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CONFINTEA V Conferência Internacional sobre Educação de Adultos Hamburgo 1997 Declaração Final e Agenda para o Futuro Ministério da Educação Secretaria de Estado da Educação e Inovação Ministério do Trabalho e da Solidariedade Secretaria de Estado do Emprego e Formação Grupo de Missão para o Desenvolvimento da Educação e Formação de Adultos 1 Título V Conferência Internacional sobre Educação de Adultos UNESCO - Hamburgo 1997 Autor Instituto de Educação da Unesco Tradutor Instituto Nacional de Administração – INA Editor Ministério da Educação Secretaria de Estado da Educação e Inovação Av. 5 de Outubro, 107-9.° 1500 Lisboa Tiragem 1500 exemplares Concepção Gráfica Cecília Guimarães ISBN 972-729-039-G Data Dezembro de 1998 Depósito Legal 131259/99 Execução Gráfica Editorial do Ministério da Educação 2 Índice Preâmbulo Pág. 4 1. Declaração de Hamburgo sobre Educação e Formação de Adultos Pág. 8 2. Agenda para o Futuro Pág. 15 3 Preâmbulo Para a Criação de uma Sociedade Educativa A V Conferência Internacional sobre Educação de Adultos, que teve lugar em Hamburgo, em Julho de 1997, surge na sequência das conferências mundiais de Elsinore (1949), Montréal (1960), Tóquio (1972) e Paris (1985). Alargando o âmbito das anteriores conferências, mais centradas na "educação de adultos como subsistema educativo", a Conferência de Hamburgo intitulou-se "Aprender em Idade Adulta: uma Chave para o Séc. XXI" e pretendeu atingir os seguintes objectivos: • sublinhar a importância da vida educativa em idade adulta; • incentivar os compromissos, à escala planetária, a favor do direito dos adultos a aprendizagem ao longo da vida; • trocar experiências sobre experiências actuais e aperfeiçoamentos necessários; • recomendar políticas e prioridades para o futuro e adoptar uma "Declaração sobre a Educação de Adultos" e um "Plano de Acção para o Futuro"; • promover a cooperação internacional. Este alargamento não fez mais, aliás, do que revelar a evolução da própria Educação de Adultos ao longo das últimas décadas: ao mesmo tempo que perdeu uma definição relativamente clara como subsistema educativo ou como sector de especialização profissional, foi ganhando espaço e influência nas mais variadas dimensões da vida social. Os 10 temas que estruturaram os debates e as conclusões da Conferência de Hamburgo evidenciam o estreito relacionamento entre a Educação de Adultos e problemáticas fundamentais para o funcionamento e a evolução das sociedades modernas: a consolidação e o aprofundamento da democracia, a igualdade de oportunidades e a afirmação do papel social das mulheres, as mutações no trabalho e no emprego, o ambiente, a saúde, a cultura, a comunicação, a informação, as novas tecnologias, a multi-etnicidade e o multiculturalismo, a economia, etc. 4 Portugal, para posicionar-se desde já na via de uma "sociedade de conhecimento" - condição essencial para integrar no próximo século a comunidade dos países mais avançados - não pode continuar a descurar, como o fez até agora - todo este vasto e decisivo eixo de intervenção social e política. Terá sido, por certo, uma nova vontade política de colocar a Educação de Adultos no lugar que lhe é devido dentro da "agenda" do presente Executivo que, por um lado, levou até Hamburgo um alto representante do Ministério da Educação e que, por outro, conduziu - mês e meio mais tarde - a criação de um Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento da Educação de Adultos. O Documento Estratégico, elaborado por este Grupo e, entretanto aprovado pelo Ministério da Educação e também adoptado, nas suas linhas gerais, pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade, esta na base da constituição (por Resolução do Conselho de Ministros n.° 92/98, de 14 de Julho) do Grupo de Missão para o Desenvolvimento da Educação e Formação de Adultos, funcionando sob tutela dos dois ministérios referidos e incumbido, entre outras atribuições, de criar a Agenda Nacional de Educação e Formação de Adultos. É de realçar que as grandes linhas de trabalho que se propõe o Grupo de Missão se integram plenamente no conceito e nas práticas de Educação de Adultos, tal como foram consignados na Conferência de Hamburgo, o que poderá colocar o nosso País - pela primeira vez na sua história - entre a vanguarda dos países inovadores neste domínio. Podem citar-se, entre muitas outras, as seguintes coincidências entre recomendações da Conferência da UNESCO e objectivos prosseguidos pelo Grupo de Missão: • promover a cidadania activa, melhorando a democracia participativa a fim de criar comunidades educativas (12 a); • tomar medidas para eliminar a discriminação na educação a todos os níveis (13 b); • reconhecer o papel das organizações não-governamentais na tomada de consciência e no poder interventivo dos cidadãos, e reconhecer e financiar adequadamente o crescente papel destas organizações e dos grupos locais na criação de oportunidades educativas (14 a) b); • reconhecer o direito à aprendizagem para toda a população adulta e adoptar uma concepção alargada da educação de adultos (17 a); • criar serviços de informação pública e aconselhamento e desenvolver métodos para validar a experiência e aprendizagem anterior (17 c); 5 • adoptar legislação, políticas e mecanismos de cooperação com todos os parceiros para facilitar o acesso e a participação dos adultos na educação formal e na educação no local de trabalho e na comunidade (18 a); • facultar educação permanente e sistemática aos educadores de adultos (19 f); • desenvolver, no campo da educação permanente, métodos de ensino e de aprendizagem inovadores, incluindo tecnologias interactivas e métodos indutivos que envolvam uma estreita coordenação entre experiência de trabalho e formação (20 b); • integrar a alfabetização e outras formas de educação e de capacidades básicas em todos os projectos de desenvolvimento apropriado e incentivar as organizações locais e os movimentos sociais a promoverem as suas próprias iniciativas de educação e desenvolvimento (25 e); • fazer com que a educação de adultos relacionada com o trabalho possa conferir competências e capacidades específicas para a entrada no mercado de trabalho e para a mobilidade profissional (31 b); • garantir que os conhecimentos e capacidades informalmente adquiridos são plenamente reconhecidos (31 d) • acentuar o poderoso papel da educação profissional de adultos no processo de aprendizagem ao longo da vida (31 e); • aproveitar as actividades de educação de adultos a fim de aumentar a capacidade dos cidadãos para tomarem iniciativas inovadoras e desenvolverem programas baseados num desenvolvimento ecológico e socialmente sustentável (35 a); • assegurar o acesso equitativo e a sustentabilidade dos sistemas de aprendizagem abertos e a distância e usar as novas tecnologias para explorar formas alternativas de aprendizagem (40 e). E muitos mais pontos de convergência se poderiam aqui referir. Estes bastam, no entanto, para revelar a perfeita sintonia entre as perspectivas de actuação do Grupo de Missão e, por conseguinte, dos Ministérios da Educação e do Trabalho e da Solidariedade, e o conjunto de preocupações e recomendações formuladas pela UNESCO em Julho de 1997 e ratificadas pelos 1500 participantes, incluindo os representantes políticos de 135 Estados-Membros. 6 E serve igualmente esta listagem de grandesobjectivos da Educação/Formação de Adultos para demonstrar à evidência que não se trata de um mero plano de trabalho de um qualquer Grupo de Missão, nem da agenda exclusiva de um ou mais ministérios, mas sim de um verdadeiro "projecto de sociedade", que exigirá a adesão, consciente e activa, de todos os sectores da sociedade portuguesa. Lisboa, 28 de Julho de 1998 Alberto Melo Coordenador do Grupo de Missão para o Desenvolvimento da Educação e Formação de Adultos. 7 Declaração de Hamburgo sobre Educação de Adultos 1. Nós, os participantes na V Conferência Internacional sobre Educação de Adultos, reunidos na cidade livre e hanseática de Hamburgo, reafirmamos que só um desenvolvimento centrado no ser humano e uma sociedade de participação baseada no pleno respeito dos direitos humanos pode conduzir a um desenvolvimento sustentável e equitativo. Para que a humanidade possa sobreviver e fazer face aos desafios do futuro e imprescindível a participação consciente e efectiva de mulheres e homens em todas as esferas da vida. 2. A educação de adultos torna-se, então, mais que um direito, é uma chave para o século XXI. É, simultaneamente, uma consequência de uma cidadania activa e uma condição para a participação plena na sociedade. É um conceito poderoso para fomentar o desenvolvimento ecologicamente sustentável, para promover a democracia, a justiça, a igualdade entre mulheres e homens e o desenvolvimento científico, social e económico, bem como para construir um mundo em que os conflitos violentos sejam substituídos pelo diálogo e por uma cultura de paz baseada na justiça. A educação de adultos pode configurar a identidade e dar significado à vida. Aprender ao longo da vida significa repensar os conteúdos, de modo a reflectirem factores como a idade, a igualdade entre homens e mulheres, as incapacidades, a língua, a cultura e as disparidades económicas. 3. Por educação de adultos entende-se o conjunto de processos de aprendizagem, formal ou não, graças ao qual as pessoas consideradas adultos pela sociedade a que pertencem desenvolvem as suas capacidades, enriquecem os seus conhecimentos, e melhoram as suas qualificações técnicas ou profissionais ou as reorientam de modo a satisfazerem as suas próprias necessidades e as da sociedade. A educação de adultos compreende a educação formal e a educação permanente, a educação não formal e toda a gama de oportunidades de educação informal e ocasional existentes numa sociedade educativa multicultural, em que são reconhecidas as abordagens teóricas e baseadas na prática. 