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3 
 
1. INTRODUÇÃO 
A visão é a responsável pela maior parte das informações que recebemos do meio externo. 
Um dos principais órgãos relacionados a visão, o olho humano, detecta e interpreta estímulos 
luminosos a partir de um complexo sistema de análise detalhada da forma e da cor dos objetos, 
além da intensidade da luz refletida. O nervo óptico é uma via de fibras do sistema nervoso central 
(SNC) que conecta a retina ao cérebro. Duas camadas compõem a retina, uma epitelial pigmentada 
e uma neuronal, nesta última, diferenciam-se os três primeiros neurônios da via óptica. Assim 
sendo, para compreendermos integralmente a função e o modo de operação do nervo óptico, 
precisamos, antes de tudo, entender o básico acerca da anatomia do olho humano, no qual a retina 
encontra-se contida. 
2. ANATOMIA BREVE DO OLHO HUMANO 
O bulbo do olho contém o aparelho óptico do 
sistema visual. O bulbo do olho propriamente dito tem 
três túnicas: túnica fibrosa (camada externa), formada 
pela esclera e córnea; túnica vascular (camada 
intermédia), formada pela coroide, corpo ciliar e íris; e 
túnica interna (camada interna), formada pela retina. A 
retina compreende circuitos neurais complexos que 
convertem a atividade elétrica de fotorreceptores em 
potenciais de ação que se dirigem ao cérebro através de 
axônios no nervo óptico. 
3. TRAJETO DO NERVO ÓPTICO 
O nervo óptico estende-se da retina até o quiasma óptico; ele tem cerca de 5 cm de 
comprimento. E convencionalmente dividido em quatro partes: intra-ocular (1 mm; o disco), intra-
orbital (cerca de 25 mm), intracanalicular (cerca de 9 mm) e intracraniana (12- 16 mm). O nervo 
óptico intraorbital é sinuoso, com cerca de 8 mm de comprimento redundante para acomodar os 
movimentos oculares. 
A parte intracanalicular do nervo óptico inicia-se quando ele atravessa o forame óptico no 
ápice orbital. A abertura orbital do canal é uma elipse vertical; a extremidade intracraniana é uma 
elipse horizontal. A parte intracanalicular está rigidamente fixada no interior do canal óptico, com 
pouco espaço para movimento; lesões intracanaliculares podem comprimir o nervo óptico enquanto 
ainda estão pequenas e de difícil visualização em estudos de imagens. 
Depois de atravessar a órbita e o canal óptico, os dois nervos ópticos saem dos canais 
ópticos e sobem num ângulo de cerca de 45 graus para se unir no quiasma óptico, assim 
denominado por causa de sua semelhança com a letra grega chi (χ). A superfície orbital dos lobos 
frontais situa-se imediatamente acima dos nervos ópticos intracranianos. O quiasma situa-se 
tipicamente cerca de 10 mm acima da glândula hipófise, separado pela cisterna supra-selar. Fibras 
da retina temporal continuam diretamente para trás para se unir ao trato óptico ipsilateral. As fibras 
da retina nasal decussam e entram no trato óptico oposto. 
Os seios cavernosos e os sifões carotídeos situam-se imediatamente laterais ao quiasma de 
cada lado. As artérias cerebrais anterior e comunicante anterior estão em frente e acima e o terceiro 
ventrículo e o hipotálamo estão atrás e acima. A sela turca e o seio esfenoide estão abaixo. O 
círculo de Willis situa-se acima, enviando numerosos vasos perfurantes pequenos para suprir o 
quiasma. A artéria oftálmica segue ao lado do nervo óptico dentro da mesma bainha dural pelo 
canal e pela órbita. Cerca de 8 a 12 mm posteriormente ao globo, a artéria penetra no nervo e 
segue ao longo de seu centro até o disco óptico, onde se toma a artéria central da retina, que 
perfura o nervo e segue para diante até o disco. Posteriormente ao quiasma óptico, as fibras não 
cruzadas da hemirretina temporal ipsilateral e as fibras cruzadas da hemirretina nasal contralateral 
Figura 1. Contorno esquemático do globo ocular esquerdo 
em corte transversal. 
