quais os fatores, presentes nos ambientes físico e social de uma pessoa que trabalha em uma organização, capazes de afetar seu desempenho no trabalho e sua satisfação pessoal com a tarefa realizada? Você acredita que o comportamento das pessoas e dos integrantes de grupos pode ajudar ou atrapalhar os objetivos das empresas? Justifique sua resposta em texto de uma página e o envie ao fórum de discussões. 17 temáticas diferentes, além dos aspectos de iluminação, tais como pausas para descanso dos empregados e mudanças nas horas de trabalho. Mas os resultados não materializaram as hipóteses iniciais. Moral da história: Como salientam Megginson et al (1998), o Efeito Hawthorne é o sentimento de valorização, experimentadopelos trabalhadores escolhidos para tomar parte em um estudo científico, que serviu como incentivo ao aumento da produção. 1.3.2 Princípios da Escola de Relações Humanas O Movimento de Relações Humanas, segundo Megginson et al (1998), é uma abordagem da administração que visa motivar os indivíduos a conseguir o equilíbrio de objetivos que irá proporcionar maior satisfação humana e atingir as metas da organização. O que Mayo e seu grupo efetivamente fizeram foi colocar em cheque os pressupostos da Teoria Clássica, estabelecendo as seguintes proposições: o incentivo econômico não é a única força motivadora a que o trabalhador responde; sua produção é fortemente influenciada tanto por suas relações com os outros companheiros de trabalho como por seus problemas pessoais, tanto dentro como fora da fábrica; o trabalhador não se comporta como um ser isolado, mas sim como um membro do grupo. Essas inter-relações criam aquilo que chamamos de organização informal; a especialização funcional não cria, necessariamente, a organização mais eficiente. Tanto que a rotação de cargos, em que o indivíduo alterna tarefas a serem executadas, contribui para seu melhor desempenho. (CARAVANTES et al, 2005) Outros fatores – e não meramente uma reação de causa e efeito de caráter mecânico – estavam em jogo. E esses outros fatores estavam ligados ao homem, à sua motivação, ao seu envolvimento maior ou menor com a tarefa. Tal descoberta recebeu o nome de efeito Hawthorne. 18 1.3.3 Abordagem Comportamentalista O trabalho de Elton Mayo e seu grupo, especialmente as pesquisas de Hawthorne, criaram outra maneira de ver a organização, agora não mais a partir de uma visão meramente formal, mecanicista, do homem quase autômato, respondendo a interesses única e exclusivamente pecuniários, como afirmam Caravantes et al (2005). Os comportamentalistas, em verdade, são estudiosos, também preocupados com o indivíduo, reconhecendo a importância de seu impacto na organização, mas não aceitando as inferências e conclusões simplistas dos primeiros estudos do comportamento humano (Escola das Relações Humanas). Não aceitar essas simplificações significou que os comportamentalistas se concentraram na análise de variáveis específicas, vinculadas ao comportamento do indivíduo, tais como moral elevado e baixa produção, moral baixo e alta produção, moral elevado e alta produção. (CARAVANTES et al , 2005) Para Chiavenatoo (2006), a Teoria Comportamental (ou Teoria Behaviorista) da Administração trouxe nova concepção e novo enfoque dentro da teoria administrativa: a abordagem das ciências do comportamento, abandono das posições normativas e prescritivas das teorias anteriores (teoria Clássica, das Relações Humanas e da Burocracia) e adoção de posições explicativas e descritivas. A ênfase é nas pessoas dentro do contexto organizacional mais amplo. Muitos foram os autores que desenvolveram estudos e pesquisas que resultaram no corpo teórico da abordagem comportamentalista. Entre esses autores estão: Chester Barnard, Herbert Simon, David C. McClelland, Rensis Likert, Kurt Lewin. Para conhecê-los melhor busque informações no Saber Mais I. Que ótimo! Você continua conosco e a nossa viagem vai indo muito bem. Pesquisas posteriores revelaram que pode ocorrer qualquer tipo de combinação ente essas variáveis –– fica nítida a falta de qualquer relação entre elas. 19 Mais uma parada! Ela é opcional, porém vale a pena cuidarmos de nós e dos nossos amores (filh@s, maridos, esposas, namorad@s...), por isso, convide-@s para um lanche conversem alegremente restaure suas energia ... E então, volte ao seu fascículo 2 e continue. 1.4 Motivação Motivo, motivação, mover, movimentar e motor são todas palavras modernas que têm a mesma origem e estão associadas à mesma idéia: a palavra latina motivus, que significa aquilo que movimenta, que faz andar. O estudo da motivação é um dos temas centrais do enfoque comportamental, porque é necessário compreender os mecanismos que movimentam as pessoas, para os comportamentos de alto desempenho, indiferença ou improdutividade, a favor ou contra os interesses da organização e da administração. (MAXIMIANO 2006) A produtividade e o bem-estar dos funcionários dependem da motivação que os mesmos têm em relação ao trabalho e ao envolvimento com a organização do qual fazem parte. Estudar os fundamentos da motivação humana, sua implicância no comportamento e, consequentemente, nos resultados, é fundamental para que a gestão de pessoas obtenha êxito nos processos e planos voltados ao departamento de pessoal. A teoria comportamental fundamenta-se no comportamento individual das pessoas para explicar o comportamento organizacional. Para analisar como as pessoas se comportam, torna-se necessário o estudo da motivação humana. O administrador Como você pensa que as pessoas se motivam? Acredita que seja necessário lhes oferecer algo para se motivarem ou acredita que os motivos são internos e só dependem da própria pessoa? Vamos conhecer um pouco desse assunto neste item... Pesquise em livros e internet a respeito de dois dos autores desta abordagem (Chester Barnard, Herbert Simon, David C. McClelland, Rensis Likert e Kurt Lewin) e escreva as suas maiores contribuições. Entregue a sua pesquisa ao seu orientador no decorrer do estudo desta unidade. 20 deve conhecer as necessidades humanas para compreender o comportamento humano e utilizar a motivação como meio para melhorar a qualidade de vida nas organizações. (CHIAVENATTO, 2006) A ação dos administradores continuamente dá origem a respostas positivas ou negativas dos empregados. A resposta positiva é caracterizada pelo desempenho satisfatório do funcionário e a negativa se dá quando o indivíduo não reage ou responde com queda no desempenho de suas tarefas e nas relações formais e informais dentro da organização. Nas organizações, segundo Megginson et al (1998), embora haja vários fatores influenciando o desempenho dos empregados, uma variável principal é a motivação: o processo de induzir uma pessoa ou um grupo, cada qual com necessidades e personalidades distintas, a atingir os objetivos da organização e os objetivos pessoais. 1.4.1 Teorias Motivacionais As teorias sobre motivação que explicam o desempenho das pessoas em situação de trabalho. 1.4.1.1 Teorias das Necessidades de Maslow Abraham Maslow (1908-1970) baseou seu conceito de hierarquia de necessidades em dois princípios: Neste item, você terá oportunidade de conhecer em detalhes a Teoria das Necessidades de Maslow, a Teoria dos Dois Fatores de Herzberg e, por fim, a Teoria X e Teoria Y de McGregor. Sabe o que significa uma pessoa motivada no campo da Administração? No campo da Administração, pessoa motivada, usualmente, significa alguém que demonstra alto grau de disposição para realizar uma tarefa ou atividade de qualquer natureza. No entanto, as pessoas também se motivam para fazer coisas que vão em direção oposta à desejada pela empresa, como greves, sabotagens, roubo de mercadorias ou invasões de fábricas que levam a demissão de funcionários 21 • as necessidades humanas podem ser colocadas em uma hierarquia de importância; • uma necessidade satisfeita não pode mais ser usada como motivador primordial de comportamento. Maslow salienta que as necessidades podem ser classificadas em uma hierarquia em que uma necessidade é mais importante que as outras até ser satisfeita. Assim que uma necessidade é satisfeita, a próxima, mais alta, torna-se predominante. A ordem, no entanto, podeser invertida, e mesmo mudar para baixo e para cima. Além disso, a cultura pode afetar a estrutura. Por exemplo, em muitas sociedades, as necessidades sociais podem ser mais importantes do que ego ou auto-estima. Uma vez satisfeita, uma necessidade não motiva mais o comportamento, pois só quando estamos privados de algo, e, portanto o desejamos, é que tal necessidade pode ser usada como incentivo para nós. Figura 3 – Pirâmide da Hierarquia das Necessidades de Maslow Fonte: adaptado - www.administradores.com.br Agora, examinaremos a hierarquia de necessidades, como foi apresentada na Figura 3: Necessidades fisiológicas: no nível mais baixo, porém primordiais, quando não satisfeitas, estão nossas necessidades fisiológicas ou biológicas. Quando comemos regular e adequadamente paramos de encarar a fome como um importante motivador. 22 Necessidades de segurança: quando as necessidades fisiológicas estão razoavelmente satisfeitas, a segurança torna-se importante. Isso nos protege contra perigos, ameaças ou privações. Por exemplo, muitos empregados tornam-se membros de sindicatos, para se garantir contra atos arbitrários e unilaterais do pessoal de administração. Necessidades sociais: incluem as necessidades de associação, aceitação pelos colegas, bem como dar e receber amor e amizade. Quando a necessidade social, assim como as necessidades fisiológicas, não são satisfeitas, as pessoas podem se comportar de forma a bloquear a motivação e frustrar os objetivos da empresa. Elas passam a ser resistentes, não cooperam e são, até mesmo, antagonistas. Necessidades de estima (acima das necessidades sociais) essas necessidades podem surgir de duas formas: (1) aquelas que se relacionam à nossa auto- estima: necessidade de autoconfiança, independência, realização, competência e conhecimento, e (2) aquelas relacionadas à nossa reputação – necessidades de status, de reconhecimento, de apreciação e de ter o respeito dos colegas. Estas necessidades raramente são satisfeitas por completo, pois as pessoas procuram indefinidamente a satisfação dessas necessidades. A organização típica (produção em massa) oferece poucas oportunidades para a satisfação das necessidades de ego para as pessoas dos níveis mais baixos da hierarquia. Necessidades de auto-realização: finalmente, há necessidade de auto- realização, o que inclui procurar executar bem o próprio trabalho, realizando o próprio potencial, desenvolvimento contínuo e criatividade, no sentido mais amplo da palavra. Os administradores podem usar essa teoria, segundo Megginson et al (1998), na questão de Liderança, Cultura Organizacional, Mudanças, comportamento individual. Ainda segundo os mesmos autores, a teoria de Maslow deveria ser considerada como um guia geral para os administradores, pois é um conceito teórico, não uma explicação absoluta do comportamento humano. Para Caravantes et al (2005), a teoria de Maslow é simultaneamente bem estruturada e suficientemente flexível para que cada um de nós possa utilizá-la como um instrumento balizador de sua ação. 23 1.4.1.2 Teorias dos Dois Fatores de Herzberg A teoria dos dois fatores de Frederick Herberg (1923-2000)1 explica como o ambiente de trabalho e o próprio trabalho interagem para produzir motivação. Segundo Herzberg, a motivação resulta de fatores que podem ser divididos em duas categorias principais, como mostra a Figura 4: Figura 4 – Teoria de Herzberg (Dois fatores) Fonte: Adaptado de Maximiano (2006) Os fatores higiênicos criam o clima psicológico e material saudável, e influenciam a satisfação com as condições dentro das quais o trabalho é realizado. Quanto melhores, por exemplo, as relações entre colegas e o tratamento recebido do superior, melhor será esse clima: mais higiênico o ambiente. Quanto mais contente a pessoa estiver com seu salário, menor a disposição para reclamar desse aspecto de sua relação com a empresa. Conseqüentemente, maior a satisfação do trabalhador com o ambiente de trabalho. As condições ambientais, no entanto, não são suficientes para induzir o estado de motivação para o trabalho. Para que haja motivação, de acordo com Herberg, é preciso que a pessoa esteja sintonizada com seu trabalho, que enxergue nele a possibilidade de exercitar suas habilidades ou desenvolver suas aptidões. Ou seja, apenas o trabalho em si e seu conteúdo produzem motivação para o trabalho. 1 Frederick Herzberg: seus estudos básicos foram em Psicologia, dedicando-se ao estudo da saúde mental no mundo industrial e, mais especificamente, à motivação humana nas situações de trabalhos. Consultor conhecido em mais de 30 países, especialmente por sua teoria sobre higiene-motivação. 24 Segundo Herzberg, satisfação e insatisfação não são pólos opostos do mesmo continuum, mas duas dimensões diferentes, conforme mostra a Figura 5. PRESENÇA DE AUSÊNCIA DE FATORES FATORES MOTIVACIONAIS MOTIVACIONAIS SATISFAÇÃO NÃO-SATISFAÇÃO INSATISFAÇÃO NÃO-INSATISFAÇÃO AUSÊNCIA DE PRESENÇA DE FATORES FATORES HIGIÊNICOS HIGIÊNICOS Figura 5 – Satisfação e Insatisfação, segundo Herzberg. Fonte: Adaptado de MAXIMIANO (2006) A teoria dos dois fatores consolidou o princípio de que motivação vem do trabalho e não do ambiente. A teoria explica, por exemplo, porque certos profissionais dão mais importância à atividade que realizam do que a possíveis vantagens materiais que ela possa trazer. Os estudos de Herberg, conforme explicam Caravantes et al (2005), levaram à conclusão de que os fatores que influíam na produção de satisfação profissional eram desligados e distintos dos fatores que levavam à insatisfação profissional. Assim, nas palavras de Herzberg,o oposto de satisfação profissional não seria a insatisfação, mas, sim, nenhuma satisfação profissional e, da mesma maneira, o oposto de insatisfação seria nenhuma insatisfação profissional e não a satisfação. Você sabia que, de acordo com Herzberg, o ambiente de trabalho produz satisfação ou insatisfação com o próprio ambiente, mas não motivação para o trabalho. Continue a leitura para entender essa afirmação. Sabe por quê? 25 1.4.1.3 Teoria X e Y de McGregor Douglas McGregor desenvolveu as Teorias X e Y para comparar dois estilos opostos e antagônicos de gerenciamento que impactam no tipo de liderança e na motivação no ambiente de trabalho. Como explicam Maximiano (2006), Megginson et al (1998), Caravantes et al (2005) e Chiavenatto (2006), ao estilo tradicional e mecanicista, McGregor atribuiu o nome de Teoria X, e o estilo baseado no comportamento humano, denominou-se Teoria Y. Os mesmos autores ressaltam os seguintes pressupostos (Figura 6) para os dois tipos de administração: Pressupostos da Teoria X Pressupostos da Teoria Y O ser humano comum tem aversão ao trabalho e o evitará ao máximo. O dispêndio de esforço físico e mental no trabalho é tão natural como a diversão ou o descanso, e o ser humano médio, nas condições adequadas, aprende não só a aceitar, mas a procurar responsabilidade. Por causa dessa característica, a maioria das pessoas deve ser coagida, controlada, dirigida ou ameaçada com punição, para ser levada a fazer esforço necessário para atingir os objetivos organizacionais. As pessoas irão exercer autodireção e autocontrole para atingir os objetivos estabelecidos. O ser humano médio prefere ser dirigido, quer evitar responsabilidade,tem relativamente pouca ambição e deseja, acima de tudo, segurança. A capacidade de usar alto grau de imaginação, engenhosidade e criatividade na resolução dos problemas organizacionais está amplamente distribuída pela população, e o potencial intelectual do ser humano só é utilizado parcialmente dentro das condições da vida industrial moderna. Figura 6 – Os pressupostos das Teorias X e Y de McGregor Fonte: Adaptado de CARAVANTES et al (2006) Estamos novamente merecendo uma parada! Que tal dar aquele telefonema que está deixando para depois desde que iniciamos esta parte? É hora de produzir! Faça um texto de uma página, mostrando a importância dos estudos sobre a motivação humana em ambiente de trabalho. Você já havia observado que as pessoas precisam de motivação? Como administrar, considerando-se esse fato? Terminado o texto, anexo-o à plataforma para o seu orientador acadêmico. 26 Continuando.... Vamos agora conhecer um pouco do que significa a Liderança no contexto das organizações! 1.5 Liderança A capacidade de liderar é importante em todos os tipos de organizações e, por isso, a liderança recebe grande atenção dentro do enfoque comportamental na administração. As pessoas, muitas vezes, confundem Liderança com Administração. Megginson et al (1998) enfatizam que Administração abrange muito mais, pois, apesar de a liderança fazer parte dela, inclui também o desempenho de outras funções: planejamento, organização e controle. Liderança, na concepção de Maximiano (2006) é a realização de metas por meio da direção de colaboradores. A pessoa que comanda com sucesso seus colaboradores para alcançar finalidades específicas é líder. Um grande líder tem essa capacidade dia após dia, ano após ano, em uma grande variedade de situações. 1.5.1 Consentimento Um elemento importante em qualquer definição de liderança é o consentimento dos liderados. (MAXIMIANO 2006) Importante destacar a dificuldade de dizer se o consentimento é produto das convicções dos liderados ou das habilidades de persuasão do líder. Só há liderança quando os liderados seguem o líder espontaneamente. A idéia do consentimento exclui a coerção como base da liderança. Você acredita que é possível liderar sem o consentimento dos liderados? E o que é Liderança? 27 A liderança ocorre quando há identidade entre a proposta do líder e a recompensa esperada pelo grupo, ou o problema que o grupo precisa resolver. Essa identidade cria no grupo a disposição (ou motivação) para fazer o que o líder propõe. A liderança é um fenômeno localizado no tempo e no espaço. O líder que é venerado em uma localidade pode ser (e freqüentemente é) detestado em outra. A liderança também pode desaparecer quando desaparecem as circunstâncias que a sustentam ou justificam. 