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2 
 
 
 
 
1 Fragmentação, efeito de borda e perda de biodiversidade. 
2 Corredores ecológicos, dispersão de fauna e flora e trocas genéticas. 
3 Conservação e manejo de populações e de metapopulações in situ e ex situ. 
4 Introduções indesejadas de animais exóticos ou alóctones e seus efeitos sobre populações e 
comunidades em ambientes naturais. 
5 Estratégias para conservação da diversidade biológica: hotspots (áreas de alta biodiversidade) e 
centros de endemismos. 
6 Estratégias de conservação de habitats e de espécies. 
7 Estrutura de populações e manejo sustentável de fauna na natureza e em semiliberdade. 
8 Estatística paramétrica e não paramétrica. 
9 Ecologia da paisagem. 
10 Biomas e fitofisionomias brasileiros: características e evolução da fauna e flora. 
11 Desenvolvimento econômico do país e conservação da biodiversidade amazônica. 
12. Política Nacional da Biodiversidade, Decreto nº 4.339/2002. 
13 Decreto nº 2.519/1998. 
14. Acesso ao patrimônio genético, Medida Provisória nº 2.186-16/2001 e Decreto nº 
6.159/2007. 
15 Lei nº 5.197/1967. 
 
 
www.klimanaturali.org 
 
3 
 
FRAGMENTAÇÃO, EFEITO DE BORDA E PERDA DE BIODIVERSIDADE 
 
 O crescente avanço do desenvolvimento em direção da Amazônia tem sido responsável pelo 
acelerado processo de fragmentação das paisagens do bioma da Amazônia. Atividades agrícolas 
(pastagem e cultivo), incêndios florestais, construção de barragens, mineração e exploração de 
recursos da fauna e flora resultam na perda da biodiversidade. Para crescer de forma sustentável é 
preciso que as instituições governamentais e não governamentais busquem alternativas para valorizar 
os elementos da biodiversidade. Anseia-se que esses valores sejam considerados nas discussões 
voltadas para o desenvolvimento econômico e nas aplicações de educação e gestão ambiental. 
 Estudos sobre os efeitos da fragmentação florestal sobre a estrutura genética das espécies são 
importantes para o planejamento e gerenciamento de estratégias de conservação. A fragmentação de 
habitats é uma das mais importantes e difundidas conseqüências da atual dinâmica de uso da terra pelo 
homem (Brooks et al. 2002). A taxa com que o homem está alterando as paisagens naturais é muitas 
vezes maior do que a da dinâmica de perturbação natural dos ecossistemas (Goling e Willian 2000). 
 A transformação de habitats em pequenos remanescentes impõe uma grande ameaça para muitas 
espécies selvagens (Ricklefs 2003, Pattanavibool 2004), devido à diminuição da capacidade dos 
organismos em se deslocarem em decorrência das modificações ocorridas. A ocupação humana e a 
modificação do uso das terras, esta convertendo paisagens naturais em áreas de cultivo, pastagem e 
urbanização (Brooks et al. 2002; Myers et al 2000; Goling and Willian 2000; Begon et al. 1999). Com 
isso, restam apenas pequenos fragmentos de paisagens naturais, muitas vezes isoladas, tornando-se 
numa área insular entre as atividades humanas (Brooks et al. 2002). A resposta das espécies existentes 
nesses fragmentos dependerá da sua capacidade de sobrevivência dentro desses fragmentos (Laurence 
1991). Algumas espécies conseguem se adaptar, prosperar e circular livremente nas áreas 
fragmentadas, ao passo que a maioria, que não consegue, sofre extinção local. Portanto, muitas vezes 
os remanescentes naturais são pequenos e(ou) isolados e acarretam a extinção local das espécies 
(Goling e Willian 2000). 
 A destruição de habitats resulta na fragmentação destes, aumenta a perda de habitat original, 
reduz o tamanho e aumenta o isolamento das manchas de habitat (Scribner et al 2001, Curtis e Taylon 
2004). O perfil dos remanescentes florestais pode diferir na forma, tamanho, microclima, regime de 
luminosidade, solo, grau de isolamento e tipo de propriedade. Conseqüentemente, a fragmentação da 
floresta pode influenciar os padrões locais e regionais de biodiversidade devido à perda de micro-
habitats únicos, isolamento do habitat, mudanças nos padrões de dispersão e migração e erosão do solo 
(Laurence 1991). Adicionalmente, os efeitos de borda, que podem alterar a distribuição, 
comportamento e sobrevivência de espécies de plantas e animais, serão magnificados em áreas de alta 
intensidade de fragmentação florestal. 
 As modificações nas paisagens afetam de forma diferenciada os parâmetros demográficos de 
mortalidade e natalidade de diferentes espécies e, portanto, a estrutura e dinâmica dos ecossistemas. 
No caso de espécies arbóreas, a alteração na abundância de polinizadores, dispersores, predadores e 
patógenos afetam as taxas de recrutamento de plântulas. Os incêndios e mudanças microclimáticas 
atingem de forma mais intensa as bordas dos fragmentos, alterando as taxas de mortalidade de árvores 
(Brooks et al. 2002). As evidências científicas sobre esses processos têm crescido nos últimos anos. 
No Brasil, a exploração antrópica da Amazônia tem ocasionado a perda da sua biodiversidade devido à 
substituição das paisagens naturais por campo agrícola, pastagens e urbanização (Klink 2005). Estima-
se que já tenha perdido mais de 30 % da sua área original, e que os cenários científicos mostram uma 
tendência de aumento desse processo. A criação de gado, exploração da madeira, atividades 
relacionadas com mineração e mais recentemente com a possibilidade da expansão agrícola por causa 
do programa de biocombustível e geração de energia hidrelétrica incentivado pelo governo, estão entre 
as principais ameaças. Assim, o grande desafio dos órgãos ambientais é evitar que a floresta 
Amazônica tenha o mesmo destino do Cerrado e da Mata Atlântica, sobretudo porque há muitas 
espécies que ainda não foram catalogadas. Além do mais, a perda da biodiversidade do bioma 
4 
 
Amazônico poderá trazer consequências globais. 
 O planejamento e manejo de reservas naturais deve necessariamente considerar os efeitos da 
fragmentação da floresta relacionados à persistência das espécies e dos mecanismos ecológicos. Se a 
área de uma reserva natural está abaixo do tamanho mínimo necessário para que seja mantida a 
população de uma espécie, então a espécie estará em risco de extinção nessa reserva. A fusão rápida do 
conhecimento científico com políticas públicas, relacionadas ao uso e ocupação do solo, é urgente para 
evitar uma degradação ambiental intensa e, pró-ativamente, manejar as áreas naturais que irão 
enfrentar grande onda de desenvolvimento no futuro. As ações econômicas, social, política e ambiental 
decidirão sobre o destino das espécies e dos mecanismos que sustentam a vida. Dessa forma, a 
sociedade deverá tomar decisões embasadas nos conhecimentos científicos e tecnológicos. 
 Dore e Webb (2003) analisaram um estudo de caso para determinar o valor da biodiversidade. Foi 
realizada uma prospecção da biodiversidade para procurar compostos químicos e informação genética 
produzidos por organismos silvestres e, que pudesse ter algum valor comercial, cujo preço refletisse no 
mercado. O comércio agrícola, a indústria farmacêutica e de cosméticos têm grande interesse nessas 
aplicações. Esperava-se que a prospecção fosse utilizada para determinar um valor comercial para a 
preservação de áreas ricas em biodiversidade. Mas, existem diversos problemas de regulamentação de 
direito a propriedade. Por isso, as companhias farmacêuticas freqüentemente contratam coletores. De 
fato, seu custo de prospecção está associado às despesas com o coletor, ficando a preservação da área 
para segundo plano. 
 Uma ampla classe de valoração, utilizada por economistas de recursos, tem sido valorar o 
estoque de uma espécie (Perrings et al. 1995 apud Dore e Webb 2003). Essa abordagem engloba 
diversos conceitos de valoração econômica,novos e antigos. A abordagem dos economistas de 
recursos é uma forma de valorar passo a passo uma única espécie, tentando primeiramente calcular sua 
biomassa. Dada a natureza do crescimento biológico, a equação logística tem sido muito utilizada para 
estimar a biomassa de uma espécie. A essa biomassa poderá ser atribuído um valor de diversas formas: 
pode ser atribuído um valor direto (de consumo) como alimento ou como uma espécie estruturante. 
Valores diretos de existência e herança também podem ser atribuídos à espécie. Contudo, de uma 
forma geral, os diferentes métodos podem ser classificados em dois grandes grupos, os métodos 
diretos e indiretos de valoração econômica da biodiversidade. A economia da natureza interpreta que 
relação ambiente-economia em termos da segunda lei de termodinâmica. A segunda lei vê a atividade 
econômica como um processo dissipativo. A partir desta perspectiva, a produção de bens econômicos 
e serviços invariavelmente requerem o consumo de matéria e energia disponíveis no ambiente. A 
economia necessariamente se alimenta de recursos de energia/matéria de alta qualidade (baixa 
entropia) para crescer e desenvolver. Isso tende a desordenar e homogeneizar a ecosfera. A 
ascendência da humanidade acompanhada por uma taxa crescente de degradação ambiental, resultando 
na perda da biodiversidade, redução dos sistemas naturais e poluição da água, ar e solo. Em suma, o 
paradigma dominante de desenvolvimento econômico baseado no crescimento é fundamentalmente 
incompatível com a sustentabilidade social e ecológica (Rees 2003). 
 Então a valoração da biodiversidade deve ser estudada, utilizada e difundida, sendo uma 
ferramenta aliada e imprescindível nas políticas econômicas e sociais. Além disso, a valoração é 
essencial dentro da nova visão da economia ecológica, que prevê a internalização das externalidades 
(positivas ou negativas). Portanto, entre o desafio de atribuir valores aos elementos da biodiversidade, 
reduzir os processos de fragmentação das paisagens naturais e buscar um desenvolvimento de forma 
sustentável, está a necessidade urgente da aplicação dos instrumentos de gestão ambiental. Inclui-se 
não só o estabelecimento e aplicação das leis, mas a ética em todos os setores - político, 
governamental, empresarial e social - para inserir nas discussões econômicas e sociais os valores 
ecológicos (Ricklefs 2003). Por outro lado, é preciso que haja aplicação da educação ambiental nos 
setores da sociedade. 
 Por meio da educação ambiental é possível sensibilizar as pessoas e mostrar que os seres 
humanos dependem do ambiente para obtenção dos recursos que necessitam para a sua sobrevivência 
5 
 
e, principalmente, que esses recursos são finitos. Ainda, que sejam levadas as informações dos 
cientistas e pesquisadores a todas as camadas da sociedade, para que a mesma possa refutar os 
acontecimentos. Tais informações devem ser avaliadas por cada indivíduo, pois a sustentabilidade do 
planeta depende primordialmente da ação de todos. Entretanto, a esfera política precisa estar bem 
assessorada para tomar decisões corretas que contribuam para manutenção dos ecossistemas. Além 
disso, devemos ter ciência que nós fazemos parte da biodiversidade e, não temos a moral de sentenciar 
uma espécie à extinção e beneficiar outra porque a consideramos mais valiosa economicamente em 
relação à anterior. Para isso, torna-se necessária a mudança dos nossos valores e só assim teremos a 
possibilidade de ter um planeta sustentável. Dessa forma, a prática da educação ambiental como 
instrumento de gestão, juntamente com as políticas públicas eficientes, e governância são 
imprescindíveis para que o Brasil minimize e conserve seus recursos naturais. 
 Dentre os vários temas integrados possíveis de investigação na Amazônia, os que estão mais 
relacionados com o processo de gestão territorial da região são o planejamento e a implementação de 
territórios sustentáveis, ou seja, um mosaico de usos de terra complementares gerenciados de forma 
integrada que permitam conservar a biodiversidade e manter tanto a dinâmica dos processos 
ecológicos como a dinâmica socioeconômica de um determinado território. É necessário o manejo 
florestal sustentável (Litlle 2003) e a participação social (Nascimento 2003). Para isso, é preciso 
integrar e aplicar os conhecimentos científicos para desenvolver modelos sustentáveis de uso do 
território na região. 
 Outros mecanismos de resposta à conservação ambiental incorporam, também, a importância da 
agricultura familiar, a lógica dos créditos de carbono, a agricultura de floresta, o artesanato e o 
ecoturismo sustentável para diminuir os impactos dos produtores nessas regiões. A sustentabilidade 
depende de modelos alternativos de gestão ambiental. Políticas locais, regionais e federais devem 
convergir na mesma direção. Da prática coerente de instrumentos de educação e gestão ambiental com 
instrumentos econômicos de desenvolvimento (Bursztyn 2001). Assim, os recursos naturais existentes 
na Amazônia dependem de políticas públicas eficientes para minimizar o processo de fragmentação 
que ocorre na região de forma crescente. Portanto, a sociedade brasileira juntamente com as 
comunidades existentes na Amazônia deve atribuir valor aos elementos da biodiversidade e aplicar 
valores morais que possam contribuir para a sustentabilidade do planeta. 
 
EFEITO DE BORDA 
 Efeito de borda é uma alteração na estrutura, na composição e/ou na abundância relativa de 
espécies na parte marginal de um fragmento. Tal efeito seria mais intenso em fragmentos pequenos 
e isolados. 
 Esta alteração da estrutura acarreta em uma mudança local, fazendo que plantas que não 
estejam preparadas para a condição de maior estress hídrico, característico das regiões de borda, 
acabem perecendo, acarretando em mudanças na base da cadeia alimentar e causando danos à 
fauna existente na região. 
 Muitas vezes essa morte dentre os integrantes da flora na região de borda, acarreta na 
ampliação desta região, podendo atingir segundo alguns autores, até 500m. 
 Na Floresta Atlântica, a maior parte dos remanescentes florestais, especialmente em 
paisagens intensamente cultivadas, encontra-se na forma de pequenos fragmentos, altamente 
perturbados, isolados, pouco conhecidos e pouco protegidos (Viana & Pinheiro, 1998). A 
fragmentação florestal é um dos fenômenos mais marcantes e graves do processo de expansão da 
fronteira agrícola no Brasil (Viana et al., 1992), provocando o isolamento de trechos de floresta de 
diferentes tamanhos, em meio a áreas perturbadas, ficando a periferia do fragmento mais exposta à 
insolação e à modificação do regime dos ventos. Essas mudanças provocadas pelos limites 
artificiais da floresta sãochamadas efeito de borda e têm enorme impacto sobre os organismos que 
6 
 
vivem nesses ambientes fragmentados . Uma forma de se estudar essas mudanças é observar o 
padrão de agregação das espécies que pode ocorrer em resposta a diferenças locais entre habitat. 
Pelas mudanças provocadas nas condições do local, o efeito de borda afeta o padrão de 
distribuição espacial das espécies. A distribuição diamétrica busca permitir a avaliação prévia de 
condições dinâmicas da floresta, possibilitando previsões futuras quanto ao desenvolvimento da 
comunidade vegetal. E, através da avaliação da estrutura vertical em populações, pode-se 
identificar o comportamento ecológico e o hábito de cada população. 
 
 Outro ponto importante no estudo do comportamento das espécies seria com relação ao 
estudo de grupos sucessionais. A separação das espécies arbóreas em grupos ecológicos é uma 
maneira de possibilitar o manuseiodo grande número de espécies da floresta tropical, mediante 
seu agrupamento por funções semelhantes e de acordo com as suas exigências. Os estudos dos 
grupos sucessionais servem não apenas para que se possa recuperar a vegetação original mas, 
também, porque em cada uma de suas fases se encontram potenciali- dades biológicas de grande 
utilidade para o homem, por exemplo, os grupos de espécies de rápido crescimento, que podem ser 
exploradas comercialmente . 
 
 
PERDA DE BIODIVERSIDADE 
 
 Será que deveríamos nos preocupar com a extinção das espécies? Até pouco 
tempo atrás, a diversidade da vida vem aumentando aos níveis mais elevados de 
que se tem conhecimento na história da Terra (Chapin et al . , 2000). Contudo, a 
exploração da natureza pelo homem tem tido , e ainda tem, conseqüências 
prejudiciais para a biodiversidade do planeta . Segundo estimativas, cerca de 150 
t ipos únicos de organismos são extintos diariamente (Lamont, 1955). É bem 
verdade que muitas espécies de plantas e animais estão desaparecendo e 
continuarão a desaparecer em decorrência de atividades humanas no passado e 
no presente (Chapin et al . , 1996) , mas será que essa perda afeta o funcionamento 
dos ecossistemas e inf luenciam o bem-estar da humanidade? 
 A ciência conhece quase dois mi lhões de espécies, mas acredita -se que 
existam pelo menos 10 milhões (e talvez até 30 milhões) de espécies (May, 
1990). Com esse grande número de espécies, e a vasta diversidade que 
representam, seria realmente tão importante se perdêssemos algumas, ou mui tas 
que sejam? Afinal, a extinção é um processo natural – mais de 99% de todas as 
espécies que já exist iram estão hoje extintas (Leakey, 1996). Além disso, muitas 
espécies são consideradas redundantes (Walker, 1992), o que significa que 
desempenham as mesmas funções dentro de um ecossistema. Sendo assim, a 
perda de todas as espécies que desempenham uma certa função, com exceção de 
uma, não deveria importar. Ou deveria? 
 Em primeiro lugar, qualquer possível efeito negativo no funcionamento do 
ecossistema deve-se não apenas à perda de espécies propriamente ditas, mas à 
velocidade com que estão desaparecendo. Hoje em dia, as espécies estão 
desaparecendo de 100 a 1.000 vezes mais rapidamente do que em épocas 
anteriores à existência do homem na terra, e a extinção adicional das espécies 
ameaçadas pode acelerar substancialmente essa perda (Chapin et al . , 1998). 
Além disso, para cada 10.000 espécies que se extinguem, somente uma nova 
espécie chega a evoluir (Chapin et al . , 1998) . Portanto, a velocidade de pe rda de 
biodiversidade atual supera largamente a velocidade com que a natureza 
consegue efetuar uma compensação e se adaptar. 
 Em segundo lugar, as espécies redundantes conseguem se proteger contra 
as mudanças de função do ecossistema, no caso de p erda de espécies, somente 
7 
 
até certo ponto. Contudo, os organismos classificados por nós como idênticos em 
função muitas vezes demonstraram diferir o suficiente para adquirir uma 
importância significativa no funcionamento do ecossistema. Mesmo que algumas 
espécies sejam redundantes em termos da função que desempenham, elas 
geralmente têm diferentes condições ambientais favoráveis ao seu crescimento e 
reprodução, o que é uma proteção contra as mudanças no ecossistema se as 
condições ambientais se alterarem (Chapin et al . , 1995). Conseqüentemente, a 
perda de espécies pode não só causar efeitos diretos num ecossistema, mas 
também afetar sua capacidade de proteção contra futuras mudanças ambientais. 
 Portanto, verificamos que as espécies estão desaparecendo mais 
rapidamente do que nunca, que a natureza não consegue acompanhar essa grande 
rapidez de extinção e que as espécies ecológicas equivalentes (se é que existem) 
são importantes como proteção contr a futuras mudanças no ambiente. Portanto, 
existem motivos de preocupação. Mas será que existe alguma prova de que a 
perda de biodiversidade cause efeitos negativos no funcionamento dos 
ecossistemas? Existem pelo menos algumas indicações e, no texto abaixo, vou 
discorrer brevemente sobre alguns resultados de estudos que investigaram os 
efeitos da perda de biodiversidade. 
Investigações dos efeitos da perda de biodiversidade 
 Embora diversos estudos, part icularmente na ciência agrícola, tenham 
investigado empiricamente a importância do agrupamento de várias espécies em 
épocas remotas, foi só no início da década de 90 que os primeiros estudos 
testando especificamente os efeitos da perda de biodiversidade nos processos e 
funcionamento do ecossistema foram publ icados. Desde então, a pesquisa no 
campo da ecologia chamado Biodiversidade e Funcionamento do Ecossistema 
(BD-EF) aumentou consideravelmente (vide Loreau et al . , 2001, 2002, para 
estudos ) . A despeito de alguns problemas com projetos experimentais, 
estatíst icas e extrapolação de resultados para os sistemas naturais, houve 
progresso. A seguir, vou expor e analisar o que considero ser as mais 
importantes realizações desses estudos. 
Importância da Biodiversidade 
 As primeiras contribuições empír icas no campo da BD -EF foram 
publicadas em meados dos anos 90 (Tilman e Downing, 1994, Naeem et al . , 
1994, 1995). Esses dois estudos concluíram que a biodiversidade era importante 
para o funcionamento do ecossistema. O estud o de Naeem et al . (1994, 1995) foi 
realizado no Ecotron, na Inglaterra, em ecossistemas art if iciais consti tuídos de 
vários níveis tróficos (i .e. produtores primários, consumidores e predadores) 
contendo biodiversidade baixa, média ou alta. Descobriu -se que a biodiversidade 
afeta substancialmente diversos processos diferentes do ecossistema e que 
alguns processos aumentaram com a biodiversidade, enquanto outros 
diminuíram. Tilman e Downing (1994) realizaram seus estudos nos ecossistemas 
de pastagens em Cedar Creek, estado de Minnesota, EUA. Util izaram 
tratamentos experimentais contendo de uma a 24 espécies, e ver ificaram que a 
produtividade e a retenção dos nutrientes do solo aumentaram com a diversidade 
vegetal . Esses estudos receberam muita atenção quando p ublicados; portanto, 
t iveram grande importância no impulso da pesquisa em BD -EF, aumentando a 
conscientização das conseqüências da perda de biodiversidade, tanto na 
comunidade científica como entre os tomadores de decisão. Propiciaram também 
um bom alicerce para futuras pesquisas. 
Importância do projeto experimental 
8 
 
 Após esses primeiros estudos empír icos sobre os efeitos da perda de 
espécies, houve alguma polêmica sobre a causa desses resultados (Aarsen, 1997, 
Huston, 1997) . Uma das sugestões era que, em vez da biodiversidade 
propriamente dita, algumas poucas espécies com forte impacto nos processos do 
ecossistema e a crescente probabil idade de essas espécies terem sido incluídas 
nos agrupamentos de alta diversidade poderiam ser responsáveis pelas 
correlações entre a biodiversidade e o funcionamento do ecossistema. Em outras 
palavras, os resultados poderiam ser fabricados pelo projeto experimental ( i .e. 
“efeito de amostragem”). Contudo, outros ecologistas argumentaram que a 
importância de determinadas espécies e sua maior taxa de ocorrência em 
agrupamentos com maior número de espécies poderiam ser também uma 
característ ica importante dos sistemas naturais (Tilman et al . , 1997). Essa 
questão foi solucionada de certa forma quando foram apresentadas téc nicas 
estatíst icas para separar os efeitos da biodiversidade e determinadas espécies 
(Jonsson e Malmqvist, 2000, Loreau e Hector, 2001). Além disso, a importância 
de determinadas espécies e determinadas composições de espécies deveria 
também ser objeto de interesse em estudos sobre fatores que afetam o 
funcionamento do ecossistema. De qualquer modo, esse debate foi importante 
pois conduziu a projetos experimentais mais sólidos sobre os efeitos da 
biodiversidade. 
Redundância das espécies 
 Alguns estudiosos argumentaram que não é a biodiversidade per se, mas 
sim a diversidade funcional do grupo que é importante para o funcionamento do 
ecossistema. Esse argumento fundamenta -se na crença de que as espécies 
pertencentes ao mesmo grupo funcional são redun dantes. De acordo com essa 
l inha de raciocínio, as espécies podem se extinguir sem causar nenhum efeito no 
funcionamento do ecossistema, contanto que cada grupo funcional seja 
representado por pelo menos uma espécie. 
 No entanto, embora as espécies possam parecer redundantes quanto à 
função que desempenham, elas podem se dist inguir de inúmeras outras maneiras , 
i .e. at ividade no tempo e no espaço, preferências ambientais (climáticas), 
escolha específica da presa, vulnerabil idade a predadores, e a ssim por diante. 
Sustentando a noção de que espécies aparentemente redundantes diferem o 
suficiente para que cada uma seja importante no funcionamento dos 
ecossistemas, existem estudos que investigaram os efeitos da perda de 
biodiversidade dentro de grupos funcionais (ex.: Jonsson e Malmqvist , 2000, 
Jonsson et al . , 2001, Cardinale et al . , 2002, Dangles et al . , 2002, Huryn et al . , 
2002 Jonsson et al . , 2002, Jonsson e Malmqvist , 2003a,b). Esses estudos 
constataram fortes efeitos de mudança na biodiversidade, embora as espécies 
uti l izadas desempenhassem funções idênticas. Conseqüentemente, além dos 
efeitos definidos no funcionamento do ecossistema quando as últ imas espécies 
de um grupo funcional desaparecem, a perda de espécies dentro de grupos 
funcionais também tem grande importância. Embora alguns desses estudos 
tenham comprovado o aumento do funcionamento do ecossistema com declínio 
da biodiversidade, eles ainda demonstram que a redundância de espécies, nesse 
sentido, é um conceito disfuncional. 
 Além do mais, as espécies redundantes podem, até certo ponto, atuar 
como um seguro biológico, minimizando o efeito das mudanças no 
funcionamento do ecossistema quando as condições ambientais mudam . Por 
exemplo, imaginemos que duas espécies aparentemente re dundantes (A e B) 
desempenhem uma mesma função e que a espécie A predomine sobre a espécie B 
em abundância, já que as condições ambientais existentes favorecem a espécie 
9 
 
A. Então, quando o ambiente se altera de modo que as novas condições passam a 
favorecer a espécie B, causando declínio do desempenho da espécie A, a espécie 
B aumenta em abundância e desempenho de modo que o funcionamento do 
sistema permanece inalterado. Se a espécie A fosse a única espécie do sistema 
no momento da mudança ambiental , ocorre ria uma perda no funcionamento do 
ecossistema. Portanto, nesse sentido, a redundância das espécies é um traço 
importante dos sistemas naturais. 
Explicações mecanicistas para os efeitos da biodiversidade 
 Explorar os mecanismos por trás dos efeito s da perda de biodiversidade é 
fundamentalmente importante se quisermos compreender as conseqüências da 
rápida perda de biodiversidade atual . A complementaridade de nicho é 
freqüentemente uti l izada como a explicação mais provável para os efeitos de 
biodiversidade modificada, principalmente se tanto a “diferenciação de nicho” 
como a “facil i tação” estiverem incluídas na definição (ex.: Loreau e Hector, 
2001). As característ icas de uma espécie determinam como, quando e onde ela 
uti l iza os recursos (o nicho). Embora todos os indivíduos de uma mesma espécie 
comparti lhem essas característ icas, eles geralmente se diferenciam entre 
espécies (diferenciação de nicho). Portanto, a diferenciação de nicho permite 
que as espécies coexistam, evitem uma forte concorrência e , conseqüentemente, 
desempenhem um processo com eficiência (ex.: Volterra, 1926, Lotka, 1932, 
Jonsson e Malmqvist , 2003a). A perda de espécies pode, portanto, reduzir o 
número de nichos uti l izados, aumentar a concorrência e baixar a velocidade do 
processo, afetando negativamente o funcionamento do ecossistema. As 
interações posit ivas entre espécies, como a facil i tação, por exemplo, são 
potencialmente muito importantes no funcionamento do ecossistema. Embora 
vários estudos tenham comprovado a facil i tação ent re alguns pares de espécies 
(ex., Soluk e Collins, 1988, Kotler et al . , 1992, Soluk, 1993, Soluk e 
Richardson, 1997, Cardinale et al . 2002, Jonsson e Malmqvist , 2003a), não se 
sabe bem até que ponto tais interações são comuns ou importantes nos 
ecossistemas naturais. Contudo, tanto a diferenciação de nicho como a 
facil i tação provavelmente são importantes para manter a velocidade do processo 
e o funcionamento do ecossistema. Assim, no caso de perda de espécie, o 
funcionamento do ecossistema poderia ser afeta do negativamente seja pelo 
aumento da competição, pela lacuna de nicho ou pela perda de interações 
facil i tadoras. 
Investigação da perda de biodiversidade natural ou aleatória 
 Para testar realmente os efeitos da biodiversidade, um estudo deve 
uti l izar espécies escolhidas aleatoriamente em um amplo grupo de espécies. A 
maioria dos estudos, contudo, uti l izou determinadas espécies, ou composições de 
espécies aleatórias, colhidas em grupos menores e, portanto, não conseguiu t irar 
conclusões sobre os efeitos da biodiversidade propriamente dita. Em vez disso, 
os resultados podem ser relevantes somente para as espécies uti l izadas no 
estudo. Embora possa ser interessante investigar se existe algum efeito geral da 
perda de biodiversidade no funcionamento do ecossistema uti l izando-se espécies 
escolhidas aleatoriamente, a extinção de espécies muitas vezes segue padrões 
previsíveis, dependendo da espécie do sistema e do t ipo de perturbação. 
Portanto, a melhor maneira de estudar os efeitos da perda de biodiversid ade 
seria sujeitar uma comunidade natural a uma perturbação (Petchey et al . , 1999), 
ou uti l izar uma ordem de extinção previs ível (Jonsson et al . , 2002). Isso, é 
claro, l imita a aplicabil idade geral dos resultados, mas, ao mesmo tempo, 
fornece resultados ma is realistas e um conhecimento específico dos efeitos da 
perda de espécies no s istema estudado. 
10 
 
Extrapolação dos resultados experimentais para sistemas naturais 
 A persistência dos efeitos da biodiversidade observados em experiências 
controladas e de curta duração foi questionada (e.g. Symstad et al . , 2003) . 
Como, até o momento, a maioria dos estudos foi realizada durante períodos 
relativamente curtos, não se sabe ao certo se os efeitos (iniciais) são transitórios 
ou persistentes e, portanto, se são relevantes quanto aos efeitos da 
biodiversidade nos sis temas naturais. Entretanto, constatou -se num longo estudo 
de pastagens que o efeito inicial da biodiversidade persist iu ao longo do tempo, 
embora os mecanismos subjacentes tenham mudado (Tilman et al . , 2001). Outro 
problema com a maioria dos estudos até agora é que, embora os sistemas 
naturais sejam em geral al tamente complexos, as montagens experimentais têm 
uti l izado relativamente poucas espécies e níveis tróficos. Os estudos que 
uti l izaram baixa complexidade muitas vezes obtiveram resultados bastante 
diretos, mas os resultadosde sistemas experimentais mais complexos têm sido 
difíceis de interpretar. Portanto, há uma troca entre a complexidade e a 
interpretabil idade dos resultados e ainda não há b oas soluções para esse 
problema, apesar das tentativas para realizar estudos úteis sobre os sistemas 
complexos (vide Finke e Denno, 2004, como um exemplo). 
O Futuro 
 Até hoje, os estudos têm demonstrado que a biodiversidade é importante 
para a velocidade dos processos do ecossistema e para o funcionamento do 
ecossistema – pelo menos em escalas espaciais relativamente pequenas e por 
curtos períodos de tempo. Além do mais , foram encontradas evidências de 
mecanismos por trás dos efeitos da biodivers idade. Assim, o desafio para os 
estudos no futuro será expandir em espaço, tempo e complexidade, de forma que 
os resultados obtidos sejam mais relevantes para os sistemas naturais. A 
pergunta se e como a biodiversidade é importante para o funcionamento dos 
ecossistemas é uma das questões mais importantes da ecologia hoje. Uma vez 
que a atual perda de biodiversidade ameaça seriamente os serviços que um bom 
funcionamento dos ecossistemas presta à humanidade (Luck et al . , 2003), 
preservar a biodiversidade também pode nos ajudar a preservar a humanidade. 
CORREDORES ECOLÓGICOS 
 
 Como instrumento de gestão territorial, os Corredores Ecológicos atuam com o objetivo 
específico de promover a conectividade entre fragmentos de áreas naturais. Eles são definidos no 
SNUC como porções de ecossistemas naturais ou seminaturais, ligando unidades de conservação, 
que possibilitam entre elas o fluxo de genes e o movimento da biota, facilitando a dispersão de 
espécies e a recolonização de áreas degradadas, bem como a manutenção de populações que 
demandam para sua sobrevivência áreas com extensão maior do que aquelas das unidades 
individuais. 
 
 Os Corredores Ecológicos visam mitigar os efeitos da fragmentação dos ecossistemas 
promovendo a ligação entre diferentes áreas, com o objetivo de proporcionar o deslocamento de 
animais, a dispersão de sementes, aumento da cobertura vegetal. São instituídos com base em 
informações como estudos sobre o deslocamentos de espécies, sua área de vida (área necessária 
para o suprimento de suas necessidades vitais e reprodutivas) e a distribuição de suas populações. 
A partir destas informações são estabelecidas as regras de utilização destas áreas, com vistas a 
possibilitar a manutenção do fluxo de espécies entre fragmentos naturais e, com isso, a 
conservação dos recursos naturais e da biodiversidade. São, portanto, uma estratégia para amenizar 
os impactos das atividades humanas sob o meio ambiente e uma busca ao ordenamento da 
ocupação humana para a manutenção das funções ecológicas no mesmo território. 
 
11 
 
 As regras de utilização e ocupação dos corredores e seu planejamento são determinadas no 
plano de manejo da Unidade de Conservação à qual estiver associado, incluindo medidas com o 
fim de promover sua integração à vida econômica e social das comunidades vizinhas. 
 
 Os Corredores Ecológicos são criados por ato do Ministério do Meio Ambiente. Até o 
momento foram reconhecidos dois corredores ecológicos: 
 Corredor Capivara-Confusões 
 Corredor Caatinga 
 
DISPERSÃO DE FAUNA E FLORA 
 
 Muitos animais vivem em comunidade, formando grupos sociais, compostos por elementos 
da mesma espécie: bandos, alcateias, cardumes, etc. Há também animais que vivem isolados. Mas 
até estes têm necessidade de se juntar para se reproduzirem, nem que seja apenas no acto do 
acasalamento. Além disso, mães e crias formam grupos, mais ou menos temporários, conforme as 
espécies. A fêmea de Urso-pardo passa cerca de três anos com a cria. Por outro lado, algumas 
espécies de aves são nidífugas, isto é, assim que nascem abandonam o ninho, o que não quer dizer 
que os pais, ou pelo menos um deles, não acompanhem a prole. No fundo, todos os animais têm a 
necessidade de, pelo menos em algum momento, partilhar o espaço com outros animais da mesma 
espécie. 
 
 Qualquer grupo obedece a regras internas, normalmente definidoras de hierarquia social, 
mantendo assim o equilíbrio dos laços existentes. São inúmeros os comportamentos sociais das 
diversas espécies que os etólogos tentam registar e compreender. O facto de os animais poderem 
viver isolados ou em comunidade, poderá estar ligado a factores derivados da pressão competitiva: 
em grupo aumenta a pressão por alimento, por parceiro sexual ou pelo local de reprodução. O risco 
de contágio por doença aumenta também, além de que vários animais juntos são mais facilmente 
detectáveis pelos predadores, do que quando se encontram isolados. Mas viver em comunidade 
também aumenta o número de olhos, narizes e orelhas alerta para o perigo. Entre os predadores, a 
cooperação conjunta torna mais fácil a caçada, além de poder proporcionar a captura de presas 
muito maiores do que seria possível obter isoladamente. Existem também casos de cooperação na 
criação da prole, com as evidentes vantagens de tal facto. 
 Os jovens adultos, dependendo de vários factores, podem ficar no grupo familiar ou partir 
para formarem a sua própria família ou para viverem isoladamente. O habitat, a distribuição de 
alimento, o sistema de acasalamento e os riscos de endogamia, parecem determinar, em grande 
medida, o nível de dispersão dos jovens animais em relação ao seu local de nascimento. 
Dependendo da espécie, os factores que mais influenciam a dispersão variam, e dentro de cada 
espécie, pode também haver diferentes formas de dispersão. 
 Quando os jovens ficam na sua área natal, partilhando o território com os progenitores, 
falamos em filopatria natal. Esta estratégia tem vantagens e custos. O grau de parentesco entre os 
elementos do grupo aumento o risco de endogamia, com a consequente redução de variabilidade 
genética, o que é uma evidente desvantagem evolutiva. No entanto, a consanguinidade pode 
favorecer a “selecção” de genes que determinem uma boa adaptação a um determinado habitat. 
 Entre outros custos da vida em grupo, podemos referir o aumento da densidade populacional, 
que fará subir a competição por recursos e parceiros sexuais, bem como por abrigos ou locais de 
reprodução. 
 
 Segundo algumas teorias sociobiológicas, porém, a vida em sociedade leva à redução da 
agressividade entre os membros e ao aumento dos comportamentos altruístas. Outra vantagem da 
vida social dos animais é a de um melhor conhecimento do local onde o grupo habita. 
12 
 
 
 A dispersão tem, também, custos e benefícios. Se, por um lado, evitam assim a 
consanguinidade, por outro, dispendem muita energia deambulando à procura de novos territórios, 
além de que não conhecem as novas áreas para onde se deslocam. Podem ainda encontrar muita 
resistência e agressividade por parte de indivíduos que habitem territórios por onde passem ou para 
onde se desloquem. 
 Portanto, a dispersão e a filopatria têm, cada qual, os seus custos e benefícios. Uma 
solução de compromisso, que adoptasse comportamentos de dispersão e de filopatria poderia ser 
uma boa estratégia. Foi o que fizeram muitas espécies, especialmente entre as aves e os mamíferos. 
Em geral, dá-se uma diferenciação por sexos: enquanto os elementos de um dos sexos ficam no 
local de nascimento, os do outro sexo partem. Assim, evitam os problemas de endogamia, e os 
membros que permancem, desfrutam das vantagens da filopatria. 
 Curiosamente, parece haver uma tendência para que, nas aves, se dispersem as fêmeas, 
enquanto nos mamíferos são os machos que maioritariamentese dispersam. Alguns etólogos têm 
tentado explicar esta tendência que, reafirme-se, é uma tendência, com excepções. 
 
 Um dos etólogos que se debruçou sobre o assunto, Paul Greenwood, publicou um artigo em 
1980, onde explana duas hipóteses para explicar o comportamento de aves e mamíferos quanto à 
dispersão. Começando por admitir que uma separação comportamental entre sexos, um deles 
ficando no local onde nasceu o outro partindo para novas paragens, traria evidentes vantagens para 
a espécie, e acrescenta uma explicação para as diferenças entre aves e mamíferos. Essa diferença, 
segundo Greenwood, baseia-se no modo diverso como os machos de aves e de mamíferos 
competem por parceiras. Os mamíferos são maioritariamente poligínicos, isto é, cada macho 
defende um grupo de fêmeas, competindo com outros machos pelas parceiras. Os machos jovens e 
os subordinados, impedidos de chegar às fêmeas, aumentam as suas possibilidades de 
acasalamento quando se dispersam. As fêmeas, normalmente, vivem em grupos matralineares 
(compostos por mães, filhas e netas), beneficiando das vantagens daí decorrentes. Assim, os 
machos são “forçados” a dispersarem-se para evitar os problemas de uma elevada taxa de 
consanguinidade. 
 Por outro lado, as aves são maioritariamente monogâmicas. Os machos, em vez de 
competirem directamente pelas fêmeas, competem por locais com bons recursos (em alimentação e 
em locais de nidificação), locais esses que atrairão as potenciais companheiras. O conhecimento do 
local será, então, mais importante para os machos do que para as fêmeas. Estas, dispersando-se 
evitam os problemas genéticos da endogamia e escolhem os territórios com melhores recursos. 
Mas estas hipóteses, funcionando bem na generalidade, têm muitas excepções, como no caso dos 
mamíferos territoriais, em que seria de esperar que se verificasse a hipótese dos machos teritoriais 
das aves, e que ocorresse a dispersão das fêmeas. Tal não acontece na maioria dos casos. Surgiram 
então mais hipóteses para explicar as diferenças entre sexos na dispersão. Primeiro, em 1989, em 
relação aos mamíferos, por Clutton-Brock, e depois expandido às aves, por Wolff e Plissner, em 
1998. Em ambos os casos, os autores partem do princípio de que a filopatria é preferencial à 
dispersão. E que o primeiro sexo a ter oportunidade de se reproduzir será o que escolherá ficar no 
território, enquanto o outro sexo irá dispersar-se. Uma vez que as fêmeas dos mamíferos 
amamentam e cuidam das suas crias, os machos, geralmente, não apresentam cuidados parentais. 
Daqui resulta que os machos estão livres para vaguear para longe. Quando a sua descendência 
feminina alcança a idade de reprodução, muito provavelmente, o pai não estará presente, 
permitindo às filhas não terem de se ausentar para evitar a consanguinidade. Se o macho 
reprodutor estiver presente quando as suas filhas atingem a idade reprodutora, são estas que se 
dispersam. 
 Uma outra hipótese, sustentada por Stephen Dobson em 1982, afirma que nos mamíferos 
poligínicos, a competição por parceiros sexuais é maior nos machos do que nas fêmeas, daí serem 
os machos a dispersarem-se. Por outro lado, nos mamíferos monogâmicos, os níveis de competição 
por parceiros sexuais serão mais equivalentes, pelo que a dispersão entre sexos tenderá a efectuar-
13 
 
se em proporções equivalentes. Os dados parecem corroborar esta hipótese. Mas também aqui 
existem lacunas: como explicar, então, por exemplo, o comportamento das fêmeas nas espécies de 
aves monogâmicas, em que, maioritariamente, são estas a dispersar-se? 
 Em 1985, surge uma terceira hipótese, desenvolvida por Olof Liberg e Torbjörn von Schantz, 
apelidada de Hipótese de Édipo. Aqui, os autores colocam a enfase nos reprodutores e não nos 
jovens adultos, como o fizeram os anteriores autores. Segundo esta nova hipótese, são os pais que 
expulsam os jovens do território, forçando-os a dispersarem-se, e não estes que tomam a iniciativa 
de o fazerem. Para Liberg e von Schantz as diferenças na dispersão entre sexos, tanto nas aves 
como nos mamíferos, reduz a competição em termos reprodutivos entre pais e filhos. Assumem 
que para a descendência, na maioria dos casos, seria preferível ficar. Mas os pais ocupam uma 
posição hierárquica superior, e são estes que “decidem” da partida ou não dos filhos, e de qual dos 
sexos. E se os progenitores beneficiarem com a permanência dos filhos, mas não houver recursos 
suficientes para tamanha prole, poderão determinar a expulsão de alguns membros, até que o 
número de efectivos se “encaixe” nos recursos existentes. 
 
 Assim, o sistema reprodutivo de aves e mamíferos está intimamente ligado com o tipo de 
competição entre os progenitores e as descendências masculina e feminina. Genericamente, nas 
espécies com um sistema de reprodução poligâmico ou promíscuo, a descendência masculina, se 
ficar em casa, tenderá a competir com o pai por fêmeas, enquanto a descendência feminina não é 
uma ameaça para nenhum dos progenitores. Já nos sistemas monogâmicos, seria de esperar que 
nem filhos nem filhas competissem com qualquer dos pais, precisamente porque estes são 
monogâmicos. Mas, como já vimos, as fêmeas das aves têm tendência à dispersão, o quer dizer: 
são expulsas pelos pais, enquanto as fêmeas dos mamíferos são toleradas. Porquê? Pelos seus 
diferentes modos de reprodução: postura versus gestação e nascimento. Nas aves, uma filha a 
quem seja permitida a permanencia junto dos pais, poderá enganar os pais colocando ovos no 
ninho da família, deixando assim os custos da nidificação para aqueles. Quanto às filhas dos 
mamíferos, estas não têm como esconder a gravidez e o nascimento aos pais, pelo que não os 
poderão enganar e, então, os pais nada têm a temer, em termos de competição reprodutiva com as 
filhas. 
 Deste modo, segundo a Hipótese de Édipo temos quatro possibilidades: (1) nas aves 
monogâmicas, os progenitores expulsam as filhas, porque estas, apesar de não enganarem os pais 
quanto a cópulas, porque estes são monogâmicos, podem, no entanto, pôr os seus próprios ovos no 
ninho familiar, enganando ambos os pais. Os filhos, como não podem enganar os pais, são 
tolerados. (2) Nas aves poligínicas ou promíscuas, ambos os sexos da descendência são forçados a 
abandonar a área natal, porque ambos podem trair os progenitores. (3) Nos mamíferos 
monogâmicos, nem machos nem fêmeas descendentes podem enganar os progenitores, pelo que 
ambos os sexos tendem a ser tolerados no território dos pais. (4) Nos mamíferos poligâmicos ou 
promíscuos, a descendência masculina é expulsa porque poderão enganar o pai, acasalando com 
uma das fêmeas. As filhas, como não podem enganar os progenitores tendem a ficar em casa. A 
Hipótese de Édipo explica muitas contradições das outras hipóteses; no entanto, também tem a sua 
falha: não explica o facto de alguns descendentes abandonarem “de livre vontade” a área natal, o 
que se poderá ficar a dever à procura de melhores recursos ou para evitar a endogamia. 
 Como sempre, a Natureza é equilibrada mas complexa. Nenhuma hipótese explica, por si 
só, todas as situações que podemos encontrar quando procuramos entender as diferenças entre 
sexos, em aves e mamíferos, quanto à dispersão ou à filopatria. Portanto, tendo em conta o papel 
que jogam tanto progenitores como descendência, e as variações que poderão ocorrer de acordo 
com a espécie, o sexo ou o indivíduo, devemos atender a que os animais, aves e mamíferos, se 
tenderão a dispersar, ou não, de acordo com a satisfação de três factores básicos: a redução da 
competição por recursos, a redução da endogâmia e a redução da conflitualidade entre progenitores 
e descendência. 
TROCAS GENÉTICAS14 
 
 As trocas genéticas ocorrem com as mudanças ocasionais entres espécies, ou seja, é o 
procedimento pelo qual um gene sofre uma mudança estrutural. As trocas envolvem a adição, 
eliminação ou substituição de um ou poucos nucleotídeos da fita de DNA. 
 
