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CONFINTEA 
 
 
 
V Conferência 
Internacional 
sobre 
Educação de Adultos 
Hamburgo 
1997 
 
 
Declaração Final 
e 
Agenda para o Futuro 
 
 
Ministério da Educação 
Secretaria de Estado da Educação e Inovação 
Ministério do Trabalho e da Solidariedade 
Secretaria de Estado do Emprego e Formação 
Grupo de Missão para o Desenvolvimento 
da Educação e Formação de Adultos 
 
 
 1
 
 
 
Título 
V Conferência Internacional 
sobre Educação de Adultos 
UNESCO - Hamburgo 1997 
 
Autor 
Instituto de Educação da Unesco 
 
Tradutor 
Instituto Nacional de Administração – INA 
 
Editor 
Ministério da Educação 
Secretaria de Estado da Educação 
e Inovação 
Av. 5 de Outubro, 107-9.° 
1500 Lisboa 
 
Tiragem 
1500 exemplares 
 
Concepção Gráfica 
Cecília Guimarães 
 
ISBN 
972-729-039-G 
 
Data 
Dezembro de 1998 
 
Depósito Legal 
131259/99 
 
Execução Gráfica 
Editorial do Ministério da Educação 
 
 
 
 
 
 2
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Índice 
 
 
 
 
 
Preâmbulo 
Pág. 4 
 
 
 
1. 
Declaração de Hamburgo sobre Educação e Formação de Adultos 
Pág. 8 
 
 
 
2. 
Agenda para o Futuro 
Pág. 15 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 3
Preâmbulo 
Para a Criação de uma Sociedade Educativa 
 
 
A V Conferência Internacional sobre Educação de Adultos, que teve lugar em 
Hamburgo, em Julho de 1997, surge na sequência das conferências mundiais de 
Elsinore (1949), Montréal (1960), Tóquio (1972) e Paris (1985). 
Alargando o âmbito das anteriores conferências, mais centradas na "educação de 
adultos como subsistema educativo", a Conferência de Hamburgo intitulou-se 
"Aprender em Idade Adulta: uma Chave para o Séc. XXI" e pretendeu atingir os 
seguintes objectivos: 
• sublinhar a importância da vida educativa em idade adulta; 
• incentivar os compromissos, à escala planetária, a favor do direito dos adultos 
a aprendizagem ao longo da vida; 
• trocar experiências sobre experiências actuais e aperfeiçoamentos 
necessários; 
• recomendar políticas e prioridades para o futuro e adoptar uma "Declaração 
sobre a Educação de Adultos" e um "Plano de Acção para o Futuro"; 
• promover a cooperação internacional. 
Este alargamento não fez mais, aliás, do que revelar a evolução da própria Educação 
de Adultos ao longo das últimas décadas: ao mesmo tempo que perdeu uma definição 
relativamente clara como subsistema educativo ou como sector de especialização 
profissional, foi ganhando espaço e influência nas mais variadas dimensões da vida 
social. 
Os 10 temas que estruturaram os debates e as conclusões da Conferência de 
Hamburgo evidenciam o estreito relacionamento entre a Educação de Adultos e 
problemáticas fundamentais para o funcionamento e a evolução das sociedades 
modernas: a consolidação e o aprofundamento da democracia, a igualdade de 
oportunidades e a afirmação do papel social das mulheres, as mutações no trabalho e 
no emprego, o ambiente, a saúde, a cultura, a comunicação, a informação, as novas 
tecnologias, a multi-etnicidade e o multiculturalismo, a economia, etc. 
 
 
 
 
 4
 
Portugal, para posicionar-se desde já na via de uma "sociedade de conhecimento" - 
condição essencial para integrar no próximo século a comunidade dos países mais 
avançados - não pode continuar a descurar, como o fez até agora - todo este vasto e 
decisivo eixo de intervenção social e política. 
Terá sido, por certo, uma nova vontade política de colocar a Educação de Adultos no 
lugar que lhe é devido dentro da "agenda" do presente Executivo que, por um lado, 
levou até Hamburgo um alto representante do Ministério da Educação e que, por 
outro, conduziu - mês e meio mais tarde - a criação de um Grupo de Trabalho para o 
Desenvolvimento da Educação de Adultos. 
O Documento Estratégico, elaborado por este Grupo e, entretanto aprovado pelo 
Ministério da Educação e também adoptado, nas suas linhas gerais, pelo Ministério do 
Trabalho e da Solidariedade, esta na base da constituição (por Resolução do Conselho 
de Ministros n.° 92/98, de 14 de Julho) do Grupo de Missão para o Desenvolvimento 
da Educação e Formação de Adultos, funcionando sob tutela dos dois ministérios 
referidos e incumbido, entre outras atribuições, de criar a Agenda Nacional de 
Educação e Formação de Adultos. 
É de realçar que as grandes linhas de trabalho que se propõe o Grupo de Missão se 
integram plenamente no conceito e nas práticas de Educação de Adultos, tal como 
foram consignados na Conferência de Hamburgo, o que poderá colocar o nosso País - 
pela primeira vez na sua história - entre a vanguarda dos países inovadores neste 
domínio. Podem citar-se, entre muitas outras, as seguintes coincidências entre 
recomendações da Conferência da UNESCO e objectivos prosseguidos pelo Grupo de 
Missão: 
• promover a cidadania activa, melhorando a democracia participativa a fim de 
criar comunidades educativas (12 a); 
• tomar medidas para eliminar a discriminação na educação a todos os níveis 
(13 b); 
• reconhecer o papel das organizações não-governamentais na tomada de 
consciência e no poder interventivo dos cidadãos, e reconhecer e financiar 
adequadamente o crescente papel destas organizações e dos grupos locais na 
criação de oportunidades educativas (14 a) b); 
• reconhecer o direito à aprendizagem para toda a população adulta e adoptar 
uma concepção alargada da educação de adultos (17 a); 
• criar serviços de informação pública e aconselhamento e desenvolver 
métodos para validar a experiência e aprendizagem anterior (17 c); 
 
 
 5
 
• adoptar legislação, políticas e mecanismos de cooperação com todos os 
parceiros para facilitar o acesso e a participação dos adultos na educação 
formal e na educação no local de trabalho e na comunidade (18 a); 
• facultar educação permanente e sistemática aos educadores de adultos (19 f); 
• desenvolver, no campo da educação permanente, métodos de ensino e de 
aprendizagem inovadores, incluindo tecnologias interactivas e métodos 
indutivos que envolvam uma estreita coordenação entre experiência de 
trabalho e formação (20 b); 
• integrar a alfabetização e outras formas de educação e de capacidades básicas 
em todos os projectos de desenvolvimento apropriado e incentivar as 
organizações locais e os movimentos sociais a promoverem as suas próprias 
iniciativas de educação e desenvolvimento (25 e); 
• fazer com que a educação de adultos relacionada com o trabalho possa 
conferir competências e capacidades específicas para a entrada no mercado de 
trabalho e para a mobilidade profissional (31 b); 
• garantir que os conhecimentos e capacidades informalmente adquiridos são 
plenamente reconhecidos (31 d) 
• acentuar o poderoso papel da educação profissional de adultos no processo de 
aprendizagem ao longo da vida (31 e); 
• aproveitar as actividades de educação de adultos a fim de aumentar a 
capacidade dos cidadãos para tomarem iniciativas inovadoras e 
desenvolverem programas baseados num desenvolvimento ecológico e 
socialmente sustentável (35 a); 
• assegurar o acesso equitativo e a sustentabilidade dos sistemas de 
aprendizagem abertos e a distância e usar as novas tecnologias para explorar 
formas alternativas de aprendizagem (40 e). 
E muitos mais pontos de convergência se poderiam aqui referir. 
Estes bastam, no entanto, para revelar a perfeita sintonia entre as perspectivas de 
actuação do Grupo de Missão e, por conseguinte, dos Ministérios da Educação e do 
Trabalho e da Solidariedade, e o conjunto de preocupações e recomendações 
formuladas pela UNESCO em Julho de 1997 e ratificadas pelos 1500 participantes, 
incluindo os representantes políticos de 135 Estados-Membros. 
 
 
 
 6
 
E serve igualmente esta listagem de grandesobjectivos da Educação/Formação de 
Adultos para demonstrar à evidência que não se trata de um mero plano de trabalho de 
um qualquer Grupo de Missão, nem da agenda exclusiva de um ou mais ministérios, 
mas sim de um verdadeiro "projecto de sociedade", que exigirá a adesão, consciente e 
activa, de todos os sectores da sociedade portuguesa. 
Lisboa, 28 de Julho de 1998 
Alberto Melo 
Coordenador do Grupo de Missão 
para o Desenvolvimento da Educação e Formação de Adultos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 7
 
Declaração de Hamburgo 
sobre Educação de Adultos 
 
1. Nós, os participantes na V Conferência Internacional sobre Educação de 
Adultos, reunidos na cidade livre e hanseática de Hamburgo, reafirmamos que 
só um desenvolvimento centrado no ser humano e uma sociedade de 
participação baseada no pleno respeito dos direitos humanos pode conduzir a um 
desenvolvimento sustentável e equitativo. Para que a humanidade possa 
sobreviver e fazer face aos desafios do futuro e imprescindível a participação 
consciente e efectiva de mulheres e homens em todas as esferas da vida. 
2. A educação de adultos torna-se, então, mais que um direito, é uma chave para o 
século XXI. É, simultaneamente, uma consequência de uma cidadania activa e 
uma condição para a participação plena na sociedade. É um conceito poderoso 
para fomentar o desenvolvimento ecologicamente sustentável, para promover a 
democracia, a justiça, a igualdade entre mulheres e homens e o desenvolvimento 
científico, social e económico, bem como para construir um mundo em que os 
conflitos violentos sejam substituídos pelo diálogo e por uma cultura de paz 
baseada na justiça. A educação de adultos pode configurar a identidade e dar 
significado à vida. Aprender ao longo da vida significa repensar os conteúdos, 
de modo a reflectirem factores como a idade, a igualdade entre homens e 
mulheres, as incapacidades, a língua, a cultura e as disparidades económicas. 
3. Por educação de adultos entende-se o conjunto de processos de aprendizagem, 
formal ou não, graças ao qual as pessoas consideradas adultos pela sociedade a 
que pertencem desenvolvem as suas capacidades, enriquecem os seus 
conhecimentos, e melhoram as suas qualificações técnicas ou profissionais ou as 
reorientam de modo a satisfazerem as suas próprias necessidades e as da 
sociedade. A educação de adultos compreende a educação formal e a educação 
permanente, a educação não formal e toda a gama de oportunidades de educação 
informal e ocasional existentes numa sociedade educativa multicultural, em que 
são reconhecidas as abordagens teóricas e baseadas na prática. 
4. Embora os conteúdos da aprendizagem de adultos e da educação de crianças e 
adolescentes possam variar consoante o contexto económico, social, ambiental e 
cultural e, segundo as necessidades das pessoas que compõem a sociedade em 
que se inserem, são elementos indispensáveis a uma nova visão da educação 
segundo a qual a aprendizagem tem, efectivamente, lugar ao longo de toda a 
vida. 
 
