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AN02FREV001/REV 4.0 70 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA Portal Educação CURSO DE NUTRIÇÃO ESPORTIVA Aluno: EaD - Educação a Distância Portal Educação AN02FREV001/REV 4.0 71 CURSO DE NUTRIÇÃO ESPORTIVA MÓDULO II Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. AN02FREV001/REV 4.0 72 MODULO II 5 NUTRIENTES X EXERCÍCIOS 5.1 CARBOIDRATOS A dieta de um praticante de atividade física, bem como a de um sedentário, deve ser rica, em sua maioria, por alimentos que são fontes de carboidratos (arroz, batata, macarrão, pão) compondo até 65% do total de calorias providas pela alimentação. A principal fonte de energia durante os exercícios físicos é o glicogênio muscular, que são produzidos a partir dos carboidratos. Pelo fato dos acervos hepáticos e musculares serem limitados, há uma necessidade constante de reposição de carboidratos. Antecedendo o exercício, deve-se fazer uma refeição (3 horas antes), ou um pequeno lanche (1 hora antes), contendo alimentos enriquecidos em carboidratos, respeitando o tempo de treinamento. Imediatamente após o exercício, o carboidrato também deve ser consumido para que os acervos de glicogênio sejam rapidamente supridos, a recuperação passa ser mais acelerada e prepara os músculos para os treinamentos subsequentes. Indicações de carboidrato para atletas (geral): - treinos intensos diários 7 a 10g de carboidratos por kg de peso corporal ao dia ou o correspondente a 60% do valor calórico total. - atividades físicas regulares 55 a 60% do valor calórico total na forma de carboidratos. AN02FREV001/REV 4.0 73 Indicações de carboidrato para exercícios de força: Entre 55 e 65% do total de calorias da dieta; Para hipertrofiar: 8 a 9g por kg de peso corporal ao dia; Para hipertrofiar e diminuir o percentual de gordura: 5 a 6g por kg de peso corporal ao dia. Indicações no pré-treino 3 a 4 horas antes: Consumir aproximadamente 4 a 5g de carboidrato por kg de peso corpóreo ou 200-300g de carboidrato Os objetivos são: Proporcionar o tempo necessário para esvaziamento gástrico; Providenciar quantidade extra de glicogênio e glicose sanguínea; Impedir que ocorra a sensação de fome. Neste período, a ingestão de carboidratos é suficiente para a síntese do glicogênio no músculo e no fígado, e para a disponibilização da glicose ao longo da atividade física. Além disso, consumindo-se os carboidratos neste momento, facilita o retorno dos hormônios às concentrações fisiológicas iniciais, principalmente a insulina. 1 hora antes: Consumir cerca de 1 a 2g de carboidrato por kg de peso corpóreo (os carboidratos na forma líquida são digeridos mais facilmente). Após 30 a 60 minutos do consumo de uma alimentação rica em carboidratos, os níveis de glicose e insulina no sangue chegam aos seus níveis máximos. Caso a atividade se inicie neste período, a concentração no plasma de glicose possivelmente estará abaixo do nível normal. Isso provavelmente ocorre AN02FREV001/REV 4.0 74 devido à ação entre a insulina e a contração muscular simultaneamente para captar glicose sanguínea. Durante a atividade física, a disponibilidade de insulina para a captação de glicose é pequena. Quanto mais intenso o exercício, maior é a captação da glicose pelo musculoesquelético. Em uma pesquisa feita com atletas de ciclismo, foi dado, 1h antes da atividade, uma porção igual de alimentos com alto índice glicêmico (batata) a um grupo e de baixo índice glicêmico (lentilhas) a outro grupo, para então, se observar e comparar as respostas fisiológicas e bioquímicas. As respostas observadas no grupo que recebeu alimentos com baixo índice glicêmico foram: Baixo nível de insulina e glicose após 30 a 60 minutos do consumo; Alto nível de ácidos graxos livres; Baixa oxidação dos carboidratos ao longo da atividade; Um aumento entre 9 e 20 minutos na prática da atividade em comparação aos atletas que consumiram alimentos de elevado índice glicêmico. Isso sugere que se devem priorizar os carboidratos com baixo índice glicêmico neste momento. Observações: Indivíduos que tenham predisposição à queda da glicemia devem evitar, neste momento, os carboidratos de índice glicêmico alto para que não ocorra uma hipoglicemia reativa. Altos níveis de insulina inibem a lipólise, causando uma redução na mobilização de ácidos graxos livres do tecido adiposo, podendo também aumentar o catabolismo de carboidratos. Isso faz com que ocorra a depleção do glicogênio antecipadamente, podendo induzir à fadiga precoce. 