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Aula 05
Direito Civil p/ MPU 2017/2018 (Analista - Especialidade Direito) Com videoaulas
Professores: Aline Santiago, Paulo H M Sousa
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DIREITO CIVIL - MPU 2017
Teoria e Questões
Aula 05 ± Profa Aline Baptista Santiago
Aula 05
Dos Contratos em Geral.
Das Obrigações.
Apresentação da Aula 05 .............................................................................................................. 2
Cronograma das Aulas ................................................................................................................. 3
Teoria Geral dos Contratos. .......................................................................................................... 3
Os Contratos no Código Civil. ....................................................................................................... 4
Disposições Gerais (art. 421 a 480). .............................................................................................. 4
¾ Da classificação dos contratos. ..................................................................................................... 4
Preliminares (arts. 421 a 426). ...................................................................................................... 7
Da formação dos contratos (arts. 427 a 435). .............................................................................. 12
¾ A proposta. ................................................................................................................................ 14
¾ A aceitação. ............................................................................................................................... 17
Do contrato preliminar (arts. 462 a 466). .................................................................................... 20
Estipulação em favor de terceiro (arts. 436 a 438). ..................................................................... 23
Da Promessa de Fato de Terceiro (art. 439 e 440). ...................................................................... 24
Dos Vícios Redibitórios (art. 441 a 446). ..................................................................................... 25
Da Evicção (arts. 447 a 457). ....................................................................................................... 28
Dos Contratos Aleatórios (art. 458 a 461). .................................................................................. 33
Do Contrato com Pessoa a Declarar (art. 467 a 471). ................................................................... 35
Da Extinção do Contrato (art. 472 a 480). ................................................................................... 36
¾ Do distrato (arts. 472 e 473). ...................................................................................................... 36
¾ Da Cláusula Resolutiva (arts. 474 e 475). ..................................................................................... 37
¾ Adimplemento substancial .............................................................................................................. 38
¾ Da Exceção de Contrato não Cumprido (arts. 476 e 477). ............................................................. 40
¾ Da Resolução por Onerosidade Excessiva (arts. 478 a 480). ......................................................... 40
Transmissão das obrigações (arts. 286 a 303). ............................................................................ 42
Adimplemento e extinção das obrigações. ................................................................................. 54
¾ Pagamento. ............................................................................................................................... 54
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Do Lugar do Pagamento (arts. 327 a 330). .................................................................................. 62
Do Tempo do Pagamento (arts. 331 a 333). ................................................................................ 63
Pagamento Indireto. .................................................................................................................. 66
¾ Do Pagamento em Consignação.................................................................................................. 66
¾ Do Pagamento com Sub-Rogação ............................................................................................... 68
¾ Da Imputação do Pagamento ..................................................................................................... 69
¾ Da Dação em Pagamento ........................................................................................................... 70
¾ Da Novação ............................................................................................................................... 70
¾ Da Compensação ....................................................................................................................... 72
¾ Da Confusão .............................................................................................................................. 74
¾ Da Remissão das Dívidas ............................................................................................................ 75
Considerações Finais .................................................................................................................. 76
Resumo da Matéria .................................................................................................................... 77
Questões do CESPE .................................................................................................................... 83
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Apresentação da Aula 05
Olá aluna (o)!
Esperamos que você esteja conseguindo estudar de forma adequada.
Lembre-se que o sacrifício é momentâneo e quando você visualizar seu nome no
diário oficial terá a certeza de que todo este esforço valeu a pena.
Na aula de hoje, começaremos falando da teoria geral dos contratos, sobre
as disposições gerais e sobre a extinção do contrato. E encerraremos falando
sobre Transmissão e Adimplemento das obrigações.
7HQKD�PXLWR�FXLGDGR�DR�³GRVDU´�VHX�HVWXGR� Este assunto é bastante
extenso, sendo assim, muita coisa não será cobrada em prova.
Como o assunto é muito grande, optamos por transcrever todos os artigos. Os
artigos que não foram comentados são de fácil compreensão ou, então, são pouco
lembrados nas provas, mas, se você tiver dificuldade no entendimento de algo, por
favor, não hesite e entre em contato conosco. -
Abraços e coragem,
Aline & Jacson.
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Cronograma das Aulas
Aulas Tópicos abordados no edital Data
Aula 05
Contratos. Contratosem geral. Preliminares e formação
dos contratos. Transmissão das obrigações.
Adimplemento das obrigações.
04/11/2017
Aulas Tópicos abordados no edital Artigos da Lei
Aula 05
Dos Contratos em Geral:
Disposições Gerais.
Extinção dos contratos.
Transmissão das obrigações.
Adimplemento das obrigações.
Art. 421 ao 480 do CC
Art. 286 ao 388 do CC
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Teoria Geral dos Contratos.
Contrato é o acordo de duas ou mais vontades, é um negócio jurídico
bilateral ou plurilateral, que deve estar em conformidade com a ordem jurídica
e que tem por finalidade estabelecer uma relação entre a vontade das partes.
O escopo de um contrato é o de adquirir, modificar ou extinguir relações
jurídicas de natureza patrimonial.
Sendo o contrato um negócio jurídico, ele requer, para sua validade, a
observância dos requisitos do artigo 104 do CC, quais sejam:
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Agente capaz;
Objeto lícito, possível, determinado ou determinável; e
Forma prescrita ou não defesa em lei.
Os contratos possuem dois elementos: o estrutu
ral e o funcional:
O estrutural, como o próprio nome diz, refere-se à estrutura. Para termos
um contrato é necessária a existência de duas ou mais pessoas1 que acordam
sobre um determinado objeto.
Já o funcional diz respeito à composição de interesses contrapostos (mas
harmonizáveis) entre as partes, constituindo, modificando e solvendo direitos e
obrigações.
Os Contratos no Código Civil.
Os contratos são tratados na parte especial do Código Civil de 2002,
Livro I ± Do direito das Obrigações:
No Título V, temos o capítulo I, que traz as disposições gerais e o capítulo
II, que traz a extinção do contrato.
No Título VI, temos as várias espécies de contrato.
Disposições Gerais (art. 421 a 480).
¾ Da classificação dos contratos.
Antes de começarmos a aula propriamente dita, falando das
disposições gerais dos contratos, vamos citar e explicar as
principais classificações dos contratos. Esta parte é bastante
teórica, mas você verá que ela é muito importante para a
resolução de determinadas questões.
1 Alguns doutrinadores entendem se pode admitir, em nosso ordenamento jurídico, o
autocontrato ou o contrato consigo mesmo, quando uma só pessoa possa representará ambas as
partes. Seria a hipótese do art. 117 do Código Civil.
Art. 117. Salvo se o permitir ¹a lei ou ²o representado, é anulável o negócio jurídico que o
representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo.
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Contratos típicos e atípicos:
Serão típicos, ou nominados, quando estiverem regulamentados pelo
ordenamento jurídico através do CC, ou por qualquer norma extravagante2.
Serão atípicos, ou inominados, os negócios bilaterais cujo perfil não se encaixe
em qualquer das espécies contratuais prescritas pelo sistema.
Contratos mistos e coligados:
Os contratos mistos (ou complexos) são caracterizados pela coexistência
de obrigações pertinentes a tipos diferentes de contratos, que estão ligados
pelo caráter econômico que asseguram, segundo Gonçalves3��³2�FRQWUDWR�PLVWR�
resulta da combinação de um contrato típico com cláusulas criadas pela
vontade GRV� FRQWUDWDQWHV´�� -i� RV�contratos coligados se caracterizam pela
coexistência, num mesmo negócio, de obrigações simplesmente justapostas, sem
a ligação de caráter econômico entre elas. É, na realidade, uma pluralidade, pois
há vários contratos interligados.
Contratos unilaterais e bilaterais4:
Contratos bilaterais (ou sinalagmáticos) são os contratos com obrigações
recíprocas e correlativas, são aqueles de que nascem obrigações para ambas as
partes. Já os contratos unilaterais se caracterizam por acarretar obrigações
para apenas um dos contratantes.
ATENÇÃO: todo contrato, pela sua própria natureza, é negócio
jurídico bilateral, que envolve duas ou mais vontades.
Quando se fala em contratos unilaterais, emprega-se a palavra
não no sentido de sua formação, mas no sentido de seus efeitos.
(apenas um dos contratantes assume obrigações perante o outro)
Contratos individuais e coletivos:
Chamamos contratos individuais (ou singulares) aqueles em que cada uma
das partes intervém para convencionar diretamente aquilo que lhe interessa. Os
contratos coletivos são aqueles em que a vontade da maioria prevalece sobre
2 Normas que regulamentam um tipo de contrato, mas que, neste caso, não são localizadas no
Código Civil.
3 Carlos Roberto Gonçalves, Direito Civil Esquematizado, ed. Saraiva, 2ª ed., pág. 770.
4 Cuidado para não confundir com a classificação dos negócios jurídicos em bilaterais e unilaterais.
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a vontade da minoria. Contratos coletivos são aqueles estabelecidos, por
exemplo, pelo acordo de duas pessoas jurídicas que representam categorias
profissionais.
Contratos impessoais e pessoais:
São impessoais os contratos em que a pessoa do devedor é fungível ± quer
dizer, interessa ao credor ter sua obrigação satisfeita, não importando quem
efetivamente o faça. Os contratos pessoais ou intuito personae, por sua
vez, são aqueles em que as partes contratantes especificam quem está incumbido
de prestar ± não se admitindo que terceiro satisfaça a obrigação, justamente por
se tratar de obrigação personalíssima.
Contratos consensuais, formais e reais:
Os consensuais são os que requerem para seu aperfeiçoamento, apenas a
conjugação de vontades, ou seja, apenas o consentimento das partes. Os
formais são os que exigem o cumprimento de determinadas formalidades legais
para o seu aperfeiçoamento. Já os contratos reais são os que exigem a efetiva
tradição 5 do objeto contratual para sua formação, ou seja, que além do
consentimento dos contratantes, que haja a entrega da coisa (da res), do objeto.
Contratos onerosos e gratuitos:
São onerosos os contratos em que ambas as partes visam recíprocas atribuições
patrimoniais, próprias ou para terceiros, assim entendida toda vantagem
avaliável em dinheiro, ou seja, os contratantes têm o intuito de auferir vantagem
própria, assumindo encargos recíprocos. Os contratos gratuitos (ou
benéficos), por sua vez, caracterizam-se, objetivamente, por haver uma parte
que obtém vantagem e a outra que deve suportar o sacrifício, não há
contraprestação, apenas uma das partes é onerada.
Normalmente, um contrato bilateral será oneroso e um contrato
unilateral será gratuito. No entanto, a doutrina cita o contrato de
mútuo feneratício (ou oneroso) como exemplo de contrato
unilateral e oneroso (pois é convencionado o pagamento de juros).
E cita o mandato como bilateral e gratuito, pois a obrigação para
o mandante surgiria em um momento posterior.
5 Termo jurídico que significa entrega.
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Contratos comutativos e aleatórios6:
Considera-se comutativo o contrato em que há proporcionalidade entre a
atribuição patrimonial auferida e o sacrifício suportado, justamente por se saber
com certeza quais são as prestações. O contrato aleatório, ao seu tempo,
baseia-se na ideia de álea, de risco, de sujeição ao acaso, à sorte. Recebe a
classificação de aleatório quando a prestação devida depende de um
acontecimento incerto e que faz com que não seja possível a determinação do
ganho ou da perda, senão até que este acontecimento se realize.
Contratos de execução imediata, de execução diferida e de trato
sucessivo:
É de execução imediata, ou instantânea, o contrato cuja obrigação é
adimplida por intermédio de uma única prestação que importa na extinção
completa da obrigação.
No contrato de execução diferida no tempo, ou retardada, a prestação a ser
cumprida se dará somente em termo futuro.
Já o contrato de execução sucessiva (continuada), ou de trato sucessivo,
é aquele que se renova periodicamente com o adimplemento das obrigações
contratadas e que serão cumpridas sucessivamente. As obrigações,
isoladamente, não tem o condão de extinguir a relação, que persiste e não se
extingue por completo até o advento de um termo contratual ou do implemento
de uma condição contratualmente fixada.
Contratos principais e acessórios:
São principais os contratos que tem existência autônoma, ou seja,
independentemente e não se submetem a sorte de qualquer outro contrato. Os
contratos acessórios, por sua vez, existem em virtude dos contratos principais,
tendo, destarte, sua existência condicionada a do principal, como por exemplo, a
fiança.
Após citarmos como os contratos podem ser classificados, vamos dar
continuidade à aula, analisando as disposições gerais sobre contratos
encontradas no código civil!
Preliminares (arts. 421 a 426).
O primeiro artigo referente às disposições gerais dos contratos fala da
liberdade de contratar e nos traz o princípio da sociabilidade (a função
6 Trata-se de uma subclassificação dos contratos onerosos e que analisa a relação entre a
vantagem e o sacrifício que sofrem as partes.
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social do contrato). Este princípio estipula a prevalência dos valores coletivos
sob os individuais, sem esquecer, contudo, do valor fundamental da pessoa
humana.
Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função
social do contrato.
A liberdade de contratar está condicionada ao respeito à função social do
contrato. Deste modo, limita-se por preceitos de ordem pública, que proíbem,
por exemplo, que o acordo entre as partes seja contrário aos bons costumes.
Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato,
como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé.
Este artigo dá continuidade ao princípio da sociabilidade e introduz mais dois
princípios que devem guiar os contratantes. São eles: o princípio da probidade
e o princípio da boa-fé objetiva.
O princípio da probidade - que impõe as partes o dever de agir com
lealdade, honradez, integridade e confiança recíproca.
O da boa-fé objetiva - que está ligado não só à interpretação do contrato,
mas também ao interesse social de segurança das relações jurídicas. Segundo
este princípio as partes devem agir de forma honrada durante as tratativas, a
formação e também durante a execução do contrato.
Além dos princípios citados acima, existem outros, que podem
eventualmente ser cobrados em provas. Eles são os seguintes:
O da autonomia da vontade, através do qual as partes poderão elaborar
livremente seus contratos, de acordo com seus interesses (respeitando as
normas gerais).
O do consensualismo, no qual o acordo de vontades das partes bastaria
para dar origem a um contrato válido7.
O da obrigatoriedade da convenção, pois, uma vez feito um contrato, ele
deve ser fielmente cumprido pelas partes, sob pena de responsabilização no caso
de inadimplemento, podendo o inadimplente sofrer uma execução patrimonial.
7 Sem esquecer, no entanto, que para determinados contratos (para que sejam válidos) há a
exigência de certas formalidades legais.
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O da relatividade dos efeitos do negócio jurídico contratual, já que o
contrato normalmente vincula exclusivamente as partes participantes, ou seja,
não atinge terceiras pessoas, estranhas a relação contratual.
Todos estes princípios contratuais estão ligados ao do respeito e proteção à
dignidade da pessoa humana, dando proteção jurídica aos contratantes para que
através de seus contratos efetivem a função social da propriedade, do contrato e
a justiça social.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2016/TJM-SP/ Juiz de Direito Substituto. A boa-fé a ser observada na
responsabilidade pré- -contratual é a objetiva, haja vista que esta diz respeito ao
dever de conduta que as partes possuem, podendo a empresa desistente arcar
com a reparação dos danos, se comprovados, sem qualquer obrigação de
contratar.
Gabarito correto.
O artigo 423 nos traz a figura do contrato de adesão.
³$FKR�TXH�HX�Mi�RXYL�IDODU�GLVWR�´�
Sim, provavelmente você já se deparou com um contrato deste tipo. O
contrato de adesão é aquele em que apenas uma das partes estipula as
cláusulas e o modo como será o contrato.
Cabendo à outra parte ± que é chamada de aderente (você -), apenas aderir
a este contrato, ou seja, aceitar as ³UHJUDV´�SUp-estabelecidas. O contrato de
adesão contrapõe-se, deste modo, ao chamado contrato paritário8, pois
neste as partes discutem livremente as condições.
Como exemplos de contratos de adesão, temos aqueles contratos que
assinamos (quando assinamos) para receber um cartão de crédito e para
formalizar determinados seguros.
Acreditamos que você nunca presenciou alguém, no momento de assinar um
contrato deste tipo, discutindo as cláusulas com o gerente do banco ou com o
corretor, não é mesmo? O contrato já chega pronto, fazemos apenas a adesão.
8 O contrato paritário é do tipo tradicional. Nele as partes estão em situação de igualdade, pois
discutem as condições do contrato.
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Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias,
dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente.
Portanto, quando o contrato de adesão contiver cláusulas ambíguas ou
contraditórias, caberá ao intérprete, no momento de apreciá-las, adotar a
interpretação mais favorável ao aderente (nada mais justo, uma vez que ao
aderente ³não é permitido´ discutir as cláusulas deste tipo de contrato).
Em tese -, quem faz o contrato de adesão deverá de redigi-lo de maneira
mais clara possível, para que o aderente ao se decidir sobre a adesão entenda
o que está fazendo.
Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulasque estipulem a renúncia
antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio.
³2�TXH�LVWR�TXHU�GL]HU"´
No contrato de adesão o aderente encontra-se em uma situação
desfavorável e, por este motivo, terá direitos resultantes da natureza deste
negócio. Por exemplo, seria legítima uma cláusula contratual determinando a
eleição de foro, no entanto, caso a escolha do foro estipulada em um contrato de
adesão (veja que ele foi escolhido apenas por uma das partes) seja abusiva e
prejudicial ao aderente, ela poderá ser desconsiderada, mesmo que o aderente
tenha renunciado ao direito de escolha.
Não pode ser válida (será nula) a cláusula que implique renúncia
antecipada de direitos inerentes à natureza do contrato de
adesão.
Lembre-se também que o contrato deve seguir os parâmetros estipulados
pelos princípios da probidade e da boa-fé, para atingir assim sua função social.
Observe alguns Enunciados sobre o assunto:
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Jornada III STJ 167: ³$UWV������D��24: Com o advento do Código Civil de 2002,
houve forte aproximação principiológica entre esse Código e o Código de Defesa do
Consumidor no que respeita à regulação contratual, uma vez que ambos são
LQFRUSRUDGRUHV�GH�XPD�QRYD�WHRULD�JHUDO�GRV�FRQWUDWRV�´
Jornada III STJ 172: ³$UW�� ����� $V� FOiXVXODV� DEXVLYDV� QmR� RFRUUHP�
exclusivamente nas relações jurídicas de consumo. Dessa forma, é possível a
identificação de cláusulas abusivas em contratos civis comuns, como, por exemplo,
aquela estampada no art. 424 do CyGLJR�&LYLO�GH������´
Jornada IV STJ 364: ³$UWV������H������1R�FRQWUDWR�GH�ILDQoD�p�QXOD�D�FOiXVXOD�GH�
UHQ~QFLD�DQWHFLSDGD�DR�EHQHItFLR�GH�RUGHP�TXDQGR�LQVHULGD�HP�FRQWUDWR�GH�DGHVmR�´
O contrato de adesão tem características de contratos nominados ou
típicos, isso porque está previsto pelo ordenamento jurídico.
Em contrapartida, lembre-se de que existem os contratos chamados
inominados ou atípicos, que são aqueles para os quais não há previsão
legislativa, ou seja, não tem sua estrutura prevista em lei. Assim, contratos
atípicos são aqueles que não estão disciplinados pelo Código Civil, nem por
leis extravagantes.
O que existe no Código Civil sobre os contratos atípicos é apenas uma
autorização para que possam celebrá-los.
Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais
fixadas neste Código.
'HVWH�PRGR��DV�SHVVRDV�SRGHP�³LQYHQWDU´�XP�FRQWUDWR�TXH�QmR�H[LVWD�QR�
mundo jurídico (isto é lícito), entretanto, ao fazê-lo, precisam observar as
normas gerais fixadas pelo ordenamento jurídico. Ou seja, podem elaborar
contratos atípicos, mas valem as normas gerais, para a validade, por exemplo,
devem respeitar o art. 104.
³'LUHLWR�SULYDGR��$WLSLFLGDGH��1R�GLUHLWR�SULYDGR�YLJRUD�R�SULQFtSLR�GD�DWLSLFLGDGH�
dos negócios jurídicos, vale dizer, as partes podem criar negócios jurídicos
DWtSLFRV��QmR�UHJXODGRV�H[SUHVVDPHQWH�SHOD�OHL�����´ 9
2XWUD�³UHJUD�JHUDO´�TXH�RULHQWD a celebração de contratos é a encontrada no
art. 426:
9 Nelson Nery Júnior, Código Civil Comentado, Revista dos Tribunais, 8ª ed., pág. 560.
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Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2016/TRT - 4ª REGIÃO (RS)/Juiz do Trabalho Substituto. Não pode
ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.
Gabarito correto.
Este preceito é de ordem pública e veda que a herança de uma pessoa ainda
viva seja objeto de contrato10.
Ainda no campo das disposições gerais, vamos estudar agora como se dá
a formação dos contratos.
Da formação dos contratos (arts. 427 a 435).
Vimos que todo contrato requer um acordo de vontade entre as partes, é
o chamado consentimento. Além disso, também será necessária a
manifestação desta vontade, seja ela de forma expressa ou tácita.
Sendo a manifestação de vontade o ponto principal de todo o negócio jurídico
contratual, é muito importante que se caracterize o momento em que ela se
verifica, pois será a partir deste momento que decorrerá a própria existência do
contrato.
Quando chegamos a um contrato pronto (já finalizado), precisamos ter em
mente que para chegar neste ponto o contrato passou por ¹negociações
preliminares; teve duas manifestações de vontade bem características, ²a
proposta e ³a aceitação; e teve a fase do contrato preliminar.
10 Nosso ordenamento jurídico prevê duas formas de sucessão: a primeira é a legítima ± que
acontece quando a pessoa morre sem deixar disposições de última vontade, situação em que a
herança será dada aos herdeiros especificados pelo código; a segunda é a testamentária ± que
é quando a pessoa antes de morrer deixa testamento, situação em que parte da herança será
distribuída de acordo com a sua vontade.
1º as Negociações
Preliminares
2º a Proposta 3º a Aceitação
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Tartuce11, ao citar o que se reúne da melhor doutrina, diz que é possível
identificar quatro fases na formação dos contratos:
Fase de negociações preliminares ou pontuação;
Fase de proposta, policitação ou oblação;
Fase de contrato preliminar;
Fase de contrato definitivo ou de conclusão do contrato.
Na maioria das vezes haverá negociações preliminares, conversas,
entendimentos e, ainda, reflexões sobre a oferta. Isto tudo até o momento em
que se encontre uma solução satisfatória para as partes. Esta é uma regra,
porém, sem necessariamente ter havido a fase de negociações, pode acontecer
de um contrato surgir apenas com uma proposta de negócio seguida de uma
aceitação imediata.
A fase pré-contratual não cria direitos nem obrigações e tem como
objetivo a preparação do consentimento para a conclusão do negócio jurídico
contratual. Não se estabelece qualquer laço jurídico e, por este motivo, não se
pode imputar responsabilidade civil contratual àquele que houver
interrompido essas negociações.
Nas negociações preliminares, as partes podem passar a elaboração da
minuta, que nada mais é do que colocar por escrito alguns pontos constitutivos
do contrato (cláusulas ou condições) sobre os quais já tenham chegado a um
acordo. Esta minuta no futuro poderá servir de modelo para o contrato que
realizarão. Nesta fase ainda não existe vínculo jurídico entre as partes.
³1HVWD� IDVH�GH�QHJRFLDo}HV�QmR�Ki�DLQGD�D� UHVSRQVDELOL]DomR�
FLYLO"´
Muito cuidado! Não há responsabilidade civil contratual, mas apesar da
falta de obrigatoriedade dos entendimentos preliminares, excepcionalmente pode
surgir a responsabilização civil extracontratual. Isto acorrerá, na hipótese de um
participante criar no outro a expectativa de que o negócio será celebrado,
levando-o a executar despesas, a não contratar com terceiros ou, então, a
alterar planos de sua atividade imediata.
A parte que, injustificavelmente, desistir e causar prejuízos (mesmo que
indiretos) terá a obrigação de ressarcir os danos incorridos. Não se trata da
11 FlávioTartuce, Manual de Direito Civil, ed. Método, 2ª ed., pág. 557.
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responsabilidade por inadimplemento contratual, mas sim da responsabilidade
pela prática de ato ilícito (extracontratual).
Sendo o contrato um acordo de duas ou mais vontades, estas não são
emitidas ao mesmo tempo, mas sim sucessivamente, com um intervalo razoável
entre uma e outra. Existe uma parte que toma a iniciativa, dando início à
formação do contrato, ao formular a proposta.
A proposta constitui uma declaração inicial de vontade e cuja finalidade é a
realização de um contrato. A oferta de contrato, em regra, obriga o proponente.
