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Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço 
INTRODUÇÃO 
A prevenção, primária e secundária, de eventos cardiovasculares depende do controle de diversos fatores de risco, e 
entre eles estão as dislipidemias, principalmente a elevação da lipoproteína de baixa densidade (low density lipoprotein – 
LDL). O controle desses fatores de risco se dá por mudanças de estilo de vida e uso de terapia medicamentosa com 
estatinas, além do devido acompanhamento por diversos profissionais de saúde, como médico para avaliação do 
paciente e prescrição de medicamentos, nutricionista para orientação e prescrição de dieta, e farmacêutico para 
rastreamento em saúde, orientação e educação do paciente sobre seus medicamentos, otimização da 
farmacoterapia, avaliação da efetividade e segurança dos tratamentos prescritos e estabelecimento de um plano 
de cuidado partindo das necessidades do paciente. 
 
ACOLHIMENTO DE DEMANDA 
Acolher significa receber bem, dar conforto, escutar e tornar-se responsável pelo atendimento da queixa apresentada 
pelo paciente, ou no mínimo, auxiliá-lo na escolha do melhor itinerário terapêutico. O farmacêutico deve identificar 
situações que requerem intervenção ou necessidade de atendimento rápido do paciente por outro profissional ou serviço 
(CFF, 2016). No caso de pacientes com dislipidemia, o farmacêutico deve reconhecer problemas relacionados com a 
efetividade e segurança do tratamento, o que muitas vezes implica no encaminhamento a outro profissional ou sistema 
de saúde. 
 
ANAMNESE 
No processo de anamnese, o farmacêutico deve capturar informações que auxiliem na identificação das necessidades e 
problemas de saúde do paciente. Dessa forma, o farmacêutico deve reconhecer os principais fatores de risco para 
desenvolvimento de doença cardiovascular, e assim estratificar o risco cardiovascular do paciente. 
 
DEFINIÇÃO 
Dislipidemia ou hiperlipidemia é a elevação de lipoproteínas aterogênicas (LDL, IDL, VLDL, remanescentes de 
quilomícrons) no sangue. Altos níveis de lipoproteína de baixa densidade (LDL) e os baixos níveis de lipoproteína de alta 
densidade (HDL) são particularmente importantes fatores de risco para desenvolvimento da aterosclerose - doença 
inflamatória crônica de origem multifatorial que ocorre em resposta à agressão endotelial, acometendo principalmente a 
camada íntima de artérias de médio e grande calibre. 
 
Quadro 1: Classificação laboratorial das Dislipidemias 
Fonte: Adaptado da Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2017 
 
É possível realizar em farmácias testes rápidos para a quantificação de colesterol ou triglicerídeos, os quais não têm 
valor diagnóstico, porém, podem ser realizados para rastreamento de dislipidemias em pacientes que não possuem o 
CLASSIFICAÇÃO LABORATORIAL 
Hipercolesterolemia 
isolada 
Elevação isolada do LDL-C (≥ 160 mg/dL) 
Hipertrigliceridemia 
isolada 
Elevação isolada dos TG (≥150 mg/dL ou ≥175 mg/dL, se a amostra for obtida sem jejum) 
Hiperlipidemia mista Elevação de LDL-C (≥ 160 mg/dL) e TG (≥150 mg/dL ou ≥175 mg/dL, se a amostra for 
obtida sem jejum). Se TG ≥ 400 
mg/dL, o cálculo do LDL-c pela fórmula de Friedewald é 
inadequado, devendo-se considerar a hiperlipidemia mista 
quando o não HDL-c ≥ 190 mg/Dl. 
HDL-baixo Redução do HDL-c (homens < 40 mg/dL e mulheres < 50 mg/dL) isolada ou em associação 
ao aumento de LDL-c ou de TG 
 
Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço 
diagnóstico, ou podem ser utilizados como monitoramento da efetividade da farmacoterapia em pacientes que já são 
tratados para dislipidemia. 
 
A estratificação de risco cardiovascular estima a probabilidade de ocorrer infarto do miocárdio ou morte por doença 
coronária no período de 10 anos em indivíduos sem diagnóstico prévio de aterosclerose clínica (Escore de risco Global – 
ERG – em anexo; disponível por meio de Aplicativo para Smartphone da Sociedade Brasileira de Cardiologia 
“Calculadora para Estratificação de Risco Cardiovascular”). 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Adaptado da Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2017 
 
Risco muito alto: 
• Indivíduos com doença aterosclerótica significativa (coronária, cerebrovascular, vascular periférica), com ou sem 
eventos clínicos, ou obstrução ≥ 50% em qualquer território arterial. 
 
