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1 Evolução do Direito Contratual - historicidade: Estado Autoritário, Estado Liberal, Estado Social.
1.1 Estado autoritário
O autoritarismo possui as seguintes características para se manter no poder:
Exclusividade do exercício do poder.
Arbitrariedades.
Enfraquecimento dos vínculos jurídicos do poder político.
Alteração da legislação institucional criando regras para a auto manutenção do poder.
Restrição substancial das liberdades públicas e individuais.
Cerceamento das liberdades individuais.
 
Os regimes autoritários coincidem com a figura do estado de exceção, é diametralmente oposto ao estado de direito.
1.2 Estado liberal – individualista e patrimonialista
Historicamente, constata-se que o Código de Napoleão (1804), bem como os demais códigos que se seguiram, destinavam-se a consolidar os direitos fundamentais reconhecidos pela Declaração dos Direitos do Homem e do cidadão, de 26 de agosto de 1789.
Sem embargo, a teoria contratual clássica iniciou-se numa época marcada pelo liberalismo na economia e individualismo nas relações jurídicas, baseada no absolutismo da autonomia da vontade, que predominou no Código Napoleônico.
Sob essa inspiração surgiu o Code Napoléon em 1804, tendo como princípios fundamentais a propriedade individual e a autonomia da vontade, onde o indivíduo era livre para agir conforme sua vontade. Estavam representados na lei os valores liberais de uma sociedade extremamente individualista, sendo a propriedade um direito absoluto e quase ilimitado.
Na verdade, a revolução francesa trouxe valores e princípios que influenciaram as demais codificações - chamadas oitocentistas – eis que elaboradas precipuamente nos anos de 1.800.
Essa revolução inaugurou uma nova fase, qual seja, a do Estado liberal, baseado na igualdade formal, reflexo de uma conquista do povo, expressa no ditado segundo o qual “todos são iguais perante a lei”.
Neste contexto é que surgem os direitos fundamentais de primeira dimensão (igualdade, liberdade, etc), que consubstanciavam uma obrigação negativa do Estado, qual seja, a de não intervir nas relações privadas, como forma de preservar a autonomia da vontade, o consensualismo (acordo de vontades), a força obrigatória dos pactos, a relatividades dos efeitos (que vinculavam apenas as partes contratantes), na medida em que a boa-fé sempre foi pouco aplicada nas relações contratuais.
Os direitos fundamentais de primeira dimensão surgem, nas primeiras constituições, com o objetivo de proteger o indivíduo frente ao Estado. Tem sua origem no pensamento liberal-individualista-burguês do direito francês, caracterizado como um direito de defesa, determinando a não-intervenção do Estado.
O contrato, inegavelmente, foi, nessa época, fundamental ao grande progresso econômico mundial, em especial dos países ocidentais, ao possibilitar mais segurança nos negócios, incrementando a lei da oferta e da procura, embora não tivesse protegido os socialmente mais fracos, o que se verifica das acentuadas diferenças sociais e econômicas.
O liberalismo do século passado fez do contrato o mais importante dos negócios jurídicos realizados entre pessoas, vinculando as partes juridicamente, mas nem sempre de forma equânime, justa e ética.
A noção desses direitos teve origem na garantia de liberdade do indivíduo frente ao Estado, com uma “eficácia vertical”, em que o Estado era superior e, portanto, os direitos fundamentais eram exercidos contra um ente que se colocava em posição de superioridade em relação aos titulares dos direitos a ele subordinados, mas que possuíam uma autonomia ou liberdade intangível pelo Estado.
1.3 Estado social
O Estado social representa efetivamente uma transformação superestrutural do Estado liberal. O Estado social busca superar a contradição entre a igualdade política e a desigualdade social. A liberdade política como liberdade restrita era inoperante. O velho liberalismo não dava nenhuma solução às contradições sociais, mormente das pessoas à margem da vida, desapossadas de quase todos os bens.
O Estado social da democracia distingue-se do Estado social dos sistemas totalitários por oferecer concomitantemente, na sua feição jurídico-constitucional, a garantia tutelar dos direitos da personalidade.
No Estado social, o Estado avulta menos e a sociedade mais. A liberdade e a igualdade já não se contradizem com a veemência do passado. O Estado social despontou para conciliar de forma duradoura e estável a sociedade com o Estado.
1.4 As relações contratuais e o Estado Democrático de Direito
A noção de contrato, oriunda do liberalismo, vem sendo superada pela funcionalização do contrato, em que os princípios clássicos do individualismo e da autonomia de vontade vêm sendo revistos pela moderna teoria contratual, que estabelece uma leitura constitucional, a fim de evitar abusos, desigualdade e injustiça social.
Assim, a efetivação e concretização dos direitos fundamentais deve ser um objetivo tanto das relações horizontais (entre os particulares), quanto das relações verticais (entre Estado e particulares).
Desta forma, são diluídas as barreiras existentes entre o direito público e o direito privado, tornando únicos os seus objetivos, ou seja, a dignidade da pessoa humana passa a ser o vértice do ordenamento jurídico, constituindo-se no elemento central das relações jurídicas, e base do Estado Democrático de Direito, instituído pela Constituição Federal de 1988.
1 Análise civil-constitucional: (re)leitura das obrigações contratuais
A CR/88 elevou à ordem constitucional o direito a propriedade, observando sempre, o cumprimento da função social.
Assim, sendo o contrato um negócio jurídico hábil a manifestar o direito de propriedade, deve também ater-se a atender a sua função social.
Neste diapasão muito bem estabeleceu o artigo 421 do Código Civil, dispondo que a liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato.
1.1 O fenômeno da Constitucionalização do Direito privado
Publicização do Direito Civil: é o processo de intervenção estatal, caracterizada também pelo dirigismo contratual, principalmente no âmbito do Poder Legislativo, limitando a autonomia privada, a fim de proteger a parte hipossuficiente da relação.
 
Constitucionalização do Direito Civil: é mais do que um critério hermenêutico, pois constitui-se na etapa mais importante do processo de transformação ou de mudanças de paradigmas do Estado Liberal para o Estado Social.
 
Neste sentido, a Constituição passou a ser a lei máxima do Estado, que vincula o Direito infraconstitucional a observar os seus ditames. O princípio máximo a ser obedecido por todos os ramos do direito é o da dignidade da pessoa humana, diante de uma mudança de concepção do homem-proprietário, passando a receber a efetiva tutela do Estado o homem detentor de dignidade.
Assim, houve uma mudança de paradigma, passando-se de uma concepção de Estado Liberal para uma dimensão de Estado Social, por meio da implementação de princípios constitucionais no ordenamento privado.
Ao invés da autonomia da vontade e da igualdade formal, sobrepõem-se os interesses de proteção de uma população que aguarda providências e prestações estatais. Estes valores, que estavam centrados no direito civil, passam a constar nas Constituições.
Dessa forma opera-se uma mudança de paradigma do Direito privado: ao invés da proteção patrimonial ditada pelo ideal burguês, do sistema liberal, passa-se a proteger a pessoa humana.
Ocorre o fenômeno da despatrimonialização do Direito privado, em obediência à sua constitucionalização, com a predominância do princípio da dignidade humana.
Nesta esteira, norteia-se uma nova proposta hermenêutica de modo a viabilizar a concretização dos direitos fundamentais constitucionais.
Porém, como caminho desta realização, a Constituição assume o caráter de “princípio maior”.
Ao mesmo tempo, surge outra expressão: a repersonalização do Direito Civil, no sentido de repor o indivíduo e seus direitos no topo da regulação jurídica.
Assim, o direitocivil constitucionalizado passa a ter um fundamento ético, que não exclua o homem de seus interesses não-patrimoniais, na regulação patrimonial que sempre pretendeu ser.
Assim, a ação intervencionista do legislador nas questões privadas, faz com que algumas matérias sejam reguladas por leis especiais, como é o caso do Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto da Terra, a Lei de locações, o Estatuto da Criança e do adolescente, o Direito do Trabalho (que utiliza os ditames do direito Civil de forma subsidiária).
Esse longo percurso histórico, cujo itinerário não se poderia aqui palmilhar, caracteriza o que se convencionou chamar de processo de descodificação do direito civil, com o deslocamento do centro de gravidade do direito privado, do Código Civil, antes um corpo legislativo monolítico, por isso mesmo chamado de monossistema, para uma realidade fragmentada pela pluralidade de estatutos autônomos. Em relação a estes o Código Civil perdeu qualquer capacidade de influência normativa, configurando-se um polissistema, caracterizado por um conjunto crescente de leis tidas como centros de gravidade autônomos e chamados, por conhecida corrente doutrinária, de microssistemas.
Isto é reflexo do Welfare State ou Estado do Bem Estar Social, que desencadeou uma forte intervenção estatal, comprimindo a autonomia da vontade.
Esta nova normatividade impôs a proteção de uma das partes envolvidas na relação jurídica, considerada hipossuficiente, de modo a reequilibrar a igualdade no sentido material.
O fenômeno da Constitucionalização do Direito privado resulta de superação da conhecida dicotomia entre o público e o privado.
Contudo, em um primeiro momento, determinados institutos que eram tratados apenas nas codificações civis (e que tiveram atenção específica do Estado, através da criação dos microssistemas), passaram a ter destaque especial nas constituições contemporâneas, cujo fenômeno (de transformação) foi nominado de relevância constitucional das relações privadas;
Numa segunda concepção, ligando-se às aquisições culturais da hermenêutica contemporânea, como a força normativa dos princípios, a interpretação conforme a Constituição, a distinção entre princípios e regras; alcançando, assim, ambos os postulados, a moderna concepção da Constitucionalização do Direito Privado.
O sentido da norma Civil brasileira deve ser buscado junto à Carta política de 1988, que é a norma máxima do Estado, a qual vincula todas as demais normas infraconstitucionais.
1.2 Conceito de Contrato
Conforme preleciona Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho conceituar determinado instituto jurídico não é tarefa fácil, pois a conceituação pode ensejar uma verdade absoluta, como se o conceito dado fosse perfeito, quando muitas vezes não é, ou ainda, dar origem a omissão, pela concepção simplória.
Os autores cientes da dificuldade acima mencionada entendem que contrato é
um negócio jurídico bilateral, por meio do qual as partes, visando a atingir determinados interesses patrimoniais, convergem as suas vontades, criando um dever jurídico principal (de dar, fazer ou não fazer), e, bem assim, deveres jurídicos anexos, decorrentes da boa-fé objetiva e do superior princípio da função social
 