¾ A proposta.
Pode-se dizer que a proposta é uma declaração receptícia de vontade, que
se dirige de uma pessoa para a outra e na qual se manifesta a intenção de se
considerar vinculada se a outra parte aceitar.
Art. 427. A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar dos
termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2016/TRT - 4ª REGIÃO (RS)/Juiz do Trabalho Substituto.A proposta
de contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da
natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso.
Gabarito correto.
2016/TRF - 4ª REGIÃO/ Juiz Federal Substituto. A proposta de contrato
obriga o proponente se o contrário não resultar dos termos dela, da natureza do
negócio ou das circunstâncias do caso, salvo, entre outras hipóteses, se, feita
sem prazo a pessoa presente, não foi imediatamente aceita.
Gabarito correto.
Nesta fase da formação do contrato, quem faz a proposta é chamado de
proponente (ou policitante), já quem aceita é chamado de destinatário (ou
oblato). De acordo com o artigo 427, visto acima, o proponente não pode
retirar a proposta sem explicações sob pena de responder por perdas e danos.
É importante destacar que este não é um preceito absoluto, uma vez que
existem situações em que a proposta não obrigará o proponente, quais
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sejam: ¹quando tratar-se apenas de um convite a contratar (lá na fase das
negociações preliminares); ²quando na própria proposta contiver uma cláusula
afirmando que a proposta não é obrigatória; ou ³quando o contrário não resultar
da natureza do negócio ou das circunstâncias do caso.
O artigo seguinte nos traz os casos em que a proposta não será
obrigatória12:
Art. 428. Deixa de ser obrigatória a proposta:
I - se, feita sem prazo a pessoa presente, não foi imediatamente aceita. Considera-se
também presente a pessoa que contrata por telefone ou por meio de comunicação semelhante;
Se a proposta foi feita entre presentes (ou seja, o contato é feito
pessoalmente) e não sendo aceita de pronto, desobrigará o proponente. ±
considera-se também um contato feito pessoalmente, aquele realizado por
intermédio de telefone ou outro meio de comunicação semelhante, de forma
direta ou simultânea.
Então, por exemplo, João fez uma proposta pessoalmente a Paulo e não
estipulou um prazo para resposta, caso Paulo não a aceite imediatamente, a
proposta deixa de ser obrigatória.
12 No sentido de obrigatoriedade do cumprimento da proposta. Nesta análise é levado em
FRQVLGHUDomR�R�IDWR�GH�D�SURSRVWD�VHU�HQWUH�SUHVHQWHV�RX�HQWUH�DXVHQWHV��2�WHUPR�³ausentes´�
(aqui empregado) refere-se apenas à existência ou não de um contato direto entre os
contratantes.
envia a proposta e aguarda a
aceitação
Destinatário, Aceitante
(oblato)
aceita ou não a proposta, devendo
a sua resposta chegar no prazo
previsto ou em tempo suficiente
o Proponente
(policitante)
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II - se, feita sem prazo a pessoa ausente, tiver decorrido tempo suficiente para chegar a
resposta ao conhecimento do proponente;
Obviamente o proponente não está obrigado a esperar ³LQGHILQLGDPHQWH´��
Se já houver decorrido um tempo tido como suficiente e não chegar uma
resposta, a proposta deixa de ser obrigatória. Ou seja, deve-se esperar apenas
por um tempo razoável, suficiente para que a proposta chegue ao destinatário
(oblato) e para que retorne a sua aceitação.
III - se, feita a pessoa ausente, não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo dado;
Nesta hipótese, a proposta foi feita a pessoa ausente e com um prazo certo
para que fosse dada uma resposta. Se o oblato (destinatário) não se pronunciar
no tempo estipulado, fica obviamente o proponente desobrigado.
IV - se, antes dela, ou simultaneamente, chegar ao conhecimento da outra parte a retratação
do proponente.
O inciso IV é bastante lembrado em provas. -
Se o proponente retirar a proposta e sua retratação chegar antes ou
simultaneamente com a proposta original, também deixará de ser obrigatória.
Existe uma situação que é equiparada a proposta, trata-se da oferta ao
público (é a propaganda feita ao público).
Art. 429. A oferta ao público equivale a proposta quando encerra os requisitos
essenciais ao contrato, salvo se o contrário resultar das circunstâncias ou dos usos.
Parágrafo único. Pode revogar-se a oferta pela mesma via de sua divulgação, desde que
ressalvada esta faculdade na oferta realizada.
O artigo 429 preceitua que a oferta ao público ganha caráter de proposta
quando seu conteúdo oferece os requisitos essenciais à contratação, gerando
vínculo obrigatório para o ofertante. Estas ofertas ao público podem ser aquelas
transmitidas por rádio, televisão ou quaisquer outros meios de comunicação
em massa.
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A revogação da proposta feita ao público é possível, mas deverá ser
feita da mesma forma e com o mesmo destaque com que foi feita a proposta
e desde que tenha resguardado este direito na proposta feita. Então se aquele
³MRUQDO]LQKR´� FRORFRX� D� RIHUWD� HP� OHWUDV� ³JDUUDIDLV´� D� UHYRJDomR� GHYHUi� WHU� R�
mesmo destaque.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2016/Câmara de Cambará/Procurador Jurídico. Pode revogar-se a
oferta pela mesma via de sua divulgação, desde que ressalvada essa faculdade
na oferta realizada.
Gabarito correto.
2016/DER-CE/Procurador Autárquico. A oferta ao público equivale a
proposta quando encerra os requisitos essenciais ao contrato, salvo se o contrário
resultar das circunstâncias ou dos usos.
Gabarito correto.
¾ A aceitação.
A aceitação vem a ser a manifestação da vontade, expressa ou tácita, por
parte do destinatário (ou oblato). A aceitação deve ser feita dentro do prazo
proposta, chegando oportunamente ao conhecimento do ofertante. Ao aceitar a
proposta o aceitante adere a todos os seus termos.
Segundo Mosset13: ³$� DFHLWDomR� p� XPD�GHFODUDomR� XQLODWHUDO� GH� YRQWDGH��
UHFHSWtFLD��GHVWLQDGD�DR�SURSRQHQWH�H�GLULJLGD�D�FHOHEUDomR�GR�FRQWUDWR�´Art. 430. Se a aceitação, por circunstância imprevista, chegar tarde ao conhecimento
do proponente, este comunicá-lo-á imediatamente ao aceitante, sob pena de responder
por perdas e danos.
Se a aceitação chegar fora do prazo, por circunstâncias imprevistas, o
proponente deverá comunicar imediatamente ao aceitante sobre o atraso, para
se precaver de possíveis prejuízos por conta da não conclusão do contrato. Se
não tomar tal providência corre o risco de responder por perdas e danos14.
13 Mosset, Contratos, p 105. Em Nelson Nery Júnior, Código Civil Comentado, Revista dos
Tribunais, 8ª ed., pág. 566.
14 CC Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidas ao
credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar.
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Art. 431. A aceitação fora do prazo, com adições, restrições, ou modificações, importará
nova proposta.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2016/TRT - 4ª REGIÃO (RS)/Juiz do Trabalho Substituto. A aceitação
fora do prazo, com adições, restrições, ou modificações, importará nova
proposta.
Gabarito correto.
Se a aceitação chegar ao proponente fora do tempo hábil para o aceite
ou, ainda, se trouxer modificações à proposta original, será considerada uma
nova proposta (ou contraproposta) do aceitante direcionada ao proponente,
ficando sujeita à sua concordância.
Art. 432. Se o negócio for daqueles em que não seja costume a aceitação expressa,
ou o proponente a tiver dispensado, reputar-se-á concluído o contrato, não chegando
a tempo a recusa.
O art. 432 nos trouxe o caso de aceitação tácita, nesta situação o contrato
será considerado perfeito e acabado se a recusa não chegar a tempo. A
aceitação tácita é válida em duas situações:
Não seja costume a aceitação expressa; ou
O proponente a tiver dispensado.
Art. 433. Considera-se inexistente a aceitação, se antes dela ou com ela chegar ao
proponente a retratação do aceitante.
A mesma regra que vimos para a proposta vale para a aceitação, ou seja,
se a retratação do aceitante chegar antes da aceitação, ou simultaneamente a
esta, considera-se inexistente a aceitação.
O contrato entre ausentes nem sempre está relacionado à presença física dos
contratantes no momento da formação do contrato, mas sim a existência de
relacionamento direto entre os contratantes. Para a lei, em relação aos contratos, são
considerados ausentes os que fazem suas negociações através da troca de
correspondências ou documentos.
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Quando o contrato é celebrado entre ausentes, o contrato se tornará perfeito, em
regra, quando a aceitação do oblato for expedida. As exceções são encontradas nos
incisos do art. 434.
Art. 434. Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a aceitação é
expedida, exceto:
I - no caso do artigo antecedente;
Este inciso nos remete ao art. 433, que trata a hipótese da retratação do
aceitante chegar antes ou ao mesmo tempo do aceite. Quando isso acontecer,
sendo válida a retratação, será considerada inexistente a aceitação.
II - se o proponente se houver comprometido a esperar resposta;
Neste caso, em que o proponente se compromete a esperar a resposta do
oblato, o contrato se aperfeiçoará no momento da recepção da aceitação, e
não no momento da expedição. Neste caso, enquanto a aceitação não chegar
às mãos do proponente o contrato não se aperfeiçoará.
III - se ela não chegar no prazo convencionado.
Este inciso é um tanto óbvio, pois, se existe um prazo para que a resposta
seja enviada e ela não chegar neste intervalo de tempo ou chegar atrasada não
houve a aceitação e, portanto, não há um contrato.
Art. 435. Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi proposto.
Quando o contrato for entre presentes ± também considerado o celebrado
por telefone ou videoconferência, o lugar da celebração será onde as pessoas se
encontrarem presentes e onde o contrato é proposto. Quando o contrato for
entre ausentes, o lugar será aquele onde for expedida a proposta.
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Do contrato preliminar (arts. 462 a 466).
O contrato preliminar está disciplinado no CC, nos artigos 462 a 466 e tem
como objeto outro contrato (o definitivo), não devendo ser confundido com o
contato preliminar.
O contrato preliminar ³QmR�VH�FRQIXQGH�FRP�R�FRQWDWR�SUHOLPLQDU��TXH�p�IDVH�
eventual da formação dos contratos em que se manifesta a disposição de
FRQWUDWDU´.15
Um bom exemplo de contrato preliminar é o compromisso de compra e
venda de imóvel.
Art. 462. O contrato preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os
requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2016/TRT - 4ª REGIÃO (RS)/Juiz do Trabalho Substituto. O contrato
preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os requisitos essenciais ao
contrato a ser celebrado.
Gabarito correto.
2016/TJ-SP/ Titular de Serviços de Notas e de Registros. O contrato
preliminar, tal como regulado no Código Civil, prescinde da observância da forma
prescrita para o contrato definitivo.
Gabarito correto.
Cuidado! Isto aparece bastante em provas. -
No contrato preliminar já devem estar estabelecidos os requisitos
essenciais do contrato definitivo, somente a forma ainda é livre. Por
exemplo, mesmo que o contrato principal precise ser feito por instrumento
público, o contrato preliminar poderá ser elaborado por instrumento particular.
15 Tomasetti, contrato preliminar, § 3º, p. 18. Em Nelson Nery Júnior, Código Civil Comentado,
Revista dos Tribunais, 8ª ed., pág. 580.
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Art. 463. Concluído o contrato preliminar, com observância do disposto no artigo
antecedente, e desde que dele não conste cláusula de arrependimento, qualquer
das partes terá o direito de exigir a celebração do definitivo, assinando prazo à outra
para que o efetive.
Assim, o contratante interessado pode exigir do outro a celebração do
contrato definitivo, desde que não haja cláusula de arrependimento16, isto ocorre
por meio de notificação judicial ou extrajudicial, onde constará o prazo para sua
efetivação.
Art. 463. Parágrafo único. O contrato preliminar deverá ser levado ao registro
competente.
Para que o contratante interessado possa exigir a celebração do contrato
definitivo, o contrato preliminar deve ser registrado no cartório competente. O
registro serve para se dar conhecimento a todos da existência do contrato, seja
ele preliminar ou definitivo, sendo, por este motivo, um ato necessário.
Jornada I STJ 30: ³Art. 463: A disposição do parágrafo único do art. 463 do novo
&yGLJR�&LYLO�GHYH�VHU�LQWHUSUHWDGD�FRPR�IDWRU�GH�HILFiFLD�SHUDQWH�WHUFHLURV�´Art. 464. Esgotado o prazo, poderá o juiz, a pedido do interessado, suprir a vontade
da parte inadimplente, conferindo caráter definitivo ao contrato preliminar, salvo se a
isto se opuser a natureza da obrigação.
Este artigo autoriza que o contratante interessado recorra à justiça para ter,
a partir do contrato preliminar, o contrato definitivo. Assim, o juiz, na sentença,
fixará um prazo para que a outra parte efetive o contrato. Se esta decisão judicial
não for cumprida, o juiz suprirá a manifestação de vontade faltante,
transformando o contrato preliminar em definitivo.
STF 168: ³3DUD�RV�HIHLWRV�GR�'HFUHWR-Lei 58, de 10.12.1937, admite-se a inscrição
LPRELOLiULD�GR�FRPSURPLVVR�GH�FRPSUD�H�YHQGD�QR�FXUVR�GD�DomR´�
STF 413: ³O compromisso de compra e venda de imóveis, ainda que não loteados, dá
GLUHLWR�D�H[HFXomR�FRPSXOVyULD��TXDQGR�UHXQLGRV�RV�UHTXLVLWRV�OHJDLV´�
16 Cláusula de arrependimento, como o próprio nome diz, é a cláusula que permite às partes o
arrependimento da celebração do contrato.
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Art. 465. Se o estipulante não der execução ao contrato preliminar, poderá a
outra parte considerá-lo desfeito, e pedir perdas e danos.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2016/TJ-DFT/Juiz. No que se refere ao contrato preliminar, a outra parte
desobriga-se diante da inércia do estipulante.
Gabarito correto.
De acordo com este artigo, pode o contratante interessado, para a efetivação
contratual, ao invés de acionar o judiciário, simplesmente desistir do contrato
e pedir perdas e danos. Trata-se de escolha, que ficará a critério do contratante
interessado.
Art. 466. Se a promessa de contrato for unilateral, o credor, sob pena de ficar a
mesma sem efeito, deverá manifestar-se no prazo nela previsto, ou, inexistindo este, no
que lhe for razoavelmente assinado pelo devedor.
³2� TXH� VH� HQWHQGH� SRU� SURPHVVD� GH� FRQWUDWR� XQLODWHUDO�
PHVPR"´
É quando a promessa acarretar obrigações a apenas uma das partes,
TXH�VHUi�D�SDUWH�³GHYHGRUD´�
Quando a promessa de contrato for unilateral a parte que se beneficiará (o
credor) deve manifestar-se no prazo previsto (se existir) da opção de realizar o
contrato ou não. Se não existir prazo, deverá o devedor estipular um.
Se o credor não se manifestar em tempo hábil, fica a promessa sem efeito,
sem validade.
Perceba que o contrato preliminar tem por objetivo delinear os
contornos do contrato definitivo, gerando, inclusive, direitos e deveres para
as partes, pois estas assumem uma obrigação, a de fazer o contrato final.
Trata-se de uma promessa de contratar.
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Estipulação em favor de terceiro (arts. 436 a 438).
De acordo com Carlos Roberto Gonçalves17: ³'i-se a estipulação em favor
de terceiros, pois, quando, no contrato celebrado entre duas pessoas,
denominadas estipulante e promitente, convenciona-se que a vantagem
resultante do ajuste reverterá em benefício de terceira pessoa, alheia à
formação do vínculo contratual´� (grifos nossos)
Na estipulação em favor de terceiro (como o próprio nome diz) existirá uma
terceira pessoa. Temos, então, a presença de três figuras, que são: o
estipulante ± aquele que estipula em benefício da terceira pessoa; o
promitente ± aquele que se obriga a cumprir o acordo em favor do beneficiário;
e o beneficiário (que é o terceiro) - a pessoa determinada ou indeterminada
que receberá o benefício. É importante destacar que embora a validade do
contrato não esteja subordinada a vontade do beneficiário, o mesmo não
podemos afirmar com relação à eficácia do negócio, porque, neste caso, será
necessária a aceitação por parte daquele que se beneficia18.
Um exemplo bastante comum de contrato em favor de terceiro é
aquele que beneficia em um seguro, uma terceira pessoa, que não participou
diretamente da relação, do vínculo, contratual. O terceiro não é parte no contrato.
Ainda explicaremos o contrato de seguro, mas haverá uma exceção, trata-
se de uma impossibilidade de se estipular em favor de terceiro, no concubinato.
Art. 793. É válida a instituição do companheiro como beneficiário, se ao tempo do
contrato o segurado era separado judicialmente, ou já se encontrava separado de fato.
Art. 436. O que estipula em favor de terceiro pode exigir o cumprimento da obrigação.
Parágrafo único. Ao terceiro, em favor de quem se estipulou a obrigação, também é
permitido exigi-la, ficando, todavia, sujeito às condições e normas do contrato, se a ele
anuir, e o estipulante não o inovar nos termos do art. 438.
O art. 436 dá ao estipulante o poder de exigir o cumprimento da obrigação
por parte do promitente.
O beneficiário também poderá exigir o cumprimento do contrato, isto se este
direito não estiver vedado expressamente no próprio contrato e desde que o
estipulante não o tenha substituído, conforme o autoriza o art. 438.
17 Carlos Roberto Gonçalves, Direito Civil Esquematizado, 2ª ed.
18 Carlos Roberto Gonçalves, Direito Civil Brasileiro 3, ed. Saraiva, 9ª ed.
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Art. 438. O estipulante pode reservar-se o direito de substituir o terceiro designado
no contrato, independentemente da sua anuência e da do outro contratante.
Parágrafo único. A substituição pode ser feita por ato entre vivos ou por disposição de
última vontade.
Assim, o beneficiário substituído perderá todo e qualquer direito que lhe fora
conferido, não cabendo nenhuma indenização.
Art. 437. Se ao terceiro, em favor de quem se fez o contrato, se deixar o direito de
reclamar-lhe a execução, não poderá o estipulante exonerar o devedor.
Deste modo, o estipulante tem o direito de substituir tanto o beneficiário
como também de substituir, exonerando o promitente da obrigação. Caso isso
venha a acontecer ± exoneração do promitente, a estipulação em favor de
terceiro ficará sem efeito. Mas se for autorizado ao beneficiário reclamar a
execução do contrato, o estipulante não poderá exonerar o promitente.
Da Promessa de Fato de Terceiro (art. 439 e 440).
Neste caso, o promitente se compromete a conseguir que terceira
pessoa assuma uma obrigação, seja ela obrigação de fazer, de não fazer, ou
de dar alguma coisa. Observe que o terceiro de quem se quer alguma coisa não
faz parte diretamente do contrato.
Art. 439. Aquele que tiver prometido fato de terceiro responderá por perdas e danos,
quando este o não executar.
Parágrafo único. Tal responsabilidade não existirá se o terceiro for o cônjuge do
promitente, ¹dependendo da sua anuência o ato a ser praticado, e ²desde que, pelo
regime do casamento, a indenização, de algum modo, venha a recair sobre os seus bens.
Assim, se o terceiro não efetuar a obrigação pretendida pelas partes o
promitente responderá com uma indenização por perdas e danos. O parágrafo
único traz a exceção de tal responsabilidade, no caso de o terceiro ser o
cônjuge do promitente.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2016/TJ-MG/ Titular de Serviçosde Notas e de Registros. ³A´ promete
a ³B´ que ³C´ irá prestar-lhe serviço, e ³B´, com base nesse compromisso, celebra
contrato de promessa de fato de terceiro.
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Gabarito correto.
Art. 440. Nenhuma obrigação haverá para quem se comprometer por outrem, se este,
depois de se ter obrigado, faltar à prestação.
eja como esse assunto foi cobrado por outras bancas:
2016/CASAN/Advogado. Nenhuma obrigação haverá para quem se
comprometer por outrem, se este, depois de se ter obrigado, faltar à prestação.
Gabarito correto.
Quando o terceiro se comprometer a efetuar a obrigação a situação
se modifica. Neste caso, não haverá para o promitente qualquer
responsabilização. Quando o terceiro aceitar a obrigação que o promitente lhe
propôs, ele deixa de ser estranho à relação jurídica e, agora, recairá sobre ele
uma eventual indenização.
Dos Vícios Redibitórios (art. 441 a 446).
De acordo com Carlos Roberto Gonçalves19: ³9tFLRV� UHGLELWyULRV� VmR� RV�
defeitos ocultos em coisa recebida em virtude de contrato comutativo20, que a
tornam ¹imprópria ao uso a que se destina ou ²lhe diminuem o valor´
(grifos nossos).
Art. 441. A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por
vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe
diminuam o valor.
Parágrafo único. É aplicável a disposição deste artigo às doações onerosas.
Deste modo, a pessoa que adquire uma coisa que contenha um vício ou
defeito oculto, que a tornem imprópria para o uso ou lhe diminuam o valor,
poderá ajuizar uma ação redibitória para a rejeição da coisa e a devolução do
valor pago, com a devolução da coisa a seu antigo dono.
Poderá também propor uma ação estimatória, para o caso de o defeito oculto
diminuir o valor da coisa, onde pedirá a devolução de parte do valor que pagou
como abatimento.
19 Carlos Roberto Gonçalves, Direito Civil Esquematizado, 2ª ed.
20 Contrato comutativo é aquele contrato oneroso em que a prestação corresponde a uma
contraprestação, que é certa e determinada.
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Segundo o parágrafo único do art. 441, as disposições aplicáveis aos vícios
e defeitos cultos também são aplicáveis quando o negócio se deu por
doações onerosas. Doações onerosas são aquelas em que o doador impõe ao
beneficiário uma incumbência ou dever, há, por exemplo, um encargo. Este tipo
de doação, nos termos do art. 539, deve ter aceitação expressa pelo beneficiário
(donatário).
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2016/TJ-MG/ Titular de Serviços de Notas e de Registros. A coisa
recebida em virtude de doações onerosas pode ser enjeitada por vícios ou
defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe
diminuam o valor.
Gabarito correto.
2016/Prefeitura de Sertãozinho ± SP/Procurador Municipal. Admite-
se, nas doações com encargo, a rescisão contratual com fundamento na
existência de vício redibitório.
Gabarito correto.
Art. 442. Em vez de rejeitar a coisa, redibindo o contrato (art. 441), pode o adquirente
reclamar abatimento no preço.
Este artigo apresenta uma opção ao adquirente da coisa. Assim, se o
adquirente da coisa que contém vício redibitório quiser, em vez de tornar sem
efeito o contrato e pedir o valor da coisa de volta, poderá pedir o abatimento do
valor pago, através de uma ação estimatória, permanecendo o bem em seu
poder.
O adquirente poderá:
Vícios ou defeitos ocultos
(vícios redibitórios)
reclamar abatimento
no preço
rejeitar a coisa
ou
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Art. 443. ¹Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa, restituirá o que
recebeu com perdas e danos; ²se o não conhecia, tão-somente restituirá o valor
recebido, mais as despesas do contrato.
O artigo 443 estabelece diferenças entre o alienante que age de má-fé e o
que age de boa-fé, quais sejam: ¹se o vendedor sabia do vício, e, portanto,
agiu de má-fé, terá que pagar ao adquirente o valor que foi pago pela coisa mais
perdas e danos; porém ²se o vendedor não sabia do vício ± agiu de boa-
fé, terá que restituir o valor recebido mais as despesas do contrato.
Art. 444. A responsabilidade do alienante subsiste ainda que a coisa pereça em poder do
alienatário, se perecer por vício oculto, já existente ao tempo da tradição.
Nesta situação, o vendedor responde pelo vício nos mesmos termos do
artigo antecedente, mesmo que a coisa se acabe em poder do adquirente e desde
que o motivo que tenha ocasionado este perecimento seja o vício oculto já
existente na época da venda.
Dos prazos para reclamar (prazos decadenciais):
Art. 445. O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no
prazo de trinta dias se a coisa for móvel, e de um ano se for imóvel, contado da
entrega efetiva; se já estava na posse, o prazo conta-se da alienação, reduzido à
metade.
Estes dois prazos volta e meia aparecem nas provas, vamos utilizar esta
dica para memorização:
Logo após passar no concurso, com seu primeiro vencimento você resolve
comprar um carro (bem móvel) e um apartamento (bem imóvel). Caso existam
defeitos ocultos, você terá 30 dias para reclamar com relação ao carro e um ano
para reclamar com relação ao apartamento. E um detalhe, digamos que você já
estava de posse destes bens, neste caso os prazos contam da alienação e são
reduzidos pela metade.
