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E M E N T A
 
Órgão : 3ª TURMA CRIMINAL
Classe : APELAÇÃO
N. Processo : 20130110959043APR
(0024910-68.2013.8.07.0001)
Apelante(s) : M.D.G.L.C.
Apelado(s) : M.P.D.D.F.E.T.
Relatora : Desembargadora NILSONI DE FREITAS
Revisor : Desembargador JOÃO BATISTA TEIXEIRA
Acórdão N. : 852498
FURTO. CONTINUIDADE DELIT IVA. AUTORIA E
MATERIALIDADE. RÉ PORTADORA DE TRANSTORNO DE
C O N T R O L E D E I M P U L S O S - C L E P T O M A N I A .
INIMPUTABILIDADE. ABSOLVIÇÃO IMPRÓPRIA. MEDIDA
DE SEGURANÇA. TRATAMENTO AMBULATORIAL.
APLICABILIDADE.
I - Somente é possível o reconhecimento da atipicidade
material da conduta pela apl icação do princípio da
insignificância quando a lesão jurídica é inexpressiva, o que
não ocorre quando os bens subtraídos são avaliados em quase
dois salários mínimos vigentes à época dos fatos, merecendo a
conduta resposta do Estado para prevenir e reprimir a prática
de novos injustos penais.
II - O princípio da intervenção mínima orienta, na sua essência,
o legislador a distinguir as condutas consideradas socialmente
adequadas, ou que possam ser resolvidas pelos outros ramos
do direito, daquelas que merecem a repressão do Direito Penal.
O crime de furto, por tutelar o direito de propriedade, bem de
suma importância para possibilitar a vida em sociedade,
merece a proteção do Direito Penal, não havendo qualquer
distorção ou arbítrio na atividade legislativa ao incriminar a
conduta descrita no tipo em questão, que justifique a atuação
Poder Judiciário da União
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios
Fls. _____
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do Poder Judiciário.
III - O objetivo principal da medida de segurança é o resguardo
da ordem social e não apenas o tratamento da enfermidade
mental que acomete a inimputável, de modo que ao Juiz não é
dado esquivar-se de sua aplicação quando constatada a causa
de isenção de pena prevista no art. 26 do Código Penal.
IV - Recurso conhecido e desprovido.
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A C Ó R D Ã O
Acordam os Senhores Desembargadores da 3ª TURMA CRIMINAL
do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, NILSONI DE FREITAS -
Relatora, JOÃO BATISTA TEIXEIRA - Revisor, JESUINO RISSATO - 1º Vogal,
sob a presidência do Senhor Desembargador JESUINO RISSATO, em proferir a
seguinte decisão: CONHECIDO. NEGOU-SE PROVIMENTO. UNÂNIME., de
acordo com a ata do julgamento e notas taquigráficas.
Brasilia(DF), 26 de Fevereiro de 2015.
Documento Assinado Eletronicamente
NILSONI DE FREITAS
Relatora
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 Deferido o pedido de segredo de justiça formulado (fl. 184).
 Sentenciando o feito (fls. 323/326), o MM. Juiz de Direito Substituto
da 3ª Vara Criminal de Brasília julgou improcedente a pretensão punitiva estatal para
absolver a acusada, com fundamento no artigo 386, VI, do Código de Processo
Penal. Aplicou-lhe, contudo, a medida de tratamento ambulatorial, por prazo
indeterminado, na forma do artigo 97, §§ 1º e 2º do Código Penal, fixando o prazo
mínimo de 1 (um) ano para a realização do exame de cessação da periculosidade.
 Houve intimação da sentença (fls. 332/334).
 Irresignada, a Defesa interpõe apelação (fl. 330). Em suas razões
(fls. 343/356), insurge-se quanto à aplicação do tratamento ambulatorial à acusada,
o qual, no seu entender poderia ser substituído pelo tratamento em clínica particular,
ou seja, pelos médicos que já vêm tratando a apelante há algum tempo.
 Ainda alega que o tratamento oficial em nada melhorará a situação
da recorrente, que tem plenas condições de continuar seu tratamento particular.