15 minutos antes: 50-60g de polímeros de glicose (ex. maltodextrina). AN02FREV001/REV 4.0 75 Indicações durante o treino 30-60g de carboidrato a cada hora ou 0,7g de carboidrato por kg de peso corpóreo por hora. Observações: Para retardar a fadiga, em mais ou menos 15-30 minutos, devem-se poupar as reservas de glicogênio com o suprimento de 1g carboidrato por minuto. Para que não ocorram enjoos, cefaleias, etc., devem-se manter os níveis da glicemia. Depois de 2 horas após de atividade aeróbica de intensidade alta, o glicogênio no fígado e principalmente nos músculos que estejam sendo utilizados, poderão esgotar-se. A ingestão de carboidratos é mais eficaz no rendimento do atleta, nas atividades que duram mais de 2 horas e cuja intensidade seja maior que 70% do VO2 máx. A ingestão de carboidratos ao longo do exercício tem mais importância quando atletas começam a atividade em jejum, com objetivo de perder peso ou quando se tem poucas reservas corporais de carboidratos no começo da atividade. Nesse caso, em atividades com 1 hora de duração, pode-se promover aumento do rendimento do atleta com a suplementação de carboidratos. Alguns estudos demonstram que a sacarose, glicose e maltodextrina são semelhantemente eficazes em relação ao aumento do desempenho, devendo ser priorizados durante a atividade física. Os alimentos que possuem a frutose pura não são eficientes podendo causar diarreia, embora seja bem aceita a mistura de frutose e glicose. AN02FREV001/REV 4.0 76 Recomendações no pós-treino 0,7-3g de carboidrato por kg de peso corpóreo, a cada 2 horas, ao longo das 4 a 6 horas posteriores ao fim da atividade; 0,7-1,5g de glicose por kg de peso corpóreo a cada 2 horas, ao longo das 6 horas posteriores à atividade intensa com acréscimo de 600g de carboidrato nas primeiras 24 horas; 1,5g de carboidrato por kg de peso corpóreo nos primeiros 30 minutos e a cada 2 horas, nas 4-6 horas após o término da atividade; 0,4g de carboidrato por kg de peso corpóreo a cada 15 minutos, durante 4 horas. Nas primeiras 2 horas ocorrem à elevação significativa das reservas de glicogênio decorrente da ingestão imediata de carboidrato. Sendo assim, se não for consumido carboidratos na etapa inicial do pós-treino, ocorre atraso na reposiçãode glicogênio. A recuperação das reservas de glicogênio após o exercício ocorre de forma semelhante quando se consome tanto glicose quanto sacarose, enquanto que a ingestão de frutose promove uma menor taxa de recuperação, devendo então se priorizar os carboidratos de alto índice glicêmico. Supercompensação do glicogênio muscular A supercompensação de carboidratos é um método que envolve a diminuição dos níveis de glicogênio por meio de treinos exaustivos e consumo de refeições pobres em carboidratos, seguido de uma etapa de sobrecarga com a ingestão de dieta rica em carboidratos (>90%). Nos dias atuais, já possuem dietas de supercompensação modificadas. AN02FREV001/REV 4.0 77 Quando utilizar: Exercícios moderadamente intensos; Duração: > 90 minutos; Não há contradições médicas em se fazer uma dieta rica em CHO por 3 a 5 dias. Quando não utilizar: Não é tão intenso e as reservas de glicogênio serão suficientes; Duração: < 60-80 minutos; O atleta tem diabetes ou dislipidemia. A finalidade da técnica é aumentar ao máximo ou até mesmo supercompensar as reservas de glicogênio muscular antes das competições ou provas que careçam de grandes reservas energéticas, uma vez que essas atividades, se não tiverem uma reserva extra, utilizarão completamente estes estoques. É de grande importância recordar que a concentração regular de glicemia quando um indivíduo normal se alimenta varia entre 100-120mmol. Já quando se encontra um indivíduo em uma dieta de supercompensação, essa concentração aumenta de forma rápida e transitória ficando em torno de 150-250mmol. Logo, essa dieta só pode ser passada para pessoas sadias que não possuem histórico de diabetes na família. Essa técnica apenas deve ser realizada após muito planejamento tanto do nutricionista quanto da equipe técnica, para que assim não ocorram erros na etapa de supercompensação, visto que os atletas, na maioria das vezes, já se estão longe de casa e sem condições para que haja uma recuperação nutricional. Dessa forma, deve-se haver um acompanhamento nutricional do