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1 2 APRESENTAÇÃO 4 AULA 1 - CONCEITO E EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO MERCADOLÓGICO 5 INTRODUÇÃO 5 CONTEÚDO 7 O PROCESSO DE MARKETING 16 REFERÊNCIAS 23 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 23 AULA 2 – COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR E POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO 29 INTRODUÇÃO 29 CONTEÚDO 31 CONSTRUÇÃO DE CONCEITOS 31 ESTRATÉGIAS MERCADOLÓGICAS DE SEGMENTAÇÃO E POSICIONAMENTO 39 ATIVIDADE PROPOSTA 43 REFERÊNCIAS 44 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 45 AULA 3 –ESTRATÉGIAS MERCADOLÓGICAS EM MARKETING DE SERVIÇOS 54 INTRODUÇÃO 54 CONTEÚDO 55 CONSTRUÇÃO DE CONCEITOS 55 RELACIONAMENTO COM O CLIENTE 55 CONSIDERAÇÕES RELACIONADAS A ESTRATÉGIAS MERCADOLÓGICAS EM SERVIÇOS 65 ATIVIDADE PROPOSTA 71 REFERÊNCIAS 71 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 73 AULA 4 - ESTRATÉGIAS MERCADOLÓGICAS NOS SERVIÇOS DE SAÚDE 76 3 INTRODUÇÃO 76 CONTEÚDO 76 PECULIARIDADES ESTRATÉGICAS MERCADOLÓGICAS DE SERVIÇOS NA SAÚDE SUPLEMENTAR 77 PECULIARIDADES ESTRATÉGICAS MERCADOLÓGICAS DE SERVIÇOS NA SAÚDE PÚBLICA 86 ATIVIDADE PROPOSTA 91 REFERÊNCIAS 92 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 93 CHAVES DE RESPOSTA 96 AULA 1 96 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 96 AULA 2 97 ATIVIDADE PROPOSTA 97 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 97 AULA 3 99 ATIVIDADE PROPOSTA 99 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 99 AULA 4 100 ATIVIDADE PROPOSTA 100 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 100 CONTEUDISTA 102 4 A disciplina fundamenta o conhecimento estratégico mercadológico desdobrando inicialmente aspectos relevantes na sua forma conceitual, para posteriormente relacioná-los com as peculiaridades e especificidades da área de saúde; destaca o ferramental/instrumental que pode auxiliar o profissional de gestão em saúde nas tomadas de decisões decorrentes. Ao efetuarmos a ligação entre dos modelos teóricos e instrumentais com o contexto realístico, podemos compreender melhor como a construção da efetividade das ações empreendidas está intimamente correlacionada às relações conduzidas no sistema empresa. Nesse processo as ações que buscam conjugar eficiência com eficácia são impactadas pela efetividade esperada, na medida em que na área de saúde, em sua principal especificidade, o cliente faz parte do próprio processo sistêmico que o atende, influenciando seu resultado e sendo transformado pelos diversos processos da organização que com ele interage. Objetivos: 1. Identificar e aplicar os principais componentes mercadológicos, seus conceitos e ferramentas à área de saúde. 2. Desdobrar estratégias mercadológicas nos serviços de saúde aplicadas na gerência de seus recursos e nos diversos processos de tomada de decisão administrativa visando o atingimento de seus objetivos. 5 Introdução Neste material, você compreenderá como surgiram as primeiras manifestações conceituais dos modelos mercadológicos, o que contribuiu para a formação de seus contextos ao longo do tempo, o conceito de Marketing Mix e as suas diversas aplicações. Assim, torna-se fundamental o processo de construção e reconstrução de 6 nossas organizações, o que demanda conhecer profundamente os conceitos que muitas vezes estão explicitados apenas nos fatos ou situações com os quais o gestor lida no dia a dia. Com isso formulado, para podermos tomar decisões mercadológicas em uma organização, necessitamos entender esses conceitos, que são essenciais. Em uma concepção contemporânea de gestão, o Marketing pode ser entendido como processo contínuo e recorrente que interage ativamente com partes da própria organização e com o ambiente que a permeia. A aplicação de estratégias mercadológicas em saúde, por peculiaridades que a distingue de diversas outras áreas, requer de seus gestores um conhecimento detalhado dos conceitos que sedimentam a visão mercadológica, de uma forma geral; conceitos esses a serem utilizados da melhor maneira em nossa área de atuação. Conhecer o Mix de Marketing e o que dele decorre permite enxergar nossas atividades por um prisma diferente daquele da mera construção organizacional tradicional. Fomentar as relações de troca entre nossos clientes e a nossa organização, além de reduzir a incerteza nas ações organizacionais, permite melhorar a qualidade percebida e a utilidade gerada em nossos pacientes. Pensar em mudar para atender melhor requer conhecimento do que estamos oferecendo (produto), de que forma estamos oferecendo (ponto), em que condições as utilidades geradas são oferecidas (promoção) e qual o impacto econômico que tal oferecimento agrega ao nosso cliente (preço). Em uma concepção contemporânea de gestão, o Mix de Marketing é fundamental para que as estratégias mercadológicas que se deseja implementar fiquem alinhadas com o foco de resultado esperado. Esse processo deve ser entendido como contínuo, recorrente e interativo ativamente com partes da própria organização e com o ambiente que a 7 permeia. Objetivos: 1. Construir conceitos correlacionados ao Marketing e relacionados a necessidades, demandas, desejos, mercado e troca. 2. Conhecer o processo de Marketing. Conteúdo Antes de partirmos para o entendimento e o estabelecimento de estratégias mercadológicas aplicáveis em saúde, precisamos conhecer os próprios conceitos aplicados às organizações que embasam a visão mercadológica. O conceito de Marketing surge a partir da própria perspectiva da administração. Mas a forma como entendemos Marketing hoje ocorreu efetivamente na virada dos anos 50 para os anos 60 do século passado. Conceitualmente, em Marketing se estudam as relações de troca que ocorrem entre as partes de um sistema, bem como essas relações na entrega que o sistema faz ao ambiente. Podemos desdobrar essa perspectiva de forma mais prática, considerando que, conceitualmente, em Marketing se foca na 8 determinação das necessidades e dos desejos dos mercados-alvo para satisfazê-los mais efetivamente do que os concorrentes, direcionando, assim, o atingimento dos objetivos da organização. Entre os inúmeros autores que compõe o referencial acadêmico na área de Marketing, separamos duas conceituações: Conceito de Marketing segundo Philip Kotler: “É um processo social por meio do qual pessoas e grupos de pessoas obtém aquilo que necessitam e o que desejam com a criação, a oferta e livre negociação de produtos e serviços de valor com outros.” (KOTLER, 2007) Objetivo do Marketing: O objetivo do Marketing é tornar supérfluo o esforço do ato de venda, considerando que a relação de troca entre o sistema/empresa e a entrega ao cliente envolvem uma necessidade de sobrevivência das organizações, que não continuariam a existir sem que essas relações de troca se perpetuassem no tempo (adaptado de DRUCKER, 1958). O conceito contemporâneo de Marketing auxilia nas escolhas estratégicas das organizações, ajudando-as a definir melhor os limites de seus mercados (mais cuidadosamente) e a preparar planos mais específicos para cada mercado. Nessa mesma percepção (de relação de troca, entre o que a organização entrega como sistema e o que o cliente recebe), a estratégia de orientação ao cliente é uma consequência da percepção de necessidade de sobrevivência (o que, por exemplo, Peter Drucker já apregoava nos seus livros da década de 50 do século passado). Essa orientação requer que a empresa defina bem os requisitos(necessidades) do cliente, a partir do próprio cliente e a partir de si mesma; pois todo produto envolve dificuldades, e a administração não vai saber isso sem falar com os clientes, pesquisá-los. 9 Marketing Integrado: Considerando as diversas funções mercadológicas, elas devem estar bem integradas com outros setores da organização. As ações administrativas desenvolvidas ao realizar e/ou controlar essas funções afetam a organização como um todo e, por consequência, o seu relacionamento com os seus clientes. Marketing não funciona se for um mero departamento: só funciona quando todos os funcionários reconhecem a importância da satisfação do consumidor. Como forma de desdobrarmos uma melhor compreensão desse conceito, faz- se necessário que vejamos outros conceitos relacionados, indicados a seguir: Necessidades, Desejos e Demanda: A partir da percepção de Marketing associada às relações de troca, a primeira coisa que podemos refletir é: Por que as trocas ocorrem entre as partes? Ainda que possamos associar essa resposta ao fluxo que caminha para o atingimento de objetivos de uma organização; e, considerando que sem as relações de troca, os fluxos não ocorram, ainda assim podemos focar essa percepção usando como ponto focal o grupo social (sem ele, a organização não existe, bem como as relações de troca). Assim sendo, usando o grupo social como ponto de partida do Marketing, podemos indicar como os desejos e as necessidades humanas estão intimamente associados às relações de troca e, por consequência, ao Marketing. Podemos conceituar necessidade da seguinte forma: “É o conceito mais básico e inerente ao Marketing, pois está relacionado ao entendimento das necessidades humanas. Trata-se de um estado de privação do indivíduo, que inclui as necessidades físicas básicas, sociais e individuais de conhecimento e 10 auto-realização.”1. As necessidades não são criadas pela sociedade ou pelos homens de Marketing. Elas fazem parte da biologia e da condição humana. Diferentemente das necessidades, os desejos têm uma conceituação distinta. Vejamos um conceito de desejo: “São as necessidades humanas moldadas pela cultura e pelas características individuais. Os desejos são mutáveis e se modificam conforme as transformações ocorridas na sociedade.” 2. Enquanto as necessidades são poucas, os desejos podem ser ilimitados. Eles são constantemente modificados pelos contextos culturais e sociais em que estamos inseridos. Podemos dizer que, em relação aos desejos, as ações mercadológicas podem ser realizadas visando a estimular e a produzir desejos antes não existentes. Mas apenas ter desejos sem associá-los a uma materialidade não permite associar uma ação mercadológica a uma determinada organização. Para que isso possa ocorrer, precisamos de outro conceito de Marketing: demanda! Este o conceito de demanda: “É a quantidade de um bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir por um preço definido em um mercado. A demanda pode ser interpretada como procura, mas não necessariamente como consumo, uma vez que é possível querer e não consumir um bem ou serviço, por diversos motivos.”3. Podemos, portanto, conceituar demanda como sendo desejo de serviços ou 1 TAVARES, Fred. Marketing: Conceitos, tipos, objetivos e análise de desempenho. Disponível em: <http://www.portaldoMarketing.com.br/Artigos/Marketing_Conceitos_Tipos_Objetivos_e_anal ise_de_desempenho.htm>. Acesso em: 03 de junho de 2014. 2 Idem. 3 CABRAL, Paulo; FRAZÃO, Dilva Guimarães. Significados. Demanda. Disponível em: <http://www.significados.com.br/demanda/>. Acesso em: 03 de junho de 2014. 11 produtos específicos (tangibilidade da demanda) para os quais há habilidade e vontade de comprar. Um desejo somente vira demanda se existir disponibilidade do serviço ou produto no mercado em que o cliente se encontra e, simultaneamente, o cliente tiver poder de compra. Alguns exemplos para reflexão: Para os fãs de filmes e seriados de ficção científica, um dispositivo de teletransporte pode ser um desejo, mas não vira demanda, pois a tecnologia não está disponível. Um fã do seriado Star Trek (Jornada nas Estrelas) podia desejar, no início da década de 70 do século passado, um dispositivo móvel de comunicação similar ao dos personagens, e, na época, por falta de tecnologia, não existia tal demanda. Quando a tecnologia na década de 90 do século passado ficou disponível, o que era um desejo (até reprimido) virou demanda. E pensar que nossos smartphones hoje fazem muito mais do que os intercomunicadores do seriado! Pensar em esquiar em Rio Branco (AC) pode ser um desejo sem possibilidade de gerar demanda local, mas a tecnologia permitiu que em Dubai, em plena zona de deserto, se construísse uma pista artificial de esqui para quem tem poder de compra para utilizá-la. Essas distinções ilustram a frequente crítica de que ações de Marketing criam necessidades ou induzem as pessoas a comprar o que elas não necessitam. Ações influenciam, sim, os desejos, tentando impactar a demanda, e tornam um serviço ou produto atrativo, acessível em termos de atendimento e preço. Vejam os filmes abaixo discriminados, acessando nossa galeria de vídeos, e comparem as diferenças de geração. Pensem os desejos motivados pelos 12 filmes que apresentam produtos inseridos em nosso contexto atual e aqueles que representam um contexto do passado. Contexto do Passado: Comerciais antigos de produtos correlacionados à área de saúde: Comercial Sonrisal (1968); Aspirina (anos 1980). Contexto Atual: Comercial Ferrari; Comercial Louis Vuitton. Produtos ou Serviço Pelo que vimos até este ponto da aula, percebemos que as pessoas satisfazem suas necessidades e seus desejos com produtos ou serviços. O que são então produtos ou serviços? Podemos contextualizá-los como sendo qualquer coisa que possa ser oferecida a alguém para satisfazer uma necessidade ou um desejo. Tradicionalmente, o termo produto trazia uma ideia de objeto físico (automóvel, aparelho de TV ou refrigerante), e utilizávamos muito os termos produto e serviço para distinguir objetos físicos de objetos intangíveis. Ao longo do tempo, vem se percebendo que, mesmo em relação aos produtos físicos, sua importância não está em possuí-los, e sim em utilizá-los para satisfazer nossos desejos. Ou seja, compra-se um batom para uma pessoa se sentir mais bonita, compra-se uma lavadora de alta pressão para fazer mais rapidamente um serviço de limpeza. O bem físico é o objeto que permite o real serviço que está por traz de ele ser executado. Quebrando assim o paradigma, podemos entender por que cada vez mais damos importância aos serviços. 13 E a área de saúde? Ela eminentemente presta serviços! E o que o mercado vem entendendo em relação ao que o cliente quer? Os clientes dão preferência ao oferecimento de melhores qualidade, desempenho e benefício. A área de Marketing nas organizações contemporâneas percebeu que os clientes admiram produtos bem feitos, podem avaliar qualidade e desempenho e estão dispostos a pagar por “algo a mais” na relação de troca que vão realizar. As organizações ainda orientadas para o produto muitas vezes continuam desenhando seus produtos de maneira errada. O conceito de produto leva à “miopia em Marketing” (LEVITT, 1990), uma indevida preocupação com o produto e não com a necessidade do consumidor. Essas organizações,frequentemente, estão mirando-se no espelho quando deveriam estar olhando para fora da janela. Utilidade e Valor Cada produto ou serviço possui uma capacidade diferente de satisfazer as diversas necessidades do cliente. O cliente fará uma estimativa da utilidade em satisfazer suas necessidades para cada relação de troca pretendida. Podemos entender utilidade como sendo a estimativa do cliente relacionada à capacidade total de um produto ou serviço satisfazer suas necessidades. O cliente avalia a utilidade subjetivamente, prevendo se ela pode realmente satisfazer suas necessidades. Vejam os exemplos nos vídeos a seguir, acesse a galeria de vídeos: Colgate Total 12; Sempre Livre; Bom Bril coletânea. 