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Universidade Nove de Julho – UNINOVE
Rua Vergueiro, 235/249 – 11º andar
01504-001 – Liberdade – São Paulo, SP
Tel.: (11) 3385-9218 – editora@uninove.br
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mailto:editora@uninove.br
São Paulo
2016
Sérgio Tomaz Schettini 
Otavio Madi
(Organizadores)
Introdução à 
prática médica
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© 2016 UNINOVE
Todos os direitos reservados. A reprodução desta publicação, no todo ou em 
parte, constitui violação do copyright (Lei nº 9.610/98). Nenhuma parte desta 
publicação pode ser reproduzida por qualquer meio, sem a prévia autorização 
da UNINOVE.
Conselho Editorial: Eduardo Storópoli
Maria Cristina Barbosa Storópoli
Patricia Miranda Guimarães 
Cinthya Cosme Gutierrez Duran 
Cleber Pinto Camacho 
Renata Mahfuz Daud Gallotti 
Os conceitos emitidos neste livro são de inteira responsabilidade dos autores
Capa: Big Time Serviços Editoriais
Imagens Capa: Getty Images / Shutterstock
Ilustrações miolo: Francisco José
Fotografias miolo: gentilmente cedidas pelos autores
Editoração eletrônica: Big Time Serviços Editoriais
Revisão: Antonio Marcos Cavalheiro
Catalogação na Publicação (CIP)
Cristiane dos Santos Monteiro - CRB/8 7474
--------------------------------------------------------------------------------------------------
Introdução à prática médica / organizadores: Sérgio Tomaz
Schettini, Otávio Madi. — São Paulo : Universidade Nove de
Julho, UNINOVE, 2016.
140 p. il. (algumas color.)
ISBN: 978-85-89852-28-9 (e-book)
ISBN: 978-85-89852-29-6 (impresso)
1. Prática médica 2. Medicina – História I. Schetttini, Sérgio Tomaz II. 
Madi, Otávio III. Massabki, Paulo Sérgio. IV. Leme, Pedro Luiz Squillacci
 CDU 616 (035)
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Agradecimentos
À Faculdade de Medicina Universidade 
Nove de Julho, que pelas ações de sua diretoria 
e gestores nos proporciona as adequadas 
condições para o desenvolvimento de nosso 
trabalho, o ensino médico.
Aos alunos do primeiro semestre do curso 
médico, por representarem a motivação e a razão 
para o desenvolvimento deste livro.
A Editora UNINOVE, pela promoção da 
edição deste livro, por meio das ações de sua 
responsável, a bibliotecária Patricia Miranda 
Guimarães e suas prestimosas colaboradoras, 
Cristiane dos Santos Monteiro e Lúcia Satiê 
Watanabe, cujos esforços e iniciativas foram 
fundamentais para a consecução deste trabalho.
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Sumário
Prefácio ................................................................................................9
Apresentação ...................................................................................... 11
Capítulo 1
Uma breve história da Medicina.....................................................15
Sergio Tomaz Schettini
Capítulo 2
Introdução à Semiologia: noções básicas da estrutura de
uma história clínica ..........................................................................29
Sérgio Tomaz Schettini
Paulo Sérgio Massabki
Capítulo 3
Biossegurança e Controle de Infecção ............................................45
Otavio Madi
Capítulo 4
Procedimentos Diagnósticos Básicos – sinais vitais ......................55
Otavio Madi
Sergio Tomaz Schettini
Capítulo 5
Procedimentos terapêuticos básicos I: vias de administração
de medicamentos ..............................................................................79
Otavio Madi
Capítulo 6
Procedimentos terapêuticos básicos II: sondagem nasogástrica,
nasoenteral e vesical ..........................................................................87
Sérgio Tomaz Schettini
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Capítulo 7
Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE) ......................99
Otavio Madi
Capítulo 8
Atendimento inicial ao paciente politraumatizado .....................109
Otavio Madi
Capítulo 9
Ferimentos e queimaduras ............................................................ 115
Pedro Luiz Squilacci Leme
Capítulo 10
Como cuidar dos ferimentos: abordagem prática ......................125
Sergio Tomaz Schettini
Capítulo 11
Queimaduras na infância: prevenção e primeiras medidas .........135
Sérgio Tomaz Schettini
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Prefácio 9
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Prefácio
O cuidado centrado nas pessoas, sensível às necessidades de saú-
de da comunidade, representa o eixo central das atividades acadêmi-
cas práticas do Curso de Medicina da UNINOVE, desenvolvidas desde 
o primeiro semestre no amplo complexo laboratorial de Simulação 
Realística UNINOVE, em clínicas próprias, em unidades básicas de 
saúde e nos hospitais públicos conveniados, com supervisão contínua 
de excelentes professores. 
Este livro, Introdução à Prática Médica, aborda tópicos de extre-
ma relevância, contextualizando-os com o desenvolvimento das civili-
zações, conduzindo os leitores pelos caminhos traçados pela Medicina 
ao longo de sua história. A Semiologia tem lugar de destaque, apre-
sentando aos leitores a estrutura básica da história clínica. Os autores 
analisam de forma clara e objetiva grandes desafios da atualidade, des-
tacando-se as questões relacionadas à segurança do paciente, biossegu-
rança, comunicação efetiva, liderança e trabalho em equipe. 
Os autores, ao longo dos onze capítulos, inspiram alunos e profes-
sores com sua enorme dedicação ao Ensino e ao Exercício da Medicina, 
sempre buscando novos conhecimentos e abrindo novos horizontes.
 
Renata Mahfuz Daud Gallotti
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Apresentação 11
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Apresentação
O capítulo 1: “Uma breve história da Medicina” são relatados al-
gumas considerações na evolução do homem, desde a pré-história até 
o domínio pelo homem da agricultura e da criação de animais, possi-
bilitando a formação de aglomerados humanos e com essa convivên-
cia o surgimento de doenças. A evolução da medicina de uma época em 
que se atribuíam o aparecimento de doenças a interferências espiritu-
ais e da mesma forma o tratamento até cerca de 5 séculos a.C., quando 
Hipócrates estabeleceu que as doenças se originavam de desequilíbrio 
entre os humores humanos, criando os primeiros princípios a respeito 
da origem e tratamento das enfermidades, sendo considerado o pai da 
Medicina. São relacionados desde então vários períodos e principais au-
tores de vários aspectos da evolução da arte médica até os dias de hoje. 
No capítulo 2: “Introdução à Semiologia: noções básicas na es-
trutura de uma história clínica” são definidos semiótica e semiologia e 
as bases da estrutura da história clínica, que fazem parte do dia a dia do 
médico, sendo o mais importante e fundamental ponto de partida para 
a relação médico paciente e o estabelecimento de critérios para o diag-
nóstico, conduta e prognóstico do paciente. 
O capítulo 3: “Biossegurança e controle da Infecção” trata da 
abordagem atual da Organização Mundial de Saúde, que é a segurança 
do paciente, do profissional de saúde e do meio ambiente. Esse é o foco 
das instituições de saúde e dos órgãos que regulam a qualidade dos ser-
viços médicos prestados ao paciente. Esse capítulo se inicia, com um 
importante capítulo da História da Medicina que é o controle da infec-
ção, uma breve história do trabalho e do legado de um pioneiro, Ignaz 
Semmelweis, e a infecção puerperal e sua contribuição fundamental em 
relação à assepsia e antissepsia.
No capítulo 4: “ProcedimentosDiagnósticos Básicos: sinais vi-
tais” são definidos e enumerados os sinais vitais no exame físico e como 
mensurá-los. Dados de história de Harvey com sua descoberta da circu-
lação sanguínea, de Laënnec com a invenção do estetoscópio, Scipione 
Riva-Rocci com o esfigmomanômetro e alguns conceitos fisiológicos 
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da regulação da temperatura, pressão arterial. Ainda o passo a passo de 
como aferir a pressão arterial.
O capítulo 5: “Procedimentos terapêuticos básicos I: vias de admi-
nistração de medicamentos” trata de breve evolução histórica e da defi-
nição de medicamentos, efeitos e vias de administração. Ainda refere-se 
a medidas de segurança do paciente e do profissional de saúde relativos 
à administração de medicamentos e um “check list” para orientar a ad-
ministração de medicamentos por punção venosa periférica e injeção 
intramuscular, além de como determinar o melhor local de aplicação.
No capítulo 6: “Procedimentos terapêuticos básicos II: Sondagem 
nasogástrica, nasoenteral e vesical”, são apresentados alguns tipos de 
sonda, principais indicações da sondagem nasogástrica, nasoenteral e 
vesical além das técnicas dos diferentes tipos de sondagem. As técni-
cas de sondagem vesical no homem e na mulher, os cuidados de assep-
sia e antissepsia.
Capitulo 7: “Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE)”. 
São definidos urgência e emergência, quais os componentes da rede de 
urgência e emergência e a função de cada um deles. A importância dessa 
rede em face da alta morbidade e mortalidade desse tipo de ocorrência. 
Ainda tratamos nesse capítulo de como agir numa parada cardiorrespi-
ratória no atendimento de emergência pré-hospitalar.
Capitulo 8: “Atendimento inicial ao paciente politraumatizado”. 
Uma breve história de como nasceu o atendimento sistematizado e hie-
rarquizado do paciente politraumatizado. Como caracterizar as vítimas 
em relação à prioridade de atendimento numa situação de acidente com 
múltiplas vítimas. Quais os passos do ABCDE do trauma, o que repre-
senta e como agir em cada passo do atendimento.
Capítulo 9: “Ferimentos e Queimaduras”. Evolução histórica dos 
cuidados com ferimentos e queimaduras. As guerras como cenário de 
descobertas e aprendizado relativos à abordagem e tratamento dos fe-
rimentos e alguns aspectos dos cuidados dispensados. São referidos al-
Apresentação 13
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guns tipos de ferimentos e queimaduras e como devem ser realizados 
os cuidados pré-hospitalares.
Capítulo 10: “Como cuidar dos ferimentos: abordagem prática”. 
São abordados os vários tipos de ferimentos e os cuidados que devem 
ser dispensados em cada um deles. Cuidados práticos em ferimentos 
oculares, hemorragia nasal. Conduta clínico-cirúrgica dos ferimentos e 
prevenção da raiva e do tétano, doenças envolvidas em muitos acidentes.
Capítulo 11: “Queimaduras na infância: prevenção e primeiras 
medidas” é relevante por serem as crianças as maiores vítimas de 
acidentes domésticos e entre eles as queimaduras. Procuramos abordar 
medidas preventivas e primeiros cuidados nesse tipo de acidente comum 
e de graves consequências.
Este é um livro que tem por objetivo introduzir o leitor nas práticas 
médicas iniciais, fazendo referência a relatos da história médica que 
embasaram essas práticas e indicar práticas pré-hospitalares básicas e 
iniciais, estimulando um estudo mais profundo e abrangente.
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Uma breve história da Medicina 15
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Capítulo 1
Uma breve história da Medicina
Sergio Tomaz Schettini
Datam de cinco milhões de anos atrás as evidências do primeiro 
hominídeo, mais propriamente um homem macaco, o Australopitecus, 
cuja testa muito estreita denotava um volume cerebral muito menor ao 
do homem moderno.
Em um pequeno lapso de tempo de dois milhões de anos, ou seja, 
há três milhões de anos, surge outro ancestral, bem mais próximo à nos-
sa condição atual, o Homo erectus, já dotado de um cérebro grande, que 
se comunicava pela fala, deambulava apenas em atitude bípede, fazia 
fogo e também utensílios de pedra. Deste se originou nossa espécie, o 
Homo sapiens, há 150.000 anos.
Quem teria sido o primeiro ser humano a exercer a Medicina? 
Vejamos Luci, nossa mais antiga ancestral, que teria vivido na África 
há cerca de três milhões de anos. Ela talvez tenha procurado colocar 
sua mão, ou a de seu filho ou do companheiro, na água fria de um ria-
cho para amenizar a dor de uma queimadura; de uma ferida talvez tenha 
retirado um corpo estranho que tenha perfurado sua região plantar; ou 
com fios obtidos a partir das fibras um cipó tenha ajudado na retirada de 
um dente que causava dor alucinante em seu semelhante, além de, pro-
vavelmente, ter realizado muitos outros procedimentos dessa natureza. 
Sem dúvida, face ao nosso conhecimento atual, um Homo erectus, 
Luci, nascida há 3 milhões de anos, deve ter sido o primeiro ser huma-
no a praticar a Medicina, pois é da natureza humana ajudar ao próximo.
Lembremo-nos que, antes da existência dos seres humanos, as 
doenças já existiam, afetando seres pré-históricos da mesma forma 
que incidem hoje sobre os animais e o homem. Assim, os paleontó-
logos encontram evidências de artrites deformantes em fósseis do 
esqueleto de diversos grandes mamíferos não mais existentes, cica-
trização de fraturas (calos ósseos), sequelas de osteomielite compro-
vadas pela análise desses esqueletos, da mesma forma que raquitismo 
predominante nos fósseis ósseos encontrados nas regiões mais se-
tentrionais, dotadas de menor insolação, sabendo-se ser a irradiação 
solar essencial para a síntese de vitamina D e esta para o adequado 
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metabolismo do cálcio e do fósforo, permitindo assim o desenvol-
vimento normal dos ossos. 
Com o crescimento populacional, os Homo sapiens migraram 
da África para a parte mais quente na região meridional da Ásia e da 
Europa, sempre em busca de prover sua subsistência por meio de um 
estilo nômade de vida, até o final da era glacial, ou seja, há dez ou 
doze mil anos atrás, no final do período paleolítico ou período da pe-
dra lascada. 
Registros desse período, obtidos em dados de figuras rupestres, 
vistos em cavernas no sul da França, mostram curandeiros ou Xamãs 
dotados de máscaras, em rituais de dança, com a aparente finalidade 
terapêutica. 
Assim sobreviveu a espécie humana até o período neolítico, ou 
período da pedra polida (10.000 a 3.000 a.C), época em que então pas-
samos de colhedores a produtores e armazenadores dos alimentos, até 
o início da produção dos metais. 
A conquista do domínio da criação de animais e da agricultura 
possibilitou a formação das primeiras aglomerações humanas de forma 
fixa e com estrutura organizada, surgindo assim as primeiras cidades 
na Mesopotâmia, confluência dos rios Tigre e Eufrates no atual Iraque, 
3.000 anos a.C., ou seja, há 5.000 anos. 
Se esses assentamentos ou cidades proporcionavam melhores e 
mais estáveis condições de vida para as populações, facilitando sobre-
maneira a logística do abastecimento, passaram também a ser a causa 
da transmissão de doenças pela coexistência promíscua entre os seres 
humanos e deles mesmos com os animais.
A quase totalidade das doenças humanas teve sua origem as-
sim determinada, sejam elas transmitidas por vírus, riquétsias, bac-
térias, protozoários, vermes e insetos parasitários como pulgas e 
piolhos. Vale lembrar que a peste negra ou peste bubônica, na Idade 
Média, que dizimou parte significativa da população da Europa, era 
transmitida pela bactéria Pasteurella pestis por meio da picada da 
pulga dos ratos.
Esse fenômeno ocorre até os dias atuais, tendo sido noticiado 
que a presença e aumento significativo da população de pacas em lagosexistentes no centro da cidade de Campinas é comprovadamente a cau-
sa de ocorrência de casos de febre maculosa naquela importante cidade 
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do Estado de São Paulo, doença esta transmitida por uma riquétsia por 
meio de um carrapato que infecta as populações de pacas que consti-
tuem seu reservatório natural. O vetor carrapato pode transmitir a do-
ença a seres humanos com risco de mortalidade. 
A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) tem sua ori-
gem quase que certamente devida à promiscuidade entre homens e ma-
cacos no centro da África.
A presença de seres humanos próximo ao Rio Ebola, na África, 
tem transmitido esse vírus, que existe normalmente em morcegos, que 
constituem seu reservatório natural, aos macacos que vivem nas suas 
margens e a seres humanos, ameaçando transformar-se em epidemia 
mundial, uma Pandemia. 
A maior contribuição aos índices de mortalidade humana talvez 
até os dias atuais seja devido à contaminação da água por vermes, ví-
rus, protozoários e bactérias.
Parece evidente que um dos principais fatores para o extraordiná-
rio crescimento e prosperidade do império romano deveu-se, mais do 
que ao poder de suas legiões, à existência de um sistema sanitário ade-
quado até mesmo para os padrões atuais. 
Havia fornecimento pleno de água limpa às residências, por 
meio de aquedutos, muitos preservados até hoje, não só em Roma 
como por toda a Europa, que a traziam de até cerca de 80 km do 
centro urbano de Roma não só para as moradias como também para 
fontes públicas e salas de banho. A isso se somava um sistema de 
esgotos de boa qualidade, o qual pode ainda hoje ser observado tan-
to em Roma como em Éfeso e Pérgamo, situadas na atual Turquia, 
após Roma as maiores cidades do império, tendo Éfeso 250.000 ha-
bitantes na época. Sistema de esgotos datados entre o II e o I século 
a.C., com eliminação dos dejetos por meio da água corrente cana-
lizada por todo o sítio urbano para grandes fossas “cloaca magna”, 
podem ser vistos até os dias atuais em perfeito estado de preserva-
ção em ambas as cidades. 
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Figura 1 – Vasos sanitários em Éfeso 
A população que não dispunha 
na residência fazia usodessas 
instalações públicas
Fonte: Sergio Tomaz Schettini (acervo pessoal)
Seguramente, daí resultou uma população mais saudável, com 
menores índices de mortalidade infantil e de todos os tipos de doenças 
infecciosas e parasitárias.
Contudo, o aumento dessas populações por vezes não era suprido 
por adequado fornecimento dos alimentos e fundamentalmente as condi-
ções higiênicas sanitárias eram muito desfavoráveis, facilitando a trans-
missão de todos os tipos de doenças. Variáveis índices de desnutrição 
daí decorrentes, determinando diminuição da imunidade, aumentavam 
proporcionalmente a ocorrência das mais diferentes doenças e facili-
tavam a sua transmissibilidade. Some-se isso inexistência de sistema 
sanitário com fornecimento de água limpa e inexistência de rede de es-
gotos. Os sobreviventes adquirem anticorpos que conferem imunidade 
e os permite atingir a idade de procriação. Os portadores de mutações 
que lhes confeririam maior condição de adaptabilidade e consequente 
sobrevivência, gerando mais descendentes, formam a cadeia evolutiva 
Darwiniana que explica a adaptação e a sobrevivência das diferentes es-
pécies. O mesmo se verificou, é claro, com o Homo sapiens.
O início exato da Medicina se deu com os primeiros métodos 
efetivos de tratar as doenças. 
Ao surgirem, na Mesopotâmia, as primeiras civilizações que 
conseguiram documentar sua História pela escrita em placas de ar-
gila (escrita cuneiforme), a partir de 3.000 a.C. (Sumérios e a seguir 
Assírios e Babilônios), e em seguida no vale do rio Nilo a civilização 
Egípcia, tinha-se total desconhecimento das causas reais das doen-
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ças, prevalecendo absoluta a crença de que eram as mesmas devi-
das a divindades ou espíritos sobrenaturais que, por razões não bem 
justificadas, se voltavam contra o ser humano. Da mesma forma, o 
tratamento médico tinha por base rituais religiosos e medidas empí-
ricas praticadas por magos ou curandeiros. Não existia nenhum co-
nhecimento com base anatômica ou fisiológica. Apesar de existirem 
exemplos bem documentados de trepanações (abertura do crânio) 
de forma semelhante à hoje praticada em Neurocirurgia, eviden-
ciada pelo encontro de esqueletos nos quais é documentada a cica-
trização óssea ocorrida, parece certo que tais procedimentos foram 
praticados tendo por base suposições de natureza mágico-religiosa 
ou espiritual e tinha por finalidade afastar maus espíritos, em prová-
veis portadores de demências e quadros psicóticos das mais diversas 
naturezas. Tais trepanações foram também documentadas entre os 
povos pré-colombianos, seguramente pela mesma razão e com ob-
jetivos semelhantes.
Mas, a partir de observações empíricas, sabe-se que muitas práti-
cas eram realmente efetivas, algumas até hoje realizadas, como redução 
de fraturas, circuncisão, retiradas de tumores superficiais, cirurgias para 
cataratas, tendo o uso do álcool e do ópio e seus derivados para analge-
sia, numa busca primária de anestesia. Algumas plantas eram cultiva-
das, das quais eram feitas infusões com finalidade terapêutica.
Os povos mesopotâmicos e os egípcios acreditavam ser o fígado 
o centro da vida.
O paciente vinha à procura do sacerdote com um animal já aba-
tido. Este então retirava o fígado, no qual fazia a leitura que definiria a 
forma de tratamento a ser empregada.
Em 1750 a.C., surge na Babilônia o código de Hamurabi, primei-
ro código de leis da História, legislando inclusive sobre o exercício da 
Medicina e até no tocante à remuneração médica.
Os egípcios praticavam a mumificação de forma magistral e cor-
pos, muito bem preservados, submetidos recentemente à análise ana-
tomopatológica, revelam a presença em alguns deles, que vieram a 
falecer em idade não avançada, de sinais evidentes de arteriosclerose. 
Esse achado fala fortemente contra o estresse da vida moderna e mes-
mo uma alimentação não natural como principais fatores causais na gê-
nese desta afecção. 
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A civilização Grega, por volta de 750 a.C., traz a primeira con-
tribuição racional, não mágica, espiritual ou religiosa, à Medicina, atri-
buindo os males terrenos ao desequilíbrio ocorrido entre os constituintes 
fundamentais da matéria: o fogo, a terra, o ar e a água.
Anaximandro foi o primeiro a afirmar que o homem teria evolu-
ído a partir de animais inferiores. 
Na civilização grega surge no quinto século a.C. Hipócrates, aque-
le até hoje é considerado o pai da Medicina, contemporâneo de Sócrates 
e Platão, filósofos que estabeleceram leis racionais para o funcionamen-
to do Universo que fortemente o influenciaram.
Hipócrates foi autor de 52 textos médicos e 72 histórias clínicas, 
o que possibilitava e facilitava o aprendizado médico tendo por base o 
registro cumulativo da experiência do autor. 
Figura 2 – Hipócrates
Hipócrates racionalizou e estabeleceu as 
bases éticas da profissão. 
Fonte: Hippocratesrubens. Licensed under Public Domain via Wikimedia Commons: 
<http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Hippocrates_rubens.jpg#mediaviewer/
File:Hippocrates_rubens.jpg>
Seu juramento até hoje é praticado pelo médico ao se graduar.
Esse juramento é pleno de profundas e sólidas considerações éti-
cas, do mais alto grau de humanismo a ser exigido pelo futuro médico, 
enaltecendo a caridade, o sigilo, o respeito absoluto àquele que o pro-
cura, extensivo a sua família, a gratidão devida aos seus mestres e tam-
bém aos seus pais, compromisso na formação de futuros discípulos e 
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fundamentalmente à vida humana, mesmo antes do nascimento, opon-
do-se a qualquer prática abortiva.
Paralelamente à Medicina racional iniciada por Hipócrates exis-
tia a Medicina religiosa, sendo seu deus Asclépio, Esculápio para os ro-
manos, filho de Apolo. Existiam muitos templos de Asclépio, o maior 
deles naquele que se considera o primeiro Hospital feito pelo homem, 
em Pérgamo, na atual Turquia, antes grega e depois fazendo parte do 
império romano.
Figura 3 – Asclepius – Esculápio jovem
Cópia romana, de original grego 
de IV a.C.
Fonte: Projeto Vroma: <http://www.vroma.org/images/flood_images/aesclepius.jpg>
Esculápio era sempre representado portando um cajado, no qual 
se enrolava uma serpente, símbolo da cura pela capacidade de trocar 
periodicamente sua pele, assim renascendo. Permanece até hoje como 
o símbolo da Medicina. 
O caduceu, ou emblema de Hermes (Mercúrio), é um bastão em 
torno do qual se entrelaçam duas serpentes e cuja parte superior é ador-
nada com asas. É considerado erroneamente por alguns como símbolo da 
Medicina. O caduceu é reconhecido como símbolo do comércio e nego-
ciação, o que era Mercúrio para os romanos, a divindade do comércio, do 
lucro e dos viajantes, tendo por cargo as entregas do deus maior Júpiter.
A ilha de Kos, onde vivia Hipócrates, era muito próxima à cidade 
de Pérgamo. No Hospital de Esculápio, em Pérgamo, os tratamentos eram 
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empíricos, baseavam-se em banhos medicinais e no repouso em verdadei-
ro caráter ritualístico. Na entrada do Hospital havia uma triagem, sendo 
que pacientes graves e aqueles considerados incuráveis não eram aceitos.
Com a dominação romana, todo o conhecimento científico, como 
a matemática e a geometria desenvolvidas pelos gregos, e até mesmo a 
sua religião, foi aceito e incorporado pelos romanos, pouco tendo sido 
alterado nas bases da teoria de Hipócrates de que o funcionamento do 
corpo humano dependeria do equilíbrio de humores fundamentais. 
Herófilo, médico grego que viveu entre 335-280 a.C., foi o pri-
meiro indivíduo a praticar a dissecação em seres humanos, e segundo 
dados históricos, praticava em prisioneiros de guerra e escravos vi-
vos. Diversas estruturas anatômicas, como seios da Dura Mater, fo-
ram por ele descritas.
Outro médico romano de grande expressão foi Galeno de Pérgamo, 
que atuou no Hospital de Esculápio (aproximadamente 200 a.C.). 
Nascido grego, era médico do imperador e dos gladiadores, o que pode 
lhe ter proporcionado casualmente alguns conhecimentos anatômicos. 
