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Epidemiologia e Sanidade Animal – 08/02/2018 Professora Cristiene Em sanidade animal para trabalhar é necessário conhecimento de várias áreas da veterinária: clínica, cujo objetivo é chegar no diagnóstico para definir o tratamento. Para trabalhar com a população é necessário conhecer os indivíduos dessa população. A patologia e laboratório clínico é muito utilizado para diagnóstico. O individuo que vai a óbito é muito importante e não pode negligenciar (anotar qual a causa da morte, quando) pensando em proteger os indivíduos que estão vivos. Quantos indivíduos estão afetados (por isso importante o registro para contabilizar) Prevenção e controle. Todo programa de sanidade deve ser acompanhado por uma ação de educação caso contrário pode não ser compreendido. Epidemiologia e Sanidade Animal – 15/02/2018 Professora Cristiene Cadeia Epidemiológica Me dá informação de como uma doença é transmitida e é composta por 5 elos. Usa muito para doença infecciosa (vírus, bactérias e fungos) Não usa muito para doença parasitária, pra parasitária usa um modelo diferente (o ciclo), normalmente trabalha o ciclo porque fica melhor representado, para parasitária nem sempre consegue definir os 5 elos. 5 elos: 1- Fonte de infecção; 2- Vias de eliminação; 3- Vias de transmissão; 4- Portas de entrada; 5- Suscetíveis; 1- Fonte de Infecção; Sempre hospedeiro vertebrado que alberga e transmite o agente etiológico de alguma forma; (mosquito não é fonte de infecção porque não é vertebrado) 2- Vias de Eliminação; Como o hospedeiro vertebrado vai disponibilizar o agente. Ele pode eliminar efetivamente do corpo ou pode disponibilizar, por exemplo, para um vetor. (exemplo um vetor hematófago que consegue adquirir um agente através do sangue) Exemplos: Vias de Eliminação Doenças Secreções oro-nasais Tuberculose, garrotilho, raiva, aftosa Secreções vaginais Brucelose, Metrites Urina Leptospirose Fezes Verminose Leite Mastites, brucelose, tuberculose Sangue Babesiose, anemia infecciosa equina Placenta Brucelose Cutânea Sarna, Micose Doenças veiculadas por vetor: (sangue: babesiose (carrapato) anemia infecciosa equina (moscas) A via de eliminação é extremamente importante para saber qual amostra colher para identificar o agente. A via de eliminação determina o mecanismo de transmissão! Outro fator importante para compreender a via de eliminação é que ela determina o mecanismo de transmissão, a forma que elimina está muito relacionado com a transmissão (o que estará contaminado? Como será feito o isolamento desses animais?) – Ex.: é muito comum em abrigo de gatos, aqueles que são positivos para FeLV ficam separado por uma grade. Será que é efetivo? Como será a forma de transmissão. Pra pacientes com FIV posso fazer a mesma coisa? Ou não é eficiente para nenhum dos dois? Então a via de eliminação nos ajuda a determinar esse isolamento também. 3- Vias de Transmissão; É UM ELO CENTRAL NA CADEIA EPIDEMIOLÓGICA Normalmente as ações de controle/prevenção estão relacionadas com a via de transmissão e por isso é importante estabelecer. É uma etapa critica porque depende muito da sobrevivência do agente no ambiente. Ex.: O vírus não envelopado (é muito mais resistente ao ambiente, quanto ele vai resistir? Qual a característica deste agente? A transmissão é imediata? O agente pode permanecer viável no ambiente por anos ? Qual a biologia do vetor para que eu possa intervir? Ex.: os programas de prevenção de carrapato são todos ligados a biologia do carrapato. Tanto que os equinos (que têm os carrapatos amblyomma e o dermacentor) para cada um deles tem um controle diferente porque as características biológicas dos carrapatos são diferentes. A forma de transmissão vertical (da mãe pro feto) pode ser empregada tanto para humanos quanto para animais. Dentro da cadeia epidemiológica, muitas vezes, a doença a princípio é no animal e o homem entra num sistema em que não pertence e acaba adquirindo a enfermidade ( a leishmaniose cutânea e visceral é um exemplo disso, onde o homem não faz parte do ciclo, mas acaba entrando acidentalmente). A transmissão acontece de um animal pra outro? De qual forma? Definição das rotas de transmissão: diretas • Aerógenas: particulas são passadas através do ar de um animal a outro (aerosol ou poeira) ex.: não varrer para não levantar e correr o risco de aspiração • Oral: (tanto pela via hídrica ou alimentos) - Consumir agentes causadores de doenças em alimentos ou fômites contaminados (água, lambendo ou mastigando objetos contaminados); • Contato Direto: Um animal susceptível fica exposto quando o agente da doença atinge diretamente feridas abertas, membranas, mucosas ou pele, através do sangue, saliva, nariz para nariz, contato, fricção, coito ou mordedura. • Reprodutiva: um subtipo de contato direto que inclui doenças propagadas através do acasalamento ou ao feto durante a gravidez (coito ou inseminação). As infecções verticais (da mãe pro feto) também entram nesse quesito. • Fômite: SEMPRE um objeto inanimado (bota, pá, luva, brinquedo) que esteja contaminado com agente patológico de um animal suscetível a outro. Veículo animado é diferente de fonte de infecção porque é um subtipo de transmissão de fômites em que um animal ou humano distribui material orgânico para outro local. Exemplo: um estagiário chega em casa com as mãos contaminadas e põe a mão em seu animal. O estagiário é o veículo animado que não foi infectado pelo agente, apenas carreou de um lugar para o outro. • Vetores : SEMPRE um invertebrado que adquire um agente da doença de um animal e transmite-o à outro. Pode ser um carrapato, uma mosca, pode ser uma mosca, um piolho, um mosquito, pulga, etc... que podem transmitir o agente etiológico da doença. - Vetor mecânico; (agente não tem dependência biológica com o vetor) - Vetor biológico; (ocorre alguma transformação biológica dentro do vetor) Exemplo: Vetor Mecânico: o agente não tem dependência biológica alguma com o vetor – Berne: a mosca do berne deposita os ovos em qualquer inseto alado que ela consiga capturar, esses ovos vão se desenvolver independentemente dos insetos que ela depositou, eles só aproveitam a carona sem ter nenhuma dependência biológica. Vetor Biológico: ocorre alguma transformação biológica dentro do vetor. Nesses casos observaremos que existem vetores específicos para determinadas enfermidades que pode ser multiplicação ou ainda uma mudança de fase. – Babesia: dentro do carrapato (vetor) a babesia muda de fase e se multiplica. Quando o vetor é biológico a gente tenta caracterizar esse vetor para poder achar o caminho de combate-lo. A contaminação ambiental sempre deve ser levada em consideração. 4- Portas de Entrada; Uma vez que eu tenho a transmissão, para cada animal eu tenho uma porta de entrada, ou seja, a forma que ele irá se infectar. Porta de Entrada (vias) Forma de Contaminação Respiratória Gotículas de poeira e aerossóis Digestiva Água e alimentos contaminados Urinária Contágio direto, vetores, mãos contaminadas Conjuntiva Vetores mecânicos,gotículas, poeira Galactófora (canal do teto ) Mãos, equipamento de ordenha contaminados, solo, fomites. Onfaloflébica Solo, vetores, água, Cutânea Contágio direto, vetores, solo, água, fomites. 5- Suscetíveis; Que vai ser o Novo hospedeiro. Importante estabelecer qual a suscetibilidade desses indivíduos. A gente observa nas enfermidades que alguns indivíduos são mais resistentes, outros são mais sensíveis e outros são refratários. ü Suscetibilidde x resistência ü Susceptibilidade natural x experimental A natural tem doses diferentes de inóculos, algumas enfermidadesa quantidade de inóculo pode ou não estabelecer manifestação clínica. No experimental já tem uma dose pré-concebida. ü Resistência natural x adquirida O indivíduo tem uma resistência natural (anticorpo materno) ou é mais mais resistente? Por que ele é mais resistente? ü Refratariedade ü Infecção x infestação ü Relação infecção – doença Nem sempre que o indivíduo se infecta ele terá a infestação. Infecção: ela é interna Infestação: ela é externa Fungo, vírus, bactéria a gente fala em infecção. Para parasitas usamos muito infestação (pulga, carrapato, piolho) Verminose alguns falam infestação e outros infecção. Fases do Processo Infeccioso da Doença ü Período da incubação: período da infeção até o início das manifestações clínicas. ü Período prodrômico: é bem no início da infecção, já tem algumas manifestações mas não são características (difícil diagnóstico) ü Período de convalescência: Depois da infecção, recuperação. (período que o animal cessa a manifestação entra na fase de recuperação) ü Período pré-patente: Vai da infecção ao início da eliminação do agente. Usa mais para agente parasitário do que infeccioso. O período pré-patente vai da infecção ao início da eliminação do agente, ou seja, quanto tempo leva para começar a contaminar o ambiente depois que se infectou? ü Período Patente: Período em que já tem eliminação do agente. Também chamado de período de transmissibilidade. Exemplo: leptospirose em que após cura clínica continua eliminando o agente pela urina. Em algumas enfermidades eu consigo detectar É um período prolongado? Tem uma infecção crônica? No caso da febre amarela: Por quanto tempo vai eliminar esse agente? ü Disseminação: Importante tanto para parte clínica como para a parte de diagnóstico. O agente é localizado ou disseminado? Exemplo: corona vírus está localizado no intestino, se eu quiser fazer PCR de onde vou fazer? Não adianta fazer PCR do sangue sendo que ele está no intestino. Nem todo hospedeiro tem manifestação clínica!!! Atividade: Traçar a cadeia epidemiológica da: Febre Amarela Silvestre e Urbana. (Artigos em PDF anexados) Febre Amarela 1 – Fonte de Infecção Silvestre: Primatas não humanos (Macaco Prego e Guariba); Urbana: Seres Humanos; Há relatos de marsupiais arboreais e preguiças como papel secundário. 2- Via de eliminação Ambas: liberação das partículas virais na corrente sanguínea. O vírus se multiplica no linfonodo e nas células dendríticas , musculares (estriadas e lisas) e em fibroblastos. O período de incubação demora de horas até dois dias ou até mesmo de 05 a 07 dias em casos mais graves (no ser humano). 3- Vias de Transmissão Silvestre: Vetores Mecânicos - Haemagogus janthinomys e Sabethes Urbano: Vetores Mecânicos – Aedes aegypti (homem introduz o vírus na área urbana) 4- Porta de Entrada Silvestre: Via cutânea; Urbana: Via cutânea; 4- Suscetíveis: Ser humano, com prevalência maior em pessoas do sexo masculino, turistas Por que no Brasil a prevalência é de ciclo silvestre sendo que em bairros locais vemos várias pessoas infectadas? O ciclo silvestre é caracterizado pela transmissão através do mosquito Haemagogus e Sabethes que estão localizados em ambiente de mata, ou seja, é o mosquito que determina que a doença não se alastre além dessa caracterização ambiental. As pessoas acabam se contaminando com a doença entrando no ambiente deste vetor. Epidemiologia e Sanidade Animal – 22/02/2018 Professora Cristiene Indicadores Epidemiológicos ou Indicadores de Saúde. Quando trabalha com população precisa de um parâmetro para saber se a saúde está melhorando, se não foi alterada ou se ela piorou. Os indicadores epidemiológicos ou indicadores de saúde são parâmetros da população através da representação numérica onde se pode enxergar se a população vem melhorando, piorando, se a medida de saúde aplicável teve sucesso, se houve redução de mortalidade. É SEMPRE UMA FREQUÊNCIA RELATIVA. Ou seja, é uma expressão numérica de diversos eventos (risco de óbito, risco de ficar doente) que podem ocorrem numa população e dentre eles destacam morbidade, letalidade, mortalidade e natalidade. Quais são as situações que são importantes estes indicadores? - analisar a situação de saúde naquele momento de uma determinada situação; - fazer comparação (ex. número de morte/ano de pessoas que adoeceram de febre amarela – do total que adoeceu, quantos morreram?) - ver mudanças ao longo do tempo; (como doença vão se espalhando?) Coeficientes (ou taxas) Expressa o risco, a probabilidade que um indivíduo do denominador tem de apresentar o atributo ou evento que consta no numerador. Exemplo: taxa de letalidade é o risco que o indivíduo doente tem de morrer. Se refere a um determinado período de tempo (ano, mês, semanas, dias), a um determinado local (cidade, estado, bairro) numa determinada população (espécie, idade, sexo, etc). Número de óbitos por tuberculose na cidade “X” no ano “Y”= 0,035 Número de casos de tuberculose naquela cidade naquele ano Referem-se à um determinado: ü Período de tempo (ano, mês, semana, dias) ü Local (propriedade, município, estado, país) ü População (espécie, idade, sexo) Morbidade Frequência de doença numa população; Avalia a dimensão de um problema numa determinada população, ou seja, avalia o risco de um indivíduo de uma determinada população adquirir uma doença. Temos dois tipos de coeficiente de morbidade: ü Morbidade incidente ou incidência; ü Morbidade prevalente ou prevalência. Incidência (“I” ou Coeficiente de Morbidade Incidente): Avalia a frequência com que surgem casos novos numa população Quantos casos novos ocorreram no período em que eu observei ? Ex.: Incidência da febre amarela em Janeiro de 2018. Só vou contabilizar indivíduos que contraíram febre amarela em janeiro de 2018. População suscetível à doença na mesma localidade e período I = Casos Novos de determinada doença na localidade “X” no Período “Y” O que essa figura representa? A população dessa propriedade são 100 animais. Cada tarja preta representa o período em que um animal ficou doente (quando adoeceu e quando teve a resolução). Por enquanto não estamos falando se ele morreu ou se ele se curou, apenas que acabou. No gráfico temos a observação de ano de 2005 e ano de 2006. Vamos trabalhar somente com o primeiro semestre de 2006. Quantos casos eu tenho nesse primeiro semestre de 2006? Tenho 08 casos (animais doentes) neste período No total de casos entram os casos novos + os casos antigos Quantos casos novos eu tenho no primeiro semestre de 2006? Tenho 06 casos novos neste período. Nos casos novos só contabilizo os animais que adoeceram no período em questão Como vamos calcular a incidência deste caso? A incidência é a porcentagem de casos novos na população neste período. Então no exemplo eu tenho 06 casos novos numa população de 100 bovinos: 6 casos I 100 Bovinos 100% Incidência = 6% Em resumo a incidência são todos os casos novos (que adoeceram) no período em questão. Prevalência (“P” ou Coeficiente de Morbidade Prevalente): Avalia a frequência de casos de doenças existentes numa população em um determinado momento ou intervalo de tempo restrito, sem distinguir os casos novos dos casos antigos. Ou seja, alguns dados referente a riscos de adquirir a doença não são feito acompanhamentos tão dinâmicos, devido falta de interesse, restrição financeira, etc. No Brasilhá muitos dados animais de doenças que têm interferência na produção (interesse econômico) ou zoonoses, para as outras doenças não há tantos dados. Muitas vezes quando vou estudar uma população animal não tenho condições de ficar acompanhando mês a mês, semana a semana e por isso muitas vezes eu vou num determinado local e faço uma coleta de todos os animais. Nesse momento não tenho condições de diferenciar quais casos são antigos e quais casos são novos. Então quando trabalho com esses dados mais ‘grosseiros’ em que eu não tenho uma referência de determinar quais casos são antigos ou novos chamamos de morbidade prevalente. Morbidade porque também é um risco do animal contrair a doença e prevalente porque estou trabalhando tanto com casos novos quanto com antigos. É um dado que é como se fosse uma foto no tempo, onde eu registro aquele momento para que eu tenha noção do que está acontecendo. O que aconteceu antes ou o que vai acontecer depois eu não sei. Voltando ao exemplo da fazenda Boa Sorte: Se a Incidência é 6% e a Prevalência considera casos novos e antigos qual vai ser a Prevalência deste local? 