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CITOLOGIA DO TRATO GENITAL FEMININO Prof. MSc. Rian Felipe de M. Araújo ASSOCIAÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DO PIAUÍ CURSO DE FARMÁCIA CITOLOGIA CLÍNICA CÉLULAS ESCAMOSAS • São divididas em 3 tipos: superficiais, intermediárias e parabasais; • As células basais quase nunca são observadas nos esfregaços, somente em casos de atrofia intensa ou ulceração da mucosa; CÉLULAS ESCAMOSAS SUPERFICIAIS • Aparecem, na maioria das vezes, de forma isolada e raramente em aglomerados; • Comuns nos esfregaços no período ovulatório do ciclo menstrual; • Núcleo denso e picnótico devido a condensação da cromatina; • Circundado por uma zona de retração estreita e clara (halo) • Citoplasma achatado, transparente, poligonal de coloração eosinofílica • Células superficiais podem conter grânulos citoplasmáticos pequenos e escuros na zona perinuclear; • Grânulos de querato-hialina • Células escamosas superficiais anucleadas, ou escamas, também podem aparecer; • Núcleo ausente devido ao excesso de queratinização do citoplasma “núcleo fantasma”; • Local demarcado pelo núcleo será uma área central, clara e pequena • Quando o número de escamas anucleadas é grande, pode estar ocorrendo uma queratinização excessiva do epitélio escamoso cérvico-vaginal • Podem estar presentes também em portadores de carcinomas escamosos queratinizantes; CÉLULAS ESCAMOSAS INTERMEDIÁRIAS • Descamam isoladamente ou na forma de lâminas ou aglomerados; • Comuns no período pós-ovulatório, durante a gravidez ou menopausa precoce; • Deve-se aos hormônios progesterona ou adrenocorticais; • Quando em aglomerados, é comum durante a fase lútea do ciclo menstrual; • Núcleo é vesicular, possui forma arredondada ou ovalada; • Nucléolos não visíveis • Apresentam formas tendendo a poligonal; • Citoplasma pode ser pregueado, especialmente durante a fase lútea do ciclo menstrual; • Citoplasma rico em glicogênio, costuma ser cianofílico podendo conter 1 ou mais pequenos vacúolos; • Quantidade de glicogênio depende da situação hormonal; • Na gravidez, pode ser muito grande deslocando o núcleo em direção à periferia; • Depósitos de glicogênio coram-se de amarelo no Papanicolau; • Apresentam forma de um barco – células naviculares (subtipo das intermediárias) • Citoplasma periférico fortemente basofílico • Também observadas em mulheres menopausadas • Células intermediárias podem formar “pérolas córneas” • Compostas por várias camadas de células intermediárias; • As benígnas não possuem significado diagnóstico, desde que os núcleos sejam normais em termos de forma e tamanho; • Aquelas que apresentam anomalias nucleares, podem ser encontradas em carcinomas queratinizantes; • Citólise, ou lise citoplasmática, é resultado da fermentação do glicogênio por lactobacilos; • Como as células intermediárias são ricas em glicogênio, elas são alvos para bactérias; • Esfregaços se caracterizam pela presença de numerosos núcleos isolados e detritos celulares; • Núcleos “nus” observados, principalmente, durante fase pré- menstrual do ciclo ou durante gravidez; • Não confundir citólise com morte celular (necrose); • Necrose se caracteriza por condensação (picnose) ou fragmentação (cariorrexe ou apoptose) nucleares CÉLULAS ESCAMOSAS PARABASAIS • Núcleo ocupam grande porção delas; • Quando as células parabasais descamam, costumam fazer de forma isolada • Apresentam formato ovalado ou esférico com citoplasma bem definido e cianofílico; • Núcleo ovalado com possível diminuto nucléolo; • Quando removidas com espátulas ou escova, observa-se alongamento ou deformação do citoplasma, devido aos desmossomos; • Nesse caso, formam lâminas ou agrupamentos; • Células parabasais são comuns mulheres menopausadas; • Menos comuns em mulheres jovens com processo infeccioso ou traumático, devido a perda das camadas superficiais CÉLULAS ESCAMOSAS METAPLÁSICAS • Células de regiões de metaplasia escamosa costumam ter um tamanho semelhante ao das células parabasais, ou maiores; • Podem estar isoladas ou formar lâminas planas ou agrupamentos; • Possuem formato diferente das demais células parabasais; • São, geralmente, poligonais, com citoplasmas estirados na forma de projeções pontiagudas; • Apresentam limites bem definidos e citoplasma denso e cianofílico onde se encontram pequenos vacúolos • Vacúolos correspondem à presença de muco que caracteriza células endocervicais; • A presença do muco diferencia as células metaplásicas das células parabasais; • Células metaplásicas possuem menos glicogênio do que aquelas do epitélio escamoso