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Universidade estadual da paraíba Cayque de souza farias artigo de revisão sobre radiofármacos Campina grande – pb 2018 INtrodução Os radiofármacos são substâncias marcadas com elementos radioativos utilizados na medicina nuclear e oncologia, com finalidade diagnóstica ou terapêutica. Seus constituintes radioativos possuem características específicas para cada aplicação médica. Estes são elaborados a partir de radioisótopos como o Tecnécio (99Tc), o Iodo ( 131I), o bário (Ba) e outros, podendo ser classificados em três gerações. No Brasil estes medicamentos são produzidos e regulados pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Os radiofármacos são utilizados nos diagnósticos auxiliando na obtenção de imagens a partir da detecção da radiação proveniente do paciente. O procedimento, não invasivo, possibilita avaliações anatômicas, morfológicas e funcionais. Já o uso invasivo tem sido um importante aliado no tratamento de patologias como o câncer, visto que o radiofármaco é depositado no órgão ou tecido alvo, absorvido apenas pelas células cancerígenas, liberando radiação para eliminá-las. Outra função é o uso como terapia paliativa de dor em caso de metástase. Radiofármacos De acordo com a RDC nº 63 da ANVISA, São denominados como Radiofármacos todas preparações farmacêuticas com finalidade diagnóstica ou terapêutica que, quando prontas para o uso, contêm um ou mais radionuclídeos. Compreendem também os componentes não-radioativos para marcação e os radionuclídeos, incluindo os componentes extraídos dos geradores de radionuclídeos. Radiofármaco é uma substância com afinidade biológica conhecida, cuja molécula possui ao menos um átomo radioativo (radioisótopo) e uma molécula não radioativa (carregador ou ligante), é utilizado uma especialidade médica denominada Medicina Nuclear e é produzido segundo as normas preconizadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e pela CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear). A Medicina Nuclear é uma especialidade médica que realiza diagnóstico por imagem, tratamento radionuclídico e cirurgia radioguiada. Seus exames utilizam métodos seguros, praticamente indolores e não invasivos para fornecer informações que outros exames diagnósticos não conseguem. Normalmente, os materiais radioativos são apresentam distribuição para órgãos ou tipos celulares específicos, não havendo risco de reações alérgicas. Esta especialidade estuda a fisiologia do nosso organismo de acordo com a distribuição de alguns elementos radioativos (radionuclídio) ou, outras vezes, do radiofármaco (radionuclídio + fármaco), de acordo com sua afinidade por determinados tecidos. A medicina nuclear estuda então a distribuição desses radiofármacos no organismo, determinando assim o estudo fisiológico do mesmo. A principal diferença dos outros exames diagnósticos radiológicos para a medicina nuclear: enquanto a radiologia estuda a morfologia, a medicina nuclear estuda a fisiologia. Os ligantes empregados na elaboração de radiofármacos incluem compostos orgânicos, inorgânicos e biomoléculas (peptídeos, anticorpos monoclonais e seus fragmentos e oligonucleotídeos). Desta forma os radiofármacos são classificados pelo FDA como droga ou produto biológico (CFR 21, Part 315), geralmente administrado por via intravenosa, embora as vias inalatória e oral também sejam possíveis. Figura 1: Radiofármaco Disponível em: http:// radiologia.blog.br/medicina-nuclear/o-que-são-radiofarmacos-e-suas-aplicacoes História Historicamente, os radiofármacos começaram a ser utilizados em 1905, após a descoberta em 8 de novembro de 1895 do Raio-X por Wilhelm Conrad Roentgen em seu laboratório, com apresentação pública de sua descoberta em 6 de janeiro de 1896 (Early, Landa, 1995; Early, 1995). Neste cenário, diversos personagens importantes foram destaque, dentre eles Marie Sklodowska (mais tarde Marie Curie), Henri Becquerel e Pierre Curie (Early, Landa, 1995). A evolução da medicina nuclear e conseqüentemente da radiofarmácia, foi marcada de grandes descobertas e grandes fracassos, além de engenhosos equipamentos e métodos (Simpson, 1922; Taussig, 1923; Saubermann, 1914). O primeiro uso de radionuclídeos em humanos ocorreu em 1927, quando Blumgart e Yens mediram a circulação humana após injeção de um solução salina exposta ao radônio (Blumgart, Yens, 1926). Mais tarde, em 1938, estudos como de Hertz, Roberts, Evan sobre a função da tiróide com o uso de iodo-121 marcaram o início do uso sistemático dos radionuclídeos na clínica médica (Hertz, Roberts, Evans, 