Alto risco: 
• Portadores de Doença Aterosclerótica Subclínica (DASC); 
• Aneurisma de aorta abdominal; 
• Doença renal crônica (Taxa de Filtração Glomerular < 60 ml/min); 
• LDL ≥ 190 mg/dl; 
• Diabetes melito tipo 1 ou 2 e com LDL entre 70 e 189mg/dl e presença de Estratificadores de Risco (ER) ou DASC; 
o ER no diabetes: idade ≥ 48 anos no homem e ≥ 54 anos na mulher; tempo de diagnóstico do diabetes > 10 anos; 
história familiar de parente de primeiro grau com DCV prematura (< 55 anos para homem e < 65 anos para 
mulher); tabagismo (pelo menos um cigarro no último mês); hipertensão arterial sistêmica; síndrome metabólica; 
presença de albuminúria > 30 mg/g de creatinina e/ou retinopatia; TFG < 60 mL/min. 
• LDL-c entre 70 e 189 mg/dL, do sexo masculino com risco calculado pelo ERG > 20% e nas mulheres > 10%. 
 
Risco intermediário: 
• Indivíduos com ERG entre 5 e 20% no sexo masculino e entre 5 e 10% no sexo feminino, ou diabéticos sem DASC 
ou ER. 
 
Baixo risco: 
• Indivíduos com ERG <5% no sexo masculino e feminino 
 
Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço 
 
Quadro 2: Metas terapêuticas preventivas 
Fonte: Adaptado da Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2017 
 
 
TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO 
• Atividade física regular 
• Cessação do Tabagismo 
• Recomendações dietéticas para o tratamento das hipercolesterolemias 
 
 
TRATAMENTO FARMACOLÓGICO 
 
Quadro 3: Medicamentos disponíveis para o tratamento farmacológico das dislipidemias 
Medicamentos 
que atuam 
predominanteme
nte na 
colesterolemia 
 
ESTATINAS OU INIBIDORES DA HMG-COA REDUTASE 
Fármaco Doses/ dia Efeito sobre o LDL-C Observações 
Sinvastatina 20 a 80mg ↓ 27% a 42% As estatinas devem ser administradas por via 
oral, em dose única diária, preferencialmente à 
noite para os fármacos de meia-vida curta ou em 
qualquer horário naqueles com meia-vida 
maiores como a atorvastina e a rosuvastatina. 
Podem ser administradas em associação à 
ezetimiba, colestiramina e eventualmente a 
fibratos ou ácido nicotínico. O uso de estatina 
está indicado em terapias de prevenção 
primária e secundária de doença 
aterosclerótica como primeira opção. 
Deve ser utilizada com maior cautela em 
pacientes com Hipotireoidismo e doenças 
neuromusculares. 
EVENTOS ADVERSOS 
Reações adversas a estatinas são menos 
comuns do que em outros tratamentos para 
dislipidemia, porém eventos adversos 
musculares e disfunção hepática são reações 
importantes que podem ocorrer. Proteinúria e 
aumento do risco de desenvolver diabetes, 
principalmente em tratamento de alta potência, 
são efeitos possíveis, porém menos comuns. 
A mialgia associada ao uso de estatinas é 
normalmente simétrica, proximal, associada com 
fraqueza muscular, e apresentando elevação 
sérica ou não da Creatina Quinase (CK). Pode 
aparecer logo no início do tratamento com 
Lovastatina 10 a 80mg ↓ 21% a 41% 
Pravastatina 20 a 40mg ↓ 20% a 33% 
Fluvastatina 20 a 80mg ↓ 15% a 37% 
Atorvastatin
a 10 a 80mg ↓ 37% a 55% 
Rosuvastati
na 10 a 40mg ↓ 43% a 55% 
Risco em 10 anos META TERAPÊUTICA (MG/DL) 
Sem estatinas Com estatinas 
Redução LDL-C (%) Meta de LDL (mg/dl) Meta de não-HDL(mg/dl) 
Muito alto >50 <50 <80 
Alto >50 <70 <100 
Intermediário 30-50 <100 <130 
Baixo >30 <130 <160 
 
Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço 
estatinas, ou após meses de uso. 
 