 8
 
A perspectiva de aprendizagem ao longo da vida exige essa complementaridade 
e continuidade. A contribuição potencial da educação de adultos e da educação 
contínua para a criação de uma cidadania informada e tolerante, o 
desenvolvimento económico e social, a promoção da alfabetização, a mitigação 
da pobreza e a preservação do meio ambiente é enorme e, por conseguinte, deve 
ser aproveitada. 
5. Os objectivos da educação dos jovens e dos adultos, considerada como um 
processo que decorre durante toda a vida, consistem em desenvolver a 
autonomia e o sentido de responsabilidade das pessoas e das comunidades, em 
reforçar a capacidade de fazer face às transformações da economia, da cultura e 
da sociedade no seu conjunto, em promover a coexistência, a tolerância e a 
participação consciente e criativa dos cidadãos na sua comunidade, em suma, 
permitir que as pessoas e as comunidades assumam o controlo do seu destino e 
da sociedade para enfrentarem os desafios do futuro. É essencial que as 
abordagens da educação de adultos assentem no património, na cultura, nos 
valores e nas experiências anteriores das pessoas e que as diferentes maneiras de 
pôr em prática estas abordagens facilitem e estimulem a activa participação e 
expressão de todo o cidadão. 
6. Esta Conferência reconhece a diversidade dos sistemas políticos económicos e 
sociais e das estruturas governamentais entre os Estados-Membros. Em 
conformidade com esta diversidade, e para assegurar o pleno respeito dos 
direitos humanos e das liberdades fundamentais, a Conferência reconhece que as 
circunstâncias particulares de cada Estado-Membro determinarão as medidas 
que os governos possam adoptar para aprofundar o espírito dos nossos 
objectivos. 
7. Os representantes dos governos e organizações participantes na V Conferência 
Internacional sobre Educação de Adultos decidiram explorar o potencial e o 
futuro da aprendizagem de adultos, concebida em termos gerais e dinâmicos no 
quadro de uma aprendizagem ao longo de toda a vida. 
8. Durante a década actual, a educação de adultos sofreu profundas transformações 
e desenvolveu-se muito no seu alcance e na sua amplitude. Nas sociedades 
baseadas no conhecimento que estão a emergir em todo o mundo, a educação de 
adultos e a educação permanente tornaram-se um imperativo tanto na 
comunidade como no local de trabalho. As novas exigências da sociedade e do 
trabalho suscitam expectativas que impõem a cada indivíduo a necessidade de 
continuar a renovar os seus conhecimentos e capacidades ao longo de toda a 
vida. 
 
 9
 
No âmago desta transformação está a nova função do Estado e o aparecimento 
na sociedade civil de relações de colaboração mais amplas consagradas à 
educação de adultos. 
O Estado continua a ser o veículo essencial para garantir o direito à educação a 
todos em particular dos grupos mais vulneráveis da sociedade, tais como as 
minorias e os povos autóctones, e para facultar um quadro político global. 
Dentro das novas formas de colaboração entre os sectores público, privado e 
comunitário, o papel do Estado está a mudar. Não se limita a prestar serviços de 
educação de adultos, mas também aconselha, financia, controla e avalia. Os 
governos e os parceiros sociais deverão adoptar as medidas necessárias para 
facilitar às pessoas a expressão das suas necessidades e aspirações em matéria 
de educação, e para que tenham acesso a oportunidades educativas ao longo de 
toda a sua vida. No seio dos governos, a educação de adultos não está limitada 
aos ministérios da educação; todos os ministérios estão empenhados na 
promoção da educação de adultos, e a cooperação interministerial é essencial. 
Além disso, trata-se de uma tarefa que envolve empregadores, sindicatos, 
organizações não governamentais e comunitárias, bem como agrupamentos de 
minorias étnicas e de mulheres, que tem a responsabilidade de interagir e de 
criar oportunidades de educação permanente, procurando o respectivo 
reconhecimento e certificação. 
9. A educação básica para todos pressupõe que as pessoas, seja qual for a sua 
idade, tenham oportunidade, individual e colectivamente, de realizar o seu 
potencial. Não é apenas um direito, mas também um dever e uma 
responsabilidade para com os outros e para com a sociedade no seu conjunto. É 
indispensável que o reconhecimento do direito à educação ao longo de toda a 
vida seja acompanhado por medidas destinadas a criar as condições necessárias 
ao exercício deste direito. Os desafios do século XXI não podem ser apenas 
enfrentados pelos governos, organizações ou instituições; são igualmente 
necessários a energia, a imaginação e o talento das pessoas e a sua participação 
plena, livre e dinâmica em todos os aspectos da vida. A educação dos jovense 
dos adultos é um dos principais meios para aumentar de maneira significativa a 
criatividade e a produtividade no seu sentido mais lato, as quais, por seu turno, 
são indispensáveis para resolver os problemas complexos e interrelacionados de 
um mundo assediado pela aceleração das transformações e pela complexidade e 
riscos crescentes. 
 
 
 
 10
 
10. O novo conceito de educação de jovens e adultos põe em causa as práticas 
existentes, já que exige uma interligação eficaz no seio dos sistemas formal e 
não formal, bem como inovação e mais criatividade e flexibilidade. Tais 
desafios devem ser encarados através de novas abordagens à educação de 
adultos, no âmbito do conceito de aprendizagem ao longo de toda a vida. A 
promoção da aprendizagem, usando os meios de comunicação e a publicidade 
local e, facultando orientação imparcial, constituem responsabilidades dos 
governos e parceiros sociais. O objectivo último deverá ser a criação de uma 
sociedade educativa empenhada na justiça social e no bem-estar geral. 
11. Alfabetização de adultos. 
A alfabetização, concebida em termos gerais como os conhecimentos e 
capacidades básicas que todos precisam num mundo em rápida transformação, é 
um direito humano fundamental. Em todas as sociedades, a alfabetização é uma 
competência necessária por si mesma e como fundamento para os demais 
conhecimentos que a vida requer. Há milhões de pessoas, na sua maioria 
mulheres, que não têm oportunidade de aprender ou que carecem das 
capacidades suficientes para tomarem consciência deste direito. É preciso 
prepará-las para que o façam, o que frequentemente implica a criação de 
condições prévias para a aprendizagem, através da consciencialização e 
autonomia. A alfabetização é, por outro lado, um catalisador da participação nas 
actividades sociais, culturais e económicas, bem como da aprendizagem ao 
longo de toda a vida. Consequentemente, comprometemo-nos a garantir a todas 
as pessoas a possibilidade de adquirirem e manterem as capacidades literárias, e 
de criarem em todos os Estados-Membros um ambiente alfabetizado que apoie a 
cultura oral. A preocupação mais urgente é facultar oportunidades de 
aprendizagem a todos, em especial os marginalizados e excluídos. A 
Conferência saúda com satisfação a iniciativa de celebrar uma década pela 
alfabetização em honra de Paulo Freire, a partir de 1998. 
12. O Reconhecimento do direito à educação e do direito a aprender ao longo de 
toda a vida é mais do nunca uma necessidade; é o direito a ler e escrever, a 
indagar e analisar, a ter acesso aos recursos, e a desenvolver e praticar 
capacidades e competências individuais e colectivas. 
13. Integração e autonomia da mulher. 
As mulheres têm direito à igualdade de oportunidades; a sociedade, por seu 
turno, depende da sua contribuição plena em todos os domínios do trabalho e em 
todos os aspectos da vida. 
 
 11
 
As políticas de educação de jovens e adultos devem ser receptivas às culturas 
locais e dar prioridade à expansão das oportunidades educativas para todas as 
mulheres, respeitando, simultaneamente, a sua diversidade e eliminando os 
preconceitos e estereótipos que limitam o acesso à educação de jovens e adultos 
e restringem os benefícios que poderiam derivar da mesma. Toda a tentativa 
para limitar o direito das mulheres à alfabetização, educação e formação deve 
ser considerada inaceitável. Devem ser adoptadas medidas práticas e correctivas 
a esse respeito. 
14. Cultura de paz e educação para a cidadania e a democracia. 
Um dos maiores desafios do nosso tempo consiste em eliminar a cultura da 
violência e edificar uma cultura de paz baseada na justiça e na tolerância em que 
o diálogo e a negociação substituam a violência nos lares e nas comunidades, no 
seio das nações e entre os países. 
15. Diversidade e igualdade. 
A educação de adultos deve reflectir a riqueza da diversidade cultural e respeitar 
o saber tradicional e autóctone e os correspondentes sistemas de aprendizagem; 
o direito de aprender na língua materna deve ser respeitado e exercido. A 
educação de adultos defronta um desafio difícil na preservação e documentação 
da sabedoria oral dos grupos minoritários, povos autóctones e nómadas. Por seu 
turno, a educação intercultural deve fomentar a aprendizagem entre e sobre as 
diferentes culturas em nome da paz, dos direitos humanos e das liberdades 
fundamentais, da democracia, da justiça, da liberdade, da coexistência e da 
diversidade. 
16. Saúde. 
A saúde é um direito humano fundamental. Os investimentos na educação são 
investimentos na saúde. A aprendizagem ao longo da vida pode contribuir 
substancialmente para a promoção da saúde e a prevenção da doença. A 
educação de adultos oferece oportunidades significativas para facultar acesso 
apropriado, equitativo e sustentado ao conhecimento sanitário. 
17. Meio ambiente sustentável. 
A educação para um meio ambiente sustentável deve ser um processo de 
aprendizagem para toda a vida capaz de reconhecer que os problemas ecológicos 
existem num contexto sócio-económico, político e cultural. Não pode ser 
conseguido um futuro sustentável sem abordar a relação entre os problemas 
ambientais e os actuais paradigmas de desenvolvimento. 
 
