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DEZEMBRO/2021 
ANO 3 / N.11 
 
 
 ABRIL/2022 
 ANO 4 / N.3 
 
STF – SÃO LÍCITAS AS PRORROGAÇÕES SUCESSIVAS DE INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS 
 
Decisão: O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 661 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário, 
para declarar a validade das interceptações telefônicas realizadas e de todas as provas delas decorrentes, nos termos do voto 
do Ministro Alexandre de Moraes, Redator para o acórdão, vencidos os Ministros Gilmar Mendes (Relator), Dias Toffoli, 
Nunes Marques e Ricardo Lewandowski. Afirmou suspeição o Ministro Roberto Barroso. Em seguida, por unanimidade e nos 
termos do voto do Ministro Alexandre de Moraes, o Tribunal fixou a seguinte tese: "São lícitas as sucessivas renovações de 
interceptação telefônica, desde que, verificados os requisitos do artigo 2º da Lei nº 9.296/1996 e demonstrada a necessidade 
da medida diante de elementos concretos e a complexidade da investigação, a decisão judicial inicial e as prorrogações sejam 
devidamente motivadas, com justificativa legítima, ainda que sucinta, a embasar a continuidade das investigações. São ilegais 
as motivações padronizadas ou reproduções de modelos genéricos sem relação com o caso concreto". Nesta assentada, o 
Ministro Gilmar Mendes reajustou sua proposta de tese, e o Ministro André Mendonça reajustou seu voto para acompanhar 
a divergência aberta pelo Ministro Alexandre de Moraes e dar provimento ao recurso. Votou quanto à tese o Ministro Roberto 
Barroso. Não votaram na tese o Ministro Nunes Marques e o Ministro Dias Toffoli, ausente, justificadamente, nesta 
assentada. Presidência do Ministro Luiz Fux. Plenário, 17.3.2022 (RE 625263/PR, Tribunal Pleno, Relator (a) Ministro (a) GILMAR 
MENDEs, Dje: 16/03/2022) AQUI 
 
STF - É CONSTITUCIONAL TERMO CIRCUNSTANCIADO DE CRIME DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO 
LAVRADO PELA PM 
 
Por unanimidade, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou constitucional dispositivo de lei do Estado de 
Minas Gerais que confere à Polícia Militar (PM) a possibilidade de lavrar termo circunstanciado, instrumento previsto para os 
casos de crime de menor potencial ofensivo. A decisão se deu na sessão virtual finalizada em 11/3, na análise da Ação Direta 
de Inconstitucionalidade (ADI) 5637, julgada improcedente. Entre outros pontos, a Associação dos Delegados de Polícia do 
Brasil (Adepol), autora da ação, sustentava que a Lei estadual 22.250/2016 tratou de matéria reservada à União e que a 
competência para a instauração do procedimento do termo circunstanciado seria exclusiva da Polícia Federal e das Polícias 
Civis dos estados e do Distrito Federal. Em seu voto, o relator, ministro Edson Fachin, destacou que, quando a ação foi 
proposta, o entendimento do STF, firmado na ADI 3614, era de que a PM não poderia exercer atividades de delegado de 
polícia, por se caracterizar desvio de função. No entanto, ao julgar outro caso (ADI 3807), o STF afirmou que não se debateu, 
naquele julgamento, a competência para a realização do termo circunstanciado, que não é atividade investigativa e, portanto, 
não é função privativa de polícia judiciária (ADI 5637/MG, Tribunal Pleno, Relator (a) Ministro (a) EDSON FACHIN, dje: 14/03/2022). 
AQUI 
 
 
STF – PRISÃO PREVENTIVA APÓS 90 DIAS NÃO PODE SER REVOGADA AUTOMATICAMENTE 
 
Decisão: O Tribunal, por maioria, julgou parcialmente procedente a ação direta, concedendo ao artigo 316, parágrafo único, 
do Código de Processo Penal interpretação conforme a Constituição, no seguinte sentido: (i) a inobservância da reavaliação 
prevista no parágrafo único do artigo 316 do Código de Processo Penal (CPP), com a redação dada pela Lei 13.964/2019, após 
o prazo legal de 90 (noventa) dias, não implica a revogação automática da prisão preventiva, devendo o juízo competente 
ser instado a reavaliar a legalidade e a atualidade de seus fundamentos; (ii) o art. 316, parágrafo único, do Código de Processo 
Penal aplica-se até o final dos processos de conhecimento, onde há o encerramento da cognição plena pelo Tribunal de 
segundo grau, não se aplicando às prisões cautelares decorrentes de sentença condenatória de segunda instância ainda não 
transitada em julgado; (iii) o artigo 316, parágrafo único, do Código de Processo Penal aplica-se, igualmente, nos processos 
onde houver previsão de prerrogativa de foro. Tudo nos termos do voto do Ministro Alexandre de Moraes, Redator para o 
acórdão, vencidos parcialmente os Ministros Edson Fachin (Relator), Roberto Barroso, Gilmar Mendes e Ricardo 
Lewandowski. Plenário, Sessão Virtual de 25.2.2022 a 8.3.2022 (ADI 6581/DF, Tribunal Pleno, Relator (a) Ministro (a ) ALEXANDRE 
DE MORAES, Dje: 10/03/2022). AQUI 
 
