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EXAME DO ABDOME 
Lucas Bezerra Vasconcelos 
 
Introdução 
O exame físico do abdome objetiva 
identificar alterações por todo 
organismo humano enquanto são 
feitas as manobras para análise dos 
órgãos. De um modo geral, tais 
informações colhidas darão subsídio 
na identificação de doenças 
abdominais, extra-abdominais e 
sistêmicas. 
Além disso, é imprescindível o 
completo exame da cavidade 
abdominal a fim de auxiliar no 
manejo cirúrgico e no seguimento 
clínico, pois vários dados são 
obtidos dos diversos sistemas: 
urinário, digestório, hematopoiético 
e vascular. 
Aliado ao exame do abdome a 
história natural da doença está 
intrinsecamente associada ao 
diagnóstico, constatando-se a 
grande importância da anamnese. 
História de dor localizada no ponto 
de McBurney ou apendicular 
possuindo Sinal de Blumberg 
positivo, febre baixa, náuseas e 
vômitos, por exemplo, sugere 
apendicite aguda. 
 
Regiões do Abdome – Bases de 
Anatomia Topográfica 
Visando a didática, o estudo do 
abdome é feito de modo que as 
regiões de tal cavidade sejam bem 
delimitadas. Para isso, é de grande 
importância a noção dos limites 
atingidos pelo abdome. O mesmo é 
limitado cranialmente, inferiormente, 
anteriormente, posteriormente e 
lateralmente por músculos – em 
ordem: diafragma, músculos da 
pelve, músculos retos abdominais, 
músculos quadrado lombar e psoas, 
e por fim os músculos oblíquos e 
transversos. 
Duas divisões são bem utilizadas na 
literatura médica para a 
compartimentalização dos 
seguimentos do abdome. São elas a 
divisão em quatro quadrantes ou em 
nove regiões. 
A primeira divisão estabelece a 
cicatriz umbilical como ponto de 
intersecção entre duas linhas 
imaginárias, uma horizontal e outra 
vertical, formando assim os quatro 
quadrantes. Ao passo que a divisão 
em nove regiões, de um modo 
geral, é realizada imaginando-se 
duas linhas horizontais e duas 
verticais sobre o abdome, dando 
origem aos hipocôndrios (direito e 
esquerdo), epigástrio, flancos 
(direito e esquerdo), região 
umbilical, fossas ilíacas (direita e 
esquerda) e hipogástrio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exame Físico 
Antes de realizar o exame físico, é 
preferível que o paciente esteja em 
decúbito dorsal e em ambiente 
agradável. Deve-se primeiramente 
aquecer a superfície das mãos do 
examinador a fim de evitar reflexos 
por diferença de temperatura com o 
abdome do paciente. 
Após tais operações, inicia-se o 
exame propriamente dito que se 
constitui da inspeção, percussão, 
palpação e ausculta. 
INSPEÇÃO 
Alguns parâmetros são analisados 
em tal etapa do exame físico e são 
eles: forma e volume do abdome, 
cicatriz umbilical, abaulamentos ou 
retrações localizadas e movimentos. 
Somado a esses critérios, é 
importante estar atento às lesões 
elementares e a circulação venosa 
colateral superficial, o que irão 
sugerir diagnósticos mais fidedignos 
de patologias específicas. Por 
exemplo, equimoses na região 
periumbilical (sinal de Cullen) ou 
nos flancos (sinal de Grey-Turner) 
são sugestivas de pancreatite 
aguda, podendo também aparecer 
em outras afecções. 
Quanto à forma, o abdome é 
classificado em normal (atípico), o 
qual tem como característica 
predominante a simetria; abdome 
globoso, apresentando diâmetro 
ântero-posterior aumentado 
globalmente; abdome em ventre de 
batráquio com diâmetro transversal 
aumentado quando em decúbito 
dorsal; abdome em avental, 
encontrado frequentemente em 
pessoas obesas e o abdome 
escavado, característico de pessoas 
muito emagrecidas ou portadoras 
de doenças consumptivas. 
Mais associados a processos 
patológicos estão o abdome 
globoso e o em ventre de batráquio. 
O primeiro aparece em estados 
como gravidez avançada, ascite, 
pneumoperitônio, em casos de 
hepatoesplenomegalias volumosas, 
obesidade, obstrução intestinal, 
ascite e tumores policísticos de 
ovário. Já o abdome em ventre de 
batráquio está correlacionado a 
ascite em fase de regressão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Outros pontos primordiais ao se 
avaliar o abdome seriam a 
observação da cicatriz umbilical e 
de abaulamentos ou retrações da 
parede muscular do mesmo. A 
protrusão da cicatriz umbilical tem 
valor prático por indicar, na maioria 
dos casos, acúmulo de líquido ou 
hérnia nesta região. 
Entretanto, os abaulamentos ou 
retrações nos fornecem dados que 
dependem de um quadro clínico 
associado, o que poderá sugerir 
causas específicas. Dentre elas as 
principais são: hepatomegalia, 
esplenomegalia, megacólon 
chagásico quando apresenta 
fecaloma volumoso, útero gravídico 
e alguns tumores (pancreáticos, 
renais, do ovário e do útero). 
Para finalizar a inspeção, deve-se 
atentar aos movimentos 
encontrados no abdome. 
Usualmente eles podem indicar 
peritonite, quando cessados os 
movimentos respiratórios; hipertrofia 
do ventrículo direito, em casos de 
pulsações na região epigástrica; 
além de pulsações referentes aos 
aneurismas de aorta abdominal. É 
fundamental saber que em pessoas 
 