peso dos atletas que passaram por essa técnica. Comumente, devido ao acúmulo de glicogênio, o atleta ganha peso. AN02FREV001/REV 4.0 78 Essa tática pode oferecer um aumento de duração da atividade em 20% e o nível de empenho e/ou distância percorrida em 2-3%. Somente para conhecimento, o protocolo utilizado na década de 60 da técnica de supercompensação era: Período de duração de 7 dias; 3 a 4 dias de baixo consumo de carboidratos + intensos treinos; 3 a 4 dias de alto consumo de carboidratos e poucas atividades. Após este, um novo protocolo foi adaptado e usado; no qual se recomendava três dias de atividades leves e um alto consumo de carboidratos (7 a 10g CHO/kg corporal). Vantagens: Praticidade na realização, além disso, evitava fadiga e a complicação da dieta e da atividade envolvida. Aumento de duração da atividade em 20%. Por fim, um protocolo atualizado, ou seja, a supercompensação modificada utiliza 3 a 4 dias que antecedem a atividade, reservando 1 dia para descanso na véspera. Dessa forma, esta técnica ajuda na manutenção das reservas de glicogênios, deixando-as cheias para a atividade. 1º ao 4º dia (última semana de treino que antecede a atividade) – treinos moderados a intensos e, baixa ingestão de carboidratos (50 a 55% de carboidratos = 350g/dia); eleva-se a proteína para 20 ou 25% do valor total de calorias e permanece a quantidade de lipídeos. 5º ao 7º dia - treinos de baixa intensidade, com descanso apenas no dia anterior a atividade e, alto consumo de carboidratos (70 a 80% do valor total de calorias = 500 a 600g/dia); abaixam-se os lipídeos e as proteínas para 10% cada. Resultado: Elevação, em média de 40% do glicogênio total. Resultado obtido devido ao baixo nível de insulina e glicose após 30 a 60 minutos após o AN02FREV001/REV 4.0 79 consumo desse tipo de dieta; alto nível de ácidos graxos livres e baixa oxidação dos carboidratos durante a atividade. Esta dieta distingue-se da dieta de treinamento nas porções, porque há uma manipulação dos grupos alimentares, e um desbalanceamento provisório da dieta; apenas com muito planejamento e uma estrutura antecipadamente preparada, que essa técnica deve ser feita. Os esportistas que se favorecem com essa dieta são aqueles que praticam treinamentos de moderados a intensos, por exemplo: triatletas, tenistas, ciclistas, maratonistas e outros que praticam atividades com mais de uma hora de duração. É bom lembrar que o esportista não se beneficiará com este tipo de técnica caso as atividades esportivas aconteçam muito próximas uma da outra, isto é, mensalmente ou a cada dois meses. 5.2 ÍNDICE GLICÊMICO O índice glicêmico baseia-se na habilidade que a ingestão do carboidrato (50g) de um determinado alimento tem em aumentar os níveis de glicemia pós- prandial, comparado com um alimento referência (glicose ou pão branco). Alimentos de alto índice glicêmico aumentam rapidamente a glicemia, devendo ser consumidos durante e depois de uma atividade física, enquanto os alimentos com índice glicêmico baixo aumentam a glicemia mais lentamente, devendo ser consumidos antes dos exercícios de longa duração. A glicemia não depende se o carboidrato é simples ou complexo. Ex.: O amido possui um alto índice glicêmico quando comparado ao açúcar simples presente na maçã e no pêssego (frutose) cujo índice glicêmico é baixo. AN02FREV001/REV 4.0 80 O índice glicêmico pode ser influenciado pelos fatores abaixo: - Presença de fibras solúveis; - Nível em que o alimento pode ser processado; - Interação entre amido-proteína; - Interação amido-gordura. De acordo com o índice glicêmico, os alimentos podem ser classificados como: Alto índice glicêmico (> 85); Moderado índice glicêmico (60-85); Baixo índice glicêmico (< 60). TABELA 8 – Índice Glicêmico IG BAIXO IG MODERADO IG ALTO Amendoim 21 All Bran 60 Bolos 87 Feijão de soja 23 Laranja 62 Mingau de aveia 87 Iogurte sem sacarose 27 Lactose 65 Sacarose 87 Frutose 32 Pêssego enlatado 67 Biscoitos 90 Lentilhas 38 Ervilhas 68 Cuscus 93 Leite integral 39 Arroz parabolizado 68 Milho 98 Damasco seco 44 Inhame 73 Crackers 99 Feijão manteiga 44 Suco de laranja 74 Farinha de trigo 99 Leite desnatado 46 Kiwi 75 Pão branco 101 Iogurte com sacarose 48 Batata doce 77 Mel 104 Maçã 52 Aveia 78 Trigo cozido 105 AN02FREV001/REV 4.0 81 Pera 54 Pipoca 79 Batata frita 107 Sopa de tomate 54 Arroz integral 79 Tapioca 115 Suco de maçã 58 Musli 80 Corn Flakes 119 Espaguete 59 Manga 80 Batata cozida 121 Arroz branco 81 Glicose 138 Banana 83 Sopa de feijão 84 Sorvete 84 Chocolate 84 Fonte: http://www.cdof.com.br/nutri8.htm 5.3 LIPÍDEOS O consumo de lipídeos não deve extrapolar 20% do valor energético do dia. O exercício físico cujo objetivo seja a diminuição de gordura corporal deve ser conciliado com uma ingestão baixa de lipídeos na dieta, para que assim tenham resultados com mais rapidez. Dessa maneira, os alimentos proteicos, ricos em gordura não devem ser consumidos próximos ao início da atividade física. 