Prévia do material em texto
Montes Claros/MG - 2012 Maria das Graças Mota Mourão Renata Cordeiro Maciel Gestão dos Processos Formativos em Espaços não Escolares EDITORA UNIMONTES Campus Universitário Professor Darcy Ribeiro s/n - Vila Mauricéia - Montes Claros (MG) Caixa Postal: 126 - CEP: 39.401-089 - Telefone: (38) 3229-8214 www.unimontes.br / editora@unimontes.br CATALOGADO PELA DIRETORIA DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÕES (DDI) - UNIMONTES Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) © - EDITORA UNIMONTES - 2012 Universidade Estadual de Montes Claros REITOR João dos Reis Canela VICE-REITORA Maria Ivete Soares de Almeida DIRETOR DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÕES Huagner Cardoso da Silva EDITORA UNIMONTES Conselho Editorial Prof. Silvio Guimarães – Medicina. Unimontes. Prof. Hercílio Mertelli – Odontologia. Unimontes. Prof. Humberto Guido – Filosofia. UFU. Profª Maria Geralda Almeida. UFG Prof. Luis Jobim – UERJ. Prof. Manuel Sarmento – Minho – Portugal. Prof. Fernando Verdú Pascoal. Valencia – Espanha. Prof. Antônio Alvimar Souza - Unimontes Prof. Fernando Lolas Stepke. – Univ. Chile. Prof. José Geraldo de Freitas Drumond – Unimontes. Profª Rita de Cássia Silva Dionísio. Letras – Unimontes. Profª Maisa Tavares de Souza Leite. Enfermagem – Unimontes. Profª Siomara A. Silva – Educação Física. UFOP. REVISÃO LINGUÍSTICA Ângela Heloiza Buxton Arlete Ribeiro Nepomuceno Aurinete Barbosa Tiago Carla Roselma Athayde Moraes Este livro ou parte dele não pode ser reproduzido por qualquer meio sem autorização escrita do Editor. Luci Kikuchi Veloso Maria Cristina Ruas de Abreu Maia Maria Lêda Clementino Marques Ubiratan da Silva Meireles REVISÃO TÉCNICA Admilson Eustáquio Prates Cláudia de Jesus Maia Josiane Santos Brant Karen Tôrres Corrêa Lafetá de Almeida Káthia Silva Gomes Marcos Henrique de Oliveira DESIGN EDITORIAL E CONTROLE DE PRODUÇÃO DE CONTEÚDO Andréia Santos Dias Camilla Maria Silva Rodrigues Clésio Robert Almeida Caldeira Fernando Guilherme Veloso Queiroz Francielly Sousa e Silva Hugo Daniel Duarte Silva Marcos Aurélio de Almeida e Maia Patrícia Fernanda Heliodoro dos Santos Sanzio Mendonça Henriques Tatiane Fernandes Pinheiro Tátylla Ap. Pimenta Faria Vinícius Antônio Alencar Batista Wendell Brito Mineiro Zilmar Santos Cardoso M931g Mourão, Maria das Graças Mota. Gestão dos processos formativos em espaços não escolares / Maria das Graças Mota Mourão, Renata Cordeiro Maciel. – Montes Claros : Unimontes, 2012. 59 p. : il. color. ; 21 x 30 cm. Caderno didático do Curso de Pedagogia da Universidade Aberta do Brasil - UAB/Unimontes. Inclui bibliografia. ISBN 978-85-7739-172-1 1. Ensino superior. 2. Escolas – Organização e administração. 3. Pedagogia hospitalar. 4. Prisões. 5. Educação rural. I. Maciel, Renata Cordeiro. II. Universidade Aberta do Brasil - UAB. III. Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes. IV. Título. CDD 378.007 Chefe do Departamento de Ciências Biológicas Guilherme Victor Nippes Pereira Chefe do Departamento de Ciências Sociais Maria da Luz Alves Ferreira Chefe do Departamento de Geociências Guilherme Augusto Guimarães Oliveira Chefe do Departamento de História Donizette Lima do Nascimento Chefe do Departamento de Comunicação e Letras Ana Cristina Santos Peixoto Chefe do Departamento de Educação Andréa Lafetá de Melo Franco Coordenadora do Curso a Distância de Artes Visuais Maria Elvira Curty Romero Christoff Coordenador do Curso a Distância de Ciências Biológicas Afrânio Farias de Melo Junior Coordenadora do Curso a Distância de Ciências Sociais Cláudia Regina Santos de Almeida Coordenadora do Curso a Distância de Geografia Janete Aparecida Gomes Zuba Coordenadora do Curso a Distância de História Jonice dos Reis Procópio Coordenadora do Curso a Distância de Letras/Espanhol Orlanda Miranda Santos Coordenadora do Curso a Distância de Letras/Inglês Hejaine de Oliveira Fonseca Coordenadora do Curso a Distância de Letras/Português Ana Cristina Santos Peixoto Coordenadora do Curso a Distância de Pedagogia Maria Narduce da Silva Ministro da Educação Fernando Haddad Presidente Geral da CAPES Jorge Almeida Guimarães Diretor de Educação a Distância da CAPES João Carlos Teatini de Souza Clímaco Governador do Estado de Minas Gerais Antônio Augusto Junho Anastasia Vice-Governador do Estado de Minas Gerais Alberto Pinto Coelho Júnior Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior Nárcio Rodrigues Reitor da Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes João dos Reis Canela Vice-Reitora da Unimontes Maria Ivete Soares de Almeida Pró-Reitora de Ensino Anete Marília Pereira Diretor do Centro de Educação a Distância Jânio Marques Dias Coordenadora da UAB/Unimontes Maria Ângela Lopes Dumont Macedo Coordenadora Adjunta da UAB/Unimontes Betânia Maria Araújo Passos Diretor do Centro de Ciências Humanas - CCH Antônio Wagner Veloso Rocha Diretora do Centro de Ciências Biológicas da Saúde - CCBS Maria das Mercês Borem Correa Machado Diretor do Centro de Ciências Sociais Aplicadas - CCSA Paulo Cesar Mendes Barbosa Chefe do Departamento de Artes Maristela Cardoso Freitas Autores Maria das Graças Mota Mourão Doutoranda pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro ( UTAD) de Portugal, mestre em Educação pelo Instituto Superior Pedagógico Enrique José Varona de Cuba, graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes. Atualmente é professora do Departamento de Educação, membro do Corpo Editorial da Revista Educação Significante e Coordenadora do Grupo de Pesquisas na Educação, Diversidade e Saúde (GEPEDS) da Unimontes. Renata Cordeiro Maciel Mestre em Educação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, especialização em Psicopedagogia pelas Faculdades Unidas do Norte de Minas, graduada em Pedagogia pela Unimontes. Atualmente é professora do Departamento de Educação da Unimontes e integrante do Grupo de Pesquisas na Educação, Diversidade e Saúde (GEPEDS) da Unimontes. Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos em Espaços não Escolares Apresentação Prezados (as) acadêmicos (as) do Curso de Pedagogia, O caderno didático intitulado GESTÃO DOS PROCESSOS FORMATIVOS EM ESPAÇOS NÃO ESCOLARES destina-se ao estudo da disciplina GESTÃO DA EDUCAÇÃO EM ESPAÇOS NÃO-ESCOLARES neste período e tem como objetivos discutir sobre: Conceitos e dimensões sócio políticos na estrutura de ambientes de educação não-formal. Os processos educativos nas instituições não escolares. As dimensões do trabalho pedagógico: pedagogia social de rua; pedagogia em ambientes empresariais, projetos sociais; organização não governamental. Pe- dagogia no ambiente de promoção de saúde e da melhoria de qualidade de vida. Princípios e práticas pedagógicas no processo de Organização de Instituições e espaços educativos não- -formais. Gestão e organização do trabalho pedagógico na educação não formal de crianças, jovens e adultos, em espaços diversos: Empresarial, Hospitalar, Carcerária, Campo. Advertimos que esse caminho requer esforço e dedicação, que serão demonstrados atra- vés do seu empenho em realizar as leituras recomendadas pelo professor formador e docentes tutores virtual e presencial, assim como a participar dos fóruns de discussão, momentos em que os conteúdos estudados são compartilhados entre os colegas de curso. Professora Maria Nadurce da Silva Coordenadora do Curso Sumário Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9 Unidade 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .11 Fundamentos Da Gestão Na Educação Não Formal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .11 1.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .11 1.2 Gestão: origeme concepção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .11 1.3 Diferenciação entre educação não formal, formal e informal. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13 1.4 Espaços não escolares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .17 Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .18 Unidade 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .21 Espaço empresarial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .21 2.1 Introdução. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .21 2.2 O espaço empresarial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .21 2.3 O papel do pedagogo na empresa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 2.4 O processo de aprendizagem no trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .24 2.5 As práticas do pedagogo na empresa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .26 Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .28 Unidade 3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .29 Pedagogia hospitalar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .29 3.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .29 3.2 Contextualização do espaço. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 3.3 O papel do pedagogo no espaço hospitalar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 3.4 A prática pedagógica em classe hospitalar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .31 Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .32 Unidade 4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .33 O espaço carcerário. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .33 4. 1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .33 4.2 Contextualização do espaço. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 4.3 Dimensões da educação carcerária: pressupostos teóricos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 4.4 As práticas educativas no espaço carcerário. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .35 Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 Unidade 5 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .39 O espaço do campo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .39 5.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .39 5.2 Contextualização do espaço. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 5.3 Práticas pedagógicas e participação dos movimentos sociais na educação do campo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .41 5.4 Pedagogia da alternância . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .45 Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .47 Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .49 Referências Básicas e Complementares. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .53 Atividades de Aprendizagem - AA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .57 9 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares Apresentação Caro(a) acadêmico(a): A disciplina Gestão dos Processos For- mativos em Espaços Não Escolares trata da diversidade atual no campo de atuação do pedagogo que, além de atuar em instituições escolares, vem atuando também em espaços não escolares, cujo objetivo principal é refletir acerca da gestão e organização do trabalho pedagógico na educação não formal de crian- ças, jovens e adultos, em espaços diversos: Empresarial, Hospitalar, Carcerário e do Cam- po. O campo da pedagogia vem atravessan- do um momento de mudanças, em que come- çam a ser rompidos antigos paradigmas sobre o perfil de formação e atuação do pedagogo, ampliando o campo de atuação, exigindo um novo profissional com uma nova práxis edu- cativa a partir de novas perspectivas impostas pela contemporaneidade. Por isso, para Matos e Muggiati (2001), a formação desse profissional constitui-se num desafio aos cursos de Pedagogia, uma vez que as mudanças sociais aceleradas estão exigindo uma premente e avançada abertura de seus parâmetros, objetivando oferecer os neces- sários fundamentos teórico-práticos para o alcance de atendimentos diferenciados emer- gentes no cenário educacional que não seja apenas o espaço escolar. As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia aprovadas em dezembro de 2006, em relação à atuação do pedagogo em espaços não escolares, ressalta que o perfil do graduado deverá contemplar consistente formação teórica, diversidade de conhecimen- tos e de práticas que se articulam ao longo do curso. Dessa forma, a gestão educacional é en- tendida numa perspectiva democrática, que associe as diversas atuações e funções do tra- balho pedagógico e de processos educativos escolares e não escolares. Principalmente com referência ao planejamento, à administração, à coordenação, ao acompanhamento, à ava- liação de planos e de projetos pedagógicos, bem como à análise, à formulação, à imple- mentação, ao acompanhamento e à avaliação de políticas públicas e institucionais na área de educação. No mundo globalizado há de se tornar ótimo o processo de formação do educador, o que implica o desenvolvimento da autonomia para a construção do próprio caminho, exigin- do atitudes pró-ativas, organizadas, éticas, de caráter prático, flexíveis, além de iniciativas educacionais que valorizem a diversidade e também a participação efetiva nos relaciona- mentos interpessoais, tanto nos espaços esco- lares como em espaços não escolares. Nesse contexto, a disciplina Gestão dos Processos Formativos em Espaços Não Esco- lares está estruturada em cinco unidades. Na Unidade 1, tratamos dos fundamentos da ges- tão pedagógica nos espaços não escolares: sua função social, sua dimensão histórica e suas concepções. Na Unidade 2, intitulada Espaço Empresa- rial, buscamos desvelar o ambiente organiza- cionalda empresa que, na atualidade, precisa contar com um trabalhador pensante, criativo, pró-ativo, analítico, com habilidade para reso- lução de problemas e tomada de decisões, en- tre outras capacidades. Na Unidade 3, analisamos a proposta da Pedagogia Hospitalar que visa dar continui- dade às atividades escolares das crianças e adolescentes internados, atentando para que possua interação, harmonia entre as ações educativas a serem realizadas e a realidade hospitalar, bem como o papel do pedagogo como responsável por essas ações. Na Unidade 4 – Espaço Carcerário –, tra- zemos para discussão a educação em prisões, temática diretamente ligada ao amadureci- mento da visão da educação como direito hu- mano, entendendo que a educação oferecida no campo do sistema penitenciário pode mui- to contribuir no processo de reinserção social dos presos. Na Unidade 5 discutimos a Educação do Campo, os conceitos e as lutas dos movimen- tos sociais em busca de educação de quali- dade, bem como as questões curriculares, as ações pedagógicas e organização escolar no âmbito da identidade do campo. Esperamos que essa disciplina possibilite amplas reflexões em relação aos temas aqui tratados, contribuindo para que seu processo de formação de educador seja comprometi- do com a formação humana e profissional dos profissionais da educação. As autoras. 10 UAB/Unimontes - 7º Período 11 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares UNIDADE 1 Fundamentos Da Gestão Na Educação Não Formal 1.1 Introdução Nesta unidade, vamos analisar os funda- mentos da gestão pedagógica nos espaços não escolares: sua função social, sua dimensão histórica e suas concepções. Para que você possa compreender me- lhor e familiarizar-se com o termo gestão, ini- cialmente iremos traçar a sua origem episte- mológica, delineando sua evolução ao longo das últimas décadas e suas diferentes concep- ções. Pretendemos, ao final desta unidade, que você seja capaz de: • Reconhecer a epistemologia do termo gestão dos processos formativos nos es- paços não escolares; • Identificar as diferentes concepções pre- sentes no campo da gestão e na prática pedagógica; • Explicar a evolução histórica da constru- ção do campo da gestão pedagógica nos espaços não formais; • Caracterizar as diferentes correntes teóri- cas de gestão; • Relacionar as diferentes concepções de gestão com sua experiência. 1.2 Gestão: origem e concepção Cury (2002), em relação à origem etimoló- gica do termo gestão (de verbo latino gerere, gerar, exercer, executar), sinaliza a postura dia- lógica subjacente ao seu conceito como forma de governo da educação em seus diferentes níveis e modalidades de ensino. Independente da origem etimológica e de distintas aproximações conceituais e praxioló- gicas, a gestão da educação está construída no Brasil atual como um conceito abrangente que se refere ao pensar e ao fazer a educação em sua totalidade, tendo em vista o cumprimento de sua missão política e cultural e a consecução de seus objetivos pedagógicos. ◄Figura 1: Educação e direito Fonte: http://janete. pbworks.com/w/page /13491530/Organiza% C3%A7%C3%A3o-e- Gest%C3%A3o-da- Educa%C3%A7%C3%A3o Acesso em 18 jul. 2011. http://janete.pbworks.com/w/page/13491530/Organiza%C3%A7%C3%A3o-e-Gest%C3%A3o-da-Educa%C3%A7%C3%A3o http://janete.pbworks.com/w/page/13491530/Organiza%C3%A7%C3%A3o-e-Gest%C3%A3o-da-Educa%C3%A7%C3%A3o http://janete.pbworks.com/w/page/13491530/Organiza%C3%A7%C3%A3o-e-Gest%C3%A3o-da-Educa%C3%A7%C3%A3o http://janete.pbworks.com/w/page/13491530/Organiza%C3%A7%C3%A3o-e-Gest%C3%A3o-da-Educa%C3%A7%C3%A3o http://janete.pbworks.com/w/page/13491530/Organiza%C3%A7%C3%A3o-e-Gest%C3%A3o-da-Educa%C3%A7%C3%A3o http://janete.pbworks.com/w/page/13491530/Organiza%C3%A7%C3%A3o-e-Gest%C3%A3o-da-Educa%C3%A7%C3%A3o 12 UAB/Unimontes - 7º Período Na atualidade, o termo gestão educacional permeia a discussão de diferentes setores educa- cionais, visando à obtenção de melhores resultados. Na tentativa de compreendê-lo melhor, apre- sentaremos concepções de diferentes autores. Garcia (1987) entende gestão educacional como um conjunto de medidas adotadas para cumprir o que lhe é relacionado, ou seja, é a administração dos planos e programas de trabalho apresentados para o conjunto das instituições que realizam a educação. Estudiosos da temática, como Paro (2000) e Ferreira (2004), concebem a gestão da educação como tomada de decisões, utilização racional de recursos para a realização de determinados fins. Ferreira (2004, p. 1231) alerta quanto à necessidade de “ser repensada e ressignificada ante a ‘cul- tura globalizada’, a partir dessas determinações e à luz dos compromissos com a fraternidade, a solidariedade, a justiça social e a construção humana do mundo”. A gestão da escola pública trata de uma forma de organizar o funcionamento da escola em relação aos aspectos políticos, administrativos, financeiros, tecnológicos, culturais, artísticos e pe- dagógicos, a fim de dar transparência às suas ações e atos e possibilitar à comunidade escolar e local a aquisição de conhecimentos, saberes, idéias e sonhos, num processo de aprender, inven- tar, criar, dialogar, construir, transformar e ensinar (BRASIL, 2004). Ressaltamos que o termo gestão da educação tem, de acordo com o contexto em que é em- pregado, variados níveis de alcance. GLOSSÁRIO ETIMOLOGIA: Parte da Gramática que trata da origem e formação das palavras. PRAXIOLÓGICAS: Estudo das ações e da conduta humanas. ▲ Figura 2: Mundo globalizado Fonte: http://mundi-geo.blogspot.com/2009/04/globalizacao.html, Acesso em 18 jul. 2011. PARA SABER MAIS Gestão de Sistema Educacional A gestão de sistema implica o ordenamen- to normativo e jurídi- co e a vinculação de instituições sociais por meio de diretrizes comuns. “A democra- tização dos sistemas de ensino e da escola implica aprendizado e vivência do exercí- cio de participação e de tomadas de decisão. Trata-se de um processo a ser construído coletiva- mente, que considera a especificidade e a possibilidade históri- ca e cultural de cada sistema de ensino: municipal, distrital, estadual ou federal de cada escola.” Fonte: BRASIL/MEC/SEB. Programa Nacional de Fortalecimento dos Conse- lhos Escolares. Gestão da educação escolar. Brasília: UnB, CEAD, 2004 vol. 5. p. 25. http://mundi-geo.blogspot.com/2009/04/globalizacao.html 13 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares 1.3 Diferenciação entre educação não formal, formal e informal Ancorar-nos-emos nos estudo de Gohn (2006) para diferenciar os campos da educação (não formal, formal e informal). Para iniciarmos nossos estudos, observe as figuras (3, 4 e 5) que retra- tam espaços diferenciados de educação. ▲ Figura 3: Educação não formal http://www.unochapeco.edu.br/pedagogia/ blog, Acesso em 18 jul. 2011. ▲ Figura 4: Educação formal http://www.coopagora. com.br/wp-content/uplo- ads/2009/06/proj_educa- cao1.jpg, Acesso em 18 jul. 2011. ▲ Figura 5: Educação informal Fonte: http://3.bp.blogspot. com/_1Px65zKeTYk/SagAIoLunnI/AAAAAA- AAAA4/hj3KUItpoXc/s1600-h/hip-hop.jpg, Acesso em 18 jul. 2011. 