Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Epidemiologia e Sanidade Animal – 08/02/2018 Professora Cristiene 
 
Em sanidade animal para trabalhar é necessário conhecimento de várias áreas da 
veterinária: clínica, cujo objetivo é chegar no diagnóstico para definir o tratamento. 
Para trabalhar com a população é necessário conhecer os indivíduos dessa população. 
A patologia e laboratório clínico é muito utilizado para diagnóstico. O individuo que vai 
a óbito é muito importante e não pode negligenciar (anotar qual a causa da morte, 
quando) pensando em proteger os indivíduos que estão vivos. 
Quantos indivíduos estão afetados (por isso importante o registro para contabilizar) 
Prevenção e controle. 
Todo programa de sanidade deve ser acompanhado por uma ação de educação caso 
contrário pode não ser compreendido. 
 
 
Epidemiologia e Sanidade Animal – 15/02/2018 Professora Cristiene 
 
Cadeia Epidemiológica 
 
Me dá informação de como uma doença é transmitida e é composta por 5 elos. 
 
Usa muito para doença infecciosa (vírus, bactérias e fungos) 
Não usa muito para doença parasitária, pra parasitária usa um modelo diferente (o 
ciclo), normalmente trabalha o ciclo porque fica melhor representado, para parasitária 
nem sempre consegue definir os 5 elos. 
 
 
5 elos: 
1- Fonte de infecção; 
2- Vias de eliminação; 
3- Vias de transmissão; 
4- Portas de entrada; 
5- Suscetíveis; 
 
 
 
1- Fonte de Infecção; 
Sempre hospedeiro vertebrado que alberga e transmite o agente etiológico de alguma forma; 
(mosquito não é fonte de infecção porque não é vertebrado) 
 
2- Vias de Eliminação; 
Como o hospedeiro vertebrado vai disponibilizar o agente. Ele pode eliminar efetivamente do 
corpo ou pode disponibilizar, por exemplo, para um vetor. (exemplo um vetor hematófago que 
consegue adquirir um agente através do sangue) 
 
 
 
 
 
Exemplos: 
Vias de Eliminação Doenças 
Secreções oro-nasais Tuberculose, garrotilho, raiva, 
aftosa 
Secreções vaginais Brucelose, Metrites 
Urina Leptospirose 
Fezes Verminose 
Leite Mastites, brucelose, tuberculose 
Sangue Babesiose, anemia infecciosa equina 
Placenta Brucelose 
Cutânea Sarna, Micose 
 
 
Doenças veiculadas por vetor: (sangue: babesiose (carrapato) anemia infecciosa equina 
(moscas) 
 
A via de eliminação é extremamente importante para saber qual amostra colher para 
identificar o agente. A via de eliminação determina o mecanismo de transmissão! 
 
Outro fator importante para compreender a via de eliminação é que ela determina o 
mecanismo de transmissão, a forma que elimina está muito relacionado com a 
transmissão (o que estará contaminado? Como será feito o isolamento desses animais?) 
– Ex.: é muito comum em abrigo de gatos, aqueles que são positivos para FeLV ficam 
separado por uma grade. Será que é efetivo? Como será a forma de transmissão. Pra 
pacientes com FIV posso fazer a mesma coisa? Ou não é eficiente para nenhum dos 
dois? Então a via de eliminação nos ajuda a determinar esse isolamento também. 
 
 
3- Vias de Transmissão; 
É UM ELO CENTRAL NA CADEIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Normalmente as ações de controle/prevenção estão relacionadas com a via de 
transmissão e por isso é importante estabelecer. 
É uma etapa critica porque depende muito da sobrevivência do agente no ambiente. 
Ex.: O vírus não envelopado (é muito mais resistente ao ambiente, quanto ele vai 
resistir? Qual a característica deste agente? A transmissão é imediata? O agente 
pode permanecer viável no ambiente por anos ? Qual a biologia do vetor para que 
eu possa intervir? 
 
Ex.: os programas de prevenção de carrapato são todos ligados a biologia do 
carrapato. Tanto que os equinos (que têm os carrapatos amblyomma e o 
dermacentor) para cada um deles tem um controle diferente porque as características 
biológicas dos carrapatos são diferentes. 
 
A forma de transmissão vertical (da mãe pro feto) pode ser empregada tanto para 
humanos quanto para animais. Dentro da cadeia epidemiológica, muitas vezes, a 
doença a princípio é no animal e o homem entra num sistema em que não pertence e 
acaba adquirindo a enfermidade ( a leishmaniose cutânea e visceral é um exemplo 
disso, onde o homem não faz parte do ciclo, mas acaba entrando acidentalmente). 
 
A transmissão acontece de um animal pra outro? De qual forma? 
 
 
Definição das rotas de transmissão: diretas 
 
• Aerógenas: particulas são passadas através do ar de um animal a outro (aerosol 
ou poeira) ex.: não varrer para não levantar e correr o risco de aspiração 
 
• Oral: (tanto pela via hídrica ou alimentos) - Consumir agentes causadores de 
doenças em alimentos ou fômites contaminados (água, lambendo ou mastigando 
objetos contaminados); 
 
• Contato Direto: Um animal susceptível fica exposto quando o agente da doença 
atinge diretamente feridas abertas, membranas, mucosas ou pele, através do 
sangue, saliva, nariz para nariz, contato, fricção, coito ou mordedura. 
 
• Reprodutiva: um subtipo de contato direto que inclui doenças propagadas 
através do acasalamento ou ao feto durante a gravidez (coito ou inseminação). 
As infecções verticais (da mãe pro feto) também entram nesse quesito. 
 
• Fômite: SEMPRE um objeto inanimado (bota, pá, luva, brinquedo) que esteja 
contaminado com agente patológico de um animal suscetível a outro. 
 
Veículo animado é diferente de fonte de infecção porque é um subtipo de 
transmissão de fômites em que um animal ou humano distribui material 
orgânico para outro local. 
Exemplo: um estagiário chega em casa com as mãos contaminadas e põe a mão 
em seu animal. O estagiário é o veículo animado que não foi infectado pelo 
agente, apenas carreou de um lugar para o outro. 
 
• Vetores : SEMPRE um invertebrado que adquire um agente da doença de um 
animal e transmite-o à outro. Pode ser um carrapato, uma mosca, pode ser uma 
mosca, um piolho, um mosquito, pulga, etc... que podem transmitir o agente 
etiológico da doença. 
- Vetor mecânico; (agente não tem dependência biológica com o vetor) 
- Vetor biológico; (ocorre alguma transformação biológica dentro do vetor) 
 
Exemplo: 
Vetor Mecânico: o agente não tem dependência biológica alguma com o vetor – 
Berne: a mosca do berne deposita os ovos em qualquer inseto alado que ela consiga 
capturar, esses ovos vão se desenvolver independentemente dos insetos que ela 
depositou, eles só aproveitam a carona sem ter nenhuma dependência biológica. 
Vetor Biológico: ocorre alguma transformação biológica dentro do vetor. Nesses casos 
observaremos que existem vetores específicos para determinadas enfermidades que 
pode ser multiplicação ou ainda uma mudança de fase. – Babesia: dentro do carrapato 
(vetor) a babesia muda de fase e se multiplica. 
 
Quando o vetor é biológico a gente tenta caracterizar esse vetor para poder achar o 
caminho de combate-lo. 
A contaminação ambiental sempre deve ser levada em consideração. 
 
4- Portas de Entrada; 
Uma vez que eu tenho a transmissão, para cada animal eu tenho uma porta de 
entrada, ou seja, a forma que ele irá se infectar. 
 
Porta de Entrada (vias) Forma de Contaminação 
Respiratória Gotículas de poeira e aerossóis 
Digestiva Água e alimentos contaminados 
Urinária Contágio direto, vetores, mãos 
contaminadas 
Conjuntiva Vetores mecânicos,gotículas, poeira 
Galactófora (canal do teto ) Mãos, equipamento de ordenha 
contaminados, solo, fomites. 
Onfaloflébica Solo, vetores, água, 
Cutânea Contágio direto, vetores, solo, água, fomites. 
 
5- Suscetíveis; 
Que vai ser o Novo hospedeiro. 
Importante estabelecer qual a suscetibilidade desses indivíduos. A gente observa 
nas enfermidades que alguns indivíduos são mais resistentes, outros são mais 
sensíveis e outros são refratários. 
 
ü Suscetibilidde x resistência 
 
ü Susceptibilidade natural x experimental 
A natural tem doses diferentes de inóculos, algumas enfermidadesa quantidade 
de inóculo pode ou não estabelecer manifestação clínica. No experimental já 
tem uma dose pré-concebida. 
 
ü Resistência natural x adquirida 
O indivíduo tem uma resistência natural (anticorpo materno) ou é mais mais 
resistente? Por que ele é mais resistente? 
 
ü Refratariedade 
 
ü Infecção x infestação 
 
 
ü Relação infecção – doença 
Nem sempre que o indivíduo se infecta ele terá a infestação. 
Infecção: ela é interna 
Infestação: ela é externa 
Fungo, vírus, bactéria a gente fala em infecção. 
Para parasitas usamos muito infestação (pulga, carrapato, piolho) 
Verminose alguns falam infestação e outros infecção. 
 
Fases do Processo Infeccioso da Doença 
 
ü Período da incubação: período da infeção até o início das manifestações 
clínicas. 
 
ü Período prodrômico: é bem no início da infecção, já tem algumas 
manifestações mas não são características (difícil diagnóstico) 
 
ü Período de convalescência: Depois da infecção, recuperação. (período que o 
animal cessa a manifestação entra na fase de recuperação) 
 
ü Período pré-patente: Vai da infecção ao início da eliminação do agente. 
Usa mais para agente parasitário do que infeccioso. O período pré-patente vai da 
infecção ao início da eliminação do agente, ou seja, quanto tempo leva para 
começar a contaminar o ambiente depois que se infectou? 
 
ü Período Patente: Período em que já tem eliminação do agente. Também 
chamado de período de transmissibilidade. 
 
 Exemplo: leptospirose em que após cura clínica continua eliminando o agente 
pela urina. Em algumas enfermidades eu consigo detectar 
 
É um período prolongado? Tem uma infecção crônica? 
No caso da febre amarela: Por quanto tempo vai eliminar esse agente? 
 
ü Disseminação: Importante tanto para parte clínica como para a parte de 
diagnóstico. O agente é localizado ou disseminado? 
Exemplo: corona vírus está localizado no intestino, se eu quiser fazer PCR de 
onde vou fazer? Não adianta fazer PCR do sangue sendo que ele está no 
intestino. 
 
 Nem todo hospedeiro tem manifestação clínica!!! 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atividade: 
Traçar a cadeia epidemiológica da: Febre Amarela Silvestre e Urbana. 
 
(Artigos em PDF anexados) 
 
Febre Amarela 
 
1 – Fonte de Infecção 
Silvestre: Primatas não humanos (Macaco Prego e Guariba); 
Urbana: Seres Humanos; 
Há relatos de marsupiais arboreais e preguiças como papel secundário. 
 
2- Via de eliminação 
Ambas: liberação das partículas virais na corrente sanguínea. 
O vírus se multiplica no linfonodo e nas células dendríticas , musculares (estriadas e 
lisas) e em fibroblastos. O período de incubação demora de horas até dois dias ou até 
mesmo de 05 a 07 dias em casos mais graves (no ser humano). 
 
 
3- Vias de Transmissão 
Silvestre: Vetores Mecânicos - Haemagogus janthinomys e Sabethes 
Urbano: Vetores Mecânicos – Aedes aegypti (homem introduz o vírus na área urbana) 
 
4- Porta de Entrada 
Silvestre: Via cutânea; 
Urbana: Via cutânea; 
 
4- Suscetíveis: 
Ser humano, com prevalência maior em pessoas do sexo masculino, turistas 
 
 
Por que no Brasil a prevalência é de ciclo silvestre sendo que em bairros locais 
vemos várias pessoas infectadas? 
O ciclo silvestre é caracterizado pela transmissão através do mosquito Haemagogus e 
Sabethes que estão localizados em ambiente de mata, ou seja, é o mosquito que 
determina que a doença não se alastre além dessa caracterização ambiental. As pessoas 
acabam se contaminando com a doença entrando no ambiente deste vetor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Epidemiologia e Sanidade Animal – 22/02/2018 Professora Cristiene 
 
Indicadores Epidemiológicos ou Indicadores de Saúde. 
 
Quando trabalha com população precisa de um parâmetro para saber se a saúde está 
melhorando, se não foi alterada ou se ela piorou. 
Os indicadores epidemiológicos ou indicadores de saúde são parâmetros da população 
através da representação numérica onde se pode enxergar se a população vem 
melhorando, piorando, se a medida de saúde aplicável teve sucesso, se houve redução 
de mortalidade. É SEMPRE UMA FREQUÊNCIA RELATIVA. 
 
Ou seja, é uma expressão numérica de diversos eventos (risco de óbito, risco de ficar 
doente) que podem ocorrem numa população e dentre eles destacam morbidade, 
letalidade, mortalidade e natalidade. 
 
Quais são as situações que são importantes estes indicadores? 
- analisar a situação de saúde naquele momento de uma determinada situação; 
- fazer comparação (ex. número de morte/ano de pessoas que adoeceram de febre 
amarela – do total que adoeceu, quantos morreram?) 
- ver mudanças ao longo do tempo; (como doença vão se espalhando?) 
 
Coeficientes (ou taxas) 
Expressa o risco, a probabilidade que um indivíduo do denominador tem de apresentar o 
atributo ou evento que consta no numerador. 
Exemplo: taxa de letalidade é o risco que o indivíduo doente tem de morrer. 
 
Se refere a um determinado período de tempo (ano, mês, semanas, dias), a um 
determinado local (cidade, estado, bairro) numa determinada população (espécie, idade, 
sexo, etc). 
 
Número de óbitos por tuberculose na cidade “X” no ano “Y”= 0,035 
Número de casos de tuberculose naquela cidade naquele ano 
 
Referem-se à um determinado: 
ü Período de tempo (ano, mês, semana, dias) 
ü Local (propriedade, município, estado, país) 
ü População (espécie, idade, sexo) 
 
 
Morbidade 
Frequência de doença numa população; 
Avalia a dimensão de um problema numa determinada população, ou seja, avalia o risco 
de um indivíduo de uma determinada população adquirir uma doença. 
 
Temos dois tipos de coeficiente de morbidade: 
ü Morbidade incidente ou incidência; 
ü Morbidade prevalente ou prevalência. 
Incidência (“I” ou Coeficiente de Morbidade Incidente): 
 
Avalia a frequência com que surgem casos novos numa população 
 
Quantos casos novos ocorreram no período em que eu observei ? 
Ex.: Incidência da febre amarela em Janeiro de 2018. Só vou contabilizar indivíduos 
que contraíram febre amarela em janeiro de 2018. 
 
 
 
 
 
 
População suscetível à doença na mesma localidade e período 
I = Casos Novos de determinada doença na localidade “X” no Período “Y” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O 
que essa figura representa? 
A população dessa propriedade são 100 animais. 
Cada tarja preta representa o período em que um animal ficou doente (quando adoeceu e 
quando teve a resolução). Por enquanto não estamos falando se ele morreu ou se ele se 
curou, apenas que acabou. 
No gráfico temos a observação de ano de 2005 e ano de 2006. Vamos trabalhar 
somente com o primeiro semestre de 2006. 
 
Quantos casos eu tenho nesse primeiro semestre de 2006? 
Tenho 08 casos (animais doentes) neste período 
No total de casos entram os casos novos + os casos antigos 
 
Quantos casos novos eu tenho no primeiro semestre de 2006? 
Tenho 06 casos novos neste período. 
Nos casos novos só contabilizo os animais que adoeceram no período em questão 
 
 Como vamos calcular a incidência deste caso? 
A incidência é a porcentagem de casos novos na população neste período. 
 
Então no exemplo eu tenho 06 casos novos numa população de 100 bovinos: 
 
 
 6 casos I 
 
100 Bovinos 100% Incidência = 6% 
Em resumo a incidência são todos os casos novos (que adoeceram) no período em 
questão. 
 
Prevalência (“P” ou Coeficiente de Morbidade Prevalente): 
 
Avalia a frequência de casos de doenças existentes numa população em um determinado 
momento ou intervalo de tempo restrito, sem distinguir os casos novos dos casos 
antigos. 
 
Ou seja, alguns dados referente a riscos de adquirir a doença não são feito 
acompanhamentos tão dinâmicos, devido falta de interesse, restrição financeira, etc. 
No Brasilhá muitos dados animais de doenças que têm interferência na produção 
(interesse econômico) ou zoonoses, para as outras doenças não há tantos dados. 
Muitas vezes quando vou estudar uma população animal não tenho condições de ficar 
acompanhando mês a mês, semana a semana e por isso muitas vezes eu vou num 
determinado local e faço uma coleta de todos os animais. Nesse momento não tenho 
condições de diferenciar quais casos são antigos e quais casos são novos. Então quando 
trabalho com esses dados mais ‘grosseiros’ em que eu não tenho uma referência de 
determinar quais casos são antigos ou novos chamamos de morbidade prevalente. 
Morbidade porque também é um risco do animal contrair a doença e prevalente porque 
estou trabalhando tanto com casos novos quanto com antigos. 
 
É um dado que é como se fosse uma foto no tempo, onde eu registro aquele momento 
para que eu tenha noção do que está acontecendo. O que aconteceu antes ou o que vai 
acontecer depois eu não sei. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Voltando ao exemplo da fazenda Boa Sorte: 
 
Se a Incidência é 6% e a Prevalência considera casos novos e antigos qual vai ser a 
Prevalência deste local? 
 
