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DOSSE, François. A história em migalhas: dos Annales à Nova História. São Paulo: Ensaio; Campinas: Ed. Da 
UNICAMP, 1992. 
 
 1 
FRANÇOIS DOSSE 
A HISTÓRIA EM MIGALHAS 
 
SUMÁRIO 
SOBRE O AUTOR: ...................................................................................................................................... 1 
OBRA: .......................................................................................................................................................... 1 
Três tentativas: Durkheim, Vidal e Henri Berr ................................................................ 2 
Os anos 50 e 60 do século XX .................................................................................................. 3 
Clio Revistada: .................................................................................................................................. 3 
Braudel X Lévi-Strauss ................................................................................................................. 6 
A Nova História ................................................................................................................................ 8 
Conclusão ............................................................................................................................................ 9 
Bibliografia ......................................................................................................................................... 9 
 
 
SOBRE O AUTOR: 
Historiador doutor pela Ecole des Annales. Atualmente suas linhas de pesquisa estão 
relacionadas à Historiografia, à Epistemologia das Ciências Humanas e à História Intelectual. 
OBRA: 
A informação se inova diariamente, o quotidiano passa a ser mais interessante e encanador 
aos olhos do público. Os Annales se preocupam em aumentar seu público, ou seja, tudo o que quer 
for algo de interessa a estes, a Academia se envolve. Isso determina uma mudança extrema, pois 
o sucesso dos Annales se dá pela utilização das ciências sociais renunciando suas capacidades de 
síntese. 1 
 
1 Disponível em: http://escoladosruralis.blogspot.com.br/2011/06/resenha-critica-do-livro-de-francois.html. 
DOSSE, François. A história em migalhas: dos Annales à Nova História. São Paulo: Ensaio; Campinas: Ed. Da 
UNICAMP, 1992. 
 
 2 
A abordagem adotada pelo autor François Dosse no livro "História em Migalhas", 
publicado no final do século XX (e reeditada em 2003), representou uma verdadeira reviravolta 
no mundo da História. 
A negação às críticas de Dosse refletiam a tentativa de supremacia da Escola dos Annales, 
lançada 9 meses antes da explosão mundial representada pela quebra da Bolsa de Nova Iorque, em 
1929. Naquele momento, a Escola dos Annales se apresentava ao mundo científico como a única 
e original saída para uma nova História. Toda a teoria que embasou osAnnales cai por terra na 
narrativa desse autor, que se empenhou em demonstrar todas as formas mutantes que a tradicional 
escola apresentou até sua 3ª geração. 
 
Três tentativas: Durkheim, Vidal e Henri Berr 
A proposta da Escola dos Annales conseguiu se manter ao longo do tempo, mas antes 
mesmo de ser criada, aconteceram três tentativas de construção de unicidade de uma ciência social. 
Entre elas encontravam-se: a Escola Durkheimiana, a Escola Geográfica de Paul Vidal de la Blache 
e a Escola de Henri Berr (com o tratado de Sigmand). 
Quanto à primeira tentativa, podemos destacar que Émile Durkheim, que seria 
posteriormente o relator da Escola dosAnnales, foi justamente o que propôs a submissão da história 
às ciências sociais, o que não foi aceito na época pelos historiadores, já que levaria ao risco de 
perda da identidade da própria classe. Não conseguindo seguir avante com suas idéias, a sociologia 
não se sobrepôs às ciências tradicionais e só veio a ter seu instituto criado na França em 1924. Fato 
este que foi observado por um dos fundadores dos Annales, servindo, assim, de base para o não 
estabelecimento do ramo da sociologia como campo de atuação determinante no embasamento da 
escola a ser criada. 
No caso da escola geográfica de Vidal de la Blache, que era historiador de formação, as 
noções de meio, modo de vida e cotidiano restringiram a visão ao abordar o local geográfico. Era 
a ciência do concreto, do observável, antes de tudo, a "ciência dos lugares". Apesar de não ter 
vingado, já que para Vidal a compreensão se restringia a localizar e comparar, abriu caminhos para 
DOSSE, François. A história em migalhas: dos Annales à Nova História. São Paulo: Ensaio; Campinas: Ed. Da 
UNICAMP, 1992. 
 
