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ANTIDEPRESSIVOS E ESTABILIZADORES DO HUMOR HUMOR: Emoção pervasiva e mantida que dá colorido às percepções do mundo; Somatória de emoções e sentimentos que estão presentes na consciência do indivíduo num determinado momento; Estado de disposição básica, difusa e prolongada da afetividade – o conjunto de emoções negativas e positivas. TRANSTORNOS DE HUMOR: Condições clínicas nas quais há uma perturbação do humor, do tipo depressão ou mania; São doenças incapacitantes; Podem afetar a população jovem – elas ficam improdutivas quando não são tratadas adequadamente; Afetam de maneira geral o humor; Se caracterizam por afetar a disposição física, alteração do sono e da libido. Depressão – sentimento de tristeza intensa, desesperança, desespero, incapacidade de sentir prazer, perda de motivação com a vida. Mania – paciente entusiasmado, tem mania de grandeza, extrema autoconfiança, rapidez mental e verbal, e não tem uma capacidade autocrítica muito boa, só que ele está com um humor tão elevado que as vezes o raciocínio dele é perceptível que não está no seu normal, porque é uma fala ininterrupta, muda muito de assunto de uma hora para outra. Então você percebe, é um paciente que as vezes vai ter dificuldade para dormir, dorme pouco e ele está se sentindo muito produtivo. TRANSTORNO DEPRESSIVO Transtorno depressivo maior: Pode ser recorrente ou único, não se observa no paciente estados positivos, estados de mania, de felicidade, apenas estados de humor negativo, mas com intervalos de humor normal Prevalência mundial: 17% Tratamento iniciado a partir da década de 50 Transtorno distímico: Os níveis de depressão são menores, mas são mais prolongados, ao se comparar com o estado depressivo. TRANSTORNO BIPOLAR Bipolar tipo 1 – mania: o paciente apresentaria estados de mania plena, estados de alegria e euforia exageradas plena, assim como estados de depressão plena. Tendência do humor mais depressivo, só que episodicamente faz um episódio de mania. Bipolar tipo 2 – hipomania: o paciente possui uma intensidade menor do que no tipo 1, há estados depressivos, momentos maníacos, mas os níveis de mania e de depressão são menores do que no tipo 1 OBS: O diagnóstico é importante porque o tratamento da depressão em um paciente bipolar pode desencadear uma crise de mania. DEPRESSÃO TÍPICA Em relação ao pensamento: dificuldade de concentração falta de memória, pensamento de morte e suicídio. Em relação ao comportamento: perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas, incluindo sexo, irritabilidade, isolamento. Em relação aos sentimentos: sentimento constante de tristeza, culpa,vazio interior, pessimismo, ansiedade, desesperança. Em relação ao corpo: insônia ou excesso de sono, porém a insônia é mais freqüente; falta de energia, fadiga alteração de apetite e perda de peso. Responde bem aos inibidores da recaptação da serotonina. (ISRS) Queda de serotonina. DEPRESSÃO ATÍPICA Mais frequente em termo de prevalência. São pacientes em tensão que estão oscilando, com muita vontade de comer doces, gorduras e frituras (comidas ricas em carboidratos) para diminuir a tristeza, devido à liberação de neurotransmissor. Em relação ao sentimento: sensibilidade exacerbada a críticas, se chateiam. O que diferencia da depressão típica é que eles conseguem sentir prazer em alguns momentos, ele consegue imaginar ir numa praia, tomar banho, ele vai se sentir bem porque ele gosta de fazer aquilo, mas quando volta para casa, a tristeza volta. Queda de SEROTONINA e DOPAMINA. Respondem bem aos inibidores da monoaminaoxidase. (IMAOS) ETIOLOGIA MULTIFATORIAL Componentes genéticos Componentes psicológicos – gerados por situações de estresse Pode ser causado por outras doenças: AVC, demência, diabetes, câncer e coronariopatias. Grupo de risco: mulheres, jovens adultos, solteiros e mulheres na fase