§ 1º. Quando o vício, por sua natureza, só puder ser conhecido mais tarde, o
prazo contar-se-á do momento em que dele tiver ciência, até o prazo máximo de
cento e oitenta dias, em se tratando de bens móveis; e de um ano, para os imóveis.
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§ 2º. Tratando-se de venda de animais, os prazos de garantia por vícios ocultos serão
os estabelecidos em lei especial, ou, na falta desta, pelos usos locais, aplicando-se o
disposto no parágrafo antecedente se não houver regras disciplinando a matéria.
Art. 446. Não correrão os prazos do artigo antecedente na constância de cláusula de
garantia; mas o adquirente deve denunciar o defeito ao alienante nos trinta dias
seguintes ao seu descobrimento, sob pena de decadência.
Assim, se houver garantia da coisa, e o defeito aparecer após a coisa ser
adquirida, esta garantia impede que os prazos de decadência previstos no art.
445, comecem a correr. Somente começarão a correr após o término da garantia.
No caso do vendedor não solucionar o defeito, aí sim poderá o adquirente ajuizar
a ação redibitória ou a estimatória.
Da Evicção (arts. 447 a 457).
Segundo Carlos Roberto Gonçalves: ³(YLFomR� p� D� perda da coisa em
virtude de sentença judicial, que a atribui a outrem por causa jurídica
SUHH[LVWHQWH�DR�FRQWUDWR´21. (grifos nossos)
Art. 447. Nos contratos onerosos, o alienante respondepela evicção. Subsiste esta
garantia ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta pública.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2016/Câmara de Marília - SP/ Procurador Jurídico. Há garantia pela
evicção quando a aquisição tenha sido realizada em hasta pública.
Gabarito correto.
2016/Prefeitura de Rosana - SP/ Procurador do Município. Para o
exercício do direito de evicção, é suficiente que a parte fique privada do bem em
decorrência de ato administrativo.
Gabarito correto.
Deste modo, a evicção aparece como uma garantia dada em favor do
adquirente, em um contrato oneroso, contra o alienante.
21 Carlos Roberto Gonçalves Direito Civil Esquematizado, 2ª ed.
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Na evicção temos três figuras: o evicto ± que é quem perde o bem na ação;
e o alienante que é quem vendeu o bem e o responsável pela evicção; o evictor
± que é quem ganha à ação na justiça e ³readquire´ o bem.
Assim, para que haja a evicção, é necessário que se configure em um
contrato do tipo oneroso, um vício de direito anterior ou ao mesmo tempo da
celebração do contrato. Por meio de uma sentença judicial, na hora em que for
realizar o negócio jurídico a pessoa perderá a posse, o uso ou a propriedade da
coisa.
A evicção poderá, ainda, ser total - quando recair sobre a totalidade do
bem, ou parcial ± quando recair somente sobre uma parte dele.
Vamos a uma explicação prática:
¹Paulo (alienante) vende coisa a ²João (adquirente). Demos o exemplo
de uma compra e venda para que você se lembre de que a evicção está
relacionada a contratos onerosos. Acontece, no entanto, que havia um
fato anterior a este negócio jurídico e no qual estava envolvido³Lucas.
Somente agora o fato é decidido judicialmente e provoca a evicção (a causa
jurídica da evicção é anterior ao contrato firmado entre Paulo e João). Temos
então a figura de um terceiro em relação ao contrato. Trata-se de Lucas, que
será denominado evictor.
São figuras envolvidas na evicção:
¹Paulo, que é o alienante.
²Joao, que é o comprador (adquirente), sendo que nesta situação será o chamado
evicto.
³Lucas, que é o evictor, o terceiro que reivindica a coisa que foi alienada para Joao.
RESUMINDO
O que ocorre na evicção é o seguinte: fica decidido judicialmente que Paulo não
tinha o direito legítimo sobre a coisa alienada. O titular do direito sobre a
coisa passou a ser Lucas. Ocorreu a perda da coisa para um terceiro (Lucas),
por exemplo, por usucapião. Paulo (alienante), nesta situação, responderá pela
evicção junto ao adquirente (João).
Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a
responsabilidade pela evicção.
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As partes contratantes, por acordo seu, podem estipular expressamente
no contrato cláusula, para reforçar, diminuir ou excluir o alienante da
responsabilidade da evicção.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2016/Prefeitura de Registro - SP/Advogado. Por cláusula expressa, é
possível diminuir a responsabilidade pela evicção.
Gabarito correto.
Art. 449. Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se esta se der,
tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do
risco da evicção, ou, dele informado, não o assumiu.
Este artigo prevê uma limitação que é a colocação de cláusula
conforme previu o artigo anterior ± art. 448. Assim, o valor da coisa deverá ser
devolvido, mesmo se o contrato contiver a cláusula que exclui ou diminui a
responsabilidade do alienante, se o evicto não sabia do risco da evicção ou se foi
avisado, mas não o assumiu ± neste caso deverá também, estar expresso no
contrato.
No segundo caso, em que o evicto foi avisado do risco da evicção, mas não
o assumiu, terá direito a receber apenas o valor pago pela coisa. Não terá direito
a perdas e danos porque sabia do risco.
Art. 450. Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição
integral do preço ou das quantias que pagou:
I - à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir;
Estes frutos são gerados periodicamente pela coisa ou pela propriedade,
sem alteração de sua natureza e sem que se extinga sua ação produtiva. Assim,
além de cobrar do alienante o preço da coisa poderá também cobrar a indenização
sobre os frutos que teve que pagar ao evictor.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2016/TJ-MT/Analista Judiciário ± Direito. O evicto tem direito à
restituição integral das quantias que pagou, salvo estipulação em contrário.
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Gabarito correto.
II - à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem
da evicção;
O evicto terá o direito de cobrar pelas despesas do contrato como, por
exemplo, o custo da escritura. Também terá direito aos prejuízos resultantes da
evicção como, por exemplo, a diferença de valor do bem a época que o perdeu
com a evicção em relação à época que o adquiriu.
III - às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído.
Assim, tem direito o evicto de receber do alienante, o preço paga pela coisa,
as custas judiciais da ação de evicção e também os honorários do advogado.
Parágrafo único. O preço, seja a evicção total ou parcial, será o do valor da coisa, na época em
que se evenceu, e proporcional ao desfalque sofrido, no caso de evicção parcial.
Quando a evicção for total, o evicto terá direito de receber o valor da coisa
na época da evicção. Se a coisa se valorizou receberá esta diferenciação do
alienante, se a coisa sofreu depreciação poderá o alienante pagar um valor menor
ao evicto.
Quando a evicção for parcial o valor a ser restituído também será o da
época que se deu a evicção, e a indenização será proporcional à parte que se
perdeu.
Art. 451. Subsiste para o alienante esta obrigação, ainda que a coisa alienada esteja
deteriorada, exceto havendo dolo do adquirente.
Por este artigo, a responsabilidade do alienante persiste, mesmo que a
coisa esteja deteriorada. Só estará isento desta responsabilidade, se o evicto agiu
de má-fé com o intuito de prejudicar o evictor e o alienante, de forma dolosa.
Art. 452. Se o adquirente tiver auferido vantagens das deteriorações, e não tiver
sido condenado a indenizá-las, o valor das vantagens será deduzido da quantia que lhe
houver de dar o alienante.
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Imaginemos que João era dono de uma casa, e que resolveu transformá-
la. E durante esta transformação vendeu portas e janelas que não iria mais usar.
Aqui vamos ter duas situações: se João ± que obteve vantagens com a venda,
for condenado por sentença judicial a indenizar o evictor por conta da
transformação da casa, terá ele direitode receber do alienante o valor total da
casa perdida por evicção. Porém, se João que obteve vantagens com a venda das
portas e janelas, e não foi condenado a restituir este valor ao evictor, o valor a
ser ressarcido pelo alienante sofrerá um abatimento.
Art. 453. As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção,
serão pagas pelo alienante.
Este artigo nos traz uma situação diferente. Onde o evicto será indenizado
pelo evictor pelas benfeitorias necessárias ou úteis que fez na coisa e que não
foram abonadas22. Este valor entrará na conta de indenização que será paga
pelo alienante, que por sua vez poderá ingressar com uma ação regressiva contra
o evictor.
Art. 454. Se as benfeitorias abonadas ao que sofreu a evicção tiverem sido feitas pelo
alienante, o valor delas será levado em conta na restituição devida.
Neste caso, as benfeitorias foram feitas pelo alienante, e se entraram na
conta da indenização ± foram abonadas, portanto, o alienante poderá descontar
o valor referente a tais benfeitorias, do total a ser pago ao evicto. Se as
benfeitorias não foram abonadas na sentença, deverão ser pagas pelo evictor
para o alienante.
Art. 455. Se parcial, mas considerável, for a evicção, poderá o evicto optar entre a
rescisão do contrato e a restituição da parte do preço correspondente ao desfalque
sofrido. Se não for considerável, caberá somente direito a indenização.
Se a evicção for parcial, mas a perda for considerável, o evicto poderá optar
pela rescisão contratual, e neste caso deverá devolver a coisa ao alienante, no
mesmo estado que a recebeu, e o alienante restituirá o preço pago. Se o evicto
optar pela restituição da parte do preço correspondente ao desfalque sofrido, este
valor será calculado proporcionalmente ao valor da coisa no tempo da evicção.
22 Quer dizer que não foram reembolsadas na sentença.
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Art. 456. Para poder exercitar o direito que da evicção lhe resulta, o adquirente notificará
do litígio o alienante imediato, ou qualquer dos anteriores, quando e como lhe
determinarem as leis do processo.
Parágrafo único. Não atendendo o alienante à denunciação da lide, e sendo manifesta a
procedência da evicção, pode o adquirente deixar de oferecer contestação, ou usar de
recursos.
Este artigo foi revogado pela Lei nº 13.105/15.
Art. 457. Não pode o adquirente demandar pela evicção, se sabia que a coisa era alheia
ou litigiosa.
Este é o caso em que o adquirente não está protegido da evicção, porque
sabia que a coisa era de outra pessoa, que não pertencia ao alienante, ou que
era objeto de litígio judicial, agiu de má-fé, portanto terá direito somente ao valor
que pagou pela coisa.
Dos Contratos Aleatórios (art. 458 a 461).
Contrato aleatório (ou contrato de sorte) é aquele que envolve uma álea ±
envolve um risco. É oneroso, em que uma ou ambas as prestações das partes
estão na dependência de um evento futuro e incerto. O exemplo clássico deste
tipo de contrato é o seguro.
São exemplos encontrados em Nery Junior23: ³Entre outros, são aleatórios:
I) por natureza: os contratos de jogo, de aposta, de loteria, de seguro de
acidentes, de seguro de vida, cessão de crédito pro soluto, contrato de sociedades
em conta de participação (CC 991); II) por vontade das partes: o contrato de
compra e venda de coisa futura, pelo qual o comprador deve pagar o preço, ainda
se a coisa não venha a existir na quantidade ou qualidade esperadas (CC 459)´�
(grifos nossos).
OBS: O contrato de seguro por tempo indeterminado, aquele
que é para a vida inteira, não pode ser considerado aleatório.
Será comutativo, uma vez que a morte é um evento futuro, mas
que não é incerto.
Art. 458. Se o contrato for aleatório, por dizer respeito a coisas ou fatos futuros, cujo
risco de não virem a existir um dos contratantes assuma, terá o outro direito de
23 Nelson Nery Júnior, Código Civil Comentado, Revista dos Tribunais, 8ª ed., pág. 577.
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receber integralmente o que lhe foi prometido, desde que de sua parte não tenha havido
dolo ou culpa, ainda que nada do avençado venha a existir.
Dispõe este artigo, que se o contrato for aleatório, tendo como seu objeto
coisa futura e incerta, com o risco de não vir a acontecer, mas assumido por
um dos contratantes, a outra parte receberá todo o preço da coisa.
Usando o exemplo do contrato de seguro: Nós pagamos todo o preço
do seguro, mesmo que o sinistro (por exemplo, o acidente) não aconteça, não é
verdade?
O adquirente assume o risco relativo a coisa, mas o alienante, para receber
o preço, não pode agir com culpa ou dolo.
Art. 459. Se for aleatório, por serem objeto dele coisas futuras, tomando o adquirente a
si o risco de virem a existir em qualquer quantidade, terá também direito o alienante a
todo o preço, desde que de sua parte não tiver concorrido culpa, ainda que a coisa venha
a existir em quantidade inferior à esperada.
Este artigo trata da hipótese de risco ligado a quantidade maior ou menor
da coisa esperada. O preço será devido ao alienante mesmo que a quantidade
seja menor que a esperada.
Art. 459. Parágrafo único. Mas, se da coisa nada vier a existir, alienação não haverá, e
o alienante restituirá o preço recebido.
Assim, se nada vier a existir da coisa comprada, haverá falta do objeto
e será nulo o contrato e o alienante deverá devolver o valor que foi recebido.
Para melhor compreensão vamos usar outro exemplo: Imagine uma
colheita de morangos! Se o adquirente quiser comprar a colheita futura, qualquer
que seja a quantidade, mesmo se menor que a esperada, terá ele que aceitar.
Porém, se nada for colhido, existirá falta do objeto do contrato e, como sabemos,
o objeto é um dos requisitos básicos do contrato, sendo assim, este será nulo.
Art. 460. Se for aleatório o contrato, por se referir a coisas existentes, mas
expostas a risco, assumido pelo adquirente, terá igualmente direito o alienante a
todo o preço, posto que a coisa já não existisse, em parte, ou de todo, no dia do contrato.
O caso deste artigo é aquele em que o contrato tem por objeto coisas já
existentes, mas que estão expostas a riscos. Se mesmo assim o adquirente quiser
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a coisa, com a incerteza da existência da coisa no dia do contrato, o alienante
terá direito a receber o preço integral.
Art. 461. A alienação aleatória a que se refere o artigo antecedente poderá ser anulada
como dolosa pelo prejudicado, se provar que o outro contratante não ignorava a
consumação do risco, a que no contrato se considerava exposta a coisa.
Deste modo, a venda aleatória de coisa sujeita a risco poderá ser
anulada se o adquirente provar que a conduta do alienante foi dolosa ±
porque tinha conhecimento, quando da conclusão do contrato, de que a coisa já
não mais existia e que, mesmo sabendo da inexistência da coisa, no todo ou em
parte, omitiu dolosamente tal fato.
Do Contrato com Pessoa a Declarar(art. 467 a 471).
No art. 467, temos o caso da permissão legal para que um dos contratantes
possa inserir no contrato cláusula que permitirá a inclusão de outra pessoa para
substituí-lo na relação contratual. Esta outra pessoa (um terceiro) poderá adquirir
os direitos e assumir as obrigações decorrentes do contrato, desde o momento
em que foi celebrado.
Art. 467. No momento da conclusão do contrato, pode uma das partes reservar-se a
faculdade de indicar a pessoa que deve adquirir os direitos e assumir as obrigações
dele decorrentes.
A pessoa escolhida para a substituição poderá aceitar ou não, no entanto,
uma vez aceitando, assumirá o lugar da parte nomeante, ficando responsável por
todas as obrigações deste o início do contrato.
Se a pessoa indicada recusar esta inclusão ou o nomeante não indicar pessoa
para substituí-lo, o contrato ficará valendo, mas entre as partes originais.
Art. 468. Essa indicação deve ser comunicada à outra parte no prazo de cinco dias
da conclusão do contrato, se outro não tiver sido estipulado.
Parágrafo único. A aceitação da pessoa nomeada não será eficaz se não se revestir da
mesma forma que as partes usaram para o contrato.
Esta comunicação é importante para que torne eficaz a cláusula, e não se
prolongue a incerteza. Importante você notar também que, por exemplo, se para
o contrato foi exigido documento público, a aceitação também deve ser feita por
instrumento público.
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Atenção: o contrato permanecerá válido entre as partes originais se a
nomeação não for eficaz, por não ter a mesma forma do contrato.
Art. 469. A pessoa, nomeada de conformidade com os artigos antecedentes, adquire os
direitos e assume as obrigações decorrentes do contrato, a partir do momento em que
este foi celebrado.
Este artigo reforça o conteúdo do art. 467, a aceitação tem efeito ex tunc
± ou seja, retroage ao início do contrato, ao momento da celebração.
Art. 470. O contrato será eficaz somente entre os contratantes originários:
I - se não houver indicação de pessoa, ou se o nomeado se recusar a aceitá-la;
Caso já comentado, se não for feita a nomeação no prazo de cinco dias
contados desde a celebração do contrato, ou no prazo acordado entre as partes,
ou se feita a nomeação dentro do prazo, o nomeado não aceitar. Em ambos os
casos a cláusula de reserva de nomeação ficará sem efeito, permanecendo o
contrato válido e eficaz entre as partes originárias.
II - se a pessoa nomeada era insolvente, e a outra pessoa o desconhecia no
momento da indicação.
Art. 471. Se a pessoa a nomear era incapaz ou insolvente no momento da
nomeação, o contrato produzirá seus efeitos entre os contratantes originários.
Da Extinção do Contrato (art. 472 a 480).
Os contratos seguem uma ordem, ou seja, têm sua origem (em um acordo
de vontades); posteriormente, produzem seus efeitos; e, por fim, extinguem-
se.
Esta extinção, em regra, dá-se pelo cumprimento da obrigação acordada,
que satisfaz o credor e libera o devedor.
¾ Do distrato (arts. 472 e 473).
O distrato é um acordo entre as partes contratantes com o objetivo de
dissolver o contrato antes pactuado.
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Art. 472. O distrato faz-se pela mesma forma exigida para o contrato.
De acordo com o artigo 472, temos, por exemplo, que se para a formação
do contrato era exigida a escritura pública, para o distrato também haverá a
mesma exigência. O distrato seguirá a forma do contrato.
Art. 473. A resilição unilateral, nos casos em que a lei expressa ou implicitamente
o permita, opera mediante denúncia notificada à outra parte.
Deste modo, a resilição unilateral 24 pode ocorrer em determinados
contratos, desde que a lei permita, sendo feita através de notificação à outra
parte.
Parágrafo único. Se, porém, dada a natureza do contrato, uma das partes houver
feito investimentos consideráveis para a sua execução, a denúncia unilateral só
produzirá efeito depois de transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos
investimentos.
³2�TXH�LVWR�H[DWDPHQWH�TXHU�GL]HU"´
Vamos usar um exemplo para melhor explicar esta situação: Maria
(proprietária) realizou um contrato de locação com Patrícia, no entanto, para que
o contrato fosse concretizado, Maria teve que realizar algumas obras em seu
apartamento. Tais obras somente foram executadas em função do contrato.
Acontece que, decorridos apenas dois meses de locação, Patrícia decidiu desfazer
o contrato. Fica claro que neste período de contrato não houve tempo suficiente
para que Maria recuperasse os investimentos realizados no apartamento.
Esta situação é justamente a que encontramos no parágrafo único do artigo
473. Assim, a denúncia unilateral só terá efeito depois de transcorrido prazo
compatível com a natureza e o vulto dos investimentos e caberá ao juiz ± com a
ajuda de perícia técnica, determinar qual é este prazo.
¾ Da Cláusula Resolutiva (arts. 474 e 475).
Cláusula resolutiva é aquela que irá rescindir o contrato por inadimplemento
(não cumprimento) de uma das partes.
24 Resilição unilateral é meio de extinção do contrato por vontade de uma das partes.
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Art. 474. A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tácita depende
de interpelação judicial.
A cláusula resolutiva pode vir ¹expressa no contrato ± caso em que a
rescisão será automática (opera de pleno direito), sem necessidade de recorrer
ao sistema judiciário, cabendo ao inadimplente o pagamento de perdas e danos;
ou ²tácita ± neste caso a rescisão dependerá de decisão judicial.
Art. 475. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não
preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por
perdas e danos.
Assim, a parte lesada tem duas opções: ou requer a resolução do contrato
com perdas e danos, ou exige o cumprimento da obrigação contratual com perdas
e danos.
¾ Adimplemento substancial
O adimplemento substancial do Contrato não está previsto de forma
expressa no Código Civil de 2002, mas unido ao princípio da boa-fé nos contratos.
Sobre o tema, foi aprovado o enunciado n. 361, na IV Jornada de Direito
Civil do CRQVHOKR� GD� -XVWLoD� )HGHUDO�� TXH� DVVLP� GLVS}H�� ³2� DGLPSOHPHQWR�
substancial decorre dos princípios gerais contratuais, de modo a fazer
preponderar a função social do contrato e o princípio da boa-fé objetiva, balizando
D�DSOLFDomR�GR�DUW�����´�
A teoria do adimplemento substancial defende que não se deve considerar
resolvida a obrigação quando a atividade do devedor, embora não tenha sido
perfeita ou não atingido plenamente o fim proposto, aproxima-se
consideravelmente do seu resultado final.
O adimplemento substancial tem sido aplicado, regularmente, nos
contratos de seguro, e não permite a resolução do vínculo contratual se houver
o cumprimento significativo da obrigação assumida. Conforme as peculiaridades
do caso, a teoria do adimplemento substancial atua como um instrumentode
equidade diante da situação fático-jurídica, permitindo soluções razoáveis e
sensatas.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
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2016/TCE-PA/Auditor de Controle Externo. O adimplemento substancial
do contrato tem sido reconhecido como impedimento à resolução unilateral,
havendo ou não cláusula expressa.
Gabarito correto.
2012/DPE-MS/Defensor Público. João comprou um automóvel, com
reserva de domínio, com uma entrada e pagamento de 24 prestações.
Desempregado, deixou de efetuar o pagamento da última parcela, quando foi
interpelado judicialmente pelo vendedor, para constituí-lo em mora e ser possível
a execução da cláusula de reserva de domínio, resolvendo o contrato: pelo
adimplemento substancial do contrato, não é possível a busca e apreensão do
veículo, mas, apenas, a exigência do pagamento da parcela restante.
Gabarito correto.
2015/TRE-RS/Analista Judiciário - Judiciária. Contrato é o negócio
jurídico resultante de mútuo consenso, capaz de criar, modificar ou extinguir
direitos e obrigações para os contratantes. Quando descumprido, alguns efeitos
daí emergem, entre eles, a resolução. Segundo entendimento do STJ, o
adimplemento substancial do contrato não autoriza o credor a resolver
unilateralmente o negócio jurídico.
Gabarito correto.
2012/TRT - 9ª REGIÃO (PR)/Juiz do Trabalho. Edilson Valente
contratou em 4/11/2000 apólice de seguro com Mutualidade de Curitiba Vida e
Previdência S/A no valor de R$ 42.000,00, indicando como beneficiária sua
esposa Magna Pimenta Valente. No contrato, havia cláusula prevendo que para o
recebimento da indenização seria necessário o implemento de todas as
contribuições vencidas anteriormente ao evento coberto. Edilson pagou
tempestivamente as parcelas mensais relativas ao seguro até 30/4/2009. De
maio a outubro de 2009, deixou de pagar essas parcelas. No dia 20/11/2009,
Edilson quitou todas as parcelas atrasadas com as respectivas multas, juros e
correção monetária. A Mutualidade de Curitiba Vida e Previdência S/A, contudo,
devolveu os valores pagos a Edilson, sob o fundamento de que o contrato fora
cancelado administrativamente, embora não tenha avisado anteriormente a
Edilson. Edilson veio a falecer em 10/02/2010: Incide a teoria do
adimplemento substancial, que visa a impedir o uso desequilibrado do direito
de resolução por parte do credor, em prol da preservação da avença, com vistas
à realização dos princípios da boa-fé e da função social do contrato.
Gabarito correto.
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¾ Da Exceção de Contrato não Cumprido (arts. 476 e 477).
Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua
obrigação, pode exigir o implemento da do outro.
De acordo com este artigo, nos contratos bilaterais existem direitos e
obrigações para ambas as partes. Assim, nenhum dos contratantes poderá exigir
do outro o cumprimento da obrigação se ele mesmo não cumpriu com a sua.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2016/Prefeitura de Matozinhos - MG/Advogado. A exceção do contrato
não cumprido determina que, em se tratando de contratos bilaterais, um
contratante não poderá exigir o implemento de obriga- ção do outro contratante
sem antes cumprir a sua.
Gabarito correto.
2016/IPSMI/ Procurador. Nos contratos bilaterais, nenhum dos
contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da
do outro. Tal disposição trata de exceção de contrato não cumprido.
Gabarito correto.
Art. 477. Se, depois de concluído o contrato, sobrevier a uma das partes contratantes
diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação
pela qual se obrigou, pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe, até que
aquela satisfaça a que lhe compete ou dê garantia bastante de satisfazê-la.
