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Gestão da Responsabilidade Social e Ambiental W BA 01 50 _V 1. 1 2/218 Gestão da Responsabilidade Social e Ambiental Autor: Diego Correia Como citar este documento: CORREIA, Diego. Gestão da Responsabilidade Social e Ambiental. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2015. Sumário Apresentação da Disciplina 04 Unidade 1: Responsabilidade Corporativa 06 Assista suas aulas 25 Unidade 2: Produção mais limpa (P+L) 33 Assista suas aulas 53 Unidade 3: Cultura Organizacional 61 Assista suas aulas 81 Unidade 4: Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade 89 Assista suas aulas 109 2/218 3/2183 Unidade 5: Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos 117 Assista suas aulas 137 Unidade 6: Ecoeficiência em Serviços 145 Assista suas aulas 160 Unidade 7: Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida e Rotulagem AmbienSal 168 Assista suas aulas 187 Unidade 8: Marketing Ambiental 195 Assista suas aulas 210 Sumário Gestão da Responsabilidade Social e Ambiental Autor: Diego Correia Como citar este documento: CORREIA, Diego. Gestão da Responsabilidade Social e Ambiental. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2015. 4/218 Apresentação da Disciplina Em tempos de Globalização, as expectativas sobre o papel das organizações estão mudando. Hoje, o desempenho de uma empresa é avaliado não apenas pela sua lucratividade, valor de mercado ou inovação, mas também sobre a forma como ela se relaciona com os aspectos econômicos, culturais, sociais e ambientais na sua área de influência. As ações estratégias que as empresas desenvolvem ao considerar a abrangência de suas ações nesses campos estão contidas dentro do escopo conhecido como Responsabilidade Social Corporativa (RSC). Trata-se de um conceito amplo, correlacionado a uma rede de interesses e de fatores, que se vincula diferentemente a depender dos diferentes contextos políticos, sociais e econômicos, a partir de uma série de estratégias e ferramentas de articulação e de gestão. Por meio dos oito temas propostos para o estudo, esperamos que você possa: • Identificar os benefícios e desafios de um posicionamento empresarial proativo sob a égide da responsabilidade social e ambiental; • Aplicar modelos conceituais, a fim de melhorar a compreensão sobre os impactos diretos das políticas corporativas, e a resolução de problemas; • Reconhecer e conciliar as demandas conflitantes de políticas corporativas 5/218 e interesses das partes interessadas a partir da elaboração de um plano estratégico; • Prever o impacto positivo e negativo de políticas e ações de forma a reduzir o risco corporativo; • Demonstrar o valor da Responsabilidade Empresarial, a fim de melhor informar a tomada de decisão, e valorizar a imagem da empresa. De forma geral, pretendemos que essa disciplina possa auxiliá-lo com conhecimentos e habilidades necessárias para ajudá-lo a formular e gerir uma agenda socialmente responsável. Em particular, pretendemos que você consolide uma compreensão abrangente das influências sobre os impactos sociais e ambientais do processo de produção de uma empresa, e adquira subsídios teóricos-metodológicos sobre a gestão de impactos e demandas, dentro de uma perspectiva de proatividade e liderança ética. Nós vamos ajudá-lo a alcançar esse objetivo este através da exposição de oito temas diferentes, porém, associados com a proposta da RSC. Estes incluem estudos de negócios, estudos culturais, economia, engenharia, ciência política, metodologia de pesquisa e sociologia. 6/218 Unidade 1 Responsabilidade Corporativa Objetivos 1. Avaliar criticamente o atual contexto de negócios, e os esforços na elaboração de um plano empresarial de atuação responsável. 2. Identificar os investimentos necessários para a melhora da capacidade da organização em se vincular e se comprometer com as demandas sociais, ambientais e econômicas de seus stakeholders. 3. Melhorar a capacidade de comunicação e diálogo, com o objetivo de criar relações produtivas positivas com as partes interessadas e compartilhar valores. Unidade 1 • Responsabilidade Corporativa7/218 Introdução Atualmente diferentes áreas do conhecimento têm se dedicado a estudos e pesquisas sobre aquilo que chamamos de crise ambiental (ou crise socioambiental). Entre outras conceituações, podemos dizer que a crise socioambiental é um fenômeno global, resultado da conjunção de várias perturbações que revelam uma condição extrema que nosso meio ambiente vive, tendo a sua capacidade de suporte no limite, com potencial de ameaça às espécies e aos ecossistemas existentes. Entre essas perturbações, talvez a mais visível seja a poluição, que nada mais é do que a “alteração indesejável das características físicas, químicas e biológicas da biosfera” (ODUM, 2004, p. 475). Ela é causada principalmente pela produção e lançamento de resíduos sólidos, líquidos e gasosos, em quantidade suficiente para alterar a qualidade do ambiente. Toda essa problemática está relacionada ao aumento da população humana e a forma que ela produz, consome e rejeita determinados materiais. Nesse sentido, é importante relembrar um importante pressuposto da Lei da Conservação de Massas, desenvolvido pelo pai da Química Moderna, Antoine Lavoisier, que afirma: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Outro postulado científico bastante importante é a segunda lei da termodinâmica, que observa que as “transformações de energia se realizam Unidade 1 • Responsabilidade Corporativa8/218 das mais nobres para as menos nobres, com aumento da entropia”, ou seja, a degradação processual da matéria. Tendo como pressuposto os referidos postulados, podemos afirmar que a transformação da matéria exige o dispêndio de recursos nobres convertidos em energia. A utilização de recursos naturais e de energia resulta no acúmulo de rejeitos que não desaparecem, e que são menos significativos em termos de potencial de uso. Ainda, a energia residual (calor) liberada na natureza pode facilitar o fenômeno conhecido como “efeito estufa”, um dos contribuintes para aquilo que alguns cientistas vêm chamando de aquecimento global. Para saber mais Dentro do atual contexto socioambiental, sabe-se que as corporações, sobretudo as industriais, são os principais produtores e emissores de diferentes tipos de poluentes. Bem como outras áreas do conhecimento, a Filosofia também nos ajuda a refletir a respeito do nosso posicionamento ético em relação ao mundo e aos outros, sobretudo em situações de crise. Um canal da plataforma YouTube, chamado “Saber Filosófico”, hospeda uma série de palestras com renomados filósofos brasileiros, tais como Mário Sérgio Cortella, Clóvis de Barros Filho, Leandro Karnal, entre outros. Vale a pena conhecer um pouco mais, através do link a seguir: <https://www.youtube.com/channel/ UCWdXgfpEIZIGzah9_yCL-Xw>. Unidade 1 • Responsabilidade Corporativa9/218 1. A Responsabilidade Social Corporativa (RSC) Na página virtual do Instituto Ethos, encontramos a seguinte definição sobre as características e os objetivos da responsabilidade social corporativa (ou empresarial): [...] deve estar diretamente ligada aos valores da companhia e o direcionamento a ela deve estar claro para os empregados, fornecedores e consumidores/clientes, bem como para a própria comunidade e para o governo. Engana-se aquela empresa que enxerga sua responsabilidade como limitada apenas às suas ações diretas. E isso vale também para o governante e para o cidadão comum. Adotar uma gestão socialmente responsávelimplica, necessariamente, atuar buscando trazer benefícios para a sociedade, propiciar a realização profissional dos empregados e promover benefícios para os parceiros e para o meio ambiente, sem deixar de lado o retorno para os investidores. Unidade 1 • Responsabilidade Corporativa10/218 Nesse sentido, a troca e o aprendizado permanentes são tão importantes para a empresa quanto as reflexões internas [...] o diálogo criado a partir daí pode dar as condições necessárias para a legitimação de diferentes atores – mais influentes nesse novo modelo de gestão participativa –, bem como para a definição de metas claras e a promoção do comprometimento das partes para uma mudança efetiva de foco, do momento atual para o futuro (INSTITUTO ETHOS, s/d, p. 1). Para saber mais O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma Oscip cuja missão é “mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade justa e sustentável”. O seu website disponibiliza uma série de materiais, notícias e relatos de experiência que podem servir de inspiração e fonte de pesquisa para a sua própria iniciativa. Saiba mais em: <http://www3.ethos.org.br/>. Unidade 1 • Responsabilidade Corporativa11/218 Trata-se de uma definição interessante, pois destaca a necessidade da ampliação do papel e dos objetivos da empresa − isto é, um investimento financeiro e humano que está além do objetivo tradicional de “lucro”, e que não se limita ao ajustamento de restrições normativas ou regulamentares. É uma iniciativa voluntária que busca beneficiar, de forma direta ou indireta, a coletividade. Entre outros exemplos, é possível citar o investimento em equipamentos que reduzem as emissões de gases de efeito estufa, a melhoria das condições de trabalho, o apoio público à defesa dos direitos humanos em localidades de alta fragilidade institucional, entre outros. Nesse sentido, a Responsabilidade Social Corporativa é um compromisso de integrar práticas socialmente responsáveis nas operações de negócios. Entre outros aspectos, é uma maneira para que uma empresa possa alcançar um equilíbrio de imperativos econômicos, sociais e ambientais, que também atende as expectativas das partes interessadas na atuação da empresa (stakeholders). Ou seja, um ativo “de impulsão” que beneficia toda a sociedade, e tem um potencial de atrair clientes, satisfazer acionistas e motivar os funcionários. A teoria dos stakeholders, ou teoria das partes interessadas, defende que há um contrato implícito entre a empresa e a sociedade. Se a empresa quebra esse Unidade 1 • Responsabilidade Corporativa12/218 contrato, perde sua legitimidade. Por conseguinte, a empresa deve gerir suas relações com as partes interessadas, ou seja, todos aqueles que podem afetar ou ser afetados pelas atividades da empresa. Assim, agora segue responsável por todos os seus stakeholders. Para os teóricos dos stakeholders, as pessoas e os trabalhadores passam a ser reconhecidos como um dos agentes interessados. Apesar de não fazerem nenhum tipo de investimento em capital humano, financeiro, ou qualquer outro valor na empresa, não colocadas em risco, como resultado das atividades da empresa. Nesse sentido, segundo Starik (1994), o meio ambiente é uma das partes interessadas ainda que quem falará pelo seu nome, qual o seu poder de influência e legitimidade posam não estar claras. De acordo com essa teoria, podemos distinguir quatro níveis de responsabilidade social das empresas: econômica, jurídica, ética e discricionária (CARMO, 2010). A responsabilidade econômica é produzir produtos e serviços confiáveis, proporcionar empregos, gerar dividendos para os acionistas, e utilizar tecnologias de baixa emissão, de modo que reflita em custos nos preços finais. A responsabilidade legal é a obediência às leis e aos regulamentos. Também, é possível tirar proveito das obrigações regulamentares para inovar em produtos e tecnologias. Unidade 1 • Responsabilidade Corporativa13/218 A responsabilidade ética é seguir os princípios éticos fundamentais e, por exemplo, fornecer informações completas e precisas, além das exigências legais. A responsabilidade discricionária, por sua vez, ultrapassa os limites das obrigações legais, assumindo o papel de “bom cidadão corporativo”, através, por exemplo, de ações filantrópicas. Porém, esse conceito esconde uma variedade de práticas e áreas de atuação, normalmente agrupadas em três dimensões: a ambiental, a social e a de governança. A dimensão ambiental se refere à incorporação de tecnologias, adoção de design, prevenção e controle da poluição advindos da produção e distribuição, proteção dos recursos hídricos, conservação da biodiversidade, gestão de resíduos, gestão da poluição local, e outros. A dimensão social se refere a práticas inovadoras em gestão de recursos humanos (formação e gestão de carreira, participação dos trabalhadores, qualidade das condições de trabalho), e também podem incluir contribuições para as causas de interesse local ou global, como: o respeito pelos direitos humanos, ou o apoio da eliminação do trabalho infantil. E, finalmente, a dimensão de governança, que incide sobre práticas de transparência da gestão, garantindo a independência e as competências dos diretores, a clareza sobre a remuneração de executivos, e outros. A transparência pode ser estendida também Unidade 1 • Responsabilidade Corporativa14/218 na relação com clientes e fornecedores. Uma relação mais próxima (para evitar os conflitos de interesse e as práticas de corrupção, a insegurança do produto, divulgação de boas práticas de produção, e outros). 2. Por que Investir nesse Propósito? Primeiramente, adotar uma postura de responsabilidade social projeta uma imagem de um compromisso ético na relação construída com a sociedade. Esses esforços imbuem a ideia de prosperidade e qualidade dos produtos e serviços da empresa, e proporciona um crescente reconhecimento e valorização por parte da comunidade de negócios e da opinião pública. Para a empresa, a instituição de uma postura de RSC é boa porque inclui (BERTONCELLO; CHANG JÚNIOR, 2007; FERREIRA; ÁVILA; FARIA, 2010; PESSOA et al., 2009): Para saber mais Nesse sentido, a Teoria de Sistemas das Organizações (termo emprestado da Física), pode nos ajudar a refletir sobre nosso lugar (e da empresa) no mundo. Façam uma pesquisa sobre o assunto. Um primeiro passo pode ser dado através do link abaixo: <https://www. pucpcaldas.br/graduacao/administracao/ revista/artigos/esp1_8cbs/15.pdf>. Unidade 1 • Responsabilidade Corporativa15/218 • A oportunidade de melhorar o envolvimento do cliente com a empresa. • A oportunidade de melhorar o envolvimento dos funcionários com a empresa. • A RSC fornece a oportunidade de uma maior interação com a comunidade local e, assim, melhorar a reputação da empresa, o que pode ter resultados positivos em termos de contratação de bons talentos da comunidade. • A oportunidade para diferenciação da marca. • A economia de custos através da eficiência – redução de custos acumulados através da eficiência energética, redução de uso de materiais e reciclagem de resíduos. A relação com os clientes é também beneficiada, visto que: • Os clientes desejam se posicionar como responsáveis por transformações positivas e, como resultado, têm interesse de se relacionar com empresas com comprovado histórico de responsabilidade social. • A cidadania corporativa permite que a empresa encontre meios de envolver os seus clientes, de formamais profunda, com outras bandeiras, relativamente desvinculados dos produtos e serviços comercializados. Unidade 1 • Responsabilidade Corporativa16/218 • Cria a oportunidade de construir um programa de comunicação mais efetiva entre a empresa e o cliente, facilitando a fidelização dos mesmos. E, enfim, o envolvimento dos funcionários com o projeto permite: • Programas abrangentes de recursos humanos que irão auxiliar o processo de contratação e retenção de talentos. • Gerar no funcionário o sentimento de orgulho em participar de uma iniciativa que está além da lógica da venda e do lucro. • Uma oportunidade de envolvimento coletivo e integrado entre funcionários, inclusive entre aqueles de diferentes linhas de produção, melhorando a habilidade de trabalho em equipe. 3. Como Implantar um Plano Estratégico de Responsabilidade Corporativa? 3.1 Diagnóstico A construção de um plano estratégico de responsabilidade corporativa exige um diagnóstico prévio sobre o contexto no qual a empresa pretende atuar e, posteriormente, um acompanhamento que permita a produção de relatórios anuais sobre os impactos sociais e ambientais (BERTONCELLO; CHANG JÚNIOR, 2007; Unidade 1 • Responsabilidade Corporativa17/218 FERREIRA; ÁVILA; FARIA, 2010; PESSOA et al., 2009). Abaixo, seguem alguns importantes dados para apuração: Os indicadores sociais: • A capacitação dos funcionários (tipo e tempo de formação). • Pesquisas junto aos funcionários sobre satisfação, reconhecimento, e percepção sobre os objetivos e estratégias de cada linha de produção. A percepção sobre a empresa, a marca, a gestão, o plano de carreiras, entre outras considerações sobre o desenvolvimento de talentos. • Percepção sobre autonomia de trabalho e espaços para sugestões e/ ou críticas. • Avaliação da saúde do empregado, sua segurança e bem-estar. Nesse sentido, inclui-se aspectos como atividades desportivas e de lazer, flexibilidade, avaliação dos benefícios dados pela empresa, entre outros. Os indicadores ambientais: • O consumo de eletricidade para iluminação, aquecimento e refrigeração. • A utilização de materiais de consumo, tais como papel, toner, gasolina, entre outros. • Quantidade de resíduo produzido. Unidade 1 • Responsabilidade Corporativa18/218 Os indicadores culturais e comunitárias: • Áreas de lazer e esporte. • Escolas locais. • Projetos da iniciativa privada e do poder público. • Carências. Governança e ética: • Tipo de negócio e marketing adotado. • Transparência da gestão financeira (auditorias, por exemplo). • Proteção dos dados e da privacidade dos clientes. • Serviços de atendimento ao cliente. 3.2 Estratégia e ação: A estratégia é um passo de planejamento onde são feitas as atribuições de funções, e estabelecidas as metas que devem ser constantemente revisitadas. Nesse momento, alguns passos são sugeridos (BERTONCELLO; CHANG JÚNIOR, 2007; FERREIRA; ÁVILA; FARIA, 2010; PESSOA et al., 2009). 1. Formar uma equipe de RSC integrando membros da área de Recursos Humanos, de instalações, e financeiro. A nomeação de um líder é importante. 2. Eleja ou priorize os indicadores para a realização do diagnóstico. Desenvolva um diagnóstico com Unidade 1 • Responsabilidade Corporativa19/218 dados plausíveis de serem obtidos e acompanhados. 3. Além dos dados quantitativos, obtido, por exemplo, da equipe de instalações e de finanças, estabelecer indicadores com base qualitativa, sobretudo aqueles ligados ao sistema de recursos humanos. 4. Estabeleça metas e proponha metodologias para alcançar cada índice desejado. 5. Realizar uma auditoria independente com os dados do projeto de responsabilidade social periodicamente. Essa pode ser realizada por uma equipe interna ou independente da empresa. 6. Apresentar os índices e os progressos alcançados ao público interessado (gestores, acionistas, funcionários, entre outros). 7. Uma consultoria independente, especialista no assunto, pode auxiliar nessa empreitada. Para saber mais Para saber mais sobre a concepção e as principais características da Responsabilidade Social Corporativa, leia as seções introdutórias do artigo A Efetividade dos Estrategistas da Responsabilidade Social Empresarial, de autoria de Ometto, Bulgacov e May (2015), disponível em: <http://www.scielo.br/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984- 92302015000300423&lang=pt>. Unidade 1 • Responsabilidade Corporativa20/218 Glossário Impactos diretos: termo utilizado para definir os efeitos ambientais e sociais resultados diretos do funcionamento de uma empresa (emissão de poluentes, geração de empregos, alteração paisagística, entre outros) (EMBRAPA, s/d). Governança: importante aspecto da estratégia de desenvolvimento sustentável, é o conjunto de regras e de processos que regulam a gestão de uma organização (DIGITRO, s/d). Stakeholder: indivíduo, grupo ou organização suscetível de ser afetado, direta ou indiretamente, por uma atividade, programa, ou arranjo de uma empresa. Inclui todos os grupos que estão diretamente envolvidos com as atividades de uma empresa (empregados, clientes, fornecedores, acionistas), os que acompanham (ONGs e sindicatos) e os que são impactados diretamente com as atividades (meio ambiente, comunidade de vizinhança, entre outros) (DIGITRO, s/d). Questão reflexão ? para 21/218 Atualmente, não é possível que as empresas se sintam desconectadas de outros agentes e do contexto que convive. Problemas sociais e ambientes de seu entorno acabam se convertendo em situações de insustentabilidade para a própria empresa. Compreendendo que há uma necessidade de mudança de valores em termos de posicionamento e responsabilidade empresarial, e pela escassez de um plano, são propostas aqui algumas questões: Quais são os termos e os desafios da adoção de uma postura proativa e responsável socialmente? Quais papéis ela pode desempenhar? Quais as responsabilidades das empresas diante desse contexto de insustentabilidade ambiental? Como estruturar um modelo de negócios que seja, ao mesmo tempo, responsável e agregador de valor? 22/218 Considerações Finais A reponsabilidade social corporativa (RSC) é uma forma de autorregulação das empresas, integrada a um modelo de negócio. A proposta da RSC vai além da conformidade e respeito às normas e regras, e tem o intuito de promover algum bem social, para além dos interesses de lucros da empresa. Um plano estratégico de RSC deve conter objetivos de benefícios ao meio ambiente e às partes interessadas, incluindo os consumidores, colaboradores, investidores, comunidades, entre outros. A empresa tem muito a ganhar com a adoção de práticas de responsabilidade social, tanto em termos de reputação e ganhos de valor, quanto de envolvimento de seus funcionários nas práticas de negócios desenvolvidas. Cada contexto ou tipo de negócio demanda um tipo de atuação particular. Dessa forma, não há fórmulas prontas, e um diagnóstico prévio é necessário. Esse documento deve conter indicadores sociais, ambientais, culturais e de governança, e, a partir desses dados, montar um plano estratégico que contenha dados mensuráveis para acompanhamento processual, e metas. Uma consultoria pode ser contratada para auxiliar a empresa nesse processo. Unidade 1 • Responsabilidade Corporativa23/218 Referências BERTONCELLO, S. L. T.; CHANG JÚNIOR, J. A importância da Responsabilidade Social Corporativa como fator de diferenciação. FACOM, n. 17, 2007. p. 70-76. Disponível em: <http://www.faap. br/revista_faap/revista_facom/facom_17/silvio.pdf>. Acesso em: mar. 2016. CARMO, P. Governança e Responsabilidade Social Corporativa(RSC). Ti especialistas: desenvolvimento ideias. 2010. Disponível em: <http://www.tiespecialistas.com.br/2010/11/ governanca-e-responsabilidade-social-corporativa-rsc/>. Acesso em: 3 jan. 2016. CLARKSON, M. B. E. Corporate Social Performance in Canada. In: PRESTON, L. E. (ed.). Research in Corporate Social Performance and Policy, Greenwich. CT: JAI Pres., v.10, p. 241-265, 1988. ______. A stakeholder framework for analyzing and evaluating corporate social performance. Academy of Management Review. Ada, v. 20, n. 1, p. 92-117, 1995. DIGITRO. Glossário. s/d. Disponível em: <http://www.digitro.com/pt/index.php/sala-imprensa/ glossario>. Acesso em: 18 fev. 2016. EMBRAPA. Glossário Ambiental. s/d. Disponível em: <http://www.biodiversidade.cnpm. embrapa.br/glossario>. Acesso em 15 jan. 2016. INSTITUTO ETHOS. Valores, transparência e Governança. s/d. Disponível em: <http://www3. ethos.org.br/conteudo/gestao-socialmente-responsavel/valores-transparencia-e-governanca/#. Vso3NPIrLIU>. Acesso em: 15 fev. 2016. Unidade 1 • Responsabilidade Corporativa24/218 FENKER, E. Gestão Corporativa Socioambiental: uma visão sistêmica. Disponível em: <http:// noticias.ambientebrasil.com.br/artigos/2008/04/17/37621-gestao-corporativa-socioambiental- uma-visao-sistemica.html>. 