RESINAS DETROCA 
Fármaco Doses / dia Efeito sobre o LDL-C Observações 
Colestiramin
a 4 a 24g ↓ 5-30% 
Reduz a absorção intestinal de sais biliares e, 
consequentemente, de colesterol. Entretanto, 
pode aumentar o TG e VLDL. Administrar longe 
de outros medicamentos (1h antes ou 4h após) 
EVENTOS ADVERSOS 
Os principais efeitos colaterais relacionam-se ao 
aparelho digestivo, por interferir na motilidade 
intestinal: obstipação (particularmente em 
idosos), plenitude gástrica, náuseas e 
meteorismo, além de exacerbação de 
hemorroidas preexistentes. Raramente, pode 
ocorrer obstrução intestinal e acidose 
hiperclorêmica em idosos e crianças, 
respectivamente. 
 
INIBIDOR DE ABSORÇÃO DO COLESTEROL 
Fármaco Doses / dia Efeito sobre o LDL-C Observações 
Ezetimibe 10 mg ↓ 10-25% 
Pode ser administrado a qualquer horário, com 
ou sem alimentação. Opção terapêutica em 
casos de intolerância às estatinas. Associada à 
sinvastatina 40mg ou equivalente, reduz 
desfechos cardiovasculares. 
EVENTOS ADVERSOS 
Raros efeitos colaterais têm sido apontados e 
estão em geral relacionados com o trânsito 
intestinal. Por precaução, recomenda-se que ela 
não seja utilizada em casos de dislipidemia com 
doença hepática aguda. 
 
INIBIDORES DA PROTEÍNA PCSK-9 
Fármaco Doses Efeito sobre 
o LDL-c 
Observações 
Alirocumabe 
75-150mg a 
cada 2 
semanas 
↓ 60% 
Aumenta a densidade de receptor de LDL na 
superfície do hepatócito favorecendo a 
depuração das partículas de LDL. 
EVENTOS ADVERSOS 
São aparentemente bem tolerados. Podem 
causar reações no local da aplicação como 
eritema e dor, sendo as mais comuns (6 a 10% 
dos pacientes). Ao contrário das estatinas, não 
aumentam hepáticas nem causam toxicidade 
muscular. 
 
Evolocumab
e 
140mg a cada 
2 semanas ou 
420mg 1x/mês 
 
Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço 
Medicamentos 
que atuam 
predominanteme
nte nos TG e que 
atuam no HDL-C 
 
FIBRATOS 
Fármaco Dose mg/dia 
Efeitos 
sobre 
HDL-C 
Efeitos 
sobre os 
TG 
Observações 
Bezafibrato 200-600 mg 
 
 
↑ 7-11% 
 
 
30-60% 
Aumentam a produção e ação da lipase 
lipoprotéica. Indicadas no tratamento de 
hipertrigliceridemia isolada. No caso de 
hipertrigliceriemia mista, indicadas 
quando o TG está > 500 mg/dL, para 
redução do risco de pancreatite aguda. 
Caso as taxas de TG estejam abaixo de 
500 mg/dL, deve-se iniciar o tratamento 
com uma estatina. Não se recomenda o 
uso de fibrato para reduzir o risco 
cardiovascular. Em pacientes com TG 
acima de 204 mg/dL e HDL < 34 mg/dL, 
o uso de fibrato, isoladamente ou em 
associação a estatinas pode ser 
recomendado. 
EVENTOS ADVERSOS 
É infrequente a ocorrência de efeitos 
colaterais graves durante tratamento 
com fibratos, levando à necessidade da 
interrupção do tratamento. Podem 
ocorrer: distúrbios gastrintestinais, 
mialgia, astenia, litíase biliar (mais 
comum com clofibrato), diminuição de 
libido, erupção cutânea, prurido, cefaleia 
e perturbação do sono. Raramente, 
observa-se aumento de enzimas 
hepáticas e/ou CK, também de forma 
reversível com a interrupção do 
tratamento. Casos de rabdomiólise têm 
sido descritos com o uso da associação 
de estatinas com gemfibrozila. 
Recomenda-se, por isso, evitar esta 
associação. Recomenda-se também 
cautela nas seguintes condições 
clínicas: portadores de doença biliar; uso 
concomitante de anticoagulante oral, 
cuja posologia deve ser ajustada; 
pacientes com função renal diminuída; e 
associação com estatinas. 
Ciprofibrato 100 mg 
Etofibrato 500 mg 
Fenofibrato 160-250 mg 
Genfibrozila 
 
