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ANATOMIA DENTAL
1. INTRODUÇÃO
A palavra anatomia é originária do grego ("anatomé" significando 'incisão') e
do latim ("anatomìa-" significando 'dissecação do corpo'). Trata-se da ciência que,
tendo por base os métodos de dissecação e corte, estuda a organização estrutural dos
seres vivos.
O objeto de estudo da anatomia dental é o órgão dental, que é constituído pelo
dente, e tecidos de sustentação (periodonto de inserção e de proteção).
O dente é formado por coroa e raiz(es) unidas em um estrangulamento
chamado colo. Ele é composto em sua maior parte por um tecido denominado dentina
que circunscreve a cavidade pulpar. A dentina é recoberta na coroa por esmalte e na
raiz por cemento. No colo, a união destes dois tecidos delimita uma linha denominada
linha cervical.
Possuímos duas definições de coroa, a coroa clínica e a anatômica. A coroa
anatômica é a parte do dente revestida por esmalte, já a coroa clínica é a parte da
coroa exposta ao meio bucal.
A coroa dental é formada por faces, bordas e ângulos. A Face Vestibular (V) é
voltada para o vestíbulo da boca e é a face que aparece no sorriso. A face Lingual (L)
está voltada para língua nos dentes inferiores ou para o palato (céu da boca) nos
dentes superiores, também podendo ser então chamada de face Palatina (P). As faces
de contato, também chamadas de proximais, se opõe entre si e são chamadas de
Mesial (M) quando estiver mais próxima do Plano Sagital Mediano e Distal (D)
quando estiver mais distante do Plano Sagital Mediano. A face Oclusal (O) entra em
contato com o dente antagonista durante a oclusão (fechamento da boca). Nos
incisivos e caninos a face vestibular e a face lingual se encontram na face ou borda
Incisal (I) que correspondem a face oclusal nestes dentes.
2. TERÇOS DENTAIS
Com o propósito de facilitar a descrição anatômica de uma porção específica
dos dentes, estes podem ser divididos em terços por linhas imaginárias. Em uma vista
vestibular ou lingal podemos traçar duas linhas horizontais e teremos os terços:
cervical, médio e oclusal (ou incisal). Traçando duas linhas verticais termos os terços:
mesial, médio e distal. Em uma vista proximal (mesial ou distal) teremos a divisão em
linhas horizontais formando os terços: cervical, médio e oclusal (incisal) e em linhas
verticais: vestibular, médio e lingual.
O ser humano é considerado um difiodonte, por possuir duas dentições, uma
decídua (dentes de leite) composta por 20 dentes e outra permanente (32 dentes).
Estes dentes estão inseridos nos ossos da face, maxila (dentes superiores) e mandíbula
(dentes inferiores). Os dentes permanentes são divididos em quarto grupos de acordo
com suas características anatômicas e funcionais: incisivos, caninos, pré-molares e
molares. Na dentição decídua temos: incisivos, caninos e molares.
3. CARACTERÍSTICAS ANATÔMICAS DA COROA DENTAL
3.1 – CÚSPIDES
A cúspide é um estrutura anatômica presente em pré-molares e molares e
corresponde a uma saliência em forma de pirâmide com base quadrangular, que
possui vertentes e arestas. As vertentes são as faces das cúspides e podem ser
divididas em: vertentes triturantes ou oclusais, sendo as duas na face oclusal e se
caracterizam pela presença de sulcos secundário; e vertentes lisas, duas nas faces
vestibular ou lingual (palatina). As arestas são as margens que separam as vertentes
de uma cúspide, e são classificadas em: aresta longitudinal, separando a vertente lisa
da triturante e aresta transversal, que separa as vertentes mesias das distais. O
encontro das quarto arestas da cúspide é denominado de vértice da cúspide.
3.2 – CÍNGULO
É um saliência arredondada encontrada no terço cervical da face lingual dos
incisivos e caninos.
3.3 – CRISTA MARGINAL
É uma eminência linear romba situada nas bordas mesial e distal das faces
oclusais de molares e pré-molares e na face lingual de incisivos e caninos.
3.4 – SULCO PRINCIPAL
Depressão linear que cruza a face oclusal de molares e pré-molares da mesial
para a distal. Pode haver falta de desenvolvimento formando fendas chamadas de
fissuras.
3.5 – SULCOS SECUNDÁRIOS
Sulcos pequenos e profundos distribuídos de maneira irregular e variável nas
vertentes triturantes das faces oclusais. Sua principal função é aumentar a eficiência
mastigatória por ajudarem a escoar o alimento.
3.6 – FÓSSULAS
Também chamadas de fossetas, são caracterizadas por pequenas fossas na
junção de dois ou mais sulcos (face oclusal) ou ao final de um sulco (face vestibular).
3.7 – PONTE DE ESMALTE
É uma eminência linear, composta por esmalte dentário que une duas cúspides,
interrompendo um sulco principal. É encontrada principalmente nos primeiros
molares superiores e primeiros pré-molares inferiores.
3.8 – TUBÉRCULO
Saliência menor que a cúspide, sem forma definida que pode ser encontrada em
diversos dentes, porém existem dois constantes:
- Tubérculo de Carabelli - cúspide mésio-lingual do primeiro molar superior
- Tubéculo de Zuckerkandl - face vestibular dos molares decíduos
3.9 – BOSSA
Saliência larga e arredondada localizada no terço cervical da face vestibular de
todos os dentes, entre o terço cervical e médio da face lingual de pré-molares e
molares e na face de contato de alguns dentes.
3.10 – FOSSA
Depressão larga, rasa e circular encontrada na face lingual de dentes anteriores,
sendo bem evidente nos incisivos superiores.
4. NOTAÇÕES DENTÁRIAS
São formas abreviadas para se descrever um determinado dente nas arcadas
dentárias, facilitando a comunicação entre os profissionais da odontologia. A mais
utilizada e aceita atualmente foi sugerida pela F.D.I. (Federacion Dental
Internacional) e é composta por dois dígitos. O primeiro, da casa da dezena, indica a
qual quadrante o dente pertence, sendo que o superior direito é o número 1, o superior
esquerdo número 2, o inferior esquerdo número 3 e o inferior direito número quatro.