1.3.1 Educação Não Formal A educação não formal trata-se daquela que se aprende no mundo da vida, por meio dos processos de compartilhamento de experiências, especialmente em espaços e ações coletivos cotidianas. Ela indica um processo com variadas dimensões, segundo Gohn (2006, p. 28): • a aprendizagem política dos direitos dos indivíduos como cidadãos; • a capacitação dos indivíduos para o trabalho, por meio da aprendizagem de habilidades e/ ou desenvolvimento de potencialidades; • a aprendizagem e exercício de práticas que capacitam os indivíduos a se organizarem com objetivos comunitários, voltadas para a solução de problemas coletivos cotidianos; • a aprendizagem de conteúdos quepossibilitem aos indivíduos fazerem uma leitura do mun- do do ponto de vista de compreensão do que se passa ao seu redor; • a educação desenvolvida na mídia e pela mídia, em especial a eletrônica, etc. http://www.unochapeco.edu.br/pedagogia/blog http://www.unochapeco.edu.br/pedagogia/blog http://www.coopagora.com.br/wp-content/uploads/2009/06/proj_educacao1.jpg http://www.coopagora.com.br/wp-content/uploads/2009/06/proj_educacao1.jpg http://www.coopagora.com.br/wp-content/uploads/2009/06/proj_educacao1.jpg http://www.coopagora.com.br/wp-content/uploads/2009/06/proj_educacao1.jpg http://3.bp.blogspot.com/_1Px65zKeTYk/SagAIoLunnI/AAAAAAAAAA4/hj3KUItpoXc/s1600-h/hip-hop.jpg http://3.bp.blogspot.com/_1Px65zKeTYk/SagAIoLunnI/AAAAAAAAAA4/hj3KUItpoXc/s1600-h/hip-hop.jpg http://3.bp.blogspot.com/_1Px65zKeTYk/SagAIoLunnI/AAAAAAAAAA4/hj3KUItpoXc/s1600-h/hip-hop.jpg 14 UAB/Unimontes - 7º Período Para a autora, esse tipo de educação pode ser definida como práticas educativas que ocorrem fora de tempos e espaços determinados, consistindo em um processo de formação para a vida. Lembramos que a educação não formal é necessária, pois a instituição escola não mais con- segue dar conta de todo o processo educativo. Nela, o grande educador é o outro, pessoa com quem interagimos ou nos integramos. Em relação aos espaços educativos, na educação não formal eles se localizam em territórios que “acompanham as trajetórias de vida dos grupos e indivíduos, fora das escolas, em locais in- formais, locais onde há processos interativos intencionais” (GOHN, 2006, p. 29). A autora esclarece ainda que ... a educação não-formal ocorre em ambientes e situações interativos constru- ídos coletivamente, segundo diretrizes de dados grupos, usualmente a partici- pação dos indivíduos é optativa, mas ela também poderá ocorrer por forças de certas circunstancias da vivência histórica de cada um (GOHN, 2006, p. 29). Além disso, a autora salienta que na educação não formal existe intencionalidade na ação, no ato de participar, de aprender e de transmitir ou trocar informação reconhecendo a educação não formal como um dos campos básicos da Pedagogia Social, uma vez que ela trabalha com coletivos e preocupa-se com os processos de construção de aprendizagens e saberes coletivos. Nessa perspectiva, a educação não formal torna os indivíduos capazes de se tornarem cida- dãos do mundo e no mundo cuja finalidade é ampliar e abrir espaços de conhecimento sobre o mundo que envolve os indivíduos e suas relações sociais. Com isso, não define seus objetivos a priori. ... eles se constroem no processo interativo, gerando um processo educativo. Um modo de educar surge como resultado do processo voltado para os inte- resses e as necessidades que dele participa. A construção de relações sociais baseadas em princípios de igualdade e justiça social, quando presentes num dado grupo social, fortalece o exercício da cidadania. A transmissão de infor- mação e formação política e sócio-cultural é uma meta na educação não for- mal. Ela preparar os cidadãos, educa o ser humano para a civilidade, em oposi- ção à barbárie, ao egoísmo, individualismo, etc. (GOHN, 2006, p. 30). Vejamos algumas características que a educação não formal pode atingir em relação às me- tas: • aprendizado quanto a diferenças - aprende-se a conviver com os demais. Socializa-se o res- peito mútuo; • adaptação do grupo a diferentes culturas, e o indivíduo ao outro, trabalha com o “estranha- mento”; • construção da identidade coletiva de um grupo; • balizamento de regras éticas relativas às condutas aceitáveis socialmente (GOHN, 2006, p. 31). O trabalho coletivo é, portanto, fundamental na educação não formal, conforme pode ser observado na figura 6. É importante salientar que as metodologias utilizadas na educação não formal no processo de aprendizagem nascem da cultura dos indivíduos e dos grupos. Dessa forma, o método aparece a partir da problematização da vida cotidia- na, e os conteúdos surgem a partir dos temas tais como: necessidades, carências, desafios, obstáculos ou ações arrojadas a serem realizadas, portanto, não são fornecidos a priori, são construídos no processo. ◄ Figura 6: Trabalho coletivo Fonte: http://vic- torlucianodejesus. blogspot.com/, Acesso em 18 jul. 2011. http://victorlucianodejesus.blogspot.com/ http://victorlucianodejesus.blogspot.com/ http://victorlucianodejesus.blogspot.com/ 15 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares Supõe a existência da motivação das pessoas que participam. Ela não se subor- dina às estruturas burocráticas. É dinâmica. Visa à formação integral dos indiví- duos. Neste sentido tem um caráter humanista. Ambiente não formal e men- sagens veiculadas «falam ou fazem chamamentos» às pessoas e coletivos e as motivam. Mas, como há intencionalidades nos processos e espaços da educa- ção não-formal, há caminhos, percursos, metas, objetivos estratégicos que po- dem se alterar constantemente (GOHN, 2006, p. 32). Para a autora, os conselhos e colegiados da escola são espaços de educação não-formal. ... são inúmeras as novas práticas sociais expressas em novos formatos ins- titucionais da participação, tais como os conselhos, os fóruns, as assembléias populares e as parcerias. Em todas elas a educação não formal está presente, como processo de aprendizagem de saberes aos e entre seus participantes (GOHN, 2006, p. 33). Lembramos que o conselho escolar é um grupo de pessoas responsáveis pelo estabeleci- mento de objetivos e de direções que a escola tomará no futuro. Ele desempenha um papel im- portante em assegurar que toda a comunidade seja envolvida em todas as decisões importantes tomadas pela escola. 1.3.2 Educação Formal A educação formal se desenvolve nas escolas com conteúdos previamente definidos. Os es- paços na educação formal referem-se aos territórios das escolas, sendo instituições regulamenta- das por lei, certificadoras, organizadas de acordo com as diretrizes nacionais. Este tipo de educação implica ambientes normatizados, com regras e padrões de comporta- mento previamente definidos. Entre os seus objetivos, destacam-se: ... os relativos ao ensino e aprendizagem de conteúdos historicamente sistemati- zados, normalizados por leis, entre os quais destacam-se o de formar o indivíduo como um cidadão ativo, desenvolver habilidades e competências várias, desen- volver a criatividade, percepção, motricidade etc. (GOHN, 2006, p. 29 ). A modalidade formal de educação exige tempo, local específico, recurso humano especiali- zado, conforme mostra a figura 9, que retrata uma sala de aula de ensino fundamental, em Minas Gerais. ◄ Figura 7: Conselhos Escolares Fonte: http://con- selhoescolarbc. blogspot.com/ Acesso em 18 jul. 2011. ATIVIDADE Comente a ideia defendida por Gohn (2006, p.29) conside- rando os conselhos e o colegiado da escola: “a articulação da educa- ção formal com a não- -formal para dar vida e viabilizar mudanças significativas na edu- cação e na sociedade como um todo”. GLOSSÁRIO Competência: as competências são tra- duzidas em domínios práticos das situações cotidianas que neces- sariamente passam compreensão da ação empreendida e do uso a que essa ação se destina (PERRENOUD, 1999). Habilidade: são repre- sentadas pelas ações em si, ou seja, pelas ações determinadas pelas competências de forma concreta, como escovar o cabelo, pintar, escrever, montar e desmontar, tocar ins- trumentos musicais etc. (PERRENOUD, 1999). http://conselhoescolarbc.blogspot.com/ http://conselhoescolarbc.blogspot.com/ http://conselhoescolarbc.blogspot.com/ 16 UAB/Unimontes - 7º Período Exige também, além da organização de diversos ti- pos (até a curricular), sequên- cia sistematizada das ativida- des, disciplina, regulamentos e leis, órgãos superiores, en- tre outros. Por isso, tem “caráter metódico e, usualmente, divide-se por idade/classe de conhecimento”, momento em que a escola discute, de- fine, selecionaos conteúdos curriculares a serem traba- lhados, explicitando o que julga mais importante a ser ensinado e entendendo o currículo, como um processo de seleção que se realiza no interior da cultura, ou seja, o currículo expressa a escolha das diferentes manifestações culturais consideradas essenciais na educação das novas gerações. 1.3.3 Educação Informal A educação informal trata-se daquela em que os indivíduos aprendem durante seu processo de socialização: na família, bairro, clube, amigos, entre outros, impregnada de valores e culturas próprias, de pertencimento e sentimentos herdados (GOHN, 2006). Diferentemente da educação formal, a in- formal tem como agentes educadores os pais, a família em geral, os amigos, os vizinhos, cole- gas de escola, a igreja, os meios de comunica- ção de massa, etc. Possui espaços educativos delimitados por referências de nacionalidade, localidade, idade, sexo, religião e etnia. A sua moradia, a rua, o bairro, o condomínio, o clube, a igreja ou o local de culto vinculado a sua crença re- ligiosa. Portanto, ocorre em ambientes natu- rais, onde as relações sociais se desenvolvem de acordo com gostos e preferências. Assim, a educação informal faz a socialização dos ... indivíduos, desenvolve hábitos, atitudes, comportamentos, modos de pensar e de se expressar no uso da linguagem, segundo valores e crenças de grupos que se freqüenta ou que pertence por herança, desde o nascimento (GOHN, 2006, p.29). Cabe ressaltar que na educação informal não há organização, muito menos sistematização dos conhecimentos, pois são transmitidos a partir das práticas e experiências anteriores, o passa- do orientando o presente. Ela age no campo das emoções e sentimentos, num processo perma- nente. Seu método básico é a vivência e a reprodução do conhecido e da experiência de acordo com os modos e as formas apreendidas e codificadas. Figura 8: Escola de Ensino Fundamental em Minas Gerais Fonte: wttp://www. clubenoticia.com.br/ noticias/vernoticia/1427/ ensino-fundamental-de- -nove-anos-melhora- -desempenho-dos-alunos- -em-minas-gerais, Acesso em 18 jul. 2011. ► ▲ Figura 9: vida familiar Fonte: http://www.igreja- cristamaranata.org.br/wp- -content/uploads/2010/08/ Fam%C3%ADlia.jpg Acesso em 18 jul. 2011. http://www.igrejacristamaranata.org.br/wp-content/uploads/2010/08/Fam%C3%ADlia.jpg http://www.igrejacristamaranata.org.br/wp-content/uploads/2010/08/Fam%C3%ADlia.jpg http://www.igrejacristamaranata.org.br/wp-content/uploads/2010/08/Fam%C3%ADlia.jpg http://www.igrejacristamaranata.org.br/wp-content/uploads/2010/08/Fam%C3%ADlia.jpg 17 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares 1.4 Espaços não escolares Nos tópicos anteriores, fizemos referência aos fundamentos e à concepção de gestão. Fala- mos ainda da educação que acontece em espaços diferenciados: formal, informal e não formal. Como dissemos anteriormente, a educação não formal se ocupa de espaços não escolares. Nesse aspecto temos uma ampliação do conceito de educação, que não se limita mais aos processos de aprendizagem no interior da escola, transpondo seus muros, conforme posto no art. 1° da LDBEM. A educação deve abranger os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas ma- nifestações culturais (BRASIL, 1996). O dispositivo revela com os indivíduos podem ser educados e tornar-se cidadãos e cidadãs na convivência, na cultura, no trabalho, na organização social e na escola. A escola e os espaços extra-escolares são locais reconhecidos de aprendizagem, todavia, a LDBEN abrange apenas a educação formal. As Diretrizes Curriculares para o curso de pedagogia, a partir de 2006, também expressam em seu texto que os pedagogos devem estar aptos para planejar, executar, coordenar, acom- panhar e avaliar projetos e experiências educativas não escolares, além de estarem aptos para a docência na Educação Infantil, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nas disciplinas peda- gógicas de cursos de formação de professores; na participação do planejamento, na gestão e na avaliação nas escolas. Nesse contexto, podemos fazer algumas indagações: • O que pode ser um pedagogo para espaços não escolares? • Quais seriam estes espaços? • Que concepção teórico-metodológica embasaria uma possível formação? • Que tipo de trabalho o pedagogo desenvolveria em tais espaços? Essas são indagações de difícil análise, por se tratarem de novos cenários de atuação do pe- dagogo. Lembramos que a pedagogia é um espaço de promoção e efetivação da educação de forma intencional e sistematizada; por isso, se temos a pretensão de sermos educadores (espe- cialistas em educação), “é porque não nos contentamos com a educação assistemática. Nós que- remos educar de modo intencional e por isso nos preocupamos com a educação” (SAVIANI, 2002, p. 48). Pimenta (2001) também discorre sobre a necessidade da formação do pedagogo como cientista educacional, que atue como gestor, pesquisador e coordenador de diversos projetos educativos, dentro e fora da escola, conforme ilustra a figura 10. Isto implica sua atuação em di- versos setores da sociedade, como: ◄ Figura 10: Prêmio reconhece o trabalho de ONG com crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade. Fonte: http://www. forumdca-ma.org.br/ wp-content/uploa- ds/2011/03/parceiros. jpg Acesso em 18 jul. 2011. http://www.forumdca-ma.org.br/wp-content/uploads/2011/03/parceiros.jpg http://www.forumdca-ma.org.br/wp-content/uploads/2011/03/parceiros.jpg http://www.forumdca-ma.org.br/wp-content/uploads/2011/03/parceiros.jpg http://www.forumdca-ma.org.br/wp-content/uploads/2011/03/parceiros.jpg http://www.forumdca-ma.org.br/wp-content/uploads/2011/03/parceiros.jpg 18 UAB/Unimontes - 7º Período • hospitais; • presídios; • empresas; • lazer comunitário; • meios de comunicação e entretenimento como TV, rádio, internet, quadrinhos, revistas, edi- toras, tornando mais pedagógicas campanhas sociais educativas sobre violência, drogas, AIDS, dengue; • ONG, organizando processos de formação de educadores; • avaliação e desenvolvimento de pesquisas educacionais em diversos contextos sociais; • planejamento de projetos culturais e sociais; • criação e elaboração de brinquedos, materiais de autoestudo; • programas de educação a distância; etc. Outro espaço que merece destaque é a Pedagogia Social de Rua, temática que não será dis- cutida nesta disciplina, mas desenvolve um trabalho importante na sociedade. Trata-se de uma ação social/educativa que ultrapassa as condições burocráticas impostas pelas escolas de ensino convencional. É um modo de atuação pedagógica que vai além dos muros, seguindo uma ampla linha, no intuito de alcançar crianças e adolescentes que consideram as ruas como sua morada e resgatar a elas por meio da educação para as escolas, e, dessa forma, pensar em novos projetos de vida (GRACIANI, 1998). Isso demonstra que o pe- dagogo deverá estar preparado para trabalhar tanto em espa- ços escolares como em espaços não escolares, intervindo na promoção da aprendizagem de sujeitos em diversas fases do desenvolvimento humano, em variados níveis e modalidades do processo educativo (ORZE- CHOWSKI, 2009). Referências BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: www.planalto.gov.br/cci- vil_03/Constituicao/principal.htm. Acesso em: 26 abr. 2009. ______ . Ministério da Educação. Secretaria de Educação Superior. Comissão de Especialistas do Curso de Pedagogia. Proposta de diretrizes curriculares para o curso de pedagogia. Brasília, DF: MEC/SESU, 1999. Disponível em: <http//:www.mec.gov.br/sesu/diretriz.htm>. Acesso em: jul. 2011. ______. Lei nº 9.394 de 21/12/1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diá- rio Oficial da União. Brasília, DF, 23 de dez. de 1996. v. 134, nº 248, p. 27883 – 27841.CURY, Carlos Roberto Jamil. Gestão democrática da educação: exigências e desafios. Revista Brasileira de Política e Administração da Educação. São Bernardo do Campo, v. 18, n. 2, p. 163-174, jul./dez.2002. DICA Para conhecer um pouco mais sobre Pedagogia Social de Rua, assista ao vídeo que mostra a realida- de das crianças que vivem nas ruas. Disponível em: http://www .youtube.com/ watch?v=IBK WCN2Wmww ◄ Figura 11: Pedagogia Social de Rua Fonte: http://casademeupaibrasil. blogspot.com/2008/08/essa-reali- dade-dos-meninos-de-rua.html Acesso em 20 jul. 2011. http://www.youtube.com/watch?v=IBKWCN2Wmww http://www.youtube.com/watch?v=IBKWCN2Wmww http://www.youtube.com/watch?v=IBKWCN2Wmww http://www.youtube.com/watch?v=IBKWCN2Wmww http://casademeupaibrasil.blogspot.com/2008/08/essa-realidade-dos-meninos-de-rua.html http://casademeupaibrasil.blogspot.com/2008/08/essa-realidade-dos-meninos-de-rua.html http://casademeupaibrasil.blogspot.com/2008/08/essa-realidade-dos-meninos-de-rua.html 19 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares FERREIRA, Naura Syria Carapeto. Repensando e ressignificando a gestão democrática da edu- cação na «cultura globalizada». Educ. Soc. [online]. 