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Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço INTRODUÇÃO A prevenção, primária e secundária, de eventos cardiovasculares depende do controle de diversos fatores de risco, e entre eles estão as dislipidemias, principalmente a elevação da lipoproteína de baixa densidade (low density lipoprotein – LDL). O controle desses fatores de risco se dá por mudanças de estilo de vida e uso de terapia medicamentosa com estatinas, além do devido acompanhamento por diversos profissionais de saúde, como médico para avaliação do paciente e prescrição de medicamentos, nutricionista para orientação e prescrição de dieta, e farmacêutico para rastreamento em saúde, orientação e educação do paciente sobre seus medicamentos, otimização da farmacoterapia, avaliação da efetividade e segurança dos tratamentos prescritos e estabelecimento de um plano de cuidado partindo das necessidades do paciente. ACOLHIMENTO DE DEMANDA Acolher significa receber bem, dar conforto, escutar e tornar-se responsável pelo atendimento da queixa apresentada pelo paciente, ou no mínimo, auxiliá-lo na escolha do melhor itinerário terapêutico. O farmacêutico deve identificar situações que requerem intervenção ou necessidade de atendimento rápido do paciente por outro profissional ou serviço (CFF, 2016). No caso de pacientes com dislipidemia, o farmacêutico deve reconhecer problemas relacionados com a efetividade e segurança do tratamento, o que muitas vezes implica no encaminhamento a outro profissional ou sistema de saúde. ANAMNESE No processo de anamnese, o farmacêutico deve capturar informações que auxiliem na identificação das necessidades e problemas de saúde do paciente. Dessa forma, o farmacêutico deve reconhecer os principais fatores de risco para desenvolvimento de doença cardiovascular, e assim estratificar o risco cardiovascular do paciente. DEFINIÇÃO Dislipidemia ou hiperlipidemia é a elevação de lipoproteínas aterogênicas (LDL, IDL, VLDL, remanescentes de quilomícrons) no sangue. Altos níveis de lipoproteína de baixa densidade (LDL) e os baixos níveis de lipoproteína de alta densidade (HDL) são particularmente importantes fatores de risco para desenvolvimento da aterosclerose - doença inflamatória crônica de origem multifatorial que ocorre em resposta à agressão endotelial, acometendo principalmente a camada íntima de artérias de médio e grande calibre. Quadro 1: Classificação laboratorial das Dislipidemias Fonte: Adaptado da Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2017 É possível realizar em farmácias testes rápidos para a quantificação de colesterol ou triglicerídeos, os quais não têm valor diagnóstico, porém, podem ser realizados para rastreamento de dislipidemias em pacientes que não possuem o CLASSIFICAÇÃO LABORATORIAL Hipercolesterolemia isolada Elevação isolada do LDL-C (≥ 160 mg/dL) Hipertrigliceridemia isolada Elevação isolada dos TG (≥150 mg/dL ou ≥175 mg/dL, se a amostra for obtida sem jejum) Hiperlipidemia mista Elevação de LDL-C (≥ 160 mg/dL) e TG (≥150 mg/dL ou ≥175 mg/dL, se a amostra for obtida sem jejum). Se TG ≥ 400 mg/dL, o cálculo do LDL-c pela fórmula de Friedewald é inadequado, devendo-se considerar a hiperlipidemia mista quando o não HDL-c ≥ 190 mg/Dl. HDL-baixo Redução do HDL-c (homens < 40 mg/dL e mulheres < 50 mg/dL) isolada ou em associação ao aumento de LDL-c ou de TG Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço diagnóstico, ou podem ser utilizados como monitoramento da efetividade da farmacoterapia em pacientes que já são tratados para dislipidemia. A estratificação de risco cardiovascular estima a probabilidade de ocorrer infarto do miocárdio ou morte por doença coronária no período de 10 anos em indivíduos sem diagnóstico prévio de aterosclerose clínica (Escore de risco Global – ERG – em anexo; disponível por meio de Aplicativo para Smartphone da Sociedade Brasileira de Cardiologia “Calculadora para Estratificação de Risco Cardiovascular”). Fonte: Adaptado da Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2017 Risco muito alto: • Indivíduos com doença aterosclerótica significativa (coronária, cerebrovascular, vascular periférica), com ou sem eventos clínicos, ou obstrução ≥ 50% em qualquer território arterial. Alto risco: • Portadores de Doença Aterosclerótica Subclínica (DASC); • Aneurisma de aorta abdominal; • Doença renal crônica (Taxa de Filtração Glomerular < 60 ml/min); • LDL ≥ 190 mg/dl; • Diabetes melito tipo 1 ou 2 e com LDL entre 70 e 189mg/dl e presença de Estratificadores de Risco (ER) ou DASC; o ER no diabetes: idade ≥ 48 anos no homem e ≥ 54 anos na mulher; tempo de diagnóstico do diabetes > 10 anos; história familiar de parente de primeiro grau com DCV prematura (< 55 anos para homem e < 65 anos para mulher); tabagismo (pelo menos um cigarro no último mês); hipertensão arterial sistêmica; síndrome metabólica; presença de albuminúria > 30 mg/g de creatinina e/ou retinopatia; TFG < 60 mL/min. • LDL-c entre 70 e 189 mg/dL, do sexo masculino com risco calculado pelo ERG > 20% e nas mulheres > 10%. Risco intermediário: • Indivíduos com ERG entre 5 e 20% no sexo masculino e entre 5 e 10% no sexo feminino, ou diabéticos sem DASC ou ER. Baixo risco: • Indivíduos com ERG <5% no sexo masculino e feminino Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço Quadro 2: Metas terapêuticas preventivas Fonte: Adaptado da Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2017 TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO • Atividade física regular • Cessação do Tabagismo • Recomendações dietéticas para o tratamento das hipercolesterolemias TRATAMENTO FARMACOLÓGICO Quadro 3: Medicamentos disponíveis para o tratamento farmacológico das dislipidemias Medicamentos que atuam predominanteme nte na colesterolemia ESTATINAS OU INIBIDORES DA HMG-COA REDUTASE Fármaco Doses/ dia Efeito sobre o LDL-C Observações Sinvastatina 20 a 80mg ↓ 27% a 42% As estatinas devem ser administradas por via oral, em dose única diária, preferencialmente à noite para os fármacos de meia-vida curta ou em qualquer horário naqueles com meia-vida maiores como a atorvastina e a rosuvastatina. Podem ser administradas em associação à ezetimiba, colestiramina e eventualmente a fibratos ou ácido nicotínico. O uso de estatina está indicado em terapias de prevenção primária e secundária de doença aterosclerótica como primeira opção. Deve ser utilizada com maior cautela em pacientes com Hipotireoidismo e doenças neuromusculares. EVENTOS ADVERSOS Reações adversas a estatinas são menos comuns do que em outros tratamentos para dislipidemia, porém eventos adversos musculares e disfunção hepática são reações importantes que podem ocorrer. Proteinúria e aumento do risco de desenvolver diabetes, principalmente em tratamento de alta potência, são efeitos possíveis, porém menos comuns. A mialgia associada ao uso de estatinas é normalmente simétrica, proximal, associada com fraqueza muscular, e apresentando elevação sérica ou não da Creatina Quinase (CK). Pode aparecer logo no início do tratamento com Lovastatina 10 a 80mg ↓ 21% a 41% Pravastatina 20 a 40mg ↓ 20% a 33% Fluvastatina 20 a 80mg ↓ 15% a 37% Atorvastatin a 10 a 80mg ↓ 37% a 55% Rosuvastati na 10 a 40mg ↓ 43% a 55% Risco em 10 anos META TERAPÊUTICA (MG/DL) Sem estatinas Com estatinas Redução LDL-C (%) Meta de LDL (mg/dl) Meta de não-HDL(mg/dl) Muito alto >50 <50 <80 Alto >50 <70 <100 Intermediário 30-50 <100 <130 Baixo >30 <130 <160 Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço estatinas, ou após meses de uso. RESINAS DETROCA Fármaco Doses / dia Efeito sobre o LDL-C Observações Colestiramin a 4 a 24g ↓ 5-30% Reduz a absorção intestinal de sais biliares e, consequentemente, de colesterol. Entretanto, pode aumentar o TG e VLDL. Administrar longe de outros medicamentos (1h antes ou 4h após) EVENTOS ADVERSOS Os principais efeitos colaterais relacionam-se ao aparelho digestivo, por interferir na motilidade intestinal: obstipação (particularmente em idosos), plenitude gástrica, náuseas e meteorismo, além de exacerbação de hemorroidas preexistentes. Raramente, pode ocorrer obstrução intestinal e acidose hiperclorêmica em idosos e crianças, respectivamente. INIBIDOR DE ABSORÇÃO DO COLESTEROL Fármaco Doses / dia Efeito sobre o LDL-C Observações Ezetimibe 10 mg ↓ 10-25% Pode ser administrado a qualquer horário, com ou sem alimentação. Opção terapêutica em casos de intolerância às estatinas. Associada à sinvastatina 40mg ou equivalente, reduz desfechos cardiovasculares. EVENTOS ADVERSOS Raros efeitos colaterais têm sido apontados e estão em geral relacionados com o trânsito intestinal. Por precaução, recomenda-se que ela não seja utilizada em casos de dislipidemia com doença hepática aguda. INIBIDORES DA PROTEÍNA PCSK-9 Fármaco Doses Efeito sobre o LDL-c Observações Alirocumabe 75-150mg a cada 2 semanas ↓ 60% Aumenta a densidade de receptor de LDL na superfície do hepatócito favorecendo a depuração das partículas de LDL. EVENTOS ADVERSOS São aparentemente bem tolerados. Podem causar reações no local da aplicação como eritema e dor, sendo as mais comuns (6 a 10% dos pacientes). Ao contrário das estatinas, não aumentam hepáticas nem causam toxicidade muscular. Evolocumab e 140mg a cada 2 semanas ou 420mg 1x/mês Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço Medicamentos que atuam predominanteme nte nos TG e que atuam no HDL-C FIBRATOS Fármaco Dose mg/dia Efeitos sobre HDL-C Efeitos sobre os TG Observações Bezafibrato 200-600 mg ↑ 7-11% 30-60% Aumentam a produção e ação da lipase lipoprotéica. Indicadas no tratamento de hipertrigliceridemia isolada. No caso de hipertrigliceriemia mista, indicadas quando o TG está > 500 mg/dL, para redução do risco de pancreatite aguda. Caso as taxas de TG estejam abaixo de 500 mg/dL, deve-se iniciar o tratamento com uma estatina. Não se recomenda o uso de fibrato para reduzir o risco cardiovascular. Em pacientes com TG acima de 204 mg/dL e HDL < 34 mg/dL, o uso de fibrato, isoladamente ou em associação a estatinas pode ser recomendado. EVENTOS ADVERSOS É infrequente a ocorrência de efeitos colaterais graves durante tratamento com fibratos, levando à necessidade da interrupção do tratamento. Podem ocorrer: distúrbios gastrintestinais, mialgia, astenia, litíase biliar (mais comum com clofibrato), diminuição de libido, erupção cutânea, prurido, cefaleia e perturbação do sono. Raramente, observa-se aumento de enzimas hepáticas e/ou CK, também de forma reversível com a interrupção do tratamento. Casos de rabdomiólise têm sido descritos com o uso da associação de estatinas com gemfibrozila. Recomenda-se, por isso, evitar esta associação. Recomenda-se também cautela nas seguintes condições clínicas: portadores de doença biliar; uso concomitante de anticoagulante oral, cuja posologia deve ser ajustada; pacientes com função renal diminuída; e associação com estatinas. Ciprofibrato 100 mg Etofibrato 500 mg Fenofibrato 160-250 mg Genfibrozila 600-1200 mg ÁCIDO NICOTÍNICO Dose /dia Efeito sobre o LDL-C Efeitos sobre HDL-C Efeitos sobre os TG Observações 500 mg a 2000mg ↓ 5% - 25% ↑ 15 a 35% ↓ 20 a 50%. Reduz a ação da lipase tecidual nos adipócitos. Rubor facial comum no início do tratamento, assim recomenda-se dose inicial de 500 mg ao dia com aumento gradual − em geral para 750 Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço mg e, depois, para 1.000 mg, com intervalos de 4 semanas a cada titulação de dose, buscando-se atingir 1 a 2 g diárias. O pleno efeito sobre o perfil lipídico apenas é atingido com o decorrer de vários meses de tratamento EVENTOS ADVERSOS Rubor facial ou prurido ocorrem com maior frequência no início do tratamento. O pleno efeito sobre o perfil lipídico apenas é atingido com o decorrer de vários meses de tratamento. Com a forma de liberação intermediária e o uso de doses atualmente mais baixas de niacina, outros efeitos como alterações gastrintestinais, hiperglicemia e