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Farmacologia Aplicada à Enfermagem Prof. Mariana M. Roll 01/2018 Ansiedade: estado desagradável de tensão, apreensão e inquietação Transtornos mentais envolvendo ansiedade são os mais comuns Sintomas físicos da ansiedade grave: Taquicardia Sudoração Tremores Palpitações Ativação simpática Sintomas de ansiedade intensa, crônica e debilitante Tratamento com fármacos ansiolíticos Causam sedação Funcionam clinicamente como ansiolíticos e hipnóticos (indutores de sono) Possuem também atividade anticonvulsivante Fármacos ansiolíticos mais utilizados Substituíram os barbitúricos no tratamento da ansiedade por serem mais seguros e eficazes Clonazepam Diazepam Midazolam Alprazolam Mecanismo de ação Atuam nos receptores GABAA GABA principal neurotransmissor inibitório do SNC Subunidade a qual os fármacos se ligam receptores benzodiazepínicos (BZ) Ligação do GABA ao receptor abre o canal de cloro (Cl-) Hiperpolarização inibe a formação de potenciais de ação A ligação do benzodiazepínico ao seu receptor aumentará a afinidade do GABA por seus locais de ligação Usos terapêuticos Ansiedade Doses baixas inibição dos circuitos neuronais no sistema límbico cerebral Não devem ser utilizados para aliviar o estresse normal da vida diária Ansiedade grave e contínua Usados em períodos curtos devido ao seu potencial de vício Os efeitos ansiolíticos dos benzodiazepínicos são menos sujeitos à tolerância do que os efeitos sedativo e hipnótico Distúrbios musculares Promovem relaxamento muscular Espasmos dos músculos esqueléticos Doenças degenerativas esclerose múltipla e paralisia cerebral Amnésia Fármacos de ação curta pré-medicação para procedimentos desconfortáveis e provocadores de ansiedade Sedação consciente Midazolam indução da anestesia Convulsões Tratamento de certos tipos de epilepsia Diazepam e lorazepam Distúrbios do sono Propriedades sedativas hipnose (induz ao sono) Tratamento da insônia Benzodiazepínicos de longa ação (flurazepam) e ação intermediária (triazolam) Duração do sono Tempo de indução ao sono Farmacocinética Lipofílicos Rápida e completamente absorvidos após administração oral Distribuição por todo o organismo Duração de ação Meia-vida determina a utilidade terapêutica dos benzodiazepínicos Curta, média e longa duração Destino Os efeitos terminam por redistribuição e excreção Atravessam a barreira placentária Leite materno Dependência Desenvolvimento de dependência física e psicológica Doses elevadas por longos períodos Interrupção abrupta sintomas de abstinência Ansiedade Agitação Insônia Tensão e raramente convulsões Fármacos com meia-vida longa os sintomas de retirada podem ocorrer lentamente e durar por alguns dias após a interrupção do uso Efeitos adversos Sonolência Confusão Comprometimento cognitivo diminuição da evocação da memória e da retenção de novos conhecimentos Amnésia anterógrada diminuição da capacidade de apreender e formar novas memórias Precações Deve ser evitados em pacientes com doença hepática e glaucoma de ângulo estreito Álcool e outros depressores do SNC potencializam seus efeitos hipnóticos-sedativos Doses excessivas raramente são letais* FLUMAZENIL é indicado para promover a reversão completa ou parcial dos efeitos sedativos centrais dos benzodiazepínicos Antogonista benzodiazepínico inibição competitiva Antagoniza a sedação, amnésia e alterações psicomotoras produzidas pelos agonistas benzodiazepínicos. Atualmente foram substituídos pelos benzodiazepínicos Pode levar ao coma em doses tóxicas Mecanismo de ação Bloqueio dos receptores excitatórios glutamato Potencializa a transmissão GABAérgica Usos terapêuticos Anestesia Tiopental barbitúrico de ação curta IV Anticonvulsivante Fenobarbital