A dentição decídua segue a mesma sequência, utilizando os números 5, 6, 7 e 8. O
segundo número, da casa da unidade, representa o dente, sendo numerado de 1 a 8: 1
– Incisivo Central; 2 – Incisivo Lateral; 3 – Canino; 4 – Primeiro Pré-molar; 5 –
Segundo Pré-molar; 6 – Primeiro Molar; 7 – Segundo Molar e 8 – Terceiro Molar. Os
decíduos são designados da seguinte maneira: 1 – Incisivo Central; 2 – Incisivo
Lateral; 3 – Canino; 4 – Primeiro Molar; 5 – Segundo Molar.
Exemplos: 23 – canino superior esquerdo; 46 – primeiro molar inferior direito; 54 –
primeiro molar superior direito decíduo.
Figura ilustrando os quadrantes utilizados na notção da FDI.
5. DENTES PERMANENTES:
5.1 – INCISIVOS:
A dentição permanente é composta por oito incisivos, sendo 4 Maxilares ( 2
Centrais e 2 Laterais) e 4 Mandibulares (2 Centrais e 2 Laterais). Com uma
peculiaridade, nestes dentes encontramos o único contato entre duas faces mesiais,
sendo localizado entre os incisivos centrais de cada arco dental. As funções dos
incisivos são: cortar os alimentos, articulação da fala, manutenção da posição labial
(estética) e participação na protursão (oclusão).
MORFOLOGIA GERAL:
Apresentam sulcos de desenvolvimento em sua face vestibular, sendo
determinados por duas linhas longitudinais que separam os dentes em três lobos e
formam, na borda incisal, os mamelões (as “serrinhas” dos dentes) visualizados logo
que os dentes irrompem na cavidade bucal.
No aspecto vestibular apresentam-se relativamente retangulares ou trapezoidais,
sendo o sentido cérvico-incisal maior que o mésio-distal e a face mesial maiorque a
face distal. São mais largos no terço incisal do que no terço cervical. No colo, a linha
cervical se apresenta convexa em direção ao ápice.
No aspecto lingual apresentam cristas marginais, fossa lingual e cíngulo, sendo
estas características mais evidentes nos dentes superiores que nos inferiores. As faces
mesial e distal convergem em direção ao cíngulo.
No aspecto proximal apresentam-se cuneiformes ou em forma de triângulo
isósceles nos inferiores, com a presença da bossa cervical no lado vestibular e
proeminência do cíngulo seguida de um contorno côncavo nos terços médio e incisal
do lado lingual (contorno em “S” mais evidente nos superiores).
INCISIVOS SUPERIORES INCISIVOS INFERIORES
Coroas mais largas e menos simétricas Coroa simétrica, estreita e longa
Ângulos disto-incisais mais arredondados Ângulos incisais mais agudos
Cristas marginais linguais pronunciadas Lingual lisa com cristas marginais
discretas
Fossa lingual mais profunda Fossa lingual rasa
Cíngulos maiores Cíngulos menos proeminentes
Quadro 1:Características que ajudam a diferenciar incisivos superiores de inferiores.
5.1.1 INCISIVOS CENTRAIS SUPERIORES
Os incisivos centrais superiores são maiores que os laterais no mesmo arco em
todos os sentidos. Estão localizados na região anterior da arcada, na porção mais
mesial de cada arco dental. Representados na notação da FDI como 11 e 21.
ASPECTO VESTIBULAR
- Possuem forma trapezoidal, tendendo para quadrilátero;
- Diâmetro cérvico-incisal mais proporcional ao mésio-distal;
- Bordas proximais convergem para o colo;
- Ângulo disto-incisal arredondado e mésio-incisal reto;
- Borda incisal retilínea levemente inclinada para distal.
ASPECTO LINGUAL
- Pouca incidência do forame cego;
- Cristas marginais e cíngulo pronunciados;
- União indireta das cristas proximais. !
ASPECTO PROXIMAL
- Ambas as faces proximais possuem forma de triângulo com base voltada para a
cervical e dimensão cérvico-incisal maior que a vestíbulo-linguaL.
ASPECTO INCISAL
- Logo após a erupção apresenta três saliências denominadas mamelões, separadas por
dois sulcos de desenvolvimento. Estas saliências são perdidas durante o desgaste
natural da mastigação. Inclina-se no sentido mésio-distal para cervical, já que a face
mesial é mais longa que a distal.
5.1.2 INCISIVOS LATERAIS SUPERIORES
São os segundos dentes do hemi-arco e estão situados logo após os incisivos
centrais. São menores, em todas as dimensões, que os incisivos centrais superiores.
Representados na notação da FDI como 12 e 22
ASPETO VESTIBULAR
- Forma trapezoidal, tendendo para um triângulo;
- Diâmetro cérvico-incisal bem maior que o mésio-distal;
- Convergência das bordas proximais para o colo mais acentuada que nos incisivos
centrais;
- Ângulo disto-incisal bastante arredondado, mais do que no incisivo central e ângulo
mésio-incisal reto.
ASPECTO LINGUAL
- Presença do forame cego bastante freqüente;
- União direta das cristas marginais.
ASPECTO PROXIMAL
- Semelhantes aos incisivos centrais, porém com menores dimensões. Forma
triangular com base voltada para cervical.
ASPECTO INCISAL
- Também pode apresentar mamelões que logo serão desgastados pela mastigação.
Inclinada no sentido mésio-distal para cervical
5.1.3 INCISIVOS CENTRAIS INFERIORES
Os incisivos centrais são menores que os laterais no mesmo arco e possuem
inclinação da face vestibular para lingual menos acentuada. Assim como os incisivos
centrais superiores apresentam contato entre duas faces mesiais. Representados na
notação da FDI como 31 e 41.
ASPECTO VESTIBULAR
- Trapezoidal tendendo à forma retangular;
- As bordas mesial e distal tendem ao paralelismo;
- A borda incisal é horizontal ou inclinada para mesial;
- Ângulos incisais nítidos. !
