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INTRODUÇÃO AO SERVIÇO SOCIAL
	Capítulo 1- A Formação em Serviço Social
Para a formação em Serviço Social exige-se:
O desenvolvimento de uma consciência de intervenção fundada numa atitude pró-ativa (iniciativa de agir sem esperar que outros ajam por nós);
Atitude de crença e vontade de mudança.
A formação em S.S. oferece:
A transmissão de uma consciência de intervenção e mobilização para a ação;
Instrumentos capazes de converter a vontade de intervenção numa ação efetiva e promotora de uma mudança positiva.
Elementos fundamentais para o desenvolvimento de novas consciências de cidadania e responsabilidade social:
Personalismo (convicção no valor de cada ser humano e no seu caráter único);
Solidariedade (como valor e também como prática quotidiana);
Bem-comum (no sentido da crença na possibilidade de promoção de sociedades mais justas e igualitárias).
Obstáculos à prática do S.S.:
Descrença (nas instituições sociais, como o governo e as autoridades);
Apatia (perceção de qualquer ação individual de mudança como inútil- “não vale a pena”);
Perda do sentido de comunidade (fragilidade da rede de relações sociais);
Indiferença ao outro (por falta de identificação com ele-guetização- indiferença mascarada de inclusão e tolerância);
Tradição de passividade (não agir, esperar que o Estado aja por nós).
Essenciais para a “vocação” para o S.S.:
Valores que não se ensinam ou que são transmitidos em idade precoce, como:
Afeto;
Respeito pelo outro;
Vontade de agir.
Distinção entre a profissionalização de S.S. e o voluntariado:
A profissionalização estabelece um vínculo com a sociedade que obriga perante ela, tendo um dever de eficiência e bom desempenho.
O voluntariado é proveniente da vocação, do empenho, e do voluntarismo.
Valores fundamentais que devem estruturar a formação para a intervenção social:
Respeito estrito pelos Direitos Humanos;
Crença absoluta no valor individual;
Visão do Homem como sujeito (e não objeto) do seu próprio futuro;
Convicção na universalidade de acesso à subsistência e à cidadania.
Domínios essenciais para a formação em S.S.:
Saber: aquisição de saberes teóricos facilitadores do conhecimento do outro, das suas especificidades e da sua realidade por condição da empatia e do respeito;
Saber-fazer: aquisição de competências técnicas de intervenção e relação com o outro que levem ao seu sucesso ao serem implementadas;
Saber-ser: aquisição de valores e princípios éticos e deontológicos pelos quais se deve reger qualquer intervenção social.
	
Capítulo 2- As origens do Serviço SocialProtestantismo e Assistência
Cristianismo e Exaltação da Caridade
Teorização e prática da assistência
Prática Ancestral da Ajuda
História da Assistência:
“Dever de ajuda” em situações de infortúnio, vulnerabilidade e carência, ligado à caridade religiosa ou à filantropia social, com referências de figuras designadas por precursores do SS;
Constituiu uma base fundamental para o trabalho dos primeiros profissionais do SS;
Abordagem evolutiva, de continuidade ou endogenista (Montano, 2007) desde uma assistência de caráter beneficente, caritativo e filantrópico para um Serviço Social sistematizado e profissional (Ander-Egg, 1975);
Rejeita a rutura entre o SS profissional e as práticas que o antecederam;
Contestada por autores marxistas face às condições sociais específicas dos seus países (perguntar).
Contextos de Análise:
Alguns autores definem o SS como a resposta direta às necessidades e problemas sociais; 
Outros definem-no enquanto resultado da intervenção profissional dos trabalhadores sociais.
História da Assistência Social: engloba todas as práticas de ajuda e de resposta às necessidades e problemas sociais desde os primórdios da história da humanidade;
História do Serviço Social: tem implícita a existência de uma prática profissional organizada e legitimada.
	
Prática Ancestral da Ajuda
Primeiro registo de assistência aos mais carenciados: “Código de Hammurabi”, Mesopotâmia, XVIII a.C.;
Egito, cerca de 3000 anos a.C.: “Confrarias do Deserto” (organizações de proteção e socorro);
Antiguidade grega e romana: a ajuda era vista como um “dever”. Os mais ricos ajudavam os mais pobres num exercício chamado de “filantropia”. Ser benfeitor constituía um fator de status social elevado. Esta beneficência e filantropia acabaram, no império romano, por converter-se num sinal de poder que levou à divisão da sociedade entre dominadores e dominados;
 Tradição Judaica: assente num preceito religioso e moral, era um dever ajudar os mais pobres e necessitados, os doentes e os mais velhos.