 
https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=4472381
https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=760167259
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6027154
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STJ – O ART. 241- E DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE, AO EXPLICAR O SENTIDO DA 
EXPRESSÃO “CENA DE SEXO EXPLÍCITO OU PORNOGRAFIA” NÃO RESTRINGE TAL CONCEITO APENAS 
ÀS IMAGENS EM QUE A GENITÁLIA DE CRIANÇAS E ADOLECENTES ESTEJA DESNUDA 
 
No caso, o Tribunal a quo adotou entendimento segundo o qual, para a configuração das condutas típicas preconizadas nos 
arts. 240 e 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente, seria necessário que as fotografias das vítimas contivessem a 
exibição de órgãos genitais, cena de sexo explícito ou pornográfica, o que não ocorre na hipótese em análise, tendo em vista 
que as adolescentes usavam lingerie ou biquíni nas fotografias juntadas pela acusação. Todavia, à luz da correta exegese 
aplicável à legislação de regência, o exame da controvérsia tem como premissa básica e inafastável o escopo (mens legis) que 
perpassa todo o Estatuto da Criança e do Adolescente, especialmente o comando normativo insculpido no art. 6º do referido 
Diploma Legal, conforme as seguintes balizas, in verbis: "Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que 
ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e do 
adolescente como pessoas em desenvolvimento." Ao amparo desse firme alicerce exegético, inarredável a conclusão de que 
o art. 241-E da Lei n. 8.069/1990, ao explicitar o sentido da expressão "cena de sexo explícito ou pornográfica" não o faz de 
forma integral e, por conseguinte, não restringe tal conceito apenas àquelas imagens em que a genitália de crianças e 
adolescentes esteja desnuda. Isso porque, tendo como diapasão a proteção absoluta que a lei oferece à criança e ao 
adolescente, a tipificação dos delitos nela preconizados, para os quais é necessário lançar mão da definição de "cena de sexo 
explícito ou pornográfica", deve sopesar todo o contexto fático que circunda a conduta praticada. Portanto, para esse 
desiderato, é imprescindível verificar se, a despeito de as partes íntimas das vítimas não serem visíveis nas cenas que 
compõem o acervo probante (por exemplo, pelo uso de algum tipo de vestimenta), estão presentes o fim sexual das imagens, 
poses sensuais, bem como evidência de exploração sexual, obscenidade ou pornografia (Processo sob segredo judicial, Rel. 
Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 15/03/2022). 
 
 
STJ – EXCEPCIONALMENTE, ADMITE-SE A CONCESSÃO DA PRISÃO DOMICILIAR ÀS PRESAS DOS 
REGIMES FECHADO QUANDO VERIFICADO PELO JUÍZO DA EXECUÇÃO PENAL, NO CASO CONCRETO, A 
PROPORCIONALIDADE, ADEQUAÇÃO E NECESSADADE DA MEDIDA, E QUE A PRESENÇA DA MÃE SEJA 
IMPRESCINDÍVEL PARA OS CUIDADOS DA CRIANÇA OU PESSOA COM DEFICIÊNCIA, NÃO SENDO O 
CASO DE CRIMES PRATICADOS POR ELA MEDIANTE VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA CONTRA SEUS 
DESCENDENTES 
 
