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II. Reabilitação das Lesões Meniscais 
 
Introdução 
O entendimento de alguns conceitos básicos referentes aos meniscos como 
função, formato e vascularização, se faz necessário para um melhor 
planejamento da reabilitação das lesões meniscais e suas particularidades. 
Alguns dos principais conceitos: 
- Os meniscos desempenham função importante na descarga de peso, melhora 
da congruência e consequentemente da estabilidade articular, absorção e 
transmissão de carga, e lubrificação da articulação do joelho (Kapandji, 2009; 
Brindle, 2001) 
- O padrão de vascularização dos meniscos, maior na região dos cornos 
anterior e posterior e no terço periférico, indica a maior presença de 
terminações nervosas livres e proprioceptores nestas regiões, evidenciando a 
importante função do menisco como mecanorreceptor da articulação do joelho. 
(Day, 1995). 
- Outra característica a ser considerada está relacionada ao formato dos 
meniscos. O menisco lateral apresenta um formato mais próximo da letra "O" e 
é mais móvel que o menisco medial, que apresenta formato mais próximo da 
letra "C". Esta característica é importante se considerarmos que, por ser menos 
móvel, o menisco medial pode estar mais sujeito ao surgimento de lesões 
(Kapandji, 2009). 
Alguns princípios devem ser seguidos para a reabilitação das lesões meniscais, 
dentre eles podemos citar: a criação de um ambiente seguro para o paciente, a 
orientação quanto ao que este pode ou não realizar nas atividades de vida 
diária de acordo com a fase de progressão da reabilitação, o contato entre 
fisioterapeuta e ortopedista para facilitar a compreensão de ambos no que diz 
respeito aos aspectos clínicos e a reabilitação do paciente, além de seguir 
critérios de progressão funcional com base em avaliações continuadas do 
quadro do paciente (Cavanaugh, 2012). 
 