Talvez este dado justifique o fato de ter Galeno acrescentado à te-
oria de Hipócrates a suposição de que as forças fundamentais ao funcio-
namento do corpo humano estavam localizadas no coração, no fígado e 
no cérebro. Descobriu que as artérias conduziam sangue e não ar, como 
até então se supunha, que os rins processavam a urina, a diferença en-
tre artérias e veias, supondo que o sangue circularia por impulso origi-
nado na própria parede da artéria.
Desde Sumérios, Assírios, Babilônios, Egípcios, Gregos e 
Romanos as dissecções anatômicas não eram praticadas por não ser 
admitida a violação do corpo após a morte, nenhuma correlação se es-
tabelecendo entre as alterações da anatomia normal e o funcionamento 
alterado de um determinado órgão. 
Mesmo os egípcios, que praticavam as técnicas de mumificação, 
o faziam com a visão exclusivamente religiosa, não advindo dessa prá-
tica qualquer conhecimento anatômico digno de registro.
Após a queda do império Romano, em 476 d.C., tem início o período 
da idade média onde a estagnação do conhecimento médico foi comple-
ta, fruto da total intolerância da igreja aos ensinamentos e à cultura grega, 
considerada extremamente permissiva e pecaminosa para o cristianismo, 
propiciando mesmo o desaparecimento da figura do médico nessa época.
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A prática médica passou a ser exercida pelos monges, que man-
tinham a visão hipocrática e galenista, também com muito sentimento 
caritativo, piedoso e assistencialista, mas sem a aquisição de qualquer 
evolução racional no conhecimento médico. Os detentores desses co-
nhecimentos, devido as perseguições religiosas, fogem para os confins 
do oriente, passando então o centro de difusão do conhecimento médi-
co aos povos árabes e aos persas, sendo o principal perpetuador da arte 
hipocrática Avicena, na antiga Pérsia, atual Irã. 
A maior tolerância e respeito dos muçulmanos aos judeus, em com-
paração aos cristãos de então, fez surgir grandes mestres da Medicina, 
como Maimônides, médico do sultão Saladino, então a maior autorida-
de entre os árabes. 
Foram principalmente os judeus, já um povo disperso multina-
cionalmente, que traduziram a grande maioria do conhecimento grego 
para o árabe e posteriormente deste para o Latim.
Desta forma, quando nos séculos VII e VIII da nossa era os ára-
bes ocupam grande parte do continente europeu, acrescentam grande 
conhecimento à farmacologia até então existente, e surgem as primei-
ras boticas, primórdios das atuais farmácias. Seus principais luminares 
foram Avicena e Maimônides, já referidos.
Avicena não se dedica, no entanto, de forma prioritária à prática 
da cirurgia, sendo Abdulcasis (AbulQasim Al Zaharawi) considerado 
o primeiro cirurgião do mundo islâmico. Nascido em 936, em Medina, 
na atual Espanha, na Província de Andaluzia, era conhecido como O 
Andaluz. Publicou aquele considerado o primeiro grande tratado de ci-
rurgia, o“Kitàb al-Tasrìf” – “A prática e o Método”, abordando a of-
talmologia, a odontologia, tratamento das hérnias, a retirada de cálculos 
urinários, a obstetrícia e um amplo tratado de traumatologia. 
Nos séculos X e XI, surgem as primeiras faculdades de Medicina, 
junto a conventos, sendo a primeira a de Salerno na Itália, seguida pela 
de Montpelier, na França, e logo após as de Bologna, Pádua e Paris.
O renascimento se inicia com o objetivo de retomar os princípios 
cultuados pelos gregos em seu esplendor do conhecimento científico, 
assim como das mais diversas manifestações artísticas. Tem seu início 
marcado pela queda de Constantinopla, que ganhou a denominação de 
Istambul em 1453. Outros fatores então presentes, como o surgimen-
to da imprensa após a invenção de Gutemberg e a reforma religiosa de 
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Martinho Lutero, propiciaram maior tolerância religiosa e a admissão 
das dissecções e evolução do conhecimento anatômico. 
Sua coroação se deu no ano de 1543 com a notável publicação de 
“De Humani Corporis Fabrica Libri Septem”, por Andreas Vesalius, 
belga, professor da Universidade de Pádua, aquele que é considerado o 
primeiro Tratado de Anatomia. 
Os grandes pensadores Galileu, Bacon e Descartes estabelecem as 
bases até hoje incontestáveis do Método Científico, princípio condutor 
e fundamental da ciência desde então, estabelecendo que a verdade só 
pode ser estabelecida pela análise sistemática e estatística das observa-
ções objetivas ou de experimentação laboratorial.
A partir da prática das dissecções anatômicas, inicia-se verdadei-
ra revolução no conhecimento médico. 
No século XVII foi introduzido o microscópio por Robert Hooke 
(1635-1703), em Londres, e por Antoni van Leeuwenhoek (1632-1723), 
na Holanda, este apresentando minuciosa descrição das hemácias, dos 
espermatozoides e outros microrganismos. Antoni van Leeuwenhoek é 
considerado o descobridor dos microrganismos.
No século XVII (1628), William Harvey publica “De Motu 
Cordis”, a descoberta da circulação sanguínea, cujo conhecimento é 
completado por Marcello Malpighi (1628-1694) no mesmo século XVII, 
que fecha o enigma ao descrever a microcirculação.
No século XVIII, GiovanniBaptista Morgagni publica, em 1763, “De 
Sedibus et Causes Morburum per anatomes indagatem”, localização e cau-
sas das doenças, sendo assim considerado o pai da Anatomia Patológica, 
sepultando de vez a teoria Hipocrática do desequilíbrio dos humores. Essa 
obra, baseada na dissecção sistemática de cadáveres, relaciona a causa da 
morte às alterações verificadas em seus órgãos e é considerada a obra mãe 
da Patologia. Segue-se rápida evolução no conhecimento clínico, mas a 
evolução da cirurgia só se iniciaria com o controle da dor e da infecção.
No século XIX, Carl Von Rokitansky (1804-1878) estabelece de-
finitivamente a Patologia como a ciência que avalia macro e micros-
copicamente as alterações de cada órgão, definindo assim, de forma 
precisa, cada doença ou entidade nosológica. Teria supervisionado cer-
ca de 70.000 autópsias e realizado pessoalmente 30.000 destas. 
Até o século XIII, as epidemias de varíola matavam de 20% a 
40% dos pacientes, era a causa da perda da visão em 2/3 dos cegos de 
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Londres e um terço de seus habitantes apresentavam horríveis cicatri-
zes secundárias, predominantemente no rosto. 
Edward Jenner (1749-1823), no século XVIII, aprendiz de um ci-
rurgião rural, ouvia dos camponeses a observação de que as ordenhado-
ras que contraíam varíola bovina nas mãos jamais contraíam a varíola 
humana. Em 1789, Jenner inoculou material proveniente de varíola bo-
vina em seu próprio filho. A varíola bovina era uma doença benigna, 
que produzia apenas poucas lesões nas mãos das pessoas que tinham o 
contato com o animal, e não apresentava mortalidade. Todos os pacien-
tes nos quais Jenner realizou este procedimento ficaram imunes à varío-
la. Originou-se assim o termo vacina, de vaccínia, a lesão que as vacas, 
gado “vaccum”, produzia nas mãos das ordenhadoras.
Jenner, agora estudando Medicina em Londres, por meio da ob-
servação de autópsias foi autor de outra descoberta histórica e funda-
mental para a Medicina.
Foi a de que a angina pectoris era devida a obstrução das artérias 
coronárias, além do fato de que a raiva e a irritação pioravam seu cur-
so clínico. Confirmou esse achado pela realização de muitas autópsias 
em antigos portadores de angina.
Quando seu mestre John Hunter, o maior cirurgião da Inglaterra 
no século XVIII, portador há vários anos de angina pectoris, e indiví-
duo dotado destas características de personalidade, veio a falecer de 
ataque cardíaco, a autópsia realizada confirmou que suas artérias coro-
nárias apresentavam intenso grau de calcificação. 
No início do século XIX, Theodor Schwan (1810-1882) estabe-
lece ser a célula a unidade fundamental, morfológica e funcional dos 
seres vivos, sendo considerado o fundador da moderna Histologia e 
Embriologia, ao publicar o estudo pioneiro do desenvolvimento de uma 
célula ovo até a formação de um organismo completo. 
Rudolf Virchow (1821-1902) estabelece que as células são todas 
derivadas de outra célula preexistente e que toda doença tem sua ori-
gem em uma alteração, primariamente celular, estabelecendo a patolo-
gia celular como base de toda a Medicina.
Na mesma época, René Laënaec (1781-1826) inventa o estetos-
cópio, ao aplicar sobre o precórdio de uma paciente um tubo ou canudo 
enrolado de papel, para a realização da ausculta cardíaca. A necessida-
de se deveu à cultura da época, pois seria desrespeitoso aplicar direta-
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mente o seu ouvido no peito da paciente. Baseou-se em um brinquedo 
infantil, que as crianças usavam como um telefone primitivo, em que 
dois tubos ou cilindros de papel unidos por uma linha, aplicados sobre 
o ouvido de cada um, permitia a ausculta e conversação à distância.
Claude Bernard (1813-1878) estabelece a experimentação labo-
ratorial introduzindo as bases da moderna fisiologia. Realizando no-
táveis experimentos, demonstra a ação do curare, a ação do fígado na 
manutenção dos níveis de glicose no sangue, as funções digestivas das 
secreções do pâncreas, o papel de nervos vasodilatadores na regulação 
do fluxo sanguíneo, entre muitos outros.
Louis Pasteur (1822-1895) estabelece que as doenças são causa-
das por microrganismos e desenvolve as vacinas contra o carbúnculo 
das ovelhas e contra a raiva.
Robert Koch (1843-1910) descobre o bacilo da Tuberculose, do an-
traz e da cólera, desenvolve os métodos de fixação e coloração das bac-
térias, possibilitando sua análise e classificação microscópica. Percebe 
que as bactérias podem ser isoladas puras em diferentes meios de cul-
tura nutritivos, aprimorando assim sua classificação e apresenta seus 
postulados, até hoje aceitos e constituindo exigência para a admissão 
da causa de qualquer doença infecciosa:
1. O microrganismo deve ser encontrado em todos os doentes por-
tadores da citada enfermidade.
2. Deve ser isolado e se desenvolver de forma pura em meio de 
cultura nutritiva.
3. A inoculação desse microrganismo patógeno em animal de ex-
perimentação suscetível ao mesmo deve reproduzir a mesma do-
ença anteriormente observada no animal de onde foi retirado.
4. Neste, deve-se isolar novamente em cultura nutritiva e obser-
var-se o desenvolvimento do mesmo microrganismo patógeno, 
com características idênticas ao inicialmente isolado a partir do 
animal doente. 
Em 1905 Koch recebeu o prêmio Nobel de Medicina, cuja primei-
ra edição em 1901 havia sido dada a um seu discípulo, Adolf Emil von 
Behring (1854-1917), pela descoberta da toxina antidiftérica e também 
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de uma forma eficaz de soroterapia antitetânica, esta contando com a 
cooperação de outro colega de trabalho no Instituto Koch, Shibasaburo 
Kitasato (1852-1931). O tétano era, então, uma das principais causas 
de morte em feridos de guerra.
Behring deve ser considerado o pai dos métodos de imunização. 
Pasteur e Koch são os pais da Microbiologia. 
A partir da descoberta da anestesia por William Thomas Green 
Morton (dentista americano), em 1846, e da antissepsia por Ignaz 
Semmelweis, em 1847, inicia-se vertiginoso desenvolvimento da ci-
rurgia, antes muito limitada pela impossibilidade do controle da dor e 
da infecção. 
Semmelweis (1818-1865) teve a correta percepção de que as in-
fecções eram transmitidas por partículas originadas em cadáveres ou 
outros pacientes enfermos e que são levadas aos enfermos pelas nos-
sas mãos contaminadas, roupas sujas etc., isto antes da descoberta por 
Pasteur de que as bactérias eram as causadoras das doenças infeccio-
sas. Impôs a lavagem das mãos e uso de ácido clórico, antes e após o 
exame de um paciente, e os cuidados de higiene com toda a rouparia 
do Hospital. Em 1847 publica a iluminada obra: “Etiologia, conceito e 
prevenção da febre puerperal”, impondo ainda a lavagem das mãos com 
ácido carbólico a todos os estudantes e médicos, antes e após examina-
rem as pacientes em sua clínica.
Joseph Lister (1827-1912), em 1869, tendo por base as pesquisas 
de Pasteur, propõe o uso do ácido carbólico para a lavagem das mãos, 
instrumentos e curativos. 
A Semiologia, o estudo dos sinais e sintomas e sua correlação 
com os conhecimentos da microbiologia, que se iniciou com Pasteur e 
Koch, e com a patologia, trazem uma precisão não antes imaginada na 
obtenção do diagnóstico.
Este foi em muito facilitado pelo avanço tecnológico iniciado com 
a revolução industrial, a partir da metade do século XIX, que propicia 
o desenvolvimento de novos métodos diagnósticos e terapêuticos, além 
de grande avanço no desenvolvimento de novos fármacos. Surgem, no 
século XX, os antibióticos, as drogas vasoativas, o pleno desenvolvi-
mento da imunologia com a possível prevenção da grande maioria das 
doenças infecciosas, a síntese dos hormônios, as transfusões sanguíne-
as e todas as formas de terapia intravenosa, todos os métodos dediag-
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nóstico por imagem, aparelhos de respiração assistida e controlada, as 
unidades de cuidado intensivo, a evolução ininterrupta da cirurgia com 
as modernas técnicas de Cirurgia Cardíaca, reimplantes de órgãos, a ci-
rurgia robótica, os procedimentos endoscópicos diagnósticos e cirúrgi-
cos, a rotina do transplante de órgãos, a biologia molecular, a moderna 
quimioterapia e radioterapia e a lista parece não ter fim.
Se hoje somos herdeiros de todo esse notável e ininterrupto avan-
ço, colhemos, no entanto, algumas desvantagens comprometedoras ao se 
priorizar a tecnologia e ao subestimar a relação médico paciente, mes-
mo sabendo da importância da obtenção de forma meticulosa da histó-
ria clínica e realização do minucioso exame físico do paciente.
O jovem médico frequentemente não se apercebe, ou é induzido 
à insegurança, de que utilizando exclusivamente esse modelo, a 
semiologia, podemos realizar a grande maioria dos diagnósticos e propor 
o tratamento correto. 
Não podemos nos esquecer de que, embora nem sempre sejamos 
capazes de curar, se faz permanente a necessidade de demonstração de 
caridade, empatia, de solidariedade, e de que sempre será possível ofe-
recer alguma forma de alívio.
___________________________
Bibliografia recomendada
FRIEDMAN, M.; FRIEDLAND, G.W. As dez maiores descobertas da Medicina. 2. 
ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. 
LyONS, A. S.; PETRUCELLI, R. J. L. MEDICINE: an illustred history abradale. 
New York: Press Harry N. Abrams, Inc, Publishers, 1987. 
MARTIRE JUNIOR, L. História da Medicina: curiosidades e fatos. São Paulo, 2004.
PORTER, R. Das tripas coração. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2004.
THORWALD, J. O século dos cirurgiões. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
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Capítulo 2
Introdução à Semiologia: 
noções básicas da estrutura de uma história clínica
Sérgio Tomaz Schettini
Paulo Sérgio Massabki
A Semiologia é, por definição, o estudo da comunicação por meio 
de sinais.
Os mais precisos e eficientes exemplos de meios de comunicação, 
a linguagem, os diferentes alfabetos, assim como a escrita, nada mais 
são do que métodos semiológicos.
Da mesma forma o conjunto de todos os recursos utilizados pelo 
detetive, como a análise meticulosa da cena do crime, permitindo a 
identificação do culpado e a comprovação da sua autoria, os recursos 
utilizados pelo caçador, como a observação das pegadas e a análise de 
sinais observados no solo, a análise das fezes do animal e os sons por 
ele emitidos.
Conan Doyle, criador do personagem-detetive Sherlock Holmes 
(o qual, por sinal, vem servindo de inspiração para uma série de per-
sonagens de séries televisivas, como House), inspirou-se, ao elabo-
rar seu personagem, em seu professor de Medicina na universidade 
de Edimburgo – Joseph Bell. Para Doyle, Bell era uma virtuose não 
apenas na diagnose de doenças. O médico era capaz de chegar tam-
bém ao caráter e às ocupações de seus pacientes por meio de uma ob-
servação atenta. As ínfimas mudanças de expressão de seus pacientes 
podiam ser significativas. 
Qualquer um de nós tenta interpretar os significados dos olhares, 
da expressão corporal, a gestualidade daqueles que nos cercam. Um 
olhar pode significar aprovação, ironia, desdém, desejo, o flerte, entre 
tantas outras coisas.
Todos os recursos utilizados nas modernas e cada vez mais efi-
cientes técnicas de publicidade nada mais são do que a aplicação da 
Semiologia com o fim de promover determinado produto.
Cinco séculos antes de Cristo, na ilha de Kos, próxima ao atual li-
toral da Turquia, então território da antiga Grécia, Hipócrates foi o pio-
neiro em atribuir as alterações no estado normal de saúde aos fenômenos 
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naturais, não a razões míticas de fundo e natureza religiosa, como até 
então se fazia. 
A escola Hipocrática, da qual somos perpetuadores, passa então 
a avaliar, de forma racional e sistemática, todas as queixas referidas 
pelo paciente.
Nesse sentido, dois conceitos fundamentais são:
Sintomas: são todas as queixas referidas pelo paciente, acompa-
nhada de todas as suas características, tais como:
• Início
• Localização
• Qualidade ou caráter
• Intensidade
• Evolução
• Fatores desencadeantes
• Fatores de melhora
• Fatores de piora
• Fatores concomitantes
Sinais: são as alterações observadas durante a realização do exa-
me físico do paciente.
Muitos sintomas são também sinais, passíveis de serem observa-
dos. Assim, sintomas como a dor e a febre referidas, podem ser detec-
tados e avaliados de forma precisa ao realizarmos o exame físico.
Acrescentemos as possíveis alterações no ambiente que o cerca 
à observação de dados importantes referentes à saúde em sua heredita-
riedade e a presença de possíveis sinais pela observação à análise mi-
nuciosa de seu corpo, portanto a prática do exame físico.
Com todas as enormes limitações de então, Hipócrates denomina 
Diagnóstico ao agrupar sintomas e sinais, em seu conjunto semelhan-
te em vários pacientes, elaborando assim o primeiro tratado de Clínica 
Médica. Seu objetivo era o de transmitir o conhecimento e a experiên-
cia até então acumulados para o ensino e a formação de novos médicos. 
Na idade média, na Pérsia (atual Irã), Avicena incorporou sua própria 
experiência aos escritos compilados por Hipócrates, seguindo idêntica 
sistemática.
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A necessidade de auxiliar na formação de novos médicos pela 
transmissão de seu conhecimento e experiência acumulados é uma das 
obrigações contidas no juramento de Hipócrates, feito por todos os mé-
dicos na cerimônia de sua graduação. 
Figura 4 – Tratado de Hipócrates e de Avicena
 
Fonte: National Library of Medicine – <https://www.nlm.nih.gov/hmd/greek/
popup/15_greek_doc14.html>. <https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:The_
Canon_of_Medicine#/media/File:Tractat_de_medicina_d%27Avicenna.jpg>
Entre os precursores de uma semiótica propriamente dita está o 
médico grego Galeno de Pérgamo (139-199 d.C). A ilha de Kos está 
muito próxima de Pérgamo, situada no continente, onde Galeno atua-
va no primeiro Hospital assim entendido, ao qual foi dado o nome de 
Esculápio, Deus da Medicina para os gregos.
Galeno referiu-se à diagnóstica, estudos dos sintomas atuais das 
doenças, como a parte semiótica da Medicina, seu objetivo final.
Uma vez já localizados dentro da evolução histórica, vamos en-
tão procurar entender a terminologia de importância.
Semiótica: estudo dos recursos técnicos adequados na obtenção 
dos sinais. Assim, a inspeção do paciente, sua palpação, percus-
são e ausculta são recursos semióticos.
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Semiologia Médica: compreende o conjunto das técnicas utiliza-
das na obtenção da História Clínica e do Exame Físico, incluída a 
sua análise, possibilitando a obtenção do Diagnóstico.
A análise dos dados obtidos por meio da Semiologia é denomina-
da Propedêutica Médica.
O conceito mais importante e utilizado na prática médica é o de 
Exame Clínico.
HISTÓRIA CLÍNICA
A História Clínica compreende o conjunto de dados verificados desde 
a identificação do paciente, a obtenção dos dados da anamnese, do Exame 
Físico, a conclusão diagnóstica, a conduta terapêutica e o prognóstico.
Em trabalho recente, que foi motivo de sua tese de Livre Docência 
apresentada à Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), a Dra. Isabele 
Benseñor mostrou, pela análise da casuística proveniente dos pacientes 
atendidos no ambulatório do Hospital das Clínicas da FMUSP e em re-
visão de trabalhos semelhantes da literatura, que a grande maioria dos 
pacientes tem seu diagnósticofeito basicamente pela história clínica.
Ficha de Atendimento Clínico proposta no 
Curso de Semiologia da UNINOVE
Data:_____/_____/_____.
I) IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE
Nome:_________________________________________________
Idade: _______________Data de Nascimento:_________________
Sexo:________________ Etnia:_____________________________
Estado civil: __________________ Religião___________________
Profissão:_______________________________________________
Naturalidade:___________________Procedência:_______________
Endereço:_______________________________________________
Telefones _______________________________________________
E-mail _________________________________________________
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II) FONTE DA INFORMAÇÃO:
_______________________________________________________
III) QUEIXA PRINCIPAL – * Palavras do paciente
_______________________________________________________
IV) HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL (HDA) – Características se-
miológicas imprescindíveis para cada sintoma ou sinal (início, loca-
lização, qualidade ou caráter, intensidade, evolução/situações em que 
ocorrem, fatores que melhoram, fatores que pioram, manifestações 
concomitantes).
* Usar sempre termos técnicos
_______________________________________________________
V) MEDICAÇÕES EM USO
_______________________________________________________
VI) INTERROGATÓRIO COMPLEMENTAR (sintomas gerais)
Para cada item positivo, descrever: início, localização, qualidade ou ca-
ráter, intensidade, evolução, fatores que melhoram, fatores que pioram, 
acompanhamento.
* Usar sempre termos técnicos.
 Astenia/ indisposição/fadiga:
 Mal-estar:
 Febre:
 Icterícia:
 Dor:
 Edema:
 Alterações do sono:
 Gânglios:
 Ganho ou perda de peso:
 Sudorese:
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VII) INTERROGATÓRIO SOBRE OS DIVERSOS APARELHOS 
(ISDA)
*Para cada item positivo, descrever início, localização, qualidade ou 
caráter, intensidade, evolução, fatores que melhoram, fatores que pio-
ram, acompanhamento.
* Usar sempre termos técnicos.
1 – CABEÇA E PESCOÇO
a) Alterações do equilíbrio
 Cefaleia:
 Vertigem:
 Tontura:
 Lipotímia:
 Sincope:
b) Olhos
 Acuidade:
 Amaurose:
 Dor:
 Escotomas cintilantes ou Moscas volantes:
 Fotofobia:
 Hemeralopia:
 Diplopia:
 Nistagmo:
 Estrabismo:
 Hemianopsia:
 Prurido:
 Lacrimejamento:
 Vermelhidão:
 Exoftalmia:
 Enoftalmia:
 Xeroftalmia:
c) Aparelho auditivo
 Acuidade:
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 Dor:
 Alterações do pavilhão auricular:
 Cerúmen:
 Corrimento:
 Zumbido:
d) Nariz
 Acuidade: hiposmia/anosmia
 Corrimento:
 Epistaxe:
2) APARELHO RESPIRATÓRIO
 Dispneia:
 Taquipneia:
 Dispneia de decúbito:
 Ortopneia:
 Dispneia Paroxística noturna:
 Tosse:
 Expectoração:
 Cianose:
 Hipocratismo digital:
3) APARELHO CIRCULATÓRIO
 Dor / Claudicação:
 Palpitações:
 Fenômeno de Raynaud:
 Varizes:
 Circulação Colateral:
4) APARELHO DIGESTIVO
 Ageusia:
 Hipogeusia:
 Alterações da língua:
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 Alterações dentárias:
 Alterações dos lábios:
 Polifagia:
 Polidipsia:
 Bulimia:
 Anorexia:
 Picacismo:
 Sialorreia:
 Sialoquiese ou Xerostomia:
 Halitose:
 Disfagia:
 Odinofagia:
 Intolerância alimentar:
 Pirose ou azia:
 Regurgitação:
 Soluço:
 Eructação:
 Náusea:
 Vômitos:
 Hematêmese
 Dispepsia e/ou epigastralgia:
 Roncos:
 Meteorismo:
 Borborigmos:
 Flatulência
 Diarreia:
 Disenteria:
 Constipação
 Tenesmo:
 Dor anal:
 Prurido anal:
 Fissura anal:
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 Prolapso:
 Hemorróidas:
 Melena:
 Enterorragia:
 Alterações das fezes:
 Ascite:
5) APARELHO URINÁRIO
 Poliúria:
 Oligúria:
 Anúria:
 Hematúria:
 Piúria:
 Urina espumosa (proteinúria):
 Polaciúria:
 Disúria:
 Noctúria:
 Estrangúria
 Enurese noturna:
 Secreção uretral:
 Incontinência:
 Alterações do jato urinário:
 Tenesmo vesical:
6) SISTEMA ENDÓCRINO
 Obesidade:
 Caquexia:
 Hirsutismo:
 Ginecomastia:
 Nanismo:
 Gigantismo:
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7) SISTEMA NERVOSO
 Hiperestesia:
 Hipoestesia:
 Anestesia:
 Parestesia:
 Hiperalgesia:
 Plegias:
 Paresias:
 Confusão:
 Agitação psicomotora:
 Sonolência:
 Torpor:
 Coreia:
 Atetose:
 Tremores:
 Mioclonias:
 Convulsões:
 Cãibras:
 Tics:
8) PSIQUISMO
 Personalidade:
 Gesticulação:
 Mímica:
 Suspiros:
 Comportamento:
 Humor:
 Memória:
9) APARELHO GENITAL FEMININO
 Menarca:
 Menopausa:
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 Menorragia:
 Metrorragia:
 Sinusorragia:
 Amenorreia:
 Dismenorreia:
 Hipermenorreia:
 Oligomenorreia:
 Tensão pré-menstrual:
 Leucorreia (secreção vaginal):
 Prurido:
 Dispareunia:
 Frigidez:
 Vaginismo:
 Fogachos / Friachos:
10) APARELHO GENITAL MASCULINO
 Impotência:
 Priapismo:
 Ejaculação:
 Ectopia testicular:
 Orquite:
 Fimose:
 Epispádia:
 Hipospádia:
 Ginecomastia:
11) SISTEMA OSTEO-ARTICULAR
 Dor óssea
 Edema
 Artralgia/artrite:
 Limitação de movimentos:
 Mialgia:
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 Nódulos ou Tofos:
 Crepitações ou estalidos:
 Rigidez:
12) PELE E ANEXOS
 Prurido:
 Eritemas:
 Discromias:
 Pápulas:
 Vesículas:
 Pústulas:
 Bolhas:
 Escamas:
 Crostas:
 Ulceração:
 Fissuras:
 Fístulas:
 Cicatrizes:
 Atrofias:
 Alterações ungueais:
 Alterações dos pelos:
 Lesões hemorrágicas (púrpura; petéquia; equimose ou hematoma):
VIII) ANTECEDENTES PESSOAIS (HISTÓRIA PREGRESSA)
a) Fisiológicos: ___________________________________________
________________________________________________________
b) Patológicos: ___________________________________________
________________________________________________________
IX) HISTÓRIA FAMILIAR
________________________________________________________
________________________________________________________
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X) HÁBITOS, VÍCIOS E CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS 
________________________________________________________
________________________________________________________
XI) EXAMES COMPLEMENTARES REALIZADOS
a) Laboratoriais/Bioquímicos:
________________________________________________________
________________________________________________________
b) Imagem:
________________________________________________________
________________________________________________________
c) Outros:
________________________________________________________
________________________________________________________
XII) OBSERVAÇÕES
________________________________________________________
________________________________________________________
Exame Físico
Subdivide-se em:
Exame físico geral
Aspecto geral, peso, altura, tipo constitucional, fácies, índice de 
massa corpórea, exame da pele e seus anexos ou fâneros (pelos, unhas), 
estado das mucosas, linfonodos, estado de consciência, estado das mu-
cosas e sinais vitais:
• Frequência do pulso,
• Pressão arterial,
• Temperatura,
• Frequência respiratória.
