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INSTITUIÇÃO TOLEDO DE ENSINO 
FACULDADE DE SERVIÇO SOCIAL DE BAURU 
 
 
 
 
 
 
RENATA LUIZE GIL 
THAIS ELIZABETE DE AQUINO ROSSI 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TRABALHANDO COM A TRÍADE: EDUCAÇÃO, FAMÍLIA E SERVIÇO SOCIAL. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BAURU 
2009 
 
INSTITUIÇÃO TOLEDO DE ENSINO 
FACULDADE DE SERVIÇO SOCIAL DE BAURU 
 
 
 
 
 
 
RENATA LUIZE GIL 
THAIS ELIZABETE DE AQUINO ROSSI 
 
 
 
 
 
 
 
 
TRABALHANDO COM A TRÍADE: EDUCAÇÃO, FAMÍLIA E SERVIÇO SOCIAL. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado à Banca Examinadora da 
Faculdade de Serviço Social, da Instituição 
Toledo de Ensino de Bauru, para obtenção 
do grau de Bacharel em Serviço Social, 
sob a orientação da Profª. Ms. Gerceley 
Paccola Minetto. 
 
 
 
 
BAURU 
2009 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
R833t Rossi, Thais Elizabete de Aquino. 
Trabalhando com a tríade: educação, família e serviço social 
/ Thais Elizabete de Aquino e Renata Luize Gil. 
 -- 2009. 
 114f. 
 
 
Orientadora: Profa. Ms. Gerceley Paccola Minetto. 
 Trabalho de Conclusão de Curso (Serviço Social) – 
 Instituição Toledo de Ensino – Bauru, SP. 
 
 
 1. Educação. 2. Família. 3. Serviço Social. I. Gil, Renata 
Luize. II. Minetto, Gerceley Paccola. III. Título. 
 
 CDD -360 
 
 
DECLARAÇÃO DE AUTENTICIDADE 
 
As alunas Renata Luize Gil e Thais Elizabete de Aquino Rossi, abaixo assinada, 
do curso de Serviço Social de Bauru, mantida pela Instituição Toledo de Ensino, 
declaram que o conteúdo do trabalho de conclusão de curso, realizado no período de 
fevereiro à outubro de 2009, com tema: Trabalhando com a Tríade: Educação, Família 
e Serviço Social é autenticado original e de autoria exclusiva. 
Por expressão da verdade, firmamos a presente declaração. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bauru, 30 de outubro de 2009. 
 
 
 
 
 
___________________________ ____________________________ 
 Renata Luize Gil Thais Elizabete de Aquino Rossi 
RG: 34.713.948-6 RG: 41.463.656-9 
 
 
 
 
 
 
 
INSTITUIÇÃO TOLEDO DE ENSINO 
FACULDADE DE SERVIÇO SOCIAL DE BAURU 
 
 
 
 
RENATA LUIZE GIL 
THAIS ELIZABETE DE AQUINO ROSSI 
 
 
 
 
TRABALHANDO COM A TRÍADE: EDUCAÇÃO, FAMÍLIA E SERVIÇO SOCIAL. 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado 
à Banca Examinadora da Faculdade de 
Serviço Social, da Instituição Toledo de 
Ensino de Bauru, para obtenção do grau de 
Bacharel em Serviço Social, sob a orientação 
da Profª. Ms. Gerceley Paccola Minetto. 
Banca examinadora 
 
_____________________________________ 
Orientadora Profª. Ms. Gerceley Paccola 
Minetto. 
 
_____________________________________ 
Profª. Banca 
 
_____________________________________ 
Supervisora Simone Zago 
 
_____________________________________ 
 Supervisora Tatiane Rosa Rodrigues 
 
 
 
 
 
Data da aprovação 
__/__/__ 
 
DEDICATÓRIA 
(Renata e Thais) 
 
 
A DEUS 
 
Dedicamos este trabalho à Deus pela luz, saúde, força, sabedoria, paciência, 
compreensão e amor familiar, os quais foram ferramentas essenciais para lutar 
pelos nossos objetivos e para a realização desse estudo. 
Agradecemos por colocar em nossos caminhos pessoas especiais como: famílias, 
amigos e mestres que contribuíram significativamente para hoje chegarmos onde 
estamos. 
Agradecemos, maiormente por estar do nosso lado em todos os momentos da nossa 
vida e por ter nos carregado no colo, quando não agüentávamos mais caminhar. 
Nós te amamos Senhor e de todo coração oferecemos primeiramente à ti, esse 
sonho realizado. 
 
 
 
ÀS NOSSAS FAMÍLIAS 
 
Aos nossos pais e irmãos, por todo o amor e dedicação para conosco, por terem sido 
a peça fundamental para que tenhamos nos tornado as pessoas que hoje somos. 
 
 
 
 
HOMENAGENS E AGRADECIMENTOS (RENATA E THAIS) 
 
À orientadora Gerceley Paccola Minetto 
 
Como ninguém, você exerce com maestria essa função. Você professora, já foi 
criança e ontem você não entendia muitas coisas, hoje precisa fazer-se entender e 
criar soluções. 
No seu dia-a-dia a sua capacidade de amar é colocada à disposição de todos. 
Quando você volta para casa, a tarefa ainda não está terminada, mas a sua 
consciência está em paz. 
Você corre em paralelo com o tempo para não ficar ultrapassado. Aceita-se todo por 
dentro para mostrar a seriedade que é exigida e ainda sorrir para aqueles que 
precisam de afeto. 
Na sua angústia existencial ainda se propõe a ajudar a quem procura. 
Você avalia. Que coisa difícil é avaliar. 
Aprova, reprova e finalmente recupera. 
Pelos caminhos da sua vida você vai encontrando tantas portas, umas quase se 
fecham, quando deveriam se abrir. 
Tantas que se abrem, quando deveriam fechar-se, Portas sombrias, enferrujadas, à 
espera de alguém ansioso por um toque, outras escancaradas pela falta de 
responsabilidade e amor. 
E você, passo a passo, vai contribuindo para cada uma delas. 
Você transforma, ilumina, esclarece, compreende e vence o desafio. 
É o suave mistério da sua vocação. 
Como você é importante! 
 
 
A Todos os Professores e Funcionários do Curso de Serviço Social 
 
A todos os professores do curso de Serviço Social, pela paciência, dedicação e 
ensinamentos disponibilizados nas aulas, cada um de forma especial contribuiu para 
a conclusão desse trabalho e consequentemente para nossa formação profissional e 
pessoal. 
 
Às Supervisoras Simone Zago e Tatiane Rosa Rodrigues 
 
Agradecemos pela dedicação, paciência e compreensão que teve conosco nesse 
período de estágio, agradecemos pelo profissionalismo, ética e respeito que tem em 
suas ações profissionais e pessoais. Agradecemos por tudo que nos ensinou, pois, 
temos a certeza que muito contribuíram e contribuirão para a nossa formação 
pessoal e profissional. 
Ficará a saudade dos tempos bons que não voltarão mais, porém, fica a certeza que 
seremos ótimas profissionais e companheiras de trabalho. 
 
À equipe do Centro de Educação Infantil Santo Antônio - CEISA 
 
Ao concluir nosso estágio nesta conceituada instituição, este que muito contribuiu 
para o nosso aperfeiçoamento profissional, agradecemos a oportunidade que nos foi 
dada. 
Agradecemos toda equipe do CEISA, que contribuíram com a nossa formação 
profissional. 
Que fizeram a diferença durante nosso período de estágio, pois pudemos aprender 
muito de cada uma dessas profissões e ver o quanto uma equipe unida faz a 
diferença! 
 
HOMENAGENS E AGRADECIMENTOS (RENATA) 
 
À minha Mãe Lúcia Regina Luize 
 
Por todo amor e dedicação que sempre teve comigo, mulher pela qual tenho maior orgulho de 
chamar de mãe, meu eterno agradecimento por todos os momentos da minha vida, pois,sempre esteve ao meu lado, me apoiando e me fazendo acreditar que nada é impossível, 
pessoa que sigo como exemplo, mãe dedicada, amiga, batalhadora, por estar sempre 
torcendo e rezando para que meus objetivos sejam alcançados. 
 
À minha irmã Fernanda Luize Gil 
 
A minha irmã Fernanda, pelo carinho e atenção que sempre teve comigo, sempre me 
apoiando em todos os momentos, obrigada pelos conselhos e pela confiança em mim 
depositada, meu imenso agradecimento. 
Que amor é esse tão grande assim. Amor de anjos que existe em nós (...) 
Que amor é esse que a gente sente.Não tem maior, não, é diferente 
Dias e noites, mesma paixão. Só sei te amar, sou TUA IRMÃ 
(Música Dias e Noites, Sandy e Junior) 
 
À meu marido Ailton Soares Junior 
 
Meu amado marido, pelo amor, carinho, amizade e compreensão que sempre teve comigo 
nesses 7 (sete) anos de união. 
Agradeço amor, pela ternura, por sempre estar comigo me apoiando e me incentivando, 
obrigada por tudo que você me dedicou. 
Vida obrigada por fazer parte e ser parte deste sonho, que hoje é realidade! 
Deus uniu as nossas vidas de uma vez. E cada dia é o primeiro outra vez 
Como um primeiro olhar nada nunca vai mudar.Não vai mudar, não vai mudar... 
 (Música Amar você, Fernanda Brum) 
 
 
 
 
À minha amiga Thais Elizabete de Aquino Rossi 
 
Agradeço a Deus, pela amizade que ele nos permitiu. Colocando no meu caminho você, Amiga 
e Madrinha, que admiro muito e que considero ser uma pessoa muito especial. Thata, 
obrigada pelo carinho, atenção, amizade que me proporcionou nesses 4 (quatro) anos. 
A Palavra do Senhor nos diz que: “quem encontrou um amigo encontrou um tesouro”. Então, 
posso dizer que eu tenho “Uma amiga..., um tesouro!” 
Desejo para você, tudo o que há de melhor nesse mundo, pois, você merece muito !!! 
 
Aos meus amigos 
 
Aos amigos que Deus permitiu durante o curso de Serviço Social, agradeço pela verdadeira 
amizade que construímos, em particular (Gisele, Elisângela, Thais, Regiane, Roseli, Lúcia, 
Jainei e Vanessa), amigos que estavam sempre ao meu lado, obrigada, por todos os 
momentos que passamos durante esses 4 (quatro) anos, meu especial agradecimento. Sem 
vocês essa trajetória não seria tão prazerosa! 
 
A Professora Giselli Tamarozzi 
 
Agradeço pela simplicidade, pelo companheirismo e pelo amor que nos dedicou nesses 4 
(quatro) anos de faculdade. Você, não é SOMENTE nossa professora e sim uma grande 
AMIGA, que guardaremos sempre em nossos corações!!!! 
Agradeço por tudo o que deixou em mim, principalmente a “MARCA”, de que ser professora 
é... 
Se alimentar do conhecimento e fazer de si 
mesma, janela aberta para o outro. 
Ser professa é formar gerações, propiciar o 
questionamento e abrir as portas do saber. 
Ser professa é lutar pela transformação... 
É formar e transformar. (Autor desconhecido) 
 
 
 HOMENAGENS E AGRADECIMENTOS (THAIS) 
 
À minha família: Pai Luiz, Mãe Elisa, irmãos (Jean, Junior, Ana e Isaac), cunhadas, 
sogra, avôs, avós, tios e primos. 
 
“Os que confiam no Senhor são como os montes de Sião, que não se abalam, mas 
permanecem para sempre”. 
Agradeço a cada um de vocês que fazem parte da minha história, agradeço à Deus mais uma 
vez por ter me dado uma família maravilhosa, que é a minha vida, meu porto seguro, o meu 
lugar forte. 
Agradeço á cada um de vocês por existir e aos que não estão mais entre nós, a minha 
saudade e o meu muito obrigado, pois também contribuíram pra hoje eu ser quem sou. 
À vocês família querida dedico o meu trabalho de conclusão de curso que é fruto de muita 
luta, amor e dedicação. 
 
 
Ao meu noivo Fabrício Gerhart Dittrich 
 
Uma vez eu ouvi que na terra tem anjos fantasiados de gente e você meu amor eu acredito 
que é um desses. Agradeço á ti pela paciência que teve comigo nesses últimos anos, pela 
compreensão, pelos momentos difíceis que passamos juntos e você esteve sempre ao meu 
lado. Agradeço pelo carinho e amor que tem me dispensado em todos os momentos, fazendo 
com que eu me sentisse a mulher mais amada e feliz do mundo; Te amo. 
 
 
 
 
 
 
À minha amiga Renata Luize Gil 
 
Tudo na vida passa mais você amiga, posso viver mil anos que não passará. Pois é impossível 
passar uma amizade como a nossa. Amizade feita de amor, carinho e compreensão. 
Momentos bons e ruins, fáceis e difíceis, porém, conseguimos superar a todos com muita 
dedicação e respeito. Não tenho palavras para expressar o quanto te admiro e agradeço à 
Deus por ter colocado você no meu caminho como minha companheira nessa jornada. A você, 
meus agradecimentos sinceros com muito amor. 
 
 
Aos meus amigos 
 
Agradeço a Deus as amizades que conquistei durante esses quatro anos de curso, amizade 
essa que levarei por toda a minha vida. Em especial: Andréa, Elisângela, Gisele, Jainei, 
Karoline, Liliane, Maria Lucia e Roseli. 
Sem vocês eu não teria conseguido; sem vocês esses quatro anos não teriam tido a mesma 
graça; sem vocês eu não seria a pessoa que sou hoje, pois com vocês, eu descobri o 
verdadeiro valor de uma amizade. Amo cada um de vocês de um jeito especial, obrigada por 
vocês existirem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
O presente trabalho consiste em uma reflexão sobre a participação dos pais no 
cotidiano escolar dos filhos e a importância do Serviço Social na relação escola e 
família. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa, cujo instrumento de coleta de 
dados é a observação e a entrevista realizadas no período de fevereiro a novembro de 
2009, que ratificam a relevância do profissional de Serviço Social nesta relação. O 
universo do estudo é composto pelas 75 famílias e 24 profissionais do CEISA – Centro 
de Educação Infantil Santo Antonio - e por 195 profissionais das redes de ensino 
municipal, estadual, particular e de responsabilidade social de Bauru. A amostragem 
corresponde a 20% do total dos sujeitos do CEISA, dentre os quais 15 famílias e 5 
profissionais. Já na rede de ensino de Bauru, a amostragem é de 22 sujeitos entre 
coordenadores e diretores de 5 escolas estaduais, 3 particulares, 2 municipais e 1 de 
responsabilidade social. Os resultados apontam que os pais responsáveis, diante de 
suas convicções e cultura, participam quando convocados das atividades e 
responsabilidades da escola, enquanto que os profissionais de ensino qualificam tal 
participação como restrita. As estratégias de acompanhamento do processo escolar do 
filho, utilizadas pelos pais responsáveis, são a participação em reuniões, a presença 
diante das convocações e eventos da escola. Em contrapartida, os profissionais 
buscam nessa presença o momento de aproximação para que possam trocar 
informações sobre a criança e o respectivo processo de aprendizagem. Quanto à 
inserção do Assistente Social no processo educacional, os gestores da educação 
reconhecem tal importância e enfatizam a necessidade de tornar conhecido o trabalho, 
uma vez que possibilita o fortalecimento dos vínculos entre família e escola, além de ser 
relevante para a categoria. Conclui-se que a participação da família na vida escolar dos 
filhos é primordial para o bom desempenho e resultados da prática pedagógica, pois 
compete ao Assistente Social fazer a mediação entre a família e a escola e efetivar os 
direitos de ambas. 
 
 
 
Palavras chave: Participação. Aprendizagem. Parceria. 
 
ABSTRACT 
This work is a reflection on the participation of parents in daily school life of children and 
the importance of social work in the school and family. This is a qualitative study, whose 
instrument of data collection is the observation and interviewscarried out from February 
to November 2009, ratifying the importance of social worker in this relationship. The total 
study population consists of 75 families and 24 CEISA - Centro de Educacao Infantil 
Santo Antonio - professionals and 195 professionals of the educational city, state, 
private and social responsibility of Bauru. The sample represents 20% of CEISA 
persons, among which 15 families and 5 professionals. Already in Bauru educational 
system, the sample covers 22 persons between coordinators and directors from 5 state 
schools, 3 private, 2 city and 1 from social responsibility. The results show that 
responsible parents in front of their beliefs and culture, participate when called upon 
activities and responsibilities of school, while teaching professionals qualify as restricted 
such participation. Strategies to monitor the process of child at school, used by 
responsible parents are: participating in meetings, the presence at the school events 
and convocations. In contrast, the professionals seek on this presence the approach 
moment so they can share information about the child and their learning process. About 
the inclusion of the social worker in the educational process, education managers 
recognize this importance and emphasize the need to make the work to be known, since 
it enables the strengthening of bonds between family and school as well as being 
relevant to the category. We conclude that family participation in children school life is 
primary to good performance and results of teaching practice, as it is for the social 
worker to mediate between families and schools and assure the rights of both. 
 
 
 
 
 
 
 
Keywords: Participation. Learning. Partnership. 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente 
CEISA – Centro de Educação Infantil Santo Antônio 
LDB – Lei de Diretrizes e Bases 
MEC – Ministério da Educação 
PDE - Plano de Desenvolvimento da Educação 
PL - Projeto de Lei 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO..........................................................................................16 
2 REVISITANDO A EDUCAÇÃO NO BRASIL............................................21 
2.1 Rumos atuais da Educação Brasileira e a Educação Escolar.............21 
3 AS INTERFACES DA INSTITUIÇÃO FAMÍLIA E SUA 
 RESPONSABILIDADE NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS..........................30 
3.1 As interfaces da instituição família.......................................................30 
3.2 A Participação dos pais/responsáveis na educação 
 dos filhos.................................................................................................35 
4 A RELAÇÃO FAMÍLIA X ESCOLA E O SERVIÇO SOCIAL COMO 
 EFETIVADOR DO DIREITO À EDUCAÇÃO...........................................43 
4.1 A relação Família x Escola no processo de desenvolvimento 
 integral da criança..................................................................................43 
4.2 Escola, Serviço Social e Família: tripé do sucesso............................46 
5 METODOLOGIA E ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA.................52 
5.1 Análise dos dados da pesquisa............................................................59 
5.1.1 O papel das famílias no processo de aprendizagem dos filhos...............59 
5.1.2 Acompanhamento da família na vida escolar de seus 
 filhos.........................................................................................................64 
5.1.3 O papel das famílias no processo de aprendizagem dos filhos na visão 
 dos profissionais.......................................................................................81 
5.1.4 As estratégias utilizadas pelas famílias no processo de participação e 
 vida dos seus filhos..................................................................................87 
5. 1.5 Inserção do Assistente Social junto às escolas.......................................91 
 
6 CONCLUSÃO E SUGESTÃO.................................................................102 
 
 REFERÊNCIAS.......................................................................................105 
 
 APÊNDICE..............................................................................................112 
 
 
 16 
1 INTRODUÇÃO 
 
 
O tema desse trabalho é a participação da família na vida escolar dos filhos e a 
importância do profissional de Serviço Social nas unidades escolares, responsável pela 
aproximação entre a escola e a família, e foi realizado juntamente com a população 
usuária e equipe de apoio interdisciplinar do Centro de Educação Infantil Santo Antônio 
(CEISA) e coordenadores e diretores das escolas estaduais, municipais, particulares e 
de responsabilidade social de Bauru. 
O Centro de Educação Infantil Santo Antônio – CEISA, localizado na Rua José 
de Pinheiro Góes, 4-38, Distrito Industrial, é uma instituição civil sem fins lucrativos, de 
natureza privada, caracterizado como Projeto de Responsabilidade Social Empresarial 
da Indústria e Comércio de Plásticos, Plasútil - LTDA. 
Rodrigues (2009, p 47) complementa que: 
 
 
Constituída nos molde inicial de “um sonho” do presidente da 
Plasútil, e consequentemente com o apoio de outros 
colaboradores da Plasútil, que se apropriaram também deste 
“sonho”, o CEISA possui um toque muito especial de carinho, 
determinado tanto pelos profissionais como pela qualidade dos 
produtos e serviços oferecidos. 
 
 
A unidade desenvolve seu trabalho na área da educação e tem como finalidade o 
atendimento de crianças de 0 a 5 anos e 11 meses, sendo 85% oferecido às crianças 
residentes nos bairros próximos à região do Distrito Industrial I ( prioridade ao Ferradura 
Mirim) e, 15% viabilizado aos colaboradores da Plasútil, visando o atendimento integral 
em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social, complementando a ação da 
família e da comunidade. 
O CEISA atende atualmente 75 crianças, porém este número cresce 
gradativamente até completar a sua capacidade de 90 crianças. 
A instituição tem atendimento diferenciado aos usuários, já que atende no horário 
das 05h30min às 18h30min, trabalha em período integral, busca sempre a aproximação 
 17 
e participação da família na rotina do CEISA, já que a relação família X escola é de vital 
importância para o desenvolvimento social da criança. O contato contínuo dos pais ou 
responsável garante uma melhor condição de vida para a criança, pois é somente 
dando visibilidade nas ações que se poderá ocorrer a transformação social. 
O CEISA, como instituição, realiza serviços na educação infantil organizada de 
modo que as crianças desenvolvam suas capacidades. As salas são divididas por faixa 
etária: Berçário I (0 a 1 ano), Berçário II (1 a 2), Maternal I (2 a 3), Maternal II (3 a 4) e 
Infantil I ( 4 a 5 anos). 
 As demais escolas que compõem o cenário desse estudo são 5 escolas 
estaduais, 3 particulares, 2 municipais e 1 de responsabilidade social, da rede de 
ensino de Bauru. A pesquisa foi direcionada também aos coordenadores e diretores 
das mesmas. Vale ressaltar que as escolas estaduais são do primeiro ano do Ensino 
Fundamental ao Ensino Médio, as particularessão do infantil ao Ensino Médio, as 
municipais do primeiro ao quarto ano do Ensino Fundamental e a de responsabilidade 
social é apenas de educação infantil. 
Considerando essa realidade acima exposta, é que propomos, nesse estudo, 
evidenciar a importância da participação da família na vida escolar dos seus filhos, bem 
como o papel do Assistente Social na instituição escolar, apontando para identificar o 
papel das famílias no processo de aprendizagem dos filhos; desvendar as estratégias 
utilizadas pelas famílias no processo de participação da vida escolar de seus filhos; 
investigar a inserção do assistente social junto às escolas e desvelar o papel do 
Assistente Social frente a essa realidade. 
O interesse pelo tema estudado surgiu pela identificação das pesquisadoras 
Renata Luize Gil e Thais Elizabete de Aquino Rossi pelo mesmo, uma vez que o 
estágio no CEISA, desde o ano de 2008, nos fez experienciar o quão é importante a 
participação da família no contexto escolar e a extrema relevância do trabalho do 
Assistente Social na instituição e, ainda, a pesquisadora Thais, na sua vida profissional, 
trabalhou em uma escola particular de Bauru e vivenciou outra realidade acerca da 
importância do Assistente Social nas unidades escolares, uma vez que essa escola não 
possui esse profissional. 
 18 
 Assim, as alunas optaram por pesquisar um tema que relaciona-se com a 
realidade atual e a necessidade do campo. Procuramos unir, em um só trabalho, duas 
ideias relevantes para a instituição na qual estagiamos e à categoria de uma forma 
geral. 
Partindo dos questionamentos Qual a importância da participação das famílias 
na educação dos filhos e qual o papel do Serviço Social nessa relação? Tomamos 
como hipótese que a participação das famílias na educação de seus filhos é 
imprescindível para a formação da personalidade dos mesmos, pois diversos estudos 
apontam que a criança, cuja família participa de forma mais direta no cotidiano escolar, 
apresenta um desempenho superior em relação àquelas cujos pais estão ausentes, 
evidenciando sua capacidade de intervir na defesa e efetivação dos direitos sociais. E o 
Serviço Social frente a essa demanda faz uma articulação entre o aluno, a escola e a 
família. 
Brandão (2007, p. 07) expõe que: 
 
 
Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na 
escola, de um modo ou de muitos todos nós envolvemos pedaços 
da vida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender e 
ensinar. Para saber, para fazer, para ser, ou para conviver, todos 
os dias misturamos a vida com a educação. 
 