EMENTA RECURSO EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. EXECUÇÃO DE PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE DE 9 ANOS DE 
RECLUSÃO. REGIME INICIAL FECHADO. CONDENAÇÃO PELA PRÁTICA DOS CRIMESDE TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO 
PARA O TRÁFICO. PRETENSÃO DE CONCESSÃO DE PRISÃO DOMICILIAR. PACIENTE GENITORA DE CRIANÇAS DE 6 E 2 ANOS 
DE IDADE. POSSIBILIDADE. CARACTERIZADA INEFICIÊNCIA ESTATAL EM DISPONIBILIZAR VAGA À RECORRENTE EM 
ESTABELECIMENTO PRISIONAL PRÓPRIO E ADEQUADO À SUA CONDIÇÃO PESSOAL, DOTADOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICA 
PRÉ-NATAL E PÓS-PARTO, BERÇÁRIOS E CRECHES. ARTS. 82, § 1º, E 83, § 2º, DA LEP. PRESÍDIO FEMININO MAIS PRÓXIMOS 
DISTANTE 230 KM DA RESIDÊNCIA. CONVIVÊNCIA E AMAMENTAÇÃO IMPOSSIBILITADA. PROTEÇÃO INTEGRAL À CRIANÇA. 
PRIORIDADE. HC COLETIVO STF N. 143.641/SP. PRECEDENTES DO STJ. LIMINAR DEFERIDA. PARECER MINISTERIAL PELA 
CONCESSÃO DA ORDEM, EM MENOR EXTENSÃO, A FIM DE QUE A CORTE DE JUSTIÇA SEJA INSTADA A EXAMINAR O MÉRITO 
DO WRIT IMPETRADO NAQUELA INSTÂNCIA NO TOCANTE À TESE ALEGADA NA INICIAL DA AÇÃO MANDAMENTAL. 
ILEGALIDADE MANIFESTA EVIDENCIADA. RECURSO PROVIDO. 1. A Suprema Corte, no julgamento do HC Coletivo n. 
143.641/SP, concedeu a ordem para determinar a substituição da prisão preventiva pela domiciliar [...] de todas as mulheres 
presas, gestantes, puérperas ou mães de crianças e deficientes, [...] excetuados os casos de crimes praticados por elas 
mediante violência ou grave ameaça, contra seus descendentes ou, ainda, em situações excepcionalíssimas, as quais deverão 
ser devidamente fundamentadas (HC n. 143.641/SP, Ministro Ricardo Lewandowski, Segunda Turma do STF, DJe 9/10/2018). 
Precedentes do STJ no mesmo sentido. 2. Ademais, o CPP (com as alterações promovidas pela Lei nº 13.769/2018) passou a 
prever a substituição da prisão preventiva por domiciliar à mulher gestante, mãe ou responsável por crianças ou pessoas com 
deficiência, desde que não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça e o delito não tenha sido cometido o crime 
contra seu filho ou dependente, facultando, ainda, a aplicação de medidas cautelares (arts. 318-A e 318-B do CPP). 3. No 
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entanto, a execução de condenação definitiva em prisão domiciliar, em regra, somente é admitida ao reeducando do regime 
aberto, desde que seja maior de 70 anos, portador de doença grave, ou mulher gestante ou mãe de menor ou deficiente 
físico ou mental (art. 117 da LEP). Porém, excepcionalmente, se admite a concessão do benefício às presas dos regimes 
fechado e semiaberto quando verificado pelo juízo da execução penal, no caso concreto – em juízo de ponderação entre o 
direito à segurança pública e a aplicação dos princípios da proteção integral da criança e da pessoa com deficiência –, que tal 
medida seja proporcional, adequada e necessária e que a presença da mãe seja imprescindível para os cuidados da criança 
ou pessoa com deficiência, salvo se a periculosidade e as condições pessoais da reeducanda indiquem que o benefício não 
atenda os melhores interesses da criança ou pessoa com deficiência. 4. Outrossim, a jurisprudência desta Corte tem se 
orientado no sentido de que deve ser dada uma interpretação extensiva tanto ao julgado proferido pelo Supremo Tribunal 
Federal no Habeas Corpus coletivo n. 143.641, que somente tratava de prisão preventiva de mulheres gestantes ou mães de 
crianças de até 12 anos, quanto ao art. 318-A do Código de Processo Penal, para autorizar também a concessão de prisão 
domiciliar às rés em execução provisória ou definitiva da pena, ainda que em regime fechado (Rcl n. 40.676/SP, Ministro 
Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, DJe 1º/12/2020). 5. Essa possibilidade, concessão de prisão domiciliar regulada 
no art. 117 da LEP, em qualquer momento do cumprimento da pena, ainda que em regime fechado, desde que 
excepcionalidade do caso concreto imponha, tem sido reconhecida por esta Corte Superior. Precedentes das Turmas da 
Terceira Seção. 6. Também a Suprema Corte tem admitido, em situações absolutamente excepcionais, a concessão de prisão 
domiciliar a regimes mais severos de execução penal, a exemplo das ordens implementadas nas hipóteses em que o 
condenado estiver acometido de doença grave, a demandar tratamento específico, incompatível com o cárcere ou impassível 
de ser oferecido pelo Estado (AgR na AP n. 996, Ministro Edson Fachin, Segunda Turma, DJe 29/9/2020). 7. In casu, verifica-
se que a recorrente se enquadra nos termos definidos no HC Coletivo n. 143.641/SP, isto é, mulher em vias de ser presa, mãe 
de criança de 6 e 2 anos de idade (fl. 20), não sendo caso de crimes praticados por ela mediante violência ou grave ameaça 
contra seus descendentes. 8. Outrossim, também, caracterizada a ineficiência estatal em disponibilizar vaga à recorrente em 
estabelecimento prisional próprio e adequado à sua condição pessoal, dotados de assistência médica pré-natal e pós-parto, 
berçários e creches para seus filhos (arts. 82, § 1º, e 83, § 2º, da LEP), especialmente, porque o presídio com capacidade para 
presas do sexo Feminino mais próximo da residência da Paciente fica localizado aproximadamente 230 km de distância, fato 
que impossibilitaria o contato da Paciente para amamentação e demais cuidados ao recém-nascido (fl. 208). 9. Recurso em 
habeas corpus provido, confirmando-se a liminar, para permitir que a recorrente possa cumprir pena em regime domiciliar, 
com monitoração eletrônica, sem prejuízo da fixação de outras medidas cautelares, a critério do Juízo a quo, a serem 
implementadas pelo Juízo da Execução penal competente, referente à condenação proferida na Ação Penal n. 0034937-
03.2017.8.13.0487 da 2ª Vara Cível, Criminal e da Infância e da Juventude da comarca de Pedra Azul/MG (RHC 145.931/MG, 3ª 
Seção, Relator (a) Ministro (a) SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Dje: 16/03/2022) AQUI 
 