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Exame físico especial
Compreende o exame dos diversos órgãos ou sistemas.
Apenas para exemplificar, os recursos utilizados compreendem 
a inspeção, palpação, percussão, ausculta, exame dos genitais e ânus, 
da coluna vertebral, dos membros, verificação da força, dos reflexos, 
da sensibilidade superficial e profunda, do equilíbrio, da visão, da au-
dição, do olfato etc.
Hipótese diagnóstica
Conduta 
Exames subsidiários:serão solicitados caso venham a ser necessá-
rios, como os laboratoriais, os de imagem: radiografias, ultrassonografia, 
endoscopia, tomografia, ressonância nuclear magnética, para a insti-
tuição da terapêutica (tratamento), que poderá ser clínica ou cirúrgica.
Prognóstico
É entendido como a chance de cura, sem ou com complicações; 
esta última denominamos morbidade, e a da mortalidade, chance 
de ocorrência de óbito do paciente em que pesem todas as medidas 
terapêuticas atualmente passíveis de serem estabelecidas.
Se faz muito necessário lembrar, ainda, de que embora nem sem-
pre sejamos capazes de curar, se faz permanente a necessidade de de-
monstração de caridade, empatia, de solidariedade, e de que sempre será 
possível oferecer alguma forma de alívio.
___________________________
Bibliografia recomendada
BENSEñOR IM. Anamnese, exame clínico e exames complementares como testes 
diagnósticos. Rev. Med. (São Paulo). 2013;00(4):236-41. Disponível em: <http://www.
revistas.usp.br/revistadc/article/view/85896>. Acesso em: 29 set. 2016.
GOLDMAN, Lee; AUSIELLO, Dennis (Ed.). Cecil medicina. 24. ed. esp. Rio de 
Janeiro: Elsevier, 2014.
http://www.revistas.usp.br/revistadc/article/view/85896
http://www.revistas.usp.br/revistadc/article/view/85896
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ICKLEY, Lynn S.; SZILAGYI, Peter G. Bates propedêutica médica. 11. ed. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. 
NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. Disponível em: <https://www.nlm.nih.
gov/hmd/greek/popup/15_greek_doc14.html>.
NEVES, Mônica de Queiroz Telles Spadoni (Trad.). Manual de sinais e sintomas. 4. 
ed. São Paulo: Roca, 2012.
PORTO, Celmo. Porto & Porto: semiologia médica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2014.
TRATADO DE AVICENA. Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/
Category:The_Canon_of_Medicine#/media/File:Avicenna,_Canon_Medicinae_
Wellcome_L0023859.jpg>.
VIEIRA, Romeiro. Semiologia médica. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 
1964.
https://www.nlm.nih.gov/hmd/greek/popup/15_greek_doc14.html
https://www.nlm.nih.gov/hmd/greek/popup/15_greek_doc14.html
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Capítulo 3
Biossegurança e Controle de Infecção
Otavio Madi
Primum non nocere (primeiro não cause o dano)
Hipócrates (460 a 370 a.C.)
O pai da Medicina, já a sua época, tinha noção de que o cuidado 
poderia causar algum tipo de dano. Desde então muitos outros autores 
e personalidades contribuíram para a melhoria da qualidade dos cuida-
dos de saúde. 
Uma das maiores injustiças na história da Medicina foi a demora 
no reconhecimento do trabalho de Semmelweis e sua importância como 
pioneiro no controle das infecções hospitalares de maneira geral e, par-
ticularmente, no controle das infecções puerperais.
Ignaz Phillip Semmelweis (1818-1865) nasceu na cidade de Ofen, 
Hungria, que naquela ocasião pertencia ao império Austro-húngaro. Foi 
para Viena para ser advogado, como era desejo da família, mas acabou 
estudando Medicina, estimulado pelos trabalhos de Rokitansky (1808-
1878), procurando identificar a causa de morte de seus pacientes no es-
tudo do corpo enfermo e dos órgãos doentes. Graduou-se em 1844 e 
em 1846 foi trabalhar como assistente na Primeira Clínica Obstétrica 
do Allgemeine Krankenhaus, de Viena. Nesse hospital havia duas clí-
nicas obstétricas, uma destinada ao ensino das parteiras e outra desti-
nada ao ensino dos estudantes de Medicina, esta última dirigida por 
Semmelweis e uma terrível fama, pois a clínica dos estudantes tinha 3 
a 10 vezes mais mortes maternas por infecção puerperal que a clínica 
das parteiras. A divisão dos casos era randomizada pelo dia da sema-
na e conforme a fama da clínica era conhecida pela população, muitas 
parturientes demoravam a entrar no hospital para serem admitidas, na 
esperança de não serem internadas naquela com maior risco.
Naquela época, se atribuía a causas atmosféricas-telúricas, ou 
miasmas, a origem das infecções. De acordo com o aprendizado de 
Semmelweis, ao procurar identificar a causa de morte no estudo do cor-
po enfermo e dos órgãos doentes este autopsiava e estudava exaustiva-
mente todas as pacientes que morriam em sua enfermaria, encontrando, 
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nos casos de supurações e/ou inflamações generalizadas, um quadro se-
melhante aos registrados em casos como os de febre purulenta e infec-
ções traumáticas. 
Foram aventadas muitas hipóteses para explicar a diferença de 
mortalidade e foi formada uma comissão, que proibiu a participação de 
estagiários, só autorizando os estudantes austríacos. Na mesma ocasião, 
Semmelweis, que não participou da comissão, foi afastado de suas fun-
ções docentes, ausentando-se do serviço por algum tempo. Na sua volta, 
observou que naqueles meses de afastamento os índices de mortalidade 
diminuíram e quando retornou às suas funções, os índices voltaram a au-
mentar. Por sugestão de seu colega Kolletschka, saiu de férias e na sua 
volta soube da morte do companheiro, que havia se ferido pelo bisturi 
contaminado durante uma autópsia, nas mesmas condições de supura-
ções e inflamação traumática generalizada. A partir dessas observações 
Semmelweis concluiu: “se os dados das autópsias eram idênticos, não 
seriam as causas também comuns? Kolletschka morrera duma lesão na 
qual o bisturi introduzira partículas de decomposição de matéria cada-
vérica. Os médicos e seus discípulos não poderiam com suas mãos tra-
zer as mesmas partículas ao regaço das pacientes, rasgado pelo parto?” 
(FERNANDES, 2000).
Esta hipótese, se confirmada, poderia explicar as diferenças de 
mortalidade entre as clínicas e também a diminuição dos índices por 
ocasião de seu afastamento e dos estudantes pela diminuição de exa-
mes e autópsias. 
Uma vez formulada uma hipótese, partiu Semmelweis para a 
elaboração de medidas de controle e a monitorização posterior 
da sua eficácia. Suas propostas centraram-se em três frentes: 
isolamento dos casos; lavagem das mãos; ferver instrumental 
e utensílios. Assim sendo, ele afixou na porta da unidade o 
seguinte cartaz: ‘A partir de hoje, 15 de maio de 1847, todo 
estudante ou médico é obrigado, antes de entrar nas salas 
da clínica obstétrica, a lavar as mãos com uma solução de 
ácido clórico, na bacia colocada na entrada. Esta disposição 
vigorará para todos, sem exceção’. Assim, sabão, escovas e 
ácido clórico tiveram entrada em sua unidade. (FERNANDES, 
2000, grifo do autor). 
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Figura 5 – Dispensador e bacia usada por Semmelweis
Fonte: Sergio Tomaz Schettini (acervo pessoal)
Assim, no mês seguinte já ocorreu uma importante redução do ín-
dice de mortalidade de cerca de 18% para cerca de 3%. Em setembro se-
guinte foi observado em uma das enfermarias um recrudescimento dos 
casos e foi observado que uma das pacientes apresentava um quadro de 
câncer genital com supuração e os estudantes não lavavam as mãos após 
examinar cada uma das pacientes, estabelecendo que o material pútrido 
poderia ser transmitido a partir dos mortos, mas também entre vivos.
Diante de tais resultados, Semmelweis concluiu: 
Eu assumi que a causa da maior taxa de mortalidade da primeira 
clínica eram as partículas cadavéricas aderidas às mãos dos obs-
tetras quando efetuavam os exames. Eliminei esta causa mediante 
lavagem com cloro e consequentemente a mortalidade na primei-
ra clínica baixou para índices inferiores aos da segunda clínica 
[...]. A febre puerperal não é causada somente por partículas ca-
davéricas, mas também por secreções de organismos vivos, assim 
é necessário limpar as mãos com água clorada, não somente após 
manipular cadáveres, mas também depois de exames nos quais as 
mãos podem contaminar-secom secreções [...]. As partículas de 
secreções que saturam o ar podem também penetrar no útero já 
lacerado durante o trabalho de parto, portanto as pacientes com 
estas lesões devem ser isoladas. (FERNANDES, 2000).
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Apesar de seus resultados com as medidas adotadas, não houve 
uma ressonância com o meio médico e estudantes devido ao rigor das 
medidas e a dificuldade de explicar os fatos com os conhecimentos mé-
dicos da época. Muito pelo contrário, houve até rejeição e, associada à 
sua adesão as causas da fracassada revolução húngara contra o império 
austríaco de 1848, Semmelweis não teve seu contrato de trabalho reno-
vado e, portanto, tornando difícil sua permanência em Viena.
Durante um surto de febre puerperal num hospital de Budapest, 
foi indicado para diretor honorário da instituição, cargo que assumiu em 
1851, onde trabalhou mesmo sem receber salários, reduzindo as taxas 
de mortalidade a cerca de 1%. Durante um novo surto, percebeu sujida-
de de supurações nas roupas de cama, obrigando o diretor do hospital a 
tomar medidas também com relação a rouparia. Em 1855, foi nomeado 
professor de Obstetrícia numa universidade em Budapest sem prestígio 
no meio científico. Ali convenceu o catedrático de cirurgia a adotar as 
medidas de proteção da ferida cirúrgica de mãos e instrumental que não 
tivessem sofrido limpeza rigorosa. Os resultados o estimularam a pu-
blicar a conclusão de seus trabalhos, 14 anos depois, em 1861, em um 
livro intitulado “Etiologia, Conceito e Profilaxia da Febre Puerperal”.
Provavelmente devido a atribuir a si mesmo a culpa pela morte de 
muitas parturientes, desenvolveu alterações de comportamento, sendo 
por isso internado em um manicômio onde veio a falecer por ferimen-
tos decorrentes dessa internação ou, numa outra versão mais românti-
ca de sua vida, devido a ferimentos adquiridos por um bisturi infectado 
de uma das autópsias.
Uma observação importante de seu trabalho é que realizou um 
estudo modelo na tentativa de se elucidar os elos da cadeia epidemio-
lógica e propor medidas efetivas de controle, contendo todas as etapas 
clássicas destas investigações: a definição precisa de caso; a contagem, 
distribuição e a consolidação de casos e de fatores predisponentes; a 
confirmação do surto e a definição do seu período; a formulação de hi-
póteses e sua comprovação; as medidas de controle e a verificação de 
sua eficácia, com reorientações quando necessário. 
Na mesma época dos estudos de Semmelweis, ocorreram achados 
semelhantes nos Estados Unidos da América pelo Dr. Oliver Wendell 
Holmes. Outros autores importantes em relação ao controle da infec-
ção no ambiente hospitalar foram Florence Nigthingale, Pasteur, Lister, 
Robert Kock e outros.
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Biossegurança
A biossegurança compreende um conjunto de ações destinadas 
a prevenir, controlar, mitigar ou eliminar riscos inerentes às atividades 
que possam interferir ou comprometer a qualidade de vida, a saúde hu-
mana e o meio ambiente. Desta forma, a biossegurança caracteriza-se 
como estratégia essencial para a pesquisa e o desenvolvimento susten-
tável, sendo de fundamental importância para avaliar e prevenir os pos-
síveis efeitos adversos de novas tecnologias à saúde. 
No âmbito do Ministério da Saúde (MS), a Biossegurança é tra-
tada pela Comissão de Biossegurança em Saúde (CBS), que é coor-
denada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos 
(SCTIE) e composta pelas Secretarias de Vigilância em Saúde (SVS) e 
de Atenção à Saúde (SAS), pela Assessoria de Assuntos Internacionais 
em Saúde (AISA), pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), pela 
Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) e pela Agência Nacional de 
Vigilância Sanitária (ANVISA). A CBS foi instituída pela Portaria GM/
MS nº 1.683, de 28 de agosto de 2003 – revogada pela Portaria nº 1914, 
de 9 de agosto de 2011. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/
saudelegis/gm/2011/prt1914_09_08_2011.html>. 
Na atividade médica podemos dividir, de maneira didática, as 
ações objetivando a segurança do meio ambiente, do profissional de 
saúde e do paciente.
Em relação ao meio ambiente, devemos nos preocupar principal-
mente com o descarte de material infectado, biológico, químico e in-
clusive radioativo, podendo levar à contaminação de lençóis freáticos, 
rios, reservatórios de água, esgotos. Esses descartes devem ter destino 
adequado, conforme legislação vigente. 
Não podemos esquecer do acidente radiológico de Goiânia, ocor-
rido em setembro de 1987, quando um aparelho utilizado em radiote-
rapia foi encontrado dentro de uma clínica abandonada, no centro de 
Goiânia, em Goiás. Foi um acidente classificado como nível 5 na Escala 
Internacional de Acidentes Nucleares. Acidente com consequência de 
longo alcance. O instrumento foi encontrado por catadores de sucata e 
repassado como ferro velho para terceiros, gerando um rastro de con-
taminação com o material radioativo, o Césio-137. Esse acidente foi o 
maior acidente radioativo do Brasil e o maior do mundo ocorrido fora 
de usinas nucleares.
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Nesse aspecto, o médico desempenha papel importante na edu-
cação e exemplo para outros profissionais, adotando sempre um ade-
quado comportamento ao descartar material infectante ou contaminado.
Quando falamos de segurança do profissional de saúde, nos preo-
cupamos principalmente com acidentes envolvendo material biológico, 
mas, de maneira mais ampla, devemos também envolver nessa equação 
profissionais que não atuam na área da saúde (todos aqueles envolvidos 
em outras atividades essenciais para o devido funcionamento de um ser-
viço médico, como hospital, clínica, laboratório), usuários dos serviços 
de saúde, trabalhadores de campo como agentes de combate às endemias 
(por ex. dengue), agentes comunitários de saúde, investigadores de óbi-
tos. Todos esses profissionais devem ser treinados para o uso adequado 
de Equipamentos de Proteção Individual, orientados quanto aos riscos 
a que estão expostos e como preveni-los, da mesma forma que podem 
ser também meios de propagação de doenças ou mesmo contaminação.
Ao longo dos anos vimos muitas vezes estampado nos noticiá-
rios manchetes como:
“Bebê internado morre após tomar injeção e pais acusam erro mé-
dico” ou “Médico opera pé errado de paciente” ou “Jaleco médico pode 
ser fonte de contaminação”, e muitas outras, mas sempre como foco os 
danos causados para o paciente em decorrência de alguma ação visan-
do o tratamento daquele paciente.
Foi então que 
A partir da divulgação do relatório do Institute of Medicine 
(IOM) To Err is Human, o tema segurança do paciente ga-
nhou relevância. Esse relatório se baseou em duas pesquisas 
de avaliação da incidência de eventos adversos (EAs) em 
revisões retrospectivas de prontuários, realizadas em hospitais 
de Nova york, Utah e Colorado. Nessas pesquisas, o termo 
evento adverso foi definido como dano causado pelo cuidado 
à saúde e não pela doença de base, que prolongou o tempo de 
permanência do paciente ou resultou em uma incapacidade 
presente no momento da alta. O relatório apontou que cerca 
de 100 mil pessoas morreram em hospitais a cada ano vítimas 
de EAs nos Estados Unidos da América (EUA). Essa alta inci-
dência resultou em uma taxa de mortalidade maior do que as 
atribuídas aos pacientes com HIV positivo, câncer de mama ou 
atropelamentos. (BRASIL, 2014. grifo do autor).
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O programa Patient Safety Program foi criado pela Organização 
Mundial da Saúde em 2004, com o objetivo de organizar conceitos e 
definições sobre segurança do paciente e propor medidas para reduzir 
os riscos e diminuir os eventos adversos.
Alguns conceitos-chave da ClassificaçãoInternacional de Segu-
rança do Paciente da Organização Mundial da Saúde (OMS) são: 
• Segurança do paciente – reduzir, a um mínimo aceitável, o
risco de dano desnecessário associado ao cuidado de saúde.
• Dano – comprometimento da estrutura ou função do corpo e/
ou qualquer efeito dele oriundo, incluindo-se doenças, lesão,
sofrimento, morte, incapacidade ou disfunção, podendo, assim,
ser físico, social ou psicológico.
• Risco – probabilidade de um incidente ocorrer.
• Incidente – evento ou circunstância que poderia ter resultado,
ou resultou, em dano desnecessário ao paciente.
• Circunstância Notificável – incidente com potencial dano ou lesão. 
• Near miss – incidente que não atingiu o paciente. Incidente sem
lesão. Incidente que atingiu o paciente, mas não causou danos. 
• Evento Adverso – incidente que resulta em dano ao paciente.
(BRASIL, 2014).
A OMS priorizou duas ações, que foram denominadas de ações 
globais, para reduzir os riscos e diminuir os EAs, que foram: redu-
zir a infecção associada ao cuidado em saúde por meio da campa-
nha de higienização das mãos, e promover uma cirurgia mais segura, 
pela adoção de uma lista de verificação antes, durante e após o ato 
cirúrgico.
A Fiocruz, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de 
Vigilância Sanitária (Anvisa) publicaram, em definitivo, protocolos bá-
sicos ou os seis passos para a segurança do paciente:
1. Identificação do paciente: tem a finalidade de reduzir a ocorrência 
de incidentes. O processo de identificação deve assegurar que o cui-
dado seja prestado exclusivamente àquela pessoa para a qual o mes-
mo foi prescrito e a ela se destina.
2. Prevenção de queda e úlceras de pressão: tem como meta redu-
zir a ocorrência de queda de pacientes nos pontos de assistência e o 
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/identi_paciente.pdf
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dano dela decorrente, por meio de medidas que contemplem a ava-
liação de risco do paciente, garantam o cuidado multiprofissional 
em um ambiente seguro e promovam a educação do paciente, fa-
miliares e profissionais; visa ainda prevenir a ocorrência dessa e de 
outras lesões da pele, visto que é uma das consequências mais co-
muns da longa permanência em hospitais. Sua incidência aumen-
ta proporcionalmente à combinação de fatores de riscos, entre eles, 
idade avançada e restrição ao leito. 
3. Segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos: ob-
jetiva a promoção de práticas seguras no uso de medicamentos em esta-
belecimentos de saúde. Segundo o protocolo, estima-se que os erros de 
medicação em hospitais provoquem mais de 7 mil mortes por ano nos 
Estados Unidos, acarretando importantes custos tangíveis e intangíveis. 
4. Cirurgia segura: diz respeito ao estabelecimento de medidas a serem 
implantadas para reduzir a ocorrência de incidentes e eventos adver-
sos e a mortalidade cirúrgica, possibilitando o aumento da seguran-
ça na realização de procedimentos cirúrgicos, no local correto e no 
paciente correto, por meio do uso da Lista de Verificação de Cirurgia 
Segura desenvolvida pela OMS. 
5. Comunicação entre os profissionais da saúde: visa melhorar a co-
municação entre os profissionais de saúde, entre esses e o paciente e 
os familiares, objetivando diminuir as falhas de comunicação como, 
por exemplo, letra ilegível, não compreensão de condutas e outras.
6. Higiene das mãos: aborda informações sobre a instituição e promo-
ção da higiene das mãos nos serviços de saúde do país. Seu intuito é 
prevenir e controlar as Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde 
(Iras), visando a segurança do paciente, dos profissionais de saúde e 
de todos aqueles envolvidos nos cuidados aos pacientes. Talvez uma 
das mais antigas e ainda nos dias de hoje uma falha de segurança mes-
mo em instituições conceituadas.
Ainda em relação à higiene das mãos, esta deve ocorrer basica-
mente em cinco situações: antes e após contato com o paciente, antes 
da realização de algum procedimento, após contato com fluidos corpo-
rais e após contato com áreas próximas ao paciente. 
Prática: lavagem das mãos
A seguir mostramos a técnica recomendada para lavagem bási-
ca das mãos:
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/seguran_medica.pdf
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/prot_cirursegura.pdf
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Atividade prática: praticar a lavagem de mãos segundo a técnica reco-
mendada nos lavatórios do laboratório de técnica cirúrgica da Universidade.
Figura 6 – Prática de lavagem das mãos
Fonte: Proqualis / Ministério da Saúde / Protocolo para a prática de higiene das mãos 
em serviços de saúde – Protocolo integrante do Programa Nacional de Segurança do 
Paciente – 2013 – <http://proqualis.net/sites/proqualis.net/files/000002428z8pha4.pdf >
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Glossário
Infecção puerperal – é quando o processo infeccioso ocorre no 
puerpério, período que se inicia após o parto e dura 40 dias. Geralmente 
decorrente de contaminação durante a gestação (corioamnionite – in-
fecção da bolsa das águas) ou durante o trabalho de parto (por toques 
sucessivos e sem cuidados antissépticos) e ainda durante um procedi-
mento para o parto (fórcipe, cesárea, episiotomia, lacerações).
Episiotomia – incisão na região da vulva e vagina que é usada 
para ampliar as partes moles do canal de parto quando as mesmas são 
um obstáculo ao parto.
Etiologia – é o fator causal, a causa de uma doença ou patologia.
Profilaxia – são medidas utilizadas para se evitar alguma doença.
Randomizada – é uma forma de escolher ao acaso os indivíduos 
que formarão um determinado grupo de pesquisa. Existem várias for-
mas de se randomizar a escolha, por ex. sorteio, ordem de chegada, dia 
da semana etc.
___________________________
Bibliografia recomendada
BRASIL. Ministério da Saúde. Documento de referência para o Programa Nacional 
de Segurança do Paciente. Brasília, 2014. Disponível em:< http://bvsms.saude.gov.
br/bvs/publicacoes/documento_referencia_programa_nacional_seguranca.pdf>. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Proqualis. Protocolo para a prática de higiene das mãos 
em serviços de saúde – Protocolo integrante do Programa Nacional de Segurança do 
Paciente – 2013 – http://proqualis.net/sites/proqualis.net/files/000002428z8pha4.pdf
FERNANDES, Antonio Tadeu (Ed.). Infecção hospitalar e suas interfaces na área 
da saúde. São Paulo: Atheneu, 2000. Disponível em: <http://www.ccih.med.br/sem-
melweis.html>. Acesso em: 12 nov. 2015.
FERNANDES, Antonio Tadeu (Ed.). Semmelweis: uma história para reflexão. 
Disponível em: <http://www.ccih.med.br/semmelweis.html>. Acesso em: 12 nov. 2015.