100 bovinos 100% 
 8 casos P 
 
 
Letalidade (ou Fatalidade): 
 
População suscetível à doença na mesma localidade e período 
P = Número de casos de determinada doença num dado período e local” 
 
Tanto incidência quanto prevalência são dados de morbidade, e ai depende das funções 
que eu tenho para acompanhar. 
A incidência é muito melhor pois um acompanhamento mais real, mais de perto, mais 
dinâmico porém custa muito mais caro. 
A prevalência é um dado estagnado, uma foto de um momento e o custo é bem menor. 
Prevalência = 8% 
Letalidade (ou fatalidade) Mede a intensidade da virulência na relação hospedeiro-
parasita, permitindo avaliar a gravidade da doença. 
Expressa o risco de morrer por determinada doença, a que estão exposta os indivíduos 
por ela acometidos e oferece elementos para prognóstico da doença. 
 
É o risco que o indivíduo tem uma vez que foi infectado de vir a óbito. 
 
Ou seja, é o risco dele morrer pela doença que foi acometido. 
A letalidade não é um dado estático, pode tanto diminuir quanto aumentar. Não é fixo 
da doença. 
A letalidade de uma doença pode variar de uma espécie pra outra 
 
Ex.: a letalidade da febre amarela em um bugio é diferente da letalidade em um macaco 
prego. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Voltando ao nosso exemplo da Fazenda Boa Sorte: 
 
Observe a nova imagem: 
 
 
 
Número de casos da doença na mesma localidade e período 
 
L = Número de óbitos por determinada doença na localidade “X”e período “X” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
População de Bovinos: 100 
Total de Casos (Novas + Antigos) = 8 
Casos Novos = 6 
Óbitos pela Doença = 4 
 
Neste caso, quais são os indivíduos que correm o risco de morrer? A população total ou 
só os acometidos? 
Os que correm risco de morrer são aqueles que estão acometidos, então aqui vou usar o 
total de casos da doença em relação ao risco de óbito. 
Se em 08 animais doentes ocorreu 4 óbitos, o que vai acontecer em 100% desses 
animais ? 
 
 
8 animais doentes 4 foram a óbitos 
100% dos animais L 
 
 
Ou simplesmente: 4 (óbitos) ÷ 8 (animais doentes) x 100 = 50% 
 
Lembrando que a letalidade é um dado dinâmico que pode sofrer alterações. 
 
 
Letalidade = 
50% 
Mortalidade 
 
O coeficiente geral de mortalidade reflete o risco que um indivíduo de determinada 
população corre de morrer por qualquer causa, durante o período considerado. 
Expressa de maneira muito genérica a qualidade de vida da população. 
 
Dentro da mortalidade há outros extratos desse coefiente. 
 
Coeficiente Geral de Mortalidade: 
 
 
 
 
 
Mostra o risco de uma população vir a óbito por qualquer causa. Esse coeficiente dá 
uma ideia de qualidade de vida dessa população. Quanto menor de vir a óbito maior a 
qualidade de vida. É muito utilizado para humanos mas dependendo da população 
animal também dá pra usar. 
 
 
Voltando ao exemplo da Fazenda: 
 
 
População de Bovinos: 100 
Total de Casos (Novas + Antigos) = 8 
Casos Novos = 6 
Óbitos pela Doença = 4 
 
 
 
 
A mortalidade é calculada em toda população do local onde mensura o número de 
morte e qualidade de vida 
 
Não confundir letalidade com mortalidade. 
Exemplo: A letalidade da leptospirose seria o risco de um indivíduo acometido pela 
leptospirose vir a óbito pela doença. 
Mortalidade pela leptospirose numa população é o risco de um indivíduo daquela 
população vir a óbito pela leptospirose, não necessariamente ele está acometido. 
 
Quando a gente fala em mortalidade a população que está sobre risco é a população 
total (indivíduos sadios + indivíduos acometidos pela doença em questão + acometidos 
por qualquer outra doença). 
 
A letalidade é sobre o risco que o indivíduo que tem determinada doença tem de morrer. 
 
Mortalidade por causa definida nos diz o risco de determinado indivíduo que pertence 
aquela população tem de ir a óbito. 
 
 
Número de óbitos por todas as causas na localidade “X”e período “X” 
 População da localidade no período 
 
4 óbitos ÷ 100 (população) x 100 = 4% 
ü Natimortalidade: 
 
Calcula o número de nascidos mortos no local em determinado período. 
Ou seja, de todos os nascimentos daquela propriedade qual é o risco de nascer um 
natimorto? 
Só me aponta o risco! A população sobre risco na natimortalidade são os indivíduos que 
ainda vão nascer. 
 
 
 
 
 
ü Motalidade intra-uterina: 
 
Calcula o risco de aborto. Ou seja, o risco de correr um abortamento em um animal 
prenhe. 
A população sobre risco são fêmeas prenhes. 
 
 
 
 
 
Se eu tenho muito aborto o que pode ser? Manejo? Alimentação inadequada? 
Medicamento? 
 
 
ü Fecundidade 
 
Número de fêmeas efetivamente prenhe após coito ou cobertura. 
Seria a porcentagem de fêmea que foram cobertas/inseminadas que realmente 
emprenharam. 
Analisa qualidade do sêmen, manejo do funcionário, se o animal é eficiente na monta, 
etc. 
 
 
 
 
 
 
 
Exercícios: 
 
01. EXERCÍCIO: Explique o que é taxa ou coeficiente. 
 
02. EXERCÍCIO: (CETRO) O Coeficiente (ou Taxa) de Incidência é expresso pela seguinte fórmula: 
a) Nº de casos existentes (novos + antigos) em dado local / momento / período x 10n 
População do mesmo local e período 
b) Nº de casos de uma determinada doença em dado local e período x 100 
População exposta ao risco 
c) Nº de óbitos em um dado período x 1.000 
População do mesmo local e período 
Número total de nascimentos ocorridos na localidade e período 
Número de nascidos mortos na localidade “x” e período “y” 
Número de abortos ocorridos na localidade “X”e período “Y” 
Número de concepções efetivas na localidade e período 
Número de fêmeas efetivamente cobertas na localidade e período 
Número de concepções efetivas na localidade “X”e período “Y” 
d) Nº de casos novos de uma doença em um local e período x 10n 
População do mesmo local e período 
e) Nº de óbitos pela doença em determinada área e período x 100 ou 1.000 
Nº total de pessoas com a doença na mesma área e período 
 
03. EXERCÍCIO: Foi realizado um estudo para determinar a soroprevalência de cinomose no ano de 
2014, em uma população de caninos não vacinados de um bairro de Santa Maria, estimada em 1000 
animais. Dessa forma, 470 amostras de soro foram considerados sororreatores para o vírus. Durante 
o ano seguinte, 2015, foi feito um acompanhamento da doença na população, e os pesquisadores 
constataram que 100 casos novos no bairro e47 destes morreram comprovadamente de cinomose. 
a) Qual a soroprevalência para cinomose detectada pelo estudo nessa população para o ano de 
2014, em percentual? 
 
 
04. EXERCÍCIO: De acordo com o enunciado do EXERCÍCIO 03, determine a letalidade para o ano de 
2015, em percentual. 
 
 
 
05. EXERCÍCIO: (VUNESP) O coeficiente de letalidade deve ser entendido como relação entre 
 
a) total de mortos na população / população total. 
b) número de mortos por dada doença / total de acometidos pela mesma doença. 
c) total de mortos na população / total de doentes da população. 
d) número de mortos por dada doença / população total. 
e) número de mortos por dada doença / total de doentes da população. 
 
 
06. EXERCÍCIO (CETRO) Assinale a alternativa correta. 
a) A taxa de letalidade expressa a frequência relativa de casos novos na população, em uma dada 
região, durante um determinado período de tempo. 
b) O coeficiente de morbidade incidente expressa a frequência de uma doença em uma 
população de uma região refletindo o risco ou a probabilidade que apresenta um indivíduo 
dessa população de morrer. 
c) O coeficiente de morbidade revela a capacidade que um agente tem de causar a morte de um 
indivíduo de uma dada população, em uma região definida, durante determinado período de 
tempo. 
d) O coeficiente de morbidade prevalente reflete a frequência de todos os casos existentes em 
uma população, novos e antigos, num determinado momento ou período de tempo. 
e) A taxa de letalidade indica a probabilidade de morte de um indivíduo de uma dada população, 
em uma região definida, durante determinado período de tempo. 
 
 
07. EXERCÍCIO: a) Calcule o coeficiente de mortalidade geral (por mil habitantes) para os municípios 
de Salvador e Porto Alegre em 2000. 
b) Preencha as células vazias com os coeficientes de mortalidade (por mil 
habitantes) para os municípios de Salvador e Porto Alegre em 2000. 
SALVADOR 
 
PORTO ALEGRE 
 
Faixa 
etária POP % OBITOS % CM* 
 POP % OBITOS % CM* 
<1 41888 1,71 1237 9,75 29,53 21171 1,56 349 3,54 
1 a 4 166531 6,82 157 1,24 0,94 82905 6,09 60 0,61 0,72 
5 a 9 206311 8,44 72 0,57 0,35 102252 7,52 26 0,26 
10 a 14 223746 9,16 93 0,73 107317 7,89 53 0,54 0,49 
15 a 19 281938 11,54 294 2,32 125149 9,20 127 1,29 1,01 
20 a 29 503201 20,60 854 6,73 1,70 229941 16,90 473 4,80 2,06 
30 a 39 399208 16,34 940 7,41 2,35 208102 15,29 587 5,95 
40 a 49 292184 11,96 1341 10,57 4,59 192396 14,14 822 8,34 
50 a 59 163064 6,67 1652 13,03 10,13 130816 9,61 1187 12,04 9,07 
60 a 69 93847 3,84 1944 15,33 87005 6,39 1701 17,26 19,55 
70 a 79 49888 2,04 2070 16,32 41,49 52961 3,89 2199 22,31 41,52 
80 e + 21301 0,87 2028 15,99 95,21 20575 1,51 2274 23,07 110,52 
total 2443107 100 12682 100 total 1360590 100 9858 100,00 
* Coeficiente de mortalidade por faixa etária (por mil habitantes) 
 
08. EXERCÍCIO: (PREFEITURA DE SÃO PAULO) No ano de 2006, em um Município que possui uma 
população estimada em 61.841 pessoas, foram registrados 1.778 casos de leptospirose, dos quais 
20 morreram. Os coeficientes de morbidade, letalidade e mortalidade por leptospirose, expressos 
em percentual, são, respectivamente, de 
a) 0,032; 2,88 e 1,12. 
b) 0,032; 1,12 e 2,88. 
c) 1,12; 0,032 e 2,88. 
d) 2,88; 0,032 e 1,12. 
e) 2,88; 1,12 e 0,032. 
 
 
09. EXERCÍCIO: (VUNESP) Durante a campanha de vacinação anti-rábica canina, realizada no mês de 
agosto de 2002, o Serviço Municipal de Controle de Zoonoses de Monte Azul, SP, realizou um 
inquérito sorológico para a leptospirose no qual, de 400 animais examinados, 100 foram 
classificados como soro-reatores, titulo ³ 100 para o sorovar canicola. Os reatores ao teste 
sorológico tiveram um acompanhamento clinico e laboratorial e, destes, 15 morreram com clinica 
sugestiva de leptospirose que foi confirmada pelo exame de suspensões de tecido hepático 
submetidas à microscopia de campo escuro, ao cultivo e à técnica de PCR. Os coeficientes de 
morbidade, letalidade e mortalidade por leptospirose, expressos em percentual, são, 
respectivamente, de 
a) 3,75; 15,00 e 25,00. 
b) 15,00; 25,00 e 3,75 
c) 25,00; 15,00 e 3,75. 
d) 20,00; 10,00 e 3,5. 
e) 25,00; 3,75 e 15,00. 
 
 
 
 
 
 
Respostas: 
 
Exercício 1 - É a relação entre o número de casos de um evento e uma determinada 
população, num dado local e época. É a medida que informa quanto ao “risco” de 
ocorrência de um evento. Exemplo: número de óbitos por febre amarela no estado de São 
Paulo, em relação às pessoas que residiam nessa cidade em cada ano; nº animais 
infectados por determinada doença em relação aos animais de determinada população. 
 
Exercício 2 – Alternativa D 
A – errada, pois na incidência os casos antigos não entram, apenas os novos. 
B – errada, pois não especifica se são casos novos ou antigos. 
C – errada, pois na incidência não são o número de óbitos, e sim de animais doentes. 
D – Alternativa correta. 
E – errada, pois novamente cita número de óbitos. 
 
Exercício 3 
a) População total: 1000 animais 
 Animais contaminados: 470 animais 
 
 Casos Novos: 100 
 Número de óbitos: 47 
 
 
Soroprevalência 2014 à 1000 população 100% 
 470 contaminados X 
 
 
 
b) Incidência 2015 à 1000 população total 100% 
 100 casos novos I 
 
 
Exercício 4 – Letalidade ano de 2015 
 
Número de óbitos: 47 
 
 
 
Exercício 5 – Alternativa B 
A – errada, pois está relacionado ao número de mortes por dada doença e pelos 
indivíduos acometidos. 
B – alternativa correta. 
C – errada, pois não é da população total e sim daquela acometida por dada doença. 
D – Alternativa correta. 
E – errada, pois apesar de ser o número de mortos por dada doença não é sobre o total 
de doentes da população e sim o total de doentes pela dada doença. 
Exercício 6 – Alternativa D 
A – errada, pois letalidade não está relacionada ao risco de ter a doença e sim ao risco 
do indivíduo já doente vir a óbito. 
B – errada, pois morbidade é o risco de doença e não de morrer. 
C – errada, pois novamente é o risco de doença e não de morte. 
D – Alternativa correta. 
E – errada, pois a letalidade indica a probabilidade de morte de um indivíduo por uma 
dada doença. Na alternativa eles se referem a mortalidade e não letalidade. 
 
 
Exercício 7 
 
a- Calcule o coeficiente de mortalidade geral (por mil habitantes) para os municípios de Salvador e 
Porto Alegre em 2000. 
 
2014 
2015 
Prevalência = 
47% 
Incidência = 10% 
b- Preencha as células vazias com os coeficientes de mortalidade (por mil habitantes) para os 
municípios de Salvador e Porto Alegre em 2000. 
 
 
SALVADOR 
 
PORTO ALEGRE 
 
Faixa 
etária POP % OBITOS % CM* 
 POP % OBITOS % CM* 
<1 41888 1,71 1237 9,75 29,53 21171 1,56 349 3,54 16,48 
1 a 4 166531 6,82 157 1,24 0,94 82905 6,09 60 0,61 0,72 
5 a 9 206311 8,44 72 0,57 0,35 102252 7,52 26 0,26 0,25 
10 a 14 223746 9,16 93 0,73 0,41 107317 7,89 53 0,54 0,49 
15 a 19 281938 11,54 294 2,32 1,0 125149 9,20 127 1,29 1,01 
20 a 29 503201 20,60 854 6,73 1,70 229941 16,90 473 4,80 2,06 
30 a 39 399208 16,34 940 7,41 2,35 208102 15,29 587 5,95 2,82 
40 a 49 292184 11,96 1341 10,57 4,59 192396 14,14 822 8,34 4,27 
50 a 59 163064 6,67 1652 13,03 10,13 130816 9,61 1187 12,04 9,07 
60 a 69 93847 3,84 1944 15,33 20,71 87005 6,39 1701 17,26 19,55 
70 a 79 49888 2,04 2070 16,32 41,49 52961 3,89 2199 22,31 41,52 
80 e + 21301 0,87 2028 15,99 95,21 20575 1,51 2274 23,07 110,52 
total 2443107 100 12682 100 5,19 total 1360590 100 9858 100,00 7,24 
* Coeficiente de mortalidadepor faixa etária (por mil habitantes) 
 
Como a conta foi feita? Dividido número de óbito pelo POP e multiplicado por 1000 
(mil), pois o enunciado solicitava por mil habitantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exercício 8 – Alternativa E 
 
População total: 61.841 
Total de casos (novos e antigos) 1778 
Número de óbitos: 20 
 
 
ü Morbidade: 
 
61.841 população total 100% 
 1778 número casos M 
 
OU ENTÃO: 1778 ÷ 61.841 x 100 = 2,88% 
 
ü Letalidade: 
 
1778 animais doentes 20 foram a óbito 
Morbidade = 2,88% 
Letalidade = 1,12% 
 100% dos animais L 
 
Ou então: 20 ÷ 1778 x 100 = 1,112% 
 
 
ü Mortalidade: 
 
61.841 população total 20 mortes 
100% (todos indivíduos) M 
 
Ou então: 20 ÷ 61.841 x 100 = 
 
 
Exercício 9 – Alternativa C 
População Total: 400 animais 
Animais Doentes: 100 
Número Óbito: 15 
 
ü Morbidade 
 
400 população total 100% 
100 número casos M 
 
Ou então: 100 ÷ 400 x 100 = 25% 
 
 
ü Letalidade 
 
 100 número casos 15 foram a óbito 
 100% dos animais L 
 
Ou então: 15 ÷ 100 x 100 = 15% 
 
 
ü Mortalidade 
 
400 população total 15 óbitos 
100% dos animais M 
 
Ou então: 15 ÷ 400 x 100 = 3,75% 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mortalidade = 0,032% 
Morbidade = 25% 
Letalidade = 15% 
Mortalidade = 
3,75% 
 
 
Epidemiologia e Sanidade Animal – 08/03/2018 Professora Cristiene 
 
 
Características dos Métodos Diagnósticos 
 
Utilizado para confirmar presença ou ausência de uma doença ou prevalência e 
incidência. 
Se eu tenho suspeita de uma enfermidade preciso fazer um teste para provar a existência 
ou ausência dela. Por exemplo, um animal não tem a manifestação mas está eliminando 
o agente, o teste me ajuda a saber. 
 