 A mutação proporciona o aparecimento de novas formas de um gene e, consequentemente, 
é responsável pela variabilidade gênica. Quando ocorre por adição ou subtração (mutações 
deletérias) de bases, altera o código genético, definindo uma nova sequência de bases, que 
consequentemente poderá alterar o tipo de aminoácido incluído na cadeia proteica, tendo a 
proteína outra função ou mesmo inativação da expressão fenotípica. 
 
 Por substituição, ocorre em razão da troca de uma base nitrogenada purina (adenina e 
guanina) por outra purina, ou de uma pirimidina (citosina e timina) por outra pirimidina, sendo 
esse processo denominado de transição e a substituição de uma purina por uma pirimidina, ou 
vice-versa, denominada de transversão. 
Elementos Genéticos Transponíveis 
 Elementos genéticos transponíveis são segmentos de DNA que têm a capacidade de mover 
de um local para outro (i.e. genes que saltam). 
Propriedades dos Elementos Genéticos Transponíveis 
Movimento aleatório 
 Elementos genéticos transponíveis podem mover de uma molécula de DNA para qualquer 
outra molécula de DNA ou mesmo para outro local na mesma molécula. O movimento não é 
totalmente aleatório; há sítios preferenciais na molécula do DNA nos quais um elemento genético 
transponível irá se inserir. 
Não são capazes de auto-replicação 
 Os elementos genéticos transponíveis não existem autonomamente (exceção – alguns fagos 
transponíveis) e assim, para serem replicados eles precisam ser parte de um outro réplicon. 
Transposição mediada por recombinação sítio-específica 
 A transposição requer pouca ou nenhuma homologia entre a localização atual e o novo sítio. O 
evento de transposição é mediado por uma transposase codificada pelo elemento genético 
transponível. A recombinação que não requer homologia entre as moléculas recombinantes é 
chamada de recombinação sítio-específica ou ilegítima ou recombinação não homóloga. 
Transposição pode ser acompanhada de duplicação 
 Em muitos casos a transposição do elemento genético transponível resulta na remoção do 
elemento do sítio original e inserção em um novo sítio. Entretanto, em alguns casos o evento de 
transposição é acompanhado pela duplicação do elemento genético transponível. Uma cópia 
permanece no sítio original e a outra é transportada para o sítio novo. 
 
CONSERVAÇÃO E MANEJO DE POPULAÇÕES E DE METAPOPULAÇÕES IN SITU E 
EX SITU 
 Preocupados com as altas taxas de erosão de recursos genéticos e com a perda de 
componentes da biodiversidade e, mais ainda, interessados no incremento de esforços voltados à 
conservação dos recursos biológicos em todo o planeta, países, independentemente da sua 
condição episódica de usuário ou provedor de material genético, promoveram negociações, no 
âmbito do Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (PNUMA), que resultou na adoção 
da Convenção sobre Diversidade Biológica. Recentemente, convencidos da natureza especial dos 
recursos fito-genéticos para a alimentação e a agricultura, conscientes de que esses recursos são 
motivo de preocupação comum da humanidade, cientes de sua responsabilidade para com as 
15 
 
gerações presentes e futuras e, finalmente, considerando a interdependência dos países em relação 
a esses recursos, os países aprovaram, no âmbito da Organização das Nações Unidas para a 
Alimentação e a Agricultura (FAO), o Tratado Internacional sobre Recursos Fito-genéticos para a 
Alimentação e a Agricultura, do qual o Brasil é um dos seus membros. 
 
 Diversidade biológica ou biodiversidade são expressões que se referem à variedade da vida 
no planeta, ou à propriedade dos sistemas vivos de serem distintos. Engloba as plantas, os animais, 
os microrganismos, os ecossistemas e os processos ecológicos em uma unidade funcional. Inclui, 
portanto, a totalidade dos recursos vivos, ou biológicos, e, em especial, dos recursos genéticos e 
seus componentes, propriedade fundamental da natureza e fonte de imenso potencial de uso 
econômico. É também o alicerce das atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras,extrativistas e 
florestais e a base para a estratégica indústria da biotecnologia. 
 
 A conservação global da biodiversidade significa maior segurança para os programas 
relacionados à produção agrícola e à conservação biológica, bem como para a segurança alimentar, 
constituindo-se em um componente essencial para o desenvolvimento sustentável e para a própria 
manutenção da diversidade genética das espécies com importância sócio-econômica atual e 
potencial. 
 
 O Brasil, por sua própria natureza, ocupa posição de destaque dentre os países 
megabiodiversos. Conta com a mais diversa flora do mundo, número superior a 55 mil espécies 
descritas (24% do total mundial). Possui alguns dos biomas mais ricos do planeta em número de 
espécies vegetais - a Amazônia, a Mata Atlântica e o Cerrado. A Floresta Amazônica brasileira, 
com aproximadamente 30 mil espécies vegetais, compreende cerca de 26% das florestas tropicais 
remanescentes no planeta. 
 
 O País conta ainda com a maior riqueza de espécies da fauna mundial e, também, com a 
mais alta taxa de endemismo. Dois de seus principais biomas, a Mata Atlântica e o Cerrado, estão 
relacionados na lista dos 25 hotspots da Terra, sendo que a Mata Atlântica encontra-se entre os 
cinco mais ameaçados. Uma em cada onze espécies de mamíferos existentes no mundo são 
encontrados no Brasil (522 espécies), juntamente com uma em cada seis espécies de aves (1677), 
uma em cada quinze espécies de répteis (613), e uma em cada oito espécies de anfíbios (630) e 
mais de 3 mil espécies de peixes, três vezes mais do que qualquer outro país. Muitas dessas são 
exclusivas para o Brasil, com 68 espécies endêmicas de mamíferos, 191 espécies endêmicas de 
aves, 172 espécies endêmicas de répteis e 294 espécies endêmicas de anfíbios. Esta riqueza de 
espécies corresponde a pelo menos 10% dos anfíbios e mamíferos, e 17% das aves descritos em 
todo o planeta. 
 
 A composição total da biodiversidade brasileira não é conhecida e talvez nunca venha a ser na 
sua plenitude, tal a sua magnitude e complexidade. Nesse sentido, e considerando-se que o número 
de espécies existentes no território nacional, particularmente na plataforma continental e nas águas 
jurisdicionais brasileiras, - em grande parte ainda desconhecida, é elevado, é fácil inferir que o 
número de espécies, tanto terrestres quanto marinhas, ainda não identificadas, no Brasil, pode 
alcançar valores da ordem de dezena de milhões. Apesar dessas estimativas, a realidade é que o 
número de espécies conhecidas atualmente, em todo o planeta, está em torno de 1,7 milhões, valor 
que atesta o alto grau de desconhecimento da biodiversidade, especialmente nas regiões tropicais. 
Além disso, é interessante registrar que a maior parte dos conhecimentos sobre a biodiversidade no 
nível específico se refere a organismos de grande porte. O nosso conhecimento sobre outros 
organismos, a exemplo dos insetos, liquens, fungos e algas é ainda muito incipiente. A parcela da 
biodiversidade menos conhecida está localizada na copa das árvores, no solo e nas profundezas 
marinhas. 
 
 Em relação aos recursos fitogenéticos, estimativas da FAO indicam a existência, em âmbito 
mundial, de cerca de 6,5 milhões de acessos de interesse agrícola mantidos em condiçãoex situ. 
Desse total, 50% são conservados em países desenvolvidos, 38% em países em desenvolvimento e 
12% distribuídos nos Centros Internacionais de Pesquisa (IARCs), do Grupo Consultivo 
16 
 
Internacional de Pesquisa Agrícola (CGIAR). 
 
 Os recursos genéticos são mantidos em condições in situ, on farm, e ex situ. A conservação 
in situ de recursos genéticos é realizada, basicamente, em reservas genéticas, reservas extrativistas 
e reservas de desenvolvimento sustentável. Naturalmente, a conservação in situ de recursos 
genéticos pode ser organizada também em áreas protegidas, seja de âmbito federal, estadual ou 
municipal. As reservas genéticas, por exemplo, são implantadas e mantidas em áreas prioritárias, 
de acordo com a diversidade genética de uma ou mais espécies de reconhecida importância 
científica ou sócio-econômica. Teoricamente, essas reservas podem existir dentro de uma área 
protegida, de uma reserva indígena, de uma reserva extrativista e de uma propriedade privada, 
entre outras. 
 
 Nos termos da Convenção sobre Diversidade Biológica, conservação in situ é definida 
como sendo a conservação dos ecossistemas e dos habitats naturais e a manutenção e a 
reconstituição de populações viáveis de espécies nos seus ambientes naturais e, no caso de 
espécies domesticadas e cultivadas, nos ambientes onde desenvolveram seus caracteres distintos. 
A conservação in situ apresenta algumas vantagens, tais como: (i) permitir que as espécies 
continuem seus processos evolutivos; (ii) favorecer a proteção e a manutenção da vida silvestre; 
(iii) apresentar melhores condições para a conservação de espécies silvestres, especialmente 
vegetais e animais; (iv) oferecer maior segurança na conservação de espécies com sementes 
recalcitrantes e (v) conservar os polinizadores e dispersores de sementes das espécies vegetais. 
Deve-se considerar, entretanto, que este método é oneroso, visto depender de eficiente e constante 
manejo e monitoramento, pode exigir grandes áreas, o que nem sempre é possível, além do que a 
conservação de uma espécie em um ou poucos locais de ocorrência não significa, necessariamente, 
a conservação de toda a sua variabilidade genética. 
 
 A conservação on farm pode ser considerada uma estratégia complementar à conservação 
in situ, já que esse processo também permite que as espécies continuem o seu processo evolutivo. 
É uma das formas de conservação genética da agrobiodiversidade, um termo utilizado para se 
referir à diversidade de seres vivos, de ambientes terrestres ou aquáticos, cultivados em diferentes 
estados de domesticação. A conservação on farm apresenta como particularidade o fato de 
envolver recursos genéticos, especialmente variedades crioulas - cultivadas por agricultores, 
especialmente pelos pequenos agricultores, além das comunidades locais, tradicionais ou não e 
populações indígenas, detentoras de grande diversidade de recursos fito-genéticos e de um amplo 
conhecimento sobre eles. Esta diversidade de recursos é essencial para a segurança alimentar das 
comunidades. Dentre os principais recursos fito-genéticos mantidos a campo pelos pequenos 
agricultores brasileiros estão a mandioca, o milho e o feijão. Contudo, muitos recursos genéticos 
de menor importância para a sociedade "moderna" são também mantidos, podendo-se citar como 
exemplos uma série de espécies de raízes e tubérculos, plantas medicinais e aromáticas, além de 
raças locais de animais domesticados (suínos, caprinos e aves, entre outros). A manutenção desses 
materiais on farm, com ênfase para as variedades crioulas, envolve recursos nativos e exóticos 
adaptados às condições locais. Outra particularidade é que estas variedades crioulas, mesmo 
deslocadas de suas condições naturais, continuam evoluindo na natureza, já que estão 
permanentemente submetidas à diferentes condições edafoclimáticas. 
 
 A conservação ex situ, por sua vez, envolve a manutenção, fora do habitat natural, de uma 
representatividade da biodiversidade, de importância científica ou econômico-social, inclusive 
para o desenvolvimento de programas de pesquisa, particularmente aqueles relacionados ao 
melhoramento genético. Trata da manutenção de recursos genéticos em câmaras de conservação de 
sementes (-20º C), cultura de tecidos (conservação in vitro), criogenia - para o caso de sementes 
recalcitrantes, (-196º C), laboratórios - para o caso de microorganismos, a campo (conservação in 
vivo), bancos de germoplasma - para o caso de espécies vegetais, ou em núcleos de conservação, 
para o caso de espécies animais. A conservação ex situ implica, portanto, a manutenção das 
espécies fora de seu habitat natural e tem como principal característica: (i) preservar genes por 
séculos; (ii) permitir que em apenas um local seja reunido material genético de muitas 
procedências, facilitando o trabalho do melhoramento genético; (iii) garantir melhor proteção à 
17 
 
diversidade intraespecífica, especialmente de espécies de ampla distribuição geográfica. Este 
método implica, entretanto, na paralisação dos processos evolutivos, além de depender de ações 
permanentes do homem, visto concentrar grandes quantidades de material genético em um mesmo 
local, o que torna a coleção bastante vulnerável. 
 
 As três formas de conservação, in situ, on farm e ex situ, são complementares e formam, 
estrategicamente, a base para a implementação dos três grandes objetivos da Convenção sobre 
Diversidade Biológica: i) conservação da diversidade biológica; ii) uso sustentável dos seus 
componentes e iii) repartição dos benefícios derivados do uso dos recursos genéticos. A 
conservação on farm vem recebendo crescente atenção nos diversos fóruns internacionais 
relacionados à temática da conservação dos recursos genéticos. Nesse contexto, a Convenção sobre 
Diversidade Biológica, por meio das suas Conferências das Partes, tem dado especial atenção a 
essa questão, considerando que: i) o campo da agricultura oferece oportunidade única para o 
estabelecimento de ligação entre a conservação da diversidade biológica e a repartição de 
benefícios decorrentes do uso desses recursos; ii) existe uma relação próxima entre diversidade 
biológica, agronômica e cultural; iii) a diversidade biológica na agricultura é estratégica, 
considerando os contextos sócio-econômicos nos quais ela é praticada e as perspectivas de redução 
dos impactos negativos sobre a diversidade biológica, permitindo a conciliação de esforços de 
conservação com ganhos sociais e econômicos; iv) as comunidades de agricultores tradicionais e 
suas práticas agrícolas têm uma significativa contribuição para a conservação, para o aumento da 
biodiversidade e para o desenvolvimento de sistemas produtivos agrícolas mais favoráveis ao meio 
ambiente; v) o uso inapropriado e a dependência excessiva de agro-químicos têm produzido efeitos 
significativos sobre os ecossistemas, com impactos negativos sobre a biodiversidade; e, 
finalmente, os direitos soberanos dos Estados sobre seus recursos biológicos, incluindo os recursos 
genéticos para alimentação e agricultura. Esse posicionamento dos países nas Conferências das 
Partes tem permitido, além do estabelecimento de um programa de longo prazo voltado 
especificamente às atividades sobre agrobiodiversidade, um crescente avanço na discussão e 
implementação de ações relacionadas à conservação e promoção do uso dos recursos da 
biodiversidade agrícola. 
 
 Nos últimos anos ocorreram, em âmbito mundial, importantes avanços relacionados à 
conservação e à promoção do uso dos recursos genéticos. Em junho de 1996, a Conferência 
Técnica Internacional sobre Recursos Fitogenéticos, realizada em Leipzig, Alemanha,no âmbito 
da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação – FAO, aprovou o Plano 
Global de Ação para a Conservação e a Utilização Sustentável dos Recursos Genéticos para a 
Agricultura e a Alimentação que tem, basicamente, como prioridades: (i) a Conservação in situ e o 
Desenvolvimento; (ii) a Conservação ex situ; (iii) a Utilização dos Recursos Fitogenéticos; e (iv) a 
Capacitação das Instituições 
 
 Em novembro de 2001, foi aprovado, no âmbito da FAO, o Tratado Internacional de 
Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura que prevê, entre os seus objetivos, a 
conservação e o uso sustentável dos recursos fitogenéticos para a alimentação e a agricultura e a 
repartição justa e eqüitativa dos benefícios derivados de seu uso, em harmonia com a Convenção 
sobre Diversidade Biológica, para a sustentabilidade da agricultura e a segurança alimentar. 
 
 No Brasil, o despertar da consciência conservacionista conta com mais de meio século de 
decisões políticas, influenciadas pela ciência e pela sociedade preocupadas com as condições do 
meio ambiente e, especialmente, com a conservação da flora e da fauna. Nas ultimas duas décadas 
tem havido um crescente envolvimento do Governo Federal, bem como uma maior 
conscientização da sociedade civil nos assuntos relativos à conservação da biodiversidade. 
 
 Nas últimas décadas, as atividades ligadas à conservação dos recursos genéticos no País 
tiveram um considerável impulso, assegurando posição de destaque entre os países tropicais. Os 
avanços conduzidos por alguns órgãos de pesquisa, a exemplo da Empresa Brasileira de pesquisa 
Agropecuária – EMBRAPA, particularmente por meio da EMBRAPA Recursos Genéticos e 
Biotecnologia, estão sendo fundamentais para o avanço do País na conservação e utilização dos 
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seus recursos genéticos. Paralelamente, o Brasil experimentou avanços significativos na 
implantação de Unidades de Conservação, ampliando fortemente a conservação in situ da 
biodiversidade e a promoção da utilização sustentável dos recursos genéticos nativos. A 
conservação on farm, apesar de ser um dos métodos mais tradicionais de conservação, é ainda 
bastante fragmentada no país, apesar dos recentes avanços experimentados nos últimos anos. Há 
de se reconhecer que a sociedade civil organizada exerce, atualmente, uma forte liderança na 
conservação on farm de recursos genéticos, promovendo não apenas o uso sustentável, mas 
também o intercâmbio de recursos genéticos entre os agricultores, dentro e entre comunidades. 
Neste contexto, deve-se destacar a relevância dos movimentos sociais (Movimento dos Pequenos 
Agricultores, Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais, Movimento dos Trabalhadores Sem 
Terra e das ONGs, principalmente daquelas organizadas em redes, caso da Rede Ecovida e Rede 
Cerrado, por exemplo), que são considerados importantes atores na organização e articulação 
política e social das comunidades. 
 
 Contudo, apesar desses avanços, deve-se reconhecer que a conservação dos recursos 
genéticos no País, um dos principais países de megadiversidade, está longe da condição ideal. 
Faltam inventários relativos às instituições (governamentais, não-governamentais e movimentos 
sociais) envolvidas na conservação in situ, on farm e ex situ de recursos genéticos (fauna, flora e 
microrganismos); representatividade, tanto em termos regionais quanto nos biomas; infraestrutura 
existente em cada coleção; nível de uso e intercâmbio de recursos genéticos, bem como 
informações sobre as necessidades e as medidas necessárias para a conservação desses materiais a 
curto, médio e longo prazos. 
INTRODUÇÕES INDESEJADAS DE ANIMAIS EXÓTICOS OU ALÓCTONES 
 As espécies exóticas invasoras têm um significativo impacto na vida e no modo de vida 
das pessoas. O impacto sobre a biodiversidade é tão relevante que essas espécies estão, 
atualmente, sendo consideradas a segunda maior ameaça à perda de biodiversidade, após a 
destruição dos habitats, afetando diretamente as comunidades biológicas, a economia e a saúde 
humana. As espécies exóticas invasoras assumem no Brasil grande significado como ameaça 
real à biodiversidade, aos recursos genéticos e à saúde humana. Várias delas estão se 
disseminando e dominando, de forma perigosa, diferentes ecossistemas, ameaçando a 
integridade e o equilíbrio dessas áreas, e causando mudanças, inclusive, nas características 
naturais das paisagens. 
 De acordo com a Convenção sobre Diversidade Biológica - CDB, espécies exóticas 
invasoras são organismos que, introduzidos fora da sua área de distribuição natural, ameaçam 
ecossistemas, habitats ou outras espécies. Possuem elevado potencial de dispersão, de 
colonização e de dominação dos ambientes invadidos, criando, em conseqüência desse 
processo, pressão sobre as espécies nativas e, por vezes, a sua própria exclusão. 
 A crescente globalização, a ampliação das vias de transporte, o incremento do 
comércio e do turismo internacional, aliado às mudanças no uso da terra, das águas e às mudanças 
climáticas decorrentes do efeito estufa, tendem a ampliar significativamente as oportunidades e os 
processos de introdução e de expansão de espécies exóticas invasoras nos diversos ecossistemas 
da terra. 
 A disseminação de espécies exóticas leva a homogeneização dos ambientes, com a 
destruição de características peculiares que a biodiversidade local proporciona e a alteração nas 
propriedades ecológicas essenciais. Tais alterações são exemplificadas pelas modificações dos 
ciclos hídricos e de nutrientes, da produtividade, da cadeia trófica, da estrutura da comunidade 
vegetal, da distribuição de biomassa, do
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acúmulo de serrapilheira, das taxas de decomposição, dos processos evolutivos e das relações 
entre plantas e polinizadores, além da dispersão de sementes. As espécies exóticas podem, ainda, 
gerar híbridos com espécies nativas, colocando-as sob ameaça de extinção. 
 Em ecossistemas pobres em nutrientes, a presença de espécies invasoras cria, muitas 
vezes, condições favoráveis para o estabelecimento de outras espécies invasoras, que 
normalmente não se estabeleceriam. As plantas invasoras, em seu processo de ocupação, 
aumentam sua área de ocorrência e dominam e eliminam a flora nativa por competição direta. Os 
animais são eliminados ou obrigados a sair do local à procura de alimentos, antes abundantes pela 
diversidade de espécies existentes. Assim, lentamente as invasões biológicas vão promovendo a 
substituição de comunidades com elevada diversidade por comunidades monoespecíficas, 
compostas por espécies invasoras, ou com diversidade reduzida. 
 Outros efeitos resultantes da ocorrência de plantas invasoras podem passar pela 
alteração de ciclos ecológicos, como regime de fogo; quantidade de água disponível; alteração da 
composição e disponibilidade de nutrientes; remoção ou introdução de elementos nas cadeias 
alimentares; alteração dos processos geomorfológicos; e mesmo pela extinção de espécies. 
 As invasões biológicas podem se originar de introduções intencionais ou não intencionais, 
e causam danos ecológicos, econômicos, culturais e sociais. Ao longo dos últimos séculos 
muitas espécies foram intencionalmente introduzidas pelo homem a novos ambientes. As 
introduções são realizadas sempre com boas intenções. Em muitos casos elas são benéficas, a 
exemplo da maioria das espécies cultivadas, de muitas plantas ornamentais e de alguns 
organismos para controle biológico. Muitas espécies, entretanto, se tornam invasoras, cujos 
impactos negativos se sobressaem a eventuais benefícios.Por meio de estudos realizados nos Estados Unidos da América, Reino Unido, Austrália, 
Índia, África do Sul e Brasil, concluiu-se que os custos decorrentes da presença de espécies 
exóticas invasoras nas culturas agrícolas, em pastagens e nas áreas de florestas atingem cifras 
anuais da ordem de US$ 250 bilhões. Adicionalmente, os custos ambientais nesses mesmos 
países chegam a US$ 100 bilhões anuais. Uma projeção mundial dessas cifras indica que as 
perdas globais anuais decorrentes do impacto dessas espécies ultrapassa US$ 1,4 trilhões, 
aproximadamente 5% do PIB mundial. 
 Considerando-se esses valores, estima-se que no Brasil esse custo pode ultrapassar os US$ 
100 bilhões anuais. Esse montante pode ainda sofrer aumento significativo, especialmente, se 
incluirmos os custos relacionados às espécies que afetam a saúde humana. Nos Estados 
Unidos da América, as estimativas de custo, considerando apenas os prejuízos e os gastos 
com o controle de espécies exóticas invasoras, são da ordem de US$ 137 bilhões ao ano. 
 Se valores monetários pudessem ser atribuídos à extinção de espécies, à perda de 
biodiversidade e aos serviços proporcionados pelos ecossistemas, o custo decorrente dos 
impactos negativos gerados pela presença das espécies exóticas invasoras seria muitas vezes 
maior.
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 Dados indicam que mais de 120 mil espécies exóticas de plantas, animais e 
microorganismos já foram introduzidas nos seis países acima mencionados. Com base nesses 
números, estima-se que um total aproximado de 480 mil espécies exóticas já foram introduzidas 
nos diversos ecossistemas da Terra. Considera-se que mais de 70% dessas introduções ocorreram 
como resultado de ações humanas. Se imaginarmos que 20 a 30% dessas espécies introduzidas 
são consideradas pragas e que estas são as responsáveis pelos grandes problemas ambientais 
enfrentados pelo homem, é fácil imaginar o tamanho do desafio que, forçosamente, temos de 
enfrentar para o controle, monitoramento, mitigação e, eventualmente, a erradicação dessas 
espécies de ambientes naturais. Desde o ano de 1600, as espécies exóticas invasoras já 
contribuíram com 39% das extinções de animais cujas causas são conhecidas. 
 No caso das plantas, por exemplo, alguns autores, na década de 1970, quantificaram que 
os prejuízos econômicos na produção agrícola, decorrentes da ação de espécies invasoras eram 
da ordem de 11,5% em regiões temperadas. Já em regiões tropicais, a redução da produção se 
situava entre os 30 e 40%. Outros autores, na década de 1980, estimaram que essas perdas eram 
da ordem de 10% da produção agrícola mundial. 
 Os prejuízos causados por espécies exóticas invasoras às culturas, pastagens e áreas de 
florestas na América do Sul excedem a muitos bilhões de dólares ao ano. Na Argentina, por 
exemplo, o gasto relacionado ao controle da mosca das frutas ultrapassa os US$ 10 milhões de 
dólares anuais, além da perda adicional anual de 15 a 20% da produção de frutas. Essas perdas 
equivalem a US$ 90 milhões de dólares ao ano, sem contabilizar os impactos econômicos e 
sociais indiretos gerados com a redução da produção e a perda de mercados de exportação. Na 
Nova Zelândia, por outro lado, onde todos os materiais postais são examinados visando prevenir a 
entrada de material biológico, conseguiu-se reduzir a tal ponto os prejuízos decorrentes da 
mosquinha-das- frutas que o saldo positivo da produção agrícola paga todo o sistema de inspeção. 
 No Rio Grande do Sul, a espécie Eragrostis plana (capim-annoni) ameaça os 
sistemas seculares de produção bovina em função da perda da cobertura vegetal nativa, composta 
por diversas espécies de gramíneas, leguminosas e outras famílias importantes na composição dos 
campos naturais. Estima-se que dos 15 milhões de hectares de campos naturais presentes no 
estado do Rio Grande do Sul, cerca de três milhões já estejam invadidos por essa gramínea 
africana, com prejuízos de mais de US$ 75 milhões anuais à pecuária do Estado. Atualmente essa 
espécie já está presente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná e vem se 
disseminando para outras regiões. 
 Ainda na Região Sul do Brasil, as espécies Tecoma stans (amarelinho) e a Houvenia dulcis 
(uva do japão), entre outras, vem desenvolvendo, no estado do Rio Grande do Sul, um 
crescente processo de invasão. No estado do Paraná, a planta Tecoma stans encontra-se 
disseminada em mais de 170 dos 393 municípios do Estado, estando já registrada como invasora 
em 85 deles, com seu cultivo e uso proibidos no Estado. Sua presença está confirmada em cerca 
de 50 mil hectares de pastagens, dos quais 15 mil já estão totalmente improdutivos. 
 Ao considerar a fauna invasora, vale registrar a crescente disseminação da Achatina 
fulica (caracol gigante africano), atualmente presente no Distrito Federal e
21 
 
em mais 23 estados brasileiros. Outros exemplos que estão trazendo sérias 
preocupações aos governos estaduais se referem às espécies Sus scrofa (javali), Aedes aegypti 
(mosquito da dengue) e Callithrix jacchus (sagüi). 
 Nos ambientes aquáticos, destacam-se as macrófitas exóticas que causam inúmeros 
problemas para os diversos usos da água em diferentes regiões do país. Os problemas envolvem 
desde o acumulo de lixo e outros sedimentos até a proliferação de vetores patogênicos, além das 
dificuldades relacionadas à navegação, à geração de energia, à distribuição de água à 
populações humanas, à irrigação, à recreação e à pesca, com prejuízos ao turismo regional, bem 
como perda de receita e empobrecimento dos municípios. 
 De fato, espécies exóticas invasoras geram graves conseqüências em ambientes aquáticos 
continentais em todo o mundo, com destaque para: a invasão da Perca do Nilo (Lates niloticus), 
no Lago Victoria, na África, que, junto com a tilápia- do-Nilo (Oreochromis niloticus), causou 
a extinção de centenas de espécies nativas de peixes; do Mexilhão Zebra (Dreissena polymorpha) 
e da Lampréia (Petromyzon marinus), nos Grandes Lagos da América do Norte, que resultou no 
colapso da pesca comercial nessa região. Alguns estudos quantificaram as perdas econômicas 
associadas à introdução de 13 espécies exóticas invasoras no Canadá e obtiveram uma estimativa 
anual da ordem de 187 milhões de Dólares Canadenses. Em ambientes aquáticos, a invasão de 
moluscos e da lampréia marinha provocam perdas anuais de 32,3 milhões de Dólares Canadenses. 
 É importante considerar que o custo de controle e manejo de espécies exóticas invasoras 
em um novo ambiente é elevado. Portanto, investimentos em ações de prevenção de futuras 
introduções podem evitar a perda de bilhões de dólares à agricultura, à floresta e a ecossistemas 
naturais e manejados e à saúde humana. 
 Ao contrário de muitos problemas ambientais que se amenizam com o passar do 
tempo, a contaminação biológica tende a se multiplicar e se espalhar, causando problemas 
de longo prazo que se agravam e não permitem a recomposição natural dos ecossistemas 
afetados. Essas degradações ambientais colocam em risco atividades extrativistas e outras 
atividades econômicas ligadas ao uso dos recursos naturais. 
 Reconhecendo a importância do problema das invasões biológicas, o Brasil, por 
meio do Ministério do Meio Ambiente - MMA, e em estreita articulação com os diferentes 
setores da sociedade, vem desenvolvendo, desde 2001, uma série de ações relacionadas à 
prevenção de novas introduções; detecção precoce; erradicação; controle/manejo; e 
monitoramento de espécies exóticas invasoras quepodem afetar ecossistemas, habitas e 
espécies nativas. Estas ações dizem respeito à revisão e ao desenvolvimento de normativas 
relacionadas à matéria, realização de inventários das espécies exóticas ocorrentes nos diversos 
ecossistemas brasileiros, inclusive no âmbito de bacias hidrográficas, discussão sobre a 
elaboração de lista oficial de espécies exóticas invasoras em âmbito nacional e estímulo à 
abertura de linhas de financiamento para ações de controle, bem como atividades de pesquisa. 
 Certos ambientes parecem ser mais suscetíveis que outros à invasão, especialmente 
quando degradados. Além da maior suscetibilidade de alguns ambientes,
22 
 
existem espécies cujas características facilitam o seu estabelecimento em novas áreas. A 
ecologia das espécies invasoras é um tema complexo, que envolve desde os mecanismos de 
entrada e dispersão destas espécies, passando pelas características biológicas que as tornam 
invasoras, relação entre as atividades humanas e sua disseminação, impactos sócio-econômicos 
(positivos ou negativos) que causam, até os aspectos legais e técnicas de manejo. 
 Em razão da complexidade dessa temática, as espécies exóticas invasoras envolvem uma 
agenda bastante ampla, com ações interinstitucionais e multidisciplinares. Ações de 
prevenção, erradicação, controle e monitoramento são fundamentais e exigem o envolvimento e a 
convergência de esforços dos diferentes órgãos dos governos federal, estadual e municipal 
envolvidos no tema, além do setor empresarial e das organizações não-governamentais. A 
implementação da presente Estratégia Nacional deverá contribuir decisivamente para a prevenção 
de novas introduções, bem como para a mitigação dos impactos decorrentes da presença de 
espécies exóticas invasoras aos diferentes biomas do país ou às suas diferentes bacias 
hidrográficas. 
 A Estratégia Nacional se constitui no primeiro documento aprovado no âmbito do 
Governo Federal que pode orientar as diferentes esferas do governo no trato das questões 
relativas às espécies exóticas invasoras. Obviamente, legislações específicas serão 
necessárias para prevenir ou diminuir a introdução e a translocação de exóticas invasoras no país. 
 A Estratégia Nacional representa, ainda, um importante instrumento para a 
internalização e implementação no país do artigo 8(h) da Convenção sobre Diversidade 
Biológica. Da mesma forma, a Estratégia se traduz em uma efetiva ferramenta que o país dispõe 
para a consecução das determinações das Decisões V/8, VI/23 e IX/4, das Conferências das 
Partes, da CDB, quando foram tratadas, em profundidade, as complexas questões relacionadas às 
espécies exóticas invasoras. 
 Prevenir e mitigar os impactos negativos de espécies exóticas invasoras sobre a população 
humana, os setores produtivos, o meio ambiente e a biodiversidade, por meio do planejamento e 
execução de ações de prevenção, erradicação, contenção ou controle de espécies exóticas 
invasoras com a articulação entre os órgãos dos Governos Federal, Estadual e Municipal e a 
sociedade civil, incluindo a cooperação internacional. 
 Para os propósitos desta Estratégia Nacional sobre Espécies Exóticas Invasoras, entende-se 
por: 
 Espécie Exótica ou Alóctone - espécie ou táxon inferior e híbrido 
interespecífico introduzido fora de sua área de distribuição natural, passada ou presente, incluindo 
indivíduos em qualquer fase de desenvolvimento ou parte destes que possa levar à reprodução.
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 Espécie Exótica Invasora ou Alóctone Invasora - espécie exótica ou alóctone cuja 
introdução, reintrodução ou dispersão representa risco ou impacta negativamente a sociedade, a 
economia ou o ambiente (ecossistemas, habitats, espécies ou populações). 
 Introdução – movimento de espécie exótica por ação humana, intencional ou não 
intencional, para fora da sua distribuição natural. Esse movimento pode realizar-se dentro de um 
país, entre países, ou fora da zona de jurisdição nacional. 
 Introdução Intencional - movimento ou liberação deliberada de uma espécie exótica fora 
da sua distribuição natural por ação humana. 
 Introdução Não-Intencional – todas as outras formas de introdução por ação humana que 
não as intencionais. 
 Estabelecimento – processo de reprodução com êxito de uma espécie exótica com 
probabilidade de contínua sobrevivência em um novo habitat. 
 Análise de Risco – (i) avaliação das conseqüências da introdução, da probabilidade de 
estabelecimento de uma espécie exótica, com base em informação científica e (ii) identificação 
de medidas que podem ser implementadas para reduzir ou gerir os riscos, levando em conta os 
aspectos ambientais, sócio-econômicos e culturais. 
Introdução de Espécies 
Introdução Intencional 
 Não deveria haver primeira introdução intencional ou introduções posteriores de uma 
espécie exótica considerada invasora ou potencialmente invasora em um país sem que 
houvesse autorização prévia de uma autoridade competente do estado receptor. Uma análise 
de risco apropriada, que poderia incluir uma avaliação do impacto no meio ambiente, deveria ser 
conduzida como parte do processo de avaliação antes de uma decisão conclusiva sobre autorizar 
ou não a introdução proposta ao país ou às novas
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zonas ecológicas, dentro de um país. Os estados deveriam conduzir todos os esforços necessários 
para permitir somente a introdução de espécies cuja ameaça à diversidade biológica seja 
improvável. O ônus da prova de que uma introdução proposta não ameace a diversidade 
biológica deveria corresponder ao proponente da introdução, ou ser atribuída, conforme 
apropriado, ao estado receptor. A autorização de uma introdução pode, quando apropriado, ir 
acompanhada de condições (por exemplo, preparação de um plano de mitigação, 
procedimentos de monitoramento, pagamento pela avaliação e manejo ou, ainda, requisitos de 
contenção). 
 As decisões relativas à introduções intencionais deveriam ser baseadas no abordagem 
precautória, incluindo as análises de riscos, estabelecida no Princípio 15 da Declaração do 
Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e no preâmbulo da Convenção sobre 
Diversidade Biológica. Onde existir ameaça de redução ou perda de diversidade biológica, 
a falta de certeza científica e conhecimento sobre uma espécie exótica não deveria impedir que 
uma autoridade competente adotasse uma decisão a respeito da introdução intencional de tal 
espécie exótica, de modo a evitar a disseminação e os impactos negativos da espécie exótica 
invasora. 
Introdução Não-Intencional 
 Todos os estados deveriam ter disposições que abordassem introduções não 
intencionais (ou introduções intencionais que tenham se estabelecido e se tornado invasoras). 
Estas disposições poderiam incluir medidas estatutárias e regulatórias, bem como o 
estabelecimento e o fortalecimento de instituições e órgãos com responsabilidades apropriadas. 
Recursos operativos deveriam ser suficientes para permitir ação rápida e efetiva. 
 Deve-se identificar rotas comuns que conduzam a introduções intencionais, assim como 
disposições deveriam ser disponibilizadas para minimizar tais introduções. Atividades 
setoriais, tais como pesca, agricultura, silvicultura, horticultura, transporte marítimo 
(incluindo a descarga de águas de lastro), transporte de superfície e aéreo, projetos de 
construção, paisagismo, aqüicultura, incluindo a aqüicultura de espécies de uso ornamental, 
turismo, indústria de animaisde estimação e reservas de caça são vias de introduções não 
intencionais. Avaliação de impacto ambiental dessas atividades deveria incorporar o risco de 
introdução não intencional de espécies exóticas invasoras. Quando apropriado, análise de risco 
de introdução não intencional de espécies exóticas invasoras deveria ser conduzida para essas 
rotas. 
Mitigação de impactos 
Mitigação de Impactos – interna e externa 
 Uma vez detectado o estabelecimento de uma espécie exótica invasora, os estados, 
individual e cooperativamente, deveriam adotar etapas apropriadas, tais como erradicação, 
contenção e controle, para mitigar os efeitos adversos. As técnicas utilizadas para a 
erradicação, contenção ou controle devem ser seguras para os seres humanos, para o meio 
ambiente e para a agricultura e, também, aceitáveis eticamente pelos interessados nas áreas
25 
 
afetadas pelas espécies exóticas invasoras. Medidas de mitigação deveriam, com base na 
abordagem precautória, ser adotadas nos primeiros estágios da invasão. Em consonância com a 
política ou legislação nacional, uma pessoa ou entidade responsável pela introdução de espécie 
exótica invasora deveria assumir os custos das medidas de controle e da restauração da 
diversidade biológica, sempre que comprovada a falha no cumprimento das leis e regulamentos 
nacionais. Portanto, é importante a detecção precoce de novas introduções de espécies exóticas 
potencialmente invasoras ou invasoras conhecidas, e precisam ser combinadas com a 
capacidade de tomada de ação rápida. 
Erradicação 
 Onde for exequível, a erradicação é, freqüentemente, a melhor medida para tratar da 
introdução e estabelecimento de espécie exótica invasora. A melhor oportunidade para 
erradicar espécie exótica invasora é nos primeiros estágios da invasão, quando as 
populações são pequenas e localizadas. Por conseguinte, sistemas de detecção precoce, focados 
em pontos de entrada de alto risco, podem ser particularmente úteis, enquanto monitoramento 
de pós- erradicação podem ser necessários. Com freqüência o apoio da comunidade é 
indispensável para se obter êxito nas atividades de erradicação, e é especialmente efetivo 
quando se aplica mediante consultas. Também devem ser considerados os efeitos secundários 
sobre a diversidade biológica. 
Contenção 
 Quando a erradicação não é apropriada, limitar a propagação (contenção) de espécies 
exóticas invasoras é, freqüentemente, uma estratégia apropriada nos casos onde o alcance 
dos organismos ou de uma população é suficientemente pequeno para tornar estes esforços 
factíveis. O monitoramento regular é indispensável e deve estar vinculado com ação rápida 
para erradicar qualquer nova invasão. 
Controle 
 Medidas de controle deveriam focar na redução do dano causado, bem como na redução 
do número das espécies exóticas invasoras. Um controle efetivo dependerá, freqüentemente, do 
alcance das técnicas de manejo integrado, incluindo o controle mecânico, químico, biológico e 
manejo do habitat, executados de acordo com os regulamentos nacionais e os códigos 
internacionais existentes. 
Controle de Espécies Exóticas Invasoras em Áreas Protegidas 
 Ações deverão ser desenvolvidas visando contemplar, prioritariamente, as Unidades do 
Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC. Ênfase inicial será dada às UCs de 
Proteção Integral, tanto em âmbito federal quanto estadual, com vistas à: (i) identificação das 
espécies exóticas presentes; (ii) avaliação de risco de dano real e potencial; (iii) avaliação de 
impactos causados no âmbito de cada espécie, se for o caso; (iv) definição de unidades 
prioritárias para ação; e (v) definição de medidas necessárias para prevenção, erradicação, 
mitigação e controle e monitoramento. 
Unidades de Conservação de Proteção Integral 
26 
 
 Promover a elaboração de planos de ação para prevenção, erradicação, controle e 
monitoramento de espécies invasoras em cada UC, independente da existência ou não de 
planos de manejo. 
Unidades de Conservação de Uso Sustentável 
 Elaborar regulamentação de uso para espécies exóticas utilizadas em sistemas de 
produção, contemplando ações de prevenção, controle e manejo. 
Demais Áreas Protegidas e Áreas Prioritárias para a 
Conservação da Biodiversidade 
 Elaborar e implementar planos de ação para erradicação e controle de espécies 
invasoras com ênfase para Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Áreas 
Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade, conforme definido nos decretos 5.092 
de 21 de maio de 2004 e 5,758, de 13 de abril de 2006. 
 A introdução de espécies "estranhas", num país, constitui uma das maiores ameaças à 
biodiversidade do planeta e é um factor de prejuízos económicos, danos para a saúde pública, 
entre outros. Esta situação torna-se problemática porque as espécies que são introduzidas podem 
seguir dois caminhos: ou ocupam nichos ecológicos idênticos aos seus originais, livres, e podem 
conseguir adaptar-se com sucesso; ou pelo contrário inserem-se em nichos ecológicos já 
ocupados e proporcionam competições com as espécies já existentes, originando a exclusão de 
alguma delas. Existe uma diferença entre as espécies introduzidas, consoante o seu "grau" de 
adaptabilidade ao meio, podendo estas ser: exóticas ou alóctones (que não são 
indígenas/autóctones de uma dada área) ou invasoras (que também não são autóctones dum 
determinado sítio, mas que dada a sua proliferação descontrolada, atingem as proporções de 
praga). Note-se, no entanto, que as espécies começam a ser introduzidas como exóticas e que, 
posteriormente, devido a óptimas condições para o seu desenvolvimento, se tornam numa 
autêntica praga (invasoras); contudo, esta observação não implica que todas as espécies 
alóctones introduzidas se tornem pragas! 
A maior causa de introdução de novas espécies é a intervenção humana, pois, por ela, muitas 
das espécies actualmente existentes apresentam uma área de distribuição que não foi a 
determinada inicialmente. 
 
 Umas, como é o caso do camaleão (que foi introduzido no Pinhal de Monte-Gordo), do 
achigã (peixe que foi introduzido um pouco por todas as albufeiras do país), por terem 
encontrado nichos ecológicos desocupados, e consequentemente por não terem competidores 
directos, sobreviveram e adaptaram-se bem ao meio em que foram inseridos. Outras como a 
acácia, o eucalipto, o jacinto-de-água, com a sua introdução, encontraram outras espécies com 
as quais competiram, e sendo as mais aptas implantaram a sua supremacia, e tornaram-se 
pragas. 
 
 Introdução irresponsável de espécies exóticas. As nossas espécies autóctones estão 
ameaçadas, talvez, de extinção. 
Em próximos trabalhos, iremos abordar o efeito desvastador que alguns destes invasores têm 
vindo causar na biodiversidade do nosso país. 
Como apontamento final, fica aqui a nossa chamada de atenção para a importância da educação 
ambiental e, acima de tudo, para a criação de espaços onde o cidadão anónimo e, especialmente, 
os jovens sejam sensibilizados para a problemática da biodiversidade ao nível local e 
planetário. São muitas as espectativas criadas com a criação do centro de interpretação 
ambiental em Viana do Castelo. 
 