5.4 PROTEÍNAS O consumo de proteínas, em indivíduos saudáveis, deve ficar no máximo em 15% do valor calórico da alimentação diária. Porserem digeridos mais lentamente, os alimentos ricos em proteínas (ovo, iogurtes, leite, queijos, carnes) não devem ser ingeridos tão próximos ao início do exercício. Imediatamente após o exercício, também não é adequado o consumo, pois neste momento, há uma prioridade do organismo em sintetizar o glicogênio para reabastecer os estoques de carboidratos consumidos durante o exercício. AN02FREV001/REV 4.0 82 Desse modo, para que se tenha um melhor aproveitamento dos aminoácidos no tecido muscular, devem-se ingerir alimentos ricos em proteínas de forma fracionada e distantes dos horários de exercício. Dizem que quanto maior o consumo de proteínas, maior é a hipertrofia muscular; mas, isso não passa de um mito. No geral, observa-se um consumo desnecessário e sem orientação profissional. Estudos mostram que a creatina produzida no organismo a partir de três aminoácidos (glicina, metionina e arginina) é responsável pela hipertrofia e o bom desempenho na musculação. Entretanto, há dúvidas em relação aos efeitos colaterais em longo prazo e a altas doses. O que se deve saber é que o mais importante para incitar a hipertrofia é o exercício de força e o repouso suficiente entre as sessões. 5.5 VITAMINAS As vitaminas (presentes nas frutas, verduras, carnes, ovos, leite e derivados) são responsáveis pela prevenção de doenças, infecções e na regulagem das funções do organismo. É difícil descrever todos os benefícios que este nutriente proporciona, uma vez que as vitaminas e os minerais são fundamentais para a maioria das defesas e a manutenção do organismo. A quantidade recomendada para ingestão das vitaminas seguem as indicações das DRIs. Estudos demonstram que os esportistas não apresentam consumo abaixo da DRI, portanto, para que não haja necessidade de suplementação esses indivíduos devem ingerir uma dieta com variedade de alimentos vegetais e animais. De forma diferente, uma superdosagem de vitaminas era recomendada a alguns esportistas. Contudo, o nutricionista deve averiguar a alimentação desses esportistas, pois as superdoses não melhoram as carências e, sim atrapalham. A carência das vitaminas A, E, Ácido Fólico, B6, B12 e C podem acarretar uma diminuição da função imune e a resistência corporal contra infecções. Da AN02FREV001/REV 4.0 83 mesma maneira, minerais, ferro e zinco demasiadamente, também podem acarretar a diminuição de ação do sistema imune. Não há constatação sobre os efeitos ergogênicos das superdosagens de vitaminas E e C. A prescrição dietética mais adequada, associadas a essas duas vitaminas, deve ser um consumo de doses levemente acima das normais. 10-15mg de vitamina E. 65-100mg de vitamina C. Pesquisas com a superdose de vitamina E, apresentam efeitos indesejáveis. Como o consumo de 600mg de vitamina E, durante mais ou menos 2 meses antes do Ironman; houve um aumento de estresse oxidativo e da quantidade de citocinas pró-inflamatórias comparando com o grupo placebo. A vitamina C (ácido ascórbico) encontra-se em grande quantidade nos leucócitos. Portanto, deve-se destacar que é necessária a vitamina C nos esportes de alto rendimento. A vitamina C protege contra a baixa na imunidade provocada pelo cortisol no exercício físico. Além de favorecer a inibição do crescimento viral. 