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Ambiente cirúrgico
A unidade do Centro Cirúrgico (UCC) é composta pelo Centro Cirúrgico (CC), Recuperação Pós-Anestésica (RPA) e Centro de Material Esterilizado (CME), o qual distribui materiais para todo o serviço, contudo a maior demanda é do CC. O CC é a unidade destinada ao desenvolvimento de atividades cirúrgicas, bem como de recuperação anestésica e pós-operatório. A sala cirúrgica, ou sala de operação (SO) é um dos componentes do ambiente cirúrgico. A localização do CC deve ser de acesso restrito, livre do trânsito de pessoas e materiais e com acesso facilitado às unidades que recebem pacientes cirúrgicos (UCC, UTI, PS). A RDC 50 descreve as características do ambiente cirúrgico.
Finalidades e objetivos do CC
Prestar assistência integral ao paciente cirúrgico em todo o período trans- operatório e RPA;
Realizar intervenções cirúrgicas;
Proporcionar recursos humanos e materiais para que o procedimento seja realizado dentro de condições ideais;
Favorecer o ensino (hospital-escola);
	Área restrita
	Área semirrestrita
	Área irrestrita
	Salas de operação
	Secretaria
	Corredores
	Antessalas
	Copa
	Vestiários
	Lavabos
	Farmácia
	Local das macas
	
	Descanso
	
Desenvolver pesquisas;
O CC é dividido em área irrestrita (circulação livre), semirrestrita (uso de uniforme privativo) e restrita (circulação com limites definidos). A RDC 50 também contempla a divisão em: áreas obrigatórias (não podem faltar), ambientes de apoio obrigatórios e áreas/ambientes de apoio compartilhados. 
Para o planejamento do trabalho em equipe no CC, o Enfermeiro deve considerar:
	Legislação em vigor
	Filosofia e política institucional
	Especialidades oferecidas
	Nível de atenção à saúde 
	Quantitativo de leitos cirúrgicos
	Casos cirúrgicos da emergência
	Previsão da duração das cirurgias 
	Salas necessárias 
	Horário de utilização 
	Tipo e quantidade de materiais
	Salas amplas (hospital de ensino)
	CME
Devem ser observados cuidados quanto ao acabamento do CC:
O revestimento de paredes, tetos, pisos deve ser resistente à limpeza frequente;
Ralos são proibidos;
Cor neutra, suave e fosca (cromoterapia: não precisa ser branco -cansa- é um ambiente fechado); 
Tubulações não aparentes;
Iluminação adequada das SO;
Janelas com vidros duplos, basculantes de fácil limpeza;
Porta com dimensões mínimas (1,2m x 2,1m), de correr e que permitam a abertura sem o uso das mãos;
Classificação do Tratamento Cirúrgico
Natureza: emergência (risco de vida), urgência (24-48h de espera) ou eletiva (programada). Conforme condições, necessidades e evolução do quadro clínico do paciente.
Finalidade da cirurgia: paliativa, radical, plástica, curativa ou diagnóstica.
Risco cardiológico: pequeno, médio ou grande porte (conforme risco de perda sanguínea).
Duração: porte I (até 2h), II (2-4h), III (4-6h) ou IV (+ 6h).
Potencial de contaminação: limpa (ortopédica s/ fratura), potencialmente contaminada, contaminada (TGI, apendicite s/ pus, fratura exposta) ou infectada (secreção purulenta).
Diretrizes para a Cirurgia Segura
Paciente certo no local certo (sítio e lateralidade, se houver);
Evitar danos na administração de anestésicos;
Verificar se há risco para via aérea difícil;
Avaliar risco para perda sanguínea;
Reações adversas a medicamentos;
Minimizar risco de infecção;
Conferir se não houve esquecimento de itens dentro do paciente (cirurgias abdominais, torácicas);
Identificar espécimes cirúrgicos;
Comunicação efetiva (orientações para o pós-operatório, informações críticas);
Fiscalização;
Lista de verificação (check-list): deve ser simples, aplicável e mensurável
A contagem de compressas deve ser realizada no início do procedimento e duas vezes ao final.
