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V-47 – TESTE VERBAL DE INTELIGÊNCIA 
 
 
 
 
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
 
 Todos os modelos que procuram estudar a estrutura fatorial da inteligência não são absolutamente 
contraditórios, mas procuram aprofundar e complementar as teorias existentes acerca das aptidões 
cognitivas, ressaltando as dificuldades para se definir um conceito tão abrangente como o de 
inteligência. 
 
 Uma das características comuns a esses estudos é o da natureza multidimensional da inteligência, 
que contribui para a elaboração de melhores instrumentos de avaliação com o objetivo de avaliar as 
diferentes capacidades intelectuais e até estabelecer hipóteses sobre comportamentos individuais em 
situações do cotidiano em que sejam mais necessárias estas capacidades, como o desempenho 
acadêmico e ocupacional. 
 
 Diante dessa realidade surge a necessidade de utilizar instrumentos psicológicos para uma avaliação 
diferencial das aptidões. 
 
 Vários estudiosos dedicaram-se ao estudo das diferenças individuais e sua relação com o termo 
aptidão: Super e Bohn (1972); Lourenção Van Kolck (1973); Anastasi (1977). 
 
 Existem diferentes tipos de testes que se propõem a avaliar as diversas aptidões, por exemplo, os 
testes de raciocínio verbal, numérico, abstrato e mecânico; testes de memória, de atenção concentrada, 
de relações especiais, velocidade perceptual, uso de linguagem entre outros. 
 
 A inteligência verbal está sendo avaliada por testes de aptidão verbal, envolvendo testes de raciocínio 
ou de compreensão verbal equivalente ao Fator V de Thurstone (Compreensão Verbal). 
 
 Segundo Andriola (1995-96), o raciocínio verbal é a capacidade cognitiva usada para solucionar 
problemas que apresentem um conteúdo formado por símbolos verbais. 
 
 Rainho (1994) afirma que entre os testes de aptidão, os que avaliam a capacidade de compreensão 
verbal, ou seja, que investigam a “presteza e exatidão com que uma pessoa apreende idéias expressas 
verbalmente” são os mais importantes, pois estão diretamente relacionados ao bom aproveitamento 
escolar e desempenho escolar. Para ele: “não se pode conceber nenhuma tarefa de orientação, sem se 
conhecer o grau de aptidão verbal do examinando”. 
 
 Super e Bohn (1972) ressaltam ainda a grande importância do Raciocínio verbal na solução de 
diversos problemas das áreas de Física, Matemática, etc., pois eles são expressos em palavras, que são 
símbolos verbais e exigem a capacidade de compreensão verbal para serem interpretados. 
 
 Almeida e Primi (2000) afirmam, a partir de uma perspectiva fatorial da inteligência, que o Raciocínio 
Verbal se associa tanto à inteligência fluida (abstrata) quanto à cristalizada (verbal), pois envolvem “a 
extensão e profundidade do conhecimento verbal vocabular e a capacidade de raciocinar utilizando 
conceitos previamente aprendidos”. 
 
 Para Stenberg (1992), “a boa capacidade verbal está positivamente correlacionada com a aquisição 
de conhecimentos” e “o indivíduo ‘altamente verbal’ é simplesmente rápido na operação da informação 
verbal”. Para este autor, a compreensão é um processo complexo, constituído por uma série de outros 
“subprocessos” que se iniciam involuntariamente na identificação léxica e podem se estender às 
estratégias mais aprimoradas utilizadas para a compreensão de textos mais extensos. Em cada parte 
desse processo existem diferenças individuais que se combinam para produzir a inteligência verbal. 
Ainda que exista esta diversidade de componentes no desenvolvimento da capacidade de compreensão 
verbal, as pessoas que adquirem habilidade em um desses componentes tendem também a adquirir 
habilidade em outros, mesmo que gradativamente, pois os processos são encadeados. 
 
 Diante da realidade da importância da compreensão verbal para a vida das pessoas, fica clara a 
necessidade de se utilizar instrumentos para avaliar essa capacidade. 
 
 
 2 
OS TESTES DE CAPACIDADE VERBAL 
 
 Os testes de Raciocínio Verbal avaliam a capacidade de compreensão verbal e são os que mais 
podem sofrer a influência da cultura e da escolaridade (Cunha, 1993). 
 
 Neste sentido torna-se essencial que esses instrumentos sejam padronizados e adaptados à 
população à qual se destinam. 
 
 No Brasil podem ser encontrados diversos testes que avaliam a capacidade de compreensão verbal: 
 
* Teste de Raciocínio Verbal do DAT (Differential Aptitudes Tests) - não autorizado no momento 
 
* Teste de Sinônimos da Bateria Cepa (Rainho) – não autorizado no momento 
 
BPR-5: Bateria de Provas de Raciocínio (Almeida & Primi) 
 
H.T.M – Teste de Habilidade para o Trabalho Manual ( Santarosa, Wainstein & Prado) 
 
Teste de Raciocínio Verbal (RV) (Andriola & Pasquali) 
 
Nas Escalas Wechsler quatro subtestes avaliam a capacidade de compreensão verbal (Informação, 
Compreensão, Semelhanças e Vocabulário). 
 
 
O TESTE VERBAL DE INTELIGÊNCIA V – 47 
 
 
1) AUTOR: Efraim Rojas Boccalandro 
 
 1ª edição: 1971 – São Paulo: Vetor, 
 
 2ª edição: 1978. Revista e Ampliada em 2003 – São Paulo: Vetor. 
 
2) FINALIDADE: avaliar a capacidade de compreensão verbal do examinando exigindo o conhecimento 
das palavras, adquirido previamente. 
 