 Por outro lado, afirma que não houve, na espécie, a tipicidade
material na conduta da apelante, ante a ínfima lesão ao bem jurídico tutelado, a fim
de justificar a intervenção do Direito Penal e, consequentemente, a aplicação da
medida de segurança.
 Também defende a aplicação dos princípios da intervenção mínima,
igualmente conhecido como ultima ratio, e da subsidiariedade do Direito Penal.
 Requer, ao final, a reforma da sentença para que seja revogada a
R E L A T Ó R I O
 Trata-se de ação penal ajuizada pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO
DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS em desfavor de M. G. L. C., atribuindo-lhe
a autoria do delito previsto no art. 155, caput, (quatro vezes) c/c o art. 71, ambos do
Código Penal, constando da denúncia (fls. 2/5) que no dia 06 de julho de 2013,
entre 18h30 e 19h00, no Centro Comercial Gilberto Salomão, situado na QI 05,
Lago Sul, nesta capital, a denunciada subtraiu, para si, em continuidade delitiva, as
seguintes mercadorias: um vestido rosa, marca Cheroy, no valor de R$ 344,40
(trezentos e quarenta e quatro reais e quarenta centavos) e uma blusa verde, marca
Cheroy, no valor de R$ 169,90 (cento e sessenta e nove reais noventa centavos) de
propriedade da loja Amanda Brasil, fls. 20/21; um vestido pérola, marca Shop, no
valor de R$ 438,00 (quatrocentos e trinta e oito reais) de propriedade da loja Santa
Ltda., fls. 22/23; um par de sapato feminino bege, nº 36, de propriedade da loja
Ávida Calçados, fl. 24 e um vestido estampado, no valor de R$ 90,00 (noventa
reais) de propriedade do estande da Zanna Criações.
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medida de segurança aplicada, substituindo-a, se necessário, pela comprovação de
submissão a tratamento médico particular.
 O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios não ofereceu
contrarrazões formais (fl. 366).
 A Procuradoria de Justiça Criminal, por intermédio da d. Promotora
de Justiça em substituição, Tânia Regina Gonçalves Pinto, oferta parecer (fls.
368/371) pelo conhecimento e desprovimento do recurso.
 É o relatório.
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Em síntese, é o que consta.
DA AUTORIA E DA MATERIALIDADE
A autoria e a materialidade do delito restaram comprovadas pelo
Auto de Prisão em Flagrante (fls. 7/13), Auto de Apresentação e Apreensão (fls.
21/22), Termos de Restituição (fls. 23/29), Comunicação de Ocorrência Policial nº
2.757/2013-0 (fls. 36/40), Relatório Final da Autoridade Policial (fls. 45/47), Laudo de
Exame Psicológico nº 12173/14 (fls. 284/286), Laudo de Exame Psiquiátrico nº
8962/14 (fls. 287/289) e pela prova oral produzida em Juízo, especialmente pela
confissão da acusada que, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, admitiu a
prática dos fatos narrados na denúncia (mídia audiovisual acostada às fls. 257),
além de não terem sido objeto de insurgência no presente recurso.
DA TIPICIDADE MATERIAL DA CONDUTA
A Defesa alega que a conduta perpetrada pela acusada seria
materialmente atípica, ante a ínfima lesão ao bem jurídico tutelado, não se
justificando a intervenção do Direito Penal e, consequentemente, a aplicação da
medida de segurança.
Razão não lhe assiste.
Observa-se pela denúncia e por toda documentação trazida no
inquérito que a acusada subtraiu três vestidos, uma blusa e um par de sapatos. Os
referidos bens subtraídos totalizavam uma quantia superior a R$ 1.000,00 (mil reais),
valor que não pode ser considerado insignificante.
A propósito, esse o entendimento dessa Corte de Justiça:
V O T O S
A Senhora Desembargadora NILSONI DE FREITAS - Relatora
Trata-se de ação penal ajuizada pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO
DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS em desfavor de M. G. L. C., atribuindo-lhe
a autoria do delito previsto no art. 155, caput, c/c art. 71, ambos do CódigoPenal,
tendo a r. sentença julgado improcedente a pretensão punitiva estatal para absolver
a acusada, com fundamento no art. 386, VI, do Código de Processo Penal,
aplicando-lhe, contudo, medida de tratamento ambulatorial, por prazo
indeterminado, na forma do artigo 97, §§ 1º e 2º do Código Penal, fixando o prazo
mínimo de 1 (um) ano para a realização do exame de cessação da periculosidade,
em face do que recorre a Defesa, requerendo a revogação da medida de segurança
aplicada ou, subsidiariamente, sua substituição pela comprovação de submissão a
tratamento médico particular.