600-1200 mg 
 
ÁCIDO NICOTÍNICO 
Dose /dia Efeito sobre o LDL-C 
Efeitos 
sobre 
HDL-C 
Efeitos 
sobre os 
TG 
Observações 
500 mg a 
2000mg ↓ 5% - 25% 
↑ 15 a 
35% ↓ 20 a 50%. 
Reduz a ação da lipase tecidual nos 
adipócitos. Rubor facial comum no início 
do tratamento, assim recomenda-se 
dose inicial de 500 mg ao dia com 
aumento gradual − em geral para 750 
 
Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço 
mg e, depois, para 1.000 mg, com 
intervalos de 4 semanas a cada titulação 
de dose, buscando-se atingir 1 a 2 g 
diárias. O pleno efeito sobre o perfil 
lipídico apenas é atingido com o 
decorrer de vários meses de tratamento 
EVENTOS ADVERSOS 
Rubor facial ou prurido ocorrem com 
maior frequência no início do tratamento. 
O pleno efeito sobre o perfil lipídico 
apenas é atingido com o decorrer de 
vários meses de tratamento. Com a 
forma de liberação intermediária e o uso 
de doses atualmente mais baixas de 
niacina, outros efeitos como alterações 
gastrintestinais, hiperglicemia e 
hiperuricemia tornaram-se mais raros. 
 
ÁCIDOS GRAXOS - ÔMEGA 3 
Suplementação com ômega-3 (4-10 g/dia) deve ser recomendada para hipertrigliceridemia grave (> 
500 mg/dL), refratária a medidas não farmacológicas e tratamento medicamentoso. Pelo menos 
duas refeições a base de peixe por semana, como parte de uma dieta saudável, devem ser 
recomendadas para diminuir o risco cardiovascular. Tal recomendação é particularmente dirigida 
para indivíduos de alto risco. Suplementação com Ômega-3 marinho (~1 g/dia) pode ser 
recomendada para diminuir o risco cardiovascular em indivíduos de risco baixo a moderado que 
não consomem duas refeições a base de peixe por semana e indivíduos de alto risco, embora o 
real benefício dessa recomendação seja discutível. 
Fonte: Adaptado da Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2017 
UpToDate, 2017. 
 
 
Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço 
 
Quadro 4: Intensidade do tratamento Hipolipemiante 
 
INTENSIDADE DO TRATAMENTO HIPOLIPEMIANTE 
 Baixa Moderada Alta 
Redução de LDL 
esperada com a 
dose diária (%) 
<30 30 a <50 ≥ 50 
Exemplos, doses 
diárias em mg 
 
Lovastatina 20 
Sinvastatina 10 
Pravastatina 10-20 
Fluvastatina 20-40 
Pitavastatina 1 
 
Lovastatina 40 
 
Atorvastatina 40-80 
Sinvastatina 20-40 Rosuvastatina 20-40 
Pravastatina 40-80 Sinvastatina 40/ezetimiba 10 
Fluvastatina 80 
Pitavastatina 2-4 
Atorvastatina 10-20 
Rosuvastatina 5-10 
 
ALGORÍTIMO DE TRATAMENTO 
 
 
MEV: Mudança do estilo de vida 
* Em geral, inicia-se com medicamentos que atuam predominantemente na colesterolemia 
ENCAMINHAMENTO 
O farmacêutico deve fazer encaminhamento médico sempre que o paciente apresentar valores de lipoproteínas séricas 
fora das metas terapêuticas, na ausência ou presença do diagnóstico, após uma aprofundada avaliação da sua adesão 
às medidas farmacológicas e não farmacológicas. Na primeira situação o serviço é de rastreamento em saúde e no 
segundo de acompanhamento farmacoterapêutico. Os pacientes devem ser encaminhados ao médico para introdução ou 
ajuste das doses dos medicamentos para dislipidemia. Ressalta-se que de acordo com a Resolução do Conselho 
 
Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço 
Federal de Farmácia nº 585 de 2013, o farmacêutico está apto a solicitar exames laboratoriais que sirvam para 
monitoramento da segurança e efetividade da farmacoterapia, neste caso as lipoproteínas. Deve ter maior atenção e 
encaminhar ao médico: 
 
 
PLANO DE CUIDADO 
O farmacêutico deve acompanhar pacientes em tratamento de dislipidemias, a fim de avaliar o cumprimento de questões 
relacionadas a efetividade e segurança e suas intervenções. Revisão da farmacoterapia, avaliação dos critérios de 
encaminhamento médico, monitorização terapêutica, acompanhamento farmacoterapêutico e educação em saúde 
direcionada à adesão são serviços clínicos que devem ser realizados pelo farmacêutico a fim de alcançar a 
farmacoterapia ideal sempre que possível, considerando quatro aspectos básicos: necessidade, efetividade, 
segurança, adesão terapêutica.Na tabela a seguir estão descritos os desfechos de efetividade e segurança a serem avaliados em pacientes em 
tratamento de dislipidemias 
 
Quadro 5 - Desfechos de efetividade e segurança em pacientes que tratam dislipidemias 
Desfechos de efetividade Desfechos de segurança 
 
Perfil lipídico (CT, LDL-C, HDL-C, TG) dentro das 
metas terapêuticas de acordo com o escore de risco 
global 
Presença de reações adversas possíveis dos 
medicamentos utilizados para o tratamento de 
dislipidemia. 
Principalmente as reações que podem ser causadas 
pelas estatinas como presença de mialgia, fraqueza 
muscular, aumento de enzimas hepáticas (ALT), 
aumento da creatina quinase (CK) 
 
 
 
• Pacientes que não apresentam quantidade sérica das lipoproteínas dentro das metas, de acordo com seu perfil 
de risco. 
• Pacientes em uso de estatina com a enzima Alanina Aminotransferase sérica aumentada em três vezes ou mais 
ao exame laboratorial 
• Pacientes que apresentam dores musculares ou fraqueza muscular simetrica, rigidez ou cãibras com ou logo após 
exercício físico, mesmo com valores séricos normais da enzima Creatina Quinase (CK). 
• Pacientes apresentando os sintomas musculares mencionados, associados a elevação da CK. 
 
 
Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço 
MEDICAMENTOS FITOTERÁPICOS, FITOFARMACOS, DROGAS VEGETAIS E OUTROS PRODUTOS PARA A 
SAÚDE 
 
Alho (Allium sativum L.): é indicado como coadjuvante no tratamento da dislipidemia e prevenção da aterosclerose. 
CONTRAINDICAÇÃO 
• Gestantes 
• Pacientes que possuem distúrbios de coagulação ou em uso de anticoagulantes 
• Pacientes com gastrite ou ulcera gastroduodenal 
• Hipertireoidismo 
• Hipersensibilidade ou alergia a algum componente do fitoterápico 
• Em caso de procedimento cirúrgico deve ser suspenso pelos menos 10 dias antes 
INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: varfarina, associação com anticoagulantes orais, heparina, agentes trombolíticos, 
antiagregantes plaquetários e anti-inflamatórios não-esteroidais, por aumentarem o risco de hemorragias. A associação 
com proteases reduz as concentrações séricas dessa classe, o que leva o aumento da resistência ao antiretroviral. 
 
VIA DE ADMINISTRAÇÃO: Oral 
 
Quadro 6 – Forma de uso e posologia do alho (Allium sativum L.) 
 
 
Nota: *Acima de 12 anos. 
Fonte: Autoria Própria (2018) 
 
NÃO HÁ RELATOS DE TOXICIDADE NAS DOSES RECOMENDADAS. 
 
PRESCRIÇÃO: Medicamento isento de prescrição médica. 
 
