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Traumatologia Forense I Agentes físicos mecânicos Rita de Cassia Bomfim Leitão Higa 1 CONCEITO É o estudo das lesões e dos estados patológicos, imediatos ou tardios, produzidos pelos agentes externos (violência) sobre o corpo humano 2 Modificadores do estado de repouso/movimento de um corpo lesão Dano interno / externo Tipo: Meio ativo – objeto corpo humano Meio passivo – movimento do corpo objeto Misto – associação de ambos AGENTES FÍSICOS MECÂNICOS 3 Tipo: Ativo, Passivo, Misto Maiores causadores de danos Rubefação – histamina – vasodilatação capilar Escoriação Ação Contundente 4 5 http://www.peleemdia.com.br/wp-content/uploads/2012/11/camadas.png Ação Contundente 6 Equimose – infiltração hemorrágica nas malhas do tecido Petéquias Pequenos grãos – sugilação Estrias – víbices Ação contundente Espectro equimótico Legrand du Saulle 7 Ação contundente 8 Edema Traumático Lesão contusa: Bordas escoriadas e equimosadas, vertentes irregulares, ligadas por pontes de tecido, e fundo irregular Bossa sanguínea Hematoma – extravasamento do sangue e não difusão nas malhas do tecido Ação contundente 9 10 Entorse - Estiramento da cápsula de uma articulação com ou sem rotura Luxação – deslocamento das superfícies articulares Fratura: exposta, patológica, completa, incompleta Ação contundente 11 http://images.google.de Instrumentos: alfinete, agulha, espinho, estilete, picador de gelo, prego, etc; Ferida punctória ou punctiforme Abertura estreita, raro sangramento Ferimento de saída mais irregular e menor diâmetro Ação perfurante 12 Primeira Lei de Filhos – “instrumento de 2 gumes - casa de botão” Segunda Lei de Filhos – feridas se em uma mesma região - linhas de força - um só sentido -seu maior eixo tem sempre a mesma direção Langer – confluência de linhas de forças diferentes ponta de seta, triângulo quadrilátero Ação perfurante 13 Ação perfurante 14 Ação de deslizamento de gume afiado Observar -“cauda de escoriação” – saída do ferimento Típicos – faca, navalha, lâmina (ação pelo gume) Atípicos – folha de papel, cerol, capim Ação cortante 15 Características das feridas cortantes forma linear regularidade das bordas regularidade do fundo da lesão ausência de vestígios traumáticos em torno da ferida hemorragia quase sempre abundante afastamento das bordas da ferida cauda de escoriação voltada para o término da ação do instrumento paredes da ferida lisas e regulares Ação cortante 16 Ação cortante E – D Transversal 17 Esquartejamento Decapitação Esgorjamento Ação cortante 18 19 20 Instrumentos de ponta e gume – pressão e secção Ferimento - um só gume - forma de botoeira - um ângulo agudo e outro arredondado – faca-peixeira, canivete Ferimento - dois gumes - fenda de bordas iguais e ângulos agudos - punhal Ferimento - três gumes -forma triangular ou estrelada - lima Ação perfuro-cortante 21 Características Profundidade maior que largura Hemorragia interna Lado do gume mais agudo Ação perfuro-cortante 22 Ação perfuro cortante 23 Ação que perfura e contunde ao mesmo tempo - mais perfurantes que contundentes Típico – projétil de arma de fogo Arma de fogo: Calibre Munição Estojo ou cápsula Espoleta Bucha Pólvora Projétil Ação perfuro-contundente 24 Ação perfuro-contundente http://images.google.com Munição 25 Ação perfuro-contundente De baixa energia: velocidade 100m/s até 500m/s na saída do cano De alta energia: de 500m/s a 1.200m/s (AK-47, AR-15, FAL) 26 FUZIL AR-15 - 5,56x45mm Ação perfuro-contundente http://images.google.com 27 http://images.google.com 28 Estudo das lesões: ferimentos de entrada e saída e o trajeto Tiros encostados Ferimentos - plano ósseo logo abaixo: forma irregular, denteada