A sistematização da assistência em Enfermagem no perioperatório (SAEP) deve ser voltada para uma assistência integral, individualizada, continuada, sistematizada, documentada e avaliada.
Atualmente, pacientes e procedimentos são mais complexos.
Assistência de Enfermagem no período pré-operatório
Intervalo de tempo desde a tomada de decisão sobre a intervenção cirúrgica ate quando o paciente é transferido para a mesa da sala de cirurgia.
Exame pré-admissional: como forma de reduzir o tempo de permanência hospitalar e conter custos, a realização do exame pré-admissional (EPA) diagnóstico e preparo operatório ocorre antes da admissão. Algumas instituições tem serviço pré-crirúrgicos para facilitar o EPA e iniciar a assistência de enfermagem e médica (histórico do paciente, formulários de consentimento, exames físicos e laboratoriais). O aumento de cirurgias ambulatoriais, cirurgias-dia aumenta a necessidade de orientação, planejamento da alta, preparo para o autocuidado e reabilitação. 
Atividades de Enfermagem na fase Pré-operatória
Intervenções gerais de Enfermagem
Coordenação pré-operatória: Objetiva-se minimizar a ansiedade do paciente, realizar intervenções especificas, considerando fatores pessoais do indivíduo (idade, função imune, condições cardiovasculares e pulmonares, função renal, estado emocional. Deve-se avaliar exames laboratoriais e radiológicos pré-existentes.
Avaliação pré-operatória: estabelecer uma base de dados para futuras comparações
Sinais vitais (SSVV)
Estado nutricional e hídrico: determinar IMC e circunferência abdominal para avaliar necessidades nutricionais. Corrigir déficit nutricional antes da cirurgia. Distúrbios hidroeletrolíticos são difíceis de avaliar e pequenos déficits podem ser tratados durante a cirurgia.
Dentição: caries dentarias, próteses, são significativas para o anestesista porque pode ocorrer queda dos dentes ou deslocamento da prótese durante a intubação e oclusão de vias respiratórias.
Uso de drogas ou álcool: o abuso dessas substâncias deve ser identificado para prevenir lesões decorrentes de intoxicação aguda. No caso de emergências: utiliza-se anestesia local, peridural ou bloqueio regional para cirurgias de menor porte; insere-se sonda nasogástrica para evitar vômitos e aspiração durante anestesia geral.
Estado respiratório: deve estar ótimo. Tabagistas são aconselhados a parar de fumar por 4-8 semanas antes (melhorar a cicatrização, diminuir complicações).
Estado cardiovascular: bom funcionamento para satisfazer necessidades de O2, líquidos e nutrientes. A HAS deve ser controlada.
Função hepática e renal: boa metabolização e remoção de anestésicos, resíduos, toxinas. Doença hepática aguda está associada com mortalidade cirúrgica elevada. 
Função endócrina: controle glicêmico rigoroso. Uso de corticosteroides pode causar insuficiência suprarrenal. Distúrbios tireoideos. 
Função imune: alergias, reações adversas a medicamentos, transfusões de sangue, contrastes, látex, alimentos. Descrever sinais e sintomas. Em imunossuprimidos, qualquer alteração leve ou aumento da temperatura deve ser avaliado.
Uso de medicamentos (inclusive fitoterápicos): interações medicamentosas.
Fatores psicossociais: distúrbios psicológicos influenciam o funcionamento direto do organismo. Saber ouvir.
Crenças espirituais e culturais: apoiar respeitar. Saber ouvir.
Exames de rotina: Rx de tórax, ECG> 50 anos, exames hematológicos, urina rotina, avaliação da função renal (TFG, ureia, creatinina) e hepática, tipagem sanguínea e fator Rh.
Para cirurgias eletivas, infecção instalada - mesmo que em outro local – adia o procedimento.
Ensino pré-operatório: objetiva-se esclarecer dúvidas do paciente, informar sobre o procedimento, local, data, rotinas do estabelecimento, orientar técnicas de respiração, posicionamento, como sair do leito no PO, exercitar as pernas, deambular, etc.