2004, v. 25, n. 89, pp. 1227-1249. ISSN 0101- 7330. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/es/v25n89/22619.pdf GARCIA, Walter Esteves. Notas sobre a crise da Gestão Educacional. Out/Dez, 1987. Disponível em: <http://www.emaberto.inep.gov.br/index.php/emaberto/article/viewFile/637/566>. Acesso em: 18 jul. 2011. GOHN, Maria da Glória. Educação não-formal na pedagogia social. An. 1 Congr. Intern. Peda- gogia Social Mar. 2006. GRACIANI, M. S. S. Pedagogia Social de Rua. São Paulo: Cortez, 1998. ORZECHOWSKI, Suzete Terezinha. O espaço não-escolar: profissionalização e a formação do pe- dagogo. In: III Simpósio Internacional e VI Fórum Nacional de Educação - ULBRA, 2009, Torres/RS. III Simpósio Internacional e VI Fórum Nacional de Educação- Políticas Públicas, Gestão da Educa- ção, Formação e Atuação do educador. Torres/RS : ULBRA- Universidade Luterana do Brasil, 2009. v. 1. PARO, Vitor Henrique. Administração escola: introdução crítica. 14. ed. São Paulo: Xamã, 2000. PERRENOUD, Perrenoud. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artmed, 1999. PIMENTA, Selma Garrido. (Org.). Pedagogia e Pedagogos: caminhos e perspectivas. São Paulo: Cortez, 2001. SAVIANI, Dermeval. Educação: do senso comum à consciência filosófica. Autores associados: Campinas, 2002. 20 UAB/Unimontes - 7º Período 21 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares UNIDADE 2 Espaço empresarial 2.1 Introdução A educação humaniza o homem, tornando conhecedor de si mesmo e dos outros, tirando de simples papel de selvagem para torná-lo um ser capaz de se relacionar de forma positiva com seus semelhantes (GONÇALVES, 2009). Nesta unidade vamos discu- tir a gestão pedagógica no espa- ço empresarial: a sua contextua- lização, o papel do pedagogo na empresa, o processo de aprendi- zagem no trabalho, as práticas do pedagogo na empresa. Juntos iremos desvelar o am- biente organizacional da empresa que hoje necessita de trabalha- dor pensante, criativo, pró-ativo, analítico, com habilidade para re- solução de problemas e tomada de decisões, capacidade de traba- lho em equipe e em permanente contato com a acelerada transformação e a flexibilização dos tempos atuais. Com isso, as empresas passam a ver a importância da educação no trabalho e começam a descobrir a influência da ação educativa do pedagogo na empresa para melhorar a qualidade de prestação de serviços. Pretendemos, ao final desta unidade, que você seja capaz de: • compreender o ambiente empresarial e sua organização; • reconhecer o papel do pedagogo na ação educativa na empresa; • compreender a importância do processo de aprendizagem no trabalho; e • determinar as práticas educativas do pedagogo na empresa. 2.2 O espaço empresarial O cenário das organizações sofre o impacto das mudanças tecnológicas da informação num ritmo vertiginoso. Por isso, a procura é cada vez maior por profissionais especializados e capa- citados em liderança de equipes, em trabalhar com pessoas, organizadas não em torno do que fazem, mas com base no que elas são ou acreditam que são (CAGLIARI, 2009). As empresas frente às novas exigências do ambiente estão passando por mudanças profun- das que têm impactado a economia e as empresas. Assim, o processo de gestão empresarial en- frenta novos desafios, e os gestores buscam trabalhar com novos modelos de decisão. ◄ Figura 12: Trabalho em equipe Fonte: http://www. daead.com.br/home/ wp-content/uploa- ds/2011/03/trabalho- -em-equipe1.jpg Acesso em 18 jul. 2011. 22 UAB/Unimontes - 7º Período Esse ambiente de mudanças gera preocupações mais agudas, e o atual avanço tecnológico tem propiciado o desenvolvimento de instrumentos e métodos operacionais mais eficientes. Atualmente a riqueza maior é o produto do conhecimento. O conhecimento e informação, tudo se transforma em matérias-primas básicas e produtos mais importantes da economia, inclu- sive a notícia, a opinião, a diversão, a comunicação e o serviço. Para Meirelles Junior (2008, p. 2): ... o mercado tem demonstrado que os profissionais da atualidade têm que mudar, atualizar, identificar as necessidades da sociedade e das entidades, for- necer informações mais objetivas, com qualidade e ser adaptável e estar prepa- rado para mudanças. Destaca que neste processo de mudanças, que muitas vezes não é claramente visível a to- dos, a educação torna-se uma solução fundamental para formar profissionais competentes que contribuam efetivamente para a sociedade em que vivem e exercem suas atividades. De acordo com Meirelles Junior (2008), a atual sociedade, assim como as empresas do novo milênio, precisa de uma estrutura organizacional bem esquematizada para a sua sobrevivência, contando com profissionais com elevada qualificação. ◄ Figura 13: Organização e mudanças Fonte: http://www.ideiasede- safios.com/images/alinhamen- to_marketing.jpg Acesso em: 27 jul. 2011 Figura 14: Profissionais especializados Fonte:http://cursonacional. com.br/page1.aspx Acesso em: 27 jul. 2011 ► http://www.ideiasedesafios.com/images/alinhamento_marketing.jpg http://www.ideiasedesafios.com/images/alinhamento_marketing.jpg http://www.ideiasedesafios.com/images/alinhamento_marketing.jpg 23 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares Daí a importância de pensar a capacitação como uma estratégia, como instrumento capaz de interferir na contextualização de habilidades e conhecimentos que estão sendo solicitados para o mundo contemporâneo. O crescimento de cada empresa será consequência do produto de suas habilidades em criar situações adequadas para o futuro, traduzindo esta visão em realidade, desenvolvendo e geren- ciando os recursos estratégicos e necessários. Nesse contexto, surge o pedagogo empresarial “como uma nova ferramenta para este de- senvolvimento nas organizações que caminham para serem empresas aprendentes” (CAGLIARI, 2009, s.p). 2.3 O papel do pedagogo na empresa Como dito anteriormente, o pedagogo é inserido na empresa para auxiliar no desenvolvi- mento das competências e habilidades de cada indivíduo, tornando cada profissional capaz de lidar com várias demandas, incertezas, diferentes culturas ao mesmo tempo, em direção a um resultado positivo frente a um mercado competitivo (CAGLIARI, 2009). Na visão de Gonçalves (2009), a atuação do pedagogo neste ambiente será com as pessoas que fazem parte das instituições e empresas de todos os tipos, portes e áreas: indústrias, cons- trução civil, órgãos municipais, estaduais e federais, escolas, hotéis, ONG, instituições de capa- citação profissional e assessorias de empresas. Para isso, o pedagogo empresarial precisa ter o domínio de conhecimentos, técnicas e práticas que, adicionadas à experiência dos profissionaisde outras áreas, formam instrumentos fundamentais para atuação na gestão de pessoas para: • coordenar equipe multidisciplinar no desenvolvimento de projetos; • demonstrar formas educacionais para aprendizagem organizacional significativa e sustentá- vel; • provocar mudanças culturais no espaço de trabalho; • definir políticas centradas no desenvolvimento humano permanente; e • prestar consultoria interna relacionada à educação e ao desenvolvimento das pessoas nas organizações. Cabe ressaltar que não basta esse novo profissional saber dirigir dinâmicas de grupo e orga- nizar material de treinamento sem o engajamento das pessoas ou vendo uma necessidade ime- diata. Mais do que isso, exige um trabalho rigoroso de observações cuidadosas, essencialmente no trato dos recursos humanos, para conseguir desenvolver estratégias e, com elas, favorecer a humanização dentro da empresa. Essa ação requer do pedagogo empresarial: • astúcia, • observação, • envolvimento, • desprendimento, • coragem, • preparo técnico, • ousadia, • vontade, • criatividade; e • desejo efetivo pela descoberta de como será desenvolvido seu trabalho dentro da empresa. Portanto, o pedagogo precisa ter visão pedagógica, filosófica e psicológica em relação às pessoas que trabalham neste espaço. Gonçalves (2009) salienta que o pedagogo empresarial deve realizar-se de forma relaciona- da e cooperativa com a dos demais profissionais de gestão. Ele precisa aprender a desenvolver virtudes vitais para o trabalho nas empresas, essencialmente a ética, a moral e principalmente ser humano, no entendimento que só a educação humaniza o homem. 24 UAB/Unimontes - 7º Período Assim, a aprendizagem passa a ser um quebra-cabeça (figura 15) no ambiente das empresas, no qual o desafio passa ser a capaci- tação e formação contínua do funcionário, que é peça fundamental na engrenagem da presta- ção de serviços com qualidade. Na atualidade, as empresas voltam-se para a aprendizagem que busca não só treinar os seus empregados, mas também criar um ambiente de aprendiza- gem contínua, no qual os trabalhadores pos- sam criar, adquirir e transferir conhecimentos, tanto para a vida pessoal como profissional. Assim, as empresas procuram formas inovado- ras de enfrentar os problemas e propostas de soluções adequadas à realidade e ao contexto que vivenciam. É bom lembrar que o pedagogo fora da escola busca construir uma identidade profissional à medida que integra diferentes aspectos existentes no processo metodológico e prático, funda- mentado no conhecimento na área da educação, na possibilidade de interagir e colaborar para o desenvolvimento do indivíduo na sua área de atuação profissional (GONÇALVES, 2009). 2.4 O processo de aprendizagem no trabalho Desde o nascimento, o ser humano entra num processo de aprendizagem em diferentes espaços: na família, na escola, na rua, na empresa ou em outros lugares. Portanto, é impossível con- ceber o homem sem aprendizagem, pois, natu- ralmente, ele deve estar inserido em um ambien- te de aprendizagem permanente. Sabemos que existirá aperfeiçoamento substancial do ser humano se ele aprender a es- tudar, criar, debater e trabalhar em equipe. Para que possa organizar posições logísticas, visua- lizar soluções para atingir objetivos produtivos, reunir posicionamentos confiáveis para tomada de decisões. Assim, se conduz melhor na socie- dade e no trabalho, pensa e decide com seguran- ça, conforme demonstra a figura 16. Para isso, o pedagogo empresarial tem como objetivo possibilitar a melhoria da qualidade de prestação de serviços, bem como a me- lhoria da vida pessoal do indivíduo. Na atualidade, a empresa vem abrindo espaço para que este profissional possa, de forma consciente e competente, criar um ambiente que permita solucionar problemas, elaborar projetos, levantando hipóteses, em busca da melhoria dos processos institu- ídos na empresa para garantir a qualidade do atendimento, contribuindo para instalação de uma nova cultura institucional sustentada na formação continuada dos empregados. Ribeiro (2003) defende que os trabalhadores, para se manterem competitivos, vêm aumen- tando de forma considerável seus patamares de educação e aspirações, e, simultaneamente, o trabalho passa a ter um papel central em suas vidas. Para a autora, as empresas que aspiram a um diferencial no mercado estão investindo no trabalho que aumenta sua capacidade de com- petitividade, com o gerenciamento do desenvolvimento de seu trabalhador. Além disso, as em- presas têm dirigido o foco para o processo de comunicação tecnológica, visando ao desenvolvi- mento de habilidades para comunicação das pessoas. DICA Acesse o vídeo e assista “O dia a dia do pedagogo empresarial” para, posteriormente, debatermos no Fórum de Discussão. http://www.ikwa.com. br/video/como-e-o- -dia-a-dia-de-um-peda- gogo-empresaria Acesso em: 27 jul. 2011 ▲ Figura 15: Aprendizagem na organização Fonte: http://maluco- porjesus.files.wordpress. com/2010/02/gestao-em- presarial-quebra-cabeca. jpg Acesso em: 27 jul. 2011 Figura 16: Trabalho em equipe Fonte: http://2. bp.blogspot.com/-YN- BO6wkp924/TaYC7gr- B4gI/AAAAAAAAACs/ OrWRSiGHd7o/s1600/ Trabalho20em20equi- pe.jpg Acesso em: 27 jul. 2011. ► http://www.ikwa.com.br/video/como-e-o-dia-a-dia-de-um-pedagogo-empresarial http://www.ikwa.com.br/video/como-e-o-dia-a-dia-de-um-pedagogo-empresarial http://www.ikwa.com.br/video/como-e-o-dia-a-dia-de-um-pedagogo-empresarial http://www.ikwa.com.br/video/como-e-o-dia-a-dia-de-um-pedagogo-empresarial http://malucoporjesus.files.wordpress.com/2010/02/gestao-empresarial-quebra-cabeca.jpg http://malucoporjesus.files.wordpress.com/2010/02/gestao-empresarial-quebra-cabeca.jpg http://malucoporjesus.files.wordpress.com/2010/02/gestao-empresarial-quebra-cabeca.jpg http://malucoporjesus.files.wordpress.com/2010/02/gestao-empresarial-quebra-cabeca.jpg http://malucoporjesus.files.wordpress.com/2010/02/gestao-empresarial-quebra-cabeca.jpg 25 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares Na atualidade, as intensas transformações e inovações tec- nológicas, em diversos campos, levam à introdução no processo produtivo dos sistemas de organi- zação do trabalho, à mudança no perfil profissional, bem como às novas exigências de qualificação dos trabalhadores, que também vão afetar os sistemas de ensino. Cenário que passa a reque- rer novas habilidades, capaci- dade de abstração maior e con- duta profissional mais flexível. Daí a necessidade de formação geral, que implica uma reavalia- ção dos processos de aprendiza- gem, maior familiaridade com os meios de comunicação e com a informática, além do desenvolvimento de competências comuni- cativas, de capacidades criativas para exame de novas situações, de capacidade de pensar e agir com horizontes mais amplos. Esse novo cenário exige a vinculação entre o pedagogo e a empresa, uma vez que o aprendiza- do é o saber assimilado, é a construção do conhe- cimento por cada indivíduo. Por isso, o processo de aprendizagem nas empresas faz-se mais pre- sente em nossa sociedade. Cabe ressaltar a im- portância do desenvolvimento de competências e habilidades para ser capaz de executar, analisar e desenvolver com sucesso uma tarefa. Assim, o pedagogo empresarial no processo de aprendizagem nas empresas deve entender que está lidando com trabalhadores adultos, se- res humanos, os quais precisam tornar-se parte ativa neste processo. Ciente que no desenvolvi- mento dos projetos de aprendizagem deve sem- pre ser considerado as reais necessidades dos in- divíduos. Gonh (2006) enfatiza que, na educação não formal, as metodologias aplicadas no processo de aprendizagem devem partir da cultura dos indivíduos e dos grupos. Assim, o método nasce a partir da problematização da vida diária, enquanto os conteúdos surgem a partir dos temas que se apresentam como necessidades, deficiências, desafios, entraves ou ações empreendedoras aserem realizadas e os conteúdos são construídos no processo. Dessa forma, o método vai sendo sistematizado pelo modo de agir e pensar o mundo que cerca as pessoas. Esse pensamento está expresso na figura 18 que retrata a aprendizagem coletiva, leia e reflita sobre as mensagens dos cartazes. A aprendizagem em grupo significa que, na ação educativa, devemos estar preocupados não só com o produto da aprendizagem, mas com o processo que permitiu a mudança dos sujei- tos. Dessa forma, é uma ação formadora do sujeito para a vida, recusando a simples transmissão de conhecimento. Nessa abordagem, aprendizagem é a capacidade de compreensão e de ação transformadora de uma realidade. Nesse caso, o aprender pode significar a ruptura com modelo internalizado. Numa organização que aprende o desenvolvimento dos conceitos de comunidades de apren- dizagem e aprende fazendo na empresa, irá facilitar o processo de desenvolvimento contínuo dos trabalhadores mais experientes. Sabe-se que a educação permanente e em serviço, para os traba- lhadores em fase adiantada de carreira, pode permitir a permanente atualização profissional, com o desenvolvimento de competências, habilidades e de posturas para a convivência com processos de mudança, e a observação de novas tecnologias, ditas anteriormente. ▲ Figura 18: Aprendizagem coletiva Fonte: http://3. bp.blogspot.com/_ja1Ket- -RCSs/TGQyJiXmfVI/ AAAAAAAAAFE/S- TfqRoYs-0/s320/aprendiza- gem.gif ▲ Figura 17: Comunicação tecnológica Fonte: http://blogs.piraidigital.com.br/epitacio/category/informatica/ inovacoes-da-tecnologia/ Acesso em: 27 jul. 2011. PARA SABER MAIS Acesse o vídeo no link abaixo e assista à “Dinâmica de Grupo na Empresa” http://www. youtube.com/ watch?v=G8a7XXDU9I0 http://blogs.piraidigital.com.br/epitacio/category/informatica/inovacoes-da-tecnologia/ http://blogs.piraidigital.com.br/epitacio/category/informatica/inovacoes-da-tecnologia/ http://www.youtube.com/watch?v=G8a7XXDU9I0 http://www.youtube.com/watch?v=G8a7XXDU9I0 http://www.youtube.com/watch?v=G8a7XXDU9I0 26 UAB/Unimontes - 7º Período Nesse contexto, existem metodologias que necessitam de ser desenvolvidas, codificadas, ainda que com alto grau de provisoriedade, devido ao dinamismo, a mudança, o movimento da realidade, de acordo com o desenrolar dos acontecimentos (GONH, 2006), são indicadores da singularidade da educação não formal. 