100 bovinos 100% 8 casos P Letalidade (ou Fatalidade): População suscetível à doença na mesma localidade e período P = Número de casos de determinada doença num dado período e local” Tanto incidência quanto prevalência são dados de morbidade, e ai depende das funções que eu tenho para acompanhar. A incidência é muito melhor pois um acompanhamento mais real, mais de perto, mais dinâmico porém custa muito mais caro. A prevalência é um dado estagnado, uma foto de um momento e o custo é bem menor. Prevalência = 8% Letalidade (ou fatalidade) Mede a intensidade da virulência na relação hospedeiro- parasita, permitindo avaliar a gravidade da doença. Expressa o risco de morrer por determinada doença, a que estão exposta os indivíduos por ela acometidos e oferece elementos para prognóstico da doença. É o risco que o indivíduo tem uma vez que foi infectado de vir a óbito. Ou seja, é o risco dele morrer pela doença que foi acometido. A letalidade não é um dado estático, pode tanto diminuir quanto aumentar. Não é fixo da doença. A letalidade de uma doença pode variar de uma espécie pra outra Ex.: a letalidade da febre amarela em um bugio é diferente da letalidade em um macaco prego. Voltando ao nosso exemplo da Fazenda Boa Sorte: Observe a nova imagem: Número de casos da doença na mesma localidade e período L = Número de óbitos por determinada doença na localidade “X”e período “X” População de Bovinos: 100 Total de Casos (Novas + Antigos) = 8 Casos Novos = 6 Óbitos pela Doença = 4 Neste caso, quais são os indivíduos que correm o risco de morrer? A população total ou só os acometidos? Os que correm risco de morrer são aqueles que estão acometidos, então aqui vou usar o total de casos da doença em relação ao risco de óbito. Se em 08 animais doentes ocorreu 4 óbitos, o que vai acontecer em 100% desses animais ? 8 animais doentes 4 foram a óbitos 100% dos animais L Ou simplesmente: 4 (óbitos) ÷ 8 (animais doentes) x 100 = 50% Lembrando que a letalidade é um dado dinâmico que pode sofrer alterações. Letalidade = 50% Mortalidade O coeficiente geral de mortalidade reflete o risco que um indivíduo de determinada população corre de morrer por qualquer causa, durante o período considerado. Expressa de maneira muito genérica a qualidade de vida da população. Dentro da mortalidade há outros extratos desse coefiente. Coeficiente Geral de Mortalidade: Mostra o risco de uma população vir a óbito por qualquer causa. Esse coeficiente dá uma ideia de qualidade de vida dessa população. Quanto menor de vir a óbito maior a qualidade de vida. É muito utilizado para humanos mas dependendo da população animal também dá pra usar. Voltando ao exemplo da Fazenda: População de Bovinos: 100 Total de Casos (Novas + Antigos) = 8 Casos Novos = 6 Óbitos pela Doença = 4 A mortalidade é calculada em toda população do local onde mensura o número de morte e qualidade de vida Não confundir letalidade com mortalidade. Exemplo: A letalidade da leptospirose seria o risco de um indivíduo acometido pela leptospirose vir a óbito pela doença. Mortalidade pela leptospirose numa população é o risco de um indivíduo daquela população vir a óbito pela leptospirose, não necessariamente ele está acometido. Quando a gente fala em mortalidade a população que está sobre risco é a população total (indivíduos sadios + indivíduos acometidos pela doença em questão + acometidos por qualquer outra doença). A letalidade é sobre o risco que o indivíduo que tem determinada doença tem de morrer. Mortalidade por causa definida nos diz o risco de determinado indivíduo que pertence aquela população tem de ir a óbito. Número de óbitos por todas as causas na localidade “X”e período “X” População da localidade no período 4 óbitos ÷ 100 (população) x 100 = 4% ü Natimortalidade: Calcula o número de nascidos mortos no local em determinado período. Ou seja, de todos os nascimentos daquela propriedade qual é o risco de nascer um natimorto? Só me aponta o risco! A população sobre risco na natimortalidade são os indivíduos que ainda vão nascer. ü Motalidade intra-uterina: Calcula o risco de aborto. Ou seja, o risco de correr um abortamento em um animal prenhe. A população sobre risco são fêmeas prenhes. Se eu tenho muito aborto o que pode ser? Manejo? Alimentação inadequada? Medicamento? ü Fecundidade Número de fêmeas efetivamente prenhe após coito ou cobertura. Seria a porcentagem de fêmea que foram cobertas/inseminadas que realmente emprenharam. Analisa qualidade do sêmen, manejo do funcionário, se o animal é eficiente na monta, etc. Exercícios: 01. EXERCÍCIO: Explique o que é taxa ou coeficiente. 02. EXERCÍCIO: (CETRO) O Coeficiente (ou Taxa) de Incidência é expresso pela seguinte fórmula: a) Nº de casos existentes (novos + antigos) em dado local / momento / período x 10n População do mesmo local e período b) Nº de casos de uma determinada doença em dado local e período x 100 População exposta ao risco c) Nº de óbitos em um dado período x 1.000 População do mesmo local e período Número total de nascimentos ocorridos na localidade e período Número de nascidos mortos na localidade “x” e período “y” Número de abortos ocorridos na localidade “X”e período “Y” Número de concepções efetivas na localidade e período Número de fêmeas efetivamente cobertas na localidade e período Número de concepções efetivas na localidade “X”e período “Y” d) Nº de casos novos de uma doença em um local e período x 10n População do mesmo local e período e) Nº de óbitos pela doença em determinada área e período x 100 ou 1.000 Nº total de pessoas com a doença na mesma área e período 03. EXERCÍCIO: Foi realizado um estudo para determinar a soroprevalência de cinomose no ano de 2014, em uma população de caninos não vacinados de um bairro de Santa Maria, estimada em 1000 animais. Dessa forma, 470 amostras de soro foram considerados sororreatores para o vírus. Durante o ano seguinte, 2015, foi feito um acompanhamento da doença na população, e os pesquisadores constataram que 100 casos novos no bairro e47 destes morreram comprovadamente de cinomose. a) Qual a soroprevalência para cinomose detectada pelo estudo nessa população para o ano de 2014, em percentual? 04. EXERCÍCIO: De acordo com o enunciado do EXERCÍCIO 03, determine a letalidade para o ano de 2015, em percentual. 05. EXERCÍCIO: (VUNESP) O coeficiente de letalidade deve ser entendido como relação entre a) total de mortos na população / população total. b) número de mortos por dada doença / total de acometidos pela mesma doença. c) total de mortos na população / total de doentes da população. d) número de mortos por dada doença / população total. e) número de mortos por dada doença / total de doentes da população. 06. EXERCÍCIO (CETRO) Assinale a alternativa correta. a) A taxa de letalidade expressa a frequência relativa de casos novos na população, em uma dada região, durante um determinado período de tempo. b) O coeficiente de morbidade incidente expressa a frequência de uma doença em uma população de uma região refletindo o risco ou a probabilidade que apresenta um indivíduo dessa população de morrer. c) O coeficiente de morbidade revela a capacidade que um agente tem de causar a morte de um indivíduo de uma dada população, em uma região definida, durante determinado período de tempo. d) O coeficiente de morbidade prevalente reflete a frequência de todos os casos existentes em uma população, novos e antigos, num determinado momento ou período de tempo. e) A taxa de letalidade indica a probabilidade de morte de um indivíduo de uma dada população, em uma região definida, durante determinado período de tempo. 07. EXERCÍCIO: a) Calcule o coeficiente de mortalidade geral (por mil habitantes) para os municípios de Salvador e Porto Alegre em 2000. b) Preencha as células vazias com os coeficientes de mortalidade (por mil habitantes) para os municípios de Salvador e Porto Alegre em 2000. SALVADOR PORTO ALEGRE Faixa etária POP % OBITOS % CM* POP % OBITOS % CM* <1 41888 1,71 1237 9,75 29,53 21171 1,56 349 3,54 1 a 4 166531 6,82 157 1,24 0,94 82905 6,09 60 0,61 0,72 5 a 9 206311 8,44 72 0,57 0,35 102252 7,52 26 0,26 10 a 14 223746 9,16 93 0,73 107317 7,89 53 0,54 0,49 15 a 19 281938 11,54 294 2,32 125149 9,20 127 1,29 1,01 20 a 29 503201 20,60 854 6,73 1,70 229941 16,90 473 4,80 2,06 30 a 39 399208 16,34 940 7,41 2,35 208102 15,29 587 5,95 40 a 49 292184 11,96 1341 10,57 4,59 192396 14,14 822 8,34 50 a 59 163064 6,67 1652 13,03 10,13 130816 9,61 1187 12,04 9,07 60 a 69 93847 3,84 1944 15,33 87005 6,39 1701 17,26 19,55 70 a 79 49888 2,04 2070 16,32 41,49 52961 3,89 2199 22,31 41,52 80 e + 21301 0,87 2028 15,99 95,21 20575 1,51 2274 23,07 110,52 total 2443107 100 12682 100 total 1360590 100 9858 100,00 * Coeficiente de mortalidade por faixa etária (por mil habitantes) 08. EXERCÍCIO: (PREFEITURA DE SÃO PAULO) No ano de 2006, em um Município que possui uma população estimada em 61.841 pessoas, foram registrados 1.778 casos de leptospirose, dos quais 20 morreram. Os coeficientes de morbidade, letalidade e mortalidade por leptospirose, expressos em percentual, são, respectivamente, de a) 0,032; 2,88 e 1,12. b) 0,032; 1,12 e 2,88. c) 1,12; 0,032 e 2,88. d) 2,88; 0,032 e 1,12. e) 2,88; 1,12 e 0,032. 09. EXERCÍCIO: (VUNESP) Durante a campanha de vacinação anti-rábica canina, realizada no mês de agosto de 2002, o Serviço Municipal de Controle de Zoonoses de Monte Azul, SP, realizou um inquérito sorológico para a leptospirose no qual, de 400 animais examinados, 100 foram classificados como soro-reatores, titulo ³ 100 para o sorovar canicola. Os reatores ao teste sorológico tiveram um acompanhamento clinico e laboratorial e, destes, 15 morreram com clinica sugestiva de leptospirose que foi confirmada pelo exame de suspensões de tecido hepático submetidas à microscopia de campo escuro, ao cultivo e à técnica de PCR. Os coeficientes de morbidade, letalidade e mortalidade por leptospirose, expressos em percentual, são, respectivamente, de a) 3,75; 15,00 e 25,00. b) 15,00; 25,00 e 3,75 c) 25,00; 15,00 e 3,75. d) 20,00; 10,00 e 3,5. e) 25,00; 3,75 e 15,00. Respostas: Exercício 1 - É a relação entre o número de casos de um evento e uma determinada população, num dado local e época. É a medida que informa quanto ao “risco” de ocorrência de um evento. Exemplo: número de óbitos por febre amarela no estado de São Paulo, em relação às pessoas que residiam nessa cidade em cada ano; nº animais infectados por determinada doença em relação aos animais de determinada população. Exercício 2 – Alternativa D A – errada, pois na incidência os casos antigos não entram, apenas os novos. B – errada, pois não especifica se são casos novos ou antigos. C – errada, pois na incidência não são o número de óbitos, e sim de animais doentes. D – Alternativa correta. E – errada, pois novamente cita número de óbitos. Exercício 3 a) População total: 1000 animais Animais contaminados: 470 animais Casos Novos: 100 Número de óbitos: 47 Soroprevalência 2014 à 1000 população 100% 470 contaminados X b) Incidência 2015 à 1000 população total 100% 100 casos novos I Exercício 4 – Letalidade ano de 2015 Número de óbitos: 47 Exercício 5 – Alternativa B A – errada, pois está relacionado ao número de mortes por dada doença e pelos indivíduos acometidos. B – alternativa correta. C – errada, pois não é da população total e sim daquela acometida por dada doença. D – Alternativa correta. E – errada, pois apesar de ser o número de mortos por dada doença não é sobre o total de doentes da população e sim o total de doentes pela dada doença. Exercício 6 – Alternativa D A – errada, pois letalidade não está relacionada ao risco de ter a doença e sim ao risco do indivíduo já doente vir a óbito. B – errada, pois morbidade é o risco de doença e não de morrer. C – errada, pois novamente é o risco de doença e não de morte. D – Alternativa correta. E – errada, pois a letalidade indica a probabilidade de morte de um indivíduo por uma dada doença. Na alternativa eles se referem a mortalidade e não letalidade. Exercício 7 a- Calcule o coeficiente de mortalidade geral (por mil habitantes) para os municípios de Salvador e Porto Alegre em 2000. 2014 2015 Prevalência = 47% Incidência = 10% b- Preencha as células vazias com os coeficientes de mortalidade (por mil habitantes) para os municípios de Salvador e Porto Alegre em 2000. SALVADOR PORTO ALEGRE Faixa etária POP % OBITOS % CM* POP % OBITOS % CM* <1 41888 1,71 1237 9,75 29,53 21171 1,56 349 3,54 16,48 1 a 4 166531 6,82 157 1,24 0,94 82905 6,09 60 0,61 0,72 5 a 9 206311 8,44 72 0,57 0,35 102252 7,52 26 0,26 0,25 10 a 14 223746 9,16 93 0,73 0,41 107317 7,89 53 0,54 0,49 15 a 19 281938 11,54 294 2,32 1,0 125149 9,20 127 1,29 1,01 20 a 29 503201 20,60 854 6,73 1,70 229941 16,90 473 4,80 2,06 30 a 39 399208 16,34 940 7,41 2,35 208102 15,29 587 5,95 2,82 40 a 49 292184 11,96 1341 10,57 4,59 192396 14,14 822 8,34 4,27 50 a 59 163064 6,67 1652 13,03 10,13 130816 9,61 1187 12,04 9,07 60 a 69 93847 3,84 1944 15,33 20,71 87005 6,39 1701 17,26 19,55 70 a 79 49888 2,04 2070 16,32 41,49 52961 3,89 2199 22,31 41,52 80 e + 21301 0,87 2028 15,99 95,21 20575 1,51 2274 23,07 110,52 total 2443107 100 12682 100 5,19 total 1360590 100 9858 100,00 7,24 * Coeficiente de mortalidadepor faixa etária (por mil habitantes) Como a conta foi feita? Dividido número de óbito pelo POP e multiplicado por 1000 (mil), pois o enunciado solicitava por mil habitantes. Exercício 8 – Alternativa E População total: 61.841 Total de casos (novos e antigos) 1778 Número de óbitos: 20 ü Morbidade: 61.841 população total 100% 1778 número casos M OU ENTÃO: 1778 ÷ 61.841 x 100 = 2,88% ü Letalidade: 1778 animais doentes 20 foram a óbito Morbidade = 2,88% Letalidade = 1,12% 100% dos animais L Ou então: 20 ÷ 1778 x 100 = 1,112% ü Mortalidade: 61.841 população total 20 mortes 100% (todos indivíduos) M Ou então: 20 ÷ 61.841 x 100 = Exercício 9 – Alternativa C População Total: 400 animais Animais Doentes: 100 Número Óbito: 15 ü Morbidade 400 população total 100% 100 número casos M Ou então: 100 ÷ 400 x 100 = 25% ü Letalidade 100 número casos 15 foram a óbito 100% dos animais L Ou então: 15 ÷ 100 x 100 = 15% ü Mortalidade 400 população total 15 óbitos 100% dos animais M Ou então: 15 ÷ 400 x 100 = 3,75% Mortalidade = 0,032% Morbidade = 25% Letalidade = 15% Mortalidade = 3,75% Epidemiologia e Sanidade Animal – 08/03/2018 Professora Cristiene Características dos Métodos Diagnósticos Utilizado para confirmar presença ou ausência de uma doença ou prevalência e incidência. Se eu tenho suspeita de uma enfermidade preciso fazer um teste para provar a existência ou ausência dela. Por exemplo, um animal não tem a manifestação mas está eliminando o agente, o teste me ajuda a saber. Também serve para verificar prevalência x incidência. Toda vez que a gente faz a conta prevalência x incidência os gráficos/mapas são todos de casos confirmados por métodos diagnóstico. É importante ressaltar que todo teste tem uma margem de erro. Teste Direto e Indireto: Métodos Diretos O método direto consiste na pesquisa do