4. Embora os conteúdos da aprendizagem de adultos e da educação de crianças e adolescentes possam variar consoante o contexto económico, social, ambiental e cultural e, segundo as necessidades das pessoas que compõem a sociedade em que se inserem, são elementos indispensáveis a uma nova visão da educação segundo a qual a aprendizagem tem, efectivamente, lugar ao longo de toda a vida. 8 A perspectiva de aprendizagem ao longo da vida exige essa complementaridade e continuidade. A contribuição potencial da educação de adultos e da educação contínua para a criação de uma cidadania informada e tolerante, o desenvolvimento económico e social, a promoção da alfabetização, a mitigação da pobreza e a preservação do meio ambiente é enorme e, por conseguinte, deve ser aproveitada. 5. Os objectivos da educação dos jovens e dos adultos, considerada como um processo que decorre durante toda a vida, consistem em desenvolver a autonomia e o sentido de responsabilidade das pessoas e das comunidades, em reforçar a capacidade de fazer face às transformações da economia, da cultura e da sociedade no seu conjunto, em promover a coexistência, a tolerância e a participação consciente e criativa dos cidadãos na sua comunidade, em suma, permitir que as pessoas e as comunidades assumam o controlo do seu destino e da sociedade para enfrentarem os desafios do futuro. É essencial que as abordagens da educação de adultos assentem no património, na cultura, nos valores e nas experiências anteriores das pessoas e que as diferentes maneiras de pôr em prática estas abordagens facilitem e estimulem a activa participação e expressão de todo o cidadão. 6. Esta Conferência reconhece a diversidade dos sistemas políticos económicos e sociais e das estruturas governamentais entre os Estados-Membros. Em conformidade com esta diversidade, e para assegurar o pleno respeito dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, a Conferência reconhece que as circunstâncias particulares de cada Estado-Membro determinarão as medidas que os governos possam adoptar para aprofundar o espírito dos nossos objectivos. 7. Os representantes dos governos e organizações participantes na V Conferência Internacional sobre Educação de Adultos decidiram explorar o potencial e o futuro da aprendizagem de adultos, concebida em termos gerais e dinâmicos no quadro de uma aprendizagem ao longo de toda a vida. 8. Durante a década actual, a educação de adultos sofreu profundas transformações e desenvolveu-se muito no seu alcance e na sua amplitude. Nas sociedades baseadas no conhecimento que estão a emergir em todo o mundo, a educação de adultos e a educação permanente tornaram-se um imperativo tanto na comunidade como no local de trabalho. As novas exigências da sociedade e do trabalho suscitam expectativas que impõem a cada indivíduo a necessidade de continuar a renovar os seus conhecimentos e capacidades ao longo de toda a vida. 9 No âmago desta transformação está a nova função do Estado e o aparecimento na sociedade civil de relações de colaboração mais amplas consagradas à educação de adultos. O Estado continua a ser o veículo essencial para garantir o direito à educação a todos em particular dos grupos mais vulneráveis da sociedade, tais como as minorias e os povos autóctones, e para facultar um quadro político global. Dentro das novas formas de colaboração entre os sectores público, privado e comunitário, o papel do Estado está a mudar. Não se limita a prestar serviços de educação de adultos, mas também aconselha, financia, controla e avalia. Os governos e os parceiros sociais deverão adoptar as medidas necessárias para facilitar às pessoas a expressão das suas necessidades e aspirações em matéria de educação, e para que tenham acesso a oportunidades educativas ao longo de toda a sua vida. No seio dos governos, a educação de adultos não está limitada aos ministérios da educação; todos os ministérios estão empenhados na promoção da educação de adultos, e a cooperação interministerial é essencial. Além disso, trata-se de uma tarefa que envolve empregadores, sindicatos, organizações não governamentais e comunitárias, bem como agrupamentos de minorias étnicas e de mulheres, que tem a responsabilidade de interagir e de criar oportunidades de educação permanente, procurando o respectivo reconhecimento e certificação. 9. A educação básica para todos pressupõe que as pessoas, seja qual for a sua idade, tenham oportunidade, individual e colectivamente, de realizar o seu potencial. Não é apenas um direito, mas também um dever e uma responsabilidade para com os outros e para com a sociedade no seu conjunto. É indispensável que o reconhecimento do direito à educação ao longo de toda a vida seja acompanhado por medidas destinadas a criar as condições necessárias ao exercício deste direito. Os desafios do século XXI não podem ser apenas enfrentados pelos governos, organizações ou instituições; são igualmente necessários a energia, a imaginação e o talento das pessoas e a sua participação plena, livre e dinâmica em todos os aspectos da vida. A educação dos jovense dos adultos é um dos principais meios para aumentar de maneira significativa a criatividade e a produtividade no seu sentido mais lato, as quais, por seu turno, são indispensáveis para resolver os problemas complexos e interrelacionados de um mundo assediado pela aceleração das transformações e pela complexidade e riscos crescentes. 10 10. O novo conceito de educação de jovens e adultos põe em causa as práticas existentes, já que exige uma interligação eficaz no seio dos sistemas formal e não formal, bem como inovação e mais criatividade e flexibilidade. Tais desafios devem ser encarados através de novas abordagens à educação de adultos, no âmbito do conceito de aprendizagem ao longo de toda a vida. A promoção da aprendizagem, usando os meios de comunicação e a publicidade local e, facultando orientação imparcial, constituem responsabilidades dos governos e parceiros sociais. O objectivo último deverá ser a criação de uma sociedade educativa empenhada na justiça social e no bem-estar geral. 11. Alfabetização de adultos. A alfabetização, concebida em termos gerais como os conhecimentos e capacidades básicas que todos precisam num mundo em rápida transformação, é um direito humano fundamental. Em todas as sociedades, a alfabetização é uma competência necessária por si mesma e como fundamento para os demais conhecimentos que a vida requer. Há milhões de pessoas, na sua maioria mulheres, que não têm oportunidade de aprender ou que carecem das capacidades suficientes para tomarem consciência deste direito. É preciso prepará-las para que o façam, o que frequentemente implica a criação de condições prévias para a aprendizagem, através da consciencialização e autonomia. A alfabetização é, por outro lado, um catalisador da participação nas actividades sociais, culturais e económicas, bem como da aprendizagem ao longo de toda a vida. Consequentemente, comprometemo-nos a garantir a todas as pessoas a possibilidade de adquirirem e manterem as capacidades literárias, e de criarem em todos os Estados-Membros um ambiente alfabetizado que apoie a cultura oral. A preocupação mais urgente é facultar oportunidades de aprendizagem a todos, em especial os marginalizados e excluídos. A Conferência saúda com satisfação a iniciativa de celebrar uma década pela alfabetização em honra de Paulo Freire, a partir de 1998. 12. O Reconhecimento do direito à educação e do direito a aprender ao longo de toda a vida é mais do nunca uma necessidade; é o direito a ler e escrever, a indagar e analisar, a ter acesso aos recursos, e a desenvolver e praticar capacidades e competências individuais e colectivas. 13. Integração e autonomia da mulher. As mulheres têm direito à igualdade de oportunidades; a sociedade, por seu turno, depende da sua contribuição plena em todos os domínios do trabalho e em todos os aspectos da vida. 11 As políticas de educação de jovens e adultos devem ser receptivas às culturas locais e dar prioridade à expansão das oportunidades educativas para todas as mulheres, respeitando, simultaneamente, a sua diversidade e eliminando os preconceitos e estereótipos que limitam o acesso à educação de jovens e adultos e restringem os benefícios que poderiam derivar da mesma. Toda a tentativa para limitar o direito das mulheres à alfabetização, educação e formação deve ser considerada inaceitável. Devem ser adoptadas medidas práticas e correctivas a esse respeito. 14. Cultura de paz e educação para a cidadania e a democracia. Um dos maiores desafios do nosso tempo consiste em eliminar a cultura da violência e edificar uma cultura de paz baseada na justiça e na tolerância em que o diálogo e a negociação substituam a violência nos lares e nas comunidades, no seio das nações e entre os países. 15. Diversidade e igualdade. A educação de adultos deve reflectir a riqueza da diversidade cultural e respeitar o saber tradicional e autóctone e os correspondentes sistemas de aprendizagem; o direito de aprender na língua materna deve ser respeitado e exercido. A educação de adultos defronta um desafio difícil na preservação e documentação da sabedoria oral dos grupos minoritários, povos autóctones e nómadas. Por seu turno, a educação intercultural deve fomentar a aprendizagem entre e sobre as diferentes culturas em nome da paz, dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, da democracia, da justiça, da liberdade, da coexistência e da diversidade. 16. Saúde. A saúde é um direito humano fundamental. Os investimentos na educação são investimentos na saúde. A aprendizagem ao longo da vida pode contribuir substancialmente para a promoção da saúde e a prevenção da doença. A educação de adultos oferece oportunidades significativas para facultar acesso apropriado, equitativo e sustentado ao conhecimento sanitário. 17. Meio ambiente sustentável. A educação para um meio ambiente sustentável deve ser um processo de aprendizagem para toda a vida capaz de reconhecer que os problemas ecológicos existem num contexto sócio-económico, político e cultural. Não pode ser conseguido um futuro sustentável sem abordar a relação entre os problemas ambientais e os actuais paradigmas de desenvolvimento. 12 A educação ambiental dos adultos pode desempenhar um papel importante na sensibilização e mobilização das comunidades e dos decisores para uma acção ambientalmente sustentável. 18. Educação e cultura autóctone. As minorias étnicas e os povos nómadas têm direito ao acesso a todos os níveis e formas de educação que o estado faculta. No entanto, não lhes pode ser negado o direito a desfrutarem da sua própria cultura, ou a usarem as suas próprias línguas. A educação para os povos indígenas e nómadas deve ser linguística e culturalmente adequada às suas necessidades e deve facilitar o acesso a níveis superiores de educação e formação. 19. Transformação da economia. A mundialização, as alterações nos padrões de produção, o aumento do desemprego e a dificuldade em assegurar o sustento exigem políticas laborais mais activas e maior investimento no desenvolvimento das capacidades necessárias para que homens e mulheres participem no mercado de trabalho e nas actividades geradoras de rendimento. 20. Acesso à informação. O desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunicação traz consigo novos riscos de exclusão social e ocupacional para grupos de indivíduos e, até para empresas, incapazes de se adaptarem a este contexto. Por isso, uma das funções da educação de adultos no futuro consiste em limitar esses riscos de exclusão de modo que a sociedade da informação não perca de vista a dimensão humana. 21. Envelhecimento da população. Há, actualmente, mais pessoas idosas no mundo em relação ao total da população do que nunca antes, e a proporção contínua a aumentar. Estes adultos idosos podem contribuir muito para o desenvolvimento da sociedade. Logo, é importante que tenham oportunidade de aprender em igualdade de condições e de maneira apropriada. As suas capacidades e competências devem ser reconhecidas, valorizadas e aproveitadas. 22. De acordo com a Declaração de Salamanca, a integração e o acesso de pessoas deficientes devem ser promovidos. As pessoas deficientes têm direito a oportunidades equitativas de aprendizagem que reconheçam e respondam às suas necessidades e objectivos educacionais, e em que as tecnologias de aprendizagem apropriadas respondam às suas necessidades especiais. 13 23. Devemos actuar com a maior diligência para aumentar e garantir os investimentos nacionais e internacionais na educação de jovens e adultos, bem como a aplicação dos recursos privados e comunitários nesse objectivo. O Plano de Acção para o Futuro, que aqui aprovámos, destina-se a alcançar este objectivo. 24. Apelamosà UNESCO, como principal organismo das Nações Unidas no campo da educação, para desempenhar o papel principal na promoção da educação de adultos como parte integrante de um sistema de aprendizagem e para mobilizar o apoio de todos os participantes, em especial dos que fazem parte do sistema das Nações Unidas, a fim de darem prioridade à aplicação do Plano de Acção para o Futuro e facilitarem a prestação dos serviços necessários para reforçar a coordenação e a cooperação internacional. 25. Apelamos à UNESCO no sentido de incentivar os Estados-Membros a adoptarem políticas e legislação favoráveis às pessoas deficientes e que lhes permitam integrar-se nos programas educativos, sendo sensíveis às diferenças culturais, linguísticas, económicas e às diferenças entre homens e mulheres. 26. Declaramos solenemente que todas as partes seguirão atentamente a aplicação desta Declaração e do Plano de Acção para o Futuro, distinguindo claramente as respectivas responsabilidades e complementando-se e cooperando entre si. Estamos decididos a pugnar por que a educação ao longo de toda a vida se torne uma realidade ainda mais significativa no início do século XXI. Para isso, comprometemo-nos a promover a cultura da aprendizagem através do movimento "uma hora por dia para estudar" e da realização de uma semana das Nações Unidas para a Educação de Adultos. 27. Nós, reunidos em Hamburgo, e convencidos da necessidade da educação de adultos, comprometemo-nos a que todos os homens e mulheres tenham oportunidade de aprender durante toda a vida. Para isso, constituiremos amplas alianças Para mobilizar e partilhar recursos a fim de tornar a educação de adultos uma alegria, um instrumento, um direito e uma responsabilidade partilhados. 14 Agenda para o Futuro 1. Este Plano de Acção para o Futuro expõe pormenorizadamente o novo compromisso de fomentar a educação de adultos assumido pela Declaração de Hamburgo sobre Educação de Adultos. 2. O Plano de Acção centra-se nas preocupações comuns que se colocam à humanidade na alvorada do século XXI e no papel essencial que a educação de adultos tem a desempenhar para permitir que homens e mulheres de todas as idades defrontem estes desafios imperiosos com saber, coragem e criatividade. 3. O desenvolvimento da educação de adultos exige a colaboração entre departamentos governamentais, intergovernamentais e organizações não- governamentais, empregadores e sindicatos, universidades e centros de investigação, meios de comunicação, associações civis e comunitárias, instrutores de educação de adultos e dos próprios educandos adultos. 4. Estão em curso profundas transformações tanto no plano global como local, que podem ser vistas na globalização dos sistemas económicos, no rápido desenvolvimento da ciência e da tecnologia, na estrutura etária e na mobilidade da população, e no aparecimento de uma sociedade baseada na informação e no conhecimento. O mundo experimenta também mudanças relevantes na distribuição do trabalho e no desemprego, numa crescente crise ecológica, bem como tensões entre grupos sociais com base na cultura, etnicidade, na função dos sexos, religião e rendimentos. Estas tendências reflectem-se na educação, onde os responsáveis por sistemas de educação complexos se esforçam por fazer face a novas oportunidades e exigências, frequentemente com recursos, cada vez menores, a sua disposição. 5. Ao longo da década actual, uma série de conferências concentrou a atenção do mundo em problemas internacionais decisivos. A começar pela Conferência Mundial sobre Educação para Todos: Satisfação das Necessidades Básicas de Aprendizagem (Jomtien, Tailândia, 1990), contam-se a Conferência das Nações Unidas para o Ambiente e Desenvolvimento (Rio de Janeiro, 1992), a Conferência Mundial sobre Direitos Humanos (Viena, 1993), a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (Cairo, 1994), a Cimeira Mundial para o Desenvolvimento Social (Copenhaga, 1995), a Quarta Conferência Mundial das Mulheres (Pequim, 1995), a Conferência das Nações Unidas sobre Estabelecimentos Humanos (Habitat II, Istambul, 1996) e, mais recentemente, a Cimeira Mundial da Alimentação (Roma, 1996). 15 Em todas estas conferências, os dirigentes mundiais manifestaram o desejo de que a educação facultasse a competência e criatividade dos cidadãos. A educação foi vista como um elemento vital numa estratégia para alimentar os processos de desenvolvimento sustentado. 6. Paralelamente, também ocorreram mudanças na educação. Desde a sua fundação, a UNESCO desempenhou um papel pioneiro na concepção da educação de adultos como parte essencial de qualquer sistema educativo e de desenvolvimento centrado no ser humano. Há numerosos organismos a actuar neste campo, muitos dos quais participaram na Conferência de Hamburgo. 7. A primeira Conferência Internacional sobre Educação de Adultos (Elsinore, Dinamarca, 1949) foi seguida pelas conferências de Montréal (1960), Tóquio (1972) e Paris (1985). Outros marcos importantes são o Relatório da Comissão Internacional sobre o Desenvolvimento da Educação (1972), presidido por Edgar Faure, Aprender a Ser: O Mundo da Educação Hoje e Amanhã, e a influente Recomendação da UNESCO sobre o Desenvolvimento da Educação de Adultos, 1976, que destacou o papel vital da educação de adultos ‘como fazendo parte da educação e aprendizagem durante toda a vida’. 8. Ao longo dos doze anos passados desde a Declaração de Paris, a humanidade foi afectada por profundas mudanças resultantes dos processos de mundialização e avanço tecnológico, juntamente com a introdução de uma nova ordem internacional, e tudo isso conduziu a transformações de grande alcance nos domínios político, cultural e económico. 9. Um quarto de século depois de Aprender a Ser, a Comissão Internacional sobre a Educação para o Século XXI, presidida por Jacques Delors, declarou que ‘o conceito de aprendizagem ao longo da vida é a chave que dá acesso ao século XXI. Esta noção extravasa as distinções tradicionais entre educação básica e permanente, e está ligada a outro conceito, o da sociedade da aprendizagem, na qual tudo oferece uma oportunidade de aprendizagem e de realização dos potenciais de cada um’. O relatório da Comissão, A Educação um Tesouro a Descobrir, acentuou a importância dos quatro pilares da educação: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser. Como a Declaração de Hamburgo assinala, a educação de adultos ganhou mais profundidade e amplitude, e tornou-se um imperativo no local de trabalho, no lar e na comunidade, a medida que homens e mulheres se esforçam por criar novas realidades em todas as etapas da vida. 16 A educação de adultos desempenha um papel essencial e específico no sentido de proporcionar a homens e mulheres os meios que lhes permitam responder de forma construtiva a um mundo em constante mudança e facultar um ensino que reconheça os direitos e responsabilidades dos adultos e da comunidade. 