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09/08/2018 Bug do milênio, uma ameaça de caos total que acabou não acontecendo | Acervo
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5:35 QUINTA 09.08.2018 PRINCÍPIOS EDITORIAIS EDIÇÕES
Publicado: 30/12/15 - 22h 26min Atualizado: 05/04/16 - 20h 49min
Bug do milênio, uma ameaça de caos total
que acabou não acontecendo
Cerca de R$ 24 bilhões foram gastos em todo o mundo para evitar que sistemas de
informática entrassem em colapso no primeiro segundo de 1º de janeiro de 2000
Ana Cristina Tavares
Conforme conta a lenda, na década de 40, técnicos da Universidade de Harvard, nos
Estados Unidos, encontraram uma mariposa morta no computador Mark II, o que acabou
ocasionando uma pane na máquina. A partir daí, o termo bug (inseto em inglês) passou a
ser usado para qualquer falha nos sistemas. Também nos primórdios da informática, os
fabricantes de microprocessadores, programas e computadores decidiram usar apenas dois
dígitos no campo que representaria o milhar da data, com o objetivo de “economizar”
bytes, devido ao alto custo de memória. Com o avanço tecnológico, no final da década de
90 o valor do megabyte havia caído de US$ 10 mil (R$ 40 mil) para US$ 0,10 ao ano. Essa
“economia” foi que deu origem à ameaça do bug do milênio, e o grande alerta de que
poderia ocorrer uma catástrofe tecnológica no primeiro segundo do dia 1º de janeiro de
2000 foi do escritor americano, John Mrozek, que vendeu 2 milhões de exemplares da obra
“Y2K - O cenário do crash dos computadores”. Mrozek tirou parte do título de seu livro de
um sinônimo do bug, em que Y vem da palavra year (ano em inglês) e K é o código que na
linguagem tecnológica representa o milhar (no caso, 2000).
Programados dessa maneira desde sempre, os computadores guardavam e interpretavam
1998 como 98, 1999 como 99 e 2000 como 00. O temor era que, a partir do dia e hora
fatais, cerca de 80% a 90% dos computadores e eletroeletrônicos que tinham como data o
ano de 1900 ou 00, ficassem “confusos” e começassem a desencadear uma série de
operações equivocadas. Com a aproximação da data, surgiu um medo coletivo da virada do
milênio. Os prejuízos poderiam afetar a todos. As indenizações judiciais eram estimadas
em US$ 1 trilhão (cerca de R$ 4 trilhões). Entre outros impactos, previa-se que milhares de
empresas iriam decretar falência, mísseis poderiam ser lançados aleatoriamente, aviões
cairiam em pleno voo, bancos teriam suas aplicações rendendo juros negativos e
investidores teriam prejuízos enormes.
O maior risco sistêmico do bug, conforme publicado no GLOBO em 5 de setembro de
1999, era previsto para países como os Estados Unidos, pois, embora estivessem bem
preparados, eram mais automatizados. O Brasil, como outros países menos avançados,
seriam pouco afetados. O risco era calculado comparando-se o grau de preparação do país
para lidar com o bug e o índice de penetração de tecnologia em cada país. O problema com
o bug era tão sério, que foi cogitada a possibilidade de decretarem feriado em 31/12/1999,
uma sexta-feira, e em 03/01/2000, segunda-feira. A consultoria internacional Gartner Group
estimou os gastos em todo o mundo para reduzir os efeitos do bug em US$ 6 bilhões (R$
24 bilhões).
Segundo Solon Pinto, coordenador do Programa A2000, criado pelo governo federal para
administrar e evitar as panes na virada do ano, quase 100% das instituições e empresas no
Brasil foram preparadas para o bug. A maioria dos serviços essenciais não sofreriam
rupturas, mas o relatório elaborado pela comissão do programa alertava para um alto risco
nos hospitais, devido ao grande avanço tecnológico na área hospitalar, em especial nas
Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs). Os equipamentos mais sofisticados não iriam
parar de funcionar, mas poderiam produzir erros nos dados, causando a morte dos pacientes
por motivos indiretos.
Como já fora previsto pela Gartner Group, que desde agosto de 1998 vinha acompanhando
os planos de prevenção, o bug do milênio acabou não acontecendo. Apesar de o mundo
inteiro iniciar o ano 2000 aliviado, houve uma extensa desordem econômica.
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09/08/2018 Bug do milênio, uma ameaça de caos total que acabou não acontecendo | Acervo
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Programadores aposentados voltaram a trabalhar para rever os antigos sistemas e houve um
grande esforço em renovar os recursos de informática, gerando um enorme crescimento das
empresas do ramo.
Indústrias e pessoas queriam atualizar seus hardwares e softwares o mais rapidamente
possível, o que produziu grande lucro às empresas de informática. Apesar de ter provocado
uma onda de pânico, parecida com a crença no fim do mundo, o bug do milênio se mostrou
inofensivo, apresentando apenas pequenos problemas.
Há uma previsão de que em 19 de janeiro de 2038 um novo bug, o Y238K ou bug do
milênio Unix, poderá causar falhas nos programas de computadores, que provavelmente
terão dificuldades de cálculo a partir desta data. Segundo especialistas, os problemas
deverão acontecer nos softwares desenvolvidos na linguagem C, nos quais a data é
calculada pelo número de segundos desde o dia 1 de janeiro de 1970, para os sistemas
operacionais Unix. A previsão é que o novo bug deve afetar muitos sistemas, pois a maioria
dos softwares foram desenvolvidos nessa linguagem de programação, mas diferentemente
do bug do milênio original, este será bem mais fácil — e barato — de resolver, pois bastará
programá-los para uma nova versão que utilize valores de 8 bytes para representar e
armazenar as datas.

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