Prévia do material em texto
Exame neurológico Motricidade voluntária 1º neurônio – sistema piramidal: Sistema que sai do giro pré-central desce pela coluna radiata fica compactado fica compactado na capsula interna e desce pela medula até a altura de L1. Obs. À medida que esse sistema desce pela medula, ele manda colaterais que fazem conexões com o segundo neurônio Responsável pela motilidade ativa voluntária, ou seja, mexer quando você quiser (ex: mexer no cabelo, sorrir, levantar o braço) Lesão (tumor, AVC, trauma): pessoa pode perder a força e dar uma hemiparesia Sistema extra-piramidal Sai do giro pré central, corona radiata, capsula interna, decussa no bulbo, desce na medula até L1 Corresponde ao globo pálido, putâmen, gânglios da base, substância negra que fica no encéfalo, fibras que conectam os núcleos ao sistema piramidal – é um sistema à parte Responsável por modular os movimentos, deixando-os leves, elegantes e naturais. Inclui também nossa capacidade de andar sem precisar pensar no que estamos fazendo. Lesão no sistema extra-piramidal que destrua as substancias que saem da substancia negra: Parkinson. EXAME FÍSICO 1º) Motricidade espontânea – pede para o paciente fazer movimentos espontâneos para ver a amplitude do movimento, ver se não tem rigidez (abrir e fechar a mão, estender a perna, abduzir e aduzir antebraço) 2º) Força - Os testes de força muscular são um aspecto importante da avaliação neurológica e podem ser realizados através de: I) Movimentação ativa dos membros; II) Manobras deficitárias: que fornecem uma ideia mais geral do comprometimento; III) Manobras de oposição: que permitem definir o grau de comprometimento em grupos musculares mais específicos. Manobras de oposição ao examinador Força de flexão das mãos: Paciente sentado aperta ambas as mãos do examinador com muita força. Força de flexão do antebraço: o examinador faz uma alavanca com o braço do paciente, apoiando seu cotovelo. Em seguida pede-se ao paciente que puxe a mão do examinador com muita força. Comparar os dois lados. Depois, pede pra ele empurrar sua mão com força. Força de extensão do antebraço: o examinador faz uma alavanca com o braço do paciente, apoiando seu cotovelo. Em seguida pede-se para o paciente “empurrar para fora” a mão do examinador. Braços: Testa a força de abdução e adução dos braços do paciente. Força dos punhos: Testa a flexão e extenso dos punhos do paciente, sempre contra a força do examinador. Força dos dedos: Testa a flexão e extensão dos dedos de ambas as mãos contra a força do examinador. Além disso, deve ser testado a abdução e adução dos polegares. Força das pernas: Testa a extensão e flexão das pernas do paciente com movimentos de oposição ao examinador. Força dos pés: Testa a flexão plantar (para baixo) e flexão dorsal dos pés (para cima). Flexão e extensão dos dedos dos pés. Flexão e extensão do hálux. Para testar a força dos dedos o examinador deve encaixar seus dedos nos dedos dos pés do paciente Força das coxas: Realiza flexão, extensão, abdução e adução das coxas contra a força do examinador. Classificação das forças: Força zero: sem força nenhuma, plegia; Força um: discreta contração muscular. Força dois: movimento completo sem a força da gravidade. Exemplo, paciente no leito movimentando apenas no plano horizontal. Força três: movimento contra a força da gravidade, mas sem oposição à força do examinador. Força quatro: movimento completo contra a força da gravidade e contra certa resistência aplicada pelo examinador. Dependendo da experiência do examinador ele classifica essa força em 4- (força palpavelmente diminuída) ou 4+ (quase normal, consegue fazer força, mas o examinador vence logo); Força cinco: força normal. Manobras de oposição à gravidade Braço estendido: o paciente de olhos fechados, faz extensão dos braços com os dedos das mãos abertos, primeiro em pronação e depois em supinação. Em caso de lesão no sistema piramidal ocorre queda com pronação. Quando o membro cai sem pronação, geralmente a perda de força não é orgânica, mas sim psicogênica ou conversiva. Mingazzini: Em decúbito dorsal, o paciente flete as pernas e as coxas formando um ângulo de 90º. Permanece nessa posição por cerca de 30 segundos. Caso haja lesão no sistema piramidal o membro cairá. Quando a perda de força é mais discreta, o membro não chega a cair, apenas oscila. Força de musculatura anterior. Barré: Paciente em decúbito ventral, flete a perna sobre a coxa em um ângulo de aproximadamente 90º, permanecendo nessa posição por cerca de 30 segundos. Caso haja lesão no sistema piramidal o membro cairá. O