5.6 MINERAIS Os minerais, bem como as vitaminas, são importantes nas defesas e manutenção do organismo. Também são responsáveis pela formação dos nossos ossos e cartilagens, além de ajudarem na manutenção dos tecidos, órgãos e sistema. Cálcio e fósforo Habitualmente são apresentados e absorvidos juntos. Por serem responsáveis pela manutenção da integridade dos ossos, também agem garantindo a integridade da locomoção. O cálcio e o fósforo fazem parte do processo de AN02FREV001/REV 4.0 84 coagulação do sangue, excitabilidade neuromuscular. Além disso, participa do controle de contração e relaxamento do músculo (favorecendo câimbras), parte integrante da ATP e dos fosfolipídios etc. Cloro O cloro é um mineral rapidamente absorvido no trato gastrointestinal, sendo um dos mais importantes na regulação da pressão osmótica, uma vez que o cloro ionizado, juntamente com o sódio, mantém o balanço aquoso. Além disso, o cloro tem participação no equilíbrio ácido-base e mantém o Ph sanguíneo. Secretado pela mucosa gástrica na forma de ácido clorídrico, este mineral proporciona a acidez necessária para a digestão no estômago e ativação de enzimas. Ferro O ferro cumpre um papel de tamanha importância na performance física de atletas e esportistas em geral. Por ser um componente da hemoglobina nas hemácias, ajudam no transporte de oxigênio para a célula muscular durante a atividade física, por isso encontra-se envolvido na produção desse gás tão importante na atividade física e, assim atua a produzir energia. A falta de ferro em esportistas possuem diversas causas, sendo a mais habitual o consumo não adequado deste mineral na dieta. Pode-se dizer que o controle da anemia poderia ser feito simplesmente pelo maior consumo de alimentos ricos em ferro. Os esportistas dificilmente atingem as indicações nutricionais de ferro, principalmente as mulheres, porque necessitam repor o ferro perdido durante a menstruação. O baixo consumo de ferro se dá pelo uso de dietas hipocalóricas (inferior a 2000 kcal) ou por efeito da alimentação vegetariana. AN02FREV001/REV 4.0 85 Além disso, a atividade física praticada pode facilitar a perda de ferro, uma vez que esportes de impacto com o solo, aumentam o que chamamos de “hemólise por impacto”, favorecendo a perda sanguínea pelo trato gastrointestinal. Do ponto de vista nutricional, há um grande problema para alcançar as indicações de ferro, pois somente 10% do ferro consumido é propriamente absorvido. Os alimentos ricos em ferro são as carnes vermelhas e o fígado. O peixe e o frango possuem uma quantidade desejável deste mineral e, outros alimentos como feijão, espinafre e lentilha apesar de apresentarem boas quantidades de ferro, não há uma boa absorção. A absorção do ferro também é determinada pelos alimentos que são ingeridos juntos. Por exemplo, alimentos que possuem vitamina C favorecem a absorção intestinal do ferro. Ou seja, sempre que for consumido um alimento rico em ferro, deve-se também consumir uma fruta ácida (fonte de vitamina C). Contudo, deve-se atentar para os alimentos que contenham taninos e filatos (café; coca-cola; chás em geral), porque ambas as substâncias ligam-se ao ferro, dificultando assim a sua absorção. Outros alimentos que não são indicados para o consumo junto ao ferro, são os que contêm cálcio (leite e derivados), pois ocorre uma “união” entre eles prejudicando a absorção de ambos. Potássio Importante elemento constituindo aproximadamente 5% do conteúdo total de minerais existentes no organismo. O potássio também está envolvido no balanço e distribuição hídrica, no equilíbrio osmótico e ácido-base, além de regular a atividade neuromuscular e promover o crescimento da célula. Sua absorção ocorre no trato intestinal e a excreção é feita pela urina, fezes e suor. AN02FREV001/REV 4.0 86 Sódio Este mineral é um dos principais reguladores osmóticos do sangue, plasma, fluidos intercelulares e do equilíbrio ácido-base. É de grande importância na motilidade e excitabilidade muscular e na distribuição orgânica de água e volume sanguíneo. O teor de sódio no organismocorresponde aproximadamente 1% do peso corporal, sendo um elemento muito comum na natureza, adquirido pelo organismo por meio dos alimentos. Zinco São evidentes os benefícios trazidos pelas atividades físicas e, é com um intuito de melhorar a qualidade de vida ou até mesmo profissional que as pessoas as procuram. Mas, esses benefícios podem ser contrários se não houver uma associação adequada entre atividade física, descanso e alimentação. Com a atividade física, o metabolismo aeróbio aumenta, elevando de tal modo a produção dos radicais livres e deixando o organismo mais vulnerável a doenças, representando um grande risco para saúde. O zinco é um importante micronutriente antioxidante, ou seja, atua contra os radicais livres com a função de bloquear o efeito danoso dos mesmos. Com a ingestão