Também serve para verificar prevalência x incidência. Toda vez que a gente faz a conta 
prevalência x incidência os gráficos/mapas são todos de casos confirmados por métodos 
diagnóstico. 
 
É importante ressaltar que todo teste tem uma margem de erro. 
 
Teste Direto e Indireto: 
 
Métodos Diretos 
O método direto consiste na pesquisa do antígeno, ou seja, um “pedaço” de um 
determinado agente. 
 
Objetivo: Pesquisar presença ou ausência de um agente etiológico. 
 
Exemplos de Métodos Diretos: 
ü Coproparasitológico; 
ü Raspado Cutâneo; 
ü Cultura (fúngica, bacteriana); 
ü Citologia; 
ü Histopatológico; 
ü Imunohistoquímica; 
ü PCR (imunodiagnóstico); 
 
Obs.: Os métodos sorológicos se baseiam na interação do antígeno com o anticorpo. 
 Imunodiagnóstico são os principais métodos diagnósticos que utilizamos para 
monitorar uma população. 
Quando o sistema imunológico produz um anticorpo este anticorpo não é capaz de se 
ligar em qualquer antígeno, pois é uma resposta imune adaptativa, ou seja, é 
específica... logo um anticorpo é direcionado a um único antígeno. Caso contrário não 
precisaria de uma V10, uma V8. 
Sabendo disso eu uso a especificidade do anticorpo para procurar um agente. (interação 
antígeno x anticorpo correspondente) 
 
Exemplo: na estrutura dessa bactéria há vários antígenos que terá 
seu respectivo anticorpo. Essa resposta é tão especifica que para 
cada antígeno apresentado será produzido o seu anticorpo. 
 
Bactéria 
Nos testes diretos a gente tem a pesquisa do antígeno, porque se eu estou pesquisando o 
antígeno estou pesquisando parte deste agente. 
 
Como funciona na pratica? Tenho um kit e quero pesquisar um antígeno específico. 
Tem ou não tem o agente? 
Se eu não sei se tenho o agente eu preciso conhecer o outro lado, colocando no local o 
anticorpo para aquele agente. 
 
Como a reação funciona? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Posso ter no meu tubo de ensaio até outros antígenos, porém como o anticorpo é 
específico ele só vai se ligar no antígeno específico. 
 
Se eu estou verificando se um animal tem cinomose (representado como triângulo) e o 
parvovírus é a bolinha verde .... o anticorpo vai se ligar especificamente no antígeno 
correspondente. 
 
Como a gente enxerga isso? Esses testes imunológicos emitem um sinal físico que pode 
ser presença de uma linha, presença de uma cor, presença de aglutinação, algum sinal 
visual de que foi ligado ao antígeno e ai eu considero esse teste como positivo ou 
negativo. 
 
 
Exemplo de Métodos imunológicos Diretos: 
ü Elisa; (cinomose, parvovirose, FeLV) 
ü Imunofluorescência direta; (raiva) 
ü Imunocromatográfico; 
 
 
Em resumo: sempre que eu vou procurar o agente eu falo em método direto! 
 
 
 
Cinomose 
Y Y 
Y Y 
Y Y Y 
Amostra com Antígeno Amostra sem Antígeno 
Y 
Y Y 
Y Y Y 
z 
z 
Y Y Y 
Y Y Y 
 
Métodos Indiretos 
 
Eles vão pesquisar alterações decorrentes da presença desse agente, ou alterações 
decorrentes da passagem desse agente pelo organismo. 
 
Ex.: Uma produção de anticorpo é alteração decorrente da presença ou passagem de um 
agente, alterações em órgãos como inflamação, aumento, mudança coloração, etc. 
 
Sendo assim o método corpoparasitológico não pode ser um método indireto pois está 
pesquisando o agente, e não as alterações dele. 
 
Exemplo de Métodos Indiretos: 
ü Citologia (vejo alterações na célula); 
ü Urinálise; 
ü Histopatológico; 
ü Hemograma e Bioquímico; 
ü Ultrassom 
ü Raio X e Tomografia; 
ü Imunodiagnóstico; 
 
O imunodiagnóstico pode ser direto ou indireto, quando pesquiso anticorpo ele é um 
método indireto porque anticorpo é uma alteração deixada pelo agente. 
Se eu estou pesquisando o antígeno ele é direto. 
 
Método Indireto – Pesquisa do Anticorpo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O método me diz se na amostra o anticorpo correspondente está presente ou ausente. 
Numa amostra eu posso ter vários tipos de anticorpos, mas o que se ligará é o anticorpo 
correspondente. 
 
 
Exemplo de Métodos imunológicos Indiretos: 
ü Elisa; 
ü Imunofluorescência Indireta (RIFI); 
z 
z 
z 
z z 
z z 
Presença Ac Correspondente 
 + 
Ausência Ac Correspondente 
 - 
z 
z z
 
z 
z Y Y 
Y 
Y 
Y
 
Y 
Y Y 
ü Imunocromatográfico; 
 
Uma manifestação clínica, um método bioquímico não tem uma sensibilidade tão 
grande, por isso cada vez mais se pesquisam métodos mais sensíveis, específicos para 
melhorar o diagnóstico. 
 
O método sempre tem que ter 2 características: sensibilidade e especificidade. 
 
Sensibilidade e Especificidade de um Método Diagnóstico 
 
Quando usaria um ou outro? Se eu tenho um único indivíduo posso ir acumulando 
método e fazer um diagnóstico muito mais primoroso. Numa população, por questão de 
custos não posso fazer. 
 
Sensibilidade: Capacidade do método de determinar como positivas amostras 
provenientes de animais infectados. 
 
Na população quando estou pesquisando uma enfermidade eu tenho dois lados: a 
população infectada e a não infectada. 
A sensibilidade está de olho na população infectada, então a capacidade do método é de 
determinar como positiva amostras de indivíduos que tem o atributo pesquisado. 
 
Exemplo: vou padronizar um método diagnóstico que consiste na inoculação de 
camundongos. 
 
Veja abaixo uma caixinha com 10 camundongos (onde será padronizado um método) e 
inoculei com um agente, logo eles estarão infectados, portanto terei uma população 
100% infectada. 
 
Eu irei determinar qual o método de leitura do meu método: 
ü se o animal no dia seguinte morrer é porque minha 
amostra tinha o agente;ü se o animal no dia seguinte estiver vivo é porque minha 
amostra não tinha o agente; 
 
Aqui eu infectei, mas depois eu vou usar esse método 
diagnóstico na população e na população eu não sei quem vai 
estar infectado ou não, por isso eu preciso de um critério de 
interpretação. 
 
Em todo método diagnóstico se faz isso, usa amostra sabidamente positiva e 
sabidamente negativa para padronizar o meu método. 
 
Então no exemplo o critério, inoculei camundongo e estabeleci um critério. Se o 
camundongo sobreviver é negativo (na amostra do animal não tinha o agente) e se ele 
morrer ele é positivo (tinha o agente). 
 
Por exemplo, o diagnóstico de raiva é feito através de inoculação em camundongos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quantos animais foram positivo? 8 = 80% e negativo foram 2 = 20%. 
 
Se o resultado deu positivo é um dado verdadeiro! Logo posso falar que o resultado é 
um verdadeiro positivo. 
 
Se o resultado deu negativo mas o animal está infectado o resultado é falso, logo é um 
falso negativo. 
 
Quando eu tenho um falso negativo? (o animal está infectado mas o método me diz que 
não) 
 
Se o animal foi infectado ele vai desenvolver uma imunidade específica e vai produzir 
anticorpo. Quando é que numa pesquisa de anticorpo de uma animal infectado esse teste 
pode dar falso negativo? 
 
- Em causa de imunossupressão severa onde não consegue soroconverter; 
- Animais em exaustão onde não respondem mais; 
- Início de infecção; 
- Período de incubação; 
 
 
Cada método diagnóstico tem um limiar de detecção, ele precisa de uma quantidade 
mínima de anticorpo para enxergar se o animal é ou não positivo. 
 
Por exemplo, o meu Elisa tem um limiar X e enquanto não chegar ao mínimo da 
produção exigida o resultado será negativo, no caso um falso negativo. 
 
Um outro tipo de pesquisa seria a pesquisa de antígeno ou material genético. 
Quando a gente pode ter um falso negativo pra pesquisa de antígeno ? Quando o 
indivíduo já está infectado mas ainda não está eliminando (período pré patente que vai 
da infecção ao início da eliminação do agente). 
Leitura da caixa com 10 camundongos inoculados no dia 
seguinte: x 
 
x 
 x 
 x 
 
x 
 x 
 x 
 
x 
 
Critério de Leitura: vida ou morte 
 
 Vivo – Negativo = 2 
Morte – Positivo = 8 
Por exemplo, na FeLV o gato pode estar infectado pelo vírus, esse vírus estará com o 
genoma conectado ao genoma da célula hospedeira mas ainda não terá produção viral. 
O Elisa, por exemplo, pra FeLV pesquisa partículas virais, se essas células ainda não 
estiverem produzindo partículas virais teremos um resultado negativo. 
 
Amostras enviadas para o diagnóstico também podem dar problema. Exemplo: estou 
com um animal com suspeita de leishmaniose, de onde vou coletar material para 
amostra com a maior chance de encontrar o agente? Orgãos linfoides (baço, linfonodo, 
medula óssea) e muitas vezes mandam para diagnóstico sangue sendo que não é o lugar 
de predileção para o agente estar presente. 
Por isso é importante conhecer a patogenia da enfermidade. 
 
 
Sensibilidade e Especificidade de um Método Diagnóstico 
 
Sensibilidade 
 
Qual a utilidade de um teste altamente sensível? Vai ser usado numa emergência 
clínica, ou seja, enfermidades que são graves deixar de atender/tratar do que se entregar 
com tratamento sem diagnóstico. 
Exemplo: na erliquiose, é muito mais grave deixar de tratar um paciente do que tratar 
erroneamente um falso positivo. 
 
Nesse caso citado preciso de um teste altamente sensível para detectar o máximo de 
indivíduos que poderiam estar infectados. 
 
Uma outra situação importante seria para gente utilizar em teste de triagem (teste 
inicial) para verificar presença ou ausência de indivíduos doentes. 
 
O terceiro ponto é quando preciso manter animais sabidamente negativos. Um teste 
altamente sensível vai procurar naquela amostra o menor sinal do atributo a qual ele 
está procurando, seja um Ac, um Ag, um material genético. 
Quanto mais sensível o método menores concentrações do atributo ele consegue 
detectar e as vezes ele é tão programamado para pesquisar que se ele ver alguma 
semelhança com o atributo ele falará que é positivo, dando um falso positivo. 
 
Ex.: estou pesquisando Ac anti leishamania, a gente sabe que nessa pesquisa posso ter 
reação cruzada com animais que tiveram erliquiose porque as ligações do anticorpo são 
semelhantes, causando o que chamamos de ligação inespecífica, gerando um falso 
positivo. 
 
Se ele não achou o atributo na amostra posso acreditar no resultado porque ele é tão 
minucioso na pesquisa que se ele não achou é porque realmente não tem. 
 
Sendo assim nos testes altamente sensíveis acreditamos muito quando dá negativo. 
Já o resultado positivo podemos duvidar porque se o atributo for parecido ele se liga e 
da positivo. 
 
 
Eu uso o teste de triagem (normalmente é um teste inicial) onde eu vou detectar o 
máximo de positivos possíveis e os indivíduos que eram negativo provavelmente não 
tem infecção (comum usar para animais que são doadores de sangue). 
 
Para Brucelose no rebanho bovino usa bastante o teste de triagem, onde mantem só os 
animais negativos, os positivos verá se será feito uma contraprova. 
 
A sensibilidade está muito preocupada com a população infectada, a especificidade está 
preocupada com a outra parte da população. 
 
A especificidade também tem que ser padronizada, assim como a sensibilidade e só 
depois utilizar como um método diagnóstico. 
 
Especificidade 
 
É a capacidade do método de determinar como negativa amostras provenientes de 
animais sem a infecção. 
 
Continuando no método que estou padronizando, como ele constitui da inoculação eu 
preciso inocular esses animais, porém agora estou estudando animais sem infecção. Vou 
lá e inoculo uma outra caixa de camundongos com soro fisiológico, ou seja, esse 
camundongos estão livres de infecção. Eu coloco soro porque nas amostras 
provenientes de animais sem infecção eu também vou inocular. 
 
 
 
 São 10 animais inoculados com soro fisiológico, livres de 
infecção. Como é o mesmo método que eu estou padronizando 
o critério continua sendo o mesmo: 
Se o camundongo permanecer vivo ele é negativo e se ele 
morrer eu vou considerar a amostra como positiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No momento da leitura observou-se um camundongo morto e ai na minha leitura 
quantos eu considero como negativo? 9 = 90% e um eu vou considerar como positivo. 
 
Esses negativos é um dado verdadeiro porque o animal não tem infecção e o método me 
diz que são negativos, ou seja é um resultado verdadeiro negativo. 
 
Agora o animal que morreu, ele não tinha infecção e o método me disse que ele era 
positivo... neste caso temos um resultado falso positivo. 
 
O animal que morreu pode ser morrido por qualquer motivo e caracteriza um erro do 
teste. Todo teste está sujeito a isso, tanto para positivo quanto para negativo. 
Neste caso o animal não tinha infecção mas o método está dizendo que sim. 
 
Quando é que eu posso ter um falso positivo? 
- Memória imunológica;* 
- Vacinação (presença Ag e Ac vacinal); 
- Anticorpos maternos; 
- Reação inespecífica; 
 
* Na erliquiose o animal pode manter a produção de anticorpos circulantes até 34 meses 
após a cura. Tratei o animal, eliminei a erlichia mas pela memória imunológica ainda 
mantem anticorpos circulantes. 
 
Quando se usa vacina atenuada o microrganismo vai se multiplicar no organismo do 
animal, mas não é uma infecção só que o método não vai conseguir distinguir isso e 
poderá dar falso positivo. 
 
Uma outra causa de falso positivo pode ser por reação inespecífica, principalmente por 
pesquisa de anticorpo, ou seja, um animal onde pesquiso anticorpos anti leishmania e 
esse animal nunca teveleish mas já teve erliquiose, isso é uma reação inespecífica. 
 
Leitura da caixa com 10 camundongos inoculados no dia 
seguinte: 
Critério de Leitura: vida ou morte 
 
 
Vivo – Negativo = 9 VN 
Morte – Positivo = 1 FP 
X 
 
Anticorpo e antígeno é uma combinação como chave na fechadura, quando essa ligação 
é específica é como se eu tivesse usado a chave certa. Uma reação inespecífica seria 
como uma chave que até encaixa na fechadura mas não consegue abrir... o encaixe é 
parecido mas não é o mesmo. 
 
Reações inespecíficas podem acontecer muito quando tenho uma alta sensibilidade 
porque como ele detecta poucas quantidades de anticorpos pode acabar sendo 
inespecífico. 
 
Quando o método precisa de uma quantidade muito maior de anticorpos para determinar 
positividade raramente vai ser uma ligação inespecífica. 
As ligações inespecíficas não ocorrem em grandes quantidades. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na amostra 2 eu tenho uma quantidade maior, um teste muito sensível consegue 
detectar pequenas concentrações do anticorpo. 
 
Lembrando que os testes altamente sensíveis as vezes vê o que não existe, então tenho a 
cima a amostra X em que esses anticorpos não são os que estou pesquisando, são outros 
e ele acaba confundindo podendo dar um falso positivo. 
 
Quando o teste é altamente específico e neste caso estou falando em pesquisa de 
anticorpo, ele normalmente perde sensibilidade. Em imunodiagnóstico quando eu 
aumento a especificidade eu diminuo a sensibilidade e ao contrário também é real. 
 
Ou seja, num teste altamente específico para pesquisa de anticorpo, eu tenho que ter 
uma quantidade maior de anticorpo para que ele tenha certeza que aquela amostra é 
positiva. 
Y 
Y 
Y 
Y 
Y Y 
Y Y 
Y Y Y 
Y 
O teste altamente específico não consegue enxergar pequenas quantidade do atributo, 
porque pra ele pequenas quantidade pode dar falso positivo. 
Um teste altamente específico não consegue enxergar a amostra 1 e 2, para ele é como 
se o animal fosse negativo. Ele só vai determinar como positivo quando realmente for, 
quanto o atributo que ele estiver pesquisando for maior (amostra 3). 
 
Obs.: isso vale para teste imunológico, PCR é outra regra pois é a sequência genética 
que estará sendo pesquisada. O PCR é um método molecular que pode ser altamente 
específico e altamente sensível. 
 
Quando ele precisa de uma quantidade maior do atributo, ele está perdendo 
sensibilidade, sensibilidade seria pegar uma quantidade mínima... logo aumenta 
especificidade e diminui a sensibilidade. 
 
Num teste específico a gente acredita MUITO no resultado positivo! Porque ele só vai 
dar positivo quando a evidência for muito forte. 
O grande problema é no falso negativo. 
 