Aspectos Clínicos / Avaliação da Fisioterapia 
Logerstedt et al (2010) em seu clinical practice guidelines, cita alguns aspectos 
clínicos comuns presentes em boa parte dos sujeitos com lesões meniscais. 
Dentre eles: histórico de trauma (entorse) nos casos agudos (nos casos 
crônicos o padrão é de degeneração); sensação de "rasgar" durante o episodio 
de trauma; edema tardio (de 6 a 24 horas após trauma); episódio de 
travamento; dor ou estalido no teste de McMurray; dor na hiperextensão 
forçada e/ou na flexão máxima e sensibilidade à palpação na interlinha 
articular. 
Reabilitação 
As zonas periféricas do menisco cicatrizam com maior facilidade, isso interfere 
diretamente na escolha do tratamento (cirúrgico versus conservador e nos 
casos cirúrgicos, reparo ou meniscectomia parcial). Os tratamentos sofrerão 
modificações se houver uma reconstrução de ligamento associada ou 
deterioração da cartilagem. O tratamento visa atenção ao controle de edema 
na articulação do joelho ou tecidos moles, padrão de marcha, flexão e extensão 
de joelho, força e controle muscular, mobilidade patelar e flexibilidade de 
membros inferiores. (Heckmann, 2006) 
Conservador 
Muitos casos de lesão meniscal tem resolução não cirúrgica pelo tratamento 
conservador, através da fisioterapia (Beaulfils, 2009). A decisão deve ser 
tomada de maneira consensual entre médico, paciente e fisioterapeuta, o 
paciente pode retomar atividades de vida diária assim que sinais e sintomas 
iniciais tenham desaparecido. 
Katz et al (2013), realizou um estudo com 351 pacientes comparando os efeitos 
do tratamento conservador versus meniscectomia em sujeitos com lesão 
meniscal e leve/moderada osteoartrite e concluiu que não houve diferenças 
significativas entre os grupos, o que sugere que em alguns casos o tratamento 
conservador deve ser considerado antes da opção cirúrgica. Osteras e col. 
(2012), em estudo semelhante, comparou o tratamento cirúrgico com o 
tratamento conservador e também não encontrou diferenças entre os grupos 
no que diz respeito a dor e função, mas encontrou que os pacientes 
submetidos ao tratamento conservador apresentaram melhores resultados no 
que diz respeito a fatores como ansiedade e depressão. 
Hare et al (2013) comparou os efeitos da meniscectomia versus cirurgia 
placebo em pacientes de meia idade com lesão meniscal e pouca ou nenhuma 
osteoartrite e concluiu que não houve diferenças em relação a dor e função. 
Estes resultados corroboram a tese de que a cirurgia pode não ser a melhor 
opção de tratamento nestes casos, devendo ser considerada a hipótese do 
tratamento conservador. 
Yim et al (2013), em seu trabalho com pacientes com lesão degenerativa de 
menisco medial comparou os efeitos do tratamento cirúrgico versus o 
tratamento conservador (consistindo de alongamentos, exercícios de flexo-
extensão em posição sentada, bicicleta estacionária e agachamentos) e não 
encontrou diferenças significantes no que diz respeito à dor, função e 
satisfação do paciente. 
Em contrapartida, Katz et al (2013) em trabalho semelhante, relata que 30% 
dos pacientes alocados no grupo de tratamento conservador tiveram que ser 
submetidos ao procedimento cirúrgico em até 6 meses após a realização do 
tratamento conservador. 
Stensrud et al (2012) realizou um programa conservador para lesão meniscal 
com 20 pacientes por 12 semanas e obteve bons resultados referentes à 
questionários e auto avaliação de função, isocinético e testes funcionais. Um 
ano após a execução do programa nenhum dos pacientes teve de ser 
submetido a cirurgia. 
O objetivo inicial do tratamento é diminuir dor e edema, para que o atleta 
consiga retornar o mais rápido possível às atividades funcionais e depois às 
atividades desportivas. (Prentice, 2003) 
Na fase inicial, a ênfase do tratamento fisioterapêutico reside no controle do 
processo inflamatório e na ativação precoce de quadríceps. É comum nesta 
fase que o paciente apresente edema na região do joelho, além de dor durante 
a movimentação e alguma inibição do músculo quadríceps. Como 
consequência, dificuldades para realizar ADM completa e para a marcha 
podem estar presentes. Geralmente, são necessários de 3 a 5 dias de 
atividades limitadas para que ocorra melhora dos sintomas. (Prentice, 2003) 
Para o controle de dor e edema o fisioterapeuta, pode utilizar tanto de recursos 
de eletroterapia, manobras para drenagem do edema, além de crioterapia. O 
