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Superelevação e Superlargura Estradas Introdução Ao definir a velocidade diretriz para um projeto geométrico, o projetista procura estabelecer, ao longo de todo o traçado a ser projetado, condições tais que permitam aos usuários o desenvolvimento e a manutenção desta velocidade, em condições de conforto e segurança. Introdução Quando percorre um trecho em tangente, o usuário sente mais facilidade para efetuar pequenas manobras, não estando sujeito a esforços laterais devido à geometria da rodovia. Num trecho em curva, entretanto, as condições operacionais se alteram, devido principalmente ao surgimento de esforços laterais que passam a atuar sobre o veículo, e devido à sensação de maior confinamento imposta ao usuário. Esses fatores podem afetar, em seu conjunto, a disposição do usuário em manter a mesma velocidade nos trechos em curva que aquela desempenhada nos trechos em tangente. Introdução Visando minimizar os impactos negativos desses fatores inerentes aos trechos curvos, são introduzidos os conceitos de superelevação e supelargura, os quais, devidamente considerados nos projetos de curvas horizontais, ensejam aos usuários condições de operação mais homogêneas ao longo do traçado. Definição Superelevação: trata-se da inclinação transversal da pista, geralmente expressa em %, nos trechos em curva horizontal, que serve para contrabalançar o efeito da força centrífuga; Superlargura: trata-se do alargamento da faixa de tráfego, dos trechos em curva. Superelevação Ao percorrer um trecho de rodovia em curva horizontal com certa velocidade, um veículo fica sujeito à ação de uma força centrífuga, que atua no sentido de dentro para fora da curva, tendendo a mantê-lo em trajetória retilínea, tangente à curva. Isto obriga o condutor do veículo a esterçar o volante no sentido da curva para manter o veículo na trajetória desejada. Essa manobra do condutor é capaz de manter o veículo na pista, na trajetória curva, graças ao atrito que se desenvolve entre os pneus e a superfície de rolamento. Superelevação Mas os efeitos combinados da força de atrito e da força centrífuga se fazem sentir tanto sobre os passageiros dos veículos quanto sobre as cargas transportadas. O efeito sobre os passageiros é a sensação de desconforto causada pelos esforços laterais que os empurram para o lado. Sobre as cargas, a atuação das forças laterais pode causar danos a mercadorias frágeis e desarrumação dos carregamentos, podendo, inclusive, comprometer a estabilidade dos veículos em movimento. Para contrabalançar esses efeitos, é utilizado o conceito de superelevação. Peso próprio: Atrito dos pneus com a pista: Força centrífuga: Principais forças as quais o veículo está submetido g = aceleração da gravidade (m/s²) ft = coeficiente de atrito; V = velocidade do veículo (m/s²); R = raio da curva (m) Dada pela seguinte equação: Porém, tal equação não pode ser utilizada para todos os casos, visto que o coeficiente de atrito é medido dinamicamente, dependendo das condições da pista de rolamento, das condições dos pneus do veículo, etc. Pode-se, entretanto, atribuir alguns valores de ft, em função da velocidade, conforme demonstrado na tabela abaixo: Superelevação Teórica V (km/h) 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 Ft 0,20 0,18 0,16 0,15 0,15 0,14 0,14 0,13 0,12 0,11 Superelevação Mínima Na existência de curvas com raios muito grandes, em relação à velocidade de projeto, os efeitos da força centrífuga tornam-se desprezíveis. Neste caso, a seção transversal da pista nesses trechos pode ser projetada com abaulamentos, dispensando-se o uso de superlevações. Superelevação Mínima Sendo assim, para curvas com raios maiores dos quais estão apresentados na tabela a seguir, em função da velocidade, deverão ter superelevação mínima, igual ao valor do abaulamento. V (km/h) 30 40 50 60 70 80 90 ≥100 R (m) 450 800 1.250 1.800 2.450 3.200 4.050 5.000 Superelevação Mínima Para a determinação do abaulamento, são recomendados os seguintes valores, de acordo com o tipo de pavimento: 2,5% a 3,0% para revestimentos betuminosos de granulometria aberta; 2,0% para revestimento betuminosos de alta qualidade; 1,5% para pavimentos de concreto. Superelevação Máxima A superelevação máxima estabelecida para o projeto de uma rodovia somente deve ser utilizada nas concordâncias projetadas com raio mínimo. Esta, porém, é uma