1938). Os radiofármacos tiveram duas divisões históricas bem marcantes, comumente denominadas de Fase I ou Fase Pré-Tecnécio e Fase II ou Fase Pós-Tecnécio. A Fase I foi marcada pela publicação na Revista Science, em 14 de junho de 1945, de um artigo do Oak Ridge National Laboratories anunciando a disponibilidade de radionuclídeos ao setor privado. Pouco tempo depois ao anúncio do Oak Ridge National Laboratories, o Brookhaven National Laboratories também disponibilizou ao setor privado os radionuclídeos por eles produzidos (Oak Ridge National Laboratories 1945). Nesta época, os radionuclídeos eram disponibilizados sem nenhuma garantia de esterilidade e apirogenicidade, sendo incluídos estes parâmetros somente mais tarde, quando a Abbot Laboratories decidiu comprar a produção de radionuclídeos desses laboratórios e transformá-los em radiofármacos (radionuclídeo devidamente preparado) para uso médico, tornando-se a primeira produtora de radiofármacos no mundo. Somente após cinco anos, outras empresas começaram a se interessar pelo setor, a Squibb Co. e a Nuclear Consultants Corporation (Early, 1995). O primeiro radiofármaco comercialmente disponível foi o Iodo-131 e sua comercialização só começou em 1950. Em relação à Fase II, esta foi deflagrada com a descoberta do tecnécio (Tc-99m), naquela época denominado Elemento Número 43. No início, o tecnécio não se mostrou um bom candidato para uso na medicina nuclear, pela meia-vida de 6 horas. Contudo, este possuía uma energia gama ideal para formação de imagens (140 keV) e este se enquadrou de forma perfeita no projeto de desenvolvimento de metodologia para a formação de radionuclídeos de meia-vida curta, liderado pelo Brookhaven National Laboratories. Em 1957, foi então anunciado o desenvolvimento do gerador de tecnécio, pelo sistema Mo-99/Tc-99m (Early, 1995). No Brasil, os primeiros passos nesse sentido foram, dados a partir de 1956, quando pelo convênio entre o CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa) e USP (Universidade de São Paulo) foi criado o IEA (Instituto de Energia Atômica) (Silva, 2002). Em 1959, começam os trabalhos pioneiros do IEA no campo dos radionuclídeos com a produção de Medicamento à base de produto radioativo vendido na época. Somente quatro anos mais tarde, em 1963, o IEA, atualmente IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), começou a produção rotineira de radioisótopos e depois com a inclusão dos procedimentos farmacêuticos de radiofármacos. Desde 1956 até 2006, o monopólio de produção de radioisótopos e radiofármacos sempre pertenceu à Comissão Nacional de Energia Nuclear, pela promulgação na Constituição do Brasil. O desenvolvimento de uma nova ciência pode ser dividido em três fases: a) descoberta; b) os problemas relacionados à descoberta e c) o alcance da maturidade no novo campo descoberto (Wolf, Tubis, 1967). Os radiofármacos passaram por todas essas fases e encontram-se hoje na terceira fase. métodos de obtenção de imagens Existem essencialmente duas técnicas que permitem a obtenção de imagens em Medicina Nuclear: a técnica de SPECT (Single Photon Emission Computed Tomography) e a de PET (Positron Emission desafiophy). No primeiro caso, os radiofármacos utilizados têm na sua composição radionuclídeos emissores de radiação g e na segunda técnica utilizam-se radiofármacos que têm na sua composição emissores de pósitrons (b+) (Saha, 1998). SPECT No caso dos equipamentos dotipo SPECT, são utilizadas gama câmara para obtenção de imagens em três dimensões. No SPECT, a gama câmara é rotacionada ao redor do paciente e múltiplas imagens são obtidas com base em vários ângulos. Os sistemas computadorizados utilizam essas informações para procederem com a reconstrução das imagens. Para esse tipo de equipamento, os radiofármacos possuem radioisótopos emissores de energia gama como o Tecnécio-99m, Iodo123 e Tálio-201. O SPECT é utilizado com maior frequência em estudos cardíacos como nos estudos do fluxo de sangue para o coração através da perfusão de imagem do miocárdio e o fluxo de sangue para o cérebro. As vantagens do SPECT são a capacidade de utilizar mais de um radiofármaco, e a maior meia-vida do radioisótopo que faz com que os procedimentos de imagem através do SPECT sejam mais difundidos na comunidade médica. PET A tomografia por emissão de pósitron (Positron Emission Tomography –PET) forma a imagem através de compostos marcados com radionuclídeos emissores de pósitrons, A PET/CT é útil na localização de doenças malignas, no estadiamento e na detecção de recidiva ou metástases. Mas também é utilizada para acompanhar