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QUESTÕES DE FILOSOFIA DO DIREITO QUESTÃO 1 Considere a seguinte afirmação de Aristóteles: “Temos pois definido o justo e o injusto. Após distingui-los assim um do outro, é evidente que a ação justa é intermediária entre o agir injustamente e o ser vítima da injustiça; pois um deles é ter demais e o outro é ter demasiado pouco.” (Aristóteles. Ética a Nicômaco. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 329.). De efeito, é correto concluir que para Aristóteles a justiça deve sempre ser entendida como A. produto da legalidade, pois o homem probo é o homem justo. B. espécie de meio termo. C. relação de igualdade aritmética. D. ação natural imutável. QUESTÃO 2 Ao comentar a doutrina aristotélica, Tércio Sampaio Ferraz Jr., em sua obra Estudos de Filosofia do Direito, indica aquele que seria “o preceito básico do direito justo, pois só por meio dele a justiça se revelaria em sua atualidade plena”. Este preceito, que também pode ser definido como ‘uma feliz retificação do justo estritamente legal’ ou ainda ‘o justo na concretude’, é denominado: A. Liberdade B. Igualdade C. Piedade D. Equidade QUESTÃO 3 Considere o seguinte texto de Miguel Reale "Se desejarmos alcançar um conceito geral de regra jurídica, é preciso, por conseguinte, abandonar a sua redução a um juízo hipotético, para situar o problema segundo outro prisma. A concepção formalista do Direito de Kelsen, para quem o Direito é norma, e nada mais do que norma, se harmoniza com a compreensão da regra jurídica como simples enlace lógico que, de maneira hipotética, correlaciona, através do verbo dever ser, uma conseqüência C ao fato F, mas não vemos como se possa vislumbrar qualquer relação condicional ou hipotética em normas jurídicas como estas: a) "Compete privativamente à União legislar sobre serviço postal" (Constituição, art. 22, V); b) "Brasília é a Capital Federal" (Constituição, art. 18, parágrafo 1o); c) "Todo homem é capaz de direitos e obrigações na vida civil" (Código Civil, art. 2o); ..." (REALE, Miguel. Lições preliminares de Direito. São Paulo: Saraiva, 2000. p. 94) Na passagem transcrita, o autor procura A. defender a noção de norma como juízo hipotético. B. aderir à concepção positiva de Kelsen. C. demonstrar a origem jusnaturalista de todas as normas. D. mostrar que existem normas jurídicas que não podem ser pensadas como juízos hipotéticos. QUESTÃO 4 A expressão “hierarquia normativa”, segundo Kelsen, alude: A. ao predomínio das normas gerais sobre os privilégios B. ao caráter autoritário do Estado C. ao fato que a sentença, como ato concreto e específico se sobrepõe à lei, geral e abstrata D. ao fato de que a criação de uma norma é determinada por outra QUESTÃO 5 Em sua Teoria Pura do Direito, Hans Kelsen concebe o Direito como uma “técnica social específica”. Segundo o filósofo, na obra O que é justiça?, “esta técnica é caracterizada pelo fato de que a ordem social designada como ‘Direito’ tenta ocasionar certa conduta dos homens, considerada pelo legislador como desejável, provendo atos coercitivos como sanções no caso da conduta oposta”. Tal concepção corresponde à definição kelseniana do Direito como A. uma ordem estatal facultativa. B. uma ordem axiológica que vincula a interioridade. C. um veículo de transformação social D. uma ordem coercitiva. E. uma positivação da justiça natural. QUESTÃO 6 “Manter os próprios compromissos não constitui dever de virtude, mas dever de direito, a cujo cumprimento pode-se ser forçado. Mas prossegue sendo uma ação virtuosa (uma demonstração de virtude) fazê-lo mesmo quando nenhuma coerção possa ser aplicada. A doutrina do direito e a doutrina da virtude não são, consequentemente, distinguidas tanto por seus diferentes deveres, como pela diferença em sua legislação, a qual relaciona um motivo ou outro com a lei”. Pelo trecho acima podemos inferir que Kant estabelece uma relação entre o direito e