Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

Prévia do material em texto

Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
12/062013 
Notas da aula 
7. CRESCIMENTO ECONÔMICO E SAÚDE 
 
Crescimento 
 
x 
 
Desenvolvimento 
 
 
 
 
 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 
SCATOLIN, 1989, apud OLIVEIRA, 2002, p. 38: 
 “O debate acerca do desenvolvimento é bastante rico no meio acadêmico, 
principalmente quanto a distinção entre desenvolvimento e crescimento econômico, 
pois muitos autores atribuem apenas os incrementos constantes no nível de renda 
como condição para se chegar ao desenvolvimento, sem, no entanto, se preocupar 
como tais incrementos são distribuídos. Deve se acrescentar que “apesar das 
divergências existentes entre as concepções de desenvolvimento, elas não são 
excludentes. Na verdade, em alguns pontos, elas se completam”. 
 
Notas de Aula 
 Somente a partir da década de 1980 é que as relações entre saúde e 
desenvolvimento passaram a ser investigadas mais sistematicamente. 
 A relação entre saúde e desenvolvimento, o debate não deve restringir se 
somente a estas questões consideradas pela economia da saúde, uma vez que seriam 
ignoradas variáveis de suma importância para esta análise, referentes ao padrão 
nacional de desenvolvimento, à concentração regional e pessoal de renda e, 
sobretudo, à fragilidade da base produtiva e de inovação em saúde. 
 
 
 A saúde precisa ser considerada a partir de uma abordagem estruturalista que 
enfatize os fatores histórico estruturais característicos da sociedade brasileira, sua 
inserção internacional, assim como sua relação com uma difusão extremamente 
assimétrica e, muitas vezes, dissociada das necessidades locais de progresso técnico e 
conhecimento (Gadelha e Costa, 2011). 
 
 É reconhecida a inadequação do uso dos conceitos “crescimento econômico” e 
“desenvolvimento” como sinônimos, uma vez que o primeiro é apenas uma das 
dimensões do segundo. Conforme afirmou Schumpeter (1982): “não será designado 
aqui como um processo de desenvolvimento o mero crescimento da economia (...), 
pois isso não suscita nenhum fenômeno qualitativamente novo (...)”. 
 
 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 
 Compreende-se, ademais, o desenvolvimento “em termos da universalização e 
do exercício efetivo de todos os direitos humanos: políticos, civis e cívicos; 
econômicos, sociais e culturais; bem como os direitos coletivos ao desenvolvimento, 
ao ambiente etc.” (Sachs, 2004, p.37). 
 O desenvolvimento deve contemplar, portanto, vertentes sociais, econômicas, 
além das ambientais e, no caso brasileiro particularmente, territoriais, de modo a 
garantir a sustentabilidade do exercício da potencialidade e bem-estar humanos. 
 
7.2. Fatores do Crescimento 
 
 Crescimento econômico refere-se a um aumento no produto total na 
economia. Ele é definido por alguns como sendo um aumento do PIB real per capita. 
 O crescimento econômico moderno é o período no qual verifica-se um rápido e 
sustentado aumento no produto real per capita que inicia, no mundo ocidental, com a 
Revolução Industrial. 
 
 Crescimento implica em saber quais as razões que tornam uma sociedade mais 
produtiva. Segundo Angus Maddison, haveria quatro razões básicas: 
(i) o progresso tecnológico; 
(ii) os investimentos em capital humano; 
(iii) os investimentos em capital físico e; 
(iv) a eficiência na organização econômica que se traduz na estrutura de incentivos que 
induzem os indivíduos a inovar e acumular. 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
Fonte: Maddison (1995) 
 
Nicholas Kaldor (1961): 
- o produto per capita cresce ao longo do tempo, e sua taxa de crescimento não 
tende a diminuir; 
- o capital físico por trabalhador cresce ao longo do tempo; 
- a taxa de retorno do capital é praticamente constante; 
- a razão capital físico/produto é praticamente constante; 
 - a taxa de crescimento do produto por trabalhador difere substancialmente entre 
os países. 
 
