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RESUMO SEMIOLOGIA (P3) SISTEMA DIGESTÓRIO DE EQUINOS 1. INTRODUÇÃO Peculiaridades anatômicas predispõem os equinos a alterações morfofisiológicas, responsáveis por sinais de dor, caracterizados como cólica. Tais peculiaridades podem ser demonstradas por: Pequena capacidade volumétrica do estômago (8 a 20 ℓ ), em comparação com outras espécies domésticas Incapacidade do vômito (musculatura da cárdia desenvolvida, que, quando vencida, leva o alimento às narinas devido ao selo formado por palato mole e faringe, que impedem refluxo à boca, além de ausência do centro do vômito no sistema nervoso central) Longo mesentério no jejuno (em média 25 m), favorecendo as torções Locais com diminuição abrupta do diâmetro do lúmen, como a flexura pélvica e a transição para o cólon menor, favorecendo o acúmulo de alimento Mucosa retal frágil predisposta a rupturas. 2. REVISÃO ANATÔMICA 2.1. Boca: Tem como principais funções preensão, mastigação e salivação de alimentos; além disso, pode desempenhar papel de agressão e defesa; 2.2. Esôfago: Conecta a faringe com o estômago. As duas principais funções esofágicas são o transporte do bolo alimentar ou de outros materiais, desde a faringe até o estômago, e a prevenção do fluxo retrógrado do conteúdo gastrintestinal; 2.3. Estomago: O processo da digestão gástrica consiste na digestão de proteínas pelo ácido clorídrico e a pepsina; no estômago dos equinos, ocorre certa digestão microbiana, visto que grandes concentrações de ácido láctico estão presentes ao redor de 4 h após a alimentação. Mais importante, a atividade motora gástrica reduz a matéria sólida a pequenas partículas e solubiliza a maior parte dos conteúdos ingeridos, os quais são liberados em um fluxo controlado para o duodeno; 2.4. Intestino delgado: Seu comprimento médio é de aproximadamente 22 m e, sua capacidade é de cerca de 40 a 50 ℓ. Secreções digestivas são liberadas pelo pâncreas e pelo fígado, levando à quebra inicial dos carboidratos, gordura e proteína dentro do lúmen intestinal. A maior parte da gordura é digerida e absorvida no intestino delgado, ao passo que grandes quantidades de carboidratos e proteínas escapam da digestão nesse segmento intestinal e sofrem digestão e absorção no intestino grosso. O tempo médio de esvaziamento é de 90 a 120 min para alimentos sólidos e de 45 a 60 min para líquidos. 2.5. Intestino grosso: O intestino grosso inclui todas as porções distais ao orifício ileocecal, ceco, cólon maior (tanto o cólon ventral direito e esquerdo quanto o cólon dorsal direito e esquerdo), cólon transverso, cólon menor, reto e ânus. O ceco tem comprimento médio de 1 m, com capacidade média de 33 ℓ. O cólon ascendente (cólon maior) tem 3 a 4 m de comprimento, tendo capacidade volumétrica de até 130 ℓ. O cólon maior se origina desde o orifício cecocólico, como o cólon ventral direito (CVD), que está aderido à faixa lateral do ceco, pela prega cecocólica. O CVD desloca-se cranialmente até à flexura esternal (FE), continua caudalmente como cólon ventral esquerdo e gira 180° próximo à entrada da pelve, formando a flexura pélvica (FP). Após a FP, o cólon continua cranialmente como o cólon dorsal esquerdo, avançando para formar a flexura diafragmática, dorsal à FE. O cólon, em seguida, gira 180°, evoluindo caudo-dorsalmente pela direita, como o cólon dorsal direito (CDD). Na região da raiz do mesentério, o CDD diminui abruptamente em seu diâmetro, gira medialmente, como o cólon transverso (CT), que passa da direita para a esquerda cranialmente à artéria mesentérica cranial. O CT continua como cólon descendente (cólon menor) pelo lado esquerdo do abdome, alcançando o comprimento de 2,5 a 4 m. 3. IDENTIFICAÇÃO 3.1. Idade: Animais neonatos apresentam sintomatologia de cólica principalmente por retenção de mecônio; cólicas intermitentes em potros jovens podem estar relacionadas com úlceras gástricas, além de hérnias umbilicais. Alterações na mastigação, em decorrência da diminuição da capacidade mastigatória, resultante de desgaste dentário, podem levar a sinais gastrintestinais, pois os alimentos não são corretamente digeridos, chegando ao estômago com fibras de tamanho maior que o normal. 3.2. Sexo: Animais machos podem apresentar hérnia inguinal/inguinoescrotal, desde o nascimento, mas os estrangulamentos são mais frequentes nos garanhões, principalmente após cobertura. Nas fêmeas, a torção uterina leva ao quadro de dor abdominal intensa. 