 
 
 
Forma de Uso e Posologia 
Forma 
Farmaceutica 
Dose Intervalo 
 
Tintura 
(álcool 45%)* 
50 a 100 gotas 
(2,5 a 5mL) 
diluídas em 
75mL de água 
 
8-8 hrs (3x ao dia) 
ou 
12-12 hrs (2x ao dia) 
 
Capsulas 
com óleo 
 
 
2-5mg 
 
Dose Única (1x ao dia) 
 
 
Capsulas 
extrato seco 
 
 
0,4-1,2g 
 
Dose Única (1x ao dia) 
 
Alcoolatura e 
Extrato 
Fluido 
1 a 2 mL) 
diluídas em 
75mL de água 
 
12-12 hrs (2x ao dia) 
 
Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço 
Alcachofra (Cynara scolymus L.): é indicado como coadjuvante no tratamento da dislipidemia 
mista leve a moderada. 
 
CONTRAINDICAÇÃO 
• Hipersensibilidade ou alergia aos componentes do fitoterápico 
• Obstrução do ducto biliar 
• Gravidez 
• Lactação 
• Menores de 12 anos 
 
PRECAUÇÕES DE USO: em caso de uso concomitante com diuréticos realizar supervisão, pois pode haver a 
possibilidade de haver a descompensação da pressão arterial, ou, se houver eliminação potássio, o que pode ocasionar 
potencialização de fármacos cardiotônicos. A hipersensibilidade ao fitoterápico ou a planta medicinal está relacionado a 
presença de lactonas sesquiterpênicas 
 
INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: varfarina e ácido acetilsalicílico reduzindo a eficácia do potencial coagulante 
desses medicamentos. Por indução enzimática pode diminuir a concentração sanguínea de fármacos metabolizados 
pelas CYP3A4, CYP2B6 e CYP2D6 
 
VIA DE ADMINISTRAÇÃO: Oral 
 
Quatro 7 – Forma de uso e posologia da alcachofra (Cynara scolymus L.) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Autoria Própria (2018) 
 
NÃO HÁ RELATOS DE TOXICIDADE NAS DOSES RECOMENDADAS. 
 
PRESCRIÇÃO: Medicamento isento de prescrição médica. 
 
NOTA TECNICA: Os fitoterápicos e plantas medicinais inclusos nos protocolos foram retirados da RELAÇÃO NACIONAL 
DE MEDICAMENTOS ESSENCIAS (RENAME) e do MEMENTO DE FITOTERÁPICOS DA FARMACOPEIA 
BRASILEIRA (MFFB). Visto sua disponibilidade no sistema único de saúde, e a comprovação de perfil de efetividade e 
segurança através de estudos clínicos e tradicionalidade. 
 
 
Forma de Uso e Posologia 
Forma 
Farmacêutica 
Dose Intervalo 
 
Capsulas 
contendo 
extrato seco 
aquoso 
padronizado 
 
 
 
 
1-2mg 
 
6-6 hrs (4x ao dia) 
 
ou 
12-12 hrs (2x ao dia) 
 
Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço 
REFERÊNCIAS 
 
American Association of Clinical Endocrinologists And American College of Endocrinology Guidelines For Management of Dyslipidemia 
And Prevention of Cardiovascular Disease. ENDOCRINE PRACTICE Vol 23 (Suppl 2) April 2017. 
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopéia Brasileira / Agência. Nacional de 
Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa, 2016. 
BRASIL. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais : RENAME 2017 / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e 
Insumos Estratégicos, Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. – Brasília : Ministério da Saúde, 2017. 
Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e 
Prevenção da Aterosclerose - 2017. Arquivos Brasileiros de Cardiologia – V. 109, Suplemento I, pg 1-76, 2017 
Kastelein, J.J.P., Stroes, E.S.G., STIEKEMA, L.C.A., ROSENSON, R.S.. PCSK9 inhibitors: Pharmacology, adverse effects, and 
use. 2017. Disponível em: < https://www.uptodate.com/contents/pcsk9-inhibitors-pharmacology-adverse-effects-and-
use?search=Alirocumabe&source=search_result&selectedTitle=4~11&usage_type=default&display_rank=4#H2131886027> 
Rosenson, R.S Baker, S.K. Statin Myopathy. 2017. Disponível em: < https://www.uptodate.com/contents/statin-
myopathy?search=miopatia%20estatinas&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1> 
Rosenson, R.S. Statins: Actions, side effects, and administration. 2017. Disponível em: < 
https://www.uptodate.com/contents/statins-actions-side-effects-and-
administration?search=estatinas&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1#H17> 
 
 
 
Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço 
ANEXO 
Escores de risco Global (ERG) para cálculo do risco absoluto de infarto e morte em 10 anos 
para homens e mulheres: 
 