10. Em Hamburgo, o amplo e complexo espectro da educação de adultos foi examinado no âmbito de dez temas: • educação de adultos e democracia: os desafios do século XXI; • melhorar as condições e a qualidade da educação de adultos; • garantir o direito universal à alfabetização e educação básica; • educação de adultos, igualdade e equidade entre homens e mulheres, e a autonomia das mulheres; • educação de adultos e o mundo do trabalho em mudança; • educação de adultos na relação com o ambiente, a saúde e a população; • educação de adultos para todos: os direitos e aspirações dos diferentes grupos; • os aspectos económicos da educação de adultos; • aprofundamento da cooperação e solidariedade internacional. Tema 1 Educaçãode adultos e democracia: os desafios do século XXI 11. Os desafios do século XXI exigem a criatividade e competência dos cidadãos de todas as idades na diminuição da pobreza, na consolidação dos processos democráticos, no fortalecimento e protecção dos direitos humanos, na promoção de uma cultura da paz, no incentivo à cidadania activa, no fortalecimento do papel da sociedade civil, na garantia da igualdade e equidade entre homens e mulheres, na participação activa das mulheres, no reconhecimento da diversidade cultural (incluindo o uso da língua, bem como a promoção da justiça e igualdade para as minorias em geral) e numa nova parceria entre o Estado e a sociedade civil. Com efeito, para reforçar a democracia, é fundamental fortalecer os ambientes de aprendizagem, reforçar a participação dos cidadãos e criar contextos em que a produtividade das pessoas seja favorecida e em que uma cultura da equidade e da paz possa ganhar raízes. 17 Comprometemo-nos a: 12. Aumentar a participação da comunidade. a. promovendo a cidadania activa e melhorando a democracia participativa a fim de criar comunidades educativos; b. incentivando e desenvolvendo capacidades de liderança entre a população adulta e, em especial, entre as mulheres, que lhes permita participar nas instituições do Estado, no mercado e na sociedade civil. 13. Fomentar a tomada de consciência em relação aos preconceitos e a discriminação na sociedade: a. assegurando o direito legítimo dos povos à autodeterminação e a exercerem livremente o seu estilo de vida; b. tomando medidas para eliminar a discriminação na educação a todos os níveis quer seja por motivos de sexo, raça, língua, religião, nacionalidade ou origem étnica, deficiência ou qualquer outra forma de discriminação; c. desenvolvendo programas educativos que permitam aos homens e mulheres compreender os relacionamentos entre sexos bem como a sexualidade humana em todas as suas dimensões; d. reconhecendo e afirmando o direito à educação das mulheres, e das minorias em geral, garantindo representação equitativa nos processos de tomada de decisão e de preenchimento de lugares, e apoiando a publicação de materiais didácticos locais e específicos para as minorias em questão; e. reconhecendo que todas as minorias e os nómados em geral têm o direito de acesso a todos os níveis e formas de educação pública, bem como o direito de desfrutar das suas próprias culturas e de usarem a sua própria língua A educação deve ser linguística e culturalmente apropriada às suas necessidades e deve facilitar o acesso a níveis superiores de educação e formação, num ambiente de trabalho comum, e aprendendo a respeitar e a apreciar as diferenças de cada um, a fim de assegurar um futuro comum para todos os membros da sociedade. 18 14. Fomentar maior reconhecimento, participação e responsabilidade das organizações não governamentais e dos grupos comunitários locais: a. reconhecendo o papel desempenhado pelas organizações não governamentais na tomada de consciência e no poder interventivo dos cidadãos, de importância vital para a democracia, para a paz e para o desenvolvimento; b. reconhecendo e financiando adequadamente o crescente papel das organizações não governamentais e dos grupos comunitários locais na disponibilização de oportunidades educativas para adultos em todos os sectores, na cobertura dos mais necessitados e na contribuição para uma sociedade civil activa. 15. Promover uma cultura de paz, o diálogo intercultural e os direitos humanos: a. permitindo que os cidadãos abordem os conflitos de uma maneira empática, não violenta e criativa, sendo componentes importantes a educação para a paz disponibilizada a todos, o jornalismo de paz e a cultura de paz; b. reforçando as dimensões educativas das actividades relacionadas com os direitos humanos na educação formal e não formal de adultos aos níveis comunitário nacional, regional e global. Tema 2 Melhorar as condições e qualidade da educação de adultos 16. Embora exista uma crescente procura de educação para adultos e uma explosão de informação, é também crescente a disparidade entre os que têm e os que não têm acesso às mesmas. Há, portanto, necessidade de contrariar esta polaridade, que agrava as desigualdades existentes, criando estruturas de educação de adultos e ambientes de aprendizagem ao longo da vida que possam contribuir para corrigir a tendência actual. Como podem ser melhoradas as condições de aprendizagem dos adultos? Como podemos ultrapassar as suas insuficiências? Que tipos de medidas e de reformas devem ser levadas a cabo para se conseguir maior acessibilidade, relevância, qualidade, respeito pela diversidade e reconhecimento do ensino anterior? 19 Comprometemo-nos a: 17. Criar condições para a expressão da procura de aprendizagem do povo: a. adoptando legislação e outras medidas apropriadas que reconheçam o direito à educação para todos os adultos, propondo uma concepção alargada da educação de adultos e facilitando a coordenação entre organismos; b. facilitando a expressão da procura de educação por parte das pessoas, na sua cultura e língua; c. criando serviços de informação pública e aconselhamento e desenvolvendo métodos para validar a experiência e aprendizagem anterior; d. desenvolvendo estratégias para alargar os benefícios da educação de adultos às pessoas actualmente excluídas e para ajudar os adultos a fazerem opções com conhecimento de causa relativas às orientações educativas que melhor satisfaçam as suas aspirações; e. promovendo uma cultura de aprendizagem através do movimento ‘uma hora por dia para estudar’; f. acentuando a importância de celebrar o Dia Internacional da Mulher (8 de Março) e o Dia Internacional da Alfabetização (8 de Setembro), usando os Prémios Internacionais de Alfabetização para a promoção da educação de adultos, e preparando uma Semana das Nações Unidas para a Educação de Adultos. 18. Garantir o acesso e a qualidade: a. adoptando legislação, políticas e mecanismos de cooperação com todos os parceiros para facilitar o acesso e a participação dos adultos na educação formal e na educação no local de trabalho e na comunidade, e para apoiar e alargar os programas para as áreas rurais e isoladas; b. desenvolvendo uma política geral, levando em conta o ambiente decisivo do ambiente de aprendizagem; c. melhorando a qualidade e garantindo a relevância da educação de adultos através da participação dos educandos na elaboração dos programas; d. facilitando a cooperação entre iniciativas de educação de adultos relacionadas com diferentes instituições e sectores de actividade. 20 19. Abrir as escolas, as faculdades e as universidade aos estudantes adultos: a. solicitando às instituições de educação formal, desde o 1.° ciclo que se disponibilizem a abrir as suas portas aos estudantes adultos, tanto homens como mulheres, adaptando os seus programas e condições de aprendizagem de modo a satisfazer as suas necessidades; b. desenvolvendo mecanismos coerentes para reconhecer os resultados educativos alcançados em diferentes contextos, e garantindo o intercâmbio de experiências no seio e entre instituições, sectores e Estados; c. estabelecendo parcerias entre universidades e comunidades para a realização conjunta de acções de investigação e formação, e abrindo os serviços das universidades a grupos exteriores; d. efectuando investigação interdisciplinar em todos os aspectos da educação e aprendizagem de adultos com a participação dos próprios educandos adultos; e. criando oportunidades de educação de adultos de modo flexível, aberto e criativo, levando em conta as especificidades da vida das mulherese dos homens; f. facultando educação permanente e sistemática aos educadores de adultos; g. solicitando a Conferência Mundial sobre Educação Superior (Paris, 1998) que promova a transformação das instituições pós-secundárias em instituições de aprendizagem ao longo da vida, e concomitantemente, para definir o papel das universidades. 20. Melhorar as condições de formação profissional para os educadores e monitores de adultos: a. estabelecendo políticas e adoptando medidas para melhorar o recrutamento, a formação inicial e no emprego, as condições de trabalho e a remuneração do pessoal envolvido nos programas e actividades de educação de jovens e adultos, de modo a assegurar a respectiva qualidade e estabilidade, incluindo os conteúdos e metodologia de formação; 21 b. desenvolvendo, no campo da educação permanente, métodos de ensino e de aprendizagem inovadores, incluindo tecnologias interactivas e métodos indutivos que envolvam uma estreita coordenação entre experiência de trabalho e formação; c. promovendo serviços de informação e documentação, que garantam o acesso generalizado e reflictam a diversidade cultural. 21. Promover a relevância da educação inicial numa perspectiva de educação permanente: eliminando barreiras entre educação não formal e formal, e garantindo aos adultos jovens a oportunidade de prosseguirem a sua educação para além a da escolaridade obrigatória. 