 
Dessa forma, a educação engloba os processos de ensinar e aprender. É um 
fenômeno observado em qualquer sociedade e nos grupos constitutivos destas, 
responsável pela sua manutenção e perpetuação, às gerações que se seguem, dos 
modos culturais de ser, estar e agir necessários à convivência, ao ajustamento e 
participação de um membro no seu grupo ou sociedade. 
Partindo deste pressuposto, vemos que a educação é peça importante na vida 
do indivíduo e o apoio que este recebe do meio em que vive é fundamental para a sua 
formação. 
A tipologia da pesquisa é qualitativa, pois há levantamento de dados que 
realmente expressam e comprovam a importância da participação da família na 
educação dos filhos e do Serviço Social no âmbito escolar. O estudo qualitativo propicia 
 19 
um contato direto com os sujeitos participantes, possibilitando maior entrosamento e 
aproximação entre o pesquisador e pesquisado, além de maiores informações que 
interessem à investigação, revelando como pensam e agem os sujeitos. Os 
instrumentais utilizados na elaboração da coleta de dados são a observação, a 
entrevista focalizada no formulário e questionário, com perguntas subjetivas, podendo 
certificar as colocações dos sujeitos. 
O Universo do estudo é composto pelas 75 famílias e 24 profissionais do CEISA 
- Centro de Educação Infantil Santo Antônio e, por 195 profissionais da educação das 
instituições da rede de ensino municipal, público, particular e de responsabilidade social 
de Bauru. A amostragem constitui-se com 20% do total dos sujeitos do CEISA sendo 15 
famílias e 5 profissionais, e na rede de ensino de Bauru, a amostragem é de 22 
sujeitos, sendo 5 coordenadores e diretores de escolas estaduais, 3 de escolas 
particulares, 2 de escolas municipais e 1 de responsabilidade social. 
Esse trabalho apresenta como fundamentação, primeiramente, a história da 
educação no Brasil, desde o descobrimento até os dias atuais; a análise do contexto 
educacional no Brasil a partir da LDB (Lei de Diretrizes e Bases), Estatuto da Criança e 
do Adolescente (ECA), Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), Constituição Federal 
de 1988, além de teorias sobre família, participação e Serviço Social escolar e tem 
como referências diferentes autores que abordam teorias sociais sobre o tema do 
estudo. 
Apresentamos o trabalho da instituição Ceisa que foi a peça chave para a 
realização desse estudo, pois é uma instituição que trabalha com a efetivação do direito 
à educação, perpassando também pela política educacional, que é de grande 
relevância para o desenvolvimento de um trabalho com qualidade. 
Enfatizamos a importância do trabalho do assistente social nas unidades 
escolares, uma vez que este profissional trabalha com as expressões da questão social 
configuradas nesse ambiente, tais como baixa escolaridade, evasão escolar, 
desinteresse no aprendizado e outras, que configuram dentro dos lares dos alunos e 
que refletem nos estudos, tais como desemprego, fome, miséria, violência doméstica, 
destituição familiar, entre outros, é o assistente social o profissional preparado para 
intervir nessa realidade. 
 20 
 Iamamoto (2005, p. 67) ainda reafirma que: 
 
 
O Serviço Social interfere na reprodução da força de trabalho por 
meio dos serviços sociais previstos em programas, a partir dos 
quais se trabalha nas áreas de saúde, educação, condições 
habitacionais e outras. Assim, o Serviço Social é socialmente 
necessário porque ele atua sobre questões que dizem respeito a 
sobrevivência social e material dos setores majoritários da 
população trabalhadora. Viabiliza o acesso não só a recursos 
materiais, mais as ações implementadas incidem sobre as 
condições de sobrevivência social dessa população. 
 
 
Portanto, o estudo aponta a importância da inserção do profissional de Serviço 
Social nas unidades educacionais como mais um saber para somar aos saberes já 
existentes no campo educacional. 
Finalmente, apresentamos as conclusões e sugestões que a realidade evidencia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 21 
2 REVISITANDO A EDUCAÇÃO NO BRASIL 
 
 
A História da Educação no Brasil inicia-se no período colonial quando os 
exploradores portugueses descobriram o Brasil, no século XV, e começaram a colonizar 
sua nova terra no Novo Mundo. Encontraram um território que era habitado por diversas 
tribos indígenas, as quais não tinham desenvolvido um sistema de escrita e nem a 
educação escolar, o que foi feito através dos jesuítas que chegaram em 1549, 
chefiados pelo Padre Manoel da Nóbrega. Iniciaram-se, assim, as primeiras relações 
entre Estado e Educação. 
Em um período da história, a partir de 1900, quando o mundo tinha grande parte 
da população analfabeta, o Império Português abrigou uma das primeiras universidades 
fundadas na Europa - a Universidade de Coimbra, a qual atualmente é uma das mais 
antigas universidades em funcionamento contínuo. Durante a dominação portuguesa, 
os estudantes brasileiros, principalmente os graduados em missões jesuítas e em 
seminários, foram permitidos e até incentivadosa ingressarem no ensino superior em 
Portugal. 
Em 1759 houve a expulsão dos jesuítas e instituído o ensino laico e público, 
cujos conteúdos baseavam-se nas Cartas Régias. Muitas mudanças ocorreram até que 
se chegasse à pedagogia dos dias de hoje. É a partir de 1930, início da Era Vargas, 
que surgem as reformas educacionais mais importantes. A primeira LDB é promulgada 
em 1946 (Lei nº 4.024/61) e promove vários debates acerca do tema, conforme se 
apresenta neste item. 
 
2.1 Rumos atuais da Educação Brasileira e a Educação Escolar 
 
 
A educação no Brasil (segundo o que determina a Constituição Federal de 1988 
e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996, que estabelece as 
diretrizes e bases da educação nacional) deve ser dirigida e organizada separadamente 
por cada nível de governo. O Governo Federal, os Estados, o Distrito Federal e os 
 22 
Municípios devem dirigir e organizar seus respectivos sistemas de ensino. Cada um 
desses sistemas educacionais públicos é responsável por sua própria manutenção, 
devendo gerar fundos, bem como os mecanismos e fontes de recursos financeiros. A 
nova Constituição reserva 25% do orçamento do Estado e 18% de impostos federais e 
taxas municipais para a educação. 
A educação brasileira é regulamentada pelo Governo Federal através do 
Ministério da Educação, o qual define os princípios orientadores da organização de 
programas educacionais. Os governos locais são responsáveis por estabelecer 
programas educacionais estaduais e por utilizar os financiamentos oferecidos pelo 
Governo Federal. As crianças brasileiras atualmente têm que frequentar a escola, no 
mínimo, por 9 anos. 
A Constituição Brasileira (1988) em seu artigo 205 estabelece que: 
 
 
A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será 
promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, 
visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o 
exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. 
 
 
Logo, a educação é um direito garantido a todos os cidadãos e, hoje, 
percebemos que o Brasil se esforça para melhorar a educação básica e manter os altos 
padrões que a população espera das universidades públicas, mas ainda mantem-se 
distante dos níveis educacionais dos países de primeiro mundo. 
Segundo o dicionário Aurélio, Educação é: “o desenvolvimento da capacidade 
física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor 
integração individual e social” e Educação escolar é: “o processo de educação realizado 
em um sistema escolar de ensino, podendo ser desenvolvido em institutos e demais 
instituições legitimadas para exercê-la”. 
 O surgimento da educação escolar relaciona-se ao surgimento das Escolas e 
das políticas educacionais exercidas pelos estados e pelo país. O conceito de 
educação escolar surge para distinguí- la do processo de educação, uma vez que este 
não ocorre, necessariamente, institucionalizado. A distinção entre os termos surge da 
 23 
percepção de que a Escola é o espaço de transmissão de uma cultura específica, 
chamada de cultura escolar, e possui arquitetura, mobiliário, sequência temporal, 
ritmos e práticas peculiares. 
No sentido mais amplo, educação é um processo de atuação de uma 
comunidade sobre o desenvolvimento do indivíduo a fim de que ele possa atuar em 
uma sociedade pronta para a busca da aceitação dos objetivos coletivos. 
Para tal educação, devemos considerar o homem no plano físico e intelectual, 
consciente das possibilidades e limitações, capaz de compreender e refletir sobre a 
realidade do mundo que o cerca, seu papel de transformação social como uma 
sociedade que supere nos dias atuais a economia e a política na busca pela 
solidariedade entre as pessoas e pelo respeito as diferenças individuais de cada um. 
Freire (1995, p.67) pontua que: 
 
 
Educação tem caráter permanente. Não há seres educados e não 
educados, estamos todos nos educando. Existem graus de 
educação, mas estes não são absolutos. 
 
 
Essa afirmação nos faz refletir sobre o processo educativo contínuo que visa 
constante busca pela melhoria da qualidade da formação docente e discente. A ação 
educativa implica em conceito de homem e de mundo concomitantes. Nela é preciso 
não apenas estar no mundo, e sim estar aberto ao mundo. Captar e compreender as 
finalidades deste a fim de transformá-lo, responder não só aos estímulos, e sim aos 
desafios que este nos propõe. Não podemos transmitir conhecimento, pois este já 
existe, podemos sensibilizar o indivíduo a buscar esse conhecimento existente e 
estimulá-lo a descobrir suas afinidades em determinadas áreas. 
A educação não tem uma fórmula pronta a seguir, pois é criada e desvendada a 
cada passo em que estimulamos os nossos conhecimentos, trazendo assim, motivação 
necessária ao processo de ensino-aprendizagem. 
 
 
 
 24 
Aranha (1998, p. 52) considera que: 
 
 
Educação é um processo contínuo que orienta e conduz o 
indivíduo a novas descobertas a fim de tomar suas próprias 
decisões, dentro de suas capacidades. 
 
 
Sendo assim, podemos afirmar que esse processo acontece durante toda a vida 
do ser humano, basta que ele seja incentivado e motive-se a aprender. 
Uma sociedade para evoluir necessita de educação de qualidade como um dos 
principais pontos de partida, fato este considerado parcialmente distante da realidade 
brasileira. Apesar disso, o Governo Federal, com o objetivo de melhorar a educação no 
Brasil, criou o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). A principal finalidade do 
PDE é oferecer educação básica de qualidade a todos os indivíduos, realizar 
investimentos na educação profissional e superior, com vistas a apresentar uma relação 
íntima que envolva um trabalho em conjunto, no qual pais, alunos, professores e 
gestores visem o sucesso e a permanência do aluno na escola. 
A própria Lei de Diretrizes e Bases (LDB, 9394/96) foi embasada no princípio do 
direito universal que rege a educação para todos, bem como na série de mudanças 
necessárias para a garantia da educação básica. 
Um país não progride com educação precária. Todas as pessoas necessitam e 
devem ter acesso à educação básica. A aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação (LDB) propiciou grande avanço no sistema de educação de nosso país, já 
que visa tornar a escola um espaço de participação social, valorização da democracia, 
do respeito, da pluralidade cultural e da formação do cidadão, fato que verifica o papel 
dos estudantes. 
O PDE surgiu com várias intenções, uma delas é a inclusão das metas de 
qualidade para a educação básica, fazendo parte destas, no sentido de contribuir para 
que escolas e secretarias de educação se organizem no atendimento aos alunos e, 
consequentemente, no estímulo às famílias para que exijam educação de maior 
qualidade. O plano ainda prevê acompanhamento e assessoria aos municípios com 
baixos indicadores de ensino, com vistas a melhorias da educação no país. Vale 
 25 
ressaltar que o desenvolvimento da educação no país requer a participação intensiva 
da sociedade e esta deve exigir não apenas um projeto voltado ao governo federal, e 
sim de toda nação. 
Um país precisa do seu povo como companheiro fiel na luta por melhores 
oportunidades e condições de vida principalmente em busca da redução da taxa de 
analfabetismoque, segundo pesquisas realizadas pelo MEC, têm apresentado uma 
queda constante, porém ainda não suficiente, pois está presente em grande percentual 
e em diversas regiões do país, principalmente nas menos desenvolvidas. 
Entendemos que a história da Educação Brasileira sofreu rupturas marcantes, 
fáceis de serem observadas. A primeira grande ruptura ocorreu com a chegada dos 
portugueses ao território do Novo Mundo. Não podemos deixar de reconhecer que os 
portugueses trouxeram um padrão de educação próprio da Europa, o que não quer 
dizer que a população que por aqui vivia já não possuísse características próprias de se 
fazer educação. E convém ressaltar que a educação que se praticava entre as 
populações indígenas não tinha as marcas repressivas do modelo educacional 
europeu. 
Quando os jesuítas chegaram por aqui, não trouxeram somente a moral, os 
costumes e a religiosidade européia; trouxeram também os métodos pedagógicos. Este 
método funcionou absoluto durante 210 anos, de 1549 a 1759, quando uma nova 
ruptura marca a História da Educação no Brasil: a expulsão dos jesuítas por Marquês 
de Pombal. Se existia alguma estrutura educacional, o que se comprovou a seguir foi o 
mais absoluto caos. Tentaram-se as aulas régias, o subsídio literário, mas o caos 
continuou até que a Família Real, fugida de Napoleão na Europa, resolveu transferir o 
Reino para o Novo Mundo. Na verdade não se conseguiu implantar um sistema 
educacional nas terras brasileiras, mas a vinda da Família Real permitiu uma nova 
ruptura com a situação anterior. 
Segundo alguns autores, Sylvia Vidigal Moraes, Sérgio Haddad e José Luiz de 
Paiva Bello, o Brasil foi finalmente “descoberto” e a nossa história passou a ter uma 
complexidade maior. 
 26 
A educação, no entanto, continuou a ter importância secundária, visto que 
enquanto nas colônias espanholas em 1538 já existiam muitas universidades, a nossa 
primeira Universidade surgiu em 1934 em São Paulo. 
Por todo o Império, nas regências de D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II, pouco 
se fez pela educação brasileira que era de má qualidade. Com a Proclamação da 
República, tentaram-se várias reformas, mas se observarmos, a educação brasileira 
não sofreu um processo de evolução que pudesse ser considerado marcante ou 
significativo em termos de modelo. 
Até os dias de hoje, muito se altera o planejamento educacional, porém a 
educação apresenta as mesmas características impostas em todos os países do 
mundo, que é a de manter o “status quo” (manter como no início) para aqueles que 
frequentam os bancos escolares. 
Como a educação sistemática acontece dentro das instituições, há que entendê-
la como tal. Existem, basicamente, dois tipos de educação: assistemática e sistemática. 
A educação assistemática é aquela que ocorre através da observação ou do 
ensinamento de fatos que acontecem ao acaso. Por acaso, quando o menino vê, pela 
primeira vez, o pai se barbeando, por exemplo, pergunta o que é aquilo e para que 
serve. Este é um caso que ilustra a educação assistemática, na qual, acontece o 
aprendizado sem que antes ele tivesse sido premeditado. 
A educação sistemática é a que acontece normalmente na escola. É a forma de 
ensinamento de algo que foi anteriormente pré-estabelecido nos seguintes elementos: 
local, data, forma. Quando uma criança vai à escola, já está indo com o intuito de 
aprender algo naquele local, naquele dia e de determinado método de ensino. Portanto, 
educação assistemática ocorre sem local e data determinada – ocorre ao acaso – e 
a sistemática acontece porque antes já fora pensado o local, a data e a forma. 
Segundo o dicionário, escola é: “estabelecimento de ensino, colégio, ginásio, 
educandário, instituto, corrente literária, científica, filosófica, artística”. 
Freire (2001) afirma que: 
 
 
 
 27 
Escola é o lugar onde se faz amigos. Não se trata só de prédios, 
salas, quadros, programas, horários, conceitos. Escola é, 
sobretudo, feita de gente, gente que trabalha, que estuda, que se 
alegra, se conhece, se estima. O diretor é gente, o coordenador é 
gente, o professor é gente, o aluno é gente, cada funcionário é 
gente. E a escola será cada vez melhor na medida em que cada 
um se comporte como colega, amigo, irmão. Nada de ilha 
cercada de gente por todos os lados. Nada de conviver com as 
pessoas e depois descobrir que não tem amizades de ninguém, 
nada de ser como o tijolo que forma a parede, indiferente, frio, só. 
Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar, é 
também criar laços de amizade, é criar ambiente de 
camaradagem, é conviver, é se amarrar nela. Ora, é lógico numa 
escola assim vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer, fazer 
amigos, educar-se, e ser feliz. 
 
 
A escola ainda pode referir-se a uma instituição de ensino ou a uma corrente de 
pensamento com características padronizadas que compõem certas áreas do 
conhecimento e da produção humana. 
A palavra escola vem do grego scholé, que significa lugar do ócio. Na Grécia 
Antiga, as pessoas que dispunham de condições sócio-econômicas e tempo livre, se 
reuniam na escola para pensar e refletir. 
A escola é um local de ensino onde se aprende várias disciplinas ou 
componentes curriculares, entre elas: Matemática, Português, Ciências, História, 
Geografia, Educação Artística, Educação Física, entre outras. 
Os agentes educacionais da escola são: o professor, o aluno, o coordenador, o 
diretor, a comunidade e demais funcionários administrativos. 
Porém, Freire ( 1994, p.83) questiona: 
 
 
Como, porém, aprender a discutir e a debater numa escola que 
não nos habitua a discutir? Por que impõe? Ditamos ideias. Não 
trocamos ideias. Discursamos aulas. Não debatemos ou 
discutimos temas. Trabalhamos sobre o educando. Não 
trabalhamos com ele. Impomos-lhe uma ordem a que ele não se 
ajusta concordante ou discordante, mas se acomoda. Não lhe 
ensinamos a pensar, porque recebendo as fórmulas que lhe 
damos, simplesmente as “guarda”. Não as incorpora, porque a 
incorporação é o resultado da busca de algo, que exige, de quem 
o tenta, o esforço de realização e de procura. Exige reinvenção. 
 
 
 28 
 Logo, reinventar a escola é justamente propor um modelo de ensino, cujo aluno 
seja sujeito de seu próprio processo de aprendizagem, pois só assim teremos uma 
sociedade não mais passiva diante de fatos nem acostumada a deixar para um “líder” a 
solução de todos os problemas. O que falta na instituição denominada escola são 
pessoas que abracem a ideia de um mundo melhor, que acreditem no ser humano em 
sua totalidade e permitam que seus sujeitos sejam construtores das próprias histórias. 
É um equívoco pensar que o desempenho da escola se expressa apenas nos 
resultados da aprendizagem obtidos nas disciplinas e que é fruto exclusivo do trabalho 
isolado dos professores. Tradicionalmente, as escolas eram vistas como organismos 
sociais legalmente definidos, cuja estrutura se impunha por meio de uma definição 
rígida de papéis e funções que delimitava os territórios de cada ator, de forma a 
dificultar ou até mesmo impedir a atuação conjunta e mais harmoniosa. 
Não é possível pensarmos a escola como uma instituição social com funções 
bem definidas e inalteradas ao longo do tempo, cuja preocupação principal é a 
preservação do patrimônio cultural, cabendo-lhe a tarefa de transmissão e preservação 
da cultura. Essa concepção expressa uma posição funcionalista de organização 
coerente com os princípios da burocracia, porém é incompatível com as características 
da sociedade atual. 
A visão da escola como um sistema fechado, incapaz de refletir as mudanças 
que ocorrem na sociedade, é totalmente distante das exigênciasde uma sociedade que 
caracteriza-se por um movimento de mudança acelerada e desconcertante. A grande 
contradição, entretanto, é que o motor que impulsiona essa sociedade é o 
conhecimento, em outras palavras, esta é uma sociedade do conhecimento e “as 
economias do conhecimento são estimuladas e movidas pela criatividade e pela 
inventividade” (HARGREAVES, 2004, p.17), aspectos pouco explorados pela escola 
atual. 
Desta forma, faz-se urgente repensar a escola e suas funções se pretendemos 
resgatar o seu valor para a formação das próximas gerações. 
É possível afirmar que tanto o ambiente como a cultura da escola são fatores 
importantes que condicionam a ação docente e influenciam os resultados das práticas 
que se desenvolvem em sala de aula e na aprendizagem do aluno. Não restam dúvidas 
 29 
de que a melhor forma dos gestores favorecerem a construção de um ambiente 
saudável e estimulante para os professores, é através do trabalho colaborativo e da 
formação de equipes de trabalho. Situações como essas reduzem as distâncias entre 
gestores, professores, alunos, funcionários e comunidade e propiciam que todos 
possam atuar como sujeitos da educação sem as barreiras criadas pela hierarquia. Isto 
é importante porque o trabalho educativo é produto da interação na qual todos os 
envolvidos participam e são influenciados de alguma forma. Na condição de educando 
ou de educador ambos se modificam. Portanto, o ato educativo é uma ação de via 
dupla e é com essa finalidade que professores e alunos devem se envolver nesse 
processo. 
Quantos de nós, ao longo da vida, ouvimos a frase “a escola é uma instituição 
falida”. Tal afirmativa é equivocada pois a escola é feita por cada um que está dentro 
dela, cabem aos profissionais e à sociedade cobrar da escola o que lhes é proposto, já 
que esta tem a missão de formar indivíduos não alienados e uma sociedade mais justa. 
Não é correto pensarmos que a educação se restringe unicamente à instituição 
chamada escola. Uma criança com pouco mais de um ano de idade já começa a falar a 
língua que seus pais e familiares falam e isso nada mais é do que educação. Essa 
criança aprendeu com os pais (geração mais antiga) a língua da comunicação. O ato de 
escovar os dentes, de vestir-se, de andar, de como portar-se, todos foram aprendidos 
pela observação ou ensino dos mais velhos, portanto a educação assistemática 
acontece de maneira espontânea, sem obrigações, regras e imposições, enquanto que 
a educação sistemática ele aprende nas diversas instituições de ensino que frequenta 
ao longo de sua vida. 
É notório e vital o papel da família na educação dos filhos, quer seja na 
educação sistemática bem como na educação assistemática, pois é preciso buscar 
novos caminhos se quisermos avançar na direção de uma escola mais eficiente e 
democrática, aberta à diversidade de pensamentos e culturas, bem como ao diálogo e 
às distintas formas de expressão de ideias, assunto que abordaremos no próximo item. 
 
 
 30 
3 AS INTERFACES DA INSTITUIÇÃO FAMÍLIA E SUA RESPONSABILIDADE NA 
EDUCAÇÃO DOS FILHOS 
 
 
O termo família é derivado do latim “farmulus” que significa “escravo doméstico”. 
Foi criado na Roma Antiga para designar um grupo social que surgiu entre as tribos 
latinas, ao ser introduzido à agricultura e também à escravidão. 
Partiremos do princípio histórico de que a família é uma construção histórica e 
sócio cultural, cuja configuração como lócus é afeto e convivência entre pais e filhos. 
A família é o fundamento básico e universal de todas as sociedades bem como a 
primeira instituição social na qual somos inseridos desde o nascimento. 
Segundo Lakatos (1990, p.169) a família: “é encontrada em todos os 
agrupamentos humanos, embora variem as estruturas e o funcionamento”. 
A família se estabelece a partir da decisão de algumas pessoas conviverem 
juntas e assumem o compromisso de ligação duradoura entre si, incluindo uma relação 
de cuidados afetivos e econômicos entre os adultos e deles para com as crianças. Daí 
a importância de a compreendermos na sua totalidade. 
 
3.1 As interfaces da instituição família. 
 
 
Considerada um sistema, a família carrega em seus ombros a função e o dever 
de proteger os seus membros e favorecê-los no conhecimento da cultura à qual 
pertencem. 
Para Kaloustian (2002) a família é: “o lugar indispensável para a garantia da 
sobrevivência e da proteção integral dos filhos e demais membros”. Portanto, tem o 
papel decisivo na educação dos filhos e é a responsável em transmitir valores 
humanitários, culturais, morais, sentimento de solidariedade, etc. Outra função é a de 
oferecer suporte emocional ao propiciar à criança um ambiente equilibrado de amor, 
compreensão, afeto, valores. Esta função será o passaporte para o sucesso dessa 
criança na vida adulta. 
 31 
Segundo Stanhope (1999) a família é um sistema social uno, composto por um 
grupo de indivíduos, cada um com um papel atribuído, e embora diferenciado, 
consubstancia o funcionamento do sistema como um todo. O tema família, ao ser 
abordado, evoca, obrigatoriamente, os conceitos de papéis e funções em todas as 
famílias, independentemente da sociedade, pois cada membro ocupa determinada 
posição ou tem determinado estatuto como, por exemplo, marido, mulher, filho, irmão 
que são orientados por papéis. Papéis estes que não são mais do que “as expectativas 
de comportamento, de obrigações e de direitos que estão associados a uma dada 
posição na família ou no grupo social” (STANHOPE, 1999). 
Knobel (1992, p. 19) afirma que: “a família é um dos grupos primários e naturais 
da sociedade, nos quais o ser humano vive e consegue se desenvolver”. Por isso, 
muitos fenômenos sociais podem ser compreendidos quando analisandas as 
características familiares do sujeito e da sociedade da qual faz parte. 
Segundo Áries (1975, p. 231) a família é uma realidade moral e social, mais do 
que sentimentos. 
No século XX, com a sociedade capitalista avançada, que é marcada pelo 
avanço do mercado de trabalho, as famílias deixam o campo e vão para a cidade 
trabalhar em indústrias. Com isso surge o modelo de família nuclear burguesa. Nesse 
modelo, a figura do pai é a de provedor, o que influencia em um determinado padrão de 
educação para os filhos. A mulher passa a ter um papel fundamental na família e rompe 
com os pressupostos de que mulher é aquela que é boa mãe e que deve servir seu 
marido. Ao inserir-se no mercado de trabalho, desencadeia novos acontecimentos 
como: criação de creches; revolução sexual; liberando a expressividade das diferentes 
formas de relacionarem-se como gays; lésbicas e simpatizantes; o divórcio, dentre 
outras. 
Aranha (1996, p.95) ressalta que: 
 
 
A partir do capitalismo, a instalação das fábricas separa o local 
de trabalho do local de moradia, obrigando a mulher que precisa 
complementar o orçamento doméstico a se ausentar de casa. 
 