 
 
 
magras é comum a visualização de 
pulsações da aorta abdominal sem 
possuírem qualquer patologia. 
A visibilidade de movimentos 
peristálticos sugere anormalidade. 
Faz-se então a diferenciação das 
ondas peristálticas em normais e 
anormais correlacionando a história 
clínica do paciente. Logo, o 
peristaltismo visível está 
comumente atrelado a obstrução 
em algum segmento do trato 
gastrointestinal. 
 
PALPAÇÃO 
A palpação constitui a fase crucial 
no exame físico do abdome. É 
dividida em palpação superficial e 
palpação profunda e através delas 
colhem-se elementos 
indispensáveis ao diagnóstico. 
Quanto à técnica, pode ser mono ou 
bimanual, mono ou bidigital ou 
ainda utilizando as mãos 
superpostas. 
A palpação superficial investiga a 
sensibilidade, a continuidade da 
parede abdominal, a resistência da 
parede, as pulsações e o reflexo 
cutâneo-abdominal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ao estudar a sensibilidade 
abdominal, dois parâmetros ficam 
em evidência: a irritação peritoneal 
e a defesa muscular. Com o objetivo 
de confirmar o processo inflamatório 
no peritônio, algumas manobras e 
pontos devem ser conhecidos. Os 
pontos gástricos, o ponto cístico 
biliar, o ponto apendicular, o ponto 
esplênico e os pontos uretrais são 
os principais. Dor localizada em tais 
pontos sugerem irritação peritoneal 
com provável etiologia conhecida. 
 
 
 
 
 
 
O ponto xifoidiano localiza-se logo 
abaixo do apêndice xifoide. Dor 
local nesta área pode ser observada 
na cólica biliar, em úlceras e 
neoplasias do estômago ou 
duodeno. Já o ponto epigástrico 
relaciona-se mais a afecções 
 