STJ – O CRIME DE ESTELIONATO PRATICADO POR MEIO DE SAQUE DE CHEQUE FRAUDADO COMPETE 
AO JUÍZO DO LOCAL DA AGÊNCIA BANCÁRIA DA VÍTIMA 
 
EMENTA CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. PENAL E PROCESSUAL PENAL. ESTELIONATO. CRIME PRATICADO 
MEDIANTE CHEQUE FRAUDULENTO. HIPÓTESE NÃO PREVISTA NA LEI N. 14.155/2021. CONSUMAÇÃO DO CRIME NO LOCAL 
ONDE A VÍTIMA POSSUI CONTA BANCÁRIA. CONFLITO CONHECIDO PARA DECLARAR COMPETENTE O JUÍZO SUSCITADO. 1. 
O delito de estelionato, tipificado no art. 171, caput, do Código Penal, consuma-se no lugar onde aconteceu o efetivo prejuízo 
à vítima. Por essa razão, a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no caso específico de estelionato praticado por 
meio de depósito em dinheiro ou transferência de valores, firmara a compreensão de que a competência seria do Juízo onde 
se auferiu a vantagem ilícita em prejuízo da vítima, ou seja, o local onde se situava a conta que recebeu os valores depositados. 
2. A Lei n. 14.155, de 27 de maio de 2021, que incluiu o § 4.º no art. 70 do Código de Processo Penal, criou hipótese específica 
de competência no caso de crime de estelionato praticado mediante depósito, transferência de valores ou cheque sem 
provisão de fundos em poder do sacado ou com o pagamento frustrado. Diante da modificação legislativa, não mais subsiste 
o entendimento firmado por esta Corte Superior, devendo ser reconhecida a competência do Juízo do domicílio da vítima. 3. 
Contudo, a hipótese dos autos, como bem ressaltou o parecer ministerial, não foi expressamente prevista na nova legislação, 
visto que não se trata de cheque emitido sem provisão de fundos ou com pagamento frustrado, mas de tentativa de saque 
de cártula falsa, em prejuízo de correntista. Assim, aplica-se o entendimento pela competência do Juízo do local do eventual 
prejuízo, que ocorre com a autorização para o saque do numerário no local da agência bancária da vítima. 4. Conflito 
conhecido para declarar competente o JUÍZO DE DIREITO DA VARA ÚNICA DE URUPÊS/SP, o Suscitado (CC 182.977/PR, 3ª 
Seção, Relator (a) Ministro (a) LAURITA VAZ, Dje: 14/03/2022) AQUI 
 
https://processo.stj.jus.br/SCON/GetInteiroTeorDoAcordao?num_registro=202101133213&dt_publicacao=16/03/2022
https://scon.stj.jus.br/SCON/GetInteiroTeorDoAcordao?num_registro=202103071019&dt_publicacao=14/03/2022DEZEMBRO/2021 
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STJ – A QUALIFICADORA PREVISTA NO ART. 129, § 2º, INCISO IV, DO CÓDIGO PENAL (DEFORMIDADE) 
ABRANGE SOMENTE LESÕES CORPORAIS QUE RESULTAM EM DANOS FÍSICOS 
 