 
FUNÇÃO DE PRODUÇÃO: 
Y = f (K,N) 
 
 
 
 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 
Taxas de Crescimento Per Capita (1960 - 2000). 
Fonte: Weil (2004) - Países Selecionados 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 
Elaboração própria. 
Dados do IPEA 
 
7.3. Fatores do Desenvolvimento 
 O desenvolvimento econômico de um país é o processo de acumulação de 
capital e incorporação de progresso técnico ao trabalho e ao capital que leva ao 
aumento da produtividade, dos salários, e do padrão médio de vida da população. 
 A medida mais geral de desenvolvimento econômico é a do aumento da renda 
por habitante porque esta mede aproximadamente o aumento geral da produtividade; 
já os níveis comparativos de desenvolvimento econômico são geralmente medidos 
pela renda em termos de PPP (purchasing power parity) por habitante porque a renda 
ou produto do país corrigido dessa maneira avalia melhor a capacidade média de 
consumo da população do que a renda nominal. 
 
 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 Países produtores de petróleo, que renda per capita não reflete em absoluto o 
nível de produtividade e de desenvolvimento econômico de um país. 
 Uma alternativa é o índice de desenvolvimento humano, que foi um importante 
avanço na avaliação do desenvolvimento econômico, mas não substitui as duas rendas 
por habitante anteriores, antes as complementa. 
 
 O desenvolvimento econômico visa atender diretamente um objetivo político 
fundamental das sociedades modernas – o bem estar – e, apenas indiretamente os 
quatro outros grandes objetivos que essas sociedades buscam – a segurança, a 
liberdade, a justiça social e a proteção do ambiente. Por isso, é importante não 
confundi-lo com o desenvolvimento ou o progresso total da sociedade que implica um 
avanço equilibrado nos cinco objetivos. 
 
 Schumpeter (1911) foi o primeiro economista a assinalar esse fato, quando 
afirmou que o desenvolvimento econômico implica transformações estruturais do 
sistema econômico que o simples crescimento da renda per capita não assegura. Ele 
usou essa distinção para salientar a ausência de lucro econômico no fluxo circular onde 
no máximo ocorreria crescimento, e para mostrar a importância da inovação – ou seja, 
de investimento com incorporação do progresso técnico – no verdadeiro processo de 
desenvolvimento econômico. 
 
 
 
DOENÇA HOLANDESA 
 Quando há aumento da renda per capita, mas a economia não se transforma 
porque não aumenta a produtividade de toda ela, mas apenas de um enclave 
geralmente de baixo valor adicionado per capita, não ocorre nem desenvolvimento 
nem crescimento econômico. Nos países vítimas da doença holandesa pode ocorrer um 
aumento limitado da renda per capita, mas não acontecem as transformações 
estruturais, culturais e institucionais que são inerentes ao processo de desenvolvimento 
ou crescimento econômico, nem existe o aumento dos padrões de vida da população.Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 
 Muitos economistas não ortodoxos a identificação do desenvolvimento 
econômico com crescimento seria ideológica: ela ocultaria o fato de o 
desenvolvimento econômico implicar melhor distribuição de renda enquanto que 
crescimento, não. Amartya Sen (1989 [1993], 1999), cujo nome está ligado à 
formulação do Índice de Desenvolvimento Humano, é talvez o mais radical nessa 
matéria: para ele desenvolvimento econômico implica expansão das capacidades 
humanas ou aumento da liberdade. 
 
 IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, calculado pela ONU, quem um 
resultado mais próximo de um (1), mais desenvolvido é o país, não levando em 
consideração apenas as questões econômicas, mas também as sociais, como o índice 
de educação, índice de esperança de vida e índice de rendimentos, que é um dos 
indicadores bases desse estudo, com os dados obtidos pelo Brasil no período em 
estudo, uma vez que nesse curto período de tempo, a economia brasileira apresentou 
um crescimento satisfatório, longe do ideal é verdade, porém que já demonstrou 
mudanças na sociedade brasileira, sobretudo nos indicadores sociais. 
 