 3 
a instalação da Escola dos Annales, já que a Geografia era bem considerada dentro do meio 
científico desde o fim do século XIX. 
No caso de Henri Berr, foi através da revista "Método Histórico e Ciências Sociais", em 
1903, que François Simiand convida os historiadores à passagem do fenômeno individual para o 
social. Apesar de não evoluir, o programa de Simiand é utilizado pela Escola dos Annales no 
instante que resolve combater a história historicizante e promover a História Nova. 
Os anos 50 e 60 do século XX 
Em todos os momentos de sua evolução, a Escola dosAnnales se adaptava às novas 
realidades que se apresentavam, aproveitando, por exemplo, as conseqüências da barbárie ocorrida 
com a Segunda Guerra Mundial, que levou à internacionalização econômica e à necessidade de 
firmação de locais como o Japão, a Ásia e o Novo Mundo. 
Nos anos 50, a escola esbarrava em mais um impasse: o avanço das ciências sociais e a 
tentativa de Lévi-Strauss em deshistoriarizar a história, de não mais individualizá-la, de colocar a 
etnologia como a grande descoberta da forma de funcionamento do espírito humano. Nascia a 
Escola do Estruturalismo. E é justo neste contexto que a Escola dosAnnales contou com a 
colaboração de Fernand Braudel, que opta em fazer uma nova leitura desse enfoque, dando caráter 
estrutural às linhas históricas, pretendendo a síntese, e orientando os historiadores dessa geração a 
novos rumos, enfim, conferindo um papel central à História. 
É importante destacar a importância do estudo da demografia e das estatísticas nos anos 60 
não se fez suficiente, numa fase em que o levantamento de dados não era relacionado e se voltava 
apenas à Era Moderna (séc. XVI-XVIII), comprometendo a leitura dos mesmos na produção 
histórica, além de colocar de lado os períodos referentes à Antigüidade e à sociedade 
contemporânea. 
 
Clio Revistada 
DOSSE, François. A história em migalhas: dos Annales à Nova História. São Paulo: Ensaio; Campinas: Ed. Da 
UNICAMP, 1992. 
 
 4 
François Dosse explicita em sua obra, de forma clara e evolutiva, as diferentes posturas e 
adaptações da Escola dos Annales desde sua primeira geração, onde seus fundadores, Marc Bloch 
e Lucien Febvre, propõem uma ciência empírica, sem dogmas, uma verdadeira "guerra em 
movimento", com total negação à filosofia da história e seu aspecto positivista, típico do século 
XIX. Mas não apenas isso, a escola se propunha a uma abordagem que não fosse principalmente 
política. Dentro do contexto histórico, os anos 30 do século XX se destacavam, a princípio, pelo 
aspecto econômico, que passou a suplantar o aspecto político, levando até mesmo a se medir o 
sucesso político em função do desenvolvimento econômico e não mais o inverso. 
A História que nascia no berço da religiosidade da Idade Média, passa, com o 
desenvolvimento das cidades, a ser escrita por monges contratados pelos reis, como foi o caso de 
um monge de Saint Michel, no século XV. Posteriormente, a história tornou-se política, 
permanecendo dessa forma até o século XX.Segundo o autor, os membros da Escola dos Annales se apoderaram de todos os lugares 
estratégicos de uma sociedade dominada pelos meios de comunicação de massa. Falava-se agora 
do cotidiano de pessoas comuns, de mulheres, de imigrantes, etc. Havia uma procura de identidade, 
pois a sociedade não desejava ser órfã e sai em busca de suas origens. 
No primeiro capítulo, Dosse desdenha do passado dos Annales, com o título já se percebe: 
“A pré-história dos Annales”. O interessante da visão de Dosse sobre o lançamento da revista é a 
ausência de uma pequena informação não esclarecida por Burke. Ela foi lançada em 1929, no 
mesmo ano da crise. Até aí, já sabíamos, mas o interessante é: “O projeto de Marc Bloch e Lucien 
Febvre não se reduz a uma resposta pontual dos historiadores diante da crise que explode”. Dosse 
é menos plausível que Burke, com relação a tal fato. A crise proporciona o sucesso à revista, já 
que, nesta época, os historiadores passam a se aprofundar nos aspectos econômicos, deixando de 
lado o político. A saudade da Belle Époque pela burguesia, que acaba com o fim da primeira guerra, 
é outro fato que também favorece aos Annales a se voltarem para a economia.2 
As questões políticas são postas de lado, a sociedade não precisa dela, ao contrário, deseja 
seu afastamento. O que precisam, são novas formas de resolver os evidentes problemas sociais e 
econômicos. [...] só afirma a constatação de que nossos pensamentos são datados, graças ao 
 