ASPECTO LINGUAL
- Nitidamente triangular com cíngulo, fossa e cristas marginais mais tênues do que
nos incisivos superiores.
ASPECTO PROXIMAL
- Forma triangular com ápice voltado para a incisal e base cervical.
ASPECTO INCISAL
- Também apresentam três mamelões, menores do que nos superiores e são
rapidamente desgastados pela mastigação.
5.1.4 INCISIVOS LATERAIS INFERIORES!
Fazem contato proximal com os incisivos centrais e caninos inferiores.
Representados na notação da FDI como 32 e 42.
ASPECTO VESTIBULAR
- Forma trapezoidal nítida, com faces proximais convergentes para o colo, sendo a
borda mesial mais convergente que a distal;
- Inclinação da borda incisal para distal;
- Ângulo disto-incisal arredondado.
ASPECTO LINGUAL
- Apresentam as mesmas características descritas para o incisivo central inferior com
a diferença que possui o cíngulo desviado para distal.
ASPECTO PROXIMAL
- Possui as mesmas características apresentadas pelos incisivos centrais inferiores,
destacando-se apenas por serem mais convexas e com inclinações mais planas; Face
mesial mais plana e maior que a face distal.
ASPECTO INCISAL
- Inclinação da borda incisal para cervical no sentido mésio-distal, assim como ocorre
nos incisivos superiores; Ângulo disto-incisal mais arredondado.
5.2 – CANINOS
A dentição permanente é composta por quatro caninos, sendo: 2 Maxilares e 2
Mandibulares, e estão situados logo após os incisivos, na porção anterior da arcada
dentária e antes dos primeiros pré-molares. São considerados os alicerces do arco
dentário, dando sustentação aos cantos da boca. São dentes unirradiculares, isto é,
possuem uma raiz única e extremamente robusta, sendo então, geralmente os últimos
dentes a serem perdidos por doença periodontal. Sua principal função é de dilacerar e,
nos humanos, cortar os alimentos (mesma função que os incisivos).Também são de
extrema importância na manutenção da posição labial (estética), permitem boa
fixação em reabilitações orais por possuírem raiz longa e robusta e participam dos
movimentos mandibulares de lateralidade.
MORFOLOGIA GERAL
Os caninos possuem a forma de uma cúspide única sendo os dentes mais longos
do arco. São divididos, assim como os incisivos, por dois sulcos de desenvolvimento
que formam três lobos, sendo o medial o maior e denominado de crista labial na face
vestibular e crista lingual, na face lingual. São maiores no sentido vestíbulo-lingual
que no mésio-distal.
No aspecto vestibular apresentam forma pentagonal com cristas labiais e bossas
vestibulares proeminentes (principalmente nos superiores). Sua borda incisal tem
formato em “V” com um segmento mesial menor e menos inclinado que o distal.
No aspecto lingual também apresentam forma losangular com os mesmos
limites que formam a face vestibular. Seus acidentes anatômicos são os mesmos
descritos para os incisivos , porém mais acentuados.
Em vista proximal possuem formato cuneiforme com contorno lingual em
formato de “S”. Assim como os incisivos, possuem linhas cervicais convexas em
direção ao ápice. Esta convexidade é mais acentuada na face mesial que na distal.
A borda incisal é angulada formada por vertentes assimétricas.
CANINOS SUPERIORES CANINOS INFERIORES
- Mais largos (vistal vestibular) - Mais estreitos no sentido mésio-distal
FACE VESTIBULAR
- Alargada no sentido mésio-distal;
lóbulos e sulcos mais nítidos, bordas
mesial e distal MAIS divergentes;
PEQUENA diferença entre altura e
largura.
FACE VESTIBULAR
- Alongada no sentido cérvico-incisal;
lóbulos e sulcos MENOS nítidos, bordas
mesial e distal MENOS divergentes;
GRANDE diferença entre altura e
largura; Inclinação acentuada para
lingual.
FACE LINGUAL
- Saliências MAIS nítidas; cínguloMAIS
desenvolvido; forame cego frequente.
FACE LINGUAL
- Saliências MENOS nítdas; tubérculo
MENOS desenvolvido; forame cego
SEMPRE ausente.
FACE MESIAL
- Convexa e forma ângulo obtuso com a
raiz.
FACE MESIAL
- MENOS convexa e no mesmo plano da
raiz.
FACE DISTAL
- Muito convexa e de conformação mais
evidente
FACE DISTAL
- Menos convexa e de conformação
menos marcada
FACE INCISAL
Borda incisal deslocada para vestibular
do longo eixo
- Cíngulo centralizado
FACE INCISAL
Borda incisal voltada para a lingual do
longo eixo
- Cíngulo desviado para distal
Quadro 2: Características que ajudam a diferenciar caninos superiores de caninos
inferiores.
5.2.1 CANINOS SUPERIORES
Estão localizados entre os incisivos laterais e primeiros pré-molares superiores.
Representados na notação da FDI como 13 e 23
ASPECTO VESTIBULAR
- Face vestibular composta por três lobos, sendo o lobo médio o maior e denominado
crista labial (que corre cérvico-incisalmente);
- Contorno mesial amplamente convexo no terço médio, achatando-se no terço
cervical;
- Lado distal possui forma de um “S” raso, convexo no terço médio e ligeiramente
côncavo no cervical;
- Declive mesial mais curto que o declive distal.
ASPECTO LINGUAL
- A face palatina é ligeiramente menor que a vestibular;
- Nesta face o lobo médio é denominado crista lingual e divide a fossa lingual,
definindo duas pequenas fossas: uma mesial e outra distal;
- Cíngulo grande e centralizado;
- Cristas marginais geralmente menos proeminentes que a crista lingual;
- Nesta face encontramos facetas de desgaste devido ao atrito oclusal.
ASPECTO PROXIMAL
- Aspecto de “S”;
Na região do colo encontramos a linha cervical mais curva na face mesial do que na
distal.