THORWALD, J.O século dos cirurgiões. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
http://www.ccih.med.br/semmelweis.html
http://www.ccih.med.br/semmelweis.html
http://www.ccih.med.br/semmelweis.html
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Capítulo 4
Procedimentos Diagnósticos Básicos – sinais vitais
Otavio Madi
Sergio Tomaz Schettini
Definição: “São os sinais das funções orgânicas básicas, sinais 
clínicos de vida, que refletem o equilíbrio ou o desequilíbrio resultante 
das interações entre os sistemas do organismo e uma determinada do-
ença.” (MOZACHI; SOUZA, 2005).
Os principais sinais vitais são: Pulso, Pressão Arterial, Temperatura 
e Frequência Respiratória. 
As medidas desses parâmetros revelam o estado de funciona-
mento das principais funções corporais, como circulatória, respiratória 
e são importantes tanto no diagnóstico como no acompanhamento dos 
pacientes em tratamento.
Desde a antiguidade, Hipócrates já defendia a observação dos si-
nais vitais como dados importantes do exame físico.
A verificação do pulso como ferramenta diagnóstica é praticada 
na Medicina Tradicional Chinesa (MTC) edescrita desde o terceiro 
século a.C. no livro sagrado de acupuntura Nei China. Tem impor-
tância fundamental na MTC e é praticada como um dos elementos 
fundamentais de diagnóstico desde há 17 séculos e descreve 28 ti-
pos diferentes de pulsos relacionados a doenças e estados energéti-
cos do organismo.
Herófilo (335-280 a.C.) foi o primeiro anatomista e clínico a descre-
ver as pulsações e considerou ser o pulso um fenômeno que ocorre dentro 
dos vasos e também cunhou o termo pulso dicrótico (duplo batimento), 
comparando a um duplo salto de cabra, daí o nome pulsus caprizans.
Galeno (129-200 d.C.), cujos ensinamentos anatômicos perdura-
ram por vários séculos, distinguiu entre o pulsus caprizans e o pulsus 
dicrotus: enquanto no primeiro ocorriam várias pulsações em uma sís-
tole, no segundo ocorriam apenas duas (bigeminismo).
Galileu (1564-1643) observou que o período de oscilação dos 
pêndulos é constante e independente da amplitude dos movimentos e 
realizou as medições comparando com suas próprias pulsações cardí-
acas. Sanctoruis Sanctorius (1561-1636), professor de Pádua e amigo 
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de Galileu, em 1625 usou o pulsilógio (pêndulo feito por Galileu) para 
medir o pulso de seus pacientes; Sir John Floyer (1649-1734) criou um 
relógio de pulso contando os batimentos cardíacos dentro de um mi-
nuto. William Harvey (1578-1657) tem sido descrito como o principal 
cientista do século XVI e fundador da moderna fisiologia. A ele é cre-
ditado ter sido o primeiro homem a descrever corretamente o sistema 
circulatório sanguíneo humano, o que foi primeiro detalhado no livro 
Exercitatio anatomica de motu cordis et sanguinis in animalibus, a res-
peito do movimento cardíaco do sangue, comumente referido como De 
motu cordis, publicado em 1628, em Frankfurt.
Harvey, estudando por vivissecção animais de sangue frio e de san-
gue quente, descreveu as duas fases do movimento do coração: a sístole 
(contração) e a diástole (a expansão). Em seguida, estimando o volume 
de sangue no ventrículo esquerdo e medindo a fração de sangue (fra-
ção de ejeção) que é bombeada pelo coração na principal artéria (aor-
ta), ele concluiu que as concepções existentes na época eram incorretas. 
Galeno sustentava que o sangue era criado no fígado, devido aos 
alimentos ingeridos, passava pelo coração e era consumido pelo cor-
po. Segundo as estimativas de Harvey, seriam necessários 85 kg de ali-
mentos por dia para gerar a quantidade de sangue que seria necessária, 
evidenciando um pensamento incorreto. 
Observações do sistema de uma válvula do coração e dos vasos 
demonstra, por meio de experimentos simples de bloqueio da circula-
ção arterial, com o uso de um torniquete no braço, o desaparecimento 
do pulso radial e um pulso mais forte acima da ligadura e da presença 
de válvulas nas veias que não deixam o sangue refluir; também uma ex-
periência simples (Figura 7), onde um leve garroteamento no braço faz 
engorgitarem as veias superficiais, demonstrando a presença das vál-
vulas venosas e comprimindo a veia, abaixo de uma dilatação, e desli-
zando outro dedo, imediatamente acima, em sentido proximal, verifica 
que o segmento entre os dedos fica sem sangue, mas que se enche quan-
do retira o primeiro dedo. 
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Figura 7 – Experimento Harvey
Fonte: <https://archive.org/stream/exercitatioanato00harv#page/n201/mode/2up>
Assim estabelece o movimento circular do sangue do coração 
para as artérias, distribuindo pelo corpo e a passagem das artérias para 
as veias e destas em direção ao coração. Harvey conclui, com suas pa-
lavras, “tem de ser necessariamente concluído que o sangue descre-
ve um movimento circular, nos animais, e que se move perpetuamente 
[...] e que o movimento e a pulsação do coração é a [sua] única causa”. 
(FAC.SIMILE LIVRO).
Harvey não elucidou a passagem do sangue do sistema arterial para 
o venoso. Acreditava que havia poros ou outros modos que não conse-
guiu explicar. Somente anos mais tarde Malpigui demonstrou a circu-
lação capilar, a passagem do sangue das artérias para o sistema venoso.
A ausculta, usada desde a antiguidade por Hipócrates, era con-
siderada uma técnica ineficaz, indelicada e desagradável (colocando-
-se o ouvido sobre o peito do paciente) por René Theóphile Hyacinthe 
Laënnec (1781-1826). Em 1816, ao examinar uma jovem de seios 
avantajados, enrolou uma folha de papel e a encostou ao peito e ou-
viu de modo mais nítido e ampliado, inventando assim o estetoscó-
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pio. Posteriormente, substituiu a cartolina por um tubo de madeira e 
deu a esse dispositivo o nome de estetoscópio (de stethos, peito +sko-
pein, ver, examinar). Foi trabalhar num hospital de Paris onde eram 
internados muitos pacientes com tuberculose e onde desenvolveu todo 
seu trabalho e descrição da ausculta pulmonar. Morreu de tuberculo-
se. O estetoscópio de Pinard foi usado em obstetrícia até ao final dos 
anos 1970. Houve grande modificação no desenho do estetoscópio até 
o usado nos dias de hoje.
Figura 8 – Rene-Theophile-Hyacinthe Laennec (1781-1826) 
usando estetoscópio
Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Ren%C3%A9-
Th%C3%A9ophile-Hyacinthe_Laennec?uselang=pt-br#/media/File:Rene-Theophile-
Hyacinthe_Laennec_%281781-1826%29_with_stethoscope.jpg>
Galileu (1564-1642) foi o inventor do termômetro. Seu uso clíni-
co só foi difundido graças a Ludwig Traube (1818-1876) e Karl August 
Wunderlich (1815-1877), na Alemanha. Wundrelich, analisando 25 mil 
pacientes com diversas doenças, propôs a aferição da temperatura para 
se descobrir “as leis que regem as enfermidades”. (RAMOS; GAPIT; 
LICHTENSTEIN, 2007, p. 55).
Thomas Clifford Albutt (1836-1925) observou que eles eram de-
sajeitados e de formato pouco cômodo; às vezes requeriam mais de 20 
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minutos para uma leitura confiável. Por volta de 1866, Allbut inventou o 
termômetro clínico de mercúrio, muito menor que os modelos da época.
Este novo termômetro requeria apenas 5 minutos para aferir a tem-
peratura e com alta precisão. Atualmente, os termômetros utilizados são 
os digitais. (RAMOS; GAPIT; LICHTENSTEIN, 2007).
Os de mercúrio foram abandonados porque foi constatado terrí-
vel impacto no meio ambiente pela contaminação com grave prejuízo 
à saúde.
Ao termômetro e ao estetoscópio, vem mais tarde se juntar como 
arsenal do clínico o esfigmomanômetro (aparelho para medir pressão 
arterial). Cerca de um século após Harvey ter estabelecido o conceito 
do sistema circulatório, o reverendo Stephen Hales (1677-1761) fez a 
primeira medição da Pressão Arterial (P.A.) de um animal em 1733. A 
medição foi realizada de maneira invasiva por canulação de uma fístu-
la em uma égua.
Em 1834, J. Herrisson (médico) e P. Gernier (engenheiro) fize-
ram a primeira tentativa de quantificar numericamente a P.A. de ma-
neira indireta. Este aparelho era colocado sob o pulso do paciente e, 
com o peso do Hg, a artéria era comprimida e sua pulsação movimen-
tava a coluna. Dessa forma, foi inventado o Esfigmomanômetro (gr. 
Sphygmos = pulso).
Em 1855, Karl Vierordt (1814-1884) postulou que se a pulsação 
cessasse, seria possível medir a P.A. de forma indireta e não invasiva, 
sendo essa observação o princípio de que era necessário impedir a pro-
pagação das ondas esfígmicas, por meio da obstrução da artéria, para 
que se determinasse a pressão sistólica.
Samuel Sigfried Ritter von Basch (1837-1905) inventou três apa-
relhos de medir a P.A. O mais simples deles, e também o mais pareci-
do com o que hoje chamamos de esfigmomanômetro, consistia em uma 
bolsa de borracha inflável, cheia de água, com um bulbo de Hg no seu 
interior, ligado a uma coluna deHg graduada.
Mais tarde, em 1896, um médico italiano, Scipione Riva-Rocci 
(1863-1937), descreveu “um novo esfigmomanômetro”, utilizan-
do uma coluna de mercúrio e uma bolsa que era colocada em volta 
do braço, para ter acesso à arterial umeral por não ter efeito colate-
ral e ser mais próxima do coração (Figura 10) (RAMOS; GAPIT; 
LICHTENSTEIN, 2007).
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Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Riva_Rocci_1863-1937.
jpg?uselang=de>. <https://archive.org/details/clinicalstudybl00janegoog> p. 81 
<https://ia600504.us.archive.org/BookReader/BookReaderImages.php?zip=/24/items/
clinicalstudyofb00jane/clinicalstudyofb00jane_jp2.zip&file=clinicalstudyofb00jane_jp2/
clinicalstudyofb00jane_0101.jp2&scale=4&rotate=0>
Até então, somente se conseguia determinar a Pressão Sistólica. A 
detecção definitiva da Pressão Diastólica foi feita por Nicolai Segeivich 
Korotkoff (1874-1920). Baseado na experiência adquirida como cirur-
gião vascular nas guerras “Rebelião dos Boxer”, na China (1900), e 
na Rússia-Japão (1904), e também nos estudos de Nikolai Ivanovich 
Pirogoff (1810-1881) sobre ausculta de fístulas arteriovenosas e tumo-
res vasculares, Korotkoff apresentou, na Academia Imperial Médica 
Militar de São Petersburgo, em dezembro de 1904, sua descoberta do 
método auscultatório do pulso, utilizando o esfigmomanômetro de Riva-
Rocci, sendo a técnica utilizada até os dias de hoje. (RAMOS; GAPIT; 
LICHTENSTEIN, 2007).
Sinais Vitais – definição: “São os sinais das funções orgânicas 
básicas, sinais clínicos de vida, que refletem o equilíbrio ou o desequi-
líbrio resultante das interações entre os sistemas do organismo e uma 
determinada doença.” (MOZACHI; SOUZA, 2005).
As medidas desses parâmetros revelam o estado de funciona-
mento das principais funções corporais, como circulatória, respiratória 
Figura 9 – Scipione Riva 
Rocci (1863-1937)
Figura 10 – Esfigmomanômetro de
 Riva-Rocci
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e são importantes tanto no diagnóstico como no acompanhamento dos 
pacientes em tratamento.
Os principais sinais vitais a serem verificados no exame do pa-
ciente, mais precisamente no exame físico geral, são:
 Temperatura
 Pressão arterial
 Frequência respiratória
 Pulso
 Estado de coloração das mucosas, presença de icterícia
 Perfusão periférica
 Estado de hidratação
Temperatura
A manutenção da temperatura normal é condição essencial ao de-
sempenho normal de todas as nossas funções fisiológicas e a sua verifi-
cação constitui um dos primeiros passos ao examinarmos um paciente.
A constatação de uma temperatura elevada (hipertermia) ou anor-
malmente baixa (hipotermia) é sempre considerada sinal de doença.
O limite de normalidade superior, dentro do qual nossos mecanis-
mos fisiológicos regulam a temperatura, é de 36,9°C, o que equivale a 
99,8° F. Lembremo-nos da fórmula de transformação de graus Celsius 
em Fahrenheit: C/5 = (F – 32) /9.
De uma maneira bastante resumida, podemos dizer que a par-
tir de receptores cutâneos a informação sobre a temperatura atinge o 
Hipotálamo (Figura 11), no sistema nervoso central, que regula todas 
as informações recebidas do exterior e do próprio corpo como um gran-
de maestro, por meio da secreção de substâncias denominadas prosta-
glandinas, originando-se assim o controle dos mecanismos geradores 
e de perda de calor.
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Figura 11 – Visão do SNC HIPOTÁLAMO
Mecanismos geradores de conservação e perda de calor
Um dos principais mecanismos que regulam a temperatura é o 
fluxo sanguíneo cutâneo, ao produzir uma vasodilatação ou vasocons-
trição dos vasos cutâneos.
Lembremos que o fluxo normal na cútis é, à temperatura ambien-
te, de cerca de 300 ml/min, sendo que em situação de hipotermia extre-
ma atinge valores de 10 a 30/ml/minuto. No calor extremo este fluxo 
poderá ser de = 3.000ml/minuto, ou seja, tem uma amplitude de varia-
ção de 10 vezes para mais ou para menos.
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Outros mecanismos importantes de proteção contra a hipotermia 
ou ganho de calor são a piloereção e o tremor muscular.
Mecanismos de perda de calor: são mecanismos físicos bastante 
simples:
1. Irradiação: cerca de 60,0% da perda de calor se dá por irradiação por 
raios térmicos infravermelhos para o meio ambiente.
2. Condução: apenas 3,0% da perda de calor do corpo para o exterior 
se processa dessa forma, ou seja, a transferência de calor entre a
superfície do nosso corpo e a superfície com a qual o mesmo está em 
contato. Em condições extremas, podemos perder até 15,0% do calor 
por esse mecanismo.
3. Convecção: em condições normais é de 15,0% a perda por esse
mecanismo. O ar em contato com nosso corpo, uma vez aquecido, sobe 
conduzindo o calor, descendo uma camada de ar mais fria que se
aquecerá, formando-se assim correntes de convecção.
4. Pelo vento: o vento remove a camada de ar mais aquecida junto a 
pele. Um vento de 10 Km/h remove o dobro de calor que um vento de 
1 Km/h. A ventilação é um procedimento que pode ser usado na
clínica, para baixar a temperatura anormalmente elevada.
5. Evaporação: é a perda que ocorre com a perspiração insensível e a 
sudorese. Apenas por meio da perspiração insensível (perda de água 
não perceptível, contínua, sem sudorese) eliminamos através da pele 
e dos pulmões cerca de 600 ml de água por dia. Para cada ml elimi-
nado há uma perda de 0,6 calorias.
Em condições extremas de calor, a evaporação por meio da su-
dorese é o mecanismo mais eficaz e essencial para perda de calor e ma-
nutenção da homotermia.
Hipertermia
A hipertermia, ou febre, pode ocorrer devido a lesões cerebrais, 
exposição ao calor extremo, desidratação grave, mas a quase totalida-
de dos casos na prática clínica deve ser considerada como um sinal de 
infecção.
O aumento da temperatura nunca deverá ser considerado uma si-
tuação fisiológica, sendo sempre necessária a sua normalização com o 
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uso de medidas físicas ou medicação. Cada grau de aumento da tempe-
ratura aumenta em 10.0% as necessidades metabólicas, ou seja, o or-
ganismo estará gastando energia para manter a temperatura normal em 
detrimento de suas atividades normais.
Hipotermia
A hipotermia leva à acidose do líquido extracelular e nenhum 
mecanismo bioquímico celular funciona normalmente em condições 
de acidose. 
É de extrema gravidade em duas situações clínicas bem específicas, 
apenas para exemplificar.
Politraumatizado: indivíduo vítima de trauma sobre múltiplos ór-
gãos tem como uma causa importante de mortalidade a hipoter-
mia. Um dos itens essenciais no atendimento ao politraumatizado 
é a prevenção da hipotermia, corresponde ao incluso no item E 
 no ABCDE do atendimento ao traumatizado.
Recém-nascido (RN): O RN evolui facilmente para a hipotermia 
e risco de óbito por uma série de razões anatômicas:
 O tecido celular subcutâneo é muito escasso
 A derme é muito mais fina em comparação ao adulto
 As papilas dérmicas muito superficiais, facilitando muito a perda 
de calor para o exterior (Figura 12)
 É desprovido de pelos
 Superfície corpórea 3x maior por unidade de peso em comparação 
ao adulto
 Tem anabolismo (conjunto das atividades fisiológicas que geram 
energia) muito mais intenso
 Sua temperatura de neutralidade térmica é próxima de 30° C, sendo
que abaixo dessa temperatura haverá aumento da demanda de oxi-
gênio e glicose apenas para manter a temperatura.
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Figura 12 – Esquema de histologia da pele – Papila dérmica
Fonte: Imagem: Shutterstock / Legenda: AutoresFigura 13 – Incubadora “isolete”. Ambiente ideal para a manutenção do RN
Fonte: Otávio Madi (acervo pessoal)
Camada córnea da pele
Epiderme
Derme
Glândula sudorípara
Pelo
Papila dérmica
Músculo eretor de pelo
Terminação nervosa
Vasos na derme
Glândula sebácea
Folículo piloso (tecido adiposo)
Hipoderme
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Figura14 – Temperatura em diversas localizações do corpo humano 
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Frequência e Padrão respiratório
Objetivo: manter a pO2, pCO2 e o pH plasmático em valores nor-
mais em todas as situações.
Seu controle fisiológico, aqui apresentado de forma simplifica-
da, constitui:
Vias aferentes (as que chegam ao centro): alteração do pH no lí-
quido cefalorraquidiano no IV ventrículo; o aumento do pH determina 
uma hipoventilação e o aumento uma hiperventilação.
Uma substância presente no plasma tem a função tampão, corri-
gindo o pH. É o denominado tampão bicarbonato, o equilíbrio entre as 
diversas formas iônicas do bicarbonato no sangue, que deve permane-
cer constante:
Outros mecanismos incluem alterações na pO2, pCO2 e pH no glo-
mus carotídeo e na crossa da aorta, os nervos vago e glossofaríngeo e 
receptores de estiramento nos pulmões (receptores de Hering-Breuer), 
além dos Receptores J nos capilares alveolares, (taquipnea-dispnea) na 
insuficiência cardíaca, quando há incapacidade do coração em bombear 
o sangue de forma adequada, determinando um aumento da pressão nos 
capilares dos alvéolos pulmonares.
A frequência respiratória normal no adulto é de 16 movimentos 
por minuto (mpm); na criança na idade pré-escolar é de 20 mpm; no re-
cém-nascido é 40 mpm.
Dada a maior atividade metabólica, necessária para esta fase de 
maior crescimento e desenvolvimento do ser humano, a necessidade 
de extrair oxigênio e eliminar o gás carbônico tem que se fazer muito 
mais rapidamente.
Pressão Arterial
A Pressão Arterial representa a força exercida pelo sangue sobre 
a superfície dos vasos sanguíneos.
Se multiplicarmos o volume de sangue enviado pelo ventrículo 
esquerdo em uma sístole (contração) pela frequência cardíaca, teremos 
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o valor de uma grandeza importante em Medicina, a qual denomina-
mos débito cardíaco. A multiplicação do débito cardíaco pela resistência 
oferecida pelos vasos (resistência periférica) constitui, em termos físi-
cos, a pressão arterial.
Débito Cardíaco = Volume Sistólico X Frequência Cardíaca
PA = DC x Resistência periférica
Os valores normais do débito cardíaco são de 5 a 6 litros por mi-
nuto, mas em condições de exercício extremo atinge até 30 litros por 
minuto, mostrando a enorme capacidade de adaptabilidade de nossas 
condições fisiológicas. 
Fatores que interferem na pressão arterial
• Elasticidade dos vasos: a elevação da pressão arterial é dire-
tamente proporcional a maior rigidez dos vasos, sendo a re-
sistência oferecida pela parede dos grandes vasos o principal 
determinante da pressão sistólica, ou pressão máxima.
• Volemia: nossa volemia normal, com poucas variações em 
relação à idade, corresponde a 8,0% do peso corpóreo. A 
Hipovolemia é seguida de hipotensão, o contrário se verifi-
ca em condição de hipervolemia, fora dos valores normais de 
adaptação fisiológica.
• Viscosidade sanguínea: o aumento da viscosidade sanguínea, 
exemplificando uma condição anormal na qual há grande au-
mento da proporção de glóbulos vermelhos em relação ao plas-
ma, poderá ser causa de hipertensão; o inverso se imaginarmos 
a situação oposta, uma anemia extrema.
• Resistência periférica: seu aumento se deve a atuação do siste-
ma nervoso autônomo simpático, por seus receptores Alfa (va-
soconstritores). Os receptores Beta são vasodilatadores.
• A valva aórtica: a integridade da valva aórtica é o principal de-
terminante da pressão diastólica. Quando o coração entra em 
diástole (dilatação, recebendo o sangue do átrio esquerdo) ocor-
re o fechamento da valva aórtica. Por complacência da parede 
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da Aorta o sangue tenderia a refluir novamente para dentro do 
ventrículo esquerdo, o que é impedido pelo fechamento mecâ-
nico da valva logo no início desse refluxo, determinando a pres-
são diastólica ou pressão mínima.
Existe uma afecção cardíaca, a Insuficiência Aórtica, originada 
pela febre reumática, na qual a valva é parcialmente destruída, portanto 
não funciona. Estes indivíduos têm pressão máxima elevada e mínima 
muito baixa, por exemplo, 170/40. O volume sistólico aumentado e a 
falta do fechamento da valva explicam essa grande pressão diferencial. 
Pressões no sistema cardiovascular:
Sistêmicas:
Aorta e grandes casos: 100 /80 mm Hg 
Arteríolas: 50 mm Hg
Capilares: 20 mm Hg
Veia Cava: 4,0 mm Hg
Átrio direito: 0-2 mm Hg
Artéria pulmonar: 25/80 mm Hg
Átrio esquerdo: 2,0 a 5,0 mm Hg 
Veias pulmonares e capilar pulmonar: 8,0 mm Hg
Tabela 1 – Valores da pressão arterial
Sistólica (mmHg) Diastólica (mmHg) Nível
130 85 Normal
130 a 139 85 a 89 Normal limítrofe
140 a 159 90 a 99 Hipertensão leve
160 a 179 100 a 109 Hipertensão 
moderada
180 ou maior 110 ou maior Hipertensão grave
Fonte: Os autores
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Controle da pressão arterial: são dois os principais mecanismos 
fisiológicos responsáveis pelo controle da pressão arterial:
• O sistema renina-angiotensina (Figura 15)
Figura 15 – Sistema renina-angiotensina
A renina é sintetizada e armazenada pelas células justa-glomeru-
lares, células musculares lisas modificadas da parede das arteríolas afe-
rentes próximo ao glomérulo. Com a queda da pressão arterial, a renina 
vai agir sobre o angiotensinogênio plasmático – angiotensina I. Nos pul-
mões, a angiotensina I, pela ação de uma enzima presente no endotélio 
dos vasos pulmonares, se transforma na angiotensina II, um vasocons-
tritor muito potente.
A angiotensina II, além de sua ação vasoconstritora sistêmica, 
promove liberação de aldosterona, um hormônio produzido pelo cór-
tex da suprarrenal, sendo que ambos aumentam a retenção de sódio, e, 
junto com esse, de água pelos rins, restabelecendo os níveis pressóricos.
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• O sistema Barorreceptor (Figura 16)
Figura 16 – Sistema Barorreceptor
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Por mecanismo reflexo alterações rápidas da pressão são controla-
das a partir de receptores situados na croça da aorta e no glomus carotídeo
Figura 17 – Medida da Pressão arterial
Fonte: Cristiane Monteiro (acervo pessoal)
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Passo a passo na aferição da pressão arterial
1 – Identificar-se e procurar iniciar um diálogo normal e agradável como se faz 
necessário em toda consulta médica. Explicar o procedimento ao paciente;
2 – Certificar-se de que o paciente não está com a bexiga cheia, não praticou 
exercícios físicos e não ingeriu bebidas alcoólicas, café, alimentos ou fumou até 
30 minutos antes da medida;
3 – Deixar o paciente descansar por 5 a 10 minutos em ambiente calmo, com 
temperatura agradável. A PA é medida com o paciente sentado ou deitado, com 
o braço repousado sobre uma superfície firme;
4 – Localizar a artéria braquial por palpação;
5 – Colocar o manguito firmemente cerca de 2 cm a 3 cm acima da fossa 
antecubial. A largura da bolsa de borracha do manguito deve corresponder a 
40% da circunferência do braço e seu comprimento, envolver pelo menos 80% 
do braço;
6 – Manter o braço do paciente na altura do coração;
7 – Palpar o pulso radial e inflar o manguito até seudesaparecimento no nível da 
pressão sistólica;
8 – Posicionar o estetoscópio sobre a artéria braquial, na fossa antecubial, sem 
compressão excessiva;
9 – Inflar rapidamente, de 10 mmHg em 10 mmHg, até o nível estimado da 
pressão arterial;
10 – Proceder à deflação, com velocidade constante. Procede-se, neste momento, 
à ausculta dos sons sobre a artéria braquial, evitando-se compressão excessiva do 
estetoscópio;
11 – Determinar a pressão sistólica no momento do aparecimento do primeiro 
som, que se intensifica com aumento da velocidade de deflação;
12 – Determinar a pressão diastólica no desaparecimento completo dos sons e 
depois proceder à deflação rápida e completa. Quando os batimentos persistirem 
até o nível zero, determinar a pressão diastólica no abafamento dos sons;
13 – Registrar os valores das pressões sistólica e diastólica;
14 – Esperar 1 a 2 minutos antes de realizar novas medidas, recomendando-se 
a elevação do braço para normalizar mais rapidamente a estase venosa, que 
poderá interferir na próxima medida.