1.5.2 Classificação dos Líderes Um líder tem de trabalhar de forma eficaz com muitas pessoas, incluindo superiores, colegas, subordinados e grupos externos. As qualidades de liderança, todavia, surgem especialmente no relacionamento do administrador com os subordinados. Segundo Megginson et al (1998), há duas maneiras de classificarem líderes ou estilos de liderança: (1) a abordagem usada e (2) a orientação para conseguir que o trabalho seja feito. (1) Abordagem usada: uma forma simples de estudar liderança que define três abordagens básicas usadas pelos líderes, que são a autocrática, democrática e laissez-faire. Os líderes autocráticos, chamados de autoritários, tomam todas as decisões, em vez de permitir a seus seguidores que participem delas. Esses líderes são muitas vezes, comparados com um instrutor militar ou sargento. Os líderes democráticos ou participativos envolvem bastante os seguidores no processo de decisão. Usam o envolvimento grupal para estabelecer e determinar as funções dos cargos. Os líderes de tipo laissez-faire ou liberais são frouxos e permissivos e deixam os seguidores fazerem o que querem. Não é interessante saber que há uma classificação para os líderes? Ou seja, há diferentes posturas para diferentes momentos. É o que vamos conhecer agora. 28 (2) Orientação para o trabalho: essa forma de classificação se dá pelo exame das atitudes dos líderes na realização de um trabalho. Alguns dão ênfase à tarefa, outros enfatizam os seguidores e subordinados ou os dois juntos. Líderes orientados para tarefas ou para a produção: focalizam o trabalho a ser feito. Dão ênfase ao planejamento, programação e processamento do trabalho, e exercem controle cerrado de qualidade. Líderes orientados para pessoas ou empregados: focalizam o bem-estar e os sentimentos dos seguidores, têm confiança em si e uma forte necessidade de desenvolver e dar poder aos membros de seus grupos. 1.5.3 Teorias de Liderança a) Teoria dos traços De acordo com a teoria dos traços, os líderes têm certos traços ou características que os fazem sobressair dos seguidores. Incluem: altura, energia, aparência, conhecimento e inteligência, imaginação, autoconfiança, integridade, fluência no uso da palavra, equilíbrio e controle mental e emocional, sociabilidade e simpatia, disposição, entusiasmo e coragem. A maioria da pesquisa inicial sobre liderança tentava: (1) comparar traços das pessoas que se tornaram líderes com os dos seguidores e (2) identificar as características e traços dos líderes eficazes. A suposição subjacente dos pesquisadores dos traços parece ter sido que os líderes nascem, não são feitos. Um dos primeiros pesquisadores foi Ralfh Stogdil, que descobriu vários traços relacionados à liderança eficaz. Esses incluem habilidade pessoal e interpessoal, habilidade técnica, habilidade administrativa e liderança eficaz. Os estudos que comparavam os traços dos líderes e dos não-líderes muitas vezes chegavam à conclusão de que os primeiros tendiam a ser mais inteligentes, um pouco mais altos, mais extrovertidos e mais autoconfiantes do que os outros e tinham maior necessidade de poder. Porém, não se chegou a uma combinação específica de traços que distinguissem o líder, ou o líder em potencial, dos seguidores. Não é um dado importante para se compreender a questão da liderança? O que você acha? É importante salientar a existência das seguintes teorias e pesquisas sobre liderança: a teoria dos traços, a teoria comportamental e teoria da contingência-situação. Vamos conhecê-las? 29 Outro pesquisador, Edwin Ghiselli, descobriu certas características que parecem ser importantes para uma liderança eficaz: capacidade de supervisão, necessidade de realização ocupacional, inteligência, decisão, confiança em si e iniciativa. b) Teorias comportamentais As teorias comportamentais dão ênfase às relações humanas, ao lado de produtividade e desempenho. Conforme mostrado em páginas anteriores, o teórico Douglas McGregor, acreditava que as estratégias de liderança são influenciadas pelos pressupostos do líder a respeito da natureza humana, resumidos em dois conjuntos diferentes: a Teoria X e a Teoria Y. Certamente um líder que apóie a Teoria X iria preferir um estilo autocrático; enquanto que, se apoiasse as suposições da Teoria Y, iria preferir um estilo mais participativo. No mundo contemporâneo, dá-se muita importância aos seguidores e ao reconhecimento, como sendo correta a idéia de McGregor - segundo a qual o talento se distribui a todos os empregados e não se restringe a administradores ou profissionais. c) Teorias da contingência-situação As teorias da contingência-situação prescrevem que o estilo a ser usado depende de fatores tais como a situação, a pessoa,a tarefa, a organização e outras variáveis ambientais. As teorias da contingência mais populares são: (1) o contínuo de liderança de Tannenbaum e Schmidt e (2) a teoria do ciclo de vida de Hersey e Blanchard. (1) O contínuo de liderança de Tannenbaum e Schimidt O contínuo de liderança se baseia na lei de situação de Mary Parker Follet, que declara haver vários caminhos alternativos que os administradores podem seguir ao lidar com pessoas. Portanto, ao tomar decisões de liderança, os administradores devem levar em conta as forças em si mesmos, nos subordinados e na situação, que são inter- relacionadas e interatuantes. O que poderia ser contingência-situação em ambiente organizacional? Você tem idéia? Como poderia explicar tal teoria? 30 (2) A teoria do Ciclo de Vida de Hersey e Blanchard A teoria do ciclo de vida baseia-se, em grande parte, nas pesquisas anteriores sobre liderança. Hersey e Blanchard usam uma abordagem da situação, com uma diferença primordial: enfatizam o uso pelo líder de um estilo adaptativo, dependendo do diagnóstico que fazem da situação. O conceito básico da teoria do ciclo de vida é: as estratégias e o comportamento do líder devem estar de acordo com a situação, baseando-se, principalmente, na maturidade ou imaturidade dos seguidores e na natureza da tarefa. Comportamento da tarefa é o grau em que os líderes organizam e definem os papéis de seus seguidores, para explicar as tarefas que cada um deve realizar, e também quando, onde e como farão. Comportamento do relacionamento trata dos relacionamentos pessoais do líder com indivíduos ou membros de seu grupo. Envolve o grau de apoio pelo líder e a extensão em que este realiza comunicação interpessoal e comportamento facilitador. Quanto à teoria na prática, Hersey e Blanchard apoiados em Megginson et al 1998, usaram o exemplo do relacionamento dos pais com os filhos para ilustrar: Poderão surgir conseqüências negativas se os pais usarem só um estilo de liderança durante os anos de desenvolvimento dos filhos. Por exemplo, os filhos podem fugir de casa ou apresentar comportamento rebelde ou anti- social se os pais usarem só uma liderança diretiva (alto grau de tarefa e baixo relacionamento). O ponto em que os filhos provavelmente irão se rebelar será no início da juventude. Por outro lado, se os pais usam principalmente um estilo permissivo, o resultado é, freqüentemente, ter crianças que são chamadas de “mimadas”, não aceitando regras ou o direito dos outros. A chave é usar um estilo mais diretivo nos primeiros anos e à medida que a criança (empregado) amadurece, usar menos direção e controle. Um ponto essencial a lembrar, tanto no ambiente familiar como no trabalho, é que os líderes e administradores devem alterar as estratégias de acordo com as circunstâncias. Das várias teorias de liderança, provavelmente, a abordagem contingência- situação é a que melhor explica o que é preciso para uma liderança eficaz na administração, pois o ambiente é mutável e, cada vez mais, torna-se instável e imprevisível. 31 PALMAS para você! Mais uma unidade foi estudada e é hora de dar aquela parada! Inicialmente, convidamos você a alongar-se... E então, ficou claro o sentido de contingência-situação? Dê um exemplo e o coloque no fórum. Estamos nos caminhando para a Unidade 2. Prepare-se e boa viagem! Para conhecer o seu nível de aprendizagem, responda as questões do caderno de atividades e verifique o quanto acertou. Ver filme – Mestre dos Mares 33 PLANEJAMENTO E PROCESSO ADMINISTRATIVO Objetivos: apresentar as abordagens modernas da Administração (sistêmica, tecnológica e contingencial), explicando os princípios e a importância nas organizações influenciadas por forças externas (política, economia, sociedade); explicar os fundamentos do planejamento estratégico nas organizações, tais como os objetivos, estratégias e métodos de controle; mostrar o processo da Administração Participativa e seu impacto no envolvimento das pessoas e nos resultados. UNIDADE 2 35 Car@ Estudante de Administração, Estamos iniciando a Unidade 2 que vai tratar do planejamento e do processo administrativo. Vamos conhecer mais a fundo sobre complexidade e pensamento sistêmico. Você saberia dizer o que é exatamente a complexidade e o pensamento sistêmico? Se não sabe, não tem problema, pois vamos saber muito já, já! Vamos “passear” pela teoria geral dos sistemas, observaremos as organizações como sistemas, contemplaremos os tipos de sistemas e o papel do homem na Teoria Geral dos Sistemas. Então, rumo à complexidade! 2.1 A Complexidade nas Organizações Complexidade é a condição normal que as organizações e os administradores enfrentam. Quanto maior o número de problemas e variáveis, mais complexa é a situação. Maximiano (2006) define complexidade como a palavra que indica o grande número de problemas e variáveis presentes em uma situação. A sociedade contemporânea tem grandes problemas urbanos e rurais, catástrofes naturais, esgotamento de recursos ecológicos, transportes, educação, saúde, moradia, falta de emprego, pobreza, violência, criminalidade, corrupção, tecnologia etc. Assim, a complexidade está presente na administração, seja de entidades públicas ou privadas, nos três setores – primário (Estado), secundário (Empresas) e terciário (Entidades privadas sem fins lucrativos). Além desses fatores, mesmo dentro das organizações, a interdependência é a palavra da vez: cada vez mais as empresas são plurais, resultantes da interação e cooperação de diversas outras organizações. O enfoque sistêmico possibilita visualizar a interação entre os elementos que compõem e totalizam conjuntos complexos, como uma organização. Gerenciar com foco na totalidade é uma habilidade do administrador, pois terá que considerar Exemplos concretos da complexidade do mundo dos negócios e da valorização do pensamento sistêmico são as redes de empresas como as franquias, a cadeia de suprimento e distribuição (fornecedores de matéria- prima, fabricantes, atacadista e distribuidores, agentes, varejistas), as fusões, os grupos empresariais e a integração de setores (primário, secundário e terciário). 36 diversos aspectos como a produção, o limite de tempo, o comportamento das pessoas, os prazos estabelecidos pelos clientes e fornecedores, entre outros. Tente formular um texto de meia página, explicando o que é complexidade no mundo dos negócios e encaminhe ao fórum. Compartilhe o seu saber e busque o saber de seus colegas! O aprendizado é construído paulatinamente, não há magia, o que há é trabalho, dedicação e vontade. Por isso mesmo, não nos cansamos de lhe parabenizar pelo seu atento acompanhamento a esta disciplina! Continuando a viagem.... Lembre-se de que paisagens já vistas podem ser revistas, revisitadas... Não tema ler e reler tudo o que foi lido até aqui para agregar conhecimento ao novo. Para realmente sedimentar a competência que você deverá ter para ser um@ Administrador@ de sucesso! 2.2 Enfoque Sistêmico Para se compreenderem os problemas complexos e procurar solucioná-los é importante que se analise o sistema, com suas várias partes interdependentes. Este tópico aborda o conceito e princípios do sistema, a estrutura dos sistemas, os tipos de sistemas, as bases do pensamento sistêmico e suas aplicações. 2.2.1 Conceito, princípios e tipos de sistema Para Caravantes et al (2005), um sistema é qualquerentidade, conceitual ou física, composta de partes inter-relacionadas, interatuantes ou interdependentes, dotada de um objetivo. Assim, em um sistema têm-se as partes (ou elementos, ou componentes), a relação (ou interação) e a entrada de novos integrantes. Tendo finalizado esse item você poderia dizer que compreendeu o que é complexidade? Caso queira aprofundar-se, busque a referência bibliográfica. 37 Muitos sistemas são formados por uma combinação de elementos físicos e abstratos. Em alguns sistemas, predomina um tipo de componente. Os computadores, por exemplo, têm os dois tipos – a parte física (teclado, CPU, mouse etc.) e a parte abstrata (os softwares ou programas). 2.2.2 Estrutura dos sistemas Qualquer sistema pode ser representado como conjunto de elementos ou componentes interdependentes, que se organizam em três partes: entradas, processo e saída (Figura 7). (CHIAVENATTO 2006, MAXIMIANO 2005, CARAVANTES et al 2005, MEGGINSON et al 1998) Figura 7 – Elementos de um sistema Fonte: Adaptado de MAXIMIANO (2006) Entradas As entradas (inputs) compreendem os elementos ou recursos físicos e abstratos de que o sistema é feito, incluindo todas as influências e recursos recebidos do meio ambiente. Processos Todo sistema é dinâmico e tem processos que interligam e transformam os elementos de entrada em resultados. Todas as organizações usam pessoas, dinheiro, materiais e informação, mas um banco é diferente de um exército e os dois de uma escola e esses três de um hospital, devido às diferenças nos processos internos e nos Você saberia citar outros exemplos de sistemas? Faça isso! 38 resultados de cada um. São diferentes: a tecnologia, as normas e regulamentos, a cultura e os produtos e serviços que cada um produz. Saídas As saídas (outputs) são os resultados do sistema, os objetivos que o sistema pretende atingir ou efetivamente atinge. Feedback Feedback (palavra que significa retorno da informação, efeito retroativo ou retroalimentação) é o que ocorre quando a energia, informação ou saída de um sistema retorna. O mesmo reforça ou modifica o comportamento do sistema. Caravantes et al (2005) e Chiavenatto (2006) ainda trazem outros elementos na estrutura dos sistemas, como a entropia e homeostase. Entropia É a tendência que têm os organismos, quaisquer que sejam, no sentido da desagregação. Em um sistema biológico ou social (aberto), a entropia pode ser interrompida, transformando-se no que chamamos de entropia negativa, ou homeostase. Nesse caso, o sistema pode buscar novos rumos no ambiente externo e se desenvolver. Homeostase É o oposto da entropia. No organismo humano, o processo homeostático se faz presente, automaticamente, sempre que há um distúrbio no sistema. Assim, sempre que um fator de perturbação (doença) atinge o sistema, o organismo tende a gerar anticorpos, de forma a reequilibrar o sistema. 2.2.3 Bases do Enfoque Sistêmico na Administração A mudança é provavelmente o fator crítico que afeta tanto a vida dos indivíduos como as operações de uma empresa. Megginson et al (1998) enfatizam que “os que se adaptam sobrevivem; os que não se adaptam ficam estagnados e podem até E nas organizações, você acredita que o reequilíbrio é automático? Justifique. Está claro para você o que é feedback? Dê um exemplo. 39 morrer. A estabilidade relativa nos anos 50 foi destruída pelo ativismo dos anos 60. A administração de organizações descobriu que o ambiente social, político e legal influenciavam quase todas as decisões”. Dessa forma, as antigas abordagens já não funcionam mais. O ambiente estável e previsível de ontem já não existe mais, o que coloca a organização em um contexto complexo, exigindo uma atuação mais sistêmica do administrador, contextualizando todas as forças internas e externas que afetam as decisões organizacionais. O enfoque sistêmico oferece ao administrador uma visão integrada das organizações e do processo administrativo. O enfoque sistêmico é também uma ferramenta para planejar e montar sistemas que produzam resultados, conforme explica Maximiano (2006). Assim, no planejamento estratégico e nas demais funções da administração, como a organização, a liderança e o controle, é fundamental que o administrador identifique o processo como sistema, pois a empresa não é formada de partes isoladas. Esta recebe influência interna, como das áreas (marketing, recursos humanos, finanças, produção, logística, compras), das pessoas, da tecnologia, e também da parte externa (economia, política, leis, meio ambiente, tecnologia, concorrência, sociedade e cultura). Em 1918, Mary Parker Follett já falava na necessidade de os administradores considerarem a “situação total”. Essa pioneira imaginava um modelo holístico de gerência, que incluía não apenas os indivíduos e os grupos, mas também os efeitos de fatores ambientais, como política, economia e biologia. As características principais da abordagem, segundo Chiavenatto (2006), são a dinamicidade, a multidimensionalidade, a adaptabilidade, a visão sistêmica, a multidisciplinaridade (sociologia, psicologia, economia, ecologia, pesquisa operacional) e o probabilismo (explicadas em termos preditivos e não com absoluta certeza). Saiba que a idéia de sistema vem dos antigos gregos, mas o moderno enfoque sistêmico começou a se formar na mesma época em que os pioneiros lançavam as fundações da administração científica do processo administrativo e da qualidade total. 40 As mais importantes linhas de pensamento que convergiram para o moderno enfoque sistêmico são: a teoria da forma, a cibernética e a teoria geral dos sistemas (Figura 8). TEORIA AUTOR PRINCIPAIS IDÉIAS GESTALT WERTHEIMER O todo é maior que a soma das partes. As propriedades das partes são definidas pelo todo a que pertencem. CIBERNÉTICA WEINER A informação é a base do controle de sistemas. O autocontrole de um sistema depende de informações sobre seu objetivo e sobre seu próprio desempenho. TEORIA GERAL DOS SISTEMAS VON BERTALANFFY O desempenho de qualquer componente depende do sistema em que se insere. É necessário usar uma abordagem holística ou sistêmica para lidar com a complexidade dos todos. Figura 8 – Principais teorias associadas ao moderno enfoque sistêmico Fonte: Adaptado de MAXIMIANO (2006) 2.2.3.1 Teoria da Forma (Gestalt) Como afirma Maximiano (2006) Max Wertheimer e outros psicólogos alemães desenvolveram o conceito de Gestalt (teoria da forma), num trabalho que se estendeu de 1912 a 1940,. Ele desenvolveu a teoria da forma segundo a idéia de que as pessoas enxergam os objetos e os fenômenos em seu conjunto. De acordo com a teoria da Gestalt, a natureza de cada elemento de um conjunto é definida pela estrutura e pela finalidade desse mesmo conjunto. Assim, cada tecla de um teclado é interpretada como parte deste, não como peça isolada. Nós analisamos o objeto, por exemplo, de forma sistêmica, como um conjunto único que tem uma finalidade, e não como conjunto de elementos independentes que necessitam ser interpretados um a um. A teoria da forma explica certos fenômenos do aprendizado, porque reconhecem o formato e não pela interpretação das sílabas, bem como da percepção que as pessoas têm dos objetos à sua volta. A teoria da forma é uma explicação sobre a maneira como as pessoas percebem o mundo dos objetos e eventos. No marketing, por exemplo, no gerenciamento de produtos, marcas e embalagens, é possível trabalhar com a visão e percepção,a partir da forma dos produtos. Crianças novas são capazes de “ler” a palavra Coca-cola, porque reconhecem o formato. 