2.5 As práticas do pedagogo na empresa Para iniciar a nossa discussão sobre as práticas do pedagogo na empresa, é bom lembrar que as atividades administrativa, burocrática, social, técnica e pedagógica se integram no am- biente da empresa. Priorizamos, entre as diversas atividades pedagógicas, as relacionadas ao ensinar-aprender, que envolvem os funcionários da empresa. Gonçalves (2009) entende que a formação do peda- gogo na área da gestão escolar, principalmente na área de planejamento, possibilita-lhe condi- ções de auxiliar a empresa na elaboração de sua missão, definindo suas metas e aspirações, seus valores, sua cultura e estratégias a serem utilizadas, de forma participativa, envolvendo funcioná- rios e colaboradores. PARA SABER MAIS MISSÃO DA NESTLÉ Desenvolver as oportunidades de negócios, presentes e futuras, oferecendo ao consumidor produtos alimentícios e serviços de alta qualidade e de valor agregado, a preços competitivos. Fonte: http://www.via6.com/empresa/56279/nestle Acesso em: 18 jul. 2011. ▲ Figura 19: Logotipo da Nestlé http://namiradomarketing.blogspot. com/2011/02/90-anos-da-nestle-brasil.html, Acesso em: 27 jul. 2011 DICA A ação educativa é entendida como um processo político- -pedagógico, que tem como premissas alguns princípios ético-pe- dagógicos baseados no protagonismo dos cidadãos e na constru- ção de sua autonomia e emancipação. http://www.via6.com/empresa/56279/nestle http://namiradomarketing.blogspot.com/2011/02/90-anos-da-nestle-brasil.html http://namiradomarketing.blogspot.com/2011/02/90-anos-da-nestle-brasil.html 27 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares A autora acredita que o documento deve conter a declaração de valores e princípios éticos da empre- sa, como solidariedade, ho- nestidade, justiça, compro- misso, respeito ao próximo, integridade, lealdade, e que ele deve estar ao alcance de todos, estar visível. Salienta a importância da adaptação da gestão participativa no âmbito da empresa. A figura 20 retrata que o trabalho na empresa deve ser construído em forma de rede colaborativa, na qual cada funcionário desempenha o seu papel. Cabe enfatizar que a edu- cação no campo organizacional, ou nos diversos espaços da sociedade, precisa, antes de tudo, ser um instrumento de participação ativa, cooperativa e crítica do cidadão que busca a constru- ção de uma sociedade mais justa e igualitária. A prática pautada na crítica reflexiva permite ao educando assumir-se como ser social e histórico construtor de sua própria história. Vejamos algumas atividades a serem desenvolvidas pelo pedagogo na empresa sugeridas por Gonçalves (2009): • a ajuda à colocação dos filhos dos funcionários na escola; • procurar parcerias locais para oferecer serviços variados de interesse dos funcionários: cre- ches, atendimento pediátrico, atendimento psicológico, atendimento ao idoso, assessoria jurídica, assessoria de planejamento financeiro, academias de ginástica, entre outros; • agendar cursos e palestras sobre temas essenciais à vida saudável: atividade física e qualida- de de vida, efeitos do fumo sobre o organismo; • prevenção da dependência química, do alcoolismo, hábitos posturais saudáveis, a boa quali- dade do ar e outros; entre outras. Essas atividades a serem desenvolvidas na empresa precisam antes de tudo passar pela admi- nistração geral. Portanto, todas as atividades cita- das já foram pensadas e planejadas pelos órgãos centrais, que podem delegá-las ao pedagogo para sua execução. Isso quer dizer que o pedagogo pre- cisa e deve desenvolver seu trabalho em sintonia a equipe gestora da instituição/empresa onde atua, para evitar conflitos de ordem administrativa. Outra atividade importante a ser desenvolvi- da pelo pedagogo, de acordo com a administra- ção, trata-se de envolver parceiros e funcionários nos projetos da empresa. Com isso, vimos as diver- sas atividades que podem ser desenvolvidas pelo pedagogo na empresa, numa prática responsável e humana. Cabe ainda salientar que a prática pedagógi- ca não deve fundamentar-se no treino técnico. O mercado de trabalho não abriga mais o trabalha- dor mecanizado, mero executor de tarefas, perso- nificado na figura robotizada do personagem do filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin. Ao contrário, o ambiente organizacional contemporâneo requer o trabalhador pensante, criativo, pró-ativo, analítico, com habilidade para resolução de problemas e tomada de decisões, capaci- dade de trabalho em equipe e em total contato com a rapidez de transformação e a flexibilização dos tempos atuais. ◄ Figura 20: Gestão participativa Fonte: http://www.diario- doposte.com.br/profile/ fredericosotero. Acesso em: 27 jul. 2011. PARA REFLETIR Clique no link que se segue, acesse e assista ao vídeo Tempos Mo- dernos que mostra o trabalhador mecaniza- do, que executa tare- fas. Depois, reflita com seus colegas, postando no fórum dedicado a esta discussão, as suas impressões sobre o tema. http://www.youtube. com/ watch?v= XFXg7nEa7vQ ▲ Figura 21: Tempos modernos Fonte: http://camilazanotti.blogspot.com/2007/08/ charles-chaplin.html Acesso em: 27 jul. 2011. http://www.diariodoposte.com.br/profile/fredericosotero http://www.diariodoposte.com.br/profile/fredericosotero http://www.diariodoposte.com.br/profile/fredericosotero http://www.youtube.com/watch?v=XFXg7nEa7vQ http://www.youtube.com/watch?v=XFXg7nEa7vQ http://www.youtube.com/watch?v=XFXg7nEa7vQ http://www.youtube.com/watch?v=XFXg7nEa7vQ http://camilazanotti.blogspot.com/2007/08/charles-chaplin.html http://camilazanotti.blogspot.com/2007/08/charles-chaplin.html28 UAB/Unimontes - 7º Período Para isso, a prática do pedagogo precisa propiciar, no decorrer do processo de formação, as condições necessárias para que o trabalhador se sinta e conceba um cidadão na busca de uma sociedade mais humana por meio do trabalho, estimulando a cooperação, a criatividade e, prin- cipalmente, o conhecimento de si mesmo capaz de se relacionar com outros seres humanos. Referências CAGLIARI, Débora. O Pedagogo Empresarial e a Atuação na Empresa. Só Pedagogia, 2009. Dispo- nível em http://www.pedagogia.com.br/artigos/pedagogo/index.php?pagina=1. Acesso em: 25 ago. 2011 GONÇALVES, Roseli. A pedagogia empresarial e as práticas pedagógicas dentro da empresa. We- bartigos, 2009. Disponível em: http://www.webartigos.com/artigos/a-pedagogia-empresarial-e- -as-praticas-pedagogicas-dentro-da-empresa/14896/. Acesso em: 25 ago. 2011. GOHN, Maria da Glória. Educação não-formal na pedagogia social. An. 1 Congr. Intern. Peda- gogia Social Mar. 2006. MEIRELLES JUNIOR, Júlio Cândido de. Planejamento Empresarial. Jornal Eletrônico da Faculdade de Economia das Faculdades Integradas Vianna Júnior, v. 07, p. 01-08, 2008. RIBEIRO, Amélia Escotto do Amaral. Pedagogia empresarial: atuação do pedagogo na empresa. Rio de Janeiro: Wak, 2003. http://www.pedagogia.com.br/artigos/pedagogo/index.php?pagina=1 http://www.webartigos.com/artigos/a-pedagogia-empresarial-e-as-praticas-pedagogicas-dentro-da-empresa/14896/ http://www.webartigos.com/artigos/a-pedagogia-empresarial-e-as-praticas-pedagogicas-dentro-da-empresa/14896/ 29 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares UNIDADE 3 Pedagogia hospitalar Estamos precisando de um tipo de ser humano diferente capaz de viver em um mundo em eterna mudança, educado para sentir-se a vontade com a mudança de situações, sem conhecimento prévio. A sociedade que puder produzir essas pessoas sobreviverá, as que não conseguirem, morrerão (MASLOW, 2000). 3.1 Introdução Nesta unidade, vamos analisar a gestão pedagógica no espaço hospitalar: sua contextuali- zação, legislação vigente, o papel do pedagogo e as práticas pedagógicas que podem ser desen- volvidas neste ambiente. Hoje, a pedagogia hospitalar é entendida como um dos campos do processo pedagógico e é uma realidade, entre as inúmeras possibilidades de atuação do pedagogo na sociedade. Para Wolf (2007), o pedagogo hospitalar acompanha e interfere no processo de aprendiza- gem do educando, dando ao enfermo subsídios para a compreensão do processo de elaboração da doença e da morte, explicando procedimentos médicos e auxiliando a criança e o adolescen- te na adaptação hospitalar. O pedagogo hospitalar tem uma grande tarefa a ser desenvolvida no hospital com outros profissionais, numa equipe multidisciplinar, tendo em vista que a criança enferma precisa de cui- dados que vão além dos aspectos físicos e biológicos e, por este motivo, diversas áreas do conhe- cimento se integram em prol da continuidade do desenvolvimento global dos pacientes. Esperamos, ao final desta unidade, que você seja capaz de: • compreender o ambiente hospitalar e sua organização; • determinar o papel do pedagogo na classe hospitalar; • conhecer a legislação vigente que orienta as ações educativas no ambiente hospitalar; e • determinar as práticas educativas na classe hospitalar. Figura 22: Pedagogia Hospitalar http://patricia-patriciaph. blogspot.com/2011_01_01_ archive.html Acesso em: 29 jul. 2011. ► GLOSSÁRIO Equipe Multidisci- plinar: conjunto de profissionais de áreas de conhecimento dife- rentes que se integram em prol de um objetivo comum. http://patricia-patriciaph.blogspot.com/2011_01_01_archive.html http://patricia-patriciaph.blogspot.com/2011_01_01_archive.html http://patricia-patriciaph.blogspot.com/2011_01_01_archive.html 30 UAB/Unimontes - 7º Período 3.2 Contextualização do espaço Frequentemente, crianças e adolescentes ficam afastadas das salas de aula por motivos de saúde, muitas vezes por se encontrarem hospitalizadas por longos períodos. Estudiosos como Barros (2007), Matos; Muggiati (2003), Wolf (2007) afirmam que, quando os estudantes adoecem, afastando do convívio escolar, perdem muito mais do que o conteúdo das disciplinas. Isso porque, ao afastarem de seu principal meio de socialização, sentem-se tristes e desprotegidos, aspectos que interferem negativamente a recuperação durante o tratamento. A ausência de colegas, amigos e familiares afeta a auto-estima e diminui os resultados na recupera- ção da saúde. O ambiente hospitalar se torna menos penoso e pode tornar-se mais alegre ao proporcionar um ambiente similar ao ambiente externo. Os meios utilizados na classe hospitalar fazem com que as crianças prossigam suas atividades rotineiras, como estudar, jogar, falar, sorrir, conviver com outras crianças. É neste contexto que surge a Pedagogia Hospitalar, para oferecer um atendimento emocio- nal e humanístico a crianças, adolescentes e aos familiares, objetivando a continuidade da esco- laridade formal e melhoria da adaptação de pacientes em ambientes hospitalares. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB 9394/96 –, no parágrafo 2º, art. 58, prevê a possibilidade do atendimento do educando em classes, escolas, ou serviços especializa- dos, sempre que, em função das condições especificas do aluno, não for possível a sua integra- ção nas classes comuns de ensino regular. Dessa forma, o atendimento pedagógico em ambiente hospitalar é garantido por Lei, por ser um direito estabelecido pelo Ministério da Justiça e Conselho Nacional dos Direitos da Crian- ça e do Adolescente pela Resolução CONANDA nº 41, de 17 de outubro de 1995, que trata do “direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para a saúde, acom- panhamento do currículo escolar durante sua permanência hospitalar”. A Legislação expressa, ainda, que os hospitais brasileiros devem oferecer às crianças e aos adolescentes um atendimento educacional de qualidade, que auxilie o desenvolvimento intelec- tual e pedagógico, e, também, o acompanhamento do currículo escolar. No entanto, ainda há um caminho longo a percorrer para fazer cumprir a referida Lei, pois a maioria dos hospitais não conta com uma estrutura pediátrica em condições adequadas para cumprir essa exigência legal. Matos e Muggiati (2001, p. 16) apontam para o fato que a pedagogia hospitalar vem ... oferecer à criança hospitalizada, ou em longo tratamento hospitalar, a valori- zação de seus direitos à educação e à saúde, como também ao espaço que lhe é devido enquanto cidadão do amanhã. 3.3 O papel do pedagogo no espaço hospitalar O trabalho com crianças e adolescentes hospita- lizados é um desafio, no intuito de encontrar estraté- gias diversificadas e adaptáveis à realidade e necessi- dade de cada um, diante de uma situação de privação ou mesmo de sofrimento e dor. “Permite à criança do- ente conservar os laços com sua vida anterior à inter- nação” (REINER-ROSENBERG, 2003, p. 21). A pedagogia hospitalar em sua prática pedagógi- co-educacional cotidiana deve dar continuidade aos estudos das crianças em convalescença, para sanar dificuldades de aprendizagem e/ou contribuir para o alcance de novos conteúdos, além de trabalhar com o aluno/paciente suas necessidades psíquicas e cogniti- vas (FONSECA, 2003). Figura 23: Crianças internadas na pediatria do Hospital Regional do Gurupi recebem atenção especial Fonte: http://zaca- martins.wordpress. com/2009/12/15/progra- macao-movimentada-na- -comemoracao-dos-seis- -anos-do-programa-peda- gogia-hospitalar-do-hos- pital-regional-de-gurupi/ Acesso em: 29 jul. 2011. ▼ http://zacamartins.wordpress.com/2009/12/15/programacao-movimentada-na-comemoracao-dos-seis-anos-do-programa-pedagogia-hospitalar-do-hospital-regional-de-gurupi/ http://zacamartins.wordpress.com/2009/12/15/programacao-movimentada-na-comemoracao-dos-seis-anos-do-programa-pedagogia-hospitalar-do-hospital-regional-de-gurupi/ http://zacamartins.wordpress.com/2009/12/15/programacao-movimentada-na-comemoracao-dos-seis-anos-do-programa-pedagogia-hospitalar-do-hospital-regional-de-gurupi/http://zacamartins.wordpress.com/2009/12/15/programacao-movimentada-na-comemoracao-dos-seis-anos-do-programa-pedagogia-hospitalar-do-hospital-regional-de-gurupi/ http://zacamartins.wordpress.com/2009/12/15/programacao-movimentada-na-comemoracao-dos-seis-anos-do-programa-pedagogia-hospitalar-do-hospital-regional-de-gurupi/ http://zacamartins.wordpress.com/2009/12/15/programacao-movimentada-na-comemoracao-dos-seis-anos-do-programa-pedagogia-hospitalar-do-hospital-regional-de-gurupi/ http://zacamartins.wordpress.com/2009/12/15/programacao-movimentada-na-comemoracao-dos-seis-anos-do-programa-pedagogia-hospitalar-do-hospital-regional-de-gurupi/ http://zacamartins.wordpress.com/2009/12/15/programacao-movimentada-na-comemoracao-dos-seis-anos-do-programa-pedagogia-hospitalar-do-hospital-regional-de-gurupi/ 31 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares Nesse cenário, a presença do pedagogo é importante para a organização e planejamentos de ações pedagógicas adequadas à realidade do aluno/paciente no espaço hospitalar. Cabe a ele modificar situações e atitudes junto ao enfermo, as quais não podem ser confundidas com o atendimento à sua enfermidade. Isso exige cuidado especial no desenvolvimento das atividades, cabendo a ele, segundo (WOLF, 2007, p. 50): • o efetivo envolvimento com o doente; • modificação no ambiente em que está envolvido; • conhecimento das modalidades de ação e intervenção; e • desenvolvimento de programas adaptados às capacidades e disponibilidades do enfermo. O pedagogo hospitalar, portanto, será o responsável por organizar essas ações educativas dentro do hospital, levando em consideração as necessidades do estudante e paciente, cuidando para que uma atividade não atrapalhe o andamento da outra. 3.4 A prática pedagógica em classe hospitalar O Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Especial, denominou de classe hospitalar uma das modalidades de atendimento especial conceituando-a como: “ambiente hospitalar que possibilita o atendi- mento educacional de crianças e jovens inter- nados, que necessitam de educação especial ou que estejam em tratamento” (MEC/SEEESP, 1994). A classe hospitalar deve ser vista como uma extensão da escola no ambiente hos- pitalar. Ela funciona como uma sala de aula adaptada ao ambiente hospitalar para acolher crianças e adolescentes em internação tempo- rária ou permanente, assegurando o elo com a escola e/ou facilitando o seu ingresso ou retor- no ao seu grupo escolar adequado. Esse espaço objetiva compreender as di- ficuldades dos alunos/pacientes, oferecendo- -lhes um processo educativo, por meio de atividades diversas de escrita, leitura, matemá- tica e jogos para assegurar o desenvolvimento intelectual e acompanhamento escolar. Além disso, as intervenções em classe hospitalar devem ser norteadas pelo emprego do lúdico e atividades recreativas, como a arte de contar histórias, brincadeiras, jogos, drama- tização, desenhos e pinturas e influenciadas pela possibilidade de utilização de práticas ar- tísticas que exploram a criatividade das crian- ças, mesmo num contexto de adversidade, situação ilustrada na figura 24 por meio das atividades desenvolvidas pelos doutores do riso. Essas estratégias ajudam na adaptação, motivação e recuperação do paciente, que es- tará ocupando o tempo de ociosidade e refor- çando as expectativas de retorno à vida nor- mal. As metodologias de trabalho no hospital dependerão da instituição, ou seja, das condi- ções e disponibilidade do hospital em termos de espaço físico e o tipo de convênio firmado e dependerá das necessidades do hospital. No entanto, Wolf (2007) ressalta que pode haver adaptação nos espaços, de acordo com a ob- servação do pedagogo, e este fará as adequa- ções necessárias para que a criança se sinta bem. Se necessário, pode acontecer até mes- mo no próprio leito, conforme demonstra a Figura 25. ▲ Figura 24: Doutores do riso Fonte: http://www.arslvt. min-saude.pt/NoticiasE- ventos/Noticias/conteu- dos/Paginas/OperacaoNa- rizVermelho.aspx Acesso em: 29 jul. 2011. http://www.arslvt.min-saude.pt/NoticiasEventos/Noticias/conteudos/Paginas/OperacaoNarizVermelho.aspx http://www.arslvt.min-saude.pt/NoticiasEventos/Noticias/conteudos/Paginas/OperacaoNarizVermelho.aspx http://www.arslvt.min-saude.pt/NoticiasEventos/Noticias/conteudos/Paginas/OperacaoNarizVermelho.aspx http://www.arslvt.min-saude.pt/NoticiasEventos/Noticias/conteudos/Paginas/OperacaoNarizVermelho.aspx http://www.arslvt.min-saude.pt/NoticiasEventos/Noticias/conteudos/Paginas/OperacaoNarizVermelho.aspx 32 UAB/Unimontes - 7º Período O atendimento prestado em uma classe hospitalar contribui para o paciente enfrentar o estresse da hospitalização (BARROS, 2007). Isso devido ao significado e ao valor simbólico da escola na composição das experiências das crianças e adolescentes que, então resgatadas, reequilibram o desenvolvimento psíquico daquelas crianças e adoles- centes. Essas atividades pedagógicas desenvolvidas junto aos alunos em hospitais ou até mesmo em suas casas devem ser divulgadas para o conhecimento de toda a sociedade, para que possam usufruir desse di- reito caso precisem, eventualmente, se afastar da escola por motivos de saúde, conforme já assinalamos an- teriormente. Considerando os objetivos des- ta unidade, concluímos que a função do pedagogo dentro das instituições hospitalares é mediar as relações en- tre a escola e a criança ou o adoles- cente internado, ensinando e dando continuidade aos conteúdos. É papel dos cursos de pedagogia valorizar a formação do profissional para que possa atuar, com eficiência, em outros espaços de educa- ção, que não sejam os escolares, como é o caso da educação hospitalar. Referências BARROS, Alessandra Santana Soares e. Contribuições da educação profissional em saúde à for- mação para o trabalho em classes hospitalares. Cad. CEDES [online]. 