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Complexo Educacional FMU Escola de Ciências da Saúde Medicina Veterinária PROCESSOS BIOLÓGICOS Profa. Dra. Camilla de Lima Patti Hissamura 1º Semestre – 2017 Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 2 1. ÁTOMOS ...................................................................................................... 3 2. LIGAÇÕES QUÍMICAS ................................................................................ 4 2.1 LIGAÇÕES IÔNICAS E COVALENTES .............................................................. 4 2.2 LIGAÇÕES INTERMOLECULARES .................................................................. 5 3. ÁGUA ........................................................................................................... 6 3.1 COMPARTIMENTOS LÍQUIDOS DO ORGANISMO .............................................. 7 3.2 TRANSPORTE ATRAVÉS DA MEMBRANA PLASMÁTICA ..................................... 8 3.2.1 Transporte sem gasto de energia .................................................. 10 3.2.2 Transporte com gasto de energia .................................................. 11 4. A QUÍMICA DA ÁGUA, pH E SISTEMA TAMPÃO ................................... 12 4.1 A QUÍMICA DA ÁGUA ................................................................................ 12 4.2 CONCEITOS DE ÁCIDOS E BASES ............................................................... 13 4.3 SISTEMAS TAMPÃO .................................................................................. 14 4.3.1 Escala de pH .................................................................................. 14 4.3.2 Tampões fisiológicos ..................................................................... 15 5. MECANISMOS REGULATÓRIOS DO pH SANGUÍNEO .......................... 18 5.1 TAMPÃO BICARBONATO ............................................................................ 18 5.1.1 Papel dos pulmões no equilíbrio ácido-base ................................. 20 5.1.2 Papel dos rins no equilíbrio ácido-básico ...................................... 20 6. DESVIOS DO PH ....................................................................................... 21 6.1 ACIDOSE E ALCALOSE .............................................................................. 21 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................... 22 Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 3 1. ÁTOMOS Átomo é uma unidade básica de matéria que consiste num núcleo central de carga elétrica positiva envolto por uma nuvem de elétrons de carga negativa (eletrosfera). O núcleo atômico é composto por prótons e nêutrons. Os elétrons de um átomo estão ligados ao núcleo por força eletromagnética. Da mesma forma, um grupo de átomos pode estar ligado entre si através de ligações químicas baseadas na mesma força, formando uma molécula. Um átomo que tenha o mesmo número de prótons e elétrons é eletricamente neutro, enquanto que um com número diferente pode ter carga positiva ou negativa, sendo desta forma denominado íons. Caso o íon tenha carga positiva, ele é chamado de cátion. Por outro lado, um íon com carga negativa é um ânion. Para identificar um átomo – representante de um elemento químico – utiliza-se o número de massa. O número de massa é simbolizado pela letra A e é a soma do número de prótons e nêutrons contidos no núcleo de um átomo. Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 4 Pode-se também analisar o número atômico. Esse número é usado ara designar o número de prótons encontrados no núcleo de um átomo. Em um átomo com carga neutra, o número de elétrons é idêntico ao número atômico. No caso dos íons, o número de prótons permanece o mesmo (já que compõe o núcleo do átomo), mas ele pode perder ou ganhar elétrons, tornando-se eletricamente carregado. 2. LIGAÇÕES QUÍMICAS Na natureza, todos os sistemas tendem a adquirir a maior estabilidade possível. Os átomos ligam-se uns aos outros para aumentar a sua estabilidade. Os gases nobres são as únicas substâncias formadas por átomos isolados. 