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Bezerra Júnior, José Tavares. Economia e mercado [ebook]. / José Tavares Bezerra Júnior. – São Luís: UEMA; UEMAnet, 2018. 94 p ISBN: 1. Economia. 2. Mercado. 3. Microeconomia. 4. Macroeconomia. 5. Matemática Financeira. I. Título. CDU: 330.101.54 Universidade Estadual do Maranhão - UEMA Núcleo de Tecnologias para Educação - UEMAnet Campus Universitário Paulo VI, Tirirical - São Luís-MA Fone-fax (98) 2106-8970 http://www.uema.br http://www.uemanet.uema.br Edição Universidade Estadual do Maranhão - UEMA Núcleo de Tecnologias para Educação - UEMAnet Coordenadora do UemaNet Profª. Ilka Márcia Ribeiro de Souza Serra Coordenadora Pedagógica de Design Educacional Maria das Graças Neri Ferreira Coordenadora Administrativa de Design Educacional Cristiane Costa Peixoto Professor Conteudista José Tavares Bezerra Júnior Designer Pedagógico Luciana de Souza Designer de Linguagem Clecia Assunção Silva Revisores de Linguagem Jonas Magno Lopes Amorim Lucirene Ferreira Lopes Editoração Digital Luis Macartney Serejo dos Santos Governador do Estado do Maranhão Flávio Dino de Castro e Costa Reitor da Uema Prof. Gustavo Pereira da Costa Vice-Reitor da Uema Prof. Walter Canales Sant’ana Pró-Reitor de Administração Prof. Gilson Martins Mendonça Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Estudantis Prof. Paulo Henrique Aragão Catunda Pró-Reitora de Graduação Profª. Andréa de Araújo Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-graduação Prof. Marcelo Cheche Galves Pró-Reitor de Planejamento Prof. Antonio Roberto Coelho Serra Ficha catalográfica SUMÁRIO APRESENTAÇÃO UNIDADE 2 2.1 Lei de demanda 2.1.1 Formato da Curva de demanda 2.1.2 Deslocamento da Curva de demanda 2.1.3 Fatores que influenciam o deslocamento da Curva de demanda 2.2 Lei de oferta 2.2.1 Fatores deslocadores da Curva de Oferta 2.2.2 Deslocamento da Curva de Oferta 2.2.3 Equilíbrio de Mercado 2.3.4 Elasticidade 2.3.5 Cálculo da Elasticidade 2.3.6 Tipos de Elasticidade 9 12 17 20 28 29 30 31 31 32 33 35 38 40 41 Microeconomia UNIDADE 1 Aspectos Introdutórios em Economia 1.1 Conceito de Economia 1.2 Problemas Fundamentais da Economia 1.3 Fluxo circular da Renda 1.4 Curva de possibilidade de Produção e Trade-off 4 UNIDADE 3 3.2 PIB (Produto Interno Bruto) 3.3 Políticas Econômica 3.3.1 Política Monetária 3.3.2 Política Fiscal 3.3.3 Política Cambial UNIDADE 4 4.1 Juros simples 4.1.1 Método ampliado 4.1.2 Aplicação de fórmula 4.1.3 Calculadora financeira (HP 12-C) 4.1.4 Taxa proporcional e taxa equivalente 4.1.5 Juros comerciais versus juros exatos 4.2 Juro composto 4.2.1 Método ampliado 4.2.2 Aplicação de fórmula 4.2.3 Calculadora financeira 45 63 49 64 50 64 53 66 57 68 69 70 70 71 75 Macroeconomia Matemática Financeira APRESENTAÇÃO Caro (a) estudante, Antes de iniciar o conteúdo, gostaria de agradecer ao convite do UEMAnet e do Professor Me. José Tavares Bezerra Junior, para fazer a abertura deste e-Book da disciplina Economia e Mercado. Sendo assim, falar de economia é sempre um grande desafio e um grande prazer, porque a economia é uma ciência transdisciplinar, social e ao mesmo tempo política, além disso ela encontra-se na vida e no cotidiano de todos nós. O e-Book em questão trata de uma breve introdução a alguns conceitos fundamentais da economia, por isso, com a finalidade de sistematizá-lo, divide- se em 4 Unidades, sendo respectivamente: aspectos introdutórios em economia, microeconomia, macroeconomia e matemática financeira. Essa breve explanação é capaz de trazer uma abordagem ao mesmo tempo compacta, mas rica em aspectos peculiares da economia e do mercado. Para introduzir o assunto, na Unidade 1, demonstram-se os conceitos básicos da economia, pois embora todos nós possamos entender empiricamente sobre ela e até mesmo opinar sobre o assunto, faz-se necessário conceituá-la, buscando evidenciar seus problemas fundamentais. Além do que foi colocado, mostra-se com destreza o fluxo circular da renda, tentando identificar os tipos de curva de possibilidade de produção. Nessa parte do trabalho, traça-se um panorama geral, do próprio funcionamento da economia e suas múltiplas possibilidades de interpretação. Na Unidade 2, constrói-se uma aplicabilidade dos conceitos anteriormente explanados, colocando sobre a perspectiva da microeconomia, em que o autor busca compreender o funcionamento das leis de oferta e demanda, tanto do ponto de vista teórico, quanto aplicado. Adentrando-se no mercado, tem-se como objetivo 6 analisar o processo de formação de preço em condições de equilíbrio, buscando entender sobre a elasticidade-preço da demanda, bem como compreender os efeitos das externalidades positivas e negativas. Todas essas aproximações com a realidade é fruto de uma especificidade da microeconomia, sendo a parte da economia que trata do local, do específico, do mercado, tentando equacionar com racionalidade as decisões. Na Unidade 3, abrem-se as perspectivas e o horizonte, olhando não mais para a firma e as decisões de mercado, trazendo o leitor para entender como é calculado o PIB, avaliando o seu grau de importância para o bem-estar da sociedade. Para isso, busca-se ver a questão da política monetária, fiscal e cambial, as três principais políticas macroeconômicas que afetam diretamente a vida de todas as pessoas e de todo o país. Enxergando por esse prisma a macroeconomia, traz um olhar que todos nós devemos ter: o olhar de como as escolhas estruturais determinam as regras de como funciona a economia. Por fim, na Unidade 4 traz-se uma aplicabilidade para toda a teoria explanada, introduzindo mesmo que rapidamente a matemática financeira, que trabalha a habilidade de entender a sistemática de cálculo de capitalização simples, tentando identificar a especificidade dos juros comerciais e exatos. Além disso se propõe analisar a diferença entre taxas proporcionais e taxas equivalentes, resultando na tentativa de compreender como funciona o regime de capitalização composto. Na Unidade, traz-se um elemento essencial para compreensão da tomada de decisão dos agentes econômicos, visto que a aplicação de tais conceitos pode elevar o patamar de bem-estar e de eficiência. Temos a convicção de que todo o conhecimento posto em tela nesse e-Book, trará uma razoável compreensão da economia e de seus mecanismos, para desenvolver a habilidade de entender melhor a realidade em que se vive, com a intenção de proporcionar ações com mais qualidade técnica, primando pelo que tem que ser feito. Bons estudos! Profº. Dr. Heric Hossoe Caro (a) estudante, Além do texto com as informações do conteúdo da disciplina, estamos lhe apresentando os ícones, elementos gráficos que ampliam as formas de linguagem e simplificam a organização e a leitura hipertextual. Você deve clicá-los para ter acesso às informações que cada um representa. Observe os significados: ABC ou Glossário define uma palavra, termo ou expressão utilizada no texto; Saiba mais traz informações, curiosidades ou notícias acrescentadas ao texto e relacionadas ao tema estudado; ATENÇÃO! destaca informações imprescindíveis no texto, indica pontos de maior relevância no texto; SUGESTÃO DE FILMES OU VÍDEOS filmes com temas relacionados ao conteúdo do texto; REFERÊNCIAS estão relacionadas no final de cada aula/unidade, de acordo comas normas da ABNT. ÍCONES 8 UNIDADE 1 C ur so : S up er io r d e Te cn ol og ia e m G es tã o C om er ci al Objetivos • Compreender os conceitos básicos da economia; • Entender sobre os problemas fundamentais da economia; • Analisar o funcionamento do fluxo circular da renda; • Identificar os tipos de curva de possibilidade de produção. 8 1 Aspectos Introdutórios em Economia A economia é uma ciência social e, naturalmente, está presente no dia a dia da sociedade, determinando desde o preço do pãozinho que nos alimentamos no café da manhã até na tomada das grandes decisões macroeconômicas de alta complexidade que repercutem – positiva ou negativamente, conforme a modalidade temporal de decisão – no comércio internacional entre duas nações. Daí a importância de podermos entender de forma efetiva todos os bastidores que envolvem o processo de tomada de decisões dos agentes econômicos, os quais necessitam maximizar o processo de escolha em meio a alternativas intricadas e, em alguns casos, que envolvem um relativo grau de subjetividade. É verdade que existe, em determinadas situações, um certo viés vinculado à problemática de cálculos numéricos dentro da economia, mas a ciência econômica é considerada de fato uma ciência social, ou seja, não possui a exatidão das ciências exatas como constatado, por exemplo constatado na física, química ou matemática. Assim, existem muitas teorias dentro 9 do pensamento econômico com método e objeto distintos utilizados para construção do pensamento científico, a exemplo da escola Clássica, Marxista, Neoclássica, Keynesiana e Austríaca. Nesta seção, de caráter introdutório, será apresentada uma abordagem plural, destacando o ponto positivo de cada um dos paradigmas dentro do universo da economia, fazendo com que o aluno possa vislumbrar o caleidoscópio inerente à ciência econômica, e todos seus aspectos instigantes em termos de análise e compreensão adequada dos fatos dentro do nosso cotidiano. Desta forma, nesta parte introdutória serão abordados aspectos gerais e introdutórios em economia, a afim de tornarmos o processo de ensino-aprendizagem produtivo e agradável, onde serão vistos, numa perspectiva resumida e intuitiva, basicamente os seguintes assuntos: i. Conceito de economia; ii. Problemas fundamentais da economia; iii. Fluxo circular da renda; iv. Curva de possibilidade de produção e trade-off. 1.1 Conceito de Economia A economia é uma ciência que estuda as relações sociais de produção entre diversos agentes econômicos, sobretudo famílias, empresas, instituições financeiras e/ou aquelas vinculadas à administração pública, avaliando princípios que norteiam o processo de tomada de decisão. Diversos economistas apresentam definições para o termo economia. Vejamos, por exemplo, as definições propostas por Gregory Mankiw e Paulo Sandroni. Segundo Mankiw (2001), “A palavra economia deriva do grego aquele que administra o lar. A princípio esta origem pode parecer estranha, mas, na verdade, lares e economia têm muito em comum”. (MANKIW, 2001, p.3). 10 Já para Sandroni (1999), a economia pode ser entendida como a [...] ciência que estuda a atividade produtiva. Focaliza estritamente os problemas referentes ao uso mais eficiente de recursos materiais escassos para a produção de bens; estuda as variações e combinações na alocação dos fatores de produção (terra, capital, trabalho, tecnologia), na distribuição de renda, na oferta e procura e nos preços das mercadorias. (SANDRONI, 1999, p. 189). Fgura 1 - Professor Gregory Mankiw da Universidade de Harvard Fgura 2 - Professor Paulo Sandroni da PUC-SP 11 Veja, agora, no link abaixo um conceito bem didático e alternativo sobre economia: Assim, a partir da observação e do entendimento do conceito de economia, nota- se que a economia está inserida no ramo das ciências sociais aplicadas e, por exemplo, um fato bastante interessante ligado a este ramo do pensamento científico diz respeito à premiação anual mundial ligada ao Nobel de Economia. O Nobel de economia é destinado às propostas inovadoras que apontam soluções criativas para solucionar os problemas fundamentais da economia. No link abaixo você encontrará um conceito bem didático e alternativo sobre economia. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=mJsncXWcc-E 12 Para saber mais sobre o prêmio Nobel de economia acesse: https://www.nobelprize.org/nobel_prizes/ economic-sciences/laureates/ (site oficial em inglês). 1.2 Problemas Fundamentais da Economia Todos nós convivemos diariamente com uma série de problemas que variam em diferentes níveis de complexidade, sendo uns mais graves e outros nem tanto, onde necessitamos resolver os mesmos de forma efetiva e racional. Nesse sentido, a racionalidade é tida, aqui considerada tanto em termos individuais quanto coletivos, como um dos princípios norteadores do processo de tomada de decisão dentro da economia, pois a partir de uma determinada escolha racional o agente econômico maximiza a sua satisfação. Veremos, a seguir, a implicação da postura econômica racional tanto para os indivíduos quanto para as empresas. Para um indivíduo qualquer, a maximização da sua respectiva satisfação relativa pode ser obtida a partir da compra de um produto, um sapato por exemplo, num preço razoável – que caiba dentro do seu orçamento doméstico – ou ainda obter um determinado serviço de qualidade e preço justo, exemplo: numa consulta médica ser atendido com cordialidade e rapidez. 13 Figura - 3 Loja de sapatos possui uma grande variedade de preços Figura 4 - Consultório médico oferta serviços um variedade de serviços aos pacientes Os indivíduos buscam formas de satisfazer suas necessidades a partir de diferentes opções. Numa loja de sapatos, por exemplo, existe uma grande variedade de produtos com diferentes preços e qualidades distintas. A escolha considerada racional é aquela que maximiza sua satisfação pessoal. De maneira semelhante, ao procurarmos um consultório médico buscamos a satisfação das nossas necessidades, sejam elas de natureza preventiva ou corretiva. 14 Enquanto que para as empresas, a satisfação das suas necessidades passa pelo atendimento de seu planejamento estratégico (missão, visão e valores), mas sobretudo pelo retorno no investimento realizado e pela manutenção dos custos dispendidos em sua operação diária. Dentro da contextualização clássica da economia, o mercado utiliza como medida de valor – de forma relativa – para avaliar o sucesso de uma determinada empresa a sua capacidade de gerar lucro. Cabe lembrar que outras correntes do pensamento econômico observam esta temática a partir de outro prisma, a exemplo da abordagem marxista sobre a criação de valor e da geração do lucro a partir da extração da mais- valia. Assim, quanto maior for efetivamente o lucro de uma determinada empresa maior será teoricamente a possibilidade de ampliar seus investimentos, cobrir seus custos de produção ou remunerar os acionistas, considerados estes últimos os proprietários das empresas para aqueles casos de companhia abertas. Cabe ressaltar que um dos grandes desafios da atualidade é encontrar o denominador comum que possa satisfazer tanto os indivíduos quanto as empresas, de tal maneira que não haja incentivos à cultura consumista e nem à depredação dos recursos naturais, para que haja uma convivência harmônica entre todos os membros da sociedade. Nesse sentido, à propósito, é sabido que um dos grandes desafios dos gestores de políticas públicas é o enfrentamento da pobreza, a qual não se resume à produção de alimentos, mas sim à redistribuição da riqueza. O indicador econômico que mede a concentração de rendaé o índice de Gini. 15 Segundo IPEA [...] o Índice de Gini, criado pelo matemático italiano Conrado Gini, é um instrumento para medir o grau de concentração de renda em determinado grupo. Ele aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos. Numericamente, varia de zero a um (alguns apresentam de zero a cem). O valor zero representa a situação de igualdade, ou seja, todos têm a mesma renda. O valor um (ou cem) está no extremo oposto, isto é, uma só pessoa detém toda a riqueza. Na prática, o Índice de Gini costuma comparar os 20% mais pobres com os 20% mais ricos. No Relatório de Desenvolvimento Humano 2004, elaborado pelo Pnud, o Brasil aparece com Índice de 0,591, quase no final da lista de 127 países. Apenas sete nações apresentam maior concentração de renda. Fonte: http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_ content&id=2048:catid=28&Itemid=23 Figura 5 - Índice De Gini Mundial 16 A interação entre os indivíduos e as empresas será vista com maior riqueza de detalhes na Unidade 2, onde abordaremos especificamente o tema Microeconomia com uma maior riqueza de detalhes. Retornando ao conceito da lucratividade, para que a empresa possa maximizar o seu lucro ela busca basicamente a resposta a três questões fundamentais: Story of Stuff - Completo e legendado em português Para melhor entendimento sobre a dicotomia entre produção e distribuição mundial, bem como sobre a desigualdade entre países, assista ao vídeo A história das coisas, apresentado pela cientista social Anne Leonard. O vídeo mostra de maneira lúdica uma crítica ao atual padrão de consumo mundial, pautado em grande parte pelo desperdício e/ou direcionado pelo dispêndio em bens de consumo supérfluos. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=3c88_Z0FF4k 17 1 O que produzir? 2 Como e quanto produzir? 3 Para quem produzir? A resposta a estas indagações pode ser melhor observada a partir da análise e interpretação do fluxo circular da renda, que correlaciona de forma bastante didática e simplificada a interação entre os principais agentes econômicos. 