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Apostila IPF I

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
FACULDADE DE FARMÁCIA, ODONTOLOGIA E ENFERMAGEM (FFOE)
DEPARTAMENTO DE FARMÁCIA
DISCIPLINA: 
INTEGRAÇÃO À PRÁTICA FARMACÊUTICA I
RESPONSÁVEL:
CLÉBER DOMINGOS CUNHA DA SILVA, EdD
FORTALEZA, 2018
BRASIL
MÓDULO I
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem (FFOE)
Departamento de Farmácia
Disciplina: Integração à Prática Farmacêutica I
PLANO DA DISCIPLINA – PERÍODO: 2018.1
Horário: Segundas e Quintas-feiras (14:00 as 18hs)
Dados de Identificação: 
Código da disciplina: SI0243 
Nº de Créditos: 08
Carga Horária Total: 128
Professor: Cléber Domingos Cunha da Silva, EdD (e-mail: cleberdomingos@ufc.br)
1 – Objetivo Geral: Colaborar na integração do discente com a Universidade, a Faculdade e ao
Curso de Farmácia e, posteriormente, aos serviços básicos de saúde dentro de uma visão
multidisciplinar. Habilitar o aluno para a formação de um profissional consciente dos seus deveres
sociais, no âmbito da Profissão Farmacêutica.
2 – Calendário de encontros e respectivos conteúdos
26/02 – Módulo I (Deontologia farmacêutica): Evolução histórica da profissão farmacêutica.
Formação de equipes de pesquisa. Sorteio de temáticas dos seminários (CH: 04)
01/03 – Noções básicas de moral e ética (CH: 08)
05/03 – Código de ética da profissão farmacêutica (CH: 12)
08/03 – Escrevendo introdução, justificativas e objetivos (CH: 16)
12/03 – A profissão farmacêutica na atenção primária da saúde (CH: 20)
15/03 – A profissão farmacêutica em áreas especializadas (CH: 24)
19/03 – Feriado Estadual
22/03 – Encontro com a docência (assistência monitoria) (CH: 28)
26/03 – Avaliação do Módulo I e entrega da Parte I do seminário (CH: 32)
29/03 – Feriando Nacional
02/04 – Módulo II (Sociologia e antropologia da saúde): corpo e sociedade (CH: 36)
05/04 – Concepções culturais sobre o corpo, doença e cuidado (CH: 40)
09/04 – O nascimento da medicina social: corpo, indivíduo e população (CH: 44)
12/04 – Cultura e Medicalização. Pluralismo na Assistência à Saúde (CH: 48)
16/04 – Fundamentos de revisão bibliográfica: construção do corpo teórico (CH: 52)
19/04 – Visita técnica a um espaço social (CH: 56)
23/04 – Revisitando o aprendizado: encontro com o docente (CH: 60)
26/04 – Avaliação do Módulo II e entrega da Parte II do seminário (CH: 64)
30/04 – Módulo III: conceitos e fundamentos de bioestatística (CH: 68)
03/05 – Tipos de estudos epidemiológicos (CH: 72)
07/05 – Variáveis e levantamento de dados. Amostras, amostragem (CH: 76)
Integração à Prática Farmacêutica I 1
10/05 – Jornada de Farmácia (CH: 80)
14/05 – Noções sobre Material e métodos (CH: 84)
17/05 – Resolução de exercícios (CH: 88)
21/05 – Revisitando o aprendizado: encontro com o docente (CH: 92)
24/05 – Avaliação do Módulo III e entrega da Parte III do seminário (CH: 96)
28/05 – Módulo IV: Métodos e técnicas em pesquisa (CH: 100)
31/05 – Feriado Nacional
04/06 – Noções Gerais sobre Pesquisa Científica (CH: 104)
07/06 – Do Problema à Hipótese – problema e problemática e construção do objeto (CH: 108)
11/06 – Da Hipótese à Conclusão – estratégias de pesquisa e métodos de análise (CH: 112)
14/06 – Informática em saúde: introdução ao Epi-info (CH: 116)
18/06 – Revisitando o aprendizado: encontro com o docente (CH: 120)
21/06 – Apresentação das propostas de pesquisa (Avaliação do Módulo IV) (CH: 124)
25/06 – Avaliação Final (CH: 128)
3 – Avaliação: A avaliação do aluno será processual, sintetizada em nota de avaliação final
constituída pela aplicação de 04 (quatro) avaliações parciais modulares (AP) - (nota – 0 a 10
pontos)
A nota final da disciplina parte da média obtida pela média aritmética das notas obtidas nas APs.
O estudante que obtiver média final inferior a 7,0 (sete) deverá submeter-se à Avaliação Final.
4 – Bibliografia Recomendada: 
ARANGO, H G. BIOESTATÍSTICA – Teórica e Computacional. 3ª ed – Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2009; VIEIRA, Sônia - Introdução à Bioestatística. Ed. Campus, RJ
HELMAN, C.G. – Cultura, Saúde e Doença. Porto Alegre: Artes Médicas, 2009; 
VICTORA, C. G.; KNAUTH, D.R.; HASSEN, M. N. A. Pesquisa Qualitativa em saúde. Porto Alegre: Tomo
Editorial, 2000.
ILLICH, I. A expropriação da saúde. Editora Nova Fronteira. 1975; 
CANGUILHEM, G. O Normal e o Patológico. 6.ed. rev. - Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009;
ANDRADE, J.T.; MELLO, M.L.; HOLANDA, V.M.S. Saúde e cultura: diversidades terapêuticas e
religiosas. Editora UECE. 1a Edição. Fortaleza – CE. 2015; 
KAUARK, F.; MANHÃES, F.C.; MEDEIROS, C.H. Metodologia da pesquisa: guia prático. Itabuna. Via
Litterarum, 2010; 
BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. A organização jurídica da profissão farmacêutica. Brasília,
2003; 
ZUBIOLI, Arnaldo. Etica farmacêutica. São Paulo: Sociedade Brasileira de Vigilância de
Medicamentos, 2004.
Integração à Prática Farmacêutica I 2
Rev. Bras. Farm. 92(4): 245-252, 2011 
245 
Pereira & Nascimento 
 
 
 
ARTIGO DE REVISÃO / REVIEW 
Das boticas aos cuidados farmacêuticos: perspectivas do 
profissional farmacêutico 
From the apothecary to pharmaceutical care: perspectives of the pharmacist 
Recebido em 29/10/2011 
Aceito em 22/11/2011 
Mariana Linhares Pereira1* & Mariana Martins Gonzaga do Nascimento2 
1Curso de Farmácia, Campus Centro-Oeste Dona Lindu, Universidade Federal de São João del-Rei (CCO-UFSJ), Av. Sebastião Gonçalves 
Coelho, 400, Chanadour, CEP 35501-296, Divinópolis, MG, Brasil 
2Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, CCO-UFSJ 
 
RESUMO 
O presente estudo apresenta um histórico da farmácia e do perfil do farmacêutico e sua evolução ao longo dos anos até a 
consolidação da prática da Atenção Farmacêutica e o surgimento de novas demandas sociais para a profissão. 
Palavras–chave: farmácia, história, atenção farmacêutica 
 
ABSTRACT 
This study presents a historic about pharmacy and the pharmacist and its evolution throughout the years until the 
pharmaceutical care practice consolidation and the birth of new social demands to the profession. 
Keywords: Pharmacy, history, pharmaceutical care 
 
INTRODUÇÃO 
 Os primórdios da profissão farmacêutica não são 
conhecidos. Pode-se apenas especular sobre os primeiros 
indivíduos interessados em produzir e dispensar 
medicamentos (Deno et al., 1959). Por outro lado, sabe-se 
que, desde o início da história do homem, as doenças já 
existiam e, com elas, surge a procura pela cura (Burlage et 
al., 1944; Rising, 1959). Tendo isto em vista, esse trabalho 
apresenta um breve histórico da profissão farmacêutica e 
os passos que levaram ao desenvolvimento dos Cuidados 
Farmacêuticos, enfatizando sua importância no contexto 
social, suas características e o método de trabalho que 
permite a sua realização. 
 O presente estudo tem por objetivo contextualizar 
histórica e socialmente o surgimento da prática dos 
Cuidados Farmacêuticos e expor seus princípios 
metodológicos e filosóficos. 
 
MATERIAL E MÉTODOS 
 Trata-se de uma revisão histórica não sistemática da 
literatura sobre a profissão farmacêutica realizada com 
base em consultas a livros, monografias, teses e documen- 
 
 
 
 
 
tos com foco histórico na evolução desta profissão. Para a 
busca, foram utilizadas as seguintes palavras-chave: 
‘profissão farmacêutica’, ‘evolução da farmácia’ e ‘cursos 
de farmácia no Brasil’ na base de dados da biblioteca da 
Faculdade de Farmácia da UFMG. 
 Em paralelo, foi realizada uma busca por documentos 
acerca do surgimento, características metodológicas e 
filosóficas dos Cuidados Farmacêuticos. Para tal, 
consultou-se livros-texto sobre o tema e realizou-se uma 
busca por referências na biblioteca Medline com os 
seguintes unitermos:‘pharmaceutical care’, ‘patient care 
process’, ‘drug therapy problems’. Foram selecionados os 
materiais publicados em português, inglês e espanhol. 
 
RESULTADOS E DISCUSSÃO 
 
 Historiadores indicam que a medicina moderna se 
originou na Grécia, sendo que o nome boticário, ou 
apotecário, deriva-se do grego apothéke, denominação 
conferida à uma pequena caixa em que eram guardados os 
remédios que os médicos gregos antigos traziam sempre 
 
* Contato: Mariana Linhares Pereira, Curso de Farmácia, CCO-UFSJ, Av. Sebastião Gonçalves Coelho, 400, Chanadour, 35501-296, Divinópolis, MG, 
Brasil, e-mail: marianapereira@ufsj.edu.br 
 
Rev. Bras. Farm. 92(4): 245-252, 2011 
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Pereira & Nascimento 
 
 
consigo quando visitavam seus doentes (Gomes-Júnior, 
1988). Mas, já no Egito, a divindade Anepu, o boticário 
dos deuses, tinha muita importância, sendo o guardião da 
casa de medicamentos e do quarto de bálsamos, além de 
preparador das prescrições dos deuses. As prescrições na 
antiguidade eram poucas e simples e eram os médicos que 
preparavam e dispensavam os seus próprios compostos, 
preparações cercadas de muito mistério e feitas de acordo 
com ritos supersticiosos (Burlage et al., 1944; Rising, 
1959). 
 Ainda na antiguidade, depois da divisão do império de 
Alexandre, o Grande, surgiu a chamada escola de 
Alexandria e nessa cidade formou-se um centro intelectual 
onde floresceu a escola dogmática e, sucessivamente, a 
escola empírica, no século 3 a.C.. Essa última tinha, por 
fundamento, o estudo experimental dos medicamentos. 
Nessa época surgiu, pela primeira vez, a divisão entre 
médicos, cirurgiões, raizeiros e farmacópolos, que eram 
aqueles que preparavam remédios compostos. A partir de 
então, as fórmulas mais complexas começaram a ser 
apreciadas, chegando a conter 54 ingredientes. Elas 
serviram de ponto de partida para a polifarmácia (Burlage 
et al., 1944; Rising, 1959; Gomes-Júnior, 1988). 
 Até o século XI, ensinava-se farmácia como parte do 
estudo da medicina. A primeira referência que se tem 
separando a farmácia da medicina data de 1240, quando 
foi escrita a magna carta da profissão farmacêutica, por 
Frederico II, imperador romano, criando a farmácia como 
uma profissão independente. O argumento era "o fato da 
prática da farmácia requerer conhecimento, habilidades, 
iniciativas e responsabilidades especiais, com o objetivo 
de garantir um cuidado adequado às necessidades 
medicamentosas das pessoas". Depois de Roma, essa 
regulamentação ocorreu em vários outros locais. Em 
virtude dessa separação, criaram-se três classes 
profissionais distintas: médicos, cirurgiões e boticários 
(Burlage et al., 1944; Rising, 1959; Gomes-Júnior, 1988). 
Com a descoberta da América, a farmácia dos séculos XVI 
e XVII tomou grande impulso, e drogas novas, tais como a 
quina, a ipecacuanha, o café e o cacau, foram introduzidos 
na terapêutica. No Brasil, nos tempos coloniais, os 
boticários, que eram na verdade “curandeiros ambulantes”, 
percorriam as populações montados em burros 
mascateando remédios e drogas para doenças humanas e 
animais (Gomes-Júnior, 1988). Os jesuítas também 
instituíram enfermarias e boticas para prestar assistência 
em seus colégios, colocando um “irmão” para cuidar dos 
doentes e outro para preparar remédios. Em São Paulo, o 
irmão que preparava os remédios era José de Anchieta, por 
isso podemos considerá-lo o primeiro boticário de 
Piratininga (Gomes-Júnior, 1988). 
 No Brasil, as boticas só foram autorizadas como 
comércio em 1640, e a partir deste ano, elas se 
multiplicaram de norte a sul, e devido à facilidade de 
abertura, muitos o faziam, principalmente, devido à 
expectativa de bons lucros com o negócio. Consistiam de 
casas comerciais ou lojas onde o público se abastecia de 
remédios. Eram dirigidas por boticários, que nada mais 
eram que profissionais empíricos, às vezes analfabetos, 
possuindo apenas conhecimento de medicamentos 
corriqueiros e possuindo uma carta de aprovação do físico-
mor de Coimbra. Botica também era a denominação do 
compartimento existente nos hospitais, civis e militares, 
destinado ao preparo e à administração de medicamentos 
aos doentes internados (Gomes-Júnior, 1988; Filho & 
Batista, 2011). 
 O ensino de farmácia brasileiro só se iniciou em 1824, 
como uma cadeira da escola de medicina. Depois, em 
1839, em Minas Gerais, foram criadas duas escolas de 
farmácia, uma em Ouro Preto (então capital da província 
de Minas Gerais) e outra em São João del Rey (que havia 
sido elevada do status de vila para cidade no ano anterior). 
Porém, apesar das diversas instituições de ensino de 
farmácia distribuídas pelo país, no século XIX, a passagem 
do comércio de botica para farmácia, com um 
farmacêutico formado em sua direção, não foi nada fácil. 
Os farmacêuticos e boticários tinham pouca diferença para 
a maioria da população e para os legisladores, e o 
farmacêutico só toma seu espaço exclusivo na produção de 
medicamentos definitivamente depois de 1886 após 
diversas batalhas. 
 Já no início do século 20, o farmacêutico tornou-se o 
profissional de referência para a sociedade nos aspectos do 
medicamento, dominando não só a prestação de um 
serviço que visava a “correta utilização do medicamento”, 
mas também a produção e comercialização d o arsenal 
terapêutico disponível na época (Valladão et al., 1986). A 
farmácia também passou a ser um centro de irradiação 
cultural de destacada importância, congregando não 
somente indivíduos que buscavam remédios, mas também 
os demais que procuravam novidades e notícias do mundo 
quando eram escassos os meios de comunicação dos 
acontecimentos político-sociais (Gomes-Júnior, 1988). 
 A partir da segunda metade da década de 30, no entanto, 
com a expansão da indústria farmacêutica, os preparados 
magistrais foram quase inteiramente substituídos pelas 
especialidades, ou seja, medicamentos preparados 
industrialmente com antecedência e apresentados sob uma 
embalagem particular. Em conseqüência, o papel de 
"fazer" [o medicamento], pelo qual o farmacêutico era 
tradicionalmente conhecido, desapareceu quase que por 
completo. O modelo de prática predominante na farmácia 
comunitária passou a ser a orientação e dispensação 
farmacêutica (Dupuy & Karsenty, 1974; Reis, 2003; Filho 
& Batista, 2011). Esse processo transformou as ações que 
aproximavam o farmacêutico do médico e de seus clientes 
em atos vazios de um sentido transcendente às relações 
comerciais. 
 De farmacêutico a responsável técnico, de liberal a 
assalariado, eis a trajetória do profissional no âmbito da 
farmácia propriamente dita, marcada por uma redução na 
dimensão técnica e social do seu trabalho e um ampliar na 
dimensão burocrática e comercial. Esta burocratização da 
profissão é relatada por formandos entrevistados no estudo 
de Valladão (1981): "hoje em dia, eu só assino 
documentos". 
 Frente a essa situação, pode-se atestar: “a farmácia é uma 
combinação exclusiva de profissão e negócios”(Deno et 
al., 1959). O apelo comercial também é explícito nas 
publicações que circulavam no meio farmacêutico da 
época, como o Manual del farmacêutico (publicado em 
inglês e espanhol) que trazia vários artigos sobre como 
Rev. Bras. Farm. 92(4): 245-252, 2011 
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Pereira & Nascimento 
 
estimular as vendas (Fontoura, 1936). 
 O meio acadêmico também refletia esta etapa de 
transição na profissão farmacêutica, que se diversificava 
em busca de outros mercados profissionais. Dessa forma, 
reestruturações curriculares não tinham foco em uma 
determinada temática integradora, mas sim na 
incorporação desconexa de uma grande diversidade de 
conteúdos e disciplinas (Valladão, 1981). Nesse processo, 
o farmacêutico “adjetivou-se” e seu título passou a vir 
acompanhado de identificadores das atribuições 
conquistadas:farmacêutico-bioquímico, farmacêutico-
analista clínico, farmacêutico-industrial, farmacêutico de 
alimentos (Perini, 1997). No Brasil, especificamente, o 
farmacêutico enveredou-se, sobretudo, pelos caminhos da 
bioquímica. Estudos realizados na década de 70 
mostravam que, em média, 70% dos profissionais atuavam 
nessa área, sendo que a maioria deles atuava 
simultaneamente em farmácias de dispensação, 
considerando essa uma atividade secundária (Valladão, 
1981; Perini, 1997). 
 Hoje, o farmacêutico se ressente da falta de preparo nas 
faculdades para o exercício na farmácia comunitária e seu 
afastamento dessa área de atividade, que lhe deveria ser 
exclusiva. Ele se envolve com questões administrativas e 
perde sua fixação no serviço comunitário, deixando de 
participar dos problemas sanitários e in (Gomes-Júnior, 
1988; Perini, 1997). 
 A profissão de farmacêutico se aproximou de modo 
sensível(...) da profissão de comerciante. Instalemo-nos 
em uma grande farmácia da zona urbana e veremos (...) os 
clientes desfilarem quase sem interrupção. A maior parte 
apresentou uma receita para a pessoa de bata branca que 
está atrás do balcão, a qual se limita a ir buscar os 
produtos prescritos no armário, repete a posologia 
indicada pelo médico, embrulha as embalagens em um 
saco de papel e as fatura. Poucas palavras são trocadas. 
Às vezes, alguém (...) se apresenta sem receita. Mesmo 
nestes casos, a troca de palavras revela-se quase sempre 
sumária; (...) Na maior parte do tempo, o papel do 
farmacêutico é, pois, o de um simples distribuidor (Dupuy 
& Karsenty, 1974). 
 
 Diante disso, 
 
(...)o farmacêutico é, em geral, uma pessoa que se 
aborrece na sua profissão. (...)o exercício cotidiano da 
profissão raramente lhe proporciona esse tipo de 
satisfação, e ele sente profundamente o fato de que os seus 
cinco anos de formação são muito mal rentabilizados 
(Dupuy & Karsenty, 1974). 
 
 Paralelamente à falta de preparo dos profissionais para o 
exercício das atividades na farmácia comunitária e seu 
distanciamento dos problemas sanitários e sociais, a partir 
da década de 70 e 80, com o crescente aumento da 
expectativa de vida ao nascer e o conseqüente 
envelhecimento da população, cresce também a 
prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, as 
quais demandam uma utilização mais prolongada de um 
número maior de medicamentos para seu tratamento. O 
consumo de medicamentos também é impulsionado pela 
 
 
persistência e recrudescimento de doenças infecto-
parasitárias já conhecidas e surgimento outras, o aumento 
do número de medicamentos disponíveis no mercado e 
propagandas, que representam um fator essencial ao uso 
irracional e desnecessário de medicamentos, além de 
estímulo à automedicação (Dupuy & Karsenty, 1974; 
Barros, 1995; Peretta & Ciccia, 2000; Dáder, 2001; Brasil, 
2002; Nascimento, 2003; Perini, 2003). 
 Os medicamentos constituem, hoje, a principal arma 
terapêutica usada, e o objetivo da sua utilização é melhorar 
a qualidade de vida dos pacientes, curando, retardando o 
progresso ou tratando sintomas das doenças (Dáder, 2001). 
No entanto, medicamentos também podem falhar, 
causando problemas de efetividade (não atingem objetivos 
terapêuticos) e/ou segurança (reações adversas a 
medicamentos ou toxicidade) (Funchal-Witzel et al., 
2011). Assim, a utilização maciça, e muitas vezes 
inadequada desses medicamentos, faz com que o risco das 
ocorrências dos Problemas Farmacoterapêuticos (PFT) 
aumente. 
 Estudos mostram que 50% dos pacientes que entram na 
farmácia comunitária, em qualquer lugar do mundo, 
possuem pelo menos um PFT que precisa ser identificado 
e resolvido (Simpson, 1997; Peretta & Ciccia, 2000). 
Porém, é importante salientar que os problemas não são 
inerentes aos medicamentos, mas à maneira como são 
prescritos, dispensados e usados pelos pacientes. Esse mau 
uso e suas conseqüências sanitárias, sociais e econômicas 
representam hoje um problema sanitário de enorme 
magnitude (Hepler & Strand, 1990; Barros, 1995; Peretta 
& Ciccia, 2000; Dáder, 2001; Nascimento, 2003; Perini, 
2003). 
 Foi demostrado que menos de 60% dos pacientes que 
estavam recebendo tratamento medicamentoso não 
apresentavam PFT, e que cerca de 28% das admissões 
hospitalares são resultados de morbidade e mortalidade 
relacionadas ao uso de medicamentos (Johnson & 
Bootman, 1995). No Brasil, não existem estudos sobre a 
morbimortalidade relacionada ao uso de medicamentos, 
apenas levantamentos sobre intoxicação medicamentosa, 
sendo que os medicamentos ocupam a primeira posição 
entre os três principais agentes causadores de intoxicações 
em seres humanos desde 1996 (Brasil, 2009). 
 Sabendo-se que a prevalência e os custos da morbidade e 
mortalidade relacionada a medicamentos são de grande 
relevância e que a redução desses índices têm um impacto 
positivo na qualidade de vida do paciente, na segurança do 
sistema de saúde e na eficiência no uso dos recursos, 
pergunta-se, então: por que a sociedade dedica tantos 
esforços científicos e econômicos para pesquisar, 
desenvolver, fabricar, prescrever, indicar e dispensar 
medicamentos enquanto os serviços sanitários 
responsáveis por controlar, orientar e educar sobre sua 
utilização são ainda tão incipientes (Dáder, 2001; Reis, 
2003)? 
 Além deste panorama preocupante de utilização de 
medicamentos, à medida que acontecem os avanços do 
conhecimento científico, o paciente é cada vez mais 
visualizado como um ser fragmentado, sendo que toda a 
lógica diagnóstica e terapêutica privilegia a visão das 
partes em detrimento do todo (Barros, 1995). Ao lado 
 
Rev. Bras. Farm. 92(4): 245-252, 2011 
248 
Pereira & Nascimento 
 
disso, nem sempre é possível ao profissional de saúde 
manter um histórico médico detalhado e completo de cada 
paciente. Dessa forma, pode ocorrer ao paciente ser 
atendido por um médico diferente a cada consulta, além de 
acumular um especialista para cada sintoma. A relação 
médico-paciente, já prejudicada pelas diferenças de 
vocabulário, de nível cultural, e de representações do 
processo saúde-doença, fica ainda mais dificultada pela 
estrutura de organização dos serviços (Nascimento, 2003). 
Assim, o que se tem observado, é uma fragmentação na 
gestão e operacionalização da saúde, com vários setores e 
profissionais atuando de maneira desarticulada (Acurcio, 
2003). 
 Dentro deste cenário, se manifesta a necessidade de 
buscar racionalidade no uso de medicamentos (Peretta & 
Ciccia, 2000; Nascimento, 2003). A solução desse 
problema perpassaria por um melhor controle da 
farmacoterapia, com oferecimento de alternativas que 
ofereçam uma melhor relação custo-benefício, considerem 
cada paciente como um indivíduo, evitem o aparecimento 
de PFT e proponham sua resolução com o objetivo de 
otimizar os tratamentos farmacológicos (Peretta & Ciccia, 
2000; Nies & Spielberg, 1996). 
 Motivado pelos fatores descritos e para atender essa 
demanda social, foi desenvolvida a prática dos Cuidados 
Farmacêuticos, difundidos no Brasil como Atenção 
Farmacêutica (Oliveira, 2003; Funchal-Witzel et al., 
2011). Esse modelo foi criado para prevenir e resolver os 
PFT caracterizando-se, principalmente, por ser centrado no 
paciente e não no medicamento (Cipolle et al., 1998). A 
Atenção Farmacêutica pode contribuir decisivamente para 
a compreensão e para a adesão do usuário ao tratamento 
medicamentoso, aumentando sua efetividade, e 
incrementando a racionalidade no seu uso (Storpirtis et al., 
2001; Acurcio, 2003; Cipolle et al., 2004). 
 A expressão “Cuidados Farmacêuticos” foi empregada 
pela primeira vez por Brodie, em 1984. Entretanto, apenas 
em 1990 foi mais profundamente definida como "o 
fornecimento responsável de medicamentos com objetivo 
de atingir o resultado desejado, que levará a uma melhora 
naqualidade de vida do paciente" (Hepler & Strand, 
1990). De acordo com Strand (1997), essa definição estava 
incompleta e hoje Atenção Farmacêutica é “a prática na 
qual o profissional se responsabiliza pelas necessidades 
relacionadas a medicamentos do paciente e responde por 
esse compromisso” (Simpson, 1997; Cipolle et al., 1998; 
Cipolle et al., 2004). 
 Baseado nesse conceito e na definição da Organização 
Mundial de Saúde (OMS), 
 
o conjunto de atitudes, valores éticos, funções, 
conhecimentos, responsabilidades e habilidades do 
farmacêutico na prestação da farmacoterapia, com o 
objetivo de alcançar resultados terapêuticos definidos na 
saúde e qualidade de vida da população (OMS, 1993). 
 
o consenso brasileiro de Atenção Farmacêutica define: 
 
Atenção Farmacêutica é o modelo de prática 
farmacêutica, desenvolvida no contexto da assistência 
farmacêutica. Compreende atitudes, valores éticos, 
 
 
comportamentos, habilidades, compromissos e co-
responsabilidades na prevenção de doenças, promoção e 
recuperação da saúde, de forma integrada à equipe de 
saúde. É a interação direta do farmacêutico com o 
usuário, visando uma farmacoterapia racional e a 
obtenção de resultados definidos mensuráveis voltados 
para a melhoria da qualidade de vida. Esta interação 
também deve envolver as concepções dos seus sujeitos, 
respeitadas as suas especificidades bio-psico-sociais sob a 
ótica da integralidade das ações de saúde (Brasil, 2002). 
 
 Como pode ser percebido nessas definições, praticar 
Atenção Farmacêutica envolve grandes mudanças de 
filosofia profissional, de comportamento e de conceitos 
(Pereira, 2005). O primeiro questionamento a ser feito é 
portanto: porque o farmacêutico deve ser o profissional 
desta prática? 
 Primeiramente, porque farmacêutico é o profissional de 
saúde com maior conhecimento sobre os medicamentos e 
seus efeitos no organismo humano, sendo tecnicamente 
preparado e capaz de precisar a posologia, de indicar as 
incompatibilidades eventuais com outras substâncias e 
retificar possíveis erros de memória de quem prescreveu 
(Dupuy & Karsenty, 1974). Combinando a esses 
conhecimentos, destaca-se a possibilidade de acesso que 
esse profissional tem a todos os medicamentos que o 
paciente utiliza e a sua proximidade com o público, sendo 
a dispensação o último elo entre a complexa cadeia de 
eventos envolvendo o medicamento e o paciente (Hepler & 
Strand, 1990; Dáder, 2001; Perini, 2003). Além disso, o 
farmacêutico vivencia uma crise de identidade 
profissional, com falta de reconhecimento social e pouca 
inserção na equipe de saúde. Esse profissional está 
precisando redefinir seu papel na sociedade e está na 
posição ideal para assumir o compromisso de ajudar o 
paciente a obter o melhor resultado possível de seu 
tratamento medicamentoso (Dupuy & Karsenty, 1974; 
Dáder, 2001; Brasil, 2002). 
 No entanto, em uma oficina de trabalho promovida pela 
Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), a prática 
do farmacêutico foi caracterizada como sendo 
excessivamente tecnicista e incipiente na área clínica, 
existindo um descompasso entre a formação e as demandas 
dos serviços de atenção à saúde (OPAS, 2002). A prática 
tem priorizado as atividades administrativas, em 
detrimento da educação em saúde e da orientação sobre o 
uso de medicamentos, revelando-se desconectada das 
políticas de saúde e de medicamentos (Storpirtis et al., 
2001; Brasil, 2002; Acurcio, 2003). Sendo assim, aceitar 
esse novo “mandato” significa ajustar o foco da profissão 
farmacêutica e aumentar o seu nível de responsabilidade 
frente aos usuários de medicamentos. Assumir essa 
responsabilidade requer mudanças filosóficas, 
organizacionais e funcionais na prática farmacêutica 
(Hepler & Strand, 1990). 
 Tendo isto em vista, preparar o farmacêutico para o 
exercício dessa nova atribuição é passo fundamental para o 
sucesso de qualquer programa de Atenção Farmacêutica 
(Storpirtis et al., 2001). Deve-se ressaltam ainda que a 
Atenção Farmacêutica é um processo, sendo possível 
aprender fazendo (Johnson & Bootman, 1995). Muitos 
 
Rev. Bras. Farm. 92(4): 245-252, 2011 
249 
Pereira & Nascimento 
 
farmacêuticos têm demonstrado entusiasmo com este novo 
mandato, mas sua conceituação entre estes profissionais 
mostra-se inconsistente. Como retrato disso, grande parte 
dos farmacêuticos entrevistados em um estudo no interior 
de São Paulo e outro em João Pessoa disseram realizar 
Atenção Farmacêutica sem, no entanto, manterem registros 
ou seguirem metodologia, referindo-se à prática como 
orientação ou atendimento no momento da dispensação 
(Farina & Romano-Lieber, 2009; Filho & Batista, 2011). 
Um modelo de prática bem definido e o sistema de 
classificação de PFT são elementos-chave para se oferecer 
um serviço de Atenção Farmacêutica sistematizada e 
consistente em todo o mundo e, assim, gerar evidências 
significativas do impacto coletivo dessa prática, 
contribuindo para a sua expansão e consolidação (ASHP, 
1993; Strand et al., 1991; OPAS, 2002; Hepler et al., 
2002). 
 Todo profissional da Atenção Farmacêutica tem que 
entender a filosofia, desenvolver habilidades de 
comunicação e aplicar os mesmos padrões de cuidado, 
permitindo o reconhecimento e demanda da prática por 
pacientes de todo o mundo. A filosofia guia qualquer ação 
e decisão clínica feita na prática (Hepler et al., 1985; 
Hepler & Strand, 1990; ASHP, 1993; ASHP, 1996; Nies & 
Spielberg, 1996; Peretta & Ciccia, 2000; Dáder, 2001; 
Storpirtis et al., 2001; OPAS, 2002; Brasil, 2002; Perini, 
2003; Oliveira, 2003; Reis, 2003; Asadi-Lari et al., 2004; 
Cipolle et al., 2004; APHA, 2010). 
 A filosofia da Atenção Farmacêutica prevê uma prática 
centrada no paciente, que busque atender a necessidade 
social de controlar a morbi-mortalidade relacionada ao uso 
de medicamentos. Uma prática centrada no paciente deve 
ter como direção o atendimento das necessidades e os 
desejos do paciente, e não as preferências do profissional, 
e o respeito às experiências próprias do paciente com 
medicamentos. Além disso, o paciente deve participar 
ativamente do seu processo de cuidado e ser parte de uma 
estreita relação com seu farmacêutico. Essa relação 
terapêutica deve proporcionar uma troca mutuamente 
benéfica, na qual o paciente confere autoridade ao 
farmacêutico e este, por sua vez, oferece ao paciente 
conhecimento e comprometimento com a melhoria da sua 
qualidade de vida. A manutenção e o fortalecimento da 
relação terapêutica permitem a obtenção de resultados 
positivos durante o acompanhamento e a conseqüente 
melhora na qualidade de vida do paciente (Hepler & 
Strand, 1990; Strand et al., 1991; ASHP, 1993; ASHP, 
1996; Nies & Spielberg, 1996; Cipolle et al., 1998; Peretta 
& Ciccia, 2000; Dáder, 2001; Storpirtis et al., 2001; 
Espanha, 2002; OPAS, 2002; Oliveira, 2003; Reis, 2003; 
Asadi-Lari et al., 2004; Cipolle et al., 2004; APHA, 2010). 
 Durante o acompanhamento, sem nunca perder o foco na 
filosofia da prática, o profissional da Atenção 
Farmacêutica deve aplicar seus conhecimento e 
habilidades utilizando o processo lógico, racional e 
ordenado de tomada de decisões para avaliar o paciente, 
acessar suas necessidades e identificar seus PFT. O 
profissional trabalha para garantir que todas as 
necessidades relacionadas a medicamentos sejam 
atendidas e todos os PFT prevenidos, identificados e 
resolvidos. Seu objetivo é garantir que a terapia medica- 
 
 
mentosa seja indicada, efetiva, segura e conveniente para 
cada paciente acompanhado (ASHP, 1993; ASHP, 1996; 
Peretta & Ciccia, 2000; OPAS, 2002; Oliveira, 2003; Reis, 
2003; Cipolle et al., 2004; APHA, 2010). 
 O processo de cuidado ao paciente envolve um encontro 
face a face entre um profissional qualificado e um 
paciente. Uma avaliação inicial é realizada duranteo 
primeiro encontro. Ela é conduzida de forma a identificar 
todas as necessidades farmacoterapêuticas do paciente e 
qualquer PFT. Avaliando as informações obtidas, um 
plano de cuidado é elaborado. Este inclui objetivos 
terapêuticos bem definidos para cada problema de saúde 
que o paciente apresenta e determina quais intervenções 
serão recomendadas para resolver os PFT e atingir os 
objetivos terapêuticos. O paciente deve ser consultado na 
elaboração do plano e, como parte essencial para obtenção 
de bons resultados, deve ser devidamente esclarecido sobre 
seus aspectos principais. Nessa etapa, deve-se assegurar 
que o paciente tenha todas as informações e 
conhecimentos necessários para seguir o plano de cuidado 
estabelecido. Na avaliação de resultados, a última etapa, o 
profissional e o paciente avaliam se os objetivos 
terapêuticos foram atingidos, determinando a situação ou 
melhora da condição do paciente, e registram-se os novos 
dados experimentados pelo paciente. A partir daí, um novo 
plano de cuidado é desenvolvido e o processo se repete 
ciclicamente (Cipolle et al., 2004). 
 O paradigma do cuidado é a base da Atenção 
Farmacêutica. Todos os profissionais envolvidos no 
cuidado do paciente cooperam entre si, visando o benefício 
do mesmo. O farmacêutico vai cuidar especificamente para 
que se obtenham os melhores resultados do uso dos 
medicamentos, mas precisa trabalhar de forma 
interdependente com médicos, com outros profissionais da 
saúde e com seus colegas na farmácia, inclusive 
funcionários e gerentes. Também é imprescindível que ele 
disponha do tempo necessário para obter as informações 
relacionadas a farmacoterapia, entender os desejos, 
preferências, necessidades e expectativas do paciente 
relacionadas com sua saúde e, além disso, que ele se 
comprometa a continuar a atenção uma vez iniciada. O 
comprometimento e a responsabilidade são necessários em 
tempo integral (Storpirtis et al., 2001; Asadi-Lari et al., 
2004; Cipolle et al., 2004). 
 A primeira atitude do profissional que vai iniciar um 
programa de Atenção Farmacêutica é identificar outros 
profissionais com interesse na prática. Deve-se montar um 
grupo de até seis pessoas, que se encontre pelo menos uma 
vez a cada três semanas. O objetivo desses encontros será 
a discussão do processo de implantação do serviço e a 
apresentação de casos clínicos. Deve-se estabelecer quais 
atividades serão desenvolvidas e de que forma o serviço 
será documentado. O próximo passo é conseguir os 
recursos necessários: pessoal; espaço físico; bibliografia 
adequada; sistemas de coleta de dados, documentação e 
transferência de informações; processo eficiente de fluxo 
de serviços e o comprometimento da equipe envolvida 
com a qualidade do serviço prestado. Em seguida é 
fundamental apresentar o serviço para os pacientes e 
outros profissionais de saúde. Para desenvolver uma 
prática de sucesso é necessário estabelecer um bom relaci- 
 
Rev. Bras. Farm. 92(4): 245-252, 2011 
250 
Pereira & Nascimento 
 
onamento com os demais integrantes da equipe 
multidisciplinar do cuidado à saúde, elaborar um processo 
para a gestão do serviço e planejar a sua divulgação junto 
aos usuários e aos outros profisisonais. Para garantir a 
consolidação e expansão do serviço, deve-se coletar 
evidências de qualidade e de impacto positivo (Storpirtis et 
al., 2001; APHA, 2010; Bonal, 2002). 
 Na prática da Atenção Farmacêutica, também é 
necessário documentar todos os passos do processo de 
cuidado da prática, essa é uma das regras do cuidado em 
saúde. A documentação deve ser clara, precisa e completa, 
registrando a experiência, as necessidades específicas do 
paciente e as intervenções realizadas. As informações 
devem ser mantidas sob sigilo e registradas de forma a 
garantir um fácil acesso e a atualização quando for 
necessário. A documentação também é útil para avaliar o 
impacto do serviço (Strand et al., 1988; Peretta & Ciccia, 
2000; Dáder, 2001; Bonal, 2002; Cipolle et al., 2004; 
APHA, 2010). 
 A prática da Atenção Farmacêutica tem grande impacto 
positivo para os pacientes ao reduzir erros na utilização de 
medicamentos, RAM (reações adversas a medicamentos), 
admissão hospitalar e custo de tratamento, promovendo 
uma melhor qualidade de vida. Oferece também a 
possibilidade do paciente participar de decisões 
terapêuticas, saber mais sobre sua doença, obter maiores 
informações e, consequentemente, cumprir melhor seu 
tratamento e obter melhores resultados (Zelmer, 2001; 
Paulos, 2002). Para o farmacêutico, a Atenção 
Farmacêutica representa uma possibilidade de melhorar a 
sua imagem, incentivar a educação continuada, recuperar 
seu papel social e desenvolver a prestação de um serviço 
de excelência. 
 A Atenção Farmacêutica contribui para o uso racional de 
medicamentos, na medida que desenvolve um 
acompanhamento sistemático da terapia medicamentosa 
utilizada pelo indivíduo, buscando avaliar a necessidade, a 
segurança e a efetividade no processo de utilização de 
medicamentos (Faus & Martinez, 1999). A Atenção 
Farmacêutica beneficia, ainda, os outros profissionais da 
saúde, ao melhorar o seu acesso a informação sobre 
medicamentos e ao auxiliar na detecção de PFT em seus 
pacientes e na detecção de pacientes sem diagnóstico e/ou 
tratamento (Paulos, 2002). Além disso, a implantação 
desta prática profissional também contribui para obtenção 
de resultados clínicos positivos (Nascimento, 2004; Lyra-
Júnior, 2005). 
 
CONCLUSÃO 
 
 Partindo do panorama histórico e atual exposto, a 
Atenção Farmacêutica é necessária e dirigida a atender 
uma nova demanda social, sendo portanto, um elemento 
essencial nos serviços de saúde. Pode acontecer em todos 
os cenários da prática profissional integrando-se às outras 
partes do sistema de saúde e com os demais profissionai, e 
deve ser incentivada. 
Fica, então, para os farmacêuticos, o desafio de “fazer o 
ideal virar realidade” e deixar de ser “entregador” de 
medicamentos, passando a desempenhar o papel de 
"dispensador de atenção sanitária". 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
 As autoras agradecem às bibliotecárias da Faculdade de 
Farmácia da UFMG pela disponibilidade e atenção. 
 