2008. Acesso em: 21 dez. 2015. FERREIRA, D. A.; ÁVILA, M. FARIA, M. D. Efeitos da responsabilidade social corporativa na intenção de compra e no benefício percebido pelo consumidor: um estudo experimental. Revista de Administração da Universidade de São Paulo, p. 285-296, 2010. MORIN, E. Introdução do pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina, 2005. ODUM, E. P. Fundamentos de Ecologia. 7. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004. OMETTO, M. P., BULGACOV, S., MAY, M. R. Organizações & Sociedade, v. 22, n. 74, p. 423-442, 2015. PESSOA, R. W. A.; NASCIMENTO, L. F.; NEVES, J. A. D.; OLIVEIRA FILHO, G. S. Estratégia e vantagem competitiva da responsabilidade social empresarial. Gestão e Regionalidade, p. 79- 93, 2009. STARIK, M. Reflection on Stakeholder Theory. Business & Society, v. 33, p. 82-131, 1994. 25/218 Assista a suas aulas Aula 1 - Tema: Responsabilidade Corporativa - Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ f0bb05916cbf0f5f9ec74a2a1d4f3e0d>. Aula 1 - Tema: Responsabilidade Corporativa - Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA- piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/d4a- ce57e86c49c43ef497f58263e5823>. 26/218 1. Sobre a crise socioambiental, é INCORRETO AFIRMAR: a) Chama a atenção o alto índice de poluição, derivado, sobretudo, das atividades produtivas e econômicas. b) Tem caráter global. c) É multifacetado, pois abrange diferentes contextos, de diferentes formas. d) Apresenta-se como ameaça real à vida na Terra. e) É tema de interesse apenas de disciplinas ligadas às ciências biológicas, florestais e geográficas. Questão 1 27/218 2. Quanto à Responsabilidade Social Corporativa, é CORRETO afirmar: a) Deve estar ligado aos sistemas de valores de uma empresa. b) A lucratividade é um fator preponderante a ser contemplado na avaliação das ações de responsabilidade social. c) Amplia o papel da empresa no seu conjunto de relações. d) É um aspecto de interesse de acionistas e demais investidores. e) Todas as opções estão corretas. Questão 2 28/218 3. Carmo (2010) afirma que a Responsabilidade Social Corporativa se firma em quatro níveis. Dos destacados abaixo, qual não é tratado pelo autor: a) A responsabilidade econômica, que, entre outras coisas, trata sobre a promoção do emprego e renda. b) A responsabilidade legal, que tem a ver com o respeito às normas e leis. c) A responsabilidade educacional, incutida no ideal de que a empresa tem responsabilidade na educação sobre consumo, finanças e outros. d) A responsabilidade ética, que, entre outras coisas, prega a transparência sobre o processo de produção. e) A responsabilidade discricionária, que solicita uma maior solidariedade empresarial, sobretudo em casos considerados emergenciais. Questão 3 29/218 4. A postura de responsabilidade social corporativa consolida algumas vantagens, exceto: a) Melhora a relação do cliente com a empresa. b) Melhora a reputação da empresa junto à comunidade do entorno da área de produção. c) Valoriza a marca da empresa. d) Reduz custos por diminuir o número de funções da empresa. e) Todas as opções estão corretas. Questão 4 30/218 5. Considerando um planejamento estratégico de Responsabilidade Social Corporativa, é CORRETO AFIRMAR: a) Há uma melhora de desempenho dos funcionários, visto que são relegados a estes a única função de melhorar a qualidade da produção e garantir mais lucro. b) Aspectos como o bem-estar dos funcionários devem estar desassociados do plano de negócios da empresa, pois incide num incremento de gastos somados com aqueles direcionados com impostos direcionados para tal. c) Os dados dos clientes devem ser expostos publicamente no intuito de maior transparência das ações empresariais. d) Uma consultoria externa e independente pode ser contratada com fins de auditoria. e) Nenhuma das opções está correta. Questão 5 31/218 Gabarito 1. Resposta: E. A questão socioambiental é tema de interesse e de necessidade de diferentes áreas do conhecimento. Aspectos sociais, culturais, econômicos, físicos, socioespaciais e históricos são relevantes para o entendimento da complexidade socioambiental. 2. Resposta: E. Aspectos como segurança, valorização da marca, inserção no campo político, entre outros, são atributos que devem ser considerados dentro de um plano estratégico em RSC. É sugerido que um plano de ação socioambiental esteja permanentemente interligado ao plano de negócios da empresa. 3. Resposta: C. Carmo (2010) indica quatro níveis de responsabilidade, são eles: responsabilidade econômica, responsabilidade legal, responsabilidade ética e responsabilidade discricionária. Apesar de importante, o nível educacional não é mencionado pelo autor. 4. Resposta: D. A postura de RSC aumenta o número de funções que a empresa atribui a si. Nesse esforço, algumas estratégias podem 32/218 incidir num menor custo global para o seu funcionamento, porém, não tem a ver com a diminuição de objetivos e papéis. 5. Resposta: D. Uma auditoria independente permite uma maior relação de transparência da ação da empresa junto aos seus stakeholders. Além disso, possibilita processos de avaliação contínuos e uma revisão ampla de todo o planejamento estratégico da empresa. 33/218 Unidade 2 Produção mais limpa (P+L) Objetivos 1. Fornecer conhecimentos teóricos e aplicados e compreensão de estratégias e tecnologias para uma produção industrial mais limpa. 2. Apresentar os prerrequisitos para uma gestão mais eficaz, tendo como pressuposto a estratégia P+L. 3. Propor e motivar estratégias e ações para diferentes problemas ambientais presentes nas cadeias produtivas Unidade 2 • Produção mais limpa (P+L)34/218 Introdução De maneira geral, todas as atividades produtivas causam algum efeito sobre o meio ambiente. Porém, a adoção do modelo de produção em larga escala após a Revolução Industrial, induziu que, por muito tempo, não fosse dada a devida atenção aos impactos ambientais significativos causados pelas atividades econômicas. A partir da década de 1960, em virtude das denúncias de movimentos sociais, dos alertas de grupos científicos, e da exposição de grandes catástrofes ambientais pela mídia, a sociedade passou a exigir normatizações e técnicas que garantissem padrõesambientais menos impactantes. Ao mesmo tempo, alguns segmentos industriais se convenceram dos benefícios do investimento na modificação de seus processos de produção, sobretudo pela economia de matéria-prima e consumo de energia. Vale destacar que o tipo e a intensidade dos impactos ambientais variam conforme a tecnologia específica utilizada, a localização geográfica, e uma série de outros fatores. Ao compreender o processo histórico, os problemas atuais e potenciais ambientais associados a cada processo produtivo, podemos tomar medidas para evitar ou minimizar os danos sem menosprezar a importância das atividades econômicas. O conceito de “Produção Mais Limpa” (P+L) foi cunhado em 1988, dentro das atividades do Programa das Nações Unidas Unidade 2 • Produção mais limpa (P+L)35/218 para o Meio Ambiente, como sendo uma “[...] aplicação contínua de uma estratégia ambiental preventiva, aplicada a processos, produtos e serviços, com o intuito de aumentar a eficiência global e reduzir os riscos para a saúde dos seres humanos e ao meio ambiente” (ALVES; OLIVEIRA, 2007, p. 131-132). Especificamente, trata-se de uma concepção de cadeia produtiva que visa otimizar o emprego de matérias-primas de modo a eliminar ou minimizar ao máximo a geração de resíduos, reduzindo assim, os impactos ambientais e trazendo benefícios econômicos para a empresa devido ao aumento da eficiência do processo. Nesse sentido, busca a gestão sustentável dos resíduos sólidos, tendo como referência os princípios dos “3 (três) Rs” (Reduzir, Reutilizar, Reciclar) (GASPAR; SPERANDIO, 2009). Link Os 3 Rs são propostas de ações práticas no intuito de estabelecer relações mais sustentáveis de consumo. Segundo esse princípio, é possível diminuir o custo de vida, além de facilitar o desenvolvimento econômico com maior respeito e proteção ao meio ambiente. <http://www.mma.gov.br/component/k2/ item/7589?Itemid=849>. O P+L pode ser adotado em todos os níveis de tomada de decisão. Inova pela adoção de tecnologias e técnicas mais limpas, Unidade 2 • Produção mais limpa (P+L)36/218 de forma a ser aplicada a diversas atividades, tais como: serviços, indústria, infraestrutura, habitação, hotelaria, independentemente do porte da organização, seja um grande parque petroquímico ou uma pequena empresa de prestação de serviços. Os tradicionais procedimentos de controle de poluição, focalizados no controle de rejeito de resíduos, são substituídos por uma estratégia que reduz e evita a poluição e o desperdício em todas as etapas de produção. Nesse sentido, o primeiro aspecto a ser refletido é a respeito do design do produto (tipos de materiais e suas qualidades, complexidade e outros) para, em seguida, propor mecanismos para o uso eficiente de matérias-primas, água e energia (HINZ; VALENTINA; FRANCO, 2006; BARROS, et al., 2012). Um bom início é propor soluções de minimização de impacto dentro do ambiente interno de trabalho, tal como os exemplos ilustrados no Quadro 1, a seguir: Quadro 1 – Exemplos de Ação para a minimização da produção de resíduos Ação Exemplo Redução do uso de matérias-primas e de energia Tecnologias e técnicas que façam um uso mais eficiente de material e energia (menos para mais) Uso excessivo de copos plásticos Distribuição de garrafas e/ou canecas para os funcionários Unidade 2 • Produção mais limpa (P+L)37/218 Ação Exemplo Redução do uso de água e energia em hospitais Escolha de chuveiros, torneiras e outras instalações que minimizem o desperdício; trocas de lâmpadas Redução do uso de energia utilizada pelo ar- condicionado Levantar a possibilidade de utilização de teto/ parede verde; plantio de árvores no entorno Fonte: O autor Perceba através dos exemplos acima que a Produção Mais Limpa enfatiza tanto a diminuição do uso de energia, quanto a melhoria da eficiência dos recursos em matéria de organização, materiais e melhores práticas. O P+L resulta em benefício para todas as partes, pois protege o meio ambiente, o consumidor e o trabalhador, melhorando a eficiência industrial, a lucratividade e, consequentemente, a competitividade. 1. Os Principais Objetivos e Desafios da P+L Como anotado anteriormente, a proposta de P+L é uma estratégia caracterizada pela permanente averiguação do desempenho e busca por melhorias. Quanto ao uso de recursos, algumas ações são primordiais: Unidade 2 • Produção mais limpa (P+L)38/218 • Buscar o valor de referência 0 (zero) de produção de resíduos, tomando como base a análise do processo de entrada – processo – saída das matérias primeiras utilizadas. • Identificar e quantificar as oportunidades para reduzir, reutilizar e reciclar recursos. • Realizar avaliações sistemáticas da Cadeia de Produção (CP), tendo como base metas e comparação em termos de ganhos e perdas após a adoção do modelo P+L. No entanto, alterar uma cultura organizacional muitas vezes se revela ser um desafio bastante significativo. Porém, quando o projeto se sustenta numa proposta de responsabilidade social e/ou sustentabilidade socioambiental, percebe-se uma maior abertura na adoção de um senso e um compromisso coletivo. Quando adotado pelos diferentes agentes interessados (stakeholders), a própria cadeia produtiva acaba por contribuir ondas de inovação que vão além dos limites imediatos de desempenho (GASI; FERREIRA apud VILELA JÚNIOR; DEMAJOROVIC, 2006; FONSECA et al., 2013). Dessa forma, as empresas devem inicialmente focar em estratégias de sustentabilidade interna. Este é o lugar onde é possível obter um maior controle, resultados mais rápidos, e benefícios diretos. O passo seguinte é examinar o fluxo total dos recursos utilizados em Unidade 2 • Produção mais limpa (P+L)39/218 toda a cadeia da atividade econômica da qual participam, observando assim os resultados de impactos diretos e indiretos causados pela sua operação. Essas atividades “integradas” agregam todas as organizações que fornecem produtos, materiais ou serviços, bem como outras que são intermediários, até o consumidor final. Quando uma empresa adota a postura P+L pode estimular seus fornecedores a melhorar o seu desempenho dentro da cadeia produtiva (GASI; FERREIRA apud VILELA JÚNIOR; DEMAJOROVIC, 2006; FONSECA et al., 2013). A expansão da iniciativa P+L demanda esforços substanciais na coleta de dados, análise, normalização e relatórios globais. Nessa etapa, são esperados alguns tipos de resistências. Assim, para evitar conflitos, é essencial que (1) a empresa já adote e execute um programa de P+L interno, e demonstre seu compromisso e possíveis ganhos após a iniciativa; e (2) a empresa se comunique com seus fornecedores e clientes, explicando o porquê está solicitando os dados, quais são os compromissos subsequentes, mostrando- lhes os benefícios de seus esforços. Dessa forma, a empresa proativa, líder desse processo, pode/deve oferecer (ou vender) seus conhecimentos sobre eficiência aos seus fornecedores e clientes, no intuito de apoiar a replicação dessas práticas (FONSECA, et al., 2013). Unidade 2 • Produção mais limpa (P+L)40/218 2. Estratégias Possíveis para uma P+L Atualmente, muitas empresas estão melhorando a eficiência energética dos seus produtos e serviços. Como metodologia, estimam a pegada ecológica (total de emissões de carbono de produtos e serviços ao longo de sua vida útil). Entre os principais motivadores, observa- se a pressão de órgãos ambientais e defensorias públicas, a concorrência, o marketing, e busca por maior receita e lucro. Não há uma estratégia ideal e/ou única para a consolidação de um programa P+L efetiva, até porque cada atividade, porte, lugar e público envolvido demandauma ação particular. A única característica comum entre as Cadeias Produtivas eficazes é o envolvimento de todas as unidades operacionais da empresa. Não há a necessidade de uma equipe/consultoria externa para executar o projeto. No intuito de facilitar a integração, geralmente se aproveita o(a)s líder/gestor(es)(a) responsável(is) por cada unidade da empresa, o(s) qual(is) irá(ão) compor uma equipe interfuncional, multinível e matricial, responsável pela execução, acompanhamento e avaliação do projeto. Esse tipo de composição minimiza a possibilidade de “problema do agente principal” ou “dilema da agência”, visto que a empresa busca o sucesso do empreendimento através da construção Unidade 2 • Produção mais limpa (P+L)41/218 de um programa que convida esses agentes a seguir um objetivo comum. Coletivamente, podem ser discutidos contratos, estratégias, metas, faturamento, operações das instalações e investimentos necessários (PRINDLE, 2010). Para saber mais Em entrevista, quando questionado sobre o problema do agente principal, Michael Jensen disse: A TEORIA DA AGÊNCIA explica como as relações humanas inevitavelmente levam a conflitos de interesse. É simples de entender se você for casado, tiver um parceiro, for sócio de alguém... Em qualquer ocasião em que duas pessoas ou mais tentam se engajar em esforços cooperativos, inevitavelmente vai surgir algum conflito. É um fato da vida inerente às relações humanas quando elas exigem cooperação entre as partes. No caso das empresas, em especial nas de capital aberto, isso costuma acontecer entre os executivos responsáveis pela gestão e os acionistas. Tento entender os custos resultantes desses conflitos e como eles podem ser controlados e reduzidos. Há muitos benefícios no esforço cooperativo. A saída é estruturar as relações para que os conflitos sejam mitigados” (GODOY; MARCON, 2006). A maioria dos investimentos em P+L ainda é pequena, ainda mais quando comparados com outras oportunidades corporativas. Ao final, estratégias vencedoras acabam por poupar gastos Unidade 2 • Produção mais limpa (P+L)42/218 e otimizar lucros, gerando repercussão positiva em termos de gestão e de reconhecimento público, podendo ampliar os investimentos nesse tipo de proposta. É indicado que haja um coordenador visível da equipe P+L que tenha como característica a capacidade de liderar/ mediar a construção e execução coletiva de um projeto de cadeia de produção eficaz. Essa equipe deve ser composta por diferentes partes interessadas, incluindo os técnicos da empresa, consultores externos, representantes de chão de fábrica, engenheiros, gestores financeiros e administrativos. A campanha deve criar ferramentas de recompensas, reconhecimento e incentivos para encorajar todos os funcionários para participar na identificação de oportunidades e implementação de mudanças. Essa empreitada deve ser comunicada de maneira clara, enfatizando os benefícios para o trabalhador, para a comunidade, para a empresa e o meio ambiente. Um relatório patrocinado pela Pew Center resume os elementos centrais das melhores estratégias de eficiência corporativa através dos “Sete Hábitos das Empresas Altamente Eficazes” (PRINDLE, 2010). Embora o estudo seja focado em eficiência energética, seus resultados e conclusões podem ser adaptados, de forma geral, para quaisquer cadeias produtivas. Unidade 2 • Produção mais limpa (P+L)43/218 Quadro 2 – Os sete hábitos das empresas Eficazes. 1. A eficiência é uma estratégia central, e não apenas um aparador de custos ou iniciativa pontual. 2. A liderança e suporte organizacional é um processo real e contínuo. Ao menos uma pessoa deve se dedicar integralmente ao planejamento estratégico da corporação. Os funcionários devem ser estimulados e recompensados por propor inovações. 3. A companhia tem metas de eficiência quantificáveis, responsáveis e sustentáveis, com a indicação de previsão de prazos. 4. Estratégia se baseia em um sistema de monitoramento e medição robusto. 5. Organização faz investimentos substanciais no sistema para eficiência. 6. A estratégia de eficiência mostra resultados concretos. 7. Empresa comunica efetivamente os custos e resultados de eficiência energética. Fonte: (PRINDLE, 2010). É preciso salientar que a etapa de coleta e de dados é um passo crítico em qualquer estratégia corporativa. Em muitas organizações, as principais informações da cadeia produtiva, tais como os de energia e água, são tragados em maiores categorias de custo operacional e, portanto, não podem ser vistas como elementos separados. Um programa P+L requer um sistema em que Unidade 2 • Produção mais limpa (P+L)44/218 todas as unidades controlem seus custos e consumos. Com esse fim, é necessário conjunto de unidades padronizadas que facilite a construção de uma base de medição de desempenho consistente. Uma medida de desempenho é considerada útil quando a utilização dos recursos é quantificada por um ou mais fatores que a organização considera fundamental para o desempenho global. Dados de energia, por exemplo, são quantificados em termos de “kWh por X” (pode também ser quilogramas, metro quadrado de área útil, ou unidade de produto, entre outros). Além da quantidade de “produtos” utilizados, os sistemas eficazes devem desenvolver uma linha do tempo sobre o desempenho alcançado antes e após as iniciativas, ou num ano específico. Esse traçado servirá de base na fixação de metas, com o intuito do diagnóstico dos progressos em relação ao objetivo desejado. O relatório de desempenho em relação às metas em ciclos regulares deve ser apresentado, primeiramente, aos agentes executivos com poder de decisão. Em seguida, a lista de verificação orientação operacional deve ser divulgada entre os funcionários dos diferentes níveis, e aberto espaços de apresentação de feedbacks, avaliação e coleta de sugestões para a manutenção ou melhoria de desempenho. Além disso, os líderes das unidades de produção devem saber quem contatar em caso de atrasos em uma instalação, ou Unidade 2 • Produção mais limpa (P+L)45/218 em outra unidade operacional da qual ele depende. É possível observar que os melhores programas de P+L não se restringem ao recolhimento de dados e de informação como um requisito de conformidade, embora eles também achem que um elemento de cumprimento é necessário para obter uma ampla participação, especialmente na fase de elaboração da proposta. Isso facilita a construção de uma cultura organizacional mais ampla e participativa, com vistas à melhoria contínua, usando o sistema de comunicação como ferramenta que envolve e capacita as pessoas a perseguirem a eficiência e as inovações associadas. Link Com uma rápida pesquisa na web conseguimos encontrar uma série de estudos de casos de aplicação da iniciativa de P+L. É interessante observar o seu alcance em diferentes áreas e atividades econômicas. Seguem alguns estudos interessantes: Ecoeficiência e produção mais limpa para a indústria de celulose e papel de eucalipto (por Celso Foekel). Disponível em: <http://www.eucalyptus. com.br/capitulos/PT09_ecoeficiencia.pdf>. Programa de produção mais limpa em indústria de médio porte de laticínios (por Leandro Eric Sessin), em: <https://repositorio.ufsc.br/ handle/123456789/126180>. Unidade 2 • Produção mais limpa (P+L)46/218 Glossário Ciclo de Vida: combinação de processos necessários para um produto cumprir a função especificada pela unidade de produção. As fases do ciclo de vida incluem a produção, o uso e o processamento após o descarte, incluindo o processamento dos resíduos gerados (EMBRAPA, s/d). Ecoeficiência: maximização da qualidade da produção industriala partir dos recursos utilizados, com o intuito de garantir uma produção mais limpa e a utilização adequada de recursos renováveis e não renováveis (EMBRAPA, s/d). Produção Mais Limpa: aplicação contínua de uma estratégia ambiental preventiva e integrada de produção, a fim de reduzir os riscos para os seres humanos e o meio ambiente. Não deve ser confundido com outros termos mais ambíguos, tais como a prevenção da poluição, minimização de resíduos, ou a avaliação ambiental (EMBRAPA, s/d). Questão reflexão ? para 47/218 O conceito de “Produção mais Limpa” criado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) reforça o entendimento de que todo processo produtivo resulta em algum tipo de produção de resíduos. No entanto, evidencia também um compromisso por uma abordagem de redução contínua de produção de poluentes, em todas as fases do ciclo de vida do produto. Diante do exposto até aqui, qual o maior desafio para a viabilidade de uma iniciativa de P+L? Você já teve experiência com uma proposta nesse sentido? Caso não haja, pesquise alguns estudos de caso, e trace quais as ferramentas e experiências que mais lhe chamou atenção. Nessa reflexão, é importante que não se confunda o P+L com outras propostas isoladas: como projetos de redução de resíduos, prevenção de poluição, etc. É importante ressaltar que a proposta de produção mais limpa coloca uma forte ênfase na mudança global de atitude. 48/218 Considerações Finais (1/3) A priori, o benefício mais convincente do P+L é a redução dos custos operacionais e melhoria da produtividade de uma empresa. Trata-se de uma justificativa econômica que proporciona melhorias físicas e ambientais de um produto ou processo, e pode agir como um gatilho para a inovação a nível estratégico. Em muitos casos, aumenta o acesso a determinados nichos de mercado, ou impede a sua exclusão. Muitas vezes, ele serve como uma abordagem proativa para futura legislação. Trata-se de um investimento altamente rentável, com rápido retorno, e que amplia a competitividade da empresa a baixo custo e, geralmente, baixo risco. Além disso, o investimento em uma cadeia de produção mais eficiente agrega uma melhor reputação, diante de um mercado cada vez mais exigente, à empresa, aos seus funcionários, aos seus investidores e a outras partes interessadas. 