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1. Metabolismo e sistemas energéticos básicos 1.1.Energia para a atividade celular; Carboidratos, gorduras e proteínas; 1.2.Bioenergética e a síntese de ATP; Sistemas ATP-CP; Sistema Glicolítico; Sistema Oxidativo; 1.3.Sistemas energéticos e os exercícios Mensuração da utilização de energia durante o exercício Calorimetria Direta – Somente cerca de 40% da energia liberada durante o metabolismo da glicose e das gorduras são utilizadas para a produção de ATP. Os 60% restante são convertidos em calor. Mensurar a quantidade de calor produzido pelo corpo é uma técnica conhecida como calorimetria direta, que pode ser utilizada para estimar o gasto calórico. Calorimetria Direta O calorímetro é uma câmera, construída para mensura a produção de calor do corpo. A partir de tabulações de cobre, no quais passam-se água, a qual é aquecida pela produção de calor humano. Desvantagem deste equipamento, é que o mesmo caro, e não consegue mensurar instantaneamente as rápidas alterações da liberação de energia. Calorímetro Calorimetria Indireta Metabolismo aeróbico da glicose e das gorduras depende de 02, produz CO2 e água. A quantidade de O2 e CO2 trocados nos pulmões normalmente é igual à utilizada e liberada pelos tecidos corporais. Assim sendo, o gasto calórico pode ser estimado pela mensuração dos gases respiratórios, sendo esta uma técnica da calorimetria indireta. Razão da Troca Respiratória Os conteúdos de carbono, e de oxigênio da glicose, dos ácidos graxos livres e dos aminoácidos diferem se acentuadamente. Como resultado, a quantidade de oxigênio utilizada durante o metabolismo do tipo de substrato que estiver sendo oxidado. A calorimetria indireta mensura a quantidade de CO2 liberado (VCO2) e O2 consumido (VO2) A relação destes dois valores é denominada razão da troca respiratória ou R. R = VCO2/VO2 Espirômetro Computadorizado Razão da Troca Respiratória A quantidade de oxigênio necessária para oxidar completamente uma molécula de carboidrato ou de gordura é proporcional á quantidade de carbono existente no substrato. A glicose (C6 H12 O6), por conter seis moléculas de carbono, serão necessárias seis moléculas de oxigênio para produzir seis moléculas de CO2. Razão da Troca Respiratória Avaliando-se quanto de CO2 é liberado em comparação com a quantidade de O2, verifica-se que o R dos carboidratos é = 1 6 O2 + C 6 H 12 O 6 = 6CO2 + 6 H2O R = VO2/VO2 = 6CO2/602 = 1,0 Razão da Troca Respiratória Os ácidos graxos livres por possuírem uma maior quantidade de carbono e de hidrogênio, e menor quantidade de O2, necessita de 23 moléculas de oxigênio para oxidar completamente uma molécula de gordura (C 16 H 32 02). 16 C + 16 O2 = 16 CO2 32 H + 8 O2 =16 H2O Total de 24 O2, menos 1 molécula O2 já presente na composição = 23 O2 R= VCO2/VO2 = 16/23= 0,70 Razão da Troca Respiratória Taxa Metabólica de Repouso A taxa na qual o seu corpo utiliza energia é a sua taxa metabólica. Como foi anteriormente observado, estimativas do gasto energético baseia-se mensuração do consumo de O2 total do organismo e de seu equivalente calórico. Em repouso, uma pessoa média consome aproximadamente 0,31 de O2/min. 181/h ou 432 l / dia. Taxa Metabólica de Repouso Em repouso uma pessoa queima uma mistura de carboidratos e gorduras. Um R 0,80 é 4,80 kcal por litro de O2. Kcal/dia= litros de O2 consumidos por dia x kcal usados por litros de O2. = 432 l de O2 dia x 4,80 kcal / l de O2 = 2074 kcal dia • Uma medida padronizada do gasto energético em repouso é a taxa metabólica basal. Taxa metabólica basal A TMB é a taxa de gasto energético de um indivíduo em repouso, em posição supina, mensurada imediatamente após um mínimo 08 horas de sono e 12 horas de jejum. Este valor reflete a quantidade mínima de energia para cuidar das funções essenciais do corpo. Taxa metabólica basal A TMB está relacionada com a massa magra (isenta de gordura). Apresentada em quilocalorias (kcal x kg-1 x min-1). Quanto maior a superfície corporal, maior perda de calor, maior gasto calórico. Também apresentada em quilocalorias por metro quadrado por hora (kcal x m2 x h - 1) Fatores que influenciam a TMB Idade, esta diminui em virtude da diminuição da massa magra; Temperatura corporal, se esta se eleva aumenta também TMB; Estresse, via Sistema nervoso simpático; Hormônios: a tiroxina, adrenalina aumenta a TMB Taxa metabólica durante o exercício Quando o seu corpo passa de repouso ao exercício, suas necessidades de energia aumentam; O metabolismo aumenta em proporção a taxa de trabalho. Controle do ambiente interno Homeostasia – é a manutenção de um meio interno