Cristianismo e Exaltação da Caridade
Marca as grandes referências da história da assistência;
Instituiu um princípio de rutura com a tradição da antiguidade ao defender a igualdade entre todos os Homens (ricos e pobres tornaram-se iguais em dignidade perante Deus);
Tornou a prática da ajuda ao próximo numa norma religiosa e moral que exaltava a misericórdia e a caridade, segundo os ensinamentos de Jesus de Nazaré, que se identificava com os pobres;
O monopólio da ajuda e da assistência tornou-se pertencente à Igreja ou a instituições ligadas a ela;
Consolidação da missão caritativa do cristianismo muito apoiada no aumento do património da Igreja;
Os ensinamentos do cristianismo constituem as bases da história da assistência durante a Idade Média;
A caridade foi considerada virtude suprema (forma virtutum) segundo São Tomás de Aquino;
Os novos senhores feudais afirmavam-se como os protetores dos pobres, garantindo a sua dependência e servidão e reforçando o regime de vassalagem da época;
Com o êxodo rural e a ascensão da burguesia, estabeleceu-se uma hierarquia social distinta daquela da população dos campos. Para ajudar os burgos incapacitados, criaram-se associações de caráter voluntário e contributivo como grémios e corporações profissionais dos vários ofícios: foram criados os primeiros sistemas organizados de ajuda mútua.
Teorização e Prática da Assistência (Precursores- São Vicente de Paulo)
Propôs uma metodologia de intervenção a implementar em municípios baseada na organização e mobilização dos recursos e forças sociais possíveis. Esta metodologia dividia-se em três fases:
1ª fase: levantamento do nº de pobres, distinguindo os incapazes dos aptos para o trabalho e também os casos de pobreza trabalhadora (trabalhadores com rendimentos insuficientes para satisfazer as necessidades básicas);
2ª fase: implantação de medidas como a garantia de um rendimento mínimo; a garantia de um rendimento suplementar aos casos de pobreza trabalhadora; ensino de um ofício aos jovens e garantia de trabalho;
3ª fase: angariação e mobilização dos fundos necessários à implementação das medidas, através de impostos e coletas.
Congregação das Filhas da Caridade: missão de visitar os doentes e os pobres, ajudando-os nas suas necessidades;
Conferências Vicentinas (Frederic Ozanam, França, 1833): mobilizar o voluntariado para a ajuda. Expandiram-se pelo mundo.
Teorização e Prática da Assistência (Precursores- Juan Luís Vives)
Considerado precursor da Psicologia, Pedagogia, Sociologia, Ciência Política e Serviço Social;
De Subventione Pauperum (Do auxílio aos pobres), publicado em 1525 onde apresentou propostas de medidas para eliminar a mendicidade, estudando as suas causas;
Medidas: identificação e registo de situações de pobreza; limitação das esmolas como forma única ou principal de auxílio; promoção da autossuficiência pelo trabalho através da instrução e qualificação;
Aprofundou a questão da gestão dos asilos, concluindo que se tratavam, fundamentalmente, de instalações repressivas.
Protestantismo e Assistência
Com a valorização protestante do lucro e da riqueza (identificados com espíritos empreendedores, de mérito e de iniciativa), a pobreza converteu-se num “defeito moral” e numa manifestação deociosidade (preguiça) e abulia (falta de vontade), numa sociedade que encara a desigualdade entre os homens como natural;
O Estado e os poderes públicos sentiram-se obrigados a tomar a responsabilidade de assistência, como forma de fortalecimento do seu poder e para evitar revoltas;
Primeira iniciativa de proteção social: encerramento dos indigentes (mendigos) em asilos de forma a cumprir três funções: satisfazer as necessidades básicas de alimentação e abrigo; evitar a propagação de doenças e epidemias associadas à miséria; educar os indigentes, combatendo a ociosidade e promovendo a disciplina de trabalho.
Teorização e Prática da Assistência (Assistência Pública)
A intervenção dos poderes públicos na proteção social e o encerramento dos pobres em asilos (exemplo: Poor Laws* inglesas de 1536 e 1601) expandiram-se nos séculos XVIII e XIX;
Crescente intervenção pública na assistência social como resultado da centralização dos Estados Modernos e o aumento do poder social da burguesia;
Nos países europeus deu-se uma sucessão de medidas legislativas versando a proteção social e a indigência.
A lei Prussiana de Bismarck, unificadora da proteção social em todo o território alemão, consagrou a fixação de um mínimo de existência (abrigo, alimentação, vestuário, assistência médica e sepultura) garantido a todos os cidadãos:
Baseada em interesses políticos e estratégicos de aumento e preservação do poder do Estado;
Para evitar revoltas da classe trabalhadora pobre, o chanceler Bismarck formulou entre 1881 e 1882 os projetos-lei que seriam a base do sistema de segurança social (mais tarde recuperados e desenvolvidos na conceção dos Estados Sociais na Europa do pós Segunda Guerra Mundial);
Anos de aprovação dos seguros: doença (1883), acidentes de trabalho (1884), velhice e invalidez (1889);
Foi assim criado o primeiro sistema nacional de segurança social.