22. Promover a investigação e os estudos sistemáticos e orientados sobre formação de adultos: a. fomentando estudos nacionais e transnacionais sobre os alunos, professores, programas, métodos e instituições de educação de adultos, e apoiando a avaliação da forma como a educação de adultos é facultada e participada, especialmente em relação às necessidades de todos os grupos sociais; b. facultando regularmente a UNESCO e outros organismos multilaterais os indicadores relativos à educação de adultos e efectuando o acompanhamento de todo o tipo de educação de adultos e respectiva participação, e solicitando à UNESCO que preste apoio aos Estados- Membros nessas actividades; c. desenvolvendo uma capacidade melhorada de investigação e divulgação do conhecimento, incentivando as trocas de informação nacionais e internacionais, modelos inovadores e práticas eficazes. 23. Reconhecer o novo papel do Estado e dos parceiros sociais: a. fazendo com que todos os parceiros reconheçam a sua responsabilidade no estabelecimento de quadros regulamentares de apoio, na garantia de acessibilidade e equidade, na criação de mecanismos de acompanhamento e coordenação, e na prestação de apoio profissional a responsáveis políticos, investigadores e alunos através de recursos em rede; 22 b. criando o necessário apoio financeiro, administrativo e de gestão, reforçando os mecanismos de ligação intersectorial e interministerial, e garantindo a participação das organizações da sociedade civil a fim de complementar a iniciativa dos governos, facultando-lhes o financiamento adequado para apoiar as suas actividades; c. solicitando à UNESCO que prossiga a sua política de estabelecimento de parcerias entre todos os actores no campo da educação de adultos. Tema 3 Garantir o direito universal à alfabetização e à educação básica 24. Há, actualmente, perto de 1.000 milhões de pessoas que não aprenderam a ler nem a escrever, e há milhões de analfabetos funcionais, mesmo nos países mais prósperos. Em toda a parte do mundo, a alfabetização deve ser uma via para mais ampla participação na vida social, cultural, política e económica. A alfabetização deve ser relevante nos contextos sócio-económicos e culturais dos povos. A alfabetização permite que os indivíduos participem efectivamente nas respectivas sociedades e lhes dêem forma. É um processo em que as comunidades efectuam as suas próprias transformações culturais e sociais. Deve atender às necessidades tanto de homens como de mulheres, para lhes permitir compreender as interligações entre realidades pessoais, locais e globais. Comprometemo-nos a: 25. Vincular a alfabetização às aspirações de desenvolvimento social, cultural e económico os educandos: a. acentuando a importância da alfabetização para os direitos humanos, cidadania participativa, equidade social e política e identidade cultural; b. reduzindo a taxa de analfabetismo feminino até ao ano 2000, pelo menos, para metade dos níveis de 1990, com especial atenção para as populações rurais, migrantes, refugiadas e deslocadas, minorias étnicas, mulheres e mulheres com deficiências; c. incentivando o uso criativo da alfabetização; 23 d. substituindo o conceito estreito de alfabetização por uma educação que satisfaça as necessidades sociais, económicas e políticas e dê expressão a uma nova forma de cidadania; e. integrando a alfabetização e outras formas de educação e de capacidades básicas em todos os projectos de desenvolvimento apropriados, em especial naqueles que se relacionam com a saúde e o ambiente, e incentivando as organizações populares e os movimentos sociais a promoverem as suas próprias iniciativas de educação e desenvolvimento; f. iniciando, em 1998, a Década Paulo Freire de Alfabetização para Todos em África, a fim de criar sociedades alfabetizadas que saibam acolher as diferentes tradições culturais. Para isso, devem ser criados fundos especiais quer a partir de recursos públicos quer privados. 26. Melhorar a qualidade dos programas de alfabetização estabelecendo vínculos com o conhecimento e as culturas tradicionais e minoritárias. a. melhorando o processo de aprendizagem através de estratégias centradas no educando; sensibilidade a diversidade de línguas e culturas; envolvimento dos educandos no desenvolvimento de materiais didácticos; processo de aprendizagem intergeracional; utilização das línguas locais, do saber indígena e das tecnologias apropriadas; b. melhorando a qualidade e eficácia dos programas de alfabetização, através de relacionamentos mais fortes com outros domínios, tais como a saúde, a justiça, o desenvolvimento urbano e rural; investigação básica e aplicada; avaliação; utilização de tecnologias apropriadas para apoio tanto a professores como a alunos; recolha e divulgação das melhores práticas; comunicação efectiva dos resultados da investigação aos investigadores, educadores e responsáveis políticos pela alfabetização; e utilização dos centros especializados em alfabetização existentes ou recém-criados; c. melhorando a formação do pessoal de alfabetização mediante a prestação de maior atenção à realização pessoal, condições de trabalho e estatuto profissional dos docentes de alfabetização; apoio contínuo à realização pessoal; melhor consciencialização e comunicação entre os intervenientes na alfabetização; e dedicando atenção especial à qualificação das mulheres que, em muitos lugares, constituem a maioria dos educadores de alfabetização; 24 d. concebendo um programa internacional para o desenvolvimento de sistemas de acompanhamento e avaliação da alfabetização, bem como sistemas de retro-informação que promovam a contribuição e participação da comunidade na melhoria do programa aos níveis internacional, regional e nacional, e estabelecendo uma base mundial de informação para promover as políticas e a gestão e para melhorar a qualidade, a eficácia e a sustentabilidade desses esforços; e. promovendo a sensibilização e o apoio público à alfabetização, prestando mais atenção aos obstáculos que se colocam à alfabetização para todos e favorecendo uma melhor compreensão do modo como a alfabetização se integra na prática social; f. mobilizando recursos financeiros e humanos suficientes, através de um forte empenhofinanceiro a favor da alfabetização por parte de organizações intergovernamentais, organismos bilaterais e autoridades nacionais, regionais e locais, bem como, parcerias envolvendo instituições de educação formal e não formal, voluntários, organizações não governamentais e o sector privado; g. garantindo o recurso aos meios tradicionais e às modernas tecnologias para a alfabetização, tanto nos países industrializados, como nos países em desenvolvimento. 27. Enriquecer o ambiente de alfabetização: a. favorecendo a utilização e consolidação dos conhecimentos através da produção e divulgação de material impresso localmente relevante, levando em conta a diferença entre sexos e produzido pelos educandos; b. colaborando activamente com produtores e editores, de modo a adaptarem os textos e materiais existentes, tornando-os acessíveis e compreensíveis a novos leitores (imprensa, documentos legais, ficção, etc.); c. criando redes para o intercâmbio e distribuição de textos produzidos localmente que reflictam directamente os conhecimentos e as práticas das comunidades. 25 Tema 4 Educação de adultos, igualdade e equidade entre homens e mulheres e a autonomia da mulher 28. A igualdade de oportunidades em todos os aspectos da educação é essencial para permitir que as mulheres de todas as idades contribuam plenamente para a sociedade e para a resolução dos múltiplos problemas que a humanidade enfrenta. Quando as mulheres se encontram numa situação de isolamento social e falta de acesso aos conhecimentos e informação, afastam-se dos processos de decisão no seio da família, da comunidade e da sociedade em geral e têm pouco controlo sobre o seu corpo e a sua vida. Para as mulheres pobres, a mera necessidade de sobreviver torna-se um obstáculo para a educação. Os processos educativos devem, por isso, encarar os constrangimentos que impedem o acesso das mulheres aos recursos intelectuais, para além de as habilitarem a tornarem-se intervenientes plenamente activas na transformação social. A mensagem da igualdade e acesso equitativo não deve limitar-se aos programas destinados às mulheres. A educação deve permitir que as mulheres tomem consciência da necessidade de se organizarem como mulheres, a fim de alterarem a situação e desenvolverem as suas capacidades de modo a poderem conquistar acesso às estruturas de poder formal e aos processos de tomada de decisão tanto na esfera privada como na esfera pública. Comprometemo-nos a: 29. Promover a autonomia das mulheres e a igualdade entre homens e mulheres através da educação de adultos. a. reconhecendo e corrigindo a marginalização permanente e a negação de acesso e de oportunidades iguais para uma educação de qualidade que as raparigas e as mulheres continuam a defrontar a todos os níveis; b. garantindo que é proporcionada a todas as mulheres e homens a educação necessária para satisfazer as suas necessidades básicas e para exercerem os direitos humanos; c. fomentando a tomada de consciência de raparigas e rapazes, de mulheres e homens, relativa as desigualdades entre sexos e a necessidade de alterar estas relações de desigualdade; 26 d. eliminando as disparidades entre homens e mulheres no acesso a todas as áreas e níveis de educação; e. assegurando que as políticas e as práticas respeitam o princípio da representação equitativa de ambos os sexos, especialmente aos níveis de tomada de decisão e de gestão dos programas educativos; f. combatendo a violência doméstica e sexual, proporcionando educação apropriada aos homens e facultando informação e aconselhamento para aumentar a capacidade das mulheres para se protegerem desse tipo de violência; g. removendo as barreiras no acesso à educação formal e não formal no caso de adolescentes grávidas e jovens mães; h. promovendo uma pedagogia participativa, sensível às questões de disparidade de sexos, que reconheça a experiência diária da mulher bem como os resultados tanto cognitivos como afectivos; i. educando homens e mulheres para reconhecerem os impactos graves e adversos da mundialização e das políticas de ajustamento estrutural em todas as partes do mundo, especialmente sobre as mulheres; j. tomando medidas legislativas, financeiras e económicas adequadas e aplicando políticas sociais destinadas a garantir uma participação bem sucedida das mulheres na educação de adultos, através da remoção de obstáculos e promoção de ambientes de aprendizagem apoiada; k. educando mulheres e homens de modo a promover a partilha do trabalho e das responsabilidades; l. incentivando as mulheres a organizarem-se como mulheres para promoverem uma identidade colectiva e a criarem organizações de mulheres que fomentem a mudança; m. promovendo a participação das mulheres nos processos de tomada de decisão e nas estruturas formais. Tema 5 A educação de adultos e a mutação no mundo do trabalho 29. O mundo do trabalho em mutação é uma questão multifacetada de grande preocupação e relevância para a educação de adultos. 