EMENTA HABEAS CORPUS. INSURGÊNCIA CONTRA CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. WRIT SUBSTITUTIVO DE 
AÇÃO REVISIONAL. DESCABIMENTO. ART. 105, INCISO I, ALÍNEA E, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. CONCESSÃO DE 
OFÍCIO, TODAVIA, QUE SE IMPÕE. PENAL. LESÃO CORPORAL. ART, 129, § 2º, INCISO IV, DO CÓDIGO PENAL. DOSIMETRIA. 
QUALIFICADORA. DEFORMIDADE PERMANENTE. RESTRIÇÃO ÀS LESÕES FÍSICAS. DANO ESTÉTICO. PRIMEIRA FASE DA 
DOSIMETRIA. CONDUTA SOCIAL, MOTIVOS E CONSEQUÊNCIAS DO CRIME. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. SEGUNDA ETAPA. 
CONFISSÃO ESPONTÂNEA PARCIAL E QUALIFICADA. CABÍVEL O RECONHECIMENTO DA ATENUANTE. PEDIDO NÃO 
CONHECIDO. ORDEM DE HABEAS CORPUS, TODAVIA, CONCEDIDA EX OFFICIO.1. É incongnoscível o writ manejado como 
substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte. Nos termos do art. 
105, inciso I, alínea e, da Constituição da República, compete ao Superior Tribunal de Justiça decidir, originariamente, "as 
revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados". A hipótese, todavia, comporta concessão de habeas corpus de 
ofício. 2. Pratica o tipo penal fundamental da lesão corporal aquele que ofende a integridade corporal ou a saúde física ou 
mental de outrem. Contudo, conforme entendimento firmado por ambas as turmas que compõem a Terceira Seção desta 
Corte Superior de Justiça, a qualificadora prevista no art. 129, § 2º, inciso IV, do Código Penal (deformidade permanente), deve 
representar lesão estética de certa monta, capaz de causar desconforto a quem a vê ou ao seu portador, abrangendo, 
portanto, somente as condutas que resultam em lesão física. 3. No caso, a vítima, após o evento danoso, fora acometida de 
transtorno de estresse pós-traumático e alteração permanente da personalidade, circunstância que não se enquadra no 
inciso IV do § 2.º do art. 129 do Código Penal. 4. A pena-base foi adequadamente majorada. A agressão ao 
professor/coordenador da universidade e a anterior suspensão do Agente do curso de engenharia devido à transgressão 
disciplinar é motivação idônea para exasperar a reprimenda no tocante à conduta social. O motivo do crime, consistente em 
agressão à vítima tão somente por ter sido impedido de ingressar no campus da universidade, também justifica o incremento 
da sanção. No mais, as consequências da infração transbordaram, em muito, aquelas inerentes ao tipo penal, tendo em vista 
que a lesão causou transtorno de estresse pós-traumático e alteração permanente da personalidade. 5. A atenuante da 
confissão espontânea deve ser reconhecida mesmo se for parcial ou qualificada. Precedentes. 6. Pedido não conhecido. 
Ordem de habeas corpus, todavia, concedida ex officio, para afastar a qualificadora prevista no art. 129, § 2º, inciso IV, do 
Código Penal, e reconhecer a atenuante da confissão espontânea, redimensionando-se a sanção penal (HC 689.921/SP, 6ª 
Turma, Relator (a) Ministro (a) LAURITA VAZ, Dje: 11/03/2022). AQUI 
 
STJ – NÃO SE JUSTIFICA A PRISÃO PREVENTIVA SE, CONSIDERANDO O MODUS OPERANDI DOS 
DELITOS, A IMPOSIÇÃO DA CAUTELAR DE PROIBIÇÃO DO EXERCÍCIO DA MEDICINA E DA SUSPENSÃO 
DA INSCRIÇÃO MÉDICA, E OUTRAS QUE O JUÍZO DE ORIGEM ENTENDER NECESSÁRIAS, FOREM 
SUFIENTES PARA PREVENÇÃO DA REITERAÇÃO CRIMINOSA E PRESERVAÇÃO DA ORDEM PÚBLICA 
 
EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. CRIME DE VIOLAÇÃO SEXUAL MEDIANTE FRAUDE. HABEAS CORPUS 
SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. PRISÃO PREVENTIVA. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DO ART. 312 DO CPP. CRIME 
PRATICADO NO EXERCÍCIO DA MEDICINA. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS. SUFICIÊNCIA DAS MEDIDAS CAUTELARES 
DO ART. 319 DO CPP. PROIBIÇÃO DO EXERCÍCIO DA MEDICINA. ILEGALIDADE MANIFESTA. AGRAVO PROVIDO. 1. Embora 
inadmissível habeas corpus em substituição ao recurso próprio, é possível o conhecimento da impetração quando verificada 
flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado apta a ensejar a concessão da ordem de ofício. 2. A custódia prisional é 
providência extrema que deve ser determinada quando demonstrados o fumus commissi delicti e o periculum libertatis, na 
forma do art. 312 do CPP. 3. Em razão de seu caráter excepcional, a prisão preventiva somente deve ser imposta quando 
incabível a substituição por outra medida cautelar menos gravosa, conforme disposto no art. 282, § 6º, do CPP. 4. 
Considerando o modus operandi dos delitos, a imposição da cautelar de proibição do exercício da medicina e de suspensão 
da inscrição médica, e outras que o Juízo de origem entender necessárias, são suficientes para prevenção da reiteração 
criminosa e preservação da ordem pública. 5. Agravo regimental provido (AgRg no HC 699.362/PA, 5ª Turma, Relator (a), 
Ministro (a) JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Dje: 11/03/2022) AQUI 
 