4. ANAMNESE 4.1. Manejo e alimentação: Podemos considerar que o homem é o principal responsável pela ocorrência de cólica nos equinos, pois o cavalo estava acostumado a comer pequenas quantidades de alimento durante a maior parte do dia e a se locomover o tempo todo; ao ser domesticado, passou a permanecer em lugar fechado e a ser alimentado 1 a 2 vezes/dia. Com isso, a síndrome cólica ganhou importância, pois a alteração do manejo alimentar, associada às particularidades anatômicas do equino, levou ao desenvolvimento de mecanismos fisiopatológicos. Por outro lado, a estabulação dos animais possibilitou contato maior com os parasitas. Assim, o manejo alimentar é um dos fatores que mais influi na frequência da cólica, juntamente com a verminose, devendo ser amplamente explorado na anamnese. Animais criados em regime intensivo, ficando em baias a maior parte do dia, adquirem hábitos alimentares peculiares, vícios comportamentais, sendo normalmente mais irritadiços e sujeitos a estresses constantes, que podem predispor a alterações digestórias. Alimentos fornecidos em pó podem levar à dilatação gástrica aguda, obstrução do piloro e compactações do estômago, da mesma maneira que o excesso de ração também pode causar compactação. Forragens com altos teores de fibras de baixa digestibilidade contribuem para o aparecimento das compactações. Fenos mofados, grãos úmidos e velhos, alfafa mofada ou fermentada causam timpanismos por excesso de fermentação desses substratos. Ingestão exagerada de carboidratos, tais como milho e cana, promove a proliferação de Lactobacillus e Streptococcus, causando aumento da produção de ácidos graxos voláteis e tendo como subproduto o ácido láctico. Assim como o ácido láctico, o ácido acético baixa muito o pH do lúmen intestinal, promovendo lesão na mucosa intestinal e possibilitando a absorção de endotoxinas e bactérias. Alterações bruscas na composição dos alimentos, troca de pasto ou de alimentação (mudança de marca ou tipo de concentrado) sem adaptação prévia podem provocar compactações ou timpanismos intestinais por alterações da flora cecal e colônica. É necessário ter atenção também às alterações da mão de obra responsável pelo tratamento dos animais, pois funcionários novos tendem a superalimentar os animais e podem ser responsáveis por cólicas que ocorrem depois de feriados e fins de semana. É frequente colocar toda alimentação de 2 ou 3 dias em uma única vez, provocando sobrecarga alimentar com dilatação gástrica aguda. 4.2. Tratamentos anteriores: Deve-se perguntar sobre a utilização de fármacos que possam alterar a motilidade intestinal. O amitraz (carrapaticida) leva à parada total de motilidade com posterior compactação e cólica, ao passo que fármacos parassimpaticomiméticos podem provocar torções e rupturas de alças intestinais. Por outro lado, a utilização de analgésicos potentes mascara o quadro de dor, melhorando a motilidade e os parâmetros circulatórios. Portanto, é necessário obter informações detalhadas sobre tratamentos, medicamentos utilizados, vias de administração, doses e há quanto tempo foram administrados. 4.3. Defecação e micção:A eliminação de fezes pelo animal e as suas características (consistência, coloração, odor ou existência de muco) podem ser indicativas da ocorrência ou não do trânsito intestinal, sendo consideradas de relativa importância. A ocorrência de flatulência, principalmente em animais com timpanismo, também deve ser investigada junto ao proprietário ou encarregado, por indicar o funcionamento dos mecanismos de desarme e do peristaltismo. Animais muito desidratados tendem a diminuir o número de micções e a concentrar a urina, e isso pode ser relatado durante a anamnese (urina grossa, “xarope”). Muitos cavalos com cólica assumem posição de micção ou urinam várias vezes em pequenas quantidades, levando algumas pessoas a concluir que a dor teria origem no sistema urinário, o que não é verdade; o animal está simplesmente procurando uma posição mais confortável para acomodação das alças. Devido a esse mito muito cultivado no meio equino, também é comum a utilização de diuréticos no cavalo com cólica que assume a posição de micção. A utilização de diurético piora o quadro de desidratação do animal, não sendo indicada em pacientes com síndrome cólica. 4.4. Ingestão hídrica: A ingestão de água ajuda na manutenção do equilíbrio hídrico eletrolítico e cavalos com restrição hídrica são mais suscetíveis a compactações da flexura pélvica. A ingestão de água gelada após o exercício está relacionada com o aparecimento de cólicas espasmódicas. 