2007, vol. 27, n. 73, p. 257- 278. ISSN 0101-3262. BRASIL. Ministério da Justiça (BR). Resolução nº 41 de 13 de outubro de 1995. Dispõe sobre os di- reitos da criança e do adolescente hospitalizados. Diário Oficial da União. Brasília (DF), Seção I, p. 16319-16320, 17/10/95. ______. República Federativa do Brasil. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. (Lei nº 9394/96). Brasília: Diário Oficial da União, 1996. ______. Ministério da Educação, Cultura e Desporto. Política Nacional de Educação Especial. Se- cretaria Nacional de Educação Especial. Brasília, MEC/SEESP, 1994,66p. FONSECA, Eneida Simões da. Atendimento escolar no ambiente hospitalar. São Paulo: Mem- non, 2003. MATOS, Elizete Lúcia Moreira; MUGGIATI, Margarida Maria Teixeira de Freitas. Pedagogia Hospi- talar. Curitiba: Champagnat, 2001. REINER-ROSENBERG, Sylvie. O papel das associações para crianças hospitalizadas na França e na Europa. In: GILLE-LEITGEL, Marluce. (org.) Boi da cara preta: crianças no hospital. Salvador: EDU- FBA; Álgama, 2003. p. 16-45. WOLF, Rosângela Abreu do Prado. A Pedagogia Hospitalar: a prática do pedagogo em instituição não-escolar. Revista Conexão. UEPG, v. 3, p. 1-68, 2007. DICA Assista ao vídeo dos doutores da alegria para compreender a importância dessa atuação em hospitais. Através de suas visitas regulares, tentam potenciar o riso, já que está medicamente associada ao bem-estar, aumenta o batimento cardíaco, melhora a oxigenação do sangue, diminui a dor, ajudando também na (des)dra- matização dos procedi- mentos hospitalares. Disponível em :http://www.youtube. com/watch?v=aO0o kix13Ww&feature=r elated ▲ Figura 25: Prática individual de leito. Trabalho realizado no serviço de emergência clínica. Fonte: http://redeeducacaoemfoco.blogspot.com/2011/04/o-pedago- go-em-espacos-nao-escolares.html Acesso em: 29 jul. 2011. http://redeeducacaoemfoco.blogspot.com/2011/04/o-pedagogo-em-espacos-nao-escolares.html http://redeeducacaoemfoco.blogspot.com/2011/04/o-pedagogo-em-espacos-nao-escolares.html33 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares UNIDADE 4 O espaço carcerário 4. 1 Introdução ... o sonho que nos anima é democrático e solidário, não é falando aos outros, de cima para baixo, sobretudo, como se fôssemos os portadores da verdade a ser transmitida aos demais, que aprendemos a escutar, mas é escutando que aprende- mos a falar com eles. Somente quem escuta paciente e criticamente o outro, fala com ele, mesmo que, em certas condições, precise falar a ele (FREIRE, 1996). O tratamento dos processos educativo-prisionais remete-se à questão do direito em nossa sociedade, especialmente no que diz respeito às práticas do direito penal, sua função social e a racionalidade que lhe dá sustentação. A educação nas prisões é inegavelmente uma ação em defesa dos direitos humanos, exigin- do uma série de ações, “tanto no âmbito do Estado como da sociedade civil, para que se concre- tize plenamente e esteja ao alcance de todas as pessoas presas” (SCARFÓ, 2010, p. 24). Nesse caso, o Estado, em relação a qualquer direito humano, tem o dever de promover ações para garantir, respeitar e proteger tais direitos. Isso acontece por meio de políticas públicas que favoreçam a utilização dos direitos. Nesta unidade, temos como objetivos: • discutir as práticas educativas que se dão no cotidiano do cárcere; • compreender os efeitos das práticas educativas no sistema carcerário; • determinar a função da prisão na sociedade; e • identificar ações educativas para a ressocialização do preso. A educação carcerária pode ser considerada como ato educativo não formal praticado no cotidiano do cárcere, marcado pela intencionalidade em cada habilidade, modos de agir, astúcias e estratégias, organizadas com finalidades próprias e apropriadas, que influenciam e formam ou- tros sujeitos. Freire acredita que é: ... nosso dever criar meios de compreensão de realidades políticas históricas que dêem origem a possibilidades de mudanças. Penso que seja nosso papel desenvolver métodos de trabalho que permitam aos oprimidos(as), pouco a pouco, revelarem sua própria realidade (FREIRE, 2001, p. 35). ◄ Figura 26: A prisão Fonte: http://ghlb.files. wordpress.com/2010/03/ prisao-2.jpg Acesso em: 10 jul. 2011. http://ghlb.files.wordpress.com/2010/03/prisao-2.jpg http://ghlb.files.wordpress.com/2010/03/prisao-2.jpg http://ghlb.files.wordpress.com/2010/03/prisao-2.jpg 34 UAB/Unimontes - 7º Período 4.2 Contextualização do espaço Para iniciar a discussão sobre a educação no cárcere, entendemos ser necessário conhecer a legislação que orienta as práticas educativas neste espaço. As práticas educativas desenvolvidas em espaços de privação de liberdade são consideradas também espaços de educação não formal, nos quais a presença do pedagogo é indispensável. Para Scarfó (2010), a prisão é vista como um ambiente hostil para assegurar os direitos; no entanto, o acesso à educação não está livre dessa situação restritiva. Ressaltamos que o Estado, em relação aos direitos humanos, tem a obrigação de realizar ações para promover, garantir, respeitar e proteger tais direitos. O que acontece por meio de po- líticas públicas que viabilizem gozo dos direitos e, caso não ocorra, deve promover políticas que revertam a realidade. 4.3 Dimensões da educação carcerária: pressupostos teóricos Falar em uma pedagogia carcerária significa relacionar o poder disciplinar e a reeducação do condenado, fazendo estender aspectos pedagógicos ao penitenciário. Trata-se do acréscimo do termo educar ao binômio vigiar e punir (RESENDE, 2004, p. 2). Devemos acreditar que a educação oferecida no campo do sistema penitenciário pode mui- to contribuir no processo de reinserção social dos presos. Para que está educação traga reais be- nefícios no sistema penitenciário, precisamos lembrar que vamos trabalhar com adultos, numa abordagem que o leve a refletir, se restabelecer das marcas da sociedade. Isso só ocorrerá se tivermos conhecimento teórico para entender essas peculiaridades, pois o adulto é diferente de uma criança: ... não age nem raciocina como criança, provavelmente aprende por mecanis- mos pelo menos em parte diferentes dos das crianças. O educando adulto traz necessariamente uma experiência de vida e um aprendizado que fazem com que ele seja igual ao educador (BRITTO, 2003, p. 202). A escola no sistema penitenciário deve produzir um conhecimento peculiar que estimule o professor a desenvolver em seu trabalho uma educação restaurativa e compreender que o cam- po de sua atuação concentra-se “não na determinação de culpa ou punição de seu aluno/preso, para levá-lo à compreensão das razões pelos quais os seus atos o levaram à prisão” (SERRADO JÚNIOR, 2008, p. 112), bem como às conseqüências de seus atos na sociedade a qual pertence. De acordo com publicação em 11/9/2010, pelo R7 Notícias, Minas Gerais tem 4.361 pre- sos frequentando a sala de aula, o que representa 35% dos condenados pela Justiça que estão nos presídios e penitenciária, conforme mostra a figura 27. PARA SABER MAIS Acesse o link que se se- gue para ler na íntegra os documentos legais disponibilizados no site do Ministério da Edu- cação e Cultura para jovens e adultos em situação de privação de liberdade nos estabele- cimentos penais. http://portal.mec. gov.br/index. php?option=com_cont ent&view=article&id=1 2992:diretrizes-para-a- -educacao -basica&catid= 323:orgaos -vinculados GLOSSÁRIO Hostil: Adverso, contra- ditório. ◄ Figura 27: Escola na prisão. Fonte: http://noticias. r7.com/cidades/noticias/ em-minas-gerais-35- -dos-presos-estu- dam-20100911.html Acesso em: 10 jul. 2011. http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12992:diretrizes-para-a-educacao-basica&catid=323:orgaos-vinculados http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12992:diretrizes-para-a-educacao-basica&catid=323:orgaos-vinculados http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12992:diretrizes-para-a-educacao-basica&catid=323:orgaos-vinculados http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12992:diretrizes-para-a-educacao-basica&catid=323:orgaos-vinculados http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12992:diretrizes-para-a-educacao-basica&catid=323:orgaos-vinculados http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12992:diretrizes-para-a-educacao-basica&catid=323:orgaos-vinculados http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12992:diretrizes-para-a-educacao-basica&catid=323:orgaos-vinculados http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12992:diretrizes-para-a-educacao-basica&catid=323:orgaos-vinculados http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12992:diretrizes-para-a-educacao-basica&catid=323:orgaos-vinculados http://noticias.r7.com/cidades/noticias/em-minas-gerais-35-dos-presos-estudam-20100911.html http://noticias.r7.com/cidades/noticias/em-minas-gerais-35-dos-presos-estudam-20100911.html http://noticias.r7.com/cidades/noticias/em-minas-gerais-35-dos-presos-estudam-20100911.html http://noticias.r7.com/cidades/noticias/em-minas-gerais-35-dos-presos-estudam-20100911.html http://noticias.r7.com/cidades/noticias/em-minas-gerais-35-dos-presos-estudam-20100911.html 35 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares Este vídeo retrata o estabelecimento prisional de Leiria, localizado em Portugal, destinado ao internamento de menores delinqüentes do sexo masculino, com mais de 16 anos de idade, que cumprem penas ou medidas de segurança privativas de liberdade. Depois, pesquise sobre as possibilidades entre as práticas educativas existentes no Brasil no processo de ressocialização do preso. Dessa forma, o aluno/preso precisa ser capaz de refletir sobre seu ato, entendendo o ocor- rido para conscientizar-se de sua infração e demais danos por ela gerados, assumindo a respon- sabilidadede sua conduta, buscando, assim, novas atitudes em sua vida após o cumprimento da pena, isso porque ... a reflexão implica a imersão consciente do homem no mundo da sua experi- ência, um mundo carregado de conotações, valores, intercâmbios simbólicos, correspondências afectivas, interesses sociais e cenários políticos (PERÉZ GO- MÉZ, 1997, p. 103). Nessa cadeia de pensamento, a atuação do professor atuante no sistema penitenciário deve ser permeada pela reflexão, pois não há como ignorar a especificidade da educação que busca a reinserção de presos na sociedade. A educação carcerária, portanto, permite aos detentos uma melhor condição de reinserção social, favorecendo ao egresso do sistema penal atender às exigências postas pela sociedade contemporânea: a capacitação para o mercado de trabalho e o nível de escolaridade. 4.4 As práticas educativas no espaço carcerário Como já vimos em unidades anteriores, a educação nos diversos espaços da sociedade deve ser mecanismo de participação ativa, cooperativa e crítica do sujeito aprendiz que busca mudan- ças para que haja uma sociedade mais justa e igualitária. Entendemos que a prática sustentada na crítica reflexiva permite ao educando exercer o seu papel social e histórico, ciente de que é o construtor de sua própria história. Na atualidade, o educador é elemento fundamental para a compreensão do mundo e para criação de hábitos de vida saudáveis que provoquem ideias de valorização do homem (ser hu- mano), de respeito à diversidade da vida, de análise das presumíveis transformações e de busca por uma sociedade que visa a um mundo sustentável e igualitário, pautada em ideais éticos e de cidadania. A prática do pedagogo no espaço carcerário precisa ser mais bem discutida, levantando questões que permitam a sua ampliação. Entre tantas questões, Santos (2010, p. 24) destaca: a. a utilização de metodologias ativas para facilitar a aprendizagem de jovens e adul- tos presos por meio de palestras, vídeos, projetos (com segurança preservada), possibilitando a execução de práticas só- cioeducativas no espaço prisional; b. a necessidade de se ver a educação nos presídios como uma prática de liberdade, de crescimento pessoal, de motivação e estímulo para concretização da socializa- ção ou ressocialização; c. desenvolver projetos sócioeducativos para possibilitar o ensino profissionali- zante para que os egressos sejam capazes de reconstruir a vida na sociedade, sem retornar ao mundo do crime, conforme exemplificado na figura 29, em que os ◄ Figura 28: Projeto Sala de Leitura Fonte: http://www.es.gov. br/site/files/arquivos/ imagem/florsaladeleitu- ra01.jpg, Acesso em: 10 jul. 2011 PARA SABER MAIS Assista ao vídeo Prisão Escola - Uma Instituição, clicando no link http:// www.youtube.com/ watch?v=sq5nQf49TF8. PARA SABER MAIS Visite o site Portal do Governo do Espírito Santo e conheça o Projeto Sala de Leitura implantado no sistema penitenciário capixaba. http://www.es.gov.br/site/ cidadaos/show_noticia. aspx?noticiaId=99672390 http://www.es.gov.br/site/files/arquivos/imagem/florsaladeleitura01.jpg http://www.es.gov.br/site/files/arquivos/imagem/florsaladeleitura01.jpg http://www.es.gov.br/site/files/arquivos/imagem/florsaladeleitura01.jpg http://www.es.gov.br/site/files/arquivos/imagem/florsaladeleitura01.jpg http://www.youtube.com/watch?v=sq5nQf49TF8 http://www.youtube.com/watch?v=sq5nQf49TF8 http://www.youtube.com/watch?v=sq5nQf49TF8 http://www.es.gov.br/site/cidadaos/show_noticia.aspx?noticiaId=99672390 http://www.es.gov.br/site/cidadaos/show_noticia.aspx?noticiaId=99672390 http://www.es.gov.br/site/cidadaos/show_noticia.aspx?noticiaId=99672390 36 UAB/Unimontes - 7º Período presos estão desenvolvendo atividade de informática; d. buscar soluções para as dificuldades de ajustamento entre agentes penitenciários e equipe administrativa e pedagógica da escola ou ações educativas. Nesse cenário, Scarfó (2010, p. 35) defende uma educação global, considerando que tal abordagem ... recolhe pedaços dispersos da vida; dá significado ao passado; dá ferramenta para se formular um projeto individual ao organizar sessões educacionais so- bre saúde, direitos e deveres, não-violência, auto-respeito, igualdade de gêne- ro. Ela, portanto, não será só formal ou infor- mal, trabalhada por professores e técnicos da área de educação, também se constituirá de encontros, reuniões, debates, leituras, atitu- des, entre outros, sendo de responsabilidade de todos os profissionais que atuam no espaço prisional. A educação assume papel de destaque na reinserção social, pois oferece ao detento, além dos benefícios do saber escolar, a possi- bilidade de participar de um processo de mu- dança, contribuindo para a formação de um senso-crítico para o entendimento do valor da liberdade e melhoria do cotidiano na prisão. Referências BRASIL. Constituição (1988) Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: www. planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/principal.htm. Acesso em: 26 abr. 2009. BRITTO, Luiz Percival Leme. Contra o consenso: cultura, educação e participação. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2003. (Coleção idéias sobre linguagem). FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cor- tez, 2001. PÉREZ GÓMEZ, Angel Perez. O pensamento prático do professor: a formação do professor como profissional reflexivo. In: NÓVOA, Antonio. Os Professores e a sua Formação. 3 ed., Portugal: Lisboa Codex, 1997. RESENDE, Haroldo de. Currículo carcerário: práticas educativas na prisão. In: 27ª Reunião Anual da ANPED, 2004. Disponível em: http://www.anped.org.br/reunioes/27/gt12/t125.pdf. Acesso em: 28 ago. 2011. SANTOS, Jussara Resende Costa. Políticas Públicas de educação nos presídios: práticas sócio-edu- cativas estimulam alunos no processo de ressocialização em Minas Gerais. Congr. Intern. Pedago- gia Social, Mar. 2010. Disponível em http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC00000 00092010000100017&script=sci_arttext. Acesso em: 28 ago. 2011. SCARFÓ, Francisco. O papel (ou responsabilidade) da sociedade civil na garantia dos direitos edu- cativos das pessoas encarceradas. In: YAMAMOTO, Aline et al. (org.) Educação em Prisões. São Paulo: Alfasol, 2010. SERRADO JÚNIOR, Jehu Vieira. A Formação do professor do sistema penitenciário: a necessida- de de uma educação reflexiva e restaurativa nas prisões. In: VIII Congresso Nacional de Educa- ção Educere/III Congresso Ibero-Americano sobre violência nas escolas CIAVE, 2008, Curitiba-PR. Figura 29: Presos em aula de informática. Fonte: http://www.cpt.com. br/responsabilidade-social Acesso em: 10 jul. 2011. ► http://www.anped.org.br/reunioes/27/gt12/t125.pdf http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC0000000092010000100017&script=sci_arttext http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC0000000092010000100017&script=sci_arttext http://www.cpt.com.br/responsabilidade-social http://www.cpt.com.br/responsabilidade-social 37 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares Formação de Professores. Curitiba-PR: Champangat, 2008. Disponível em: http://www.pucpr.br/ eventos/educere/educere2008/anais/pdf/318_237.pdf. Acesso em: 28 ago. 2011. SILVA, Ana Lúcia Gomes da. Educação carcerária: (des)encantos, (des)crenças e os (des)velamen- tos das histórias de leitura no cárcere, entre ditos, silêncios e subentendidos. Revista HISTEDBR On-line, 2007. Disponível em: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/revista/edicoes/29/rdt04_29. pdf. Acesso em: 28 ago. 2011. http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2008/anais/pdf/318_237.pdf http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2008/anais/pdf/318_237.pdf http://www.histedbr.fae.unicamp.br/revista/edicoes/29/rdt04_29.pdf http://www.histedbr.fae.unicamp.br/revista/edicoes/29/rdt04_29.pdf 39 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares UNIDADE 5 O espaço do campo “... então o camponês descobre que, tendosido capaz de transformar a terra, ele é capaz também de transformar a cultura, renasce não mais como objeto dela, mas também como sujeito da história” (PAULO FREIRE). 