Fonte: ANTONIO, 2012. 
4 
 
formam o trato óptico. Os tratos estendem-se do quiasma ao corpo geniculado lateral, onde termina 
a maioria das fibras. 
4. EMBRIOLOGIA 
Em suma, o segundo par de nervos cranianos tem sua origem mais associada ao diencéfalo, 
local da sua localização, caracterizando-se como Aferente Somático Especial, com inervação 
específica na retina. Adiante, seus gânglios sensoriais possuem origem nos placódios 
ectodérmicos, especificamente o óptico, recebendo influência também de células da crista neural. 
Além disso, há um compartimento denominado vesícula óptica que por meio de invaginação forma 
o cálice óptico, dando suporte para formação da retina e das células epiteliais da retina. 
5. HISTOLOGIA E CIRCUITARIAS REFERENTES A RETINA 
Os diferentes tipos celulares presentes na retina são: 
a) Os fotorreceptores – os bastonetes e os cones - que transmitem sinais para a camada 
plexiforme externa (Figura 3), onde fazem sinapses com células bipolares e com células 
horizontais; possuem o glutamato como neurotransmissor. 
b) As células horizontais que transmitem sinais horizontalmente na camada plexiforme 
externa de bastonetes e cones para as células bipolares. 
c) As células bipolares que transmitem sinais verticalmente dos fotorreceptores e células 
horizontais para a camada plexiforme interna, onde fazem sinapses com as células 
ganglionares e com as células amácrinas. 
d) As células amácrinas que transmitem sinais em duas direções, diretamente de células 
bipolares para as células ganglionares ou horizontalmente, dentro da camada plexiforme 
interna, dos axônios das células bipolares para os dendritos das células ganglionares ou 
para outras células amácrinas; apresentam vários neurotransmissores, todos eles inibitórios. 
e) As células ganglionares que transmitem sinais eferentes da retina pelo nervo óptico para 
o cérebro. 
f) As células de Müller que são glias modificadas presentes em toda espessura da retina que 
participam na difusão de nutrientes, armazenam glicogênio e o transformam em glicose, 
além de servirem de sustentação para a retina. 
5.1 ESTRATIGRAFIA DA RETINA 
A retina apresenta uma estrutura complexa, disposta em camadas, cuja orientação da 
camada mais externa para interna é a seguinte: 
(1) Camada Pigmentar 
Na camada pigmentar, encontramos o epitélio pigmentar, uma fina estrutura que contém 
melanina. Ele reduz a quantidade de luz que entra no olho e desempenha um papel crítico na 
manutenção dos fotorreceptores (cones e bastonetes) através da 
renovação dos fotopigmentos e da fagocitose dos discos receptores. 
(2) Camada de Bastonetes e Cones 
Existem dois tipos de fotorreceptores na retina: os bastonetes 
e os cones. Ambos apresentam um segmento externo composto por 
discos membranosos, os quais, por sua vez, possuem pigmentos 
fotossensíveis. Além do segmento externo, há um segmento interno 
que contém o núcleo da célula e dá origem a terminais sinápticos 
que entram em contato com células horizontais ou com células 
bipolares (Figura 2). O segmento externo está localizado na porção 
adjacente ao epitélio pigmentar. A absorção de luz pelo fotopigmento 
no segmento externo dos fotorreceptores inicia uma cascata de 
eventos que altera o potencial de membrana do cone ou do 
Figura 2. Diferenças estruturais entre 
bastonetes e cones. 
Fonte: adaptado de PURVES, 2004. 
5 
 
bastonete e, portanto, altera a quantidade de neurotransmissores liberada para as células que eles 
contatam. O agrupamento dos discos dos fotorreceptores forma a camada de bastonetes e cones. 
(3) Membrana Limitante Externa 
O estrato que separa as duas camadas da retina que contêm partes de fotorreceptores é 
chamada de membrana limitante externa, nela encontramos as células gliais (Müller). A membrana 
limitante externa é, na verdade, não de todo uma membrana, embora apareça como tal no 
microscópio óptico, mas uma série de zônulas aderentes entre fotorreceptores e as células gliais 
que as separam. Essas junções mais provavelmente servem para ancoraros fotorreceptores. 