 
inflamatórias do estômago como 
gastrites, úlceras e alguns tumores. 
Entretanto, o infarto agudo do 
miocárdio em alguns casos 
manifesta-se com dor epigástrica. 
O ponto cístico ou biliar encontra-se 
no ângulo formado pelo rebordo 
costal direito e o músculo reto 
abdominal. Ao exame, pede-se ao 
paciente para inspirar 
profundamente. Interrupção súbita 
da inspiração com dor associada 
em tal local sugere fortemente um 
casode colescistite aguda. A este 
fato denomina-se Sinal de Murphy. 
Ainda em um quadro de colescistite 
o paciente pode referir dor referida 
em ombro direito. 
O ponto apendicular ou ponto de 
McBurney situa-se próximo a 
espinha ilíaca ântero-superior 
direita. Comumente quando há 
suspeita de apendicite aguda 
comprime-se o ponto objetivando a 
confirmação do diagnóstico. Para 
isso, o Sinal de Blumberg deve ser 
positivo, o qual ocorre à 
compressão e descompressão 
súbita do ponto. O significado da 
presença deste sinal sempre remete 
a inflamação do peritônio 
(peritonite). 
O ponto esplênico localiza-se no 
terço final do rebordo costal 
esquerdo. Dor na região está 
relacionada a infarto esplênico. 
Os pontos uretrais encontram-se na 
intersecção da borda lateral externa 
dos músculos reto abdominais com 
suas divisões horizontais. A 
migração de cálculos renais pelos 
ureteres gera dor localizada nestes 
pontos, sendo a causa mais 
comum. 
Ainda ao exame da sensibilidade da 
parede abdominal, algumas 
manobras são feitas objetivando–se 
encontrar a presença de alguns 
sinais: sinal de Blumberg, sinal de 
Murphy, sinal do psoas, sinal do 
obturador, sinal de Rovsing e sinal 
ou regra de Courvoisier-Terrier*. 
O sinal de Blumberg constitui-se da 
compressão e descompressão 
súbita do abdome havendo 
exacerbação da dor à 
descompressão. Quando positivo 
indica irritação peritonial. 
O sinal de Murphy é encontrado 
quando o examinador toca o fundo 
da vesícula biliar do paciente e o 
mesmo reage com uma contratura 
de defesa à inspiração profunda. 
Usualmente, a presença deste sinal 
sinaliza um quadro de colecistite 
aguda. 
O sinal de Rovsing surge ao 
comprimir-se o cólon descendente. 
O ar ali localizado desloca-se em 
direção aos cólons transverso e 
ascendente, atingindo então o 
apêndice. Caso haja inflamação do 
mesmo haverá dor local. 
 
 
 
 
 
 
O sinal do psoas indicará 
inflamação das fibras do músculo 
psoas. Para isso, investiga-se a 
presença deste fato ao executar a 
extensão forçada da coxa, o que 
provocará estiramento das fibras e 
possível dor em região hipogástria 
caso haja inflamação do músculo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para a investigação da presença do 
sinal do obturador é realizada a 
rotação interna da coxa fletida até 
seu limite máximo. Dor em região 
hipogástrica confirma e positiva tal 
sinal, sugerindo inflamação da 
fáscia do músculo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Já o sinal ou regra de Courvoisier-
Terrier é positivo quando encontra-
se uma massa ovalada indolor ao 
palpar-se o hipocôndrio direito. Tal 
massa corresponde a vesícula biliar 
distendida devido ao efeito de 
massa causado por neoplasia, 
geralmente tumores periampulares, 
sendo o câncer de cabeça de 
pâncreas o principal. 
 
A palpação profunda objetiva 
investigar os órgãos contidos na 
cavidade abdominal e possíveis 
alterações existentes, a exemplo de 
massas palpáveis ou tumorações. 
Através desse exame algumas 
características dos órgãos são 
analisadas: localização, forma, 
volume, sensibilidade, consistência, 
mobilidade e pulsatilidade. 
Ao encontrar-se massa palpável é 
interessante a correta 
caracterização da mesma. 
Usualmente as neoplasias têm 
consistência dura ou pétrea e são 
mais fixas. 
 