puerpério. TEORIA DAS MONOAMINAS Redução patológica da neurotransmissão das monoaminas, principalmente serotonina e noradrenalina. A dopamina pode estar em algumas situações. *A mania estaria relacionada com o excesso da neurotransmissão. TEORIA DA NEUROPLASTICIDADE A depressão se associa com a perda de neurônios serotoninérgicos e noradrenérgicos no hipocampo e no córtex pré-frontal. Os diferentes antidepressivos atuariam com a inibição ou reversão dessa perda por estimularem a neurogênese. RECEPTORES DA SEROTONINA Podem ser inibitórios ou excitatórios 5-HT2A: é receptor excitatório e é inibido pelos antipsicóticos. 5-HT1: é receptor inibitório pré-sináptico e está relacionada a depressão. 5-HT3: é receptor excitatório e é o único tipo ionotrópico — os demais são metabotrópicos. Está relacionado a parte gastrointestinal – alguns antidepressivos poucos seletivos agem nele e dão muita náusea e vomito. SÍNTESE DE SEROTONINA Precursores: 5-hidroxitriptamina e triptofano. Triptofano: vem da dieta e é captado pelos neurônios serotoninérgicos, por transportadores ativos de membrana pré-sináptica. No interior do neurônio, é hidroxilado pela triptofano hidroxilase, transformando em 5-hidroxi-triptofano. 5-hidroxi-triptofano: sofre ação da L-aminoácido descarboxilase e é transformado em serotonina. A etapa limitadora é a triptofano hidroxilase, que vai ser inibida pelo estímulo do 5-HT1 pré-sináptico do tipo D. LOCAIS DE AÇÃO DA SEROTONINA O potencial de ação libera essas vesículas na fenda e a serotonina age em: Receptores pós-sinápticos Receptores pré-sinápticos inibitórios para regular a síntese de serotonina – parte da serotonina liberada é recaptada. A serotonina não age apenas a nível cerebral. No cérebro: atuação no humor, no sono, na enxaqueca; No sistema gastrointestinal: tem receptores excitatórios; No hipotálamo: modula a temperatura central – relacionado com o efeito colateral, que é a síndrome serotoninérgica (hipertermia) que acontece pelo excesso de serotonina; Possui atuação hemodinâmica. PRINCIPAIS ALVOS DOS ANTIDEPRESSIVOS ARMAZENAMENTO: esvaziamento do depósito das vesículas sinápticas DEGRADAÇÃO: inibição das enzimas que degradam as monoaminas RECAPTAÇÃO DA FENDA SINÁPTICA: ocorre da fenda para o terminal pré-sináptico RECEPTORES: ação específica dos receptores serotoninérgicos INIBIDORES DE ARMAZENAMENTO Deslocam adrenalina, noradrenalina e serotonina das vesículas de armazenamento. Rompem a vesícula e fazem difusão da membrana para que mais neurotransmissores sejam liberados na fenda. Pouco utilizado. Disse que não ia cobrar na prova passada kkk Anfetaminas e derivados, Metanfetaminas, Metilfenidato e Modafinila: Uso na depressão atípica e em idosos (segunda linha). Podem causar psicose em indivíduos suscetíveis, ter cuidado no transtorno bipolar (TBP). Anfetaminas e derivados são pouco utilizados. Fenfluramina e Dexfenfluramina: mais seletivos para 5-HT. Risco de perda de peso e cardiotoxicidade. INIBIDORES DA RECAPTAÇÃO DE MONOAMINAS Antidepressivos tricíclicos: São não-seletivos – inibem tanto a recaptação de noradrenalina quanto de serotonina; Possuem muitos efeitos colaterais – agem também em receptores muscarínicos, alfa adrenérgicos, histamínicos. Antidepressivos seletivos: Podem ser inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina ISRS (5HT) – só serotonina / IRNS (5-HT e noradrenalina) – as duas Não existe um exclusivo para inibir a recaptação de noradrenalina São muito mais modernos INIBIDORES DA MAO (IMAO) Inibidores da monoaminaoxidase, enzima que metaboliza os neurotransmissores. Aumentam a concentração de 5-TH, NA e Dopamina. Podem ser seletivos e não-seletivos – MAO-A e MAO-B – os seletivos são mais modernos. Reversíveis ou irreversíveis Reversíveis – tem ação curta. Com a interrupção, cessam os efeitos do fármaco mais rapidamente. Irreversíveis – tem longa duração. Mesmo que o