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Literatura, história e farmácia: um diálogo possível
v.20, n.2, abr.-jun. 2013, p.653-673 813 813v.22, n.3, jul.-set. 2015, p.813-828 813
Irene Nogueira de Rezende
Pós-doutoranda, Programa de Pós-graduação de História 
da Ciência/Universidade Federal de Minas Gerais.
Av. Antonio Carlos, 6.627
31270-901 – Belo Horizonte – MG – Brasil
inrezende@uol.com.br
Literatura, história e 
farmácia: um diálogo 
possível
Literature, history and 
pharmacy: a possible dialogue
Recebido para publicação em março de 2013.
Aprovado para publicação em dezembro de 2013.
http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59702015000300009
REZENDE, Irene Nogueira de. Literatura, 
história e farmácia: um diálogo possível. 
História, Ciências, Saúde – Manguinhos, 
Rio de Janeiro, v.22, n.3, jul.-set. 2015, 
p.813-828.
Resumo
No Centro de Memória da Faculdade 
de Farmácia da UFMG encontram-se 
documentos relativos à passagem de 
Carlos Drummond de Andrade pela 
instituição, fato que levou à reflexão 
sobre a presença da farmáciae do 
farmacêutico na literatura. Por meio de 
diálogo interdisciplinar e de pesquisa 
sobre elementos que comprovassem 
essa presença, sua efetiva participação 
e presença na literatura, buscou-se 
historicizar essa vinculação não só 
do poeta de Itabira, mas de outros 
homens de letras, sendo profissionais 
farmacêuticos ou inspirados por eles. 
Objetivou-se, igualmente, apontar 
alguns elementos que fundamentem 
e demonstrem a importância desse 
profissional na sociedade brasileira do 
final do século XIX e primeira metade 
do XX. 
Palavras-chave: farmácia; literatura; 
história da ciência; interdisciplinaridade. 
Abstract
In the Memory Center of the Pharmacy 
School of UFMG there are documents 
relating to the passage of Carlos Drummond 
de Andrade through the institution, a fact 
that has led to reflection on the presence of 
the pharmacy and the pharmaceutical expert 
in literature. By means of interdisciplinary 
dialogue and research into elements that 
prove this presence, active participation 
and presence in the literature, an attempt 
was made to historicize these ties, not only 
of the poet from Itabira, but other men of 
letters, be they pharmaceutical professionals 
or people inspired by them. The objective 
was also to highlight some evidence that 
supports and demonstrates the importance 
of this professional in Brazilian society of the 
late-nineteenth century and early-twentieth 
century.
Keywords: Pharmacy; literature; history of 
science; interdisciplinarity.
Irene Nogueira de Rezende
814 História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro814 História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro
Eu quisera que o jovem cronista me informasse desde quando foi 
declarado o repúdio entre a profissão de farmacêutico e a cultura 
de letras; desejara que me expusesse os motivos desconhecidos, 
pelos quais os dedos que enrolam pílulas estão, por esse fato, 
inibidos de empunhar uma pena ou tanger uma lira (Pires, 29 
jun. 1901). 
Por ocasião das comemorações dos 100 anos de fundação da Faculdade de Farmácia da 
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), várias cerimônias foram realizadas e talvez 
a mais expressiva tenha sido a inauguração do Centro de Memória da Faculdade (CMF) de 
Farmácia. Projeto antigo do professor Gerson Pianetti, o CMF guarda um grande número 
de objetos que remete, evidentemente, ao mundo das boticas e “pharmacias”, além de 
documentos gerados ao longo de um século de funcionamento da instituição, fundada em 
1911.
Em meio ao corpo documental da Faculdade encontram-se – infelizmente poucos – papéis 
que testemunham a passagem do poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) como 
aluno da casa. Embora tenha recebido seu diploma em 1925, ele jamais exerceu a profissão.
Mas essa feliz coincidência, de se ter aquele que é considerado o maior poeta brasileiro 
como egresso do curso de farmácia, aponta para um tema curioso e recorrente: por que a 
farmácia teve convivência tão estreita com a literatura e, ainda, por que serviu de inspiração 
para tantos autores, seja na poesia, seja na prosa? Que artimanhas da cultura, da ciência e 
da memória uniram a farmácia e a literatura? Como a criatividade e a observação passeavam 
por frascos e fórmulas, pequenas balanças, almofarizes e drágeas e, ao fim e ao cabo, se 
concretizando em fontes inspiradoras para obras literárias da mais alta qualidade? E, por 
fim, há uma interpretação histórica que elucide e fundamente essas questões? Dito de outra 
forma, examinar a literatura sob esse viés seria uma forma de (re)conhecer a força simbólica 
da figura do farmacêutico (e do espaço físico da farmácia) que por tanto tempo estimulou 
a inspiração dos escritores, ocupando um lugar privilegiado na galeria de personagens que 
frequentavam tão assiduamente romances, contos e novelas.
Esses pressupostos conduzem, por outro lado, ao diálogo interativo da história com 
outras disciplinas, o que já é fato consolidado, mas não se configura num esquema 
dogmático finalizado e fechado para outras experiências, questionamentos e ampliação de 
novas abordagens. Tentar-se-á uma análise interdisciplinar entre a história das ciências e a 
literatura num exercício sobre a força da presença da farmácia e do farmacêutico na literatura 
brasileira nos séculos XIX e XX. Neste texto busca-se compreender também a imagem da 
prática científica vista como essencialmente racional, não se levando em consideração outras 
variáveis que interferem nessa atividade: os aspectos sociais e culturais vividos por aqueles que 
trabalharam nos vários segmentos científicos. E ainda tentar-se-á evidenciar que a articulação 
entre ciência e literatura é bem maior do que se poderia pensar. 
Já se tornou mais que banal a expressão “crise de paradigmas” para explicar a falência 
de certos modelos explicativos no estudo da história. Dentro do contexto globalizante 
em que vivemos e do esfacelamento de verdades absolutas é imprescindível buscar novos 
arsenais de conceitos que se coadunem com a realidade vivida. A consciência de que, a 
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cada dia, caem por terra normas e teorias tidas como incontestáveis resulta em experiências 
interdisciplinares na tentativa de soluções e saídas explicativas. A cada geração são colocadas 
novas indagações e novas maneiras de explicá-las. A esse respeito afirma Bronislaw Baczko 
(1985, p.309): “com efeito, todas as épocas têm as suas modalidades específicas de imaginar, 
reproduzir e renovar o imaginário, assim como possuem modalidades específicas de acreditar, 
sentir e pensar”. 
Assim, deve-se considerar a literatura uma legítima manifestação da cultura de determinada 
sociedade. E, se é uma manifestação legítima, é um registro que o historiador pode e deve 
explorar. Refletindo sobre a ligação entre a história e a literatura, François Hartog declarou 
em recente entrevista: 
E me parece que o escritor, o verdadeiro escritor, se posso assim dizer, é aquele que 
considera o seu trabalho ‘dizer’ o mundo de várias maneiras. Ele pode, não havendo 
estas amarras que estão no domínio das ciências humanas e sociais, apreender, de modo 
mais rápido e imediato, as coisas que estão se passando. E, é preciso dizer, que ele pode 
se equivocar completamente. Todavia, ele pode também, deste modo, dar uma expressão 
aos fenômenos, uma expressão que eles ainda não possuem. E assim, penso, ele pode 
ser muito precioso para um historiador ou para homens das ciências humanas e sociais 
(Rodrigues, Nicolazzi, dez. 2012, p.361).
Sem nos estender muito nas considerações teórico-metodológicas, é bom assinalar que 
há várias décadas o estudo da ciência já vem sendo confrontado pela necessidade do diálogo 
com outras disciplinas para uma melhor compreensão de certos fenômenos. Do total 
racionalismo de que se revestiu a ciência a partir dos iluministas, hoje vivemos uma época 
em que essa postura excessivamente cartesiana é com frequência contestada. O médico e 
cientista polonês Ludwik Fleck (1896-1961), em livro de 1935, refletia sobre o racionalismo 
exacerbado da ciência em geral, discutindo aspectos epistemológicos e levando à compreensão 
de que não se podia estudar a ciência isoladamente e descolada de seu contexto histórico e 
social, concebendo-a como uma atividade social e coletiva. Embora não seja de leitura fácil, 
suas reflexões inovadoras são fundamentais para quem se dedica ao estudo da história e da 
teoria da ciência (Fleck, 2010). 
O filósofo austríaco, naturalizado inglês, Karl Popper (1902-1994) igualmente se preocupou 
com a natureza da atividade científica e questões epistemológicas envolvendo o conhecimento 
científico sob um viésdemasiadamente cartesiano. Ele observou em uma de suas palestras 
que “deve ser óbvio que a objetividade e a racionalidade do progresso em ciência nada têm 
a ver com a objetividade e a racionalidade pessoal do cientista. A grande ciência e os grandes 
cientistas atuam como os grandes poetas, sob a inspiração, muitas vezes, de intuições não 
racionais” (Popper, 1976, p.103).
Neste trabalho considera-se a interdisciplinaridade uma prática que atua na convergência 
das diversas áreas do saber, ou seja, a interação entre a história, a literatura e as práticas 
farmacêuticas. Tarefa, talvez, um pouco complicada porque “se trata de apreender o registro 
das nuanças das sensibilidades de uma época, o seu ‘clima’, o seu ‘ethos’, aquilo que, no 
passado, corresponderia ao sistema de valores, conceitos e noções que pautaria a vida dos 
homens e guiaria as práticas sociais” (Pesavento, 1996, p.109). 
Irene Nogueira de Rezende
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A literatura é, pois, uma fonte para o historiador, mas privilegiada, porque lhe dará 
acesso especial ao imaginário, permitindo-lhe enxergar traços e pistas que outras fontes 
não lhe dariam. Fonte especialíssima, porque lhe dá a ver, de forma por vezes cifrada, 
as imagens sensíveis do mundo. A literatura é narrativa que, de modo ancestral, pelo 
mito, pela poesia ou pela prosa romanesca, fala do mundo de forma indireta, metafórica 
e alegórica. Por vezes, a coerência de sentido que o texto literário apresenta é o suporte 
necessário para que o olhar do historiador se oriente para outras tantas fontes e nelas 
consiga enxergar aquilo que ainda não viu (Pesavento, 28 jan. 2006, p.5). 
A importância das farmácias e a figura do farmacêutico
A figura do farmacêutico como salvador de vidas e mitigador de dores teve um vigoroso 
reforço nas primeiras décadas do século XX com o aumento exponencial da comercialização 
de medicamentos; afinal, eram esses profissionais responsáveis pelas vendas e muitas vezes 
pela prescrição. Os estabelecimentos farmacêuticos serviram de cenário físico a esse tipo 
de comércio no qual, por outro lado, se desenvolveram práticas sociais como as relações de 
sociabilidade vividas e vivenciadas nas farmácias espalhadas por todo o Brasil, particularmente 
no final do século XIX até meados do XX, quando essas casas negociantes constituíam um 
lócus de grande importância dentro das comunidades urbanas. O ambiente físico de uma 
farmácia antiga é descrito pelo historiador das ciências Flávio Edler (2006, p.94):
No final do século XIX, as farmácias ainda mantinham boa parte do instrumental 
tecnológico herdado das boticas. Na sala da frente, prateleiras repletas de frascos de 
louça, brancos ou negros, de tamanho uniforme e inscrições douradas a fogo, onde 
eram guardadas as substâncias postas à venda. Nas dependências dos fundos, vedadas 
aos clientes, boiões, frascos de vidro e grandes potes de louça ou de barro encerravam 
o material sólido ou em pó. Lá também ficavam os instrumentos: almofariz para 
a maceração, cortador de raízes, tachos de bronze e coadores diversos; utensílios 
fundamentais para o preparo das receitas solicitadas pelos médicos ou muitas vezes 
indicadas pelos próprios farmacêuticos. 
Nas últimas décadas do século XX, as farmácias vão passar por um processo de trans-
formação de tal porte que eliminará o caráter socialmente agregador que as caracterizou 
durante todo esse tempo. Os antigos e grandes armários de madeiras de lei e vidros bisotados 
deram lugar às gôndolas contemporâneas nas quais se vende de goma de mascar até ração 
para cães, e os remédios foram empurrados para uma modesta parede nos fundos, afastando, 
assim, qualquer possibilidade de um convívio social mais estreito entre os fregueses. Edler 
(2006, p.99) observa que: “O desenvolvimento dos laboratórios farmacêuticos e o consequente 
aumento da utilização de medicamentos prontos nacionais ou importados transformaram, aos 
poucos, o perfil das farmácias, que, cada vez mais, foram assumindo características próprias 
dos estabelecimentos comerciais voltados para o varejo”. 
Ainda segundo Edler, as transformações no modus vivendi das farmácias não se deram de 
forma homogênea. Nas cidades maiores as farmácias passaram a oferecer produtos de beleza 
e perfumaria, aumentando consideravelmente o público consumidor feminino. Por outro 
lado, nas pequenas cidades do interior do país desprovidas de assistência hospitalar adequada, 
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“muitas farmácias acabaram se transformando em espaços de prática médica, abrigando 
consultórios clínicos, onde eram oferecidas consultas à população local” (Edler, 2006, p.99).
As farmácias de hoje perderam quase todo o apelo que atraía pessoas para seus interiores, 
estabelecendo laços de sociabilidade e reafirmando o caráter agregador desse tipo de comércio. 
Afinal, em tempos de poucos médicos e dificuldade de acesso a hospitais – e muitas vezes a 
inexistência deles – era a farmácia uma espécie de porto seguro para as populações do interior 
do Brasil, e o farmacêutico, frequentemente, representava de forma digna os discípulos de 
Hipócrates. Sem contar o grande número de pessoas que se automedicavam e preferiam a 
opinião do farmacêutico à dos médicos.
Tal a força do significado de “ser farmacêutico” – e este detendo o saber das fórmulas que 
aliviariam as dores e salvariam vidas – que essa representação pairou sobre o imaginário de 
gerações de escritores, quando não eram os próprios os detentores desse saber científico. Além 
disso, o fato de lidar com dor, angústia, medo, iminência da morte, sentimentos tão triviais 
no cotidiano do profissional farmacêutico, certamente serviu de ingrediente precioso para 
apurar e estimular a criação literária, sentimentos que atuariam como indutores e modelos 
para a legitimação de personagens a concretizar nas páginas de romances, contos e poesias.
A revista O Farmacêutico Brasileiro, publicada desde meados dos anos 1920 até o final 
dos anos 1940, reforçava, através da propaganda financiada pela multinacional alemã dos 
medicamentos, a Bayer,1 o caráter íntegro, disponível e caridoso do profissional atrás do balcão. 
O farmacêutico era revestido, então, de uma função simbólica e representado como o homem 
que salvava vidas e aliviava as dores mais atrozes, quase um sacerdote, que detinha o saber 
das manipulações, da eficiência dos medicamentos, das fórmulas dos elixires mitigantes, bem 
como a ciência da exata medida da cura contida nos cadinhos e frascos. 
É bom esclarecer que, por essa época, as multinacionais dos medicamentos já estavam 
instaladas no Brasil, e atrair a simpatia dos farmacêuticos tinha, como consequência lógica, o 
aumento das vendas de seus produtos. Outra variável interferia ainda na maciça propaganda 
das empresas: a Segunda Guerra Mundial, que colocou em lados opostos alemães (donos então 
da maior fatia do mercado brasileiro de medicamentos) e os norte-americanos ansiosos para 
abocanhar seu quinhão brasileiro e afastar as fábricas “nazistas” dos aliados (Quintaneiro, 
2002). De qualquer modo, havia, então, um sistemático reforço na condição simbólica do 
farmacêutico como o bom amigo a quem recorrer nas aflições e doenças. É o que hoje se 
chama estratégia de marketing. 
Já bem longe vai o tempo em que o Farmacêutico – o boticário – não passava de um 
homem mais ou menos hábil em manipular pílulas e xaropadas. Hoje o Farmacêutico 
é um profissional cuja arte está intimamente ligada à ciência médica da qual é um 
precioso colaborador ... E, assim, como o sacerdote dá, com suaoração, que é o remédio 
da alma, o bom conselho, assim também acompanhados e conselhos salutares dá o 
Farmacêutico o remédio do corpo (O Farmacêutico..., mar. 1935, p.5).2
O Farmacêutico é, em momentos tais, o sacerdote da providência, o amigo do seu 
semelhante. Nenhum interesse o guia a não ser o de servir ao próximo (O Farmacêutico..., 
set. 1938, p.3). 
Irene Nogueira de Rezende
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A farmácia na literatura e a literatura na farmácia
O perfil anteriormente descrito de nenhuma maneira se enquadrava na figura do 
farmacêutico Sebastião Veríssimo, morador da cidade gaúcha de Cruz Alta nos primeiros 
anos do século XX. Proprietário da Farmácia Brasileira e pai do escritor Érico Veríssimo (1905-
1975), Sebastião fazia de seu estabelecimento uma mistura nada ortodoxa de bar, hospital, 
hospedaria e farmácia de manipulações, com sua nítida preferência pelo bar.
Em suas memórias Veríssimo narra como era o dia a dia da farmácia paterna e alerta os 
leitores para fatos aparentemente inverossímeis que se passavam no local, prevenindo que não 
se trata de mitomania, mas difícil mesmo de se acreditar tamanhos os absurdos. A farmácia 
era local de roda de chimarrão, onde se reuniam diariamente “os vadios e aposentados” da 
cidade. Nos fundos funcionava um mini-hospital, no qual trabalhava um médico-cirurgião 
italiano que operava numa sala toscamente preparada para o fim a que se destinava. Enquanto 
extirpava rins e tumores, remexia tripas e suturava abdômens, o doutor cantarolava “Torna 
a Sorrento” ou assoviava as 14 notas do “Carnaval de Veneza”. A bagunça era tanta, que um 
dia “um gaiato com um mórbido conceito de humor colocou na soleira da porta de nossa 
cozinha um rim humano deformado por um tumor, que o Dr. Merlo acabara de extirpar do 
corpo dum paciente” (Veríssimo, 1978, p.45). Ainda contava a Farmácia Brasileira com alguns 
quartos ao fundo para hospedar os parentes dos doentes mais graves. O menino Érico obser-
vava e registrava os fatos ocorridos nesse mundo de tintas surrealistas. A Farmácia Brasileira de 
Sebastião Veríssimo serviria de modelo para a Farmácia Popular do doutor Rodrigo Cambará, 
na saga de O tempo e o vento. 
O movimento agora era tão grande, que [Rodrigo] tivera de admitir mais dois 
empregados. Esse progresso se devia em grande parte às operações do Dr. Carlo Carbone. 
Felicitava-se de ter tido a ideia de trazer aquele italiano para Santa Fé. O diabo do gringo 
tinha mãos de mago: era indubitavelmente o maior operador que já aparecera no Rio 
Grande do Sul. Outra grande ideia fora a de construir no quintal da farmácia aqueles 
pavilhões de madeira com os quartos onde ficavam os doentes após as operações. Era 
uma espécie de paródia de sua tão sonhada casa de saúde... (Veríssimo, 1985, p.483).
Tempos depois, em 1926, o romancista gaúcho se tornaria sócio de uma farmácia, a 
Farmácia Central, de Érico Veríssimo & Cia., embora nenhum talento tivesse para lidar com 
“o mundo dos xaropes, emplastros, pílulas e pomadas...”
Se a Farmácia Brasileira de meu pai fora das mais estranhas de que tenho notícia, 
a nossa não lhe ficava muito atrás. Não me seria possível registrar com minúcias os 
dramas, comédia e farsas de que nossa botica foi teatro – e teatro é a palavra exata. E 
ainda hoje, recordando aqueles dias, nossos erros, leviandades e falsas esperanças, não 
posso explicar como uma casa de comércio tão mal administrada como aquela pôde 
durar quase quatro anos (Veríssimo, 1978, p.200).
Como nos mostra o escritor gaúcho, a farmácia era em si um mundo de vivências e 
convivências e uma fonte riquíssima de elementos inspiradores para personagens, situações 
e ambientações.
O baiano Jorge Amado estudou direito, mas nem por isso deixou de descrever muito 
apropriadamente a figura do farmacêutico. Quem não se lembra do doutor Teodoro Madureira, 
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proprietário da Farmácia Científica e segundo marido de dona Flor? Para traçar o perfil do 
sistemático, esperto e meticuloso boticário, certamente Amado buscou inspiração em algum 
profissional da área, visto que seus personagens eram sempre calcados em figuras que conhecia 
e observava em suas andanças. No romance, o doutor Teodoro era o profissional de reputação 
ilibada, correto e orgulhoso de frequentar a “gente de bem” na sociedade soteropolitana. Como 
se não bastasse toda sua competência da manipulação de elixires e xaropes, o farmacêutico 
ainda tocava fagote numa orquestra de amadores e conquistou o coração da cozinheira mais 
afamada da Bahia.
Doutor Teodoro surgiu na hora exata, na precisão de seu cronômetro suíço, numa 
lordeza que só vendo, flor à botoeira, um figurão esplêndido, a estremecer todas 
as comadres. Recebido com certa cerimônia por tia Lita, após cumprimentar todos os 
presentes, dirigiu-se ao lugar que, segundo rígido protocolo, lhe designaram: no sofá ao 
lado de dona Flor... O farmacêutico percorreu com os olhos a sala cheia, dona Norma 
sorriu a animá-lo. Então, pondo-se novamente de pé e dirigindo-se à dona Flor e aos 
tios, disse como ficaria feliz ‘se ela quisesse lhe fazer a mercê de aceitá-lo como noivo, 
futuro esposo em breve prazo, dispondo-se a ser sua companheira na estrada da vida, 
estrada pedregosa, feita de obstáculos e tropeços, a transformar-se no entanto em paraíso 
se ele contasse com seu apoio e bálsamo...’ (Amado, 1989, p.523).
O escritor e jornalista mineiro Manoel Lobato, nascido na pequena Assaraí, distrito de 
Pocrane, na Zona da Mata mineira, estudou farmácia no Rio de Janeiro, onde colou grau em 
1949. Mais tarde se formou também em direito e trabalhou como jornalista para pagar os 
estudos, mas fez da atividade farmacêutica o sustento seu e de sua família. Menino pobre, 
órfão de pai muito cedo, foi criado vendo a mãe – uma farmacêutica prática – comandar o 
pequeno estabelecimento deixado pelo finado marido. Autor de inúmeros romances, contos 
e novelas, com obras traduzidas no exterior, narrou fragmentos biográficos no livro Cartas 
na mesa: memórias e manteve a Farmácia Lobato num bairro da capital mineira durante 
décadas (Lobato, 2002). 
Outro talento que alternou as lides do comércio de remédios com a criação literária foi 
Antonio Avelino Fóscolo (1864-1944). E aqui vale a pena nos deter um pouco mais em sua 
curiosa trajetória de vida. Dotado de rara inteligência e de personalidade criativa, atuou em 
várias frentes: foi ator e autor de teatro, jornalista, escritor, militante da causa anarquista 
e, ao que consta, excelente farmacêutico prático. Chegou a criar fórmulas eficientes, uma 
delas destinada aos animais e chamada “O cevador”, que era vendida como pão quente na 
farmácia, trazendo polpudos lucros ao criador da fórmula. É inexplicável como uma vida 
tão dinâmica e atuante tenha ficado tanto tempo no ostracismo. A academia o “descobriu” e 
vários trabalhos3 foram escritos sobre Fóscolo, seja como escritor, seja como líder anarquista. 
Nascido em Sabará, Minas Gerais, viveu grande parte de sua vida em Taboleiro Grande 
(antiga denominação da cidade de Paraopeba), por conta do casamento com a filha de um 
farmacêutico. Tomou gosto pela profissão, aprendeu na prática e ajudou o sogro. Mais tarde 
tornou-se proprietário do estabelecimento e diversificou suas atividades, publicando um 
jornal e escrevendo peças e romances. A pequena cidade era próxima da tecelagem Fábrica 
do Cedro, propriedade da rica família Mascarenhas. Pois foi com os operários dessa fábrica 
que Fóscolo conviveu e serviu de líder para suas demandas contra os abusos perpetrados 
Irene Nogueira de Rezende
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pelos proprietários da tecelagem, socorrendo aqueles que precisavam de medicamentos e não 
tinham como pagar. Devido à personalidade gregária e fascinante de Fóscolo, sua farmácia 
se tornou um local de grandes debates, políticos e literários. Como observa a historiadora 
Regina Horta Duarte (1991, p.40): 
Numa sociedade tão modesta como aquela, pode-se avaliar a importância assumida 
pelo farmacêutico, superada apenas pelo padre, o prefeito e o delegado. Assim como 
a igreja, o prédio da prefeitura e a praça, a farmácia era um espaço-chave na vida 
daquelas pessoas. E a de Fóscolo ia muito bem. Com ela não dissociava nunca as 
atividades diversas que exercia: sua localização era na mesma casa que lhe servia de 
residência, laboratório para a fabricação de remédios, tipografia para a impressão de 
jornais... A farmácia não é visitada dessa forma, apenas por motivo de doença... era 
um lugar onde as pessoas se encontravam e várias questões, sérias ou insignificantes, 
eram discutidas.
Como farmacêutico, se interessava em estar sempre atualizado; por isso, esteve na 
Alemanha fazendo cursos. Fóscolo era simpatizante do anarquismo e é considerado um 
escritor naturalista, com forte influência de Émile Zola, Piotr Krpotkin (iniciador do 
anarcocomunismo), Jean Grave, além de estar sempre atualizado com as leituras dos autores 
da época, como Eça de Queiroz, Guerra Junqueiro e Tolstoi. Sua produção literária é permeada 
por preocupações humanistas e de justiça social e infelizmente pouco divulgada. Principais 
romances: Mulher, Caboclo e A capital.
Sua filha Adília foi uma das primeiras mulheres a se formar na Escola de Farmácia e teve 
como colega Carlos Drummond de Andrade, que lhe dedicou um poema escrito num caderno 
da farmacêutica:
Na asa do vento
Na asa do vento
Esta mulher não tem nome.
Esta mulher passou pelas ruas de Belo Horizonte
como o vento passa pelas árvores.
O vento passa pelas árvores...
Saí correndo e gritando atrás de sua sombra, 
Saí correndo e gritando...
Nas pedras do calçamento,
Havia uma saudade infinita do seu passo,
e o seu passo foi mais breve que o vento.
Esta mulher tinha meu destino entre as mãos,
e sorrindo, e fugindo, perdeu-se no verde
da distância.
Carlos Drummond de Andrade, 1925 (citado em Malard, 1987, p.7).
O século XX mineiro foi, talvez, o período mais rico de sua história em produção literária, 
seja ela no romance, na poesia, na crônica, seja na memória, e, dentre tantos escritores 
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oriundos de Minas Gerais, Lúcio Cardoso (1912-1968) é um dos grandes destaques. Seu 
romance, Crônica da casa assassinada, foi publicado pela primeira vez em 1959. Antes disso 
Cardoso já havia publicado outros romances, novelas, poesias, peças teatrais – várias delas 
encenadas em palcos cariocas e paulistas – e se dedicado também ao jornalismo, à pintura 
e à tradução. Como se não bastasse, o prolífico autor ainda escreveu para o cinema. O filme 
Porto das Caixas, de 1961, foi roteirizado (e dirigido) por Paulo César Saraceni a partir de uma 
história de Lúcio Cardoso e, ele mesmo, dirigiu também o filme A mulher de longe, além de 
roteirizar várias outras produções do cinema nacional.
Crônica da casa assassinada é considerado pelos críticos um dos romances fundamentais 
da literatura brasileira do século XX. Nele, Cardoso reservou para o farmacêutico da fictícia 
cidade de Vila Velha um papel de destaque na trama. Grosso modo, o tema do livro gira em 
torno das mazelas de uma família tradicional que vai, aos poucos, entrando numa espiral 
de decadência e promiscuidade, e no processo são revelados dilemas de cada um dos seus 
membros. O farmacêutico Aurélio também se envolve na vida dos Meneses por meio de troca 
de favores não muito éticos.
Procurei me informar do que se tratava, enquanto depositava a valise e retirava a capa 
que escorria. Disse-me o sr. Valdo que Dona Nina, logo após o jantar, sentara-se ao 
piano, sendo acometida de um mal súbito... Como habitualmente não gozasse de boa 
saúde, ele achara melhor mandar chamar alguém, pois nada entendia de medicina. Na 
ausência do doutor, a escolha recaíra sobre mim: não havia na cidade ninguém mais 
credenciado. E acrescentou que eu desculpasse o incômodo, mas que ele não seria avaro 
na recompensa (Cardoso, 2009, p.130). 
Ainda sobre os mineiros não se poderia omitir Pedro Nava. Não, ele não era farmacêutico, 
e sim médico formado pela Faculdade de Medicina de Belo Horizonte, colega de sala do 
diamantinense Juscelino Kubitschek. Mas Nava aparece aqui como filho e neto de farmacêuticos 
(seu pai formou-se primeiro em Farmácia e depois em Medicina) e seus ancestrais cearenses 
possuíam estabelecimentos farmacêuticos em Fortaleza. E só por conviver estreitamente 
com Carlos Drummond de Andrade na mesma época em que os dois faziam seus cursos, já 
o gabarita para entrar na curiosa ligação entre a farmácia e a literatura. 
O criador do Sítio do Picapau Amarelo, o paulista Monteiro Lobato (1882-1948) escreveu e 
idealizou, junto ao escritor paulista Léo Vaz (1890-1973), o primeiro número do Almanaque do 
Biotônico Fontoura, em 1920. Amigo de Cândido Fontoura Silveira (1885-1978) – farmacêutico 
e empresário do ramo de medicamentos –, fez de seu personagem, o Jeca Tatu, o maior 
estimulador das vendas dos medicamentos Biotônico Fontoura e o Ankilostomina Fontoura. 
O Jeca Tatu, uma controvertida caricatura do homem do campo brasileiro criada por Lobato, 
se investiria de tamanha força simbólica que, durante décadas, seria o elemento inspirador 
de músicas, filmes e histórias em quadrinhos.
Milhões de exemplares dessas publicações foram editados e distribuídos por todo o 
país. Formato ágil, equilibrando seu caráter intrinsecamente comercial com o espírito 
e o conteúdo dos almanaques tradicionais, levou não só às populações urbanas, mas a 
pequenas comunidades rurais, uma possibilidade de informação e entretenimento. Para 
muitos, em determinadas circunstâncias e frente à carência material e cultural do meio, 
o almanaque representou o livro e a revistinha infantil; em outras ocasiões, assumindo 
Irene Nogueira de Rezende
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caráter e função particularmente inusitados, fez a vez da própria cartilha, auxiliando 
adultos e crianças no aprendizado da leitura (Gomes, 2006, p.2).
Esses almanaques financiados pelos laboratórios e pelas farmácias eram distribuídos por 
todo o Brasil. Foram lidos avidamente por gerações de brasileiros e tiveram escritores con-
ceituados como colaboradores eventuais.
O escritor e político paulistano Menotti del Picchia (1892-1988) escreveu para o Almanaque 
Rodhia de 1936, e o dublê de poeta e publicitário pernambucano Manuel Bastos Tigre 
(1882-1957) colaborou em vários almanaques similares, criando para a Bayer o slogan 
“Se é Bayer, é bom”. Este último foi assíduo colaborador da revista O Farmacêutico Brasileiro, 
patrocinada pela multinacional alemã Bayer. Como observou Mario Gomes (2006) em seu 
trabalho sobre a propaganda de medicamentos, vários escritores de renome colaboraram 
nos almanaques, mas, seja por pudor, seja por constrangimento, preferiram a “discrição do 
anonimato”, por se tratar de publicações estritamente comerciais.
Até mesmo na literatura contemporânea o farmacêutico ainda é uma figura recorrente. 
O romance Sagrada família foi recentemente publicado pelo jornalista e escritor Zuenir 
Ventura (2012), que se inspirou naslembranças da sua infância, passada no interior do Rio 
de Janeiro, para construir a história de uma típica família de classe média nos anos 40. O 
livro já começa dentro da farmácia do senhor Canuto, aonde a tia do narrador ia sempre 
tomar injeção, numa frequência para lá de suspeita... “A farmácia era para mim um mundo 
inebriante de cores, imagens e, sobretudo, aromas. Às vezes tenho a impressão de que toda a 
memória daquele tempo foi feita de fragrâncias, fixou-se em mim através do nariz – olfativa, 
mais que visual” (p.11).
 Se voltarmos ao século XIX, notaremos que na literatura brasileira havia uma recorrência 
desses elementos ligados ao universo das farmácias e boticas. Em 1872, o visconde de Taunay 
(1843-1899) publicou Inocência, seu romance mais conhecido, ao lado do anterior A retirada da 
Laguna (de 1869). Nele, o autor descreve as desventuras da jovem Inocência que, prometida 
em casamento ao rude Pereira pelo pai Manecão, acaba por se apaixonar por Cirino, um ex-
estudante da Escola de Farmácia de Ouro Preto. Cirino anda pelos sertões – o romance tem 
como cenário o extremo leste do Mato Grosso do Sul, quase divisa com Minas – a curar os 
doentes com sua caixa de botica e seu ensebado Chernoviz, fazendo-se passar por médico. 
Ele pede pouso na fazenda do pai de Inocência, e os dois acabam se apaixonando e vivendo 
os dramas dos amores proibidos. O romance ainda serviu de roteiro para o filme homônimo 
de Walter Lima Jr. lançado em 1983.
Machado de Assis (1839-1908) também não deixou de lado o farmacêutico e numa 
crônica saborosa comenta um congresso que iria reunir farmacêuticos no Rio de Janeiro em 
1877 e o medo que isso lhe suscitava por supor que poderia ser informado sobre quais os 
verdadeiros componentes dos remédios, preferindo tomá-los sem conhecer sua composição. 
Não teria o estímulo das propagandas de medicamentos e farmácias que ocupavam várias 
páginas dos jornais cariocas auxiliado na composição do personagem Brás Cubas? Teria 
algum farmacêutico inspirado o Bruxo do Cosme Velho para imaginar e criar o ambicioso 
projeto do emplastro idealizado pelo memorialista post mortem e batizado imodestamente 
como Emplastro Brás Cubas? 
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A natureza, interessada na conservação da espécie humana, inspira a composição 
dos remédios, conforme a graduação patológica dos tempos. Já alguém disse, com 
grande sagacidade, que não há doenças, mas doentes. Isto que se diz dos indivíduos, 
cabe igualmente aos tempos, e a moléstia de um não é exatamente a de outro. Há 
modificações lentas, sucessivas, por modo que, ao cabo de um século, já a droga que a 
curou não cura; é preciso outra. Não me digam que, se isto é assim, a observação basta 
para dar a sucessão dos remédios. Em primeiro lugar, não é a observação que produz 
todas as modificações terapêuticas; muitas destas são de pura sugestão. Em segundo 
lugar, a observação, em substância, não é mais que uma sugestão refletida da natureza 
(Assis, 19 nov. 1893). 
Um dos grandes ativistas da abolição, orador brilhante, segundo testemunhos, José do 
Patrocínio (1853-1905) se formou em farmácia; no entanto, sua condição social e financeira 
não permitiu sua dedicação ao ofício de farmacêutico. A pesquisadora e historiadora Verônica 
Velloso (2007, p.109) explica por quê.
Além daquela hierarquia dos saberes, importava a posição social ocupada pelo sujeito 
que os praticava. A ocupação de farmacêutico por si só não garantiria um lugar ao sol, 
dependia muitas vezes dos contatos ou apadrinhamentos a começar pela titulação 
pelos meios oficiais e depois, colocação... Vale citar aqui o caso de José do Patrocínio 
que se titulara farmacêutico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1874. 
Natural da cidade de Campos, negro e filho de padre, veio para a capital do império 
sem recurso algum, conseguindo ingressar como aprendiz na farmácia do Hospital da 
santa Casa da Misericórdia e depois no curso farmacêutico. Isso conseguiria graças à 
intervenção do seu conterrâneo o Conselheiro Albino Rodrigues de Alvarenga. Mas 
ao diplomar-se e não tendo recursos financeiros para montar uma farmácia, acabou 
enveredando pelo jornalismo. 
No jornalismo, Patrocínio se destacou pela intensa luta a favor da libertação dos escravos 
e da implantação da República no Brasil. Trabalhou durante dez anos no jornal Gazeta de 
Notícias, no qual possuía a coluna Semana Política, que assinava com o pseudônimo de 
Proudhomme4 e, em 1887, fundou seu próprio jornal, intitulado A Cidade do Rio, veículo 
de grande importância na propaganda abolicionista. Seus artigos semanais na Gazeta se 
configuram como fonte histórica de grande valor, uma vez que seus comentários sobre 
a política coetânea revelam um analista lúcido e atento às nuanças e artimanhas da 
engenharia política na esfera do governo imperial. A Biblioteca Nacional disponibilizou 
recentemente a digitalização dos periódicos do século XIX, sendo possível aos interessados 
apreciar os artigos e comentários daquele que foi um dos próceres do movimento 
abolicionista. Uma pequena amostra de sua verve:
A herdeira do trono há de causar-lhe [ao imperador] tristeza; porque mostrar-se-á mais 
propensa a respeitar o Syllabus do que a Constituição: voz terá a melopeia das ladainhas 
à Virgem da Conceição, o espírito revelará o cansaço das longas Salve Rainhas e Credos. 
O seu esposo, sr. conde d’Eu, lhe aparecerá com sua alma de industrial, indiferente ao 
juízo público, obtendo de sua esposa que assine para seus mordomos de que ele mais 
tarde pede a transferência para si (Patrocínio, 1880, p.1).
Irene Nogueira de Rezende
824 História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro824 História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro
Sobre sua obra Bilac comentou: “Se fosse possível reunir todos os artigos, todos os 
discursos, com que Patrocínio atacou a escravidão e seus defensores, o livro em que ficassem 
compendiados esses libelos seria o mais belo poema da Justiça” (Carvalho, 1999, p.423).
Muitos outros optaram por personagens farmacêuticos, mas seria impraticável listar todos 
que usaram da figura desse profissional. Como exposto, um grande número de autores se valeu 
da figura do farmacêutico para compor o elenco de personagens de seus romances, contos ou 
novelas, corroborando a força simbólica de que o especialista da farmácia era revestido até 
algumas décadas atrás. A literatura ajudou, portanto, no resgate do papel do farmacêutico 
como sujeito histórico e agente dos processos de sociabilidade ocorridos nas pequenas e 
médias cidades brasileiras durante parte do século XIX e metade do XX.
Alguns exemplos na literatura estrangeira
Molière (1622-1673) fez uso constante de médicos e boticários em suas peças teatrais. 
Em pelo menos cinco delas os profissionais da saúde foram contemplados: L’amour médecin; 
Le médecin volant; Monsieur de Porceaugnac; Le médecin malgré lui; e, a mais conhecida entre 
nós, O doente imaginário (Le malade imaginaire), última peça escrita por Molière, encenada pela 
primeira vez poucos dias antes de sua morte. Argan, o personagem rico e hipocondríaco, quer 
que sua filha Angélique se case com o filho do doutor Diafoirus para receber tratamentos de 
graça. Argan vive rodeado pelo médico e pelo boticário, monsieur Fleurant, que se aproveitam 
da sua mania de doenças para o explorar (Molière, 2008).
Existem muitos outros autores que mantiveram em alguma fase de sua vida forte ligação 
com a farmácia. O norueguês Henrik Ibsen (1828-1906) passou cinco anos de sua juventude 
como farmacêutico prático, antes de se tornar o maior expoente da dramaturgia de seu país. 
Chegou mesmo a pensar seriamenteem se tornar médico depois de sua experiência no 
mundo das manipulações. Nesse caso também, perdeu a farmácia, mas ganhou o teatro, cujo 
autor legou à dramaturgia universal peças até hoje constantemente encenadas como Casa de 
bonecas, Peer Gynt, Um inimigo do povo, Hedda Glaber e muitas outras.
Do outro lado do mundo, na Rússia, na segunda metade do século XIX, Anton Tchekov 
(1860-1904), médico de formação, mas um excelente e prolífico escritor e dramaturgo, também 
usou a farmácia como elemento para um de seus contos. Em “A farmacêutica”, Tchekov conta 
uma noite na vida de dois oficiais que resolvem conhecer a mulher do farmacêutico, famosa 
por sua beleza, durante uma noite fria, e a frustração de ambos quando seu plano é abortado 
pela acaso (Tchekov, s.d., p.41).
São inúmeros os casos de poetas e escritores interatuando com as ciências e cientistas 
intercambiando com a literatura e a poesia. Johann Wolfgang Von Goethe (1749-1832) é o 
caso exemplar de escritor e poeta que não só se interessava por temas científicos variados, 
mas fazia pesquisas científicas, mostrando que, além de uma personalidade multidisciplinar, 
Goethe foi um homem que representou seu tempo; tempo em que as ciências iniciavam um 
“distanciamento da metafísica e da teologia”, privilegiando a razão. Em um artigo, Izabela 
Kestler (2006) revela que, em sua época de estudante de direito, o escritor alemão assistia 
constantemente aulas de química e anatomia. Essa capacidade de rejeitar a fragmentação do 
conhecimento em áreas estanques demonstra muito da genialidade de Goethe. Sem estar 
Literatura, história e farmácia: um diálogo possível
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diretamente vinculada ao mundo da farmácia, a preocupação de Goethe com temas ligados 
à ciência faz dele um elemento a mais para fundamentar nosso texto.
Por fim, algumas palavras sobre o autor de Cem anos de solidão, livro que já vendeu cerca de 
trinta milhões de exemplares com traduções em mais de trinta idiomas. O escritor colombiano 
Gabriel García Márquez (2002) conta em suas memórias que não teve alternativa a não ser 
assumir a farmácia do pai. Natural de Aracataca, Márquez assistiu a sua mãe ser abandonada 
pelo marido com 11 filhos para criar e se viu empurrado para trás do balcão a vender fórmulas 
homeopáticas. Não teria sido a farmácia paterna inspiração para o laboratório de alquimia 
com que o cigano Melquíades presenteara o imaginoso José Arcádio Buendia no romance 
Cem anos de solidão? “Laboratório rudimentar – não se falando na profusão de caçarolas, funis, 
retortas, filtros e coadores – estava composto de uma tubulação primitiva; um provete de 
cristal, de pescoço comprido e estreito, imitação do ovo filosófico; e um alambique construído 
pelos próprios ciganos...” (García Márquez, s.d., p.12). 
O poeta e o namoro efêmero com a farmácia
No Brasil, Affonso Romano de Sant’Anna (2006, p.217) também concorda com a visão 
goethiana: “Há, portanto, um determinado ponto em que a física e a metafísica se articulam 
como irmãs gêmeas, da mesma maneira que a poesia e a ciência”, declarou o poeta mineiro 
numa entrevista.
Sant’Anna é autor também de um livro sobre a poesia de Carlos Drummond de Andrade, 
o que nos faz voltar ao fato que motivou o presente texto: Drummond e a farmácia. Pois 
bem, falemos um pouco dessa ligação do poeta itabirano com a Faculdade de Farmácia. 
Nas memórias de Pedro Nava fica evidente que Drummond nunca levou muito a sério o 
curso de farmacêutico, tamanho o número de episódios em que o memorialista conta os 
encontros e as conversas intermináveis dos companheiros reunidos no mítico Bar do Ponto 
ou no Café e Confeitaria Estrela, formando, junto com Aníbal Machado, Milton Campos e 
outros amigos, o Grupo do Estrela. Esses moços tiveram ativa participação na vida literária 
e no movimento modernista vivido na capital mineira e se projetariam mais tarde como 
escritores, poetas e até um governador (mas com o dom da escrita), no caso, Milton Campos.
Quando finalmente o curso de Farmácia chegou ao fim, Drummond foi escolhido na 
última hora como orador dos formandos – o orador inicialmente convidado adoecera subita-
mente – e iniciou seu discurso com a humildade que sempre lhe acompanhou, mas como 
Fernando Pessoa já advertira poeticamente:
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
O nosso poeta também fingiu, certamente por elegância, outra virtude que sempre o 
caracterizou. “Considero a eloquência um simples substantivo, entre os milhares deles, 
masculinos ou femininos, que enxameiam o dicionário, sem nenhuma significação particular 
Irene Nogueira de Rezende
826 História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro826 História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro
para mim, que me proponho ser um homem de laboratório e não um homem de tribuna” 
(Pianetti, 1988, p.74). Nada mais improvável vê-lo no laboratório entre balanças e tubos de 
ensaio. Na verdade, Carlos Drummond de Andrade nunca nutriu uma especial vocação por 
fórmulas e mezinhas, como revela este poema de sua autoria: 
A consciência suja 
Vadiar, namorar, namorar, vadiar, 
Escrever sem pensar, sentir sem compreender, 
é isso a adolescência? E teu pai mourejando na fanada fazenda para te sustentar?
Toma tento, rapaz. Escolhe qualquer rumo, 
vai ser isto ou aquilo, ser: não, disfarçar. 
Que tal a profissão, o trabalho, o dinheiro
ganho por teu esforço, ó meu espelho débil?
Hesitas. Ziguezagueias. Chope não decide, 
verso muito menos. Teus amigos já seguem
o caminho direito: leva a Faculdade, à 
pompa estadual e talvez federal.
Erras, noite a fundo, em rebanho, em revolta,
contra teu próprio errar, sem programa de vida.
Ó vida, vida, vida, assim desperdiçada 
a cada esquina de Bahia ou Paraúna.
... Então sei lá por quê, tu serás farmacêutico.
E você continua a perder tempo 
do Bar do Ponto à Escola de Farmácia 
sem estudar. 
Da Escola de Farmácia à doce Praça 
da Liberdade 
sem trabalhar (Andrade, 1987, p.237).
Considerações finais
Décadas depois de receber o diploma, Drummond foi convidado, certa vez, para honrar 
com sua presença uma solenidade na antiga escola. Declinou amável e coerentemente do 
convite. Afinal, ser farmacêutico nunca foi, definitivamente, sua vocação. Perdeu a profissão, 
mas ganhamos todos nós, brasileiros, farmacêuticos ou não, a deslumbrante obra poética do 
grande vate brasileiro, senão o maior. 
Com sua verve característica, aguda e certeira, o médico e memorialista Pedro Nava aponta 
para uma reflexão final acerca dessa convergência entre a ciência, a história e a literatura: 
“Um doutorando em vésperas de colar grau de médico, em vez de só por seus livros de 
Medicina, interessava-se pelos de literatura. Respondo que Medicina antes de mais nada é 
conhecimento humano. E este está tanto nos livros de patologia e clínica como nos da obra 