Preparo cirúrgico: oferecer cuidados ao paciente antes da cirurgia e anexar documentação no prontuário. Inclui o monitoramento dos SSVV, promover repouso, identificar e apoio o paciente ansioso, providenciais hemocomponentes, verificar registros (resultados de exames), consentimento cirúrgico. Relatar no prontuário problemas que necessitem cuidados especiais (alergias,déficits, medicações, complicações).
Cuidados específicos:
Banho de aspersão ou de leito: protocolo institucional. Geralmente, utiliza-se clorexidina 2% (cirurgia de grande porte, com implante de prótese, etc.); sabonete neutro para as demais ou se o paciente tomar o banho no domicilio. Não ir com o cabelo molhado para a SO.
Higiene oral, das unhas e cabelos: retirar esmalte e maquiagem.
Tricotomia: não indicada; se necessário utilizar tricotomizador e realizá-la na SO imediatamente antes do procedimento.
Retirar adornos: prótese dentária, óculos, joias, prendedores. Risco de perda e queimadura com bisturi elétrico.
Orientar esvaziamento da bexiga antes do pré-anestésico. Mensurar.
Fornecer vestuário adequado (algodão, cor clara): orientar tirar roupas íntimas, devido ao risco de queimadura com bisturi elétrico (tudo que não é de algodão).
Providenciar tempo com familiar antes do procedimento e oferecer aos familiares informações sobre a sala de espera.
O transporte deve ser feito em maca com grade, colocar touca, prontuário e anotar horário de saída. 
Assistência de Enfermagem no período trans-operatório/intra-operatório
Intervalo de tempo que começa com a transferência do paciente para a mesa da sala de cirurgia e termina com a admissão na unidade de cuidados pós-anetésicos (UCPA). A enfermagem pode atuar como instrumentadora (curso próprio), circulante ou primeira assistente.
Todo paciente em transoperatório é complexo, independente do procedimento.
Preparo da sala de operação (SO): providenciar material e equipamento anestésico-cirúrgico - o carro de material deve ser padronizado por procedimento (pequeno, médio ou grande), para posicionamento, para monitorizações, para procedimentos de passagem de tubos, sondas, drenos e cateteres; controlar temperatura (19-24°C) e trânsito de pessoal; orientar equipe; distribuir material; não utilizar mais de duas saídas em tomada.
Recebimento do paciente no CC: identificar o paciente, analisar ficha pré-operatória, evoluções, prescrições de enfermagem e prontuário.
Transporte – da área de recepção até a SO: promover segurança e conforto; manter infusões, drenos.
Transferência para a mesa cirúrgica: cuidados com privacidade (paciente sem roupa íntima), segurança e conforto; manter a porta da SO fechada.
A consciência plena, a mobilidade, funções biológicas protetoras, controle pessoal são abandonados de forma total pelo paciente quando adentra na sala de operação
.
Anestesia
Estado de narcose cuja finalidade é eliminar a dor ou sensibilidade, associada ou não à perda de consciência (geral/regional) e relaxamento muscular. Os agentes anestésicos são fornecidos em uma pressão parcial alta que os permite atravessar a barreira hematoencefálica.
*anestesiologista: médico capacitado para administrar a anestesia.
*anestesista: qualquer profissional de saúde especialista em anestesia. 
*circulante: coordena os cuidados prestados ao paciente como posicionamento, preparação da pele, amostras cirúrgicas, necessidades da equipe, condições da sala, consentimento do paciente, check-list cirurgia segura e registros.
Preparação pré-operatória
Avaliação do paciente
Alguns dias antes do procedimento cirúrgico, independente de qual seja ele, é recomendado que seja realizada uma avaliação do paciente para verificar suas condições fisiológicas. Esse processo envolve entrevista, exame físico, exames pré-anestésicos e laboratoriais, além de servir para sanar todas as dúvidas do cliente. Para uma cirurgia eletiva é fundamental que o paciente esteja em ótimas condições para reduzir riscos, e se necessário, deve ser adiado o procedimento para que isso seja alcançado. No caso da cirurgia de emergência devem ser avaliados os riscos e benefícios de um adiamento.