ASPECTO INCISAL
- A borda incisal é assimétrica pois é formada por uma vertente mesial mais retilínea,
menor e mais horizontal e uma vertente distal mais comprida, arredondada e oblíqua.
5.2.2 CANINOS INFERIORES
Localizados entre os incisivos laterais e primeiros pré-molares inferiores.
Representados na notação da FDI como 33 e 43.
ASPECTO VESTIBULAR
- Menores que os superiores do mesmo arco;
- Face mais longa e estreita que nos superiores;
- Lisa e convexa com três lobos, porém a crista labial é mais discreta do que nos
superiores;
- Lado mesial convexo, tendendo a plano, quase em linha com a face mesial da raiz;
- Distal pode ser côncava no terço cervical;
- As facetas de desgaste decorrentes dos movimentos mastigatórios são encontradas
nesta face;
- Parece haver mais da coroa na distal do longo eixo da raiz – aspecto de inclinação
para distal.
ASPECTO LINGUAL
- Coroa e raiz se afilam da vestibular para lingual;
- Crista lingual e fossas linguais mais discretas, tanto que parece lisa quando
comparada ao superior;
- Cíngulo baixo, menos volumoso que nos superiores e levemente deslocado para
distal.
ASPECTO PROXIMAL
- Incisal mais fina que nos superiores e inclinada para lingual;
- Curvatura da linha cervical maior na mesial.
ASPECTO INCISAL
- Borda incisal com vertentes mais assimétricas do que nos caninos superiores, sendo
a mesial menor e mais horizontal e a distal maior e mais inclinada.
5.3 – PRÉ-MOLARES
É um grupo dentário exclusivo da dentição permanente, sendo antecedidos pelos
molares decíduos. É o primeiro grupo da região posterior da arcada sendo composto
por oito dentes, destes, quatro são primeiros pré-molares e quatro são segundos pré-
molares, tanto superiores quanto inferiores.
Possuem funções semelhantes aos caninos e aos molares, ou seja, participam da
dilaceração dos alimentos por possuírem características anatômicas semelhantes aos
caninos e trituração dos alimentos pois também apresentam características anatômicas
semelhantes aos molares. Além disso, sustentam os cantos da boca e as bochechas e
mantém a dimensão vertical de oclusão.
Se apresentam em ordem decrescente de tamanho no arco superior (1PMS >
2PMS) e crescente no arco inferior (1PMI < 2PMI). Geralmente apresentam duas
cúspides (bicuspídeos) e são, na maioria das vezes unirradiculares (raiz única). Assim
como os caninos também são formados a partir de três lobos e o lobo médio é
denominado crista bucal.
5.3.1 PRIMEIROS PRÉ-MOLARES SUPERIORES
Estão situados entre os caninos e os segundos pré-molares superiores e podem
ser birradiculares (72% dos casos) podendo apresentar raízes distintas ou fusionadas.
Representados na notação da FDI como 14 e 24.
ASPECTO VESTIBULAR
- Semelhantes aos caninos porém com sulcos de desenvolvimento menos evidentes;
- Face com forma pentagonal e convexa em todos os sentidos;
- Cúspide vestibular com arestas de tamanho semelhante (ou mesial maior - diferente
do que ocorre com os caninos);
- Vértice da cúspide equidistante das faces proximais.
ASPECTO LINGUAL
- Forma pentagonal com tamanho menor que a face vestibular;
- Vertente mesial menor e mais horizontal levando ao deslocamento do vértice da
cúspide para mesial;
ASPECTO PROXIMAL
- Possuem forma de um trapézio com base maior cervical. É convexa em todos os
sentidos;
- A face mesial apresenta um prolongamento do sulco principal e uma depressão no
contorno cervical;
- A face distal apresenta crista marginal mais baixa que a da mesial.
ASPECTO OCLUSAL
- Apresentam forma pentagonal ou oval;
- Faces mesial e distal convergem para lingual;
- A crista marginal mesial é cortada pelo sulco principal;
- O vértice da cúspide lingual está inclinado para mesial;
- O sulco principal está deslocado para lingual. Isto se deve ao fato de que a cúspide
vestibular é maior do que a lingual;
- Sulcos secundários estão raramente presentes.
5.3.2 SEGUNDOS PRÉ-MOLARES SUPERIORES
Estão situados entre os primeiros pré-molares e os primeiros molares superiores.
Apresentam características semelhantes aos primeiros pré-molares porém menos
marcantes. Representados na notação da FDI como: 15 e 25
ASPECTO VESTIBULAR
- Similares aos primeiros pré-molares superiores porém menores e com detalhes
menos marcados;
- Cúspides de tamanho similar (vestibular ainda é maior);
- Cúspide vestibular com arestas de tamanho semelhante (ou mesial maior) - vértice
da cúspide equidistante das faces proximais.
ASPECTO LINGUAL
- Semelhante ao primeiro pré-molar superior;
- Cúspide vestibular e lingual aproximadamente do mesmo tamanho;
- O vértice da cúspide lingual está inclinado para mesial. !
ASPECTO PROXIMAL
- Forma trapezoidal, semelhante ao primeiro pré-molar superior, com a diferença de
que as faces vestibular e lingual possuem a mesma altura;
- Crista marginal distal mais baixa que a mesial.
ASPECTO OCLUSAL
- Contorno oval ou circular;
- Sulco principal menor e mais central que o do primeiro pré-molar superior;
- Cristas marginais mais largas;
- Sulcos secundários menores e mais freqüentes do que no primeiro pré-molar
superior.
PRIMEIRO PRÉ-MOLAR SUPERIOR SEGUNDO PRÉ-MOLAR SUPERIOR
- Cúspide vestibular bem maior que a
lingual
Cúspide vestibular quase do mesmo
tamanho que a lingual
- Geralmente birradicular - Geralmente unirradicular
- Depressão no terço cervical da face
mesial da raiz
- NÃO ocorre depressão no terço cervical
da face mesial da raiz
Face oclusal com contorno pentagonal - Face oclusal com contorno oval
Crista bucal proeminente - Face vestibular mais lisa
Sulco principal invade a face mesial - Sulco principal mais centrale mais
curto
Quadro 3: Características que ajudam a diferenciar os pré-molares superiores.