 
Em resumo: 
- Testes altamente sensíveis: problema com falso positivo; 
- Testes altamente específicos: problema com falso negativo; 
 
 
Títulos de Anticorpos 
 
Titulação de Anticorpos: Corresponde a maior diluição da amostra que o método é 
capaz de detectar a presença de anticorpo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Amostra 1 
1:40 
Y 
 
Y 
 
Y 
 
1:40 1:80 1:160 1:320 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Alguns métodos diagnósticos são qualitativos, eles liberam positivo ou negativo. 
Alguns métodos são quantitativos, eles liberam resultado em quantidade de anticorpos, 
isso é título. 
 
A titulação de anticorpos está me dando uma noção de quantidade de anticorpo. 
Isso é muito utilizado!!! 
 
O que é a diluição de um amostra? O quanto eu estou colocando de diluente. 
Exemplo: o que seria 1:40? 1:40 é a própria diluição da amostra, eu tenho uma parte 
dessa amostra (ex.: 1mL), para 40 (40 mL) de solução total (amostra + diluente). 
 
A própria diluição é o título, então acima temos uma parte de amostra + 39 de diluente 
ficando 1:40 de solução total. 
 
Na titulação fazemos várias diluições (vide imagens acima) 
Qual diluição é maior ? É a última (1:320) porque tenho muito mais diluente e muito 
menos amostra. E a tendência é que ocorra como na imagem: quanto mais diluída a 
amostra menos anticorpo terá nela. 
 
Na amostra 1 a maior diluição que conseguimos enxergar anticorpo é 1:40, então o 
título da amostra 1 é 1:40. 
 
Na amostra 2 a maior diluição que conseguimos enxergar anticorpo é 1:160, então o 
título da amostra 2 é 1:160. 
 
É exatamente assim que funciona uma titulação de anticorpos. 
 
Qual desses animais tem a maior quantidade de anticorpo? 
O da amostra 2 e quanto maior o título maior será a concentração de anticorpos num 
animal. 
 
Provavelmente qual desses animais (1 ou 2) poderia estar no estágio inicial da 
infecção? 
O animal 1 pois é o que tem a menor quantidade de anticorpos. 
 
 
Vamos pensar em um animal hipotético cuja a titulação deu 1:40. 
1:40 é uma titulação muito baixa e a gente corre o risco de não ser uma ligação real, 
Amostra 2 
 1:160 
Y 
 
Y 
 Y 
 
Y 
 Y
 
 Y
 
 
Y Y Y Y Y 
Y Y 
Y 
 
1:40 1:80 1:160 1:320 
Pode ser que esse animal seja um falso positivo. 
 
O que fazer para confirmar se essa ligação é inespecífica? 
Podemos utilizar um outro método para confirmar ou então eu posso refazer o teste 
depois de um período. Se esse animal realmente tiver infectado a tendência é que esse 
título aumente porque aumentará a quantidade de anticorpos. 
 
1:40 para leishmaniose, por exemplo, é uma titulação muito baixa para gente considerar 
esse animal como positivo para a doença. 
 
 
Quando utilizar um teste altamente específico ? 
Quando, por exemplo, o resultado do diagnóstico resultará na eutanásia do animal. 
Se eu utilizar um método altamente sensível para determinar a eutanásia do animal eu 
posso ter um falso positivo como consequência. 
 
Então como é uma característica dos testes altamente específicos acreditar muito no 
positivo eles serão usados em casos como no exemplo acima, ou em casos em que o 
tratamento têm efeitos colaterais muito fortes. 
 
No caso de suspeita de Leishmaniose eu vou optar por um teste altamente específico 
porque o tratamento é caro e que pode causar severas alterações renais/hepáticas. 
 
Outra utilização para o teste altamente específico é para confirmação. 
Ex.: num banco de sangue onde para triagem das bolsas foi utilizado um método 
altamente sensível (muito problema de falso positivo), para confirmação deve utilizar 
um método altamente específico. 
Se der positivo no primeiro e positivo no segundo está infectado. 
Se der positivo no primeiro e negativo no segundo ou eu considero esse indivíduo livre 
de infecção ou deixo de observação. 
 
 
Tem um outro ponto que pode interferir na especificidade e sensibilidade do método 
que é a prevalência da doença na população. 
Lembrando que prevalência mensura casos novos e antigos de morbidade, ou seja, 
frequência de doença na população. 
 
A prevalência e incidência pode interferir nos resultados do método mesmo ele sendo 
sensível ou específico. 
 
Uso de Métodos em Populações 
 
Quando uma população tem alta prevalência da doença, ou seja, a frequência de animais 
doentes nessa população é alta o melhor método a ser usado é o altamente sensível, 
porque quando a gente tem uma prevalência alta a tendência é que o método acerte 
muito mais resultados positivos. Dentre o total de resultados positivos que ele libera eu 
tenho um aumento nessa quantidade. Chamamos isso de valor preditivo positivo que é 
o acerto de resultados dentre os resultados positivos que esse método libera. 
 
Valor preditivo positivo: é a porcentagem de acertos do método em relação ao total de 
resultados positivos que ele libera. 
 
Valor preditivo negativo: é a porcentagem de acertos para negativo do total de 
resultados negativos que o método libera. 
 
Obs.: o método vai variar de região pra região, depaís pra país .... 
 
Numa prevalência baixa, se eu utilizar um método altamente sensível o erro de 
resultado é muito grande, então deve utilizar métodos de alta especificidade. 
 
Ou seja, numa população com prevalência de 80% eu vou usar o método de alta 
sensibilidade. E numa população com prevalência de 5% eu vou usar um método de alta 
especificidade. 
 
 
Em resumo: 
 
↑Prevalência de enfermidade: Utilizar método de alta sensibilidade; 
↓Prevalência de enfermidade: Utilizar método de alta especificidade; 
 
Perguntas: 
 
Na anemia infecciosa equina animais positivos devem ser eutanasiados. O que eu vou 
priorizar? Sensibilidade ou Especificidade? 
Resposta: Especificidade. 
 
 
Eu vou introduzir clamidiose em aves. Se eu introduzo uma ave com clamidiose no 
viveiro eu posso espalhar a doença para vários animais. Para introduzir de maneira 
segura o que eu vou priorizar? 
Resposta: Sensibilidade. 
 
 
 
Epidemiologia e Sanidade Animal – 15/03/2018 Professora Cristiene 
 
 
Programa Nacional de Erradicação de Brucelose e Tuberculose Animal 
 
Tuberculose Animal 
 
Enfermidade infecto-contagiosa crônica de caráter zoonótico. 
 
Não tem vacina e não trata bovino com tuberculose. 
O controle visa diminuir prevalência e atualmente a prevalência não é alta. 
Tende a ser alta no gado leiteiro e é veiculada por via aerógena. 
 
Escritório Internacional de Epizootias 
OIE 
Declaração obrigatória; 
Doenças dos bovinos; 
 
Doenças que têm importância socioeconômica e/ou para saúde pública e consequências 
significativas no comércio internacional de animais e seus produtos. 
 
Etiologia: 
Família Mycobacteriacea 
Gênero Mycobacterium. 
 
Espécie: 
M. bovis – Tuberculose Bovina. 
 
A tuberculose é uma doença crônica e raramente se vê um quadro agudo. Isso se dá pela 
própria resposta do organismo e comportamento da bactéria. 
O grande problema é que por ser uma doença crônica apresenta manifestação clinica 
tardiamente, porém no período de incubação (infecção até aparecimento dos sintomas) 
ele já disseminou para os contactantes. 
O programa propõe identificar o animal e eliminar do rebanho. 
Não tem vacina e não trata bovino com tuberculose porque esses animais não paga o 
tratamento (longo e caro) 
Em relação a tuberculose o programa diz que deve identificar a fonte e eliminar a 
mesma. 
 
A primeira parte do controle visa diminuir prevalência. 
Bovinos de leite tendem a ter maior incidência devido ao confinamento mas também 
pode acometer bovino de corte. 
 
É obrigatório a notificação a OIE 
 
Características: 
ü Parasita intracelular obrigatório; 
ü Bastante residente e sozinhos não se espalham pelo corpo; 
ü Crescimento lento; (por isso a doença é crônica) 
ü Bacilos curtos aeróbios; 
ü Imóveis; 
ü Álcool-ácido- resistentes (corado pela coloração de Ziehl Neelsen) 
 
Obs.: este corante é especial para bactérias que têm essa parede rica em lipídeos 
que são chamadas álcool-ácido-resistente. 
 
Importância Econômica: 
ü Morte; 
ü Queda de ganho de peso; 
ü Diminuição da produção de leite; 
ü Descarte precoce; 
ü Eliminação de animais de alto valor zootécnico; 
ü Condenação de carcaças; 
ü Perda de 10 a 25% da eficiência produtiva; 
ü Perda de credibilidade da propriedade; 
 
 O animal perde peso, perde massa muscular e como não consegue eliminar o bacilo ele 
precisa de recursos porque a resposta imunológica é contínua, o que faz ser uma doença 
debilitante levando o mesmo a morte. 
 
Saúde Pública 
 
Infecções humanas – 30 milhões de mortes. 
Grupos ocupacionais: trabalhadores de rebanhos infectados e trabalhadores de indústria 
da carne. 
 
É uma doença ocupacional, onde pessoas envolvidas no processo que trabalham com 
esses animais podem ser afetados. 
 
Epidemiologia 
Distribuição mundial com variação regional 
Brasil: 206 milhões de cabeças (2006) 
 
Infecção de 0,9% a 2,9% por animal. 
Rebanho 6,2 a 23,6% 
3,5 milhões de animais infectados; 
 
Suscetíveis: mamíferos domésticos, bovinos, humanos e selvagens. 
Reservatórios: animais domésticos doentes e animais silvestres. 
 
Esses mamíferos podem transmitir a doença mas tem uma importância epidemiológica 
menor do que os bovinos. 
 
Vias de transmissão: ar, alimento, água, comedouro, bebedouros e fômites 
contaminados. 
 
Vias de eliminação: secreções oronasais e como é uma bactéria muito resistente pode 
contaminar os fômites e ficar por muito tempo no ambiente e também pode ser 
transmitida pelo ar (facilita transmissão em rebanho de confinamento). 
 
Aquisição de animais Infectados: 
 
Manejo / Instalações inadequadas à Propagação! 
 
Comprar animais de propriedades que fazem controle, ou deixar animal de quarentena e 
testar os animais. 
 
Sobrevivência Mycobacterium bovis 
ü Instalações: 2 anos; 
ü Fezes: 2 anos; 
ü Água: 1 ano; 
ü Solo: 2 anos; 
ü Pastagens: 2 anos; 
ü Carcaça: 10 meses; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Modo de Transmissão: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É mais comum transmissão bovino bovino via aerógena ou pelo leite que infecta o 
bezerro sendo via entérica. 
 
Além disso eu posso ter contaminação de outros mamíferos por via entérica através do 
leite contaminado e eventualmente esses mamíferos podem transmitir pra outros 
bovinos. 
 
Desinfecção: 
O M. bovis é extremamente resistente aos desinfetantes. 
O agente precisa ficar em contato com o desinfetante no mínimo 3 horas. 
 
Desinfetantes: 
ü Fenol 5%; 
ü Formol 3%; 
ü Hipoclorito de Cálcio 5%; 
ü Hipoclorito de sódio 5%; 
 
Calor: 
 
No calor ele pode ser eliminado 
 
ü Autoclavação: 120ºC por 20 minutos; 
ü Pasteurização lenta: 65ºC por 30 minutos; 
ü Pasteurização rápida: 72 a 74º C por 15 a 20 segundos; 
ü Fervura; 
 
O principal órgão alvo é o pulmão, mas muitas vezes os granulomas podem estar 
espalhados pelo corpo inteiro do animal levando a um comprometimento maior da 
carcaça. 
 
A função do macrófago que está no tecido é fagocitar e destruir essa bactéria, processar 
antígeno e levar até os linfonodo regional para desencadear a resposta específica. Na 
tuberculose o grande problema é que o macrófago não consegue destruir todas essas 
bactérias e quando chega no linfonodo regional esse agente ainda está vivo e no 
linfonodo tem um foco secundário da infecção e pode ter um granuloma. É o próprio 
macrófago quem espalha essa bactéria pelo organismo uma vez que ela é imóvel. 
Podemos ter um granuloma localizado ou espalhado por diferentes órgãos. 
 
Esse granuloma vai ter a caseificação e o organismo começa a calcificar esse material 
caseoso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na imagem acima em vermelho é o mycobacterium, tudo que é amarelo é macrófago e 
tudo que é branco é linfócito. Como o macrófago não consegue destruir essa bactéria há 
ativação de imunidade específica e começa a mandar os linfócitos para o local. Esses 
linfócitos recrutam macrófagos e os potencializam, aumentando seu poder de 
destruição, de apresentar antígeno, etc. Mesmo assim muitas bactérias continuam 
viáveis levando o macrófago à morte e novos macrófagos são requeridos, ocorre a fusão 
de macrófagos (células gigantes). 
Nessa parte central começa produção de material amorfo (conteúdo caseoso) e o 
organismo constrói uma prisão viva através da constante recrutação de macrófago que 
Morrem e recrutam novas. 
O granuloma é dinâmico, está sempre sendo renovado. Quando o organismo começa a 
ficar extremamente debilitado esse isolamento para de existir e é ai que o animal 
começa a apresentar manifestações clínicas. 
 
 
 
Animal apresenta um emagrecimento progressivo que é típico de tuberculose. 
Também apresenta tosse e dificuldade respiratória e pode ocasionar alterações 
digestórias como diarreia e constipação. 
 
 
 Granuloma em bovino com 
tuberculose que é aquilo queenxergamos macroscopicamente 
 
O granuloma é exatamente o que 
vimos na ilustração anterior. 
 
 
 
 
 
 
Quando o animal chega nesse 
estado ele está tão debilitado que 
ele é negativo para o diagnóstico 
porque ele não responde mais e 
o diagnóstico é baseado na 
resposta imunológica. 
 
Isso indica uma fase bem 
avançada da doença. 
 
 
 
 
A base da resposta imunológica da tuberculose é essencialmente celular! Não tem uma 
resposta humoral importante. 
 
 
Diagnóstico 
 
O diagnóstico da tuberculose vai se basear na resposta imunológica celular do animal. 
 
Aplico o antígeno e observo a resposta desse animal. Se eu estou verificando uma 
alteração deixada pelo agente é um diagnóstico indireto. 
Para diagnóstico in vivo o diagnóstico utilizado será indireto. 
 
O método de diagnóstico é o que chamamos de tuberculina ou tuberculização. 
Que consiste na aplicação intradérmica de PPD 
 
O exame clínico não tem valor muito relevante. 
 
O PPD é o antígeno que vai verificar se esse animal já tem infecção ou se ele nunca viu 
aquele Ag. Antes. 
O teste tuberculino eu tenho 3 tipos: teste prega caudal, teste cervical simples e teste 
cervical comparado. 
 
Post mortem pode se fazer um diagnóstico direto para pesquisar o agente ou algum 
componente dele, como histopatológico, bacterioscópico para ver o agente na amostra 
ou ainda o diagnostico molecular para buscar material genético. 
 
Teste da Tuberculina 
 
Vejo uma alteração pela presença do agente. 
 
Vantagens: 
ü Diagnóstico alérgico; 
ü Alta eficiência dos testes padronizados; 
ü Consegue pegar infecções recentes; 
ü Fácil execução (simples); 
 
Somente veterinários credenciados podem fazer o teste da tuberculina. 
 
Desvantagens: 
ü Possibilidade de reações inespecíficas; (principalmente bact. Mesmo grupo) 
ü Ocorrência de animais anérgicos; (animais que não respondem mais) 
ü Exigência de intervalo mínimo entre testes; (3 a 4 meses)* 
ü Exigência de duas visitas à propriedade; 
 
* se não der esse espaço de tempo pode ocorrer um falso positivo 
 
Tuberculina: 
 
Composição: tubérculo-proteína oriunda do cultivo de M bovis AN₅ ou M. avium D₄ 
 
Apresentação: 
- PPD bovina: líquido incolor; 
- PPD aviária: líquido avermelhado; 
 
Esse PPD é um extrato purificado da bactéria. 
 
PPD bovino é utilizado nas 3 provas de tuberculina e o aviário só é utilizado na prova 
cervical comparada para verificar se não é reação cruzada em caso de resultado 
positivo. 
 
 
 
Tuberculina – Resultados Falsos 
 
Falsos Negativos: 
- Logo após o parto; 
- Puerpério; 
- Anergia; 
 
Falsos Positivos: 
- Animal infectado melo Mycobacterium aviarium (cama de frango) 
- Outros mycobacterium; 
- Infecção por Nocardia sp que dá uma reação cruzada; 
 
A seringa utilizada é padronizada e própria para aplicação. Tem seringa específica para 
o Mycobacterium avium e pelo Mycobacterium bovis, não pode confundir na hora de 
apicar porque tem inoculação errada e o teste dá errado. 
 
A aplicação é intradermica e a quantidade do conteúdo é padronizada. 
 
Tem um cutímetro para medir o tamanho do nódulo formado e um aparelho de barbear 
porque eles raspam o pelo para saber onde o antígeno aplicado na cervical foi 
inoculado. 
 
Teste da Prega da Caudal (TPC) 
É uma modalidade do teste da tuberculina. 
Só é feito em gado de corte!!!! 
 
Esse método só é utilizado o PPD bovino e é um método de triagem. 
 
Deve-se padronizar o lado da cauda que será inoculado. (6 a 10 cm base cauda) 
 
Leitura: 72 horas. 
Qualquer reação que apareça na prega da cauda considera o animal positivo. 
 