Flávio Tartuce cita em sua obra o jurista Paulo Nalin, que propõe um conceito pós-moderno ou contemporâneo de contrato.
Para o doutrinador paranaense, o contrato constitui “a relação jurídica subjetiva, nucleada na solidariedade constitucional, destinada à produção de efeitos jurídicos existenciais e patrimoniais, não só entre os titulares subjetivos da relação, como também perante terceiros”
Dos conceitos expostos há de se ressaltar que os contratos só se perfazem pela manifestação da vontade de seus sujeitos, observando sempre os dispositivos legais constitucionais e infraconstitucionais.
1. OS MODERNOS PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
Com a constitucionalização do direito privado, as três principais bases do direito civil: a família, a propriedade e o contrato, recebem uma nova roupagem, qual seja, a de corresponder a uma função social. Neste sentido, a autonomia privada é superada para o surgimento de um sistema de relações no qual prevalece o interesse público, a fim de se preservar os direitos fundamentais.
Assim sendo, o princípio da autonomia da vontade perdeu parte de seu prestígio, em face de anseios e preocupações novas. Além disso, a teoria contratual clássica preconizava a igualdade formal por meio do liberalismo, mas essa igualdade nem sempre era condizente à realidade, ou seja, a igualdade meramente formal era instrumento, muitas vezes, de injustiça.
Pois a igualdade que reina no contrato é puramente teórica e, via de regra, enquanto o contratante mais fraco no mais das vezes não pode fugir à necessidade de contratar, o contratante mais forte leva uma sensível vantagem no negócio, pois é ele quem dita as condições do ajuste.
A teoria tradicional, mesmo com a igualdade das partes, permitia vantagens a favor da parte mais forte da relação contra a parte hipossuficiente, gerando um flagrante desequilíbrio contratual.
O individualismo contratual ou formalismo entrou em decadência, porque não correspondeu às expectativas da sociedade, e tampouco conferiu a segurança necessária às relações jurídicas, visto que preconizou a igualdade formal (idealizada pela teoria do absolutismo da vontade nas relações contratuais), a qual difere bastante da igualdade real/material.
Por isso, o contrato não estava em extinção, mas a sua concepção clássica, que passou a dar lugar ao direito social, pois havia abuso de direito no momento em que apenas um dos contratantes, o mais forte, propunha cláusulas ao outro mais fraco.
Com a inegável limitação da autonomia privada, em face da livre fixação do conteúdo das cláusulas, houve uma crise do contrato e, conseqüentemente, o Estado passou a intervir nas relações privadas, a fim de proteger os direitos sociais, os quais são mais importantes que a mera pretensão dos contratantes.
 
2. Princípios do Direito Contratual
Princípios são normas jurídicas em abstrato capazes de informar, normatizar supletivamente e diretamente, por ter força coercitiva.
O Direito contratual estará regido por princípios especiais, que muito embora os autores não guardam consonância ao fazer sua enumeração.
 
2.1 Princípio da dignidade da pessoa humana: igualdade, liberdade, integridade psicofísica e solidariedade.
Dignidade traduz um valor fundamental de respeito à existência humana, segundo as suas possibilidades e expectativas, patrimoniais e afetivas, indispensáveis à sua realização pessoal e à busca da felicidade.
O princípio da dignidade da pessoa humana está no vértice do Direito, orientando todo o Direito. E ainda, está previsto como fundamento do Estado Democrático de Direito (art. 1, III da CR/88).
Assim, não se permite ao Direito contratual a estipulação de obrigações que subjugue o respeito a pessoa humana, seja em seu direito à vida, a imagem, a privacidade, a integridade física, etc.
 
2.2 Princípio da boa-fé objetiva
A boa-fé importa moralidade, mas elevada a princípio jurídico, passa ser dotada de coercitividade.
A boa-fé objetiva trata-se de princípio jurídico, de conceito indeterminado, coercitivo. Representa uma ostentação de lealdade contratual, um comportamento do homem médio.
Ou seja, o princípio da boa-fé objetiva preordena regras de comportamento informadas pela moral.
A boa-fé objetiva, segundo Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho(2005, 76 e 77)se reflete em deveres jurídicos anexos ou satelitários, como a lealdade e confiança. Os autores elaboram um quadro para fazer a distinção, o qual passaremos a citar.
 
	Contrato válido (fonte primordial de obrigações)
	Relação obrigacional
	 
	dever jurídico principal: prestação de dar, fazer ou não fazer
deveres jurídicos anexos ou satelitários (decorrentes da boa-fé objetiva): lealdade e confiança, assistência, informação, confiabilidade ou sigilo etc.
 
Além da função criadora de deveres jurídicos anexosa boa-fé tem função interpretativa, disciplinada no artigo 113 do Cód. Civil e a função delimitadora do exercício de direitos subjetivos, visando evitar o abuso de direitos
Daí ao princípio da boa-fé objetiva denota três importantes funções: interpretativa, a função criadora de deveres jurídicos anexos e a função delimitadora do exercício de direitos subjetivos.
 
FUNÇÃO DELIMITADORA DA BOA-FÉ OBJETIVA
 
Violação positiva do contrato (ou da obrigação):
A boa-fé objetiva enseja também a caracterização de inadimplemento, mesmo quando não haja mora ou inadimplemento absoluto do contrato.
Quando o contratante deixa de cumprir alguns deveres anexos, esse comportamento ofende a boa-fé objetiva e, por isso, caracteriza inadimplemento do contrato.
 
Proibição de venire contra factumproprium
Função limitadora da boa-fé objetiva.
Vedação de que a parte venha a observar conduta incoerente com seus próprios atos anteriores.
STJ: “havendo real contradição entre dois comportamentos, significando o segundo quebra injustificada da confiança gerada pela prática do primeiro, em prejuízo da contraparte, não é admissível dar eficácia à conduta posterior”.
Enunciado 362: “A vedação do comportamento contraditório funda-se na proteção da confiança, tal como se extrai dos artigos 187 e 422 do Código Civil”.
 
Supressio, surrectio e tu quoque
Conceitos com função integrativa, suprindo lacunas do contrato.
Supressio: um direito não exercido durante determinado lapso de tempo não poderá mais sê-lo.
Surrectio: acarreta o nascimento de um direito consequente à continuada prática de certos atos.
Tu quoque: aquele que descumpriu norma contratual ou legal, atingindo com isso determinada posição jurídica, não pode exigir do outro o cumprimento do preceito que ele próprio já descumprira. Ex.: Condômino que deposita móveis em área comum.
 
2.3 Função social dos contratos
A função social do contrato, entendida como um limite imposto à liberdade de contratar, em prol do bem comum pode ser analisada entre as parte (intrínseco) e na forma extrínseca, que seria a análise do contrato frente a sociedade.
No âmbito intrínseco a função social diz respeito ao dever de informação, confidencialidade, assistência, lealdade. Assim, o contrato atende sua função social no plano interno quando não for utilizado como instrumento de opressão, de desrespeito a qualquer uma das partes.
No plano extrínseco o contrato atenderá sua função social quando for utilizado de forma a observar o bem comum, quando for socialmente benéfico.
Exemplo disso é quando se contrata a construção de uma grande obra, mas que observe as normas ambientais, os direitos trabalhista, por exemplo.
O princípio da função social do contrato está assegurado implicitamente na CR/88, por ser o contrato um instrumento de viabilização do direito de propriedade.
Já o Cód. Civil, em seu art. 421 condiciona expressamente o contrato ao dever de cumprimento de sua função social no momento da liberdade de contratação.
Trata-se de dois princípios antagônicos, que devem guardar harmonia entre si.
2.4 Princípio autonomia da vontade (autonomia privada)
As pessoas são livres para contratar se quiserem, com quem quiserem, como quiserem e sobre o que quiserem.
Poder dos contratantes de disciplinar os seus interesses mediante acordo de vontades, suscitando efeitos tutelados pela ordem jurídica.
As partes têm a faculdade de celebrar ou não contratos (liberdade de contratar ou não), e, ainda, de escolher a modalidade ou criar uma modalidade inominada, sem qualquer interferência do Estado.
Como a vontade manifestada deve ser respeitada, “o acordo faz lei entre as partes”.
Limitações à liberdade de contratar
Faculdade de contratar ou não: tem sido relativizado na medida em que a vida em sociedade obriga as pessoas a contratar. Ex.: luz, água, DPVAT,
Com que contratar: serviços públicos cedidos sob o regime de monopólio, por exemplo.
O que contratar (conteúdo do contrato): sofre limitações em razão das cláusulas gerais (função social do contrato, boa-fé objetiva e supremacia da ordem pública).
 