Este artigo autoriza a uma das partes, mediante a incerteza de que a outra
parte cumprirá com sua obrigação, que suspenda o adimplemento de sua
parte na obrigação, até que a outra cumpra com a sua obrigação, ou que preste
garantia bastante de que vai satisfazê-la.
¾ Da Resolução por Onerosidade Excessiva (arts. 478 a 480).
Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma
das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra,
em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor
pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data
da citação.
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Este artigo apresenta outra forma de se acabar com um contrato, ela ocorre
quando, em um contrato, a prestação se torna muito onerosa para uma das
partes, sem a contrapartida da outra. Esta onerosidade deve ser em virtude de
acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, consagrando a chamada
teoria da imprevisão. Não basta que ocorra um evento extraordinário ele
precisa ser imprevisível25.
Assim, diante desses acontecimentos, poderá o devedor pedir a resolução
contratual por onerosidade excessiva. Este pedido será analisado pelo juiz, que,
tomando por base a situação, decidirá se existem ou não os requisitos da
onerosidade excessiva.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2016/Prefeitura de Nova Ponte - MG/Advogado. Segundo o atual
Código Civil brasileiro para que possa haver intervenção judicial por onerosidade
excessiva em um contrato é necessário que o mesmo seja decorrente de um fato
extraordinário e imprevisível.
Gabarito correto.
Para que um contrato possa ser desfeito pelo motivo de onerosidade
excessiva, são requisitos:
Ser contrato comutativo26 e que sua execução seja continuada;
Que ocorra uma mudança radical nas situações econômicas na sua execução
em relação a sua formação;
Que para uma das partes se torne muito onerosa a prestação sem
contrapartida para a outra parte;
Que esta mudança de situação deva-se a um evento extraordinário e
imprevisível.
IMPORTANTE: Os efeitos da sentença que decretar a onerosidade
excessiva retroagirão à data da citação.
25 $�LQIODomR�SRU�VHU�FRQVLGHUDGD�³SUHYLVtYHO´�QmR�p�PRWLYR�SDUD�UHYLVmR�GRV�FRQWUDWRV�
26 Contrato comutativo = contrato com prestações certas e determinadas.
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Art. 479. A resolução poderá ser evitada, oferecendo-se o réu a modificar
equitativamente as condições do contrato.
Caso seja possível restabelecer o equilíbrio da prestação, não há motivos
para a resolução do contrato, não é mesmo?
Por isso a iniciativa do réu ± ³FUHGRU´��TXH�YROXQWDULDPHQWH�FRQFRUGD�FRP�D�
alteração do contrato, proporciona um desfecho menos oneroso para o ³GHYHGRU´�
do que a extinção do contrato.
Atenção: as prestações que já foram pagas não podem ser revistas na
ação por onerosidade excessiva, e as que foram pagas duranteo curso do
processo poderão ser modificadas com a prolação da sentença.
Art. 480. Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes, poderá
ela pleitear que a sua prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá-la, a fim
de evitar a onerosidade excessiva.
Neste caso trata-se de um contrato unilateral, em que a ação é preventiva,
ou seja, é para evitar que o contrato se torne muito oneroso para a parte
devedora.
'$6�2%5,*$d®(6�
Transmissão das obrigações (arts. 286 a 303).
A transmissão, seja ela de direitos ou de obrigações, pode verificar-se tanto
por causa de morte, como por atos entre vivos. A transmissão que se dá com a
morte é disciplinada e mais bem estudada no direito das sucessões. A
transmissão que julgamos ser mais importante para analisarmos, neste
momento, é aquela realizada pela vontade das partes.
Veja que a obrigação faz parte do patrimônio do credor, por consequência,
este credor, se quiser, poderá transmiti-la. A mudança da figura do credor é o
que se chama cessão de crédito.
³0DV�R�TXH�YHP�D�VHU�FHVVmR"´�
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De acordo com Maria Helena Diniz 27 : ³2� ato determinante de
transmissibilidade das obrigações designa-se cessão, que vem a ser a
transferência negocial, a título gratuito ou oneroso, de um direito, de um dever,
de uma ação ou de um complexo de direitos, deveres e bens, com conteúdo
predominantemente obrigatório, de modo que o adquirente (cessionário) exerça
SRVLomR�MXUtGLFD�LGrQWLFD�j�GR�DQWHFHVVRU��FHGHQWH�´�
Cessão é, então, transferência negocial. Neste tipo de negócio teremos a
presença de três envolvidos: ¹o cedente; o cessionário; e aquele que é cedido.
Como espécies de cessão temos: a ¹cessão de crédito; a ²cessão de débito;
e a ³cessão de contrato (este último tipo de cessão é menos cobrado em
concursos).
Vamos analisar cada uma delas:
A cessão de crédito (arts. 286 a 298) enfoca a substituição, por ato
entre vivos, da figura do credor e isto independentemente do consenso do
devedor. O crédito, como parte integrante de um patrimônio, possui um valor
econômico e, sendo assim, é algo que pode ser transmitido, tanto de forma
onerosa como gratuita.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
CESPE 2008/STF/Execução de Mandatos. Em regra, na cessão de crédito
ocorre a substituição subjetiva no polo ativo ou passivo da obrigação, com a
conservação do vínculo obrigacional com todos os seus acessórios, a qual opera efeitos
legais, com expressa anuência do devedor originário.
Comentário:
Na cessão de crédito ocorre a substituição subjetiva no polo ativo (credor). Lembre-
se que não é necessária anuência do devedor, este deverá apenas ser notificado.
Gabarito errado.
Na cessão de crédito temos como figuras do negócio (ou partes
envolvidas): o cedente (aquele que vende o direito), o cessionário (que adquire
o direito) e o cedido (que é o devedor original, que deve cumprir com a obrigação
de pagar a dívida, agora para outra pessoa). O cedido não participa ativamente
do negócio, mas, como você verá logo a frente, ele precisa ser notificado.
27 Maria Helena Diniz, Manual de direito Civil, Saraiva 2011.
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Na cessão de crédito, este é transferido tal como foi contratado, o que se
modifica é a pessoa que irá cobrar a obrigação. De um modo geral a cessão
de crédito é permitida, mas atente para o art. 286:
Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser ¹a natureza
da obrigação, ²a lei, ou ³a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão
não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da
obrigação.
O próprio contrato pode proibir a cessão de crédito (cláusula proibitiva da
cessão), mas para que isso se torne eficaz perante terceiros de boa-fé, a
cláusula deve constar no instrumento de obrigação, ou seja, no próprio contrato.
Em todos os casos, deve-se verificar se o terceiro, que está comprando o
crédito, teve conhecimento da cláusula impeditiva. Se não teve
conhecimento, a cessão de crédito poderá ser válida, mesmo perante a cláusula
impeditiva.
Também, é importante destacar que deve estar presente a possibilidade
jurídica para a transmissão do crédito, pois as obrigações personalíssimas,
por sua natureza, não admitem cessão.
Art. 287. Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangem-se todos
os seus acessórios.
Veja então que, em regra, a cessão de um crédito abrange todos os seus
acessórios, mas esta regra comporta exceção. Basta que exista disposição a esse
respeito.
A cessão de crédito pode ser ainda:
¹Gratuita ou ²onerosa, conforme ela se realize com ou sem pagamento
por parte do cessionário.
¹Total ou ²parcial, pois o cedente pode transferir todo o crédito ou, então,
somente uma parte, resguardando para si o resto.
¹Convencional, ²legal ou ³judicial. Convencional é quando decorre da
vontade livre e espontânea entre o cedente e o cessionário. Legal é decorrente
de lei, pois existem casos em que a própria lei prevê esta cessão. Judicial é a que
decorre de sentença judicial, como por exemplo, nos casos de sucessão onde
haverá a partilha dos bens. Como os créditos também são bens, estes vão ser
transferidos para os herdeiros.
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Pode ser ¹pro soluto, quando, com a transferência, o cedente deixa de ter
responsabilidade pelo pagamento do crédito, pela solvência do devedor, mas
continua responsável pela sua existência; ou ²pro solvendo, quando o cedente
continua responsável pelo pagamento, caso o cedido ou devedor não o faça.
Já foi afirmação de prova, mas de outra banca: ³1D�FHVVmR�SUR�VROXWR�GR�
crédito, o cedente não responde pela solvência do devedor, mas apenas pela
existência GR�FUpGLWR´�
Embora a cessão de crédito seja um negócio jurídico não solene (ou
consensual), pois não depende de forma determinada, convém que a cessão
seja feita por escrito, pois assim terá validade contra terceiros28.
Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não
celebrar-se mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das
solenidades do § 1o do art. 654.
(Art. 654, § 1º. O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi
passado, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga
com a designação e a extensão dos poderes conferidos).
Art. 289. O cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer averbar a cessão
no registro do imóvel.
Trata-se de garantia para o cessionário, pois com esta atitude ± de
averbação na escritura do imóvel no registro de imóveis, o ato de cessão gera
efeitos contra todos (erga omnes).
No art. 290 temos a informação quanto à necessidade de notificação do
devedor:
Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a
este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou
particular, se declarou ciente da cessão feita.
Assim, a cessão de crédito nãoestá condicionada a aceitação do
devedor, mas ele deve ser notificado de quem é o credor da obrigação, para
poder efetuar o pagamento. Esta notificação ao devedor pode ser feita tanto pelo
28 (VVHV�³WHUFHLURV´�FLWDGRV�QR�WH[WR�GD� OHL�GHYHP�WHU� LQWHUHVVH�QR�SDWULP{QLR�GDV�SDUWHV��1mR�
podendo ser qualquer pessoa.
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cedente (aquele que está cedendo) como pelo cessionário (aquele que está
adquirindo o direito).
Como dito anteriormente, a cessão prescinde (não precisa) de autorização
do devedor, que dela, apenas, deve ter ciência. O devedor não faz parte
diretamente do negócio jurídico que é a cessão de crédito.
Se a cessão foi desmembrada, e existirem vários credores, o devedor
deve ser informado de tal situação e esta não deve lhe gerar maiores gastos, ou
seja, sua situação não poderá ser agravada sem sua concordância.
Art. 291. Ocorrendo várias cessões do mesmo crédito, prevalece a que se completar
com a tradição do título do crédito cedido.
Esta situação irá ocorrer, quando o crédito for vendido várias vezes, para
diferentes pessoas. Nestes casos não está obrigado o devedor a procurar o último
cessionário para fazer o pagamento. De acordo com o artigo, ele pagará ao
cessionário que lhe apresentar o título do crédito cedido. Se isso vier a causar
algum dano para os demais cessionários, será resolvido entre eles.
O art. 294, fala das exceções (das defesas que dispõe o devedor), e diz
assim:
Art. 294. O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem,
bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra
o cedente.
Desse modo, se o devedor podia em sua defesa, por exemplo, alegar erro
ou, então, dolo contra o cedente, também poderá fazê-lo contra o cessionário.
Isso se dá, porque o crédito se transfere com as mesmas características
que possuía originariamente.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
CESPE 2009/MPE-RN/Promotor. Na cessão de crédito, o devedor pode opor
contra o cessionário todas defesas pessoais que detinha contra o cedente DɌ época da
cessão.
Comentário:
Art. 294. O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem,
bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha
contra o cedente.
Gabarito correto.
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A responsabilidade do cedido é cumprir com a obrigação. Já a
reponsabilidade do cedente, nas cessões a título oneroso, ainda que não se
responsabilize pelo cumprimento da obrigação, está na existência do crédito
ao tempo da cessão. Isto também é valido nas cessões a título gratuito, se o
cedente agiu de má-fé. É o que diz o art. 295:
Art. 295. Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize,
fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu; a
mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito, se tiver
procedido de má-fé.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
CESPE 2009/TRE-GO/Analista Judiciário. Na cessão pro soluto do crédito, o
cedente não responde pela solvência do devedor, mas apenas pela existência do
crédito.
Comentário:
A cessão do crédito pode ser ¹pro soluto, quando, com a transferência, o cedente
deixa de ter responsabilidade pelo pagamento do crédito, pela solvência do devedor,
mas continua responsável pela sua existência; ou ²pro solvendo, quando o cedente
continua responsável pelo pagamento, caso o cedido ou devedor não o faça.
Havíamos destacado a afirmação em aula: ³1D� cessão pro soluto do crédito, o
cedente não responde pela solvência do devedor, mas apenas pela existência do
crédito´�
Art. 295. Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize,
fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe
cedeu; a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito, se tiver
procedido de má-fé.
Art. 296. Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela
solvência do devedor.
Gabarito correto.
Art. 296. Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência29
do devedor.
O cedente, em regra, assume apenas obrigação de garantia e
existência do credito, mas vHMD�TXH�p�YHUGDGHLUD�D� LQIRUPDomR�� ³2�FHGHQWH�
pode rHVSRQGHU� SHOD� VROYrQFLD�GR�GHYHGRU´��basta que haja estipulação neste
sentido (convencionada entre as partes). O artigo 297 continua:
29 Solvência é a situação econômica positiva, quando os haveres superam, em valores, às
dívidas.
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Art. 297. O cedente, responsável ao cessionário pela solvência do devedor, não
responde por mais do que daquele recebeu, com os respectivos juros; mas tem de
ressarcir-lhe as despesas da cessão e as que o cessionário houver feito com a cobrança.
Se as partes convencionaram a responsabilidade do cedente, este não pode
ser responsabilizado por mais do recebeu, respeitando o que foi dito no art. 297.
Finalizando o assunto cessão de crédito, temos o art. 298:
Art. 298. O crédito, uma vez penhorado, não pode mais ser transferido pelo credor que
tiver conhecimento da penhora; mas o devedor que o pagar, não tendo notificação dela,
fica exonerado, subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiro.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2016 /DPE-BA/Defensor Público. A cessão de crédito não depende da
anuência do devedor para que seja válida.
Gabarito correto.
A cessão de débito (ou assunção de dívida), que não ocorre sem a
anuência do credor, de acordo com Maria Helena Diniz é um negócio jurídico
bilateral, pelo qual o devedor será o cedente e, com anuência expressa do credor
(será o cedido), transfere a um terceiro (assuntor ou cessionário) os encargos
obrigacionais, de modo que este assume sua posição na relação obrigacional,
substituindo-o, responsabilizando-se pela dívida, que subsiste com todos os seus
acessórios. Vamos colocar na prática, veja o exemplo abaixo:
¹João deve pra ²Otávio. Surge, na relação obrigacional, a figura de ³Paulo,
um terceiro, que será o assuntor ou cessionário.
³Paulo assume a obrigação, que era de ¹João (devedor primitivo), perante
²Otávio (credor).
No código civil, o conceito para a assunção de dívida está no art. 299:
É facultado à terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento
expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo
da assunção, era insolvente e o credor o ignorava.
Parágrafo único. Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na
assunção da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa.
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Do que foi dito acima, podemos extrair os pressupostos da cessão de
débito:
Existência e validade daobrigação transferida.
Substituição do devedor sem alteração na substância do vínculo
obrigacional, salvo se o novo devedor, ao tempo da assunção da dívida, era
insolvente e o credor ignorava.
Concordância expressa do credor.
Observância dos requisitos relacionados para os negócios jurídicos.
A assunção pode ¹liberar o devedor primitivo, ou ²mantê-lo ligado ainda à
obrigação. Trata-se de uma opção das partes, uma escolha do credor.
Entretanto, o art. 300 nos diz:
Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a
partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao
credor.
³2�TXH�LVWR�H[SUHVVR�QR�DUW������TXHU�GL]HU"´
O fiador, por exemplo, não é obrigado a garantir um devedor que não
conhece, que não confie. A ideia é no sentido de que as garantias ditas especiais
não permanecerão com a assunção se não houver menção expressa a este
respeito. No entanto, permanecem as garantias dadas pelo devedor primitivo
ligadas a sua pessoa.
Quanto as suas características a cessão de débito: ¹possui natureza
contratual; ²se o negócio exigir forma especial, assim deverá ser feito, caso
contrário à forma é livre; ³os vícios possíveis são os dos negócios jurídicos em
geral.
Importante
A assunção de dívida (cessão de débito) pode se dar através de dois
modos: ¹por acordo entre o terceiro e o credor (expromissão); ou ²por acordo
entre o terceiro e o devedor (delegação).
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Expromissão é quando o terceiro contrai perante o credor a obrigação de
liquidar o débito. O acordo é entre o terceiro e o credor. Esta expromissão pode
ocorrer com a liberação do devedor ± assunção perfeita, ou manter-se o devedor
cumulativamente responsável pela obrigação ± assunção de débito imperfeita.
Delegação, se o devedor transferir a terceiro, com a anuência do credor, o
débito com este contraído. Subdivide-se em: primitiva, se o terceiro assumir
toda a dívida, excluído o devedor original; e simples ou cumulativa, se o
terceiro entrar na relação obrigacional unindo-se ao devedor primitivo, que
continuará vinculado.
De todo modo, o principal efeito da assunção é a substituição do
devedor na relação obrigacional.
Os artigos 301 e 302 apresentam outros efeitos da assunção:
Art. 301. Se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito,
com todas as suas garantias, salvo as garantias prestadas por terceiros, exceto se este
conhecia o vício que inquinava a obrigação.
Art. 302. O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que
competiam ao devedor primitivo.
Assim, na falta de estipulação expressa, as exceções (defesas) oponíveis
pelo primitivo transferem-se ao terceiro, salvo as exceções pessoais.
Art. 303. O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do
crédito garantido; se o credor, notificado, não impugnar em trinta dias a transferência
do débito, entender-se-á dado o assentimento.
Pois quem adquire um imóvel que está hipotecado, na maioria das vezes,
absorve no preço o valor da hipoteca e se assume a dívida a partir daquele
momento. Se o credor, notificado da mudança e da assunção da dívida, não se
manifestar no prazo estabelecido pela lei, dá-se o seu assentimento.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
CESPE 2008/TRE-GO/Analista Judiciário. Na assunção de dívida, o novo
devedor pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor
primitivo.
Comentário:
Na cessão de débito:
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Art. 302. O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que
competiam ao devedor primitivo.
Gabarito errado.
Tenha cuidado para não fazer confusão com a cessão de
crédito, pois nesta o devedor pode opor contra o cessionário
todas defesas pessoais que detinha contra o cedente DɌ época da
cessão.
Art. 294. O devedor pode opor ao cessionário as exceções
que lhe competirem, bem como as que, no momento em que
veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente.
A cessão da posição contratual (próximo ponto que será visto) não
tem sido muito cobrada em concursos. De todo modo, é bom que
você tenha uma visão geral acerca do assunto, por isto incluímos
na aula.
A cessão de posição contratual é a transferência da inteira posição ativa
e passiva, do conjunto de direitos e obrigações de que é titular uma pessoa,
derivados de contrato bilateral já ultimado, mas de execução ainda não concluída.
Nesse negócio, vamos ver que uma das partes (cedente), com o
consentimento do outro contratante (cedido), transfere sua posição no contrato
a um terceiro (cessionário). Para que não ocorra confusão com a terminologia,
chama-se o contrato original de contrato base.
Vimos que na cessão de crédito substitui-se uma das partes na obrigação,
apenas do lado ativo e em um único aspecto da relação jurídica. O mesmo
acontecendo na assunção de dívida. Entretanto, ao transferir uma posição
contratual, transfere-se todo um conjunto de direitos e deveres,
consequentemente, transfere-se o crédito e também o débito, isto não como
contrato principal, mas como parte, como elemento do negócio jurídico.
A cessão de posição contratual possui como objeto a substituição de uma
das partes no contrato, o qual objetivamente permanecerá o mesmo. Assim, a
cessão de todos os créditos e de todas as pretensões presentes e futuras e a
assunção de todas as dívidas não esgota o conteúdo jurídico do tema em estudo.
Ou seja, o negócio jurídico básico, ultrapassa o somatório dos direitos
transferidos. O que se transfere é uma relação jurídica fundamental, e não a
soma de créditos e débitos.
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A cessão de posição contratual situa-se basicamente nas relações a prazo,
duradouras, mas não está por elas limitada. Portanto, enquanto um contrato não
estiver completamente exaurido, o que não se confunde com contrato cumprido,
haverá possibilidade de cessão de posição contratual, dependendo sempre da
necessidade econômica das partes. O caso concreto é que mostrará a
necessidade.
A concordância do terceiro-cedido é de suma importância para a
formação da cessão de posição contratual. Essa concordância, embora
necessária, pode ser simultânea, prévia ou posterior ao negócio jurídico.
Haverá concordância contemporânea ou simultânea quando uma das partes
manda a proposta de cessão diretamente às outras duas.
Haverá concordância posterior se a concordância do cedido ocorrer após o
acerto da cessão entre cedente e cessionário.
Haverá concordância prévia quando no contrato base já houver previsão e
autorização para uma futura cessão.
A falta de consentimento do cedido impede o aperfeiçoamento da cessão e
o relacionamento entre cedente e cessionário permanece no campo da
responsabilidade pré-contratual.
O principal efeito da cessão de contrato é a substituição de uma das partes
de contrato±base, permanecendo este íntegro em suas disposições.
Todo complexo contratual, direitos e obrigações provenientes do contrato
transferem-se aocessionário.
Na cessão de posição contratual, o cedente é responsável pela existência
do contrato, por sua validade e pela posição que está cedendo. Caso não ocorram
tais circunstâncias, a solução será uma indenização por perdas e danos, com
ressarcimento da quantia acordada para a transferência da posição contratual.
Ainda que o negócio seja gratuito, poderá gerar direito à indenização. Em
se tratando de cessão onerosa, a responsabilização independe de culpa. A culpa
funcionará, talvez, como um reforço para o quantum indenizatório.
Na hipótese de inexistir o contrato cedido, ou de não existir de forma que
permita a eficácia da cessão, há, na verdade, uma impossibilidade do negócio por
inexistência de objeto.
O cedente não se responsabiliza pelo adimplemento30 do contrato. Pode,
no entanto, assumir perante o cessionário uma garantia, maior ou menor,
dependendo das cláusulas do negócio, pelo adimplemento das obrigações
30 Pelo cumprimento do contrato.
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contratuais do cedido. Porém, se não houver expressado menção do tipo de
garantia, existirá uma caução fidejussória31, nada impedindo, no entanto, que as
partes coloquem a responsabilidade solidária total ou parcial, restrita a
determinado valor, ou mesmo restrita a uma só assunção de dívida do contrato
base.
Na transferência de posição contratual, devem as partes identificar
claramente o objeto do negócio, sempre que possível avisando o cedente ao
cessionário de todas as cláusulas do contrato cedido. É muito importante, que no
mesmo instrumento ou em instrumento à parte, em cópia fiel, conste o contrato
base. Deste modo, estará o cessionário plenamente ciente da situação contratual
que está assumindo. Como também deve o cedente dar todas as informações
necessárias ao cessionário, para que ele tenha condições de cumprir com seu
novo acordo.
O acordo preparatório entre cedente e cessionário não produz qualquer
efeito quanto ao cedido sem sua anuência, ainda que posterior.
Com a transferência de sua posição contratual, ausenta-se o cedente da
relação jurídica. Neste tipo de negócio, podem as partes estipular que há uma
cessão de posição contratual, mas que o cedido pode agir contra o cedente em
caso de inadimplemento do cessionário. Entretanto, as partes devem manifestar-
se expressamente quanto a isso, caso não o façam haverá total liberação do
cedente.
Quanto ao cessionário e o cedido, ambos passam a ser partes no contrato-
base. O cessionário toma o lugar do cedente nos direitos e obrigações. O cedido
só se libertará de suas obrigações contratuais com pagamento ao cessionário
após tomar conhecimento e anuir na cessão. O contrato pode ser cedido em
trânsito, isto é, parcialmente cumprido.
Lembrem-se: só se transferem as relações jurídicas ainda existentes.
Transfere-se a posição contratual no estado em que se encontra para o
cedente. Todos os acessórios dos direitos conferidos pelo contrato também se
transmitem ao cessionário, inclusive sua posição subjetiva de parte processual.
As garantias para o contrato, fiança, hipoteca, penhor, prestadas por terceiro,
necessitam do consentimento deste para permanecerem íntegras.
Resumindo!
Efetivar-se-á a cessão de contrato somente se:
1. O contrato transferido for bilateral.
31 As garantias contratuais se dividem em reais e fidejussórias. Nas reais é oferecido um bem
para assegurar o cumprimento da obrigação, através de hipoteca, penhor ou anticrese. Já nas
garantias fidejussórias é uma pessoa quem vai assegurar o cumprimento da obrigação, através
de aval ou fiança.
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2. O contrato for suscetível de ser cedido de maneira global.
3. Houver transferência ao cessionário não só dos direitos como também dos
deveres do cedente.
4. O cedido consentir, prévia ou posteriormente, uma vez que a cessão de
contrato implica, concomitantemente, uma cessão de crédito e uma cessão
de débito.