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O princípio da insignificância pressupõe a mínima
ofensividade da conduta, nenhuma periculosidade social
da ação, e reduzidíssimo grau de reprovabilidade do
comportamento do agente, o que não se vislumbra no caso
concreto.
2. O valor da avaliação dos bens furtados (R$ 665,90),
apesar de não ser expressivo quando consideradas as
condições da vítima - um hipermercado -, também está
longe de ser irrisório, na medida em que se aproxima do
va lor do sa lá r io mín imo. (Acó rdão n . 830805 ,
20140110148488APR, Relator: JOÃO BATISTA TEIXEIRA,
Relator Designado: JESUINO RISSATO, Revisor: JESUINO
RISSATO, 3ª Turma Criminal, Data de Julgamento: 06/11/2014,
Publicado no DJE: 12/11/2014. Pág.: 107);
 
Impossível o reconhecimento da atipicidade da conduta,
pelo princípio da insignificância, uma vez que a lesão
jurídica não foi inexpressiva, não podendo ser considerado
irrisório o valor do bem, o qual foi avaliado em quase o
triplo do salário mínimo vigente à época dos fatos,
merecendo resposta enérgica do Estado para prevenir e
r e p r i m i r n o v o s c r i m e s . ( A c ó r d ã o n . 8 2 6 4 5 5 ,
20110710351886APR, Relator: JOÃO BATISTA TEIXEIRA,
Revisor: JESUINO RISSATO, 3ª Turma Criminal, Data de
Julgamento: 16/10/2014, Publicado no DJE: 22/10/2014. Pág.:
246).
 
 
Verifica-se, no caso em análise, que a recorrente subtraiu os bens
de quatro estabelecimentos diferentes, até ser detida pela segurança do local após
praticar a última subtração, não havendo que se falar em mínima ofensividade da
conduta, tampouco se pode considerar o comportamento desprovido de
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periculosidade social.
Assim, incabível o acolhimento do pleito sob o fundamento da
atipicidade material da conduta, em face da ínfima lesão ao bem jurídico tutelado.
DA APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA INTERVENÇÃO MÍNIMA E
DA SUBSIDIARIEDADE
A Defesa também defende a aplicação dos princípios da intervenção
mínima, igualmente conhecido como ultima ratio, e da subsidiariedade do Direito
Penal.
Melhor sorte não lhe assiste.
É que os referidos princípios são dirigidos principalmente ao
legislador, a fim de orientar suas atividades e, com isso, limitar o poder incriminador
do Estado, procurando eliminar possíveis arbítrios e a criação de tipos penais
iníquos ou desnecessários à manutenção da ordem jurídica.
No caso dos autos, investiga-se a possível ocorrência do crime de
furto, restando indiscutível a necessidade da proteção do bem jurídico abrangido
pelo tipo penal em tela, não havendo qualquer distorção na atividade legislativa ao
incriminar a referida conduta que reclame a atuação do Poder Judiciário.
A propósito, esta a orientação desta Corte de Justiça:
 
 
O princípio da adequação social, assim como o da
intervenção mínima, orienta o legislador a distinguir as
condutas consideradas socialmente adequadas daquelas
que merecem a repressão do Direito Penal, mas não tem o
condão de revogar os tipos penais incriminadores já
positivados. (Acórdão n. 600659, 20110910066552APR,
Relator: SOUZA E AVILA, Revisor: ROBERVAL CASEMIRO
BELINATI, 2ª Turma Criminal, Data de Julgamento: 26/6/2012,
Publicado no DJE: 04/7/2012. Pág.: 275).
 
 
Assim, rejeita-se igualmente a aplicação ao caso dos referidos
princípios, eis que destinados precipuamente ao legislador.