5.1 Introdução Vamos discutir nesta unidade uma concepção de educação do campo que compreende uma nova concepção do rural, concebido não mais como lugar de atraso, mas de produção da vida em diversos aspectos: culturais, sociais, econômicos e políticos. A problemática da educação do campo aborda um espaço de formação dos sujeitos que de- safiam o tempo, encontram, muitas vezes, a desvinculação entre a escola e o seu contexto, “de- corrente da imposição de um modelo educativo que serve mais para a cidade do que propria- mente às zonas rurais ...” (PETTY; TOBIM; VERA, 1981, p. 32). Quando estamos tratando de campo, estamos nos referindo a um espaço múltiplo que é, segundo Caldart (2002): • Economicamente diverso: relaciona-se à propriedade e acesso à terra, no modo com lidam com o trabalho, com a tecnologia, com o mercado. • Multireferencial: tem riqueza de matrizes históricas tradicionais, mas que se modificam e reestruturam-se com as novas relações, expressadas no modo de vida, nas suas festas, na religiosidade, nos gestos, na arte. • Participação dos movimentos sociais: que atuam e propõem mudanças dentro da realida- de. A educação do campo deve ser concebida para oferecer aos povos do campo uma educa- ção adequada ao seu modo de viver, pensar e produzir. Ao final dessa unidade, esperamos que você seja capaz de: • conceituar educação do campo; • conhecer o contexto das lutas dos movimentos sociais; • discutir currículo e ações pedagógicas e organização escolar no âmbito da identidade do campo; e • conhecer a pedagogia da alternância. ◄ Figura 30: Paulo Freire e a práxis nos movimentos sociais Fonte: http://4.bp. blogspot.com/_e7yEY hAyBJQ/TBLHBiSh8UI/ AAAAAAAAAO8/r FtkepuC4TM/ s1600/20100207053245 !Painel_Paulo_Freire. jpg Acesso em: 2 ago. 2011. http://4.bp.blogspot.com/_e7yEYhAyBJQ/TBLHBiSh8UI/AAAAAAAAAO8/rFtkepuC4TM/s1600/20100207053245!Painel_Paulo_Freire.jpg http://4.bp.blogspot.com/_e7yEYhAyBJQ/TBLHBiSh8UI/AAAAAAAAAO8/rFtkepuC4TM/s1600/20100207053245!Painel_Paulo_Freire.jpg http://4.bp.blogspot.com/_e7yEYhAyBJQ/TBLHBiSh8UI/AAAAAAAAAO8/rFtkepuC4TM/s1600/20100207053245!Painel_Paulo_Freire.jpg http://4.bp.blogspot.com/_e7yEYhAyBJQ/TBLHBiSh8UI/AAAAAAAAAO8/rFtkepuC4TM/s1600/20100207053245!Painel_Paulo_Freire.jpg http://4.bp.blogspot.com/_e7yEYhAyBJQ/TBLHBiSh8UI/AAAAAAAAAO8/rFtkepuC4TM/s1600/20100207053245!Painel_Paulo_Freire.jpg http://4.bp.blogspot.com/_e7yEYhAyBJQ/TBLHBiSh8UI/AAAAAAAAAO8/rFtkepuC4TM/s1600/20100207053245!Painel_Paulo_Freire.jpg http://4.bp.blogspot.com/_e7yEYhAyBJQ/TBLHBiSh8UI/AAAAAAAAAO8/rFtkepuC4TM/s1600/20100207053245!Painel_Paulo_Freire.jpg http://4.bp.blogspot.com/_e7yEYhAyBJQ/TBLHBiSh8UI/AAAAAAAAAO8/rFtkepuC4TM/s1600/20100207053245!Painel_Paulo_Freire.jpg 40 UAB/Unimontes - 7º Período 5.2 Contextualização do espaço O conceito de educação do campo que estamos trazendo tem grande amplitude de senti- do e complexidade, por isso não pode ser entendido somente como ensino e pauta-se na práti- ca educativa que se tem desenvolvido nos movimentos sociais, nas diferentes organizações que atuam com educação e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº 9.394/96, que expressa em seu art. 1º. Dessa forma, fica claro que a educação do campo e no campo acontece em espaços escola- res e não escolares. Abarca saberes, métodos, tempos e espaços físicos diferentes. De modo que considere não somente os saberes construídos na sala de aula, mas também aqueles produzidos na família, na convivência social, na cultura, no lazer e nos movimentos sociais. O espaço especí- fico da sala de aula é lugar de sistematização, análise e de síntese das aprendizagens, tornando- -se, assim, um lugar em que as diferenças se encontram, pois são nessas diferenças que se criam novas formas de relacionar, de estar e ver o mundo. Conhecer as características específicas da educação do campo é de grande valia, pois os in- divíduos que lá vivem têm direito a uma educação diferenciada daquela oferecida aos que vivem na zona urbana. Uma educação que vai além da noção de espaço geográfico e compreende os direitos sociais, as necessidades culturais, e a formação integral dessas pessoas (CALDART, 2002). Neste sentido, entendemos que o termo NO CAMPO é porque as pessoas têm direito a ser educadas no lugar onde vivem e o termo DO CAMPO é porque as pessoas têm direito a uma educação pensada desde o seu lugar e com a sua participação, vinculada à sua cultura e às suas necessidades humanas e sociais. A denominação educação do campo “compreende uma nova concepção do rural, não mais como lugar de atraso, mas de produção da vida em seus mais variados aspectos: culturais, so- ciais, econômicos e políticos” (FERNANDES; CERIOLI & CALDART, 2004, p. 25). Sua pretensão é a educação das pessoas que lá vivem e trabalham, de modo que possam se articular, se organizar e assumir a condição de sujeitos protagonistas de sua própria história. Trata-se, então, de uma edu- cação dos e não para os sujeitos do campo (ARROYO, 1999). Compreende também diferentes povos do campo, como os indígenas e quilombolas, que, na lógica da sociedade capitalista, não são mencionados por diferirem das práticas capitalistas de produção, conforme está expresso no Parecer CEB/CEB 36/2001: A educação do campo, tratada como educação rural na legislação brasileira, tem um significado que incorpora os espaços da floresta, da pecuária, das mi- nas e da agricultura, mas os ultrapassa ao acolher em si os espaços pesqueiros, caiçaras, ribeirinhos e extrativistas. Dessa forma, o campo é mais que perímetro não urbano, é um espaço de possibilidades que dinamizam a trama dos seres humanos com a própria produção das condições da existência social e com as realizações da sociedade humana. A educação do campo possui um elo com a matriz peda- gógica do trabalho e da cultura. Nasce colada ao trabalho e à cultura do campo e devem ser considerados elementos básicos em seu projeto. A interpretação dos processos produtivos e dos processos culturais formadores das pessoas que vivem no e do campo é atividade essencial na construção do projeto político e pedagógico da educação do campo. Sabemos que o trabalho favorece de maneira significati- va na formação do ser humano. Assim, a educação do campo deve resgatar a tradição pedagógica de valorização do trabalho como princípio educativo, de entendimento do vínculo entre produção e educação, bem como de estratégias diferenciadas de discussão sobre as diversas dimensões e metodologias de forma- ção do trabalhador, de educação profissional, comparando todo este acúmulo de teorias práticas com a experiência específica de trabalho e de educação dos camponeses. Pensar essa questão pedagogicamente, com maior amplitude, é relacionar como estes pro- cessos podem e devem ser trabalhados nos diversos ambientes educativos do campo, de tal for- ma que favoreça a formação os processos de humanização do homem. ▲ Figura 31: Cultivo de café Fonte: http://jodama 201.pbworks.com/w/ page/38157760/1%C 2%B0%20trimestre Acesso em: 2 ago. 2011. http://jodama201.pbworks.com/w/page/38157760/1%C2%B0%20trimestre http://jodama201.pbworks.com/w/page/38157760/1%C2%B0%20trimestre http://jodama201.pbworks.com/w/page/38157760/1%C2%B0%20trimestre http://jodama201.pbworks.com/w/page/38157760/1%C2%B0%20trimestre 41 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares Além disso, a relação entre cultura e comunicação são outros elementos importantes do processo nas escolas do campo na busca do entendimento de diferentes linguagens. Para isso, devem-se utilizar técnicas de organização que viabilizem e potencializem o resgate da memória coletiva das comunidades, dos saberes e das histórias, como princípios do processo de ensino- -aprendizagem. 5.3 Práticas pedagógicas e participação dos movimentossociais na educação do campo O atendimento à educação para a população do meio rural se deu através de campanhas, projetos e/ou políticas compensatórias, que não levavam em conta os modos de viver e conviver dos povos do campo, que, ao longo da história, foram excluídos enquanto sujeitos do processo educativo (ANTÔNIO; LUCINI, 2007). Nos anos 1990, no Brasil, com a abertura política do país, esse quadro educacional começa a dar sinais de mudança, pois os movimentos sociais e sindicais começaram a pressionar de forma mais articulada pela construção de políticas públicas para a população do campo, de maneira a garantir a universalização do ensino, bem como a construção de propostas pedagógicas que res- peitassem a realidade, as formas de produzir, de lidar com a terra, de viver e conviver dos povos do campo. Assim, baseando-se nos artigos 208 e 210 da Constituição Federal de 1988, e movida por uma concepção de mundo rural como espaço específico, diferenciado e integrado no conjunto da sociedade, a LDB 9394/96 prevê o tratamento da educação rural no âmbito do direito à igual- dade e do respeito às diferenças (BRASIL/CNE/CEB, 2001). PARA SABER MAIS Aproveite o fórum de discussão, debata e re- flita sobre as seguintes questões: • O que significa hoje a formação dos trabalhadores jovens e adultos do campo? • O que é educar as crianças e os adolescentes das escolas do campo, considerando a formação de sua identidade de trabalhador do campo? 42 UAB/Unimontes - 7º Período PARA SABER MAIS CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 (Artigos 208 e 210) Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria; II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencial- mente na rede regular de ensino; IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de pro- gramas suplementares de material didático escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. § 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregu- lar, importa responsabilidade da autoridade competente. § 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer- -lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola. § 3º Compete ao poder público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer- -lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola. Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a as- segurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regio- nais. § 1º O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários nor- mais das escolas públicas de ensino fundamental. § 2º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. ______________________________________________ O Art. 28 da referida lei institui que, na oferta da educação básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação, às peculiarida- des da vida rural e de cada região, sendo considerados especialmente I - conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural; II - organização escolar própria, incluindo a adequação do calendário esco- lar as fases do ciclo agrícola e as condições climáticas; III - adequação à natureza do trabalho na zona rural (BRASIL, 1996). 43 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares Dessa forma, a legislação prevê o reconhecimento da diversidade sociocultural e o direito à igualdade e à diferença, permitindo a definição de diretrizes operacionais para a educação rural. A educação do campo, nesse sentido, deve levar em conta os fins, os conteúdos, a me- todologia, os processos próprios de aprendizagem dos alunos e as especificidades do campo. A aprovação das Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo, através do Parecer no 36/2001 e Resolução 1/2002 do Conselho Nacional de Educação, foi uma conquista importante para a educação nas escolas dos povos do campo, pois constitu- íram-se instrumentos de luta junto às ações de diversos movimentos sociais e sindicais do campo na busca do fortalecimento da construção de políticas públicas que garantam o aces- so e permanência a educação de qualidade para os povos do campo, com base no respeito à diversidade e às diferenças sem, com isso, transformá-las em desigualdades (BRASIL/ MEC/ CEB, 2002). A ideia é a construção de um projeto de educação que promova o desenvolvimento da cidadania e democracia, em que as pessoas se vejam como sujeitos de direitos. Para isso, aspropostas pedagógicas da educação do campo devem contemplar a identificação de um modo próprio de vida social e de utilização do espaço, delimitando o que é rural e urbano sem perder de vista o nacional. Assim, o processo de discussão do currículo das escolas do campo deve ser norteado por alguns princípios da relação inter- e transdisciplinar, conforme aponta Martins e Lima (2001): • A natureza – entendida como estrato natural da ocorrência da vida e, em particular, como meio ambiente onde ocorre o desenvolvimento de diferenciadas manifestações de vida; • O trabalho, tomado como processo através do qual o homem transforma a natureza, ao mesmo tempo em que reconstrói, continuamente, a si mesmo e a realidade histórico-social que integra; • O conhecimento, entendido como construção coletiva, histórico social da relação humana, como a natureza mediada pelo trabalho; e • A história da humanidade, vista como processo de transformação social que abrange di- mensões sócio-culturais, que agrega tanto a relação com a natureza quanto os instrumentos de produção da humanidade, que mediam trabalho e conhecimento. Além disso, o currículo nas escolas do campo deve permitir o desenvolvimento de atitudes e valores para as relações que se estabelecem no cotidiano da comunidade, pautadas na igual- dade, na disposição para reconhecer o direito de cada pessoa de aprender, de ensinar a ensinar a partilha de saberes e de poder entre mulheres e homens. De modo geral, o currículo pensado para ofertar uma educação que, de fato, atenda às reais necessidades do campo deve: • Proporcionar por meio de atividades, condições de trabalho e geração de renda para que os jovens e adultos possam conseguir viver com dignidade no campo e ter acesso aos bens culturais e sociais historicamente acumulados e produzidos pela humanidade; • Favorecer a formação de lideranças para que elas estimulem e orientem o desenvolvimento técnico agro-ecológico em geral e comunitário, especificamente, conservando seus valores históricos e culturais. • Desenvolver elementos que potencializem a valorização do campo como espaço de produ- ção e recriação de vida; • Formar o educando para participar de forma consciente e com habilidades técnicas, ampa- rada em novos modelos de desenvolvimento do meio rural; • Possibilitar a aquisição de conhecimentos teóricos e práticos na agricultura, pecuária, pesca, no extrativismo e outras culturas, que visam a dar maior sustentabilidade à economia das comunidadese das regiões, com a utilização de técnicas adequadas para a recuperação e preservação ambiental. Como já dissemos, o conceito da educação do campo nasceu das demandas dos movimen- tos camponeses e sociais na construção de uma política educacional para os assentamentos de reforma agrária. Estes movimentos têm organizado de forma sistemática e permanente ações de educação não formal. Observem a figura 32 que retrata a educação de jovens e adultos em um assentamento no vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. GLOSSÁRIO Interdisciplinar: Esta- belece uma integração entre duas ou mais disciplinas, promoven- do uma intercomunica- ção e enriquecimento mútuo e, consequente- mente, uma modifica- ção de conceitos e de terminologias funda- mentais. Transdisciplinar: É um tipo de intera- ção entre disciplinas em que ocorre uma espécie de integração de vários sistemas, num contexto mais amplo e geral, ocasionando uma interpretação mais totalizante dos fatos e fenômenos da vida. 44 UAB/Unimontes - 7º Período Segundo Molina (2006), para entender a contribuição pedagógica que os movimentos so- ciais trazem para a educação do campo, precisamos resgatar práticas educativas gestadas em nosso país, que constituíram o arcabouço da educação popular, pois acreditamos que elas de- sempenham e desempenharam um papel importante do ponto de vista de três eixos: ético, polí- tico e pedagógico, gerando um repertório de concepções, práticas e ferramentas que foram sen- do construídas e reconstruídas pelos movimentos sociais e organizações não governamentais na implementação das escolas do campo. Para Lucini (2007, p. 118), esses três eixos se entrelaçam e não podem ser vistos separadamente. No eixo político, situam-se as discussões que enfatizam o aspecto da relação dos povos do campo com o direito à vida, à manutenção de sua cultura e à garantia de produzir a existência no lugar em que estão, com respeito a sua diferen- ça, a sua opção política e a sua opção ética. No eixo ético, refere-se às discussões que envolvem os aspectos político e os aspectos pedagógicos, se colocam na explicitação e defesa de sua cultura e especificidade, em re- lação a uma ética de respeito a esse mundo e às significações construídas pelos grupos sociais. O eixo pedagógico é permeado pelo político e pelo éti- co; nele estão presentes os debates que garantem a continui- dade dos grupos sociais, a dimensão formadora das ações e das práticas políticas e culturais dos povos do campo. No Brasil, Paulo Freire, nos anos 1960, traz para discus- são uma pedagogia anunciada das classes populares, que contempla esses grupos sociais, par- tindo do vivido para propor uma transformação. A educação popular é um lugar de luta social que busca a superação e a transformação de um quadro histórico em que a educação do povo (trabalhadores urbanos e do campo) enfrenta, por estar colocada, muitas vezes, de maneira diferente em certos espaços de formação social, em contradição com a necessidade social e econômica das práticas capitalistas de produção. A proposta de Paulo Freire adentra o campo popular, partindo da vivencia para propor uma transformação. Sustenta a possibilidade de pensar a educação a partir das classes trabalhadoras, sob o princípio de uma educação que liberta e entende a vida para além das desigualdades, dentro de uma dialogia constante (ANTÔNIO; LUCINI, 2007, p. 181). A educação popular, como composição teórico-prática da situação educacional do país, se insere nos movimentos sociais que pressionam o governo. Além de buscar a compreensão de questões educacionais a partir de um quadro político-democrático, no qual se manifestam as lu- tas pelas transformações sociais a partir da educação, a partir das lutas pela cidadania e melhor qualidade de vida, apostando que é possível transformar a realidade (ANTÔNIO; LUCINI, 2007). A participação dos movimentos sociais e sindicais na Educação do Campo, tanto nos níveis de escolarização formal como em sua participação no processo de discussão e ela- boração de algumas políticas públicas, tem impulsionado o afloramento de modos dife- rentes de conhecer a situação dos povos do campo, colocando em questão a necessidade de rupturas epistemológicas para avançar na efetivação do entendimento do espaço rural como um território de múltiplos saberes e de produção de vida. Este debate tem possibilitado o resgate dos fundamentos e a socialização das práticas existentes que evidenciam elementos e dimen- sões que estiveram presentes nas práticas da educação popular. Disso resulta o interesse em ten- tar identificar como a produção