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Argumentação Jurídica 
 Argumentos são recursos linguísticos que visam à persuasão, ao convencimento. O argumento não 
é uma prova inequívoca da verdade. Argumentar não significa impor uma forma de demonstração, como 
nas ciências exatas. O argumento implica juízo do quanto é provável ou razoável. 
 A variedade de tipos de argumentos dinamiza os textos e aumenta a possibilidade de 
convencimento e persuasão, uma vez que explora estruturas lógicas diferenciadas. 
 Em âmbito geral, o argumento constitui uma espécie de construção verbal ou oral cuja finalidade é 
a persuasão a respeito de uma tese que ocupa o centro de um debate ou de uma polêmica, gerando, 
portanto, dois partidos contrários. 
 Advogados, juízes e promotores ganham a vida argumentando. O argumento é, para esses 
profissionais, a principal ferramenta de trabalho. Pode-se estabelecer a diferença entre o bom e o mau 
advogado avaliando a sua capacidade maior ou menor de argumentar convincentemente. Para persuadir 
é necessário argumentar com eficácia. A advocacia é a arte de conseguir bons acordos, que só se 
conseguem com bons argumentos. 
 Vamos supor, por exemplo, dois advogados adversários tentando convencer um juiz. Cada um diz 
ao juiz que sua tese é a verdadeira. O juiz só pode escolher uma delas. E a escolhe, não porque é 
verdadeira e certa, mas porque foi exposta de maneira mais convincente. 
 
Raciocínio Jurídico 
Validade das declarações 
 Quase toda declaração que expressa opinião pessoal ou pretende estabelecer a verdade só terá 
validade se devidamente demonstrada. A declaração deve ser apoiada ou fundamentada na evidência dos 
fatos, ou seja, acompanhada de provas. Só a prova convence. 
Ex: 1. Fulano é ladrão. 
 2. Fulano não é ladrão. 
 3. Fulano é ladrão porque foi preso em flagrante, quando furtava um relógio. 
 
 A sentença 3 está apoiada em um fato observado e comprovado. Isso é prova. 
 
Inferência é a conclusão, a dedução pelo raciocínio apoiada apenas em indícios. Por exemplo: um 
servidor público que tem salário modesto e passa a levar uma vida de alto padrão, com extenso 
patrimônio, parecerá corrupto. Isso não é provar, mas apenas inferir, pois ele pode ter ganhado na loteria 
ou recebido substancial herança. Veja-se ainda a súmula 301 do STJ, que diz: em ação investigatória, a 
recusa do suposto pai a submeter-se ao exame de DNA induz presunção juris tantum de paternidade. 
 Indícios podem persuadir, mas não podem provar. Bons exemplos são os argumentos persuasivos 
capazes de levar os jurados a presumirem que um acusado é inocente (ou culpado), mas o grau de 
certeza desses argumentos é relativo. 
Silogismo 
 É o argumento típico dedutivo, composto de três proposições: Premissa Maior, Premissa Menor e 
Conclusão. Num silogismo, as premissas são um ou dois juízos que precedem a conclusão e dos quais 
ela decorre como consequente necessário dos antecedentes, dos quais se infere a consequência. Nas 
premissas, o termo maior e o termo menor são comparados com o termo médio, e assim temos a 
premissa maior e a premissa menor segundo a extensão dos seus termos. 
Um exemplo clássico de silogismo é o seguinte: 
Todo homem é mortal. 
Sócrates é homem. 
Logo, Sócrates é mortal. 
 Tipo clássico de raciocínio dedutivo. É o encadeamento lógico de três proposições, sendo as duas 
primeiras chamadas premissas, delas resultando uma terceira, chamada conclusão. 
 Premissa maior: Os pais devem alimentos aos filhos. 
 Premissa menor: Fulano é pai. 
 Conclusão: Fulano deve alimentos ao filho. 
Constitui lição velha, desde os praxistas, que a inicial deve ser um silogismo. 
Dada uma premissa não verídica, a conclusão não vai ser correta, a falseação leva ao “sofisma”, que é 
um raciocínio errado. 
 Silogismo é um raciocínio no qual “da posição de duas coisas decorre outra só por estas terem sido 
opostas” (Aristóteles): ou mais simplesmente: “é um argumento dedutivo formado de três proposições 
encadeadas de tal modo que das duas primeiras se infere necessariamente a terceira”. Essas proposições 
chamam-se: premissa maior, premissa menor e conclusão. 
A premissa maior contém maior extensão: a premissa menor possui menor extensão e a conclusão 
encerra a conclusão do raciocínio: 
 Ex: Todo cidadão brasileiro pode votar. (maior) 
 Pedro é cidadão brasileiro. (menor) 
 Logo, Pedro pode votar. (conclusão) 
 