protocolo PRICE (proteção, repouso, gelo, compressão e elevação) pode ser 
utilizado nesta fase caso o fisioterapeuta julgue necessário. Técnicas de terapia 
manual com mobilização articular podem ser usadas para ganho de amplitude 
e melhora da dor. 
A reabilitação conservadora deve ser guiada pelo quadro 
clinico/sintomatológico do paciente. Não existem restrições quanto a ADM, 
descarga de peso e fortalecimento. Desta forma, a evolução dos exercícios 
deve ser realizada de forma gradual e conforme tolerado pelo paciente. Assim 
que possível, treinos de fortalecimento, mobilização e exercícios funcionais 
relacionados ao esporte devem ser incorporados ao tratamento (Frizziero, 
2012). 
No que diz respeito ao tratamento de atletas, vale ressaltar a importância de 
que, durante o processo de reabilitação, a especificidade do esporte seja 
respeitada. Saltos, desacelerações, mudanças de direção, etc. devem ser 
incorporados no programa de reabilitação de acordo com a demanda do 
paciente. Exercícios específicos de cada modalidade e de cada atleta devem 
ser executados com enfoque na qualidade do movimento, evitando 
compensações decorrentes da lesão meniscal. 
Pós Meniscectomia 
Dias e col. (2013) realizaram uma revisão sistemática da literatura sobre o pós 
operatório de pacientes submetidos à meniscectomia. Eles encontraram que o 
trabalho de fisioterapia associadoa um programa de exercícios em domicilio 
pode ser benéfico para a função e arco de movimento dos pacientes. 
Osteras et al (2014) em seu estudo com pacientes de meia idade submetidos à 
meniscectomia parcial comparou os dados referentes à dor, força de 
quadríceps e função (hop test) em pacientes que realizaram fisioterapia 3x 
semana vs pacientes que não realizaram reabilitação. Os resultados após três 
e 12 meses evidenciaram o efeito benéfico da fisioterapia pós meniscectomia. 
O tratamento consistiu de exercícios aeróbicos associados a treino de força de 
quadríceps e isquiotibiais evoluindo de acordo com o tolerado pelo paciente. 
Podemos dividir didaticamente a reabilitação pós meniscectomia em três fases 
distintas: controle inflamatório inicial, fase intermediária e fase avançada. 
Controle Inflamatório inicial: 
Os objetivos na fase inicial pós meniscectomia são controle de dor e edema, 
ADM completa e marcha normal com descarga de peso completa (Frizziero, 
2012). 
O controle de edema pode ser realizado por meio de crioterapia, estimulação 
elétrica e compressão. O atleta deve deambular de 1 a 3 dias de muletas, 
progredindo para o apoio total de peso assim que tolerar até recuperar a 
extensão total e caminhar sem claudicação e sem flexo (Prentice, 2003). 
Exercicios para ganho de amplitude de movimento, bicicleta estática podem ser 
iniciados imediatamente em conjunto com contrações de quadríceps e SLR 
para recuperar controle motor e minimizar atrofia. (Kelln, 2009). 
Ultrassom, exercícios de panturrilha, mobilização articular, crioterapia, 
exercícios para quadríceps podem ser utilizados nesta fase. (Goodwin, 2003) 
Logerstedt et al (2010), sugere, embora baseado em poucas evidencias, em 
seu guideline que condutas que visem a rápida recuperação da ADM devem 
ser realizadas precocemente pós cirurgia de menisco. 
Bax et al (2005), em sua revisão sistemática, aponta os benefícios da 
eletroestimulação para o aumento de força e ativação muscular de quadríceps 
nos pacientes submetidos a meniscectomia parcial. 
Fase Intermediária: 
A medida que a dor ceder e a ADM melhorar o paciente poderá incluir 
exercícios isotônicos em cadeia aberta e fechada. O treino para atividade 
funcional pode ser iniciado assim que o paciente se sinta confiante. 
Normalmente, exercícios são retomados em 2 semanas, mas em alguns casos 
são iniciados com até 3 a 6 dias. (Prentice, 2003). Exercícios resistidos para 
quadríceps e isquiotibiais devem ser realizados precocemente e de forma 
supervisionada para evitar que déficits desta musculatura permaneçam após a 
cirurgia (St Pierre 1992, Moffet 1994, Mathews & St Pierre 1996, Ericsson 2009) 
Logerstedt et al (2010), baseado em moderada evidencia, recomenda o uso de 
exercícios de força e resistência para quadríceps e isquiotibiais e exercícios 
funcionais pós meniscectomia. 
Fase Avançada: 
Treino intensivo de quadríceps pode ser iniciado assim que tolerado, o que 
ocorre geralmente entre a terceira e a sexta semana. O treinamento esportivo 
pode ser liberado quando a força de membro operado atinge 80% do 