 12
 
A educação ambiental dos adultos pode desempenhar um papel importante na 
sensibilização e mobilização das comunidades e dos decisores para uma acção 
ambientalmente sustentável. 
18. Educação e cultura autóctone. 
As minorias étnicas e os povos nómadas têm direito ao acesso a todos os níveis 
e formas de educação que o estado faculta. No entanto, não lhes pode ser negado 
o direito a desfrutarem da sua própria cultura, ou a usarem as suas próprias 
línguas. A educação para os povos indígenas e nómadas deve ser linguística e 
culturalmente adequada às suas necessidades e deve facilitar o acesso a níveis 
superiores de educação e formação. 
19. Transformação da economia. 
A mundialização, as alterações nos padrões de produção, o aumento do 
desemprego e a dificuldade em assegurar o sustento exigem políticas laborais 
mais activas e maior investimento no desenvolvimento das capacidades 
necessárias para que homens e mulheres participem no mercado de trabalho e 
nas actividades geradoras de rendimento. 
20. Acesso à informação. 
O desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunicação traz 
consigo novos riscos de exclusão social e ocupacional para grupos de indivíduos 
e, até para empresas, incapazes de se adaptarem a este contexto. Por isso, uma 
das funções da educação de adultos no futuro consiste em limitar esses riscos de 
exclusão de modo que a sociedade da informação não perca de vista a dimensão 
humana. 
21. Envelhecimento da população. 
Há, actualmente, mais pessoas idosas no mundo em relação ao total da 
população do que nunca antes, e a proporção contínua a aumentar. Estes adultos 
idosos podem contribuir muito para o desenvolvimento da sociedade. Logo, é 
importante que tenham oportunidade de aprender em igualdade de condições e 
de maneira apropriada. As suas capacidades e competências devem ser 
reconhecidas, valorizadas e aproveitadas. 
22. De acordo com a Declaração de Salamanca, a integração e o acesso de pessoas 
deficientes devem ser promovidos. As pessoas deficientes têm direito a 
oportunidades equitativas de aprendizagem que reconheçam e respondam às 
suas necessidades e objectivos educacionais, e em que as tecnologias de 
aprendizagem apropriadas respondam às suas necessidades especiais. 
 
 13
 
23. Devemos actuar com a maior diligência para aumentar e garantir os 
investimentos nacionais e internacionais na educação de jovens e adultos, bem 
como a aplicação dos recursos privados e comunitários nesse objectivo. O Plano 
de Acção para o Futuro, que aqui aprovámos, destina-se a alcançar este 
objectivo. 
24. Apelamosà UNESCO, como principal organismo das Nações Unidas no campo 
da educação, para desempenhar o papel principal na promoção da educação de 
adultos como parte integrante de um sistema de aprendizagem e para mobilizar 
o apoio de todos os participantes, em especial dos que fazem parte do sistema 
das Nações Unidas, a fim de darem prioridade à aplicação do Plano de Acção 
para o Futuro e facilitarem a prestação dos serviços necessários para reforçar a 
coordenação e a cooperação internacional. 
25. Apelamos à UNESCO no sentido de incentivar os Estados-Membros a 
adoptarem políticas e legislação favoráveis às pessoas deficientes e que lhes 
permitam integrar-se nos programas educativos, sendo sensíveis às diferenças 
culturais, linguísticas, económicas e às diferenças entre homens e mulheres. 
26. Declaramos solenemente que todas as partes seguirão atentamente a aplicação 
desta Declaração e do Plano de Acção para o Futuro, distinguindo claramente as 
respectivas responsabilidades e complementando-se e cooperando entre si. 
Estamos decididos a pugnar por que a educação ao longo de toda a vida se torne 
uma realidade ainda mais significativa no início do século XXI. Para isso, 
comprometemo-nos a promover a cultura da aprendizagem através do 
movimento "uma hora por dia para estudar" e da realização de uma semana das 
Nações Unidas para a Educação de Adultos. 
27. Nós, reunidos em Hamburgo, e convencidos da necessidade da educação de 
adultos, comprometemo-nos a que todos os homens e mulheres tenham 
oportunidade de aprender durante toda a vida. Para isso, constituiremos amplas 
alianças Para mobilizar e partilhar recursos a fim de tornar a educação de 
adultos uma alegria, um instrumento, um direito e uma responsabilidade 
partilhados. 
 
 
 
 
 
 
 14
 
Agenda para o Futuro 
 
1. Este Plano de Acção para o Futuro expõe pormenorizadamente o novo 
compromisso de fomentar a educação de adultos assumido pela Declaração de 
Hamburgo sobre Educação de Adultos. 
2. O Plano de Acção centra-se nas preocupações comuns que se colocam à 
humanidade na alvorada do século XXI e no papel essencial que a educação de 
adultos tem a desempenhar para permitir que homens e mulheres de todas as 
idades defrontem estes desafios imperiosos com saber, coragem e criatividade. 
3. O desenvolvimento da educação de adultos exige a colaboração entre 
departamentos governamentais, intergovernamentais e organizações não-
governamentais, empregadores e sindicatos, universidades e centros de 
investigação, meios de comunicação, associações civis e comunitárias, 
instrutores de educação de adultos e dos próprios educandos adultos. 
4. Estão em curso profundas transformações tanto no plano global como local, que 
podem ser vistas na globalização dos sistemas económicos, no rápido 
desenvolvimento da ciência e da tecnologia, na estrutura etária e na mobilidade 
da população, e no aparecimento de uma sociedade baseada na informação e no 
conhecimento. O mundo experimenta também mudanças relevantes na 
distribuição do trabalho e no desemprego, numa crescente crise ecológica, bem 
como tensões entre grupos sociais com base na cultura, etnicidade, na função 
dos sexos, religião e rendimentos. Estas tendências reflectem-se na educação, 
onde os responsáveis por sistemas de educação complexos se esforçam por fazer 
face a novas oportunidades e exigências, frequentemente com recursos, cada vez 
menores, a sua disposição. 
5. Ao longo da década actual, uma série de conferências concentrou a atenção do 
mundo em problemas internacionais decisivos. A começar pela Conferência 
Mundial sobre Educação para Todos: Satisfação das Necessidades Básicas de 
Aprendizagem (Jomtien, Tailândia, 1990), contam-se a Conferência das Nações 
Unidas para o Ambiente e Desenvolvimento (Rio de Janeiro, 1992), a 
Conferência Mundial sobre Direitos Humanos (Viena, 1993), a Conferência 
Internacional sobre População e Desenvolvimento (Cairo, 1994), a Cimeira 
Mundial para o Desenvolvimento Social (Copenhaga, 1995), a Quarta 
Conferência Mundial das Mulheres (Pequim, 1995), a Conferência das Nações 
Unidas sobre Estabelecimentos Humanos (Habitat II, Istambul, 1996) e, mais 
recentemente, a Cimeira Mundial da Alimentação (Roma, 1996). 
 
 15
 
Em todas estas conferências, os dirigentes mundiais manifestaram o desejo de 
que a educação facultasse a competência e criatividade dos cidadãos. A 
educação foi vista como um elemento vital numa estratégia para alimentar os 
processos de desenvolvimento sustentado. 
6. Paralelamente, também ocorreram mudanças na educação. Desde a sua 
fundação, a UNESCO desempenhou um papel pioneiro na concepção da 
educação de adultos como parte essencial de qualquer sistema educativo e de 
desenvolvimento centrado no ser humano. Há numerosos organismos a actuar 
neste campo, muitos dos quais participaram na Conferência de Hamburgo. 
7. A primeira Conferência Internacional sobre Educação de Adultos (Elsinore, 
Dinamarca, 1949) foi seguida pelas conferências de Montréal (1960), Tóquio 
(1972) e Paris (1985). Outros marcos importantes são o Relatório da Comissão 
Internacional sobre o Desenvolvimento da Educação (1972), presidido por 
Edgar Faure, Aprender a Ser: O Mundo da Educação Hoje e Amanhã, e a 
influente Recomendação da UNESCO sobre o Desenvolvimento da Educação de 
Adultos, 1976, que destacou o papel vital da educação de adultos ‘como fazendo 
parte da educação e aprendizagem durante toda a vida’. 
8. Ao longo dos doze anos passados desde a Declaração de Paris, a humanidade foi 
afectada por profundas mudanças resultantes dos processos de mundialização e 
avanço tecnológico, juntamente com a introdução de uma nova ordem 
internacional, e tudo isso conduziu a transformações de grande alcance nos 
domínios político, cultural e económico. 
9. Um quarto de século depois de Aprender a Ser, a Comissão Internacional sobre 
a Educação para o Século XXI, presidida por Jacques Delors, declarou que ‘o 
conceito de aprendizagem ao longo da vida é a chave que dá acesso ao século 
XXI. Esta noção extravasa as distinções tradicionais entre educação básica e 
permanente, e está ligada a outro conceito, o da sociedade da aprendizagem, na 
qual tudo oferece uma oportunidade de aprendizagem e de realização dos 
potenciais de cada um’. O relatório da Comissão, A Educação um Tesouro a 
Descobrir, acentuou a importância dos quatro pilares da educação: aprender a 
conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser. Como a 
Declaração de Hamburgo assinala, a educação de adultos ganhou mais 
profundidade e amplitude, e tornou-se um imperativo no local de trabalho, no lar 
e na comunidade, a medida que homens e mulheres se esforçam por criar novas 
realidades em todas as etapas da vida. 
 