49/218 As inovações geradas pela eficiência também possibilitam oportunidades de elaboração de novas tecnologias e práticas que agreguem novos valores e ofertas aos clientes, gerando um duplo fluxo de benefícios. Porém, barreiras podem surgir da combinação de diferentes fatores, tais como: falta de sensibilização sobre a economia de recursos, relutância no investimento quanto aos custos iniciais, falta de capacidade técnica para identificar mecanismos rentáveis, a percepção do risco sobre a produção de produtos fora das normas/padrões industriais, dificuldade de acesso a financiamento, entre outros. Encontrar os recursos financeiros para a implementação talvez seja a maior dificuldade no avanço de programas de P+L. Diante desse quadro, uma abordagem eficaz é o estabelecimento de metas de eficiência agressivas, tornando-as prioritárias, e forçando as tomadas de decisão a uma redefinição de prioridades de investimento com o intuito de favorecer a eficiência. Considerações Finais (2/3 50/218 Aparentemente, o período de melhor oportunidade para implementar uma produção mais limpa é durante a fase pré-operacional de uma organização, mas também pode ocorrer durante qualquer outro momento, sobretudo quando observado um alto grau de ineficiência. No decorrer dessa disciplina, algumas metodologias e ferramentas serão apresentadas com esse intuito, bem como padrões e certificações, processos de engenharia, e técnicas de desenvolvimento e investigação. Considerações Finais (3/3) Unidade 2 • Produção mais limpa (P+L)51/218 Referências ALVES, S. M.; OLIVEIRA, J. F. G. Adequação ambiental dos processos usinagem utilizando Produção mais Limpa como estratégia de gestão ambiental. Prod. [on-line]. 2007, v. 17, n. 1, p. 129-138. BARROS, D. A.; BORGES, L. A. C.; NASCIMENTO, G. O.; PEREIRA, J. A. A.; REZENDE.; J. L. P.; SILVA, R. A. Breve análise da política de gestão ambiental brasileira. Política & Sociedade, v. 11, n. 22, p. 155-179, 2012. CLAYTON, A.; SPINARDI, G.; WILLIAMS, R. Policies for cleaner technology: a new agenda for government and industry. Earthscan: London, 1999. EMBRAPA. Glossário Ambiental. s/d. Disponível em: <http://www.biodiversidade.cnpm. embrapa.br/glossario>. Acesso em: 15 jan. 2016. FONSECA, R. A.; LIMA, A. B.; REZENDE, J. L. P.; NAZARETH, L. G. C.; SANTIAGO, T. M. O. Produção Mais Limpa: Uma nova estratégia de produção. In: Anais do Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia − SEGET, p. 1-12, 2013. GASI, T. M. T.; FERREIRA, E. Produção mais limpa. In: VILELA JÚNIOR, A.; DEMAJOROVIC, J. (org.). Gestão ambiental: desafios e perspectivas para as organizações. São Paulo: Senac, 2006. cap. 3, p. 45-82. Unidade 2 • Produção mais limpa (P+L)52/218 GASPAR, M. A.; SPERANDIO, S. A. Gestão socioambiental em empresas industriais. Revista de Administração da Universidade Federal de Santa Maria [on-line], 2009. GODOY, P.; MARCON, R. Teoria da agência e os conflitos organizacionais: a influência das transferências e das promoções nos custos de agência em uma instituição bancária. Revista de Administração Mackenzie, v. 7, n. 4, p. 168-210, 2006. HINZ, R. T. P.; VALENTINA, L. V. D.; FRANCO, A. C. Sustentabilidade ambiental das organizações através da produção mais limpa ou pela avaliação do ciclo de vida. Estudos Tecnológicos, v. 2, n. 2, p. 91-98, 2006. PRINDLE, W. From shop floor to top floor: best business practices in energy efficiency. Arlington, VA, EUA: Pew Center, 2010. 53/218 Assista a suas aulas Aula 2 - Tema: Produção mais Limpa – Definição e Objetivos - Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 0c8958363fb2614b0288e40ace47feeb>. Aula 2 - Tema: Produção mais Limpa – Definição e Objetivos - Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/116ec2db4df224f7e5a7fff185ed9d86>. 54/218 1. Sobre a Produção Mais Limpa, podemos dizer que: a) É um termo cunhado na década de 1960, com o objetivo de minimizar o impacto de poluentes produzidos pelas grandes indústrias. b) Trata-se de uma estratégia que se circunscreve na melhoria da qualidade do resíduo antes de sua emissão na natureza. c) O design do produto objetivado pela empresa é relevante. d) Leva em consideração apenas a unidade de produção da empresa. e) Todas as opções estão corretas. Questão 1 55/218 2. Quanto aos objetivos e efeitos da P+L, é INCORRETO afirmar: a) Busca-se o valor 0 (zero) de produção de resíduos. b) Pretende-se melhores mecanismos de redução, reutilização e reciclagem de produtos. c) Permite uma única etapa de avaliação da cadeia produtiva, diminuindo custos. d) Possibilita maiores ganhos em termos de melhor aproveitamento da matéria-prima. e) Todas as alternativas estão corretas. Questão 2 56/218 3. Quais dessas estratégias NÃO pode ser considerada de P+L: a) Mudança das estruturas sanitárias da unidade de produção. b) Redução de gastos com energia a partir da mudança de estruturas de condicionamento. c) Aproveitamento dos resíduos para outros tipos de produção. d) Concentrar resíduos perigosos ou tóxicos para reduzir volume. e) Melhoria do processo de controle. Questão 3 57/218 4. Sobre um planejamento em P+L, é CORRETO afirmar que: a) Seja um processo altamente horizontalizado, sem líderes ou coordenadores, para facilitara participação coletiva do processo. b) Deve ser executada unicamente por uma empresa terceirizada, com o intuito de maior transparência e independência. c) A sensibilização voluntária dos funcionários não pode estar atrelada a qualquer aspecto de negócios da empresa. d) É aconselhável que a comunidade do entorno da empresa não seja comunicada sobre o projeto, para evitar quaisquer tipos de interferência externa. e) Todas afirmações acima estão incorretas. Questão 4 58/218 5. A eficiência é o termo mais próximo para caracterizar os objetivos de uma P+L. Nesse sentido, qual dos hábitos a seguir não deve ser adotado. a) Priorizar o tratamento de efluentes, resíduos e emissão. b) Adotar ao menos uma figura de referência ao longo de um processo de P+L. c) Esboçar metas relativas à produtividade. d) Investir em estruturas que incidam em menor desperdício. e) Mensurar e avaliar dados concretos. Questão 5 59/218 Gabarito 1. Resposta: C. O redesign de produtos se consolida como um importante passo na consolidação de uma P+L, visto que possibilita a avaliação e a escolha de matérias-primas mais eficientes, tanto com o intuito de qualidade e menor desperdício, como num processo de produção menos poluente. 2. Resposta: C. A avaliação contínua da cadeia produtiva permite a avaliação dos ganhos e perdas de um processo de P+L. Se pensarmos que a ideia de “poluição e efeito zero” é utópica, ou de difícil alcance, é possível sempre a melhoria do processo produtivo. 3. Resposta: D. O intuito da P+L é a minimização da produção de resíduos, e não a sua contenção, transferência ou condicionamento. 4. Resposta: E. Apesar de desejável que todos os participantes de um projeto de P+L possam e sejam incentivados opinar e participar ativamente das ações, é importante que haja um núcleo destacado para servir de referência de coordenação, para evitar desvios de funções. Uma empresa de consultoria pode ser contratada com esse fim, porém, todos os setores da empresa devem se sentir participantes do processo, 60/218 seja por meio de incentivos salariais ou de recompensas, ou pela sensibilização sobre a causa/missão. A comunidade deve ser comunicada sobre os planos da empresa, pois ela é diretamente afetada pelas ações a serem implantadas. Isso permite uma repercussão positiva, e um auxílio adicional sobre os instrumentos e mecanismos que podem ser adotados. 5. Resposta: A. O principal hábito de eficiência de produção a ser adotado numa P+L é a de evitar o desperdício de qualquer tipo de material. Priorizar o tratamento de efluentes, por exemplo, além de ser mais caro, descola as ações da empresa no intuito de evitar os efeitos indesejados. 61/218 Unidade 3 Cultura Organizacional Objetivos 1. Analisar as ligações entre a estratégia de responsabilidade social corporativa e os impactos sobre os princípios funcionais, tais como a missão e a visão organizacionais. 2. Fortalecer a estratégia de RSC como fonte de vantagem competitiva. 3. Sistematizar estratégias de ação, no intuito de sensibilizar e envolver os funcionários da empresa dentro das atividades de responsabilidade proposta pela organização. Unidade 3 • Cultura Organizacional62/218 Introdução Apesar das similitudes (existência de oficinas, armazéns, escritórios, movimento constante de pessoas e de mercadorias), sabe-se que nenhuma empresa é totalmente comparável a outra. Cada uma tem sua própria personalidade e imagem a zelar. Esses traços de identificação acabam por consolidar compromissos materiais e simbólicos entre os agentes de uma organização, consolidando aquilo que é conhecido como “cultura organizacional”. O conceito de cultura corporativa não é novo. De modo geral, trata-se de um conjunto de valores partilhados por todos os funcionários de uma empresa. Para Edgar Morin (2005) é um sistema de comunicação onde a troca de experiências e de conhecimentos pessoais elaboram um sentido de existência coletiva. Praticar a responsabilidade social corporativa exige que uma empresa mescle os objetivos de negócio com algumas expectativas da sociedade. Embora não seja muitas vezes o foco prioritário dos projetos, o investimento em atividades com foco na ética e no comportamento individual humano, sobretudo dos funcionários e colaboradores da empresa, pode desempenhar um grande papel nos esforços para a RSC. O tratamento interpessoal no local de trabalho − quer se trate de um gerente que interage com um funcionário, um empregado que interage com um cliente, um executivo que interage com um jornalista, ou qualquer outra interação em nome de uma empresa − pode trazer impactos sociais que beneficiam ou Unidade 3 • Cultura Organizacional63/218 prejudicam outros. A falta de cuidado com essa questão pode colocar em risco os esforços de comprometimento da empresa com os seus stakeholders. Compreender o comportamento humano como componente da responsabilidade social é fundamental para desenvolver uma reputação positiva da empresa e melhorar a qualidade de vida na sua comunidade. A partir desses entendimentos, é possível uma reflexão geral sobre a cultura corporativa, e as novas concepções de cultura de negócios atualmente necessárias para uma RSC efetiva. Para saber mais Os sentimentos de existência, de pertencimento e de comprometimento não são fragmentados a cada episódio específico de nossa vida – por exemplo, alguém que prima pela pontualidade, busca respeitar prazos e horários em quaisquer situações, seja em suas atividades profissionais, ou em sua informalidade, como um encontro num bar. Ao mesmo tempo, nossa formação cultural, ética e social é uma construção social em movimento, dotada de uma grande capacidade de transformação a partir de nossas experiências e contatos com o mundo. Em um mundo globalizado e altamente acelerado e conectado, devemos tomar cuidado em “robotizar” também as relações humanas. Procurar compreender e se vincular com o outro parece uma tarefa cada vez mais difícil em nossos tempos. Com esse intento, alguns pensadores nos ajudam a refletir a necessidade de fortalecer vínculos humanos genuínos para que possamos fazer alguns enfrentamentos em termos de alguns colapsos socioambientais. Unidade 3 • Cultura Organizacional64/218 1. A Cultura como Construção Social Cada comunidade desenvolve uma cultura própria. Em termos empresariais, por muito tempo, foi desenvolvida uma “cultura de trabalho”, cuja noções de solidariedade e amor ao trabalho suplantavam os valores ligados ao lucro de negócios. Essa perspectiva foi sendo alterada, gradativamente, durante a década de 1980. A desconstrução da empresa como um agente de exploração, a partir, por exemplo, da política Para saber mais Nesse sentido, deixamos o convite para que conheça um pouco sobre o pensamento de dois autores: o filósofo francês Edgar Morin, um dos percussores da Teoria da Complexidade, e do sociólogo polonês Sygmunt Bauman, criador do conceito de Modernidade Líquida. Os dois pequenos vídeos abaixo apresentam pontos de partidas para essa reflexão (outros vídeos estão disponibilizados na plataforma YouTube): <https://www.youtube.com/watch?v=8_ifW0Gym0I>. <https://www.youtube.com/watch?v=LcHTeDNIarU>. Unidade 3 • Cultura Organizacional65/218 de distribuição de lucros entre os funcionários, favoreceu a construção de uma “comunidade de criação de riquezas” e a consolidação de culturas corporativas genuínas (TIRIBA, 2008; LEANDRO; REBELO, 2011). A cultura corporativa é a combinação de diferentes elementos culturais, cada um com suas características próprias, são eles: a cultura nacional, a cultura profissional e os acontecimentos importantes que já tenham ocorrido naempresa. A cultura nacional pode ser definida como um conjunto de elementos que direcionam o pensar e o agir dos membros de uma determinada corporação, mesmo que eles possuam diferentes origens ou formações. Isso só é possível a partir da consolidação de normas e regras que orientam as ações de seus membros e servem como apoio na resolução de conflitos. A cultura organizacional é o modelo de pressupostos básicos, que um dado grupo desenvolve no processo de aprendizagem, para lidar com o problema de adaptação externa e integração interna. Esse modelo é desenvolvido e vivenciado dentro da organização, sedimentando processos, atitudes, crenças, valores, ritos, atos e mitos levando a organização a criar sua própria identidade cultural na forma de ajuizar, discorrer e aprender a lidar com dificuldades advindas da diversidade cultural (MARTINS, 2006, p. 39). Unidade 3 • Cultura Organizacional66/218 Nessa seara, os fundadores da empresa são os elementos principais na construção desse capital. É a partir de suas experiências, conhecimentos, crenças, personalidades e filosofias que é traçada a “filosofia” e o futuro da empresa. Já a cultura profissional tem a ver como a cultura de trabalho adquirido em outras experiências de vida, inclusive a formação adquirida em outras empresas. Já os acontecimentos, ou marcos, são os mitos heroicos, ou seja, os tempos de glória vivida pela empresa, que auxiliam a produzir mitos, imagens e rituais de uma empresa. Observe que nenhum dos elementos apresentados são “naturais”, surgidos do “nada”. São aspectos que são construídos socialmente e, assim sendo, são passíveis de transformação, conforme necessidades, demandas ou estímulos. Para saber mais Para saber mais sobre o conceito de cultura, deixamos a sugestão de um pequeno livro, intitulado “O que é cultura?”, da Coleção Primeiros Passos, escrito por José Luiz dos Santos e publicado pela Editora Brasiliense. É possível encontrar esse livro em formato de e-book em sites direcionados com esse fim. 2. Operação e Formalização da Cultura dentro das Organizações A cultura corporativa é uma variável essencial para explicar a vida diária e as Unidade 3 • Cultura Organizacional67/218 escolhas estratégias feitas por um grupo social. É, em certo sentido, um subproduto cultural nacional e, portanto, um conjunto de valores, mitos, rituais, tabus e sinais compartilhada pela maioria dos funcionários. Mais do que um plano de gestão, são esses valores que consolidam aquilo que conhecemos como “a filosofia da empresa”, e acabam por determinar as regras de procedimento, os posicionamentos, e até mesmo o sistema de recompensas e sanções adotadas. Impor-se contra esse sistema pode acarretar em conflitos e sentimento de aversão dos componentes de uma empresa (MARTINS, 2006). Tem a função de agrupar as normas informais e não escritas sobre a rotina e o comportamento dos membros de uma organização, no intuito de direcionar ações em prol dos objetivos organizacionais. Com esse intuito, são firmados alguns rituais, presentes em vários momentos da vida corporativa: no recrutamento, nas reuniões de negócios, nas recepções, entre outros. A cultura organizacional inclui símbolos, como uniformes ou crachás que distinguem os membros da organização daqueles que são externos a ela. Mais sutilmente, a linguagem aparece como símbolo cultural mais expressivo. Esse compartilhamento facilita o movimento, a informação, a comunicação social e a tomada de decisão. Esta linguagem se consolida em um vocabulário específico, mas também nas formas e nos estímulos Unidade 3 • Cultura Organizacional68/218 de comunicação adotados: cartas, relatórios, ordens, etc., assim como nos procedimentos de controle (FAIR RIDGE GROUP, 2009). Todo esse conjunto de relações permite a cada indivíduo a se identificar como parte de um projeto maior, de uma existência necessária para a sociedade. Para saber mais Para saber mais sobre o conceito de cultura organizacional, sugerimos a leitura dos seguintes artigos: Modelo de gestão e cultura organizacional: conceitos e interações, escrito por Jaime Crozatti, publicado na revista Cadernos de Estudos em 1998. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-92511998000200004>. A responsabilidade social das empresas: incursão ao conceito e suas relações com a cultura organizacional”, escrito por Alexandra Leandro e Tereza Rebelo, publicado em uma edição especial da revista Exedra, em 2011. Disponível em: <http://www.exedrajournal.com/docs/s-CO/01-11-40.pdf>. Unidade 3 • Cultura Organizacional69/218 3. Visão Instrumental da Cultura Organizacional: um Projeto de Negócio O plano de negócios é um documento unificador, que traduz dinamicamente os desejos da corporação para os períodos futuros. Às vezes, é resumido numa carta que reúne aspectos essenciais (o que nós somos, o que fazemos, e o que pretendemos – nessa parte, são apresentados os principais objetivos da empresa). No entanto, é importante observar que a empresa é um ambiente de conflitos, pois há grupos com diferentes aspirações e possíveis interesses divergentes que devem trabalhar em conjunto. Esses conflitos podem ser resolvidos por meio de negociações ou de confronto, mas também por meio de um rigoroso planejamento de trabalho (BIO, 1987). Nesse sentido, um documento norteador deve: • Num ambiente influenciado pela complexidade e incerteza, garantir mecanismos de decisão que possuam certa flexibilidade. • Priorizar a qualidade em relação à quantidade. Dessa forma, evita-se o desperdício numa linha de produção prejudicada por uma eventualidade ou acidente. • Consolidar uma visão de futuro compartilhada por todos os seus participantes. Unidade 3 • Cultura Organizacional70/218 • Incluir a cultura corporativa como uma ferramenta de gestão. • Compreender o funcionário como o “coração da empresa”, e deve contar com um espaço de diálogo para manifestar suas aspirações, reclamações e sugestões. O setor de Recursos Humanos deve levar esses aspectos em consideração, no intuito de apresentar estratégias de melhoria do ambiente de trabalho, de segurança, e outros aspectos coletivos de trabalho (plano de carreiras, seguridade social, e outros). • Apresentar a pirâmide organizacional da empresa, no intuito de fortalecer o sentimento de pertencimento de grupo, e gerar expectativas de promoção. 4. Os Benefícios e Desafios da Consolidação de uma Cultura Organizacional A cultura corporativa permite uma maior competividade e desempenho das empresas. Crenças, práticas e mitos comuns são um mecanismo de coordenação informal que sincroniza os esforços dos funcionários. Os novos funcionários adquirem determinados valores, objetivos e práticas da empresa a partir do convívio e ensinamento dos funcionários mais antigos. Nesse sentido, a cultura organizacional é socialmente construída. Nesses casos, a motivação são qualitativamente melhores do que aqueles impostos por algum tipo Unidade 3 • Cultura Organizacional71/218 de autoridade hierárquica. O custo do trabalho também é inferior, permitindo um melhor desempenho financeiro da empresa, num fenômeno conhecido como “efeito da cultura” (SOUZA; JORDÃO, 2012). Porém, uma cultura mal gerida pode ocasionar alguns problemas, tais como: a) a não identificação no crescimento dos negócios (em virtude de limitação das promoções, medidas de contenção, entre outros). Quando restrito ao aspecto financeiro, a cultura organizacional é fragilizada, como: b) a falta de uma cultura de comunicação efetiva, ou uma que possua apenas uma direção (do posto mais alto para o posto mais baixo)– criando uma percepção de ação totalitária, que pode facilitar situações de resistência. Diante dessas e outras dificuldades, por que não fazer esforços para a constituição de um projeto maior? A consolidação de uma cultura organizacional que integre não só a vida profissional dos funcionários da empresa, mas também os entendimentos sobre ética, valores sociais, sonhos e criatividade? Uma estratégia em RSC pode auxiliar nesse sentido. 