STJ - DÚVIDA SOBRE A PERMISSÃO DO MORADOR PARA A BUSCA DOMICILIAR, PREVALECE A VERSÃO 
DO MORADOR, DECIDE SEXTA TURMA 
https://processo.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=ITA&sequencial=2144066&num_registro=202102754395&data=20220314&formato=PDF
https://processo.stj.jus.br/processo/julgamento/eletronico/documento/mediado/?documento_tipo=integra&documento_sequencial=147349901&registro_numero=202103250210&peticao_numero=202101051970&publicacao_data=20220311&formato=PDF
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EMENTA: HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. FLAGRANTE. DOMICÍLIO COMO EXPRESSÃO DO DIREITO À INTIMIDADE. 
ASILO INVIOLÁVEL. EXCEÇÕES CONSTITUCIONAIS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. AUSÊNCIA DE FUNDADAS RAZÕES. 
AUSÊNCIA DE CONSENTIMENTO VÁLIDO DO MORADOR. INDUÇÃO A ERRO. VÍCIO NA MANIFESTAÇÃO DE VONTADE. 
NULIDADE DAS PROVAS OBTIDAS. TEORIA DOS FRUTOS DA ÁRVORE ENVENENADA. ABSOLVIÇÃO. ORDEM CONCEDIDA. 
EXTENSÃO DE EFEITOS AOS CORRÉUS. 1. O art. 5º, XI, da Constituição Federal consagrou o direito fundamental à 
inviolabilidade do domicílio, ao dispor que a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem 
consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por 
determinação judicial. 2. O Supremo Tribunal Federal definiu, em repercussão geral (Tema 280), que o ingresso forçado em 
domicílio sem mandado judicial apenas se revela legítimo – a qualquer hora do dia, inclusive durante o período noturno – 
quando amparado em fundadas razões, devidamente justificadas pelas circunstâncias do caso concreto, que indiquem estar 
ocorrendo, no interior da casa, situação de flagrante delito (RE n. 603.616/RO, Rel. Ministro Gilmar Mendes, DJe 8/10/2010). 
No mesmo sentido, neste STJ: REsp n. 1.574.681/RS. 3. Apesar da menção a informação anônima repassada pela Central de 
Operações da Polícia Militar – Copom, não há nenhum registro concreto de prévia investigação para apurar a conformidade 
da notícia, ou seja, a ocorrência do comércio espúrio na localidade, tampouco a realização de diligências prévias, 
monitoramento ou campanas no local para averiguar a veracidade e a plausibilidade das informações recebidas 
anonimamente e constatar o aventado comércio ilícito de entorpecentes. Não houve, da mesma forma, menção a qualquer 
atitude suspeita, exteriorizada em atos concretos, nem movimentação de pessoas típica de comercialização de drogas (...)6. 
As regras de experiência e o senso comum, somadas às peculiaridades do caso concreto, não conferem verossimilhança à 
afirmação dos agentes policiais de que o paciente teria autorizado, livre e voluntariamente, o ingresso em seu próprio 
domicílio, de sorte a franquear àqueles a apreensão de drogas e, consequentemente, a formação de prova incriminatória em 
seu desfavor. 7. Ainda que o acusado haja admitido a abertura do portão do imóvel para os agentes da lei, ressalvou que o 
fez apenas porque informado sobre a necessidade de perseguirem um suposto criminosoem fuga, e não para que fossem 
procuradas e apreendidas drogas. Ademais, se, de um lado, deve-se, como regra, presumir a veracidade das declarações de 
qualquer servidor público, não se há de ignorar, por outro lado, que a notoriedade de frequentes eventos de abusos e desvios 
na condução de diligências policiais permite inferir como pouco crível a versão oficial apresentada no inquérito policial, 
máxime quando interfere em direitos fundamentais do indivíduo e quando se nota indisfarçável desejo de se criar narrativa 
que confira plena legalidade à ação estatal. Essa relevante dúvida não pode, dadas as circunstâncias concretas – avaliadas 
por qualquer pessoa isenta e com base na experiência quotidiana do que ocorre nos centros urbanos – ser dirimida a favor 
do Estado, mas a favor do titular do direito atingido (in dubio pro libertas). 8. Em verdade, caberia aos agentes que atuam 
em nome do Estado demonstrar, de modo inequívoco, que o consentimento do morador foi livremente prestado, ou que, na 
espécie, havia em curso na residência uma clara situação de comércio espúrio de droga, a autorizar, pois, o ingresso domiciliar 
mesmo sem consentimento válido do morador. Entretanto, não se demonstrou preocupação em documentar esse 
consentimento, quer por escrito, quer por testemunhas, quer, ainda e especialmente, por registro de áudio-vídeo (...)16. 
Ordem concedida para, considerando que não houve fundadas razões, tampouco comprovação de consentimento válido 
para a realização de buscas por drogas no domicílio do paciente, reconhecer a ilicitude das provas por tal meio obtidas, bem 
como de todas as que delas decorreram, e, por conseguinte, absolvê-lo em relação à prática do delito de tráfico de drogas. 
Extensão, de ofício, aos corréus (HC 674.139/SP, 6ª Turma, Relator (a) Ministro (a) ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Dje: 24/02/2022) AQUI 
 
