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1 Mariana Magalhães – 5º Período MATERIAIS II Prof. Maria Carmen Serpa GESSOS ODONTOLÓGICOS - São materiais utilizados para obtenção de trabalhos indiretos - Moldagem → Molde → Réplica - Moldagem, é o processo de moldar. Molde é uma cópia negativa. Réplica é a reprodução do modelo. - Materiais para moldagem devem ser plásti- cos, ou seja, possuir boa capacidade de escoamento Indicações: CONSTRUÇÃO DE MODELOS DIVERSOS: - Modelo de estudo (ortodontia) - Modelo de trabalho (executados em labora- tório) - Antagonista - Montagem em articulador OBTENÇÃO DE TROQUÉIS (modelo de gesso de dente unitário, utilizado para construção de padrões de cera para fundição) COMO CONSTITUINTE DE REVESTIMENTO DE FUNDIÇÃO - Os gessos são obtidos a partir da Gipsita (gesso natural/mineral), encontrado na natureza - Devemos ter consciência na sua utilização e evitar desperdícios - Encontrado em abundância na Alemanha, Escócia e Brasil (Mossoró- RN) - Os gessos odontológicos são obtidos a partir da calcinação da Gipsita (gesso natural). A formação de obtenção do pó determina as características do gesso após a presa - Sulfato de cálcio diidratado é ressecado até que seja funcional para a odontologia - O que diferencia um gesso natural, de um gesso odontológico, é sua estrutura crista- lina (possuem características distintas, devido aos métodos de fabricação) Fabricação: - O gesso é triturado em partículas bem finas e é calcinado, em temperaturas que variam de 110° a 130°C, com isso ocorre a perda de água, convertendo a forma de diidrato em hemidrato de CaSO4. Calcinação x Características Físicas - Quando a gipsita é aquecida sob pressão em ambiente úmido é produzido um hemi- hidrato cristalino na forma de bastões ou prismas chamado gesso-pedra. - Os pós resultantes, são frequentemente chamados de α-hemidrato para o gesso- pedra e β-hemihidrato para o gesso comum. - α-hemidrato: Cristais clivados, bastões e prismas, mais densos. - β-hemidrato: Cristais finos, esponjoso, com poros capilares, irregular. - Quando as partículas do hemi-hidrato são misturadas com a água, a reção química mostrada anteriormente se inverte. - O α-hemidrato produz uma estrutura de di- hidrato muito mais resistente e dura do que daquela resultante do β-hemidrato. - A principal razão para essa diferença, é que os cristar de β-hemidrato são mais irregulares e porosos e, por esse motivo, necessitam de mais água para molhar as partículas do pó para que possam ser misturadas e vazadas - A forma alfa requer menos água para reagir que a forma beta, e produz um produto final com mais dureza. - O pó resultante é esfriado e a ele é adicionado elementos químicos (controlam as propriedades) e aditivos (controlam a alteração dimensional) - Quando os gessos tomam presa,com o passar do tempo, ocorre uma ligeira alteração dimensional para mais. 2 Mariana Magalhães – 5º Período Tipos de Gesso - A produção de diferentes tipos de gesso depende: . da granulometria do pó . do tipo de calcinação (forno aberto ou fechado) . temperatura e ambiente (dentro do forno) - Os mais usados na Odontologia, são os tipos: II, III e IV. - Aumento da resistência mecânica: I < II < III < IV < V - A reação química que ocorre nos diferentes tipos de gesso é a mesma: Hidratação - ¾ da água de cristalização são eliminados durante essa reação - A estrutura cristalina se altera sem reorganização das partículas - Diferenças: . Forma de liberação da água . Formato dos cristais de hemi-hidrato - Quanto melhor a manipulação, maior a quantidade de partículas hidratadas. SEMPRE COLOCAR O PÓ NA ÁGUA!!!! Tipo II, Paris ou Comum - É um β-hemidrato - Aquece rápido - Fabricados em calcinadores abertos (110° a 120°C) - É poroso, irregular - Exige maior proporção água/pó - Indicação: Modelo, preenchimento de mufla para a confecção de Prótese Total Removível, quando a expansão de presa não é crítica, e a resistência é adequada - Geralmente comercializado na cor branca natural, dessa forma contrastando com o gesso-pedra que geralmente é colorido Tipo III, gesso-pedra - É um α-hemidrato - Calcinação feita em autoclave a 125°C - Possui melhor qualidade dos cristais, maior rigidez final - Exige menor proporção água/pó que o tipo II - Suas partículas são pequenas, uniformes, regulares e mais densas - Utilizados para confecção de modelos para Prótese Total Removível, pois apresenta resistência suficiente para esse propósito e é fácil remover o gesso da prótese após o processamento. Tipo IV, gesso-pedra de alta resis- tência, especial, para troquel - É um α-hemidrato - Sua calcinação é feita em forno fechado, em contato com cloreto de Ca - A água do gesso é evaporada e substituída pelo cloreto de Ca (atrai água) - Exige menos água para sua reação que o tipo II e III - Utilizado para a confecção de troquel 3 Mariana Magalhães – 5º Período - Requisitos para ser usado na confecção de troquel: resistência, dureza e expansão de presa mínima Tipo V, gesso de alta expansão e alta dureza - Alta resistência com menor proporção água/pó - Cristais do tipo Densita, menos densos - Alta expansão para compensar a contração de solidificação de algumas ligas, como aquelas de metais básicos, que apresentam uma maior contração de resfriamento do que as ligas tradicionais de metais nobres - Utilizado para a fabricação de troquéis - Deve-se evitar o uso do gesso tipo V para a produção de troqueis para inlays e onlays, uma vez que a alta expansão pode resultar em peças excessivamente justas no dente preparado - É específico Gesso sintético - α e β-hemidrato (subprodutos da fabri- cação de ac. fosfórico) - Seu método de processamento é um segredo industrial - Possui maior dureza e resistência - É menos poroso - Mais caro $$$$ Proporção Água/Pó: QUANTO MAIOR A PROPORÇÃO A:P - Maior a porosidade - Menor a resistência - Maior volume em bloco (expansão) - Maior tempo de presa - A água evapora e deixa espaços vazios entre as partículas. ÁGUA DE COMBINAÇÃO: - 18,6ml de água para 100g de pó - 18,6ml, é a água estritamente necessária para hidratar o gesso, como parte da água evapora, colocamos 30ml. - O restante da água é chamado de água de manipulação “O controle cuidadoso da quantidade de água é necessário para a manipulação adequada e manutenção das qualidades ideais da massa cristalizada.” CRAIG & POWERS, 2004 QUANTIDADE DE ÁGUA: - A proporção A:P é variável de acordo com o tipo de gesso - Tamanho das partículas - Área total de superfície - Distribuição do tamanho das partículas - Adesão entre as partículas do hemidrato (a adição de goma arábica e cal diminui a quan- tidade de água necessária) - Forma e compactação dos cristais Resistência à compressão é uma função da relação A:P para os 5 tipos produtos de gipsita 4 Mariana Magalhães – 5º Período Espatulação: Técnica: - Manual: 1minuto - Mecânica: 30segundos - Sua cristalização ocorre por nucleação - O gral deve estar limpo e ser liso - Quanto mais água, maior o crescimento dos cristais, e maior o tempo de presa - Água gessada: acelera o tempo de presa, mas possui piores propriedades mecânicas - O gesso sofre uma expansão normal de presa de acordo com o fabricante,e isso ocorre dentro das proporções A:P Expansão