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Verificação do Pulso – objetivos:
1. Estado da parede arterial
2. Frequência
3. Ritmo
4. Amplitude
5. Comparação com o lado homólogo
6. Tensão ou dureza
Pulsos Periféricos Pulsos Centrais
Temporal Carotídeo
Radial Axilar
Poplíteo Braquial
Tibial posterior Femoral
Pedioso
Método
1. Aferição durante 1 minuto completo, comprimindo-se a artéria radial entre 
a apófise estiloide do rádio e os tendões flexores.
2. Em condições fisiológicas apresenta grande amplitude de variação com a 
idade, 
3. Atividade física, estado emocional, gravidez etc.
4. Valores normais para o adulto: 60 a 100 / min.
Acima: taquisfigmia
Abaixo: bradisfigmia
Na prática, usa-se o termo taquicardia e bradicardia
Causas mais comuns de taquicardia e bradicardia:
Taquicardia: febre, hipertireoidismo, insuficiência cardíaca, 
hipovolemia.
Bradicardia: bloqueio cardíaco (atrioventricular), atletas, difte-
ria e febre tifoide, hipertensão endocraniana, lesão alta da medu-
la espinal.
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Déficit de pulso: 
Contração sem impulso de sangue para a aorta
Exemplos: 
Fibrilação atrial e extra-sístole ventricular: nessas situações a 
frequência cardíaca será maior do que a do pulso.
Amplitude do pulso: grande amplitude: insuficiência aórtica
Baixa amplitude: Estenose aórtica ou Insuficiência cardíaca.
Filiforme: choque vascular – sepse
Avaliação da perfusão periférica, hidratação e da coloração das mucosas:
Avaliação do fluxo sanguíneo ao nível da pele:
Coloração das mucosas
Coloração da pele
Presença de cianose
Temperatura
Sensibilidade ao nível da pele
Elasticidade, mobilidade, turgor
Umidade
Textura: lisa, áspera, enrugada
Temperatura, Sensibilidade ao nível da pele, Elasticidade,
mobilidade, turgor
Icterícia: É a coloração amarelada da pele e das mucosas.
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Figura 18 – Microcirculação
As hemácias são produzidas na medula óssea e após 120 dias des-
truídas, sendo o principal sítio de destruição o baço. O ferro do grupo 
heme da hemácia é utilizado pelo organismo e a molécula da hemoglo-
bina circula livre no sangue sob a forma que denominamos bilirrubina 
indireta. No hepatócito ela se liga a molécula de albumina que é excre-
tada pelo fígado, a bilirrubina direta, que dos canalículos intra-hepáticos 
deixa o fígado pelo ducto hepático, é concentrada na vesícula (até 20 ve-
zes) e eliminada pelo colédoco, atingindo o duodeno e o tubo digestivo.
Assim, se nós tivermos um excesso de destruição de hemácias, 
nós teremos muita bilirrubina indireta circulante e as mucosas estarão 
ictéricas. Isso ocorre em doenças do sangue denominadas anemias 
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hemolíticas, sendo uma causa comum a incompatibilidade entre o sangue 
materno e o fetal, anemia hemolítica do recém-nascido.
No recém-nascido, uma condição comum de aumento da bilirru-
bina direta determinando icterícia é a atresia de vias biliares, uma do-
ença muito grave que se inicia após a segunda ou terceira semana de 
vida e na qual as vias biliares sofrem uma fibrose progressiva e deixam, 
portanto, de conduzir a bile para o intestino. Um cálculo obstruindo o 
ducto colédoco é uma causa comum de icterícia com aumento da bilir-
rubina direta.
Essa alteração pode ser tratada por meio de uma cirurgia, na qual 
a via biliar obstruída é substituída por um segmento do intestino delga-
do: porto-enterostomia-Cirurgia de Kasai.
Nessas obstruções das vias biliares as fezes não terão sua cor ca-
racterística, que é dada pela bile. A essa alteração denominamos fezes 
hipocólicas ou acólicas.
Figura 19 – Fezes acólicas – atresia de vias biliares
Fonte: Sergio Tomaz Schettini (arquivo pessoal)
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Bibliografia recomendada
BRASIL. Ministério da Saúde. Hipertensão arterial sistêmica para o Sistema Único 
de Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2006. (Cadernos de Atenção Básica; 16) 
(Série A. Normas e Manuais Técnicos). Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/
bvs/publicacoes/caderno_atencao_basica15.pdf>. Acesso em: 12 nov. 2015.
DE MOTU CORDIS. Special Collections. University of Glasgow. Disponível em: 
<http://special.lib.gla.ac.uk/exhibns/month/june2007.html>.
FAC. SIMILE LIVRO Exercitatio anatomica de motu cordis et sanguinis in anima-
libus. Disponível em: <https://archive.org/details/exercitatioanato00harv>.
GUyTON, Arthur C.; HALL, John Edward. Tratado de fisiologia médica. 12. ed. Rio 
de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.
JANEWAy, T. C. The clinical study of blood-plessure. New York and London: D. 
Appleton & Co., 1904. p. 79.
JUNQUEIRA, Luis Carlos Uchoa; CARNEIRO, José. Histologia básica: texto e atlas. 
12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
MOORE, Keith L.; AGUR, Anne M. R. Fundamentos de anatomia clínica. 4. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2013.
MOULIN, D. A. A short history of blood measurement. In: ARNTZENIUS, A. C.; 
DUNNIG, A. J.; SNELLEN, H. A. (Ed.). Proceedings. 2nd. Einthoven meeting on 
past and presente cardiology: blood pressure measurement and systemic hypertension. 
Breda: Medical World Press, 1981. p. 28.
PORTO, Celmo Celeno (Ed.); PORTO, Arnaldo Lemos (Co-ed.). Exame clínico: Porto 
& Porto. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
RAMOS, Carlos. William Harvey vida e obra. Acta Medica Portuguesa. 1992: 5:559-
563. Disponível em: <http://www.actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/
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RAMOS, Moara; GAPIT, Vânia Löschl; LICHTENSTEIN, Arnaldo. A instrumen-
tação do clínico. Rev. Med. (São Paulo). 2007 jan.-mar.;86(1):52-60. Disponível em: 
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ROBBINS, Stanley L. et al. Robbins &Cotran: fundamentos de patologia. 8. ed. Rio 
de Janeiro: Elsevier, 2012.
SOUZA, Virginia Helena Soares; MOZACHI, Nelson. O hospital: manual do ambien-
te hospitalar. 10. ed. Curitiba: Os autores, 2005.
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderno_atencao_basica15.pdf
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Capítulo 5
Procedimentos terapêuticos básicos I: 
vias de administração de medicamentos
Otavio Madi
A Medicina Primitiva das sociedades pré-urbanas e urbanas arcai-
cas se baseia, do ponto de vista terapêutico, num fortíssimo componen-
te psicológico baseado em crenças e ritos mágicos, aliado ao emprego 
de plantas Medicinais.
As primeiras sociedades cujas escritas fazemalguma referên-
cia à farmácia/farmacologia, são o Egito antigo, dominado pelo Rio 
Nilo e a Mesopotâmia, entre os rios Tigres e Eufrates (hoje Iraque), 
entre o terceiro e segundo milênio antes de Cristo. As mais antigas 
escritas médico-farmacêuticas são provenientes dessas civilizações. 
Na Mesopotâmia, são constituídas de tabuinhas de argila gravadas 
com estilete (escrita cuneiforme) e o mais antigo documento escri-
to, por volta do fim do terceiro milênio a. C., contém quinze recei-
tas Medicinais.
No Egito, o papiro mais antigo data de 1500 anos a.C. e inclui re-
ferências de mais de 7.000 substâncias Medicinais, incluindo mais de 
800 fórmulas.
O conceito de bases sobrenaturais para explicação das doenças 
persistiu até a era de Hipócrates, Aristóteles, Sócrates, quando foi desen-
volvida a ideia de que as doenças advinham de um desequilíbrio entre 
os quatro humores: Sangue, Fleuma, Bílis amarela e Bílis negra, proce-
dentes, respectivamente, do coração, cérebro, fígado e baço.
Galeno (129-200) nasceu em Pérgamo, onde estudou Medicina. Foi 
médico de gladiadores e do imperador romano. Baseou-se na Medicina 
Hipocrática e desenvolveu uma teoria racional e sistemática onde clas-
sificava os medicamentos conforme sua propriedade e os utilizava com 
propriedades contrárias àquelas que caracterizavam as doenças.
No Ocidente, por volta dos anos 500 d.C., a Medicina era praticada nos 
monastérios, tanto o ensino como a prática e o cultivo de plantas Medicinais 
e seu preparo, iniciando o desenvolvimento dos jardins botânicos. 
O ensino médico passou para as Universidades, sendo as de Salerno 
e Pádua, na Itália, de grande importância histórica. No Renascimento, 
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o grande impulso da Medicina foi no campo da anatomia com Andrea 
Vesalius. 
Em relação à Farmácia e medicamentos, eram usados procedi-
mentos como sangrias e ventosas e medicamentos à base de plantas.
Somente após 1628, quando William Harvey desenvolveu a te-
oria do sistema circulatório, fluxo sanguíneo e detectou a presença e a 
importância das válvulas nas veias, é que iniciaram os procedimentos 
injetáveis.
Em 1662, Major injetou substâncias em humanos com êxito, e em 
1667, Denis fez a primeira transfusão sanguínea entre animais e huma-
nos documentada e resultou em reação à transfusão.
Em 1795, Physick notou que a transfusão sanguínea na hemorra-
gia obstétrica reduzia a mortalidade, porém sem nenhum embasamento 
científico, mas por casualidade.
No século XIX, em 1818, James Blundell fez a primeira transfu-
são sanguínea entre humanos. Na década dos 1860, Pasteur desenvolve 
a teoria dos germes e Lister postulou que a infecção poderia ser pre-
venida destruindo organismos. Em 1889, Halsted indica uso de luvas.
No século XX, o uso de solução salina e glicose foi prática aceita 
e largamente utilizada em pacientes críticos. Com o advento da esterili-
zação (1910), equipamentos eram limpos e esterilizados. Em relação à 
transfusão sanguínea, em 1901 é feita a descoberta dos grupos sanguíne-
os ABO e em 1939 o anti-RH. Em 1907, Ottenberg estabelece a seleção 
de doadores de sangue baseados em diferenças de tipagem sanguínea. 
Em 1915, o citrato de sódio é usado com sucesso como anticoagulan-
te. Na II Guerra Mundial a transfusão sanguínea é usada amplamente.
Em 1941, são introduzidas técnicas de separação do plasma 
sanguíneo e hoje em dia a transfusão é amplamente utilizada com 
separação dos componentes sanguíneos, sendo ministrados de acordo 
com a necessidade.
Medicamento é toda substância química capaz de promover no 
organismo efeito preventivo (vacinas), curativo (antibióticos), paliati-
vo (analgésicos) ou diagnóstico (contrastes).
Vias de Administração é o caminho pelo qual o medicamento é 
introduzido no organismo para que ele possa chegar ao tecido no qual 
ele irá agir.
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As vias de Administração são: 
Enteral: uso interno, utiliza-se o sistema digestório, as vias são 
oral, retal, sublingual e o efeito desejado é o efeito sistêmico. É uma 
via de administração segura, cômoda, menos dispendiosa, mais conve-
niente para o paciente, sendo uma grande parte dos medicamentos ad-
ministrada por essa via. Geralmente os medicamentos para uso interno, 
enteral, são disponibilizados em forma de comprimidos, cápsulas, líqui-
dos, pós, xaropes, suspensões. 
Quando utilizados por via oral, os medicamentos após serem ab-
sorvidos no trato gastrointestinal são metabolizados pelo fígado, para 
então atingirem a circulação sistêmica. Essa via não deve ser utilizada 
em pacientes inconscientes, que não conseguem deglutir ou com náu-
seas e vômitos.
Alguns medicamentos são utilizados por via sublingual; estes são 
absorvidos rapidamente devido a grande quantidade de vasos sanguíne-
os e à superficialidade deles, propiciando também início rápido de ação. 
A isossorbida, uma medicação para tratar a angina do peito, e analgési-
cos, são administrados por essa via.
A via retal é geralmente utilizada por pacientes incapazes de de-
glutir ou que apresentam vômitos. As apresentações são geralmente 
supositórios.
Parenteral: uso externo, termo este derivado do grego, que sig-
nifica ao lado, sem utilizar o tubo digestivo. O efeito desejado é o sistê-
mico, é utilizado quando se deseja um efeito mais rápido, mais intenso, 
também indicado quando os pacientes são incapazes de deglutir, estão 
inconscientes ou com problemas gastrointestinais. 
Pode ser por via direta, injeção ou infusão, por ex., intravenosa, 
intra-arterial, intramuscular, intracardíaca, subcutânea, intraóssea, intra-
dérmica, intraperitoneal, peridural, intratecal, intra-articular.
Também pode ser utilizada por via indireta, como transdérmica, 
respiratória, conjuntival, geniturinária, podendo o efeito ser sistêmico 
ou mesmo local. Por exemplo, alguns hormônios são utilizados por pa-
tch (adesivos) com efeito sistêmico ou mesmo cremes com efeito sistê-
mico e local e anestésicos, colírios, pomadas e cremes, gotas otológicas, 
intranasal, enemas, inaláveis.
Por via parenteral, a medicação cai ou é absorvida diretamente 
na corrente sanguínea.
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Intramuscular: nesta via, a medicação é depositada em deter-
minados grupos musculares, que permitem rápida absorção devido à 
vascularização de quantidades relativamente grande de substâncias. Os 
grupos musculares mais utilizados são os glúteos, os deltoides, vasto 
lateral da coxa. A escolha do local vai depender da idade, do estado fí-
sico do paciente e da proposta da injeção.
Na via intravenosa a droga é administrada diretamente na veia, 
geralmente nas veias superficiais do membro superior, como basílica, 
mediana e cefálica, no dorso da mão ou mesmo no antebraço. Podem 
ser administradas também infusões de grandes quantidades de líquidos 
como soro glicosado, fisiológico, hemoderivados etc.
Figura 20 – Diversos tipos de aplicação injetável
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Nas ilustrações a seguir são apresentadas algumas características 
para escolha de local mais adequado para as injeções.
Tabela 2 – Local de aplicação da injeção intramuscular, volume e idade 
FAIXAS
ETÁRIAS
MÚSCULOS
DELTÓIDE VENTRO-GLÚTEO
DORSO-
GLÚTEO
VASTRO 
LATERAL
PREMATUROS ------------- ------------- ------------- 0,5 (ml)
NEONATOS ------------- ------------- ------------- 0,5 (ml)
LACTENTES ------------- ------------- ------------- 1,0 (ml)
CRIANÇAS
3 A 6 ANOS
------------- 1,5 (ml) 1,0 (ml) 1,5 (ml)
CRIANÇAS
6 A 14 ANOS
0,5 (ml) 1,5 (ml) – 2,0 (ml)
1,5 (ml) – 
2,0 (ml) 1,5 (ml)
ADOLESCENTES 1,0 (ml) 2,0 (ml) – 2,5 (ml)
2,0 (ml) – 
2,5 (ml)
1,5 (ml) – 
2,0 (ml)
ADULTOS 1,0 (ml) 4,0 (ml) 4,0 (ml) 4,0 (ml)
Fonte: Adaptado pelos autores de MALKIN, B. Are techniquesused for intramuscular 
injection based on research evidence? Nursing Times, 2008;105(50/51): 48-51. BORK, 
A. M. T. Enfermagem baseada em evidência. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.
Sempre atentos à segurança do paciente, a administração de me-
dicamentos é um procedimento que envolve diretamente o paciente e 
como tal devemos nos prevenir de possíveis erros que podem causar 
danos ao mesmo e como proceder para evitá-los.
Possíveis erros na administração de medicamentos e como 
evitá-los:
1. Erro de medicamento: sempre conferir nome e validade; 
2. Erros de dose ou dosagem: sempre conferir dose e concen-
tração do medicamento a ser administrado;
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3. Erro de via: sempre conferir se é a via adequada para aque-
le medicamento;
4. Erro na técnica de administração: estar treinado e habilita-
do na técnica a ser utilizada, conhecimento dos materiais a se-
rem utilizados e como usá-los.
Injeção intramuscular:
Checklist para injeções intramusculares:
 Lavou as mãos e colocou as luvas?
 Explicou ao paciente o procedimento a ser realizado?
 Pediu licença para o paciente para realizar o procedimento?
 Verificou o medicamento, nome, dose, validade?
 Preparo adequado do material a ser utilizado?
 Informou o local da injeção?
 Realizou antissepsia adequada?
 Descartou a agulha no local adequado?
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Figura 21 – Injeções intramusculares
Fonte: BRASIL. Capacitação de pessoal em sala de vacinação: manual do treinando. 
Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2001. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/
bvs/publicacoes/funasa/salavac_treinando_completo.pdf>
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/funasa/salavac_treinando_completo.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/funasa/salavac_treinando_completo.pdf
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Injeção Intravenosa
Checklist para punção venosa:
 Lavou as mãos e colocou as luvas?
 Explicou ao paciente o procedimento a ser realizado?
 Pediu licença para o paciente para realizar o procedimento?
 Verificou o medicamento, nome, dose, validade?
 Preparo adequado do material necessário a ser utilizado?
 Escolheu o melhor local para a punção?
 Informou o local da injeção?
 Colocação adequada do garrote?
 Realizou antissepsia adequada?
 Soltou o garrote após a punção e antes de injetar o medicamento?
 Descartou a agulha no local adequado?
___________________________
Bibliografia recomendada
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Capítulo 6
Procedimentos terapêuticos básicos II: 
sondagem nasogástrica, nasoenteral e vesical
Sérgio Tomaz Schettini
As sondas gástricas foram desenvolvidas e tornaram-se rotina na 
prática médica após a Revolução Industrial, que se inicia na Inglaterra 
ao final da primeira metade do século XIX, tornando-se uma realidade 
após o início de adequado desenvolvimento na fabricação de materiais 
de borracha e plásticos flexíveis.
A primeira sonda criada com o objetivo de ser introduzida para 
descomprimir ou esvaziar o estômago e administrar medicamentos foi a 
sonda de Levine, desenvolvida por Abrahan Louis Levine (1880-1940), 
médico norte-americano, sendo até hoje a mais comumente utilizada e 
denominada sonda nasogástrica ou sonda de Levine.
Indicações
A passagem de uma sonda gastrointestinal é a inserção de uma 
sonda de plástico ou de silicone, bastante flexível, mas com adequada 
rigidez para manter-se sempre permeável. 
Sua introdução, na grande maioria das vezes, é feita pelo nariz, 
sonda nasogástrica, ou pela boca, sonda orogástrica, tendo os seguintes 
possíveis objetivos ou indicações:
1. Descomprimir o estômago, o duodeno ou intestino delgado, 
pela remoção de gás e líquidos.
2. Realizar uma lavagem gástrica, mais propriamente lavagens 
sucessivas com a rápida introdução e aspiração de líquido, para 
promover o esvaziamento do conteúdo gástrico, como no trata-
mento das tentativas de suicídio por envenenamento. 
3. Diagnosticar a motilidade intestinal – em condições de fun-
cionamento normal do aparelho digestivo, o estômago contém 
apenas o seu próprio suco gástrico, material líquido claro leve-
mente viscoso e com poucos grumos escuros.
Caso ocorra a parada dos movimentos peristálticos normais do 
intestino, irá ocorrer o refluxo do conteúdo líquido e gasoso, 
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do intestino delgado para o duodeno e deste para o estômago, 
devido ao aumento da pressão dos gases e líquidos no intesti-
no delgado. Denominamos esta condição de paralisia intestinal, 
completa ou parcial, íleo paralítico, íleo adinâmico ou simples-
mente estado de íleo.
Nessa situação, ao introduzirmos uma sonda no estômago ob-
servaremos um conteúdo líquido de coloração verde-amarela-
da devido à presença de bile (líquido bilioso), mais fluido ou 
até mesmo com grumos de material próprio do conteúdo intes-
tinal, dando o característico aspecto que denominamos líqui-
do fecaloide.
O íleo adinâmico ocorre após a realização de uma laparotomia, 
cirurgias em que se realiza a abertura da cavidade abdominal, 
sendo de duração temporária de 24 horas até vários dias, na de-
pendência da magnitude da cirurgia realizada e do grau de ma-
nipulação das vísceras abdominais.
Pode, comumente, ser devido a alterações do equilíbrio eletrolí-
tico com hipopotassemia (diminuição dos níveis normais da con-
centração plasmática de potássio, íon fundamental na motricidade 
intestinal), nos processos inflamatórios intra-abdominais, sendo os 
mais comuns a apendicite aguda, a colecistite aguda e a pancreati-
te aguda, nos traumatismos abdominais, nas infecções sistêmicas 
generalizadas, traumatismo raquimedular (da coluna e medula es-
pinal), meningites e em qualquer quadro tóxico-infeccioso grave. 
Aspecto idêntico será observado nos casos de obstrução do in-
testino delgado, onde ainda temos fortes dores em cólica, de 
caráter progressivo.
Um dado que nos permite distinguir as duas condições é o de 
que no íleo adinâmico, além da inexistência da dor, a ausculta 
do abdome com o estetoscópio revela silêncio abdominal pela 
parada dos movimentosperistálticos.
Nos casos de obstrução intestinal, ouvimos ruídos em salva, 
com grande aumento de sua frequência, timbre e intensidade, 
denominados ruídos com timbre metálico, que denotam a luta 
do intestino para vencer a obstrução. Nas infecções intestinais 
(gastroenterites) os dados da ausculta são semelhantes, a diar-
reia diferenciando clinicamente essa condição de uma obstrução. 
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A descompressão gástrica constitui parte fundamental no trata-
mento do íleo adinâmico e das obstruções do aparelho digestivo.
4. Administrar medicamentos e alimentos. Este procedimento 
se faz necessário, desde a alimentação lenta e fracionada 
de prematuros, até indivíduos com grave lesão neurológica 
incapazes de deglutir, ou portadores de grave anorexia (ausência 
completa do apetite) em decorrência de grave infecção ou 
de doenças consumptivas crônicas, como os portadores de 
neoplasias em estado avançado (câncer).
As sondas comuns plásticas de Levine não devem ser utili-
zadas com essa finalidade, pois apresentam alguma rigidez e 
sua permanência por longo período poderá causar lesão da pa-
rede esofágica e mesmo da faringe, além de determinarem o 
refluxo do conteúdo ácido do estômago para o esôfago, cau-
sando sérias lesões, pela agressão do conteúdo ácido à mu-
cosa esofágica. Nesses casos são então utilizadas sondas de 
silicone, bem mais finas e flexíveis, material muito mais deli-
cado do que o plástico comum da sonda de Levine, denomi-
nadas sondas enterais.
5. Auxiliar no tratamento do sangramento gástrico ou duodenal 
Monitorizar ou “vigiar” o sangramento e tratar por compressão 
uma variz esofágica sangrante. Nessa situação são usadas 
sondas especiais dotadas de um balão que, uma vez insuflado, 
irá comprimir a variz (veia dilatada) esofágica sangrante. Esta é 
denominada sonda de Senkstaken-Blackmore ou sonda Minessota.
6. Obter conteúdo gástrico para análise
TIPOS DE SONDAS
As mais utilizadas são as sondas nasogástricas e nasoentéricas ou 
nasoenterais, ou ainda simplesmente enterais.
Sonda de Dubhoff: é uma sonda enteral de silicone, portanto 
fina e bastante flexível. Para possibilitar sua introdução dispõe de um 
fio fino metálico em seu interior, retirado assim que a sonda está ade-
quadamente posicionada.
Tem na sua extremidade uma ponta pesada, que visa dirigir e fa-
cilitar a progressão da sonda “arrastada” no tubo digestivo pelos movi-
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mentos peristálticos. Deixamos um excesso de sonda no estômago e o 
peristaltismo gástrico fará com que a sonda vá se deslocar até o jejuno.
Figura 22 – Sonda de Duboff
Fonte: Cristiane Monteiro (acervo pessoal)
Sua principal indicação é a alimentação de doentes crônicos e sem-
pre que necessário desviar o trânsito alimentar do estômago e duodeno, 
como em pós-operatório de algumas cirurgias nesses órgãos. 
Sonda gástrica simples: possui uma luz única, manufaturada com 
plástico, com aberturas localizadas próxima à ponta. As marcas circu-
lares contidas em pontos específicos da sonda servem como guia para 
sua inserção, usada para descomprimir o estômago e mantê-lo vazio. 
Calibre: para o calibre das sondas utilizamos a escala francesa 
(F) de medidas, cujo uso em Medicina é generalizado para todo tipo de 
sondas, catéteres, tubos, endoscópios etc. Cada unidade da escala equi-
vale a 0,33 mm. Por exemplo, uma sonda 18F tem 6 mm de diâmetro. 
Este critério de calibre é utilizado nos materiais empregados nos 
aparelhos digestivo e urinário. Não é usado nos tubos que servem no 
aparelho respiratório, onde cada unidade equivale a 1,0 mm. Assim, uma 
sonda de intubação 4,5 possui diâmetro de 4,5 mm.
As sondas nasogástricas possuem 115 cm de comprimento, cali-
bres de 12F a 20F. No início, a borracha era o material empregado na 
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sua confecção, mas desde os anos 50 é empregado material plástico 
transparente, o que nos permite ver o tipo de material aspirado e a ava-
liação da possível interrupção da drenagem devido a algum acotove-
lamento ou obstrução de sua luz. Tem 4 orifícios em sua extremidade.