5. Cultura Organizacional e Responsabilidade Social, Uma Ponte Possível Atualmente, assim como clientes cada vez mais ávidos por uma postura de consumo sustentável, também se observa a ampliação de indivíduos, sobretudo mais Unidade 3 • Cultura Organizacional72/218 jovens, com a expectativa de uma profissão que agregue melhores condições para à sociedade e o ambiente. Profissionais orgulhosos em serem associados com uma organização responsável, recomenda a outros o lugar como ótimo de trabalhar. Consequentemente, isso facilita a atração de talentos e contribui para uma melhoria da reputação com os clientes. Mas como iniciar essa sensibilização? Primeiramente, deve-se descobrir a atual percepção sobre os assuntos de interesse da empresa. Uma pesquisa individual ou em grupo pode ser utilizada para aferir o quanto os funcionários percebem o compromisso da sua empresa com a sustentabilidade socioambiental, bem como os seus próprios pensamentos pessoais. É interessante também recolher as ideias sobre quais medidas são percebidas como necessárias para progredir nessa questão, e se eles estão interessados em serem envolvidos. Essa informação poderá auxiliar a construção de uma estratégia de engajamento. Um projeto de engajamento dos funcionários não obtém êxito sem uma infraestrutura de gestão que apoie as iniciativas de sustentabilidade. Isso significa integrar a sustentabilidade dentro do próprio local de trabalho, e também a integração desta na estratégia global de negócios, com uma visão clara de metas. Também, deve obter forte apoio da equipe Unidade 3 • Cultura Organizacional73/218 executiva da empresa, e uma estrutura de governança colaborativa, para a tomada de decisão e alocação de recursos. Um programa de recompensas e reconhecimento são bastante eficazes. Uma equipe que acolha representantes de todas as unidades de produção também é importante. Uma infraestrutura mínima também deve ser perseguida, e deve conter, minimamente, instrumentos de coleta de dados e armazenamento, metas e ferramentas de avaliação, espaço para discussões e comunicação, entre outros. Abaixo, seguem algumas sugestões para a construção de uma estratégia de engajamento (FAIR RIDGE GROUP, 2009): • Articule uma visão de sustentabilidade, sua importância, e o que as pessoas precisam fazer para garanti-la. • Dialogue sobre as expectativas de desempenho e como o progresso será medido. • Clarifique os papéis e as competências requeridas para gerenciar/participação em iniciativas de sustentabilidade. • Forneça educação e formação sobre o tema “sustentabilidade”, no que se refere às habilidades técnicas e de negócios, incluindo a colaboração, inovação e gerenciamento de projeto. Unidade 3 • Cultura Organizacional74/218 • Envolva os funcionários no planejamento e na implantação do projeto, desde o diagnóstico até a divulgação do feedback dos resultados para uma melhoria contínua. • Estabeleça equipes funcionais que auxiliem na produção de diretrizes e metodologias de ação. • Consolide um programa de melhoria contínua para rever processos, questões ambientais e priorização de novas iniciativas. • Estabeleça um espaço de compartilhamento ou de excelência em sustentabilidade para compartilhar e desenvolver melhores práticas. • Forneça os recursos necessários para apoiar o engajamento, tais como: recursos financeiros e estruturais para treinamento, troca de informação, infraestrutura, divulgação, entre outros. • Motive, inspire, energize os funcionários a se comprometer com a estratégia: evidencie os benefícios e a importância de suas contribuições. • Solicite e aborde questões e preocupações. • Recompense comportamentos necessários para o sucesso do projeto. • Comemore realizações. Unidade 3 • Cultura Organizacional75/218 Para saber mais Pesquise sobre propostas de oficinas motivacionais que sejam criativas, e que possibilite a participação do maior número de pessoas. Evite ferramentas onde o funcionário, alvo da sua ação, seja um mero expectador. Ele deve sentir-se influente na ação da empresa. Isso facilitará o compromisso e engajamento. Um consultor/palestrante com bastante experiência pode ser uma boa alternativa. Unidade 3 • Cultura Organizacional76/218 Glossário Participação: ato de juntar-se com outros com um objetivo. Tornar-se parte (DIGITRO, s/d). Comunicação: compartilhamento de informações com outras. Isso pode ser feito através de diferentes mecanismos, e pode incluir: sites, mídias sociais, relatórios, fóruns, murais, entre outros (DIGITRO, s/d). Planejamento ou projeto estratégico: iniciativa ou documento de uma organização que, quando aprovado pelo conselho administrativo, indica a missão e as diretrizes a serem seguidas, juntamente com estratégias e metas que se espera atingir durante um determinado período (DIGITRO, s/d). Questão reflexão ? para 77/218 Dentro do contexto brasileiro, sabe-se que a maior parte dos empregadores e empregados vivem numa situação de micro ou pequena empresa. Apesar da menor repercussão, há um grande potencial dessas empresas em atividades e projetos de sustentabilidade socioambiental. Nesse sentido, como incentivar as ações sustentáveis de funcionários e gestores em pequenos negócios? Quais são os ganhos nesse tipo de ação? 78/218 Considerações Finais A cultura é um repositório de aspectos apreendidos através da interação social, construída no seio de uma comunidade, e influenciada por aspectos sociais, ambientais e econômicos. A cultura organizacional é uma variável estratégica que associa valores organizacionais e valores éticos, e fortalece no indivíduo um sentimento de participação de um projeto “maior”. Ao mesmo tempo, é um complexo pouco palpável. Apesar disso, quando a empresa reconhece sua riqueza é possível capitalizar o seu potencial humano. Embora possa haver resistências, a gestão sustentável da cultura organizacional tem o potencial de valorização da marca, e estimula a criatividade e o talento dentro da organização. Para quaisquer estratégias de Responsabilidade Social e Ambiental Corporativa, é imprescindível o estímulo da participação dos funcionários, de todas as funções e áreas. É essa participação que garantirá o sentimento de pertencimento, e sucesso do projeto. Unidade 3 • Cultura Organizacional79/218 Referências BIO, S. R. Desenvolvimento de sistemas contábeis-gerenciais: um enfoque comportamental e de mudança organizacional. São Paulo, 1987. Tese (Doutorado) − Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, 1987. CROZATTI, J. Modelo de gestão e cultura organizacional: conceitos e interações. Cad. estud. [on-line], p. 1-20, 1998. DIGITRO. Glossário. s/d. Disponível em: <http://www.digitro.com/pt/index.php/sala-imprensa/ glossario>. Acesso em: 18 fev. 2016. FAIR RIDGE GROUP. Building an organizational culture of sustainability: employee engagement. Triple Pundit, 2009. Disponível em: <http://www.triplepundit.com/2009/09/ building-an-organizational-culture-of-sustainability-employee-engagement/>. Acesso em: 12 jan. 2016. JORDÃO, R. V. D.; SOUZA, A. A. Efeitos da cultura organizacional no sistema de controle gerencialpós-aquisição: um estudo de sucesso numa empresa brasileira. REGE - Revista de Gestão. v. 19, n. 1, 2012. LEANDRO, A.; REBELO, T. A responsabilidade social das empresas: incursão ao conceito e suas relações com a cultura organizacional. Exedra, ed. esp., p. 11-39, 2011. Unidade 3 • Cultura Organizacional80/218 MARTINS, M. G. O. M. Cultura nacional e cultura organizacional: um estudo de caso em uma cooperativa de crédito (Dissertação de mestrado) − Programa de Pós-Graduação em Administração, Faculdade Novos Horizontes, Belo Horizonte, MG, 2006. MORIN, E. Introdução do pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina, 2005. MOTTA, F. C. P.; CALDAS, M. P. Cultura organizacional e cultura brasileira. São Paulo: Atlas, 1997. PRAHALAD, C.; HAMEL, G. Competindo pelo futuro. Rio de Janeiro: Campus, 1995. SILVEIRA, L. F. A influência da cultura nacional na cultura organizacional: estudo de caso de aquisição no setor de biotecnologia. Revista Gestão e Planejamento, p. 24-43, 2010. SOUZA, R. V. D.; SOUZA, A. A. Efeitos da cultura corporativa no sistema de controle gerencial pós-aquisição: um estudo de sucesso numa empresa brasileira. REGE − Revista de Gestão da Universidade de São Paulo, p. 55-72, 2010. TIRIBA, L. Cultura de trabalho, autogestão e formação de trabalhadores associados na produção: questões de pesquisa. Perspectiva, p. 69-94, 2008. 81/218 Assista a suas aulas Aula 3 - Tema: Cultura Organizacional: Conscientização Ambiental no Âmbito Corporativo - Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/39a85747e4b52703f5f278c4e86b8db3>. Aula 3 - Tema: Cultura Organizacional: Conscientização Ambiental no Âmbito Corporativo - Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ fc386803279e4042dc2d3f41f0e2c1d2>. 82/218 1. Quanto à cultura organizacional, podemos dizer que: a) Ela auxilia a promover entre os diferentes componentes de uma empresa, uma missão institucional. b) Relaciona-se a fatores externos de uma empresa, como, por exemplo, à cultura nacional. c) Os valores compartilhados podem influenciar comportamentos, inclusive fora do eixo organizacional. d) Pode ser percebida como como variável estratégica, capaz de gerar diferencial competitivo. e) Todas as sentenças estão corretas. Questão 1 83/218 2. Abaixo, é listado motivações para uma mudança de Cultura Organizacional, com EXCEÇÃO: a) A adequação a um novo contexto social, econômico e ambiental. b) Uma nova missão institucional. c) Sensibilização a uma causa considerada importante. d) Inibir a existência de normas informais existentes dentro de uma corporação. e) Implementação de gestão inovadoras, como os de gestão ambiental. Questão 2 84/218 3. Para utilizar a cultura organizacional como ferramenta estratégia, o gestor deve: a) Não interferir nos perfis de trabalho dos funcionários da empresa. b) Recusar aspectos ligados à história da empresa, com o intuito de inovação. c) Evitar mecanismos de compensação, pois esses acabam por incentivar o perfil de funcionários voluntários. d) Definir progressão de carreira e sistemas de avaliação, buscando reforçar a filosofia, crenças e mitos. e) Todas as ações possuem relação direta com a utilização da cultura organizacional como ferramenta estratégica empresarial. Questão 3 85/218 4. São ações de engajamento: a) Articulação com vistas à sustentabilidade. b) Uso de metas de desempenho e regimes de avaliação. c) Envolvimento de funcionários em toda a cadeia de ações. d) Consolidação de programas de melhoria contínua. e) Todas as afirmações estão corretas. Questão 4 86/218 5. Tendo como referência a cultura organizacional para a promoção de uma cultura para a sustentabilidade, podemos dizer que: a) A questão salarial passa a ser uma questão de pouca relevância. b) O principal aspecto que deve ser tratado por um gestor é o combate às diferenças existentes entre os indivíduos que participam no interior da organização. c) A questão da qualidade dos produtos se torna um aspecto relevante a ser tratado. d) Relatórios de avaliação devem estar restritos aos gestores administrativos, com o intuito de preservar a empresa de vazamento de dados sigilosos. e) A cultura organizacional não deve focar as relações estabelecidas com agentes políticos e legais de uma empresa, no intuito de evitar conflitos. Questão 5 87/218 Gabarito 1. Resposta: E. A cultura organizacional tem a ver com todo o corpo de trabalho existente dentro de uma empresa, e com as relações que são estabelecidas no exterior dela. São os valores compartilhados por todos os pertencentes a ela, e serve como referência para um projeto de futuro. Dessa forma, não se consegue restringir a outros aspectos da vida, como a cultura de um determinado povo. 2. Resposta: D. A cultura pode ser representada por aspectos formalizados, como o corpo jurídico e normativo de uma sociedade, comunidade ou mesmo uma empresa. Porém, ela também abarca concepções coletivas que são simbólicas, que não estão estabelecidas como regras, mas são aceitas como necessárias. A forma de se vestir, por exemplo, é determinada mais por concepções informais (a escolha da roupa para ir a um bar, um trabalho, uma praia), do que regras impostas. 3. Resposta: D. O conhecimento sobre a história da fundação de uma empresa, as conquistas atingidas, e o seu comprometimento com determinadas causas, ao longo do tempo, permite um sentimento de pertencimento a um grupo maior, ou a um projeto mais importante. Ao mesmo tempo, projetos de progressão de carreira e valorização 88/218 Gabarito salarial, reforçam a ideia de futuro, e importância de um maior envolvimento com as atividades e as missões que a empresa prega para si, e para aqueles que dela fazem parte. 4. Resposta: E. Todos as ações que buscam o compartilhamento de informações, missões e projetos facilitam um maior engajamento daqueles que estão envolvidos, direta ou indiretamente, das ações de uma corporação. 5. Resposta: C. O debate e projetos que buscam melhorar a qualidade dos produtos, dentro de um projeto de sustentabilidade, permite aos funcionários conhecerem, dialogarem, e auxiliarem num processo de maior eficiência da cadeia produtiva. 89/218 Unidade 4 Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade Objetivos 1. Apresentar o plano de negócios como um processo de identificação de metas de longo prazo, estimulando estratégias para o alcance de metas de amplo alcance. 2. Incentivar a estratégia de educação global para a organização, a partir de programas de sensibilização para diferentes públicos-alvo. 3. Propor subsídios para a construção de projetos em Educação Ambiental Corporativa, da sua elaboração até a fase de avaliação. Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade90/218 Introdução A questão ambiental é complexa e urgente, e envolve uma infinidade de diferentes agentes: gestores públicos, órgãos de fiscalização e controle, judiciário, ONGs, mídia, comunidades de resistência, produtores agrícolas, empresas, entre outros. Nesse sentido, o setor econômico desenvolve as principais atividades que incidem num tipo de impacto ambiental negativo. Dessa forma, ele não pode se eximir de participar em prol de medidas mitigadoras para minimizar os danos sobre o ambiente que compartilha. É preciso destacar que, a concepção de ambiente como simples sinônimo de natureza há muito é questionada pordiferentes áreas do conhecimento. Trata-se de um espaço de interação entre a sociedade, culturas e a base física e biológica dos processos vitais que garantem a manutenção da vida neste planeta. Nesse entendimento, o “meio ambiente” torna-se o espaço relacional, em que a presença humana, longe de ser entendida como intrusa, aparece como agente da teia de relações da vida natural, social e cultural (CARVALHO, 2008). Dentro do âmbito corporativo-empresarial, as medidas com maior repercussão estão relacionadas com a adoção de tecnologias que minimizam impactos ou danos, ou mesmo, que conseguem reverter um quadro de danos. Simultaneamente, percebe-se a adoção de outras medidas, que tem a ver com a diminuição da Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade91/218 produção de resíduos, reaproveitamento de reciclagem de materiais, otimização do ciclo de vidas de produtos, entre outros. Porém, é de conhecimento geral que nem mesmo toda a tecnologia atual é capaz de dar plena segurança, ou mesmo, reverter quadros extremos de degradação. No sentido de prevenção e transformação do atual quadro de crise socioambiental, na década de 1960, percebemos os primeiros esforços para a consolidação de uma proposta pedagógica para a sensibilização sobre os problemas ambientais e para a transformação de consciências. Loureiro (2006, p. 106) chama a atenção para o fato de que, no atual momento, a educação ambiental “é uma ação efetiva e coletivamente organizada, pautada em permanentes reflexões teóricas que qualificam sua prática, sendo por esta revista [...]”, caracterizando-a como uma atividade política intensa. É isto que segundo o pesquisador a consolida e a amplia em lugares conquistados, fortalecendo experiências, debates e o diálogo entre os diferentes agentes. Mas alerta: “[...] cabe a nós evitarmos a prática à ação estritamente pedagógica e às mudanças comportamentais individuais, acreditando em uma educação vista como a ‘a salvação de todos’, idealmente concebida e deslocada da dinâmica histórico-social concreta [...]”. Assim, é necessário que consolidemos uma educação que ultrapasse as fronteiras Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade92/218 de transmissão de conhecimento. Uma Educação Ambiental crítica é aquela que adota um enfoque complexo que se debruce tanto sobre o exame das raízes como das causas da crise e trabalhe a mudança cultural e a transformação social de modo simultâneo ao enfrentamento pedagógico da crise. Loureiro (2006) enfatiza, ainda, a necessidade de se avançar numa proposta de educação ambiental crítica, cuja ação permita a apropriação reflexiva de conhecimentos e saberes na construção e a reelaboração de valores éticos para a relação dos sujeitos entre si e deles com o ambiente, priorizando a participação política de todos, com o objetivo de promover a transformação social no ambiente. A educação não é restrita a uma sala de aula, ela deve envolver todos os espaços possíveis: a mídia, os espaços públicos e coletivos, as igrejas, as empresas, entre outros. Segundo Tozoni-Reis (2008) a dimensão crítica da educação ambiental inicia-se com a intencionalidade de imprimir ao desenvolvimento individual um caráter social, em sua relação com a natureza [com o ambiente] e com os outros seres humanos, com o objetivo de potencializar a atividade humana, tornando-a mais plena de prática social e de ética ambiental, exigindo, portanto, uma sistematização através dos processos de transmissão/ apropriação crítica de conhecimentos, atitudes e valores políticos, sociais e Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade93/218 históricos. Na concepção deste autor, o movimento de fazer-se humano ocorre na apropriação/transmissão crítica e transformadora da totalidade histórica e concreta da vida dos homens no ambiente (TOZONI-REIS, 2008). Um aspecto a destacar na busca dessa autonomia e consciência refere-se ao entendimento de que vivemos atualmente em um mundo amplamente interconectado, caracterizado por um fluxo crescente e encadeado de pessoas, de ideias, de conhecimentos, de bens e de riquezas. Desse fenômeno, advêm questões desafiadoras, tais como a aceleração das desigualdades socioeconômicas, dos padrões de consumo, dos conflitos, do desequilíbrio ambiental, da necessidade de novas estruturas de convivência, entre outros. Sendo fruto dessa situação complexa, a Educação Ambiental (EA) caracteriza-se como uma proposta interdisciplinar, que tem entre seus desafios, o de reorganizar o conhecimento para favorecer a apreensão da realidade. A partir desta consideração, a seguir, serão recuperadas algumas ideias, conceitos e proposições que permitem pensar o ambiente como um poderoso instrumento de planejamento e gestão empresarial, com vistas à consolidação de um amplo programa de responsabilidade social corporativa. Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade94/218 Para saber mais Em termos conceituais, as ações e práticas educativas realizadas ou facilitadas por empresas e corporações, que objetivam “a sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais, e à sua organização e participação na defesa da qualidade do meio ambiente”, são atividades de educação ambiental-não formal (ou informal) (BRASIL, 1999, p. 1). Essa modalidade se diferencia da EA formal por não acontecer dentro do ambiente escolar, e requerer metodologias condizentes com o público- alvo a ser atingido. Em 1999, o Estado brasileiro oficializou a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei nº 9.795, de 1999), que dispõe algumas diretrizes para a realidade brasileira. Para saber mais indicamos a leitura da lei, disponível no link a seguir: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l9795.htm>. 1. Educação Ambiental e a Complexidade Juntamente com outros escritores, Layrargues (2004) faz uma severa crítica ao reducionismo apresentado pela Educação Ambiental tradicional, que se compromete unicamente pelas raízes da crise ambiental, pautando-se exclusivamente para uma mudança de comportamentos (por exemplo: economizar água, jogar lixo em locais adequados, entre outros). O mesmo autor alerta Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade95/218 que é improvável uma alteração cultural sem que observemos também outros aspectos da vida social, como as relações de produção e comércio. Treinamentos, em casos específicos para a formação de habilidades podem ser aproveitados como elemento adicional de processos educativos maiores. Contudo, quando se visa o desenvolvimento de novos comportamentos, de valores, e uma relação mais ética com o meio ambiente, as organizações precisam adotar a educação ambiental como estratégia de conexão à cultura das organizações (LINDNER, 2001). Para saber mais Em suas últimas obras, o filósofo francês Edgar Morin vem analisando criticamente a forma de pensar a educação e os resultados que estamos obtendo. Em uma palestra, intitulada “Educação na Era Planetária” ele afirma que “parece que aprendemos a analisar, a separar, mas não a relacionar e fazer com que as coisas se comuniquem”. A gravação da referida palestra está disponibilizada através do seguinte link: <http://www.youtube.com/watch?v=C_ hNtktX8m4> (versão com aproximadamente 55 minutos). Segundo Meigar (2005, p. 24-25), as organizações devem conhecer e avaliar os Unidade 4 • Planejamentoe Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade96/218 conteúdos que elas trabalham, para assim ter uma concepção que forneça ao indivíduo a plena consciência do significado da educação ambiental, tais como: a) aquele que gera um resíduo ou causa um impacto nocivo sobre o meio ambiente deve arcar com os custos de sua reparação – princípio de “quem polui paga”; b) o gerador responde pelo resíduo, mesmo que esse resíduo seja transferido de local, tenha mudado de depositário, ou até mesmo de forma, mantendo suas mesmas características nocivas; c) a responsabilidade por danos causados ao meio ambiente é objetiva, e não subjetiva, ou seja, uma empresa que causa um dano ao meio ambiente é responsável pelo mesmo, independentemente da comprovação da culpa ser sua ou de terceiros, pela simples existência de nexo causal entre o prejuízo e sua atividade; Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade97/218 d) o Artigo 129, da Constituição Federal, inclui, entre as funções do Ministério Público, a de promover inquérito civil e propor Ação Civil Pública contra o poluidor, para a proteção do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos da sociedade. Outras entidades ou organismos também podem ser autores de Ações Civis Públicas: a União, estados, municípios, autarquias, empresas públicas, fundações, sociedades de economia mista e associações que incluam, entre suas finalidades, a proteção do meio ambiente. As condenações judiciais em dinheiro, decorrentes dessas ações, devem constituir um fundo, visando à recomposição dos bens e interesses lesados; e) para se realizar uma obra ou implantar um empreendimento que seja considerado potencialmente poluidor, torna-se necessária a realização de Estudos de Impacto Ambiental – EIA (MEIGAR, 2005, p. 24-25). Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade98/218 Para saber mais A lei de Crimes Ambientais é um importante instrumento para o (re)conhecimento das principais aspectos de cuidados ambientais devem ser tomadas por uma empresa. Outras legislações, mais condizentes com a área de atuação da empresa podem ser estudadas. Há cartilhas e manuais institucionais de fácil leitura para diferentes públicos. Uma delas é a cartilha sobre crimes ambientais produzida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA, 2004). Para saber mais, clique no link a seguir: <http://ecolmeia.org.br/cartilha-leis-dos-crimes- ambientais-ibama/>. O Conselho Nacional de Meio Ambiente é órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente-SISNAMA, responsável por estabelecer normas e critérios ambientais para atividades produtivas. Ter acesso e discutir coletivamente as motivações das resoluções do referido conselho é uma metodologia interessante de educação ambiental informal dentro das empresas. Saiba mais em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/estr.cfm> Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade99/218 2. Educação Ambiental nas Empresas Além do encargo ético, atualmente a competividade entre as empresas pressiona por posicionamento proativo e por uma relação mais equilibrada e sustentável com o meio/natureza. A “postura verde” se consolida como instrumento de valorização da imagem empresarial perante os seus stakeholders, pois a insere como importante contribuinte nos processos de discussão e decisão sobre o acesso e uso dos recursos ambientais. Tal posicionamento foi consolidado a partir da década de 1990, a partir da iniciativa Business Council for Sustainable Development, promovida pela ONU, no intuito de promover o engajamento empresarial para as atividades que perseveram a consolidação de um desenvolvimento sustentável. Apesar de não consensual, o conceito de Desenvolvimento Sustentável facilitou e publicitou a necessidade de mecanismos que proporcionassem uma relação de produção menos danosa ao meio ambiente. Diante do alto índice de crescimento populacional, esgotamento dos recursos, mais urbanização, industrialização e consumo, leis e normas ambientais mais severas foram sendo implantadas na maioria dos países desenvolvidos, e, por pressão, nos países em desenvolvimento. Nesse sentido, a sustentabilidade Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade100/218 empresarial passou a ser uma exigência dos stakeholders, no intuito de não comprometer o atendimento das necessidades de negócios. A Educação Ambiental desenvolvida numa empresa deve ser um processo horizontal (coletivo, sem protagonistas), participativo (o aluno deve atuar enquanto aprende, e o professor aprender enquanto ensina), contínuo e permanente. É importante que a ação pedagógica possa, ao mesmo tempo: a) sensibilizar o público-alvo sobre as questões ambientais; e b) oferecer subsídios para a implantação de um Sistema de Gestão Ambiental na empresa (ABREU, 2000). Para isso, alguns passos são sugeridos: • 1º passo: o diagnóstico sobre o público-alvo e sua realidade = faixa etária, renda, formação, tipos de atividades exercidas, problemas enfrentados – temas geradores, potenciais dificultadores durante a execução do projeto, entre outros. • 2º passo: consolidação do projeto, situando os objetivos, metas, programa de ensino, organização da equipe e atribuições, cronograma, estratégias e procedimentos, recursos e materiais necessários, técnicas de apoio pedagógico e de avaliação. • 3º passo: envolve o desenvolvimento das ações propostas no projeto, no caso, um plano de ensino em ação, Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade101/218 a consolidação do planejamento e instrumento de trabalho do facilitador (execução). • 4º passo: é o momento onde acontece a avaliação das ações desenvolvidas. Tem como objetivo anotar dificuldades e satisfações com o intuito de corrigir deficiências e reaproveitar/melhorar as ferramentas de sucesso. Essa avaliação deve ser coletiva. • Ao final, é importante que a equipe organizadora emita feedbacks sobre o processo, apresentando a todos os partícipes informações, objetivos e metas atingidas, entre outros (ABREU, 2000). Para saber mais Uma série de metodologias em Educação Ambiental são encontrados na literatura. Uma que destacamos aqui é produzida pela FEHIDRO (Fundo Estadual de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo) (SEMA/SP, 2010). Disponível em: <http://disciplinas.stoa.usp.br/pluginfile. php/316037/mod_resource/content/1/ roteiro-para-elaboracao-de-projetos- fehidro-caap-set2010.pdf>. Sugerimos que faça a leitura da proposta, e reflita sobre as possibilidades de projetos na sua área de atuação. Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade102/218 Glossário Comportamento: sistema de ações interligadas que servem como expediente recorrente de um organismo ou grupo social (DIGITRO, s/d). Modelos alternativos de desenvolvimento: escolha entre duas ou mais alternativas sociais possíveis, no intuito do desenvolvimento com a conservação do meio ambiente (EMBRAPA, s/d). Impacto ecológico: efeito total de uma mudança ambiental causado por meios natural ou humano sobre o ecossistema de uma área (EMBRAPA, s/d). Questão reflexão ? para 103/218 É comum na literatura sobre Educação Ambiental a discussão sobre como a percepção atual sobre crescimentoeconômico, tecnologia e ciência, tem uma influência negativa sobre as práticas sustentáveis. Nesse sentido, concorda com o que diz alguns autores que existe na sociedade contemporânea um modelo único de desenvolvimento que prevalece entre os países e prejudica as relações sociedade x natureza? 104/218 Considerações Finais (1/2) Os princípios e as práticas da Educação Ambiental suscitam um pensamento complexo como forma de compreensão da realidade. Trata-se de uma proposta crítica sobre o tradicional modelo pedagógico (aprendizado passivo e descontextualizado) e provoca a revisão sobre o fazer pedagógico, incentivando, inclusive, o uso de outros espaços, que não os escolares, para a reflexão sobre o meio ambiente e a própria educação. O estudo e a interpretação de normas e leis ambientais facilitam o entendimento da responsabilidade empresarial e de cidadania, e proporciona uma reflexão mais ampla sobre as necessidades e os cuidados em diferentes dimensões, quais sejam: econômicas, sociais, territoriais, entre outros. Não é possível uma atividade em Educação Ambiental que inclua diferentes agentes e abordagens, pois a questão ambiental é muito complexa para ficar ao cargo de um determinado grupo social, ou uma única área do conhecimento. 105/218 Não é possível a indissociabilidade da teoria da prática na atividade humana consciente de transformação do mundo, ou seja, devemos buscar a permanente reflexão sobre as condições de vida numa prática concreta, “[...] como parte inerente do processo social e como elemento é indispensável para a promoção de novas atitudes e relações que estruturam a sociedade” (LOUREIRO, 2012, p. 84). Considerações Finais (2/2) Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade106/218 Referências ABREU, D. Sem ELA, nada feito: Educação Ambiental e ISO-14000. Salvador: Casa da Qualidade, 2000. BORDALLO, M. A. N.; GUIMARÃES, M. M.; CARRICO, M. K.; DOBBIN, J. Função gonadal de sobreviventes de doença de Hodgkin tratados na infância e adolescência com quimioterapia. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 45, n. 1, p. 87-95, 2001. BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 28 abr. 1999. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm>. Acesso em: mar. 2016. CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico (3ª ed). São Paulo. Cortez. 2008. DIGITRO. Glossário. s/d. Disponível em: <http://www.digitro.com/pt/index.php/sala-imprensa/ glossario>. Acesso em 18 fev. 2016. EMBRAPA. Glossário Ambiental. s/d. Disponível em: <https://www.embrapa.br/codigo- florestal/entenda-o-codigo-florestal/glossario>. Acesso em: 15 jan. 2016. Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade107/218 IBAMA − INSTITUTO BRASILEIRO DE MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS SUSTENTÁVEIS. Cartilha lei dos crimes ambientais. IBAMA: Brasília, 2004. LAYRARGUES, P. P. Muito além da natureza: educação ambiental e reprodução social. In: Loureiro, C.F.B.; Layrargues, p.P. & Castro, R.C. De (Orgs.) Pensamento complexo, dialética e ambiental educação. São Paulo: Cortez. 2006, p. 72-103. LIDNER, N. Uma proposta metodológica de Educação Ambiental para a integração do Sistema de Gestão Ambiental à cultura organizacional. Revista de Estudos Ambientais. Revista de Estudos Ambientais (Online), v. 3, p. 51-58, 2001. LOUREIRO, Carlos Frederico. B. Problematizando conceitos – contribuição à práxis em educação ambiental. In: LOUREIRO, C.F.B; LAYRARGUES, P.P; CASTRO, R.S. Pensamento Complexo, dialética e educação ambiental. São Paulo: Cortez, 2006. MELGAR, M. J. A. Educação ambiental nas empresas: um estudo de caso na Fischer Fraiburgo Agrícola Ltda (Dissertação). Programa de Pós-Graduação em Mestrado em Administração - Universidade Federal de Santa Catarina, 2005. SEMA/SP − SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO. Educação Ambiental: roteiro para elaboração de projetos. FEHIDRO, SEMA: São Paulo, 2010. Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade108/218 TOZONI-REIS, M. F. C. Educação ambiental: natureza, razão e história. Campinas, SP: Autores Associados, 2008. 109/218 Assista a suas aulas Aula 4 - Tema: Planejamento e Gestão Empresarial - Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ e3507c2332321bdb256fa326edcdc7b5>. Aula 4 - Tema: Planejamento e Gestão Empresarial - Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA- piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/71cd- 29d205f35944b96b8399479e6959>. 110/218 1. Sobre a questão ambiental, é possível dizer: a) Trata-se de uma questão complexa, onde se inserem aspectos sociais, políticos, econômicos, paisagísticos, entre outros. b) As problemáticas ligada à questão são de responsabilidade exclusiva do poder público. c) É uma temática que trata exclusivamente sobre questões de preservação e conservação da natureza. d) Possui pouca atenção da mídia e da opinião pública. e) Todas as afirmações acima são corretas. Questão 1 111/218 2. Quanto à proatividade e o engajamento empresarial com vistas à sustentabilidade, podemos fazer as seguintes afirmações, EXCETO: a) As atividades econômicas são consideradas aquelas com o maior impacto sobre o meio ambiente. Dessa forma, as corporações têm um significativo papel para a minimização dos impactos causados por suas ações. b) Uma das principais e tradicionais ferramentas de ação empresarial tem a ver com a adoção de tecnologias que minimizam os danos ambientais. c) Empresas e governos podem formar parcerias com o intuito de uma melhor qualidade ambiental nas áreas de suas abrangências. d) A educação para o meio ambiente é uma ferramenta estratégia de curto e longo prazo, e pode resultar em bons resultados em diferentes contextos. e) A educação ambiental tem como limitação a restrição às salas de aula, pois é difícil de ser adotada em outros espaços. Questão 2 112/218 3. Como características, a Educação Ambiental deve ser: a) Crítica. b) Contextualizada. c) Interdisciplinar. d) Sensibilizadora. e) Todas as opções estão corretas. Questão 3 113/218 4. Para Meigar (2005), as organizações devem conhecer e avaliar os conteúdos que elas se propõem a trabalhar. Das questões abaixo, qual o tema tem menor relação com normas legais e controle ambiental governamental? a) Princípio poluidor – pagador. b) Produção Mais Limpa. c) Legislação sobre crimes ambientais. d) Estudos de impacto ambiental. e) Nexo causal sobre competências e responsabilidades sobre uma atividade. Questão 4 114/218 5. Quanto à Educação Ambiental nas Empresas, NÃO é possível afirmar: a) Seus pressupostos são consolidados no bojo nas discussões da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, conhecida como Rio-92. b) O conceito de desenvolvimento sustentável, uma das bases da Educação Ambiental, é um complexo consensual adotado mundialmente. c) Políticas de Educação Ambiental no Brasil foram adotadas, sobretudo, por pressões internacionais, sobretudo por governos e organizações de países considerados desenvolvidos. d) É importante que os projetos pedagógicos permitam o diálogo de saberes, dentro de um processo participativo, e sem hierarquias, com o objetivo de consolidar propostas eficazes quanto à problemática ambiental. e) Para um projetopedagógico efetivo é necessária a realização de um mapeamento que trace particularidades e interesses do público-alvo. Questão 5 115/218 Gabarito 1. Resposta: A. A questão ambiental engloba a associação de diferentes conjunturas (social, espacial, econômica, cultural, etc.), dentro de um espaço em comum. Dessa forma, devemos prevenir e gerir colaborativamente os efeitos de degradação ocasionados pela subtração e processamento de recursos naturais, tais como: desmatamentos, contaminações por poluentes, inviabilização de recursos hídricos, entre outros. 2. Resposta: E. Tal como previsto em convenções internacionais e no próprio Programa Nacional de Educação Ambiental, a Educação Ambiental pode e deve ser adotada em diferentes contextos, não se restringindo ao espaço escolar. 3. Resposta: E. Para ser efetiva, a Educação Ambiental deve se apropriar de temas de interesses de um determinado público. Deve ser crítica, por não adotar modelos e respostas prontas, pois cada contexto possui suas peculiaridades. Deve ser interdisciplinar, pois não há uma área do conhecimento com o arcabouço necessário para sua englobar sua complexidade. Deve sensibilizar, pois a mudança de comportamentos se inicia a partir de comprometimentos éticos. 116/218 Gabarito 4. Resposta: B. Embora possa estar relacionada a uma condicionante ambiental, a Produção Mais Limpa não está diretamente ligada a aspectos de normatização governamental, do mesmo modo que estão previstas as outras sentenças. 5. Resposta: B. O conceito de Desenvolvimento Sustentável ainda promove uma discussão complexa e não consensual, pois não há parâmetros seguros sobre a possibilidade de atividades que não causem efeitos em quaisquer prazos. 117/218 Unidade 5 Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos Objetivos 1. Apresentar o papel e os objetivos da Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) na área de negócios. 2. Apresentar as etapas necessárias para a viabilizar um processo de AIA eficaz. 3. Discutir os aspectos necessários da AIA sob o ponto de vista da gestão. Unidade 5 • Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos118/218 Introdução A pavimentação de uma planta industrial, a expansão de uma área residencial, a construção de uma estrutura viária, a ampliação de um aeroporto. Esses são alguns exemplos típicos de projetos que por sua magnitude, na maioria dos países, só podem ser executados se um órgão competente pelo planejamento conceder autorização. De forma geral, as autorizações são concedidas quando efeitos positivos são percebidos como maiores do que os impactos negativos. No passado, esses aspectos eram avaliados sob a perspectiva socioeconômica, e se restringiam às questões como: o custo do projeto, as vantagens de mercado, as consequências para a qualidade de vida, a geração de empregos, entre outros. A partir dos anos 60 há uma crescente preocupação dos efeitos da atividade humana sobre o meio ambiente, e as suas lesivas consequências a longo prazo para o planeta. Temas como emissão de gases poluentes, contaminação da água e do solo, e a escassez de alguns recursos naturais, começaram a surgir e serem debatidos. A partir de então, consolidou- se a perspectiva de que o desenvolvimento além de sentidos e necessidades sociais e econômicas, deveria observar e perseguir padrões de controle, viabilidade e impacto ambiental. Nesse sentido, entende-se por impacto ambiental como o resultado ou efeito de uma ação humana, que é a sua causa − que pode estar associada à supressão Unidade 5 • Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos119/218 ou inserção de certos elementos no ambiente ou à sobrecarga, no sentido da introdução de fatores de estresse que extrapolam a resiliência do meio, gerando um desequilíbrio (SANCHEZ, 2006). Para saber mais Cuidado: não confundir causa com efeito. Por exemplo, uma rodovia por si só, não deve ser considerado um impacto, mas sim os efeitos causados por ele. Para saber mais, acesse o Manual de Impactos Ambientais, produzido pelo Ministério do Meio Ambiente. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/estruturas/sqa_ pnla/_arquivos/manual_bnb.pdf>. Graficamente, este conceito pode ser expresso como indica a figura, destacando- se a baseline e os aspectos temporais (início da manifestação dos efeitos sobre o meio, variação na qualidade ambiental, entre outros). Unidade 5 • Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos120/218 Gráfico 1 – Impacto Ambiental: resultado da relação da ação humana dentro de um quadro espacial. Fonte: Adaptado de Sanches (2006). Unidade 5 • Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos121/218 Já em termos operacionais, no campo da avaliação, o impacto ambiental pode ser entendido como a diferença entre a provável situação futura de um indicador ambiental (após a instalação de um determinado projeto proposto) e a sua situação presente (SANCHEZ, 2006). Uma das ferramentas disponível para satisfazer essa demanda é o processo de Avaliação de Impacto Ambiental (AIA). Esse procedimento envolve a identificação e a avaliação sistemática dos prováveis impactos ambientais de uma proposta de projeto ou de desenvolvimento, inter-relacionando-os a impactos socioeconômicos, culturais e da saúde humana, sejam eles benéficos ou adversos. Atualmente adotada em vários países do globo, sua função como facilitadora do desenvolvimento sustentável foi reconhecida durante a conferência Rio-92. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) define Avaliação de Impacto Ambiental como uma ferramenta utilizada para identificar os impactos ambientais, sociais e econômicos de um projeto antes da tomada de decisão. Destina-se a prever impactos ambientais numa fase precoce no planejamento e concepção do projeto, encontrar formas e meios de reduzir os impactos negativos, moldar projetos para se adequar ao ambiente local e apresentar as previsões e opções para as autoridades públicas. A AIA tem um potencial de fazer alcançar, ao mesmo tempo, benefícios ambientais Unidade 5 • Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos122/218 e econômicos, tais como redução de custo e tempo de implementação do projeto, ou mesmo evitar algum tipo de embargo normativo (PNUMA, 1991). Embora a legislação e as práticas variem ao redor do mundo, o processo de uma AIA segue algumas fases fundamentais: a) A triagem para determinar quais os projetos ou atividades exigem um estudo de avaliação do impacto reduzido ou mais amplo. b) A delimitação do âmbito para identificar quais os potenciais impactos são relevantes para avaliação (com base em requisitos legislativos, convenções internacionais, conhecimentos especializados e participação pública), para identificar soluções alternativas que evitem, mitiguem ou compensem os impactos negativos sobre a biodiversidade (incluindo a opção de não prosseguir com o prosseguimento do projeto, encontrar modelos alternativos, incorporar salvaguardas na concepção do projeto, ou fornecer compensação por impactos adversos) e, finalmente, preencher os termos de referência para a avaliação de impacto. c) A apreciação e a avaliação dos impactos de uma proposta de projeto, incluindo a elaboração detalhada de alternativas. Unidade 5 • Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos123/218 d) Relatoria dos Impactos Ambientais, incluindo um plano de gestão ambiental (PGA), e um resumo não técnico para o público em geral. e) Revisão da Estudode Impacto Ambiental (EIA), com base nos termos de referência (escopo), das autoridades e da consulta pública. f) A possibilidade de aprovação ou não do projeto, e em sob quais condições, através de um licenciamento prévio. g) Monitoramento, cumprimento, execução e auditoria ambiental. Já com o projeto em vigência, monitora- se os impactos previstos e a eficácia das medidas de mitigação propostas, tal como definido no PGA. É importante uma ampla revisão sobre os termos não identificados previamente (impactos ou medidas de mitigação). Ao final, o procedimento de AIA gera um documento − o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) que resume as conclusões da avaliação e discute a aceitabilidade dos impactos ambientais previstos. Tal relatório é apresentado às autoridades para apoiar a tomada de decisões relacionadas com a aprovação do desenvolvimento em consideração. 1. A AIA no Brasil Durante a década de 1980, observou-se a adoção em massa do sistema AIA em Unidade 5 • Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos124/218 países em desenvolvimento, facilitado em virtude de: • A questão ecológica passa a conter um apelo político e midiático, transparecendo a ideia de modernidade. • Trata-se de uma ferramenta com grande flexibilidade para diferentes contextos institucionais, geográficos e socioeconômicos. • A pressão de ONGs ambientalistas. • A influência das agências multilaterais (BIRD, Banco Mundial, FMI). Muitas das agências de fomento estabeleceram seus critérios para AIA, que influenciaram a normatização em alguns países. Em junho de 1985, o Conselho Diretor da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) aprovou uma resolução que conclamava os países-membros a assegurar que a AIA seria aplicada em projetos e programas de desenvolvimento. Por sua vez, o Banco Mundial sofreu muita pressão para que avaliasse os impactos decorrentes de seus projetos financiados, o que teve repercussões até mesmo no Congresso dos EUA (seu principal acionista) (ROCHA; CANTO; PEREIRA, 2005). No Brasil, a incorporação da AIA de modo compulsório a uma estrutura governamental se deu a partir da promulgação da Lei de Política Nacional de Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981), em 1981. Posteriormente, em 1986, foi regulamentada pela Resolução Conama Unidade 5 • Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos125/218 nº 01/1986, que passou a delimitar o alcance da AIA e o conteúdo mínimo dos Estudos de Impacto Ambiental. É importante ressaltar que formalização do processo também foi recepcionada pela Constituição de 1988 (artigo 225): “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (...)”. “Para assegurar este direito, incumbe ao Poder Público” (parágrafo 1o) “(...) exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação ambiental, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade” (inciso IV). As regulamentações posteriores consolidaram a aplicação da AIA vinculada ao processo de licenciamento ambiental (Resolução Conama nº 237/1997 e Decreto Federal nº 99.274/1990), podendo ser instrumentalizada pelo EIA/RIMA no caso de atividades potencialmente causadoras de significativa degradação ambiental (orientada pela listagem contida na resolução Conama nº 01/1986, mas não restrita a ela). Link É fundamental que você consulte e estude a Política Nacional de Meio Ambiente, e a Resolução Conama nº 01/1986, disponíveis nos links a seguir: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ LEIS/L6938.htm>. <http://www.mma.gov.br/port/conama/res/ res86/res0186.html>. Unidade 5 • Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos126/218 Inicialmente, a AIA voltava-se quase que exclusivamente a projetos de engenharia. Atualmente, é aplicada na avaliação ambiental de planos, programas e políticas (AAE), dos impactos da produção, consumo e descarte de bens e serviços (ACV), e recentemente, para a avaliação da contribuição líquida de um determinado projeto, plano ou programa para a sustentabilidade ambiental (análise de sustentabilidade). Seu objetivo não é o de forçar os tomadores de decisão a escolher a alternativa de menor dano ambiental – a AIA não é a solução para todas as brechas jurídicas e falhas de planejamento, que permitem, consentem e facilitam a continuidade da degradação ambiental. Assim, a prevenção do dano ambiental deve começar pelo começo (na formulação da proposta), e não pelo fim (na tomada de decisão). Talvez, a principal pergunta a ser feita, mesmo que intuitivamente, pelo analista/gestor seja: consigo perceber as perturbações causadas pelo impacto? Ao se manifestar positivamente, deve expor seu entendimento, e solicitar informações complementares, que irão demandar, cada caso, metodologias específicas. 