 
 16
 
A educação de adultos desempenha um papel essencial e específico no sentido 
de proporcionar a homens e mulheres os meios que lhes permitam responder de 
forma construtiva a um mundo em constante mudança e facultar um ensino que 
reconheça os direitos e responsabilidades dos adultos e da comunidade. 
10. Em Hamburgo, o amplo e complexo espectro da educação de adultos foi 
examinado no âmbito de dez temas: 
• educação de adultos e democracia: os desafios do século XXI; 
• melhorar as condições e a qualidade da educação de adultos; 
• garantir o direito universal à alfabetização e educação básica; 
• educação de adultos, igualdade e equidade entre homens e mulheres, e 
a autonomia das mulheres; 
• educação de adultos e o mundo do trabalho em mudança; 
• educação de adultos na relação com o ambiente, a saúde e a 
população; 
• educação de adultos para todos: os direitos e aspirações dos 
diferentes grupos; 
• os aspectos económicos da educação de adultos; 
• aprofundamento da cooperação e solidariedade internacional. 
 
Tema 1 
Educaçãode adultos e democracia: os desafios do século XXI 
 
11. Os desafios do século XXI exigem a criatividade e competência dos cidadãos de 
todas as idades na diminuição da pobreza, na consolidação dos processos 
democráticos, no fortalecimento e protecção dos direitos humanos, na 
promoção de uma cultura da paz, no incentivo à cidadania activa, no 
fortalecimento do papel da sociedade civil, na garantia da igualdade e equidade 
entre homens e mulheres, na participação activa das mulheres, no 
reconhecimento da diversidade cultural (incluindo o uso da língua, bem como a 
promoção da justiça e igualdade para as minorias em geral) e numa nova 
parceria entre o Estado e a sociedade civil. Com efeito, para reforçar a 
democracia, é fundamental fortalecer os ambientes de aprendizagem, reforçar a 
participação dos cidadãos e criar contextos em que a produtividade das pessoas 
seja favorecida e em que uma cultura da equidade e da paz possa ganhar raízes. 
 
 17
 
Comprometemo-nos a: 
12. Aumentar a participação da comunidade. 
a. promovendo a cidadania activa e melhorando a democracia 
participativa a fim de criar comunidades educativos; 
b. incentivando e desenvolvendo capacidades de liderança entre a 
população adulta e, em especial, entre as mulheres, que lhes permita 
participar nas instituições do Estado, no mercado e na sociedade civil. 
13. Fomentar a tomada de consciência em relação aos preconceitos e a 
discriminação na sociedade: 
a. assegurando o direito legítimo dos povos à autodeterminação e a 
exercerem livremente o seu estilo de vida; 
b. tomando medidas para eliminar a discriminação na educação a todos os 
níveis quer seja por motivos de sexo, raça, língua, religião, 
nacionalidade ou origem étnica, deficiência ou qualquer outra forma de 
discriminação; 
c. desenvolvendo programas educativos que permitam aos homens e 
mulheres compreender os relacionamentos entre sexos bem como a 
sexualidade humana em todas as suas dimensões; 
d. reconhecendo e afirmando o direito à educação das mulheres, e das 
minorias em geral, garantindo representação equitativa nos processos 
de tomada de decisão e de preenchimento de lugares, e apoiando a 
publicação de materiais didácticos locais e específicos para as minorias 
em questão; 
e. reconhecendo que todas as minorias e os nómados em geral têm o 
direito de acesso a todos os níveis e formas de educação pública, bem 
como o direito de desfrutar das suas próprias culturas e de usarem a 
sua própria língua A educação deve ser linguística e culturalmente 
apropriada às suas necessidades e deve facilitar o acesso a níveis 
superiores de educação e formação, num ambiente de trabalho comum, 
e aprendendo a respeitar e a apreciar as diferenças de cada um, a fim 
de assegurar um futuro comum para todos os membros da sociedade. 
 
 
 
 
 18
 
14. Fomentar maior reconhecimento, participação e responsabilidade das 
organizações não governamentais e dos grupos comunitários locais: 
a. reconhecendo o papel desempenhado pelas organizações não 
governamentais na tomada de consciência e no poder interventivo dos 
cidadãos, de importância vital para a democracia, para a paz e para o 
desenvolvimento; 
b. reconhecendo e financiando adequadamente o crescente papel das 
organizações não governamentais e dos grupos comunitários locais na 
disponibilização de oportunidades educativas para adultos em todos os 
sectores, na cobertura dos mais necessitados e na contribuição para 
uma sociedade civil activa. 
15. Promover uma cultura de paz, o diálogo intercultural e os direitos humanos: 
a. permitindo que os cidadãos abordem os conflitos de uma maneira 
empática, não violenta e criativa, sendo componentes importantes a 
educação para a paz disponibilizada a todos, o jornalismo de paz e a 
cultura de paz; 
b. reforçando as dimensões educativas das actividades relacionadas com 
os direitos humanos na educação formal e não formal de adultos aos 
níveis comunitário nacional, regional e global. 
 
Tema 2 
Melhorar as condições e qualidade da educação de adultos 
 
16. Embora exista uma crescente procura de educação para adultos e uma explosão 
de informação, é também crescente a disparidade entre os que têm e os que não 
têm acesso às mesmas. Há, portanto, necessidade de contrariar esta polaridade, 
que agrava as desigualdades existentes, criando estruturas de educação de 
adultos e ambientes de aprendizagem ao longo da vida que possam contribuir 
para corrigir a tendência actual. Como podem ser melhoradas as condições de 
aprendizagem dos adultos? Como podemos ultrapassar as suas insuficiências? 
Que tipos de medidas e de reformas devem ser levadas a cabo para se conseguir 
maior acessibilidade, relevância, qualidade, respeito pela diversidade e 
reconhecimento do ensino anterior? 
 
 
 19
 
Comprometemo-nos a: 
17. Criar condições para a expressão da procura de aprendizagem do povo: 
a. adoptando legislação e outras medidas apropriadas que reconheçam o 
direito à educação para todos os adultos, propondo uma concepção 
alargada da educação de adultos e facilitando a coordenação entre 
organismos; 
b. facilitando a expressão da procura de educação por parte das pessoas, 
na sua cultura e língua; 
c. criando serviços de informação pública e aconselhamento e 
desenvolvendo métodos para validar a experiência e aprendizagem 
anterior; 
d. desenvolvendo estratégias para alargar os benefícios da educação de 
adultos às pessoas actualmente excluídas e para ajudar os adultos a 
fazerem opções com conhecimento de causa relativas às orientações 
educativas que melhor satisfaçam as suas aspirações; 
e. promovendo uma cultura de aprendizagem através do movimento ‘uma 
hora por dia para estudar’; 
f. acentuando a importância de celebrar o Dia Internacional da Mulher (8 
de Março) e o Dia Internacional da Alfabetização (8 de Setembro), 
usando os Prémios Internacionais de Alfabetização para a promoção da 
educação de adultos, e preparando uma Semana das Nações Unidas 
para a Educação de Adultos. 
18. Garantir o acesso e a qualidade: 
a. adoptando legislação, políticas e mecanismos de cooperação com todos 
os parceiros para facilitar o acesso e a participação dos adultos na 
educação formal e na educação no local de trabalho e na comunidade, 
e para apoiar e alargar os programas para as áreas rurais e isoladas; 
b. desenvolvendo uma política geral, levando em conta o ambiente 
decisivo do ambiente de aprendizagem; 
c. melhorando a qualidade e garantindo a relevância da educação de 
adultos através da participação dos educandos na elaboração dos 
programas; 
d. facilitando a cooperação entre iniciativas de educação de adultos 
relacionadas com diferentes instituições e sectores de actividade. 
 
 20
 
19. Abrir as escolas, as faculdades e as universidade aos estudantes adultos: 
a. solicitando às instituições de educação formal, desde o 1.° ciclo que se 
disponibilizem a abrir as suas portas aos estudantes adultos, tanto 
homens como mulheres, adaptando os seus programas e condições de 
aprendizagem de modo a satisfazer as suas necessidades; 
b. desenvolvendo mecanismos coerentes para reconhecer os resultados 
educativos alcançados em diferentes contextos, e garantindo o 
intercâmbio de experiências no seio e entre instituições, sectores e 
Estados; 
c. estabelecendo parcerias entre universidades e comunidades para a 
realização conjunta de acções de investigação e formação, e abrindo os 
serviços das universidades a grupos exteriores; 
d. efectuando investigação interdisciplinar em todos os aspectos da 
educação e aprendizagem de adultos com a participação dos próprios 
educandos adultos; 
e. criando oportunidades de educação de adultos de modo flexível, aberto 
e criativo, levando em conta as especificidades da vida das mulherese 
dos homens; 
f. facultando educação permanente e sistemática aos educadores de 
adultos; 
g. solicitando a Conferência Mundial sobre Educação Superior (Paris, 
1998) que promova a transformação das instituições pós-secundárias 
em instituições de aprendizagem ao longo da vida, e 
concomitantemente, para definir o papel das universidades. 
20. Melhorar as condições de formação profissional para os educadores e 
monitores de adultos: 
a. estabelecendo políticas e adoptando medidas para melhorar o 
recrutamento, a formação inicial e no emprego, as condições de 
trabalho e a remuneração do pessoal envolvido nos programas e 
actividades de educação de jovens e adultos, de modo a assegurar a 
respectiva qualidade e estabilidade, incluindo os conteúdos e 
metodologia de formação; 
 
 
 