5.3.3 PRIMEIROS PRÉ-MOLARES INFERIORES
Situados entre os caninos e o segundos pré-molares inferiores sendo,
geralmente, unirradiculares (80% dos casos). São representados na notação da FDI
como 34 e 44.
ASPECTO VESTIBULAR
- Semelhante ao canino inferior porém com diâmetro mésio-distal mais proporcional
ao cérvico-oclusal;
- Face convexa e inclinada para a lingual;
- Cúspide vestibular com arestas de tamanho semelhante (ou mesial menor) - vértice
da cúspide equidistante das faces proximais;
- Bossa vestibular proeminente.
ASPECTO LINGUAL
- Face lingual menor que a face vestibular, com inclinação das faces proximais para
lingual;
- Cúspide tão pequena que pode ser considerada um tubérculo;
- Sulco secundário separa a crista marginal mesial da cúspide lingual.
ASPECTO PROXIMAL
- Forma de trapézio com base maior voltada para vestibular e menor para a lingual;
-Lado vestibular mais convexo que o lingual;
- Bossa vestibular proeminente;
- Crista marginal mesial mais baixa que a distal - único dente posterior em que isso
acontece.
ASPECTO OCLUSAL
- Face com forma ovalada com maior pólo na vestibular;
- Apresenta grande variação anatômica;
- Pode apresentar ponte de esmalte ligando a face vestibular à face lingual;
- Lado vestibular é menos convexo e mais largo;
- Lado lingual menor e mais irregular - formado por apenas um lobo de
desenvolvimento;
- Lados proximais convergentes para lingual;
- Lado mesial mais inclinado.
5.3.4 SEGUNDOS PRÉ-MOLARES INFERIORES
Situados entre os primeiros pré-molares e os primeiros molares inferiores.
Podem ter duas ou três cúspides, havendo uma grande variação anatômica nestes
dentes, sendo aproximadamente, 242 formas catalogadas. São unirradiculares (em
95% dos casos) com raízes cônicas e mais grossas e longas do que nos primeiros pré-
molares inferiores. Representados na notação da FDI como 35 e 45.
ASPECTO VESTIBULAR
- Face convexa e inclinada para lingual;
- Forma de quadrilátero;
- Vertentes da cúspide pouco inclinadas.
ASPECTO LINGUAL
- Comprimento cérvico-oclusal menor e mésio-distal maior do que na face vestibular;
- Quando possui três cúspides: duas são na face lingual, sendo a mesial maior e mais
acentuada.
ASPECTO PROXIMAL
- Forma de um quadrilátero;
- Face mesial mais alta e larga.
ASPECTO OCLUSAL
- Formato quadrangular;
- Anatomia variada, pode apresentar duas ou três cúspides;
- Sulco principal em forma de arco com concavidade voltada para vestibular;
- FORMA BICUSPIDADA:
- Cúspide vestibular mais alta com ápice arredondado, podendo ser
central ou deslocado pra mesial;
- FORMA TRICUSPIDADA:
- Três cúspides: vestibular, mésio-lingual (maior) e disto-lingual (menor);
- Sulco secundário disto-lingual tão profundo quanto o sulco principal.
5.4 – MOLARES
O grupo dos molares se localiza na região mais posterior da arcada dental. A
dentição permanente apresenta doze molares divididos em três grupos de acordo com
sua ordem no arco (primeiros, segundos e terceiros), sendo seis maxilares e seis
mandibulares, representados na FDI como 16, 17, 18, 26, 27, 28, 36, 37, 38, 46, 47,
48. Os dentes molares não apresentam antecessores decíduos, sendo então
denominados de monofisários.
Suas principais funções são: durante a mastigação na trituração dos alimentos e
na manutenção da dimensão vertical de oclusão.
MORFOLOGIA GERAL
São dentes que apresentam enorme detalhamento morfológico devido a
presença de inúmeras cúspides e raízes. Se apresentam em série decrescente tanto na
arcada superior quanto na inferior, ou seja o primeiros molares são maiores que os
segundos e estes, maiores que os terceiros.
No aspecto vestibular, apresentam forma trapezoidal de base maior oclusal,
convergência das bordas proximais para o colo, presença comum de sulco ocluso-
vestibular e presença comum de fóssula ou forame cego.
No aspecto lingual são similares às faces vestibulares, sendo a face lingual mais
estreita que a vestibular (excessão no primeiro molar superior).
No aspecto proximal possuem forma quadrangular, convergência das bordas
vestibular e lingual para oclusal, comumente invadidas por sulcos secundários de
origem oclusal.
No aspecto oclusal variam de tricuspídeos a pentacuspídeos, ocorre
convergência das bordas vestibular e lingual para distal e predomínio das cúspides
mesiais sobre as distais. Possuem cristas marginais mesial e distal, sulco central de
desenvolvimento (sulco principal) e fóssulas oclusais (mesial, central, distal).
MOLARES SUPERIORES MOLARES INFERIORES
- Face vestibular com declive lingual das
coroas
- Face vestibular sem declive para lingual
- Diâmetro mésio-distal ligeiramente
maior que o cérvico-oclusal
- Diâmetro mésio-distal marcadamente
maior
- Bordas mesial e distal convergentes
para cervical nos
- Bordas mesial e distal e tendendo ao
paralelismo
- Marcada convexidade da face lingual
- Convexidade da face lingual mais suave
- Convergência das bordas vestibular e - Convergência das bordas vestibular e
lingual para oclusal mais evidente lingual para oclusal mais suave
- Trirradiculares - Birradiculares
- Faces oclusais com formato
quadrangular tendendo a losângulo nos
- Faces oclusais com formas mais
retangulares
Quadro 4: Características que ajudam a diferenciar os molares superiores e inferiores.
5.4.1- PRIMEIROS MOLARES SUPERIORES
Os primeiros molares superiores estão localizados entre os segundos pré-
molares superiores e os segundos molares superiores. São maiores que os segundos
molares superiores em todos os sentidos quando comparados no mesmo arco dental.
São dentes tetracuspídeos (quatro cúspides) e trirradiculares (três raízes).
Representados na notação da FDI como 16 e 26.
ASPECTO VESTIBULAR
- Face vestibular com forma trapezoidal, com a maior base voltada para oclusal e
faces proximais convergentes para cervical;
- Cúspide mésio-vestibular mais alta e larga do que a disto-vestibular;
- Presença de sulco ocluso-vestibuar, separando as duas cúspides, e que termina no
terço médio em uma pequena fosseta;
ASPECTO LINGUAL
- Face palatina semelhante a face vestibular, porém maior, diferente do que acontece
em todos os outros dentes permanentes;
- Presença de duas cúspides sendo que a mésio-lingual é a maior e possui um
tubérculo denominado Tubérculo de Carabelli que varia muito de tamanho e forma de
indivíduo para indivíduo;
- Estas duas cúspides também são divididas por um sulco oclusal que invade a face
palatina.
ASPECTO PROXIMAL
- As faces proximais são retangulares, convergentes para oclusal e possuem diâmetro
vestíbulo-lingual maior que o cérvico-oclusal;
- A face distal é mais convexa e a mesial quase plana e de maior tamanho;
ASPECTO OLCUSAL
- Possui formato rombóide ou losangular com quatro cúspides (tetracuspídeos) e com
ângulos agudos (mésio-vestibular e disto-lingual) e obtusos (mésio-lingual e disto-
vestibular);
- As maiores cúspides são as mesiais, sendo que a mésio-lingual é a maior de todas;
- A crista marginal mesial é mais alta e longa do que a distal;
- Possui a cúspide disto-lingual arredondada, sendo as demais com formatos mais
piramidais;
- Presença de ponte de esmalte ligando a cúspide mésio-lingual à disto-vestibular;
- Possui três sulcos principais: vestíbulo-ocluso-mesial, linguo-ocluso-distal eo
transversal, alem de diversos sulcos secundários.
5.4.2- SEGUNDOS MOLARES SUPERIORES
Localizado entre os primeiros e terceiros molares superiores, possui formato
semelhante aos primeiros molares superiores porém menores em todos os sentidos.
Podem ser tetracuspídeos ou tricuspídeos e são trirradiculares. Representados na
notação da FDI como 17 e 27.
ASPECTO VESTIBULAR
- Face vestibular semelhante ao primeiro molar superior porém menor e caracterizada
pela presença de uma cúspide disto-vestibular acentuadamente menor do que a mésio-
vestibular (nos primeiros molares esta diferença não é tão evidente);
- Borda oclusal inclinada cervicalmente de mesial para distal;
- As duas cúspides desta face são separadas por um sulco ocluso-vestibular, mas que
diferente do primeiro molar superior raramente termina em fosseta.
ASPECTO LINGUAL
- A face palatina apresenta duas cúspides, sendo que a disto-palatina apresenta
tamanho reduzido e muitas vezes pode estar ausente, fazendo com que a cúspide
mésio-palatina se desloque para o centro da face, formando um dente tricuspídeo;
- Quando há a presença de duas cúspides, o sulco ocluso-palatino é menor e menos
evidente do que nos primeiros molares superiores;
- Não é encontrado o Tubérculo de Carabelli.
ASPECTO PROXIMAL
- São da mesma forma dos primeiros molares superiores, porém sem a presença do
Tubérculo de Carabelli.
ASPECTO OCLUSAL
- Face palatina menor que a vestibular;
- Convergência das faces proximais para lingual, nos casos de dentes tricuspídeos este
contorno trona-se tendendo para um aspecto triangular;
- Ponte de esmalte é menos elevada que nos primeiros molares superiores e cortada
pelo sulco principal;
5.4.3 TERCEIROS MOLARES SUPERIORES
Localizam-se após os segundos molares superiores, são os últimos dentes da
arcada superior e são popularmente conhecidos como dentes do siso ou do “juízo”.
Estes dentes possuem morfologia bastante variada e são os menores dentes do grupo
dos molares. É comum apresentarem aspecto semelhante aos primeiros ou segundos
molares superiores, porém com raízes frequentemente fusionadas e face olcusal com
sulcos bastante irregulares. Representados na notação da FDI como 18 e 28.
5.4.4 PRIMEIROS MOLARES INFERIORES
É o maior dente da arcada dentária humana e sua coroa apresenta-se alongada,
forma de paralelepípedo. Representados na notação da FDI como 36 e 46.
ASPECTO VESTIBULAR
- Forma trapezoidal com grande base oclusal, a menor base coincide com a linha
cervical que é praticamente reta e emite uma ponta de esmalte em direção a
bifurcação das raízes;
- Possui bossa vestibular acentuada tornando esta face muito convexa no terço
cervical, os outros terços são mais planos e inclinados para lingual;
- Nesta face são visualizadas três cúspides, separadas por dois sulcos verticais, sendo
o mésio-vestibular é mais longo e profundo e frequentemente termina em uma fosseta
(forame cego);
- A mésio-vestibular é a mais volumosa e mais alta, seguida em tamanho pela média-
vestibular e a menor de todas a disto-vestibular, sendo assim, a borda oclusal fica
inclinada de mesial para distal.
ASPECTO LINGUAL
- Esta face tem contorno menor do que a face vestibular pois há uma convergência das
faces proximais para lingual;
- Possui duas cúspides, sendo a maior a mésio-lingual, separadas por um sulco suave
que não termina em fosseta;
- É convexa em todos os sentidos e não se inclina como a face vestibular.
ASPECTO PROXIMAL
- Acentuada inclinação da face vestibular para a lingual;
- Face mesial maior que a distal pois as faces livres convergem para a distal.
ASPECTO OCLUSAL
- Possui forma pentagonal e cinco cúspides (pentacuspídeo) duas linguais e três
vestibulares;
- Mais larga na borda mesial do que na distal;
- Maior na borda vestibular do que na lingual;
- As cúspides mesiais, tanto na vestibular quanto na lingual, são as maiores;
- Sulco principal em formato de “W”.
- Presença de inúmeros sulcos secundários nas vertentes triturantes.
5.4.5 SEGUNDOS MOLARES INFERIORES
São diferentes dos primeiros molares inferiores por serem menores e possuírem
quatro cúspides (tetracuspídeos). Representados na notação da FDI como 37 e 47.
ASPECTO VESTIBULAR
- Forma trapezoidal, com base maior oclusal;
- Apresenta duas cúspides divididas por um sulco vestibular que pode terminar em
uma fosseta, menos freqüente do que no primeiro molar inferior;
- Leve convergência das faces proximais para cervical.
ASPECTO LINGUAL
- Semelhante a face vestibular, porém com sulco ocluso-lingual menos evidente;
- Menor do que a face vestibular.
ASPECTO PROXIMAL
- Forma semelhante ao primeiro molar inferior;
- Face mesial mais plana e maior que a distal.
ASPECTO OCLUSAL
- Possui formato retangular com bordas tendendo ao paralelismo;
- Apresenta quatro cúspides, duas vestibulares e duas linguais divididas por dois
sulcos principais retilíneos: sulco vestíbulo-lingual e sulco mésio-distal, dispostos em
forma de cruz;
- Cúspides linguais são mais altas que as vestibulares;
- Presença de inúmeros sulcos secundários.
5.4.6 TERCEIROS MOLARES INFERIORES
Localizados após os segundos molares inferiores, sendo os últimos dentes da
arcada inferior e os menores do grupo dos molares inferiores. São popularmente
conhecidos como dentes do siso ou do “juízo”.
Apresentam, assim como os terceiros molares superiores, morfologia bastante
variada, e se assemelham aos primeiros e segundos molares inferiores se destacando
pela grande presença de sulcos secundários. Representados na notação da FDI como
38 e 48.
6. DENTES DECÍDUOS
Os dentes decíduos antecedem os dentes permanentes e são conhecidos
popularmente como dentes de leite por possuírem coloração própria variando do
branco-leitoso ao branco-azulado. São menores que os permanentes em todos os
sentidos (1/3 do volume dos permanentes), possuem coroas mais bojudas (globosas),
raízes bastante desenvolvidas em comparação ao tamanho da coroa e cavidade pulpar
ampla. São menos mineralizados que os permanentes o que leva a um maior desgaste
das cúspides e exposição dentinária devido aos movimentos mastigatórios. Suas
principais funções são semelhantes aos homólogos permanentes além de manterem
espaço para a erupção do seu sucessor permanente. Participam da preparação
mecânica dos alimentos, do desenvolvimento dos músculos mastigatórios, estimulam
o crescimento dos processos alveolares, servem de “guia” durante a erupção dos
dentes permanentes e participam do desenvolvimento da fonação (T,F,V,S,Z).
6.1 INCISIVOS
- Semelhantes aos correspondentes permanentes;
- Face vestibular lisa e convexa;
- Face lingual apresenta cristas marginais desenvolvidas;
-Raiz apresenta um desvio apical para vestibular.
- Representados na notação da FDI como 51, 52, 61, 62, 71, 72, 81 e 82.
6.2 CANINOS
- Coroa com forma lanceolada;
- Crista lingual que se extende do cíngulo ao vértice da cúspide;
- Face vestibular extremamente convexa;
- Raiz com desvio apical para vestibular;
- Representados na notação da FDI como 53, 63, 73, e 83.
6.3 MOLARES
Os primeiros molares, tanto inferiores quanto superiores não se assemelham a
nenhum dente. Os segundos molares decíduos se assemelham aos primeiros molares
permanentes. As raízes dos molares decíduos são divergentes devido a presença dos
germes dos pré-molares. A morfologia oclusal se apresenta com sulcos e cuspídes
mais discretasdo que nos molares permanentes. Uma característica marcante é a
presença do Tubéculo de Zuckerkandl no terço mésio-vestibular.
6.3.1 PRIMEIROS MOLARES SUPERIORES
Não se assemelham a nenhum dente permanente. Apresentam face vestibular
bastante convexa no terço cervical, com a presença do tubérculo molar ou tubérculo
de Zuckerkandl no terço mésio-vestibular. Possuem diâmetro mésio-distal muito
maior que o cérvico-oclusal e duas cúspides separadas por um sulco ocluso vestibular,
sendo a cúspide mesial maior. A face palatina é convexa e lisa com cúspide mesial
muito mais volumosa sendo que a distal, que de tão pequena pode até estar ausente. A
face oclusal tem forma de trapézio irregular com quatro cúspides (tetracuspídeo) rasas
e cristas pouco pronunciadas.
6.3.2 SEGUNDOS MOLARES SUPERIORES
Semelhantes ao primeiro molar permanente, tetracuspídeo, com duas cúspides
vestibulares e duas palatinas. As cúspides vestibulares são separadas por um sulco
ocluso vestibular, sendo a cúspide mesial maior. A face palatina é convexa e inclinada
para vestibular.
6.3.3 PRIMEIROS MOLARES INFERIORES
Não se assemelham a nenhum dente permanente. A face vestibular possui o
Tubérculo de Zuckerkandl proeminente e duas cúspides que, às vezes, são separadas
por um sulco. As cúspides são mais proeminentes que nos molares superiores. A face
lingual se apresenta mais curta sentido cérvico-oclusal que a face vestibular. A face
oclusal tem formato retangular com quatro cúspides, sendo maior no sentido mésio-
distal.
6.3.4 SEGUNDOS MOLARES INFERIORES
Semelhantes aos primeiros molares inferiores permanentes, possuindo formato
retangular e cinco cúspides (pentacuspídeos). A face vestibular possui três cúspides
sendo a mesial a maior delas. A face lingual apresenta duas cúspides de tamanhos
semelhantes que são separadas por um sulco ocluso-lingual. !
7. CRONOLOGIA DE ERUPÇÃO
Os dentes decíduos iniciam sua erupção na cavidade oral por volta dos 6
meses de vida e, por volta dos dois anos e meio já teremos o início da erupção de
todos os dentes decíduos.
!