1.3 Fluxo circular da Renda Conforme visto no início desta Unidade, a economia é uma ciência social que utiliza um ferramental sui generis para fazer as interpretações da realidade a fim de auxiliar no processo de tomada de decisão. Dessa forma, um método bastante utilizado deriva da constituição de teorias que surgem a partir da simplificação da realidade com base em observações prévias e sucessivas aproximações ao objeto de pesquisa. Figura 6 - O economista alemão Karl Marx (1818 - 1883) LEGENDA: Segundo Karl Marx “[...] na análise das formas econômicas não podem servir nem o microscópio nem reagentes químicos. A faculdade de abstrair deve substituir ambos”. Portanto, uma forma habitualmente utilizada para avaliar a interação entre os agentes no mercado é obtida com o uso e interpretação do fluxo circular da renda. O diagrama circular do fluxo da renda – ou fluxo circular da renda – demonstra de forma elucidativa no seu modelo simplificado a interação entre as empresas e Pedro Realce 18 as famílias numa economia fechada e sem governo, tendo como dimensões de interação o mercado de bens e serviços e o mercado de fatores de produção. A hipótese didática de uma economia fechada e sem governo desconsidera a existência do comércio internacional e da intervenção do Estado na economia. Figura 7 - Fluxo circular da renda Fonte: Mankiw,2001 19 O fluxo circular da renda apresenta a oferta e demanda de maneira simultânea entre as empresas e as famílias, observando-se os mesmos pela ótica do fluxo de bens e serviços e fluxo de moeda. Ou seja, no mercado de bens e serviços as empresas ofertam os respectivos bens e serviços enquanto que as famílias demandam os mesmos, gerando respectivamente receita para as empresas e despesas para as famílias. Um exemplo corriqueiro desta interação se dá quando os indivíduos vão ao supermercado ou ainda através da ida periódica a um salão de beleza. Já no mercado de fatores de produção os papéis se invertem, pois temos desta vez a demanda por parte das empresas dos fatores de produção – considerados os insumos para produção – enquanto que as famílias ofertam estes últimos, proporcionando renda para as famílias e despesa para as empresas. Um exemplo pode ser observado no pagamento mensal do salário por parte das empresas aos seus empregados. Os fatores de produção são considerados elementos indispensáveis no processo produtivo. Os principais fatores de produção são os seguintes: a terra, o trabalho e o capital. FATOR DE PRODUÇÃO REMUNERAÇÃO Terra (recursos naturais) Aluguel da terra Trabalho Salário Capital Juros Quadro 1 - Principais Fatores de Produção Fonte: Elaborado pelo Autor 20 Além dos fatores de produção mencionados anteriormente – terra, trabalho e capital – podem ser encontrados na literatura econômica outros exemplos de fatores, como a tecnologia e a capacidade empresarial, remunerados pelo pagamento de royalty e pela geração de lucro, respectivamente. Paralelamente ao fluxo de bens e serviços tem-se o fluxo monetário, o qual funciona neste caso especificamente como um meio de intermediar as trocas entre as famílias e as empresas e, portanto, facilitar o processo de troca. Aliado os conceitos expostos acima, os empresários diariamente tomam decisões importantes no tocante ao nível ideal de produção com a expectativa de atingir os objetivos da firma. Este nível ideal pode ser identificado a partir do conceito da curva de possibilidade de produção, a qual será vista no item subsequente. 1.4 Curva de possibilidade de Produção e Trade-off A crescente concorrência vista, atualmente, no mercado faz com que as empresas invistam seus recursos em inovações tecnológicas bem como no aperfeiçoamento de produtos e processos. Isso se faz necessário, pois a busca pelo chamado nível eficiente de produção é uma diligência constante daquelas empresas que almejam ter condições mínimas para enfrentar seus concorrentes, aumentar sua participação no mercado e, consequentemente, auferir maiores lucros. Mas para que a empresa faça a escolha correta e mais racional do ponto de vista econômico – distribuir dividendos, cortar custos, ampliar os investimentos ou contratar mais força de trabalho, entre outros – a área operacional se depara com recursos escassos, os quais devem ser alocados em finalidades alternativas. 21 Assim, os diferentes parâmetros para tomada de decisão passam pela escolha da quantidade ótima ou ideal de produção. Ademais, a quantidade ideal a ser produzida por determinada empresas precisa, além de atender a requisitos e padrões mínimos de qualidade estabelecidos previamente, acolhe sobretudo a prerrogativas inerentes ao processo produtivo propriamente dito. Nesse sentido, surge o conceito de curva de possibilidade de produção, demonstrando de maneira didática a melhor forma de se encontrar o ponto de equilíbrio entre dois produtos, em termos quantitativos. Cabe ressaltar que, a curva pode ser observada tanto do ponto de visa empresarial ou numa perspectiva mais generalizada, a exemplo de uma grande nação. Mankiw Figura 8 - Curva ou fronteira de possibilidade de produção Fonte: Mankiw, 2001 22 (2001) apresenta o exemplo hipotético onde um país produz apenas computadores e automóveis. A curva ou fronteira de possibilidade de produção representa exatamente o limite máximo de produção, que pode ser atingida dada a existência de dois bens. Este limite representa ainda o pleno emprego dos fatores de produção ou capacidade máxima instalada, demonstrados na curva acima pelos pontos A e C, onde os demais pontos da curva apresentam outras combinaçõesde possibilidade de produção em termos de computadores e automóveis. No ponto A esta nação está produzindo 2.000 computadores e 700 automóveis, enquanto que no ponto C, o nível de produção é ampliado em termos de computadores e reduzido para os automóveis, alcançado 2.200 e 600, respectivamente. O ponto B representa aquela situação onde a nação não está utilizando plenamente seus fatores de produção, ocasião esta que pode ser identificada como subutilização no Para atingir o ponto D na curva supracitada a nação experimentaria no longo prazo uma ocasião de desenvolvimento econômico, o que pode ser atingido por três aspectos: investimento em tecnologia, capacitação da mão de obra e eficiência produtiva. emprego dos fatores de produção. Já o ponto D denota uma circunstância inatingível para a nação numa conjuntura de curto prazo. Outro aspecto interessante sobre a curva de possibilidade de produção fiz respeito à concavidade da curva, pois dependendo do seu formato o comportamento das variáveis adquire desempenhos distintos, onde tem-se resumidamente os formatos côncavo (curva 1), linear (curva 2) e convexo (curva 3). 23 Curva 1: formato côncavo Acréscimos iguais na produção de computadores levam a quedas cada vez maiores na produção de automóveis. Curva 2: formato linear Acréscimos iguais na produção de computadores levam a quedas iguais na produção de automóveis. Figura 9 – Curva 1 Fonte: Elaborada pelo Autor Figura 10 – Curva 2 Fonte: Elaborada pelo Autor 24 Curva 3: formato convexo Acréscimos iguais na produção de computadores levam a quedas cada vez menores na produção de automóveis. Fonte: Elaborada pelo Autor Figura 11 – Curva 3 Esta correspondência entre as variações é denominada em economia de trade-off, onde são apresentadas alternativas distintas de produção. TRADE-OFF: em economia, expressão que define situação de escolha conflitante, isto é, quando uma ação econômica que visa à resolução de determinado problema acarreta, inevitavelmente, outros. 25 Em suma, podemos concluir que, ao final desta primeira Unidade, esta instigante ciência chamada Economia amplia as possibilidades de conhecimento da realidade, proporcionando um prisma de análise que ultrapassa a aparência dos fenômenos e, consequentemente, nos leva às fronteiras da essência socioeconômica, onde tudo se explica de maneira estimulante e enriquecedora, para que possamos efetivamente auxiliar na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. RESUMO Nesta Unidade, apresentamos aspectos significativos acerca do funcionamento da Economia, aspectos que levam o aluno a uma esfera do conhecimento instigante e desafiadora. Vimos que a economia é um dos ramos do pensamento científico pertencente às Ciências Sociais, proporcionando reflexões e fundamentos sobre o processo de tomada de decisão para os agentes econômicos. A partir dos conceitos e fundamentos iniciais da economia notou-se que a racionalidade, seja ela individual ou sobretudo coletiva, deve ser a tônica para a resolução daqueles conflitos que nos deparamos no nosso cotidiano. Aprendemos ainda, basicamente, que o fluxo circular da renda objetiva demonstra a relação entre as empresas e as famílias, num contexto de reciprocidade e convivência recíproca, onde ambos atuam na condição de demandantes e ofertantes nos mercados de fatores, de produção, bens e serviços. Por fim, conhecemos um pouco mais sobre a curva de possibilidade de produção, ampliando as noções elementares sobre trade-off e os dilemas conceituais do ponto de vista produtivo. 26 REFERÊNCIAS Economia Animada - O que é economia? Vídeo (2m08s). Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=mJsncXWcc-E>.Acesso em: 29 nov.2017. MANKIW, N. G. Introdução à economia: princípios de micro e macroeconomia. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier: Campus, 2001. 831 p. MANKIW, N. G., Macroeconomia. 7.ed. LTC, 2010. Story of Stuff (A História das coisas). Vídeo (21m26s). Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=3c88_Z0FF4k >.Acesso em:29 nov. 2017. SANDRONI, Paulo. Novíssimo Dicionário de Economia. São Paulo: Best Seller, 1999. WOLFFENBÜTTEL, Andréa. O que é? - Índice de Gini. Disponível e m : < h t t p : / / w w w. i p e a . g o v. b r / d e s a f i o s / i n d e x . p h p ? o p t i o n = c o m _ content&id=2048:catid=28&Itemid=23> >.Acesso em: 29 nov. 2017. UNIDADE 2 C ur so : S up er io r d e Te cn ol og ia e m G es tã o C om er ci al Objetivos 27 2 Microeconomia A microeconomia, é um ramo da economia que se preocupa fundamentalmente com as decisões econômicas das empresas e dos consumidores, a partir da interação e reciprocidade entre os mesmos no mercado de bens e serviços. Fazem parte da microeconomia, as estratégias de formação de preços, o funcionamento do mercado e o processo de tomada de decisão dos agentes. O ferramental proposto pela microeconomia, busca identificar como o mundo funciona, observando de forma científica os “bastidores” do dia a dia. Assim, fundamentalmente fazem parte da microeconomia: - Análise da demanda; - Apreciação da oferta; - Equilíbrio de mercado; - Elasticidade. • Compreender o funcionamento das leis de oferta e demanda; • Analisar o processo de formação de preço em condições de equilíbrio de mercado; • Entender sobre a elasticidade-preço da demanda. 28 Figura 12 - Microeconomia A microeconomia busca identificar a interação entre indivíduos e empresas agindo reciprocamente no mercado de bens e serviços. Desta forma, esta Unidade contemplará os seguintes tópicos: Demanda; Oferta; Equilíbrio de mercado; Elasticidade. 2.1 Lei de demanda Segundo Sandroni, “Na teoria microeconômica, a demanda (ou procura) é a quantidade de um bem ou serviço que um consumidor deseja e está disposto a adquirir por determinado preço e em determinado momento”.(SANDRONI, 1999, p. 160). Dessa forma, a lei de demanda é um conceito clássico em economia e explica o comportamento do consumidor diante de situações vinculadas à necessidade da aquisição de um bem ou serviço. 29 2.1.1 Formato da Curva de demanda A curva de demanda possui um formato negativamente inclinado na correlação entre quantidade (eixo x) e preço (eixo y). Isso demonstra que quanto maior for o preço de um produto, menor será a quantidade demandada pelo mesmo, considerando- se outros fatores constantes. No entanto, quanto menor for o preço de um produto, maior será a quantidade demandada. Portanto existe uma relação inversa entre o preço e a quantidade. Figura 13 - Curva de demanda Fonte: Elaborada pelo Autor Fonte: Elaborado pelo Autor Quadro 2 - Síntese 1 QUANDO PREÇO DEMANDA E QUANDO PREÇO DEMANDA 30 As variações de preço provocam variações ao longo da curva de demanda, mas existem outros determinantes que induzem ao deslocamento da curva propriamente dita. 2.1.2 Deslocamento da Curva de demanda Além das variações que podem ocorrer ao longo da curva de demanda, podem ocorrer também situações que levam ao deslocamento da curva de demanda. Por exemplo, uma situação de deslocamento para a direita denota que houve aumento na renda do consumidor, enquanto que variações para esquerda podem ser influenciadas por diminuição na renda. Figura 14 - Deslocamento da curva de demanda 31 2.1.3 Fatores que influenciam o deslocamento da Curva de demanda Existem vários fatores que provocam o deslocamento da curva de demanda, entre as quais se destacam: 1 Número de consumidores (demografia); 2 Poder de compra do consumidor (renda); 3 Preço de outros bens/serviços; 4 Marketing; 5 Efeitos sazonais (clima). Os fatores elencados acima influenciam a demanda de determinadoproduto, por exemplo, na medida em que a variabilidade de cada um deles aumenta ou diminui as expectativas em relação à aquisição do produto, ou a contratação do serviço. Se a renda de um consumidor se eleva, a propensão deste consumidor para aumentar a compra de bens e contratação de serviços é muito alta. Por outro lado, caso haja a diminuição da renda do mesmo consumidor, certamente ele deverá economizar nas suas despesas correntes. 2.2 Lei de oferta A lei de oferta é a relação que descreve a quantidade que os produtores estão dispostos a oferecer em diferentes níveis de preço, mantendo outros fatores constantes. A curva de oferta apresenta uma inclinação positiva, pois quanto maior o preço de um bem, maior será a propensão dos produtores ampliarem a quantidade ofertada e vice-versa. 32 Figura 15 - Curva de oferta Fonte: Elaborada pelo Autor Fonte: Elaborodo pelo Autor Quadro 3 - Síntese 2 QUANDO PREÇO OFERTA E QUANDO PREÇO OFERTA 2.2.1 Fatores Deslocadores da Curva de oferta Além das variações na curva de oferta oriundas a partir do preço, existem outros fatores determinantes que igualmente podem afetar a oferta. Dentro do rol dos demais fatores que eventualmente podem afetar a oferta, pode-se elencar os seguintes: 1 Preço dos insumos; 2 Tecnologia; 3 Número de empresas ou produtores; 4 Clima; 5 Expectativa em relação ao futuro. 33 2.2.2 Deslocamento da Curva de oferta As variações do preço provocam variações ao longo da curva de oferta, mas existem outros determinantes que podem influenciar o deslocamento da própria curva de oferta. Os fatores que determinam variações da curva de oferta são variados, entre os quais pode-se citar os seguintes: - Custo dos insumos utilizados na produção; - Mudança na tecnologia; - Condições climáticas; - Quantidade de empresas concorrentes. Quando há um aumento da oferta, a curva é deslocada para a direita. Neste caso, podemos imaginar que houve, por exemplo, queda no preço dos insumos ou implantação de determinada inovação tecnológica por parte da empresa. No entanto, caso a curva seja deslocada a esquerda denota-se que houve diminuição da oferta. Nesta segunda possibilidade, conclui-se que houve, por exemplo, aumento no custo das matérias-primas ou condições climáticas desfavoráveis, como um período de estiagem durante a colheita da safra de soja. Figura 16 - Produção agrícola sofre forte impacto da sazonalidade 34 A oferta dos produtos agrícolas é fortemente influenciada pelas condições climáticas e sazonalidade, se as condições forem desfavoráveis, uma escassez de chuva, por exemplo, pode impactar seriamente a colheita de determinado produto (soja, milho, algodão etc.). Figura 17 - Deslocamento da Curva de oferta 35 2.2.3 Equilíbrio de mercado Considera-se equilíbrio de mercado, aquela situação hipotética na qual a oferta de determinado produto ou serviço se iguala à respectiva demanda. No ponto de equilíbrio, todos os compradores estão dispostos a pagar aquele preço que se iguala à quantidade ofertada pelas empresas. Para aprofundar seus conhecimentos sobre o tema, assista ao vídeo para ampliar o entendimento sobre as curvas de oferta e demanda. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=3fClHmUuzoE&t=3s 36 Figura 18 - Ponto de equilíbrio no mercado Figura 19 - Equilíbrio de mercado No entanto, além da situação de equilíbrio podem existir outras ocasiões em que a oferta da empresa seja superior à demanda dos consumidores e, em outros casos, pode ocorrer também que a demanda seja superior à oferta. Nestas situações, dizemos que houve, respectivamente, excesso de oferta e excesso de demanda. 37 Nas situações de desequilíbrio de mercado, ocorre o fenômeno da chamada mão invisível do mercado, conceito este desenvolvido pelo economista Adam Smith em meados do século XVIII. Segundo Smith, as situações de desequilíbrio são decorrentes de crises eventuais, transitórias ou passageiras, mas o mercado se autorregula de forma automática, como se houvesse uma mão invisível intervindo diretamente no equilíbrio entre as duas curvas, fazendo com que o preço e quantidade voltem ao seu patamar de estabilidade no mercado. Figura 20 - Adam Smith Adam Smith é considerado o pai da economia moderna e um dos fundadores da corrente clássica do pensamento econômico. No ano de 1776, Adam Smith publicou o livro a Riqueza das Nações, no qual abordou a situação da mão invisível de mercado. 