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ESTRATÉGIAS PARA CONSERVAÇÃO DA DIVERSIDADE BIOLÓGICA: HOTSPOTS 
(ÁREAS DE ALTA BIODIVERSIDADE) E CENTROS DE ENDEMISMOS. 
 Em todo o mundo, a sociedade e o poder público vêm se mobilizando para criar 
mecanismos que garantam a conservação da diversidade biológica. Em relação aos 
ecossistemas florestais, o desmatamento e a consequenteredução e fragmentação do habitat 
são apontados como fortes ameaças à biodiversidade. Assim, este trabalho objetivou 
apresentar e discutir estratégias que podem ser utilizadas para a conservação da 
diversidade biológica em paisagens florestais fragmentadas. No Brasil, os esforços 
conservacionistas têm se concentrado na manutenção de grandes extensões de florestas em 
Unidades de Conservação da Natureza e outras áreas protegidas. A recuperação de áreas 
degradadas, através de reflorestamentos com espécies nativas e a implantação de corredores 
ecológicos, também são ações importantes para a melhoria das condições ecológicas e para a 
conservação da diversidade biológica. Como, na realidade atual, as áreas com florestas estão 
inseridas em uma matriz de pastagens e áreas agrícolas, diversos autores sugerem ainda que 
os agricultores devam ser incluídos nos planos de conservação da biodiversidade, 
principalmente através do estimulo à adoção de meios produtivos diversificados e práticas 
conservacionistas. Além disso, a educação ambiental deve ser utilizada para que a população 
adquira consciência ambiental e, assim, valorize e atue na defesa dos fragmentos florestais. 
Todavia, apesar das estratégias utilizadas para a conservação das espécies terem se mostrado 
úteis, quando aplicadas isoladamente, elas apresentam falhas. Dessa maneira, é necessário adotar 
metodologias que envolvam várias dessas estratégias de maneira integrada. 
Impactos da fragmentação florestal sobre a diversidade biológica 
 
 O processo de fragmentação florestal traz como consequência a redução e o isolamento 
dos habitats, além de ocasionar o aumento do efeito de borda, pois nos locais próximos do 
limite entre o remanescente e a matriz circundante são observadas alterações significativas na 
radiação, no vento e na dinâmica da água (SAUNDERS et al., 1991). As mudanças na paisagem 
podem causar uma série de impactos na biota, como a diminuição do fluxo gênico entre 
populações, a redução no tamanho das populações, a extinç ão de espécies e alterações na 
composiç ão das comunidades biótic as (MoRATo; CAMpoS, 2000; DAvIES et al., 2001; 
GIMENES; ANJoS, 2003; lAURENCE; vASCoNCEloS, 2009). A diversidade biológica 
presente em grandes extensões de florestas não é totalmente mantida nos fragmentos, pois não 
suportam grandes populações ou uma grande variedade de espécies. os fragmentos pequenos 
não suportam elevado número de indivíduos de espécies que precisam de grandes áreas para 
sobreviver, como vários predadores de topo de cadeia alimentar. Além disso, o isolamento das 
populações acarreta perda genética e de flexibilidade evolucionária, devido ao menor fluxo 
gênico (kAGEyAMA; GANDARA, 1998; CAMpoS, 2006). Existem ainda as espécies que não 
conseguem se adaptar às condições ambientais dos remanescentes florestais e a diversidade de 
habitats, geralmente, é menor em fragmentos que em florestas contínuas (pAGlIA et al., 2006). 
Assim, muitas vezes os fragmentos possuem uma menor riqueza de espécies que florestas 
contínuas ( So BR I NH o et al., 2003; BRUHl et al., 2003; vASCoNCEloS et al., 2006). 
Todavia, em outr os c asos, é a composição das comunidades que varia entre fragmentos 
florestais e florestas contínuas (pUNTIllA et al., 1994; GIBB; HoCHUlI, 2002; SCHoEREDER 
et al., 2004), pois os fragmentos, principalmente os menores, podem ser invadidos por espécies 
que habitam a matriz circundante. Além dos efeitos diretos sobre as espécies, a fragmentação 
dos habitats também pode afetar severamente processos ecológicos, como a ciclagem de 
nutrientes e as interações ecológicas (kRUESS; TSCHARNTkE, 1994; GUIMARãES; Co GNI, 
2002; pAUw, 2007; ANDREAzzI et al., 2009; lAURENCE; vASCoNCEloS, 2009). A 
fragmentação gera a extinção de espécies de mamíferos e afeta a taxa de remoção das sementes, 
a distância de remoção e o recrutamento das espécies de plântulas dispersas por esses animais 
(ANDREAzzI et al., 2009). A importância das aves para a dispersão de sementes também é 
conhecida, entretanto, a fragmentação pode influenciar a riqueza de espécies de aves e a 
composição da comunidade (ANJoS, 1998; GIMENES; A NJ o S, 2003). Assim, a dispersão de 
28 
 
sementes pode ser prejudicada (RABEllo et al., 2010). Também é conhecido que a maior parte 
das espécies de ár vores das florestas tropicais requer agentes bióticos, particularmente insetos, 
para a polinização de suas flores. Entretanto, a fragmentação florestal pode alterar o 
comportamento de forrageamento, limitar o movimento entre fragmentos e reduzir a abundância 
e a riqueza de espécies de polinizadores (lENNARTSSoN, 2002; AGUIRRE; DIRzo, 2008). 
Dessa forma, o sucesso reprodutivo das plantas também pode ser afetado (HIRAyAMA et al., 
2007). pauw (2007) observou que a espécie de abelha Rediva peringueyi (friese, 1911) foi 
ausente em pequenas áreas conservadas e em uma matriz urbana na África do Sul, como 
consequência, a produção de sementes falhou em seis espécies de plantas que são polinizadas 
somente por essa abelha. A fragmentação também afeta as populações dos predadores e presas, 
influenciando a predação. Tabarelli e Mantovani (1997), observaram que a taxa de predação de 
ovos de pássaros foi significativamente maior na borda que no interior de uma floresta no 
Espírito Santo. Essa série de impactos sobre as interações ecológicas certamente põem em risco 
a sobrevivência das espécies. Além disso, os efeitos da fragmentação florestal não são 
homogêneos para os diversos táxons (ANJoS, 1998), o que torna mais complexo a elaboração 
de estratégias que possibilitem a conservação de todas as espécies de uma paisagem 
fragmentada. Todavia, a despeito dos ef eitos negativos da fragmentação florestal sobre a 
diversidade biológica, algumas espécies ameaçadas de extinção ainda podem ser encontradas 
nos fragmentos florestais (BERNACCI et al., 2006), evidenciando a necessidade de incluir os 
remanescentes florestais nas estratégias de conservação da diversidade biológica. 
 
As características dos fragmentos florestais e sua relação com a conservação das espécies 
 
 As características dos fragmentos florestais irão determinar sua propensão em suportar 
maior ou menor número de espécies dos diferentes táxons. Dentre as características mais 
importantes, estão o tamanho do fragmento, o grau de isolamento, a forma, o tipo de vizinhança 
e o histórico de perturbações (vIANA; pINHEIRo, 1998). Quanto ao tamanho do fragmento e 
seu grau de isolamento, cabe comentar sobre a teoria da biogeografia de ilhas (MACARTHUR; 
wIlSoN, 1963). A teoria trata da probabilidade de extinção de espécies que habitam ilhas e da 
recolonização desses ambientes. pela teoria, a probabilidade de ocorrer a extinção de uma 
espécie é maior em uma ilha pequena que em uma grande. Além disso, a probabilidade de uma 
espécie chegar até a ilha está relacionada positivamente com o tamanho da ilha e negativamente 
com a distância entre a ilha e a fonte. Essa teoria vem sendo aplicada aos fragmentos florestais, 
pois funcionam como ilhas em meio a uma matriz de áreas agrícolas e pastagens. Dessa forma, 
fragmentos maiores e menos isolados seriam mais propícios para a manutenção da 
biodiversidade. A forma dos fragmentos florestais é importante por estar relacionada com o 
efeito de borda e a susceptibilidade do remanescente aos fatores externos. As bordas criadas 
pelo desmatamento são artificiais, sendo uma transição abrupta entre a floresta e o ambiente 
adjacente (lAURANCE; vASCo NCElo S, 2009). fragmentos com maiores perímetros em 
relação à sua área estariam sujeitos a um maior efeito de borda (DURIGAN et al., 2006). Como 
o perímetro está relacionado com a forma dos fragmentos, remanescentes florestais comáreas 
mais circulares e, portanto, com menor perímetro relativo, sofreriam menos efeitos de fatores 
externos. A vizinhanç a dos fr agmentos se ref ere ao uso do solo no ambiente que tem 
contato com a floresta. Nesse sentido, ambientes externos com maior complexidade estr utural 
da vegetaç ão, como sistemas agrícolas diversificados e com a presença de vários estratos 
verticais, podem colaborar para a conser vação da biodiversidade nos fragmentos, pois são 
ambientes mais próximos à estrutura original da floresta, se comparado com ambientes mais 
distantes, como monoculturas. por outro lado, fragmentos vizinhos de pastagens e áreas urbanas 
podem ter o efeito de borda intensificado e serem mais propensos à perda de espécies. 
fragmentos florestais vizinhos de áreas de pastagem podem sofrer, por exemplo, com incêndios 
provocados nas áreas vizinhas e com o pisoteio provocado pelo gado ao adentrar a floresta. Já 
nos fragmentos vizinhos de áreas urbanas, comumente, podem ser encontrados vestígios de 
atividades humanas, como o lixo. Nesse sentido, Saunders et al. (1991) afirmam que as 
pesquisas sobre os ecossistemas fragmentados, além de estudarem a biota, devem ser dirigidos 
para a compreensão e controle das influências externas. outro fator crucial é o histórico de 
29 
 
perturbações, que muitas vezes é complexo e longo, mas é um dos fatores que melhor explica o 
estado atual da estr utura do fragmento (vIANA; pINHEIRo, 1998). É comum que os 
fragmentos florestais tenham sofrido ações antrópicas como a caça, o fogo e a retirada seletiva 
de madeira e outros produtos vegetais (GoNzAGA et al., 2007; MUllER et al., 2010). Tendo 
em vista a importância dos fatores apresentados, é imprescindível que esses sejam levados em 
consideração na elaboração de estratégias para a conservação da diversidade biológica nos 
fragmentos florestais. 
 
Unidades de Conservação da Natureza 
 
 Em todo o mundo, esforços vêm sendo feitos para preservar os remanescentes 
florestais e sua biodiversidade. Tais esforços têm se concentrado na conser vação de grandes 
extensões de florestas em reservas e outras áreas naturais protegidas por lei (RylANDS; B 
RAND o N, 2005). No Brasil, a lei No 9.985 de 18 de julho de 2000, que institui o Sistema 
Nacional de Unidades de Conser vação da Natureza (SNUC), define Unidade de Conser vação 
como “espaço territorial e seus recursos ambientais, inc luindo as águas jurisdicionais, com 
características naturais relevantes, legalmente instituído pelo poder público, com objetivos de 
conser vação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam 
garantias adequadas de proteção”. As Unidades de Conservação têm contribuído para a 
conservação da biodiversidade regional e proteção de espécies endêmicas, ameaçadas ou 
vulneráveis (BRAz; CAvAlCANTI, 2001). Além disso, o desmatamento pode ser até 10 vezes 
menor no interior das áreas protegidas do que fora delas (fERREIRA et al., 2005). Apesar da 
importância, já constatada, das Unidades de Conservação, melhorias ainda devem ser buscadas. 
lima et al. (2005) obser varam que a criação de Unidades de Conser vação em Minas Gerais 
tem ocorrido sem a perspectiva de cumprir com os objetivos estabelecidos em sua criação. 
observaram ainda que apenas uma Unidade de Conservação apresentava nível satisfatório de 
manejo e 60% exibiram nível insatisfatório. os autores afirmam que isso também ocorre em 
outros estados, como São paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso. o projeto de várias Unidades de 
Conser vação levou em consideração as pr em is sa s da b io g e og r a f i a de il ha s 
(SAUNDERS et al., 1991).Todavia, existem dúvidas sobre o que seria mais adequado, conser 
var um único fragmento florestal grande ou vários pequenos. Um fragmento grande preservaria 
um maior número de espécies, mas, por outro lado, poderia ser devastado com um único evento 
catastrófico. Já os fragmentos pequenos abrigariam menos espécies, mas há uma probabilidade 
maior de que ao menos um permaneça após um evento catastrófico, possibilitando uma 
posterior colonização dos demais. Nesse sentido, esforços vêm sendo realizados para selecionar 
fragmentos florestais prioritários para a conservação. os atributos biofísicos (como o tamanho, a 
conectividade, a proteção de mananciais, a diversidade de fisionomias, a riqueza de espécies e o 
número de espécies raras), a integridade dos recursos naturais (como a presença de espécies 
invasoras, frequência de incêndios e a presença de lixo) e as influências externas (como o uso 
das terras no entorno e a relação perímetro/ superfície) são fatores utilizados nessa seleção 
(DURIGAN et al., 2006). Todavia, existem casos em que a criação de Unidades de Conservação 
não é baseada no conhecimento ecológico. para Campos e Costa f ilho (2005), o processo de 
escolha dos locais para a criação de Unidades de Conservação no Estado do paraná é centrado 
em áreas que sobraram do processo de ocupação e expansão da fronteira agrícola. Segundo os 
autores, esse processo resultou num conjunto de áreas protegidas de reduzida extensão, alto grau 
de isolamento e que engloba apenas uma parte das ecorregiões do Estado. para Schelhas e 
Greenberg (1996), grandes áreas protegidas através de parques e reser vas, muitas ve z es, não 
pro vêm representativa proteção para diferentes habitats, além disso, por causa de contrastes 
sociais, econômicos e políticos, existe pouca esperança na expansão do sistema de áreas 
protegidas. Isso tem deixado claro que a estratégia de conservação focada somente em grandes 
áreas possui falhas e que são necessários esforços para incluir áreas fora das grandes reservas. 
Assim, há uma forte necessidade de desenvolver uma abordagem integrada para a gestão da 
paisagem, que coloca as áreas naturais protegidas no contexto da paisagem global (SAUNDERS 
et al., 1991). 
 
30 
 
Reflorestamentos e corredores ecológicos 
 
 D e v i d o a o a c e l e r a d o p r o c e s s o de desmatamento e fragmentaç ão dos 
habitats, observado nas últimas décadas e principalmente nos trópicos, a recuperação de áreas 
degradadas através de reflorestamentos com espécies nativas e a implantação de corredores 
ecológicos são ações importantes para a melhoria das condições ecológicas e para a conservação 
da diversidade biológica (zAU, 1998). folke et al. (2004), encontraram evidências de que as 
ações antrópicas podem reduzir a resistência dos ecossistemas. os ecossistemas degradados 
tornam-se mais vulneráveis às mudanças e, como consequência, podem mudar subitamente de 
um estado desejado para um menos desejado em sua capacidade de gerar serviços ecológicos e 
conser var a biodiversidade. Desse modo, a gestão da paisagem deve se concentrar em 
transformar ecossistemas degradados em ambientes mais equilibrados ecologicamente. para 
valcarcel e S ilva (1997) as estratégias de reabilitação de áreas degradadas devem envolver um 
conjunto de fatores ambientais, de tal forma que propicie condições para que os processos 
ecológicos sejam similares ao de uma vegetação nativa da região. Div ersas estr atégias v êm 
sendo utilizadas para a recuperação de áreas degradadas. Almeida (1998) afirma que, dentre os 
modelos de recuperação florestal, os que possibilitam uso múltiplo se destacam, por conciliarem 
a obtenção de benefícios ambientais (conser vação do solo, água, diversidade biológica, entre 
outros) com a produç ão de benefícios econômicos (produtos florestais madeireiros e não- 
madeireiros). Cabe ressaltar que alguns autores afirmam que os benefícios advindos dos 
reflorestamentos podem ser maiores com a utilização de espécies arbóreas nativas, pois 
ambientes reflorestadoscom tais espécies abrigariam comunidades bióticas com níveis de 
diversidade similares aos das florestas nativas (pEREIRA et al., 2007). Assim, a implantação 
desses reflorestamentos tem sido uma prática bastante adotada em diversas regiões do país, 
visando à recuperação de funções ecológicas nos ambientes degradados e contr ibuindo para a 
conser vaç ão da biodiversidade (MACHADo et al., 2008; pINHEIRo et al., 2009). Entretanto, 
ferraz e vettorazzi (2003) comentam que, para um melhor resultado, sob a óptica da ecologia de 
paisagem, seria interessante que as áreas recuperadas fossem arranjadas de forma a possibilitar 
maior trânsito de animais e troca de material genético. Nesse sentido, viana e pinheiro (1998) 
afirmam que uma boa estratégia para a conser vação da biodiversidade é recuperar os 
fragmentos e interligá-los com corredores de alto fluxo de biodiversidade, pois assim, pode-se 
aumentar o fluxo de animais e sementes entre fragmentos. No artigo 2º do SNUC, corredores 
ecológicos são definidos como “porções de ecossistemas naturais ou seminaturais, ligando 
unidades de conser vação, que possibilitam entre elas o fluxo de genes e o movimento da biota, 
facilitando a dispersão de espécies e a recolonização de áreas degradadas, bem como a 
manutenção de populações que demandam para sua sobrevivência áreas com extensão maior do 
que aquela das unidades individuais”. Entretanto, como abordado por v iana e p inheiro (1998), 
os corredores ecológicos não são utilizados apenas para interligar Unidades de Conservação. 
Campos (2006) utilizou a seguinte definição: “os corredores de biodiversidade ou corredores 
ecológicos são porções de ecossistemas naturais ou semi-naturais que ligam fragmentos de 
ecossistemas possibilitando o fluxo de genes e o movimento da biota, facilitando a dispersão de 
espécies e a recolonização de áreas degradadas”. para o autor, os corredores também facilitam a 
manutenção de populações que demandam, para sua sobrevivência, áreas com extensão maior 
do que aquelas dos fragmentos individuais. Tal afirmação é apoiada por Molofsky e ferdy 
(2005), que obser varam que populações conectadas têm mais chance de prosperar que 
populações isoladas. Townsend e levey (2005) testaram, para Lantana camara l. (verbenaceae) 
(polinizada por borboletas) e Rudbeckia hirta l. (Asteraceae) (polinizada por abelhas e vespas), 
a hipótese de que os corredores ecológicos aumentam a circulação de insetos polinizadores em 
manchas de habitat e, consequentemente, aumentam a transferência de pólen. A transferência de 
pólen por borboletas, abelhas e vespas foi significativamente maior entre as manchas de habitat 
conectadas por um corredor do que entre fragmentos desconexos. os autores conc luír am que 
os corredores ecológicos podem facilitar a transferência de pólen em paisagens fragmentadas. 
Assim, os r eflor estamentos e os corredores ecológicos representam estratégias promissoras 
para a conservação da biodiversidade em paisagens fragmentadas. 
 
31 
 
Sistemas agroflorestais 
 
 Como já mencionado, a principal estratégia utilizada para a conservação da 
biodiversidade é a criação de Unidades de Conser vação da Natureza (RylANDS; BRANDoN, 
2005). Entretanto, mesmo as áreas protegidas sofrem ações antrópicas negativas, como a caça e 
o fogo gerado pelas queimadas em áreas agrícolas vizinhas (G R I ff I T H , 2000; M E DE I R 
o S ; fIEDlER, 2004). Além disso, geralmente, o conjunto de Unidades de Conservação de uma 
região não abrange todas as fitofisionomias existentes (CAMpoS; CoSTA fIlHo, 2005). Assim, 
novas estratégias devem ser utilizadas para cobrir essa lacuna. Como, na realidade atual, as 
áreas com florestas estão inseridas em uma matriz de pastagens e áreas agrícolas (zAU, 1998), 
diversos autores sugerem que os agricultores devam ser incluídos nos planos de conservação da 
biodiversidade, principalmente através do estímulo à adoção de meios produtivos diversificados 
e práticas conservacionistas (HUANG et al., 2002; QUEIRoz et al., 2006). Embora a 
agricultura seja a principal atividade causadora de impactos, em grande extensão, ela tem 
importância vital para a maioria dos países em desenvolvimento, onde 60% da população 
economicamente ativa e 50% da economia rural estão envolvidas com essa prática (wooD; 
lINNE, 2005). práticas agrícolas que incorporem alta diversidade de espécies, densidade e altura 
(criando vários estratos), podem conter níveis de diversidade similarmente próximos aos das 
florestas nativas, além de facilitar a dispersão entre fragmentos, manter a dinâmica de 
metapopulações e a sobrevivência de espécies em longo prazo (p H I lpoT T; ARMBRECH T, 
2006) por outro lado, as paisagens dominadas por pastagens subutilizadas e com tendência de 
degradação, além de serem um problema para a conservação da diversidade biológica, também 
indic am que os pecuar istas e agricultores devem estar em situação precária. Esses ambientes 
degradados são propensos, por exemplo, à erosão, perda de fertilidade e, consequentemente, de 
produtividade, o que contribui sinergicamente para a geração de problemas sociais. por outro 
lado, agroecossistemas diversificados, como os sistemas agroflorestais (SAfs), são apontados 
como meios produtivos mais sustentáveis, propensos a manter a produtividade por um longo 
período (CASTRo et al., 2009). Também são capazes de cumprir funções ambientais, como 
aumentar a infiltração da água no solo, diminuir a erosão e colaborar com a conser vaç ão da 
biodiversidade (HUANG et al., 2002; CAMpANHA et al., 2007). Segundo MacDicken e 
vergara (1990), sistemas agroflorestais podem incluir a combinação de atividades agrícolas, 
florestais e pecuárias, com objetivo principal de reduzir riscos. Ainda segundo esses autores, 
tais sistemas são mais estáveis e sustentáveis quando comparados com monoculturas. os 
principais problemas enfrentados pelos pequenos produtores agrícolas são a erosão e a perda da 
fertilidade natural do solo, além disso, o cultivo de somente uma espécie se traduz em 
consideráveis riscos econômicos. por outro lado, SAfs são economic amente viáveis, 
aumentam a renda dos produtores, representam uma alternativa para a diversificação da 
produção e contribuem para a recuperação ambiental (GAMA, 2003). Assim, estimular 
pequenos fazendeiros a adotarem sistemas agroflorestais pode ser uma boa estratégia para 
conciliar produção com a conser vaç ão da biodiversidade (H UA N G et al., 2002). para Gr 
iffith (2000), sistemas agroflorestais podem ser não só o habitat definitivo, como também um 
importante refúgio para a fauna silvestre após queimadas, principalmente tendo em vista que as 
Unidades de Conservação, que são consideradas importantes refúgios para a biodiversidade, 
também sofrem com a ação do fogo. Em grande parte do Brasil, é comum o descumprimento do 
Código florestal (lei N° 4.771, de 15 de setembro de 1965) no que tange à manutenção das áreas 
de Reserva legal (Rl) e das Áreas de preser vação permanente (App), que possuem elevada 
importância para a proteção da biota. os SAfs poderiam ajudar na recuperação das Apps, Rls e 
corredores florestais, pois proporcionam efeitos positivos ao crescimento das árvores e reduzem 
os custos de implantação (AMADoR; vIANA, 1998, SIlvA, 2002; RoDRIGUES et al., 2008). 
 
Educação Ambiental 
 
 Em qualquer das estratégias utilizadas, para cumprir o compromisso firmado na CDB 
de conser var a biodiversidade, a educação ambiental deve ser utilizada como ferramenta 
complementar. A lei N° 9.795, de 27 de abril de 1999, que institui a política Nacional de 
32 
 
Educação Ambiental, em seu artigo 1o diz que “Entendem-se por educação ambiental os 
processospor meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, 
conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio 
ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua 
sustentabilidade”. Assim, a educação ambiental possibilita que as pessoas adquiram consciência 
dos problemas ambientais e valorizem o meio ambiente e os recursos advindos dele (MATToS 
et al., 2007). Medeiros e fiedler (2004) comentam que a redução dos incêndios florestais no 
interior de Unidades de Conser vação é fundamental para sua conservação e ações de 
prevenção, como a educação ambiental, devem ser utilizadas. As atividades educativas devem 
ser dirigidas às comunidades do entorno das Unidades de Conservação, pois utilizam o fogo 
como ferramenta de manejo agropecuário. os autores afirmam ainda que o investimento na 
educação ambiental, ger almente, é expressivamente menor que os custos das operações de 
combate aos incêndios. para Rocha-Mendes et al. (2005) é necessária a realização de trabalhos 
intensivos de educação ambiental para a orientação dos moradores dos arredores dos 
remanescentes florestais, com o objetivo de evitar a predação de animais domésticos por 
predadores advindos da floresta. Isso evitaria que a população local veja os animais da floresta 
como um problema. Já para ferraz e vettorazzi (2003), é interessante que atividades de educação 
ambiental sejam desenvolvidas em áreas de recomposição florestal, com vista à sua conser 
vação. Também Borges et al. (2004) incluem a educação ambiental como uma das ações que 
devem ser realizadas para proteger os fragmentos florestais, sobretudo os de pequena dimensão. 
Assim, a educação ambiental deve ser utilizada, para que a população adquira consciência 
ambiental, valorize os fragmentos florestais e sua biodiversidade, além de atuar em sua defesa 
(pElICIoNI, 2004). Vislumbrando o cenário atual, onde se observa a crescente ameaça da 
fragmentação florestal à diversidade biológica, fica claro a validade dos esforços realizados para 
a preservação das espécies. Entretanto, apesar das estratégias utilizadas para a conservação das 
espécies terem se mostr ado úteis, quando aplicadas isoladamente apresentam falhas. Dessa 
maneira, é necessário adotar métodos que en v ol vam vár ias dessas estratégias de maneira 
integrada. Uma paisagem contendo grandes Unidades de Conser vação interligadas por 
corredores florestais e inseridas em uma matriz de sistemas agroflorestais talvez seja uma utopia 
na conjectura atual. Mas pode ser a melhor alternativa para a conservação da biodiversidade e 
dos processos ecológicos, principalmente, se aliada com ações de educação ambiental que 
busquem a inclusão das comunidades locais nos programas de conservação. 
 
CENTRO DE ENDENISMO 
 
 São áreas que possuem duas ou mais espécies endêmicas. A Amazônia não é homogênea, 
pois cada setor do enorme bioma possui o seu próprio conjunto de espécies endêmicas, ou seja, 
espécies que não ocorrem em nenhuma outra região do planeta. Um centro de endemismo é 
uma região identificada por pesquisadores como sendo uma área que concentra um elevado 
numero de espécies que só ocorrem. 
HOTSPOTS 
 O conceito Hotspot foi criado em 1988 pelo ecólogo inglês Norman Myers para resolver 
um dos maiores dilemas dos conservacionistas: quais as áreas mais importantes para preservar a 
biodiversidade na Terra? 
 
 Ao observar que a biodiversidade não está igualmente distribuída no planeta, Myers 
procurou identificar quais as regiões que concentravam os mais altos níveis de biodiversidade e 
onde as ações de conservação seriam mais urgentes. Ele chamou essas regiões de Hotspots. 
 
 Hotspot é, portanto, toda área prioritária para conservação, isto é, de alta biodiversidade e 
ameaçada no mais alto grau. É considerada Hotspot uma área com pelo menos 1.500 espécies 
endêmicas de plantas e que tenha perdido mais de 3/4 de sua vegetação original. 
 
33 
 
1988: Myers identificou 10 Hotspots mundiais. 
 
 1996-1999: o primatólogo norte-americano Russell Mittermeier, presidente da CI, ampliou o 
trabalho de Myers com uma pesquisa da qual participaram mais de 100 especialistas. Esse 
trabalho aumentou para 25 as áreas no planeta consideradas Hotspots. Juntas, elas cobriam 
apenas 1,4% da superfície terrestre e abrigavam mais de 60% de toda a diversidade animal e 
vegetal do planeta. 
 
fev/2005: A CI atualiza a análise dos Hotspots e identifica 34 regiões, hábitat de 75% dos 
mamíferos, aves e anfíbios mais ameaçados do planeta. Nove regiões foram incorporadas à 
versão de 1999. Mesmo assim, somando a área de todos os Hotspots temos apenas 2,3% da 
superfície terrestre, onde se encontram 50% das plantas e 42% dos vertebrados conhecidos. 
 
Confira a localização das 34 áreas no mapa ao lado e visite o website dos Hotspots . 
 
 No Brasil há dois Hotspots: a Mata Atlântica e o Cerrado. Para estabelecer estratégias de 
conservação dessas áreas, a CI-Brasil colaborou com o Projeto de Ações Prioritárias para a 
Conservação da Biodiversidade dos Biomas Brasileiros, do Ministério do Meio Ambiente. 
Centenas de especialistas e representantes de várias instituições trabalharam juntos para 
identificar áreas prioritárias para a conservação do Cerrado (em 1998) e da Mata Atlântica (em 
1999). 
ESTRATÉGIA DE CONSERVAÇÃO DE HABITATS E DE ESPÉCIES 
 A conservação da Natureza, entendida como a preservação dos diferentes níveis e 
componentes naturais da biodiversidade, numa perspectiva de desenvolvimento sustentável, tem 
vindo a afirmar-se como imperativo de acção política e de desenvolvimento cultural e sócio-
económico à escala planetária. A interiorização dos princípios e da acção que lhe estão 
subjacentes afirmou-se sobretudo a partir da Declaração do Ambiente, adoptada pela primeira 
Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente, realizada em Estocolmo em 1972, 
culminando na recente Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente e Desenvolvimento, 
realizada no Rio de Janeiro em 1992, donde resultou a adopção de um conjunto de documentos 
e compromissos, donde ressalta a Convenção da Diversidade Biológica. 
No espaço comunitário, a primeira grande acção conjunta dos Estados membros para 
conservação do património natural ocorreu em 1979, com a publicação da Directiva n.° 
79/409/CEE, do Conselho, de 2 de Abril, relativa à conservação das aves selvagens (directiva 
aves). Este diploma tem por objectivo a protecção, gestão e controlo das espécies de aves que 
vivem no estado selvagem no território da União Europeia, regulamentando a sua exploração. 
Atendendo à regressão de muitas populações de espécies de aves no território europeu (em 
especial das migradoras), à degradação crescente dos seus habitats e ao tipo de exploração de 
que eram alvo, aquela directiva prevê que o estabelecimento de medidas de protecção passa 
nomeadamente pela designação de zonas de protecção especial (ZPE), correspondentes aos 
habitats cuja salvaguarda é prioritária para a conservação das populações de aves. Portugal 
transpôs esta directiva para a ordem jurídica interna através do Decreto-Lei n.° 75/91, de 14 de 
Fevereiro. 
 
 
ESTRUTURA DE POPULAÇÕES E MANEJO SUSTENTÁVEL DE FAUNA NA 
NATUREZA E EM SEMILIBERDADE 
 É a intervenção humana de forma sistemática, visando manter e recuperar populações 
silvestres em cativeiro para diminuir a pressão de retirada de espécies da natureza, ofertando à 
sociedade animais com origem legal, dentro do princípio da sustentabilidade. 
34 
 
 Manejo de fauna em cativeiro é a intervenção humana de forma sistemática, visando manter 
e recuperar populaçõessilvestres em cativeiro para diminuir a pressão de retirada de espécies da 
natureza, ofertando à sociedade animais com origem legal, dentro do princípio da 
sustentabilidade. 
 O processo de tomada de decisões acerca da conservação e manejo da nossa fauna silvestre 
tem tido como base dois preceitos fundamentais: a suficiência da biologia e a autoridade do 
especialista. Em outras palavras, assume-se que a contribuição exclusiva da biologia garanta as 
melhores decisões de conservação e manejo e que, consequentemente, tais decisões devam ser 
tomadas por especialistas em ciências biológicas (biólogos e também veterinários, agrônomos e 
engenheiros florestais), em virtude de seu treinamento e experiência nessa área. 
 A aplicação desses preceitos trouxe resultados expressivos. No entanto, a fauna silvestre 
continua ameaçada por atividades humanas e, agora com um fator complicante, as opiniões e 
interesses do público leigo acerca do assunto estão cada vez mais fortes e diversificados. À 
medida que a sociedade se segmenta em grupos com interesses cada vez maiores e mais 
variados (e eventualmente conflitantes!) em relação ao uso e conservação dos recursos naturais, 
o manejo da fauna silvestre deverá se beneficiar de uma base mais ampla de fundamentos, que 
contemple a necessidade de integração entre múltiplas disciplinas e o desejo de diferentes 
setores da sociedade de participar das decisões. 
 Todo manejo deve pressupor conhecimento, controle e monitoramento. Sem esses 
requisitos, que devem ser estabelecidos em regras e normas, não há manejo. A ética no manejo é 
fundamental para que ele seja bem sucedido. 
 Existem vários regulamentos para criação de animais silvestres em cativeiro. Pode-se 
pleitear a criação concervacionista, científica, comercial ou parque zoológico. Para cada uma 
dessas categorias há uma legislação específica que regulamenta o uso da fauna silvestre visando 
um manejo sustentado para as espécies contempladas. 
 Para um interessado criar animais silvestres em cativeiro seja habilitado, é necessário que 
o mesmo apresente ao IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais) 
uma carta consulta com seu projeto de criação, contemplando os objetivos e aspectos técnicos. 
Uma vez que esse projeto é aprovado o criador poderá receber as matrizes que serão 
provenientes de Centros de Triagem de Animais Silvestres - CETAS do IBAMA, ou mesmo de 
outros criadores que estejam manejando seus excedentes. 
 Os CETAS são lcoais onde os animais silvestres ficam alojados, quando são apreendidos 
pelos órgàos fiscalizadores ou entreges por particulares, até serem destinados de acordo com seu 
estado físico e de selvageria. Nessa ocasião o manejo adequado também é fundamental para 
garantir a sobrevivência do (s) animal (is). 
 Conhecer a biologia das espécies que se pretende criar é fundamental para o 
desenvolvimento do manejo em criadouro ou zoológico. Seu registro junto ao IBAMA 
dependerá da comprovação de sua capacidade técnica para manejar espécies silvestres. Os 
animais silvestres, quando retirados de seu hábitat, geralmente ficam estressados e subnutridos, 
fato que os leva ao óbito com freqüência. O sucesso do manejo depende da assistência técnica 
dos profissionais da área, habilitados para essa finalidade, como por exemplo biólogos e 
médicos veterinários. 
 Todos os criadouros e zoológicos registrados no IBAMA sabem que, a qualquer 
momento, poderão sofrer vistoria para avaliação do manejo dos animais silvestres, 
acompanhamento do plantel, entre outros. 
35 
 
 A emissão da licença de transporte para os animais a serem transferidos é outro 
mecanismo de controle dos plantéis que o IBAMA utiliza. Até mesmo os Centros de Triagem 
de Triagem de Animais Silvestres - CETAS, setores do próprio IBAMA, necessitam da citada 
licança para enviar um animal de uma localidade para outra. 
 Quando o manejo não está sendo adequado apra a espécie que se mantém no cativeiro, o 
IBAMA sugere um ajuste, estabelecendo um prazo para tal adequação. Caso isso não ocorra o 
criadouro poderá perder a guarda do animal. 
Plano de Manejo Sustentável de Fauna 
 A caça esportiva é responsável por meio do pagamento de licenças e outras taxas, pela 
maior parte dos recursos dos programas de conservação de fauna por todo o mundo. Milhões de 
hectares de vegetação nativa original são hoje protegidos por particulares para prática de caça 
esportiva que se prova ser uma prática sustentável de exploração do meio ambiente. 
 No Brasil a regulamentação da pesca amadora e conseqüente adoção das licenças de pesca 
geraram a formalização de diversos empreendimentos e milhões de reais em impostos e taxas 
que seguramente estiveram disponíveis para ampliar os esforços de fiscalização dos nossos 
recursos hídricos, no entanto a não regulamentação da caça tem propiciado a pratica de caça 
ilegal e predatória e faltam recursos para fiscalização e para programas de pesquisa e 
conservação. 
 No Brasil a Lei 5.197 em seu artigo 6 determina que o poder público deve estimular tanto 
a instalação de criadouros de animais silvestres quanto à formação clubes e associações para a 
prática de caça e tiro ao vôo, a instalação de criadouros de animais silvestres em especial com a 
finalidade de animais ornamentais doméstico têm crescido muito nos últimos anos, porém o 
poder público tem se ausentado em cumprir a determinação de estimular a pratica da caça em 
seu caráter associativo como determinado em lei. 
 Para tal este presente texto serve como proposta para que o Ministério do Meio Ambiente 
publique regulamentação que seja adotada no Brasil a ferramenta do Plano de Manejo 
Sustentável de Fauna a exemplo do que ocorre em outros países e mais ainda a exemplo do que 
vem sendo aplicado nas regiões Norte e Centro-Oeste com a adoção dos Planos de Manejo 
Florestal Sustentável. 
 Atualmente no Brasil um Plano de Manejo Florestal Sustentável implica na execução de 
um inventário florestal por meio de um responsável técnico, e conseqüente proposta de 
exploração de produtos e subprodutos florestais em um ciclo de rotação de áreas a ser registrado 
em órgão competente. Como tal um Plano de Manejo Sustentável de Fauna deveria consistir de 
um inventário de fauna com potencial cinegético consistindo de mamíferos e aves não 
ameaçadas de extinção e não protegidas por leis e tratados internacionais, como perdizes, jacus, 
pombas, pacas, tatus, capivaras, catetos, cervídeos e felinos, além de propor também o abate de 
possíveis animais exóticos invasores encontrados naquela área como javalis, lebres e búfalos. 
Somente o registro destes inventários já seria um enorme ganho na conservação de fauna 
brasileira, pois quem não conhece o que tem não tem como conservar. 
 Este plano irá conter a estimativa da população de cada animal de interesse cinegético e 
uma proposta especifica de quantidade e época de abate. Seria estimulada a inclusão na proposta 
da descrição de medidas de controle e promoção ambiental como a preservação de rios e 
nascentes, criação e manutenção de refúgios de fauna, bem como geração de alimentos dentro 
das características alimentares destes indivíduos. 
36 
 
 Quando uma espécie silvestre for ausente da propriedade será também facilitada à 
aquisição de animais de criadouros ou de Centro de Triagem do IBAMA para reintrodução desta 
espécie nativa naquele ambiente 
 Exército e Policia Federal são responsáveis pela fiscalização e cumprimento da legislação 
referente a armas de fogo quando utilizadas, o uso de armas que não as de fogo ou de baixo 
poder de fogocomo arcos, bestas e espingardas de pólvora com carregamento pelo cano pode e 
deve ser estimulado por meio de preços diferenciados de licença a exemplo do que ocorre em 
outros países e com nossas licenças de pesca embarcada e de barranco. 
 Este documento seria registrado no órgão ambiental estadual e o órgão federal poderia 
emitir as licenças de caça nos mesmos moldes da emissão das licenças de pesca. 
 Medidas semelhantes fizeram que a população de veados “white-tail” que estava em 500 
mil indivíduos no inicio do século passado nos EUA subirem para números que hoje 
ultrapassam os 30 milhões de indivíduos, outras populações conseqüentemente se expandiram 
como as onças pardas, os perus nativos e outros animais, somente uma regulamentação pró-
ativa poderá promover a nossa fauna pois o que podemos ver é que a maneira atual não está 
tendo muito sucesso. 
 Para concluir após a regulamentação da pesca amadora no Brasil houve uma grande 
expansão do segmento com crescimentos anuais na ordem de 30% e o SEBRAE estima que o 
faturamento conjunto da cadeia supere a cifra de um bilhão de reais gerando milhões em 
impostos e taxas, sustentando milhares de empregos diretos e indiretos, e gerando também 
divisas por meio de turistas estrangeiros que vêm ao Brasil por esta modalidade de turismo 
sustentável. Não há razões para que a caça esportiva não possa fazer o mesmo e que juntas a 
caça e a pesca não possam fazer ainda mais por nosso país tanto pela conservação do meio 
ambiente quanto pela economia. 
 Meus mais sinceros votos de que nós brasileiros possamos fazer uso correto e sustentável 
de nossos recursos naturais e em especial utilizando os exemplos de sucesso que já estão 
presentes no mundo. 
Fauna semiliberdade 
 Consiste na criação da fauna Silvestre em ambientes similares ao seus respectivos habitats 
naturais, mas em condições. 
 O Brasil é, sem dúvida alguma, um dos países de fauna e flora mais exuberantes do 
mundo. Com uma vasta extensão territorial, apresentando os mais diversificados e complexos 
ecossistemas terrestres e aquáticos, abriga milhares de espécies, as quais evoluíram durante 
milhares de anos ocupando os mais variados "habitats", explorando-os harmonicamente. 
 O homem, empregando uma tecnologia cada dia mais sofisticada, tem modificado a 
composição destes ecossistemas a uma velocidade muito maior que o seu próprio 
conhecimento, causando alterações drásticas e profundas. 
 Estas alterações são indubitavelmente necessárias para o desenvolvimento da 
população humana, se bem que poderiam ser atenuadas, se a tecnologia fosse também 
empregada no sentido de harmonizar a evolução do homem dentro do meio ambiente onde se 
originou. 
37 
 
 Com a destruição de seus "habitats" naturais, nossa fauna realmente está ameaçada e a 
viabilidade de ser recuperada é um dos maiores desafios e um dos mais inquietantes 
problemas. 
 O ambiente florestal tem sido irracionalmente devastado, justificando-se para tal a 
necessidade de terras para a agropecuária, ocupação exercida muitas vezes de forma 
nômade e predatória. 
 As populações de animais silvestres são naturalmente reguladas por diversos 
fatores, tais como a oferta de aumentos, as disponibilidades de "habitats"', a reprodução e 
viabilidade da prole, a ação dos competidores, dos predadores, dos parasitas, etc. 
 A fauna, colocada no nível de consumo, depende exclusivamente dos produtores. Os 
animais evoluíram ocupando seus "habitats" específicos, sem os quais as populações se 
tornam reduzidas ou desaparecem. Diversos autores estudando aves mostraram a importância 
dos "habitats" no crescimento das populações. O nicho ecológico, ou a função exercida pelas 
populações em seus “habitats" também é importante elemento regulador do tamanho destas 
populações. 
 Em seus “habitats" os animais demarcam seus territórios onde encontram os alimentos 
necessários para sua sobrevivência e os locais específicos para sua reprodução. 
 Assim a composição faunística, em número de espécies e espécimes dependem 
basicamente da composição florística adequada para um perfeito desenvolvimento de suas 
populacoes. 
 Se suas necessidades básicas forem atendidas, as populações se desenvolvem; se 
não, desaparecem ou ficam reduzidas a um número cada vez menor. 
 As florestas econômicas normalmente são implantadas em áreas já degradadas, onde os 
animais silvestres de grande porte já desapareceram ou foram destruídos em sua quase 
totalidade. 
 Desta forma, a única forma racional de se obter animais para o repovoamento destas 
florestas é o estabelecimento de criadouros de animais silvestres. 
 Nestes criadouros, os animais nasceriam e cresceriam em regime de semi-liberdade, não 
apresentando o comportamento típico dos animais criados em jaulas. 
 No Brasil, pouco se sabe sobre a criação de animais silvestres, porque os trabalhos 
publicados são principalmente de divulgação. 
 Os criadouros de animais silvestres devem ser relativamente grandes, normalmente com 
área superior a 10 ha, cercados com tela e arame farpado com uma altura mínima de 2,40 
metros, devendo encerrar um banhado, uma pequena área de mata ou capoeira 
enriquecida com espécies frutíferas e uma área com gramíneas e leguminosas forrageira. A 
alimentação dos animais deve ser complementada com a instalação de cochos para 
arraçoamento. 
 Os animais nascidos e criados em semi-liberdade poderão ser utilizados no 
repovoamento de florestas implantadas. 
38 
 
 
ESTATÍSTICA PARAMÉTRICA E NÃO PARAMÉTRICA 
 
 As estatísticas não-paramétricas são, tal como as estatísticas paramétricas, técnicas de 
inferência estatística. Diferem das segundas na medida em que podem ser utilizadas com 
distribuições de resultados que não obedeçam aos parâmetros da curva normal. Estes testes 
podem ser utilizados quando os dados experimentais são mensurados com base em escalas de 
medida ao nível ordinal ou nominal. O método não-paramétrico coloca os resultados numa 
ordem de grandeza, portanto, apenas mede a variabilidade dos resultados de forma indireta, ao 
contrário dos testes paramétricos, que podem medir a proporção exata de variabilidade total dos 
resultados, que é devida a diferenças entre as situações experimentais, pelo que se pode afirmar 
que os testes não-paramétricos são menos potentes que os paramétricos e, como tal, podem ter 
maiores dificuldades em constatar as diferenças significativas quando elas o são. 
Exemplo de alguns testes não-paramétricos: teste de Wilcoxon; teste de U Mann-Whitney; teste 
de Kruskal-wallis; teste de Qui-quadrado; teste de Friedman, entre outros. 
Diferença entre os testes paramétricos e os não paramétricos 
 
 Os testes paramétricos baseiam-se em medidas intervalares da variável dependente (um 
parâmetro ou característica quantitativa de uma população) e a utilização deste tipo de testes 
exige que sejam satisfeitos os seguintes requisitos: 
1. Distribuição normal 
 Os testes paramétricos são válidos quando aplicados a dados que obedecem a uma 
distribuição normal - uma distribuição normal é aquela que é perfeitamente simétrica à volta da 
média; tem a forma de um sino, como mostra a figura 1. 
 
 
Figura 1: Curva de distribuição normal 
 No entanto, existem distribuições normais assimétricas, desviadas à direita ou à esquerda. 
Uma distribuição normal é aquela cuja análise estatística pode ser feita com dados da própria 
amostra, como a média, moda, mediana e desvio padrão. Numa amostra que não tem uma 
distribuição normal não é possívelcalcular o desvio padrão, por exemplo. 
 