a moral. A esse respeito, assinale a afirmativa correta. A. O direito e a moral são idênticos, tanto na forma como no conteúdo prescritivo. Assim, toda ação contrária à moralidade das normas jurídicas é também uma violação da ordem jurídica. B. A conduta moral refere-se à vontade interna do sujeito, enquanto o direito é imposto por uma ação exterior e se concretiza no seu cumprimento, ainda que as razões da obediência do sujeito não sejam morais. C. A coerção, tanto no direito quanto na moral, é um elemento determinante. É na possibilidade de impor-se pela força, independentemente da vontade, que o direito e a moral regulam a liberdade. D. Direito e moral são absolutamente distintos. Consequentemente, cumprir a lei, ainda que espontaneamente, não é demonstração de virtude moral. QUESTÃO 7 “Na fase madura de seu pensamento, a substituição da lei pela convicção comum do povo (Volksgeist) como fonte originária do direito relega a segundo plano a sistemática lógico-dedutiva, sobrepondo-lhe a sensação (Empfindung) e a intuição (Anschauung) imediatas. Savigny enfatiza o relacionamento primário da intuição do jurídico não à regra genérica e abstrata, mas aos ‘institutos de direito’ (Rechtsinstitute), que expressam ‘relações vitais’ (Lebensverhältnisse) típicas e concretas”. Esta caracterização, realizada por Tercio Sampaio Ferraz Júnior, em sua obra A Ciência do Direito, corresponde a aspectos essenciais da seguinte escola filosófico-jurídica: A. Historicismo Jurídico. B. Realismo Jurídico. C. Jusnaturalismo. D. Positivismo jurídico. QUESTÃO 8 Boa parte da doutrina jusfilosófica contemporânea associa a ideia de Direito ao conceito de razão prática ou sabedoria prática. Assinale a alternativa que apresenta o conceito correto de razão prática. A. Uma forma de conhecimento científico (episteme) capaz de distinguir entre o verdadeiro e o falso. B. Uma técnica (techne) capaz de produzir resultados universalmente corretos e desejados. C. A manifestação de uma opinião (doxa) qualificada ou ponto de vista específico de um agente diante de um tema específico. D. A capacidade de bem deliberar (phronesis) a respeito de bens ou questões humanas. QUESTÃO 9 A hermenêutica aplicada ao direito formula diversos modos de interpretação das leis. A interpretação que leva em consideração principalmente os objetivos para os quais um diploma legal foi criado é chamada de A. interpretação restritiva, por levar em conta apenas os objetivos da lei, ignorando sua estrutura gramatical. B. interpretação extensiva, por aumentar o conteúdo de significado das sentenças com seus objetivos historicamente determinados. C. interpretação autêntica, pois apenas as finalidades da lei podem dar autenticidade à interpretação. D. interpretação teleológica, pois o sentido da lei deve ser considerado à luz de seus objetivos. QUESTÃO 10 Assinale a opção correta com relação à interpretação do direito. A. A interpretação autêntica é a que se realiza pelo próprio legislador. B. Consoante o sistema da livre pesquisa, o direito só pode ser interpretado com base na lei. C. A escola de interpretação da teoria pura do direito foi criada por Carlos Cossio. D. A hermenêutica e a interpretação, conceitos sinônimos, consistem em revelar o sentido da norma jurídica. QUESTÃO 11 De acordo com o método de interpretação jurídica desenvolvido por Recaséns Siches, o processo de investigação dos fatos,na ordem jurídica vigente, assegura maior satisfação e legitimidade na solução e na interpretação jurídica. Segundo a jurisprudência, a melhor interpretação do direito não se subordina servilmente ao texto legal nem se vale de raciocínios artificiais para enquadrar friamente os fatos em conceitos prefixados, mas se direciona para a solução justa. Essas definições correspondem ao método de interpretação jurídica denominado A. lógico-dedutivo. B. hipotético-condicional. C. lógica do razoável. D. modo final de aplicação. E. conflito normativo.