Interpretação: avaliação visual e palpação. 
ü Animal reagente: qualquer aumento na prega inoculada. 
ü Não reagente: ausência de qualquer reação no local da aplicação. 
 
 
O aumento do volume ocorre pelo mesmo motivo do granuloma. 
 
 
Por que forma o nódulo? 
Em vermelho é a 
tuberculina, amarelo 
macrófago e em azul os 
linfócitos. 
 
Se esse animal não tem 
memória ele vai ser 
fagocitado pelo macrófago 
e vai sensibilizar o animal, 
como é a primeira 
apresentação não vai ter 
uma resposta importante. 
O que intensifica a resposta 
imunológica é a memória. 
 
Se esse animal estiver infectado ele já tem memória, já tem linfócitos específicos e esses 
linfócitos migram para o local da inoculação e começam a recrutar macrófagos. 
 
 
 
Teste Cervical Simples (TCS) 
 
Também é um método de triagem 
Pode ser feito em gado de leite e gado de corte 
 
 
O local de inoculação é na tábua do pescoço ou na espinha da escápula. Deve raspar o 
local antes de inocular. 
 
Só é utilizado o PPD bovino de maneira intradérmica. 
 
Leitura: 72 horas. 
 
Interpretação: Ela é mais padronizada: mensura nódulo com cutímetro. 
ü 0 a 1,9 mm é negativo; 
ü 2,0 a 3,9 mm é indeterminado/inconclusivo; 
ü Maior do que 4,0 mm é reagente. 
 
∆B (mm) Sensibilidade Consistência Outras Alterações Interpretação 
0 a 1,9 - - - Negativo 
2,0 a 3,9 Pouca dor Endurecida Delimitada Inconclusivo 
2,0 a 3,9 Muita dor Macia Exsudato necrose Positivo 
> 4,0 - - - Positivo 
 
 
Normalmente os animais que são positivos na prova de triagem são descartados. Não se 
faz com frequência a prova comprovatória, porque se eu for esperar para repetir o 
exames (3-4 meses depois), se ele tiver infectado estará disseminando a doença. Sai 
mais barato descartar esse animal do que correr o risco de contaminar outros. 
 
 
Teste Cervical Comparativo (TCC) 
 
Teste confirmatório permitido em estabelecimento gado de leite e corte; 
Teste diagnóstico para rebanhos com ocorrência de reações inespecíficas; 
 
Utiliza tanto o PPD bovino quanto o aviarum 
 
Local de inoculação: ou na tábua do pescoço ou na escápula. 
 
Nesse caso é feito em 2 locais distintos, onde normalmente na parte mais anterior aplica 
o PPD aviarium e na posterior o PPD bovino numa distância médica estabelecida. 
 
A leitura também é feita após 72 horas. 
 
 ∆B Delta Bovino 
 ∆A Delta aviário 
 
 ∆B - ∆A x mm Interpretação 
∆B < 2,0 - Negativo 
∆B < ∆A < 0 Negativo 
∆B > ou = ∆A 0,0 a 1,9 Negativo 
∆B > ∆A 2,0 a 3,9 Inconclusivo 
∆B > ∆A > ou = 4,0 Positivo 
 
A mensuração é pela diferença das duas medidas: pego o tamanho da reação do PPD 
bovino e subtraio pela reação do PPD aviário. Só vai ser positivo o animal que 
apresentar nessa diferença > 4 mm. 
Do contrário ele continua inconclusivo. 
 
Para triagem posso usar Teste Cervical Simples ou Teste da Prega Caudal à se for 
positivo o sacrifício é o indicado. 
 
Animais com maiores valores zootécnicos posso fazer o teste para confirmar. 
Se for inconclusivo posso descartar ou fazer a prova cervical. 
 
Para confirmatório vou esperar de 3 a 4 meses para fazer comparativo cervical: 
Se der negativo o animal é liberado porque provavelmente foi uma reação cruzada. 
Se der inconclusivo de novo e não quiserem abater o animal ele tem mais uma chance 
 
Para essa propriedade ser certificada ela precisar ter 3 testes negativos (não precisa fazer 
o confirmatório pois ele é utilizado quando quero salvar o animal). 
 
 
Certificação de Propriedades Livres: 
- Todos os animais acima de 6 semanas devem ser testados; 
- Animais positivos devem ser descartados; 
- Após 3 testes negativos tem a certificação; 
- O último teste é acompanhando por um veterinário do serviço de saúde para 
evitar fraude; 
 
Há muitos casos de fraude devido o uso de dexametasona porém isso causa muito 
aborto. 
 
Uma vez que obtém a certificação todo ano o teste deve ser refeito. 
 
Deve-se preocupar muito com a compra de novos animais, sendo de preferência animais 
certificados. 
 
Na certificação não é necessárioo teste comparado, somente os de triagem. 
 
Se o primeiro der negativo preciso esperar para fazer o segundo. 
Se no segundo todo rebanho der negativo, depois de 6 a 8 meses faz o terceiro. 
Só ai a propriedade pode ter a certificação cuja vantagem é comercial 
 
 
O veterinário credenciado deve fazer um contrato dizendo que se tiver algum animal 
positivo ele irá notificar. 
 
 
Diagnóstico Direto: 
 
Não é utilizado in vivo; 
É utilizado para diagnóstico individual; 
 
O isolamento do mycobacterium é difícil e demorado!!! 
 
A utilidade do diagnóstico individual está ligada ao apoio ao programa – sistema de 
vigilância e a estudos epidemiológicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Epidemiologia e Sanidade Animal – 05/04/2018 Professora Cristiene 
 
Brucelose Bovina 
 
A brucelose é uma doença causada por uma bactéria do gênero Brucella que não é 
resistente no ambiente ( a bactéria que causa tuberculose é muito mais resistente). 
A brucelose depende muito das condições, onde o calor faz com que a sua viabilidade 
seja diminuída, no bovino é causada pela Brucella abortus que compromete 
especificamente o sistema reprodutivo gerando perdas, inclusive, econômicas. 
 
Ao se trabalhar com essa bactéria através de isolamento, laboratório, etc., é importante 
saber que trata-se de uma bactéria muito delicada chamada de coccobacillus ou bacillus 
curto pois quando se vê ora se enxerga coccus, ora bacillus. 
 
É uma bactéria fastidiosa com crescimento muito lento e para diagnostico não é fácil 
trabalhar com isolamento de brucella pela dificuldade de crescimento ou pela 
contaminação concomitante da amostra onde pode ser que cresça outro tipo de bactéria, 
dominando a amostra e comprometendo a mesma. 
 
Para isolamento de brucella se usa sangue, hemocultura. O grande problema é que não 
tem bacteremia constante, pode ser que colha o sangue e consiga isolar, mas pode ser 
que colha o sangue e não tenha crescimento algum. Não é um exame sensível e portanto 
não pode ser usado para população (custo, dificuldade de crescimento, demora, etc.) 
 
A Brucella abortus tem característica de colônia lisa e a importância dessa identificação 
de da 
 
Bactérias que crescem em colônias lisas tem LPS e tem antígeno O (cadeia O). 
Toda bactéria gram negativa tem LPS que é um lipídeo chamado de lipídeo A e as 
bactérias de colônias lisas além do lipídeo A tem a cadeia O que é um antígeno. 
Quando o animal se infecta com colônias lisas ele produz anticorpos anti-cadeia O e nós 
usamos isso no diagnóstico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Brucella Abortus 
Colônias Lisas 
Cadeia O 
Produção de Ac anti O 
Utilizado no Diagnóstico 
O diagnóstico de brucelose bovina é baseado na 
detecção deste anticorpo específico para cadeia O. 
 
As brucellas que têm cadeia rugosa não tem este 
antígeno, então se fizer um teste de diagnóstico para 
animais que são infectados por Brucella canis, 
Brucella ovis não vai dar negativo. 
Agora se animal estiver infectado por Brucella 
melitensis, Brucella suis pode dar positivo porque tem 
a cadeia O. 
 
A vacina da brucelose é feita com a brucella abortus 
colônia lisa onde tem antígeno O. Animais vacinados 
podem produzir anticorpos anti Ag. O 
 
 
 
Em laboratório foi desenvolvida uma cepa rugosa de brucella abortus (uma mutação que 
não acontece na natureza) para fazer a vacina chamada de RB51 (colônia rugosa) 
 
Se o animal receber essa vacina (RB51) não vai ter produção para o Antígeno O e 
portanto não pode ter problemas de falsos positivos. 
 
A principal porta de entrada da Brucella é através de mucosas orofaringe (conjuntiva, 
digestória, solução de continuidade da pele) – a mucosa vaginal não é o melhor local 
para crescimento da brucella porque o próprio pH local ajuda a inibir o crescimento. 
 
A primeira célula que chega para tentar combater é o neutrófilo que não consegue 
combater essa bactéria persistente e então chega o macrófago posteriormente. 
O macrófago faz fagocitose mas também não consegue eliminar porque a bactéria 
produz substâncias que inibem as enzimas que causariam a destruição. 
Portanto a bactéria impede essa interação e parasita o macrófago onde consegue se 
espalhar pelo organismo. 
 
O macrófago vai até o linfonodo e leva pro linfócito onde terá uma resposta mais forte, 
acionando a resposta adaptativa mas mesmo assim não consegue eliminar a brucella que 
persiste no organismo. Ou seja, é uma bactéria que não consegue se livrar no 
organismo. 
Quando trata o animal com atb nunca se tem o sucesso completo do tratamento, o 
animal sempre será portador. 
 
Em rebanho animais positivos para brucelose são eliminados porque sempre 
disseminarão a bactéria. 
 
Do linfonodo a bactéria começa a se disseminar para órgãos linfoides (baço, fígado, 
linfonodos supramamários) onde permanecerão para sempre. 
 
Enquanto o animal não entra na puberdade a Brucella se multiplica de maneira mais 
lenta porque não tem hormônios sexuais estimulando o crescimento da bactéria. 
A partir da maturidade sexual ganha importância de crescimento em gl. mamária, útero, 
testículos, articulações. 
 
Quando a vaca emprenha há produção de substancias (em especial eritritol) que 
estimula fortemente a multiplicação levando ao aborto nas primeiras gestações 
(normalmente no terço final da 1ª e 2ª gestação). A partir da 3ª gestação o animal 
continua eliminando porém para de abortar. 
 
Quando o macho entra na maturidade sexual há migração da bactéria para o testículo 
que gera orquite e regressão do epidídimo levando a infertilidade, porém antes de ficar 
infértil esse animal já eliminou muita brucella pelo sêmen. 
 
Via de eliminação: produto do aborto, secreções e/ou envoltórios fetais, etc. 
 
A vacina é com bactéria viva atenuada onde a virulência estará diminuída. Quando 
inocula uma vacina viva atenuada no animal a cepa vacinal se multiplica dentro do 
hospedeiro aumentando a resposta imunológica. 
Nós utilizamos a vacina com cepa B19 que produz anticorpos anti O. 
Para resolver o problema do diagnóstico criou-se por regra só vacinar VACAS e 
ANTES da puberdade (até os 8 meses de idade) porque a cepa vacinal da brucella vai se 
multiplicar pouco e conferir imunidade duradoura protegendo o animal contra a 
bactéria. 
Essa memoria do antígeno O decresce e vale lembrar que o antígeno O não tem 
relevância na proteção do animal e sim para o diagnóstico. 
 
Vacina Brucelose B19 – bezerras entre 3 e 8 meses de idade (programa Nacional) 
Não se faz antes dos 3 meses de idade devido imunidade passiva 
 
Depois dos 8 meses não se faz mais a vacina porque o animal vai produzir tanto 
anticorpo Anti O que perco o controle em relação a doença do território (reação 
cruzada). 
 
Cadeia Epidemiológica: 
 
Fonte de infecção – Bovinos e Bubalinos (centro de controle no Programa Nacional) 
 
Via de eliminação – produto do aborto, anexos fetais, leite, secreções vaginais, sêmen 
(inseminação artificial), fezes e urina. 
 
Via de Transmissão – água, pastagem e fômites contaminados, sêmen (congelado não 
mata a bactéria), leite e derivados crus, oral. 
 
Porta de Entrada – orofaringe, mucosas (conjuntiva, respiratória, genital), pele com 
solução de continuidade. 
 
Suscetíveis – todos os mamíferos domésticos e silvestres, principalmente o homem que 
se contamina principalmente por leite e derivados ou pela carne ou que trabalham muito 
próximo, veterinário que manipula animais, etc. 
 
No programa nacional visa nos primeiros 10 – 20 anos diminuir a prevalência para que 
ela fique muito baixa e depois desse período começa a falar em erradicação através de 
uma norma mais rígida para eliminar de fato. 
Atualmente o Brasil ainda está trabalhando com a diminuição de prevalência, onde 
primeiro está tentando diminuir os focos. 
O programa ainda é novo (cerca de 7 anos) no controle.No brasil é obrigatório a vacina e a monitorização de alguns animais mas a adesão da 
propriedade ao programa ainda é voluntária. 
Quando o Brasil entrar na fase de erradicação as normas se tornarão mais rígidas e 
adesão obrigatória. 
 
Estruturação do Programa: 
 
ü Eliminar animais infectados; 
ü Vacinação das bezerras com vacina B19; 
ü Monitorização dos animais, principalmente os destinados a reprodução; 
ü Controle de trânsito – GTA 
 
Obs.: pro veterinário emitir o GTA precisa fazer um curso e ser credenciado ao 
programa da defesa agropecuária. 
 
Não pode vacinar fêmeas acima de 8 meses, não pode vacinar macho porque pode ter a 
conversão levando a orquite, a vacinação é dada uma única vez e é condicionada ao 
médico veterinário credenciado. 
 
MUITO CUIDADO pois se houver inoculação acidental pode ocorrer a contaminação 
onde acaba contraindo a brucelose. 
Para realizar a vacinação todos os envolvidos devem passar por treinamento pois a 
CEPA é virulenta para o homem. 
 
A CEPA RB51 é reservada para situações onde há falha vacinal ou então locais onde o 
rebanho era livre, nunca vacinado e a Brucella acabou entrando (vacinação estratégica) 
 
Vacinação estratégica – Fêmeas abaixo de 8 meses é vacinada normalmente com a B19 
e acima de 8 meses vacinada com RB51 somente nesses casos onde a propriedade era 
livre e por algum motivo a brucella entrou. 
 
O diagnóstico é feito pela pesquisa de anticorpo. 
 
Teste de triagem: teste do antígeno acidificado tamponado (teste de aglutinação 
individual para o rebanho) – colhe sangue de todos os @ e faz a reação imunológica 
com o soro. 
Se for rebanho de leite da pra fazer esse teste no latão (teste do anel do leite – colhe uma 
quantidade de leite e pinga reagente, se tem Ac fica roxinho, se não tiver não terá 
reação), é um teste que tem uma sensibilidade considerável. 
 
Os animais positivos devem ser descartados ou fazer uma contraprova através do teste 
comprovatório – a segunda prova que é a confirmatória é a do 2mercaptoetanol e se for 
positivo de novo o animal deve ser descartado. 
 
Outra prova que pode ser feita é a fixação do complemento (somente por órgãos 
oficiais) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Epidemiologia e Sanidade Animal – 19/04/2018 Professora Cristiene 
 
Retroviroses 
 
São vírus RNA que precisam se modificar de RNA para DNA para conseguir comandar 
a célula. 
Retroviridaes são vírus RNA e envelopados logo são pouco resistentes ao ambiente. 
Qualquer desinfetante faz com que o vírus perca as espículas que tem papel 
fundamental na ligação do vírus na célula hospedeira. 
 
Para que os vírus comandem as células ele precisa juntar seu material genético dele com 
o da célula, ou seja, ele transforma o seu RNA para DNA para conseguir se juntar e é 
por isso que vírus RNA tem mais mutação. Para se multiplicar o vírus precisa 
obrigatoriamente entrar dentro de uma célula, e “convence”a célula a trabalhar ao seu 
favor. 
O vírus leva com ele a transcriptase reversa que transforma o RNA viral em DNA viral, 
também chamado de cDNA. (alguns exames de PCR conseguem detectar esse cDNA) 
 
Os lentivirus (vem de lento) infectam o animal mas não necessariamente começam a se 
replicar. O animal pode ser portador sem ter viremia porque o DNA viral incorpora ao 
DNA da célula e pode ficar quietinho, também pode deixar a célula se multiplicar com 
o fragmento viral mas a qualquer momento ele pode começar a se manifestar. Quando 
essa célula está quietinha é muito difícil do sistema imunológico conseguir detectar e o 
portador eliminar. 
É uma doença onde não consegue tratar o animal dependendo dos casos ou ele é 
eutanasiado ou isolado. 
 
Na FIV os gatos não são eutanasiados porém eles são isolados 
 
Anemia Infecciosa Equina 
 
É uma doença que acomete leucócitos (macrófagos e monócitos) e sistema 
hematopoiético. Tem tropismo por órgãos do sistema linfoide (boa parte dos vírus 
atacam o sistema de defesa), além de baço e linfonodo acaba atingindo o fígado e 
células endoteliais (parede dos vasos) levando a lesões vasculares. 
Todo vírus depois que usa uma célula causa a destruição da mesma então para vírus a 
resposta celular é importante porque interrompe a produção do vírus porém no caso da 
AIE tem uma resposta humoral muito grande que acaba atrapalhando. 
 
É um vírus envelopado e portanto menos resistente e extremamente sensível ao calor e 
detergentes. 
A limpeza de instrumentos contaminados é simples, basta desinfetante, detergente ou 
calor. 
 