14 Diferentes produtos apresentam diferentes níveis de satisfação das necessidades humanas, e, ao mesmo tempo, diferentes níveis de preço. Nessa relação custo-benefício, surge o conceito de valor. Podemos conceituar valor como sendo aquilo que é percebido pelo cliente ou por um grupo de clientes como uma avaliação subjetiva de um conjunto de benefícios para satisfação de necessidades. Troca, Transações e Relacionamento O fato de as pessoas terem necessidades e desejos e poderem colocar valor nos produtos não define completamente Marketing. O Marketing surge quando as pessoas decidem satisfazer suas necessidades e desejos pela troca. Podemos entender troca como um dos meios pelos quais o ser humano consegue obter o que necessita. Existem outros meios, tais como: a produção própria, a súplica ou a coerção. Segundo Kotler (2007), podemos conceituar troca como sendo o ato de obter de alguém um produto desejado, oferecendo alguma coisa em troca. Troca é o processo de criar valor, ação que permite às partes envolvidas estarem em melhor condição do que antes da troca. “Uma transação de troca envolve vários aspectos: a) pelo menos duas coisas de valor; b) condições acordadas; c) tempo e lugar do acordo; e d) em geral há o aspecto legal para apoiar e garantir o cumprimento de cada parte envolvida na transação.” (KOTLER, 2007) Acesse a galeria de vídeos e veja exemplos para o conceito citado acima. Campanha Brastemp; 15 Comercial DHL. Mercados Expandido a ideia de troca, de forma múltipla e fora da organização, nos remetemos ao conceito atual de mercado. Dentre vários conceitos, podemos, de forma mais ampla, indicar que mercado remete a uma composição de clientes potenciais que partilham de uma mesma necessidade ou desejo e estão aptos a engajar-se em um processo de troca para satisfazê-los (adaptado de KOTLER, 2007). Dessa forma, o mercado é formado por conjuntos de pessoas (clientes) que delimitam seu tamanho em função do número de necessidades que elas possuem, suportadas pelos recursos que: possuem, interessam aos outros e querem oferecer em troca do que elas necessitam. Quando falamos em mercados, nos deparamos com diversos tipos de classificações utilizadas por autores distintos. Com o intuito de exemplificar, vamos utilizar uma classificação indicada por Kotler (2007): Mercados de necessidades: mercado dos que buscam dieta, mercado dos que são ecologicamente conscientes, etc. Mercados de produtos: mercado de calçados, mercados de veículos de luxo, etc. Mercados geográficos: mercado de Cuiabá, mercado do Brasil, etc. Mercado demográfico: mercado adolescente, mercado da terceira idade, etc. Como exemplo de como esses mercados podem ter pequenas e sutis diferenças, vejam nos vídeos disponíveis em nossa galeria a abordagem que a Coca-Cola usou em diferentes peças promocionais: Coca-Cola South Africa 2010 Comercial Coca-Cola para mercado japonês; Comercial Coca-Cola para mercado indiano; 16 Comercial Coca-Cola para mercado mexicano; Comercial Coca-Cola para mercado brasileiro 2013; Comercial Coca-Cola para mercado americano. E para nós, o que seria o mercado da área de saúde? Leia o artigo “Conheça sete áreas da saúde vitaminadas no mercado“ 4 e reflita se as diferentes áreas podem ser tratadas como mercados de atuação diferentes em saúde, da mesma forma que a Coca-Cola faz com seus produtos em países diferentes. Ao confrontarmos os vídeos da Coca-Cola com o artigo, podemos perceber que temos a possibilidade de, a partir do mesmo produto/serviço em saúde, montar diferentes estratégias mercadológicas focadas no mercado. O Processo de Marketing A prática do Marketing é um processo contínuo que recomeça sempre que possa ser possível avaliar o resultado referente a um período. Embora seja um processo recorrente, na maioria das situações se inicia com a pesquisa, materializada no desenvolvimento do produto. O Marketing envolve cuidadosa pesquisa sobre as oportunidades de mercado. Para isso, ela deverá identificar aspectos relevantes dos clientes e dos concorrentes, bem como do restante do ambiente, associando oportunidades de Marketing, possibilidades de oferecer produtos e serviços, de modo a explorar uma necessidade latente ou mal atendida até determinado momento. Após a identificação dos segmentos de mercado (segmentação) e a seleção do mercado-alvo, a empresa deverá se posicionar frente o(s) segmento(s) 4 COSTA, Marina Morena. Conheça sete áreas da saúde vitaminadas no mercado. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/conheca-sete-areas-da-saude-vitaminadas-no-mercado- 8284314>. Acesso em: 03 de junho de 2014. 17 selecionado(s), de modo que os clientes reconheçam os benefícios oferecidos pela empresa. Para tal, desenvolve uma estratégia de Marketing, única ou diferenciada, que utilizará diversas das variáveis controláveis de Marketing, denominadas Marketing Mix. Ao final do processo (implementação e controle), serão avaliados os resultados e realizadas as correções necessárias. Sem o controle, as empresas estarão dando tiros no escuro, agindo de forma pouco profissional e de grande risco. O processo, então, recomeça... Por si só, a aplicação do processo de Marketing de forma metodológica em uma organização não é suficiente para que possamos ter sucesso com as estratégias mercadológicas escolhidas. Precisamos também entender se realmente estamos usando um foco contemporâneo no cliente ou se ainda usamos uma visão antiga de Marketing. Vamos então fazer uma pequena comparação entre a percepção antiga de foco no cliente e a percepção atual: Percepção antiga: O cliente tem sempre razão; O bom vendedor vende qualquer coisa; O importante é cada vez mais empurrar coisas para os clientes; Os clientes são todos iguais - gostam sempre de levar vantagens; Vendedor antigo conhece tudo sobre vendas; Nas vendas, vence quem fala mais; 18 Depois da venda feita, adeus cliente. Vejamos então a nova percepção: nem sempre o cliente tem razão, mas assuma como realidade que a contrariedade sem a verdadeira intenção de ouvi-lo e ajudá-lo poderá significar sua perda. Identifique-se com os produtos e linhas e, consequentemente, com os desejos e expectativas dos clientes sobre eles; Upgrade com consciência do poder de compra de cada cliente; Respeite os clientes como seres humanos; A mudança é constante - esteja predisposto a mudar e a evoluir; Saiba chegar e ouvir para depois falar; Fidelizar clientes é muito mais rentável e fácil do que recuperar clientesperdidos. Posicionamento Segundo Kotler (2007), o posicionamento refere-se “à criação de uma percepção favorável do produto em relação aos concorrentes na mente de compradores potenciais”. A resultante que temos desse posicionamento é a própria visão dos potenciais clientes a respeito do que ofertamos, pensadas as outras possibilidades relacionais do cliente. Isso significa que o posicionamento não ocorre apenas na relação clássica de concorrência (produtos similares) ou de produtos substitutos de mesmo mercado, como previa Porter na década de 80. De forma expandida, como preconizado nas décadas seguintes, o substituto pode 19 advir de outros mercados e ser produto ou serviço independente do que esteja substituindo. Dessa forma, é imprescindível, para que o posicionamento tenha sucesso, que os clientes potenciais conheçam o produto/serviço e respectivas necessidades/desejos que ele pretende suprir. Para a realização do posicionamento de um produto, pode-se utilizar uma combinação de variáveis controláveis de Marketing denominada Composto de Marketing ou Marketing Mix, combinação indicada pela quase totalidade das referências da área de Marketing disponíveis atualmente: Produto; Preço; Ponto ou distribuição (place); Promoção. Segundo Kotler (2007), essa combinação proporcionará um esforço integrado que, em longo prazo, resultará no desenvolvimento de uma identidade da empresa, bem como de seus produtos e serviços. Vamos então detalhar alguns conceitos relacionados a elas: Produto O produto refere-se à identificação das características (físicas ou intangíveis) que representam o que ofertamos ao cliente. O que o produto deve conter conceitualmente: Características Tipos Qualidade Design Serviços Garantia 20 Embalagem Tamanhos Marca Devoluções Acesse nossa galeria de vídeos e veja como a caracterização bem focada de um produto somente é possível com uma identidade construída do mesmo (a marca McDonald´s e seu produto principal observados no McDonald's Marketing casestudy). Como podemos ver, o foco nas características do produto ofertado auxilia a construir uma identidade para o cliente. Produtos Tangíveis versus Produtos Intangíveis Precisa ser tangível? Claro que não! Na área de saúde temos muito mais intangibilidade do que materialidade, e nem por isso deixamos de perceber que temos produtos ou serviços! Vejamos, a seguir, alguns vídeos que buscam evidenciar essas diferenças quanto à tangibilidade: Produto tangível: Remédios Animados. Produto intangível: Comercial - UNIMED Viver Bem. Podemos então concluir que um produto é tudo aquilo que pode ser utilizado para satisfazer necessidades e desejos dos consumidores. Tanto faz se o produto é tangível ou intangível. Produtos tangíveis são aqueles que podem ser vistos, tocados, experimentados e avaliados antes de sua produção, como sal, refrigerante, detergentes, automóveis e cosméticos. Ponto (Distribuição) 21 Além das preocupações inerentes à linha de produtos da empresa, ela deve ainda se preocupar também quanto à localização de seus produtos em locais de fácil acesso para o consumidor. Dessa forma, aparece o segundo grupo de decisões importantes para Marketing: Decisões de Distribuição Canais Transporte Cobertura Estoque Sortimento Localizações Preço Uma vez que os produtos certos estejam à disposição dos clientes certos, haverá ainda a necessidade de viabilizar a oferta dos produtos por meio de preços atrativos e justos. É apropriado lembrar que a demanda é a necessidade de um produto respaldada pelo poder aquisitivo do consumidor. Se o preço não for consistente com a estratégia genérica da empresa, ele pode inviabilizar o processo de troca. Dentro desse grupo (composto de preços), as seguintes variáveis podem ser encontradas: Decisões de Preço Preço de Lista Condições de Crédito Descontos Prazo de Pagamento Reduções É bom lembrar que o preço ajudará a desenvolver a imagem da empresa. Um produto que possui elevada qualidade e prestígio deverá, obrigatoriamente, apresentar elevado preço de compra. Os clientes costumam associar qualidade a preço; caso o produto possua preço baixo, poderá ser percebido como possuidor de baixa qualidade. Promoção 22 Uma vez configurado o contexto dentro do qual será oferecido um produto, cabe ainda comunicar esse produto aos seus potenciais clientes, oferecendo um motivo justo (às vezes racional, às vezes emocional) para fazer com que os clientes busquem esse produto. Dentro do composto promocional (ou de comunicação) das organizações, podem ser encontradas as seguintes ferramentas: Decisões de Promoção Propaganda Publicidade Promoção de Vendas Merchandising Venda Pessoal Relações Públicas Marketing Direto Marketing On-line Material complementar Veja o vídeo História da Propaganda de Medicamentos disponível em nossa galeria de vídeos. Consulte os links abaixo: Portal do Marketing: <http://www.portaldoMarketing.com.br/>. Link Revista Marketing digital: <http://www.revistaMarketing.com.br/>. Link da Associação Brasileira de Marketing e Negócios: <http://www.abmn.com.br/menu/index.asp>. Leia os artigos abaixo disponíveis em nossa biblioteca virtual: Sistemas de Informação de Marketing; Pesquisa de Marketing; 23 Seleção de Mercados alvo. Referências DRUCKER, Peter. Tecnologia, gerência e sociedade. Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 1958. [Edição Brasileira de 1971.] KOTLER, P. Administração de Marketing. São Paulo, Person, 2007. LEVITT, Theodore. A imaginação de Marketing. São Paulo: Atlas, 1990. p. 147-174. PORTER, Michael E. Estratégia competitiva. Rio de Janeiro: Ed. Campus, 1986. Exercícios de fixação Questão 1 Em relação aos conceitos de Marketing estudados, assinale a seguir verdadeira (V) ou falsa (F) para cada assertiva: ( ) Uma necessidade humana é um estado de atendimento de alguma satisfação básica. ( ) Utilidade é a estimativa do cliente da capacidade total dos produtos em satisfazer suas necessidades. ( ) Valor é a utilidade apresentada proporcionalmente a cada centavo aplicado no produto. Questão 2 24 Estudamos diversos conceitos mercadológicos relacionados aos indivíduos e às suas relações com as organizações. Em relação aos conceitos de desejos e necessidades, é correto afirmar que: a) Desejo é um estado de privação de alguma satisfação básica; b) Demandas são vontades para satisfações específicas das necessidades profundas; c) Necessidades são desejos de produtos específicos apoiados na habilidade e na vontade de comprá-los; d) Desejos se tornam demanda, quando são respaldados pelo poder de compra; e) Desejo é resultado direto de satisfação obtida. Questão 3 Estudamos diversos conceitos mercadológicos relacionados aos indivíduos e às suas relações com as organizações. Em relação aos conceitos de produtos, serviços, utilidade e valor, é correto afirmar que: a) Qualquer coisa que possa ser oferecida a alguém para satisfazer uma necessidade ou desejo pode ser considerada produto ou serviço; b) Valor é a estimativa que o cliente faz da capacidade total dos produtos em satisfazer suas necessidades; c) Utilidade consiste na avaliação subjetiva de um conjunto de benefícios recebidos em troca dos gastosefetuados para obtê-los. Questão 4 25 Em relação às afirmativas abaixo relacionadas a conceitos básicos de Marketing, cada uma delas pode ser verdadeira ou falsa. Assinale a alternativa correta: I. O conceito de Marketing afirma que a chave para atingir os objetivos da organização consiste em determinar as necessidades e os desejos dos mercados-alvo e satisfazê-los mais eficaz e eficientemente do que os concorrentes. II. As empresas agem melhor quando definem os limites de seus mercados com cuidado e preparam um plano de Marketing específico para cada mercado-alvo (ênfase no mercado). a) I e II verdadeiras; b) I - verdadeira, II – falsa; c) I - falsa, II – verdadeira; d) I e II falsas. Questão 5 Em relação às afirmativas abaixo relacionadas a conceitos básicos de Marketing, cada uma delas pode ser verdadeira ou falsa. Assinale a alternativa correta: I. A orientação para o cliente requer que a empresa defina bem as necessidades do cliente, a partir do próprio cliente e a partir de si mesma, pois todo produto envolve dificuldades, e a administração não vai saber isso sem falar com os clientes e pesquisá-los. II. Marketing deve estar bem integrado com outros departamentos da empresa: Marketing não funciona se for um mero departamento, só funciona quando todos os funcionários reconhecem a importância da satisfação do consumidor. 26 a) I e II verdadeiras; b) I - verdadeira, II – falsa; c) I - falsa, II – verdadeira; d) I e II falsas. Questão 6 Em relação aos conceitos de processo de Marketing, assinale verdadeiro (V) ou falso (F) nas assertivas a seguir: a) ( ) O ponto de partida do Marketing é a pesquisa. A pesquisa de Marketing deverá identificar oportunidades de Marketing, possibilidades de oferecer produtos e serviços, de modo a explorar uma necessidade latente ou mal atendida; b) ( ) Um Sistema de Informação de Marketing é um sistema que associa informações de desempenho a resultados de pesquisas de Marketing, de modo a oferecer um fluxo contínuo de informações aos executivos de Marketing de uma organização. 