 Apesar de sua abrangência, não podemos usar única e exclusivamente o IDH 
como taxa de Desenvolvimento de uma nação, ainda seria de maior valia, de acordo 
com Bresser Pereira, utilizarmos a Renda Per Capita por paridade de poder de compra. 
 
 Altas rendas facilitam o acesso a bens e serviços, tais como uma dieta 
equilibrada e nutritiva, água potável, cuidados médicos de qualidade que promovem a 
saúde e a longevidade... 
 
 Para Mushkin (1962) a formação do capital humano mediante educação e serviços 
apoia-se na noção de que as pessoas, sendo agentes produtivos, melhoram a capacidade 
produtiva com investimentos nesses serviços, gerando maiores rendimentos no futuro. 
 
 Furtado (1964, apud Guillén, 2007, p. 143) afirma que o desenvolvimento 
econômico pode, também, ser definido como um “processo de mudança social pelo 
qual o crescente número de necessidades humanas, pré-existentes ou criadas pela 
própria mudança, são satisfeitas [por meio] de uma diferenciação no sistema 
produtivo, gerado pela introdução de inovações tecnológicas”. 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 
7.4. Indicadores Sociais Brasileiros 
 Pode-se identificar na Tabela a seguir, que retrata a evolução do PIB brasileiro 
com alguns indicadores sociais, que todos demonstraram resultados positivos na 
maioria dos anos. O produto da economia cresceu consideravelmente, saltando de 
pouco mais de 640 bilhões para mais de dois (2) trilhões de dólares em 2010, valor 
este que fez do Brasil naquele ano, a 10ª economia, a frente de países desenvolvidos 
como Itália e Canadá, porém o país continua com um longo percurso para melhor as 
condições de vida da população. 
 
Elaboração própria. 
Dados do Banco Mundial, IPEA e PNUD. 
* Dados não disponibilizados. 
 
 Observa-se um aumento significativo do PIB per capita, agregando mais de 
quatro (4) mil dólares no período, passando de pouco mais de US$ 7.000 no início da 
série para US$ 11.127,06 no ano fim. Aqui, o PIB per capita, foi medido em PPC, 
segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Há de se notar 
também que em 2009, quando a economia apresentou uma pequena retração de 
0,33%, o PIB per capita sofreu uma diminuição de R$ 63,57 recuperando o valor 
perdido em 2011, com um acréscimo de R$ 782,84 quando a economia cresceu mais 
de 7%sobre o ano da retração. 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
Taxa Anual de Crescimento do PIB - Brasil 
 
Elaboração própria. 
Dados do IPEA. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
População vivendo com menos de US$ 1,00 por dia - Brasil 
 
Elaboração própria. 
Dados do IPEA. 
 
 Assim como os outros indicadores sociais, o percentual da população vivendo 
em extrema Pobreza no Brasil também apresentou um resultado positivo no período, 
com uma pequena alta em 2003, a mesma caiu de 15,28% em 2001 para 7,28% em 
2009, como aponta o Gráfico. No período em análise houve, além do crescimento 
econômico, uma intensificação dos programas sociais de transferência de renda, o que 
impactou positivamente esse nicho da população. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 
Expectativa de Vida 
 
Elaboração própria. 
Dados do IPEA. 
 
 Ao mesmo tempo em que população vem envelhecendo, em 2000 a população 
idosa respondia por 8,56% do total, passando para 10,79% em 2010, a expectativa de 
vida também cresceu, de 70,14 anos para 73,10 anos respectivamente. Esses são 
dados convergentes, quanto maior a expectativa de vida, maior a concentração de 
pessoas com mais de 70 anos, que é faixa etária que mais demanda serviços de saúde. 
 