MULHERES 
Pontos Idad
e 
HDL CT PAS não 
tratada 
PAS 
tratada 
Diabet
es 
Fum
o 
-3 <120 
-2 +60 
-1 50-
59 
 <120 
0 30-34 45-
49 
<160 120-129 Não Não 
1 35-
44 
160-
199 
130-139 
2 35-39 <35 140-149 120-
129 
 
3 200-
239 
 130-
139 
 Sim 
4 40-44 240-
279 
150-159 Sim 
5 45-49 +280 +160 140-
149 
 
6 150-
159 
 
7 50-54 *160 
8 55-59 
9 60-64 
10 65-69 
11 70-74 
12 +75 
 
 
 
Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço 
HOMENS 
Pontos Idad
e 
HDL CT PAS não 
tratada 
PAS 
tratada 
Diabet
es 
Fum
o 
-2 +60 <120 
-1 50-
59 
 
0 30-34 45-
49 
<160 120-129 <120 Não Não 
1 35-
44 
160-
199 
130-139 
2 35-39 <35 200-
239 
140-159 120-
129 
 
3 240-
279 
+160 130-
139 
Sim 
4 +280 140-
149 
 Sim 
5 40-44 *160 
6 45-49 
7 
8 50-549 
10 55-59 
11 60-64 
12 65-69 
13 
14 70-74 
15 75+ 
*PAS: Pressão arterial sistólica. Valores de HDL e CT expressos em mg/dL. 
 
 
Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço 
 
MULHERES HOMENS 
Total de pontos Risco absoluto em 10 
anos (%) 
Total de pontos Risco absoluto em 10 anos 
(%) 
≤ -2 <1 ≤ -3 <1 
-1 1 -2 1,1 
0 1,2 -1 1,4 
1 1,5 0 1,6 
2 1,7 1 1,9 
3 2 2 2,3 
4 2,4 3 2,8 
5 2,8 4 3,3 
6 3,3 5 3,9 
7 3,9 6 4,7 
8 4,5 7 5,6 
9 5,3 8 6,7 
10 6,3 9 7,9 
11 7,3 10 9,4 
12 8,6 11 11,2 
13 10 12 13,2 
14 11,7 13 15,6 
15 13,7 14 18,4 
16 15,9 15 21,6 
17 18,5 16 25,3 
18 21,6 17 29,4 
19 24,8 18+ >30 
20 28,5 
21+ >30 
 
 
 
Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço 
Nos indivíduos de risco intermediário devem-se utilizar os fatores agravantes, que, quando presentes (pelo menos um 
desses fatores), reclassificam o indivíduo para a condição de alto risco. 
 
FATORES AGRAVANTES DE RISCO 
• História familiar de doença coronária prematura (parente de 1º grau masculino < 55 anos ou feminino < 65 anos) 
• Síndrome metabólica 
• Micro ou macroalbuminúria (>30 µg/min) 
• Hipertrofia ventricular esquerda 
• Insuficiência renal crônica (creatinina ≥1,5 mg/dL ou clearance de creatinina < 60 ml/min) 
• Proteína-C-reativa de alta sensibilidade >3 mg/L (na ausência de etiologia não aterosclerótica) 
• Exame complementar com evidência de doença aterosclerótica subclínica 
• Índice tornozelo braquial-ITB < 0,9 
• Espessamento de carótida (IMT) máximo > 1 mm 
• Escore de cálcio coronário > 100 ou > percentil 75 para idade ou sexo 
 
 
Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviço 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Realização: 
 
Coordenação Geral: 
GT de Saúde Pública – Conselho Federal de Farmácia 
Concepção Pedagógica: 
Cassyano Januário Correr 
Thais Teles de Souza 
Walleri Christini Torelli Reis 
Coordenação Pedagógica: 
Thais Teles de Souza 
Walleri Christini Torelli Reis 
Tutoria: 
Alcindo de Souza Reis Junior 
Aline de Fátima Bonetti 
Bruna Aline de Queirós Bagatim 
Cínthia Caldas Rios Soares 
Fernanda Coelho Vilela 
Fernando Henrique Oliveira de Almeida 
Inajara Rotta 
Livia Amaral Alonso Lopes 
Natália Fracaro Lombardi 
Wallace Entringer Bottacin

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