pedagógica dos movimentos sociais tem contribuído na discus- são, ou seja, perceber como os referenciais construídos na educação não formal dialogam com as práticas pedagógicas das escolas do campo. ▲ Figura 32: Educação de Jovens e Adultos em assentamento no Vale do Jequitinhonha Fonte: http://www.foru- meja.org.br/mg/node/9 Acesso em: 2 ago. 2011. PARA SABER MAIS Assista aos vídeos da última entrevista de Paulo Freire sobre educação popular e conheça um pouco da filosofia desse grande educador que muito contribuiu e continua contribuindo para a educação no Brasil. Figura 33: Paulo Freire Fonte: http://omeuguri. com/paulo.html Acesso em: 2 ago. 2011. PARTE 1: http://www.you- tube.com/watch?v=Ul90h eSRYfE&feature=related PARTE 2: http://www.youtube.com/ watch?v=fBXFV4Jx6Y8&fea ture=related ► http://www.forumeja.org.br/mg/node/9 http://www.forumeja.org.br/mg/node/9 http://omeuguri.com/paulo.html http://omeuguri.com/paulo.html http://www.youtube.com/watch?v=Ul90heSRYfE&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=Ul90heSRYfE&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=Ul90heSRYfE&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=fBXFV4Jx6Y8&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=fBXFV4Jx6Y8&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=fBXFV4Jx6Y8&feature=related 45 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares 5.4 Pedagogia da alternância O movimento das escolas rurais em regime de alternância nasceu em 1935, a partir da ini- ciativa de três agricultores e de um padre de um pequeno vilarejo da França que prestaram aten- ção na insatisfação sentida pelos adolescentes, demonstrando atenção para com o meio em que viviam, desejando promovê-lo e desenvolvê-lo. Na França a experiência é denominada de Mai- son Familiale Rurale (MFR). Na Espanha e na Itália é denominada Escola Família Agrícola (EFA). No Brasil, ao conjunto de EFA e CFR convencionou-se chamar CEFFA – Centros Familiares de Formação por Alternância. Hoje, o Brasil conta com 239 Centros Familiares, distribuído em 19 es- tados da federação, envolvendo mais de 800 municípios e atendendo, atualmente, cerca de 20 mil jovens, filhos de agricultores familiares. Em três décadas de atuação, os Ceffas já formaram mais de 50 mil jovens. Segundo BRASIL/MEC/CEB(2002, p. 427), a metodologia de ensino denominada pedagogia da alternância faz com que os alunos intercalem períodos de internato, com permanências sema- nais na escola, e os demais dias na sua moradia ou comunidade, “mantendo assim os (as) atores em contato e ligados ao seu meio, onde possam ser os protagonistas da promoção e do desen- volvimento local.” Segundo Teixeira et al. (2008, p. 229), essa pedagogia prevê a articulação, através da alter- nância, entre momentos de atividades na propriedade rural, com as famílias e momentos de atividade escolar propriamente dita. Dessa forma, além das disciplinas escolares básicas, a edu- cação nesse contexto envolve temáticas relativas à vida associativa e comunitária, ao meio am- biente e à formação integral nos meios profissional, social, político e econômico. • No tempo na escola: o ensino e a aprendizagem dos alunos são coordenados por um técni- co agrícola. • No tempo na família: as atividades dos filhos são acompanhadas e responsabilizadas pelos pais. PARA REFLETIR Por que, para se con- ceber uma educaçãoa partir do campo e para o campo, é necessário mobilizar e colocar em dúvida ideias e conceitos há muito es- tabelecidos pelo senso comum e desconstruir paradigmas, preconcei- tos e injustiças? GLOSSÁRIO Protagonismo: atua- ção como personagem principal. Paradigmática: relati- vo a ou que pertence a uma série de unidades que possuem traço(s) em comum e que podem se substituir mutuamente num determinado ponto da cadeia da fala. ◄ Figura 34: Alunos e professores da Escola Familiar Agrícola Pe. Ezequiel Ramin se reúnem para realizar um trabalho em grupo. Fonte: http://efaezequiel- ramin.blogspot.com/ Acesso em: 2 ago. 2011. http://efaezequielramin.blogspot.com/ http://efaezequielramin.blogspot.com/ 46 UAB/Unimontes - 7º Período Segundo Bernartt; Pezarico (2010), a pedagogia da alternância busca desenvolver um pro- cesso de ensino-aprendizagem contínuo, em que o educando percorre a trajetória propriedade - escola - propriedade. • Primeiro momento: na propriedade, o aluno se volta para a observação, pesquisa e descri- ção da realidade sócio-profissional do contexto no qual se encontra. • Segundo momento: o aluno vai à escola, onde socializa, analisa, reflete, sistematiza, concei- tua e interpreta os conteúdos identificados na etapa anterior. • Terceiro momento: o aluno volta para a propriedade; dessa vez, com os conteúdos traba- lhados de forma que possa aplicar, experimentar e transformar a realidade sócio-profissio- nal, de modo que novos conteúdos surgem, novas questões são colocadas, podendo ser no- vamente trabalhadas no contexto escolar. Os fatores que contribuíram para o surgimento da pedagogia da alternância, no Brasil, ti- veram relação direta com a economia agrícola baseada na produção de subsistência. A falta de conhecimento de técnicas alternativas para preservação ambiental, o rápido processo de desma- tamento, o uso do fogo de modo indevido, preparo do solo inadequado, uso intensivo de agro- tóxicos, baixo uso de práticas conservacionistas nas áreas de cultivos e predominância da mo- nocultura fizeram com que as famílias rurais fracassem em situação precária, comprometendo o acesso de crianças, adolescentes e jovens à escola formal (SILVA, 2006). A pedagogia da alternân- cia veio, então, possibilitar que a frequência à escola pudesse ser uma realidade também para quem vive fora dos centros urbanos. Para finalizar, apresentamos um poema escrito por uma professora da educação do campo da SEMED –Floriano -Piauí que nos permite refletir sobre a luta e esperança dos povos do campo por uma educação que os conduza a uma melhor qualidade de vida. Classificados da educação Precisa-se de mentes corações e corpos livres Mãos ágeis e guerreiras. Mentes dispostas a viajar Em um mundo cheio de desventuras De crianças e adolescentes Condenados a duras agruras. Corações sensibilizados Com este universo decadente Desses que não são letrados E tornam-se a letra indiferente. Corpos em trânsito crescente Em busca desse alunado Para que felizes no presente Pela letra sejam alcançados. Mãos que transformem essa dor De não saber ler e se encantar São as mãos do educador Que se doa para ensinar. Precisa-se de educadores Comprometidos com o ato de educar Tratar na escola onde você trabalha Ou comece em qualquer lugar. Autora: Josenilda Pereira de Almeida. DICA Assista ao documen- tário que retrata o dia a dia e os métodos pedagógicos da pedago- gia da alternância da Escola Família em São Gabriel da Palha – parte 1 e parte 2, disponíveis nos links: http://www. youtube.com/ watch?v=n6v Klr3vaHchttp:// www.youtube.com/ watch?v=u3XIFe5 mcW4&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=n6vKlr3vaHc http://www.youtube.com/watch?v=n6vKlr3vaHc http://www.youtube.com/watch?v=n6vKlr3vaHc http://www.youtube.com/watch?v=n6vKlr3vaHc http://www.youtube.com/watch?v=u3XIFe5mcW4&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=u3XIFe5mcW4&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=u3XIFe5mcW4&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=u3XIFe5mcW4&feature=related 47 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares Referências ANTONIO, Clésio Acilino; LUCINI Marizete. Ensinar e aprender na educação do campo: processos históricos e pedagógicos em relação. In: Cad. Cedes, Campinas, v. 27, n. 72, p. 177-195, maio/ago. 2007. ARROYO, Miguel e FERNANDES, B.M. A educação básica e o movimento social do campo. Articu- lação nacional: Por uma educação básica do campo. São Paulo, v.2, 1999. ARROYO, Miguel; CARDART, Roseli Salete; MOLINA, Mônica Castagna. Apresentação. In: ARROYO, Miguel G.; CARDART, Roseli Salete; MOLINA, Mônica Castagna. Por uma educação do campo. Petrópolis – RJ: Vozes, 2004. p. 19-63. BERNARTT, Maria de Lourdes; PEZARICO, Giovana. A trajetória dos estudos sobre referenciais teó- ricos e metodológicos da educação do campo: a pedagogia da alternância . In: XIII Jornadas Tran- sandinas de Aprendizagem, 2010, Frederico Westphalen. XIII Jornadas Transandinas de Apren- dizagem: Ensinar e aprender num mundo complexo e intercultural. Frederico Westphalen: URI, 2010. v. 1. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: www. planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/principal.htm. Acesso em: 26 abr. 2009. _________. Lei nº 9.394 de 21/12/1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 23 de dez. de 1996. v. 134, n. 248. ______. Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica. Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. Parecer nº 4 de dezembro de 2001. ______. Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica. Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. Resolução nº 1 de 3 de abril de 2002. CALDART, Roseli. Por uma Educação do Campo: Traços de uma identidade em construção. In: KO- LING, Edgar Jorge, CERIOLI, Paulo, CALDART, Roseli Salete. Educação do Campo: identidade e políticas públicas. Brasília-DF, 2002. FERNANDES, Bernardo Mançano; CERIOLI, Paulo Ricardo; CALDART, Roseli Salete. Primeira Confe- rência Nacional “Por Uma Educação Básica do Campo”: texto preparatório. In: ARROYO, M. Gon- zalez, CALDART, R. S. MOLINA, M. C. Por uma educação do campo. Petrópolis (RJ): Vozes, 2004. p. 19 – 63. FREIRE, Paulo; NOGUEIRA, A. Que fazer: teoria e prática em educação popular. Petrópolis: Vozes, 2002. HEREDIA, Beatriz; MEDEIROS, Leonilde Servolo de; PALMEIRA, Moacir; CINTRÃO, Rosângela Pezza; LEITE, Sérgio Pereira. Os assentamentos rurais e as perspectivas de reforma agrária no Brasil. Re- vista Proposta (Rio de Janeiro), v. 29, p. 39-47, 2006. LUCINI, Marizete. Apresentação. Cad. Cedes [online]. 2007, vol. 27, n. 72, pp. 117-120. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v27n72/a01v2772.pdf. Acesso em: 26 ago. 2011. Martins, L. dos S. Casa Familiar Rural - CFR - Formação a serviço da vida com dignidade no cam- po. Texto cedido pela organização (s/d). MARTINS, Josemar; ; LIMA, R. A. Educação com pé no chão do sertão: proposta político-pedagó- gica para as escolas municipais de Curaçá. Curaçá – BA, 2001. MOLINA, Mônica Castagna (org.). Educação do Campo e Pesquisa: questões para reflexão. Brasil/ Ministério do Desenvolvimento Agrário: Brasília, 2006. PETTY, M.; TOBIM, A.; VERA, R. Uma alternativa de educação rural. In. WERTHEIN, J.; BORDENAVE, J. D. Educação rural no terceiro mundo: experiências e novas alternativas: 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981. http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v27n72/a01v2772.pdf 48 UAB/Unimontes - 7º Período SILVA, Maria do Socorro. Da raiz à flor: produção pedagógica dos movimentos sociais e a escola do campo. In: MOLINA, Mônica Castagna (org.). Educação do Campo e Pesquisa: questões para reflexão. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Agrário, 2006, p. 60-93. SILVA, Márcia Cristina Lopes e. Gênero e a Pedagogia da Alternância na Casa Familiar Rural de Cametá - Pará. II Seminário Nacional Movimentos Sociais,participação e Democracia, v. IV, p. 427/2007-443, 2007. TEIXEIRA, Edival Sebastião; BERNARTT, Maria de Lourdes; TRINDADE, Glademir Alves. Estudos so- bre Pedagogia da Alternância no Brasil: revisão de literatura e perspectivas para a pesquisa. Educ. Pesquisa. [online]. 2008, vol. 34, n. 2, p. 227-242. ISSN 1517-9702. 49 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares Resumo Unidade 1 • A gestão da educação pode ser definida como tomada de decisões, utilização racional de recursos para a realização de determinados fins. • A educação não formal pode ser definida como práticas educativas que ocorrem fora de tempos e espaços determinados, consistindo em um processo de formação para a vida. • A Educação não formal ocorre em ambientes e situações interativos construídos coletiva- mente, segundo diretrizes de dados grupos. Mas poderá ocorrer também por forças de cer- tas circunstancias da vivência histórica de cada um. • Na educação não formal existe intencionalidade na ação, no ato de participar, de aprender e de transmitir ou trocar informação. • A educação não formal é reconhecida como um dos campos básicos da Pedagogia Social, uma vez que ela trabalha com coletivos e se preocupa com os processos de construção de aprendizagens e saberes coletivos. • São características da educação não formal: aprendizado quanto a diferenças - aprende-se a conviver com demais; adaptação do grupo a diferentes culturas e do indivíduo ao outro; construção da identidade coletiva de um grupo; balizamento de regras éticas relativas às condutas aceitáveis socialmente. • As metodologias utilizadas na educação não formal no processo de aprendizagem nascem da cultura dos indivíduos e dos grupos. Não são fornecidas a priori, são construídas no pro- cesso. • A educação formal se desenvolve nas escolas, com conteúdos previamente definidos. • Os espaços na educação formal referem-se aos espaços das escolas, são instituições regula- mentadas por lei, certificadoras, organizadas de acordo com as diretrizes nacionais. • A educação informal trata-se daquela em que os indivíduos aprendem durante seu processo de socialização: na família, bairro, clube, amigos, entre outros, impregnada de valores e cul- turas próprias, de pertencimento e sentimentos herdados. • A educação informal tem seus espaços educativos delimitados por referências de nacionali- dade, localidade, idade, sexo, religião, etnia. • Na educação informal não há organização nem sistematização dos conhecimentos, sendo transmitidos a partir das práticas e experiências anteriores. • As Diretrizes Curriculares para o curso de Pedagogia explicita que o pedagogo deverá ser capaz de atuar em espaços escolares e não escolares, na promoção da aprendizagem de su- jeitos em diversas fases do desenvolvimento humano, em variados níveis e modalidades do processo educativo. Unidade 2 • Na sociedade atual a maior riqueza torna-se o produto do conhecimento. O conhecimento e informação, tudo se transforma em matérias- primas básicas, e os produtos mais importan- tes da economia, inclusive a notícia, a opinião, a diversão, a comunicação e o serviço. • O campo empresarial demanda, cada vez mais, por profissionais especializados e capacita- dos em liderança de equipes, em trabalhar com pessoas. • É importante pensar a capacitação de funcionários como uma estratégia e instrumento ca- paz de interferir na construção de habilidades e conhecimentos que estão em constante transformação no mundo contemporâneo. • O pedagogo empresarial surge como uma nova ferramenta para desenvolvimento nas orga- nizações que caminham para serem empresas “aprendentes”. 50 UAB/Unimontes - 7º Período • O pedagogo é inserido na empresa para auxiliar no desenvolvimento das competências e habilidades de cada indivíduo, tornando cada profissional capaz de lidar com várias deman- das, com incertezas, com diferentes culturas ao mesmo tempo, em direção a um resultado positivo frente a um mercado competitivo. • O pedagogo empresarial precisa ter visão pedagógica, filosófica, psicológica em relação às pessoas que trabalham nestes espaços, além de domínio de conhecimentos, técnicas e prá- ticas que, adicionada à experiência dos profissionais de outras áreas, formam instrumentos fundamentais para atuação na gestão de pessoas. • Os trabalhadores para manterem-se competitivos vêm aumentando, de forma considerável, seus patamares de educação e aspirações, e, simultaneamente, o trabalho passa a ter um papel central em suas vidas. • As diversas atividades pedagógicas estão relacionadas ao ensinar-aprender e devem envol- ver os funcionários da empresa. • O saber do pedagogo na área de planejamento permite auxiliar a empresa na elaboração de sua missão, definindo suas metas e aspirações, seus valores, sua cultura e estratégias a serem utilizadas, de forma participativa, envolvendo funcionários e colaboradores. • Outras atividades podem ser desenvolvidas pelo pedagogo na empresa: ajudar na coloca- ção dos filhos dos funcionários na escola; procurar parcerias locais para oferecer serviços variados de interesse dos funcionários: creches, atendimento pediátrico, atendimento psi- cológico, atendimento ao idoso, assessoria jurídica, assessoria de planejamento financeiro, academias de ginástica dentre outros; agendar cursos e palestras sobre temas essenciais à vida saudável: atividade física e qualidade de vida, efeitos do fumo sobre o organismo; pre- venção da dependência química, do alcoolismo, hábitos posturais saudáveis, a boa qualida- de do ar e outros; entre outras. • A prática pedagógica empresarial não deve fundamentar-se no treino técnico, ao contrário, precisa propiciar as condições necessárias para que o trabalhador se sinta e conceba um ci- dadão na busca de uma sociedade mais humana, por meio do trabalho, estimulando a coo- peração, a criatividade e, principalmente, o conhecimento de si mesmo, capaz de se relacio- nar com outros seres humanos. Unidade 3 • O pedagogo hospitalar, acompanha e interfere no processo de aprendizagem do educando, dando ao enfermo subsídios para a compreensão do processo de evolução da doença e da morte, explicando procedimentos médicos e auxiliando a criança e o adolescente na adap- tação hospitalar. • A pedagogia hospitalar também busca oferecer assessoria e atendimento emocional e hu- manístico tanto para o paciente como para as famílias ou acompanhantes que, muitas ve- zes, apresentam problemas de ordem psicológica e afetiva que podem prejudicar o proces- so de adaptação do enfermo no ambiente hospitalar. • O atendimento pedagógico em ambiente hospitalar é garantido por lei, como continuidade de escolarização das crianças e adolescentes que estiverem hospitalizadas. • O pedagogo hospitalar será o responsável por organizar ações educativas dentro do hospi- tal, levando em consideração tanto as necessidades do aluno como estudante e paciente, cuidando para que uma atividade não atrapalhe o andamento da outra. • A classe hospitalar deve ser vista como uma extensão da escola no ambiente hospitalar. Este espaço objetiva compreender as dificuldades dos alunos/pacientes, oferecendo-lhes um processo educativo, por meio de atividades diversas de escrita, leitura, matemática e jogos para assegurar o desenvolvimento intelectual e acompanhamento escolar. • A prática do pedagogo hospitalar se