antígeno, ou seja, um “pedaço” de um determinado agente. Objetivo: Pesquisar presença ou ausência de um agente etiológico. Exemplos de Métodos Diretos: ü Coproparasitológico; ü Raspado Cutâneo; ü Cultura (fúngica, bacteriana); ü Citologia; ü Histopatológico; ü Imunohistoquímica; ü PCR (imunodiagnóstico); Obs.: Os métodos sorológicos se baseiam na interação do antígeno com o anticorpo. Imunodiagnóstico são os principais métodos diagnósticos que utilizamos para monitorar uma população. Quando o sistema imunológico produz um anticorpo este anticorpo não é capaz de se ligar em qualquer antígeno, pois é uma resposta imune adaptativa, ou seja, é específica... logo um anticorpo é direcionado a um único antígeno. Caso contrário não precisaria de uma V10, uma V8. Sabendo disso eu uso a especificidade do anticorpo para procurar um agente. (interação antígeno x anticorpo correspondente) Exemplo: na estrutura dessa bactéria há vários antígenos que terá seu respectivo anticorpo. Essa resposta é tão especifica que para cada antígeno apresentado será produzido o seu anticorpo. Bactéria Nos testes diretos a gente tem a pesquisa do antígeno, porque se eu estou pesquisando o antígeno estou pesquisando parte deste agente. Como funciona na pratica? Tenho um kit e quero pesquisar um antígeno específico. Tem ou não tem o agente? Se eu não sei se tenho o agente eu preciso conhecer o outro lado, colocando no local o anticorpo para aquele agente. Como a reação funciona? Posso ter no meu tubo de ensaio até outros antígenos, porém como o anticorpo é específico ele só vai se ligar no antígeno específico. Se eu estou verificando se um animal tem cinomose (representado como triângulo) e o parvovírus é a bolinha verde .... o anticorpo vai se ligar especificamente no antígeno correspondente. Como a gente enxerga isso? Esses testes imunológicos emitem um sinal físico que pode ser presença de uma linha, presença de uma cor, presença de aglutinação, algum sinal visual de que foi ligado ao antígeno e ai eu considero esse teste como positivo ou negativo. Exemplo de Métodos imunológicos Diretos: ü Elisa; (cinomose, parvovirose, FeLV) ü Imunofluorescência direta; (raiva) ü Imunocromatográfico; Em resumo: sempre que eu vou procurar o agente eu falo em método direto! Cinomose Y Y Y Y Y Y Y Amostra com Antígeno Amostra sem Antígeno Y Y Y Y Y Y z z Y Y Y Y Y Y Métodos Indiretos Eles vão pesquisar alterações decorrentes da presença desse agente, ou alterações decorrentes da passagem desse agente pelo organismo. Ex.: Uma produção de anticorpo é alteração decorrente da presença ou passagem de um agente, alterações em órgãos como inflamação, aumento, mudança coloração, etc. Sendo assim o método corpoparasitológico não pode ser um método indireto pois está pesquisando o agente, e não as alterações dele. Exemplo de Métodos Indiretos: ü Citologia (vejo alterações na célula); ü Urinálise; ü Histopatológico; ü Hemograma e Bioquímico; ü Ultrassom ü Raio X e Tomografia; ü Imunodiagnóstico; O imunodiagnóstico pode ser direto ou indireto, quando pesquiso anticorpo ele é um método indireto porque anticorpo é uma alteração deixada pelo agente. Se eu estou pesquisando o antígeno ele é direto. Método Indireto – Pesquisa do Anticorpo O método me diz se na amostra o anticorpo correspondente está presente ou ausente. Numa amostra eu posso ter vários tipos de anticorpos, mas o que se ligará é o anticorpo correspondente. Exemplo de Métodos imunológicos Indiretos: ü Elisa; ü Imunofluorescência Indireta (RIFI); z z z z z z z Presença Ac Correspondente + Ausência Ac Correspondente - z z z z z Y Y Y Y Y Y Y Y ü Imunocromatográfico; Uma manifestação clínica, um método bioquímico não tem uma sensibilidade tão grande, por isso cada vez mais se pesquisam métodos mais sensíveis, específicos para melhorar o diagnóstico. O método sempre tem que ter 2 características: sensibilidade e especificidade. Sensibilidade e Especificidade de um Método Diagnóstico Quando usaria um ou outro? Se eu tenho um único indivíduo posso ir acumulando método e fazer um diagnóstico muito mais primoroso. Numa população, por questão de custos não posso fazer. Sensibilidade: Capacidade do método de determinar como positivas amostras provenientes de animais infectados. Na população quando estou pesquisando uma enfermidade eu tenho dois lados: a população infectada e a não infectada. A sensibilidade está de olho na população infectada, então a capacidade do método é de determinar como positiva amostras de indivíduos que tem o atributo pesquisado. Exemplo: vou padronizar um método diagnóstico que consiste na inoculação de camundongos. Veja abaixo uma caixinha com 10 camundongos (onde será padronizado um método) e inoculei com um agente, logo eles estarão infectados, portanto terei uma população 100% infectada. Eu irei determinar qual o método de leitura do meu método: ü se o animal no dia seguinte morrer é porque minha amostra tinha o agente;ü se o animal no dia seguinte estiver vivo é porque minha amostra não tinha o agente; Aqui eu infectei, mas depois eu vou usar esse método diagnóstico na população e na população eu não sei quem vai estar infectado ou não, por isso eu preciso de um critério de interpretação. Em todo método diagnóstico se faz isso, usa amostra sabidamente positiva e sabidamente negativa para padronizar o meu método. Então no exemplo o critério, inoculei camundongo e estabeleci um critério. Se o camundongo sobreviver é negativo (na amostra do animal não tinha o agente) e se ele morrer ele é positivo (tinha o agente). Por exemplo, o diagnóstico de raiva é feito através de inoculação em camundongos. Quantos animais foram positivo? 8 = 80% e negativo foram 2 = 20%. Se o resultado deu positivo é um dado verdadeiro! Logo posso falar que o resultado é um verdadeiro positivo. Se o resultado deu negativo mas o animal está infectado o resultado é falso, logo é um falso negativo. Quando eu tenho um falso negativo? (o animal está infectado mas o método me diz que não) Se o animal foi infectado ele vai desenvolver uma imunidade específica e vai produzir anticorpo. Quando é que numa pesquisa de anticorpo de uma animal infectado esse teste pode dar falso negativo? - Em causa de imunossupressão severa onde não consegue soroconverter; - Animais em exaustão onde não respondem mais; - Início de infecção; - Período de incubação; Cada método diagnóstico tem um limiar de detecção, ele precisa de uma quantidade mínima de anticorpo para enxergar se o animal é ou não positivo. Por exemplo, o meu Elisa tem um limiar X e enquanto não chegar ao mínimo da produção exigida o resultado será negativo, no caso um falso negativo. Um outro tipo de pesquisa seria a pesquisa de antígeno ou material genético. Quando a gente pode ter um falso negativo pra pesquisa de antígeno ? Quando o indivíduo já está infectado mas ainda não está eliminando (período pré patente que vai da infecção ao início da eliminação do agente). Leitura da caixa com 10 camundongos inoculados no dia seguinte: x x x x x x x x Critério de Leitura: vida ou morte Vivo – Negativo = 2 Morte – Positivo = 8 Por exemplo, na FeLV o gato pode estar infectado pelo vírus, esse vírus estará com o genoma conectado ao genoma da célula hospedeira mas ainda não terá produção viral. O Elisa, por exemplo, pra FeLV pesquisa partículas virais, se essas células ainda não estiverem produzindo partículas virais teremos um resultado negativo. Amostras enviadas para o diagnóstico também podem dar problema. Exemplo: estou com um animal com suspeita de leishmaniose, de onde vou coletar material para amostra com a maior chance de encontrar o agente? Orgãos linfoides (baço, linfonodo, medula óssea) e muitas vezes mandam para diagnóstico sangue sendo que não é o lugar de predileção para o agente estar presente. Por isso é importante conhecer a patogenia da enfermidade. Sensibilidade e Especificidade de um Método Diagnóstico Sensibilidade Qual a utilidade de um teste altamente sensível? Vai ser usado numa emergência clínica, ou seja, enfermidades que são graves deixar de atender/tratar do que se entregar com tratamento sem diagnóstico. Exemplo: na erliquiose, é muito mais grave deixar de tratar um paciente do que tratar erroneamente um falso positivo. Nesse caso citado preciso de um teste altamente sensível para detectar o máximo de indivíduos que poderiam estar infectados. Uma outra situação importante seria para gente utilizar em teste de triagem (teste inicial) para verificar presença ou ausência de indivíduos doentes. O terceiro ponto é quando preciso manter animais sabidamente negativos. Um teste altamente sensível vai procurar naquela amostra o menor sinal do atributo a qual ele está procurando, seja um Ac, um Ag, um material genético. Quanto mais sensível o método menores concentrações do atributo ele consegue detectar e as vezes ele é tão programamado para pesquisar que se ele ver alguma semelhança com o atributo ele falará que é positivo, dando um falso positivo. Ex.: estou pesquisando Ac anti leishamania, a gente sabe que nessa pesquisa posso ter reação cruzada com animais que tiveram erliquiose porque as ligações do anticorpo são semelhantes, causando o que chamamos de ligação inespecífica, gerando um falso positivo. Se ele não achou o atributo na amostra posso acreditar no resultado porque ele é tão minucioso na pesquisa que se ele não achou é porque realmente não tem. Sendo assim nos testes altamente sensíveis acreditamos muito quando dá negativo. Já o resultado positivo podemos duvidar porque se o atributo for parecido ele se liga e da positivo. Eu uso o teste de triagem (normalmente é um teste inicial) onde eu vou detectar o máximo de positivos possíveis e os indivíduos que eram negativo provavelmente não tem infecção (comum usar para animais que são doadores de sangue). Para Brucelose no rebanho bovino usa bastante o teste de triagem, onde mantem só os animais negativos, os positivos verá se será feito uma contraprova. A sensibilidade está muito preocupada com a população infectada, a especificidade está preocupada com a outra parte da população. A especificidade também tem que ser padronizada, assim como a sensibilidade e só depois utilizar como um método diagnóstico. Especificidade É a capacidade do método de determinar como negativa amostras provenientes de animais sem a infecção. Continuando no método que estou padronizando, como ele constitui da inoculação eu preciso inocular esses animais, porém agora estou estudando animais sem infecção. Vou lá e inoculo uma outra caixa de camundongos com soro fisiológico, ou seja, esse camundongos estão livres de infecção. Eu coloco soro porque nas amostras provenientes de animais sem infecção eu também vou inocular. São 10 animais inoculados com soro fisiológico, livres de infecção. Como é o mesmo método que eu estou padronizando o critério continua sendo o mesmo: Se o camundongo permanecer vivo ele é negativo e se ele morrer eu vou considerar a amostra como positiva. No momento da leitura observou-se um camundongo morto e ai na minha leitura quantos eu considero como negativo? 9 = 90% e um eu vou considerar como positivo. Esses negativos é um dado verdadeiro porque o animal não tem infecção e o método me diz que são negativos, ou seja é um resultado verdadeiro negativo. Agora o animal que morreu, ele não tinha infecção e o método me disse que ele era positivo... neste caso temos um resultado falso positivo. O animal que morreu pode ser morrido por qualquer motivo e caracteriza um erro do teste. Todo teste está sujeito a isso, tanto para positivo quanto para negativo. Neste caso o animal não tinha infecção mas o método está dizendo que sim. Quando é que eu posso ter um falso positivo? - Memória imunológica;* - Vacinação (presença Ag e Ac vacinal); - Anticorpos maternos; - Reação inespecífica; * Na erliquiose o animal pode manter a produção de anticorpos circulantes até 34 meses após a cura. Tratei o animal, eliminei a erlichia mas pela memória imunológica ainda mantem anticorpos circulantes. Quando se usa vacina atenuada o microrganismo vai se multiplicar no organismo do animal, mas não é uma infecção só que o método não vai conseguir distinguir isso e poderá dar falso positivo. Uma outra causa de falso positivo pode ser por reação inespecífica, principalmente por pesquisa de anticorpo, ou seja, um animal onde pesquiso anticorpos anti leishmania e esse animal nunca teveleish mas já teve erliquiose, isso é uma reação inespecífica. Leitura da caixa com 10 camundongos inoculados no dia seguinte: Critério de Leitura: vida ou morte Vivo – Negativo = 9 VN Morte – Positivo = 1 FP X Anticorpo e antígeno é uma combinação como chave na fechadura, quando essa ligação é específica é como se eu tivesse usado a chave certa. Uma reação inespecífica seria como uma chave que até encaixa na fechadura mas não consegue abrir... o encaixe é parecido mas não é o mesmo. Reações inespecíficas podem acontecer muito quando tenho uma alta sensibilidade porque como ele detecta poucas quantidades de anticorpos pode acabar sendo inespecífico. Quando o método precisa de uma quantidade muito maior de anticorpos para determinar positividade raramente vai ser uma ligação inespecífica. As ligações inespecíficas não ocorrem em grandes quantidades. Na amostra 2 eu tenho uma quantidade maior, um teste muito sensível consegue detectar pequenas concentrações do anticorpo. Lembrando que os testes altamente sensíveis as vezes vê o que não existe, então tenho a cima a amostra X em que esses anticorpos não são os que estou pesquisando, são outros e ele acaba confundindo podendo dar um falso positivo. Quando o teste é altamente específico e neste caso estou falando em pesquisa de anticorpo, ele normalmente perde sensibilidade. Em imunodiagnóstico quando eu aumento a especificidade eu diminuo a sensibilidade e ao contrário também é real. Ou seja, num teste altamente específico para pesquisa de anticorpo, eu tenho que ter uma quantidade maior de anticorpo para que ele tenha certeza que aquela amostra é positiva. Y Y Y Y Y Y Y Y Y Y Y Y O teste altamente específico não consegue enxergar pequenas quantidade do atributo, porque pra ele pequenas quantidade pode dar falso positivo. Um teste altamente específico não consegue enxergar a amostra 1 e 2, para ele é como se o animal fosse negativo. Ele só vai determinar como positivo quando realmente for, quanto o atributo que ele estiver pesquisando for maior (amostra 3). Obs.: isso vale para teste imunológico, PCR é outra regra pois é a sequência genética que estará sendo pesquisada. O PCR é um método molecular que pode ser altamente específico e altamente sensível. Quando ele precisa de uma quantidade maior do atributo, ele está perdendo sensibilidade, sensibilidade seria pegar uma quantidade mínima... logo aumenta especificidade e diminui a sensibilidade. Num teste específico a gente acredita MUITO no resultado positivo! Porque ele só vai dar positivo quando a evidência for muito forte. O grande problema é no falso negativo. Em resumo: - Testes altamente sensíveis: problema com falso positivo; - Testes altamente específicos: problema com falso negativo; Títulos de Anticorpos Titulação de Anticorpos: Corresponde a maior diluição da amostra que o método é capaz de detectar a presença de anticorpo Amostra 1 1:40 Y Y Y 1:40 1:80 1:160 1:320 Alguns métodos diagnósticos são qualitativos, eles liberam positivo ou negativo. Alguns métodos são quantitativos, eles liberam resultado em quantidade de anticorpos, isso é título. A titulação de anticorpos está me dando uma noção de quantidade de anticorpo. Isso é muito utilizado!!! O que é a diluição de um amostra? O quanto eu estou colocando de diluente. Exemplo: o que seria 1:40? 