38 2.3.4 Elasticidade A elasticidade é um conceito de grande utilidade e largamente utilizado pelos economistas. Ela é usada para mensurar a sensibilidade dos consumidores frente às variações que ocorrem no mercado, sobretudo do preço. Assim, a partir deste conceito é possível estimar o tamanho da sensibilidade dos compradores como resposta a um eventual aumento, ou diminuição dos preços de determinado bem ou serviço. Segundo Sandroni, elasticidade corresponde a “[...] Relação entre as diferentes quantidades de oferta e procura de certas mercadorias, em função das alterações verificadas em seus respectivos preços”. (SANDRONI, 1999, p. 199). Para compreender como funciona o chamado equilíbrio de mercado, assista ao vídeo “Economia II - Aula 01 - Oferta e Demanda: Princípios Básicos”. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=gdAkCrzyZsY 39 Para entender um pouco mais sobre os mecanismos que influem na elasticidade-preço da demanda, assista ao vídeo “Economia II – Aula 02 – Elasticidades”. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=0I9cLaiesVA&t=166s Existem vários tipos de elasticidade, entre as quais podemos citar as seguintes: • Elasticidade-preço da demanda; • Elasticidade-renda da demanda; • Elasticidade-preço da oferta; • Elasticidade-renda da oferta; • Elasticidade-cruzada da demanda. 40 Para fins didáticos, será feita a análise sobre a elasticidade-preço da demanda, na qual avalia-se o tamanho de significância que eventuais variações no preço proporcionam à demanda. 2.3.5 Cálculo da Elasticidade De forma geral, a elasticidade mede a mudança percentual em uma variável dependente (Q), em decorrência de uma variação em uma variável explicativa (P). Assim, o cálculo da elasticidade é obtido a partir da seguinte fórmula: Na qual: E = elasticidade (expressa em módulo) ∆ = variação Q = quantidade P = preço O resultado deve ser apurado em módulo, de tal modo que busque se avaliar a magnitude do número e não o seu respectivo sinal. Tomemos como exemplo o mercado de energia elétrica onde existem várias classes de consumo, cada qual como uma sensibilidade diferente às variações na tarifa de energia. Tomando como exemplo comparativo as classes de consumo residencial e industrial, observa-se que a classe industrial tem uma maior sensibilidade à variação de preços pois efetivamente possui seus custos, em maior ou menor grau, atrelados à dinâmica da tarifa, enquanto que a classe residencial possui menor sensibilidade à mesma variação. |E|= = = ∆Q %∆Q %∆P∆P Q p Variação percentual em Q Variação percentual em p 41 Essas variações no grau de sensibilidade podem ser expressas a partir dos tipos de elasticidade. 2.3.6 Tipos de Elasticidade Existem basicamente três tipos de elasticidade para medir o grau de sensibilidade quando se avalia a dicotomia preço – demanda, a saber: - Demanda elástica; - Demanda inelástica; - Demanda unitária. Figura 21- Tipos de elasticidade Adaptada de Pindyck e Rubinfeld, 2002 Nota-se que a curva elástica tende mais ao sentido horizontal enquanto que a curva inelástica tende mais ao sentido vertical. Desse modo: 42 Demanda Sensibilidade dos consumidores Exemplos Produtos Energiaelétrica Elástica (E > 1) Muito sensíveis a variações no preço Produtos industrializados ou supérfluos Consumidor industrial (grande empresa) Inelástica (E < 1) Pouco sensíveis a variações no preço Produtos agrícolas ou essenciais Consumidor residencial (dona de casa) Unitária Constante - - Em síntese, quando a elasticidade for em módulo maior do que 1 (um), temos uma situação de demanda elástica. Essa maior sensibilidade à variação de preços é percebida por exemplo para as mercadorias de luxo (joias). Já para aqueles resultados que são inferiores a 1 (um), dizemos que se trata de uma demanda inelástica, sendo muito comum para os produtos essenciais, tais como arroz, feijão, gás de cozinha etc. RESUMO Chegamos ao final de mais uma Unidade em que avaliamos a microeconomia, e grande parte das suas implicações para a correta compreensão do mercado propriamente dito. Nesta Unidade, vimos questões relevantes, vinculadas sobretudo, a curva de oferta e demanda, formação de preços e elasticidade. Se necessário, lembre-se de rever os vídeos inseridos ao longo do e-book e aprofundar os estudos por meio de pesquisas adicionais, as quais certamente possibilitarão uma perspectiva mais ampla para a construção do conhecimento. Bons estudos! Quadro 4 - Demonstrativo de elasticidade Fonte: Adaptado de Argudo, 2018 43 REFERÊNCIAS ARGUDO, Javier Martínez. Que és la elasticidade? Disponível em: <http://www. econosublime.com/2017/10/elasticidad-demanda-oferta.html>. Acesso em: 3 maio 2018. Economia Animada: Aula 6 - O que é um gráfico? | Parte 1. Vídeo (4m8s). Disponível em:<https://www.youtube.com/watch?v=3fClHmUuzoE&t=3s>.Acesso em: 20 mar.2018. Economia II – Aula 02 – Elasticidades. Vídeo (19m57s). Disponível em:< https:// www.youtube.com/watch?v=0I9cLaiesVA&t=166s>. Acesso em: 23 fev. 2018. MANKIW, N. G. Introdução à economia: princípios de micro e macroeconomia. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier: Campus, 2001. 831 p. Oferta e Demanda: Princípios Básicos. Vídeo (17m58s). Disponível em:< https:// www.youtube.com/watch?v=gdAkCrzyZsY >.Acesso em:29 nov. 2017. PINDYCK, Robert S.; RUBINFELD, Daniel L. Microeconomia. São Paulo: Prentice Hall, 2002. SANDRONI, Paulo. Novíssimo Dicionário de Economia. São Paulo: Best Seller, 1999. UNIDADE 3 C ur so : S up er io r d e Te cn ol og ia e m G es tã o C om er ci al Objetivos 44 3 Macroeconomia A macroeconomia é o ramo da ciência econômica que lida com os grandes agregados econômicos, a exemplo do Produto Interno Bruto (PIB), taxa de juros, inflação, desemprego e até mesmo daquelas decisões de grande vulto expressas pelas políticas econômicas. A macroeconomia – quando conduzida de forma responsável – propicia aos formuladores de políticas econômicas, ferramentas necessárias para se alcançar o tão almejado crescimento e, sobretudo, o desenvolvimento econômico, melhorando e ampliando, por exemplo, a oferta de emprego e aumentando a renda da população como um todo. Segundo Sandroni, a macroeconomia [...] fornece parâmetros que permitem que a mensuração da atividade econômica geral de dado sistema simplifique o modelo agregativo, tornando possível a utilização de um número restrito de variáveis • Entender como é calculado o PIB – Produto Interno Bruto – e avaliar o seu grau de importância para o bem-estar da sociedade; • Analisar o papel da política monetária em termos de ajuste da oferta de moeda e da taxa de juros; • Compreender o funcionamento da política fiscal e seus efeitos sobre os gastos públicos e a tributação; • Identificar de que forma a política cambial afeta a balança comercial (exportação e importações). 45 fundamentais. Isso porque trabalha sobre relações estatísticas estáveis entre as diversas variáveis agregadas, eliminando muitos fatores que afetam o comportamento individual. Dessa maneira, permite a análise e mesmo a previsão do comportamento das economias capitalistas desenvolvidas. (SANDRONI, 1999, p. 359). Portanto, nesta Unidade daremos ênfase a quatro temas que são de certa forma indispensáveis para a correta compreensão do arcabouço macroeconômico, a saber: • PIB; • Política monetária; • Política fiscal; • Política cambial. 3.2 PIB (Produto Interno Bruto) O PIB – Produto Interno Bruto – corresponde ao valor agregado da produção final de bens e serviços em um determinado espaço econômico por um período de tempo (trimestral ou anual). A variação do PIB serve como termômetro para medir a atividade econômica, pois demonstra se o Brasil, por exemplo, está ampliando sua base produtiva no sentido de gerar emprego e renda. Para o cálculo do PIB é utilizada a seguinte forma: Onde: C: consumo das famílias I: investimento das empresas G: gastos do governo PIB = C + I + G + (X- M) 46 X: exportações M: importações Os economistas usam basicamente dois tipos de métrica para observar a variação do PIB: • PIB Nominal; • PIB Real. Mas quais são as diferenças entre essas duas formas de observação? Vejamos a seguir: • PIB NOMINAL – usa os preços correntes para cálculo do PIB; • PIB REAL – usa os preços constantes para apuração do PIB. Dessa forma, o PIB nominal mede tudo aquilo que foi produzido e comercializado num dado período, sem subtrair o efeito inflacionário. Enquanto que o PIB real, retira de seu cálculo a inflação para apurar se houve variação real entre a quantidade produzida. Dessa forma, temos as seguintes fórmulas para calcular o PIB: - PIB Nominal: - PIB Real: Vejamos um exemplo de forma simplificada: supondo que um determinado país produz apenas milho e soja, onde temos na tabela abaixo o preço e a quantidade total produzida por este país entre os anos de 2015 e 2017: PIB Nominal=∑ Preço x Quantidade PIB Real=PIB Nominal - INFLAÇÃO 47 Ano R$ milho Quantidade milho (ton) R$ soja Quantidade soja (ton) 2015 1 100 2 50 2016 2 150 3 100 2017 3 200 5 150 Agora, observe na tabela abaixo a metodologia de cálculo para o PIB nominal e real: ANO CÁLCULO DO PIB NOMINAL PIB 2015 (R$ 1,00 milho x 100 ton) + (R$ 2,00 soja x 50 ton) = 300 2016 (R$ 2,00 milho x 150 ton) + (R$ 3,00 soja x 100 ton) = 750 2017 (R$ 3,00 milho x 200 ton) + (R$ 5,00 soja x 150 ton) = 1.600 ANO CÁLCULO DO PIB REAL (ano-base 2015) PIB 2015 (R$ 1,00 milho x 100 ton) + (R$ 2,00 soja x 50 ton) = 300 2016 (R$ 1,00 milho x 150 ton) + (R$ 2,00 soja x 100 ton) = 450 2017 (R$ 1,00 milho x 200 ton) + (R$ 2,00 soja x 150 ton) = 600 Conforme visto nas tabelas acima, perceba que a única diferença entre a metodologia de cálculo foi que o PIB real utilizou para todos os anos o mesmo preço do ano-base (2015), ou seja, o preço constante. Enquanto que o PIB nominal, utilizou os preços correspondentes aos respectivos anos de observação ou em outras palavras, o preço corrente. Saiba mais: como forma alternativa usada para calcular a variação geral do nível de preços na economia (inflação) usa-se o deflator do PIB, o qual é calculado a partir da divisão entre o PIB nominal e o PIB real: Quadro 5 - Preços e Quantidades (milho e soja) – 2015 a 2017 Quadro 6 - Cálculo do PIB (nominal e real) Fonte: Adaptado de Mankiw,2001 Fonte: Adaptado de Mankiw,2001 DEFLATOR DO PIB= DEFLATOR DO PIB= PIB REAL X 100 48 Para obter mais informações sobre o PIB, assista ao vídeo Economia Animada – Aula 5 - O que é o PIB? Disponível em: https://www.youtube. com/watch?v=kVpfracvxk4 • PIB per capita Quando os economistas necessitam estimar o valor médio que cada cidadão recebe em relação ao PIB gerado em determinado período, um ano por exemplo, usa-se o PIB per capita. O PIB per capita é uma medida aproximativa do bem-estar, pois demonstra a média quecada brasileiro auferiu em relação ao somatório da produção de bens e serviços. Ele é usado também como indicador comparativo do grau de desenvolvimento econômico entre os países. O Brasil ocupa a 79º posição no ranking mundial do PIB per capita. Países como Catar, Luxemburgo, Cingapura, Kwait e Noruega lideram o ranking. Leia a reportagem a seguir para obter mais detalhes sobre o ranking mundial. Disponível em: http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/04/ brasil-esta-na-79-posicao-entre-os-paises-mais-ricos-do-mundo.html 49 Não obstante, este indicador não é perfeito, pois encobre o processo da concentração de renda. Segundo o IBGE, o PIB per capita no Brasil foi de R$ 30.407,00 em 2016 (IBGE, 2018). O PIB per capita é uma das variáveis utilizadas no cálculo do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). O IDH é obtido a partir da composição de três indicadores: - PIB per capita; - Taxa de alfabetização; - Expectativa de vida. Agora que você já sabe como funciona o PIB, vamos ver como o governo atua na economia através das políticas econômicas. 3.3 Políticas Econômicas As políticas econômicas, são instrumentos utilizados pelo governo como forma de se buscar no âmbito macroeconômico três objetivos fundamentais, a saber: melhorias estruturais, de estabilização conjuntural e de expansão. E para se alcançar esses objetivos, o poder público adota um conjunto de medidas consistentes que perpassa por três políticas principais: a) Política Monetária; b) Política Fiscal; c) Política cambial. A seguir, veremos cada uma delas, de forma detalhada, e seus principais desdobramentos para a atividade econômica como um todo, as quais – num sentido amplo – buscam de forma permanente estratégias de combate à inflação, com menos desemprego, crescimento do PIB e distribuição de renda para a 50 população menos favorecida. Ou seja, as políticas econômicas são indispensáveis para o bem-estar da população pois, concomitantemente ao uso das mesmas, faz- se necessário também investimentos em educação, saúde, mobilidade urbana, segurança pública, saneamento básico, infraestrutura, moradia etc. 3.3.1 Política Monetária A política monetária, diz respeito àquelas decisões do governo vinculadas, de forma majoritária, ao controle da oferta de moeda e da taxa básica de juros. POLÍTICA MONETÁRIA OFERTA DE MOEDA TAXA DE JUROS O objetivo principal da política monetária é, estabilizar o valor da moeda a partir do controle da própria quantidade de moeda em circulação. Assim, o controle da oferta de moeda é definido pelo Banco Central (BACEN), a partir da prerrogativa de emissão de papel-moeda, bem como pelo controle da taxa de juros, equilibrando a liquidez ideal conforme o momento pelo qual atravessa a economia. A taxa de juros exerce um papel preponderante na macroeconomia de qualquer país, pois é a partir dela que se define o “preço do dinheiro”. O Brasil historicamente adotou altas taxas de juros como forma de combate à inflação. Veja, a seguir, a comparação da taxa de juros brasileira em comparação a outros países. Quadro 7 - Política Monetária Fonte: Elaborado pelo Autor 51 Quadro 8 - Taxa de juros e outros indicadores macroeconômicos Fonte: Adaptado de tradingeconomics.com Conforme a tabela acima, quando observamos que a taxa de juros no Brasil está no patamar de 6,50% ao ano, nos referimos a taxa SELIC, considerada a taxa básica de juros da economia e que é definida periodicamente pelo COPOM (Comitê de Política Monetária). Além da SELIC, o governo define outras taxas de juros, a exemplo da TR (taxa referencial) – usada para remuneração dos depósitos na caderneta de poupança – e a TJLP (taxa de juros de longo prazo – utilizada nos financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A Taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) é definida pelo COPOM a cada 45 dias. O atual patamar da SELIC de 6,5% a.a. (maio/2018) é o menor índice histórico observado no Brasil. 52 Portanto, a taxa de juros é um dos instrumentos de política monetária que pode ser dividida em duas modalidades: expansionista ou contracionista. • Política monetária expansionista Dizemos que a política monetária é expansionista quando o objetivo do governo é “aquecer” a economia – via aumento do consumo e do investimento – o qual é obtido a partir do corte na taxa juros. Veja abaixo os efeitos de forma sequencial, percebidos na economia logo após o corte efetuado na taxa de juros, a partir de uma política monetária expansionista: 1) Corte na taxa de juros; 2) O corte na taxa de juros possibilita o aumento do consumo; 3) O aumento do consumo estimula o aumento dos investimentos e, por conseguinte, do PIB; 4) O aumento do PIB gera um efeito inflacionário. • Política monetária contracionista (ou restritiva) A política monetária contracionista é observada naquelas situações onde, o governo tem como objetivo conter a inflação e, para isso, o governo eleva a taxa de juros. Após a elevação da taxa de juros, ocorre o seguinte encadeamento de acontecimentos na esfera econômica: 1) Elevação da taxa de juros; 2) Os juros altos inibem o consumo; 3) O baixo patamar de consumo desacelera os investimentos e, consequentemente, proporciona a queda do PIB; 4) A queda do PIB frea a inflação através da retração da atividade econômica. Em síntese, compreende-se a necessidade do governo encontrar aquele nível ideal da taxa de juros para manter uma taxa que possibilite, por um lado, um combate 53 eficaz contra a inflação, e, por outro lado, simultaneamente mantendo um adequado retorno para o nível de investimentos produtivos. Veja de forma didática, na imagem a seguir: Figura 22 – Política Monetária X Economia Os investimentos produtivos são distintos dos investimentos especulativos, pois estes últimos buscam apenas a obtenção de lucros rápidos num curtíssimo prazo, enquanto que aqueles primeiros são destinados a geração de emprego e renda numa perspectiva de longo prazo. 