 
Vídeo mostrado em aula: 
 https://www.youtube.com/watch?v=jbkSRLYSojo 
 
 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 
 Ao mesmo tempo em que população vem envelhecendo, em 2000 a população 
idosa respondia por 8,56% do total, passando para 10,79% em 2010, a expectativa de 
vida também cresceu, de 70,14 anos para 73,10 anos respectivamente. Esses são 
dados convergentes, quanto maior a expectativa de vida, maior a concentração de 
pessoas com mais de 70 anos, que é faixa etária que mais demanda serviços de saúde. 
 
IDH – Brasil 
 
Elaboração própria. 
Dados do IPEA. 
 O Índice de Desenvolvimento Humano, que apresentou o menor crescimento 
entre os outros indicadores da mesma classe, posicionou o Brasil,em 2010, na 73ª 
posição, atrás de países como o Peru, por exemplo, sendo o primeiro colocado, a 
Noruega, com um IDH de 0,938. 
 Segundo a classificação das Nações Unidas, o Brasil se encontra no grupo de 
países com elevado desenvolvimento humano. O IDH é utilizado pela ONU para medir 
o grau de desenvolvimento humano dos países membros, e é formado por três índices: 
índice de expectativa de vida, de escolaridade e o índice de rendimentos da população, 
traçando uma síntese do país. Em tese, pode-se afirmar que o nível da qualidade de 
vida da população brasileira está muito a quem dos níveis dos países desenvolvidos. 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 
Evolução das Despesas com Saúde no Brasil de 2000 a 2010 
 
 
Elaboração própria. 
Dados do IPEA. 
 
 O dispêndio com saúde no Brasil crescera no período em questão, juntamente 
com o crescimento da economia, principalmente as despesas com saúde pública em 
percentual do total das despesas governamentais, saindo de 7,16% para 9% em 2010, 
de modo geral, pode-se afirmar que essas despesas vêm acompanhando os demais 
indicadores analisados, seguindo o crescimento da economia. 
 
 Percebe-se uma queda nos três tipos de dispêndio em 2003 de até meio ponto 
percentual na despesa com saúde pública como percentual das despesas 
governamentais, e um forte crescimento em 2004, ultrapassando o percentual de 
2002, e novamente uma forte altaem 2010 sobre 2009, quando o montante chegou a 
pouco mais de 7% das despesas governamentais. 
 
 
 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 
- O crescimento econômico foi acompanhado de uma significativa elevação do PIB per 
capita, que indica uma melhora no poder aquisitivo; 
 
- IDH, que passou de 0,665 para 0,715 em igual período; evidenciando a melhoria das 
condições de vida em termos de rendimentos, expectativa de vida e educação, 
 
- Embora exista um longo caminho a percorrer para se chegar a um patamar de 
desenvolvimento social e econômico satisfatório, os dados comprovam que o Brasil 
possui um grande potencial para alcançar um nível de qualidade de vida semelhante 
ao observado em países desenvolvidos em algumas décadas. 
 
 
17/06/2013 
Notas da aula. 
7.4.1 Coeficiente de Gini 
 A investigação sobre a distribuição de renda da população leva a questões 
ligadas à mensuração de quanta desigualdade há em uma sociedade e quais os 
problemas que surgem na mensuração. 
 Estabelecer e entender os indicadores de avaliação da desigualdade tem sido 
objeto de trabalho de estudiosos de diversas áreas. 
 
 É uma medida de desigualdade desenvolvida pelo estatístico italiano Corrado 
Gini e publicada no documento “Variabilità e Mutabilità” em 1912, comumente 
utilizado para calcular a desigualdade de distribuição de renda, mas pode ser usada 
também para qualquer distribuição, como concentração de terra, riqueza entre outras. 
 
 Consiste em um número entre 0 e 1, onde 0 corresponde à completa igualdade 
de renda (onde todos têm a mesma renda) e 1 corresponde à completa desigualdade 
(onde uma pessoa tem toda a renda, e as demais nada têm). A construção do 
coeficiente de Gini é baseada na “Curva de Lorenz”. 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
Coeficiente de Gini - Brasil 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: IPEA. 
 