(4) Camada Nuclear Externa ou Camada Nuclear de Bastonetes e Cones 
O agrupamento dos corpos celulares dos fotorreceptores compõe a camada nuclear externa. 
(5) Camada Plexiforme Externa 
As áreas plexiformes são áreas de sinapses. Assim sendo, é na camada plexiforme externa 
que ocorrem as sinapses entre os fotorreceptores e os interneurônios retinianos (células bipolares 
e células horizontais). 
(6) Camada Nuclear Interna ou Camada Nuclear Bipolar 
Nessa camada, temos a reunião da soma neuronal dos interneurônios retinianos e a 
presença de células amácrinas. 
(7) Camada Plexiforme Interna 
A outra área sináptica encontra-se na camada plexiforme interna, com a conexão entre 
células bipolares e amácrinas com as células ganglionares. 
(8) Camada Ganglionar 
A soma neuronal das células ganglionares forma a camada ganglionar. 
(9) Camada de Fibras do Nervo Óptico 
Os longos axônios das células ganglionares compõem a camada de fibras nervosas do nervo 
óptico, passando pela superfície vítrea da retina e penetrando o disco óptico, tornando-se então 
fibras mielínicas rodeadas por oligodendrócitos. 
(10) Camada de 
Fibras do Nervo 
Óptico 
Por fim, a última 
camada, a membrana 
limitante interna, é formada 
pela projeção das células de 
Müller, ela funciona como 
uma membrana basal que 
forma a interface entre a 
retina e o vítreo. Os raios 
luminosos, ao atravessarem 
a córnea, a pupila e as 
demais estruturas oculares, 
incidem sobre a retina, a fim 
de ativar o mecanismo de 
transdução fotoneural. 
Figura 3. Desenho esquemático evidenciando a organização em camadas celulares da retina. 
Fonte: STANDRING, 2010. 
6 
 
5.2 DISTRIBUIÇÃO DE CONES E DE BASTONETES 
Mais numerosos que os cones, os bastonetes encontram-se espalhados difusamente por 
toda a retina, porém estão ausentes na mácula. Eles respondem a estimulação de baixa 
intensidade e medeiam a visão noturna, a visão periférica e a percepção de movimento. Eles não 
conseguem perceber cores. Cones também estão presentes em toda a retina, mas se concentram 
na mácula lútea. A mácula consiste inteiramente em cones, ela é o ponto de fixação central e o 
local de maior acuidade visual e de percepção de cores. A mácula (do latim “mancha”) é uma 
pequena depressão rasa da retina que se situa temporalmente ao disco. Ela tem uma cor 
ligeiramente diferente da retina circunvizinha que pode ser vista com o oftalmoscópio. A fóvea (do 
latim “fossa”) central é uma diminuta depressão que se situa no centro da mácula. A fovéola é uma 
depressão ainda menor no centro da fóvea. Ela é o ponto de visão mais aguda, porque as camadas 
sobrejacentes da retina são impelidas para os lados e a luz incide diretamente nos receptores; a 
fovéola é o centro óptico do olho (Figura 4). A mácula é responsável pela discriminação de cores e 
pelos detalhes visuais finos; seus cones são estimulados pela luz de intensidade relativamente alta 
e pelas cores. O disco óptico, ou papila, é a extremidade visível ao oftalmoscópio da parte 
intraocular do nervo óptico. Ela não contém células receptoras, não responde a estímulos visuais 
e é responsável pelo ponto cego fisiológico. É a mácula e não o disco que constitui o centro da 
retina, e o ponto de fixação macular é o centro do campo visual (CV) clínico. Perda de axônios e 
outras anormalidades envolvendo a CFN podem por vezes ser vistas oftalmoscopicamente. 
 
 
5.3 CIRCUITO NEURAL DA RETINA 
A maioria da transmissão dos sinais ocorre, nos neurônios da retina, mediante condução 
eletrotônica, isto é, por sinapses químicas. Os únicos neurônios que sempre transmitem sinais 
visuais por potencial de ação, são as células ganglionares. 