2 Idem. 
DOSSE, François. A história em migalhas: dos Annales à Nova História. São Paulo: Ensaio; Campinas: Ed. Da 
UNICAMP, 1992. 
 
 5 
contexto histórico da época em questão. […] As palavras de Émile Durkheim definem isso: “A 
racionalidade burguesa abandonou a história e refugiou-se na economia política, em parte também 
na sociologia”. 
O texto começa falando sobre a série de crises que a Europa atravessa no século XX, 
sobretudo a Segunda Guerra Mundial: “A Reconstrução da Europa vai de agora em diante passar 
ou por Nova York com o plano Marshall, ou por Moscou; a Europa encontra-se vassalada. Sua 
preponderância, já alcançada entre 1914 e 1918, desmorona-se na metade do século XX” (p. 
101). 
“O discurso do historiador fundamentado no estado-nação, na vocação europeia da 
missão civilizadora universal, não resiste a essas novas evoluções do mundo contemporâneo e a 
aspiração a uma história diferente é cada vez mais urgente” (p. 101). 
“A barbárie vez mais urgente. A barbárie desencadeada durante esse segundo conflito 
mundial ultrapassou tudo o que se poderia imaginar. Ao reunir no bulldozer os cadáveres 
deixados pela Alemanha nazista, descobre-se o horror de suas atrocidades, a grandeza dos crimes 
contra a humanidade e o extermínio de seis milhões de judeus. Esta milhões de judeus. Esta 
barbárie perpetrada por uma sociedade tão avançada como a Alemanha abala as certezas sobre o 
sentido da história e sobre o avanço da humanidade em direção a um estado de civilização sempre 
em progresso. A capacidade decuplicada de destruição, revelada pelos bombardeios de 
Hiroshima e de Nagasaki, reforça ainda a inquietude diante do futuro: saberá a razão triunfar 
sobre a barbárie? Tudo é incerto após esses desastres” (p. 101 e 102). 
“A Internacionalização não somente da economia, mas também da comunicação, da 
informação entre os homens dos diferentes continentes, torna necessária uma reorientação do 
discurso do historiador que se adapte à nova consciência do tempo histórico” (p. 102). 
“Sob o impulso das novas interpelações do pós-guerra, a revista modifica-se. Adota o 
título de Annales: économies, societés, civilisations. O desaparecimento do termo história evoca 
o anseio de avançar no projeto de reaproximação com as outras ciências sociais” (p. 102). 
Sobre o fato do desaparecimento do termo história, Lucien Febvre se manifestou arguindo 
que “Os Annales modificam-se porque à sua volta tudo se modifica: os homens, as coisas, numa 
palavra o mundo. Expliquemos o mundo ao mundo." (p. 102). 
“Esta reorientação do discurso do historiador é alimentada pelo desenvolvimento 
espetacular das ciências sociais. O crescimento necessita do conhecimento de indicadores 
fornecidos pelos novos organismos dotados de meios eficazes” (p. 105). 
DOSSE, François. A história em migalhas: dos Annales à Nova História. São Paulo: Ensaio; Campinas: Ed. Da 
UNICAMP, 1992. 
 