 O Coeficiente de Gini brasileiro sempre foi elevado, demonstrando a alta 
desigualdade de renda no país. Como já explicitado anteriormente, quanto mais 
próximo um (1), maior é o nível de desigualdade. 
 Tal resultado brasileiro pode ser explicado pelos modelos de crescimento 
adotados pelo país no século passado, e também pela grande disparidade regional que 
o país apresenta, com regiões bem industrializadas, como o Sul e o Sudeste, e outras 
com baixos níveis de emprego além de condições climáticas pouco favoráveis como a 
que se vê no Nordeste por exemplo. 
 
 A desigualdade apenas diminui quando a renda da parcela mais pobre da 
população cresce mais rapidamente que a dos mais ricos, o que de certo modo poderia 
ser garantido com o crescimento econômico, porém, se a renda dos mais ricos crescer 
mais rapidamente que a renda dos mais pobres, a desigualdade aumentará, o que 
sempre foi um dos males da economia brasileira. 
 
 
 
1990 0.613
1991 -
1992 0.582
1993 0.604
1994 -
1995 0.600
1996 0.602
1997 0.602
1998 0.600
1999 0.593
2000 -
2001 0.596
2002 0.589
2003 0.583
2004 0.572
2005 0.569
2006 0.562
2007 0.556
2008 0.547
2009 0.542
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 
 
 
CURVA DE LORENZ 
 É uma curva que mostra como a proporção acumulada da renda varia em 
função da proporção acumulada da população, estando os indivíduos ordenados pelos 
valores crescentes da renda. 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 
 
 
7.5 Saúde e Desigualdade 
 O tema das desigualdades que imperam no país tem adquirido relevância no 
cenário atual do setor saúde, como bem atesta o número crescente de estudos a esse 
respeito. Além da superação das desigualdades ser um objetivo da própria 
Constituição Federal de 1988, passou a constituir um ponto de primeira importância 
nos discursos ou agendas governamentais. Assim mesmo, a questão hoje faz parte das 
preocupações das agências internacionais de assistência e crédito. 
 
 De fato, a Carta de 1988 tem entre seus objetivos reduzir as desigualdades 
sociais e regionais e promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, 
sexo, cor, idade ou quaisquer outras formas (Art. 3º, inc. III e IV). Esses ditames têm 
como fundamento o conceito de cidadania, segundo o qual todos os indivíduos são 
iguais, tendo, portanto, os mesmos direitos. Esse princípio constitucional também está 
presente na Lei Orgânica do SUS (Lei 8080/90, art.7º, inc. IV), que veda preconceitos 
ou privilégios e nas normas operacionais relativas à descentralização dos serviços. 
 
 Em países da periferia do capitalismo como o Brasil, onde o desenvolvimento 
econômico tem sido acompanhado de situações que convergem para a pobreza, a 
concentração de renda e as precárias condições de vida, principalmente em grandes 
centros urbanos e entre regiões, tendem a se agravar. 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 
Fonte: Estadão.com 
 O Brasil apresenta 1,3 médico por 1.000 habitantes, valor superior ao 
preconizado pela OMS que é de 1 médico para o mesmo denominador (World Health 
Organization, 1978). Porém, esse excedente não representa, necessariamente, uma 
cobertura adequada e homogênea em todos os estados brasileiros. Marcada 
desigualdade na distribuição desse recurso é observada, estando a maior parte dos 
médicos concentrada nos estados mais urbanizados e com menores taxas de pobreza: 
estados do Sul e do Sudeste. Dessa forma, grande déficit é observado, principalmente, 
nos estados da região Norte. 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 
Fonte: O Globo 
 
 As insuficiências e as desigualdades manifestam-se no espaço geográfico, 
refletindo a história social, econômica e cultural de cada região. 
 Nos grupos sociais menos providos, onde os níveis de saúde são mais baixos, a 
desigualdade é refletida pelo histórico de exclusão dos mesmos. 
 