membro pode cair ou apenas oscilar. Força de musculatura posterior. Obs. Hemiplegia: quando o paciente perde a força total só em um hemicorpo (membro superior e inferior). Hemiparesia: quando o paciente perde a força parcial só em um hemicorpo (membro superior e inferior). Tetraplegia: paciente perdeu a força total nos membros inferiores e superiores. Tetraparesia: paciente perdeu a força parcial nos membros superiores e inferiores. Paraplegia: paciente perdeu a força total nos membros inferiores ou dos membros superiores. Paraparesia: paciente perdeu a força parcial dos membros inferiores ou dos membros superiores. Monoplegia crural: perda total da força em apenas um dos membros inferiores. Monoplegia braquial: perda total da força em apenas um dos membros superiores. Monoparesia crural: perda de força parcial em apenas um dos membros inferiores Monoparesia braquial: perda parcial da força em apenas um dos membros superiores. 3º) Tônus e trofismo Trofismo: se refere à massa ou volume de determinado músculo. Para essa avaliação é de grande importância a inspeção e a palpação. É sempre importante lembrar que se deve comparar a mesma região dos dois lados para detectar alterações mais facilmente. Hipotrofia: trofismo reduzido; em graus mais avançados é chamado de atrofia. Hipertrofia: trofismo aumentado; raramente é patológica (mais comumente se deve a trabalho muscular intenso com hipertrofia fisiológica). Pseudo-hipertrofia: hipertrofia aparente decorre do acúmulo de outros tecidos; ocorre em patologias como a distrofia muscular de Duchenne. Tônus: grau de contração passiva que a musculatura assume quando está totalmente relaxada. Aqui é importante analisar inspeção, palpação e movimentação passiva. Hipertonia: Relevos musculares mais definidos Musculatura dura à palpação Movimentação passiva ELÁSTICA (espasticidade): Tenho uma resistência inicial que depois cede, gerando sinal do canivete. Ocorre nas lesões do sistema piramidal ou de 1º neurônio (responsável pela mobilidade ativa e voluntária) Marcha ceifante PLÁSTICA (rigidez) Quando se encontra vários graus de resistência, gerando sinal da roda denteada Ocorre nas lesões do sistema extrapiramidal (o qual modula os movimentos), como Parkinson Lesão súbita de 1º neurônio (AVC): primeiro ocorre hipotonia e depois hipertonia Lesão de 1º neurônio de início gradativo (tumor): hipertonia Hipotonia: Relevos musculares mal definidos Musculatura flácida à palpação Movimentação passiva normal Pode ocorrer nas lesões de 2º neurônio REFLEXOS Superficiais Cutâneo abdominal Testa fazendo estímulo na pele de lateral para medial Deve ocorrer contração da musculatura no sentido do estímulo. Está abolido no lado afetado em casos de lesão piramidal. T7 a T9 epigástrio T9 a T10 mesogástrio T11 a T12 hipogástrio Cutâneo plantar Estimulo com ponta romba de posterior para anterior e de lateral para medial. Normal é ter flexão dos dedos Se tiver extensão do hálox – lesão de neurônio motor – SINAL DE BABINSKY – pode ser causado por esclerose múltipla Profundos Bicipital – no tendão do bíceps (avaliação dos nervos C5 e C6) – flexão do antebraço Tricipital – no tendão do tríceps (avaliação de C6 e C7) – resposta é extensão do antebraço Estilo-radial – percutir no processo estiloide do rádio (avaliação de C5 e C6) – resposta é a pronação Flexor dos dedos – espalmaos dedos na outra mao e percute no meio (avaliação de C8 e T1) – resposta é flexão dos dedos Patelar – percussão do quadríceps – (avaliação de L3 e L4) - resposta é a extensão da perna Aquileu – percussão do tendão de aquiles (avaliação de L5 e S1) - resposta é a flexão plantar LESÃO DE 1º NEURÔNIO Insidiosa AVC de longa data, esclerose múltipla, etc Hipertonia espástica (elástica); Hiperreflexia; Força diminuída Trofismo diminuído pelo não uso; Sinal de Babinsky; Sinal de Roffman – pinça o dedo médio do paciente e o indicador e polegar se encontram automaticamente Sinal de Clonus – movimentação involuntária de uma articulação quando ela sofre uma extensão forçada Sinal de Aquileu - faz dorsiflexão forçada e paciente tem como resposta uma contração sucessiva LESÃO DE 2º NEURÔNIO Força diminuída Hipotonia Hipotrofia acentuada Amiotrofia; Miofasciculações da língua Hiporreflexia Obs. Se for fase inicial de AVC ou lesão não insidiosa – tem choque medular – no começo está hipotônico e hiporreflexo diminuição de força. Depois evolui para hipertonia e hiperreflexia COORDENAÇÃO Modulação – interação do cerebelo com sistema proprioceptivo Propriocepção consciente: mesmo com olho fechado sabemos identificar o segmento do corpo Propriocepção