 21
 
b. desenvolvendo, no campo da educação permanente, métodos de ensino 
e de aprendizagem inovadores, incluindo tecnologias interactivas e 
métodos indutivos que envolvam uma estreita coordenação entre 
experiência de trabalho e formação; 
c. promovendo serviços de informação e documentação, que garantam o 
acesso generalizado e reflictam a diversidade cultural. 
21. Promover a relevância da educação inicial numa perspectiva de educação 
permanente: 
eliminando barreiras entre educação não formal e formal, e 
garantindo aos adultos jovens a oportunidade de prosseguirem a sua 
educação para além a da escolaridade obrigatória. 
22. Promover a investigação e os estudos sistemáticos e orientados sobre formação 
de adultos: 
a. fomentando estudos nacionais e transnacionais sobre os alunos, 
professores, programas, métodos e instituições de educação de adultos, 
e apoiando a avaliação da forma como a educação de adultos é 
facultada e participada, especialmente em relação às necessidades de 
todos os grupos sociais; 
b. facultando regularmente a UNESCO e outros organismos multilaterais 
os indicadores relativos à educação de adultos e efectuando o 
acompanhamento de todo o tipo de educação de adultos e respectiva 
participação, e solicitando à UNESCO que preste apoio aos Estados-
Membros nessas actividades; 
c. desenvolvendo uma capacidade melhorada de investigação e 
divulgação do conhecimento, incentivando as trocas de informação 
nacionais e internacionais, modelos inovadores e práticas eficazes. 
23. Reconhecer o novo papel do Estado e dos parceiros sociais: 
a. fazendo com que todos os parceiros reconheçam a sua 
responsabilidade no estabelecimento de quadros regulamentares de 
apoio, na garantia de acessibilidade e equidade, na criação de 
mecanismos de acompanhamento e coordenação, e na prestação de 
apoio profissional a responsáveis políticos, investigadores e alunos 
através de recursos em rede; 
 
 
 
 22
 
b. criando o necessário apoio financeiro, administrativo e de gestão, 
reforçando os mecanismos de ligação intersectorial e interministerial, e 
garantindo a participação das organizações da sociedade civil a fim de 
complementar a iniciativa dos governos, facultando-lhes o 
financiamento adequado para apoiar as suas actividades; 
c. solicitando à UNESCO que prossiga a sua política de estabelecimento 
de parcerias entre todos os actores no campo da educação de adultos. 
 
Tema 3 
Garantir o direito universal à alfabetização e à educação básica 
 
24. Há, actualmente, perto de 1.000 milhões de pessoas que não aprenderam a ler 
nem a escrever, e há milhões de analfabetos funcionais, mesmo nos países mais 
prósperos. Em toda a parte do mundo, a alfabetização deve ser uma via para 
mais ampla participação na vida social, cultural, política e económica. A 
alfabetização deve ser relevante nos contextos sócio-económicos e culturais dos 
povos. A alfabetização permite que os indivíduos participem efectivamente nas 
respectivas sociedades e lhes dêem forma. É um processo em que as 
comunidades efectuam as suas próprias transformações culturais e sociais. 
Deve atender às necessidades tanto de homens como de mulheres, para lhes 
permitir compreender as interligações entre realidades pessoais, locais e 
globais. 
 
Comprometemo-nos a: 
25. Vincular a alfabetização às aspirações de desenvolvimento social, cultural e 
económico os educandos: 
a. acentuando a importância da alfabetização para os direitos humanos, 
cidadania participativa, equidade social e política e identidade cultural; 
b. reduzindo a taxa de analfabetismo feminino até ao ano 2000, pelo 
menos, para metade dos níveis de 1990, com especial atenção para as 
populações rurais, migrantes, refugiadas e deslocadas, minorias 
étnicas, mulheres e mulheres com deficiências; 
c. incentivando o uso criativo da alfabetização; 
 
 
 23
 
d. substituindo o conceito estreito de alfabetização por uma educação que 
satisfaça as necessidades sociais, económicas e políticas e dê expressão 
a uma nova forma de cidadania; 
e. integrando a alfabetização e outras formas de educação e de 
capacidades básicas em todos os projectos de desenvolvimento 
apropriados, em especial naqueles que se relacionam com a saúde e o 
ambiente, e incentivando as organizações populares e os movimentos 
sociais a promoverem as suas próprias iniciativas de educação e 
desenvolvimento; 
f. iniciando, em 1998, a Década Paulo Freire de Alfabetização para 
Todos em África, a fim de criar sociedades alfabetizadas que saibam 
acolher as diferentes tradições culturais. Para isso, devem ser criados 
fundos especiais quer a partir de recursos públicos quer privados. 
26. Melhorar a qualidade dos programas de alfabetização estabelecendo vínculos 
com o conhecimento e as culturas tradicionais e minoritárias. 
a. melhorando o processo de aprendizagem através de estratégias 
centradas no educando; sensibilidade a diversidade de línguas e 
culturas; envolvimento dos educandos no desenvolvimento de 
materiais didácticos; processo de aprendizagem intergeracional; 
utilização das línguas locais, do saber indígena e das tecnologias 
apropriadas; 
b. melhorando a qualidade e eficácia dos programas de alfabetização, 
através de relacionamentos mais fortes com outros domínios, tais como 
a saúde, a justiça, o desenvolvimento urbano e rural; investigação 
básica e aplicada; avaliação; utilização de tecnologias apropriadas para 
apoio tanto a professores como a alunos; recolha e divulgação das 
melhores práticas; comunicação efectiva dos resultados da 
investigação aos investigadores, educadores e responsáveis políticos 
pela alfabetização; e utilização dos centros especializados em 
alfabetização existentes ou recém-criados; 
c. melhorando a formação do pessoal de alfabetização mediante a 
prestação de maior atenção à realização pessoal, condições de trabalho 
e estatuto profissional dos docentes de alfabetização; apoio contínuo à 
realização pessoal; melhor consciencialização e comunicação entre os 
intervenientes na alfabetização; e dedicando atenção especial à 
qualificação das mulheres que, em muitos lugares, constituem a 
maioria dos educadores de alfabetização; 
 
 24
 
d. concebendo um programa internacional para o desenvolvimento de 
sistemas de acompanhamento e avaliação da alfabetização, bem como 
sistemas de retro-informação que promovam a contribuição e 
participação da comunidade na melhoria do programa aos níveis 
internacional, regional e nacional, e estabelecendo uma base mundial 
de informação para promover as políticas e a gestão e para melhorar a 
qualidade, a eficácia e a sustentabilidade desses esforços; 
e. promovendo a sensibilização e o apoio público à alfabetização, 
prestando mais atenção aos obstáculos que se colocam à alfabetização 
para todos e favorecendo uma melhor compreensão do modo como a 
alfabetização se integra na prática social; 
f. mobilizando recursos financeiros e humanos suficientes, através de um 
forte empenhofinanceiro a favor da alfabetização por parte de 
organizações intergovernamentais, organismos bilaterais e autoridades 
nacionais, regionais e locais, bem como, parcerias envolvendo 
instituições de educação formal e não formal, voluntários, 
organizações não governamentais e o sector privado; 
g. garantindo o recurso aos meios tradicionais e às modernas tecnologias 
para a alfabetização, tanto nos países industrializados, como nos países 
em desenvolvimento. 
27. Enriquecer o ambiente de alfabetização: 
a. favorecendo a utilização e consolidação dos conhecimentos através da 
produção e divulgação de material impresso localmente relevante, 
levando em conta a diferença entre sexos e produzido pelos educandos; 
b. colaborando activamente com produtores e editores, de modo a 
adaptarem os textos e materiais existentes, tornando-os acessíveis e 
compreensíveis a novos leitores (imprensa, documentos legais, ficção, 
etc.); 
c. criando redes para o intercâmbio e distribuição de textos produzidos 
localmente que reflictam directamente os conhecimentos e as práticas 
das comunidades. 
 
 
 
 
 
 25
 
Tema 4 
Educação de adultos, igualdade e equidade entre homens e mulheres e a 
autonomia da mulher 
 
28. A igualdade de oportunidades em todos os aspectos da educação é essencial 
para permitir que as mulheres de todas as idades contribuam plenamente para 
a sociedade e para a resolução dos múltiplos problemas que a humanidade 
enfrenta. Quando as mulheres se encontram numa situação de isolamento social 
e falta de acesso aos conhecimentos e informação, afastam-se dos processos de 
decisão no seio da família, da comunidade e da sociedade em geral e têm pouco 
controlo sobre o seu corpo e a sua vida. Para as mulheres pobres, a mera 
necessidade de sobreviver torna-se um obstáculo para a educação. Os 
processos educativos devem, por isso, encarar os constrangimentos que 
impedem o acesso das mulheres aos recursos intelectuais, para além de as 
habilitarem a tornarem-se intervenientes plenamente activas na transformação 
social. A mensagem da igualdade e acesso equitativo não deve limitar-se aos 
programas destinados às mulheres. A educação deve permitir que as mulheres 
tomem consciência da necessidade de se organizarem como mulheres, a fim de 
alterarem a situação e desenvolverem as suas capacidades de modo a poderem 
conquistar acesso às estruturas de poder formal e aos processos de tomada de 
decisão tanto na esfera privada como na esfera pública. 
 