Tratamento de longa duração Fármaco de escolha para tratamento de crianças e jovens com convulsões febris recorrentes Compromete o desempenho cognitivo e deve ser usado com cautela Ansiedade Sedativos leves para aliviar a ansiedade Substituídos pelos benzodiazepínicos Farmacocinética Absorvidos por via oral e distribuídos amplamente pelo organismo Atravessam facilmente a barreira placentária e podem deprimir o feto São biotransformados/ metabolizados no fígado e o metabólitos inativos são excretados na urina Efeitos adversos Doses crescentes: Sedação hipnose anestesia coma morte Não têm propriedades analgésicas Depressão respiratória suprimem as respostas à hipóxia e dos quimiorreceptores de CO2 SNC Sonolência Dificuldade de concentração Preguiça mental e física Ressaca farmacológica Doses hipnóticas sensação de cansaço prolongada muito tempo depois do paciente acordar Dependência física Retirada abrupta síndrome da abstinência Abstinência mais grave do que a associada aos opioides pode resultar em morte Intoxicação Causa-líder de morte que ocorre devido à dosagem excessiva de medicamentos Intensa depressão respiratória e cardiovascular Manejo da intoxicação por barbitúricos Assistência respiratória Lavagem gástrica Alcalinização da urina auxilia a eliminação Induzem o sistema citocromo P450 Podem diminuir a duração de ação de fármacos que são biotransformados por essas enzimas Efeitos adversos potencializados pelo álcool Age nos receptores de serotonina (5-HT) e dopamina (DA) Não é eficaz no tratamento de curta duração ou “conforme necessário” dos estados de ansiedade agudos Início de ação lento A buspirona não tem ação anticonvulsivante e músculo- relaxantes Sedação mínima não age como hipnótico Disfunções cognitivas e psicomotoras são mínimas Não causa dependência como os benzodiazepínicos Causa hipotermia e elevação dos hormônios de crescimento e prolactina Fármaco hipnótico Não tem propriedades anticonvulsivantes ou músculo- relaxantes Vantagens Poucos efeitos de abstinência Insônia de rebote mínima Pouca ou nenhuma tolerância com o uso prolongado Rapidamente absorvido pelo trato gastrintestinal Rápido início de ação Metabolismo hepático eliminação renal do metabólito inativo Hipnóticos preferidos Seletividade para os receptores BZ1 Não é um benzodiazepínico Sintomas Sensações intensas de melancolia Alterações nos padrões de sono e apetite Fadiga Perda de interessa e satisfação Pensamentos suicidas Deficiência das monoaminas no cérebro SEROTONINA NOREPINEFRINA Fármacos antidepressivos potencializam as ações da norepinefrina e/ou serotonina no cérebro Efeito terapêutico gradativo Diminuição da captação do neurotransmissor Redução dos receptores inibitórios pré-sinápticos Maior síntese e liberação do neurotransmissor na fenda sináptica Resposta terapêutica Inibidores seletivos da recaptação de serotonina Inibem seletivamente a receptação de serotonina Mecanismo de ação: Bloqueiam a receptação de serotonina Aumento da concentração do neurotransmissor na fenda sináptica Maior atividade neuronal pós-sináptica Fluoxetina Paroxetina Citalopram Escitalopram Principais fármacos inibidores seletivos da receptação de serotonina(ISRS) Usos terapêuticos Depressão Transtorno obsessivo-compulsivo Transtornos de ansiedade Efeitos adversos Cefaleia Sudoração Efeitos gastrintestinais Fraqueza e cansaço Disfunção sexual Alterações da massa corporal BUPROPIONA Inibidor seletivo da receptação de dopamina e norepinefrina Alívio dos sintomas de depressão Atenua os sintomas de abstinência por nicotina VENLAFAXINA Inibidores seletivos da receptação de serotonina e noroepinefrina (ISRSN) Utilizado quando os ISRS são ineficazes e para o tratamento de dores relacionadas à depressão Alívio dos