 
 32 
 Este modelo de família (burguesa) já não se pauta mais na manutenção das 
tradições e continuação da linhagem, mas sim na acumulação de capital e no valor da 
escolha individual. 
Sarti (2003, apud TAMAROZZI, 2009) considera que: 
 
 
A partir da década de 60, não apenas no Brasil, mas em escala 
mundial, difundiu-se a pílula anticoncepcional, que separou a 
sexualidade da reprodução e interferiu decisivamente na 
sexualidade feminina. Esse fato criou as condições materiais para 
que a mulher deixasse de ter sua vida e sua sexualidade atadas 
à maternidade como um “destino”, recriou o mundo subjetivo 
feminino e, aliado à expansão do feminismo, ampliou as 
possibilidades de atuação da mulher no mundo social. A pílula, 
associada a outro fenômenosocial, a saber, o trabalho 
remunerado da mulher, abalou os alicerces familiares, e ambos 
inauguraram um processo de mudanças substantivas na família. 
 
 
Até meados de 70, a família era considerada uma instituição social e seu modelo 
ideológico era família nuclear tradicional constituída pelo casamento (pai, mãe e filhos), 
como bem salientada a Constituição Federal de 1934 ao declarar que “a família, base 
da sociedade, está sob proteção do Estado (art 144). 
Nos anos 80, surgiram novos arranjos nos grupos familiares que romperam com 
os pressupostos de que família é pai, mãe e filho. Surgem então os modelos de família 
como: monoparental, que são chefiadas por um ou dos pais; a matrifocal, chefiadas por 
mulheres; patrifocal, chefiadas por homens; e a família vivida, “que inclui separação, 
adoção, relacionamento extraconjugal e outras situações” [...] (LIMA, 2005. p.31). 
De acordo com as novas realidades, a Constituição Federal (1988) altera o 
conceito de família como um traço dominante da sua evolução, é a sua tendência a se 
tornar um grupo cada vez menos organizado e hierarquizado e que, cada vez mais 
fundado na afeição mútua, estabelece formas de proteção aos grupos familiares, sem 
qualquer distinção ou forma de preconceito, visando as necessidades dos casais, 
crianças e adolescentes, que necessitam constituir um grupo familiar de acordo com 
seu quadro pessoal e social e que têm acesso ao direito da convivência familiar. 
 33 
Percebemos na historicidade da família, que esta era definida como um 
“agregado doméstico (...) composto por pessoas unidas por vínculo de aliança, 
consanguinidade ou outros laços sociais, podendo ser restrita ou alargada”, como 
afirma Stanhope (2001, p. 22). 
É mais do que notório que a família, com todas as suas transformações, passe a 
ter novos arranjos, o que chamamos de nova família, tida como contemporânea, 
composta por pai; avô e filhos; pai, madrasta e filhos; mãe e filhos; filhos e avós e vice-
versa. 
 Percebemos que a família passou por três fases evolutivas: a primeira dita 
“tradicional”; a segunda, fase “moderna”, a qual é regida por uma lógica afetiva, 
romântica, na qual o casal se escolhe sem a interferência dos pais, procurando uma 
satisfação amorosa e sentimental, sendo que o poder e o direito sobre os filhos são 
divididos entre os pais e o Estado e/ ou entre pais e mães. Finalmente, a terceira, dita 
“contemporânea” também denominada de nova família. 
 Diante das modificações e estruturações familiares, torna-se inviável analisá-la 
como um modelo único e ideal, pois opostamente manifesta-se como um conjunto de 
trajetórias modificadas e estruturadas nos últimos tempos, fato que nos impossibilita 
identificá-la sob uma perspectiva única ou ideal. 
Tamarozzi (2009, p. 228) pontua que: 
 
 
A constituição da identidade familiar carrega todo o 
contexto da experiência de vida, dos valores herdados por 
cada núcleo familiar, contribuindo para a construção de 
uma nova identidade. Alguns valores são mudados, 
alterados, superados, transformados, extintos e outros são 
mantidos e valorizados. 
 
 
A família vem, através dos tempos, acompanhando as mudanças religiosas, 
econômicas e sócioculturais. Deste modo, a família deve ser encarada como um todo 
que integra contextos mais vastos do que a sociedade determina. 
 34 
Roudinesco (2003) afirma que a família humana reinventa-se permanentemente, 
desde os inícios dos tempos, como uma instituição insubstituível para nossa própria 
constituição como sujeitos humanos. 
O modo de vida na família contemporânea transforma-se num tempo histórico e 
social, cria novas articulações de gênero e gerações, elabora novo código e, ao mesmo 
tempo, mantém as qualidades essenciais básicas das gerações anteriores, afirma Motta 
(1998). 
E, como lembra Tamarozzi (2009), na contemporaneidade a família não é mais 
vista como organizada “dadas” (pai, mãe e filho) o que seria o modelo tradicional, pois 
hoje o principal elemento para se falar em família é a afetividade. 
Sabemos que a família é a base na formação do ser humano, local onde da-se 
inicio ao desenvolvimento do ser humano, considerado um aspecto primordial na 
formação e no desenvolvimento físico, psicológico e social, já que cabe a ela educação 
dos filhos. 
A família é a principal responsável pela alimentação e proteção da criança, pela 
infância e adolescência, por transmitir afeto, amor, respeito, valores morais e éticos, 
religião, enfim, pela iniciação das crianças na cultura, nos valores e nas normas de sua 
sociedade. 
Souza (2008) ressalta que é na família que a personalidade da criança se 
delineia. Portanto, seu desenvolvimento emocional será construído através do reflexo 
das pessoas que convivem com ela e um ambiente acolhedor é o mais indicado para se 
educar uma criança. 
Logo, salientamos o quanto é importante perceber e compreender as 
perspectivas da família, pois não podemos conceber a construção individual sem 
refletirmos sobre o papel da família. 
Para o desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade, a criança 
deve crescer em um ambiente familiar, numa atmosfera de felicidade, amor e 
compreensão. Portanto, todas as instituições da sociedade devem respeitar e apoiar os 
esforços dos pais e de todos os demais responsáveis para alimentar e cuidar da criança 
em um ambiente familiar, independentemente de sua constituição, uma vez que as 
funções das famílias são tidas por dois objetivos, um de nível interno, como a proteção 
 35 
psicossocial e outro de nível externo, como acomodação a uma cultura e a sua 
transmissão. 
Assim, as relações entre pais ou responsáveis e filhos têm o poder de 
estabelecer vínculos fortes de afetividade. 
Portanto, cabe à família respeitar, proteger, dialogar, participar da vida cotidiana 
dos seus filhos, pois, essa relação é a base que fará a transmissão cultural e a sua 
inserção na sociedade. Desta maneira, se tornarão adultos mais felizes e construtores 
de uma sociedade mais justa e, provavelmente, não sofrerão com os problemas 
educacionais, emocionais e éticos. 
 
3.2 A Participação dos pais/responsáveis na educação dos filhos. 
 
 
A participação é uma questão bem antiga, quando a sociedade brasileira viveu 
seus tempos de repressão (1964 a 1979), época na qual o que se ditava era imposto e 
as pessoas deveriam acatar e cumprir. Dessa maneira, a passividade foi transmitida por 
gerações. 
Na cultura brasileira, a participação é percebida de forma limitada e limitante: 
"seja um bom pai de família e o resto virá por acréscimo"; "seja um bom trabalhador 
que os outros cuidarão de sua vida"; "seja um cidadão que vota a cada quatro ou cinco 
anos e o Estado fará o resto"; "não participe de tudo nem busque ampliar seus 
compromissos; isso só lhe trará dor de cabeça!". No fundo, a mensagem conformista e 
excludente é essa: cuide de sua vida e esqueça-se do resto! 
A resignação e o medo da participação são resultados da cultura autoritária, que 
perpassa pela nossa história, instalou-se na nossa cultura e, portanto, nos nossos 
próprios hábitos. Participar, em vez de ser regra geral, tornou-se uma exceção. Temos, 
então, o cidadão limitado, fechado, sem iniciativa, dependente e temeroso. 
A participação é uma conquista que os seres humanos vêm tentando fazer ao 
longo dos séculos. Acontece quando há a oportunidade de expressão ligada ao 
pensamento, reflexão, valorização e lutas, pois as grandes conquistas vieram por lutas 
 36 
como: luta das mulheres pela igualdade de direitos, luta contra o racismo (presente nos 
dias atuais). 
Em síntese, a participação é inerente à natureza social do homem, tendo 
acompanhado sua evoluçãodesde a tribo e o clã dos tempos primitivos até as 
associações, empresas e partidos políticos de hoje. 
A participação é fundamental ao ser humano, assim como o alimento e a saúde. 
A participação é o caminho natural para o homem exprimir sua tendência inata de 
realizar, fazer, afirmar-se a si mesmo, dominar a natureza e o mundo. Além disso, sua 
prática envolve a satisfação de outras necessidades, não menos básicas, tais como a 
integração com os demais homens, a auto-expressão, o desenvolvimento do 
pensamento reflexivo, o prazer de criar e recriar coisas, e, ainda, a valorização de si 
mesmo pelos outros. 
Apesar de a participação ser uma necessidade básica, o homem não nasce 
sabendo participar. Ela é uma habilidade que se aprende e se aperfeiçoa. 
Participação é um dos cinco princípios da democracia. Sem ela não é possível 
transformar em realidade, em parte da história humana, nenhum dos outros princípios: 
igualdade, liberdade, diversidade e solidariedade. Falamos aqui de participação em 
todos os níveis, sem exclusão prévia de nenhum grupo social, sem limitações que 
restrinjam o direito e o dever de cada pessoa tomar parte e responsabilizar-se pelo que 
acontece no planeta. Em suma, cada um de nós é responsável pelo que acontece nas 
questões locais, nacionais e internacionais. Somos cidadãos do mundo e, portanto, co-
responsáveis por tudo o que ocorre. A única forma de transformar este direito em 
realidade é através da participação. 
Dewey (1979, apud NEUTZLING, 1984, p.87) pontua que: 
 
 
Democracia não é apenas uma ideia e um ideal a atingir, mas é 
um modo concreto de vida, um processo de experiência que vai 
enriquecendo o próprio processo, o qual, desta forma, avança. 
 
 
 
 37 
A democracia defende o direito de participação de todos, em todas as decisões 
que favoreçam a qualidade de vida em sociedade. Para que haja essa verdadeira 
participação, todos os indivíduos necessitam conhecer e viver desde sua infância os 
princípios democráticos para desenvolverem assim sua “autonomia democrática”. 
Nesse sentido, a participação não pode ser uma possibilidade aberta apenas a 
alguns privilegiados. Ela deve ser uma oportunidade efetiva, acessível a todas as 
pessoas. Além disto, é preciso que ela assuma formas diversas: participação na vida da 
família, da rua, do bairro, da cidade, do país. Também da empresa, da escola e da 
universidade. Das associações civis, culturais, políticas e econômicas. Participação é, 
ainda, um direito que não pode ser restrito por critérios de gênero, idade, cor, credo ou 
condição social. É universal. 
Participação pode ser primária, representada pela família, grupos e vizinhança. 
Pode ser secundária, representada por associações, sindicatos e empresas, ou ainda, 
terciária, representada por partidos políticos e movimentos de classe, ou seja, a 
participação pode assumir a forma de uma simples ação pessoal, ou pode organizar e 
motivar a formação de grupos e instituições, todas são válidas e ocorrem na vida real. 
Somente com ampla participação poderemos lutar pelos princípios da 
democracia e neutralizar as formas de autoritarismo frequentes em nossa sociedade. É 
através dela que elimina-se a desordem de um status quo injusto (estado injusto) que 
produz a marginalização. E é também através dela que superamos a resignação e o 
medo. Só assim são geradas as condições para o exercício pleno da liberdade e da 
cidadania, apenas possíveis em uma sociedade democrática. 
As sociedades autoritárias agem para limitar, restringir e desestimular a 
participação. Samuel Huntington, um ideólogo conservador americano (1993), dizia que 
o excesso de participação era um dos maiores perigos para a democracia. Para ele, 
quanto maior a participação da cidadania, maiores os riscos para a estabilidade 
democrática. Mas a verdade é que somente através da participação é possível construir 
e consolidar a democracia. 
Grandes lutas acontecem para que as diversas categorias de seres humanos 
possam participar das grandes decisões tomadas por aqueles que detêm o poder. 
 38 
Participar é a grande batalha da humanidade para poder traçar o caminho de seu 
próprio destino. Participar é um desafio. É um processo. 
Neto (1989, p. 8) complementa que: “participar é tomar parte em alguma coisa, é 
ter parte em alguma coisa, é fazer parte de algo. É ser parte de algo, é parte de uma 
coisa”. 
Assim consideramos que a partir do ato da participação é que os seres humanos 
tomam parte, tem parte, são partes da humanidade, enfim têm acesso ao sentimento de 
pertencimento. 
Os pais são os responsáveis legais e morais pela educação de seus filhos, pois é 
através da educação, que os mesmos adquirem e repassam o conceito de valores que 
levarão pelo resto da vida. 
Segundo Kaloustian (1988), a família é o lugar indispensável para a garantia da 
sobrevivência e da proteção integral dos filhos e demais membros. Portanto, tem o 
papel decisivo na educação dos filhos e é a responsável em transmitir valores 
humanitários, culturais, morais, sentimento de solidariedade, entre outros. 
Notamos que a família está delegando o seu papel de educar os filhos para a 
escola. A educação escolar não os exime dessa responsabilidade, visto que a 
participação dos pais é flagrantemente necessária para que continuem a exercer seu 
papel de principais educadores dos filhos. 
A família precisa valorizar as oportunidades educativas dentro do âmbito do 
cotidiano de cada uma e compreender a escola como formadora de pessoas, assim 
como ela. 
Infelizmente, diante da complexidade da vida atual, os pais estão sentindo-se 
incapazes de promover e facilitar a aprendizagem dos filhos. 
Contudo, a responsabilidade de educar os filhos é da família, não há como 
transferir para a escola a responsabilidade de quem os gerou; ela pode e deve ser 
compartilhada, mas não transferida. 
O aluno, quando percebe que seus pais têm interesse em participar do seu 
cotidiano, por sua vez terá um bom desenvolvimento. O diálogo é extremamente 
necessário entre ambas as partes, escola, filho e pais. 
 39 
Cada contato que os pais fizerem com a instituição escolar, para saber sobre o 
rendimento de seus filhos, seja por telefone ou pessoalmente, para fazer cobranças ou 
para elogiar, criará um vínculo e estabelecerá uma parceria que tem como objetivo o 
pleno desenvolvimento dos filhos. 
Esta parceira é um objetivo que as escolas vêm almejando há muito tempo, pois 
não se constrói uma escola de qualidade e alunos bem formados sem a contribuição 
dos pais. Faz-se necessária a relação de ajuda mútua na formação do ser humano. 
Acurcio (2004) diz que é papel da instituição familiar proporcionar a educação 
informal, também conhecida como educação de berço. 
As escolas tiveram que se adaptar ao novo modelo de instituição familiar, e as 
histórias de mães, pais, avós, tias e irmãos, hoje, são surpreendentes. Prado (1982, p. 
8) diz que: “apesar de todos os seus momentos de crise e evolução, as famílias 
manifestam até hoje uma grande capacidade de sobrevivência e também de 
adaptação”; logo, a escola obrigatoriamente, também tem que acompanhar todo esse 
movimento. 
Essa adaptação vem sendo presenciada por toda a sociedade e, principalmente, 
pela escola, já que é ela que recebe os filhos dessa “nova família” e o professor, por 
sua vez, terá que prepará-los da melhor maneira possível. 
A escola tem um grande papel e potencial para reunir pessoas. Tal papel pode 
fazer a diferença e transformar de fato o aluno na prioridade da escola. 
De acordo com Mantoan (2003), no Brasil só começou ser possível escolas 
democráticas, a partir de 1996, com Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, aqual possibilitou mudanças, pois cada escola ganhou autonomia para escolher sua 
maneira de trabalhar. Agora com o paradigma da inclusão, essas escolas passam a ser 
não só uma utopia, mas a possibilidade de uma escola de qualidade que contemple a 
diversidade humana. 
Ação democratizante no interior da escola ocorre pela transformação das 
práticas sociais reais que se desenvolvem tendo em vista a necessidade de se ampliar 
os espaços de participação, os debates, respeitando-se as diferenças e criando 
condições para uma participação autônoma. 
 40 
Uma das características marcantes desse tipo de escola é o diálogo entre todos 
os envolvidos no processo como pais, educadores e estudantes ao reunirem em 
Assembleia para conversarem sobre o que é necessário para a escola, desde os 
conteúdos trabalhados em sala de aula até se a escola precisa de pintura ou não. 
A família deve participar e interferir quando necessário, pois tem o papel de 
apoio e de responsabilidade pelo desenvolvimento das crianças em atividades 
propostas pela escola. Tal trabalho conjunto facilita o entendimento do papel de cada 
um. 
Sabemos que a instituição familiar é primordial na formação do indivíduo, sendo 
assim, tem um papel fundamental no desenvolvimento deste, estimulando-o em todos 
os aspectos de sua vida escolar, social e cidadã. 
 A escola faz parte da vida cotidiana de cada família com filhos em idade escolar. 
Os filhos passam a maior parte do tempo dentro da escola e ambas têm objetivos 
semelhantes: formar cidadãos para viverem com dignidade em uma sociedade que está 
sempre mudando. 
A importância da família na vida do indivíduo se estende e continua na escola, 
pois ao participar das atividades desenvolvidas por ela pode-se obter sucesso devido a 
integração. Esta parceria entre família e escola no processo de aprendizagem dos filhos 
é muito importante, pois é um estímulo significativo. 
A escola, além de ser um espaço destinado ao trabalho pedagógico formal, é um 
espaço aberto à comunidade e tem como objetivo formar para o exercício da cidadania, 
ensinar valores morais e éticos, assim como a família. 
De acordo com Freire (1994, apud LUDWIG, 1998), uma educação voltada para 
a democracia deve possibilitar ao homem a discussão valente de sua problemática, que 
o advirta para perigos de seu tempo, a fim de que, consciente deles, ganhe força e o 
valor para lutar, em lugar de ser arrastado à perdição de seu próprio eu, submetido às 
prescrições alheias. 
A participação dos pais no sistema educacional, como toda participação social 
equivalente, tem dupla perspectiva: de colaboração e de controle. Com a primeira, 
potencializam-se os recursos e as ações da escola, enquanto que com o controle 
estimula-se a melhora de qualidade da educação escolar. 
 41 
Segundo Schmidt (1964. p 209), a escola: ”há de ser um apoio forte para as 
primeiras rupturas com o meio familiar, fato é que não é fácil definir o papel que cabe 
aos pais na escola e no conjunto do sistema educacional”, isto porque não é fácil 
distinguir os temas que lhes são próprios, daqueles em que seu papel deveria ser 
complementar. 
Participar tem sentido mais específico, significa uma conquista que os seres 
humanos vêm fazendo no decorrer dos séculos para responsabilizarem-se pela solução 
para todo e qualquer problema que exista. Participar vai se tornando uma necessidade 
de autoexpressão, de valorização de si mesmo, de valorização da sociedade e 
acontece quando o ser humano descobre que nas suas relações com outras pessoas 
existe um espaço para que ele expresse seus valores: o que ele é, o que pensa, e o 
que faz. Nessa expressão, pensamento, reflexão, valorização, ele se realiza, se sente 
útil, responsável e participante. 
Quando falamos de participação é necessário um longo período de 
aprendizagem, pois para um grupo, um povo, uma nação começar a participar, tem que 
aprender a influir sobre os que detêm o poder. 
López (1999. p 58) pontua que: 
 
 
Escola e família são faces da mesma moeda e se tomadas 
isoladamente fornecem uma visão distorcida da realidade. A 
Escola precisa melhorar. E a família precisa ser assistida de fato. 
O Estatuto da Criança e do Adolescente entende que ela é o 
melhor lugar para se criar uma criança e adolescente. 
 
 
A participação ativa dos pais é necessária e de grande valor porque desde 
pequena a criança desenvolve-se inteiramente ao redor deles e são eles (família) que 
servirão de apoio a sua criatividade e ao seu comportamento produtivo na escola, na 
vida em sociedade e quando forem adultos; pois a família é, e sempre será, uma 
poderosa influência para o desenvolvimento do caráter dos filhos. 
Aranha (1996, p. 61) afirma que a educação dada pela família fornece a base 
para sua formação, a partir da qual o homem pode agir até quando achar por bem e, 
 42 
em última instância, rebelar-se contra os valores recebidos. Portanto a família é o local 
privilegiado para o desenvolvimento humano. 
Logo, a qualidade da participação eleva-se quando as pessoas aprendem a 
conhecer sua realidade, a refletir, superar contradições reais ou aparentes, identificar 
primeiras subjacentes, a antecipar consequências, a entender novos significados das 
palavras e a distinguir efeitos de causa. 
A qualidade aumenta quando as pessoas aprendem a manejar conflitos, clarificar 
sentimentos e comportamentos, tolerar divergências, pois respeitar opiniões é uma 
vivência coletiva que se pode aprender na práxis grupal e o Serviço Social possui 
capacidade para desenvolver tal prática. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 43 
4 A RELAÇÃO FAMÍLIA X ESCOLA E O SERVIÇO SOCIAL COMO EFETIVADOR 
DO DIREITO À EDUCAÇÃO. 
 
 
Podemos afirmar que em nossos dias, a escola não funciona sem a família e a 
mesma não completa-se sem a escola. Este trabalho em conjunto tem como objetivo o 
desenvolvimento do bem-estar e da aprendizagem. 
Segundo Paro (2000) a escola deve utilizar todas as oportunidades de contato 
com os pais para transmitir-lhes informações relevantes sobre seus objetivos, recursos, 
problemas e também questões pedagógicas. 
A escola também deve ser participativa para despertar nos pais o interesse pelo 
desenvolvimento educacional dos filhos; promover eventos, reuniões (não 
necessariamente para falar de notas ou comportamentos, mas para promover a 
interação) nas quais serão trocadas informações que podem ser úteis para o dia-a-dia 
escolar. 
Silva (2008) diz que atualmente existe a necessidade da escola sintonizar-se 
com a família, pois é uma instituição que complementa a ação daquela e juntas tornam-
se lugares agradáveis para a convivência dos filhos e alunos. Uma depende da outra na 
tentativa de alcançar o maior objetivo, o melhor futuro para o filho e educando e, 
automaticamente, para a criança em sua integralidade e para toda a sociedade. 
O Serviço Social é uma profissão interventiva que possibilita a articulação entre a 
família e a escola de uma forma mais ampla, cuja participação contribuirá para a melhor 
convivência nas relações familiares e no processo de ensino-aprendizagem do aluno. 
 
4.1 A relação Família x Escola no processo de desenvolvimento integral da 
criança. 
 
 
O Parágrafo único do Capítulo IV do Estatuto da Criança e do Adolescente, 
Artigo 53 (BRASIL, 2005, p.11) realça que “é direito dos pais ou responsáveis ter 
ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas 
 44 
educacionais”, ou seja, está prescrito no Estatuto da Criança e do Adolescente como é 
importante a convivência e responsabilidade da família no contexto escolar.Compor uma parceria entre escola e família exige de ambas as partes a 
compreensão de que a relação família-escola deve manifestar-se de forma que os pais 
não responsabilizem somente à escola a educação de seus filhos e, por outro lado, a 
escola não pode eximir-se de ser co-responsável no processo formativo do aluno. 
Na escola a criança encontra alicerce para a sua formação, para tanto é 
importante essa união entre escola e família para a formação do aluno em um cidadão 
social. 
Podemos dizer que a escola, em todos os seus graus e em função da 
maturidade dos educandos, tem de informar e formar. Em outras palavras: tem que 
informar formando. 
Nérici (1977, p.127) pontua que: 
 
 
O homem não sobrevive sem informações e muito menos, sem 
formação. Não se aprende Democracia sem praticá-la. E a escola 
só pode ensinar praticando-a. 
 
 
A família desempenha um papel importante na formação do indivíduo, pois 
permite e possibilita a constituição de sua essencialidade. É nela que o homem 
concebe suas raízes e torna-se um ser capaz de elaborar competências próprias. 
Cunha (1995, p.447) afirma que: 
 
 
Lidamos com duas instituições de caráter educacional embutidas 
na missão de conduzir pessoas, levando-as do lugar e do estado 
em que se encontram no presente para um espaço futuro, 
supostamente melhor, mais desejável, superior. 
 