DA MEDIDA DE SEGURANÇA APLICADA
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Julgando a apelante, assim decidiu o MM. Juiz Substituto ao fixar-lhe
a medida de segurança imposta (fl. 326 e verso):
 
Não há dúvidas, portanto, sobre a conduta praticada pela
denunciada. Os depoimentos ratificam a confissão da acusada.
Segundo a teoria tripartite, crime é toda conduta humana típica,
antijurídica e culpável, cuja análise deve ocorrer em sequência,
considerando a tipicidade, antijuridicidade e, por fim, a
culpabilidade.
De acordo com a teoria finalista da ação, adotada pelo
ordenamento pátrio, a culpabilidade consiste no juízo de
reprovabilidade da conduta do agente (típica e antijurídica),
tendo como elementos a imputabilidade, potencial consciência
sobre a ilicitude do fato e exigibilidade de conduta diversa. A
imputabilidade, por sua vez, implica no conhecimento do
caráter ilícito do fato pelo agente ou capacidade de se
determinar por este entendimento, como se infere do art. 26 do
Código Penal Brasileiro.
Na hipótese, os elementos colhidos durante a instrução
demonstram que a acusada não estava em estado psicológico
normal. A acusada tem histórico de depressão, de perturbação
de saúde mental de longa data e após tratamento, constatou-se
que sofre do transtorno relacionado ao controle dos impulsos, a
cleptomania.
Os laudos periciais elaborados pelo IML (fls. 284/289)
espelham a situação clínica da denunciada, de onde se extrai o
diagnóstico acerca de sua inimputabilidade e a recomendação
de submissão a tratamento ambulatorial:
"A pericianda, portanto, apresenta um transtorno de controle de
impulsos tipo cleptomania associada a quadro clínico de
depressão que, à época dos fatos descritos na denúncia,
apesar de não alterar sua capacidade de entendimento em
relação a sua conduta criminosa, comprometeu totalmente sua
capacidade de autodeterminação em relação a esse
entendimento. (...) Trata-se de uma doença crônica e vários
tratamentos têm sido úteis em estudos de casos, mas é preciso
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que mais pesquisas que examinem a etiologia e o tratamento.
Aconselhamos que o tratamento englobe a co-morbidade que
no caso dessa pericianda esta relacionada a alterações de
humor importantes como a depressão. O alívio dos sintomas
depressivos podem proporcionar à mesma uma melhor
capacidade de resistência aos impulsos cleptomaníacos. Esse
tratamento pode ser em regime ambulatorial e uso de
medicações específicas" (fl. 288/289)
Conclui-se, então, que por motivo de doença mental (transtorno
de controle de impulsos - cleptomania) a ré era incapaz de
entender o caráter ilícito de sua conduta. Está ausente, pois, a
culpabilidade.
Em tais situações, comprovadas a materialidade e autoria
delitiva, ou seja, a prática de injusto penal, mas faltando ao
acusado culpabilidade (no seu elemento imputabilidade),
sobrevém o que se adotou chamar de sentença absolutória
imprópria, com aplicação de medida de segurança. Esta visa
principalmente o tratamento daqueles que cometeram o injusto
(fato típico e ilícito), contudo possuem problema de saúde que
compromete o entendimento da ilicitude da conduta ou a forma
de se determinar conforme o direito. No caso, a medida de
segurança consistirá em tratamento ambulatorial.
Ante o exposto, JULGO IMPROCEDENTE a pretensão punitiva
deduzida na denúncia para ABSOLVER M. G. L. C., qualificada
nos autos, com base no art. 386, VI, do Código de Processo
Penal. Em consequência, aplico-lhe a medida de tratamentoambulatorial 
 
A Defesa insurge-se quanto à aplicação do tratamento ambulatorial
à acusada, o qual, no seu entender, poderia ser substituído pelo particular, ou seja,
pelos médicos que já vêm tratando a apelante há algum tempo.
Ainda alega que o tratamento oficial em nada melhorará a situação
da recorrente, que tem plenas condições de continuar seu tratamento particular.
Não prospera a irresignação defensiva.