5. Houver observância dos requisitos do negócio jurídico.
6. A obrigação não for personalíssima, nem houver cláusula vedando a cessão.
A cessão de contrato produz as seguintes consequências jurídicas:
1. Transferência do crédito e do débito de um dos contraentes a um terceiro.
2. Subsistência da obrigação.
3. Liberação do cedente do liame contratual se houver consentimento do
credor ou se se configurar hipótese em que a lei dispensa tal concordância.
Atenção: a falta de texto expresso em lei, não inibe o negócio de cessão
de posição contratual. Este contrato entra no campo dos contratos atípicos e
situa-se no direito dispositivo das partes. O vigente CC faz referência expressa a
essa possibilidade, em seu art. 425:
É lícito as partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste
código.
Adimplemento e extinção das obrigações.
¾ Pagamento.
A obrigação tem papel fundamental na nossa sociedade, faz circular a riqueza.
Mas uma vez cumprida à obrigação, ocorre o seu adimplemento e o sujeito
passivo fica liberado da obrigação. Exaure-se esta obrigação, ainda que outra
obrigação idêntica venha a surgir posteriormente entre as mesmas partes.
Normalmente a obrigação se extingue pelo pagamento, o meio normal ou
ordinário de extinção das obrigações. E neste sentido, entende-se por
pagamento, como toda forma de cumprimento da obrigação.
Portanto, há pagamento, para ambas as partes: na compra e venda, o
FRPSUDGRU� GHYH� SDJDU� ³GLQKHLUR´�� H� R� YHQGHGRU� GHYH� SDJDU� D� ³FRLVD´��
entregando-a ou colocando-a a disposição do comprador.
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Justamente por poder o pagamento assumir as mais variadas formas, se
torna difícil sua classificação quanto à natureza jurídica, pois é impossível
compreender o pagamento como sendo de natureza unitária.
Um dos requisitos essenciais do pagamento é a intenção, daquele que paga,
de extinguir a obrigação assumida. O que importa no pagamento é a realização
real da prestação. Normalmente, quem paga é o próprio devedor. Porém, pode
acontecer de outros fazerem o pagamento e o credor deve aceitar o pagamento
ainda que provenha de terceiros. É neste sentido o art. 304:
Art. 304. Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o
credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor.
Parágrafo único. Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o fizer em nome e à
conta do devedor, salvo oposição deste.
Deste modo, temos três categorias de pessoas aptas a figurar como solvens
(termo jurídico que designa aquele que paga). O primeiro, como vimos, é o
próprio devedor, por si mesmo, ou seu representante. Pode também pagar, o
terceiro, interessado ou não. O terceiro interessado é o que está no caput do
art. 304, e como exemplo temos o fiador. O art.304 §único, fala em terceiro
não interessado, que também tem o direito de pagar se o fizer em nome e por
conta do devedor (como exemplo, temos um pai que paga a dívida de seu filho).
Neste último caso não há representação, autorização ou mesmo ciência do
devedor.
O pagamento deve seraceito e o solvens tem a mesma legitimidade de
consignar32, que tinha o devedor original, se houver resistência por parte do
credor em receber o pagamento.
Se o terceiro não interessado pagar em seu próprio nome, tem direito
a reembolsar-se do que pagar, mas não adquire os direitos do credor. Há somente
direito a uma ação simples de cobrança. Deste modo está no art. 305:
Art. 305. O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu próprio nome, tem direito
a reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-roga nos direitos do credor.
Parágrafo único. Se pagar antes de vencida a dívida, só terá direito ao reembolso no
vencimento.
Se, porém, o terceiro pagar sem que o devedor tome conhecimento ou diante
de sua oposição, sendo que havia meios para que o devedor pudesse ilidir
(impedir) a ação de cobrança do credor, não caberá reembolso do pagamento ao
terceiro. Neste sentido temRV�R�DUW�������³O pagamento feito por terceiro, ¹com
32 O termo consignar vem de uma medida chamada consignação em pagamento, que ocorre
quando o credor se recusa a receber o pagamento, e o devedor, para não ficar inadimplente, faz
esta consignação em pagamento, ou seja, deposita em juízo o valor. O devedor não ficará
inadimplente até que se decida a questão.
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desconhecimento ou ²oposição do devedor, não obriga a reembolsar
aquele que pagou, se R�GHYHGRU�WLQKD�PHLRV�SDUD�LOLGLU�D�DomR´.
O art.307 trata do pagamento que importe em transmissão de
propriedade:
Art. 307. Só terá eficácia o pagamento que importar transmissão da propriedade, quando
feito por quem possa alienar o objeto em que ele consistiu.
Parágrafo único. Se se der em pagamento coisa fungível, não se poderá mais reclamar
do credor que, de boa-fé, a recebeu e consumiu, ainda que o solvente não tivesse o
direito de aliená-la.
Para a transmissão do domínio deverão estar presentes todos os requisitos
do negócio jurídico. Se, porém, tratar-se de coisa fungível33, já consumida pelo
credor de boa-fé, não se pode mais reclamar a coisa. O assunto se resolverá por
indenização.
Para que se configure a situação do art.307 §único são necessárias três
condições: ¹que o pagamento seja de coisa fungível; ²que tenha havido boa-fé
por parte do accipiens (termo jurídico para designar quem recebe); e ³que tenha
sido consumida a coisa. Enquanto não consumida, haverá direito à repetição, no
todo ou em parte da coisa.
A regra geral sobre quem recebe é a do art. 308:
O pagamento deve ser feito ¹ao credor ou ²a quem de direito o represente, sob
pena de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito.
No entanto, podem ocorrer exceções. Tanto o credor poderá estar inibido
de receber, como o devedor poderá, em certas situações especiais, pagar
validamente a quem não seja credor. Como também podem os contraentes, no
momento de fazer o contrato, estipular que o accipiens seja um terceiro, que não
tenha nenhuma relação material com a dívida, mas está intitulado para recebê-
la.
Atenção: Em regra, se o pagamento não for efetuado ao credor ou ao
seu representante, será ineficaz. Entretanto, da leitura do art. 308, vimos que o
pagamento pode ser feito a pessoa não intitulada e mesmo assim valer se
houver ratificação do credor ou de seu representante.
33 Art. 85. São fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie,
qualidade e quantidade.
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No art. 311 temos outro caso de pagamento à pessoa que não o credor,
trata-se do portador de recibo de quitação:
Considera-se autorizado a receber o pagamento o portador da quitação, salvo se as
circunstâncias contrariarem a presunção daí resultante.
A presunção é a de que quem se apresenta com um recibo firmado por
terceiro possui mandato específico para receber, é portador de quitação.
Já no art. 309 temos a figura do credor putativo, que é a pessoa que
tenha a mera aparência de credor ou de pessoa autorizada a receber:
O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, ainda provado depois que não
era credor.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
CESPE 2008/PGE-AL/Procurador do estado. O pagamento de boa-fpɍ feito ao
credor putativo somente seriɍ inválido se, posteriormente, restar provado que não era
credor.
Comentário:
Art. 309. O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, ainda provado
depois que não era credor.
Gabarito errado.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2016/Prefeitura de Alumínio - SP/Procurador Jurídico. O pagamento feito
de boa-fé a credor putativo é válido.
Gabarito correto.
A lei condiciona a validade do pagamento ao fato de o accipiens ter a
aparência de credor e estar o solvens de boa-fé. Restará ao verdadeiro credor
haver o pagamento do falso accipiens.
Há casos em que o devedor pode ver-se livre da obrigação, mesmo tendo pagado
a terceiro não intitulado. Isso ocorrerá em três situações:
1. Na hipótese que estudamos em que ocorre a ratificação, pelo credor, do
pagamento recebido (art. 309).
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2. Na hipótese em que o pagamento reverterá em benefício do credor (art.
308, visto acima, a prova será do solvens).
3. E, por fim, na hipótese do credor putativo.
O art. 310 refere-se ao pagamento feito à pessoa incapaz de quitar:
Não vale o pagamento cientemente feito ao credor incapaz de quitar, se o devedor não
provar que em benefício dele efetivamente reverteu.
Outra situação que inibe o credor de receber é a do art. 312:
Se o devedor pagar ao credor, apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito, ou
da impugnação a ele oposta por terceiros, o pagamento não valerá contra estes, que
poderão constranger o devedor a pagar de novo, ficando-lhe ressalvado o regresso
contra o credor.
Quanto ao pagamento, este deve compreender quanto ao seu objeto
àquilo que foi acordado. Não sendo obrigado a receber nem mais, e nem menos
que o acordado.
Quanto ao objeto do pagamento, começaremos com o art. 313:
O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que
mais valiosa.
Como regra geral, só existirá solução da dívida, com a entrega do objeto.
Se a prestação é complexa, constantes de vários itens, não se cumprirá a
obrigação enquanto não atendidos todos.
Art. 315. As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente
e pelo valor nominal, salvo o disposto nos artigos subsequentes.
E o artigo 317 admite a intervenção judicial para a correção do valor no
SDJDPHQWR� GR� SUHoR� TXDQGR� ³por motivos imprevisíveis, sobrevier
desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do
momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo
que assegure, quanto possível, o valor real da prestação´��Neste caso temos a
aplicação da Teoria da Imprevisão34, que traz exceção ao tema quanto ao objeto
do pagamento, é a correção judicial do contrato.34 Quando imprevistos alheios ao contrato e vontade das partes autorizam a revisão do contrato
pelo juiz.
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E, neste mesmo tema, temos o art. 316, que diz que:
É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas.
Este artigo está relacionado aos índices de correção monetária, portanto
cláusula móvel das prestações, algo que, sem dúvida, converte-se em terreno
acidentado para o interessado.
O art. 318 traz uma proibição:
São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira, bem como
para compensar a diferença entre o valor desta e o da moeda nacional, excetuados os
casos previstos na legislação especial.
Assim, negócios em moeda estrangeira somente são permitidos, por
exceção, nos contratos de importação e exportação; nos contratos de compra e
venda de câmbio e nos contratos celebrados com pessoa residente e domiciliados
no exterior. Trata também da proibição da chamada cláusula de ouro, que está
mais relacionada à legislação especial de natureza financeira.
Os pagamentos contratados em medida ou peso devem obedecer aos
costumes do lugar. Os termos arroba, braças, alqueires podem variar de acordo
com as regiões em que as obrigações houverem de ser cumpridas.
Art. 326. Se o pagamento se houver de fazer por medida, ou peso, entender-se-á, no
silêncio das partes, que aceitaram os do lugar da execução.
A prova do pagamento é a demonstração material, é manifestação externa
de um acontecimento. Quem paga tem direito a prova desse pagamento, que é
a quitação.
Vamos ver os artigos 319 e 320 conjuntamente:
Art. 319. O devedor que paga tem direito a quitação regular, e pode reter o pagamento,
enquanto não lhe seja dada.
Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará
o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o
tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante.
Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação,
se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida.
Aí estão os requisitos do recibo, instrumento da quitação. Trata-se de
prova cabal de pagamento, porque em juízo não se aceitará prova
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exclusivamente testemunhal para provar o pagamento, se o valor exceder ao teto
legal.
Art. 227. Salvo os casos expressos, a prova exclusivamente testemunhal só se admite
nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo
vigente no País ao tempo em que foram celebrados. (Revogado pela Lei n º 13.105, de
2015)
Parágrafo único. Qualquer que seja o valor do negócio jurídico, a prova testemunhal é
admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito.
A quitação, contendo os requisitos do art. 320, não necessita ter a
mesma forma do contrato. É dever do credor dar a quitação, uma vez recebido
o pagamento. Se o credor se recusar a conceder a quitação ou não a der na forma
devida, pode o devedor acioná-lo, e a sentença substituirá a regular quitação.
Há débitos literais, isto é, representados por um título.
Art. 321. Nos débitos, cuja quitação consista na devolução do título, perdido este,
poderá o devedor exigir, retendo o pagamento, declaração do credor que inutilize o título
desaparecido.
A posse do título pelo credor é presunção de que o título não foi pago. Daí
a necessidade da declaração.
A partir do art. 322 o código civil trata das presunções de pagamento,
que são relativas, admitindo, portanto, prova em contrário:
Quando o pagamento for em quotas periódicas, a quitação da última estabelece, até
prova em contrário, a presunção de estarem solvidas as anteriores.
Pois seria lógico que se entende que o credor não receberia a última
prestação se as anteriores não houvessem sido pagas. Porém, admite-se prova
em contrário. Um exemplo disso são nossas contas de luz, gás, telefone, em que
VH� Or�� ³D� TXLWDomR� GD� ~OWLPD� FRQWD� QmR� ID]� SUHVXPLU� D� TXLWDomR� GH� GpELWRV�
DQWHULRUHV´�
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
CESPE 2008/PGE-AL/Procurador do estado. A quitação, além de conter
certos requisitos, como valor da dívida, quem pagou, tempo e lugar do pagamento e
assinatura do credor, deverDɍ revestir-se da mesma forma do contrato.
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Comentário:
Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular,
designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este
pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu
representante.
Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação,
se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida.
Vimos que a quitação tem requisitos - que estão no art. 320 citado acima, mas,
conforme já havíamos falado na parte teórica da aula, não é necessário que se
revista da mesma forma do contrato.
Gabarito errado.
CESPE 2016/TCE-PA/Auditor. Indivíduo que se comprometer ao pagamento
da obrigação em prestações sucessivas terá a seu favor a presunção de pagamento
se tiver recibo de quitação da última.
Gabarito correto.
Art. 323. Sendo a quitação do capital sem reserva dos juros, estes presumem-se pagos.
Outro caso de presunção de pagamento.
Art. 324. A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento.
Parágrafo único. Ficará sem efeito a quitação assim operada se o credor provar, em
sessenta dias, a falta do pagamento.
A presunção é relativa porque o título pode ter sido obtido com violência,
ou a remessa do título pode ter sido efetuada por engano, por exemplo.
Esse prazo é decadencial. Qualquer que seja o meio, o instrumento de
quitação, nesse prazo decadencial, pode o credor provar a falta de
pagamento.
As despesas com o pagamento e a quitação correm por conta do devedor,
salvo estipulação em contrário.
Art. 325. Presumem-se a cargo do devedor as despesas com o pagamento e a quitação;
se ocorrer aumento por fato do credor, suportará este a despesa acrescida.
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Deste modo, qualquer fato imputável ao credor que gere acréscimo de
despesa deverá ser a ele imputado. A regra geral é a de que não é justo que o
devedor arque com as despesas por fatos supervenientes para os quais não
concorreu.
Art. 326. Se o pagamento se houver de fazer por medida, ou peso, entender-se-á,
no silêncio das partes, que aceitaram os do lugar da execução.
Deste modo, se as partes acordaram o pagamento de terra em alqueires
no Mato Grosso, entende-se que a medida utilizada será a daquela região, se não
houver ressalva expressa.
Do Lugar do Pagamento (arts. 327 a 330).
A regra geral,quanto ao lugar do pagamento, está no art. 327:
Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes
convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da
obrigação ou das circunstâncias.
Parágrafo único. Designados dois ou mais lugares, cabe ao credor escolher entre eles.
A regra geral, portanto, é ser a dívida quérable ± ou seja, quando o credor
procurar o devedor para pagamento da dívida. Em caso de disposição contratual
em contrário, quando o devedor é quem deve procurar o credor em seu domicílio,
ou em outro local por ele indicado, para o pagamento da dívida, diz-se que a
dívida é portable.
As regras deste art. 327 são supletivas a vontade das partes. Quanto à
regra do parágrafo único, deve o credor, notificar em tempo hábil ao devedor sua
escolha, para que este possa fazer o pagamento. Se ocorrer de o devedor mudar
de endereço, e o pagamento tiver, necessariamente, de ser feito em outro lugar,
arcará o devedor com as custas acarretadas ao credor, como por exemplo, as
taxas de remessa bancária.
A importância de se estipular um lugar para ser realizado o
pagamento ± se quérable ou portable, reside na ocorrência da mora. Pois pode
acontecer de o devedor achar que o credor virá cobrar a dívida ± quérable, mas
na verdade é o devedor quem deve procurar o credor para realizar o pagamento
± portable. Assim, um fica na espera do outro, e o credor pode concluir que o
devedor não irá realizar o pagamento, constituindo-o em mora.
O art. 328 trata de pagamento consistente na tradição35 de um imóvel:
35 Termo jurídico que quer dizer entrega. Entrega de bem imóvel.
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Art. 328. Se o pagamento consistir na tradição de um imóvel, ou em prestações relativas
a imóvel, far-se-á no lugar onde situado o bem.
$�H[SUHVVmR�³SUHVWDo}HV�UHODWLYDV�D�LPyYHO´, não significam aluguéis, são
referentes a serviços a serem realizados no local do imóvel, como reparos por
exemplo.
Agora, imaginemos que o local estipulado, em contrato, para pagamento
da dívida, se encontre isolado ou em estado de calamidade pública. Tendo em
vista tal fato, o pagamento terá de ser realizado em outro local, estranho ao
contrato. Este pagamento deverá ser feito sem prejuízos para o credor. Este é o
teor do art. 329:
Ocorrendo motivo grave para que se não efetue o pagamento no lugar determinado,
poderá o devedor fazê-lo em outro, sem prejuízo para o credor.
Em regra, o caso fortuito e a força maior não autorizam
indenizações.
Outra situação que pode ocorrer é quando no contrato conste um local de
pagamento, mas este ocorre reiteradamente em local diverso, presume-
se a renúncia do credor ao local previsto no contrato.
Art. 330. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do
credor relativamente ao previsto no contrato.
Entenda, no entanto, que esta presunção é relativa.
Do Tempo do Pagamento (arts. 331 a 333).
O momento em que uma obrigação deve ser cumprida é muito importante
para a identificação do inadimplemento total e da mora.
Art. 331. Salvo disposição legal em contrário, não tendo sido ajustada época para o
pagamento, pode o credor exigi-lo imediatamente.
Este artigo se aplica as chamadas obrigações puras, pois as obrigações
ditas a termo são aquelas que, por sua própria natureza, não podem ser exigidas
de imediato, como, por exemplo, os empréstimos.
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Quando existe um prazo, a obrigação só pode ser exigida pelo credor
com o advento do termo desse prazo. Entre nós o prazo presume-se
estipulado em benefício do devedor.
É o que está no art. 133:
Nos testamentos, presume-se o prazo em favor do herdeiro, e, nos contratos, em
proveito do devedor, salvo, quanto a esses, se do teor do instrumento, ou das
circunstâncias, resultar que se estabeleceu a benefício do credor, ou de ambos os
contratantes.
Se a obrigação consistir em prestações periódicas, cada prestação deve ser
estudada isoladamente. Se por um lado a prestação pode ser cumprida
antecipadamente, por outro lado não pode ser cumprida além do prazo marcado.
Se de um lado, o devedor pode antecipar o cumprimento, inclusive com medida
judicial, não pode pedir dilação de prazo ao juiz, ressalvada as situações de caso
fortuito ou de força maior.
O credor não pode exigir o pagamento antes do vencimento, sob
pena de ficar obrigado a esperar o tempo que faltava para o vencimento; a
descontar os juros correspondentes, embora estipulados; e a pagar as custas em
dobro.
Isso de acordo com o art. 939:
O credor que demandar o devedor antes de vencida a dívida, fora dos casos em
que a lei o permita, ficará obrigado a esperar o tempo que faltava para o vencimento, a
descontar os juros correspondentes, embora estipulados, e a pagar as custas em dobro.
Já o devedor que se antecipa e paga antes do termo, o faz por sua conta e
risco.
Quando a obrigação não possui termo certo, o credor pode interpelar
o devedor para que cumpra a obrigação num prazo razoável, que poderá ser
fixado pelo juiz.
No dia de pagar a dívida, esta pode ser paga até a expiração das 24h. Mas
tem que se ter atenção quanto aos horários bancários, de comércio, ou forense.
O art. 332 trata das obrigações condicionais:
As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da condição, cabendo
ao credor a prova de que deste teve ciência o devedor.
As obrigações condicionais são aquelas que ficam suspensas até o
implemento desta condição.
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Art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade
das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto.
Como vimos o credor não pode exigir a dívida antes do prazo estipulado,
mas o art. 333, em determinados situações, autoriza esta cobrança antecipada.
Vamos a ele:
Art. 333. Ao credor assistirá o direito de cobrar a dívida antes de vencido o prazo
estipulado no contrato ou marcado neste Código:
I - no caso de falência do devedor, ou de concurso de credores;
II - se os bens, hipotecados ou empenhados, forem penhorados em execução por outro
credor;
III - se cessarem, ou se se tornarem insuficientes, as garantias do débito, fidejussórias,
ou reais, e o devedor, intimado, se negar a reforçá-las.
Parágrafo único. Nos casos deste artigo, se houver, no débito, solidariedade passiva, não
se reputará vencido quanto aos outros devedores solventes.
Portanto, este artigo autoriza a cobrança antecipada pelo credor em
três situações:
1. A primeira é no caso de falência do devedor, e no concurso creditório,
que é caracterizado pela insolvência civil, semelhante à falência da
pessoa jurídica. Essa insolvência ocorrerá quando as dívidas do
devedor forem maiores que seu patrimônio hábil para pagamento, e
não tenha condições de mudar esta situação.
2. O segundo caso é quando há garantia real representado por hipoteca
ou penhor, os bens dados em garantia sofram penhora por outro
credor.Presume-se, pela ocorrência deste fato, que se este outro
credor não encontrou outros bens livres e desembaraçados é porque
a situação do devedor não é boa.
3. O terceiro caso é quando há uma diminuição na garantia pessoal ou
real ou mesmo sua perda. Por exemplo, quando morre o fiador.
Neste caso o devedor deve ser intimado a reforçar sua garantia, em
prazo razoável. Se assim não o fizer, a lei autoriza como nos demais
casos, a cobrança antecipada da dívida.
Estes casos são taxativos. Não há outros dentro do ordenamento civil.
O pagamento direto é, sem dúvida, a forma mais importante de
adimplemento de obrigações, porém este pagamento pode ser realizado de forma
indireta.
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A seguir traremos, então, os demais artigos (arts. 334 a 388) que
também tratam do adimplemento das obrigações, das regras especiais de
pagamento e das formas de pagamento indireto.
Atenção: o assunto é bastante extenso, e de certo modo sua cobrança
em provas acaba sendo literal. Para você não ter que ficar consultando o código
civil, faremos o seguinte: daremos a definição conceitual de cada forma de
adimplemento e transcreveremos todos os artigos, comentando os mais
importantes.
Pagamento Indireto.
¾ Do Pagamento em Consignação
A primeira regra especial sobre o pagamento que aparece no CC/2002 é o do
pagamento feito em consignação. Nas palavras de Flávio Tartuce 36 : ³2�
pagamento em consignação, regra especial de pagamento, pode ser conceituado
como o depósito feito pelo devedor, da coisa devida, para liberar-se de uma
obrigação assumida em face de um credor determinado´�
O art. 334 nos informa que tal depósito pode ocorrer de forma judicial ou
extrajudicial:
Art. 334. Considera-se pagamento, e extingue a obrigação, o depósito judicial ou em
estabelecimento bancário da coisa devida, nos casos e forma legais.
Atenção: A consignação em pagamento está relacionada a uma
obrigação de dar (o pagamento). Não pode estar relacionada a
obrigações de fazer ou não fazer.
O artigo seguinte (art.335) normatiza em quais situações que poderá ser feito
este tipo especial de pagamento ± a consignação:
Art. 335. A consignação tem lugar:
I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar ¹receber o pagamento, ou
²dar quitação na devida forma;
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição
devidos;
36 Manual de Direito Civil, pg.356.
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III - se o credor for ¹incapaz de receber, ²for desconhecido, ³declarado ausente, ou
4residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil;
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento;
V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento.
Para que a consignação tenha força de pagamento, ou seja, para que seja
válida e eficaz para o adimplemento da obrigação, esta consignação deverá
respeitar todas as condições do pagamento direto.
Este é o conteúdo do art. 336:
Para que a consignação tenha força de pagamento, será mister concorram, em
relação às pessoas, ao objeto, modo e tempo, todos os requisitos sem os quais não
é válido o pagamento.
Quanto ao lugar em que será efetivado o depósito, temos o art. 337:
O depósito requerer-se-á no lugar do pagamento, cessando, tanto que se efetue,
para o depositante, os juros da dívida e os riscos, salvo se for julgado improcedente.
A consignação é um meio oferecido pela lei, para que se cumpra uma
obrigação e assim se evite as consequências de um inadimplemento. Se a
consignação for realizada de forma extrajudicial, através de um depósito
bancário, o credor será notificado deste depósito para, no prazo de dez dias,
impugná-lo ou declarar sua aceitação.