Os interesses e o poder social da burguesia determinaram o aumento de instituições de asilo dos pobres (como manutenção da ordem económica e social vigente devido ao controlo e repressão de revoltas) e o aumento da riqueza das nações (por converterem os indigentes em força de trabalho);
A incapacidade de controlo do aumento de situações de pobreza pelos poderes públicos levou à ação de instituições privadas, na maioria, de inspiração religiosa.
Teorização e Prática da Assistência (Portugal)
Criação da Casa Pia de Lisboa em 1780 por Pina Manique: primeiro marco da assistência social de caráter público, instituída e mantida pelo Estado;
A Assistência Social em Portugal foi marcada por dois movimentos contraditórios:
Iniciativas de Assistência Pública (integração de unidades mais pequenas em instituições maiores sob supervisão do Estado);
Desenvolvimento da iniciativa privada (Misericórdias, Seguros Privados, Associações de socorros mútuos).
Em finais do séc. XIX e princípios do séc. XX surgiram formas mais efetivas de proteção social como um esquema de seguro social obrigatório.
Teorização e Prática da Assistência (Thomas Chalmers)
Um dos críticos à assistência pública promovida pelas Poor Laws.
Grande importância para o Serviço Social devido ao seu trabalho de organização da proteção social em Glasgow inserido nas suas funções de pároco de St. John, em 1823;
Criticou a esmola como forma dominante de ajuda, por esta apenas alimentar dependências e não ajudar ao problema da pobreza (criou uma nova conceção de assistência “ajudar o outro a ajudar-se a si mesmo”);
Opunha-se à iniciativa pública de asilo dos pobres e defendia que a assistência devia ser de caráter privado fundado numa solidariedade de base local;
Defendia que a assistência só seria eficaz se fosse baseada num diagnóstico das situações de carência através do acompanhamento próximo e regular dos pobres (criou o corpo de voluntários Voluntary Visitors para este fim).
Considerado o grande inspirador do método do Serviço Social de Casos, inclusive pela teórica Mary Richmond.
*Poor Laws
A Poor Law Act de 1834 foi aprovada com o objetivo de reduzir os gastos públicos com a proteção social;
Restringiu a assistência pública aos estabelecimentos de internamento e às vítimas de pobreza extrema, que estavam sujeitas a tratamento degradante nestes estabelecimentos;
O número de pobres que recorre à assistência privada aumenta;
As Poor Laws extinguiram-se definitivamente em Inglaterra em 1929.
Gradual Intervenção dos Poderes Públicos (de início motivada pela necessidade de controlar a falsa mendicidade e a indigência)
Idade Média (caridade material, com fundamentos teológicos, exercida pela Igreja)
Laicização do séc. XIX (assente na filantropia e no voluntariado social, de ajuda aos indigentes)
	
Capítulo 3- A História do Serviço Social
Industrialização, Capitalismo e Desigualdades Sociais:
O capitalismo industrial determinou o aumento, a diversificação e a complexificação da pobreza;
Nova ordem social onde adquirem visibilidade a burguesia capitalista e o proletariado. As suas assimetrias levam a uma crescente tensão social:
A burguesia fortalecia como classe hegemónica, impondo o liberalismo capitalista;
O proletariado foi marcado pelo êxodo rural e pela concentração industrial e urbana, ficando à mercê das leis da oferta e procura associadas aos baixos salários, duras condições de trabalho, desemprego (que atingiu níveis nunca antes vistos) e desproteção social.
O trabalho converteu-se em fator de pobreza devido aos baixos salários, à elevada carga horária, às más condições e aos acidentes frequentes;
A cidade tornou-se geradora de isolamento, deixando para trás a solidariedade rural. Os bairros operários cresceram e os problemas sociais tornaram-se visíveis devido às más condições, à sobrelotação das habitações e à ausência de saneamento. Era um cenário propenso a doenças como a tuberculose.
O predomínio da família nuclear (pai, mãe e filho) e a diminuição do número de famílias alargadas significou uma grande perda do ponto de vista da ajuda na resposta às necessidades.
Proteção Social Pública (instituição do Estado Social)
Profissionalização do Serviço Social
Laicização do séc. XIX
Idade Média
Da Assistência ao Serviço Social:
No início, a assistência social resumia-se a iniciativas de ajuda material de resposta imediata, mas não duradoura (caráter paliativo) às situações de carência extrema;
A evolução foi feita em prol da organização e coordenação das ajudas, da individualização dos problemas, das situações e das respostas e ainda da investigação das causas de pobreza.