Esse processo reduz custos com a saúde, infecções hospitalares associadas à longa permanência, melhora a relação do com o paciente e a chances dele estar bem informado e mais bem preparado.
A Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA) desenvolveu uma classificação das condições físicas para avaliação do paciente pelo anestesista.
Escolha da anestesia
Desejo do paciente e seu conhecimento sobre os tipos de anestesia
Condições fisiológicas e mentais do paciente
Doenças preexistentes
Recuperação pós-operatória do vários tipos de anestesia (dor pós-operatória)
Tipo e duração do procedimento cirúrgico 
Posição do paciente durante a cirurgia
Exigências particulares do cirurgião
Sequência da anestesia
Identificação e Monitorização Punção calibrosa com cristaloide (SF) Agente sedativo (pré- anestésico) Oxigenação com máscara para deshidrogenação (ambuzar) com O2 a 100% de 3-5 minutos. Deve-se manter MMSS restringidos e apoiados Indução (se EV: analgésicos, barbitúricos, curare; ou inalatórios) Perda da consciência: apneia e ausência de reflexo ciliar. Deve-se verificar VA e realizar ventilação com máscara ou tubo endotraqueal Intubação orotraqueal (ou brônquica se o procedimento cirúrgico for no pulmão) Verificar ruídos respiratórios bilaterais e ausência de ruído epigástrico Iniciar ventilação mecânica após teste de TOT Administrar agentes anestésicos combinados.
A experiência anestésica
AVP agente sedativo (pré- anestésico) perda da consciência intubação agentes anestésicos combinados
Medicação pré-anestésica
Sua finalidade é sedar (fazer dormir ‡ eliminar a consciência) e reduzir a ansiedade, além de abolir a dor, bloquear a ação vagal e reduzir o metabolismo. Os principais tipos são: sedativos e hipnóticos, ansiolíticos, amnésicos, tranquilizantes, analgésicos ou narcóticos, antieméticos e anticolinérgicos. A indicação varia de acordo com o procedimento: analgésico para desconfortos previstos com procedimentos invasivos ou administração de anestésicos regionais; anticolinérgicos (atropina) para evitar bradicardia; antiácidos (cimetidina, ranitidina) para reduzir a acidez estomacal e, no caso de aspiração, reduzir a lesão. A administração pode ser via EV, muscular ou oral (com água) e deve ser feita de 30 a 90 minutos antes do procedimento, no caso de EV, quando o paciente chega à sala de operação. Para cirurgias eletivas recomenda-se jejum de 4-6hr.
Monitoração Perioperatória
O anestesista deve estar presente durante todo o processo em todas as anestesias gerais, regionais e sedações moderadas. O paciente durante a anestesia pode sofrer alterações rapidamente e a equipe deve monitorizá-lo continuamente. Devem ser avaliadas continuamente as condições de:
Oxigenação: assegurar a concentração adequada de O2 no gás inspirado e no sangue, através de mensuração pelo analisador de O2 que avisa quando a concentração está baixa e também o uso do oxímetro de pulso para verificação sanguínea. É necessário retirar esmalte das unhas, além de iluminação e exposição do pacientes adequadas para se avaliar a coloração.
Ventilação: assegurar ventilação adequada, através da monitorização dos sinais clínicos (excursões torácicas, observação do ambu, ausculta) e/ou conteúdo de CO2 expirado (EFCO2- Capnografia).
Circulação: assegurar função circulatória adequada, através de ECG e monitorização da pressão sanguínea arterial e FC a cada 5 minutos.
Temperatura (termômetro esofágico)
Tipos de assistência anestésica
Anestesia geral: estado inconsciente reversível caracterizado por amnésia, analgesia, relaxamento muscular (curare), perda dos reflexos e homeostase. Os pacientes não despertam mesmo com estímulos dolorosos. Requer intubação e ventilação mecânica porque relaxa o diafragma. Também pode comprometer a função cardiovascular. 