5. EXAME FÍSICO 5.1. Inspeção: A existência de escaras ou feridas, cama ou terra no dorso ou cabeça, indica que o animal apresentou dor e rolou, ajudando a identificar há quanto tempo o processo se iniciou e como foi a evolução. A dor visceral irá manifestar-se por diversos sinais clínicos, comumente chamados de mímica de dor. São eles: Escavar o chão (patear), olhar para o flanco, mexer na água com o focinho, morder/escoicear o flanco, rolar, sentar, gemer, sudorese intensa conforme a fase da enfermidade, apresentar hiperexcitabilidade ou depressão. As distensões ou contrações devem ser observadas olhando o animal por trás. A distensão abdominal pode indicar o segmento envolvido e o grau de comprometimento das alças intestinais. O estômago e o intestino delgado não são capazes isoladamente de produzirem dilatação da cavidade abdominal; portanto, distensões indicam processo com envolvimento de ceco e cólon. Quando a distensão ocorre na porção dorsal, há gases nessas alças e, quando são ventrais, está relacionada com o acúmulo de ingesta ou líquido. Aumento de volume do lado direito refere-se ao ceco, ao passo que aumentos da face abdominal esquerda podem estar relacionados com a distensão do cólon esquerdo, como nos encarceramentos no ligamento nefroesplênico (lienorenal). A contração do abdome ocorre nos casos de peritonite. Animais mais velhos, principalmente éguas de cria mantidas a pasto, apresentam, em condições normais, abdome mais dilatado e penduloso. 5.2. Exame da cavidade oral: A preensão, a mastigação e a deglutição são funções mais bem avaliadas quando se permite que o cavalo paste ou ingira água sem auxílio. Na ocorrência de alterações mecânicas e/ou dolorosas, a mastigação torna-se menos vigorosa. Nesses casos, a restrição do movimento lateral da mandíbula também pode estar evidente. Nos casos de lesões dolorosas, na cavidade oral, a propulsão do alimento mastigado para a orofaringe é inefetiva e o animal deixa o alimento cair da boca, constituindo disfagia oral. Em geral, o exame do chão ao redor da área de alimentação de cavalos. A mastigação anormal também pode levar o animal a acumular alimento no canto da boca e nas margens das gengivas, à semelhança de um hamster. O acúmulo de alimento nas gengivas pode, eventualmente, levar à doença periodontal secundária. A deglutição pode ser interrompida por lesões dolorosas, obstruções ou déficit neurológico (p. ex., micose da bolsa gutural). Os sinais clássicos relatados durante a anamnese, na ocorrência de doença dentária, são: Inapetência; Dificuldade ou vagarosidade durante a ingestão de água e alimento (preensão, mastigação ou deglutição); Halitose; Descarga nasal; Perda de peso; Aumento de volume facial ou mandibular com trajeto fistuloso; Queda de alimento pela boca; Armazenamento de alimento nas bochechas. Além disso, pontas dentárias e cristas podem causar desconforto ou dor oral, as quais podem ser expressas como alterações comportamentais, tais como balançar da cabeça, resistência ao freio e problemas associados a monta, cavalgada e performance. 5.3. Esôfago: No cavalo, o esôfago não costuma ser palpável; no entanto, durante a passagem da sonda nasogástrica, pode-se observar a distensão da parede do esôfago dorsal ao sulco da veia jugular esquerda. Os indícios clínicos de obstrução esofágica raramente são específicos e incluem ansiedade, estiramento do pescoço e intranquilidade, que estão relacionados com a dor esofágica, que pode ser resultante de espasmos esofágicos, ruptura da mucosa ou distensão. O cavalo geralmente faz várias tentativas de deglutir e pode tossir; ptialismo, corrimento nasal com restos alimentares e halitose são achados comuns. A dilatação do esôfago cervical pode ser visível e palpável externamente. A ocorrência de crepitação no subcutâneo na região do sulco da veia jugular esquerda é um sinal com prognóstico grave, pois geralmente indica ruptura do esôfago com extravasamento de ar periesofágico ou infecção dos tecidos periesofágicos por bactérias produtoras de gás. A avaliação de uma possível obstrução esofágica é feita pela passagem delicada de uma sonda nasogástrica lubrificada e de tamanho adequado, para avaliar a existência e o local provável da obstrução. Na maioria dos casos, a sonda é deglutida e passará pelo esôfago até a região proximal da obstrução, geralmente no esôfago cervical. Ao fazer uma marca na sonda na entrada das narinas antes de