contralateral e o retorno às competições quando atinge 90% do membro 
contralateral que pode ocorrer entre a quinta e oitava semanas. (Frizziero, 
2012). 
Sutura Meniscal 
Pré operatório 
O trabalho de fisioterapia nos casos de reparo meniscal pode ser iniciado antes 
da realização do procedimento cirúrgico, com as devidas orientações quanto à 
fase inicial da reabilitação pós operatória, incluindo a realização de alguns 
exercícios, treino de marcha com descarga parcial e com início e aprendizado 
do treinamento da musculatura estabilizadora de tronco e pelve (Kozlowski, 
2012). 
Pós operatório 
Controle Inflamatório 
No pós operatório inicial durante as duas primeiras semanas o terapeuta deve 
monitorar sinais importantes que incluem derrame, dor, marcha, amplitude dos 
movimentos de flexão e extensão de joelho (ROM), mobilidade patelar, força e 
controle da contração de membros inferiores, flexibilidade de membros 
inferiores e sintomas tíbiofemorais indicativos de lesão meniscal. (Noyes, 
2012) 
Complicações pós operatórias comuns incluem dor ou inchaço excessivo, 
desligamento ou perda da contração isométrica do quadríceps, perda da 
amplitude de movimento e irritação do nervo safeno. O terapeuta também deve 
estar atento a sensações de queimação posteromediais ou infrapatelares, 
sobrecarga posteromedial ao longo do tendão da pata de ganso, sensibilidade 
ao longo do canal de Hunter medial a coxa, hipersensibilidade a uma leve 
pressão ou à mudança de temperatura. A identificação desses sinais é 
importante para uma reabilitação bem sucedida. Estes sinais ou sintomas 
anormais ocorrem nas fases iniciais da síndrome de dor regional complexa e 
necessitam de tratamento imediato. (Heckmann,2006; Noyes 2012) 
Edema / Ativação de m. quadríceps 
Controle precoce do derrame no pós-operatório é essencial para o controle da 
dor e início da reativação do quadríceps. O protocolo PRICE é de extrema 
importância nesta fase. Os pacientes são instruídos a manter a elevação dos 
membros inferiores tão frequentemente quanto possível, durante a primeira 
semana. Um eletroestimulador neuromuscular pode ser útil para o "despertar" 
do quadríceps e controle da dor, podendo ser utilizado até a sexta semana. Um 
dispositivo portátil poder ser usado 6 vezes por dia, 15 minutos por sessão, até 
que o paciente apresente uma excelente contração voluntária do quadríceps. 
(Noyes, 2012) 
A Crioterapia pode ser utilizada desde o inicio até o final do tratamento para 
controle de sinais inflamatórios. (Noyes, 2012). 
Descarga de Peso 
As cirurgias para realização de sutura nas lesões meniscais variam de acordo 
com o tipo de lesão. A localização anatômica da lesão (região de 
vascularização ou não), assim como a extensão da lesão e sua orientação 
(vertical, longitudinal, etc), são fatores que podem determinar características 
importantes da reabilitação como a descarga de peso no pós operatório, por 
exemplo. Lesões radiais podem ter sua cicatrização pós operatória prejudicada 
por conta da descarga de peso total em fases iniciais, isso porque pode ocorrer 
um afastamento das margens da lesão. Por outro lado, lesões longitudinais ou 
em alça de balde podem se beneficiar da descarga de peso inicial, uma vez 
que esta pode ajudar a "reduzir" a lesão, facilitando sua cicatrização 
(Cavanaugh, 2012). 
Cavanaugh, et al (2012) sugere em seu artigo um programa de descarga 
gradual de peso conforme tolerado para POs de sutura de lesões longitudinais, 
verticais e em alça de balde e limita a descarga de peso a toque de artelhos 
para lesões radiais ou mais complexas por até 4-6 semanas. Descarga de peso 
com progressiva flexão deve ser evitada por 4-6 semanas para evitar o 
estresse na região da sutura. Após este período a descarga de peso estará 
liberada. 
Heckmann et al (2006), propõe um protocolo para descarga de peso pós sutura 
de lesões complexas que parte de ¼ do peso corporal nas primeiras duas 
semanas evoluindo progressivamente até descarga completa na 7ª ou 8ª 
semana. Nas lesões em regiões periféricas, ele propõe descarga de ½ peso 
corporal nas primeiras duas semanas e descarga completa na 3ª ou 4ª 
semana. 
A tabela abaixo (tabela 1) resume o guia para condução da descarga de peso 
em relação às semanas iniciais de pós operatório. 
Lesão/semana sem 1-2 sem 3-4 sem 5-6 sem 7-8 
Periféricas 50% peso corporal completa completa completa 
Complexas/Radiais 25% peso corporal 50% peso corporal 75% peso corporal completa 
 