Assim, enquanto o credor não se manifestar poderá o devedor levantar
o depósito, de acordo com o art. 338:
Art. 338. Enquanto o credor não declarar que aceita o depósito, ou não o
impugnar, poderá o devedor requerer o levantamento, pagando as respectivas
despesas, e subsistindo a obrigação para todas as consequências de direito.
Art. 339. Julgado procedente o depósito, o devedor já não poderá levantá-lo, embora
o credor consinta, senão de acordo com os outros devedores e fiadores.
Art. 340. O credor que, depois de contestar a lide ou aceitar o depósito, aquiescer no
levantamento, perderá a preferência e a garantia que lhe competiam com respeito à
coisa consignada, ficando para logo desobrigados os codevedores e fiadores que não
tenham anuído.
Aquiescer é consentir.
Art. 341. Se a coisa devida for imóvel ou corpo certo que deva ser entregue no
mesmo lugar onde está, poderá o devedor citar o credor para vir ou mandar recebê-
la, sob pena de ser depositada.
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Art. 342. Se a escolha da coisa indeterminada competir ao credor, será ele citado para
esse fim, sob cominação de perder o direito e de ser depositada a coisa que o devedor
escolher; feita a escolha pelo devedor, proceder-se-á como no artigo antecedente.
Art. 343. As despesas com o depósito, quando julgado procedente, correrão à conta
do credor, e, no caso contrário, à conta do devedor.
Art. 344. O devedor de obrigação litigiosa exonerar-se-á mediante consignação, mas,
se pagar a qualquer dos pretendidos credores, tendo conhecimento do litígio, assumirá
o risco do pagamento.
Art. 345. Se a dívida se vencer, pendendo litígio entre credores que se pretendem
mutuamente excluir, poderá qualquer deles requerer a consignação.
¾ Do Pagamento com Sub-Rogação
O pagamento feito com sub-rogação é aquele em que o credor originário será
pago por devedor estranho a relação obrigacional originária. Ou seja, terceira
pessoa efetuará o pagamento perante o credor originário.
Observem que a obrigação neste tipo especial de pagamento não
será extinta. Somente haverá uma mudança no polo ativo, uma vez que o
credor originário será substituído pelo terceiro que pagou a dívida, pois o
devedor originário continuará a dever, agora para o terceiro.
Existe a sub-rogação legal ± que é aquela determinada por lei, caso do art.
346, e a sub-rogação convencional, art. 347, que são os pagamentos
realizados por pessoas que não possuem um interesse direto na dívida.
Art. 346. A sub-rogação opera-se, de pleno direito, em favor:
I - do credor que paga a dívida do devedor comum;
II - do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor hipotecário, bem como
do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel;
III - do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado,
no todo ou em parte.
Art. 347. A sub-rogação é convencional:
I - quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos
os seus direitos;
II - quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida,
sob a condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito.
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Art. 348. Na hipótese do inciso I do artigo antecedente, vigorará o disposto quanto à
cessão do crédito.
Art. 349. A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos, ações, privilégios
e garantias do primitivo, em relação à dívida, contra o devedor principal e os fiadores.
Art. 350. Na sub-rogação legal o sub-rogado não poderá exercer os direitos e as
ações do credor, senão até à soma que tiver desembolsado para desobrigar o devedor.
Art. 351. O credor originário, só em parte reembolsado, terá preferência ao sub-
rogado, na cobrança da dívida restante, se os bens do devedor não chegarem para saldar
inteiramente o que a um e outro dever.
¾ Da Imputação do Pagamento
Art. 352. A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um
só credor, tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento, se todos forem
líquidos e vencidos.
Do artigo acima podemos concluir, que a imputação do pagamento, é
uma faculdade atribuída ao devedor que possui vários débitos, na qual, este
poderá escolher dentre os diversos débitos, a obrigação que será extinta através
do pagamento. Desde que estes débitos sejam perante o mesmo credor, de
mesma natureza, líquidos37 e vencidos.
Art. 353. Não tendo o devedor declarado em qual das dívidas líquidas e vencidas
quer imputar o pagamento, se aceitar a quitação de uma delas, não terá direito a
reclamar contra a imputação feita pelo credor, salvo provando haver ele cometido
violência ou dolo.
Art. 354. Havendo capital e juros, o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros
vencidos, e depois no capital, salvo estipulação em contrário, ou se o credor passar a
quitação por conta do capital.
Art. 355. Se o devedor não fizer a indicação do art. 352, e a quitação for omissa quanto
à imputação, esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. Se
as dívidas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo, a imputação far-se-á na
mais onerosa.
O artigo 355 será utilizado, quando o devedor não indicar a qual das
dívidas quer imputar o pagamento, e nem o credor indicar na hora da
37 Obrigação líquida é aquela sobre a qual não existem dúvidas sobre sua existência, e que é
determinada quanto ao seu objeto.
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quitação. Assim sendo a lei ordena que a imputação seja feita nas dívidas líquidas
e vencidas em primeiro lugar.
¾ Da Dação em Pagamento
Art. 356. O credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida.
Da leitura do art. 356 já podemos intuir o que seja a dação em pagamento.
Assim, ocorre a dação em pagamento quando o devedor, com a anuência do
credor, entrega, como pagamento, prestação diversa da que foi acordada.
A dação em pagamento pode então ser corretamente definida como um
acordo entre o credor e o devedor, com o objetivo de extinguir a obrigação,
no qual consente o credor em receber coisa diversa da devida, em
substituição à prestação que lhe era originalmente objeto do pacto.
Se a coisa oferecida em pagamento tiver seu preço especificado, as
relações entre as partes serão reguladas pelas normas do contrato de compra e
venda, de acordo com o art. 357:
Art. 357. Determinado o preço da coisa dada em pagamento, as relações entre as
partes regular-se-ão pelas normas do contrato de compra e venda.
Agora, se o valor da coisa dada em pagamento não for especificado, as
relações serão reguladas pela dação.
Art. 358. Se for título de crédito a coisa dada em pagamento, a transferência importará
em cessão.
Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-se-á a
obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de
terceiros.
Evicção é a perda total ou parcial de uma coisa, através de sentença
judicial que atribui a terceiro sua propriedade. Se isto vier a acontecer com uma
coisa que foi dada em pagamento, a dação ficará sem efeito restaurando-se a
obrigação primitiva.
¾ Da Novação
A novação é uma das formas de pagamento indireto, em que há a
substituição de uma obrigação anterior por uma obrigação nova, que é
diferente da anterior. Por este motivo, a novação não produz a satisfação
imediata do crédito. É considerada novo negócio jurídico, que possui os seguintes
requisitos: ¹a existência de uma obrigação anterior; ²que exista uma nova
obrigação; e ³que exista a intenção de fazer a novação.
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Existem três espécies de novação: a novação objetiva onde se altera o objeto
da obrigação; a novação subjetiva onde serão alterados os sujeitos, ou seja, as
pessoas da relação obrigacional; e novação mista onde serão alterados o objeto
e as pessoas ao mesmo tempo.
Art. 360. Dá-se a novação:
I - quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a
anterior;
II - quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor;
III - quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído ao antigo,
ficando o devedor quite com este.
Art. 361. Não havendo ânimo de novar, expresso ou tácito mas inequívoco, a segunda
obrigação confirma simplesmente a primeira.
Deste modo, podemos observar que o ânimo de novar pode ser expresso ou
tácito, mas deve ser sempre inequívoco, ou seja, que sobre ele não restem
dúvidas.
Art. 362. A novação por substituição do devedor pode ser efetuada
independentemente de consentimento deste.
Art. 363. Se o novo devedor for insolvente, não tem o credor, que o aceitou, ação
regressiva contra o primeiro, salvo se este obteve por má-fé a substituição.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
CESPE 2016/TJ-AM/Juiz Substituto.Verificando que seu amigo Paulo não
tinha condições de quitar dívida em dinheiro contraída com Manoel, Carlos dirigiu-se
ao credor e disse querer assumir a obrigação. Nessa situação, se Manoel aceitar Carlos
como novo devedor, em substituição a Paulo, não será necessária a concordância
deste, hipótese em que haverá novação subjetiva passiva por expromissão.
Gabarito correto.
Art. 364. A novação extingue os acessórios e garantias da dívida, sempre que não
houver estipulação em contrário. Não aproveitará, contudo, ao credor ressalvar o
penhor, a hipoteca ou a anticrese, se os bens dados em garantia pertencerem a terceiro
que não foi parte na novação.
Art. 365. Operada a novação entre o credor e um dos devedores solidários, somente
sobre os bens do que contrair a nova obrigação subsistem as preferências e garantias
do crédito novado. Os outros devedores solidários ficam por esse fato exonerados.
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Art. 366. Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com o devedor
principal.
Art. 367. Salvo as obrigações simplesmente anuláveis, não podem ser objeto de novação
obrigações nulas ou extintas.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:CESPE 2016 /TCE-PR/Analista de Controle ± Jurídica. Carlos se obrigou a
entregar a Roberto um automóvel fabricado em 1970, mas, diante da dificuldade de
adimplemento, ficou acordada a substituição da obrigação pela entrega de um veículo
zero km fabricado no corrente ano. Nessa situação hipotética, de acordo com o Código
Civil, ocorreu uma novação.
Gabarito correto.
¾ Da Compensação
Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra,
as duas obrigações extinguem-se, até onde se compensarem.
Art. 369. A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas
fungíveis.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
CESPE 2009/TRE-GO/Analista Judiciário. A compensação legal de dívidas
pode recair sobre prestações infungíveis.
Comentário:
Art. 369. A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas
fungíveis.
Gabarito errado.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2015/TJ-PI/Juiz Substituto. Carlos é locatário de imóvel, em contrato
celebrado com Romero no polo de locador. Rodolfo é o fiador das obrigações locatícias,
renunciando ao benefício de ordem. Carlos não pagou o aluguel, porque é credor de
Romero em razão de outro contrato, sendo essa dívida superior ao valor dos aluguéis
não pagos. Nesse caso, em ação de cobrança movida por Romero, Rodolfo pode alegar
compensação, mas se ele pagar os aluguéis, com desconhecimento ou oposição de
Carlos, o afiançado não está obrigado a reembolsá-lo.
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Gabarito correto.
Art. 370. Embora sejam do mesmo gênero as coisas fungíveis, objeto das duas
prestações, não se compensarão, verificando-se que diferem na qualidade, quando
especificada no contrato.
Art. 371. O devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe dever; mas
o fiador pode compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado.
Art. 372. Os prazos de favor, embora consagrados pelo uso geral, não obstam a
compensação.
Art. 373. A diferença de causa nas dívidas não impede a compensação, exceto:
I - se provier de esbulho, furto ou roubo;
II - se uma se originar de comodato, depósito ou alimentos;
III - se uma for de coisa não suscetível de penhora.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
CESPE 2016/TJ-AM/Juiz Substituto. Júlio tem direito a indenização
correspondente a R$ 5.000 em razão da meação de bens comuns que ficaram com
sua ex-cônjuge Maria. Entretanto, Júlio deve a Maria R$ 2.000 a título de alimentos.
Nessa situação, Júlio poderá compensar as dívidas, já que, na hipótese, há
reciprocidade de obrigações, sendo as dívidas líquidas, atuais e vencidas.
Comentário:
Art. 373. A diferença de causa nas dívidas não impede a compensação, exceto:
II - se uma se originar de comodato, depósito ou alimentos;
Art. 1.707. Pode o credor não exercer, porém lhe é vedado renunciar o direito a
alimentos, sendo o respectivo crédito insuscetível de cessão, compensação ou
penhora.
Gabarito errado.
Art. 375. Não haverá compensação quando as partes, por mútuo acordo, a excluírem,
ou no caso de renúncia prévia de uma delas.
Art. 376. Obrigando-se por terceiro uma pessoa, não pode compensar essa dívida com
a que o credor dele lhe dever.
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Art. 377. O devedor que, notificado, nada opõe à cessão que o credor faz a terceiros dos
seus direitos, não pode opor ao cessionário a compensação, que antes da cessão teria
podido opor ao cedente. Se, porém, a cessão lhe não tiver sido notificada, poderá opor
ao cessionário compensação do crédito que antes tinha contra o cedente.
Art. 378. Quando as duas dívidas não são pagáveis no mesmo lugar, não se podem
compensar sem dedução das despesas necessárias à operação.
Art. 379. Sendo a mesma pessoa obrigada por várias dívidas compensáveis, serão
observadas, no compensá-las, as regras estabelecidas quanto à imputação do
pagamento.
Art. 380. Não se admite a compensação em prejuízo de direito de terceiro. O devedor
que se torne credor do seu credor, depois de penhorado o crédito deste, não pode opor
ao exequente a compensação, de que contra o próprio credor disporia.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
2016/TRT 4º Região/ Juiz do Trabalho Substituto. A compensação efetua-
se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis.
Gabarito correto.
¾ Da Confusão
Art. 381. Extingue-se a obrigação, desde que na mesma pessoa se confundam as
qualidades de credor e devedor.
Portanto, ocorrerá a confusão quando na mesma pessoa se confundirem as
qualidades de credor e devedor, em decorrência de um ato inter vivos ou mortis
causa38. Assim, a obrigação também poderá ser extinta na mesma pessoa,
quando através de um fato jurídico estranho à relação obrigacional, as figuras do
devedor e do credor se reúnem na mesma pessoa.
Art. 382. A confusão pode verificar-se a respeito de toda a dívida, ou só de parte
dela.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
38 Flavio Tartuce, Manual de Direito Civil, ed. Método, 2ª ed., pag. 377.
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2016/TRT 4º Região/ Juiz do Trabalho Substituto. A confusão pode
verificar-se a respeito de toda a dívida, ou só de parte dela.
Gabarito correto.
Art. 383. A confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a
obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito, ou na dívida, subsistindo
quanto ao mais a solidariedade.
Deste modo, a confusão não possui o poder de acabar com a
solidariedade.
Art. 384. Cessando a confusão, para logo se restabelece, com todos os seus acessórios,
a obrigação anterior.
¾ Da Remissão das Dívidas
Na remissão de dívidas, o credor por sua vontade abre mão do seu direito de
crédito, com o objetivo de extinguir a relação obrigacional. (É o perdão da
dívida).
$LQGD�VREUH�HVWH�DVVXQWR��QDV�SDODYUDV�GH�)OiYLR�7DUWXFH��³$�UHPLVVmR�p�R�
perdão de uma dívida, constituindo um direito exclusivo do credor de exonerar o
GHYHGRU´39.
Art. 385. A remissão da dívida, aceita pelo devedor, extingue a obrigação, mas sem
prejuízo de terceiro.
Art. 386. A devolução voluntária do título da obrigação, quando por escrito
particular, prova desoneração do devedor e seus coobrigados, se o credor for capaz de
alienar, e o devedor capaz de adquirir.
Art. 387. A restituição voluntária do objeto empenhado prova a renúncia do
credor à garantia real, não a extinção da dívida.
Art. 388. A remissão concedida a um dos codevedores extingue a dívida na parte a ele
correspondente; de modo que, ainda reservando o credor a solidariedade contra os
outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida.
Veja como esse assunto foi cobrado em prova:
CESPE 2016/TJ-AM/Juiz Substituto. Em situação típica de solidariedade
passiva, Jorge era credor de Matias, Pedro e Vênus, mas, verificando a crítica situação
39 Flavio Tartuce, Manual de Direito Civil, Método, 2ª ed., pág. 378.
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financeira de Matias, resolveu perdoar-lhe a dívida. Nessa situação, não pode o credor
comum conceder remissão da dívida a apenas um dos codevedores, razão por que o
perdão concedido a Matias alcançará Pedro e Vênus.
Comentário:
Art. 388. A remissão concedida a um dos co-devedores extingue a dívida na parte a
ele correspondente; de modo que, ainda reservando o credor a solidariedade contra
os outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida.
Gabarito errado.
Considerações Finais
Chegamos ao final do nosso curso, mas devemos deixar bem claro que ficamos
à sua disposição no fórum de dúvidas. Não deixe de nos contatar! -
Obviamente estamos torcendo pela sua aprovação, mas, caso ela não
ocorra, sempre que você tiver alguma dúvida não hesite em nos enviar um e-
mail.
O primeiro passo você já deu. Agora basta não desistir!
Bons estudos!
Aline Baptista Santiago.
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Resumo da Matéria
Dê uma atenção especial à aula de disposições gerais dos contratos!
Veja como o princípio da boa-fé, aplicável aos contratos, foi cobrado em
prova:
Indo-se mais adiante, aventa-se a ideia de que entre o credor e o devedor é
necessária a colaboração, um ajudando o outro na execução do contrato. A tanto,
evidentemente, não se pode chegar, dada a contraposição de interesses, mas é
certo que a conduta, tanto de um como de outro, subordina-se a regras que
visam a impedir dificulte uma parte a ação da outra. (Contratos, p. 43, 26ª edição,
Forense, 2008, Coordenador: Edvaldo Brito, Atualizadores: Antonio Junqueira de Azevedo e
Francisco Paulo de Crescenzo Marino).
Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social
do contrato.
Contrato é o acordo de duas ou mais vontades, negócio jurídico bilateral ou
plurilateral, em conformidade com a ordem jurídica, que tem por finalidade estabelecer
uma relação entre a vontade das partes, com o escopo de adquirir, modificar ou extinguir
relações jurídicas de natureza patrimonial.
Os contratos nominados ou típicos são os previstos pelo ordenamento jurídico,
que prevê, também, como estes serão elaborados e celebrados.
Dentre os contratos nominados temos o contrato de adesão ± que é aquele em que
³apenas uma das partes´ estipula as cláusulas e como será o contrato, cabendo à outra
parte (aderente) DSHQDV�DGHULU��RX�VHMD��DFHLWDU�DV�³UHJUDV´�SUp-estabelecidas.
Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou
contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente.
Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia
antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio.
Em contrapartida, existem os contratos chamados de inominados ou atípicos, que são
aqueles aos quais não há previsão legislativa, ou seja, não tem sua estrutura prevista
em lei.
Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais
fixadas neste Código.
Assim, contratos atípicos são aqueles que não estão disciplinados pelo Código
Civil, nem por leis extravagantes.
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$SHVDU�GHVWD�³OLEHUGDGH´�FRQWUDWXDO�DWHQWH�SDUD�D�SURLELomR�JHUDO�TXH�WUD]�R�DUW������
Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.
Atenção ao art. 428, que trata da proposta:
Art. 428. Deixa de ser obrigatória a proposta:
I - se, feita sem prazo a pessoa presente, não foi imediatamente aceita. Considera-
se também presente a pessoa que contrata por telefone ou por meio de comunicação
semelhante;
II - se, feita sem prazo a pessoa ausente, tiver decorrido tempo suficiente para
chegar a resposta ao conhecimento do proponente;
III - se, feita a pessoa ausente, não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo dado;
IV - se, antes dela, ou simultaneamente, chegar ao conhecimento da outra parte a
retratação do proponente.
Vícios redibitórios:
Art. 445. O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no
prazo de trinta dias se a coisa for móvel, e de um ano se for imóvel, contado da
entrega efetiva; se já estava na posse, o prazo conta-se da alienação, reduzido à
metade.
§ 1o Quando o vício, por sua natureza, só puder ser conhecido mais tarde, o prazo
contar-se-á do momento em que dele tiver ciência, até o prazo máximo de cento e
oitenta dias, em se tratando de bens móveis; e de um ano, para os imóveis.
§ 2o Tratando-se de venda de animais, os prazos de garantia por vícios ocultos serão os
estabelecidos em lei especial, ou, na falta desta, pelos usos locais, aplicando-se o
disposto no parágrafo antecedente se não houver regras disciplinando a matéria.
(2011/TRT 20ª Região): Tício vendeu uma coleção de livros jurídicos a Cícero, sendo
que, três meses depois, o comprador descobriu que um dos livros apresentava defeito
oculto e estava em branco. Nesse caso, Cícero não poderá rejeitar a coleção, porque o
defeito oculto de uma das coisas vendidas em conjunto não autoriza a rejeição
de todas.
Art. 503. Nas coisas vendidas conjuntamente, o defeito oculto de uma não autoriza a
rejeição de todas.
Evicção:
Na evicção temos três figuras: o evictor ± que é quem ganha à ação na justiça e
³UHDGTXLUH´�R�EHP��o evicto ± que é quem perde o bem na ação; e o alienante que
é quem vendeu o bem e quem será o responsável pela evicção.
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Assim, para que haja a evicção, é necessário que se configure em um contrato do tipo
oneroso, um vício de direito anterior ou ao mesmo tempo da celebração do contrato.
Deste modo, na hora em que for realizar o negócio jurídico, por meio de uma sentença
judicial, a pessoa perderá a posse, o uso ou a propriedade da coisa.
Art. 447. Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evicção. Subsiste esta
garantia ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta pública.
Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a
responsabilidade pela evicção.
Art. 450. Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição integral
do preço ou das quantias que pagou:
I - à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir;
II - à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente
resultarem da evicção;
III - às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído.
Art. 453. As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção,
serão pagas pelo alienante.
Art. 457. Não pode o adquirente demandar pela evicção, se sabia que a coisa era
alheia ou litigiosa.
Art. 458. Se o contrato for aleatório, por dizer respeito a coisas ou fatos futuros, cujo
risco de não virem a existirum dos contratantes assuma, terá o outro direito de receber
integralmente o que lhe foi prometido, desde que de sua parte não tenha havido dolo ou
culpa, ainda que nada do avençado venha a existir.
Art. 462. O contrato preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os requisitos
essenciais ao contrato a ser celebrado.
Transmissão das obrigações:
Transmissão (as formas mais importantes são)
cessão de crédito
cessão de débito
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Em regra, o credor sempre poderá, sem a anuência do devedor, transferir
seu crédito. Também em regra, qualquer crédito pode ser objeto de cessão,
decorrendo as restrições a esse direito apenas da natureza da obrigação, da lei
ou da convenção entre as partes.
Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da
obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não
poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação.
Art. 287. Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangem-se todos os
seus acessórios.
Na cessão pro soluto do crédito, o cedente não responde pela solvência do
devedor, mas apenas pela existência do crédito.
Artigos importantes.
Art. 295. Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize,
fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe
cedeu; a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito, se tiver
procedido de má-fé.
Art. 296. Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência
do devedor.
Adimplemento de Obrigações:
Cumprida a obrigação ocorre a sua extinção. Em regra isto ocorrerá com o
pagamento.
Haverá a intenção (vontade) de pagar, o animus solvendi.
Solvens ± é quem efetua o pagamento, o devedor (mas pode ser outra pessoa).
pagamento
direto
indireto
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Accipiens ± é quem recebe, o credor (pode ser outra pessoa quem recebe, mas
neste caso há maiores restrições ± não pode ser qualquer pessoa).
Art. 308. O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente,
sob pena de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu
proveito.
Quem pode pagar? Qualquer pessoa pode pagar. Seja o devedor, o
terceiro interessado ou, até mesmo, o não interessado:
Art. 304. Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o
credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor.
Parágrafo único. Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o fizer em nome e à
conta do devedor, salvo oposição deste.
Art. 305. O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu próprio nome, tem
direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-roga nos direitos do credor.
Parágrafo único. Se pagar antes de vencida a dívida, só terá direito ao reembolso no
vencimento.
Art. 306. O pagamento feito por terceiro, com desconhecimento ou oposição do devedor,
não obriga a reembolsar aquele que pagou, se o devedor tinha meios para ilidir a ação.
Não pode o credor recusar o pagamento, ainda que oferecido por pessoa estranha
ao vínculo contratual. Agora, lembre-se também que, em qualquer situação:
Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida,
ainda que mais valiosa.
Artigo importante:
Art. 309. O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, ainda provado
depois que não era credor.
Credor putativo é aquele que aparenta ser o credor, mas não é. Se o devedor
age de boa-fé e amparado pela escusabilidade do erro, considera-se válido o
pagamento feito por ele ao credor putativo.
Lugar do pagamento:
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Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes
¹convencionarem diversamente, ou se o contrário ²resultar da lei, ³da natureza da
obrigação ou 4das circunstâncias.
Parágrafo único. Designados dois ou mais lugares, cabe ao credor escolher entre
eles.
Quérable - ocorre no domicílio do devedor (é a regra).
MACETE: QUEm DEVE
Portable - ocorre no domicílio do credor.
Formas de adimplemento:
1. Pagamento direto.
2. Pagamento indireto (pagamentos especiais).
2.1 Pagamento em consignação:
Ocorre o depósito da coisa. Refere-se à obrigações de dar. Formas:
Consignação ¹extrajudicial e ²judicial. A possibilidade de efetuar a consignação
em pagamento mediante depósito extrajudicial só existe para obrigações de
pagar em dinheiro, reservando-se a outras obrigações o procedimento judicial.