27 A mundialização e as novas tecnologias estão a ter um impacto poderoso e crescente em todas as dimensões da vida individual e colectiva de mulheres e homens. Há uma preocupação crescente quanto à precariedade do emprego e o aumento do desemprego. Nos países em desenvolvimento, a preocupação não se restringe ao emprego, mas envolve também a necessidade de garantir condições de vida satisfatórias para todos. A indispensável melhoria em termos de produção e distribuição na indústria, agricultura e serviços exige competências cada vez maiores, o desenvolvimento de novas capacidades e a capacidade de adaptação produtiva a uma procura de emprego em mudança permanente ao longo da vida laboral. O direito ao trabalho, a oportunidade de emprego e a responsabilidade de contribuir, em todas as fases da vida, para o desenvolvimento e bem-estar da respectiva sociedade são questões que a educação de adultos deve abordar. Comprometemo-nos a: 31. Promover o direito ao trabalho e o direito à educação de adultos relacionada com o trabalho: a. reconhecendo o direito ao trabalho e a um modo de vida estável para todos e fomentando, através de novas solidariedades, a diversificação de modelos de emprego e actividades produtivas reconhecidas; b. fazendo com que a educação de adultos relacionada com o trabalho possa conferir as competências e capacidades específicas para a entrada no mercado de trabalho e mobilidade ocupacional, e melhorar a capacidade dos indivíduos para participarem em modelos de emprego diversificados; c. promovendo parcerias entre empregadores e empregados; d. garantindo que os conhecimentos e capacidades informalmente adquiridos são plenamente reconhecidos; e. acentuando o poderoso papel da educação profissional de adultos no processo de aprendizagem ao longo da vida; f. integrando nos processos de educação informal e não formal de adultos uma perspectiva analítica e crítica em relação ao mundo económico e respectivo funcionamento. 28 32. Garantir o acesso à educação de adultos relacionada com o trabalho para diferentes grupos-alvo: a. incentivando os empregadores a apoiarem e promoverem a alfabetização no local de trabalho; b. garantindo que as políticas de educação de adultos relacionada com o trabalho respondem às necessidades dos trabalhadores independentes e dos trabalhadores da economia informal e facilitam o acesso das mulheres e dos trabalhadores migrantes à formação nos ofícios e sectores não tradicionais; c. assegurando que os programas de educação de adultos relacionada com o trabalho consideram a igualdade de sexos, as diferenças de idade e culturais, a segurança no localde trabalho e as preocupações com a saúde dos trabalhadores, a protecção contra tratamento injusto e assédio, bem como a preservação do ambiente e a gestão adequada dos recursos naturais; d. enriquecendo o ambiente de aprendizagem no local de trabalho e oferecendo aos trabalhadores actividades flexíveis de aprendizagem individual e colectiva e serviços pertinentes. 33. Diversificar os conteúdos da educação de adultos relacionada com o trabalho: a. tratando as questões inerentes à agricultura, gestão de recursos naturais e segurança alimentar; b. incluindo elementos relacionados com os serviços de extensão agrícola, direitos dos cidadãos, criação de organizações, gestão de recursos naturais, segurança alimentar e educação em saúde reprodutiva; c. estimulando o espírito empresarial através da educação de adultos; d. promovendo, dentro dos serviços de extensão, abordagens que levem em conta as disparidades entre homens e mulheres, respondendo às necessidades das mulheres na agricultura, indústria e serviços, e melhorando a sua capacidade para disseminar o conhecimento em todos estes domínios e questões. 29 Tema 6 A educação de adultos em relação com o meio ambiente, a saúde e a população 34. O ambiente, a saúde, a população, a nutrição e a segurança alimentar estão estreitamente interrelacionadas na promoção de um ambiente sustentado. Todas estas questões são complexas. Os cuidados com o meio ambiente através do controlo da poluição, da prevenção da erosão dos solos e de uma gestão prudente dos recursos naturais têm impacto directo na saúde da população, na nutrição e no bem-estar que, por seu turno, têm implicações no crescimento da população e na disponibilidade de alimentos. Estas questões inserem-se na procura mais vasta de um desenvolvimento sustentável, o qual não pode ser alcançado sem uma forte insistência na educação sobre questões familiares, o ciclo de vida reprodutivo e as questões populacionais como o envelhecimento, a migração, a urbanização e as relações familiares e entre gerações. Comprometemo-nos a: 35. Promover a competência e o envolvimento da sociedade civil no tratamento dos problemas ambientais e de desenvolvimento: a. aproveitando as actividades de educação de adultos, a fim de aumentar a capacidade dos cidadãos de diferentes sectores da sociedade para tomarem iniciativas inovadoras e desenvolverem programas baseados num desenvolvimento ecológica e socialmente sustentável; b. apoiando e aplicando programas de educação de adultos destinados a conferir as pessoas a oportunidade de aprenderem e interagirem com os decisores nas questões ambientais e de desenvolvimento, em particular na necessidade de alterações na produção e nos padrões de consumo; c. integrando nos programas para a educação de adultos a interacção entre seres humanos e natureza e os conhecimentos tradicionais e os das minorias étnicas, reconhecendo que as comunidades dessas minorias tem uma autoridade e uma competência específicas para a protecção do seu meio ambiente; 30 d. assegurando a responsabilização dos decisores no contexto das políticas relacionadas com o ambiente, a população e o desenvolvimento; e. integrando as questões ambientais e de desenvolvimento em todos os sectores da educação de adultos e desenvolvendo uma abordagem ecológica à aprendizagem ao longo da vida. 36. Promover a educação de adultos sobre questões relativas à população e a vida familiar: permitindo que as pessoas exerçam os seus direitos humanos, incluindo o direito à educação sexual e reprodutiva, e a desenvolver atitudes responsáveis e solidárias. 37. Reconhecer o papel decisivo da educação da população e da promoção da saúde na preservação e na melhoria das condições de saúde das comunidades e indivíduos. a. desenvolvendo e reforçando programas participativos de educação e promoção da saúde destinados a responsabilizar as pessoas pela criação de ambientes mais saudáveis, pugnando por serviços de saúde melhorados e acessíveis; b. facultando o acesso a uma educação que permita opções reprodutivas capazes de permitir que as mulheres ultrapassem os obstáculos que as impedem de aproveitar plenamente e em pé de igualdade as oportunidades de desenvolvimento pessoal, social e económico; c. desenvolvendo conteúdos de aprendizagem relacionados com a saúde, incluindo a prevenção da sida e de outras doenças, a nutrição, a sanidade e a saúde mental; d. usando os métodos de educação de adultos para enriquecer as estratégias de educação, informação e comunicação e para oferecer oportunidades para as pessoas aplicarem a sua própria experiência e conhecimentos a fim de formularem diagnósticos e escolherem possíveis linhas de acção. 38. Assegurar programas de aprendizagem adaptados à especificidade da cultura e do sexo: a. alargando a educação no âmbito da saúde às mulheres e aos homens no sentido de partilharem responsabilidades e aprofundarem o seu interesse pelo planeamento familiar e pelos cuidados com os filhos; 31 b. eliminando práticas culturais nocivas e desumanas que resultam na violação dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Tema 7 Educação de adultos, cultura, meios de comunicação e novas tecnologias de informação 39. A educação de adultos oferece uma oportunidade essencial para os educandos adultos participarem em todas as instituições culturais, órgãos de comunicação e novas tecnologias, de modo a estabelecer uma efectiva comunicação interactiva e fomentar a compreensão e a cooperação entre povos e cultural. O respeito pelas indivíduos, pelas suas culturas e pelas suas comunidades é a base para o diálogo e para incutir confiança, bem como para uma educação e formação pertinente e duradoura. É necessário realizar esforços para garantir maior acesso e participação nos meios de comunicação de todas as culturas e grupos sociais de modo que todas possam partilhar os seus conceitos especiais, artefactos culturais e modos de vida e não apenas receber as mensagens de outras cultural. Comprometemo-nos a: 40. Desenvolver maior sinergia entre os meios de comunicação, as novas tecnologias de informação e a educação de adultos: a. contribuindo para reforçar a função educativa dos meios de comunicação; b. tornando os meios de comunicação mais receptivos à educação de adultos e incentivando maior participação no desenvolvimento e avaliação dos meios de comunicação; c. reconhecendo que os meios de comunicação têm um papel-chave no acesso às oportunidades de educação de adultos para grupos excluídos de tais oportunidades, através de campanhas promocionais que fomentem a participação; d. examinando o desenvolvimento e a disseminação das novas tecnologias numa perspectiva regional, local e cultural, levando em conta o desenvolvimento desigual das infra-estruturas e da disponibilidade de equipamentos; 32 e. assegurando o acesso equitativo e a sustentabilidade dos sistemas de aprendizagem abertos e à distância, dos meios de informação e novas tecnologias de informação e comunicação, e usando as novas tecnologias para explorar formas alternativas de aprendizagem; f. promovendo a educação sobre os meios de comunicação e o conteúdo dos mesmos que ajude os utilizadores a desenvolver atitudes críticas e de discernimento relativamente aos meios de comunicação; g. facultando formação aos educadores e trabalhadores culturais para estimular o desenvolvimento e aplicação de recursos apropriados para a educação de adultos; h. promovendo a distribuição de materiais didácticos a todos os níveis quer regionalmente quer em todo o mundo. 