27 c) ( ) Após a identificação dos segmentos de mercado (segmentação), e a seleção do mercado-alvo, a empresa deverá apenas acompanhar o faturamento da organização. Questão 7 Em relação ao processo de Marketing, é correto afirmar que: a) Uma vez executado o processo, ele não deve mais ser avaliado; b) O ponto de partida do Marketing é a pesquisa; c) A segmentação e a implementação ocorrem simultaneamente; d) O ponto é um dos elementos do processo. Questão 8 Em relação às afirmativas abaixo relacionadas ao processo de Marketing, cada uma delas pode ser verdadeira ou falsa. Assinale a alternativa correta: I. O cliente avalia a utilidade dos produtos subjetivamente, considerando a percepção que tem de cada um dos componentes do composto de Marketing. II. Diferentes produtos/serviços apresentam diferentes níveis de precificação, que estão relacionados a como o mercado necessita deles. Isso é evidenciado tanto na questão do preço quanto na questão da promoção. 28 a) I e II verdadeiras; b) I - verdadeira, II – falsa; c) I - falsa, II – verdadeira; d) I e II falsas. Questão 9 Em relação aos conceitos de Mix de Marketing, assinale verdadeiro (V) ou falso (F) nas assertivas a seguir: ( ) O esforço de Marketing subsequente à escolha de um produto ou serviço será uma consequência dessa escolha; ( ) Em relação ao ciclo de vida do produto, o estágio de maturidade do mercado é a fase quando as vendas crescem rapidamente juntamente com os lucros, que passarão a cair; ( ) Em relação aos objetivos de preços, podemos afirmar que o preço orientado para a situação de mercado busca o crescimento de participação de mercado. Questão 10 Em relação aos diversos níveis de produto, podemos afirmar que a coisa básica em si, o produto físico, tangível, é denominada de produto: a) Ampliado; b) Esperado; c) Genérico; d) Potencial. 29 Introdução Neste material, vamos identificar conceitos relacionados à influência do comportamento do consumidor nas relações de Marketing em saúde e explicitar algumas estratégias mercadológicas de segmentação e posicionamento, bem como vantagens e desvantagens. Conhecer o cliente que atendemos! 30 Esse, sem dúvida, é um dos focos na elaboração de uma estratégia mercadológica. Assim, podemos entender seus requisitos de atendimento e focar nossos recursos e ações no que realmente vai gerar impacto na percepção do cliente sobre o que estamos entregando. No cenário em que a área de saúde está inserida, o paciente é ator ativo de seu próprio processo de transformação, simultaneamente com sua condição de cliente do atendimento prestado. Conhecer o comportamento do consumidor (o paciente), antes mesmo da ocorrência de interação com a organização de saúde que o transformará, é essencial para que se estabeleça e se mantenha uma relação sustentável no tempo, independente de estarmos falando do SUS ou da saúde suplementar. Escolher o que vamos ser para o cliente é o passo para sabermos o que vamos poder atingir estrategicamente. Esse é o desafio! Objetivos: 1. Construir conceitos correlacionados ao Marketing e relacionados à influência do comportamento do consumidor; 2. Conhecer as estratégias mercadológicas de segmentação e posicionamento. 31 Conteúdo Construção de Conceitos Inicialmente, construiremos conceitos relacionados às características que influem no comportamento dos pacientes como consumidores de serviços de saúde, e o próprio papel do paciente como sendo consumidor de serviços de saúde. Levaremos em consideração seu comportamento como cliente tanto quando efetua compras relacionadas à área de saúde e é ele próprio o decisor como quando, embora seja paciente do serviço, não é o decisor de compra, ou é quem efetua a retribuição financeira pela prestação de serviço. Será que nosso olhar de gestor consegue entender o que o cliente deseja ou sonha? Mesmo na fragilidade da percepção de perda de saúde, o cliente possui uma visão de relação com o serviço que o atende, elementos que precisamos conhecer e entender. Prahalad, em 2004, ao abordar a mudança do papel do consumidor e apontar como um novo foco para o século XXI a co-criação de valor, indica que nas relações consumidor-empresa estamos vivenciando uma realidade emergente de co-criação de valor. O exemplo é a possibilidade tecnológica de que uma empresa que produza marca-passos possa ajustar as funções neles necessárias à distância e após implantação no paciente, por meio de informações passadas ao paciente durante a utilização, visando a gerar mais conforto e qualidade de vida ao paciente (adaptado de PRAHALAD, 2004. p. 19-20). Acesse a biblioteca virtual e conheça o fabricante do item utilizado no exemplo acima. Embora a tecnologia seja fundamental no exemplo dado, o fundamental é conhecer o que o cliente pensa e vê. Assista ao vídeo Colocando-se no lugar do cliente disponível em nossa galeria de vídeos. 32 E o que estamos fazendo na área de saúde para conseguir atingir isso? O consumidor por dentro: Entender o comportamento do cliente envolve focar as relaçõesde troca realizadas em todas as situações possíveis, independente da tangibilidade delas, discriminadamente as seguintes relações: entre indivíduos, entre indivíduo e um grupo social não formal (grupos informais que coexistem nas organizações), entre indivíduo e grupos sociais formais (organizações), e entre grupos sociais (o indivíduo pertencendo a um deles pelo menos). As relações de troca envolvem processos, seleção, compra ou uso de produtos, serviços (saúde, como no nosso caso), ideias ou experiências (turismo, por exemplo) para satisfazer necessidades e desejos. Assim, a ideia central do estudo do comportamento do consumidor é especificamente a troca (relacionamento). Para entendermos melhor esse comportamento, também utilizamos ferramental de pesquisa de mercado. Existem diversas situações em que a observação e o entendimento do consumidor precisam ser entendidos de uma forma coletiva, pois, embora ele seja atendido de forma individual, se comporta como pertencente a um grupo social maior. Um exemplo típico na área de saúde: em uma situação de atendimento, podemos nos relacionar apenas com o paciente ou, além dele, com familiares e/ou amigos que co- participam do atendimento. Nem sempre conseguimos perceber claramente se o cliente se comporta de maneira isolada ou como parte de uma coletividade, sendo isso importante para que não tenhamos distorções não desejadas nas ações de marketing que empreendemos. 33 Essa percepção estratégica é importante para que não tenhamos o que a área de Marketing caracteriza como a “miopia de marketing” relacionada à construção da percepção do que o cliente precisa, havendo erroneamente uma percepção orientada ao produto/serviço e não ao requisito do cliente (adaptado de KOTLER, 2007. p. 40). Esse conceito aparece inicialmente em 1960, em artigo de Theodore Levitt. Acesse a biblioteca virtual e consulte o artigo “Miopia em marketing”. Podemos ainda expandir esse conceito para os dias atuais; vejamos os exemplos citados no artigo “Caso Mesbla e Nintendo” - acesse a biblioteca virtual e conheça. A maioria dos autores da área de Marketing defende que esse estudo do comportamento do consumidor gera impactos diretos na (no): a) Análise do ambiente (função estratégica); b) Pesquisa de mercado (posicionamento estratégico); c) Segmentação de mercado (escolha estratégica); d) Posicionamento de produto/serviço (posicionamento estratégico). Essas atividades serão desdobradas ao longo desta e da próxima aula. Inicialmente, vamos detalhar um pouco mais o que é uma análise ambiental (assunto também explorado na disciplina de Planejamento Estratégico). Ressalta-se que sem entendermos o comportamento do consumidor não conseguimos realmente fazer a análise ambiental. O cliente é uma variável ambiental não controlável (relacionando ele à organização como um sistema aberto), e, por isso, seu estudo deve ser realizado na forma de variável ambiental, o que permite, por exemplo, usar ferramentas de planejamento estratégico da escola de posicionamento (Escola de Porter), como a matriz SWOT e a análise de 5 forças de Porter. 34 Escola de Posicionamento: Essa escola de estratégia tem como premissas (adaptado de MINTZBERG, 1998): a) Estratégias são posições genéricas identificáveis no mercado; b) O contexto econômico do mercado é de competição; c) O processo de formulação estratégica é focado em seleção de posições; d) Análise ambiental é requerida; e) A orientação da estratégia é do mercado para a estrutura organizacional, sendo ele o grande fomentador da mudança estrutural. MATRIZ SWOT: “SWOT é a sigla dos termos ingleses Strengths (Forças), Weaknesses (Fraquezas), Opportunities (Oportunidades) e Threats (Ameaças). Em Administração de Empresas, a Análise SWOT é um importante instrumento utilizado para planejamento estratégico que consiste em recolher dados importantes que caracterizam o ambiente interno (forças e fraquezas) e externo (oportunidades e ameaças) da empresa. A Análise SWOT é uma ferramenta utilizada para fazer análise ambiental, sendo a base da gestão e do planejamento estratégico em uma empresa ou instituição. Graças à sua simplicidade, pode ser utilizada para qualquer tipo de análise de cenário, desde a criação de um blog à gestão de uma multinacional. Esse é o exemplo de um sistema simples destinado a posicionar ou verificar a posição estratégica da empresa/instituição no ambiente em questão.”5 5 CABRAL, Paulo; FRAZÃO, Dilva Guimarães. Significados. SWOT. Disponível em: <http://www.significados.com.br/swot/>. Acesso em: 04 de junho de 2014. 35 Análise das 5 Forças de Porter: O modelo de Porter para análise competitiva identifica cinco forças que são: a ameaça de novos entrantes, poder de barganha dos fornecedores de empresa, poder de barganha dos clientes da empresa, ameaça de produtos substitutos, e a intensidade da rivalidade entre empresas concorrentes. (PORTER, 1986) Como fazemos então essa análise? Nesse tipo de análise utilizado pela escola de posicionamento, tudo que está no ambiente não se controla, mas se monitora e se busca influenciar. Contudo, tudo que está na organização se controla, e por isso o gestor tem papel fundamental na gerência com a qual está relacionado. Devemos pensar no cliente como consumidor; “se não posso controlá-lo, posso influenciá-lo! E de que forma?”. Com Fatores psicológicos: Seguindo características individuais de cada consumidor (fatores emocionais, de aprendizagem, sociais, motivacionais, etc.), busca-se atender as necessidades e os desejos dos consumidores, como vimos conceitualmente na aula anterior. Ao efetuar compras, o cliente pode priorizar fatores de escolha relacionados de forma mais intensa a fatores psicológicos individuais do que ao produto/serviço. Por exemplo: um cliente escolhe uma farmácia para comprar produtos ligados à saúde por ter tido experiências emocionalmente positivas de relacionamento com a farmácia, independente do produto do qual necessita6. 6 FEBRAFAR. Pesquisa revela o comportamento do consumidor nas farmácias e drogarias. Disponível em <http://www.febrafar.com.br/index.php?cat_id=5&pag_id=5825>. Acesso em 04 de junho de 2014. 36 Fatores Socioculturais: Pensando nas características socioculturais (relativas à coletividade na qual o consumidor se encontra inserido), temos os seguintes fatores: família, grupo social, cultura e sociedade. A literatura da área de Marketing aponta alguns fatores culturais que afetam o comportamento do consumidor (adaptado de KOTLER, 2007), como apresentado a seguir: Demográficos; Valores compartilhados; Comunicações não verbais; Linguagem no grupo social em que está inserido. Podemos pensar no contexto automobilístico, a fim de compreender como as escolhas são multideterminadas: compram-se veículos das marcas Audi ou Jaguar não somente por causa de seus atributos magníficos, mas, também, pelo seu status. São considerados bens que “mexem” com o consumidor, pelas suas características. Veja os vídeos (Audi e Jaguar) em nossa galeria de vídeos. Fatores Situacionais: Consumimos também devido a fatores situacionais, que dizem respeito ao ambiente e ao momento da compra. E somos influenciados por estímulos de Marketing, no momento da compra. E na área de saúde, qual a fronteira limítrofe disso? Leia o artigo “A Publicidadedo Medicamento no Ponto de Venda e suas Implicações em Relação ao Consumo” em nossa biblioteca virtual. E os consumidores são todos iguais ou podemos identificar tipos diferentes? A literatura identifica de uma forma ampla o consumidor final ou consumidor pessoal (B2C - Business to consumer, relação entre empresa e consumidor) e, do outro lado, o consumidor organizacional (B2B - Business to Business, 37 relação entre empresas). Observa-se que a compra organizacional tende a ser mais voltada para custos e benefícios, já a compra física é mais emocional, psicológica. Como entender isso em saúde? O cliente como paciente vai estar enquadrado como B2C; mas temos relações B2B, quando focamos a organização de saúde interagindo com seus fornecedores de insumos de saúde. Também nas relações de terceirização nas organizações de saúde temos uma perspectiva B2B. E como é o consumidor do século XXI? O consumidor do século XXI procura consumir produtos/serviços que sejam: Mais inteligentes; Melhores; Mais baratos; Mais velozes; Menores; Mais elegantes. Cada vez mais, o valor agregado é medido pelo sucesso alcançado pelo cliente. Mas isso é novo? Vejamos a citação a seguir: “Tudo vale o que seu comprador pagar por ele.” (Publilius Syrus, primeiro século A.C.). A seguinte reflexão gera ainda mais dúvidas: como você define valor?; é possível medir valor?; e o que seus serviços valem realmente, para os clientes? Modelos de valor para clientes Podemos tê-los por representações numéricas, em termos monetários. Nesse caso, podem ser baseados em avaliações de custos e benefícios, de uma dada oferta de mercado, ou em uma aplicação específica do cliente. 