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PRÁTICA SIMULADA II (TRABALHO) - CASO 8 
 
XVIII EXAME OAB FGV 
 
Nos autos da reclamação trabalhista 1234, movida por Gilson Reis em face da sociedade 
empresária Transporte Rápido Ltda., em trâmite perante a 15ª Vara do Trabalho do 
Recife/PE, a dinâmica dos fatos e os pedidos foram articulados da seguinte maneira: O 
trabalhador foi admitido em 13/05/2010, recebeu aviso prévio em 09/11/2016, para ser 
trabalhado, e ajuizou a demanda em 25/01/2017. Exercia a função de auxiliar de serviços 
gerais. Requereu sua reintegração porque, em 23/11/2016, apresentou candidatura ao 
cargo de dirigente sindical da sua categoria, informando o fato ao empregador por e-mail, o 
que lhe garante o emprego na forma do Art. 543, § 3º, da CLT, não respeitada pelo 
ex-empregador. Que trabalhava de segunda a sexta-feira das 5:00h às 15:00h, com 
intervalo de duas horas para refeição, jamais recebendo horas extras nem adicional 
noturno, o que postula na demanda. Que o intervalo interjornada não era observado, daí 
porque deseja que isso seja remunerado como hora extra. A audiência está marcada. 
Contratado como advogado (a), você deve apresentar a medida processual adequada à 
defesa dos interesses da sociedade empresária Transporte Rápido Ltda., sem criar dados 
ou fatos não informados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DO TRABALHO DA 15ª VARA DO 
TRABALHO DE RECIFE - PE, 6ª REGIÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Processo nº: 1234 
 
 
TRANSPORTE RÁPIDO LTDA, inscrito no CNPJ sob o nº..., representado por seu 
sócio gerente, cuja sede se localiza [endereço completo com CEP], por meio de seu 
advogado abaixo subscrito, no s termos do documento d e outorga de mandato anexo 
( documento 01 ), nos autos da Reclamação Trabalhista que lhe move Gilson Reis, já 
qualificado na inicial, vem, respeitosa e tempestivamente, perante Vossa Excelência, 
apresentar sua resposta em forma de 
 
CONTESTAÇÃO 
 
com base no artigo 847 da Consolidação das Leis do trabalho (CLT), combinado 
com o artigo 336 do Código de Processo Civil (CPC), pelas razões de fato e de direito 
a seguir expostas. 
 
PRELIMINARMENTE 
 
I. DA PRESCRIÇÃO PARCIAL 
 
Deve-se suscitar a prejudicial de prescrição parcial, a fim de que sejam consideradas 
prescritas as parcelas anteriores aos cinco anos do ajuizamento da ação, ou seja, 
anteriores a 20/04/2010, observado o biênio subsequente à extinção do contrato de 
trabalho, de acordo com o art. 7º , XXIX, da Constituição Federal (CF), aclarado pela 
Súmula 308, I, do Superior Tribunal do Trabalho (TST)​. 
 
 
 
 
 
 
MÉRITO 
 
I. DO CONTRATO DE TRABALHO 
 
Conforme narrado na inicial, Gilson Reis trabalhou por cinco anos, sete meses e onze 
dias para a Reclamada na função de auxiliar d e serviços gerais, cumprindo a jornada 
de segunda a sexta -feira das 05:00 às 15:00 horas, com intervalo de 02 (duas) 
horas para o almoço. Foi dispensado sem justa causa no dia 09/11/2016, após cumprir 
aviso prévio. 
 
II. DA REINTEGRAÇÃO 
 
O empregado apresentou candidatura ao cargo de dirigente sindical da sua categoria 
durante o período de aviso prévio, tendo informado o fato por e -mail ao seu 
empregador, o que lhe assegura a garantia de emprego, segundo alegou. Assim, 
requereu a sua reintegração. 
 
Ocorre que o Reclamante não se enquadra na situação prescrita no art. 543, §3º 
da CLT, conforme alegado, pois o registro de sua candidatura ocorreu no período de 
aviso prévio. Esta situação não lhe garante a estabilidade, mesmo que este aviso 
fosse indenizado, em face do entendimento do Tribunal Superior do Trabalho, 
consubstanciado na Súmula 369, V. 
 
Portanto, o Reclamante não faz jus à reintegração, vez que, quando da sua 
candidatura à direção do sindicato de sua categoria, já se encontrava cumprindo 
aviso prévio. 
 
III. DA JORNADA DE TRABALHO/DAS HORAS EXTRAS 
 
O empregado aduziu que trabalhava das 05 às 15 horas, com intervalo d e 02 
(duas) horas para o almoço, e que tal jornada dava -lhe o direito de requerer o 
pagamento de horas extras no período trabalhado. No entanto, pode-se verificar que a 
jornada cumprida não excede os limites constitucionais, seja o semanal de 44 
(quarenta e quatro) horas ou o diário de 8 (oito) horas, conforme preceitua o art. 7º, XIII, 
da CF, e o art. 58, caput, da CLT, bem como não está em desacordo com o 
intervalo intrajornada, que é de no mínimo 1 (uma) hora e, salvo acordo coletivo, 
no máximo 2 (duas) horas, de acordo com o disposto no art. 71, caput, da CLT. Destarte, 
não prospera a pretensão do Reclamante em pleitear o pagamento de horas 
extraordinárias e seus respectivos reflexos. 
 
IV. DO ADICIONAL DE TRABALHO NOTURNO 
 
Gilson Reis laborava da s 05 às 15 horas, o que o fez requerer o pagamento do 
adicional de trabalho noturno (ATN). 
 
Vale destacar que o empregado não trabalhava entre 22 horas de um dia e 05 
horas do dia seguinte, que é o período legal que caracteriza o ATN, segundo dispõe o 
art. 73, § 2º, da CLT. 
 
Dessa forma, requer a Reclamada a improcedência do pedido de adicional de trabalho 
noturno, pelas razões acima expostas. 
 
V. DO INTERVALO INTERJORNADA 
 
O Reclamante trabalhava das 05 às 15 horas e alegou na inicial que o intervalo interjornada 
não era observado, desejando ser remunerado nas respectivas horas extraordinárias. 
 
Relevante esclarecer que o intervalo interjornada deve ser de um período mínimo de 
onze horas consecutivas para descanso do trabalhador, conforme aduz o art. 66 da 
CLT. Entretanto, no caso em tela, havia um interregno de catorze horas entre as 
jornadas, o que não contempla o pagamento de horas extras nem está em 
consonância com a Orientação Jurisprudencial 355 da Seção de Dissídios Individuais, 
Subseção I, do TST. 
Portanto, por tais motivos, não pode prosperar o pagamento de horas extraordinárias e 
de seus reflexos. 
 
VI. DO PEDIDO 
 
De acordo com os fatos e fundamentos acima apresentados, requer a Vossa Excelência 
o acolhimento da prejudicial de prescrição parcial e, por fim, no mérito, que as 
pretensões apresentadas na Reclamatória Trabalhista sejam julgadas totalmente 
improcedentes e o Reclamante seja condenado ao pagamento das custas processuais 
e demais cominações legais conferidas à presente causa. 
 
VII. DAS PROVAS 
 
Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em 
especial o depoimento pessoal do Reclamante, que fica desde já requerido, sob 
pena de confissão, bem como pela juntada de documentos, oitiva de testemunhas, 
perícias e o que mais for necessário para elucidação dos fatos. 
 
 
Nestes termos, 
pede deferimento. 
 
Local e data.. 
 
ADVOGADO 
OAB-UF

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