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François Dosse segue discorrendo sobre fascínio que as denominadas ciências sociais 
despertaram ao longo dos anos 1950, a ponto de representar uma ameaça para a História: “Essa 
pressão das ciências sociais sobre a História torna-se, então, muita forte e vai influir, de maneira 
decisiva, no discurso do historiador, portanto, no discurso dos Annales (...) O perigo é vivido 
pelos historiadores até nas suas relações com o grande público, pois as ciências sociais abarcam 
as grandes tiragens e monopolizam os grandes eventos intelectuais” (p. 106 e 107). 
 Dosse fornece vários exemplos de livros que atingiram esse sucesso, entre eles a 
Introdução à Psicanálise de Sigmund Freud, que ultrapassou a marca de 165.000 exemplares entre 
1962 e 1967. 
Braudel X Lévi-Strauss 
Em seguida, o texto mostra a grande rivalidade entre a Etnologia e a História, 
representada entre Claude Lévi-Strauss e Fernand Braudel, cujo palco foi o Brasil, no caso a 
Universidade de São Paulo. Defensor da bandeira do anti-historicismo e da “des-historização”, 
Lévi-Strauss levanta um questionamento radical sobre a História e, tal fato, fará com que Fernand 
Braudel construa uma resposta a tal “questionamento com a mudança de linha das pesquisas 
históricas para lhes dar o caráter estrutural” (p. 110). 
“Fernand Braudel opõe a herança de Marc Fernand Braudel opõe a herança de Marc 
Bloch e de Lucien Febvre à herança de Claude Lévi-Strauss, mas inova ao mudar as linhas das 
primeiras orientações a fim de conter a ofensiva estruturalista. A história dos Annales encontrou 
em Fernand Braudel o revitalizador da mesma estratégia, ao fazer da história a ciência federalista 
das ciências humanas, ao apoderar-se do programa dessas últimas” (p. 111). 
“A história braudeliana pretende ser antes de tudo síntese, como a antropologia, mas 
com a superioridade do pensamento espaço-temporal. Retoma a herança da primeira geração do 
Annales. A duração condiciona todas as ciências sociais e confere um papel central à história. 
‘O tempo, a duração, a história se impõem de fato, ou deveriam se impor a todas as ciências do 
homem’” (p. 113). 
 “Fernand Braudel Inova, então, ao tomar emprestado diretamente o discurso de Claude 
Lévi-Strauss. Ele lhe opõe o trunfo principal do historiador: a duração, não a da dupla tradicional 
acontecimento/datação, mas a longa duração que condiciona até as estruturas mais imutáveis que 
o antropólogo valoriza. (...) Reconhece a exatidão da crítica de François Simiand contra a 
singularidade do acontecimento e seu caráter fútil para as ciências sociais: ‘A ciência social tem 
DOSSE, François. A história em migalhas: dos Annales à Nova História. São Paulo: Ensaio; Campinas: Ed. Da 
UNICAMP, 1992. 
 
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quase horror ao acontecimento. Não sem razão: o tempo curto é a mais caprichosa, a mais 
enganadora das durações’” (p. 115). 
“Se Claude Lévi-Strauss ambicionava desvendar os mistérios da natureza humana nesse 
entremeio que permite a ligação entre o biológico e o psicológico, já Fernand Braudel lhe 
contrapõe a irredutibilidade da natureza física, e a lentidão da temporalidade geológica. 
Neurônios ou geologia? O factual é remetido à insignificância, mesmo que este nível represente 
um terço da tese O Mediterrâneo” (p. 118). 
“Fernand Braudel,como Claude Lévi-Strauss, reverte a concepção linear do tempo que 
avança na direção de um aperfeiçoamento contínuo, ele a substitui por um tempo estacionário 
em que passado, presente e futuro não se diferenciam mais e se reproduzem sem descontinuidade. 
Só a ordem da repetição é possível, privilegia as invariantes e torna Ilusória a noção de 
acontecimento. ‘Na explicação histórica, tal como a vejo, é sempre o tempo longo que acaba por 
vencer. Negando uma multidão de acontecimentos’ (p. 120). 
“A ofensiva de Fernand Braudel, diante do desafio lançado pela antropologia estrutural, 
teve êxito na medida em que a história permaneceu a peça central no campo das ciências sociais, 
certamente ao preço de uma metamorfose que implicou mudança radical. Ao fracassar na 
desestabilização dos historiadores como instituição, Claude Lévi-Strauss retornou recentemente 
ao território deles para se apropriar de suas velhas roupagens usadas e abandonadas” (p. 122). 
Lévi-Strauss durante uma entrevista chegou a afirmar que “velhas roupagens usadas e 
abandonadas: "Enquanto que a Nova História endossava nosso interesse por coisas que eles 
deveriam levar em conta, nós começávamos a nos interessar pelos domínios que a Nova História 
abandonava, como as alianças dinásticas e as relações de parentesco nas grandes famílias, que 
se tornaram atualmente o terreno predileto dos jovens etnólogos. Há, portanto, uma verdadeira 
troca recíproca". A história tornando-se antropológica, a antropologia tornando-se histórica” (p. 
122 e 123). 
Dosse destaca ainda o relevante papel de Braudel como construtor de impérios e na 
salvaguarda e defesa da História contra a Antropologia, nesse clima dissonante entre as ciências: 
“Fernand Braudel é, antes de tudo, um construtor de impérios, ourives em matéria de organização 
e preocupa-se sobretudo com a consolidação e a ampliação do território do historiador. Graças a 
ele, os Annales puderam resistir sem danos à investida estruturalista, pois se apoiam em uma 
cátedra institucional cada vez mais sólida. Ao desafio anti-histórico, ele traz uma dupla resposta, 
no plano das linhas de pesquisa e no plano das posições de poder. Assim "a guerra entre história 
e estruturalismo não acontecerá" (p. 123). 
DOSSE, François. A história em migalhas: dos Annales à Nova História. São Paulo: Ensaio; Campinas: Ed. Da 
UNICAMP, 1992. 
 