 
Portanto, a educação deve ser centralizada na formação do caráter moral, 
emocional e educacional dos indivíduos e é evidente que a família desempenha um 
papel muito importante, pois os pais são os principais responsáveis pela educação dos 
 45 
filhos tanto em casa, como na escola e, à escola, por sua vez, cabe formar cidadãos 
capacitados para transformar a realidade. 
A escola é uma porta de entrada comunitária. Além de seu papel pedagógico, 
formador e de socialização, ela é depositária dos conflitos, limites, esperanças e 
possibilidades sociais. A escola recebe e expressa as contradições da sociedade. 
Nesse contexto, o Serviço Social tem grande contribuição a dar à política pública da 
Educação e aos desafios que se apresentam para a elevação do rendimento escolar, a 
efetivação da escola como espaço de inclusão social e a formação cidadã de nossas 
crianças e jovens. 
Terra (2001, p.12) coloca que apesar da escola ser um dos principais 
equipamentos sociais, identificamos um número pequeno de profissionais do Serviço 
Social atuando junto dela. No entanto, percebemos que a área da educação tem 
constituído-se em um importante espaço de atuação do Assistente Social, já que o 
Serviço Social no âmbito educacional tem a possibilidade de contribuir com a realização 
de diagnósticos sociais, identificação de possíveis alternativas à problemática social 
vivida por muitas crianças e adolescentes, o que refletirá na melhoria das suas 
condições de enfrentamento da vida escolar. 
O baixo rendimento, desinteresse pelo aprendizado e evasão escolar, dentre 
outros, têm sido citados como a grande dificuldade de avanços de determinados 
alunos. Porém, constitui-se num grande desafio para o Serviço Social, pois é 
responsabilidade e dever do Estado promover a educação, além de garantir o acesso e 
a permanência do aluno na escola, e o assistente social, com sua competência social, 
política, técnica e ética, poderá contribuir. 
Dado a complexidade da realidade social e a crescente percepção de que a 
escola está inserida neste processo, é necessário aprofundar essa relação através de 
discussões que coloquem a função social da escola e que aproxime a família do 
contexto escolar. O alto nível de pobreza e miséria que atingem a população brasileira 
afeta de perto a atuação da escola, pois muitas crianças e jovens que deveriam estar 
estudando, estão trabalhando para o sustento de suas famílias. O processo 
educacional não está alheio a isso, ou seja, o sistema de ensino constitui em um 
espaço de concretização dos problemas sociais. 
 46 
4.2 Escola, Serviço Social e Família: tripé do sucesso 
 
 
Na contemporaneidade, o Serviço Social é uma profissão que tem destacado-se 
pelo seu trabalho interdisciplinar e por sua atuação em áreas jamais exploradas por 
esse profissional, tais como Organizacional, Funerário, Educacional, porém, nem 
sempre foi assim, pois, este passou por muitas dificuldades, as quais trouxeram 
avanços no processo de reconceituação da profissão, fato que permitiu aos 
profissionais empenho nas lutas de libertação das camadas oprimidas ao trazer em seu 
seio muitas contradições a serem vencidas. 
O profissional de Serviço Social, por possuir preparação teórico-metodológica 
diante das situações da questão social, reforça a importância deste serviço dentro das 
escolas atuando em uma equipe interdisciplinar, pois este trabalhará, não somente com 
base na política educacional do binômio educação e família, como também no ramo 
dos direitos sociais e na construção de um projeto político-pedagógico voltado para a 
ampliação e garantia de direitos. Além de ser um elo na mediação entre os programas 
de transferência de renda e complementares. 
A presença dos assistentes sociais nas escolas expressa uma tendência de 
compreensão da própria educação em uma dimensão mais integral, que envolvem os 
processos sócio-institucionais e as relações sociais, familiares e comunitárias que 
fundam uma educação cidadã, articuladora de diferentes dimensões da vida social 
como constitutivas de novas formas de sociabilidade humana, nas quais o acesso aos 
direitos sociais é crucial. 
Sabemos que o assistente social é um efetivador de direitos sociais e, assim, 
nada mais justo de que esteja inserido no contexto educacional, uma vez que a 
Educação é um direito garantido por lei na Constituição Federal de 1988, que declara, 
em seu artigo 6º: 
 
 
São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o 
lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à 
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na 
forma desta Constituição. 
 47 
O direito à educação, bem como o direito ao acesso e permanência na escola, 
têm sido garantidos reiteradamente pelos instrumentos legais, tais como a Constituição 
Federal (1988), Estatuto da Criança e do Adolescente (lei 8069/90) e pela lei de 
Diretrizes e Bases da Educação (9394/96), dentre outras. 
Tendo como finalidade a formação do sujeito para o exercício da cidadania, 
preparação para o trabalho e sua participação na sociedade, um dos maiores desafios 
que o assistente social vive no presente é o de desenvolver a sua capacidade de 
decifrar a realidade e construir propostas de trabalhos criativos e capazes de efetivar 
direitos, de acordo com as demandas que surgem no cotidiano, constituindo-se um 
profissional propositivo e não apenas executivo. (Iamamoto, 2005, p.08). 
A educação é parte das condições para a existência digna de uma pessoa que 
fará com que esta seja um cidadão crítico. 
Os Projetos de Lei (PL) n.º 3.688 de 2000 e n.º 837, de 05 de julho de 2005, 
dispõem sobre a introdução do assistente social no quadro de profissionais da 
educação da escola pública e traçam pontos centrais da aproximação do Assistente 
Social ao campo educacional. 
Desta maneira, enfatizamos que há, verdadeiramente, a necessidade deste 
profissional na educação, pois no cotidiano escolar enfrentam-se complexas questões 
sociais que o conhecimento pedagógico não consegue enfrentar sozinho, visto a 
necessidade de outros saberes como o do assistente social. 
Dorothy e Haris (2003, p.173) pontuam que: 
 
 
Peço que leve em conta que a maioria dos problemas do mundo 
começa em casa e, tornando-se um pai ou mãe melhor, você 
estará contribuindo da maneiramais sólida e concreta para a 
solução dos imensos e aparentes insolúveis dilemas que 
enfrentamos no mundo de hoje. Nunca subestime o seu poder de 
ajudar a criar um futuro melhor, não apenas para seus filhos, mas 
para todos. 
 
 
É neste contexto que insere-se a compreensão da profissão enquanto prática 
social. Prática esta que remete a atividades de grupos ou classes, que leva à 
 48 
transformação, à organização e à direção da sociedade. É uma ação com vistas à 
transformação, como se verifica a seguir. 
Compreende-se que a prática profissional do Assistente Social não está firmada 
sobre uma única necessidade. Sua especificidade está no fato de atuar sobre várias 
necessidades. Assim, para que esta prática contribua no processo educacional, é 
preciso que seja crítica e participativa e esteja relacionada com as dimensões 
estruturais e conjunturais da realidade, ou seja, alicerçada no conhecimento da 
realidade em sua totalidade. 
A inserção do Serviço Social na escola constitui uma decisão política de 
fortalecimento das políticas sociais. Hoje, professores e diretores se desdobram na 
tarefa de ouvir, compreender e mediar sozinhos as influências da dura realidade social 
sobre a vida escolar. 
São muitos os casos de exploração e violência sexual, por exemplo, identificados 
a partir do comportamento das crianças na escola. Sabemos da presença das drogas. 
Conhecemos a incidência do trabalho infantil e seus reflexos no rendimento do aluno e 
os altos índices de evasão. 
O assistente social tem um papel fundamental nesse país subdesenvolvido. O 
Serviço Social Escolar tem um significado político e social muito forte, pois bem 
sabemos que é na escola que se configuram muitas das expressões da questão social, 
tais como violência, desemprego, miséria, abuso sexual, dependência de substâncias 
psicoativas, entre outras. Um dos objetivos do Projeto Serviço Social Escolar é 
assegurar que nas escolas sejam avaliadas, elaboradas e executadas ações 
preventivas e de enfrentamento às situações emergentes que expressem violência, 
dificuldades interpessoais entre alunos, familiares e funcionários, além das de ordem 
sócio-econômica que afetem os estudantes na sua totalidade. 
Quando falamos em família, devemos tratá-la no plural, famílias, tendo em vista 
a multiplicidade étnico-cultural que embasa a composição demográfica brasileira. Desse 
modo, pensar em família no plural pode significar uma construção democrática pautada 
na tolerância e na diferença com o outro. 
Roudinesco (2003) afirma que: 
 
 49 
A família humana se reinventa permanentemente, mantendo-se 
desde os inícios dos tempos, como uma instituição insubstituível 
para nossa própria constituição de sujeitos humanos. 
 
 
A família é imprescindível na formação dos filhos e como já fora citado 
anteriormente, portanto, à inserção da mulher no mercado de trabalho trouxe muitas 
modificações na estrutura familiar, pois os pais estão cada vez mais longe de seus 
filhos, deixando de fazer a sua parte na educação dos mesmos, além das contradições 
que advêm do mundo capitalista e globalizado em que vivemos cujos valores estão 
cada vez mais distorcidos prevalecendo o ter e não o ser. 
Pereira (1995) considera que: 
 
 
Nos últimos vinte anos, várias mudanças ocorridas no plano 
sócio-político-econômico relacionadas ao processo de 
globalização da economia capitalista vêm interferindo na 
dinâmica e estrutura familiar e possibilitando mudanças em seu 
padrão tradicional de organização. 
 
 
A prática do assistente social situa-se numa perspectiva crítica e se faz 
participante da transformação social. De acordo com a prática, o Serviço Social deverá 
desenvolver as seguintes atividades, como cita Terra (2001, p.13): 
 
• Pesquisa de natureza sócio-econômica e familiar para a caracterização da população 
escolar, com o objetivo de ampliar o conhecimento acerca da realidade sócio-familiar do 
aluno, de forma a possibilitar assisti-lo e encaminhá-lo adequadamente; 
• Elaboração e execução de programas de orientação sócio-familiar, que visam 
prevenir a evasão escolar e melhor o desempenho e rendimento do aluno e sua 
formação para o exercício da cidadania; 
• Participação, em equipe multidisciplinar, da elaboração de programas de prevenção à 
violência; o uso de drogas e o alcoolismo, bem como visem prestar esclarecimento e 
informações sobre doenças infectocontagiosas e demais questões de saúde pública; 
 50 
• Articulação com instituições públicas, privadas, assistenciais e organizações 
comunitárias locais, com vistas ao encaminhamento de pais e alunos para atendimento 
de suas necessidades; 
• Elaboração e desenvolvimento de programas específicos nas escolas onde existem 
classes especiais; 
• Empreender e executar as demais atividades pertinentes ao Serviço Social, previstas 
pelos artigos 4º e 5º da Lei. 8662/93. 
 
Verificamos que as atuações do Assistente Social nas escolas estão presentes 
nas mais variadas expressões cotidianas, tanto nas relações externas como família, 
sociedade, entre outros, quanto nas relações internas, que são os diferentes conjuntos 
como diretores, docentes e alunos, entre outros, que compõem o campo educacional, 
bem como nas diversas expressões da questão social que evidenciam dentro das 
escolas. Para Almeida (2000, p.2), a prática do assistente social na escola significa: 
 
 
[...] pensar sua inserção na área de educação não como uma 
especulação sobre a possibilidade de ampliação do mercado de 
trabalho, mas como uma reflexão de natureza política e 
profissional sobre a função social da profissão em relação às 
estratégias de luta pela conquista da cidadania através da defesa 
dos direitos sociais das políticas sociais. 
 
 
Envolver a família na educação, abrir o espaço escolar à comunidade, realizar 
trabalhos preventivos contra a evasão, a violência, as drogas e o alcoolismo, identificar 
e buscar formas de atendimento às demandas socioeconômicas das crianças e seus 
familiares, fortalecer a gestão democrática e participativa da escola, entre tantas outras, 
são tarefas que não podem ser exclusivas do corpo técnico da Educação. Elas 
remetem a pesquisa e diagnósticos sociais, a diretrizes e direitos estabelecidos no 
Estatuto da Criança e do Adolescente e exigem estratégias integradas de 
enfrentamento. 
A inserção do assistente social na educação é uma necessidade sócio-
institucional cada vez mais reconhecida no âmbito do poder legislativo de diferentes 
 51 
estados e municípios. A presença dos assistentes sociais, sobretudo, nas escolas, tem 
sido tomada como a presença de um profissional que possa contribuir com a ampliação 
do processo educacional em sentido amplo; contribuindo para o acesso e a 
permanência das crianças e jovens na educação escolarizada, assim como para a 
extensão dessa convivência para outros membros da família, que por razões sociais 
diversas, não concluíram ou experimentaram plenamente esta oportunidade. 
O trabalho desenvolvido pelos assistentes sociais não se confunde ao dos 
educadores devido a dimensão sócio-educativa de suas ações,pois sua inserção tem 
se dado no sentido de fortalecer as redes de sociabilidade e de acesso aos serviços 
sociais e dos processos sócio-institucionais voltados para o reconhecimento e 
ampliação dos direitos dos sujeitos sociais. 
Como cita Iamamoto (2005): 
 
 
A apresentação do significado histórico da profissão no Serviço 
Social só é desvendada em sua inserção na sociedade, pois ela 
se afirma como instituição peculiar e parte da divisão social do 
trabalho. 
 
 
Portanto, sua inscrição na organização do trabalho coletivo nas instituições 
educacionaisnão tem se sobreposto a de nenhum outro profissional, com vistas no 
estreitamento da interface entre a política educacional com outras políticas sociais 
setoriais tem, historicamente, levado ao reconhecimento da necessidade de uma 
atuação teórica e tecnicamente diferenciada daquelas desempenhadas pelos 
professores e profissionais da educação de um modo geral. 
Logo, a presença de assistentes sociais nas escolas expressa uma tendência de 
compreensão da própria educação em uma dimensão mais integral que envolva os 
processos sócio-institucionais e as relações sociais, familiares e comunitárias, que 
fundam uma educação cidadã, articuladora de diferentes dimensões da vida social 
como constitutivas de novas formas de sociabilidade humana, nas quais o acesso aos 
direitos sociais é crucial. 
 
 52 
5 METODOLOGIA E ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA 
 
 
Este estudo tem como tema central a tríade Educação, Família, e Serviço Social, 
e o intuito de verificar a importância dos pais no processo de ensino e aprendizagem 
dos filhos, a importância do Serviço Social na relação família x escola. O período da 
pesquisa é de fevereiro a outubro de 2009. 
A pesquisa objetiva, fundamentalmente, contribuiu para a evolução do 
conhecimento humano em todos os setores, sendo sistematicamente planejada e 
executada, segundo rigorosos critérios de processamento das informações. Será 
chamada pesquisa científica se sua realização for objeto de investigação planejada, 
desenvolvida e redigida, conforme normas metodológicas consagradas pela ciência, 
como segundo Ruiz (1991) e Andrade (2001) apontam: 
 
 
Pesquisa científica é a realização concreta de uma investigação 
planejada, desenvolvida e redigida de acordo com as normas da 
metodologia consagradas pela ciência. 
 
 
Pesquisa científica é um conjunto de procedimentos sistemáticos, 
baseados no raciocínio lógico, que tem por objetivo encontrar 
soluções para os problemas propostos mediante o emprego de 
métodos científicos. 
 
 
Antes de iniciar-se uma pesquisa científica é necessário refletir sobre a mesma. 
Assim, o trabalho de pesquisa é desenvolvido por etapas, que constituem num método, 
num caminho facilitador do processo que busca mapear o caminho, evitar muitos 
imprevistos e esclarecer os rumos para o próprio pesquisador. 
A escolha do tema deu-se por identificação com o mesmo, por parte das 
pesquisadas e por visualizarmos o quão inovador e imprescindível é o papel do 
assistente social no âmbito da educação. 
 
 
 53 
Almeida (2005, p.06) argumenta que: 
 
 
A presença dos assistentes sociais, sobretudo, nas escolas, tem 
sido tomada como a presença de um profissional que possa 
contribuir com a ampliação do processo educacional em sentido 
amplo, ou seja, contribuindo para o acesso e a permanência das 
crianças e jovens na educação escolarizada, assim como para a 
extensão dessa convivência para outros membros da família, que 
por razões sociais diversas não concluíram ou experimentaram 
plenamente esta oportunidade. A presença dos assistentes sociais 
nas escolas expressa uma tendência de compreensão da própria 
educação em uma dimensão mais integral, envolvendo os 
processos sócio-institucionais e as relações sociais, familiares e 
comunitárias que fundam uma educação cidadã, articuladora de 
diferentes dimensões da vida social como constitutivas de novas 
formas de sociabilidade humana, nas quais o acesso aos direitos 
sociais é crucial. 
 
 
A escola, além de ser um espaço destinado ao trabalho pedagógico formal, é um 
espaço aberto à comunidade e tem como objetivo formar para o exercício da cidadania, 
ensinar valores morais e éticos, assim como à família. 
De acordo com Freire (1994, apud LUDWIG, 1998), uma educação voltada para 
a democracia deve possibilitar ao homem a discussão valente de sua problemática, 
adverti-lo para perigos de seu tempo, a fim de que, consciente deles, ganhe força e o 
valor para lutar, em lugar de ser arrastado à perdição de seu próprio eu, submetido às 
prescrições alheias. 
A participação dos pais no sistema educacional, como toda participação social 
equivalente, tem dupla perspectiva de co-responsabilidade, colaboração e controle. 
Com a primeira, partilham responsabilidades, a segunda, potencializam os recursos e 
as ações da escola e estimulam a melhora de qualidade da educação escolar. 
Segundo Schmidt (1964. p 209) a escola: ”há de ser um apoio forte para as 
primeiras rupturas com o meio familiar, fato é que não é fácil definir o papel que cabe 
aos pais na escola e no conjunto do sistema educacional”, isto porque não é fácil 
distinguir os temas que lhes são próprios, daqueles em que seu papel deveria ser 
complementar. 
 54 
Diante deste contexto, surge o questionamento “qual a importância da 
participação das famílias na educação dos filhos e qual o papel do Serviço Social nessa 
relação”. 
A hipótese sugerida é que a participação das famílias na educação de seus filhos 
é imprescindível para a formação da personalidade dos mesmos, pois diversos estudos 
apontam que a criança, cuja família participa de forma mais direta no cotidiano escolar 
apresentam um desempenho superior em relação àquelas, cujos pais estão ausentes, 
evidenciando sua capacidade de intervir na defesa e efetivação dos direitos sociais. E o 
Serviço Social frente a essa demanda faz uma articulação entre o aluno, a escola e a 
família, através de atendimentos individuais, coletivos, palestras, reuniões, programas e 
projetos, que visam a qualidade de vida e efetivação dos direitos das mesmas. 
O objetivo geral da pesquisa é evidenciar a importância da participação da 
família na vida escolar dos seus filhos, bem como o papel do Assistente Social na 
instituição escolar, sendo os específicos: Identificar o papel das famílias no processo de 
aprendizagem dos filhos; Desvendar as vantagens pelas famílias no processo de 
participação da vida escolar dos filhos; Investigar a inserção do assistente social junto 
às escolas; Desvelar o papel do Assistente Social frente a essa realidade. 
 A educação está como condição da evolução do homem, não pode limitar- se à 
escolaridade como escola, mas como prática cotidiana e democrática, ainda que 
respeitando os componentes subjetivos de quem para ela está. 
Almeida (2005, p. 02) evidencia que: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 55 
A escola é uma porta de entrada comunitária. Além de seu papel 
pedagógico, formador e de socialização, ela é depositária dos 
conflitos, limites, esperanças e possibilidades sociais. A escola 
recebe e expressa as contradições da sociedade. Nesse 
contexto, o Serviço Social tem grande contribuição a dar à 
política pública da Educação e aos desafios que se apresentam 
para a elevação do rendimento escolar, a efetivação do 
rendimento escolar, a efetivação da escola como espaço de 
inclusão social e a formação cidadã de nossas crianças e jovens. 
Envolver a família na educação, abrir o espaço escolar à 
comunidade, realizar trabalhos preventivos contra a evasão, a 
violência, as drogas e o alcoolismo, identificar e buscar formas de 
atendimento às demandas socioeconômicas das crianças e seus 
familiares, fortalecer a gestão democrática e participativa da 
escola, entre tantas outras, são tarefas que não podem ser 
exclusivas do corpo técnico da Educação. Elas remetem a 
pesquisas e diagnósticos sociais, às diretrizes e direitos 
estabelecidos no Estatuto da Criança e do Adolescente e exigem 
estratégias integradas de enfrentamento. 
 
 
A atuação do Assistente Social na área da educação vai ao encontro com as 
necessidades sociais de um profissional que seja apto tanto para garantir a efetivação 
dos direitos dos usuários,quanto para atuar na mediação dos conflitos entre as classes 
que compõe a sociedade contemporânea. 
Para investigação do referido problema, valeu-se de pesquisa bibliográfica, ou 
seja, elaborada a partir de material já publicado, constituído principalmente de livros, 
artigos de periódicos e, atualmente, com material disponibilizado na Internet, além da 
pesquisa de campo que precede à observação de fatos e fenômenos exatamente como 
ocorrem no real, a coleta de dados referentes aos mesmos e, finalmente, à análise e 
interpretação desses dados, com embasamento em fundamentação teórica consistente, 
objetivando compreender e explicar o problema pesquisado. A pesquisa de campo 
parte do levantamento bibliográfico, para maior conhecimento de teorias que 
fundamentam o tema, aqui iniciou-se pela elaboração de uma coletânea de livros, 
hemeroteca de artigos e fichamento de livros de diferentes autores, os quais facilitaram 
a construção de um embasamento teórico e do instrumental de coleta de dados. 
A tipologia do estudo realizado é de nível exploratório, pois nos proporciona 
maior familiaridade com o problema em questão, tornando-o explícito nas descobertas 
de ideias e comprovações da importância do papel da família dentro da escola. 
Utilizando a abordagem qualitativa, a qual considera que há uma relação dinâmica 
 56 
entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e 
a subjetividade do sujeito, os quais não podem ser traduzidos em números. Para um 
levantamento de dados que realmente expressem a importância de haver uma criação 
de reflexões, troca de experiências, entre todos os envolvidos no processo educativo 
(pais, escola, aluno) e comprovem a importância da participação da família na 
educação dos filhos e do Serviço Social no âmbito escolar. 
O estudo qualitativo propicia, ainda, um contato direto com os sujeitos 
participantes, possibilitando maior entrosamento e aproximação entre o pesquisador e 
pesquisado, além de maiores informações que interessem à investigação, as quais 
revelam como pensam e agem os sujeitos. 
A pesquisa, na sua aplicabilidade, foi dividida entre as pesquisadoras Renata 
Luize Gil (pesquisadora 1) que aborda a questão da participação da família no cotidiano 
escolar dos filhos e Thais Elizabete de Aquino Rossi (pesquisadora 2) , que trata da 
importância da educação e do profissional de Serviço Social no âmbito da educação. 
O Universo do estudo é composto por 75 famílias e 24 profissionais do CEISA – 
Centro de Educação infantil Santo Antônio de responsabilidade da aluna 1 e por 195 
profissionais da educação das instituições da rede de ensino municipal, público, 
particular e de responsabilidade social de Bauru, de responsabilidade da aluna 2. 
A amostragem constitui-se com 20% do total dos sujeitos do CEISA sendo 15 
famílias e 5 profissionais. E na rede de ensino de Bauru, a amostragem é de 22 
sujeitos, sendo coordenadores e diretores de 5 escolas estaduais, 3 particulares, 2 
municipais e 1 de responsabilidade social. 
A pesquisa tem uma amostragem probabilística casual simples, pois os 
participantes foram escolhidos aleatoriamente ou por acaso e foi realizada com base 
num processo que dá a cada membro do universo a mesma probabilidade de ser 
incluído na amostra. 
No mês de junho, aplicou-se o pré-teste com 10 sujeitos para verificação do 
instrumental e não houve a necessidade de alteração do mesmo. 
Para a operacionalização da pesquisa aplicou-se os seguintes instrumentais: 
observação assistemática, “quando o pesquisador as faz de modo ocasional e informal, 
sendo muito utilizada em estudos exploratórios” (FONTANA 2009 p 14), entrevista 
 57 
focalizada, “que é uma interação de forma livre, que enfoca um tema bem específico e 
o entrevistador permite ao pesquisado falar livremente sobre o assunto, tendo que 
retomar, quando ocorre o desvio sobre a questão em foco (FONTANA 2009 p 14). 
Subsidiada por um formulário (pesquisadora 1) que resume-se em uma coleção de 
questões anotadas por um entrevistador numa situação face a face com a outra 
pessoa (o informante), enfim, com perguntas abertas (o pesquisado responde com suas 
próprias palavras e, assim, devem ser registradas as respostas), duplas (que reúnem 
uma pergunta fechada e outra aberta), ambas são realizadas pelo contato direto entre 
pesquisadores e pesquisados, e ressalta-se que este foi construído a partir dos 
objetivos específicos da pesquisa, visando o alcance dos mesmos. E, por questionários 
(pesquisadora 2) foram entregues pessoalmente no início, todos foram recolhidos com 
sucesso, já os que foram enviados por email, de 30, tivemos a devolutiva de apenas 4 e 
do total estabelecido, tivemos um déficit de 2 sujeitos. 
Sendo assim, dos questionários respondidos obtivemos rica qualidade nas 
respostas de forma geral, enfatizando a importância dos objetivos da pesquisa. 
A pesquisa de campo realizou-se nos meses de julho e agosto de 2009, após a 
aplicação do pré-teste. 
Na aplicação da pesquisa da aluna 1, cujo universo é o CEISA, ressaltamos que 
não houve dificuldades por parte dos sujeitos em responder os formulários, pois foram 
elaborados de forma clara e objetiva, o que facilitou o entendimento dos mesmos. 
 As entrevistas aconteceram no próprio CEISA, sem agendamento prévio, pois 
os funcionários foram entrevistados no decorrer do seu expediente de trabalho, 
acontecendo em horários mais tranquilos (no período de sono das crianças) e os pais 
foram entrevistados enquanto aguardavam o término da aula de seus filhos. A duração 
das entrevistas foi de aproximadamente trinta minutos cada. 
Os sujeitos demonstraram satisfação em participar, porém, a dificuldade foi por 
parte da pesquisadora, pela escassez de horário para realizar a coleta de dados, uma 
vez que possui tempo restrito em função do trabalho. Para efetuar as pesquisas com os 
pais, no horário de saída dos seus filhos, tornou-se necessário ir até o campo de 
estágio por dez dias consecutivos, para a realização da mesma, embora a 
 58 
pesquisadora 1 tenha tido dificuldades, ressaltamos que a amostra foi realizada no sua 
totalidade de sujeitos. 
Na aplicação da pesquisa da pesquisadora 2, não houve dificuldade de 
entendimento dos questionários entregues, porém, houve dificuldades por parte de 
alguns profissionais em responderem os questionários, por causa do adiamento das 
aulas por conta da Gripe A e, outros, por puro desinteresse em participar. 
Após a aplicação da pesquisa de campo, desenvolvemos o tratamento dos 
dados qualitativos caracterizados em três eixos extraídos dos objetivos específicos 
deste estudo, a saber: a importância da participação das famílias no processo de 
ensino aprendizagem dos seus filhos; a relação família x escola e a importância do 
Serviço Social na escola. 
Como ressalta Santos (2006 p. 136) quando afirma que: 
 
 
Em suma, o corpo discente, ao qual a escola atende e para o 
qual existe como instituição, influi e é influenciado por essas duas 
instituições das quais o aluno é a parte e à qual o aluno 
representa: escola e família. Daí não ser possível conceber a 
ideia de escola com a qual a família nada tenha a ver, até mesmo 
porque, em geral, em nossa sociedade a vida escolar começa na 
tenra idade, quando o aluno depende das relações com os 
adultos para se desenvolver, ter saúde, se locomover, por isso 
depende das instituições família e escola, que em nossa cultura 
são as responsáveis por garantir os direitos previstos na 
Constituição para todo aquele nascido nesse Estado-nação. 
 