38 Construção de Valor O método mais utilizado para a construção de modelos de valor para cliente é a avaliação de valor em campo (ou estudo de valor-em-uso ou de custo-em- uso). Tenha uma equipe de pesquisa de valor, selecione o segmento certo do mercado-alvo e construa uma listagem completa de elementos de valor. Elementos de valor: qualquer coisa que afete os custos e os benefícios ao cliente. Podem ser de natureza técnica, econômica, de serviço, ou social, e variar em sua tangibilidade. Basta isso? Não! a) Descubra ralos de valor: Ralos de valor são serviços que custam mais para prestarmos do que valem para o cliente receber, não tendo importância estratégica. b) Desenvolva novos e melhores produtos ou serviços: Saber que uma melhoria, em alguma função, é importante, não significa que o cliente está disposto a pagar por ela. Quando, por exemplo, se introduz nova tecnologia no mercado, o modelo de valor deve demonstrar para o cliente como essa tecnologia pode fornecer mais valor para ele. Quando se está desenvolvendo uma nova oferta, em resposta a pedidos ou exigências de clientes, pode-se usar uma avaliação de valor para determinar quais as melhorias que são válidas e quais as que são prioritárias. c) Conquiste clientes: Se o que oferecemos no mercado é bom para nossos clientes, por que não pode ser bom também para aqueles que têm a mesma necessidade e ainda não são nossos clientes? d) Mantenha relacionamento com clientes: 39 Não basta conquistar novos clientes, mas continuamente manter os que já conquistamos. Uma das formas é fornecer mais valor e obter retorno justo para cliente e organização. Estratégias Mercadológicas de Segmentação e Posicionamento Para podermos construir estratégias que relacionem segmentação e posicionamento, precisamos inicialmente entender como se pode segmentar um mercado, para a partir daí nos posicionarmos. De uma forma bem ampla, na área de saúde temos organizações que atuam na produção de fármacos (que denominamos de forma geral como indústria farmacêutica), temos organizações diversas que fornecem insumos consumíveis e equipamentos para a infraestrutura das organizações que atuam em saúde, temos as próprias organizações que atuam nas relações de doença x cura, prevenção ou promoção de saúde, além dos profissionais da área de saúde que podem fornecer serviços de forma individual ou dentro das organizações. Vejam como a segmentação é complexa. Percebam também que aqui a divisão não ocorre por área pública ou privada. Esse é o primeiro desafio, entender a segmentação de onde estamos inseridos, pois todas estas áreas se relacionam. Conceito de Tipos de Mercado Recorramos à percepção de Kotler para exemplificar alguns tipos de segmentação de mercado (adaptado de KOTLER, 2007): Massa – o fornecedor produz, distribui e promove em massa um produto para todos os compradores. 40 Variedade de Produtos – o fornecedor fabrica dois ou mais produtos para consumidores de gostos diferentes. Segmento – o fornecedor identifica os segmentos de mercado, seleciona um ou mais deles, e desenvolve produtos e compostos de Marketing adequados a cada um. Podemos relacionar a tipologia de Kotler com o que exemplificamos anteriormente na área de saúde? Sim. Parece que a tipologia permite enquadrar o que citamos. Kotler também detalha um conjunto de requisitos para auxiliar no processo de segmentação, vejamos (adaptado de KOTLER, 2007): Mensurabilidade – o tamanho, o poder aquisitivo e os perfis dos segmentos devem ser medidos. Acessibilidade – alcançar e atender os segmentos. Substancialidade – os segmentos precisam ser amplos ou lucrativos para justificar sua ativação. Operacionalidade – deve-se poder planejar programas eficazes para atrair e atender os segmentos. Leia os artigos “Segmentação de mercados da assistência à saúde no Brasil” e “Segmentação Mercadológica dos Clientes de Consultórios Médicos do Setor Privado de Saúde” (disponíveis em nossa biblioteca virtual); neles estão detalhadas visões de segmentação de mercado relacionadas à área de saúde. Por que segmentar então? Vamos utilizar como foco em saúde a escolha estratégica que uma clínica especializada ou um determinado serviço precisa fazer para dimensionar seu 41 escopo de atuação. Nesse caso, podemos considerar a segmentação como um conjunto de escolhas que geram foco nas ações que dirigimos a determinado grupo de clientes. Veja o conceito a seguir (GREGÓRIO, 2009): “Segmentar significa dividir os pacientes potenciais em grupos menores de pessoas, de acordo com características e comportamentos semelhantes, a fim de focar as ações e os serviços oferecidos a um destes grupos.”. Conceitos de Posicionamento Concomitante com o entendimento de segmentação, devemos também buscar estabelecer um posicionamento estratégico junto ao mercado em que atuamos. A resultante desse posicionamento é observada pela ótica do cliente. O cliente nos percebe como alternativa frente a outras opções que dispõe. Essas alternativas podem tanto ser econômicas quanto tecnológicas ou de acesso. Vejamos um conceito de posicionamento: “Ato de desenvolver a oferta e a imagem da empresa, de maneira que ocupem uma posição competitiva distinta e significativa nas mentes dos consumidores alvo.” (KOTLER, 2007). Há vários tipos de diferenciações por posicionamento já consagrados na literatura mercadológica, vejamos alguns deles: Por Concorrentes Faz-se trazendo como foco a comparação com concorrentes. Escolhe-se uma ou mais dimensões perceptíveis do nosso produto/serviço e trabalha-se mercadologicamente a comparação com os concorrentes visando a estabelecer uma influência de preferênciaao cliente. Vejamos alguns exemplos nos vídeos SBT: Liderança absoluta no segundo lugar e Bombril: é melhor, disponíveis em nossa galeria de vídeos. 42 Por Atributos Podemos posicionar um produto/serviço com base em seus atributos, como características específicas. Uma farmácia “24 horas”, por exemplo, poderia anunciar a conveniência como seu principal atributo. Alguns exemplos podem ser vistos nos vídeos Drogarias Boa Saúde; Farmácia São Lourenço e Farmácia La Buena, disponíveis em nossa galeria de vídeos. Pelo uso ou aplicação Podemos fazer o posicionamento pelo uso ou aplicação. A VISA se posicionou oferecendo um cartão de débito cuja facilidade é a de não ser necessário possuir dinheiro em mãos ou lidar com troco de compras. Interessante o vínculo do uso com a marca, embora todos os cartões de débito tenham a mesma utilização. Veja exemplos em nossa galeria de vídeos: Comercial Visa - Bala de troco e Ficar na Fila. Por Usuário Também podemos posicionar o produto ou serviço quando ele é destinado a determinado grupo de usuários. Como exemplo, pode-se pensar em uma lâmina de barbear para homens ou mulheres (Gillete Sensor); veja os vídeos Gillette Sensor Commercial e Gillette for Women em nossa galeria de vídeos. Ou então um xampu especifico para homens (quando normalmente o mercado foca isso no público feminino), veja exemplo no vídeo Usou o shampoo da namorada. Posicionamento por Classe de Produto Um produto pode ser posicionado em relação a outras classes de produtos. Um xampu anticaspa pode ter um posicionamento específico. Veja o vídeo Joel Santana fala inglês em comercial de shampoo, em nossa galeria de vídeos. Independente da tipologia de posicionamento que tivermos, para que se tenha sucesso, os clientes potenciais precisam conhecer o produto ou serviço 43 e o que eles pretendem suprir. Isso envolve: comunicação eficiente, disponibilidade no mercado e preço que seja percebido como acessível, a partir da posição que a organização explicita ao seu cliente, bem como o próprio valor que ele percebe em relação ao contexto. Para finalizarmos esta aula, vamos fazer um estudo comparativo. Leia os arquivos (Visão de 1983 e Visão de 2002) disponíveis em nossa biblioteca virtual. Neles há um estudo sobre estratégias mercadológicas em indústria farmacêutica feito em 1983. Quase 20 anos depois (2002), quando da realização do estudo, já havia mudanças. E, nos dias atuais, a visão mercadológica se mostra ainda pertinente? Em um primeiro momento, podemos não visualizar esse tempo como um ciclo similar ao ciclo de vida de um bem de consumo, mas quando desdobramos o tempo como conjunto de ciclos tecnológicos que concorrem simultaneamente, podemos começar a perceber a possibilidade do tratamento estratégico mercadológico de cada ciclo unitário de forma similar a já utilizada na gestão empresarial. Reflita sobre essa comparação e pesquise sobre o que vem sendo possível fazer atualmente; e traga a sua reflexão para discussão no fórum da aula. Atividade proposta Em relação aos requisitos para auxiliar no processo de segmentação, enumere as opções abaixo de acordo com o termo correto: 1. Coluna da esquerda: 2. Mensurabilidade 3. Acessibilidade 4. Substancialidade 5. Operacionalidade 44 Coluna da direita: ( ) Alcançar e atender os segmentos. ( ) O tamanho, o poder aquisitivo e os perfis dos segmentos devem ser medidos. ( ) Deve-se poder planejar programas eficazes para atrair e atender os segmentos. ( ) Os segmentos precisam ser amplos ou lucrativos para justificar sua ativação. Material complementar Leia os seguintes artigos disponíveis em nossa biblioteca virtual: “Miopia em Marketing no Segmento Hospitalar no Brasil”; “Estrutura do mercado do setor de saúde suplementar no Brasil”; “Revisitando o posicionamento estratégico de Marketing”; “Comportamento do Consumidor: Fatores que influenciam no processo de decisão de compra dos consumidores”. Referências GREGÓRIO, R. Marketing médico. Rio de Janeiro: DOC, 2009. KOTLER, P. Administração de marketing. São Paulo: Person, 2007. MINTZBERG, Henry et al. Safari de estratégia. Porto Alegre: Ed. Bookman, 1998. 45 PORTER, Michael. Estratégia competitiva. Rio de Janeiro: Ed. Campus, 1986. PRAHALAD, C.K.; RAMASWAMY, Ventak, O futuro da competição. Rio de Janeiro: Ed. Campus Elsevier, 2004. Exercícios de fixação Questão 1 Em relação aos conceitos de comportamento do consumidor estudados na aula, assinale verdadeiro (V) ou falso (F) nas assertivas a seguir: ( ) Conhecer o cliente que atendemos é um dos focos na elaboração de uma estratégica mercadológica. ( ) O foco central de comportamento do consumidor é justamente troca (relacionamento). ( ) O estudo do comportamento é importante para que possamos sair do Marketing reativo para o Marketing pró-ativo. ( ) Marketing possui como foco central os processos da organização. 46 Questão 2 Considerando os conceitos estudados em relação aos processos mercadológicos, podemos afirmar que: a) Uma vez que um processo mercadológico tenha iniciado a sua execução, ele não deve mais ser avaliado. b) A pesquisa de mercado é um dos principais pontos de partida para a construção de uma estratégia mercadológica. c) O comportamento do consumidor somente é conhecido após ele efetivar alguma relação de troca com a organização. d) Somente se busca realizar uma pesquisa de mercado após termos toda a estratégia mercadológica prontificada e implementada, com o objetivo de validar a escolha estratégica. e) Utiliza-se a pesquisa de mercado apenas como forma de avaliação de uma estratégia mercadológica escolhida e implementada. 47 Questão 3 Um modelo estratégico mercadológico pode ser percebido como um sistema na organização. Podemos conceituar como um dos subsistemas desse modelo, um subsistema de Informação de Marketing e defini-lo como um conjunto de pessoas, equipamentos e procedimentos com a finalidade de coletar, selecionar, analisar, avaliar e distribuir informações mercadológicas que sejam necessárias, oportunas e precisas e tenham a finalidade de auxiliar os tomadores de decisões nas escolhas que precisem realizar. Esse modelo possui diversas variáveis de interesse para nós gestores, entre elas algumas que são consideradas variáveis de decisão mercadológica. Nas alternativas a seguir, indique a única opção que NÃO contém uma variável utilizada para tomada de decisão em uma estratégia mercadológica focada no cliente: a) Preço do produto/serviço. b) Especificação do produto/serviço. c) Consumo de energia elétrica da organização. d) Pontos de distribuição/prestação do serviço. e) Qualidade do atendimento. 48 Questão 4 Em relação ao que estudamos relacionado ao comportamento do paciente como consumidor podemos afirmar que: a) A ideia central de comportamento do consumidor está focada no estudo das relações de troca (relacionamento). b) O estudo do comportamento do consumidor é importante para que possamos sair da visão antiga de Marketing ativo para a percepção atual de Marketing reativo. c) O comportamento do consumidor e a pesquisa de mercado são atividadesdistintas e independentes. d) O paciente como consumidor é um elemento que fica distante da organização de saúde, somente interagindo com ela após os processos de transformação realizados na organização ocorrerem. Nosso principal contato com ele é após a realização do serviço. e) O foco da escolha estratégica não deve estar associado ao paciente, pois ele irá ter um atendimento (tanto para a entrega de determinado produto ou para a prestação de um serviço) estritamente padronizado pelo procedimento realizado (ou produto entregue). 49 Questão 5 Em relação ao que podemos criar de valor para o paciente, utilizando a ótica do comportamento do consumidor podemos afirmar que: a) O paciente somente percebe valor no preço do produto/serviço. b) Em condições de preços, qualidade ofertada e prazo de atendimento iguais, o paciente prioriza aquilo que pode lhe trazer mais experiências agradáveis. c) A criação de valor é apenas e exclusivamente determinada pela organização a que o paciente recorre. d) A percepção de criação de valor pelo paciente ocorre integralmente antes do atendimento e por isso devemos praticar constantemente pesquisa de mercado. e) Preço, qualidade e prazo de atendimento são variáveis que sempre atuam de forma inversamente proporcional e por isso não afetam o processo de criação de valor para o paciente. Questão 6 Em relação aos conceitos de segmentação e posicionamento estudados, assinale verdadeiro (V) ou falso (F) nas assertivas a seguir: a) ( ) Uma parte das estratégias de posicionamento inclui o posicionamento de um produto em comparação com marcas concorrentes. b) ( ) A comparação com os concorrentes é implícita, e tenta-se influenciar os compradores potenciais sobre um produto ou serviço ser melhor do que aqueles dos líderes de mercado em uma ou mais dimensões. c) ( ) Um produto ou serviço pode ser posicionado em relação a outras classes de produtos. d) ( ) A prestação de serviços é um produto tangível na ótica mercadológica. 50 Questão 7 Em relação ao estudo de segmentação e posicionamento realizado, podemos afirmar que: a) Podemos posicionar um produto com base em seus atributos, como características do produto. Uma farmácia “24 horas”, por exemplo, poderia anunciar a conveniência como seu principal atributo. b) Posicionamento é o ato de desenvolver a demanda e a imagem da empresa, de maneira que ocupe uma posição fixa nas mentes dos consumidores alvo. c) Para que o posicionamento tenha sucesso, os clientes potenciais não precisam conhecer o produto nem as necessidades ou desejos que ele pretende suprir. Basta gerar demanda. d) O posicionamento escolhido pela organização independe do que se colhe em pesquisa de mercado e de comportamento do consumidor, por ser uma escolha exclusiva da organização. e) Podemos escolher estrategicamente um posicionamento sem associá-lo a uma análise de segmentação de mercado, pois ele sempre vai servir para qualquer segmentação escolhida. 51 Questão 8 Relacionadas a conceitos mercadológicos que estudamos na aula, cada uma das afirmativas abaixo pode ser verdadeira (V) ou falsa (F). Assinale a alternativa que possui corretamente a sequência de verdadeiros e/ou: I. Considerando os conceitos mercadológicos que estudamos, podemos afirmar que a chave para atingir os objetivos da organização consiste em determinar as necessidades e os desejos dos mercados que focamos e satisfazê-los mais eficaz e eficientemente do que os concorrentes. II. As organizações têm melhor ação mercadológica quando definem com cuidado os limites dos mercados que atuam e estabelecem estratégia mercadológica específica para ele (ênfase no mercado). III. A Estratégia mercadológica não precisa estar integrada com os diversos setores da organização: funciona se apenas o departamento de Marketing se preocupar e independentemente de os funcionários da organização reconhecerem ou não a importância da satisfação do consumidor. a) I e II verdadeiras. b) I, II e III - verdadeiras. c) I e III - falsa, II - verdadeira. d) I e II falsas, III - verdadeira. e) I – verdadeira, II e III - falsas. 