41 www.cocacola.com.br 2.2.3.2 Cibernética Nos anos 1940, o matemático americano Norbert Wiener participou do projeto de desenvolvimento de mísseis autocontrolados, que deram origem aos mísseis inteligentes e a muitos sistemas automáticos da atualidade. Ele procurou estudar a máquina comparando-a a um organismo vivo. Para designar esse novo campo da ciência, que busca encontrar elementos comuns no funcionamento das máquinas e do sistema nervoso humano, Wiener utilizou a palavra cibernética. A idéia central da cibernética é o autocontrole dos sistemas, visando ao alcance de um objetivo. Segundo Chiavenatto (2006), a cibernética é a ciência da comunicação e do controle no animal (homem, seres vivos) e na máquina. A comunicação torna os sistemas integrados e coerentes, e o controle regula o seu comportamento. O autocontrole dos sistemas por meio da informação está ligado à idéia de equilíbrio dinâmico (o equilíbrio entre o sistema e seu objetivo), que passou da cibernética para o campo da administração. A principal aplicação desta idéia é o conceito de que todo sistema deve ser autocontrolado por meio de algum fluxo de informação que lhe permita o seu pleno funcionamento. 2.2.3.3 Teoria geral dos sistemas A abordagem estruturalista pode ser considerada um primeiro esforço na busca de integrar abordagens que se concentravam em áreas específicas, como a abordagem clássica e as das Relações Humanas. Mas é na Teoria Geral dos Sistemas (TGS), conforme explicam Caravantes et al (2005), que encontraremos um esquema teórico Saiba que a Gestalt, em outras palavras, conduz a um raciocínio integrativo, que considera qualquer objeto, evento ou sistema. 42 maduro, capaz de propiciar as condições básicas para a integração sonhada pelos teóricos organizacionais. O fato histórico que reverteu o processo unidirecional da especialização foi a Segunda Guerra Mundial, que exigiu a formação de equipes interdisciplinares, com especialistas de áreas diversas, para equacionar e solucionar os problemas complexos surgidos. Após a Segunda Guerra, tivemos vários acontecimentos como a crise do petróleo (década de 70), o fim da Guerra Fria, entre 1989 e 1991, e a intensificação do processo de globalização nos anos 80, que exigiram uma visão sistêmica dos administradores na solução dos problemas, no gerenciamento e processo decisório. A teoria geral dos sistemas foi desenvolvida pelo cientista alemão Ludwig von Bertalanffy e tem como objetivos: classificar os sistemas, segundo a maneira como seus componentes se organizam e identificar as “leis” ou padrões característicos de comportamento de cada categoria de sistemas. Bertalanffy formulou as duas idéias básicas de sua teoria geral dos sistemas: interdependência das partes e tratamento complexo da realidade complexa. (MAXIMIANO 2006, MEGGINSON et al 1998, CARAVANTES et al 2005, CHIAVENATTO 2006). I. Interdependência das partes É preciso analisar não apenas os elementos, mas também suas inter-relações. A teoria geral dos sistemas é a exploração científica de “todos” e “totalidades”. As empresas também são sistemas compostos de diversas partes ou áreas (marketing, produção, recursos humanos, finanças) e também de outros sistemas como o técnico (formado por recursos e componentes físicos e abstratos, como objetivos, divisão do trabalho, tecnologia, duração das tarefas, instalações, procedimentos), e o social (formado por todas as manifestações do comportamento dos indivíduos e dos grupos como as relações sociais, grupos informais, cultura, clima, atitudes, crenças, e motivação). II. Tratamento complexo da realidade complexa Segundo Bertanlanffy, a tecnologia e a sociedade, hoje em dia, tornaram-se tão complexas que as soluções tradicionais não são mais suficientes. É necessário utilizar abordagens de natureza holística ou sistêmica, generalistas ou interdisciplinares. 43 De acordo com o mesmo autor, a teoria dos sistemas é a reorientação do pensamento e da visão do mundo, a partir da introdução dos sistemas como paradigma científico, que contrasta com o paradigma analítico, mecânico e linear de causa e efeito da ciência clássica. 2.2.4 O “Homem Funcional” A Teoria Geral dos Sistemas utiliza o conceito de “homem funcional”, em contraste com o conceito de “homem econômico”, da Teoria Clássica, do “homem social”, da Teoria das Relações Humanas, do “homem organizacional”, da Teoria Estruturalista e do “homem administrativo”, da Teoria Comportamental (ou behaviorista). O indivíduo, conforme explica Chiavenatto (2006), comporta-se, desempenhando um papel específico nas organizações, inter-relacionando-se com os demais indivíduos como um sistema aberto. Essa interação altera ou reforça o papel. 2.2.4.1 Sistemas Abertos e Fechados Os sistemas podem ser abertos ou fechados. (MAXIMIANO 2006, MEGGINSON et al 1998, CARAVANTES et al 2005, CHIAVENATTO 2006). Um sistema fechado não interage com o ambiente externo e, portanto, não é influenciado pelo que está acontecendo nesse ambiente. Exemplo: motor elétrico movido por bateria. Por outro lado, um sistema aberto, como, por exemplo, uma organização, tende sempre a ter um relacionamento dinâmico com seu ambiente, recebendo vários inputs, transformando-os de alguma forma para chegar ao produto final (outputs). Receber os inputs na forma de material, energia e informação, levando em conta a retroinformação Você sabe por que se denomina de Homem Funcional? E qual seria a diferença entre o Homem Funcional e o Homem Econômico? E então compreendeu a teoria de sistemas? Sabe o que é um sistema e por que é importante o pensamento sistêmico para as organizações? 44 em relação ao produto final, permite ao sistema aberto compensar e evitar o processo de sua estrutura e componentes internos, assim que surge a necessidade. 2.3 Tecnologia da Informação 2.3.1 Evolução histórica Desde a Revolução Industrial, a tecnologia vem influenciando o funcionamento das organizações. A aplicação do vapor como tecnologia de produção, que substituiu o trabalho humano, permitiu o aparecimento de fábricas e indústrias, e não mais a produção artesanal. Nessa época, surge também a máquina a vapor, o que permitiu distribuir em massa os produtos fabricados em locais distantes da industrialização. No final do século XVIII, a invenção da máquina de escrever alterou significativamente o processo produtivo dos escritórios, possibilitando maior agilidade e registro das informações. No final do século XIX, o surgimento do telefone permitiu a expansão e a descentralização das organizações rumo a novos e diferentes mercados, uma vez que a comunicação tornou-se mais rápida e as negociações podiam ser feitas a distância. O navio, o automóvel e o avião proporcionaram uma expansão sem precedentes nos negócios mundiais. Nas Idades Antiga e Média, muitos produtos já eram comercializados em outras regiões distantes, através das Naus (navios), em um acontecimento histórico denominado de Grandes Navegações. Os produtos eram especiarias como canela, cravo, gengibre, pimenta, entre outros. O desenvolvimento tecnológico constituiu a plataforma básica que impulsionou o desenvolvimento das organizações e permitiu a consolidação da globalização, salienta Chiavenatto (2006). Foi a invenção do computador, no entanto, na segunda metade do século XX (a partir de 1945), que permitiu as atuais características deautomação das organizações, como os sistemas de gestão, o controle da máquina por mecanismos digitais, a gestão Qual a importância da Tecnologia da Informação na Administração? 45 do relacionamento com o cliente a partir de banco de dados computadorizados. O computador tem sua origem na Cibernética: o primeiro esforço científico integrado no sentido de reunir diferentes áreas e especialidades da ciência – Matemática, Engenharia, Medicina, Eletrônica, Física, Neurologia etc., para a construção de uma máquina complexa que funcionasse como o cérebro humano. Foi com o computador pessoal (PC), em 1975, que a informação foi levada em larga escala - tanto corporativa, como individual ou doméstica – e à substituição dos antigos centros de processamento de dados corporativos pelas redes corporativas de informação (mainframes). 2.3.2 Sistema de informação Nas empresas, o sistema de informação abrange várias áreas como marketing, produção, finanças, recursos humanos, compras, logística, vendas e, nesse sentido, é importante que o sistema de informação gerencial de cada área seja integrado com os demais, a fim de permitir o gerenciamento das informações de forma adequada, no momento e locais certos. 2.3.2.1 Dado, Informação e Comunicação Há diferença entre dado e informação? E entre ambos e comunicação? Você sabe dizer? Já percebeu o quanto é importante um bom sistema de informação para os negócios e para os países? Saiba que sem o computador, não haveria a possibilidade de administrar grandes organizações com uma variedade significativa de produtos, serviços, processos, materiais e recursos, clientes, fornecedores, parceiros comerciais, funcionários, governo, imprensa, sociedade e outros públicos envolvidos. 46 No mundo contemporâneo, a informação envolve um processo de redução de incerteza, pois é o conhecimento disponível para uso imediato e que permite orientar a ação, ao reduzir a margem de incerteza que cerca as decisões cotidianas. As organizações são bombardeadas de informações de todos os lados e, cada vez mais, se tornam complexas. Assim, o gerenciamento das informações é fundamental para serem tomadas decisões em ambientes instáveis, imprevisíveis e mutáveis. Para esclarecer o significado de dados e informação, citaremos os conceitos definidos por Chiavenatto (2006): Dado: É o registro ou anotação a respeito de um evento ou ocorrência. Um banco de dados é um meio de acumular e armazenar conjuntos de dados para serem posteriormente combinados e processados. Exemplo: número de clientes ativos; volume de vendas em determinado mês. Informação: É um conjunto de dados com significado, ou seja, que reduz a incerteza ou que aumenta o conhecimento a respeito de algo. Exemplo: volume de vendas por cliente para serem tomadas decisões de marketing de relacionamento. E comunicação ocorre, quando a informação é transferida a alguém, sendo também compartilhada por essa pessoa. Para que haja comunicação, é necessário que o destinatário da informação a receba e a compreenda. Exemplo: comunicação de marketing através da propaganda e da publicidade. 2.3.2.2 Teoria da informação e comunicação A teoria da informação surgiu com as pesquisas de Claude E. Shannon e Warren Weaver, no campo da telefonia, em 1949. O sistema de comunicação tratado pela teoria da informação consiste em seis componentes (Figura 9): Figura 9 – Sistema de comunicação Fonte: Adaptado de CHIAVENATTO (2006) Fonte Fonte Transmissor Canal Receptor Destino 47 a) Fonte: pessoa, coisa ou processo que emite ou fornece as mensagens por intermédio do sistema. b) Transmissor: o processo ou equipamento que opera a mensagem, transmitindo- a da fonte ao canal. O transmissor codifica a mensagem fornecida pela fonte para poder transmiti-la. É o caso dos impulsos sonoros (voz humana da fonte) que são transformados e codificados em impulsos elétricos pelo telefone (transmissor) para serem transmitidos para outro telefone (receptor). c) Canal: o equipamento ou espaço intermediário entre o transmissor e o receptor. Exemplos: TV e rádio (antenas), telefone (fios). d) Receptor: processo ou equipamento que recebe a mensagem do canal. O receptor decodifica a mensagem para coloca-la à disposição do destino. É o caso dos impulsos elétricos (canal telefônico) que são transformados e decodificados em impulsos sonoros pelo telefone (receptor), para serem interpretados pelo destino (pessoa que está ouvindo o telefone receptor). e) Destino: pessoa, coisa ou processo a quem é destinada a mensagem no ponto final do sistema de comunicação. f) Ruído: quantidade de perturbações indesejáveis que tendem a deturpar e alterar, de maneira imprevisível as mensagens transmitidas. Uma informação ambígua ou que induz a erro é uma informação que contém ruído. 2.3.3 Informática A informática é a disciplina que lida com o tratamento racional e sistemático da informação por meio automáticos. (CHIAVENATTO 2006) Na realidade, a Informática é a parte da Cibernética que trata das relações entre as coisas e suas características de maneira a representá-las através de suportes de informação. A informática é um dos fundamentos da teoria e dos modelos que fornecem as regras para o tratamento da informação. Mais um item! Parabéns de novo! Você é 10! 48 Tem alguma dúvida a respeito de Tecnologia de Informação? Sabe agora a diferença entre dado, informação e comunicação? Sabe quais são os componentes de um sistema de comunicação? Então, mãos à obra! Responda às questões do Caderno de Atividades referentes a este item e veja o quanto acertou. Compartilhe com o orientador, o especialista e colegas... 2.4 Conseqüências da Informática na Administração As principais conseqüências da Informática na Administração são: automação, sistemas de informação, integração do negócio e e-business. (CHIAVENATTO 2006) 2.4.1 Automação A automação é uma síntese de ultra-mecanização, super-racionalização (melhor combinação dos meios), processamento contínuo e controle automático (pela retroação que alimenta a máquina com o seu próprio produto). Com a automação surgiram sistemas automatizados e fábricas autogeridas. Algumas indústrias químicas e refinarias de petróleo apresentam uma automação quase total. O mesmo ocorre em organizações cujas operações são relativamente estáveis e cíclicas, como centrais elétricas, ferrovias, metrôs etc. Bancos e financeiras estão entre as organizações que mais investem em automação de suas operações, seja em âmbito interno, na administração de produção e recursos humanos, como também externamente, na relação com os clientes e fornecedores. 2.4.2 Sistema de informação gerencial Para melhorar o processo decisório, as organizações criam sistemas específicos de busca, coleta, armazenamento, classificação e tratamento de informações relevantes para seu funcionamento. Tais sistemas são denominados sistemas de informação gerencial (SIG). Quais seriam essas conseqüências? Para você elas são mais positivas ou mais negativas? Por quê? 49 Os sistemas de informação gerencial constituem sistemas computacionais capazes de proporcionar informação como matéria-prima para as decisões a serem tomadas dentro da organização. Os sistemas de informação gerencial constituem uma combinação de sistema de computação, de procedimentos e de pessoas, e têm como base um banco de dados, que nada mais é do que um sistema de arquivos interligados e integrados. 2.4.3 Integração do negócioA passagem do mundo real para o mundo virtual passa pela TI, que proporciona os meios para que as organizações organizem e agilizem seus processos internos, sua logística e seu relacionamento com o ambiente. Integração, conectividade e mobilidade são as palavras de ordem no mundo atual. A implantação de um sistema integrado de gestão organizacional envolve quatro fases: a. Construir e integrar o sistema interno: integração de softwares de gestão, como o ERP. b. Integrar as entradas: a cadeia integrada de fornecedores. Essa integração exige uma logística de materiais: significa dispor dos produtos no tempo certo, no local exato e na quantidade esperada. O SCM (Supply Chain Management) gerencia e sincroniza toda a cadeia de fornecimento – desde o fornecimento de matéria-prima pelos fornecedores até o usuário final, passando pelos produtores e distribuidores ou intermediários. c. Integrar as saídas: o relacionamento com os clientes. É preciso um atendimento impecável ao cliente através de softwares conhecidos pela sigla CRM (Customer Relationship Management). O objetivo é a fidelização do cliente. No atual cenário competitivo, a tecnologia é o fator diferencial. d. Integrar o sistema interno com as entradas e saídas. 2.4.4 E-business São os negócios virtuais feitos através da mídia eletrônica, que recebe o nome de Web (Wide World Web). Envolve compras e vendas eletrônicas, parcerias, redes estratégicas, logística virtual, produção sob medida, entre outros. 50 2.5 Teoria da Contingência Neste tópico, vamos explicar como surgiu a abordagem contingencial, seu conceito e importância para a ciência da administração, e principais características. 2.5.1 Conceito e Objetivos da Teoria da Contingência Chiavenatto (1997) diz que a palavra contingência significa algo incerto ou eventual, que pode se suceder ou não. A abordagem contingencial salienta que não se atingem os objetivos de forma eficaz, seguindo-se um único modelo ou diretriz, ou forma pré-estabelecida para todas as circunstâncias, mas, sim, através de diversas variáveis internas e externas. Outro aspecto que sintetiza os pressupostos da Teoria da Contingência é que ela recebe contribuição das várias outras teorias, como a Administração Científica, Teoria Clássica, Teoria das Relações Humanas, Teoria da Burocracia, Teoria Estruturalista, Teoria Neoclássica, Teoria Comportamental e Teoria de Sistemas. O que vai determinar qual a melhor será o momento, a circunstância atual, ou seja, não existe uma melhor ou pior, e, sim, a que é mais adequada para os objetivos que se quer alcançar no momento. Stoner & Freeman (1999) conceituam abordagem contingencial como a concepção de que a técnica de administração que melhor contribui para o alcance dos objetivos organizacionais pode variar em situações ou circunstâncias diferentes. Com essa relatividade, a Teoria da Contingência se torna flexível, conseqüentemente, mais adaptável às mudanças rápidas que acontecem no mundo dos Você sabia que o princípio geral da teoria da contingência é: “nada é, mas tudo pode ser”? Explique com suas palavras o que significa um sistema de informação gerencial para a organização moderna. Ao finalizar, envie a seu orientador. Ouça sua música preferida e vamos caminhar mais um pouco pela Teoria! 51 negócios e na ciência da administração. A mesma combina os aspectos mais positivos das outras abordagens, como ressaltam Megginson et al (1998), a abordagem da contingência teoricamente afirma que condições e situações diferentes exigem a aplicação de técnicas diferentes de administração. Assim, não há verdades, conceitos ou princípios universais que possam ser aplicados em todos os casos. Em vez disso, cada situação, na empresa, deve ser abordada com uma atitude de: “isto depende”. 