Na AIE não se usa o IgM (anticorpos que o organismo produz quando entra em contato 
com algum tipo de invasor, ou seja, uma resposta aguda) para diagnóstico mas ele 
contribui para a formação de imunocomplexo. 
Quando fala em IgM é a primeira a ser produzida, é uma imunoglobulina de fase aguda 
que só é produzida no início da infecção. O IgG está muito associado em doença 
infecciosa que aumenta e como o animal não elimina o vírus ele está sempre sendo 
estimulado a produzir anticorpo, e ai ele continua subindo até chegar na fase que 
chamamos de platô, não tem mais como subir e estabiliza. Os imunocomplexos 
começam a ser formados porque tem uma alta concentração de anticorpos neste animal. 
Os imunocomplexos são redes onde o antígeno e anticorpo estão interligados, estes 
imunocomplexos podem ser tanto em relação ao vírus quanto para as hemácias. 
 
Os imunocomplexos podem causar lesão na parede de vasos sanguíneos ou em 
glomérulo renal. Muitas doenças infecciosas causam lesão renal pelo acúmulo desses 
imunocomplexos que são depositados na parede glomerular e o sistema imunológico 
entende que ali tem um agressor e começa a atacar. 
 
As imunoglobulinas começam as marcar hemácias e plaquetas que serão fagocitadas 
levando a quadros de anemia e trombocitopenia. 
 
A manifestação clinica varia de um animal para outro (de 05 dias até vários meses) 
Forma aguda: pode levar o animal a óbito rapidamente, o anima pode ter aumento 
considerável da temperatura e evolui para óbito. 
O animal tem uma anemia severa porque além da destruição ele não produz novas. 
Forma subaguda: acontece rapidamente, se manifesta em pouco tempo mas com uma 
intensidade menor. O animal apresenta febre moderada porém de forma continua. Isso 
acontece quando o animal sobrevive a forma aguda. 
Forma crônica: dura anos mas mesmo assim o animal apresenta episódios de febre. Se 
for animal jovem terá problema no desenvolvimento e a tendência é que o 
emagrecimento progressivo leve a caquexia. 
 
Diagnóstico diferencial de AIE: Babesiose equina. 
 
O diagnóstico só é fechado com a pesquisa dos anticorpos 
 
Cadeia Epidemiológica 
 
Fonte de infecção – Equideos 
 
Via de eliminação – sangue 
 
Via de Transmissão – vetores (mutucas e mosca do estábulo – Stomoxys calcitrans), 
agulhas, seringas, instrumentos cirúrgicos (sangue), pelo leite (não é principal forma) e 
transmissão vertical (não é frequente), sexual (ocasionalmente) 
 
Porta de Entrada – pela pele (vetores e agulhas) ou mucosas 
 
Suscetíveis – todos os equídeos 
 
Formas de Controle: No caso da mutuca não tem muito como controlar porém na 
mosca do estabulo tem porque ela se multiplica na cama do equino que fica dentro da 
baia, a decomposição dos dejetos favorecem a multiplicação, então a recomendação é 
fazer a limpeza da cama e a troca periódica da mesma. 
 
Como diminui plaquetas temos trombocitopenia e diminuição de hematócrito 
principalmente no período de febre que é quando tem a viremia. 
 
Diagnóstico: Pesquisa de anticorpo através da sorologia. 
O animal só pode ir pra evento, leilão, feira, transporte interestadual com o teste 
negativo (sem isso não consegue o GTA) 
O teste dura por pouco tempo, então periodicamente precisa ser refeito. 
 
Para solicitar o teste somente veterinário com credenciamento pode fazer. 
Para que não tenha a troca é necessárioque seja feita uma resenha através da marcação 
do animal e todas as características dele. Junto com a resenha vai a amostra de soro para 
teste. 
 
No Brasil é aceito o teste de elisa e imunodifusao em agarGel. 
Todas as doenças causadas por lentivirus é através da pesquisa de anticorpo porque esse 
vírus não está sendo produzido o tempo todo no animal. Como é uma doença que não 
tem cura a produção de anticorpos vai aumentando e o limiar de detecção fica alto. 
 
O teste de Elisa é mais sensível pois precisa de uma quantidade menor de anticorpo para 
detectar o animal infectado. A vantagem é porque por ser sensível detecta a doença de 
maneira mais precoce porém é mais caro e como desvantagem também temos falsos 
positivos . 
A imunodifusão é um exame mais específico, precisa de uma quantidade maior de 
anticorpos. Me da uma certeza muito mais confiável de resultados positivos. 
Ou seja, temos muito mais segurança quando nos da resultados positivos. 
 
Pode dar falso positivo porque o elisa é sensível e porque se for potro (até os 8 meses de 
vida) pode ter anticorpo materno circulante dando resultado positivo. 
Pela legislação o potro pode apresentar anticorpos até os 6 meses de idade, então nessa 
idade teria que ter um resultado mãe aos 4 meses. 
 
Controle: Fonte de infecção – determinar quem é o animal infectado (diagnóstico), 
normalmente não faz o diagnostico de todos os animais. 
Vias de transmissão – controle do vetor (limpeza baias, luzes repelentes), seringa e 
agulhas descartáveis, desinfecção dos instrumentos. 
Suscetíveis – eliminação dos positivos. 
 
Obs.: quando algum animal tem animal positivo a propriedade inteira é interditada 
(ninguem entra e ninguém sai), essa propriedade só será liberada após 2 testes 
consecutivos com TODOS os equinos e com TODOS os resultados negativos. 
Os testes são feitos com intervalo entre 30-60 dias. 
 
Quando a égua está prenhe e é identificada com a doença ela pode ser mantida enquanto 
o potro precisar dela e após ela é eutanasiada. 
No nascimento o potro é monitorado e o ideal é fazer uma coleta de sangue logo após 
nascer e fazer uma nova coleta após a amamentação. 
 
Na quarentena a mãe deve ficar longe dos demais animais no mínimo 40 metros e fica 
fazendo vigilância do potro. Quando ele der negativo (titulação for caindo) é evidência 
de que não está infectado e perto dos 4 meses ele é separado. 
A mãe é descartada e o animal continua em quarentena. Se ele der positivo também é 
descartado. 
 
 
Artrite Encefalite Caprina 
 
Também é um lentivirus muito semelhante ao que acontece na AIE. 
Não tem vacina para proteger os suscetíveis. 
Da mesma forma que na AIE tem desenvolvimento lento onde pode ter animais com 
infecção agua e animais assintomáticos que permanecem por um longo tempo 
assintomáticos. 
 
Manifestações: artrite – dificuldade de locomoção, encefalite, pneumonia, mastite ou 
mamite. 
Os animais jovens apresentam encefalite com maior frequência mas é muito comum ver 
animais com até 2 anos de idade sem nenhuma sintomatologia. 
 
O diagnóstico é fechado com o teste sorológico através da pesquisa de anticorpos 
 
Diagnóstico: imunodifusão em agar gel (principal método) e Elisa (muito caro) 
 
A principal forma de transmissão se da através da ingestão do colostro, logo, como 
controle pode utilizar banco de colostro. 
O cabrito não pode ficar com a mãe quando ela tiver infectada, não irá amamentar na 
mãe, pra este animal será oferecido o leite de outro animal. 
 
Outra forma de infecção é durante o parto (envoltórios fetais), evitar ao máximo que o 
animal tenha contato/ingira esses envoltórios. – se possível evitar o parto natural. 
 
É uma doença que não tem cura e os animais positivos devem ser isolados. 
Animais com alto valor genético podem ser separados/isolados completamente do 
restante do rebanho para tentar recuperar os óvulos ou uma cria para manter a genética. 
 
 
Uma vez que consegui uma cria desse animal com resultado negativo para a infecção o 
positivo pode ser descartado. 
 
No Brasil essa doença é muito frequente e em alguns rebanhos tem uma prevalência 
maior. Nesses rebanhos se trabalha com todos os cuidados mas não faz a eutanásia de 
todos os animais positivos (os com menor valor) 
Faz um controle isolando os positivos do negativos para diminuir a prevalência para só 
depois iniciar normas mais rígidas. 
 
Uma outra forma de controle é evitar o contato de caprinos com ovinos que têm 
retroviroses. A retrovirose de ovinos (maedi visna) não é muito frequente no Brasil, 
nem se compara com a CAE mas pode acontecer então por isso se evita o contato. 
 
 
 
 
 
Epidemiologia e Sanidade Animal – 26/04/2018 Professora Cristiene 
 
 
CONTROLE DE VETORES EM PEQUENOS E GRANDES ANIMAIS 
 
Vetores: 
 
Rhipicephalus sanguineus (principal carrapato no cão) 
Transmite: 
ü Ehrlichia canis 
ü Babesia canis 
ü Anaplasma platys 
ü Rangelia vitalli 
Deve ser feito o controle no animal e no ambiente, pois o cão é o responsável por 
espalhar o carrapato. Devemos fazer o controle no local onde o animal dorme e onde 
o animal permanece grande parte do tempo. Principalmente parede, pois o carrapato 
não fica no chão, somente desce para subir no cão para se alimentar e não tem relação 
com grama, somente Amblyomma. Quando um animal apresenta carrapato, significa 
que o ambiente está muito mais contaminado, pois 95% da infestação está no 
ambiente. 
Em gato não há infestação importante, consegue controlar apenas com a retirada 
manual. 
 
Amblyomma spp (carrapato no cão) 
 Transmite: 
ü Rangelia vitalii 
protozoário muito semelhante a babesia. 
Não é possível separar diferenças entre babesia e 
rangelia. A única diferença é que além de hemácias, 
ela parasita leucócitos e células do endotélio vascular. Podendo apresentar 
sangramento pelas orelhas, diarreia sanguinolenta, icterícia. 
 
ü Rickettsia (responsável pela febre maculosa). É uma zoonose!!! 
Cães de fazenda com acesso a pastagem, mata, litoral (resíduo de mata), animais de 
condomínio, grama. Tratar apenas o cão, pois o ambiente não depende do cão, usar 
produtos de longo período residual, a melhor forma de proteger o animal. 
 
 
 
 
Ctenocephalides felis felis (pulga de cão e gato) 
Transmite: 
ü Dipylidium caninum (verme achatado) 
É a principal tênia do cão e do gato (tênia são vermes 
cestodas) 
 
Controlar pulgas parar conseguir controlar a verminose, pois senão o animal fica se 
reinfectando. 
 
 
Moscas e mosquitos: 
Transmitem: 
ü Leishmania 
ü Dirofilaria immitis 
Moscas e mosquitos o controle está mais relacionado a produtos repelentes do que 
para matar o vetor (não quero que pique o animal). Só tem um grupo químico que tem 
ação repelente os piretróides. 
Controle dos vetores com produtos repelentes piretróides (deltametrina, permetrina e 
cipermetrina), são tóxicos para gatos, mas não em baixa concentração. 
 
Obs.: a seresto tem piretrina 
Pra gato não pode de jeito nenhum organofosforado e amitraz 
 
Situação: 
a. Cão adulto – Controle de carrapatos: 
i. Controle químico no animal 
ii. Controle químico no ambiente 
b. Gato adulto – Controle de pulgas 
i. Controle químico no animal 
ii. Controle mecânico no ambiente 
Citar: 
- Nome comercial 
- Princípios ativos 
- Ação em quais parasitas? 
- Período residual 
Respostas: 
A) 
No animal: 
• Nome comercial – Bravecto 
• Princípio – Fluralaner 
• Ação – carrapatos e pulgas 
• Período residual – 12 semanas 
No ambiente: 
• Nome comercial – Butox 
• Princípio ativo - Deltametrina 
• Ação – carrapatos, moscas, pulgas, larvas 
• Duração – 21 dias 
B) 
No animal: 
• Nome comercial – Comfortis 
• Princípio – Spinosad 
• Ação – 30 dias 
No ambiente: 
• Aspirador de pó 
 
Outrasrespostas: 
Produto advantage max 3 
Principio ativo: imidaclopidra 
Ação: pulga, carrapato e mosquitos 
Duração: 30 dias 
Pra ambiente não tem muita variação à piretróide e amitraz (dura menos em locais 
que bate muito sol) . Há alguns trabalhos que falam que a deltametrina é fraca para 
rhipicephalus (resistente). 
Sempre tirar os animais do local quando for passar o produto e só introduzir horas 
depois. Manter o ambiente interno bem ventilado. 
Se for Rhipicephalus aplicar o produto na parede, teto, espelhos de tomadas, etc. 
Bravecto: 
Principio ativo: fluralaner 
Vantagem: segurança, poder residual, carrapaticida de ultima geração. 
3 meses para rhipicephalus e para amblyoma 2 meses 
O bravecto tem ação para ácaro de sarna 
NexGard à afoxolaner 
Simparic à sarolaner 
Não pode ser utilizado em gatos. 
Seresto: 
Principio ativo – Imidacloprida (pulgas e piolhos) e flumetrina (carrapato) 
imidacloprida (não pega carrapato, ação somente em insetos) 
flumetrina que tem ação pro carrapato 
Advantage Max 3 
Principio ativo – imidacloprida (pulgas e piolhos) e permetrina 
Frontline 
Principio ativo: Fipronil 
Diminuição da eficácia porque o tempo de ação do produto vem caindo (45 dias 
dependendo da infestação e para carrapatos 15 dias) 
Ação restrita a pulga, carrapato e piolho. 
Produto seguro e com custo acessível – bom para populações (abrigos, ONGs) 
Fipronil spray é o único produto que pode usar em animais a partir de 2 dias de 
nascido. 
Leevre (coleira) 
Principio ativo: Deltametrina e Propoxur 
moléculas antigas que não são tão seguras, cheiro forte 
Vectra 3D 
Principio ativo: Dinotefuran (insetos), Piriproxifen (age em pulgas imaturas no 
ambiente) e Permetrina (piretroide – ação sobre carrapato) 
Age um mês para carrapato, 2 meses para pulgas 
Tem ação preventiva para dirofilariose e leishmaniose 
 
Revolution 
Principio ativo: Selamectina 
Tem ação sobre o verme redondo, inclusive o da dirofilariose 
também usado para tratamento de sarna (scabiose e de ouvido) 
auxilia no controle de carrapatos – ação fraca 15 dias 
ÓTIMO PARA GATOS devido o expectro de ação, segurança e forma de aplicação. 
Tambem porque gatos não tem problema com carrapato. 
 
Capstar 
Principio ativo: Nitempiram 
Otimo porque o pico de ação acontece em 15 minutos. 
Não tem ação contra carrapatos, mas tem ação para pulgas 
Usado para bicheira porque facilita a retirada 
 
Ação em cães: dura somente 24 horas e para gatos 72 horas. 
 
Para carrapato: não da pra fugir muito de organofosforado, piretroide, fipronil (15 
dias) e a selamectina (15 dias) 
Pata filhotes: fipronil spray e prognum 
 
Grupos químicos e princípios ativos utilizados no controle de vetores: 
Ø Organofosforados (doclorvos, triclorfon) 
 
Ø Piretróides (detametrina, permetrina, D - fenetrina) 
O Vectra 3D controla também pulga no ambiente, ele é um piretróide, passado 
no dorso do animal e se espalha e isso demora alguns dias para que se espalhe 
e tenha proteção completa no animal. 
 
Ø Carbamatos (Propoxur) 
 
Ø Amitraz - pode ser dado banho no animal, sendo diluído, banho é barato. Tomar 
cuidado com a pessoa que vai aplicar, pois pode se intoxicar, sempre usar luva e 
evitar que o animal ficar banhado no sol e água quente, o que pode acelerar a 
absorção e intoxicar. 
 
Ø Fipronil (Frontline) 
Tem redução da eficácia, o tempo de ação do produto vem decaindo. Quando 
foi lançado a duração era de 3 meses para pulga, hoje ele tem eficácia de até 
45 dias, dependendo da infestação (carrapato é de 15 dias). Funciona para 
pulga, carrapato e piolho. 
Por ser barato é muito utilizado em abrigos e ONGs. 
O fipronil tem um produto que é de bovinos e podemos utilizar dose extra-
bula, se causar algum efeito colateral é de responsabilidade do veterinário que 
prescreveu. Em ONGs eles usam por ser barato. Há em pipetas e spray, esse 
último é o único produto que pode ser usado em filhotes a partir de 2 dias de 
vida. Em forma de pipeta varia em torno de 4 a 5 semanas de vida. 
 
Ø Imidacloprida (seresto e advantage) – Só tem ação em pulgas e piolhos (seresto 
também protege de Leishmaniose). É um produto caro, pois ainda tem patente. 
Para carrapato tem que associar com um piretróide. A vantagem da coleira é que 
tem longa duração, porém, se algum outro animal a morder pode intoxicar. O 
uso de coleiras seria ideal para população. Utilizar program lufenuron e 
milbemicina também pode em filhotes a partir de 2 semanas de vida. 
 
Ø Nitempiram (capstar) 
O pico de ação acontece em 15 minutos, não age em carrapatos, só em pulgas 
e bicheira. 
 
Ø Lactonas macrocíclicas (selamectina, moxidectina, ivermectina) 
Tem ação contra endo e ectoparasitas (revolution), tem ação contra ácaro de 
sarna, principalmente sarna de ouvido, age sobre vermes redondos (não trata 
Dipylidium), mata a dirofilaria no animal. Bo m para gatos. A desvantagem da 
selamectina é que ela é ruim em relação ao carrapato (só 15 dias). 
 