de Proust, Flaubert, Balzac, Rabelais, dos poetas de hoje, de ontem, nos modernos como nos 
antigos” (Nava, 1985, p.390). Vale o mesmo para a farmácia e seu exercício. 
Literatura, história e farmácia: um diálogo possível
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Pontos e bordados: escritos de história e política. 
Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1999.
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A imagem rebelde: a trajetória libertária de Avelino 
Fóscolo. Campinas: Pontes/Unicamp. 1991.
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Boticas & pharmacias: uma história ilustrada 
da farmácia no Brasil. Rio de Janeiro: Casa da 
Palavra. 2006.
FLECK, Ludwik. 
Gênese e desenvolvimento de um fato científico. Belo 
Horizonte: Fabrefactum. 2010.
AGRADECIMENTOS
Ao professor doutor Gerson Antônio Pianetti, pela incansável e profícua supervisão. 
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior pela Bolsa Programa Nacional de Pós-
doutorado.
NOTAS
1 No caso da Bayer travava-se também de uma disputa de mercado entre as empresas alemãs e as norte-
americanas, que objetivavam eliminar as primeiras por causa da Segunda Guerra Mundial e, certamente, 
para ampliar suas vendas no promissor mercado brasileiro de medicamentos.
2 O Farmacêutico Brasileiro: revista trimestral dedicada aos interesses da classe farmacêutica, fundada em 1932, 
circulou durante quase 30 anos. A ortografia foi atualizada para melhor compor a forma do texto.
3 Sobre Avelino Fóscolo, ver Duarte (1991), Frieiro (1960), e Malard (1987).
4 O pseudônimo se referia, muito provavelmente, aos Conselhos de Proud’hommes (Conselhos de homens 
idôneos, numa tradução livre) criados por Napoleão para intermediar conflitos entre patrões e empregados. 
Essa hipótese é mais viável do que Patrocínio se valer do nome do poeta parnasiano francês Sully Prudhomme 
(1839-1907).
FRIEIRO, Eduardo. 
O romancista Avelino Fóscolo. Belo Horizonte: 
Imprensa Oficial. 1960.
GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. 
Vivir para contarla. Barcelona: Mandadori. 2002.
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Vendendo saúde! Revisitando os antigos 
almanaques de farmácia. História, Ciências, Saúde 
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Cartas na mesa: memórias. Belo Horizonte: 
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Beira-mar: memória. v.4. Rio de Janeiro: Nova 
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O FARMACÊUTICO... 
O Farmacêutico Brasileiro: revista trimestral 
Irene Nogueira de Rezende
828 História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro828 História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro
uuuUUU
dedicada aos interesses da classe farmacêutica, ano 
13, n.51. set. 1938. 
O FARMACÊUTICO... 
O Farmacêutico Brasileiro: revista trimestral 
dedicada aos interesses da classe farmacêutica, ano 
10, n.37. mar. 1935. 
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Com os olhos de Clio ou a literatura sob o olhar 
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O tempo e o vento. v.1. Porto Alegre: Globo. 1985. 
VERÍSSIMO, Érico. 
Solo de clarineta: memórias. Porto Alegre: Globo. 
1978. 
A BRIEF HISTORY OF PHARMACY 
AS A PROFESSION 
By
Elenora Hogan
Article submitted in 2008 to History and Folklore Project, Limerick Civic Trust
Project Coordinator: David Lee 
Assistant Coordinator: Debbie Jacobs
Pat Hogan opened Hogans Pharmacy in September 1940. More usually called 
chemists, Power & Mangans, Listons, Lairds, Boyds, Fitzgeralds, McMahon Days, & 
Stewarts – O’Connell St. and William St. were just some of the names of the 
chemists’ shops in the City at the time. All of these are gone now, and while Stewarts 
in Upper William Street – later Sean O’Neill’s - may still be run by a Pharmacist (Jim
McCormack), Hogans’ is the only Pharmacy still in the same family 68 years later.
Pharmacists were first regulated and controlled by law in the nineteenth century, with 
the passing of the Pharmacy Act of 1875. This Act set up the Pharmaceutical Society 
of Ireland and laid down strict standards for the practice of the profession and defined 
a pharmaceutical chemist as “keeping open shop for the compounding and dispensing 
of medicines.” It is curious that the Act survived, with minor amendment until 2007, 
when it was replaced by a newly restructured Pharmaceutical Society of Ireland. This
new legislation was a landmark in that the Council – or governing body – is now 
composed of a majority of non-pharmacists. The purpose of the Society, then and 
now is to act in the public interest, ensuring the highest standards of practice. Only 
one Limerick pharmacist has served as President of the Society. This was the late 
Maurice Power, of Power and Mangan’s in O’Connell Street, who was President from
1957 to 1958. 
Pharmacy has changed a lot since 1940. At that time, most medicines were made on 
the premises by each pharmacist, and wholesalers were used to source the raw 
materials used for the manufacture of creams, ointments, lotions, pastes, syrups, and 
in some cases tablet and suppositories. The shortage of ingredients was one of the 
major problems, which they faced. Anything that had to be sourced from England 
became problematic due to transport problems associated with World War 2. Most 
wholesalers were based in Dublin, such as Ayrton Saunders, Lennox’s, Wilcox 
Josceau and Boileau and Boyd, but Limerick was lucky to have May Roberts in Bank 
Place. Subsequently United Drug opened in Henry Street in 1953 and later still 
Allied Pharmaceutical Distributors opened in Garryglass in 1972. 
Despite the fact that in the 1920s and 1930s patent medicines started to gain in 
popularity the list of these products was limited – Bayer Aspirin,Cullens Powders, 
Zam Buk and Beechams Pills were expensive though the latter claimed to be worth a 
guinea a box! Many people still had faith in Senna Syrup or pods and the bottle that 
the chemist would make up himself! Every pharmacy had special formulas that were 
recorded in the pharmacist’s own formulary for use in his pharmacy only. The 
Stomach Mixture, The Iron Tonic, The Cough Syrup, - each pharmacy had their own 
unique formula which was jealously guarded. The most famous of these would be 
Protumnal, a stomach mixture made in Hanley’s Pharmacy in Shannon Street. I 
bought a bottle of this from John – father of Michael Hanley to take to Dublin for a 
customer of the pharmacy in which I was working at the time. He had used it and 
could find nothing as effective in Dublin. All pharmacies had “cures”, dispensed 
early on a Saturday or Monday morning, where a single dose often helped people to 
cope with the excesses of the previous weekend.
Prescriptions were regularly written for Mist. Pot. Cit. (Potassium Citrate Mixture) 
with a dose of a dram daily well diluted in water, for the treatment of cystitis. The 
pharmacist knew what the formula was. Nowadays a ready-made sachet is available, 
and the dose is 1 sachet mixed in water three times daily for 2 days. In fact originally 
most medicines were prepared from basic chemicals in each shop, for each 
prescription. Making tablets/pills was a detailed and difficult procedure. Certain 
substances were mixed in a mortar and pestle, liquid/water was added to make a stiff 
mass, rolled out on a marble slab, cut into strips on a special board and dusted with 
French chalk to prevent them sticking/cracking, The final product was then rolled in a
special polishing device. 
In the 1920s and 1930s pharmacists training in the College of Pharmacy in Mount 
Street in Dublin learned how to make a vast array of medicines from basic principles. 
The basic principles were the same – regardless of the ingredients – lotions, pastes, 
pills, suppositories, tablets, mixtures, ointments & creams, you either did it right and 
got it right, or threw it out and started again. For example Theobroma Oil was the 
basis of most suppositories. It had to be melted, but if you overheated the mixture it 
would never solidify. A paste had the ability to crack if stirred incorrectly and 
emulsions – the basis of most creams and lotions were particularly sensitive if the 
balance of oil and water was incorrect. 
All these products were made by hand; there were no liquidisers or mixing machines. 
We still make ointments in the pharmacy today, but the ingredients now are a lot more
sophisticated than the 1920s and 30s. But I still remember working with Lassar’s 
Paste on a cold, frosty winter’s morning, in a shop with no central heating!
Many of the raw materials and preparations used at that time had evocative names 
such as Laudanum, Chlorodyne, Bismuth Subgallate, Ginger pulv, Pulv Tragacanth 
Co, Theobroma Oil, Gentian Violet, Balsam of Peru, Balsam of Tolu, the names – and
Latin abbreviations added to the mystique and created an aura around the medicine.
Pharmacies – then and now – sold more than medicines. Given their expertise and 
training in the manufacture of emulsions, creams and lotions, pharmacists were the 
obvious source of treatments of dry and chapped skin. Many pharmacists had their 
own formulas for moisturisers and cold creams. 
Before the growth of modern cosmetics, especially during the war years, these 
products, gently fragranced by the addition of Rose Oil, Lavender, Gardenia, Lemon 
or Orange Oil…… were important at a time of rationing and scarce supplies.
Coty of Paris and Gala of London may have been making perfumes and cosmetics, 
but shipment by sea became increasingly difficult, while your local pharmacy always 
had Essential Oils of Lavender, Rose, Jasmine, Gardenia and many more for adding a 
touch of glamour to the local made cream. (As an aside, older women will remember 
that during the war, the red cover of the Sacred Heart Messenger Magazine – 
published by the Jesuits – was a useful source of rouge or blusher!)
Soap was another commodity that was difficult to get during the war. Pat Hogan had 
his own formula which proved very successful as a simple, but effective household 
staple. 
Distilled Water was an important ingredient in most formulae. Most pharmacies had 
a still, which would operate continuously in order to provide a regular supply. These 
stills also provided a ready source of hot water for general cleaning purposes. The 
stills were specially designed so as to prevent them from distilling alcohol and 
Officers from Customs and Excise called on a regular basis to ensure that they hadn’t 
been modified!
Popular photography developed in the 19th century, with the advent of companies such
as Kodak, who in 1891 introduced the first commercial roll film. The early days of 
photography demanded an expertise with use of chemicals and pharmacy was a 
natural fit. The pharmacist, because of his training, was able to appreciate and 
explain the importance of accurately measuring the developers and fixers to make 
sure that the film was correctly exposed and developed in the dark environment. 
Michael Whelan who ran a chemist’s shop in O’Connell Street set up a film 
processing laboratory and provided a service for his colleagues throughout Limerick. 
The business still continues as Whelan’s Cameras – run by his son Bernard.
Pharmacies in certain parts of the city had a healthy business in Veterinary medicines.
Vigor Dog Tonic was manufactured by Hogan’s and was very popular with 
greyhound trainers. Worm doses, drenches, doses to cleanse a cow after calving - all 
were made on the premises. 
Limerick has always been a city with a large rural hinterland. Before the advent of 
co-operatives most farmers had to come to town to buy provisions and to sell animals.
There were two major marts in Limerick – deCourcy’s in Mulgrave St and Fitt’s on 
the South Circular (or Back) Road. Mattersons at the Tait Clock, O’Mara’s in Roches
St and Shaws subsequently Clover Meats in Mulgrave St were bacon factories and 
O’Neills, Roches and Russells in Upper William St all sold flour and meal. 
Tinsley’s in Upper William St sold salt and McCarthy’s in Mulgrave St, Parnell St 
and South Circular Road dealt in skin and hides. J and G Boyd’s of William Street 
sold seeds, vegetable and fruit plants, as well has having a chemist’s shop in the store.
The Holliday and Darcy families still run Garden World in Ellen Street. All of these 
businesses provided a focus for the farmers coming into Limerick. These farmers ran 
accounts on a cyclical basis and let them run from one fair day to the next. Sell the 
produce and pay the bill!
This world changed dramatically with the advent of Sulphonamides – the forerunners 
of antibiotics. Aureomycin – an antibiotic imported by Whelehan’s Chemists of 
Mullingar became an important addition to animal husbandry, improving the health 
and productivity of farm animals. Uniphar now owns the resulting business while the 
Whelehans are successful wine importers. Some readers will remember T.P. 
Whelehan’s wine column in the Irish Times, while his sister Helen was a lecturer in 
Mary Immaculate Training College. Later, Penicillin – at a dose of 250,000 units four
times a day – was to change forever the treatment and outcomes of hitherto dangerous
infectious diseases.
An important responsibility for pharmacists – then and now – was the sale of poisons. 
Agatha Christie’s expertise in the use of poisons was due to the fact that she trained as
a dispenser in an English pharmacy. Arsenic, Strychnine and Belladonna were all 
available. In low doses these had medicinal properties – in fact Strychnine was an 
important ingredient as an appetite stimulantin some proprietary tonics up to the 
1970s. Stronger concentrations were used to kill vermin. Poisons were sold in 
special ribbed glass bottles, brown or green, so that people would be able to 
distinguish them by touch.
Chemists played their part in the social scene in Limerick, with the Annual Chemists’ 
Dance being held in Cruise’s Royal Hotel – managed by Jackie Donnelly - each year. 
The dance always sold out and was a highlight of the social calendar. It was run in 
aid of the Pharmaceutical Society’s Benevolent Fund, which – to this day – provides 
financial aid and advice to pharmacists, their families or former employees who may 
be in financial difficulties. In November 1966, 220 dinners cost £225.10.0 The drinks
bill was £72.6.9, while a bar extension cost 4 guineas! Music was provided by well-
known local bands such as Bud Clancy or later Tommy Drennan & the Monarchs. 
Old Spice which had been successfully launched in America in 1938 was brought to 
Ireland by T.P. Whelehan in the 1950s and many pharmacists remember being greeted
with the distinctive perfume when they arrived at the door of the ballroom for the 
dance.
Up until the 1970s, the City Dispensary in Lower Gerald Griffin Street provided a 
medical service to a large percentage of the population in the city. It was run by the 
Local Health Authority, which was based at 104 Henry Street. They shared this 
building with Bord na gCon, who are still there. They had the ground floor, half the 
top floor and the annex at the side, as well as offices in Newcastle West. Limerick 
Corporation and Limerick County Council financed the Health Authority. Under the 
Health Act 1970, eight regional Health Boards were set up. Limerick, Clare and 
North Tipperary were all brought together to form the new Midwestern Health Board 
– a major rationalisation and centralisation of management at the time. Under the 
same Act, the Medical Card Scheme was introduced. This replaced the dispensary, 
which had been run by Geoff Keogh and Tommy Corbett, and gave patients the 
opportunity to avail of the services of the doctor and pharmacist of their choice. .
The introduction of the Medical Card Scheme radically changed the face of pharmacy
in Limerick and indeed nationally. The number of patients being seen increased 
dramatically and dealing with the Health Board became a major part of the day to day 
management of the pharmacy. It was around this time that the old Irish Drug 
Association became the Irish Pharmacy Union. As with all Unions their role was to 
negotiate on behalf of individual contractor pharmacists. There have been two 
Limerick Presidents of the IPU, Tim O’Malley (1978 – 1980) and Marie Hogan (2000
– 2002)
Through all the changes in Limerick and other urban centres over the years – with 
different buildings, transport and the ever changing environment, pharmacies – or 
chemist’s shops are still there, on the high street serving the health needs of the 
people. But pharmacies now are very different to the chemist’s shop of yesteryear. 
Laudanum, Chlorodyne, Pulv Tragacanth Co and Bismuth Subgallate are gone, but 
they are more than adequately replaced by the complex biotechnological, oncological 
and haematological products of the modern era.
Throughout it all one hopes that the 646,000 people who visit Irish pharmacies on a 
weekly basis – seeking advice on a wide variety of health concerns - continue to 
receive a friendly welcome, a listening ear and sound practical advice.
Acknowledgements: Theresa Clerkin Mid Western Health Board, Michael Hanley 
M.P.S.I. Shannon Street, Marie Hogan M.P.S.I. Upper William Street, Michael 
Durkin M.P.S.I. Ballina, author of The History of United Drug.
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P H A R M A C Y I N T H E U N I T E D S T A T E S
19
Introduction
Hospitals today offer immense opportunities for phar-
macists who want to practice in an environment that
draws on the full range of their professional education
and training. It was not always so.
This chapter tells the story of how hospital pharma-
cy developed in this country, analyzes the forces that
shaped the hospital pharmacy movement, and draws
lessons from the changes in this area of pharmacy
practice. The historical facets discussed here are high-
ly selective, reflecting the author’s judgment about the
most important points to cover within the limits of one
chapter.
Hospital Pharmacy’s Nascencea,1–4
Hospital pharmacy practice in the United States did
not begin to develop into a significant movement until
the 1920s. Although there were important milestones
before that era (including the pioneering hospital phar-
macy practices of Charles Rice [1841–1901]5—see
Figure 2-1—and Martin Wilbert [1865–1916]), many
factors kept hospital pharmacy at the fringes of the
broader development of pharmacy practice and phar-
macy education.6 When the Pennsylvania Hospital 
(the first hospital in Colonial America) was established
in 1752 and Jonathan Roberts was appointed as its
apothecary, medicine and pharmacy were commonly
practiced together, with drug preparation often the
responsibility of a medical apprentice.7 In 1800, with 
a population of 5 million, the nation had only two hos-
pitals. Even by 1873, with a population of 43 million,
the United States had only 178 hospitals with fewer
than 50,000 beds.2 Hospitals, which were “places of
dreaded impurity and exiled human wreckage,” and
doctors had little to do with each other.8 Hospitals
played a small role in health care, and pharmacists
played a very small role in hospitals.
In the early 1800s, drug therapy consisted of strong
cathartics, emetics, and diaphoretics. From the 1830s
to the 1870s, clean air and good food rather than medi-
cines were the treatments emphasized in hospitals. In
Chapter 2
Overview of the History of Hospital
Pharmacy in the United States 
William A. Zellmer
a Well-documented accounts of the development of hospital pharmacy practice in the United States were published by the
American Society of Health-System Pharmacists (ASHP) in conjunction with anniversaries of its 1942 founding.
Particularly noteworthy are the “decennial issue” of the Bulletin on the American Society of Hospital Pharmacists and articles
that marked ASHP’s 50th anniversary.1–3 Readers who have an interest in more detail are encouraged to seek out those ref-
erences and others.4 This section of the chapter is based closely on Reference 2. 
Figure 2-1
Hospital Pharmacy Department,
Bellevue Hospital, New York City,
Late 1800sa
a The bulk medicine area, where medicines were packaged for use on the wards,
at Bellevue Hospital, New York City, in the late 1800s. Standing on the right is
Charles Rice, the eminent chief pharmacist at Bellevue, who headed three revi-
sions of the United States Pharmacopeia.
Source: AJHP.
17283_019-032_CHAPTER 2 10/18/05 4:06 PM Page 19
the mid-1800s, the medical elite avoided drug use or
used newer alkaloidal drugs such as morphine, strych-
nine, and quinine. An organized pharmacy service was
not seen as necessary in hospitals, except in the largest
facilities. The situation changed somewhat during the
Civil War when hospital directors sought out pharma-
cists for their experience in extemporaneous manufac-
turing and in purchasing medical goods.2
In the 1870s and 1880s, responding to the influx of
immigrants, the number of hospitals in cities doubled.
Most immigrants in this period were Roman Catholic,
and they built Catholic hospitals. This was significant
for two reasons—Catholic hospitals charged patients a
small fee (which allowed services to be improved) and
they were willing to train, or obtain training for, nuns
in pharmacy. This era of hospital expansion coincided
with reforms in nursing, development of germ theories,and the rise of scientific medicine and surgery. The
general adoption of aseptic surgery in the 1890s made
the hospital the center of medical care. Advances in
surgery led to growth of community hospitals, most of
which were small and relied on community pharmacies
to supply medicines.2
By the early twentieth century, hospitals had devel-
oped to the point of having more division of labor, more
specialization in medical practice, a greater need for
professional pharmaceutical services for handling com-
plex therapies, and recognition that it was more eco-
nomical to fill inpatient orders in-house. Hospital
pharmacists retained the traditional role of compound-
ing, which fostered a sense of camaraderie among them
and an impetus to improve product quality and stan-
dardization. The advent of the hospital formulary con-
cept persuaded many hospital leaders about the value
of professional pharmaceutical services. An important
reason for hiring a hospital pharmacist in the 1920s
was Prohibition—alcohol was commonly prescribed,
and a pharmacist was needed for both inventory control
and to manufacture alcohol-containing preparations,
which were expensive to obtain commercially.2
By the 1930s, pharmacy-related issues in hospitals
had coalesced to the point that the American Hospital
Association (AHA) created a Committee of Pharmacy
to analyze the problems and make recommendations.
The 1937 report of that committee was considered so
seminal by hospital pharmacy leaders that even a
decade later they saw value in republishing it.9 The
aim of the committee was to develop minimum stan-
dards for hospital pharmacy departments and to pre-
pare a manual of pharmacy operations. The committee
characterized pharmacy practices in hospitals as
“chaotic” and commented, “Few departments in hospi-
tal performance have been given less attention by and
large than the hospital pharmacy.” In the committee’s
view, “…any hospital larger than one hundred beds
warrants the employment of a registered pharmacist….
Unregistered or incompetent service should not be
countenanced, not only because of legal complications
but to insure absolute safety to the patient.”9 The pro-
liferation of unapproved and proprietary drug products
in hospitals was the target of extensive criticism by the
committee.
A Fifty-Year Perspective 
There is much that can be learned by comparing con-
temporary hospital pharmacy with practice of 50 years
ago. Fifty years is a comprehensible period of time for
most people and, in hospital pharmacy’s case, the past
half century was a period of astonishing advancement.
The data sources for making such a comparison are
remarkably good. A major study of hospital pharmacy
was conducted between 1957 and 1960—the Audit of
Pharmaceutical Services in Hospitals—under the direc-
tion of Donald E. Francke and supported by a federal
grant (see Figure 2-2). The results were published in a
book, Mirror to Hospital Pharmacy, which remains a
reference of monumental importance.10 In more recent
times, ASHP has conducted an annual survey of hospi-
tal pharmacy, yielding contemporary data for compari-
son with the figures of an earlier era.
Four major themes emerge from an examination of
changes over this period:
1. Hospitals have recognized universally that 
pharmacists must be in charge of drug product 
acquisition, distribution, and control.
2. Hospital pharmacy departments have assumed 
a major role in patient safety.
3. Hospital pharmacy departments have assumed 
a major role in promoting rational drug therapy.
4. Hospital pharmacy departments have come to 
see their mission as fostering optimal patient 
outcomes from medication use.
It is important to keep in mind what was happening
over this period in the United States as a whole. Since
1950, the U.S. population has grown 86%. Expendi-
tures for health care services have grown from about
5% of gross domestic product to 14%. This growth has
fostered an endless stream of public and private initia-
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21
tives to curtail health care spending. Average daily hos-
pital census, on a per-population basis, has declined by
24% during this period as a result of public and private
initiatives to reduce hospital use. Nonfederal, short-
term general hospitals in 1950 numbered 5,031 and
rose to a zenith of 5,979 in 1975; in 2003 the number
stood at 4,918, nearly 18% fewer than the peak of
three decades before. On a per-capita basis, the num-
ber of inpatient hospital beds has declined 65% since
1950. Since 1965 (the first year AHA reported these
data), hospital outpatient visits have increased more
than fourfold.11
Drug Product Acquisition, Distribution, and
Control
Fifty to sixty years ago, pharmaceutical services were
of marginal importance to hospitals. The 1949 hospital
standards of the American College of Surgeons had
only three questions related to pharmacy in its point-
rating system, and responses to those questions con-
tributed only 10% to the overall rating. Pharmacy was
perceived as a complementary service department, not
as an essential service.12
Fewer than half the hospital beds in the nation
(47%) in the late 1950s were located in facilities that
had the services of a full-time pharmacist.10 Fewer than
four out of 10 hospitals (39%) had the services of a
pharmacist. Hospital size was an important determi-
nant of the availability of a pharmacist. All larger short-
term institutions—those with 300 beds or more—
employed a full-time pharmacist. This performance
declined sharply with decreasing hospital size:
200–299 beds 96%
100–199 beds 72%
50–99 beds 18%
under 50 beds 3.5%
Today, the vast majority of hospitals in the United
States have the services of one or more pharmacists.
Important exceptions are small rural hospitals that still
rely on the services of local community pharmacists.
About 7% of the nation’s hospitals have fewer than 
25 beds; it is not known how many of them employ a
pharmacist.
In 1957, the total number of hospital pharmacists
was 4,850 full time and about 1,000 part-time.10 Today,
there are about 50,000 full-time equivalent pharma-
cists providing inpatient services in nonfederal short-
term hospitals.b,13 (Hospitals employ an equal number
of pharmacy technicians.) About one-fourth of all
actively practicing pharmacists in the U.S. today are in
hospitals.
Today’s hospitals employ approximately twelve full-
time equivalent pharmacists per 100 occupied beds.13
The comparable figure for 1957 was approximately 
0.4 FTE pharmacists per 100 occupied beds. In other
words, pharmacist staffing in hospitals is 30-fold more
intensive today. During the same interval, the intensity
of hospital staffing as a whole increased approximately
sevenfold.c
Reflective of more intensified pharmacist staffing,
30% of hospitals today offer 24-hour inpatient phar-
macy services. In the largest hospitals (400 beds), 
95% of pharmacy departments are open around the
clock.13
In the middle of the 20th century, nurses and com-
munity pharmacists had significant responsibility for
bThroughout this chapter, pharmacy data from recent ASHP surveys refer to U.S. nonfederal short-term hospitals.
c Calculated based on data in Reference 11. 
Figure 2-2
Authors of the Mirror to Hospital
Pharmacya
a The authors of the Mirror to Hospital Pharmacy examining a slide containing data
from the results of the Federal Audit of Pharmaceutical Services in Hospitals that
was conducted in 1957. From left, Clifton J. Latiolais, Donald E. Francke, Gloria
Niemeyer Francke, and Norman F. H. Ho. The results were publishedby ASHP in
the book, Mirror to Hospital Pharmacy, in 1964.
Source: ASHP Archives.
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hospital drug product acquisition, distribution, and
control. The Mirror to Hospital Pharmacy estimated
that 4,000 nurses were engaged in pharmacy work.
Here are specific data collected in 1957 showing who
handled drugs for the 2,200 hospitals that did not
have a full-time pharmacist:
Nonpharmacist personnel 45%
(generally nurses)
Nonpharmacist personnel 45%
plus community pharmacist
Supervision by local 9%
community pharmacist
Table 2-1 shows the services hospital pharmacists
were providing in 1957–1960. Two types of services—
bulk compounding and sterile solution manufactur-
ing—were a major element of the hospital pharmacists’
professional identity in the 1950s (Figure 2-3). Hospi-
tal pharmacy leaders of the day cited the following 
factors in explaining the heavy involvement in manu-
facturing:
■ The unsuitability of many commercially available
dosage forms for hospital use
■ The close relationship between physicians and
pharmacists in hospitals
■ The opportunity to serve a need of physicians
and patients
■ The opportunity to offer a professional service
and build interprofessional relations10
Today, bulk compounding or manufacturing is no
longer a significant activity in U.S. hospital pharma-
cies. In sharp contrast to 50 years ago, hospital phar-
macists now prefer to purchase commercial products
whenever they are available, in the interests of appro-
priate deployment of the workforce and of using prod-
ucts of standard commercial quality. Changes in the
laws and regulations that govern drug product manu-
facturing and distribution, the development of a well-
regulated generic pharmaceutical industry, and a shift
in the perceived mission of pharmacy practice were
among the factors that led to the relegation of manu-
facturing to hospital pharmacy’s past.
In summary, from mid-twentieth century to today,
hospital pharmacy in the United States moved from an
optional service to an essential service. It used to be
that the administrator, the physicians, and the nurses in
many institutions, especially smaller facilities, believed
that they could function adequately with a drug room
controlled by nurses. Today it is beyond question by
anyone in the hospital field that medications need to
be controlled by a pharmacy department that is run by
qualified pharmacists. Moreover, as pharmacists have
become firmly established in hospitals, they have been
recognized for their expertise beyond drug acquisition,
distribution, and control functions, which has led to
greatly intensified pharmacy staffing. The growing
opportunities in hospitals have attracted more practi-
tioners to the field, which has made hospital practice 
a major sector of the profession. 
Patient Safety
The clarion call to professionalism in hospital pharma-
cy in recent times has been the patient safety impera-
tive. Hospital pharmacists have made immense progress
in this arena. Initially, that progress was tied to greater
accuracy in dispensing and administration of medica-
tions, but it has evolved to also focus on improving
prescribing and monitoring the results of therapy. But
it all started with a desire to improve drug product dis-
tribution for inpatients.
In 1957, there were two ways in which drug prod-
ucts were distributed to hospital inpatients: as ward
Table 2-1
Percentage of U.S. Hospitals
Providing (or Desiring to Provide)
Specific Pharmacist Services,
1957–1960a,10
Service Provide Would Like 
to Provide
Supply drugs to nursing units 97 1
Inpatient prescriptions 95 1
Prescription compounding 94 1
Interdepartmental drug needs 91 1
Drug information 84 9
Outpatient prescriptions 64 6
Formulary system 53 25
Bulk compounding program 41 12
Teaching program 28 23
Product development/research 13 23
Sterile solution manufacturing 11 15
a Hospitals with a chief pharmacist.
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23
stock or as individual prescriptions. If the patient was
charged for the medication, individual prescriptions
were generally used. Otherwise, it was most common
for stock containers of medications to be available to
the nurse for administration to the patient as needed.10
The authors of the Mirror to Hospital Pharmacy
highlighted a critical limitation of medication systems
of that era:
“From the viewpoint of patient safety, one of the
major advances in dispensing procedures would
be the interpretation by the pharmacist of the
physician’s original … order for the patient. In
many hospitals, the pharmacist never sees the
physician’s original order. In cases where the
physician does write an original prescription, he
does so only for a limited number of drugs, the
other drugs being stock items on the nursing
units. In many cases the pharmacist receives only
an order transcribed by a nurse or even more
commonly by a lay person such as a ward clerk.
As a result, errors made by the prescribing physi-
cian and errors made in transcribing his orders
often go undetected, while the patient receives
the wrong drug, the wrong dosage form, or wrong
amount of the drug, or is given the drug by injec-
tion when oral administration was intended, and
vice versa.”14
Concerns about medication errors and about over-
all efficiencies and best use of hospital personnel led
to the development of improved drug distribution sys-
tems.15 Two major studies were done in the early 1960s
on unit dose drug distribution. At the University of
Arkansas Medical Center, a centralized system was
developed, and at the University of Iowa, a decentral-
ized system was studied (see Figure 2-4).16,17 Both 
projects documented important benefits to unit dose
drug distribution, including greater nursing efficiency,
better use of the pharmacist’s talents, cost savings, and
improved patient safety.
The key elements of unit dose drug distribution, as
the system has evolved from the original studies, are as
follows:
1. The pharmacist receives the physician’s original 
order or a direct copy of the order.
Figure 2-3
Sterile Solution Laboratory,
Cardinal Glennon Memorial
Hospital for Children, St. Louis,
Missouri, circa 1950sa
a Production of distilled water and the manufacture of large-volume sterile solutions
were major pharmacy activities in medium and large hospitals in the 1950s and
1960s.
Source: ASHP Archives.
Figure 2-4
Pioneers in Unit Dose Drug
Distribution—William Heller (circa
1965) and William Tester (circa
1965)a
a The pharmacy departments led by these two prominent hospital pharmacists—
William M. Heller (left), University of Arkansas Medical Center, and William W.
Tester (right), University of Iowa Hospital—conducted important studies on unit
dose drug distribution in the 1960s. This method of drug distribution was devised
in response to the results of medication error studies.
Source: ASHP Archives.
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2. A pharmacist reviews the medication order 
before the first dose is dispensed.
3. Medications are contained in single-unit 
packaging.
4. Medications are dispensed in as ready-to-
administer form as possible.
5. Not more than a 24-hour supply of doses is 
delivered or available at the patient-care area at 
any time.
6. A patient medication profile is concurrently 
maintained for each patient.18
These precepts for state-of-the-art drug distribution
are met widely in U.S. hospitals today. For example, in
a 2002 survey, in 79% of hospitals, pharmacistsreviewed and approved all medication orders before
the drug was administered to patients. The figure for
the largest hospitals (≥400 beds) was 92%.19
There has been much debate in hospital pharmacy
over the years about the virtues of centralized versus
decentralized drug distribution. With a decentralized
system, pharmacists come in contact more regularly
with physicians, nurses, and patients, which is consis-
tent with contemporary views about how the profession
should be practiced. Among all hospitals, 20% use a
decentralized system; the figure is 41% for the largest
hospitals.19 Many hospitals indicate that they would
like to move toward decentralized pharmacy services in
the future (see Table 2-2).
U.S. hospitals have shown a remarkable rate of
adoption of point-of-use automated storage and distri-
bution devices, which are now used to some extent in
58% of facilities. Point-of-use dispensing is now the
primary method of dose delivery in about one-fourth 
of U.S. hospitals.19
Pharmacy-based IV admixture services have been
widely adopted by U.S. hospitals. Development of such
services, as a professional imperative, was a topic of
intense interest in the 1960s.20 For short-term hospitals
as a whole, ASHP estimates that about 80% of IV
admixtures are now prepared by the pharmacy depart-
ment.19
ASHP’s 2002 survey showed that most hospitals
regularly engage in a number of programs designed to
increase the safety of injectable medications, including
educational programs on IV administration equipment
(82%), administration and precautions associated with
high-risk therapies (71%), and administration of IV
push medications (62%); promulgating lists of approved
IV push medications (57%); and affixing supplemental
labels for IV push medications (53%).19
There is immense interest in U.S. hospitals in
applying computer technology to improve the safety of
medication prescribing, dispensing, and administration.
Computer-generated medication administration records
are used in 64% of all hospitals and in 75% of the
largest hospitals.19 The foregoing data notwithstanding,
the cost of such technology is having a decided moder-
ating effect on the rate of adoption. For example, in
2002, only about 2% of hospitals used computer-
readable coding technology to improve accuracy of
medication administration, and, in 2004, only about
3% of hospitals used a computerized prescriber order
entry system that was linked to a decision support sys-
tem.13,19
Because of the concerns of groups such as the
Institute of Medicine and various federal agencies,
improving patient safety is now a major national priori-
ty.21 When that general interest in patient safety
embraces medication-use safety, hospital pharmacists
have cheered and felt “it’s about time!” Further break-
through advances in medication-use safety will depend
on a fundamental reengineering of the entire medica-
tion-use process, a shift toward a true team culture in
providing care, and wider application of computer
technology.22 As new technologies or new patterns of
health professional behavior evolve, history suggests
that hospital pharmacists will be at the leading edge of
those advances.
Promoting Rational Drug Use 
In U.S. hospitals, the concept of a pharmacy and thera-
peutics (P&T) committee, as a formal mechanism for
the pharmacy department and the medical staff to
communicate on drug-use issues, was first promulgated
in 1936 by Edward Spease (dean of the School of
Pharmacy at Western Reserve University) (Figure 2-5)
and Robert Porter (chief pharmacist at the University’s
H A N D B O O K O F I N S T I T U T I O N A L P H A R M A C Y P R A C T I C E24
Table 2-2
Hospitals with Decentralized Drug
Product Distribution19
Year 2002 Future Desire
All hospitals 20% 44%
Largest hospitals (≥400 beds) 41% 56%
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25
hospitals).23 Subsequently, the American Hospital
Association and the American Society of Hospital
Pharmacists jointly developed guidance on the P&T
committee and on the operation of a hospital formula-
ry system. The formulary system is a method whereby
the medical staff of a hospital, working through the
P&T committee, evaluates, appraises, and selects from
among the drug products available those that are con-
sidered most useful in patient care. The formulary sys-
tem is also the framework in which a hospital’s medi-
cation-use policies are established and implemented.
A major imperative for the advocates of the formu-
lary system in the mid-1900s was to manage the proli-
feration of drug products. The number of new market
entries for just one year, 1951, were as follows:
New drug products, 332
New drug entities, 35
Duplications of drug entities, 74
Combination products, 22124
In 1957, slightly more than half of all hospitals
operated under the formulary system.10 Today, essen-
tially all hospitals do so.13
In 1957, 58% of hospitals had an active P&T com-
mittee, and a similar percentage of hospitals had a 
formulary or approved drug list. However, about one
fourth of the P&T committees were inactive.10 Today,
nearly all hospitals in the U.S. have an active P&T
committee that meets an average of seven times a
year.13
In the late 1950s, the functions of P&T committees
focused on very basic activities such as delegating to
the chief pharmacist responsibility for preparing prod-
uct specifications and selecting sources of supply 
(66% of committees) and approving drugs by nonpro-
prietary name (50%).10 In most hospitals today, the
P&T committee has authorized pharmacists to track
and assess adverse drug events (ADEs), conduct retro-
spective drug-use evaluations, and identify and moni-
tor patients on high-risk therapies.13
In summary, concepts first advanced in the 1930s
regarding a formal communications linkage between
the hospital pharmacy department and the medical
staff with respect to drug-use policy have taken hold
firmly. Hospital pharmacists are heavily engaged in
helping the medical staff establish drug-use policies, in
implementing those policies, in monitoring compliance
with those policies, and in taking corrective action. The
invention of the pharmacy and therapeutics committee
and the hospital formulary system has facilitated the
deep involvement of pharmacists in promoting rational
drug use in hospitals.
Fostering Optimal Patient Outcomes
U.S. hospital pharmacists have evolved markedly in
their self-concept over the past 50 years. As recently as
20 years ago, the traditional pharmacist mission pre-
vailed, a mission that was captured in the words, right
drug, right patient, right time, connoting a drug-
product-handling function. Right drug in this context
meant whatever the physician ordered. Today’s philos-
ophy about the mission of pharmacists focuses on
achieving optimal outcomes from medication use. The
overarching question for the hospital pharmacist is
whether the right drug is being used in the first place.
A popular phrase used to summarize this philosophy
is, “The mission of pharmacists is to help people make
the best use of medicines.” These words reflect a pro-
found paradigm shift with respect to the primary pur-
pose of pharmacy practice.25,26
In the 1950s, hospital pharmacy’s Spartan staffing
levels did not leave much time for work beyond the
Figure 2-5
Advocate of the Pharmacy and
Therapeutics Committee—Edward
Spease (1883–1957), circa 1952a
a Edward Spease established one of the first college courses in hospital pharmacy
and developed the Minimum Standards for Hospital Pharmacies for the American
College of Surgeons in 1936. At the time, Spease was dean and professor at
Cleveland’s Western Reserve University School ofPharmacy.
Source: ASHP Archives.
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basics of acquiring, storing, compounding, and distri-
buting medications. Nevertheless, chief pharmacists of
the time were called upon frequently by physicians and
nurses to answer drug information questions related to
dosage, dosage forms, and pharmacology. Somewhat
less frequently, pharmacists were asked for advice on
adverse drug reactions and clinical comparisons of
products. In analyzing pharmacist consultations, the
authors of the Mirror to Hospital Pharmacy suggested
that both weakness in the pharmacist’s scientific know-
ledge and lack of time contributed to limited progress
in this realm.
The transformation of the hospital pharmacy
department from a product orientation to a clinical
orientation was stimulated by active consensus-build-
ing efforts by hospital pharmacy leaders. One impor-
tant example of such efforts was the ASHP Head con-
ference.25
Hilton Head refers to a consensus-seeking invita-
tional conference conducted in 1985 in Hilton Head,
South Carolina, officially designated as an invitational
conference on Directions for Clinical Practice in Phar-
macy (see Figure 2-6). The purpose of the meeting was
to assess the progress of hospital pharmacy departments
in implementing clinical pharmacy. What emerged
from the event was the idea that clinical pharmacy
should not be thought of as something separate from
pharmacy practice as a whole. Rather, hospital phar-
macies should function as clinical departments with a
mission of fostering the appropriate use of medicines.
This was a very important idea because most hospital
pharmacists thought in terms of adding discrete clini-
cal services (such as pharmacokinetic monitoring)
rather than conceptualizing the totality of the depart-
ment’s work as a clinical enterprise. 
Working through its affiliated state societies, ASHP