Nos debates e estudos, como também na petição inicial a premissa menor precede a maior: assim temos: 
 O fato: premissa menor. 
 O direito: premissa maior 
 O pedido: conclusão 
 
Exemplo: 
 João possui a gleba X por quinze anos (premissa menor). 
 O Código Civil, no art. 1.238, reza que quem possui por tal maneira uma gleba tem o direito de 
requerer o domínio. (premissa maior). 
 Logo, João pede que se lhe conceda usucapião da dita gleba (conclusão) 
 
 Esta disposição constitui a estrutura da inicial, que não deve ser alterada com citação de leis na 
parte expositiva ou vice- versa, ou ainda, como se vê, uma exposição desarticulada, extremada de fatos e 
de direito, sem sistematização. A inicial confusa sofre pena de indeferimento (Art. 284 e 295, I e 
parágrafo único, II, do CPC). 
Sofisma 
 É o raciocínio intencionalmente falso, capcioso, com aparência de verdadeiro, que tem o objetivo 
deliberado de provocar engano. 
 É o raciocínio falacioso. Sofismar é tentar convencer através de argumentos falsos, implica 
sempre má-fé. 
 Sofisma em filosofia, é um raciocínio aparentemente válido, mas inconclusivo, pois é contrário 
às próprias leis. Também são considerados sofismas os raciocínios que partem de premissas verdadeiras 
ou verossímeis, mas que são concluídos de uma forma inadmissível ou absurda. Por definição, o sofisma 
tem o objetivo de dissimular uma ilusão de verdade, apresentando-a sob esquemas que aparentam seguir 
as regras da lógica. 
 É uma demonstração aparentemente rigorosa que, todavia, conduz a um resultado nitidamente 
absurdo. Sofisma é qualquer raciocínio falso, mas que se apresenta com coerência e que tem por 
objetivo induzir outros indivíduos ao erro mediante ações de má-fé. 
 A designação de sofista, substantivação que remete a sophia, utilizada para identificar aquele 
grupo de pensadores, filósofos e letrados da sofística helênica. Neste sentido típico e dominantemente 
pejorativo, caracterizado por Platão como: "um impostor, purificador de opiniões, mas também 
malabarista de argumentos, mais verossímeis do que verdadeiros, mais sedutores do que plausíveis". 
Exemplo de sofisma: 
 Todo cavalo raro é caro. 
 Um cavalo barato, é raro. 
 Logo; um cavalo caro é barato! 
 