2.5.2 Origens da Teoria da Contingência As origens da Teoria da Contingência são explicadas por meio de uma série de pesquisas para explicar as formas de estruturas organizacionais mais eficazes em certos tipos de empresas. As pesquisas foram desenvolvidas por Chandler, Burns & Stalker, Lawrence e Lorsch, Joan Woodward. A pesquisa de Chandler, de 1962, realizou uma série de investigações históricas sobre as mudanças estruturais de grandes organizações, relacionando-as com a estratégia de negócios. Sua conclusão é que, na história industrial, a estrutura organizacional das empresas americanas foi sendo gradativamente determinada pela sua estratégia mercadológica. A pesquisa de Burns e Stalker, realizada em 20 indústrias inglesas em 1961, procurou verificar a relação existente entre as práticas administrativas e o ambiente externo das indústrias. Eles classificaram as indústrias pesquisadas em dois tipos: organizações “mecanicistas”, com características clássicas, como estrutura burocrática, minuciosa divisão do trabalho, hierarquia rígida, especialidade, interação vertical, procedimentos formais; “orgânicas”, fundamentadas em pressupostos como estruturas flexíveis, pouca divisão do trabalho, predomínio da interação lateral, maior confiança nas comunicações, ênfase nos princípios da Teoria das Relações Humanas. A pesquisa de Lawrence e Lorsch, realizada em 1972, foi a que mais repercutiu para o aparecimento da Teoria da Contingência. Aliás, esta expressão resultou dessa pesquisa. Preocupados com as características que devem ter as empresas para enfrentar com eficiência as diferentes condições externas, tecnológicas e de mercado, fizeram A partir da consciência de que “tudo depende” você imagina qual a origem da teoria contingencial? Pois vamos saber já! 52 uma pesquisa comparando dez empresas em três diferentes segmentos industriais – plásticos, alimentos empacotados e recipientes. Concluíram que os problemas organizacionais básicos são a diferenciação e integração. Estes pesquisadores definiram que a Teoria da Contingência procura explicar que não há nada de absoluto nos princípios de organização. Os aspectos universais e normativos devem ser substituídos pelo critério de ajuste entre organização e ambiente, e tecnologia. A pesquisa de Joan Woodward, realizada em 1958, em 100 firmas de diferentes tipos de negócios, de tamanhos diferentes, objetivou saber se os princípios de administração propostos pelas várias teorias administrativas correlacionavam-se com êxito do negócio quando postos em prática. As principais conclusões foram: o desenho organizacional é profundamente afetado pela tecnologia utilizada pela organização; há uma forte correlação entre estrutura organizacional e previsibilidade das técnicas de produção; as empresas com operações estáveis necessitam de estruturas diferentes daquelas organizações com tecnologia mutável; a importância de vendas, produção ou engenharia, na empresa, depende da tecnologia específica empregada. 2.5.3 Características da Teoria da Contingência A Teoria da Contingência, de forma resumida tem as seguintes características: • O ambiente é dividido em ambiente geral – condições legais, tecnológicas, culturais, políticas, econômicas, demográficas, ecológicas; e ambiente de tarefa: fornecedores, clientes, concorrentes e entidades reguladoras. • As organizações têm os seguintes níveis: institucional ou estratégico, intermediário e operacional. • O arranjo organizacional: sistemas abertos. • Abordagem do desenho organizacional: estrutura organizacional matricial. • Dimensão do homem: complexidade. Um homem como um sistema complexo de valores, percepções, características e necessidades pessoais (Figura 10). Está percebendo que é resultado de muita pesquisa uma nova teoria?Compreende que nenhum conhecimento “aparece”? Mas que é preciso muito trabalho, dedicação e seriedade? Pois é, essa é a nossa possibilidade, pesquisar e ampliar o conhecimento disponível na nossa área. 53 • Modelo de motivação: expectativas, recompensas, relações entre expectativas e recompensas. • Há uma integração ao invés da diferenciação. Na diferenciação, a organização divide seu trabalho em departamentos, cada qual desempenhando uma tarefa especializada para um contexto ambiental também especializado. Cada departamento reage à parte do ambiente que é relevante para sua própria tarefa. A integração refere-se ao processo oposto à diferenciação e é gerado por pressões vindas do ambiente da organização, no sentido de obter unidade de esforços e coordenação entre os vários departamentos. (CHIAVENATTO 2006). Figura 10 – O Homem Complexo Fonte: Adaptado de CHIAVENATTO (2006) 2.6 Planejamento Estratégico Este item aborda o planejamento estratégico, contextualizando o histórico, a estratégia, a administração estratégica, o mercado e produtos, vantagens competitivas, participação de mercado, a análise ambiental e os passos do plano estratégico e, ainda as áreas funcionais. Homem Complexo Homem Econômico Administração Científica Homem Social Teorias das Relações Humanas Homem Organizacional Teoria Estruturalista Homem Administrativo Teoria Comportamental Homem Funcional Teoria dos Sistemas 54 2.6.1 Evolução do planejamento A idéia do planejamento remonta à Antiguidade e tem sido praticado desde que as pessoas começaram a pensar no impacto futuro de suas ações no presente. Dessa forma, a essência do planejamento está em focar um objetivo no futuro e escolher as ações adequadas para o alcance das metas. Em construções de muitas das maravilhas do mundo antigo, como as Pirâmides do Egito e a Grande Muralha da China, foi necessário planejamento, bem como outras funções administrativas como a organização e o comando. Com o desenvolvimento das cidades, o planejamento voltado à Administração Pública ganha ênfase, uma vez que para viver em um Estado Social, a presença de um gestor foi fundamental para garantir a ordem e o desenvolvimento da sociedade. Para isso, o planejamento e a liderança se fizeram presentes. Com a Revolução Industrial e o início da produção em massa, nas linhas de montagens, planejar os recursos necessários, baseando-se nos objetivos pré-definidos, tornou-se importante para o atendimento do mercado consumidor e do departamento de produção. Na Administração Científica (Frederick W. Taylor), no início do Século XX, o planejamento possibilitou definir o tempo e o movimento na linha de produção. Em outras palavras, as tarefas e o controle da produtividade, em busca de uma eficiência do processo da fabricação, só foi possível com o plano. Na Escola Clássica (Henry Fayol), o planejamento ganha destaque com as demais funções administrativas, como a organização, a direção, o coordenação e o controle. São funções interdependentes e complementares na ciência da Administração. A partir da Segunda Guerra Mundial, à medida que as organizações se tornaram maiores e mais inter-relacionadas e interdepentendes, recebendo influência dos ambientes externos, de tarefa e interno, contextualizados pelas abordagens Estruturalista e Sistêmica, o planejamento busca, além da definição de objetivos e estratégias, definir a missão organizacional e, principalmente, a análise dos pontos Sabe o que é estratégia? Sabe qual é a diferença entre planejamento empresarial e planejamento estratégico? 55 fortes e fracos, ameaças e oportunidades. Assim, as organizações podem se preparar para concorrer em um mercado capitalista intenso. Nos anos 60, começou a transição do conceito, de política de negócios para planejamento a longo prazo e, daí, para estratégia corporativa e planejamento estratégico, afirma Maximiano (2006). A sigla SWOT passou a ser o símbolo do procedimento básico para o planejamento estratégico, significando: S = pontos fortes (strenghts) W = pontos fracos (weakenesses) O = oportunidades (opportunities) T = ameaças (threats) Nesse novo cenário, as organizações começaram a se descentralizar e se decompor em numerosos setores (Marketing, Recursos Humanos, Produção, Financeiro/ Contábil, Compras, Logística), a se preocupar com o processo decisório, com o tratamento das informações do mercado e dos diversos públicos de interesse, como os funcionários, o governo, a comunidade, os fornecedores, os revendedores, entre outros. Diante disso, o planejamento tornou-se cada vez mais necessário para a existência da organização. A Abordagem Contingencial e a Adhocracia ditam novas normas de administração, sendo elas mais flexíveis e adaptáveis às mudanças ambientais. 2.6.2 Conceito de planejamento estratégico Antes de conceituar planejamento estratégico, faz-se necessário que se defina primeiro, os termos estratégia e planejamento. O conceito de estratégia nasceu das situações de concorrência: guerra, jogos e negócios. É uma palavra herdada dos gregos, que a usavam para designar a arte dos generais. O que se conclui que sua origem é militar. Maximiano (2006, p.289) ancorando-se em Chandler (1962) define estratégia como: A determinação das metas e objetivos básicos e de longo prazo de uma empresa; e a adoção de ações e alocação de recursos necessários para atingir esses objetivos. 56 Por fim, define-se planejamento estratégico: Segundo Megginson et al (1998, p.145), Planejamento estratégico inclui atividades que envolvem a definição da missão da organização, o estabelecimento de seus objetivos e o desenvolvimento de estratégias que possibilitem o sucesso das operações no seu ambiente. Do exposto, o planejamento é a função que dá alicerce para as demais – organização, liderança, controle – pois lida com o futuro da empresa. Para isso, o diagnóstico do ambiente interno e externo e a definição correta do propósito da empresa no mercado transmite ao cliente o valor da organização, nos aspectos administrativos e operacionais e também ética, social e ecologicamente responsável. 2.6.3 Administração estratégica Desde a década de 60 a estratégia vem se estabelecendo como uma disciplina bem definida na área da Administração, não apenas para empresas, mas também para todos os tipos de organização. Fatores como: o crescimento da população, principalmente a urbana, o acirramento da concorrência, o fenômeno da globalização, o desenvolvimento da administração da qualidade total, a exigência do mercado consumidor, a consolidação da democracia em diversos países do mundo como o Brasil em 1985, a Constituição Federal brasileira de 1988, que atribui direitos, mas exigiu deveres das organizações - como o respeito ambiental e social - a consolidação da Internet e da Tecnologia da Informação, entre outros, exigiram uma postura mais estratégica por parte da Administração. No final da década de 70, consolidou-se, então, o conceito de Administração Estratégica, que segundo Maximiano (2006) e Megginson et al (1998), significa: O processo que compreende o planejamento estratégico, a implementação das estratégias e o controle, avaliação e acompanhamento da estratégia. 57 2.6.4 Processo do planejamento estratégico O processo de planejamento envolve as seguintes fases: (1) definição da missão, valores e crenças; (2) análise ambiental SWOT (pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades);(3) Objetivos; (4) Estratégias; (5) Implementação e Controle dos Resultados. 2.6.4.1 Missão organizacional As organizações não podem sobreviver aleatoriamente, sem uma missão do negócio, sem uma visão de futuro, para que possam moldar suas ações no presente e atender eficazmente seu público, como os clientes, consumidores, parceiros comerciais, entre outros. A missão organizacional, segundo Megginson et al (1998), define o propósito fundamental e único que a organização tenta seguir e identificar seus produtos ou serviços e clientes. Assim, a missão identifica a razão-de-ser da organização – isto é, o que ela representa. Tanto as organizações lucrativas como as não-lucrativas precisam especificar com muita clareza sua missão. Para definir a missão de uma organização é necessário identificar as pessoas que serão usuárias dos serviços ou produtos. Mas além de definir produtos, mercados e clientes, ela contém um esboço das crenças e valores da organização e diretrizes gerais que serão utilizadas para definir o conteúdo de sua missão. Que tal acessar o Saber Mais IV, disponível na plataforma? Lá você poderá encontrar exemplos de etapas do planejamento estratégico. Saiba que para se formular um planejamento estratégico deve-se seguir uma seqüência de fases visando a participação de todos os sujeitos envolvidos. 58 2.6.4.2 Análise SWOT ou PFOA A análise SWOT ou PFOA – Pontos Fortes e Fracos, Ameaças e Oportunidades – é uma maneira útil de ajudar as organizações a identificar fatores externos (econômico, político, social, etc.) que podem afetar positiva ou negativamente a empresa, bem como fatores internos (marca, lealdade do cliente etc.) que fortalecem ou enfraquecem a organização no mercado. Maximiano (2006), Megginson et al (1998) e Chiavenatto (2006) contextualizam da seguinte maneira as forças, fraquezas, ameaças e oportunidades (Figura 11): Elemento Definição Exemplos Forças Recursos ou aptidões que fazem com que a empresa suplante os concorrentes. Inovação, sistema de distribuição, reconhecimento da marca e imagem, custos baixos, linha de produto. Fraquezas Problemas da empresa que impedem seu crescimento e vantagem competitiva. Instalação obsoleta, baixa identidade da marca, falta de apoio financeiro, marketing fraco, pouca capacidade P&D, problemas de liquidez e solvência, arranjo físico inadequado, falta de uma política clara de Recursos Humanos. Oportunidades Situações e fatores que oferecem um potencial favorável no ambiente. Expansão da linha de produtos, melhoria da relação comprador/fornecedor, mudanças demográficas e econômicas favoráveis. Ameaças Principais circunstâncias desfavoráveis/impedimentos à posição atual ou futura da empresa. Novos concorrentes, crescimento lento do mercado, mudanças demográficas e econômicas adversas, leis. Figura 11 – Análise SWOT ou PFOA. Fonte: Adaptado de MAXIMIANO (2006), MEGGINSON et al (1998) e CHIAVENATTO (2006) Importante enfatizar que o ambiente externo é incontrolável, como as pressões políticas e sociais. Enquanto o ambiente interno pode ser controlado, como a pesquisa, localização dos edifícios e relações organizacionais. 2.6.4.3 Objetivos organizacionais Os objetivos formam o eixo central do planejamento, porque eles se tornam o foco na direção das estratégias e direcionam para o futuro. 59 Segundo MEGGINSON et al (1998, p.163), Os objetivos são os resultados ou metas para os quais todas as atividades organizacionais são direcionadas. As organizações, em geral, têm vários objetivos amplos, a longo prazo e abrangentes, entre eles a lucratividade, a fatia de mercado, boas relações com os empregados, entre outros. Assim, as organizações devem formular os objetivos, como por exemplo, conquistar novos clientes, aumentar as vendas e participação de mercado. Para isso, devem-se estabelecer prazos para que sejam atingidos tais objetivos. 2.6.4.4 Estratégias e táticas Para serem definidas as estratégias nas organizações contemporâneas, deve-se levar em consideração um quadro complexo e imprevisível nos aspectos sociocultural, tecnológico, legal e econômico, este último em âmbito nacional e global. As estratégias significam diretrizes ou caminhos que a empresa utiliza para alcançar os objetivos. As táticas são planos de ação que proporcionam a execução das estratégias, e responde questões como: Por exemplo, lançar um produto novo (o que fazer), no primeiro semestre de 2008 (quando), pelo departamento de marketing (quem) e custará R$ 900.000,00 (quanto). 2.6.4.5 Acompanhamento e controle dos resultados O plano deve ser continuamente avaliado e controlado, a fim de se observarem fatores que possam comprometer os objetivos pretendidos. O que fazer? Quando? Quem? Quanto? 60 Nesse sentido, Maximiano (2006, p.181) afirma que o monitoramento, Consiste em acompanhar e avaliar a execução da estratégia, e deve ser feito com base nos mesmos indicadores utilizados para elaborar o plano estratégico – os pontos estratégicos de controle devem focalizar os objetivos estratégicos. E continua o mesmo autor: ”os indicadores são os seguintes, entre outros participação dos clientes e mercados no faturamento; participação dos produtos e serviços no faturamento; revolução e declínio das vantagens competitivas próprias e dos concorrentes; participação no mercado e colocação em relação aos concorrentes; evolução do faturamento; grau de realização dos objetivos estratégicos.” Importante citar aqui como mecanismos de controle e avaliação a Tecnologia da Informação e a Pesquisa de marketing. Atualmente, uma das ferramentas que procura fornecer a visão de conjunto dos fatores críticos de sucesso chama-se balanced scorecard. Mais adiante, estudaremos essa técnica, contemplada na unidade sobre as organizações no terceiro milênio. 2.6.5 Planejamento nas áreas funcionais As áreas funcionais – marketing, operações/produção, finanças, recursos humanos e tecnologia – participam da elaboração da estratégia corporativa. Para isso, é necessário realizar estratégias e programas de ação específicos de modo a atingir os objetivos de cada departamento. E, assim, contribuir para o alcance dos objetivos da organização como um todo. Percebeu como planejar tem várias nuanças que precisam ser respeitadas? Que é necessário estar em sintonia com o que está acontecendo internamente e externamente à empresa? 61 2.6.5.1 Marketing A área de marketing está estritamente ligada ao planejamento estratégico, pois sua função é identificar, pesquisar e conhecer o mercado. São de marketing as estratégias relativas a que mercado explorar, a quais clientes e mercados atender, que produtos lançar, quais preços praticar, como distribuir e como se comunicar com o cliente. Segundo a Associação Americana de Marketing (2004), Marketing é uma função organizacional e uma série de processos para criação, comunicação e entrega de valor para o cliente, e gerenciamento do relacionamento com os clientes, de forma a beneficiar a organização e seus públicos de interesse, ou stakeholders. A pesquisa de marketing permite coletar informações do mercado e quais fatores ameaçam ou dão oportunidades de crescimento para a organização. Através dessa ferramenta, os profissionais de marketing elaboram seus planos compreendendo, entre outros fatores, o composto ou mix marketing – produto, preço, praça, promoção. Produto O produto é algo que é oferecido ao mercado, como um bem tangível (carro, sapato)ou serviço (financiamento, seguro). As principais estratégias de produtos são: linha de produtos, design, embalagem e rotulagem, cores, tecnologia, reposicionamento, marca. Preço A definição de preço do produto ou serviço é uma das mais complexas decisões estratégicas no planejamento. O preço depende do custo, da demanda, da concorrência e, claro, do produto ou serviço. Por exemplo, definir o preço de uma água mineral e de um apartamento é completamente diferente. As principais estratégias de preço são: preços baixos (popular), preços altos (sofisticação), formas de pagamento (cartão, cheque, boleto), condições de pagamento (à vista e a prazo), limite de crédito, liquidações e descontos. 