supported repetitions of the conference on a regional
basis. ASHP leaders spoke at meetings around the
country about the ideas of Hilton Head, and the Ameri-
can Journal of Hospital Pharmacy published numerous
papers on the subject.
As a result, many individual pharmacy departments
began to hold retreats of their staffs to reassess the
fundamental mission of their work. It was common for
departments to adopt mission statements that, for the
first time, framed their work not in terms of drug dis-
tribution but in terms of achieving optimal patient out-
comes from the use of medicines.
The most important indirect indicators of hospital
pharmacist clinical activity in the current era are
shown in Table 2-3. There is a growing body of scien-
tific evidence, published in both the medical and phar-
macy literature, about the positive outcomes achieved
through pharmacist involvement in direct patient
care.27–30
In summary, U.S. hospital pharmacists today are
engaged in extensive clinical activity, which is a major
change from practice of 50 years ago. We are not yet
at the point where a majority of hospital patients who
are on medication therapy receive the benefit of clini-
cal oversight by the pharmacist, but progress in this
direction continues to be made. 
Recap of Major Themes
Thus we have a picture of the major thrust of changes
in hospital pharmacy over the past 50 years. The four
major themes have been, first, the universal recogni-
tion by hospitals that pharmacists must be in charge of
drug product acquisition, distribution, and control;
second, hospital pharmacy departments have assumed
a major role in patient safety; third, pharmacy depart-
ments have assumed a major role in promoting ration-
al drug therapy; and, finally, pharmacy departments
H A N D B O O K O F I N S T I T U T I O N A L P H A R M A C Y P R A C T I C E26
Figure 2-6
Hilton Head Conference, 1985a
a A workshop session at ASHP’s Hilton Head conference in 1985. This invitational
consensus-seeking program was designed to assess the progress of hospital
pharmacy departments in implementing clinical pharmacy; as a result of the dis-
cussions, many hospital pharmacy departments began to conceptualize their 
mission in terms of fostering appropriate use of medicines. Standing at the flip
chart at one of the break-out sessions is Henri R. Manasse, Jr., at the time dean
of the School of Pharmacy, University of Illinois at Chicago 
Source: ASHP Archives.
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have defined their mission in terms of optimal patient
outcomes from medication use. Taken together, these
changes signify that pharmacy practice in U.S. hospi-
tals over the past 50 years has become more intensive
in its professional staffing, more directly focused on
patient care, and more directly influential on the quali-
ty and outcome of patient care. In short, hospital phar-
macy has been transformed from a marginal, optional
activity into a vital profession contributing immensely
to the health and well being of patients and to the sta-
bility of the institutions that employ them.
Explaining the Transformation
A combination of indirect and direct factors helps
explain this transformation in hospital pharmacy.
Indirect factors are those forces external to hospital
pharmacy that fostered development of the field. These
factors include the following: 
■ Shift of national resources into health care,
especially hospital care (stimulated immensely
by implementation of Medicare in 1965 and
expansion of other health insurance coverage).
■ Expanded clinical research and drug product
development.
■ Greater complexity and cost of drug therapy
accompanied by sophisticated pharmaceutical
product marketing.
■ Growing interest in improving the quality of
health care services.
More important for this chapter’s discussion are the
internal factors within hospital pharmacy that precipi-
tated the changes discussed above. In this category,
five points merit discussion:
1. Visionary leadership
2. Professional associations
3. Pharmacy education
4. Postgraduate residency education and training
5. Practice standards
Visionary Leadership
One cannot read the early literature of hospital phar-
macy in the U.S. without being impressed by the clear
articulation of an exciting, uplifting vision by that era’s
practice leaders. These views were being expressed at a
time when pharmacy was a marginal profession in the
U.S.; when most pharmacists were engaged primarily
in retail, mercantile activities; when hospital pharmacy
had little visibility and respect; and when hospital
pharmacy was a refuge for pharmacists who preferred
minimal interactions with the public. Out of this envi-
ronment emerged a number of hospital pharmacists,
many of them at university teaching hospitals, who
expressed an inspiring vision about the development of
hospital pharmacy and about the role of hospital phar-
macy in elevating the status of pharmacy as a whole. 
These were leaders such as Arthur Purdum,
Edward Spease, Harvey A. K. Whitney, and Donald E.
Francke (to mention only a few) who were familiar
with the history of pharmacy and had a sense of phar-
macy’s unfulfilled potential. Many of them had seen
European pharmacy firsthand and decried the immense
gap in professional status and scope of practice
between the two continents.
A sense of the deep feelings of these leaders may be
gained from the following comment by Edward Spease,
a retired pharmacy dean speaking in 1952 about his
initial exploration of hospital pharmacy 40 years earlier:
“I expected to see true professional pharmacy in
hospitals and was much disappointed that it did
not exist there. The more I observed and heard
about the growing tendency towards commercial-
Table 2-3Indicators of Contemporary
Hospital Pharmacist Clinical
Activity
All Largest
Hospitals Hospitals
(≥400 beds)
Hospitals with decentralized pharmacists
29% 82%
(1999 data)a
Percentage of decentralized pharmacists 
time spent on clinical activities (1999) 59% -
Pharmacists have authority to initiate
52% 62%
medication orders (2001)
Pharmacists attend rounds (2004) 35% 79%
Pharmacists provide drug information 
90% -
consultations (2004)
Pharmacists monitor prescriber 
81% 92%compliance with medication-use 
policies (2004)
a All data are from ASHP national surveys of the year shown.
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ism in drugstores, the more I felt that if profes-
sional pharmacy was to exist, let alone grow to an
ideal state, it would have to be in the hospital
where the health professions were trained….
Good pharmacy is as important in hospitals away
from teaching centers as it is in the teaching and
research hospital. It can be developed to a high
degree of perfection there, too, if the pharmacist
can get the picture in his mind.” (Emphasis
added.)31
“…if the pharmacist can get the picture in his
mind.” Those are key words that reflect that early hos-
pital pharmacy leaders were trying to create a new
model for pharmacy practice in hospitals and not allow
this practice setting to become an extension of the type
of practice that prevailed in community pharmacies.
These leaders were change agents with a missionary
zeal, and they were blessed with the ability to infect
others with their passion.
It is noteworthy that the Mirror to Hospital Phar-
macy framed the entire Audit project in the context of
professional advancement. The report laid out the
essential characteristics of a profession and articulated
goals for hospital pharmacy that would bring pharmacy
as a whole into better alignment with those character-
istics.
Professional Associations
The national organization of hospital pharmacists—
the American Society of Health-System Pharmacists
(ASHP)—has had a profound effect on the advance-
ment of the field. The visionary hospital pharmacists
of the early 1900s focused much of their energies on
the creation of an organizational structure for hospital
pharmacy. One landmark event was the creation of the
Hospital Pharmacy Association of Southern California
in 1925. On a national level, organizational efforts
were funneled through the American Pharmaceutical
Association (APhA), the oldest national pharmacist
organization in the country. For years, hospital phar-
macists participated in various committee activities of
APhA focused on their particular interest. Then, in
1936, a formal APhA subsection on hospital pharmacy
was created. This modest achievement evolved to the
creation of ASHP in 1942 as an independent organiza-
tion affiliated with APhA32 (see Figure 2-7).
There are two essential things that ASHP has done
for the advancement of hospital pharmacy. One is to
serve as a vehicle for the nurturing, expression, and
actualization of the professional ideals and aspirations
of hospital pharmacists. In its early years, ASHP con-
ducted a series of educational institutes that were very
influential in enhancing knowledge and skills and in
building esprit de corps among hospital pharmacists.33
Also noteworthy, especially as the organization has
grown in size and diversity, is ASHP’s efforts to devel-
op consensus about the direction of practice.25,26
The second essential act of ASHP has been its cre-
ations of resources to assist practitioners in fostering
the development of hospital pharmacy practice. One
example is the AHFS Drug Information reference book
(and, in recent times, electronic versions for central
information systems, desktop computers, and hand-
held devices), which is the most widely used independ-
ent source of drug information in U.S. hospitals.
Another example is the American Journal of Health-
H A N D B O O K O F I N S T I T U T I O N A L P H A R M A C Y P R A C T I C E28
Figure 2-7
A Leading Force in the Creation of
ASHP—Harvey A. K. Whitney
(1894–1957) circa, 1940a
a Harvey A. K. Whitney took the lead in organizing hospital pharmacists in the
United States. He was chief pharmacist at the University of Michigan Hospitals
when he became ASHP’s first chairman (president) in 1942. Whitney was also
a pioneer in developing postgraduate training in hospital pharmacy.
Source: ASHP Archives.
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29
System Pharmacy. These two publications, and other
ASHP activities such as the Midyear Clinical Meeting,
have produced a source of funds beyond membership
dues that ASHP has used to develop a broad array of
services that help members advance practice. 
The original objectives of ASHP were as follows:
■ Establish minimum standards of pharmaceutical 
service in hospitals
■ Ensure an adequate supply of qualified hospital
pharmacists by providing standardized hospital
pharmacy training for four-year pharmacy 
graduates
■ Arrange for interchange of information among
hospital pharmacists
■ Aid the medical profession in the economic 
and rational use of medicines
The core strengths of ASHP today are as follows:
■ Practice standards and professional policy
■ Advocacy (government affairs and public 
relations)
■ Residency and technician training accreditation
■ Drug information
■ Practitioner education
■ Publications and communications
One of the reasons for ASHP’s success has been its
clarity about objectives and its concentrated focus on 
a limited number of goals. It is a testament to the wis-
dom of ASHP’s early leaders that the goals expressed
in 1942 still serve to guide the organization, although
different words are used today to express the same
ideas, and some other points have been added. The
organization continues as a powerful force in the
ongoing efforts to align pharmacists with the needs
that patients, health professionals, and administrators
in hospitals have related to the appropriate use of
medicines.
Pharmacy Education
There are three important points about the role of
pharmacy education in transforming hospital pharmacy.
First, as pharmacy education as a whole has been
upgraded over the years, hospital pharmacy has bene-
fited by gaining practitioners who are better educated
and better prepared to meet the demands in hospital
practice. Second, hospital pharmacy leaders have put
considerable pressure on pharmacy educators to up-
grade the pharmacy curriculum, to make it more con-
sistent with the needs in hospital practice. This is sig-
nificant because practice demands have always been
far more intense in hospitals than in community phar-
macy, so pressure to meet the demands in hospitals
served to elevate education for all pharmacists. Also,
beginning in the 1970s, corresponding with increased
emphasis on clinical pharmacy in the curriculum, hos-
pital pharmacies played a much larger role in pharma-
cy education as clerkship rotation sites for pharmacy
students. Third, in the early days of clinical education,
faculty members from schools of pharmacy began
establishing practice sites in hospitals, which often had
a large impact on the nature of the hospital’s pharmacy
service.
Table 2-4 shows how the minimum requirements
for pharmacy education have evolved over the years. It
took a very long time for pharmacy in the U.S. to set-
tle on the Pharm.D. as the sole degree for pharmacy
practice. Many bitter fights—between educators,
between practitioners, among educators and practition-
ers, and among educators and the retail employers of
pharmacists—occurred over this issue. Now that the
matter is settled, everyone seems tobe moving on with
the intention of making the best application of the
pharmacist’s excellent education.
Over the past 20 years, pharmacy education in the
U.S. has been transformed completely from teaching
primarily about the science of drug products to teach-
ing primarily about the science of drug therapy. Trans-
Table 2-4
Evolution of Minimum
Requirements for Pharmacist
Education in the United States
Year Minimum Requirement (Length of Curriculum 
and Degree Awarded)
1907 2 years (Graduate in Pharmacy)
1925 3 years (Graduate in Pharmacy or Pharmaceutical 
Chemist)
1932 4 years (B.S. or B.S. in Pharmacy)
1960 5 years (B.S. or B.S. in Pharmacy)a
2004 6 years (Pharm.D.)
a Transition period; some schools offered only the B.S. or the Pharm.D. degree; many
schools offered both degrees, with the Pharm.D. considered an advanced degree.
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formation of hospital pharmacy practice from a prod-
uct orientation to a patient orientation could not have
occurred without this change in education.
Postgraduate Residency Education and
Training
Stemming from its early concerns about the inadequa-
cy of pharmacy education for hospital practice, ASHP
leaders advocated internships in hospitals and worked
for years to establish standards for such training. This
led to the concept of residency training in hospital
pharmacy and a related ASHP accreditation pro-
gram.33–35
Early hospital pharmacy leaders noted the following
imperatives for hospital pharmacy residency training36:
■ Hospitals were expanding, thereby creating a
growing unmet need for pharmacists who had
been educated and trained in hospital pharmacy.
■ Pharmaceutical education was out of touch with
the needs in hospital pharmacy.
■ The internship training required by state boards
for licensure was not adequate preparation for a
career in hospital pharmacy practice.
■ Hospital pharmacists required specialized train-
ing in manufacturing, sterile solutions, and phar-
macy department administration.
■ Organized effort was needed to achieve improve-
ments in hospital pharmacy internships or resi-
dencies.
There are well over 10,000 pharmacists in practice
who have completed accredited residency training.
These individuals have been trained as change agents
and practice leaders. Early in their careers, they came
to understand the complexity of hospital pharmacy,
including inpatient operations, outpatient services,
drug product technology and quality, and medication-
use policy. Residency training is the height of mentor-
ship in professionalism in American pharmacy. Dreams
are fostered in residency training—dreams of the pro-
fession becoming an ever more vital force in health
care; dreams of patients improving their health status
more readily because pharmacists are there to help
them.
Practice Standards
Numerous legal and quasi-legal requirements affect
hospital pharmacy practice. On the legal end of the
spectrum are various federal laws governing drug prod-
ucts and state practice acts governing how the phar-
macist behaves and how pharmacies are operated. At
the opposite end of the spectrum are voluntary practice
standards promulgated by organizations such as ASHP. 
A practice standard is an authoritative advisory
document, issued by an expert body, that offers advice
on the minimum requirements or optimal method for
addressing an important issue or problem. A practice
standard does not generally have the force of law.
Methods used to foster compliance with practice stan-
dards include education and peer pressure. ASHP’s
practice standards have been very important in elevat-
ing hospital pharmacy in the United States.
The origins of hospital pharmacy practice standards
go back to 1936 when the American College of
Surgeons adopted the Minimum Standard for Pharma-
cies in Hospitals. This document was semidormant for
a number of years, but it served as a rallying point for
hospital pharmacists and revision and promulgation of
the Standard became a priority for ASHP.37
The revision pursued by ASHP in the 1940s speci-
fied the following minimum requirements:
■ An organized pharmacy department under the
direction of a professionally competent, legally
qualified pharmacist
■ Pharmacist authority to develop administrative
policies for the department
■ Development of professional policies for the
department with the approval of the pharmacy
and therapeutics committee
■ Ample number of qualified personnel in the
department
■ Adequate facilities
■ Expanded scope of pharmacist’s responsibilities: 
- Maintain a drug information service
- Nurse and physician teaching
- File periodic progress reports with 
administrator
■ P&T committee must establish a formulary
From this modest beginning, ASHP has developed
more than 60 practice standards that deal with most
aspects of hospital pharmacy operations and several
major controversies in therapeutics.38
ASHP practice standards have been used effectively
over the years as a lever for raising the quality of hos-
pital pharmacy services. The standards have been used
in the following ways:
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31
■ Requirements for pharmacy practice sites that
conduct accredited residency programs
■ Guidance to practitioners who desire to volun-
tarily comply with national standards
■ Guidance to the Joint Commission on Accredi-
tation of Healthcare Organizations in developing
standards for pharmacy and the medication-use
process
■ Tools for pharmacy directors who are seeking
administrative approval for practice changes
■ Guidance to regulatory bodies and courts of law
■ Guidance to curriculum committees of schools
of pharmacy
Summary of Internal Factors
In summary, five internal factors have played a large
role in transforming U.S. hospital pharmacy over the
past 50 years: (1) visionary leadership, (2) a strong
professional society, (3) reforms in pharmacy educa-
tion, (4) residency training, and (5) practice standards.
The common element among these forces has been
dissatisfaction with the status quo and burning desire
to bring hospital pharmacy in better alignment with
the needs of patients and the needs of physicians,
nurses, other health professionals, and administrators
in hospitals. 
Summary
From the author’s perspective, clouded to be sure by
participation in the hospital pharmacy movement for
many years, four tentative lessons may be drawn from
the history of U.S. hospital pharmacy:
1. Fundamental change of complex endeavors
requires leadership and time. Hospital pharma-
cists are sometimes frustrated by the slow pace
of change. Wider study of history might help 
practitioners dissolve that discouragement.
2. It is important to engage as many practitioners 
as possible in assessing hospital pharmacy’s 
problems and identifying solutions, so that a 
large number of individuals identify with the 
final plan and are committed to pursuing it.
3. It is critical to recognize and capitalize on 
changes in the environment that may make 
conditions more favorable to the advancement 
of hospital pharmacy. This requires curiosity 
about the world at large.
4. It is important to regularly and honestly assess
progress and embark on a new approach if the
existing plan for constructive change is not
working or has run its course. This requires
open-mindedness and a good sense of timing.
Today’s challenges in hospital pharmacy are no
more daunting than those that faced hospital pharma-
cy’s leaders and innovators in the past. Fortunately,
hospital pharmacy isimbued with a culture of taking
stock, setting goals, making and executing plans, meas-
uring results, and refining plans. If hospital pharmacy
sticks to this time-tested formula, it will continue to be
a beacon for the profession as a whole.
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H A N D B O O K O F I N S T I T U T I O N A L P H A R M A C Y P R A C T I C E32
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Psicologia: Teoria e Pesquisa 
2010, Vol. n. , pp. 105-114
Moral e Ética: Uma Leitura Psicológica
Yves de La Taille1
Universidade de São Paulo
RESUMO - Após um século de reflexões e investigações, como era de se esperar, a Psicologia Moral apresenta sinais de 
esgotamento de seus referenciais teóricos clássicos. Consequentemente, novas perspectivas se abrem, entre elas a abordagem 
teórica que leva o nome de ‘personalidade ética’, cuja tese é: para compreendermos os comportamentos morais (deveres) dos 
indivíduos, precisamos conhecer a perspectiva ética (vida boa) adotadas por eles. Entre os invariantes psicológicos de realização 
de uma ‘vida boa’, está a necessidade de ‘expansão de si próprio’. Como tal expansão implica ter ‘representações de si’ de 
valor positivo, entre elas poderão estar aquelas relacionadas à moral. Se estiverem, o sujeito experimentará o sentimento de 
dever, do contrário, a motivação para a ação moral será inexistente ou fraca.
Palavras-chave: Psicologia Moral; moral; ética; personalidade ética; representações de si.
Moral and Ethic: A Psychological Reading
ABSTRACT - After nearly a century of reflections and investigations, as it would be expected, the classical theoretical 
referentials of Moral Psychology show signs of exhaustion. Consequently, new perspectives open up, including the theoretical 
approach that takes the name of ‘ethic personality’, whose thesis is: to understand the moral behavior (duties) of individuals, 
one needs to know the ethical perspective (good life) adopted by them. Among the psychological invariants to hold a ‘good 
life’ is the need for ‘expansion of the self’. Such expansion involves positive ‘self representations’, among of which may be 
those related to morality. If so, the subject will experience the feeling of duty, otherwise, the motivation for moral action will 
be weak or non-existent. 
Keywords: Moral Psychology; morality; ethics; ethical personality; self’s representations.
26 especial
1 Endereço para correspondência: Via das Acácias, 731. Jardim Colibri. 
Embu, SP. CEP 06805330. E.mail: ytaille@usp.br.
No começo do século XX, em 1902 exatamente, Lévy-Bruhl, para quem “uma moral, mesmo quando quer ser 
teórica, é sempre normativa, e, justamente porque é nor-
mativa, nunca é realmente teórica” (1971, p. 12), propunha 
que a moralidade fosse finalmente tema de investigações 
científicas, notadamente psicológicas. O seu conselho foi 
seguido e, assim como na Filosofia, praticamente todos os 
grandes autores na área da Psicologia se debruçaram sobre 
o tema da moral. Os construtores de grandes ‘teorias do su-
jeito’, como Freud, Piaget e Skinner, para citar apenas três, 
dedicaram-se a pensar a moralidade por intermédio de suas 
respectivas abordagens teóricas. Todavia, os três autores 
citados o fizeram de maneira, por assim dizer, ocasional. 
Com efeito, a moral não é o tema central da psicanálise, nem 
o é do construtivismo piagetiano, e tampouco do behavio-
rismo skinneriano. Seria preciso esperar a segunda metade 
do século passado para que a chamada Psicologia Moral se 
tornasse campo preciso e consagrado de estudo, notadamente 
graças às já clássicas contribuições de Lawrence Kohlberg. 
Como o psicólogo americano inspirou-se no livro pioneiro 
de Jean Piaget, Le jugement moral chez l’enfant, publicado 
pela primeira vez em 1932, pode-se dizer que a linha mestra 
que orientou grande quantidade de estudos e pesquisas foi 
tributária das ideias do criador da Epistemologia Genética. 
Note-se que, no Brasil, a área da Psicologia Moral foi desen-
volvida por vários pesquisadores, como o atesta a existência, 
desde o início da década de 1990, de um grupo de trabalho da 
Associação Nacional de Pesquisa em Psicologia (ANPEPP) 
dedicado ao tema.
No final do século XX, assiste-se, como era de se esperar, 
a certo esgotamento do referido modelo teórico, que costuma 
responder pelo nome de construtivismo, não que ele se mos-
trasse ‘errado’ (tantos dados comprovaram sua relevância), 
mas porque não somente não oferecia grandes perspectivas 
de novos e relevantes achados empíricos e teóricos, como, 
centrado no aspecto racional da moralidade, relegava a uma 
zona obscura os motivos humanos da ação moral (que não 
se reduz ao juízo moral, embora dele indissociável). Novas 
perspectivas, então, foram encetadas.
Como o presente texto não se pretende ‘didático’, logo 
não pretende contar a história passada e recente da Psicolo-
gia Moral, nele será tratada uma dessas novas perspectivas 
por intermédio de conceitos e propostas teóricas que foram 
elaboradas durante a década de 1990 e os 10 primeiros anos 
do presente século. 
A tese psicológica que vamos aqui analisar pode ser as-
sim enunciada: para compreendermos os comportamentos 
morais dos indivíduos precisamos conhecer a perspectiva 
ética que estes adotam. 
Tal afirmação, é claro, pressupõe uma diferença de senti-
do entre os conceitos de moral e de ética. Vamos, portanto, 
começar por explicitar a diferença de sentido assumida para, 
em seguida, nos debruçarmos sobre a tese acima apresentada.
106 Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, 2010, Vol. 26 n. especial, pp. 105-114
Y. La Taille
O Plano Moral
A Psicologia trabalha com fatos. Vamos, então, nos 
perguntar se a definição que Kant (1994) propõe da moral 
corresponde a uma possível realidade psíquica. Como se 
sabe, para o filósofo de Königsberg, somente é moral a ação 
inspirada por um imperativo categórico, portanto, oriunda de 
um dever incondicional. Logo, para Kant, a moral ordena: o 
sujeito moral sente-se intimamente obrigado a agir segundo 
determinadas regras. Sua ação é, para ele, necessária, e não 
apenas possível ou provável, e isto porque o bem moral é 
um bem em si. Não nos interessa, por enquanto, discutir 
o conteúdo da moral assim definida. O que nos interessa 
é saber se, sim ou não, tal sentimento de obrigatoriedade 
corresponde a um fato psicológico, pelo menos em alguns 
indivíduos. Se a resposta for afirmativa, seremos obrigados 
a reconhecer que existe um plano moral possível na psique 
humana (empregamos o conceito de plano moral para sepa-
rar forma de conteúdo: tal plano é o lugar do sentimento de 
obrigatoriedade, seja qual for a regra contemplada - a moral 
é sempre uma determinada moral, portanto, comprometida 
com determinados valores, princípios e regras).
Ora, a resposta à nossa pergunta certamente é afirmativa. 
É, pelo menos, o que a experiência leva a pensar, e é também 
o que autores dedicados ao tema que nos interessa assumem. 
Vejamos alguns exemplos, começando por dois filósofos.
Tugendhat (1998), ao perguntar-se que critérios intervêm 
para que um juízo seja concebido como moral, analisa os 
sentidos das palavras ‘bom’ e ‘dever’. Eis a sua conclusão: 
“Todas as proposições que comportam – seja de maneira 
explícita ou implícita – a expressão gramaticalmente abso-
luta de um dever prático ou de um valor (‘bom’ ou ‘mau’) 
expressam, nesse sentido, juízos morais” (p. 31). A referência 
ao absoluto, que se encontra nas falas usuais dos indivíduos, 
corresponde ao que estamos chamando de plano moral, e a 
linguagem expressa a existência psicológica de tal plano. 
Dupréel (1967), pesquisador de formação filosófica e que 
se propôs a escrever um Traité de Morale, no qual analisa 
as dimensões sociológicas e psicológicas da moral, também 
vê na definição kantiana um aspecto incontornável da reali-
dade psicológica. Escreve ele: “O puro respeito pela regra, 
eis o fato decisivo; e por pouco frequente ou limitado que 
seja este estado de consciência, é isto que importa à ciência 
explicar” (p. 164).
Na área da Sociologia, Durkheim (1974), preocupado 
em demonstrar a viabilidade de uma educação moral laica, 
aceita a definição de Kant, que ele traduz por “agir bem é 
obedecer bem” (p. 21), e encontra no sentimento do sagra-
do a explicação psicológica da existência do sentimento de 
obrigatoriedade. Para o sociólogo francês, o plano moral 
corresponde a uma realidade humana, realidade esta durante 
séculos despertada pela religião, mas também passível de ser 
ocupada pelos mandamentos do Ser Coletivo. 
Na área da Psicologia, Freud (1991) não hesitou em 
afirmar que o superego “se manifesta enquanto imperativo 
categórico” (p. 278). Sabe-se que a força superegóica tem, 
para Freud, sua origem em esferas inconscientes: logo, sua 
referência à terminologia kantiana não o compromete com 
a existência de um ‘tribunal da razão’, para empregar uma 
feliz expressão de Deleuze (2004). Mas que há um ‘tribunal’, 
há – aliás tão implacável quanto aquele imaginado por Kant 
– e cabe à Psicologia explicar o lugar e a origem dessa voz 
da consciência que coage o homem a agir de determinadas 
formas, e não de outras. Mais perto da hipótese de um tribunal 
da razão está Piaget (1932), para quem a moral da cooperação 
implica a presença de um sentimento incontornável de dever. 
Para ele, “tal tese só é chocante para os que permanecem 
incapazes de experimentar em si próprios esta obrigação 
superior e puramente imanente que constitui a necessidade 
racional” (p. 298).
Em suma, é perfeitamente legítimo afirmar a existência 
de um sentimento de obrigatoriedade, e explicar tal exis-
tência é um desafio para a Psicologia. Antes de passarmos 
a refletir sobre os possíveis conteúdos desse plano moral e 
as fontes energéticas de sua força psicológica, façamos dois 
comentários.
O primeiro: o sentimento de obrigatoriedade (ou dever) 
experimentado por um sujeito não corresponde sempre e 
necessariamente a uma exigibilidade social. Essa correspon-
dência pode acontecer: por exemplo, quando alguém pauta 
suas ações pela regra ‘não matar’ e vive numa sociedade na 
qual o matar é moralmente proibido. Há, por assim dizer, 
uma dupla exigência: uma pessoal (o imperativo categórico) 
e outra social (castiga-se e/ou se despreza o assassino). Po-
rém, tal correspondênciapode não existir, como no caso de 
uma pessoa para a qual ser caridoso traduz um dever, mesmo 
vivendo numa sociedade na qual não há regra que vise obrigar 
a todos fazerem ‘dom de si’. Em geral, a obediência às regras 
que dizem respeito à justiça costuma ser socialmente exigida, 
enquanto a obediência àquelas que tratam de benevolência, 
não. Mas o que importa sublinhar aqui é que o sentimento 
de obrigatoriedade poder ser experimentado sem que haja 
exigibilidade social do comportamento decorrente.
O segundo comentário incide sobre a frequência, na 
população e no próprio indivíduo, do referido sentimento. 
Comecemos pelo aspecto populacional: a maioria dos ho-
mens sente-se movida por essa força interna chamada dever? 
Ou são poucos aqueles que experimentam tal ‘obrigação 
superior’? É evidentemente impossível responder estatistica-
mente a essa indagação, mas o bom senso costuma fazer com 
que nos inclinemos pela raridade do fenômeno. Daí, aliás, 
a admiração comumente despertada pelas pessoas capazes 
de sacrifícios em nome de ideais morais. Os estudiosos da 
moralidade também costumam mostrar-se prudentes na hora 
de generalizar a um grande número de indivíduos a capaci-
dade de serem inspirados por deveres. A citação de Dupréel 
(1967), transcrita acima, o atesta claramente. Freud (1971) 
também expressa seu pessimismo moral dizendo que em 
numerosos adultos, o medo da punição, e não o sentimento 
do dever, explica a correção de seus atos. Assim, escreve 
ele, “esses adultos permitem-se cometer um mal suscetível 
de lhes proporcionar prazer somente com a garantia de que a 
autoridade nunca de nada saberá ou nada poderá lhes fazer; 
apenas o medo de serem descobertos determina sua angústia” 
(p. 81). O próprio Piaget (1977), certamente mais confiante 
nas virtudes da humanidade do que seu colega psicanalista, 
admite que a enorme coerção exercida pela sociedade no 
que tange aos termas morais impede que a maioria aceda à 
autonomia moral. Ora, em fase de heteronomia, segundo ele, 
o sentimento do dever ainda é fraco, pois exterior à cons-
107Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, 2010, Vol. 26 n. especial, pp. 105-114
Moral e Ética
ciência. Assim, vemos que Dupréel, Freud e Piaget pensam 
ser rara a determinação das ações humanas por imperativos 
categóricos. Lipovetsky (1992) tem a mesma opinião, mas 
por motivos de ordem cultural. Segundo ele, vivemos tempos 
de crepúsculo do dever, nos quais “cessamos de reconhecer a 
obrigação de nos apegar a outra coisa que não seja nós mes-
mos” (p. 15). A rarefação do sentimento de obrigatoriedade 
não seria devida, portanto, a fraquezas de caráter que, em 
todas as épocas, minam a força moral da maioria dos homens, 
mas sim a uma nova ordem social individualista que mais 
valoriza o prazer que o dever. A sociedade pós-moderna seria 
também a sociedade pós-moralista. O livro de Lipovetsky 
é instigante, repleto de exemplos e análises importantes, 
todavia, não pensamos que as ciências humanas possam 
alegremente abandonar o tema da moralidade, nem que seja 
porque muitos contemporâneos sentem os efeitos do suposto 
pós-moralismo como dolorosos e inquietantes para o futuro 
da sociedade ocidental. Huntington (1999), em seu polêmico 
livro sobre o ‘choque das civilizações’ atesta tal mal-estar. 
Raro? Talvez. Em franca regressão? Talvez. Resta que o 
sentimento de obrigatoriedade é tema humano incontornável.
Mais interessante do que indagarmos sobre a frequência 
do sentimento de obrigatoriedade entre os seres humanos 
é nos perguntarmos sobre essa mesma frequência em cada 
indivíduo. O herói moral, o santo, é aquela pessoa cuja voz 
da consciência sempre fala mais alto do que as outras. Ela 
desconhece fraquezas que a fariam desviar-se do claro cami-
nho do dever. Esta é a exceção, não a regra. O mais comum é 
o homem ‘cair em tentação’, como se diz no âmbito cristão, 
às vezes tornar-se surdo à voz de sua consciência moral. 
Longe de comprometer a validade do tema que nos ocupa, 
tal fenômeno o torna ainda mais interessante, pois ele nos 
mostra que devemos pensá-lo no âmbito do conflito pessoal. 
Em algum lugar, Wallon disse que os ‘eclipses’ permitem 
melhor estudar os fenômenos momentaneamente invisíveis. 
O fato de às vezes acontecerem ‘eclipses’ do sentimento de 
dever pode nos ajudar a melhor compreender as dimensões 
psicológicas que o tornam possível. Voltaremos a elas.
Para finalizarmos nossa análise do plano moral, falta-
nos perguntar se tal plano implica determinados conteúdos 
(uma determinada moral) e que fontes energéticas alimen-
tam o sentimento do dever. Interessantemente, essas duas 
questões, na verdade distintas, mostram-se relacionadas 
nas teorias psicológicas. Encontramos o seguinte: as teorias 
que identificam uma fonte energética para o dever apontam 
para uma relativização do conteúdo da moral, e as teorias 
que postulam que uma determinada moral tende a impor-
se à consciência deixam em aberto a dimensão energética. 
Durkheim e Freud são representantes das primeiras; Piaget 
e Kohlberg, das segundas. Vejamos como esse quadro se 
apresenta, começando por pensar a questão do conteúdo que 
pode ocupar o plano moral.
Tugendhat (1998) afirma que “um conceito de moral que 
não permitiria manter a possibilidade de uma pluralidade 
de concepções morais é hoje inaceitável” (p. 49). Estará o 
filósofo defendendo o chamado ‘relativismo moral’? Existem 
dois tipos de relativismo moral, um que podemos chamar de 
axiológico, outro de antropológico. 
O relativismo axiológico implica pensar que todos e 
quaisquer valores morais assumidos por diversas culturas ou 
pessoas (e as regras de conduta decorrentes) equivalem-se, 
sendo impossível estabelecer uma hierarquia entre eles ou 
considerar alguns como imorais. Por exemplo, o relativista 
moral, embora não pratique, ele mesmo, excisão genital em 
meninas, considerará como válido que algumas pessoas o 
façam em nome de preceitos religiosos. Em tal relativismo, 
a tolerância é máxima. O relativismo moral levanta graves 
questões, tanto morais quanto psicológicas. Do ponto de vista 
moral, essa tolerância ilimitada destrói a si mesma. Como 
escreve Spaemann (1994): “A tolerância não é, de forma 
alguma, a decorrência natural do relativismo moral, como é 
frequentemente afirmado. A tolerância tem seu fundamento 
numa convicção moral bem determinada, uma convicção 
para a qual exige-se universalidade” (p. 23). Essa mesma 
universalidade coloca em cheque a possibilidade do relativis-
mo moral do ponto de vista psicológico: como pode alguém, 
realmente convicto de que mutilar alguém é moralmente 
errado, aceitar, sem maiores problemas de consciência, que se 
mutilem pessoas seja lá em que lugar do mundo for? Faltar-
lhe-ia experimentar o sentimento de indignação, inseparável 
do sentimento de obrigatoriedade.
O relativismo antropológico é de outra espécie: não 
consiste em afirmar que todas as opções morais se valem, 
mas que, de fato existem. Por exemplo, aqui, matar o ímpio 
é proibido, lá é um dever; aqui, manter relações sexuais fora 
do casamento é permitido, acolá é terminantemente proibido 
etc. É nesse sentido que Tugendhat (1998) nos fala em plura-
lidade de concepções morais. Porém, não acreditamos que ele 
sugere uma total dispersão dos deveres. Se formos analisar 
os diversos sistemas morais conhecidos, verificaremos que 
as virtudes justiça e benevolência estão sempre presentes. 
Mas o fato é que essa presença recebe interpretações bastante 
diversas e até contraditórias. Terroristas islâmicos matam em 
nome da justiça (divina), militantes dos direitos humanos 
condenam a pena de morte, também em nome da justiça. Em 
suma, parece que, de fato, o plano moral pode ser ocupado 
por uma variedade de conteúdos.
Mas tudo ainda não está dito a respeito do relativismo 
moral antropológico. Os leitores de Piaget e Kohlberg hão de 
lembrarque para esses dois autores, há um desenvolvimento 
moral cujo vetor leva a uma determinada moral. Para Piaget 
(1932), o gênese individual da moralidade parte da anomia, 
passa pela heteronomia e chega à autonomia. Mas o que é, 
para Piaget, a moral autônoma? É, entre outras coisas, uma 
moral da igualdade, da reciprocidade, do respeito mútuo. 
Logo, se ele tiver razão, o indivíduo moralmente autônomo 
não poderá legitimar deveres contraditórios com tais critérios. 
Dito de outra maneira, ao final da gênese da moralidade, 
o plano moral seria ocupado por uma determinada moral 
e não qualquer uma. Essa tese foi retomada e sofisticada 
por Kohlberg (1981). Para ele, o vetor do desenvolvimento 
moral leva ao ideal de justiça pela equidade, à perspectiva 
da reciprocidade universal, ao imperativo categórico kantia-
no que reza que devemos sempre tratar a humanidade, na 
nossa própria pessoa e na pessoa de outrem, como um fim 
em si e não apenas como meio. Portanto, tanto em Piaget 
como em Kohlberg, há a recusa do relativismo moral an-
tropológico, uma vez que o desenvolvimento moral segue, 
para toda e qualquer pessoa, uma direção precisa. Todavia, 
é preciso sublinhar que a negação do relativismo moral é 
108 Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, 2010, Vol. 26 n. especial, pp. 105-114
Y. La Taille
apenas parcial, e isto por um motivo bem simples: ambos os 
autores reconhecem que, no caminho para a autonomia ou 
reciprocidade universal, há os estágios da moral heterônoma, 
aqueles durante os quais os indivíduos legitimam os valores 
e normas impostas pela cultura na qual vivem. Portanto, 
não é contraditório com essa abordagem teórica afirmar 
que há pluralidade de concepções morais. Seu provir será 
deixarem o lugar à moral da reciprocidade, mas enquanto 
isto não acontece (seja no nível do indivíduo, seja no nível 
da cultura), prevalecem as outras. Aliás, note-se que as pes-
quisas de Kohlberg mostram que poucos são os indivíduos 
que chegam ao estágio da moral pós-convencional, a maioria 
ficando na moral convencional, justamente aquela que pensa 
a moral como garantia de estabilidade social (e não como 
inspiração para uma sociedade melhor, como pensam aqueles 
no estágio ulterior).
Voltemos agora ao que assinalamos acima: nas aborda-
gens de Piaget e Kohlberg, há uma tese psicológica a respeito 
do conteúdo da moral. Eles não falam de ‘qualquer moral’ 
pois pensam que os processos psicológicos de desenvol-
vimento inevitavelmente trazem ao plano moral deveres 
inspirados pela reciprocidade. Em compensação, eles pouco 
ou nada nos dizem no que tange ao aspecto energético da 
ação. Essa constatação não equivale a uma crítica: o objetivo 
das investigações desses dois grandes autores foi o de obser-
var e analisar a dimensão racional da moralidade, não sua 
dimensão afetiva. O conjunto de dados que tal abordagem 
construtivista reuniu é considerável e nenhum pesquisador in-
teressado em moral pode, sem mais, descartá-lo e interpretar 
como quimera a afirmação de que o desenvolvimento da razão 
tem influência sobre as escolhas de que moral adotar. Todavia, 
o fato é que esse construtivismo deixa em aberto a dimensão 
energética, questão esta que pode ser assim formulada: os 
indivíduos sempre se comportam de maneira coerente com 
o que julgam ser o moralmente correto? O que está em jogo 
é a relação juízo/ação, logo a relação saber/querer (a ação 
moral, como toda ação, pressupõe um querer agir). 
Piaget estava consciente desse embate, tanto que redigiu 
um avertissement à guisa de introdução de seu livro de 1932, 
no qual, na primeira linha, já avisa o leitor que “é o juízo 
moral que nos propomos a estudar, e não as condutas ou os 
sentimentos morais”. Kohlberg (1981) sempre também frisou 
que o desenvolvimento do juízo moral é condição necessária, 
mas não suficiente para explicar as ações humanas. É claro 
que ele pressupunha a existência de uma correlação entre 
nível de desenvolvimento moral e ação morais. Todavia, 
as pesquisas não confirmaram totalmente tal fenômeno: ele 
às vezes é observado, outras vezes não (ver Biaggio, 2002; 
Blasi,1995; Colby & Damon, 1993). Em suma, a despeito de 
sua riqueza conceitual, a perspectiva construtivista de Piaget 
e Kohlberg fica devendo uma explicação para a ação moral 
que leve em conta a relação entre juízo e volição.
Mas, por que não buscar essa explicação em outras teorias 
que, justamente, enfrentaram essa questão? Pode-se fazê-lo, 
é claro, mas não para complementar a abordagem construti-
vista! Como o assinalamos acima, as teorias que contemplam 
a dimensão do querer agir moral nos descrevem um sujeito 
moralmente heterônomo e um plano moral aberto a todo e 
qualquer sistema moral. É o caso da teoria de Durkheim: é 
moral o que a sociedade, este ‘Ser Coletivo’, decidir que é, e 
a ação moral de cada indivíduo é inspirada por um sentimento 
do sagrado experimentado por fontes de autoridade. Também 
é o caso da teoria psicanalítica: é moral o que a sociedade 
impõe como tal através das figuras parentais, e a ação moral 
é comandada por uma esfera inconsciente que se instalou 
na psique humana por um duplo processo de renúncia e 
repressão. O que há de comum entre Durkheim e Freud é a 
hipótese de que a moral instala-se em cada indivíduo por um 
processo de interiorização, uma pressão social (a abordagem 
behaviorista tem a mesma hipótese) que molda o indivíduo. 
Ora, essa hipótese é diametralmente oposta àquela cons-
trutivista que pressupõe uma atividade criadora do sujeito.
Em resumo, se ficarmos com as teorias psicológicas 
clássicas da motivação para a ação moral, devemos assumir o 
relativismo moral e a heteronomia básica de cada indivíduo; 
e se ficarmos com as teorias do juízo moral, reconhecemos a 
realidade da autonomia e da progressiva unidade da moral, 
mas nos privamos de um entendimento do querer agir. Tudo 
se passa como se o estudo da dimensão afetiva implicasse o 
relativismo e a heteronomia morais, e aquele da dimensão 
cognitiva implicasse um ser afetivamente misterioso. Kant 
(1994) parece ter tido razão ao afirmar o inevitável divórcio 
entre autonomia moral e sensibilidade.
Porém, não pode ficar paralisado nem intimidado o 
estudioso da moral convencido da realidade da autonomia 
moral e da necessidade de identificar as raízes afetivas da 
ação moral. Talvez possamos achar novas pistas teóricas no 
campo da ética.
O Plano Ético
Comumente, as palavras ‘moral’ e ‘ética’ são emprega-
das como sinônimas. Por exemplo, diz-se de uma pessoa 
que ‘ela não tem ética’ para criticar seus comportamentos e 
atitudes; poder-se-ia muito bem chamá-la ‘imoral’. Quando 
se fala em ‘problemas éticos’, costuma-se fazer referência a 
questões atinentes aos deveres, portanto, ao plano moral. Em 
uma palavra, emprega-se, na maioria das vezes, ética como 
sinônimo de moral. Note-se que tal sinonímia é perfeitamen-
te aceitável do ponto de vista acadêmico, e alguns autores 
empregam um ou outro conceito indistintamente. Vejamos 