ou com entalhes Mina de Hoffmann - sinal - na fronte – crepitação gasosa – não há zona de tatuagem ou de esfumaçamento – vertentes enegrecidas e desgarradas Sinal de Benassi – crânio, costela e escápula – halo de fuligem – lâmina externa do osso Sinal de Werkgaetner - marca do cano Ação perfuro-contundente 29 30 Tiro encostado 31 Disparo de arma de fogo encostado. Câmara de mina deHofmanne sinal deBenasi. Ferimento a curta distância Características: forma arredondada ou elíptica orla de escoriação bordas invertidas halo de enxugo halo ou zona de tatuagem orla ou zona de esfumaçamento zona de queimadura aréola equimótica Ação perfuro-contundente 32 33 esãopérfuro-contusade entrada deprojetilde arma de fogo. Nítida tatuagem, e orlas de equimose, escoriação eenxugo. Ferimento a distância diâmetro menor que o do projétil forma arredondada ou elíptica orla de escoriação halo de enxugo aréola equimótica bordas reviradas para dentro Ação perfuro-contundente 34 Ferimento a distância 35 Sinal de funil de Bonnet Na lâmina externa do osso - ferimento de entrada arredondado, regular e em forma de “saca-bocado” Na lâmina interna, o ferimento é irregular, maior do que o da lâmina externa e com bisel interno bem definido, dando à perfuração a forma de um funil. ferimento de saída - o contrário - amplo bisel externo - base voltada para fora Ação perfuro-contundente 36 Face interna da calvária 37 Lesão de saída forma irregular, bordas reviradas para fora, maior sangramento o diâmetro maior que o do orifício de entrada (exceto nos projéteis de alta energia - rotação de até 90° não apresenta orla de escoriação, halo de enxugo, e nem de elementos químicos resultantes da decomposição da pólvora Trajeto - caminho percorrido pelo projétil no interior do corpo sendo esse o mais variável possível. Ação perfuro- contundente 38 39 instrumentos com gume e ação contundente – lesões cortocontusas ação - deslizamento, percussão e pressão foice, facão, machado, enxada, guilhotina, serra elétrica, rodas de trem, tesoura, unhas e dentes forma bem variável lesões quase sempre graves, fundas, alcance profundo dos planos interiores – variados tipos de ferimentos, inclusive fraturas Não apresentam cauda de escoriação (cortantes), nem pontes de tecidos íntegros entre as vertentes da ferida (contusas) Ação corto-contundente 40 Fonte: FRANÇA, (2015) 41 Lesão Corporal Art. 129 do CPB: Lesão Corporal : violência ocasionada a outrem, que ofenda a integridade corporal ou a saúde. Ofensa à integridade corporal: quando ocorre o dano anatômico, como: escoriação – equimose – ferida cortante – luxação – fratura – cicatriz – mutilação – amputação b) Ofensa à saúde: quando ocorre perturbações funcionais: - motricidade = articulações - funções vegetativas = digestão, respiração, circulação - atividade sexual - psiquismo Quesitos para Exame de Corpo de Delito Lesões Corporais Houve lesão? Qual instrumento ou meio a produziu? Há quanto tempo foi produzida? Resultou debilidade de membro, sentido ou função? Resultou perda ou inutilização de membro, sentido ou função? Foi produzida por meio de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel? Resultou perigo de vida? Impediu as atividades habituais por mais de trinta dias? Resultou deformidade permanente, enfermidade incurável, aceleração de parto ou aborto? Lesão Corporal Classificação Lesões Leves (pena de até 1 ano) Lesões Graves (pena de até 5 anos) Lesões Gravíssimas (pena de até 8 anos) Lesões Seguidas de Morte (pena de até 12 anos) Do CPB, Título 1 – Dos Crimes Contra a Pessoa Capítulo II – Das Lesões Corporais LESÕES CORPORAIS Art. 129 Caput §1º §2º §3º POSITIVO DE LESÃO Incapacidade permanente para o trabalho Enfermidade