1:40 é a própria diluição da amostra, eu tenho uma parte dessa amostra (ex.: 1mL), para 40 (40 mL) de solução total (amostra + diluente). A própria diluição é o título, então acima temos uma parte de amostra + 39 de diluente ficando 1:40 de solução total. Na titulação fazemos várias diluições (vide imagens acima) Qual diluição é maior ? É a última (1:320) porque tenho muito mais diluente e muito menos amostra. E a tendência é que ocorra como na imagem: quanto mais diluída a amostra menos anticorpo terá nela. Na amostra 1 a maior diluição que conseguimos enxergar anticorpo é 1:40, então o título da amostra 1 é 1:40. Na amostra 2 a maior diluição que conseguimos enxergar anticorpo é 1:160, então o título da amostra 2 é 1:160. É exatamente assim que funciona uma titulação de anticorpos. Qual desses animais tem a maior quantidade de anticorpo? O da amostra 2 e quanto maior o título maior será a concentração de anticorpos num animal. Provavelmente qual desses animais (1 ou 2) poderia estar no estágio inicial da infecção? O animal 1 pois é o que tem a menor quantidade de anticorpos. Vamos pensar em um animal hipotético cuja a titulação deu 1:40. 1:40 é uma titulação muito baixa e a gente corre o risco de não ser uma ligação real, Amostra 2 1:160 Y Y Y Y Y Y Y Y Y Y Y Y Y Y 1:40 1:80 1:160 1:320 Pode ser que esse animal seja um falso positivo. O que fazer para confirmar se essa ligação é inespecífica? Podemos utilizar um outro método para confirmar ou então eu posso refazer o teste depois de um período. Se esse animal realmente tiver infectado a tendência é que esse título aumente porque aumentará a quantidade de anticorpos. 1:40 para leishmaniose, por exemplo, é uma titulação muito baixa para gente considerar esse animal como positivo para a doença. Quando utilizar um teste altamente específico ? Quando, por exemplo, o resultado do diagnóstico resultará na eutanásia do animal. Se eu utilizar um método altamente sensível para determinar a eutanásia do animal eu posso ter um falso positivo como consequência. Então como é uma característica dos testes altamente específicos acreditar muito no positivo eles serão usados em casos como no exemplo acima, ou em casos em que o tratamento têm efeitos colaterais muito fortes. No caso de suspeita de Leishmaniose eu vou optar por um teste altamente específico porque o tratamento é caro e que pode causar severas alterações renais/hepáticas. Outra utilização para o teste altamente específico é para confirmação. Ex.: num banco de sangue onde para triagem das bolsas foi utilizado um método altamente sensível (muito problema de falso positivo), para confirmação deve utilizar um método altamente específico. Se der positivo no primeiro e positivo no segundo está infectado. Se der positivo no primeiro e negativo no segundo ou eu considero esse indivíduo livre de infecção ou deixo de observação. Tem um outro ponto que pode interferir na especificidade e sensibilidade do método que é a prevalência da doença na população. Lembrando que prevalência mensura casos novos e antigos de morbidade, ou seja, frequência de doença na população. A prevalência e incidência pode interferir nos resultados do método mesmo ele sendo sensível ou específico. Uso de Métodos em Populações Quando uma população tem alta prevalência da doença, ou seja, a frequência de animais doentes nessa população é alta o melhor método a ser usado é o altamente sensível, porque quando a gente tem uma prevalência alta a tendência é que o método acerte muito mais resultados positivos. Dentre o total de resultados positivos que ele libera eu tenho um aumento nessa quantidade. Chamamos isso de valor preditivo positivo que é o acerto de resultados dentre os resultados positivos que esse método libera. Valor preditivo positivo: é a porcentagem de acertos do método em relação ao total de resultados positivos que ele libera. Valor preditivo negativo: é a porcentagem de acertos para negativo do total de resultados negativos que o método libera. Obs.: o método vai variar de região pra região, depaís pra país .... Numa prevalência baixa, se eu utilizar um método altamente sensível o erro de resultado é muito grande, então deve utilizar métodos de alta especificidade. Ou seja, numa população com prevalência de 80% eu vou usar o método de alta sensibilidade. E numa população com prevalência de 5% eu vou usar um método de alta especificidade. Em resumo: ↑Prevalência de enfermidade: Utilizar método de alta sensibilidade; ↓Prevalência de enfermidade: Utilizar método de alta especificidade; Perguntas: Na anemia infecciosa equina animais positivos devem ser eutanasiados. O que eu vou priorizar? Sensibilidade ou Especificidade? Resposta: Especificidade. Eu vou introduzir clamidiose em aves. Se eu introduzo uma ave com clamidiose no viveiro eu posso espalhar a doença para vários animais. Para introduzir de maneira segura o que eu vou priorizar? Resposta: Sensibilidade. Epidemiologia e Sanidade Animal – 15/03/2018 Professora Cristiene Programa Nacional de Erradicação de Brucelose e Tuberculose Animal Tuberculose Animal Enfermidade infecto-contagiosa crônica de caráter zoonótico. Não tem vacina e não trata bovino com tuberculose. O controle visa diminuir prevalência e atualmente a prevalência não é alta. Tende a ser alta no gado leiteiro e é veiculada por via aerógena. Escritório Internacional de Epizootias OIE Declaração obrigatória; Doenças dos bovinos; Doenças que têm importância socioeconômica e/ou para saúde pública e consequências significativas no comércio internacional de animais e seus produtos. Etiologia: Família Mycobacteriacea Gênero Mycobacterium. Espécie: M. bovis – Tuberculose Bovina. A tuberculose é uma doença crônica e raramente se vê um quadro agudo. Isso se dá pela própria resposta do organismo e comportamento da bactéria. O grande problema é que por ser uma doença crônica apresenta manifestação clinica tardiamente, porém no período de incubação (infecção até aparecimento dos sintomas) ele já disseminou para os contactantes. O programa propõe identificar o animal e eliminar do rebanho. Não tem vacina e não trata bovino com tuberculose porque esses animais não paga o tratamento (longo e caro) Em relação a tuberculose o programa diz que deve identificar a fonte e eliminar a mesma. A primeira parte do controle visa diminuir prevalência. Bovinos de leite tendem a ter maior incidência devido ao confinamento mas também pode acometer bovino de corte. É obrigatório a notificação a OIE Características: ü Parasita intracelular obrigatório; ü Bastante residente e sozinhos não se espalham pelo corpo; ü Crescimento lento; (por isso a doença é crônica) ü Bacilos curtos aeróbios; ü Imóveis; ü Álcool-ácido- resistentes (corado pela coloração de Ziehl Neelsen) Obs.: este corante é especial para bactérias que têm essa parede rica em lipídeos que são chamadas álcool-ácido-resistente. Importância Econômica: ü Morte; ü Queda de ganho de peso; ü Diminuição da produção de leite; ü Descarte precoce; ü Eliminação de animais de alto valor zootécnico; ü Condenação de carcaças; ü Perda de 10 a 25% da eficiência produtiva; ü Perda de credibilidade da propriedade; O animal perde peso, perde massa muscular e como não consegue eliminar o bacilo ele precisa de recursos porque a resposta imunológica é contínua, o que faz ser uma doença debilitante levando o mesmo a morte. Saúde Pública Infecções humanas – 30 milhões de mortes. Grupos ocupacionais: trabalhadores de rebanhos infectados e trabalhadores de indústria da carne. É uma doença ocupacional, onde pessoas envolvidas no processo que trabalham com esses animais podem ser afetados. Epidemiologia Distribuição mundial com variação regional Brasil: 206 milhões de cabeças (2006) Infecção de 0,9% a 2,9% por animal. Rebanho 6,2 a 23,6% 3,5 milhões de animais infectados; Suscetíveis: mamíferos domésticos, bovinos, humanos e selvagens. Reservatórios: animais domésticos doentes e animais silvestres. Esses mamíferos podem transmitir a doença mas tem uma importância epidemiológica menor do que os bovinos. Vias de transmissão: ar, alimento, água, comedouro, bebedouros e fômites contaminados. Vias de eliminação: secreções oronasais e como é uma bactéria muito resistente pode contaminar os fômites e ficar por muito tempo no ambiente e também pode ser transmitida pelo ar (facilita transmissão em rebanho de confinamento). Aquisição de animais Infectados: Manejo / Instalações inadequadas à Propagação! Comprar animais de propriedades que fazem controle, ou deixar animal de quarentena e testar os animais. Sobrevivência Mycobacterium bovis ü Instalações: 2 anos; ü Fezes: 2 anos; ü Água: 1 ano; ü Solo: 2 anos; ü Pastagens: 2 anos; ü Carcaça: 10 meses; Modo de Transmissão: É mais comum transmissão bovino bovino via aerógena ou pelo leite que infecta o bezerro sendo via entérica. Além disso eu posso ter contaminação de outros mamíferos por via entérica através do leite contaminado e eventualmente esses mamíferos podem transmitir pra outros bovinos. Desinfecção: O M. bovis é extremamente resistente aos desinfetantes. O agente precisa ficar em contato com o desinfetante no mínimo 3 horas. Desinfetantes: ü Fenol 5%; ü Formol 3%; ü Hipoclorito de Cálcio 5%; ü Hipoclorito de sódio 5%; Calor: No calor ele pode ser eliminado ü Autoclavação: 120ºC por 20 minutos; ü Pasteurização lenta: 65ºC por 30 minutos; ü Pasteurização rápida: 72 a 74º C por 15 a 20 segundos; ü Fervura; O principal órgão alvo é o pulmão, mas muitas vezes os granulomas podem estar espalhados pelo corpo inteiro do animal levando a um comprometimento maior da carcaça. A função do macrófago que está no tecido é fagocitar e destruir essa bactéria, processar antígeno e levar até os linfonodo regional para desencadear a resposta específica. Na tuberculose o grande problema é que o macrófago não consegue destruir todas essas bactérias e quando chega no linfonodo regional esse agente ainda está vivo e no linfonodo tem um foco secundário da infecção e pode ter um granuloma. É o próprio macrófago quem espalha essa bactéria pelo organismo uma vez que ela é imóvel. Podemos ter um granuloma localizado ou espalhado por diferentes órgãos. Esse granuloma vai ter a caseificação e o organismo começa a calcificar esse material caseoso. Na imagem acima em vermelho é o mycobacterium, tudo que é amarelo é macrófago e tudo que é branco é linfócito. Como o macrófago não consegue destruir essa bactéria há ativação de imunidade específica e começa a mandar os linfócitos para o local. Esses linfócitos recrutam macrófagos e os potencializam, aumentando seu poder de destruição, de apresentar antígeno, etc. Mesmo assim muitas bactérias continuam viáveis levando o macrófago à morte e novos macrófagos são requeridos, ocorre a fusão de macrófagos (células gigantes). Nessa parte central começa produção de material amorfo (conteúdo caseoso) e o organismo constrói uma prisão viva através da constante recrutação de macrófago que Morrem e recrutam novas. O granuloma é dinâmico, está sempre sendo renovado. Quando o organismo começa a ficar extremamente debilitado esse isolamento para de existir e é ai que o animal começa a apresentar manifestações clínicas. Animal apresenta um emagrecimento progressivo que é típico de tuberculose. Também apresenta tosse e dificuldade respiratória e pode ocasionar alterações digestórias como diarreia e constipação. Granuloma em bovino com tuberculose que é aquilo queenxergamos macroscopicamente O granuloma é exatamente o que vimos na ilustração anterior. Quando o animal chega nesse estado ele está tão debilitado que ele é negativo para o diagnóstico porque ele não responde mais e o diagnóstico é baseado na resposta imunológica. Isso indica uma fase bem avançada da doença. A base da resposta imunológica da tuberculose é essencialmente celular! Não tem uma resposta humoral importante. Diagnóstico O diagnóstico da tuberculose vai se basear na resposta imunológica celular do animal. Aplico o antígeno e observo a resposta desse animal. Se eu estou verificando uma alteração deixada pelo agente é um diagnóstico indireto. Para diagnóstico in vivo o diagnóstico utilizado será indireto. O método de diagnóstico é o que chamamos de tuberculina ou tuberculização. Que consiste na aplicação intradérmica de PPD O exame clínico não tem valor muito relevante. O PPD é o antígeno que vai verificar se esse animal já tem infecção ou se ele nunca viu aquele Ag. Antes. O teste tuberculino eu tenho 3 tipos: teste prega caudal, teste cervical simples e teste cervical comparado. Post mortem pode se fazer um diagnóstico direto para pesquisar o agente ou algum componente dele, como histopatológico, bacterioscópico para ver o agente na amostra ou ainda o diagnostico molecular para buscar material genético. Teste da Tuberculina Vejo uma alteração pela presença do agente. Vantagens: ü Diagnóstico alérgico; ü Alta eficiência dos testes padronizados; ü Consegue pegar infecções recentes; ü Fácil execução (simples); Somente veterinários credenciados podem fazer o teste da tuberculina. Desvantagens: ü Possibilidade de reações inespecíficas; (principalmente bact. Mesmo grupo) ü Ocorrência de animais anérgicos; (animais que não respondem mais) ü Exigência de intervalo mínimo entre testes; (3 a 4 meses)* ü Exigência de duas visitas à propriedade; * se não der esse espaço de tempo pode ocorrer um falso positivo Tuberculina: Composição: tubérculo-proteína oriunda do cultivo de M bovis AN₅ ou M. avium D₄ Apresentação: - PPD bovina: líquido incolor; - PPD aviária: líquido avermelhado; Esse PPD é um extrato purificado da bactéria. PPD bovino é utilizado nas 3 provas de tuberculina e o aviário só é utilizado na prova cervical comparada para verificar se não é reação cruzada em caso de resultado positivo. Tuberculina – Resultados Falsos Falsos Negativos: - Logo após o parto; - Puerpério; - Anergia; Falsos Positivos: - Animal infectado melo Mycobacterium aviarium (cama de frango) - Outros mycobacterium; - Infecção por Nocardia sp que dá uma reação cruzada; A seringa utilizada é padronizada e própria para aplicação. Tem seringa específica para o Mycobacterium avium e pelo Mycobacterium bovis, não pode confundir na hora de apicar porque tem inoculação errada e o teste dá errado. A aplicação é intradermica e a quantidade do conteúdo é padronizada. Tem um cutímetro para medir o tamanho do nódulo formado e um aparelho de barbear porque eles raspam o pelo para saber onde o antígeno aplicado na cervical foi inoculado. Teste da Prega da Caudal (TPC) É uma modalidade do teste da tuberculina. Só é feito em gado de corte!!!! Esse método só é utilizado o PPD bovino e é um método de triagem. Deve-se padronizar o lado da cauda que será inoculado. (6 a 10 cm base cauda) Leitura: 72 horas. Qualquer reação que apareça na prega da cauda considera o animal positivo. Interpretação: avaliação visual e palpação. ü Animal reagente: qualquer aumento na prega inoculada. ü Não reagente: ausência de qualquer reação no local da aplicação. O aumento do volume ocorre pelo mesmo motivo do granuloma. Por que forma o nódulo? Em vermelho é a tuberculina, amarelo macrófago e em azul os linfócitos. Se esse animal não tem memória ele vai ser fagocitado pelo macrófago e vai sensibilizar o animal, como é a primeira apresentação não vai ter uma resposta importante. O que intensifica a resposta imunológica é a memória. Se esse animal estiver infectado ele já