definições de dicionário para nos convencermos da legiti-
midade dessa sinonímia. O Dicionário Houaiss (2001), por 
exemplo, traz como uma das definições de moral “conjunto 
de regras, preceitos, etc. característicos de um determinado 
grupo social que os estabelece e defende” (p. 1958). Para 
a ética, o referido dicionário coloca: “conjunto de regras e 
preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de 
um grupo social ou de uma sociedade” (p. 1270). Outros 
dicionários também atestam a sinonímia. Há de se notar que, 
hoje em dia, assistimos a uma valorização da palavra ‘ética’ 
em detrimento da palavra ‘moral’. Eis a avaliação crítica que 
Spitz (1995) faz dessa preferência: “Esse termo (ética), que 
tomou uma importância cada vezmaior, veio para aliviar 
o inextricável embaraço daqueles que desejariam falar em 
moral sem ousar pronunciar esta palavra” (p. 149). Eis um 
diagnóstico convincente!
Todavia, há possibilidades de estabelecer, por con-
venção, diferenças entre ‘moral’ e ‘ética’. As duas mais 
109Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, 2010, Vol. 26 n. especial, pp. 105-114
Moral e Ética
frequentes e consagradas mantêm os dois termos como refe-
rência a deveres. A primeira dessas possibilidades consiste 
em reservar a palavra ‘ética’ a deveres de ordem pública. 
É o caso de expressões como ‘ética da política’, ‘ ética da 
empresa’, ‘código de ética’ (de determinadas profissões), ou 
ainda ‘comitê de ética para pesquisa com seres humanos’. 
Está claro que em todos esses exemplos, o que está em jogo 
é um conjunto de princípios e regras que visam estabelecer 
obrigações por parte das pessoas contempladas. Ética na 
política nos remete, entre outros conteúdos, ao preceito da 
honestidade (não enganar o eleitor, não apoderar-se de bens 
públicos, não fazer tráfico de influências etc.): tal ética, 
portanto, exige comportamento moral. Os diversos códigos 
de ética trazem normas que devem, de maneira obrigatória, 
reger as atividades dos profissionais, normas cujas raízes 
encontram-se na moral legitimada pela sociedade. Mesma 
coisa pode-se dizer da atualmente muito em voga ‘ética 
da empresa’: trata-se de normatizar condutas (respeitar o 
cliente, por exemplo). Finalmente, os comitês de ética na 
pesquisa com seres humanos visam a regulamentar as ati-
vidades de investigação para garantir o bem-estar físico e 
psicológico dos sujeitos que se submetem a procedimentos 
de investigação científica. Além de sua referência a deveres, 
o que há em comum nas expressões analisadas é o fato de 
referirem-se a ações que dizem respeito ao espaço público 
(não faria muito sentido em se falar em ‘ética familiar’). 
Uma segunda possibilidade de diferenciar ética de moral 
é reservar a primeira para os estudos científicos e filosóficos 
do fenômeno moral. É esta, aliás, a diferenciação mais em-
pregada no meio acadêmico. Kant (1994), um dos primeiros 
a colocar ordem nos conceitos de moral e ética, propõe 
que se defina ética como a ciência das leis da liberdade (a 
física seria a ciência das leis da natureza). Outros autores, 
como o já citado Tugendhat (1998), definem ética de forma 
semelhante: reflexão filosófica sobre a moral. Mas, como já 
dito, a reflexão pode ser de ordem científica, como a busca 
empírica de dados para explicar o fenômeno moral, como o 
fizeram autores como Lévy-Bruhl (1971), Durkheim (1974), 
Freud (1991), Piaget (1932) e tantos outros. Mesmo aceita 
essa diferença de sentido, verifica-se que se permanece no 
campo do dever, da obrigatoriedade, portanto, permanece-se 
no que chamamos de plano moral: apenas o nível de abstração 
faz a diferença entre os dois termos.
Todavia, há outra possibilidade de diferenciar-se ética 
de moral, que rompe claramente com a sinonímia. Leiamos 
a proposta de Paul Ricoeur (1990), a qual faremos nossa: 
“É por convenção que reservarei o termo ética para a busca 
(visée) de uma vida realizada (accomplie) e o de moral para 
a articulação dessa busca com normas caracterizadas ao 
mesmo tempo pela pretensão à universalidade e por um efeito 
de coação” (p. 200).
Vemos que Ricoeur (1990) define moral como o fizemos 
até agora. Todavia, reserva o termo ética para outro plano: 
o da definição e busca do que seja uma ‘vida realizada’, ou, 
em termos filosóficos clássicos, uma ‘vida boa’ ou ‘feliz’. 
Outros autores contemporâneos fazem distinção semelhante 
entre moral e ética. Citemos dois, começando por Bernard 
Williams, que inicia seu livro L’Ethique et les Limites de la 
Philosophie (1990) afirmando que “o objetivo da filosofia 
moral e a esperança de que ela possa merecer atenção estão 
relacionados ao destino dado à questão de Sócrates (de que 
maneira viver?)” (p. 7). Williams (1990) reserva o concei-
to de ética para essa ampla questão, e o de moral para os 
deveres que intimamente nos coagem. Comte-Sponville 
faz eco aos dois autores citados ao escrever que “a moral 
responde à questão ‘que devo fazer?’, e a ética, à questão 
“como viver?’ (Comte-Sponville, em Comte-Sponville & 
Ferry, 1998, p. 214).
Como dito acima, seguiremos os autores que acabamos de 
citar e diferenciaremos, portanto, o plano ético referente ao 
tema da ‘vida boa’ e o plano moral, ao tema dos deveres para 
com outrem e para consigo mesmo. Falamos em plano ético 
para diferenciar forma e conteúdo. Com efeito, as respostas 
ao que seja uma ‘vida boa’ podem variar, logo, há variadas 
éticas, como há diversas morais.
Isso posto, devemos lembrar que a questão da vida boa 
não é nova, que ela preocupa os filósofos desde a antigui-
dade, e que as respostas dadas costumam responder pelo 
nome de eudemonismo (teoria da felicidade como bem 
para o homem). Dizemos que costumam ser chamadas de 
eudemonismo porque, como apontado por Dupréel (1967), 
há divergências a respeito de que propostas merecem, de 
fato, o nome de eudemonismo. Esse autor opta por reservar 
o referido conceito para as propostas que pressupõem que 
cada homem sabe muito em que consiste sua felicidade, 
cabendo à filosofia elaborar as técnicas para conquistá-la. 
É, por exemplo, o caso do utilitarismo de Mill (1988), para 
quem a felicidade consiste em “prazer e ausência de dor” (p. 
48), e que discute regras de prudência para buscar o prazer 
e evitar a dor. A outras propostas, que visam a ensinar ao 
homem o que é a felicidade, Dupréel dá o nome de teorias 
idealistas. É o caso, por exemplo, de Aristote (1965), cuja 
ética implica que a felicidade depende da elevação do homem 
por intermédio do cultivo das virtudes.
Mas deixemos as polêmicas a respeito de que nome 
merecem os diversos sistemas que se debruçaram sobre a 
felicidade, pois o que nos interessa aqui é sublinhar o fato 
de a reflexão sobre a ‘vida boa’ – seja ela intuitivamente 
conhecida ou, pelo contrário, revelada pelos sábios – ser 
tema recorrente da chamada filosofia moral. Aliás, pode-se 
dizer que esse tema tem sido muito mais trabalhado que o do 
dever – que somente ganha realce filosófico a partir de Kant, 
embora tenha sido questão central das religiões de origem 
judaica2. E é grande a variedade e riqueza de temas humanos 
tratados em nome do que estamos chamando de plano ético: a 
harmonia do universo e sua relação com o homem, a natureza 
humana, o papel do conhecimento no alcance da felicidade, 
as mazelas e virtudes das paixões, o egoísmo e o altruísmo, 
a convergência social de interesses, a evolução histórica e o 
porvir do homem etc., e, também, a justiça, a benevolência, 
a coragem, a fidelidade, ou seja, um conjunto de virtudes que 
também interessam à reflexão moral. 
Podemos, então, dizer que a tese anunciada no início 
do presente texto – a saber, que para compreendermos os 
comportamentos morais dos indivíduos precisamos conhecer 
a perspectiva ética que estes adotam – já foi defendida por 
2 Note-se que a moral de Kant propõe deveres coerentes com o ‘amor 
universal’ cristão, só que fundamentados na razão e não na fé e obedi-
ência a Deus.
110 Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, 2010, Vol. 26 n. especial, pp. 105-114
Y. La Taille
diversos sistemas filosóficos? A resposta a essa pergunta é, 
cremos, negativa. Seria talvez melhor dizer que é em parte 
negativa. Expliquemo-lo, lembrando que fizemos uma dife-
renciação entre moral (conteúdo) e plano moral (forma). É 
fato que os diversos sistemas que evocam, de uma maneira 
ou de outra, a questão da ‘vida boa’, trazem-nos conteúdos 
morais sob forma de virtudes (justiça, generosidade etc.);porém, eles não as tratam como obrigatórias, mas sim como 
desejáveis. Ora, o plano moral implica o sentimento de 
obrigatoriedade. Portanto, se temos no epicurismo, no estoi-
cismo, no utilitarismo, e em outras reflexões éticas, análises 
precisas de conteúdos morais, falta-nos a articulação entre 
a busca da felicidade e o dever, ou seja, a articulação entre 
o que chamamos de plano ético e plano moral. E devemos, 
sem dúvidas, a Kant o equacionamento preciso das enormes 
dificuldades de estabelecer tal articulação. 
Dos argumentos kantianos podemos lembrar dois, a 
nosso ver, incontornáveis. O primeiro: a variedade de 
respostas possíveis ao que seja a felicidade. Escreve Kant 
(1994): “Embora o conceito de felicidade sirva em todos os 
casos de base para a relação prática dos objetos da faculda-
de de desejar, ele é apenas o título geral dos princípios sub-
jetivos de determinação e nada determina especificamente 
...” (p. 24). O segundo: a busca da felicidade é determinada 
pela sensibilidade, logo por algo sobre o qual o homem não 
tem domínio, em relação ao qual, portanto, é heterônomo. 
Ora, a responsabilidade moral implica a autonomia. Em 
suma, para Kant (1990), a moral “é uma ciência que ensina 
não a maneira pela qual nós devemos nos tornar felizes, 
mas aquela pela qual devemos nos tornar dignos da feli-
cidade” (p. 15, sublinhado por nós). Essa última definição 
de moral, rica e precisa, mostra o quanto os planos moral 
e ético não se articulam facilmente. Todavia, a referência 
à ‘dignidade’ fornece-nos uma pista de como estabelecer 
essa articulação.
Por enquanto, o leitor poderá pensar que, se aceitamos as 
críticas de Kant a respeito da dificuldade de fazer do eude-
monismo uma ciência moral, estamos, a priori, discordando 
de nossa própria tese segundo a qual os plano moral e ético 
devem ser pensados conjuntamente para explicarmos os 
comportamentos morais dos homens. A esse reparo respon-
deríamos o seguinte: se a definição kantiana de dever (impe-
rativo categórico) corresponde a uma realidade psicológica, a 
referência exclusiva à Razão não explica o fenômeno. Com 
efeito, vimos que as teorias psicológicas de inspiração kantia-
na (Piaget e Kohlberg) deixam-nos, teórica e empiricamente, 
órfãos de uma explicação energética da ação. É, digamos, o 
seu ‘calcanhar de Aquiles’. Aliás, note-se que vários moralis-
tas contemporâneos apontam essa lacuna do sistema kantiano 
(ver, entre outros, MacIntyre, 1997; Taylor, 1998; Tugendhat, 
1998). E vimos também a impossibilidade de articular essas 
teorias psicológicas racionalistas com aquelas que contem-
plam as motivações das ações (Durkheim e Freud), pois essas 
últimas levam ao relativismo moral (variadas podem ser as 
inspirações do sentimento do sagrado e os mandamentos do 
superego). Portanto, um mistério psicológico ainda persiste, 
pelo menos para aqueles que aceitam, com Piaget e Kohlberg, 
um vetor no desenvolvimento moral e a progressiva conquista 
da autonomia. É esse mistério que queremos ajudar, se não 
a desvendar, pelo menos a melhor situar. 
Antes de encetarmos essa busca, finalizemos o item de-
dicado ao plano ético observando duas coisas. A primeira: 
praticamente nada se encontra em psicologia a respeito do 
plano ético. Talvez pudesse ser feita uma comparação entre 
as teorias utilitaristas e a psicanálise, uma vez que ambas 
as abordagens dão ênfase à importância do prazer e da dor 
para explicar as ações humanas. Todavia, essa comparação 
certamente não será fácil porque a hipótese do inconsciente 
equivale a um verdadeiro abismo separando ambas. A se-
gunda coisa que queremos frisar é o fato de o tema da ‘vida 
boa’ ou ‘felicidade’ ter voltado a ser objeto de publicações 
recentes. Exemplos: na França, Ferry (2002) acaba de pu-
blicar um livro de filosofia intitulado Qu’est-ce qu’une vie 
réussie?; no Brasil, Giannetti (2002) publicou diálogos sobre 
a Felicidade; aqui e ali são republicados antigos livros sobre 
o tema como o de Bertrand Russel (1962), intitulado, em 
francês, La conquête du bonheur; estão novamente em voga 
as virtudes, como o atesta o sucesso de venda dos livros de 
Bennett (1995) e também do Dalai Lama (1999); lembremos 
também os inúmeros textos de auto-ajuda, cujo triste sucesso 
reflete um desconforto existencial. Em suma, parece-nos 
que a inquietação ética está na ordem do dia. A nosso ver é 
bom que assim seja, pois as reflexões sobre a vida boa são 
sempre necessárias por incidirem sobre o sentido da vida. 
Camus (1973), na introdução de seu Mito de Sísifo, afirma 
que “somente há um problema filosófico realmente sério: o 
suicídio. Julgar que a vida vale ou não a pena de ser vivida 
é responder à questão fundamental da filosofia” (p. 15). Inte-
ressante lembrar que Camus era um moralista e que, para ele, 
a busca de sentido para a vida não era estranha às questões 
morais, como o atesta seu romance L’Etranger. 
Moral e Ética: Personalidade Ética
Aceitas as definições de plano moral e plano ético, a 
pergunta que imediatamente surge é a de saber se um deles 
engloba ou determina o outro. Para Comte-Sponville (em 
Comte-Sponville & Ferry, 1998), “a moral está dentro da ética 
(responder à pergunta ‘como viver?’ é, entre outras coisas, 
perguntar-se que lugar reservar aos deveres), bem mais do que 
a ética está dentro da moral (responder à pergunta ‘que devo 
fazer?’, ainda não permite saber como viver e nem mesmo – 
uma vez que a vida não é, aos meus olhos, um dever – se é 
preciso viver)” (p. 214)3. Ricoeur (1990) apresenta uma posi-
ção, por assim dizer, intermediária, ao estabelecer “a primazia 
da ética sobre a moral, a necessidade para a perspectiva ética 
de passar pelo crivo da norma (moral), e a legitimidade de um 
recurso da norma à perspectiva (ética) quando a norma conduz 
a impasses práticos” (p. 200). Quanto a Tugendhat (1998), 
“pode-se definir ética diferentemente da moral (ética como 
busca da ‘vida boa’), mas não se pode definir a primeira como 
algo que englobe a segunda. Isto é impossível.” (p. 32). Como 
nossa investigação é psicológica, e não filosófica, vamos nos 
limitar a colocar algumas reflexões sobre a relação axiológica 
entre os planos moral e ético.
3 Lembremos que para Kant, o suicídio merece ser categoricamente 
condenado pois equivale a tratar a si próprio como meio, e não como 
fim: logo, para ele, viver é um dever.
111Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, 2010, Vol. 26 n. especial, pp. 105-114
Moral e Ética
É claro que a questão ética é mais ampla que a questão 
moral, mas isso não significa necessariamente que a primei-
ra determine a segunda. Imaginemos, por exemplo, que se 
opte por definir a ‘vida boa’ como a busca de poder sobre 
os homens: não se vê como, de tal busca, podem se deduzir 
deveres morais. Mais ainda: não serão poucos aqueles que 
negarão validade a essa opção ética, por achá-la egoísta. É 
isto que Ricoeur (1990) quer dizer quando fala em passar 
as opções éticas pelo crivo da norma. Teríamos, portanto, 
o seguinte quadro: a moral limita a ética. Expressões como 
‘a liberdade de cada um acaba quando começa a liberdade 
de outrem’, ou ‘live and let live’, traduzem bem o referido 
quadro, que poderia ser assim explicitado: cada um é livre 
para escolher a ‘vida boa’ que quiser, contanto que reconheça 
aos outros o mesmo direito e não os trate como instrumento. 
Nessa formulação, vê-se a moral como critério de limite 
para as escolhas do plano ético. Para alguns, o limite aci-
ma enunciado ainda pode aparecer como demasiadamente 
amplo, pois deixaria as ações de benevolência totalmente a 
critério de cada um, e, portanto, não como dever. Pode-se, 
então, reformular o enunciado: cada um é livre para escolher 
a ‘vida boa’ que quiser, contanto que reconheça aos outros 
o mesmo direito, que não os trate como instrumento e que 
se preocupe com seu bem-estar. O que importa perceber nasformulações apresentadas é que o limite moral não parece em 
nada decorrer das opções éticas. Ele teria outro fundamento. 
Mas que fundamento é esse? Será que ele não é inspirado pela 
questão ética? Com efeito, por que respeitar os outros? Por 
que fazer-lhes justiça? Por que preocupar-se com seu bem 
estar? Não estará implícito que, sem respeito, sem justiça 
e sem benevolência, a vida é infeliz? Onde está o poder de 
convencimento da importância da dignidade humana, senão 
no fato de seu reconhecimento ser condição necessária para 
uma ‘vida boa’? E não estará pressuposto, em Kant, que o 
‘merecer ser feliz’ corresponde a um grau de felicidade su-
perior a outras formas de ‘vida boa’? É o que pensa Adam 
Smith: “Que maior felicidade que aquela de ser amado e 
saber que merecemos o amor? Que pior castigo do que ser 
odiado e saber que merecemos esse ódio?” (Smith, 1999, 
p. 105, grifo nosso). Concordamos com ele, o que nos faz 
pensar que, do ponto de vista axiológico, há, sim, relações 
entre o plano ético e o plano moral. 
Essa é a nossa convicção, do ponto de vista psicológico. 
Para começar a apresentá-la, vamos nos debruçar sobre o que 
realmente pode significar, para o ser humano, a ‘vida boa’ ou a 
‘felicidade’, termos consagrados em diversos sistemas éticos 
(não vamos revisitar as concepções da antiguidade, inspiradas 
em sistemas metafísicos estranhos ao homem moderno).
Gozar de saúde e ter condições mínimas de sobrevivên-
cia, certamente, representam o patamar a partir do qual se 
pode falar em ‘vida boa’. Aristote (1965) já o afirmava e o 
bom senso o confirma. Mas uma vez garantido esse direito 
universal, o que mais associar ao alcance e usufruto da fe-
licidade? O leque de conteúdos pode ser grande: amar e ser 
amado, construir uma família, gostar do que se faz no traba-
lho, reconhecimento social, amigos, possibilidades de lazer, 
de alimentar-se intelectualmente, ter uma vida sexual ativa 
e prazerosa etc. Esses itens, e outros possíveis, fazem todo 
sentido. O problema é que não se identifica, entre eles, um 
eixo comum. Estamos em plena dispersão. Outro problema é 
que cada um deles levanta questões complexas quanto à sua 
definição (por exemplo, o que é a amizade?). Outro problema 
ainda: é perfeitamente possível pessoas dispensarem um ou 
outro item (o solitário prefere não ter amigos). Finalmente, 
observemos que tais itens correspondem mais a ‘pedaços 
de vida’, do que à vida como um todo. Ora, como o afirma 
Williams (1990), “é preciso pensar numa vida inteira” (p. 11) 
para realmente responder à questão de Sócrates sobre a vida 
que vale a pena ser vivida. Devemos, portanto, perguntar-nos 
se há algo em comum por detrás dos diversos conteúdos que 
podem ocupar o plano ético.
Uma resposta clássica consiste em identificar a busca 
do prazer e a fuga do desprazer como invariantes do plano 
ético. Já vimos que os utilitaristas e a psicanálise de Freud 
encontram-se, nesse ponto, em companhia dos epicuristas. 
A tese hedonista é simples e elegante. Simples porque iden-
tifica no ‘princípio do prazer’ a motivação básica de todas 
as ações humanas e elegante justamente em razão dessa 
simplicidade, que evita a profusão de conceitos articulados 
em arquiteturas teóricas complexas. Além do mais – e isto é 
essencial – permite separar claramente forma de conteúdo: 
todos os hedonistas afirmam a fundamental importância da 
busca do prazer, mas podem divergir sobre o que é, ou sobre 
o que deveria ser, esse prazer. Para o psicólogo, essa tese 
permite explicar comportamentos totalmente diversos. Em 
poucas palavras, a tese hedonista permite destacar o plano 
ético (busca do prazer e fuga do desprazer) de diferentes 
éticas (conteúdos associados ao prazer). Todavia, ela não 
deixa de apresentar problemas sérios, sendo o principal 
deles o aparente desmentido dos fatos, como por exemplo, 
a autodestruição observável em vários indivíduos, que levou 
Freud a ir ‘para além do princípio de prazer’ e fazer a hipótese 
da existência e da força de um instinto de morte. Spaemann 
(1994) apresenta um argumento diferente para negar a central 
importância do princípio de prazer e de conservação. Ele 
nos pede para imaginar a possibilidade de nosso cérebro ser 
conectado a cabos que conduzem correntes elétricas que nos 
deixariam em estado constante de euforia, e nos pergunta se 
estaríamos dispostos a ficar para o todo sempre nessa situa-
ção que nos garantiria prazer constante e ausência definitiva 
de dor. Esse autor afirma que sentiríamos repulsa por uma 
alternativa de vida desta porque implicaria estarmos “fora 
da vida efetivamente real, fora da realidade” (p. 34). Conclui 
o filósofo: “o sentido verdadeiro da vida não reside nem no 
prazer, nem na conservação” (Spaemann, 1994, p. 36). 
Concordamos com o inevitável reducionismo implicado 
pelas teses hedonistas, embora reconheçamos não ser fácil 
derrubá-las. Mas há uma coisa nelas que deve ser resgatada: 
a identificação de algo que esteja presente em todas as opções 
possíveis de felicidade, ou, melhor dizendo, algo que explica 
– pelo menos em parte – as escolhas feitas para viver uma 
‘vida boa’. Acreditamos encontrar esse invariante na noção 
de sentido da vida.
Acabamos de ver que Spaemann (1994) nega que o 
prazer e a conservação sejam aquilo que confere sentido 
à vida. Também vimos acima que Camus (1973) elege o 
suicídio como grande problema filosófico porque julga que 
“o sentido da vida é a mais urgente das perguntas” (p. 16). 
Outros autores, como Taylor (1998), insistem sobre o fato 
de a atribuição de sentido ser fundamental para se poder 
112 Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, 2010, Vol. 26 n. especial, pp. 105-114
Y. La Taille
viver. Para esse autor, ‘dar sentido’ é “definir o que torna as 
reações apropriadas: identificar o que torna algo um objeto 
digno delas e, correlativamente, melhor definir a natureza 
das reações e explicar tudo que está implicado quanto a nós 
mesmos e nossa situação no mundo” (p. 22). Mais adiante, 
escreve que a busca de algo na vida “é sempre busca de 
sentido” (p. 33)4. 
Certamente, seriam necessárias várias páginas para 
analisar em profundidade a importância maior do sentido 
da vida para a realização de uma ‘vida boa’. Remetemos o 
leitor aos autores que citamos, entre eles MacIntyre (1997)5, 
que aborda a questão pela dimensão da narrativa, dimensão 
esta tratada por Ricoeur (1990). Limitemo-nos a dizer que o 
sentido da vida remete à questão do ‘por que viver?’ e, logo, a 
escolhas existenciais que revelem o que é uma vida que vale 
a pena ser vivida. As opções que colocamos como possíveis 
conteúdos da ‘vida boa’ (amor, amizade, reconhecimento 
social, vida sexual etc.) não são estranhas ao tema do sen-
tido, pois cada uma pode corresponder a um ‘existir para’. 
Para finalizar, lembremos que, no mundo contemporâneo, a 
angústia frequentemente se traduz pela falta de sentido (ver 
Taylor, 1998). Como escreve Collin (2003), “a reflexão ética 
moderna esteve frequentemente confrontada à questão da 
perda de sentido da vida” (p. 41). 
Em resumo, para nós, o invariante do plano ético é a bus-
ca de sentido para a vida, e os diversos conteúdos dependerão 
dos diversos sentidos atribuídos à vida. Já podemos perceber 
uma relação entre o plano ético e o plano moral: se o grande 
problema da vida é ela fazer sentido, deduz-se que a moral, 
ela mesma, e as obrigações dela derivadas, devem também 
fazer sentido. A questão do sentido é incontornável no plano 
moral, e certamente não é por acaso que a anomia moral, 
ou o ‘crepúsculo do dever’, diagnosticados atualmente, são 
contemporâneos das dificuldades de encontrar um sentido 
para a vida e, logo, para as ações.
Mas essa afirmaçãoainda não é suficiente para se saber 
que plano determina qual, ou se são independentes. Para 
defender a hipótese da prevalência do plano ético sobre 
o plano moral, devemos nos perguntar se há, dentro da 
própria problemática do sentido da vida, um outro inva-
riante de ordem psicológica. Pensamos que tal invariante 
existe: o sentimento de ‘expansão de si próprio’. Dito de 
outra forma: fazemos a hipótese de que a possibilidade de 
‘expansão de si próprio’ é condição necessária para que a 
vida faça sentido, assim como este fazer sentido é condição 
necessária à ‘vida boa’.
Assumimos aqui a perspectiva teórica de Adler (1991), 
para quem “é unicamente o sentimento de ter atingido um 
grau satisfatório na tendência a elevar-se que pode fornecer 
um sentimento de quietude, de valor e de felicidade” (p. 
4 Jovens por nós pesquisados parecem lhe dar certa razão, pois numa 
investigação junto a 5160 alunos do Ensino Médio da Grande São Paulo 
(oriundos de escolas particulares e públicas), aos quais foi perguntado 
se o mais importante para a vida era, (1) ser amado, (2) ser tratado de 
forma justa, (3) achar que a vida vale a pena ser vivida, a maioria optou 
pela alternativa 3 (ver La Taille, 2006).
5 Escreve MacIntyre (1997): “Quando alguém se queixa, como os 
suicidas, que sua vida não tem sentido, ele se queixa talvez de que o 
relato de sua vida tornou-se, para ele, ininteligível, sem objetivo, sem 
movimento para um apogeu ou um thelos” (p. 211).
56). A expressão ‘expansão de si próprio’ não é de autoria 
de Adler, mas sim de Piaget (1954), que concordava plena-
mente com o ex-colaborador de Freud, por ver, na tendência 
à superação de si mesmo, o vetor do desenvolvimento e a 
motivação central para as ações. Assumimos, portanto, a 
hipótese de que a vida somente pode fazer sentido para quem 
experimenta o sentimento de nela autoafirmar-se, expandir-
se, em uma palavra, atribuir-se valor. Pela recíproca, quem 
não consegue, seja lá por que motivo for, atribuir a si próprio 
valor, não consegue dar sentido à sua vida e, logo, não usufrui 
de uma ‘vida boa’6. 
A tese acima exposta pode ser traduzida com dois ou-
tros termos: representações de si e valor. Dedicamos dois 
livros à análise desses dois conceitos e de sua relação com 
o sentimento de vergonha, e retemos o leitor a eles para o 
aprofundamento da questão (La Taille, 2002a, 2006; ver 
também Harkot-de-La-Taille & La Taille, 2004). Basta aqui 
apresentar as ideias básicas. 
Entendemos o Eu como um conjunto de representações 
de si (imagens que a pessoa faz de si). Não importa confe-
rir se tais representações correspondem, de fato, ao que a 
pessoa realmente é ou a como é vista pelos outros, mas sim 
sublinhar o fato de que elas correspondem ao que ela julga 
ser. Importante frisar que colocamos representações de si no 
plural: não se trata de um autoconceito, portanto unitário, mas 
realmente de um conjunto de representações, que podem até 
ser conflitivas ou contraditórias entre si. 
Prossigamos: essas representações de si são sempre 
valor. Definimos valor como investimento afetivo, tal qual 
Piaget (1954), e assumimos que, inevitavelmente, o Eu é 
objeto de investimento afetivo. Por isso dizemos que as 
representações de si são sempre valor. Coerentemente com 
a teoria de Adler, assumimos também - e isto é essencial 
para nossa análise - que a busca de representações de si 
com valor positivo é lei fundamental da vida humana. O 
insucesso nessa busca causa o sentimento de vergonha, ou 
seja, a dor psíquica resultante da consciência da disjunção 
entre uma ‘boa imagem’ (idealizada) e a imagem que, de 
fato, se tem de si (Harkot-de-La-Taille, 1999). A força do 
sentimento de vergonha – que pode ser letal – atesta a im-
portância, para a vida, de conseguir ver a si próprio como 
valor positivo.
Como o leitor pode perceber, não hesitamos em co-
locar, no plano ético, o ‘famigerado’ amor próprio. Mas 
não somos os únicos a reconhecer que a ética não pode 
traduzir-se na negação do sujeito (ver Savater, 2000), e 
tampouco a moral pode fazê-lo. Basta atentar para o fato 
de a pergunta do plano ético ‘que vida quero viver?’ im-
plica outra: ‘quem quero ser?’. Portanto, parece-nos não 
haver possibilidade de se pensar a ética sem contemplar a 
dimensão da identidade, e esta, sem a busca de atribuição 
pessoal (e coletiva) de valor.
Estamos agora em condições de defender nossa tese, se-
gundo a qual, para compreender os comportamentos morais 
dos indivíduos precisamos conhecer a perspectiva ética que 
eles adotam.
6 A referência à expansão de si próprio não é estranha à filosofia de 
Nietzsche sobre a ‘vontade de potência’. Escreve ele, “O objetivo não 
é a felicidade, é a sensação de potência” (Nietzsche, 1995, p. 234).
113Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, 2010, Vol. 26 n. especial, pp. 105-114
Moral e Ética
Comecemos por resumir o que estabelecemos, do ponto 
de vista psicológico, para o plano ético: a busca de uma 
vida boa implica a busca de uma vida com sentido, e uma 
vida que faça sentido deve, necessariamente, contemplar a 
‘expansão de si próprio’ que se traduz pela busca e manuten-
ção de representações de si com valor positivo. Adotamos, 
por assim dizer, uma teoria geral da motivação das ações 
humanas. Note-se que não assumimos uma perspectiva re-
ducionista, que equivaleria a negar a presença e importância 
de outras fontes motivacionais. Queremos apenas afirmar que 
a busca de sentido, e dentro dela, a expansão de si próprio, 
constituem condições necessárias (mas não suficientes) das 
buscas existenciais no plano ético e, portanto, constituem-
se em motivação incontornável de todas as ações, entre as 
quais se encontram aquelas inspiradas pelo sentimento de 
obrigatoriedade, as ações morais (novamente, devemos 
reafirmar que não negamos a importância e força de outras 
fontes motivacionais tipicamente morais, como a simpatia 
– ou empatia – por exemplo).
Nesse ponto, encontramos a teoria de Psicologia Moral 
que responde pelo nome de moral self, expressão costumei-
ramente traduzida por ‘personalidade moral’ ou, conforme 
preferimos, ‘personalidade ética’. Um dos pioneiros dessa 
teoria, Blasi (1995), afirma que os valores e as regras morais 
somente têm força motivacional se associados à identidade. 
Colby e Damon (1993), após realizarem um estudo com 
pessoas de caráter moral exemplar, chegaram à conclusão 
de que “quando há uma unidade entre Eu e moralidade, juízo 
e conduta são diretamente e previsivelmente relacionados e 
as ações são realizadas com segurança ... Aqueles para os 
quais a moralidade é central nas suas identidades pessoais 
devem ser mais fortemente motivados por suas convicções 
e objetivos” (p. 151). O especialista em educação moral, 
Puig (1998), tece considerações semelhantes, que também 
eram as de Piaget, e que se encontram em filósofos. Segundo 
Flanagan (1996), “é mais que provável que as variações 
do autoconceito e dos ideais intrapessoais acarretem uma 
grande diferença no que é notado, nas emoções, na maneira 
como nos expressamos e agimos, e também na maneira 
como dirigimos nossas vidas” (p. 309), e, logo, também, 
na moral. Taylor (1998) afirma que “o Eu e o bem, ou seja, 
a Eu e a moral, se interpenetram de forma inextricável” 
(p. 13). Os autores que acabamos de citar, e outros, não se 
referem à diferenciação entre moral e ética, mas vê-se que 
suas abordagens são coerentes com o que escrevemos até 
aqui. Em resumo, encontramos na teoria da personalidade 
ética um conjunto de dados e conceitos que sustentam a 
plausibilidade da relação entre planos ético e moral, e a 
prevalência do primeiro sobre o segundo, na dimensão 
psicológica.
Para explicitar melhor tal prevalência, voltemos ao tema 
do ‘conflito’, deixado em suspenso mais acima. Perguntá-
vamos sobre a frequência do sentimento de obrigatoriedade 
em cada indivíduoe assumíamos que, para alguns, e em 
determinadas situações, tal sentimento sofre um ‘eclipse’: a 
pessoa age de forma contraditória com os deveres que, em 
outras situações, inspiram suas ações. Admitindo que esse 
fenômeno ocorre, ele pode ser explicado pela hierarquia de 
valores associados às representações de si. Para descrever 
essa hierarquia, Colby e Damon (1993) empregam metáfo-
ras espaciais: ‘valores periféricos’ e ‘valores centrais’7. Os 
valores periféricos são aqueles que, embora associados às 
representações de si, têm força menor e, portanto, menos 
intensidade motivacional do que outros, justamente aqueles 
chamados de valores centrais. Imaginemos alguém que 
preze ver a si mesmo como honesto, mas preze mais ainda 
ver-se como um ‘vencedor’ na vida – por exemplo, sucesso 
profissional. Em situações nas quais agir de maneira honesta 
não implica comprometer o referido sucesso, ele agirá mo-
ralmente. Nesse caso, não há conflito. Mas, se houver (por 
exemplo, deixar de obter algum sucesso se não enganar um 
concorrente), o dever moral da honestidade poderá sofrer 
um ‘eclipse’, pois o investimento afetivo da ‘boa imagem’ 
de vencedor é maior que na ‘boa imagem’ moral. Se pen-
sarmos no sentimento de vergonha, nosso sujeito hipotético 
sente mais vergonha de ser mal sucedido do que de não ser 
honesto, pois a razão de viver (o sentido) está mais na glória 
do que na honra (ver Pitt-Rivers, 1965). Tal forma de pen-
sar permite evitar a classificação binária das pessoas entre 
morais e imorais. Em suma, são as opções no plano ético 
que terão decisiva influência sobre a força do sentimento de 
obrigatoriedade.
E quanto às pessoas que sempre (ou praticamente sempre) 
optam por seguir os mandamentos da moral, pode-se delas 
dizer, pela recíproca, que os valores centrais de suas represen-
tações de si são justamente aqueles condizentes com a moral, 
ou eles mesmos morais. Delas se pode dizer que possuem 
realmente uma personalidade ética. Isso não implica dizer que 
não passam por conflitos – pelo menos se não forem heróis 
ou santos –, mas esses costumam ser resolvidos pela força do 
sentimento de obrigatoriedade moral, pois, para tais pessoas, 
ser elas mesmas e ser moral é a mesma coisa.
Considerações Finais
Para finalizar, voltemos à oposição entre as teorias psico-
lógicas que apontam para o potencial de autonomia moral, 
traduzida pela adesão a morais da reciprocidade e aquelas que 
ignoram tal potencialidade. Vimos que as primeiras carecem 
de explicações energéticas, e que aquelas assumidas pelas 
segundas reforçam a tese da radical heteronomia dos homens 
e do relativismo moral. Podemos, então, nos perguntar se a 
relação que estabelecemos entre os planos ético e moral é 
coerente com a moral autônoma, assim como com a heterô-
noma. Acreditamos que sim. As opções no plano ético não 
são dadas para todo o sempre, podem modificar-se, evoluir, 
assim como, segundo Piaget e Kohlberg, a moral evolui. É bem 
provável que à moral heterônoma, cujos conteúdos são coer-
citivamente colocados pela sociedade, correspondam opções 
éticas também heterônomas (as ‘boas imagens’ valorizadas 
pelo grupo – coerente com a fase do ‘good boy, good girl ‘ do 
estágio 3 estabelecido por Kohlberg), e que à moral autônoma, 
inspirada pela reciprocidade entre os homens, correspondam 
outras opções éticas, sentidos da vida que pressuponham maior 
individualismo (no sentido de não dar valor à pessoas – e a si 
próprio – em razão do grupo ao qual pertencem), participação 
7 Mais uma vez, reencontramos uma ideia de Nietzsche (1995): “o homem 
é uma pluralidade de forças hierarquizadas” (p. 289). 
114 Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, 2010, Vol. 26 n. especial, pp. 105-114
Y. La Taille
nas decisões sociais, identidade cosmopolita e não grupal, o 
cultivo da reflexão. É apenas uma hipótese, por sinal passível 
de ser aferida por provas empíricas, como já foi feito por 
Colby e Damon (1993), em sua investigação sobre pessoas de 
vida moral exemplar e, mais recentemente, no Brasil, por nós 
mesmos (La Taille, 2002a, 2002b), por intermédio do estudo 
da gênese do sentimento de vergonha, por Tognetta e La Taille 
(2008), que comprovaram a correlação entre personalidade 
ética e autonomia, por Tardelli (2009), que investigou a relação 
entre personalidade ética e ações solidárias em adolescentes, 
por Nogushi e La Taille (2008), que se debruçaram sobre o 
universo moral de jovens infratores internado na antiga Febem, 
e por Dias (2010), cuja tese de doutorado foi dedicada à relação 
entre personalidade ética e atitudes morais na vida escolar.
Em suma, cremos que pensar a motivação moral por inter-
médio das opções éticas permite maior flexibilidade para dar 
conta da variedade de condutas que se observam. Sendo a área 
da psicologia como é, com profusão de teorias e dos chamados 
‘novos paradigmas’8, é difícil saber se a abordagem teórica que 
responde pelo nome de moral self ou personalidade ética do-
minará doravante os estudos de Psicologia Moral e Psicologia 
do Desenvolvimento Moral. Mas, uma coisa é certa, como o 
explicitamos com referências bibliográficas tanto na filosofia 
quanto na psicologia: tal abordagem encontra-se fortalecida e 
inspiradora de novas investigações, Brasil incluído. 
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ÉTICA, MORAL, AXIOLOGIA E VALORES: 
CONFUSÕES E AMBIGUIDADES EM TORNO DE 
UM CONCEITO COMUM
Ana Paula Pedro* 
ana.pedro@ua.pt
RESUMO Este artigo tem por objetivo essencial contribuir para o 
esclarecimento teórico-filosófico do uso de conceitos como ética, moral, 
axiologia e valores, habitualmente empregues para nos referirmos a 
uma mesma realidade. Para tal, começaremos por analisar as respetivas 
etimologias que os caracterizam, examinaremos os diversos matizes dos seus 
sentidos diferenciados, bem como a sua relação de complementaridade, e 
terminaremos referindo o que entendemos por valores e qual a sua natureza 
e importância, principais características, bem como o universo a que se 
reportam. Ao longo do texto, aduziremos e concluiremos pelo uso preferencial 
do conceito de “ética” a “moral”, para o qual estão reservados os termos 
“normas” e “regras”, e o de “valor” a “norma”, a par de uma perspetiva 
crítica daquela.
Palavras-chave Ética, moral, axiologia, valores.
ABSTRACT This article essentially aims to contribute to the 
philosophical-theoretical clarification of the use of concepts such as ethics, 
morals, axiology and values, usually used to refer to the same reality. To 
this end, we will begin by analyzing the respective etymologies that feature 
them, we will examine the various nuances of their senses, as well as their 
* Professora do Departamento de Educação da Universidade de Aveiro, Portugal. Artigo recebido em 
13/03/2013 e aprovado em 21/04/2013.
Ana Paula Pedro484
relationship of complementarity, and we will finish by referring to what we 
mean by values and what is their nature and importance, key features, as well 
as the universe to which they relate. Throughout the text, we will conclude 
by the preferential use of the concept from “ethics” to “morals”, for which 
the terms “standards” and “rules” are reserved, and that from “value” to 
“standard”, together with a critical perspective.
Keywords Ethics, morals, axiology, values.
Introdução
Frequentemente, assistimos ao uso ambíguo de palavras que estabelecem 
uma associação terminológica por sinonímia de “moral e ético”, “moralidade 
e ética”, “valores e ética”, “valores e norma”, “axiologia e ética”, e ainda, 
“filosofia moral e ética” que se empregam em vários contextos do quotidiano 
como se de sinónimos se tratassem, resultando daqui, não raras vezes, uma 
enorme confusão para quem necessita de as utilizar, dificultando, deste modo, 
a comunicação e a elaboração do pensamento. 
Para além disso, uma clarificação concetual a este nível, potencia o 
estabelecer de diferenciações quanto ao uso dos conceitos acima referidos nos 
diversos contextos a que se referem, sejam eles de natureza reflexiva, crítica 
ou normativo-legal com expressivas consequências ao nível da construção do 
saber teórico e do saber prático atuais (ex: códigos profissionais de ética).
Deste modo, e partindo do pressuposto de que estes conceitos constituem 
a base essencial do nosso agir ético-comportamental quer enquanto pessoas, 
quer enquanto profissionais, quer enquanto investigadores, por exemplo, 
este artigo tem por objetivo fundamental contribuir para o seu dilucidamento 
concetual-etimológico.
Assim, procederemos, primeiramente, à explanação de algumas das razões 
que explicam as confusões contingenciais que rodeiam estes conceitos, seguida 
de uma explicação esclarecedora da sua origem etimológica. exploraremos, 
ainda, alguns dos sentidos de que se revestem na atualidade, de acordo com 
alguns dos pensadores que mais significativamente influenciaram o seu 
“pensar”.
Ao longo do texto, aduziremos e concluiremos pelo uso preferencial do 
conceito de “ética” a “moral”, para o qual estão reservados os termos “normas” 
e “regras”, e o de “valor” a “norma”, a par de uma perspetiva crítica daquela.
485ÉTICA, MORAL, AXIOLOGIA E VALORES
De que falamos quando falamos de ética e de moral?
Frequentemente, confundimos moral e ética quando nos referimos indis-
tintamente ora ao universo das normas e dos valores sociais tout court, ora 
quando aludimos ao facto de que a ética e a axiologia têm o mesmo signifi-
cado, não estabelecendo quaisquer fronteiras e limites entre cada uma delas, 
dada a natureza da sua proximidade, por um lado, nem efetuando as respetivas 
interações de complementaridade que entre si se podem tecer, por outro.
Uma das razões para tal acontecer reside no facto de existirem duas pala-
vras para mencionar o domínio valorativo da ética e da moral através da sua 
origem grega e latina, de raíz etimológica distinta: assim, o termo ética deriva 
do grego ethos, que pode apresentar duas grafias – êthos – evocando o lugar 
onde se guardavam os animais, tendo evoluído para “o lugar onde brotam os 
actos, isto é, a interioridade dos homens” (Renaud, 1994, p. 10), tendo, mais 
tarde passado a significar, com Heidegger, a habitação do ser, e – éthos – que 
significa comportamento, costumes, hábito, caráter, modo de ser de uma pes-
soa, enquanto a palavra moral, que deriva do latim mos, (plural mores), se 
refere a costumes, normas e leis, tal como Weil (2012) e Tughendhat (1999) 
referem.
Para além disso, os termos ética e moral aplicam-se quer a pessoas quer 
a sistemas ou teorias morais, o que agrava, ainda mais, o estado de confusão, 
pois, quando desejamos classificar a natureza da ação humana e de sistemas 
mais alargados em que os sujeitos se inserem, o cidadão comum oscila sempre 
indistintamente sobre a utilização de cada um desses termos.
Há quem considere, no entanto, que não faz qualquer sentido estabelecer 
estas distinções, pois todas acabam por referir-se ao mesmo universo; con-
tudo, não é bem essa a nossa opiniãopor considerarmos estar subjacente à 
identificação e delimitação destas diferenciações terminológicas um modo de 
agir e de pensar interrogativo e reflexivo distintos daquele que sucederia, caso 
não as reconhecêssemos como tal.
também ricœur (2012) menciona esta diferenciação entre ética e moral, 
reservando o “terme d’éthique pour tout le questionnement qui précède l’in-
troduction de l’idée de loi morale et de désigner par morale tout ce qui, dans 
l’ordre du bien et du mal, se rapporte à des lois, des normes, des impératifs”.
Por outras palavras, Ricœur, em “Soi-même comme un autre” (1990), 
atribui: “1) la primauté de l’éthique sur la morale ; 2) la nécessité pour la visée 
éthique de passer par le crible de la norme ; 3) la légitimité d’un recours de 
la norme à la visée… La morale ne constituerait qu’une effectuation limitée, 
quoique légitime et même indispensable, de la visée éthique, et l’éthique en ce 
sens envelopperait la morale” (Ricœur, 1990, pp. 200-201).
Ana Paula Pedro486
Neste sentido, por exemplo, não terá significado idêntico referenciar mo-
ral e ética sob a mesma perspetiva para falarmos de uma única realidade va-
lorativa, pois, enquanto a moral se refere a um conjunto de normas, valores 
(ex: bem, mal), princípios de comportamento e costumes específicos de uma 
determinada sociedade ou cultura (Schneewind, 1996; Weil, 2012), a ética tem 
por objeto de análise e de investigação a natureza dos princípios que subjazem 
a essas normas, questionando-se acerca do seu sentido, bem como da estrutura 
das distintas teorias morais e da argumentação utilizada para dever manter, 
ou não, no seu seio determinados traços culturais; enquanto a moral procura 
responder à pergunta: como havemos de viver?, a ética (meta normativa ou 
meta ética) defronta-se com a questão: porque havemos de viver segundo x ou 
y modo de viver?
A ética é essencialmente especulativa, não se devendo dela exigir um 
receituário quanto a formas de viver com sucesso, dado que se preocupa, so-
bretudo, com a fundamentação da moral; a moral, é eminentemente prática, 
voltada para a ação concreta e real, para um certo saber fazer prático-moral e 
para a aplicação de normas morais consideradas válidas por todos os membros 
de um determinado grupo social. Por outro lado, a ética não é um conjunto de 
proibições nem a moral algo definível somente num contexto de ordem reli-
giosa (Singer, 1994, p. 11; Dias, 2006; Gontijo, 2006).
Ética e moral: uma necessária relação de complementaridade
Contudo, apesar de estes conceitos serem distintos, existe uma estreita 
articulação entre si, na medida em que a ética tem como objeto de estudo a 
própria moral, não existindo desligada uma da outra, mas sendo independentes 
entre si, tal como podemos verificar no gráfico que se segue.
neste sentido, tanto a ética implica a moral, enquanto matéria-prima 
das suas reflexões e sem a qual não existiria, como a moral implica a ética 
para se repensar, desenhando-se, assim, entre elas uma importante relação de 
circularidade ascendente e de complementaridade.
487ÉTICA, MORAL, AXIOLOGIA E VALORES
 