41. Promover a utilização justa da propriedade intelectual: revendo aregulamentação de direitos de autor e de patente, a fim de promover a distribuição dos materiais didácticos preservando os direitos de autor. 42. Reforçar das bibliotecas e instituições culturais: a. prosseguindo o financiamento de museus, bibliotecas, teatros, parques ecológicos e outras instituições culturais, e reconhecendo estas instituições culturais como centros e recursos de educação de adultos; Tema 7 Educação de adultos, cultura, meios de comunicação e novas tecnologias de informação 39. A educação de adultos oferece uma oportunidade essencial para os educandos adultos participarem em todas as instituições culturais, órgãos de comunicação e novas tecnologias, de modo a estabelecer uma efectiva comunicação interactiva e fomentar a compreensão e a cooperação entre povos e culturas. O respeito pelos indivíduos, pelas suas culturas e pelas suas comunidades é a base para o diálogo e para incutir confiança, bem como para uma educação e formação pertinente e duradoura. É necessário realizar esforços para garantir maior acesso e participação nos meios de comunicação de todas as culturas e grupos sociais de modo que todas possam partilhar os seus conceitos especiais, artefactos culturais e modos de vida e não apenas receber as mensagens de outras culturas. 33 Comprometemo-nos a: 40. Desenvolver maior sinergia entre os meios de comunicação, as novas tecnologias de informação e a educação de adultos: a. contribuindo para reforçar a função educativa dos meios de comunicação; b. tornando os meios de comunicação mais receptivos à educação de adultos e incentivando maior participação no desenvolvimento e avaliação dos meios de comunicação; c. reconhecendo que os meios de comunicação têm um papel-chave no acesso às oportunidades de educação de adultos para grupos excluídos de tais oportunidades, através de campanhas promocionais que fomentem a participação; d. examinando o desenvolvimento e a disseminação das novas tecnologias numa perspectiva regional, local e cultural, levando em conta o desenvolvimento desigual das infra-estruturas e da disponibilidade de equipamentos; e. assegurando o acesso equitativo e a sustentabilidade dos sistemas de aprendizagem abertos e à distância, dos meios de informação e novas tecnologias de informação e comunicação, e usando as novas tecnologias para explorar formas alternativas de aprendizagem; f. promovendo a educação sobre os meios de comunicação e o conteúdo dos mesmos que ajude os utilizadores a desenvolver atitudes críticas e de discernimento relativamente aos meios de comunicação; g. facultando formação aos educadores e trabalhadores culturais para estimular o desenvolvimento e aplicação de recursos apropriados para a educação de adultos; h. promovendo a distribuição de materiais didácticos a todos os níveis quer regionalmente quer em todo o mundo. 41. Promover a utilização justa da propriedade intelectual: revendo a regulamentação de direitos de autor e de patente, a fim de promover a distribuição dos materiais didácticos preservando os direitos de autor. 34 42. Reforçar das bibliotecas e instituições culturais: a. prosseguindo o financiamento de museus, bibliotecas, teatros, parques ecológicos e outras instituições culturais, e reconhecendo estas instituições culturais como centros e recursos de educação de adultos; b. promovendo a conservação e a utilização do património cultural como recurso de aprendizagem ao longo da vida e apoiando o desenvolvimento de métodos e técnicas para o reforço da educação sobre o património e a cultura. Tema 8 Educação de adultos para todos: os direitos e aspirações dos diferentes grupos 43. O direito à educação é um direito universal de todos os povos. Embora haja consenso de que a educação de adultos deve ser acessível a todos, a realidade é que muitos grupos continuam excluídos, como os idosos, as populações migrantes, os ciganos e outros povos sem território e/ou nómadas, refugiados, deficientes e populações prisionais. Estes grupos devem ter acesso a programas educativos que os integrem numa pedagogia centrada no indivíduo capaz de satisfazer as suas necessidades e facilitar a sua participação plena na sociedade. Todos os membros da comunidade devem ser convidados e, quando necessário, apoiados a participar na educação de adultos, o que implica dar resposta a um conjunto de necessidades intelectuais. Consequentemente, comprometemo-nos a: 44. Criar um ambiente educativo que propicie todas as formas de aprendizagem para as pessoas mais velhas: a. garantindo o acesso das pessoas mais velhas a todos os serviços e disposições que apoiam a educação e formação de adultos, facilitando desse modo a sua participação activa na sociedade; b. usando o Ano Internacional das Pessoas Idosas, em 1999, para planear actividades que ilustrem de que forma a educação de adultos pode reforçar o papel das pessoas mais velhas na edificação das nossas sociedades. 35 45. Garantir o direito dos migrantes, populações deslocadas, refugiados e pessoas com deficiências a participarem na educação de adultos: a. Facultando aos migrantes e refugiados oportunidades de educação e formação completa que promovam a sua participação política, social e económica, e melhorem a sua competência e base cultural; b. desenvolvendo e aplicando programas para a população acolhida destinados a promover a compreensão, especialmente entre políticos, especialistas dos meios de comunicação, agentes policiais, educadores e assistentes sociais, relativa aos direitos e condições dos migrantes e refugiados; c. garantindo que os ciganos e outros grupos nómadas, levando em conta o seu modo de vida e idiomas, tem possibilidade de retomar os seus estudos e prosseguir a sua formação nas instituições existentes; d. assegurando pleno acesso dos adultos com deficiências aos programas e oportunidades de educação de adultos, solicitando a UNESCO e a outras organizações das Nações Unidas que facultem interpretação de linguagem gestual e plena acessibilidade a todas as suas reuniões e conferências, e solicitando à UNESCO, como organismo principal, que convoque uma conferência sobre aprendizagem ao longo da vida para 1999, nas vésperas do novo milénio. 46. Criar oportunidades permanentes para as pessoas com deficiências e promover a sua integração: a. tornando acessíveis às pessoas com deficiências todas as formas de educação e garantindo que a educação e formação facultadas respondem às suas necessidades e objectivos educativos; b. fomentando políticas institucionais que garantam acesso equitativo, serviços e oportunidades profissionais e de emprego para os deficientes, no âmbito das quais a tecnologia de aprendizagem satisfaça as suas necessidades especiais de educação. 47. Reconhecer o direito de todas as pessoas encarceradas a aprender: a. facultando aos detidos informação sobre o acesso aos diferentes níveis de educação e formação; b. desenvolvendo e aplicando programas educativos completos nas prisões, com a participação dos presos, a fim de satisfazer as suas necessidades e aspirações de aprendizagem; 36 c. facilitando o trabalho nas prisões às organizações não governamentais, professores e outros organizadores de actividades educativas, facultando desse modo o acesso dos presos a instituições educativas e incentivando iniciativas que relacionem os cursos frequentados dentro e fora das prisões. Tema 9 Aspectos económicos da educação de adultos 48. Algumas das questões cruciais dos aspectos económicos da educação de adultos são uma história de financiamento inadequado, o crescente reconhecimento das vantagens a longo prazo do investimento na educaçãode adultos, a diversificação dos padrões financeiros e do número de fontes de financiamento, o papel das organizações multilaterais o impacto dos programas de ajustamento estrutural e a comercialização da prestação de serviços de educação de adultos. Os custos da educação de adultos devem ser encarados em concomitância com os benefícios que derivam do reforço da competência dos adultos. Os métodos usados na análise de custo-benefício e de custo- eficácia devem reflectir os múltiplos impactos da educação de adultos na sociedade. A educação de adultos contribui para a auto-confiança e autonomia pessoal para que os adultos exerçam os seus direitos básicos e para aumentar a produtividade e eficácia no trabalho. Também se traduz positivamente em níveis mais elevados de educação e bem-estar das futuras gerações. Sendo um