deste antioxidante, presente em mais de 200 enzimas diferentes, pode-se observar, a sua importância para o bom funcionamento do metabolismo, do crescimento, desenvolvimento e processos fisiológicos. A ingestão de energia para a prática de exercício físico não é garantia do consumo necessário de zinco e sua função de antioxidante pode ser prejudicada devido ao baixo consumo deste nutriente na dieta, podendo causar assim alterações na performance do esportista. AN02FREV001/REV 4.0 87 A maior fonte de zinco nos alimentos são as ostras, prosseguidas das carnes vermelhas. Outras ótimas fontes são: leite e derivados, ovos, carne de frango, cereais integrais e, frutas oleaginosas. A indicação de zinco é a mesma usada para a população em geral: 11mg/dia para os homens e 8mg/dia para as mulheres. Selênio Levando em consideração que as funções do selênio só puderam ser descritas após a demonstração de sua incorporação à enzima glutationa peroxidade. Pode-se dizer, então, que sua principal função é ser antioxidante. Porém, ele também ajuda na produção de enzimas que agem contra os radicais livres e protegem contra a peroxidação lipídica das membranas das células. Os alimentos ricos em selênio são: castanha-do-pará, cebola, alho, brócolis, aipo, gema de ovo, frutos do mar, atum, frango, fígado, leite, cogumelos e cereais integrais. 5.7 ÁGUA A água é muito importante para os indivíduos que realizam atividade física, uma vez que é o único nutriente cuja falta gera risco imediato e sério para a saúde, podendo até levar a morte. Desta forma, o equilíbrio hídrico deve ser do interesse de todos os praticantes de atividade física. 5.7.1 Água e Eletrólitos O consumo de água em todas as etapas do exercício é importante para o bom desempenho físico e, suficiente para repor a perda hídrica em atividades leves AN02FREV001/REV 4.0 88 e moderadas, como: musculação, ginástica e caminhada. Somente aos atletas, cujo treino é feito intensamente, recomenda-se o consumo de bebidas isotônicas, para que a reposição da água e dos eletrólitos seja de maneira rápida e, também para manter o índice glicêmico. A regra é simples: - Indivíduos que praticam esportes entre 1h e 1h15min devem ingerir somente água fresca (temperatura da geladeira). A cada 15 ou 20 minutos, tomar 3 a 4 goles grandes. - Os que praticam esportes entre 1h e 2h incompletas além da água devem ingerir, também, água de coco gelada com o objetivo de repor os sais perdidos. Igualmente ao anterior, a cada 15 ou 20 minutos, tomar 3 a 4 goles, tempo necessário para que o estômago esvazie. - Já os que praticam esportes de longa duração, devem ingerir somente água fresca durante a 1ª hora e, a partir da 2ª tomar bebidas geladas com soluções parecidas ao soro sanguíneo, como: Sport drink, Gatorade... Também, a cada 15 ou 20 minutos, tomar 3 ou 4 goles. Jamais se deve ingerir bebida repositora de sais antes de praticar exercícios, pois elas possuem sódio que podem levar ao aumento desnecessário da pressão arterial. Por outro lado, não se deve ingerir somente água quando os exercícios são muito longos, porque como ela não repõe os sais por muito tempo, pode causar sérios problemas de saúde (o que chamamos de hiponatremia). Além disso, pode ser colocada em risco a vida do esportista devido ao uso excessivo de água, depois de fazer exercícios por um longo período e com perda intensa de suor. Sudorese Associando o gasto de energia do jogo, junto com seu tempo de duração, intensidade e condições ambientais, temos uma situação adequada para que haja AN02FREV001/REV 4.0 89 uma elevação de temperatura do corpo, aumentando assim a quantidade de sudorese e por consequência, o processo de desidratação. Desta forma, repor fluidos é uma estratégia de extrema necessidade para manter a regulação da temperatura corpórea, a saúde, e a performance dos atletas. 