Ética 
 
Moral 
Gráfico 1 - relação intrínseca entre ética e moral
Muito embora cada uma delas mantenha as suas especificidades e 
particularidades que as caracterizam no seu modus operandi, a verdade é que 
esta relação complementar torna-se não só desejável como necessária, na 
medida em que permite à moral quer uma abertura à comunicação e ao diálogo 
ético-moral (que corresponde ao tracejado no gráfico), entendidas como 
antídoto ao dogmatismo moral; quer o desenvolvimento de uma capacidade de 
interrogação, reflexão e ponderação de cada sistema de moralidade existente 
quanto à natureza e pertinência das suas normas e regras morais secularmente 
instituídas, mas nem sempre repensadas à luz do sentido dos princípios que as 
fundamentam (exs: práticas de excisão feminina; infanticídio feminino); quer, 
ainda, o conhecimento racional subjacente a uma práxis moral informada.
Esta valorização do conhecimento pensada como condição necessária ao 
modo de agir e de viver moral é, simultaneamente, um pressuposto desse mesmo 
agir e pensar, afastando, assim, a ideia de que a moral ou a ética pertencem 
exclusivamente ao domínio da intuição e da emoção e não do conhecimento e 
da razão. Contudo, um equilíbrio entre ambas é absolutamente fundamental.
Valores, moral e ética: que relação?
Estabelecida esta distinção, podemos agora colocar a pergunta: qual a rela-
ção existente entre valores, moral e ética? Será de sinonímia ou de antonímia?
Bem, na verdade, consideramos que a situação se assemelha à anterior-
mente descrita, pois, se, por um lado, uma e outra fazem inevitavelmente uso 
dos valores, muito embora, sob perspetivas diferentes, uma, de natureza mais 
prática (moral), e outra, de pendor mais reflexivo e interrogativo (ética), por 
outro lado, valor, cuja origem etimológica deriva do latim valere, surge com 
Ana Paula Pedro488
uma conotação algo distinta dos restantes vocábulos acima assinalados, na 
medida em que remete para a ideia daquilo que vale (ou de merecimento), de 
robustez, força e poder de um objeto (bem) que se impõe primordialmente à 
consciência do sujeito.
Contudo, um sentido de valor mais completo é, em nosso entender, aquele 
sugerido por Ricœur (2012), quando afirma que “dans le mot ‘valeur’, il y 
a d’abord un verbe: évaluer, lequel à son tour renvoie à préférer: ceci vaut 
mieux que cela; avant valeur, il y a valoir plus ou moins”.
Por sua vez, valor e norma também são geralmente confundidos como 
sendo conceitos sinónimos; todavia, enquanto a especificidade do valor se 
estrutura e organiza em volta de conceitos como “bom”, “mau”, a norma já 
parece referir-se ao domínio do “obrigatório”, do “interdito” ou do que é so-
cialmente “permitido”.
Assim, da relação tridimensional valores, moral e ética, podemos aduzir 
valores morais e valores éticos; todavia, nem a moral nem a ética reduzem, 
obviamente, a sua esfera de pensamento e de ação somente a este tipo de 
valores, dado que o mundo dos valores é imenso e infinito. Por isso, nunca é 
demais assinalar uma outra confusão que habitualmente ocorre ao identificar 
valores somente a valores morais, esquecendo a panóplia imensa do tipo de 
valores existentes (ex: políticos, éticos, morais, estéticos, ecológicos, vitais, 
espirituais, económicos, religiosos).
esta associação deve-se ao facto de, por razões culturais, ter existido ao 
longo dos séculos, uma proximidade histórica e cultural entre a esfera dos 
valores religiosos e a realidade social que, não obstante, se tem assumido, 
ultimamente, de cariz eminentemente laico e secular, mas ainda, de raíz 
judaico-cristã.
Axiologia e valores possuem o mesmo significado?
Apesar da estreita relação que mantêm entre si, pois uma (valores) é o 
objeto de estudo da outra (axiologia), aliás, à imagem da ética e da moral – 
como vimos – são, no entanto, distintas: enquanto a axiologia mais não significa 
do que o estudo ou tratado dos valores, ou seja, uma reflexão filosófica sobre 
os valores, sua natureza, características, estrutura, conhecimento e teorias, os 
valores, enquanto tal, constituem o seu objeto de estudo. Não há, pois, que 
confundir axiologia com valores.
489ÉTICA, MORAL, AXIOLOGIA E VALORES
Valor: natureza e definição
o que são valores? os valores valem? Qual a importância e pertinência 
que os valores desempenham na vida de cada um de nós? e na sociedade, em 
geral? Falar de valores equivalerá a falar apenas de valores morais? De que 
servem e para que servem os valores, afinal?
Será importante um estudo sistemático dos valores (Teoria dos Valores 
ou Axiologia) ou bastar-nos-á um sentimento intuitivo axiológico que todo o 
homem “normal” parece possuir devido ao processo evolutivo? Por que vias 
se obtém o conhecimento do valor:pela intuição, pela emoção ou pela razão? 
Será possível, ou mesmo desejável, vivermos à margem dos valores? De que 
forma é que os valores determinam, ou não, o sentido e a realização da vida 
humana?
Muito embora a palavra “valor” tenha inicialmente surgido no contexto 
das ciências económicas (Adam Smith, 1723-1790), querendo com isso 
denotar algo que é valioso e que se pode usar ou trocar, foi a partir da segunda 
metade do séc. XiX e início do séc. XX, mais concretamente com nietzsche 
(1844-1900), que a palavra valor, com a correspondente conotação axiológica, 
foi primeiramente introduzida na filosofia. Na verdade, em “A genealogia da 
moral” (1990), Nietzsche enceta uma crítica vigorosa aos valores cristãos da 
época, designando-os de falsos e preconizando a sua substituição por outros 
autenticamente humanos.
Contudo, é possível assinalar que os valores, enquanto objeto de estudo 
e de reflexão filosófica e não como ramo da filosofia (Axiologia ou Teoria dos 
Valores), tal como hoje a conhecemos e cuja sistematização inicial se ficou 
dever a Lotze (1817-1881), remonta à antiguidade grega, sendo, pois, possível 
destacar, desde logo; Sócrates (470 a.C.-399 a.C.), o qual se insurgiu contra o 
relativismo moral sustentado pelos sofistas, contrapondo-lhe a universalidade 
dos valores éticos; Platão (427 a.C.-347 a.C.), que tomou um caminho diferente 
do do seu mestre ao transpor a reflexão valorativa para o mundo metafísico 
das ideias (Teoria das Ideias), que mais não é do que uma Teoria dos Valores, 
culminando na Ideia de Bem; Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), quem primeiro 
apresentou uma verdadeira teoria sistemática dos valores (Teoria das Virtudes) 
e que, por sua vez, remete a questão da transcendência da ideia de Bem para o 
plano imanente, da realidade empírica; e, mais tarde, Kant (1724-1804), entre 
outros, cuja ideia de valor é deslocada para o domínio da consciência pessoal 
e individual caracterizada por um forte formalismo moral em que os valores 
são, pois, vazios de conteúdo (agir no dever pelo dever), dependendo apenas 
de juízos de valor emitidos pela consciência e não pelo que o real apresenta.
Ana Paula Pedro490
em contraposição com o formalismo moral kantiano, os defensores da 
conceção material dos valores reconheceram a estes um conteúdo concreto, 
real. Deste último ponto de vista, os valores já não constituem um a priori, 
pois, tanto podem ser relativos (dependendo das valorações do sujeito) como 
absolutos (existentes em si mesmos enquanto entes), pelo que vão ser estas 
posições – subjetivismo e objetivismo – que vão marcar, doravante, grande 
parte da natureza das discussões axiológicas.
Para uma definição de valor
Contudo, antes mesmo de prosseguirmos, convém clarificar a sua noção 
de base ou, pelo menos, tentar fazê-lo:1 o que é o valor? Como defini-lo?
Atentemos, num primeiro momento, quanto à origem etimológica da 
palavra Axiologia: do grego, o verbo άξιος/a[xioς – o qual pode traduzir-se por 
“valor”, e o substantivo axía, que também significa Valor, e λόγος – logos – 
que indica estudo ou tratado, a partir do qual se formou a palavra axiologia, ou 
ciência do valor, tratado dos valores (Cabanas, 1998, p. 121; Duméry, 2012).
Mas, esta abordagem constitui apenas uma aproximação inicial ao 
conceito; todavia, parece que ainda muito fica por dizer acerca do mesmo. 
na verdade, se quisermos tomar para nós esse experienciar do valor, logo 
encontraremos um primeiro significado: o da vivência de um valor, em 
particular. ou seja, a vivência do valor, independentemente do valor que for, é 
experienciado como um fenómeno que se apresenta à consciência como tal e 
como um acontecimento que nos é imediatamente dado. 
esta forma fenomenológica2 de proceder para a determinação que 
buscamos do sentido da palavra valor revela-nos, igualmente, outra 
1 Muito embora, segundo Hessen (2001, p. 43), esta não seja uma tarefa fácil de empreender, uma vez que 
o conceito valor não pode, em rigor, definir-se dado pertencer àquele conjunto de conceitos ontológicos, 
tais como os de “ser”, “ente” e “existência”, que não admitem qualquer definição em si mesmos. Na 
verdade, o seu significado vai-se desvelando à medida que conseguirmos adentrar no fenómeno em si. A 
dificuldade desta tarefa também é partilhada por Ortega y Gasset (1983, p. 333), quando refere que a sua 
definição só consegue fazer-se por meios indiretos.
2 Proceder fenomenologicamente ao estudo e experiência do valor (Hessen, 2001) significa partir do 
fenómeno em si mesmo para sua análise e reflexão e não partir de conceitos apriorísticos já formados 
para depois deles extrair o significado dos conceitos. Em certo sentido, pode considerar-se existir um 
paralelismo entre o método fenomenológico e o método experimental, ao procurar manter a igualdade 
de procedimentos em que a experiência deve decorrer para poder atribuir objetividade aos resultados 
obtidos. Para além desta abordagem em axiologia, que constitui a axiologia fenomenológica, é possível, 
ainda, designar outras correntes essenciais que compõem o estudo formal dos valores que se desenham 
no âmbito da axiologia, a saber: a axiologia formal; a psicologia dos valores e a doutrina empírica dos 
valores ou estudo dos valores aplicados. As axiologias fenomenológica e formal caracterizam-se por 
realizar um estudo a priori sobre as condições de ocorrência do fenómeno “valor”, enquanto as duas 
últimas (psicologia dos valores e estudo empírico dos valores) têm por objeto de estudo a posteriori e 
491ÉTICA, MORAL, AXIOLOGIA E VALORES
característica importante: para além do valor constituir, primeiramente, 
um fenómeno que aparece à nossa consciência, num outro momento, ele é 
experienciado como algo de “valioso”, ao qual foi atribuída uma preferência 
maior no seu grau de importância face aos demais.
Portanto, o ato de valoração – que é feito por um sujeito que não pode 
deixar de valorar,3 pois, valorar é existir – é, por um lado, subjetivo e 
relacional e, por outro lado, objetivo e material, porquanto esse valor advém 
de um objeto que possui um determinado conjunto de qualidades que não 
foram indiferentes ao sujeito que as apreciou.
Confusões entre valor e bens
Mas, se só existe valor na exata medida da preferência subjetiva do sujeito 
ditada pela natureza do objeto, então, pode muito bem acontecer que o sujeito 
opte erradamente (ex: alguns sujeitos poderão transformar a droga num valor 
para si).
Quando tal acontece, porque acontece em termos valorativos? e o que 
determina a escolha do bem em si? “Por que é que umas (coisas) valem mais 
do que as outras… possuem um valor elevado? Como se estabelece o valor 
de uma coisa e por que é que se pode afirmar que ela vale tanto ou tanto”? 
(Foucault, 1998, p. 237).
Com efeito, sucede, frequentemente, que quando pensamos em valores 
estamos a referir-nos mais a “entes valiosos”, ou a uma ideia de “bem”, do que, 
propriamente, a valores. Um exemplo do que acabamos de afirmar é aquele 
em que nos referirmos à virtude como sendo um valor, quando, na verdade, se 
trata de um bem, tendo em consideração a sua característica valiosa.
Do mesmo modo, a verdade, a beleza e o bem também não são valores, 
mas sim entidades com a sua essência bem identificada: assim, a verdade 
é uma adequação do intelecto à realidade e a beleza é uma qualidade de 
algumas coisas que, ao serem contempladas, produzem em nós uma sensação 
agradável. Na verdade, estas coisas, em si, ainda não são valores, pois, por si 
só, não apresentam qualquer valor (mais valia); ainda são bens.
Por outras palavras, o bem não é, em si mesmo, portador de valor, sem 
mais. o bem apenas possui determinadas qualidades objetivas e reais que 
podem satisfazer as necessidades do sujeito sendo, portanto, apetecível para 
material dos valores em concreto em determinados contextos que fazem parte da vida dossujeitos, por 
exemplo, na economia, na política, na biologia (Jesinghaus, 2012).
3 Valorar é, para nós, entendido como sinónimo de atribuição de valor, apreciação, interpretação, 
ponderação, avaliação, ou ainda, possibilidade de emitir juízos de valor.
Ana Paula Pedro492
este. Mas, nesta altura, o bem ainda não é um valor. O bem só se transformará 
em valor enquanto satisfizer a condição de apreciação subjetiva (ex: os 
alimentos constituem um bem portador de valor para uma pessoa que tenha 
fome, mas deixam de o ser para quem tenha comida em abundância).
Em rigor, como diz Cabanas (1998, p. 120), “los valores no son bienes, 
sino una consecuencia de esos bienes referidos a la persona”. Tal significa, 
portanto, que incorremos em erro ao estabelecer uma confusão comum de 
fazer equivaler “bem” (objeto) a valor, tomando o bem por menos bom e o 
valor por bem quando, na verdade, o objeto só passa a ter valor de uma forma 
derivada; i.é., a partir do momento em que o sujeito lho reconhece. 
De facto, esta circunstância não é assim tão incomum, pois vemos o mesmo 
acontecer ao nível do conhecimento, em geral, tomando-se, muitas vezes, 
ilusoriamente, o que é verdadeiro pelo falso. Ora, tal significa que a faculdade 
ligada à captação e conhecimento dos valores terá de ser, necessariamente, 
também a razão (intelectualismo) e não somente a emoção (emotivismo), 
assunto que retomaremos mais adiante.
Em suma: há valor sempre que: 1. o sujeito se interessa pelo objeto e este 
não lhe é indiferente; 2. o objeto (bem) tem interesse (ou é útil) em si mesmo; 
3. há uma apreciação parcial, ou um “parti pris” (Lavelle, 1951, p. 186), que o 
sujeito adota face ao objeto. Porém, é a combinação de cada um destes fatores 
que forma o valor e não um deles tomado isoladamente.
As coisas são chamadas “valores” (valiosas) não porque participem 
vagamente de um universal valorativo abstrato, ou de um qualquer ideal de 
valor inventado ex nihilo pelo homem, mas porque respondem objetivamente 
aos interesses e problemas profundos do sujeito. Deste modo, é pela relação 
que o sujeito mantém com as coisas que adquire a natureza de valor (Silva, 
2010; Pontarolo, 2005; Gonçalo, 2008; Cabanas, 1998).
os valores constituem, assim, uma resposta natural às necessidades 
sentidas pelo sujeito; daí, a sua importância e contributo para a transformação 
da realidade; daí, o papel crucial que a educação pode representar no entrelaçar 
dos seus objetivos com o ganho de consciência reflexiva e práxica acerca dos 
valores com vista à realização do sujeito, de acordo com as suas preferências.
Consequentemente, os valores não são entidades autónomas existentes 
em si, como Platão pretendia, mas antes, qualidades de natureza preferencial 
passíveis de serem apreciadas por um sujeito.
ou seja, uma coisa é o bem, que existe por si mesmo, independentemente 
de toda e qualquer apreciação subjetiva; outra, o tipo de apreciação valorativa 
que lhe é atribuída.
493ÉTICA, MORAL, AXIOLOGIA E VALORES
A definição de valor da qual partimos e que consideraremos como objeto 
de estudo no presente trabalho, é a seguinte: valor é a qualidade abstrata 
preferencial atribuída pelo sujeito suscitada pelas características inerentes de 
determinado objeto que satisfazem as necessidades e interesses daquele. 
Com esta definição consideramos a natureza ideal do valor, contudo, 
radicada na existência material do objeto, realidade da qual o sujeito parte e 
que não lhe é indiferente. Por isso mesmo, em nosso entender, esta definição 
acentua igualmente a natureza relacional do valor, simultaneamente, objetiva 
e subjetiva, que constitui a marca indelevelmente axiológica do sujeito por 
relação com os outros seres existentes (ontológica).
Valor: suas caraterísticas
esta referência ao sujeito a que acabamos de aludir não pretende indicar 
somente o sujeito individual, mas, sobretudo, o sujeito em geral, por abstração, 
aquele que pertence ao género humano.
Deste modo, os valores acham-se referenciados ao que de comum existe e 
carateriza o ser humano e não ao indivíduo, em particular, não sendo, portanto, 
algo de subjetivo ou de arbitrário. Ou seja, a problemática dos valores está 
presente no mais íntimo de todo e cada sujeito e constitui o fundamento da 
sua essência.
Acabamos, assim, de evidenciar o caráter relacional do valor: os 
valores são, mas não são em si; são sempre valores para alguém, pois sem 
sujeito não haveria valores. estes resultam da relação que se estabelece entre 
determinados objetos e o sujeito. Tal como refere Hessen (2001, p. 23), “valor 
é sempre valor para alguém. Valor… é a qualidade de uma coisa, que só pode 
pertencer-lhe em função de um sujeito dotado de uma certa consciência capaz 
de a registar”.
Daqui não se segue, contudo, que os valores sejam apenas subjetivos, 
pois a valoração advém de um objeto concreto e real, ou somente objetivos, 
uma vez que a sua apreciação é feita segundo o interesse do sujeito, facto que 
denota uma certa ambivalência na caracterização dos valores por apresentarem, 
ao mesmo tempo, uma dimensão objetiva e subjetiva.
Mas, para além destas caraterísticas dos valores que acabamos de assinalar 
– referência a um sujeito ou caracter relacional; ambivalência, por serem ora 
subjetivos ora objetivos, bem como o facto de serem supraindividuais, não 
se referindo, por isso, apenas ao homem x ou y, mas a todos os homens – é 
possível assinalar, ainda, outras particularidades específicas dos valores, tal é 
a sua natureza complexa e pluridimensional, tais como o facto de serem:
Ana Paula Pedro494
- Ideais, no sentido em que os valores pertencem ao mundo do 
pensamento que os pensa, à imagem dos objetos do pensamento 
lógico e matemático; não no sentido em que são absolutos ou 
transcendentais, teleologicamente falando, mas no sentido em que 
nos remetem para uma crença ou uma dimensão que nos ultrapassa.
Comentário crítico: Esta postura é criticável, pois os valores não podem 
ser delimitados e localizados de forma inequívoca como sucede com os entes 
matemáticos. O valor aponta para o que é relevante, digno de importância, 
para a ideia de excelência;
- Irrealidade, na medida em que os valores, embora realizáveis (ex: 
valores culturais), não são materiais, palpáveis, no sentido de se 
poderem tocar ou manusear; i.é., não têm existência objetiva. não são, 
portanto, “entes em si”, à maneira platónica, mas “entes de razão”. É, 
nesse sentido, que ouvimos dizer a expressão: “os valores não são; os 
valores valem” (Lotze, 1951, apud Morente, 1987).
Comentário crítico: Contudo, os valores exigem necessariamente uma 
relação com as coisas, os objetos, o mundo e a realidade para se poderem 
afirmar, realidade essa a partir da qual e para a qual tendem (Brentano, 1838-
1917). É com Brentano4 que se dá o reconhecimento da existência de uma 
certa intencionalidade que se exprime como sendo uma intencionalidade de 
algo;
- Apreciáveis: os valores são apreciáveis, estimáveis e admiráveis. 
Por isso, indignamo-nos quando os vemos destruídos, (ex: destruição 
de estátuas milenares de Buda no Afeganistão);
- Inexauríveis, no sentido em que o seu valor não se esgota em 
nenhuma das suas realizações. Assim, a bondade não se esgota nos 
atos considerados bons (Sanabria, 2005);
Conclusão crítica: Por esta razão se compreenderá o que frequentemente 
acontece quando sentimos, por exemplo, uma enorme deceção com determinadas 
ações dada a diferença existente entre os nossos desejos e a realidade.
4 Franz Brentano (1838-1917) ficou conhecido por introduzir a questão da intencionalidade, segundo a 
qual a mente tem características diferentes de outros estados mentais, na medida em que são estados 
acerca de coisas (ex: crenças, desejos, convicções). Este foi um problema para a filosofia da mente – o 
da naturalização da mente – cujos significados e conteúdosintencionais, embora não visíveis, poderão, 
eventualmente, constituir a causa de um comportamento observado.
495ÉTICA, MORAL, AXIOLOGIA E VALORES
- Intemporais, pois os valores estão para além do devir temporal; 
caso contrário, não seriam valores; 
- Obrigatoriedade (Requisito de), (requierdness), no sentido de 
imperativo categórico. Dado que os valores não são neutros, é 
completamente impossível sermos-lhes indiferentes. Daí, que 
sintamos obrigação moral (dever ser) de sobre eles nos pronunciarmos 
e tomarmos uma posição;
- Qualidade: o valor constitui uma qualidade preferencial traduzida 
pelo sujeito face às características do objeto, mas é uma qualidade sui 
generis (Frondizi, 1972), pois não tem qualquer existência real, como 
acontece com o objeto, muito embora radique nele para se expressar;
- Apetecibilidade: esta característica verifica-se, na medida em que 
os valores não são indiferentes ao sujeito, mas exercem sobre si uma 
força atrativa que reside, mais precisamente, na sua dimensão ideal e 
significativa;
Comentário crítico: quer o carácter de preferência (qualidade) quer o 
da atração (apetecibilidade) podem variar enormemente, indo do “bom” ao 
“mau”. i.é., podemos sempre escolher objetos cujo valor é duvidoso, na medida 
em que se diz que somente sobre eles recai o nosso interesse e preferência; 
contudo, tal como já referimos, nestas circunstâncias pode ocorrer o erro, pelo 
que, nesse caso, não se trataria de um valor, mas de um anti-valor;
- Polaridade (ou bipolaridade), de acordo com a qual, a cada valor 
positivo corresponde um valor negativo ou anti-valor (ex: à paz opõe-
se a guerra; à ideia de bem opõe-se a ideia de mal).
Comentário crítico: Contudo, como muito bem o fazem notar Brito e 
Meneses (2012), há um valor em que não se verifica a existência bipolar 
que acima se refere, na medida em que será paradoxal atribuir um anti-valor 
à existência pelo simples facto de que, não havendo nada, não havendo 
existência de algo ou de alguém, não há o que valorar e por que valorar.
Por sua vez, também a realidade não tem um anti-valor correspondente, 
pois o nada é a total negação do ser. Já o anti-valor tem realidade, dado que 
não é a simples ausência de valor positivo, mas constitui uma privação de algo 
que deveria ter-se, ou ser, e não se tem, ou não é.
- Objetividade axiológica: os valores são objetivos como as figuras 
matemáticas, na medida em que mesmo que tenhamos uma ideia 
pouco clara da sua representação, conseguimos intuí-la como sendo 
Ana Paula Pedro496
algo objetivo (ex: quando dizemos que um ato foi justo ou injusto, 
dizemo-lo por referência ou por comparação com a ideia objetiva de 
Justiça que todos possuímos);
Comentário crítico: os valores não são entes exclusivos nem da res cogitans 
nem da res extensa; ou seja, se, por um lado, não existem independentemente 
dos sujeitos nem se reduzem a uma vivência subjetiva dos mesmos, por outro 
lado, manifestam-se nos objetos, mas através do homem, para o homem e 
para o mundo;
- Hierarquia, segundo a qual se pretende significar que nem todos 
os valores valem do mesmo modo, ou da mesma maneira, variando 
a sua ordenação, ou lugar, na escala vertical (há valores que são 
mais elevados do que outros), segundo o grau de importância ou de 
preferência (critério) que o sujeito decidir atribuir-lhes. Pode afirmar-
se, então, poderem existir tantas hierarquias de valores quantos os 
sujeitos, logrando existir desacordo frequente entre elas; 
Comentário crítico: contudo, deste facto não se deduz necessariamente 
um relativismo de valores, como frequentemente ouvimos referir, mas sim 
que há valores que, devido às suas características (Scheler, 1874-1928) se 
distanciam qualitativamente de outros.
- Heterogeneidade: Por muito ordenados que os valores estejam 
e por muito classificados que sejam e se encontrem agrupados 
segundo “famílias” de valores, o certo é que existe uma diferenciação 
qualitativa entre eles (ex: a coragem e a saúde não têm certamente o 
mesmo valor).
- Caráter unitário ou sistema lógico com que os valores se apresentam, 
cuja estrutura interna possui uma consistência coerente no tipo de 
relações que estabelece entre os diferentes valores; 
estas características mantêm uma relação estreita de interação entre 
si, muito embora algumas de entre elas se possam manifestar ou expressar 
parcialmente, de acordo com determinadas circunstâncias que assim o 
favoreçam.
Ou seja: os valores não se circunscrevem unicamente a estas características 
atrás mencionadas e vão manifestando cada uma das suas dimensões consoante 
a qualidade das experiências vividas pelo sujeito que assim as for salientando, 
dando-se a conhecer parcialmente.
497ÉTICA, MORAL, AXIOLOGIA E VALORES
Em última análise, é como se os valores fossem um poliedro, no qual a luz 
que incidisse numa das suas faces era a revelada naquele momento em particular; 
mas, tal não significa que as restantes facetas sejam inexistentes. Esta questão 
sugere-nos uma outra: a do problema aristotélico da potência e do ato.
Contudo, subjacente a esta manifestação parcial subsiste a estrutura que 
as sustenta ou suporta, caracterizada pela dimensão que a sua amplitude até 
aqui analisada demonstra.
Conclusão
neste texto, partimos de uma diferenciação inicial quanto ao entendimento 
dos termos ética e moral enquanto antónimos; tal facto leva-nos a considerar 
uma prevalência da ética relativamente à moral, contudo não consideramos 
poder perspetivar-se uma ética sem moral nem uma moral sem ética, dado que 
ambas são absolutamente necessárias e complementares entre si.
o facto de não partilharmos de uma sinonímia concetual de base entre 
ética e moral não nos permite considerar a sua distinção como se de uma 
separação hermética de conceitos se tratasse, dado que tanto a ética necessita 
da moral como a moral da ética: aquela, de sentido normativo, porque constitui 
matéria-prima de reflexão crítica e de fundamentação da moral, e esta porque 
necessita do carácter profundamente interrogante e comunicativo daquela 
condição da sua evolução. Na verdade, o que tal significa, em nosso entender, 
é que possuem funções diferentes, mas interdependentes em que uma não 
pode existir sem a outra.
Da mesma forma, também os valores se opõem às normas e às regras, num 
primeiro momento, muito embora delas possam vir a necessitar, num segundo 
momento, para se expressarem e manifestarem; contudo, aquelas não são 
redutoras e muito menos se deixam encerrar no domínio estr(e)ito destas, pois 
o seu universo é infindável e inesgotável, sempre sujeito a novas descobertas 
e aproximações da realidade reveladoras da complexidade humana.
Inegável é, contudo, a importância que cada um destes conceitos se reveste 
quer para o dizer quer para o fazer ético humano nos diversos contextos em 
que o sujeito se insere.
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9
Ética voltada para o curso de formação 
de farmacêuticos
 Danyelle Cristine Marini
Luis Marcos Ferreira
A Terminologia Ética
Segundo Zubioli (2004), a terminologia ética é muito comple-
xa, provavelmente por envolver vários aspectos, dentre eles o modo 
de viver, agir e pensar de cada um, o que não deixa de ser bastante 
variado. 
A palavra ética procede do vocabulário grego com duas origens 
possíveis; a primeira, êthos (ήθος), escrita com ή (eta), e a letra e, em 
grafia minúscula, que significa caráter. A segunda origem, ethos (θος), 
escrita com épsilon, e a letra E, em grafia maiúscula, com o sentido de 
hábito e costume, conjunto de valores e de hábitos consagrados pela 
tradição cultural de um povo (ZUBIOLI, 2004).
No latim não existe uma palavra que veio a traduzir o êthos e ou-
tra que veio a traduzir o ethos; ambas são representadas pela expressão 
mos, que significa exatamente os costumes e valores de uma deter-
minada cultura. A palavra moralis foi introduzida por Marco Túlio 
Cícero (106-43 a.C.) para traduzir o termo ethikos. Assim, originaria-
mente, êthos e mos, “caráter” e “costume”, assentam-se num modo de 
comportamento que não corresponde a uma disposição natural, mas 
que é adquirido ou conquistado por hábito (ZUBIOLI, 2004).
Há muitas discussões sobre problemas éticos presentes no coti-
diano, que têm produzido, historicamente, uma grande quantidade de 
estudos. Ao se adentrar tais discussões, surgem algumas dúvidas: por 
onde começar? Como iniciar a apresentação dos principais problemas 
éticos e suas possíveis soluções considerando o desenvolvimento his-
tórico da filosofia e da ética?
No livro Textos Básicos de Ética, de Danilo Marcondes (2007), 
tomado aqui como referência fundamental, cada capítulo é dedica-
do a um autor relevante na história da ética, em ordem cronológica: 
10
Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Des-
cartes, Spinoza, Hume, Kant, Kierkegaard, Nietzsche, Stuart Mill, 
Weber, Freud e Foucault. Os capítulos iniciam com uma pequena 
introdução ao autor e às suas concepções sobre ética, apresentando 
trechos de uma ou mais obras que ilustram o ponto principal de suas 
discussões.
Dessa forma, devido à diversidade de autores e conceitos, por 
mais que estes possuam importância reconhecida, qualquer texto que 
se proponha a dissertar sobre ética, invariavelmente, deixará lacunas.
Então optou-se por abordar aqui o tema a partir do comporta-
mento, da origem, da variedade de costumes, das diferentes culturas, 
da oposição entre determinismo e livre-arbítrio e da importância das 
consequências de nosso comportamento, tanto para nós, quanto para 
os que nos cercam.
Com relação ao julgamento ético, o material apresentado par-
tirá do prisma da tensão, tão discutida, entre “impulsividade” e au-
tocontrole, da necessidade ou eficácia da punição para a melhora ou 
aperfeiçoamento do comportamento que é indesejável e dos fatores 
naturais, individuais e culturais no comportamento do indivíduo 
(MARCONDES, 2007).
Uma grande questão ética seria: os homens só agem eticamente 
por temerem uma severa punição? Em O Anel de Giges, que aparece 
n’A República, de Platão, um anel tornava o personagem Giges invisí-
vel, livrando-o de punições pelas atrocidades cometidas. Para Platão, 
as virtudes são inatas: se Giges as possuísse, não cometeria as atroci-
dades, mesmo tendo o anel.
Por outro lado, Aristóteles afirmava que as virtudes são resul-
tantes do hábito, tanto que defendia que a origem do sentimento de 
felicidade é a relação entre ações e os resultados destas.
Dessa forma, a diferença entre Platão e Aristóteles é que o segun-
do afirmava que era possível ensinar as virtudes.
Já Santo Agostinho e São Tomás de Aquino frequentemente se 
envolviam com a discussão de que o ser humano possui o livre-arbítrio 
para se decidir sobre suas ações.
O filósofo alemão Immanuel Kant, autor da filosofia crítica, 
debruçou-se basicamente sobre os estudos de questões relacionadas 
11
à moral, apresentando em suas principais obras, Crítica da razão pura 
e Crítica da razão prática, questões sobre o conhecimento da razão te-
órica e sobre a moral, respectivamente. Segundo Kant (1991), a ra-
zão teórica pura permitiria ao sujeito (epistêmico) elaborar o conhe-
cimento do mundo da natureza e a razão prática pura investigaria 
o conhecimento do sujeito em relação ao mundo social e suas ações 
em sociedade. É a razão teórica que permitiria ao sujeito conhecer 
as leis que regem o mundo da natureza, incluindo as leis do cosmos, 
do mundo orgânico e inorgânico. À razão prática estaria reservada 
a tarefa do estudo das leis do mundo social, regido pela vontade e a 
liberdade dos homens. Tal divisão resulta das diferenças de atribui-
ções entre natureza e sociedade, os dois mundos onde a razão deve 
atuar. A razão investiga, por um lado, as leis naturais, matemáticas 
e físicas e, por outro, as leis que regem o mundo social ou dos cos-
tumes, da prática.
O que Kant denomina razão pura deve-se ao fato de a razão 
existir independentemente da experiência, ou seja, a razão trata-se de 
conhecimento a priori, isenta de qualquer forma de vivência e inde-
pendente da atuação do sujeito sobre o mundo (KANT, 1991).
A questão da moralidade, para Kant, surge da escolha diária que 
o homem precisa fazer entre o “dever ser” e o “querer ser”; ele tem 
liberdade de fazer valer as suas vontades, fixar seus propósitos, objeti-
vos ou fins. Para Kant, agir eticamente deve ocorrer de forma espon-
tânea e consciente; é cumprir a lei por respeito à lei, ainda que sua 
vontade seja contrária à lei.
As ações éticas, segundo Kant, são responsabilidade da razão, e 
têm valor quando o homem age sob o sentimento de dever pela razão 
e não por interesse. Neste contexto, a ética é a explicação teórica do 
fundamento último do agir humano na busca da satisfação individual 
e da felicidade na sociedade. Não se pode perder nunca de vista o fato 
de que o propósito da ética é um só: a busca da felicidade humana. 
Obviamente, a soma da felicidade individual, no contexto social, con-duz à felicidade da sociedade (ZUBIOLI, 2004).
Para Nietzsche, é impossível uma ciência que possa estabelecer 
uma moral, já que os valores não são universais e surgem de variações 
de costumes em relação às diferentes culturas (MARCONDES, 2007).
12
Outro ponto a ser destacado é a filosofia utilitarista, cuja dis-
cussão ética trata da avaliação das consequências dos atos de cada 
um e faz uma reflexão sobre como estabelecer um critério de julga-
mento das ações e seu valor, como é caso de Stuart Mill, que defen-
de promoção da felicidade e do prazer e exclusão da dor, sofrimen-
to ou infelicidade. Para Stuart Mill, os prazeres são considerados 
“tanto em relação à quantidade como à qualidade” e deve-se colo-
car “o interesse de cada indivíduo tanto quanto possível em harmo-
nia com o interesse da totalidade [...] de tal modo que seria, para 
ele, inconcebível a possibilidade de obter felicidade para si próprio 
com uma conduta oposta ao bem comum” (MARCONDES, 2007). 
Como observa Marcondes (2007), no que diz respeito à abordagem 
da ética segundo Stuart Mill, “não fica suficientemente claro como 
se dá a passagem do prazer ou da realização, individual, para o bem 
comum, o que tem suscitado um grande debate em torno das ideias 
utilitaristas até nossos dias”.
A despeito dos diferentes referenciais teóricos e suas soluções 
para as questões éticas, pensados ao longo da história da filosofia e, 
conforme citado anteriormente, pode-se adotar a origem etimoló-
gica da palavra ética como o termo grego ethos, significando o modo 
de ser, o caráter. E como tradução para o latim ethos o termo mos, 
relacionado a costumes, derivado de mores. Marilena Chauí (2003) 
afirma que:
As questões socráticas inauguram a ética ou filosofia moral, porque defi-
nem o campo no qual valores e obrigações morais podem ser estabeleci-
dos, ao encontrar seu ponto de partida: a consciência do agente moral. É su-
jeito ou ético moral somente aquele que sabe o que faz, conhece as causas 
e os fins de sua ação, o significado de suas intenções e de suas atitudes 
e a essência dos valores morais. Sócrates afirma que apenas o ignorante 
é vicioso e incapaz de virtude, pois quem sabe o que é bem não poderá 
deixar de agir virtuosamente.
Geralmente, associa-se o significado do termo ética a questões 
como o que é ser justo, ser honesto e correto sem considerar-se a ne-
cessidade de verificar os costumes, valores e cultura presentes em uma 
determinada sociedade. Um julgamento ético, nesse sentido, deve le-
13
var em conta a formação dos valores e, em cada cultura, o conteúdo 
das condutas morais. Ainda segundo Marilena Chauí (2003), deve-se 
reconhecer que:
Frequentemente, não notamos a origem cultural dos valores éticos, do 
senso moral e da consciência moral, porque somos educados (cultiva-
dos) para eles e neles, como se fossem naturais ou fáticos, existentes em 
si e por si mesmos. [...] para garantir a manutenção dos padrões morais 
através do tempo e sua continuidade de geração a geração, as sociedades 
tendem a naturalizá-los. A naturalização da existência moral esconde, 
portanto, a essência da moral, ou seja, que ele é essencialmente uma 
criação histórico-cultural, algo que depende das ações humanas.
Dessa forma, parece que o sentido ético deve estar associado a 
ações e relações entre o homem e a sociedade. São suas ações, também 
reconhecidas como conduta ética, que repercutirão na sociedade. Para 
que um “sujeito ou a pessoa moral” (CHAUÍ, 2003) possa existir, 
deve preencher algumas condições básicas: ser consciente de si e dos 
outros; ser dotado de vontade; ser responsável; ser livre.
Assim, o homem, desde que iniciou sua vida social, sentiu a ne-
cessidade de se orientar por alguns deveres, mesmo que impostos pela 
sociedade, com o propósito de buscar a virtude individual e a excelên-
cia moral dos indivíduos em prol da coletividade. 
A conduta ética sempre foi orientada como formação do caráter 
do sujeito moral para que estivesse trabalhando para controlar racio-
nalmente seus impulsos, seus apetites e desejos, orientando a vontade 
para o bem próprio e como membro da coletividade.
Enquanto isso, a questão ética também é definida por um senso 
comum – conjunto de regras a serem cumpridas para que se alcance 
o bem-estar, por exemplo, de um grupo de profissionais e, destes, em 
relação aos seus pacientes; regras que são entendidas como ponto de 
partida para o respeito próprio e aos que nos cercam. 
Ética e ética profissional do farmacêutico
A questão da ética profissional não pode estar restrita a condutas 
normativas, postas em prática somente de forma dogmática ou auto-
14
ritária. Pelo contrário, pode ser vista como um conjunto de virtudes 
que auxiliam no exercício da profissão, tais como a honestidade, a 
competência, a prudência e a responsabilidade num amplo conjunto 
de qualidades do indivíduo, que deve ser transferido para o âmbito 
profissional, resultando em benefícios recíprocos.
Diante do questionamento sobre como ensinar ética profissional 
aos discentes de cursos superiores e considerando que as IESs tam-
bém são responsáveis pela formação ética dos seus estudantes, e que, 
segundo Aristóteles, a ética não é inata, o aprendizado da ética deve 
ocorrer de maneira contínua, ao longo do processo de formação.
Essa questão torna-se mais complexa ao considerar que nas IESs 
há um público extremamente heterogêneo, onde cada discente traz 
consigo uma história pessoal, uma personalidade formada ou em for-
mação, um conceito de bom ou ruim, justo ou injusto, certo ou erra-
do, verdade ou mentira.
Diante de tal complexidade surge a pergunta: como trabalhar a 
disciplina de ética em um ambiente tão complexo? A ética deve estar 
presente em todos os componentes curriculares, de forma transversal, 
permeando toda a graduação, além de precisar ser exercitada. Em ou-
tras palavras, a ética possui componentes sociais profundos, fazendo 
com que a vivência em grupo seja fundamental para a construção de 
uma postura profissional fundamentada em princípios éticos.
Também é importante destacar a necessidade de diferenciar a 
ética, a moral e a deontologia. A palavra deontologia provém da raiz 
grega deon, deontos e remete à necessidade, à conveniência de alguma 
coisa. Como o termo deontologia vem geralmente acompanhado da 
designação “de uma determinada profissão” (como por exemplo, “Có-
digo de Deontologia Farmacêutica”), isto passa a significar a conveni-
ência ou necessidade que essa determinada profissão tem, de acordo 
com suas características, as quais constituem as regras para o exercício 
dessa profissão. Portanto, a deontologia farmacêutica é um conjunto 
de regras que indicam o comportamento do indivíduo, na qualidade 
de membro da profissão farmacêutica, sendo que a essência dessas 
regras é a de garantir a conveniência ou a utilidade desse grupo social, 
a fim de que ele possa alcançar melhor as finalidades propostas ao 
conjunto da sociedade (ZUBIOLI, 2004).
15
O conjunto de regras da profissão farmacêutica é determinada 
pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) por meio de Resolução 
específica, que determina o Código de Ética da Profissão Farmacêu-
tica, o qual estabelece em seu preâmbulo que o farmacêutico é um 
profissional de saúde que tem a obrigação de salvaguardar a saúde 
pública e promover ações que contribuam com a promoção da saúde 
da comunidade (CFF, 2014).
O ensino da ética é muito mais abrangente do que simplesmen-
te transmitir as regras da deontologia ou da legislação farmacêutica 
e ultrapassa os limites escolares; contudo, os docentes dos cursos 
superiores precisam ter o compromisso de auxiliar a formação moral 
e ética dos discentes. 
O farmacêutico bem preparado necessita ultrapassar as compe-
tências e habilidades necessárias para sua atuação, precisa ter cons-
ciência dos seus atos para simesmo e para terceiros; há a iminente 
necessidade de evitar prejuízos a terceiros, ainda que sem intenção. 
Segundo Aristóteles (384-322 a.C.) “O homem, quando guiado pela 
ética, é o melhor dos animais, quando sem ela, é o pior de todos”.
35
Casos de deontologia e legislação 
farmacêutica
A fim de auxiliar no ensino da deontologia e legislação farma-
cêutica, são apresentados a seguir diversos casos adaptados de situ-
ações reais.
Alexandre Picorallo Medeiros
Alexsandro Macedo Silva 
Amouni Mohmoud Mourad
Danyelle Cristine Marini
Liliane Ribeiro Braga
Luciane Maria Ribeiro Neto
36
CASO 1 
Área: Análises Clínicas e Toxicológicas 
Assunto: Resultado errado de exame laboratorial
Um paciente, após passar por check-up com seu médico, recebeu soli-
citação de diversos exames e compareceu a um laboratório sob responsabi-
lidade técnica de um farmacêutico para realizar seus exames. 
Ao retirar seus exames e notar que entre eles havia um diagnóstico 
positivo de sífilis, retornou ao seu médico, que, diante da total ausência 
de qualquer sintoma da doença, pediu que ele repetisse o exame em dois 
outros laboratórios.
Ao chegar em casa com novos pedidos de exame, sua esposa, desconfia-
da, compareceu ao laboratório inicial e, comprovando a condição de esposa, 
obteve cópia do exame de seu marido com diagnóstico positivo para sífilis. Ela 
o espancou na mesma data por acreditar que ele a estava traindo em função 
de ser portador de doença venérea.
Revoltado, o marido, que já havia recolhido sangue para realização 
dos exames em dois outros laboratórios, aguardou o resultado e, ao levar 
esses diagnósticos para seu médico, foi informado que o exame realizado 
no primeiro laboratório teve um resultado chamado de falso positivo, já 
que nada constou nos últimos exames.
Ao retornar ao primeiro laboratório para esclarecer o ocorrido, foi 
informado pela farmacêutica e responsável técnica pela empresa que o 
exame havia sido analisado por outra farmacêutica que integrava a equipe 
na época dos fatos, e que já fora demitida por sua incapacidade técnica 
apurada em diversos outros exames. Indicou-se o nome da outra profis-
sional, apesar de o exame conter apenas o nome da responsável técnica.
Identifique as possíveis irregularidades ocorridas no caso aci-
ma, os procedimentos inadequados, possíveis erros e responsabili-
dades do farmacêutico, com base na legislação:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 296/96;
•	 Portaria CVS nº 13/05;
•	 RDC Anvisa nº 302/05.
37
CASO 2 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Aplicação de injetáveis
O paciente procurou a farmácia para a aplicação de um injetável com 
receita médica e foi atendido pelo proprietário do estabelecimento, que 
realizou a aplicação no braço esquerdo do cliente.
O proprietário não comprovou capacitação técnica para aplicação de 
injetáveis e a bula do medicamento ainda advertia: “o produto deve ser 
aplicado exclusivamente por via intramuscular na região glútea”.
Após a aplicação, o cliente teve fortes dores e foi levado da farmácia 
para o hospital, onde foi internado, desenvolvendo queda de pele e tecidos 
internos, exposição do osso no local da aplicação e, finalmente, imobilida-
de parcial do braço atingido.
Identifique as possíveis irregularidades ocorridas no caso aci-
ma, os procedimentos inadequados, possíveis erros e responsabili-
dades do farmacêutico, com base na legislação:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF n° 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 44/09.
38
CASO 3 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Aplicação de injetáveis e troca do medicamento
No dia 20 de janeiro de 2007, uma paciente compareceu à farmácia 
com uma prescrição médica de penicilina G benzatina 600.000 U (injetá-
vel) e amoxicilina 250 mg. O farmacêutico não estava presente e a pacien-
te foi atendida pelo balconista.
Pela ausência do medicamento de referência e do genérico, o balco-