tratamento seja interrompido, ainda haverá efeitos durante aproximadamente 2 semanas. Cuidado com pacientes que fazem uso de Levodopa – risco de crise hipertensiva,taquicardia, AVC, etc. Os inibidores reversíveis da MAO-A são mais eficazes. Só devem utilizar os IMAOS e os antidepressivos tricíclicos (ATC) em necessidade pois possuem efeitos colaterais exagerados. FÁRMACOS: Selegina (deprenil): seletivo para MAO-B (dopamina), usado em doses muito altas para ter efeito antidepressivo – por isso não é muito utilizado. Tranilcipromina, fenelzina, isocarboxazida e iproniazida: mais utilizados, não são seletivos (muitos efeitos colaterais) e irreversíveis (longa duração). Moclobemida e toloxatone: mais modernos, seletivos para MAO-A, reversíveis e de ação curta. A maioria são absorvidos via oral, lipofílicos, metabolização hepática (via citocromo P450) e excreção via renal. Efeito clínico: percebido após 4 semanas. Efeitos colaterais: Efeitos anticolinérgicos – tremores, excesso de peso (causado pelo bloqueio de receptores histamínicos), excitação, insônia, convulsões e crise hipertensiva grave. Crise hipertensiva grave - causada pelo aumento da tiramina, monoamina originária da dieta (presente em vinhos, queijo, cerveja e chocolate). Por causa desses efeitos e, especialmente, pelo risco de crise hipertensiva grave, além da dieta restritiva, evita-se utilizar os IMAOs. Síndrome da retirada – ocorre com a retirada abrupta dos IMAOs – abstinência grave com efeitos como náuseas, vômitos, mal-estar, agitação, pesadelos, psicose e convulsões. É necessário esperar duas semanas para substituição do medicamento para tratamento com um ISRS ou ATC. Interações medicamentosas: ATC (menos seletivo): vai potencializar os efeitos. ISRS: pode desencadear a síndrome da serotonina (que vai gerar hipertemia, rigidez, mioclonias, tremores, colapso cardiovascular e morte). Precursores de aminas biogênicas (levodopa): crise hipertensiva Agentes depressores centrais (anestésicos gerais e locais): efeitos diminuídos pela inibição da MAO Aminas simpaticomiméticas de ação indireta (efedrina): aumento grande da ação da medicação Usos: transtorno depressivo refratário, transtorno da ansiedade: fobia social e síndrome do pânico. ANTIDEPRESSIVOS ATÍPICOS Não têm estruturas moleculares semelhantes, nem ação semelhante, por isso são agrupados como atípicos, pois cada um tem uma ação específica. Vários mecanismos de recaptação. MIRTAZAPINA: Bloqueia diretamente receptores 5HT2A e o 5HT2C, autoreceptor alfa-2-adrenérgico – diminui a transmissão serotonina e eleva a noradrenalina; Potente sonífero e estimulante do apetite; Melhor escolha em pacientes idosos. BUPROPIONA: Inibidor relativamente seletivo da recaptação de NA e dopamina, mínimo efeito na recaptação de serotonina. É utilizada para DEPRESSÃO ATÍPICA; Possui menos efeitos adversos sexuais e pode ser utilizado especificamente no tabagismo, associado com adesivos cutâneos de nicotina. SIBUTRAMINA Inibe a recaptação de NA, mas seus metabólitos ativos inibem a recaptação de serotonina e NA. Reduz o peso em excesso, através de mecanismo no centro da saciedade TRAZODONA É um pró-farmaco que é convertido em agonista seletivo serotoninérgico 5-HT2A e 5-HT2C Utilizado para DEPRESSÃO E INSÔNIA AMOXIPINA / MAPROTILINA / NEFAZODONA: Essas classes são INIBIDORAS FRACAS DA RECAPTAÇÃO DE NORADRENALINA Poucos efeitos colaterais e eficácia clínica semelhante aos demais ANTIDEPRESSIVOS T RICÍCLICOS (ADT) Não seletivos: inibem a recaptação de serotonina, noradrenalina (principal ação) através dos bloqueios dos transportadores da recaptação de 5-HT e NE Muitos efeitos colaterais (menos que IMAOs): bloqueia outros receptores como os histaminérgicos, alfa adrenérgicos, muscarínicos. Indicações: depressões graves e resistentes, não é muito indicado o uso em idosos FÁRMACOS: Imipramina Desipramina Amitriptilina + utilizado