62 Praça (ou distribuição) As estratégias de distribuição estão relacionadas com o fluxo de produtos pelos membros dos canais – fornecedores de matéria-prima, fabricantes, atacadistas ou distribuidores e varejistas – e pela disponibilidade do produto no local e tempo certos. Promoção (ou comunicação de marketing) O esforço promocional é uma ação estratégica importante, pois permite ao mercado consumidor conhecer a empresa, seus produtos e marcas. As principais estratégias são: anúncio na TV e no rádio (propaganda), entrevista à imprensa (publicidade), participação em eventos (Relações Públicas), material de ponto-de-venda como display e cartaz (merchandising), premiação dos consumidores (promoção de vendas), consultorias de vendas (venda pessoal) e envio de mala direta ao cliente (marketing direto). 2.6.5.2 Operações/produção Para atender o mercado e atingir os objetivos organizacionais e de marketing, a empresa deve estruturar um sistema de operações e produção, para garantir o fornecimento de produtos e/ou serviços. As principais estratégias são: compra de matéria-prima, logística e transporte, preparação de maquinário ou equipamentos de produção, alocação de mão-de-obra, planejamento e controle da produção (PCP), definição da estrutura de produto, armazenamento, arranjo físico, administração da qualidade. 2.6.5.3 Recursos Humanos A realização de qualquer plano requer o emprego de pessoas. Assim como as demais áreas funcionais, o setor de Recursos Humanos também define suas estratégias que proporcionarão o alcance dos objetivos no planejamento estratégico. As principais estratégias são: recrutamento, seleção, contratação, treinamento, demissão, realocação de pessoal, política de promoção, plano de cargos e salários, recompensas e prêmios, confraternizações, contratação de estagiários e trainees. 63 Perceba que a Figura 12 retrata a interdependência entre ambiente, tecnologia, pessoas, estrutura e tarefas. É importante que @ Administrador@ esteja permanentemente com pensamento sistêmico, visando aproveitar oportunidades, prevenir-se de ameaças, dar distinção aos pontos fortes e trabalhar na eliminação dos pontos fracos. Figura 12 – Interdependência entre as partes organizacionais Fonte: Adaptado de Chiavenatto (2006). Mais um item vai ficando para trás! E você firme na “estrada”! Que bom! Dê uma nova parada para se energizar e... Descanse.... Cante... Ouça Música... Piadas 64 E ai? Pront@ para continuar? Então, pesquise a respeito de planejamento estratégico e verifique se na empresa, onde você trabalha, utilizam esse tipo de planejamento e indique como isso ocorre. Ao terminar, produza um texto de uma página e anexe no fórum de discussão. Vamos agora estudar sobre a questão da participação no mundo das organizações. 2.7 Administração Participativa Este item vai tratar da administração participativa e, para isso, serão abordados o conceito e a evolução, o modelo de administração, as estratégias de participação e o processo de implantação. 2.7.1 Evolução e Conceito de Administração participativa A origem da administração participativa pode estar vinculada às primeiras instituições democráticas, regime que permite a participação das pessoas nas decisões e que nasceu, na Grécia, há mais de 2.000 anos. Entretanto, a maioria das democracias ainda é representativa, em que o governante ou gestor representa a população nas decisões. Nas organizações de caráter econômico, financeiro e lucrativo, a administração participativa começa a ser adotada com mais ênfase a partir da segunda metade do século XX, quando a abordagem sistêmica e a contingencial apontam a importância de se analisar o ambiente externo, a integração entre departamentos e pessoas, a fim de a empresa manter-se preparada para gerenciar, em situações caracterizadas pelas mudanças, imprevisibilidade, competitividade e exigência do mercado consumidor. A administração participativa consiste em compartilhar as decisões gerenciais, estratégicas e táticas não somente com os funcionários, mas também com os clientes, consumidores, fornecedores, intermediários (atacado e varejo), e, se for o caso, incluir- se também a comunidade. Para você o que é participação? 65 De maneira abrangente Maximiano (2006) assevera que administração participativa é uma filosofia ou doutrina que valoriza a participação das pessoas no processo de tomar decisões sobre a administração das organizações. Assim, as pessoas são elementos essenciais no processo decisório. Ao se considerar a impossibilidade da alta administração de levantar e compreender sozinha todas as alternativas de escolha - limitadas também pelo tempo e excesso de informação - a participação dos funcionários, dos clientes, e dos parceiros comerciais (fornecedores e revendedores) torna-se fundamental. Por exemplo, na decisão de lançamentos de novos produtos, deve-se envolver os clientes potenciais e os fornecedores de matéria-prima. É uma estratégia inteligente para quem pretende êxito do produto no mercado. 2.7.2 Modelos de Administração Em organizações como o Estado, sociedades, empresas privadas, grupos, famílias ou qualquer outro modo de aglomeração de pessoas, o comportamento dessas é influenciado pela combinação de diversos elementos como a autoridade, o poder, a obediência, a coerção, o estilo de liderança, a disciplina, a submissão, a autonomia, entre outros. Estes ingredientes são utilizados em menor ou maior grau, dependendo do modelo de administração adotado. Maximiano (2006) afirma que há dois modelos básicos de administração: o modelo diretivo (ou diretivo-autoritário) e o modelo participativo (ou consultivo- participativo), que podem ser contrastados como pontos opostos da mesma escala. 2.7.2.1 Modelo diretivo O modelo diretivo usa de forma predominante a autoridade formal, a estrutura hierárquica e a burocracia em suas práticas e diretrizes para obter a obediência. A estrutura organizacional é hierarquizada, prevalecendo a centralização das decisões. E, nesse sentido, Maximiano (2006) ressalta que, de um modo geral, os chefes não podem ser questionados e dispõem de instrumentos coercitivos para reforçar seu papel. 66 Esse modelo foi intensamente adotado por Taylor, Fayol e Ford, precursores da Administração que tem como princípio o controle das pessoas na linha de produção, da padronização de métodos de trabalho, na divisão do trabalho e especialização rígida, no controle dos tempos e movimentos, objetivando a eficiência e o aumento da produtividade. Há clara separação entre planejamento e execução, chefe e subordinado. As empresas que adotam o modelo diretivosão denominadas mecanicistas. 2.7.2.2 Modelo participativo No modelo participativo, predominam a liderança, a disciplina e a autonomia. Nas organizações democráticas e participativas, as pessoas são responsáveis por seu próprio comportamento e desempenho. Elas têm liberdade de agir, contribuindo com as decisões e participando ativamente do planejamento e definição de objetivos e estratégias. Nesse sentido, o indivíduo é auto-disciplinado e responsável e para agir e fazer as coisas certas não é preciso que haja regulamentos externos a ele. Para Maximiano (2006), quanto maior a autonomia das pessoas e quanto maior a possibilidade de tomarem as decisões que afetam seu próprio trabalho, mais participativo será o modelo de administração usado pela organização. As organizações que seguem o modelo participativo de administração são também chamadas orgânicas. 2.7.3 Estratégias de participação Ao longo do curso, tem-se discutido a influência do ambiente externo nas organizações logo após a Segunda Guerra Mundial, em 1945. A partir daí, o mundo dos negócios passou a ser mais competitivo, o cliente passou a ter poder de escolha, novas leis e regulamentos governamentais foram sendo criados e a tecnologia Saiba que quanto mais forte a autoridade dos chefes e menor a autonomia das pessoas, mais diretivo é o modelo de administração usado pela organização 67 evoluiu como nunca antes na história da humanidade. E como diferencial competitivo, um elemento fundamental nesse processo é o colaborador ou capital intelectual. Na tomada de decisão, conforme pesquisou Herbert Simon, na década de 1960, a Teoria Econômica, pela qual se podia maximizar o resultado, não se adequava mais às circunstâncias, e para isso, ele desenvolveu o modelo comportamental, em que envolve as pessoas em uma decisão caracterizada como Racional, mas também limitada, onde não se conhecem, no ambiente, todas as alternativas e, assim, escolhe-se a opção satisfatória e não mais otimizada, como antes. Outro estudioso que focalizou a dimensão humana e comportamental no trabalho foi Chester Barnard (1886-1961), que ao longo de suas pesquisas escreveu o livro as funções do executivo e procurou demonstrar a importância do ambiente social, cooperativo e participativo nas organizações, o que contribui positivamente no processo decisório e estratégias adotadas. As estratégias da administração participativa agrupam-se em quatro categorias principais: aprimoramento da informação, participação no processo decisório, participação na direção e na participação nos resultados. Inclui-se também a auto- gestão como elemento constitutivo (MAXIMIANO 2006) 2.7.3.1 Informação As estratégias participativas baseadas na informação procuram aprimorar a comunicação e o relacionamento com funcionários, clientes e outros públicos de interesse. Na comunicação com os clientes, procura-se avaliar os produtos e serviços. Para isso, elabora-se um questionário ou formulário para que se possa pesquisar o público- alvo da empresa e ouvir suas sugestões, recomendações ou reclamações, acerca das ações estratégicas da empresa, para mantê-lo como usuário de seus produtos. Outro meio de se comunicar com o cliente é estruturando um serviço de atendimento ao consumidor (SAC), para que possa manter o nível elevado de satisfação do cliente, identificar suas reais necessidades e desejos, entre outros fatores mercadológicos. Com os funcionários, as seguintes estratégias podem ser adotadas: instituir programas de sugestões; pesquisar o clima organizacional; promover reuniões com os funcionários; 68 implementar o endomarketing, adotando as práticas do marketing tradicional voltado para os clientes agora dirigidas aos funcionários, como comunicação interna (intranet, e-mail, comunicado escrito, central de atendimento, programas de capacitação através das informações coletadas junto aos colaboradores, comunicar a missão e metas organizacionais através de reuniões e confraternizações, entre outras ações). A comunicação com os funcionários é essencial para aferir o nível de satisfação e insatisfação dos mesmos. Obtêm-se informações sobre a empresa, como os objetivos de curto e longo prazo, os problemas enfrentados pela organização, as responsabilidades e atribuições de cada um, as decisões futuras e demais ações que afetem o desempenho do funcionário e da empresa. Para pensar e responder... Outra forma de comunicação é o aspecto visual da organização, como painéis nos locais de trabalho, com informações a respeito das operações, como volume de produção, qualidade e satisfação dos clientes, participação de mercado, funcionários destaques do mês, além de banners com a missão, visão e valores da organização e placas luminosas com o logotipo da empresa e de seus principais produtos. Para pensar e responder... Você acha que o uniforme dos funcionários é importante na comunicação visual da empresa? O uniforme pode ser padrão a todos os funcionários? Justifique todas as respostas, produza um texto e envie ao seu orientador acadêmico no prazo estipulado pelo cronograma. Que tipo de informação útil o pessoal da produção e de vendas tem a passar e contribuir com a organização? 69 2.7.3.2 Envolvimento no processo decisório Na tomada de decisão, a comunicação é relevante, mas o envolvimento das pessoas, na tomada de decisão significa consultá-las, individualmente ou em grupo, sobre a solução de problemas. Elas passam a auxiliar os gerentes a tomar decisões. Maximiano (2006) destaca três modalidades principais de envolvimento no processo decisório: decisões participativas, equipes autogeridas e co-gestão ou participação na direção da empresa. Decisões participativas As decisões participativas podem ser consultivas e compartilhadas. A consultiva ocorre quando se pedem opiniões aos funcionários, o que não significa que o tomador de decisão vá, obrigatoriamente, concordar com elas. Em outras palavras, o gerente e/ou líder não abriu mão do direito de tomar a decisão final. Para pensar e responder... Por outro lado, as decisões compartilhadas são aquelas em que há compromisso de acordo. O produto de uma decisão compartilhada é um consenso, pois nasce do grupo e não de uma única pessoa. Para pensar e responder... Equipes autogeridas Para se criarem equipes autogeridas, a descentralização e delegação, bem como o aprimoramento da comunicação no grupo de trabalho são mecanismos fundamentais. Você conhece alguma empresa em que se pratica a decisão compartilhada? Se sim, cite um exemplo específico nessa organização e envie ao fórum e veja quantos exemplos já foram colocados pelos seus colegas! Você acredita que, nesse modelo, pode haver conflitos, uma vez que as expectativas a respeito da participação não ficaram bem claras? Justifique e envie ao seu orientador acadêmico. 70 No entanto, a autonomia e liberdade, para a equipe ser autogerenciada, ensejam outros fatores: a) a responsabilidade pelos próprios resultados; b) interação e respeito com demais membros; c) confiança e competência; d) aprimoramento contínuo, com constantes buscas de informações e conhecimentos sobre o negócio; e) a multifuncionalidade e polivalência dos funcionários, evitando a especialização e divisão rigorosa do trabalho; f) a equipe deve dispor de todas as informações necessárias para rastrear o processo decisório. Co-gestão ou participação na direção A co-gestão é uma modalidade de envolvimento rara para os padrões ocidentais e brasileiros em casos de organizaçõescom fins lucrativos, pois significa participar institucionalmente da estrutura de poder da organização, mais que simplesmente do processo decisório de um gerente ou de um departamento da empresa. Na verdade, uma democracia consolidada deveria adotar essa prática de envolvimento, pois nesse regime, todos podem participar de forma institucional, uma vez que, as decisões dos gestores, que detêm o poder na organização, vão afetar a todos. Mas para operacionalizar o processo democrático, quanto maior e complexa for a instituição, é necessário designar uma diretoria ou colegiado que represente efetivamente o interesse de todos. Independente da forma, seja direta ou indireta, é natural que os indivíduos busquem esse direito democrático. Entretanto, no caso das empresas privadas, o que ocorre é a separação literal da alta cúpula com os demais níveis, e que o envolvimento, quando ocorre, se dá nas decisões intermediárias ou operacionais. 2.7.3.3 Participação nos resultados A estratégia de participação nos resultados tem se mostrado eficaz no estímulo aos funcionários e na produtividade, pois desde a Revolução Industrial, quando o operário trabalhava mais e não recebia de acordo com a produtividade, gerando o que denomina mais-valia, é que surgiram conflitos de classe e trabalhistas. Com a 71 participação de resultados, o colaborador vê materializado o seu trabalho e empenho dentro da organização. Existem várias modalidades de participação, como ressalta Maximiano (2006): os empregados podem participar do faturamento, dos incrementos nas receitas, das economias ou ganhos de produtividade, dos lucros e da propriedade da empresa. De forma prática, pode-se citar como exemplos as comissões sobre vendas, abonos ou salários adicionais por resultados ou atingimento de metas, prêmios por sugestões que resultem em economias ou ganhos e distribuição de ações 2.7.4 Implantação da administração participativa No período que se estende da Revolução Industrial até a primeira metade do Século XX, as organizações adotavam o modelo de administração diretivo, hierárquico, vertical, dividido, formal e burocrático. Assim, não se permitia que o funcionário, envolvido única e exclusivamente com sua tarefa, compreendesse todo o contexto interno da organização, e muito menos as variáveis externas como as leis governamentais e a economia. Somente com a abordagem estruturalista, possibilitou-se ao funcionário uma análise mais completa da organização, com seus vários departamentos e o papel de cada em busca de um objetivo comum. Na Teoria Geral dos Sistemas, o homem passou a compreender não somente os departamentos, mas como se integram, formando um todo holístico, em que o todo é superior à simples soma das suas partes, e desenvolveu-se um sistema aberto e mutável, onde as informações e o conhecimento passam a ser matéria-prima para uma decisão satisfatória, marcada quase sempre pela incerteza. A administração participativa, conforme já comentado anteriormente, ganha destaque a partir dos anos 60, época que se inicia a abertura das empresas para o ambiente externo. Para implementar a administração participativa, é necessário analisar o comportamento das pessoas, a estrutura organizacional e a integração das partes em uma organização. Com relação ao comportamento de líderes e liderados, em primeiro lugar, deve haver respeito e responsabilidade de ambas as partes. Com esses elementos pode-se 72 substituir o autoritarismo e a imposição, pela liberdade e autonomia, a competição pela cooperação. Além dos aspectos comportamentais, o processo de administração participativa também implica o redesenho das estruturas. Cargos, grupos de trabalho e estrutura, como um todo, são organizados de modo que a participação dependa não apenas das atitudes e disposição favoráveis das pessoas, mas também e, principalmente, do sistema de normas e procedimentos. A estrutura deve estimular as pessoas à participação. O organograma não deve limitar a participação, como ocorre nas organizações tradicionais, em que a estrutura organizacional é desenhada de forma a dividir o trabalho, a separar o planejamento da execução, a definir o poder e a autoridade da alta administração. Deve haver integração entre as partes, para que a organização se caracterize como holística, sistêmica e participativa. Cada pessoa, contribuindo com a evolução da empresa. Estamos quase ao final deste fascículo e também da disciplina! Foi muito bom saber que você esteve ai esse tempo todo e agora já tendo construído muito mais conhecimento a respeito da Ciência da Administração! Dê uma merecida parada, faça exercício com o seu corpo - espreguice, ande, e dê um pouco de atenção às crianças... O nosso próximo assunto é conhecer a Administração no Terceiro Milênio. Houve mudanças? Quais foram? São significativas? UNIDADE 3 ADMINISTRAÇÃO NO TERCEIRO MILÊNIO Objetivos: descrever as características das novas abordagens da Administração no mundo dos negócios, fundamentadas no aprendizado, no conhecimento e na informação. explicar a importância da gestão ambiental, responsabilidade social e governança corporativa na condução dos negócios do século 21. 