Ø Fluralaner (Axolaner e Sarolaner) - tem ação em pulgas, carrapato, ácaro da 
sarna 
 
Protocolo para Gatos: 
 
Podemos usar o Revolution (selamectina), frontline (fipronil), seresto (imidacloprida), 
Vectra gatos, comfortis (spinosad) e advocate (imidacloprida). 
No ambiente podemos utilizar Amitraz, butox, Kalthrine 
 
Para gatos o custo é maior, devemos ter maior cuidado com intoxicações, nunca 
utilizar organofosforados e amitraz e cuidado com piretróide. 
 
Devemos sempre pensar para gatos na facilidade de aplicação, pois a maioria é difícil 
de administrar oral. O Seresto é mais fácil de ser utilizado, a vantagem é o longo poder 
residual e a segurança. O Comfortis tem boa ação contra pulgas e é palatável. 
O Vectra gatos tem ação em pulgas no animal e no ambiente, não deixa que as larvas 
se desenvolvam, tem administração tópica 
Fipronil para gatos é seguro e o custo não é tão ruim 
Se a pessoa não tiver dinheiro nenhum usa piretroide mas com cuidado (perigoso) ou 
imidacloprida (advantage) 
 
 
Protocolo para equinos: 
Para equinos temos 2 espécies de carrapatos, o Amblyomma que também pode 
infestar o cão, mas não usamos ele para controlar, mas o equino é utilizado, pois é um 
hospedeiro primário do carrapato. O outro é o Dermacentor que é o carrapato da 
orelha do equinoTodos os outros animais e os humanos são hospedeiros secundários. 
Tem biologias completamente diferente, então o controle também será diferente. 
 
 Amblyomma cajennense: 
*** Carrapato estrela*** 
Para equinos não tem nenhuma doença importante, tem importância no 
homem, pois transmite a febre maculosa, podendo levar a óbito. Quem 
frequenta locais que ocorre esse carrapato precisa tomar cuidado, então usar 
meias por fora da calça, galochas. O hospedeiro primário é o equino (também 
temos capivara, antas) e os hospedeiros secundários são os mamíferos e aves. 
O controle será feito apenas no equino, ele infesta o corpo inteiro do animal, 
diferentemente do dermacentor que infesta a orelha. Usamos o equino como 
isca porque não da pra jogar o medicamento na pastagem. 
Devemos pulverizar todo o corpo do animal, de preferência começa das partes 
baixas e vai para a parte dorsal, usamos piretróides, carbamatos e fosforados. 
Nunca usar amitraz em equinos, pois diminui a motilidade intestinal e gera 
cólica no animal. 
O período de aplicação é durante o outono/inverno, pois o ciclo dele é de 1 
ano, o carrapato adulto é muito resistente ao carrapaticida, então tratamos na 
época que tem mais larvas e ninfas. Realizamos por pelo menos 3 anos, no 1º 
realizar de abril a outubro, no 2º de maio a agosto e no 3º de abril a julho. 
Diminuímos o período porque esse tipo de tratamento visa diminuir a 
contaminação de pastagem, quando começamos a tratar já vai diminuindo essa 
população. 
 
 Dermacentor nitens 
*** carrapato da orelhado equino **** 
*** transmite babesiose no equino*** 
O hospedeiro vai ser o equino e o cão, a pulverização é feito apenas onde tem 
infestação (orelha, crina, base da cauda e narina), pode ser por pulverização ou 
há também produtos em pó. 
Os produtos para pulverização serão os mesmos (piretróides, carbamatos e 
fosforados). O período de aplicação é na primavera/verão, tratar quando mais 
tem infestação, então durante setembro a março, sendo que devemos tratar 
esse animal pelo menos quatro vezes ao ano (tratamento estratégico). 
O intervalo de aplicação obedece ao período de infestação do animal. No 
Amblyomma o carrapato fica em torno de 7 dias no animal, então o tratamento 
é uma vez por semana. No caso do Dermacentor, o carrapato fica 25 dias no 
animal, então o período de aplicação (entre as aplicações) é de intervalo de 24 
dias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Epidemiologia e Sanidade Animal – 03/05/2018 Professora Cristiene 
 
Gastroenterites em Pequenos Animais 
 
Causas diarreia em cães: verminose, infecciosa (parvo, cinomose), troca de alimentação, 
parasitose. 
 
Parasitoses Helmintos: 
ü Toxocara canis (int. delgado) 
ü Ancylostoma spp (int. delgado) 
ü Trichuris vulpis (int. grosso) à mais comum @ de ONG/Rua 
ü Dipylidium caninum (int. delgado) à verme achatado * 
 
*para verme achatado faz um protocolo diferente com Praziquantel 
 
Obs.: o praziquantel é um pouco mais caro e nem sempre é viável financeiramente 
numa população. 
 
Normalmente animais jovens que ainda estão começando a ter contato com os parasitas 
e começando a desenvolver imunidade adaptativa para controlar a verminose. 
A imunidade contra verme NUNCA será total, portanto ele corre o risco a vida toda de 
se contaminar com verme. O tempo de vermifugação depende se é população ou não e 
como é o estilo de vida desse animal. 
 
Formas de Infecção 
- Ingestão de ovos; - importante para o Toxocara e Trichuris 
- Ingestão de larvas; - importante para Ancylostoma 
- Percutânea; importante para Ancylostoma 
- Transmamária e Transplacentária – Toxocara canis e Ancylostoma caninum 
 
Esses ovos são extremamente resistentes no ambiente então a principal forma de 
diminuição de contaminação é a eliminação mecânica pois são resistentes aos 
desinfetantes. 
As larvas não são resistentes mas entram através da pele integra sem a necessidade de 
ser ingerida. 
Durante a gestação o feto do cão recebe uma carga parasitária muito grande da mãe que 
será transmitida no terço final da gestação. Como a mãe já tem imunidade o sistema 
imunológico não permite a instalação no intestino delgado, então ainda no estagio 
imaturo a larva migra para musculatura onde diminui seu metabolismo e fica latente. Se 
ela diminui o metabolismo o vermífugo não consegue afetar porque ele entra no 
metabolismo do verme para matar e nessa situação o metabolismo está muito baixo. 
No final da gestação pela variação hormonal essas larvas começam a serem reativadas e 
migram ativamente ate a placenta ultrapassando-a e infectando o feto. Partindo deste 
principio todos os cães nascem com verminose. Esse cão nasceu, as larvas não tem mais 
um placenta pra migrar então migram para a gl. mamária e por isso o filhote se infecta 
ao mamar. 
 
Essas duas vias de transmissão são as responsáveis pela vermifugacao precoce e por 
mais vezes. 
 
Manifestação clínica: o muco é muito frequente (resposta a um processo inflamatório 
intestinal, não é exclusivo da verminose), diarreia sanguinolenta (estrias de sangue pode 
ser encontrada em infecção Trichuris que é um verme hematófago do intestino grosso – 
não chega a causar anemia no animal ou por Ancylostoma que também é um verme 
hematófago que causa lesão na parede intestinal e também em parvovirose) 
O pelo do animal tende a ficar opaco e arrepiado. 
 
A proglote do Dipylidium tem motilidade própria e quando chega perto do ânus o 
animal tem um prurido onde acaba arrastando o ânus no chão. – diagnóstico pela 
visualização nas fezes 
 
Podemos ver a presença de verme no vômito ou nas fezes (toxocara) – típico de animal 
jovem 
 
O cão pode ficar barrigudo e magro por causa da verminose (típico de toxocara que é o 
maior verme cilíndrico). 
O animal pode apresentar uma hipoproteinemia (toxocara) porque o verme ingere o 
alimento que está digerido e pronto pra ser absorvido 
 
O ancylostoma pode causar anemia em cães de 15 dias de vida que se não for tratado 
pode levar a óbito. Esse verme tem dentões que agarra a mucosa do animal, não fica por 
muito tempo ali, depois ele solta e agarra outra parte da mucosa causando sangramento. 
 
Nos gatos o Trichuris não é tao frequente no Brasil. 
Ao invés toxocara canis temos o cati e o ancylostoma temos algumas espécies em 
intestino delgado. O dipylidium caninum tambem pode infectar o gato. 
 
A forma de infecção é a mesma que a do cão, mas a que chama atenção é que 
transmamária e transplacentária no gato é muito insignificante. 
 
O ancylostoma por ter larvas na musculatura pode acabar repovoando o intestino do 
animal periodicamente e por algum tempo. 
 
A larva migrans cutânea (bicho geográfico) acontece normalmente na praia pois o solo 
arenoso facilita o deslocamento da larva. Por ser uma infecção cutânea ela não consegue 
diferenciar qual hospedeiro está entrando e acidentalmente no homem mas não 
consegue progredir. 
No cão e gato chega no intestino delgado pela via sanguínea. 
No homem ela não penetra na corrente sanguínea, ela fica presa embaixo da pele. 
 
O diagnostico de Dipylidium é visual, se tiver dúvida pode pegar a proglote com um 
palitinho e colocar entre duas lâminas esmagando. Se for dipylidium nós vemos uma 
capsula repleta de ovos, se for matéria vegetal vemos a parede de tijolinho típica de 
célula vegetal. 
 
 
 
 
Proposta de Controle 
 
 Ascarídeos Ancilostomatídeos Tichuris Dipylidium 
Piperazina x 
Pirantel x x 
Febantel x x x 
Fenbendazole x x x 
Mebendazole x x x 
Nitroscanato x x x 
Milbemicina* x x x 
Niclosamida x 
Praziquantel x 
Disofenol x 
Selamectina* x x 
Emodepsina x x 
 
* age sobre microfilárias e preventivo da dirofilariose 
vermelho – doses múltiplas 
verde – dose única 
 
Para verminose em cão começa fazendo a prevenção pela vermifugação da cadela sem 
estar preocupada em diminuir a verminose da cabela adulta e sim do feto. (iniciar no 
terço final da gestação) nessa fase as larvas já estão entrando em atividade, migrando 
pra placenta e o vermífugo consegue agir. 
 
O fenbendazole é seguro para fêmea gestante 
 
Três semanas após o parto volta a vermifugar essa cadela devido a amamentação e 
nessa fase a carga parasitária é grande o que torna possível a eliminação de larvas pela 
gl. mamária. 
 
Para adultos o mínimo é vermifugar uma vez por ano porém deve levar em 
consideração como o animal vive (população, contato com outros animais, viaja muito, 
brinca em areia, parques, acesso a rua, etc) 
Nem sempre é necessário fazer a vermifugação a cada 3 meses, algumas pessoas fazem 
uma vez por ano ou 2x por ano. 
 
O filhote deve ser vermifugado precocemente (15 dias ele pode ter anemia). 
Sempre fazer com 2 semanas de vida, 4 semanas de vida e aos 3 meses de idade. 
 
Animais que têm um desafio maior (população, canil, etc) acabam tendo maior chance 
de infecção então incrementa a vermifugação à 2 semanas, 4 semanas, 8 semanas e 12 
semanas. 
 
Animais bem jovens é comum os vermífugos serem a base de mebendazol. Com um 
pouco mais de idade é comum a combinação de palmoato de pirantel e fenbendazol ou 
palmoato de pirantel e febantel. 
 
Obs.: o febantel no fígado é convertido em fenbendazol 
 
Se eu quiser melhorar a vermifugação ou ação contra giárdia posso aumentar as doses 
dos vermífugos 
 
Se a base for fenbendazol ou febantel eu quero na vermifugação também fazero 
tratamento da giárdia eu faço aplicação de 3 dias seguidos (uma única dose não tem 
ação para giárdia) 
 
Se a base for benzomidazol repete depois de 15 dias se não for a dose é única. 
 
O metronidazol para giárdia a médica de eficácia é de 80% então podemos ter casos 
onde não conseguimos eliminar 100% 
A vacina de giárdia para população não é recomendada porque não tem ação preventiva 
desejada. 
Para indivíduo é indicada, principalmente em pacientes com dificuldade de controlar 
giardíase porque melhora a imunidade auxiliando o tratamento. 
 
Para gatos as vermifugações são poucas, a infecção placentária e transmamária não são 
importantes, então inicio a vermifugação com 3 semanas de vida, como o desmame é 
um momento de stress faço uma segunda vermifugação e depois do desmame faz com 6 
meses onde vai se manter por toda vida do gato a cada 6 meses. 
 
Obs.: O palmoato de pirantel associado ao praziquantel é praticamente suficiente para 
tratar os principais helmintos (toxocara, ancylostoma e se associado ao praziquantel 
também pega dipylidium) 
 
A milbemicina e selamectina agem também em ectoparasitas e endoparasitas e não 
pegam vermes achatados, somente vermes redondos. 
 
O disofenol tem ação muito pequena (só pega ancylostoma) e a gente tem o nitroscanato 
(alguns vermífugos de humano são com essa base) tem ação 
para vermes redondos e achatados, porém não pega Trichuris. 
 
Profender é uma vermífugo que age apenas sobre vermes 
redondos e chatos. É o único vermífugo no mercado que tem 
praziquantel tópico, é interessante para vermifugar gatos. 
Base emodepsina (por isso é dose única) e Praziquantel. 
 
Protozoários 
 
Giardíase 
Quando o local tem problema de giardíase devemos considerar alguns pontos: 
- Fonte de água (principal fonte de infecção cistos na água) 
- Desinfecção do ambiente (ideal água em alta temperatura, amônia quaternária, 
fenóis e cresóis agem em cistos de giárdia) 
- Inunidade individual 
 
Tratamento: 
 
 
Em casos extremos é citado a associação do metronidazol e fenbendazol 
 
O giardcid é metronidazol (giárdia) e sulfa (isoospora) 
 
 
Tritrichomonas foetus 
 
Só acomete gatos e antigamente era visto como um protozoário de sistema genital de 
bovinos. 
 
ü habita o íleo terminal, ceco e cólon; 
ü pode resultar em uma diarreia crônica do intestino 
grosso. (diarreia persistente) 
ü gatos jovens; 
ü alta densidade animal. 
ü Em gatos severamente infectados, a área anal se 
torna marcadamente avermelhada e dolorosa, e as 
fezes podem ser passadas involuntariamente 
enquanto o animal dorme. 
 
É um parasita de intestino grosso de gatos e normalmente acomete animais jovens onde 
há uma grande densidade (não acomete todos os animais) 
 
 
Manifestações Clínicas: diarreia intestinal persistente, ânus avermelhado, 
incontinência fecal, prostração, apatia e perda de peso. 
 
Esse protozoário não é o primeiro que desconfia, normalmente vemos um histórico onde 
o animal já tratou ou já foi diagnosticado com outras coisas. Não se faz diagnostico de 
Tritrichomona para animais sem sintomatologia (difícil de encontrar no 
coproparasitológico) clinica porque corre o grande risco do resultado ser negativo. 
 
Diagnóstico: 
 
Exame direto – coloca numa lâmina solução fisiológica e passa o swab na parede do 
reto do gato, lava o swab na solução fisiológica e olha no microscópio. Vemos 
movimentação circular no próprio eixo e progressivo. 
 
Meio de cultura – colhe o swab e deixa em temperatura ambiente para examinar no dia 
seguinte ou até uns 4 dias depois – é específico para tritichomona (mais sensível porém 
mais caro do que o exame direto). Ideal que seja fezes do dia e sem refrigeração. 
 
PCR – é o mais sensível porém com o custo mais alto. Pega do DNA do parasita. 
 
 
 
Tratamento: 
Específico e a base de ronidazol, no qual não tem medicamento pronto (pouco 
consumo). 
Pode ter reações adversas (tremores, incoordenação) que apesar de ser descrita não é 
comum 
 
 
*diminuição do apetite, atividade mental alterada, tremor, fraqueza, ataxia, hiperestesia 
nesses casos suspender a medicação 
 
 
Cystoisospora/Isospora 
 
É muito comum em filhotes (não tem imunidade) 
Parasita intracelular que entra na célula e destrói. 
 
Quando o animal entra em contato com o parasita ele começa a desenvolver imunidade 
e quanto mais imunidade tiver menos isospora consegue entrar dentro da célula. 
 
Ele é espécie específica (o de gato não infecta cão e o de cão não infecta gato) 
diferentemente da giárdia que pode passar entre espécies. 
 
Infecta principalmente intestino delgado, diminui absorção porque destrói células 
intestinais levando a quadro de diarreia. A intensidade da diarreia tem a ver com a idade 
do animal e quantidade de oocistos ingeridos. 
 
A eliminação é sempre pelas fezes. 
 
Obs.: o único que quando é eliminado já pode infectar outros animais é a giárdia, todos 
os outros precisam ficar um tempo no ambiente para se tornar infectante. 
 
Tratamento: 
 
 
Pode usar tanto em cães quanto em gatos. A furazolidona só deve ser usado em casos 
onde o animal (cão ou gato) não tolera a sulfa, caso contrário não. 
 
 
Criptosporidiose 
 
Tem uma significância para pacientes imunossuprimidos. 
É uma zoonose importante (imunossuprimidos) e animais sadios podem ter 
cryptosporidium parvum. 
 
Patogenia: destruição das microvilodades à diminuição da área de absorção à 
diminui atividade enzimática à diminui absorção de nutrientes à diarreia e ma 
absorção 
 
Não é um parasita que causa problemas em indivíduos imunocompetentes. 
 
Sinais Clínicos: 
Diarreia aquosa amarelada 
Em imunocompetentes não faz nada – cura espontânea 7 a 14 dias 
Em imunocomprometidos – persistente pode debilitar ao ponto de causar óbito 
 
Tratamento: 
Não é fácil tratar esse protozoário porque o animal de reinfecta. 
O protozoário faz o ciclo dentro do animal e quando esta pronto para ser eliminado nas 
fezes se rompe no intestino e volta a infectar. 
 