 
 
 
 
Palpação do Fígado 
Método de Lemos Torres: estando o 
paciente em decúbito dorsal, 
coloca-se a mão esquerda na região 
lombar direita tracionando o fígado 
para frente enquanto a mão direita 
encontra-se espalmada sobre a 
parede anterior do abdome. Tenta-
se então palpar a borda hepática 
com as falanges distais dos dedos 
das mãos durante a inspiração 
profunda. 
 
 
 
 
 
 
 
Método de Mathieu: o examinador à 
direita do paciente coloca as mãos 
paralelas sobre o hipocôndrio direito 
do paciente e flete os dedos 
tentando palpar o fígado à 
inspiração profunda. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em uma outra técnica, o 
examinador coloca a mão esquerda 
sobre o ângulo costolombar direito 
do paciente, formando uma pinça 
com os dedos. Então, na inspiração 
profunda tenta-se palpar a borda 
hepática com o polegar. 
Quando palpável, o fígado é macio 
com superfície lisa, borda fina e 
usualmente pouco doloroso. 
Inferiormente limita-se a dois ou três 
dedos transversos abaixo do 
rebordo costal direito. Aumento da 
sensibilidade a palpação do 
hipocôndrio direito sugere 
congestão hepática, tendo como 
principal causa a insuficiência 
cardíaca congestiva. 
Caso o fígado do paciente seja 
palpável abaixo do limite inferior, 
deve-se pensar em hepatopatia, 
embora pacientes muito magros ou 
crianças possam apresentar tal 
conformação. Hepatomegalia então 
é conceituada como o aumento do 
volume hepático e suas principais 
causas são: ICC (insuficiência 
cardíaca congestiva), colestase 
extra-hepática de etiologia benigna, 
fibrose esquistossomótica, 
esteatose, neoplasias, colestase 
extra-hepática de etiologia maligna 
e os linfomas. 
Complementando a palpação do 
fígado, é interessante caracaterizar 
bem sua superfície. Dois padrões 
são comumente encontrados: o 
padrão liso e o padrão nodular. O 
padrão nodular deve ser bem 
detalhado pois está presente em 
diversas doenças (cirrose, câncer 
primitivo do fígado, metástases). Na 
 
 
cirrose os nódulos costumam ser 
difusos, no câncer primitivo do 
fígado usualmente é único e nas 
metástases são muitas vezes 
esparsos. 
Palpação do Baço 
Para uma melhor palpação do 
referido órgão, é preferível que o 
paciente se encontre em decúbito 
lateral direito com as coxas e as 
pernas ligeiramente fletidas 
(posição de Shuster). Utiliza-se da 
mão esquerda para tracionar a face 
póstero-lateral e inferior do gradil 
costal, deslocando-a em sentido 
anterior. Enquanto isso, a mão 
direita espalmada tenta palpar o 
baço à inspiração profunda. O baço 
somente é palpável quando duplica 
ou triplica seu volume, o que 
desperta sempre a atenção do 
examinador quando ocorre tal fato. 
Entretanto, em 5 a 10% das 
crianças é possível palpar a ponta 
do baço. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As esplenomegalias são 
classificadas em pequenas, médias 
ou grandes ou segundo a 
classificação de Boyd que 
apresenta quatro tipos e suas 
características. 
- Tipo I: baço palpável sob a 
reborda costal esquerda 
- Tipo II: baço palpável logo abaixo 
da reborda costal esquerda 
- Tipo III: baço palpável até o plano 
horizontal ao nível da cicatriz 
umbilical 
- Tipo IV: baço palpável abaixo do 
plano horizontal ao nível da cicatriz 
umbilical. 
É essencial realizar-se a percussão 
adequada do espaço de Traube 
(som timpânico) aliada a palpação 
do baço. Detectada a 
esplenomegalia, tem-se em vista 
causas mais comuns: causas 
vasculares(hipertensão portal) , 
infecciosas (mononucleose 
infecciosa, entre outras), 
hematológicas (leucemias agudas), 
neoplásicas (linfoma de Hodgkin e 
não-Hodgkin), etc. 
Palpação do Pâncreas 
O pâncreas não é palpável em 
condições normais, pois trata-se de 
um órgão de localização profunda. 
Entretanto, nas afecções 
inflamatórias ou neoplásicas pode-
se palpar o órgão. Irá apresentar 
uma consistência diferente da 
normal (macia e semelhante às das 
vísceras contíguas). Em tais casos 
o pâncreas serádoloroso na região 
epigástrica, à direita ou à esquerda 
da linha média. 
 