75 Você se lembra da passagem do ano 1999 para o ano 2000? Lembra-se do medo que o mundo todo demonstrava com relação ao que poderia acontecer com os computadores? Da preocupação com todo o controle, até então, mantido sobre os mais diversos sistemas? Pois é, nada disso ocorreu e o mundo das organizações e dos negócios a cada dia desenvolve novos sistemas, mais abrangentes, mais inteligentes. Vamos conhecer um pouco dos reflexos na ciência da Administração. 3.1 Administração na Era Digital A Revolução Digital iniciada, no final do século XX, vem ganhando proporções gigantescas na sociedade e também nas organizações de um modo geral. Novos hábitos de vida e consumo surgiram e influenciaram a administração dos negócios, como é caso da Internet. A tecnologia da informação e a competitividade global impuseram novos paradigmas, agora voltados para a flexibilidade, mobilidade, interatividade, interdependência e informações digitais. 3.1.1 Administração de Processos na Era Digital Durante a primeira metade do século XX, as organizações mantinham-se fechadas para o ambiente interno e externo. Havia pouca ou nenhuma integração entre os departamentos funcionais, como marketing e recursos humanos. Quanto aos aspectos externos, as decisões empresariais não avaliavam o impacto dos fatores econômicos e sociais. Enfim, os processos eram lineares e se restringiam ao setor específico. Mas, afinal, o que é processo? 76 Processo é um conjunto ou seqüência de atividades interligadas, com começo, meio e fim. Por meios de processos, a organização recebe recursos do ambiente (trabalho humano, materiais, energia e equipamentos) e os transforma em produtos, informações e serviços, que são devolvidos ao ambiente. (MAXIMIANO, 2006) Assim, o processo deve ser dinâmico e interativo, uma vez que, se as empresas existem para atender um público, devem então pesquisar primeiro o mercado, para, depois desenvolver todas as demais fases do processo. A eficácia se dá por meio da satisfação do cliente. O objetivo principal da organização é desenvolver produtos e serviços que atendam às necessidades e aos desejos de seu mercado-alvo, permitindo, paralelamente, o crescimento de seus colaboradores, revendedores, fornecedores e demais públicos. Na década de 1980,a administração por processos foi desenvolvida com o objetivo de integrar as áreas funcionais. E, nesse início de século XXI, a integração conta com o apoio da tecnologia e da digitabilidade. Os hardwares, softwares e sistemas permitem uma administração digital capaz de otimizar recursos, produzindo de acordo com o planejamento e buscando informações dos ambientes da empresa. Maximiano (2006) afirma que a administração por processos consiste em administrar as funções permanentes como elos de uma corrente e não como departamentos isolados uns dos outros. O resultado é uma cadeia horizontal de processos, em lugar da estrutura vertical da cadeia de comando. A horizontalização reformula o modo de administrar as operações, integrando todas as funções envolvidas na solução de um problema. A organização por processos permite que as funções se dêem de forma coordenada, aumentando a eficiência ao longo de todo o processo. O administrador deve coordenar as equipes interfuncionais em torno de objetivos específicos, como a entrega do pedido em tempo hábil. Para isso, deve-se mobilizar os departamentos de marketing, compra, produção, vendas, finanças e logística. Isto espelha a estrutura horizontal, onde cada setor é parte integrada e relevante e devem somar esforços para atingir as metas. A cooperação é fundamental na administração por processos e não a competitividade e conflitos que ainda existem entre departamentos e pessoas. Por exemplo, o gerente de marketing lança uma promoção de vendas com a mecânica de distribuição de prêmios, ao mesmo tempo em que o gerente de finanças enxuga orçamentos na área. Resultado: conflitos interfuncionais e o não-atendimento do mercado. 77 A empresa deve, no entanto, olhar para fora e adaptar os processos de acordo com a necessidade do mercado. Na Era Digital, o consumidor é informado, tem conhecimento de seus direitos e cobra das empresas respeito e qualidade. Hoje, queremos convidá-l@ para um lanche bem gostoso e com a cara da “vovó”: Bolo com cafezinho! Depois desse maravilhoso lanche, mãos à obra! Pesquise a respeito dos processos existentes em sua empresa e indique-os em texto produzido por você, contendo pelo menos uma página. Leve-o ao fórum para compartilhar com os colegas e conhecer os diversos processos nas várias empresas onde os alunos trabalham ou estagiam. 3.2. Aprimoramento de Processos A Administração Científica de Taylor foi uma das primeiras metodologias para aprimorar processos. Nesse caso, e ênfase era nas tarefas, com padronização da produção e estudos dos tempos e movimentos. Os japoneses desenvolveram o programa Kaizen, que significa melhoria contínua em todos os processos. Nos anos 80, foi desenvolvida a metodologia denominada reengenharia. 3.2.1 Reengenharia A reengenharia surgiu na época em que a administração por processos começa a ganhar forma nas organizações. Michael Hammer escreveu um artigo utilizando o verbo to reengineer, que significa reformular a maneira de conduzir os negócios. Ele enfatizou que as empresa deveriam usar a tecnologia da informação, de modo a redesenhar os processos, ao invés de aplicar os projetos antigos. 78 Em 1993, Hummer, em parceria com Champy, escreveu o livro Reengeneering the corporation e apresentou as bases da administração por processos e do aprimoramento dos processos. Nessa época, a reengenharia firmou-se como proposta de redesenhar a organização, tornando-a mais ágil, eficiente e eficaz. Na prática, a reengenharia recebeu críticas, porque focalizava exclusivamente a redução de custos e demissão de pessoal. Outro ponto polêmico foi a radicalização dos métodos. Nesse sentido, muitas organizações evitaram aprimorar todos os processos completamente e instituíram pequenas mudanças de cada vez. 3.2.2 Benchmarking No processo de mudanças e redesenho, as organizações passaram a praticar o benchmarking. De forma simplificada, significa usar um padrão ou ponto de referência, copiando práticas das empresas que são excelentes em alguns aspectos da administração como tecnologia, logística, lançamento de produtos, comunicação de marketing, política de pessoal, entre outros. Dentro dessa idéia, Maximiano (2006), conceitua o benchmarking como a técnica que consiste fazer comparações, buscando as melhores práticas da administração, como forma de ganhar vantagens competitivas. Sabe o que significa benchmarking? E o que significa reengenharia? Reengenharia é reinventar a empresa, desafiando suas doutrinas, práticas e atividades existentes, para, em seguida, redesenhar seus recursos de maneira inovadora, em processos que integram as funções departamentais. Essa reinvenção tem como objetivo otimizar a posição competitiva da organização 79 3.3 Balanced Scorecard (BSC) Este item aborda noções da metodologia de mensuração, implementação e gerenciamento integrado denominada Balanced Scorecard. 3.3.1 Origem e Conceito do Balanced Scorecard Diversos pensadores da Administração como Tom Peters, Henry Mintzberg e James Brian Quin criticam o planejamento estratégico tradicional, porque esta ferramenta separa pensamento e ação, dificultando, assim, colocar em prática a estratégia. Para Robert Kaplan e David Norton, criadores do Balanced Scorecard, as empresas não conseguem os resultados esperados porque o verdadeiro problema não é a formulação da estratégia, mas as falhas existentes em sua implementação (Figura 13). As dificuldades se acentuam quando são relacionadas aos bens intangíveis. No Saber Mais número V, disponível na plataforma, você encontrará algumas características da Administração baseada na tecnologia. Mais uma nova expressão cujo significado é muito importante às organizações, no que tange a implementação do planejamento estratégico. Você conhece a metodologia BSC? Tente produzir um texto de meia página a respeito da Administração, baseada na tecnologia. Anexe-o à plataforma para discussão no fórum. 80 Figura 13 – Principais obstáculos à implementação da estratégia Fonte: Adaptado de HERRERO FILHO (2005) Os ativos tangíveis e quantitativos como balanço contábil, demonstrativos financeiros, retorno sobre os investimentos, produtividade, volume de vendas etc. são mais fáceis de serem controlados e mensurados. Mas, na realidade da Era da Informação e do Conhecimento, outros ativos ganham importância: os intangíveis. Por exemplo, O valor da marca a partir da lealdade do cliente e de valorização de outros públicos torna-se um valor patrimonial muitas vezes superior aos aspectos físicos e produtivos de uma organização. Coca-Cola, Google, IBM, Microsoft, Toyota, Nokia, BMW, McDonald´s são marcas poderosas no mercado. Nesse sentido, os métodos de controle da Era Industrial já não funcionam adequadamente no mundo dos negócios contemporâneos. Em 1992, Kaplan e Norton desenvolvem o Balanced Scorecard, uma ferramenta dinâmica de gestão, que evolui continuamente, de forma a incorporar a aprendizagem e os novos conhecimentos decorrentes de sua implementação, em diversas empresas espalhadas pelo mundo e das pesquisas realizadas. As mudanças causadas pelo fenômeno da globalização, surgimento da Internet, desregulamentação, fusões, redes de negócios e a concorrência impactaram diretamente no planejamento estratégico das organizações, que tiveram que se adaptar e aprender a lidar com o ambiente externo. Saúde financeira deixou de ser a única variável de garantia e sustentabilidade.Outros fatores como os clientes e os colaboradores passam a incorporar o pensamento estratégico das empresas. Apenas 10% das estratégias são implementadas Barreira à implementação da estratégia Barreira da Visão Apenas 5% dos colaboradores entendem a estratégia Barreira da Motivação Apenas 25% dos executivos têm incentivos associados à estratégia Barreira Cultural 85% dos executivos dedicam menos de uma hora por mês discutindo a estratégia Barreira Budget 60% das empresas não estabelecem um link entre o orçamento e a estratégia 81 Ancorando-se me Herreiro filho (2005) Kaplan & Norton afirmam que o BSC deve contar a história da estratégia, começando pelos objetivos financeiros de longo prazo, relacionando-os, depois, à seqüência de ações que precisam ser tomadas em relação aos processos financeiros, aos clientes, aos processos internos e, por fim, aos funcionários e sistemas, a fim de que, em longo prazo, seja produzido o desempenho desejado. Esta metodologia busca o equilíbrio entre os objetivos, de curto e longo prazos, o ambiente interno e externo e, as medidas quantitativas (desempenho financeiro) e qualitativas (capital intelectual). O BSC é uma tentativa de incluir mensurações sobre ativos intangíveis, além dos tangíveis tradicionalmente utilizados. Em outras palavras, busca construir novos modelos para envolver os bens intangíveis, como a marca, que impulsiona o valor nas organizações e que reflete positivamente no mercado. Além da mensuração e implementação, esta ferramenta visa desenvolver um modelo de gestão estratégica integrada, caracterizada pelo pensamento sistêmico nas organizações. 3.3.2 Gestão da Estratégia Baseada no BSC O Balanced Scorecard é uma metodologia de implementação de estratégia que procura criar valor para os públicos de interesse, como acionistas e clientes, ao mesmo tempo em que contribui para o crescimento da organização. Segundo Herreiro Filho (2005), os desafios da gestão da estratégia baseada no balanced scorecard são os seguintes: tornar a formulação e a implementação da estratégia um processo contínuo de aprendizagem, em que todos os profissionais da empresa sejam envolvidos em todas as fases de desenvolvimento; colocar a estratégia no centro do negócio e, consequentemente, no interior do processo gerencial; integrar a estratégia no dia-a-dia operacional das pessoas; assegurar a compreensão da estratégia por todos os colaboradores da organização, para o melhor desempenho de seus papéis; descrever a estratégia da organização numa linguagem da fácil entendimento e de fácil explicação, a fim de estimular a troca de idéia e o envolvimento das pessoas; 82 traduzir a estratégia em um conjunto de indicadores financeiros e indicadores qualitativos para medir a eficiência e a eficácia do uso de ativos tangíveis e intangíveis, na geração de valor para a organização. Nos anos 1950, Drucker propôs a Administração por Objetivos, e seus princípios consideraram o envolvimento dos funcionários e a integração das equipes e departamentos na elaboração de metas e objetivos, bem como na execução das estratégias. 3.3.3 As perspectivas de valor do BSC O BSC é uma ferramenta de administração focada no equilíbrio organizacional e se baseia em quatro perspectivas, a saber: a perspectiva financeira, a perspectiva do cliente, a perspectiva dos processos internos e a perspectiva da Aprendizagem/crescimento organizacional. (CHIAVENATTO 2006; HERREIRO FILHO 2005) 3.3.3.1 A perspectiva financeira A perspectiva financeira, segundo Herrero Filho (2005), indica se a estratégia de uma empresa e sua implementação estão gerando valor econômico agregado para os acionistas de demais stakeholders. Para Chiavenatto (2006), envolve indicadores; medidas financeiras e contábeis que permitem avaliar o comportamento da organização diante de itens como lucratividade, retorno sobre investimento, valor agregado ao patrimônio e outros que a organização adote como relevantes para seu negócio. O objetivo maior é mostrar se as alternativas escolhidas estão proporcionando o aumento de valor econômico para a organização e dinheiro para os acionistas. Entretanto, a perspectiva financeira não exclui os ativos intangíveis como a satisfação do cliente e a inovação, pois a metodologia busca a gestão integrada das estratégias e o Para aprofundamento, os exemplos para cada perspectiva devem ser pesquisados no Saber Mais VI, disponível na plataforma. 83 atendimento das necessidades de outras variáveis como o meio ambiente, o governo e a comunidade. O foco é aumentar o faturamento da empresa e gerar valor econômico para os acionistas, ao mesmo em tempo que atende o mercado consumidor. 3.3.3.2 A perspectiva do cliente O cliente procura algo de valor no processo de compra. E mensurar o valor não é uma tarefa fácil, pois as variáveis nem sempre são quantificáveis. Os benefícios procurados em um produto ou serviço podem ser uma entrega rápida, um atendimento de qualidade, o relacionamento que se estabelece com a organização ou até um fator extremamente subjetivo como o estado mental em que se encontra a pessoa após adquirir determinado bem. Segundo Herrero Filho (2005), a perspectiva do cliente avalia se a proposição de valor para os segmentos-alvo de clientes está sendo concretizada. Para Chiavenatto (2006), a perspectiva do cliente inclui indicadores e medidas como satisfação do cliente, participação no mercado, aquisição e retenção de clientes, bem como valor agregado aos produtos/serviços, posicionamento no mercado, nível de serviços agregados à comunidade etc. O valor agregado sob o ponto de vista do cliente muda o foco do produto para o usuário, procurando adaptar o bem aos desejos do cliente. Envolve também o marketing de relacionamento, o valor sentimental da marca, a retenção e fidelidade do cliente. Por exemplo, marcas como Coca-Cola e Kibon são tão valorizadas pelos consumidores, que estes passam a ser considerados proprietários ou “donos” dessas marcas. O valor percebido pelo cliente significa a avaliação (objetiva e subjetiva) que um cliente faz a respeito dos benefícios - qualidade, entrega na hora e lugar certos, atendimento, parceria e relacionamento, conveniência, segurança, bem-estar - que ele recebe de uma organização ao comprar um produto ou serviço, comparando-os com os custos envolvidos - dinheiro, tempo, esforço físico e mental - em uma experiência de compra. 84 3.3.4 A perspectiva dos processos internos O líder do executivo e as equipes formadas no desenvolvimento de projetos devem analisar os processos internos de modo a permitir que a criação de valor alcance os resultados financeiros, a satisfação do cliente, a qualidade das operações, produtos e serviços. O foco é a eficácia na produtividade, que se executada adequadamente, oportuniza a criação de valor se estender para o mercado-alvo e outros stakeholders, como os acionistas, fornecedores e revendedores. Para Herrero Filho (2005), a perspectiva dos processos internos indica que processos internos são críticos para a geração de valor percebido pelo cliente e para aumentar a riqueza do acionista. Inclui, segundo Chiavenatto (2006), indicadores que garantem a qualidade intrínseca aos produtos e processos, inovação, criatividade, capacidade de produção, logística e otimização dos fluxos, assim como a qualidade das informações, da comunicação interna e das interfaces. Na implementação das estratégias do Balanced Scorecard na perspectiva dos processos internos,as ferramentas da qualidade total como just-in-time, 5S, Kaizen (melhoria contínua), círculos de controle de qualidade (CCQ), o ciclo PDCA (planejar, executar, verificar e agir), podem ser de grande utilidade. Um fator crítico nessa perspectiva é a questão da inovação. Empresas devem sempre inovar, pois assim podem melhorar sua imagem e aumentar seu valor patrimonial e de ações no mercado. As organizações devem estruturar departamentos de pesquisa e desenvolvimento, de maneira a proporcionar mudanças e inovações necessárias, para atender aos anseios do mercado consumidor, como também se manter competitiva no mercado global. No entanto, as inovações devem ser bem pesquisadas, gerenciadas, implementadas e controladas, porque nem sempre as novidades são bem recebidas pelo cliente. Por exemplo, em 1985, a Coca-Cola cometeu um erro de marketing ao inovar seus produtos. A empresa alterou o sabor da coca-cola original ao lançar a New Coke, com um gosto mais doce e suave. Resultado: uma enxurrada de reclamações, críticas e revolta dos consumidores fez a organização voltar a produzir a antiga coca. 85 3.3.4.1 A perspectiva da Aprendizagem/crescimento organizacional As organizações podem aprender com suas estratégias. Estas permitem a construção contínua de conhecimento essencial para o desempenho das empresas e sua competência organizacional A competência é medida pelo nível de conhecimento e pela forma de sua aplicabilidade. Nesse sentido, o capital intelectual torna-se fator crítico na evolução das organizações na Era do Conhecimento e da Informação. Para Herrero Filho (2005), a perspectiva de aprendizado e crescimento indica qual é o valor do empregado pela sua capacidade de aprender, criar e compartilhar conhecimentos e como suas competências contribuem para a geração de valor de forma integrada, em todas as perspectivas do Balanced Scorecard. Chiavenatto (2006) considera as pessoas em termos de capacidades, competências, motivação, empowerment, alinhamento e estrutura organizacional em termos de investimentos no seu futuro. Essa perspectiva garante a solidez e constitui o valor fundamental para as organizações de futuro. que continua firme nos acompanhando, estudando e produzindo textos cada vez melhores! Procure saber mais sobre a metodologia do BSC. Verifique se na sua cidade há empresas que o utilizam, inclusive a empresa onde você trabalha. Vá ao fórum e levante duas questões a respeito desse assunto. Estamos caminhando para mais um item. Seguindo em frente... 86 3.4 Gestão de competência, conhecimento e aprendizagem organizacional No século XXI, o conhecimento é matéria-prima da competência. E esta possibilita aprender, o que, por sua vez, transforma-se em novos conhecimentos. E assim, o ciclo virtuoso se estabelece, gerando fatores positivos na gestão. 3.4.1 Gestão do Conhecimento: origem e conceito A ciência de administração é constituída de diversas teorias, que são abstrações do mundo real que objetivam determinar um conjunto de características que explicam o funcionamento das organizações. A Administração Científica, a Teoria Clássica, a Teoria Geral dos Sistemas, por exemplo, cada uma de seu modo procura explicar o ambiente das empresas e suas inter-relações. E cada teoria formulada é conseqüência de estudos, pesquisas e construção do conhecimento. Nos anos 90, a abordagem baseada no conhecimento ganha destaque no mundo dos negócios em função dos acontecimentos mundiais como a globalização, o neoliberalismo e as mudanças de comportamento das pessoas como cidadão e consumidor de produtos. Para Oliveira Jr. (2001), a função central da empresa é administrar esse ativo – conhecimento – de forma a otimizar o desempenho organizacional. Por exemplo, conhecer o cliente possibilita lançar produtos bem- sucedidos, que atendem às necessidades do usuário. E a empresa deve continuar analisando o comportamento do seu mercado-alvo para aprender como lidar com o mesmo. Oliveira Jr. (2001) acompanha Sanches e Heene (1997) para quem conhecimento organizacional é definido como “o conjunto compartilhado de crenças sobre relações causais mantidas por indivíduos dentro de um grupo”. Estamos na era denominada de era da informação e do conhecimento. Você sabe disso não é mesmo? Sabe também que nesta era exige-se cada vez mais conhecimento dos profissionais e também das organizações. Daí a grande preocupação da educação continuada dentro e fora das organizações. 87 Importante ressaltar que o conhecimento não vem pronto, não é absoluto e determinístico. Esse se caracteriza pela dinamicidade e flexibilidade, que depende de outros fatores e causas, como a mente das pessoas, da estrutura organizacional, da cultura, das políticas de recursos humanos, da tecnologia, dentre outros. 3.4.2 Competências Organizacionais Muitos estudiosos, desde a década de 70, têm procurado analisar o que torna uma organização competente, como psicólogos (MCCLELLAND) e educadores (BOYATZIS). Prahalad e Hamel (1990) enfatizam as competências essenciais como as habilidades e tecnologias que habilitam uma companhia a proporcionar um benefício para os clientes. Oliveira Jr. (2001) apóia-se em Rumelt (1994) e afirma que as competências se caracterizam pela abrangência corporativa, envolvendo toda a organização; aprendizagem ao fazer, aperfeiçoando dia-a-dia os processos; e o diferencial competitivo em torno do conhecimento, ação e aprendizagem. A gestão de competência nas organizações deve investir em novos conhecimentos e práticas, ao mesmo em tempo mantendo antigas competências que continuam dando resultados. O mercado muda rapidamente em função de novas tecnologias, do comportamento sociocultural, das novas leis e regulamentos e do ambiente em geral. Dessa forma, a empresa deve instituir uma cultura organizacional voltada para o conhecimento, e, principalmente, para a sua aplicabilidade. Por exemplo, o consumidor cada vez mais procura qualidade de vida, e a Nestlé vem demonstrando competência ao lançar produtos à base de soja e ingredientes integrais. Oliveira Jr. (2001) com base em Fleury e Fleury (2000) afirma que competência é compreendida como um saber agir responsável e reconhecido que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos, habilidades, que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo. Ancorando-se em Fleury (2001) Zarifian (1999) afirma que competência é a inteligência prática de situações que se apóiam sobre os conhecimentos adquiridos e os transformam com quanto mais força, quanto mais aumenta a complexidade das situações. Os conceitos demonstram a dinamicidade da competência e da forma como deve ser gerida pelos administradores, diretores e todas as pessoas envolvidas em uma empresa. E, para ser eficaz, a competência deve evoluir e mudar constantemente por 88 meio da aprendizagem organizacional. É um ciclo que não pára, cada novo conhecimento possibilita uma nova aprendizagem, tornando a organização competente em desenvolver estratégias mercadológicas, administrativas, operacionais, financeiras e pessoais. 3.4.3 Organizações de Aprendizagem 3.4.3.1 Origem e conceito A aprendizagem no âmbito das organizações vem ocorrendo, desde os anos 70, quando as pesquisas se voltavam para a influência do ambiente externo nas companhias. Nesse período, surge a Teoria da Contingência com seus princípios de relatividade e de mudanças organizacionais. Nesse sentido, as empresas passaram a aprender com suas próprias experiências e com o conhecimento e informaçõesadvindas de fora. É o processo de coleta, armazenagem e interpretação das informações essenciais para as estratégias e planos de ação. Nos anos 90 a aprendizagem organizacional (ou Learning Organization) ganha destaque na elaboração de planos estratégicos, uma vez que as empresas passaram a gerenciar em um ambiente competitivo, em que o planejado deveria ser executado e administrado de forma mais rápida, sistemática e alinhado aos objetivos definidos. Um dos insumos fundamentais para as organizações de sucesso no mundo contemporâneo é o conhecimento. Este não deve ser buscado de forma aleatória, e sim, de modo sistematizado, permitindo um aprendizado contínuo, adquirido dia após dia, com a prática, a teoria e as pesquisas. Isso significa que as organizações são também centros de aprendizagem, porque são formadas essencialmente por pessoas inteligentes, que se revelam a cada dia como um capital intelectual capaz de colocar uma organização em nível de excelência. Entretanto, para se alcançar esse nível, primeiro, deve-se valorizar o ser humano; segundo, compreender o ambiente, identificar as fontes de informações, coletando, registrando e interpretando; terceiro, reunir os esforços de cada membro para tomar decisões corretas e envolve-los na metodologia de aprendizado contínuo. Para Chiavenatto (2006), a aprendizagem organizacional permite que pessoas e grupos possam conduzir as organizações para a mudança e a renovação contínua. E continua, a aprendizagem é a principal vantagem competitiva de uma organização. Ela 89 conduz à criatividade e à inovação. (...) A vantagem competitiva de uma organização somente é sustentável através do que ela sabe, como ela consegue utilizar o que sabe e a rapidez com que aprende algo novo. Uma organização é um sistema constituído de diversos elementos interdependentes. O processo de uma organização como sistema aberto, como comentado anteriormente, requer informações, e estas precisam ser corretas, integradas e transmitidas entre os membros. Dessa forma, o ser humano tem competência e habilidade para adquirir, pensar, agir, interpretar e transmitir conhecimentos e informações essenciais para a empresa, desde que a mentalidade do aprendizado contínuo seja praticada. E o relacionamento, a vivência, o interesse, a experiência são fatores-chave para desenvolver o conhecimento e a aprendizagem corporativa. 3.4.3.2 Estudiosos do Sistema de Organizações de Aprendizagem Diversos autores da Administração Contemporânea desenvolveram estudos e idéias a respeito das organizações que são (ou devem ser) sistemas de aprendizagem: Cyert e March, Argyris e Peter Senger. a) Cyert e March As principais idéias de Cyert e March (1966) para o desenvolvimento da escola da aprendizagem organizacional são: A solução de problemas procura o caminho mais confortável. Primeiro, as soluções conhecidas, que nem sempre funcionam. A busca de novas soluções favorece a aprendizagem. O processo decisório produz a aprendizagem, não o contrário. Esses autores abordam o conflito na tomada de decisão, e a impossibilidade de solução completa das divergências entre os departamentos das empresas, como marketing, finanças, produção e recursos humanos. Por exemplo, o departamento de marketing pode desenvolver uma ação promocional e o departamento de finanças cortar orçamentos. Isto pode ocorrer em função da falta de coerência entre as áreas funcionais que ainda existe em algumas organizações. Outro aspecto analisado por Cyert e March é a fuga da incerteza na tomada de decisão, isto é, tentar resolver os problemas urgentes e conhecidos. Entretanto, o ambiente mutável e cheio de imprevisto faz parte da realidade das empresas, como 90 novas regulamentações governamentais, avanço da tecnologia, comportamento do consumidor e flutuações no câmbio e na taxa de juros da economia. Por tudo isso, o processo de tomar decisões possibilita a aprendizagem organizacional. Como os tomadores de decisão não conhecem tudo o que deveriam conhecer, eles vão aprendendo à medida que progridem na solução de problemas. Dessa forma, as pessoas, o administrador e a organização aprendem e evoluem quando adquirem conhecimentos necessários para a administração do negócio. b) Argyris e Schon Chirs Argyris e Donald A. Schon (1996) apontaram as seguintes idéias da escola da aprendizagem organizacional: novas competências modificam o comportamento e a capacidade de resolver problemas. aquisição de competências para resolver problemas (aprendizagem) depende de comportamento participativo dos gerentes. Chris Argyris é professor de Harvard e se dedicou a estudar o desenvolvimento das pessoas e como ele é influenciado pela situação de trabalho. O autor afirma que toda pessoa tem potencial, mas a administração da empresa é que, muitas vezes, não permite o crescimento do capital intelectual e condena as pessoas à imaturidade. As condições de trabalho são limitadas, e acabam criando rotinas, que por sua vez, impedem as mudanças e a aprendizagem. Em parceria com Schon, Argyris escreveu um livro clássico (em 1978) sobre aprendizagem organizacional. Esse livro analisa as contradições das organizações que precisam ser dinâmicas, para enfrentar o ambiente, mas incentivam a estabilidade. São paradoxos como: seja criativo, mas siga as regras; coopere, mas seja competitivo. Todavia para alcançar o posto de organização que aprende, os autores acima afirmam ser extremamente importante a mudança de comportamento no ambiente organizacional. Mediante um clima de comprometimento e envolvimento da alta administração e dos colaboradores é possível a aquisição de novos conhecimentos. c) Peter Senge Senge (1990) adota de Chiavenatto (2006) a categorização de cinco disciplinas para construir a capacidade de aprendizagem nas organizações, a saber: 1. Domínio pessoal. É uma disciplina de aspiração. É a formulação de um conjunto coerente de resultados que as pessoas desejam alcançar como indivíduos (sua visão pessoal) em um alinhamento com o estado atual de suas 91 vidas (sua realidade atual). Cultivar a tensão entre a visão pessoal e a realidade externa aumenta a capacidade de fazer melhores escolhas e alcançar melhor os resultados escolhidos. 2. Modelos mentais. É uma disciplina de reflexão e questionamento. Eles focalizam o desenvolvimento de atitudes e percepções que influenciam o pensamento e a interação entre as pessoas. Ao refletir sobre aspectos do mundo, as pessoas ganham mais capacidade de governar suas ações e decisões. 3. Visão compartilhada. É uma disciplina coletiva sobre propósitos mútuos. As pessoas aprendem a nutrir um senso de compromisso em um grupo ou organização, desenvolvendo imagens do futuro que pretendem criar e os, princípios e práticas orientadoras pelas quais elas esperam alcançá-lo. 4. Aprendizagem de equipes. É uma disciplina de interação grupal. A aprendizagem é feita através de equipes e utiliza técnicas como diálogo e discussão para desenvolver o pensamento coletivo, aprender a mobilizar energias e ações para alcançar objetivos comuns e desenvolver inteligência e capacidade maiores do que a soma dos talentos individuais. 5. Pensamento sistêmico. É uma disciplina de aprendizagem. As pessoas aprendem melhor, compreendendo a interdependência e a mudança para lidar com as forças que produzem efeitos em suas ações. Pensamento sistêmico é baseado na retroação e na complexidade. Trata-se de mudar sistemas na sua totalidade e não mudar apenas detalhes. MARAVILHA!!!! Estamos a um passo de finalizarmos o nosso fascículo 2! E o convidamos para refletira respeito dos caminhos que muitas vezes devemos seguir. Num determinado momento, pode acontecer que não saibamos exatamente que rumo tomar, como bem nos mostra a placa abaixo. Parece confuso... É para a direita? Para a esquerda? Em frente?... Daí que é importante deter conhecimento que nos desenvolvam competências, habilidades e atitudes para tomarmos a melhor decisão que a situação requeira. 92 Tomando por base a nossa metáfora da viagem, poderemos observar várias estradas de que, muitas vezes, precisamos utilizar para fazer um percurso e é preciso atenção, vontade, equilíbrio e, claro, conhecimento sobre a estrada, sobre as diversas maneiras de fazer o percurso, das condições da estrada e do tempo etc. Veja que pode ser: Pode ser uma estrada sem asfalto, Pode ser asfaltada, com belas paisagens, porém, bem cuidada. Mas com muitas curvas, o que a torna perigosa. 3.5 Responsabilidade sócio-ambiental Você já havia pensado que a sociedade é composta de pessoas, que são os clientes ou consumidores de produtos/serviços de uma organização? Você já pensou também que, após anos de abusos por parte de algumas organizações, na condução de seus negócios, nas áreas sociais, ambientais e éticas, o ser humano despertou para o seu papel de fiscalizador dessas empresas? E uma das formas de coibir tais práticas é boicotando os produtos ou serviços fabricados por empresas que não inspiram confiança, não asseguram transparência, ética e moralidade na execução das estratégias organizacionais. Este item aborda a responsabilidade socioambiental nas organizações, tencionando despertar no aluno sua condição de cidadão e consumidor, que deve exigir transparência e respeito nas relações comerciais. E também refletir para a Assim é @ profissional de Administração. Deve adquirir conhecimentos que @ possibilitem tomar decisões com segurança. 93 situação do planeta que pede socorro, onde diversos biomas vêm sofrendo com a degradação de seus recursos e práticas predatórias. 3.5.1 Ética e Ética Empresarial Ética (do grego ethos = moral ou do latim mores = moral) é o código de princípios morais ou valores que estabelecem o que é certo ou errado na conduta de uma pessoa, grupo ou organização, e desse modo, guia o seu comportamento. Por outro lado, ética empresarial é o estudo da forma pela qual as normas morais pessoais se aplicam às atividades e aos objetivos da organização. (CHIAVENATTO 2006) Cada sociedade ou organização estabelece os preceitos e normas onde se enquadra o comportamento ideal, ou seja, aquele que é aprovado por estar de acordo com tais normas. A reprovação se dá quando as atitudes diferem ou destoam dos princípios éticos e morais de um grupo social. Segundo Maximiano (2006), o comportamento ideal é definido por meio de um código de conduta, ou código de ética, implícito ou explícito. A ética nos negócios e na administração reflete os costumes, atos e decisões que os administradores tomam para gerenciar suas organizações. Estas criam seus próprios problemas que esbarram no dilema ético e, nesse sentido, necessitam de seus códigos de conduta ética, a fim de guiar as ações e comportamentos de seus profissionais. Naturalmente, que a ética e a moral vão influenciar na rotina de trabalho de um indivíduo. 3.5.2 Responsabilidade Social As organizações têm restrições quanto às decisões e comportamentos. Elas devem prestar contas aos funcionários, ao governo, a sociedade, aos acionistas, aos fornecedores ou outros públicos de interesse. A evolução do mercado e a da competitividade fizeram com que as empresas passassem a olhar para fora e não mais se fecharem, se preocupando apenas com o seu negócio e lucratividade. Vá no Saber Mais VII e leia sobre: Código de Ética, Ética na Administração e Práticas eticamente questionáveis na Administração. 94 Problemas como desemprego, corrupção, poluição e desmatamento, qualidade de vida, Índice de Desenvolvimento Humano vêm despertando a discussão da ética e da responsabilidade social das empresas. Como muitos problemas sociais não são solucionados pelo Estado, as empresas vêm incorporando em seus planejamentos estratégicos e balanços contábeis, ações voltadas para o bem-estar social, como cultura, educação e saúde. Como a organização está inserida em uma sociedade e de lá retira os recursos necessários para o seu funcionamento, como a matéria-prima, a energia, e até os colaboradores, esta passa a ter responsabilidade em relação ao seu entorno e os elementos do ambiente. A partir dessa constatação, foi cunhado o termo responsabilidade social. Chiavenatto (2006) assevera que responsabilidade social significa o grau de obrigações que uma organização assume através de ações que protejam e melhorem o bem-estar da sociedade à medida que procura atingir seus próprios interesses. Megginson et al (1998) afirmam que responsabilidade social representa a obrigação da administração de estabelecer diretrizes, tomar decisões e seguir rumos de ação que são importantes em termos de valores e objetivos da sociedade. Estas definições demonstram que os administradores não devem focar apenas os rendimentos financeiros no exercício de sua função, mas também permitir o desenvolvimento social na localidade onde atua. O departamento de marketing, utilizando ferramentas como Relações Públicas, desenvolve ações de responsabilidade social, apoiando ONGs, criando seus próprios projetos voltados ao bem-estar social ou das duas ações juntas. 