 Quando a distribuição dos resultados da variável dependente, para os dois grupos em 
comparação, em determinada investigação (ou em ambas as variáveis, no caso de se tratar de 
uma correlação) for assimétrica ou enviesada (Figura 2), as conclusões baseadas no teste 
estatístico paramétrico são menos válidas. Quanto maior for o enviesamento das distribuições, 
menor será a validade do teste paramétrico que lhes é aplicado. 
39 
 
 
Figura 2: Curva de distribuição enviesada 
2. Variância homogénea 
 Os resultados são mais fáceis de comprar parametricamente quando a variância ou a 
variabilidade dos dados, nos dois grupos, for igual ou homogénea. Se os dois grupos submetidos 
ao mesmo teste de realização apresentarem médias iguais, mas distribuições diferentes (como 
mostram respectivamente as curvas A e B da Figuras 3) seria difícil interpretar um teste 
paramétrico, devido às diferenças na dispersão ou variância dos resultados, nos dois grupos. 
 
 
 
Figura 3: A curva A tem menor variância ou dispersão dos resultados que a curva B (com 
maior dispersão dos resultados, por sua vez). 
3. Os intervalos são contínuos e iguais 
 Os testes paramétricos, tal como estão concebidos, podem aplicar-se apenas em dados 
(medidas relativas à variável dependente) que constituem uma escala de intervalos, ou seja, têm 
entre si intervalos contínuos e iguais. 
 Os testes não paramétricos quando comparados com os testes paramétricos, requerem 
menos pressupostos para as distribuições. Baseiam em dados ordinais e nominais e são muito 
úteis para a análise de testes de hipóteses; são também úteis para a análise de amostras grandes, 
em que os pressupostos paramétricos não se verifiquem, assim como para as amostras muito 
pequenas e para as investigações que envolvam hipóteses cujos processos de medida sejam 
40 
 
ordinais. Além disso, os testes não paramétricos não são tão fededignos como os testes 
paramétricos. 
ECOLOGIA DA PAISAGEM 
 Ecologia da paisagem é a ciência que estuda e procura melhorar o relacionamento entre os 
processos ecológicos no ambiente e ecossistemas particulares. Isto é feito dentro de uma 
variedade de escalas de paisagem, desenvolvimento de padrões espaciais e níveis 
organizacionais de pesquisas e políticas. A ecologia da paisagem enfatiza a interação entre o 
modelo espacial e os processos ecológicos, isto é, as causas e consequências da heterogeneidade 
espacial através de uma série de escalas.4 
 
 Essencialmente ela combina a abordagem espacial do geógrafo com a abordagem funcional 
do ecólogo. 
 
 É uma ciência interdisciplinar, integrando biofísica e enfoques analíticos com 
perspectivas humanísticas e holísticas através das ciências naturais e sociais. Paisagens são 
áreas geográficas espacialmente heterogêneas, caracterizadas por diversas interações de 
ecossistemas, desde sistemas aquáticos e terrestres relativamente naturais como as florestas, 
campos e lagos, até ambientes dominados pelo homem, incluindo cenários urbanos e agrícolas. 
As principais características da ecologia das paisagens são sua ênfase no relacionamento entre 
os padrões, processos e escalas e seu foco em tópicos ambientais e ecológicos de grande escala. 
Isto exige a cooperação entre as ciências biofísicas e socioeconômicas. Os principais tópicos de 
pesquisa nesta área incluem fluxos ecológicos nos mosaicos de paisagens, uso e mudança da 
cobertura do solo, a relação do padrão das paisagens com os processos ecológicos, conservação 
da paisagem e sustentabilidade. 
 A Ecologia de Paisagens é uma área da Ecologia que estuda a estrutura, dinâmica e as 
funções de ecossistemas em ambientes naturais ou alterados pelo ser humano. Embora seus 
princípios não estejam associados a uma escala específica, é comum a visão de que 'paisagem' 
repreesente uma determinada escala de trabalho. Geralmente a paisagem é colocada entre o 
nível de ecossistemas e biomas na abordagem hierárquica de organização da biodiversidade. 
 Nos estudos associados com a Ecologia de Paisagem, como avaliações do estado de 
fragmentação de ambientes naturais, conectividade estrutural ou funcional dos elementos da 
paisagem, efeitos da mudança da estrutura da paisgem sobre a biota e simulações de 
movimentações ou dinâmica da paisagem geralmente são utilizadas métricas que descrevem os 
padrões encontrados. As métricas estão associadas aos três elementos básicos que compõem 
uma paisagem: matriz, mancha e corredor. 
 A matriz representa o elemento (tipo de ecossistema) que ocupa a maior área, possui a mais 
extensa conectividade ou que exerce a maior influência sobre os demais elementos. Há também 
uma visão bastante comum de que a paisagem, em ambientes impactados pelas atividades 
humanas, é todo o conjunto de elementos não naturais (pastos, áreas de agricultura, estradas, 
cidades, represas, solo nu) que existem em uma paisagem. 
 As manchas (do inglês patch) correspondem aos ecossistemas (naturais ou não) que estão 
inseridos na matriz de paisagem. Considera-se uma mancha um determinado tipo de 
ecossistema que está fisicamente isolado ou separado de outra mancha do mesmo tipo de 
ecossistema. As manchas podem ser resultante do processo de fragmentação (quebra de uma 
continuidade) ou também resultantes de um processo de perturbação (uma área desmatada 
dentro de um ecossistema nativo, por exemplo). As manchas podem ser permanentes ou 
temporárias e essa dinâmica influencia decididamente como a biota se comporta ao longo do 
tempo. 
41 
 
 Os corredores são os elementos lineares que promovem ou facilitam a conexão entre os 
demais ecossistemas na paisagem. Os corredores, entretanto, podem também representar 
barreiras que restringem a movimentação das espécies na paisagem. 
 
 
 No Laboratório de Planejamento para a Conservação da Biodiversidade utilizamos a 
abordagem da Ecologia de Paisagens para desenvolver estudos ecológicos teóricos e aplicados 
sobre a biota do Cerrado, em especial a fauna de vertebrados (anfíbios, répteis squamata, aves e 
mamíferos). Alguns projetos de pesquisa de mestrandos e doutorandos usam a Ecologia de 
Paisagens como a base para seus estudos, avaliações e diagnósticos. 
BIOMAS E FITOFISIONOMIAS BRASILEIROS: CARACTERÍSTICAS E 
EVOLUÇÃO DA FAUNA E FLORA 
 Um bioma é um conjunto de tipos de vegetação que abrange grandes áreas contínuas, em 
escala regional, com flora e fauna similares, definida pelas condições físicas predominantes nas 
regiões. Esses aspectos climáticos, geográficos e litológicos (das rochas), por exemplo, fazem 
com que um bioma seja dotado de uma diversidade biológica singular, própria. 
 No Brasil, os biomas existentes são (da maior extensão para a menor): a Amazônia, o 
cerrado, a Mata Atlântica, a Caatinga, o Pampa e o Pantanal. 
A seguir, conheça cada bioma do Brasil. 
Amazônia 
 Extensão aproximada: 4.196.943 quilômetros quadrados 
 A Amazônia é a maior reserva de biodiversidade do mundo e o maior bioma do Brasil – 
ocupa quase metade (49,29%) do território nacional. Esse bioma cobre totalmente cinco Estados 
(Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima), quase totalmente Rondônia (98,8%) e parcialmente 
Mato Grosso (54%), Maranhão (34%) e Tocantins (9%). Ele é dominado pelo clima quente e 
úmido (com temperatura média de 25 °C) e por florestas. Tem chuvas torrenciais bem 
distribuídas durante o ano e rios com fluxo intenso. 
 O bioma Amazônia é marcado pela bacia amazônica, que escoa 20% do volume de água 
doce do mundo. No território brasileiro, encontram-se 60% da bacia, que ocupa 40% da 
Américado Sul e 5% da superfície da Terra, com uma área de aproximadamente 6,5 milhões de 
quilômetros quadrados. 
42 
 
 A vegetação característica é de árvores altas. Nas planícies que acompanham o Rio 
Amazonas e seus afluentes, encontram-se as matas de várzeas (periodicamente inundadas) e as 
matas de igapó (permanentemente inundadas). Estima-se que esse bioma abrigue mais da 
metade de todas as espécies vivas do Brasil. 
Fauna e Flora 
 A Floresta Amazônica possui uma das mais ricas biodiversidades do mundo, nessa 
floresta reside uma grande variedade de seres vivos, vegetal e animal. Alguns registros e 
pesquisas revelam que na Floresta Amazônica, existem aproximadamente cerca de 1.800 
espécies diferentes de aves, 2.500 de peixes, 320 de mamíferos e dezenas de espécies de répteis, 
anfíbios e insetos. No entanto, esses números apresentados não são totalmente definitivos, pois 
por falta de pesquisas, muitas espécies de animais ainda continuam desconhecidas pela classe 
científica e pelo público em geral. 
 Esse rico ecossistema detém uma imensa quantidade seres vivos, desde microrganismos até 
animais de grande porte, de briófitas até árvores de grande porte. 
 Floresta Ombrófila densa: sempre verde com dossel de até 50 m, com árvores emergentes 
de até 40 m de altura. Possui densa vegetação arbustiva, composta por samambaias, 
arborescentes, bromélias e palmeiras. As trepadeiras e epífitas (bromélias e orquídeas) cactos e 
samambaias também são muito abundantes. Nas áreas úmidas, as vezes temporariamente 
encharcadas, antes da degradação do homem, ocorriam figueiras, jerivás (palmeira) e palmitos. 
 
 Floresta Ombrófila Aberta: é considerada uma área de transição entre a Floresta 
Amazônica e as áreas extra-amazônicas. Esta floresta apresenta quatro faciações florísticas que 
alteram a fisionomia ecológica da floresta ombrófila densa: Com palmeira – cocal; Com bambu 
– bambuzal; cipó – cipozal; sororoca – sororocal. Tem como característica ambientes com 
climas mais secos, que chegam de 2 a 4 meses por ano, com temperaturas de 24 à 25°C. 
 
 Floresta estacional decidual: é um ecossistema do bioma Mata Atlântica. Ocorre em 
grandes altitudes e baixa temperatura. Esse ecossistema é caracterizado por duas estações, uma 
seca e outra chuvosa,a primeira mais prolongada, ao contrário da Floresta Tropical que não 
mantém estação seca. 
 
 Floresta estacional semi-decidual: constitui a vegetação típica do bioma da Mata Atlântica, 
estando condicionada pela dupla estacionalidade climática, perdendo parte das folhas (20 a 
50%) nos períodos secos. É constituída por fanerófitos com gemas foliares protegidas da seca 
por escamas (catáfilos ou pêlos), tendo folhas adultas esclerófilas ou membranáceas deciduais. 
O grau de decidualidade, ou seja, a perda das folhas é dependente da intensidade e duração de 
basicamente duas razões: as temperaturas mínimas máximas e a deficiência do balanço hídrico. 
 
 Campinarana: As campinaranas desenvolvem-se sobre solos arenosos, espalhando-se em 
manchas ao longo da bacia do Rio Negro. Ocorrem ainda áreas de cerrado isoladas do 
ecossistema do Cerrado do planalto central brasileiro. 
 
 Formações Pioneiras: São aquelas que se destacam e evoluem mais rapidamente, 
geralmente caracterizado como o Dossel das árvores ou as copas. em sistemas de sucessões são 
as primeiras a se desenvolverem. 
 
 Refúgios Montanos: (campos de altitude, campos rupestres, brejos de altitude e tepuis) 
 
 Savanas Amazônicas: Além da vegetação florestal, ocorrem na Amazônia enclaves de 
vegetação de savana. Essa vegetação pode em geral ser classificada em campos de terra-firme, 
43 
 
de origem terciária ou quaternária, e campos inundáveis, que podem ser campos marginais de 
várzeas ou campos interioranos. 
 
 Matas de Terra Firme: As florestas de terra-firme caracterizam-se por ocorrer em áreas 
não sujeitas a inundações. Apresentam uma grande variedade de fisionomias (florestas densas, 
florestas semi-abertas com babaçu, florestas secas com palmeiras, florestas secas com cipós, 
florestas secas com cipós e palmeiras, etc.). O tipo predominante apresenta árvores altas (mais 
de 25 m de altura), copa fechada, muitas lianas, sub-bosque aberto e elevada biomassa. O 
conjunto das florestas de terra-firme representa cerca de 80% da vegetação da região. 
 
 Matas de Várzea: localizam-se em áreas mais altas que as matas de igapós. Essas são 
alagadas periodicamente nas cheias dos rios. Espécies como o cacaueiro e a seringueira são 
comuns nessas matas. 
 
 Matas de Igarapós: localizam-se em áreas mais altas que as matas de igapós. Essas são 
alagadas periodicamente nas cheias dos rios. Espécies como o cacaueiro e a seringueira são 
comuns nessas matas. 
Cerrado 
 Extensão aproximada: 2.036.448 quilômetros quadrados 
 O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul e cobre 22% do território 
brasileiro. Ele ocupa totalmente o Distrito Federal e boa parte de Goiás (97%), de Tocantins 
(91%), do Maranhão (65%), do Mato Grosso do Sul (61%) e de Minas Gerais (57%), além de 
cobrir áreas menores de outros seis Estados. É no Cerrado que está a nascente das três maiores 
bacias da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata), o que resulta em 
elevado potencial aquífero e grande biodiversidade. Esse bioma abriga mais de 6,5 mil espécies 
de plantas já catalogadas. 
 No Cerrado predominam formações da savana e clima tropical quente subúmido, com uma 
estação seca e uma chuvosa e temperatura média anual entre 22 °C e 27 °C. Além dos planaltos, 
com extensas chapadas, existem nessas regiões florestas de galeria, conhecidas como mata ciliar 
e mata ribeirinha, ao longo do curso d’água e com folhagem persistente durante todo o ano; e a 
vereda, em vales encharcados e que é composta de agrupamentos da palmeira buriti sobre uma 
camada de gramíneas (estas são constituídas por plantas de diversas espécies, como gramas e 
bambus). 
Fauna e Flora 
 A fauna do bioma Cerrado, freqüentemente é mencionada como pouco conhecida. A 
afirmação é verdadeira quando se considera que a maioria das áreas não foi ainda inventariada 
ou se foram, o levantamento foi superficial, permitindo apenas estimativas do número total de 
espécies. No entanto, percebe-se que a fauna é rica dada à heterogeneidade de ambientes no 
Cerrado. 
 Existem cerca de 320.000 espécies de animais na região do Cerrado, sendo apenas 0,6 % 
formada por animais vertebrados. Animais vertebrados são aqueles que possuem coluna 
vertebral, como mamíferos, aves, peixes, etc. Entre os animais invertebrados, os insetos têm 
posição de destaque com cerca de 90.000 espécies, representando 28 % de toda a biota do 
Cerrado. 
44 
 
 O termo invertebrado não tem significado biológico, mas é usado para representar todos 
os animais que não são vertebrados. Diferenciam-se desses por possuírem um tubo com nervos 
ao longo do corpo capazes de responder aos estímulos do ambiente. 
 Em relação à fauna de insetos (entomofauma) da região existem três sub-regiões 
faunísticas distintas para alguns grupos nas quais baseiam-se as ações prioritárias para a 
conservação da biodiversidade de invertebrados no Cerrado: a primeira abrange o leste da 
Chapada dos Veadeiros, norte de Minas Gerais, oeste da Bahia, sudeste do Maranhão, sul do 
Piauí, leste de Goiás e Distrito Federal e parte de São Paulo; a segunda, o centro-este do Goiás, 
Tocantins, centro-sul de Mato Grosso e norte do Mato Grosso do Sul e a terceira, abrange a 
parte sul e sudeste da região do Cerrado.A seguir serão apresentados alguns números que demonstram a riqueza estimada da fauna 
que compõe a biota da região (o termo biota é usado para designar a flora e fauna de uma dada 
região). 
 A vegetação do Bioma do Cerrado, considerado aqui em seu "sensu lato", não possui uma 
fisionomia única em toda a sua extensão. Muito ao contrário, ela é bastante diversificada, 
apresentando desde formas campestres bem abertas, como os campos limpos de cerrado, até 
formas relativamente densas, florestais, como os cerradões. Entre estes dois extremos 
fisionômicos, vamos encontrar toda uma gama de formas intermediárias, com fisionomia de 
savana, às vezes de carrasco, como os campos sujos, os campos cerrados, os cerrados "sensu 
stricto" (s.s.). Assim, na natureza o Bioma do Cerrado apresenta-se como um mosaico de formas 
fisionômicas, ora manifestando-se como campo sujo, ora como cerradão, ora como campo 
cerrado, ora como cerrado s.s. ou campo limpo. Quando percorremos áreas de cerrado, em 
poucos km podemos encontrar todas estas diferentes fisionomias. Este mosaico é determinado 
pelo mosaico de manchas de solo pouco mais pobres ou pouco menos pobres, pela 
irregularidade dos regimes e características das queimadas de cada local (frequência, época, 
intensidade) e pela ação humana. Assim, embora o Bioma do Cerrado distribua-se 
predominantemente em áreas de clima tropical sazonal, os fatores que aí limitam a vegetação 
são outros: a fertilidade do solo e o fogo. O clímax climático do Domínio do Cerrado não é o 
Cerrado, por estranho que possa parecer, mas sim a Mata Mesófila de Interflúvio, sempre verde, 
que hoje só existe em pequenos relictos, sobre solos férteis tipo terra roxa legítima. As 
diferentes formas de Cerrado são, portanto, pedoclímaces ou piroclímaces, dependendo de ser o 
solo ou o fogo o seu fator limitante. Claro que certas formas abertas de cerrado devem esta sua 
fisionomia às derrubadas feitas pelo homem para a obtenção de lenha ou carvão. 
 De um modo geral, podemos distinguir dois estratos na vegetação dos Cerrados: o estrato 
lenhoso, constituído por árvores e arbustos, e o estrato herbáceo, formado por ervas e 
subarbustos. Ambos são curiosamente heliófilos. Ao contrário do caso de uma floresta, o estrato 
herbáceo aqui não é formado por espécies de sombra, umbrófilas, dependentes do estrato 
lenhoso. O sombreamento lhe faz mal, prejudica seu crescimento e desenvolvimento. O 
adensamento da vegetação lenhosa acaba por eliminar em grande parte o estrato herbáceo. Por 
assim dizer, estes dois estratos se antagonizam. Por esta razão entendemos que as formas 
intermediárias de Cerrado - campo sujo, campo cerrado e cerrado s.s. - representem verdadeiros 
ecótonos, onde a vegetação herbácea/subarbustiva e a vegetação arbórea/arbustiva estão em 
intensa competição, procurando, cada qual, ocupar aquele espaço de forma independente, 
individual. Aqueles dois estratos não comporiam comunidades harmoniosas e integradas, como 
nas florestas, mas representariam duas comunidades antagônicas, concorrentes. Tudo aquilo que 
beneficiar a uma delas, prejudicará, indiretamente, à outra e vice-versa. Elas diferem entre si 
não só pelo seu espectro biológico, mas também pelas suas floras, pela profundidade de suas 
raízes e forma de exploração do solo, pelo seu comportamento em relação à seca, ao fogo, etc., 
enfim, por toda a sua ecologia. Toda a gama de formas fisionômicas intermediárias parece-nos 
expressar exatamente o balanço atual da concorrência entre aqueles dois estratos. 
45 
 
 Troncos e ramos tortuosos, súber espesso, macrofilia e esclerofilia são características 
da vegetação arbórea e arbustiva, que de pronto impressionam o observador. O sistema 
subterrâneo, dotado de longas raízes pivotantes, permite a estas plantas atingir 10, 15 ou mais 
metros de profundidade, abastecendo-se de água em camadas permanentemente úmidas do solo, 
até mesmo na época seca. 
 
 Já a vegetação herbácea e subarbustiva, formada também por espécies 
predominantemente perenes, possui órgãos subterrâneos de resistência, como bulbos, 
xilopódios, sóboles, etc., que lhes garantem sobreviver à seca e ao fogo. Suas raízes são 
geralmente superficiais, indo até pouco mais de 30 cm. Os ramos aéreos são anuais, secando e 
morrendo durante a estação seca. Formam-se, então 4, 5, 6 ou mais toneladas de palha por 
ha/ano, um combustível que facilmente se inflama, favorecendo assim a ocorrência e a 
propagação das queimadas nos Cerrados. Neste estrato as folhas são geralmente micrófilas e seu 
escleromorfismo é menos acentuado. 
Mata Atlântica 
 Extensão aproximada: 1.110.182 quilômetros quadrados 
 A Mata Atlântica é um complexo ambiental que engloba cadeias de montanhas, vales, 
planaltos e planícies de toda a faixa continental atlântica leste brasileira, além de avançar sobre 
o Planalto Meridional até o Rio Grande do Sul. Ela ocupa totalmente o Espírito Santo, o Rio de 
Janeiro e Santa Catarina, 98% do Paraná e áreas de mais 11 Unidades da Federação. 
 Seu principal tipo de vegetação é a floresta ombrófila densa, normalmente composta por 
árvores altas e relacionada a um clima quente e úmido. A Mata Atlântica já foi um dos mais 
ricos e variados conjuntos florestais pluviais da América do Sul, mas atualmente é reconhecida 
como o bioma brasileiro mais descaracterizado. Isso porque os primeiros episódios de 
colonização no Brasil e os ciclos de desenvolvimento do país levaram o homem a ocupar e 
destruir parte desse espaço. 
Fauna e Flora 
 Rica em diversidade de espécies, a Mata Atlântica está entre as cinco regiões do mundo 
com maior número de espécies endêmicas. Os animais podem ser considerados generalistas ou 
especialistas. 
 Os generalistas apresentam hábitos alimentares variados, alta taxa de crescimento e 
dispersão; vivem em áreas de vegetação aberta e secundária, tolerantes e capazes de aproveitar 
diferentes recursos oferecidos pelo meio ambiente. Os animais especialistas são mais exigentes 
em relação aos habitats nos quais vivem, com dieta específica, uma alteração no meio ambiente 
exige dos animais especialistas a procura de novos habitats. 
Grupos da Mata Atlântica : 
 Mamíferos – A Mata Atlântica possui cerca de 250 espécies de mamíferos, das quais 55 
são endêmicas. Os mamíferos são os que mais sofrem com o desmatamento. 
 Aves – Possui cerca de 1020 espécies de aves, sendo 188 espécies endêmicas e 104 
ameaçadas de extinção em virtude da destruição dos habitats, da caça predatória e do comércio 
ilegal, entre as mais ameaçadas estão as aves de rapina. 
46 
 
 Anfíbios – Apresentam formas de reprodução estrategicamente diversificada. Na Mata 
Atlântica há cerca de 370 espécies de anfíbios, sendo 90 endêmicas. 
 Répteis – O jacaré-do-papo-amarelo é uma das espécies endêmicas da Mata Atlântica, 
que possui 150 espécies de répteis, das quais 43 também são encontradas na Amazônia. 
 Peixes – A Mata Atlântica possui cerca de 350 espécies de peixes, sendo 113 endêmicas. 
O endemismo é justificado pelo isolamento da área em relação das demais bacias hidrográficas. 
 Presente em grande parte da região litorânea brasileira, a Mata Atlântica é uma das mais 
importantes florestas tropicais do mundo, apresentando uma rica biodiversidade. Infelizmente, 
encontra-se em processo de extinção, principalmente em função do corte ilegal de árvores, da 
poluição ambiental e da especulação imobiliária. 
 Em contraste com essa exuberância, as estatísticas indicam que mais de 70% da 
população brasileira vivem na região da Mata Atlântica. Além de abrigar a maioria das cidades 
e regiões metropolitanasdo país, a área original da floresta sedia também os grandes pólos 
industriais, petroleiros e portuários do Brasil, respondendo por nada menos de 80% do PIB 
nacional. A Mata Atlântica abrange as bacias dos rios Paraná, Uruguai, Paraíba do Sul, Doce, 
Jequitinhonha e São Francisco. 
 Espécies imponentes de árvores são encontradas na região, como o jequitibá-rosa, de 40 
metros de altura e 4 metros de diâmetro. Também destacam-se nesse cenário várias outras 
espécies: o pinheiro-do-paraná, o cedro, as filgueiras, os ipês, a braúna e o pau-brasil, entre 
muitas outras. Na diversidade da Mata Atlântica são encontradas matas de altitude, como a 
Serra do Mar (1.100 metros) e Itatiaia (1.600 metros) onde a neblina é constante. Paralelamente 
à riqueza vegetal, a fauna é o que mais impressiona na região. A maior parte das espécies de 
animais brasileiros ameaçados de extinção são originários da Mata Atlântica, como os micos-
leões, a lontra, a onça-pintada, o tatu-canastra e a arara-azul-pequena. Também vivem na região 
os gambás, tamanduás, preguiças, antas, veados, cotias, quatis, entre outros. 
 Alguns povos indígenas ainda habitam a região da Mata Atlântica. Entre eles, podemos 
destacar: Pataxó, Kaiagang, Potiguara, Kadiweu, Krenak, Guarani, Kaiowa e Tupiniquim. 
Caatinga 
 Extensão aproximada: 844.453 quilômetros quadrados 
 A Caatinga, cujo nome é de origem indígena e significa “mata clara e aberta”, é 
exclusivamente brasileira e ocupa cerca de 11% do país. É o principal bioma da Região 
Nordeste, ocupando totalmente o Ceará e parte do Rio Grande do Norte (95%), da Paraíba 
(92%), de Pernambuco (83%), do Piauí (63%), da Bahia (54%), de Sergipe (49%), do Alagoas 
(48%) e do Maranhão (1%). A caatinga também cobre 2% de Minas Gerais. 
 A Caatinga apresenta uma grande riqueza de ambientes e espécies, que não é encontrada 
em nenhum outro bioma. A seca, a luminosidade e o calor característicos de áreas tropicais 
resultam numa vegetação de savana estépica, espinhosa e decidual (quando as folhas caem em 
determinada época). Há também áreas serranas, brejos e outros tipos de bolsão climático mais 
ameno. 
 Esse bioma está sujeito a dois períodos secos anuais: um de longo período de estiagem, 
seguido de chuvas intermitentes e um de seca curta seguido de chuvas torrenciais (que podem 
faltar durante anos). Dos ecossistemas originais da caatinga, 80% foram alterados, em especial 
por causa de desmatamentos e queimadas. 
47 
 
Fauna e Flora 
 A fauna é principalmente composta por répteis e aves, existindo também algumas 
espécies de mamíferos e anfíbios. Na grande maioria são animais de hábitos noturnos, uma vez 
que durante o dia o sol chega a ser uma ameaça para as espécies. Diversas espécies da caatinga 
estão em perigo de extinção, isto devido a intensidade da caça predatória pelas populações que 
habitam a região. 
 São exemplos da fauna a cotia, gambá, preá, veado-catingueiro, tatupeba, sagui-do-
nordeste, ararinha azul, carcará, coruja-buraqueira, raposa, o famoso jegue, animal de tração 
utilizado como meio de transporte pelo sertanejo, entre outros animais. 
 É uma formação vegetal que pode ser encontrada na região do semi-árido nordestino. 
Está presente também nas regiões extremo norte de Minas Gerais e sul dos estados do Maranhão 
e Piauí. Logo, é típica de regiões com baixo índice de chuvas (presença de solo seco). Na língua 
dos primeiros habitantes do Brasil, "caatinga" quer dizer "mata branca", devido às amplas 
regiões de mata rala. Porém, por trás da aridez da área, esconde-se um território com enorme 
biodiversidade. 
 A caatinga é coberta por solos relativamente férteis. Embora não tenha potencial 
madeireiro, exceto pela extração secular de lenha, a região é rica em recursos genéticos, dada a 
sua alta biodiversidade. Por outro lado, o aspecto agressivo da vegetação contrasta com o 
colorido diversificado das flores emergentes no período das chuvas, cujo índice pluviométrico 
varia entre 300 e 800 mm anualmente. 
A caatinga apresenta três estratos: 
 arbóreo (8 a 12 metros) 
 arbustivo (2 a 5 metros) 
 herbáceo (abaixo de 2 metros) 
 Contraditoriamente, a flora dos sertões, constituída por espécies com longa história de 
adaptação ao calor e à secura, é incapaz de reestruturar-se naturalmente se máquinas forem 
usadas para alterar o solo. A degradação é, portanto, irreversível na caatinga. 
 No meio de tanta aridez, a caatinga surpreende com suas "ilhas de umidade" e solos 
férteis. São os chamados brejos, que quebram a monotonia das condições físicas e geológicas 
dos sertões. Nessas ilhas é possível produzir quase todos os alimentos e frutas peculiares aos 
trópicos do mundo. 
 Como exemplos de vegetação da caatinga, podemos citar os arbustos (aroeira, angico e 
juazeiro), as bromélias (caroá) e os cactos (mandacaru e xique-xique do sertão). Algumas 
espécies de bromélias são aproveitadas para a fabricação de bolsas, cintos, cordas e redes, pois 
são ricas em fibras vegetais. 
Pampa 
 Extensão aproximada: 176.496 quilômetros quadrados 
 O bioma pampa está presente somente no Rio Grande do Sul, ocupando 63% do território 
do Estado. Ele constitui os pampas sul-americanos, que se estendem pelo Uruguai e pela 
Argentina e, internacionalmente, são classificados de Estepe. O pampa é marcado por clima 
chuvoso, sem período seco regular e com frentes polares e temperaturas negativas no inverno. 
48 
 
 A vegetação predominante do pampa é constituída de ervas e arbustos, recobrindo um 
relevo nivelado levemente ondulado. Formações florestais não são comuns nesse bioma e, 
quando ocorrem, são do tipo floresta ombrófila densa (árvores altas) e floresta estacional 
decidual (com árvores que perdem as folhas no período de seca). 
Fauna e Flora 
 Os Pampas contam com 385 espécies de aves, como pica-paus, caturritas, anus-pretos e 
90 de mamíferos terrestres, como guaraxains, alces e tatus. Possui 26 espécies de animais 
ameaçados de extinção. 
 Os Campos caracterizam-se pela presença de uma vegetação rasteira (gramíneas) e 
pequenos arbustos distantes uns dos outros. Podemos encontrar esta formação vegetal em várias 
regiões do Brasil (sul do Mato Grosso do Sul, nordeste do Paraná, sul de Minas Gerais e norte 
do Maranhão), porém é no sul do Rio Grande do Sul, região conhecida como Pampas Gaúchos, 
que encontramos em maior extensão. 
 
Características principais dos Campos: 
 
- vegetação formada por gramíneas e arbustos e árvores de pequeno porte. 
 
- não dependem de grande quantidade de chuvas. 
 
- sua extensão atingem os territórios da Argentina e Paraguai. 
 
 A região dos Campos, principalmente no Rio Grande do Sul, é muito utilizada para a 
pastagem de gado. A pecuária é uma das principais atividades econômica nesta região. 
Pantanal 
 Extensão aproximada: 150.355 quilômetros quadrados 
 O bioma Pantanal cobre 25% de Mato Grosso do Sul e 7% de Mato Grosso e seus limites 
coincidem com os da Planície do Pantanal, mais conhecida como Pantanal mato-grossense. O 
Pantanal é um bioma praticamente exclusivo do Brasil, pois apenas uma pequena faixa dele 
adentra outros países (o Paraguai e a Bolívia). 
 É caracterizado por inundações de longa duração (devido ao solo pouco permeável) que 
ocorrem anualmente na planície, e provocam alterações no ambiente, na vida silvestre e no 
cotidiano das populações locais. A vegetação predominante é a savana. A cobertura vegetal 
original de áreas que circundam o Pantanal foi em grande parte substituída por lavouras epastagens, num processo que já repercute na Planície do Pantanal. 
Fauna e Flora 
 A fauna pantaneira é muito rica, provavelmente a mais rica do planeta. Há 650 espécies 
de aves (no Brasil inteiro estão catalogadas cerca de 1800), a mais espetacular é a arara-azul-
grande, uma espécie ameaçada de extinção. 
 Há ainda tuiuiús (a ave símbolo do Pantanal), tucanos, periquitos, garças-brancas, 
jaburus, beija-flores (os menores chegam a pesar dois gramas), socós (espécie de garça de 
coloração castanha), jaçanãs, emas, seriemas, papagaios, colhereiros, gaviões, carcarás e 
curicacas . 
49 
 
 No Pantanal já foram catalogadas mais de 1.100 espécies de borboletas, contam-se mais 
de 80 espécies de mamíferos, sendo os principais a onça-pintada (atinge a 1,2 m de 
comprimento, 0,85 cm de altura e pesa até 200 kg), capivara, lobinho, veado-campeiro, veado 
catingueiro, lobo-guará, macaco-prego, cervo do pantanal, bugio (macaco que produz um ruído 
assustador ao amanhecer), porco do mato, tamanduá, cachorro-do-mato, anta, preguiça, 
ariranha, suçuarana, quati, tatu etc. 
 A região também e extremamente piscosa, já tendo sido catalogadas 263 espécies de 
peixes: piranha (peixe carnívoro e extremamente feroz), pacu, pintado, dourado, cachara, 
curimbatá, jaú e piau são as principais encontradas. 
 Há uma infinidade de répteis, sendo o principal o jacaré (jacaré-do-pantanal e jacaré-de-
coroa), cobras (sucuri, jibóia, cobras-d’água e outras), lagartos (camaleão, calango-verde) e 
quelônios (jabuti e cágado). 
 A vegetação do Pantanal é um mosaico de paisagens constituindo-se de lagoas com 
plantas aquáticas (baias), vegetação flutuante (baceiro), áreas não inundáveis com vegetação de 
cerrado e caatinga (cordilheira), canais de escoamento de água (corixo) e savanas com ipê 
amarelo (paratudal). 
 
 A natureza repete, anualmente, o espetáculo das cheias, proporcionando ao Pantanal a 
renovação da fauna e flora local. Esse enorme volume de água, que praticamente cobre toda 
região do Pantanal, forma um verdadeiro mar de água doce onde milhares de peixes proliferam. 
Peixes pequenos servem de alimento a espécies maiores ou a aves e animais. Quando o período 
da vazante começa, uma grande quantidade de peixes fica retida em lagoas ou baias, não 
conseguindo retornar aos rios. Durante meses, aves e animais carnívoros (jacarés, ariranhas e 
outros) têm, portanto, um farto banquete à sua disposição. 
 
DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO PAÍS E CONSERVAÇÃO DA 
BIODIVERSIDADE AMAZÔNICA 
 
 O processo atual de desenvolvimento do país e do mundo, de uma maneira geral, ainda 
está baseado em um modelo sócio-econômico excludente e em um sistema de aproveitamento 
da natureza com grande ênfase em atividades predatórias para o meio ambiente. Entretanto, 
desde a década de 1960, com a denúncia dos grandes desastres ambientais, tem crescido o 
movimento ambientalista mundial, assim como a consciência ecológica das populações de 
modo geral. Decorrentes desse processo, diversas ações têm sido realizadas para se construir 
mecanismos de preservação e conservação da natureza. 
 
 Primordialmente, grande ênfase foi dada aos procedimentos de comando e controle, tendo 
priorizado-se, por exemplo, a criação de áreas protegidas de proteção integral, concebidas como 
locais de natureza intocada, sem qualquer alteração humana, e também a elaboração de 
legislações ambientais com enfoques restritivos e punitivos. Posteriormente, começa a se 
desenvolver concepções mais integradoras, possibilitando o desenvolvimento de ações com 
ênfase na integração homem e natureza. Dentro dessa nova perspectiva, começam a ser 
conStruídas as concepções de desenvolvimento sustentável, por exemplo, que defendem a 
possibilidade de integrar, ao desenvolvimento econômico, as variáveis ambientais, sociais e 
também culturais. 
 
 Esse novo enfoque de integração das sustentabilidades econômica, social, ambiental e 
cultural nas diversas ações de desenvolvimento econômico, e também de conservação ambiental 
do país, representa uma mudança de paradigma. Para a estruturação dessa nova perspectiva, 
grandes avanços precisam ser realizados em diversas áreas, como na pesquisa e 
50 
 
desenvolvimento, na política ambiental e econômica, dentre outras. A ciência e a tecnologia, por 
exemplo, têm um importante papel a desempenhar no sentido de oferecer soluções concretas, 
em termos de produção e consumo, para estruturação de uma sociedade sustentável. Mudanças 
nas estruturas de produção e consumo tendem a ocorrer por meio da pesquisa e 
desenvolvimento de processos e produtos, com a união entre ciência e tecnologia (C&T). 
 
 Em termos de políticas ambientais, o Brasil tem procurado desenvolver os marcos 
institucionais que amparem o processo de mudança das normas legais relativas à bioprospecção 
e ao uso econômico das riquezas naturais do país. Nesse sentido, está sendo discutido o projeto 
de lei de acesso aos recursos genéticos da biodiversidade. Esse projeto representa um dos 
mecanismos de implementação das diretrizes previstas na Convenção da Diversidade Biológica 
(CDB), de 1992, da qual o Brasil é signatário. 
 
 Para o país que detém a maior biodiversidade do globo, é bastante claro que a gestão do 
patrimônio genético brasileiro pode ser o elo chave para o processo de transformação da 
situação brasileira no contexto socioeconômico e político global. Nesse sentido, percebe-se que 
o Brasil tem um grande potencial a ser desenvolvido, transformando os recursos naturais em 
produtos de viabilidade econômica, dentro de um processo que garanta a sustentabilidade 
ambiental e sócio-cultural, promovendo a valorização dos conhecimentos tradicionais e a 
repartição de benefícios, quando devidos, em todos os elos desse processo. Para tanto, é 
necessária a ocorrência de avanços no sentido de garantir uma maior integração entre as 
políticas ambientais governamentais, as ações relativas às pesquisas e desenvolvimento e à 
produção econômica do país. Procurando, dessa forma, garantir a integração necessária para se 
promover a sustentabilidade do uso dos recursos naturais, em suas diversas acepções, 
econômica, ambiental e sócio-cultural. 
 
 O Brasil concentra em seus limites a maior biodiversidade de organismos e de 
ecossistemas do globo. O país lidera o ranking da biodiversidade de plantas, peixes de água 
doce e mamíferos; ocupa a segunda posição na diversidade de anfíbios; a terceira em aves e a 
quinta em répteis. A floresta tropical úmida – que cobre cerca de 7% do planeta – contém, 
segundo estimativas, cerca de 50% da biodiversidade mundial. A Amazônia brasileira, com 7 
milhões de km
2
, ocupa 80% da Amazônia sul-americana e representa um percentual de 67% 
das florestas tropicais do mundo. 
 Apesar das grandes potencialidades dessa megabiodiversidade, pode se dizer que o país 
ainda sub-aproveita essa riqueza biológica, tanto em termos econômicos como sociais. Grande 
parte dessa diversidade de espécies ainda não é conhecida por pesquisadores, e apenas uma 
pequena parcela de espécies descritas é utilizada de forma efetiva pela sociedade brasileira, em 
termos de benefícios sociais, econômicos, garantindo-se melhoria da qualidade de vida da 
população de modo geral. Observa-se que o retorno para o setor produtivo e para as 
comunidades ainda é muito aquém em relação ao potencial previsto por especialistas. 
 
 Essas questões adquirem um status preocupante dado que os mecanismos de proteção e 
conservação dos ecossistemas naturais, mantenedores dessa biodiversidade, ainda apresentam 
muitas imperfeições,o que tem refletido em um grande número de espécies e de biomas estarem 
ameaçados e em processo de extinção, mesmo com o fortalecimento do movimento 
ambientalista nas últimas décadas, e a ocorrência de uma evolução global da consciência 
ecológica. Se as políticas públicas voltadas para a conservação dos recursos naturais ainda são 
insatisfatórias, pode-se dizer que ainda mais embrionário é o estado da arte das políticas 
públicas relativas ao aproveitamento sustentável do imenso potencial sócio-econômico da 
biodiversidade brasileira. 
A bioprospecção e o uso sustentável da biodiversidade são, segundo especialistas, ferramentas 
estratégicas para a conservação da biodiversidade e dos biomas. Ainda assim, o governo federal 
51 
 
não tem uma política para o acesso e aproveitamento do patrimônio genético e para a 
bioprospecção. 
 
 O relatório da Conservation International, de dezembro de 1997, aponta que o Brasil e 
mais outros 16 países reúnem em seu território 70% das espécies animais e vegetais do planeta, 
o que lhes credenciou o título de países megadiversos. O Brasil lidera o ranking da 
biodiversidade de plantas, peixes de água doce e mamíferos; ocupa a segunda posição na 
diversidade de anfíbios; a terceira em aves e a quinta em répteis. Além disso, a floresta tropical 
úmida – que cobre cerca de 7% do planeta – contém, segundo estimativas, cerca de 50% da 
biodiversidade mundial. 
 A Amazônia brasileira, com 7 milhões de km
2
, ocupa 80% da Amazônia sul-americana e 
67% das florestas tropicais do mundo. A Mata Atlântica é um dos biomas mais biodiversos, e ao 
mesmo tempo, um dos mais ameaçados do globo. O Cerrado e a Caatinga, também apresentam 
grande riqueza de espécies, de certa forma ainda pouco conhecidas, além de um elevado grau de 
endemismo de organismos. Apesar disso, o Cerrado apresenta atualmente as mais elevadas 
taxas de desmatamento, representando a principal “fronteira agrícola” do país. 
 Nesse contexto, o atual modelo econômico brasileiro, em especial da região 
amazônica, encontra restrições e esgotamentos. A substituição da floresta por terras para 
agricultura e pecuária, por meio do desmatamento, assim como a extração madeireira 
predatória, não têm apresentado ganhos socioeconômicos e ambientais que justifiquem 
sua reprodução, além dos consideráveis problemas ambientais que vem ocasionando. 
Tal quadro tem trazido pouca expectativa de aumento da inclusão social e de geração e 
melhoria da distribuição de renda. 
 Por outro lado, a megadiversidade brasileira, sobretudo da região amazônica, oferece 
vantagem comparativa para o estabelecimento de bioindústrias e bionegócios, ramo da atividade 
econômica com grande potencial para propiciar o desenvolvimento econômico e social, 
estimulando, ao mesmo tempo, a conservação e o manejo da diversidade biológica. O uso 
econômico da floresta e seus produtos constituem, inequivocamente, alternativa real à dinâmica 
de desmatamento atual, uma vez que incorpora os recursos da biodiversidade como bens 
efetivos, a serem explorados de forma sustentável e compatível com as demandas de um 
mercado em expansão. 
 
 Cabe ao governo, por meio de políticas públicas, estabelecer as estratégias nacionais de 
inserção da economia regional nos novos modelos econômicos sustentáveis. Para tanto, é 
necessário inserir tecnologia aos processos produtivos existentes incluindo todos os segmentos 
sociais, resguardando a cultura local e garantindo a justa repartição de benefícios associados ao 
uso da biodiversidade. 
3.2 - Biodiversidade e seu potencial econômico 
 
 O Brasil é considerado o primeiro país em biodiversidade do globo. Ainda assim, de 
acordo com estimativas do Ibama, nem 1% das espécies brasileiras são conhecidas pela ciência. 
Boa parte dessas espécies podem vir a ser extintas antes mesmo de serem descritas por 
pesquisadores. A bioprospecção e o desenvolvimento de bioprodutos são alternativas de 
desenvolvimento socioeconômico que justificam a preservação dos biomas nativos, 
impulsionando ainda o conhecimento sobre a biodiversidade. 
 
 No século XXI, o mercado mundial abre perspectivas totalmente inovadoras, nas quais 
direciona-se grande esforço na busca de novos produtos para fins medicinais, cosméticos, 
suplementos nutricionais, produtos agrícolas, entre outros, voltados ao prolongamento da vida 
com qualidade. Exemplos dessas inovações não faltam. Só em 1998, os medicamentos 
movimentaram 300 bilhões de dólares em todo o mundo, sendo que 40% dos produtos têm 
52 
 
origem direta ou indiretamente de fontes naturais. No Brasil, as vendas atingiram a marca de 11 
bilhões de dólares, havendo ainda um espaço enorme para ampliação desse mercado. O Instituto 
de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) estimou em pelo menos 2 trilhões de dólares o valor 
potencial do banco genético brasileiro. 
 
Só na floresta tropical, pesquisas recentes apontam para um potencial de mais de trezentos 
novos bioprodutos, derivados de produtos naturais disponíveis. Dados da Organização 
Mundial de Saúde apontam para a utilização de plantas na cura de enfermidades por parte de 
85% da população mundial (cerca de 4 bilhões de pessoas). Cerca de 20% de todo o 
faturamento das empresas de produtos farmacêuticos é empregado na descoberta de novas 
drogas. Dentre estas, o mercado de produtos de higiene pessoal, perfumaria, cosméticos, 
principalmente no que se refere às lifestyles drugs, drogas que reúnem saúde e 
rejuvenescimento, vem apostando alto nas inovações, especialmente na diversificação de 
insumos naturais provenientes das florestas tropicais. O faturamento nacional desse setor 
atingiu, em 1999, a marca dos 12 milhões de dólares. Dentro desse processo, os produtos 
farmacêuticos de origem natural ganham terreno e já representam 17% do mercado mundial. 
 As florestas tropicais úmidas são, também, ricas fontes de microorganismos, fontes 
potenciais de novos compostos de ação antibiótica e de drogas imunodepressoras, as quais, 
entre outros importantes resultados, aumentam consideravelmente o grau de sucesso de 
transplantes de órgãos. Outra área de interesse é a pesquisa de toxinas encontradas em 
venenos e peçonhas de animais. No escritório de Patentes do Governo dos Estados Unidos, 
foram registradas, recentemente diversas patentes de toxinas de aranhas e escorpiões, sendo 
algumas de bioinseticidas seletivos, princípios neurobloqueadores e substâncias terápicas 
para doenças cardíacas; além de registros de patente de toxinas de serpentes, sendo a maioria 
voltada para o uso em terapias de controle de pressão arterial. 
 