2.5 Princípio da força obrigatória dos contratos (ou intangibilidade dos contratos)
Representa a força vinculante das convenções (princípio da força vinculante dos contratos).
Por serem livres para contratar ou não, os que o fizerem, devem cumpri-lo, não podendo se esquivar de suas consequências, a não ser com a anuência do outro contratante.
Irreversibilidade da palavra empenhada. Como foram as partes que escolheram os termos do ajuste e a ele se vincularam, não cabe ao juiz preocupar-se com a severidade das cláusulas aceitas, que não podem ser atacadas sob a invocação dos princípios da equidade.
Fundamentos:
Necessidade de segurança nos negócios: o princípio da obrigatoriedade do contrato visa a garantia da viabilidade econômica do instituto, pois se assim não fosse, não haveria justificativa para se realizar os contratos;
Imutabilidade dos contratos (pacta sunt servanda), não podendo ser alterados nem pelo juiz. Pelo qual as estipulações feitas no contrato deverão ser fielmente cumpridas.
 
2.6 O equilíbrio econômico-financeiro das relações contratuais
(ou Princípio da Revisão dos Contratos ou da Onerosidade Excessiva)
Fatores externos podem gerar, quando da execução da avença, uma situação muito diversa da que existia no momento da celebração, onerando excessivamente o devedor.
Contudo, o princípio da obrigatoriedade do cumprimento do contrato, conforme estipulado entre as partes, sofre relativização com a teoria da imprevisão (rebus sic standibus).
Cláusula rebus sic standibus
Presume-se, nos contratos comutativos, de trato sucessivo ou de execução diferida, a existência implícita de uma cláusula, pela qual a obrigatoriedade de seu cumprimento pressupõe a inalterabilidade da situação de fato.
Se esta, no entanto, modificar-se em razão de acontecimentos extraordinários que tornem excessivamente oneroso para o devedor o seu adimplemento, poderá este requerer ao juiz que o isente da obrigação, parcial ou totalmente.
Teoria da imprevisão
Consiste, portanto, na possibilidade de desfazimento ou revisão forçada do contrato quando, por eventos imprevisíveis e extraordinários, a prestação de uma das partes tornar-se exageradamente onerosa – o que, na prática, é viabilizado pela aplicação da cláusula rebus sic standibus.
A teoria da imprevisão é desenvolvida para amenizar, relativizar o pacta sunt servanda, sendo invocada quando acontecimentos superveniente, não previstos pelas partes, ou seja, imprevisível, tornar excessivamente oneroso para uma das partes, acarretando o enriquecimento ilícito de uma delas.
Na incidência de fatos excepcionais, supervenientes à pactuação contratual que acarreta impossibilidade de sua execução poderá a parte prejudicada pleitear judicialmente a revisão contratual ou resolução do contrato.
 
2.7 Princípio da relatividade subjetiva dos efeitos do contrato
Os efeitos dos contratos só se produzem em relação às partes, àqueles que manifestaram a sua vontade, vinculando-os ao seu conteúdo sem afetar terceiros.
O CC/2002 não concebe mais o contrato apenas como instrumento de satisfação de interesses pessoais dos contraentes, mas lhe reconhece uma função social.
Tal fato tem como consequência, por exemplo, possibilitar que terceiros que não são propriamente partes do contrato possam nele influir, em razão de serem por ele atingidos de maneira direta ou indireta.
 
2.8 Princípio da equivalência material
O princípio da equivalência material busca realizar e preservar o equilíbrio real de direitos e deveres no contrato, antes, durante e após sua execução, para harmonização dos interesses.
Esse princípio preserva a equação e o justo equilíbrio contratual, seja para manter a proporcionalidade inicial dos direitos e obrigações, seja para corrigir os desequilíbrios supervenientes, pouco importando que as mudanças de circunstâncias pudessem ser previsíveis.
O que interessa não é mais a exigência cega do cumprimento do contrato,da forma como foi assinado ou celebrado, mas se sua execução não acarreta vantagem excessiva para uma das partes e desvantagem excessiva para outra, aferível objetivamente, segundo as regras da experiência ordinária.
O princípio da equivalência material, ou também denominado princípio do equilíbrio contratual, se manifesta no plano subjetivo e plano objetivo.
O aspecto subjetivo leva em conta a identificação do poder contratual dominante das partes e a presunção legal de vulnerabilidade.
A lei presume juridicamente vulneráveis o trabalhador, o inquilino, o consumidor, o aderente de contrato de adesão.
Essa presunção é absoluta, pois não pode ser afastada pela apreciação do caso concreto.
O aspecto objetivo considera o real desequilíbrio de direitos e deveres contratuais que pode estar presente na celebração do contrato ou na eventual mudança do equilíbrio em virtude de circunstâncias supervenientes que levem a onerosidade excessiva para uma das partes.
No plano subjetivo a busca do equilíbrio material contratual é informada pela própria legislação que estabelece prerrogativas especiais aos sujeitos hipossuficientes da relação.
1 Interpretação dos contratos:
O contrato origina-se de ato volitivo e por isso requer invariavelmente uma interpretação, pois nem sempre traduz a exata vontade das partes.
Obscuridades e ambiguidades podem ocorrer em razão da complexidade do negócio ou do texto.
A execução de um contrato exige, portanto, a correta compreensão da intenção das partes.
 
1.1 Conceito e extensão
Interpretar o negócio jurídico é precisar o sentido e alcance do conteúdo da declaração de vontade.
Busca-se apurar a vontade concreta das partes, não a vontade interna, psicológica, mas avontade objetiva, o conteúdo, as normas que nascem da sua declaração.
 
1.2 Espécies
Interpretação declaratória: quando tem como único escopo a descoberta da intenção comum dos contratantes no momento da celebração do contrato.
Interpretação construtiva ou integrativa: quando objetiva o aproveitamento do contrato, mediante o suprimento das lacunas e pontos omissos deixados pelas partes.
 
1.3 Princípios básicos (hão de ser sempre observados)
 
a) Boa-fé: deve o intérprete presumir que os contratantes procedem com lealdade e que tanto a proposta como a aceitação foram formuladas dentro do que podiam e deviam eles entender razoável, segundo a regra da boa-fé. 
Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração.
 
b)  Conservação (ou aproveitamento) do contrato: se uma cláusula contratual permitir duas interpretações diferentes, prevalecerá a que possa produzir algum efeito, pois não se deve supor que os contratantes tenha celebrado um contrato carecedor de qualquer utilidade.
 
Enunciado 176, CJF – em atenção ao princípio da conservação dos negócios jurídicos, o art. 478 do CC deverá conduzir, sempre que possível, à revisão judicial dos contratos e não à resolução.
 
Enunciado 367, CJF – Art. 479. Em observância ao princípio da conservação do contrato, nas ações que tenham por objeto a resolução do pacto por excessiva onerosidade, pode o juiz modificá-lo equitativamente, desde que ouvida a parte autora, respeitada a sua vontade e observado o contraditório.
 
Critérios práticos para a interpretação dos contratos:
A melhor maneira de apurar a intenção dos contratantes é verificar o modo pelo qual o vinham executando, de comum acordo;
Deve-se interpretar o contrato, na dúvida, da maneira menos onerosa para o devedor;
As cláusulas contratuais não devem ser interpretadas isoladamente, mas em conjunto com as demais;
Qualquer obscuridade é imputada a quem a redigiu, pois, podendo ser claro, não foi;
Na cláusula suscetível de dois significados, interpretar-se-á em atenção ao que pode ser exequível.
 
1.4 Contratos no Código de Defesa do Consumidor
O seguinte dispositivo se aplica a todos os contratos que tenham por objeto relações de consumo, visando a proteção do hipossuficiente (o consumidor), tendo em vista que as regras que ditam tais relações são, geralmente, elaboradas pelo fornecedor:
 
Art. 47. As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor.
E ainda,
Art. 46. Os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores, se não lhes for dada a oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se os respectivos instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu sentido e alcance.
 
1.5 Interpretação dos contratos de adesão (duas regras, basicamente, no CC)
 
Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente.
Ambígua: cláusula que da sua interpretação gramatical for possível a extração de mais de um sentido.
Contraditória: quando seu conteúdo é inconciliável com as demais.
 
Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio.
Artigo que visa proteger os direitos correlatos que na prática comercial são comumente excluídos por cláusulas-padrão.
Ex.: não reparação pelos danos decorrentes de defeitos da coisa ou pela má prestação dos serviços, não indenizabilidade de vícios redibitórios e evicção.
1. Visão estrutural do Contrato
Após um panorama geral da disciplina jurídica dos contratos, passa-se à sua conceituação e compreensão de sua natureza jurídica e dos elementos constitutivos e de validade dos contratos.
 
1.1 Conceito
É um negócio jurídico por meio do qual as partes declarantes, limitadas pelos princípios da função social e da boa-fé objetiva, auto disciplinam os efeitos patrimoniais que pretendem atingir, segundo a autonomia das suas próprias vontades.
Ou
É um negócio jurídico bilateral, por meio do qual as partes, visando a atingir determinados interesses patrimoniais, convergem as suas vontades, criando um dever jurídico principal (de dar, fazer ou não-fazer), e, bem assim, deveres jurídicos anexos, decorrentes da boa-fé objetiva e do superior princípio da função social.
 