tem memória, já tem linfócitos específicos e esses linfócitos migram para o local da inoculação e começam a recrutar macrófagos. Teste Cervical Simples (TCS) Também é um método de triagem Pode ser feito em gado de leite e gado de corte O local de inoculação é na tábua do pescoço ou na espinha da escápula. Deve raspar o local antes de inocular. Só é utilizado o PPD bovino de maneira intradérmica. Leitura: 72 horas. Interpretação: Ela é mais padronizada: mensura nódulo com cutímetro. ü 0 a 1,9 mm é negativo; ü 2,0 a 3,9 mm é indeterminado/inconclusivo; ü Maior do que 4,0 mm é reagente. ∆B (mm) Sensibilidade Consistência Outras Alterações Interpretação 0 a 1,9 - - - Negativo 2,0 a 3,9 Pouca dor Endurecida Delimitada Inconclusivo 2,0 a 3,9 Muita dor Macia Exsudato necrose Positivo > 4,0 - - - Positivo Normalmente os animais que são positivos na prova de triagem são descartados. Não se faz com frequência a prova comprovatória, porque se eu for esperar para repetir o exames (3-4 meses depois), se ele tiver infectado estará disseminando a doença. Sai mais barato descartar esse animal do que correr o risco de contaminar outros. Teste Cervical Comparativo (TCC) Teste confirmatório permitido em estabelecimento gado de leite e corte; Teste diagnóstico para rebanhos com ocorrência de reações inespecíficas; Utiliza tanto o PPD bovino quanto o aviarum Local de inoculação: ou na tábua do pescoço ou na escápula. Nesse caso é feito em 2 locais distintos, onde normalmente na parte mais anterior aplica o PPD aviarium e na posterior o PPD bovino numa distância médica estabelecida. A leitura também é feita após 72 horas. ∆B Delta Bovino ∆A Delta aviário ∆B - ∆A x mm Interpretação ∆B < 2,0 - Negativo ∆B < ∆A < 0 Negativo ∆B > ou = ∆A 0,0 a 1,9 Negativo ∆B > ∆A 2,0 a 3,9 Inconclusivo ∆B > ∆A > ou = 4,0 Positivo A mensuração é pela diferença das duas medidas: pego o tamanho da reação do PPD bovino e subtraio pela reação do PPD aviário. Só vai ser positivo o animal que apresentar nessa diferença > 4 mm. Do contrário ele continua inconclusivo. Para triagem posso usar Teste Cervical Simples ou Teste da Prega Caudal à se for positivo o sacrifício é o indicado. Animais com maiores valores zootécnicos posso fazer o teste para confirmar. Se for inconclusivo posso descartar ou fazer a prova cervical. Para confirmatório vou esperar de 3 a 4 meses para fazer comparativo cervical: Se der negativo o animal é liberado porque provavelmente foi uma reação cruzada. Se der inconclusivo de novo e não quiserem abater o animal ele tem mais uma chance Para essa propriedade ser certificada ela precisar ter 3 testes negativos (não precisa fazer o confirmatório pois ele é utilizado quando quero salvar o animal). Certificação de Propriedades Livres: - Todos os animais acima de 6 semanas devem ser testados; - Animais positivos devem ser descartados; - Após 3 testes negativos tem a certificação; - O último teste é acompanhando por um veterinário do serviço de saúde para evitar fraude; Há muitos casos de fraude devido o uso de dexametasona porém isso causa muito aborto. Uma vez que obtém a certificação todo ano o teste deve ser refeito. Deve-se preocupar muito com a compra de novos animais, sendo de preferência animais certificados. Na certificação não é necessárioo teste comparado, somente os de triagem. Se o primeiro der negativo preciso esperar para fazer o segundo. Se no segundo todo rebanho der negativo, depois de 6 a 8 meses faz o terceiro. Só ai a propriedade pode ter a certificação cuja vantagem é comercial O veterinário credenciado deve fazer um contrato dizendo que se tiver algum animal positivo ele irá notificar. Diagnóstico Direto: Não é utilizado in vivo; É utilizado para diagnóstico individual; O isolamento do mycobacterium é difícil e demorado!!! A utilidade do diagnóstico individual está ligada ao apoio ao programa – sistema de vigilância e a estudos epidemiológicos. Epidemiologia e Sanidade Animal – 05/04/2018 Professora Cristiene Brucelose Bovina A brucelose é uma doença causada por uma bactéria do gênero Brucella que não é resistente no ambiente ( a bactéria que causa tuberculose é muito mais resistente). A brucelose depende muito das condições, onde o calor faz com que a sua viabilidade seja diminuída, no bovino é causada pela Brucella abortus que compromete especificamente o sistema reprodutivo gerando perdas, inclusive, econômicas. Ao se trabalhar com essa bactéria através de isolamento, laboratório, etc., é importante saber que trata-se de uma bactéria muito delicada chamada de coccobacillus ou bacillus curto pois quando se vê ora se enxerga coccus, ora bacillus. É uma bactéria fastidiosa com crescimento muito lento e para diagnostico não é fácil trabalhar com isolamento de brucella pela dificuldade de crescimento ou pela contaminação concomitante da amostra onde pode ser que cresça outro tipo de bactéria, dominando a amostra e comprometendo a mesma. Para isolamento de brucella se usa sangue, hemocultura. O grande problema é que não tem bacteremia constante, pode ser que colha o sangue e consiga isolar, mas pode ser que colha o sangue e não tenha crescimento algum. Não é um exame sensível e portanto não pode ser usado para população (custo, dificuldade de crescimento, demora, etc.) A Brucella abortus tem característica de colônia lisa e a importância dessa identificação de da Bactérias que crescem em colônias lisas tem LPS e tem antígeno O (cadeia O). Toda bactéria gram negativa tem LPS que é um lipídeo chamado de lipídeo A e as bactérias de colônias lisas além do lipídeo A tem a cadeia O que é um antígeno. Quando o animal se infecta com colônias lisas ele produz anticorpos anti-cadeia O e nós usamos isso no diagnóstico. Brucella Abortus Colônias Lisas Cadeia O Produção de Ac anti O Utilizado no Diagnóstico O diagnóstico de brucelose bovina é baseado na detecção deste anticorpo específico para cadeia O. As brucellas que têm cadeia rugosa não tem este antígeno, então se fizer um teste de diagnóstico para animais que são infectados por Brucella canis, Brucella ovis não vai dar negativo. Agora se animal estiver infectado por Brucella melitensis, Brucella suis pode dar positivo porque tem a cadeia O. A vacina da brucelose é feita com a brucella abortus colônia lisa onde tem antígeno O. Animais vacinados podem produzir anticorpos anti Ag. O Em laboratório foi desenvolvida uma cepa rugosa de brucella abortus (uma mutação que não acontece na natureza) para fazer a vacina chamada de RB51 (colônia rugosa) Se o animal receber essa vacina (RB51) não vai ter produção para o Antígeno O e portanto não pode ter problemas de falsos positivos. A principal porta de entrada da Brucella é através de mucosas orofaringe (conjuntiva, digestória, solução de continuidade da pele) – a mucosa vaginal não é o melhor local para crescimento da brucella porque o próprio pH local ajuda a inibir o crescimento. A primeira célula que chega para tentar combater é o neutrófilo que não consegue combater essa bactéria persistente e então chega o macrófago posteriormente. O macrófago faz fagocitose mas também não consegue eliminar porque a bactéria produz substâncias que inibem as enzimas que causariam a destruição. Portanto a bactéria impede essa interação e parasita o macrófago onde consegue se espalhar pelo organismo. O macrófago vai até o linfonodo e leva pro linfócito onde terá uma resposta mais forte, acionando a resposta adaptativa mas mesmo assim não consegue eliminar a brucella que persiste no organismo. Ou seja, é uma bactéria que não consegue se livrar no organismo. Quando trata o animal com atb nunca se tem o sucesso completo do tratamento, o animal sempre será portador. Em rebanho animais positivos para brucelose são eliminados porque sempre disseminarão a bactéria. Do linfonodo a bactéria começa a se disseminar para órgãos linfoides (baço, fígado, linfonodos supramamários) onde permanecerão para sempre. Enquanto o animal não entra na puberdade a Brucella se multiplica de maneira mais lenta porque não tem hormônios sexuais estimulando o crescimento da bactéria. A partir da maturidade sexual ganha importância de crescimento em gl. mamária, útero, testículos, articulações. Quando a vaca emprenha há produção de substancias (em especial eritritol) que estimula fortemente a multiplicação levando ao aborto nas primeiras gestações (normalmente no terço final da 1ª e 2ª gestação). A partir da 3ª gestação o animal continua eliminando porém para de abortar. Quando o macho entra na maturidade sexual há migração da bactéria para o testículo que gera orquite e regressão do epidídimo levando a infertilidade, porém antes de ficar infértil esse animal já eliminou muita brucella pelo sêmen. Via de eliminação: produto do aborto, secreções e/ou envoltórios fetais, etc. A vacina é com bactéria viva atenuada onde a virulência estará diminuída. Quando inocula uma vacina viva atenuada no animal a cepa vacinal se multiplica dentro do hospedeiro aumentando a resposta imunológica. Nós utilizamos a vacina com cepa B19 que produz anticorpos anti O. Para resolver o problema do diagnóstico criou-se por regra só vacinar VACAS e ANTES da puberdade (até os 8 meses de idade) porque a cepa vacinal da brucella vai se multiplicar pouco e conferir imunidade duradoura protegendo o animal contra a bactéria. Essa memoria do antígeno O decresce e vale lembrar que o antígeno O não tem relevância na proteção do animal e sim para o diagnóstico. Vacina Brucelose B19 – bezerras entre 3 e 8 meses de idade (programa Nacional) Não se faz antes dos 3 meses de idade devido imunidade passiva Depois dos 8 meses não se faz mais a vacina porque o animal vai produzir tanto anticorpo Anti O que perco o controle em relação a doença do território (reação cruzada). Cadeia Epidemiológica: Fonte de infecção – Bovinos e Bubalinos (centro de controle no Programa Nacional) Via de eliminação – produto do aborto, anexos fetais, leite, secreções vaginais, sêmen (inseminação artificial), fezes e urina. Via de Transmissão – água, pastagem e fômites contaminados, sêmen (congelado não mata a bactéria), leite e derivados crus, oral. Porta de Entrada – orofaringe, mucosas (conjuntiva, respiratória, genital), pele com solução de continuidade. Suscetíveis – todos os mamíferos domésticos e silvestres, principalmente o homem que se contamina principalmente por leite e derivados ou pela carne ou que trabalham muito próximo, veterinário que manipula animais, etc. No programa nacional visa nos primeiros 10 – 20 anos diminuir a prevalência para que ela fique muito baixa e depois desse período começa a falar em erradicação através de uma norma mais rígida para eliminar de fato. Atualmente o Brasil ainda está trabalhando com a diminuição de prevalência, onde primeiro está tentando diminuir os focos. O programa ainda é novo (cerca de 7 anos) no controle.No brasil é obrigatório a vacina e a monitorização de alguns animais mas a adesão da propriedade ao programa ainda é voluntária. Quando o Brasil entrar na fase de erradicação as normas se tornarão mais rígidas e adesão obrigatória. Estruturação do Programa: ü Eliminar animais infectados; ü Vacinação das bezerras com vacina B19; ü Monitorização dos animais, principalmente os destinados a reprodução; ü Controle de trânsito – GTA Obs.: pro veterinário emitir o GTA precisa fazer um curso e ser credenciado ao programa da defesa agropecuária. Não pode vacinar fêmeas acima de 8 meses, não pode vacinar macho porque pode ter a conversão levando a orquite, a vacinação é dada uma única vez e é condicionada ao médico veterinário credenciado. MUITO CUIDADO pois se houver inoculação acidental pode ocorrer a contaminação onde acaba contraindo a brucelose. Para realizar a vacinação todos os envolvidos devem passar por treinamento pois a CEPA é virulenta para o homem. A CEPA RB51 é reservada para situações onde há falha vacinal ou então locais onde o rebanho era livre, nunca vacinado e a Brucella acabou entrando (vacinação estratégica) Vacinação estratégica – Fêmeas abaixo de 8 meses é vacinada normalmente com a B19 e acima de 8 meses vacinada com RB51 somente nesses casos onde a propriedade era livre e por algum motivo a brucella entrou. O diagnóstico é feito pela pesquisa de anticorpo. Teste de triagem: teste do antígeno acidificado tamponado (teste de aglutinação individual para o rebanho) – colhe sangue de todos os @ e faz a reação imunológica com o soro. Se for rebanho de leite da pra fazer esse teste no latão (teste do anel do leite – colhe uma quantidade de leite e pinga reagente, se tem Ac fica roxinho, se não tiver não terá reação), é um teste que tem uma sensibilidade considerável. Os animais positivos devem ser descartados ou fazer uma contraprova através do teste comprovatório – a segunda prova que é a confirmatória é a do 2mercaptoetanol e se for positivo de novo o animal deve ser descartado. Outra prova que pode ser feita é a fixação do complemento (somente por órgãos oficiais) Epidemiologia e Sanidade Animal – 19/04/2018 Professora Cristiene Retroviroses São vírus RNA que precisam se modificar de RNA para DNA para conseguir comandar a célula. Retroviridaes são vírus RNA e envelopados logo são pouco resistentes ao ambiente. Qualquer desinfetante faz com que o vírus perca as espículas que tem papel fundamental na ligação do vírus na célula hospedeira. Para que os vírus comandem as células ele precisa juntar seu material genético dele com o da célula, ou seja, ele transforma o seu RNA para DNA para conseguir se juntar e é por isso que vírus RNA tem mais mutação. Para se multiplicar o vírus precisa obrigatoriamente entrar dentro de uma célula, e “convence”a célula a trabalhar ao seu favor. O vírus leva com ele a transcriptase reversa que transforma o RNA viral em DNA viral, também chamado de cDNA. (alguns exames de PCR conseguem detectar esse cDNA) Os lentivirus (vem de lento) infectam o animal mas não necessariamente começam a se replicar. O animal pode ser portador sem ter viremia porque o DNA viral incorpora ao DNA da célula e pode ficar quietinho, também pode deixar a célula se multiplicar com o fragmento viral mas a qualquer momento ele pode começar a se manifestar. Quando essa célula está quietinha é muito difícil do sistema imunológico conseguir detectar e o portador eliminar. É uma doença onde não consegue tratar o animal dependendo dos casos ou ele é eutanasiado ou isolado. Na FIV os gatos não são eutanasiados porém eles são isolados Anemia Infecciosa Equina É uma doença que acomete leucócitos (macrófagos e monócitos) e sistema hematopoiético. Tem tropismo por órgãos do sistema linfoide (boa parte dos vírus atacam o sistema de defesa), além de baço e linfonodo acaba atingindo o fígado e células endoteliais (parede dos vasos) levando a lesões vasculares. Todo vírus depois que usa uma célula causa a destruição da mesma então para vírus a resposta celular é importante porque interrompe a produção do vírus porém no caso da AIE tem uma resposta humoral muito grande que acaba atrapalhando. É um vírus envelopado e portanto menos resistente e extremamente sensível ao calor e detergentes. A limpeza de instrumentos contaminados é simples, basta desinfetante, detergente ou calor. Na AIE não se usa o IgM (anticorpos que o organismo produz quando entra em contato com algum tipo de invasor, ou seja, uma resposta aguda) para diagnóstico mas ele contribui para a formação de imunocomplexo. Quando fala em IgM é a primeira a ser produzida, é uma imunoglobulina de fase aguda que só é produzida no início da infecção. O IgG está muito associado em doença