2.2 Pagamento com sub-rogação:
É a situação, por exemplo, de um avalista que paga a dívida em relação ao
devedor principal. A pessoa paga e sub-roga-se nos direitos.
Art. 349. A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos, ações, privilégios
e garantias do primitivo, em relação à dívida, contra o devedor principal e os fiadores.
2.3 Imputação ao pagamento:
É a escolha, em determinadas situações, a qual débito o credor oferece
pagamento.
Art. 352. A pessoa obrigada por dois ou mais débitos ¹da mesma natureza, ²a um só
credor, tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento, ³se todos forem
líquidos e vencidos.
2.4 Dação em pagamento:
A dação em pagamento pode ser corretamente definida como um acordo entre
o credor e o devedor, com o objetivo de extinguir a obrigação, no qual consente
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o credor em receber coisa diversa da devida, em substituição à prestação que
lhe era originalmente objeto do pacto.
Há o consentimento do credor em receber coisa diversa.
2.5 Novação:
Cria-se uma nova obrigação e extingue-se a anterior.
2.6 Compensação:
Se duas ou mais pessoas são, ao mesmo tempo, credoras e devedoras umas das
outras, as obrigações poderão ser compensadas.
As obrigações se compensam.
Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e
devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem-se, até
onde se compensarem.
Art. 369. A compensação efetua-se entre dívidas líquidas,
vencidas e de coisas fungíveis.
Art. 370. Embora sejam do mesmo gênero as coisas
fungíveis, objeto das duas prestações, não se
compensarão, verificando-se que diferem na
qualidade, quando especificada no contrato.
2.7 Confusão: (esta é fácil de memorizar)
Trata-se da incidência da qualidade de credor e devedor em uma só pessoa.
Questões do CESPE
Como solicitado nos cursos anteriores que ministramos, apresentaremos as
questões com alguns comentários e ao final colocaremos apenas a lista das
questões com gabarito, desta forma facilitamos para aqueles que estudam
diretamente pelo computador, mas também ajudamos quem irá estudar pelas
aulas impressas."A" credor
de "B"
também é
devedor de
"B"
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01. CESPE 2016/FUNPRESP-JUD/Analista-direito. A respeito das
obrigações, dos contratos, dos atos unilaterais, do reconhecimento dos filhos e
da sucessão, julgue o item subsequente.
Na imputação do pagamento, são exigidas, além da pluralidade de débitos e
identidade das partes, a igual natureza das dívidas e a possibilidade de o
pagamento resgatar mais de um débito.
02. CESPE 2016/TCE-PR/Analista de Controle-jurídica. Carlos se obrigou a
entregar a Roberto um automóvel fabricado em 1970, mas, diante da dificuldade
de adimplemento, ficou acordada a substituição da obrigação pela entrega de um
veículo zero km fabricado no corrente ano. Nessa situação hipotética, de acordo
com o Código Civil, ocorreu uma novação.
03. CESPE 2016/TCE-PA/Auditor de Controle Externo ± Área
Fiscalização-direito. Indivíduo que se comprometer ao pagamento da
obrigação em prestações sucessivas terá a seu favor a presunção de pagamento
se tiver recibo de quitação da última.
04. CESPE 2016/TCE-SC/Auditor fiscal de Controle Externo. Depositado o
valor referente ao pagamento em consignação, o devedor poderá requerer o
levantamento, o qual dependerá de anuência do credor, ainda que este não tenha
declarado que aceita o depósito ou não tenha impugnado o seu valor.
CESPE 2016/TCE-PR/Analista de Controle-Jurídica. Acerca da disciplina dos
contratos no Código Civil, julgue os itens.
05. Se coisa recebida em virtude de contrato comutativo for enjeitada por defeito
oculto que lhe diminua o valor, o alienante terá de restituir o que receber,
acrescido de perdas e danos, ainda que desconheça o vício.
06. Decretada judicialmente a nulidade de um contrato por ter a prestação do
devedor se tornado excessivamente onerosa, a sentença terá efeito a partir de
sua publicação.
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07. Sob pena de nulidade, o contrato preliminar deve observar a mesma forma
prescrita em lei para a celebração do contrato definitivo.
08. CESPE 2016/TJ-DFT/Juiz (Adaptada). Em atenção ao direito das
obrigações, Julgue o item abaixo. A obrigação portável (portable) é aquela em
que o pagamento deve ser feito no domicílio do devedor, ficando o credor,
portanto, obrigado a buscar a quitação.
09. CESPE 2016/TJ-DFT/Juiz (Adaptada). Em atenção ao direito das
obrigações, Julgue o item abaixo. Na assunção de dívida, a oposição da exceção
de contrato não cumprido é permitida ao assuntor em face do devedor primitivo,
mas vedada em face do credor.
10. CESPE 2016/TRT 8ª Região/AJAJ. Em cada uma das seguintes opções, é
apresentada uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada
acerca de institutos relacionados ao adimplemento e à extinção das obrigações.
Assinale a opção que apresenta a assertiva correta.
a) César, que deve a Caio a quantia correspondente a R$ 1.000, passa por
situação de dificuldade financeira, razão por que Caio resolveu perdoar-lhe
a dívida. Nessa situação, a remissão, que tem o único objetivo de extinguir
a dívida, independe da aceitação de César.
b) Márcio contraiu duas dívidas com Joana, nos valores de R$ 300 e R$ 150,
com vencimento, respectivamente, em 20/12/2015 e em 5/1/2016; em
10/1/2016, Márcio entregou a Joana R$ 150, mas não indicou qual dívida
desejava saldar. Joana tampouco apontou qual dívida estava sendo
quitada. Nessa situação, presume-se que o pagamento refere-se à dívida
vencida em 5/1/2016, já que o valor entregue importa em sua quitação
integral.
c) João contraiu obrigação, tornando-se devedor de Pedro, mas nada foi
estabelecido quanto ao local do efetivo cumprimento da obrigação. Nessa
situação, considera-se o local de cumprimento a casa do credor, uma vez
que, na ausência de estipulação do local de pagamento, se presume que a
dívida é portável (portable).
d) Mário, estando obrigado a pagar R$ 50.000 a Paulo, ofereceu-lhe, na data
do pagamento, um veículo para solver a dívida, o que foi aceito por Paulo,
que, após receber o veículo, teve que entregá-lo a um terceiro em
decorrência de uma ação de evicção. Nessa situação, como Paulo foi evicto
da coisa recebida em pagamento, será restabelecida a obrigação primitiva
e) Ana tem uma dívida já prescrita no valor de R$ 300 com Maria, que, por
sua vez, deve a quantia de R$ 500, vencida recentemente, a Ana. Nessa
situação, ainda que sem a concordância de Ana, Maria poderá compensar
as dívidas e pagar a Ana apenas R$ 200, porquanto, embora prescrita, a
dívida de Ana ainda existe e é denominada obrigação moral.
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11. CESPE 2015/DPU/Defensor Público Federal. Considere que as
prestações periódicas de tal negócio jurídico tenham sido cumpridas,
reiteradamente e com a aceitação de ambas as partes, no domicílio de uma das
partes da relação jurídica. Nesse caso, ainda que tenha sido disposto na avença
que as prestações fossem cumpridas no domicílio da outra parte, esta não poderia
exigir, unilateral e posteriormente, o cumprimento de tal disposição.
12. CESPE 2015/DPU/Defensor Público Federal. Caso o credor da relação
jurídica ceda seu crédito a terceiro, a ausência de notificação do devedor
implicará a inexigibilidade da dívida.
13. CESPE 2015/TJ-PB/Juiz. André e Bernardo, filhos de Carla e Daniel,
obrigaram-se solidariamente perante Eduardo e Fernando a entregar-lhes dez
sacas de café em dezembro de 2014. No entanto, por problemas na colheita,
André e Bernardo ficaram impossibilitados de cumprir com a entrega das sacas.
Para ajudar seus filhos, como proposta, Carla e Daniel obrigaram-se
solidariamente a dar quarenta sacas de milho em substituição à antiga obrigação.
Eduardo e Fernando aceitaram a proposta e, assim, adimpliram a dívida de André
e Bernardo. Com relação a essa situação hipotética, julgue o item no que se
refere à teoria das obrigações. O acordo de Eduardo e Fernando com Carla e
Daniel, que substituiu a obrigação da entrega das dez sacas de café pela entrega
de quarenta sacas de milho, independe da concordância de André e Bernardo.
14. CESPE 2015/TRF 5º Região/Juiz Federal. Devido a obrigação
proveniente da prática de ato ilícito, o devedor será considerado em mora desde
o ajuizamento da ação indenizatória.
15. CESPE 2015/TRE-GO/Analista Judiciário. No âmbito contratual, o
princípio geral da boa-fé objetiva permite interpretação extensiva dos pactos
firmados, e é aplicado inclusive no que diz respeito a relações pré-contratuais, o
que garante a validade de normas de conduta implícitas.
16. CESPE 2015/DPE-PE/Defensor Público. Nos contratos aleatórios, é
admitida a revisão ou resolução por onerosidade excessiva em razão da
ocorrência de evento superveniente, extraordinário e imprevisível que não se
relacione com a álea assumida no contrato.
17. CESPE 2014/TJ-CE/Analista Judiciário. João, mediante contrato firmado,
prestava assistência técnica de computadores à empresa de Mário. João e Mário,
por mútuo consenso, resolveram por fim à relação contratual.
Nessa situação hipotética, considerando o que dispõe a doutrina majoritáriasobre
a matéria, caracterizou-se a resilição bilateral do contrato.
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18. CESPE 2014/TJ-CE/Analista Judiciário. Ricardo comprou uma
motocicleta de Manoel, firmando contrato em que não constava nenhuma
cláusula expressa sobre a evicção. Após um mês de uso, a motocicleta foi
apreendida por um oficial de justiça, que foi à casa de Ricardo cumprir mandado
judicial de busca e apreensão fruto de ação judicial. Instado por Ricardo, Manoel
declarou desconhecer a ação judicial que originou o referido mandado, alegando
que adquiriu a motocicleta de terceiro.
Considerando essa situação hipotética e o disposto no Código Civil, Ricardo
deverá demandar judicialmente Manoel, que responderá pela evicção.
19. CESPE 2014/TCDF/Auditor de controle externo. Conforme o Código
Civil brasileiro, é expressamente proibido que herança de pessoa viva seja objeto
de contrato.
20. CESPE 2014/ TJ-CE/Analista Judiciário - Execução de Mandados.
Rebeca, obrigada por três débitos da mesma natureza a Joana, pretende indicar
a qual deles oferecerá pagamento, já que todos os débitos são líquidos e
vencidos. Nessa situação hipotética, Rebeca deverá valer-se da imputação do
pagamento.
21. CESPE 2014/MPE-AC. Considerando os conceitos de adimplemento e
inadimplemento de uma obrigação, julgue o item. O devedor pode responder
pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior desde que,
expressamente, tenha-se por eles responsabilizado.
22. CESPE 2014/MPE-AC. Considerando os conceitos de adimplemento e
inadimplemento de uma obrigação, julgue o item. Considera-se em mora o
devedor que não efetue o pagamento no tempo ajustado, mas não o que cumpra
a obrigação de forma imperfeita.
23. CESPE 2014/MPE-AC. Considerando os conceitos de adimplemento e
inadimplemento de uma obrigação, julgue o item. Não se admite que o credor
recuse a prestação, ainda que o devedor a cumpra em mora, devendo aquele
socorrer-se das perdas e danos para ver mitigado seu prejuízo.
24. CESPE 2014/PGE-BA/Procurador do Estado. Em regra, as obrigações
pecuniárias somente podem ser quitadas em moeda nacional e pelo seu valor
nominal.
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25. CESPE 2014/TCE-PB/Procurador. José, Mauro e Carlos obrigaram-se
solidariamente a entregar a Maria, em prazo contratualmente estipulado,
determinado imóvel ou a quantia de R$ 100.000,00, cabendo a escolha aos
devedores. Com referência a essa situação hipotética e com base nos dispositivos
legais acerca do direito das obrigações, julgue o item. Segundo dispõe o atual
Código Civil, o pagamento deverá ser efetuado no domicílio do credor, salvo se
as partes convencionarem de forma diversa.
CESPE 2013/TRE-MS/Analista Judiciário. Julgue os itens (adaptada).
26. Diante de cláusulas ambíguas ou contraditórias em um contrato de adesão,
a interpretação deve favorecer aquele que assinou primeiro, pois teve um tempo
menor para ler e compreender o contrato.
27. Os atos praticados na etapa pré-contratual não são capazes de gerar
responsabilidade civil, que é típica daqueles atos praticados na vigência do
contrato.
28. CESPE 2013/TCDF/Procurador. Julgue o item a seguir, relativo a
adimplemento e extinção de obrigações. Se o devedor verificar que o credor é
pessoa incapaz de receber, o pagamento deverá ser realizado mediante
consignação.
29. CESPE 2012/TJ-PI/Juiz Substituto. O pagamento que o devedor de boa-
fé efetuar ao credor putativo só será válido se provado que reverteu em benefício
seu.
30. CESPE 2012/TC-DF. É possível a cessão de um crédito sem que todos os
seus acessórios estejam abrangidos pela operação.
31. CESPE 2012/TJ-PI/Juiz Substituto. O pagamento estipulado em cotas
sucessivas não se presume pela apresentação da quitação da última cota.
32. CESPE 2012/TJ-PI/Juiz Substituto. Caso o credor seja incapaz, o
devedor, de acordo com a lei, deverá, sempre, consignar o pagamento do valor
devido àquele.
CESPE 2012/MP-PI/Promotor de Justiça Substituto. Julgue os itens abaixo
a respeito da evicção.
33. As partes podem, por cláusula expressa, maximizar a responsabilidade pela
evicção, mas não podem diminuí-la.
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34. As benfeitorias necessárias ou úteis que não tenham sido reembolsadas ao
que sofreu a evicção terão de ser pagas pelo alienante.
35. Será legítima a demanda pela evicção por parte do adquirente que,
assumindo o risco, tenha conhecimento de que a coisa é alheia ou litigiosa.
36. Havendo cláusula excludente da garantia da evicção, se esta ocorrer, o evicto
não terá nenhum direito a reclamar.
37. CESPE 2011/TJ-ES/Analista judiciário. O crédito Hɍ um direito que pode
ser cedido pelo seu titular (credor). Entretanto, a cessão de crédito, em regra,
dependerDɍ da anuência tanto do cessionário quanto do devedor.
38. CESPE 2011/TRF 5ª/Juiz Federal Substituto. Podendo o terceiro não
interessado pagar débito em nome do devedor, pode ele também compensar o
débito alheio com aquilo que o credor lhe dever.
39. CESPE 2010/TRT - 1ª REGIÃO (RJ)/Juiz. Se o devedor está obrigado a
realizar o pagamento por medida e o contrato nada dispõe a esse respeito,
entende-se que as partes aceitaram as do lugar de celebração do contrato.
40. CESPE 2010/TRT - 1ª REGIÃO (RJ)/Juiz. Um dos requisitos essenciais
do pagamento é a intenção, daquele que paga, de extinguir a obrigação
assumida.
41. CESPE 2010/TRT - 1ª REGIÃO (RJ)/Juiz. Se o devedor der coisa fungível
que não lhe pertença ao credor e, ainda que de boa-fé, este a consumir, o
pagamento não terá eficácia.
CESPE 2010/DPU/Defensor Público Federal. Acerca da revisão contratual,
julgue os itens subsequentes.
42. Para que seja possível requerer a revisão contratual com base na onerosidade
excessiva, o contrato deve ser de execução continuada ou diferida.
43. É suficiente à revisão do contrato por onerosidade excessiva que o
acontecimento se tenha manifestado só na esfera individual da parte.
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44. CESPE 2010/OAB/Exame de Ordem. Somente é lícito às partes estipular
contratos tipificados no Código Civil.
CESPE 2010/OAB/Exame de Ordem. Julgue os itens a respeito dos vícios
redibitórios e da evicção.
45. O adquirente, ante o vício redibitório da coisa, somente poderá reclamar o
abatimento do preço.
46. Não há responsabilidade por evicção caso a aquisição do bem tenha sido
efetivada por meio de hasta pública.
47. Se o alienante não conhecia, à época da alienação, o vício ou defeito da coisa,
haverá exclusão da sua responsabilidade por vício redibitório.
48. As partes podem inserir no contrato cláusula que exclua a responsabilidade
do alienante pela evicção.
CESPE 2009/TCE-TO/Analista de Controle Externo.A respeito das regras
aplicáveis aos contratos, julgue os itens.
49. As partes podem reforçar a garantia pela evicção, mas não podem excluí-la.
50. A responsabilidade do alienante pelos vícios redibitórios não subsiste se a
coisa perecer em poder do adquirente.
1.C 2.C 3.C 4.E 5.E 6.E 7.E 8. E 9.C 10.D
11.C 12.E 13.C 14.E 15.C 16.C 17.C 18.C 19.C 20.C
21.C 22.E 23.E 24.C 25.E 26.E 27.E 28.C 29.E 30.C
31.E 32.E 33.E 34.C 35.E 36.E 37.E 38.E 39.E 40.C
41.E 42.C 43.E 44.E 45.E 46.E 47.E 48.C 49.E 50.E
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01. CESPE 2016/FUNPRESP-JUD/Analista-direito. A respeito das
obrigações, dos contratos, dos atos unilaterais, do reconhecimento dos filhos e
da sucessão, julgue o item subsequente.
Na imputação do pagamento, são exigidas, além da pluralidade de débitos e
identidade das partes, a igual natureza das dívidas e a possibilidade de o
pagamento resgatar mais de um débito.
Comentário:
Art. 352. A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um
só credor, tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento, se todos forem
líquidos e vencidos.
Do artigo acima podemos concluir, que a imputação do pagamento, é uma
faculdade atribuída ao devedor que possui vários débitos, na qual, este poderá
escolher dentre os diversos débitos, a obrigação que será extinta através do
pagamento. Desde que estes débitos sejam perante o mesmo credor, de mesma
natureza, líquidos40 e vencidos.
Gabarito correto.
02. CESPE 2016/TCE-PR/Analista de Controle-jurídica. Carlos se obrigou a
entregar a Roberto um automóvel fabricado em 1970, mas, diante da dificuldade
de adimplemento, ficou acordada a substituição da obrigação pela entrega de um
veículo zero km fabricado no corrente ano. Nessa situação hipotética, de acordo
com o Código Civil, ocorreu uma novação.
Comentário:
A novação é uma das formas de pagamento indireto, em que há a substituição
de uma obrigação anterior por uma obrigação nova, que é diferente da
anterior. Por este motivo, a novação não produz a satisfação imediata do crédito.
É considerada novo negócio jurídico, que possui os seguintes requisitos: ¹a
existência de uma obrigação anterior; ²que exista uma nova obrigação; e
³que exista a intenção de fazer a novação.
Gabarito correto.
40 Obrigação líquida é aquela sobre a qual não existem dúvidas sobre sua existência, e que é
determinada quanto ao seu objeto.
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03. CESPE 2016/TCE-PA/Auditor de Controle Externo ± Área
Fiscalização-direito. Indivíduo que se comprometer ao pagamento da
obrigação em prestações sucessivas terá a seu favor a presunção de pagamento
se tiver recibo de quitação da última.
Comentário:
Art. 322. Quando o pagamento for em quotas periódicas, a quitação da última
estabelece, até prova em contrário, a presunção de estarem solvidas as anteriores.
Gabarito correto.
04. CESPE 2016/TCE-SC/Auditor fiscal de Controle Externo. Depositado o
valor referente ao pagamento em consignação, o devedor poderá requerer o
levantamento, o qual dependerá de anuência do credor, ainda que este não tenha
declarado que aceita o depósito ou não tenha impugnado o seu valor.
Comentário:
A consignação é um meio oferecido pela lei, para que se cumpra uma obrigação
e assim se evite as consequências de um inadimplemento. Se a consignação for
realizada de forma extrajudicial, através de um depósito bancário, o credor será
notificado deste depósito para, no prazo de dez dias, impugná-lo ou declarar sua
aceitação.
Assim, enquanto o credor não se manifestar poderá o devedor levantar o
depósito, de acordo com o art. 338:
Art. 338. Enquanto o credor não declarar que aceita o depósito, ou não o
impugnar, poderá o devedor requerer o levantamento, pagando as respectivas
despesas, e subsistindo a obrigação para todas as consequências de direito.
Art. 339. Julgado procedente o depósito, o devedor já não poderá levantá-lo, embora
o credor consinta, senão de acordo com os outros devedores e fiadores.
Gabarito errado.
CESPE 2016/TCE-PR/Analista de Controle-Jurídica. Acerca da disciplina dos
contratos no Código Civil, julgue os itens.
05. Se coisa recebida em virtude de contrato comutativo for enjeitada por defeito
oculto que lhe diminua o valor, o alienante terá de restituir o que receber,
acrescido de perdas e danos, ainda que desconheça o vício.
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Comentário:
Esta questão trata dos vícios redibitórios.
Art. 441. A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por
vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe
diminuam o valor.
Parágrafo único. É aplicável a disposição deste artigo às doações onerosas.
Deste modo, a pessoa que adquire uma coisa que contenha um vício ou defeito
oculto, que a tornem imprópria para o uso ou lhe diminuam o valor, poderá
ajuizar uma ação redibitória para a rejeição da coisa e a devolução do valor
pago, com a devolução da coisa a seu antigo dono.
Poderá também propor uma ação estimatória, para o caso de o defeito oculto
diminuir o valor da coisa, onde pedirá a devolução de parte do valor que pagou
como abatimento.
Segundo o parágrafo único do art. 441, as disposições aplicáveis aos vícios e
defeitos cultos também são aplicáveis quando o negócio se deu por
doações onerosas. Doações onerosas são aquelas em que o doador impõe ao
beneficiário uma incumbência ou dever, há, por exemplo, um encargo. Este tipo
de doação, nos termos do art. 539, deve ter aceitação expressa pelo beneficiário
(donatário).
Art. 443. ¹Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa, restituirá o que
recebeu com perdas e danos; ²se o não conhecia, tão-somente restituirá o valor
recebido, mais as despesas do contrato.
O artigo 443 estabelece diferenças entre o alienante que age de má-fé e o que
age de boa-fé, quais sejam: ¹se o vendedor sabia do vício, e, portanto, agiu
de má-fé, terá que pagar ao adquirente o valor que foi pago pela coisa mais
perdas e danos; porém ²se o vendedor não sabia do vício ± agiu de boa-
fé, terá que restituir o valor recebido mais as despesas do contrato.
Gabarito errado.
06. Decretada judicialmente a nulidade de um contrato por ter a prestação do
devedor se tornado excessivamente onerosa, a sentença terá efeito a partir de
sua publicação.
Comentário:
Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma
das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra,
em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a
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resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da
citação.
Este artigo apresenta outra forma de seacabar com um contrato, ela ocorre
quando, em um contrato, a prestação se torna muito onerosa para uma das
partes, sem a contrapartida da outra. Esta onerosidade deve ser em virtude de
acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, consagrando a chamada
teoria da imprevisão. Não basta que ocorra um evento extraordinário ele
precisa ser imprevisível41.
Assim, diante desses acontecimentos, poderá o devedor pedir a resolução
contratual por onerosidade excessiva. Este pedido será analisado pelo juiz, que,
tomando por base a situação, decidirá se existem ou não os requisitos da
onerosidade excessiva.
Gabarito errado.
07. Sob pena de nulidade, o contrato preliminar deve observar a mesma forma
prescrita em lei para a celebração do contrato definitivo.
Comentário:
Art. 462. O contrato preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os
requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado.
Gabarito errado.
08. CESPE 2016/TJ-DFT/Juiz (Adaptada). Em atenção ao direito das
obrigações, Julgue o item abaixo. A obrigação portável (portable) é aquela em
que o pagamento deve ser feito no domicílio do devedor, ficando o credor,
portanto, obrigado a buscar a quitação.
Comentário:
De acordo com o Código Civil:
Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes
convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da
obrigação ou das circunstâncias.
Na obrigação quesível (querable) o pagamento deve ser feito no domicílio do
devedor.
Na obrigação portável (portable) o pagamento deve ser feito no domicílio do
credor.
Gabarito letra E
41 $�LQIODomR�SRU�VHU�FRQVLGHUDGD�³SUHYLVtYHO´�QmR�p�PRWLYR�SDUD�UHYLVmR�GRV�FRQWUDWRV�
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==d6739==
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09. CESPE 2016/TJ-DFT/Juiz (Adaptada). Em atenção ao direito das
obrigações, Julgue o item abaixo. Na assunção de dívida, a oposição da exceção
de contrato não cumprido é permitida ao assuntor em face do devedor primitivo,
mas vedada em face do credor.