STJ – ROUBO PRATICADO EM VEÍCULO DE TRANSPORTE COLETIVO QUE ESTEJA SEM PASSAGEIROS 
NO MOMENTO NÃO AUTORIZA A ELEVAÇÃO DA PENA-BASE 
 
EMENTA PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ART. 157, CAPUT, DO CP. DOSIMETRIA. ANÁLISE 
DESFAVORÁVEL DE CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS. MOTIVOS DO CRIME. OBTENÇÃO DE DINHEIRO PARA COMPRA DE 
DROGAS. CIRCUNSTÂNCIAS DO DELITO. CRIME PRATICADO NO INTERIOR DE ÔNIBUS VAZIO E COM SIMULACRO DE ARMA 
DE FOGO. ELEMENTOS CONCRETOS QUE DEMONSTRAM QUE A AÇÃO NÃO DESBORDOU DA PERICULOSIDADE PRÓPRIA 
DO TIPO. FUNDAMENTOS INIDÔNEOS PARA A ELEVAÇÃO DA REPRIMENDA. DECOTE DEVIDO. PLEITO MINISTERIAL DE 
RESTABELECIMENTO DO AUMENTO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. No que toca aos motivos do crime, destacou-se na 
dosimetria da pena que a subtração ocorreu para o sustento do vício de drogas do réu. Contudo, predomina nesta Corte o 
entendimento de que, mesmo em crimes patrimoniais, é inadmissível a valoração da pena-base quando a subtração do bem 
é motivada no interesse do agente de adquirir drogas para consumo próprio, tratando-se de circunstância que não pode ser 
utilizada em seu desfavor. 3. A prática de crimes de roubo dentro de transportes coletivos autoriza, nos termos da abalizada 
jurisprudência desta Corte Superior, a elevação da pena-base por consistir, via de regra, em fundamento idôneo para 
considerar desfavorável circunstância judicial. Isso porque no transporte público há comumente grande circulação de 
https://processo.stj.jus.br/processo/julgamento/eletronico/documento/mediado/?documento_tipo=integra&documento_sequencial=145729878&registro_numero=202101861375&peticao_numero=&publicacao_data=20220224&formato=PDF
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pessoas, o que eleva a periculosidade da ação. 4. No caso, todavia, sem que se faça necessário o revolvimento fático-
probatório dos autos, observa-se que as circunstâncias concretas do presente caso demonstram que a ação não desbordou 
da periculosidade própria do tipo. Conforme mencionado pela própria vítima, o ônibus estava vazio no momento do delito, 
o qual foi praticado com simulacro de arma de fogo. Tais circunstâncias concretas (ônibus vazio e uso de simulacro de arma 
de fogo) evidenciam que o modus operandi do delito foi normal à espécie, não se justificando a elevação da reprimenda. 5. 
Portanto, de rigor o afastamento da valoração negativa das circunstâncias judiciais relativas aos motivos e circunstâncias do 
crime. 6. Agravo regimental não provido (AgRg no HC 693.887/ES, 5ª Turma, Relator (a) Ministro (a) RIBEIRO DANTAS, Dje: 
21/02/2022). AQUI 
 