52 Questão 9 Em relação às afirmativas, apresentadas a seguir, relacionadas a conceitos mercadológicos que estudamos, cada uma delas pode ser verdadeira (V) ou falsa (F). Assinale a alternativa que possui corretamente a sequência de verdadeiros e/ou falsos: I. A orientação para o cliente requer que a empresa defina bem os requisitos a atender, a partir do próprio cliente e de si mesma. II. O ponto de partida de uma estratégia mercadológica sempre ocorre a partir das disponibilidades de recursos de uma organização, independentemente da ótica do cliente. III. Uma estratégia mercadológica auxilia as organizações a atingirem seus objetivos. No caso de organizações com fins lucrativos, um dos principais objetivos possíveis é a sustentação de lucratividade ao longo do tempo. No caso de organizações públicas e sem fins lucrativos, o lucro pode ser entendido como a capacidade de maximizar o atendimento (ampliação do acesso) com um padrão de qualidade estabelecido utilizando os recursos financeiros que estiverem disponíveis. a) I e II verdadeiras, III - falsa. b) I e III - verdadeiras, II - falsa. c) I e III falsas, II - verdadeira. d) I, II e III falsas. 53 Questão 10 Existem vários tipos de diferenciações por posicionamento já consagrados na literatura mercadológica; quando ele é destinado a determinado grupo de clientes é chamado de posicionamento: a) Por concorrente. b) Por atributos. c) Pelo uso. d) Por classe de produtos/serviços. e) Por usuário. 54 Introdução Neste material, você compreenderá como podemos entender as estratégias mercadológicas focadas em prestação de serviços e conhecer a modelagem, implementação e controle de um Plano Mercadológico. Embora uma boa parte do que desdobramos nas duas primeiras aulas tenha aplicação tanto em relação a produtos quanto a serviços, existem vários aspectos que se mostram relacionados de forma mais direta à prestação de serviços. Um destes aspectos é a intangibilidade dos serviços em relação aos produtos. Outro aspecto é a própria percepção de relação entre a organização e os seus clientes no sentido dinâmico da própria relação. Podemos ainda refletir:Como viabilizar que a relação organização x cliente se mantenha focada no cliente e ao mesmo tempo atenda aos diversos objetivos organizacionais? Para podermos construir um entendimento desta relação e aplicarmos à área de saúde, como ponto focal, vamos somar ao que já construímos de conceitos relacionados ao Marketing com os conceitos de marketing de serviços aplicados à área de saúde. Objetivos: 1. Construir conceitos correlacionados ao Marketing de serviços, relacionando-os à área de saúde. 55 Conteúdo Construção de Conceitos Inicialmente, construiremos conceitos relacionados às características que definem o que é um relacionamento do cliente com a organização, e em seguida as especificidades de marketing em serviços de uma forma ampla. Por último, associaremos o que foi construído com a aplicaçãodestes conceitos na área de saúde. Relacionamento com o cliente A correlação entre experimentação do cliente e o seu relacionamento com a organização vem sendo estudada há algumas décadas justamente com o intuito de oferecer às organizações elementos para melhorar esta relação e proporcionar a melhor experiência ao cliente. O Site “Forrester Research” (http://www.forrester.com/home/) realiza pesquisas nesta área desde o século passado e de forma recorrente em seus estudos vem verificando que mais de 70% dos clientes pesquisados consideram que a experimentação que têm com as empresas representa o principal elemento de avaliação em seu relacionamento com elas. Nas pesquisas realizadas ao longo dos anos, construiu-se a ideia de que a experiência do cliente pode ser entendida a partir de algumas dualidades: a) Promessa da Marca X Realidade da Marca; b) Expectativa do Cliente X Realidade da Experiência do Cliente; c) Percepção da relação entre cliente atual X cliente novo, sendo considerados, nesta relação, os seguintes elementos pertencentes a ambos: Interação Consistente, Relação de Confiança, Interação Integrada e Experiência relevante. 56 Adaptado do Artigo: “How Companies Improved Their Customer Experience Index Scores, 2013”, disponível no site: <http://www.forrester.com/home/>. Analisando estas relações, podemos considerar que o maior erro de uma organização é desconhecer que tipo de experiência real que proporcionam a seus clientes em cada instante de relacionamento. Veja o vídeo Harley-Davidson do Brasil disponível em nossa galeria de vídeos para reflexão desta ideia: Conheça mais a história da Harley Davidson: A história da Harley Davidson não diz respeito a manter o sucesso, mas a construí-lo, ou melhor, reconstruí-lo, depois de um grande tombo. Em 1970, a Harley dominava 97% do mercado de motocicletas dos EUA; em 1982, apenas 15,2%. O que aconteceu? 57 Surgiram os concorrentes japoneses oferecendo melhor qualidade. A Harley derramava gasolina, quebrava com facilidade, e tinha essa imagem junto ao público. Seu prejuízo era de US$ 15,5 milhões. Na década de 70, surge a Honda como grande concorrente da Harley Davidson nos EUA. O posicionamento da firma japonesa visava ao oferecimento de um produto de qualidade, com paridade de preço e, o mais importante, que o cidadão americano comum tivesse interesse em utilizar, sentindo-se à vontade para tanto. Definitivamente, como promoveu a Coca-Cola em meados dos 80 em relação ao seu refrigerante líder de mercado, a Honda estava mudando os hábitos de consumo do americano em relação ao transporte sobre duas rodas. A Harley ainda não estava voltada aos anseios do mercado, tinha uma imagem de um transporte para “senhores” radicais, tatuados e arruaceiros, e naquela altura que perdia mercado, não tinha se dado conta do mercado imenso que poderia alcançar com uma mudança de imagem. Mudou-se a direção da empresa – assumida pelos executivos – e esta tinha dois caminhos a tomar: podia ficar culpando os japoneses e chorando, ou assumir a culpa e reagir. 58 A segunda opção foi escolhida e uma volta por cima começou a se esboçar. Curiosamente, a preocupação não foi a de corrigir os problemas técnicos. Houve consenso de que o importante era prestar a atenção ao que os clientes queriam. Ou seja, os problemas técnicos precisavam ser corrigidos, sim, mas por que a ordem passou a ser oferecer aos clientes os produtos e serviços que eles queriam? Richard Teerlink, o executivo que comandou a Harley nessa recuperação, disse que logo que o produto melhorou, publicou um anúncio na mídia com a seguinte frase: “Graças a Deus, elas não soltam mais óleo”. A intenção era ajudar os revendedores a vender as motos. A empresa começou a oferecer test drives para não motociclistas, foram programados grandes encontros para andar de moto – um deles percorreu a lendária Route 66, por exemplo, houve corridas beneficentes, excursões de aventuras e outros tipos de eventos. A experiência ao dirigir a moto Harley-Davidson foi se espalhando pelos EUA. Tratava-se, como disse Teerlink, de uma experiência emocional de estilo de vida. A ferramenta utilizada para definir este estilo de vida foi uma simples relação “o que somos/o que não somos”. “Somos aventureiros, rebeldes, apaixonados, não convencionais, confiantes, divertidos, independentes, sem frescura. Não somos maus, arrogantes, antissociais, superficiais, ligados em moda, "excluidores", repetiu Teerlink. 59 As iniciativas conquistaram tanto os funcionários da Harley como o público. A única vantagem competitiva sustentável está nas pessoas, na opinião de Teerlink – exatamente a mesma opinião vigente na Disney. É preciso transformar a liderança para que se crie um bom ambiente para as pessoas, segundo Teerlink. “Deve-se também investir em capital e sistemas para dar apoio às pessoas a fim de que elas possam cuidar dos clientes.” Os clientes chegaram ao ponto máximo de fidelidade ao criar o HOG (Harley Owners Group, ou Grupo de Donos da Harley), pessoas que se vestem com roupas Harley e até tatuam o logotipo da marca em seu corpo. Resultado: em 2000, a participação da Harley no mercado americano dos EUA foi de 46,5%, com faturamento de US$ 2,9 bilhões e lucro operacional de US$ 515 milhões. “ 60 Depois da reflexão anterior, e utilizando a ideia da intangibilidade dos serviços, podemos considerar que a realidade para o cliente nada mais é que uma percepção. Cabe à organização identificar os requisitos que o cliente exige em uma determinada relação e definir o que vai ofertar no mercado, para que no momento em que a relação cliente x organização for estabelecida, o cliente possa viver de forma intensa sua experimentação. Torna-se responsabilidade da organização definir o que deseja que o cliente viva a cada instante na presença da marca, isto é: o que o cliente vê, ouve, sente, cheira, toca cada vez que seu produto, serviço ou menção à marca chega a ele? Na verdade, a questão é ainda mais ampla: seus funcionários também vivem uma experiência a cada instante que estão a seu serviço, o que demonstra a existência tanto de clientes externos, correlacionados aos resultados do sistema empresa, quanto de clientes internos que se relacionam com outros subsistemas. Passemos então a elencar alguns conceitos relacionados aos fundamentos do relacionamento com clientes. As ações mercadológicas focadas no relacionamento ao cliente começam no próprio cliente interno (colaboradores da organização), denominando-se a isto marketing interno. Este primeiro tipo de ação visa gerar sintonia do grupo social que atua na organização com seus objetivos e metas e sincronia entre os elementos que compõem o próprio grupo social envolvido. Assim, para podermos buscar um bom relacionamento com o cliente, o público interno deve estar sintonizado e sincronizado de forma contínua, até porque, as relações de interdependência do grupo social com o ambiente que o cerca estão continuamente em transformação. Cada membro de um grupo social 61 interage continuamente com o ambiente e esta interação pode impactar na organização como um todo. Basta um colaborador de um hospital ser visto pelo paciente ou seu grupo social saindo do hospital com sua roupa de trabalho suja ou mal arrumada que o impacto desta percepção afeta a todos os demais elementos (clientes internos), ainda queeles não tenham nem visto a cena descrita. Podemos ter inúmeras situações similares a estas e que impactam a todos por conta da interdependência que as relações entre as partes de um grupo social possuem. Assim, considerando que a organização está com seu grupo social sintonizado e sincronizado, podemos focar na entrega sistemática do que nos propomos a oferecer ao cliente para que criemos condições em que o processo de experimentação pelo cliente ocorra em todas as relações de troca que ocorrerem (através de cada transação, direta ou indiretamente) e que também contribuam para a construção de valor da nossa marca. Quando olhamos então para o Cliente Externo (o que normalmente chamamos de cliente) podemos percebê-lo de duas formas: Individualmente ou como grupo social constituído. O conjunto de estratégias escolhidas deve considerar estas duas formas, que muitas vezes apresentam comportamento distinto entre si. Podemos assim listar algumas preocupações que devemos ter nesta construção estratégica: a) Identificar os clientes de forma individualizada e nominal, relacionando-os ao grupo social que pertencem ou que se identificam; b) Fomentar o estabelecimento de um relacionamento recorrente entre a organização e os clientes; c) Gerenciar esse relacionamento focando o benefício ao cliente; 62 d) Gerar a possibilidade de criação de valor para os clientes e compartilhar esse valor entre todos os envolvidos; e) Construir uma cadeia de relacionamento dentro da organização para que o valor desejado pelos clientes (cadeia cliente-fornecedor) seja naturalmente uma extensão da organização; f) Ter o seu cliente como um colaborador adicional na medida em que ele efetivamente participa do processo de experimentação. Podemos fazer isto estimulando a cocriação. REFLEXÃO: Quando focamos tanto o conceito de Experimentação como o de Cocriação estudados até agora, identificamos que na área de saúde temos aspectos limitantes, quanto a esta participação do cliente, mas que não são necessariamente impeditivos. Veja o exemplo a seguir que não considera aspectos técnicos e clínicos, mas que permite aplicação dos conceitos estudados: Em uma maternidade, podemos oferecer um serviço de hotelaria hospitalar opcional e diferenciado que inclua serviços típicos de hotelaria tradicional para a gestante. Claro que isto deve ser feito, modelando este serviço de forma que não conflita com aspectos técnicos ligados à estadia da mãe no quarto até a alta hospitalar. Neste caso, a mãe recebe visitas de pessoas que muitas vezes não vê há algum tempo, o que significa a real existência de um momento social durante a internação (e como tal deve ter seu papel social contextualizado). E para a mulher que acaba de passar por um momento de realização pessoal/familiar, por que não proporcionar conforto e hospitalidade neste momento singular? 63 Veja exemplos consultando os links abaixo: <http://www.perinatal.com.br/conforto_comodidade.aspx> <http://www.saoluiz.com.br/Maternidade/mamaes_e_papais/acomodacoes.as px> <http://www.domingoslourenco.com.br/site/index.php/maternidade> Mas isto é suficiente para obtermos vantagens competitivas como decorrência destas estratégias mercadológicas? Não necessariamente. Tudo depende da capacidade que tenhamos de realizar escolhas e implementá-las. Vantagens competitivas precisam se mostrar imunes ao tempo e à imitação para se provarem sustentáveis. O mercado (na sua percepção competitiva) tende ao mimetismo. Práticas que se mostram melhores ou mais eficientes costumam se espalhar rapidamente pelas organizações. Como, então, transformá-las em diferenciais concretos? Acesse a biblioteca virtual e leia os textos a seguir para reflexão sobre a questão: 1. O Marketing de relacionamento como alternativa em mercados competitivos. 2. Marketing de relacionamento no varejo farmacêutico: um estudo na cidade de Londrina. Ouvindo os clientes... Se por um lado precisamos utilizar os requisitos emanados pelos clientes para que possamos construir nossas relações, como ouvir o cliente? Nas aulas anteriores, abordamos vários aspectos nesta construção, que alinhados com o que estudamos até este ponto da aula servem para que tenhamos as seguintes reflexões: 64 1. Por mais estranho que pareça, o cliente nem sempre sabe o que quer: Quando envolve questão estritamente técnica, o cliente não saberá diferenciar, entre as diversas possibilidades, qual a melhor para ele (isto na área de saúde é recorrente). 2. O futuro é uma continuação do presente: Veja como os clientes já satisfazem atualmente as necessidades que possuem e que você também quer satisfazer. Porque ele mudaria para se relacionar com a sua organização se já tem uma resolutividade para determinada questão? Oferecer uma ótima solução para um problema que ninguém tem é completamente inútil. Como atuamos nestes nossos relacionamentos com os clientes? Somos meramente básicos? Entrego meu serviço, mas não faço qualquer acompanhamento posterior. Somos reativos? Entrego meu serviço e estimulo os clientes a ligarem sempre que tiverem algum problema ou dúvida. Se ligar me relaciono, se não ligar tá ótimo, é um problema a menos... Busco ser confiável? Mesmo quando o cliente não retorna o contato, busco estimulá-lo a me indicar como foi sua experimentação e registro isto de forma pontual até termos outro relacionamento? Sou proativo? Antes mesmo de ocorrer outro relacionamento e, com base no aprendizado que tive com o cliente em relacionamentos anteriores, mantenho contato com ele ao longo do tempo, mas ainda assim o estimulo apenas naquilo que tenho a oferecer de novo (que não existia antes). 