retirá-la, pode-se determinar o limite rostral da obstrução, colocando-a externamente ao longo da cabeça e o trajeto do esôfago. A ultrassonografia pode ser usada para avaliar o esôfago. A endoscopia é outro procedimento útil no diagnóstico de lesões esofágicas; o endoscópio é passado do mesmo modo que a sonda nasogástrica. Disfagia é o sintoma mais comum de animais que apresentam obstrução esofágica. O diagnóstico de obstrução esofágica é confirmado pela passagem de sonda nasogástrica, tomando-se o devido cuidado para não romper o esôfago, pois pode ter ocorrido desvitalização de sua parede. A compactação de alimento, a ingestão de frutas (manga, goiaba) ou de rolão de milho são as causas mais comuns de obstrução esofágica. 5.4. Exame do abdômen: 5.4.1. Palpação externa A palpação da parede abdominal é importante nos casos em que há suspeita de peritonite, nos quais se deve realizar o teste do rebote, feito por meio de compressão digital profunda do abdome e repentina descompressão. Nos casos de peritonite, os animais respondem com dor, lembrando que, como a peritonite costuma ser generalizada, o animal pode apresentar contratura da musculatura abdominal. 5.4.2. Percussão A percussão do abdome irá indicar a existência de gases ou líquidos dentro das alças ou na cavidade peritoneal. É necessário percutir alternadamente os dois lados do animal, descendo verticalmente desde o flanco até a linha branca, a espaços de 4 a 6 cm, com o animal em posição quadrupedal. A ocorrência de macicez em ambos os lados e horizontalmente indica a existência de líquido na cavidade abdominal, como nos casos de peritonite, ruptura de bexiga ou ascite. Som timpânico costuma ser observado nos casos de timpanismo intestinal, primário ou secundário, raramente indicando pneumoperitônio. 5.4.3. AuscultaçãoA intensidade e a frequência dos ruídos intestinais de um animal sadio podem variar pelo tipo, quantidade e tempo de alimentação e motilidade intestinal. A dor é a principal responsável pela diminuição dos ruídos intestinais; portanto, quase todos os mecanismos fisiopatológicos desencadeantes de uma síndrome cólica vão diminuí-los. No início de quadros de timpanismo intestinal ou obstruções simples ou estrangulantes, pode ocorrer aumento da motilidade, na tentativa de resolver o processo e promover a movimentação da ingesta aboralmente; no entanto, com a evolução, ocorre esgotamento das fibras musculares devido à perda de eletrólitos e hipóxia, tendo como resultado hipomotilidade, manifestada clinicamente pela diminuição ou ausência dos ruídos intestinais e conhecida como íleo adinâmico ou ileus. Nos quadros de cólica espasmódica, ocorre aumento intermitente da motilidade intestinal, em virtude de espasmos e manifestado clinicamente por dor; nesses animais, é observado aumento dos ruídos intestinais, os quais, muitas vezes, são audíveis a distância, sem a necessidade de estetoscópio. Nos timpanismos intestinais, um ruído metálico ressonante é auscultado por toda a cavidade abdominal. 5.4.4. Sondagem nasogástrica A utilização da sondagem nasogástrica no equino com cólica tem múltiplos objetivos, e pode servir para a descompressão gástrica e diminuir a dor, como meio auxiliar de diagnóstico e via de tratamento. Deve-se introduzir a sonda medialmente e ventralmente na narina, com o objetivo de evitar a falsa narina, que fica dorsal e lateralmente. A introdução deve ser delicada, com a curvatura da sonda acompanhando a curvatura da cabeça. A fase de maior desconforto para o cavalo é a passagem pela narina, que deve ser rápida e única. Os sangramentos podem ocorrer nessa fase em virtude de lesão na região etmoidal (dorsal à narina) ou mucosa nasal. A sonda nunca deve ser forçada contra um ponto de resistência no esôfago, o que pode levar à ruptura deste. O primeiro objetivo da sondagem nasogástrica é a descompressão gástrica, eliminando gases e, com isso, atuando como analgésico, aliviando a dor e evitando a ruptura gástrica. Como segundo objetivo, não menos importante que o primeiro, a sondagem nasogástrica vai servir como meio diagnóstico auxiliar nos problemas gastrintestinais; para isso, devemos observar, após a passagem da sonda, se ocorreu a saída de gás (quantidade e odor) e refluxo de líquido, que deve ser avaliado quanto a volume, coloração, odor e pH. A retirada de muito gás pode indicar timpanismo gástrico ou intestinal (porção anterior). Odor desagradável indica excesso de fermentação ou demora do esvaziamento gástrico. Drenagem passiva de