Industrialização, Capitalismo e Desigualdades Sociais (O Movimento Operário):
Desde o séc. XIX que os trabalhadores da indústria se revoltavam contra as condições de trabalho com a destruição de maquinaria e o incêndio de fábricas;
Em 1824, com a aprovação da lei da liberdade e da associação em Inglaterra, começaram a surgir as primeiras associações de ofícios (trade unions) para a organização dos operários em termos de solidariedade material perante situações de acidente, doença, invalidez ou morte. Posteriormente adquiriram contornos sindicais e reivindicativos e abriram-se também à participação dos operários não-qualificados (ex: greve dos operários das fábricas de fósforos em 1888 e greve dos estivadores do porto de Londres em 1889);
Com o tempo, estas associações adquiriram feições ideológicas, influenciadas pelo socialismo utópico de Proudhon (classificação da propriedade privada como roubo), Fourier (criação de falanstérios- comunidades fundadas no princípio da propriedade comum e alternativas a instituições sociais como a religião ou a família) e Owen (instituiu na sua empresa a jornada de 10h e meia e a proibição do trabalho a menores de 10 anos), pelo anarquismo de Bakunine (destruição do estado, da propriedade privada, do capitalismo e de toda a estrutura social fundada no direito, na religião e na família)e pelo marxismo. Estas influências são evidentes na fundação da I Internacional Operária em Londres, 1864.
O envolvimento do socialismo no movimento operário opôs os sindicatos de inspiração católica e os sindicatos socialistas revolucionários;
EUA: criação da Order of Knights of Labor (sindicatos de massas) no séc. XIX, dando origem à American Federation of Labor em 1886.
Industrialização, Capitalismo e Desigualdades Sociais (A Igreja Católica e a Questão Social):
Encíclica (comunicação escrita papal dirigida aos bispos e aos fiéis de todo o mundo) Rerum Novarum pelo Papa Leão XIII em 1891: exposição detalhada da doutrina social da Igreja, que apelava à ação dos católicos faça aos conflitos gerados pelo capitalismo industrial, estimulando o desenvolvimento do catolicismo social e inserindo a Igreja na comunidade perante a ameaça do ateísmo crescente;
Leão XIII tornou-se assim o grande fundador da Doutrina Social da Igreja Católica;
Na encíclica são examinadas as condições de vida dos trabalhadores assalariados e a miséria que atingia os operários industriais, e também as dimensões sociais e políticas que envolvem a “questão operária” ou a “grande questão social”. Rejeita o socialismo como solução e apela à solidariedade, subsidiariedade (o estado só intervém num problema se não poder ser resolvido pelos civis) e bem-comum;
Exige ao estado a implantação de medidas protetoras em matéria de higiene, segurança laboral, horários, descanso semanal e proibição do trabalho infantil, e aos trabalhadores a criação de associações profissionais.
	
História do Serviço Social:
MARCOS
CONTEÚDOS BÁSICOS DA AÇÃO SOCIAL E DA AJUDA
Prática Ancestral da Ajuda
Ajuda das famílias, da tribo ou do clã;
Impulsos humanitários e religiosos;
Código de Hamurabi (conjunto de leis oriundos da Mesopotâmia);
A sabedoria oriental: Confucionismo (sistema filosófico chinês criado por Kung-Fu-Tsé), Taoísmo (tradição religiosa e filosófica originária da China), Budismo (filosofia ou religião baseada nos ensinamentos de Buda);
Judaísmo;
Ajuda social na Grécia durante o domínio de Atenas;
Imperador Marco Aurélio;
Cristianismo e Islamismo.
Século IX
Carlos Magno “o imperador social”.
Idade Média
A proteção social de reis e senhores;
As esmolas;
A ajuda mútua entre grémios;
A ajuda pública (hospitais); 
Ação das ordens religiosas
.
Renascimento
Tratado do Socorro dos Pobres (De Subventione Pauperum) de Juan Luís Vives, é a primeira sistematização da prática social e da ajuda aos mais necessitados.
Século XVII
San Vicente de Paúl;
Leis dos Pobres (Poor Laws) em Inglaterra.
Século XVIII-XIX
Reforma das Poor Laws;
A ação de beneficência assistencialista e a emergência da filosofia do capitalismo; 
Chalmers, Ozanam, Sistema Elberfeld, Webb, Toynbee, Dawson.
Século XIX
Criação e desenvolvimento das sociedades de Organização da Caridade: Charity Organization Society [COS];
Surgimento da Política Social e instituição do Serviço Social.
Século XX
Criação das primeiras escolas de Serviço Social;
Mary Richmond- O Diagnóstico Social (1917);
Primeira sistematização profissional do Serviço Social.
A génese do Serviço Social:
A origem do serviço social associa-se a todo um clima social, económico e ideológico específico que remonta à época da industrialização em Inglaterra, em finais do séc. XIX;
Este clima social foi marcado por um conjunto de problemas sociais causados pela Revolução Industrial, pelo capitalismo económico e pelo liberalismo político;
A maioria dos trabalhadores já não tinha as suas próprias ferramentas (tendo pouco controlo sobre o seu ambiente de trabalho e o seu produto), pois estas foram substituídas por máquinas motorizadas e as oficinas deram lugar às fábricas, com produção em série;
As mulheres passaram a ser recrutadas para o trabalho em fábrica durante 12 a 13h por dia, 6 dias por semana;
Os trabalhadores passaram a viver em habitações da fábrica e a comprar os seus alimentos em lojas da fábrica;
Alguns proprietários de fábricas passaram a proporcionar aos seus trabalhadores proteção na saúde e educação, bem como seguros e regulamentações (Owen);
A jornada de trabalho foi reduzida para 10h e meia diárias, e surgiram jardins-de-infância e cooperativas;
Aparecem as primeiras “visitadoras amigáveis”, da classe burguesa, que intervinham através de medidas de prevenção e proteção social.