5.3.1 AS CÉLULAS BIPOLARES DESPOLARIZANTES E HIPERPOLARIZANTES 
A área retiniana que recebe o estímulo luminoso produz uma mudança do potencial de 
membrana de uma célula bipolar ou ganglionar que é chamado de campo receptor (CR). O campo 
receptor de uma célula bipolar é pequeno e heterogêneo. Compreende duas regiões: uma pequena 
área central e um grande campo anular em torno do centro. O CR de cada célula é formado de um 
centro on e um off. Um ponto luminoso enviado ao campo periférico produz sempre uma resposta 
de polaridade oposta à produzida no campo central. No caso de uma célula on central, um ponto 
luminoso no centro produz uma resposta positiva. Um ponto luminoso na periferia produz uma 
resposta negativa. Ao contrário, um ponto luminoso enviado ao centro de uma célula off central, 
produz uma resposta negativa, logo, uma iluminação do campo periférico produz uma resposta 
positiva. A célula bipolar on central também é chamada de célula bipolar hiperpolarizante, enquanto 
a célula bipolar off central pode ser chamada de célula bipolar despolarizante. Essas células 
respondem de forma diferente ao mesmo estímulo, isto é, à excitação/despolarização dos 
fotorreceptores. 
A resposta seletiva de células bipolares dentro e fora do centro a incrementos e a 
decréscimos de luz é explicado pelo fato de que elas expressam diferentes tipos de receptores de 
glutamato (Figura 5). Células bipolares off centrais têm receptores ionotrópicos (AMPA e cainato) 
Fonte: adaptado de PURVES, 2004. 
Figura 4. Corte transversal através da fóvea humana. 
7 
 
que causam despolarização das células em resposta ao glutamato liberado dos terminais 
fotorreceptores. Em contraste, células bipolares on centrais expressam um receptor metabotrópico 
em suas membranas que acarretam hiperpolarização em resposta ao glutamato. 
As sinapses de fotorreceptores com células bipolares off centrais são chamadas de sinapses 
de conservação, pois o sinal no potencial de membrana da célula bipolar (despolarização ou 
hiperpolarização) é o mesmo que no fotorreceptor. Já as sinapses entre os fotorreceptores com 
células bipolares on centrais denominam-se sinapses de inversão, porque o sinal no potencial de 
membrana da célula bipolar é oposto ao do fotorreceptor. 
No escuro, temos uma menor incidência 
de fótons nos cones e nos bastonetes e, 
consequentemente, há uma maior liberação de 
glutamato pelos fotorreceptores nas células 
bipolares, tendo em vista que eles despolarizam. 
Células bipolares on centrais, então, são 
hiperpolarizadas, o que significa que elas são 
inibidas e não liberam glutamato no terminal 
pós-sináptico das células ganglionares. 
Enquanto isso, células bipolares off centrais são 
despolarizadas, o que significa que elas são 
excitadas e liberam glutamato e, assim, as 
células ganglionares off centrais recebem a 
informação visual (Figura 5). 
No claro, temos maior incidência de 
fótons nos cones e nos bastonetes e, 
consequentemente, há menor liberação de 
glutamato pelos fotorreceptores nas células 
bipolares, tendo em vista que eles 
hiperpolarizam. Células bipolares on centrais, 
então, são despolarizadas, o que significa que 
elas são excitadas e liberam glutamato no 
terminal pós-sináptico das células ganglionares. 
Enquanto isso, células bipolares off centrais são hiperpolarizadas, o que significa que elas são 
inibidas e não liberam glutamato e, assim, as células ganglionares off centrais não recebem a 
informação visual. 
Como as células bipolares despolarizantes e hiperpolarizantes se encontram justapostas 
umas às outras, isso proporciona um mecanismo para separar bordas de contraste na imagem 
visual, mesmo quando a borda se situa exatamente entre dois fotorreceptores adjacentes. 
5.3.2 AS CÉLULAS HORIZONTAIS 
Por mais que apenas uma área da retina seja iluminada, a 
informação visual pode ser propagada para áreas que não foram 
atingidas pela luz através das árvores dendríticas. Isso não ocorre 
por conta da inibição lateral promovida pelas células horizontais. 