2. Métodos de Avaliação de Impacto Ambiental Apesar de ser recomendado alguns passos de pesquisa e ação, há uma série de métodos que possibilitam a avaliação Unidade 5 • Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos127/218 do impacto ambiental, destacamos as seguintes (CARVALHO; LIMA, 2010): • Métodos ad hoc Reunião de um grupo de especialistas multidisciplinar, que busca, na primeira abordagem, identificar os impactos mais importantes a serem avaliados. Visa assegurar que questões relevantes não serão omitidas, e pode ser útil em casos onde uma nova tipologia é identificada. • Checklists (listagens de controle) Trata-se de uma lista dos impactos ambientais que devem ser considerados ou dos componentes do ambiente que podem vir a sofrer os impactos. Tem caráter qualitativo e pode ser útil na hierarquização de impactos. Porém, não permite identificar impactos de segunda ordem (pois não foi inserido na lista). Pode ser adotada vários tipos: simples/ detalhada, com/sem questionário. • Matrizes de identificação de impactos Nesse método, são utilizadas listas dispostas em linhas e colunas que permitem comparar: a) ações programadas em cada fase do empreendimento x componentes ambientais; e b) ações programadas x impactos previstos. Trata-se de uma ferramenta de caráter qualitativo, que tem como restrição a não identificação de impactos de segunda ordem. Porém, é muito útil para a comunicação de resultados. Unidade 5 • Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos128/218 • Diagramas ou redes de interação Ferramenta de caráter qualitativo, se utiliza de gráficos ou diagramas representando cadeias de impactos gerados a partir de uma ação. Entre outros, permite identificar inter-relações entre ações (impactos de segunda, terceira ordem, etc.). Sua limitação consiste na dificuldade de representar sistemas complexos (sistemas não lineares de casualidade, múltiplas retroalimentações). • Superposição de cartas Útil para a delimitação da área de influência (visualização espacial dos impactos). É necessário o auxílio de computador (e softwares de Sistema de Informações Geográficas − SIG). A partir dele, é possível analisar diversos cenários e identificar alternativas de localização do empreendimento. Porém, o custo é relativamente caro. • Modelos matemáticos Esse método, de caráter quantitativo, busca a simulação simplificada da realidade. Apesar de requererem um grande volume de dados, e terem custos relativamente elevados, permite a avaliação de diversos cenários, normalmente aplicado para a previsão de impactos sobre o meio físico. Unidade 5 • Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos129/2183. Potencialidades e Limites da AIA Diante do exposto, podemos considerar a AIA como uma ferramenta bastante comum de exigência legal para consideração dos efeitos ambientais dos projetos, em diferentes contextos políticos e geográficos. Além disso, várias agências internacionais de desenvolvimento ajustaram sistemas próprios de avaliação ambiental, no intuito de financiar projetos de desenvolvimento (é o caso do Banco Mundial). Tal popularidade é, talvez, devido ao fato de funcionar em seu principal objetivo: prever os efeitos adversos sobre o ambiente causados por um projeto, de Para saber mais Como podemos perceber, há uma infinidade de recursos que podem auxiliar a gestão de uma iniciativa em AIA. Além da questão ambiental, podemos somar outras questões pertinentes a gestão de diferentes tipos e portes de corporações. Além da pesquisa em revistas acadêmicas (recomendamos aqueles indexados no Scielo – <http://www.scielo.org>), sugerimos uma visita ao site da ABAI (Associação Brasileira de Avaliação de Impacto), onde você encontrará sugestões bibliográficas, divulgação de eventos e cursos, entre outros. <http:// avaliacaodeimpacto.org.br/conhecimento/> Unidade 5 • Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos130/218 forma a ser evitado, mitigado ou mesmo cancelado. Tal efeito é confirmado no estudo apresentado por Lee (apud LEE; GEORGE, 2000), que revelou que a maioria dos projetos sujeitos à AIA são modificados para reduzir os impactos ambientais. Também relatou sobre financeiros líquidos derivados da diminuição do custo de produção e uma maior celeridade na aprovação do projeto. Porém, infelizmente, a maior parte do tempo e recursos dedicados à AIA é na preparação de documentos para registro em órgãos técnicos. Também, geralmente, é um exercício realizado em apenas um momento (de implantação do projeto), enquanto a concepção empresarial costuma ser cíclica e interativa. Além disso, a AIA é muitas vezes realizada no final de muito tempo de planejamento. Nesse sentido, a transparência é fundamental num sistema de AIA, pois facilita a participação efetiva do público, o que proporciona reações, discussões e críticas que proporcionam base para revisões e melhorias. Assim, a participação eficaz só é possível quando as críticas são dirigidas a etapas específicas do procedimento, e não nos seus termos globais. Unidade 5 • Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos131/218 Glossário Baseline: informação que é utilizado como um ponto de partida para a comparação com outros dados (DIGITRO, s/d). Conama: órgão criado em 1982 pela Lei nº 6.938/1981, que estabelece a Política Nacional do Meio Ambiente, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) é o órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). Em outras palavras, o Conama existe para assessorar, estudar e propor ao Governo as linhas de direção que devem tomar as políticas governamentais para a exploração e preservação do meio ambiente e dos recursos naturais. Além disso, também cabe ao órgão, dentro de sua competência, criar normas e determinar padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida (Fonte: site “O ECO”). Viabilidade Ambiental: propriedade que expressa a adequação das atividades antrópicas sobre o meio ambiente, frente aos padrões de qualidade estabelecidos, levando-se em consideração a capacidade do meio em assimilar as alterações (impactos) provocadas por estas atividades. Sendo assim, concorrem para a viabilidade ambiental – de modo pleno – as características do meio (físico, biótico e antrópico) e as características (tecnológicas) da atividade ou empreendimento que se pretende implantar (EMBRAPA, s/d). Questão reflexão ? para 132/218 Como definir “obra ou atividade potencialmente causadora”? Como definir “significativa degradação ambiental”? 133/218 Considerações Finais (1/2) Em qualquer atividade de negócios, é a prática usual, a partir dos pontos de vista da engenharia e da economia, que acontece a preparação de uma análise da necessidade de uma avaliação sobre custos e benefícios monetários. Mais recentemente, a sociedade tem reconhecido que, para além a essas análises econômicas costumeiras e discussões de necessidade, deve haver uma avaliação detalhada do efeito de um projeto de desenvolvimento sobre o ambiente e, assim, sua ecológica, separar de seus benefícios monetários, e custos; juntos, essas avaliações compreendem uma Avaliação de Impacto Ambiental (AIA). A finalidade da AIA é considerar os impactos ambientais em um momento anterior a uma decisão que possa acarretar significativa degradação da qualidade do meio ambiente. Para cumprir esse papel, a AIA é organizada a partir de um conjunto de atividades concatenadas de maneira lógica – constituindo o processo de avaliação de impacto ambiental. 134/218 Alguns passos para uma eficaz AIA são necessários: triagem, delimitação do âmbito de impacto, apreciação e avaliação dos impactos, Produção da RIMA, apresentação ao órgão competente e o aguardo da avaliação do mesmo, monitoramento e cumprimento à execução de auditoria ambiental. Os dados podem ser coletados e analisados por diferentes métodos, e sua realização dependerá do contexto, do âmbito e do porte do projeto. A eficácia de uma AIA depende de dois pontos principais: da inserção da avaliação ambiental em todo o planejamento da empresa, de forma continuada, e da transparência e comunicação com o público que mantém interesse na intervenção. Considerações Finais (2/2) Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade135/218 Referências BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 2 set. 1981. Disponível em: <http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6938.htm>. Acesso em: mar. 2016. ______. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 001, de 23 de janeiro de 1986. Dispõe sobre critérios básicos e diretrizes gerais para o Relatório de Impacto Ambiental – RIMA. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 17 fev. 1986. CARVALHO, D. L.; LIMA, A. V. Metodologias para avaliação de impactos ambientais de aproveitamentos hidrelétricos. In: Anais XVI Encontro Nacional dos Geógrafos, Porto Alegre: AGB, 2010. DIGITRO. Glossário. s/d. Disponível em: <http://www.digitro.com/pt/index.php/sala-imprensa/ glossario>. Acesso em: 18 fev. 2016. EMBRAPA. Glossário ambiental. s/d. Disponível em: <https://www.embrapa.br/codigo-florestal/ entenda-o-codigo-florestal/glossario>. Acesso em: 15 jan. 2016. LEE, N., Reviewing the quality of environmental assessments. In: LEE, N.; GEORGE, C. (eds.). Environmental assessment in developing and transitional countries. Chichester: Wiley, 2000. Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade136/218 MMA − MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Manual de Impactos Ambientais: orientações básicas sobre aspectos ambientais de atividades produtivas, s/d. Disponível em: <http://www. mma.gov.br/estruturas/sqa_pnla/_arquivos/manual_bnb.pdf>. Acesso em: 18 fev. 2016. PNUMA − PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O MEIO AMBIENTE. Levantamento de impacto ambiental. Escritório Regional da Ásia e Pacífico, Bangkok, Tailândia, s/d. Tradução publicada pela Revista SOS: Saúde Ocupacional e Segurança, Ano XXVI, jan./dez. 1991. ROCHA, E. C.; CANTO, J. L.; PEREIRA, P. C. Avaliação de impactosambientais nos países do Mercosul. Ambiente & Sociedade, v. 8, n. 2, 2005. SANCHEZ, L. E. Avaliação de Impacto Ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: Oficina de textos, 2006. 137/218 Assista a suas aulas Aula 5 - Tema: Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos - Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ fd1d03f83c3e9f4d98206111b3adeccd>. Aula 5 - Tema: Avaliação de Impacto Ambiental e seu Papel na Gestão de Empreendimentos - Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA- piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/16b- 1d40a43527112c0a8e60242e3a63f>. 138/218 1. Considerando (A1) como a situação de contexto sem nenhum tipo de intervenção, e (A2) como o contexto pós-intervenções de um projeto sobre o mesmo local, assinale qual alternativa melhor representa o (X) como os impactos decorrentes da ação: a) X = (A1) + (A2) b) X = (A2) c) X = (A2) – (A1) d) X = (A1) / (A2) e) (A2) = X - (A1) Questão 1 139/218 2. Qual dessas etapas NÃO É considerada como um estágio de uma Avaliação de Impacto Ambiental? a) Triagem. b) Produção do RIMA. c) Monitoramento do projeto. d) Pavimentação do local. e) Delimitação do âmbito de identificação dos impactos. Questão 2 140/218 3. Sobre a Avaliação Ambiental Estratégica, NÃO PODEMOS dizer que: a) É um conjunto estruturado de procedimentos. b) É delimitação do âmbito de identificação dos impactos. c) Incide no monitoramento do projeto. d) Envolve diversos participantes. e) É obrigatória em todos os casos de impacto ambiental. Questão 3 141/218 4. Foram fundamentais para a implantação da AIA do Brasil: a) Movimentos sociais com variadas bandeiras. b) Bancos de fomento de desenvolvimento. c) ONGs. d) Organizações multilaterais de economia e comércio. e) Todas as opções acima estão corretas. Questão 4 142/218 5. Para uma AIA, qual é o instrumento que tem o maior potencial de ser considerada, simultaneamente, de base qualitativa e quantitativa? a) Superposição de cartas. b) Questionários. c) Ad docs. d) Checklist. e) Simulação computacional. Questão 5 143/218 Gabarito 1. Resposta: C. A melhor equação é aquela que transmite a ideia de que os impactos são aqueles que os considera como as transformações ocorridas após a implantação de um empreendimento. Dessa forma, podemos pensar que: Os impactos = (são iguais) às transformações empreendidas num contexto – (menos) o contexto original. 2. Resposta: D. A pavimentação do local é um processo de intervenção a partir do projeto de implantação da empresa. Não é considerada uma etapa da avaliação de impacto em si. 3. Resposta: E. No caso brasileiro, exige-se a AIA a apenas projetos de impacto de alta magnitude. 4. Resposta: E. Todos os atores citados deram a sua contribuição para a implantação da AIA no Brasil. 5. Resposta: B. Os questionários são utilizados principalmente no intuito de diagnóstico (baseline). Ela pode, por exemplo, buscar dados sobre a satisfação da implantação de uma determinada empresa numa localidade, em termos quantitativos, ou, de 144/218 Gabarito alguma forma, requerer informações sobre as expectativas materiais e simbólicas geradas pelo empreendimento, em termos qualitativos. 145/218 Unidade 6 Ecoeficiência em Serviços Objetivos 1. Apresentar o conceito e os objetivos da ecoeficiência. 2. Apresentar as principais características de um programa de ecoeficiência. 3. Expor os principais benefícios advindos com a adoção desse modelo. Unidade 6 • Ecoeficiência em Serviços146/218 Introdução Como tantas outras iniciativas ambientais, os pressupostos de eficiência ambiental começaram a adquirir forma entre as décadas de 1960-1970. Porém, foi apenas na década de 1990, com a junção dos termos “eco” + “eficiência”, que se consolidou como uma estratégia de produção cuja ideia central era a de criar mais valor com menos prejuízos ecológicos. Tal conceito começou a ser popularizado pela World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), no bojo das discussões entre setores empresariais dedicados à Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente e o Desenvolvimento, em 1992 (ECOEFICIENTES, s/d). Logo ao ser publicitado, o modelo recebeu atenção significativa dentro dos debates sobre desenvolvimento sustentável. Foi utilizado como uma abordagem prática do setor empresarial como contribuição para o desenvolvimento sustentável, defendendo que a busca de lucros a longo prazo poderia incorporar o respeito à capacidade de suporte do planeta. Desde então, o conceito de ecoeficiência foi abraçado por várias empresas com bons resultados de benefícios econômicos e minimização de danos ambientais. De modo geral, a ecoeficiência envolve a avaliação sistemática das práticas existentes no intuito de identificar oportunidades de melhoria. Uma abordagem-chave para melhorar a ecoeficiência é através da minimização Unidade 6 • Ecoeficiência em Serviços147/218 da produção de resíduos. Isso possibilita uma maneira estruturada para identificar oportunidades, cujo objetivo final é evitar a utilização de um recurso ou eliminar a produção de um desperdício completamente. Com esses pressupostos, soluções inteligentes para as práticas existentes devem ser investigadas e discutidas. Comumente, são práticas e metodologias que visam reduzir, reutilizar, recuperar ou reciclar os recursos e resíduos. As oportunidades de ecoeficiência geralmente podem ser categorizadas em cinco grupos principais: melhorias domésticas, modificação de produtos, substituição de insumos, melhorias de processos e reciclagem no local. Como ferramenta corporativa, centra-se primeiramente em práticas de reutilização e utilização mais eficiente de recursos, com menor emissão de poluentes. Com Para saber mais É importante ressaltar que o conceito de ecoeficiência é aplicável para operações de qualquer tamanho ou tipo. Grandes e pequenas empresas são capazes de identificar oportunidades para operar de forma mais eficiente e economizar. O site ecoeficientes é uma fonte bastante interessante de pesquisa sobre métodos e experiências. Para saber mais entre no endereço a seguir: <http://www. ecoeficientes.com.br/> Unidade 6 • Ecoeficiência em Serviços148/218 esse fim, busca minimizar a necessidade de recursos utilizados em todas unidades de produção e setores da empresa, gerando economia, e otimizando a capacidade de concorrência. Como visto, a ecoeficiência é apresentada como uma ferramenta útil para o setor industrial, porém, também pode ser aplicada em outros setores, tais como os de prestação de serviços e organismos governamentais. No entanto, aplicar o princípio da ecoeficiência apenas em nível micro ou de produção, não irá aliviará as atuais pressões sobre o ambiente natural. Particularmente, uma das consequências não intencionais das políticas de ecoeficiência é um efeito inverso: uma melhora em termos de preço/valor que facilite e estimule uma alta de consumo. Também, deve-se considerar a qualidade e o período de vida útil dos produtos, de maneira a minimizar a produção de poluentes em virtude de descarte. Nos últimos anos, uma série de medidas ou indicadores de ecoeficiência foram sugeridas, tais como a pegada ecológica e indicadores de sustentabilidade. Porém, ainda, nenhuma mostrou um caminho eficaz para o crescimento econômico com menor consumo de recursos e poluição – ideia-chave do conceito de desenvolvimento sustentável. Mesmos os índicesambientais mais populares consideram pouco a relação entre a sociedade, a economia e o ambiente. Ainda Unidade 6 • Ecoeficiência em Serviços149/218 assim, as propostas estão contribuindo com a familiarização do gestor e seus subordinados com a formulação de projetos de sustentabilidade, assim como facilitar a disseminação dos esforços empreendidos pela empresa para o público em geral. Entre os desafios para a consolidação de um modelo de ecoeficiência, está a de reconhecer: • Os impactos da atividade econômica sobre o meio ambiente (consumo de recursos, a emissão de resíduos, etc.). • Os efeitos da produtividade dos recursos na economia (eficiência econômica). • Os impactos da degradação ambiental sobre a produtividade econômica (a redução da capacidade de acesso a recursos hídricos, matérias-primas e outros). • Os efeitos da melhoria ambiental na sociedade (acesso a serviços, produtos e outros). Para saber mais Conheça a proposta da pegada ecológica desenvolvida pela ONG WWF. É uma ferramenta simples, com grande potencial lúdico, que permite a reflexão sobre os impactos das atividades humanas sobre o planeta. Para saber mais, entre em <http://www.wwf.org. br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ ecologica/>. Unidade 6 • Ecoeficiência em Serviços150/218 Tais questões não estão isoladas de uma forte atuação e necessidade de uma agenda política nacional e mundial para a ecoeficiência. Nesse sentido, algumas ações são necessárias: 1. Identificação e eliminação de subsídios para atividades danosas ao meio ambiente. 2. Valoração de custos ambientais. 3. Maior fiscalização sobre as atividades produtivas, sobretudo em questões de utilização de recursos naturais, emissão de resíduos e trabalho. 4. Promover incentivos econômicos para as que adotarem o modelo de ecoeficiência. 5. Promover o voluntariado e os acordos coletivos. Para saber mais Como você pode perceber, a adoção da ecoeficiência pode ser integrada a todos os níveis da economia, seja ela micro, macro ou regional. Os governos podem fazer definições de metas de ecoeficiência em termos micro e macroeconômicos, que correspondesse às suas metas de desenvolvimento sustentável, refletindo nas estratégias nacionais de desenvolvimento. Há alguns manuais que podem ajudá-lo nesse exercício. Indicamos o manual A Ecoeficiência na Vida das Empresas, produzido pela BCSC Portugal, em 2013, encontrado no seguinte link: <http://www.bcsdportugal.org/ wp-content/uploads/2013/10/BEE-Manual- do-Formando.pdf>. Unidade 6 • Ecoeficiência em Serviços151/218 1. Motivações e Benefícios da Ecoeficiência Originalmente desenvolvido para o setor empresarial, o conceito de ecoeficiência se concentra em criar mais produtos e serviços utilizando menos recursos e gerando menos resíduos e poluição. O mesmo conceito de ecoeficiência, no entanto, pode ser aplicado às atividades econômicas, em termos local e nacional, podendo, portanto, melhorar o funcionamento global da economia (DESIMONE; POPOFF, 1997). Para os gestores e tomadores de decisão, há muitas razões para a adoção de ecoeficiência. Algumas estão consideradas a seguir (DESIMONE; POPOFF, 1997; RÖMM, 2003): • A empresa tem interesse em reduzir custos operacionais e melhorar a rentabilidade. • A empresa convive com altos custos de energia. • A empresa convive com altos custos para a destinação final de resíduos sólidos. • A empresa tem altos custos para abastecimento de água ou está enfrentando restrições de acesso à água. • A empresa está tendo dificuldades e altos custos com o tratamento de águas residuais. • As estruturas de tratamento de águas estão em seu limite. Unidade 6 • Ecoeficiência em Serviços152/218 • Normas ambientais não estão sendo cumpridas. • Há interesse na minimização de resíduos. • Interesse em certificações ambientais. • Interesse em criar uma imagem de relação sustentável com o ambiente e, assim, agregar peso competitivo. • Interesse na melhoria da relação com órgãos ambientais. • Possui interesse na diversificação de produtos. A aplicação de indicadores de ecoeficiência nos setores de negócio geralmente é baseada na relação entre o produto ou serviço sobre o seu impacto ambiental. A maioria dos indicadores se concentram sobre o consumo de energia, água, matérias-primas e emissão de gases de efeito estufa, entre outros. Porém, práticas de reuso e reciclagem, redução de dispersão de resíduos, maximização do uso sustentável de recursos renováveis e extensão da durabilidade do produto ou do serviço também demonstram ser práticas com bom retorno econômico e ambiental. Há alguns procedimentos básicos para iniciar um projeto de ecoeficiência (DESIMONE; POPOFF, 1997; RÖMM, 2003):: • Planejamento integrado com o plano de negócios. • Diagnóstico inicial sobre o uso de recursos. Nesse sentido, é importante Unidade 6 • Ecoeficiência em Serviços153/218 que os dados tenham uniformidade, no intuito de análises comparativas e disposição de metas. • Avaliação de medidas de minimização de perdas e maximização de ganhos. • Implementação de práticas de baixo custo para evitar resistências e angariar apoiadores. • Estruturação um processo de melhoria e avaliação continua para o programa. • Relatório e comunicação pública sobre o progresso e alcance em relação às metas. Ao integrar a ecoeficiência com a estratégia de negócios, aumenta a capacidade de acesso a diversos tipos de benefícios diretos e indiretos: • Minimiza o risco de incidentes ambientais. • Facilitação ao acesso de licenças ambientais. • Economia financeira. • Redução de riscos à imagem de responsabilidade socioambiental. • Melhoria na relação com os órgãos de regulação. De acordo com Petkow e Almeida (2005), outros aspectos devem ser ressaltados: Unidade 6 • Ecoeficiência em Serviços154/218 • Melhoria da saúde e segurança dos funcionários: um processo de gestão ecoeficiente preza pela responsabilidade civil de respeito às condutas seguras de trabalho. • Valorização da marca: a imagem pública da empresa é melhorada. Oportunidade de marketing A empresa é percebida como um amigo “verde”, preocupado com outras relações que não a de lucro. Ao mesmo tempo, há um aumento de consumidores mais conscientes das problemáticas ambientais, e que priorizam empresas que seguem práticas sustentáveis. Maior diversidade de produtos A identificação de usos alternativos para resíduos não só reduz a quantidade de resíduos depositados em aterros, mas também aumenta a eficiência da utilização dos recursos, e permite que a empresa possa diversificar ainda mais o seu rol de produtos, com maior rentabilidade. Vantagem competitiva A vantagem competitiva pode ser adquirida através da redução de custos operacionais, maior capacidade de financiamento. Unidade 6 • Ecoeficiência em Serviços155/218 Glossário Indicadores: um indicador é um método de mensuração de dados qualitativos ou quantitativos, que possa ser comparável e demonstrar mudanças ao longo do tempo. São utilizados para avaliar e/ou monitorar desempenhos e o atingimento de objetivos (EMBRAPA, s/d). Energia Renovável: as energias renováveis são aquelas produzidas a partir de fontes renováveis, como a energia hídrica (da água), energia eólica (do ar), energia solar (do sol) e de biocombustíveis. É uma das alternativas para a redução de emissões de gases de efeito estufa, estabilização dos custos de energia, segurança energética e diminuição da dependência de combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) (EMBRAPA, s/d). Sistema de Gestão Ambiental: sistemaque define as etapas de avaliação, planejamento, implementação, monitoramento e revisão de acordo com normas internacionais, com a perspectiva de melhoria contínua progressiva. É importante que a empresa trate a questão ambiental como um tema transversal em sua estrutura organizacional e o inclua em seu planejamento estratégico (EMBRAPA, s/d). Questão reflexão ? para 156/218 Existe uma crítica de que a adoção de ecoeficiência não é suficiente para o desenvolvimento sustentável, mesmo que exista a possibilidade de zerar os impactos diretos decorridos das atividades da empresa. Você concorda com essa afirmação? O que é necessário? Quais as justificativas para a sua resposta? 157/218 Considerações Finais A ecoeficiência é o ponto de partida para a aplicação dos princípios do desenvolvimento sustentável, com o objetivo de produzir uma ampla sociedade mais sustentável. Trata-se uma estratégia de gestão poderosa para reduzir o desperdício, melhorar a eficiência, aumentar a competitividade e produzir uma sociedade mais dinâmica. Para isso, busca adotar melhorias de controle sobre os recursos para um uso mais eficiente. A ecoeficiência pode ser integrada a outros instrumentos ambientais, e ser desenvolvida por diferentes tipos de empresas, quais sejam o porte. Todos os funcionários devem ser envolvidos com a ação. É imprescindível a elaboração de um sistema de autoavaliação e melhoria contínua, além da elaboração de relatórios públicos. Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade158/218 Referências BCSD PORTUGAL − BUSINESS COUNCIL FOR SUSTAINABLE DEVELOPMENT PORTUGAL. Manual do Formando: a ecoeficiência na vida das empresas, 2013. Disponível em: <http://www. bcsdportugal.org/wp-content/uploads/2013/10/BEE-Manual-do-Formando.pdf>. Acesso em: 19 fev. 2016. DESIMONE, L.; POPOFF F. Eco-efficiency: the business link to sustainable development. Londres, Cambrigde: MIT, 1997. DIGITRO. Glossário. s/d. Disponível em: <http://www.digitro.com/pt/index.php/sala-imprensa/ glossario>. Acesso em: 18 fev. 2016. ECOEFICIENTES. Informação sobre as técnicas da construção sustentável. Disponível em: <http://www.ecoeficientes.com.br>. Acesso em: 25 out. 2015. ______. Histórico do termo ecoeficiência. Disponível em: <http://www.ecoeficientes.com.br/a- historia-do-termo-ecoeficiencia/>. Acesso em: 25 out. 2015. EMBRAPA. Glossário ambiental. s/d. Disponível em: <https://www.embrapa.br/codigo-florestal/ entenda-o-codigo-florestal/glossario>. Acesso em: 18 jan. 2016. ETHOS, Instituto. Glossário. 2013. Disponível em: <http://www3.ethos.org.br/?post_ type=conteudo&p=8776#.WH9s8lMrLIU>. Acesso em: 25 out. 2015. Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade159/218 PETKOW, M.; ALMEIDA, V. L. Ecoeficiência e o desenvolvimento sustentável − um estudo de caso em um hotel certificado pelo ISO 14001. In: Anais do XXV Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Porto Alegre: ENEGEP, 2005. RÖMM, Joseph J. Empresas ecoeficientes: como as melhores empresas aumentam a produtividade e os lucros reduzindo as emissões de poluentes. São Paulo: Signus Editora, 2003. 160/218 Assista a suas aulas Aula 6 - Tema: Ecoeficiência em Serviços - Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/36e9ebb5608c24e5663ed5fb1de5584b>. Aula 6 - Tema: Ecoeficiência em Serviços - Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA- piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/7fca- 4202540f43f874f8e6f86e82ac30>. 161/218 1. Qual frase melhor representa o conceito de ecoeficiência? a) “[...] criar mais valor com menos prejuízos ecológicos”. b) “[...] produtos ecologicamente corretos”. c) “[...] quanto menor a produção de resíduos, maior os lucros”. d) “[...] tratam-se e produtos recicláveis”. e) “[...] melhoria na gestão de florestas de cultivo, como as de eucalipto”. Questão 1 162/218 2. A ecoeficiência tinha como proposta inicial a construção de um modelo: a) Econômico. b) De sociedade civil organizada. c) Governamental. d) Empresarial. e) Nenhuma das anteriores. Questão 2 163/218 3. Qual dessas características NÃO podemos atribuir ao modelo de ecoeficiência? a) Flexível. b) Integradora. c) Necessariamente onerosa. d) Participativa. e) Eficaz. Questão 3 164/218 4. Entre os benefícios objetivados por um programa de ecoeficiência, NÃO consta: a) Ganho de fatias específicas de mercado. b) Diversificação de produtos. c) Economia de mão de obra. d) Valorização da marca. e) Maior competitividade. Questão 4 165/218 5. Um programa de ecoeficiência deve: a) Concentrar as decisões a um grupo de técnicos em gestão ambiental. b) Priorizar as relações que a empresa mantém com o meio ambiente. c) Apresentar e acompanhar o cumprimento de objetivos e metas. d) Instituir um programa de captação de água própria, no intuito de garantir a qualidade desse recurso. e) Nenhuma das opções. Questão 5 166/218 Gabarito 1. Resposta: A. A ideia de “[...] criar mais valor com menos prejuízos ecológicos” foi a base da construção do conceito proposto pelo World Business Council for Sustainable Development. O aspecto central da proposição é a economia de recursos e matérias-primas necessárias para a produção, que, subsequentemente agregava valor ao produto, melhorando a posição de competitividade da empresa ao decorrer da prática. 2. Resposta: D. Com fins de produzir instrumentos práticos de desenvolvimento sustentável, o World Business Council for Sustainable Development, cunhou o conceito de ecoeficiência, a partir da revisão do conceito de eficiência ambiental, com o intuito de otimizar a produção industrial, após a Conferência Rio-92. 3. Resposta: C. De fato, há processos que são considerados bastante onerosos, sobretudo quando há a substituição de tecnologias, visando o lucro a longo prazo. Porém, nem sempre a prática é onerosa. Pelo contrário, algumas medidas podem ser adotadas com medidas de baixo ou nenhum custo, proporcionando, inclusive, menores gastos. 167/218 Gabarito 4. Resposta: C. A economia com a mão de obra não é um pressuposto da ecoeficiência. A diminuição dos gastos advém de outros fatores, como a diminuição do uso de matérias-primas e de energia. 5. Resposta: C. Todo programa de ecoeficiência deve prezar pela clareza de seus objetivos e o estabelecimento de metas. Esse é um passo fundamental para autoavaliação dos gestores e dos demais envolvidos, e permitirá identificar fissuras e necessidades de mudanças. 168/218 Unidade 7 Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida e Rotulagem Ambiental Objetivos 1. Apresentar o conceito, os objetivos e estratégias do modelo de ecodesign. 2. Expor estratégias de planejamento e produção para os denominados: produtos verdes. 3. Demonstrar a importância e os aspectos principais da Avaliação do Ciclo de Vida dos Produtos. 4. Apresentar objetivos e características gerais da certificação ambiental. Unidade 7 • Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida e Rotulagem Ambiental169/218 Introdução O conceito de ecodesign – também conhecido como “design sustentável” − consiste num modelo de produção que visa evitar ou minimizar os impactos ambientais ao ponderar sobre as diferentes etapas do ciclo de vida de um produto, quais sejam: pré-produção, produção, distribuição, uso do produto ou serviço, descarte e reutilização. Nesse sentido, o ecodesign busca sobretudo a “minimização dos impactos ambientais durantetodo o ciclo de vida de um produto sem comprometer, no entanto, outros critérios essenciais, como desempenho, funcionalidade, estética, qualidade e custo” (GUELERE FILHO et al., 2008, p. 5). Trata-se da tentativa de desenho, ou redesenho, de produtos, serviços, processos ou sistemas que satisfaçam os requisitos e as necessidades dos clientes, ao mesmo tempo que busca evitar ou reparar danos ao meio ambiente, à sociedade e à economia. Nesse esforço, considera cinco pressupostos fundamentais da concepção ecológica (LANGER, 2011): 1. Utilização de materiais com menor impacto ambiental em sua extração e descarte. 2. O uso do menor volume possível de material na produção. 3. Garantia que os produtos utilizem menos recursos quando usados pelos clientes finais. 4. Garantia que os produtos emitam menos resíduos e poluição quando em uso. Unidade 7 • Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida e Rotulagem Ambiental170/218 5. Otimização da função de produtos, com o propósito de garantir um serviço mais completo e adequado, facilitando a reutilização e a reciclagem. A referida proposta deve auxiliar as empresas a reduzir o uso de matérias- primas, diminuir o uso de energia e água, eliminar materiais perigosos, lançar menos poluição e resíduos, aumentar a vida útil e eficiência de seus produtos, e garantir maior potencial de reutilização e reciclagem. Entre outros benefícios, o ecodesign possibilita a redução dos custos dos materiais, minimizar os danos causados pela eliminação de resíduos, dar uma maior funcionalidade e qualidade aos produtos, aprofundar a participação em quotas de mercado, oferecer um melhor desempenho ambiental, proporcionando que o cliente participe de um processo ecologicamente correto. Além disso, pode levar indiretamente a outros benefícios econômicos, como o aproveitamento da ferramenta de marketing responsável, de inovação e de desenvolvimento de produtos (LANGER, 2011): Para saber mais O ecodesign é reconhecido pelo Ministério do Meio Ambiente como um importante recurso para a construção de práticas sustentáveis. Veja esse e outros instrumentos em: <http://www. mma.gov.br/component/k2/item/7654- ecodesign>. Unidade 7 • Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida e Rotulagem Ambiental171/218 projeto de ecodesign (ver mais em NAIME; ASHTON; HUPFFER, 2012; GUELERE FILHO, 2008, CASTRO, 2011). O primeiro tem a ver com o desenvolvimento de um conceito, a avaliação dos aspectos comerciais e técnicos, bem como a viabilidade do projeto inicial. Após identificadas tais demandas e necessidades, há de se detalhar o projeto, a partir da definição da forma e das funções dos produtos novos ou revistos para produzir protótipos que permitam testes e readequações de última hora, antes de entrarem em produção. Já inserido dentro de uma linha de produção, é importante estabelecer sistemas de verificação de desempenho dos produtos novos ou melhorados, no 1. O Planejamento em Ecodesign O processo de construção do design do produto real seguirá demandas, interesses, funcionalidades próprias, decididas de forma individual, ou coletiva, a depender do tipo de negócio. Tal como qualquer planejamento de negócios, é necessário um diagnóstico sobre a demanda de produtos e de oportunidades. Nesse momento é importante a identificação da necessidade de produtos novos, ou revistos dentro do mercado (NAIME; ASHTON; HUPFFER, 2012; GUELERE FILHO, 2008). No entanto, há um conjunto geral de medidas que uma empresa deve observar quando interessada em investir num Unidade 7 • Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida e Rotulagem Ambiental172/218 intuito de se precaver de imprevistos. Também é importante organizar mecanismos de recolhimento de feedbacks regulares dos clientes finais, tanto com a avaliação do produto em si, como a sua concepção, funcionalidades e acesso aos mecanismos de venda. Ao mesmo tempo que se dá atenção aos aspectos ecológicos do produto, há uma série de questões de planejamento que exigem atenção: obtenção do apoio da gerência sênior, quando esse houver; identificar e nomear um “líder” que seja o ponto de referência para todas as questões ligadas à concepção ecológica do produto, realização de oficinas de concepção ecológica dentro da empresa, com o objetivo de ajudar a equipe a se sensibilizar e compreender os aspectos que ajudam o produto desenhado a ter um menor impacto sobre o ambiente. Nesse momento, é importante que se enfatize os benefícios econômicos que o uso de ecodesign pode trazer ao negócio. O exercício de se colocar no lugar do cliente final, indagando sobre a necessidade e interesse sobre o produto também é importante. Deve-se considerar se os produtos oferecidos pela empresa encarnam os pressupostos ambientais defendidos, e se permite que o cliente valorize a sua compra. Unidade 7 • Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida e Rotulagem Ambiental173/218 1.1 O Diagnóstico Ainda no início, um planejamento em ecodesign exige uma série de levantamentos e pesquisas que consolidarão um diagnóstico sobre as demandas de produção e consumo do produto proposto, e a identificação de oportunidades. O primeiro passo é identificar os materiais e os acessórios que serão utilizados nos produtos que se pretende projetar ou reprojetar. Nesse passo, ainda mais em produtos de alta inovação, é preciso garantir fornecedores, quantidade e qualidade da matéria-prima a ser utilizada. Nesse momento, é importante buscar mecanismos que possibilitem melhorias no processo de fabricação. Esse processo complexo é facilitado por reuniões e oficinas técnicas coletivas, com representantes das diferentes unidades de produção da empresa. Uma pesquisa de mercado deve identificar a forma como os produtos com as mesmas funções são embalados, armazenados, distribuídos e utilizados. Como prosseguimento, é importante a mensuração dos impactos que esses causam sobre o meio ambiente, sobretudo através dos produtos em final da sua vida útil. O design de embalagens é um aspecto importante a se verificar ao mesmo tempo Unidade 7 • Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida e Rotulagem Ambiental174/218 que se processa a estruturação do design de seus produtos. Isso pode ajudar você a manter a embalagem ao mínimo e pode até mesmo oferecer oportunidades de reutilização da embalagem com o próprio produto, uma vez que ambos são recebidos pelo consumidor. 1.2 O Desenvolvimento do Conceito Quando há a possiblidade da criação de produtos a partir do zero, é possível considerar a concepção ecológica desde o início. Normalmente, é possível especificar as matérias-primas mais sustentáveis, métodos de produção, entrega, uso e critérios de fim de vida. Porém, em processos de adaptação ou revisão, é necessário considerar alguns compromissos e aspectos, como a forma ou as funções dos produtos ou serviços, as instalações e equipamentos anteriormente utilizados ou como são usados, e se há possiblidade de continuidade ou adaptação desse maquinário. A pesquisa realizada nos primeiros estágios do projeto deve revelar como o seu produto pretendido impacta o meio ambiente. Dado um conjunto de prioridades a partir dos dados recolhidos, é possível traçar um conjunto de prioridades que auxiliará a empresa a otimizar sua concepção ecológica. Ainda no período de concepção, é importante identificar ganhos em termos Unidade 7 • Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida e Rotulagem Ambiental175/218 ambientais esperados, o cumprimento da legislação existente e outras que poderão a vir, o montante de redução de custos diretos esperados, as potenciais estratégias de marketing, melhoriacontínua da relação com o cliente, a viabilidade global do trabalho e os potenciais riscos que a empresa pode enfrentar. É importante ressaltar que estas considerações não são universais em todos os negócios. Os próprios objetivos do negócio, do mercado, dos produtos e da estratégia global devem determinar quais são as considerações mais importantes. Além disso, é necessário o envolvimento de uma equipe ou plano de marketing, de vendas, de design que ajude a identificar, continuamente, as prioridades do projeto, facilitando a compreensão do ecodesign como um elemento benéfico dentro do negócio. 2. A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) A “Avaliação do Ciclo de Vida” (ACV) é um instrumento de avaliação sobre as consequências ambientais e a saúde humana vinculadas a um produto, serviço, processo ou material ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde a extração e o processamento das matérias-primas até o descarte final (BARBOZA, 2001). Uma ACV se atenta para todas as características físicas do produto, e Unidade 7 • Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida e Rotulagem Ambiental176/218 permite identificar as áreas que possibilitam uma maior economia, o planejamento de viés ecológico com o intuito da redução de materiais e energia utilizados, e quais os componentes de design que resultaram num aumento da quota de mercado e maior qualidade do produto. No processo de criação de novos produtos e serviços, ou mesmo o refinamento de antigos desenhos para torná-los mais sustentáveis, é necessária a avaliação de todo o ciclo de vida do produto proposto no âmbito da sua iniciativa de concepção ecológica. Os aspectos-chave do ciclo de vida de um produto que necessitam de avaliação são (ZUFIA; ARANA, 2008; VAN DER VELDE; KUUSK; KÖHLER, 2015; LANGER, 2011): O design − o desenho garante que o produto cumpra o seu propósito de forma mais eficiente em termos de energia e de recursos? O produto pode ser reparado, remanufaturado, desmontado ou reciclado facilmente? A concepção faz uso dos materiais mais eficientes e permite que o utilizador seja tão eficiente quanto possível na utilização do produto? Matérias-primas – é possível usar menos matérias-primas para obter um resultado satisfatório? Essas matérias- primas são reciclados ou recicláveis? São utilizados materiais com o menor impacto ambiental? Está em conformidade com os regulamentos sobre materiais perigosos? Fabricação – é possível que a fabricação seja mais eficiente em termos de energia? Unidade 7 • Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida e Rotulagem Ambiental177/218 Como reduzir o desperdício e o volume da embalagem? Existem outras maneiras de obter os mesmos resultados de produção, sem perder a eficiência? Varejo − é a embalagem mais eficiente possível? É permitido usar menos embalagens? Há redução de custos de transporte, encurtando as cadeias de fornecimento ou a distância e seus bens precisam viajar? A maneira em que o produto é exibido pode ser melhorado (sem a necessidade de iluminação ou refrigeração, por exemplo), e pode o desperdício ser reduzido através de uma melhor gestão da cadeia de suprimentos? A empresa se comunica com seus clientes sobre como escolher os produtos mais ambientais? Uso − o produto durar mais tempo, seja por uma melhor utilização do componente ou de se fazer um reparo? Como a relação com os clientes pode ajudar a prolongar a vida útil do produto? Fim de vida − pode o produto ou serviço ser reutilizado, reciclado ou remanufaturado? Se não, é possível reduzir a quantidade que irá para o aterro? A empresa cumpre suas responsabilidades legais sobre os bens em descarte, como elétricos e eletrônicos? Bem como o impacto ambiental, você também deve considerar o impacto social de cada etapa do ciclo de vida do produto, tais como os efeitos sobre os trabalhadores e as comunidades locais de onde suas matérias-primas vêm, sempre que os bens Unidade 7 • Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida e Rotulagem Ambiental178/218 ou serviços são produzidos e onde eles acabam e quando acabarem de ser úteis. Veja o nosso guia sobre responsabilidade social corporativa. Se qualquer fase do ciclo de vida do produto não é totalmente considerada, pode haver um sério desarranjo das relações ambientais mantidas pela empresa, o que pode comprometer seriamente sua sustentabilidade e afetar o negócio, a marca e os lucros. 3. Rotulagem e Certificação Ambiental A rotulagem ou a certificação ambiental é basicamente um selo que identifica o compromisso ambiental de um produto ou um serviço baseados no seu ciclo de vida útil. Trata-se de uma ferramenta que tem o objetivo de auxiliar os compradores na escolha, entre uma série de produtos e serviços, daqueles que possuem maior afinidade com a sustentabilidade ecológica, e que mantém um melhor desempenho ambiental. Existem várias definições para tal certificação: rótulo ecológico, selo verde, carimbo ambiental, entre outros. Em geral, todos eles destacam aspectos e características consideradas importantes para marcar a diferença entre um simples logotipo ou declaração e um rótulo ecológico adequado (UNEP, 2009). Essa certificação é concedida por uma entidade independente, não influenciada Unidade 7 • Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida e Rotulagem Ambiental179/218 pelas empresas que procuram a certificação. Entre outras características, pode-se destacar (UNEP, 2009): • A participação num processo de rotulagem ecológica é voluntária. Os rótulos ecológicos não visam a substituição da legislação existente, mas eles fornecem reconhecimento (e uma vantagem competitiva) para produtos que atinjam padrões mais elevados de proteção do ambiente, superiores ao nível mínimo imposto por lei. Portanto, a participação em um esquema de rotulagem ecológica não pode ser imposta às corporações e seus fornecedores. • O rótulo deve comunicar claramente que o produto certificado alcançou distinção no desempenho ambiental em comparação com os produtos médios na mesma categoria. • Um esquema de rotulagem ecológica de confiança é baseado em provas científicas sólidas. Dessa forma, devem transmitir informações técnicas simplificadas sobre o desempenho ambiental do produto ao público geral. É sugestionado que os critérios sejam atualizados regularmente para refletir as últimas inovações tecnológicas. O processo de certificação é bastante padronizado em todos os países. Os candidatos apresentam à organização responsável pela certificação todos os dados técnicos necessários que o produto Unidade 7 • Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida e Rotulagem Ambiental180/218 deve seguir. Normalmente, paga-se uma taxa inicial, que pode ser diferenciada de acordo com a dimensão da empresa, ou onde as empresas estão instaladas. Em alguns casos, a certificadora organiza, executa, inspeciona e audita a empresa interessada para verificar o cumprimento das exigências estabelecidas. Em alguns casos, a declaração pode ser suficiente. E, assim, se o produto estiver em conformidade com os critérios estabelecidos, é atribuído o selo. É comum o pagamento de uma taxa anual para a utilização do rótulo e renovação da certificação (que deve ser periódica). Para saber mais A ABNT NBR ISO 14001 é certificação mais conhecida no contexto brasileiro. É aplicável a qualquer tipo de organização que preza por um desempenho ambiental sustentável. São várias as empresas independes que que possuem autorização para a emissão da certificação. Faça uma pesquisa pelo Google sobre algumas dessas empresas. Unidade 7 • Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida e Rotulagem Ambiental181/218 Glossário Ecoeficiência:eficiência com que os recursos da Terra são usados para atender às necessidades humanas (EMBRAPA, s/d). Fim de vida: momento em que um produto deixa de cumprir as funções para que foi projetado. Porém, o fim de vida de um produto ainda não é o fim do seu ciclo de vida, pois o impacto ambiental persiste, qualquer que seja a fase: desmontagem, reciclagem, incineração e/ou na sua forma de resíduo (EMBRAPA, s/d). Recursos Renováveis: fontes que se originam a partir do armazenamento de energia do sol, organismos vivos, ou em algum sistema físico na Terra (vento, ciclo de chuvas, etc.). Se há água suficiente, nutrientes, e luz do sol disponíveis, esses recursos são renovados em ciclos contínuos (EMBRAPA, s/d). Questão reflexão ? para 182/218 Considerando as ferramentas e modelos apresentados até aqui (ecodesign, avaliação de ciclos de vida e rotulagem ambiental), você pode considerar que há uma série de obstáculos à criação de produtos que utilizam princípios de concepção ecológica. Entre eles, incluem-se: a) o baixo nível de entendimento sobre a concepção ecológica dos consumidores; b) os custos adicionais envolvidos, que são acrescidos ao preço do produto ou serviço, cujo valor os clientes não estão dispostos a pagar. No entanto, além dos ganhos em termos ambientais, a superação dessas barreiras pode levar a produtos mais avançados, rentáveis e sustentáveis, contribuindo inclusive com a consolidação de nichos de mercados mais críticos. Diante desse quadro, quais estratégias você traçaria para superar essas dificuldades? 183/218 Considerações Finais (1/2) O modelo ecodesign assume a responsabilidade do efeito de um produto ou serviço sobre o meio ambiente, e propõe mecanismos de redução dos impactos ao longo de todo o seu ciclo de vida. Estes estágios incluem a extração da matéria-prima, a fabricação, a comercialização e distribuição, a utilização e, finalmente, a eliminação de um produto. Os produtos de concepção ecológica devem ser “flexíveis, confiáveis, duráveis, modulares, biodegradáveis e reutilizáveis”. Além disso, devem comprovar razoabilidade econômica e compatibilidade social, esses produtos representam uma necessidade ecológica. A avaliação do ciclo de vida objetiva otimizar todo o sistema socioeconômico do produto, bem como ao da sua utilização para satisfazer os critérios de desenvolvimento sustentável para o futuro. 