A característica primordial da medida de segurança consiste na
proteção da sociedade contra a possibilidade de que sejam perpetradas novas
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ações criminosas pelo autor do fato, sujeito a condições estabelecidas pelo juízo da
execução penal, e perdurará enquanto não for averiguada a cessação da
periculosidade do indivíduo em exame específico.
Conforme leciona Guilherme de Souza Nucci (in Código Penal
Comentado, 12ª edição, editora Revista dos Tribunais, página 569), o inimputável
não sofre juízo de culpabilidade, embora com relação a ele se possa falar em
periculosidade, que, no conceito de Nelson Hungria, significa um estado mais ou
menos duradouro de antissociabilidade, em nível subjetivo. Quanto mais injustos
penais o inimputável comete, mais demonstra sua antissociabilidade.
Basileu Garcia, citado por Rogério Greco (in Curso de Direito Penal,
parte geral, volume I, editora Impetus, 10ª edição, página 675 e verso) assevera que
as medidas de segurança não traduzem castigo. Foram instituídas ao influxo do
pensamento da defesa coletiva, atendendo à preocupação de prestar ao delinquente
uma assistência reabilitadora (...) as medidas de segurança não se voltam a pública
animadversão, exatamente porque não representam senão meios assistenciais e de
cura do indivíduo perigoso, para que possa readaptar-se à coletividade.
Resta inquestionável, portanto, que o objetivo principal da medida de
segurança é o resguardo da ordem social e não apenas o tratamento da
enfermidade mental que acomete o inimputável, de modo que ao Juiz não é dado
esquivar-se de sua aplicação, quando constatada a causa de isenção de pena
prevista no art. 26 do Código Penal. Por essa razão, o art. 97 do Código Penal
prescreve que se o agente for inimputável, o juiz determinará sua internação (art.
26). Se, todavia, o fato previsto como crime punível com detenção, poderá o juiz
submetê-lo a tratamento ambulatorial.
Nesse sentido, esse Tribunal de Justiça já decidiu que comprovada
a ocorrência de fato típico e antijurídico, e afastada a culpabilidade ante a condição
de inimputabilidade do réu, impõe-se a aplicação de medida de segurança. Não é
dado ao Estado-Juiz furtar-se do dever de aplicar a medida cabível, tendo em vista
que a finalidade não é apenas conceder ao réu o tratamento adequado, mas
também promover a defesa social, baseado no juízo de periculosidade do agente.
(Acórdão n. 547280, 20070810071194APR, Relator: SILVÂNIO BARBOSA DOS
SANTOS, Revisor: JOÃO TIMÓTEO DE OLIVEIRA, 2ª Turma Criminal, Data de
Julgamento: 27/10/2011, Publicado no DJE: 18/11/2011. Pág.: 403).
Assim, o fato de a acusada já se submeter a tratamento médico por
conta própria não afasta a obrigatoriedade da medida de segurança, pois, conforme
demonstrado, sua aplicação decorre de imposição legal e tem por objetivo, além do
tratamento da inimputável, o resguardo da ordem social.
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Não poderia o Estado delegar à inimputável ou à sua família a
necessidade de submetê-la a tratamento ambulatorial, a fim de prevenir a prática de
novos injustos penais. A única forma de assegurar a submissão ao tratamento é por
meio da imposição da medida de segurança que lhe foi aplicada.
Com relação à adequação da medida escolhida, o Superior Tribunal
de Justiça pontificou que o magistrado, no momento da aplicação de medida de
segurança de internação, deve observar a periculosidade do agente, assim como
sua possibilidade de convívio social, e não a gravidade do delito praticado, em
respeito aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. (Acórdão no AgRg
no AREsp 266.477/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, julgado em
24/09/2013, DJe 04/10/2013).
No caso presente, correta a aplicação da medida de segurança
consistente no tratamento ambulatorial pelo prazo mínimo de um ano, pois o crime
não foi cometido com grave ameaça ou violência à pessoa, a ré já se submete a
tratamento psiquiátrico voluntário e é auxiliada por seus familiares.
Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso.
É como voto.
 
 
O Senhor Desembargador JOÃO BATISTA TEIXEIRA - Revisor
Com o relator
O Senhor Desembargador JESUINO RISSATO - Vogal
Com o relator
 D E C I S Ã O
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