desenvolvimento humano e um investimento produtivo, a educação de adultos deve ser protegida dos constrangimentos do ajustamento estrutural. Comprometemo-nos a: 49. Melhorar o financiamento da educação de adultos: a. contribuindo para o financiamento da educação de adultos através de instituições financeiras bilaterais e multilaterais num quadro de parcerias entre os vários ministérios e outras organizações governamentais, não governamentais, o sector privado, a comunidade e os educandos; 37 b. procurando investir, como proposto pela Comissão Internacional sobre a Educação para o Século XXI, pelo menos 6% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados-Membros na educação e atribuindo uma parcela equitativa do orçamento da educação a educação de adultos; c. propondo que cada sector de desenvolvimento (agricultura, saúde, ambiente, por exemplo) atribua uma parcela do seu orçamento à educação de adultos, que cada programa de desenvolvimento na agricultura, na saúde e no ambiente inclua uma componente de educação de adultos, e que a formação em todas as empresas seja considerada um investimento na produtividade; d. investindo uma parcela equitativa de recursos na educação das mulheres, a fim de assegurar a sua plena participação em todos os domínios da aprendizagem e do conhecimento; e. promovendo a ratificação e aplicação da Convenção 140 (1974) da Organização Internacional do Trabalho relativa a licença paga para formação; f. estimulando os parceiros sociais a empenharem-se na educação de adultos nas empresas, financiada, por exemplo, pela atribuição de uma parcela do seu orçamento total para esse fim; g. apoiando a educação de adultos através de uma variedade de iniciativas comunitárias criativas que assentem nas virtudes e capacidades de todos os membros da sociedade; h. estudando a conversão, com base nas propostas de reformulação do endividamento, das dívidas actuais dos países menos desenvolvidos e em desenvolvimento em investimento no desenvolvimento humano; i. estudando a proposta para um ‘Direito a Educação Permanente’ como é sugerido em A Educação um Tesouro a Descobrir. Tema 10 Fomentar a cooperação e a solidariedade internacionais 50. A cooperação e a solidariedade internacionais devem reforçar um novo conceito da educação de adultos que seja, simultaneamente, holístico, para abarcar todos os aspectos da vida, e transectorial, para incluir todas as áreas de actividade cultural social e económica. 38 A Declaração Universal dos Direitos Humanos deve ser a principal fonte de orientação na promoção da cooperação e solidariedade internacionais e da cultura de paz. A base desta cooperação é o diálogo, a partilha, a consulta e o desejo de aprender com a experiência dos outros, e deve envolver o respeito pela diversidade. Comprometemo-nos a: 51. Fazer da educação de adultos um instrumento para desenvolver e mobilizar recursos para esse fim: a. avaliando todos os projectos de cooperação em termos quer da sua contribuição para a educação de adultos e para o desenvolvimento humano, quer da prioridade que conferem ao fortalecimento das competências locais; b. aumentando os recursos directamente disponíveis para a educação de adultos no seio do sector educativo dos países em desenvolvimento. 52. Reforçar a cooperação nacional, regional e global, as organizações e as redes no domínio da educação de adultos: a. promovendo e reforçando a cooperação entre ministérios e entre sectores; b. apoiando as redes nacionais, regionais e globais de educação de adultos existentes através da partilha de informação, competências e capacidades, e através da promoção do diálogo a todos os níveis; c. incentivando os organismos financiadores a contribuírem financeiramente para as redes locais, regionais e globais de cooperação entre educadores de adultos; d. acompanhando e tomando medidas para evitar os impactos negativos dos programas de reajustamento estrutural e de outras políticas (fiscal, comercial, laboral, sanitária e industrial) na atribuição de recursos ao sector educativo, com especial ênfase na educação de adultos; e. preparando relatórios nacionais e regionais e divulgando-os entre o público e os organismos privados envolvidos na educação de adultos; 39 f. envolvendo as instituições financeiras multilaterais no debate sobre educação de adultos, e mais particularmente nas políticas educativas em relação ao impacto negativo dos programas de ajustamento estrutural na educação. 53. Criar um ambiente propício à cooperação internacional: a. oferecendo maiores oportunidades para os trabalhadores e formandos locais se encontrarem em grupos constituídos numa base Sul-Sul e Norte -Sul, e reforçando as redes de formação entre regiões de modo a servirem de mecanismos para a melhoria da educação de adultos; b. reforçando as redes internacionais que representam diferentes actores e parceiros sociais encarregados de efectuar a avaliação e acompanhamento das principais políticas educativas; c. apoiando a criação de um mecanismo, através do qual os direitos individuais e colectivos relacionados com a educação de adultos sejam promovidos e protegidos. Acompanhamento Estratégia 54. Agenda para o Futuro saído da V Conferência Internacional sobre Educação de Adultos deve respeitar as recomendações aprovadas pelas principais conferências das Nações Unidas, em particular no que se refere às disparidades entre homens e mulheres. 55. Dada a natureza altamente descentralizada da educação de adultos, a sua crescente diversidade, e o grande e crescente número de parceiros de muitos tipos envolvidos, as estratégias e mecanismos usados para dar seguimento à V Conferência Internacional sobre Educação de Adultos devem ser altamente flexíveis. Por razões simultaneamente económicas e de eficácia, devem também basear-se, na maior medida possível, nas instituições, estruturas e redes existentes. O objectivo deve ser o de tornar mais eficazes os mecanismos de acção, coordenação e acompanhamento existentes, e não de os duplicar. 40 56. É essencial que todos os parceiros participantes na Conferência desempenhem um papel activo nas suas áreas particulares de competência, trabalhando através dos seus canais normais para garantir o desenvolvimento do potencial para educação de adultos, bem como a concepção e aplicação de programas, de modo a contribuírem para a promoção da democracia, da justiça, da paz e da compreensão mútua. A Conferência tomou nota da iniciativa dinamarquesa de criar uma Academia Internacional para a Democracia e Educação em cooperação com a UNESCO e os parceiros nacionais interessados. 57. Ao nível internacional, a UNESCO deve desempenhar um papel destacado e activo, seja no seio dos seus campos de acção relevantes, seja com outras organizações, redes e entidades, incluindoorganizações de mulheres e outros actores relevantes, para fazer avançar a educação de adultos. No seio da UNESCO, o Instituto para a Educação da UNESCO (IEU), em Hamburgo, deve ser reforçado no sentido de se tornar um centro de referência internacional para a educação permanente e de adultos. A UNESCO deve igualmente tomar medidas apropriadas para actualizar a Recomendação sobre Desenvolvimento da Educação de Adultos, de 1976. As outras organizações internacionais e regionais intergovernamentais e não governamentais devem promover liderança similar nas suas respectivas esferas de competência. 58. Já existem estruturas e redes quer ao nível internacional quer regional, para a promoção da educação de adultos. Em certos casos, no entanto, particularmente nas regiões em desenvolvimento, seria importante reforçar estas estruturas e redes existentes, incluindo os programas regionais da UNESCO para a educação básica, e facultando recursos adicionais, de modo a permitir-lhes desempenhar mais eficazmente e a uma escala mais ampla os seus papéis. Promover consulta mais estreita entre parceiros 59. A Conferência considera que, embora seja de evitar a criação de novas estruturas permanentes dispendiosas, seria útil estabelecer um meio ou mecanismo de comunicação e consulta regular entre os principais participantes na V Conferência Internacional e outras organizações activamente empenhadas na promoção da educação de adultos. O objectivo desse mecanismo seria desenvolver consulta e cooperação mais estreita entre parceiros-chave e servir de fórum para o debate periódico dos progressos e problemas na educação de adultos, bem como meio para acompanhar a aplicação da política e das recomendações avançadas nesta Agenda para o Futuro. 41 60. Deve existir um fórum e um mecanismo para assegurar a aplicação das recomendações e resultados desta Conferência. A UNESCO, como principal organismo das Nações Unidas para a educação, com as suas unidades, institutos e gabinetes no terreno, deve assumir o papel principal na tomada de iniciativa e responsabilidade pela promoção da educação de adultos como parte integrante de um sistema de aprendizagem ao longo da vida, pela mobilização do apoio de todos os participantes, não apenas no seio das Nações Unidas e sistemas multilaterais, mas também nas organizações não governamentais e outras organizações da sociedade civil, por conferir prioridade a aplicação da Agenda para o Futuro e por facilitar a prestação dos serviços necessários ao reforço da coordenação e da cooperação internacional. 61. Finalmente, a Conferência solicita à UNESCO que assegure a ampla divulgação da Declaração de Hamburgo sobre Educação de Adultos e da Agenda para o Futuro em tantas línguas quanto possível. A UNESCO deve explorar a possibilidade de um exame interinstitucional do Plano antes da próxima conferência internacional sobre educação de adultos. 42 Endereço da página do CONFINTEA na Internet: http://www.vsy.fi/eaea/eng/confinl.html#top UNESCO - Instituto para a Educação Feldbrunnenstrasse, 58 D - 20148 Hamburgo Tel.: +49 40448041-0 Fax: +49 404107723 e-mail: eaea@vsyfi