 O acesso à educação e ao saneamento básico é considerado parte do 
desenvolvimento sócio econômico dos países e da qualidade de vida. As desigualdades 
educacionais e sanitárias brasileiras são um entrave ao desenvolvimento. 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 
 
 As desigualdades em saúde, como sugerem diversos estudos empíricos são 
verificadas em praticamente quase todos os países. Entretanto, nem toda a 
desigualdade em saúde mensurada pode ser caracterizada como iniquidade em 
termos de bem estar individual. 
 O estado de saúde de um indivíduo depende de diversos fatores. Podemos 
classificá-los em pelo menos três grupos: fatores associados às preferências dos 
indivíduos; fatores exógenos aos indivíduos; fatores associados às condições sócias 
econômicas. 
 
Fatores sócio econômicos 
 Existem diversos mecanismos que podem explicar a relação entre nível de 
renda ou situação sócia econômica e estado de saúde. Além disso, a causalidade desta 
relação não é única. 
 
Relação entre produtividade e saúdePaulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
- Podemos supor, por um lado, que trabalhadores mais saudáveis são mais produtivos 
e, portanto auferem níveis de renda mais elevados. Por outro lado, podemos também 
imaginar que trabalhadores com níveis de renda mais elevados têm maior acesso a 
informações sobre saúde podendo optar por tratamento preventivo e nesse caso 
apresentar estados de saúde melhores. 
 
- Condições de trabalho e moradia: indivíduos de baixa renda frequentemente estão 
expostos a trabalhos que apresentam altos riscos a sua saúde, além de possuírem 
habitações com piores condições de saneamento. Dessa forma, controlando para os 
fatores biológicos e para aqueles relacionados às preferências individuais, os 
indivíduos de classes socioeconômicas mais baixas têm maior chance de morrer e 
adoecer. 
 
 
7.5.1 Saúde e Desenvolvimento 
 
 Desigualdade social em saúde em favor das camadas de renda mais elevada. 
 
 Desigualdade socioeconômica pode ser definida como a distribuição desigual 
de bens e serviços entre grupos sociais. A saúde ou os processos saúde/doença e seus 
determinantes podem também ser desigualmente distribuídos nas populações. 
Desigualdade em saúde é, então, um termo genérico que se refere às diferenças nos 
níveis de saúde de grupos socioeconômicos distintos em um sentido descritivo (Kunst 
& Mackenbach, 1994; Mackenbach & Kunst, 1997). 
 
 A Saúde é uma política bifront e, de um lado voltada para uma fronteira do 
mercado, caracterizada pela inovação, fronteira industrial e tecnológica e, de outro, 
voltada para as necessidades e vulnerabilidades de uma população carente, assistida 
desigualmente no território nacional, por ações e serviços subfinanciados e por uma 
oferta de infraestrutura ainda marcada por profunda heterogeneidade regional e 
micro regional. 
 
 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 
 O pesado fardo das doenças e o efeito na produtividade, demografia e 
educação estão a contribuir para a rápida erosão dos árduos ganhos socioeconômicos 
da África são a razão porque alguns países não conseguem escapar à armadilha da 
pobreza. Por exemplo, na África a sul do Saara calcula-se que as perdas resultantes do 
HIV/AIDS representam pelo menos 12% do PIB. E, em certas regiões, a elevada 
prevalência do paludismo está associada a uma redução do crescimento econômico de 
1% por ano. 
____ _ _ 
- Como existe um maior número de idosos entre os grupos com maior renda, o que 
pode ser constatado pela maior esperança de vida ao nascer entre esses indivíduos, 
provavelmente o número de pessoas doentes é maior nestas camadas sociais. 
 