infecciosa que aumenta e como o animal não elimina o vírus ele está sempre sendo estimulado a produzir anticorpo, e ai ele continua subindo até chegar na fase que chamamos de platô, não tem mais como subir e estabiliza. Os imunocomplexos começam a ser formados porque tem uma alta concentração de anticorpos neste animal. Os imunocomplexos são redes onde o antígeno e anticorpo estão interligados, estes imunocomplexos podem ser tanto em relação ao vírus quanto para as hemácias. Os imunocomplexos podem causar lesão na parede de vasos sanguíneos ou em glomérulo renal. Muitas doenças infecciosas causam lesão renal pelo acúmulo desses imunocomplexos que são depositados na parede glomerular e o sistema imunológico entende que ali tem um agressor e começa a atacar. As imunoglobulinas começam as marcar hemácias e plaquetas que serão fagocitadas levando a quadros de anemia e trombocitopenia. A manifestação clinica varia de um animal para outro (de 05 dias até vários meses) Forma aguda: pode levar o animal a óbito rapidamente, o anima pode ter aumento considerável da temperatura e evolui para óbito. O animal tem uma anemia severa porque além da destruição ele não produz novas. Forma subaguda: acontece rapidamente, se manifesta em pouco tempo mas com uma intensidade menor. O animal apresenta febre moderada porém de forma continua. Isso acontece quando o animal sobrevive a forma aguda. Forma crônica: dura anos mas mesmo assim o animal apresenta episódios de febre. Se for animal jovem terá problema no desenvolvimento e a tendência é que o emagrecimento progressivo leve a caquexia. Diagnóstico diferencial de AIE: Babesiose equina. O diagnóstico só é fechado com a pesquisa dos anticorpos Cadeia Epidemiológica Fonte de infecção – Equideos Via de eliminação – sangue Via de Transmissão – vetores (mutucas e mosca do estábulo – Stomoxys calcitrans), agulhas, seringas, instrumentos cirúrgicos (sangue), pelo leite (não é principal forma) e transmissão vertical (não é frequente), sexual (ocasionalmente) Porta de Entrada – pela pele (vetores e agulhas) ou mucosas Suscetíveis – todos os equídeos Formas de Controle: No caso da mutuca não tem muito como controlar porém na mosca do estabulo tem porque ela se multiplica na cama do equino que fica dentro da baia, a decomposição dos dejetos favorecem a multiplicação, então a recomendação é fazer a limpeza da cama e a troca periódica da mesma. Como diminui plaquetas temos trombocitopenia e diminuição de hematócrito principalmente no período de febre que é quando tem a viremia. Diagnóstico: Pesquisa de anticorpo através da sorologia. O animal só pode ir pra evento, leilão, feira, transporte interestadual com o teste negativo (sem isso não consegue o GTA) O teste dura por pouco tempo, então periodicamente precisa ser refeito. Para solicitar o teste somente veterinário com credenciamento pode fazer. Para que não tenha a troca é necessárioque seja feita uma resenha através da marcação do animal e todas as características dele. Junto com a resenha vai a amostra de soro para teste. No Brasil é aceito o teste de elisa e imunodifusao em agarGel. Todas as doenças causadas por lentivirus é através da pesquisa de anticorpo porque esse vírus não está sendo produzido o tempo todo no animal. Como é uma doença que não tem cura a produção de anticorpos vai aumentando e o limiar de detecção fica alto. O teste de Elisa é mais sensível pois precisa de uma quantidade menor de anticorpo para detectar o animal infectado. A vantagem é porque por ser sensível detecta a doença de maneira mais precoce porém é mais caro e como desvantagem também temos falsos positivos . A imunodifusão é um exame mais específico, precisa de uma quantidade maior de anticorpos. Me da uma certeza muito mais confiável de resultados positivos. Ou seja, temos muito mais segurança quando nos da resultados positivos. Pode dar falso positivo porque o elisa é sensível e porque se for potro (até os 8 meses de vida) pode ter anticorpo materno circulante dando resultado positivo. Pela legislação o potro pode apresentar anticorpos até os 6 meses de idade, então nessa idade teria que ter um resultado mãe aos 4 meses. Controle: Fonte de infecção – determinar quem é o animal infectado (diagnóstico), normalmente não faz o diagnostico de todos os animais. Vias de transmissão – controle do vetor (limpeza baias, luzes repelentes), seringa e agulhas descartáveis, desinfecção dos instrumentos. Suscetíveis – eliminação dos positivos. Obs.: quando algum animal tem animal positivo a propriedade inteira é interditada (ninguem entra e ninguém sai), essa propriedade só será liberada após 2 testes consecutivos com TODOS os equinos e com TODOS os resultados negativos. Os testes são feitos com intervalo entre 30-60 dias. Quando a égua está prenhe e é identificada com a doença ela pode ser mantida enquanto o potro precisar dela e após ela é eutanasiada. No nascimento o potro é monitorado e o ideal é fazer uma coleta de sangue logo após nascer e fazer uma nova coleta após a amamentação. Na quarentena a mãe deve ficar longe dos demais animais no mínimo 40 metros e fica fazendo vigilância do potro. Quando ele der negativo (titulação for caindo) é evidência de que não está infectado e perto dos 4 meses ele é separado. A mãe é descartada e o animal continua em quarentena. Se ele der positivo também é descartado. Artrite Encefalite Caprina Também é um lentivirus muito semelhante ao que acontece na AIE. Não tem vacina para proteger os suscetíveis. Da mesma forma que na AIE tem desenvolvimento lento onde pode ter animais com infecção agua e animais assintomáticos que permanecem por um longo tempo assintomáticos. Manifestações: artrite – dificuldade de locomoção, encefalite, pneumonia, mastite ou mamite. Os animais jovens apresentam encefalite com maior frequência mas é muito comum ver animais com até 2 anos de idade sem nenhuma sintomatologia. O diagnóstico é fechado com o teste sorológico através da pesquisa de anticorpos Diagnóstico: imunodifusão em agar gel (principal método) e Elisa (muito caro) A principal forma de transmissão se da através da ingestão do colostro, logo, como controle pode utilizar banco de colostro. O cabrito não pode ficar com a mãe quando ela tiver infectada, não irá amamentar na mãe, pra este animal será oferecido o leite de outro animal. Outra forma de infecção é durante o parto (envoltórios fetais), evitar ao máximo que o animal tenha contato/ingira esses envoltórios. – se possível evitar o parto natural. É uma doença que não tem cura e os animais positivos devem ser isolados. Animais com alto valor genético podem ser separados/isolados completamente do restante do rebanho para tentar recuperar os óvulos ou uma cria para manter a genética. Uma vez que consegui uma cria desse animal com resultado negativo para a infecção o positivo pode ser descartado. No Brasil essa doença é muito frequente e em alguns rebanhos tem uma prevalência maior. Nesses rebanhos se trabalha com todos os cuidados mas não faz a eutanásia de todos os animais positivos (os com menor valor) Faz um controle isolando os positivos do negativos para diminuir a prevalência para só depois iniciar normas mais rígidas. Uma outra forma de controle é evitar o contato de caprinos com ovinos que têm retroviroses. A retrovirose de ovinos (maedi visna) não é muito frequente no Brasil, nem se compara com a CAE mas pode acontecer então por isso se evita o contato. Epidemiologia e Sanidade Animal – 26/04/2018 Professora Cristiene CONTROLE DE VETORES EM PEQUENOS E GRANDES ANIMAIS Vetores: Rhipicephalus sanguineus (principal carrapato no cão) Transmite: ü Ehrlichia canis ü Babesia canis ü Anaplasma platys ü Rangelia vitalli Deve ser feito o controle no animal e no ambiente, pois o cão é o responsável por espalhar o carrapato. Devemos fazer o controle no local onde o animal dorme e onde o animal permanece grande parte do tempo. Principalmente parede, pois o carrapato não fica no chão, somente desce para subir no cão para se alimentar e não tem relação com grama, somente Amblyomma. Quando um animal apresenta carrapato, significa que o ambiente está muito mais contaminado, pois 95% da infestação está no ambiente. Em gato não há infestação importante, consegue controlar apenas com a retirada manual. Amblyomma spp (carrapato no cão) Transmite: ü Rangelia vitalii protozoário muito semelhante a babesia. Não é possível separar diferenças entre babesia e rangelia. A única diferença é que além de hemácias, ela parasita leucócitos e células do endotélio vascular. Podendo apresentar sangramento pelas orelhas, diarreia sanguinolenta, icterícia. ü Rickettsia (responsável pela febre maculosa). É uma zoonose!!! Cães de fazenda com acesso a pastagem, mata, litoral (resíduo de mata), animais de condomínio, grama. Tratar apenas o cão, pois o ambiente não depende do cão, usar produtos de longo período residual, a melhor forma de proteger o animal. Ctenocephalides felis felis (pulga de cão e gato) Transmite: ü Dipylidium caninum (verme achatado) É a principal tênia do cão e do gato (tênia são vermes cestodas) Controlar pulgas parar conseguir controlar a verminose, pois senão o animal fica se reinfectando. Moscas e mosquitos: Transmitem: ü Leishmania ü Dirofilaria immitis Moscas e mosquitos o controle está mais relacionado a produtos repelentes do que para matar o vetor (não quero que pique o animal). Só tem um grupo químico que tem ação repelente os piretróides. Controle dos vetores com produtos repelentes piretróides (deltametrina, permetrina e cipermetrina), são tóxicos para gatos, mas não em baixa concentração. Obs.: a seresto tem piretrina Pra gato não pode de jeito nenhum organofosforado e amitraz Situação: a. Cão adulto – Controle de carrapatos: i. Controle químico no animal ii. Controle químico no ambiente b. Gato adulto – Controle de pulgas i. Controle químico no animal ii. Controle mecânico no ambiente Citar: - Nome comercial - Princípios ativos - Ação em quais parasitas? - Período residual Respostas: A) No animal: • Nome comercial – Bravecto • Princípio – Fluralaner • Ação – carrapatos e pulgas • Período residual – 12 semanas No ambiente: • Nome comercial – Butox • Princípio ativo - Deltametrina • Ação – carrapatos, moscas, pulgas, larvas • Duração – 21 dias B) No animal: • Nome comercial – Comfortis • Princípio – Spinosad • Ação – 30 dias No ambiente: • Aspirador de pó Outrasrespostas: Produto advantage max 3 Principio ativo: imidaclopidra Ação: pulga, carrapato e mosquitos Duração: 30 dias Pra ambiente não tem muita variação à piretróide e amitraz (dura menos em locais que bate muito sol) . Há alguns trabalhos que falam que a deltametrina é fraca para rhipicephalus (resistente). Sempre tirar os animais do local quando for passar o produto e só introduzir horas depois. Manter o ambiente interno bem ventilado. Se for Rhipicephalus aplicar o produto na parede, teto, espelhos de tomadas, etc. Bravecto: Principio ativo: fluralaner Vantagem: segurança, poder residual, carrapaticida de ultima geração. 3 meses para rhipicephalus e para amblyoma 2 meses O bravecto tem ação para ácaro de sarna NexGard à afoxolaner Simparic à sarolaner Não pode ser utilizado em gatos. Seresto: Principio ativo – Imidacloprida (pulgas e piolhos) e flumetrina (carrapato) imidacloprida (não pega carrapato, ação somente em insetos) flumetrina que tem ação pro carrapato Advantage Max 3 Principio ativo – imidacloprida (pulgas e piolhos) e permetrina Frontline Principio ativo: Fipronil Diminuição da eficácia porque o tempo de ação do produto vem caindo (45 dias dependendo da infestação e para carrapatos 15 dias) Ação restrita a pulga, carrapato e piolho. Produto seguro e com custo acessível – bom para populações (abrigos, ONGs) Fipronil spray é o único produto que pode usar em animais a partir de 2 dias de nascido. Leevre (coleira) Principio ativo: Deltametrina e Propoxur moléculas antigas que não são tão seguras, cheiro forte Vectra 3D Principio ativo: Dinotefuran (insetos), Piriproxifen (age em pulgas imaturas no ambiente) e Permetrina (piretroide – ação sobre carrapato) Age um mês para carrapato, 2 meses para pulgas Tem ação preventiva para dirofilariose e leishmaniose Revolution Principio ativo: Selamectina Tem ação sobre o verme redondo, inclusive o da dirofilariose também usado para tratamento de sarna (scabiose e de ouvido) auxilia no controle de carrapatos – ação fraca 15 dias ÓTIMO PARA GATOS devido o expectro de ação, segurança e forma de aplicação. Tambem porque gatos não tem problema com carrapato. Capstar Principio ativo: Nitempiram Otimo porque o pico de ação acontece em 15 minutos. Não tem ação contra carrapatos, mas tem ação para pulgas Usado para bicheira porque facilita a retirada Ação em cães: dura somente 24 horas e para gatos 72 horas. Para carrapato: não da pra fugir muito de organofosforado, piretroide, fipronil (15 dias) e a selamectina (15 dias) Pata filhotes: fipronil spray e prognum Grupos químicos e princípios ativos utilizados no controle de vetores: Ø Organofosforados (doclorvos, triclorfon) Ø Piretróides (detametrina, permetrina, D - fenetrina) O Vectra 3D controla também pulga no ambiente, ele é um piretróide, passado no dorso do animal e se espalha e isso demora alguns dias para que se espalhe e tenha proteção completa no animal. Ø Carbamatos (Propoxur) Ø Amitraz - pode ser dado banho no animal, sendo diluído, banho é barato. Tomar cuidado com a pessoa que vai aplicar, pois pode se intoxicar, sempre usar luva e evitar que o animal ficar banhado no sol e água quente, o que pode acelerar a absorção e intoxicar. Ø Fipronil (Frontline) Tem redução da eficácia, o tempo de ação do produto vem decaindo. Quando foi lançado a duração era de 3 meses para pulga, hoje ele tem eficácia de até 45 dias, dependendo da infestação (carrapato é de 15 dias). Funciona para pulga, carrapato e piolho. Por ser barato é muito utilizado em abrigos e ONGs. O fipronil tem um produto que é de bovinos e podemos utilizar dose extra- bula, se causar algum efeito colateral é de responsabilidade do veterinário que prescreveu. Em ONGs eles usam por ser barato. Há em pipetas e spray, esse último é o único produto que pode ser usado em filhotes a partir de 2 dias de vida. Em forma de pipeta varia em torno de 4 a 5 semanas de vida. Ø Imidacloprida (seresto e advantage) – Só tem ação em pulgas e piolhos (seresto também protege de Leishmaniose). É um produto caro, pois ainda tem patente. Para carrapato tem que associar com um piretróide. A vantagem da coleira é que tem longa duração, porém, se algum outro animal a morder pode intoxicar. O uso de coleiras seria ideal para população. Utilizar program lufenuron e milbemicina também pode em filhotes a partir de 2 semanas de vida. Ø Nitempiram (capstar) O pico de ação acontece em 15 minutos, não age em carrapatos, só em pulgas e bicheira. Ø Lactonas macrocíclicas (selamectina, moxidectina, ivermectina) Tem ação contra endo e ectoparasitas (revolution), tem ação contra ácaro de sarna, principalmente sarna de ouvido, age sobre vermes redondos (não trata Dipylidium), mata a dirofilaria no animal. Bo m para gatos. A desvantagem da selamectina é que ela é ruim em relação ao carrapato (só 15 dias). Ø Fluralaner (Axolaner e Sarolaner) - tem ação em pulgas, carrapato, ácaro da sarna Protocolo para Gatos: Podemos usar o Revolution (selamectina), frontline (fipronil), seresto (imidacloprida), Vectra gatos, comfortis (spinosad) e advocate (imidacloprida). No ambiente podemos utilizar Amitraz, butox, Kalthrine Para gatos o custo é maior, devemos ter