Biodiversidade e seu potencial econômico para o desenvolvimento local e regional 
 O futuro do desenvolvimento do país depende da forma como serão administradas suas 
potencialidades. Pouco vale o desenvolvimento de novos produtos que gerem bilhões de dólares 
em lucros no mercado internacional se esses lucros não se refletirem em benefícios sociais, 
principalmente às comunidades locais, e em especial, aquelas que detém o conhecimento 
tradicional sobre a biodiversidade. 
 
Uma política de indução e fomento ao uso sustentável dos componentes da biodiversidade, 
com o apoio da biotecnologia, deve ser concretizada como um novo norteador de estratégias 
produtivas, que não favoreçam novas economias de enclave, mas permitam o estabelecimento 
de cadeias produtivas que unam o interior aos centros urbanos que forem abrigar as atividades 
finais das cadeias. Nesse sentido, é preciso vencer a distância que separa grande parte das 
iniciativas extrativistas de hoje, pouco vinculadas ao restante da cadeia produtiva, e a 
bioindústria emergente,em geral pouco comprometida com as populações da floresta. Para isso, 
torna-se fundamental vencer o desafio, não solucionado nos ciclos econômicos regionais 
anteriores, de orquestrar o funcionamento conjunto da ciência com a produção, acoplando às 
cadeias produtivas as cadeias de conhecimento correspondentes. 
 
Apesar do modelo econômico vigente ser predatório, algumas iniciativas contemplam o 
desenvolvimento econômico de forma sustentável, com o manejo de produtos florestais, 
principalmente nos estados do Acre, Amapá e Amazonas. No Acre, foram atendidas mais de 
quatro mil famílias de seringueiros, índios e ribeirinhos, no fortalecimento dos segmentos de 
cadeias produtivas de produtos da floresta. O processo foi iniciado pela borracha e castanha, e já 
ampliou o leque de produtos explorados com os estudos de mais treze cadeias produtivas, com o 
apoio do Probem. Os estímulos do governo levaram mais de três mil famílias a retornarem para 
essa atividade produtiva, sendo que destas, cerca de mil famílias voltaram a morar na floresta, 
53 
 
deixando a periferia de cidades. Aproximadamente 500 famílias manejam hoje a copaíba para 
extração sustentável de óleo. Outras quinhentas se beneficiam da coleta da castanha de 
andiroba, que é comercializada para a usina de óleos florestais dos índios Yawanawá. 
 Na Floresta Nacional de Tapajós, a produção de couro ecológico e a extração de óleo de 
andiroba vêm crescendo a cada ano, possibilitando o aumento da renda familiar em atividades 
compatíveis com o manejo daquela unidade de conservação. Em parceria com o MMA, a Ong 
Amigos da Terra montou um banco de dados na internet, onde coloca o produtor amazônico em 
contato com o comprador. São 20 empreendimentos comunitários e 400 produtos. 
 Para que esta nova política pública seja ampliada para toda a região e alcance resultados 
até então atingidos por programas em escala demonstrativa, visualizam-se as seguintes 
demandas, a serem atendidas: 
1. Necessidade de fomento ao desenvolvimento de instrumentos que permitam a 
implantação de novos modelos econômicos, estabelecidos com base na utilização 
sustentável dos recursos da biodiversidade regional; 
2. Direcionamento da atual tendência de crescente uso econômico da biodiversidade, 
atendendo à necessidade de fomentar o ramo/setor e disciplinar suas atividades, com 
base em prioridades estabelecidas a partir de políticas públicas direcionadas à eqüidade 
social e à sustentabilidade ambiental; 
3. Zelo pela geração e repartição de benefícios socioeconômicos e ambientais aos atores 
sociais participantes; 
4. Necessidade de capacitação para o aprimoramento socioeconômico e tecnológico das 
comunidades e demais atores econômicos que efetiva e potencialmente vivem deste 
ramo/setor de atividades, para que suas atividades ganhem escala; 
5. Importância de se estabelecer estudos e conhecimento sobre as cadeias produtivas de 
bioprodutos, como base para se estruturar as ações de intervenção das políticas 
públicas; 
6. Atender à necessidade de alavancar a competência e capacitação regional para atender 
ao atual crescimento da biotecnologia e da bioindústria, principalmente no que se refere 
a: 
1. manejo e utilização sustentável dos componentes da biodiversidade; 
2. pesquisa e desenvolvimento direcionados à obtenção de bioprodutos; 
3. formação e desenvolvimento de novos empreendimentos 
(bioempreendimentos). 
 
Situação e tendências do papel das comunidades 
 
 Sem dúvida, a utilização sustentável de componentes da biodiversidade constitui o novo 
desafio a encarar, condição essencial para o progresso na apropriação dos meios de produção, 
atualmente limitados pela pequena variedade de espécies da floresta manejados e 
comercializados, o que vem colocando a chamada “economia da floresta em pé” ainda em 
condições de desvantagem em relação às práticas agrícolas e agroflorestais baseadas na 
substituição da floresta. 
 
Duas dinâmicas econômicas em crescimento, cujos atores são, predominantemente, 
pequenos produtores, os sistemas extrativistas e a chamada colonização agrícola, necessitam 
urgentemente de novas alternativas de geração de renda a partir da floresta, de forma a valorizar 
cada vez mais a biodiversidade ainda presente, ao mesmo tempo em que possibilitem a 
recuperação econômica de grandes extensões de áreas degradadas, criadas a partir de 
tecnologias inadequadas às condições naturais existentes. 
 
54 
 
Tal desafio vem esbarrando no despreparo dessas organizações populares para tratar o tema 
da biodiversidade, cujas nuances envolvem princípios legais e padrões tecnológicos 
relativamente novos, cujo desenvolvimento e definições ainda não estão completas. Alguns 
temas, como o acesso ao conhecimento tradicional e a repartição de benefícios derivados, 
contêm indefinições legais com frentes de discussão ainda abertas no nível internacional. Além 
disso, a atual legislação de regularização de novos produtos, cujo ordenamento é de 
responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, torna este processo 
proibitivo para pequenos empreendedores, dados os custos, que alcançam, em média, cerca de 
dez mil dólares para validação de um novo produto. 
 
Para inserir de forma plena estas comunidades no processo de apropriação dos componentes 
da biodiversidade, constituindo o controle social necessário para evitar a formação de novos 
enclaves econômicos na região, e garantir a repartição dos benefícios oriundos dessa nova 
dinâmica, faz-se necessário um amplo processo de capacitação desse segmento social, com base 
na resolução dos obstáculos à construção de novas cadeias produtivas, sob os aspectos legais, 
tecnológicos, institucionais e organizacionais. Tal processo precisa ser construído de forma 
participativa, onde as demandas sejam identificadas pelos próprios atores, com apoio dos 
especialistas nas diversas áreas a serem abordadas. 
 
Situação e tendências de P&D 
 O Brasil pertence a uma minoria de países que se distingue pelo nível de 
desenvolvimento da pesquisa científica, que inclui um sistema acadêmico complexo e 
instituições de pesquisa consolidadas. Para se ter uma idéia da capacidade técnico-científica do 
país, a publicação de artigos na imprensa especializada internacional cresceu a uma taxa 57% 
superior à média mundial e o número de doutores no Brasil dobrou, nos últimos anos. 
 No entanto, é importante ressaltar que os rumos do desenvolvimento científico e 
tecnológico adotados nas últimas décadas não foram suficientemente convergentes para 
produzir o necessário conhecimento demandado para mudar com agilidade o panorama da 
ocupação das regiões rurais, sobretudo as amazônicas. O conhecimento da composição da 
biodiversidade e do funcionamento dos ecossistemas ainda é deficiente, e as informações 
levantadas encontram-se de forma fragmentada e dispersa. 
 Na atual conjuntura, em que o mundo começa a sofrer uma mudança de paradigma 
tecnológico de grandes proporções (de commodity para speciality), o país, e sobretudo a 
Amazônia, ainda sem conseguir resolver os problemas causados pelos antigos paradigmas, vê-se 
à frente de um grande desafio: adequar suas estruturas de produção econômica, científica e 
tecnológica às novas estratégias de transformação de recursos naturais. 
 Alguns fracassos ocorreram em tentativas passadas de encontro entre ciência e 
desenvolvimento regional, como no caso da implantação do Plano de Valorização Econômica 
da Amazônia - PVEA, que começou a ser implantado no início da década de 50. Tais fracassos 
foram ocasionados principalmente pela disritmia entre uma estratégia de desenvolvimento mal 
desenhada e os prazos necessários para geração dos conhecimentos requeridos, queextrapolavam em muito a própria duração prevista do Plano. Assim, um sistema regional de 
C&T ainda em formação foi desestruturado, cristalizando um divórcio entre as necessidades 
locais e as prioridades científicas, cujo entendimento é necessário e a reversão, difícil. 
 Em quadros como esse, de pouca sintonia entre produção científica e estratégia de 
desenvolvimento, a ciência regional desenvolveu-se de forma difusa e no dia-a-dia, foi deixando 
55 
 
de lado a concentração e a objetividade que caracterizam os grandes progressos tecnológicos em 
países do primeiro mundo, onde a ciência sempre andou lado a lado e integrada ao 
desenvolvimento econômico e sócio-cultural. 
 Especialmente no campo da biotecnologia, o país já entra, inicialmente, na condição de 
vagão atrelado a uma locomotiva. Este atrelamento, que agora parece inevitável, abre também 
um interessante e importante espaço para o país construir caminhos que lhe sejam próprios e 
peculiares. Este caminho de dupla influência só vai funcionar, entretanto, se dentro de um 
determinado espaço existir diálogo entre os dois empreendimentos do binômio C&T, ou seja, 
pode-se estar novamente frente a uma situação recorrente: a inexistência de conhecimentos 
suficientes nas regiões, e de difícil produção nos prazos requeridos, para sustentação das 
estratégias de desenvolvimento. 
 Essa pauta de trabalho deve ter a capacidade de mobilizar a ciência regional para um 
processo de desfragmentação, ou seja, de mobilização e convergência em torno de uma ação de 
resgate dos fragmentos de conhecimento existentes e sua complementação. Essa ação deve 
ocorrer no sentido de responder às demandas do processo tecnológico pretendido pela 
sociedade, em consonância com os princípios da justiça ambiental, contemplando inclusão 
social. Trata-se de ação complexa e gradual, onde o empreendimento biotecnológico não 
pretende substituir a estrutura de pesquisa existente no País e, mais especificamente, na região 
amazônica, mas interligar as diversas competências nacionais. Os resultados desse esforço não 
se apresentarão imediatamente, o que obrigará a estabelecer alternativas de transição, que 
atendam às demandas de mais curto prazo. 
 Sem dúvida, alguns avanços ocorridos recentemente precisam ser consolidados e 
fortalecidos, como a criação de fundos setoriais, uma grande conquista na modernização e 
fortalecimento do sistema de financiamento da ciência, tecnologia e inovação brasileiras, 
crescendo a sinergia entre as diversas instâncias de governo, e destas com a sociedade, a partir 
da proliferação de novas instituições executivas, novos fundos e novos fóruns. 
 Nesse sentido, é preciso fortalecer, cada vez mais, as práticas de projetos cooperados, 
organizados em redes interdisciplinares, envolvendo empresas e instituições de P&D, 
capacitando localmente e replicando experiências bem sucedidas. Tais projetos podem ser 
fortalecidos a partir de sua discussão em fóruns locais que integrem as diversas demandas, 
estabelecendo instâncias que possibilitem a decisão transparente sobre as prioridades e a 
viabilização de recursos por meio de ampla participação dos diversos setores envolvidos. 
 O empreendimento biotecnológico carrega em si a necessidade de articular produção, 
ciência, desenvolvimento tecnológico e ocupação sustentável do espaço, além da necessidade de 
consolidar-se como uma alternativa concreta às soluções atualmente existentes. Conjugar a 
construção do espaço regional com o caminhar da ciência é, neste sentido, o principal desafio 
histórico a ser superado. 
Situação e tendências do papel dos empreendimentos industriais e comerciais 
 
 Existem entraves reais à locação de bioindústrias em algumas regiões do Brasil, 
especialmente na Amazônia, cuja superação, embora não seja impossível, necessita enfrentar 
sérias dificuldades, quais sejam: 
56 
 
 Ausência de uma rede de centros de pesquisa de excelência, considerada a principal 
condição para a intensa geração de inovações que esta indústria depende; 
 Ausência de complexa estrutura de serviços à produção, cruciais para a trajetória entre a 
pesquisa básica e produto, tais como: indústrias de equipamento para desenvolvimento 
conjunto de processos produtivos; distribuidores, que têm papel decisivo nas relações 
produtor/usuário; firmas de advocacia especializada em direitos de propriedade intelectual, 
repartição de benefícios e bioparcerias; firmas especializadas na captação e alocação de 
capital de risco; rede de hospitais e centros de pesquisa capazes de realizar testes 
controlados de fármacos e outros produtos; etc. 
 Distância de aglomerados de outras atividades industriais cujos produtos ou processos de 
produção integram ou são parcialmente paralelos às cadeias produtivas da bioindústria; 
 Baixíssima oferta de capital humano com o espectro de qualificações necessário ao 
preenchimento dos requisitos da indústria, de pesquisadores de ponta e pessoal de nível 
médio; 
 Distância dos centros de decisão, matrizes, e mesmo de filiais, das empresas existentes nos 
diversos ramos da bioindústria atuantes no território brasileiro. 
 
 Para enfrentar tais disparidades e dar partida em um processo considerado de 
fundamental importância na correção de rumos do desenvolvimento regional, há que se 
trabalhar com atividades cujos padrões tecnológicos podem resultar, com maior grau de sucesso, 
em geração significativa de renda em empregos em bem mais curto prazo. Tal direção 
recomenda priorizar, inicialmente, o desenvolvimento de fitoterápicos, cosméticos, bebidas, 
alimentos e suplementos alimentares, considerando todo o espectro de sub-setores, produtos e 
processos associados a estas cadeias produtivas. Tal estratégia compreende diversas vantagens: 
 A rede de instituições de pesquisa atual tem condições de atuar nas áreas; 
 Trata-se de nichos de mercado adequados às empresas nacionais de pequeno e médio porte, 
muitas já atuantes na região e no país; 
 Os benefícios em termos de emprego, distribuição e multiplicação da renda por unidade 
investida são maiores; 
 O potencial de geração de inovações competitivas é elevado; 
 A disseminação ampla de tecnologias permite a elevação posterior dos patamares 
tecnológicos dos sistemas, por meio de políticas ativas de benchmarking, entre outros 
fatores. 
 
 Esse esforço pode ser executado sem, necessariamente, abandonar-se as hipóteses 
concretas de utilização de tecnologias intensivas em conhecimento, mas em uma etapa 
intermediária, voltar-se à adaptação ou mesmo imitação de tecnologias bem sucedidas, 
buscando a compreensão, o uso e a modificação destas tecnologias, promovendo soluções 
que possam imediatamente ser transferidas para a extensão, inclusive porque as pesquisas 
destas soluções já partem de problemas concretos. Estes padrões tecnológicos, ao mesmo 
tempo em que são facilmente assimiláveis pelos produtores, demandam e contribuem para a 
formação de grande número de técnicos de nível médio. 
Políticas públicas para a conservação e o aproveitamento sustentável da biodiversidade 
 
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) desenvolve diversas ações voltadas para a 
prevenção dos danos e riscos ambientais causados, de uma maneira geral, pelo crescimento 
socioeconômico predatório, e uma má utilização dos recursos naturais, dentre outros fatores. 
Dentre as principais metas deste Ministério estão a conservação dos recursos naturais e dos 
ecossistemas, que tem sido concretizada em ações que garantam o controle e a redução das taxas 
de desmatamento e do extrativismo predatório, poluição dos ecossistemas naturais, entre outros 
danos ao meio ambiente, assim como a valorização do conhecimento tradicional, no uso e 
manejo da biodiversidade,realizado pelos povos autóctones brasileiros. 
57 
 
 
 Por esses motivos, tradicionalmente, as ações de natureza ambientalista, sejam do 
governo ou de organizações da sociedade civil se concentram em controlar ou impedir as 
atividades que causem danos relevantes ao meio ambiente. Atualmente, o MMA tem assumido 
uma postura mais ativa em ações diretamente relacionadas ao desenvolvimento social e 
econômico do país, por meio de uma série de políticas transversais voltadas para o 
desenvolvimento sustentável. Essas ações são baseados em princípios de inclusão social e de 
justiça ambiental, sendo fomentada a substituição de práticas predatórias ao meio ambiente por 
práticas de consumo e produção sustentável, e de desenvolvimento social e econômico por meio 
do aproveitamento sustentável dos recursos naturais, o que pode ser caracterizado como sendo a 
garantia da manutenção das “florestas em pé”. 
 
 De uma maneira geral, pode-se dizer que o movimento ambientalista e os órgãos 
governamentais de meio ambiente estão desenvolvendo uma compreensão, nas últimas décadas, 
que a melhor estratégia de se evitar a degradação ambiental é a promoção do aproveitamento 
social e econômico da biodiversidade. Diversos trabalhos nas áreas ambientais têm demonstrado 
que o manejo sustentável dos recursos da biodiversidade dos biomas, preservados ao longo do 
tempo geológico e ecológico, traz mais retorno sob diversos pontos de vista, tais como: social, 
econômico, cultural e ambiental. Constata-se, cada vez mais, que o uso predatório da natureza 
tem trazido benefícios apenas apenas a curto prazo, não sendo garantidas as condições de 
sustentabilidade para as gerações futuras. Além disso, os benefícios do uso predatório da 
natureza, de uma maneira geral, são socialmente excludentes, contribuindo para perpetuação das 
desigualdades. 
 
 A ação de governo federal, no âmbito do Ministério do Meio Ambiente, no que toca a 
política de utilização do patrimônio genético, deve se constituir por dois componentes: 
 
1. A normatização e regulamentação; 
2. O fomento e a indução. 
 
 O componente normalização e regulamentação é competência do CGEN, Conselho de 
gestão do Patrimônio Genético, órgão colegiado ao MMA, que tem sua Secretaria Executiva 
inserida no DPG, Departamento do Patrimônio Genético, vinculada a Secretaria de 
Biodiversidade e Florestas (MMA). O principal programa no componente do fomento e 
induçao é o Probem, vinculado a Secretaria de Políticas para o Desenvolvimento 
Sustentável (MMA) 
Apresentação do Probem 
 
 O Probem - Programa Brasileiro de Bioprospecção e Desenvolvimento Sustentável de 
Produtos da Biodiversidade é voltado para inserção de projetos e ações relacionados ao 
aproveitamento sustentável dos recursos da biodiversidade brasileira. Os projetos e ações de 
desenvolvimento sustentável nessa linha dependem de pesquisas básicas e da articulação com 
organizações governamentais, organizações sociais e populares, instituições de pesquisa, 
comunidades, organizações não governamentais e outros segmentos envolvidos nos processos. 
 O Programa visa fomentar e induzir o desenvolvimento econômico e socioambiental no 
país a partir do acesso e utilização sustentável dos recursos genéticos da biodiversidade. 
Portanto, deve ser concebido e estruturado com base nas cadeias produtivas, buscando 
integrar de modo transversal, todas as etapas econômicas, sociais e ambientais que 
movimentam e direcionam o uso dos recursos da biodiversidade. A concepção de Programa 
faz com que este seja de natureza fundamentalmente transversal, interagindo com todo um 
amplo conjunto de atores (governamentais e não-governamentais) envolvidos na cadeia 
58 
 
produtiva de bioprodutos – desde o acesso para sua identificação e extração na natureza, 
passando pela organização social da produção econômica, até a realização econômica de seu 
valor no mercado, assim como o conjunto de atores envolvidos na cadeia do conhecimento, 
que é empregado a cada etapa da cadeia produtiva, promovendo a transformação dos 
recursos em produtos de maior valor agregado. 
 As atividades prioritárias do Probem são voltadas para a articulação de projetos-piloto 
nos biomas brasileiros, com a priorização do desenvolvimento das cadeias produtivas de 
recursos estratégicos da biodiversidade. Nesses processos são priorizadas as inovações 
técnicas, tecnológicas e culturais no aproveitamento da biodiversidade, e do conhecimento 
tradicional associado. 
 As diretrizes dessas ações incluem um modelo de uso múltiplo e integrado da 
biodiversidade, com agregação de valor e conhecimento das suas potencialidades, inclusão 
social, justa repartição dos benefícios e justiça ambiental. Assim, as ações do Programa são 
adaptadas aos biomas e as comunidades locais de cada pólo. 
 Todas as etapas das cadeias produtivas devem se realizar de forma ambientalmente 
sustentável e socialmente justa, em conformidade com os princípios e diretrizes estabelecidos 
pela Convenção da Diversidade Biológica e da Agenda 21 Brasileira. Assim, as ações do 
programa devem contribuir para a conservação dos ecossistemas, com a preservação das 
espécies e da variabilidade genética. 
 O Programa desenvolve ações e projetos em pólos de Bioprospecção e desenvolvimento 
Sustentável de Produtos da Biodiversidade, onde são implementadas as cadeias produtivas da 
biodiversidade eleitas como estratégicas com a participação das comunidades e instituições 
parceiras. Dessa forma os Pólos Probem se baseiam em 3 redes interligadas, a fim de se 
desenvolver integralmente as cadeias produtivas: 
1- Rede de Coleta, Inventário e Cultivo; 
2 – Rede de Pesquisa e Desenvolvimento; 
3 – Rede de Marketing e Comercialização. 
Diretrizes gerais para o Manejo: deve ser fomentando o desenvolvimento de conhecimento e 
a implementação de técnicas de manejo que minimizem o impacto e maximizem a produção e o 
aproveitamento desses recursos. Para tanto, serão estabelecidos sistemas de aproveitamento 
múltiplo e integrado da biodiversidade, priorizando bioprodutos estratégicos (especialmente os 
endêmicos), por meio da associação de técnicas de sistemas agroflorestais, agroecologia, 
permacultura, etc. 
Diretrizes gerais para o Beneficiamento: o beneficiamento deve ser realizado, numa primeira 
etapa preferencialmente por cooperativas de produtores para que estes tenham o máximo de 
autonomia possível, ampliando a renda das comunidades, e evitando a concentração dos lucros 
pelos atravessadores. Na etapa de beneficiamento biotecnológico (se presente) serão priorizadas 
as instituições de P&D nacionais, sobretudo aquelas credenciadas nas redes Probem. 
Diretrizes gerais para o Comércio: os produtos devem ser devidamente certificados pelos 
órgãos responsáveis, e registrados e autorizados pelo CGEN, quando necessário. Deve ser 
promovida a educação ambiental e o marketing ecológico. No caso de conhecimento tradicional 
associado ao bioproduto deve ser implementadas as normas de repartição de benefícios previstas 
na legislação. 
59 
 
 O diferencial do Probem, em relação a outras políticas públicas de uso sustentável dos 
recursos genéticos, é a agregação de valor e conhecimento a biodiversidade. Para tanto, devem 
estar associadas as etapas das cadeias produtiva e do conhecimento. 
Deste modo, este Programa deve ter como Objetivos (Macro-Objetivos): 
1. Promover uma estrutura permanente de análise e promoção de cadeias 
produtivas de recursos derivados da biodiversidade dos biomas 
brasileiros, com vistas à sua ampliação e diversificação, com ênfase na 
sustentabilidade ambiental e na inclusão social; 
. 
2. Promover o desenvolvimento das cadeias do conhecimento acerca dos 
potenciaisprodutos da biodiversidade brasileira e da tecnologia 
agregada para a utilização dos recursos genéticos de forma sustentável; 
3. Articular projetos-piloto de desenvolvimento de bioprodutos, em 
especial voltados à inserção das populações tradicionais em processos 
produtivos derivados da bioprospecção e ao zelo pela justa repartição 
dos benefícios; 
4. Gerar subsídios para a formulação de políticas públicas para a 
bioprospecção e o uso sustentável do patrimônio genético. 
 
 
Conservação da Biodiversidade da Amazônia 
 A falta de um sistema padronizado de geração, organização, análise e disseminação de 
informações científicas sobre a biodiversidade da Amazônia é uma das principais lacunas para a 
definição de políticas públicas consistentes de conservação e uso sustentável dos recursos 
biológicos da região. 
 A Conservação internacional, o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), um dos mais 
tradicionais institutos de pesquisa da região, e outros centros de pesquisa da Amazônia 
estabeleceram em 2002 parcerias para desenvolver um projeto de longo prazo intitulado 
Biodiversidade da Amazônia, que tem por objetivos: 
• a realização de inventários biológicos rápidos em áreas altamente ameaçadas; 
• o desenvolvimento e teste de tecnologias para inventários biológicos em florestas tropicais; 
• a organização, manutenção e disseminação das informações existentes em coleções biológicas; 
• o mapeamento da distribuição da biodiversidade; 
• o desenvolvimento de um sistema de avaliação do estado de conservação de espécies; 
• o desenvolvimento de um sistema de apoio à implementação e gestão de áreas protegidas; 
• a capacitação de recursos humanos em pesquisas sobre biodiversidade e biologia da 
conservação; 
• a disseminação do conhecimento sobre a biodiversidade regional para o público em geral. 
 As informações coletadas pelo projeto são apresentadas em workshops, documentos 
elaborados em conjunto e publicações. 
 Um exemplo destas parcerias foi a elaboração do documento “Transformando o Arco do 
Desmatamento no Arco do Desenvolvimento Sustentável: Uma Proposta de Ações 
Emergenciais”, elaborado pela CI-Brasil e o Museu Goeldi. O documento – entregue à ministra 
do Meio Ambiente, Marina Silva em junho de 2003 - discute alternativas para minimizar o 
descontrolado desmatamento em algumas regiões da Amazônia. 
60 
 
 
POLÍTICA NACIONAL DA BIODIVERSIDADE, DECRETO Nº 4.339/2002 
 
 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, inciso IV, 
da Constituição, e 
 Considerando os compromissos assumidos pelo Brasil ao assinar a Convenção sobre 
Diversidade Biológica, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e 
Desenvolvimento - CNUMAD, em 1992, a qual foi aprovada pelo Decreto Legislativo n
o
 2, de 3 
de fevereiro de 1994, e promulgada pelo Decreto n
o
 2.519, de 16 de março de 1998; 
 Considerando o disposto no art. 225 da Constituição, na Lei n
o
 6.938, de 31 de agosto de 
1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, na Declaração do Rio e na 
Agenda 21, ambas assinadas pelo Brasil em 1992, durante a CNUMAD, e nas demais normas 
vigentes relativas à biodiversidade; e 
 Considerando que o desenvolvimento de estratégias, políticas, planos e programas 
nacionais de biodiversidade é um dos principais compromissos assumidos pelos países 
membros da Convenção sobre Diversidade Biológica; 
 DECRETA: 
 Art. 1
o
 Ficam instituídos, conforme o disposto no Anexo a este Decreto, princípios e 
diretrizes para a implementação, na forma da lei, da Política Nacional da Biodiversidade, com a 
participação dos governos federal, distrital, estaduais e municipais, e da sociedade civil. 
 Art. 2
o
 Este Decreto entra em vigor na data da sua publicação. 
Brasília, 22 de agosto de 2002; 181
o
 da Independência e 114
o
 da República. 
 
A N E X O 
Da Política Nacional da Biodiversidade 
Dos Princípios e Diretrizes Gerais da Política Nacional da Biodiversidade 
 1. Os princípios estabelecidos neste Anexo derivam, basicamente, daqueles estabelecidos 
na Convenção sobre Diversidade Biológica e na Declaração do Rio, ambas de 1992, na 
Constituição e na legislação nacional vigente sobre a matéria. 
 2. A Política Nacional da Biodiversidade reger-se-á pelos seguintes princípios: 
 I - a diversidade biológica tem valor intrínseco, merecendo respeito independentemente de 
seu valor para o homem ou potencial para uso humano; 
 II - as nações têm o direito soberano de explorar seus próprios recursos biológicos, 
segundo suas políticas de meio ambiente e desenvolvimento; 
 III - as nações são responsáveis pela conservação de sua biodiversidade e por assegurar que 
atividades sob sua jurisdição ou controle não causem dano ao meio ambiente e à biodiversidade 
de outras nações ou de áreas além dos limites da jurisdição nacional; 
61 
 
 IV - a conservação e a utilização sustentável da biodiversidade são uma preocupação 
comum à humanidade, mas com responsabilidades diferenciadas, cabendo aos países 
desenvolvidos o aporte de recursos financeiros novos e adicionais e a facilitação do acesso 
adequado às tecnologias pertinentes para atender às necessidades dos países em 
desenvolvimento; 
 V - todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do 
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se, ao Poder Público e à coletividade, o 
dever de defendê-lo e de preservá-lo para as presentes e as futuras gerações; 
 VI - os objetivos de manejo de solos, águas e recursos biológicos são uma questão de 
escolha da sociedade, devendo envolver todos os setores relevantes da sociedade e todas as 
disciplinas científicas e considerar todas as formas de informação relevantes, incluindo os 
conhecimentos científicos, tradicionais e locais, inovações e costumes; 
 VII - a manutenção da biodiversidade é essencial para a evolução e para a manutenção dos 
sistemas necessários à vida da biosfera e, para tanto, é necessário garantir e promover a 
capacidade de reprodução sexuada e cruzada dos organismos; 
 VIII - onde exista evidência científica consistente de risco sério e irreversível à diversidade 
biológica, o Poder Público determinará medidas eficazes em termos de custo para evitar a 
degradação ambiental; 
 IX - a internalização dos custos ambientais e a utilização de instrumentos econômicos será 
promovida tendo em conta o princípio de que o poluidor deverá, em princípio, suportar o custo 
da poluição, com o devido respeito pelo interesse público e sem distorcer o comércio e os 
investimentos internacionais; 
 X - a instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação 
do meio ambiente deverá ser precedida de estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará 
publicidade; 
 XI - o homem faz parte da natureza e está presente nos diferentes ecossistemas brasileiros 
há mais de dez mil anos, e todos estes ecossistemas foram e estão sendo alterados por ele em 
maior ou menor escala; 
 XII - a manutenção da diversidade cultural nacional é importante para pluralidade de 
valores na sociedade em relação à biodiversidade, sendo que os povos indígenas, os 
quilombolas e as outras comunidades locais desempenham um papel importante na conservação 
e na utilização sustentável da biodiversidade brasileira; 
 XIII - as ações relacionadas ao acesso ao conhecimento tradicional associado à 
biodiversidade deverão transcorrer com consentimento prévio informado dos povos indígenas, 
dos quilombolas e das outrascomunidades locais; 
 XIV - o valor de uso da biodiversidade é determinado pelos valores culturais e inclui valor 
de uso direto e indireto, de opção de uso futuro e, ainda, valor intrínseco, incluindo os valores 
ecológico, genético, social, econômico, científico, educacional, cultural, recreativo e estético; 
 XV - a conservação e a utilização sustentável da biodiversidade devem contribuir para o 
desenvolvimento econômico e social e para a erradicação da pobreza; 
62 
 
 XVI - a gestão dos ecossistemas deve buscar o equilíbrio apropriado entre a conservação e 
a utilização sustentável da biodiversidade, e os ecossistemas devem ser administrados dentro 
dos limites de seu funcionamento; 
 XVII - os ecossistemas devem ser entendidos e manejados em um contexto econômico, 
objetivando: 
 a) reduzir distorções de mercado que afetam negativamente a biodiversidade; 
 b) promover incentivos para a conservação da biodiversidade e sua utilização sustentável; e 
 c) internalizar custos e benefícios em um dado ecossistema o tanto quanto possível; 
 XVIII - a pesquisa, a conservação ex situ e a agregação de valor sobre componentes da 
biodiversidade brasileira devem ser realizadas preferencialmente no país, sendo bem vindas as 
iniciativas de cooperação internacional, respeitados os interesses e a coordenação nacional; 
 XIX - as ações nacionais de gestão da biodiversidade devem estabelecer sinergias e ações 
integradas com convenções, tratados e acordos internacionais relacionados ao tema da gestão da 
biodiversidade; e 
 XX - as ações de gestão da biodiversidade terão caráter integrado, descentralizado e 
participativo, permitindo que todos os setores da sociedade brasileira tenham, efetivamente, 
acesso aos benefícios gerados por sua utilização. 
 3. A Política Nacional da Biodiversidade aplica-se aos componentes da diversidade 
biológica localizados nas áreas sob jurisdição nacional, incluindo o território nacional, a 
plataforma continental e a zona econômica exclusiva; e aos processos e atividades realizados 
sob sua jurisdição ou controle, independentemente de onde ocorram seus efeitos, dentro da área 
sob jurisdição nacional ou além dos limites desta. 
 4. A Política Nacional da Biodiversidade reger-se-á pelas seguintes diretrizes: 
 I - estabelecer-se-á cooperação com outras nações, diretamente ou, quando necessário, 
mediante acordos e organizações internacionais competentes, no que respeita a áreas além da 
jurisdição nacional, em particular nas áreas de fronteira, na Antártida, no alto-mar e nos grandes 
fundos marinhos e em relação a espécies migratórias, e em outros assuntos de mútuo interesse, 
para a conservação e a utilização sustentável da diversidade biológica; 
 II - o esforço nacional de conservação e a utilização sustentável da diversidade biológica 
deve ser integrado em planos, programas e políticas setoriais ou intersetoriais pertinentes de 
forma complementar e harmônica; 
 III - investimentos substanciais são necessários para conservar a diversidade biológica, dos 
quais resultarão, conseqüentemente, benefícios ambientais, econômicos e sociais; 
 IV - é vital prever, prevenir e combater na origem as causas da sensível redução ou perda 
da diversidade biológica; 
 V - a sustentabilidade da utilização de componentes da biodiversidade deve ser 
determinada do ponto de vista econômico, social e ambiental, especialmente quanto à 
manutenção da biodiversidade; 
63 
 
 VI - a gestão dos ecossistemas deve ser descentralizada ao nível apropriado e os gestores 
de ecossistemas devem considerar os efeitos atuais e potenciais de suas atividades sobre os 
ecossistemas vizinhos e outros; 
 VII - a gestão dos ecossistemas deve ser implementada nas escalas espaciais e temporais 
apropriadas e os objetivos para o gerenciamento de ecossistemas devem ser estabelecidos a 
longo prazo, reconhecendo que mudanças são inevitáveis. 
 VIII - a gestão dos ecossistemas deve se concentrar nas estruturas, nos processos e nos 
relacionamentos funcionais dentro dos ecossistemas, usar práticas gerenciais adaptativas e 
assegurar a cooperação intersetorial; 
 IX - criar-se-ão condições para permitir o acesso aos recursos genéticos e para a utilização 
ambientalmente saudável destes por outros países que sejam Partes Contratantes da Convenção 
sobre Diversidade Biológica, evitando-se a imposição de restrições contrárias aos objetivos da 
Convenção. 
Do Objetivo Geral da Política Nacional da Biodiversidade 
 5. A Política Nacional da Biodiversidade tem como objetivo geral a promoção, de forma 
integrada, da conservação da biodiversidade e da utilização sustentável de seus componentes, 
com a repartição justa e eqüitativa dos benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos, 
de componentes do patrimônio genético e dos conhecimentos tradicionais associados a esses 
recursos. 
Dos Componentes da Política Nacional da Biodiversidade 
 6. Os Componentes da Política Nacional da Biodiversidade e respectivos objetivos 
específicos, abaixo relacionados e estabelecidos com base na Convenção sobre Diversidade 
Biológica, devem ser considerados como os eixos temáticos que orientarão as etapas de 
implementação desta Política. 
 7. As diretrizes estabelecidas para os Componentes devem ser consideradas para todos os 
biomas brasileiros, quando couber. 
 8. Diretrizes específicas por bioma poderão ser estabelecidas nos Planos de Ação, quando 
da implementação da Política. 
 9. A Política Nacional da Biodiversidade abrange os seguintes Componentes: 
 I - Componente 1 - Conhecimento da Biodiversidade: congrega diretrizes voltadas à 
geração, sistematização e disponibilização de informações que permitam conhecer os 
componentes da biodiversidade do país e que apóiem a gestão da biodiversidade, bem como 
diretrizes relacionadas à produção de inventários, à realização de pesquisas ecológicas e à 
realização de pesquisas sobre conhecimentos tradicionais; 
 II - Componente 2 - Conservação da Biodiversidade: engloba diretrizes destinadas à 
conservação in situ e ex situ de variabilidade genética, de ecossistemas, incluindo os serviços 
ambientais, e de espécies, particularmente daquelas ameaçadas ou com potencial econômico, 
bem como diretrizes para implementação de instrumentos econômicos e tecnológicos em prol da 
conservação da biodiversidade; 
64 
 
 III - Componente 3 - Utilização Sustentável dos Componentes da Biodiversidade: reúne 
diretrizes para a utilização sustentável da biodiversidade e da biotecnologia, incluindo o 
fortalecimento da gestão pública, o estabelecimento de mecanismos e instrumentos econômicos, 
e o apoio a práticas e negócios sustentáveis que garantam a manutenção da biodiversidade e da 
funcionalidade dos ecossistemas, considerando não apenas o valor econômico, mas também os 
valores sociais e culturais da biodiversidade; 
 IV - Componente 4 - Monitoramento, Avaliação, Prevenção e Mitigação de Impactos sobre 
a Biodiversidade: engloba diretrizes para fortalecer os sistemas de monitoramento, de avaliação, 
de prevenção e de mitigação de impactos sobre a biodiversidade, bem como para promover a 
recuperação de ecossistemas degradados e de componentes da biodiversidade sobreexplotados; 
 V - Componente 5 - Acesso aos Recursos Genéticos e aos Conhecimentos Tradicionais 
Associados e Repartição de Benefícios: alinha diretrizes que promovam o acesso controlado, 
com vistas à agregação de valor mediante pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico, e a 
distribuição dos benefíciosgerados pela utilização dos recursos genéticos, dos componentes do 
patrimônio genético e dos conhecimentos tradicionais associados, de modo que sejam 
compartilhados, de forma justa e eqüitativa, com a sociedade brasileira e, inclusive, com os 
povos indígenas, com os quilombolas e com outras comunidades locais; 
 VI - Componente 6 - Educação, Sensibilização Pública, Informação e Divulgação sobre 
Biodiversidade: define diretrizes para a educação e sensibilização pública e para a gestão e 
divulgação de informações sobre biodiversidade, com a promoção da participação da sociedade, 
inclusive dos povos indígenas, quilombolas e outras comunidades locais, no respeito à 
conservação da biodiversidade, à utilização sustentável de seus componentes e à repartição justa 
e eqüitativa dos benefícios derivados da utilização de recursos genéticos, de componentes do 
patrimônio genético e de conhecimento tradicional associado à biodiversidade; 
 VII - Componente 7 - Fortalecimento Jurídico e Institucional para a Gestão da 
Biodiversidade: sintetiza os meios de implementação da Política; apresenta diretrizes para o 
fortalecimento da infra-estrutura, para a formação e fixação de recursos humanos, para o acesso 
à tecnologia e transferência de tecnologia, para o estímulo à criação de mecanismos de 
financiamento, para o fortalecimento do marco-legal, para a integração de políticas públicas e 
para a cooperação internacional. 
Do Componente 1 da Política Nacional da Biodiversidade - Conhecimento da 
Biodiversidade 
 10. Objetivos Gerais: gerar, sistematizar e disponibilizar informações para a gestão da 
biodiversidade nos biomas e seu papel no funcionamento e na manutenção dos ecossistemas 
terrestres e aquáticos, incluindo as águas jurisdicionais. Promover o conhecimento da 
biodiversidade brasileira, sua distribuição, seus determinantes, seus valores, suas funções 
ecológicas e seu potencial de uso econômico. 
 10.1. Primeira diretriz: Inventário e caracterização da biodiversidade. Levantamento, 
identificação, catalogação e caracterização dos componentes da biodiversidade (ecossistemas, 
espécies e diversidade genética intra-específica), para gerar informações que possibilitem a 
proposição de medidas para a gestão desta. 
 Objetivos Específicos: 
 10.1.1. Instituir e implementar programa nacional de inventários biológicos integrados a 
estudos do meio físico, com ênfase em grupos taxonômicos megadiversos abrangendo os 
diferentes habitats e regiões geográficas do país, preferencialmente realizados em áreas 
65 
 
prioritárias para conservação, estabelecendo-se protocolos mínimos padronizados para coleta, 
com obrigatoriedade do uso de coordenadas geográficas (georreferenciamento). 
 10.1.2. Promover e apoiar pesquisas voltadas a estudos taxonômicos de todas as espécies 
que ocorrem no Brasil e para a caracterização e classificação da biodiversidade brasileira. 
 10.1.3. Instituir um sistema nacional, coordenado e compartilhado, de registro de espécies 
descritas em território brasileiro e nas demais áreas sob jurisdição nacional, criando, apoiando, 
consolidando e integrando coleções científicas e centros de referência nacionais e regionais. 
 10.1.4. Elaborar e manter atualizadas listas de espécies endêmicas e ameaçadas no país, de 
modo articulado com as listas estaduais e regionais. 
 10.1.5. Promover pesquisas para identificar as características ecológicas, a diversidade 
genética e a viabilidade populacional das espécies de plantas, animais, fungos e microrganismos 
endêmicas e ameaçadas no Brasil, a fim de subsidiar ações de recuperação, regeneração, 
utilização sustentável e conservação destas. 
 10.1.6. Promover pesquisas para determinar propriedades e características ecológicas, 
biológicas e genéticas das espécies de maior interesse para conservação e utilização 
socioeconômica sustentável, principalmente espécies nativas utilizadas para fins econômicos ou 
que possuam grande valor para povos indígenas, quilombolas e outras comunidades locais. 
 10.1.7. Mapear a diversidade e a distribuição das variedades locais de espécies 
domesticadas e seus parentes silvestres. 
 10.1.8. Inventariar e mapear as espécies exóticas invasoras e as espécies-problema, bem 
como os ecossistemas em que foram introduzidas para nortear estudos dos impactos gerados e 
ações de controle. 
 10.1.9. Promover a avaliação sistemática das metodologias empregadas na realização de 
inventários. 
 10.1.10. Estabelecer mecanismos para exigir, por parte do empreendedor, de realização de 
inventário da biodiversidade daqueles ambientes especiais (por exemplo canga ferrífera, platôs 
residuais) altamente ameaçados pela atividade de exploração econômica, inclusive a mineral. 
 10.1.11. Apoiar a formação de recursos humanos nas áreas de taxonomia, incluindo 
taxônomos e auxiliares (parataxônomos). 
 10.1.12. Promover a recuperação e a síntese das informações existentes no acervo 
científico brasileiro, principalmente teses e dissertações. 
 10.1.13. Promover o mapeamento da biodiversidade em todo o território nacional, gerar e 
distribuir amplamente mapas da biodiversidade brasileira, resguardando-se o devido sigilo de 
informações de interesse nacional. 
 10.1.14. Promover a repatriação das informações sobre a biodiversidade brasileira 
existentes no exterior. 
 10.2. Segunda diretriz: Promoção de pesquisas ecológicas e estudos sobre o papel 
desempenhado pelos seres vivos na funcionalidade dos ecossistemas e sobre os impactos das 
mudanças globais na biodiversidade. 
66 
 