5.7.2 Desidratação A hidratação normal, também chamada de euidratação, apresenta pequenas alterações, ao longo do dia, em virtude das condições de temperatura e do exercício físico realizado. Hiperidratação é quando há um aumento da quantidade de água no corpo e, hipoidratação é quando essa quantidade de água corpórea sofreu uma diminuição. No entanto, desidratação refere-se ao processo de diminuição hídrica, passando do hiperidratado para o euidratado e/ou até mesmo para o hipoidratado. E, a reidratação nada mais é do que o contrário, ou seja, é a recuperação da quantidade de água corpórea normal, a partir do hipoidratado em direção ao euidratado. A mudança corpórea no equilíbrio hidroeletrolítico diminui a capacidade dos indivíduos de aguentarem uma atividade prolongada, por isso que podem comprometer de forma negativa a função celular e sistêmica. A desidratação apresenta negativamente efeitos sobre o funcionamento corporal e desempenho físico, desencadeando até situações fatais. Sendo assim, é indicado que se beba fluidos suficientes antes, durante e depois do exercício físico. Uma das consequências da desidratação devido à insuficiência de reposição de líquidos durante a atividade física é a dissipação deteriorada do calor, podendo aumentar a temperatura corpórea central em graus muito altos (>40ºC). Até mesmo uma baixa desidratação, cerca de 1% peso do corpo, pode causar uma sobrecarga do sistema cardiovascular, indicado por um aumento dos batimentos cardíacos de forma desproporcional durante a execução da atividade, restringindo assim a transferência, para a pele, do calor dos músculos em contração. AN02FREV001/REV 4.0 90 A desidratação de 1 a 2% eleva a temperatura corpórea em até 0,4ºC para cada percentual subsequente. Em torno de 3%, acontece uma redução considerável no desempenho; já quando a desidratação chega entre 4 a 6% observa-se fadiga térmica, diminuindo o desempenho físico em 30%. Já se houver uma perda de 5% ou mais do peso do corpo, a reposição das reservas hídricas poderá não se completar nas próximas 48 a 72 horas. O peso pós-atividade pode se reduzir até mesmo após 24 horas de livre consumo de alimentos e água. Ultrapassando 6% de desidratação, pode-se ocorrer exaustão devido ao calor, estresse e choque térmico, fadiga e outros indicativos de sobrecarga do sistema cardiovascular, além de coma e até mesmo morte. Durante atividades prolongadas a desidratação parece ser inevitável visto que a elevação da temperatura corpórea e a sudorese não são acompanhadas adequadamente por uma reposição de fluidos, principalmente quando a umidade do ar e a temperatura estiverem altas. 5.7.3 Termorregulação A termorregulação é um sistema que tem por objetivomanter as temperaturas do corpo adequadas. Um desses métodos é a dilatação dos vasos sanguíneos cutâneos para que haja um remanejamento do débito cardíaco para a periferia. Desta forma, devido ao fluxo sanguíneo, há um aumento da temperatura cutânea permitindo assim que o calor seja eliminado por radiação e convecção para o ambiente. O suor também é outro mecanismo para perder calor. Pequenas gotas de água são eliminadas pela pele, através das glândulas sudoríparas, a fim de que elas se evaporem abaixando a temperatura do corpo. As taxas de sudorese podem ser tão elevadas chegando entre 2 a 2,8L/h, fazendo com que aproximadamente todo o calor gerado durante a atividade possa ser secretado sob condições adequadas. AN02FREV001/REV 4.0 91 O exercício físico junto ao estresse térmico eleva o fluxo de sangue na pele e a produção de suor. A temperatura corpórea é mantida através da transpiração. O suor é uma composição de todos os elementos líquidos corporais, inclusive o sangue (hipovolemia), causando uma hipertonicidade (elevação da concentração de eletrólitos nos líquidos do corpo). No decorrer de uma intensa atividade física, a produção de calor no organismo pode chegar a 15 ou até 20 vezes a do metabolismo basal. Grande parte desse calor é transferida para a corrente sanguínea elevando a temperatura interna, a cada 5 a 8 minutos, em 1ºC caso não seja ativado nenhum mecanismo de regulagem de temperatura. Para a prevenção de ocorrência de hipertermia, o calor metabólico necessita ser eliminada a cada 15 a 25 minutos. A produção de calor corpórea durante o repouso é baixa, cerca de 1kcal/min, porém atividades muito intensas, o calor metabólico produzido pode extrapolar 20kacal/min. A quantidade de suor necessária para eliminar esse calor resulta em uma grande perda de água corpórea e, consequentemente de eletrólitos. A cada litro de água perdida no suor consegue-se remover 580kcal de calor corporal. Pode-se dizer então, que quando a pessoa se exercita durante 2h30min de forma intensa, a sua temperatura interna se mantém com uma variação entre 2 a 3ºC em comparação a de repouso, considerando que a dissipação do calor seja na mesma taxa de sua produção. Supondo que o peso da pessoa seja de 70 kg, seria necessário eliminar