nista vendeu o medicamento similar UniAmox® 250 mg (amoxicilina). Já 
o injetável (Benzetacil® 600.000 U) foi dispensado e aplicado pelo aten-
dente, deixando um enorme hematoma e extrema dor muscular no local 
da aplicação, que persistiu pelo período de duas semanas após a aplicação.
A paciente formalizou denúncia ao CRF-SP que, ao investigar o caso, 
constatou, entre outras coisas, que não existe livro de registro das apli-
cações realizadas, e o responsável técnico não autorizou expressamente 
nenhum funcionário da farmácia a aplicar injeções.
Identifique as possíveis irregularidades ocorridas no caso aci-
ma, os procedimentos inadequados, possíveis erros e responsabili-
dades do farmacêutico, com base na legislação:
•	 Resolução CFF nº 596/14; 
•	 Resolução CFF n° 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 44/09.
39
CASO 4 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Intermediação de fórmulas, comercialização 
de medicamentos sem registro e não comunicado de 
desligamento ao CRF-SP 
No dia 15 de janeiro de 2013, uma pessoa encomendou e retirou em 
uma drogaria próxima de sua residência 50 cápsulas Ginkgo biloba, extrato 
seco de 100 mg, e a manipulação de 30 cápsulas de omeprazol 20 mg.
Após alguns dias de uso dos produtos, o paciente notou que os medi-
camentos não faziam o mesmo efeito que o daqueles que havia comprado 
em uma farmácia com manipulação localizada no centro da cidade e, ao 
analisar os produtos, identificou que o Ginkgo biloba, apesar de industria-
lizado, não possuía registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
(Anvisa) e que o omeprazol havia sido manipulado por uma farmácia lo-
calizada em endereço diverso da drogaria onde encomendou e retirou os 
medicamentos.
Ao investigar o caso, o CRF-SP convocou, em 05 de junho de 2013, o 
responsável técnico pelo estabelecimento, que não foi encontrado na dro-
garia. Ele informou ter se desligado desta drogaria em 05 de abril de 2013, 
mostrando cópia de sua carteira de trabalho, onde constava a demissão.
Identifique as possíveis irregularidades ocorridas no caso aci-
ma, os procedimentos inadequados, possíveis erros e responsabili-
dades do farmacêutico, com base na legislação:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF n° 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 44/09;
•	 RDC Anvisa nº 67/07.
40
CASO 5 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Não prestação de assistência
O fiscal do CRF-SP constatou a ausência da farmacêutica responsá-
vel técnica em três visitas fiscais, ocorridas em:
•	 18/05/2012 – 15h40;
•	 14/03/2013 – 14h30;
•	 28/06/2013 – 08h15.
Seu horário de assistência farmacêutica declarado em Termo de Com-
promisso na drogaria é de segunda a sexta, das 08h às 17h com intervalo 
para almoço das 12h às 13h. Não havia outro farmacêutico em seu lugar.
Em audiência de esclarecimento no CRF-SP, a profissional informou 
que não se recorda das visitas porque comparecia apenas uma vez por 
semana na drogaria, para lançar as receitas de controlados e encaminhar o 
relatório ao Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados 
(SNGPC). Também esclareceu que recebia metade do piso da categoria 
para assinar pela drogaria.
Identifique as possíveis irregularidades ocorridas no caso 
acima, apontando os procedimentos inadequados, possíveis er-
ros e responsabilidades do farmacêutico, com base na legislação 
profissional:
•	 Resolução CFF nº 596/14; 
•	 Resolução CFF n° 357/01;
•	 Portaria SVS/MS nº 344/98;
•	 RDC Anvisa nº 44/09.
41
CASO 6 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Não prestação de assistência e não 
atendimento à convocação pelo CRF-SP
O fiscal do CRF-SP constatou a ausência do farmacêutico responsá-
vel técnico em inspeções na drogaria, ocorridas em:
•	 29/06/2012 – 08h10;
•	 04/01/2013 – 13h35;
•	 27/11/2013 – 17h50.
Seu horário de assistência farmacêutica declarado em Termo de Com-
promisso na drogaria é de segunda a sexta, das 08h às 18h, com intervalo 
para almoçodas 11h às 13h. Não havia outro farmacêutico em seu lugar.
Convocado para a orientação farmacêutica no CRF-SP, o profis-
sional não compareceu e tampouco justificou o motivo de seu não com-
parecimento.
Identifique as possíveis irregularidades ocorridas no caso 
acima, apontando os procedimentos inadequados, possíveis er-
ros e responsabilidades do farmacêutico, com base na legislação 
profissional:
•	 Resolução CFF nº 596/14; 
•	 Resolução CFF n° 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 44/09.
42
CASO 7 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Não prestação de assistência e 
incompatibilidade de atividade como fiscal sanitário 
O fiscal do CRF-SP esteve presente no estabelecimento para fiscali-
zar as atividades da profissional e constatou a ausência da farmacêutica 
substituta em três visitas, ocorridas em:
•	 20/07/212 – 15h;
•	 05/12/2012 – 16h45;
•	 02/02/2013 – 19h20.
Seu horário de assistência farmacêutica declarado em Termo de Com-
promisso na drogaria é de segunda a sexta, das 14h às 20h, com intervalo 
para almoço das 18h às 19h, e aos sábados, das 12h às 20h, com intervalo 
das 18h às 19h. Não havia outro farmacêutico em seu lugar.
Convocada para audiência de esclarecimento no CRF-SP, informou 
que, por conta de seu trabalho como fiscal da Vigilância Sanitária, não 
possui tempo para se dedicar às atividades na drogaria.
Identifique as possíveis irregularidades ocorridas no caso 
acima, apontando os procedimentos inadequados, possíveis er-
ros e responsabilidades do farmacêutico, com base na legislação 
profissional:
•	 Lei nº 5.991/73;
•	 Resolução CFF nº 596/14; 
•	 Resolução CFF n° 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 44/09.
43
CASO 8 
Área: Farmácia hospitalar 
Assunto: Não prestação de assistência, atuação como 
médico e impedimento da fiscalização
O fiscal do CRF-SP realizou três inspeções em um hospital durante o 
horário de assistência farmacêutica declarado no Termo de Compromisso 
pelo farmacêutico e constatou a sua ausência em:
•	 18/04/2012 – 15h20;
•	 11/05/2013 – 14h10;
•	 11/07/2013 – 09h15.
O horário de assistência farmacêutica declarado no Termo de Com-
promisso é das 08h às 16h, com intervalo para almoço das 12h às 14h. 
Nas visitas fiscais, sempre havia outro farmacêutico em seu lugar no hos-
pital, mas esse não havia assumido nenhuma responsabilidade perante o 
CRF-SP.
Convocado para audiência no CRF-SP, o farmacêutico informou que 
também é médico inscrito no Conselho Regional de Medicina e, por isso, 
dedica maior tempo às suas atividades como cardiologista.
Em visita posterior à sua convocação no CRF-SP, o profissional pas-
sou a impedir o acesso dos fiscais à farmácia do hospital.
Identifique as possíveis irregularidades ocorridas no caso 
acima, apontando os procedimentos inadequados, possíveis er-
ros e responsabilidades do farmacêutico, com base na legislação 
profissional:
•	 Decreto nº 20.931/32;
•	 Resolução CFF nº 596/14.
44
CASO 9 
Área: Farmácia com manipulação 
Assunto: Não prestação de assistência e supervisão da 
manipulação por leigo
O fiscal do CRF-SP constatou três ausências do farmacêutico res-
ponsável técnico pela farmácia com manipulação, em visitas ocorridas em:
•	 18/01/2013 – 15h40;
•	 14/05/2013 – 14h30;
•	 28/10/2013 – 08h15.
Seu horário de assistência farmacêutica declarado em Termo de 
Compromisso na farmácia de sua propriedade é de segunda a sexta, das 
08h às 17h, com intervalo para almoço 12h às 13h e, aos sábados, das 08h 
às 12h. Não havia outro farmacêutico em seu lugar, somente um estudante 
de Farmácia que “fiscalizava” a manipulação realizada por técnicos.
Em todas as visitas fiscais acima ocorria a manipulação de medica-
mentos.
Convocado para audiência de esclarecimento no CRF-SP, o farma-
cêutico informou que, por ser proprietário, possui outras inúmeras preo-
cupações e atividades e que deixa um estudante de Farmácia em seu lugar, 
durante as suas ausências.
Identifique as possíveis irregularidades ocorridas no caso 
acima, apontando os procedimentos inadequados, possíveis er-
ros e responsabilidades do farmacêutico, com base na legislação 
profissional:
•	 Resolução CFF nº 596/14; 
•	 RDC Anvisa nº 67/07.
45
CASO 10 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Irregularidades profissionais/sanitárias, 
ausência do farmacêutico e intermediação de fórmulas
Na inspeção de rotina realizada pelo fiscal do CRF-SP no horário 
comercial, em uma drogaria, com o objetivo de verificar as condições do 
exercício profissional, produziu-se o seguinte relatório:
“A drogaria possui em seu quadro de funcionários um farmacêutico respon-
sável, ausente no período da visita, devidamente inscrito no Conselho Regional 
de Farmácia, com horário de trabalho de segunda a sexta-feira, das 08h às 18h, 
e sábados, das 08h às 12h, comprovado pela Certidão de Regularidade Técnica, 
exposta ao público. O fiscal foi recebido pelo proprietário, que apresentou como 
justificativa à ausência do farmacêutico uma viagem pessoal. Informou também 
que o funcionário é assíduo e tem contribuído muito com o atendimento dos 
pacientes e, por esta razão, remunera-o com salário atraente, composto por uma 
parte fixa, que atende ao piso salarial e outra variável, decorrente do volume de 
vendas obtidas pelos auxiliares de Farmácia.
Durante a ação fiscal, observaram-se vários atendimentos aos pacientes 
realizados por auxiliares, que vendiam produtos farmacêuticos tarjados, dis-
pensando sem a necessidade de apresentação de receitas médicas, oferecendo 
a opção dos genéricos que, quando aceita, era anotada no verso da respectiva 
receita. As instalações da farmácia se encontravam em boas condições higiênicas 
e sanitárias. Nas prateleiras foram encontrados medicamentos de venda sob 
prescrição médica, de controle especial e termolábeis. Nas gôndolas, dispostas 
adequadamente para facilitar o autoatendimento, encontravam-se os produtos 
de higiene pessoal, cosméticos, de toucador, farmacêuticos com e sem tarja ver-
melha e fitoterápicos, identificados com o número de protocolo de registro no 
Ministério da Saúde. Observou-se, no salão de dispensação, placa oferecendo 
serviços de manipulação. Várias destas fórmulas foram verificadas e algumas 
apresentavam inelegibilidade ou estavam em código.
A sala de aplicação de injeções apresentava-se em boas condições de lim-
peza. Verificou-se que o livro de registro de receitas e produtos sob regime de 
controle estava atualizado e sem rasuras.”
Identifique as possíveis irregularidades ocorridas no caso 
acima, apontando os procedimentos inadequados, possíveis er-
46
ros e responsabilidades do farmacêutico, com base na legislação 
profissional:
•	 Lei nº 5.991/73;
•	 Resolução CFF nº 596/14; 
•	 Resolução CFF n° 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 44/09.
47
CASO 11 
Área: Farmácia com manipulação 
Assunto: Manipulação de fórmulas emagrecedoras
Em uma farmácia com manipulação e de propriedade de farmacêuti-
co, a fiscalização identificou, na visita realizada em 20 de junho de 2013, 
que eram manipuladas centenas de fórmulas por dia contendo sempre a 
mesma composição: bromazepam 1,5 mg, cáscara sagrada 10 mg, fluoxe-
tina 10 mg, tiratricol (hormônio tireoidiano) 0,5 mg e furosemida 20 mg. 
As fórmulas foram prescritas pelo mesmo médico e deveriam ser ingeridas 
antes das refeições. Além disso, havia fórmulas sem prescrição e que já 
ficavam prontas na farmácia para agilizar a dispensação.
O fiscal do CRF-SP, além de identificar o fato acima, verificou que 
diversas receitas continham no verso instruções para serem aviadas nesta 
farmácia, tais como “Kit Emagrecedor 1”, enquanto outras estavam desa-
companhadas do receituário especial.
A proprietária, que também é responsável técnica, informou que por 
conta do bom relacionamento entre a farmácia e o médico, ele sempre in-
dicava o estabelecimento e, muitas vezes, encaminhavaas notificações de 
receita diretamente para a farmácia, facilitando a vida dos pacientes que 
constantemente perdem as notificações de receita.
Identifique as possíveis irregularidades ocorridas no caso aci-
ma, apontando os procedimentos inadequados, possíveis erros e 
responsabilidades do farmacêutico, com base na legislação vigente:
•	 Decreto nº 20.931/32;
•	 Resolução CFF nº 596/14; 
•	 Portaria SVS/MS nº 344/98;
•	 RDC Anvisa nº 67/07;
•	 RDC Anvisa nº 58/07.
48
CASO 12 
Área: Farmácia com manipulação 
Assunto: Manipulação em dosagem errada
Foi protocolada denúncia no CRF-SP referente ao óbito de uma pa-
ciente após a ingestão de medicamento de baixo índice terapêutico, mani-
pulado em uma farmácia.
Após a investigação, foi possível constatar que o óbito decorreu da 
intoxicação causada pelo medicamento, em razão da dosagem muito aci-
ma dos níveis suportados pelos seres humanos.
Na receita, o medicamento estava prescrito como clonidina 30 cáp-
sulas de 35 μg (1 por dia durante 30 dias). Em razão da letra ininteligível 
constante na receita médica, o medicamento foi manipulado na dosagem 
de 35 mg cada cápsula.
A manipulação ocorreu fora do horário de trabalho do responsável 
técnico e foi realizada por uma estagiária.
Identifique as possíveis irregularidades ocorridas no caso 
acima, apontando os procedimentos inadequados, possíveis er-
ros e responsabilidades do farmacêutico, com base na legislação 
profissional:
•	 Resolução CFF nº 596/14; 
•	 Resolução CFF nº 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 67/07.
49
CASO 13 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Não prestação de assistência
No dia 20 de julho de 2011, o fiscal do CRF-SP fiscalizou a farmácia 
às 15h45, onde constatou a ausência do farmacêutico. O fiscal revisitou o 
estabelecimento em 15 de fevereiro de 2012 às 10h30, estando o farma-
cêutico ausente novamente.
O farmacêutico havia declarado horário de assistência de segunda 
a sexta, das 08h às 18h, com intervalo das 12h às 14h e sábado, das 
08h às 12h.
As constatações de ausências foram realizadas no horário declarado 
pelo farmacêutico, sendo este encaminhado para a orientação do CRF-SP, 
devido às duas ausências. 
Durante a orientação, o profissional ficou ciente das suas obrigações, 
bem como da possibilidade de responder a processo ético caso fosse cons-
tada nova ausência.
Preocupado com a possibilidade de responder a processo ético, soli-
citou baixa do estabelecimento e iniciou suas atividades em uma drogaria 
com horário de assistência das 06h às 14h, com intervalo das 12h às 13h.
A fiscal do CRF-SP esteve na drogaria às 06h45 do dia 26 de novem-
bro de 2012 e constatou que o farmacêutico estava ausente.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Lei nº 5.991/73;
•	 Resolução CFF nº 596/14.
50
CASO 14 
Área: Indústria 
Assunto: Medicamento sem registro e irregularidades 
sanitárias
O farmacêutico assumiu, há pouco mais de dois meses, a responsabi-
lidade técnica por uma indústria farmacêutica. 
A fiscal da Vigilância Sanitária procedeu à inspeção no estabeleci-
mento para emissão da autorização de funcionamento. Durante a inspe-
ção, verificou a presença de sacos de substâncias sem identificação de lote 
e prazo de validade. 
Não havia separação das matérias-primas por prazo de validade regu-
lar e irregular, destinadas à produção de alimentos e fitoterápicos.
No local de encapsulamento, foi constatada a presença de fitoterápi-
cos produzidos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
(Anvisa), além de caixas de cosméticos.
A empresa não possuía autorização para fabricar ou distribuir fito-
terápicos ou cosméticos; contudo, durante a inspeção, foram encontrados 
kawa kawa, valeriana, entre outros componentes.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Lei nº 6.360/76;
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 IN Anvisa nº 05/08.
51
CASO 15 
Área: Distribuidoras de medicamentos 
Assunto: Irregularidades sanitárias
A distribuidora foi fiscalizada pela Vigilância Sanitária local com o 
intuito de renovação da autorização de funcionamento. Ela estava sem a 
Licença e Autorização de Funcionamento da Empresa para realizar trans-
porte de medicamentos.
Durante a inspeção, foram verificadas várias irregularidades, sendo 
estas encaminhadas ao CRF-SP.
Dentre as irregularidades presenciadas, constavam a desatualização 
do Livro de Escrituração da Portaria SVS/MS nº 344/98, bem como a não 
assinatura do responsável técnico nos lançamentos anteriores. Quando 
comparado o estoque físico com os lançamentos no livro de escrituração, 
verificou-se inconsistência. Além disso, os medicamentos da Portaria SVS/
MS nº 344/98 eram armazenados em local de fácil acesso e sem controle.
As empresas contratadas para realizar o transporte não eram quali-
ficadas, bem como a qualificação dos fornecedores estava desatualizada. 
Não foram apresentados os Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) 
pertinentes às ações desenvolvidas e não havia documento comprobatório 
de treinamento dos funcionários. O farmacêutico responsável técnico não 
apresentou os controles de temperatura e umidade, o plano de gerenciamen-
to de resíduos e o certificado atualizado de desinsetização e desratização.
O armazenamento dos medicamentos e dos produtos relacionados à saú-
de eram feitos de forma incorreta, estando os produtos válidos misturados com 
os próximos a expirar e até mesmo com os vencidos. Alguns produtos para 
saúde, como por exemplo, agulhas e luvas, foram encontrados com umidade.
Não havia uma área destinada ao armazenamento de resíduos e as 
câmaras de armazenamento de medicamentos termolábeis não apresenta-
vam condições adequadas.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 365/01;
•	 Portaria nº 802/08;
•	 Portaria SVS/MS nº 344/98.
52
CASO 16 
Área: Farmácia com manipulação 
Assunto: Prescrição em código e farmacêutico sem 
vínculo perante o CRF-SP
A vigilância realizou inspeção na farmácia e verificou que estava 
ocorrendo manipulação de medicamentos prescritos em códigos. A far-
mácia atende prescrições de produtos contendo as substâncias: Aromas, 
Noxim, Relys, Ls anti ovy, Yinth, Orce e Imun.
O farmacêutico presente na farmácia no momento da visita não 
consta como farmacêutico responsável técnico ou substituto do estabele-
cimento perante o CRF-SP. Ele informou que:
•	 Sua não assunção como responsável ou substituto pelo estabe-
lecimento foi uma decisão do proprietário;
•	 É responsável pela avaliação das prescrições;
•	 A substituição do código pelo nome correto da substância era 
realizada no momento da conferência da prescrição. 
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 67/07.
53
CASO 17 
Área: Farmácia com manipulação 
Assunto: Infrações sanitárias
O fiscal do CRF-SP, em inspeção para renovação da autorização de 
funcionamento do estabelecimento, verificou que a farmácia realizava a 
manipulação de medicamentos em código prescritos por único médico, 
bem como a manipulação de fitoterápicos suspensos pela Agência Nacio-
nal de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além disso, não havia rastreabilidade 
das fórmulas manipuladas e ocorria fracionamento de chás e grãos em 
saquinhos destinados à venda.
Foram encontrados medicamentos manipuladosprontos sem a pre-
sença de prescrição e alguns não possuíam no rótulo o nome do médico 
prescritor. Os laboratórios de manipulação encontravam-se empoeirados, 
desorganizados e o aparelho deionizador de água, quebrado. Não havia 
uma área de paramentação específica e reutilizavam-se as embalagens de 
matérias-primas após a lavagem.
O estabelecimento não possuía livro de receituário, não realizava 
controle de qualidade interno de matéria-prima e não havia o controle de 
temperatura de umidade do laboratório e do refrigerador de armazena-
mento de matérias-primas de produtos termolábeis.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 67/07.
54
CASO 18 
Área: Farmácia com manipulação 
Assunto: Irregularidades sanitárias 
O fiscal do CRF-SP, em conjunto com o fiscal da Vigilância Sanitária, 
inspecionou no dia 12 de fevereiro de 2013 a farmácia; no ato da inspeção, 
encontrou o farmacêutico responsável técnico pelo estabelecimento (sua 
assistência é declarada como diária, em tempo integral).
Durante a fiscalização, encontraram várias irregularidades, como: 
matérias-primas vencidas: cefalosporina (validade 20/11/2011); tetraci-
clina (validade 5/01/2013); ampicilina (validade 15/06/2012); omeprazol 
(validade 30/07/2012); Passiflora sp. (validade 17/09/2012), estradiol (va-
lidade 18/11/2012), dentre outras.
O estabelecimento não possuía câmaras para formulações de anti-
microbianos, hormônios e citostáticos, bem como não havia área de para-
mentação e separação entre a área limpa e suja.
Durante a fiscalização, não foram apresentados os Procedimentos 
Operacionais Padrão (POPs) necessários para as atividades, tampouco as 
fichas de controle de temperatura e umidade do ambiente e do refrigerador.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 44/09;
•	 RDC Anvisa nº 67/07.
55
CASO 19 
Área: Farmácia com manipulação 
Assunto: Irregularidades sanitárias e intermediação de 
fórmulas
A Vigilância Sanitária Municipal encaminhou ofício ao CRF-SP ex-
pondo algumas irregularidades encontradas na farmácia, após inspeção no 
dia 10 de janeiro de 2010.
De acordo com o ofício, a farmácia possuía várias matérias-primas 
sem a identificação de validade e lote, bem como a presença de matérias-
-primas vencidas juntamente com as destinadas a uso.
A farmácia não manipulava formulações líquidas e semi-líquidas, 
sendo estas preparadas por outro estabelecimento da cidade. As condições 
de higiene não eram adequadas para a manipulação; por exemplo: alimen-
tos armazenados na geladeira de medicamentos e presença de insetos na 
área limpa da farmácia.
Não estavam disponíveis todos os Procedimentos Operacionais Pa-
drão (POPs), bem como não constava o controle de temperatura do refri-
gerador que armazenava os medicamentos termolábeis.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Lei nº 11.951/09, que altera a Lei nº 5.991/73;
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 RDC Anvisa nº 44/09;
•	 RDC Anvisa nº 67/07.
56
CASO 20 
Área: Farmácia homeopática 
Assunto: Irregularidades sanitárias e profissionais
A farmácia manipula somente medicamentos homeopáticos. O fiscal 
realizou inspeção fiscal no dia 1º de agosto de 2013 e verificou que houve 
alteração do farmacêutico responsável, sendo que este não possuía espe-
cialização na área de homeopatia e não havia cursado a disciplina e nem o 
estágio pertinente a esta área.
As tinturas-mães e as matrizes encontravam-se armazenadas em uma 
prateleira exposta à luz solar e nos rótulos não constavam o lote e o prazo 
de validade.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 576/13;
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 RDC Anvisa nº 67/07.
57
CASO 21 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Irregularidades na publicidade e desacato à 
fiscalização
Durante visita do fiscal do CRF-SP a uma drogaria, verificou-se a 
ausência do farmacêutico no estabelecimento e constatou a presença de 
chicletes e chocolates expostos no caixa. Verificou-se também a presença 
de algumas caixas com medicamentos armazenados diretamente no chão.
No balcão da drogaria, expostos ao cliente, havia kits com três me-
dicamentos em uma cesta com a placa “Pague 1 medicamento e leve 3”. 
O farmacêutico chegou durante a inspeção do fiscal do CRF-SP e foi 
solicitado a apresentar a documentação do estabelecimento, bem como foi 
informado da continuidade das irregularidades, as quais já haviam sido 
identificadas em duas visitas anteriores.
Devido à continuidade das irregularidades, o fiscal solicitou ao far-
macêutico a devolução da certidão de regularidade. O farmacêutico, não 
concordando com o pedido, desacatou o fiscal e não procedeu à entrega.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 RDC Anvisa nº 44/09;
•	 RDC Anvisa nº 96/08;
•	 IN Anvisa nº 09/09;
•	 Deliberação CRF-SP nº 48/06.
58
CASO 22 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Divulgação irregular do Programa Farmácia 
Popular do Brasil 
A drogaria publicou no jornal do município a sua parceria com o 
Programa Farmácia Popular do Brasil, do Ministério da Saúde. O anúncio 
esclarecia que o estabelecimento estava credenciado ao Programa Aqui 
tem Farmácia Popular, e que os pacientes poderiam adquirir medicamen-
tos para hipertensão e diabetes no estabelecimento de forma gratuita.
Em inspeção fiscal pela Vigilância Sanitária local, foi verificado que 
a drogaria não possuía cadastro no Programa Aqui tem Farmácia Popular, 
sendo a informação certificada após conferência com a lista de estabeleci-
mentos credenciados ao Programa no Ministério da Saúde.
Após consulta ao Ministério da Saúde, por meio de ofício, a Visa 
foi informada que a drogaria somente tinha o pedido de credenciamento; 
contudo, ainda não havia uma resposta sobre a solicitação. 
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Portaria nº 971/12.
59
CASO 23 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Intermediações de fórmulas 
Em ação conjunta do CRF-SP com a Vigilância Sanitária Municipal 
em uma drogaria, foi constatada a presença de vários medicamentos mani-
pulados de uma mesma farmácia.
O fiscal do CRF-SP esteve presente na farmácia para verificar o mo-
tivo pelo qual os medicamentos manipulados estavam presentes na droga-
ria. O farmacêutico responsável técnico alegou à fiscal que era um procedi-
mento comum a preparação dos medicamentos para atender a prescrições 
que eram retidas na drogaria. 
De acordo com o profissional, o proprietário da drogaria retinha as 
receitas dos pacientes e encaminhava todas por meio de motorista no final 
do dia. Dessa forma, havia a manipulação no primeiro horário da manhã 
para que a entrega na drogaria fosse realizada até as 12h do outro dia. O 
profissional esclareceu que a manipulação destes medicamentos significa-
va aproximadamente 70% do lucro do estabelecimento.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com basena legislação vigente:
•	 Lei nº 5.991/73;
•	 Lei nº 11.951/09;
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 RDC Anvisa nº 44/09;
•	 RDC Anvisa nº 67/07.
60
CASO 24 
Área: Vigilância sanitária 
Assunto: Acúmulo irregular de funções
A farmacêutica é funcionária concursada da Prefeitura Municipal e 
exerce função de farmacêutica na farmácia básica da Unidade de Saúde 
e na Vigilância Sanitária, exerce função no treinamento da equipe, bem 
como o controle do destino dos medicamentos com prazo de validade 
expirada.
O seu contrato com a Prefeitura é de 20 horas semanais, e ela exerce 
assistência das 07h às 11h, de segunda a sexta.
A profissional também é sócia-proprietária e responsável técnica por 
uma drogaria do seu município, com horário de assistência das 12h às 
20h. O horário de funcionamento da drogaria é das 07h às 21h.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Lei nº 5.991/73;
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 357/01.
61
CASO 25 
Área: Educação 
Assunto: Falsidade ideológica 
O CRF-SP recebeu denúncia de uma coordenadora de curso de Far-
mácia referente a um farmacêutico inscrito no CRF-SP.
Os documentos encaminhados declaravam que vários alunos solici-
tavam realizar estágio supervisionado obrigatório em um estabelecimento 
que era de propriedade de farmacêutico.
O farmacêutico, além de ser proprietário, era o responsável técnico, 
com assunção no CRF-SP datada de 20 de junho de 1996, e horário de 
assistência estabelecido de segunda a sábado, das 08h às 18h, com inter-
valo das 12h às 14h.
A coordenadora encaminhou o termo de compromisso de estágio, o 
convênio entre a Instituição de Ensino Superior e a drogaria, a ficha de 
atividade diária e a ficha de avaliação dos discentes. Todos os documentos 
estavam assinados pelo farmacêutico. 
De acordo com a coordenadora, o supervisor de estágio realizou dez 
visitas no local e várias ligações durante o período e horário de estágio in-
formado pelos discentes; contudo, em nenhuma das tentativas encontrou 
os estudantes presentes no estabelecimento.
Os discentes entregaram ao supervisor toda a documentação do es-
tágio, comprovando que realizaram a atividade nos dias determinados. O 
supervisor, como não havia constatado pessoalmente a presença dos dis-
centes no local do estágio, realizou uma reunião com todos os discentes, 
informando do ocorrido e solicitando explicações.
Alguns estudantes, durante a reunião, declararam não ter realmente 
realizado o estágio, e que somente foram duas vezes ao estabelecimento: 
a primeira, para a entrega dos documentos; e a segunda, para buscá-los. 
Também informaram que o farmacêutico tinha esta atitude porque eles 
eram clientes do estabelecimento.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Lei nº 11.788/08;
•	 Resolução CFF nº 596/14.
62
CASO 26 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Denúncia do Programa Farmácia Popular do 
Brasil
A Polícia Federal e a Vigilância Sanitária realizaram uma ação 
conjunta no município, após várias denúncias encaminhadas por con-
sumidores.
De acordo com as denúncias, os medicamentos que constavam 
no Programa da Farmácia Popular do Brasil eram vendidos pela droga-
ria e, em alguns casos, quando o paciente ia retirar os medicamentos 
em outro estabelecimento, já constava sua retirada, não sendo possível 
obtê-lo naquele mês.
A Polícia Federal, após inspeção na drogaria e com base no Re-
latório de Transações e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, 
constatou que vários pacientes estavam cadastrados para a obtenção do 
medicamento; contudo, estes nunca haviam adquirido os medicamen-
tos naquela drogaria.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Portaria MS nº 749/09;
•	 Portaria MS nº 2.587/04.
63
CASO 27 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Fraude no Programa Farmácia Popular do Brasil
Em jornal de abrangência nacional foi divulgado que o farmacêutico 
proprietário e responsável técnico pela drogaria realizou atos fraudulentos 
referentes ao Programa Farmácia Popular do Brasil.
De acordo com a notícia, o farmacêutico recebia de outro farmacêu-
tico números falsos de CPF e inscrições no Conselho Regional de Medici-
na para proceder vendas falsas de medicamentos pelo Programa Farmácia 
Popular do Brasil. 
Os medicamentos adquiridos de forma ilegal eram vendidos e o 
lucro obtido era compartilhado entre ambos. Ainda de acordo com a 
notícia, no talão de cheques do farmacêutico proprietário da drogaria 
havia diversas marcações com o nome do outro farmacêutico e a sigla FP, 
de Farmácia Popular.
O farmacêutico foi condenado a devolver R$ 170 mil ao Programa 
Farmácia Popular do Brasil.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Portaria MS nº 749/09;
•	 Portaria MS nº 2.587/04;
•	 RDC Anvisa nº 44/09.
64
CASO 28 
Área: Farmácia com manipulação 
Assunto: Fornecimento de substância para o tráfico de 
drogas
A Polícia Militar, durante processo de investigação de tráfico de dro-
gas, constatou a coparticipação de uma farmacêutica. De acordo com o 
processo instaurado pelo Ministério Público, a profissional fornecia diver-
sas substâncias para misturar na cocaína, como, por exemplo, anestésicos 
locais e estimulantes do Sistema Nervoso Central, para aumentar o volu-
me da droga e, assim, aumentar a rentabilidade da quadrilha.
O processo descreve que a função da farmacêutica era adquirir em 
sua farmácia essas substâncias e que, após encaminhá-las à quadrilha, não 
tinha contato direto com a droga, tampouco com a sua venda.
Para adquirir uma quantidade maior dos anestésicos locais, já que 
estes possuem um limite de compra de matéria-prima por mês, a farma-
cêutica possuía cinco farmácias de manipulação distribuídas em muni-
cípios da região.
A polícia procedeu à prisão da farmacêutica, a qual respondeu pro-
cesso e cumpriu dez anos de prisão.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14.
65
CASO 29 
Área: Diversas áreas de atuação 
Assunto: Atestado falso e não prestação de assistência
Em 19/07/2012, foi realizada inspeção fiscal no local às 16h12 e 
o farmacêutico responsável estava ausente, o que levou a fiscalização a 
lavrar um termo de Intimação. Em 26/07/2012 foi protocolado recurso 
instruído com atestado odontológico, que não pôde ser deferido por falta 
de amparo legal.
Em 26/09/2012, houve nova inspeção fiscal às 10h05 e o farmacêuti-
co novamente encontrava-se ausente, não tendo impetrado recurso.
Em outra inspeção fiscal, em 15/01/2013, às 11h50, novamente foi 
constatada a ausência do profissional. Em 21/01/2013, foi protocolado 
recurso instruído com atestado médico, sendo o mesmo indeferido. 
Em razão das três ausências constatadas em período inferior a 24 
meses, ficou caracterizada a não prestação de assistência.
Em relação ao recurso interposto em razão da visita em 15/01/2013, 
o CRF-SP enviou ofício ao hospital que emitiu o atestado anexado ao re-
curso protocolado em 21/01/2013, questionando a sua veracidade. Em 
20/03/2013, o hospital declarou que “...o profissional não pertence ao 
corpo clínico das unidades mantidas pelo hospital. Não há, outrossim, 
atendimento de citada pessoa em referidos hospitais,na data do indigi-
tado documento.”
Após a resposta do hospital, o farmacêutico foi encaminhado para 
prestar esclarecimentos ao CRF-SP. Ao comparecer no Conselho, o far-
macêutico declarou que “...comprou o atestado na porta do hospital 
em questão.”
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 44/09;
•	 Deliberação CRF-SP nº 112/02.
66
CASO 30 
Área: Diversas áreas de atuação 
Assunto: Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos 
Controlados (SNGPC) e irregularidades sanitárias 
O fiscal do CRF-SP, em conjunto com o fiscal da Vigilância Sanitá-
ria, realizou inspeção fiscal em 17/10/2013. Nesta ação, constataram que 
os medicamentos da Portaria MS/SVS nº 344/98 não eram armazenados 
em local de acesso restrito e havia a presença de medicamento destina-
do ao uso hospitalar, armazenado em conjunto com os medicamentos 
injetáveis.
A sala de aplicação de injetáveis apresentava boa condição de higiene 
e estava afixado na parede o nome das pessoas autorizadas a prestar este 
serviço. Contudo, alguns medicamentos injetáveis vencidos não estavam 
segregados e/ou identificados, sendo armazenados no mesmo armário que 
os medicamentos destinados à dispensação.
O estabelecimento emitia semanalmente o relatório para o Sistema 
Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), mas fo-
ram encontradas divergências entre o estoque físico e o constado no siste-
ma do estabelecimento: diazepam 5 mg – 06 caixas; fluoxetina 20 mg – 4 
caixas; clonazepan 2,5 mg – 03 frascos; cloridrato de paroxetina 20 mg 
– 07 caixas.
O farmacêutico realizava diariamente o controle da temperatura do 
refrigerador onde eram armazenados os medicamentos termolábeis e tam-
bém alimentos e refrigerantes.
O estabelecimento prestava aos clientes serviços farmacêuticos 
como: aferição de pressão arterial e glicemia capilar, aplicação de inje-
táveis e perfuração de lóbulo auricular. Não era entregue declaração de 
serviços farmacêuticos.
Nas prateleiras de medicamentos foram encontradas várias caixas de 
medicamentos abertas, o que indicava fracionamento irregular de medica-
mentos. Também foi constatada na área de venda a presença de produtos 
alheios ao ramo: sorvetes, refrigerantes, balas e gomas de mascar.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 499/08;
67
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 357/01;
•	 Portaria MS/SVS nº 344/98;
•	 RDC Anvisa nº 44/09;
•	 RDC Anvisa nº 27/07;
•	 RDC Anvisa nº 80/06.
68
CASO 31 
Área: Diversas áreas de atuação 
Assunto: Irregularidades sanitárias, falta de boas 
práticas, não atendimento à Portaria SVS/MS nº 344/98 
O fiscal do CRF-SP, em conjunto com o fiscal da Vigilância Sanitá-
ria, realizou inspeção fiscal em 11/09/2013. Conforme Termo de Visita 
do CRF-SP, Auto de Infração e Auto de Imposição de Penalidade da Vi-
gilância Sanitária local, não havia controle de entrada e saída dos medi-
camentos sujeitos a controle especial da Portaria MS/SVS nº 344/98 e o 
estabelecimento não possuía nota fiscal de venda.
Não foram encontrados produtos alheios na área de comercialização, 
os medicamentos vencidos encontravam-se separados e identificados. Os 
medicamentos controlados eram armazenados em armário localizado no 
mezanino do estabelecimento, o qual não possuía condições de limpeza 
adequadas (piso sujo com fagulhas de queimadas) e a temperatura no local 
atingia 35º C.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Lei nº 6.437/77;
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 357/01;
•	 Portaria nº 802/98;
•	 Portaria MS/SVS nº 344/98;
•	 RDC Anvisa nº 44/09;
•	 RDC Anvisa nº 27/07;
•	 RDC Anvisa nº 320/02.
69
CASO 32 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Irregularidade Sanitária envolvendo a Portaria 
SVS/MS nº 344/98 e constatação de receituário em 
branco e talonário assinado e carimbado pelo prescritor 
sem indicação da prescrição no receituário
Em 06/05/2013, o CRF-SP tomou ciência de denúncia realizada por 
jornal impresso local; o estabelecimento havia sido inspecionado pela Vi-
gilância Sanitária local em 03/05/13 e que tinham sido apreendidos 82 
receituários médicos de medicamentos controlados em branco apenas com 
o carimbo e assinatura de diversos médicos.
Após a constatação da denúncia, o fiscal do CRF-SP realizou ins-
peção fiscal no estabelecimento em 10/05/13, em que estava presente o 
farmacêutico responsável técnico, que foi questionado sobre a veracidade 
dos fatos descritos na matéria do jornal local.
O farmacêutico declarou que as receitas dos medicamentos controla-
dos eram trazidas pelos próprios médicos prescritores, assinadas e carim-
badas por eles. A justificativa dada seria que o atendimento era realizado 
em locais diferentes e que preferiam não carregar as receitas, preferindo 
centralizá-las na farmácia. 
Solicitados à Vigilância Sanitária os documentos da inspeção denun-
ciada no jornal, constatou-se que o estabelecimento possuía em seu poder 
talonários de Notificação de Receita B e B2, todos em branco (sem nome 
de paciente ou prescrição), mas com o carimbo e a assinatura de diversos 
médicos.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Portaria SVS/MS nº 344/98.
70
CASO 33 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Irregularidade sanitária, dispensação de 
antimicrobianos em desacordo com a RDC Anvisa 
nº 20/11 
O fiscal do CRF-SP inspecionou a drogaria em 15/08/2013 e cons-
tatou na área de vendas a presença de sorvete, salgadinhos, óculos de sol, 
leite e doces. O local apresentava boas condições de higiene e controle de 
temperatura.
A drogaria realizava serviços farmacêuticos como perfuração do ló-
bulo auricular para colocação de brincos e aferição de pressão arterial, mas 
não foi apresentada a autorização da Vigilância Sanitária para a realização 
dos serviços.
Durante o período em que a fiscal esteve no estabelecimento, pre-
senciou uma senhora relatando uma forte dor de garganta ao balconista, o 
qual sugeriu que ela tomasse amoxicilina por sete dias. A senhora comprou 
o medicamento sem a necessidade de apresentação da prescrição. 
A fiscal questionou a farmacêutica sobre o ocorrido e ela disse que 
apenas realizava a dispensação de antimicrobianos mediante apresentação 
e retenção de receituário. 
A fiscal solicitou à farmacêutica que buscasse as prescrições arquiva-
das de antimicrobianos já dispensados. A farmacêutica apresentou quan-
tidade irrisória de receituários retidos. Após ser questionada novamente 
sobre o fato, a farmacêutica confirmou que nem sempre os receituários 
eram retidos.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 542/11;
•	 Resolução CFF nº499/08;
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 20/11;
•	 RDC Anvisa nº 44/09;
•	 IN Anvisa nº 09/09.
71
CASO 34 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Irregularidade sanitária e profissional e serviços 
farmacêuticos sem autorização da Vigilância Sanitária
O CRF-SP recebeu a denúncia de um pai que alegou que seu filho 
de 12 anos foi até uma drogaria e solicitou a colocação de brinco, sendo 
imediatamente atendido por um balconista que não questionou sua idadee não solicitou seus documentos. O pai alega na denúncia que não havia 
autorizado o procedimento.
O farmacêutico, quando questionado, informou que era seu dia 
de folga e não soube esclarecer se no Procedimento Operacional Padrão 
(POP) de perfuração de lóbulo constava a necessidade de apresentação de 
documentos e a proibição da realização dos serviços por profissional não 
habilitado.
O estabelecimento não possuía a autorização para a realização dos 
serviços farmacêuticos, bem como não emitia declaração de serviço.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 44/09.
72
CASO 35 
Área: Análises Clínicas 
Assunto: Teste de glicemia
No dia 24 de agosto de 2013 às 7h30, a Sra. L. M. O. foi ao laborató-
rio de análises clínicas para realização do exame “curva glicêmica”. 
A paciente relatou que, ao chegar no laboratório, solicitou priorida-
de, pois estava em jejum desde as 21h do dia anterior e, como é diabética, 
sente-se muito mal quando fica muito tempo em jejum. Mediante a soli-
citação, a atendente do laboratório a encaminhou imediatamente para o 
início do exame. 
Após a primeira carga de glicose, a paciente começou a se sentir mal, 
porém foi dado prosseguimento ao exame. Quando a paciente voltou para 
casa, passou muito mal e precisou ser levada ao hospital. Ao relatar que 
seu mal-estar ocorreu após o exame que realizou, disseram-lhe que o pro-
cedimento foi inadequado, tendo em vista ser diabética diagnosticada, e 
que não havia justificativa para realização de tal exame. Mediante essa 
informação a paciente protocolou uma denúncia ao CRF-SP contra o la-
boratório, que tem como responsável técnica uma farmacêutica.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Portaria CVS nº 13/05;
•	 RDC Anvisa nº 302/05.
73
CASO 36 
Área: Farmácia hospitalar 
Assunto: Irregularidades sanitárias envolvendo 
quimioterápicos
Em inspeção fiscal realizada na farmácia do hospital no dia 25 de 
outubro de 2013, em conjunto com a Vigilância Sanitária, constatou-se o 
armazenamento na gaveta da farmacêutica de medicamentos da Portaria 
MS/SVS nº 344/98 vencidos, alguns cujo ano de validade era 2010.
Na conferência do estoque físico com o estoque descrito no sistema 
dos medicamentos controlados, foram encontrados armazenados nas pra-
teleiras vários medicamentos com a data de validade expirada. 
Também foram encontrados armazenados em um armário medica-
mentos citostáticos e quatro caixas de soro escritos na tampa da caixa 
“Quimioterápicos”. Como o hospital não possuía licença para manipula-
ção de quimioterápicos, solicitou que a farmacêutica esclarecesse a presen-
ça destes medicamentos.
A farmacêutica relatou que a manipulação e aplicação dos quimio-
terápicos aos pacientes do hospital eram realizadas em uma clínica da 
cidade, mas que, para diminuir os custos com o serviço prestado por esse 
terceiro, o hospital adquiria os medicamentos e soros e os encaminhava à 
clínica. 
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Lei nº 6.437/77;
•	 Resolução CFF nº 492/08;
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 300/97; 
•	 Portaria SVS/MS nº 344/98.
74
CASO 37 
Área: Diversas áreas de atuação 
Assunto: Piso salarial
O farmacêutico A. L. S. atuou como responsável técnico em uma 
drogaria por aproximadamente um ano, com horário declarado de segunda 
a sábado, das 8h30 às 18h30, com intervalo das 12h30 às 14h30 e, aos 
sábados, das 8h30 às 12h30.
Chegaram ao conhecimento do CRF-SP comentários postados pelo 
profissional acima citado, na rede social Facebook, a respeito do salário re-
cebido por ele quando atuante na drogaria. Segundo relato do mesmo: “…
Isto é um apelo de um recém-formado (2010) que não é valorizado em sua 
cidade, que é registrado com o piso e recebe metade dele...”.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14.
75
CASO 38 
Área: Diversas áreas de atuação 
Assunto: Desacato à fiscal do CRF-SP e desrespeito ao 
CRF-SP
O farmacêutico esteve presente em uma das seccionais do CRF-SP 
para renovação da Certidão de Regularidade. Contudo, verificou-se du-
rante o atendimento a impossibilidade de renovar a certidão, por conta de 
irregularidades registradas no prontuário, constatadas em duas visitas de 
rotina do fiscal do CRF-SP.
Diante do constatado, o farmacêutico começou a se referir à fiscal e 
ao CRF-SP com palavrões e insultos.
O funcionário que o estava atendendo, juntamente com testemu-
nha, lavrou um Boletim de Ocorrência contra o farmacêutico, relatando 
o ocorrido.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14.
76
CASO 39 
Área: Diversas áreas de atuação 
Assunto: Desrespeito ao CRF-SP em redes sociais
A drogaria foi fiscalizada pelo CRF-SP para efetuar o registro do es-
tabelecimento. Durante a inspeção fiscal, constatou-se uma irregularidade 
referente ao horário de assistência farmacêutica declarado pelo profissional. 
No termo preenchido pelo profissional, constava sua presença até as 