 Objetivos Específicos: 
 10.2.1. Promover pesquisas para determinar as propriedades ecológicas das espécies e as 
formas de sinergia entre estas, visando a compreender sua importância nos ecossistemas. 
 10.2.2. Promover estudos, preferencialmente nas áreas prioritárias para conservação da 
biodiversidade e nas unidades de conservação, sobre o funcionamento de comunidades e 
ecossistemas, sobre dinâmica e situação das populações e sobre avaliação de estoques e manejo 
dos componentes da biodiversidade. 
 10.2.3. Fortalecer e expandir pesquisas ecológicas de longa duração, preferencialmente em 
unidades de conservação. 
 10.2.4. Promover pesquisas para determinar o efeito da dinâmica das mudanças globais 
sobre a biodiversidade e a participação das espécies nos processos de fluxo de matéria e energia 
e de homeostase nos ecossistemas. 
 10.2.5. Promover pesquisas sobre os efeitos das alterações ambientais causadas pela 
fragmentação de habitats na perda da biodiversidade, com ênfase nas áreas com maiores níveis 
de desconhecimento, de degradação e de perda de recursos genéticos. 
 10.2.6. Promover o desenvolvimento e o aperfeiçoamento de ferramentas de modelagem de 
ecossistemas. 
 10.2.7. Promover e apoiar a pesquisa sobre impacto das alterações ambientais na produção 
agropecuária e na saúde humana, com ênfase em dados para as análises de risco promovidas 
pelos órgãos competentes das áreas ambiental, sanitária e fitossanitária. 
 10.3. Terceira diretriz: Promoção de pesquisas para a gestão da biodiversidade. Apoio à 
produção de informação e de conhecimento sobre os componentes da biodiversidade nos 
diferentes biomas para subsidiar a gestão da biodiversidade. 
 Objetivos Específicos: 
 10.3.1. Promover e apoiar pesquisa sobre biologia da conservação para os diferentes 
ecossistemas do país e particularmente para os componentes da biodiversidade ameaçados. 
 10.3.2. Promover e apoiar desenvolvimento de pesquisa e tecnologia sobre conservaçãoe 
utilização sustentável da biodiversidade, especialmente sobre a propagação e o desenvolvimento 
de espécies nativas com potencial medicinal, agrícola e industrial. 
 10.3.3. Desenvolver estudos para o manejo da conservação e utilização sustentável da 
biodiversidade nas reservas legais das propriedades rurais, conforme previsto no Código 
Florestal. 
 10.3.4. Fomentar a pesquisa em técnicas de prevenção, recuperação e restauração de áreas 
em processo de desertificação, fragmentação ou degradação ambiental, que utilizem a 
biodiversidade. 
 10.3.5. Promover e apoiar pesquisas sobre sanidade da vida silvestre e estabelecer 
mecanismos para que seus dados sejam incorporados na gestão da biodiversidade. 
67 
 
 10.3.6. Promover e apoiar pesquisas para subsidiar a prevenção, erradicação e controle de 
espécies exóticas invasoras e espécies-problema que ameacem a biodiversidade, atividades da 
agricultura, pecuária, silvicultura e aqüicultura e a saúde humana. 
 10.3.7. Apoiar estudos sobre o valor dos componentes da biodiversidade e dos serviços 
ambientais associados. 
 10.3.8. Apoiar estudos que promovam a utilização sustentável da biodiversidade em 
benefício de povos indígenas, quilombolas e outras comunidades locais, assegurando sua 
participação direta. 
 10.3.9. Atualizar as avaliações de áreas e ações prioritárias para conservação, utilização 
sustentável e repartição dos benefícios da biodiversidade. 
 10.3.10. Definir estratégias de pesquisa multidisciplinar em biodiversidade. 
 10.4. Quarta diretriz: Promoção de pesquisas sobre o conhecimento tradicional de povos 
indígenas, quilombolas e outras comunidades locais. Apoio a estudos para organização e 
sistematização de informações e procedimentos relacionados ao conhecimento tradicional 
associado à biodiversidade, com consentimento prévio informado das populações envolvidas e 
em conformidade com a legislação vigente e com os objetivos específicos estabelecidos na 
segunda diretriz do Componente 5, prevista no item 14.2. 
 Objetivos Específicos: 
 10.4.1. Desenvolver estudos e metodologias para a elaboração e implementação de 
instrumentos econômicos e regime jurídico específico que possibilitem a repartição justa e 
eqüitativa de benefícios, compensação econômica e outros tipos de compensação para os 
detentores dos conhecimentos tradicionais associados, segundo as demandas por eles definidas. 
 10.4.2. Desenvolver estudos acerca do conhecimento, inovações e práticas dos povos 
indígenas, quilombolas e outras comunidades locais, respeitando, resgatando, mantendo e 
preservando os valores culturais agregados a estes conhecimentos, inovações e práticas, e 
assegurando a confidencialidade das informações obtidas, sempre que solicitado pelas partes 
detentoras destes ou quando a sua divulgação possa ocasionar dano à integridade social, 
ambiental ou cultural destas comunidades ou povos detentores destes conhecimentos. 
 10.4.3. Apoiar estudos e iniciativas de povos indígenas, quilombos e outras comunidades 
locais de sistematização de seus conhecimentos, inovações e práticas, com ênfase nos temas de 
valoração, valorização, conservação e utilização sustentável dos recursos da biodiversidade. 
 10.4.4. Promover estudos e iniciativas de diferentes setores da sociedade voltados para a 
valoração, valorização, conhecimento, conservação e utilização sustentável dos saberes 
tradicionais de povos indígenas, quilombolas e outras comunidades locais, assegurando a 
participação direta dos detentores desse conhecimento tradicional. 
 10.4.5. Promover iniciativas que agreguem povos indígenas, quilombolas, outras 
comunidades locais e comunidades científicas para informar e fazer intercâmbio dos aspectos 
legais e científicos sobre a pesquisa da biodiversidade e sobre as atividades de bioprospecção. 
 10.4.6. Promover a divulgação junto a povos indígenas, quilombolas e outras comunidades 
locais dos resultados das pesquisas que envolvam seus conhecimentos e dos institutos jurídicos 
relativos aos seus direitos. 
68 
 
 10.4.7. Apoiar e estimular a pesquisa sobre o saber tradicional (conhecimentos, práticas e 
inovações) de povos indígenas, quilombolas e outras comunidades locais, assegurando a sua 
integridade sociocultural, a posse e o usufruto de suas terras. 
Do Componente 2 da Política Nacional da Biodiversidade - Conservação da 
Biodiversidade 
 11. Objetivo Geral: Promover a conservação, in situ e ex situ, dos componentes da 
biodiversidade, incluindo variabilidade genética, de espécies e de ecossistemas, bem como dos 
serviços ambientais mantidos pela biodiversidade. 
 11.1. Primeira diretriz: Conservação de ecossistemas. Promoção de ações de conservação 
in situ da biodiversidade e dos ecossistemas em áreas não estabelecidas como unidades de 
conservação, mantendo os processos ecológicos e evolutivos e a oferta sustentável dos serviços 
ambientais. 
 Objetivos Específicos: 
 11.1.1. Fortalecer a fiscalização para controle de atividades degradadoras e ilegais: 
desmatamento, destruição de habitats, caça, aprisionamento e comercialização de animais 
silvestres e coleta de plantas silvestres. 
 11.1.2. Desenvolver estudos e metodologias participativas que contribuam para a definição 
da abrangência e do uso de zonas de amortecimento para as unidades de conservação. 
 11.1.3. Planejar, promover, implantar e consolidar corredores ecológicos e outras formas 
de conectividade de paisagens, como forma de planejamento e gerenciamento regional da 
biodiversidade, incluindo compatibilização e integração das reservas legais, áreas de 
preservação permanentes e outras áreas protegidas. 
 11.1.4. Apoiar ações para elaboração dos zoneamentos ecológico-econômicos, de 
abrangência nacional, regional, estadual, municipal ou em bacias hidrográficas, com enfoque 
para o estabelecimento de unidades de conservação, e adotando suas conclusões, com diretrizes 
e roteiro metodológico mínimos comuns e com transparência, rigor científico e controle social. 
 11.1.5. Promover e apoiar estudos de melhoria dos sistemas de uso e de ocupação da terra, 
assegurando a conservação da biodiversidade e sua utilização sustentável, em áreas fora de 
unidades de conservação de proteção integral e inclusive em terras indígenas, quilombolas e de 
outras comunidades locais, com especial atenção às zonas de amortecimento de unidades de 
conservação. 
 11.1.6. Propor uma agenda de implementação de áreas e ações prioritárias para 
conservação da biodiversidade em cada estado e bioma brasileiro. 
 11.1.7. Promover e apoiar a conservação da biodiversidade no interior e no entorno de 
terras indígenas, de quilombolas e de outras comunidades locais, respeitando o uso 
etnoambiental do ecossistema pelos seus ocupantes. 
 11.1.8. Fortalecer mecanismos de incentivos para o setor privado e para comunidades 
locais com adoção de iniciativas voltadas à conservação da biodiversidade. 
 11.1.9. Criar mecanismos de incentivos à recuperação e à proteção de áreas de preservação 
permanente e de reservas legais previstas em Lei. 
69 
 
 11.1.10. Criar estratégias para a conservação de ecossistemas pioneiros, garantindo sua 
representatividade e função. 
 11.1.11. Estabelecer uma iniciativa nacional para conservação e recuperação da 
biodiversidade de águas interiores, da zona costeira e da zona marinha. 
 11.1.12. Articular ações com o órgão responsável pelo controle sanitário e fitossanitário 
com vistas à troca de informações para impedir a entrada no país de espécies exóticasinvasoras 
que possam afetar a biodiversidade. 
 11.1.13. Promover a prevenção, a erradicação e o controle de espécies exóticas invasoras 
que possam afetar a biodiversidade. 
 11.1.14. Promover ações de conservação visando a manutenção da estrutura e dos 
processos ecológicos e evolutivos e a oferta sustentável dos serviços ambientais. 
 11.1.15. Conservar a biodiversidade dos ecossistemas, inclusive naqueles sob sistemas 
intensivos de produção econômica, como seguro contra mudanças climáticas e alterações 
ambientais e econômicas imprevistas, preservando a capacidade dos componentes da 
biodiversidade se adaptarem a mudanças, inclusive as climáticas. 
 11.2. Segunda diretriz: Conservação de ecossistemas em unidades de 
conservação. Promoção de ações de conservação in situ da biodiversidade dos ecossistemas nas 
unidades de conservação, mantendo os processos ecológicos e evolutivos, a oferta sustentável 
dos serviços ambientais e a integridade dos ecossistemas. 
 Objetivos Específicos: 
 11.2.1. Apoiar e promover a consolidação e a expansão do Sistema Nacional de Unidades 
de Conservação da Natureza - SNUC, com atenção particular para as unidades de proteção 
integral, garantindo a representatividade dos ecossistemas e das ecorregiões e a oferta 
sustentável dos serviços ambientais e a integridade dos ecossistemas. 
 11.2.2. Promover e apoiar o desenvolvimento de mecanismos técnicos e econômicos para a 
implementação efetiva de unidades de conservação. 
 11.2.3. Apoiar as ações do órgão oficial de controle fitossanitário com vistas a evitar a 
introdução de pragas e espécies exóticas invasoras em áreas no entorno e no interior de unidades 
de conservação. 
 11.2.4. Incentivar o estabelecimento de processos de gestão participativa, propiciando a 
tomada de decisões com participação da esfera federal, da estadual e da municipal do Poder 
Público e dos setores organizados da sociedade civil, em conformidade com a Lei do Sistema 
Nacional de Unidades de Conservação da Natureza - SNUC. 
 11.2.5. Incentivar a participação do setor privado na conservação in situ, com ênfase na 
criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural - RPPN, e no patrocínio de unidade de 
conservação pública. 
 11.2.6. Promover a criação de unidades de conservação de proteção integral e de uso 
sustentável, levando-se em consideração a representatividade, conectividade e 
complementaridade da unidade para o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. 
70 
 
 11.2.7. Desenvolver mecanismos adicionais de apoio às unidades de conservação de 
proteção integral e de uso sustentável, inclusive pela remuneração dos serviços ambientais 
prestados. 
 11.2.8. Promover o desenvolvimento e a implementação de um plano de ação para 
solucionar os conflitos devidos à sobreposição de unidades de conservação, terras indígenas e de 
quilombolas. 
 11.2.9. Incentivar e apoiar a criação de unidades de conservação marinhas com diversos 
graus de restrição e de exploração. 
 11.2.10. Conservar amostras representativas e suficientes da totalidade da biodiversidade, 
do patrimônio genético nacional (inclusive de espécies domesticadas), da diversidade de 
ecossistemas e da flora e fauna brasileira (inclusive de espécies ameaçadas), como reserva 
estratégica para usufruto futuro. 
 11.3. Terceira diretriz: Conservação in situ de espécies. Consolidação de ações de 
conservação in situ das espécies que compõem a biodiversidade, com o objetivo de reduzir a 
erosão genética, de promover sua conservação e utilização sustentável, particularmente das 
espécies ameaçadas, bem como dos processos ecológicos e evolutivos a elas associados e de 
manter os serviços ambientais. 
 Objetivos Específicos: 
 11.3.1. Criar, identificar e estabelecer iniciativas, programas e projetos de conservação e 
recuperação de espécies ameaçadas, endêmicas ou insuficientemente conhecidas. 
 11.3.2. Identificar áreas para criação de novas unidades de conservação, baseando-se nas 
necessidades das espécies ameaçadas. 
 11.3.3. Fortalecer e disseminar mecanismos de incentivo para empresas privadas e 
comunidades que desenvolvem projetos de conservação de espécies ameaçadas. 
 11.3.4. Implementar e aperfeiçoar o sistema de autorização, vigilância e acompanhamento 
de coleta de material biológico e de componentes do patrimônio genético. 
 11.3.5. Promover a regulamentação e a implementação de reservas genéticas para proteger 
variedades locais de espécies silvestres usadas no extrativismo, na agricultura e na aqüicultura. 
 11.3.6. Implementar ações para maior proteção de espécies ameaçadas dentro e fora de 
unidades de conservação. 
 11.3.7. Promover e aperfeiçoar as ações de manejo de espécies-problema em situação de 
descontrole populacional. 
 11.3.8. Estabelecer mecanismos para tornar obrigatória a inclusão, em parte ou no todo, de 
ambientes especiais que apresentam alto grau de endemismo ou contenham espécies ameaçadas 
nas Zonas Intangíveis das Unidades de Conservação de Uso Sustentável. 
 11.3.9. Estabelecer medidas de proteção das espécies ameaçadas nas terras indígenas e nas 
terras de quilombolas. 
71 
 
 11.4. Quarta diretriz: Conservação ex situ de espécies. Consolidação de ações de 
conservação ex situ de espécies e de sua variabilidade genética, com ênfase nas espécies 
ameaçadas e nas espécies com potencial de uso econômico, em conformidade com os objetivos 
específicos estabelecidos nas diretrizes do Componente 5. 
 Objetivos Específicos: 
 11.4.1. Desenvolver estudos para a conservação ex situ de espécies, com ênfase nas 
espécies ameaçadas e nas espécies com potencial de uso econômico. 
 11.4.2. Desenvolver, promover e apoiar estudos e estabelecer metodologias para 
conservação e manutenção dos bancos de germoplasma das espécies nativas e exóticas de 
interesse científico e comercial. 
 11.4.3. Promover a manutenção, a caracterização e a documentação do germoplasma de 
plantas, animais, fungos e microrganismos contido nas instituições científicas e nos centros 
nacionais e regionais, de maneira a estabelecer coleções nucleares para fomentar programas de 
melhoramento genético. 
 11.4.4. Integrar iniciativas, planos e programas de conservação ex situ de espécies, com 
ênfase nas espécies ameaçadas e nas espécies com potencial de uso econômico. 
 11.4.5. Promover a conservação ex situ visando à obtenção de matrizes animais e vegetais, 
inclusive microrganismos, de espécies ameaçadas ou com potencial de uso econômico para 
formação de coleções vivas representativas. 
 11.4.6. Ampliar, fortalecer e integrar o sistema de herbários, museus zoológicos, coleções 
etnobotânicas, criadouros de vida silvestre, jardins botânicos, arboretos, hortos florestais, 
coleções zoológicas, coleções botânicas, viveiros de plantas nativas, coleções de cultura de 
microrganismos, bancos de germoplasma vegetal, núcleos de criação animal, zoológicos, 
aquários e oceanários. 
 11.4.7. Integrar jardins botânicos, zoológicos e criadouros de vida silvestre aos planos 
nacionais de conservação de recursos genéticos animais e vegetais e de pesquisa ambiental, 
especialmente em áreas de alto endemismo. 
 11.4.8. Criar e fortalecer centros de triagem de animais e plantas silvestres, integrando-os 
ao sistema de zoológicos e jardins botânicos, para serem transformados em centros de 
conservação de fauna e de flora. 
 11.4.9. Criar centros e promover iniciativas para a reprodução de espécies ameaçadas, 
utilizando técnicascomo inseminação artificial, fertilização in vitro, entre outras. 
 11.4.10. Incentivar a participação do setor privado na estratégia de conservação ex situ da 
biodiversidade. 
 11.4.11. Promover medidas e iniciativas para o enriquecimento da variabilidade genética 
disponível nos bancos de germoplasma, estabelecendo coleções representativas do patrimônio 
genético (animal, vegetal e de microrganismos). 
 11.4.12. Estabelecer e apoiar iniciativas de coleta para aumentar a representatividade 
geográfica dos bancos de germoplasma. 
72 
 
 11.4.13. Criar e manter bancos de germoplasma regionais e coleções de base para a 
conservação da variabilidade genética, promovendo principalmente a conservação de espécies 
nativas sub-representadas em coleções, variedades locais, parentes silvestres, espécies raras, 
endêmicas, ameaçadas ou com potencial econômico. 
 11.4.14. Estabelecer iniciativas de coleta, reintrodução e intercâmbio de espécies nativas de 
importância socioeconômica, incluindo variedades locais de espécies domesticadas e de 
espécies ameaçadas, para manutenção de sua variabilidade genética. 
 11.4.15. Apoiar e subsidiar a conservação e a ampliação de bancos de germoplasma de 
espécies introduzidas, com fins econômicos ou ornamentais, mantidas por entidades de 
pesquisa, jardins botânicos, zoológicos e pela iniciativa privada. 
 11.4.16. Ampliar os programas nacionais de coleta e conservação de microrganismos do 
solo de interesse econômico. 
 11.4.17. Integrar as ações de conservação ex situ com as ações de gestão do acesso a 
recursos genéticos e repartição de benefícios derivados da utilização do conhecimento 
tradicional. 
 11.4.18. Apoiar as ações de órgão oficial de controle sanitário e fitossanitário no que diz 
respeito ao controle de espécies invasoras ou pragas. 
 11.5. Quinta diretriz: Instrumentos econômicos e tecnológicos de conservação da 
biodiversidade. Desenvolvimento de instrumentos econômicos e tecnológicos para a 
conservação da biodiversidade. 
 Objetivos Específicos: 
 11.5.1. Promover estudos para a avaliação da efetividade dos instrumentos econômicos 
para a conservação da biodiversidade. 
 11.5.2. Criar e consolidar legislação específica relativa ao uso de instrumentos econômicos 
que visem ao estímulo à conservação da biodiversidade, associado ao processo de reforma 
tributária. 
 11.5.3. Desenvolver instrumentos econômicos e legais para reduzir as pressões antrópicas 
sobre a biodiversidade, associado ao processo de reforma tributária. 
 11.5.4. Desenvolver instrumentos econômicos e instrumentos legais para cobrança pública, 
quando couber, pelo uso de serviços ambientais, associado ao processo de reforma tributária. 
 11.5.5. Promover a internalização de custos e benefícios da conservação da biodiversidade 
(bens e serviços) na contabilidade pública e privada. 
 11.5.6. Estimular mecanismos para reversão dos benefícios da cobrança pública pelo uso 
de serviços ambientais da biodiversidade para a sua conservação. 
 11.5.7. Criar e implantar mecanismos tributários, creditícios e de facilitação administrativa 
específicos para proprietários rurais que mantêm reservas legais e áreas de preservação 
permanente protegidas. 
73 
 
 11.5.8. Aprimorar os instrumentos legais existentes de estímulo à conservação da 
biodiversidade por meio do imposto sobre circulação de mercadoria (ICMS Ecológico) e 
incentivar sua adoção em todos os estados da federação, incentivando a aplicação dos recursos 
na gestão da biodiversidade. 
Do Componente 3 da Política Nacional da Biodiversidade - Utilização Sustentável dos 
Componentes da Biodiversidade 
 12. Objetivo Geral: Promover mecanismos e instrumentos que envolvam todos os setores 
governamentais e não-governamentais, públicos e privados, que atuam na utilização de 
componentes da biodiversidade, visando que toda utilização de componentes da biodiversidade 
seja sustentável e considerando não apenas seu valor econômico, mas também os valores 
ambientais, sociais e culturais da biodiversidade. 
 12.1. Primeira diretriz: Gestão da biotecnologia e da biossegurança. Elaboração e 
implementação de instrumentos e mecanismos jurídicos e econômicos que incentivem o 
desenvolvimento de um setor nacional de biotecnologia competitivo e de excelência, com 
biossegurança e com atenção para as oportunidades de utilização sustentável de componentes do 
patrimônio genético, em conformidade com a legislação vigente e com as diretrizes e objetivos 
específicos estabelecidos no Componente 5. 
 Objetivos Específicos: 
 12.1.1. Elaborar e implementar códigos de ética para a biotecnologia e a bioprospecção, de 
forma participativa, envolvendo os diferentes segmentos da sociedade brasileira, com base na 
legislação vigente. 
 12.1.2. Consolidar a regulamentação dos usos de produtos geneticamente modificados, 
com base na legislação vigente, em conformidade com o princípio da precaução e com análise 
de risco dos potenciais impactos sobre a biodiversidade, a saúde e o meio ambiente, envolvendo 
os diferentes segmentos da sociedade brasileira, garantindo a transparência e o controle social 
destes e com a responsabilização civil, criminal e administrativa para introdução ou difusão não 
autorizada de organismos geneticamente modificados que ofereçam riscos ao meio ambiente e à 
saúde humana. 
 12.1.3. Consolidar a estruturação, tanto na composição quanto os procedimentos de 
operação, dos órgãos colegiados que tratam da utilização da biodiversidade, especialmente a 
Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio e o Conselho de Gestão do Patrimônio 
Genético - CGEN. 
 12.1.4. Fomentar a criação e o fortalecimento de instituições nacionais e de grupos de 
pesquisa nacionais, públicos e privados, especializados em bioprospecção, biotecnologia e 
biossegurança, inclusive apoiando estudos e projetos para a melhoria dos conhecimentos sobre a 
biossegurança e avaliação de conformidade de organismos geneticamente modificados e 
produtos derivados. 
 12.1.6. Apoiar e fomentar a formação de empresas nacionais dedicadas à pesquisa 
científica e tecnológica, à agregação de valor, à conservação e à utilização sustentável dos 
recursos biológicos e genéticos. 
 12.1.7. Apoiar e fomentar a formação de parcerias entre instituições científicas públicas e 
privadas, inclusive empresas nacionais de tecnologia, com suas congêneres estrangeiras, 
objetivando estabelecer e consolidar as cadeias de agregação de valor, comercialização e retorno 
de benefícios relativos a negócios da biodiversidade. 
74 
 
 12.1.8. Apoiar e fomentar a formação de pessoal pós-graduado especializado em 
administração de negócios sustentáveis com biodiversidade, com o objetivo de seu 
aproveitamento pelos sistemas públicos e privados ativos no setor, conferindo ao país condições 
adequadas de interlocução com seus parceiros estrangeiros. 
 12.1.9. Exigir licenciamento ambiental de atividades e empreendimentos que façam uso de 
Organismos Geneticamente Modificados - OGM e derivados, efetiva ou potencialmente 
poluidores, nos termos da legislação vigente. 
 12.1.10. Apoiar a implementação da infra-estrutura e capacitação de recursos humanos dos 
órgãos públicos e instituições privadas para avaliação de conformidade de material biológico, 
certificação e rotulagem de produtos, licenciamento ambiental e estudo de impacto ambiental. 
 12.2. Segunda diretriz: Gestão da utilização sustentável dos recursos 
biológicos. Estruturação de sistemas reguladores da utilizaçãodos recursos da biodiversidade. 
 Objetivos Específicos: 
 12.2.1. Criar e consolidar programas de manejo e regulamentação de atividades 
relacionadas à utilização sustentável da biodiversidade. 
 12.2.2. Promover o ordenamento e a gestão territorial das áreas de exploração dos recursos 
ambientais, de acordo com a capacidade de suporte destes e de forma integrada com os esforços 
de conservação in situ da biodiversidade. 
 12.2.3. Implementar ações que atendam às demandas de povos indígenas, de quilombolas e 
de outras comunidades locais, quanto às prioridades relacionadas à conservação e à utilização 
sustentável dos recursos biológicos existentes em seus territórios, salvaguardando os princípios 
e a legislação inerentes à matéria e assegurando a sua sustentabilidade nos seus locais de 
origem. 
 12.2.4. Desenvolver e apoiar programas, ações e medidas que promovam a conservação e a 
utilização sustentável da agrobiodiversidade. 
 12.2.5. Promover políticas e programas visando à agregação de valor e à utilização 
sustentável dos recursos biológicos. 
 12.2.6. Promover programas de apoio a pequenas e médias empresas, que utilizem recursos 
da biodiversidade de forma sustentável. 
 12.2.7. Promover instrumentos para assegurar que atividades turísticas sejam compatíveis 
com a conservação e a utilização sustentável da biodiversidade. 
 12.2.8. Promover, de forma integrada, e quando legalmente permitido, a utilização 
sustentável de recursos florestais, madeireiros e não-madeireiros, pesqueiros e faunísticos, 
privilegiando o manejo certificado, a reposição, o uso múltiplo e a manutenção dos estoques. 
 12.2.9. Adaptar para as condições brasileiras e aplicar os princípios da Abordagem 
Ecossistêmica no manejo da biodiversidade. 
 12.3. Terceira diretriz: Instrumentos econômicos, tecnológicos e incentivo às práticas e aos 
negócios sustentáveis para a utilização da biodiversidade. Implantação de mecanismos, 
75 
 
inclusive fiscais e financeiros, para incentivar empreendimentos e iniciativas produtivas de 
utilização sustentável da biodiversidade. 
 Objetivos Específicos: 
 12.3.1. Criar e consolidar legislação específica, relativa ao uso de instrumentos econômicos 
que visem ao estímulo à utilização sustentável da biodiversidade. 
 12.3.2. Criar e fortalecer mecanismos de incentivos fiscais e de crédito, para criação e 
aplicação de tecnologias, empreendimentos e programas relacionados com a utilização 
sustentável da biodiversidade. 
 12.3.3. Promover incentivos econômicos para o desenvolvimento e a consolidação de 
práticas e negócios realizados em unidades de conservação de proteção integral e de uso 
sustentável, em territórios quilombolas, terras indígenas e demais espaços territoriais sob 
proteção formal do Poder Público. 
 12.3.4. Promover a internalização de custos e benefícios da utilização da biodiversidade 
(bens e serviços) na contabilidade pública e privada. 
 12.3.5. Identificar, avaliar e promover experiências, práticas, tecnologias, negócios e 
mercados para produtos oriundos da utilização sustentável da biodiversidade, incentivando a 
certificação voluntária de processos e produtos, de forma participativa e integrada. 
 12.3.6. Estimular o uso de instrumentos voluntários de certificação de produtos, processos, 
empresas, órgãos do governo e outras formas de organizações produtivas relacionadas com a 
utilização sustentável da biodiversidade, inclusive nas compras do governo. 
 12.3.7. Promover a inserção de espécies nativas com valor comercial no mercado interno e 
externo, bem como a diversificação da utilização sustentável destas espécies. 
 12.3.8. Estimular a interação e a articulação dos agentes da Política Nacional da 
Biodiversidade com o setor empresarial para identificar oportunidades de negócios com a 
utilização sustentável dos componentes da biodiversidade. 
 12.3.9. Apoiar as comunidades locais na identificação e no desenvolvimento de práticas e 
negócios sustentáveis. 
 12.3.10. Apoiar, de forma integrada, a domesticação e a utilização sustentável de espécies 
nativas da flora, da fauna e dos microrganismos com potencial econômico. 
 12.3.11. Estimular a implantação de criadouros de animais silvestres e viveiros de plantas 
nativas para consumo e comercialização. 
 12.3.12. Estimular a utilização sustentável de produtos não madeireiros e as atividades de 
extrativismo sustentável, com agregação de valor local por intermédio de protocolos para 
produção e comercialização destes produtos. 
 12.3.13. Estimular a implantação de projetos baseados no Mecanismo de Desenvolvimento 
Limpo do Protocolo de Quioto que estejam de acordo com a conservação e utilização 
sustentável da biodiversidade. 
76 
 
 12.3.14. Incentivar políticas de apoio a novas empresas, visando à agregação de valor, à 
conservação, à utilização sustentável dos recursos biológicos e genéticos. 
 12.4. Quarta diretriz: Utilização da biodiversidade nas unidades de conservação de uso 
sustentável. Desenvolvimento de métodos para a utilização sustentável da biodiversidade e 
indicadores para medir sua efetividade nas unidades de conservação de uso sustentável. 
 Objetivos Específicos: 
 12.4.1. Aprimorar métodos e criar novas tecnologias para a utilização de recursos 
biológicos, eliminando ou minimizando os impactos causados à biodiversidade. 
 12.4.2. Desenvolver estudos de sustentabilidade ambiental, econômica, social e cultural da 
utilização dos recursos biológicos. 
 12.4.3. Fomentar o desenvolvimento de projetos de utilização sustentável de recursos 
biológicos oriundos de associações e comunidades em unidades de conservação de uso 
sustentável, de forma a integrar com a conservação da biodiversidade. 
 12.4.4. Estabelecer critérios para que os planos de manejo de exploração de qualquer 
recurso biológico incluam o monitoramento dos processos de recuperação destes recursos. 
Do Componente 4 da Política Nacional da Biodiversidade - Monitoramento, Avaliação, 
Prevenção e Mitigação de Impactos sobre a Biodiversidade. 
 13. Objetivo Geral: estabelecer formas para o desenvolvimento de sistemas e 
procedimentos de monitoramento e de avaliação do estado da biodiversidade brasileira e das 
pressões antrópicas sobre a biodiversidade, para a prevenção e a mitigação de impactos sobre a 
biodiversidade. 
 13.1. Primeira diretriz: Monitoramento da biodiversidade. Monitoramento do estado das 
pressões e das respostas dos componentes da biodiversidade. 
 Objetivos Específicos: 
 13.1.1. Apoiar o desenvolvimento de metodologias e de indicadores para o monitoramento 
dos componentes da biodiversidade dos ecossistemas e dos impactos ambientais responsáveis 
pela sua degradação, inclusive aqueles causados pela introdução de espécies exóticas invasoras 
e de espécies-problema. 
 13.1.2. Implantar e fortalecer sistema de indicadores para monitoramento permanente da 
biodiversidade, especialmente de espécies ameaçadas e nas unidades de conservação, terras 
indígenas, terras de quilombolas, áreas de manejo de recursos biológicos, reservas legais e nas 
áreas indicadas como prioritárias para conservação. 
 13.1.3. Integrar o sistema de monitoramento da biodiversidade com os sistemas de 
monitoramento de outros recursos naturais existentes. 
 13.1.4. Expandir, consolidar e atualizar um sistema de vigilância e proteção para todos os 
biomas, incluindo o Sistema de Vigilância da Amazônia, com transparência e controle social e 
com o acesso permitidoàs informações obtidas pelo sistema por parte das comunidades 
77 
 
envolvidas, incluindo as populações localmente inseridas e as instituições de pesquisa ou 
ensino. 
 13.1.5. Instituir sistema de monitoramento do impacto das mudanças globais sobre 
distribuição, abundância e extinção de espécies. 
 13.1.6. Implantar sistema de identificação, monitoramento e controle das áreas de reserva 
legal e de preservação permanente. 
 13.1.7. Estimular o desenvolvimento de programa de capacitação da população local, 
visando à sua participação no monitoramento da biodiversidade. 
 13.1.8. Apoiar as ações do órgão oficial responsável pela sanidade e pela fitossanidade com 
vistas em monitorar espécies exóticas invasoras para prevenir e mitigar os impactos de pragas e 
doenças na biodiversidade. 
 13.1.9. Realizar o mapeamento periódico de áreas naturais remanescentes em todos os 
biomas. 
 13.1.10. Promover o automonitoramento e sua publicidade. 
 13.2. Segunda diretriz: Avaliação, prevenção e mitigação de impactos sobre os 
componentes da biodiversidade. Estabelecimento de procedimentos de avaliação, prevenção e 
mitigação de impactos sobre os componentes da biodiversidade. 
 Objetivos Específicos: 
 13.2.1. Criar capacidade nos órgãos responsáveis pelo licenciamento ambiental no país 
para avaliação de impacto sobre a biodiversidade. 
 13.2.2. Identificar e avaliar as políticas públicas e não-governamentais que afetam 
negativamente a biodiversidade. 
 13.2.3. Fortalecer os sistemas de licenciamento, fiscalização e monitoramento de atividades 
relacionadas com a biodiversidade. 
 13.2.4. Promover a integração entre o Zoneamento Ecológico-Econômico e as ações de 
licenciamento ambiental, especialmente por intermédio da realização de Avaliações Ambientais 
Estratégicas feitas com uma escala regional. 
 13.2.5. Apoiar políticas, programas e projetos de avaliação, prevenção e mitigação de 
impactos sobre a biodiversidade, inclusive aqueles relacionados com programas e planos de 
desenvolvimento nacional, regional e local. 
 13.2.6. Apoiar a realização de análises de risco e estudos dos impactos da introdução de 
espécies exóticas potencialmente invasoras, espécies potencialmente problema e outras que 
ameacem a biodiversidade, as atividades econômicas e a saúde da população, e a criação e 
implementação de mecanismos de controle. 
 13.2.7. Promover e aperfeiçoar ações de prevenção, controle e erradicação de espécies 
exóticas invasoras e de espécies-problema. 
78 
 
 13.2.8. Apoiar estudos de impacto da fragmentação de habitats sobre a manutenção da 
biodiversidade. 
 13.2.9. Desenvolver estudos de impacto ambiental e implementar medidas de controle dos 
riscos associados ao desenvolvimento biotecnológico sobre a biodiversidade, especialmente 
quanto à utilização de organismos geneticamente modificados, quando potencialmente causador 
de significativa degradação do meio ambiente. 
 13.2.10. Aperfeiçoar procedimentos e normas de coleta de espécies nativas com fins 
técnico-científicos com vistas na mitigação de seu potencial impacto sobre a biodiversidade. 
 13.2.11. Desenvolver iniciativas de sensibilização e capacitação de entidades da sociedade 
civil em práticas de monitoramento e fiscalização da utilização dos recursos biológicos. 
 13.2.12. Promover, juntamente com os diversos atores envolvidos, o planejamento da 
gestão da biodiversidade nas zonas de fronteiras agrícolas, visando a minimizar os impactos 
ambientais sobre a biodiversidade. 
 13.2.13. Intensificar e garantir a eficiência do combate à caça ilegal e ao comércio ilegal de 
espécies e de variedades agrícolas. 
 13.2.14. Desenvolver instrumentos de cobrança e aplicação de recursos auferidos pelo uso 
de serviços ambientais para reduzir as pressões antrópicas sobre a biodiversidade. 
 13.2.15. Apoiar a realização de inventário das fontes de poluição da biodiversidade e de 
seus níveis de risco nos biomas. 
 13.2.16. Apoiar ações de zoneamento e identificação de áreas críticas, por bacias 
hidrográficas, para conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos. 
 13.2.18. Apoiar estudos de impacto sobre a biodiversidade nas diferentes bacias 
hidrográficas, sobretudo nas matas ribeirinhas, cabeceiras, olhos d´água e outras áreas de 
preservação permanente e em áreas críticas para a conservação de recursos hídricos. 
 13.2.19. Estabelecer mecanismos para determinar a realização de estudos de impacto 
ambiental, inclusive Avaliação Ambiental Estratégica, em projetos e empreendimentos de larga 
escala, inclusive os que possam gerar impactos agregados, que envolvam recursos biológicos, 
inclusive aqueles que utilizem espécies exóticas e organismos geneticamente modificados, 
quando potencialmente causadores de significativa degradação do meio ambiente. 
 13.3. Terceira diretriz: Recuperação de ecossistemas degradados e dos componentes da 
biodiversidade sobreexplotados. Estabelecimento de instrumentos que promovam a recuperação 
de ecossistemas degradados e de componentes da biodiversidade sobreexplotados. 
 Objetivos Específicos: 
 13.3.1. Promover estudos e programas adaptados para conservação e recuperação de 
espécies ameaçadas ou sobreexplotadas e de ecossistemas sob pressão antrópica, de acordo com 
o Princípio do Poluidor-Pagador. 
 13.3.2. Promover a recuperação, a regeneração e o controle da cobertura vegetal e dos 
serviços ambientais a ela relacionados em áreas alteradas, degradadas e em processo de 
79 
 
desertificação e arenização, inclusive para a captura de carbono, de acordo com o Princípio do 
Poluidor-Pagador. 
 13.3.3. Promover a recuperação de estoques pesqueiros sobreexplotados, inclusive pela 
identificação de espécies alternativas para o redirecionamento do esforço de pesca. 
 13.3.4. Estimular as pesquisas paleoecológicas como estratégicas para a recuperação de 
ecossistemas naturais. 
 13.3.5. Apoiar povos indígenas, quilombolas e outras comunidades locais na elaboração e 
na aplicação de medidas corretivas em áreas degradadas, onde a biodiversidade tenha sido 
reduzida. 
 13.3.6. Identificar e apoiar iniciativas, programas, tecnologias e projetos de obtenção de 
germoplasma, reintrodução e translocação de espécies nativas, especialmente as ameaçadas, 
observando estudos e indicações referentes à sanidade dos ecossistemas. 
 13.3.7. Apoiar iniciativas nacionais e estaduais de promoção do estudo e de difusão de 
tecnologias de restauração ambiental e recuperação de áreas degradadas com espécies nativas 
autóctones. 
 13.3.8. Apoiar criação e consolidação de bancos de germoplasma como instrumento 
adicional de recuperação de áreas degradadas. 
 13.3.9. Criar unidades florestais nos estados brasileiros, para produção e fornecimento de 
sementes e mudas para a execução de projetos de restauração ambiental e recuperação de áreas 
degradadas, apoiados por universidades e centros de pesquisa no país. 
 13.3.10. Promover mecanismos de coordenação das iniciativas governamentais e de apoio 
às iniciativas não-governamentais de proteção das áreas em recuperação natural. 
 13.3.11. Promover recuperação, revitalização e conservação da biodiversidade nas 
diferentes bacias hidrográficas, sobretudo nas matas ribeirinhas, nas cabeceiras, nos olhos 
d’água, em outras áreas de preservação permanente e em áreas críticas para a conservação de 
recursos hídricos. 
 13.3.12. Promover ações de recuperação e restauração dos ecossistemas degradadose dos 
componentes da biodiversidade marinha sobreexplotados. 
Do Componente 5 da Política Nacional da Biodiversidade - Acesso aos Recursos Genéticos 
e aos Conhecimentos Tradicionais Associados e Repartição de Benefícios. 
 14. Objetivo Geral: Permitir o acesso controlado aos recursos genéticos, aos componentes 
do patrimônio genético e aos conhecimentos tradicionais associados com vistas à agregação de 
valor mediante pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico e de forma que a sociedade 
brasileira, em particular os povos indígenas, quilombolas e outras comunidades locais, possam 
compartilhar, justa e eqüitativamente, dos benefícios derivados do acesso aos recursos 
genéticos, aos componentes do patrimônio genético e aos conhecimentos tradicionais associados 
à biodiversidade. 
 14.1. Primeira diretriz: Acesso aos recursos genéticos e repartição de benefícios derivados 
da utilização dos recursos genéticos. Estabelecimento de um sistema controlado de acesso e de 
repartição justa e eqüitativa de benefícios oriundos da utilização de recursos genéticos e de 
80 
 
componentes do patrimônio genético, que promova a agregação de valor mediante pesquisa 
científica e desenvolvimento tecnológico e que contribua para a conservação e para a utilização 
sustentável da biodiversidade. 
 Objetivos Específicos: 
 14.1.1. Regulamentar e aplicar lei específica, e demais legislações necessárias, elaboradas 
com ampla participação da sociedade brasileira, em particular da comunidade acadêmica, do 
setor empresarial, dos povos indígenas, quilombolas e outras comunidades locais, para 
normalizar a relação entre provedor e usuário de recursos genéticos, de componentes do 
patrimônio genético e de conhecimentos tradicionais associados, e para estabelecer as bases 
legais para repartição justa e eqüitativa de benefícios derivados da utilização destes. 
 14.1.2. Estabelecer mecanismos legais e institucionais para maior publicidade e para 
viabilizar a participação da sociedade civil (organizações não-governamentais, povos indígenas, 
quilombolas e outras comunidades locais, setor acadêmico e setor privado) nos conselhos, 
comitês e órgãos colegiados que tratam do tema de gestão dos recursos genéticos e dos 
componentes do patrimônio genético. 
 14.1.3. Identificar as necessidades e os interesses de povos indígenas, quilombolas, outras 
comunidades locais, proprietários de terras, empresas tecnológicas nacionais e de agentes 
econômicos, órgãos governamentais, instituições de pesquisa e de desenvolvimento na 
regulamentação de sistema de acesso e de repartição justa e eqüitativa de benefícios oriundos da 
utilização de recursos genéticos e dos componentes do patrimônio genético. 
 14.1.4. Definir as normas e os procedimentos para a coleta, o armazenamento e para a 
remessa de recursos genéticos e de componentes do patrimônio genético para pesquisa e 
bioprospecção. 
 14.1.5. Implantar e aperfeiçoar mecanismos de acompanhamento, de controle social e de 
negociação governamental nos resultados da comercialização de produtos e processos oriundos 
da bioprospecção, associados à reversão de parte dos benefícios para fundos públicos destinados 
à pesquisa, à conservação e à utilização sustentável da biodiversidade. 
 14.1.6. Estabelecer contratos de exploração econômica da biodiversidade, cadastrados e 
homologados pelo governo federal, com cláusulas claras e objetivas, e com cláusulas de 
repartição de benefícios aos detentores dos recursos genéticos, dos componentes do patrimônio 
genético e dos conhecimentos tradicionais associados acessados. 
 14.1.7. Apoiar ações para implementação de infra-estrutura, de recursos humanos e 
recursos materiais em conselhos e órgãos colegiados que tratam da gestão de patrimônio 
genético, inclusive o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético. 
 14.2. Segunda diretriz: Proteção de conhecimentos, inovações e práticas de povos 
indígenas, de quilombolas e de outras comunidades locais e repartição dos benefícios 
decorrentes do uso dos conhecimentos tradicionais associados à 
biodiversidade. Desenvolvimento de mecanismos que assegurem a proteção e a repartição justa 
e eqüitativa dos benefícios derivados do uso de conhecimentos, inovações e práticas de povos 
indígenas, quilombolas e outras comunidades locais, relevantes à conservação e à utilização 
sustentável da biodiversidade. 
 Objetivos Específicos: 
81 
 
 14.2.1. Estabelecer e implementar um regime legal sui generis de proteção a direitos 
intelectuais coletivos relativos à biodiversidade de povos indígenas, quilombolas e outras 
comunidades locais, com a ampla participação destas comunidades e povos. 
 14.2.2. Estabelecer e implementar instrumentos econômicos e regime jurídico específico 
que possibilitem a repartição justa e eqüitativa de benefícios derivados do acesso aos 
conhecimentos tradicionais associados, com a compensação econômica e de outros tipos para os 
detentores dos conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade, segundo as demandas 
por estes definidas e resguardando seus valores culturais. 
 14.2.3. Estabelecer e implementar mecanismos para respeitar, preservar, resgatar, proteger 
a confidencialidade e manter o conhecimento, as inovações e as práticas de povos indígenas, 
quilombolas e outras comunidades locais. 
 14.2.4. Regulamentar e implementar mecanismos e instrumentos jurídicos que garantam 
aos povos indígenas, aos quilombolas e às outras comunidades locais a participação nos 
processos de negociação e definição de protocolos para acesso aos conhecimentos, inovações e 
práticas associados à biodiversidade e repartição dos benefícios derivados do seu uso. 
 14.2.5. Desenvolver e implementar mecanismos sui generis de proteção do conhecimento 
tradicional e de repartição justa e eqüitativa de benefícios para os povos indígenas, quilombolas, 
outras comunidades locais detentores de conhecimentos associados à biodiversidade, com a 
participação destes e resguardados seus interesses e valores. 
 14.2.6. Estabelecer iniciativas visando à gestão e ao controle participativos de povos 
indígenas, quilombolas e outras comunidades locais na identificação e no cadastramento, 
quando couber, de conhecimentos tradicionais, inovações e práticas associados à utilização dos 
componentes da biodiversidade. 
 14.2.7. Estabelecer, quando couber e com a participação direta dos detentores do 
conhecimento tradicional, mecanismo de cadastramento de conhecimentos tradicionais, 
inovações e práticas, associados à biodiversidade, de povos indígenas, quilombolas e outras 
comunidades locais, e de seu potencial para uso comercial, como uma das formas de prova 
quanto à origem destes conhecimentos. 
 14.2.8. Promover o reconhecimento e valorizar os direitos de povos indígenas, quilombolas 
e outras comunidades locais, quanto aos conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade 
e da relação de mútua dependência entre diversidade etnocultural e biodiversidade. 
 14.2.9. Elaborar e implementar código de ética para trabalho com povos indígenas, 
quilombolas e outras comunidades locais, com a participação destes. 
 14.2.10. Assegurar o reconhecimento dos direitos intelectuais coletivos de povos 
indígenas, quilombolas e outras comunidades locais, e a necessária repartição de benefícios pelo 
uso de conhecimento tradicional associado à biodiversidade em seus territórios. 
Do Componente 6 da Política Nacional da Biodiversidade - Educação, Sensibilização 
Pública, Informação e Divulgação sobre Biodiversidade. 
 15. Objetivo Geral: Sistematizar, integrar e difundir informaçõessobre a biodiversidade, 
seu potencial para desenvolvimento e a necessidade de sua conservação e de sua utilização 
sustentável, bem como da repartição dos benefícios derivados da utilização de recursos 
genéticos, de componentes do patrimônio genético e do conhecimento tradicional associado, nos 
diversos níveis de educação, bem como junto à população e aos tomadores de decisão. 
82 
 