maduro; • Nas lâminas planas, as células escamosas metaplásicas podem apresentar formas irregulares e uma distribuição em mosaico; • Células escamosas metaplásicas são, por vezes, acompanhadas de células endocervicais colunares CÉLULAS ENDOCERVICAIS • Aspecto variável; • Podem ser vistas isoladas, ou em arranjos paralelos com citoplasma transparente e núcleo arredondado; • Quando encontradas na forma aplainada, ao longo do eixo maior, formam agrupamentos em “favo de mel” • Configuração das células depende da fase do ciclo menstrual; • Durante o período estrogênico, citoplasma é relativamente denso e cianofílico, núcleo elíptico ou esférico; • Fase secretora, citoplasma distendido pelo muco claro e abundante, que pode deslocar o núcleo para a base da célula; • Nesta fase, é possível observar pequenas e densas projeções nucleares (papilas), dão ao núcleo contorno irregular; • A presença de células endocervicais é um parâmetro de qualidade do esfregaço • Algumas células colunares podem apresentar uma borda ciliada; • Quando tais células são numerosas, isso pode significar que tiveram uma metaplasia tubária; CÉLULAS ENDOMETRIAIS • Endométrio dá origem a 2 tipos de células: colunares ou cuboides; • Provenientes da superfície e das glândulas endometriais; • Há presença de células pequenas, oriundas do estroma cervical; • O aspecto depende da técnica empregada; • As que descamam espontaneamente são diferentes das removidas de forma ativa da cavidade endometrial; • A medida que a mulher avança do 1° até o 10° dia do ciclo menstrual, as células endometriais em esfregaços cérvico- vaginais tornam-se escassas; • Após o 12° dia, ou durante a menopausa, a presença de células endometriais deve ser considerada patológica; • Endométrio Pós-menopausa: – Nos esfregaços cérvico-vaginais é possível encontrar células endometriais quando apresentam hiperplasia ou carcinoma de endométrio ou durante tratamento com estrogênio • Aconselha-se fortemente prosseguir investigação CÉLULAS QUE ACOMPANHAM AS EPITELIAIS NOS ESFREGAÇOS CÉRVICO-VAGINAIS • Macrófagos; • Fibroblastos; • Leucócitos; • Plasmócitos; • Eritrócitos MACRÓFAGOS (HISTIÓCITOS) • Células fagocíticas móveis de tamanhos e formas variáveis; • Tem origem nos monócitos da medula óssea que nos tecidos transformam-se em macrófagos; • Capazes de ingerir fragmentos de material estranho, principalmente bactérias e detritos celulares; • Aspecto variável; • Célula com núcleo único e reniforme, circundado por citoplasma basofílico e bordas imprecisas; • Observa-se múltiplos e pequenos vacúolos citoplasmáticos contendo material fagocitado; • Quando vários se fundem, formam uma célula gigante com vários núcleos – célula gigante multinucleada ou célula gigante de corpo estranho; • Encontradas em estados inflamatórios e mulheres há muito menopausadas; • Provenientes do estroma conjuntivo uterino; • Pouco comuns nos esfregaços cérvico-vaginais; • Células que apresentam formato alongado e fusiforme, podendo formar lâminas ou agrupamentos; • Núcleos alongados e cromatinadensa; FIBROBLASTOS • Só são observados em esfregaços quando existe defeito no epitélio, expondo tecido conjuntivo subjacente; • Causa mais comum para este achado é raspagem ou escovagem muito enérgicas; • Células musculares lisas, semelhantes aos fibroblastos são também observadas após um abortamento; • Representados pelos polimorfonucleares e linfócitos; • Em esfregaço normal, observa-se poucos leucócitos e geralmente localizados no interior do muco cervical; • Tamanhos constantes; • Eosinófilos são raros e aparecem em infecções parasitárias; LEUCÓCITOS • Raros em esfregaços normais; • Núcleo excêntrico; • Cromatina apresenta a clássica distribuição em “roda de carroça” PLASMÓCITOS • Glóbulos vermelhos; • Podem aparecer intactos ou lisados; • Pode haver presença de filamentos de fibrina, hemoglobina lisada ou seu derivado, a hemossiderina (pigmento marrom que forma pequenos grânulos); • Indica episódio anterior de sangramento; ERITRÓCITOS FLORA VAGINAL NORMAL • Predomina os lactobacilos, conhecidos como bacilos de Döderlein; • Presença de numerosos outros organismos, tanto aeróbios como anaeróbios • Alteração do ecossistema vaginal pode levar a quadros infecciosos multibacterianos; • Lactobacilos são bastonetes Gram-positivos imóveis e não capsulados; • Capazes de fermentar o glicogênio, transformando em ácido lático e contribuir para a manutenção do pH normal (aproximadamente 4) da vagina; • Fermentação produz citólise das células intermediárias; • Citólise exuberante pode acompanhar-se de secreção vaginal exagerada;