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* Cap. XI Sistema de Esgotamento Sanitário - Fossa Sépticas e Sumidouro - Prof. MSc. Giovana Carla * Introdução Segundo dados do PNAD/96, 49% do esgoto sanitário produzido no Brasil são coletados em rede pública, sendo que, destes, apenas 32% são tratados, perfazendo cerca de 16% do produzido. Diante destes números, aliado ao quadro epidemiológico e ao perfil sócio-econômico da comunidades brasileiras, constata-se a necessidade por sistemas simplificados de tratamento dos esgotos. * I - Fossas Sépticas e Sumidouros Defasagem na implantação dos serviços públicos → Soluções individuais para o destino do esgoto. O Objetivo é evitar a contaminação do solo. Fossa Séptica → solução técnica e econômica para dispor os esgotos de residências. * I -Fossas Sépticas e Sumidouros Histórico: As fossas sépticas evoluíram a partir das fossas Moura. Em 1860: Jean Louis Mouras construiu um tanque de alvenaria para o qual destinou os esgotos de uma habitação, em Vesoul, na França. 12 anos mais tarde → verificou-se a diminuição do teor de sólidos. * I - Fossas Sépticas e Sumidouros – conceitos e definições Conceito : é um dispositivo de tratamento de esgotos destinado a receber a contribuição de um ou mais domicílios, dando ao esgoto um grau de tratamento compatível com sua simplicidade e custo. São compostas: Câmaras de alvenaria de tijolos, concreto e pré-moldadas. Permitem a sedimentação dos sólidos e a retenção de material graxo transformando-os em sustâncias mais simples e estáveis. * 1.1 - Funcionamento das Fossas Sépticas e Sumidouros Retenção dos esgotos: 12 a 24 horas, dependendo das contribuições afluentes. Sedimentação e flotação – 60 a 70% dos sólidos em suspensão nos esgotos sedimentam → LODO; Óleos, graxas e gorduras → escuma Digestão anaeróbia → Decomposição do lodo e escuma por bactérias anaeróbias → resultam gases, líquidos, reduzindo o volume de sólidos. * 1.1 - Funcionamento das Fossas Sépticas e Sumidouros Figura 01 – Fossa Séptica em corte * 1.1 - Funcionamento das Fossas Sépticas e Sumidouros Figura 02 – Fossa Séptica em planta * 1.1 – Funcionamento das Fossas Sépticas e Sumidouros Figura 01 – Fotos de Fossa Séptica * 1.2 - Afluentes da Fossa Séptica São afluentes de uma fossa séptica: Despejos domésticos de cozinha, lavanderias domiciliares, lavatórios, vasos sanitários, bidês, banheiras, chuveiros, mictórios, ralos de pisos; É conveniente a instalação de dispositivos retentores de óleos, gorduras e graxas (caixas de gordura). As águas pluviais não devem ser lançadas na fossa séptica. * 1.3 – Dimensionamento de uma fossa séptica Volume útil total do tanque séptico: Consiste no espaço interno mínimo: Necessário ao correto funcionamento do tanque séptico, correspondente à somatória dos volumes destinados à digestão, decantação e armazenamento da escuma. É dado pela expressão (NBR 7229): V=1000+N(C x T+K x Lf) * 1.3 – Dimensionamento de uma fossa séptica V=1000+N(C x T+K x Lf); K (usual =100) Em que: V=Volume útil, em litros. N=número de pessoas ou unidades de contribuição. C=Contribuição unitária de despejos, em litros/ pessoa x dia. (ver tabela 1) T=Período de detenção, em dias. (ver Tabela 2) K= taxa de acumulação de lodo digerido em dias equivalente ao tempo de acumulação de lodo fresco (ver Tabela 3) Lf = contribuição de lodo fresco, em litro/pessoa x dia ou em litro/unidade x dia (ver tabela 1) * 1.3 – Dimensionamento de uma fossa séptica TABELA 1: Contribuição diária de esgoto(C), em L/pessoa.dia e de lodo fresco (Lf) por tipo de prédio e ocupante, em L/pessoa.dia. (Fonte NBR 7229) * 1.3 – Dimensionamento de uma fossa séptica TABELA 2: Período de detenção (T) dos despejos, por faixa de contribuição diária. Fonte: NBR-7229 * 1.3 – Dimensionamento de uma fossa séptica TABELA 3: Taxa de acumulação total de lodo digerido (K), em dias por intervalo entre limpezas e temperatura do mês mais frio. * 1.3 – Dimensionamento de uma fossa séptica Profundidade Útil: Medida entre o nível mínimo de saída do efluente e o nível da base do tanque. A profundidade útil mínima é > 1,00 m e nas fossas prismáticas retangulares L>2 B, em que L é o comprimento e B é a largura da fossa. Tabela 04 – Profundidade útil em função do volume útil (m³) do tanque séptico (Fonte NBR 7229). * 1.3 – Dimensionamento de uma fossa séptica Aberturas de inspeção: As aberturas de inspeção dos tanques sépticos devem ter número e disposição tais que permitam a remoção do lodo e da escuma acumulados, assim como