higroscópica: quando as proporções A:P são aumentadas: ↑ a quanti- dade de água Ponto de nucleação: Alterado por sugidade e pó de gesso. Usar sempre água limpa. Sobrespatulação: - Quebra dos cristais - Aumento no número de novos núcleos - Perda das propriedades física Viscosidade: - Quanto maior a viscosidade, mais bolhas no modelo - Gesso comum: menos viscosidade (molda- gem mucostática) - O gesso é viscopseudoplástico - A vibração aumenta seu escoamento Reação química de presa: Reação de presa: Hemidrato + Água: - Suspensão fluida e manipulável - Dissolução do hemidrato até formação de solução saturada - Supersaturação e precipitação de didrato - Precipitação do didrato, que continua a se dissolver; formação de novos cristais ou agregação aos já formados - Quando a água reage com o gesso em pó, ocorre ligeira expansão: . Cerca de 0,06 a 0,5% . Expansão pode ser reduzida com a incorporação (pelo fabricante) de agentes como NaCl, KSO4 ou 2% de K2CO3. Expansão higroscópica: - Presa em presença de água - A expansão de presa poderá ser maior que o dobro em magnitude devido ao crescimento adicional dos cristais - É um processo físico - 75% após a primeira hora. Tempo de presa: 5 Mariana Magalhães – 5º Período - Perda de brilho: Presa inicial . Diminuição da água livre . Exotermia: 20min . Resist. à remoção: 30min - Resistência úmida: 1 hora após a manipu- lação - Resistência seca: excesso de água ausente - Acelerada: forno até 60ºC (< resistência) - Presa final: Após 60 minutos - Resistência úmida x Resistência seca Modificadores: ACELERADORES: - K2SO4(2%) - NaCl (aumenta expansão e tempo de presa) - CaSO4 - menor coesão intercristalina RETARDADORES: - K2SO4(1%) (diminui o tempo de presa sem alterar a expansão) - Cola-gelatina - Resinas - Citratos Dureza: - Aumenta quando seco - Úmido: 2 a 3 vezes menor valor de dureza - Secagem total do gesso: 7 dias - Embebição em óleo ou glicerina: a dureza permanece a mesma, e o desgaste superficial diminui - Mistura com sílica coloidal: Aumenta a dureza, e a resistência à abrasão permanece a mesma Resistência à tração: - Baixa: friável - Remoção: por não flexionar, pode fraturar - Resistência à tração diametral: Tipo III: úmida (1hora): 2,3Mpa (1/5 da RC) Tipo IV: úmida ou seca: 2x maior que III Tipo V: seca: Mpa (1/10 da RC) Reprodução de detalhes: Especificação nº. 25 da ADA - Tipos I e II: fissuras com 75 μm - Tipos III a V: fissuras com 50 μm - Molhamento limitado - Enxágue e secagem: melhora - Sulfactantes iônicos (polissulfetos e siliconas): melhora molhamento - Vibrador: diminui bolhas, aumenta escoamento - Comportamento pseudoplástico Vazamento de moldes: - Tempo de trabalho: 3 minutos - Moldes devem ser, antes de vazados, lavados em água corrente, para remoção de muco, sangue, saliva, etc.; e desinfetados com produtos e tempos apropriados; - Após a lavagem, remover todo o excesso de água antes da colocação do gesso Controle de infecções: - Todas as impressões e modelos de gesso podem ser desinfectados pelo Glutaraldeído a 2% (ácido ou alcalino), antes de serem enviados ao laboratório. - Todos os técnicos devem ser estimulados a usar luvas durante a manipulação destes. - Quanto aos vírus HIV e HBV, estes são inativados pelo glutaraldeído a 2% e hipoclorito de sódio a 1%. Entretanto, este microorganismo por serem mais resistentes, não são destruídos pela clorexidina a 0,5%. - Contaminação cruzada. - Na dúvida sobre a desinfecção prévia do molde: imersão em hipoclorito a 10%, 30 min; glutaraldeído a 2%, 10-15 min - Alguns gessos podem já conter desin-fetantes incorporados na composição pelo fabricante.