 
A escola não poderá alcançar seus objetivos se deixar a família à margem desse 
processo ensino/aprendizagem, portanto, temos evidente que, aparticipação da família 
no desenvolvimento da criança e da sociedade é condição primordial. 
Assim, consideramos que a partir do ato da participação é que os seres humanos 
tomam parte, têm parte, são partes da humanidade, enfim, têm acesso ao sentimento 
de pertencimento. 
Os pais são os responsáveis legais e morais pela educação de seus filhos, é 
através da educação que os mesmos adquirem e repassam o conceito de valores que 
levam pelo resto da vida. 
 59 
5.1 Análise dos dados da pesquisa 
 
5.1.1 O papel das famílias no processo de aprendizagem dos filhos 
 
 
A importância da educação para a família está na passagem dos valores 
culturais, morais e éticos para os seus descendestes, com vistas a possibilitar aos 
mesmos um aprendizado. 
Dessa forma, Bruner (1996, apud DEVAL, 2006, p. 11) pontua: 
 
 
Diz-se que a educação é a maior invenção da humanidade, pois 
graças a ela podemos transmitir às novas gerações todo o 
conhecimento adquirido pelos que a precederam, sem que para 
tanto seja necessário que cada um descubra por si mesmo coisas 
que os outros já sabiam. 
 
 
No entanto, no que se refere à educação transmitida pela família, segundo 
Aranha (1996, p. 61) ela fornece a base para a formação, a partir da qual o homem 
pode agir até quando achar por bem e, em última instância, se rebelar contra valores e 
princípios recebidos. Portanto, a família é o local privilegiado para o desenvolvimento 
humano. 
Revelar a importância do estudo para a vida dos filhos foi objeto de investigação 
nesta pesquisa e os mesmos expressaram que a escola é imprescindível à medida que 
a educação permeia projetos de vida socialmente estabelecidos quando pais relatam: 
 
 
Sim, o estudo é muito importante para meu filho, para ele crescer 
um adulto melhor. O estudo estimula para vida. (Pai/Responsável 
1 – C. A. P., 29 anos, Op. de caixa) 
 
O estudo é fundamental para o meu filho para ele se inserir no 
mundo que vivemos. (Pai/Responsável 5 – J. G. P., 35 anos, 
Segurança) 
 
 60 
Sim, o estudo é muito importante para a vida do meu filho, para a 
educação dele, para que ele possa aprender e se desenvolver. 
(Pai/Responsável 9 – L. F., 33 anos, Doméstica) 
 
Sim, o estudo é importante para a vida do meu filho, pois, com o 
estudo ele aprende várias coisas, e terá um futuro melhor. 
(Pai/Responsável 11 – C. U. O. B., 26 anos, Op. máquina) 
 
Sim, o estudo é importante para o estudo do meu filho. Porque a 
formação é tudo, é onde a gente começa, sem estudo não 
conseguimos nada. (Pai/Responsável 16 – M. A. O. 25 anos, 
Auxiliar de produção) 
 
Sim, o estudo é muito importante. Com uma boa formação 
educacional sei que meus filhos terão oportunidades de bons 
empregos, e mesmo assim não é fácil, sem estudo fica 
praticamente impossível ter sucesso profissional. 
(Pai/Responsável 17 - A. G. V. C., 34 anos, Coordenadora de 
telemarketing) 
 
Sim, com certeza, pois são nossos filhos que transformarão 
nosso mundo em um mundo melhor de se viver, para isso o 
estudo é imprescindível. (Pai/Responsável 18– R. J. 34 anos, 
Inspetor de qualidade) 
 
 
Os pais, portanto, reconhecem a importância do estudo como forma de garantir 
um futuro melhor aos filhos. 
Cunha (1995, p.447) afirma que: 
 
 
Lidamos com duas instituições de caráter educacional embutidas 
na missão de conduzir pessoas, levando-as do lugar e do estado 
em que se encontram no presente para um espaço futuro, 
supostamente melhor, mais desejável, superior. 
 
 
Verificamos que a escola é ambiente de significância para os filhos na 
concepção dos pais / responsáveis, que compreendem que a mesma se faz necessária 
para o bom desenvolvimento e pelo futuro profissional do próprio filho. 
Quando questionados, sobre a atuação junto aos filhos no processo de 
aprendizagem, os mesmos relatam que acompanham esse processo e acreditam que é 
 61 
fundamental para o desenvolvimento das habilidades de seus filhos no cotidiano de 
suas práticas escolares, bem como no preparo para a vida como verificamos: 
 
 
Sim, acompanho o processo de aprendizagem do meu filho, 
gosto muito de estar presente, costumo me oferecer para ajudar, 
é a maneira que encontro para estar perto dele. (Pai/Responsável 
1 – C. A. P., 29 anos, Op. de caixa) 
 
Acompanho o processo de aprendizagem do meu filho, fazendo 
pergunta a ele, observando se ele tem alguma dificuldade, se 
precisa de ajuda. Procuro olhar o caderno e quando tenho 
necessidade vou à escola dele. (Pai/Responsável 4 – J. F. A., 33 
anos, Autônoma) 
 
Sim, acompanho o processo de ensino do meu filho através da 
agenda, através das reuniões e dos projetos que a escola 
desenvolve e observando em casa, conversando com o filho. 
(Pai/Responsável 11 – C. U. O. B., 26 anos, Op. máquina) 
 
Sim, acompanho o processo de ensino do meu filho, no dia a dia, 
procuro ensinar o certo, dar conselhos de bons modos de como 
falar, a cultura. (Pai/Responsável 15 – A. P. Q., 27 anos, 
Vigilante) 
 
Sim, acompanho o processo de aprendizagem do meu filho. 
Pergunto o que ela aprendeu, peço para que ela me ensine o que 
aprendeu. Brinco com ela de escrever, de colorir, de com que 
letra começa as palavras, nomes, objetos (...). (Pai/Responsável 
17 - A. G. V. C., 34 anos, Coordenadora de telemarketing). 
 
Sim, acompanho o processo de aprendizagem do meu filho 
procuro acompanhar de perto o dia - a - dia deles, estar sempre 
presente na escola perguntando aos professores quais as 
dificuldades deles para que em casa possamos ajudá-los. Se não 
fizermos assim, ficamos totalmente desligados do que nossos 
filhos precisam. Ou seja, devemos dar continuidade em casa 
daquilo que eles aprendem na escola. (Pai/Responsável 18 – R. 
J. 34 anos, Inspetor de qualidade) 
 
 
Notamos que o processo de ensino e aprendizagem é acompanhado pelas mães 
através de demonstrações de interesse pelos estudos dos filhos. No entanto, uma 
minoria de pais afirma que não acompanha o processo escolar dos filhos, porém como 
justificativas apresentaram o papel da mãe como central nessa função. Verificamos que 
 62 
a questão cultural de correlacionar a responsabilidade da educação dos filhos à figura 
materna evidencia a presença marcante do tradicional machismo da cultura brasileira, 
quando relatam: 
 
 
 Eu não acompanho muito, quem acompanha mais é a mãe, ela 
vem às reuniões, estuda com nosso filho e sempre tira as dúvidas 
na escola. (Pai/Responsável 12 – D. B, 36 anos, Ajudante geral) 
 
 
As práticas diárias que mantêm certas posturas podem ser transformadas, pois 
as relações sociais são construídas cotidianamente e, assim sendo, podem sofrer 
mudanças. No entanto, tais mudanças só acontecem quando os atores sociais querem 
alterar a realidade e não cultuá-la para que seja passada de geração para geração. 
Portanto, podemos mudar conceitos e práticas tanto nas relações sociais, quanto 
na própria escola. Os conceitos não são definidos. 
Segundo Paro (2000) a escola deve utilizar todas as oportunidades de contato 
com os pais para transmiti-los informações relevantes sobre os objetivos, recursos, 
problemas e também questões pedagógicas. Essas práticas de estreitamento podem 
auxiliar em muito o acompanhamento dos pais no processo de aprendizagem de seus 
filhos, pois aqueles se sentirão parte dela e, consequentemente, também sujeitos da 
aprendizagem do filho. 
A importância da presença efetiva dos pais na vida escolar do filho é essencial 
para que as crianças possam desenvolver-se de maneira a tornarem-se adultos 
construtores de uma sociedade mais justa, cuja escola esteja de acordo com os 
interesses e aspirações da maioria. 
 Quando questionados sobre os conhecimentos que possuema respeito da 
escola na qual seu filho estuda, todos respondem que têm conhecimento, porém não o 
necessário para serem sujeitos ativos, parceiros e construtores da unidade de ensino, 
como comprovam nos relatos: 
 
 
 63 
Na escola do meu filho, conheço pouco o espaço físico, porém as 
profissionais, os recados que elas passam na agenda ou no 
mural, os medicamentos que são dados para meu filho e procuro 
observar tudo. (Pai/Responsável 2 – M. F. S., 45 anos, Pedreiro) 
 
Sim, conheço a escola do meu filho. (Pai/Responsável 5 – J. G. 
P., 35 anos, Segurança) 
 
Sim, conheço a escola do meu filho. (Pai/responsável 6 – W. S / 
18 anos / do lar) 
 
Sim, conheço o espaço físico e as pessoas que trabalham. 
(Pai/Responsável 7 – G. F. F., 38 anos, do lar) 
 
Sim, conheço o espaço físico, mas os profissionais não conheço 
todos. (Pai/responsável 8 – D. A. R. R. / 26 anos / costureira) 
 
Sim, conheço a escola do meu filho. (Pai/Responsável 14 – M. S. 
A., 38 anos, Do lar) 
 
Sim, conheço a escola do meu filho, sei da qualidade do ensino. 
(Pai/Responsável 15 – A. P. Q., 27 anos, Vigilante) 
 
 
As escolas tiveram que adaptar-se ao novo modelo de instituição familiar e às 
histórias de mães, pais, avós, tias e irmãos, que hoje, são surpreendentes. Prado 
(1982, p. 8) diz que: “apesar de todos os seus momentos de crise e evolução, as 
famílias manifestam até hoje uma grande capacidade de sobrevivência e também de 
adaptação”; logo, a escola obrigatoriamente também tem que acompanhar todo esse 
movimento. 
A família pode e deve conhecer e se reconhecer no espaço da escola e em sua 
identidade. 
 Quando pais declaram conhecer a escola, não podemos afirmar que a 
desconhecem quanto a localização do equipamento, e quanto as informações das 
ações desenvolvidas, porém como sujeitos ativos e participantes das decisões e ações 
é pouco evidenciado. 
Os pais são indivíduos fundamentais no desenvolvimento do processo de 
aprendizagem dos filhos. A participação destes na vida escolar das crianças pode 
oferecer impactos positivos mediante a intensidade de envolvimento na vida do aluno. 
 64 
Acompanhar, participar e conhecer as habilidades e dificuldades dos filhos e da 
escola é responsabilidade dos pais, pois, buscamos uma educação formal capaz de 
atender os interesses de uma sociedade que almeja um mundo com menos contrastes 
e muito mais justiça. 
 
5.1.2 Acompanhamento da família na vida escolar de seus filhos 
 
 
A participação é uma conquista que os seres humanos vêm tentando fazer ao 
longo dos séculos e acontece quando há a oportunidade de expressão que é ligada ao 
pensamento, reflexão, valorização e lutas, pois, as grandes conquistas vieram por lutas 
como a das mulheres para terem os mesmo direitos dos homens e luta contra o racismo 
(que acontece nos dias atuais). 
A participação é fundamental ao ser humano, assim como o alimento e a saúde. 
A participação é o caminho natural para o homem exprimir sua tendência inata de 
realizar, afirmar-se a si mesmo, dominar a natureza e o mundo. Além disso, sua prática 
envolve a satisfação de outras necessidades, não menos básicas, tais como a 
integração com os demais homens, a auto-expressão, o desenvolvimento do 
pensamento reflexivo, o prazer de criar e recriar coisas, e, ainda, a valorização de si 
mesmo pelos outros. 
A democracia defende o direito de participação de todos, em todas as decisões 
que favoreçam a qualidade de vida em sociedade. Para que haja essa verdadeira 
participação, todos os indivíduos necessitam conhecer e viver, desde sua infância, os 
princípios democráticos para desenvolverem, assim, a “autonomia democrática”. 
 A Constituição Brasileira no artigo 53 (BRASIL, 2005, p.11) declara: “é direito dos 
pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da 
definição das propostas educacionais”, ou seja, está prescrito no Estatuto da Criança e 
do Adolescente como é importante a convivência da família no contexto escolar. Família 
e escola são pontos de apoio ao ser humano, quanto melhor e maior for a parceria 
entre as duas, melhor serão os resultados na formação do educando. 
 65 
Quando questionados sobre a importância da participação dos pais dentro das 
escolas, pais responsáveis expressaram que a participação é muito importante, pois, é 
através dela que o acompanhamento da vida do filho acontece, tem-se acesso às 
informações e ações do filho e assim, boa educação. 
O que significa participação na concepção dos pais é: 
 
 
Participar é acompanhar de todas as formas, estar presente 
mesmo na ausência. É querer saber, se informar como foi o dia 
da criança, não é deixá-la pela manhã na escola e recolhê-la no 
fim do dia. (Pai/Responsável 2 – M. F. S., 45 anos, Pedreiro) 
 
Participar é acompanhar o desenvolvimento, o dia-a-dia da vida 
do meu filho, é compartilhar com ele. (Pai/Responsável 4 – J. F. 
A., 33 anos, Autônoma) 
 
Participar é estar sempre atenta a tudo. Saber da criança, sobre 
sua saúde, higiene, educação. A participação é muito importante. 
(Pai/Responsável 7 – G. F. F., 38 anos, Do lar) 
 
Participar é conviver em grupo, saber da criança. 
(Pai/Responsável 12 – D. B., 36 anos, Ajudante geral) 
 
Participar é ver se o filho está caminhando. (Pai/Responsável 13 
– M. R. O. D. S., 30 anos, Soldador) 
 
Participar é acompanhar, perguntar, é me informar para poder 
contribuir com o que a escola ensina. (Pai/Responsável 17 - A. G. 
V. C., 34 anos, Coordenadora de telemarketing) 
 
Participar é estar sempre presente, perguntar sempre se seu filho 
está indo bem, se tem alguma dificuldade, é obrigação dos pais a 
educação de seus filhos e a escola apenas nos ajuda. Aliás, nos 
ajuda e muito. (Pai/Responsável 18 – R. J., 34 anos, Inspetor de 
qualidade) 
 
 
A troca e compartilhamento de informações e responsabilidade são meios que 
podem ser usados para a aproximação entre os pais e a equipe educadora, 
oportunizando assim, a construção de laços de camaradagem e conhecimento mútuo. 
Spodek e Saracho (1998, p.167) afirmam que: 
 
 66 
 
O envolvimento dos pais na educação das crianças tem uma 
justificativa pedagógica e moral, legal. Quando os pais iniciam 
uma parceira com a escola, o trabalho com as crianças pode ir 
além da sala de aula, e a aprendizagem na escola e em casa 
pode se complementar mutuamente. A interação entre pais e 
educadores torna-se positiva ao desenvolvimento cognitivo, 
social, moral dessa criança. 
 
 
Assim ratificamos que a participação dos pais na vida escolar dos filhos é 
fundamental para o desenvolvimento das crianças e o bom desempenho das ações da 
unidade de ensino. 
Santos (2006, p. 132-133) explana que: 
 
 
Ser parte, tomar parte, ter parte, fazer parte, pertencer, interagir 
para gerar certo movimento, ser social, abrigar diferenças e 
semelhanças, constituir um grupo e ter autonomia. Todos esses 
aspectos da participação podem ser considerados ao 
descrevermos como tem se dado à relação família-escola. 
Contudo, ao considerarmos a relação de pertencimento humano, 
devemos lembrar que prioritariamente ela acontece como relação 
de pertencimento a um grupo social. Nascemos em um núcleo 
humano social, que chamamos de família, localizado em um 
espaço político e geográfico, e que estabelece trocas sociais 
pelas quais nos educamos. Nesse caso, a escola é fruto dessas 
relações sociais e não o contrário. 
 
 
A participação dos pais denota um processo através do qual eles são postos em 
contato com a equipe responsável por atendê-los com o propósito de fazer intervenções 
pedagógicas e promover atividades que envolvam as crianças e facilitem o 
desenvolvimento do educando.Quanto a importância da participação da família na escola, acham-na 
imprescindível, uma vez que a família deve participar e interferir quando necessário na 
educação sistemática e assistemática dos filhos, pois tem o papel de apoio e de 
responsabilidade pelo desenvolvimento das crianças, principalmente, em atividades 
propostas pela escola. Esse trabalho em conjunto facilita o entendimento do papel de 
cada um. Relatam que: 
 67 
 
 
Sim, acho importante a participação da família na escola, a 
ligação que existe, a trocas nas conversas, tudo isso nos ajuda a 
lidar com as dificuldades. (Pai/Responsável 1 – C. A. P., 29 anos, 
Op. de caixa) 
 
Sim, acho importante a participação da família na escola, porque 
sei com quem estou deixando meu filho e como ele está sendo 
educado. (Pais/Responsável 3 – M. A. S., 33 anos, Autônoma) 
 
Sim, acho muito importante a participação da família na escola, 
porque a escola sem a família não é nada e a família sem a 
escola também não, uma é o complemento da outra. 
(Pai/Responsável 5 – J. G. P., 35 anos, Segurança) 
 
Sim, acho muito importante a participação da família na escola, 
porque a família é a estrutura e o filho faz o que a mãe faz e essa 
participação é um estímulo. (Pai/Responsável 6 – W. S., 18 anos, 
Do lar) 
 
Sim, acho muito importante a participação da família na escola, 
porque a mãe que trabalha em parceria com a escola melhora a 
relação de um todo. (Pai/Responsável 8 – D. A. R. R., 26 anos, 
costureira) 
 
Sim, acho muito importante a participação da família na escola 
Muito importante para acompanhar o desenvolvimento da 
criança. (Pai/Responsável 17 - A. G. V. C., 34 anos, 
Coordenadora de telemarketing) 
 
Sim, acho muito importante a participação da família na escola. 
Quando a família participa da escola de seus filhos estão vendo 
as necessidades diárias facilitando assim a educação deles. 
(Pai/Responsável 18 – R. J. J., 34 anos, Inspetor de qualidade) 
 
 
Os profissionais da educação reconhecem que necessitam da ajuda e 
compreensão dos pais para a difícil tarefa de educar e muitos pais estão cada vez mais 
tentando participar da melhor maneira possível. 
Segundo Meneses (1999) antigamente a escola e professores recusavam 
qualquer contato informal com os pais de seus alunos por acharem que essa presença 
nada tinha a ver com o trabalho pedagógico. Hoje, essa atitude mudou e a escola está 
cada vez mais certa de que necessita da cooperação dos pais na tarefa de educar. 
 68 
Esse distanciamento está sendo superado, pois a escola percebeu que precisa da 
família no que diz respeito à educação formal e sistemática. 
Meneses (1999) ressalta que vários fatores contribuíram para essa mudança, o 
principal deles é o reconhecimento de que os objetivos buscados pela escola e pela 
família caminham e juntos incluem a sociedade como um todo. E no momento em que 
as duas realmente se entrelaçarem, muito dos problemas enfrentados pela escola 
serão superados. 
Para isso é necessário que os pais participem do cotidiano escolar de seus filhos 
e tenham comprometimento com a escola como um todo, gerando assim uma certeza 
de que a escola e a família se complementam. Dessa maneira, o educando passa a 
valorizar cada vez mais a escola e o seu professor, pois sabe que é importante para 
seus pais seu sucesso educacional. 
Investigar a maneira que dá essa participação também é muito importante nessa 
realidade e respondem: 
 
 
Participo quando é preciso, porque é importante. 
(Pai/Responsável 9 – L. F., 33 anos, Doméstica) 
 
Participo quando sinto necessidade. (Pai/Responsável 13 
– M. R. O. D. S., 30 anos, Soldador) 
 
Participo quando sou convocado e quando sinto 
necessidade, com o objetivo de estar sempre informada. 
(Pai/Responsável 15 – A. P. Q., 27 anos,Vigilante) 
 
Participo quando sou convocada e quando sinto 
necessidade. dou opiniões, sempre. (Pai/Responsável 17 
- A. G. V. C., 34 anos, Coordenadora de telemarketing) 
 
Participo quando sou convocada e quando sinto 
necessidade. (Pai/Responsável 18 – R. J., 34 anos, 
Inspetor de qualidade) 
 