As raízes do Serviço Social estabeleceram-se, primeiramente, em Inglaterra e nos EUA e só depois nos restantes países europeus;
Os pioneiros do Serviço Social procuraram responder a três grandes questões:
O “Porquê” dos problemas e desigualdades sociais;
“Como” intervir nestes problemas;
“A que nível” realizar essa intervenção;
São consideradas as origens da profissionalização do Serviço Social:
O desenvolvimento do capitalismo industrial;
O crescimento e a diversificação das manifestações de pobreza;
O aparecimento de novas instituições (com origem em iniciativas filantrópicas da burguesia urbana que se profissionalizaram).
Charity Organization Society (COS):
As anteriores formas de caridade e de filantropia de inspiração religiosa ou secular revelaram-se insuficientes pois não conseguiam responder aos novos perfis de pobreza;
A assistência pública revelou-se ineficiente após a reforma das Poor Laws em 1834;
A COS- Charity Organization Society (previamente The London Society for Organizing Charitable Relief and Repressing Mendicity), fundada em Londres em 1869, foi considerada a primeira iniciativa técnica e com relevância científica de Serviço Social, assim como a primeira forma do mesmo;
Foi fundada com o objetivo expresso de coordenar as organizações filantrópicas da época em Londres (cerca de 2500 instituições constituídas por profissionais e voluntários) e de organizar as forças da comunidade de modo a conseguir um aproveitamento mais eficaz dos recursos ao dispor dos mais pobres e necessitados;
Surgiu como alternativa à assistência pública, que apenas contribuía para o aumento da miséria e da dependência;
Influenciada pelas ideias de Thomas Chalmers;
Entendia o indivíduo como responsável pela sua situação de pobreza e considerava a assistência pública como destruidora da dignidade individual;
A filosofia de auto-ajuda de Chalmers, que apelava ao esforço do indivíduo na resolução dos seus problemas, é um elemento fundamental da COS;
Defendia que cada caso fosse objeto de uma investigação apresentada num relatório escrito contendo a caracterização da situação e uma proposta de atuação, avaliada por uma comissão. Esta atuação não tinha um limite temporal, ou seja, mantinha-se enquanto fosse necessária desde que se revelassem esforços do beneficiário para ultrapassar as suas dificuldades e melhorar a sua vida;
Toda a rede familiar, de amigos e conhecidos do beneficiário era também mobilizada para a ajuda;
A Organização garantia que a ajuda fosse prestada pela instituição mais competente para cada caso, através de pessoas formadas;
Foram criados arquivos comuns de processos individuais para evitar fraudes e duplas-ajudas;
Foi elaborado um guia de todas as instituições existentes na cidade, de forma a controlar a ineficácia, descobrir lacunas e orientar as intervenções;
Os conhecimentos e as competências adquiridos pelos voluntários contribuíram para a consagração do Serviço Social em profissão com uma formação específica e qualificada, uma prática definida e sistematizada e um conjunto de valores éticos;
Charity Organization Society (COS):
Mais tarde, com os Estudos Sociais, diminui-se a importância dada à responsabilidade individual e surgiram ideais de reforma social;
Foi inaugurada uma linha de ação de caráter coletivo, sem abandonar as ações dirigidas à dimensão individual;
O movimento da COS prolongou-se por mais de meio século, e foi influenciado por duas realidades distintas: ainglesa e a norte-americana;
Nos EUA, a primeira sociedade deste tipo foi criada em 1877, em Nova Iorque, pelo Reverendo Humplireys Gurtee. Em 1890 estas organizações já existiam em mais de 100 cidades americanas;
A COS nos EUA teve influência do State Boards of Charities, uma iniciativa inspirada por Dorothea Dix destinada a melhoras as condições das instituições públicas de assistência e a implementar a caridade científica. Definiu como fundamental uma articulação e coordenação entre instituições.
Social Settlements:
Tiveram origem na ação do Pastor Samuel Barnett, em WhiteChapel, Londres. Ao aperceber-se das dificuldades da classe trabalhadora quando se instalou, com a mulher Henrietta Rowland, como pároco em São Judas em 1884, propôs-se a ajudar, ensinando cuidados de saúde e promovendo o desenvolvimento de competências e recursos individuais;
Esta iniciativa despertou o interesse de muitos estudantes universitários burgueses que passaram a frequentar a paróquia e, assim, a dar mais visibilidade às dificuldades que ela combatia. Estes jovens passaram a fazer voluntariado na paróquia e estabeleceram-se nos bairros operários, partilhando o quotidiano com os trabalhadores;
Gerou-se assim um movimento social com sede em Toynbee Hall, um projeto de intervenção local e comunitária. 