 15.1. Primeira diretriz: Sistemas de informação e divulgação. Desenvolvimento de sistema 
nacional de informação e divulgação de informações sobre biodiversidade. 
 Objetivos Específicos: 
 15.1.1. Difundir informações para todos os setores da sociedade sobre biodiversidade 
brasileira. 
 15.1.2. Facilitar o acesso à informação e promover a divulgação da informação para a 
tomada de decisões por parte dos diferentes produtores e usuários de bens e serviços advindos 
da biodiversidade. 
 15.1.3. Instituir e manter permanentemente atualizada uma rede de informação sobre 
gestão da biodiversidade, promovendo e facilitando o acesso a uma base de dados disponível em 
meio eletrônico, integrando-a com iniciativas já existentes. 
 15.1.4. Identificar e catalogar as coleções biológicas (herbários, coleções zoológicas, de 
microrganismos e de germoplasma) existentes no país, seguida de padronização e integração das 
informações sobre as mesmas. 
 15.1.5. Mapear e manter bancos de dados sobre variedade locais, parentes silvestres das 
plantas nacionais cultivadas e de cultivares de uso atual ou potencial. 
 15.1.6. Instituir e implementar mecanismos para facilitar o acesso às informações sobre 
coleções de componentes da biodiversidade brasileira existentes no exterior e, quando couber, a 
repatriação do material associado à informação. 
 15.1.7. Apoiar e divulgar experiências de conservação e utilização sustentável da 
biodiversidade, inclusive por povos indígenas, quilombolas e outras comunidades locais, 
quando houver consentimento destes e desde que sejam resguardados os direitos sobre a 
propriedade intelectual e o interesse nacional. 
 15.1.8. Divulgar os instrumentos econômicos, financeiros e jurídicos voltados para a gestão 
da biodiversidade. 
 15.1.9. Organizar, promover a produção, distribuir e facilitar o acesso a materiais 
institucionais e educativos sobre biodiversidade e sobre aspectos étnicos e culturais relacionados 
à biodiversidade. 
 15.1.10. Promover a elaboração e a sistematização de estudos de casos e lições aprendidas 
quanto à gestão sustentável da biodiversidade. 
 15.1.11. Criar mecanismos de monitoramento da utilização de dados, do acesso às redes de 
bancos de dados e dos usuários dessas redes, visando à repartição dos benefícios oriundos do 
uso das informações disponíveis na rede. 
 15.1.12. Promover e apoiar programas nacionais de publicações científicas sobre temas 
referentes à biodiversidade, e incentivar a valorização das publicações nacionais relativas à 
diversidade biológica das instituições ligadas à pesquisa e ao ensino. 
 15.2. Segunda diretriz: Sensibilização pública. Realização de programas e campanhas de 
sensibilização sobre a biodiversidade. 
83 
 
 Objetivos Específicos: 
 15.2.1. Promover e apoiar campanhas nacionais, regionais e locais para valorização e 
difusão de conhecimentos sobre a biodiversidade, ressaltando a importância e o valor da 
heterogeneidade dos diferentes biomas para a conservação e para a utilização sustentável da 
biodiversidade. 
 15.2.2. Promover campanhas nacionais de valorização da diversidade cultural e dos 
conhecimentos tradicionais sobre a biodiversidade. 
 15.2.3. Promover campanhas junto aos setores produtivos, especialmente os setores 
agropecuário, pesqueiro e de exploração mineral, e ao de pesquisas sobre a importância das 
reservas legais e áreas de preservação permanentes no processo de conservação da 
biodiversidade. 
 15.2.4. Criar novos estímulos, tais como prêmios e concursos, que promovam o 
envolvimento das populações na defesa das espécies ameaçadas e dos biomas submetidos a 
pressão antrópica, levando-se em consideração as especificidades regionais. 
 15.2.5. Promover e apoiar a sensibilização e a capacitação de tomadores de decisão, 
formadores de opinião e do setor empresarial quanto à importância da biodiversidade. 
 15.2.6. Estimular a atuação da sociedade civil organizada para a condução de iniciativas 
em educação ambiental relacionadas à biodiversidade. 
 15.2.7. Divulgar informações sobre conhecimentos tradicionais, inovações e práticas de 
povos indígenas, quilombolas e outras de comunidades locais e sua importância na conservação 
da biodiversidade, quando houver consentimento destes. 
 15.2.8. Sensibilizar povos indígenas, quilombolas e outras comunidades locais sobre a 
importância do conhecimento que detêm sobre a biodiversidade, possibilitando ações de 
conservação, de utilização sustentável da biodiversidade e de repartição dos benefícios 
decorrentes do uso dos conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade. 
 15.2.9. Divulgar a importância da interação entre a gestão da biodiversidade e a saúde 
pública. 
 15.2.10. Promover sensibilização para a gestão da biodiversidade em áreas de uso público. 
 15.2.11. Desenvolver, implementar e divulgar indicadores que permitam avaliar e 
acompanhar a evolução do grau de sensibilização da sociedade quanto à biodiversidade. 
 15.2.12. Promover a integração das ações de fiscalização do meio ambiente com programas 
de educação ambiental, no que se refere à biodiversidade. 
 15.2.13. Promover cursos e treinamentos para jornalistas sobre conceitos de gestão da 
biodiversidade. 
 15.3. Terceira diretriz: Incorporação de temas relativos à conservação e à utilização 
sustentável da biodiversidade na educação. Integração de temas relativos à gestão da 
biodiversidade nos processos de educação. 
 Objetivos Específicos: 
84 
 
 15.3.1. Fortalecer o uso do tema biodiversidade como conteúdo do tema transversal meio 
ambiente proposto por parâmetros e diretrizes curriculares nas políticas de formação continuada 
de professores. 
 15.3.2. Promover articulação entre os órgãos ambientais e as instituições educacionais, 
para atualização contínua das informações sobre a biodiversidade. 
 15.3.3. Introduzir o tema "biodiversidade" nas atividades de extensão comunitária. 
 15.3.4. Incorporar na educação formal os princípios da Convenção sobre Diversidade 
Biológica e da etnobiodiversidade, atendendo ao princípio da educação diferenciada para povos 
indígenas, quilombolas e outras comunidades locais. 
 15.3.5. Estimular parcerias, pesquisas e demais atividades entre universidades, 
organizações não-governamentais, órgãos profissionais e iniciativa privada para o 
aprimoramento contínuo dos profissionais de educação. 
 15.3.6. Promover a formação inicial e continuada dos profissionais de educação ambiental, 
no que se refere à biodiversidade. 
 15.3.7. Promover a capacitação dos técnicos de extensão rural e dos agentes de saúde sobre 
o tema "biodiversidade". 
 15.3.8. Promover iniciativas para articulação das instituições envolvidas com educação 
ambiental (instituições de ensino, de pesquisa, de conservação e da sociedade civil) em uma 
rede de centros de educação ambiental, para tratar do tema "biodiversidade". 
 15.3.9. Estabelecer a integração entre os ministérios e os demais órgãos de governo para a 
articulação das políticas educacionais de gestão da biodiversidade. 
 15.3.10.Fortalecer a Política Nacional de Educação Ambiental. 
Do Componente 7 da Política Nacional da Biodiversidade - Fortalecimento Jurídico e 
Institucional para a Gestão da Biodiversidade. 
 16. Objetivo Geral: Promover meios e condições para o fortalecimento da infra-estrutura 
de pesquisa e gestão, para o acesso à tecnologia e transferência de tecnologia, para a formação e 
fixação de recursos humanos, para mecanismos de financiamento, para a cooperação 
internacional e para a adequação jurídica visando à gestão da biodiversidade e à integração e à 
harmonização de políticas setoriais pertinentes à biodiversidade. 
 16.1. Primeira diretriz: Fortalecimento da infra-estrutura de pesquisa e gestão da 
biodiversidade. Fortalecimento e ampliação da infra-estrutura das instituições brasileiras, 
públicas e privadas, envolvidas com o conhecimento e com a gestão da biodiversidade. 
 Objetivos Específicos: 
 16.1.1. Recuperar a capacidade dos órgãos do Sistema Nacional do Meio Ambiente - 
SISNAMA para executar sua missão em relação ao licenciamento e à fiscalização da 
biodiversidade. 
85 
 
 16.1.2. Aprimorar a definição das competências dos diversos órgãos de governo de forma a 
prevenir eventuais conflitos de competência quando da aplicação da legislação ambiental 
pertinente à biodiversidade. 
 16.1.3. Fortalecer o conjunto de unidades de conservação e sua integração no SISNAMA. 
 16.1.4. Estimular iniciativas para a criação de bases de pesquisa de campo permanente em 
unidades de conservação de proteção integral em cada um dos biomas brasileiros. 
 16.1.5. Promover o fortalecimento da infra-estrutura e a modernização das instituições 
brasileiras envolvidas com o inventário e a caracterização da biodiversidade, tais como coleções 
zoológicas, botânicas e de microrganismos, bancos de germoplasma e núcleos de criação 
animal. 
 16.1.6. Fortalecer instituições científicas com programas de pesquisa, criando, quando 
necessário, centros específicos em cada um dos biomas visando a fortalecer a pesquisa sobre 
recursos biológicos e suas aplicações. 
 16.1.7. Adequar a infra-estrutura das instituições que trabalham com recursos genéticos, 
componentes do patrimônio genético e conhecimentos tradicionais para conservar de forma 
segura, a curto, a médio e em longo prazo, espécies de interesse socioeconômico e as culturas de 
povos indígenas, quilombolas e outras comunidades locais do país. 
 16.1.8. Apoiar programas de pesquisa e de infra-estrutura voltados para o conhecimento 
tradicional de povos indígenas, quilombolas e outras comunidades locais, com a participação 
destes. 
 16.1.9. Apoiar a participação efetiva de especialistas das diferentes regiões do país em 
programas de seqüenciamento genético e outros programas para o desenvolvimento de 
tecnologias a partir da utilização de recursos biológicos. 
 16.1.10. Formalizar e fortalecer centros de referência depositários de organismos 
associados a produtos e processos patenteados no Brasil. 
 16.1.11. Promover a integração de programas e ações da esfera federal, das estaduais e das 
municipais e da sociedade civil organizada, relacionados à pesquisa, à formação de recursos 
humanos, a programas e projetos em áreas relacionadas à biodiversidade. 
 16.1.12. Incentivar a formação e consolidação de redes nacionais de pesquisa, 
desenvolvimento tecnológico e gestão da biodiversidade, como forma de promover e facilitar o 
intercâmbio sobre biodiversidade entre diferentes setores da sociedade. 
 16.1.13. Criar estímulos à gestão da biodiversidade, tais como prêmios a pesquisas e 
projetos de conservação e utilização sustentável. 
 16.1.14. Criar estímulos para organizações não-governamentais que atuam na proteção da 
biodiversidade. 
 16.1.15. Apoiar a criação de centros de documentação especializados para cada um dos 
biomas brasileiros para facilitar a cooperação científica dentro e fora do país. 
86 
 
 16.1.16. Estimular o desenvolvimento de programa de apoio a publicações científicas sobre 
a biodiversidade brasileira, particularmente guias de campo, chaves taxonômicas, catalogação 
eletrônica de floras e faunas, revisões sistemáticas, monografias e estudos etnobiológicos. 
 16.2. Segunda diretriz: Formação e fixação de recursos humanos. Promoção de programas 
de formação, atualização e fixação de recursos humanos, inclusive a capacitação de povos 
indígenas, quilombolas e outras comunidades locais, para a ampliação e o domínio dos 
conhecimentos e das tecnologias necessárias à gestão da biodiversidade. 
 Objetivos Específicos: 
 16.2.1. Instituir programas de formação, atualização e fixação de recursos humanos em 
instituições voltadas para o inventário, a caracterização, a classificação e a gestão da 
biodiversidade dos diversos biomas do país. 
 16.2.2. Reduzir as disparidades regionais, estimulando a capacitação humana e 
institucional em gestão da biodiversidade, inclusive em biotecnologia, promovendo a criação de 
mecanismos diferenciados para a contratação imediata nas instituições de ensino e pesquisa em 
regiões carentes e realizando a fixação de profissionais envolvidos com a capacitação em 
pesquisa e gestão da biodiversidade. 
 16.2.3. Fortalecer a pós-graduação ou os programas de doutorado em instituições de 
pesquisa nos temas relacionados aos objetivos da Convenção sobre Diversidade Biológica. 
 16.2.4. Apoiar a capacitação e a atualização de povos indígenas, quilombolas e outras 
comunidades locais quanto à gestão da biodiversidade, especialmente para agregação de valor e 
comercialização de produtos da biodiversidade derivados de técnicas tradicionais sustentáveis. 
 16.2.5. Apoiar formação ou aperfeiçoamento em gestão da biodiversidade de técnicos que 
atuem em projetos ou empreendimentos com potencial impacto ambiental. 
 16.2.6. Apoiar iniciativas de ensino a distância em áreas relacionadas à biodiversidade. 
 16.2.7. Promover a ampla divulgação dos termos da legislação de acesso aos recursos 
genéticos, aos componentes do patrimônio genético e aos conhecimentos tradicionais associados 
junto aos setores relacionados a esta temática. 
 16.2.8. Promover cursos e treinamentos para servidores públicos, inclusive juízes, 
membros do Ministério Público, polícia federal, civil e militar nos campos de gestão e proteção 
da biodiversidade. 
 16.2.9. Promover e apoiar a formação de recursos humanos voltados para o 
desenvolvimento e a disseminação de redes de informação sobre biodiversidade. 
 16.2.10. Capacitar pessoal para a gestão da biodiversidade em unidades de conservação. 
 16.2.11. Promover eventos regionais para os povos indígenas, quilombolas e outras 
comunidades locais com o objetivo de divulgar e esclarecer os termos da legislação de acesso a 
recursos genéticos, e capacitar agentes locais. 
 16.2.12. Estimular a cooperação entre governo, universidades, centros de pesquisa, setor 
privado e organizações da sociedade civil na elaboração de modelos de gestão da 
biodiversidade. 
87 
 
 16.2.13. Apoiar a cooperação entre o setor público e o privado para formação e fixação de 
recursos humanos voltados para o desempenho de atividades de pesquisa em gestão da 
biodiversidade, especialmente no que tange à utilização de recursos biológicos, manutenção e 
utilização dos bancos de germoplasma. 
 16.3. Terceira diretriz: Acesso à tecnologia e transferência de tecnologia. Promoção do 
acesso à tecnologia e da transferência de tecnologia científica nacional e internacional sobre a 
gestão da biodiversidadebrasileira. 
 Objetivos Específicos: 
 16.3.1. Criar e apoiar programas que promovam a transferência e a difusão de tecnologias 
em gestão da biodiversidade. 
 16.3.2. Apoiar o intercâmbio de conhecimentos e tecnologias em temas selecionados e em 
áreas definidas como prioritárias para a gestão da biodiversidade, inclusive com centros de 
referência internacionais e estrangeiros. 
 16.3.3. Estabelecer mecanismos facilitadores do processo de intercâmbio e geração de 
conhecimento biotecnológico com seus potenciais usuários, resguardados os direitos sobre a 
propriedade intelectual. 
 16.3.4. Promover o aperfeiçoamento do arcabouço legal brasileiro no que diz respeito ao 
acesso à tecnologia e à transferência de tecnologias. 
 16.3.5. Estabelecer iniciativa nacional para disseminar o uso de tecnologias de domínio 
público úteis à gestão da biodiversidade. 
 16.3.6. Implantar unidades demonstrativas de utilização de tecnologias para conservação e 
utilização sustentável da biodiversidade. 
 16.3.7. Promover a cooperação para a certificação de tecnologias transferidas dos países 
desenvolvidos para o país. 
 16.3.8. Definir e implementar normas e procedimentos para o intercâmbio de tecnologias 
de utilização de recursos genéticos e biológicos, com transparência e assegurando os interesses 
nacionais, da comunidade acadêmica e dos povos indígenas, quilombolas e outras das 
comunidades locais. 
 16.4. Quarta diretriz: Mecanismos de financiamento. Integração, desenvolvimento e 
fortalecimento de mecanismos de financiamento da gestão da biodiversidade. 
 Objetivos Específicos: 
 16.4.1. Fortalecer os fundos existentes de financiamento para a gestão da biodiversidade. 
 16.4.2. Estimular a criação de fundos de investimentos para a gestão da biodiversidade, 
incentivando inclusive a participação do setor empresarial. 
 16.4.3. Apoiar estudo para a criação de um fundo fiduciário ou outros mecanismos 
equivalentes, capazes de garantir a estabilidade financeira para implementação e manutenção de 
unidades de conservação, inclusive para regularização fundiária. 
88 
 
 16.4.4. Estimular a criação de fundos ou outros mecanismos, geridos de forma participativa 
por povos indígenas, quilombolas e outras comunidades locais, que promovam a repartição justa 
e eqüitativa de benefícios, monetários ou não, decorrentes do acesso aos recursos genéticos, aos 
componentes do patrimônio genético e aos conhecimentos tradicionais associados. 
 16.4.5. Fortalecer a atuação em prol da biodiversidade dos órgãos estaduais de fomento à 
pesquisa em todos os estados. 
 16.4.6. Promover mecanismos que visem a assegurar a previsão e a aplicação de recursos 
orçamentários bem como de outras fontes para a gestão da biodiversidade. 
 16.4.7. Estimular a criação de linhas de financiamento por parte dos órgãos de fomento à 
pesquisa, direcionadas à implementação dos planos de pesquisa e à gestão da biodiversidade em 
unidades de conservação e em seu entorno. 
 16.4.8. Estimular a criação de linhas de financiamento para empreendimentos cooperativos 
e para pequenos e médios produtores rurais que usem os recursos da biodiversidade de forma 
sustentável. 
 16.4.9. Estimular a participação do setor privado em investimentos na gestão da 
biodiversidade do país. 
 16.4.10. Estimular a criação de mecanismos econômicos e fiscais que incentivem o setor 
empresarial a investir no inventário e na pesquisa sobre conservação e utilização sustentável da 
biodiversidade do país, em parceria com instituições de pesquisa e setor público. 
 16.4.11. Fomentar mediante incentivos econômicos, a conservação e a utilização 
sustentável da biodiversidade nas áreas sob domínio privado. 
 16.5. Quinta diretriz: Cooperação internacional. Promoção da cooperação internacional 
relativa à gestão da biodiversidade, com o fortalecimento de atos jurídicos internacionais. 
 Objetivos Específicos: 
 16.5.1. Fortalecer a preparação e a participação de delegações brasileiras em negociações 
internacionais relacionadas aos temas da biodiversidade. 
 16.5.2. Promover a implementação de acordos e convenções internacionais relacionados 
com a gestão da biodiversidade, com atenção especial para a Convenção sobre Diversidade 
Biológica e seus programas e iniciativas. 
 16.5.3. Estabelecer sinergias visando à implementação das convenções ambientais 
assinadas pelo país. 
 16.5.4. Apoiar a negociação de acordos e convênios, justos e com benefícios para o país, 
para o intercâmbio de conhecimentos e transferências de tecnologia com centros de pesquisa 
internacionais e estrangeiros. 
 16.5.5. Fortalecer a cooperação internacional em pesquisas, programas e projetos 
relacionados com o conhecimento e com a gestão da biodiversidade, e agregação de valor aos 
seus componentes, em conformidade com as diretrizes do Componente 5. 
89 
 
 16.5.6. Apoiar a participação dos centros de pesquisa nacionais em redes internacionais de 
pesquisa, desenvolvimento de tecnologias e programas relacionados ao conhecimento e à gestão 
da biodiversidade. 
 16.5.7. Identificar e estimular a utilização de mecanismos constantes de acordos 
internacionais que possam beneficiar a conservação e a utilização sustentável da biodiversidade, 
incluindo a utilização do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. 
 16.6. Sexta diretriz: Fortalecimento do marco-legal e integração de políticas 
setoriais. Promoção de ações visando ao fortalecimento da legislação brasileira sobre a 
biodiversidade e da articulação, da integração e da harmonização de políticas setoriais. 
 Objetivos Específicos: 
 16.6.1. Promover o levantamento e a avaliação de todo o quadro normativo relativo à 
biodiversidade no Brasil, com vistas em propor a adequação para a gestão da biodiversidade. 
 16.6.2. Consolidar a legislação brasileira sobre a biodiversidade. 
 16.6.3. Promover a articulação, a integração e a harmonização de políticas setoriais 
relevantes para a conservação da biodiversidade, a utilização sustentável de seus componentes e 
a repartição de benefícios derivados da utilização de recursos genéticos, de componentes do 
patrimônio genético e de conhecimento tradicional associado. 
 17. ARCABOUÇO JURÍDICO INSTITUCIONAL 
 17.1. Muitas iniciativas institucionais em andamento no Brasil têm relação com os 
propósitos da Convenção sobre Diversidade Biológica - CDB e com as diretrizes e objetivos 
desta Política Nacional da Biodiversidade. Planos, políticas e programas setoriais necessitam de 
ser integrados, de forma a evitar-se a duplicação ou o conflito entre ações. A Política Nacional 
da Biodiversidade requer que mecanismos participativos sejam fortalecidos ou criados para que 
se articule a ação da sociedade em prol dos objetivos da CDB. A implementação desta política 
depende da atuação de diversos setores e ministérios do Governo Federal, segundo suas 
competências legais, bem como dos Governos Estaduais, do Distrito Federal, dos Governos 
Municipais e da sociedade civil. 
 17.2. Tendo em vista o conjunto de atores e políticas públicas que, direta ou indiretamente, 
guardam interesse com a gestão da biodiversidade e, portanto, com os compromissos assumidos 
pelo Brasil na implementação da CDB, é necessário que a implementação da Política propicie a 
criação ou o fortalecimento de arranjos institucionais que assegurem legitimidade e 
sustentabilidade no cumprimento dos objetivos da CDB, no que se refere à conservação e à 
utilização sustentável da biodiversidadee à repartição justa e eqüitativa dos benefícios 
decorrentes de sua utilização. 
 17.3. Na implementação da Política Nacional da Biodiversidade, caberá ao Ministério do 
Meio Ambiente: 
 a) articular as ações da Política Nacional da Biodiversidade no âmbito do SISNAMA e 
junto aos demais setores do governo e da sociedade; 
 b) acompanhar e avaliar a execução dos componentes da Política Nacional da 
Biodiversidade e elaborar relatórios nacionais sobre biodiversidade; 
90 
 
 c) monitorar, inclusive com indicadores, a execução das ações previstas na Política 
Nacional da Biodiversidade; 
 d) formular e implementar programas e projetos em apoio à execução das ações previstas 
na Política Nacional da Biodiversidade e propor e negociar recursos financeiros; 
 e) articular-se com os demais ministérios afetos aos temas tratados para a elaboração e 
encaminhamento de propostas de criação ou modificação de instrumentos legais necessários à 
boa execução da Política Nacional da Biodiversidade; 
 f) promover a integração de políticas setoriais para aumentar a sinergia na implementação 
de ações direcionadas à gestão sustentável da biodiversidade (conservação, utilização 
sustentável e repartição de benefícios), evitando que estas sejam conflituosas; e 
 g) estimular a cooperação interinstitucional e internacional para a melhoria da 
implementação das ações de gestão da biodiversidade. 
 17.4. A implementação da Política Nacional da Biodiversidade requer instância colegiada 
que busque o cumprimento dos interesses dessa Política Nacional da Biodiversidade junto ao 
governo federal, zele pela descentralização da execução das ações e vise assegurar a 
participação dos setores interessados. 
 17.5. Buscará, igualmente, essa instância colegiada cuidar para que os princípios e os 
objetivos da Política Nacional da Biodiversidade sejam cumpridos, prestando assistência técnica 
em apoio aos agentes públicos e privados responsáveis pela execução de seus componentes no 
território nacional. 
 17.6. O Ministério do Meio Ambiente, por intermédio do Programa Nacional da 
Diversidade Biológica - Pronabio, instituído pelo Decreto n
o
 1.354, de 29 de dezembro de 1994, 
coordenará a implementação da Política Nacional da Biodiversidade, mediante a promoção da 
parceria entre o Poder Público e a sociedade civil para o conhecimento, a conservação da 
biodiversidade, a utilização sustentável de seus componentes e a repartição justa e eqüitativa dos 
benefícios derivados de sua utilização. 
 
DECRETO Nº 2.519/1998 
 
 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, inciso 
VIII, da Constituição, 
 CONSIDERANDO que a Convenção sobre Diversidade Biológica foi assinada pelo 
Governo brasileiro no Rio de Janeiro, em 05 de junho de 1992; 
 CONSIDERANDO que o ato multilateral em epígrafe foi oportunamente submetido ao 
Congresso Nacional, que o aprovou por meio do Decreto Legislativo nº 02, de 03 de fevereiro 
de 1994; 
 CONSIDERANDO que Convenção em tela entrou em vigor internacional em 29 de 
dezembro de 1993; 
91 
 
 CONSIDERANDO que o Governo brasileiro depositou o instrumento de ratificação da 
Convenção em 28 de fevereiro de 1994, passando a mesma a vigorar, para o Brasil, em 29 de 
maio de 1994, na forma de seu artigo 36, 
 DECRETA: 
 Art. 1º A Convenção sobre Diversidade Biológica, assinada no Rio de Janeiro, em 05 de 
junho de 1992, apensa por cópia ao presente Decreto, deverá ser executada tão inteiramente 
como nela se contém. 
 Art. 2º O presente Decreto entra em vigor na data de sua publicação. 
 Brasília, 16 de março de 1998; 177º da Independência e 110º da República. 
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO 
Luiz Felipe Lampreia 
 
 
ACESSO AO PATRIMÔNIO GENÉTICO, MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.186-16/2001 
 
 
Regulamenta o inciso II do § 1
o
 e o § 4
o
 do art. 225 
da Constituição, os arts. 1
o
, 8
o
, alínea "j", 10, alínea 
"c", 15 e 16, alíneas 3 e 4 da Convenção sobre 
Diversidade Biológica, dispõe sobre o acesso ao 
patrimônio genético, a proteção e o acesso ao 
conhecimento tradicional associado, a repartição de 
benefícios e o acesso à tecnologia e transferência de 
tecnologia para sua conservação e utilização, e dá 
outras providências. 
 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 62 da 
Constituição, adota a seguinte Medida Provisória, com força de lei: 
CAPÍTULO I 
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS 
 Art. 1
o
 Esta Medida Provisória dispõe sobre os bens, os direitos e as obrigações relativos: 
 I - ao acesso a componente do patrimônio genético existente no território nacional, na 
plataforma continental e na zona econômica exclusiva para fins de pesquisa científica, 
desenvolvimento tecnológico ou bioprospecção; 
 II - ao acesso ao conhecimento tradicional associado ao patrimônio genético, relevante à 
conservação da diversidade biológica, à integridade do patrimônio genético do País e à 
utilização de seus componentes; 
 III - à repartição justa e eqüitativa dos benefícios derivados da exploração de componente 
do patrimônio genético e do conhecimento tradicional associado; e 
92 
 
 IV - ao acesso à tecnologia e transferência de tecnologia para a conservação e a utilização 
da diversidade biológica. 
 § 1
o
 O acesso a componente do patrimônio genético para fins de pesquisa científica, 
desenvolvimento tecnológico ou bioprospecção far-se-á na forma desta Medida Provisória, sem 
prejuízo dos direitos de propriedade material ou imaterial que incidam sobre o componente do 
patrimônio genético acessado ou sobre o local de sua ocorrência. 
 § 2
o
 O acesso a componente do patrimônio genético existente na plataforma continental 
observará o disposto na Lei n
o
 8.617, de 4 de janeiro de 1993. 
 Art. 2
o
 O acesso ao patrimônio genético existente no País somente será feito mediante 
autorização da União e terá o seu uso, comercialização e aproveitamento para quaisquer fins 
submetidos à fiscalização, restrições e repartição de benefícios nos termos e nas condições 
estabelecidos nesta Medida Provisória e no seu regulamento. 
 Art. 3
o
 Esta Medida Provisória não se aplica ao patrimônio genético humano. 
 Art. 4
o
 É preservado o intercâmbio e a difusão de componente do patrimônio genético e do 
conhecimento tradicional associado praticado entre si por comunidades indígenas e 
comunidades locais para seu próprio benefício e baseados em prática costumeira. 
 Art. 5
o
 É vedado o acesso ao patrimônio genético para práticas nocivas ao meio ambiente 
e à saúde humana e para o desenvolvimento de armas biológicas e químicas. 
 Art. 6
o
 A qualquer tempo, existindo evidência científica consistente de perigo de dano 
grave e irreversível à diversidade biológica, decorrente de atividades praticadas na forma desta 
Medida Provisória, o Poder Público, por intermédio do Conselho de Gestão do Patrimônio 
Genético, previsto no art. 10, com base em critérios e parecer técnico, determinará medidas 
destinadas a impedir o dano, podendo, inclusive, sustar a atividade, respeitada a competência do 
órgão responsável pela biossegurança de organismos geneticamente modificados. 
CAPÍTULO II 
DAS DEFINIÇÕES 
 Art. 7
o
 Além dos conceitos e das definições constantes da Convenção sobre Diversidade 
Biológica, considera-se para os fins desta Medida Provisória: 
 I - patrimônio genético: informação de origem genética, contida em amostras do todo ou de 
parte de espécime vegetal,fúngico, microbiano ou animal, na forma de moléculas e substâncias 
provenientes do metabolismo destes seres vivos e de extratos obtidos destes organismos vivos 
ou mortos, encontrados em condições in situ, inclusive domesticados, ou mantidos em coleções 
ex situ, desde que coletados em condições in situ no território nacional, na plataforma 
continental ou na zona econômica exclusiva; 
 II - conhecimento tradicional associado: informação ou prática individual ou coletiva de 
comunidade indígena ou de comunidade local, com valor real ou potencial, associada ao 
patrimônio genético; 
 III - comunidade local: grupo humano, incluindo remanescentes de comunidades de 
quilombos, distinto por suas condições culturais, que se organiza, tradicionalmente, por 
gerações sucessivas e costumes próprios, e que conserva suas instituições sociais e econômicas; 
93 
 
 IV - acesso ao patrimônio genético: obtenção de amostra de componente do patrimônio 
genético para fins de pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico ou bioprospecção, 
visando a sua aplicação industrial ou de outra natureza; 
 V - acesso ao conhecimento tradicional associado: obtenção de informação sobre 
conhecimento ou prática individual ou coletiva, associada ao patrimônio genético, de 
comunidade indígena ou de comunidade local, para fins de pesquisa científica, desenvolvimento 
tecnológico ou bioprospecção, visando sua aplicação industrial ou de outra natureza; 
 VI - acesso à tecnologia e transferência de tecnologia: ação que tenha por objetivo o 
acesso, o desenvolvimento e a transferência de tecnologia para a conservação e a utilização da 
diversidade biológica ou tecnologia desenvolvida a partir de amostra de componente do 
patrimônio genético ou do conhecimento tradicional associado; 
 VII - bioprospecção: atividade exploratória que visa identificar componente do patrimônio 
genético e informação sobre conhecimento tradicional associado, com potencial de uso 
comercial; 
 VIII - espécie ameaçada de extinção: espécie com alto risco de desaparecimento na 
natureza em futuro próximo, assim reconhecida pela autoridade competente; 
 IX - espécie domesticada: aquela em cujo processo de evolução influiu o ser humano para 
atender às suas necessidades; 
 X - Autorização de Acesso e de Remessa: documento que permite, sob condições 
específicas, o acesso a amostra de componente do patrimônio genético e sua remessa à 
instituição destinatária e o acesso a conhecimento tradicional associado; 
 XI - Autorização Especial de Acesso e de Remessa: documento que permite, sob condições 
específicas, o acesso a amostra de componente do patrimônio genético e sua remessa à 
instituição destinatária e o acesso a conhecimento tradicional associado, com prazo de duração 
de até dois anos, renovável por iguais períodos; 
 XII - Termo de Transferência de Material: instrumento de adesão a ser firmado pela 
instituição destinatária antes da remessa de qualquer amostra de componente do patrimônio 
genético, indicando, quando for o caso, se houve acesso a conhecimento tradicional associado; 
 XIII - Contrato de Utilização do Patrimônio Genético e de Repartição de Benefícios: 
instrumento jurídico multilateral, que qualifica as partes, o objeto e as condições de acesso e de 
remessa de componente do patrimônio genético e de conhecimento tradicional associado, bem 
como as condições para repartição de benefícios; 
 XIV - condição ex situ: manutenção de amostra de componente do patrimônio genético 
fora de seu habitat natural, em coleções vivas ou mortas. 
CAPÍTULO III 
DA PROTEÇÃO AO CONHECIMENTO TRADICIONAL ASSOCIADO 
 Art. 8
o
 Fica protegido por esta Medida Provisória o conhecimento tradicional das 
comunidades indígenas e das comunidades locais, associado ao patrimônio genético, contra a 
utilização e exploração ilícita e outras ações lesivas ou não autorizadas pelo Conselho de Gestão 
de que trata o art. 10, ou por instituição credenciada. 
94 
 
 § 1
o
 O Estado reconhece o direito das comunidades indígenas e das comunidades locais 
para decidir sobre o uso de seus conhecimentos tradicionais associados ao patrimônio genético 
do País, nos termos desta Medida Provisória e do seu regulamento. 
 § 2
o
 O conhecimento tradicional associado ao patrimônio genético de que trata esta 
Medida Provisória integra o patrimônio cultural brasileiro e poderá ser objeto de cadastro, 
conforme dispuser o Conselho de Gestão ou legislação específica. 
 § 3
o
 A proteção outorgada por esta Medida Provisória não poderá ser interpretada de modo 
a obstar a preservação, a utilização e o desenvolvimento de conhecimento tradicional de 
comunidade indígena ou comunidade local. 
 § 4
o
 A proteção ora instituída não afetará, prejudicará ou limitará direitos relativos à 
propriedade intelectual. 
 Art. 9
o
 À comunidade indígena e à comunidade local que criam, desenvolvem, detêm ou 
conservam conhecimento tradicional associado ao patrimônio genético, é garantido o direito de: 
 I - ter indicada a origem do acesso ao conhecimento tradicional em todas as publicações, 
utilizações, explorações e divulgações; 
 II - impedir terceiros não autorizados de: 
 a) utilizar, realizar testes, pesquisas ou exploração, relacionados ao conhecimento 
tradicional associado; 
 b) divulgar, transmitir ou retransmitir dados ou informações que integram ou constituem 
conhecimento tradicional associado; 
 III - perceber benefícios pela exploração econômica por terceiros, direta ou indiretamente, 
de conhecimento tradicional associado, cujos direitos são de sua titularidade, nos termos desta 
Medida Provisória. 
 Parágrafo único. Para efeito desta Medida Provisória, qualquer conhecimento tradicional 
associado ao patrimônio genético poderá ser de titularidade da comunidade, ainda que apenas 
um indivíduo, membro dessa comunidade, detenha esse conhecimento. 
CAPÍTULO IV 
DAS COMPETÊNCIAS E ATRIBUIÇÕES INSTITUCIONAIS 
 Art. 10. Fica criado, no âmbito do Ministério do Meio Ambiente, o Conselho de Gestão do 
Patrimônio Genético, de caráter deliberativo e normativo, composto de representantes de órgãos 
e de entidades da Administração Pública Federal que detêm competência sobre as diversas 
ações de que trata esta Medida Provisória. 
 § 1
o
 O Conselho de Gestão será presidido pelo representante do Ministério do Meio 
Ambiente. 
 § 2
o
 O Conselho de Gestão terá sua composição e seu funcionamento dispostos no 
regulamento. 
 Art. 11. Compete ao Conselho de Gestão: 
95 
 
 I - coordenar a implementação de políticas para a gestão do patrimônio genético; 
 II - estabelecer: 
 a) normas técnicas; 
 b) critérios para as autorizações de acesso e de remessa; 
 c) diretrizes para elaboração do Contrato de Utilização do Patrimônio Genético e de 
Repartição de Benefícios; 
 d) critérios para a criação de base de dados para o registro de informação sobre 
conhecimento tradicional associado; 
 III - acompanhar, em articulação com órgãos federais, ou mediante convênio com outras 
instituições, as atividades de acesso e de remessa de amostra de componente do patrimônio 
genético e de acesso a conhecimento tradicional associado; 
 IV - deliberar sobre: 
 a) autorização de acesso e de remessa de amostra de componente do patrimônio genético, 
mediante anuência prévia de seu titular; 
 b) autorização de acesso a conhecimento tradicional associado, mediante anuência prévia 
de seu titular; 
 c)autorização especial de acesso e de remessa de amostra de componente do patrimônio 
genético à instituição nacional, pública ou privada, que exerça atividade de pesquisa e 
desenvolvimento nas áreas biológicas e afins, e à universidade nacional, pública ou privada, 
com prazo de duração de até dois anos, renovável por iguais períodos, nos termos do 
regulamento; 
 d) autorização especial de acesso a conhecimento tradicional associado à instituição 
nacional, pública ou privada, que exerça atividade de pesquisa e desenvolvimento nas áreas 
biológicas e afins, e à universidade nacional, pública ou privada, com prazo de duração de até 
dois anos, renovável por iguais períodos, nos termos do regulamento; 
 e) credenciamento de instituição pública nacional de pesquisa e desenvolvimento ou de 
instituição pública federal de gestão para autorizar outra instituição nacional, pública ou 
privada, que exerça atividade de pesquisa e desenvolvimento nas áreas biológicas e afins: 
 1. a acessar amostra de componente do patrimônio genético e de conhecimento tradicional 
associado; 
 2. a remeter amostra de componente do patrimônio genético para instituição nacional, 
pública ou privada, ou para instituição sediada no exterior; 
 f) credenciamento de instituição pública nacional para ser fiel depositária de amostra de 
componente do patrimônio genético; 
 V - dar anuência aos Contratos de Utilização do Patrimônio Genético e de Repartição de 
Benefícios quanto ao atendimento dos requisitos previstos nesta Medida Provisória e no seu 
regulamento; 
96 
 
 VI - promover debates e consultas públicas sobre os temas de que trata esta Medida 
Provisória; 
 VII - funcionar como instância superior de recurso em relação a decisão de instituição 
credenciada e dos atos decorrentes da aplicação desta Medida Provisória; 
 VIII - aprovar seu regimento interno. 
 § 1
o
 Das decisões do Conselho de Gestão caberá recurso ao plenário, na forma do 
regulamento. 
 § 2
o
 O Conselho de Gestão poderá organizar-se em câmaras temáticas, para subsidiar 
decisões do plenário. 
 Art. 12. A atividade de coleta de componente do patrimônio genético e de acesso a 
conhecimento tradicional associado, que contribua para o avanço do conhecimento e que não 
esteja associada à bioprospecção, quando envolver a participação de pessoa jurídica estrangeira, 
será autorizada pelo órgão responsável pela política nacional de pesquisa científica e 
tecnológica, observadas as determinações desta Medida Provisória e a legislação vigente. 
 Parágrafo único. A autorização prevista no caput deste artigo observará as normas 
técnicas definidas pelo Conselho de Gestão, o qual exercerá supervisão dessas atividades. 
 Art. 13. Compete ao Presidente do Conselho de Gestão firmar, em nome da União, 
Contrato de Utilização do Patrimônio Genético e de Repartição de Benefícios. 
 § 1
o
 Mantida a competência de que trata o caput deste artigo, o Presidente do Conselho de 
Gestão subdelegará ao titular de instituição pública federal de pesquisa e desenvolvimento ou 
instituição pública federal de gestão a competência prevista no caput deste artigo, conforme sua 
respectiva área de atuação. 
 § 2
o
 Quando a instituição prevista no parágrafo anterior for parte interessada no contrato, 
este será firmado pelo Presidente do Conselho de Gestão. 
 Art. 14. Caberá à instituição credenciada de que tratam os números 1 e 2 da alínea "e" do 
inciso IV do art. 11 desta Medida Provisória uma ou mais das seguintes atribuições, observadas 
as diretrizes do Conselho de Gestão: 
 I - analisar requerimento e emitir, a terceiros, autorização: 
 a) de acesso a amostra de componente do patrimônio genético existente em condições in 
situ no território nacional, na plataforma continental e na zona econômica exclusiva, mediante 
anuência prévia de seus titulares; 
 b) de acesso a conhecimento tradicional associado, mediante anuência prévia dos titulares 
da área; 
 c) de remessa de amostra de componente do patrimônio genético para instituição nacional, 
pública ou privada, ou para instituição sediada no exterior; 
 II - acompanhar, em articulação com órgãos federais, ou mediante convênio com outras 
instituições, as atividades de acesso e de remessa de amostra de componente do patrimônio 
genético e de acesso a conhecimento tradicional associado; 
97 
 