 8 
A Nova História 
Atualmente, os seguidores da Nova História se preocupam com a questão totalitária, 
globalizante, que é recusada pelos adeptos da Escola dos Annales. 
Pierre Nora, que criticou ardentemente o pensamento de François Dosse com relação às 
suas críticas à escola, acabou admitindo, posteriormente, a necessidade de renovação dos 
paradigmas estabelecidos em função de uma realidade diversa e da consideração da memória já 
como história. 
Os historiadores que se preocupam com a produção de conhecimento atual, segundo Dosse, 
estariam seguindo para o caminho do futuro, enquanto os adeptos da 3ª geração da Escola 
dos Annales se negam a admitir o aspecto totalitário que deve ser enfocado na história 
contemporânea, insistindo em juntar "migalhas" da história sem que sejam feitas relações entre os 
fatos. 
A causalidade torna-se fundamental nesse momento de mudança e renovação da produção 
de conhecimento que fica para a posteridade. 
Sem dúvida, a Escola dos Annales, no relato de sua própria evolução revela diversos 
momentos importantes para a cientificidade da História, até se chegar à importância da duração 
(espaço-temporal) como ponto fundamental da escritura histórica atual. Fases em que até mesmo 
a psicologia (psico-história), a etnologia, a geografia, se enlaçaram ou não com a história para, 
entre convergências e divergências, chegar a um denominador comum. 
Segundo Dosse "a repetição de modelos passados, a falta de perspectiva do presente e um 
futuro opaco" já levaram, em outros tempos, a mudanças significativas dentro da própria Escola 
dos Annales, mas é certo que as mudanças ocorridas desde 1929 até os dias atuais demonstram que 
a História correu um sério risco de perder sua identidade, risco esse que certamente ela não deve 
incorrer mais uma vez. 
DOSSE, François. A história em migalhas: dos Annales à Nova História. São Paulo: Ensaio; Campinas: Ed. Da 
UNICAMP, 1992. 
 
 9 
Conclusão 
O texto conclui do renomado escritor conclui dizendo que Braudel é menos um 
historiador original na esfera da teoria do que um homem ativo, enérgico e de perfil arrojado e 
empreendedor: “Conhecido por seus escritos, Fernand Braudel terá sido, portanto, sobretudo um 
construtor, mais eficaz ainda pela solidez das construções, das instituições que criou do que pela 
originalidade de suas teorias. Mais homem de ação do que teórico, mudou a direção de um certo 
número de orientações dos Annales da primeira geração. Por essa razão, ele é o nó essencial na 
evolução dessa escola em direção a sua era triunfal” (p. 132). 
 
Bibliografia 
http://www.revistamuseu.com.br/artigos/art_.asp?id=3185

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