65 Faço realmente parceria com o cliente? Além de manter contato contínuo no tempo, estimulo o cliente a me indicar o que ele precisa para que eu possa oferecer como algo inovador? Considerações relacionadas a Estratégias Mercadológicas em Serviços Inicialmente devemos fazer uma reflexão bem direta. O que é um serviço? Vejamos algumas definições: a) Segundo Kotler (2007): “É toda atividade ou benefício, essencialmente intangível, que uma parte pode oferecer à outra e que não resulte na posse de algum bem. A prestação de um serviço pode ou não estar ligada a um produto físico.” b) Segundo a OMS, de forma específica na área de Saúde: “Serviços de saúde incluem todos os serviços que lidam com o diagnóstico e tratamento de doenças, ou a promoção, manutenção e restauração da saúde. Eles incluem os serviços de saúde pessoais e não pessoais. Serviços de saúde são as funções mais visíveis de qualquer sistema de saúde, tanto aos usuários e público em geral. Prestação de serviços refere-se à forma como insumos como dinheiro, pessoal, equipamentos e medicamentos são combinados para permitir a realização de intervenções de saúde.” WHO. Health topics: health services. Disponível em: <http://www2.paho.org/hq/dmdocuments/2010/MET_GEST_PSS_INTRO_GE NERL_2010ENG.pdf>. 66 Como está regulamentado no SUS? Consulte o texto atualizado do decreto 7.508 que trata da questão, visite nossa biblioteca virtual e acesse. De uma forma ampla, os serviços incluem quaisquer atividades econômicas cujo resultado final é intangível em sua essência, mas podendo ter parte de sua composição contendo produtos ou bens tangíveis. Assim, ele pode ser totalmente ou parcialmente consumidona entrega e gerar valor agregado ao cliente. Nas organizações de saúde contemporâneas, cada vez mais incorporamos tecnologias que permitem atingir resultados melhores e mais rápidos naquilo que ofertamos aos clientes. Nesta interação, o processo de prestação de serviços também necessita que o nosso cliente esteja preparado para lidar com esta incorporação tecnológica e percebendo o incremento de benefícios que ela pode proporcionar. Outro aspecto peculiar nesta relação de prestação de serviços é a percepção que ela ocorre desde o primeiro contato do cliente com a unidade de saúde. Não é apenas a resultante do procedimento que ele buscou, mas sim um conjunto de percepções que se inicia logo no primeiro contato e se estende após o cliente realizar um determinado procedimento ou terminar um tratamento. O impacto do serviço que prestamos em saúde é levado pelo cliente para toda a sua vida, pois a prestação se deu em seu próprio corpo. Podemos contextualizar esta ideia apresentada comparando uma relação típica de consumo de produtos com uma prestação de serviço de forma geral e uma específica na área de saúde, vejamos as três situações a seguir: a) Em uma relação tipicamente de consumo, o cliente pode adquirir um determinado produto simplesmente porque se sentiu incentivado a 67 fazê-lo, de alguma forma, e acredita que ele irá funcionar para a finalidade que deseja (comprar uma máquina de lavar, por exemplo); b) Em uma situação geral de prestação de serviços, o cliente se insere dentro do contexto do serviço como participante do mesmo e tem a expectativa do momento da prestação do serviço e também de um determinado efeito futuro. Vejamos por exemplo a contratação de uma filmagem em uma festa de aniversário. Ele participa do serviço prestado e o efeito futuro da prestação de serviços envolve uma relação sensorial forte com o evento da prestação em si; c) Na área de saúde, como a prestação é feita no próprio paciente, o momento da prestação em si pode (e na grande maioria das vezes não é) não ser o que se associa à satisfação do efeito prestado, mas sim aos efeitos futuros advindos da prestação (desde a própria sobrevivência à solução de um problema qualquer que estivesse gerando limitação ao cliente). Vejamos um exemplo: Um cliente que busca uma clínica oftalmológica para a correção de uma miopia, foca, com relação à satisfação do serviço prestado, não no procedimento em si, mas no efeito dele de forma contínua no tempo. Assim, a experimentação como discutimos anteriormente nas aulas, vai ocorrer posteriormente à própria prestação e muitas vezes não tem possibilidade de reversão (o cliente vai ter que conviver com aquele resultado de forma definitiva). Isto torna o entendimento real de qual foi a efetiva percepção do cliente de saúde em relação ao que fizemos mais complexa. Vejamos, por exemplo, em uma situação qualquer de internação, ao confronto do benefício agregado pela hotelaria de um hospital com a capacitação técnica do seu corpo clínico, a percepção qualitativa (intangível) do paciente em relação ao serviço prestado pode não estar linearmente associada à qualidade ofertada no procedimento em si, pois a avaliação do cliente se dará primordialmente pela 68 experimentação que ele tiver em toda sua interação com a organização de saúde, ainda que aquilo que motivou a ida do cliente à organização tenha sido solucionado. Esta heterogeneidade também ocorre pelo fato de que este cliente, como paciente, pode ter demandas exclusivas ou suas experiências do serviço podem ocorrer de modo muito particular. Nesse sentido, a heterogeneidade acaba sendo associada aos serviços e, em larga escala, o resultado de múltiplas interações humanas é que vai construir a qualidade percebida pelo grupo social que participa da relação. Esta qualidade, na verdade, depende de diversos fatores que não podem ser satisfatoriamente controlados pelo prestador dos serviços, como ocorre com a habilidade do cliente de expressar suas próprias necessidades, a habilidade e real interesse dos funcionários em satisfazer a tais necessidades, a presença (ou ausência) de outros clientes e o nível de demanda pelo serviço. Assim, a qualidade gerada nos serviços e a satisfação dos clientes dependerão em grande medida da qualidade que ocorre em tempo real, concluindo as ações dos funcionários e das interações entre estes e os clientes. Da mesma forma, o ganho com economias de escala é extremamente dependente de ferramentas tecnológicas que tanto o prestador quanto o cliente estejam dispostos a compartilhar no sentido de experimentação. Com isto, o fato dos serviços, em sua grande maioria, não poderem ser devolvidos ou revendidos implica, também, a necessidade estratégias para reverter um serviço que não gerou o resultado esperado ao cliente. Na área de saúde, se o serviço envolve um procedimento invasivo, provavelmente o paciente vai conviver por todo o resto de sua vida com a escolha que for efetuada. 69 Algumas reflexões que podemos fazer em relação à prestação de serviços: Borba (2007) explicita que: “As organizações de Saúde, por se tratarem de organizações com serviços essenciais, tem a credibilidade construída através da eficiência, do cumprimento das promessas, da retidão do comportamento ético e dentro da lei, da prestação segura com métodos técnicos comprovados e com baixo risco. Os serviços dos hospitais e demais prestadores de saúde devem conter valores agregados, além dos técnicos e inerentes à saúde, e esses valores estão muito além do simples atendimento formal.” A partir desta consideração, podemos nos fazer diversas perguntas: a) Como definimos a qualidade dos serviços em saúde? b) Como novos serviços em saúde podem ser criados? c) Com tantos procedimentos distintos, como escolher nosso conjunto de serviços a ofertar e como entender a demanda decorrente destas escolhas? d) Como precificar serviços em saúde? Quanto vale algo que o cliente incorpora (ou impacta) em seu próprio ser? e) Como pode se determinar o equilíbrio entre padronização e personalização a fim de maximizar a eficiência da organização e a satisfação de seus clientes na área de saúde? Desta forma, ao abordarmos o foco mercadológico em serviços, a literatura aponta como necessário um composto de marketing ampliado para serviços, 70 para ser utilizado na construção estratégica mercadológica, além do tradicional marketing mix usado em produtos. A conceituação sistêmica de um composto mercadológico implica que todas as variáveis são inter-relacionadas e que dependem umas das outras em alguma medida. Além disso, a filosofia do composto de marketing pressupõe que haja um composto ideal da combinação dos diversos fatores para um dado segmento e em um determinado momento. Segundo Kotler (2007), este composto expandido deve acrescentar aos já estudados: Produto, Promoção, Preço e Ponto; mais três elementos: a) Pessoas; b) Evidências Físicas; e c) Processo. Este conceito é conhecido na área de Marketing como Marketing Mix estendido ou os 7 Ps de Marketing. Estes três novos elementos do composto de marketing (pessoas, evidência física e processo) estão incluídos no composto de marketing como elementos separados por estarem dentro do controle da empresa, e qualquer um deles – ou mesmo todos – pode influenciar a decisão inicial do cliente de comprar um serviço, assim como o inicial do cliente de comprar um serviço, assim como o nível desatisfação de um cliente e suas decisões de recompra. Na próxima aula, estaremos então focando aplicações mais específicas da área de saúde, considerando que nela teremos características mercadológicas típicas de gerência de marketing de serviços. 71 Atividade proposta Identifique os elementos do composto de Marketing Estendido (7 Ps): Material complementar Conheça sites de Software de CRM em Saúde: <https://www.microsoft.com/dynamics/pt/br/customer-stories.aspx> <http://www.greenbeacon.com/greenbeaconwebsite/CRMSoftware/healthcare- crm> <http://www.pega.com/solutions/by-industry/healthcare> <http://www.omnivue.net/industries/healthcare/> Leia os artigos abaixo disponíveis em nossa biblioteca virtual: Conceito de CRM. Será que realmente vamos ouvir o cliente? Fidelização de clientes como diferencial competitivo. Fidelização de clientes. Os papéis dos clientes nos serviços. Marketing de serviços na área de saúde. Referências BORBA, Valdir Ribeiro (org.). Marketing de relacionamento para organizações de saúde. São Paulo: Atlas, 2007. 72 BURNS, Megan; MANNING Harley et al. How Companies Improved Their Customer Experience Index Scores, Forrester Research, 2013. Disponível em: <http://www.forrester.com/home/>. Acesso em: 4 jun. 2014. KOTLER, P. Administração de marketing. São Paulo: Person, 2007. PRAHALAD, C. K.; Ramaswamy, Venkat. O futuro da competição. Rio de Janeiro: Campus-Elsevier, 2004. 73 Exercícios de fixação Questão 1 O Grupo Hospitalar Campolino S.A. acabou de adquirir uma empresa que também atua na área de saúde, a B. Ehar Serviços médicos LTDA, que atuava em Homecare. Após uma análise organizacional, percebeu-se que os resultados desejados na empresa adquirida não ocorriam devido ao fraco relacionamento da empresa com seus clientes e da sua estrutura extremamente verticalizada, pesada e inflexível. O Grupo adquirente decidiu implementar uma transformação radical na nova empresa, desenvolvendo uma cultura organizacional na qual se valoriza aspectos que contribuam com o fortalecimento das relações com os clientes e diminuição da burocracia estrutural, como: I. ser voltada para o cliente; II. valorizar a experimentação como geração de valor; III. manter as crenças existentes; IV. promover a integração dos grupos sociais; V. se basear apenas em metas de eficiência. Dessa forma, podemos dizer que estão corretos, apenas, os itens: a) ( ) I, II e III. b) ( ) I, II e IV. c) ( ) III, IV e V. d) ( ) I, II, III e V. e) ( ) I, II, IV e V. 74 Questão 2 Em relação ao conceito estudado do Composto de Marketing Expandido, indique nas alternativas a seguir aquele que NÃO pertence a este conceito: a) Produto. b) Preço. c) Legislação relacionada. d) Pessoas. e) Prazo. Questão 3 Em relação ao conceito estudado de experimentação do cliente, podemos afirmar que: a) Ela ocorre apenas uma vez, e sempre estimulada pela organização. b) O cliente não a utilisa para dar juízo de valor à prestação de serviços em saúde. c) Todos os clientes têm uma experimentação igual, pois ela é vinculada ao serviço que prestamos. d) Ela se inicia desde o primeiro contato que o cliente tem com a organização de saúde que está se relacionando. e) Ela somente ocorre após o serviço ser prestado, pois dessa forma o cliente tem como avaliar o que recebeu. 75 Questão 4 Toda atividade ou benefício, essencialmente intangível, que uma parte pode oferecer à outra e que não resulte na posse de algum bem é chamada de: a) Serviço. b) Atendimento. c) Processo. d) Produto. e) Percepção Tangível. Questão 5 No composto expandido de Marketing temos elementos que são controláveis pela organização e outros que não são controláveis. Indique nas alternativas a seguir o único que é controlável pela Organização: a) Preço. b) Ponto. c) Comportamento do consumidor. d) Requisitos legais. e) Processo. 76 Introdução Neste material, abordaremos as escolhas estruturais relacionadas ao detalhamento de ações mercadológicas focadas nas áreas de saúde pública e suplementar. Ao aplicarmos os conceitos de marketing estudados nas aulas anteriores na área de saúde, surgem como decorrência, ações estratégicas específicas que consideram algumas peculiaridades relacionadas à nossa área e que precisam ser detalhadas de forma mais focada para que fiquemos dentro do limite ético em saúde. Tais peculiaridades não se distinguem se aplicamos as ferramentas na saúde pública ou na saúde suplementar, o que permite uma abordagem ampla dessas peculiaridades. Objetivos: 1. Construir conceitos correlacionados a ações estratégicas mercadológicas, focadas na área de saúde. Conteúdo Nas aulas anteriores, detalhamos diversos conceitos e ferramentas mercadológicas e ampliamos nosso estudo na visão mercadológica de 77 serviços. Nesta aula, iremos apresentar algumas peculiaridades quando aplicamos estratégicas mercadológicas em saúde. Embora na maioria das situações não tenhamos diferenças significativas entre a aplicação das estratégias mercadológicas na saúde pública ou na saúde suplementar, quando focamos algumas peculiaridades que podem ser contextualizadas de uma melhor forma exemplificando de forma específica. Considerando isto, iniciaremos nosso estudo focando na saúde suplementar para posteriormente relacionar à área pública. Peculiaridades estratégicas mercadológicas de serviços na saúde suplementar Algumas reflexões iniciais: a) Precisamos buscar pacientes para serem atendidos, a fim de justificar nossa existência ou apenas devemos nos mostrar existentes para gerar oferta? Como equilibrar receitas e gastos apenas com a demanda espontânea? b) Fidelizar o paciente implica em reter aqueles que poderiam não precisar de atendimento? c) Como gerar qualidade no atendimento, garantindo rentabilidade para o empreendedor? Vejamos inicialmente os textos abaixo: 78 Acesse na biblioteca virtual o texto Amil: um caso de Excelência e compare com a percepção contida no texto Amil reestrutura e foca na excelência. Confronte as duas percepções com que está atualmente no site da Amil: <http://www.amil.com.br/amilportal/site/institucional/gestao_saude.jsp> Ao confrontar estas percepções foi possível identificar como a percepção do que é Excelência para a organização mudou ao longo do tempo. Isto é correto e pertinente, pois a excelência reflete tanto um contexto no qual a organização está inserida, como as tecnologias que já foram incorporadas. E como constantemente temos alterações de tecnologias (com obsolescência de algumas e incorporações de outras) que impactam na percepção do que é excelência. Acesse a biblioteca virtual e confronte os textos a seguir: Hospitais podem aprender com o MacDonald’s e Tendências na assistência hospitalar. Neste confronto podemos evidenciar como é possível incorporar tecnologias na área de saúde que podem já estar sendo usadas em outras áreas e que também sejam aplicadas a nossa área. É muito importante que consideremos na nossaanálise a temporalidade e contextualização que o posicionamento estratégico mercadológico de uma organização de saúde assume em dado momento e que pode ter mudança significativa até mesmo em um curto espaço de tempo. Depois da reflexão acima podemos ainda e de forma complementar explorar a questão da medicina preventiva na saúde suplementar no Brasil, fruto de pesquisa acadêmica na forma de tese de mestrado: Medicina preventiva no setor suplementar de saúde Brasileiro. 