3.3.2 Política Fiscal Além da política monetária, vista na seção anterior, o governo faz uso também de outra modalidade de política econômica: a política fiscal. A política fiscal diz respeito ao conjunto de receitas e despesas do setor público, observados a partir de uma perspectiva contábil em duas instâncias: 54 1 – Gastos do governo (construção de escola, hospital, estradas, pagamentos de títulos públicos etc.); 2 – Receitas públicas (arrecadação de impostos). POLÍTICA FISCAL GASTOS DO GOVERNO RECEITAS PÚBLICAS A seguir, veremos mais detidamente cada uma das formas de gestão da política fiscal, as quais afetam a demanda agregada, o nível de produção e o emprego, exercendo, assim, uma grande influência na sociedade como um todo. • Gastos do governo Para o governo alcançar o chamado superávit fiscal, faz-se necessário que o saldo das contas públicas apresente sobra de caixa, ou seja, que o somatório de tudo aquilo que for arrecadado seja necessariamente superior ao total das respectivas despesas dentro do mesmo período de análise. Por outro lado, se o governo incorrer em déficit, deduz-se que as despesas ultrapassaram as receitas. Em síntese: SITUAÇÃO RESULTADO RECEITA > DESPESA SUPERÁVIT FISCAL RECEITA < DESPESA DÉFICIT FISCAL Anualmente, o governo faz a estimativa de seus gastos a partir do Orçamento Geral da União (OGU), onde são apresentadas todas as rubricas de desembolso e seus respectivos percentuais para avaliar a representatividade de cada um deles e, portanto, seus efeitos e repercussões na totalidade dos gastos. Quadro 9 - Política Fiscal Quadro 10 – Situação e Resultado Fonte: Elaborado pelo Autor 55 Figura 23–GRÁFICO DO ORÇAMENTO GERAL DA UNIÃO O gráfico acimanos chama a atenção, pois do total do OGU – R$ 3,5 trilhões – mais da metade é direcionado para o pagamento de juros da dívida (50,66%), enquanto que, por exemplo, saúde e educação recebem apenas 3,16% e 3,26%. Esse fato chama ainda mais atenção quando relembramos da recente aprovação da PEC (proposta de emenda constitucional) dos gastos públicos, a qual congelou durante 20 anos os gastos em saúde e educação. 56 SUGESTÃO DE LEITURA: para saber mais sobre a PEC dos gastos acesse: https://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/10/ politica/1476125574_221053.html • Qual é a diferença entre resultado primário e nominal? Um outro debate que está na pauta dos gastos públicos, se refere ao resultado primário e o resultado nominal. Mas afinal de contas, qual é a diferença entre eles? A diferença é simples, basta observar que no cômputo do resultado primário temos excluídas a inflação e o pagamento de juros, enquanto que no resultado nominal, são incluídas as despesas com juros e a inflação do período. • Receitas Públicas O segundo componente da política fiscal está correlacionado ao entendimento das receitas públicas. A receita do governo é oriunda basicamente da arrecadação de impostos proveniente das três esferas públicas, onde cada uma delas tem competência específica conforme a natureza da tributação. Por exemplo: • Esfera municipal: ISS – imposto sobre serviço e IPTU – imposto predial e territorial urbano; • Esfera estadual: ICMS – imposto sobre circulação de bens e serviços; • IPVA – imposto sobre propriedade de veículos automotores; • Esfera federal: IPI – imposto sobre produtos industrializados; • IOF – imposto sobre operações financeiras e IR – Imposto de renda. 57 A carga tributária brasileira total, em relação ao PIB, corresponde a aproximadamente 35%, ou seja, a cada R$ 100,00 gerados em riqueza, R$ 35,00 ficam com o governo. Os especialistas afirmam que a alta carga tributária observada no Brasil estimula a sonegação e, ao mesmo tempo, desestimula as atividades produtivas, pois os impostos em cascata – cobrados diversas vezes ao longo da cadeia produtiva – provocam aumento nos custos de produção. (MENDES, 2012). • Tipos de política fiscal A política fiscal, à semelhança da política monetária, igualmente pode ser dividida entre expansionista e contracionista. • Política fiscal expansionista A política fiscal é denominada de expansionista quando o governo eleva seus gastos públicos – sobretudo em investimentos produtivos, a exemplo da construção de escolas e hospitais – ou quando reduz a carga tributária. Ela é chamada de expansionista, pois estas ações incentivam os demais agentes econômicos, estimula a demanda agregada e, consequentemente, eleva o PIB. • Política fiscal contracionista A política fiscal, adota o viés contracionista naquelas ocasiões em que o governo corta os gastos públicos, ou eleva a carga tributária. Essas medidas produzem efeitos que inibem a demanda agregada e reduz o PIB. 3.3.3. Política Cambial A política cambial é uma das políticas econômicas que o governo faz uso para buscar o equilíbrio da balança comercial, ou seja, entre tudo aquilo que é exportado e importado entre um país e o resto do mundo. 58 De acordo com Sandroni: Quando o valor das exportações excede o das importações, o país apresenta um superávit e torna-se credor do estrangeiro; quando, ao contrário, as importações superam as exportações, o país está em dívida com o estrangeiro e apresenta um déficit em sua balança comercial. (SANDRONI, 1999, p. 40). O valor da moeda de um determinado país, em comparação à moeda de outro país, é denominado de taxa de câmbio. E conforme a diferença de valor entre as duas moedas, dizemos que o câmbio está valorizado ou desvalorizado. Segundo o Banco Central: Quando alguém precisa fazer pagamento ou recebimento envolvendo moedas de países diferentes, seja para viagem internacional, doação, compra de produtos ou outro motivo qualquer, é necessário trocar a moeda de um país pela moeda de outro país. Isso caracteriza uma operação de câmbio. (BACEN, 2018, p.4). Tomemos como exemplo a diferença entre as moedas dos Estados Unidos (dólar americano), do Brasil (real), e do Chile (peso chileno). Para se fazer a comparação, usa-se a cotação de uma moeda em termos de outra, assim, para se comprar um dólar americano são necessários R$ 3,40 por isso dizemos que o real está desvalorizado em relação ao dólar. Mas se formos comparar o real em relação ao peso chileno, as coisas se invertem, pois para se comprar um real são necessários 172 pesos chilenos, por isso dizemos que o real está valorizado em relação ao peso chileno. De forma resumida: Para se comprar ...eu necessito de Portanto dizemos... US$ 1,00 (um dólar americano) R$ 3,40 (três reais e quarenta centavos) Que o real está desvalorizado em relação ao dólar R$ 1,00 (um real) $ 172,00 (pesos chilenos) Que o real está valorizado em relação ao peso chileno Quadro 11- Comparativo (Valorização versus Desvalorização) Fonte: Elaborado pelo Autor. (Obs.: comparação efetuada com base na cotação do dia 19 de abril de 2018) 59 É importante ressaltar que a cotação de uma determinada moeda oscila diariamente, sendo que a mesma é calculada pelo Banco Central e divulgada, por exemplo, em sites especializados no tema. E qual seria o efeito da desvalorização ou valorização do câmbio para as exportação e importações? Vejamos a seguir: • Desvalorização cambial Conforme vimos anteriormente, a desvalorização cambial implica na necessidade de uma quantidade maior de moeda interna para comprar a moeda estrangeira. E esse baixo valor de troca afeta diretamente a balança comercial, incentivando as exportações e inibindo as importações. Esse processo acontece, pois, os produtos brasileiros ficam mais baratos no exterior e, por outro lado, encarecem os produtos importados. • Valorização cambial O processo de valorização cambial, ocorre quando se dá o aumento da taxa de câmbio (valorização da moeda nacional), e este fato significa que necessitamos de uma quantidade menor de moeda para comprar a moeda estrangeira. Os impactos da valorização na balança comercial são de desestimulo às exportações, e estímulo às importações, na proporção que tornam os produtos brasileiros mais caros no exterior e, simultaneamente, barateia os produtos importados. SUGESTÃO DE LEITURA: acesse o link a seguir, e leia uma reportagem sobre os efeitos da valorização cambial para as exportações: https://istoe. com.br/valorizacao-cambial-reduz-em-12-exportacoes-de-sapatos-em- janeiro/ 60 De forma resumida: Real (moeda nacional) Produtos brasileiros no exterior Exportação Produtos importados no Brasil Importação Desvalorização Mais baratos Mais caros Valorização Mais caros Mais baratos Um dos reflexos do processo de valorização que permeia o cenário econômico, está relacionado à competitividade da indústria nacional em relação às empresas estrangeiras. Isto se dá em decorrência da facilidade que os produtos importados ganham para adentrar no mercado brasileiro e, por conseguinte, obrigam direta ou indiretamente a indústria nacional a concorrer de igual para igual com os produtos vindos do exterior. RESUMO Nesta Unidade, apresentamos de forma breve alguns dos principais assuntos ligados à macroeconomia debatidos na atualidade. Vimos como o PIB é calculado, e de que forma ele afeta o crescimento econômico e o bem-estar da sociedade. Observamos também que a intervenção do Estado na economia – através das políticas econômicas – propicia uma regulagem no chamado mecanismo automático de mercado e proporciona, conforme a condução da política, uma maior amplitude de investimentos, emprego e renda. Quadro 12 - Valorizaçãoe Desvalorização Cambial Fonte: Elaborado pelo Autor Assista ao vídeo “Política Monetária, Fiscal e Cambial” abaixo, e veja um breve resumo sobre as políticas econômicas. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=yaqi34-mmGY 61 Observamos ainda como a política monetária (oferta de moeda e taxa de juros), política fiscal (gastos públicos e tributos) e a política cambial – efeitos da taxa de câmbio sobre a balança comercial – são indispensáveis e decisivos para aumentar o crescimento econômico e controlar a inflação. Bons estudos e até a próxima! REFERÊNCIAS BANCO CENTRAL. Cartilha de Câmbio. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/ rex/cartilha/cartilha_cambio_envio_recebimento_pequeno_valores.pdf>.Acesso em: 13 maio 2018. IBGE. Contas Nacionais - PIB per capita. Disponível em: <https://brasilemsintese. ibge.gov.br/contas-nacionais/pib-per-capita.html>. Acesso em: 12 maio 2018. MANKIW, N. G. Introdução à economia: princípios de micro e macroeconomia. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier: Campus, 2001. 831 p. MANKIW, N. G., Macroeconomia. 7.ed. LTC, 2010. MENDES, Judas Tadeu Grassi. Economia. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2012. SANDRONI, Paulo. Novíssimo Dicionário de Economia. São Paulo: Best Seller. 1999. UNIDADE 4 C ur so : S up er io r d e Te cn ol og ia e m G es tã o C om er ci al Objetivos 62 4 Matemática Financeira Frequentemente, ouvimos as mais diversas propagandas na mídia que envolvem questões relacionadas, direta ou indiretamente, à compra de um automóvel, financiamento de um imóvel ou a melhor forma de parcelar uma dívida. Enquanto isso, nas empresas, o setor financeiro adota métodos robustos de gestão, atrelados a um ferramental avançado tecnologicamente e, ao mesmo tempo, incorporando inovações no controle de processos e planejamento. Assim, torna-se inquestionável a necessidade de termos um relativo conhecimento sobre o arcabouço inerente à matemática financeira. Para Assaf Neto: “A matemática financeira trata, em essência, do estudo do valor do dinheiro ao longo do tempo. O seu objetivo básico é o de efetuar análises e comparações dos vários fluxos de entrada e saída de dinheiro de caixa verificadas em diferentes momentos”. (ASSAF NETO, 2012a, p. 01). • Entender a sistemática de cálculo da capitalização simples; • Identificar a especificidade dos juros comerciais e exatos; • Analisar a diferença entre taxas proporcionais e taxas equivalentes; • Compreender como funciona o regime de capitalização composto. 63 Dessa forma, para ganharmos familiaridade com o assunto, estudaremos nesta Unidade os seguintes pontos: - Capitalização Simples; - Capitalização Composta; - Juros exatos e comerciais; - Taxas proporcionais e taxas equivalentes. 4.1 Juros simples Conforme vimos na Unidade 1, os juros correspondem à remuneração sobre aquele capital aplicado em determinada opção de investimento, o qual corresponde a um dos fatores de produção. Relembramos que além do capital, existem outros fatores de produção, a exemplo da terra, dos recursos naturais e do trabalho, tendo como remunerações o aluguel e o salário, respectivamente. Vimos também, desta vez na Unidade 3, que a taxa de juros é um importante fator decisivo na formulação da política monetária, influenciando categoricamente no nível de investimentos e controle da inflação. E agora chegou a hora de observamos o papel dos juros numa perspectiva mais objetiva e específica, onde o mesmo assume nesse ínterim um papel crucial para a matemática financeira. Nesse ínterim, vamos iniciar observando como funciona o regime de capitalização simples, onde os juros crescem de forma linear, como se fosse uma progressão aritmética (PA), ou seja, os juros incidem nesta modalidade somente sobre o capital inicial. Existem basicamente três formas distintas e sistemáticas habitualmente utilizadas para se calcular os juros: i) Método ampliado (tabela); ii) Aplicação de fórmula; iii) Uso de calculadora financeira. 64 Veremos a seguir, para os objetivos aqui propostos, cada uma das metodologias mencionadas acima de forma separada, relembrando que alternativamente pode- se utilizar também planilhas, softwares etc. 4.1.1 Método ampliado Veremos inicialmente como se faz a apuração dos juros – no regime de capitalização simples – usando a metodologia estendida, a partir do uso da tabela. Por exemplo, vamos imaginar que você fez uma aplicação financeira no valor de R$ 100,00, pelo prazo de 3 meses, a uma taxa de juros simples de 10% ao mês. Assim, qual seria o valor do resgate no final da aplicação? Período Saldo inicial Juros apurados Saldo final Mês 1 100,00 100,00 x 0,10 = 10,00 110,00 Mês 2 110,00 100,00 x 0,10 = 10,00 120,00 Mês 3 120,00 100,00 x 0,10 = 10,00 130,00 Sendo importante ressaltar que: • O saldo final (SF) é calculado a partir do somatório entre o saldo inicial (SI) e os juros (J) do período, ou seja: SF = SI + J; • O saldo inicial do período “n” é igual ao saldo final do período “n - 1”; • A taxa deve ser aplicada em percentual. Portanto, o valor final apurado no final da aplicação achado no exemplo acima foi de R$ 130,00. 4.1.2 Aplicação de fórmula A segunda forma largamente utilizada para o cálculo dos juros simples, se dá a partir da aplicação da fórmula especificamente utilizada para este fim, a saber: J=C∙i∙n Quadro 13 - Dados para a aplicação financeira 65 Onde: J = juros; C = capital (saldo inicial ou valor presente); i = taxa de juros (convencionalmente usa-se o termo “i” em decorrência da transcrição em inglês interest rate); n = prazo. Se fizermos o rearranjo entre os termos da fórmula acima, podemos deduzir as seguintes fórmulas a partir de dedução algébrica, trocando os termos do primeiro membro com aqueles do segundo membro: Um aspecto indispensável no cálculo dos juros é que tanto a taxa de juros “i”, quanto o prazo “n”, devem estar necessariamente na mesma unidade de tempo (por exemplo: mês, semestre ou ano). Esta regra vale para os juros simples e compostos. E para calcular o montante usamos a seguinte equação: M=C+J Onde: M = montante (saldo final ou valor futuro); C = capital; J = juros. c= j i. n i= j c. n n= j c. n 66 Exemplo: Um comerciante adquire um empréstimo no valor de R$ 5.000,00, para ser pago em 60 dias à taxa de juros simples de 4% a.m. Calcule o valor dos juros e o total a ser pago ao final da contratação do empréstimo. Resposta: Obs: o prazo informado no exemplo está computado em dias, enquanto que a taxa está mensurada ao mês. Portanto, relembramos que devemos utilizar uma mesma unidade de medida para ambos, assim: n = 60 dias equivale a 2 meses; portanto n = 2 meses. Agora vamos aplicar os dados na fórmula: Dados: C = 5.000 n = 2 i = 4% J = C ∙ i ∙ n J = 5.000 x 0,04 x 2 J = 400 E agora o cálculo do montante: M = C + J M = 5.000 + 400 M = 5.400 4.1.3 Calculadora financeira (HP 12-C) A calculadora HP 12-C é uma ferramenta bastante utilizada no dia a dia do mercado financeiro, devido a sua praticidade e versatilidade. Além de trabalhar com os cálculos financeiros, ela é utilizada também na estatística, fluxo de caixa, calendário, título da dívida, amortização, programação, análise de investimentos, memória contínua 67 etc. Apesar da HP 12-C ter sido desenvolvida principalmente para a capitalização composta, ela permite também o cálculo de juros simples. Para isso, basta seguir os seguintes comandos apresentados na figura abaixo: Figura 24 - HP 12-C Figura 25 - HP 12-C 68 ATENÇÃO: note que, para o regime de capitalização simples, o prazo (n) deve ser sempre inserido em “dias” e a taxa dejuros (i) deve ser sempre inserida ao ano. SUGESTÃO DE LEITURA: para ter acesso ao manual original completo da calculadora financeira HP 12-C, clique no link a seguir. http://h10032. www1.hp.com/ctg/Manual/bpia5239.pdf 4.1.4 Taxa proporcional e taxa equivalente Diz-se que duas taxas de juros são denominadas proporcionais naquele momento em que os períodos de capitalização são distintos e, quando aplicadas sobre um mesmo capital inicial, produzem o mesmo montante ao final do período observado. Esta regra é exclusiva para os juros simples. Vejamos um exemplo para ilustrar o conceito: Uma taxa de 12% ao ano é proporcional a 1% ao mês, pois 12% / 12 meses = 1% ao mês. A taxa proporcional é muito utilizada em operações de curtíssimo prazo, normalmente nos períodos inferiores a um mês. No regime simples, a taxa é proporcional e equivalente, mas no regime composto a taxa é apenas equivalente. Vejamos a seguir a regra para as taxas equivalentes. Ao contrário das taxas proporcionais, a taxas equivalentes possuem taxas distintas em períodos diferentes, mas produzem o mesmo montante. 