 
 
 ADM 
No pós operatório de sutura meniscal o joelho é travadoem 0° de extensão 
com o auxílio de brace. Em reparos de lesões periféricas não há necessidade 
de seu uso. (Heckmann,2006). 
O brace poderá ser utilizado travado em extensão por 4-6 semanas para 
deambulação e ao dormir. A extensão completa deve ser atingida desde o PO 
inicial e a flexão deve estar restrita a 90° por 4-6 semanas (Cavanaugh, 2012). 
Em POs de lesões em corno posterior deve-se preservar a ADM em 70° por 4 
semanas e só então progredir conforme tolerado. A flexão do joelho ativa, com 
a contração de isquiotibiais, deve ser evitada em lesões de menisco medial por 
conta de sua ligação com o tendão do musculo semimembranoso. O mesmo 
deve ser evitado em relação ao menisco lateral por sua relação com o músculo 
poplíteo. (Cavanaugh, 2012; Kozlowski 2012) 
Heckmann et al (2006), em seu artigo sugere uma evolução pouco mais 
avançada em relação à ADM: 0-90° nas primeiras duas semanas; 0-120° entre 
3ª e 4ª semanas e flexão completa até a 6ª semana em lesões longitudinais ou 
em alça de balde. No pós operatório inicial é feita movimentação de flexão 
passiva e extensão ativa-assistida desde o primeiro dia. Inicialmente, estes 
exercícios são realizados na posição sentada de 0° a 90° até a 2ª semana, 
podendo ser realizados em decúbito dorsal ou ventral pela terceira a quarta 
semana com a flexão avançando até 120° (Figura 1a e 1b), e pela quinta até a 
sexta semana 135° (Figura 2a e 2b). Exercícios para ADM podem ser 
realizados de 3 a 4 vezes por dia, por cerca de 15 minutos, até que a amplitude 
normal seja alcançada. Extensão completa é considerada como sendo 0°. 
Outro cuidado necessário é evitar a hiperextensão em indivíduos que tiveram 
reparos no corno anterior do menisco. 
A mobilização de patela, latero-lateral e crânio caudal, deve ser utilizada até a 
sexta semana para auxiliar nos movimentos de flexão e extensão de joelho, se 
necessário pode se prolongar a utilização da mobilização até a oitava semana 
ou o quanto for necessário. Se o paciente apresentar dificuldade para atingir os 
0-90 graus de movimentação de joelho até a 2ª semana serão necessários 
exercícios com sobrepressão na extensão passiva para alongamento de 
capsula posterior e manobras de terapia manual para mobilidade de tíbia e 
fíbula para ganho de flexão e extensão de joelho (Heckmann 2006). 
Após 4-6 semanas o brace é destravado a 60° para permitir a marcha. As 
muletas são indicadas para as quatro primeiras semanas para proteger o local 
de reparo cirúrgico. E gradualmente a descarga de peso progride e o paciente 
é encorajado a reestabelecer o padrão normal da marcha, sem dor, evitando o 
travamento do joelho e usando o movimento de flexão durante todo o ciclo. 
(Heckmann,2006, Noyes 2012). 
Entre 6 e 14 semanas um dos objetivos do tratamento é restaurar a ADM 
completa. À medida que a ADM evolui, podemos evoluir com alguns exercícios 
como a bicicleta estacionária, iniciar o treino no simulador elíptico e aumentar a 
carga nos exercícios de fortalecimento. Ao final deste período a amplitude 
completa permitirá que se possa evoluir com o programa de fortalecimento. 
Os alongamentos estão liberados desde a 1ª semana de pós-operatório até o 
final da reabilitação. O alongamento do músculo quadríceps está liberado a 
partir da 7-8ª semana. (Heckmann 2006) 
A tabela abaixo (tabela 2) resume o guia para condução do ganho de ADM em 
relação às semanas iniciais de pós operatório. 
Lesão/tempo 1-2 semanas 3-4 semana 5-6 semana 
Periféricas 0-90° 0-120° 0-135° 
Complexas/Radiais 0-90° 0-90° 0-90° 
 