Estágios da anestesia geral: avalia-se a profundidade da anestesia
I. Inicio da anestesia: perda da consciência
II. Excitação paradoxal: inicio da respiração irregular, perda do reflexo palpebral, não deve ocorrer estimulação auditiva ou física. 
III. Anestesia cirúrgica: respiração regular, reflexo inibidos, miorrelaxamento suficiente.
IV. Morte
Fases da anestesia geral: 
I. Indução: administração do agente, nesta fase ocorre a intubação.Geralmente, ocorre com agentes EV.
II. Manutenção: inicia-se com a incisão e termina com a sutura. Geralmente, ocorre com agentes inalatórios.
III. Emergência: o paciente “emerge” da cirurgia. Termina quando ele está pronto para deixar a SO.
IV. Recuperação anestésica.
Toda a anestesia geral apresenta tais estágios, contudo nos anestésicos inalatórios elas têm maior durabilidade e por isso são mais fáceis de descrever. Na prática são utilizados fármacos associados para induzir e manter a anestesia, para que a indução e a recuperação sejam mais rápidas e, portanto mais seguras. Na recuperação as fases também ocorrem, mas na ordem inversa e é aconselhável controlar a fase II. 
A lavagem (retirada do fármaco do organismo) é realizada com oxigênio, através da Lei de Ação de Massas. O fornecimento do gás faz com o mesmo passe do local mais concentrado para o menos concentrado, o mesmo que acontece com o fármaco, até que este seja eliminado para o meio. A metabolização é mínima, exceto para o halotano (25-30%) que ocorre no fígado, sendo contraindicado seu uso em pacientes hepatotóxicos. 
	PRINCIPAIS ANESTESICOS GERAIS
	INJETÁVEIS
	O inicio da anestesia é agradável e a duração do efeito é breve com poucos problemas. É útil para procedimentos de curta duração, contraindicada em crianças com veias pouco calibrosas.
	Hipnóticos (etomidato)
	Utilizado para indução. Boa estabilidade cardiovascular, pode causar apneia.
	Hipnoanalgésicos (propofol, fentanil)
	Utilizado para indução. Boa estabilidade cardiovascular. Efeito rápido.
	Relaxante muscular não despolarizante (pancurônio, atracurium)
	Manutenção do relaxamento. Não eliminam muito K+, o que reduz fasciculações (tremores). Antagonista: neostigmine
	Relaxante muscular despolarizante (quelicin/succinilcolina)
	Início rápido e curta duração. Eliminam muito K+.
	INALATÓRIOS
	Agentes líquidos voláteis e gases combinado com O2 e administrados por máscara laríngea, tubo nasotraqueal ou orotraqueal.
	Sevoflurano
	É o mais utilizado, a indução e a recuperação são rápidas e os efeitos colaterais mínimos. (amarelo)
	Isoflurano
	A indução e a recuperação são rápidas, potencializa relaxantes musculares. Leva a depressão respiratória. (roxo)
	Enflurano
	A indução e a recuperação são rápidas, pode causar depressão respiratória. Incompatível com epinefrina.
	Halotano
	Indução rápida e suave, exige vaporizador especial. Pode causar lesão hepática e hipotensão. 
	Oxido nitroso
	A indução e a recuperação são rápidas. É um anestésico fraco.
Anestesia regional: perda reversível da sensação devido ao bloqueio das fibras nervosas locais. Injeta-se ao longo da via de um nervo (próximo) desde o cordão espinhal, epiduralmente, perifericamente ou topicamente. Afeta os sistemas motor, autônomo e sensorial, sendo que as fibras motoras, por possuírem bainha de mielina mais espessa, as últimas a serem afetadas e as simpáticas, cujo revestimento é mínimo, são bloqueadas imediatamente. Só é considerado depurado quando os três sistemas estiverem funcionando normalmente.