Sonda de Senkstaken-Blackmore: é uma sonda utilizada espe-
cificamente para o tratamento de sangramentos de varizes esofagianas, 
possuindo três luzes e dois balões, sendo uma luz para insuflar o balão 
gástrico e outra para o balão esofageano.
Figura 23 – Sonda de Senkstaken-Blackmore
Fonte: Cristiane Monteiro (acervo pessoal)
O alcoolismo crônico e diversas formas de 
Hepatite são as principais causas de cirrose hepática. 
O tecido hepático normal é progressivamente substituído 
por tecido fibroso. Passa então a haver dificuldade no fluxo 
do sangue da veia porta para o fígado, cuja pressão aumenta 
progressivamente. O sangue proveniente das veias do estômago 
e esôfago distal, que desaguam na veia esplênica e esta na veia 
porta, tem seu fluxo invertido devido a circulação colateral entre as 
veias do terço inferior do esôfago e da região do cárdia, as quais 
poderão tornar-se varicosas. Estabelece-se, assim, uma circulação 
colateral com a veia ázigos, que desemboca na veia cava 
superior. A rotura dessas varizes é a forma mais grave de 
hemorragia digestiva.
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ESCOLHA DO CALIBRE
Em recém-nascidos (até o final do primeiro mês) utilizamos son-
das 8F, em lactentes (até o final do segundo ano de vida) 10 F, pré-es-
colares (final do sexto ano de vida) e escolares 12 F. Em adolescentes 
e adultos 16 a 20 F.
DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO SONDAGEM NASOGÁSTRICA
1. Orientação ao paciente sobre o procedimento
2. Lavagem das mãos 
3. Reunir o material e levar até o paciente: sonda, copo com água, 
seringa de 20 ml, gazes, lubrificante hidrossolúvel (xylocaína 
geleia), esparadrapo, estetoscópio e luvas. 
4. O paciente deverá ser colocado na posição de Fowler, na qual 
o tronco mantém-se elevado 45º em relação ao solo. 
5. Medir o comprimento da sonda: da ponta do nariz até a base 
da orelha e descendo até o final do apêndice xifoide mais 3 a 5 
cm; no caso da sondagem nasoentérica (nasoenteral ou enteral) 
será acrescido 15 a 20 cm abaixo do apêndice xifoide, marcan-
do-se com uma tira de esparadrapo. Assim, a sonda permane-
cerá com 15 a 20 cm enrolada no estômago e o peristaltismo 
gástrico a conduzirá até o duodeno ou jejuno. 
6. Aplicar xilocaína gel anestésico em cerca de 10 cm desde a pon-
ta da sonda aproximadamente.
7. Introduzir por uma narina e, após a introdução da parte lubrifi-
cada, flexionar o pescoço de tal forma que o queixo se aproxi-
me do tórax. Solicitar para o paciente que faça movimentos de 
deglutição durante a passagem da sonda pelo esôfago, obser-
vando se a mesma não está na cavidade bucal. 
8. Introduzir a sonda até a marca do esparadrapo. 
9. Fixar a sonda, após a confirmação do seu posicionamento.
10. Ao fixar, não pressionar a asa do nariz (risco de isquemia e necrose).
Uma fixação segura e mais confortável para o paciente é feita aplican-
do-se um adesivo sobre a sonda, fixando-a na pele logo abaixo das narinas.
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COMPROVAÇÃO DO CORRETO POSICIONAMENTO
1. Verificação de sinais como tosse, cianose, sensação de sufoca-
mento e dispneia, os quais são indicativos de que a sonda pode 
ter progredido para a traqueia.
2. Teste da audição: colocar o estetoscópio na altura do estômago 
do paciente e injetar rapidamente 20 cc de ar pela sonda, sendo 
que o correto é a audição do ruído característico.
3. Aspiração do conteúdo: aspirar com uma seringa o conteúdo 
gástrico confirmando o correto posicionamento com a aspira-
ção de suco gástrico, líquido claro com aspecto mucoide, gru-
mos escuros, podendo haver restos alimentares.SONDAGEM VESICAL
A sondagem ou cateterização vesical passou a ser procedimento 
realizado rotineiramente após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) 
com os conhecimentos e experiência adquiridos com o tratamento dos 
portadores de lesão raquimedular, que evoluíam com ausência da capa-
cidade de micção espontânea. 
Essa condição, a qual denominamos bexiga neurogênica, está sem-
pre presente nos portadores de malformações da coluna e medula espi-
nhal e é frequentemente observada em pacientes portadores de lesões 
neurológicas do sistema nervoso central ou mesmo da inervação pró-
pria da bexiga, como pode ser observado em casos graves de Diabetes 
em que ocorre lesão progressiva das microterminações nervosas da be-
xiga, secundárias à lesão da microcirculação intravesical.
Objetivos
A cateterização vesical (passagem de uma sonda pela uretra até 
a bexiga) tem por finalidade a manutenção do adequado esvaziamen-
to vesical quando em qualquer condição em que este não puder se fa-
zer normalmente.
Principais indicações
1. Obter amostra de urina para análise e cultura
2. Avaliar o resíduo urinário após a micção espontânea
3. Nos portadores de doenças degenerativas neuro-musculares e 
de bexiga neurogênica
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4. Nas obstruções ao livre fluxo de urina, por um aumento de na-
tureza benigna ou maligna da próstata
5. Durante atos cirúrgicos de grande porte
6. Em pacientes sob cuidados intensivos, condições estas em que 
se faz necessário um controle preciso e rigoroso do débito uri-
nário, para se ter a avaliação precisa da volemia e do funciona-
mento do aparelho cardiovascular
7. Durante e após procedimentos cirúrgicos sobre a uretra, prós-
tata e bexiga e mesmo para a realização de uma cirurgia cesa-
reana, quando a bexiga deve permanecer vazia para facilitar as 
manobras necessárias para a abertura do útero
8. Para irrigar continuamente a bexiga (sonda de Foley de 3 vias), 
procedimento rotineiramente utilizado no pós-operatório de ci-
rurgia sobre a próstata, para evitar a formação de coágulos in-
travesicais que podem obstruir a transição vésico-uretral.
A impossibilidade de esvaziamento normal da bexiga evolui nor-
malmente para a infecção urinária, esta para a infecção renal (pielonefrite 
ou infecção da pelve renal e rim). A infecção urinária evolui com facili-
dade para uma infecção generalizada ou sistêmica (Sepse ou Septicemia). 
Entendemos, facilmente, como uma infecção urinária evolui ra-
pidamente para a infecção generalizada, por ser o rim órgão dotado de 
notável perfusão, pois sua função primordial é a filtração sanguínea. A 
cada sístole, 25,0% do débito cardíaco total é destinado aos dois rins. 
Se o mesmo estiver invadido por bactérias, teremos ótimas condições 
para a evolução com infecção generalizada, insuficiência renal e o ris-
co de óbito.
Considerações históricas
Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), pouco ou ne-
nhum cuidado era tomado para a drenagem vesical. As vítimas de trau-
ma da medula espinal por ferimento de guerra evoluíam invariavelmente 
com retenção urinária, rapidamente desenvolviam infecção urinária, 
processo supurativo na bexiga e nos rins, evoluindo para o óbito por 
septicemia, devido à facilidade já referida com que a infecção urinária 
evolui para infecção sistêmica, generalizada.
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Realizavam-se por manobras de compressão acima da pube, 
com resultados medíocres. A passagem de cateteres metálicos – não 
existiam os flexíveis – era muito dolorosa, a maioria determinava trau-
ma uretral que evoluía para estenoses (estreitamentos) uretrais, piora 
da obstrução, supuração, fístulas, infecção urinária e sepse, insufici-
ência renal e óbito.
A melhor solução era a cistostomia suprapúbica, procedimento ci-
rúrgico em que, por uma incisão logo acima da pube, é feita uma aber-
tura da parede vesical (da bexiga) e a esta abertura da bexiga é suturada 
a pele. Poucos a praticavam.
Entre as grandes guerras, apesar já do domínio da cateterização 
intermitente e das técnicas adequadas de assepsia e antissepsia, a maio-
ria acabava evoluindo para a pielonefrite supurativa e óbito.
Guttmann, em 1939, um fugitivo do regime nazista, trabalhando 
com paraplégicos em um Hospital de Londres desenvolveu a rotina da 
cateterização intermitente sob adequadas condições de assepsia e an-
tissepsia e o método passou a ser utilizado desde então. Na impossibi-
lidade de manter cateterização intermitente, normalmente pelo próprio 
paciente ou seu cuidador, deve-se derivar a bexiga, isto é, realizar-se a 
cistostomia. 
Em todas as demais condições em que se faz necessária a cate-
terização vesical, a melhor opção é sempre a sondagem em condições 
de total assepsia e antissepsia, da mesma forma que em um ato cirúr-
gico, mantendo-se um sistema fechado inviolável, da sonda até o saco 
coletor de urina.
O desenvolvimento de materiais bastante flexíveis e sondas mais 
finas de silicone, que permitem a cateterização vesical, mesmo em pre-
maturos extremos, constituiu grande avanço. Apesar de todo o conhe-
cimento acumulado em relação às técnicas de assepsia e antissepsia e 
do desenvolvimento dos antibióticos e de drogas que atuam na inerva-
ção da bexiga, o risco de infecção está sempre presente em portador de 
catéter vesical. 
Material para cateterização vesical
A cateterização vesical intermitente é normalmente realizada com 
catéteres plásticos transparentes e a cateterização prolongada com as 
sondas de Folley (Fotografia 24) 
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Fotografia 24 -Sonda de Folley
 
Fonte: Cristiane Monteiro (acervo pessoal)
Cateterização
1. Antissepsia de toda a área genital com solução antisséptica à 
base de cloro.
2. Colocação de campo estéril fenestrado expondo apenas a re-
gião vulvar ou a glande.
3. O procedimento será realizado com luva cirúrgica estéril; in-
trodução do catéter após adequada lubrificação de sua ponta 
com anestésico tópico (lidocaína geleia). Em meninos e ho-
mens adultos introduzimos xilocaína geleia de forma a pre-
encher toda a uretra e a comprimimos para evitar a saída por 
alguns minutos; assim, anestesiamos a uretra e evitamos a 
contratura reflexa do esfíncter uretral, o que dificulta a pas-
sagem da sonda para atingir a bexiga. A observação de fluxo 
livre de urina pela sonda nos confirma que o catéter está em 
situação intravesical. Insuflação do balão da sonda e leve tra-
ção da mesma até ter-se a sensação precisa de que a mesma 
está junto à transição vésico-uretetral.
4. Conexão da sonda a um conduto coletor com um saco co-
letor na sua extremidade. Nunca deverá ser desconectada a 
sonda deste conduto, sob sério risco de contaminar todo o 
sistema. A colheita de urina para os exames que se fizerem 
necessários deve ser feita pelo tubo de escoamento próprio 
do saco coletor. 
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Bibliografia recomendada
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Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE) 99
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Capítulo 7
Rede de Atenção às 
Urgências e Emergências (RUE)
Otavio Madi
Para melhor entendermos o que é e como funciona uma Rede de 
Atenção às Urgências e Emergências(RUE), é importante compreen-
dermos o significado médico dessas ocorrências.
Emergência é uma situação em que há ameaça à vida, sofrimen-
to intenso ou risco de lesão permanente, havendo necessidade de tra-
tamento médico imediato. São exemplos: parada cardiorrespiratória, 
hemorragias volumosas, infartos, situações que podem levar ao óbito 
ou danos irreversíveis.
Urgência é quando a situação requer uma assistência rápida, no 
menor tempo possível, que não pode ser adiada, a fim de evitar com-
plicações, sofrimento e mesmo risco de morte. Dores abdominais agu-
das, cólicas renais, luxações, fraturas (dependendo da gravidade), são 
exemplos de urgências médicas. A palavra deriva do verbo “urgir”, que 
significa “não aceitar demora”.
Para organizarmos uma rede de atenção que atenda aos principais 
problemas dos usuários de forma resolutiva, é necessário considerar o per-
fil epidemiológico e demográfico daquela área e população de interesse.
Em termos de Brasil, ou mesmo São Paulo, segundo dados da 
Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVA/MS), 
se observa uma alta morbimortalidade relacionada às violências e 
aos acidentes de trânsito entre jovens até 40 anos e acima desta fai-
xa etária, alta morbimortalidade relacionada às doenças do aparelho 
circulatório, como infarto agudo do miocárdio e Acidente Vascular 
Cerebral (AVC).
Os componentes da RUE são:
1. Promoção, Prevenção e Vigilância em Saúde
2. Atenção Básica
3. Serviço de Atendimento Móvel às Urgências/Centrais de 
Regulação Médica de Urgências
4. Sala de Estabilização
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5. Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24h) e o Conjunto de 
Serviços de Urgência 24 horas
6. Componente da Atenção Hospitalar
Figura 25 – Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE)
Fonte: RUE.SES/SP
1. Promoção, Prevenção e Vigilância em Saúde
As ações de promoção da saúde são consideradas estratégicas pelo 
Ministério da Saúde, tanto para a prevenção de doenças e melhoria da 
qualidade de vida quanto para a gestão integrada de políticas públicas 
de saúde. São consideradas ações prioritárias a redução da morbimor-
talidade em decorrência do uso abusivo de álcool e outras drogas, por 
acidente de trânsito e a prevenção da violência, além do estímulo à cul-
tura da paz. Também são priorizadas ações de incentivo à prática de ati-
vidade física, combate ao tabagismo, dieta mais saudável.
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2. Atenção Básica
A Atenção Básica em Saúde tem como objetivos a ampliação do 
acesso, o fortalecimento do vínculo, a responsabilização e o primeiro 
atendimento às urgências e emergências, em ambiente adequado, até a 
transferência e/ou encaminhamento dos pacientes a outros pontos de 
atenção, quando necessário, após acolhimento com avaliação de riscos 
e vulnerabilidade. As equipes da Atenção Básica têm a possibilidade de 
se vincular, se responsabilizar e atuar na realização de ações coletivas 
de promoção e prevenção no território de atuação, no cuidado individu-
al e familiar, para atender as necessidades de saúde de modo integral.
3. Serviço de Atendimento Móvel às Urgências e Centrais de 
Regulação Médica de Urgências – (SAMU 192 e GRAU 193) 
É o componente da rede cujo objetivo é ordenar o fluxo assistencial 
e disponibilizar atendimento precoce e transporte adequado, rápido e 
resolutivo às vítimas acometidas por agravos à saúde de natureza clínica, 
cirúrgica, gineco-obstétricas, traumática e psiquiátricas mediante o envio de 
veículos tripulados por equipe treinada e capacitada, acessada pelos números 
“192” e “193” e acionado por uma Central de Regulação das Urgências.
As unidades móveis para atendimento de urgência podem ser:
I. Unidade de Suporte Básico de vida terrestre – viatura tripula-
da por dois profissionais, no mínimo, sendo um condutor de 
veículo de urgência e um técnico ou auxiliar de enfermagem;
II. Unidade de suporte avançado de vida terrestre – viatura tripu-
lada por três profissionais, no mínimo, sendo um condutor de 
veículo de urgência, um enfermeiro e um médico;
III. Equipe de aeromédico – aeronave com equipe composta por 
no mínimo um médico e um enfermeiro;
IV. Equipe de embarcação – composta por no mínimo dois ou três 
profissionais, de acordo com o tipo de atendimento a ser realiza-
do; em caso de suporte básico, um auxiliar ou técnico de enferma-
gem e no caso de suporte avançado um medico e um enfermeiro;
V. Motolância – motocicleta conduzida por um profissional de ní-
vel técnico ou superior em enfermagem com treinamento para 
condução de motolância;
VI. Veículo de intervenção rápida – veículo tripulado por no mí-
nimo um condutor de veículo de urgência, um médico e um 
enfermeiro.
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A Central de Regulação é parte integrante do SAMU 192, cons-
titui de estrutura física com a atuação de profissionais médicos, telefo-
nistas auxiliares de regulação médica e radio-operadores capacitados 
em regulação das chamadas telefônicas que demandem orientação e/ou 
atendimento de urgência, por meio de uma classificação e priorização 
das necessidades de atenção, além de ordenar o fluxo efetivo das refe-
rências e contra referências dentro da Rede de Atenção.
4. Sala de Estabilização
Define-se por sala de estabilização o equipamento de saúde que 
deverá atender às necessidades assistenciais de estabilização do pa-
ciente grave/crítico. Poderá ser instalado em municípios de grandes 
distâncias e/ou isolados geograficamente, bem como lugares de difícil 
acesso. A alocação poderá ser em hospitais de pequeno porte, com no 
máximo 30 leitos, e fora da área de abrangência da Unidade de Pronto 
Atendimento 24 horas (UPA 24h), Unidade Básica de Saúde (UBS) e 
unidades mistas. Devem funcionar nas 24 horas do dia e nos 7 dias da 
semana, contar com equipe interdisciplinar compatível com suas ativi-
dades e atuar conforme protocolos clínicos, acolhimento, classificação 
de risco e procedimentos administrativos estabelecidos e/ou adotados 
pelo gestor responsável.
5. Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24h) e o Conjunto de 
Serviços de Urgência 24 horas (Pronto Socorro – PS)
As unidades de Pronto Atendimento 24h são estruturas de com-
plexidade intermediária entre as Unidades Básicas de Saúde, unidades 
de saúde da família e a rede hospitalar, devendo funcionar 24h por dia, 
todos os dias da semana, e compor uma rede organizada de atenção às 
urgências e emergências, com pactos e fluxos previamente definidos, 
com o objetivo de garantir o acolhimento aos pacientes, intervir em sua 
condição clínica e encaminhá-los para os demais pontos de atenção da 
Rede de Assistência, para os serviços da atenção básica ou especiali-
zada ou para internação hospitalar, proporcionando a continuidade do 
tratamento.
6. Componente da Atenção Hospitalar
O componente da atenção hospitalar da Rede de Atenção às 
Urgências e Emergências é constituído por portas hospitalares de urgên-
cia e emergência, enfermaria de retaguarda clínica, unidades de cuida-
dos prolongados e hospitais especializados em cuidados prolongados, 
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leitos de terapia intensiva e organização de linhas de cuidados prioritá-
rios em relação ao infarto agudo do miocárdio, AVC e traumatologia.
São objetivos da Atenção Hospitalar da RUE: organizar a atenção 
às urgências nos hospitais de modo que atendam à demanda espontânea 
e/ou referenciada e funcionem como retaguarda para os outros pontos 
de atenção às urgências de menor complexidade; garantir retaguarda de 
atendimento de média e alta complexidade, procedimentos diagnósticos 
e leitos clínicos, cirúrgicos, de cuidados prolongados e de terapia in-
tensiva para a RUE e garantir atenção hospitalar nas linhasde cuidado 
prioritário em articulação com os demais pontos de atenção.
Força Nacional do Sus (FN-SUS)
A Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) é um 
componente humanitário do SUS, estruturante para a RUE e deverá ser 
organizada para aglutinar esforços para garantir a integralidade da as-
sistência em situações de risco ou emergenciais a que esteja exposta a 
população brasileira e especialmente os povos indígenas e grupos po-
pulacionais localizados em territórios de difícil acesso.
A FN-SUS deverá prover resposta rápida e eficiente em situa-
ções de calamidade e urgências específicas em todo território nacio-
nal e extraordinariamente em outros países, quando sua participação 
integrar ajuda humanitária solicitada à Presidência da República. São 
exemplos de situações elegíveis: alagamento ou seca, desabamen-
tos, enchentes, incêndios, epidemias/pandemias, acidentes nucleares, 
eventos com grande concentração de pessoas como Copa do Mundo, 
Olimpíadas.
Quanto à estruturação, contará com hospitais de campanha, po-
dendo realizar inclusive cirurgias e estabilização de pacientes críticos/
graves em terapia intensiva para posterior encaminhamento a hospitais 
de retaguarda e veículos de intervenção rápida e ambulâncias para as-
sistência e remoção de suporte básico e avançado à vida.
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Prática – Atendimento à Parada 
Cardiorrespiratória (PCR) – Simulação Realística
Em uma PCR, um mneumônico pode ser usado para lembrar os 
passos do Suporte Básico de Vida (SBV) – “CABD primário”:
Compressões
Para realização das compressões torácicas (Figuras 27 e 28):
√ Posicione-se ao lado da vítima e mantenha seus joelhos com
certa distância um do outro para que tenha melhor estabilidade. 
√ Afaste ou, se uma tesoura estiver disponível, corte a roupa da
vítima que está sobre o tórax para deixá-lo desnudo. 
√ Coloque a região hipotênar de uma mão sobre o esterno da
vítima e a outra mão sobre a primeira, entrelaçando-a. 
√ Estenda os braços e posicione-os cerca de 90º acima da vítima. 
√ Comprima na frequência de, no mínimo, 100 compressões/
minuto. 
√ Comprima com profundidade de, no mínimo, 5cm. 
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√ Permita o retorno completo do tórax após cada compressão, 
sem retirar o contato das mãos com o mesmo.
√ Minimize interrupções das compressões. 
√ Reveze com outro socorrista, a cada dois minutos, para evitar 
a fadiga e compressões de má qualidade.
 
Fonte: Diretrizes Ressuscitação Cardio Pulmonar – Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 
<http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2013/Diretriz_Emergencia.pdf>
Abertura de Vias Aéreas
Para não retardar o início das compressões torácicas, a abertu-
ra das vias aéreas deve ser realizada somente depois de aplicar trinta 
compressões. 
A abertura das vias aéreas poderá ser realizada basicamente por 
duas manobras:
 Manobra da inclinação da cabeça e elevação do queixo (Figura 29);
 Manobra de elevação do ângulo da mandíbula (Figura 30).
Figura 27 – Posicionamento 
compressão torácica
Figura 26 – Compressão 
e ventilação
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Fonte: Diretrizes Ressuscitação Cárdio Pulmonar – Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 
<http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2013/Diretriz_Emergencia.pdf>
 
Fonte: Diretrizes Ressuscitação Cárdio Pulmonar – Arquivos Brasileiros de Cardiologia: 
<http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2013/Diretriz_Emergencia.pdf>
Figura 29 – Manobra 
elevação da mandíbula
Figura 31 – Tipos 
de bolsa-válvula 
Figura 28 – Manobra da 
cabeça e do queixo
Figura 30 – Ventilação com 
bolsa-válvula máscara
Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE) 107
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Desfibrilação
O Desfibrilador Externo Automático (DEA) é um equipamen-
to portátil, capaz de interpretar o ritmo cardíaco, selecionar o nível de 
energia e carregar automaticamente, cabendo ao operador apenas pres-
sionar o botão de choque, quando indicado. O uso do DEA é autoexpli-
cativo e interativo.
Passos para utilização do DEA:
1. Ligue o aparelho apertando botão ON – OFF (alguns ligam ao abrir 
a tampa);
2. Conecte as pás (eletrodos) no tórax da vítima conforme desenho nas 
próprias pás mostrando o correto posicionamento das mesmas;
Figura 32 – Posicionamento das pás
Fonte: Diretrizes Ressuscitação Cardio Pulmonar – Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 
<http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2013/Diretriz_Emergencia.pdf>
3. Encaixe o conector das pás (eletrodos) ao aparelho. Em alguns apa-
relhos os cabos das pás já estão conectados;
Quando o DEA disser:
“ANALISANDO O RITMO CARDÍACO, 
NÃO TOQUE NO PACIENTE”, 
solicite que todos se afastem e observe se há alguém 
tocando a vítima.
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4. Se o choque for indicado, o DEA dirá “choque recomendado, afas-
te-se do paciente”. O socorrista deve solicitar que todos se afastem e 
observar se ninguém toca a vítima, inclusive ele mesmo, e então pres-
sionar o botão indicado pelo aparelho para aplicar o choque;
5. A Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) deve ser iniciada pelas com-
pressões torácicas, imediatamente após o choque. A cada dois minutos, 
o DEA analisará o ritmo novamente e poderá indicar outro choque, 
se necessário. Se não indicar choque, reinicie a RCP imediatamente, 
caso a vítima não retome a consciência. 
6. Mesmo se a vítima retomar a consciência, o aparelho não deve ser 
desligado e as pás não devem ser removidas ou desconectadas até que 
o Serviço Médico de Emergência (SME) assuma o caso. 
7. Se não houver suspeita de trauma e a vítima já apresentar respiração nor-
mal e pulso, o socorrista poderá colocá-la em posição de recuperação, 
porém deverá permanecer no local até que o SME chegue (Figura 33).
Figura 33 – Posição de recuperação
Fonte: Diretrizes Ressuscitação Cardio Pulmonar – Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 
<http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2013/Diretriz_Emergencia.pdf>
___________________________
Bibliografia recomendada
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção 
Especializada. Manual instrutivo da Rede de Atenção às Urgências e Emergências no Sistema 
Único de Saúde (SUS). – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: <http://
bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_instrutivo_rede_atencao_urgencias.pdf>.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA.I Diretrizes de Ressuscitação 
Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de emergência da Sociedade Brasileira 
de Cardiologia. v. 101, nº 2, Supl.3, agosto 2013. Disponível em:<http://publicacoes.
cardiol.br/consenso/2013/Diretriz_Emergencia.pdf>.
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_instrutivo_rede_atencao_urgencias.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_instrutivo_rede_atencao_urgencias.pdf
http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2013/Diretriz_Emergencia.pdf
http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2013/Diretriz_Emergencia.pdf
Atendimento inicial ao paciente politraumatizado 109
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Capítulo 8
Atendimento inicial ao paciente politraumatizado
Otavio Madi
Em 17 de Fevereiro de 1976, Dr. James K.Styner, um médico or-
topedista de Lincoln, Nebraska, USA, sofreu acidente aéreo com seu 
pequeno avião em que estava viajando com sua esposa e quatro filhos. 