Principais sofismas empregados no direito. 
1. Ignorância da questão: ocorre quando fugimos aos fatos, apelando para a emoção. 
Ex: O defensor de um acusado de homicídio apela para os sentimentos de humanidade dos jurados, 
argumentando que o Réu é pai de família numerosa, trabalhador honesto, cidadão exemplar, desviando a 
atenção da conduta criminosa. Tais predicados, ainda que verdadeiros, justificariam a conduta ilícita? 
 Que faz o advogado de defesa, em face das provas concludentes, irrefutáveis, de que o acusado 
praticou realmente o crime que lhe é imputado? Não podendo negar a evidência dos fatos, apelará para o 
“bom coração”, para os sentimentos de humanidade dos jurados, dizendo que o acusado é um excelente 
chefe de família, um pai exemplar, trabalhador, honesto, cidadão, desviando-se maliciosamente, 
falaciosamente, para outro terreno onde, com apelo aos sentimentos, acompanhados certamentede 
teatralidade dos gestos, espera comover e convencer os jurados. Mas não provou nada: sofismou. 
Apelo à piedade ou argumento ad misericordiam. 
 Sustenta uma tese com base num apelo à caridade do auditório. Não busca convencer 
racionalmente, mas chantagear emocionalmente o interlocutor, para que adira a uma tese não sustentada 
pela razão. É frequente no foro. 
Ex: Se este réu for para a cadeia, seus seis filhos e esposa ficarão na miséria. Condenar este 
pobre coitado é condenar uma família a morrer à míngua! 
2. Conclusão irrelevante. 
 O sofisma de conclusão irrelevante (ou ignoratio elenchi) busca iludir o interlocutor 
apresentando uma conclusão que não é, de modo algum, decorrente das premissas apresentadas. As 
premissas não sustentam a conclusão, que não decorre logicamente daquelas, ou não está com elas 
relacionada. Há uma utilização de “inteligência confusa” para confundir o auditório. As premissas 
podem até ser verdadeiras, mas não levam à conclusão proposta pelo orador. 
Ex: O latrocínio é um dos crimes mais horrendos e repugnantes que há. Um latrocida é sempre alguém 
perigoso e degenerado. Aqui, a pobre vítima deixou na orfandade 16 rebentos. Demais disso, o réu 
registra extensa folha de antecedentes. Por isso, o réu deve ser condenado. 
3. Petição de princípios: são manifestações padronizadas de quem não tem argumentos melhores. 
Ex: “O fumo faz mal à saúde”, na realidade faz mal porque prejudica o organismo. “Estas crianças são 
mal educadas” são assim porque não aprenderam boas maneiras. 
 Ocorre o sofisma de petição de princípio quando o orador pressupõe como certo exatamente 
aquilo que deveria demonstrar. Faz-se um raciocínio saindo de um ponto de partida quando o que se 
quer provar é justamente esse ponto de partida. Pensando no silogismo como se fosse uma parede, o 
argumento eivado pela petição de princípio é como um tijolo assentado sobre ele mesmo. 
Ex: O réu agiu em legítima defesa ao ser agredido pela vítima. A lei diz que o homicídio em legítima 
defesa não é crime. Quando uma pessoa agride a outra, injustamente, a lei não obriga o agredido a 
fugir ou se acovardar. Dá-lhe, ao contrário, o direito a uma reação. Porque o réu, uma vez agredido, 
deveria deixar a vítima tirar-lhe a vida? A lei não o obrigava a isso. Logo, o réu agiu em legítima 
defesa. 
 Esse sofisma é muito frequente na retórica forense. A enunciação da tese começa com uma 
afirmação (como a do exemplo, “o réu agiu em legítima defesa”), seguida de páginas e páginas de 
citações de doutrina e jurisprudência, e nenhuma referência a provas que amparem a afirmação inicial. 
Por isso dizemos sempre: fundamentar não é citar, copiar e transcrever; é falar do caso, dos fatos e das 
provas. 
 Isso não é argumentar, mas alinhavar palavras que nada acrescentam à própria declaração, não a 
fundamentam, não a justificam. Todo aquele que se inicia ou se exercitam na arte de escrever deve 
evitar esse tipo de falsa argumentação que a gramática chama ora de tautologia (dizer a mesma coisa 
com outras palavras), ora de redundância (repetir palavras já implícitas em declaração anterior). 
4. Círculo vicioso. 
 O ponto de partida (a premissa) e a conclusão são apoiados um no outro, formando um círculo 
entre duas afirmações não demonstradas. A afirmação X é sustentada pela afirmação Y, que, por sua 
vez, só é sustentada pela afirmação X. 
Voltando à alegoria da “parede”, aqui o tijolo X é sustentado pelo tijolo Y, que por sua vez é sustentado 
pelo tijolo X. 
 Ex: “Por que o réu subtraiu a moto? Para fugir dos seus perseguidores e salvar-se. Por que estava 
sendo perseguido? Porque subtraiu a moto”. 
5. Ignorância de causa ou Falsa causa. 
 Consiste em apontar um fenômeno como causa de outro, apenas porque o antecedeu. Atribui 
causalidade a aquilo que é mera sucessão. Por isso é chamado em latim de post hoc ergo propter hoc: 
depois disso, então, por causa disso. Não se apura o nexo de causalidade, e se afirma a relação causa-
efeito apenas com base na sucessão cronológica dos fatos. 
Ex: Evidente que o réu foi autor dos furtos de que fala a denúncia. Note-se que o réu começou a 
trabalhar na casa da vítima em 23-12-99. O primeiro furto aconteceu em 25-12-99. Antes nada tinha 
sido furtado. Todos os furtos aconteceram depois que o réu tornou-se empregado da vítima. Portanto, o 
réu é o ladrão 
 O espírito humano não se contenta com a simples observação dos fatos, procura também a sua 
explicação, sua razão de ser, sua causa. Enfim, partindo da simples observação, criando hipóteses, 
verificando, testando, chega a generalizações, à lei ou princípio científico. Entretanto nem sempre é 
possível, pois os fenômenos não podem ser atribuídos a uma causa única, mas a um complexo delas. 
Assim decorrem muitas generalizações falsas ou parcialmente falsas. 
6. Causa comum. 
 Dá-se quando dois fatos relacionados entre si são tomados como sendo um causa do outro, sem 
considerar que ambos são efeitos de um terceiro fato. Toma-se um consequente como causa de outro 
consequente, ignorando o antecedente que é causa de ambos. 
Há sofisma de causa comum quando o réu alega,: 
 “A causa do acidente foi a conduta tresloucada da vítima, que lançou seu carro para o acostamento, e 
perdeu o controle do conduzido, batendo no barranco”, quando, na verdade, a vítima saiu para o 
acostamento para desviar do réu, que forçava uma ultrapassagem na curva. O desvio da vítima para o 
acostamento e a colisão no barranco são efeitos da invasão da contramão pelo réu. 
7. Generalização apressada. 
 Também chamado de sofisma de enumeração imperfeita ou de indução viciosa. Consiste em se 
atribuir ao todo o que é próprio da parte, em considerar como regra o que é exceção. Acontece quando 
se estende a conclusão da observação de um caso a outros casos que não são semelhantes. 
 Os preconceitos são, em geral, casos de generalização apressada. Os argumentos que se fundam 
em ideias como “louras são burras”, “homens são infiéis”, “mulheres falam demais”, “judeus são 
sovinas”, “favelado é bandido”, etc., são todos casos de indução viciosa. 
 Há sofisma de enumeração imperfeita quando se diz: 
 “o réu mora na favela do Ribamar. Todos os dias há furtos ou mortes nessa favela. Sabe-se que 
quase todos os marginais da cidade se escondem lá. Portanto, os moradores daquele local são pessoas 
perigosas e de má índole”. 
Há também generalização apressada quando se faz uso inconsequente de estatísticas, como: 
 “as pesquisas mostram que 73% dos acidentes de trânsito acontecem por embriaguez ao volante, 
de forma que há uma chance de 73% de que o réu, causador do acidente, estivesse bêbado”. 
8. Ignorância da causa: ocorre quando atribuímos como verdadeira causa aquilo que é simples 
aparência ou coincidência. Pode ocorrer por falsa ou maliciosa observação e interpretação dos fatos. 
“A azeitona de empanada fez mal”; 
“O café causou insônia”; 
“O juiz sempre julga a favor do empregado”. 
 