69 Vamos utilizar os dados do exemplo anterior para fins comparativos: Uma taxa de 12% ao ano é proporcional a 0,9489% ao mês, pois: [( 1 + 0,12 )12) ^ 1/12]-1 = 0,009489 ou 0,9489 Existem duas formas de se calcular a equivalência entre taxas para o regime composto: 1º) Transformação de um período menor para um período maior – por exemplo, de mês para ano –, usamos a seguinte fórmula: Taxa de juros=(1+i)n - 1 2º) Transformação de um período maior para um período menor – por exemplo, de semestre para mês –, usamos a seguinte fórmula: 4.1.5 Juros comerciais versus juros exatos A diferença entre juros simples comerciais e juros exatos está basicamente na contagem de dias para apuração do prazo. Assim: Juros comerciaisl: o número de dias equivalente ao ano comercial, assim, onde 1 mês = 30 dias e 1 ano = 360. Juros exatos: utiliza-se o calendário do ano civil, portanto 1 ano = 365 dias ou 366, sendo este último para os casos de ano bissexto. Exemplo: Um determinado empréstimo está sendo concedido à taxa de juros simples de 12% ao ano. Calcule, no regime de capitalização simples, a taxa de juros equivalente ao dia para os juros comerciais e para os juros exatos. (1 + i) - 1Taxa de juros = n 70 a) Juros comerciais: b) Juros exatos: 4.2 Juro composto O regime de capitalização composto corresponde à grande maioria das transações financeiras realizadas no mercado. Neste regime, os juros incidem sobre os juros do período anterior, crescendo de forma exponencial, portanto, à semelhança de uma progressão geométrica (PG). E assim como no regime simples, existem pelo menos três formas mais habituais para se calcular os juros: i) Método ampliado (tabela); ii) Aplicação de fórmula; iii) Uso de calculadora financeira. Vejamos agora cada uma delas de forma separada. 4.2.1 Método ampliado Vamos utilizar os mesmos dados do item 4.1.1 (juros simples), para podermos notar de forma comparativa a diferença entre os dois regimes de capitalização. Portanto, digamos que você fez uma aplicação financeira no valor de R$ 100,00, pelo prazo de 3 meses, a uma taxa de juros compostos de 10% ao mês. Assim, qual seria o valor do resgate no final da aplicação? 12% 360 dias 360 = = 360 dias 0,000333 ou 0,033333% ao dia 12% 0,12 365 = = 365 dias 0,000329 ou 0,032877 ao dia 71 Período Saldo inicial Juros apurados Saldo final Mês 1 100,00 100,00 x 0,10 = 10,00 110,00 Mês 2 110,00 110,00 x 0,10 = 11,00 121,00 Mês 3 121,00 121,00 x 0,10 = 12,10 133,10 Assim, observamos que no regime de capitalização composto o valor apurado no final da aplicação foi de R$ 133,10, valor este superior àquele encontrado no regime simples, o qual foi de apenas R$ 130,00. 4.2.2 Aplicação de fórmula O regime de capitalização composto é aquele modelo usado, como vimos anteriormente, de forma majoritária no mercado, correspondendo à regra de remuneração das aplicações financeiras (caderneta de poupança e fundos de investimento) no financiamento de empréstimo (automóveis e casas ), amortizações e nas demais operações financeiras de uma forma em geral. Para o cálculo dos juros compostos utilizamos a seguinte fórmula: J=C[(1+i)n-1] Dessa forma: J = juros C = capital (saldo inicial ou valor presente) i = taxa de juros n = prazo E para o cálculo do montante usamos: M=C(1+i)n Quadro 14 - Dados para a aplicação financeira 72 Assim Onde: M = montante (ou valor futuro) C = capital (ou valor presente) i = taxa de juros n = prazo Vejamos agora alguns exemplos para ilustrar a aplicação das fórmulas. Exemplo 1: Encontre os juros pagos de um empréstimo de R$ 10.000,00 pelo prazo de 5 meses à taxa composta de 4,5% ao mês. Dados: C = 10.000,00 n = 5 meses i = 4,5% a.m. J = ? J=C[(1+i)n-1] J = 10.000 [(1 + 0,045)5 – 1] J = 12.461,82 Exemplo 2: Qual é o valor de resgate de um fundo cuja aplicação inicial foi de R$ 15.000,00, pelo prazo de 8 meses à taxa de juros composta de 3,5% ao mês? Dados: C = 15000 n = 8 i = 3,5% a.m M = ? M= C (1+i)n M= 15.000 (1 + 0,035) 8 M = 15.000 (1,035)8 M = 15.000 (1,3168) 73 M = 19.752,14 Exemplo 3: se uma pessoa deseja obter R$ 100.000,00 dentro de um ano, quanto ela deverá aplicar hoje num ativo financeiro que rende 6% ao trimestre? Dados: M = 100.000 n = 1 ano (4 trimestres) i = 6% a.t C = ? M = C (1 + i) n 100.000 = C (1 + 0,06) 4 100.000 = C (1,06) 4 100.000 = C (1,2625) C=100.000 _____________ 1,2625 C = 79.209,37 Exemplo 4: Qual é a taxa mensal de juros de uma aplicação de R$ 20.000,00 que gera ao final de um semestre um valor futuro de R$ 23.881,05? Dados M = 23.881,05 C = 20.000 N = 6 meses i = ? 74 Exemplo 5: uma aplicação financeira de R$ 15.000,00 foi realizada à taxa de juros composta de 2,4% a.m., gerando um montante de R$ 18.133,89. Calcule o prazo da operação. M= C (1 + i)n 18.133,89 = 15.000 (1 + 0,024)n 18.133,89 _____________ 15.000=(1,024)n 1,208926 = (1,024)n Aplica-se logaritmo log 1,208926 = log (1,024)n log 1,208926 = n . log 1,024 log1,208926 ____________ log1,024n= n= n=8 0,0824 _______ 0,0103 M = c (1+i)n 23.881,05 = 20.000 (1 + i)6 (1 + i)6 (1 + i)6 1,194053 (1 + i)6 1,194053 23.881,05 = 20.000 6 6 6 1+i =√1,194053 1+i = 1,03 i = 1,03 – 1 i = 0,03 ou i = 3% Dados C= 15.000,00 i= 2,4% a.m M= 18.133,89 n= ? 75 Figura 26 - Passo a passo cálculo dos juros compostos (HP 12-C) 4.2.3 Calculadora financeira A calculadora financeira HP 12-C é apropriada para o cálculo de juros compostos. A notação utilizada denomina-se RPN (Notação Polonesa Reversa), por isso os operadores são posicionados depois dos números, ao contrário da notação algébrica, a qual posiciona-os entre os números. A figura abaixo demonstra o passo a passo para o cálculo dos juros compostos. 76 Regime Capitalização Progressão Incidência dos juros Simples Linear Aritmética (PA) Apenas sobre o capital inicial Composto Exponencial Geométrica (PG) Sobre o saldo dos juros acumulados Mas será que os juros compostos serão sempre superiores aos juros simples? Vejamos atentamente o gráfico seguinte, a fim de elucidar essa questão instigante. Quadro 15 - Comparação simplificada entre regimes de capitalização simples e composto Gráfico 1 - Comparativo entre o comportamento dos juros simples e compostos Fonte: Adaptado onde JS = juros simples e JC = juros compostos. Fonte: Elaborado pelo Autor 77 Somos sabedores que, tecnicamente, os juros compostos são superiores ao simples,mas, conforme demonstra o gráfico acima, observamos que o comportamento dos juros se modifica de acordo com o período avaliado. Assim, para aqueles prazos inferiores a um mês (ao lado esquerdo da linha tracejada azul), o regime simples é superior ao composto, enquanto que para os prazos superiores a um mês (ao lado direito da linha tracejada azul), o regime composto leva vantagem. Este fato certamente explica porque o cheque especial cobra juros simples para os períodos inferiores a um mês. Em síntese, concluímos que quanto maior for o prazo, maior será a diferença entre o regime simples e composto. Vejamos um exemplo para comprovar matematicamente o enunciado acima. Exemplo: calcule o montante gerado sobre uma aplicação de R$ 1.000,00 à taxa de 2% a.m. num período de 15 dias. a) No regime de capitalização simples Perceba que a taxa está ao mês, enquanto o período está ao dia, portanto precisamos uniformizar ambos para a mesma unidade de tempo, assim, usamos a regra de 3: 1 Mês ------------------- 30 dias X ------------------ 15 dias Pela regra de 3 30 x = 15 X= 15/30 X = 0,5 Assim: favor transcrever imagem J = C . i . n J = 1.000 x 0,02 . 0,5 J = 10 78 M = C + J M = 1.000 + 10 M = 1.010 b) No regime de capitalização composta M = C (1 + i)n M = 1.000 (1 + 0,02)0,5 M = 1.009,95 Portanto, evidencia-se que o montante apurado no regime simples (1.010,00) é ligeiramente superior àquele calculado no regime composto (1.009,95). RESUMO Nesta Unidade, tivemos a oportunidade de aprender sobre os meandros da matemática financeira, na observância do regime de capitalização simples e composto, conversão de taxas de juros etc., percebendo de forma peremptória e substancial a importância desta ferramenta indispensável para o mundo dos negócios e o nosso dia a dia. Vimos ainda que os conceitos e premissas, ligadas ao valor do dinheiro ao longo do tempo, proporcionam uma capacidade exponencial de ampliar o retorno sobre o investimento. Por outro lado, se estivermos na condição de devedores, os juros podem ser considerados nefastos, pois, se não tivermos o devido cuidado, o saldo da dívida crescerá de forma assustadora, caso não seja devidamente acompanhada – e sobretudo liquidada – com rigor e afinco. 79 REFERÊNCIAS ASSAF NETO, Alexandre. Matemática Financeira e suas Aplicações. 12.ed. São Paulo: Atlas, 2012a. __________. Finanças corporativas e valor. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2012b. HALFELD, Mauro. Investimentos: São Paulo: Fundamento, 2001. GLOSSÁRIO A ABRASCA Associação Brasileira das Companhias Abertas. Representa as empresas de capital aberto (com ações negociadas na Bolsa de Valores). Veja verbetes AÇÃO e CAPITAL ABERTO. ABECIP Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança. ABRAPP Associação Brasileira de Entidades Fechadas da Previdência Privada. Reúne os fundos de pensão, entidades fechadas da previdência privada. Veja FUNDO DE PENSÃO. AÇÃO Documento que representa a menor parcela do capital de uma empresa. Ao comprar uma ação, o investidor se torna, na prática, sócio da empresa, com direito a receber dividendos (lucros da empresa distribuídos periodicamente aos acionistas) e participar das decisões da companhia, conforme o tipo de ação. As ações são negociadas em Bolsa de Valores. Veja DIVIDENDO, AÇÃO ORDINÁRIA e AÇÃO PREFERENCIAL. AÇÃO CHEIA Aquela ação com dividendos e/ou bonificações a serem pagos. Também são chamadas assim as ações cujo direito de subscrição (direito dado ao acionista de comprar novas ações que sejam emitidas pela empresa) ainda não foi exercido. Veja SUBSCRIÇÃO. AÇÃO ORDINÁRIA Ação que dá ao investidor o direito de votar nas decisões da empresa, como a eleição da diretoria. É representada pela sigla ON. AÇÃO PREFERENCIAL Tipo de ação que dá preferência ao acionista na distribuição de dividendos (lucro da empresa distribuído periodicamente aos acionistas). Em caso de extinção da empresa, os detentores desse tipo de ação também têm prioridade na restituição do capital. A ação preferencial, porém, não dá direito a voto em assembleias da empresa. É representada pela sigla PN. AÇÃO VAZIA Ação cujos direitos a dividendos (lucros da empresa distribuídos periodicamente aos acionistas), bonificações e subscrição (direito dado ao acionista de comprar novas ações que sejam emitidas pela empresa) já foram exercidos. Veja DIVIDENDO e SUBSCRIÇÃO. ACIONISTA Quem possui ações de uma empresa de capital aberto. ACIONISTA MAJORITÁRIO Acionista que detém o maior número de ações com direito a voto de uma empresa, o que lhe garante o controle de uma empresa. ACIONISTA MINORITÁRIO Acionista que possui ações com direito a voto, mas não em número suficiente para ter o controle da empresa sozinho. ADR Sigla para "American Depositary Receipt", termo em inglês dado às ações de empresas de fora dos EUA negociadas nas Bolsas americanas. Assim, empresas brasileiras podem ser negociadas nas Bolsas americanas por meio de ADRs. AFTER MARKET Pregão eletrônico da Bolsa de Valores realizado após o encerramento do horário regular de negócios. AGÊNCIA DE RISCO Companhia que analisa e classifica empresas e governos em função do risco que apresentam de não pagar suas dívidas. Emitem pareceres (opiniões) que podem servir de referência para decisões de investidores. As principais agências internacionais de classificação de risco são: Moody´s, Standard & Poor's e Fitch. Um país ou uma empresa que obtenham má classificação de risco podem deixar de ser destino de grandes investidores internacionais, como fundos, dependendo das regras internas que eles tenham determinado para o perfil de seus investimentos. Veja FUNDO DE INVESTIMENTO. ÁGIO Valor pago acima do preço de um produto, título ou taxa. Sobre-preço. ALAVANCAGEM É o termo geral para qualquer técnica realizada por uma empresa para aumentar os lucros elevando o risco da operação. Há dois tipos de alavancagem. 1) Alavancagem financeira: ocorre quando uma empresa usa encargos financeiros para aumentar sua possibilidade de ganho. Por exemplo, uma companhia pode alavancar seu PATRIMÔNIO LÍQUIDO (veja verbete) tomando dinheiro emprestado. Quanto mais ela toma empréstimos, menos capital próprio (dinheiro e bens pertencentes a ela) ela precisa. Assim, a companhia poderá ter mais lucros (ou perdas, se a operação der errado) em relação ao seu capital próprio. 2) Alavancagem operacional: quando uma empresa expande operações (produção ou vendas) para aumentar os lucros, mantendo inalterados os custos fixos (por exemplo, com pagamento de funcionários, aluguel e compra de materiais; veja CUSTO FIXO). ANBIMA Associação Brasileira da Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. Atua como entidade autorreguladora. Também compila e divulga informações sobre o desempenho de fundos de investimento. ARBITRAGEM Compra ou venda de ativos (como ações, moedas ou commodities; veja verbetes AÇÃO, COMMODITIES e MOEDA) para comprar ou vender depois, aproveitando a diferença de preços, com objetivo de lucrar. A arbitragem pode ser feita entre o mercado à vista (em que são negociados os ativos a preços formados naquele momento) e o mercado futuro (que negocia contratos com diversos prazos de vencimento, a diferentes preços). A arbitragem também pode ser feita entre contratos com prazos diferentes no mercado futuro. ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA Reunião de acionistas convocada pela diretoria da empresa para deliberar sobre qualquer matéria de interesse da empresa. Em geral, participam os acionistas com direito a voto. Veja: AÇÃO PREFERENCIAL e AÇÃO ORDINÁRIA. ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIAReunião periódica de acionistas de uma empresa. Geralmente, participam os acionistas com direito a voto, mas, conforme resolução da empresa, também podem participar aqueles que não votam. Nesse encontro, são apresentados os resultados da companhia em determinado período, além de serem feitas votações dos relatórios de diretoria e a eleição do conselho fiscal. Veja: AÇÃO PREFERENCIAL e AÇÃO ORDINÁRIA. ATIVO Termo que designa qualquer bem, valor ou crédito que forma o patrimônio de uma empresa ou de uma pessoa e que pode ser convertido em dinheiro. Por exemplo, são ativos: ações, títulos, imóveis, funcionários. Veja: AÇÃO e TÍTULO. AUDITORIA Exame analítico da contabilidade de uma empresa ou fundo. Pode ser feita pela própria empresa (auditoria interna) ou de forma independente por um auditor sem nenhum vínculo permanente com a empresa (auditoria externa). B BALANÇA COMERCIAL Relação entre importações e exportações de um país. Se as exportações superam as importações, ocorre um superávit comercial. Quando as importações são maiores que as exportações, há um déficit comercial. É um componente da BALANÇA DE PAGAMENTOS (veja verbete). BALANÇA DE SERVIÇOS É constituída pelos registos dos valores de todas as prestações de serviços (como turismo, transportes, fretes, seguros) e de rendimentos de capitais (juros, dividendos etc.) de um país. É um componente da BALANÇA DE PAGAMENTOS (veja verbete). BALANÇA DE PAGAMENTOS Registra o total de dinheiro que entra e sai de um país, na forma de importações e exportações de produtos, serviços, capital financeiro, assim como transferências comerciais. BALANÇO É um demonstrativo financeiro que retrata a situação de uma empresa em determinado momento. As empresas com ações negociadas em Bolsa de Valores (veja CAPITAL ABERTO) precisam divulgar balanços periodicamente (a cada três meses). Nessas divulgações, as companhias costumam apresentar, juntamente com o balanço, um relatório descritivo das atividades realizadas no período. Esse documento complementar, em geral, detalha as metas alcançadas, as eventualmente não batidas e os desafios a serem superados. Os relatórios de balanço são um importante instrumento de informação ao investidor sobre as empresas com ações em Bolsa, e que podem ser alvo de aplicações financeiras. Tanto os balanços quanto os relatórios podem ser encontrados nos sites das empresas, na seção "relação com investidores" ou "informações financeiras". Os balanços também são colocados à disposição para consulta pública no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), órgão regulador do mercado de capitais (veja verbete CVM). BANCO Empresa do setor financeiro. Há diferentes tipos de bancos: 1) Banco comercial: guarda dinheiro ou valores de clientes e concede empréstimos. 2) Banco de investimento: auxilia pessoas físicas ou jurídicas (seus clientes) a alocar o seu dinheiro nos mais diversos tipos de investimento. (veja BANCO DE INVESTIMENTO). 3) Banco de desenvolvimento: instituição financeira controlada pelo governo, que tem por objetivo prover os recursos necessários ao financiamento, a médio e a longo prazo, de programas e projetos/empresas para promover o desenvolvimento econômico e social (veja BANCO DE DESENVOLVIMENTO). BANCO CENTRAL Instituição financeira governamental responsável por garantir a estabilidade da moeda de um país e regular o sistema financeiro. Emite papel-moeda. Também coloca em prática a política monetária, através do controle das taxas de juros de curto prazo, entre outras. No Brasil, é o Banco Central do Brasil (BC). Outros bancos centrais pelo mundo são: Federal Reserve (EUA); Bank of England (Inglaterra); Banco do Japão (Japão) e Banco Central Europeu (zona do euro). BANCO CENTRAL DO BRASIL É a instituição o governamental responsável por cuidar do Sistema Financeiro Nacional. Entre suas atribuições estão a execução da política monetária do governo, a emissão de papel-moeda, autorização e fiscalização das instituições financeiras, compra e venda de títulos públicos federais, custódia e administração das reservas nacionais e em moedas estrangeiras, controle do crédito e do capital estrangeiro e representação do governo brasileiro junto aos organismos financeiros internacionais. Foi criado em 1964, para substituir a SUMOC (Superintendência da Moeda e do Crédito), quando recebeu também funções exercidas pelo Banco do Brasil. Também chamado de Bacen. BANCO DE DESENVOLVIMENTO Instituição financeira pública que tem por objetivo prover os recursos necessários ao financiamento, a médio e a longo prazo, de programas e projetos/empresas com vistas a promover o desenvolvimento econômico e social. BANCO DE INVESTIMENTO Instituição financeira privada que auxilia pessoas físicas ou jurídicas (seus clientes) a alocar o seu dinheiro nos mais diversos tipos de investimento, como por exemplo, no mercado financeiro. Também assessora negócios, estrutura lançamentos de ações de empresas (veja verbete IPO) e institui, organiza e administra fundos de investimento. BANCO DO BRASIL O Banco do Brasil (BB) é uma sociedade anônima de economia mista controlada pelo governo, que detém 51% das ações. Como acionista majoritário, o governo indica o presidente e a diretoria. É uma das autoridades monetárias do país. BANCO MÚLTIPLO Banco que opera, obrigatoriamente, carteiras de banco comercial ou de investimento simultaneamente. Outras carteiras disponíveis para operação: banco comercial, banco de investimento e/ou banco de desenvolvimento (neste caso, exclusivamente para bancos oficiais), sociedade de crédito imobiliário, sociedade de crédito, financiamento e investimento e sociedade de arrendamento mercantil (leasing). BANCO MUNDIAL Ver Bird (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento). BANCO DO NORDESTE DO BRASIL Sociedade de economia mista criada pelo governo para promover a região Nordeste. Com sede em Fortaleza, abrange a região do Polígono das Secas, que inclui o norte de Minas Gerais. BENCHMARK Expressão em inglês que significa ponto de referência. É o nome dado a um indicador que serve como referência de desempenho de determinado investimento financeiro. Por exemplo, os fundos de ações costumam ter como "benchmark" (ou referência) o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (veja verbete IBOVESPA). Assim, um fundo de ações desse tipo obtém um desempenho melhor que o do Ibovespa em determinado período, ele superou o seu "benchmark". BID Banco Interamericano de Desenvolvimento. É uma instituição internacional para financiar projetos de desenvolvimento social e econômico na América Latina e no Caribe. Os principais acionistas são EUA, Canadá, Brasil, Argentina e México. Formada originalmente por nações do continente americano, tem participação de mais 14 países de outras regiões, como o Reino Unido. Criada em 1959, tem sede em Washington, nos EUA. BIRD Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento, também conhecido como Banco Mundial (World Bank). Ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), o Bird é uma instituição financeira internacional que concede empréstimos e assistência para o desenvolvimento dos países. A maior parte dos seus recursos é obtida através da venda de títulos nos mercados internacionais de capital. Foi criada durante a Conferência de Bretton Woods, em 1944, para financiar a reconstrução de países atingidos pela 2ª Grande Guerra. BLUE CHIPS Nome dado às ações mais negociadas no mercado financeiro. Também chamadas de ação de primeira linha. BM&FBOVESPA Bolsa de Valores brasileira, sediada em São Paulo, que reúne mercados à vista (Bovespa) e de contratos futuros (BM&F - Bolsa de Mercadorias& Futuros), como derivativos de juros, câmbio, índices e mercadorias (commodities, como soja, milho, café etc.). BM&F e Bovespa fundiram-se em 2008. BNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Instituição financeira federal criada em 1952 para fomentar o desenvolvimento de setores básicos da economia e desenvolver políticas de investimentos empresariais de longo prazo. BOLSA DE VALORES Instituição sem fins lucrativos na qual são negociados ações e contratos (veja DERIVATIVOS). A Bolsa deve ter, obrigatoriamente, um local ou um sistema eletrônico de negociação, adequado à realização de transações de compra e venda dos papéis. BÔNUS DE AÇÕES Bonificação em ações concedida aos acionistas quando ocorre aumento de capital de uma empresa. BOOM Termo em inglês que significa "explosão". Refere-se a períodos de rápida expansão econômica. No mercado financeiro, é usado para momentos de grande valorização. C C-BOND Títulos da dívida externa do Brasil, emitidos pelo governo federal. Um título de dívida é uma espécie de "vale" que atesta que o comprador (investidor) emprestou dinheiro a um governo ou empresa, e que descreve os termos de reembolso (veja verbete TÍTULO DE DÍVIDA). CADE Conselho Administrativo de Defesa do Consumidor. Criado em 1965, é responsável pela defesa da concorrência e pela prevenção e repressão dos abusos do poder econômico. CADERNETA DE POUPANÇA O mais tradicional e popular investimento no Brasil. Não há incidência de Imposto de Renda nem custos como taxa de administração (cobrada em outras aplicações, como fundos de investimento). Os recursos aplicados em poupança são de fácil resgate, o que pode ser feito a qualquer momento e sem custo. Com a queda da taxa de juros, o governo decidiu mudar as regras da poupança em maio de 2012. Pelas novas regras, cada vez que a taxa Selic (juro básico do país) for igual ou menor que 8,5% ao ano, a poupança renderá o equivalente a 70% da Selic, acrescidos da Taxa Referencial (TR). Depósitos feitos antes da alteração continuam com a regra antiga, de rendimento de 6,17% ao ano mais a TR. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Instituição bancária que concede empréstimos e financiamentos a programas e projetos nas áreas como habitação, assistência social, saúde, educação, trabalho, transportes urbanos e esporte. Faz parte do Sistema Financeiro Habitacional, tendo ainda a competência de vender bilhetes de loterias e a responsabilidade de centralizar o recolhimento e a aplicação de todos os recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). CALOTE Dívida cujo devedor declara não ter intenção de pagar. CÂMARA DE COMPENSAÇÃO Organização que reúne vários bancos comerciais de uma localidade para liquidar os débitos entre eles, registrando todos os cheques emitidos pelos clientes de cada um naquele dia. No Brasil, a compensação de cheques é função do Banco do Brasil. CÂMBIO Operação financeira que consiste em vender, trocar ou comprar valores em moedas de outros países. CÂMBIO FIXO Regime cambial em que o governo estabelece um valor fixo entre sua moeda e outras moedas fortes, em geral o dólar americano. CÂMBIO FLUTUANTE Regime cambial em que a moeda varia de acordo com oferta e procura de uma moeda, em geral o dólar. Também chamado de câmbio livre. CAPITAL ABERTO Termo que designa a situação de uma empresa que já lançou ações em Bolsa de Valores. Quando uma empresa passa a ser de capital aberto, suas ações são compradas e vendidas por investidores no mercado financeiro. Companhias de capital aberto precisam divulgar informações financeiras periódicas aos seus investidores, os chamados balanços. Veja verbetes AÇÃO e BALANÇO. CARTEIRA Conjunto de ativos (como ações e títulos) de um investidor ou fundo de investimento. Por exemplo, um determinado investidor que tenha uma ampla carteira em ações de energia elétrica detém papéis negociados em Bolsa de todas as principais empresas do setor. Veja verbetes AÇÃO e TÍTULO. CBLC Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia. Presta serviços de guarda e liquidação financeira (a entrega ao vendedor do pagamento acordado em determinado negócio) das operações realizadas na BM&FBovespa e em outros mercados. Veja LIQUIDAÇÃO FINANCEIRA. CAPITAL Soma de recursos e bens que formam um patrimônio. Recursos investidos em ativos ou em atividades econômicas, com intenção de lucro. Veja ATIVO. CARÊNCIA Período de tempo estabelecido em contrato em que o investidor não pode resgatar seus recursos, ou durante o qual está sujeito a penalizações se resgatar, como descontos ou pagamentos de taxas. CARTEIRA DE AÇÕES Conjunto das ações pertencentes a um investidor. CDB Certificado de Depósito Bancário. Título emitido pelos bancos, é uma modalidade de investimento de renda fixa que paga um percentual do CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro), que é a taxa de juros praticada nos empréstimos entre bancos. O CDB funciona como um empréstimo feito pelo investidor à instituição, que se compromete a devolver a quantia com juros depois de um determinado período. Leia mais em "opções de investimentos", neste site. Veja verbetes TÍTULO e CDI. CDI Certificado de Depósito Interfinanceiro. É a taxa de juros praticada em empréstimos feitos entre bancos. O CDI também serve de base para remuneração de investimentos, como os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e fundos de investimentos. Veja verbetes CDB e FUNDO DE INVESTIMENTO. CETIP Companhia de capital aberto que oferece custódia, registro, negociação e liquidação financeira (a entrega ao vendedor do pagamento acordado em determinado negócio) de operações feitas com títulos privados e públicos (estaduais e municipais). É a maior depositária de títulos privados de renda fixa da América Latina e a maior câmara de ativos privados do país. Mais de 15 mil instituições utilizam os serviços da Cetip, como fundos de investimento, bancos, corretoras e distribuidoras, financeiras e consórcios. A empresa também presta serviços de liquidação de DOCs e processamento TEDs, bem como registros de Gravame, de CDBs e de títulos de Renda Fixa. Veja verbetes TÍTULO, LIQUIDAÇÃO FINANCEIRA e CAPITAL ABERTO. CIRCUIT BREAKER Dispositivo, adotado por Bolsas de Valores, que interrompe as negociações de ações na Bolsa quando há queda ou alta muito expressiva de ações em um curto período de tempo. Historicamente, é mais comum seu acionamento em caso de grandes quedas. Na BM&FBovespa (Bolsa brasileira), a regra é que o sistema é acionado quando o Ibovespa (principal índice do mercado acionário do país), que agrega as ações mais negociadas, cai mais de 10% em relação ao desempenho obtido no fechamento dos negócios na véspera. As negociações ficam paralisadas durante 30 minutos. Se, depois de retomadas as negociações, o índice registrar mais 5% de baixa (perfazendo um total de 15% de queda no dia), o "circuit breaker" é novamente acionado. Desta vez, as negociações ficam paradas por 60 minutos. Se após novo retorno a queda chegar a 20%, os negócios são suspensos por tempo indeterminado. A Bolsa informa ao mercado qual será esse prazo. A regra prevê, no entanto, que um dia de negócios na Bolsa nunca termine com um "circuit breaker". Sempre haverá pelo menos mais meia hora de negócios depois do retorno de uma paralisação. O objetivo é que os investidores possam ajustar suas aplicações antes do fechamento da Bolsa. Também há na BM&FBovespa o "circuit breaker" para ativos individuais (como ações), que é acionado quando ocorre queda ou alta de mais de 15% do preço. Nesse caso, a negociação desse papel é suspensa e ele é colocado em leilão. Veja LEILÃO DE AÇÕES. CLUBE DE INVESTIMENTOSSociedade de investidores para atuar em mercado de ações. Os clubes devem ser registrados na Bolsa de Valores e possuir um estatuto próprio. Ao contrário dos fundos de investimento, não precisam ter patrimônio mínimo. Um clube de investimento pode ser composto por três pessoas, no mínimo, e 150, no máximo. CMN Conselho Monetário Nacional. É o órgão máximo do Sistema Financeiro Nacional. O CMN estabelece as diretrizes gerais das políticas monetária, cambial e creditícia, e regula as condições de constituição, funcionamento e fiscalização das instituições financeiras. Por exemplo, é o CMN que autoriza a emissão de papel-moeda e define qual é o valor máximo do imóvel, cuja compra pode ser feita com uso do FGTS (Fundo Garantidor do Tempo de Serviço). Compõem o CMN: os ministros da Fazenda (que é o presidente do conselho) e do Planejamento, Orçamento e Gestão, e o presidente do Banco Central. COMMODITY ou COMMODITIES Commodities são produtos, geralmente matérias- primas (como grãos, metais e petróleo) cujo preço é estabelecido no mercado internacional (Bolsas de Valores). CONCORDATA Recurso jurídico que permite que uma empresa continue a funcionar mesmo em situação de insolvência, como forma de evitar a falência. A empresa declara que é incapaz de saldar seus débitos nos prazos estabelecidos, mas se obriga a liquidar suas dívidas, conforme regras determinadas pela Justiça. COPOM Comitê de Política Monetária. É um órgão do Banco Central e se reúne periodicamente para definir diretrizes da política monetária, na qual se destaca a definição da taxa Selic (juro básico da economia). Também elabora um documento em que faz uma análise da situação econômica nacional e internacional para embasar suas decisões e indicar tendências futuras (ata do Copom). CONTROLE ACIONÁRIO Quando um acionista, ou grupo de acionistas, detém a maior parcela de ações com direito a voto (não necessariamente mais da metade do total) de uma empresa. Isso garante o poder de decisão sobre a companhia. CORRETAGEM Atividade do intermediário entre o comprador e vendedor de ativos (como ações e moedas). O corretor cobra uma taxa para realizar o negócio (taxa de corretagem). Veja ATIVO. CORRETORA Instituição do sistema financeiro que age como intermediária nas transações entre os investidores e a Bolsa de Valores. COTA É a fração de um fundo. Todo o patrimônio de um fundo de investimento é a soma de cotas que foram compradas por diferentes investidores. Todos que investem em fundos compram cotas. O comprador é chamado no mercado de cotista. COTAÇÃO Preço de determinado ativo negociado no mercado financeiro. Por exemplo, a cotação do dólar ao final de um dia de negócios ficou em R$ 2,10. CRASH Termo utilizado para designar uma forte queda na Bolsa de Valores. A palavra, que em inglês significa "colisão", ficou conhecida após a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929. CUSTO FIXO É a soma dos custos da empresa que permanecem inalterados, mesmo que a companhia esteja de "portas fechadas". Por exemplo, com funcionários (mesmo que estejam em férias coletivas), aluguel ou IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). CVM Comissão de Valores Mobiliários. Autarquia federal que regula, disciplina e fiscaliza o mercado de capitais. D DATA DE EXERCÍCIO DA OPÇÃO Data em que o investidor pode exercer a opção de comprar ou vender determinado ativo (como ação ou contrato). DAY TRADE Considera-se "day trade" a operação ou a conjugação de operações iniciadas e encerradas em um mesmo dia, com o mesmo ativo, em uma mesma instituição intermediadora (como uma corretora). DEBÊNTURE Título de crédito emitido por empresas para captar recursos. Ao comprar uma debênture, o investidor se torna credor da empresa, que se compromete a pagar o valor do título e mais uma remuneração previamente acordada (como uma taxa de juros) no vencimento do papel. A garantia da debênture é o patrimônio da empresa. Existe um tipo de debênture chamada de debênture conversível, que pode ser convertido em ação no futuro. DEFAULT É o não cumprimento de obrigações contratuais, como o não pagamento de dívidas na data estabelecida. DÉFICIT Em contabilidade, quando despesas superam as receitas. Oposto de saldo. DÉFICIT COMERCIAL Situação na qual o valor das exportações está abaixo do valor das importações de um país. DÉFICIT PÚBLICO Quando as despesas de um governo são superiores à arrecadação (receita). Diferente de Déficit nominal, que inclui os gastos com juros e a correção monetária. DEFLAÇÃO Queda do nível geral de preços causada por oferta excessiva de bens, ou pela demanda escassa. Índice de inflação negativo. DEMANDA REPRIMIDA Consumo contido por fatores como pouca oferta de determinado item (por exemplo, a pouca oferta de imóveis residenciais novos no passado contribuiu para uma demanda reprimida por moradias no Brasil), alta de preços, falta de crédito e desemprego. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Demonstrativos contábeis e demais informações apresentados pelas empresas que relatam a situação econômica e financeira de uma companhia. Veja BALANÇO. DEPÓSITO COMPULSÓRIO Dinheiro que os bancos são obrigados a deixar depositado no Banco Central, sem poder emprestar a clientes. DERIVATIVOS Contratos que derivam de outros ativos e que têm vencimento futuro. São exemplos de derivativos os contratos que apostam no preço de uma commodity (matéria-prima negociada em Bolsa, como soja, milho e petróleo) em determinada data futura, os que apostam no preço do dólar em determinada data futura, ou os que apostam no valor do Ibovespa (principal índice da Bolsa brasileira) no futuro. Veja IBOVESPA. DESÁGIO Diferença negativa entre o preço de venda e o valor nominal de determinado ativo (como um título; veja ATIVO e TÍTULO). Desconto. Por exemplo, um investidor pode adquirir um título de dívida de determinada empresa por um valor menor (com deságio) que o nominal (valor de face) para, no vencimento desse papel, embolsar a diferença como lucro. Para a empresa, a vantagem é a captação imediata de recursos (dinheiro do comprador do título). DISCLOSURE Medida impositiva dos órgãos oficiais reguladores dos mercados de capitais, que obriga a companhia a divulgar todas as informações relevantes, boas ou más, que possam influenciar numa decisão de investimento naquela companhia. DIVERSIFICAÇÃO Estratégia de distribuir os investimentos em diversas modalidades para reduzir os riscos inerentes às aplicações. Por exemplo, um investidor pode ter uma carteira diversificada em ações, imóveis e fundos de investimento. DIVIDENDO Parcela do lucro de uma empresa que é distribuída entre os acionistas. DIVISAS Reservas internacionais de um país, incluindo valores em moeda estrangeira, ordens de pagamento, ouro, letras e outros ativos (como títulos) em moeda estrangeira. Veja TÍTULO. DÓLAR COMERCIAL Taxa de câmbio que é publicada pelo Banco Central e utilizada nas operações de balança comercial e de serviços do país (exportações, importações), no pagamento da dívida externa e na remessa de dividendos das empresas com sede no exterior. DÓLAR FLUTUANTE ou DÓLAR TURISMO Taxa de câmbio usada como referência para compra de moeda estrangeira para viagem, tanto em espécie quanto em "travellers" (cheques-viagem). O dólar turismo também é usado para contribuições a entidades, doações, heranças, aposentadorias e pensões, manutenção de residentes e tratamento de saúde. DÓLAR FUTURO Cotação projetada para o valor do dólar frente ao real no mercado futuro de câmbio. DOW JONES Dow Jones Industrial Average. Utilizado para acompanharo desempenho das ações da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). Seu cálculo é uma média simples das cotações das ações das trinta empresas industriais mais importantes dos EUA, todas listadas na NYSE, com exceção da Microsoft e da Intel, que são listadas na Nasdaq. Veja NASDAQ. E EBITDA Lucro de uma empresa antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês. EMISSÃO Operação de colocação de dinheiro, títulos ou outros ativos (como ações) em circulação. ESPECULAÇÃO Operação de compra e venda sistemática de ativos (como ações, títulos e moedas) em um curto prazo, com objetivo de lucrar. F FATO RELEVANTE Documento divulgado ao mercado pelas empresas com ações negociadas em Bolsa, postado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), com conteúdo sobre decisões e operações realizadas por essas companhias (como uma fusão ou aquisição). É importante objeto de análise para o investidor. Veja CVM. FECHAMENTO DE CAPITAL Situação em que uma empresa recompra suas ações negociadas na Bolsa. Companhia deixa de ser de capital aberto. Veja CAPITAL ABERTO. FED Federal Reserve Bank. É o banco central dos Estados Unidos. Criado pelo Congresso norte-americano em 1913, opera o sistema nacional de pagamentos, distribui a moeda nacional, supervisiona e regulamenta o sistema bancário. FENAPREVI Federação Nacional de Previdência Privada e Vida. Representa as instituições que oferecem planos de previdência privada (PGBL e VGBL - veja verbetes neste glossário). FGC Fundo Garantidor de Créditos. Instituição que fornece cobertura, em caso de quebra de bancos, de até R$ 250 mil por CPF, para pessoas que possuam determinados tipos de crédito nessas instituições financeiras (por exemplo, conta corrente, poupança e CDBs). Veja CDB. FGTS Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Reúne recursos depositados em nome dos empregados (valor correspondente a 8% do salário de cada funcionário). O trabalhador pode usar os recursos do fundo para adquirir a casa própria, ou sacar o valor no caso de aposentadoria. O FGTS também financia programas de habitação popular, saneamento básico e infraestrutura urbana. FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL OU FÓRUM DE DAVOS Encontro de chefes de Estado, autoridades econômicas e empresários para discutir os problemas da economia mundial. Ocorre anualmente em Davos, na Suíça, e não tem caráter deliberativo. FMI Fundo Monetário Internacional. Organização financeira internacional, criada em 1944, que reúne 184 países para proporcionar assistência financeira temporária a países em dificuldade. FUNDING Volume de recursos disponíveis para determinada operação financeira. FUNDO DE INVESTIMENTO Condomínio de investidores gerido por uma instituição financeira, que cobra uma taxa de administração pelo serviço. Há várias modalidades de fundo. Detalhes sobre elas podem ser obtidos no site da ANBIMA. FUNDO DE PENSÃO Nome dado às entidades fechadas de previdência privada. Atendem a empresas (seus funcionários) ou sindicatos (seus integrantes). Em geral, são fundos mais antigos. G G7 Grupo formado pelos dirigentes das sete mais importantes potências econômicas que se reúne para coordenar suas políticas econômicas e monetárias. Os países que fazem parte do G7 são: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Devido à sua importância política e militar, a Rússia foi incluída em 1997 e o grupo passou a adotar a sigla de G8. G8 Grupo das principais economias do mundo mais a Rússia. G20 Grupo formado pelo G7 – as sete maiores economias do mundo – mais Brasil, Rússia, Argentina, Austrália, China, Índia, Indonésia, Coreia do Sul, México, Arábia Saudita, África do Sul e Turquia. H HEDGE Mecanismo usado por investidores (individuais ou fundos) e empresas para se proteger do risco de oscilações de preços. Por exemplo, se uma empresa tem de pagar uma fatura em moeda estrangeira no prazo de 60 dias, pode fazer "hedge" comprando essa moeda hoje para evitar o risco de que, daqui a dois meses, o preço esteja mais alto, o que elevaria o custo final (em reais) dessa dívida. HEDGE FUND Termo utilizado para designar fundos que aplicam em diversos ativos (como ações, moedas e títulos) simultaneamente para compensar os riscos dos investimentos. HOLDING Empresa cuja função é controlar outras companhias mediante a posse da maioria das ações. HOME BROKER Nome dado ao sistema quer permite o investimento em ações pela internet. Qualquer investidor pode participar. É preciso se cadastrar em uma corretora. Veja CORRETORA. I IBOVESPA Principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo. Reúne as ações mais negociadas da Bolsa, que representaram 80% do volume negociado no mercado nos últimos 12 meses. Os papéis do Ibovespa também devem ter presença mínima de 80% dos pregões analisados e participação superior a 0,1% do volume financeiro total. Essa carteira é revisada a cada quatro meses. IBOVESPA FUTURO Contrato de derivativo do Ibovespa negociado no mercado futuro. Expressa a pontuação estimada do Ibovespa em uma data futura. IBX Índice Brasil. Reúne as 100 ações mais negociadas na BM&FBovespa. Essa carteira é revisada a cada quatro meses. IGP-DI Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna. Calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Mede a variação de preços no mercado de atacado, de consumo e construção civil. É composto pela soma de outros três índices: IPA (Índice de Preços por Atacado), com peso de 60%; IPC (Índice de Preços ao Consumidor), com peso de 30%, e INCC (Índice Nacional de Custos da Construção), com peso de 10%. O IGP-DI exclui os produtos importados, considerando apenas o que é produzido internamente. É calculado com base nos preços apurados do primeiro ao último dia de cada mês. IGP-M Índice Geral de Preços do Mercado. Calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Mede a variação de preços no mercado de atacado, de consumo e construção civil. É composto pela soma ponderada de outros três índices: IPA (Índice de Preços por Atacado), com peso de 60%, IPC (Índice de Preços ao Consumidor), com peso de 30% e INCC (Índice Nacional de Custos da Construção), com peso de 10%. O IGP-M considera todos os produtos disponíveis no mercado, inclusive o que é importado, sendo calculado com base nos preços coletados entre o dia 21 do mês anterior e 20 do mês em curso. INDEXADOR É o índice escolhido para correção de valores de contratos e investimentos. INFLAÇÃO Aumento persistente de preços, de forma generalizada, que resulta em perda do poder aquisitivo da moeda. INPC Índice Nacional de Preços ao Consumidor. Média ponderada de índices elaborados pelo IBGE para as regiões metropolitanas do País (Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, Brasília e Goiânia). INSIDER Investidor ou pessoa do mercado que tem acesso a informações privilegiadas antes de se tornarem públicas. INSOLVÊNCIA Situação em que uma pessoa física ou jurídica admite ser incapaz de pagar seus compromissos financeiros. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS Organizações autorizadas a funcionar pelo Banco Central, que compõem o mercado financeiro. Bancos comerciais, bancos de investimento, sociedades corretoras e cooperativas de crédito são exemplos de instituições financeiras. IOF Imposto sobre Operações Financeiras. Cobrado, em diferentes alíquotas (taxas), nas operações financeiras, como investimentos e transferências de valores. IPCA Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Calculado pelo IBGE. Índice oficialmente usado pelo governo para medir a inflação no país e definira política monetária. IPC/FIPE Índice de Preço ao Consumidor. Calcula a variação dos preços de uma cesta de consumo média e provável para a população da cidade de São Paulo, calculado pela Fundação de Pesquisas Econômicas da USP. IPO Sigla em inglês para Oferta Pública Inicial de Ações. Refere-se ao lançamento de ações feito por uma empresa na Bolsa de Valores, momento em esses papéis podem ser adquiridos por qualquer investidor interessado. A partir do IPO, a empresa passa a ser de CAPITAL ABERTO (veja verbete). IMPOSTO DE RENDA (IR) Imposto cobrado sobre a renda de pessoas físicas e empresas. No caso das pessoas físicas, quanto maior a renda, maior a taxa do imposto incidente. Para as empresas, o percentual do imposto de renda depende do tipo da empresa e do regime de tributação no qual ela se enquadra. INVESTIDOR QUALIFICADO Instituições financeiras, companhias seguradoras, sociedades de capitalização, entidades abertas e fechadas de previdência complementar, administradores de carteira, consultores de investimento e pessoas físicas ou jurídicas que possuam patrimônio acima de R$ 300 mil e que, adicionalmente, atestem por escrito tal condição, mediante termo específico. Os fundos de investimento destinados exclusivamente a investidores qualificados são considerados igualmente qualificados. J JURO Remuneração que o tomador de empréstimo precisa pagar ao detentor do dinheiro emprestado. Pode ser simples (quando é calculado sobre o montante do capital) ou composto (quando o juro é somado ao capital emprestado formando o montante sobre o qual se calcula o juro seguinte). Leia também sobre juro básico da economia, no verbete SELIC. JURO NOMINAL Valor pelo qual o juro é contratado. JUROS DE MORA Juros decorrentes de atraso no pagamento. JURO REAL Valor do juro nominal descontada a taxa de inflação do período. L LAIR Sigla para lucro antes do Imposto de Renda de uma empresa. LAJIR Sigla para lucro antes dos juros e do Imposto de Renda de uma empresa. LEILÃO DE AÇÕES No leilão de ações, a Bolsa não fecha negócios com os papéis à medida que as ofertas chegam, como ocorre normalmente durante as negociações. No leilão, as ofertas de compra e de venda das ações são apenas registradas e só depois de todas aceitas é que os negócios são fechados, na medida em que os preços de compra e venda se encaixem. Os leilões ocorrem antes do início das negociações regulares na Bolsa (durante 15 minutos) e em caso de "circuit breaker". Veja verbete CIRCUIT BREAKER. LETRA DO TESOURO Letra do Tesouro Nacional (LTN). É um título de responsabilidade do Tesouro Nacional emitido para a cobertura de déficit orçamentário. Título de rentabilidade prefixada. LETRA DE CÂMBIO Tipo de título negociável no mercado, emitido por sociedades de crédito, financiamento e investimento, e utilizado como fonte de recursos para o crédito direto ao consumidor. LETRA HIPOTECÁRIA Título de crédito emitido por instituições autorizadas, garantido pelo penhor de créditos hipotecários e que confere direito de crédito pelo valor nominal, atualização monetária e juros determinados. LETRA IMOBILIÁRIA Título emitido por sociedades de crédito imobiliário, destinado à captação de recursos para o financiamento de construtores e adquirentes de imóveis e que rende juros. LIQUIDAÇÃO FINANCEIRA Consiste no pagamento pelo comprador ao vendedor do valor acordado em uma transação. LIQUIDEZ Refere-se à velocidade e à facilidade com que um ativo (como ação, título ou ouro) pode ser convertido em dinheiro. Ouro é um ativo relativamente líquido; um imóvel não é. Um ativo de alta liquidez, portanto, é aquele que pode ser vendido rapidamente sem perda significativa de valor. Um ativo ilíquido é aquele que não pode ser convertido em caixa rapidamente, sem que haja redução substancial do preço. LUCRO BRUTO É o resultado obtido do total de receitas menos as despesas incorridas para manter o negócio, como custos de produção, de vendas, de salários de uma empresa, sem considerar a dedução de impostos e participações. LUCRO LÍQUIDO É o saldo que resulta após a dedução de impostos, despesas financeiras e diversas participações sobre o lucro bruto. LUCRO RETIDO É a parte do lucro de uma empresa que não é dividida entre os acionistas e funciona como uma reserva para a companhia. M MARCAÇÃO A MERCADO Significa contabilizar os ativos pertencentes a uma carteira de investimentos pelo valor diário do mercado, não pelo valor de aquisição corrigido pela taxa contratada. Mesmo os fundos, cujas carteiras são compostas por títulos de renda fixa, que têm taxa predeterminada no momento da compra, sofrem oscilação até o vencimento do papel. Isso porque, no mercado financeiro, os títulos são negociados diariamente, no chamado mercado secundário. É nesse mercado que se reflete a oscilação diária da taxa. MERCADO A TERMO Os contratos a termo são acordos de compra ou venda em determinada data futura por preços previamente estabelecidos, cuja liquidação financeira ou entrega física do ativo acontece, geralmente, no vencimento. Os contratos a termo podem ser negociados em Bolsa de Valores, entre duas instituições financeiras ou entre uma instituição e um cliente. MERCADO À VISTA DE AÇÕES Mercado que reúne negociações cuja liquidação física (entrega dos títulos pelo vendedor) ocorre no segundo dia útil após a realização do negócio em pregão. A liquidação financeira (pagamento dos títulos pelo comprador) se dá no terceiro dia útil posterior à negociação, logo após a liquidação física. MERCADO ABERTO OU MERCADO SECUNDÁRIO É qualquer mercado sem local físico determinado e com livre acesso à negociação. No Brasil, um exemplo de mercado aberto é o mercado de compra e venda de títulos públicos, orientado e fiscalizado pelo Banco Central, um instrumento de política monetária para expandir ou contrair as disponibilidades em dinheiro no mercado financeiro, e otimizar a liquidez da economia. No caso dos bancos, open market são reservas secundárias de alta liquidez, permitindo a cada banco ajustar instantaneamente sua própria liquidez, remunerando disponibilidades de curtíssimo prazo. MERCADO DE AÇÕES Parte do mercado de capitais que compreende a colocação primária de ações novas, emitidas por empresas, e a negociação secundária (em Bolsas de Valores e no mercado de balcão) das ações já colocadas em circulação. MERCADO DE BALCÃO Mercado em que as negociações ocorrem fora do ambiente de Bolsas de Valores. MERCADO DE CAPITAIS Compreende toda a rede de Bolsas de Valores e instituições financeiras, na qual se realiza as operações de compra e venda de ações, títulos e valores mobiliários, efetuadas entre empresas e investidores, com intermediação obrigatória de instituições financeiras do sistema de distribuição de títulos