A esposa morreu instantaneamente, três dos filhos sofreram traumatis-
mo craniano e estavam inconscientes. Styner, com fratura nas costelas 
e no osso zigomático e ferimentos na cabeça e face, e seu outro filho 
com fratura de braço direito e ferimento lacerantena mão direita, con-
seguiram tirar os outros do avião e depois de 8 horas em condições de 
clima frio chegaram a uma estrada e foram resgatados para um hospi-
tal próximo. O Hospital estava fechado e demorou um tempo para ser 
aberto e socorrê-los. Uma vez aberto, Dr. Styner percebeu que os mé-
dicos que os atenderam não tinham nenhum treinamento para este tipo 
de socorro, sem ao menos tentar proteger as crianças de lesão cervi-
cal. Conseguiu, depois de algum tempo e com ajuda de colegas serem 
transferidos por helicóptero para o Hospital Geral de Lincoln. Ciente da 
necessidade de preparo dos médicos em geral para o atendimento às ví-
timas de trauma, junto com outros médicos desenvolveu o protótipo do 
curso de Advanced Trauma Support Life (ATLS), Suporte Avançado da 
Vida em Trauma, ministrado inicialmente em 1978 e depois em 1980. 
O Colégio Americano de Cirurgiões editou o protocolo de ATLS, ini-
ciando sua disseminação pelos Estados Unidos da América e depois ex-
pandido para mais de 40 países.
O Trauma é a principal causa de morte nas pessoas até 44 anos de 
idade e a segunda causa de morte por todas as causas.
A morte devido à causa traumática ocorre basicamente em três 
momentos: 
 Pico 1 – imediatamente ao acidente ou nos primeiros minutos 
após o trauma; 
 Pico 2 – nos primeiros minutos até várias horas após o trauma. 
O ATLS visa este momento; 
 Pico 3 – nos vários dias ou semanas após o trauma, decorrente 
das complicações dos ferimentos e da evolução do paciente.
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O atendimento à vítima de politraumatismo em uma fase pré-hos-
pitalar requer entrosamento entre a equipe de atendimento inicial e o 
hospital de retaguarda, e na fase hospitalar se inicia com a chegada da 
vítima ao Hospital, estando o hospital previamente avisado da chegada 
do paciente e preparado para recebê-lo.
O objetivo do atendimento inicial é identificar situações que co-
loquem a vida em risco e que demandem atenção imediata pela equi-
pe de socorro, deve ser rápido, organizado e eficiente, ou seja, requer 
equipe treinada e preparada para o atendimento. O atendimento inicial 
pode ser dividido em quatro etapas sequenciais: 
1. Controle da cena; 
2. Abordagem primária; 
3. Abordagem secundária, sinais vitais;
4. Escala de coma e trauma.
Em relação ao controle da cena, antes de iniciar o atendimento 
propriamente dito, a equipe de socorro deve garantir primeiro a pró-
pria condição de segurança, depois a segurança das vítimas e dos de-
mais presentes, para se evitar que membros da equipe se transformem 
em novas vítimas.
A abordagem primária objetiva identificar e manejar situações 
que ameacem a vida e é realizada sem mobilizar a vítima de sua posi-
ção inicial, a não ser em situações especiais que possam comprometer 
a segurança ou agravar o quadro da vítima, como risco de explosão ou 
incêndio, frio, chuva, choque elétrico, desabamento. Só se justifica mo-
bilizar a vítima de sua posição inicial, na abordagem primária, se a si-
tuação de risco não puder ser afastada.
Numa abordagem primária com mais de uma vítima, o atendimento 
deve ser priorizado conforme o risco, primeiro àqueles com maior risco 
de morte e em seguida àqueles com maior risco de perda de membros. 
Esta recomendação não se aplica no caso de acidentes com múltiplas 
vítimas, onde os recursos para o atendimento são insuficientes em re-
lação ao número delas; nesse caso, o objetivo é identificar aquelas com 
maiores chances de sobrevida. Nessa situação, as vítimas são identifi-
cadas com tarjas coloridas, quando:
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 vermelha cabe às que necessitam de socorro imediato;
 amarela àquelas de atendimento seguinte ou secundário;
 verde pode aguardar o socorro; 
 ou às vítimas já falecidas ou que não tem chance 
de sobrevivência.
A premissa do ATLS é que o atendimento inicial dispensado de 
forma adequada e em tempo hábil pode melhorar o prognóstico de trau-
matismos graves, tratando inicialmente a ameaça maior à vítima. 
O Trauma mata de acordo com uma cronologia previsível, onde 
a obstrução da via aérea mata mais rapidamente que a perda da capa-
cidade de ventilar, que mata mais rápido que a diminuição do volume 
sanguíneo e assim por diante.
Assim, a avaliação primária, se feita corretamente, deverá identifi-
car lesões como obstrução da via aérea, lesões torácicas com dificuldade 
respiratória, hemorragia severa interna ou externa, lesões abdominais. 
Para tanto foi criado um sistema sequencial de avaliação primária, o qual 
não deve demorar mais que 2 a 5 minutos, chamado sistema ABCDE, 
que significa respectivamente:
A – Air – Via aérea / Proteção Cervical;
B – Breathing – Respiração e Ventilação;
C – Circulation – Circulação com controle da hemorragia;
D – Desability – Incapacidade, estado neurológico;
E – Exposition – Exposição e controle ambiental. 
A – Manutenção das vias aéreas com proteção cervical
A vítima que consegue falar ou respirar livremente dificilmente 
tem obstrução de via aérea. Se obstruído, verificar presença de corpo 
estranho, sangue, secreções. Se houver obstrução:
 Elevação do queixo (manobra de chin lift) ou tração da
mandíbula (manobra de jaw thrust); Figura 34:
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Figura 34 – Manobra de chin lift ou manobra de jaw thrust
Fonte: Diretrizes Ressuscitação Cardio Pulmonar – Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 
<http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2013/Diretriz_Emergencia.pdf>
• Aspiração (se disponível) – retirada manual de corpo estranho
• Tubo orofaríngeo (cânula orofaríngea – Guedel ou máscara
laríngea)
• Intubação
IMPORTANTE: 
TODAS AS MONOBRAS DEVEM SER REALIZADAS COM 
PROTEÇÃO CERVICAL
B – Respiração e Ventilação
O tórax deve estar exposto e ser avaliado quanto a expansibili-
dade, palpação, ausculta e percussão. Se a respiração for inadequada, 
considerar:
• Descompressão e drenagem de pneumotórax/hemotórax sob 
tensão;
• Encerramento de ferida aberta do tórax. Curativo de três pontos;
• Ventilação Artificial.
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Figura 35 – Curativo de três pontos
 
Curativo de 3 pon-
tos: ferida torácica 
aberta. 
Permite a saída de 
ar na expiração e 
impede a entrada 
de ar na inspiração. 
Fonte: Otavio Madi (acervo pessoal)
C – Circulação
O estado hemodinâmico pode ser avaliado rapidamente observan-
do-se o nível de consciência, cor da pele, mucosas e o pulso. Na hipo-
volemia pode haver baixa perfusão cerebral, resultando em alteração do 
estado de consciência. A baixa oxigenação poderá determinar cianose 
central ou de extremidades, pele e mucosas esbranquiçadas ou descora-
das, além de pulso filiforme ou fraco. Fraturas de ossos longos, pelve, 
hemorragias intratorácicas, abdominais e retro peritoneais podem estar 
presentes em situações de trauma. Também deve ser observada presen-
ça de hemorragias externas. Nessa situação considerar:
• Parar hemorragia externa – compressão direta, torniquete em 
extremidades
• Estabelecer duas linhas venosas grossas (cânulas 14 – 16G)
se possível
• Administrar fluídos disponíveis.
D – Disfunção Neurológica
Exame neurológico rápido:
• A vítima está consciente
• Responde vocalmente à dor ou está inconsciente
• Avaliação pupilar e sua reação e sinais de lateralização e nível 
de lesão medular.
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Na prática deve ser utilizada a Escala de coma de Glasgow (Tabela 3).
Tabela 3 – Escala de coma de Glasgow
Fonte: MUNIZ, Elaine Cristina S. et al . Utilização da Escala de Coma de Glasgow e 
Escala de Coma de Jouvet para avaliação do nível de consciência.Rev. esc. enferm. USP, 
São Paulo, v. 31, n. 2, p. 287-303,Aug. 1997. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S0080-62341997000200010&lng=en&nrm=iso>.
E – Exposição/Controle do ambiente
Despir totalmente a vítima para exame completo e prevenir hipo-
termia com uso de cobertores e/ou dispositivos de aquecimento exter-
nos e, quando utilizar fluídos, aquecê-los previamente.
___________________________
Bibliografia recomendada
MUNIZ, Elaine Cristina S. et al . Utilização da Escala de Coma de Glasgow e Escala 
de Coma de Jouvet para avaliação do nível de consciência. Rev. Esc. Enferm. USP, 
São Paulo, v. 31, n. 2, p. 287-303, Aug. 1997 . Disponível em: <http://www.scielo.br/
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62341997000200010&lng=en&nrm=iso>.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. I Diretrizes de Ressuscitação 
Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de emergência da Sociedade Brasileira 
de Cardiologia. v. 101, nº 2, Supl.3, agosto 2013. Disponível em:<http://publicacoes.
cardiol.br/consenso/2013/Diretriz_Emergencia.pdf>.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62341997000200010&lng=en&nrm=iso
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62341997000200010&lng=en&nrm=iso
http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2013/Diretriz_Emergencia.pdf
http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2013/Diretriz_Emergencia.pdf
Ferimentos e queimaduras 115
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Capítulo 9
Ferimentos e queimaduras
Pedro Luiz Squilacci Leme
Considera-se que os primeiros atos médicos tenham sido realiza-
dos pelos humanos ainda na pré-história, quando, intuitivamente, um 
ferimento com sangramento foi comprimido, ou um osso longo que-
brado que apresentava desvio foi alinhado empiricamente. Por séculos, 
esses cuidados foram realizados instintivamente por todas as civiliza-
ções do mundo antigo, com relatos tanto na Ásia (Japão e Índia), Egito, 
Grécia e também pela civilização Romana. Evidências históricas mos-
tram que muito antes de Cristo foram escritos textos no antigo Egito 
sobre Medicina (papiro de Ebers – cerca de 1550 a.C.) e sobre procedi-
mentos operatórios (papiro de Edwin Smith – a cópia incompleta dispo-
nível atualmente data de cerca de 1600 a.C., mas possivelmente relata 
conhecimentos do Antigo Reinado: 3000-2500 a.C.).
Figura 36 – Papiro de Edwin Smith
 
Fonte: <https://www.nlm.nih.gov/exhibition/historicalanatomies/Images/1200_pixels/
papyrus-a.jpg>. <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b4/Edwin_
Smith_Papyrus_v2.jpg>
https://www.nlm.nih.gov/exhibition/historicalanatomies/Images/1200_pixels/papyrus-a.jpg
https://www.nlm.nih.gov/exhibition/historicalanatomies/Images/1200_pixels/papyrus-a.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b4/Edwin_Smith_Papyrus_v2.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b4/Edwin_Smith_Papyrus_v2.jpg
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Figura 37 – Mandragora – Tacuinum Sanitatis (manuscrito do século XV)
Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Mandr%C3%A1gora#/media/File:Mandragora_
Tacuinum_Sanitatis.jpg>
Os primeiros cirurgiões que se preocuparam com a hemorragia 
(ligando os vasos sanguíneos lesados) e com a dor, oferecendo aos do-
entes a infusão da raiz de uma planta chamada Mandrágora – Família 
Solanaceæ, Gênero Mandragora, Espécies officinarum e autumnalis 
– (Figura 38), foram os da antiga Grécia. A Coletânea dos escritos de 
Hipócrates (460-377 a.C.) e seus discípulos (mais de 70 livros) contém 
um livro específico sobre cirurgia, onde são descritas técnicas operató-
ria refinadas, além de referências a bandagens e curativos. No Período 
Helenístico (310-250 a.C.), os procedimentos operatórios eram realiza-
dos de forma mais racional do que nos períodos bárbaros da Europa na 
Idade Média e início do Renascimento (entre 476 d. C.: queda do Império 
Romano do Ocidente e o século XV). Os antigos Romanos emprega-
vam o vinho para entorpecer os doentes e o primeiro procedimento ope-
ratório com anestesia inalatória só foi realizado no século XIX (1846).
No início da Idade Média, muitos cuidados eram prestados em 
Monastérios, mas o ensino da Medicina nestes locais era proibido e as prá-
ticas operatórias tratadas com desdém. A orientação da época era que os 
monges só cuidassem das atividades religiosas, alguns Editos a este res-
peito foram publicados em Rheims (1125), Clermont (1130), no Concílio 
de Latrão (1139) e finalmente no Concílio de Tours (1169), quando foi 
publicado o Edito Ecclesia abhorret a sanguine, fazendo com que as or-
dens religiosas abandonassem as práticas cirúrgicas. 
Ferimentos e queimaduras 117
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As primeiras Universidades foram fundadas na Europa nos sécu-
los XII e XIII, mas não havia o estudo formal da cirurgia, uma vez que os 
médicos se preocupavam com o diagnóstico das doenças, mas considera-
vam que situações que envolviam dor, incisões, suturas, drenagem do pus 
de abscessos, tratamento dos ferimentos de guerra e fraturas eram atribui-
ções menores, sendo realizadas por barbeiros, incultos e rudes ou mesmo 
charlatães. Neste período, a ligadura dos vasos sanguíneos foi abandona-
da e os ferimentos eram cauterizados com hastes de ferro aquecidas em 
brasas, por influência da Medicina Árabe, muito difundida em função do 
longo período da história em que grande parte da Europa foi dominada 
pelos Mouros. Considera-se que o ressurgimento do ensino da Medicina 
e da cirurgia ocorreu na escola de Salerno, cidade próxima a Nápoles, 
nos séculos IX e X; além da Itália, na França e Inglaterra houve gran-
de desenvolvimento das técnicas operatórias realizadas pelos Cirurgiões 
Barbeiros no final da Idade Média, quando estes começaram a se asso-
ciar a Confrarias e Companhias. Em 1540, o Parlamento da Inglaterra, no 
reinado de Henrique VIII (1491-1547), uniu a Companhia dos Cirurgiões 
Barbeiros com a Companhia dos Cirurgiões Militares, determinando que 
seus membros que praticavam cirurgia não deveriam mais realizar ativi-
dades como barbeiros e os barbeiros não deveriam realizar atividades ci-
rúrgicas, a não ser as relacionadas com os dentes.
Figura 38 – Cirurgiões Barbeiros no trabalho
Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Barbeiro-cirurgi%C3%A3o#/media/File:F_A_
Maulbertsch_Quacksalber.jpg>
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Um dos Cirurgiões Barbeiros mais importantes do Renascimento foi 
Ambroise Paré (1510-1590), um médico militar francês que é considera-
do Patrono da Cirurgia (Figura 40 e 41), por ter dado conotação científica 
aos procedimentos que realizava durante o tratamento dos feridos em ba-
talhas. Paré escreveu vários tratados de Medicina que foram preservados e 
em 1575, quando tinha 65 anos de idade, suas publicações foram reunidas 
em um livro chamado “Les Oeuvres de M. Ambroise Paré, avec les figures 
et les portraits de l’Anatomie que des instruments de chirurgie et de plu-
sieurs monstres”. Na época, os ferimentos por projéteis da arma de fogo, 
que começavam a ser desenvolvidas, eram considerados “venenosos”, sen-
do cauterizados com óleo quente. Durante uma batalha, acabou o óleo que 
Paré dispunha, forçando-o a tratar as feridas com uma solução de gema de 
ovos, óleo de rosas e um destilado da resina de pinheiro (terebintina). Para 
sua surpresa e alívio, no dia seguinte os doentes com as feridas não quei-
madas estavam melhores do que os que as tiveram cauterizadas, relatavam 
menos dor, as feridas apresentavam melhor aspecto do que aquelas em que 
havia sido utilizado óleo fervente. Outra contribuição importante de Paré 
foi indicar novamente as ligaduras cirúrgicas dos vasos sanguíneos lesados.
Figura 39 – Ambroise Paré – amputação em campo de 
batalha em Bramvilliers, 1552
Fonte: <http://wellcomeimages.org/indexplus/image/V0018135.html>
http://wellcomeimages.org/indexplus/image/V0018135.htmlFerimentos e queimaduras 119
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Figura 40 –Ambroise Paré (ca. 1510 – 1590)
Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Ambroise_Par%C3%A9>
A História da civilização sempre foi marcada por inúmeras guer-
ras, principalmente no século XX, quando ocorreram duas grandes guer-
ras mundiais (1914-1918 e 1939-1945), assim como a Guerra da Coreia 
(1950-1953), Vietnã (1955-1975) e as guerras contemporâneas, já no 
século XXI, com grande mobilização de tropas (Iraque, Afeganistão). 
O cuidado aos feridos tem grande impulso nestes períodos, na tentativa 
de tratar mais adequadamente as lesões e diminuir sequelas. O socorro 
aéreo com helicópteros, situação que consideramos recente, começou 
a ser empregado na década de 1950, na Coreia e teve grande impulso 
no Vietnã. Muitos conceitos de atendimento de urgência desenvolvidos 
para uso militar são empregados na prática diária. Nos grandes centros 
urbanos, mesmo longe dos campos de batalha, enfrentamos a violên-
cia interpessoal e a população civil pode sofrer ferimentos provocados 
por armas militares, que produzem grandes danos. Outra situação gra-
ve são as queimaduras, que se acompanham de alta mortalidade quan-
do comprometem as vias respiratórias ou grande porcentagem de área 
corpórea, reforçando a necessidade de se conhecer as noções básicas 
para atender estas lesões.
O atendimento inicial em grandes centros urbanos sempre deverá 
ser realizado por profissionais especializados e não por leigos, uma vez 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ambroise_Par%C3%A9
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que lesões existentes podem ser agravadas e, na tentativa atabalhoada 
de resgate, o “socorrista improvisado” pode ficar ferido, complicando a 
situação. Quando no local do acidente há grande risco, como incêndios, 
desabamentos ou explosões, mesmo as equipes de atendimento médi-
co às vítimas só podem intervir quando os bombeiros liberam o aces-
so ao local, e tentativas “heróicas” de resgate podem se transformar em 
tragédia. Antes de qualquer medida, o indivíduo mais capacitado para 
atender o doente deve delegar a alguém a tarefa de avisar as equipes de 
socorro e confirmar se a pessoa entendeu corretamente sua incumbên-
cia. Caso exista só uma pessoa atendendo a vítima, o pedido de socorro 
deve preceder os cuidados, uma vez que o retardo no atendimento es-
pecializado pode trazer consequências graves.
Frente a um ferimento com sangramento significativo, o objeti-
vo principal é não agravar a lesão já existente, podendo ser realizada a 
compressão direta com gaze estéril e curativo compressivo com atadu-
ras. Nos ferimentos do membro superior, anéis, joias e relógio devem 
ser retirados, uma vez que ocorrerá edema e sua retirada será difícil pos-
teriormente. A guarda destes objetos deve ser rigorosa, para que sejam 
devolvidos ao doente ou seus familiares. Em locais inóspitos e somente 
quando o socorro especializado demorar a chegar, na ausência de outros 
recursos, o sangramento pode ser comprimido com um tecido limpo, 
como o de uma camiseta. Nunca deve ser colocado nada no ferimento 
tentando obter hemostasia, como pó de café, pomadas ou terra; apenas 
a compressão local deve ser realizada. Muitos traumatismos se acom-
panham de fraturas, que podem ser classificadas em fechadas, quando 
não há lesão da pele sobre o osso fraturado, ou expostas. As espículas 
ósseas do foco da fratura podem lesar vasos sanguíneos ou nervos pró-
ximos da lesão. O conceito básico do atendimento é a imobilização e 
que o membro lesado seja manipulado o mínimo possível, consideran-
do que estas manobras se acompanham de dor intensa, aliviada em parte 
pela imobilização. O manuseio inadequado de uma extremidade fratu-
rada pode transformar uma fratura fechada em aberta ou complicar a 
lesão inicial quando vasos ou nervos são acometidos; atenção especial 
deve ser dada à fratura supracondiliana do úmero, comum em crianças, 
que se acompanha de sequelas graves se não tratada adequadamente. 
Em princípio, a fratura deve ser imobilizada na posição em que o osso 
foi encontrado e as tentativas de redução, além de provocarem dores 
intensas, podem agravar a lesão inicial. Em locais distantes do socorro 
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médico, como trilhas na mata ou montanha, ou praias longínquas, caso 
o pulso arterial distal ao local da fratura esteja muito diminuído ou au-
sente, poderá ser tentada a redução cuidadosa do osso para uma posição 
mais anatômica, mas esta é uma situação de exceção. Podem ser impro-
visadas talas para imobilização com papelão ou fragmentos de madeira. 
As luxações ocorrem quando dois ossos de uma articulação são afasta-
dos bruscamente, ocorrendo ruptura de ligamentos que a estabilizam; 
como as fraturas, devem ser imobilizadas na posição em que foram en-
contradas, não devendo ser tentada redução sem que as manobras orto-
pédicas corretas sejam conhecidas.
Uma situação muito grave é a amputação traumática de uma ex-
tremidade, a cena do acidente geralmente é dramática, a dor intensa, 
além do aspecto psicológico do doente, ao perceber a gravidade da si-
tuação. Muitas vezes o membro superior, mão e dedos amputados e não 
esmagados são elegíveis para as tentativas de reimplante, o socorro es-
pecializado é fundamental e a possibilidade de transporte aéreo deve 
ser pensada. Assim que possível, a extremidade amputada deve ser lim-
pa cuidadosamente com solução de Ringer lactato (limpeza mecânica 
por irrigação), envolta em gaze estéril umedecida com a mesma solu-
ção e colocada em um saco plástico ou caixa, que depois de identifi-
cada (pode haver mais de uma vítima no local do acidente), deverá ser 
colocada em outro recipiente com gelo moído. A porção amputada não 
poderá ser colocada diretamente sobre o gelo, uma vez que, se conge-
lada, haverá lesão definitiva dos tecidos e o reimplante não será possí-
vel. Outra lesão complexa que exige tratamento rápido é definida pela 
expressão “membro destroçado”, que pode ocorrer em colisões com es-
magamento de extremidades, atropelamentos, acidentes com hélices de 
barcos ou máquinas agrícolas. Habitualmente ocorre hemorragia grave 
com choque hipovolêmico e neurogênico (pela dor). Embora seja discu-
tido, em situações catastróficas como esta pode ser necessário o uso de 
um torniquete se as manobras iniciais de compressão da ferida e enfai-
xamento não forem suficientes ou ocorra um grande sangramento com 
características de sangue arterial. Embora o garroteamento prolongado 
da extremidade possa lesar vasos ou nervos, se realizado corretamen-
te com o manguito do esfigmomanômetro, com um cinto ou uma gra-
vata, esta manobra pode salvar a vida. Em locais inóspitos o torniquete 
pode ser improvisado com o tecido de uma camiseta e não deve tentar 
pinçar o vaso sangrante ou ligá-lo nesta situação, pois estas manobras 
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podem lesá-lo mais ainda, comprometendo um possível reparo cirúrgi-
co no hospital.
As queimaduras são comuns, acompanhadas de muita dor e gran-
de ansiedade, atingindo muitas vezes crianças (cerca de 20% do número 
total). Na pele queimada ocorre a desnaturação das proteínas, com con-
sequências graves. Em alguns países, a possibilidade de queimaduras 
pela exposição ao frio intenso também deve ser considerada (geladu-
ras), assim como podem ocorrer queimaduras por radiação ou por agen-
tes químicos. Quando causadas pelo calor, não devem ser consideradas 
apenas como lesões da pele, e as causas mais comuns de mortes em in-
cêndios estão relacionadas a lesões das vias aéreas com insuficiência 
respiratória, a inalação de fumaça e gases tóxicos (monóxido de carbo-
no e gás cianeto) pode ser mais perigosa que a queimadura e a má per-
fusão dos tecidos, após lesões extensas, também é de difícil reversão. 
As queimaduraspodem ser classificadas em graus, considerando as ca-
madas da pele que foram acometidas. As queimaduras de primeiro grau 
atingem apenas a epiderme, sendo avermelhadas e dolorosas, raramente 
com algum significado clínico, a não ser quando grandes áreas tenham 
sido queimadas pelo sol, ocorrendo muita dor, que poderá ser tratada 
com analgésicos e reforço da hidratação por via oral, a cura completa e 
sem cicatrizes ocorre habitualmente em uma semana.
Queimaduras mais graves são as de segundo grau, quando apare-
cem bolhas, as de terceiro grau, quando toda a espessura da pele (epi-
derme e derme) foi queimada e as de quarto grau, quando além da pele 
outros tecidos foram atingidos (músculos, ossos etc.).
No ambiente pré-hospitalar devemos solicitar auxílio imediato 
do corpo de bombeiros, se possível afastar a vítima da fonte de calor e 
interromper a queimadura, irrigando o corpo com água na temperatu-
ra ambiente em grande quantidade. A água não deve estar gelada, para 
não resfriar em demasia, já que a hipotermia pode agravar a lesão, as-
sim como grandes áreas de pele queimada dificultam a manutenção da 
temperatura do corpo. Roupas e adereços devem ser removidos, porque 
mantém calor residual, mantendo o processo de queimadura. Devem ser 
aplicados curativos secos, não aderentes e estéreis; a simples cobertu-
ra da área queimada diminui muito a dor, uma vez que as terminações 
nervosas ficam expostas. A região atingida pode ser protegida com um 
lençol limpo e seco, para diminuir a contaminação. Não aplicar gelo, 
porque embora exista uma ligeira melhora da dor pela ação do frio, vai 
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ocorrer vasoconstrição local, diminuindo a perfusão sanguínea da área 
queimada, piorando a lesão; não aplicar pomadas ou antibióticos, nun-
ca usar pasta de dentes sobre a lesão. Para uso militar, situação onde 
ocorrem com frequência queimaduras graves, e socorro em locais re-
motos, em alguns países é possível utilizar curativos especiais revesti-
dos com prata, que apresentam ação antimicrobiana efetiva. Nos centros 
de atendimento a grandes queimados, os preparados à base de prata são 
amplamente utilizados.