As células horizontais são ativadas pelo glutamato liberado pelos 
fotorreceptores. Uma vez ativadas, ascélulas horizontais liberam, 
GABA, inibindo assim as células fotorreceptoras. Essa inibição 
lateral ajuda a assegurar a transmissão de padrões visuais com 
contraste visual adequado. Esse fenômeno é demonstrado na 
Figura 6, que mostra a mancha diminuta de luz focalizada na 
retina. 
Figura 5. Principal rota de fluxo de informação de fotorreceptores para o 
nervo óptico. 
Fonte: adaptado de PURVES, 2004. 
Figura 6. Excitação e inibição de área da retina, 
causadas por pequeno feixe de luz, 
demonstrando o princípio da inibição lateral. 
Fonte: GUYTON & HALL, 2011. 
8 
 
5.3.3 AS CÉLULAS AMÁCRINAS 
Há um tipo de célula amácrina que responde ao movimento de mancha através da retina, 
em direção específica, portanto, diz-se que essas células amácrinas são sensíveis a direção. 
Algumas das células amácrinas provavelmente fornecem inibição lateral adicional também na 
camada plexiforme interna da retine e, portanto, aumentam o realce do contraste visual. Em certo 
sentido, então, muitas ou a maioria das células amácrinas são interneurônios que ajudam a analisar 
os sinais visuais antes que eles deixem a retina. 
6. VIA NEURAL 
Após a emergência de fibras das células ganglionares da retina para a formação dos nervos 
ópticos, os sinais nervosos partem retrogradamente até o córtex visual. Dos dois globos oculares, 
os nervos ópticos convergem de cada lado para formar o quiasma óptico, do qual partem em 
seguida, posteriormente, os tratos ópticos que terminam nos respectivos corpos geniculados 
laterais do tálamo. No quiasma óptico, as fibras dos dois nervos ópticos sofrem decussação parcial, 
em que as fibras da retina temporal seguem um trajeto direto. Portanto, os impulsos nervosos 
originados na mesma metade da retina (p. ex., metades direitas de cada olho) serão dirigidos aos 
corpos geniculados e ao córtex ipsilateral, por meio das fibras geniculocalcarinas, que passam pela 
radiação óptica e seguem até o córtex visual primário, no lobo occipital. Ademais, a partir do destino 
seguido pelos impulsos nervosos de origem visual, podem-se distinguir quatro conjuntos de fibras 
nas vias ópticas (Figura 7). 
• Fibras retino-hipotalâmicas: destacam-se do quiasma óptico e vão até o núcleo 
supraquiasmático no hipotálamo, sendo importantes para a coordenação do ritmo 
circadiano e alterações fisiológicas do corpo durante o dia e a noite. 
• Fibras retino-tectais: controle de movimentos direcionais rápidos dos olhos. 
• Fibras retino-pré-tectais: atingem o colículo superior e estão relacionadas aos 
movimentos reflexos dos olhos na focalização de objetos importantes e ativação do 
reflexo pupilar à luz. 
• Fibras retino-geniculadas: somente estas se relacionam efetivamente com a visão, 
pois fazem sinapse com os neurônios IV da via óptica, localizados no corpo 
geniculado lateral. 
6.1 VIA VISUAL E BINOCULAR 
Quatro neurônios conduzem os 
impulsos visuais ao córtex visual: (I) 
bastonetes e cones, que são neurônios 
receptores especializados da retina; (II) 
neurônios bipolares, que conectam os 
bastonetes e os cones às células 
ganglionares; (III) células ganglionares, cujos 
axônios seguem até o corpo geniculado 
lateral; e (IV) neurônios do corpo geniculado 
lateral, cujos axônios destinam-se ao córtex 
cerebral. Na visão binocular, os campos 
direito e esquerdo da visão se projetam em 
partes das duas retinas. A imagem de um 
objeto no campo direito da visão é projetada 
na metade nasal da retina direita e na metade 
temporal da retina esquerda. No quiasma 
óptico, os axônios dessas duas metades das 
retinas são combinados formando o trato 
óptico esquerdo. Os neurônios do corpo geniculado lateral projetam todo o campo visual direito no 
Figura 7. Vias ópticas. 