constante ou inalterado, em condições sem estresse, resultante das respostas reguladoras. Estado estável – Em contraste o estado estável não significa que o ambiente interno encontra-se completamente normal, apenas ele não está se alterando. Controle do ambiente interno Exemplo: Em um ambiente externo neutro, durante uma atividade física que tenha duração em torno de quarenta minutos, a temperatura corporal irá se alterar, até que esta atinja um platô. Esse platô de temperatura constante, está acima da temperatura corporal em repouso, no entanto, representa o estado estável da temperatura corporal sobre este estresse físico. Sistemas de controle do corpo O corpo possuí literalmente centenas de sistemas de controle diferentes, e o objetivo global da maioria deles é a regulação da variável fisiológica em um valor constante ou quase constante. Sistema de controle biológico Receptor – Componente capaz de detectar a partir de um estímulo uma alteração da variável em questão. Centro de integração – Uma caixa de controle, que avalia a força do estímulo e envia uma mensagem adequada ao efetor. Efetor – Responsável pela correção do distúrbio. Déficit de oxigênio O termo déficit de oxigênio se aplica ao retardo da captação de oxigênio no início do exercício. Especificamente, esse déficit é definido como a diferença entre a captação de oxigênio nos primeiros minutos de exercício e um período de tempo igual após o estado estável ter sido obtido. EPOC – Excesso de Consumo de Oxigênio Pós-exercício EPOC indica a captação de oxigênio acima da taxa de repouso, após a prática de exercício, causada pela: Ressíntese da Creatina Fosfato; Remoção do Lactato; Hormônios elevados; Restauração dos estoques de oxigênio dos músculos e do sangue; Temperatura corporal elevada; Frequência cardíaca e respiratória elevadas. Respostas metabólicas ao exercício: influência da duração e da intensidade. Exercício intenso e de curta duração a energia para a sua realização origina-se essencialmente das vias metabólicas anaeróbicas. O quanto da produção de ATP é denominada pelo Sistema ATP-CP ou pela glicólise depende primariamente da duração da atividade. Respostas metabólicas ao exercício: influência da duração e da intensidade. Por exemplo a energia dispendida numa corrida de 50 metros ou durante uma cortada do voleibol é oriunda do sistema ATP-CP; Em uma corrida de 400 metros (45 segundos) provém da combinação do sistema ATP-CP, glicolítico e aeróbico, com a glicólise produzindo a maior parte da ATP. Respostas metabólicas ao exercício: influência da duração e da intensidade. Em geral o sistema ATP-CP pode suprir quase toda ATP necessária para o trabalho em eventos que duram de um a cinco segundos; O exercício intenso com mais de cinco segundoscomeça a utilizar a capacidade de produção de ATP da glicólise. Os eventos com mais de 45 segundos utilizam- se uma combinação dos três sistemas energéticos. Eventos de 60 segundos= 70% anaeróbico, 30% aeróbico. Exercício progressivo O teste começa com o individuo realizando um rápido aquecimento, seguido de um aumento na taxa de trabalho de um três minutos, até que não seja possível manter a potência desejada. Na esteira, este aumento pode ser conseguido com o aumento de sua velocidade ou inclinação. Na bicicleta ergométrica ou no ergômetro de braço com o aumento da resistência. VO2 máx A captação máxima de oxigênio durante o exercício progressivo aumenta como uma função linear, da taxa de trabalho, até que o VO2 máx seja atingido. Quando isto ocorre um aumento na taxa de trabalho não acarreta o aumento na captação de oxigênio. VO2 máx Portanto, o VO2 máx representa o “teto fisiológico” da capacidade do sistema de transporte de oxigênio de liberar O2 aos músculos que estão se contraindo. Fatores fisiológicos que influenciam o VO2 máx 1 – a capacidade máxima do sistema cardiorrespiratório de liberar o oxigênio ao músculo que está se contraindo; 2 – a capacidade muscular de captar o oxigênio e produzir ATP aerobicamente. Tanto a genética como o treinamento influenciam no VO2 máx. Limiar do Lactato A maior parte da produção de ATP utilizada para fornecer energia á contração muscular nos estágios iniciais de um teste progressivo é oriunda de fontes aeróbicas. No entanto, a medida que a intensidade do exercício aumenta, o níveis sanguíneos de ácido láctico começam a se elevar. Limiar do Lactato O Limiar do Lactato é definido como o ponto no qual o lactato sérico começa a acumular além da concentração de repouso durante um exercício de intensidade constante; Nos indivíduos não treinados, isso se dá em torno de 50% á 60% do VO2 máx; Nos