2.1 Ligações iônicas e covalentes Ligação iônica ou eletrovalente é a atração eletrostática entre íons de cargas opostas num retículo cristalino. Esses íons formam-se pela transferência de elétrons dos átomos de um elemento para os átomos de outro elemento. Para se formar uma ligação iônica, é necessário que os Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 5 átomos de um dos elementos tenham tendência a ceder elétrons e os átomos do outro elemento tenham tendência a receber elétrons. Ligação covalente é um par de elétrons compartilhado por dois átomos, sendo um elétron de cada átomo participante da ligação. A ligação covalente pode ser polar ou apolar. A ligação covalente polar é aquela que constitui um dipolo elétrico. Forma-se quando as eletronegatividades dos elementos ligados são diferentes. Ligação covalente apolar é aquela que não constitui dipolo elétrico. Nesse caso, as eletronegatividades dos átomos ligados são iguais. 2.2 Ligações intermoleculares As forças intermoleculares são aquelas responsáveis por manter moléculas unidas na formação dos diferentes compostos. Existem três tipos de interações intermoleculares. Elas servem somente para as substâncias que possuem ligações covalentes. São elas: - Pontes de hidrogênio (ou ligações de hidrogênio): É realizada sempre entre o hidrogênio e um átomo mais eletronegativo, como flúor (F), oxigênio (O) e nitrogênio (N). É a ligação mais forte de todas, devida à alta eletropositividade do hidrogênio e à alta eletronegatividade do flúor, oxigênio e nitrogênio. De um lado, um átomo muito positivo e do outro, um átomo muito negativo. Isso faz com que a atração entre estes átomos seja muito forte. Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 6 - Forças de London ou Forças de Van der Waals: Essa interação intermolecular pode ser chamada também de dipolo-induzido. É a interação mais fraca de todas e ocorre em moléculas apolares. Nesse caso, não há atração elétrica entre essas moléculas. Deveriam permanecer sempre isolados e é o que realmente acontece porque, em temperatura ambiente, estão no estado gasoso. São cerca de dez vezes mais fracas que as ligações dipolo-dipolo. 3. ÁGUA A água é uma substância química cujas moléculas são formadas por dois átomos de hidrogênio covalentemente ligados a um átomo de oxigênio, sendo sua fórmula química dada por H2O. A geometria de equilíbrio para uma molécula isolada possui ligações O-H e um ângulo H-O-H de 104,5°. Essas moléculas interagem entre si sobretudo através da formação de pontes ou ligações de hidrogênio. A água manifesta-se em seu estado líquido sob temperaturas entre 0°C e 100°C e pressão de uma atmosfera (1 atm). Como características importantes, a água apresenta altos pontos de fusão e ebulição. Destacam- se ainda seu alto calor latente de vaporização, sua elevada capacidade térmica, além de uma alta tensão superficial. Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 7 Pelo fato de a molécula de água não ser linear e a eletronegatividade do oxigênio ser maior do que a do hidrogênio, ocorre o aparecimento de regiões positivas e negativas na própria molécula sendo, portanto, uma molécula polar (dipolo). Por esse motivo, a água é um ótimosolvente para substâncias iônicas, como sais, ácidos e bases. As ligações de hidrogênio contribuem para solubilidade de outros compostos que possuem hidrogênio ou oxigênio em sua composição. Pelo mesmo motivo, proteínas e partículas minúsculas podem ser mantidas em suspensão na água, formando um coloide. Entretanto, lipídeos (gorduras) não se dissolvem em água. 3.1 Compartimentos líquidos do organismo O corpo de um mamífero é constituído em média 60-70% em massa de água, cuja distribuição varia conforme o tecido, a espécie e a idade do animal. Dessa forma, a água está distribuída em diferentes compartimentos no organismo. Pode-se constatar que o todo líquido (60%) no corpo ocupa vários locais ou espaços (compartimentos). Todo o líquido que ocupa o interior das células do corpo é o líquido intracelular (LIC, 40%). Já o líquido que se encontra fora das células é chamado de líquido extracelular (LEC, 20%). O LEC, por sua vez, pode ser divido entre vascular plasmático (VP, 4%), intersticial linfático (IL) e líquidos transcelulares (como líquido sinovial e placentário, por exemplo). Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 8 3.2 Transporte através da membrana plasmática A membrana plasmática ou membrana celular é a estrutura que delimita todas as células vivas, tanto as procarióticas como as eucarióticas. Ela estabelece a fronteira entre o meio intracelular, o citoplasma, e o ambiente extracelular, que pode ser a matriz dos diversos tecidos. A arquitetura da membrana plasmática segue um modelo postulado por Singer e Nicholson em 1972, denominado modelo de mosaico fluído. Nesse modelo, a membrana é composta por uma bicamada de fosfolipídios (moléculas anfipáticas, que possuem uma porção hidrofílica e uma porção hidrofóbica) mantidos coesos por moléculas de colesterol e com proteínas e glicídios interpostos. Esse conjunto reflete em uma estrutura flexível, existindo movimentos das moléculas que a constituem, dotando-a, assim, de grande fluidez. Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 9 A membrana celular não é estanque, mas uma “porta” seletiva que a célula utiliza para captar os elementos do meio exterior que lhe são necessários para o seu metabolismo e para libertar as substâncias que a célula produz e que devem ser enviadas para o exterior. Para tanto, uma característica importante para a membrana plasmática é a permeabilidade. Nesse sentido, ela pode permitir ou não a passagem do soluto (partícula dissolvida) ou do solvente (meio líquido dispersante). Dependendo das propriedades da membrana e dos solutos, o transporte através das membranas classifica-se em: v Transporte passivo: quando não envolve o consumo de energia do sistema, sendo utilizada apenas a energia cinética das moléculas; a movimentação dá-se a favor do gradiente de concentração (do meio mais concentrado em direção ao meio menos concentrado). v Transporte ativo: quando o transporte das moléculas envolve a utilização de energia pelo sistema; no caso da célula viva, a energia utilizada é na forma de adenosina trifosfato (ATP); a movimentação das substâncias dá-se contra o gradiente de concentração. Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 10 3.2.1 Transporte sem gasto de energia 3.2.1.1 Difusão A difusão se dá quando a concentração interna do soluto é menor que a externa e as partículas tendem a entrar na célula. Quando a concentração interna é maior, as substâncias tendem a sair. Quando a membrana é permeável ao soluto, ou seja ele tem natureza lipossolúvel (apolar), ele atravessa a membrana plasmática. Essa é a difusão simples. A difusão também pode ser auxiliada por proteínas permeáveis sendo classificada difusão facilitada. Nesse caso, o soluto não é lipossolúvel, como a água, íons ou a glicose. 3.2.1.2 Osmose No que se refere à osmose, quando a concentração externa de substâncias é maior que a interna, parte do líquido citoplasmático tende a sair fazendo com que a célula murche (plasmólise). Quando a concentração interna é maior, o líquido do meio externo tende a entrar na célula, dilatando- a (turgência). No caso da osmose, a membrana plasmática é impermeável ao soluto, fazendo com o solvente se mova através da membrana. Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 11 3.2.2 Transporte com gasto de energia O transporte ativo é o nome dado ao tráfego de moléculas através da membrana plasmática, contra o gradiente de concentração, mediado por proteínas específicas transportadores e com a mobilização de energia celular geralmente resultante da hidrólise de ATP. A membrana pode expulsar ou absorver alguma substância que esteja em excesso ou em falta, bombeando-a para dentro ou para fora da célula. Um importante exemplo desse tipo de transporte é bomba sódio-potássio, que tem a função de manter o potencial eletroquímico das células. Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 12 4. A QUÍMICA DA ÁGUA, pH e SISTEMA TAMPÃO 4.1 A Química da Água A molécula de água, H2O, se ioniza através de uma reação ácido- base: A reação ácido-base se caracteriza pela troca de prótons entre pares conjugados de ácidos e bases. A água pode se comportar como ácido e como base: Estas são reações de equilíbrio, às quais correspondem constantes de equilíbrio definidas. Por exemplo: a) K mede a afinidade relativa das bases, de cada par ácido-base conjugados (AH/A- e H3O+/H2O), por prótons. Fala-se comumente em constante de dissociação de um ácido (Ka), significando: Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 13 b) [H+] é a concentração hidrogeniônica e os valores de [H+] para a maioria das soluções são muito baixos e difíceis de serem comparados. Um valor mais prático é conhecido como pH: pH = - log [H+] e pH = pK + log [A- ]/[AH] Conclui-se que pK é numericamente igual a pH da solução na qual as concentrações molares do ácido e sua base conjugada são iguais. 