a desobstrução dos dispositivos internos. - Todo tanque deve ter pelo menos uma abertura com a menor dimensão igual ou superior a 0,60m - Os tanques executados com lajes removíveis em segmentos não necessitam de aberturas de inspeção, desde que as peças removíveis que as substituam tenham área igual ou inferior a 0,50 m². * 1.3 – Dimensionamento de uma fossa séptica Inspeção: Verificação de Estanqueidade: -Antes de entrar em funcionamento, o tanque séptico deve ser submetido ao ensaio de estanqueidade, realizado após ele ter sido saturado por no mínimo 24 h. -A estanqueidade é medida pela variação do nível de água, após preenchimento, até a altura da geratriz inferior do tubo de saída, decorridas 12 h. Se a variação for superior a 3% da altura útil, a estanqueidade é insuficiente, devendo-se proceder à correção de trincas, fissuras e juntas. Após a correção, novo ensaio deve ser realizado. * 1.3 – Dimensionamento de uma fossa séptica Manutenção -O lodo e a escuma acumulados nos tanques devem ser removidos a intervalos equivalentes ao período de limpeza do projeto conforme Tabela 3 da norma NBR 7229/1993. * 1.4 – Eficiência das Fossas Sépticas A remoção de DBO varia de 30 a 60 %, conforme a ABNT. Os sólidos em suspensão podem ser removidos até 60 %. * II - SUMIDOUROS Os sumidouros ou poços absorventes recebem os efluentes das fossas sépticas. Têm, portanto vida útil longa, devido a facilidade de infiltração do líquido sem sólidos. Consiste em escavações cilíndricas tendo as paredes protegidas por pedras, tijolos, madeira, anéis de concreto perfurados. O material não deve ser rejuntado para facilitar a infiltração da água no solo. * II - SUMIDOUROS * II - SUMIDOUROS A cobertura dos sumidouros deverá ser de lajes de concreto armado, dotadas de abertura de inspeção (mínimo = 60 cm), com tampão de fechamento hermético. As dimensões do sumidouro serão determinadas em função das características de absorção do solo. O efluente da fossa pode ser lançado no sumidouro quando a taxa de absorção for igual ou superior a 40 L/m².dia. * II - SUMIDOUROS Há várias maneiras de se estimar a absorção do solo mas o mais aconselhável é recorrer ao ensaio de infiltração recomendado pela NBR 7279/93. O ensaio de infiltração tem a finalidade de fornecer o coeficiente de percolação do solo, que é indispensável para o dimensionamento dos sumidouros. Na impossibilidade de se realizar ensaio de infiltração, poderão ser adotados os valores da Tabela a seguir: * II - SUMIDOUROS Tabela 04 – Tempo de Penetração em Função do Tipo de Solo * II – SUMIDOUROS – Capacidade de Absorção do Solo Teste de percolação * Método para avaliar a capacidade de Absorção do Solo Executa-se uma vala de 30 cm de lado e 40 cm de profundidade. O fundo é preenchido com 10 cm de brita, restando 30 cm de altura livre. Enche-se a vala com 15 cm de água e anota-se o tempo gasto para que a água infitre e desça para o nível de 14 cm. Caso esse tempo seja menor que 3 mín. deve-se repetir esse teste por 5 cinco vezes. * Método para avaliar a capacidade de Absorção do Solo Adota-se o menor valor da taxa obtida nos cinco testes. A taxa de infiltração de água no solo pode ser estimada por um ábaco apresentado posteriormente. * II – SUMIDOUROS – Capacidade deAbsorção do Solo Gráfico 01 – Curva de capacidade de absorção do solo O intervalo de tempo verificado para o último teste deve ser adotado como o real. Com o tempo determinado poderá ser obtida na curva a capacidade de absorção em l/m²/dia. * II – SUMIDOUROS – Capacidade de Absorção do Solo Coeficiente de infiltração (Ci) Por definição, o coeficiente de infiltração representa o número de litros que 1 m² de área de infiltração do solo é capaz de absorver em um dia. O coeficiente (Ci) é fornecido pelo gráfico 01 (Slide anterior) ou pela seguinte fórmula: Ci = 490 / (t + 2,5) * II - SUMIDOUROS O diâmetro dos sumidouros varia de 1,5 a 1,8 m. A área do fundo não deve ser considerada pois o fundo logo ficará colmatado. A área das paredes necessárias para que haja a infiltração poderá ser determinada: A= Q/ Ci em que: Q = contribuição de esgotos ( litros/dia) = NC; Ci = coeficiente de infiltração, em litros/m²/dia * II - SUMIDOUROS O volume útil mínimo do sumidouro deverá ser igual ao volume da fossa contribuinte; A área lateral das paredes é dada por: AL = πDP, onde: P = profundidade necessária. Fundo do sumidouro: 3,0 m do lençol freático; Distância entre sumidouros e poços rasos = 20 m * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *