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ANTIFÚNGICOS
INTRODUÇÃO
Os fungos são microrganismos de vida livre que podem se apresentar na forma de leveduras, bolores ou combinações. Esses organismos possuem semelhanças significativas com células humanas em produção de energia, síntese de proteínas e na divisão celular (PAJEU, 2018). 
São responsáveis pela decomposição, permitindo que a matéria orgânica retornar ao ambiente, dando continuidade ao ciclo da vida. Algumas espécies são utilizadas como alimento, como é o caso do champignon e shitake e usados na produção de alimentos, como pão e algumas bebidas alcoólicas. Existem ainda os fungos maléficos, que podem causar doenças em animais e plantas (BRITES, 2007). 
Assim, é necessário que tais doenças, tão prejudiciais ao desenvolvimento da vida animal e de plantas sejam combatidas de forma eficiente, visando o prolongamento da vida dessas espécies, e no caso de animais de produção, assegurar o sucesso da empresa agropecuária.
Deste modo, o presente trabalho tem como objetivo enfatizar a importância das drogas antifúngicas no combate de doenças causadas pelos fungos, enaltecendo ainda as principais características das classes de medicamento, origem, uso, dosagens e seu mecanismo de ação.
DESENVOLVIMENTO
As primeiras substâncias utilizadas com potencial antifúngico foram metais pesados como iodeto de potássio, metaloides (boro, silício e arsênio), derivados sulfurados e sulfonamidas (SIDRIM; ROCHA, 2004). 
O primeiro antifúngico descoberto foi a anfotericina B, no ano de 1955. Esse medicamento foi amplamente utilizado no tratamento de infecções fúngicas graves, principalmente as invasoras. Porém apresenta alta toxicidade, prejudicando o funcionamento renal do paciente. Assim, se fez necessária a criação de novas fórmulas a partir da anfotericina B. Em meados de 1970 foram criados a flucitosina e o cetoconazol, e com o passar dos anos surgiram o itraconazol e as alilaminas. O desenvolvimento prosseguiu com o surgimento do primeiro derivado azólico (1980), das formulações lipídicas da anfotericina B (1989) e das primeiras equinocandinas (2001). Nos últimos anos, a anfotericina B e os azóis - principalmente cetoconazol, fluconazol e itraconazol - têm sido os fármacos de primeira escolha na terapia (BERGOLD & GEORGIADIS, 2004).
Essas substâncias podem ser classificadas como naturais ou artificiais. Os naturais são produzidos por microrganismos, que inibem ou matam ou matam outros microrganismos, são chamados de antibióticos. Já os artificiais são sintetizados em laboratório. Além disso, são classificados quanto ao seu modo de ação, podendo ser sistêmicos (agem em todo o corpo) ou tópicos (específicos para um local de infecção) (AZEVEDO, 2013).
O principal antifúngico que ocorre na natureza é a anfotericina, sendo uma mistura de substâncias antifúngicas extraídas de culturas de Streptomyces, encontradas no solo e agem diretamente na membrana da célula dos fungos, realizando a formação de poros. Porém devido sua toxicidade já mencionada, pode causar calafrios, febre, tremores e cefaleia, em casos mais graves, pode comprometer a filtração glomerular (MARQUES, 2018). 
Além da anfotericina, também podemos mencionar a nistatina, que possui o mesmo mecanismo de ação e é muito similar estruturalmente. Apesar disso, sua utilização é muito limitada, sendo comumente utilizada em infecções com Candida albicans na pele, mucosas e TGI (MARQUES, 2018). Marques (2018) também afirma que as equinocandinas são antifúngicos naturais obtidos pelo isolamento do Aspergillus nidulans. Esse grupo inibe a síntese de glicanas necessárias à manutenção da parede celular, assim induz a ruptura celular. 
No que se diz respeito aos artificiais, podemos destacar os azóis, que possuem amplo espectro. São exemplos de azóis: clotrimazol, econazol, cetoconazol, miconazol, itraconazol e fluconazol. Ambos inibem a enzima CYP3A do citocromo P450, que faz a conversão do lanosterol em ergosterol. As enzimas codificadas pelo citocromo são responsáveis pela metabolização de compostos potencialmente tóxicos ao organismo, sendo encontradas em muitos tecidos. Assim, a atividade das enzimas é inibida pela alteração da fluidez na membrana à medida que a produção do ergosterol é diminuída, inibindo ainda a replicação celular (MARQUES, 2018).
Existem ainda a flucitosina e a terbinafina, sendo que um é sistêmico e muito efetivo a um estreito espectro de fungos (leveduras), agindo na inibição da síntese de DNA dos fungos e o segundo é utilizado para infecções superficiais, e inibe a síntese do ergosterol bloqueando a atividade da enzima esqualeno epoxidase, que é o substrato lipídico para a produção do ergosterol (MARQUES, 2018). A ação das diferentes classes de agentes farmacológicos que agem contra os fungos é devidamente representada na figura 1.
Figura 1. Vias de ação dos antifúngicos. (Fonte: VALASQUES JUNIOR, 2015)
A respeito do uso de tais medicamentos em animais de pequeno e grande porte, podemos observar na Tabela 1. As indicações de uso. 
(NOBRE et al., 2002)
Além disso, podemos observar na Tabela 2. As dosagens dos principais antifúngicos para cães e gatos. 
(NOBRE et al., 2002)
No que se diz respeito a bovinos e equinos, podemos destacar o antifúngico Captan (N-tricclorometil-mercapto-4-ciclo-hexeno-1,2-dicarboxamina), utilizado para dermatofitoses deve ser usado em banhos de aspersão a 3% (BLOOD & RADOSTIS, 1991). O clotrimazol, usado para queratite micótica por Aspergillus em equinos, e para mastite micótica em bovinos, deve ser utilizado via intramamária solução ou pomadas com 100 a 200 mg/dia no quarto afetado (PRESCOTT & BAGGOT, 1991). Apenas em casos de zigomicoses, a anfotericina B é recomendada para equinos, sendo aplicados 0,5 a 1,5 mg/kg, diluído em 1 litro de solução de dextrose a 5% na via endovenosa (McMULAN et al., 1977). 
É válido ressaltar a existência de um novo triazol de amplo aspectro, chamado de voriconazol, que apresenta baixa toxicidade e é indicado para pacientes intolerantes a outros antifúngicos (AZEVEDO, 2013). Possui uma potente ação e largo espectro de atividade e atua como os demais antifúngicos azólicos (NOBRE et al., 2002). 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
É importante que o uso de medicamentos, independente de qual seja sua indicação, seja feito de forma racional e dentro das dosagens recomendadas pelo Médico Veterinário. Assim, evita que ocorram reações adversas pelo mau uso ou a resistência do patógeno à droga. Além disso, é de uma importância que o profissional esteja atento as características dos antifúngicos para poder indicar o ideal para cada animal, assegurando sua vida. 
REFERÊNCIAS 
AZEVEDO, A. Drogas antifúngicas. Disponível em: <http://www.ufjf.br/microbiologia/files/2013/05/Drogas-antifúngicas.> Acesso: 08 nov. 2018.
BERGOLD, A. M.; GEORGIADIS, S. Novidades em fármacos antifúngicos: uma revisão. Visão Acadêmica, Curitiba, v. 5, n. 2, p. 159 -172, Jul.- Dez./2004.
BLOOD, D.C.; RADOSTITS, O.M. Clínica veterinária. 7 ed., Rio de Janeiro, RJ : . Guanabara, 1991. Cap.24: Doenças causadas por fungos. p.814-822.
BRITES, A. D. Fungos: o que são e qual é a importância dos fungos. 2007. Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/disciplinas/ciencias/fungos-o-que-sao-e-qual-e-a-importancia-dos-fungos.htm> Acesso: 09 nov. 2018.
KAPPE, R. Antifungal activity of the new azole UK-109,496 (voriconazole). Mycoses, v.42, n.2, p.83-86, 1999. In: NOBRE, M. O.; NASCENTE, P. S.; MEIRELES, M. C.; FERREIRO, L. Drogas antifúngicas para pequenos e grandes animais. Ciência Rural, Santa Maria, v. 32, n. 1, p.175-184, 2002.
MARQUES, L. Farmacologia dos antifúngicos. Disponível em: <https://www.biomedicinabrasil.com/2018/01/farmacologia-dos-antifungicos.html> Acesso: 09 nov. 2018.
McMULLAN, W.C.; JOYCE, J.R.; HANSELKA, D.V., et al. Amphotericin B for the treatment of localized subcutaneous phycomycosis in the horse. J Am Vet Med Assoc, v.170, n.11, p.1293-1298, 1977.
NOBRE, M. O.; NASCENTE, P. S.; MEIRELES, M. C.; FERREIRO, L. Drogas antifúngicas para pequenos e grandes animais. CiênciaRural, Santa Maria, v. 32, n. 1, p.175-184, 2002.
PAJEU, F. Drogas antifúngicas. Disponível em: <https://www.ebah.com.br/content/ABAAAgRJEAD/drogas-antifungicas> Acesso: 09 nov. 2018.
PRESCOTT, J.F.; BAGGOT, J.D. Terapêutica antimicrobiana veterinária. Zaragoza : Acribia, 1991. Cap.15: Quimioterapia antifúngica: p.309-330.
SIDRIM, J. J. C.; ROCHA, M. F. G. Micologia médica à luz de autores contemporâneos, Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2004. In: BERTO, R. F. Ação antifúnfica dos peptídeos leptoctinas-1 e -2 isolados da secreção da pele da rã sul americana Leptodactylus pentadactylus – Fortaleza, 2010. 98 p.
VALASQUES JUNIOR, G. L. Farmacologia clínica das infecções fúngicas. 2015. Disponível em: <http://www.uesb.br/eventos/farmacologiaeclinicaif/arquivos/Farmacologia-clinica-das-infeccoes-fungicas.pdf> Acesso: 09 nov. 2018.