inconsciente: informa o tempo toda nossa posição corporal – musculatura agonista e antagonista Prova do índex – nariz: paciente deve encostar a ponta do dedo na ponta do nariz, mantendo a cabeça para frente e sem acompanhar o dedo com os olhos. Em seguida, para sensibilizar o exame, de modo que as alterações fiquem mais visíveis, pede para paciente fechar os olhos e depois colocar as mãos alternadamente. Index-orelha: encostar a ponta do dedo no lobo da orelha (forma de sensibilizar). Index do paciente e do examinador: encostar o dedo no dedo do examinador (forma de sensibilizar). Normal: eumétrico Paciente erra: dismétrico Prova de eudiadococinesia: é a capacidade de realizar movimentos rápidos e alternados. Paciente consegue: eudiadococinético Paciente não consegue: diadococinético Prova do calcanhar – joelho: pede para paciente relar o calcanhar no joelho – mede diadococinesia e metria Prova do rechaço – pede-se ao paciente para puxar a mão do examinador com força e depois solta repentinamente, observando que o paciente freia o movimento. Não se trata de uma manobra de força e sim de coordenação Se o paciente não freiar, diz-se que a manobra do rechaço foi positiva à direita ou à esquerda. Obs. No cerebelo as vias cruzam duas vezes, então as fibras ficam do mesmo lado – lesão do cerebelo de um lado lesa o mesmo lado (ipsilateral) Síndrome cerebelar – gera ataxia: marcha embriosa, dismetria, disdiadococinesia, tremor intencional, estagmo (movimento repetitivo dos olhos) Para diferenciar lesão do corno posterior com lesão cerebelar faz-se o TESTE DE ROMBERG. Se for lesão do corno posterior, o paciente cai se tiver com olho fechado, mas se for lesão do cerebelo, o paciente fica incoordenado mesmo de olho aberto Obs. Para avaliar coordenação deve-se avaliar força primeiro, pois pode influenciar nas manobras Lesão no vérrnice – ataxia mais no tronco Lesão dos lados – ataxia mais nos membros SENSIBILIDADE Subjetiva – observada pelo paciente Objetiva – observada pelo examinador OBS. Parte dorsal e giro pré central é sensitivo Parte ventral da medula e giro pós central é motor Superficial – tátil, térmica e dolorosa – transmitida por feixes espinotalâmicos anterior – descem, sobe e decussam na comissura anterior da medula Profunda – vibratória (palestesia), pressão (barestesia), peso (barognosia), tato discriminatório ou e crítico – decussam no bulbo, no lemnisco medial Mista - Propriocepção e esterognosia Superficial Receptor nas terminações nervosas livres na superfície da pele Entra na medula, decussa lá mesmo e sobe Vai pela via espinotalâmica lateral (dor e temperatura) e pelo trato protopático – espinotalâmico anterior (tátil) Entra no corno posterior, faz sinapse, cruza logo que entra na medula e sobe Para testar, usa-se a escovinha do martelinho Dermátomos mais importantes: T4, T10, L1, L2, L3, L4 e L5 Lesão em T4 – em cima de T4 fica hiperestésico; perde sensibilidade a partir da área lesada (anestésico), paraplegia Profunda Receptores que captam capacidade vibratórias são corpúsculos Vater Patini (?) estímulo segue por nervos sensitivos entram na parte post da medula sinapse no corno posterior da medula segue por um feixe na coluna posterior da medula (grácil – medial e cuneiforme - lateral) feixes sobem até o bulbo (na parte medial dele, as fibras fazem decussação) sobem do outro lado, no lemnisco medial chega no tálamo vai pro córtex Já entra e sobe, decussando no bulbo Sensação do lado direito chega do lado esquerdo Síndrome de Brown Sequard: síndrome de hemissecção medular (lesa metade da medula); se for do lado direito perde profunda do mesmo lado e superficial do lado oposto Ex. tiro pega em C4 – hemiparesia – lesão de 1º neurônio – perde força, reflexo, tônus, sinal de babinsky, sensibilidade superficial do lado do tiro é preservada; sensibilidade do mesmo lado é perdida Lesão progressiva (ex. tumor): monoparesia – lesão de 1º neurônio – reflexo aumentado; sinal de babinsky, clonus de pé; sensibilidade profunda é perdida do mesmo lado e do lado oposto é perdida a sensibilidade superficial Discriminatório epicrítico Nos permite dizer exatamente onde foi o toque Corre na via do trato grácil e cuneiforme Mista Usa conhecimento difuso, áreas difusas Esterognosia: Reconhecimento de objetos Noção de posição segmentar MANOBRAS DE IRRITAÇÃO MENÍNGEA Sinal de Kernig – quando médico flete a perna do paciente e estende; se tiver irritação, ele vai fletir a cabeça Sinal de Brudzinsky – médico flete a babeça do paciente e ele faz flexão involuntária Rigidez de nuca – paciente não consegue encostar o queixo