3.5.3 As Organizações e o Meio Ambiente A abordagem sistêmica da administração, desenvolvida na década de 1950, explica que as empresas são constituídas de diversas partes interdependentes e que estão inseridas em um ambiente complexo. Nesse sentido, os departamentos internos como marketing e produção, por exemplo, dependem um do outro. E estes são afetados intensamente pelas forças externas, como a economia, a cultura, a tecnologia e, principalmente, pela natureza. Vale destacar o meio ambiente, porque é da natureza que as organizações retiram a matéria-prima para a produção de bens e serviços. Os recursos naturais são 95 classificados como finitos (petróleo e carvão); finitos, mas renováveis (animais e plantas) e infinitos (água, desde que não poluída). O esgotamento ou escassez desses recursos pode comprometer a vida no planeta, não somente de animais e plantas, mas do ser humano. A idéia de sistema, de que uma parte afeta as demais, se coloca na natureza de forma incisiva. Por exemplo, se um rio seca em função do desmatamento da mata ciliar, peixes e outros animais aquáticos morrem e podem comprometer toda a cadeia alimentar. Assim, qualquer ação de indivíduos ou empresas que venha a impactar negativamente a natureza, hoje, por representar a descontinuidade da vida amanhã. Em 2007, com o relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima no planeta, as sociedades - civil e corporativa - perceberam os estragos causados por tantos anos de agressão ao meio ambiente. 3.5.3.1 Desenvolvimento sustentável Em junho de 1992, na Conferência das Nações sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO 92), realizada no Rio de Janeiro–RJ, a expressão desenvolvimento sustentável passou a fazer parte do ambiente das organizações. O objetivo é não comprometer o atendimento das necessidades de todos os seres vivos do planeta no futuro. Quando se fala em gerações futuras, geralmente se referem às pessoas, mas não podemos esquecer que asoutras espécies vivas precisam de sustentabilidade. Maximiano (2006) apoiando-se em Viederman considera o desenvolvimento sustentável um processo participativo que cria e almeja uma visão de comunidade que respeita e usa com prudência todos os recursos – naturais, humanos, feitos pelas pessoas, sociais, culturais, científicos e assim por diante. A sustentabilidade procura garantir, o máximo possível, que as gerações atuais tenham um elevado grau de segurança econômica e possam ter democracia e participação popular no controle das comunidades. Paralelamente, as gerações atuais devem manter a integridade dos sistemas ecológicos dos quais dependem toda a vida e a produção. Devem assumir responsabilidades em relação às gerações futuras, para deixar-lhes a mesma visão. Por fim, o desenvolvimento sustentável retrata a interdependência econômica, social e natural. Em outras palavras, para um país crescer e se desenvolver economicamente, as pessoas precisam ter acesso a emprego, saúde, educação e ter o 96 meio ambiente preservado e conservado, a fim de proporcionar o desenvolvimento contínuo e sólido. 3.5.3.2 Práticas ambientalmente responsáveis O agravamento do clima no planeta terra tem forçado as empresas a reavaliarem seus processos produtivos, contemplando toda a cadeia de valor. São ações que compreendem desde a extração da matéria-prima até o tratamento de resíduos. As organizações devem proteger e conservar o meio ambiente em busca da continuidade da produção, do consumo e da sobrevivência no planeta. Para Megginson et al (1998), proteção ambiental significa manter um equilíbrio entre elementos da ecologia, as relações entre coisas vivas – especialmente pessoas – e seu ambiente. Essa relação é complexa e frágil, pois o problema real é manter o equilíbrio entre o uso de recursos naturais no momento e sua conservação para as gerações futuras. Os recursos naturais, como já dissemos, são classificados como finitos (petróleo, carvão, zinco); finitos, mas renováveis (flora e fauna) e infinitos (água). Entretanto, mesmo os renováveis ou infinitos precisam de proteção ou conservação. Por exemplo, proibir a pesca, em determinado período, ajuda a reprodução da espécie e o conservação de mananciais para defesa de rios, lagos e represas. Um exemplo real é o da Faber Castell, que mantém uma área de reflorestamento para produção do EcoLápis, além de projetos de educação ambiental para funcionários e moradores da comunidade. A reciclagem de material é uma alternativa viável para a proteção ambiental, porque, além do fator ecológico, ainda emprega muitas pessoas. Segundo Brian Smith, presidente da Coca-Cola Brasil, em entrevista publicada na Revista Carta Capital Especial (Novembro e Dezembro de 2007), a empresa desenvolve vários projetos na área que contemplam, entre outras ações, o apoio direto as cooperativas de catadores em todo o país. E afirma também que o Brasil tornou-se o país que mais recicla embalagens de alumínio, com 96% de tudo o que é produzido. Em PET, o país já chegou 50% e se almejam os mesmos índices do alumínio. Segundo Megginson et al (1998), a reciclagem é o reprocessamento de artigos para uso posterior. É outra forma de conservação. O Real ABN Amro utiliza papel reciclado em anúncios impressos, cartas e relatórios. 97 A poluição contamina e destrói os recursos naturais, como o ar, a terra e a água. A poluição atmosférica é causada, principalmente, a partir da emissão de monóxido, dióxido de carbonos, óxido de nitrogênio e dióxido de enxofre, derivado de hidrocarbonetos e chumbo. A poluição hídrica é conseqüência de dejetos domésticos ou organizacionais (indústrias, comércios), tanto o lixo orgânico como o lixo seco (inorgânico). O lixo orgânico se decompõe, transformando-se em adubos, como folhas, galhos, restos de comida. Por outro lado, o lixo seco é composto de papel, vidro, alumínio e, portanto, recicláveis. Por meio do tratamento dos resíduos do processo produtivo, da reciclagem do material, como papel e água, da utilização de embalagens biodegradáveis, do reflorestamento de áreas, dentre outras ações ecológicas. 3.5.3.3 Legislação ambiental no Brasil A primeira Lei brasileira em defesa do meio ambiente foi decretada em 1981, sob o nº 6.938 (Lei da Política Nacional do Meio Ambiente). Os instrumentos ambientais utilizados são: Licenciamento ambiental: é o procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadores de recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental. Avaliação de impacto ambiental: acontece sempre que houver a possibilidade de degradação ambiental, como estradas, ferrovias, e oleodutos. Por exemplo, a construção da estrada Transpantaneira, na década de 70, para ligar o pantanal Norte em Poconé – MT ao Pantanal Sul, em Corumbá – MS, até hoje é alvo de críticas quanto ao impacto no bioma. A obra ficou inacabada, onde o trecho construído parou em Porto Jofre, na divisa dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. E as organizações podem evitar a poluição? Como? 98 Responsabilidade civil ambiental: é o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados pó sua atividade. A legitimação dos processos fica a cargo do Ministério Público. O CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente – regido por esta Lei, é um órgão consultivo e deliberativo, cuja missão é assessorar, estudar e propor diretrizes de políticas ambientais, bem como deliberar sobre normas e padrões de controle ambiental. A Lei nº 7.347, de 1985, permitiu a legitimação de outras entidades para apurar a responsabilidade civil ambiental, como as ONGs ambientais. Estas passaram a ser autoras de ação civil pública, visando à reconstituição do bem lesado ou à indenização pelo dano causado ao ambiente. Em 5 de outubro de 1988, foi promulgada a nova Carta Magna Brasileira, a Constituição Federal de 1988, que estabeleceu em seu artigo 225: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Em 1989, foi criado o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Lei nº 7.735, de 22/02/89). É o órgão executor da política e das diretrizes federais do meio ambiente. Em 22 de novembro de 1992 criou-se o Ministério do Meio Ambiente (Lei nº 8.490). Em 1998, foi aprovada a Lei nº 9.605, a Lei dos Crimes contra o Meio Ambiente. 3.5.4 Terceiro Setor Terceiro Setor é uma expressão usada para identificar atividades da sociedade civil que não se enquadram na categoria das atividades estatais e que não têm finalidade lucrativa. Assim, por ordem tem-se o Primeiro Setor, que representa as atividades do Estado, o Segundo Setor representado pelas organizações com fins lucrativos ou de mercado, e o Terceiro Setor que direciona suas ações para o social. Segundo Fernandes (1994), 99 Terceiro setor é um conjunto de organizações e iniciativas privadas que visam à produção de bens e serviços públicos. Este é o sentido positivo da expressão. “Bens e serviços públicos”, nesse caso, implicam uma dupla qualificação: não geram lucros e respondem a necessidades coletivas. São exemplos de instituiçõesdo Terceiro Setor: Instituições de caridade, como as Casas André Luiz, que atendem crianças órfãs e abandonadas portadoras de deficiências mentais. A primeira casa foi inaugurada em janeiro de 1958. A Cruz Vermelha, que presta socorro e ajuda a pessoas em tempo de guerra ou vítimas de catástrofes naturais (secas, enchentes, tsunamis, terremotos). A Cruz Vermelha Brasileira foi fundada em 5 de dezembro de 1908. Associações de desenvolvimento comunitário, como as sociedades de amigos de bairros. Associações de proteção do meio ambiente, como a Fundação SOS Mata Atlântica, criada em 1986, para proteger os últimos remanescentes do bioma. Grupos de interesse específico, como a AACD, fundada em 1950 e que tem como objetivo reabilitar e incluir crianças, adolescentes e adultos portadores de deficiência mental na sociedade. Entidades que promovam o associativismo e a prestação de serviços, como o Rotary Club, fundado em 1905. Fundações com atividades assistencialistas ou educacionais, como creches. Estamos chegando ao fim! Ta pensando que a vida é só trabalho e estudo? NÃO!!!!! É necessário e importante cuidar de si mesmo e namorar! Por isso agora dê uma parada e vá namorar! Seja com uma paixão ou com uma idéia, um bom livro... Vamos continuar? Vem aí o item que trata de governança corporativa. Você sabe o que é isso? Vais saber já, já! 100 3.6 Governança Corporativa Este item traz o conceito, o histórico e os princípios de governança corporativa, e a caracterização do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBCG). 3.6.1 Definição e Contextualização Ambiental Desde 1990, as organizações vêm passando por um processo de mudança cada vez mais rápido, o que exige uma postura proativa da empresa. Esta deve diagnosticar o ambiente externo, para, em seguida, elaborar o planejamento estratégico. Tais estratégias devem convergir para toda a organização e públicos envolvidos, como os clientes, os funcionários, a sociedade e os acionistas. Isso significa, “que se deve aglutinar, juntar e envolver tudo e todos”. (CHIAVANETTO 2006) Para atender aos interesses de todos e se alinhar principalmente com as dos acionistas da organização, foi criada, em 1992, a Governança Corporativa. O seu objetivo principal é garantir que os interesses dos gerentes e executivos estejam compatíveis e alinhados com os dos acionistas. Dessa forma, a governança corporativa contempla a supervisão em áreas em que os proprietários, executivos e membros do conselho de administração podem ter conflitos de interesse. Mais adiante será analisado o papel do IBGC e sua evolução histórica. As áreas incluem eleição de diretores, estrutura de pagamentos de presidentes, diretores e gerentes e as ações estratégicas da organização. Chiavenatto (2006) ressalta que “quase sempre, os investidores e acionistas são colocados em primeiro lugar”. Para SILVA (2006), a governança corporativa “é um conjunto de práticas que tem por finalidade otimizar o desempenho de uma companhia, protegendo investidores, empregados e credores, facilitando, assim, o acesso ao capital”. Já o IBCG (2004) define governança corporativa como sendo um sistema pelo qual as sociedades são dirigidas e monitoradas, envolvendo os relacionamentos entre acionistas/cotistas, conselho de administração, diretoria, auditoria independente e conselho fiscal. As boas práticas de governança corporativa têm a finalidade de O que significa, afinal, a expressão Governança Corporativa? 101 aumentar o valor da sociedade, facilitar seu acesso ao capital e contribuir para sua perenidade. Em um ambiente onde cada passo errado pode significar perdas significativas de dinheiro e investimentos, os acionistas procuram organizações sérias e lucrativas, pautadas na transparência e ética para investir. Dessa forma, é importante adotar práticas de relacionamento que esclareça os direitos e deveres de cada um – acionistas diretores etc., para garantir o desempenho eficaz da empresa e seu valor no mercado. 3.6.2 Evolução Histórica A governança corporativa tem sua origem em 1992, época marcada pelo crescimento das privatizações, fusões e aquisições, reflexos da globalização da economia e abertura de mercado, iniciada em 1990. Grandes empresas passaram por mudanças, entre 1992 e 1993, em decorrência das pressões dos conselhos de administração. Motivos: escândalos, desvios de dinheiro, corrupção. Em 1995, é criado o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), único órgão criado com a meta principal de contribuir para otimizar o conceito de Governança Corporativa nas empresas do país. Ao abraçar essa missão, o Instituto visa cooperar com o aprimoramento do padrão de governo das empresas nacionais, para seu sucesso e perpetuação. A boa Governança Corporativa assegura aos sócios equidade, transparência, prestação de contas (accountability) e responsabilidade pelos resultados2. A boa governança corporativa proporciona aos proprietários (acionistas ou cotistas) a gestão estratégica de sua empresa e a efetiva monitoração da direção executiva. As principais ferramentas que asseguram o controle da propriedade sobre a gestão são o Conselho de Administração, a Auditoria Independente e o Conselho Fiscal. Em 1999, é criado pelo IBCG o código das Melhores Práticas de Governança Corporativa. Em abril de 2001, o código passou pela primeira revisão, enfatizando o papel didático da governança em guiar as empresas para as melhores práticas e 2 Disponível em: http://www.ibgc.org.br/home.asp. Acesso em 03 de dezembro de 2007. 102 resultados financeiros. Em 2003, o IBCG passa a ser a organização dedicada exclusivamente à promoção e ao fomento da governança corporativa no Brasil. 3.6.3 Código das melhores práticas de Governança O código das melhores práticas foi criado, em 1999, com o objetivo de definir os mecanismos de governança corporativa nas organizações. Desde então, vem passando por revisões e alterações de modo a captar as principais mudanças internacionais e adaptá-las ao contexto nacional. 3.6.3.1 Objetivos e Princípios Básicos De acordo com o IBCG (2004), os objetivos e os princípios básicos definidos são: transparência: a administração deve comunicar espontaneamente as informações com seus públicos, o que traz confiança nas relações. São informações de diversas naturezas, como a econômica, financeira, de mercado, da valorização da marca e fidelidade de clientes; equidade: tratamento justo e igualitário para acionistas, colaboradores, fornecedores, revendedores, parceiros, dentre outros públicos de interesse; prestação de contas com responsabilidades: os agentes da governança devem prestar contas a quem os elegeu e respondem integralmente por todos os atos que praticaram durante os seus mandatos; responsabilidade corporativa: os conselheiros e executivos devem zelar pela visão de longo prazo e sustentabilidade da organização, devem também incorporar assuntos de ordem social e ambiental na definição dos negócios e operações. Prepare-se para a nossa prova escrita! Saiba que exatamente porque você esteve o tempo todo nos acompanhando e, muitas vezes, indo além, por conta própria, você tem tudo para se sair muito bem! Estude o que for indicado pelo seu orientador e sinta-se pront@! A hora exige festejo! Chegamos ao destino e agora vamos iniciar outra viagem pelos caminhos da Economia (Introdução). 103 REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS BERGAMINI, Cecília Whitaker. Liderança: administração do sentido– São Paulo: Atlas, 1994. BERMAN, Barry; EVANS, Joel R. Retail management: a strategic aproach. New York: Macmillan Publishing Company, 1992. BIAGGIO, Luiz Arnaldo. Batocchio, Antonio. Plano de negócios: estratégias para micro e pequenas empresas. Barueri SP: Manole, 2005. BITTEL, Lester R. Supervisão eficaz. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1982. CARAVANTES, Geraldo Ronchetti. Teoria Geral da Administração: pensando & fazendo. Porto Alegre: AGE, 1998. CAVALCANTI, Marly (org.). Gestão Estratégica de Negócios: evolução, cenários, diagnóstico e ação. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2003. CHIAVANATO, Idalberto. Princípios da Administração: o essencial em teoria geral da administração. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. ______. 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Atualmente sou Coordenadora do Curso de Administração na modalidade a distância e Coordenadora de Estágio Supervisionado. e-mail: neiva_marques@yahoo.com.br Fone: (65) 3615-8519 Francisco Mirialdo Chaves Trigueiro Nasci no Estado do Ceará e me formei em Administração pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) - campus de João Pessoa - (PB), em 2001. Em 2002, ingressei no curso de mestrado em Administração de Marketing também pela UFPB. Em fevereiro de 2005 defendi a dissertação de mestrado, e a partir daí iniciei a carreira de Professor na Faculdade de Ciências Sociais (FACISA) de Campina Grande - PB. Nesta instituição lecionei as disciplinas de Marketing e Gerência de Vendas e Promoção. Em setembro de 2005 vim morar em Cuiabá, para trabalhar em uma empresa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. No ano de 2006 fui contratado pela Univag – Várzea Grande (MT), e ministrei aulas de Administração de Marketing e Marketing Internacional. Em agosto de 2006 ingressei na Universidade Federal de Mato Grosso e venho desenvolvendo trabalho no ensino tradicional e na modalidade a distância no Departamento de Administração. CRA-PB 3162 e-mail: trigueiro@ufmt.br Fone: (65) 3615-8517