 
Notamos que a maioria dos sujeitos participa quando são chamados ou 
convocados, isso demonstra participação com pouco envolvimento, pois, ainda não 
são, de fato, sujeitos do processo. No entanto, há aqueles sujeitos que sentem 
 69 
necessidade de participar, logo possuem uma participação ativa a qual possibilita a 
emancipação do sujeito, além de fazer parte do processo de ensino e aprendizagem do 
próprio filho. O apoio emocional, social e pessoal poderá construir um sistema de 
cooperação entre a família, equipe escolar, aluno e criará uma rede de apoio à qual os 
pais podem recorrer quando necessitarem de estímulo, motivação, compreensão e, 
principalmente, orientação. 
Do ponto de vista da escola, envolvimento ou participação dos pais na educação 
dos filhos significa comparecimento às reuniões de pais e mestres, atenção à 
comunicação escola–casa e, sobretudo, acompanhamento dos deveres de casa e das 
notas. Esse envolvimento pode ser espontâneo ou incentivado por políticas da escola 
ou do sistema de ensino (CARVALHO, 2000). 
Quando as instituições reconhecem que ambas são de suma importância para a 
realização do trabalho pedagógico, a aprendizagem acontece sem traumas. Cabe à 
direção criar meios para os pais e a equipe escolar trabalharem de mãos dadas em 
direção às mesmas metas. 
Para Spodek e Saracho (1998) o envolvimento dos pais na educação das 
crianças tem uma justificativa pedagógica e moral, logo, é legal esse envolvimento 
perante a sociedade. 
Percebemos que existem pais/ responsáveis que possuem uma participação 
ativa dentro da escola, sempre buscam soluções conjuntas para as dificuldades 
apresentadas no cotidiano escolar. 
A família deve mudar o paradigma que possui de escola, que não é apenas um 
ambiente formal, onde deixam os filhos e voltam mais tarde para buscá-los. Assim 
como a escola mudou, os pais necessitam mudar também, procurar conhecer melhor os 
seus colaboradores, professores, os outros pais e também ajudar na tarefa de 
melhorias nas condições para o ensino. 
As reuniões de pais realizadas apenas para falar da nota e do comportamento 
podem ser uma das grandes mudanças que a escola deve usar para solicitar a 
colaboração dos pais na tarefa de ensinar. 
A resignação e o medo da participação são resultados da cultura autoritária, que 
perpassa pela história e se instalou em nossa cultura e, portanto, nos próprios hábitos. 
 70 
Participar, em vez de ser regra geral, tornou-se uma exceção. Temos então, o cidadão 
limitado, fechado, sem iniciativa, dependente e temeroso. 
Quando perguntamos aos pais/responsáveis se comparecem às convocações da 
escola, afirmam: 
 
 
Sim, atendo as convocações da escola, porque é a mãe que zela 
pelo seu filho. Tem que participar e fazer com prazer e acho bom 
que a escola fale o lado ruim e o lado bom. (Pai/Responsável 1 – 
C. A. P., 29 anos, Op. de caixa) 
 
Sim, eu atendo todas as convocações da escola, porque é 
importante para a minha filha e para a família. Serve de 
aprendizagem, para aprender a lidar com a minha filha como na 
palestra que vocês fizeram de como dizer sim e não aos filhos. 
(Pais/Responsável 2 – M. F. S., 45 anos, Pedreiro) 
 
 
Sim, atendo as convocações da escola porque é importante para 
saber do meu filho, como é o dia a dia dele na escola. 
(Pai/Responsável 7 – G. F. F., 38 anos, do lar) 
 
Sim, atendo as convocações da escola, porque é importante para 
saber da higiene, da alimentação, dos remédios e da saúde do 
meu filho. (Pai/Responsável 13 – M. R. O. D. S., 30 anos, 
soldador) 
 
Sim, atendoas convocações da escola, porque tem que participar 
de tudo o que envolve meu filho. (Pai/Responsável 16 – M. A. O., 
25 anos, auxiliar de produção) 
 
Sim, atendo as convocações da escola. Acho que os mais 
interessados no bem-estar dos filhos devem ser os pais. Somente 
sabendo como está o desempenho , sabendo o que a escola 
espera dela e o que estão oferecendo, vou poder ajudar, poder 
cobrar. (Pai/Responsável 17 - A. G. V. C. 34 anos, Coordenadora 
de telemarketing) 
 
Sim, atendo as convocações da escola, pois, é uma obrigação 
dos pais participarem das atividades da escola em que seu filho 
estuda ajuda ajudá-lo a compreender que você é um pai presente 
em todos os momentos de sua vida. (Pai/Responsável 18 – R. J. 
34 anos, Inspetor de qualidade) 
 
 
 71 
A escola tem o papel e potencial para reunir pessoas. Tal participação pode fazer 
a diferença e transformar de fato o aluno na prioridade da escola. Quando os pais 
apenas atendem convocações, ocorre uma participação imposta, porém, quando tal 
atendimento se dá de forma prazerosa, como forma de se expressar o amor que sente 
pelo filho, notamos sujeitos capazes de buscarem soluções conjuntas com as escolas e 
de criarem projetos. Com o desenvolvimento desses projetos, estarão contribuindo não 
somente com a formação e garantia da aprendizagem do educando, mas reforçando 
grande parceria entre a família e a escola. 
Neste processo é fundamental considerar as necessidades, desejos e vontades 
dos educando. Cabe à escola elaborar um diagnóstico de sua realidade escolar, pois os 
alunos são a escuta, razão do processo educativo, ou seja, devem também participar 
de sua construção. 
Quando questionados se participam dos eventos da escola, a maioria dos 
pais/responsáveis respondem que: 
 
 
Sim, já participei de vários eventos na escola do meu filho, como: 
Projeto Canguru, Projeto Trocando Sementes, Comissão Técnica 
de Apoio, reuniões de desenvolvimento. Quando não posso ir, 
fico muito triste, pois, eu gosto muito. (Pai/Responsável 1 – C. A. 
P., 29 anos, Op. de caixa) 
 
Sim, participo das reuniões da escola do meu filho. 
(Pai/Responsável 5 – J. G. P., 35 anos, Segurança) 
 
Sim, participo de várias atividades na escola do meu filho, tais 
como: dias das mães, “Projeto Empregabilidade”, “Canguru”, 
Comissão Técnica de Apoio e das reuniões. (Pai/Responsável 9 
–L. F., 33 anos, Doméstica) 
 
Sim, participo de várias atividades na escola do meu filho dentre 
ela, dias dos pais, “Projeto Canguru” e das reuniões. 
(Pai/Responsável 11 – C. U. O. B., 26 anos, Op. máquina) 
 
Sim, na escola do meu filho participo de vários Projetos, tais 
como: Empregabilidade, Canguru, Trocando Semente e participo 
das reuniões. (Pai/Responsável 14 – M. S. A., 38 anos, Do lar) 
 
 
 72 
Sim, participo de várias atividades na escola do meu filho, dentre 
elas, dias das mães, dos projetos e das reuniões. Só não 
participo quando o lado profissional não permite. 
(Pai/Responsável 15 – A. P. Q., 27 anos, Vigilante) 
 
 
Acreditamos que reunir pessoas dentro da escola, para conversar sobre a tarefa 
educativa, é saudável e traz novas ideias para o grupo. Isto nem sempre é fácil se o 
trabalho em equipe e a discussão conjunta não são habituais na escola, mas é preciso 
fazê-los. Notamos que os pais/responsáveis participam dos eventos, reuniões e 
projetos que exigem maior engajamento. Contudo, há aqueles pais responsáveis que 
participam apenas em ações que atendam interesses particulares como cita o sujeito 
12: 
 
 
Na escola do meu filho, participo somente da atividade de final de 
ano, porque tem canto, presente e brincadeiras. 
(Pai/Responsável 12 – D. B., 36 anos, Ajudante geral) 
 
 
Apesar de a participação ser uma necessidade básica, o homem não nasce 
sabendo participar. Ela é uma habilidade que aprende-se e aperfeiçoa-se e enquanto o 
sujeito não adquire uma consciência social, ou seja, não busca soluções para a maioria, 
dificilmente teremos pais envolvidos com a melhora do ensino e aprendizagem como 
um todo. 
Quando perguntamos se foram convidados a participar do projeto político 
pedagógico da escola do seu filho, a maioria dos pais/ responsáveis lembra que foram 
convidados e participaram como relatam: 
 
 
Sim, eu fui convidada a participar do projeto político pedagógico 
da escola, o projeto fica à disposição para quem quiser ler. A 
escola passa cronograma mensal. (Pai/Responsável 1 – C. A. P., 
29 anos, Op. de caixa) 
 
Sim, eu fui convidada a participar do projeto político pedagógico 
da escola do meu filho. Quem participou foi meu marido. 
(Pai/Responsável 8 – D. A. R. R., 26 anos, Costureira) 
 73 
 
Sim, eu fui convidada a participar do projeto político pedagógico 
da escola do meu filho. (Pai/Responsável 9 – L. F., 33 anos, 
Doméstica) 
 
Sim, eu fui convidada a participar do projeto político pedagógico 
da escola do meu filho. (Pai/Responsável 15 – A. P. Q., 27 anos, 
Vigilante) 
 
Sim, eu fui convidado a participar do projeto político pedagógico 
da escola do meu filho. A minha esposa que veio. 
(Pai/Responsável 16 – M. A. O. 25 anos, Auxiliar de produção) 
 
Sim, eu fui convidada a participar do projeto político pedagógico 
da escola do meu filho. (Pai/Responsável 17 -A. G. V. C., 34 
anos, Coordenadora de telemarketing) 
 
Sim, sempre somos convidados a participar do projeto político 
pedagógico da escola, procuro estar sempre presente, não 
costumo faltar. (Pai/Responsável 18 – R. J. 34 anos, Inspetor de 
qualidade) 
 
 
Essa participação ativa dos pais é necessária, tem muito valor porque 
desenvolve na criança o comportamento e a habilidade de envolvimentos e demonstra 
que a família fornece o alicerce para a formação dos filhos. 
Quanto ao conhecimento sobre método de ensino da escola, percebemos que 
parte os pais tem clareza quanto ao conteúdo do projeto político pedagógico quando 
afirmam: 
 
 
Sim, eu sei qual é o método de ensino que a escola utiliza. A 
Tatiane da coordenação e a Simone do Serviço Social passaram 
para nós. (Pai/Responsável 2 – M. F. S., 45 anos, Pedreiro) 
 
Sim, eu sei que o método de ensino que a escola utiliza é um 
conjunto de brincadeiras, tais como danças, música e massinha 
para desenvolver a coordenação. (Pai/Responsável 7 – G. F. F., 
38 anos, Do lar) 
 
Sim, eu sei que o método de ensino que a escola utiliza são 
atividades desenvolvidas com livros, música e tarefas. 
(Pai/Responsável 11 – C. U. O. B., 26 anos, Operador de 
máquina) 
 
 74 
Sim, eu sei que o método de ensino que a escola utiliza é 
desenvolvido com um conjunto de atividades, brincadeiras 
educativas, dança e teatro que estimulam o ensino e o 
aprendizado. (Pai/Responsável 15 – A. P. Q., 27 anos, Vigilante) 
 
Sim, eu sei que o método de ensino que a escola utiliza é 
desenvolvido com atividades, dança e teatro e cultura. 
(Pai/Responsável 16 – M. A. O., 25 anos, Auxiliar de produção) 
 
 
A qualidade da participação eleva-se quando as pessoas aprendem a conhecer 
sua realidade, a refletir, superar contradições reais ou aparentes, identificar primeiras 
subjacentes, antecipar consequências, entender novos significados das palavras e 
distinguir efeitos de causas. 
Porém há aqueles que respondem: 
 
 
Não sei qual é o método de ensino que a escola utiliza. 
(Pai/Responsável 12 – D. B., 36 anos, Ajudante geral) 
 
 
Na escola e em todo lugar, também há aqueles sujeitos que não envolvem-se e 
não veem necessidade, pois, cabe à escola solucionar e dirimir as questões específicas 
do universo de aprendizagem. 
 
 
O método foi passado, mas não me lembro, acho que é utilizada 
apostila, exercícios, caderno de trabalho, enfim desenvolvemmuitas atividades. (Pais/Responsável 1 – C. A. P., 29 anos, 
Operador de caixa) 
 
 
Quanto ao conhecimento dos representantes da escola, percebemos que os 
profissionais do CEISA, são conhecidos e reconhecidos pelos pais responsáveis. Neste 
sentido, pontuamos o quão é importante para o aluno perceber que seus pais têm 
interesse em participar do seu cotidiano, o que facilita o bom desenvolvimento da 
criança. Ressaltamos que o diálogo é extremamente necessário entre ambas as partes, 
 75 
escola, filho e pais, e no CEISA essa questão é cuidada com muito carinho pelos 
profissionais como verificamos: 
 
 
Sim, eu conheço os representantes da escola, sei que a Simone 
é Assistente Social, Priscila é professora, a Flávia é ajudante. 
Acho que elas fazem um trabalho bem feito e que trabalham com 
o que gostam. (Pais/Responsável 1 – C. A. P., 29 anos, Operador 
de caixa) 
 
Sim, eu conheço os representantes da escola, sei que a Simone 
é Assistente Social, a Tatiane é coordenadora, a Jackeline é 
enfermeira, a Priscila é professora, entre outras. Acho que elas 
são profissionais excelentes, que nasceram para exercer a 
função. (Pais/Responsável 2 – M. F. S., 45 anos, pedreiro) 
 
Sim, eu conheço os representantes da escola, sei que a Simone 
é Assistente Social, Jackeline é enfermeira, a tia Bá é professora, 
e acho que são profissionais que trabalham bem 
(Pais/Responsável 3 – M. A. S., 33 anos, Autônoma) 
 
Sim, eu conheço quase todos representantes da escola, são 
pessoas que fazem o trabalho bem feito. (Pai/Responsável 8 – D. 
A. R. R., 26 anos, Costureira) 
 
Sim, eu conheço os representantes da escola, as considero 
profissionais envolvidas. Todo mundo trabalha pela mesma 
causa, trabalha em união. (Pai/Responsável 15 – A. P. Q., 27 
anos, Vigilante) 
 
Sim, eu conheço os representantes da escola,. Pessoas que 
fazem o que gostam de uma competência indiscutível. 
(Pai/Responsável 17 - A. G. V. C., 34 anos, Coordenadora de 
telemarketing) 
 
Sim, eu conheço os representantes da escola, são pessoas 
abençoadas por Deus, minha filha adora a escola e seus 
professores, isso é muito importante, em uma escola ter pessoas 
capacitadas para a educação afinal, nossos filhos passam mais 
tempo na escola do que em casa. Agradeço aos professores todo 
tempo (Pai/Responsável 18 – R. J., 34 anos, Inspetor de 
qualidade) 
 
 
Notamos que a equipe profissional procura aprimorar e aproximar os pais 
responsáveis. Cada contato que os pais fazem com a instituição escolar, seja por 
 76 
telefone ou pessoalmente, para fazer cobranças ou para elogiar, faz com que seja 
criado um vínculo e aumente a parceria que tem como objetivo o pleno 
desenvolvimento dos filhos. 
Essa parceria dos pais com a escola e o trabalho com as crianças deve ir além 
da sala de aula e da aprendizagem, pois, deve ser complementada. 
Piaget (2000, p.50) pontua que: 
 
 
Uma ligação estreita e continuada entre os professores e os pais 
leva, pois, a muita coisa mais que a uma informação mútua: este 
intercâmbio acaba resultando em ajuda recíproca e, 
frequentemente, em aperfeiçoamento real dos métodos. Ao 
aproximar a escola da vida ou das preocupações profissionais 
dos pais, e ao proporcionar, reciprocamente, aos pais um 
interesse pelas coisas da escola, chega-se até mesmo a uma 
divisão de responsabilidades. 
 
 
Essa parceira é algo que as escolas vêm almejando há muito tempo e é muito 
difícil construir uma escola de qualidade e alunos bem formados sem a contribuição dos 
pais, numa relação de ajuda na formação do ser humano. 
Os diretores, coordenadores, assistentes sociais e professores abrem espaços 
para diversas opiniões sobre a situação da escola e permitem que a comunidade 
analise criticamente as propostas. Neste processo, a escola ganha clareza para 
estabelecer aonde quer chegar, confiança para escolher por onde começar e 
consciência dos seus limites e possibilidades (CENPEC, 1999) 
Perguntamos sobre o que pensam das reuniões que a escola marca, e afirmam: 
 
 
Em minha opinião, as reuniões marcadas pela escola são 
interessantes, importantes, são boas é melhoria pra todos. 
(Pai/Responsável 6 – W. S. / 18 anos / Do lar) 
 
Em minha opinião, as reuniões marcadas pela escola são muito 
boas para os pais saberem o que está acontecendo com seus 
filhos. A presença dos pais na reunião é muito importante para o 
desenvolvimento da criança. (Pai/Responsável 7 – G. F. F. / 38 
anos / Do lar) 
 
 77 
Em minha opinião, as reuniões marcadas pela escola são 
importantes, e aprendo muito. (Pai/Responsável 10 – M. A. F. / 
34 anos / Técnico segurança do trabalho) 
 
Em minha opinião, as reuniões marcadas pela escola são boas, o 
horário é bom e os assuntos interessantes. (Pai/Responsável 11 
– C. U. O. B. / 26 anos / Operador de máquina) 
 
Em minha opinião, as reuniões marcadas pela escola são ótimas. 
(Pai/Responsável 12 – D. B. / 36 anos /Ajudante Geral) 
 
Em minha opinião, as reuniões marcadas pela escola são ótimas, 
os assuntos e os horários são acessíveis.(Pai/Responsável 13 – 
M. R. O. D. S. / 30 anos /Soldador) 
 
Em minha opinião, as reuniões marcadas pela escola são boas. 
São claras, bem legais os assuntos.(Pai/Responsável 16 – M. A. 
O. / 25 anos / Auxiliar de produção) 
 
 
Segundo os entrevistados, as reuniões de pais são prazerosas, trazem proveito e 
satisfação para os pais. 
Tomam conhecimento das reuniões através das convocações e lembretes na 
agenda do filho e pelas informações nos murais. 
 
 
Fico sabendo das reuniões que a escola marca pela agenda das 
crianças e pelos informativos fixados nos murais. 
(Pai/Responsável 4 – J. F. A., 33 anos, Autônoma) 
 
Fico sabendo das reuniões que a escola marca pela agenda das 
crianças e pelos informativos fixados nos murais. 
(Pai/Responsável 5 – J. G. P., 35 anos, Segurança) 
 
Fico sabendo das reuniões que a escola marca pela agenda das 
crianças e pelos informativos fixados nos murais. 
(Pai/Responsável 6 – W. S., 18 anos, Do lar) 
 
Fico sabendo das reuniões que a escola marca pela agenda das 
crianças e pelos informativos fixados nos murais. 
(Pai/Responsável 7 – G. F. F., 38 anos, Do lar) 
 
Fico sabendo das reuniões que a escola marca pela agenda das 
crianças e pelos informativos fixados nos murais. 
(Pai/Responsável 8 – D. A. R. R., 26 anos, Costureira) 
 
 78 
Fico sabendo das reuniões que a escola marca pela agenda das 
crianças e pelos informativos fixados nos murais. 
(Pai/Responsável 10 – M. A. F., 34 anos, Téc. segurança do 
trabalho) 
 
Fico sabendo das reuniões que a escola marca pela agenda das 
crianças e pelos informativos fixados nos murais. 
(Pai/Responsável 11 – C. U. O. B., 26 anos, Op máquina) 
 
 
Esse acompanhamento é parte da responsabilidade dos pais para com os filhos 
e as crianças necessitam dessa atenção para que haja a garantia de um 
desenvolvimento saudável. 
A escola torna-se espaço de vivência da criança, em perfeita sintonia com a 
família, pois, é uma instituição que complementa a ação da família e juntas tornam-se 
lugares agradáveis para a convivência dos filhos e alunos. Uma depende da outra já 
que conjuntamente visam alcançar os objetivos e preparar os filhos e, 
automaticamente, permitir que a criança alcance sua integridade. 
Questionados sobre os pontos positivos e negativos existentes nas reuniões, 
relatam: 
 
 
 Os pontos positivos nas reuniões da escola são os assuntos 
abordados, exemplo doenças sexualmente transmissíveis foi uma 
palestra muito boa. E o tema pode ser escolhido pelos pais. 
(Pais/Responsável 2 – M. F. S., 45 anos, pedreiro) 
 
Os pontos positivos nas reuniões da escola são vários, acho 
muito divertidas as reuniões.(Pais/Responsável 3 – M. A. S., 33 
anos, Autônoma) 
 
Os pontos positivos nas reuniões da escola são que as 
palestrantes têm paciência e explicam bem e se não entendemos 
elas explicam novamente. (Pai/Responsável 6 – W. S., 18 anos, 
Do lar) 
 
Os pontos positivos nas reuniões da escola é que tudo o que elas 
fazem é para e pelo bem da criança. (Pai/Responsável 7 – G. F. 
F., 38 anos, Do lar) 
 
Os pontos positivos nas reuniões da escola é que são sempre 
claras. (Pai/Responsável 8 – D. A. R. R., 26 anos, Costureira) 
 79 
Os pontos positivos nas reuniões da escola são as informações 
passadas aos pais, as palestras que servem para melhoria do 
filho. (Pai/Responsável 11 – C. U. O. B., 26 anos, Op máquina) 
 
Os pontos positivos nas reuniões da escola são os 
conhecimentos que adquiro e que tudo o que aprendo usufruo 
para a família toda. (Pai/Responsável 13 –M. R. O. D. S., 30 
anos, Soldador) 
 
 
Quanto os pontos negativos da reunião, alegam não existirem, porém para 
aqueles que declararam haver pontos negativos, afirmam: 
 
 
Não há pontos negativos nas reuniões da escola, sei da 
importância de tudo e hoje que faço parte da comissão entendo 
melhor as coisas. (Pais/Responsável 1 – C. A. P., 29 anos, Op. 
de caixa) 
 
Não tem pontos negativos nas reuniões da escola. 
(Pais/Responsável 3 – M. A. S., 33 anos, Autônoma) 
 
Não há pontos negativos nas reuniões da escola, nada me 
incomoda. (Pai/Responsável 4 – J. F. A., 33 anos Autônoma) 
 
Os pontos negativos nas reuniões da escola são quando tem um 
único dia da semana, pois, trabalho um dia sim e um dia não. 
(Pai/Responsável 5 – J. G. P., 35 anos, Segurança) 
 
Não há pontos negativos nas reuniões da escola, nada me 
incomoda tudo é bom. (Pai/Responsável 7 – G. F. F., 38 anos, Do 
lar) 
 
Não há pontos negativos nas reuniões da escola, nada me 
incomoda. (Pai/Responsável 8 – D. A. R. R., 26 anos, Costureira) 
 
Os pontos negativos das reuniões da escola são o horário que 
não é bom porque atrapalha o serviço e as perguntas 
desnecessárias dos pais, pois, torna cansativo. 
(Pais/Responsável 2 – M. F. S., 45 anos, pedreiro) 
 
Os pontos negativos nas reuniões é a presença das crianças, 
pois, elas são agitadas e gritam muito, tiram a concentração na 
reunião. (Pai/Responsável 6 – W. S., 18 anos, Do lar) 
 
 
 80 
Consideram importantes as reuniões marcadas pela escola, embora haja alguns 
pontos negativos. É sempre bom lembrar que a escola é aberta para receber sugestões 
e aperfeiçoar o atendimento, pois os focos das reuniões são a apreensão dos pais / 
responsáveis, no entanto, os horários ainda não conseguem agradar a todos. 
Evidenciam que a escola atende a todas as expectativas indo além, pois, 
oferecem projetos, palestras, reuniões dentre outras ações, voltadas à informação não 
somente do cotidiano escolar dos filhos, contam com informações do cotidiano como, 
higiene, saúde, desenvolvimento sadio e outros e também informações sobre vários 
assuntos importantes para a vida da população como um todo, envolvendo diversos 
assuntos como drogas, doenças sexualmente transmissíveis, informações sobre os 
direitos, ECA, entre outros. 
 
 
Não gostaria de ter mais retorno ou informações da escola, 
porque já existe bastante. (Pai/Responsável 5 – J.G. P., 35 anos, 
Segurança) 
 
Não gostaria de ter mais retorno ou informações da escola. 
(Pai/Responsável 6 – W. S., 18 anos, Do lar) 
 
Não gostaria de ter mais retorno ou informações da escola, tudo 
o que tem já é o suficiente. (Pai/Responsável 7 – G. F. F., 38 
anos, Do lar) 
 
Não gostaria de ter mais retorno ou informações da escola, a 
escola tem muitas opções. (Pai/Responsável 15 – A. P. Q., 27 
anos, Vigilante) 
 
 
No entanto há aqueles sujeitos que gostariam de ter mais informações da escola, 
no que diz respeito à rotina da escola para poderem continuar a educação do filho em 
casa, além de mais informações sobre a saúde, higiene dos filhos, como verificamos: 
 
 
Sim, gostaria que chamasse uma mãe por mês para que 
pudéssemos passar o dia com a escola e dessa maneira, 
conhecer a rotina do filho, conhecer melhor a escola, a 
alimentação, os cuidados e a educação. 
(Pais/Responsável 3 – M. A. S. / 33 anos / Autônoma) 
 
 81 
Sim, eu gostaria de ter mais retorno ou informações da escola, 
sobre higiene do meu filho porque é importante para educar. 
(Pai/Responsável 9 – L. F., 33 anos, Doméstica) 
 
Sim, gostaria de ter mais retorno ou informações da escola, 
porque nunca é demais. (Pai/Responsável 12 – D. B., 36 anos, 
Ajudante geral) 
 
 
Quando a escola foi refletida como agente de apoio à família, ela foi esboçada 
para a educação dos filhos, e como um complemento do trabalho da família. 
Quando nos referimos ao acompanhamento dos pais no processo de 
aprendizagem de seus filhos, nos remetemos à questão da participação dos pais na 
vida de seus filhos, o carinho, a atenção com suas atividades e práticas diárias, as 
formas que os pais utilizam para acompanhar a vida de seus filhos auxiliando-os em 
seu cotidiano. 
A participação diária na vida da criança acentua o fato de que a educação do 
filho vale o tempo despendido. O apoio, a interação nas lições, o comparecimento às 
reuniões de pais e mestres, as festas, entre outros, são necessários ao longo de todo o 
período escolar. 
 