condição extrema do projeto, e que deve ser evitada sempre que possível. Quando são empregados raios maiores que o mínimo, as forças centrífugas diminuem à medida que o raio da curva aumenta, reduzindo, consequentemente, os valores da força de atrito, e da força devido à superelevação, necessárias para equílibrio das forças centrífugas. Superelevação Máxima Considerando os valores máximos admissíveis de coeficiente de atrito e de superelevação, pode-se calcular, utilizando a equação abaixo, os valores de raios mínimos de curva que podem ser utilizados nos projetos. Raios Mínimos de Curvas para Projetos Superelevação Máxima 12% para melhorias de rodovias ou correções que não permitam o aumento do raio de curvatura; 10% para rodovias de padrão elevado, com velocidades de operação elevadas e pequena probabilidade de congestionamento; 8% para rodovias em geral; 6% para rodovias com velocidade de operação reduzida, ou rodovias cujas áreas adjacentes não permitam o projeto de pistas superelevadas; 4% para trechos de rodovias que atravessam áreas urbanas. Superelevação Máxima Dado qualquer raio, maior que o mínimo, há diferentes formas de balancear os valores da superelevação e do coeficiente de atrito, de modo que a soma de seus efeitos se iguale à força centrífuga atuante sobre o veículo. Valores de Superelevação para emáx = 8% Valores de Superelevação para emáx = 10% Superlargura As normas, manuais ou recomendações de projeto geométrico estabelecem as larguras mínimas de faixas de trânsito a adotar para as diferentes classes de projeto, levando em consideração aspectos de ordem prática, tais como as larguras máximas dos veículos de projeto e as respectivas velocidades diretrizes para projeto. Superlargura As larguras de faixas de trânsito são fixadas com folgas suficientes em relação à largura máxima dos veículos, de modo a permitir não apenas a acomodação estática desses veículos, mas também suas variações de posicionamento em relação às trajetórias longitudinais, quando trafegam nas faixas, nas velocidades usuais. Superlargura Assim, nos trechos em tangente, os usuários de uma rodovia contam com uma certa liberdade de manobra no espaço correspondente à sua faixa de trânsito, o que lhes permite efetuar pequenos desvios e correções de trajetória para ajustes de curso, conferindo-lhes uma certa condição de fluidez ao trafegar na rodovia. Superlargura Nos trechos em curva, no entanto, essa condição é alterada, devido a dois fatores principais: quando descrevem trajetórias curvas, os veículos ocupam fisicamente espaços laterais maiores que as suas próprias larguras; devido a efeitos de deformação visual, às dificuldades naturais de operação de um veículo pesado em trajetória curva, os trechos em curva horizontal provocam aparência de estreitamentos da pista à frente dos usuários, provocando sensação de confinamento. Superlargura Com a finalidade de compensar esses fatores, os trechos em curva podem ser alargados, de forma a oferecer aos usuários condição de continuidade quanto à sensação de liberdade de manobra ou de condição de fluidez,no que diz respeito à disponibilidade de largura de faixa de trânsito. Essa largura adicional, nos trechos curvos, é denominada superlargura. Cálculo da Superlargura Considerando o esquema ao lado, que representa um veículo de grande porte descrevendo uma trajetória circular. Cálculo da Superlargura Cálculo do gabarito estático do veículo: Cálculo do gabarito devido ao balanço dianteiro: Cálculo da Superlargura Determinação do gabarito lateral (Gl): folga lateral livre que deve ser mantida para o veículo de projeto em movimento e é fixado em função da largura da faixa de trânsito Cálculo da Superlargura Folga dinâmica (Fd): para compensar as dificuldades naturais de manobra em curva e as diferenças entre as características de operação dos motoristas. Independe do número de faixas: Cálculo da Superlargura Cálculo da largura total de uma pista em curva, com N faixas de trânsito (Lt): Cálculo da largura normal de uma pista em tangente (Ln): Cálculo da Superlargura (S): Obs.: Os valores de superlargura devem ser arredondados para múltiplos de 0,20 m, limitados inferiormente a 0,40 m; O cálculo apresentado é válido tanto para rodovias de pista simples, quanto rodovias de pista dupla, com duas faixas por sentido. No caso de pista dupla com mais faixas, aplicar: S3 = 1,25 * S2 S4 = 1,50 * S2 Cálculo da Superlargura