maior cuidado com intoxicações, nunca utilizar organofosforados e amitraz e cuidado com piretróide. Devemos sempre pensar para gatos na facilidade de aplicação, pois a maioria é difícil de administrar oral. O Seresto é mais fácil de ser utilizado, a vantagem é o longo poder residual e a segurança. O Comfortis tem boa ação contra pulgas e é palatável. O Vectra gatos tem ação em pulgas no animal e no ambiente, não deixa que as larvas se desenvolvam, tem administração tópica Fipronil para gatos é seguro e o custo não é tão ruim Se a pessoa não tiver dinheiro nenhum usa piretroide mas com cuidado (perigoso) ou imidacloprida (advantage) Protocolo para equinos: Para equinos temos 2 espécies de carrapatos, o Amblyomma que também pode infestar o cão, mas não usamos ele para controlar, mas o equino é utilizado, pois é um hospedeiro primário do carrapato. O outro é o Dermacentor que é o carrapato da orelha do equinoTodos os outros animais e os humanos são hospedeiros secundários. Tem biologias completamente diferente, então o controle também será diferente. Amblyomma cajennense: *** Carrapato estrela*** Para equinos não tem nenhuma doença importante, tem importância no homem, pois transmite a febre maculosa, podendo levar a óbito. Quem frequenta locais que ocorre esse carrapato precisa tomar cuidado, então usar meias por fora da calça, galochas. O hospedeiro primário é o equino (também temos capivara, antas) e os hospedeiros secundários são os mamíferos e aves. O controle será feito apenas no equino, ele infesta o corpo inteiro do animal, diferentemente do dermacentor que infesta a orelha. Usamos o equino como isca porque não da pra jogar o medicamento na pastagem. Devemos pulverizar todo o corpo do animal, de preferência começa das partes baixas e vai para a parte dorsal, usamos piretróides, carbamatos e fosforados. Nunca usar amitraz em equinos, pois diminui a motilidade intestinal e gera cólica no animal. O período de aplicação é durante o outono/inverno, pois o ciclo dele é de 1 ano, o carrapato adulto é muito resistente ao carrapaticida, então tratamos na época que tem mais larvas e ninfas. Realizamos por pelo menos 3 anos, no 1º realizar de abril a outubro, no 2º de maio a agosto e no 3º de abril a julho. Diminuímos o período porque esse tipo de tratamento visa diminuir a contaminação de pastagem, quando começamos a tratar já vai diminuindo essa população. Dermacentor nitens *** carrapato da orelhado equino **** *** transmite babesiose no equino*** O hospedeiro vai ser o equino e o cão, a pulverização é feito apenas onde tem infestação (orelha, crina, base da cauda e narina), pode ser por pulverização ou há também produtos em pó. Os produtos para pulverização serão os mesmos (piretróides, carbamatos e fosforados). O período de aplicação é na primavera/verão, tratar quando mais tem infestação, então durante setembro a março, sendo que devemos tratar esse animal pelo menos quatro vezes ao ano (tratamento estratégico). O intervalo de aplicação obedece ao período de infestação do animal. No Amblyomma o carrapato fica em torno de 7 dias no animal, então o tratamento é uma vez por semana. No caso do Dermacentor, o carrapato fica 25 dias no animal, então o período de aplicação (entre as aplicações) é de intervalo de 24 dias. Epidemiologia e Sanidade Animal – 03/05/2018 Professora Cristiene Gastroenterites em Pequenos Animais Causas diarreia em cães: verminose, infecciosa (parvo, cinomose), troca de alimentação, parasitose. Parasitoses Helmintos: ü Toxocara canis (int. delgado) ü Ancylostoma spp (int. delgado) ü Trichuris vulpis (int. grosso) à mais comum @ de ONG/Rua ü Dipylidium caninum (int. delgado) à verme achatado * *para verme achatado faz um protocolo diferente com Praziquantel Obs.: o praziquantel é um pouco mais caro e nem sempre é viável financeiramente numa população. Normalmente animais jovens que ainda estão começando a ter contato com os parasitas e começando a desenvolver imunidade adaptativa para controlar a verminose. A imunidade contra verme NUNCA será total, portanto ele corre o risco a vida toda de se contaminar com verme. O tempo de vermifugação depende se é população ou não e como é o estilo de vida desse animal. Formas de Infecção - Ingestão de ovos; - importante para o Toxocara e Trichuris - Ingestão de larvas; - importante para Ancylostoma - Percutânea; importante para Ancylostoma - Transmamária e Transplacentária – Toxocara canis e Ancylostoma caninum Esses ovos são extremamente resistentes no ambiente então a principal forma de diminuição de contaminação é a eliminação mecânica pois são resistentes aos desinfetantes. As larvas não são resistentes mas entram através da pele integra sem a necessidade de ser ingerida. Durante a gestação o feto do cão recebe uma carga parasitária muito grande da mãe que será transmitida no terço final da gestação. Como a mãe já tem imunidade o sistema imunológico não permite a instalação no intestino delgado, então ainda no estagio imaturo a larva migra para musculatura onde diminui seu metabolismo e fica latente. Se ela diminui o metabolismo o vermífugo não consegue afetar porque ele entra no metabolismo do verme para matar e nessa situação o metabolismo está muito baixo. No final da gestação pela variação hormonal essas larvas começam a serem reativadas e migram ativamente ate a placenta ultrapassando-a e infectando o feto. Partindo deste principio todos os cães nascem com verminose. Esse cão nasceu, as larvas não tem mais um placenta pra migrar então migram para a gl. mamária e por isso o filhote se infecta ao mamar. Essas duas vias de transmissão são as responsáveis pela vermifugacao precoce e por mais vezes. Manifestação clínica: o muco é muito frequente (resposta a um processo inflamatório intestinal, não é exclusivo da verminose), diarreia sanguinolenta (estrias de sangue pode ser encontrada em infecção Trichuris que é um verme hematófago do intestino grosso – não chega a causar anemia no animal ou por Ancylostoma que também é um verme hematófago que causa lesão na parede intestinal e também em parvovirose) O pelo do animal tende a ficar opaco e arrepiado. A proglote do Dipylidium tem motilidade própria e quando chega perto do ânus o animal tem um prurido onde acaba arrastando o ânus no chão. – diagnóstico pela visualização nas fezes Podemos ver a presença de verme no vômito ou nas fezes (toxocara) – típico de animal jovem O cão pode ficar barrigudo e magro por causa da verminose (típico de toxocara que é o maior verme cilíndrico). O animal pode apresentar uma hipoproteinemia (toxocara) porque o verme ingere o alimento que está digerido e pronto pra ser absorvido O ancylostoma pode causar anemia em cães de 15 dias de vida que se não for tratado pode levar a óbito. Esse verme tem dentões que agarra a mucosa do animal, não fica por muito tempo ali, depois ele solta e agarra outra parte da mucosa causando sangramento. Nos gatos o Trichuris não é tao frequente no Brasil. Ao invés toxocara canis temos o cati e o ancylostoma temos algumas espécies em intestino delgado. O dipylidium caninum tambem pode infectar o gato. A forma de infecção é a mesma que a do cão, mas a que chama atenção é que transmamária e transplacentária no gato é muito insignificante. O ancylostoma por ter larvas na musculatura pode acabar repovoando o intestino do animal periodicamente e por algum tempo. A larva migrans cutânea (bicho geográfico) acontece normalmente na praia pois o solo arenoso facilita o deslocamento da larva. Por ser uma infecção cutânea ela não consegue diferenciar qual hospedeiro está entrando e acidentalmente no homem mas não consegue progredir. No cão e gato chega no intestino delgado pela via sanguínea. No homem ela não penetra na corrente sanguínea, ela fica presa embaixo da pele. O diagnostico de Dipylidium é visual, se tiver dúvida pode pegar a proglote com um palitinho e colocar entre duas lâminas esmagando. Se for dipylidium nós vemos uma capsula repleta de ovos, se for matéria vegetal vemos a parede de tijolinho típica de célula vegetal. Proposta de Controle Ascarídeos Ancilostomatídeos Tichuris Dipylidium Piperazina x Pirantel x x Febantel x x x Fenbendazole x x x Mebendazole x x x Nitroscanato x x x Milbemicina* x x x Niclosamida x Praziquantel x Disofenol x Selamectina* x x Emodepsina x x * age sobre microfilárias e preventivo da dirofilariose vermelho – doses múltiplas verde – dose única Para verminose em cão começa fazendo a prevenção pela vermifugação da cadela sem estar preocupada em diminuir a verminose da cabela adulta e sim do feto. (iniciar no terço final da gestação) nessa fase as larvas já estão entrando em atividade, migrando pra placenta e o vermífugo consegue agir. O fenbendazole é seguro para fêmea gestante Três semanas após o parto volta a vermifugar essa cadela devido a amamentação e nessa fase a carga parasitária é grande o que torna possível a eliminação de larvas pela gl. mamária. Para adultos o mínimo é vermifugar uma vez por ano porém deve levar em consideração como o animal vive (população, contato com outros animais, viaja muito, brinca em areia, parques, acesso a rua, etc) Nem sempre é necessário fazer a vermifugação a cada 3 meses, algumas pessoas fazem uma vez por ano ou 2x por ano. O filhote deve ser vermifugado precocemente (15 dias ele pode ter anemia). Sempre fazer com 2 semanas de vida, 4 semanas de vida e aos 3 meses de idade. Animais que têm um desafio maior (população, canil, etc) acabam tendo maior chance de infecção então incrementa a vermifugação à 2 semanas, 4 semanas, 8 semanas e 12 semanas. Animais bem jovens é comum os vermífugos serem a base de mebendazol. Com um pouco mais de idade é comum a combinação de palmoato de pirantel e fenbendazol ou palmoato de pirantel e febantel. Obs.: o febantel no fígado é convertido em fenbendazol Se eu quiser melhorar a vermifugação ou ação contra giárdia posso aumentar as doses dos vermífugos Se a base for fenbendazol ou febantel eu quero na vermifugação também fazero tratamento da giárdia eu faço aplicação de 3 dias seguidos (uma única dose não tem ação para giárdia) Se a base for benzomidazol repete depois de 15 dias se não for a dose é única. O metronidazol para giárdia a médica de eficácia é de 80% então podemos ter casos onde não conseguimos eliminar 100% A vacina de giárdia para população não é recomendada porque não tem ação preventiva desejada. Para indivíduo é indicada, principalmente em pacientes com dificuldade de controlar giardíase porque melhora a imunidade auxiliando o tratamento. Para gatos as vermifugações são poucas, a infecção placentária e transmamária não são importantes, então inicio a vermifugação com 3 semanas de vida, como o desmame é um momento de stress faço uma segunda vermifugação e depois do desmame faz com 6 meses onde vai se manter por toda vida do gato a cada 6 meses. Obs.: O palmoato de pirantel associado ao praziquantel é praticamente suficiente para tratar os principais helmintos (toxocara, ancylostoma e se associado ao praziquantel também pega dipylidium) A milbemicina e selamectina agem também em ectoparasitas e endoparasitas e não pegam vermes achatados, somente vermes redondos. O disofenol tem ação muito pequena (só pega ancylostoma) e a gente tem o nitroscanato (alguns vermífugos de humano são com essa base) tem ação para vermes redondos e achatados, porém não pega Trichuris. Profender é uma vermífugo que age apenas sobre vermes redondos e chatos. É o único vermífugo no mercado que tem praziquantel tópico, é interessante para vermifugar gatos. Base emodepsina (por isso é dose única) e Praziquantel. Protozoários Giardíase Quando o local tem problema de giardíase devemos considerar alguns pontos: - Fonte de água (principal fonte de infecção cistos na água) - Desinfecção do ambiente (ideal água em alta temperatura, amônia quaternária, fenóis e cresóis agem em cistos de giárdia) - Inunidade individual Tratamento: Em casos extremos é citado a associação do metronidazol e fenbendazol O giardcid é metronidazol (giárdia) e sulfa (isoospora) Tritrichomonas foetus Só acomete gatos e antigamente era visto como um protozoário de sistema genital de bovinos. ü habita o íleo terminal, ceco e cólon; ü pode resultar em uma diarreia crônica do intestino grosso. (diarreia persistente) ü gatos jovens; ü alta densidade animal. ü Em gatos severamente infectados, a área anal se torna marcadamente avermelhada e dolorosa, e as fezes podem ser passadas involuntariamente enquanto o animal dorme. É um parasita de intestino grosso de gatos e normalmente acomete animais jovens onde há uma grande densidade (não acomete todos os animais) Manifestações Clínicas: diarreia intestinal persistente, ânus avermelhado, incontinência fecal, prostração, apatia e perda de peso. Esse protozoário não é o primeiro que desconfia, normalmente vemos um histórico onde o animal já tratou ou já foi diagnosticado com outras coisas. Não se faz diagnostico de Tritrichomona para animais sem sintomatologia (difícil de encontrar no coproparasitológico) clinica porque corre o grande risco do resultado ser negativo. Diagnóstico: Exame direto – coloca numa lâmina solução fisiológica e passa o swab na parede do reto do gato, lava o swab na solução fisiológica e olha no microscópio. Vemos movimentação circular no próprio eixo e progressivo. Meio de cultura – colhe o swab e deixa em temperatura ambiente para examinar no dia seguinte ou até uns 4 dias depois – é específico para tritichomona (mais sensível porém mais caro do que o exame direto). Ideal que seja fezes do dia e sem refrigeração. PCR – é o mais sensível porém com o custo mais alto. Pega do DNA do parasita. Tratamento: Específico e a base de ronidazol, no qual não tem medicamento pronto (pouco consumo). Pode ter reações adversas (tremores, incoordenação) que apesar de ser descrita não é comum *diminuição do apetite, atividade mental alterada, tremor, fraqueza, ataxia, hiperestesia nesses casos suspender a medicação Cystoisospora/Isospora É muito comum em filhotes (não tem imunidade) Parasita intracelular que entra na célula e destrói. Quando o animal entra em contato com o parasita ele começa a desenvolver imunidade e quanto mais imunidade tiver menos isospora consegue entrar dentro da célula. Ele é espécie específica (o de gato não infecta cão e o de cão não infecta gato) diferentemente da giárdia que pode passar entre espécies. Infecta principalmente intestino delgado, diminui absorção porque destrói células intestinais levando a quadro de diarreia. A intensidade da diarreia tem a ver com a idade do animal e quantidade de oocistos ingeridos. A eliminação é sempre pelas fezes. Obs.: o único que quando é eliminado já pode infectar outros animais é a giárdia, todos os outros precisam ficar um tempo no ambiente para se tornar infectante. Tratamento: Pode usar tanto em cães quanto em gatos. A furazolidona só deve ser usado em casos onde o animal (cão ou gato) não tolera a sulfa, caso contrário não. Criptosporidiose Tem uma significância para pacientes imunossuprimidos. É uma zoonose importante (imunossuprimidos) e animais sadios podem ter cryptosporidium parvum. Patogenia: destruição das microvilodades à diminuição da área de absorção à diminui atividade enzimática à diminui absorção de nutrientes à diarreia e ma absorção Não é um parasita que causa problemas em indivíduos imunocompetentes. Sinais Clínicos: Diarreia aquosa amarelada Em imunocompetentes não faz nada – cura espontânea 7 a 14 dias Em imunocomprometidos – persistente pode debilitar ao ponto de causar óbito Tratamento: Não é fácil