O paciente sob anestesia regional está acordado e consciente, a menos que sejam administrados sedativos. Atualmente, é comum a combinação de agentes anestésicos gerais e regionais. O agente regional elimina a dor no pós-operatório imediato. Em procedimentos acima da cintura utiliza-se anestesia geral, enquanto naqueles da cintura para baixo, anestesia regional. Deve ser realizada pelo anestesiologista, porém dependendo da região um cirurgião também pode realizá-la;
Tipos de anestesia regional:
Epidural/Peridural: injeção de anestésico no espaço epidural (antes da dura-máter), a nível lombar (L3-L4) ou torácico (T11–T12). Para um procedimento longo (≥4hrs) coloca-se um cateter que permite a manutenção caso a cirurgia demore mais. A agulha é mais grossa, injeta-se maior volume porque o agente não entra em contato direto com a medula e as fibras nervosas e o início da ação é mais lento. 
Espinal/Raquianestesia: administração de anestésico (lidocaína) dentro do liquido cefalorraquidiano no espaço subaracnoideo, a nível lombar (L3-L4). A punção é única, não pode colocar cateter no líquor, a exceção e para a administração tardia de analgésico (1,2 dias depois). A agulha é mais fina, o volume é menor e o inicio da ação é mais rápido (proximidade dos nervos). Posicionamento: decúbito lateral ou sentado. Pode causar hipotensão severa e cefaleia (resultado da saída de LCR por perfuração da dura-máter). A solução administrada pode ser hiperbárica (anestésico + glicose = solução mais pesada que LCR, gravidade dependente), isobárica (anestésico misturado ao LCR = não sofre ação gravitacional) ou hipobárica (anestésico + água destilada = leve, não desloca).
OBS: para evitar injeção subaracnoidea acidental é administrada uma dose teste de lidocaína+adrenalina, que se atingir o espaço subaracnoideo causará nível baixo de anestesia espinal.
Bloqueio de campo: injetado via subcutânea.
Bloqueio troncular: injetado num tronco nervoso.
Bloqueio plexular: atinge plexo nervoso. Se braquial anestesia do braço.
Infiltrativa: atinge o tecido a ser incisado.
Anestesia local: bloqueio da dor em pequenas regiões do corpo, habitualmente na pele. Ao contrário das anestesias geral e regional, que devem ser administradas por um anestesiologista, a anestesia local é usada por quase todas as especialidades. É realizada com a injeção de lidocaína na pele e nos tecidos subcutâneos e funciona bloqueando os receptores para a dor, impedindo que sejam enviados sinais dolorosos para o cérebro. Frequentemente é utilizada com epinefrina, que promove vasoconstrição, impedindo a absorção rápida do agente anestésico. Também é combinada com anestésico regional.
Bisturi elétrico
: corta e coagula. Deve-se colocar a placa inativa, que irá neutralizar a corrente de eletricidade que entra no corpo, em local seguro - longe de pelos e em músculos mais próximos da área a ser operada. Em cirurgias da cintura para baixo, coloca-se na panturrilha e da cintura para cima no músculo deltoide ou trapézio. A corrente não pode cruzar o coração.
 
Assegurar-se de que nenhuma parte do corpo toque o metal da mesa
 e 
tirar qualquer material sintético ou metal do paciente.Cuidados durante o ato anestésico-cirúrgico: auxiliar na indução, intubação, procedimentos invasivos (punção venosa/arterial, passagem de intracath – CVC), no posicionamento prevenindo lesões articulares, musculares, nervosas e circulatórias. A punção varia de acordo com risco/beneficio da complexidade de paciente/cirurgia. Também deve-se verificar a mesa e reunir acessórios de posicionamento, proteger proeminências ósseas, garantir que as pernas não fiquem cruzadas (evitar pressão de nervos e vasos), apoiar e conter extremidades para proteger de quedas, checar a anestesia antes de mover o paciente, proteger plexo braquial.