dará através das variadas atividades lúdicas e recreati- vas como a arte de contar histórias, brincadeiras, jogos, dramatização, desenhos e pinturas. Essas estratégias ajudam na adaptação, motivação e recuperação do paciente, que, por ou- tro lado, também estará ocupando o tempo de ociosidade. • O atendimento prestado em uma classe hospitalar contribui para o paciente enfrentar o es- tresse da hospitalização, devido ao significado e ao valor simbólico da escola na composição das experiências das crianças e adolescentes que, então resgatadas, apesar da condição de hospitalização,reequilibram o desenvolvimento psíquico daquelas crianças e adolescentes. • As instituições de ensino superior que oferecem o curso de pedagogia devem oferecer co- 51 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares nhecimentos teóricos e práticos necessários para uma atuação eficiente do pedagogo no ambiente hospitalar. Unidade 4 • A educação nas prisões é inegavelmente uma ação em defesa dos direitos humanos. O Es- tado, em relação a qualquer direito humano, tem o dever de promover ações para garantir, respeitar e proteger tais direitos. • A educação assume papel de destaque na reinserção social, pois oferece ao detento, além dos benefícios do saber escolar, a possibilidade de participar de um processo de mudança, contribuindo para a formação de um senso-crítico para o entendimento do valor da liberda- de e melhoria do cotidiano na prisão. • A educação carcerária pode ser considerada como ato educativo não-formal praticado no cotidiano do cárcere, marcado pela intencionalidade em cada habilidade, modos de agir, as- túcias e estratégias organizadas, com finalidades próprias e apropriadas, que influenciam e formam outros sujeitos. • A escola no sistema penitenciário deve produzir um conhecimento peculiar que estimule o professor a desenvolver em seu trabalho uma educação restaurativa e compreender que o campo de sua atuação não se concentra na determinação de culpa ou punição de seu aluno/preso, mas na capacidade de refletir sobre seu ato, entendendo o ocorrido para cons- cientizar-se de sua infração e demais danos por ela gerados, assumindo a responsabilidade de sua conduta, buscando, assim, novas atitudes em sua vida após o cumprimento da pena. • A atuação do professor atuante no sistema penitenciário deve ser permeada pela reflexão, pois não há como ignorar a especificidade da educação que busca a reinserção de presos na sociedade. • A prática do pedagogo no espaço carcerário precisa alicerçar-se na utilização de metodo- logias ativas para facilitar a aprendizagem de jovens e adultos presos; entender a educação nos presídios como uma prática de liberdade, de crescimento pessoal, de motivação e estí- mulo para concretização da socialização ou ressocialização; desenvolver projetos sócio-edu- cativos para possibilitar o ensino profissionalizante para que os egressos sejam capazes de reconstruir a vida na sociedade; buscar soluções para as dificuldades de ajustamento entre agentes penitenciários e equipe administrativa e pedagógica da escola ou ações educativas. Unidade 5 • A educação do campo compreende uma nova concepção do rural, que não seja mais conce- bida como lugar de atraso, mas de produção da vida em diversos aspectos: culturais, sociais, econômicos e políticos. • A educação do campo deve ser concebida para oferecer aos povos do campo uma educa- ção adequada ao seu modo de viver, pensar e produzir. • A educação do campo incorpora os espaços da floresta, da pecuária, das minas e da agricul- tura, mas ultrapassa-os ao acolher em si os espaços pesqueiros, caiçaras, ribeirinhos e extra- tivistas. As propostas pedagógicas da educação do campo devem contemplar a diversidade do campo em todos os seus aspectos: sociais, culturais, políticos, econômicos, de gênero, geração e etnia. • O conceito da educação do campo nasceu das demandas dos movimentos camponeses e sociais na construção de uma política educacional para os assentamentos de reforma agrá- ria. • Os movimentos sociais pelos movimentos sociais e organizações não governamentais de- sempenharam um papel importante do ponto de vista ético, político e pedagógico, geran- do um repertório de concepções, práticas e ferramentas que foram sendo construídas e re- construídas na implementação das escolas do campo. • A pedagogia da alternância está relacionada aos diferentes tempos alternados vivenciados pelos alunos da escola, como, por exemplo, uma semana interno na escola e as outras rea- lizando experimentos na sua moradia e comunidade, participação em eventos, realizando atividades escolares e outros. 52 UAB/Unimontes - 7º Período 53 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares Referências BÁSICAS GRACIANI, Maria Stela Santos. Pedagogia Social de Rua. São Paulo: Cortez, 1998. GOHN, Maria Stela Santos. Educação não formal e cultura política: impactos sobre o associati- vismo do 3º Setor. São Paulo: Cortez, 2001. FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Pais e Terra, 2002. COMPLEMENTARES ANTONIO, Clésio Acilino; LUCINI Marizete. Ensinar e aprender na educação do campo: processos históricos e pedagógicos em relação. In: Cad. Cedes, Campinas, v. 27, n. 72, p. 177-195, maio/ago. 2007. ARROYO, Miguel; FERNANDES, Bernardo Mançano. A educação básica e o movimento social do campo. Articulação Nacional: Por uma educação básica do campo. São Paulo, v.2, 1999. ARROYO, Miguel; CARDART Roseli Salete; MOLINA, Mônica Castagna. Apresentação. In: ARROYO, M. G.; CARDART, R. S.; MOLINA, M. C. Por uma educação do campo. Petrópolis – RJ: Vozes, 2004. p.19-63. BERNARTT, Maria de Lourdes; PEZARICO, Giovana. A trajetória dos estudos sobre referenciais teó- ricos e metodológicos da educação do campo: a pedagogia da alternância. In: XIII Jornadas Tran- sandinas de Aprendizagem, 2010, Frederico Westphalen. XIII Jornadas Transandinas de Apren- dizagem: Ensinar e aprender num mundo complexo e intercultural. Frederico Westphalen: URI, 2010. v. 1. BRASIL. Constituição. Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: www. planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/principal.htm. Acesso em: 26 abr. 2009. ______. Ministério da Educação, Cultura e Desporto. Política Nacional de Educação Especial. Se- cretaria Nacional de Educação Especial. Brasília, MEC/SEESP, 1994,66p ______. Ministério da Justiça (BR). Resolução nº 41 de 13 de outubro de 1995. Dispõe sobre os direitos da criança e do adolescente hospitalizados. Diário Oficial da União. Brasília (DF), Seção I, p. 16319-16320, 17/10/95. ______. Lei nº 9.394 de 21/12/1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 23 de dez. de 1996. v. 134, nº 248, p. 27883 – 27841. ______. Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica. Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. Resolução nº 1 de 3 de abril de 2002. Disponível em: <http://www.emaberto.inep.gov.br/index.php/emaberto/article/viewFile/637/566>. Acesso em: 18 jul. 2011. BARROS, Alessandra Santana Soares e. Contribuições da educação profissional em saúde à for- mação para o trabalho em classes hospitalares. Cad. CEDES [online]. 2007, vol.27, n. 73, pp. 257- 278. ISSN 0101-3262. BRITTO, Luiz Percival Leme. Contra o consenso: cultura, educação e participação. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2003. (Coleção idéias sobre linguagem). 54 UAB/Unimontes - 7º Período CAGLIARI, Débora. O Pedagogo Empresarial e a Atuação na Empresa. Só Pedagogia, 2009. Dispo- nível em http://www.pedagogia.com.br/artigos/pedagogo/index.php?pagina=1. Acesso em: 28 ago. 2011. CURY, Carlos Roberto Jamil. Gestão democrática da educação: exigências e desafios. Revista Bra- sileira de Política e Administração da Educação, São Bernardo do Campo, v. 18, n. 2, p. 163 -174, jul./dez. 2002. FERNANDES, Bernardo Mançano; CERIOLI, Paulo Ricardo e CALDART, Roseli Salete. Primeira Con- ferência Nacional “Por Uma Educação Básica do Campo”: texto preparatório. In: ARROYO, M. Gon- zalez, CALDART, R. S. MOLINA, M. C. Por uma educação do campo. Petrópolis (RJ): Vozes, 2004. p. 19 – 63. FERREIRA, Naura Syria Carapeto. Repensando e ressignificando a gestão democrática da educa- ção na “cultura globalizada”. Educ. Soc. [online]. 2004, v. 25, n. 89, pp. 1227-1249. ISSN 0101-7330. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/es/v25n89/22619.pdf FONSECA, Eneida Simões. Atendimento escolar no ambiente hospitalar. São Paulo: Memnon, 2003. FREIRE, P.; NOGUEIRA, Adriano.Que fazer: teoria e prática em educação popular. Petrópolis: Vo- zes, 2002. ______. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 2001. GARCIA, Walter Esteves. Notas sobre a crise da Gestão Educacional. Out/Dez, 1987. Disponível em: http://www.rbep.inep.gov.br/index.php/emaberto/article/view/637/566. Acesso em: 28 nov. 2011. GOHN, Maria da Glória. Educação não-formal na pedagogia social. Anais... I. Congr. Intern. Peda- gogia Social Mar. 2006. GONÇALVES, Roseli. A pedagogia empresarial e as práticas pedagógicas dentro da empresa. We- bartigos, 2009. Disponível em http://www.webartigos.com/. Acesso em: 28 nov. 2011. GRACIANI, Maria Stela Santos. Pedagogia Social de Rua. São Paulo: Cortez, 1998. HEREDIA, Beatriz; MEDEIROS, Leonilde Servolo de; PALMEIRA, Moacir; CINTRÃO, Rosângela Pezza; LEITE, Sérgio Pereira. Os assentamentos rurais e as perspectivas de reforma agrária no Brasil. Re- vista Proposta (Rio de Janeiro), v. 29, p. 39-47, 2006. LUCINI, Marizete. Apresentação. Cad. CEDES [online]. 2007, v. 27, n. 72, pp. 117-120. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v27n72/a01v2772.pdf. Acesso em: 28 nov. 2011. MATOS, Elizete Lúcia Moreira; MUGGIATI, Margarida Maria Teixeira de Freitas. Pedagogia Hospi- talar. Curitiba: Champagnat, 2001. MEIRELLES JUNIOR, Júlio Cândido de. Planejamento Empresarial. Jornal Eletrônico da Faculdade de Economia das Faculdades Integradas Vianna Júnior, v. 7, p. 1-8, 2008. MOLINA, Mônica Castagna (org.). Educação do Campo e Pesquisa: questões para reflexão. Bra- sil/Ministério do Desenvolvimento Agrário: Brasília, 2006. ORZECHOWSKI, S. T. O espaço não-escolar: profissionalização e a formação do pedagogo. In: III Simpósio Internacional e VI Fórum Nacional de Educação - ULBRA, 2009, Torres/RS. III Simpósio Internacional e VI Fórum Nacional de Educação- Políticas Públicas, Gestão da Educação, Forma- ção e Atuação do educador. Torres/RS: ULBRA - Universidade Luterana do Brasil, 2009. v. 1. PARO, Vitor Henrique. Administração escolar: introdução crítica. 14. ed. São Paulo: Xamã, 2000. PÉREZ GÓMEZ, Angel Perez. O pensamento prático do professor: A Formação do professor como profissional Reflexivo. In: NÓVOA, Antonio. Os Professores e a sua Formação. 3 ed., Portugal: Lis- boa Codex, 1997. http://www.webartigos.com/ 55 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares PERRENOUD, P. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artmed, 1999. PETTY, M.; TOBIM, A.; VERA, R. Uma alternativa de educação rural. In. WERTHEIN, J.; BORDENAVE, J. D. Educação rural no terceiro mundo: experiências e novas alternativas: 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981. PIMENTA, Selma Garrido. (org.). Pedagogia e Pedagogos: caminhos e perspectivas. São Paulo: Cortez, 2001 REINER-ROSENBERG, S. O papel das associações para crianças hospitalizadas na França e na Euro- pa. In: GILLE-LEITGEL, M. (org.) Boi da cara preta: crianças no hospital. Salvador: EDUFBA; Álga- ma, 2003. p. 16-45. RESENDE, Haroldo de. Currículo carcerário: práticas educativas na prisão. In: 27ª Reunião Anual da ANPED, 2004. Disponível em: http://www.anped.org.br/reunioes/27/gt12/t125.pdf. Acesso em: 28 nov. 2011. RIBEIRO, A. E. do A. Pedagogia empresarial: atuação do pedagogo na empresa. Rio de Janeiro: Wak, 2003. SANTOS, Jussara Resende Costa. Políticas Públicas de educação nos presídios: práticas sócio-edu- cativas estimulam alunos no processo de ressocialização em Minas Gerais. Congr. Intern. Pedago- gia Social, Mar. 2010. Disponível em http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC00000 00092010000100017&script=sci_arttext. Acesso em: 28 nov. 2011. SAVIANI, Dermeval. Educação: do senso comum à consciência filosófica. Autores associados: Campinas, 2002. SCARFÓ, Francisco. O papel (ou responsabilidade) da sociedade civil na garantia dos direitos edu- cativos das pessoas encarceradas. In: YAMAMOTO, Aline et al. (org.) Educação em Prisões. São Paulo: Alfasol, 2010. SERRADO JÚNIOR, Jehu Vieira. A Formação do professor do sistema penitenciário: A necessidade de uma educação reflexiva e restaurativa nas prisões. In: VIII Congresso Nacional de Educação Educere/III Congresso Ibero-Americano sobre violência nas escolas CIAVE, 2008, Curitiba-PR. For- mação de Professores. Curitiba-PR: Champangat, 2008. SILVA, Ana Lúcia Gomes da. Educação carcerária: (des)encantos, (des)crenças e os (des)velamen- tos das histórias de leitura no cárcere, entre ditos, silêncios e subentendidos. Revista HISTEDBR on-line, 2007. Disponível em: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/revista/edicoes/29/rdt04_29. pdf. Acesso em: 28 nov. 2011. SILVA, Marcia Cristina Lopes. Gênero e a Pedagogia da Alternância na Casa Familiar Rural de cametá - Pará. II Seminário Nacional Movimentos Sociais, participação e Democracia, v. IV, p. 427/2007-443, 2007. SILVA, Maria do Socorro. Da raiz à flor: produção pedagógica dos movimentos sociais e a escola do campo. In: MOLINA, Mônica Castagna (org.). Educação do Campo e Pesquisa: questões para reflexão. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Agrário, 2006, p. 60-93. TEIXEIRA, Edival Sebastião; BERNARTT, Maria de Lourdes; TRINDADE, Glademir Alves. Estudos so- bre Pedagogia da Alternância no Brasil: revisão de literatura e perspectivas para a pesquisa. Edu- cação e Pesquisa. [online]. 2008, vol. 34, n. 2, p. 227-242. ISSN 1517-9702. WOLF, Rosângela Abreu do Prado. A Pedagogia Hospitalar: a prática do pedagogo em instituição não-escolar. Revista Conexão. UEPG, v. 3, p. 1-68, 2007. http://www.anped.org.br/reunioes/27/gt12/t125.pdf http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC0000000092010000100017&script=sci_arttext http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC0000000092010000100017&script=sci_arttext http://www.histedbr.fae.unicamp.br/revista/edicoes/29/rdt04_29.pdf http://www.histedbr.fae.unicamp.br/revista/edicoes/29/rdt04_29.pdf 56 UAB/Unimontes - 7º Período 57 Pedagogia - Gestão dos Processos Formativos nos Espaços não Escolares Atividades de Aprendizagem - AA ATIVIDADES AVALIATIVAS – AA 1) Com base nos estudos realizados, defina o termo gestão da educação. 2) A educação não formal consiste em um processo de formação para a vida. Em relação a essa temática, é INCORRETO dizer que: a) ( ) A educação não formal pode ser definida como práticas educativas que acontecem de forma sistematizada e em espaços determinados. b) ( ) A educação não formal trabalha com coletivos e preocupa-se com os processos de construção de aprendizagens e saberes coletivos. c) ( ) Na educação não formal há intencionalidade na ação, no ato de participar, de apren- der e de transmitir ou trocar informação. d) ( ) A educação não formal torna as pessoas capazes de serem cidadãs do mundo e no mundo. 3) O pedagogo empresarial deve ter para atuação na gestão de pessoas, EXCETO: a) ( ) Domínio de conhecimentos b) ( ) Domínio de técnicas c) ( ) Domínio de práticas d) ( ) Domínio de experiências profissionais de outras áreas. 4) As empresas, na chamada sociedade do conhecimento, precisam, EXCETO: a) ( ) ter uma estrutura organizacional bem delineada. b) ( ) garantir a sua sobrevivência no mercado. c) ( ) contar com profissionais com baixa qualificação. d) ( ) capacitar permanentemente seus recursos humanos. 5) A Classe Hospitalar deverá proporcionar aos alunos/pacientes um processo educativo que considere, EXCETO: a) ( ) as características organizacionais da escola de origem do aluno/paciente. b) ( ) as dificuldades dos alunos/pacientes. c) ( ) as especificidades do ambiente hospitalar. d) ( ) a diversidade cultural dos alunos/pacientes. 58 UAB/Unimontes - 7º Período 6) A pedagogia hospitalar preocupa-se em: I. oferecer uma assistência diferenciada as crianças e adolescentes hospitalizadas. II. prestar atendimento emocional e humanístico aos familiares destas crianças e adolescen- tes. III. dar continuidade à escolaridade formal. IV.promover melhor adaptação de pacientes em hospitais. Após análise, marque a alternativa CORRETA: a) ( ) I, II, III e IV b) ( ) II, III, e IV c) ( ) Apenas I d) ( ) Apenas III 7) Em relação à educação no cárcere, é INCORRETO afirmar: a) ( ) A educação carcerária deve ser considerada com ato educativo não formal praticado no ambiente prisional. b) ( ) A educação oferecida no campo do sistema penitenciário muito contribui no proces- so de reinserção social dos presos. c) ( ) A educação no espaço prisional é de inteira responsabilidade do pedagogo. d) ( ) A educação nas prisões é uma ação em defesa dos direitos humanos. 8) A educação global pode ser a melhor abordagem para o processo educativo-prisional, pois ela: I. recolhe pedaços dispersos da vida. II. dá sentido as ações do passado. III. permite estabelecer projeto individual sobre temas diversos. IV. favorece a organização de atividades educativas sobre saúde, direitos e deveres, auto-res- peito, etc. Após análise, a alternativa CORRETA é: a) ( ) I, II, III e IV b) ( ) II e IV c) ( ) Apenas I d) ( ) Apenas III 9) Diferencie os termos educação do campo e educação no campo. 10) Em que consiste a pedagogia da alternância? Apresentação Unidade 1 Fundamentos Da Gestão Na Educação Não Formal 1.1 Introdução 1.2 Gestão: origem e concepção 1.3 Diferenciação entre educação não formal, formal e informal 1.4 Espaços não escolares Referências Unidade 2 Espaço empresarial 2.1 Introdução 2.2 O espaço empresarial 2.3 O papel do pedagogo na empresa 2.4 O processo de aprendizagem no trabalho 2.5 As práticas do pedagogo na empresa Referências Unidade 3 Pedagogia hospitalar 3.1 Introdução 3.2 Contextualização do espaço 3.3 O papel do pedagogo no espaço hospitalar 3.4 A prática pedagógica em classe hospitalar Referências Unidade 4 O espaço carcerário 4. 1 Introdução 4.2 Contextualização do espaço 4.3 Dimensões da educação carcerária: pressupostos teóricos 4.4 As práticas educativas no espaço carcerário Referências Unidade 5 O espaço do campo 5.1 Introdução 5.2 Contextualização do espaço 5.3 Práticas pedagógicas e participação dos movimentos sociais na educação do campo 5.4 Pedagogia da alternância Referências Resumo Referências Atividades de Aprendizagem - AA