alterações pós-terapias, sendo fundamental a fusão das imagens PET com CT para detectar as patologias (CHEN; POPE; OTT, 2012). As imagens obtidas no PET são mais sensíveis do que no SPECT, e os radiofármacos utilizados fornecem mais informações fisiológicas do que aqueles utilizados no SPECT. Figura 3: SPECT e PET Disponível em: https://www.slideshare.net/ssuser4b0a90/spect-with-clinical-application e https://radiologiapatologicablog.wordpress.com/2017/01/21/medicina-nuclear/ Aplicações Os radiofármacos são marcados para observar alterações fisiológicas e/ou distribuição anormal de determinados compostos administrados a um ser vivo, ou ainda como compostos de ação terapêutica na clínica médica. Podendo serem definidos como todo medicamento, que por sua forma farmacêutica, quantidade e qualidade de radiação emitida pode ser usada no diagnóstico e tratamento das enfermidades dos seres vivos, qualquer que seja a via de administração empregada A grande aplicação dos radiofármacos está em Medicina Nuclear diagnóstica, representando cerca de 95% dos procedimentos em Medicina Nuclear. Nos últimos anos, entretanto, tem crescido consideravelmente a aplicação dos radiofármacos em procedimentos terapêuticos, envolvendo desde a simples administração de solução de iodeto de sódio (iodo-131) para terapia de câncer de tireóide e hipertireoidismo, até o uso de peptídeos e anticorpos monoclonais específicos, como o anticorpo anti-CD-20 marcado com elementos radioativos emissores beta (itrio- 90, lutécio-177 e iodo-131), empregado na terapia de linfoma do tipo não-Hodgkin, numa modalidade terapêutica denominada Radioimunoterapia (Araújo et al., 2004; Araújo et al., 2005; Akanji et al., 2005; Nagamati et al., 2005; Caldeira Filho et al., 2005; Caldeira Filho et al., 2006). Nos radiofármacos para terapia o radionuclídeo é geralmente um elemento emissor de partículas (freqüentemente do tipo beta menos ou négatron), com energia para promover a destruição de células e alcance relativamente curto, evitando a irradiação de tecidos sadios situados ao redor do tecido alvo. Os radiofármacos para terapia são utilizados para promover uma alteração em uma estrutura alvo ou um processo de doença, apresentando aplicação mais freqüente na terapia do câncer (destruição do tecido tumoral) e também em radiosinovectomia (tratamento de artrite reumatóide a partir da aplicação de radiofármacos na cavidade sinovial) (Couto et al., 2006A; Couto et al., 2006B). Os radiofármacos para diagnóstico, por sua vez, são utilizados para adquirir imagens ou identificar uma estrutura interna ou um processo de doença. O componente de imagem geralmente é um elemento radioativo de meia vida curta que emite fótons a partir do decaimento radioativo com suficiente energia para penetrar a massa tecidual do paciente. Figura 4: Principais Radiofármacos Utilizados no Diagnóstico Clínico Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-93322006000200002 CONCLUSÃO Desde o primeiro registro de uso de um radionuclídeo em humanos, em 1927, muito se evoluiu na técnica e utilização de radiofármacos. Em menos de 100 anos os avanços têm sido extensos na área de medicina nuclear de diagnóstico e terapia. Mesmo havendo radiofármacos comerciais que respondem aos requisitos necessários para o seu uso, ainda há um grande esforço voltado para a busca de radiofármacos específicos que irão prever um diagnóstico antecipado de doenças ou a terapia específica ao órgão alvo sem afetar os demais. No Brasil o processo ainda está com poucos avanços e em posição de desvantagem em relação a outros países, mesmo tendo mais de meio século de criação do IEA. Porém, o avanço da medicina nuclear, na utilização de radiofármacos, somente se tornará possível com a ação conjunta de diversas áreas do conhecimento, a saber, física, química, engenharia e medicina, e de forma interdisciplinar Referências Araújo, Elaine et. al. Garantia da qualidade aplicada à produção de radiofármacos. Revista Brasileira de Ciências. Farmacêuticas. [online]. 2008, vol.44, n.1, p.1-12. ISSN 1516-9332. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S1516-93322008000100002. Acesso em: 24 de maio de 2018. BARBOSA, Jaqueline Ferruci; BOLOGNESI, Leandro. Radionuclídeos utilizados em PET/ CT e suas aplicações. 2ª Jornada Científica e Tecnológica da FATEC de Botucatu - São Paulo. 2013. Disponível em: < http://www.fatecbt.edu.br/ocs/index.php/IIJTC/IIJTC/paper/viewFile/546/418 > Acesso em:27 de maio de 2018. JECKEL, Cristina M. Moriguchi. O que é um radiofármaco? Para que serve?. 2016. 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