líquido em volumes acima de 5 a 10 ℓ podem indicar obstrução do intestino delgado ou duodenojejunite proximal (DJP). No caso da DJP, o líquido tende a ser marrom-avermelhado, com sangue oculto, mas a coloração depende da inflamação da alça. O pH é um parâmetro importante para o clínico, pois possibilita que a origem do refluxo seja identificada. O pH normal do estômago de um equino é ácido, variando de 3 a 6, conforme o tipo, a qualidade e o tempo decorrido após alimentar o animal. Refluxo gástrico com pH alcalino tem como origem o intestino delgado, indicando uma obstrução ou inflamação dessa alça. Quando não ocorre drenagem de líquido pela sonda (na maioria dos animais), deve-se efetuar a lavagem gástrica. Para isso, acopla-se uma mangueira ou um funil à sonda e coloca-se uma quantidade conhecida de água para dentro do estômago. Por meio de sifonagem (mantendo sempre água na sonda), retira-se essa mesma quantidade e observa-se o material retirado juntamente com a água. Deve-se evitar colocar mais de 5ℓ de cada vez, pois o estômago pode conter grande quantidade de alimento. Quando o estômago está vazio, grande quantidade de muco é retirada pela sonda. A existência de Parascaris no líquido drenado do estômago indica um prognóstico desfavorável, pois o local de parasitismo desses animais é o intestino delgado. O ideal seria a realização da lavagem com água morna, pois esta estimula o peristaltismo. A sondagem nasogástrica é utilizada também como meio de tratamento, pois possibilita a administração de diversos medicamentos nos casos de distúrbios gastrintestinais. Para a retirada da sonda, a sua extremidade deve ser ocluída para impedir que líquidos presentes no seu interior, ao passar pela região faríngea, caiam na traqueia, indo ao pulmão. 5.4.5. Palpação retal Apesar de ser um exame fundamental para o diagnóstico, em alguns casos, a palpação retal apresenta como principal limitação a impossibilidade de se palpar mais que o terço final da cavidade abdominal. Após a introdução da mão no reto, é necessário retirar os cíbalos de fezes, observando-se seu aspecto; devem ser úmidos e verde-brilhantes (conforme a alimentação). Fezes ressecadas ou com muco indicam diminuição de trânsito intestinal, que pode ocorrer nos casos de compactações ou outras obstruções, ao passo que fezes diarreicas podem indicar enterites ou a tentativa de desarme de alguma condição patológica, podendo ocorrer logo após a instalação de uma torção, intussuscepção ou obstrução. 6. EXAMES COMPLEMENTARES 6.1. Abdominocentese A avaliação físico-química e citológica do líquido peritoneal é um método auxiliar importante no diagnóstico das doenças abdominais nos equinos, utilizada na diferenciação de peritonites sépticas e assépticas. Animais com endotoxemia também apresentam alterações nesse fluido. Nos cavalos com cólica, a análise do líquido peritoneal é um meio indireto de avaliação das alças intestinais, pois, quando apresentam hipóxia (em decorrência de torções, obstruções, infartos e/ou outras alterações), ocorrerá passagem de células e proteína para o líquido peritoneal, alterando sua composição normal. Em um equino adulto sadio, a quantidade de líquido peritoneal presente na cavidade abdominal varia de 100 a 300 mℓ. A coleta é influenciada pelo tipo de punção, alimentação, posição e repleção das alças intestinais e, principalmente, pelo grau de desidratação do animal. Em condições ideais, é possível a coleta de 50 a 60 mℓ de líquido em 10 min. Em condições normais, o líquido peritoneal é pálido, claro e contém teores de proteína inferiores a 2,5 g/dℓ e contagem de células nucleares menor que 5.000/mℓ. O líquido peritoneal torna-se turvo quando o número de células nucleadas e a taxa de proteína aumentam. 6.2. Hemograma: O hematócrito é um exame laboratorial rápido e fácil de ser executado e, associado aos teores de proteína, torna possível avaliar o estado de desidratação do animal com alterações do sistema digestório, útil no auxílio ao diagnóstico e no acompanhamento da evolução do animal. 6.3. Ultrassonografia: Na investigação de estruturas próximas à parede abdominal, como o fígado e o baço, a ultrassonografia pode ter sua utilidade na avaliação da formação de abscessos, acúmulo de líquido peritoneal, aderências e neoplasias. Nos casos de obstrução esofágica, pode-se efetuar a avaliação desse órgão por meio da ultrassonografia, pois o esôfago está próximo da pele, possibilitando a formação de uma boa imagem 6.4. Endoscopia: 6.5. Laparotomia