Fonte: ANTONIO, 2012. 
9 
 
córtex visual do hemisfério esquerdo, e o campo visual esquerdo no córtex visual do hemisfério 
direito. Os quadrantes retinianos inferiores (campo de visão superior) projetam-se na parede inferior 
do sulco calcarino, enquanto os quadrantes retinianos superiores (campo de visão inferior) 
projetam-se na parede superior do sulco. 
6.1.1 HEMIANOPSIAS 
As hemianopsias podem ser caracterizadas pelas perdas visuais ou até mesmo pela 
cegueira, de metade do campo visual, com causas relacionadas a tumores, traumas, danos arteriais 
e lesão do quiasma. Por sua vez, a hemianopsia pode ser classificada como homônima, na qual 
há perda de visão em ambos os olhos, porém dos mesmos lados do campo visual, ou seja, tanto 
no olho esquerdo como no direito não se enxerga o lado esquerdo, por exemplo. Ainda podendo 
ser classificada como completa ou incompleta, esta última, por sua vez, pode ser congruente ou 
incongruente, quanto mais anterior a lesão, mais incongruente será o defeito. Também, existe o 
tipo heterônimo que, diferente da homônima, é a perda de visão em ambos olhos, mas em lados 
diferentes do campo visual, manifestando-se de dois tipos: binasal e bitemporal. A primeira, ocorre 
pela perda de visão nos campos visuais laterais ao nariz, esquerdo do olho direito e direito do olho 
esquerdo. Porquanto, a segunda com danos nos nervos próximos à glândula hipófise com perda 
no campo visual periférico, ou seja, no esquerdo do olho esquerdo e direito do olho direito. Por fim, 
a quadrantanopia é a perda de visão em algum quadrante do campo de visão, com lesão 
essencialmente no lobo occipital, podendo ser homônima ou heterônima, a partir das áreas 
lesionadas. 
7. REFLEXOS E FUNÇÕES 
O segundo par de nervos cranianos, nervo óptico, são exclusivamente sensitivos, atuando 
na recepção de estímulos visuais que serão interpretados pelo telencéfalo. Desse modo, há uma 
participação desse nervo em inúmeros reflexos visuais. São alguns desses reflexos: 
7.1 REFLEXOS FOTOMOTORES 
Nesta situação uma pupila será posta frente à uma fonte luminosa, logo haverá captação 
dos fótons e como resposta constrição pupilar, fenômeno denominado como reflexo fotomotor 
direto, além do mesmo evento com a pupila oposta não iluminada no reflexo fotomotor consensual. 
O estímulo aferente captado segue pelo nervo, quiasma e trato ópticos, desse último saindo 
fibras que realizam sinapses com neurônios do núcleo pré-tetal, então esses impulsos são 
conduzidos ao núcleo parassimpático (Edinger-Westphal) que o conectam com o terceiro nervo, 
que por sua vez, transmite a informação, através do gânglio ciliar, para os nervos ciliares curtos 
que excitam o músculo esfíncter da pupila. Outrossim, o reflexo consensual ocorre devido ao fato 
do pré-tetal emitir fibras para os núcleos parassimpáticos de ambos os lados. 
7.2 REFLEXO DE ACOMODAÇÃO VISUAL 
Ao olharmos um objeto distante sua imagem forma-se na retina com os músculos ciliares 
relaxados, todavia ao mudar nosso foco para um objeto mais próximo é necessária uma 
acomodação visual, com a contração dos ciliares, comprimindo o cristalino e diminuindo seu raio, 
para que a imagem se forme normalmente. 
O estímulo captado segue pelo nervo, quiasma e trato ópticos, partindo para o corpo 
geniculado lateral que se conecta com o córtex visual, a partir dele as fibras descendem chegando 
no óculo motor e núcleo parassimpático, em ambos os lados, seguindo até o gânglio ciliar e então 
chegando, pelas fibras parassimpáticas pós-ganglionares, ao músculo ciliar e esfíncter da pupila. 