Procedimento pequeno: 
3
 pacotes
Procedimento médio: 
5
 pacotes
Procedimento grande: 10 pacotes
Procedimentos especiais: 50 pacotesO preparo da pele (sítio cirúrgico) deve ser com antisséptico, degermante ou campo adesivo com iodo; promover aquecimento do paciente com manta/colchão térmico, algodão ortopédico, protetores acolchoados, soro aquecido – no caso de cobertor, colocar lençol de algodão por baixo; 
prover as mesas de instrumentais; auxiliar na paramentação cirúrgica; 
controlar compressas utilizadas e perda sanguínea por pesagem de 
compressas. O preenchimento da ficha intraoperatória (SAEP) promove a
continuidade da assistência, documentação e individualização do cuidado.
Complicações intraoperatórias potenciais
Náuseas e vômitos: virar o paciente de lado, abaixar a cabeceira e disponibilizar uma cuba rim. Pode-se administrar antieméticos no pré-operatório. A aspiração do vômito pode levar a pneumonite, edema pulmonar, espamos brônquicos, sibilos. O volume e o pH do aspirado determinam a extensão da lesão.
Anafilaxia: resposta alérgica a medicamentos
Hipóxia: decorrede depressão respiratória (medicamentos), aspiração (vômitos), relaxamento da língua. 
Hipotermia: o metabolismo da glicose reduz, podendo ocorrer acidose metabólica. Temperatura < 36,6°C (sala fria, infusão de líquidos frios, cavidades ou feridas corporais abertas, idade avançada).
Hipertermia maligna: alteração do metabolismo de cálcio que provoca rigidez muscular (↑ contração), hipertermia e dano ao SNC. Levando a arritmia, hipotensão, ↓DC, oligúria e parada cardíaca.
Hipo ou hipertensão
Cuidados no final da cirurgia: retirar equipamentos, placa neutra; avaliar presença de lesões, vias aéreas, drenos, sondas, AVP, terminar o preenchimento da ficha intraoperatória.
Cuidados na alta da SO: avaliar via aérea, nível de consciência, dor, documentação, segurança e conforto do paciente.
Cuidados na recepção anestésica: compreende a alta da SO até a alta da RPA (RA), antecede o pós-operatório imediato (48h depois). Monitorar PA, FC, saturação e ECG a cada 15 minutos na primeira hora, a cada 30 minutos na segunda hora e a cada 1h na terceira hora (Escala de Aldrete-Kroulik). O paciente permanece na RA até recuperar a consciência, normalizar reflexos e SSVV. Cirurgia infectada não deve ir para a RA. 
A sala de RPA deve conter:
Carro de emergência
Respiradores
Monitores cardíacos
Desfibrilador
Vácuo com aspirador
Materiais (sondas, tubos endotraqueais, drenos, curativos, soro)
 Este índice não abarca temperatura*
	Complicações em RA
	Obstrução de vias aéreas
	Hipoventilação
	Hipoxemia
	Broncoespasmo
	Aspiração
	Hipotensão/ Hipertensão
	Dor
	Náuseas / Vômitos
	Retenção urinária
	Hipotermia
	Bradicardia / Taquicardia
	Hipovolemia
Alta da RA: Deve-se avaliar SSV, curativos, consciência, alívio da dor e a progressão do paciente, não apenas se está bem. A alta deve depender das condições e não apenas de nota 9 ou 10. O anestesista assina, a Enfermagem passa o plantão para a enfermeira da unidade.
Assistência de Enfermagem no período pós-operatório
Intervalo de tempo que começa com a admissão do paciente à UCPA e termina com uma avaliação de acompanhamento no ambiente clínico ou domiciliar. A unidade cirúrgica tem por objetivo a continuidade da assistência:
Tratar a dor
Avaliar o estado fisiológico
Recuperação anestésica
Monitorar a ocorrência de complicações
Adotar medidas que visem a independência para o autocuidado
Alta domiciliar
A avaliação do paciente deve ser por sistemas e o foco passa a ser do monitoramento fisiológico para a reaquisição da independência do autocuidado e preparo para a alta. Avalia-se:
Dor
Sistema Respiratório
Sistema Cardiovascular
Sistema Renal
Função neurológica
Sítio cirúrgico
Complicações

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