1.2 Natureza Jurídica
É um negócio jurídico, que é a manifestação de vontade, emitida em obediência aos seus pressupostos de existência, validade e eficácia, com o propósito de produzir efeitos admitidos pelo ordenamento jurídico, pretendidos pelo agente.
O contrato é um espécie do gênero negócio jurídico que se particulariza pela convergência das manifestações de vontades contrapostas, formadora do denominado consentimento.
 
1.3 Validade, eficácia e exigibilidade
Por serem os contratos uma espécie do gênero negócios jurídicos, tudo que se aplica a esses com relação aos seus planos de existência, validade e eficácia, também é aplicável àqueles.
Existência: um negócio jurídico não surge do nada, exigindo-se, para que seja considerado como tal, o atendimento a certos requisitos mínimos.
 
Validade: o fato de um negócio jurídico ser considerado existente não quer dizer que ele seja considerado perfeito, ou seja, com aptidão legal pura para produzir efeitos, o que exige o atendimento a determinados pressupostos legais.
 
 
Eficácia: ainda que um negócio jurídico existente seja considerado válido, ou seja, perfeito para o sistema que o concebeu, isto não importa em produção imediata de efeitos, pois estes podem estar limitados por elementos acidentais da declaração.
 
1.3.1 Plano de existência: elementos constitutivos do contrato
Trata-se de quatro elementos que, estando presentes, nos permitem afirmar que o contrato, como negócio jurídico, existe no campo da realidade fática:
 
a)  Manifestação da vontade: o que é imprescindível é que tenha ocorrido uma declaração de vontade, faticamente aferível, e que decorra de um processo mental de cognição. É da declaração, e não da vontade, que surgem os efeitos (autonomia da declaração da vontade).
b)  Presença de um agente: para manifestar tal vontade, pois a vontade contratual nãose manifesta sozinha, sendo necessária a presença de sujeitos para declará-la.
 
c)  Objeto do contrato: consistente na prestação da relação obrigacional estabelecida.
 
d)  Forma de se exteriorizar: não se trata aqui de se discutir a adequação, mas sim apenas a existência de uma exteriorização, de maneira a se compreender que o contrato realmente existiu no campo concreto.
 
 
1.3.2 Plano de validade: pressupostos de validade do contrato
Existente um contrato, é preciso verificar se o mesmo pode ser considerado válido.
Segundo GAGLIANO e PAMPLONA, os pressupostos de validade nada mais são do que os próprios elementos de existência adjetivados.
a)  Manifestação da vontade: livre e de boa-fé.
b)  Agente:capaz para manifesta sua vontade. Capacidade genérica (medida da personalidade) e específica (legitimidade) para protagonizar determinado contrato.
c)  Objeto:idôneo. Ou seja, lícito (não proibido pelo Direito ou pela moral), possível (jurídica e fisicamente) e determinado ou determinável (com os elementos mínimos de individualização que lhe permitam caracterizá-lo).
d)  Forma:prescrita ou não defesa em lei.
 
1.3.3 Plano de eficácia: fatores eficaciais do contrato
Em certos contratos, é possível, eventualmente, inserirem-se elementos acidentais que limitam a produção imediata de efeitos ou fazem cessá-los, se ocorridos determinados fatos preestabelecidos.
Elementos acidentais:
a)  Termo: evento futuro e certo, que protrai o começo da produção de efeitos (termo inicial) ou faz cessá-los (termo final)
b)  Condição: evento futuro e incerto que, se ocorrente, poderá dar início à produção de efeitos (condição suspensiva) ou fazer cessá-los (condição resolutiva).
c)  Modo/Encargo: determinação acessória acidental de NJ gratuitos, que impõe ao beneficiário da liberalidade um ônus a ser cumprido, em prol de uma liberalidade maior.
 
 
1 Classificação dos contratos
A classificação é um recurso pedagógico que visa mostrar as peculiaridades dos institutos estudados, na medida em que são agrupados pelas suas similitudes.
 
1.1 Quanto aos efeitos
1.1.1 Contratos unilaterais, bilaterais ou plurilaterais
Na medida em que o contrato implique direitos e obrigações para ambos os contratantes ou apenas para um deles.
Do ponto de vista de sua formação (a presente classificação é do ponto de vista dos efeitos), toda relação contratual é bilateral, pois pressupõe a existência de duas ou mais manifestações de vontade.
Todavia, isso não quer dizer que produza, necessariamente, efeitos de natureza patrimonial para todas as partes.
a) Unilateral: nos quais se estabelece uma prestação pecuniária apenas para uma das partes. “Via de mão única”.
São unilaterais se, no momento em que se forma, origina obrigação, tão somente, para uma das partes. Ex.: contrato de depósito.
b) Bilateral (ou sinalagmático): geram obrigações para ambos os contratantes. E essas obrigações são recíprocas.
Tem-se a produção simultânea de prestações para todos os contratantes, pela dependência recíproca das obrigações (uma é a causa da outra), o que é chamado de sinalagma. Ex.: compra e venda.
c) Plurilateral: contêm mais de duas partes, várias partes, cada uma em sua posição.Ex.: sociedade, condomínio.
 
1.1.2 Contratos gratuitos (ou benéficos) e onerosos
Em relação às vantagens patrimoniais que podem produzir.
a) Gratuitos: quando fica estabelecido que somente uma das partes aufira benefício enquanto a outra arcará com toda a obrigação. Ex.: doação pura, comodato.
 
b) Onerosos: quando um benefício recebido corresponder a um sacrifício patrimonial.
a) Comutativos: são os de prestações certas e determinadas, equivalentes. Não envolvem nenhum risco
b) Aleatórios: em que pelo menos um dos contratantes não pode antever a vantagem que receberá em troca da prestação fornecida. Caracteriza-se, ao contrário, pela incerteza, para as duas partes, sobre as vantagens e sacrifícios que podem dele advir.
 
 
1.1.2.1 Dos Contratos Aleatórios – Arts. 458 a 461 do Código Civil
Considerando-se as expectativas de vantagens ou benefícios que as partes aguardam e alimentam por ocasião de sua celebração, os contratos bilaterais e onerosos podem revelar-se comutativos ou aleatórios.
Comutativos: são os de prestações certas e determinadas, equivalentes. Não envolvem nenhum risco.
Aleatórios: em que pelo menos um dos contratantes não pode antever a vantagem que receberá em troca da prestação fornecida.
Caracteriza-se, ao contrário do comutativo, pela incerteza, para as duas partes, sobre as vantagens e sacrifícios que podem dele advir.
Exemplos: contratos de jogo, aposta e seguro (que para a seguradora é sempre aleatório, pois o pagamento ou não da indenização depende de um fato eventual).
1.1.2.1.1 Espécies de contratos aleatórios
a) Aleatórios por natureza: é o bilateral e oneroso em que pelo menos um dos contraentes não pode antever a vantagem que receberá, em troca da prestação fornecida.
b) Acidentalmente Aleatórios: aqueles que, embora tipicamente comutativos, em razão de certas circunstâncias, tornam-se aleatórios.
I) Venda de coisas futuras
   a) Risco quanto à própria existência da coisa (Art.458, CC – emptio spei).
   b) Risco quanto à sua quantidade (Art.459, CC –emptio rei speratae).
II) Venda de coisas existentes, mas expostas a risco (Atrs.460 e 461, CC).
A) Vendas de Coisas Futuras
A.1) Risco concernente à própria existência da coisa: emptio spei (venda da esperança)
CC, Art. 458. Se o contrato for aleatório, por dizer respeito a coisas ou fatos futuros, cujo risco de não virem a existir um dos contratantes assuma, terá o outro direito de receber integralmente o que lhe foi prometido, desde que de sua parte não tenha havido dolo ou culpa, ainda que nada do avençado venha a existir.
Exemplo: Venda de colheita futura: “a venda ficará perfeita e acabada haja ou não safra, não cabendo ao comprador o direito de reaver o preço pago se, em razão de geada ou outro imprevisto, a safra inexistir”.
Caso o risco se verifique sem culpa do vendedor, adquire este o preço; se não houver, porém, colheita por culpa ou dolo do alienante, não haverá risco, e o contrato é nulo.
A.2) Risco concernente à quantidade de coisa esperada: emptio rei speratae (venda da coisa esperada)
CC, Art. 459. Se for aleatório, por serem objeto dele coisas futuras, tomando o adquirente a si o risco de virem a existir em qualquer quantidade, terá também direito o alienante a todo o preço, desde que de sua parte não tiver concorrido culpa, ainda que a coisa venha a existir em quantidade inferior à esperada.
Parágrafo único. Mas, se da coisa nada vier a existir, alienação não haverá, e o alienante restituirá o preço recebido.
Se o risco da aquisição da safra futura limitar-se à sua quantidade, pois deve ela existir, o contrato ficará nulo se nada puder ser colhido.
Porém, se vem a existir alguma quantidade, por menor que seja, o contrato deve ser cumprido, tendo o vendedor direito a todo o preço ajustado.
B) Venda de coisas existentes mas expostas a risco (sujeitas a perecimento ou depreciação)
Art. 460. Se for aleatório o contrato, por se referir a coisas existentes, mas expostas a risco, assumido pelo adquirente, terá igualmente direito o alienante a todo o preço, posto que a coisa já não existisse, em parte, ou de todo, no dia do contrato.
Art. 461. A alienação aleatória a que se refere o artigo antecedente poderá ser anulada como dolosa pelo prejudicado, se provar que o outro contratante não ignorava a consumação do risco, a que no contrato se considerava exposta a coisa.
Exemplo: venda de mercadoria que está sendo transportada em alto-mar por pequeno navio, cujo risco de naufrágio o adquirente assumiu.
É válida mesmo que a nau já tenha sucumbido na data do contrato.
Se contudo, o alienante sabia do naufrágio, a alienação “poderá ser anulada como dolosa pelo prejudicado” (Art.461).
2. Quanto à formação
Paritários: são aqueles em que as partes discutem livremente as condições, porque se encontram emsituação de igualdade.
Por adesão: são os que não permitem essa liberdade, devido à preponderância da vontade de um dos contratantes, que elabora todas as cláusulas.
O outro adere ao modelo de contrato previamente confeccionado. Afasta qualquer alternativa de discussão. Ex.: contrato de seguro, transporte, etc.
É o contrato em que as cláusulas são previamente estipuladas por um dos contraentes, de modo que o outro não tem o poder de debater as condições, nem introduzir modificações no esquema proposto; ou aceita tudo em bloco ou recusa tudo por inteiro.
3. Quanto ao momento de sua execução
Ou seja, o momento em que os contratos devem ser cumpridos.
a) Execução instantânea (ou imediata, ou única): são os que se consumam num só ato, sendo cumpridos imediatamente após a sua celebração. Ex.: compra e venda à vista.
 