Os Settlements não prestavam auxílio material, mas sim ações de educação e formação. Tinham três objetivos principais:
Educar os trabalhadores pobres;
Divulgar as reais condições de pobreza às classes mais favorecidas;
Mobilizar a população em geral para a necessidade de uma legislação social efetivamente protetora da classe trabalhadora.
Assenta na convicção de que a mudança, no indivíduo, é fortalecida no grupo através da interação positiva entre os membros, enaltecendo a importância do apoio mútuo no processo de mudança. Crença profunda na democracia, igualdade e dignidade humana;
Procuravam abordar cada indivíduo como membro de um grupo e de uma comunidade com problemas e necessidades em comum, estimulando a ajuda dentro da própria comunidade.
Social Settlements:
Expandiu-se nos EUA e na Europa (França etc.). Em Portugal foram implementados nos Centros Sociais nos anos 30 e 40, e nas escolas de Serviço Social de Lisboa e Coimbra;
Foram fundadas a Federation of Residential Settlements e a Educational Settlements Association que agregam centros sociais públicos e particulares;
O primeiro Settlements foi criado em Nova Iorque em 1886, depois foi criado outro em Boston por Robert Archey Woods e outro em Chicago (Hull House) em 1889 por Jane Addams;
Hull House:
Não era uma instituição de universitários para trabalhadores, mas sim de todos aqueles que quisessem contribuir para uma melhoria social;
Tratava-se de um projeto inovador de acolhimento de imigrantes e de trabalho comunitário na área da infância e da juventude;
Converteu-se também num local de reunião e discussão para reformistas e radicais, e também para sindicalistas, militantes e políticos.
O Instituto de Serviço Social de Lisboa chegou, neste período, a criar três centros sociais que se foram alargando e aprofundando a consciência das suas possibilidades.
Estudos Sociais:
O progressivo interesse académico e da sociedade em geral pelos contextos sociais e pelos fatores causadores de pobreza levou a investigações sociais em que se destacaram Charles Booth, o casal Webb e Seebohm Rowntree;
Estes estudos estão associados ao surgimento de novas teorias sobre a pobreza e ao desenvolvimento de novos métodos de intervenção;
Charles Booth:
Objetos de investigação: pobreza, excesso populacional, condições de habitação, situação higiénico-sanitária, desemprego e desproteção social;
Métodos de investigação: inquéritos feitos à população londrina, observação direta e análise estatística dos dados dos inquéritos;
Conclusões: 1/3 da população vivia abaixo do limiar de pobreza; 1/3 vivia em habitações sobrelotadas sem saneamento e higiene; a mortalidade variava consoante a incidência da pobreza; os idosos eram as principais vítimas de pobreza extrema; o desemprego era o grande gerador de pobreza; as iniciativas assistenciais eram ineficazes.
Beatrice e Sidney Webb (fundadores da London School of Economics):
Seguiam o ideal socialista e proletário da sociedade Fabiana;
Procuraram conhecer, através da observação de fábricas e bairros populares, conhecer as condições de vida e de trabalho da classe operária e estudar as organizações de solidariedade de base proletária;
Beatrice publicou em 1890 a obra “The Co-operative Movement in Great Britain” baseada nas suas observações no Lancashire;
Resultados: extinção das instituições da Lei dos Pobres (asilos); defesa do princípio de procura do maior bem-estar para o maior nº de pessoas; utilização social dos lucros do capital; garantia de um mínimo de subsistência a todos os cidadãos; desejo de reforma social para uma progressiva afirmação dos ideais socialistas.
Seebohm Rowntree:
Investigação sobre a pobreza na cidade de York com o objetivo de comparar a classe trabalhadora da grande cidade à de uma cidade de província;
Contributos principais da sua obra de 1901: proposta de definição do limiar de pobreza (despesa mínima necessária à manutenção da saúde física); distinção entre os conceitos de pobreza primária (rendimento insuficiente para a manutenção de eficiência física) e pobreza secundária (rendimento permitia a manutenção da eficiência física se não fosse desviado para outras despesas);
Verificou que 28% da população vivia em pobreza, sendo as principais causas os baixos salários, o elevado nº de filhos e a morte do chefe de família.
	
Capítulo 4- A Profissionalização do Serviço SocialReferências Pioneiras do Serviço Social- Charles Loch:
Secretário-geral da COS de 1875 a 1913 e considerado a alma da organização;
Tinha como lema a filosofia de Thomas Chalmers “ajudar as pessoas a ajudarem-se a si mesmas”;
Aspirava a que a COS fosse uma convergência das diferentes instituições filantrópicas, e à mobilização de uma sociedade organizada e solidária para a ajuda mais do que a ajuda estatal;
Esta rejeição da proteção social pública de responsabilidade estatal levou às principais críticas à sua filosofia.