Na pancreatite aguda a dor gerará 
um reflexo de defesa, o que 
dificultará a palpação. Já nas 
neoplasias, a massa é bem 
delimitada, apresentando superfície 
irregular, fixa e dolorosa à 
compressão. 
Palpação da Vesícula Biliar 
Assim como o pâncreas, a vesícula 
biliar também não é palpável em 
condições normais. Todavia, é 
possível palpá-la quando for sede 
de carcinoma ou estiver distendida 
em consequência de colecistite ou 
obstrução biliar por carcinoma 
pancreático (Sinal de Courvoisier-
Terrier). 
De um modo geral, a mesma 
técnica aplicada à palpação do 
fígado deve ser realizada. Porém, 
algumas particularidades devem ser 
apontadas. 
- Com a mão esquerda espalmada 
sobre o rebordo costal direito do 
paciente, tenta-se palpar o fundo da 
vesícula à inspiração profunda. 
- Com a superfície palmar da mão 
direita do examinador, posiciona-se 
a mesma de tal modo que forme 
garras com o rebordo costal direito 
do paciente, tentando palpar a 
vesícula à inspiração profunda. 
- Coloca-se a mão direita sob o 
rebordo costal direito do paciente, 
tentando palpar o fundo da vesícula 
com as pontas dos dedos. 
Palpação das Vísceras Ocas 
Das vísceras ocas poucas são 
acessíveis à palpação profunda. 
Dentre elas pode-se citar o ceco, o 
sigmoide e menos frequente a 
grande curvatura gástrica, e os 
cólons (ascendente, transverso e 
descendente). Deve-se realizar 
movimentos de vai-vém, na 
tentativa de perceber a víscera de 
um ressalto e os movimentos têm 
que ser realizados no sentido 
contrário ao maior eixo do órgão. 
Comumente no megacólon 
chagásico ou congênito (doença de 
Hirschsprung) acumula-se conteúdo 
fecal endurecido, o que caracteriza 
o fecaloma, podendo-se palpar 
massa na fossa ilíaca esquerda. Em 
tal caso surge o sinal de Gersuny, o 
qual caracteriza-se por 
deslocamento entre a parede 
intestinal e o conteúdo fecal à 
descompressão brusca e a 
presença de crepitação. Isto ocorre 
devido a presença de ar interposto 
entre a parede intestinal e o 
fecaloma. 
Palpação dos Rins 
Habitualmente, os rins não são 
palpáveis, pois são órgãos 
retroperitoniais profundos. 
Entretanto, em pacientes magros ou 
crianças pode-se palpar o pólo 
inferior do rim direito, especialmente 
em pacientes do sexo feminino. 
A melhor técnica para tal palpação é 
realizada com o paciente em 
decúbito dorsal e o examinador 
exercendo uma força com o 
propósito de deslocar a região 
retroperitonial no sentido póstero-
anterior. Logo, o rins serão 
palpados pela mão homônima ao 
lado que se palpa. Por exemplo, o 
rim esquerdo será palpado pela 
mão esquerda e o rim direito pela 
mão direita do examinador. Pela 
dificuldade de palpação, caso o rim 
seja palpável, deve-se pensar na 
possibilidade de hipertrofia renal, 
hidronefrose, tumor e cisto ou 
doença policística. 
 