Condicionamento 
Exercícios para condicionamento podem ser iniciados com 3 a 4 semanas 
utilizando o cicloergômetro manual, e com bicicleta estacionaria a partir da 7ª a 
8ª semanas, aumentando carga e tempo gradualmente. E a partir da 9ª 
semana podem ser iniciadas a caminhada dentro da água, natação e 
caminhada. Os exercícios devem ser realizados de 2 a 3x semana por volta de 
10 a 15 minutos inicialmente, chegando até 20 a 30 minutos no final do 
tratamento. 
Força 
A ativação do músculo quadríceps deve ser abordada desde o PO inicial. 
Exercícios de ativação do músculo quadríceps com o auxilio de toalha (quad-
sets) ou com o auxilio de estimulação elétrica (corrente russa, FES, etc) devem 
ser utilizados para a rápida restauração da ativação adequada deste músculo, 
podendo ser realizados até a 6ª semana. 
A isometria de quadríceps, SLR (Straight leg raise, levantamento da perna 
estendida), extensão do joelho ativo-assistida de 90° a 0° são iniciadas o 
primeiro dia após a cirurgia. A única exceção é para os pacientes com reparo 
em corno anterior de menisco, no qual extensão de joelho ativo-assistida é 
limitada de 90° a 30º. (Heckmann, 2006; Noyes, 2012; Kozlowski, 2012). 
Após a adequada ativação do quadríceps pode-se iniciar exercícios de SLR, 
sem adição de pesos e posteriormente evoluindo para carga (Figura 3). São 
realizados no plano de flexão apenas até o paciente demonstrar uma suficiente 
contração quadríceps para eliminar qualquer sinal de extensor lag. Após isso, o 
fortalecimento da musculatura do quadril deve ser realizado nos outros 3 
planos com abdução, adução e extensão de quadril (Figura 4). 
À medida que a ADM progride para aproximadamente 90°, alguns exercícios 
podem ser realizados. Os exercícios em cadeia cinética fechada com descarga 
de peso começam com 3 a 4 semanas de pós-operatório (lesões complexas, 5-
6ª semana). O programa incorpora o toe raises (fortalecimento de panturrilha 
em pé), wall sits (sentar encostado na parede) e, quando os pacientes 
suportarem 50% do peso, aproximadamente na 8ª semana o miniagachamento 
apoiado na bola suiça. Estas atividades são limitadas de 0° a 60° da flexão 
para proteger o corno posterior do menisco. 
O exercício de mecanoterapia leg press, é iniciado com 4-5 semanas após 
reparo meniscal periférico (Figura 5). A ADM também é limitada a 60° a 10° 
para proteger o corno posterior do menisco contra excesso de carga, que 
ocorre em flexão do joelho em ângulos superiores a 60°, e elevadas forças na 
articulação fêmoropatelar. Esta limitação de movimento é também vantajosa 
porque exige maior controle de da musculatura do quadríceps. Em cirurgias de 
reparação de lesões complexas do menisco, o leg press é retardado até seis 
semanas para permitir cicatrização suficiente do reparo. 
Quando alcançamos ADM completa e um bom controle de quadríceps (entre 
seis e 14 semanas), podemos evoluir para exercícios em cadeira extensora 
(bipodal) e aumentar a amplitude do miniagachamento (Figura 6), step down 
(Figura 7) e do leg press. 
Os exercícios em cadeia cinética aberta sem descarga de peso começam com 
5 a 6 semanas depois da cirurgia. 
Ativação de Isquiotibiais de 0° a 90 ° são iniciados em pacientes que tiveram 
reparação periférica do menisco por volta de 5 a 6 semanas. Devem-se tomar 
cuidados para evitar hiperextensão do joelho, que coloca tensão na cápsula 
posterior. Este exercício é adiado em até 7 a 8 semanas depois de um reparo 
complexo do menisco. Exercícios resistidos isolados de isquiotibiais são 
limitados em reparos de lesões complexas do menisco medial devido à 
inserção do tendão do semimembranoso ao longo da cápsula articular póstero-
medial. 
Algumas manobras de terapia manual podem ser utilizadas para 
reposicionamento articular ("glide"), principalmente em casos em que o 
movimento produz dor, o que pode ocorrer durante a execução de alguns 
exercícios. Para melhor entendimento dos mecanismos e algumas técnicas, 
sugerimos ver o capítulo sobre Terapia manual neste livro. 
Sensoriomotor 
O treino sensoriomotor simples (treino de descarga de peso no plano estável, 
por ex) podeser iniciado assim que o paciente estiver apto a suportar 
aproximadamente 50% do peso corporal sem dor. 
Em lesões periféricas, tais exercícios são iniciados com descarga parcial na 
primeira semana de pos-operatório. No reparo de lesões complexas, podemos 
iniciar a partir da 3ª ou 4ª semana, utilizando brace em extensão até ser 
liberada a descarga total de peso. 
Todos os pacientes começam o treinamento de equilíbrio através da realização 
de exercícios de transferência de descarga de peso (latero-lateral e 
anteroposterior). 
Após a fase inicial (entre 0 a 4-6 semanas), podemos evoluir, conforme 
tolerado e de acordo com o controle do paciente, para exercícios em apoio 