tratar esse protozoário porque o animal de reinfecta. O protozoário faz o ciclo dentro do animal e quando esta pronto para ser eliminado nas fezes se rompe no intestino e volta a infectar. O coproparasitológico para criptosporidiose tem que ser solicitado, não é comum fazer na rotina do exame convencional. Normalmente se usa azitromicina ou ainda tilosina parta tratar. Na prova ela cobra: Coloca caso clínico, pode ou não dar o parasita e sempre pede o controle do ambiente. Ela pode pedir uma tabela para colocar o medicamento de eleição para tratamento de cada situação. Epidemiologia e Sanidade Animal – 10/05/2018 Professora Cristiene Gastroenterites Virais – Cinomose ü Família Paramyxoviridae; ü Gênero: Morbillivirus ü Filamento único de RNA envolto em um nucleocapsídio de simetria helicoidal e circundado por envelope de lipoproteína derivada da membrana celular Como funciona a imunidade contra vírus? O sistema imunológico Uma das imunidades que o animal desenvolve para combater o vírus é a imunidade humoral, imunidade adquirida ou seja, a produção de anticorpos (IgM na fase aguda, IgG na fase crônica e IgA para proteção de mucosas) O anticorpo só consegue atuar no vírus quando ele está fora da célula, uma vez que ele penetra não tem mais ação, quando muito consegue marcar a célula que está infectada. Anticorpo não mata ninguém, ele neutraliza o vírus que perde a capacidade de entrar na célula e forma um imunocomplexo que favorece a fagocitose. Quanto mais anticorpo maior a capacidade de se ligar, por outro lado esse excesso de anticorpos pode não ser muito bom Outra imunidade que atua é a imunidade celular, como o vírus precisa entrar na célula para se replicar e a célula não consegue reestabelecer sua função. Entao o sistema imunológico (linfócito T citotóxico – CD8+) mata a célula para que ela pare de produzir vírus. O linfócito T citotóxico pegaa célula e mata. Imunidade humoral – produção de anticorpos que neutraliza o vírus Imunidade celular – linfócito T citotóxico que induz a morte da célula infectada. Tanto a defesa humoral quanto a celular são específicas para cada agente viral Ex.: animal com cinomose nunca vacinado, a primeira vez que entrar em contato a defesa terá que ser desenvolvida para depois conseguir entrar em prática. O sistema imunológico é individual onde cada animal reage de uma forma (genética, nutricional, idade, condições de stress, etc) O diagnostico de cinomose pode dar muita confusão quando não conhece a doença. Na cinomose 50% dos animais infectados são assintomáticos, ou seja, não desenvolvem a doença. O vírus da cinomose é um vírus envelopado (pouco resistente no ambiente) e é um RNA vírus (tende a ter mais mutação). O vírus da cinomose em específico não tende a mutar muito porém vemos várias cepas diferentes. Na superfície do envelope temos as hemaglutininas (proteínas) que são responsáveis Por fazer o vírus se ligar na célula hospedeira. Lembrando que os vírus tem tropismo por determinados tipos celulares. E a parte verde são as proteínas de fusão que é responsável por permitir que o vírus entre na célula. Em relação ao agente vemos variabilidade genética (cepas diferentes), há casos onde foi isolado vírus da cinomose no qual a cepa não estava contemplada na vacina. Agente – diferenças entre cepas circulantes 1- Genética e antigênica; 2- Patogenicidade; (cepas mais ou menos virulentas; 3- Infecção de diferentes tecidos e células - Epiteliais; - Mesenquimais; - Neuroendócrinas; - Hematopoiéticas; Um dos primeiros alvos do vírus da cinomose são os órgãos linfoides (produção de anticorpos) Resistência: ü suscetível à luz ultravioleta, temperaturas de 50 a 60°C em 30 min; ü sensível ao calor e ao ressecamento; ü tecidos ou secreções sobrevive por pelo menos 1 h a 37°C e por 3 h a 20°C (temperatura ambiente); ü em climas quentes não persiste em canis após a retirada dos cães infectados; ü viabilidade maior em temperaturas frias; ü congelamento (0 a 4°C) sobrevive semanas; ü a –65°C o vírus é estável por pelo menos 7 anos. Por ser um vírus envelopado é suscetível ao éter, clorofórmio, solução diluída de formol (menos 0,5%), fenol (a 0,75%) e desinfetantes a base de amônia quaternária ( 0,3%) Obs.: para ovos de helmintos – remoção mecânica, para ovos giárdia pode usar fenol e amônia quaternária e para cinomose pode usar fenol e amônia quaternária. Epidemiologia: A apresentação clínica depende da idade, virulência, tropismo e cepa infectante. A eliminação do vírus por secreções e excreções por até 90 dias. Ocorrência de 50% das infecções inaparentes Observação: quando o animal apresenta dermatite abdominal normalmente não evolui para a fase neurológica. Quando tem hipequeratose de focinho e coxim evolui para fase neurológica e isso está relacionado com a cepa. Alguns animais eliminam o vírus por algumas semanas e outros por muito tempo (alguns trabalhos dizem que até 4 meses) Conhecimento do Agente e da Patogenia da Enfermidade Quando o vírus infecta o animal ele se replica em tecido linfoide causando imunossupressão diminuindo CD8+ contribuindo para continuar produzindo/liberando vírus. No leucograma vemos leucopenia e linfopenia. A invasão do vírus no SNC depende da viremia. Se viremia alta distribuído por todo corpo e no final chega no SNC Se tiver imunidade boa migra direto pelo SNC O vírus pode causar necrose no SNC e desmielização levando a paresia e quadros de encefalites agudas (animais jovens) e encefelites crônicas. Nos animais idosos pode causar alteração neurológica progressiva. Patogenia: Porta de Entrada aerossol (infecção do hospedeiro) Replicação viral – órgãos linfoides (tonsilas, linfonodos, timo, medula óssea, etc) O vírus é multissistemico, se distribui por todo organismo (respiratório, intestinal, cutâneo e nervoso) porem não tem um padrão. A viremia acontece principalmente em monócitos que podem carrear o vírus para diferentes órgãos e dentro dos órgãos os macrófagos que também podem disseminar o vírus pela corrente linfática. A viremia depende da resposta imunológica – primeiro vemos uma produção pobre de anticorpos e depois uma produção importante que leva uma neutralizacao maior. Imunidade inadequada à baixa produção de anticorpos à vírus de multiplica se o vírus esta na corrente sanguínea e não tenho anticorpo o @ não consegue controlar a disseminação. Temos uma infecção disseminada (respiratório, digestório, cutâneo) Animal normalmente nem chega na fase nervosa, morre antes (varia de 1 a 3 semanas para chegar ate a fase nervosa se conseguir sobreviver) Animal produziu um pouco de Ac. Continua com quadro multissistemico numa intensidade moderada de manifestação e pode ter infecção inaparente. O vírus tende a desaparecer da circulação e aparece no sistema respitario (animal desenvolve pneumonia), também pode evoluir pro SNC Se tem uma resposta imunológica adequada normalmente tem infecção inaparente (assintomático) porem continua eliminando o vírus. Pode ser que esse animal nunca apresente sintomatologia mas pode ser que ele neutraliza boa parte do vírus que esta no sistema circulatório, não tem uma viremia importante mas acaba afetando diretamente o SNC. Consequência da infecção neonatal à problema no esmalte do dente (defeituoso, quebradiço) Manifestações Clínicas: Oftalmica – secreção purulenta Respiratória – secreção purulenta, tosse, pneumonia Hiperqueratose – focinho e coxins à evolui pra fase neurológica normalmente Neurológica – depende das células cerebrais que são infectadas Dermatite – pústulas abdominais à raramente evolui pra fase neurológica Fase intestinal – alterações consistência/coloração fezes e vômito Febre, leucopenia, anorexia e depressão. Quando chega na fase de viremia pode começar a se multiplicar dentro de hemácia e leucócito onde se observa os corpúsculos de infusão ou corpúsculos de Lentz (local onde vírus fez a replicação) Mais tardiamente é possível encontrar os corpúsculos de infusão nas células nervosas Diagnóstico: Posso pesquisar Ac. ou Ag. (testes imunológicos - rápidos) Diagnóstico molecular que pesquisa material genético viral (PCR) Alterações hemograma Pesquisa de Ac é útil quando o animal não tem vacina. Nesses casos eu pesquiso IgG por elisa, por exemplo, não é interessante se o animal for vacinado. Posso ter uma falso negativo quando o animal tem baixa produção de anticorpos e quando tem a viremia esses anticorpos não estão disponíveis porque estarão de ligando no vírus. Na fase aguda (2º - 9º dia após infecção) o vírus estará na corrente sanguínea e os Ac estão sendo produzidos e consumidos. Quando faço exame imunológico as vezes não consigo identificar. Pesquisa do Ag (pesquisa do vírus) – Depois da viremia é mais fácil encontrar o vírus da cinomose na urina e swab conjuntival à mandar sempre sangue, swab urina e conjuntiva Quando animal não tem sinal clinico e vejo a presença do antígeno pode ser infecção inaparente, convalescência, sempre ver o histórico porque pode ser vacinação recente. Ate 3 semanas pos vacinação tem replicação porque o vírus utilizado é vivo. Para fazer o PCR manda os 3 materiais, é um exame muito mais sensível porem pode ter o problema de animais vacinados (ate 4 semanas pos vacinação ainda detecta a cepa vacinal) Um resultado negativo dependera da fase da doença, quanto tempo ele foi infectado, ainda há vírus circulante? Tratamento: Suporte Atb para diminuir infecção bacteriana 2ndaria Fluidoterapia Complexo vitamínico B (ajudar naregulação do metabolismo de neurotransmissores) Vitamina A (proteção e regeneração de epitélio) Dexametasona Anticonvulsivante Soro hiperimune – grande quantidade de anticorpos (normalmente uma aplicação) Ribavirina – diminui a replicação viral 30mg/Kg VO – 15 dias Profilaxia ü Vacinas com antígeno não vivo As vacinas com vírus total da cinomose inativado não proporcionam imunidade suficiente para evitar a infecção após desafio por exposição ü Vacinas com vírus vivo modificado A vacinação com vacinas contendo VVM proporciona forte proteção contra a infecção pelo vírus da cinomose. Grande parte das vacinas no mercado são com vacinas vivas Precisa vacinar todo ano? Não! Pois a imunidade vacinal para cinomose a média é de 3 anos. Existe um kit que verifica a concentração de anticorpos (parvo, cinomose e hepatite viral) o grande problema é que custa mais caro que a vacinação. Epidemiologia e Sanidade Animal – 07/06/2018 Professora Cristiene Raiva em Herbivoros Vírus: Lyssavirus RNA vírus e envelopado Transmissão - Mordedura, arranhadura e lambedura; - Manipulação de carcaças Período de incubação: é extremamente variável, desde dias até anos com uma media de 45 dias no homem. Em crianças, o período de incubação tende a ser menor que no indivíduo adulto. Espécie Período de Incubação Canina 40 a 120 dias Herbívora 25 a 90 dias Quiróptera Prolongado (sem informação) Período de Transmissibilidade: - 2 a 5 dias antes do aparecimento dos sinais clínicos e persiste durante toda evolução da doença; - A morte do animal acontece em média entre 5 a 7 dias após a apresentação dos sintomas; - Em cães e gatos quando afeta a parte neurológica o animal fica agressivo, para de deglutir (baba muito) o que favorece a sua propagação através da saliva. Diagnóstico Laboratorial: - Imunofluorescência direta; (teste imunológico – pesquisa o vírus) – Corpusculo de Negri - Prova biológica; (inoculação em cérebro de camundongos) - Detecção de anticorpos específicos; (não é para diagnóstico e sim para verificar a quantidade de anticorpos circulantes) - PCR (em humano, em animais não se usa muito) O vírus apresenta cepa diferente exemplo: raiva furiosa (animal agressivo) na raiva rural a principal característica é a paresia de membros e estende o pescoço. É uma cepa característica do morcego hematófago. Na raiva silvestre todos os mamíferos silvestres podem participar – recomendação que o veterinário tenha vacina antirrábica e anti-tetânica. Quando o vírus é inoculado ele fica um tempo replicando em células musculares e subepiteliais (tempo prolongado), depois que ele aumenta em quantidade vai para a junção neuromuscular e ai rapidamente chega no SNC onde tem tropismo. Quando mais perto for a mordida/inoculação da cabeça mais emergencial é o tratamento pos exposição. O vírus migra pelas células nervosas e depois vai para a glândula salivar, mesmo antes das manifestações o animal já pode transmitir a doença. Para enviar o material é necessário retirar o encéfalo do animal, não manda a cabeça inteira se for equino, somente cão, gato. O morcego deve ser enviado vivo. Não colocar no álcool e nem no formol. Enviar no gelo porque o vírus precisa estar vivo para realizar o diagnóstico. Amostras do Sistema Nervoso: - Encéfalo (córtex, cerebelo, tronco cerebral) - No caso dos equídeos deve ser coletado encéfalo e medula - Para ruminantes enviar encéfalo, cerebelo e tronco cerebral - Material deve ser resfriado e enviado ao local As amostras encaminhadas devem sempre ser encaminhadas ao laboratório com com formulário único de requisição de exames para síndrome neurológica Desinfecção Química de Instrumentais Cirúrgicos Após necropsia de um animal raivoso: - Hipoclorito 2%; - Formol 10%; - Glutaraldeído; - Creolina; - Etc; Para a desinfecção do ambiente: - Solução de formalina entre 0,25% e 0,90%; - Solução de bicarbonato de sódio a 1% e 2%; Os vírus são inativados de forma rápida e eficiente, mais ou menos 14 dias, se tiver sol também é inativado. Resistência: - PERDA DE SUA INFECCIOSIDADE À TEMPERATURA DE 80ºC OCORRE EM 2 MINUTOS E À LUZ SOLAR, EM 14 DIAS, A 30ºC. - PODE MANTER SUA INFECCIOSIDADE POR PERÍODOS RELATIVAMENTE LONGOS, SENDO INATIVADO POR AUTÓLISE. - A PUTREFAÇÃO DESTRÓI O VÍRUS LENTAMENTE, EM CERCA DE 14 DIAS Profilaxia: - Vacinação; - Informação; - Vigilância epidemiológica; - Controle de morcegos; Em áreas endêmicas fazer durante o surto vacinação de todos os animais e depois revacina a cada 6 meses. Em áreas onde ocorre ocasionalmente faz a vacinação anual Em áreas livres da doença não se vacina mais Para herviboros vacina primeira exposição a partir dos 3 meses, depois faz reforço em 30 dias e depois anual. Encefalopatia Espongiforme Bovina Objetivos: - Evitar a entrada do agente da encefalopatia espongiforme bovina (EEB) no território nacional aplicando medidas de controles para importação de animais, seus produtos e subprodutos, considerando o risco de EEB do país de origem ou procedência da mercadoria a ser importada. - Fiscalização dos estabelecimentos de criação de ruminantes e os de produção de alimentos para animais. - Estabelecimentos processadores de subprodutos de animais (graxarias), visando verificar a adoção de boas práticas de fabricação e do processamento destes produtos. Quem causa a doença: uma proteína infecciosa (modificada) chamada de Prion, essa proteína se instala no SNC causando degeneração. É uma doença crônica. Características Clínicas: - Nervosismo; - Reação exageradas estímulos externos; - Dificuldade de locomoção; Via de Transmissão: Por ingestão de alimentos contendo farinha de carne e ossos provenientes de carcaças infectadas pela proteína infectante. Obs.: período de incubação pode ser até 5 anos. Para evitar a entrada do agente se faz um controle rigoroso da alimentação do animal (os ruminantes não devem se alimentar com NADA de origem animal) Prevenção: Proibição da produção e comercialização e utilização de produtos destinados a alimentação de ruminantes que contenham: - Cama de aviário; - Os resíduos da criação de suínos; - Qualquer produto que contenha proteínas e gorduras de origem animal;