 
 
 
 
 
 
*Algumas técnicas semiológicas 
especiais são utilizadas para a 
avaliação de algumas condições. 
Dentre elas, muitas já foram 
comentadas (descompressão 
brusca – sinal de Blumberg, 
crepitação à palpação de fecaloma 
– sinal de Gersuny), no entanto 
algumas outras técnicas a exemplo 
da manobra do rechaço são 
importantes para uma melhor 
análise do abdome. 
A manobra do rechaço é executada 
com a mão espalmada comprimindo 
a parede abdominal com certa 
firmeza de modo a realizar um 
impulso rápido na parede. Percebe-
se então um choque de alguma 
estrutura voltando a sua posição 
original. Isto traduz a flutuação de 
um órgão em meio líquido, 
representado por ascite. Tal 
manobra é própria de ascites com 
grandes volumes. 
PERCUSSÃO 
A fim de complementar a palpação, 
a percussão possui um valor 
pontual. Através dela pode-se 
identificar a presença de ar livre 
(timpanismo), líquidos (macicez) e 
massas intra-abdominais. 
De um modo geral, a percussão 
pode originar os seguintes tipos de 
som: timpanismo, hipertimpanismo, 
submacicez e macicez. O som 
timpânico indica a existência de ar 
em tal compartimento. Em um 
indivíduo normal é presenciada em 
quase todo abdome e percebida 
mais evidentemente na área de 
projeção do fundo do estômago 
(espaço de Traube). 
As variações do som timpânico 
dependem da quantidade de ar 
presente nas vísceras ocas. Por 
isso, quando há um aumento da 
quantidade de ar no trato digestivo 
(volvo, pneumoperitônio, 
gastrectasia, obstrução intestinal) 
fala-se em hipertimpanismo. O som 
maciço é percebido em áreas de 
projeção de órgãos maciços como o 
fígado, baço e útero gravídico. 
Ascite, tumores e cistos também 
geram tal som. 
Na percussão também 
determinamos o limite superior do 
fígado e faz-se a pesquisa de 
ascite, além da percussão 
retroperitonial para a identificação 
de processo inflamatório, o qual 
gera o sinal de Giordano por 
apresentar dor à percussão lombar. 
 
A fim de determinar o limite superior 
do fígado, inicia-se percutindo o 
hemitórax direito ao nível da linha 
hemiclavicular desde sua origem até 
o 4º ou 5º espaço intercostal; deste 
ponto em diante desvia-se para fora 
evitando a percussão do plastrão 
das últimas costelas. Logo, o limite 
superior do fígado se encontrará na 
altura do 5º ou 6º espaço intercostal 
direito em condições normais. 
Abaixo de tais limites significa ptose 
hepática ou diminuição do volume 
do fígado. 
O fígado apresenta um som maciço, 
por ser uma estrutura densa. 
Entretanto, o não encontro da 
macicez hepática sugere algumas 
eventualidades entre elas a atrofia 
hepática, interposição de alça 
intestinal entre o fígado e a parede 
costal e ainda pneumoperitônio. 
Neste último caso, surgirá o sinal de 
Jobert, o qual é caracterizado pelo 
desaparecimento da macicez 
hepática aliado a timpanismo na 
região abdominal. 
Ainda na percussão é investigado a 
presença de ascite. Realiza-se a 
percussão por piparote e faz-se a 
pesquisa da presença ou não de 
macicez móvel. O piparote costuma 
ser positivo em ascites de grandes 
volumes (geralmente mais de 5l). Já 
a macicez móvel verifica-se em 
ascites de médio volume, quando o 
sinal do piparote é negativo. 
Para verificar o sinal do piparote, o 
paciente deve estar em decúbito 
dorsal. O examinador então passa a 
golpear com o indicador a face 
lateral do hemiabdome direito, ao 
mesmo tempo que o paciente 
coloca a borda cubital da mão na 
linha mediana do abdome com o 
objetivo de impedir a transmissão 
do impacto provocado. 
Simultaneamente, a mão esquerda 
espalmada do examinador recebe 
os choques gerados no líquido 
intrabdominal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Já a macicez móvel é descoberta 
após a percussão de todo o abdome 
com o paciente variando o decúbito 
inicial. Com o gradativo aumento da 
ascite, o líquido antes acumulado 
nos flancos passa a ocupar a região 
mediana do abdome. A primeira 
etapa então consiste na percussão 
de todo o abdome, começando no 
epigástrio e indo em direção ao 
hipogástrio e flancos. A mudança de 
sons (timpânico, maciço, 
submaciço) formará uma linha que 
dará origem aos círculos de Skoda. 
Quando apresentarem concavidade 
voltada para o epigástrio indicarão 
ascites de médio a grandes 
volumes. O contrário, ou seja, com 
concavidade voltada para o 
 