Comprometemo-nos a: 
29. Promover a autonomia das mulheres e a igualdade entre homens e mulheres 
através da educação de adultos. 
a. reconhecendo e corrigindo a marginalização permanente e a negação 
de acesso e de oportunidades iguais para uma educação de qualidade 
que as raparigas e as mulheres continuam a defrontar a todos os níveis; 
b. garantindo que é proporcionada a todas as mulheres e homens a 
educação necessária para satisfazer as suas necessidades básicas e para 
exercerem os direitos humanos; 
c. fomentando a tomada de consciência de raparigas e rapazes, de 
mulheres e homens, relativa as desigualdades entre sexos e a 
necessidade de alterar estas relações de desigualdade; 
 
 
 26
 
d. eliminando as disparidades entre homens e mulheres no acesso a todas 
as áreas e níveis de educação; 
e. assegurando que as políticas e as práticas respeitam o princípio da 
representação equitativa de ambos os sexos, especialmente aos níveis 
de tomada de decisão e de gestão dos programas educativos; 
f. combatendo a violência doméstica e sexual, proporcionando educação 
apropriada aos homens e facultando informação e aconselhamento para 
aumentar a capacidade das mulheres para se protegerem desse tipo de 
violência; 
g. removendo as barreiras no acesso à educação formal e não formal no 
caso de adolescentes grávidas e jovens mães; 
h. promovendo uma pedagogia participativa, sensível às questões de 
disparidade de sexos, que reconheça a experiência diária da mulher 
bem como os resultados tanto cognitivos como afectivos; 
i. educando homens e mulheres para reconhecerem os impactos graves e 
adversos da mundialização e das políticas de ajustamento estrutural em 
todas as partes do mundo, especialmente sobre as mulheres; 
j. tomando medidas legislativas, financeiras e económicas adequadas e 
aplicando políticas sociais destinadas a garantir uma participação bem 
sucedida das mulheres na educação de adultos, através da remoção de 
obstáculos e promoção de ambientes de aprendizagem apoiada; 
k. educando mulheres e homens de modo a promover a partilha do 
trabalho e das responsabilidades; 
l. incentivando as mulheres a organizarem-se como mulheres para 
promoverem uma identidade colectiva e a criarem organizações de 
mulheres que fomentem a mudança; 
m. promovendo a participação das mulheres nos processos de tomada de 
decisão e nas estruturas formais. 
 
Tema 5 
A educação de adultos e a mutação no mundo do trabalho 
 
29. O mundo do trabalho em mutação é uma questão multifacetada de grande 
preocupação e relevância para a educação de adultos. 
 
 27
 
A mundialização e as novas tecnologias estão a ter um impacto poderoso e 
crescente em todas as dimensões da vida individual e colectiva de mulheres e 
homens. Há uma preocupação crescente quanto à precariedade do emprego e o 
aumento do desemprego. Nos países em desenvolvimento, a preocupação não se 
restringe ao emprego, mas envolve também a necessidade de garantir 
condições de vida satisfatórias para todos. A indispensável melhoria em termos 
de produção e distribuição na indústria, agricultura e serviços exige 
competências cada vez maiores, o desenvolvimento de novas capacidades e a 
capacidade de adaptação produtiva a uma procura de emprego em mudança 
permanente ao longo da vida laboral. O direito ao trabalho, a oportunidade de 
emprego e a responsabilidade de contribuir, em todas as fases da vida, para o 
desenvolvimento e bem-estar da respectiva sociedade são questões que a 
educação de adultos deve abordar. 
 
Comprometemo-nos a: 
31. Promover o direito ao trabalho e o direito à educação de adultos relacionada 
com o trabalho: 
a. reconhecendo o direito ao trabalho e a um modo de vida estável para 
todos e fomentando, através de novas solidariedades, a diversificação 
de modelos de emprego e actividades produtivas reconhecidas; 
b. fazendo com que a educação de adultos relacionada com o trabalho 
possa conferir as competências e capacidades específicas para a 
entrada no mercado de trabalho e mobilidade ocupacional, e melhorar 
a capacidade dos indivíduos para participarem em modelos de emprego 
diversificados; 
c. promovendo parcerias entre empregadores e empregados; 
d. garantindo que os conhecimentos e capacidades informalmente 
adquiridos são plenamente reconhecidos; 
e. acentuando o poderoso papel da educação profissional de adultos no 
processo de aprendizagem ao longo da vida; 
f. integrando nos processos de educação informal e não formal de adultos 
uma perspectiva analítica e crítica em relação ao mundo económico e 
respectivo funcionamento. 
 
 
 
 28
 
32. Garantir o acesso à educação de adultos relacionada com o trabalho para 
diferentes grupos-alvo: 
a. incentivando os empregadores a apoiarem e promoverem a 
alfabetização no local de trabalho; 
b. garantindo que as políticas de educação de adultos relacionada com o 
trabalho respondem às necessidades dos trabalhadores independentes e 
dos trabalhadores da economia informal e facilitam o acesso das 
mulheres e dos trabalhadores migrantes à formação nos ofícios e 
sectores não tradicionais; 
c. assegurando que os programas de educação de adultos relacionada com 
o trabalho consideram a igualdade de sexos, as diferenças de idade e 
culturais, a segurança no localde trabalho e as preocupações com a 
saúde dos trabalhadores, a protecção contra tratamento injusto e 
assédio, bem como a preservação do ambiente e a gestão adequada dos 
recursos naturais; 
d. enriquecendo o ambiente de aprendizagem no local de trabalho e 
oferecendo aos trabalhadores actividades flexíveis de aprendizagem 
individual e colectiva e serviços pertinentes. 
33. Diversificar os conteúdos da educação de adultos relacionada com o trabalho: 
a. tratando as questões inerentes à agricultura, gestão de recursos naturais 
e segurança alimentar; 
b. incluindo elementos relacionados com os serviços de extensão 
agrícola, direitos dos cidadãos, criação de organizações, gestão de 
recursos naturais, segurança alimentar e educação em saúde 
reprodutiva; 
c. estimulando o espírito empresarial através da educação de adultos; 
d. promovendo, dentro dos serviços de extensão, abordagens que levem 
em conta as disparidades entre homens e mulheres, respondendo às 
necessidades das mulheres na agricultura, indústria e serviços, e 
melhorando a sua capacidade para disseminar o conhecimento em 
todos estes domínios e questões. 
 
 
 
 
 29
 
Tema 6 
A educação de adultos em relação com o meio ambiente, a saúde e a população 
 
34. O ambiente, a saúde, a população, a nutrição e a segurança alimentar estão 
estreitamente interrelacionadas na promoção de um ambiente sustentado. Todas 
estas questões são complexas. Os cuidados com o meio ambiente através do 
controlo da poluição, da prevenção da erosão dos solos e de uma gestão 
prudente dos recursos naturais têm impacto directo na saúde da população, na 
nutrição e no bem-estar que, por seu turno, têm implicações no crescimento da 
população e na disponibilidade de alimentos. Estas questões inserem-se na 
procura mais vasta de um desenvolvimento sustentável, o qual não pode ser 
alcançado sem uma forte insistência na educação sobre questões familiares, o 
ciclo de vida reprodutivo e as questões populacionais como o envelhecimento, a 
migração, a urbanização e as relações familiares e entre gerações. 
 
Comprometemo-nos a: 
35. Promover a competência e o envolvimento da sociedade civil no tratamento dos 
problemas ambientais e de desenvolvimento: 
a. aproveitando as actividades de educação de adultos, a fim de 
aumentar a capacidade dos cidadãos de diferentes sectores da 
sociedade para tomarem iniciativas inovadoras e desenvolverem 
programas baseados num desenvolvimento ecológica e socialmente 
sustentável; 
b. apoiando e aplicando programas de educação de adultos destinados a 
conferir as pessoas a oportunidade de aprenderem e interagirem com 
os decisores nas questões ambientais e de desenvolvimento, em 
particular na necessidade de alterações na produção e nos padrões de 
consumo; 
c. integrando nos programas para a educação de adultos a interacção 
entre seres humanos e natureza e os conhecimentos tradicionais e os 
das minorias étnicas, reconhecendo que as comunidades dessas 
minorias tem uma autoridade e uma competência específicas para a 
protecção do seu meio ambiente; 
 
 
 
 30
 
d. assegurando a responsabilização dos decisores no contexto das 
políticas relacionadas com o ambiente, a população e o 
desenvolvimento; 
e. integrando as questões ambientais e de desenvolvimento em todos os 
sectores da educação de adultos e desenvolvendo uma abordagem 
ecológica à aprendizagem ao longo da vida. 
36. Promover a educação de adultos sobre questões relativas à população e a vida 
familiar: 
permitindo que as pessoas exerçam os seus direitos humanos, incluindo 
o direito à educação sexual e reprodutiva, e a desenvolver atitudes 
responsáveis e solidárias. 
37. Reconhecer o papel decisivo da educação da população e da promoção da 
saúde na preservação e na melhoria das condições de saúde das comunidades e 
indivíduos. 
a. desenvolvendo e reforçando programas participativos de educação e 
promoção da saúde destinados a responsabilizar as pessoas pela 
criação de ambientes mais saudáveis, pugnando por serviços de saúde 
melhorados e acessíveis; 
b. facultando o acesso a uma educação que permita opções reprodutivas 
capazes de permitir que as mulheres ultrapassem os obstáculos que as 
impedem de aproveitar plenamente e em pé de igualdade as 
oportunidades de desenvolvimento pessoal, social e económico; 
c. desenvolvendo conteúdos de aprendizagem relacionados com a saúde, 
incluindo a prevenção da sida e de outras doenças, a nutrição, a 
sanidade e a saúde mental; 
d. usando os métodos de educação de adultos para enriquecer as 
estratégias de educação, informação e comunicação e para oferecer 
oportunidades para as pessoas aplicarem a sua própria experiência e 
conhecimentos a fim de formularem diagnósticos e escolherem 
possíveis linhas de acção. 
38. Assegurar programas de aprendizagem adaptados à especificidade da cultura e 
do sexo: 
a. alargando a educação no âmbito da saúde às mulheres e aos homens 
no sentido de partilharem responsabilidades e aprofundarem o seu 
interesse pelo planeamento familiar e pelos cuidados com os filhos; 
 
 31
 
b. eliminando práticas culturais nocivas e desumanas que resultam na 
violação dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. 
 
Tema 7 
Educação de adultos, cultura, meios de comunicação e novas tecnologias de 
informação 
 
39. A educação de adultos oferece uma oportunidade essencial para os educandos 
adultos participarem em todas as instituições culturais, órgãos de comunicação 
e novas tecnologias, de modo a estabelecer uma efectiva comunicação 
interactiva e fomentar a compreensão e a cooperação entre povos e cultural. O 
respeito pelas indivíduos, pelas suas culturas e pelas suas comunidades é a base 
para o diálogo e para incutir confiança, bem como para uma educação e 
formação pertinente e duradoura. É necessário realizar esforços para garantir 
maior acesso e participação nos meios de comunicação de todas as culturas e 
grupos sociais de modo que todas possam partilhar os seus conceitos especiais, 
artefactos culturais e modos de vida e não apenas receber as mensagens de 
outras cultural. 
 
Comprometemo-nos a: 
40. Desenvolver maior sinergia entre os meios de comunicação, as novas 
tecnologias de informação e a educação de adultos: 
a. contribuindo para reforçar a função educativa dos meios de 
comunicação; 
b. tornando os meios de comunicação mais receptivos à educação de 
adultos e incentivando maior participação no desenvolvimento e 
avaliação dos meios de comunicação; 
c. reconhecendo que os meios de comunicação têm um papel-chave no 
acesso às oportunidades de educação de adultos para grupos excluídos 
de tais oportunidades, através de campanhas promocionais que 
fomentem a participação; 
d. examinando o desenvolvimento e a disseminação das novas 
tecnologias numa perspectiva regional, local e cultural, levando em 
conta o desenvolvimento desigual das infra-estruturas e da 
disponibilidade de equipamentos; 
 
 32
 
e. assegurando o acesso equitativo e a sustentabilidade dos sistemas de 
aprendizagem abertos e à distância, dos meios de informação e novas 
tecnologias de informação e comunicação, e usando as novas 
tecnologias para explorar formas alternativas de aprendizagem; 
f. promovendo a educação sobre os meios de comunicação e o conteúdo 
dos mesmos que ajude os utilizadores a desenvolver atitudes críticas e 
de discernimento relativamente aos meios de comunicação; 
g. facultando formação aos educadores e trabalhadores culturais para 
estimular o desenvolvimento e aplicação de recursos apropriados para 
a educação de adultos; 
h. promovendo a distribuição de materiais didácticos a todos os níveis 
quer regionalmente quer em todo o mundo. 
41. Promover a utilização justa da propriedade intelectual: 
revendo aregulamentação de direitos de autor e de patente, a fim de 
promover a distribuição dos materiais didácticos preservando os 
direitos de autor. 
42. Reforçar das bibliotecas e instituições culturais: 
a. prosseguindo o financiamento de museus, bibliotecas, teatros, parques 
ecológicos e outras instituições culturais, e reconhecendo estas 
instituições culturais como centros e recursos de educação de adultos; 
 
Tema 7 
Educação de adultos, cultura, meios de comunicação e novas tecnologias de 
informação 
 
39. A educação de adultos oferece uma oportunidade essencial para os educandos 
adultos participarem em todas as instituições culturais, órgãos de comunicação 
e novas tecnologias, de modo a estabelecer uma efectiva comunicação 
interactiva e fomentar a compreensão e a cooperação entre povos e culturas. O 
respeito pelos indivíduos, pelas suas culturas e pelas suas comunidades é a base 
para o diálogo e para incutir confiança, bem como para uma educação e 
formação pertinente e duradoura. É necessário realizar esforços para garantir 
maior acesso e participação nos meios de comunicação de todas as culturas e 
grupos sociais de modo que todas possam partilhar os seus conceitos especiais, 
artefactos culturais e modos de vida e não apenas receber as mensagens de 
outras culturas. 
 33
 
Comprometemo-nos a: 
40. Desenvolver maior sinergia entre os meios de comunicação, as novas 
tecnologias de informação e a educação de adultos: 
a. contribuindo para reforçar a função educativa dos meios de 
comunicação; 
b. tornando os meios de comunicação mais receptivos à educação de 
adultos e incentivando maior participação no desenvolvimento e 
avaliação dos meios de comunicação; 
c. reconhecendo que os meios de comunicação têm um papel-chave no 
acesso às oportunidades de educação de adultos para grupos excluídos 
de tais oportunidades, através de campanhas promocionais que 
fomentem a participação; 
d. examinando o desenvolvimento e a disseminação das novas 
tecnologias numa perspectiva regional, local e cultural, levando em 
conta o desenvolvimento desigual das infra-estruturas e da 
disponibilidade de equipamentos; 
e. assegurando o acesso equitativo e a sustentabilidade dos sistemas de 
aprendizagem abertos e à distância, dos meios de informação e novas 
tecnologias de informação e comunicação, e usando as novas 
tecnologias para explorar formas alternativas de aprendizagem; 
f. promovendo a educação sobre os meios de comunicação e o conteúdo 
dos mesmos que ajude os utilizadores a desenvolver atitudes críticas e 
de discernimento relativamente aos meios de comunicação; 
g. facultando formação aos educadores e trabalhadores culturais para 
estimular o desenvolvimento e aplicação de recursos apropriados para 
a educação de adultos; 
h. promovendo a distribuição de materiais didácticos a todos os níveis 
quer regionalmente quer em todo o mundo. 
41. Promover a utilização justa da propriedade intelectual: 
revendo a regulamentação de direitos de autor e de patente, a fim de 
promover a distribuição dos materiais didácticos preservando os direitos 
de autor. 
 
 
 
 34
 
42. Reforçar das bibliotecas e instituições culturais: 
a. prosseguindo o financiamento de museus, bibliotecas, teatros, parques 
ecológicos e outras instituições culturais, e reconhecendo estas 
instituições culturais como centros e recursos de educação de adultos; 
b. promovendo a conservação e a utilização do património cultural como 
recurso de aprendizagem ao longo da vida e apoiando o desenvolvimento 
de métodos e técnicas para o reforço da educação sobre o património e a 
cultura. 
 
Tema 8 
Educação de adultos para todos: os direitos e aspirações dos diferentes grupos 
 
43. O direito à educação é um direito universal de todos os povos. Embora haja 
consenso de que a educação de adultos deve ser acessível a todos, a realidade é 
que muitos grupos continuam excluídos, como os idosos, as populações 
migrantes, os ciganos e outros povos sem território e/ou nómadas, refugiados, 
deficientes e populações prisionais. Estes grupos devem ter acesso a programas 
educativos que os integrem numa pedagogia centrada no indivíduo capaz de 
satisfazer as suas necessidades e facilitar a sua participação plena na 
sociedade. Todos os membros da comunidade devem ser convidados e, quando 
necessário, apoiados a participar na educação de adultos, o que implica dar 
resposta a um conjunto de necessidades intelectuais. 
 
Consequentemente, comprometemo-nos a: 
44. Criar um ambiente educativo que propicie todas as formas de aprendizagem 
para as pessoas mais velhas: 
a. garantindo o acesso das pessoas mais velhas a todos os serviços e 
disposições que apoiam a educação e formação de adultos, facilitando 
desse modo a sua participação activa na sociedade; 
b. usando o Ano Internacional das Pessoas Idosas, em 1999, para planear 
actividades que ilustrem de que forma a educação de adultos pode 
reforçar o papel das pessoas mais velhas na edificação das nossas 
sociedades. 
 
 
 35
 
45. Garantir o direito dos migrantes, populações deslocadas, refugiados e pessoas 
com deficiências a participarem na educação de adultos: 
a. Facultando aos migrantes e refugiados oportunidades de educação e 
formação completa que promovam a sua participação política, social e 
económica, e melhorem a sua competência e base cultural; 
b. desenvolvendo e aplicando programas para a população acolhida 
destinados a promover a compreensão, especialmente entre políticos, 
especialistas dos meios de comunicação, agentes policiais, educadores 
e assistentes sociais, relativa aos direitos e condições dos migrantes e 
refugiados; 
c. garantindo que os ciganos e outros grupos nómadas, levando em conta 
o seu modo de vida e idiomas, tem possibilidade de retomar os seus 
estudos e prosseguir a sua formação nas instituições existentes; 
d. assegurando pleno acesso dos adultos com deficiências aos programas 
e oportunidades de educação de adultos, solicitando a UNESCO e a 
outras organizações das Nações Unidas que facultem interpretação de 
linguagem gestual e plena acessibilidade a todas as suas reuniões e 
conferências, e solicitando à UNESCO, como organismo principal, que 
convoque uma conferência sobre aprendizagem ao longo da vida para 
1999, nas vésperas do novo milénio. 
46. Criar oportunidades permanentes para as pessoas com deficiências e promover 
a sua integração: 
a. tornando acessíveis às pessoas com deficiências todas as formas de 
educação e garantindo que a educação e formação facultadas 
respondem às suas necessidades e objectivos educativos; 
b. fomentando políticas institucionais que garantam acesso equitativo, 
serviços e oportunidades profissionais e de emprego para os 
deficientes, no âmbito das quais a tecnologia de aprendizagem 
satisfaça as suas necessidades especiais de educação. 
47. Reconhecer o direito de todas as pessoas encarceradas a aprender: 
a. facultando aos detidos informação sobre o acesso aos diferentes níveis 
de educação e formação; 
b. desenvolvendo e aplicando programas educativos completos nas 
prisões, com a participação dos presos, a fim de satisfazer as suas 
necessidades e aspirações de aprendizagem; 
 
 36
 
c. facilitando o trabalho nas prisões às organizações não governamentais, 
professores e outros organizadores de actividades educativas, 
facultando desse modo o acesso dos presos a instituições educativas e 
incentivando iniciativas que relacionem os cursos frequentados dentro 
e fora das prisões. 
 
Tema 9 
Aspectos económicos da educação de adultos 
 
48. Algumas das questões cruciais dos aspectos económicos da educação de adultos 
são uma história de financiamento inadequado, o crescente reconhecimento 
das vantagens a longo prazo do investimento na educaçãode adultos, a 
diversificação dos padrões financeiros e do número de fontes de financiamento, 
o papel das organizações multilaterais o impacto dos programas de 
ajustamento estrutural e a comercialização da prestação de serviços de 
educação de adultos. Os custos da educação de adultos devem ser encarados 
em concomitância com os benefícios que derivam do reforço da competência 
dos adultos. Os métodos usados na análise de custo-benefício e de custo-
eficácia devem reflectir os múltiplos impactos da educação de adultos na 
sociedade. A educação de adultos contribui para a auto-confiança e autonomia 
pessoal para que os adultos exerçam os seus direitos básicos e para aumentar a 
produtividade e eficácia no trabalho. Também se traduz positivamente em níveis 
mais elevados de educação e bem-estar das futuras gerações. Sendo um 
desenvolvimento humano e um investimento produtivo, a educação de adultos 
deve ser protegida dos constrangimentos do ajustamento estrutural. 
 
Comprometemo-nos a: 
49. Melhorar o financiamento da educação de adultos: 
a. contribuindo para o financiamento da educação de adultos através de 
instituições financeiras bilaterais e multilaterais num quadro de 
parcerias entre os vários ministérios e outras organizações 
governamentais, não governamentais, o sector privado, a comunidade 
e os educandos; 
 
 
 
 37
 
b. procurando investir, como proposto pela Comissão Internacional sobre 
a Educação para o Século XXI, pelo menos 6% do Produto Interno 
Bruto (PIB) dos Estados-Membros na educação e atribuindo uma 
parcela equitativa do orçamento da educação a educação de adultos; 
c. propondo que cada sector de desenvolvimento (agricultura, saúde, 
ambiente, por exemplo) atribua uma parcela do seu orçamento à 
educação de adultos, que cada programa de desenvolvimento na 
agricultura, na saúde e no ambiente inclua uma componente de 
educação de adultos, e que a formação em todas as empresas seja 
considerada um investimento na produtividade; 
d. investindo uma parcela equitativa de recursos na educação das 
mulheres, a fim de assegurar a sua plena participação em todos os 
domínios da aprendizagem e do conhecimento; 
e. promovendo a ratificação e aplicação da Convenção 140 (1974) da 
Organização Internacional do Trabalho relativa a licença paga para 
formação; 
f. estimulando os parceiros sociais a empenharem-se na educação de 
adultos nas empresas, financiada, por exemplo, pela atribuição de uma 
parcela do seu orçamento total para esse fim; 
g. apoiando a educação de adultos através de uma variedade de 
iniciativas comunitárias criativas que assentem nas virtudes e 
capacidades de todos os membros da sociedade; 
h. estudando a conversão, com base nas propostas de reformulação do 
endividamento, das dívidas actuais dos países menos desenvolvidos e 
em desenvolvimento em investimento no desenvolvimento humano; 
i. estudando a proposta para um ‘Direito a Educação Permanente’ como 
é sugerido em A Educação um Tesouro a Descobrir. 
 
Tema 10 
Fomentar a cooperação e a solidariedade internacionais 
 
50. A cooperação e a solidariedade internacionais devem reforçar um novo 
conceito da educação de adultos que seja, simultaneamente, holístico, para 
abarcar todos os aspectos da vida, e transectorial, para incluir todas as áreas 
de actividade cultural social e económica. 
 
 38
 
A Declaração Universal dos Direitos Humanos deve ser a principal fonte de 
orientação na promoção da cooperação e solidariedade internacionais e da 
cultura de paz. A base desta cooperação é o diálogo, a partilha, a consulta e o 
desejo de aprender com a experiência dos outros, e deve envolver o respeito 
pela diversidade. 
 
Comprometemo-nos a: 
51. Fazer da educação de adultos um instrumento para desenvolver e mobilizar 
recursos para esse fim: 
a. avaliando todos os projectos de cooperação em termos quer da sua 
contribuição para a educação de adultos e para o desenvolvimento 
humano, quer da prioridade que conferem ao fortalecimento das 
competências locais; 
b. aumentando os recursos directamente disponíveis para a educação de 
adultos no seio do sector educativo dos países em desenvolvimento. 
52. Reforçar a cooperação nacional, regional e global, as organizações e as redes 
no domínio da educação de adultos: 
a. promovendo e reforçando a cooperação entre ministérios e entre 
sectores; 
b. apoiando as redes nacionais, regionais e globais de educação de 
adultos existentes através da partilha de informação, competências e 
capacidades, e através da promoção do diálogo a todos os níveis; 
c. incentivando os organismos financiadores a contribuírem 
financeiramente para as redes locais, regionais e globais de 
cooperação entre educadores de adultos; 
d. acompanhando e tomando medidas para evitar os impactos negativos 
dos programas de reajustamento estrutural e de outras políticas (fiscal, 
comercial, laboral, sanitária e industrial) na atribuição de recursos ao 
sector educativo, com especial ênfase na educação de adultos; 
e. preparando relatórios nacionais e regionais e divulgando-os entre o 
público e os organismos privados envolvidos na educação de adultos; 
 
 
 
 
 39
 
f. envolvendo as instituições financeiras multilaterais no debate sobre 
educação de adultos, e mais particularmente nas políticas educativas 
em relação ao impacto negativo dos programas de ajustamento 
estrutural na educação. 
53. Criar um ambiente propício à cooperação internacional: 
a. oferecendo maiores oportunidades para os trabalhadores e formandos 
locais se encontrarem em grupos constituídos numa base Sul-Sul e 
Norte -Sul, e reforçando as redes de formação entre regiões de modo 
a servirem de mecanismos para a melhoria da educação de adultos; 
b. reforçando as redes internacionais que representam diferentes actores 
e parceiros sociais encarregados de efectuar a avaliação e 
acompanhamento das principais políticas educativas; 
c. apoiando a criação de um mecanismo, através do qual os direitos 
individuais e colectivos relacionados com a educação de adultos 
sejam promovidos e protegidos. 
 
Acompanhamento 
Estratégia 
 
54. Agenda para o Futuro saído da V Conferência Internacional sobre Educação de 
Adultos deve respeitar as recomendações aprovadas pelas principais 
conferências das Nações Unidas, em particular no que se refere às disparidades 
entre homens e mulheres. 
55. Dada a natureza altamente descentralizada da educação de adultos, a sua 
crescente diversidade, e o grande e crescente número de parceiros de muitos 
tipos envolvidos, as estratégias e mecanismos usados para dar seguimento à V 
Conferência Internacional sobre Educação de Adultos devem ser altamente 
flexíveis. Por razões simultaneamente económicas e de eficácia, devem também 
basear-se, na maior medida possível, nas instituições, estruturas e redes 
existentes. O objectivo deve ser o de tornar mais eficazes os mecanismos de 
acção, coordenação e acompanhamento existentes, e não de os duplicar. 
 
 
 
 
 40
 
56. É essencial que todos os parceiros participantes na Conferência desempenhem 
um papel activo nas suas áreas particulares de competência, trabalhando através 
dos seus canais normais para garantir o desenvolvimento do potencial para 
educação de adultos, bem como a concepção e aplicação de programas, de 
modo a contribuírem para a promoção da democracia, da justiça, da paz e da 
compreensão mútua. A Conferência tomou nota da iniciativa dinamarquesa de 
criar uma Academia Internacional para a Democracia e Educação em 
cooperação com a UNESCO e os parceiros nacionais interessados. 
57. Ao nível internacional, a UNESCO deve desempenhar um papel destacado e 
activo, seja no seio dos seus campos de acção relevantes, seja com outras 
organizações, redes e entidades, incluindoorganizações de mulheres e outros 
actores relevantes, para fazer avançar a educação de adultos. No seio da 
UNESCO, o Instituto para a Educação da UNESCO (IEU), em Hamburgo, deve 
ser reforçado no sentido de se tornar um centro de referência internacional para 
a educação permanente e de adultos. A UNESCO deve igualmente tomar 
medidas apropriadas para actualizar a Recomendação sobre Desenvolvimento 
da Educação de Adultos, de 1976. As outras organizações internacionais e 
regionais intergovernamentais e não governamentais devem promover liderança 
similar nas suas respectivas esferas de competência. 
58. Já existem estruturas e redes quer ao nível internacional quer regional, para a 
promoção da educação de adultos. Em certos casos, no entanto, particularmente 
nas regiões em desenvolvimento, seria importante reforçar estas estruturas e 
redes existentes, incluindo os programas regionais da UNESCO para a educação 
básica, e facultando recursos adicionais, de modo a permitir-lhes desempenhar 
mais eficazmente e a uma escala mais ampla os seus papéis. 
 
Promover consulta mais estreita entre parceiros 
 
59. A Conferência considera que, embora seja de evitar a criação de novas 
estruturas permanentes dispendiosas, seria útil estabelecer um meio ou 
mecanismo de comunicação e consulta regular entre os principais participantes 
na V Conferência Internacional e outras organizações activamente empenhadas 
na promoção da educação de adultos. O objectivo desse mecanismo seria 
desenvolver consulta e cooperação mais estreita entre parceiros-chave e servir 
de fórum para o debate periódico dos progressos e problemas na educação de 
adultos, bem como meio para acompanhar a aplicação da política e das 
recomendações avançadas nesta Agenda para o Futuro. 
 41
 
60. Deve existir um fórum e um mecanismo para assegurar a aplicação das 
recomendações e resultados desta Conferência. A UNESCO, como principal 
organismo das Nações Unidas para a educação, com as suas unidades, institutos 
e gabinetes no terreno, deve assumir o papel principal na tomada de iniciativa e 
responsabilidade pela promoção da educação de adultos como parte integrante 
de um sistema de aprendizagem ao longo da vida, pela mobilização do apoio de 
todos os participantes, não apenas no seio das Nações Unidas e sistemas 
multilaterais, mas também nas organizações não governamentais e outras 
organizações da sociedade civil, por conferir prioridade a aplicação da Agenda 
para o Futuro e por facilitar a prestação dos serviços necessários ao reforço da 
coordenação e da cooperação internacional. 
61. Finalmente, a Conferência solicita à UNESCO que assegure a ampla divulgação 
da Declaração de Hamburgo sobre Educação de Adultos e da Agenda para o 
Futuro em tantas línguas quanto possível. A UNESCO deve explorar a 
possibilidade de um exame interinstitucional do Plano antes da próxima 
conferência internacional sobre educação de adultos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 42
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Endereço da página do CONFINTEA na Internet: 
http://www.vsy.fi/eaea/eng/confinl.html#top 
UNESCO - Instituto para a Educação 
Feldbrunnenstrasse, 58 
D - 20148 Hamburgo 
Tel.: +49 40448041-0 
Fax: +49 404107723 
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