hiperuricemia tornaram-se mais raros. ÁCIDOS GRAXOS - ÔMEGA 3 Suplementação com ômega-3 (4-10 g/dia) deve ser recomendada para hipertrigliceridemia grave (> 500 mg/dL), refratária a medidas não farmacológicas e tratamento medicamentoso. Pelo menos duas refeições a base de peixe por semana, como parte de uma dieta saudável, devem ser recomendadas para diminuir o risco cardiovascular. Tal recomendação é particularmente dirigida para indivíduos de alto risco. Suplementação com Ômega-3 marinho (~1 g/dia) pode ser recomendada para diminuir o risco cardiovascular em indivíduos de risco baixo a moderado que não consomem duas refeições a base de peixe por semana e indivíduos de alto risco, embora o real benefício dessa recomendação seja discutível. Fonte: Adaptado da Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2017 UpToDate, 2017. Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço Quadro 4: Intensidade do tratamento Hipolipemiante INTENSIDADE DO TRATAMENTO HIPOLIPEMIANTE Baixa Moderada Alta Redução de LDL esperada com a dose diária (%) <30 30 a <50 ≥ 50 Exemplos, doses diárias em mg Lovastatina 20 Sinvastatina 10 Pravastatina 10-20 Fluvastatina 20-40 Pitavastatina 1 Lovastatina 40 Atorvastatina 40-80 Sinvastatina 20-40 Rosuvastatina 20-40 Pravastatina 40-80 Sinvastatina 40/ezetimiba 10 Fluvastatina 80 Pitavastatina 2-4 Atorvastatina 10-20 Rosuvastatina 5-10 ALGORÍTIMO DE TRATAMENTO MEV: Mudança do estilo de vida * Em geral, inicia-se com medicamentos que atuam predominantemente na colesterolemia ENCAMINHAMENTO O farmacêutico deve fazer encaminhamento médico sempre que o paciente apresentar valores de lipoproteínas séricas fora das metas terapêuticas, na ausência ou presença do diagnóstico, após uma aprofundada avaliação da sua adesão às medidas farmacológicas e não farmacológicas. Na primeira situação o serviço é de rastreamento em saúde e no segundo de acompanhamento farmacoterapêutico. Os pacientes devem ser encaminhados ao médico para introdução ou ajuste das doses dos medicamentos para dislipidemia. Ressalta-se que de acordo com a Resolução do Conselho Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço Federal de Farmácia nº 585 de 2013, o farmacêutico está apto a solicitar exames laboratoriais que sirvam para monitoramento da segurança e efetividade da farmacoterapia, neste caso as lipoproteínas. Deve ter maior atenção e encaminhar ao médico: PLANO DE CUIDADO O farmacêutico deve acompanhar pacientes em tratamento de dislipidemias, a fim de avaliar o cumprimento de questões relacionadas a efetividade e segurança e suas intervenções. Revisão da farmacoterapia, avaliação dos critérios de encaminhamento médico, monitorização terapêutica, acompanhamento farmacoterapêutico e educação em saúde direcionada à adesão são serviços clínicos que devem ser realizados pelo farmacêutico a fim de alcançar a farmacoterapia ideal sempre que possível, considerando quatro aspectos básicos: necessidade, efetividade, segurança, adesão terapêutica.Na tabela a seguir estão descritos os desfechos de efetividade e segurança a serem avaliados em pacientes em tratamento de dislipidemias Quadro 5 - Desfechos de efetividade e segurança em pacientes que tratam dislipidemias Desfechos de efetividade Desfechos de segurança Perfil lipídico (CT, LDL-C, HDL-C, TG) dentro das metas terapêuticas de acordo com o escore de risco global Presença de reações adversas possíveis dos medicamentos utilizados para o tratamento de dislipidemia. Principalmente as reações que podem ser causadas pelas estatinas como presença de mialgia, fraqueza muscular, aumento de enzimas hepáticas (ALT), aumento da creatina quinase (CK) • Pacientes que não apresentam quantidade sérica das lipoproteínas dentro das metas, de acordo com seu perfil de risco. • Pacientes em uso de estatina com a enzima Alanina Aminotransferase sérica aumentada em três vezes ou mais ao exame laboratorial • Pacientes que apresentam dores musculares ou fraqueza muscular simetrica, rigidez ou cãibras com ou logo após exercício físico, mesmo com valores séricos normais da enzima Creatina Quinase (CK). • Pacientes apresentando os sintomas musculares mencionados, associados a elevação da CK. Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço MEDICAMENTOS FITOTERÁPICOS, FITOFARMACOS, DROGAS VEGETAIS E OUTROS PRODUTOS PARA A SAÚDE Alho (Allium sativum L.): é indicado como coadjuvante no tratamento da dislipidemia e prevenção da aterosclerose. CONTRAINDICAÇÃO • Gestantes • Pacientes que possuem distúrbios de coagulação ou em uso de anticoagulantes • Pacientes com gastrite ou ulcera gastroduodenal • Hipertireoidismo • Hipersensibilidade ou alergia a algum componente do fitoterápico • Em caso de procedimento cirúrgico deve ser suspenso pelos menos 10 dias antes INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: varfarina, associação com anticoagulantes orais, heparina, agentes trombolíticos, antiagregantes plaquetários e anti-inflamatórios não-esteroidais, por aumentarem o risco de hemorragias. A associação com proteases reduz as concentrações séricas dessa classe, o que leva o aumento da resistência ao antiretroviral. VIA DE ADMINISTRAÇÃO: Oral Quadro 6 – Forma de uso e posologia do alho (Allium sativum L.) Nota: *Acima de 12 anos. Fonte: Autoria Própria (2018) NÃO HÁ RELATOS DE TOXICIDADE NAS DOSES RECOMENDADAS. PRESCRIÇÃO: Medicamento isento de prescrição médica. Forma de Uso e Posologia Forma Farmaceutica Dose Intervalo Tintura (álcool 45%)* 50 a 100 gotas (2,5 a 5mL) diluídas em 75mL de água 8-8 hrs (3x ao dia) ou 12-12 hrs (2x ao dia) Capsulas com óleo 2-5mg Dose Única (1x ao dia) Capsulas extrato seco 0,4-1,2g Dose Única (1x ao dia) Alcoolatura e Extrato Fluido 1 a 2 mL) diluídas em 75mL de água 12-12 hrs (2x ao dia) Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço Alcachofra (Cynara scolymus L.): é indicado como coadjuvante no tratamento da dislipidemia mista leve a moderada. CONTRAINDICAÇÃO • Hipersensibilidade ou alergia aos componentes do fitoterápico • Obstrução do ducto biliar • Gravidez • Lactação • Menores de 12 anos PRECAUÇÕES DE USO: em caso de uso concomitante com diuréticos realizar supervisão, pois pode haver a possibilidade de haver a descompensação da pressão arterial, ou, se houver eliminação potássio, o que pode ocasionar potencialização de fármacos cardiotônicos. A hipersensibilidade ao fitoterápico ou a planta medicinal está relacionado a presença de lactonas sesquiterpênicas INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: varfarina e ácido acetilsalicílico reduzindo a eficácia do potencial coagulante desses medicamentos. Por indução enzimática pode diminuir a concentração sanguínea de fármacos metabolizados pelas CYP3A4, CYP2B6 e CYP2D6 VIA DE ADMINISTRAÇÃO: Oral Quatro 7 – Forma de uso e posologia da alcachofra (Cynara scolymus L.) Fonte: Autoria Própria (2018) NÃO HÁ RELATOS DE TOXICIDADE NAS DOSES RECOMENDADAS. PRESCRIÇÃO: Medicamento isento de prescrição médica. NOTA TECNICA: Os fitoterápicos e plantas medicinais inclusos nos protocolos foram retirados da RELAÇÃO NACIONAL DE MEDICAMENTOS ESSENCIAS (RENAME) e do MEMENTO DE FITOTERÁPICOS DA FARMACOPEIA BRASILEIRA (MFFB). Visto sua disponibilidade no sistema único de saúde, e a comprovação de perfil de efetividade e segurança através de estudos clínicos e tradicionalidade. Forma de Uso e Posologia Forma Farmacêutica Dose Intervalo Capsulas contendo extrato seco aquoso padronizado 1-2mg 6-6 hrs (4x ao dia) ou 12-12 hrs (2x ao dia) Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço REFERÊNCIAS American Association of Clinical Endocrinologists And American College of Endocrinology Guidelines For Management of Dyslipidemia And Prevention of Cardiovascular Disease. ENDOCRINE PRACTICE Vol 23 (Suppl 2) April 2017. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopéia Brasileira / Agência. Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa, 2016. BRASIL. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais : RENAME 2017 / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. – Brasília : Ministério da Saúde, 2017. Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose - 2017. Arquivos Brasileiros de Cardiologia – V. 109, Suplemento I, pg 1-76, 2017 Kastelein, J.J.P., Stroes, E.S.G., STIEKEMA, L.C.A., ROSENSON, R.S.. PCSK9 inhibitors: Pharmacology, adverse effects, and use. 2017. Disponível em: < https://www.uptodate.com/contents/pcsk9-inhibitors-pharmacology-adverse-effects-and- use?search=Alirocumabe&source=search_result&selectedTitle=4~11&usage_type=default&display_rank=4#H2131886027> Rosenson, R.S Baker, S.K. Statin Myopathy. 2017. Disponível em: < https://www.uptodate.com/contents/statin- myopathy?search=miopatia%20estatinas&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1> Rosenson, R.S. Statins: Actions, side effects, and administration. 2017. Disponível em: < https://www.uptodate.com/contents/statins-actions-side-effects-and- administration?search=estatinas&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1#H17> Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço ANEXO Escores de risco Global (ERG) para cálculo do risco absoluto de infarto e morte em 10 anos para homens e mulheres: MULHERES Pontos Idad e HDL CT PAS não tratada PAS tratada Diabet es Fum o -3 <120 -2 +60 -1 50- 59 <120 0 30-34 45- 49 <160 120-129 Não Não 1 35- 44 160- 199 130-139 2 35-39 <35 140-149 120- 129 3 200- 239 130- 139 Sim 4 40-44 240- 279 150-159 Sim 5 45-49 +280 +160 140- 149 6 150- 159 7 50-54 *160 8 55-59 9 60-64 10 65-69 11 70-74 12 +75 Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço HOMENS Pontos Idad e HDL CT PAS não tratada PAS tratada Diabet es Fum o -2 +60 <120 -1 50- 59 0 30-34 45- 49 <160 120-129 <120 Não Não 1 35- 44 160- 199 130-139 2 35-39 <35 200- 239 140-159 120- 129 3 240- 279 +160 130- 139 Sim 4 +280 140- 149 Sim 5 40-44 *160 6 45-49 7 8 50-549 10 55-59 11 60-64 12 65-69 13 14 70-74 15 75+ *PAS: Pressão arterial sistólica. Valores de HDL e CT expressos em mg/dL. Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço MULHERES HOMENS Total de pontos Risco absoluto em 10 anos (%) Total de pontos Risco absoluto em 10 anos (%) ≤ -2 <1 ≤ -3 <1 -1 1 -2 1,1 0 1,2 -1 1,4 1 1,5 0 1,6 2 1,7 1 1,9 3 2 2 2,3 4 2,4 3 2,8 5 2,8 4 3,3 6 3,3 5 3,9 7 3,9 6 4,7 8 4,5 7 5,6 9 5,3 8 6,7 10 6,3 9 7,9 11 7,3 10 9,4 12 8,6 11 11,2 13 10 12 13,2 14 11,7 13 15,6 15 13,7 14 18,4 16 15,9 15 21,6 17 18,5 16 25,3 18 21,6 17 29,4 19 24,8 18+ >30 20 28,5 21+ >30 Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço Nos indivíduos de risco intermediário devem-se utilizar os fatores agravantes, que, quando presentes (pelo menos um desses fatores), reclassificam o indivíduo para a condição de alto risco. FATORES AGRAVANTES DE RISCO • História familiar de doença coronária prematura (parente de 1º grau masculino < 55 anos ou feminino < 65 anos) • Síndrome metabólica • Micro ou macroalbuminúria (>30 µg/min) • Hipertrofia ventricular esquerda • Insuficiência renal crônica (creatinina ≥1,5 mg/dL ou clearance de creatinina < 60 ml/min) • Proteína-C-reativa de alta sensibilidade >3 mg/L (na ausência de etiologia não aterosclerótica) • Exame complementar com evidência de doença aterosclerótica subclínica • Índice tornozelo braquial-ITB < 0,9 • Espessamento de carótida (IMT) máximo > 1 mm • Escore de cálcio coronário > 100 ou > percentil 75 para idade ou sexo Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço Realização: Coordenação Geral: GT de Saúde Pública – Conselho Federal de Farmácia Concepção Pedagógica: Cassyano Januário Correr Thais Teles de Souza Walleri Christini Torelli Reis Coordenação Pedagógica: Thais Teles de Souza Walleri Christini Torelli Reis Tutoria: Alcindo de Souza Reis Junior Aline de Fátima Bonetti Bruna Aline de Queirós Bagatim Cínthia Caldas Rios Soares Fernanda Coelho Vilela Fernando Henrique Oliveira de Almeida Inajara Rotta Livia Amaral Alonso Lopes Natália Fracaro Lombardi Wallace Entringer Bottacin