hipogástrio irá sugerir patologias 
diversas a exemplo de cistos deovário e retenções urinárias com 
bexigas distendidas (“bexigomas”). 
A segunda etapa será realizada 
com o paciente em decúbito lateral 
a fim de identificar se o líquido 
variou ou não de posição devido à 
gravidade. Percute-se então os 
flancos e o hemiabdome. Deve-se 
realizar a técnica alternando os 
decúbitos laterais. Caso o paciente 
apresente ascite, o sinal da macicez 
móvel será positivo, com macicez 
nos flancos e timpanismo na porção 
central do abdome quando em 
decúbito dorsal. Apresentará 
também macicez no flanco 
esquerdo quando em decúbito 
lateral esquerdo e macicez no 
flanco direito quando o paciente 
estiver em decúbito lateral direito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUSCULTA 
A ausculta abdominal não possui a 
mesma importância se comparada a 
percussão e palpação do abdome. 
Entretanto, é imprescindível quando 
se suspeita de íleo paralítico ou 
obstrução intestinal. 
Os ruídos auscultados no abdome 
usualmente são produzidos pela 
interação do peristaltismo com os 
líquidos e gases, mas também 
podem ser auscultados sopros 
sistólicos ou sistodiastólicos 
indicativos de estreitamento de um 
vaso ou fístula arteriovenosa. 
Usualmente ouve-se pelo menos 
algum ruído uma vez a cada dois 
minutos. A ausência de som sugere 
fortemente um quadro de íleo 
paralítico. Em casos de diarreia ou 
obstrução intestinal os ruídos 
hidroaéreos tornam-se mais 
intensos em função do aumento do 
peristaltismo. De um modo geral, o 
aumento do peristaltismo é menos 
significativo que a redução. Porém, 
em determinadas situações a 
 
 
exemplo da obstrução intestinal, das 
hemorragias digestivas 
intraluminares e nas gastroenterites 
agudas não complicadas. Também 
à ausculta pode-se diferenciar em 
um paciente hipovolêmico se a 
hemorragia é intraluminal ou 
peritonial. Na hemorragia 
intraluminal o peristaltismo 
encontra-se aumentado, enquanto 
na hemorragia peritonial há silêncio 
abdominal. 
 
Conclusão 
Percebe-se a importância da 
anamnese aliada ao exame físico 
também na análise do abdome. 
Assim como os outros 
compartimentos, o abdome pode 
oferecer informações essenciais 
para um diagnóstico mais preciso, 
além de auxiliar no seguimento do 
paciente por apresentar evidências 
que guiarão o examinador. 
 
Referências Bibliográficas 
1.De Souza C. Exame do Abdome. 
In: López M, Laurentys-Medeiros J, 
editors. Semiologia Médica. 5. Rio 
de Janeiro: Revinter; 2004. p. 722-
735. 
2. Porto CC. Abdome. In: Porto CC, 
editor. Exame Clínico. 5. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan S.A. , 
2004. p. 318-346 
3. Lourenço TA, de Almeida Leite 
RR. In: Rocco JR, editor. 
Semiologia Médica. Rio de Janeiro: 
Elsevier Editora Ltda; 2010. p. 143-
173.

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