STJ – A DECRETAÇÃO DE MEDIDA CAUTELAR MAIS GRAVE QUE A REQUERIDA PELO MP NÃO 
CARACTERIZA ATUAÇÃO DE OFÍCIO 
 
 
EMENTA RECURSO EM HABEAS CORPUS. PRISÃO EM FLAGRANTE. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER. 
MINISTÉRIO PÚBLICO PUGNA PELA CONVERSÃO DO FLAGRANTE EM CAUTELARES DIVERSAS. MAGISTRADO DETERMINOU 
CAUTELAR MÁXIMA. PRISÃO PREVENTIVA DE OFÍCIO. NÃO OCORRÊNCIA. PRÉVIA E ANTERIOR PROVOCAÇÃO DO 
MINISTÉRIO PÚBLICO. PRISÃO PREVENTIVA FUNDAMENTADA. PERICULOSIDADE DO AGENTE. REITERAÇÃO EM DELITOS DE 
VIOLÊNCIA NO ÂMBITO DOMÉSTICO. AGRESSÕES CONTRA FILHA MENOR DE IDADE E COMPANHEIRA GRÁVIDA. 
MANUTENÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA. 1. Infere-se dos autos que o MP requereu, durante a audiência de custódia, a 
conversão da prisão em flagrante em cautelares diversas, no entanto, o Magistrado decretou a cautelar máxima. 2. 
Diversamente do alegado pelo Tribunal de origem, não se justificaria uma atuação ex officio do Magistrado por se tratar de 
crime de violência doméstica e familiar contra a mulher, com fundamento no princípio da especialidade. Não obstante o art. 
20 da Lei n. 11.340/2006 ainda autorize a decretação da prisão preventiva de ofício pelo Juiz de direito, tal disposição destoa 
do atual regime jurídico. A atuação do juiz de ofício é vedada independentemente do delito praticado ou de sua gravidade, 
ainda que seja de natureza hedionda, e deve repercutir no âmbito da violência doméstica e familiar. 3. A decisão que decretou 
a prisão preventiva do paciente foi precedida da necessária e prévia provocação do Ministério Público, formalmente dirigida 
ao Poder Judiciário. No entanto, este decidiu pela cautelar pessoal máxima, por entender que apenas medidas alternativas 
seriam insuficientes para garantia da ordem pública. 4. A determinação do Magistrado, em sentido diverso do requerido pelo 
Ministério Público, pela autoridade policial ou peloofendido, não pode ser considerada como atuação ex officio, uma vez que 
lhe é permitido atuar conforme os ditames legais, desde que previamente provocado, no exercício de sua jurisdição. 5. Impor 
ou não cautelas pessoais, de fato, depende de prévia e indispensável provocação; contudo, a escolha de qual delas melhor 
se ajusta ao caso concreto há de ser feita pelo juiz da causa. Entender de forma diversa seria vincular a decisão do Poder 
Judiciário ao pedido formulado pelo Ministério Público, de modo a transformar o julgador em mero chancelador de suas 
manifestações, ou de lhe transferir a escolha do teor de uma decisão judicial. 6. Em situação que, mutatis mutandis, implica 
similar raciocínio, decidiu o STF que "Agravo regimental no habeas corpus. 2. Agravo que não impugna todos os fundamentos 
da decisão agravada. Princípio da dialeticidade violado. 3. Prisão preventiva decretada a pedido do Ministério Público, que, 
posteriormente requer a sua revogação. Alegação de que o magistrado está obrigado a revogar a prisão a pedido do 
Ministério Público. 4. Muito embora o juiz não possa decretar a prisão de ofício, o julgador não está vinculado a pedido 
formulado pelo Ministério Público. 5. Após decretar a prisão a pedido do Ministério Público, o magistrado não é obrigado a 
revogá-la, quando novamente requerido pelo Parquet. 6. Agravo improvido (HC n. 203.208 AgR, Rel. Ministro Gilmar Mendes, 
2ª T., DJe 30/8/2021). 7. Na dicção da melhor doutrina, “o direito penal serve simultaneamente para limitar o poder de 
intervenção do Estado e para combater o crime. Protege, portanto, o indivíduo de uma repressão desmesurada do Estado, 
mas protege igualmentea sociedade e os seus membros dos abusos do indivíduo” (Claus ROXIN. Problemas fundamentais 
de direito penal. 2ª ed. Lisboa: Vega, 1993, p. 76), visto que, em um Estado de Direito, “la regulación de esa situación de 
conflito no es determinada a través de la antítesis Estado-ciudadano; el Estado mismo está obligado por ambos fines – 
aseguramiento del orden a través de la persecución penal y protección de la esfera de libertad del ciudadano” (Claus ROXIN. 
Derecho procesal penal. Buenos Aires: Editores dei Puerto, 2000, p. 258). 8. Há motivação suficiente e concreta a justificar a 
segregação preventiva, sobretudo diante do modus operandi da conduta e da periculosidade do agente, que ameaçou de 
morte e agrediu sua filha menor de 11 anos de idade e sua companheira – grávida de 10 semanas à época dos fatos –, de modo 
a causar-lhe lesões que acarretaram sua internação. 9. Por iguais fundamentos, as medidas cautelares alternativas à prisão 
não se mostram adequadas e suficientes para evitar a prática de novas infrações penais. 10. “Não cabe a esta Corte proceder 
com juízo intuitivo e de probabilidade para aferir eventual pena a ser aplicada, tampouco para concluir pela possibilidade de 
fixação de regime diverso do fechado e de substituição da reprimenda corporal, tarefas essas próprias do Juízo de primeiro 
grau por ocasião do julgamento de mérito da ação penal” (HC n. 438.765/RJ, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, 6ª T., 
https://processo.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=ITA&sequencial=2137975&num_registro=202102966230&data=20220221&peticao_numero=202101070191&formato=PDF
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DJe 1/6/2018). 11. Recurso não provido. (RHC 145.225 / RO, 6ª Turma, Relator (a) Ministro (a) ROGERIO SCHIETTI CRUZ, julgado 
15/02/2022) AQUI 
 
 
 
https://processo.stj.jus.br/processo/julgamento/eletronico/documento/mediado/?documento_tipo=5&documento_sequencial=145729872&registro_numero=202100978596&peticao_numero=&publicacao_data=20220322&formato=PDF

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