indivíduos treinados 65% a 80% VO2 máx; Limiar do Lactato Limiar do Lactato Oxigênio muscular baixo; Glicólise acelerada; Recrutamento de fibras de contração rápida; Taxa de remoção do lactato reduzida; Uso prático do Limiar do Lactato Pesquisadores estabelecem um valor de 2,0 ou 4,0 mmol de lactato por litro de sangue para representar o ponto em que começa o acúmulo deste resíduo metabólico. Isso permite o estabelecimento de um ponto de referência (inicio do acúmulo de lactato), a partir do qual se pode trabalhar. Uso prático do Limiar do Lactato O Limiar do Lactato é expresso em VO2. A capacidade do atleta de exercitar numa intensidade elevada sem acúmulo de lactato é benéfica para o atleta, pois a formação de lactato contribui para a fadiga. Assim sendo este Limiar aponta a exata intensidade do treino dos atletas. Composição segundo o tipo de fibra muscular e treinamento de endurance Sistema muscular é composto por fibras musculares de contração lenta (CL) e contração rápida (CR). A fibras CL apresentam maior capacidade aeróbica que as de CR. As fibras CL apresentam maior quantidade de mitocôndrias e de enzimas oxidativas. As fibras CR são mas adequadas para a produção de energia glicolítica. Composição segundo o tipo de fibra muscular e treinamento de endurance O treinamento de endurance aumenta a capacidade oxidativa de todas as fibras, em especial das CL. Por meio deste há um incremento na quantidade e densidade mitocondrial, assim como nas enzimas oxidativas. Intensidade do Exercício e Seleção do Substrato As gorduras são os substratos predominantes para os músculos durante o exercício de baixa intensidade (< 30% do VO2 máx). Os carboidrato são substrato dominante no exercício de alta intensidade (> 70% do VO2 máx). Intensidade do Exercício e Seleção do Substrato A influência da intensidade do exercício sobre a seleção do substrato muscular está ilustrada a seguir. Observe que a medida que a intensidade do exercício aumenta, ocorre um aumento progressivo do metabolismo dos carboidratos e uma diminuição dos metabolismo das gorduras. Intensidade do Exercício e Seleção do Substrato O que faz com que ocorra esse desvio do metabolismo das gorduras para o metabolismo do carboidratos? O recrutamento das fibras de CR. Quando a intensidade do exercício aumenta, cada vez mais fibras musculares rápidas são recrutadas. Duração do exercício e a seleção do substrato Durante o exercício prolongado de baixa intensidade (> que trinta minutos), ocorre um desvio gradual do metabolismo dos carboidratos em direção de uma maior dependência da gorduras como substrato. Duração do exercício e a seleção do substrato Duração do exercício e a seleção do substrato Os triglicerídeos são degradados em ácidos graxos livres e glicerol por enzimas denominadas lipases. Essas lipases são inativas até serem estimuladas pelos hormônios adrenalina e noradrenalina e glucagon. Exercício de baixa intensidade e longa duração = aumento adrenalina + aumento da lipase = aumento da lipólise = aumento dos ácidos graxos livres = metabolismo das gorduras. Interação entre o metabolismo das gorduras e dos carboidratos A depleção dos carboidratos disponíveis reduz a velocidade da glicólise e, consequentemente, a concentração do ácido pirúvico no músculo fica reduzida. Diminui a taxa de produção aeróbia de ATP pela redução dos intermediários do ciclo de Krebs. O acúmulo de intermediários é necessário para que ocorra a aceleração neste ciclo. Interação entre o metabolismo das gorduras e dos carboidratos É importante observar que uma redução dos intermediários do ciclo de Krebs acarreta uma diminuição da taxa de produção de ATP a partir do metabolismo das gorduras. As gorduras queimam na chama dos carboidratos. Fontes de carboidratos durante o exercício A contribuição relativa do glicogênio muscular e da glicose sanguínea não metabolismo energético, varia em função de sua intensidade e duração. A glicose sanguínea desempenha um papel maior durante o exercício de baixa intensidade, enquanto o glicogênio muscular participam nos exercícios de alta intensidade. Fontes de carboidratos durante o exercício Os carboidratos são armazenados como glicogênio nos músculos e no fígado. Durante a primeira hora de exercício submáximo prolongado, grande parte dos carboidratos metabolizados pelos músculos provém do glicogênio muscular, no entanto, quando estes diminuem a glicose sanguínea se torna cada vez uma importante fonte de combustível. Fontes de carboidratos durante o exercício Fontes de gorduras durante o exercício Quando um indivíduo consome mais energia (alimento) do que gasta, essa energia adicional