Comentário:
Na assunção de dívida, a oposição da exceção de contrato não cumprido é
permitida ao assuntor em face do devedor primitivo, mas vedada em face do
credor.
De acordo com o Código Civil:
Art. 302. O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam
ao devedor primitivo.
Gabarito letra C
10. CESPE 2016/TRT 8ª Região/AJAJ. Em cada uma das seguintes opções, é
apresentada uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada
acerca de institutos relacionados ao adimplemento e à extinção das obrigações.
Assinale a opção que apresenta a assertiva correta.
a) César, que deve a Caio a quantia correspondente a R$ 1.000, passa por
situação de dificuldade financeira, razão por que Caio resolveu perdoar-lhe
a dívida. Nessa situação, a remissão, que tem o único objetivo de extinguir
a dívida, independe da aceitação de César.
b) Márcio contraiu duas dívidas com Joana, nos valores de R$ 300 e R$ 150,
com vencimento, respectivamente, em 20/12/2015 e em 5/1/2016; em
10/1/2016, Márcio entregou a Joana R$ 150, mas não indicou qual dívida
desejava saldar. Joana tampouco apontou qual dívida estava sendo
quitada. Nessa situação, presume-se que o pagamento refere-se à dívida
vencida em 5/1/2016, já que o valor entregue importa em sua quitação
integral.
c) João contraiu obrigação, tornando-se devedor de Pedro, mas nada foi
estabelecido quanto ao local do efetivo cumprimento da obrigação. Nessa
situação, considera-se o local de cumprimento a casa do credor, uma vez
que, na ausência de estipulação do local de pagamento, se presume que a
dívida é portável (portable).
d) Mário, estando obrigado a pagar R$ 50.000 a Paulo, ofereceu-lhe, na data
do pagamento, um veículo para solver a dívida, o que foi aceito por Paulo,
que, após receber o veículo, teve que entregá-lo a um terceiro em
decorrência de uma ação de evicção. Nessa situação, como Paulo foi evicto
da coisa recebida em pagamento, será restabelecida a obrigação primitiva
e) Ana tem uma dívida já prescrita no valor de R$ 300 com Maria, que, por
sua vez, deve a quantia de R$ 500, vencida recentemente, a Ana. Nessa
situação, ainda que sem a concordância de Ana, Maria poderá compensar
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as dívidas e pagar a Ana apenas R$ 200, porquanto, embora prescrita, a
dívida de Ana ainda existe e é denominada obrigação moral.
Comentário:
$�$OWHUQDWLYD�³D´�HVWi�HUUDGD�
Art. 385. A remissão da dívida, aceita pelo devedor, extingue a obrigação, mas sem
prejuízo de terceiro.
$�$OWHUQDWLYD�³E´�está errada.
Art. 355. Se o devedor não fizer a indicação do art. 352, e a quitação for omissa quanto
à imputação, esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. Se as dívidas
forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo, a imputação far-se-á na mais onerosa.
O artigo 355 será utilizado, quando o devedor não indicar a qual das dívidas
quer imputar o pagamento, e nem o credor indicar na hora da quitação. Assim
sendo a lei ordena que a imputação seja feita nas dívidas líquidas e vencidas em
primeiro lugar.
$�$OWHUQDWLYD�³F´�HVWi�HUUDGD�
Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes
convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da
obrigação ou das circunstâncias.
$�$OWHUQDWLYD�³G´�HVWi�FRUUHWD�
Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-se-á a
obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de
terceiros.
$�$OWHUQDWLYD�³H´�HVWi�HUUDGD�
Art. 369. A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis.
Gabarito letra D.
11. CESPE 2015/DPU/Defensor Público Federal. Considere que as
prestações periódicas de tal negócio jurídico tenham sido cumpridas,
reiteradamente e com a aceitação de ambas as partes, no domicílio de uma das
partes da relação jurídica. Nesse caso, ainda que tenha sido disposto na avença
que as prestações fossem cumpridas no domicílio da outra parte, esta não poderia
exigir, unilateral e posteriormente, o cumprimento de tal disposição.
Comentário:
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Art. 330. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do
credor relativamente ao previsto no contrato.
A doutrina majoritária entende que a supressio é um dos efeitos do princípio da
boa-fé contratual, é o desaparecimento de um direito, não exercido por um lapso
de tempo, de modo a gerar no outro contratante ou naquele que se encontra no
outro polo da relação jurídica a expectativa de que não seja mais exercido.
Desta forma, o credor não poderá exigir, unilateral e posteriormente, o
cumprimento de tal disposição, pois estará violando o princípio da boa-fé.
Gabarito correto.
12. CESPE 2015/DPU/Defensor Público Federal. Caso o credor da relação
jurídica ceda seu crédito a terceiro, a ausência de notificação do devedor
implicará a inexigibilidade da dívida.
Comentário:
Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relaçãoao devedor, senão quando a
este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou
particular, se declarou ciente da cessão feita.
Neste caso a cessão de crédito não tem eficácia em relação ao devedor senão
quando a este notificada. A ausência de notificação não afeta a exigibilidade da
dívida.
Gabarito errado.
13. CESPE 2015/TJ-PB/Juiz. André e Bernardo, filhos de Carla e Daniel,
obrigaram-se solidariamente perante Eduardo e Fernando a entregar-lhes dez
sacas de café em dezembro de 2014. No entanto, por problemas na colheita,
André e Bernardo ficaram impossibilitados de cumprir com a entrega das sacas.
Para ajudar seus filhos, como proposta, Carla e Daniel obrigaram-se
solidariamente a dar quarenta sacas de milho em substituição à antiga obrigação.
Eduardo e Fernando aceitaram a proposta e, assim, adimpliram a dívida de André
e Bernardo. Com relação a essa situação hipotética, julgue o item no que se
refere à teoria das obrigações. O acordo de Eduardo e Fernando com Carla e
Daniel, que substituiu a obrigação da entrega das dez sacas de café pela entrega
de quarenta sacas de milho, independe da concordância de André e Bernardo.
Comentário:
O caso da questão é de novação, por isso vamos aplicar o art. 362 do CC:
Art. 362. A novação por substituição do devedor pode ser efetuada independentemente
de consentimento deste.
Gabarito correto.
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14. CESPE 2015/TRF 5º Região/Juiz Federal. Devido a obrigação
proveniente da prática de ato ilícito, o devedor será considerado em mora desde
o ajuizamento da ação indenizatória.
Comentário:
Art. 398. Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora,
desde que o praticou.
Gabarito errado.
15. CESPE 2015/TRE-GO/Analista Judiciário. No âmbito contratual, o
princípio geral da boa-fé objetiva permite interpretação extensiva dos pactos
firmados, e é aplicado inclusive no que diz respeito a relações pré-contratuais, o
que garante a validade de normas de conduta implícitas.
Comentário:
Enunciado nº 25 da I Jornada de Direito Civil da CJF��³Art. 422: o art. 422
do Código Civil não inviabiliza a aplicação pelo julgador do princípio da boa-fé nas
fases pré-contratual e pós-contratual´.
Gabarito correto.
16. CESPE 2015/DPE-PE/Defensor Público. Nos contratos aleatórios, é
admitida a revisão ou resolução por onerosidade excessiva em razão da
ocorrência de evento superveniente, extraordinário e imprevisível que não se
relacione com a álea assumida no contrato.
Comentário:
Enunciado nº 440 da V Jornada de Direito Civil do Conselho de Justiça
Federal: ³e� SRVVtYHO� D� UHYLVmR� RX� UHVROXomR� SRU� H[FHVVLYD� RQHURVLGDGH� HP�
contratos aleatórios, desde que o evento superveniente, extraordinário e
LPSUHYLVtYHO�QmR�VH�UHODFLRQH�FRP�D�iOHD�DVVXPLGD�QR�FRQWUDWR´.
Gabarito correto.
17. CESPE 2014/TJ-CE/Analista Judiciário. João, mediante contrato firmado,
prestava assistência técnica de computadores à empresa de Mário. João e Mário,
por mútuo consenso, resolveram por fim à relação contratual.
Nessa situação hipotética, considerando o que dispõe a doutrina majoritária sobre
a matéria, caracterizou-se a resilição bilateral do contrato.
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Comentário:
O distrato é um acordo entre as partes contratantes com o objetivo de
dissolver o contrato antes pactuado. E também é conhecido como resilição
bilateral do contrato. ;)
Gabarito correto.
18. CESPE 2014/TJ-CE/Analista Judiciário. Ricardo comprou uma
motocicleta de Manoel, firmando contrato em que não constava nenhuma
cláusula expressa sobre a evicção. Após um mês de uso, a motocicleta foi
apreendida por um oficial de justiça, que foi à casa de Ricardo cumprir mandado
judicial de busca e apreensão fruto de ação judicial. Instado por Ricardo, Manoel
declarou desconhecer a ação judicial que originou o referido mandado, alegando
que adquiriu a motocicleta de terceiro.
Considerando essa situação hipotética e o disposto no Código Civil, Ricardo
deverá demandar judicialmente Manoel, que responderá pela evicção.
Comentário:
Art. 447. Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evicção. Subsiste esta
garantia ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta pública.
Deste modo, a evicção aparece como uma garantia dada em favor do
adquirente, em um contrato oneroso, contra o alienante.
Na evicção temos três figuras: o evicto ± que é quem perde o bem na ação; e o
alienante que é quem vendeu o bem e o responsável pela evicção; o evictor ±
que é quem ganha à ação na justiça e ³readquire´ o bem.
Assim, para que haja a evicção, é necessário que se configure em um contrato
do tipo oneroso, um vício de direito anterior ou ao mesmo tempo da celebração
do contrato. Por meio de uma sentença judicial, na hora em que for realizar o
negócio jurídico a pessoa perderá a posse, o uso ou a propriedade da coisa.
Gabarito correto.
19. CESPE 2014/TCDF/Auditor de controle externo. Conforme o Código
Civil brasileiro, é expressamente proibido que herança de pessoa viva seja objeto
de contrato.
Comentário:
Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.
Gabarito correto.
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20. CESPE 2014/ TJ-CE/Analista Judiciário - Execução de Mandados.
Rebeca, obrigada por três débitos da mesma natureza a Joana, pretende indicar
a qual deles oferecerá pagamento, já que todos os débitos são líquidos e
vencidos. Nessa situação hipotética, Rebeca deverá valer-se da imputação do
pagamento.
Comentário:
Art. 352. A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um só
credor, tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento, se todos forem líquidos
e vencidos.
Gabarito correto.
21. CESPE 2014/MPE-AC. Considerando os conceitos de adimplemento e
inadimplemento de uma obrigação, julgue o item. O devedor pode responder
pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior desde que,
expressamente, tenha-se por eles responsabilizado.
Comentário:
Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força
maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado.
Gabarito correto.
22. CESPE 2014/MPE-AC. Considerando os conceitos de adimplemento e
inadimplemento de uma obrigação, julgue o item. Considera-se em mora o
devedor que não efetue o pagamento no tempo ajustado, mas não o que cumpra
a obrigação de forma imperfeita.
Comentário:
Art. 394. Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que
não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer.
Gabarito errado.
23. CESPE 2014/MPE-AC. Considerando os conceitos de adimplemento e
inadimplemento de uma obrigação, julgue o item. Não se admite que o credor
recuse a prestação, ainda que o devedor a cumpra em mora, devendo aquele
socorrer-se das perdas e danos para ver mitigado seu prejuízo.
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Comentário:
Art. 394. Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que
não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer.
Gabarito errado.
24. CESPE 2014/PGE-BA/Procurador do Estado. Em regra, as obrigações
pecuniárias somente podem ser quitadas em moeda nacional e pelo seu valor
nominal.
Comentário:
Art. 315. As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente
e pelo valor nominal, salvo o disposto nos artigos subsequentes.
Gabarito correto.
25. CESPE 2014/TCE-PB/Procurador. José, Mauro e Carlos obrigaram-se
solidariamente a entregar a Maria, em prazo contratualmente estipulado,
determinado imóvel ou a quantia de R$ 100.000,00, cabendo a escolha aos
devedores. Com referência a essa situação hipotética e com base nos dispositivos
legais acerca do direito das obrigações, julgue o item. Segundo dispõe o atual
Código Civil, o pagamento deverá ser efetuado no domicílio do credor, salvo se
as partes convencionarem de forma diversa.
Comentário:
Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes
convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da
obrigação ou das circunstâncias.
Parágrafo único. Designados dois ou mais lugares, cabe ao credor escolher entre eles.
Gabarito errado.
CESPE 2013/TRE-MS/Analista Judiciário. Julgue os itens (adaptada).
26. Diante de cláusulas ambíguas ou contraditórias em um contrato de adesão,
a interpretação deve favorecer aquele que assinou primeiro, pois teve um tempo
menor para ler e compreender o contrato.
Comentário:
Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias,
dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente.
Gabarito errado.
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27. Os atos praticados na etapa pré-contratual não são capazes de gerar
responsabilidade civil, que é típica daqueles atos praticados na vigência do
contrato.
Comentário:
Perceba que a afirmação fala em responsabilidade civil, ou seja, não falou em
responsabilidade contratual ou extracontratual. E como vimos em aula não há
responsabilidade civil contratual, mas apesar da falta de obrigatoriedade dos
entendimentos preliminares, excepcionalmente pode surgir a responsabilização
civil extracontratual. Isto acorrerá, na hipótese de um participante criar no outro
a expectativa de que o negócio será celebrado, levando-o a executar
despesas, a não contratar com terceiros ou, então, a alterar planos de sua
atividade imediata.
A parte que, injustificavelmente, desistir e causar prejuízos (mesmo que
indiretos) terá a obrigação de ressarcir os danos incorridos. Não se trata da
responsabilidade por inadimplemento contratual, mas sim da responsabilidade
pela prática de ato ilícito (extracontratual).
Gabarito errado.
28. CESPE 2013/TCDF/Procurador. Julgue o item a seguir, relativo a
adimplemento e extinção de obrigações. Se o devedor verificar que o credor é
pessoa incapaz de receber, o pagamento deverá ser realizado mediante
consignação.
Comentário:
Art. 335. A consignação tem lugar:
I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar
quitação na devida forma;
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos;
III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou
residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil;
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento;
V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento.
Gabarito correto.
29. CESPE 2012/TJ-PI/Juiz Substituto. O pagamento que o devedor de boa-
fé efetuar ao credor putativo só será válido se provado que reverteu em benefício
seu.
Comentário:
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O credor putativo é aquele que aparenta ser o credor verdadeiro, embora
não o seja.
Art. 309. O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, ainda provado
depois que não era credor.
Ou seja, se o devedor paga acreditando que o credor putativo é verdadeiro credor
(está presente nesta situação a chamada teoria da aparência) o pagamento é
válido. Veja que não é preciso a comprovação citada na parte final da afirmação.
Gabarito errado.
30. CESPE 2012/TC-DF. É possível a cessão de um crédito sem que todos os
seus acessórios estejam abrangidos pela operação.
Comentário:
A possibilidade da transmissão, cessão de crédito, sem envolver todos os
acessórios, é justamente a exceção apresentada na parte inicial do art. 287
do Código Civil:
Art. 287. Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangem-se todos os
seus acessórios.
Está questão envolve o mesmo tema da questão do TRE-RJ (e estava na nossa
aula para esse concurso). Por isso sempre destacamos que é importante treinar
e conhecer a banca do concurso.
Gabarito correto.
31. CESPE 2012/TJ-PI/Juiz Substituto. O pagamento estipulado em cotas
sucessivas não se presume pela apresentação da quitação da última cota.
Comentário:
Art. 322. Quando o pagamento for em quotas periódicas, a quitação da última
estabelece, até prova em contrário, a presunção de estarem solvidas as anteriores.
Gabarito errado.
32. CESPE 2012/TJ-PI/Juiz Substituto. Caso o credor seja incapaz, o
devedor, de acordo com a lei, deverá, sempre, consignar o pagamento do valor
devido àquele.
Comentário:
Art. 310. Não vale o pagamento cientemente feito ao credor incapaz de quitar, se o
devedor não provar que em benefício dele efetivamente reverteu.
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Se o pagamento for útil ao incapaz, ou seja, se o pagamento reverteu em seu
benefício, e se o devedor provar tal fato, temos, pelo artigo 310, que o
pagamento é válido.
Art. 335. A consignação tem lugar:
I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar
quitação na devida forma;
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos;
III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou
residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil;
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento;
V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento.
9HMD�TXH�R�HUUR�QD�DILUPDomR�p�D�SDODYUD�³VHPSUH´��SRLV�QmR�SRGHPRV�H[FOXLU�D�
possibilidade do artigo 310.
Gabarito errado.
CESPE 2012/MP-PI/Promotor de Justiça Substituto. Julgue os itens abaixo
a respeito da evicção.
33. As partes podem, por cláusula expressa, maximizar a responsabilidade pela
evicção, mas não podem diminuí-la.
Comentário:
Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, ¹reforçar, ²diminuir ou ³excluir
a responsabilidade pela evicção.
Gabarito errado.34. As benfeitorias necessárias ou úteis que não tenham sido reembolsadas ao
que sofreu a evicção terão de ser pagas pelo alienante.
Comentário:
Art. 453. As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção,
serão pagas pelo alienante.
Gabarito correto.
35. Será legítima a demanda pela evicção por parte do adquirente que,
assumindo o risco, tenha conhecimento de que a coisa é alheia ou litigiosa.
Comentário:
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Art. 457. Não pode o adquirente demandar pela evicção, se sabia que a coisa era
alheia ou litigiosa.
Gabarito errado.
36. Havendo cláusula excludente da garantia da evicção, se esta ocorrer, o evicto
não terá nenhum direito a reclamar.
Comentário:
Art. 449. Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se esta se der,
tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube
do risco da evicção, ou, dele informado, não o assumiu.
Gabarito errado.
37. CESPE 2011/TJ-ES/Analista judiciário. O crédito Hɍ um direito que pode
ser cedido pelo seu titular (credor). Entretanto, a cessão de crédito, em regra,
dependerDɍ da anuência tanto do cessionário quanto do devedor.
Comentário:
A cessão de crédito não depende da anuência do devedor. O devedor deve
ser apenas comunicado, notificado, da cessão, a fim de saber para quem deve
fazer o pagamento.
Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser ¹a natureza
da obrigação, ²a lei, ou ³a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão
não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da
obrigação.
Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a
este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou
particular, se declarou ciente da cessão feita.
Gabarito errado.
38. CESPE 2011/TRF 5ª/Juiz Federal Substituto. Podendo o terceiro não
interessado pagar débito em nome do devedor, pode ele também compensar o
débito alheio com aquilo que o credor lhe dever.
Comentário:
Art. 376. Obrigando-se por terceiro uma pessoa, não pode compensar essa
dívida com a que o credor dele lhe dever.
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A compensação requer a personalidade dos sujeitos42.
O que isto quer dizer?
Veja este exemplo: Paulo obriga-se por José (de quem é a obrigação) perante
a Lucas. Se Paulo for credor de Lucas em outra obrigação, não pode compensar
este seu crédito (em relação a Lucas) no momento que for cumprir a dívida de
José. Neste caso não pode haver compensação porque não há reciprocidade
de obrigações.
Gabarito errado.
39. CESPE 2010/TRT - 1ª REGIÃO (RJ)/Juiz. Se o devedor está obrigado a
realizar o pagamento por medida e o contrato nada dispõe a esse respeito,
entende-se que as partes aceitaram as do lugar de celebração do contrato.
Comentário:
Cuidado! É o lugar da execução e não da celebração do contrato.
Art. 326. Se o pagamento se houver de fazer por medida, ou peso, entender-se-á,
no silêncio das partes, que aceitaram os do lugar da execução.
Gabarito errado.
40. CESPE 2010/TRT - 1ª REGIÃO (RJ)/Juiz. Um dos requisitos essenciais
do pagamento é a intenção, daquele que paga, de extinguir a obrigação
assumida.
Comentário:
Havíamos citado esta informação na parte teórica da aula. Veja que o pagamento
é uma execução voluntária, que tem como principal objetivo a extinção da
obrigação.
Art. 304. Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o
credor se opuser dos meios conducentes à exoneração do devedor.
Gabarito correto.
41. CESPE 2010/TRT - 1ª REGIÃO (RJ)/Juiz. Se o devedor der coisa fungível
que não lhe pertença ao credor e, ainda que de boa-fé, este a consumir, o
pagamento não terá eficácia.
Comentário:
42 Costa Machado, Código Civil Interpretado, Manole 2012, 5ª ed., pág. 316.
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Art. 307. Só terá eficácia o pagamento que importar transmissão da propriedade, quando
feito por quem possa alienar o objeto em que ele consistiu.
Parágrafo único. Se se der em pagamento coisa fungível, não se poderá mais
reclamar do credor que, de boa-fé, a recebeu e consumiu, ainda que o solvente não
tivesse o direito de aliená-la.
O cuidado que você deve ter aqui e o seguinte: ¹o credor recebeu e consumiu,
²agiu de boa-fé, ³a coisa é fungível (substituível), deste modo o pagamento
será válido, terá eficácia. Não haverá mais o direito de se reclamar a coisa
deste credor. Ao verdadeiro proprietário da coisa caberá reclamar com o devedor,
que entregou coisa que não era sua.
Gabarito errado.
CESPE 2010/DPU/Defensor Público Federal. Acerca da revisão contratual,
julgue os itens subsequentes.
42. Para que seja possível requerer a revisão contratual com base na onerosidade
excessiva, o contrato deve ser de execução continuada ou diferida.
Comentário:
Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se ¹a prestação de
uma das partes se tornar excessivamente onerosa, ²com extrema vantagem
para a outra, ³em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis,
poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar
retroagirão à data da citação.
Gabarito correto.
43. É suficiente à revisão do contrato por onerosidade excessiva que o
acontecimento se tenha manifestado só na esfera individual da parte.
Comentário:
Isto não é suficiente, para que um contrato seja revisto por onerosidade
excessiva tem de haver uma prestação excessivamente onerosa para uma das
partes e extrema vantagem para a outra parte.
Art. 480. Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes,
poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá-
la, a fim de evitar a onerosidade excessiva.
Gabarito errado.
44. CESPE 2010/OAB/Exame de Ordem. Somente é lícito às partes estipular
contratos tipificados no Código Civil.
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Comentário:
Essa é fácil! Lembre-se que é possível estipular contratos atípicos (não
previstos, não tipificados), o único requisito é que sejam observadas as
normas gerais fixadas no próprio código civil.
Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais
fixadas neste Código.
Gabarito errado.
CESPE 2010/OAB/Exame de Ordem. Julgue os itens a respeito dos vícios
redibitórios e da evicção.
45. O adquirente, ante o vício redibitório da coisa, somente poderá reclamar o
abatimento do preço.
Comentário:
No caso de vício redibitório o adquirente terá duas opções: ¹rejeitar a coisa ou
²reclamar abatimento do preço
Art. 441. A coisa recebidaem virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por
vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe
diminuam o valor.
Parágrafo único. É aplicável a disposição deste artigo às doações onerosas.
Art. 442. Em vez de rejeitar a coisa, redibindo o contrato (art. 441), pode o adquirente
reclamar abatimento no preço.
Gabarito errado.
46. Não há responsabilidade por evicção caso a aquisição do bem tenha sido
efetivada por meio de hasta pública.
Comentário:
Art. 447. Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evicção. Subsiste esta
garantia ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta pública.
Gabarito errado.
47. Se o alienante não conhecia, à época da alienação, o vício ou defeito da coisa,
haverá exclusão da sua responsabilidade por vício redibitório.
Comentário:
No caso de boa-Ip�GR�DOLHQDQWH��D�VXD�UHVSRQVDELOL]DomR�VHUi�³DWHQXDGD´��PDV�
em ambos os casos terá responsabilidade pelo vício.
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Art. 443. ¹Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa, restituirá o que recebeu
com perdas e danos; ²se o não conhecia, tão-somente restituirá o valor recebido, mais
as despesas do contrato.
Gabarito errado.
48. As partes podem inserir no contrato cláusula que exclua a responsabilidade
do alienante pela evicção.
Comentário:
Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a
responsabilidade pela evicção.
Gabarito correto.
CESPE 2009/TCE-TO/Analista de Controle Externo. A respeito das regras
aplicáveis aos contratos, julgue os itens.
49. As partes podem reforçar a garantia pela evicção, mas não podem excluí-la.
Comentário:
Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a
responsabilidade pela evicção.
Gabarito errado.
50. A responsabilidade do alienante pelos vícios redibitórios não subsiste se a
coisa perecer em poder do adquirente.
Comentário:
Art. 444. A responsabilidade do alienante subsiste ainda que a coisa pereça em
poder do alienatário, se perecer por vício oculto, já existente ao tempo da tradição.
Gabarito errado.
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