Problemática: 
 
 
 A saúde está envolvida no arranjo político institucional, nacional e 
internacional, relacionando as diversas esferas de governo, fator importante, dadas as 
assimetrias socioeconômicas no território brasileiro. 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
 A análise da complexidade desta relação implica entender a saúde como direito 
social, bem econômico e espaço de acumulação de capital. Deste modo, as relações 
entre saúde e desenvolvimento são entendidas “como um processo dinâmico e 
virtuoso que combina, ao mesmo tempo, crescimento econômico, mudanças 
fundamentais na estrutura produtiva e melhora do padrão de vida da população” 
(Viana e Elias, 2007, p.1766). 
 
- Participação da saúde na geração de demanda efetiva para o sistema produtivo 
nacional perfaz 9% do PIB (WHO, 2011), observado no consumo final de bens e 
serviços. 
- As ocupações diretas em saúde crescem significativamente e acima da taxa média das 
ocupações totais; como também 12% do total de empregos qualificados estão 
ocupados pelo sistema produtivo da saúde. 
- Gasto público com a saúde representa no Brasil aproximadamente 4,1% do PIB 
(WHO, 2011), sendo insuficiente quando considerados os princípios do SUS. 
 
 Não basta que o governo realize investimentos na economia, já que o 
crescimento econômico não determina necessariamente o desenvolvimento social. 
Pode-se afirmar apenas que o aumento do PIB influencia o avanço dos índices sociais, 
mas não se pode afirmar que existe uma relação causal entre essas variáveis. Dessa 
maneira, deve-se voltar a atenção para fatores que promovam equidade social, 
aumento da oferta de emprego, qualificação profissional e a melhora dos níveis de 
saúde da população. Apenas através da mudança estrutural e continuada desses 
fatores, o país alcançará um desenvolvimento social permanente e adequado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Paulo Ricardo de Avelar 
 residecoadm.hu@ufjf.edu.br 
Referências: 
 
ANDRADE, Mônica Viegas. LISBOA, Marcos de Barros. Ensaios em Economia 
da Saúde, EPGE –FGV,Rio de Janeiro, 2000. 
 
ASSUNCAO, Renato Martins et al . Mapas de taxas epidemiológicas: uma 
abordagem Bayesiana.Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro,v. 14,n. 4,Oct. 1998. 
Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
311X1998000400013&lng=en&nrm=iso>. 
 
access on 01 June 2013. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X1998000400013 
. 
BALBINOTTO NETO, Giácomo. Notas de Aula, Economia da Saúde. PPGE/UFRGS 
-2010 
 
FOLLAND, S., GOODMAN, A. C. e STANO, M. A Economia da Saúde, 5º Edição. 
Porto Alegre: Bookman, 2008. 
 
 
PASCHE, D.F. Tópicos de Política de Saúde no Brasil, Texto de Apoio para 
Discussão em Sala de Aula – Escola Nacional de Administração Pública, 
ENAP.http://www.enap.gov.br/downloads/ec43ea4fPoliticas_de_saude_Brasil_colonia
_a_deada_d e_50_1950.pdf 
acesso em 20/05/2013. 
 
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_economia_saude_3_macroecon
omia.pdf Acesso em 25/05/2013 
http://www.cebes.org.br/media/File/Informe%20CEIS%202_Saude%20e%20Desenvolv
imento.pdf Acesso em 24/05/2013 
http://www.who.int/macrohealth/events/en/InvestirSaudeEcon-Abril.pdf Acesso em 
24/05/2013 
http://abresbrasil.org.br/sites/default/files/trabalho_11.pdf Acesso em 05/06/2013 
http://www.centrocelsofurtado.org.br/arquivos/file/Apresenta%C3%A7%C3%A3o%20
Sulamis%20Dain%20-
%20Semin%C3%A1rio%20Centro%20Celso%20Furtado%20maio2012.pdf Acesso em 
05/06/2013 
http://www.unc.br/mestrado/textos/Bibliografia-2013-Desenvolvimento-e-Saude.pdf 
Acesso em 05/06/2013

Mais conteúdos dessa disciplina