9. Erro de acidente: tomamos um acidental como se fosse um atributo essencial, resultando uma falsa 
generalização. 
Ex: “Existem magistrados corruptos, logo todos os juízes são corruptos”. 
 “Há advogados despreparados, logo todos são ignorantes”. 
 É aquela falácia em que se toma o acidental como se fosse um atributo essencial, constante, do 
que se resulta, evidentemente, uma generalização falsa. Como certo político revelou-se desonesto: logo, 
raciocinando como erro de acidente, concluímos que todos os políticos são desonestos. Certo médico 
enganou-se no tratamento de um parente nosso, logo, a medicina é inútil e todos os médicossão 
charlatões. Quem mete a faca a barriga de alguém é criminoso, ora, os cirurgiões fazem isso, logo, os 
cirurgiões são criminosos. Silogismo sofístico por erro de acidente, não se deixe convencer por elas e 
evite emiti-las. 
10. Argumento Ad hominem. 
 A expressão latina significa, literalmente, contra o homem. Incide no sofisma ad hominem o 
argumento que repele a tese-ideia-argumento de outro, com base em qualidades ou condições especiais 
dessa pessoa, sem considerar as validade ou invalidade do seu argumento. 
 Ao invés de se enfrentar o argumento do adversário, ataca-se a pessoa do adversário. Ataca-se o 
homem e não a ideia. Assim, argumenta ad hominem quem busca desqualificar a tese adversária fazendo 
ataques pessoais ao caráter do opositor. 
 Esse argumento é o mais frequente, lamentavelmente, na retórica política. 
 Toda vez que se postula a condenação de um réu com base nos seus maus antecedentes, 
argumenta-se ad hominem. Da mesma forma, quando se sustenta a inocência de alguém com base no seu 
passado imaculado e boa conduta familiar e profissional está-se recorrendo ao argumento ad hominem. 
A tese – culpa ou inocência – é deixada em segundo plano, enquanto se discutem qualidades da pessoa, 
que não são relacionadas com a tese. 
Raciocínio Dialético 
Dialética é o método filosófico racional adotado na exposição de ideias. 
Funciona assim: têm-se duas ideias antagônicas que reivindicam a verdade. 
 Chamamos uma de tese e a outra de antítese. Do combate entre elas surge a síntese (conclusão), 
que concilia a verdade que sobrou do embate. Então, aí tem-se uma verdade maior que as anteriores – a 
síntese. 
 Isto até que venha uma outra ideia que é contrário à síntese concluída. Aí tem-se novo embate. 
Aquilo que era síntese se torna tese. E a nova ideia antagônica a sua antítese. Do embate entre elas 
temos uma nova síntese (conclusão), e assim ad aeternum. 
 Este é o método mais sábio para o conhecimento da verdade; é flexível e aberto ao futuro. 
Estabelece uma verdade até que outra venha e a subjugue; não se apega cegamente a nada. 
 A razão dialética é o método de conhecimento da verdade.