184/218 O principal objetivo e benefício da certificação ambiental é apresentar e reconhecer produtos, técnicas e estratégias de empresas que adotam o modelo de produção mais responsável ecologicamente. Dessa forma, facilita e incentiva a informação e a participação pública nas partes interessadas na definição de critérios ambientais mais sustentáveis, tais como: representantes da indústria, investidores, consumidores, movimentos sociais e organizações ambientais. Considerações Finais (2/2) Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade185/218 Referências BARBOZA, E. M. F. Rotulagem ambiental: rótulos ambientais e Análise do Ciclo de Vida (ACV). Brasília: IBICT, 2001. CHANG, D.; LEE, C. K. M.; CHEN, C. Review of life cycle assessment towards sustainable product development. Journal of Cleaner Production, Elsevier, n. 83, p. 48-60, 2014. DIGITRO. Glossário. s/d. Disponível em: <http://www.digitro.com/pt/index.php/sala-imprensa/ glossario>. Acesso em: 18 fev. 2016. EMBRAPA. Glossário ambiental. s/d. Disponível em: <https://www.embrapa.br/codigo-florestal/ entenda-o-codigo-florestal/glossario>. Acesso em: 15 jan. 2016. LANGER, E. Aspectos do ecodesign e do ciclo de vida do produto para o consumo consciente. Porto Alegre: UFRGS, 2011. Disponível em: <https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/ handle/10183/33344/000786948.pdf?sequence=1>. Acesso em: 29 out. 2015. NAIME, R.; ASHTON, E., HUPFFER, H. M. Do design ao ecodesign: pequena história, conceitos e princípios. Rev. Elet. em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental, n. 7, p. 1510-1519, 2012. CASTRO, F. G. Integração de práticas de ecodesign no processo de desenvolvimento de novos produtos. Tese (Mestrado em Engenharia Industrial/Gestão Industrial) − Escola de Engenharia da Universidade do Minho, 2011. Unidade 4 • Planejamento e Gestão Empresarial: o Uso da Educação Ambiental (EA) no Estimulo à Responsabilidade186/218 GUELERE FILHO, A. et al. Ecodesign: Métodos e Ferramentas. In: Anais do XXVIII Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Rio de Janeiro: ENEGEP, 2008. UNEP. A guide to environmental labels for procurement practitioners of the United Nations System. ONU: UNOPS, 2009. Disponível em: <http://www.greeningtheblue.org/sites/default/ files/Env%20Labels%20Guide_final_0.pdf>. Acesso em: mar. 2016. VAN DER VELDE. N. M.; KUUSK, K.; KÖHLER, A. R. Life cycle assessment and eco-redesign of smart textiles: the importance of material selection demonstrated through e-textile product redesign. Materials and Design, n. 84, Elsevier, p. 313-324, 2015. ZUFIA, J.; ARANA, L. Life cycle assessment to eco-design food products: industrial cooked dish case study. Journal of Cleaner Production, Elsevier, 2008. 187/218 Assista a suas aulas Aula 7 - Tema: Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida e Rotulagem Ambiental - Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 56d9f3be0a03ff85fc5ced28ed83ddc7>. Aula 7 - Tema: Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida e Rotulagem Ambiental - Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 4370cbeb21e4d27d5e2c5b10707fb84e>. 188/218 1. Qual o principal aspecto avaliado pela proposta de ecodesign? a) O ciclo de vida de um produto. b) A destinação final de um produto. c) O gasto energético utilizado para a transformação de um produto? d) A lucratividade a partir de estratégias ambientalmente corretas. e) O formato final de um produto. Questão 1 189/218 2. Quanto às características das estratégias a seguir: Ecodesign, Avaliação de Ciclo de Vida, Certificação Ambiental, É POSSÍVEL afirmar que: a) Nenhuma das estratégias possui algum tipo de hierarquia institucional. b) A emissão da certificação ambiental é de competência exclusiva de órgãos federais de fiscalização e controle ambiental. c) Uma empresa responsável não deve integrar sua imagem de “amiga do verde” ao seu plano de negócios. d) Infelizmente, os órgãos públicos não fazem nenhum tipo de reconhecimento ou promoção das estratégias de desenvolvimento sustentável. e) Nenhuma das opções é verdadeira. Questão 2 190/218 3. Qual item deve prezar pela transparência de suas movimentações? a) A rotulagem ambiental. b) O planejamento do ecodesign. c) Avaliação do Ciclo de Vida. d) Centro de atendimento aos clientes. e) Todas as anteriores. Questão 3 191/218 4. Qual aspecto tem a menor significância numa Avaliação de Ciclo de Vida? a) O uso. b) A matéria-prima. c) O varejo. d) O custo de produção. e) O fim de vida. Questão 4 192/218 5. Quanto à certificação ambiental no Brasil, é CORRETO afirmar: a) Os rótulos ecológicos, como o selo verde, servem como alternativa ao preenchimento de pedidos de licença e relatórios ambientais. b) Em alguns casos de produção do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), é obrigatório que a empresa tenha sido certificada por uma empresa independente e sem fins lucrativos. c) O cumprimento rigoroso da legislação ambiental permite uma empresa receber uma certificação ambiental, como a ISO 14001. d) Para a obtenção de um selo verde, a empresa deve sofrer uma auditoria ambiental, independente e contratada especialmente com esse fim,se responsabilizando por todos os custos. e) É padrão que normas técnicas e padrões científicos sejam utilizados na avaliação de empresa que requere a certificação ambiental. Questão 5 193/218 Gabarito 1. Resposta: A. O ecodesign é um processo de gestão que busca avaliar o impacto ambiental de um produto durante todo o seu ciclo de vida, desde a extração das matérias-primas utilizadas até os efeitos do descarte do produto final. 2. Resposta: E. Dentro de um planejamento em ecodesign, é sugerido que seja indicado um “líder” que servirá de referência na facilitação para o andamento do projeto o que leva a um tipo de hierarquização. Como padrão internacional, é indicado que a emissão da certificação ambiental se realize por meio de empresas privadas de terceiros. Há o reconhecimento de instituições públicas das estratégias de negócios que primam pela sustentabilidade ambiental. Como ilustração, é possível acessar documentos e manuais institucionais de incentivo a essas práticas. A integração das atividades ambientais com o plano de negócios é um desafio que deve ser perseguido no intuito da sustentabilidade da prática a longo prazo. 3. Resposta: E. Quaisquer iniciativas de cunho ambiental requer a publicidade de seus passos, de suas conquistas, e de suas limitações. Isso facilita o comprometimento e a participação ativa 194/218 Gabarito dos stakeholders, aumentando a margem de sustentabilidade das iniciativas a longo prazo. 4. Resposta: D. Custos de produção, apesar de inseridos e considerados num planejamento de projeto ambiental, possuem menor relevância na Avaliação de Ciclo de Vida do produto em relação ao uso, aos tipos de materiais utilizados, condicionamento, e demanda de mercado. 5. Resposta: E. As certificações ecológicas não são obrigatórias a nenhuma corporação e, apesar de facilitar o processo de fiscalização ambiental, por se precaverem das exigências legais, não substituem nenhum ato normativo, ou mesmo legislação pública. De modo geral, apesar de nem sempre contar com auditorias, as medidas impostas pela empresa certificadora são mais restritas do que a legislação vigente no país, fazendo redobrar os cuidados nas práticas e nos processos de produção. Costuma ser padrão que normas técnicas e padrões científicos sejam utilizados na avaliação de empresa que requere a certificação ambiental. 195/218 Unidade 8 Marketing Ambiental Objetivos 1. Introduzir os termos e conceitos de marketing verde. 2. Discutir brevemente sobre a importância da perspectiva de consumo mais responsável. 3. Examinar algumas razões que as organizações estão adotando uma filosofia de marketing verde. 4. Mencionar alguns desafios e problemas do marketing verde. Unidade 8 • Marketing Ambiental196/218 Introdução A gestão em tempos de aceleradas transformações atuais desafia as ideias tradicionais a respeito da competitividade e do sucesso, elementos fundamentais para a sobrevivência e sustentabilidade no mundo dos negócios. Os gestores devem lidar com a globalização dos mercados e suas consequências: o aumento da intensidade da concorrência, as rápidas transformações tecnológicas, a reformulação sobre o capital humano, alterações no sistema de valores e de preferências dos consumidores, desafios ambientais, entre outros (KÄRNÄ; HANSEN; JUSLIN, 2003). Tais mudanças forçam as empresas a considerar os pontos de vistas de vários grupos de interesse no processo decisório. Construir vínculos com clientes, fornecedores, empregados, comunidades e outras partes interessadas pode ser um fator preponderante em seus esforços em termos da competitividade, e tem o potencial de formar a base de estratégia corporativa centrada nas fontes, e não nos sintomas dos desafios de negócios enfrentados atualmente. Isso nos leva ao aumento da importância da responsabilidade corporativa (KÄRNÄ; HANSEN; JUSLIN, 2003). Quando os clientes entram em um mercado para realizar suas compras, normalmente há vários valores e questionamentos que são requeridos, e são objetos dos estudos de marketing, tais como: O que faz o custo do produto Unidade 8 • Marketing Ambiental197/218 ser considerado razoável, ou que vale à pena? Há qualidades especiais disponíveis que podem alterar a lista de compras? Mais recentemente, vem aumentando o nicho de compradores que estão fazendo perguntas adicionais sobre as suas excursões de compras: É o produto amigo do ambiente? É o produto orgânico? Valerá a pena o custo extra? Embora diferentes agências e organizações ofereçam diversas definições de “marketing ambiental” (às vezes chamado de marketing verde), geralmente há um consenso de que se trata da comercialização de produtos e empresas que promovem o ambiente de forma substancial. Outras definições buscam ainda enfatizar a ideia de construção de um meio ambiente “seguro” ou “sustentável”, enquanto outros procuram reduzir a “pegada de carbono” de uma empresa. Como vimos nos temas anteriores, estão disponíveis algumas práticas de negócios, tais como a redução dos custos de produção de resíduos ou de energia, que são bons para o ambiente e aumentam a rentabilidade do negócio. Adotar tais práticas podem ou não ser percebidas como “verde”, dependendo da percepção dos consumidores e de outras partes interessadas no negócio. No entanto, essas ações fortalecem a posição de uma empresa “que faz a sua parte”, o que pode retornar em reações positivas em relação à empresa. Unidade 8 • Marketing Ambiental198/218 1. A Demanda Atual e os Nichos Atendidos A maioria das pesquisas indica que os consumidores preferem produtos verdes, e estão propensos a pagar mais por eles. Ao mesmo tempo, contraditoriamente, observa-se uma dificuldade dos produtos verdes de ganhar participação no mercado (KÄRNÄ; HANSEN; JUSLIN, 2003; SOUZA; BENEVIDES, 2005). Em muitas indústrias eles conseguem apenas 3% da quota total de mercado (POLONSKY, 1994). Atualmente, consumidores sensíveis aos preços são os menos responsivos ao marketing verde. Para aqueles com uma menor renda disponível, ser cuidadoso com os gastos se torna uma preocupação mais imediata. Portanto, o marketing verde enfrenta um desafio particular, sobretudo em tempos de desaceleração econômica, em determinados segmentos onde o preço é o fator mais importante nas decisões de compra dos consumidores. O marketing verde requer uma abordagem holística. Uma empresa não pode ter êxito simplesmente por destacar um aspecto verde de um determinado produto, adicionalmente deve demonstrar um compromisso em vários níveis, como em processos de produção ou de engajamento ambiental. Os clientes são particularmente céticos em relação a muitas reivindicações, pois sabem que as empresas procuram e dependem do lucro, e tem dificuldade em acreditar que Unidade 8 • Marketing Ambiental199/218 exista uma preocupação genuína com ele − consumidor. Por exemplo, um hotel que solicita aos seus hóspedes para “salvar o meio ambiente”, reutilizando as toalhas para conservar a água, provavelmente não vai ser percebida estritamente como uma empresa consciente, em vez disso, a ação pode ser percebida como uma tentativa de usar a retórica verde para economizar em despesas de lavagem. Por isso, um dos primeiros desafios do marketing verde ser eficaz é estabelecendo credibilidade por meio de um plano abrangente. Em primeiro lugar, o marketing verde deve contemplar todo o negócio. Não é bom para anunciar as propriedades verdes de um produto, se a produção e distribuição da empresa inteiramente ignorar preocupações ambientais. Em segundo lugar, tem que ser honesta − alegaçõesinfundadas devem ser evitadas. Em terceiro lugar, deve ser transparente. Os consumidores precisam de informações sobre uma empresa para avaliar as suas reivindicações e reputação, portanto, o negócio deve promover a conscientização das histórias de seus produtos, incluindo a origem e a fabricação. Em quarto lugar, um produto pode receber uma certificação ambiental por um terceiro. Unidade 8 • Marketing Ambiental200/218 2. O Porquê do Marketing Verde? Atualmente, existe um consenso sobre as limitações do uso de recursos da Terra e, assim, devemos tentar reverter os desejos ilimitados do mundo (LEFF, 2008). Em sociedades de mercado onde existe “liberdade de escolha”, geralmente tem sido aceito que os indivíduos e as organizações tenham o direito de tentar ter seus desejos satisfeitos. Como as empresas enfrentam recursos naturais limitados, eles devem desenvolver novas formas ou alternativas de satisfazer esses desejos ilimitados. Em última análise, o marketing verde verifica, a partir dos instrumentos tradicionais do marketing, como explorar as limitações existentes e, Para saber mais Há opções de certificação verde dedicadas às qualidades individuais de um método de produção (uso de componentes reciclados, métodos eficientes de uso da energia) e outros avaliando outros atributos. As certificações mais complexas envolvem, por exemplo, questões como o Ciclo de Vida do produto, e se dedicam à análise de métodos e utilização de energia utilizada para a produção de um produto, o produto em si, e as consequências futuras que o produto causa ao meio (considerando o tempo de uso, possiblidades de reuso e reciclagem, entre outros). Para saber mais, pesquise estudos de caso específico de algumas empresas (sugerimos a plataforma Scielo ou o Google Acadêmico). Unidade 8 • Marketing Ambiental201/218 ao mesmo tempo, contemplar a satisfação dos clientes, enquanto alcança a venda da organização (POLONSKY, 1994). Para Polonsky (1994 apud DIAS, 2007, p. 19), há cinco motivos principais para a adoção do marketing verde pelas empresas: 1. As organizações percebem que o marketing ambiental pode ser uma oportunidade que pode ser usada para realizar seus objetivos de venda. 2. As organizações acreditam que têm uma obrigação moral e social, e, dessa forma, precisam adotar uma postura proativa. 3. As instituições governamentais estão forçando as empresas a serem socialmente mais responsáveis. 4. As atividades ambientais dos competidores pressionam as empresas a modificarem suas atividades de marketing e serem mais responsáveis socialmente. 5. Fatores de custo associados com a disposição de resíduos ou reduções da matéria-prima utilizada forçam as empresas a modificar seu comportamento. 3. Desafios Atuais Independentemente da motivação, há uma série de problemáticas a serem enfrentadas quanto ao fazer o marketing verde. Um dos principais desafios é assegurar que as empresas não exponham Unidade 8 • Marketing Ambiental202/218 divulgações enganosas, e nem violem quaisquer dos regulamentos ou princípios que regem o marketing ambiental. Alguns aspectos devem ser claramente expostos: • As características ambientais do produto ou serviço. • Os benefícios alcançados. • O diferencial em relação aos produtos com as mesmas funções. • Só termos e imagens significativas devem ser utilizadas. Outro problema que as empresas enfrentam é a necessidade de modificar os seus produtos devido a percepções do público consumidor que muitas vezes não são corretas. Nesse sentido, limitações e descobertas científicas também podem transtornar o modus operandi de uma empresa que busca manter a sua responsabilidade socioambiental intacta. A pressão para reduzir custos ou aumentar os lucros não pode forçar as empresas a se desvencilhar da importante questão da degradação ambiental. Por exemplo, alternativas que não consideram o Ciclo de Vida do produto podem não reduzir realmente a carga de desperdício, mas sim transferi-la para outro lugar ao redor. Embora possa parecer benéfica, não significa necessariamente a resolução de problemas ambientais, mesmo que as ações possam minimizar os impactos a curto prazo. Em última análise, a maioria dos resíduos produzidos entrará no fluxo Unidade 8 • Marketing Ambiental203/218 de resíduos, portanto, as organizações ambientalmente responsáveis devem tentar minimizar os seus resíduos, em vez de encontrar uso “apropriado” para eles. Unidade 8 • Marketing Ambiental204/218 Glossário Consumo: compra de qualquer produto ou recurso (por exemplo, material ou energia) usado num dado momento, por um determinado número de consumidores (DIGITRO, s/d). Globalização: processo interconexão mundial que evidencia a união de mercados de diferentes países, e da quebra de fronteiras entre esses mercados (DIGITRO, s/d). Marketing: um conjunto de atividades que envolvem o processo de criação, planejamento e desenvolvimento de produtos ou serviços que satisfaçam as necessidades do consumidor. Aborda também estratégias de comunicação e vendas no intuito de diferenciação no mercado e superação da concorrência (DIGITRO, s/d). Questão reflexão ? para 205/218 Como consumidor, você percebe considerações sobre a questão ambiental em ações de marketing? Se positivo, quais são os produtos, e qual a mensagem que eles transmitem? É eficaz para você? Em caso negativo, reflita sobre as causas dessa falta de interesse, destacando pelo menos cinco motivos. 206/218 Considerações Finais (1/2) O marketing verde é uma ferramenta estratégica de comunicação pública, com o interesse de apresentar um tipo de ação ou envolvimento ambiental. O marketing verde tem um compromisso maior do que compromisso com o aumento das vendas e do lucro. Se por um lado as empresas começam a se responsabilizar por sua parte no processo de degradação ambiental, observa- se uma pressão de consumidores que exigem uma postura mais sustentável em relação ao meio ambiente. Numa primeira ordem, o marketing verde busca atingir os consumidores que requerem um ambiente “mais limpo” e estão dispostas a “pagar” por isso (SOUZA; BENEVIDES, 2005). O marketing verde exige uma postura verde. Assim, uma organização comprometida ambiental pode não só produzir bens que reduzirão seu impacto negativo sobre o meio ambiente, eles também podem ser capazes de pressionar seus fornecedores a se comportar de uma forma ambientalmente 207/218 mais “responsável”. Isso tem a ver com um compromisso com todas as etapas do ciclo de vida do produto, o que acaba por desvelar práticas tomadas como sustentáveis, mas que, porém, só transfere o problema para outros contextos/lugares. Considerações Finais (2/2) Unidade 8 • Marketing Ambiental208/218 Referências DIAS, R. Marketing ambiental: ética, responsabilidade social e ética nos negócios. São Paulo: Atlas, 2007. DIGITRO. Glossário. s/d. Disponível em: <http://www.digitro.com/pt/index.php/sala-imprensa/ glossario>. Acesso em: 18 fev. 2016. GUIMARÃES, A. F. Marketing verde e a propaganda ecológica. ComCiência [on-line], n. 136, p. 2012, 2011. KÄRNÄ, J.; HANSEN, E.; JUSLIN, H. Social responsibility in environmental marketing planning. European Journal of Marketing, v. 37, n. 5-6, p. 846-871, 2003. LEFF, E. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. 6. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008. LOPES, V. N.; PACAGNAN, M. N. Marketing verde e práticas socioambientais nas indústrias do Paraná. Rev. Adm., v. 49, n. 1, p. 116-128, 2014. PEREIRA, K. L. B. A influência do marketing verde no processo de decisão de compra. In: Anais do III Encontro Científico e Simpósio de Educação Unisalesiano,Lins, SP: UNISALESIANO, 2011. Unidade 8 • Marketing Ambiental209/218 POLONSKY, M. J. An introduction to green marketing. Market Based Solutions, 1994. Disponível em: <http://www.uow.edu.au/~sharonb/STS300/market/green/article2.html>. Acesso em: 3 jan. 2016. SILVA, A. S.; LUIZ FILHO, G.; SILVA, M. C. O. Marketing sustentável: vantagem competitiva ou tentativa de sobrevivência. Rios Eletrônica − Revista Científica da FASETE, ano 5, n. 5, p. 136- 145, 2011. SOUZA, J. N. S.; BENEVIDES, R. C. A. Marketing verde: comportamentos e atitudes dos consumidores. In: Anais do II Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia. Rio de Janeiro: SEGET, 2005. p. 904-915. WAISSMAN, V. Como o marketing verde interfere na imagem de marca da indústria de celulose: o estudo de caso da Aracruz Celulose S.A. (Dissertação de Mestrado) − Escola Brasileira de Administração Pública, Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, 2001. 210/218 Assista a suas aulas Aula 8 - Tema: Marketing Ambiental - Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 0daf92418e225e4181f424285a2b76e0>. Aula 8 - Tema: Marketing Ambiental - Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ b60b76893976b6b4ee891502ef2171a4>. 211/218 1. Qual dos fatores abaixo NÃO representa um desafio para a implantação do marketing verde nas empresas? a) Resistência a mudanças no interior da própria corporação. b) Priorização de critérios financeiros e econômicos na compra de produtos. c) Pressão governamental. d) Concorrência com outras empresas. e) Sensíveis alterações da percepção do público quanto a um produto ou matéria-prima. Questão 1 212/218 2. O que certamente NÃO se espera de uma empresa que busca vender a sua imagem como amiga do verde? a) Responsabilidade de integração em relação ao meio ambiente. b) O envolvimento dos funcionários. c) Busca contínua de identificação de falhas. d) Proteção e não divulgação dos dados relativos à produção. e) Proatividade e inovação. Questão 2 213/218 3. Qual iniciativa não deve ser de interesse de divulgação num plano de marketing verde? a) Ecodesign. b) Avaliação do ciclo de vida do produto. c) Rotulagem ambiental. d) Apoio a causas sociais. e) Nenhuma das alternativas. Questão 3 214/218 4. Dentro de um planejamento de marketing verde, qual o aspecto do produto deve ser exposto? a) As características ambientais do produto ou serviço. b) Os benefícios alcançados pela utilização do produto. c) Diferenciação no mercado. d) Imagem ou termos de ampla repercussão. e) Todas as anteriores. Questão 4 215/218 5. Quanto às considerações sobre demandas e mercados, é INCORRETO dizer: a) Não há nichos de “consumidores verdes” no Brasil. O intuito do marketing verde é criar o sentimento da necessidade de uma nova postura ambiental. b) A expectativa por produtos verdes vem crescendo no decorrer do tempo. c) É possível que o cliente acredite que há outros interesses por trás da postura “ecologicamente correta”. d) Uma empresa de marketing pode ser contratada, mesmo que essa não possua tradição nesse tipo de divulgação. e) Atualmente, há uma segmentação por níveis econômicos no interesse em adotar uma postura de consumidor verde Questão 5 216/218 Gabarito 1. Resposta: C. A pressão governamental foi um facilitador do processo de acolhimento do marketing ambiental por muitas empresas. É importante ressaltar que, além do público consumidor, é de interesse de algumas empresas demonstrar seu comprometimento com questões socioambientais, no intuito de facilitar o encaminhamento de processos de licenciamento, e outras ações. 2. Resposta: C. A transparência sobre a cadeia de produção é essencial em qualquer plano ou planejamento estratégico na área socioambiental. 3. Resposta: D. Todas as causas listadas são interesses de uma empresa socialmente responsável. O marketing verde não deve se limitar às questões ecológicas, mas também, demonstrar o compromisso com as causas que são demandadas pela sociedade, ou grupos sociais específicos. 4. Resposta: E. Todos os aspectos listados são necessários para a divulgação. 5. Resposta: A. Apesar de ainda reduzido, existe interesse crescente pelo consumo de produtos 217/218 Gabarito ecologicamente corretos. Por exemplo, em determinadas localidades, já se observam iniciativas de comércio que divulgam boa relação entre a saúde humana e o consumo de alimentos orgânicos, menos impactantes ao meio ambiente.