4.2 Conceitos de ácidos e bases Existem, atualmente, três conceitos para os ácidos e para as bases. São eles: conceitos de Arrhenius, conceitos de Brönsted-Lowry e os conceitos de Lewis. Conceitos de Arrhenius Ácido: Toda substância que em solução aquosa, sofre ionização, produzindo como cátion, apenas o íon H+. Na realidade, o íon H+, quando em solução aquosa, liga-se a uma molécula de água, formando o íon H3O+, chamado de hidrônio ou hidroxônio. Base ou hidróxido: Toda substância que em solução aquosa, sofre dissociação iônica, libertando como ânion, apenas o íon OH–, chamado oxidrila ou hidroxila. Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 14 Conceitos de Brönsted-Lowry Ácido: Toda espécie química, molécula ou íon, capaz de ceder prótons (H+). Base: Toda espécie química, molécula ou íon, capaz de receber prótons (H+). 4.3 Sistemas Tampão 4.3.1 Escala de pH Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 15 Tampões são sistemas aquosos que tendem a resistir a variações no seu pH quando pequenas quantidades de ácido (H+) ou base (OH-) são adicionadas. Um sistema tampão consiste deum ácido fraco (o doador de prótons) e sua base conjugada (o aceptor de prótons). A adição de ácido forte (H+) ou base forte (OH-) a uma solução aquosa de um ácido fraco, por exemplo, ácido acético (pKa=4,76), causa pequenas variações de pH, se a solução estiver a um pH próximo do pK do ácido. Esse comportamento define um tampão ácido-base. A regulação do pH nos fluidos intracelulares e extracelulares é atividade essencial dos organismos vivos. Mesmo pequenas mudanças na concentração do íon hidrogênio podem afetar grandemente as estruturas e as funções biológicas. A concentração do íon H+ é mantida relativamente constante por meio de soluções-tampões que resistem a alterações bruscas de pH quando adicionadas quantidades relativamente pequenas de ácido ou base. São formados ácidos fracos e suas bases conjugadas. A resistência a mudanças de pH de um tampão depende de dois fatores: (a) concentração molar do ácido fraco e sua base conjugada e (b) a relação entre suas concentrações. Quanto maior a quantidade de tampão presente, mais íons H+ e OH- podem ser absorvidos sem grandes mudanças do pH. 4.3.2 Tampões fisiológicos Os três tampões mais importantes para os mamíferos são: tampão bicarbonato, tampão fosfato e o tampão proteico Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 16 (hemoglobina/oxihemoglobina). Cada um está adaptado para solucionar problemas fisiológicos específicos do organismo. ü Tampão bicarbonato/ácido carbônico: é o mais importante para evitar variações de pH produzidas por ácidos não-voláteis. Composto por ácido carbônico e bicarbonato de sódio e está presente no plasma. ü Tampão proteína: mais abundante no organismo e tampona tanto no meio intra quanto extracelular. As proteínas são formadas por aminoácidos, os quais possuem um caráter anfótero (ácido ou base). ü Tampão hemoglobina/oxiemoglobina: sistema tampão extremamente importante para os ácidos voláteis. Pode tamponar através de dois mecanismos: proteína ou grupo imidazol. 1ª etapa (plasma): produção de dióxido de carbono (CO2) decorrente do metabolismo podendo causar uma acidose intensa. A hemoglobina evita essa acidose sequestrando um próton do meio e diminuindo com isso a formação de ácido carbônico. O sinal para que a hemoglobina sequestre o próton do meio é a liberação de gás oxigênio (O2). 2ª etapa (pulmão): a saída de grande quantidade de CO2 pela respiração poderia causar uma grande alcalose (perda de acidez). Isso é compensado pela hemoglobina que, no momento que libera CO2, capta o O2 e libera o próton, num mecanismo que ocorre a nível plasmático. Dessa forma, evita-se a alcalose. Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 17 ü Tampão fosfato: é o tampão que atua principalmente a nível celular e que apresenta grande importância no sistema renal. É formado por dois sais: monohidrogeno fosfato de sódio (fosfato de sódio dibásico) e dihidrogeno fosfato de sódio (fosfato de sódio monobásico). Esse último funciona como ácido e tampona as bases. A manutenção do pH dos líquidos orgânicos dos tecidos, dentro da faixa compatível com o funcionamento celular ótimo, exige a regulação da quantidade de ácidos e das bases livres nos compartimentos intra- e extracelular. Essa regulação depende da participação de um conjunto de pares de substâncias chamadas sistemas tampão, que existem nos líquido intracelular e extracelular, principalmente no sangue. Depende também dos pulmões, que eliminam o ácido carbônico produzido pelo metabolismo celular e dos rins que promovem a eliminação de íons hidrogênio e bicarbonato. O mecanismo de neutralização química no líquido extracelular é imediato; a neutralização através da eliminação respiratória é rápida, sendo eficaz em 1 a 15 minutos, enquanto o mecanismo de regulação renal, apesar de bastante eficiente, é mais lento, tardando horas ou dias, para ser completamente eficaz. Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 18 5. MECANISMOS REGULATÓRIOS DO pH SANGUÍNEO O pH normal do sangue dos mamíferos varia dentro da pequena faixa de 7,35 a 7,45. Em comparação com a água, portanto, o sangue normal tem o pH levemente alcalino. Essa alcalinidade do sangue representa a atividade iônica de numerosas substâncias incluindo-se os sistemas tampão. O sangue arterial é o padrão habitual para avaliação do pH; seu valor se situa na porção mais alcalina da faixa normal, entre 7,4 e 7,45. O sangue venoso tem maior concentração de hidrogênio livre, recebido do líquido intersticial pelos capilares venosos. Em consequência, o pH do sangue venoso se situa na faixa menos alcalina do pH normal, geralmente entre 7,35 e 7,40. 5.1 Tampão bicarbonato É considerado o mais importante sistema tampão. É conhecido como sistema tampão bicarbonato/ácido carbônico. Nesse sistema, o CO2 reage Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 19 com a água para formar o ácido carbônico (H2CO3). O ácido carbônico por sua vez dissocia-se para formar os íons H+ e HCO3-. Dos três, apenas o bicarbonato tem a característica de ser continuamente produzido e retirado do sangue, o que tem consequências importantes. Assim, a variação da concentração de seus componentes confere ao sistema do bicarbonato uma influência mais dinâmica sobre o pH (e a capacidade de tamponamento) do que a das proteínas e do fosfato, sistemas cuja composição é mais estática. O sistema tampão constituído pelo bicarbonato e pelo ácido carbônico tem características especiais nos líquidos do organismo. O ácido carbônico é um ácido bastante fraco e a sua dissociação em íons hidrogênio (H+) e íons bicarbonato (HCO3-) é mínima, em comparação com outros ácidos. Em cada 1.000 moléculas de ácido carbônico, cerca de 999 estão em equilíbrio sob a forma de CO2 e H2O, do que resulta uma alta concentração de dióxido de carbono dissolvido e uma baixa concentração de ácido. O sistema tampão do bicarbonato/ácido carbônico é muito poderoso porque os seus componentes podem ser facilmente regulados. A concentração do dióxido de carbono é regulada pela eliminação respiratória e a concentração do bicarbonato é regulada pela eliminação renal. Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 20 5.1.1 Papel dos pulmões no equilíbrio ácido-base O sistema respiratório é muito importante na manutenção do estado ácido-base, pois ele controla a excreção de CO2 (principal ácido volátil). É importante no equilíbrio entre a produção metabólica de CO2 e sua eliminação pelos pulmões para a manutenção da concentração de CO2 nos líquidos extracelulares. A ventilação é controlada pelos centros respiratórios localizados no sistema nervoso central que são sensíveis à mudanças da pressão parcial de gás carbônico (pCO2), pressão parcial de oxigênio (pO2), pH. 5.1.2 Papel dos rins no equilíbrio ácido-básico O sistema renal é muito importante na manutenção do equilíbrio ácido- básico, pois é responsável pela manutenção dos níveis plasmáticos de HCO3- e pela excreção de ácidos não-voláteis. Esses são tamponados pelo sistema bicarbonato e expelido pelos rins. O bicarbonato é reabsorvido com finalidade de dar continuidade ao sistema. aumento da pCO2 e diminuição do pH è estimula a ventilação diminuição da pCO2, aumento pH è inibe a ventilação Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 21 6. DESVIOS DO pH 6.1 Acidose e AlcaloseA produção de CO2 pelo metabolismo é normalmente equivalente à quantidade de CO2 expirada nos pulmões, sem resultar, portanto, em produção líquida de H2CO3 (ácido carbônico). Entretanto, algumas circunstâncias podem interferir nessa equação, criando situações de relevância médica. Escola da Saúde – Medicina Veterinária Processos Biológicos 22 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS GALANTE, F.; ARAÚJO, M.V.F. Fundamentos de bioquímica: para universitários, técnicos e demais profissionais da área de saúde, 2.ed., São Paulo: Rideel, 2014. MARZOCCO, A.; TORRES, B.B. Bioquímica Básica, 4.ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. UCKO, D.A. Química para as Ciências da Saúde: Uma Introdução à Química Geral, Orgânica e Biológica, 2.ed., São Paulo: Manole, 1992.