 Seu resultado depende das experiências educacionais e dos conhecimentos adquiridos pelo indivíduo 
ao longo da vida. 
3) POPULAÇÃO: sujeitos do Ensino Médio e Superior. 
 Foi desenvolvido inicialmente com a finalidade de medir a inteligência verbal, de candidatos com 
ensino fundamental incompleto. 
4) APLICAÇÃO: individual ou coletiva. 
 
 As instruções estão impressas no caderno do teste. 
 
 O aplicador deverá ler as instruções e acompanhar a realização dos itens exemplos para verificar se 
as 3 questões exemplos foram respondidas corretamente, dando, então a ordem para o examinando 
virar a página e começar o teste propriamente dito. 
 
5) TEMPO 
 
Livre; média de 10 minutos. 
 
6) MATERIAL 
 
 Manual; 
 Caderno do teste com as instruções; 
 Crivo de correção; 
 Lápis ou caneta. 
 
 3 
7) ORGANIZAÇÃO 
 
 Os itens do V-47 foram fundamentados na compreensão da extensão de pares de conceitos, que 
poderiam apresentar a mesma extensão lógica; o primeiro ser de maior ou menor extensão do que o 
segundo ou vice versa. 
 
 Sua tarefa assemelha-se à do teste de Wechsler, em que é necessário estabelecer relações 
classificatórias, nas quais um elemento é incluído como parte de uma classe ou faz parte da mesma 
classe. Ex: Banana é um elemento da classe das frutas e, portanto a amplitude do conceito frutas é 
maior do que o conceito banana. 
 
Partindo deste pressuposto básico foram inicialmente propostos 50 pares de conceitos reduzidos, em 
sua versão final, para 47 pares. 
 
 Na capa do caderno estão impressos 3 exemplos, para verificar se o candidato consegue 
compreender a lógica do teste, e no interior do caderno os 47 itens são compostos por ordem crescente 
de dificuldade. 
 
8) AVALIAÇÃO 
 
 É feita por meio de um crivo de correção que deve ser adaptado sobre os itens para que sejam 
contados os acertos (pontos). A partir do total de pontos consulta-se a tabela de percentis. 
 
9) NORMAS: de 2003, em percentil, em função da escolaridade. 
 
 Para atualização das normas (2003) foi empregada uma amostra de pessoas que participaram de 
processos de seleção de pessoal para diversas funções na cidade de São Paulo e também de grupos de 
estudantes de Ensino Médio e Universitários. 
 
 A amostra foi composta por 345 sujeitos, sendo 175 do sexo feminino e 170 do masculino, em 
aplicação coletiva, sem limite de tempo. As idades variaram entre 15 e 50 anos, sendo a maior parte 
(75,4%) na faixa de 15 a 34 anos. A média das idades foi de 28 anos. 
 
 Estudos comparativos por sexo e escolaridade não mostraram diferenças estatisticamente 
significantes o que indica que não há necessidade de construir tabelas de percentisseparados para cada 
sexo. 
 
 Como a pesquisa atual não apresenta novas normas para o grupo ginasial (Ensino Fundamental) 
recomenda-se a utilização das tabelas originais do teste (1971), no caso de serem avaliados sujeitos 
com esse nível de escolaridade. 
 
10) VALIDADE 
 
 A validade simultânea do V-47 foi determinada pela correlação com o Teste de Sinônimos Forma 2 
da Bateria Cepa. O coeficiente de validade foi de 0,42, que é estatisticamente significante ao nível de 
0,001. 
 
 O valor do coeficiente pode ter sofrido a influência pelo fato de que: 
 
a) ainda que ambos os testes avaliem a capacidade de raciocínio verbal, os itens são diferentes; 
 
b) o V-47 foi aplicado sem limite de tempo e para o Sinônimos o tempo foi limitado em apenas 5 minutos; 
 
c) ambos os testes foram aplicados no mesmo dia e um após o outro, o que pode ter feito que o 
resultado tenha sofrido a influência do fator cansaço e da diminuição da motivação no segundo teste. 
 
 Apesar desse resultado, segundo Guilford (1950), o coeficiente de validade de um teste pode variar 
“numa faixa entre 0,00 e 0,60, com muitos índices na metade inferior desta faixa”. Afirma ainda que: 
“qualquer coeficiente de correlação que não é zero e é estatisticamente significante indica algum grau de 
relação entre duas variáveis”. 
 
 Neste sentido pode-se afirmar que existe uma relação entre as características que são avaliadas nos 
testes V-47 e o de Sinônimos. 
 
 4 
11) PRECISÃO 
 
 Foi obtida por meio de 3 métodos: Teste e Reteste, Kuder-Richardson e Método das Metades, 
empregando a formula de Spearman-Brown. 
 
 O coeficiente de correlação entre o Teste e o Reteste foi de 0,915, correlação altamente significante. 
O intervalo muito curto entre as aplicações (7 dias) pode ter contribuído para o resultado. 
 
 A Precisão de Kuder-Richardson foi de 0,917, o que confirma um elevado grau de consistência entre 
os itens do V-47. 
 
 Pelo Método das Metades a correlação entre os itens pares e ímpares foi de 0,84, que corrigida pela 
formula de Spearman-Brown corresponde a 0,915, confirmando sua significância. 
 
 Os resultados obtidos pelos 3 métodos indicam elevado coeficiente de precisão para o V-47, uma vez 
que os valores encontrados são maiores que 0,90. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BOCCALANDRO, Efraim Rojas. V-47: teste verbal de inteligência. 2. ed. rev e amp. pelo 
Departamento de Pesquisas da Vetor Editora. São Paulo: Vetor, 2003