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Relatório do filme “A missão” O filme nos mostra uma história baseada em fatos reais. O enredo aborda a expulsão dos jesuítas quando houve a crise entre a Coroa portuguesa e a Companhia de Jesus. Essas missões jesuíticas tiveram um caráter evangelizador (assim como também um caráter político) que fizeram a identidade indígena ter uma ruptura. Os nativos só tinham as opções de perder seus costumes para adentrar em um novo costume, em nome de um novo Deus; ou passarem pelo processo de escravização, senão dizimados. No filme, um dos padres ainda tenta ser defensor dos índios, mas pela grande maioria dos jesuítas acabam invadindo a aldeia mesmo assim. Nesse contexto de colonização, a maioria dos índios foi morta inocentemente. Uma cena muito marcante é quando é realizada uma missa na hora do conflito e todos são mortos, inclusive os padres. Essa cena resume toda a dominação embasada na colonização e evangelização, mas que é apenas violência. É possível observar aspectos da antropologia física quando vemos as diferenças sociais e culturais sendo apoiada nas diferenças raciais, ou seja, como se a raça branca dos colonizadores fosse superior a dos índios. É notório o quanto os jesuítas se portam como superiores a aqueles nativos. A antropologia cultural-social é ainda mais notória quando passamos a observar no filme a linguagem, organização, origem, cultura e outros aspectos enquanto coletividade dos índios quanto dos portugueses. Também é possível identificar os ramos da antropologia filosófica em várias cenas. Uma delas é quando o padre missionário Gabriel sobe nas cachoeiras, toca uma flauta e tenta se aproximar dos índios. Como também na cena que a mulher de Rodrigo desabafa pra ele que é apaixonada por seu irmão e ele se envolve numa briga. Se essas cenas forem analisadas cuidadosamente, se vê a subjetividade de cada um deles como ser humano. Sua tentativa de aproximação como um aspecto sociável dele, a paixão como sentimento transcendental, a ira objetiva. Tudo isso são aspectos que estruturam essencialmente o homem. Por último, o ramo jurídico da antropologia é visto, por exemplo, na cena que, após chegar à aldeia, eles ensinam sobre a civilização. Podemos ver o homem enquanto “ser” normativo. Outra cena em que observamos isso é quando vemos, após a morte do irmão, Rodrigo não sendo crime por ser um “crime de duelo”. Ou seja, o ser humano sendo objeto central do direito; com suas regras, costumes e ordem. No filme, algo que recebe bastante enfoque e rege toda a trama é a questão do etnocentrismo. Quando os padres jesuítas admitem uma postura na qual os costumes, valores, crenças e cultura deles se torna um parâmetro para julgar a cultura indígena. Em cenas que mostram eles ensinando sua civilização, fundando igrejas; impondo de fato a cultura deles em cima dos índios como se eles fossem superiores, mais evoluídos e melhores. Mas tudo isso por não terem um relativismo social, e sim o etnocentrismo impregnado em si. Se eles relativizassem a cultura indígena, observando o quando os índios possuam sua organização dentro da tribo, suas regras e normas na aldeia, seus valores familiares e pessoais; notariam que a cultura de ambos são diferentes, mas que cada uma tem em si sua complexidade e significação. A religião cristã não era melhor e isso não dava direito aos portugueses de violentarem tantas pessoas, de quase extinguirem uma sociedade e cultura riquíssima. A cultura indígena e a portuguesa são duas culturas com sua respectiva multiplicidade. Em síntese, o filme é repleto de conteúdo antropológico e cenas relevantes a serem observadas, estudadas e debatidas.