b) Execução diferida ou retardada: são os que devem ser cumpridos também em um só ato, mas em momento futuro. Ex.: entrega em outra data.
  
c) Trato sucessivo ou de execução continuada: são os que se cumprem por meio de atos reiterados. Ex.: prestação permanente de serviços, locação.
 
4. Quanto ao agente
4.1 Personalíssimos e impessoais
a) Personalíssimos ou intuitu personae: são os celebrados em atenção às qualidades pessoais de um dos contratantes.
São intransmissíveis aos sucessores, não podem ser cedidos, são anuláveis havendo erro essencial sobre a pessoa do contratante.
 
b) Impessoais: cuja prestação pode ser cumprida, indiferentemente, pelo obrigado ou por terceiro.
 
4.2 Individuais e coletivos
a) Individual: as vontades são individualmente consideradas, ainda que envolva várias pessoas.
 
b) Coletivos: perfazem-se pelo acordo de vontades entre duas pessoas jurídicas de direito privado, representativas de categorias profissionais, sendo denominadas convenções coletivas.
 
5. Quanto relação recíproca
a) Principais: são os que têm existência própria, autônoma e não dependem, pois, de qualquer outro.
b) Acessórios: têm sua existência subordinada à do contrato principal, como a fiança. Ou seja, todos os que têm como pressuposto outro contrato.
3. Quanto ao momento de sua execução
Ou seja, o momento em que os contratos devem ser cumpridos.
a) Execução instantânea (ou imediata, ou única): são os que se consumam num só ato, sendo cumpridos imediatamente após a sua celebração. Ex.: compra e venda à vista.
 
b) Execução diferida ou retardada: são os que devem ser cumpridos também em um só ato, mas em momento futuro. Ex.: entrega em outra data.
  
c) Trato sucessivo ou de execução continuada: são os que se cumprem por meio de atos reiterados. Ex.: prestação permanente de serviços, locação.
 
4. Quanto ao agente
4.1 Personalíssimos e impessoais
a) Personalíssimos ou intuitu personae: são os celebrados em atenção às qualidades pessoais de um dos contratantes.
São intransmissíveis aos sucessores, não podem ser cedidos, são anuláveis havendo erro essencial sobre a pessoa do contratante.
 
b) Impessoais: cuja prestação pode ser cumprida, indiferentemente, pelo obrigado ou por terceiro.
 
4.2 Individuais e coletivos
a) Individual: as vontades são individualmente consideradas, ainda que envolva várias pessoas.
 
b) Coletivos: perfazem-se pelo acordo de vontades entre duas pessoas jurídicas de direito privado, representativas de categorias profissionais, sendo denominadas convenções coletivas.
 
5. Quanto relação recíproca
a) Principais: são os que têm existência própria, autônoma e não dependem, pois, de qualquer outro.
b) Acessórios: têm sua existência subordinada à do contrato principal, como a fiança. Ou seja, todos os que têm como pressuposto outro contrato.
 6. Quanto à forma
6.1 Solenes ou não solenes
a) Solenes: devem obedecer à forma prescrita em lei para se aperfeiçoar.
     Ex.: Contrato de Compra e venda de bem imóvel
b) Não solenes: são os de forma livre (é a regra: Art.107, CC).
 
6.2 Consensuais ou reais
a) Consensuais: se formam e produzem efeitos unicamente pelo acordo de vontades, independentemente da entrega da coisa e da observância de determinada forma.Ex: Compra e venda
b) Reais: exigem, além do consentimento, para se aperfeiçoar, a entrega da coisa que lhe serve de objeto. Ex.: depósito, comodato, mútuo etc..
7. Quanto ao objeto
a) Preliminar: é aquele que tem por único objeto a celebração de um contrato definitivo. Ex.: compromisso de compra e venda de imóvel. (excesão do ordenamento jurídico brasileiro)
b) Definitivo: tem objetos diversos, de acordo com a natureza de cada avença.
*Opção: quando o contrato preliminar gera obrigações para apenas uma das partes, constituindo promessa unilateral. Ex.: opção de venda.
 
8 Quanto à designação
a) Nominados ou Típicos: cujas relações jurídicas estão denominadas privativamente na lei.
b) Inominados ou Atípicos: não foram tipificados.
1 Formação dos Contratos
Como se formam os contratos?
O contrato resulta de duas manifestações de vontade: proposta e aceitação.
A proposta, oferta, policitação ou oblação, dá início à formação do contrato e não depende, em regra, de forma especial.
Nem sempre o contrato nasce imediatamente de uma proposta seguida de uma imediata aceitação.
Na maior parte dos casos a oferta é precedida de uma fase de negociações preliminares (ou puntuação).
Portanto, identificam-se 3 fases na formação dos contratos: negociações preliminares, proposta e aceitação.
 
1.1 Negociações preliminares (ou puntuação)
Caracterizada por sondagens, conversações, estudos e debates.
Nesta fase, as partes ainda não manifestaram a sua vontade, portanto não há nenhuma vinculaçãoao negócio.
Qualquer uma delas pode afastar-se simplesmente alegando desinteresse, sem responder por perdas e danos.
Mesmo quando surge um projeto ou uma minuta não há vinculação das pessoas.
*Tal responsabilidade só ocorrerá se ficar demonstrada a deliberada intenção, com falsa manifestação de interesse, de causar dano ao outro contraente, levando-o, por exemplo, a perder outro negócio ou realizando despesas.
O fundamento é o Art.186, CC, por tratar-se de um ilícito civil e não de descumprimento contratual.
Apesar de não surgirem obrigações, surgem deveres jurídicos decorrentes da boa-fé: lealdade, correção, informação, proteção, cuidado e sigilo.
 
1.2 A Proposta
Traduz uma vontade definitiva de contratar nas bases oferecidas, dirigindo-se à outra parte para que esta aceite ou não.
Consiste em uma declaração de vontade definitiva. Diferente das negociações preliminares que não têm força obrigatória.
Cria no aceitante a convicção do contrato em perspectiva, levando-o à realização de projetos e às vezes despesas, bem como à cessação de alguma atividade.
Por isso, vincula o proponente, que responde por todas as consequências se injustificadamente retirar-se do negócio.
Requisitos:
a) Todos os elementos do negócio proposto (preço, quantidade, tempo de entrega, forma etc.);
b) Deve ser séria e consciente, pois vincula o proponente (Art.427, CC);
c) Ainda, clara, completa e inequívoca. Ou seja, linguagem simples, todos os dados necessários, e representando a vontade inquestionável do proponente.
 
É um negócio jurídico receptício, pois sua eficácia depende da declaração do aceitante.
Oferta ao público Art 429
 A força vinculante da oferta art 427
Exceções (Art.427, CC)
a) Morte ou interdição do proponente (respondem os herdeiro ou o curador), quando não se tratar de proposta de obrigação personalíssima;
 
b) Se contiver cláusula expressa a respeito: quando o proponente declara que não é definitiva e se reserva o direito de retirá-la. Ex.: “sujeita a confirmação”; “não vale como proposta”.
 
c) Em razão da natureza do negócio: é o caso, por exemplo, das propostas abertas ao público, que se consideram limitadas ao estoque existente (Art.429, CC).
 
d) Em razão das circunstâncias do caso: mencionadas no Art.428, CC. Logo, não são, portanto, quaisquer circunstâncias, mas aquelas a que a lei confere esse efeito.
 