As queimaduras das vias aéreas devem ser suspeitadas quando en-
contramos queimaduras na face, quando os pelos do nariz e as sobrance-
lhas estão chamuscados, quando encontramos fuligem no escarro, ou a 
vítima ficou presa em ambiente fechado, inalando fumaça. Pode ser no-
tada mudança da voz e salivação excessiva, estas representam situações 
de grande risco e necessitam atendimento precoce e agressivo. A obten-
ção rápida de uma via aérea definitiva (intubação orotraqueal e suporte 
respiratório) é prioritária, pois rapidamente ocorre edema dos tecidos 
queimados e as trocas gasosas necessárias à sobrevivência não ocorre-
rão adequadamente. As queimaduras elétricas, tanto por contato inad-
vertido com fontes de energia de alta tensão ou descargas elétricas, que 
ocorrem durante tempestades, são muito graves; a carga elétrica passa 
através do corpo da vítima até atingir o solo em algum ponto de con-
tato e embora as lesões superficiais no ponto de entrada e saída da cor-
rente possam ser pequenas, tecidos profundos são seriamente afetados. 
A lesão de grande quantidade de células produz a liberação de potássio, 
com arritmias graves, e a lesão muscular leva à liberação de mioglobina, 
que compromete rapidamente a função renal. Pode haver também rotu-
ra das membranas timpânicas, sangramento intracraniano, e a contração 
muscular intensa pode ser acompanhada de fraturas da coluna vertebral 
ou de ossos longos; em função da gravidade, as vítimas que sobrevi-
vem ao evento devem ser rapidamente transportadas para tratamento 
específico em hospital. As queimaduras por radiação (eletromagnética, 
raios x, raios gama e radiação particulada) podem ocorrer após contato 
com material radioativo (acidental ou mesmo intencional, evento pre-
visto pela crescente ameaça de atentados terroristas). As queimaduras 
químicas, geralmente relacionadas a acidentes em indústrias e durante 
o transporte rodoviário ou ferroviário de produtos químicos, também 
são de tratamento específico, não sendo objetivo deste texto, mas a re-
comendação básica nestas situações é remover as roupas e usar grande 
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quantidade de água para minimizar a contaminação da vítima. Os so-
corristas correm grande perigo e este atendimento só deve ser realizado 
por profissionais. Queimaduras por substâncias ácidas provocam necro-
se por coagulação dos tecidos e as substâncias básicas destroem os teci-
dos com necrose por liquefação, provocando uma lesão contínua, cada 
vez mais profunda, condição que se acompanha de gravidade extrema 
quando atinge os olhos, que nesta situação devem ser rapidamente irri-
gados copiosamente com água, se possível após o uso de um anestésico 
tópico para uso oftalmológico, e a vítima levada ao hospital.
___________________________
Bibliografia recomendada
NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. Historical anatomies on the web. Disponível 
em: <https://www.nlm.nih.gov/exhibition/historicalanatomies/Images/1200_pixels/
papyrus-a.jpg>. Acesso em: 09 out. 2015.
WIKIPEDIA. Mandrágora. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/
Mandr%C3%A1gora>. Acesso em: 09 out. 2015.
WIKIPEDIA. Barbeiro-cirurgião. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/
Barbeiro-cirurgi%C3%A3o#/media/File:F_A_Maulbertsch_Quacksalber.jpg>. Acesso 
em: 09 out. 2015.
WELCOME IMAGEMS. Ambroise Paré using the ligature when amputating on the 
battlefield at the siege of Bramvilliers, 1552. Oil painting by Ernest Board. Disponível 
em: <http://wellcomeimages.org/indexplus/image/V0018135.html>. Acesso em: 09 
out. 2015.
WIKIPEDIA. Ambroise Paré. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/
Ambroise_Par%C3%A9>. Acesso em: 09 out. 2015.
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Capítulo 10
Como cuidar dos ferimentos: abordagem prática
Sergio Tomaz Schettini
Os ferimentos são lesões resultantes de perda de continuida-
de da pele e partes moles produzidas por agente traumático, podendo 
determinar:
 DOR
 SANGRAMENTO
 DESIDRATAÇÃO (QUEIMADURAS)
 INFECÇÃO LOCAL, PODENDO EVOLUIR PARA 
 SISTÊMICA
 CICATRIZAÇÃO COM DEFORMIDADE VARIÁVEL
Poderão ser abertos ou fechados, superficiais ou profundos
Tipos ou Classificação dos ferimentos abertos
 Abrasão ou escoriação: superficial, fricção
 Incisos: agente cortante preciso como lâmina, navalha, faca afiada
 Corto-contusos: agente cortante produz borda irregular
 Penetrante ou perfurante: agente pontiagudo e afiado: prego, agulha
 Perfuro-contuso: ferro pontiagudo de construção, arma de fogo
 Ferimentos perfurantes podem ser encravados ou transfixantes
 Lacerante: o tecido é rasgado e não cortado
 Mutilante: perda por secção de porção do corpo: nariz, orelha. 
 No caso de um membro é denominado Amputação
 Transfixante: perfuro contuso que atravessa uma porção do corpo
 Evisceração: leva à exposição de vísceras
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Conduta nas abrasões ou escoriações
Figura 41 – Abrasões ou escoriações
 
Agente: Superficial, forte fricção
Conduta: higienização com água e sa-
bão: cobrir com pano limpo ou estéril;
SE POSSÍVEL MANTER ABERTO
Fonte: Luz Marina Gonçalves de Araújo (acervo pessoal)
Conduta nos ferimentos incisos
Figura 42 – Ferimento inciso
Lavar com água ou soro fisiológico e 
sabão
Com sangramento: cobrir com gaze ou 
pano limpo e comprimir com curativo 
compressivo com gazes e enfaixamento. 
Hemorragia nos membros: elevar o mes-
mo acima do nível do tórax.
Fonte: Luz Marina Gonçalves de Araújo (acervo pessoal)
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Corto contuso
Figura 43 – Corto contuso
 
São causados por objetos com su-
perfície romba como um instru-
mento cortante não muito afiado, 
faca de lâmina pouco romba pau, 
pedra, soco (supercílio) etc.
Ocorre a abertura da pele, pro-
duzindo feridas com bordas trau-
matizadas, além de contusão nos 
tecidos da proximidade.
Devemos realizar a Higienização 
lavando com água ou soro fisio-
lógico e sabão e a sutura.
Fonte: Sergio Tomaz Schettini (acervo pessoal)
Conduta nas lacerações
Objeto contundente com bordas ásperas, rasgando mais do que 
cortando. Normalmente pode haver perda de tecido.
 Higienização da mesma forma, curativo compressivo estéril
fixado com atadura até a realização do tratamento cirúrgico.
Conduta nas avulsões
Ferimento corto ou lacero – contuso profundo em que parte da 
pele e tecidos moles fica pendurado por um retalho. 
 Há intensa retração que dá a falsa impressão de perda de 
substância, o que configuraria uma mutilação. 
 Higienização, colocar a parte lesada no local como possível, 
cobrir com tecido estéril e enfaixar com atadura compressiva 
para controlar a hemorragia. 
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Conduta nas lesões por “desenluvamento”
Figura 44 – Desenluvamento
 
Fonte: Sérgio Tomaz Schettini (acervo pessoal)
Perfurantes
São lesões causadas pela penetração de projéteis ou objetos pon-
tiagudos através da pele e dos tecidos subjacentes. O orifício de entra-
da pode não corresponder à profundidade de lesão, devendo-se sempre 
procurar um orifício de saída e considerar lesões de órgãos internos 
quando o ferimento se localizar nas regiões do tórax ou abdômen. Nas 
perfuro-contusas o objeto causador da ferida é de superfície romba (fe-
rimento por arma de fogo). Zona equimótica em torno da Zona de en-
trada e a Zona de saída é lacero-contusa.
Ferimento incrustado ou encravado
O objeto só será tocado e removido no centro cirúrgico, com o paciente 
anestesiado, após estudo de imagem (paciente estável) e a equipe cirúr-
gica já preparada para a intervenção que se fizer necessária.
As lesões em cisalhamento "desenluvamen-
to" resultam de uma separação traumática 
causada pela avulsão violenta e rápida da 
pele sobre a fáscia, causando uma descon-
tinuidade entre a porção profunda do tecido 
conjuntivo da fáscia muscular subjacente.
A mais comum destas lesões é a produzida 
pelo desenluvamento digital por anel/aliança.
Se possível deve-se acondicionar o tecido 
desenluvado com gazes ou panos limpos, ou 
uma solução de soro fisiológico com gelo 
e encaminhar ao hospital, dada a possibi-
lidade de reimplante, em casos favoráveis.
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Amputações
Figura 45 – Amputação
Fonte: Luz Marina Gonçalves de Araújo (acervo pessoal)
São lesões geralmente relacionadas a acidentes automobilísticos 
e com máquinas industriais.
Seu tratamento inicial deve ser rápido, pela gravidade da lesão, 
levando a risco de vida.
 Deve-se controlar a hemorragia, podendo ser usado o garroteamento,
aplicar aplicar curativo estéril e fixá-lo com bandagens ou ataduras 
com enfaixamento;
 Guardar a parte amputada envolta em gaze estéril umedecida com 
soro fisiológico;
 Colocar a parte amputada dentro de um saco plástico e esse então 
dentro de um segundo saco ou caixa de isopor repleta de gelo.
 Evisceração
Figura 46 – Evisceração
 
 
Lesão na qual a musculatura do abdome 
é rompida em decorrência de violento 
impacto ou lesão de objeto penetrante 
ou cortante, expondo o interior da re-
gião abdominal à contaminação, ou ex-
teriorizando vísceras.
Nunca oferecer nada por via oral.
Fonte: Imagem cedida por Dr. Reginaldo Franklin. <http://reginaldofranklin.com.
br/evisceracao/>
http://reginaldofranklin.com.br/evisceracao/
http://reginaldofranklin.com.br/evisceracao/
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Ferimentos fechados
Contusões com equimose ou hematoma
Figura 47 – Equimose (hematoma)
 
São contusões caracterizadas ex-
ternamente por equimoses ou he-
matomas, cuja gravidade estará 
na dependência da intensidade 
da lesão vascular.
Nas pequenas lesões aplicam-se 
compressas geladas de forma in-
termitente a cada 15 minutos nas 
primeiras 24 horas. O tratamen-
to persiste com a aplicação de 
bolsa de gelo nas primeiras 24 
horas, seguindo-se de compres-
sas frias a cada 4 ou 6 horas até 
a resolução satisfatória.
Fonte: Luz Marina Gonçalves de Araújo 
(acervo pessoal)
Lesões intracavitárias
Na dependência da intensidade e localização no trauma fechado 
podemos ter sinais de hemorragia interna (palidez progressiva, aumen-
to da frequência do pulso, queda da pressão arterial e perda da consci-
ência). O abdome fica reflexamente rígido pela irritação causada pelo 
sangue sobre o peritônio parietal.
O baço é a víscera mais comumente sujeita à lesão por traumatis-
mo abdominal fechado. Vem a seguir o rim e o fígado.
Conduta nos ferimentos com hemorragia externa
 Manter a vítima deitada e aplicar curativo compressivo 
com pano limpo;
 Fazer pressão direta sobre o curativo com aplicação de uma 
atadura ou com as mãos;
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 Elevar o membro se não houver fratura;
 Caso necessário fazer outro curativo compressivo sobre o 
anterior;
 Se for um ponto arterial aplicar pressão direta sobre o mesmo;
 Nunca ligar uma artéria com pinças cirúrgicas; isto irá 
destruir:
• a integridade da mesma impedindo uma reconstrução
cirúrgica ou 
• obrigando à utilização de um enxerto arterial 
• a ligadura de uma artéria importante só pode ser feita com 
clampes vasculares adequados para esse fim e que não
lesam o endotélio vascular.
 Se o vaso for calibroso e as medidas anteriores forem
ineficazes, aplicar um torniquete;
 Imobilizar fraturas;
 Elevar ambos os membros para aumentar o retorno de
sangue ao coração;
 Aquecer o paciente e não oferecer nada via oral;
 Obter acesso venoso e iniciar a reposição de volume com
soro fisiológico.
Ferimento do couro cabeludo
1. Controle da hemorragia com pressão direta (não puntiforme);
2. Lavar o local para higienização sempre necessária e verificar 
se há fratura;
3. Suspeite de lesão adicional na cabeça ou pescoço;
4. Não aplique pressão excessiva se existir a possibilidade de
fratura no crânio;
5. Enfaixar com compressão moderada.
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Hemorragia nasal
Figura 48 – Conduta na hemorragia nasal
 
1. Tranquilizar o paciente, mantido sen-
tado com a cabeça levemente inclinada 
para a frente;
2. Verificar a pressão arterial; medicação 
anti-hipertensiva se necessário;
3. Comprimir as narinas continuamen-
te por 5 minutos e aplicar bolsa de gelo 
sobre o nariz;
4. Se não houver melhora deverá ser 
feito o tamponamento nasal (surgicel, 
gelfoam).
5. Se persistir sangramento posterior, 
pode ser feito tamponamento com Foley;
6. A última opção será a cauterização di-
reta com endoscopia nasal.
Fonte: Cristiane Monteiro (acervo pessoal)
Olhos
 Normalmente são queimaduras químicas
 Lavar exaustivamente com soro fisiológico ou água corrente.
Suturas
Histórico: relatos egípcios desde 3500 a.C (tendões de animais, 
crina de cavalo trançada, fios de couro, fios de cabelo e fibras vegetais.
Ambroise Paré (1510-1590) propõe a cauterização para hemostasia.
Lister (1827-1912) aponta a importância das bactérias como cau-
sa da infecção da ferida e o uso do ácido carbólico para desinfecção de 
toda sutura e ato cirúrgico. Uso de luvas de borracha estéreis.
William Halsted (1852 – 1922): a cicatrização é um processo bio-
lógico em que se estabelecem pontes de fibroblastos, e restauração das 
Como cuidar dos ferimentos: abordagem prática 133
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comunicações arteriais, venosas e linfáticas entre as bordas suturadas, 
portanto faz-se necessário:
 Assepsia e antissepsia e delicadeza na manipulação dos tecidos;
 Preservar o suprimento sanguíneo (não pode ser isquemiante,
portanto não deve haver tensão na linha de sutura);
 Obliteração de espaços mortos.
Conduta clínico-cirúrgica no tratamento dos ferimentos
Prevenção da Raiva
1. Lavar sempre com água e sabão ou soro fisiológico;
2. Se o animal for sadio, conhecido, vacinado observar por 10 dias 
após a lesão;
3. Se o animal morrer, desaparecer ou se tornar raivoso antes de 10 
dias o paciente deverá ser vacinado;
4. Manter o ferimento aberto ou aproximado com menor número 
de pontos possível;
5. Tratamento com antibiótico de amplo espectro.
Conduta clínico-cirúrgica na prevenção do tétano
Ferimento de alto risco para a ocorrência do Tétano são os 
ferimentos profundos, contaminados com terra, ferrugem e principal-
mente na zona rural, próximo de vacas, cavalos (terra adubada).
Situação vacinal do paciente IGHAT – SAT VACINA
Vacinação em dia (3 doses – última há menos 
de 5 anos)
não não
3 (três) doses, sendo a última há mais de 5 anos não sim
Incerta ou menos de 3 doses, idoso, 
desnutrido, imunodeprimido e provável 
não cumprimento aos cuidados posteriores 
recomendados.
sim sim
Ferimentos de pequeno risco, recente e limpos: apenas higiene e sutura.
Nos demais deve-se administrar ou prescrever antibiótico. 
IGHAT: Imuneglobulina hiperimune contra o tétano
VACINA Antitetânica
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Bibliografia recomendada
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caso. RadiolBras., São Paulo, v. 43, n. 5, p. 336-338, out. 2010. Disponível em: <http://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-39842010000500014&lng=
en&nrm=iso>. Acessoem: 12 nov. 2015. 
RUTKOW, Ira M. Surgery: an illustrated history. St. Louis: Mosby; 1993. 560p.
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(NAEMT). Atendimento pré-hospitalar ao traumatizado, PHTLS (Prehospital Trauma 
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Capítulo 11
Queimaduras na infância: prevenção e primeiras medidas
Sérgio Tomaz Schettini
Introdução
Alguns estudos apontam as crianças como as maiores vítimas 
destes acidentes, respondendo por 80% dos casos que vitimaram os pa-
cientes internados em unidades de queimados e o ambiente doméstico 
com a quase totalidade das ocorrências, sendo a morbidade e mortali-
dade tanto maior quanto menor a idade do paciente.
Em nosso meio o principal agente causador de queimaduras em 
crianças é o álcool líquido, ligado ao hábito cultural do churrasco do-
miciliar nos finais de semana, muito arraigado em nosso país.
É importante salientar a importância não só da queimadura cutânea 
como também a do tubo digestivo, queimaduras estas causadas por 
agentes químicos, livremente comercializados e amplamente utilizados 
em limpeza doméstica, podendo ser provocadas por ácidos como o ácido 
muriático, ou álcalis, como a soda cáustica.
Estas substâncias, ingeridas acidentalmente por crianças, são cau-
sa frequente de graves lesões do esôfago e estômago, muitas vezes fa-
tais apesar do pronto atendimento médico.
A queimadura respiratória, produzida pela inalação de fumaça, 
está associada à prevenção dos incêndios e a guarda e vigilância per-
manente das crianças.
Estão presentes na fórmula de muitos solventes, desinfetantes e de-
tergentes domiciliares vendidos à granel, sem controle adequado na pe-
riferia das grandes cidades. Muitas outras substâncias capazes de causar 
graves queimaduras químicas evoluindo como verdadeiras lesões corro-
sivas são identificáveis em mais de 25.000 produtos capazes de causar 
tais lesões. No Brasil, muitos desses produtos, normalmente utilizados 
na limpeza doméstica, são vendidos sem controle nos supermercados e 
a granel na periferia das grandes cidades a um preço muito convidativo 
em comparação aos produtos industrializados e com adequado contro-
le. Nesta última situação, uma mãe compra uma determinada quanti-
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dade utilizando normalmente para acondicionamento um frasco vazio 
de refrigerante, coloca uma tampa improvisada, facilmente retirada por 
uma criança e coloca esse frasco em baixo da pia. Muitos desses pro-
dutos têm cor e aspecto que lembram o suco de morango. Esta é prova-
velmente a causa da maioria das lesões corrosivas do esôfago, laringe 
e estômago em crianças no nosso meio. Muitas são fatais e suas seqüe-
las são muito graves e permanentes. Uma dessas sequelas é o câncer de 
esôfago, com alta incidência em portadores de “queimaduras do esôfa-
go” a partir dos 30 anos.
Tivemos uma paciente, vítima de queimadura do esôfago com 1 
ano de vida (ácido muriático), que veio a falecer, devido a um carcino-
ma de esôfago, com 11 anos de idade.
Prevenção e primeiras atitudes 
Recém-nascido e lactentes
Entre 0 e 1 ano é comum a queimadura com mamadeira, água de 
banho e pelo sol. Para evitar basta colocar uma gotinha do leite no dorso 
da mão, experimentar a água do banho usando o cotovelo e movimentá-la 
por toda a banheira para ter certeza que a temperatura esteja uniforme.
Expor a criança ao sol somente antes das 10 horas e após as 15 
horas, isto na dependência das condições climáticas e temperatura local 
e da época do ano. Os primeiros socorros são lavar o local com água e 
sabão e encaminhá-la ao médico. Outras recomendações fundamentais 
nessa idade são:
 não levar nada quente quando estiver com o bebê no colo;
 deve-se evitar fumar na presença de crianças, é óbvio que não
só pelo risco de queimaduras, mas também pela fumaça do
cigarro, que contém centenas de substâncias tóxicas e cancerígenas.
Afora o aspecto pedagógico negativo de se fumar na presença de 
crianças.
Entre 1 e 2 anos os riscos se multiplicam pela capacidade da deam-
bulação e pelo total desconhecimento do perigo, aliado a curiosidade natu-
ral de explorar o meio ambiente. São riscos específicos nessa faixa etária: 
 evitar a presença da criança na cozinha durante o preparo 
das refeições e manter os cabos das panelas sempre voltados 
para dentro;
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 não deixar vasilhas, pratos ou copos com líquidos quentes 
ao alcance da criança, tomar todo o cuidado com panelas, ferros 
elétricos de passar roupas. Utilizar de preferência as bocas
traseiras do fogão;
 usar protetores de tomadas elétricas para evitar que possa ser 
introduzido objeto metálico;
 fios não encapados em improvisações feitas na rede elétrica;
 substâncias químicas devem estar totalmente fora do alcance 
das crianças e ter mecanismo de proteção em sua tampa que
impeça que o recipiente possa ser aberto por uma criança.
Crianças com 2 a 6 anos
Além das recomendações acima, nesta idade a criança é fascina-
da pelo fogo e desconhece seu risco, que deve ser ensinado pelos pais.
O principal causador de acidentes é o álcool, que deve estar tran-
cado, fora do alcance das crianças.
Toda substância química potencialmente corrosiva deve ser tran-
cada, fora do alcance das crianças.
As crianças adoram brincar com velas, presentes nas residências 
para as emergências na falta de luz elétrica, e as velas de festas de ani-
versário. Estas, assim como fósforos e isqueiros, devem permanecer fora 
de seu alcance, assim como torradeiras e fogos de artifício. Cuidados 
com lâmpadas acesas, que podem estar ao alcance de crianças (como 
as dos abajures), secadores de cabelo, ferro de passarroupas, aquece-
dores de ambiente.
As crianças devem permanecer distantes das churrasqueiras.
Não se deve ter álcool líquido em casa, assim como substâncias 
passíveis de causar graves queimaduras químicas que evoluem para le-
sões corrosivas, como o ácido muriático, soda cáustica e a maioria dos 
desinfetantes e detergentes. 
Nunca deixe uma caixa de velas ao alcance de uma criança.
Nunca deixe uma criança perto de uma fogueira.
Fogos de artifício, além de queimar, podem levar à perda de par-
tes do corpo, como os dedos.
Essas mesmas recomendações são válidas para as crianças maiores.
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O que fazer em casos de queimaduras antes de procurar 
atendimento médico
01. Lavar a área afetada com água corrente, a fim de resfriar a 
temperatura, que já tem um efeito terapêutico e uma grande 
ação analgésica. Toda roupa ou tecido deve ser retirado da 
área queimada, sendo que sua presença aderida à pele per-
petua o efeito da queimadura, por continuar a transmitir ca-
lor aos tecidos. 
02. Em caso de queimadura química com ácido ou com soda cáus-
tica, lave exaustivamente a região com água e procure ime-
diatamente atendimento médico. São queimaduras graves e 
de caráter progressivo, aprofundando seu grau mesmo após 
o início do tratamento, dado a ação corrosiva.
03. Queimaduras elétricas precisam de atendimento médico ime-
diato. Se você vir alguém grudado a um fio elétrico ou uma 
tomada, desligue a força imediatamente ou puxe-o com uma 
vassoura. Não puxe com suas mãos tentando soltá-lo, pois 
conduzirá para você a eletricidade. 
05. Nunca passar coisas como café ou pasta de dente sobre a 
queimadura. Mesmo pomadas não devem ser usadas. Esses 
produtos não têm de fato nenhum efeito benéfico sobre as 
queimaduras e dificultarão o diagnóstico médico da profun-
didade da queimadura, além de tornarem mais dolorosa a 
limpeza da região, pois aderem aos tecidos. (PORTAL DA 
CIRURGIA PLÁSTICA, [200-?]).
___________________________
Bibliografia recomendada
BLACK, Joyce M; MATASSARI-JACOBS, Esther (Ed.). Enfermagem médico-cirúrgi-
ca: uma abordagem psicofisiológica. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1996. 2 v.
BRASIL. Ministério da Saúde. Acolhimento à demanda espontânea. Brasília, DF: 
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	Prefácio
	Apresentação
	Capítulo 1
	Uma breve história da Medicina
	Prof. Dr. Sergio Tomaz Schettini
	Capítulo 2
	Introdução à Semiologia: noções básicas da estrutura de uma história clínica
	Prof. Dr. Sérgio Tomaz Schettini
	Prof. Dr. Paulo Sérgio Masabki
	Capítulo 3
	Biossegurança e Controle de Infecção
	Prof. Otavio Madi
	Capítulo 4
	Procedimentos Diagnósticos Básicos – sinais vitais
	Prof. Otavio Madi
	Prof. Dr. Sergio Tomaz Schettini
	Capítulo 5
	Procedimentos terapêuticos básicos I: vias de administração de medicamentos
	Prof. Otavio Madi
	Capítulo 6
	Procedimentos terapêuticos básicos II: sondagem nasogástrica, nasoenteral e vesical
	Prof. Dr. Sérgio Tomaz Schettini
	Capítulo 7
	Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE)
	Prof. Otavio Madi
	Capítulo 8
	Atendimento inicial ao paciente politraumatizado
	Prof. Otavio Madi
	Capítulo 9
	Ferimentos e queimaduras
	Prof. Dr. Pedro Luiz Squilacci Leme
	Capítulo 10
	Como cuidar dos ferimentos: abordagem prática
	Prof. Dr. Sergio Tomaz Schettini
	Capítulo 11
	Queimaduras na infância: prevenção e primeiras medidas
	Prof. Dr. Sérgio Tomaz Schettini

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