unipodal em superfícies instáveis como cama elástica, bosu, discos de 
equilíbrio, dentre outros (Figura 8), e com distúrbios externos como toque de 
bola (Figura 9). 
Corrida 
Pode ser iniciada após o 4° ou 5º mês em lesões periféricas e até 30 semanas 
para lesões complexas. O paciente inicia o treino correndo de 25 a 50% de sua 
velocidade habitual. Nesta fase, preconiza-se o treino intervalado alternando 
caminhada e corrida, podemos enfatizar o treino em curtas distancias / 
velocidade baixa, progredindo para curta distancia/ velocidade alta, longa 
distancia / velocidade baixa e, por fim, longa distancia / velocidade alta. 
Pliometria/ Funcionais/mudança de direção 
Treinamento de pliometria é iniciado com pacientes que evoluíram bem durante 
as etapas do programa de tratamento proposto, podem ser realizadas após 
aproximadamente seis meses de pós-operatório em pacientes que tiveram 
lesões periféricas ou complexas. Em pacientes que tiveram lesão radial do 
menisco, este programa pode ser adiado por até nove meses de pós-
operatório. A meta para retorno às atividades esportivas baseia-se na 
conclusão dos programas de corrida e de treinamento funcional. Os testes 
muscular e funcional devem estar dentro dos limites normais para serem 
utilizados como critério de alta. 
A introdução de treinos com saltos (Figuras 10a, 10b, 10c e 10d) e aceleração 
com frenagem (Figura 11), visam desenvolver e permitir a avaliação do controle 
dinâmico. Estas atividades exigem do atleta controle muscular excêntrico e 
concêntrico, e tem como objetivo reproduzir a funcionalidade do esporte que o 
joelho será obrigado a executar após a reabilitação da sutura menisco. 
O atleta está pronto para a progressão quando há controle unipodal, dentro do 
padrão de normalidade de 15% de diferença em relação ao lado não lesionado 
e demonstra boa mecânica corporal, velocidade e confiança ao executar os 
movimentos, sem compensações. 
Devem ser executados treinos com deslocamentos laterais, zigue zague e 
treinos de agilidade curtos. Treino de movimentação da figura em oito e 
carioca, treinos de corrida com cortes para mudança de direção à 90° e 45°. 
Esse treino é feito com cerca de 30 semanas do PO. (Heckman 2006) 
Retorno ao Esporte 
Na fase de retorno às atividades esportivas o atleta deve estar apto a realizar 
as atividades dinâmicas correr, saltar, aterrissar, mudar de direção, executar 
movimentos de pivoteio de forma adequada. É de extrema importância que o 
fisioterapeuta tenha boa comunicação com o treinador e preparador físico do 
atleta para que todos tenham conhecimento do estado que o atleta se encontra 
e quais as restrições a que ele está submetido na volta os treinos. O treino 
pode ser iniciado com algumas restrições (de acordo com cada caso) e então, 
a medida que segue o tratamento e a evolução do atleta, evoluir para o treino 
completo (Kozlowski 2012). 
O fisioterapeuta deve estar atento a componentes como a harmonia da cadeia 
de movimento, a execução do movimento sem compensações, além de fatores 
como a confiança para realizar os movimentos durante o treino. Qualquer 
problema detectado deve ser abordado e corrigido antes da liberação completa 
para treino/competição e alta (Kozlowski 2012). 
Pabian et al (2012) em seu relato de caso de reabilitação pós reparo meniscal 
em jogador de futebol americano inicia treinos de pivoteamento com 12 
semanas de PO e evolui este treino até 16 semanas quando já realiza treinos 
com alta demanda de exigência. No quinto mês o atleta estava realizando 
movimentos de pivô e mudança de direção mais específicos do esporte. O 
atleta teve seu retorno completo ao esporte com 140 dias de pós operatório e 
após 10 meses, não haviam sinais de piora do quadro. 
Para chegar aos critérios para retorno ao esporte após lesão meniscal, o atleta 
deve ter realizados as fases de progressão anteriormente descritas e atingir 
critérios funcionais como amplitude de movimento articular normal e funcional; 
força, potência e resistência muscular adequadas; flexibilidade, coordenação e 
controle sensório-motor adequados, capacidade cardiocirculatória e testes 
funcionais com resultados satisfatórios. 
Os testes funcionais devem ser individualizados ao esporte, de modo que 
reproduzam o gesto esportivo sem queixas e devem ser realizados antes da 
liberação do atleta. Alguns exemplos de testes funcionais são os hop tests, 
shuttle run, T dentre outros, recomenda-se a leitura do capitulo de "Critérios de 
retorno ao esporte" deste livro. 
A tabela 3 (abaixo) ilustra uma sugestão para início dos exercícios mais 
utilizados durante a reabilitação das lesões meniscais. 
conduta/tempo 1-2 sem 3-4 sem 5-6 sem 7-8 sem 3 meses 4 meses 5 meses 6 meses 7 meses 
isometria quad Perif / Complx 
 