e valores mobiliários. MERCADO FUTURO É o segmento do mercado que compreende as operações de compra e venda, realizadas em pregão, de contratos autorizados pela Bolsa de futuros, para liquidação em data futura prefixada. A negociação inclui um comprador que aceita pagar um determinado valor na data estabelecida pela mercadoria oferecida pelo vendedor. O objeto negociado pode ser uma commodity, um título, uma moeda ou um índice de referência, como o Ibovespa. Os contratos negociados são padronizados pela BM&F, o que permite agilidade nas negociações. MERCADO DE SWAPS Swap significa troca. No caso dos contratos de swaps, pode-se trocar moedas, taxa de juro ou commodities. Um swap de taxas de juros pode ser utilizado para transformar uma taxa flutuante numa taxa fixa, e vice-versa. Um swap de moedas pode ser usado paratransformar um empréstimo numa moeda estrangeira em outra moeda. É uma operação mais sofisticada. Por isso, as tesourarias de bancos e os gestores de fundos de investimento são os que mais usam o mercado de swaps. A ideia é que dois investidores façam aplicações "casadas" que, no dia do vencimento, servirão como proteção do dinheiro ou até mesmo como especulação para aumentar o capital. MERCADO DE OPÇÕES Mercado no qual são negociados direitos de compra ou venda de ações, índices de ações, moedas, contratos futuros ou títulos, com preços de exercício preestabelecidos. No mercado de opções, compradores têm o direito de comprar ou vender uma certa quantidade de ativos, a um preço prefixado até uma data, enquanto os vendedores ficam com a obrigação de vendê-la ou comprá-la conforme o acordado. O comprador que adquire uma opção de compra espera que o preço futuro suba. Na compra de uma opção de venda, ele espera que o preço futuro caia. Já a expectativa do vendedor é oposta: se ele vende uma opção de compra é porque espera que o preço futuro caia. Se espera que o preço futuro suba, vende a opção de venda. A diferença do valor pago e do valor recebido é chamada de prêmio. MERCADO PRIMÁRIO Mercado onde ações, títulos e valores mobiliários são negociadas pela primeira vez, provenientes de novas emissões. As empresas recorrem ao mercado primário para completar os recursos de que necessitam, visando o financiamento de seus projetos ou seu emprego em outras atividades. MERCADO SECUNDÁRIO Onde ocorre a negociação de títulos já adquiridos no mercado primário. MORA Atraso no cumprimento de uma obrigação, em geral, pagamentos. MORATÓRIA Prorrogação de prazo para pagamento de uma dívida concedida pelo credor ao seu devedor. Também pode ser a declaração unilateral do poder público de que não honrará suas dívidas no vencimento dos contratos. N NASDAQ Bolsa americana que negocia ações de empresas de tecnologia, como a Microsoft. Sigla em inglês para Associação Nacional Corretora de Valores e Cotações Automatizadas. NOVO MERCADO Novo segmento de listagem de empresas da BM&FBovespa. Para ser incluída neste grupo, a empresa deve ter boas práticas de governança corporativa, ou seja, adotar um conjunto de regras mais rígidas do que a exigida pela legislação brasileira. Essas práticas permitem a melhora na qualidade das informações prestadas e ampliam os direitos dos acionistas. O OPÇÃO Direito que o investidor compra de adquirir ou vender determinado ativo (como ação ou contrato) por determinado preço em uma data futura. Quando chega essa data, ele pode exercer ou não essa opção de compra ou venda, conforme julgue mais vantajoso (veja DATA DE EXERCÍCIO DE OPÇÃO). A opção serve, por exemplo, para que um investidor que aposte na valorização de determinado papel possa comprar hoje o direito de adquirir esse papel no futuro por um valor menor do que ele possivelmente estará valendo. Se no vencimento dessa opção essa ação estiver custando menos do que o valor estipulado para a compra, o investidor não é obrigado a exercer a opção e pode comprar o papel pelo valor de mercado. OPERADOR DE PREGÃO Profissional representante de uma sociedade corretora que executa ordens de compra e de venda de ações no pregão de uma Bolsa de Valores. ORDEM Instrução dada por um investidor para que a sociedade corretora, da qual é cliente, execute a compra ou venda valores mobiliários. P PAPEL-MOEDA Cédula de moeda de curso legal de um país. PASSIVO É o total das dívidas e obrigações de uma empresa ou de uma pessoa. PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA Relação entre o estoque de capital de determinado acionista, ou grupo de acionistas, e o estoque de capital total da empresa. PATRIMÔNIO LÍQUIDO Diferença entre o valor dos ativos e dos passivos de uma empresa. Patrimônio líquido é o valor contábil pertencente aos acionistas ou sócios. No caso dos fundos de investimento, o patrimônio líquido é a soma de todos os ativos e operações dos fundos, descontados os custos e taxas. PESSOA JURÍDICA Expressão empregada para designar instituições, corporações, associações e empresas em geral, em contraposição à pessoa física, que designa indivíduos. PIB Produto Interno Bruto. Soma do valor de todos os bens e serviços produzidos em um país ou uma região, durante um determinado período. PGBL Plano Gerador de Benefício Livre. Plano de previdência privada (investimento de longo prazo, cujo objetivo principal é a aposentadoria). No PGBL, é possível deduzir as contribuições feitas do Imposto de Renda até um limite de 12% da renda total tributável. Quando dos resgates, a tributação do plano incidirá sobre o principal e os rendimentos. PN Sigla que identifica as ações preferenciais nominativas. Veja ação preferencial. POLÍTICA DE INVESTIMENTO Na administração de recursos, política de investimento é a definição das regras e a forma de atuação relativas à gestão de uma carteira de investimento. PORTFÓLIO Conjunto de títulos e valores mantido por um fundo mútuo ou por um investidor. PRECIFICAÇÃO Ato de estabelecer, mediante critérios, o preço de compra ou de venda de uma ação ou um título. PREGÃO Sessão de compra e venda de papéis numa Bolsa de Valores, que pode ocorrer diretamente na sala de negociações ou pelo sistema eletrônico. PRIVATIZAÇÃO Processo de transferência do controle acionário governamental para instituições privadas ou pessoas físicas através de leilão. PROSPECTO Informativo elaborado com linguagem mais clara para que seja acessível ao investidor. No prospecto de um fundo de investimento, estão as informações que o investidor precisa saber sobre o funcionamento do fundo. É um documento elaborado pelos administradores de fundos de investimento e nas ofertas públicas de títulos e valores mobiliários, que permite ao investidor conhecer as características do investimento. POUPANÇA Parte da renda não utilizada em despesas. Para o investimento, veja CADERNETA DE POUPANÇA. R RATING Nota atribuída por agências de classificação de risco a instituições financeiras, governos ou ativos de acordo com o risco que apresentam. RDB Recibo de Depósito Bancário. Tipo de aplicação em renda fixa, cujo rendimento é uma taxa de juros previamente combinada e negociável diretamente com o banco. O RDB não permite retirada antecipada dos recursos aplicados. REGISTRO EM BOLSA Inscrição necessária para que uma empresa tenha suas ações admitidas à cotação em uma Bolsa de Valores. O registro depende do cumprimento de uma série de normas estabelecidas pela Bolsa de Valores, entre elas ter registro de companhia aberta na CVM e de prévia autorização para venda dos valores mobiliários. REMESSA DE LUCROS Envio de lucros para o exterior de uma empresa multinacional instalada em um país. RENDIMENTO BRUTO Em aplicações financeiras, são ganhos obtidos numa operação antes do desconto de impostos. RENDIMENTO LÍQUIDO Em aplicações financeiras, é o conjunto de ganhos obtidos numa operação após o desconto de impostos. RENDIMENTO NOMINAL Ganhos obtidos numa operação sem descontar a inflação. RENDIMENTO REAL Ganhos obtidos em uma operação já descontada a inflação. RENTABILIDADE Taxa de retorno de um investimento. RESGATE Ato de pagamento de um título (duplicata, nota promissória etc.) ou de recebimento de uma aplicação. RISCO Grau de incerteza da rentabilidade (retorno) de um investimento. A possível remuneração oferecida por determinado investimento é proporcional ao grau de risco que ele oferece. S SBPE Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos. Reúne agentes que captamdinheiro da poupança e emprestam para o setor imobiliário. SEC Securities and Exchange Commission. É o órgão regulador do mercado de capitais norte-americano, equivalente à CVM no Brasil. Veja CVM. SECURITIZAÇÃO Processo de conversão de uma dívida ou obrigação em títulos negociáveis (securities). O termo é derivado do inglês "security". SELIC Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Sistema do Banco Central que registra negócios com títulos públicos federais e de depósitos interfinanceiros. A taxa de juros praticada neste sistema, a taxa Selic, serve é o juro básico da economia brasileira. A taxa é revista periodicamente pelo Copom. Veja COPOM. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL Conjunto de instituições e instrumentos financeiros que possibilita a transferência de recursos e cria condições para que títulos e valores mobiliários tenham liquidez no mercado financeiro. É coordenado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e é composto pelo Banco Central, Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica Federal e estaduais, Bolsas de Valores e outras instituições financeiras. SISBACEN Sistema de informações do Banco Central, que armazena e recupera dados on-line com atualização em tempo real. SMALL CAPS Ações menos negociadas na Bolsa de Valores e que, portanto, tem baixa liquidez. Também chamadas de ações de segunda linha. Veja LIQUIDEZ. SPREAD Diferença entre o custo de captação dos bancos/instituições financeiras e a taxa cobrada ao cliente final. SUBSCRIÇÃO Quando precisam ampliar a infraestrutura ou pagar dívidas, as empresas costumam emitir novas ações no mercado (Bolsa de Valores). Isso pode ser feito de dois modos: por meio de uma oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês; veja verbete), quando todo e qualquer investidor pode comprar as ações, ou pela subscrição, quando os já acionistas recebem o direito de adquirir essas ações por preço e período fixados pela própria empresa emissora. Com esse direito, o acionista irá escolher se decide comprar ou não as novas ações pelo valor definido. SUPERÁVIT COMERCIAL Quando valor das exportações de um país supera o valor das importações. SUPERÁVIT PRIMÁRIO Valor que o governo federal economiza para pagar os juros da dívida pública. Veja DÍVIDA PÚBLICA. T TAKE OVER Processo de aquisição do controle de uma empresa por outro grupo através da compra, em Bolsa de Valores, de ações da empresa. Pode ser amigável, quando há acordo prévio entre as partes. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO Valor pago pelos cotistas de um fundo ao administrador como remuneração pelo serviço prestado. Incide anualmente sobre o valor total aplicado, não apenas sobre a rentabilidade. TAXA DE CÂMBIO Valor pago na conversão entre duas moedas. TAXA DE CUSTÓDIA Em fundos de investimento, é o valor cobrado para a guarda, liquidação financeira e administração de proventos dos ativos que compõem o fundo. Veja LIQUIDAÇÃO FINANCEIRA. TAXA DE PERFORMANCE Valor cobrado pelo administrador sobre a parcela da rentabilidade do fundo de investimento que tiver variação acima do índice estabelecido como referência. TÍTULO Termo genérico para qualquer papel negociável, como ação, CDBs, letras de câmbio, etc. TÍTULOS CAMBIAIS Papéis vendidos pelo Banco Central com o compromisso de pagar a variação do dólar (mais uma taxa de juro previamente definida) até o seu prazo de vencimento. São utilizados para proteger um investimento das oscilações futuras no preço de uma moeda estrangeira, mas não representam proteção perfeita, já que estão sujeitos à tributação. TÍTULO DE DÍVIDA É uma espécie de "vale" que atesta que o comprador (investidor) emprestou dinheiro a um governo ou companhia, e que descreve os termos de reembolso. O comprador pode adquirir um título de dívida com desconto. O título tem uma taxa de juros fixa por um período determinado. Quando o tempo se esgota, diz-se que o título "venceu" e o comprador pode resgatá-lo pelo valor nominal integral. Há diferentes tipos de títulos de dívida (veja TÍTULO DE DÍVIDA EXTERNA, TÍTULO DE DÍVIDA PÚBLICA, TÍTULO PÓS- FIXADO, TÍTULO PREFIXADO, TÍTULO PRIVADO). TÍTULO DE DÍVIDA EXTERNA Título de dívida pública colocado no mercado internacional, em geral denominado em moeda estrangeira. Existem vários títulos de dívida externa, dentre os quais os "Bradies" e os "bônus globais" são os mais conhecidos. TÍTULO DE DÍVIDA PÚBLICA ou TÍTULO PÚBLICO São papéis emitidos pelo governo para financiar projetos ou equilibrar as contas. Para o investidor, esses títulos são ativos de renda fixa. Ou seja, seu percentual de rendimento pode ser estimado no momento da aplicação, ao contrário do que ocorre com ativos de renda variável (como ações), cujo retorno não pode ser estimado no investimento. Veja RENDA FIXA e AÇÃO. TÍTULO PÓS-FIXADO Quando o investidor compra um título pós-fixado, sabe o quanto irá receber somente no final da aplicação. Isso ocorre porque o rendimento é determinado pela variação de certo índice (como o de inflação, por exemplo) mais uma taxa de juros determinada no início. TÍTULO PREFIXADO É aquele cuja remuneração é determinada no momento da aplicação. Exemplo, um CDB (Certificado de Depósito Bancário) prefixado. Veja verbete CDB. TÍTULO PRIVADO Título emitido por uma empresa. Um CDB (Certificado de Depósito Bancário), por exemplo, é um título privado, emitido por um banco. Veja CDB. TÍTULO PODRE Título de pagamento duvidoso, normalmente de longo prazo, negociado com grande deságio (desconto). TJLP Taxa de Juros de Longo Prazo. Indexador oficial para operações financeiras, calculado sobre a lucratividade média dos Títulos da Dívida Externa emitidos pelo Brasil, e dos Títulos da Dívida Pública Mobiliária Interna Federal, quando de sua emissão no mercado primário. É a taxa utilizada para corrigir financiamentos feitos junto ao BNDES. TR Taxa Referencial de Juros. O valor da TR é calculado pelo Banco Central a partir da remuneração mensal média dos CDBs e RDBs emitidos pelos maiores bancos do país. TRADE-OFF Em economia, expressão que define situação de escolha conflitante, isto é, quando uma ação econômica que visa à resolução de determinado problema acarreta, inevitavelmente, outros. Por exemplo, de acordo com as concepções keynesianas modernas, em determinadas circunstâncias a redução da taxa de desemprego apenas poderá ser obtida com o aumento da taxa de inflação, existindo, portanto, um trade-off entre inflação e desemprego. TRIBUTO Valor pago obrigatoriamente ao governo. Podem ser de cinco espécies: 1) impostos, não vinculados à prestação de serviço por parte do governo; 2) taxa, paga pela prestação de um serviço público específico (por exemplo, registro de empresa na junta comercial) ou pelo exercício de fiscalização (por exemplo, fornecimento de alvará); 3) contribuição social, para a seguridade social (exemplos: PIS, Cofins); 4) contribuição de melhoria, para cobrir custos com obra pública que resulte em valorização do imóvel; 5) empréstimo compulsório, que pode ser instituído pela União em caso de guerra, calamidade pública ou investimento público relevante V VALOR AGREGADO Valor adicionado a um produto em cada etapa de produção. Assim, um produto industrializado tem mais valor agregado que uma matéria-prima. VARIAÇÃO CAMBIAL Percentual que indica a variação da taxa de câmbio em um determinado período. VGBL Vida Gerador de Benefício Livre. É um plano de previdência privada (investimento de longo prazo, cujo objetivo principal é a aposentadoria). Não permite deduzir as aplicações do Imposto de Renda (indicado, portanto, para quem faz declaração simplificada de IR). O IR será cobradono momento do resgate. No VGBL, não há custos para transmiti-lo em herança. VOLATILIDADE Indicador da intensidade da variação das cotações de um título em relação às oscilações médias ou típicas do mercado em um determinado período. W WALL STREET O termo designa a comunidade financeira de Nova York. É também o nome da rua, em Manhattan, onde estão a Bolsa de Valores de Nova York, várias bolsas de mercadorias e as sedes dos principais bancos. Disponível REFERÊNCIAS Dicionário Financeiro. Disponível em:<https://www.dicionariofinanceiro.com/>. Acesso em: 23 maio. 2018. Folha de São Paulo. Confira o dicionário de economês e tire dúvidas sobre os termos. Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/01/1218059-confira-o- dicionario-de-economes-e-tire-duvidas-sobre-os-termos.shtml>. Acesso em: 23 maio 2018. Glossário de Termos de Economia Industrial. em:<http://www.pucsp.br/~acomin/economes/glosglob.html>. Acesso em: 23 maio 2018. NUNES, F. A. Glossário de Termos Econômicos e Financeiros. Disponível em:<http://www.secif.org.br/imagens/glossario.pdf>. Acesso em: 23 maio 2018. SANDRONI, Paulo. Novíssimo Dicionário de Economia. São Paulo: Best Seller, 1999.