é armazenada sob forma de gordura. Um ganho de 3.500 kcal acarreta no armazenamento de 454 gramas de gordura. Maior parte é armazenada sob a forma de triglicerídeos nos adipócitos (células adiposas), mas uma pequena parte é armazenada nas células musculares. Fontes de gorduras durante o exercício Os estoques de gordura utilizados como fonte de combustível variam em função da intensidade e da duração do exercício. Os ácidos graxos livres plasmáticos (livre dos adipócitos) são a principal fonte de gordura durante o exercício de baixa intensidade. Fontes de gorduras durante o exercício Em taxas de trabalho mais elevadas, o metabolismo dos triglicerídeos musculares aumentam. Em intensidades de 65% a 85% do VO2 máx a contribuição dos triglicerídeos musculares e dos ácidos graxos livres são praticamenteiguais. Gasto energético de várias atividades O arco e a flecha exigem apenas um pouco mais de energia do que de repouso, outras como as corridas de curtas exigem tanta, que só podem ser mantidos os níveis de esforços por poucos segundos. Causas da fadiga Fadiga representam as sensações gerais de cansaço que levam a redução do desempenho muscular; Falhas nos sistemas energéticos (ATP-CP, glicolítico e oxidativo); O acúmulo de subprodutos metabólicos; O sistema nervoso; Falha no mecanismo contrátil. Falha no Sistema ATP-CP Depleção da Creatina Fosfato. Se o ritmo inicial da atividade física for muito rápido, a ATP e a creatina fosfato disponíveis diminuirão rapidamente, levando à fadiga precoce e à incapacidade de manutenção do ritmo nos estágios finais. O treinamento e a experiência permitem que o atleta julgue o ritmo ideal para a execução da atividade. Falha no Sistema Glicolítico A depleção do glicogênio também é um dos fatores que implicam em fadiga muscular. Como no uso da Creatina Fosfato, a taxa de depleção do Glicogênio muscular é controlada pela intensidade da atividade. O aumento da taxa de trabalho resulta na diminuição desproporcional do glicogênio muscular. Sub-produtos metabólicos e a Fadiga O ácido láctico acumula-se na fibra muscular somente durante o esforço breve e intenso. Os maratonistas podem apresentar baixa concentração de ácido láctico e exaustão, então a sua fadiga foi provocada por um suprimento inadequado de energia, o que provoca esta falha na produção de ATP? Sub-produtos metabólicos e a Fadiga Quando não eliminado, o ácido láctico se dissocia, transformando-se em lactato e causando um acúmulo de íons de hidrogênios, produzindo a acidose muscular. Felizmente, ás células e os líquidos corporais possuem tampões como o bicarbonato (HCO3), o qual minimiza a influência desequilibradora do H+. Sub-produtos metabólicos e a Fadiga Sem estes tampões, o H+ reduziria o pH e, aproximadamente 1,5 matando as células. Mesmo durante as atividades de alta intensidade, a partir deste mecanismo a concentração de H+ permanece baixa, de modo que o pH caia de 7,1 para no máximo a 6,6 ou 6,4 na exaustão. Sub-produtos metabólicos e a Fadiga As alterações do pH nesta magnitude afetam a produção de energia e a contração muscular; pH 6,9 inibe a fosfofruto quinase (enzima glicolítica) diminuindo velocidade da glicólise e da produção de ATP; pH 6,4 cessa a degradação do glicogênio; H+ pode deslocar o cálcio do interior da fibra interferindo no acoplamento da miosina sobre a actina reduzindo a força contrátil; Transmissão Neural e a fadiga Evidências sugerem que, sob determinadas circunstâncias, a fadiga pode ser resultante de uma incapacidade de ativação das fibras musculares. Transmissão Neural e a fadiga O impulso nervoso é transmitido através da junção neuromuscular para ativar a membrana da fibra e fazer com que o retículo sarcoplasmático da fibra libere o cálcio. O cálcio por sua vez, liga-se a troponina para iniciar a contração muscular. Transmissão Neural e a fadiga A fadiga pode ocorrer na junção neuromuscular, impedindo a transmissão do impulso nervoso à membrana da fibra muscular. Transmissão Neural e a fadiga Redução na síntese ou transmissão da acetilcolina; Hiperatividade da enzima colinesterase (enzima que degrada aceticolina - falta); Hipoatividade da enzima colinesterase (excesso); Limiar elevado da membrana da fibra; Substâncias que competem com acetilcolina; O potássio pode deixar o espaço intracelular (diminui o potencial de ação). O Sistema Nervoso Central O SNC também pode ser um local de fadiga; O SNC pode diminuir o ritmo do exercício a um nível tolerável para proteger o atleta; De fato, de modo geral, os pesquisados concordam que o desconforto percebido na fadiga precede o início da limitação fisiológica dos músculos.