SLR flexão de 
quadril 
Perif / Complx 
 
SLR outras direções 
 
Perif / Complx 
 
treino de marcha 
 
Perif complexas 
 
Panturrilha 
 
Perif complexas 
 
wall sits 
 
Perif complexas 
 
mini agachamento 
 
Perif complexas Perif / Complx 
 
cadeira flexora 
 
periféricas complexas 
 
cadeira extensora 
 
Perif / Complx 
 
leg press 
 
periféricas 
 
complexas 
 
treino sensório 
motor 
Perif complexas 
 
Bike 
 
Perif / Complx 
 
treino aquático 
 
Perif / Complx 
 
Caminhada 
 
Perif / Complx 
 
corrida 
 
periféricas 
 
complexas 
 
mudanças de 
direção 
perif 
 
complexas 
Retorno ao esporte 
 
perif 
 
complexas 
 
Considerações 
O processo de reabilitação das suturas meniscais (periféricas ou 
complexas/radiais) é relativamente demorado se comparado às lesões tratadas 
via meniscectomia/conservador. Algumas tentativas de realização de 
reabilitação pós operatória mais aceleradas (ADM completa e 6 semanas 
versus 8 semanas do tratamento convencional; maior força de quadríceps 
após 2 meses, 82% vs 71% contralateral e retorno completo às atividades em 
10 semanas) foram descritas em trabalhos realizados na década de 90 
(Shelbourne 1996, Mariani 1996). Um trabalho recente (Lind 2013) demonstra 
não haver diferença consideravel entre pacientes que submetidos a protocolo 
livre (ADM e descarga liberados conforme tolerado após 2 semanas) e 
protocolo restritivo (limitação de ADM e descarga até 6 semanas) em 
seguimento por até 2 anos. Sugerimos, ao leitor interessado, a leitura destes 
trabalhos. Evidentemente, a escolha do modelo de reabilitação a ser seguida 
deve levar em conta o tipo de cirurgia, o perfil e necessidades do atleta, o 
contato do cirurgião e, obviamente, embasamento teórico-científico de cada 
conduta escolhida. 
 
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