1.3 A aceitaçãoÉ a concordância com os termos da proposta.
“Consiste na manifestação da vontade do concordante, feita dentro do prazo e envolvendo adesão integral à proposta recebida”.
É a manifestação de vontade, pura e simples, imprescindível para que se repute concluído o contrato.
Contraproposta
Art. 431. A aceitação fora do prazo, com adições, restrições, ou modificações, importará nova proposta.
Espécies
a) Expressa: declaração manifestada;
b) Tácita: conduta reveladora do consentimento.
Hipóteses:Art. 432. Se o negócio for daqueles em que não seja costume a aceitação expressa*, ou o proponente a tiver dispensado**, reputar-se-á concluído o contrato, não chegando a tempo a recusa.
*Fornecedor que costuma remeter os produtos a determinado comerciante e este, sem confirmar os pedidos, efetua os pagamentos. Instaura-se uma praxe comercial.
**Hóspede que reserva o hotel e informa a chegada em tal data se não chegar aviso em contrário.
 
Hipóteses de inexistência de força vinculante da aceitação
Art. 430. Se a aceitação, por circunstância imprevista, chegar tarde ao conhecimento do proponente, este comunicá-lo-á imediatamente ao aceitante, sob pena de responder por perdas e danos.
 
Art. 433. Considera-se inexistente a aceitação, se antes dela ou com ela chegar ao proponente aretratação do aceitante.
 
1.3.1 Momento da conclusão do contrato
Ou seja, o momento em que se deve considerar formado o contrato entre presentes e entre ausentes.
Se entre presentes as partes estarão vinculadas na mesma ocasião em que o oblato aceitar a proposta. Nesse momento caracteriza-se o acordo recíproco de vontades e, a partir dele, o contrato começará a produzir efeitos jurídicos.
 
Contratos entre ausentes
Divergem os autores, apontando-se as seguintes teorias:
a) Teoria da informação ou cognição: é o momento da chegada da resposta ao conhecimento do proponente, que se inteira do seu teor. Ou seja, somente no instante em que o proponente tomar conhecimento do teor da resposta.
 
b) Teoria da declaração ou da agnição: que subdivide-se em três:
a. Da declaração propriamente dita: coincide com o instante da redação da correspondência.
Não pode ser aceita pela dificuldade de comprovação e pela possibilidade de destruir a mensagem posto que ainda restrita sob seu âmbito de atuação.
 
b. Da expedição: no momento da expedição da aceitação.
 
c. Da recepção: no momento da entrega ao destinatário.
 
O CC adotou a teoria da expedição:
 
Art. 434. Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a aceitação é expedida, exceto:
I - no caso do artigo antecedente;
II - se o proponente se houver comprometido a esperar resposta;
III - se ela não chegar no prazo convencionado.
 
1.3.2 Lugar da celebração
 
Art. 435. Reputar-se-á 
1 Efeitos perante terceiros
A regra geral é que os contratos só devem gerar efeitos entre as próprias partes contratantes, não dizendo respeito, assim, a terceiros estranhos à relação jurídica contratual.
Porém, a regra da relatividade subjetiva dos efeitos do contrato comporta exceções:
a) Estipulação em favor de terceiro;
b) Promessa de fato de terceiro;
c) Contrato com pessoa a declarar.
 
1.1 Estipulação em favor de terceiros
Nesta modalidade, uma parte convenciona com o devedor que este deverá realizar determinada prestação em benefício de outrem, alheio à relação jurídica-base.
Origina-se da declaração do estipulante e do promitente, com a finalidade de instituir um vínculo jurídico em benefício de uma terceira pessoa, a qual, embora não conste do contrato, se torna credora do promitente (beneficiário).
 
Excepcionalidade: percebe-se que o terceiro, estranho ao negócio, será por ele afetado, situação esta que excepciona a regra geral da relatividade dos efeitos do contrato.
 
Estipulante: aquele que estabelece a obrigação.
Promitente ou devedor: aquele que se compromete a realiza-la.
Beneficiário ou terceiro: destinatário final da obrigação pactuada.
 
Exemplo: Seguro de Vida, pois, consumado o risco previsto na apólice, a seguradora, conforme estipulado com o segurado, deverá pagar ao terceiro o valor devido a título de indenização.
 
Efeitos: Possibilidade de exigibilidade da obrigação tanto pelo estipulante quanto pelo terceiro;
No entanto, essa dupla possibilidade somente é aceitável se o terceiro (beneficiário) anuir (de forma expressa) às condições e normas do contrato, na forma do Art.436.
Ou seja, anuindo o beneficiário com as condições e normas do contrato, o que deve ser feito de forma expressa, ou seja, assumindo as obrigações dela decorrentes, incorpora ao seu patrimônio jurídico o direito de exigir a prestação.
 
Seção III
Da Estipulação em Favor de Terceiro
 
Art. 436. O que estipula em favor de terceiro pode exigir o cumprimento da obrigação.
Parágrafo único. Ao terceiro, em favor de quem se estipulou a obrigação, também é permitido exigi-la, ficando, todavia, sujeito às condições e normas do contrato, se a ele anuir, e o estipulante não o inovar nos termos do art. 438.
 
Art. 437. Se ao terceiro, em favor de quem se fez o contrato, se deixar o direito de reclamar-lhe a execução, não poderá o estipulante exonerar o devedor.
 
Art. 438. O estipulante pode reservar-se o direito de substituir o terceiro designado no contrato, independentemente da sua anuência e da do outro contratante.
Parágrafo único. A substituição pode ser feita por ato entre vivos ou por disposição de última vontade.
 
1.2 Contrato com Pessoa a declarar
Trata-se de contrato no qual se introduz a cláusula especial pro amico elegendo ou pro amico electo, pela qual uma das partes se reserva a faculdade de nomear quem assuma a posição de contratante.
A pessoa designada toma, na relação contratual, o lugar da parte que a nomeou, tal como se ela própria houvesse celebrado o contrato. O designante sai da relação sem deixar vestígios.
 
Art. 467. No momento da conclusão do contrato, pode uma das partes reservar-se a faculdade de indicar a pessoa que deve adquirir os direitos e assumir as obrigações dele decorrentes.
 
Prazo para a comunicação:
 
Art. 468. Essa indicação deve ser comunicada à outra parte no prazo de cinco dias da conclusão do contrato, se outro não tiver sido estipulado.
Parágrafo único. A aceitação da pessoa nomeada não será eficaz se não se revestir da mesma forma que as partes usaram para o contrato.
 
Art. 469. A pessoa, nomeada de conformidade com os artigos antecedentes, adquire os direitos e assume as obrigações decorrentes do contrato, a partir do momento em que este foi celebrado(extunc).
 
Exceções:
Art. 470. O contrato será eficaz somente entre os contratantes originários:
I - se não houver indicação de pessoa, ou se o nomeado se recusar a aceitá-la;
II - se a pessoa nomeada era insolvente, e a outra pessoa o desconhecia no momento da indicação.
 
Art. 471. Se a pessoa a nomear era incapaz ou insolvente no momento da nomeação, o contrato produzirá seus efeitos entre os contratantes originários.
 
1.3 Promessa do fato de terceiros
Trata-se de um negócio jurídico em que a prestação acertada não é exigida do estipulante, mas sim de um terceiro, estranho à relação jurídica da promessa de fato de terceiro.
 
Natureza jurídica
Negócio jurídico condicional, no qual a condição modifica o efeito da responsabilidade pelo descumprimento.
 
Art. 439. Aquele que tiver prometido fato de terceiro responderá por perdas e danos, quando este o não executar.
Parágrafo único. Tal responsabilidade não existirá se o terceiro for o cônjuge do promitente, dependendo da sua anuência o ato a ser praticado, e desde que, pelo regime do casamento, a indenização, de algum modo, venha a recair sobre os seus bens.
 
Art. 440. Nenhuma obrigação haverá para quem se comprometer por outrem, se este, depois de se ter obrigado, faltar à prestação.
 
celebrado o contrato no lugar em que foi proposto.
1 Vícios redibitórios
Conceito: Vícios Redibitórios são defeitos ocultos em coisa recebida em virtude de contrato comutativo,que a tornam imprópria ao uso a que se destina ou lhe diminuem o valor.
Consequências:
a) O adquirente pode enjeitar a coisa, mediante devolução do preço.
    Obs.: Se o alienante conhecia o defeito, além de devolver o preço, deverá arcar com perdas e danos.
 
b) O adquirente pode optar por ficar com a coisa e reclamar abatimento no preço.
 
Art. 441. A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe diminuam o valor.
Parágrafo único. É aplicável a disposição deste artigo às doações onerosas.
Art. 442. Em vez de rejeitar a coisa, redibindo o contrato (art. 441), pode o adquirente reclamar abatimento no preço.
Art. 443. Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa, restituirá o que recebeu com perdas e danos; se o não conhecia, tão-somente restituirá o valor recebido, mais as despesas do contrato.
 
Aplicabilidade: essas regras se aplicam aos contratos bilaterais e comutativos, em geral translativos de propriedade.
Ex.: Compra e venda, dação em pagamento e permuta.
 
Deve haver correspondência entre as prestações das partes, de modo que o vício, imperceptível à primeira vista, inviabiliza a manutenção do negócio.
Ex.: defeitos em peça de automóveis; gado com doenças; imóveis com inundações ou desvio de terras; móveis com cupins etc.
 
*Doações onerosas (441, parágrafo único): até o limite do encargo.
 