Nortriptilina + utilizado Clomipramina – TOC – 1ª linha Meia vida mais curta que IMAOs, alta ligação proteíca e excreção renal. Usos clínicos alternativos: síndromes dolorosas (a amitriptilina, em doses baixas), ação na enxaqueca e fadiga crônica. Efeitos colaterais: Problemas cardiovasculares – arritmias, problemas na condução com risco de morte súbita. Tem relação com canais de sódio. Podem causar também hipotensão ortostática, devido ao efeito nos bloqueadores alfa 1. Endócrinos – diminuição de libido, problemas da ereção, dismenorreia e hiperprolactinemia. Anticolinérgicos – náuseas e vômitos por inibição dos receptores muscarínicos. Antihistamínicos – sedação, ganho de peso (aumento de apetite) e confusão nos idosos. É um parâmetro para observar se o tratamento está surtindo efeito nos primeiros meses. Neuropsíquicos – agitação, insônia. Interações medicamentosas: IMAO – sinergismo (potencialização dos dois) AAS – potencialização dos efeitos clínicos. Antihipertensivos – efícacia reduzida. Antipsicóticos e anticonvulsivantes – diminuição na metabolização hepática. Álcool e anestésicos gerais – potencialização do efeito do antidepressivo. INIBIDORES SELETIVOS DA RECAPTAÇÃO DE SEROTONINA (ISRS) Ação principal: inibe a recaptação da serotonina – receptores 5-HT1A São mais seletivos, tendo, portanto, menos efeitos colaterais. Indicações: são fármacos de primeira linha para depressão típica, ejaculação precoce, distúrbios alimentares, ansiedade e TOC. É melhor para pacientes idosos (menos efeitos colaterais), pacientes com problemas cardiovasculares ou usando várias medicações. Vantagem em relação aos ATC – apresenta dose tóxica alta (mais seguros), menos efeitos colaterais, maior seletividade São mais caros FÁRMACOS: Fluoxetina – mais prescrito Paroxetina Citalopram Sertralina Fluvoxamina Escitalopram – mais moderno INIBIDORES DA RECAPTAÇÃO DE SEROTONINA E NORADRENALINA (IRSN) Usados em pacientes que não respondem aos ISRS, quando existem afecções médicas ou transtornos psiquiátricos co-mórbidos Representantes: venlafaxina e duloxetina Em baixas doses inibe a recaptação de serotonina e em doses elevadas também de norepinefrina Eficácia e tolerabilidade melhor que os ISRS Pouca afinidade pelos receptores H1, muscarínicos e alfa-adrenérgicos ESCOLHA DO ANTIDEPRESSIVO Cardiopatias – excluem os tricíclicos Disfunções sexuais – excluem os inibidores da recaptação de serotonina, favorece o uso dos atípicos Depressão atípica – uso de Bupropiona ou IMAOs. Obesos – excluem os tricíclicos e a mirtazapina Idade Idosos: evitar os antidepressivos que tenha efeito anticolinérgico, atividade interferência com CYP450. Sertralina, citalopram, reboxetina, mirtazapina ão drogas de escolha. Infância: sertralina, fluoxetina são seguras. Sintomas associados ao quadro depressivo: ansiedade e insônia – amitriptilina e mirtazapina. Co-morbidades psiquiátricas: Transtorno do pânico – clomipramina, imipramina, paroxetina, sertralina Transtorno obsessivo compulsivo – inibidores da recaptação de serotonina Transtorno de ansiedade generalizada – venlafaxina, paroxetina, sertralina, imipramina Uso concomitante de outras drogas ESTABILIZADORES DO HUMOR Utilizado em crises de mania e para prevenir novas. Controlam as oscilações dos excessos da neurotransmissão Levam de 3 a 4 dias para desencadear seus efeitos terapêuticos Reduzem os episódios depressivos e maníacos Episódio agudo: reduz mania – associa-se um antipsicótico (haldol ou amplictil) FÁRMACOS: Lítio – melhor indicação na fase aguda, mas ter cuidado com a toxicidade – arritmia cardíaca e efeitos renais. Inibe a neurotransmissão adrenérgica de acetilcolina e serotonina. Gabapentina Valproato Risperidona Olanzapina Efeitos colaterais: disfunção tireoidiana, aumento de peso, diabetes nefrogênico, náuseas, vômitos, tremores, diarréias, disfunção neuromuscular, ataxia, convulsões e delírios.