Referências Pioneiras do Serviço Social:
Segundo Reisch, na década de 1890 deu-se a grande mudança na profissionalização do Serviço Social, que passou da atividade desempenhada por voluntários para a profissão exercida por trabalhadores qualificados e assalariados;
Em Londres, em 1895, celebrou-se o primeiro contrato remunerado com uma trabalhadora social;
A origem do Serviço Social encontra-se na Europa, mais precisamente na Grã-Bretanha, mas a sua legitimação como profissão e disciplina deu-se nos EUA.
Referências Pioneiras do Serviço Social- Octavia Hill:
Colaboradora crítica da COS;
Seguia as filosofias dos grandes teóricos sociais da época (pertenceu ao grupo Christian Socialists);
Intervenção com o objetivo de reeducação moral dos pobres;
Angariou apoios para a aquisição e reabilitação de edifícios de habitação e desenvolveu um programa de arrendamento de baixo custo;
As suas obras “Homes of the London Poor” e “Our Common Land” determinaram a criação dos seus programas.
Programa de habitação complementado pela educação dos beneficiários a quem eram ensinados princípios básicos de formação pessoal, familiar e moral através de visitadoras sociais, que também cobravam as rendas:
Em 1884 já geriam o arrendamento da maioria das habitações da Comissão Eclesiástica de Southwark;
A formação das voluntárias envolvidas nos seus projetos revelou-se essencial, pelo que definiu como áreas principais de formação a aprendizagem sobre a realidade social, a identificação de recursos e soluções disponíveis, o conhecimento do contexto da instituição e o desenvolvimento de aptidões de relacionamento e comunicação interpessoal;Referências Pioneiras do Serviço Social- Octavia Hill:
Considerada a pioneira da supervisão em Serviço Social, pois criou espaços onde os interventores debatiam as situações que lhes eram colocadas;
Destacou-se em três grandes níveis:
Enfatizou a relação e a comunicação com o beneficiário da ajuda;
Realçou a importância dos contextos sociais e das trajetórias de vida na explicação dos comportamentos;
Encarou a ação do interventor social como um estímulo ao processo de mudança pessoal e de autonomização, apenas possível com a mobilização do próprio beneficiário.
Legados importantes:
Apelo à compreensão da complexidade, dinamismo e mudança da realidade social;
Exortação à procura de inovação permanente na resposta aos problemas;
Exigência de respostas diferenciadas e não padronizadas;
Valorização da prevenção em termos de problemas sociais.
Referências Pioneiras do Serviço Social- Josephine Shaw Lowell:
Foi uma reformadora social, defensora e trabalhadora em várias instituições de caridade no final do século XIX;
Tornou-se uma ativista social ajudando a promover e a reorganizar a ajuda pública e a caridade privada nos E.U.A.;
Ajudou a fundar diversas organizações:
New York Charity Organization [inspirada no modelo da C.O.S. De Londres];
House of Refuge for Women;
Woman's Municipal League;
Civil Service Reform Association of New York State.
Foi a primeira mulher a cargo do departamento de Comissão de Caridade de Nova York (1876).
Entendia a pobreza como resultado dos efeitos das más ações pessoais, como a vadiagem, o engano, a inutilidade, os vícios sexuais, a extravagância, o desleixo…
Defendia que a ação social pública estava destinada a impedir a propagação da violência por parte dos mais necessitados;
Referências Pioneiras do Serviço Social- Mary Richmond:
Teve um contributo fundamental na afirmação do Serviço Social, pois dotou a profissão e a disciplina do seu primeiro conteúdo teórico sistematizado;
Todo o seu trabalho foi dirigido à sistematização de conhecimentos científicos, à definição de competências especializadas e ao estabelecimento de uma metodologia de caráter profissional (diferente da tradição de assistência caritativa por voluntários);
A sua ligação à COS iniciou-se quando em 1889 se tornou tesoureira da instituição. Mais tarde tornou-se, voluntariamente, visitadora social e em 1909 tornou-se direitora do Charity Organization Department de Nova Iorque. A sua experiência na COS levou-a a aprofundar o estudo das carências em matéria de formação teória e científica para a intervenção social;
Era amiga de George Herbert Mead, cujos estudos resultaram na abordagem do tema da “etiologia da pobreza”, ou seja, a controvérsia entre os defensores da origem individual da pobreza e os defensores da origem social da pobreza. Este autor (assim como Park e Burgess da Escola de Chicago) influenciou profundamente as obras de Richmond;
Exerceu funções docentes na Summer School of Applied Philantrophy (posteriormente Escola de Trabalho Social da Universidade de Columbia), criada em 1898 sob a égide da COS;
Referências Pioneiras do Serviço Social- Josephine Shaw Lowell:
Defendia também que a caridade não podia ser indiscriminada, e que era necessário detetar a causa dos problemas sociais para poder intervir através de um “Plano de atuação” que seguia um critério de elegibilidade;
Acreditava na criação de uma “caridade científica”, através do recrutamento de líderes universitários socialmente conscientes;
Contributos para o Serviço Social:
Análise científica da pobreza;
Definição do carácter científico da ajuda e da proteção social;
A relação entre quem ajuda e quem é ajudado (revestida de dimensões de educação e de orientação pessoal, com uma dedicação de tipo profissional e não apenas de boa-vontade).