7.3 REFLEXOS CORPORAIS VISUAIS 
Recorrente no ato da leitura, no qual os olhos seguem, constantemente, as palavras, ou seja, 
a fonte visual de estímulo, além do fechamento do olho para proteção, dentre outros. 
10 
 
Os estímulos captados são transmitidos pelo nervo, quiasma e trato ópticos até os colículos 
superiores, seguindo para os tratos tetospinal, tetobulbar e neurônios da coluna cinzenta da medula 
espinhal. 
7.4 REFLEXO CUTÂNEO PUPILAR 
Quando a pele é estimulada por um beliscão ou por uma sensação dedor a pupila dilata-se. 
A fibras eferentes teriam conexões com neurônios simpáticos pré-ganglionares dos dois primeiros 
segmentos torácicos da medula, logo esses transmitiriam comunicantes brancos até o tronco 
simpático, ascendendo ao gânglio cervical superior, seguindo, por meio, dos nervos ciliares longos 
e carótico interno. 
8. PATOLOGIAS 
As vias visuais desempenham uma importante função na recepção de estímulos necessários 
para inúmeros reflexos, que visam proteger e manter a homeostase corporal. Em razão disso, 
existem várias patologias e distúrbios que perturbam seu equilíbrio e desempenhos naturais, com 
causas diversas, tais como infecções virais, alteração genética ou lesão. Dentre elas, podemos 
destacar as seguintes patologias. 
8.1 PAPILITE (NEVRITE ÓPTICA) 
Ocorre quando há uma inflamação ou desmielinização, na extremidade do nervo óptico na 
entrada do globo ocular. Em suma, sua origem exata ainda é pouco conhecida, possuindo relação 
com doenças virais e imunológicas. Normalmente é unilateral, mas pode afetar ambos os olhos, 
resultando em perda de visão de um pequeno ponto até cegueira total, por um certo prazo de 
tempo. O diagnóstico é feito através de um teste de campo de visão e examinando o nervo com o 
oftalmoscópio, além de que a retina pode estar endemaciada e o tratamento mais comum é o uso 
de corticoesteróides. 
8.2 NEVRITE RETROBULBAR 
Inflamação do segmeto do nervo óptico que está posterior ao olho, com origem comum 
ligada à esclerose múltiplas, tumores e aneurisma da carótida, apesar dos mecanismos ainda 
serem pouco conhecidos. Ademais, essa patologia se destaca pela perda da visão e dor ao mover 
os olhos, normalmente unilateral. Todavia, não há um tratamento definido, na maioria dos casos há 
melhora sem nenhum tratamento. 
8.3 AMBLIOPIA TÓXICA 
É uma reação tóxica do nervo óptico à substâncias nocivas ao organismo, tal como cigarro 
e álcool, ainda havendo relação com desnutrição. Geralmente, há uma perda no centro do campo 
visual, que por sua vez, pode progredir para uma cegueira total bilateral, fotofobia e desconforto 
ocular. Portanto, é importante que as pessoas que sofrem dessa condição evitem o consumo dos 
agente causadores, além de melhorar sua alimentação. 
8.4 PAPILEDEMA 
Patologia que tem origem no aumento de pressão intracraniana que provoca acúmulo de 
líquido axoplasmático nos neurônios, acarretando num inchaço do nervo óptico na região da papila 
óptica. Outrossim, esse aumento de pressão pode ser causada por tumores, infecções, tromboses 
e hemorragias. Inicialmente, há dor de cabeça sem haver escotoma, mas há progressão de mancha 
cega com a evolução da doença, usualmente, dividida em 4 estágios: inicial, plenamente 
desenvolvido, crônico e distrófico. 
8.5 ATROFIA ÓPTICA 
Evidentemente, é a atrofia do nervo óptico, podendo ser classificada como primária, caso 
tenha relação com doenças distantes do nervo ou secundária quando afeta a cabeça do nervo 
óptico. Em termos, tal patologia tem origem congênita ou adquirida, com degeneração que pode 
ser parcial ou total, com dano irreversíveis para a visão.

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