 III - criar e manter: 
 a) cadastro de coleções ex situ, conforme previsto no art. 18 desta Medida Provisória; 
 b) base de dados para registro de informações obtidas durante a coleta de amostra de 
componente do patrimônio genético; 
 c) base de dados relativos às Autorizações de Acesso e de Remessa, aos Termos de 
Transferência de Material e aos Contratos de Utilização do Patrimônio Genético e de Repartição 
de Benefícios, na forma do regulamento; 
 IV - divulgar, periodicamente, lista das Autorizações de Acesso e de Remessa, dos Termos 
de Transferência de Material e dos Contratos de Utilização do Patrimônio Genético e de 
Repartição de Benefícios; 
 V - acompanhar a implementação dos Termos de Transferência de Material e dos 
Contratos de Utilização do Patrimônio Genético e de Repartição de Benefícios referente aos 
processos por ela autorizados. 
 § 1
o
 A instituição credenciada deverá, anualmente, mediante relatório, dar conhecimento 
pleno ao Conselho de Gestão sobre a atividade realizada e repassar cópia das bases de dados à 
unidade executora prevista no art. 15. 
 § 2
o
 A instituição credenciada, na forma do art. 11, deverá observar o cumprimento das 
disposições desta Medida Provisória, do seu regulamento e das decisões do Conselho de Gestão, 
sob pena de seu descredenciamento, ficando, ainda, sujeita à aplicação, no que couber, das 
penalidades previstas no art. 30 e na legislação vigente. 
 Art. 15. Fica autorizada a criação, no âmbito do Ministério do Meio Ambiente, de unidade 
executora que exercerá a função de secretaria executiva do Conselho de Gestão, de que trata o 
art. 10 desta Medida Provisória, com as seguintes atribuições, dentre outras: 
 I - implementar as deliberações do Conselho de Gestão; 
 II - dar suporte às instituições credenciadas; 
 III - emitir, de acordo com deliberação do Conselho de Gestão e em seu nome: 
 a) Autorização de Acesso e de Remessa; 
 b) Autorização Especial de Acesso e de Remessa; 
 IV - acompanhar, em articulação com os demais órgãos federais, as atividades de acesso e 
de remessa de amostra de componente do patrimônio genético e de acesso a conhecimento 
tradicional associado; 
 V - credenciar, de acordo com deliberação do Conselho de Gestão e em seu nome, 
instituição pública nacional de pesquisa e desenvolvimento ou instituição pública federal de 
gestão para autorizar instituição nacional, pública ou privada: 
 a) a acessar amostra de componente do patrimônio genético e de conhecimento tradicional 
associado; 
98 
 
 b) a enviar amostra de componente do patrimônio genético para instituição nacional, 
pública ou privada, ou para instituição sediada no exterior, respeitadas as exigências do art. 19 
desta Medida Provisória; 
 VI - credenciar, de acordo com deliberação do Conselho de Gestão e em seu nome, 
instituição pública nacional para ser fiel depositária de amostra de componente do patrimônio 
genético; 
 VII - registrar os Contratos de Utilização do Patrimônio Genético e de Repartição de 
Benefícios, após anuência do Conselho de Gestão;VIII - divulgar lista de espécies de intercâmbio facilitado constantes de acordos 
internacionais, inclusive sobre segurança alimentar, dos quais o País seja signatário, de acordo 
com o § 2
o
 do art. 19 desta Medida Provisória; 
 IX - criar e manter: 
 a) cadastro de coleções ex situ, conforme previsto no art. 18; 
 b) base de dados para registro de informações obtidas durante a coleta de amostra de 
componente do patrimônio genético; 
 c) base de dados relativos às Autorizações de Acesso e de Remessa, aos Termos de 
Transferência de Material e aos Contratos de Utilização do Patrimônio Genético e de Repartição 
de Benefícios; 
 X - divulgar, periodicamente, lista das Autorizações de Acesso e de Remessa, dos Termos 
de Transferência de Material e dos Contratos de Utilização do Patrimônio Genético e de 
Repartição de Benefícios. 
CAPÍTULO V 
DO ACESSO E DA REMESSA 
 Art. 16. O acesso a componente do patrimônio genético existente em condições in situ no 
território nacional, na plataforma continental e na zona econômica exclusiva, e ao conhecimento 
tradicional associado far-se-á mediante a coleta de amostra e de informação, respectivamente, e 
somente será autorizado a instituição nacional, pública ou privada, que exerça atividades de 
pesquisa e desenvolvimento nas áreas biológicas e afins, mediante prévia autorização, na forma 
desta Medida Provisória. 
 § 1
o
 O responsável pela expedição de coleta deverá, ao término de suas atividades em cada 
área acessada, assinar com o seu titular ou representante declaração contendo listagem do 
material acessado, na forma do regulamento. 
 § 2
o
 Excepcionalmente, nos casos em que o titular da área ou seu representante não for 
identificado ou localizado por ocasião da expedição de coleta, a declaração contendo listagem 
do material acessado deverá ser assinada pelo responsável pela expedição e encaminhada ao 
Conselho de Gestão. 
 § 3
o
 Sub-amostra representativa de cada população componente do patrimônio genético 
acessada deve ser depositada em condição ex situ em instituição credenciada como fiel 
99 
 
depositária, de que trata a alínea "f" do inciso IV do art. 11 desta Medida Provisória, na forma 
do regulamento. 
 § 4
o
 Quando houver perspectiva de uso comercial, o acesso a amostra de componente do 
patrimônio genético, em condições in situ, e ao conhecimento tradicional associado só poderá 
ocorrer após assinatura de Contrato de Utilização do Patrimônio Genético e de Repartição de 
Benefícios. 
 § 5
o
 Caso seja identificado potencial de uso econômico, de produto ou processo, passível 
ou não de proteção intelectual, originado de amostra de componente do patrimônio genético e 
de informação oriunda de conhecimento tradicional associado, acessado com base em 
autorização que não estabeleceu esta hipótese, a instituição beneficiária obriga-se a comunicar 
ao Conselho de Gestão ou a instituição onde se originou o processo de acesso e de remessa, para 
a formalização de Contrato de Utilização do Patrimônio Genético e de Repartição de Benefícios. 
 § 6
o
 A participação de pessoa jurídica estrangeira em expedição para coleta de amostra de 
componente do patrimônio genético in situ e para acesso de conhecimento tradicional associado 
somente será autorizada quando em conjunto com instituição pública nacional, ficando a 
coordenação das atividades obrigatoriamente a cargo desta última e desde que todas as 
instituições envolvidas exerçam atividades de pesquisa e desenvolvimento nas áreas biológicas 
e afins. 
 § 7
o
 A pesquisa sobre componentes do patrimônio genético deve ser realizada 
preferencialmente no território nacional. 
 § 8
o
 A Autorização de Acesso e de Remessa de amostra de componente do patrimônio 
genético de espécie de endemismo estrito ou ameaçada de extinção dependerá da anuência 
prévia do órgão competente. 
 § 9
o
 A Autorização de Acesso e de Remessa dar-se-á após a anuência prévia: 
 I - da comunidade indígena envolvida, ouvido o órgão indigenista oficial, quando o acesso 
ocorrer em terra indígena; 
 II - do órgão competente, quando o acesso ocorrer em área protegida; 
 III - do titular de área privada, quando o acesso nela ocorrer; 
 IV - do Conselho de Defesa Nacional, quando o acesso se der em área indispensável à 
segurança nacional; 
 V - da autoridade marítima, quando o acesso se der em águas jurisdicionais brasileiras, na 
plataforma continental e na zona econômica exclusiva. 
 § 10. O detentor de Autorização de Acesso e de Remessa de que tratam os incisos I a V do 
§ 9
o
 deste artigo fica responsável a ressarcir o titular da área por eventuais danos ou prejuízos, 
desde que devidamente comprovados. 
 § 11. A instituição detentora de Autorização Especial de Acesso e de Remessa 
encaminhará ao Conselho de Gestão as anuências de que tratam os §§ 8º e 9º deste artigo antes 
ou por ocasião das expedições de coleta a serem efetuadas durante o período de vigência da 
Autorização, cujo descumprimento acarretará o seu cancelamento. 
10
0 
 
 Art. 17. Em caso de relevante interesse público, assim caracterizado pelo Conselho de 
Gestão, o ingresso em área pública ou privada para acesso a amostra de componente do 
patrimônio genético dispensará anuência prévia dos seus titulares, garantido a estes o disposto 
nos arts. 24 e 25 desta Medida Provisória. 
 § 1
o
 No caso previsto no caput deste artigo, a comunidade indígena, a comunidade local 
ou o proprietário deverá ser previamente informado. 
 § 2
o
 Em se tratando de terra indígena, observar-se-á o disposto no § 6
o
 do art. 231 da 
Constituição Federal. 
 Art. 18. A conservação ex situ de amostra de componente do patrimônio genético deve ser 
realizada no território nacional, podendo, suplementarmente, a critério do Conselho de Gestão, 
ser realizada no exterior. 
 § 1
o
 As coleções ex situ de amostra de componente do patrimônio genético deverão ser 
cadastradas junto à unidade executora do Conselho de Gestão, conforme dispuser o 
regulamento. 
 § 2
o
 O Conselho de Gestão poderá delegar o cadastramento de que trata o § 1
o
 deste artigo 
a uma ou mais instituições credenciadas na forma das alíneas "d" e "e" do inciso IV do art. 11 
desta Medida Provisória. 
 Art. 19. A remessa de amostra de componente do patrimônio genético de instituição 
nacional, pública ou privada, para outra instituição nacional, pública ou privada, será efetuada a 
partir de material em condições ex situ, mediante a informação do uso pretendido, observado o 
cumprimento cumulativo das seguintes condições, além de outras que o Conselho de Gestão 
venha a estabelecer: 
 I - depósito de sub-amostra representativa de componente do patrimônio genético em 
coleção mantida por instituição credenciada, caso ainda não tenha sido cumprido o disposto no 
§ 3
o
 do art. 16 desta Medida Provisória; 
 II - nos casos de amostra de componente do patrimônio genético acessado em condições in 
situ, antes da edição desta Medida Provisória, o depósito de que trata o inciso anterior será feito 
na forma acessada, se ainda disponível, nos termos do regulamento; 
 III - fornecimento de informação obtida durante a coleta de amostra de componente do 
patrimônio genético para registro em base de dados mencionada na alínea "b" do inciso III do 
art. 14 e alínea "b" do inciso IX do art. 15 desta Medida Provisória; 
 IV - prévia assinatura de Termo de Transferência de Material. 
 § 1
o
 Sempre que houver perspectivade uso comercial de produto ou processo resultante da 
utilização de componente do patrimônio genético será necessária a prévia assinatura de Contrato 
de Utilização do Patrimônio Genético e de Repartição de Benefícios. 
 § 2
o
 A remessa de amostra de componente do patrimônio genético de espécies 
consideradas de intercâmbio facilitado em acordos internacionais, inclusive sobre segurança 
alimentar, dos quais o País seja signatário, deverá ser efetuada em conformidade com as 
condições neles definidas, mantidas as exigências deles constantes. 
10
1 
 
 § 3
o
 A remessa de qualquer amostra de componente do patrimônio genético de instituição 
nacional, pública ou privada, para instituição sediada no exterior, será efetuada a partir de 
material em condições ex situ, mediante a informação do uso pretendido e a prévia autorização 
do Conselho de Gestão ou de instituição credenciada, observado o cumprimento cumulativo das 
condições estabelecidas nos incisos I a IV e §§ 1
o
 e 2
o
 deste artigo. 
 Art. 20. O Termo de Transferência de Material terá seu modelo aprovado pelo Conselho 
de Gestão. 
CAPÍTULO VI 
DO ACESSO À TECNOLOGIA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA 
 Art. 21. A instituição que receber amostra de componente do patrimônio genético ou 
conhecimento tradicional associado facilitará o acesso à tecnologia e transferência de tecnologia 
para a conservação e utilização desse patrimônio ou desse conhecimento à instituição nacional 
responsável pelo acesso e remessa da amostra e da informação sobre o conhecimento, ou 
instituição por ela indicada. 
 Art. 22. O acesso à tecnologia e transferência de tecnologia entre instituição nacional de 
pesquisa e desenvolvimento, pública ou privada, e instituição sediada no exterior, poderá 
realizar-se, dentre outras atividades, mediante: 
 I - pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico; 
 II - formação e capacitação de recursos humanos; 
 III - intercâmbio de informações; 
 IV - intercâmbio entre instituição nacional de pesquisa e instituição de pesquisa sediada no 
exterior; 
 V - consolidação de infra-estrutura de pesquisa científica e de desenvolvimento 
tecnológico; 
 VI - exploração econômica, em parceria, de processo e produto derivado do uso de 
componente do patrimônio genético; e 
 VII - estabelecimento de empreendimento conjunto de base tecnológica. 
 Art. 23. A empresa que, no processo de garantir o acesso à tecnologia e transferência de 
tecnologia à instituição nacional, pública ou privada, responsável pelo acesso e remessa de 
amostra de componente do patrimônio genético e pelo acesso à informação sobre conhecimento 
tradicional associado, investir em atividade de pesquisa e desenvolvimento no País, fará jus a 
incentivo fiscal para a capacitação tecnológica da indústria e da agropecuária, e a outros 
instrumentos de estímulo, na forma da legislação pertinente. 
CAPÍTULO VII 
DA REPARTIÇÃO DE BENEFÍCIOS 
 Art. 24. Os benefícios resultantes da exploração econômica de produto ou processo 
desenvolvido a partir de amostra de componente do patrimônio genético e de conhecimento 
10
2 
 
tradicional associado, obtidos por instituição nacional ou instituição sediada no exterior, serão 
repartidos, de forma justa e eqüitativa, entre as partes contratantes, conforme dispuser o 
regulamento e a legislação pertinente. 
 Parágrafo único. À União, quando não for parte no Contrato de Utilização do Patrimônio 
Genético e de Repartição de Benefícios, será assegurada, no que couber, a participação nos 
benefícios a que se refere o caput deste artigo, na forma do regulamento. 
 Art. 25. Os benefícios decorrentes da exploração econômica de produto ou processo, 
desenvolvido a partir de amostra do patrimônio genético ou de conhecimento tradicional 
associado, poderão constituir-se, dentre outros, de: 
 I - divisão de lucros; 
 II - pagamento de royalties; 
 III - acesso e transferência de tecnologias; 
 IV - licenciamento, livre de ônus, de produtos e processos; e 
 V - capacitação de recursos humanos. 
 Art. 26. A exploração econômica de produto ou processo desenvolvido a partir de amostra 
de componente do patrimônio genético ou de conhecimento tradicional associado, acessada em 
desacordo com as disposições desta Medida Provisória, sujeitará o infrator ao pagamento de 
indenização correspondente a, no mínimo, vinte por cento do faturamento bruto obtido na 
comercialização de produto ou de royalties obtidos de terceiros pelo infrator, em decorrência de 
licenciamento de produto ou processo ou do uso da tecnologia, protegidos ou não por 
propriedade intelectual, sem prejuízo das sanções administrativas e penais cabíveis. 
 Art. 27. O Contrato de Utilização do Patrimônio Genético e de Repartição de Benefícios 
deverá indicar e qualificar com clareza as partes contratantes, sendo, de um lado, o proprietário 
da área pública ou privada, ou o representante da comunidade indígena e do órgão indigenista 
oficial, ou o representante da comunidade local e, de outro, a instituição nacional autorizada a 
efetuar o acesso e a instituição destinatária. 
 Art. 28. São cláusulas essenciais do Contrato de Utilização do Patrimônio Genético e de 
Repartição de Benefícios, na forma do regulamento, sem prejuízo de outras, as que disponham 
sobre: 
 I - objeto, seus elementos, quantificação da amostra e uso pretendido; 
 II - prazo de duração; 
 III - forma de repartição justa e eqüitativa de benefícios e, quando for o caso, acesso à 
tecnologia e transferência de tecnologia; 
 IV - direitos e responsabilidades das partes; 
 V - direito de propriedade intelectual; 
 VI - rescisão; 
10
3 
 
 VII - penalidades; 
 VIII - foro no Brasil. 
 Parágrafo único. Quando a União for parte, o contrato referido no caput deste artigo 
reger-se-á pelo regime jurídico de direito público. 
 Art. 29. Os Contratos de Utilização do Patrimônio Genético e de Repartição de Benefícios 
serão submetidos para registro no Conselho de Gestão e só terão eficácia após sua anuência. 
 Parágrafo único. Serão nulos, não gerando qualquer efeito jurídico, os Contratos de 
Utilização do Patrimônio Genético e de Repartição de Benefícios firmados em desacordo com 
os dispositivos desta Medida Provisória e de seu regulamento. 
CAPÍTULO VIII 
DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS 
 Art. 30. Considera-se infração administrativa contra o patrimônio genético ou ao 
conhecimento tradicional associado toda ação ou omissão que viole as normas desta Medida 
Provisória e demais disposições legais pertinentes. (Vide Decreto nº 5.459, de 2005) 
 § 1
o
 As infrações administrativas serão punidas na forma estabelecida no regulamento 
desta Medida Provisória, com as seguintes sanções: 
 I - advertência; 
 II - multa; 
 III - apreensão das amostras de componentes do patrimônio genético e dos instrumentos 
utilizados na coleta ou no processamento ou dos produtos obtidos a partir de informação sobre 
conhecimento tradicional associado; 
 IV - apreensão dos produtos derivados de amostra de componente do patrimônio genético 
ou do conhecimento tradicional associado; 
 V - suspensão da venda do produto derivado de amostra de componente do patrimônio 
genético ou do conhecimento tradicional associado e sua apreensão; 
 VI - embargo da atividade; 
 VII - interdição parcial ou total do estabelecimento, atividade ou empreendimento; 
 VIII - suspensão de registro,patente, licença ou autorização; 
 IX - cancelamento de registro, patente, licença ou autorização; 
 X - perda ou restrição de incentivo e benefício fiscal concedidos pelo governo; 
 XI - perda ou suspensão da participação em linha de financiamento em estabelecimento 
oficial de crédito; 
 XII - intervenção no estabelecimento; 
10
4 
 
 XIII - proibição de contratar com a Administração Pública, por período de até cinco anos. 
 § 2
o
 As amostras, os produtos e os instrumentos de que tratam os incisos III, IV e V do § 
1
o
 deste artigo, terão sua destinação definida pelo Conselho de Gestão. 
 § 3
o
 As sanções estabelecidas neste artigo serão aplicadas na forma processual 
estabelecida no regulamento desta Medida Provisória, sem prejuízo das sanções civis ou penais 
cabíveis. 
 § 4
o
 A multa de que trata o inciso II do § 1
o
 deste artigo será arbitrada pela autoridade 
competente, de acordo com a gravidade da infração e na forma do regulamento, podendo variar 
de R$ 200,00 (duzentos reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais), quando se tratar de pessoa 
física. 
 § 5
o
 Se a infração for cometida por pessoa jurídica, ou com seu concurso, a multa será de 
R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de reais), arbitrada pela 
autoridade competente, de acordo com a gravidade da infração, na forma do regulamento. 
 § 6
o
 Em caso de reincidência, a multa será aplicada em dobro. 
CAPÍTULO IX 
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS 
 Art. 31. A concessão de direito de propriedade industrial pelos órgãos competentes, sobre 
processo ou produto obtido a partir de amostra de componente do patrimônio genético, fica 
condicionada à observância desta Medida Provisória, devendo o requerente informar a origem 
do material genético e do conhecimento tradicional associado, quando for o caso. 
 Art. 32. Os órgãos federais competentes exercerão a fiscalização, a interceptação e a 
apreensão de amostra de componente do patrimônio genético ou de produto obtido a partir de 
informação sobre conhecimento tradicional associado, acessados em desacordo com as 
disposições desta Medida Provisória, podendo, ainda, tais atividades serem descentralizadas, 
mediante convênios, de acordo com o regulamento. 
 Art. 33. A parcela dos lucros e dos royalties devidos à União, resultantes da exploração 
econômica de processo ou produto desenvolvido a partir de amostra de componente do 
patrimônio genético, bem como o valor das multas e indenizações de que trata esta Medida 
Provisória serão destinados ao Fundo Nacional do Meio Ambiente, criado pela Lei n
o
 7.797, de 
10 de julho de 1989, ao Fundo Naval, criado pelo Decreto n
o
 20.923, de 8 de janeiro de 1932, e 
ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, criado pelo Decreto-Lei n
o
 
719, de 31 de julho de 1969, e restabelecido pela Lei n
o
 8.172, de 18 de janeiro de 1991, na 
forma do regulamento. (Regulamento). 
 Parágrafo único. Os recursos de que trata este artigo serão utilizados exclusivamente na 
conservação da diversidade biológica, incluindo a recuperação, criação e manutenção de bancos 
depositários, no fomento à pesquisa científica, no desenvolvimento tecnológico associado ao 
patrimônio genético e na capacitação de recursos humanos associados ao desenvolvimento das 
atividades relacionadas ao uso e à conservação do patrimônio genético. 
 Art. 34. A pessoa que utiliza ou explora economicamente componentes do patrimônio 
genético e conhecimento tradicional associado deverá adequar suas atividades às normas desta 
Medida Provisória e do seu regulamento. 
10
5 
 
 Art. 35. O Poder Executivo regulamentará esta Medida Provisória até 30 de dezembro de 
2001. 
 Art. 36. As disposições desta Medida Provisória não se aplicam à matéria regulada pela 
Lei nº 8.974, de 5 de janeiro de 1995. 
 Art. 37. Ficam convalidados os atos praticados com base na Medida Provisória n
o
 2.186-
15, de 26 de julho de 2001. 
 Art. 38. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. 
 Brasília, 23 de agosto de 2001; 180
o
 da Independência e 113
o
 da República. 
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO 
José Gregori 
José Serra 
Ronaldo Mota Sardenberg 
José Sarney Filho 
 
DECRETO Nº 6.159/2007 
 
Altera o Decreto n
o
 3.945, de 28 de setembro de 
2001, que define a composição do Conselho de 
Gestão do Patrimônio Genético e estabelece as 
normas para o seu funcionamento, mediante a 
regulamentação dos arts. 10, 11, 12, 14, 15, 16, 18 
e 19 da Medida Provisória n
o
 2.186-16, de 23 de 
agosto de 2001, que dispõe sobre o acesso ao 
patrimônio genético, a proteção e o acesso ao 
conhecimento tradicional associado, a repartição 
de benefícios e o acesso à tecnologia e 
transferência de tecnologia para sua conservação e 
utilização. 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, 
incisos IV e VI, alínea “a”, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Medida Provisória no 
2.186-16, de 23 de agosto de 2001, 
DECRETA: 
Art. 1
o
 O Decreto n
o
 3.945, de 28 de setembro de 2001, passa a vigorar com as seguintes 
alterações: 
“Art. 2o ................................................................... 
.............................................................................. 
§ 7
o
 A fim de subsidiar a tomada de decisão, o Conselho de Gestão poderá deliberar pelo convite de 
especialistas ou de representantes de distintos setores da sociedade envolvidos com o tema.” (NR) 
10
6 
 
“Art. 8o .................................................................. 
............................................................................. 
§ 4
o
 Nos casos de autorização de acesso ao patrimônio genético para bioprospecção, a 
apresentação de Contrato de Utilização do Patrimônio Genético e Repartição de Benefícios pode 
ser postergada pelo Conselho de Gestão, desde que o interessado declare não existir perspectiva 
de uso comercial e o anuente preveja, no Termo de Anuência Prévia, momento diverso para a 
formalização do contrato. 
§ 5
o
 Na hipótese prevista no § 4
o
, a formalização do Contrato de Utilização do Patrimônio 
Genético e de Repartição de Benefícios sempre deverá anteceder o desenvolvimento 
tecnológico e o depósito do pedido de patentes. 
§ 6
o
 Na hipótese prevista no § 4
o
, em caso de remessa de componente do patrimônio genético ao 
exterior, deverá ser firmado Termo de Transferência de Material contendo compromisso expresso da 
instituição destinatária de não ceder a terceiros o componente do patrimônio genético, iniciar 
atividade de desenvolvimento tecnológico ou depositar pedido de patente, sem a prévia assinatura do 
contrato e correspondente autorização do Conselho de Gestão, quando for o caso.” (NR) 
“Art. 9o-B. A autorização especial de que trata o art. 11, inciso IV, alínea “d”, da Medida 
Provisória n
o
 2.186-16, de 2001, não se aplica a atividades com potencial de uso econômico, 
como a bioprospecção ou desenvolvimento tecnológico.” (NR) 
“Art. 9o-C. As autorizações de que trata o art. 11, inciso IV, alíneas “a” e “c”, da Medida 
Provisória n
o
 2.186-16, de 2001, poderão abranger o acesso e a remessa, isolada ou 
conjuntamente, de acordo com o pedido formulado pela instituição interessada.” (NR) 
“Art. 9o-D. Poderá obter a autorização especial de que trata o art. 11, inciso IV, alínea “c”, da 
Medida Provisória n
o
 2.186-16, de 2001, para a finalidade de bioprospecção, a instituição 
interessada em realizar acessoou a remessa de componente do patrimônio genético que atenda 
aos seguintes requisitos, entre outros que poderão ser exigidos pelo Conselho de Gestão: 
I - comprovação de que a instituição: 
a) constituiu-se sob as leis brasileiras; e 
b) exerce atividades de pesquisa e desenvolvimento nas áreas biológicas e afins; 
II - qualificação técnica para o desempenho das atividades de acesso e remessa de amostra de 
componente do patrimônio genético; 
III - estrutura disponível para o manuseio de amostras de componentes do patrimônio genético; 
IV - portfólio dos projetos que envolvam acesso e remessa de componentes do patrimônio 
genético desenvolvidos pela instituição e a indicação do destino das amostras de componentes 
do patrimônio genético, quando houver previsão; 
10
7 
 
V - indicação da equipe técnica e da infra-estrutura disponível para gerenciar os Termos de 
Transferência de Material, nos casos de remessa; e 
VI - indicação da instituição credenciada como fiel depositária prevista para receber as 
subamostras de componentes do patrimônio genético a serem acessadas. 
§ 1
o
 O portfólio a que se refere o inciso IV do caput deverá trazer os projetos resumidos, com 
os seguintes requisitos mínimos: 
I - objetivos, material, métodos, uso pretendido e destino da amostra a ser acessada, quando já 
houver previsão de remessa; 
II - área de abrangência ou localização das atividades de campo; 
III - período previsto para as atividades de coleta; 
IV - indicação das fontes de recursos, estimativa dos respectivos montantes, no caso de recursos 
financeiros, e das responsabilidades e direitos de cada parte; e 
V - identificação da equipe e curriculum vitae dos pesquisadores envolvidos, caso não estejam 
disponíveis na Plataforma Lattes, mantida pelo CNPq. 
§ 2
o
 As anuências prévias a que se refere o art. 16, § 11, da Medida Provisória n
o
 2.186-16, de 2001, 
e os Contratos de Utilização do Patrimônio Genético e de Repartição de Benefícios correspondentes 
deverão ser encaminhadas ao Conselho de Gestão antes ou por ocasião das expedições de coleta a 
serem efetuadas durante o período de vigência da autorização especial, sob pena de seu 
cancelamento. 
§ 3
o
 O descumprimento do disposto no § 2
o
 acarretará a exclusão do projeto correspondente do 
portfólio abrangido pela autorização especial para a bioprospecção. 
§ 4
o
 A exigência da apresentação de Contrato de Utilização do Patrimônio Genético e de 
Repartição de Benefícios pode ser postergada pelo Conselho de Gestão, desde que o interessado 
declare não existir perspectiva de uso comercial e o Termo de Anuência Prévia preveja 
momento diverso para a formalização do contrato. 
§ 5
o
 Na hipótese prevista no § 4
o
, a formalização do Contrato de Utilização do Patrimônio 
Genético e de Repartição de Benefícios sempre deverá anteceder o início do desenvolvimento 
tecnológico ou o depósito do pedido de patentes. 
§ 6
o
 Na hipótese prevista no § 4
o
, em caso de remessa de componente do patrimônio genético ao 
exterior, deverá ser firmado Termo de Transferência de Material contendo compromisso expresso da 
instituição destinatária de não ceder a terceiros o componente do patrimônio genético, iniciar 
atividade de desenvolvimento tecnológico ou depositar pedido de patente, sem a prévia assinatura do 
contrato e correspondente autorização do Conselho de Gestão, quando for o caso. 
10
8 
 
§ 7
o
 A instituição detentora da autorização especial de que trata este artigo só poderá iniciar a 
atividade de bioprospecção de projetos cujas anuências prévias tenham sido aprovadas pelo 
Conselho de Gestão. 
§ 8
o
 A instituição beneficiada pela autorização de que trata este artigo deverá encaminhar ao 
Conselho de Gestão ou à instituição credenciada na forma do art. 14 da Medida Provisória n
o
 
2.186-16, de 2001, relatórios cuja periodicidade será fixada na autorização, não podendo 
exceder o prazo de doze meses. 
§ 9
o
 O relatório a que se refere o § 8
o
 deverá conter, no mínimo: 
I - informações sobre o andamento dos projetos integrantes do portfólio; 
II - indicação das áreas onde foram realizadas as coletas, por meio de coordenadas geográficas; 
III - listagem quantitativa e qualitativa das espécies ou morfotipos coletados em cada área; 
IV - comprovação do depósito das subamostras em instituição credenciada como fiel depositária; 
V - apresentação dos Termos de Transferência de Material, quando houver; e 
VI - resultados preliminares. 
§ 10. A instituição beneficiada pela autorização de que trata este artigo poderá, durante a 
vigência da autorização, inserir novos projetos no portfólio, desde que observe as condições 
estabelecidas neste artigo e, previamente ao início da nova atividade ou projeto, comunique a 
alteração realizada ao Conselho de Gestão ou à instituição credenciada na forma do art. 14 da 
Medida Provisória n
o
 2.186-16, de 2001.” (NR) 
Art. 2
o
 Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. 
Brasília, 17 de julho de 2007; 186
o
 da Independência e 119
o
 da República. 
 
LEI Nº 5.197/1967 
LEI N° 5.197, DE 3 DE JANEIRO DE 1967 
Vide texto compilado 
Dispõe sobre a proteção à fauna e dá outras 
providências. 
 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu 
sanciono a seguinte Lei: 
 Art. 1º. Os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu desenvolvimento e que 
vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos, 
abrigos e criadouros naturais são propriedades do Estado, sendo proibida a sua utilização, 
perseguição, destruição, caça ou apanha. 
10
9 
 
 § 1º Se peculiaridades regionais comportarem o exercício da caça, a permissão será 
estabelecida em ato regulamentador do Poder Público Federal. 
 § 2º A utilização, perseguição, caça ou apanha de espécies da fauna silvestre em terras de 
domínio privado, mesmo quando permitidas na forma do parágrafo anterior, poderão ser 
igualmente proibidas pelos respectivos proprietários, assumindo estes a responsabilidade de 
fiscalização de seus domínios. Nestas áreas, para a prática do ato de caça é necessário o 
consentimento expresso ou tácito dos proprietários, nos termos dos arts. 594, 595, 596, 597 e 
598 do Código Civil. 
 Art. 2º É proibido o exercício da caça profissional. 
 Art. 3º. É proibido o comércio de espécimes da fauna silvestre e de produtos e objetos que 
impliquem na sua caça, perseguição, destruição ou apanha. 
 § 1º Excetuam-se os espécimes provenientes legalizados. 
 § 2º Será permitida mediante licença da autoridade competente, a apanha de ovos, lavras e 
filhotes que se destinem aos estabelecimentos acima referidos, bem como a destruição de 
animais silvestres considerados nocivos à agricultura ou à saúde pública. 
 § 3º O simples desacompanhamento de comprovação de procedência de peles ou outros 
produtos de animais silvestres, nos carregamentos de via terrestre, fluvial, marítima ou aérea, 
que se iniciem ou transitem pelo País, caracterizará, de imediato, o descumprimento do disposto 
no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.111, de 10.10.199) 
 Art. 4º Nenhuma espécie poderá ser introduzida no País, sem parecer técnico oficial 
favorável e licença expedida na forma da Lei. 
 Art. 5º. O Poder Público criará: 
 a) Reservas Biológicas Nacionais, Estaduais e Municipais, onde as atividades de utilização, 
perseguição, caça, apanha, ou introdução de espécimes da fauna e flora silvestres e domésticas, 
bem como modificações do meio ambiente a qualquer título são proibidas , ressalvadas as 
atividadescientíficas devidamente autorizadas pela autoridade competente. 
 b) parques de caça Federais, Estaduais e Municipais, onde o exercício da caça é permitido 
abertos total ou parcialmente ao público, em caráter permanente ou temporário, com fins 
recreativos, educativos e turísticos. Revogado pela Lei nº 9.985, de 18.7.2000) 
 Art. 6º O Poder Público estimulará: 
 a) a formação e o funcionamento de clubes e sociedades amadoristas de caça e de tiro ao 
vôo objetivando alcançar o espírito associativista para a prática desse esporte. 
 b) a construção de criadouros destinadas à criação de animais silvestres para fins 
econômicos e industriais. 
 Art. 7º A utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha de espécimes da fauna 
silvestre, quando consentidas na forma desta Lei, serão considerados atos de caça. 
 Art. 8º O Órgão público federal competente, no prazo de 120 dias, publicará e atualizará 
anualmente: 
11
0 
 
 a) a relação das espécies cuja utilização, perseguição, caça ou apanha será permitida 
indicando e delimitando as respectivas áreas; 
 b) a época e o número de dias em que o ato acima será permitido; 
 c) a quota diária de exemplares cuja utilização, perseguição, caça ou apanha será permitida. 
 Parágrafo único. Poderão ser igualmente, objeto de utilização, caça, perseguição ou apanha 
os animais domésticos que, por abandono, se tornem selvagens ou ferais. 
 Art. 9º Observado o disposto no artigo 8º e satisfeitas as exigências legais, poderão ser 
capturados e mantidos em cativeiro, espécimes da fauna silvestre. 
 Art. 10. A utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha de espécimes da fauna 
silvestre são proibidas. 
 a) com visgos, atiradeiras, fundas, bodoques, veneno, incêndio ou armadilhas que 
maltratem a caça; 
 b) com armas a bala, a menos de três quilômetros de qualquer via térrea ou rodovia 
pública; 
 c) com armas de calibre 22 para animais de porte superior ao tapiti (sylvilagus 
brasiliensis); 
 d) com armadilhas, constituídas de armas de fogo; 
 e) nas zonas urbanas, suburbanas, povoados e nas estâncias hidrominerais e climáticas; 
 f) nos estabelecimentos oficiais e açudes do domínio público, bem como nos terrenos 
adjacentes, até a distância de cinco quilômetros; 
 g) na faixa de quinhentos metros de cada lado do eixo das vias férreas e rodovias públicas; 
 h) nas áreas destinadas à proteção da fauna, da flora e das belezas naturais; 
 i) nos jardins zoológicos, nos parques e jardins públicos; 
 j) fora do período de permissão de caça, mesmo em propriedades privadas; 
 l) à noite, exceto em casos especiais e no caso de animais nocivos; 
 m) do interior de veículos de qualquer espécie. 
 Art. 11. Os clubes ou Sociedades Amadoristas de Caça e de tiro ao vôo, poderão ser 
organizados distintamente ou em conjunto com os de pesca, e só funcionarão válidamente após 
a obtenção da personalidade jurídica, na forma da Lei civil e o registro no órgão público federal 
competente. 
 Art. 12. As entidades a que se refere o artigo anterior deverão requerer licença especial 
para seus associados transitarem com arma de caça e de esporte, para uso em suas sedes durante 
o período defeso e dentro do perímetro determinado. 
11
1 
 
 Art. 13. Para exercício da caça, é obrigatória a licença anual, de caráter específico e de 
âmbito regional, expedida pela autoridade competente. 
 Parágrafo único. A licença para caçar com armas de fogo deverá ser acompanhada do porte 
de arma emitido pela Polícia Civil. 
 Art. 14. Poderá ser concedida a cientistas, pertencentes a instituições científicas, oficiais ou 
oficializadas, ou por estas indicadas, licença especial para a coleta de material destinado a fins 
científicos, em qualquer época. 
 § 1º Quando se tratar de cientistas estrangeiros, devidamente credenciados pelo país de 
origem, deverá o pedido de licença ser aprovado e encaminhado ao órgão público federal 
competente, por intermedio de instituição científica oficial do pais. 
 § 2º As instituições a que se refere este artigo, para efeito da renovação anual da licença, 
darão ciência ao órgão público federal competente das atividades dos cientistas licenciados no 
ano anterior. 
 § 3º As licenças referidas neste artigo não poderão ser utilizadas para fins comerciais ou 
esportivos. 
 § 4º Aos cientistas das instituições nacionais que tenham por Lei, a atribuição de coletar 
material zoológico, para fins científicos, serão concedidas licenças permanentes. 
 Art. 15. O Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas do Brasil 
ouvirá o órgão público federal competente toda vez que, nos processos em julgamento, houver 
matéria referente á fauna. 
 Art. 16. Fica instituído o registro das pessoas físicas ou jurídicas que negociem com 
animais silvestres e seus produtos. 
 Art. 17. As pessoas físicas ou jurídicas, de que trata o artigo anterior, são obrigadas à 
apresentação de declaração de estoques e valores, sempre que exigida pela autoridade 
competente. 
 Parágrafo único. O não cumprimento do disposto neste artigo, além das penalidades 
previstas nesta lei obriga o cancelamento do registro. 
 Art. 18. É proibida a exportação para o Exterior, de peles e couros de anfíbios e répteis, em 
bruto. 
 Art. 19. O transporte interestadual e para o Exterior, de animas silvestres, lepidópteros, e 
outros insetos e seus produtos depende de guia de trânsito, fornecida pela autoridade 
competente. 
 Parágrafo único. Fica isento dessa exigência o material consignado a Instituições 
Científicas Oficiais. 
 Art. 20. As licenças de caçadores serão concedidas mediante pagamento de uma taxa anual 
equivalente a um décimo do salário-mínimo mensal. 
 Parágrafo único. Os turistas pagarão uma taxa equivalente a um salário-mínimo mensal, e a 
licença será válida por 30 dias. 
11
2 
 
 Art. 21. O registro de pessoas físicas ou jurídicas, a que se refere o art. 16, será feito 
mediante o pagamento de uma taxa equivalente a meio salário-mínimo mensal. 
 Parágrafo único. As pessoas físicas ou jurídicas de que trata este artigo pagarão a título de 
licença, uma taxa anual para as diferentes formas de comércio até o limite de um salário-mínimo 
mensal. 
 Art. 22. O registro de clubes ou sociedades amadoristas, de que trata o art. 11, será 
concedido mediante pagamento de uma taxa equivalente a meio salário-mínimo mensal. 
 Parágrafo único. As licenças de trânsito com arma de caça e de esporte, referidas no art. 12, 
estarão sujeitas ao pagamento de uma taxa anual equivalente a um vigésimo do salário-mínimo 
mensal. 
 Art. 23. Far-se-á, com a cobrança da taxa equivalente a dois décimos do salário-mínimo 
mensal, o registro dos criadouros. 
 Art. 24. O pagamento das licenças, registros e taxas previstos nesta Lei, será recolhido ao 
Banco do Brasil S. A em conta especial, a crédito do Fundo Federal Agropecuário, sob o título 
"Recursos da Fauna". 
 Art. 25. A União fiscalizará diretamente pelo órgão executivo específico, do Ministério da 
Agricultura, ou em convênio com os Estados e Municípios, a aplicação das normas desta Lei, 
podendo, para tanto, criar os serviços indispensáveis. 
 Parágrafo único. A fiscalização da caça pelos órgãos especializados não exclui a ação da 
autoridade policial ou das Forças Armadas por iniciativa própria. 
 Art. 26. Todos os funcionários, no exercício da fiscalização da caça,são equiparados aos 
agentes de segurança pública, sendo-lhes assegurado o porte de armas. 
 Art 27. Constituem contravenções penais, puníveis com três meses a um ano de prisão 
simples ou multa de uma a dez vezes o salário-mínimo mensal do lugar e da data da infração, ou 
ambas as penas cumulativamente, violar os arts. 1º e seu § 2º, 3º, 4º, 8º e suas alíneas a , b , e c , 
10 e suas alíneas a , b , c , d , e , f , g , h , i , j , l , m , 13 e seu parágrafo único, 14 § 3º, 17, 18 e 
19. 
 Art. 27. Constitui crime punível com pena de reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos a 
violação do disposto nos arts. 2º, 3º, 17 e 18 desta lei. (Redação dada pela Lei nº 7.653, de 
12.2.1988) 
 § 1º É considerado crime punível com a pena de reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos a 
violação do disposto no artigo 1º e seus parágrafos 4º, 8º e suas alíneas a, b, e c, 10 e suas 
alíneas a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, l, e m, e 14 e seu § 3º desta lei. (Incluído pela Lei nº 7.653, de 
12.2.1988) 
 § 2º Incorre na pena prevista no caput deste artigo quem provocar, pelo uso direto ou 
indireto de agrotóxicos ou de qualquer outra substância química, o perecimento de espécimes da 
fauna ictiológica existente em rios, lagos, açudes, lagoas, baías ou mar 
territorial brasileiro. (Incluído pela Lei nº 7.653, de 12.2.1988) 
11
3 
 
 § 3º Incide na pena prevista no § 1º deste artigo quem praticar pesca predadória, usando 
instrumento proibico, explosivo, erva ou sustância química de qualquer natureza. (Incluído pela 
Lei nº 7.653, de 12.2.1988) 
 § 4º Fica proibido pescar no período em que ocorre a piracema, de 1º de outubro a 30 de 
janeiro, nos cursos d'água ou em água parada ou mar territorial, no período em que tem lugar a 
desova e/ou a reprodução dos peixes; quem infringir esta norma fica sujeito à seguinte pena: 
 a) se pescador profissional, multa de 5 (cinco) a 20 (vinte) Obrigações do Tesouro 
Nacional - OTN e suspensão da atividade profissional por um período de 30 (trinta) a 90 
(noventa) dias; 
 b) se a empresa que explora a pesca, multa de 100 (cem) a 500 (quinhentas) Obrigações do 
Tesouro Nacional - OTN e suspensão de suas atividades por um período de 30 (trinta) a 60 
(sessenta) dias; 
 c) se pescador amador, multa de 20 (vinte) a 80 (oitenta) Obrigações do Tesouro Nacional 
- OTN e perda de todos os instrumentos e equipamentos usados na pescaria. (Incluído pela Lei 
nº 7.653, de 12.2.1988) (Revogado pela Lei nº 7.679, de 23.11.1988) 
 § 5º Quem, de qualquer maneira, concorrer para os crimes previstos no caput e no § 1º 
deste artigo incidirá nas penas a eles cominadas. (Incluído pela Lei nº 7.653, de 12.2.1988) 
 § 6º Se o autor da infração considerada crime nesta lei for estrangeiro, será expulso do 
País, após o cumprimento da pena que lhe for imposta, (Vetado), devendo a 
autoridade judiciária ou administrativa remeter, ao Ministério da Justiça, cópia da decisão 
cominativa da pena aplicada, no prazo de 30 (trinta) dias do trânsito em julgado de sua 
decisão. (Incluído pela Lei nº 7.653, de 12.2.1988) 
 Art. 28. Além das contravenções estabelecidas no artigo precedente, subsistem os 
dispositivos sobre contravenções e crimes previstos no Código Penal e nas demais leis, com as 
penalidades neles contidas. 
 Art. 29. São circunstâncias que agravam a pena afor, aquelas constantes do Código Penal e 
da Lei das Contravenções Penais, as seguintes: 
 a) cometer a infração em período defeso à caça ou durante à noite; 
 b) empregar fraude ou abuso de confiança; 
 c) aproveitar indevidamente licença de autoridade; 
 d) incidir a infração sobre animais silvestres e seus produtos oriundos de áreas onde a caça 
é proibida. 
 Art. 30. As penalidades incidirão sobre os autores, sejam eles: 
 a) direto; 
 b) arrendatários, parceiros, posseiros, gerentes, administradores, diretores, promitentes, 
compradores ou proprietários das áreas, desde que praticada por prepostos ou subordinados e no 
interesse dos proponentes ou dos superiores hierárquicos; 
 c) autoridades que por ação ou omissão consentirem na prática do ato ilegal, ou que 
cometerem abusos do poder. 
11
4 
 
 Parágrafo único. Em caso de ações penais simultâneas pelo mesmo fato, iniciadas por 
várias autoridades. O juiz reunirá os processos na jurisdição em que se firmar a competência. 
 Art. 31. A ação penal independe de queixa mesmo em se tratando de lesão em propriedade 
privada, quando os bens atingidos, são animais silvestres e seus produtos, instrumentos de 
trabalho, documentos e atos relacionados com a proteção da fauna disciplinada nesta Lei. 
 Art. 32. São autoridades competentes para instaurar, presidir e proceder a inquéritos 
policiais, lavrar autos de prisão em flagrante e intentar a ação penal, nos casos de crimes ou de 
contravenções previstas nesta Lei ou em outras leis que tenham por objeto os animais silvestres 
seus produtos instrumentos e documentos relacionados com os mesmos as indicadas no Código 
de Processo Penal. 
 Art 33. A autoridade apreenderá os produtos de caça e os instrumentos utilizados na 
infração e se, por sua natureza ou volume, não puderem acompanhar o inquérito, serão 
entregues ao depositário público local, se houver e, na sua falta, ao que fôr nomeado pelo juiz. 
 § 1° Em se tratando de produtos perecíveis, poderão ser os mesmos doados às instituições 
científicas, hospitais e casas de caridade mais próximos. (Parágrafo único renumerado pela Lei 
nº 7.584, de 1987) 
 § 2° O material não-perecível apreendido, após a liberação pela autoridade competente, 
terá o seguinte destino: (Incluído pela Lei nº 7.584, de 1987) 
 I - Animais - serão - libertados em seu habitat ou destinados aos jardins zoológicos, 
fundações ou entidades assemelhadas, desde que fiquem sob a responsabilidade de técnicos 
habilitados; (Incluído pela Lei nº 7.584, de 1987) 
 II - Peles e outros produtos - serão (VETADO) entregues a museus, órgãos congêneres 
registrados ou de fins filantrópicos; (Incluído pela Lei nº 7.584, de 1987) 
 III - VETADO. (Incluído pela Lei nº 7.584, de 1987) 
 IV - VETADO. (Incluído pela Lei nº 7.584, de 1987) 
 Art. 33. A autoridade apreenderá os produtos da caça e/ou da pesca bem como os 
instrumentos utilizados na infração, e se estes, por sua natureza ou volume, não puderem 
acompanhar o inquérito, serão entregues ao depositário público local, se houver e, na sua falta, 
ao que for nomeado pelo juiz. (Redação dada pela Lei nº 7.653, de 12.2.1988) 
 Parágrafo único. Em se tratando de produtos perecíveis, poderão ser os mesmos doados a 
instituições científicas, penais, hospitais e /ou casas de caridade mais próximas. (Redação dada 
pela Lei nº 7.653, de 12.2.1988) 
 Art 34. O processo das contravenções obedecerá ao rito sumário da Lei número 1.508, de 
19 de dezembro de 1951. 
 Art. 34. Os crimes previstos nesta lei são inafiançáveis e serão apurados mediante processo 
sumário, aplicando-se no que couber, as normas do Título II, Capítulo V, do Código de 
Processo Penal. (Redação dada pela Lei nº 7.653, de 12.2.1988) 
 Art. 35. Dentro de dois anos a partir da promulgação desta Lei, nenhuma autoridade poderá 
permitir a adoção de livros escolares de leitura que não contenham textos sobre a proteção da 
fauna, aprovados pelo Conselho Federal de Educação. 
 § 1º Os Programas de ensino de nível primário e médio deverão contar pelo menos com 
duas aulas anuais sobre a matéria a que se refere o presente artigo.11
5 
 
 § 2º Igualmente os programas de rádio e televisão deverão incluir textos e dispositivos 
aprovados pelo órgão público federal competente, no limite mínimo de cinco minutos semanais, 
distribuídos ou não, em diferentes dias. 
 Art. 36. Fica instituído o Conselho Nacional de Proteção à fauna, com sede em Brasília, 
como órgão consultivo e normativo da política de proteção à fauna do Pais. 
 Parágrafo único. O Conselho, diretamente subordinado ao Ministério da Agricultura, terá 
sua composição e atribuições estabelecidas por decreto do Poder Executivo. 
 Art. 37. O Poder Executivo regulamentará a presente Lei no que for Julgado necessário à 
sua execução. 
 Art. 38. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogados o Decreto-Lei nº 
5.894, de 20 de outubro de 1943, e demais disposições em contrário. 
 Brasília, 3 de janeiro de 1967, 146º da Independência e 70º da República. 
H. CASTELLO BRANCO 
Severo Fagundes Gomes