aproximadamente de 1,6 a 2l/h de suor pela pele para que a variação da temperatura interna seja mantida. Com o suor acentuado, a perda de água seria de 5l, o que corresponde cerca de 7% do peso total do corpo. Além disso, a perda hídrica imperceptível chega perto de 600ml diário. O corpo elimina o calor proveniente da atividade física da mesma forma que elimina o calor que foi absorvido do ambiente. Para manter uma temperatura corpórea adequada o organismo depende somente da evaporação do suor. Portanto, quando o corpo atinge ou passa de 36º C é essencial que haja manutenção da hidratação. Quanto mais elevada a temperatura maior é a importância da produção do suor e sua evaporação, pois é assim que o organismo elimina e mantém a temperatura do corpo. AN02FREV001/REV 4.0 92 Quanto maior a umidade, menor é a evaporação do suor, ou seja, não há uma transferência de calor entre organismo e ambiente. Os efeitos entre a relação do ambiente quente e úmido com o calor produzido durante a atividade física sobrecarrega muito o sistema de termorregulação. Pode-se concluir que o ambiente influencia na termorregulação. A perda hídrica através do suor vem em parte do plasma, ocorrendo assim, perdas no volume plasmático de até 18%. A diminuição do volume de sangue, junto à vasodilatação periférica, provoca uma redução no retorno venoso elevando assim a frequência cardíaca para a manutenção do débito cardíaco. Esses ajustes causam um efeito nocivo para o desempenho físico e também para a termorregulação. Desta forma, o transporte e a oferta de oxigênio durante a atividade física são limitados devido à hipoidratação e o calor absorvido e/ou produzido pelo ambiente. A hipoidratação eleva internamente a temperatura em 0,15ºC durante a atividade em ambientes quentes, a cada 1% do peso perdido. A taxa de suor é reduzida e o limiar é atrasado quando há hipoidratação. No entanto, não estão claros quais os mecanismos fisiológicos que determinam a redução da taxa de suor durante a hipoidratação. Segundo alguns autores, a hipertonicidade plasmática isolada ou junto com a hipovolemia são os responsáveis pela redução do suor nessa situação. Tendo em vista que o fluxo sanguíneo deve se manter em níveis elevados para suprir a oxigenação e substratos para os músculos, pois há a necessidade de dissipar calor pela superfície cutânea, com a hipovolemia a uma redução da capacidade desse trabalho. Entretanto, é difícil manter o fluxo apropriado para estes tecidos quando há uma diminuição deste volume de sangue, porque com a redução da perda de calor eleva-se a temperatura corpórea e o gasto de glicogênio muscular. Desta forma, o equilíbrio adequado de fluidos mantém o volume de sangue, permitindo uma termorregulação corpórea apropriada e eleva o desempenho ao máximo. Não dá para separar o balanço mineral do organismo com o metabolismo da água durante o exercício. O movimento hídrico entre os espaços intra e extracelular AN02FREV001/REV 4.0 93 são acompanhados por desvios de íons de potássio (K+), magnésio (Mg+2) cloreto (Cl-)e sódio (Na+). Dessa forma, a sudorese proporciona também a perda de eletrólitos. Dentre os elementos citados acima, o cloreto e o sódio são os que aparecem em maior abundância no suor, ambos em quantidades iguais a um terço ou a metade daqueles encontrados no plasma. Já o potássio e o magnésio estão presentes, também, em elevadas taxas, contudo a concentração destes no plasma é apenas uma pequena fração das reservas corporais. Em uma competição de longa duração, quando há um suor intenso, a perda de eletrólitos representa uma redução entre 15 e 30% total de sódio permutável do organismo. O íon mais encontrado no fluido intracelular é o potássio, apesar disso, a perda deste íon pelo suor é pequena quando se compara com a quantidade de potássio encontrada no organismo. Contudo, visando uma reidratação, bebidas enriquecidas com este íon são ingeridas após um intenso suor. O grau de desidratação pode ser calculado pesando o esportista antes e depois do treinamento ou da competição, mas não há muitos conhecimentos sobre a perda de peso (suor) do jogador de futebol durante a prática de exercício físico. A reposição de fluidos é incontestável quando se fala na promoção de saúde e no desenvolvimento do condicionamento atlético. Sendo assim, alguns pontos devem ser considerados quando se refere na escolha de fluidos para a ingestão. FIM DO MÓDULO II