Obras relevantes:
“Public Relief and Private Charity” (principios sobre os métodos modernos pelos quais a caridade se deveria reger);
“Industrial Arbitration and Conciliation: Some Chapters from the Industrial History of the Past Thirty Years” (métodos pelos quais a paz industrial foi procurada e alcançada em muitas das grandes indústrias).
Referências Pioneiras do Serviço Social- Mary Richmond:
Publicou a sua primeira obra “Friendly Visiting Among the Poor” em 1899, onde apresentou sugestões práticas de ação para as visitadoras sociais;
Foi diretora da Russel Sage Foundation, fator determinante para a intensificação de estudos sociais, destacando-se o Pittsburgh Survey (estudo que pretendia avaliar as necessidades sociais e económicas da população de Pittsburgh, que envolveu uma equipa de 50 cientistas sociais);
Publicou, em 1917 através da RSF, a sua obra mais conhecida “Diagnóstico Social” onde apresenta uma análise à relação entre o trabalhador social e o cliente (indivíduos ou famílias). Representa a primeira formulação teórica do Serviço Social e também as bases científicas da profissão. Marcou a passagem da atividade das visitadoras sociais para a prática profissional do Serviço Social de Casos;
Defendeu uma dimensão de ação política no Serviço Social ligada a objetivos de reforma social, ao afirmar que o SS não tem apenas uma dimensão educativa mas também de investigação e denúncia de situações sociais;
São de extrema relevância as suas conclusões sobre a dupla influência do meio envolvente e da personalidade individual nas situações vividas pelos indivíduos:
Assim, distinguiu Serviço Social direto (intervenção com o cliente no seu plano interno) de Serviço Social indireto (ação sobre o meio envolvente promovendo condições favoráveis à resolução do problema). 
Destaca-se o seu ensinamento sobre a valorização da relação direta e próxima com o cliente conseguida através da comunicação empática, da sinceridade e do encontro com o cliente na sua casa e no seu meio (só esta observação de perto da situação pode dar ao trabalhador social o conhecimento profundo da situação, capaz de assegurar a elaboração do diagnóstico social);
Esta intervenção seria feita através de entrevistas, visitas domiciliárias, observação e pesquisa.
Apelou à formação especializada e contínua e à criação de um saber complexo que daria reconhecimentos científicos à “arte” de ajudar os outros;
Alertou sobre os perigos da excessiva burocratização do Serviço Social (apesar das vantagens na eficiência do atendimento em gabinetes em substituição das visitas domiciliárias, não compensa as perdas de informação sobre os casos);
Em 1922 publicou o livro “What is social case work?” que foi adotado como manual na maioria das Escolas de Trabalho Social da época;
O seu pensamento assenta em valores como a dignidade do ser humano, a liberdade, a autodeterminação, a justiça social e a democracia.
Referências Pioneiras do Serviço Social- Jane Addams:
Foi responsável pela importação do modelo dos Social Settlements para os EUA com a criação da Hull House (centro de acolhimento de imigrantes) na zona pobre de Chicago em 1889;
Dotou os Settlements de uma metodologia de ação grupal inovadora (organizavam-se debates na Hull House sobre os problemas sociais da época em que tanto intelectuais e académicos como os imigrantes do centro participavam);
O seu incentivo à prática da intervenção local a nível dos bairros despertou novas preocupações, como o princípio de “Ir até ao povo e tornar-se povo”;
A pressão dos residentes sociais e as suas chamadas de atenção para as reais condições de vida das populações mais pobres levou ao desenvolvimento e implementação de medidas de proteção social como o combate à tuberculose, programas de saúde materno-infantis, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, proibição do trabalho infantil, redução dos horários de trabalho das mulheres e prevenção dos riscos e das doenças laborais;
Afirmava que os Settlements possuíam duplo valor:
Valor Objetivo: intervenção direta junto das populações, agindo sobre os efeitos dascrescentes desigualdades entre ricos e pobres, nacionais e imigrantes, protestantes e católicos, da sociedade americana;
Valor subjetivo: mitigação do sentimento de falta de oportunidades e expectativas dos jovens de classe média alta (a instalação destes jovens nos bairros mais pobres e degradados e a partilha de experiências de vida com os seus moradores acabava por ser vantajosa para ambos os grupos);
Toda a ação de Jane Addams e dos Settlements teve por base um trabalho consistente de investigação social acerca das condições de vida e de trabalho da população mais desfavorecida;
Esta filosofia é defendida pelo movimento dos Settlements, e sintetizada como os três erres: Research, Residence, Reform.
Foi a primeira mulher a receber o Prémio Nobel da Paz em 1931.

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