sintomas físicos de dores neuropáticas Antidepressivos tricíclicos Bloqueiam a receptação de serotonina e norepinefrina Efeitos adversos Visão borrada, xerostomia, retenção urinária, constipação, taquicardia sinusal e agravamento do glaucoma Bloqueio dos receptores muscarínicos Hipotensão ortostática, tonturas Bloqueio dos receptores alfa-adrenérgicos Sedação Bloqueio dos receptores de histamina H1 Disfunção sexual Amitriptilina Imipramina Tratamento de longa duração dos sintomas de ansiedade crônica Longa duração fármacos de primeira escolha Inibidores seletivos da receptação de serotoninas (ISRS) Escitalopram Inibidores seletivos da receptação de serotonina e noroepinefrina (ISRSN) Venlafaxina Efeito ansiolítico, porém não apresentam efeito hipnótico- sedativo Associação com uma dosagem baixa de benzodiazepínicos durante as primeiras semanas de tratamento Após 4 a 6 semanas efeito ansiolítico do antidepressivo A dosagem do benzodiazepínico pode ser reduzida gradualmente CLARK, Michelle A. et al. Farmacologia ilustrada. 5º edição. Artmed, 2013 Ao atender um homem de 43 anos, com boa saúde física mas portador de ansiedade generalizada, você resolve lhe prescrever diazepam em dose diária de 20 mg. Assinale a alternativa que se refere a uma orientação adequada e imprescindível. a) Alertá-lo quanto à possibilidade de episódio agudo de distonia ou uma síndrome parkinsonóide. b) Recomendar evitar atividades que exigem atenção (pelo efeito sedativo), força (pelo efeito miorrelaxante) e motor (pela ataxia). c) Não se deve alertar o paciente sobre o risco de dependência, para não assustá-lo e evitar que ele não queira utilizar a medicação. d) Evitar referir-se ao diazepam como droga que interfere na memória, pois o paciente pode se negar a fazer uso do medicamento. e) Alertar para o risco de ocorrer hiperplasia prostática aguda, impedindo o controle miccional. Qual das seguintes afirmativas está correta? a) Os benzodiazepínicos abrem diretamente os canais de cloreto b) Os benzodiazepínicos têm efeito analgésico c) A melhora clínica da ansiedade exige duas a quatro semanas de tratamento com benzodiazepínicos d) Todos os benzodiazepínicos têm algum efeito sedativo e) Os benzodiazepínicos, como outros depressores do SNC, facilmente provocam anestesia geral Qual das seguintes afirmativas está correta? a) O fenobarbital tem propriedades analgésicas b) O fenobarbital induz depressão respiratória, que é potencializada pelo consumo de etanol c) A buspirona tem ações similares às dos benzodiazepínicos Descreva o mecanismo de ação dos benzodiazepínicos e o seu uso terapêutico. Cite exemplos de medicamentos desta classe. Os benzodiazepínicos podem ser administrados sem preocupações à mulheres grávidas? Por que? Os benzodiazepínicos podem causar dependência? Qual o principal manejo para a retirada do medicamento? Por que? Os antidepressivos apresentam o mesmo efeito que os benzodiazepínicos? Como os antidepressivos atuam? Cite exemplos de medicamentos antidepressivos utilizados no tratamento da ansiedade. Qual são as vantagens dos benzodiazepínicos em relação aos barbitúricos? Quais são os usos terapêuticos dos barbitúricos? Cite o mecanismo de ação e o uso de terapêutico da buspirona e do zolpidem. Descreva o mecanismo de ação dos antidepressivos da classe da fluoxetina. Quais são os principais efeitos adversos? Como agem os antidepressivos tricíclicos? Por que eles foram substituídos pelos ISRS no tratamento da depressão? Como deve ser a retirada dos antidepressivos? Por que? Descreva o mecanismo de ação da Bupropiona e suas aplicações clínicas. Como age a venlafaxina para promover o efeito antidepressivo e aliviar os sintomas da ansiedade? Descreva a ação do flumazenil e seu uso terapêutico.