1.1 Fundamento jurídico
O fundamento da responsabilidade é o Princípio da Garantia, segundo o qual todo alienante deve assegurar, ao adquirente a título oneroso, o uso da coisa por ele adquirida e para os fins a que é destinada (Teoria do inadimplemento contratual).
O alienante é, de pleno direito, garante dos vícios redibitórios e cumpre-lhe fazer boa a coisa vendida.
Tem o dever de garantir a posse útil equivalente ao preço recebido.
Portanto, o inadimplemento decorre de infração a dever legal que está inserido na contratação.
 
1.2 Requisitos para caracterização dos vícios redibitórios
Não é qualquer defeito que dá ensejo à responsabilização.
Defeitos de menor importância ou que possam ser removidos são insuficientes para justificar a invocação da garantia, pois não impossibilitam o uso a que se destina, nem diminuem o seu valor econômico.
Os requisitos são:
    a) Que a coisa tenha sido recebida em virtude de contrato comutativo;
    b) Que os defeitos sejam ocultos;
    c) Que existam no momento da celebração do contrato e perdurem até a ocasião da reclamação;
    d) Que sejam desconhecidos do adquirente (presume-se que, se os conhecia, renunciou à garantia);
    e) Que sejam graves.
 
1.3 Efeitos
O adquirente pode enjeitar a coisa ou pedir abatimento no preço.
A ignorância dos vícios pelo alienante não o exime da responsabilidade.
Se não conhecia o vício, ou seja, agiu de boa-fé: tão somente restituirá o valor recebido, mais despesas do contrato;
Se conhecia, e agiu de má-fé: além de restituir o que recebeu, responderá também por perdas e danos.
 
Perecimento da coisa
Ainda que o adquirente não possa restituir a coisa por ter ocorrido o seu perecimento, a responsabilidade do alienante subsiste se o fato decorrer de vício oculto já existente ao tempo da tradição.
Art. 444. A responsabilidade do alienante subsiste ainda que a coisa pereça em poder do alienatário, se perecer por vício oculto, já existente ao tempo da tradição.
 
1.4 Consequências na verificação dos vícios redibitórios
Detectado o vício o adquirente pode optar por rejeitar o bem, redibindo o contrato (ação redibitória), ou pode reclamar o abatimento no preço (via ação estimatória ou quanti minoris).
São as chamadas Ações Edílicias.
Cabe ao credor optar pela diferença do preço ou pela redibição, com o efeito de concentrar a prestação. E tal eleição é irrevogável.
Ação redibitória: para rejeitar a coisa, rescindindo o contrato e pleiteando a devolução do preço pago;
Ação quanti minoris ou estimatória: para conservar a coisa, reclamando o abatimento do preço.
*Tal opção não persiste no caso de perecimento da coisa, restando apenas a Ação Redibitória.
 
1.5 Prazo para a propositura das ações
Os prazos para ajuizamento das ações edílicas são decadenciais (art. 445 do CC):
a) 30 dias, se relativas a bem móvel;
b) 1 ano, se relativas a imóvel.
 
Nos dois casos os prazos são contados da tradição.
Se o adquirente já estava na posse do bem, o prazo conta-se da alienação, reduzido à metade (art. 445 do CC).
 
Art. 445. O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel, e de um ano se for imóvel, contado da entrega efetiva; se já estava na posse, o prazo conta-se da alienação, reduzido à metade.
§1º Quando o vício, por sua natureza, só puder ser conhecido mais tarde, o prazo contar-se-á do momento em que dele tiver ciência, até o prazo máximo de cento e oitenta dias, em se tratando de bens móveis; e de um ano, para os imóveis.
§2º Tratando-se de venda de animais, os prazos de garantia por vícios ocultos serão os estabelecidos em lei especial, ou, na falta desta, pelos usos locais, aplicando-se o disposto no parágrafo antecedente se não houver regras disciplinando a matéria.
 
Art. 446. Não correrão os prazos do artigo antecedente na constância de cláusula de garantia; mas o adquirente deve denunciar o defeito ao alienante nos trinta dias seguintes ao seu descobrimento, sob pena de decadência.
 
2 Evicção
É a perda da coisa em virtude de sentença judicial, que a atribui a outrem por causa jurídica preexistente ao contrato.
Todo alienante é obrigado não só a entregar ao adquirente a coisa alienada como também a garantir-lhe o uso e o gozo.
Dá-se a evicção quando o adquirente vem a perder, total ou parcialmente, a coisa por sentença fundada em motivo jurídico anterior.
*Trata-se de cláusula de garantia que se opera de pleno direito, não necessitando, pois, de estipulação expressa, sendo ínsita nos contratos comutativos onerosos.
 
2.1 Fundamento jurídico
O mesmo princípio de garantia em que se assenta a teoria dos vícios redibitórios.
O alienante deve garantir o uso e o gozo da coisa, protegendo o adquirente contra os seus defeitos ocultos, bem como contra os defeitos do direito transmitido.
Ou seja, deve garantir que a coisa possa ser usada para os fins a que se destina como também garantir que não será atingida por eventuais pretensões de terceiro.
Cumpre ao alienante assistir o adquirente em sua defesa, ante ações de terceiros, como decorrência de obrigação ínsita nos contratos onerosos.
Não se exige culpa do alienante, que mesmo de boa-fé responde pela evicção, salvo convenção expressa em contrário.
Será o alienante, pois, obrigado a resguardar o adquirente dos riscos pela perda* da coisa para terceiro, por força de decisão judicial em que fique reconhecido que aquele não era legítimo titular do direito que convencionou transmitir.
Sujeitos
a) Alienante: que responde pelos riscos da evicção;
b) Evicto: que é o adquirente vencido na demanda movida por terceiro;
c) Evictor: que é o terceiro reivindicante e vencedor da ação.
 
Abrangência
A responsabilidade decorre da lei e independe de previsão contratual.
Existirá, portanto, em todo contrato oneroso pelo qual se transfere o domínio, posse ou uso.
 
Art. 447. Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evicção. Subsiste esta garantia ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta pública.
 
*Pode decorrer, assim, de ações petitórias ou possessórias, e subsiste ainda que a aquisição se dê em hasta pública.
 
EXTENSÃO DA GARANTIA
Sendo uma garantia legal, sua extensão é estabelecida pelo legislador: ocorrendo a perda da coisa em ação movida por terceiro, o adquirente tem o direito de voltar-se contra o alienante para ser ressarcido do prejuízo.
 
Exclusão da responsabilidade
Só será excluída a responsabilidade do alienante se houver cláusula expressa.
 
Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa,reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção.
 
Cláusula expressa de exclusão da garantia
 
Art. 449. Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se esta se der, tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do risco da evicção, ou, dele informado, não o assumiu.
 
Verbas devidas
Art. 450. Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição integral do preço ou das quantias que pagou:
I - à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir;
II - à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem da evicção;
III - às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído.
Parágrafo único. O preço, seja a evicção total ou parcial, será o do valor da coisa, na época em que se evenceu, e proporcional ao desfalque sofrido, no caso de evicção parcial.
Deterioração da coisa
Art. 451. Subsiste para o alienante esta obrigação, ainda que a coisa alienada esteja deteriorada, exceto havendo dolo do adquirente.
Art. 452. Se o adquirente tiver auferido vantagens das deteriorações, e não tiver sido condenado a indenizá-las, o valor das vantagens será deduzido da quantia que lhe houver de dar o alienante.
 
Benfeitorias realizadas na coisa
Art. 453. As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção, serão pagas pelo alienante.
Art. 454. Se as benfeitorias abonadas ao que sofreu a evicção tiverem sido feitas pelo alienante, o valor delas será levado em conta na restituição devida.
 
1 Extinção dos contratos
1.1 Modo normal de extinção
Os contratos nascem do acordo de vontades, produzem os efeitos que lhes são próprios e extinguem-se.
A extinção dá-se, em regra, pelo pagamento.
Ou seja, o cumprimento da prestação libera o devedor e satisfaz o credor.
Comprova-se o pagamento pela quitação (Art.320, CC).
 
1.2 Extinção do contrato sem cumprimento (ou anormal)
Ocorre quando o contrato se extingue sem que suas obrigações tenham sido cumpridas.
 
1.2.1 Causas anteriores ou contemporâneas à formação do contrato
a) São defeitos decorrentes do não preenchimento dos requisitos de validade dos negócios jurídicos (nulidade ou anulabilidade);
b) Ocorrência da condição resolutiva;
c) Exercício do direito de arrependimento convencionado.
 
1.2.1.1 Nulidade absoluta e relativa
Nulidade absoluta, decorre da ausência de elemento essencial ao ato, com transgressão a preceito de ordem pública, impedindo que o contrato produza seus efeitos desde a sua formação (efeitos ex tunc).
*Qualquer interessado pode argui-la a qualquer tempo, podendo ser declarada de ofício pelo juiz ou por promoção do Ministério Público.
*Se a nulidade for parcial, só quanto a ela poderá ser exercido o direito.
 
Anulabilidade (ou nulidade relativa), advém da imperfeição da vontade.
- Porque emanada de um relativamente incapaz não assistido, ou
- Contém algum dos vícios do consentimento.
Não extinguirá o contrato enquanto não se mover ação que a decrete, sendo ex nunc os efeitos da sentença.
Pode ser sanada, ou não arguida no prazo prescricional.
*Somente o contraente em cujo interesse foi estabelecida a regra está legitimado para pleitear a anulação.
 