5.1.3 O papel das famílias no processo de aprendizagem dos filhos na visão dos 
profissionais 
 
 
Silva (2008) considera que atualmente existe a necessidade da escola estar em 
perfeita sintonia com a família, pois, é uma instituição que complementa a ação da 
família e juntas tornam-se lugares agradáveis para a convivência dos filhos e alunos. 
Uma depende da outra na tentativa de alcançar o maior objetivo, o melhor futuro para o 
filho educando e, automaticamente, para criança em sua integralidade e para toda a 
sociedade. 
Nesta perspectiva, questionamos os profissionais se a presença dos pais está 
relacionada com o desempenho escolar do filho: 
 
 82 
 
A presença dos pais está sim relacionada com o desempenho 
escolar do filho, essa presença forma um elo que faz com as 
“coisas” andem melhor. (Professora 1 - A. B. P. I., 27 anos) 
 
A presença dos pais está relacionada com o desempenho escolar 
do filho e a presença dos pais é sempre importante. 
(Professora 7 – V. R. S., 31 anos) 
 
A presença dos pais está sim relacionada com o desempenho 
escolar do filho, porque é um incentivo, os pais observando a 
criança conseguem dar o andamento na educação e continuidade 
do trabalho que a escola desenvolve. 
(Auxiliar de enfermagem 9 - J. F., 23 anos) 
 
A presença dos pais está sim relacionada com o desempenho 
escolar do filho, ”Os pais são os primeiros professores dos filhos” 
A criança, cuja família participa de forma direta no cotidiano 
escolar, apresenta um desempenho superior em relação aquela 
cujos pais estão ausentes do seu processo educacional. Ao 
conversarem com o filho sobre o que acontece na escola, 
cobrarem dele e ajudarem-no a fazer o dever de casa, ter hábito 
de leitura, os pais estarão contribuindo para a obtenção de um 
adulto mais seguro e mais confiante sabendo sempre de seus 
limites e possibilidades. (Professora 10 – Q. P. J, 25 anos) 
 
A presença dos pais está sim relacionada com o desempenho 
escolar do filho, os pais podem se fazer presentes não somente 
estando o tempo todo dentro da escola, mas colaborando 
juntamente com ela, auxiliando assim o desempenho escolar do 
aluno.(Professora 11 - P. A. S. M., 25 anos) 
 
 
Verificamos nas falas dos sujeitos que a participação dos pais no sistema 
educacional, como toda participação, é importante. Assim como comenta Schmidt 
(1964.p 209) a escola: ”há de ser um apoio forte para as primeiras rupturas com o meio 
familiar, fato é que não é fácil definir o papel que cabe aos pais na escola e no conjunto 
do sistema educacional”, isto porque não é fácil distinguir os temas que lhes são 
próprios, daqueles em que seu papel deveria ser complementar. 
Quando questionado se os pais/responsáveis têm interesse pelo processo de 
ensino e aprendizagem de seus filhos, e como é que se dá esse processo, afirmam: 
 
 
 83 
Sim, acredito que os pais têm interesse pelo processo de ensino 
e aprendizado de seus filhos, porém precisa da conscientização 
para que haja interesse. O interesse acontece na escola, através 
dos projetos que o Serviço Social desenvolve, para conseguir o 
interesse dos pais, alertando os direitos e deveres. (Orientadora 
Pedagógica 2 – A. R. D. V., 31 anos) 
 
Sim, acredito que alguns pais têm interesse pelo processo de 
ensino e aprendizado de seus filhos, eles mostram o interesse 
nas reuniões pelas perguntas que nos fazem sobre o 
comportamento dos seus filhos. (Professora 8 – M. S. S. B., 24 
anos) 
 
Sim, acredito que alguns pais têm interesse pelo processo de 
ensino e aprendizado de seus filhos, pois eles procuram saber o 
que estamos trabalhando em sala, auxiliam nas tarefas de casa. 
(Professora 11 - P. A. S. M., 25 anos) 
 
 
A participação dos pais na vida escolar dos filhos é fundamental para o 
desenvolvimento dessas crianças. 
Notamos que alguns profissionais conseguem visualizar o interesse dos 
pais/responsáveis no processo de ensino e aprendizagem dos seus filhos, porém os 
que não acompanham, consideram como falta de participação que se resigna a cultura 
desses pais em não participarem. 
A escola não poderá alcançar seus objetivos deixando a família à margem desse 
processo ensino/aprendizagem, portanto, concluímos que a participação da família no 
desenvolvimento da criança e da sociedade é condição primordial, como pontuam: 
 
 
Acredito que o interesse pelo processo de ensino e 
aprendizagem dos pais pelos seus filhos tenha melhorado com o 
tempo, mas a falta de participação existe. É uma questão cultural 
na qual o CEISA trabalha com a reeducação. (Professora 7 – V. 
R. S., 31 anos) 
 
 
 
 
 
 
 84 
Atualmente, a maioria dos pais pouco tem participado e 
demonstrado interesse pelo desenvolvimento escolar do filho 
dentro das propostas pedagógicas, mas se envolvem em outros 
tipos de atividades da escola (confraternizações e projetos). Não 
demonstram interesse, acredito que até mesmo pela falta de 
cultura familiar de valorização aos estudos e à educação, 
sobrecarga de obrigações (ocupações remuneradas,) falta de 
apoio de outro integrante familiar, entre outros. A não 
participação tem base nas tarefas não entregues corretamente, 
muitas vezes feitas pelo adulto, não comparecimento às reuniões, 
agendas sem assinaturas, falta de higiene diária (...). (Professora 
10 – A. P.J / 25 anos) 
 
 
Na visão dos profissionais a participação ainda é passiva, não comprometida 
nem facilitadora do avanço do processo de ensino e aprendizagem como exige a co-
responsabilização. 
Portanto, a educação deve ser centralizada na formação do caráter moral, 
emocional e educacional dos indivíduos e é evidente que a família desempenha um 
papel muito importante, já que os pais são os principais responsáveis pela educação 
dos filhos tanto em casa, como na escola e esta, por sua vez, compete formar cidadãos 
capacitados para transformar a sua realidade. 
A escola é uma porta de entrada comunitária. Além de seu papel pedagógico, 
formador e de socialização, é depositária dos conflitos, limites, esperanças e 
possibilidades sociais. A escola recebe e expressa as contradições da sociedade. 
Nesse contexto, o Serviço Social tem grande contribuição a dar à política pública da 
Educação e aos desafios que apresentam-se para a elevação do rendimento escolar, 
efetivação da escola como espaço de inclusão social e para a formação cidadã das 
crianças e jovens. 
Questionados se conhecem os pais de seus alunos relatam: 
 
 
Sim, conheço os pais de meus alunos. Conheço pelo portão, 
quando pegamos as crianças. Ou quando temos que tratar de 
alguns assuntos. (Professora 1 - A. B. P. I. 27 anos) 
 
Conheço parcialmente os pais dos meus alunos. Pela entrega no 
portão e em reuniões. (Professora 5 - F. S. S.,18 anos) 
 
 85 
Sim, conheço os pais dos meus alunos, conheço a realidade 
deles. (Auxiliar de enfermagem 9 - j. f / 23 anos) 
 
Sim conheço os pais dos meus alunos. O primeiro contato se deu 
na reunião de pais e os que eu não conheço, não fiz nada até 
agora para conhecê-los. (Professora 10 – a. p. j. / 25 anos) 
 
 
Notamos que alguns pais tornam-se conhecidos, procuram maior envolvimento, 
enquanto que outros têm apenas breves contatos. 
Os profissionais conhecem os pais de seus alunos e percebem a importância 
dessa relação para o desenvolvimento da escola em um modo geral. Já aqueles que 
não conhecem os pais dos seus alunos, procuram interagir para que essa aproximação 
ocorra, pois percebem o quão é importante o contato com os pais como expressam: 
 
 
Não conheço todos, porém acho importante esse relacionamento 
pra poder fazer trocas e cobranças quando necessário. Para 
conhecê-los, procuro me aproximar nas reuniões, pois, é quando 
falamos do comportamento das crianças, das regras, do respeito. 
É nesse momento que o entrosamento acontece. (Professora 3 - 
R. C. H. S., 49 anos) 
 
 
Podemos afirmar que a escola não coexiste sem a família nem a mesma sem a 
escola. Esse trabalho conjunto facilita o desenvolvimento do bem-estar e da 
aprendizagem dos alunos e facilita uma escola de qualidade. 
Segundo Paro (2000) a escola deve utilizar todas as oportunidades de contato 
com os pais para passar informações relevantes sobre seus objetivos, recursos, 
problemas e também sobre as questões pedagógicas. 
Como salienta Santos (2006 p. 134) quando expressa: 
 
 
 
 
 
 
 
 86 
O tema relação família-escola prevê que, a partir do momento em 
que um sujeito é potencialmente aluno de uma escola, a família 
desse aluno já integra de alguma forma o universo com o qual a 
escola deve atuar. Quer seja pelo fato de a família ser a instituição 
nuclear á qual pertence o nosso aluno, citado como exemplo 
agora, quer seja pelo fato de a família constituir um grande número 
de informações que compõem o universo do aluno e sua vida; 
informações ás quais a escola deve ter acesso, ainda que 
parcialmente, para conhecer e utilizar a organização do processo 
de ensino-aprendizagem. Ou seja, sem considerar a condição 
familiar do aluno, a escola não poderia atingir a qualidade 
imaginada aqui como exercício. 
 
 
Assim a escola não poderá alcançar seus objetivos se colocar a família à 
margem desse processo ensino/aprendizagem. Portanto, é claro que a participação da 
família no desenvolvimento da criança e da sociedade é condição primordial. 
Quando questionados se os pais/responsáveis frequentam normalmente a escola 
ou só vêm quando são chamados, relatam: 
 
 
Os pais normalmente vêm à escola quando são chamados ou 
quando eles precisam do Serviço Social, pois, eles sabem que 
podem encontrar no serviço social apoio para a família. 
(Professora 1 - A. B. P. I., 27 anos) 
 
Os pais frequentam a escola quando são chamados para os 
projetos, reuniões, atendimentos, eles comparecem porque é do 
interesse deles. (Orientadora Pedagógica 2 – A. R. D. V., 31 
anos) 
 
Os pais que estão no CEISA há alguns anos, participam, tiram 
dúvidas e procuram a escola para conversar. Os novos ,pais com 
menos tempos não participam, eu vejo como um processo deadaptação. (Professora 7 – V. R. S., 31 anos) 
 
Parcialmente, os pais frequentam a escola. Os que têm interesse, 
são os que geralmente nos procuram para obter informações e os 
que não têm interesse só vêm quando são chamados ou 
cobrados pela escola. Acredito que a participação esteja ligada à 
cultura de cada um. (Auxiliar de enfermagem 9 - J. F, 23 anos) 
 
 
 
 
 
 87 
A frequência dos pais é restrita aos chamados da escola e do 
professor que muitas vezes se sente impotente na resolução de 
situações que deveriam ser resolvidas em parceria com a família 
e a escola (comportamentos e atitudes das crianças) Porque os 
pais atribuem à escola não só o saber formal, como a educação 
de seus filhos; deixando o que deveria ser um hábito saber como 
seu filho passou o dia na escola, uma obrigação da escola estar 
com aquela criança sem o apoio e auxílio dos pais que deixam 
sempre em segundo plano a formação e desenvolvimento dos 
filhos em busca sempre de atender as necessidades financeiras, 
e outros interesses.(Professora 10 – A. P. J., 25 anos) 
 
 
É evidente que a participação dos pais/responsáveis restringe-se ao chamado da 
escola e que é comum os pais afirmarem que a escola é responsável integralmente por 
essas crianças, cabendo a instituição escolar não só o dever de educar formalmente, 
mas também o de assumir o papel que caberia aos pais/responsáveis. 
A partir do momento que o educador percebe que os pais têm interesse nas 
atividades escolares dos filhos, buscarão recursos para melhorar tal interação entre 
pais, filhos e escola. 
 
5.1.4 As estratégias utilizadas pelas famílias no processo de participação e vida dos 
seus filhos 
 
 
Apenas com ampla participação poderemos lutar pelos princípios da democracia 
e neutralizar as formas de autoritarismo frequentes na sociedade. É através dela que 
findamos a desordem de um status quo injusto (estado injusto), que produz a 
marginalização. 
As sociedades autoritárias fazem tudo para limitar, restringir e desestimular a 
participação. Samuel Huntington, um ideólogo conservador americano (1993) diz que o 
excesso de participação era um dos maiores perigos para a democracia. Para ele, 
quanto maior a participação da cidadania, maiores os riscos para a estabilidade 
democrática. Mas a verdade é que somente através da participação é possível construir 
e consolidar a democracia. 
 88 
 Quando questionados como veem a participação dos pais na escola, a maioria 
dos profissionais responde: 
 
 
Vejo a participação dos pais através da interação na comissão 
técnica de apoio, porém não considero uma participação 
espontânea. Para a participação vejo que o Serviço Social, a 
Pedagogia e os Professores, são fundamentais. (Professora 1 - 
A. B. P. I. / 27 anos) 
 
Vejo que a participação dos pais acontece parcialmente sempre 
são pressionados a participar. (Professora 5 - F. S. S. / 18 anos) 
 
Vejo que a participação dos pais acontece pela interação com a 
equipe e com todo o ambiente. A participação pode até começar 
por uma cobrança e com o tempo ela se torna prazerosa. 
(Auxiliar de enfermagem 9 - J. F., 23 anos) 
 
Vejo que a participação dos pais é muitas vezes em busca de um 
interesse: “cumprir sua obrigação de estar presente naquele 
momento que a escola o impôs.”. Delimitam sua participação em 
torno de seus interesses, em reuniões propostas, eventos; nem 
sempre sendo espontânea essa participação. Acho que os pais, 
no geral, deveriam ter um olhar especial para a educação e 
formação de seus filhos, com mais amor e dedicação. 
(Professora 10 – A. P. J., 25 anos) 
 
Vejo que não são todos pais / responsáveis que participam, mas 
participam através das reuniões da Equipe de apoio, quando 
discutem sobre os interesses e necessidades da escola em geral, 
transmitindo depois para os outros pais e alguns também como 
voluntários em projetos da escola. Mas poderiam ter mais 
participações. (Professora11 - P. A. S. M., 25 anos) 
 
 
Quando a participação não é espontânea, mas se dá através dos projetos da 
escola, da comissão técnica de apoio, e muitas vezes por interesses próprios, os 
profissionais não consideram como uma participação ativa. 
Quando questionados se nas reuniões ha ausência dos pais e a que atribuem 
essa ausência, relatam: 
 
 
 
 89 
Sim, há ausência nas reuniões da escola, mas são poucas. 
Atribuo as ausências à necessidade de trabalho dos pais. 
(Professora 1 - A. B. P. I., 27 anos) 
 
Sim, tem ausência nas reuniões da escola, mas são poucas. 
Atribuo as ausências à falta de interesse, pois, quando faltam não 
procuram a escola para se justificar. (Professora 5 - F. S. S., 18 
anos) 
 
Sim, tem ausência, mas são poucas. Atribuo as ausências à falta 
de interesse, pois alguns veem a escola como um local para as 
crianças dormirem, comerem, beberem e irem embora e, 
algumas, por motivo de trabalho. Não conseguem ver o lado 
pedagógico. (Professora 8 – M. S. S. B., 24 anos) 
 
Sim no ano de 2009 estamos com problemas nas presenças, que 
eu atribuo à falta de interesse, porém nos outros anos as faltas 
eram pouquíssimas e quando ocorriam era por motivo de 
trabalho. (Auxiliar de enfermagem 9 - J. F , 23 anos) 
 
Há muitas ausências nas reuniões. Atribuo à falta de interesse e 
envolvimento desse “pai” em relação ao filho, pois as 
problemáticas e os assuntos na escola são em relação somente 
sobre seu filho. Os pais deveriam ter a obrigação de acompanhar 
e estimular seus filhos, para esses se envolverem com mais 
prazer, e confiança na educação. (Professora 10 – A. P. J., 25 
anos) 
 
 
A efetiva participação da família deve ser vista não pela quantidade de famílias 
presentes, mas sim pela qualidade dos momentos oferecidos aos participantes, porém 
esta efetiva participação se dá pela qualificação deste espaço, com momentos em que 
o educador deve contemplar e direcionar para a discussão do processo de 
desenvolvimento da criança, o conhecimento da rotina escolar, o compartilhar do 
processo cuidar de educar e o conhecimento de valores, costumes, sentimentos e 
expectativas e isso muitas vezes leva ao desestímulo dos pais. 
Nesse sentido, é importante citar Içami Tiba (1996, p.140) que diz: "O ambiente 
escolar deve ser de uma instituição que complemente o ambiente familiar do educando, 
os quais devem ser agradáveis e geradores de afetos. Os pais e a escola devem ter 
princípios muito próximos para o benefício do filho/aluno". Logo, numa reunião de pais 
que ratifica o mau comportamento do filho e ou o desempenho, não é interessante para 
os pais responsáveis 
 90 
Nessa perspectiva, família e escola devem aproveitar, ao máximo, as 
possibilidades de estreitamento de relações, porque o ajuste entre ambas e a união de 
esforços para a educação das crianças e adolescentes devem redundar, sem dúvida 
nenhuma, em elemento facilitador de aprendizagens e de formação do cidadão e não 
de momentos desagradáveis. 
 Quando questionados se acham necessário que sejam desenvolvidas mais 
atividades buscando mais participação da família na escola, os profissionais respondem 
que não é necessário, pois, o CEISA possui muitos projetos e atividades que envolvem 
as famílias e promove a informação possibilitando a conscientização como verificamos: 
 
 
Hoje o que a escola possui, é o suficiente. É uma conquista para 
o Serviço Social e para a Pedagogia. Se fosse um trabalho 
isolado, ou seja, somente da pedagogia, não teríamos 
conseguido. (Orientadora Pedagógica 2 – A. R. D. V., 31 anos) 
 
Sim, acredito que seja necessário mais atividades dentro da 
escola, pois, ajuda na auto estima e estimula para a vida. 
(Professora 4 – C. C. M. S., 27 anos) 
 
A escola oferece o necessário,possui reuniões mensais, 
trimestrais e os projetos que são desenvolvidos pelo Serviço 
Social: Canguru, Trocando Sementes. (Professora 7 – V. R. S., 
31 anos) 
 
A escola oferece o necessário, possui reuniões mensais, 
trimestrais e os projetos que são desenvolvidos pelo Serviço 
Social: Canguru, Trocando Sementes precisava somente da 
conscientização e valorização dos pais. (Auxiliar de enfermagem 
9 -J. F., 23 anos) 
 
Nossa escola oferece o necessário, conta com vários projetos e 
eventos que envolvem os pais, sem contar que a escola oferece 
rica abertura entre os pais, à direção, Serviço Social, e 
professores, sendo de grande valia para o envolvimento dos pais 
na escola. (Professora 10 – A. P.J., 25 anos) 
 
 
Na concepção de Libãneo (2004, p. 102) “a participação é o principal meio de 
assegurar a gestão democrática da escola, possibilitando o envolvimento de 
profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no funcionamento da 
organização escolar”. 
 91 
A família vê a escola como lugar seguro e confiável para deixar a criança, pois 
neste ponto configura-se sua maior necessidade: “local para deixar a criança em 
segurança e bem cuidada”. E não se vê como não parceira, pois elege os momentos 
importantes de sua participação e assegura que esta relação é muito boa. 
Gokhale (1980) acrescenta que a família não é somente o berço da cultura e a 
base da sociedade futura, mas é também o centro da vida social. A educação bem 
sucedida da criança na família é que vai servir de apoio à sua criatividade e ao seu 
comportamento produtivo quando for adulto. A família tem sido, é, e será a influência 
mais poderosa para o desenvolvimento da personalidade e do caráter das pessoas. 
 
5. 1. 5 Inserção do Assistente Social junto às escolas 
 
 
A escola hoje não sobrevive sem a família e a mesma não afasta-se da escola. 
Esse trabalho em conjunto tem como objetivo o desenvolvimento do bem-estar e da 
aprendizagem da criança. A escola também deve ser democrática e participativa para 
despertar nos pais o interesse pelo desenvolvimento educacional dos filhos, 
promovendo diferentes ações que façam com que os pais percebam que fazem parte 
dela, tornando-se corresponsáveis, não apenas em eventos, reuniões, trocas de 
informações, como também em todo o processo de ensino e aprendizagem e cotidiano 
escolar. 
O Serviço Social constitui-se uma profissão interventiva que possibilita a ligação 
entre a família e a escola de uma forma mais ampla, articula e mobiliza essa 
participação que contribuirá para a melhor convivência nas relações familiares e, 
consequentemente, no processo de ensino-aprendizagem do aluno. 
Nesse estudo, também podemos evidenciar o que pensam os coordenadores e 
diretores da rede de ensino municipal, estadual, particular e de responsabilidade social 
de Bauru sobre a importância do trabalho do Assistente Social nas escolas e afirmam: 
 
 
 
 92 
Para mim é muito importante, pois o Assistente Social vem ajudar 
no trabalho pedagógico junto a família e aos direitos das 
crianças. O Serviço Social serve como um fortalecimento para 
professores e coordenadores, pois eles nos ajudam além de 
educar, compreender e intervir na realidade social de cada aluno. 
(Coordenadora 1 - A. R. D. V., 31 anos) 
 
Desde que iniciei no magistério percebi que as escolas, além de 
professores e pessoal de apoio, necessitavam de outros 
profissionais, como psicólogos e assistentes sociais. Hoje, creio 
que podemos prescindir de psicólogos, a favor dos assistentes 
sociais, que certamente poderão contribuir com mais amplitude. 
(Coordenadora 3 – I. C. M., 62 anos) 
 
A grande importância do Serviço Social na escola é o trabalho 
com as famílias, por que as crianças são frutos do processo 
histórico – cultural e não podem ser vistas apenas dentro de um 
espaço educacional, mas sim, como um ser social. (Diretora 8 - 
K. F. F. M, 53 anos) 
 
É de fundamental importância, pois o contato com a família do 
aluno (principal motivo da existência da escola) será realizado por 
um profissional e essas informações facilitarão o trabalho 
pedagógico dentro da sala de aula. (Coordenador 9 – P. P. C., 39 
anos) 
 
Ele é de grande importância. Em nosso Colégio seu auxílio é 
realizar um trabalho junto ao setor administrativo verificando as 
necessidades dos pais e funcionários e proporcionando um bom 
atendimento. (Coordenadora 14 – T. S., 26 anos) 
 
O trabalho do Assistente Social dentro da escola seria um apoio 
ao trabalho pedagógico desenvolvido pelo professor, haja vista 
que o professor detecta a dificuldade de aprendizagem e essa 
pode estar relacionada a problemas sociais que terão a 
intervenção do Serviço Social. (Coordenadora 16 – M. L. S. P. T., 
48 anos) 
 
O Assistente Social é o profissional que trabalha com as relações 
sociais e suas problemáticas, portanto é profissional 
imprescindível na prática educativa, ainda mais nos tempos 
modernos em que as necessidades sociais são muitas e estão 
em constante mudança. (Diretora 20 – S. T. T. C., 40 anos) 
 
 
Os entrevistados reconhecem a necessidade do assistente social junto à 
educação, pois é um profissional com capacidade interventiva e articuladora. No 
entanto, há aqueles que desconhecem seu trabalho quando afirmam: 
 
 93 
 
Para ser sincera, não tive a oportunidade de trabalhar em 
parceria com nenhum assistente social nas escolas em que atuei, 
tanto na coordenação, quanto na prática de sala de aula. Dessa 
forma, fica difícil uma resposta objetiva sobre o assunto. Quando 
precisei de um aconselhamento, procurei orientação fora da 
escola, mas o trabalho aconteceu, efetivamente, com a família da 
criança e não dentro da escola. (Coordenadora 13 - G. G. D, 38 
anos) 
 
 
Notamos que alguns profissionais conseguem identificar o trabalho do Assistente 
Social, porém não conhecem a profissão ou não tiveram oportunidades de contatos 
profissionais com a mesma. 
Quando questionamos coordenadores/diretores se acreditam que é importante o 
trabalho do Assistente Social com as famílias dos educando, declaram: 
 
 
Sim, as famílias têm se modificado nestes últimos tempos, o que vem 
ocasionando fragilidade nas estruturas sociais, uniões desfeitas, outras 
uniões familiares, que prejudicam o desenvolvimento das crianças. 
(Coordenadora 3 – I. C. M., 62 anos) 
 