incurável Perda ou inutilização de membro, sentido ou função Deformidade permanente Aborto GRAVÍSSIMA Incapacidade para ocupações habituais por mais de 30 dias Perigo de vidaDebilidade permanente de membro, sentido ou função Aceleração do Parto GRAVE Ofender a integridade corporal ou a saúde LEVE Morte MORTAL a) LESÃO CORPORAL LEVE São aquelas que não implicam em grandes consequências para a vítima. O conceito de lesão corporal de natureza leve é estabelecido por exclusão, uma vez que as tipificações de agravantes da lesão estão contidas nos parágrafos 1º, 2º e 3º do Art. 129 do CPP. b) LESÃO GRAVE Quando da ação violenta resultar: Incapacidade para ocupação habitual por mais de 30 dias não exige incapacidade absoluta em 30 dias deverá ser reavaliada a necessidade de um período maior, para o retorno da vítima às suas ocupações habituais Atividade profissional ou social (passeio, escola) Perigo de vida Deve ser atestado mediante sintomas, como perda de consciência, desaparecimento do reflexo As lesões com maior probabilidade de colocar em risco a vida da vítima são: feridas penetrantes do abdômen e do tórax, hemorragias abundantes, estados de choque, queimaduras generalizadas, fraturas do crânio e da coluna vertebral b) LESÃO GRAVE Quando da ação violenta resultar: Debilidade permanente de Membro, Sentido ou Função Membro : perda de dedo, ancilose, paralisia muscular Sentido : tato, visão, audição, paladar e olfato (redução ou diminuição da capacidade sensorial) Função: rins, coração, mastigação - perda de dente = função mastigatória - perda de testículo = função reprodutiva Aceleração do Parto Compreende traumas de toda ordem _ física ou psíquica _ que podem antecipar o parto, não ocorrendo a morte do feto. - sequelas para a mãe - retardo mental, debilidade para a criança c) LESÃO GRAVÍSSIMA Quando da ação violenta resultar: Incapacidade permanente para o trabalho Dificilmente curada ou reparada. Ex.: um motorista de ônibus perdeu a visão _ impossibilidade de trabalhar. Enfermidade incurável Estado patológico que tende a evoluir para a morte ou que permaneça indefinidamente estacionário sem possibilidade de cura _ lepra, tuberculose, epilepsia. c) LESÃO GRAVÍSSIMA Quando da ação violenta resultar: Deformidade permanente Dano estético irreversível, visível e permanente (de vulto) Aborto É a ofensa com que o agente, sem a intenção de fazê-lo, provoca o aborto. Desde o 1º até o 6º mês Pune o agente pela lesão pelo feticídio d) LESÃO CORPORAL MORTAL Lesão corporal seguida de morte. Quando o agente, sem a intenção de matar, produz uma lesão corporal dolosa e, esta, determina a morte da vítima. Mesmo não tendo sido o objetivo final do agente, a morte da vítima agrava a pena, pois se trata de uma ação dolosa com resultado culposo. CROCE, Delton; CROCE JUNIOR, Delton. Manual de Medicina Legal. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. FRANÇA, Genival Veloso de. Medicina Legal. 10. ed.Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. GALVÃO, Malthus Fonseca. Medicina Legal. Rede UnB, 2016. Disponível em: <http://http://www.malthus.com.br> . Acesso em: 21 agosto 2016. ONESTI, Adriana. Apostila de medicina Legal. 2012. Disponível em: <http://docplayer.com.br/1712492-Faculdade-de-direito-apostila-medicina-legal-elaboracao-prof-a-dra-adriana-onesti.html>. Acesso em: 10 jun. 2016. PEREIRA, Gerson Odilon. Medicina Legal. Maceió, AL: UFAL, c2001. Disponível em: <http://www.malthus.com.br/rw/forense/Medicina_Legal_2004_gerson.pdf>. Acesso em: 2 jun. 2016. VANRELL, J.P.; BORBOREMA, M. L Vade Mecum de Medicina Legal e Odontologia Legal. Leme, SP: J.H. Mizuno, 2007. Referências 52 Muito Obrigada A Medicina Legal é ciência e arte! 53