Por volta dos seis anos, os dentes decíduos começam a ser substituídos pelos
permanentes, em uma fase que são encontram na cavidade bucal dentes decíduos e
permanentes chamada de dentição mista. Aos doze anos todos os dentes permanentes,
com exceção dos terceiros molares já iniciaram sua erupção e todos os dentes
decíduos já esfoliaram.
8. NOÇÕES DE OCLUSÃO DENTÁRIA
A oclusão dentária é o relacionamento fisiológico entre os dentes dos arcos
superior e inferior, em todas as posições e movimentos da mandíbula. Sendo assim, é
de suma importância o conhecimentos destes princípios por parte do técnico em
prótese dentária.
8.1 ARCOS DENTAIS PERMANENTES
A forma dos arcos dentais permanentes é variável, estando diretamente
relacionada às disposições que apresentam os três segmentos: um anterior (canino à
canino) e dois posteriores (primeiro pré-molar à terceiro molar).
As formas dos arcos mais comuns são:
- Parabólica: segmento anterior curvado com leve divergência dos segmentos
posteriores;
- Triangular (em “V”): muito estreita no segmento anterior com divergência dos
segmentos posteriores;
- Ovóide: relativa curvatura do segmento anterior com leve convergência dos
segmentos posteriores;
- Quadrada (em “U”): segmento anterior quase reto e segmentos posteriores paralelos;
REFAZER AS ILUSTRAÇÕES ABAIXO!!!
8.2 RELAÇÕES INTERPROXIMAIS
O ponto de contato é o ponto no qual dois dentes vizinhos do mesmo arco
entram em contato em suas faces proximais. Quando ocorrem desgastes naturais nos
dentes permanentes e nos dentes decíduos podemos encontrar uma área de contato. A
sua localização depende da forma do dente e da convergência de suas faces. No
sentido vestíbulo-lingual se localizam entre o terço vestibular e o médio e no cérvico-
oclusal entre o terço oclusal e médio.
REFAZER AS ILUSTRAÇÕES ABAIXO!!!
8.3 CURVAS DE COMPENSAÇÃO
Os arcos dentais são ligeiramente curvos, determinando duas curvas principais:
CURVA DE SPEE
É uma curva ântero-posterior, sendo uma linha imaginária que une o vértice da
incisal do canino e as cúspides vestibulares de pré-molares e molares. Permite os
movimentos ântero-posteriores da mandíbula.
CURVA DE WILSON
Curvatura resultante da inclinação lingual das coroas dos dentes inferiores que
estende-se bilateralmente tocando cúspides vestibulares e linguais. Importante na
manutenção dos movimentos de lateralidade da mandíbula por ser uma curva de
compensação transversal.
REFAZER AS ILUSTRAÇÕES ABAIXO!!!
8.4 RELAÇÕES MAXILO MANDIBULARES
8.4.1 Trespasse Vertical
Também conhecido como overbite ou sobremordida. É considerado a avaliação
de quanto o incisivo superior cobre o inferior, em porcentagem o normal é de 30%.
8.4.2 Trespasse Horizontal
Também chamado de overjet ou sobressaliência. É determinado pelo
distanciamento vestíbulo-lingual entre os incisivos superiores e inferiores. É
considerado normal uma medida de 2mm e reflete a relação esquelética
anteroposterior.
8.4.3 RELAÇÃO CÊNTRICA (RC)
É a posição mais fisiológica da articulação temporomandibular, na qual o
conjunto côndilo-disco articular está na posição mais superior e anterior na fossa
articular. Independe dos contatos oclusais, sendo muito utilizada como referência em
registros de reabilitações protéticas.
8.4.4 MÁXIMA INTERCUSPIDAÇÃO HABITUAL (MIH)
Também chamada de oclusão habitual e é considerada a posição de maior
contato entre os dentes antagonistas. Pode ser alterada por problemas oclusais,
musculares e da articulação temporomandibular. Geralmente ocorre de 0,3 a 1,2mm
anterior a posição de Relação Cêntrica. Casos em que a Relação Cêntrica coincide
com a Máxima Intercuspidação Habitual são denominados de Máxima
Intercuspidação Cêntrica.
8.4.5 POSIÇÃO DE REPOUSO OU POSTURAL
É a posição de equilíbrio entre os músculos elevadores e abaixadores da
mandíbula quando a boca é mantida fechada com o mínimo de atividade muscular.
Pode ser considerada a posição de relaxamento da mandíbula quando os dentes estão
fora de oclusão. O espaço entre os arcos superior e inferior é denominado de Espaço
funcional livre, e geralmente mede entre 1 e 3 mm e deve ser respeitado durante as
reabilitações protéticas.
8.4.6 DIMENSÕES VERTICAIS
São medidas verticais entre dois pontos na face, geralmente entre a espinha
nasal anterior e o mento, que avaliam no sentido vertical o relacionamento da
mandíbula com a maxila. Quando o paciente está em uma posição de máxima
intercuspidação habitual, chama-se dimensão vertical de oclusão (DVO) e depende
da posição dos dentes. Quando a mandíbula está em posição de repouso a medida será
realizada da dimensão vertical de repouso (DVR) e independe dos contatos oclusais.
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. DELLA SERRA, Octávio. Anatomia dental. 3ª Ed. São Paulo: Artes Médicas,
1981. 334p.
2. MADEIRA, Miguel Carlos. Anatomia do dente. 2ª Ed. São Paulo: Sarvier, 2000.
99p.
3. OKESON, Jeffrey P. Tratamento das Desordens Temporomandibulares e Oclusão
7ª Ed. São Paulo: Elsevier, 2013. 504p.
4. ORTHLIEB, Jean-Daniel. Oclusão: Princípios Práticos. São Paulo: Artmed, 2002.
228p
5. TEXEIRA, Lucília Maria de Souza. Anatomia aplicada a odontologia. 2ª Ed. Rio
de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2008. 433p.
6. WEOEFEL, Julian B. Anatomia dental: sua relevância para a odontologia. Rio de
Janeiro: Guanabara-Koogan, 2000. 319p.