Creio que sim, pois através de um trabalho frequente e preventivo junto 
às famílias e alunos, o assistente social ajudará a minimizar grandes 
problemas sociais que se evidenciam nos dias de hoje dentro das escolas 
públicas e particulares. (Diretora 5 - M. C. M. S., 43 anos) 
 
Sim. Muitas famílias não sabem os lugares que poderiam procurar para 
tirar documentação, médicos e outros. Existem muitos projetos que o 
Assistente Social poderia desenvolver em uma escola. (Diretora 7 – M. 
M. C., 40 anos) 
 
Sim, pois muitas vezes o problema apresentado pela criança dentro da 
escola está dentro de sua casa e de sua família. Algumas famílias muitas 
vezes não sabem lidar com determinadas situações por falta de 
conhecimento de como agir e não por falta de vontade. Uma vez que 
essas famílias são orientadas fica mais fácil resolverem os problemas. 
(Coordenadora 12 - C. M. F., 51 anos) 
 
Sim, como disse anteriormente, seu trabalho neste colégio que é 
Instituição privada, está ligado ao desconto da mensalidade. Acredito que 
em escolas municipais e publicas o atendimento envolva outros setores. 
(Coordenadora 14 – T. S., 26 anos) 
 
 94 
Sim, por que a família está deixando somente para a escola a 
responsabilidade de educar, mas é necessário o trabalho em conjunto, a 
parceria, que resultaria na melhoria da qualidade da aprendizagem do 
aluno. (Diretora 15 –M. R. M. S., 42 anos) 
 
Com toda certeza. Por que é necessário um trabalho de resgate da 
família no que se refere à preocupação, compromisso e 
acompanhamento da vida escolar do filho. (Coordenadora 16 – M. I. S. P. 
T., 48 anos) 
 
Sim, poderíamos conhecer com profundidade os lares, o que auxiliaria no 
acompanhamento dos alunos na escola. E quem sabe não teríamos mais 
as mentiras que somos obrigadas a ouvir, para justificar em pouco o 
cuidado com a vida escolar dos filhos. (Coordenadora 17 – A. M., 50 
anos) 
 
 
Os indivíduos questionados reconhecem a importância do trabalho do Serviço 
Social na escola, pois, praticamente a totalidade aprova e salienta a importância desse 
profissional na área educacional. 
O Parágrafo único do Capítulo IV do Estatuto da Criança e do Adolescente, 
Artigo 53 (BRASIL, 2005, p.11) declara que: “é direito dos pais ou responsáveis ter 
ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas 
educacionais”, ou seja, está prescrito no Estatuto da Criança e do Adolescente como é 
importante a convivência da família no contexto escolar. 
Compor uma parceria entre escola e família pressupõe de ambas as partes a 
compreensão de que a relação família-escola deve manifestar-se de forma que os pais 
não responsabilizem somente a escola pela educação dos filhos e, por outro lado, esta 
não pode eximir-se de ser corresponsável no processo formativo do aluno. 
Na escola,a criança encontra alicerce para a sua formação, para tanto é 
importante essa união entre escola e família para a formação do aluno não apenas 
como aprendiz de uma educação sistematizada, mas como cidadão do mundo. 
A educação deve ser centralizada na formação do caráter moral, emocional e 
educacional dos indivíduos já apontado e é evidente que a família desempenha um 
papel muito importante, pois os pais são os principais responsáveis pela educação do 
filho tanto em casa, como na escola e, esta por sua vez, cabe formar cidadãos 
capacitados para transformar a sua realidade. 
 95 
A escola tem um papel pedagógico de formação e de socialização, ela recebe e 
expressa às contradições da sociedade, por isso quando questionados sobre o maior 
desafio que a escola e professores têm hoje para enfrentar, relatam: 
 
 
Combater a realidade social que produz jovens sem “sonhos” e 
sem preocupação com o futuro. (Coordenador 2 - R. D. F., 62 
anos) 
 
A desestruturação familiar que acaba refletindo na vida escolar 
dos alunos. (Coordenadora 4 - N. B. P., 43 anos) 
 
Desenvolver nos alunos o hábito de estudar, da leitura, escrita e 
o gosto pela matemática, já que muitas vezes os alunos não 
recebem este estímulo em casa com suas famílias e a 
capacitação profissional dos professores. (Coordenadora 6 - A. C. 
F., 31 anos) 
 
É impossível citar o maior desafio, mas posso citar como grandes 
desafios: a progressão continuada, a violência dentro e fora da 
escola, a crise de valores da sociedade, o consumismo e o 
individualismo, as complexas relações familiares. (Coordenador 9 
– P. P. C., 39 anos) 
 
Um dos problemas mais graves encontrados na escola refere–se 
à estrutura familiar diversificada, ou seja, diferentes formas de 
agrupamentos com necessidades específicas e a inserção da 
mulher no mercado de trabalho torna a escola muitas vezes o 
único local de referência para a criança. (Diretora 10 - S. A. R., 42 
anos) 
 
A falta de responsabilidade das famílias para com a vida escolar 
(conhecimento/ aprendizagem) dos filhos. (Coordenadora 17 – 
A. M., 50 anos) 
 
Evasão escolar, problemas familiares e necessidades financeiras. 
(Coordenadora 18 – C. B. F., 44 anos) 
 
A falta de valorização do professor e da instituição escolar. 
 (Coordenadora 19 – M. M., 49 anos) 
 
 
A questão familiar é citada por todos os relatos e nesse contexto o Serviço Social 
tem grande contribuição a dar junto à instituição família, à política pública da Educação 
e aos desafios que se apresentam para a elevação do rendimento escolar, bem como à 
 96 
efetivação da escola como espaço de inclusão social e de formação cidadã das 
crianças e jovens. 
Terra (2001, p.12) coloca que apesar da escola ser um dos principais 
equipamentos sociais, identifica-se um número pequeno de profissionais do Serviço 
Social atuando junto dela. No entanto, percebemos que a área da educação tem se 
constituído em um importante espaço de atuação do Assistente Social, já que o Serviço 
Social no âmbito educacional tem a possibilidade de contribuir com a realização de 
diagnósticos sociais, indicando possíveis alternativas à problemática social vivida por 
muitas crianças e adolescentes, o que refletirá na melhoria das suas condições de 
enfrentamento da vida escolar. 
O baixo rendimento, desinteresse pelo aprendizado e evasão escolar, dentre 
outros, tem sido muito citados como a grande dificuldade de avanços de determinados 
alunos. São grande desafio para o Serviço Social, pois é responsabilidade e dever do 
Estado promover a Educação, além de garantir o acesso e a permanência do aluno na 
escola e o Assistente Social, com sua competência social, política, técnica e ética 
poderá contribuir para a melhoria dessa realidade. 
Quanto à relevância do trabalho do Assistente Social para a educação, os 
sujeitos afirmam: 
 
 
Conhecer a realidade social dos seus alunos e encurtar a 
distância que a separa do universo familiar. O Serviço Social 
deve contribuir para com ações que tornem a educação como 
uma prática de inclusão social, de formação da cidadania e 
emancipação dos sujeitos sociais. (Coordenadora 1 - A. R. D. V., 
31 anos) 
 
Frente às novas necessidades sociais, o trabalho do Assistente 
Social para a educação, seria auxiliar na superação das 
desigualdades decorrentes dos processos de exclusão social. 
 (Coordenadora 3 – I. C. M., 62 anos) 
 
Realização de um trabalho preventivo, minimizando os conflitos 
sociais evidentes nos dias de hoje nas escolas. (Diretora 5 - M. C. 
C. M. S., 43 anos) 
 
 
 97 
Como um parceiro importante para alunos, professores e a 
comunidade como um todo, elaborando diagnósticos, 
encaminhamentos e providências. (Diretora 11 - R. A. D. S., 49 
anos) 
 
Sua contribuição é auxiliar no cuidado com a garantia de uma 
boa qualidade de vida. Acompanhar e orientar as famílias, 
auxiliando-as a encontrar respostas para os seus problemas. Isso 
não significa resolver pela família. (Coordenadora 14 – T. S., 26 
anos) 
 
Seria no sentido de verificar o número excessivo de faltas e 
levantar as possíveis causas, que identificadas podem ser 
trabalhadas e assim a ação da escola seria mais efetiva. (Diretora 
15 – M. R. M. S., 42 anos) 
 
Um trabalho de parceria com o professor, orientando o aluno e 
integrando a família no ambiente escolar. (Coordenadora 16 – M. 
L. S. P. T., 48 anos) 
 
A escola enquanto transmissora de conhecimento e cultura vem 
perdendo essa identidade, incumbindo – se de trabalhar as 
problemáticas sociais apresentadas pelas famílias. Assim, a 
presença do Assistente Social na escola contribuiria para o 
resgate da função escolar: o ato ensinar. (Diretora 20 – S. T. T. 
C., 40 anos) 
 
 
Verificamos que para os gestores das escolas há clareza na importância do 
Assistente Social na escola e é justamente nas expressões da questão social que esse 
profissional deverá atuar. 
E ainda, dado a complexidade da realidade social e a crescente percepção de 
que a escola está inserida neste processo, é necessário aprofundar essa relação 
através de discussões que coloquem a função social da escola aproximando a família 
do contexto escolar.O alto nível de pobreza e miséria que atingem a população 
brasileira afeta de perto a atuação da escola, pois muitas crianças e jovens que 
deveriam estar estudando estão trabalhando para o sustento de suas famílias. O 
processo educacional não está alheio a isso, ou seja, o sistema de ensino se constitui 
em um espaço de concretização dos problemas sociais. 
Contudo, os profissionais da educação veem claramente a importância do 
profissional de Serviço Social junto à educação, para amenizar os conflitos e resgatar 
junto às famílias a real importância de seu papel na sociedade. Quando solicitados para 
 98 
que conceituassem, o que seria mudado na realidade escolar a partir da intervenção 
desse profissional, afirmam: 
 
 
A intervenção do profissional dessa área facilitaria o trabalho da 
direção, coordenação na análise e busca de soluções. 
 (Coordenador 2 - R. D. F., 62 anos) 
 
Contribuiria mudando a realidade social de muitos de nossos 
educandos e suas famílias, pois estes, não sabem a quem 
recorrer quando necessitam de um atendimento e a intervenção 
do assistente social supriria essa deficiência que a escola, por 
maiores que sejam nossos esforços, não conseguiu atende. 
(Coordenadora 4 - N. B. P., 43 anos) 
 
 
Esclarecimento aos professores da realidade vivida pelos alunos 
auxiliando os professores na forma de trabalhar com estes 
alunos. Melhoria da aprendizagem. (Coordenadora 6 - A. C. F., 
31 anos) 
 
As ações pedagógicas poderiam ser mais efetivas e o contato 
com a família nas mais duras questões: aprendizagem, disciplina, 
socioeconômicos, falta de higiene pessoal, inclusão, poderiam 
ser mais eficientes e seguras. (Coordenador 9 – P. P. C., 39 
anos) 
 
Agilidade na busca de solução, maior eficiência nos diagnósticos, 
ênfase na valorização da família e do educando como atores e 
sujeitos construtores de sua história. (Diretora 10 - S. A. R., 42 
anos) 
 
Nossos alunos teriam um acompanhamento em concomitância 
com um trabalho com a família, aluno motivado, família 
compromissada e responsável = aprendizagem de qualidade. 
(Coordenadora 16 – M. L. S. P. T., 48 anos) 
 
Como um elemento de ligação (visitação às famílias) em trabalho 
de campo, verificação e acompanhamento das dificuldades de 
relação entre escola e família. Poderíamos trabalhar na re-
conscientização da importância da família em acompanhar a vida 
escolar dos filhos. (Coordenadora 17 – A. M., 50 anos) 
 
Haveria um cuidado com os aspectos técnicos quanto ao trabalho 
de assistência que não tem espaço no cotidiano escolar por falta 
de pessoa. (Coordenadora 19 – M. M., 49 anos) 
 
 
 99 
Os profissionais entrevistados entendem que é de vital importância para o bom 
funcionamento da escola a inserção do Assistente Social na educação, pois ele 
trabalhará diretamente com a família e a equipe educacional melhorando o processo de 
ensino-aprendizagem. 
O direito à educação, bem como o direito ao acesso e permanência na escola, 
tem sido garantido reiteradamente pelos instrumentos legais, tais como a Constituição 
Federal (1988), Estatuto da Criança e do Adolescente (lei 8069/90) e pela lei de 
Diretrizes e Bases da Educação (9394/96) dentre outras. 
 Um dos maiores desafios que o Assistente Social vive no presente é o de 
desenvolver a sua capacidade de decifrar a realidade e construir propostas de trabalhos 
criativos e capazes de efetivar direitos de acordo com as demandas que surgem no 
cotidiano bem como ser um profissional propositivo e não apenas executivo. 
(Iamamotto, 2006). 
A educação faz parte das condições para a existência digna de uma pessoa, que 
fará com que esta seja um cidadão crítico. 
Os Projetos de Lei (PL) n.º 3.688 de 2000 e n.º 837, de 05 de julho de 2005, 
dispõem sobre a introdução do Assistente Social no quadro de profissionais da 
educação da escola pública, levando pontos centrais da aproximação do Assistente 
Social ao campo educacional, porém falta ainda maior compromisso político para que 
tais projetos se efetivem. 
Desta maneira, enfatizamos que há, verdadeiramente, a necessidade deste 
profissional na educação, pois no cotidiano escolar enfrentamos complexas questões 
sociais, cujo conhecimento pedagógico não consegue enfrentar sozinho, sendo 
necessário outros saberes como o do Assistente Social. 
Compreendemos que a prática profissional do Assistente Social não está firmada 
sobre uma única necessidade. Sua especificidade está no fato de atuar sobre várias 
necessidades. Assim, para que esta prática contribua no processo educacional é 
preciso que seja crítica e participativa e esteja relacionada com as dimensões 
estruturais e conjunturais da realidade, ou seja, embasada no conhecimento da 
realidade em sua totalidade. 
 100 
A inserção do Serviço Social na escola constitui uma decisão política de 
fortalecimento das políticas sociais. Hoje, professores e diretores desdobram-se na 
tarefa de ouvir, compreender e mediar sozinhos as influências da dura realidade social 
sobre a vida escolar. 
Perguntamos aos profissionais da educação a opinião de cada um, sobre o que a 
categoria dos Assistentes Sociais deveria fazer pra ser efetivada a sua inserção no 
sistema educacional e obtivemos as seguintes respostas: 
 
 
Demonstrar a importância do trabalho com projetos para a escola 
pública, iniciando com atuação de estagiários, para, aquisição de 
experiências na escola e pleitear inserção desses profissionais no 
sistema educacional. (Coordenadora 3 – I. C. M., 62 anos) 
 
Acredito que um primeiro passo, você está realizando, mostrar 
através de seu trabalho de conclusão de curso as necessidades 
que a educação vem enfrentando frente às novas necessidades 
sociais e como seria imprescindível a atuação do profissional nas 
escolas. (Coordenadora 4 - N. B. P., 43 anos) 
 
Trabalhar a política pública, na sua essência, através de ações 
junto aos órgãos competentes para definitivamente incluir 
assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais nas escolas 
como parceiros no processo educacional. (Diretora 8 - K. F. F. M., 
53 anos) 
 
Procurar uma maior união com os professores para juntos 
realizarem um movimento de conscientização da sociedade e 
forçar os legisladores a criar uma lei que obrigue as escolas a 
contratarem um ou mais assistentes sociais (a partir da 
quantidade de alunos) por escola. (Coordenador 9 – P. P. C., 39 
anos) 
 
Mobilizar os órgãos competentes para a criação do cargo. 
(Diretora 15 – M. R. M. S., 42 anos) 
 
Movimentação CRESS, CFESS e outros órgãos no sentido de 
criar o cargo dentro das escolas públicas. (Coordenadora 16 – M. 
L. S. P. T., 48 anos) 
 
De início, conseguir espaço para estagiários nas unidades 
escolares. (Coordenadora 19 – M. M., 49 anos) 
 
 101 
Necessidade de reconhecimento dessa emergência pela 
categoria que também deve reivindicar a sua atuação na área da 
educação. (Diretora 20 – S. T. T. C., 40 anos) 
 
 
Por isso a grande maioria dos profissionais entende que para a inserção do 
Assistente Social na escola, são necessárias maiores mobilização da categoria, 
parcerias com professores, elaboração de projetos que demonstrem para todas as 
escolas a importância desse profissional na educação e, inclusive, uma luta do 
sindicato inserção de alunos estagiários em unidades escolares. Acreditam que tornar-
se conhecido é uma tarefa exclusiva do Assistente Social. 
O Assistente Social tem um papel fundamental nesse país subdesenvolvido. O 
Serviço Social Escolar tem um significado político e social muito forte, pois bem 
sabemos que é na escola que se configuram muitas das expressões da questão social, 
taiscomo violência, desemprego, miséria, abuso sexual, dependência de substâncias 
psicoativas, entre outras. Um dos objetivos do projeto Serviço Social Escolar é 
assegurar que nas escolas sejam avaliadas, elaboradas e executadas ações 
preventivas e de enfrentamento às situações emergentes que expressem violência, 
dificuldades interpessoais entre alunos, familiares e funcionários, além das ações de 
ordem sócio-econômica que afetam os estudantes na sua totalidade. Logo, é fácil 
tornar-se conhecido, basta conquistar e abrir espaços. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 102 
6 CONCLUSÃO E SUGESTÃO 
 
 
Os objetivos gerais da pesquisa é evidenciar a importância da participação da 
família na vida escolar dos seus filhos, bem como o papel do Assistente Social na 
instituição escolar, sendo os específicos identificar o papel das famílias no processo de 
aprendizagem dos filhos; desvendar as estratégias utilizadas pelas famílias no processo 
de participação da vida escolar de seus filhos; investigar a inserção do assistente social 
junto às escolas e desvelar o papel do Assistente Social frente a essa realidade. 
O problema apresentado é a importância da participação das famílias na 
educação dos filhos e o papel do Serviço Social nessa relação. 
As análises realizadas evidenciam que pais/responsáveis têm um papel 
significativo na vida dos seus filhos. O envolvimento, dos mesmos através do 
companheirismo, do carinho, da atenção, da disponibilidade, ajuda-o a sentir motivado, 
a buscar o êxito na escola. Sua participação diária na vida da criança acentua o fato de 
que a educação do filho vale o tempo despendido. O apoio, a interação nas lições, nas 
reuniões de pais e mestres, nas festas, entre outras, são necessárias ao longo de todo 
o período escolar. 
Assim, o papel da família no processo de aprendizagem dos filhos é de extrema 
importância no qual se fazem presentes a participação e acompanhamento. 
Os dados obtidos, como toda investigação que possui caráter científico, revelam 
que no decorrer da pesquisa fica evidente que a questão cultural dos pais/responsáveis 
é crucial no tocante à participação, pois na visão dos mesmos, a participação acontece, 
com sua concepção, enquanto que para os profissionais, muito tem que ser melhorado 
evidenciando que é restrita. As estratégias de acompanhamento do processo escolar 
do filho, utilizadas pelos pais responsáveis, são a participação em reuniões, a presença 
diante das convocações e eventos da escola. 
Desta forma, concluímos que embora os dados coletados dos pais responsáveis 
apontam para a participação da família no processo de ensino e aprendizagem do seu 
filho, e os dados dos profissionais apontem para uma não participação desses pais, 
afirma-se ainda que os mesmos não podem ser caracterizados como participantes e 
 103 
não participante, uma vez que os aspectos culturais são de extrema influência para que 
tal fato ocorra, porém a participação deve ser mais de co-responsabilidade do que de 
atendimento a chamados ou a convites. Em contrapartida, os profissionais buscam 
nessa presença o momento de aproximação para que possam trocar informações sobre 
a criança e o respectivo processo de aprendizagem. 
Quanto à inserção do assistente social junto às escolas, percebemos que há uma 
aceitação muito grande por parte dos coordenadores e diretores das instituições em 
geral e muitos veem nesse profissional a solução para os problemas de ordem social e 
familiar encontrados na escola. Concebem o assistente social como um parceiro que 
virá para somar saberes e facilitar a prática do trabalho pedagógico, porém enfatizam a 
necessidade da categoria tornar conhecido o seu trabalho junto às escolas. 
Quanto ao papel do assistente social frente à realidade escolar, podemos dizer 
que são inúmeros, porém os que mais destacam-se, são os projetos voltados ao 
trabalho com as famílias; estudo sócio econômico para conhecimento da realidade; 
participação em equipe multidisciplinar e articulação com as demais políticas sociais. 
Portanto, a hipótese sugerida e comprovada é que a participação das famílias na 
educação de seus filhos é imprescindível para a formação da personalidade dos 
mesmos, pois quando a família participa de forma mais direta no cotidiano escolar, os 
filhos apresentam um desempenho superior em relação àquelas cujos pais estão 
ausentes, evidenciando sua capacidade de intervir na defesa e efetivação dos direitos 
sociais, e o Serviço Social frente a essa demanda faz uma articulação entre o aluno, 
escola e família. 
A instituição familiar e escolar tem seu papel na vida de qualquer criança, esse por 
sua vez só pode ser constituído a partir dos conhecimentos passados pela família 
juntamente com os conhecimentos acadêmicos que só a escola fornece. 
Mediante tais resultados, apresenta-se a seguinte sugestão: a inserção do 
Assistente Social nas unidades escolares de ensino público, municipal, particular e de 
responsabilidade social da cidade de Bauru. 
Através desse estudo, observamos que é de suma importância a inserção do 
Assistente Social nas unidades escolares para aproximar a família da escola, criar um 
elo que, infelizmente, não existe nos dias atuais. Com esse resgate, as famílias se 
 104 
tornarão mais participativas, e consequentemente, o processo ensino aprendizagem 
apresentará relevância qualitativa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 112 
APÊNDICE 
 
FORMULÁRIO PARA APLICAR COM OS PAIS / RESPONSÁVEIS DO CEISA. 
 
Nome: 
Idade: 
Profissão: 
( ) Feminino ( ) Masculino 
 
1. Você acha que o estudo é importante para seu filho? Porque? 
 
2. Como você acompanha o processo de aprendizagem de seu filho? Justifique 
 
3. Você conhece a Escola de seu filho? 
 
4. Você sabe qual é o método de ensino que a escola utiliza? 
 
5. Você foi convidado a participar do projeto político pedagógico da escola do seu filho? 
 
6.Você participa ou já participou de algum evento na escola de seu filho? Como? 
 
7. Você só participa quando é convocado ou quando sente necessidade? Porque? 
 
8. Você atende as convocações da escola? Porque? 
 
9. Você acha importante a participação da Família na escola? Porque? 
 
10. Você conhece os representantes de sua escola? O que acha deles? 
 
11. Você gostaria de ter mais retorno/informações da escola? Porque? 
 
12. Qual a sua opinião sobre as reuniões marcadas pela escola? 
 
13. Como vocês ficam sabendo das reuniões e atividades da escola? 
 
14.Você vai a todas as convocações da escola? Por que? 
 
15. Quais os pontos negativos das reuniões da escola que mais te incomoda? 
 
16. Quais os pontos positivos das reuniões da escola que mais você mais gosta? 
 
17. Para você, o que é participar? 
 113 
FORMULÁRIO PARA APLICAR COM OS PROFESSORES, QUE OBSERVAM A 
PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA NA ESCOLA (CEISA). 
 
Nome: 
Idade: 
Profissão: 
( ) Feminino ( ) Masculino 
 
1. Você acredita que os pais têm interesse pelo processo de ensino e aprendizagem de 
seus filhos? Como? 
 
2. Eles freqüentam normalmente a escola ou só vem quando chamado? Por que? 
 
3. Como você vê a participação dos Pais na Escola? 
 
4. Nas reuniões tem muita ausência? A que você atribui essa ausência dos pais? 
 
5. A presença dos pais está relacionada com o desempenho escolar do filho? 
 
6. Você acha necessário que sejam desenvolvidas atividades buscando mais 
participação da família na escola em que você atua? Por que? Quais? 
 
7. Você conhece os pais de seus alunos? Se sim, como conhece? Se não, o que faz 
para conhecê-los? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 114 
QUESTIONÁRIO PARA APLICAR COM OS COORDENADORES E DIRETORES DAS 
ESCOLAS DE BAURU 
 
Nome: 
Idade: 
Profissão: 
( ) Feminino ( ) Masculino 
 
1. Qual é a importância para a sua profissão o trabalho do Assistente Social dentro da 
escola? 
 
2. Você acredita que é importante o trabalho do Assistente Social com as famílias dos 
educando? Justifique o por que? 
 
3. Qual maior desafio que a escola e professores tem hoje para enfrentar? 
 
4. Qual a melhor forma do Assistente Social contemporâneo mostrar para o Estado a 
relevância do seu papel na área educacional? 
 
5. Para você é fundamental a intervenção do Assistente Social na educação. Descreva 
com suas palavras, o que mudaria na realidade escolar essa nova intervenção? 
 
6. O que a categoria deveria fazer pra ver efetivado mais rapidamente a sua inserção 
no sistema educacional?

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