22h; contudo, no período noturno, cursava outra graduação, o que invia-
bilizava a execução das duas tarefas.
O fiscal do CRF-SP orientou o profissional sobre a importância da vera-
cidade do horário declarado. No entanto, o farmacêutico alegou ter declarado 
informações inverídicas seguindo orientação do atendente do CRF-SP. Ainda, 
o farmacêutico questionou a necessidade que o CRF-SP tem de realizar fisca-
lizações durante os sábados à tarde ou domingos e informou que não estaria 
presente e que não alteraria seu horário de assistência farmacêutica.
O farmacêutico expressou a sua opinião referente à fiscalização do 
CRF-SP em sua página da rede social. Questionava a eficiência da fis-
calização deste órgão, argumentando que durante o final de semana, ele 
mesmo ligava nos estabelecimentos e não encontrava o farmacêutico. De-
clarou ainda que somente era cobrada a sua presença aos finais de semana, 
sendo isso uma perseguição pessoal do fiscal do CRF-SP.
Após seis meses, o CRF-SP recebeu uma denúncia de outro farma-
cêutico que declarava ter recebido visita em seu estabelecimento do far-
macêutico citado acima, o qual declarava ser fiscal do CRF-SP e havia 
comparecido para efetuar inspeção fiscal. O suposto fiscal exigiu os docu-
mentos de identidade profissional do farmacêutico e questionou sobre a 
procedência dos medicamentos de forma agressiva.
O farmacêutico conferiu no portal do CRF-SP que este farmacêutico 
não pertencia ao quadro de fiscais do CRF-SP.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Lei nº 5.991/73;
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 44/09.
77
CASO 40 
Área: Farmácia hospitalar 
Assunto: Roubo de medicamentos 
Em 02/02/2012, a imprensa veiculou reportagens nas quais relata-
vam o desvio de medicamentos de dentro do hospital. 
O desvio era realizado por uma quadrilha que furtava medicamen-
tos de alto custo da rede estadual de saúde com a ajuda de funcionários 
públicos, e os revendia para farmácias e distribuidoras. O desvio erafeito 
da seguinte forma: os medicamentos eram prescritos para tratamento de 
pacientes graves e a saída deles da farmácia era registrada. O paciente re-
cebia alta ou falecia e o medicamento que ele utilizaria não voltava para o 
estoque do hospital, sendo desviado e vendido novamente.
De acordo com as reportagens, a quadrilha lesou os cofres públicos 
em R$ 10 milhões.
A farmacêutica responsável técnica pela farmácia hospitalar foi acu-
sada pela polícia, que apresentou como prova imagens gravadas pelo cir-
cuito interno do hospital, mostrando-a recolhendo os medicamentos da 
farmácia e levando-os embora.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14.
78
CASO 41 
Área: Sistema Único de Saúde 
Assunto: Dispensação errônea 
Em 28/03/2012, a imprensa veiculou reportagem a respeito da su-
perdosagem de anabolizantes administrada a um paciente de 2 anos. A 
Unidade de Saúde onde se dispensou/administrou o medicamento foi ins-
pecionada pelo CRF-SP e a farmacêutica responsável técnica esclareceu o 
ocorrido, permitindo cópia do laudo da sindicância instaurada pela admi-
nistração da Prefeitura.
A farmacêutica responsável técnica informou que a mãe do menor 
procurou a farmácia da Unidade de Saúde do município para a dispensa-
ção de um medicamento prescrito pelo médico endocrinologista infantil 
do hospital.
A prescrição foi realizada pelo nome genérico, testosterona 250 mg, 
duas ampolas, com a indicação de se aplicar um quarto (¼) da ampo-
la. Após consulta da farmacêutica responsável técnica à farmacêutica da 
Direção Regional de Saúde, ambas concluíram que seria o medicamento 
Nebido® (undecanoato de testosterona) 250 mg/mL, comercializado em 
ampolas de 4 mL. 
Durante a sindicância, o prescritor foi ouvido e informou que a pres-
crição seria para aplicação do medicamento Durateston® (proprionato de 
testosterona, fenilproprionato de testosterona, isocaproato de testostero-
na e caproato de testosterona – associado em 30-60-60-100 mg/mL no 
total de 250 mg/mL); porém, comercializado em ampolas contém 1mL. O 
prescritor, no momento da prescrição, considerou que haveria para comer-
cialização somente o medicamento Durateston®.
A aplicação do medicamento, pela enfermagem, ocorreu durante dois 
meses, quando a mãe observou alguns sinais e sintomas na criança, como 
o crescimento de pelos. A partir desta constatação, iniciou-se o processo 
de sindicância.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 44/09.
79
CASO 42 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Dispensação errônea
Em 23/11/2011, o CRF-SP recebeu Ofício da Delegacia de Polícia de 
Defesa da Mulher de uma cidade do interior de São Paulo, com Boletim 
de Ocorrência que remete ao seguinte acontecimento: uma menor, com 
10 anos de idade, deu entrada no hospital e foi atendida pelo médico, 
que prescreveu Profenid 2%® gotas e Penicilina Benzatina 1.200.000 UI, 
1 frasco.
Com a prescrição médica em mãos, o pai da criança foi até a droga-
ria; o atendente, ao verificar a prescrição, informou que os medicamentos 
prescritos eram muito fortes e que ele achava melhor dividir em três doses. 
Diante dos fatos, o atendente indicou os seguintes medicamentos: Delta-
flan 100 mg® e ceftriaxona sódica 1 g IM, sendo a ceftriaxona administra-
da à criança no ato.
No dia seguinte pela manhã, a menor retornou ao hospital com qua-
dro clínico de reação alérgica grave, angioedema agudo, urticária aguda e 
comprometimento do aparelho respiratório, necessitando ficar internada.
Conforme declaração da médica que atendeu a criança em seu retor-
no ao hospital, a reação alérgica grave deveu-se à administração de medi-
camento em desacordo com a receita médica.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 44/09.
80
CASO 43 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Dispensação errônea
Em 27/08/2013, foi efetuada dispensação incorreta, com troca do 
medicamento Gardenal® (princípio ativo fenobarbital) pelo Hidantal® 
(princípio ativo fenitoína) para um paciente de 75 anos em tratamento 
com Gardenal® há 40 anos por epilepsia. Após reclamação formalizada, a 
drogaria efetuou a troca do medicamento dispensado Hidantal® pelo cor-
reto – 4 caixas de Gardenal®.
O CRF-SP recebeu denúncia relatando que “...o paciente dirigiu-se à 
referida loja para comprar o medicamento Gardenal® (100 mg) do qual faz 
uso há, aproximadamente, 40 anos; porém, não dispondo deste medicamen-
to em sua loja, o farmacêutico ofereceu o medicamento Hidantal®, alegando 
ser o “mesmo remédio” (sic). “A gravidade deste assunto se dá quando, após 
dois dias tomando o medicamento errado, meu pai, que estava livre das 
convulsões causadas pela epilepsia há 17 anos, teve uma crise muito forte, 
sendo que convulsionou por aproximadamente 10 minutos...”. A filha do 
paciente encaminhou ao CRF-SP a 2ª via original da prescrição médica e 
relatório médico que confirmam que a prescrição tratava-se de Gardenal®.
Em 19/10/2013, foi realizada inspeção fiscal e o farmacêutico folguista 
estava presente, o qual prestou esclarecimentos sobre o fato ocorrido: “...no 
dia 27/08/2013, foi realizada neste estabelecimento a dispensação do medi-
camento Hidantal® (4 caixas) pelo gerente da loja, no lugar do medicamento 
fenobarbital (Gardenal®), medicamento este pautado em prescrição médi-
ca...”. Informou ainda que a farmacêutica presente no ato da venda foi outra, 
que não teve conhecimento da venda. O profissional forneceu cópia da via 
original da prescrição médica e também cópia do e-mail encaminhado para 
o “núcleo de assistência farmacêutica”, onde consta que a receita com a dis-
pensação incorreta foi lançada no sistema informatizado por um farmacêuti-
co, e que a movimentação de estoque do Hidantal® foi enviada ao SNGPC.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 44/09;
•	 Deliberação CRF-SP nº 247/04.
81
CASO 44 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Dispensação errônea
Em 07/10/2013, esteve presente na seccional do CRF-SP uma senho-
ra que protocolou um documento relatando que, em consulta médica, foi 
constatado em seu pai um início de processo infeccioso pulmonar, sendo 
prescrito levofloxacino 400 mg, antibiótico destinado para o tratamento 
de infecções pulmonares.
A consulta ocorreu em 05/09/2013 e a filha foi no mesmo dia a uma 
farmácia para adquirir o levofloxacino. Foi atendida pela farmacêutica res-
ponsável, tendo sido dispensado norfloxacino 400 mg, destinado ao trata-
mento de infecções urinárias.
O paciente ingeriu o norfloxacino durante cinco dias consecutivos, 
quando, face à crescente e surpreendente piora do seu estado clínico, seus 
familiares entraram em contato com seu médico particular na noite de 
11/09/2013, que decidiu proceder com a internação do paciente, na qual 
foi identificada a troca de medicamentos.
O paciente foi internado de imediato para tratamento correto, mas 
houve a piora do quadro clínico e ele permaneceu internado na Unidade 
de Terapia Intensiva até 25/09/2013, quando veio a falecer.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 ResoluçãoCFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 20/11;
•	 RDC Anvisa nº 44/09.
82
CASO 45 
Área: Farmácia com manipulação 
Assunto: Manipulação sem prescrição médica
Em 13/05/2013, o fiscal do CRF-SP esteve em um estabelecimen-
to para averiguar denúncia recebida via telefone, de forma anônima, em 
10/04/2013, sobre o comércio irregular de medicamento manipulado para 
tratamento de ácido úrico. No local há um pet shop.
O fiscal adquiriu um frasco plástico rotulado com os dizeres “Com-
plexo Ácido Úrico, XXX, Celular: XXX Validade: 10/08/2013”, o qual não 
possuía identificação dos componentes presentes na formulação, identifi-
cação do local onde foi manipulado, nome do paciente e nome do pres-
critor. Ao indagar sobre o produto, foi informado que uma auxiliar de 
enfermagem, que trabalha na Prefeitura do Município, havia pedido para 
comercializar o produto utilizando sua loja como endereço de venda; que 
não tem contraindicação, que não faz mal nenhum, não tem nenhuma 
“química”, pois é um produto manipulado em uma farmácia do município 
e que, desta forma, não representa risco nenhum à saúde.
Em 15/08/2013, o referido estabelecimento foi inspecionado, em 
conjunto, pela Vigilância Sanitária e Policia Militar. Foi verificada a co-
mercialização de produtos de limpeza, alimentos, materiais de construção, 
produtos agropecuários, armarinhos, utilidades domésticas, medicamen-
tos veterinários, entre outros. O estabelecimento foi autuado por estar em 
funcionamento sem registro e sem responsável técnico farmacêutico.
A Vigilância Sanitária lavrou os termos de Apreensão dos produtos 
(10 frascos com 15 cápsulas do complexo ácido úrico; 05 envelopes de 
Sonridor®; 05 frascos de paracetamol gotas; 04 frascos de dipirona); Auto 
de Infração por fazer funcionar estabelecimento comercial de produtos de 
interesse à saúde (medicamentos de venda livre e fórmulas manipuladas) 
sem licença dos órgãos sanitários e Auto de Imposição de Penalidade por 
fazer funcionar estabelecimento comercial de produtos de interesse à saú-
de (medicamentos de venda livre e fórmulas manipuladas) sem licença 
dos órgãos sanitários competentes; venda de produtos de interesse à saú-
de (medicamentos) sem os padrões de identidade, qualidade, segurança; 
expor a venda e entregar ao consumo o uso de medicamentos que não 
contenham data de fabricação. Durante a fiscalização, o proprietário do 
estabelecimento informou que comercializa a fórmula “Complexo Ácido 
Úrico” a pedido de uma auxiliar de enfermagem. A auxiliar compareceu 
83
ao estabelecimento, apresentou sua carteira do Conselho Regional de En-
fermagem de São Paulo, e informou que adquire as fórmulas de uma de-
terminada farmácia. Informou ainda que a fórmula era obtida em frasco 
com 120 cápsulas; que realizava o fracionamento das cápsulas em sua 
casa, com 15 cápsulas para cada pote, e trocava o rótulo; que revendia em 
média 20 frascos por mês.
Após as declarações da auxiliar de enfermagem, a declarante, os fis-
cais do CRF-SP e da Vigilância Sanitária se dirigiram à farmácia citada. A 
equipe de fiscalização foi recebida pela farmacêutica responsável. Foram 
solicitadas a ela as ordens de produção das fórmulas da paciente (auxi-
liar de enfermagem). A farmacêutica apresentou as ordens de produção. 
Foram verificadas diversas ordens de produção em nome da referida au-
xiliar de enfermagem (094771, de 02/04/12 – 120 cápsulas; 095092, de 
12/04/12 – 120 cápsulas; 097577, de 21/05/12 – 120 cápsulas; 097753, 
de 22/05/12 – 90 cápsulas; 098043, de 01/06/12 – 120 cápsulas) e em ne-
nhuma delas havia o nome de prescritor; no modo de usar estava descrito 
“tomar conforme orientação”. Todas as ordens de produção possuíam a 
formulação nimesulida 100 mg, alopurinol 250 mg, ranitidina 150 mg.
Foi lavrado Termo de Visita pelos fiscais do CRF-SP e a Vigilância 
Sanitária lavrou o Auto de Infração – por preparar, manipular, fracionar, 
embalar, vender produtos de interesse à saúde (medicamentos – prepara-
ções magistrais) sem padrões, identidade, qualidade e segurança e ainda 
transgredir outras normas legais, federais, destinadas à promoção, preven-
ção e proteção à saúde; manipular e vender preparações magistrais sem 
receitas médicas e apresentar ordem de produção.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 357/01;
•	 RDC Anvisa nº 44/09;
•	 RDC Anvisa nº 67/07.
84
CASO 46 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Troca de medicamento
Em 30/02/2013, o CRF-SP recebeu e-mail denunciando aplicação 
errada do medicamento Celestone Soluspan® em paciente gestante de 08 
meses. Conforme denúncia, as aplicações ocorreram nos dias 16/02/2013 
e 17/02/2013.
Na prescrição médica constava o medicamento Celestone Simples®, 
sendo dispensado e administrado o medicamento Celestone Soluspan®. 
Foram prescritas administrações de 08 em 08 horas, durante 03 dias e 
uma ampola, após 07 dias. O erro foi descoberto somente na 5ª aplicação. 
Após confirmação com o médico prescritor, foi alterada a posologia para 
administrações de 12 em 12 horas.
Em 14/03/2013, foi realizada fiscalização no estabelecimento; a far-
macêutica substituta informou “...não saber se houve treinamento sobre 
o assunto, nem se houve uma ação corretiva e preventiva para o caso em 
questão...”. 
Em 10/05/2013, a farmacêutica responsável técnica pela empresa em 
questão compareceu à seccional do CRF-SP e declarou que estava ciente 
do caso e que todos os envolvidos foram advertidos por escrito.
Em 30/05/2013, a farmacêutica responsável apresentou ao CRF-SP 
as cinco advertências dos funcionários envolvidos na aplicação errônea de 
Celestone Soluspan® e um Procedimento Operacional Padrão (POP) da em-
presa relacionada à dispensação com dupla conferência.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 357/01;
•	 RDC Anvisa nº nº 44/09;
•	 Deliberação CRF-SP nº 247/04.
85
CASO 47 
Área: Farmácia com manipulação 
Assunto: Irregularidades sanitárias
A Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa) encaminhou ao 
CRF-SP um ofício com cópias de várias prescrições encontradas em uma 
farmácia referentes a irregularidades quanto à prescrição de anabolizantes 
e anorexígenos.
As irregularidades encontradas nas prescrições foram: elegibilidade, 
posologia incompleta, indicação de uso de hormônio de crescimento após 
exercício e sem a indicação terapêutica adequada, bem como os CID não 
eram compatíveis aos medicamentos prescritos.
Além disso, as receitas dos medicamentos da lista C5 da Portaria 
SVS/MS nº 344/98 não apresentavam o endereço do paciente preenchido 
pelo prescritor, não havia o CPF do prescritor e o CID e as receitas aten-
didas por outro estado não apresentavam o visto da Vigilância Sanitária.
Algumas prescrições eram de médicos que não trabalhavam mais nos 
locais dos receituários, bem como o período não correspondia ao tempo de 
trabalho do médico no local. Também foram constatadas autoprescrições.
Das cópias das prescrições encaminhadas, 20 delas eram indicadas 
para um mesmo paciente, totalizando 80 ampolas de hormônio de cresci-
mento, sendo que uma possuía 28 ampolas em uma mesma receita. 
O CRF-SP realizou uma visita para constatar as irregularidades apon-
tadas no ofício. Durante a vistoria, além das infrações apontadas, consta-
tou-se a manipulação de associações perigosas, como finasterida, sulpirida 
e bupropriona e venlafaxina com sertralina.
Não foi constatada a verificação de temperatura e umidade dos am-
bientes e da geladeira. Havia o armazenamento de medicamentos contro-
ladospela PortariaSVS/MS nº 344/98 juntamente com medicamentos não 
controlados em armário com chave.
Os laboratórios de manipulação se apresentavam em condições ina-
dequadas de estrutura e sujos. Também foram encontradas fórmulas pron-
tas desacompanhadas de prescrição.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Lei nº 9.965/00;
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Portaria SVS/MS nº 344/98;
•	 RDC Anvisa nº 67/07.
86
CASO 48 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Adulteração de receita
O proprietário de um estabelecimento esteve presente, em 
15/08/2013, à seccional do CRF-SP e protocolou ofício referente a dispen-
sações ocorridas em junho de 2013 que estavam com as Notificações de 
Receita B rasuradas.
A fiscal do CRF-SP foi ao local para constatar as infrações e apro-
veitou para obter cópias das notificações rasuradas. A farmacêutica não 
estava presente por ter se desligado do estabelecimento em julho de 2013.
A farmacêutica foi convocada para esclarecimentos e alegou que 
não adulterou a posologia do medicamento diazepam dispensado em 
10/07/2013, bem como não havia percebido que a notificação já esta-
va rasurada. Em relação ao medicamento lorazepam, dispensado em 
20/07/2013, a farmacêutica alegou que alterou o número de caixas porque 
havia uma divergência entre o estoque físico e o constante no sistema da 
farmácia, portanto dispensou uma caixa, conforme descrito na prescrição, 
mas alterou para duas caixas para solucionar a divergência.
A farmacêutica declarou que solicitou o desligamento do estabeleci-
mento por não concordar em não ser a única a dispensar os medicamen-
tos psicotrópicos e por não ser a responsável pela guarda da chave destes 
medicamentos.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Lei nº 6.437/77;
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Portaria SVS/MS nº 344/98.
87
CASO 49 
Área: Importadora/Distribuidora de alimentos 
Assunto: Ausência de responsável técnico perante o 
CRF-SP e produto adulterado
O farmacêutico atua em uma importadora e distribuidora de alimen-
tos com alegações de propriedades funcionais e/ou de saúde. A empresa 
não possui registro de responsável técnico perante o CRF-SP.
A empresa foi citada nos jornais como a importadora e distribuidora 
de produto com finalidade emagrecedora, o qual era cadastrado como ali-
mento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas teve o 
seu registro cancelado após a constatação da presença de sibutramina pelo 
Instituto de Criminalística de São Paulo (IC-SP).
O fiscal do CRF-SP esteve presente à importadora e distribuidora 
para verificar os fatos divulgados na mídia e foi acompanhado pelo far-
macêutico, que alegou ser consultor da empresa e informou desconhecer a 
necessidade de a empresa ser cadastrada no CRF-SP. O farmacêutico infor-
mou que o produto para o emagrecimento continuava sendo importado, 
e não era considerado um medicamento e sim classificado como alimento 
com alegações de propriedades funcionais e/ou de saúde.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14.
88
CASO 50 
Área: Indústria de alimentos 
Assunto: Adulteração de alimentos
O Ministério Público prendeu os proprietários e o responsável téc-
nico de uma empresa que comercializava leite longa vida. A prisão ocor-
reu após a identificação de contaminantes no leite pelo Ministério da 
Agricultura.
A adulteração, que vinha sendo investigada havia um ano, iniciava na 
transportadora do leite in natura, a qual adicionava 10 litros de água para 
cada 90 litros de leite, aumentando o volume levado à indústria. Contudo, 
como a água afeta a qualidade nutricional do leite, a empresa adicionava 
ureia para mascarar a fraude.
O promotor do Ministério Público responsável pelo caso afirmou que 
a maior parte do produto contaminado foi consumida pela população, já 
que o processo de adulteração ocorria diariamente.
O responsável técnico da empresa, graduado em Farmácia e inscrito 
no CRF-SP, assumiu que a adulteração do leite já ocorria havia aproxima-
damente dois anos e estima que a empresa adquiria cerca de 100 toneladas 
de ureia por ano.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14.
89
CASO 51 
Área: Acupuntura 
Assunto: Exercício de atividade sem comprovação de 
habilitação 
A farmacêutica proprietária atua como responsável técnica pelo es-
tabelecimento desde 25 de fevereiro de 2009, com horário de assistência 
técnica declarado ao CRF-SP de segunda a sábado, das 08h às 20h, com 
intervalo das 12h às 14h.
O estabelecimento foi vistoriado em 8/05/2013 pela fiscal do CRF-
-SP. No ato da inspeção, verificou-se que a farmacêutica realiza atendi-
mento de acupuntura na parte interna da drogaria. 
A farmacêutica esclareceu que atende seus pacientes no decorrer do 
dia e cobra para realizar as sessões de acupuntura. Informou que realiza 
essa atividade com o consentimento da Vigilância Sanitária Municipal.
A fiscal do CRF-SP solicitou que a farmacêutica apresentasse o diplo-
ma da especialização de acupuntura reconhecido pelo Conselho Federal de 
Farmácia. A farmacêutica alegou que não terminou o curso, mas que havia 
aprendido a prática durante um curso na graduação de Farmácia.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 516/09;
•	 Resolução CFF nº 596/14.
90
CASO 52 
Área: Diversas áreas de atuação 
Assunto: Exercício ilegal da medicina/realização de 
diagnóstico
O médico encaminhou uma denúncia ao CRF-SP relatando que sua 
paciente apresentou uma declaração emitida por uma farmacêutica, onde 
informava que a paciente estava sob seus cuidados havia dois anos e apre-
sentava um quadro de deficiência nutricional, insônia e depressão. 
A farmacêutica também declarou que a paciente não possuía força 
muscular, ânimo e vontade de comer. Também apresentava um quadro 
de desorientação, crise de enxaqueca e severa perda de massa magra com 
aumento de percentual de gordura corporal.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Decreto nº 85.878/81;
•	 Resolução CFF nº 596/14.
91
CASO 53 
Área: Diversas áreas de atuação 
Assunto: Exercício ilegal da medicina
A Vigilância Sanitária Municipal encaminhou ofício ao CRF-SP após 
ter encontrado em uma farmácia com manipulação duas prescrições, ambas 
realizadas por uma farmacêutica: na primeira ela utilizou o seu número de 
inscrição no CRF e, na segunda, um número de inscrição no Conselho Re-
gional de Medicina do Estado de São Paulo, que, após consulta, verificou-se 
estar inativado. As prescrições continham formulações para o clareamento 
da pele à base de hidroquinona, ácido glicólico e ácido retinoico.
A farmacêutica também foi denunciada por uma enfermeira de uma 
Unidade Básica de Saúde do município, a qual relatava que um paciente 
foi apresentou uma prescrição da farmacêutica para a retirada de medica-
mentos (anti-inflamatório e antimicrobianos) e para a realização de um 
raio X. A paciente foi atendida por um médico da unidade, sendo suspensa 
a medicação indicada pela farmacêutica e prescrita ranitidina, por se tratar 
de problemas gastrointestinais e não pulmonares.
A pacienteesclareceu à enfermeira que comprou um cartão de fideli-
dade da clínica e que, posteriormente, somente pagava um valor simbólico 
por cada consulta.
A clínica relatada pela paciente está regularizada junto à Vigilância 
Sanitária como clínica médica. A fiscal do CRF-SP esteve no local para 
fiscalização e ele encontrava-se fechado.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Decreto nº 85.878/81;
•	 Resolução CFF nº 596/14.
92
CASO 54 
Área: Distribuidora/Transportadora 
Assunto: Atividade com empresas irregulares
A fiscal do CRF-SP realizou inspeção fiscal em 15/11/2013 na dis-
tribuidora e no momento da fiscalização, esteve presente o farmacêutico 
responsável técnico pelo estabelecimento, com horário declarado das 08h 
às 15h de segunda a sexta-feira, com intervalo das 12h às 13h.
Durante a inspeção, foram constatados vários medicamentos tarja-
dos dentro de um armário no fundo da distribuidora. Na prateleira esta-
vam expostos apenas medicamentos não trajados.
Os medicamentos tarjados possuíam nota fiscal para drogarias que 
não estavam regularizadas nos CRF-SP. O farmacêutico foi indagado em 
relação ao fato e argumentou que a distribuidora não qualifica os clientes, 
uma vez que a empresa funciona com representantes de rua, ou seja, o 
estabelecimento possui funcionários alocados e dispersos pelo interior de 
São Paulo, sendo os próprios vendedores a captarem os clientes. 
Esclareceu que alguns clientes entram em contato pelo serviço de 
televendas, quando o cadastramento é efetivado e, posteriormente, os me-
dicamentos são encaminhados ao cliente.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 365/01;
•	 Portaria nº 802/98;
•	 RDC Anvisa nº44/09.
93
CASO 55 
Área: Farmácia/Drogaria 
Assunto: Irregularidades sanitárias
A drogaria foi fiscalizada em uma ação em conjunto com a Vigilân-
cia Sanitária, Policia Federal, Agência Nacional de Vigilância Sanitária e 
CRF-SP. Durante a inspeção, foram constatadas várias irregularidades, en-
tre elas comercialização de medicamentos sujeitos a controle especial por 
meio remoto e sem a devida escrituração.
Os medicamentos sujeitos a controle especial se encontravam em vá-
rios locais da drogaria, por exemplo, armário do banheiro e da copa. Foram 
encontradas várias caixas de medicamentos violadas e faltando comprimi-
dos, indícios de fracionamento.
Na drogaria existia um armário com várias formulações de uma única 
farmácia com manipulação.
Identifique as possíveis irregularidades éticas do farmacêutico 
ocorridas no caso acima, bem como as irregularidades sanitárias, 
com base na legislação vigente:
•	 Lei nº 5.991/73;
•	 Resolução CFF nº 596/14;
•	 Resolução CFF nº 357/01;
•	 Portaria SVS/MS nº 344/98;
•	 RDC Anvisa nº 44/09;
•	 RDC Anvisa nº 67/07;
•	 RDC Anvisa nº 27/07;
•	 RDC Anvisa nº 80/06.
94
REFERÊNCIAS
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recer CNE/CES n.º 1.300, de 06 de novembro de 2001. Diretrizes Curriculares 
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CHAUÍ, M. Convite à filosofia. 13. ed. São Paulo: Ática 2003.
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CUNHA, M. V. John Dewey: uma filosofia para educadores em sala de aula. 1. ed. 
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KANT, I. Crítica da razão pura. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991.
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NOVAK, J.D., CAÑAS, A.J. A teoria subjacente aos mapas conceituais e como ela-
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ZUBIOLI, A. Ética farmacêutica. São Paulo: Sobravime, 2004.
1shttps://doi.org/10.11606/S1518-8787.2017051007107
Suplemento PNAUM-Serviços
Artigo Original
Rev Saude Publica. 2017;51 Supl 2:5s
Correspondência: 
Ediná Alves Costa 
Instituto de Saúde Coletiva, 
Universidade Federal da Bahia 
Rua Basílio da Gama, s/nº – Canela 
40.110-040 Salvador, BA, Brasil 
E-mail: edina@ufba.br
Recebido: 19 abr 2016
Aprovado: 30 nov 2016
Como citar: Costa EA, Araújo PS, 
Penaforte TR, Barreto JL, Guerra 
Junior AA, Acurcio FA, Guibu IA, 
et al. Concepções de assistência 
farmacêutica na atenção primária 
à saúde, Brasil. Rev Saude Publica. 
2017;51 Supl 2:5s.
Copyright: Este é um artigo de 
acesso aberto distribuído sob os 
termos da Licença de Atribuição 
Creative Commons, que permite 
uso irrestrito, distribuição e 
reprodução em qualquer meio, 
desde que o autor e a fonte 
originais sejam creditados.
http://www.rsp.fsp.usp.br/
Concepções de assistência farmacêutica 
na atenção primária à saúde, Brasil
Ediná Alves CostaI, Patrícia Sodré AraújoII, Thais Rodrigues PenaforteIII, Joslene Lacerda BarretoIII, 
Augusto Afonso Guerra JuniorIV, Francisco de Assis AcurcioIV, Ione Aquemi GuibuV, Juliana AlvaresIV, 
Karen Sarmento CostaVI,VII,VIII, Margô Gomes de Oliveira KarnikowskiIX, Orlando Mario SoeiroX, 
Silvana Nair LeiteXI
I Instituto de Saúde Coletiva. Universidade Federal da Bahia. Salvador, BA, Brasil
II Departamento de Ciências da Vida. Universidade do Estado da Bahia. Salvador, BA, Brasil
III Departamento do Medicamento. Faculdade de Farmácia. Universidade Federal da Bahia. Salvador, BA, Brasil
IV Departamento de Farmácia Social. Faculdade de Farmácia. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 
MG, Brasil
V Faculdade de Ciências Médicas. Santa Casa de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
VI Núcleo de Estudos de Políticas Públicas. Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Universidade Estadual 
de Campinas. Campinas, SP, Brasil
VII Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Departamento de Saúde Coletiva. Faculdade de Ciências Médicas. 
Universidade Estadual de Campinas. Campinas, SP, Brasil 
VIII Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia. Faculdade de Medicina. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 
Porto Alegre, RS, Brasil
IX Faculdade de Ceilândia. Universidadede Brasília. Brasília, DF, Brasil
X Faculdade de Ciências Farmacêuticas. Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Campinas, SP, Brasil
XI Departamento de Ciências Farmacêuticas. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, SC, Brasil
RESUMO
OBJETIVO: Identificar e discutir as concepções de assistência farmacêutica segundo distintos 
atores, na Atenção Primária à Saúde, no Brasil.
MÉTODOS: Estudo integrante da Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso 
Racional de Medicamentos – Serviços, 2015, composta por levantamento de informações numa 
amostra representativa de municípios, estratificada pelas regiões do Brasil, e sub-amostra de serviços 
de atenção básica. Entrevistaram-se os secretários municipais de saúde, os responsáveis pela 
assistência farmacêutica e os responsáveis pela entrega de medicamentos nas farmácias/unidades 
de dispensação dos serviços selecionados. Os questionários incluíram uma pergunta acerca do 
entendimento dos entrevistados sobre assistência farmacêutica. Utilizou-se a técnica de análise de 
conteúdo, buscando-se apreender nos enunciados os sentidos atribuídos à assistência farmacêutica, 
que posteriormente foram classificados em categorias com as principais concepções. 
RESULTADOS: Entre a grande diversidade de entendimentos sobre AF destacaram-se as concepções 
centradas 1) no controle logístico dos medicamentos com atividades de orientação ou informação 
sobre o uso e 2) na orientação ou informação ao usuário sobre o uso do medicamento. Os achados 
revelam tendência de deslocamento de uma centralidade no medicamento para uma concepção mais 
ampliada que inclui o usuário e suas necessidades como o destinatário final dessas ações. Entretanto, 
a pouca referência a concepções relacionadas à gestão e integralidade da atenção apontam a lentidão 
da mudança; afinal trata-se de um processo social e histórico que envolve a produção de sentidos 
que transcendem os arranjos legais, logísticos e técnicos na organização da assistência farmacêutica. 
CONCLUSÕES: A diversidade de concepções expressa os muitos sentidos atribuídos à 
assistência farmacêutica; identificando-se também, no processo de sua reorientação, um 
movimento que reflete uma mudança gradual do paradigma técnico, centrado na logística de 
medicamentos, para uma abordagem orientada ao usuário dos serviços de saúde. 
DESCRITORES: Assistência Farmacêutica. Conhecimentos, Atitudes e Práticas em Saúde. 
Pessoal de Saúde. Compreensão.
2s
Concepções de assistência farmacêutica Costa EA et al.
https://doi.org/10.11606/S1518-8787.2017051007107
INTRODUÇÃO
Desde sua regulamentação, em 1990, o Sistema Único de Saúde (SUS) vem implementando 
estratégias diversas para efetivar a assistência farmacêutica (AF) como uma política pública, 
indispensável à integralidade da atenção à saúde como direito social e dever do Estado. 
Os esforços expressam ampliação do acesso a medicamentos pela população e desafios para 
as mudanças necessárias na organização dos serviços farmacêuticos no paísa. A AF possui 
caráter sistêmico, multidisciplinar, abrange múltiplas ações voltadas à promoção, proteção e 
recuperação da saúde individual e coletiva, visando o acesso e o uso racional de medicamentos12,14.
Conforme Wiedenmayer et al.24, o serviço de farmácia tornou-se mais sofisticado, com alteração 
de alguns papéis e introdução de novas funções. Identificam-se mudanças na prática profissional 
centrada no privilegiamento do medicamento, para uma atuação que enfatiza a responsabilidade 
partilhada entre paciente e farmacêutico, exigindo deste profissional responsabilidade pelas 
necessidades dos indivíduos e não apenas a dispensação de medicamentos.
Os papéis tradicionais que envolvem a preparação, dispensação ou venda de medicamentos 
mostram-se claramente insuficientes para caracterizar a AF, a ser compreendida numa 
perspectiva de integralidade das ações de saúde e propulsora doutras políticas setoriais. 
Neste sentido, a AF deve se estabelecer como um conjunto de atividades realizadas de forma 
sistêmica, que envolve o medicamento e visa, principalmente, ao paciente12.
Entretanto, o principal foco do trabalho do farmacêutico, no Brasil, ainda se limita ao controle 
e distribuição de medicamentos3,21. Ao longo das últimas décadas, apesar da forte tendência à 
incorporação de práticas, como a atenção farmacêutica, que estimulam o farmacêutico a um 
enfoque mais inclusivo no atendimento ao paciente, este tipo de exercício profissional ainda 
é bastante limitado nos serviços de saúde. Assim, para o alcance dos objetivos da Política de 
Assistência Farmacêutica é necessário avançar na qualificação dos serviços farmacêuticos 
que devem incluir não apenas aspectos técnico-práticos, mas também subjetivos, uma vez 
que a percepção e entendimento acerca da AF deve preceder os esforços de mudança do 
paradigma profissional24.
Em descompasso com os processos iniciais de implementação do SUS, somente após dez 
anos foram estabelecidas as primeiras iniciativas para a reestruturação da AF. Os esforços 
subsequentes, ainda que tardios, foram empreendidos para estruturar a área de modo a garantir 
acesso e uso racional dos medicamentos, tendo como eixo estruturante a reorientação de 
suas práticas21 e visando melhorar a gestão e os serviços farmacêuticos. Assim, a AF deve ser 
o resultado da combinação de estrutura, pessoas e tecnologias, num dado contexto social, 
a fim de contribuir na melhoria da qualidade de vida da população, integrando ações de 
promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde15.
A construção de um marco teórico-conceitual da AF representa um desafio, pela complexidade 
que envolve a área, devido, principalmente, às suas diversas interfaces na vida social. De forma 
sintética, aponta-se a centralidade do medicamento na AF como um fator potencializador 
dessa complexidade, dado que o medicamento é um objeto que circula entre ciência, mercado 
e sociedade e que possui uma multiplicidade de sentidos18. Entretanto, no contexto das 
políticas de saúde, pode-se considerar que as políticas de medicamentos e AF ainda são 
muito recentes, o que contribui para a manutenção de uma situação permeada por antigas 
e novas ideologias, concepções e visões de mundo sobre AF. 
Tudo isso corrobora para que circulem definições diversas de AF que traduzem diferentes 
sentidos/entendimentos/concepções2,3. Contudo, observa-se, atualmente, exemplos de 
ruptura do padrão tecnicista e emergência de uma identidade mais social dos serviços 
farmacêuticos, ainda que sejam bastante incipientes e carregados de conflitos em sua 
construção20. Depreende-se a relevância de iniciativas voltadas ao debate sobre AF, a partir 
da identificação de diferentes pontos de vista de seus atores-chave, trazendo aspectos de sua 
abstração que permitam articular o eixo representacional e a experiência prática profissional. 
a Ministério da Saúde (BR), 
Secretaria de Ciências, Tecnologia 
e Insumos Estratégicos. 
Departamento de Assistência 
Farmacêutica. Seminário de 
apresentação de resultados da 
PNAUM. Brasília (DF); 2015.
3s
Concepções de assistência farmacêutica Costa EA et al.
https://doi.org/10.11606/S1518-8787.2017051007107
Este artigo tem por objetivo identificar e discutir as concepções de AF segundo distintos atores, 
na Atenção Primária à Saúde no Brasil. Toma-se a locução concepções de AF como representações 
sociais11, entendimentos, visão de mundo, senso comum, ideias. Isso remete a um exercício político, 
que se refere à posição ou priorização da AF por estes atores e no sistema de saúde onde realizam 
suas práticas técnicas, clínicas e político-administrativas, com os sentidos que lhes são atribuídos. 
MÉTODOS
Este estudo integra a Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional 
de Medicamentos (PNAUM) – Serviços 2015, cujo objetivo foi caracterizara organização dos 
serviços de assistência farmacêutica na atenção básica/SUS, visando ao acesso e à promoção 
do uso racional de medicamentos, bem como identificar e discutir os fatores que interferem 
na consolidação da assistência farmacêutica no âmbito municipal. A PNAUM é um estudo 
transversal, exploratório, de natureza avaliativa, composto por um levantamento de informações 
numa amostra de serviços de atenção básica, em municípios representativos das regiões 
brasileiras. Várias populações de estudo foram consideradas no plano de amostragem, com 
amostras estratificadas pelas regiões, que constituem domínios do estudo1.
Este artigo é um estudo descritivo, de natureza exploratória que buscou apreender as concepções 
de AF mediante análise de conteúdo dos enunciados dos entrevistados. Entrevistou-se os 
secretários municipais de saúde (SMS) e os responsáveis pela assistência farmacêutica 
(RAF) dos municípios selecionados nas distintas regiões e os responsáveis pela entrega de 
medicamentos aos usuários nas farmácias/unidades de dispensação da amostra de serviços 
nos municípios. Neste estudo foram selecionados apenas os farmacêuticos (FARM) entre 
os responsáveis pela entrega de medicamentos.
As entrevistas foram realizadas com questionários estruturados, que incluíam características 
sociodemográficas dos entrevistados e a pergunta sobre o seu entendimento de AF. Os secretários 
de saúde e os responsáveis pela AF foram entrevistados por telefone e os responsáveis pela 
entrega de medicamentos, por entrevista direta. As respostas dos entrevistados foram 
transcritas literalmente. 
Para a análise dos dados, utilizou-se a técnica de análise de conteúdo10. As unidades de 
significação foram organizadas a partir do critério de semelhança de sentido. Adotou-se 
o modelo misto na definição das categorias utilizadas para classificar os enunciados10. 
A partir de revisão bibliográfica e de uma primeira leitura dos enunciados, inicialmente 
foram definidas três categorias ou unidades de significação: concepção de AF centrada no 
medicamento, concepção de AF centrada em atividades destinadas aos usuários e concepção 
de AF como parte da gestão da política de saúde do município. 
No passo seguinte cada enunciado era submetido a leituras, tantas quantas fossem necessárias 
para se apreender o sentido e fazer sua classificação. Esta operação, realizada em conjunto 
por dois pesquisadores, levou à subdivisão das categorias previamente definidas, resultando 
em 12 categorias que traduzem as concepções de AF. Um conjunto de enunciados de 
sentidos muito diversificados foi classificado na categoria “outra”. Utilizou-se o software 
SPSS®, versão 21, módulo de análise de amostras complexas, para obtenção das frequências 
de concepções, segundo os atores entrevistados e as regiões brasileiras. 
A PNAUM foi aprovada pelo Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (Parecer CONEP 
nº 398.131/2013), procedendo-se esclarecimento aos entrevistados dos objetivos da pesquisa 
e assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram entrevistados 369 SMS (61,5% da amostra estimada); 507 RAF (84,5% da amostra estimada) 
e 1.139 responsáveis pela entrega de medicamentos (83,6% da amostra estimada), entre os 
4s
Concepções de assistência farmacêutica Costa EA et al.
https://doi.org/10.11606/S1518-8787.2017051007107
quais 285 eram FARM, nos 272 municípios da pesquisa. Devido ao percentual insuficiente de 
respostas pelos secretários, não foi possível incluí-los nos resultados pelas regiões.
O perfil sociodemográfico dos entrevistados está apresentado na Tabela 1. O sexo masculino 
predomina entre os SMS que também representam os maiores percentuais nas faixas etárias 
acima de 31 anos. Quanto à escolaridade, quase a totalidade dos RAF possui nível superior, 
enquanto os SMS ficam em torno de 80%. 
A Tabela 2 apresenta as concepções de AF no Brasil, segundo o entendimento expresso 
pelos RAF, FARM e SMS. Observam-se diferenças entre os atores no entendimento sobre AF. 
Entre os RAF e FARM destacam-se as concepções de AF centradas em orientação/informação 
Tabela 1. Perfil sociodemográfico dos responsáveis pela assistência farmacêutica, farmacêuticos responsáveis pela dispensação, na atenção 
básica e secretários municipais de saúde, no Brasil. Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de 
Medicamentos, 2015.
Variável/Ator
RAF FARM SMS
% IC95% % IC95% % IC95% 
Sexo
Masculino 38,0 33,1–43,1 35,4 23,7–49,2 58,0 51,9–63,8 
Feminino 62,0 56,9–66,9 64,6 50,8–76,3 42,0 36,2–48,1 
Escolaridade
Fundamental incompleto –– –– 0,6 0,2–2,5 
Fundamental completo –– –– 1,1 0,4–3,0 
Médio incompleto 0,5 0,1–3,7 
Médio completo 1,2 0,6–2,1 –– 16,1 12,2–20,9 
Superior 98,8 97,9–99,4 100,0 100,0–100,0 81,6 76,6–85,7 
Faixa etária (anos 
18 a 30 36,5 31,7–41,6 31,7 22,3–43,0 12,8 9,1–17,7 
31 a 49 54,4 49,1–59,5 56,0 44,5–66,9 61,0 54,6–67,0 
50 a 59 7,9 5,5–11,4 9,9 4,4–20,8 22,1 17,2–27,9 
60 ou mais 1,2 0,4–3,5 2,4 1,0–5,5 4,2 2,4–7,0 
RAF: Responsável pela assistência farmacêutica; FARM: Farmacêutico responsável pela dispensação de medicamentos; SMS: Secretário Municipal de Saúde.
Fonte: PNAUM – Serviços, 2015. 
Tabela 2. Concepções de assistência farmacêutica na atenção básica, segundo profissionais entrevistados. Pesquisa Nacional sobre Acesso, 
Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos – Serviços, 2015.
Concepção/Atores
RAF FARM SMS
% (IC95%) % (IC95%) % (IC95%)
Centradas no medicamento:
Em etapas do ciclo logístico do medicamento 8,7 (6,2–12,0) 6,8 (3,4–13,2) 8,4 (5,5–12,7)
Em etapas do ciclo logístico com orientação/informação ao usuário de medicamentos 16,7 (13,2–20,9) 25,7 (14,9–0,40) 12,3 (8,7–17,0)
Em disponibilização/oferta de medicamentos 5,2 (3,3–8,3) 3,6 (1,6–7,8) 11,0 (7,5–15,7)
Em disponibilização/oferta de medicamentos com uma noção de controle 4,5 (2,8–7,1) 2,2 (0,3–13,6) 7,4 (4,7–11,5)
Como uma atividade decorrente do atendimento médico ou do farmacêutico
Atividade realizada pelo farmacêutico no serviço de saúde 1,5 (0,7–3,5) 0,4 (0,1–3,1) 0,6 (0,2–2,1)
Como complemento ou finalização do atendimento médico e dispensação e orientação ao usuário 0,9 (0,3–2,7) 0,3 (0–2,1) 1,9 (0,7–4,6)
Uma ação de caráter assistencialista
Como auxílio/amparo/ajuda à população carentou de baixa renda 0,2 (0–1,6) –– 4,0 (2,1–7,6)
Relacionada a cuidados/atividades com o usuário de medicamentos
Centrada em orientação/informação ao usuário sobre o uso do medicamento com ou sem 
referência ao uso racional
18,5 (14,8–22,8) 36,8 (26,1–48,9) 6,0 (3,6–9,7)
Como assistência/apoio/atenção ao usuário/pacientou à população com orientação/informação 8,1 (5,7–11,4) 11,2 (6,1–19,5) 13,9 (10,1–18,9)
Relacionada à integralidade da atenção 2,0 (0,9–4,3) 0,5 (0,1–3,3) 1,0 (0,4–2,7)
Como parte da gestão do Sistema de Saúde do município
Como suportou auxílio à gestão 2,3 (1,1–4,8) –– 4,7 (2,7–7,9)
Como organização de serviços para disponibilização de medicamentos 2,4 (1,2–4,5) –– 6,4 (3,8–10,5)
Outras 10,5 (7,8–14,0) 8,8 (4,6–16,1) 15,3 (11,3–20,5)
Não sabe 0,4 (0,1–1,4) 1,3 (0,3–4,8) 3,0 (1,3–6,4)
Não respondeu 18,1 (14,4–22,4) 2,5 (1,1–5,3) 4,2 (2,2–7,8)
RAF: Responsável pela assistência farmacêutica; FARM: Farmacêutico responsável pela dispensação de medicamentos; SMS: Secretário Municipal de Saúde. 
Fonte: PNAUM – Serviços, 2015.
5s
Concepções de assistência farmacêutica Costa EA et al.
https://doi.org/10.11606/S1518-8787.2017051007107
ao usuário sobre o uso dos medicamentos, com ou sem referência ao uso racional, seguidas 
de concepções centradas em etapas do ciclo logístico com orientação/informação ao usuário. 
Esta última foi também a segunda mais frequente entre os SMS, enquanto em primeiro 
lugar encontravam-se as concepções de AF como assistência/apoio/atenção ao usuário

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