 
 
O coproparasitológico para criptosporidiose tem que ser solicitado, não é comum fazer 
na rotina do exame convencional. 
Normalmente se usa azitromicina ou ainda tilosina parta tratar. 
 
Na prova ela cobra: 
Coloca caso clínico, pode ou não dar o parasita e sempre pede o controle do ambiente. 
Ela pode pedir uma tabela para colocar o medicamento de eleição para tratamento de 
cada situação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Epidemiologia e Sanidade Animal – 10/05/2018 Professora Cristiene 
 
Gastroenterites Virais – Cinomose 
 
ü Família Paramyxoviridae; 
ü Gênero: Morbillivirus 
ü Filamento único de RNA envolto em um nucleocapsídio de simetria helicoidal e 
circundado por envelope de lipoproteína derivada da membrana celular 
 
Como funciona a imunidade contra vírus? O sistema imunológico 
Uma das imunidades que o animal desenvolve para combater o vírus é a imunidade 
humoral, imunidade adquirida ou seja, a produção de anticorpos (IgM na fase aguda, 
IgG na fase crônica e IgA para proteção de mucosas) 
 
O anticorpo só consegue atuar no vírus quando ele está fora da célula, uma vez que ele 
penetra não tem mais ação, quando muito consegue marcar a célula que está 
infectada. 
Anticorpo não mata ninguém, ele neutraliza o vírus que perde a capacidade de entrar 
na célula e forma um imunocomplexo que favorece a fagocitose. 
Quanto mais anticorpo maior a capacidade de se ligar, por outro lado esse excesso de 
anticorpos pode não ser muito bom 
Outra imunidade que atua é a imunidade celular, como o vírus precisa entrar na célula 
para se replicar e a célula não consegue reestabelecer sua função. Entao o sistema 
imunológico (linfócito T citotóxico – CD8+) mata a célula para que ela pare de produzir 
vírus. 
O linfócito T citotóxico pegaa célula e mata. 
 
 
Imunidade humoral – produção de anticorpos que neutraliza o vírus 
 
Imunidade celular – linfócito T citotóxico que induz a morte da célula infectada. 
 
Tanto a defesa humoral quanto a celular são específicas para cada agente viral 
Ex.: animal com cinomose nunca vacinado, a primeira vez que entrar em contato a 
defesa terá que ser desenvolvida para depois conseguir entrar em prática. 
 
O sistema imunológico é individual onde cada animal reage de uma forma (genética, 
nutricional, idade, condições de stress, etc) 
 
O diagnostico de cinomose pode dar muita confusão quando não conhece a doença. 
Na cinomose 50% dos animais infectados são assintomáticos, ou seja, não 
desenvolvem a doença. 
 
O vírus da cinomose é um vírus envelopado (pouco resistente 
no ambiente) e é um RNA vírus (tende a ter mais mutação). 
O vírus da cinomose em específico não tende a mutar muito 
porém vemos várias cepas diferentes. 
Na superfície do envelope temos as hemaglutininas (proteínas) que são responsáveis 
Por fazer o vírus se ligar na célula hospedeira. Lembrando que os vírus tem tropismo 
por determinados tipos celulares. 
E a parte verde são as proteínas de fusão que é responsável por permitir que o vírus 
entre na célula. 
Em relação ao agente vemos variabilidade genética (cepas diferentes), há casos onde 
foi isolado vírus da cinomose no qual a cepa não estava contemplada na vacina. 
 
Agente – diferenças entre cepas circulantes 
1- Genética e antigênica; 
2- Patogenicidade; (cepas mais ou menos virulentas; 
3- Infecção de diferentes tecidos e células 
- Epiteliais; 
- Mesenquimais; 
- Neuroendócrinas; 
- Hematopoiéticas; 
Um dos primeiros alvos do vírus da cinomose são os órgãos linfoides (produção de 
anticorpos) 
 
Resistência: 
ü suscetível à luz ultravioleta, temperaturas de 50 a 60°C em 30 min; 
ü sensível ao calor e ao ressecamento; 
ü tecidos ou secreções sobrevive por pelo menos 1 h a 37°C e por 3 h a 20°C 
(temperatura ambiente); 
ü em climas quentes não persiste em canis após a retirada dos cães infectados; 
ü viabilidade maior em temperaturas frias; 
ü congelamento (0 a 4°C) sobrevive semanas; 
ü a –65°C o vírus é estável por pelo menos 7 anos. 
 
Por ser um vírus envelopado é suscetível ao éter, clorofórmio, solução diluída de 
formol (menos 0,5%), fenol (a 0,75%) e desinfetantes a base de amônia quaternária ( 
0,3%) 
 
Obs.: para ovos de helmintos – remoção mecânica, para ovos giárdia pode usar fenol e 
amônia quaternária e para cinomose pode usar fenol e amônia quaternária. 
 
Epidemiologia: 
A apresentação clínica depende da idade, virulência, tropismo e cepa infectante. 
 
A eliminação do vírus por secreções e excreções por até 90 dias. 
Ocorrência de 50% das infecções inaparentes 
 
Observação: quando o animal apresenta dermatite abdominal normalmente não 
evolui para a fase neurológica. 
Quando tem hipequeratose de focinho e coxim evolui para fase neurológica e isso está 
relacionado com a cepa. 
 
Alguns animais eliminam o vírus por algumas semanas e outros por muito tempo 
(alguns trabalhos dizem que até 4 meses) 
 
 
Conhecimento do Agente e da Patogenia da Enfermidade 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quando o vírus infecta o animal ele se replica em tecido linfoide causando 
imunossupressão diminuindo CD8+ contribuindo para continuar produzindo/liberando 
vírus. 
 
No leucograma vemos leucopenia e linfopenia. 
A invasão do vírus no SNC depende da viremia. 
Se viremia alta distribuído por todo corpo e no final chega no SNC 
Se tiver imunidade boa migra direto pelo SNC 
 
O vírus pode causar necrose no SNC e desmielização levando a paresia e quadros de 
encefalites agudas (animais jovens) e encefelites crônicas. Nos animais idosos pode 
causar alteração neurológica progressiva. 
 
Patogenia: 
Porta de Entrada aerossol (infecção do hospedeiro) 
Replicação viral – órgãos linfoides (tonsilas, linfonodos, timo, medula óssea, etc) 
 
O vírus é multissistemico, se distribui por todo organismo (respiratório, intestinal, 
cutâneo e nervoso) porem não tem um padrão. 
 
A viremia acontece principalmente em monócitos que podem carrear o vírus para 
diferentes órgãos e dentro dos órgãos os macrófagos que também podem disseminar 
o vírus pela corrente linfática. 
A viremia depende da resposta imunológica – primeiro vemos uma produção pobre de 
anticorpos e depois uma produção importante que leva uma neutralizacao maior. 
 
Imunidade inadequada à baixa produção de anticorpos à vírus de multiplica 
se o vírus esta na corrente sanguínea e não tenho anticorpo o @ não consegue 
controlar a disseminação. Temos uma infecção disseminada (respiratório, digestório, 
cutâneo) 
Animal normalmente nem chega na fase nervosa, morre antes 
(varia de 1 a 3 semanas para chegar ate a fase nervosa se conseguir sobreviver) 
 
Animal produziu um pouco de Ac. Continua com quadro multissistemico numa 
intensidade moderada de manifestação e pode ter infecção inaparente. 
O vírus tende a desaparecer da circulação e aparece no sistema respitario (animal 
desenvolve pneumonia), também pode evoluir pro SNC 
 
Se tem uma resposta imunológica adequada normalmente tem infecção inaparente 
(assintomático) porem continua eliminando o vírus. Pode ser que esse animal nunca 
apresente sintomatologia mas pode ser que ele neutraliza boa parte do vírus que esta 
no sistema circulatório, não tem uma viremia importante mas acaba afetando 
diretamente o SNC. 
 
 Consequência da infecção neonatal à problema no esmalte do dente (defeituoso, 
quebradiço) 
 
Manifestações Clínicas: 
Oftalmica – secreção purulenta 
Respiratória – secreção purulenta, tosse, pneumonia 
Hiperqueratose – focinho e coxins à evolui pra fase neurológica normalmente 
Neurológica – depende das células cerebrais que são infectadas 
Dermatite – pústulas abdominais à raramente evolui pra fase neurológica 
Fase intestinal – alterações consistência/coloração fezes e vômito 
Febre, leucopenia, anorexia e depressão. 
 
Quando chega na fase de viremia pode começar a se multiplicar dentro de hemácia e 
leucócito onde se observa os corpúsculos de infusão ou corpúsculos de Lentz (local 
onde vírus fez a replicação) 
Mais tardiamente é possível encontrar os corpúsculos de infusão nas células nervosas 
 
Diagnóstico: 
Posso pesquisar Ac. ou Ag. (testes imunológicos - rápidos) 
Diagnóstico molecular que pesquisa material genético viral (PCR) 
Alterações hemograma 
 
Pesquisa de Ac é útil quando o animal não tem vacina. Nesses casos eu pesquiso IgG 
por elisa, por exemplo, não é interessante se o animal for vacinado. 
 
Posso ter uma falso negativo quando o animal tem baixa produção de anticorpos e 
quando tem a viremia esses anticorpos não estão disponíveis porque estarão de 
ligando no vírus. 
Na fase aguda (2º - 9º dia após infecção) o vírus estará na corrente sanguínea e os Ac 
estão sendo produzidos e consumidos. Quando faço exame imunológico as vezes não 
consigo identificar. 
 
Pesquisa do Ag (pesquisa do vírus) – 
 
Depois da viremia é mais fácil encontrar o vírus da cinomose na urina e swab 
conjuntival à mandar sempre sangue, swab urina e conjuntiva 
 
Quando animal não tem sinal clinico e vejo a presença do antígeno pode ser infecção 
inaparente, convalescência, sempre ver o histórico porque pode ser vacinação recente. 
Ate 3 semanas pos vacinação tem replicação porque o vírus utilizado é vivo. 
 
Para fazer o PCR manda os 3 materiais, é um exame muito mais sensível porem pode 
ter o problema de animais vacinados (ate 4 semanas pos vacinação ainda detecta a 
cepa vacinal) 
Um resultado negativo dependera da fase da doença, quanto tempo ele foi infectado, 
ainda há vírus circulante? 
 
Tratamento: 
Suporte 
Atb para diminuir infecção bacteriana 2ndaria 
Fluidoterapia 
Complexo vitamínico B (ajudar naregulação do metabolismo de neurotransmissores) 
Vitamina A (proteção e regeneração de epitélio) 
Dexametasona 
Anticonvulsivante 
Soro hiperimune – grande quantidade de anticorpos (normalmente uma aplicação) 
Ribavirina – diminui a replicação viral 30mg/Kg VO – 15 dias 
 
 
 
 
Profilaxia 
 
ü Vacinas com antígeno não vivo 
As vacinas com vírus total da cinomose inativado não proporcionam 
imunidade suficiente para evitar a infecção após desafio por exposição 
ü Vacinas com vírus vivo modificado 
A vacinação com vacinas contendo VVM proporciona forte proteção contra a infecção 
pelo vírus da cinomose. 
Grande parte das vacinas no mercado são com vacinas vivas 
 
Precisa vacinar todo ano? Não! Pois a imunidade vacinal para cinomose a média é de 3 
anos. 
Existe um kit que verifica a concentração de anticorpos (parvo, cinomose e hepatite 
viral) o grande problema é que custa mais caro que a vacinação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Epidemiologia e Sanidade Animal – 07/06/2018 Professora Cristiene 
 
 
Raiva em Herbivoros 
 
Vírus: Lyssavirus 
RNA vírus e envelopado 
 
Transmissão 
- Mordedura, arranhadura e 
lambedura; 
- Manipulação de carcaças 
 
Período de incubação: é extremamente variável, desde dias até anos com uma media 
de 45 dias no homem. Em crianças, o período de incubação tende a ser menor que no 
indivíduo adulto. 
 
Espécie Período de Incubação 
Canina 40 a 120 dias 
Herbívora 25 a 90 dias 
Quiróptera Prolongado (sem informação) 
 
Período de Transmissibilidade: 
- 2 a 5 dias antes do aparecimento dos sinais clínicos e persiste durante toda 
evolução da doença; 
- A morte do animal acontece em média entre 5 a 7 dias após a apresentação 
dos sintomas; 
- 
Em cães e gatos quando afeta a parte neurológica o animal fica agressivo, para de 
deglutir (baba muito) o que favorece a sua propagação através da saliva. 
 
 
Diagnóstico Laboratorial: 
- Imunofluorescência direta; (teste imunológico – pesquisa o vírus) – Corpusculo 
de Negri 
- Prova biológica; (inoculação em cérebro de camundongos) 
- Detecção de anticorpos específicos; (não é para diagnóstico e sim para verificar 
a quantidade de anticorpos circulantes) 
- PCR (em humano, em animais não se usa muito) 
 
O vírus apresenta cepa diferente exemplo: raiva furiosa (animal agressivo) na raiva 
rural a principal característica é a paresia de membros e estende o pescoço. 
É uma cepa característica do morcego hematófago. 
Na raiva silvestre todos os mamíferos silvestres podem participar – recomendação que 
o veterinário tenha vacina antirrábica e anti-tetânica. 
 
Quando o vírus é inoculado ele fica um tempo replicando em células musculares e 
subepiteliais (tempo prolongado), depois que ele aumenta em quantidade vai para a 
junção neuromuscular e ai rapidamente chega no SNC onde tem tropismo. Quando 
mais perto for a mordida/inoculação da cabeça mais emergencial é o tratamento pos 
exposição. 
 
O vírus migra pelas células nervosas e depois vai para a glândula salivar, mesmo antes 
das manifestações o animal já pode transmitir a doença. 
 
Para enviar o material é necessário retirar o encéfalo do animal, não manda a cabeça 
inteira se for equino, somente cão, gato. O morcego deve ser enviado vivo. 
Não colocar no álcool e nem no formol. Enviar no gelo porque o vírus precisa estar vivo 
para realizar o diagnóstico. 
 
Amostras do Sistema Nervoso: 
- Encéfalo (córtex, cerebelo, tronco cerebral) 
- No caso dos equídeos deve ser coletado encéfalo e medula 
- Para ruminantes enviar encéfalo, cerebelo e tronco cerebral 
- Material deve ser resfriado e enviado ao local 
 
As amostras encaminhadas devem sempre ser encaminhadas ao laboratório com com 
formulário único de requisição de exames para síndrome neurológica 
 
 
 
 
Desinfecção Química de Instrumentais Cirúrgicos 
 
Após necropsia de um animal raivoso: 
- Hipoclorito 2%; 
- Formol 10%; 
- Glutaraldeído; 
 
- Creolina; 
- Etc; 
 
 
Para a desinfecção do ambiente: 
- Solução de formalina entre 0,25% e 0,90%; 
- Solução de bicarbonato de sódio a 1% e 2%; 
 
Os vírus são inativados de forma rápida e eficiente, mais ou menos 14 dias, se tiver sol 
também é inativado. 
 
Resistência: 
 
- PERDA DE SUA INFECCIOSIDADE À TEMPERATURA DE 80ºC OCORRE EM 2 
MINUTOS E À LUZ SOLAR, EM 14 DIAS, A 30ºC. 
- PODE MANTER SUA INFECCIOSIDADE POR PERÍODOS RELATIVAMENTE 
LONGOS, SENDO INATIVADO POR AUTÓLISE. 
- A PUTREFAÇÃO DESTRÓI O VÍRUS LENTAMENTE, EM CERCA DE 14 DIAS 
 
Profilaxia: 
- Vacinação; 
- Informação; 
- Vigilância epidemiológica; 
- Controle de morcegos; 
 
Em áreas endêmicas fazer durante o surto vacinação de todos os animais e depois 
revacina a cada 6 meses. 
 
Em áreas onde ocorre ocasionalmente faz a vacinação anual 
 
Em áreas livres da doença não se vacina mais 
 
Para herviboros vacina primeira exposição a partir dos 3 meses, depois faz reforço em 
30 dias e depois anual. 
 
Encefalopatia Espongiforme Bovina 
 
Objetivos: 
- Evitar a entrada do agente da encefalopatia espongiforme bovina (EEB) no 
território nacional aplicando medidas de controles para importação de animais, 
seus produtos e subprodutos, considerando o risco de EEB do país de origem 
ou procedência da mercadoria a ser importada. 
- Fiscalização dos estabelecimentos de criação de ruminantes e os de produção 
de alimentos para animais. 
- Estabelecimentos processadores de subprodutos de animais (graxarias), 
visando verificar a adoção de boas práticas de fabricação e do processamento 
destes produtos. 
Quem causa a doença: uma proteína infecciosa (modificada) chamada de Prion, essa 
proteína se instala no SNC causando degeneração. É uma doença crônica. 
 
 
Características Clínicas: 
- Nervosismo; 
- Reação exageradas estímulos externos; 
- Dificuldade de locomoção; 
 
Via de Transmissão: 
Por ingestão de alimentos contendo farinha de carne e ossos provenientes de carcaças 
infectadas pela proteína infectante. 
 
Obs.: período de incubação pode ser até 5 anos. 
Para evitar a entrada do agente se faz um controle rigoroso da alimentação do animal 
(os ruminantes não devem se alimentar com NADA de origem animal) 
 
Prevenção: 
Proibição da produção e comercialização e utilização de produtos destinados a 
alimentação de ruminantes que contenham: 
- Cama de aviário; 
- Os resíduos da criação de suínos; 
- Qualquer produto que contenha proteínas e gorduras de origem animal;