79 Podemos considerar então que na saúde suplementar, por operar em situação semelhante a outras organizações privadas, o entendimento que outras organizações da própria iniciativa privada são seus concorrentes estrategicamente identificados é pertinente. Consideramos, então, que nesta situação, as organizações que atuam na saúde suplementar podem efetuar a busca de vantagem competitiva perante os demais concorrentes, respeitando as peculiaridades da área de saúde. Nesta concepção, as estratégias mercadológicas estarão voltadas para as relações da empresa com seus clientes (variável ambiental) no foco externo, entre a empresa e seus colaboradores no foco interno e entre colaboradores e clientes com foco no relacionamento entre estas partes (notem que, no caso da saúde, as ações de cuidado e humanização do atendimento têm um forte componente nesta relação). E, com isto, buscar resultantes similares às que ocorrem nas demais áreas de negócios. Neste ponto e especificamente na área de saúde suplementar, temos um aspecto bem distinto da saúde pública que é a busca do lucro financeiro na atividade empresarial. Sem este componente, similar a outras áreas de negócios na iniciativa privada, o empreendedor da área de saúde não consegue permanecer no mercado. Com isto, nosso pensamento estratégico mercadológico precisa também estar alinhado com esta perspectiva e ela deve estar permeando todo o processo de negócios. A seguir, exploramos algumas questões e reflexões alinhadas e concatenadas com esta questão: 80 Gerar lucro (rentabilidade para o empreendedor) em uma cadeia de serviços de saúde implica em que: a) Os processos dos serviços prestados estejam bem definidos e controlados para tenham sustentabilidade; b) Isto concorre para que a nossa prestação de serviços aconteça com qualidade não só intrínseca do próprio serviço como também da percepção de qualidade do cliente; c) Estes (os clientes) satisfeitos como a qualidade percebida podem: continuar a relação com o serviço de saúde ou indicar este serviço a outros clientes que busquem assistência; d) A continuidade desta ação de satisfação e entrada de novos clientes gera agregação de valor ao que prestamos e que reverte tanto para o empreendedor quanto para a própria organização; e) O grupo social (colaboradores) da organização se beneficia disto e temos a possibilidade de gerar não só mais satisfação como motivação no grupo, o que também gera mais comprometimento; f) Que faz com que o próprio busque ampliar a excelência na prestação de serviços e a manutenção do comprometimento e qualidade tanto do grupo que está atuando como colaboradores que vierem a participar desta empresa. Esta sequência de desdobramento leva a termos lucros e crescimento de serviços saudáveis! Neste ponto, precisamos deixar uma questão clara para reflexão: 81 Podemos relacionar as ações mercadológicas de forma direta com a melhoria dos resultados técnicos que irão ocorrer (cura da doença ou um resultado satisfatório de um procedimento)? Não. Nada disto vai adiantar se os procedimentos não forem feitos corretamente. Mas a resultante de um procedimento feito corretamente com ações estratégicas mercadológicas atuantes desde o primeiro contato do cliente com a organização vai ampliar muito a satisfação do cliente e a qualidade percebida por ele. Podemos considerar que os clientes da área de saúde, ao se encontrarem em um estado de satisfação com o ambiente que os cerca, podem atuar como reforço positivo e divulgadores do serviço em seus círculos sociais, e de certa forma auxiliar no próprio processo de recuperação de saúde, considerando a parcela desta recuperação que depende também da participação e/ou atuação do cliente. Também não se pode falar de ficar influenciando o cliente para necessidades que não existem ou de outras formas de engodo que são eticamente deploráveis. É necessário que esteja bem claro, para gestores na área de saúde, que princípios éticos devem nortear estas ações mercadológicas, que elas sejam dotadas de transparência em relação aos serviços que oferecemos e que agregam valor ao serviço prestado ao cliente. Espera-se que, com isto, a organização passe a desfrutar da preferência no mercado pelo cliente (construção de imagem), e que assim também tenhamos a geração de receita e incremento de lucratividade para a organização. 82 Como exemplo, um parto, uma colocação de uma imobilização ou a intervenção cirúrgica podem ser aliados a um tratamento diferenciado ao cliente, fruto destas decisões mercadológicas. Isto pode ir desde a possibilidade de o cliente escolher o tipo de material usado para a imobilização (gesso, resina, etc.) ou mesmo a cor (imaginem o paciente que vai conviver com uma imobilização por mais de um mês poder alternar o “visual” dela como fazemos com as capas de celular)? Qual o benefício indireto na redução da “fragilidade” que acompanha o paciente durante um tratamento com esta possibilidade? Vamos então exemplificar diversas situações relacionadas a esta percepção: a) Um hospital pode ser tão aconchegante como um hotel, visando ao conforto do paciente e do acompanhante? Veja nos links abaixo um exemplo disto, no qual o cenário mais lembra um anúncio de hotel do que o de um hospital: <http://www.copador.com.br/geral/instalacoes> <http://www.einstein.br/Hospital/instalacoes/Paginas/apartamento- geriatrico.aspx> <http://www.hportugues.com.br/maternidade/apartamentos> b) Um hospital precisa se preocupar em oferecer opções de alimentação diferenciadas aos acompanhantes e visitantes? <http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u639916.shtml <http://www.noah.com.br/gastronomia_hospitais.php> c) A decoração interna de uma organização de saúde pode ser construída para compor um ambiente agradável ao paciente, acompanhante e visitante? Usar cores nos ambientes internos, em substituição ao branco tradicional. Sonorização com agradáveis programações de música ambiente. Tudo isso como uma forma de agradar o paciente, facilitando a sua recuperação. 83 Vejam os exemplos a seguir: <http://perinatal.com.br/conforto_comodidade.aspx> <http://saudeweb.com.br/galeria/veja-decoracao-de-solange-medina-para- hospital-sao-lucas/> <http://www.rhp.com.br/site/servicos.php?id=93> <http://www.mundocor.com.br/cores/dec_hosp.asp> <http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/hospital-na-inglaterra-inova- na-decoracao> Até onde podemos exemplificar isto? Até jogo “on-line” infantil de decoração de hospitais já existe: <http://www.girlsgogames.com.br/jogo/hospital-make-over.html> Mas podemos questionar se os exemplos citados elevam os custos das organizações de saúde, o que atrapalharia e poderia comprometer o seu próprio funcionamento. Entretanto, decisões criativas em prol da satisfação do cliente, equipes de trabalho humanamente treinadas e parcerias com fornecedores, nãonecessariamente trazem incrementos significativos para os custos hospitalares. Muitas vezes os serviços são de caráter complementar e opcionais para o paciente, que apenas utiliza o serviço se for opção dele e se existirem condições técnicas para ser prestado. E como na saúde suplementar a vinculação da Receita ao gasto é clara e linear, o que não ocorre na saúde pública, na qual este vínculo simplesmente não existe, como na iniciativa privada. Na gestão pública, a receita vem prioritariamente da arrecadação tributária de impostos, que para sua conversão em gasto exige que se tenha Lei 84 Orçamentária específica aprovada pelo poder legislativo de cada esfera. Assim, a destinação de recursos orçamentários a uma organização pública depende de uma escolha política, no máximo ligada a um desdobramento de políticas públicas. Podemos dizer que, na prática, o fato de uma organização pública prestar mais ou menos serviços não garante que terá mais ou menos recursos para exercer suas atividades (a receita não é vinculada). Existem exceções? Sim e bastantes. Seja porque temos arrecadações de taxas específicas, seja pelo que é preconizado pela LC141 <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp141.htm> ou por outras legislações específicas correlacionadas. Também temos enquadramentos jurídicos possíveis na área de saúde que possibilitam uma vinculação parcial, mais próxima da iniciativa privada. Mas em nenhum deles teremos (por enquanto) o grau de autonomia que o empreendedor na área privada de saúde tem na gestão de sua organização. Claro que nem sempre estaremos tentando colocar nossa unidade de saúde como um hotel cinco estrelas, muitas vezes pequenas mudanças em procedimentos, processos de trabalho e atitudes são responsáveis por encantar os clientes. Assim, a questão financeira pode não ser o maior desafio, mas, sim, a própria mudança de foco de gestão. Sem nos esquecermos de que a satisfação do cliente é um componente fundamental nesta relação de custo benefício. Um dos maiores desafios em gestão é fazer com que a imagem projetada pela organização de saúde seja coerente com a sua identidade. Nos múltiplos momentos em que os pacientes, colaboradores e demais componentes dos grupos sociais relacionados a este contexto interagem com a organização da área de saúde, não pode haver dúvida sobre a filosofia de trabalho daqueles 85 que estão ali empenhados para salvar vidas e dedicar ao paciente a atenção e o conforto necessários à sua recuperação. Separamos alguns links com vídeos que permitem uma reflexão sobre o que estamos discutindo, veja-os em nossa galeria de vídeos: a) Hospital Santa Catarina de Blumenau: b) Hospital Aleman: c) Hospital Vera Cruz: d) Hospital Angeles: e) Holland Hospital: f) University Hospital: g) Hospital de Bangladesh: h) Cleveland Clinic: i) Suburban Hospital No que se refere especificamente às peças publicitárias que integrem a campanha de marketing de organizações de saúde, é fundamental que estejam rigorosamente de acordo com as determinações do Conselho Federal e dos Conselhos Regionais de Medicina. Alguns dos exemplos mostrados de unidades de saúde em outros países podem ter legislação relacionada a Marketing diferente da nossa e são meramente exemplificativas. No link a seguir podemos fazer a consulta on-line a toda legislação de saúde: 86 <http://portal2.saude.gov.br/saudelegis/LEG_NORMA_PESQ_CONSULTA.CFM > Acesse a Lei 9.294 em nossa biblioteca virtual. Acesse o site da Anvisa com Legislação relacionada a Propaganda: <http://www.anvisa.gov.br/propaganda/legis.htm> Acesse o Código de Ética Médica, especificamente Cap. XIII, em nossa biblioteca virtual. Podemos entender que o limiar ético é muitas vezes ultrapassado ou mesmo não se percebe de forma clara. Diversas vezes, órgãos reguladores ou a própria sociedade levanta questões que afetam os diversos limiares na área de saúde, o que nos leva a modificar o que podemos fazer em termos de estratégias mercadológicas. Peculiaridades estratégicas mercadológicas de serviços na saúde pública Por que na área pública devemos pensar de forma específica nossas estratégias mercadológicas? Vejam alguns motivos: a) Porque a receita de uma organização de saúde pública não é diretamente correlacionada com o paciente, como vemos no mercado privado. b) Porque, pela função constitucional do SUS, temos que atender todos sem diferenciação (a ação mercadológica precisa ser compatível com o acesso universal). 87 c) Porque o ponto focal não é a organização de saúde em si, mas a política pública de saúde na qual está inserida. d) Porque, na nossa política pública de saúde, as ideias de concorrência e vantagem competitiva têm significado distinto daquelas que encontramos na saúde suplementar. e) Porque mais importante do que obter o cliente no mercado, é divulgar, orientar, facilitar o acesso e educar para a saúde, mesmo que este cliente execute procedimentos na saúde suplementar. Para iniciarmos esta reflexão, leiam os textos a seguir acessando a biblioteca virtual: a) Código de Ética Médica; b) Aplicação do marketing social na saúde pública; c) Marketing em saúde Pública aplicado ao contexto brasileiro: possibilidades e limitações. Nestas leituras, podemos observar diversos questionamentos relacionados ao que buscamos delimitar quando o foco é a saúde pública. E que tipo de ações mercadológicas são pertinentes à área pública? Podemos relacionar à área pública três (3) dimensões de marketing cuja aplicação gera um forte alinhamento com o que estamos refletindo: a) Marketing social: A expressão Marketing Social surgiu nos EUA, em 1971, e foi usada pela primeira vez por Kotler e Zaltman que, na época, estudavam aplicações do marketing que contribuíssem para a busca e o encaminhamento de soluções para diversas questões sociais. 88 O termo passou a significar uma tecnologia de administração da mudança social, associada ao projeto, à implantação e ao controle de programas voltados para o aumento da disposição de aceitação de uma ideia ou prática social em um ou mais grupos adotantes escolhidos como alvos (Adaptado de KOTLER, 2007). Por que esta visão é importante? Porque precisamos ter outros pontos focais em saúde pública além da busca de rentabilidade e de participação no mercado (“Market Share”). b) Marketing Político: Inicialmente, segundo Almeida (2002), ele representa a estratégia mercadológica que vai criar a interdependência entre o eleitor e o candidato a político que o vai representar. Ao longo desta relação, este conceito se desdobra em três percepções associadas: marketing governamental, no qual se busca atender às expectativas da população, podendo ser tangível no cumprimento do programa de governo. marketing partidário, em que se busca associar as ações de marketing executadas ao modelo da ideologia propagada. marketing eleitoral, utilizado em parte do ciclo de governo. Todos eles têm como foco resultante a ação política que se desdobra na implantação e no desdobramento de políticas públicas, no nosso foco em questão, de saúde. Este ponto focal é importante, pois o político em seu papel de ator social vai ser o elemento que vai participar ativamente do dimensionamento, formulação e manutenção de políticas públicas. Podemosampliar esta 89 percepção no texto acessível em nossa biblioteca virtual POLÍTICAS PÚBLICAS: um debate conceitual e reflexões referentes à prática da análise de políticas públicas no Brasil: c) Marketing de serviços públicos: Dedica-se a desenvolver uma percepção no cidadão voltada para os produtos e serviço adequados, arranjar sua distribuição e comunicação eficientes e aferir o grau de satisfação do cidadão perante os serviços prestados por uma organização pública. (Adaptado de RODRIGUES, 1981) Como reflexão leia o texto a seguir, acessando a biblioteca virtual: Marketing e serviços públicos: investigando a resistência ao marketing a partir de uma análise histórica e institucional; E em seguida o texto a seguir: Marketing público institucional: a aplicação de técnicas de relações públicas e de marketing à esfera pública e governamental. a) Acesse em nossa galeria de vídeos o vídeo institucional, do Hospital São João em Portugal; b) Instituto Nacional de Cardiologia: <http://www.incl.rj.saude.gov.br/> c) Hospital Universitário de Brasília: <http://www.hub.unb.br/> d) Instituto Nacional de Traumato Ortopedia: <http://www.into.saude.gov.br/> e) Rede Sarah: <http://www.sarah.br/Cvisual/Sarah/> f) Fiocruz: <http://portal.fiocruz.br/> g) Hospital Sofia Feldman: <http://www.sofiafeldman.org.br/o-hospital/> Estas ações mercadológicas podem ocorrer tanto das unidades de saúde que têm vínculo com a saúde pública ou na forma institucional pelo Ministério da Saúde, como desdobramento de uma política pública de saúde específica ou de forma transversal a outras políticas públicas. 