1.2.1.2 Cláusula resolutiva
Na execução do contrato, cada contraente tem a faculdade de pedir a resolução se o outro não cumpre as obrigações avençadas.
Essa faculdade pode resultar de:
Presunção legal: cláusula resolutiva tácita ou implícita.
Convenção: cláusula resolutiva expressa (ou pacto comissório expresso).
 
a) Cláusula resolutiva tácita
Em todo contrato bilateral, ou sinalagmático, presume-se a existência de uma cláusula resolutiva tácita, autorizando o lesado pelo inadimplemento a pleitear a resolução do contrato, com perdas e danos.
Art. 474. A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tácita depende de interpelação judicial.
Art. 475. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos.
Portanto, o contratante, diante do inadimplemento, tem a alternativa de resolver o contrato ou exigir-lhe o cumprimento mediante a execução específica.
 
Teoria do Adimplemento Substancial
O cumprimento substancial do contrato tem sido aceito como impedimento à resolução unilateral do contrato.
Ou seja, a hipótese de resolução contratual por inadimplemento haverá de ceder diante do pressuposto do atendimento quase integral das obrigações pactuadas, ou seja, do descumprimento insignificante da avença, não se afigurando razoável a sua extinção como resposta jurídica à preservação e à função social do contrato.
STJ: o adimplemento substancial do contrato pelo devedor não autoriza ao credor a propositura de ação para extinção do contrato, salvo se demonstrada a perda do interesse na continuidade da execução.
 
b) Cláusula resolutiva expressa
Art. 474. A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tácita depende de interpelação judicial.
 
*Necessidade de pronunciamento judicial: em ambos os casos, a resolução deve ser judicial, ou seja, precisa ser judicialmente pronunciada.
Ocorre que:
- no caso de cláusula expressa, a sentença tem efeito meramente declaratório e ex tunc, pois a resolução dá-se automaticamente, no momento do inadimplemento;
- no caso de cláusula tácita, a sentença tem efeito desconstitutivo, dependendo de interpelação judicial.
 
1.2.1.3 Direito de arrependimento
Quando expressamente previsto no contrato, o arrependimento autoriza qualquer uma das partes a rescindir o ajuste, mediante declaração unilateral da vontade, sujeitando-se à perda do sinal ou à sua devolução em dobro sem, no entanto, pagar indenização suplementar.
 
Art. 420. Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar.
 
O direito deve ser exercido no prazo convencionado ou antes da execução do contrato se nada foi estipulado a esse respeito, pois o adimplemento deste importará renúncia tácita àquele direito.
1.3 Causas supervenientes à formação do contrato
Verifica-se a dissolução do contrato em função de causas posteriores à sua criação por:
Resilição, pela vontade de um ou de ambos os contratantes;
Morte de um dos contratantes, se o contrato for intuitu personae;
Rescisão, modo específico de extinção de certos contratos;
Resolução, como consequência do seu inadimplemento voluntário, involuntário ou por onerosidade excessiva.
 
1.3.1 Resilição (“ato de voltar atrás”)
Deriva da manifestação de vontade unilateral ou bilateral.
Resilição bilateral (ou distrato) é o acordo de vontades que tem por fim extinguir um contrato anteriormente celebrado.
Resilição unilateral pode ocorrer somente em determinados contratos, pois a regra é a impossibilidade de um contraente romper o vínculo contratual por sua exclusiva vontade.
 
1.3.1.1 Distrato e quitação
Conceito: “é a declaração de vontade das partes contratantes, no sentido oposto ao que havia gerado o vínculo.
O distrato faz-se pela mesma forma exigida para o contrato (Art. 472, CC).
A quitação, porém,sempre poderá ser dada por instrumento particular (Art. 320, CC), na forma escrita, posto que o código exige assinatura do credor.
 
Abrangência
Qualquer contrato pode cessar pelo distrato, desde que seus efeitos não estejam exauridos, uma vez que o cumprimento é a via normal da extinção (contrato extinto não precisa ser dissolvido).
Se já produziu algum efeito, o acordo exigido para extingui-lo não é o distrato, mas outro contrato que modifique a relação.
*o distrato deve obedecer a mesma forma do contrato quando este tiver forma especial, mas não quando esta for livre.
Ex.: Compra e Venda de imóvel= escritura pública. Logo, distrato = escritura pública; Locação = forma livre. Logo, distrato = forma livre.
 
Efeitos: são ex nunc, para o futuro, não se desfazendo os anteriormente produzidos.
 
1.3.1.1.1 Unilateral: denúncia, revogação, renúncia e resgate
Decorre da manifestação da vontade de uma das partes.
Cabimento, nos contratos:
Por tempo indeterminado;
De execução continuada, ou periódica;
Em geral, cuja execução não tenha começado;
Benéficos;
De atividade.
 
A resilição é o meio próprio para dissolver os contratos por tempo indeterminado. Se não fosse assegurado o poder de resilir, seria impossível ao contratante libertar-se do vínculo caso o outro não concordasse.
Pode ocorrer, assim, somente nas obrigações duradouras, contra a sua renovação ou continuação, independentemente do não cumprimento da outra parte, nos casos permitidos na lei, ou no contrato.
 
Art. 473. A resilição unilateral, nos casos em que a lei expressa ou implicitamente o permita, opera mediante denúncia notificada à outra parte.
 
ESPÉCIES DE RESILIÇÃO
Denúncia: obrigação duradoura é aquela que não se esgota em uma só prestação, mas supõe um período de tempo mais ou menos extenso, tendo por conteúdo uma conduta duradoura (cessão de uso, arrendamento, locação), ou a realização de prestações periódicas (fornecimento de bens ou valores por prazo indeterminado).
 
Revogação ou renúncia: podem ser mencionados, ainda, como exemplos de contratos que admitem resilição, os de mandato*, comodato e depósito.
*a resilição denomina-se revogação ou renúncia, conforme a iniciativa seja, respectivamente, do mandante ou do mandatário.
Efetivamente, os contratos estipulados no pressuposto da confiança recíproca entre as partes podem resilir-se ad nutum (ao arbítrio), pelas formas mencionadas.
 
VALIDADE
A resilição unilateral independe de pronunciamento judicial e produz efeitos ex nunc, não retroagindo.
Para valer, deve ser notificada à outra parte, produzindo efeitos a partir do momento em que chega a seu conhecimento.
*a princípio não precisa ser justificada, mas em certos contratos exige-se que obedeça à justa causa. Nessas hipóteses, a inexistência de justa causa não impede a resilição do contrato, mas a parte que o resiliu injustamente fica obrigada a pagar à outra perdas e danos.
 
Tutela específica: extensão compulsória da vigência do contrato.
 
Parágrafo único. Se, porém, dada a natureza do contrato, uma das partes houver feito investimentos consideráveis para a sua execução, a denúncia unilateral só produzirá efeito depois de transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos.
 
Na hipótese, em vez de simplesmente determinar o pagamento de perdas e danos sofridas pela parte que teve prejuízos com a dissolução unilateral do contrato, o legislador optou por atribuir uma tutela específica, convertendo o contrato, que poderia ser extinto por vontade de uma das partes, em um contrato comum, com duração pelo prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos.
Ex.: Comodato de imóvel sem prazo, não é razoável que, poucos dias depois de o comodatário se instalar, o comodante solicite sua restituição sem a ocorrência de fato superveniente que a justifique.
 
Não incidência da regra: certos contratos não comportam a incidência da regra.
Ex.: o mandato por sua natureza admite resilição incondicional, porque se esteia na relação de confiança entre as partes. Nessas situações, resta ao lesado apenas obter indenização pelos danos.
 
1.3.2 Morte de um dos contratantes
A morte de um dos contratantes só acarreta a dissolução dos contratos personalíssimos, que não poderão ser executados pela morte daquele em consideração do qual foi ajustado.
Subsistem as prestações cumpridas, pois o seu efeito opera-se ex nunc.
Nesses casos, a impossibilidade da execução do contrato sem culpa tem como consequência a sua resilição automática.
 
1.3.3 Rescisão
O termo ganhou, modernamente, uma acepção genérica de modo a significar indistintamente todas as modalidades de ruptura contratual.
No entanto, no sentido técnico (mais conservador) serviria apenas para referir-se às extinções de contratos que tenham ocorrido lesão ou celebrados sob estado de perigo.
 
2. Exceção de contrato não cumprido
 
Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro.
 
Os contratos bilaterais ou sinalagmáticos geram obrigações para ambos os contratantes, envolvendo prestações recíprocas, atreladas umas às outras.
Se uma delas não é cumprida, deixa de existir causa para o cumprimento da outra.
Por isso, nenhuma das partes, sem ter cumprido o que lhe cabe, pode exigir que a outra o faça.
Requisitos
a) Prestações simultâneas: além de recíprocas, é indispensável que as prestações sejam simultâneas, pois, caso contrário, sendo diferente o momento da exigibilidade, não podem as partes invocar tal defesa.
b) Gravidade da falta e equilíbrio das prestações contrapostas: a falta cometida pelo que está exigindo a prestação do outro sem ter antes cumprido a sua, seja grave, bem como que haja equilíbrio e proporcionalidade.
Se o inadimplemento do credor for de leve teor, não poderá ele servir de fundamento ou justificar a oposição da aludida defesa.
 
*Cláusula “solve et repete”: importa em renúncia ao direito de opor a exceção do contrato não cumprido.
Admite-se cláusula contratual que restrinja o direito de as partes utilizarem da referida defesa, pela qual o contratante obriga-se a cumprir a sua obrigação mesmo diante do descumprimento da do outro.

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