90 Veja a seguir uma série de exemplos em vídeos de uso de peças publicitárias para desdobrar ações de marketing em saúde pública, acesse a galeria de vídeos: a) Vídeo Campanha do MS sobre influenza A (H1N1); b) Campanha MS apoiando a diversidade sexual; c) Filme para prevenção de acidentes estimulando o uso de cinto de segurança; d) Campanha “amigo do hospital são Sebastião Mártir”; e) Campanha Nacional de aleitamento Materno 2; f) Campanha Nacional de doação de medula óssea; g) Campanha Nacional de Vacinação; h) Campanha prevenção de queimaduras em crianças. Podemos identificar as diversas políticas públicas de saúde nas formas de Ações de Governo, vinculadas ao PPA (Programa Plurianual). Consultem em nossa biblioteca virtual programas táticos do PPA de 2012-2015 e veja os temas em que a área de saúde tem inserção. Conhecemos e detalhamos nesta aula e nas anteriores diversas ferramentas de Marketing e suas aplicações estratégicas na área de saúde, em uma dimensão ampla. 91 Para que elas possam existir, precisamos associá-las a ferramentas de apoio à decisão estratégica, como o Planejamento Estratégico, e elas precisam estar estruturadas em planos que se integrem à estratégia maior da organização (como acabamos de exemplificar na área pública quando relacionamos o PPA à ação estratégica focada na área pública. Ao termos um processo sistematizado de planejamento, podemos dar maior objetividade no processo de Marketing, pois força a organização a pensar sistematicamente quanto aos problemas e oportunidades existentes bem como quanto aos resultados desejados, adaptando os meios aos fins desejados. Leiam o texto complementar o planejamento estratégico de marketing e o plano de negócios disponível em nossa biblioteca virtual relacionado à planificação estratégica de marketing em uma organização. Trata-se de um plano tático, normalmente de médio prazo, representando desdobramento de componentes de um plano mais amplo, o plano estratégico, que aborda a organização como um todo, normalmente visando a resultados no longo prazo. Atividade proposta Após assistir ao link de cada vídeo, indique o foco da campanha (se público ou privado). Vídeo 1: <https://www.youtube.com/watch?v=CDNSmYep4uc> Vídeo 2: <https://www.youtube.com/watch?v=q-dC3thWUKk> Vídeo 3: <https://www.youtube.com/watch?v=3vGhJmW6Ul4> 92 Material complementar Leia os artigos abaixo disponíveis em nossa biblioteca virtual: Marketing em saúde – resistências e desafios; Um hospital precisa de marketing?; Marketing público; Plano de marketing; Ações de Marketing no Hospital São Luiz; A ética no marketing médico; Marketing social na saúde pública. Referências ALMEIDA, Jorge. Marketing político, hegemonia e contra hegemonia. Editora Fundação Perseu Abramo e Editora Xamã, 2002. RODRIGUES, Maria M. E. Mischan. Marketing de serviços públicos. EAESP/FGV, 1981. Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/10709/119820 1704.pdf?sequence=1>. Acesso em: 4 jun. 2014. 93 Exercícios de fixação Questão 1 Em relação aos conceitos de geração de lucro em serviços, estudados na aula, assinale Verdadeiro ou Falso nas assertivas a seguir: a) ( ) A qualidade do serviço interno NÃO impacta no resultado da organização. b) ( ) Clientes satisfeitos são um elo fundamental para a organização de saúde. c) ( ) O lucro e crescimento saudável podem ser uma decorrência em uma organização de saúde privada. d) ( ) Ter lucro implica diretamente NÃO atendermos bem nossos clientes Questão 2 Das legislações indicadas abaixo, assinale aquela que regula a propaganda de medicamentos nas relações mercadológicas de serviços em organizações de saúde: a) LC141. b) RDC 96/08. c) Código de Ética Médica. d) Lei 9294. e) Lei 8666. 94 Questão 3 Em relação às peculiaridades de estratégias mercadológicas nas organizações que atuam na saúde pública, assinale Verdadeiro ou Falso nas assertivas a seguir: a) ( ) Uma campanha nacional de vacinação é uma ação de marketing social. b) ( ) Uma campanha de estímulo ao aleitamento materno é uma ação de desdobramento de políticas públicas em saúde. c) ( ) Uma peça publicitária que divulgue os serviços prestados por um hospital público é uma ação de marketing de serviços públicos. d) ( ) O instrumento utilizado atualmente que permite uma integração temática entre políticas públicas é conhecido como PPA. Questão 4 Considerando o que estudamos na aula relacionado às peculiaridades das estratégias mercadológicas nas organizações de saúde que atuam na área pública, considere o seguinte conceito: “Uma tecnologia de administração da mudança social, associada ao projeto, à implantação e o controle de programas, voltados para o aumento da disposição de aceitação, de uma ideia ou prática social, em um ou mais grupos adotantes escolhidos como alvos.” Podemos associar este conceito ao Marketing: a) Social. b) Político. c) Eleitoral. d) De rede. e) Viral. 95 Questão 5 Em relação ao que estudamos na aula e considerando que o conjunto de estratégias mercadológicas formuladas e escolhidas deve estar associado a uma concepção estratégica macro da organização, assinale Verdadeiro ou Falso nas assertivas a seguir: a) ( ) Em uma organização de saúde privada, ao estabelecer estrategicamente seus objetivos, podemos relacioná-los ao objetivo da organização como um todo, normalmente relacionado à lucratividade, volume de vendas, ou imagem da organização. b) ( ) Um objetivo de marketing deve identificarum resultado final real que será obtido pelo plano de marketing dentro de um período específico. c) ( ) Uma estratégia mercadológica possível em uma organização de saúde privada é tornar seu serviço disponível a um número maior de clientes. d) ( ) Não faz parte das estratégias mercadológicas estabelecer ações que permitam oferecer maior satisfação às necessidades dos clientes. e) ( ) A melhoria ou manutenção da imagem da organização de saúde NÃO deve ser objeto de ação estratégica mercadológica. 96 Aula 1 Exercícios de fixação Questão 1- F, V, V Justificativa: Uma necessidade humana está relacionada a um estado de privação e não ao de um atendimento. Os demais conceitos estão corretos e os três conceitos estão relacionados diretamente aos conceitos fundamentais de Marketing. Questão 2 - D Justificativa: Devemos compreender a diferença conceitual entre os conceitos de Desejo, Necessidade e Demanda. Questão 3 - A Justificativa: Devemos compreender a diferença conceitual entre os conceitos de Produtos, Serviços, Utilidade e Valor. Questão 4 - A Justificativa: Devemos compreender a relação conceitual entre objetivos, necessidades e desejos, bem como relacionar esses conceitos com o conceito de mercado, para que possamos construir as escolhas estratégicas que iremos usar em nossa formulação estratégica. Questão 5 - A Justificativa: Devemos compreender a relação conceitual entre a orientação ao cliente e integração do Marketing nos diversos setores da organização. Questão 6 - V, V, F Justificativa: Após a identificação dos segmentos de mercado (segmentação), e a seleção do mercado-alvo, a empresa deverá se posicionar frente o(s) 97 segmento(s) selecionado(s), de modo que os clientes reconheçam os benefícios oferecidos pela empresa; os demais conceitos estão corretos e compõem a nossa base conceitual relacionada ao Marketing. Questão 7 - B Justificativa: É importante percebermos que o início da ação de Marketing necessita de uma pesquisa relacionada ao mercado para que possamos ter dados que sejam usados para sustentar a construção de estratégias. Questão 8 - A Justificativa: Os conceitos que são evidenciados no exercício envolvem o entendimento tanto da percepção que o cliente tem do que ele recebe da organização como do fato de que cada produto/serviço pode ser modelado para atender necessidades distintas. Questão 9 - V, F, F Justificativa: Para a construção das estratégias em Marketing devemos ter os conceitos relacionados ao Mix de Marketing bem sedimentados, entendendo- os claramente e seus processos relacionados. Questão 10 - C Ao pensarmos estrategicamente a organização devemos ter bem definido e conceituado o que representa o produto em sua concepção mais básica. Aula 2 Atividade proposta 2 -1 -4 -3 Exercícios de fixação Questão 1 - V, V, V, F 98 Justificativa: Percepção do papel do cliente nas relações mercadológicas com as organizações. O ponto focal do Marketing são as relações de troca e sua utilização estratégica. Questão 2 - B Justificativa: É importante que não se construam estratégias em Marketing sem que tenhamos como sustentação dados coletados e analisados por pesquisa de mercado e de comportamento do consumidor. Isso é importante para reduzirmos as incertezas que muitas vezes tornam inócuas nossas escolhas estratégicas. Questão 3 - C Justificativa: O consumo de energia não é uma variável para tomada de decisão estratégica focada no cliente porque representa uma variável que vai compor uma métrica relacionada à eficiência do modelo (rentabilidade) e não à eficácia (atingimento de resultados) que tem foco no cliente. Questão 4 - A Justificativa: Perceber a relação do paciente com a organização na perspectiva do comportamento do consumidor está centrado na relação de troca, e esse é um dos pontos-chaves para podermos entender melhor nosso cliente. O que ele deseja trocar conosco? Questão 5 - B Justificativa: Preço, qualidade ofertada e prazo de atendimento são variáveis que impactam na criação de valor para o paciente. Questão 6 - V, V, V, F Justificativa: Perceber as diferenças conceituais entre segmentação e posicionamento entre os concorrentes e a organização. A prestação de serviços na ótica mercadológica é um intangível. 99 Questão 7 - A Justificativa: Perceber as relações que ocorrem nas escolhas de segmentação e de posicionamento de mercado. Ao posicionarmos um determinado produto, precisamos entender e conhecer seus atributos. O exemplo da farmácia associa a conveniência como principal atributo justamente por estar disponível 24 h. Questão 8 -A Justificativa: Perceber a relação das escolhas estratégicas da organização com o mercado e sua relação com o cliente. A estratégia mercadológica precisa ter integração entre todos os setores da organização. Questão 9 - B Justificativa: Perceber a relação entre o cliente e a estratégia mercadológica escolhida pela organização. Questão 10 - E Justificativa: Distinguir os diferentes tipos de diferenciação por posicionamento. O conceito e posicionamento por usuário é o que está correto. Aula 3 Atividade proposta Preço, Ponto, Prazo, Promoção, Processo, Pessoas. Exercícios de fixação Questão 1 - B Justificativa: Perceber as relações que a empresa deve fomentar para buscar um bom relacionamento com seus clientes. Manter as crenças e basear-se 100 apenas em metas de eficiência são aspectos que fortalecem apenas a visão burocrática, e não a relação com o cliente, por isso não estão corretas. Questão 2 - C Justificativa: A legislação relacionada não pertence ao composto expandido de marketing. O composto expandido está relacionado apenas a variáveis internas e essa é uma variável ambiental. Questão 3 - D Justificativa: Para que o cliente faça a experimentação, ele precisa ao menos ter um primeiro contato com a organização, um ato contínuo e não isolado. Questão 4 - A Justificativa: O serviço tem como sua característica essencial a intangibilidade, sendo assim a resposta correta. Questão 5 - E Justificativa: Apenas o processo, que é variável interna é controlável. Os demais itens são variáveis externas, por consequência, incontroláveis. Aula 4 Atividade proposta Vídeo 1 - Pública. Vídeo 2 - Privada. Vídeo 3 - Pública. Exercícios de fixação Questão 1 - F, V, V, F 101 Justificativa: Perceber as relações que a empresa deve fomentar para buscar um bom relacionamento com seus clientes. Questão 2 - C Justificativa: O código de Ética Médica é, das legislações indicadas, a única que fala sobre propaganda de medicamentos e sua relação com o profissional. As demais não abordam o tema. Questão 3 - F, V, V, V Justificativa: A campanha de vacinação é uma ação de Marketing público. As demais estão corretas. Questão 4 - A Justificativa: A resposta correta é Marketing Social, pois o conceito do enunciado foca nas relações do grupo social e o impacto que essa ação tem como mudança social no grupo. Questão 5 - V, V, V, F, F Justificativa: Em relação às alternativas falsas: faz parte do conjunto de estratégias mercadológicas estabelecer ações que possibilitem maior satisfação às necessidades dos clientes; atuar na manutenção ou na melhoria da imagem da organização é uma das açõesestratégicas mercadológicas que podemos implementar. 102 Luís Draque é mestre em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), especialista em Engenharia Econômica e Organização Industrial pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), bacharel em Ciências Navais, com ênfase em Administração de Sistemas, pela Escola Naval do Rio de Janeiro e graduado em Análise de Sistemas pela UERJ. Nos últimos 30 anos, atuou profissionalmente como Chefe de Planejamento e Controle da Indústria Naval do Rio de Janeiro e como Superintendente Financeiro do Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro. Além disso, foi Diretor da área de Logística do Centro de Distribuição Nacional de Sobressalentes de Equipamentos Eletromecânicos e Vice-diretor de órgão público federal na área de Educação Corporativa. Entre as diversas atividades que exerceu, de forma específica, na área de Projetos, possui experiência de cerca de 10 anos com gerenciamento de projetos e supervisão de gerentes de projetos na Indústria Naval. Atualmente, é Coordenador Acadêmico e Nacional de cursos de Graduação Tecnológica e de um MBA, na modalidade de Educação a Distância (EAD), oferecidos pela Universidade Estácio de Sá (UNESA), e Coordenador Acadêmico de dois MBAs presenciais na unidade Centro I dessa instituição. Atua, ainda, como docente de diversas disciplinas na área de Gestão, nas modalidades EAD e presencial, e como conteudista de algumas disciplinas online de Graduação e Pós-Graduação ofertadas pela mesma universidade. Atualizado em: 09 jun. 2014